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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Segurança da Rio+20, entre a crítica e o temor (IPS)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 09h32

por Fabíola Ortiz, da IPS

IPS2b Segurança da Rio+20, entre a crítica e o temorRio de Janeiro, Brasil, 31/5/2012 – Fortes críticas da sociedade civil, cujos líderes não querem que “se militarize a Cúpula dos Povos”, foram provocadas pelo anúncio da operação de segurança que o governo brasileiro colocará em ação por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, e dos encontros paralelos. O governo se mostrou preocupado, ao mesmo tempo em que acredita poder garantir a segurança do encontro contra ataques cibernéticos ou terroristas.

O Plano Geral de Segurança da Rio+20 foi divulgado no dia 28 pelos chefes militares e pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, os quais explicaram que haverá um centro para coordenar as operações em toda a área onde se desenvolverem as reuniões da cúpula oficial e também dos encontros paralelos.

Cerca de 15 mil agentes distribuídos em diversos pontos do Rio de Janeiro, onde está prevista a realização de, aproximadamente, 500 encontros e painéis, enquanto as principais avenidas, viadutos e túneis estarão controlados por veículos blindados. Além disso, está previsto o investimento de US$ 10 milhões para rastrear e evitar possíveis ameaças de hackers ao sistema de conexões pela internet.

“Foi preparado um plano muito detalhado com o objetivo de garantir que a Conferência transcorra com tranquilidade. Do total de agentes, as forças armadas fornecerão oito mil soldados”, informou Amorim em entrevista coletiva com jornalistas brasileiros e estrangeiros. A operação Rio+20 acontecerá entre 5 e 29 de junho, quando haverá atividades, seminários, encontros e manifestações ambientalistas, além das reuniões de alto nível, entre as quais o encontro de chefes de Estado e de governo.

O esquema especial de proteção nos locais de hospedagem, traslado e realização das reuniões contará com cerca de cinco mil efetivos de segurança diariamente nas ruas e acompanhando as delegações estrangeiras. As escoltas de autoridades e delegações dos países e dos funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) constarão de 52 equipes especializadas, com apoio de 29 helicópteros e mais de 400 motociclistas. Haverá cuidado especial com os espaços aéreo e marítimo, missão que estará a cargo da Força Aérea e dos fuzileiros navais.

Também estarão na mira dos corpos de segurança as manifestações e conferências paralelas ao encontro oficial, especialmente a mais importante delas, a Cúpula dos Povos sobre a Rio+20 pela Justiça Social e Ambiental, de 15 a 23 de junho. Precisamente, uma das mobilizações com maior número de pessoas deverá ser a marcha prevista pelos líderes da Cúpula dos Povos, na Avenida Rio Branco, no dia 20 de junho, data de abertura da Rio+20.

O general Adriano Pereira Júnior, um dos comandantes da operação, afirmou que os movimentos sociais não serão reprimidos sob nenhuma circunstância, acrescentando que espera-se que se manifestem em um clima de ordem e cordialidade. “Os organizadores da Cúpula dos Povos já nos procuraram solicitando apoio na segurança de seus eventos”, contou o militar.

Porém, Carlos Henrique Painel, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, alertou para a possibilidade de os militares não respeitarem a liberdade das mobilizações. “Não queremos soldados armados do exército fazendo a segurança, não queremos uma Cúpula dos Povos militarizada, pois nosso receio é quanto ao nível de tolerância com relação às manifestações que são espontâneas e não diretamente ligadas à Cúpula”, disse à IPS.

“A Guarda Municipal é capaz de garantir nossa segurança”, opinou Painel, um dos organizadores da Cúpula dos Povos, para a qual se espera a presença de 25 mil a 30 mil pessoas, segundo seus promotores. “De fato pedimos ajuda para nossos acampamentos no Aterro do Flamengo e nos locais de hospedagem previstos em duas escolas públicas e no sambódromo, que abrigarão cerca de 12 mil participantes, explicou Painel.

Embora o Brasil não figure entre os países-alvo de possíveis atentados, um encontro internacional da dimensão da Rio+20 obriga a criar um centro de inteligência e prevenção. O general José Carlos De Nardi, do centro de defesa cibernética, informou que é a primeira vez que se articula no Brasil um site integrado contra ataques cibernéticos. “A Polícia Federal já tem muita experiência neste aspecto devido a tantas invasões a páginas da internet de órgãos e agências reguladoras. Temos condições de chegar ao local exato e ao computador de onde possam partir os ataques”, admitiu o general.

As autoridades também disseram que, no caso de ataques cibernéticos interromperem o fornecimento de energia, os principais locais já estão preparados com geradores para iluminação, bem como as empresas de telecomunicações com redes sem fio. O Brasil não receberá nenhum apoio em seu trabalho de segurança, “somos capazes e temos meio para fazê-lo”, enfatizou o general Pereira Júnior. Porém, admitiu que terão apoio de inteligência dos corpos de segurança dos governantes que chegarem ao Rio de Janeiro.

Envolverde/IPS

Desperdícios do crescimento desordenado do Brasil (IPS)

Economia
29/5/2012 – 10h01

por Mario Osava, da IPS

21 Desperdícios do crescimento desordenado do Brasil

Canal em construção no Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Foto: Mario Osava/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 29/5/2011 – Sabe-se que na China há cidades vazias, recém-construídas para milhões de habitantes que não aparecem. No Brasil, existem inúmeros grandes projetos com atrasos de anos, incompletos ou ameaçados de ficarem inconclusos. Além das numerosas obras de infraestrutura energética e logística exigidas pela expansão econômica do país, a Copa do Mundo de Futebol, que o Brasil sediará em 2014, impõe a construção ou reforma de estádios e melhorias na mobilidade urbana de 12 cidades.

A gigantesca hidrelétrica de Santo Antônio, no amazônico Rio Madeira, começou a funcionar no final de março, mas sem a linha que levará sua eletricidade ao local de maior demanda, o Estado de São Paulo, que estará concluída no final deste ano. A hidrovia do Rio Tocantins, uma saída natural para o Oceano Atlântico para a produção de grãos e minerais do eixo centro-norte do Brasil, obteve no ano passado eclusas para que grandes navios possam transpor a barreira de Tucuruí, a terceira maior hidrelétrica do mundo. O custo subiu para cerca de US$ 830 milhões.

No entanto, o Tocantins “continua inviável” para transporte de grandes cargas, porque não foi feita uma intervenção muito mais barata: retirar as rochas do Pedral de Lourenço, que se estendem por 43 quilômetros do rio, curso acima de Tucuruí, afirmou Renato Pavan, sócio da Macrologística, empresa especializada em estratégias de transporte. Estima-se que as eclusas, neste caso, teriam custado metade do preço final se tivessem sido feitas durante a construção da hidrelétrica, concluída em 1984. Contudo, teriam ficado ociosas durante 28 anos por falta de demanda de navios de grande porte, e continuarão assim por um longo tempo, por outras razões.

Completar a hidrovia exige “um mínimo de cinco anos”, porque, além de erradicar o Pedral, será preciso construir portos e dragar trechos do rio. Estas obras exigem investimentos que não estão nas prioridades governamentais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lamentou o engenheiro Pavan, que há três décadas trabalha em infraestrutura de transportes.

Nos últimos anos, governo e empresas multiplicaram hidrelétricas, portos, estradas e ferrovias, em construção por todo o país. Algumas destas obras registram atrasos superiores a quatro anos, enquanto os empresários se queixam de que o país vive à beira de um colapso chamado de “apagão logístico”. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que unirá o centro do país à costa atlântica da Bahia, ao longo de 1.500 quilômetros e cruzando terras de grãos e minérios, já tem três anos de atraso, que tendem a se prolongar porque o porto de destino continua indefinido e ameaçado por um veto devido a questões ambientais.

De 155 centrais hidrelétricas e termoelétricas licitadas a partir de 2004 e cujas datas previstas de operação chegavam até o ano passado, 72 registraram atraso médio de um ano, segundo o Instituto Acende Brasil, um observatório do setor. Há usinas que não funcionam porque não contam com fornecimento de gás natural. As geradoras elétricas se tornaram prioritárias após o apagão de 2001, que provocou racionamento, campanhas de economia de consumo e a ressurreição de megaprojetos suspensos desde a década de 1980. É o caso da central de Belo Monte, que será a maior hidrelétrica do mundo e que está sendo construída no Rio Xingu, na Amazônia oriental.

Nas duas “décadas perdidas” de 1980 e 1990, as crises financeiras travaram o crescimento da economia brasileira e, por extensão, paralisaram a demanda energética, deixando de lado os planos de infraestrutura que exigem uma maturação de longo prazo. Agora, tenta-se recuperar essas décadas perdidas enfrentando novas exigências ambientais e conflitos com ambientalistas, indígenas e movimentos sociais, além de outras disputas.

Também há falta de mão de obra qualificada, e inclusive a menos capacitada também escasseia e fica mais cara, diante da oferta de empregos abundantes mesmo em áreas que antes exportavam força de trabalho barata, como o empobrecido Nordeste do país. As greves se repetem e as reclamações incluem mais dias livres para visitas a familiares de operários que chegam de longe, além de melhores salários.

Assim, a capacitação de trabalhadores locais se impôs aos grandes projetos, embora não evite uma intensa rotatividade. Pela construção da hidrelétrica de Santo Antônio “passaram mais de 50 mil operários”, o triplo dos que havia no momento de apogeu da obra, destacou Altair Donizete Oliveira, vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil do Estado de Rondônia.

No Nordeste, que vive uma onda de industrialização, um engenheiro, que pediu para não ser identificado, afirmou que sua empresa conta com 500 empregados, “mas precisa de 2.500” para construir no ritmo desejado o trecho que lhe corresponde na transposição do Rio São Francisco, imenso projeto para levar mais água a essa região semiárida. Planejada para ser inaugurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), dificilmente estará pronta ao final do mandato de Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2015. Vários dos 15 trechos em que a obra foi dividida estão paralisados.

O projeto para desviar as águas do Rio São Francisco, que consiste em dois canais a céu aberto, com largura média de 25 metros, túneis, represas e aquedutos ao longo de 713 quilômetros de um relevo ondulado, realça os problemas da multiplicação de obras gigantescas. Seu custo total quase duplicou, e hoje é estimado em cerca de US$ 4 bilhões. Os atrasos e as interrupções tendem a torná-lo ainda mais caro.

Par agravar o cenário, o escândalo de corrupção envolvendo vários dirigentes políticos com negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, ameaça paralisar dezenas de projetos prioritários, inclusive um dos trechos da transposição. Isto porque a construtora Delta, estreitamente ligada a Cachoeira, participa em cerca de 200 obras, na maioria licitadas pelo governo, que incluem estradas, estádios de futebol, portos e serviços de coleta de lixo urbana. Substituir a empresa nos projetos pode desatar batalhas judiciais e agravar os atrasos. Envolverde/IPS

Rio+20, somente semear para o futuro (IPS)

Envolverde Rio + 20
29/5/2012 – 09h52

por Stephen Leahy, da IPS

12 Rio+20, somente semear para o futuroUxbridge, Canadá, 29/5/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) servirá apenas de terreno onde se tentará cultivar as ideias e os valores que a humanidade necessita para o Século 21. Contudo, ninguém espera, ou mesmo deseja, um grande tratado internacional sobre desenvolvimento sustentável, lamentou Manish Bapna, presidente interino da organização ambientalista internacional World Resources Institute, com sede em Washington.

“O importante acontecerá de forma paralela às negociações formais”, disse Bapna à IPS. Porém, “pode haver alguns esperançosos compromissos específicos” dos países na Rio+20, acrescentou. Talvez, seu resultado mais importante seja acabar com o errôneo conceito de que proteger o meio ambiente vai contra o crescimento econômico, quando, na realidade, ocorre o contrário, destacou Bapna. Sem um meio ambiente saudável e funcionando a humanidade perde os benefícios de “produtos gratuitos”: ar, água, terras de cultivo e clima estável.

Para Bapna, “um dos principais obstáculos para o futuro é que funcionários de muitos países acreditam que avançar em um caminho mais sustentável implica um custo demasiadamente alto”. Ele espera que a Rio+20 gere um “novo discurso”, com maior compreensão de que uma economia baixa em carbono e eficiente em termos de recursos pode também aliviar a pobreza e gerar empregos.

Espera-se que ao menos 50 mil pessoas participem de centenas de atividades na Rio+20, entre elas mais de 130 líderes mundiais, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e os primeiros-ministros Manmohan Singh, da Índia, e Wen Jiaboa, da China. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não confirmou sua presença no encontro, que acontece 20 anos depois da Cúpula da Terra.

