>Idealização e abstração

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Agência FAPESP, 22/12/2009
Por Fabio Reynol

Distinguir o falso e suprimir o verdadeiro é, para a maior parte dos casos, indispensável para se fazer uma boa ciência cognitiva. A declaração provocativa foi feita por John Woods, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.

O filósofo participou na semana passada do Seminário “Raciocínio Baseado em Modelo em Ciência e Tecnologia”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento foi realizado no âmbito do Projeto Temático Logical Consequence and Combinations of Logics – Fundaments and Efficient Applications apoiado pela FAPESP e coordenado por Walter Carnielli, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

Woods se refere a dois recursos utilizados pelo raciocínio baseado em modelo voltado à ciência: a idealização e a abstração. Segundo ele, ambos são distorções da realidade que acabam trazendo bons resultados para a investigação científica. “São essas distorções que os tornam interessantes”, disse.

Enquanto a idealização representa em demasia um fenômeno expressando aspectos considerados falsos, a abstração o sub-representa ao eliminar algumas variáveis em favorecimento de outras na tentativa de simplificar o problema. Um exemplo de idealização são problemas de física em que não é considerado o atrito das superfícies.

As ideias de Woods fazem um contraponto à imagem instrumentalista da ciência, de uma ferramenta para registrar a realidade por meio apenas de medições precisas e fiéis. Para ele, os modelos científicos de sucesso contêm distorções. “A distorção não é incompatível com a aquisição do conhecimento”, destacou.

A base estaria no próprio sistema de modelagem, que nunca será idêntico ao fenômeno representado. “Se algo com que um objeto se parece nunca será o próprio objeto, então dizer o que é esse objeto é o mesmo que afirmar o que ele não é”, disse Woods.

O filósofo criou um modelo representativo para explicar como tais modelos conseguem ser bem-sucedidos. Segundo ele, os conhecimentos resultantes desses processos modelados não são obtidos por instrumentos, mas por cognição, e ainda usam uma técnica contraintuitiva ao trabalhar com considerações irreais, idealizadas ou até mesmo falsas.

“Entender as coisas de maneira errada é um meio de entendê-las corretamente. É intrigante mesmo – e dá certo”, afirmou.

Além de Carnielli, coordenaram o seminário o professor Lorenzo Magnani, da Universidade de Pavia, e o professor Claudio Pizzi, da Universidade de Siena. As duas instituições italianas promoveram o evento em conjunto com a Unicamp.

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