Aquela reunião, também no Rio de Janeiro, deu à luz três importantes tratados sobre meio ambiente, mudança climática, biodiversidade, degradação de terras e desertificação. Porém, em quase todas essas categorias a situação piorou desde 1992. Apenas poucos países, como a Alemanha, entendem a necessidade ambiental e econômica de optar por um caminho mais sustentável, afirmou Bapna. “Esse país realiza o esforço individual mais importante do mundo para combater a mudança climática e reduzir o carbono em sua economia”, ressaltou.

A Alemanha está comprometida em duplicar sua produtividade energética e de recursos até 2020, o que gerará novos empregos e fortalecerá sua competitividade em um mundo com cada vez menos e mais caros recursos. Aproximadamente 22% da energia da Alemanha procede de fontes renováveis, e sua meta é alcançar 35% até 2020, e 80% até 2050. Para isto, realiza grandes esforços na melhoria da eficiência energética

O consumo de água potável, petróleo e cobre caminha para ser triplicado até 2050, segundo informe da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2001. O problema é que não restam recursos suficientes no planeta para sustentar este ritmo. A Rio+20 precisa atrair as pessoas com uma nova “história” sobre o imperativo de viver de forma sustentável, com exemplos de como podem ser criados novos mercados e empregos verdes, apontou Bapna.

Enquanto isso, as negociações oficiais da Rio+20 vão tão mal que foram acrescentadas mais sessões. As delegações negociam o chamado “rascunho zero”, onde se procura estabelecer um mapa do caminho para o crescimento sustentável e no qual esteja previsto o estabelecimento de uma série de metas. Porém, como todos os acordos da ONU, cada palavra necessita de uma aprovação unânime de todas as nações, o que é extremamente difícil.

“Reconhecemos que não podemos continuar queimando e consumindo nossa forma de prosperidade. Entretanto, não adotamos a solução óbvia. A única solução possível, hoje como há 20 anos, é o desenvolvimento sustentável”, disse em uma declaração o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Também admitiu que as negociações seguem “dolorosamente lentas”, e interveio pessoalmente para acrescentar outra semana de conversações, exortando os países a olharem além de seus interesses nacionais. Segundo Ban Ki-moon, o Rio de Janeiro “oferece uma oportunidade geracional para acionar o botão de reinício, para fixar um novo curso rumo ao futuro que equilibre as dimensões econômica, social e ambiental da prosperidade e do bem-estar humanos”.

Faltando menos de 30 dias para o encontro de alto nível, ainda não “há uma definição acordada do que é economia verde”, alertou Craig Hanson, diretor do Programa de População e Ecossistemas do Instituto de Recursos Mundiais. Há um crescente consenso sobre a necessidade de um crescimento e um desenvolvimento verdes, mas a população em geral não sabe exatamente o que isto significa.

A Alemanha oferece um exemplo com seus esforços de energia limpa, que criaram 370 mil empregos, indicou Hanson à IPS. Outro exemplo é o êxito de Níger em reverter a desertificação na zona do Sahel, acrescentou. As negociações sobre como obter economias mais verdes são uma batalha, pois muitos países colocam seus interesses nacionais acima dos interesses do planeta e das futuras gerações, observou.

Reduzir gradualmente os milhões de dólares que os governos investem em subsídios anuais para combustíveis fósseis seria um caminho ideal, mas não está claro se as nações estão dispostas a isso, opinou Bapna. “Repetirão suas antigas promessas ou assumirão firmes compromissos no Rio? Simplesmente não sabemos”, afirmou. O mundo mudou desde 1992. As coisas são muito menos previsíveis. Não há uma visão ecológica única para todos os países. “O que sabemos é que esta é uma década crítica. O mundo necessita de compromissos no curto prazo para atuar”, concluiu.

Envolverde/IPS

II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20 (Revista Fórum)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 11h08

por Por Mikaele Teodoro, da Revista Fórum.

Capa62 II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20Evento acontece no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de junho.

Nos dias 16 e 17 de junho acontece, no Rio de Janeiro, o II Fórum Mundial de Mídia Livre. O evento vai reunir “midialivristas” tais como: representantes de sites, ativistas, rádios e TVs comunitárias, pontos de cultura, coletivos atuantes nas redes sociais e também agências, revistas e emissoras alternativas comprometidas com a luta pelo conhecimento livre. O encontro fará parte da Cúpula dos Povos da Rio+20, evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, explica que o momento é ideal para discutir a mídia livre. “O II Fórum Mundial de Mídia Livre acontecerá num momento em que a mídia livre e todas as suas formas de organização e expressão ganham espaço no contexto das mobilizações globais por um mundo mais justo, como ocorreu na Primavera Árabe e também nas ocupações realizadas, no último ano, em diversas partes do globo”, destaca.

No II FML, midialivristas de diversos países discutirão temas como alternativas de produção de informação, maneiras de estruturar politicamente a mídia livre internacional, discutir alternativas de financiamento e de compartilhamento de conteúdo, propagar novas possibilidades de atuação disponibilizadas pelas novas tecnologias, entre outros. “Vai ter gente de varias partes do mundo, um grupo grande de pessoas do norte da África, representantes do Uruguai, França, Alemanha e muitos outros”, afirma Bia. “A intenção dos organizadores é atrair diferentes públicos para as discussões. Não queremos tornar o debate muito técnico, comum apenas para os profissionais da comunicação.”

O encontro contará com atividades autogestionadas, além de painéis, debates livres, oficinas e plenárias, e será na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao lado do Aterro do Flamengo.

Confira abaixo a programação:

Dia 16

9h: Abertura – Auditório Pedro Calmon (campus da UFRJ – Urca)
O II Fórum Mundial de Mídia Livre e a Rio+20: A luta da comunicação e da cultura como bens comuns

11h: Painéis simultâneos

Eixo 1 – Direito à Comunicação – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: acesso à informação; liberdade de expressão; agressões a jornalistas; criminalização da mídia livre; conglomerados mundiais de comunicação e o discurso hegemônico sobre desenvolvimento

Eixo 2 – Apropriação Tecnológica – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: novos modelos organizacionais e econômicos; protocolos livres; liberdade de internet; espectro livre e tecnologia digital (rádio e TV digital); formação para apropriação tecnológica

13h – Almoço

14h – Painel eixo 3: Políticas Públicas – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: comunicação e democracia; marcos regulatórios; padrões internacionais e boas práticas de regulação; sistema público de comunicação; rádios comunitárias; rádios livres; sustentabilidade das mídias livres

16h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Dia 17

9h – Painéis simultâneos

Eixo 4 – Movimentos Sociais – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: Produção de conteúdo e informação pela sociedade civil (incluindo o debate sobre a disputa de valores em torno do desenvolvimento sustentável); as lutas nas redes e nas ruas e o ativismo global; como aumentar o impacto da mídia livre nas lutas sociais; sinergia entre plataformas regionais de informação; troca de experiências e iniciativas; os midialivristas e o processo do Fórum Social Mundial

Mulher, mídia e bens comuns – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: invisibilidade e exclusão da história das mulheres; liberdade de expressão e negação da memória; lutas das mulheres nas redes sociais; das Marchas das Vadias às denúncias de discriminação das mulheres na Primavera Árabe; produção de conteúdo pelo direito à igualdade e diversidade de gênero e raça na rede; regulação de mídia e a questão da representação da imagem da mulher; o potencial de impacto desse debate nas redes sociais.

10h30 – Plenária Geral – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Organização de estratégias e encaminhamento de propostas para a Plenária de Convergência da Cúpula dos Povos sobre Bens Comuns

13h – Almoço

14h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Inscrição de atividades para o II Fórum Mundial de Mídia Livre: http://cupuladospovos.org.br/fmml/

Outras informações:
http://medias-libres.rio20.net
http://forumdemidialivre.org
http://freemediaforum.org

* Publicado originalmente no site da Revista Fórum.

Empresariado promove agenda paralela à Rio+20 (Mercado Ético)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h44

por Sucena Shkrada Resk, do Mercado Ético

Capa4 Empresariado promove agenda paralela à Rio+20A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não mobiliza somente os governos e a sociedade civil organizada, mas também o setor empresarial, que estará presente em eventos paralelos, no mês de junho, no Rio de Janeiro e em outras localidades do Brasil. Os temas centrais do evento – economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, além da governança internacional da sustentabilidade – são o pano de fundo para a realização dos debates e propostas entre as organizações da iniciativa privada.

“Os eventos paralelos à conferência e à pré-conferência Rio+20 são uma forma de envolver a sociedade organizada, empresas e outras partes interessadas no processo de discussão dos rumos do acordo político que está sendo construído para fortalecer a inclusão dos princípios do desenvolvimento sustentável nas diversas instâncias de processos decisórios. Cada encontro lateral busca atingir algum público e algum ponto de vista”, explica Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, uma das corporações que terá atividades voltadas ao público presente na Rio+20.

Segundo ele, dessa forma, a soma de todos os encontros laterais cobrirá a diversidade, própria ao desenvolvimento sustentável. “Entendo que dessa ampla participação e discussão surgirão propostas que colocarão a energia e o apoio que os negociadores precisam para que o acordo político resultante seja contundente e à altura do desafio que a humanidade está enfrentando”, avalia.

Programação

A exemplo do evento oficial e da Cúpula dos Povos, a agenda ligada às corporações está bem diversificada. No período de 11 a 13 de junho, em São Paulo, será realizada a já tradicional Conferência Ethos 2012, cujo tema será A empresa e a nova economia: o que muda com a Rio + 20 (www.ethos.org.br/ci2012). Na ocasião também será lançada a versão em português da obra O Estado do Mundo 2012: Rumo à Prosperidade Sustentável, do World Watch Institute.

“Durante o evento, discutiremos e produziremos um documento em parceria com representantes de cerca de 40 organizações, com propostas em relação aos 10 temas (veja abaixo) que serão debatidos por representantes da sociedade civil nos Diálogos sobre Desenvolvimento Sustentável, que será organizados pelo governo brasileiro, de 16 a 19 de junho, na programação da Rio+20″, explica Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos.

Os temas são: Desenvolvimento Sustentável para o combate à pobreza; Como resposta às crises econômicas e financeiras; Desemprego, trabalho decente e migrações; A economia do Desenvolvimento Sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo; Florestas; Segurança alimentar e nutricional; Energia Sustentável para todos; Água; Cidades Sustentáveis e Inovação; Oceanos.

O material será entregue aos participantes dos Diálogos e ao comitê organizador da Rio+20, com o objetivo, segundo ele, de se propor alternativas a cenários futuros. “Durante a Conferência Ethos também avançaremos em um debate além da Rio+20, que refletirá sobre a construção de uma economia includente verde e responsável”. Para isso, será tratada a questão dos novos modelos de negócios, com a participação de John Elkington, criador do conceito do triple bottom line, entre outras personalidades.

No Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, ocorrerão mais eventos entre os dias 11 e 22 de junho. Ainda sem programa definido (a ser lançado no próximo dia 25), as atividades ali serão organizadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), em parceria com a Fundação Roberto Marinho e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

O Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) manterá um espaço institucional no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro, de 13 a 23 de junho, e também manterá eventos paralelos, no Rio Centro e no Forte de Copacana, quando será apresentado o lançamento do documentoVisão Brasil 2050, uma iniciativa “tropicalizada” do documento produzido pelo World Business Council for Sustainable Development – WBCSD (Conselho Mundial de Gestão para o Desenvolvimento Sustentável).

“Esse documento é considerado um dos mais importantes já lançados sobre o futuro da sustentabilidade e tem inspirado o planejamento estratégico de inúmeras empresas em todo o mundo. Visão Brasil 2050 é uma agenda para o desenvolvimento sustentável e a transição para a economia verde nos próximos 40 anos”, explica Marina Grossi, presidente executiva do CEBDS.

Outro projeto a ser divulgado é “Rio Cidade Sustentável“. A iniciativa, lançada, neste ano, tem sete eixos: turismo comunitário, desenvolvimento de empreendedores locais, sustentabilidade nas escolas e lares, infraestrutura urbana verde, agricultura urbana orgânica, gestão comunitária de resíduos e melhoria habitacional sustentável.

“Trata de infraestrutura urbana e transformação social com foco em sustentabilidade, que articula poder público, empresas e moradores para melhorar a qualidade de vida das comunidades. Desde janeiro deste ano, duas comunidades pacificadas da Zona Sul carioca, Babilônia e Chapéu Mangueira, acolhem as sete frentes de atuação do programa.”, diz ela.

Por fim, o Rio+20 Corporate Sustainability Forum: Innovation & Collaboration for the Future We Want (Rio+20 Fórum de Sustentabilidade Corporativa: inovação e colaboração para o futuro que queremos) será promovido pelo Pacto Global da ONU, entre 15 e 18 de junho, também no Rio de Janeiro (http://csf.compact4rio.org/events/rio-20-corporate-sustainability-forum/event-summary-251b87a2deaa4e56a3e00ca1d66e5bfd.aspx).

* Publicado originalmente no site Mercado Ético.

Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o Código (Agência Brasil)

31/5/2012 – 10h52

por Danilo Macedo,da Agência Brasil

Capa5 Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o CódigoDeputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elaboraram cerca de 50 emendas à Medida Provisória 571/2012, que trata dos trechos vetados do Código Florestal. Os parlamentares tem até sexta-feira para apresentá-las. O atual presidente da frente, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), disse que vários deputados vão entrar com mandado de segurança contra a MP, por considerarem “uma afronta” e “entendendo que a presidenta exorbitou no seu poder”.

Segundo Mendes, alguns parlamentares entendem que a legislação estabelece que assuntos votados no Congresso Nacional não podem ser objeto de medida provisória antes da aceitação ou derrubada do veto presidencial. Após o veto da presidenta Dilma Rousseff, o Congresso Nacional tem 30 dias para discutir o assunto. “Vamos ouvir o restante da frente para que se tome uma deliberação a esse respeito”.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que ficou surpreso com a MP tratando de matéria derrotada na Câmara dos Deputados e a considerou uma “agressão” ao Congresso. “Ela passa a legislar acima da vontade do Congresso Nacional. Esse que é o ponto sobre o qual queremos entrar com mandado de segurança no sentido de buscar a sustação dos efeitos dessa medida provisória”, disse.

Moreira Mendes disse que o assunto Novo Código Florestal precisa ser liquidado, mas devido ao rito da medida provisória, com prazo de 120 dias, o assunto não será resolvido antes do recesso parlamentar. Em relação às emendas, o presidente da FPA disse que a intenção é buscar um texto de conciliação, nem mantendo o atual e nem resgatando a proposta que saiu das discussões na Câmara dos Deputados.

* Publicado originalmente no site  Brasil de Fato.

Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal (EcoD)

29/5/2012 – 10h34

por Redação EcoD

51 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Os ministros anunciaram vetos em 12 itens e 32 modificações no texto do Código Florestal, feitos pela presidenta Dilma Rousseff, na última semana. Foto: José Cruz/ABr

Impedir a anistia a quem desmatou e proibir a produção agropecuária em áreas de proteção permanente (APPs) foram alguns dos principais objetivos da presidenta Dilma Rousseff ao vetar parte do novo Código Florestal na sexta-feira, 25 de maio. Os vetos de 12 artigos resgatam o teor do acordo firmado entre os líderes partidários e o governo durante a tramitação da proposta no Senado.

Artigo 1º, que foi modificado pelos deputados após aprovação da proposta no Senado, foi vetado. Na medida provisória (MP) publicada hoje (28) no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto devolve ao texto do Código Florestal os princípios que haviam sido incorporados no Senado e suprimidos, posteriormente, na segunda votação na Câmara. A MP foi o instrumento usado pelo governo para evitar lacunas no texto final.

Também foi vetado o Inciso 11 do Artigo 3º da lei, que trata das atividades eventuais ou de baixo impacto. O veto retirou do texto o chamado pousio: prática de interrupção temporária de atividade agrícolas, pecuárias ou silviculturais, para permitir a recuperação do solo.

61 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Artigo 61 previa a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008 – o governo vetou. Foto: leoffreitas

Recebeu veto ainda o Parágrafo 3º do Artigo 4º que não considerava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. O dispositivo vetado ainda estendia essa regra aos salgados e apicuns – áreas destinadas à criação de mariscos e camarões.

Foram vetados também os parágrafos 7º e 8º. O primeiro estabelecia que, nas áreas urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas das faixas de passagem de inundação (áreas que alagam na ápoca de cheia) teriam sua largura determinada pelos respectivos planos diretores e pela Lei de Uso do Solo, ouvidos os conselhos estaduais e municipais do Meio Ambiente. Já o Parágrafo 8º previa que, no caso de áreas urbanas e regiões metropolitanas, seria observado o dispositivo nos respectivos planos diretores e leis municipais de uso do solo.

O Parágrafo 3º do Artigo 5º também foi vetado. O dispositivo previa que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial poderia indicar áreas para implantação de parques aquícolas e polos turísticos e de lazer em torno do reservatório, de acordo com o que fosse definido nos termos do licenciamento ambiental, respeitadas as exigências previstas na lei.

73 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

APP em Minas Gerais. Parágrafo 3º do Artigo 4º desconsiderava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. Foto: Paula FJ

Já no Artigo 26, que trata da supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo tanto de domínio público quanto privado, foram vetados o 1º e 2º parágrafos. Os dispositivos detalhavam os órgãos competentes para autorizar a supressão e incluía, entre eles, os municipais do Meio Ambiente.

A presidenta Dilma Rousseff também vetou integralmente o Artigo 43. Pelo dispositivo, as empresasconcessionárias de serviços de abastecimento de água e geração de energia elétrica, públicas ou privadas, deveriam investir na recuperação e na manutenção de vegetação nativa em áreas de proteção permanente existente na bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração.

Um dos pontos que mais provocaram polêmica durante a tramitação do código no Congresso, o Artigo 61, foi vetado. O trecho autorizava, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.

Também foram vetados integramente os artigos 76 e 77. O primeiro estabelecia prazo de três anos para que o Poder Executivo enviasse ao Congresso projeto de lei com a finalidade de estabelecer as especificidades da conservação, da proteção, da regeneração e da utilização dos biomas da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal e do Pampa. Já o Artigo 77 previa que na instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente seria exigida do empreendedor, público ou privado, a proposta de diretrizes de ocupação do imóvel.

A MP que complementa o projeto, publicada nesta segunda-feira (28), vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias – ela ainda será votada pelo Congresso.

* Publicado originalmente no site da EcoD.

Comunidade internacional comenta veto parcial a novo Código Florestal brasileiro (Carbono Brasil)

01/6/2012 – 11h12

por Jéssica Lipinski, do Instituto Carbono Brasil

Chamada6 Comunidade internacional comenta veto parcial a novo Código Florestal brasileiroOs desdobramentos do projeto de lei do novo Código Florestal brasileiro não foram seguidos apenas nacionalmente, mas também pela comunidade internacional. Com a suspensão da presidente Dilma Rousseff de 12 dos 84 artigos da proposta e modificação de 32 deles, a resposta internacional ao veto parcial não demorou a chegar, e como no Brasil, causou muita polêmica.

Alguns grupos ambientalistas saudaram a decisão da governante brasileira, afirmando que a ação de Dilma impediu que grandes danos às florestas brasileiras fossem autorizados. “Aplaudimos a presidente Rousseff hoje por votar as partes mais perigosas dessa lei e por seu compromisso contínuo em acabar com o desmatamento brasileiro até 2020”, comentou Doug Boucher, diretor de pesquisa e análise climática da União dos Cientistas Preocupados.

“A emenda que concederia anistia para desmatamentos ilegais de antes de 2008 seria um precedente perigoso. Os proprietários de terras teriam ficado livres para continuar a derrubar florestas sob a suposição de que outro período de anistia seria oferecido. Se Rousseff não tivesse vetado essa seção, isso teria minado todo o Código Florestal”, continuou Boucher.

Outras organizações que defendem o meio ambiente celebraram parcialmente a iniciativa da presidente. “A presidente Rousseff aparentemente aderiu à opinião pública brasileira em vetar as seções mais irresponsáveis do Código Florestal ruralista, mas não estamos fora de perigo ainda”, observou Jennifer Haverkamp, diretora do programa climático internacional do Fundo de Defesa Ambiental (EDF), em comunicado à imprensa.

“O que esses vetos realmente significam para o futuro das florestas – e se a lei pode ser efetivamente aplicada – dependerá das especificidades da ordem executiva (medida provisória) que a presidente emite na segunda-feira”, acrescentou Haverkamp.

No entanto, a maioria da comunidade internacional criticou a decisão de Dilma, alegando que muitos dos pontos que passaram só contribuirão para um maior desmatamento no Brasil.

Pedro Abramovay, diretor de campanhas do site de mobilização Avaaz, lembrou que das duas milhões de assinaturas existentes no documento entregue à governante que pedia pelo veto total ao novo código, 1,7 milhões foram recolhidas no exterior, sobretudo na Alemanha e na França, o que segundo ele, demonstra a preocupação mundial do que pode acontecer às florestas brasileiras sob o novo código.

“Pedimos o veto porque essa legislação representa em retrocesso para o Brasil e para o mundo e porque está baseado em um modelo que propõe desmatar para desenvolver”, alertou Abramovay.

Por todo o mundo, grupos ambientalistas, como o Greenpeace e o WWF, se pronunciaram contra o novo projeto de lei, e manifestações ocorreram em várias cidades do planeta, como Madri, na Espanha, e Tel Aviv, em Israel.

“Essa tentativa de excluir elementos de uma parte já complicada da legislação fará com que o Código Florestal revisado seja muito difícil de ser implementado – e as florestas do Brasil podem sofrer muito como resultado”, declarou o WWF.

“Na última década, o Brasil esteve no caminho do progresso econômico e ambiental. Agora, a declaração da presidente Rousseff cria um futuro incerto para as florestas brasileiras”, concluiu Jim Leape, diretor geral do WWF Internacional.

* Publlicado originalmente no site do Carbono Brasil.

Festival interativo leva visitantes a experimentar situações de desastre ambiental (Agência Brasil)

01/6/2012 – 10h42

por Thais Leitão, da Agência Brasil

Chamada53 Festival interativo leva visitantes a experimentar situações de desastre ambientalRio de Janeiro – Uma floresta que entra em chamas colocando em risco a vida de animais e da vegetação existente; uma geleira intacta que de repente começa a derreter ou uma casa que sofre inundação. Todas essas situações, provocadas pelo desequilíbrio ambiental, podem ser experimentadas pelo público durante o Green Nation Fest, festival interativo e sensorial que começou hoje (31) na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro, e vai até 7 de junho.

De acordo com o diretor da organização não governamental (ONG) Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (Cima), que organiza do evento, Marcos Didonet, o objetivo é levar experiências práticas aos visitantes e estimular o público a agir de forma mais sustentável. A Cima desenvolve há mais de 20 anos ações em parceria com instituições privadas, governamentais e multilaterais.

“O objetivo é alcançar o grande público que não está acostumado a vivenciar a questão ambiental, trazendo o assunto de forma mais interessante, agradável e prática. Para isso, nossos artistas e cientistas bolaram essas instalações capazes de promover sensações que serão ainda mais frequentes se não mudarmos nossos padrões de consumo e comportamentos cotidianos”, afirmou.

No local, também há tendas onde ocorrem oficinas lúdicas e educativas. Em uma delas, montada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), um grupo de 30 alunos da rede municipal do Rio aprendeu, hoje, a produzir carteiras usando caixas de leite e recortes de tecido.

Para a estudante Ana Beatriz Leão, 14 anos, a ideia é criativa e pode servir para presentear amigos. “É legal porque a gente geralmente joga no lixo e agora sabe que dá para fazer outras coisas com a caixa. A que eu fiz, vou dar para uma amiga que tenho certeza que vai gostar”, contou a adolescente.

Na mesma tenda, os visitantes podem conferir outros produtos feitos com material reutilizado, como uma pequena bateria produzida com latinhas de refrigerante, livros infantis com retalhos de tecidos e bonecos com caixa de sapato.

Entre os meninos, uma das atividades preferidas é o Gol de Bicicleta na qual os participantes pedalam e geram energia para seu time. A cada watt gerado, um gol é marcado para o time de preferência. Além disso, uma bateria é abastecida e leva energia para ser utilizada em outra instalação do festival.

Os amigos Gustavo Fonseca e Roberto Damião, ambos de 11 anos, também alunos da rede municipal do Rio, disseram que a experiência é “muito intensa”.

“Foi muito legal porque a gente aprendeu outra maneira de gerar energia e ainda fez gol pro Mengão”, disse Roberto, que torce pelo Flamengo.

O evento, com entrada gratuita, também oferece uma a Mostra Internacional de Cinema, com 12 longas-metragens, e seminários com convidados brasileiros e internacionais sobre economia verde e criativa, que serão abertos para debates. A programação completa pode ser conferida no site www.greennationfest.com.br.

* Publicado originalmente no site da Agência Brasil.

 

Divisão Norte-Sul paira sobre a Rio+20 (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h05

por Thalif Deen, da IPS

Slide2 Divisão Norte Sul paira sobre a Rio+20

Branislav Gosovic. Foto: Cortesia Branislav Gosovic

Nova York, Estados Unidos, 1/6/2012 – A Cúpula da Terra de 1992 no Rio de Janeiro se viu em grande parte desbaratada pela divisão Norte-Sul: uma batalha entre uma coalizão de nações industrializadas ricas e o Grupo dos 77 (G-77), atualmente integrado por 134 países em desenvolvimento.

De certa forma, as atuais divisões são mais profundas do que por ocasião da Conferência sobre Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972, a primeira cúpula ambiental, e do que a Cúpula da Terra, duas décadas depois, disse Branislav Gosovic, ex-integrante da Comissão Brundtland sobre Meio Ambiente e que integrou a delegação do Centro Sul na conferência de 1992.

“A divisão afetará o processo e o resultado da Rio+20”, afirmou Gosovic, referindo-se à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho. Branislav Gosovic é autor de The Quest for World Environmental Cooperation: The Case of the U.N. Global Environment Monitoring System (A busca da cooperação mundial para o meio ambiente: o caso do Sistema Mundial de Monitoramento Ambiental das Nações Unidas).

IPS: Como participante da Cúpula da Terra de 1992, tem alguma confiança ou está cético com relação ao resultado da Rio+20?

Branislav Gosovic: Não sou otimista quanto a êxitos ou grandes avanços. A reunião acontecerá em um momento difícil para a economia global e nacional e após 20 anos de predomínio de uma globalização neoliberal. No primeiro caso, os chefes de Estado estarão preocupados com a resposta à atual crise que não sabem como manejar nem superar. E o segundo prejudicou a agenda sobre desenvolvimento sustentável e paralisou, ou fez retroceder, alguma das políticas e dos avanços conceituais realizados no período anterior com vistas à (e na) cúpula do Rio de Janeiro.

IPS: Qual sua opinião sobre o documento da Rio+20 que é negociado?

BG: Mantém muitas ideias e muitos objetivos vivos. Entretanto, semanas antes do encontro, parágrafos entre parênteses (o que indica desacordos) e palavras ambíguas sobre questões muito importantes mostram a falta de consenso e que a comunidade internacional caminha para um período de seca. Porém, me atrevo a ser otimista quanto ao longo prazo e após um período de globalização neoliberal, dada a maturação de muitos temas e a preocupação e o agravamento dos problemas globais identificados em Estocolmo há 40 anos, que a Rio+20 possa marcar o começo de 20 anos mais promissores para a cooperação internacional rumo a “Estocolmo+60, isto é, Rio+40.

IPS: Qual a melhor forma de conseguir isso?

BG: É preciso muito trabalho, compromisso e liderança de alguns países que estão em posição de oferecê-lo e participação das forças sociais em um movimento global genuíno. E o mais importante, acarretará grandes mudanças estruturais e paradigmas sobre como a sociedade se organiza, em escala nacional e global, uma chave que abrirá a porta para cumprir muitos dos atuais objetivos esquivos ou inalcançáveis. Não há motivo de surpresa no fato de tais mudanças sofrerem resistência e serem combatidas com unhas e dentes e por todos os meios disponíveis pelos que se opõem a elas.

IPS: Acredita em uma repetição da divisão Norte-Sul de 1991 nas atuais negociações do plano de ação da Rio+20, intitulado O futuro que queremos?

BG: A divisão Norte-Sul existe há mais de 60 anos, desde os primeiros dias da Organização das Nações Unidas. Afetou e determinou o resultado de Conferência de Estocolmo e a forma como foi conceituada a agenda ambiental, como um plano de desenvolvimento sustentável. Esteve presente no informe e na primeira reunião da Comissão Brundtland, isto é, a Comissão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, e depois na Rio 92 e em Johannesburgo 2002. E tal como mostra o atual rascunho do documento final, terá um papel central na Rio+20. Pode-se argumentar que as questões ambientais usufruíram a agenda internacional para o desenvolvimento e vice-versa. Os problemas ambientais globais não podem ser atendidos nem resolvidos sem a participação do Sul e dos países em desenvolvimento, e sendo sócios iguais na empresa. Não se pode fazer desaparecerem as cúpulas gêmeas sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e a Chamada Cúpula da Terra, como fazem alguns países industrializados tentando encontrar divisões e diferenças no Sul. Continuarão fazendo isso até que o Norte mude sua política e assuma sua posição de solidariedade e tenha uma adesão genuína aos princípios do Rio, de “responsabilidades comuns e diferenciadas”. Por outro lado, observa-se os esforços para transformar a agenda ambiental em uma grande oportunidade empresarial e de criação de emprego, para projetar uma imagem de determinados países em desenvolvimento importantes como principal ameaça para o meio ambiente global. Também para enfrentar nas negociações sobre mudança climática pequenos grupos de Estados em desenvolvimento vulneráveis, em um esforço de nunca acabar tendente a dividir o Grupo dos 77. Definitivamente, o conflito Norte-Sul está vivo e se movendo, dirá presente na Rio+20 e se manterá no futuro imediato.

IPS: Como se compara a Agenda 21 e o documento da Rio+20 com o histórico informe da Comissão Brundtland de 1987? Houve avanços substanciais desde então e desde a Conferência de Estocolmo?

BG: O documento da Rio+20 é resultado de um processo de negociações. Nesse sentido, não se pode comparar com o Informe Brundtland nem com o da Cúpula da Terra, ambos elaborados por equipes dedicadas a essa tarefa durante um longo tempo. Por outro lado, a maioria dos temas presentes no Informe Brundtland e na Agenda 21 podem ser encontrados no documento da Rio+20, embora redigidos de tal forma que revela a falta de consenso e de compromisso para agir. Houve avanços em numerosas áreas, mas, nas questões cruciais e nos conflitos subjacentes, quase não existiu movimento. Isso continuará sendo de interesse e desempenhará um papel importante na Rio+20. Um desses conflitos tem a ver com as divisões Norte-Sul, a agenda internacional para o desenvolvimento, e a questão relacionada da ordem global e política existente, que está sendo questionada. O outro conflito, menos visível, tem a ver com a natureza da ordem socioeconômica dominante, ou o paradigma, que é questionado por não ser sustentável do ponto de vista social nem ambiental. Este conflito estará presente no Norte e no Sul. Houve poucos progressos na prática sobre questões fundamentais desse tipo. Envolverde/IPS

(IPS)

Rio+20 é a conferência de todos (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h00

por Sha Zukang*

Slide1 Rio+20 é a conferência de todosNações Unidas, 1/6/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, é uma oportunidade única em uma geração. Mais de 135 chefes de Estado e de governo, e mais de 50 mil participantes no total, incluindo executivos de empresas e representantes da sociedade civil, estarão presentes. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, definiu o encontro como “uma das mais importantes conferências da história” da ONU.

Não nos equivoquemos, o mundo está observando. Com a interdependência sem precedentes que vivemos hoje, o desenvolvimento sustentável é a única via para enfrentar os desafios econômicos, sociais e ambientais que afetam milhões de pessoas e ameaçam nosso planeta compartilhado.

Os progressos no desenvolvimento sustentável se traduzem em alimentos na mesa de milhões de pessoas que hoje sofrem fome, bem como em oportunidades de trabalho decente, em acesso a água potável e na capacidade de respirar ar puro e caminhar por uma mata cheia de vida. Além disso, o desenvolvimento sustentável assegura que cada mulher tenha iguais oportunidades e que cada menino e menina tenha a possibilidade de ir à escola, de ter acesso a saneamento básico, crescer em um ambiente socialmente inclusivo e aspirar um futuro promissor.

Talvez, muitos de nós sejamos suficientemente afortunados para darmos como assentadas estas bases do desenvolvimento sustentável. Contudo, devemos fazê-lo?

Nosso sobrecarregado planeta enfrenta um grande número de desafios: as repercussões da recessão econômica global, a insegurança energética, a escassez de água, os altos preços dos alimentos, as vulnerabilidades diante da mudança climática e a frequência e severidade dos desastres naturais, entre outros.

A natureza destes desafios nos recorda uma verdade importante: somos um, e estamos interligados de infinitas maneiras. Estes desafios não afetam apenas um país ou uma região. São de natureza global e têm impacto sobre todos. No mundo de hoje, o que acontece em uma parte do planeta pode facilmente repercutir em outra. Não podemos continuar com a mesma atitude, vivendo do tempo emprestado, e consumindo recursos como se existissem cinco planetas.

A Rio+20 não é “apenas outra conferência da ONU”. Por que o fórum mundial a está convocando? Não se trata de adotar normas e regulações à custa da qualidade de vida, mas de estimular e facilitar mais sábias opções para indivíduos, comunidades locais, negócios e governos.

Combinadas, nossas opções determinam a saúde de nossas economias, de nosso planeta e de nossa sociedade. O Rio de Janeiro é uma importante oportunidade para assegurar que os líderes globais respeitem seus compromissos para um mundo sustentável, tanto econômica quanto social e ambientalmente, e para que escolham políticas a favor do povo e do planeta.

Uma ideia que ganha cada vez mais apoio são as Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS), que complementariam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As MDS, aplicáveis e mensuráveis, dariam uma concreta expressão ao renovado compromisso político pelo desenvolvimento sustentável. No Rio de Janeiro espero ver ações para avançar em direção a uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Na verdade, vários temas reclamam ação urgente: empregos decentes, especialmente para os quase 80 milhões de jovens que entram anualmente no mercado de trabalho; sistemas de proteção social; inclusão social; acesso a energia; eficiência e sustentabilidade. Além disso, segurança alimentar e agricultura sustentável, gestão racional da água, cidades sustentáveis, proteção e administração de oceanos e melhor resistência e preparação diante de desastres naturais.

Os governos também terão que decidir com qual marco institucional se pode avançar melhor na agenda do desenvolvimento sustentável e proporcionar um espaço para que a sociedade civil e o setor privado desempenhem seu papel. Na verdade, todos os setores da sociedade podem desenvolver tecnologias que ajudem a transformar o mundo para melhor, criar empregos verdes e influenciar positivamente a sociedade por meio da responsabilidade social das corporações.

A sociedade civil pode responsabilizar os governos e assegurar que as vozes dos mais vulneráveis estejam representadas. Os cientistas podem desenvolver soluções inovadoras para os desafios da sustentabilidade, e cada um de nós também tem uma parte nas decisões que tomamos a cada dia.

A Rio+20 é a conferência de todos, assim como o planeta também é de todos. Suas metas, suas aspirações e seu resultado pertencerão a todos. Por fim, não esqueçamos que a Rio+20 também é uma conferência para as futuras gerações. Um famoso provérbio indígena norte-americano diz: “Não herdamos a Terra de nossos ancestrais, mas a tomamos emprestada de nossos filhos”.

Juntos, participando de um pensamento criativo, de iniciativas para avançar e de compromisso voluntários, podemos conseguir consenso e procurar um mundo que faça nossos descendentes se orgulharem. Trabalharemos unidos para criar o futuro que queremos. Envolverde/IPS

* Sha Zukang é secretário-geral adjunto da ONU, diretor do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Rio+20.

Rio+20 será um fracasso, avalia Eduardo Viola, especialista em clima e professor da UnB (Agência Câmara de Notícias)

01/06/2012

Eco Debate

A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas para debater a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e o papel da governança para o desenvolvimento sustentável.

O professor avaliou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não terá grandes avanços porque as duas das maiores superpotências – Estados Unidos e China – não estão interessadas em negociações ambientais. “Neste momento, temos três superpotências no sistema internacional: Estados Unidos, União Europeia e China. Dessas três só a União Europeia, mesmo que limitadamente, se orienta para uma economia mais verde. Estados Unidos e China são conservadores e não querem ceder soberania nacional”, explicou.

Na opinião de Eduardo Viola, a Rio+20 vem em um “momento errado da História” e não deve passar de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”. Para ele, a Rio+20 só teria condições de sucesso se houvesse profundas mudanças políticas nas três superpotências.

Conselho de Desenvolvimento Sustentável
O professor citou outras transformações necessárias no caminho da sustentabilidade. Entre elas, a criação de uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Viola, entretanto, não acredita que essas mudanças acontecerão em um futuro próximo.

O diretor interino do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Paulino Franco de Carvalho Neto, defendeu a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). “O conselho teria mais poderes e um status mais elevado do que a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que tem um caráter mais de discussão, com pouco alcance de resultados concretos que interferem nas políticas públicas”, observou.

Carvalho Neto disse que o governo brasileiro defende o reforço do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), estabelecendo, por exemplo, que as contribuições dos países para o programa sejam obrigatórias e não voluntárias. O diretor ressaltou ainda que “as questões ambientais não devem ser vistas isoladamente, devem englobar também as questões sociais e econômicas”.

Aspecto social
Já o professor da USP Eliezer Martins Diniz disse que o conceito de economia verde não tem grandes diferenças em relação ao de desenvolvimento econômico sustentável.

O Pnuma, lembrou, define economia verde como “a que resulta em um maior bem-estar humano e igualdade social enquanto reduz significativamente o risco ambiental e a escassez ecológica”.

Diniz, que é economista e especialista em desenvolvimento sustentável, considera o conceito redundante. “A definição de desenvolvimento sustentável já trata desses temas”. Ele explicou que a única diferença em relação aos dois conceitos é que o de desenvolvimento sustentável dá mais ênfase ao aspecto econômico e ambiental enquanto o conceito de economia verde engloba também o aspecto social.

O economista alertou ainda para a grande ênfase ao aspecto social, na frente das prioridades ambientais. “Pode ser uma ‘armadilha perigosa’, pois países em desenvolvimento podem argumentar que não cumpriram metas ambientais estabelecidas porque priorizaram a erradicação da pobreza.”

Na opinião do professor, se os países em desenvolvimento simplesmente disserem que têm como prioridade a erradicação da pobreza e que, por isso, não cumpriram nenhuma meta, não poderão ser cobrados. “É preciso haver cobrança de resultados ambientais muito claros.”

Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Economia verde, o nome não faz a essência (Inter Press Service)

Inter Press Service – Reportagens
31/5/2012 – 09h27

por Giuliano Battiston, da IPS

IPS1c Economia verde, o nome não faz a essênciaFlorença, Itália, 31/5/2012 – A atual crise econômico-financeira que afeta o Norte industrial apresenta uma oportunidade para reformar o sistema econômico, segundo participantes da nona edição do evento Terra Futura, sobre “boas práticas” em sustentabilidade social, econômica e ambiental. “O que, quanto, como e para quem produzir são as perguntas que temos de responder com urgência”, afirmou Guido Viale, economista ambiental e autor de vários livros de ecologia.

“A crise oferece a oportunidade de reconverter ecologicamente a forma como produzimos, usamos os produtos e serviços para preparar o caminho com vistas à redução de nossa dependência dos combustíveis fósseis para respeitar a biodiversidade e criar um sistema econômico seguro e com poucas emissões de carbono”, afirmou Viale durante a mostra, realizada entre 25 e 27 de maio nesta cidade. O primeiro passo para uma economia saudável e um ambiente limpo é “encontrar formas rentáveis de melhorar nossa infraestrutura e ‘descarbonizar’ nosso fornecimento energético”, disse Monica Frassoni, presidente da Aliança Europeia para Economizar Energia.

Esta organização foi criada por ocasião da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro de 2010, e inclui algumas das principais companhias multinacionais da Europa, além de um grupo de políticos de diversos partidos. “Sem compromissos obrigatórios com a eficiência energética até 2020 e sem objetivos de economia verificáveis para os membros da União Europeia (UE), o bloco corre o risco de alimentar sua dependência dos combustíveis fósseis”, destacou Frassoni.

Tão importante quanto ter um marco institucional e objetivos de economia setoriais nas principais áreas da economia europeia é conseguir uma mudança radical no estilo de vida. “As mudanças que vão durar são as que criarem raízes em uma mentalidade renovada”, explicou Karl-Ludwig Schibel, coordenador do braço italiano do Pacto dos Prefeitos. O movimento europeu pretende cumprir e superar o objetivo da UE de reduzir em 20% as emissões de dióxido de carbono (CO²) até 2020. O Pacto dos Prefeitos foi lançado pela Comissão Europeia em 2008, após a adoção do Pacote sobre Clima e Energia. “Realmente, acreditamos na efetividade de um processo de baixo para cima, promovido por cidadãos, autoridades regionais e administradores locais. É ali que ocorrem as revoluções mentais mais profundas”, detalhou Schibel.

Segundo a ambientalista Vandana Shiva, a consciência cultural de nossa escravidão intrínseca e frágil da “terra viva” é a ferramenta mais importante para promover a justiça, a sustentabilidade e uma nova economia. “É hora de abandonar o modelo centralizado, fossilizado e esclerosado, adotado na era industrial, e se construir um novo, descentralizado, democrático, horizontal e no qual todos os ecossistemas sejam respeitados e a diversidade seja um valor”, enfatizou.

“Devemos lutar contra as monoculturas mentais promovidas pela industrialização, e sermos cuidadosos com as velhas armadilhas escondidas em novas palavras, como economia verde”, acrescentou Vandana. Susan George, presidente do diretório do Transnational Institute, uma rede mundial de pesquisadores e ativistas, disse à IPS: “Não me agrada utilizar o termo economia verde, pois pode se converter em um meio pelo qual o capitalismo corporativo global consiga benefícios com um novo rosto mais respeitável”.

Vinte anos depois da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a comunidade internacional se reunirá novamente nessa cidade, de 20 a 22 de junho, para outra Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, onde se discutirá sobre economia verde, cujo adjetivo verde continua sendo motivo de controvérsia.

“Há alguns anos proponho o Novo Tratado Verde, isto é, assumir o controle das finanças e os investimentos na transição verde e social. O primeiro passo é socializar, não nacionalizar, os bancos, para incluir cidadãos e clientes na gestão, e conceder empréstimos para pequenas iniciativas ambientais”, contou Susan. A chamada economia verde é algo totalmente diferente. “Sou pessimista sobre a Rio+20”, declarou. “Será apenas uma desculpa para que as grandes corporações digam: ‘a ONU é lenta e ineficaz, nós somos efetivos e inteligentes, nos deem o dinheiro e investiremos em economia verde’. Porém, apenas buscam novos benefícios. Devemos perguntar: uma economia verde para quem e gerida por quem?”.

Barbara Unmüßig, presidente da Heinrich Boll Stiftung, escreveu em um artigo intitulado “Economia verde: uma nova bala mágica”, que “grandes setores da sociedade civil acreditam que a economia verde seja uma área extremamente benéfica”. Para marcar a diferença, o modelo de economia verde também dever prestar atenção a questões de poder e igualdade, e ao mesmo tempo afastar a ênfase política global do crescimento e livre comércio. Envolverde/IPS

(IPS)

‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki-moon sobre negociações da Rio+20 (EcoAgência)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h07

por Redação UNIC Brazil

Capa11 ‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki moon sobre negociações da Rio+20Rodada de negociações dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou hoje (29) a importância deste momento para o sucesso dos objetivos da Rio+20. Seu discurso foi feito durante o início da terceira e última rodada de negociações informais entre os representantes de governos e os ‘Major Groups’ para definir o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O encontro de líderes globais está ocorrendo em Nova York de terça-feira (29/5) a sábado (2/6). “O tempo está acabando”, disse Ban Ki-moon aos participantes da rodada informal. “Vocês ainda têm muito trabalho a fazer – talvez trabalho demais – mas vocês devem perseverar. Os riscos são muito, muito altos, para o povo e para o planeta, para a paz e a prosperidade.”

Esta rodada de negociações, que foi acrescentada no início do mês, dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro. O evento reunirá mais de 130 Chefes de Estado e de Governo, juntamente com milhares de parlamentares, prefeitos, funcionários da ONU, diretores executivos e líderes da sociedade civil.
As negociações serão baseadas em um texto que foi encurtado e simplificado pelos copresidentes do processo de deliberação, o Embaixador John Ashe de Antígua e Barbuda e o Embaixador Kim Sook da República da Coreia.

“Quando nos encontrarmos no Rio, os Chefes de Estado e de Governo devem ter diante de si um documento final conciso que atenda às suas expectativas”, disse Ban. Ele encorajou os delegados a serem ousados e trabalharem de forma construtiva com o documento simplificado ao longo dos próximos dias.

A questão-chave nas negociações tem sido o desenvolvimento dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – um conjunto de parâmetros de referência que orientem os países na obtenção de resultados específicos dentro de um período de tempo específico, como no acesso universal a energia sustentável e água limpa para todos, tendo como base os já conhecidos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), após o prazo final de 2015.

“Um processo que defina os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode ser um dos resultados mais importantes da Rio+20”, disse Ban. “Eles podem fornecer marcos concretos no caminho de realização da nossa visão, e podem ajudar a garantir a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: social, econômica e ambiental.” Após a última rodada de negociações informais do documento final, as conversas serão retomadas durante a Terceira Reunião do Comitê Preparatório, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 13 e 15 de junho.

Confira o discurso de Ban Ki-moon na íntegra: http://www.un.org/sg/statements/index.asp?nid=6087

Acesse o vídeo da participação do Secretário-Geral: http://bit.ly/MWAWVy

 * Publicado originalmente no site da EcoAgência.

Faculdade de Direito recomenda cotas na USP (OESP)

01 de junho de 2012 | 10h 00

AE – Agência Estado

A Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a unidade mais tradicional da Universidade de São Paulo (USP), aprovou ontem, por “aclamação” (unanimidade), recomendação para que a USP adote cotas raciais. A declaração, que deve seguir para o Conselho Universitário, pode ser o primeiro passo para que a instituição comece a discutir esse tipo de ação afirmativa.

A recomendação foi votada na Congregação da faculdade, que reúne professores e alunos. A reunião teve a participação de representantes do movimento negro, que defenderam as cotas. “Esse é um passo muito importante porque reconhece que o debate sobre cotas está amadurecido e que os programas da USP não alteram a desigualdade entre brancos e negros”, afirma Clyton Borges, do movimento Uneafro Brasil. A Uneafro faz parte da Frente Pró-Cotas, que reúne 70 organizações do movimento negro e fomentou a discussão.

A USP não adota sistema de cotas ou mesmo bonificação para negros no vestibular. A universidade mantém apenas um programa de inclusão para estudantes da rede pública e o considera satisfatório. Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela legalidade das cotas, fortalecendo o debate do tema, a USP não cogitou discutir o tema.

Para o professor de Direito Marcus Orione, é simbólico que a primeira declaração oficial pelas cotas na USP tenha saído do Largo São Francisco. “A decisão nos faz resgatar a história da faculdade em defesa da democracia. Temos uma unidade onde não há negros.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Latin America and the Caribbean: Inclusive Green Growth Can Help Sustain Recent Economic and Social Gains (World Bank)

 

Press Release No:2012/492/LAC
  • Ahead of Rio+20, World Bank report underlines region’s innovative successes and urges to transform them into widespread practices.
  • Latin America’s vast natural resources at risk if inclusive green growth policies are not sustained.
  • Challenges include: 80% of region’s population live in cities; LAC has fastest motorization rate.

WASHINGTON, May 31, 2012 – Latin America and the Caribbean’s natural resources, vastly credited with current growth, could be significantly depleted in less than a generation (15 to 20 years) if the region does not fully embrace inclusive green policies that can guarantee sustainable growth, says a new World Bank report released at the Woodrow Wilson Center today, ahead of the Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development.

In many respects, Latin America and the Caribbean (LAC) could turn out to be a victim of its own economic success. The region’s bonanza of recent years (an average of 4 percent growth and more than 70 million people lifted from poverty) has led to explosive urbanization, which makes a green future more difficult. For instance, the region has the most people living in urban areas in the developing world–over 80 percent of its population–and holds the world’s fastest growing motorization rates at 4.5 percent per year, the study argues.

Examples of how LAC is embracing the inclusive green growth agenda

A Compact and Efficient Urban Footprint:  Densification subsidies to attract people to the city center and revitalize stagnant urban economies are now being utilized in many cities  such as Mexico City, Lima, and Rio de Janeiro.

Expansion of Basic Urban Services:  Between 2001 and 2008, an additional 63 million people in LAC were covered by solid waste services, increasing the coverage rate for collection from 81 to 93 percent.

Bus Rapid Transit Systems:  As the region undergoes rapid growth in automobile ownership it has also led the developing world in the implementation of alternative mass transit systems, in key cities such as  Bogota, Lima, and Mexico City.

Expansion of Low Carbon Electricity Generation:  Electricity generation more than doubled between 1990 and 2009, growing at over 4 percent per year.  The share of natural gas in the region increased from 10 percent in 1990 to 21 percent in 2009.  With oil and diesel declining in importance, power generation growth in LAC has thus had a lower carbon footprint than in other regions.

Extending successes with sustainable agriculture:  The most important pillar of a strategy to reduce the environmental footprint of the region’s agriculture has been the preservation of existing forest cover and the encouragement of reforestation with native species where feasible. Latin America has led the way in using direct payments for forest conservation, with national programs in place in several countries and Brazilian states.

 

But the region has also served as a global laboratory for some of the most innovative green practices, the report underlines.   It boasts, for example, the lowest carbon energy matrix of the developing world (6 percent of global GHG emissions in the power sector), and multiple cutting edge instruments such as the first catastrophic risk insurance facility to enhance resilience against natural disasters. It has also adopted payment schemes for preserving the environment, which have, for instance, helped turn Costa Rica into a global environmental icon and a paradise for eco-tourism, after being the worst deforester in the region back in the mid 1990s.

“LAC countries are confronted today with decisions that will define their future for years to come,” said Ede Ijjász-Vásquez, World Bank’s Sustainable Development Director for Latin America and the Caribbean“The region has the opportunity to choose a path that can lead to robust growth without locking it into unsustainable patterns that in the long run can prove to be more expensive, less efficient, and less resilient.”

Some of these choices will define the future of the region for decades to come in key areas such as infrastructure, energy and urban services, which are drivers of economic growth and define the quality of life for most of the people in the region who live in cities. For example, demand for electricity in LAC will almost double in the next two decades. While the region currently has the cleanest energy mix in the world, the electricity sector’s carbon intensity has been rising due to the increasing share of fossil fuels (including natural gas), a trend that is expected to continue. To address this, the region will have to rely more on other cleaner sources of energy—such as hydro and wind.

The sustainability of the region’s growth will also depend on its commitment to use    its unique natural assets in a sustainable way. The very advantages that the region’s natural endowment provides – rich water resources, fertile land, and unparalleled biodiversity—are under threat from the spread of inefficient land use and deforestation.  

The report also points out that the region has a real chance to become a leader in adopting a more efficient and climate-smart agricultural practices that do not come at a cost to the environment and are better prepared for new climate patterns. It will also mean moving towards more efficient and greener forms of transportation of goods, such as railways and waterways, which are currently greatly underused, as well as increasing the number of rural communities that are connected.

Ijjász-Vásquez also pointed out that green growth is not inherently inclusive. “For green policies and investments to endure over time, it will be essential that they benefit all of the region’s people, with a focus on the poor,” he added.

There is no single blue print for inclusive green growth in LAC.  However, many of the answers to the challenge of how to grow in sustainable and inclusive ways lie within the region’s own experiences.  Policies and targeted investments can boost economic growth as well as help realize the aspirations of the growing middle class for a better quality of life, create opportunities for the poorest and most vulnerable segments of society, and protect LAC’s environmental assets.

This Forest Is Our Forest (N.Y.Times)

OP-ED CONTRIBUTOR

By LUIS UBIÑAS – Published: May 31, 2012

Twenty years ago, the world came together in Rio de Janeiro for a historic summit meeting to tackle the environmental issues that threaten the very sustainability and preservation of our planet. Now, as world leaders and thousands of other participants prepare for the Rio+20 Conference, we are facing an even more urgent set of environmental challenges.

Samrang Pring/Reuters. Koh Kong province, in southwestern Cambodia.

The pace of global climate change has worsened, representing a fundamental threat to the planet’s health and environmental well-being. And there is little indication the world’s leaders are ready to meet the challenges of building an environmentally sustainable future.

But there is some good news to report — and it’s coming from the world’s forests, a critical front line in the effort to slow climate change and conserve biodiversity. In a largely unreported global movement, some 30 of the world’s most forested countries have adopted an innovative idea for protecting forests: granting ownership rights to communities that reside in them.

Almost 90 percent of the laws granting such rights have been passed since the first Earth Summit in 1992, demonstrating that a global consensus can produce real change. A new report from the Rights and Resources Initiative — a global coalition of organizations working for forest-use reforms — presents a growing body of evidence that in places where local communities have taken ownership of forests, the results have been overwhelmingly positive. Protected areas, owned by indigenous communities in Asia and Latin America, have lower rates of deforestation, forest fires and, above all, carbon emissions.

Since forests also provide for the livelihoods of tens, even hundreds, of millions of people, clarifying and recognizing ownership rights is helping to spur economic growth and raise living standards.

In Brazil, which is hosting the Rio+20 summit — formally the United Nations Conference on Sustainable Development — deforestation rates have significantly declined, even as incomes in indigenous forest communities have increased. Brazil has moved toward this goal by giving communities the legal protections to keep out ranchers, loggers and others seeking to destroy their forests.

Yet the progress we’ve seen across the globe has been uneven, and the potential to build on it stands at risk. As chronicled in the R.R.I. report, most of the new laws that recognize customary rights circumscribe those rights and are applied at limited scale.

In Africa, nearly eight out of 10 laws that recognize the rights of indigenous peoples and communities do not allow them to exclude outsiders — a critical element of land ownership. Even where legal rights exist, complicated bureaucratic procedures often make it difficult to realize them. In Mozambique, for example, to qualify for “community concessions” local communities must provide six copies of a topographical map identifying all the detailed geographical features of the land. Not surprisingly, in 2009 — a decade after the act was passed — no concessions had been granted.

Worse still, some of the countries with rights on the books now find themselves at the center of a growing and troubling land grab by commercial investors focused on clearing forests for agriculture, with little concern for the local communities that call them home.

Recent efforts by wealthy ranchers to weaken land rights in Brazil illustrate this growing threat. In the face of rising food, mineral and energy prices, this fierce competition for land will only increase, making the need for strongly established community rights more important than ever before.

For all of these reasons, Rio+20 must build on the success of its predecessor and serve as a new impetus to expand and strengthen community rights to the world’s forests.

This means ensuring that billions of hectares of forest are turned over to local communities; it means engaging with the private sector to help clarify groups’ rights to land and forest; and it means creating new public/private partnerships, such as those that have been used to combat other global issues like H.I.V.-AIDS and malaria, to build public support for ownership rights. Above all, it means ensuring that the rights already recognized by governments are fully realized in local communities.

Taking action on these fronts will set us on a powerful course for a more sustainable and equitable future — just as it did 20 years ago. Actions that simultaneously strengthen human rights and achieve sustainable development are an unusual win-win. The fact that they also help stop deforestation and climate change makes them an even more attractive and urgent option.

At a time when the struggle against global warming seems more daunting than ever, our two decade-long experience with community forestry shows that we have within our means the ability to turn the tide.

Luis Ubiñas is president of the Ford Foundation.

University of Tennessee anthropologists find American heads are getting larger (University of Tennessee)

University of Tennessee at Knoxville

White Americans’ heads are getting bigger — that’s according to research by forensic anthropologists at the University of Tennessee, Knoxville

White Americans’ heads are getting bigger. That’s according to research by forensic anthropologists at the University of Tennessee, Knoxville.

Lee Jantz, coordinator of UT’s Forensic Anthropology Center (FAC); Richard Jantz, professor emeritus and former director of the FAC; and Joanne Devlin, adjunct assistant professor, examined 1,500 skulls dating back to the mid-1800s through the mid-1980s. They noticed U.S. skulls have become larger, taller and narrower as seen from the front and faces have become significantly narrower and higher.

The researchers cannot pinpoint a reason as to why American head shapes are changing and whether it is primarily due to evolution or lifestyle changes.

“The varieties of changes that have swept American life make determining an exact cause an endlessly complicated proposition,” said Lee Jantz. “It likely results from modified growth patterns because of better nutrition, lower infant and maternal mortality, less physical work, and a breakdown of former ethnic barriers to marriage. Which of these is paramount we do not know.”

The researchers found that the average height from the base to the top of the skull in men has increased by eight millimeters (0.3 inches). The skull size has grown by 200 cubic centimeters, a space equivalent to a tennis ball. In women, the corresponding increases are seven millimeters and 180 cubic centimeters.

Skull height has increased 6.8 percent since the late 1800s, while body height has increased 5.6 percent and femur length has only increased about 2 percent. Also, skull-height has continued to change whereas the overall heightening has recently slowed or stopped.

The scientists also noted changes that illustrate our population is maturing sooner. This is reflected in the earlier closing of a separation in the bone structure of the skull called the spheno-occipital synchondrosis, which in the past was thought to fuse at about age twenty. Richard Jantz and Natalie Shirley, an adjunct assistant professor in the FAC, have found the bone is fusing much earlier — 14 for girls and 16 for boys.

America’s obesity epidemic is the latest development that could affect skeletal shape but its precise effects are unclear.

“This might affect skull shape by changing the hormonal environment, which in turn could affect timing of growth and maturation,” said Richard Jantz. “We know it has an effect on the long bones by increasing muscle attachment areas, increasing arthritis at certain joints, especially the knee, and increasing the weight bearing capacity.”

The research only assessed Americans of European ancestry because they provided the largest sample sizes to work with. Richard Jantz said changes in skeletal structure are taking place in many parts of the world, but tend to be less studied. He said research has uncovered shifts in skull shape in Europe though it is not as dramatic as seen in the U.S.

The findings were presented on April 14 in Portland, Ore. at the annual meeting of the American Association of Physical Anthropologists

No campo acadêmico, o futebol é titular (Faperj)

Elena Mandarim

Livro mostra as mudanças por que vêm passando as paixões dos torcedores brasileirosDivulgação / ufv.br

Desde que chegou ao país, o futebol passou por um processo de incorporação cultural até se constituir na chamada “paixão nacional”. Durante o Campeonato Brasileiro de Futebol, que é o principal torneio nacional entre clubes, organizado oficialmente desde 1971 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), milhares de torcedores espalhados comemoram as vitórias e choram as derrotas de seus times. Basta observar a popularidade do Brasileirão, como é conhecido e que este ano começou no dia 19 de maio, para perceber que, atualmente, torcer pelos times locais se tornou mais importante do que torcer pela própria seleção. Esta é uma das reflexões trazidas no livro Futebol, Jornalismo e Ciências Sociais: interações, organizado por Ronaldo Helal, Hugo Lovisolo e Antonio Jorge Golçalves Soares, todos professores da Faculdade de Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e publicado com recursos do programa de Apoio à Editoração (APQ 3), da FAPERJ. Para aqueles que quiserem entender melhor como essa “paixão nacional” interage com questões significativas para a sociedade, o livro conta ainda como se deu o processo de construção da narrativa do “futebol arte”, o estilo único do brasileiro jogar. Outras análises também são abordadas, como a mudança do olhar da imprensa esportiva da Argentina em relação ao Brasil e a maneira de se criar alguns simbolismos e heróis do futebol brasileiro.

O termo “País do futebol” foi uma construção social realizada, a partir dos anos 1930, dentro do projeto nacionalista do Estado Novo – época em que o Brasil buscava consolidar sua identidade nacional. Contudo, Helal explica que, com o processo de globalização e comercialização do futebol, o jogador se internacionaliza e não só veste a camisa de seu país como também pode representar outras nações. “O Kaká, por exemplo, é ídolo não apenas dos brasileiros, mas também de italianos e espanhóis. Por isso, observamos que, atualmente, os torcedores brasileiros se envolvem mais com seus times locais, nos quais encontram seus heróis nacionais, aqueles que vestem a camisa do clube”, acredita o sociólogo.

É evidente que a Copa do Mundo ainda tem uma estrutura que estimula os nacionalismos. Não é por acaso que, de quatro em quatro anos, o significado “Brasil: País do futebol” ganha uma dimensão mais intensa. Mas uma análise jornalística, mostrada no livro, evidencia que o próprio noticiário já não trata o futebol como sinônimo de nação. “Observa-se, por exemplo, que, a derrota na final para o Uruguai, em 1950, e a conquista do tricampeonato, em 1970, foram sentidas como derrota e vitória, respectivamente, de projetos da nação brasileira. Já as vitórias em 1994 e 2002 e a derrota na final para a França, em 1998, foram comemoradas e sofridas como vitórias e derrotas da seleção, não transcenderam o terreno esportivo”, exemplifica Helal.

Do atraso para a peculiaridade

Outro artigo do livro explica como a miscigenação do brasileiro, antes considerada como motivo do atraso do país, passou a ser o ingrediente básico para formação de grandes jogadores de futebol. “Tudo começou com a obra clássica do sociólogo Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, que pela primeira vez mostra o valor positivo da mistura de raças, que traz peculiaridades e força à população brasileira”, conta Helal.

Logo depois de Freyre, Mario Filho, um dos fundadores do jornalismo esportivo no Brasil, lançou O Negro no Futebol Brasileiro, em que a junção do futebol com a nação miscigenada se torna mais evidente, ajudando a consolidar uma identidade nacional. Gilberto Freyre, por sua vez, escreveu em sua coluna no Diário de Pernambuco, do dia 18 de junho de 1938, o artigo “Foot-ball Mulato, que se tornou fundamental para a simbologia do futebol. “Ali, ele louva a miscigenação racial e afirma que ela funda certo estilo de jogo que seria típico do Brasil – uma ‘dança vibrante e gingada’, o que tempos depois se convencionou chamar de ‘futebol arte’”, exemplifica Helal.

Outro aspecto interessante levantado pelo livro é a mudança de postura da imprensa argentina em relação ao futebol brasileiro. Helal explica que, no início do século XIX, o grande adversário do Brasil era o Uruguai, grande potência futebolística na época. “Nessa ocasião, os hermanos argentinos torciam para o Brasil. Quando a Argentina começou a despontar como nossa grande adversária, a imprensa e a publicidade brasileiras começaram a provocar os argentinos. Só recentemente eles passaram a revidar nossas provocações”, relata Helal, que analisou este ponto em seu pós-doutorado, realizado em Buenos Aires.

Os estudos acadêmicos sobre o futebol vêm crescendo e se consolidando nas últimas duas décadas. Na Faculdade de Comunicação Social da Uerj, Ronaldo Helal e Hugo Lovisolo organizaram o grupo de pesquisa “Esporte e Cultura”, cadastrado no CNPq desde 1998. Nas cerca de 200 páginas de Futebol, Jornalismo e Ciências Sociais: interações”, os leitores ainda encontrarão, entre outros assuntos, uma revisão geral da literatura sobre o tema; um estudo sobre a construção de alguns simbolismos e heróis do futebol brasileiro; uma análise jornalística sobre a reconstrução da memória da partida entre Brasil e Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950; uma comparação sobre as figuras públicas de Pelé e Maradona; e uma investigação etnográfica em bares onde são transmitidas partidas de futebol. Por tudo isso, o livro é uma obra interessante tanto para estudiosos do assunto como para amantes do futebol.

Resultado mais forte da Rio+20 virá da sociedade civil, dizem cientistas (OESP)

Especialistas estimam que principal mensagem do evento será passado pela Cúpula dos Povos

21 de maio de 2012 | 3h 05
Giovana Girardi – O Estado de S.Paulo

A exatamente um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em São Paulo em debate sobre a conferência para o desenvolvimento sustentável manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento é que ele sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter - Divulgação
Divulgação
Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo.

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma.

“A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

Corporações x ciência: um jogo sujo (Ciência Hoje/Terra em Transe)

Em sua coluna de maio, Jean Remy Guimarães comenta as estratégias usadas por certos setores da indústria para enfraquecer evidências científicas que contrariam seus interesses e cita o exemplo de um documento divulgado recentemente que questiona o aquecimento global.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Publicado em 18/05/2012 | Atualizado em 18/05/2012

Corporações x ciência: um jogo sujoCena do filme ‘Obrigado por fumar’ (2005), cujo protagonista, principal porta-voz da indústria do tabaco, passa a manipular informações de forma a transmitir uma imagem benéfica do cigarro em programas de TV. (imagem: reprodução)

Estamos testemunhando uma verdadeira guerra midiática em torno da questão das mudanças climáticas e sua relação com atividades humanas como a emissão de gases de efeito estufa. A chamada ciência do clima está sob fogo cerrado das corporações cuja operação implica a emissão desses gases.

A grande mídia comenta relatórios como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que reúnem observações, conclusões, previsões e recomendações de alguns milhares de climatologistas de todo o mundo. Mas, diante da ignorância generalizada sobre a ciência e seus métodos, basta a opinião ou eventual evidência científica de dois ou três céticos com cargos pomposos para criar a dúvida, mesmo que estes não entendam bulhufas de clima.

Então não há consenso sobre o tema? Mudemos de canal. Poucos se dispõem a ler relatórios de 3 mil páginas. E não dá para levar o coletivo do IPCC para o show do Larry King na CNN (canal de notícias norte-americano).

Bombardear tribunais e agências reguladoras com informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona

Se hoje CO2, metano e óxido nitroso são as bolas da vez, já vimos o mesmo filme no caso do tabaco, do amianto, do chumbo, da talidomida, do benzeno, do cloreto de vinil, do cromo, do formol, do arsênico, da atrazina, do mercúrio, do Vioxx e muitos et ceteras. E veremos de novo, sempre que algum governo cogitar regular alguma substância suspeita de provocar danos à saúde pública, seja ela ocupacional ou ambiental.Sabotar a ciência tornou-se um elemento rotineiro da política, em particular da norte-americana, com reflexos em praticamente todos os demais países. Bombardear tribunais e agências reguladoras comtsunamis de informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona, pelo menos por algum tempo. Contratar mercenários da ciência sob demanda é outra. A missão deles é inflar artificialmente as incertezas associadas às evidências científicas, evitando ou atrasando assim qualquer medida para a proteção da população.Os primeiros arquitetos dessa estratégia foram executivos da indústria do tabaco. Já em 1969, afirmavam em memorandos internos: “Nosso produto é a dúvida, pois é a melhor forma de competir, na mente do público, com as evidências. É também uma forma de criar controvérsia”.

Como fabricar a dúvida

Todas as ciências são vulneráveis a esse tipo de ataque, uma vez que lidar com a incerteza é sua característica intrínseca. Qualquer estudo é sujeito a crítica, legítima ou não. A receita para enfraquecer até as conclusões científicas mais robustas é simples: destaque seletivamente as incertezas, ataque os principais estudos um por um e, o mais importante, ignore sistematicamente o peso de suas evidências.No caso da ‘controvérsia’ atual sobre o clima, as claras evidências sobre o aquecimento global em curso, tais como o derretimento das calotas polares e das geleiras à vista de todos, são escamoteadas por enxurradas de questionamentos sobre os métodos computacionais de previsão do aquecimento futuro.

Recuo das geleiras

A geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, em 1979 (esq.), 1991 (centro) e 2002 (dir.). Apesar das claras evidências de derretimento de geleiras, o aquecimento global é bastante questionado por setores com interesses particulares. (fotos: L. Albrecht/ Pro Natura Zentrum Aletsch/ Wikimedia Commons)

As estratégias corporativas de fabricação da dúvida são dissecadas com precisão de médico-legista por David Michaels ao longo das 359 páginas de seu livro Doubt is their product: how industry’s assault on science threatens your health (A  fabricação da dúvida ou como o ataque da indústria à ciência ameaça sua saúde, em tradução livre), publicado em 2008 pela Oxford University Press. O autor foi membro do departamento de energia norte-americano durante a administração de Bill Clinton e é atualmente professor associado no Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da Universidade George Washington, nos Estados Unidos. O quadro documentado é tão obscurantista que, em resenha da obra, Chris Mooney, também autor de um livro sobre o tema, chega a se perguntar para que serviu termos passado pelo Iluminismo.

As agências reguladoras são os alvos preferenciais do assédio dos fabricantes da dúvida, que as transformaram no equivalente burocrático de artérias entupidas, segundo Chris Mooney. Mas o sistema judicial também é vítima das mesmas táticas.

É preciso recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos.

Decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1993, por exemplo, atribuíram aos juízes locais o poder de decidir o que é boa ciência ou não em casos civis. Mas a ciência em si dificilmente chega ao conhecimento do júri, já que sobram recursos para que ela seja eliminada logo nas etapas iniciais do processo.A diferença em relação à época de Galileu é que hoje se tortura a ciência e não os cientistas. David Michaels propõe várias medidas para mudar esse quadro, entre elas: facilitar o acesso à justiça pelos cidadãos, já que eles pouco podem esperar das agências reguladoras; exigir a divulgação de qualquer conflito de interesse e desconsiderar os estudos assim produzidos; e recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos, em vez de esperar pela incerteza zero que jamais virá.

Wall Street e os 16 que eram três

Se você quer um exemplo concreto e recente de manipulação explícita, não perca a aula magna que é o artigo de opinião publicado pelo Wall Street Journal em 26/01/2012. O texto é sugestivamente intitulado ‘No need to panic about global warming’ (em tradução livre, ‘Não há necessidade de pânico em relação ao aquecimento global’), com o subtítulo também sugestivo ‘Não há argumentos científicos convincentes para a descarbonização drástica da economia mundial’.O artigo é um portfólio resumido de como as corporações atacam para se defender em debates sobre temas que consideram prejudiciais a seu negócio. Começa alinhando alguns ‘fatos científicos’. Por exemplo: ‘não teria havido aquecimento nos últimos 10 anos’ (veja prova do contrário). Isso é reconhecer implicitamente que não há dúvidas sobre o aquecimento de 10 anos para trás. Além disso, não se diz de onde viria essa conclusão, e nem por que as geleiras teimam em seguir derretendo.

Logo depois, a pérola: ‘o CO2 não é um poluente’. Ninguém disse que era. É um gás asfixiante. Mas você só vai desmaiar inalando uma atmosfera com 7% a 10 % de CO2 e, por enquanto, a concentração desse gás no ar é de cerca de 400 ppm (0,04%). A questão não é essa.

Outro absurdo: ‘o aumento do CO2 estimularia a produtividade agrícola’. Um bom entendedor concluirá que a redução das emissões vai provocar fome. E mais adiante se acusa a descarbonização da economia de não ser rentável, causar aumento de impostos e burocracia (regulação?) e – pecado supremo – privar os pobres países pobres dos 50 anos de prosperidade que os esperam caso se deixe tudo como está.

Emissões de carbono

Em artigo divulgado recentemente, alguns cientistas negam o aquecimento global e defendem que não é preciso controlar as emissões de carbono mundiais. (foto: Cheryl Empey/ Sxc.hu)

Esse futuro promissor estaria sendo ameaçado pelo totalitarismo alarmista do ‘establishment internacional do aquecimento’, que só quer descolar mais verbas para pesquisas acadêmicas e burocracia (regulação?) e mais doações para organizações não governamentais salvacionistas.

Não faltaram menções a Trofim Lysenko, o geneticista russo aloprado que caiu nas graças do líder da União Soviética Josef Stalin. Subtexto? Os cientistas do clima também são aloprados e seus governos também são ditatoriais. O texto termina (ufa!) com um recado explícito aos candidatos à presidência dos Estados Unidos para que ouçam o apelo dos 16 ‘cientistas de renome’ que assinam o libelo e ignorem qualquer sugestão de controle das emissões de carbono. Os nomes dos 16 e suas afiliações são então listados.

Dos 16 cientistas que assinam o artigo, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto

De fato, a lista impressiona qualquer leigo, mas não resiste a um crivo mais superficial. O balaio de gatos junta vários físicos estudiosos de fugidias partículas subatômicas, um professor de marketing, um químico especialista em macromoléculas, astronautas (sic), um cardiologista, um ex-executivo da multinacional de petróleo e gás ExxonMobil, um físico especialista em ótica adaptativa (adorei o termo, muito adequado) que achou natural testemunhar no congresso norte-americano sobre temas agronômicos, um geólogo e vários aposentados e ex-isso ou ex-aquilo. Alguns membros do grupo são ativistas assumidos do ceticismo climático.

Mas o fato realmente importante é que dos 16, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto, como possuir PhD, experiência e/ou publicações em revistas com comitê de leitura na área em questão.

Apesar de todos esses argumentos, as corporações manterão seu curso e seus métodos. O link do artigo acima referido já está aqui e ali na Wikipédia, o Wall Street Journal tem mais de 17 leitores e eles não visitam esta coluna.

Tudo bem, cada um sabe as companhias que escolhe. Com duplo sentido, por favor.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

How Bad Is It? (The New Inquiry)

By GEORGE SCIALABBA

Jasper Johns, Green Flag, 1956 (Graphite pencil, crayon and collage on paper)

Pretty bad. Here is a sample of factlets from surveys and studies conducted in the past twenty years. Seventy percent of Americans believe in the existence of angels. Fifty percent believe that the earth has been visited by UFOs; in another poll, 70 percent believed that the U.S. government is covering up the presence of space aliens on earth. Forty percent did not know whom the U.S. fought in World War II. Forty percent could not locate Japan on a world map. Fifteen percent could not locate the United States on a world map. Sixty percent of Americans have not read a book since leaving school. Only 6 percent now read even one book a year. According to a very familiar statistic that nonetheless cannot be repeated too often, the average American’s day includes six minutes playing sports, five minutes reading books, one minute making music, 30 seconds attending a play or concert, 25 seconds making or viewing art, and four hours watching television.

Among high-school seniors surveyed in the late 1990s, 50 percent had not heard of the Cold War. Sixty percent could not say how the United States came into existence. Fifty percent did not know in which century the Civil War occurred. Sixty percent could name each of the Three Stooges but not the three branches of the U.S. government. Sixty percent could not comprehend an editorial in a national or local newspaper.

Intellectual distinction isn’t everything, it’s true. But things are amiss in other areas as well: sociability and trust, for example. “During the last third of the twentieth century,” according to Robert Putnam in Bowling Alone, “all forms of social capital fell off precipitously.” Tens of thousands of community groups – church social and charitable groups, union halls, civic clubs, bridge clubs, and yes, bowling leagues — disappeared; by Putnam’s estimate, one-third of our social infrastructure vanished in these years. Frequency of having friends to dinner dropped by 45 percent; card parties declined 50 percent; Americans’ declared readiness to make new friends declined by 30 percent. Belief that most other people could be trusted dropped from 77 percent to 37 percent. Over a five-year period in the 1990s, reported incidents of aggressive driving rose by 50 percent — admittedly an odd, but probably not an insignificant, indicator of declining social capital.

Still, even if American education is spotty and the social fabric is fraying, the fact that the U.S. is the world’s richest nation must surely make a great difference to our quality of life? Alas, no. As every literate person knows, economic inequality in the United States is off the charts – at third-world levels. The results were recently summarized by James Speth in Orion magazine. Of the 20 advanced democracies in the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), the U.S. has the highest poverty rate, for both adults and children; the lowest rate of social mobility; the lowest score on UN indexes of child welfare and gender inequality; the highest ratio of health care expenditure to GDP, combined with the lowest life expectancy and the highest rates of infant mortality, mental illness, obesity, inability to afford health care, and personal bankruptcy resulting from medical expenses; the highest homicide rate; and the highest incarceration rate. Nor are the baneful effects of America’s social and economic order confined within our borders; among OECD nations the U.S. also has the highest carbon dioxide emissions, the highest per capita water consumption, the next-to-largest ecological footprint, the next-to-lowest score on the Yale Environmental Performance Index, the highest (by a colossal margin) per capita rate of military spending and arms sales, and the next-to-lowest rate of per capita spending on international development and humanitarian assistance.

Contemplating these dreary statistics, one might well conclude that the United States is — to a distressing extent — a nation of violent, intolerant, ignorant, superstitious, passive, shallow, boorish, selfish, unhealthy, unhappy people, addicted to flickering screens, incurious about other societies and cultures, unwilling or unable to assert or even comprehend their nominal political sovereignty. Or, more simply, that America is a failure.

That is indeed what Morris Berman concludes in his three-volume survey of America’s decline: The Twilight of American Culture (2000), Dark Ages America (2006), andWhy America Failed (2011), from which much of the preceding information is taken. Berman is a cultural and intellectual historian, not a social scientist, so his portrait of American civilization, or barbarism, is anecdotal and atmospheric as well as statistical. He is eloquent about harder-to-quantify trends: the transformation of higher (even primary/secondary) education into marketing arenas for predatory corporations; the new form of educational merchandising known as “distance learning”; the colonization of civic and cultural spaces by corporate logos; the centrality of malls and shopping to our social life; the “systematic suppression of silence” and the fact that “there is barely an empty space in our culture not already carrying commercial messages.” Idiot deans, rancid rappers, endlessly chattering sports commentators, an avalanche of half-inch-deep self-help manuals; a plague of gadgets, a deluge of stimuli, an epidemic of rudeness, a desert of mutual indifference: the upshot is our daily immersion in a suffocating stream of kitsch, blather, stress, and sentimental banality. Berman colorfully and convincingly renders the relentless coarsening and dumbing down of everyday life in late (dare we hope?) American capitalism.

In Spenglerian fashion, Berman seeks the source of our civilization’s decline in its innermost principle, its animatingGeist. What he finds at the bottom of our culture’s soul is … hustling; or, to use its respectable academic sobriquet, possessive individualism. Expansion, accumulation, economic growth: this is the ground bass of American history, like the hum of a dynamo in the basement beneath the polite twitterings on the upper stories about “liberty” and “a light unto the nations.” Berman scarcely mentions Marx or historical materialism; instead he offers a nonspecialist and accessible but deeply informed and amply documented review of American history, period by period, war by war, arguing persuasively that whatever the ideological superstructure, the driving energy behind policy and popular aspiration has been a ceaseless, soulless acquisitiveness.

The colonial period, the seedbed of American democracy, certainly featured a good deal of God-talk and virtue-talk, but Mammon more than held its own. Berman sides emphatically with Louis Hartz, who famously argued in The Liberal Tradition in America that American society was essentially Lockean from the beginning: individualistic, ambitious, protocapitalist, with a weak and subordinate communitarian ethic. He finds plenty of support elsewhere as well; for example in Perry Miller, the foremost historian of Puritanism, according to whom the American mind has always “positively lusted for the chance to yield itself to the gratification of technology.” Even Tocqueville, who made many similar observations, “could not comprehend,” wrote Miller, “the passion with which [early Americans] flung themselves into the technological torrent, how they … cried to each other as they went headlong down the chute that here was their destiny, here was the tide that would sweep them toward the unending vistas of prosperity.” Even Emerson and Whitman went through a phase of infatuation with industrial progress, though Hawthorne and Thoreau apparently always looked on the juggernaut with clearer (or more jaundiced) eyes.

Berman also sides, for the most part, with Charles Beard, who drew attention to the economic conflicts underlying the American Revolution and the Civil War. Beard may have undervalued the genuine intellectual ferment that accompanied the Revolution, but he was not wrong in perceiving the motivating force of the pervasive commercial ethic of the age. Joyce Appleby, another eminent historian, poses this question to those who idealize America’s founding: “If the Revolution was fought in a frenzy over corruption, out of fear of tyranny, and with hopes for redemption through civic virtue, where and when are scholars to find the sources for the aggressive individualism, the optimistic materialism, and the pragmatic interest-group politics that became so salient so early in the life of the nation?”

By the mid-nineteenth century, the predominance of commercial interests in American politics was unmistakable. Berman’s lengthy discussion of the Civil War as the pivot of American history takes for granted the inadequacy of triumphalist views of the Civil War. It was not a “battle cry of freedom.” Slavery was central, but for economic rather than moral reasons. The North represented economic modernity and the ethos of material progress; the economy and ethos of the South, based on slavery, was premodern and static. The West — and with it the shape of America’s economic future — was up for grabs, and the North grabbed it away from an equally determined South. Except for the abolitionists, no whites, North or South, gave a damn about blacks. How the West (like the North and South before it) was grabbed, in an orgy of greed, violence, and deceit against the original inhabitants, is a familiar story.

Even more than in Beard, Berman finds his inspiration in William Appleman Williams. When McKinley’s secretary of state John Hay advocated “an open door through which America’s preponderant economic strength would enter and dominate all underdeveloped areas of the world” and his successor William Jennings Bryan (the celebrated populist and anti-imperialist!) told a gathering of businessmen in 1915 that “my Department is your department; the ambassadors, the ministers, the consuls are all yours; it is their business to look after your interests and to guard your rights,” they were enunciating the soul of American foreign policy, as was the much-lauded Wise Man George Kennan when he wrote in a post-World War II State Department policy planning document: “We have about 50 percent of the world’s wealth, but only 6.3 percent of its population … In this situation, we cannot fail to be the object of envy and resentment. Our real task in the coming period is to devise a pattern of relationships which will permit us to maintain this position of disparity … To do so, we will have to dispense with all sentimentality and day-dreaming; and our attention will have to be concentrated everywhere on our immediate national objectives … We should cease to talk about vague and … unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are then hampered by idealistic slogans, the better.”

As a former medievalist, Berman finds contemporary parallels to the fall of Rome compelling. By the end of the empire, he points out, economic inequality was drastic and increasing, the legitimacy and efficacy of the state was waning, popular culture was debased, civic virtue among elites was practically nonexistent, and imperial military commitments were hopelessly unsustainable. As these volumes abundantly illustrate, this is 21st century America in a nutshell. The capstone of Berman’s demonstration is a sequence of three long, brilliant chapters in Dark Ages America on the Cold War, the Pax Americana, CIA and military interventions in the Third World, and in particular U.S. policy in the Middle East, where racism and rapacity have combined to produce a stunning debacle. Our hysterical national response to 9/11 — our inability even to make an effort to comprehend the long-festering consequences of our imperial predations — portended, as clearly as anything could, the demise of American global supremacy.

What will become of us? After Rome’s fall, wolves wandered through the cities and Europe largely went to sleep for six centuries. That will not happen again; too many transitions — demographic, ecological, technological, cybernetic — have intervened. The planet’s metabolism has altered. The new Dark Ages will be socially, politically, and spiritually dark, but the economic Moloch — mass production and consumption, destructive growth, instrumental rationality — will not disappear. Few Americans want it to. We are hollow, Berman concludes. It is a devastatingly plausible conclusion.

An interval — long or short, only the gods can say — of oligarchic, intensely surveilled, bread-and-circuses authoritarianism, Blade Runner- or Fahrenheit 451-style, seems the most likely outlook for the 21st and 22nd centuries. Still, if most humans are shallow and conformist, some are not. There is reason to hope that the ever fragile but somehow perennial traditions and virtues of solidarity, curiosity, self-reliance, courtesy, voluntary simplicity, and an instinct for beauty will survive, even if underground for long periods. And cultural rebirths do occur, or at any rate have occurred.

Berman offers little comfort, but he does note a possible role for those who perceive the inevitability of our civilization’s decline. He calls it the “monastic option.” Our eclipse may, after all, not be permanent; and meanwhile individuals and small groups may preserve the best of our culture by living against the grain, within the interstices, by “creating ‘zones of intelligence’ in a private, local way, and then deliberately keeping them out of the public eye.” Even if one’s ideals ultimately perish, this may be the best way to live while they are dying.

There is something immensely refreshing, even cathartic, about Berman’s refusal to hold out any hope of avoiding our civilization’s demise. And our reaction goes some way toward proving his point: We are so sick of hucksters, of authors trying — like everyone else on all sides at all times in this pervasively hustling culture — to sell us something, that it is a relief to encounter someone who isn’t, who has no designs on our money or votes or hopes, who simply has looked into the depths, into our catastrophic future, and is compelled to describe it, as Cassandra was. No doubt his efforts will meet with equal success.

Paying for Labors of Love (N.Y.Times)

‘The Outsourced Self,’ by Arlie Russell Hochschild

By JUDITH SHULEVITZ – Published: May 25, 2012

There’s one mistake I worry readers will make about this book, so let me correct it right away: “The Outsourced Self” is not a work of journalism. Though it isn’t exactly not one, either. I guess you’d call it popular sociology, but I think of it more as an act of mourning. Arlie Russell Hochschild’s look at how we meet some of our most personal needs with the aid of paid strangers doesn’t try to be exhaustive; goes light on figures and statistics; and, when itemizing the most outrageous advances in the market for love and care, never lapses into that magazine journalist’s tone of wry amusement.

Illustration by Thomas Porostocky

THE OUTSOURCED SELF

Intimate Life in Market Times

By Arlie Russell Hochschild

Illustrated. 300 pp. Metropolitan Books/Henry Holt & Company. $27.

By the time her book went to press, her reporting was probably outdated, anyway. Who can keep up? Love coaches, wantolo­gists, therapy apps: these former absurdities are now normal. The next phase will surely include “sparking,” in which dating Web sites match customers according to DNA-based immunological profiles. As the chief psychologist at the eHarmony laboratory tells Hochschild, all he needs to do is figure out how to collect cheek swabs.

In any case, Hochschild isn’t really interested in the extremes of the outsourced life. She wants to know what it feels like to be caught in the middle of it. An ethnographic sociologist rather than a quantifier of social trends, Hochschild elicits thoughtful reflections from ordinary people. Then she uses those reflections to chart the confusing intersections between commerce and private life that we all have to navigate now that the purveyors of personal assistance have built strip malls on nearly every acre of our inner selves. Hochschild’s great subject is “emotional labor,” which we usually think of as the psychic work we do, voluntarily, for ourselves and our intimates, to keep our relationships and communities alive. But emotional labor, for her, is also the psychic work we do for pay, so that both we and our clients can gloss over the nakedly transactional aspect of the services on offer. Or it’s the work we do to tamp down our guilt and shame about contracting out undertakings we think we ought to do ourselves. Yet another form of emotional labor involves toggling between all the different kinds of emotional labor without being fazed by the self-alienation and contradictions involved.

In “The Outsourced Self,” Hochschild talks to love coaches, wedding planners, surrogate mothers, nannies, household consultants and elder-care managers, but also, and with deep empathy, their clients. A majority of these people are middle-aged or near middle age; the main thing is, they’re not young, which means they are not yet used to a virtualized and monetized social existence and can still express doubts about it. Most are women, who have long been the main providers of care, love and charity. Hochschild’s consumers buy hyperpersonal services because they lack the family support or social capital or sheer time to meet potential mates, put on weddings, whip up children’s birthday parties, build children’s school projects, or care for deteriorating parents. Or these folks think they just couldn’t perform such tasks as well as the pros. The providers sell their services because the service economy is where the money is, or because they take pleasure in helping others. Everybody worries about preserving the human element in the commercial encounter. Very few succeed.

Evan Katz is a love coach who teaches would-be online daters “How to Write a Profile That Attracts People You Want to Meet.” One of his clients is Grace (virtually all names have been changed), a divorced 49-year-old engineer who wants to search for love as methodically as she solves an engineering problem. Katz tells her “to show the real you through real stories.” When Grace comes up with a story about learning humility by scrubbing toilets at a Zen monastery, he reels her back in: “That might be a little too out there.” On a mass medium like the Internet, the best “real you” is average, not quirky: “Everyone needs to aim for the middle so they can widen their market,” Katz says. He encourages daters to rate themselves from 1 to 10, and not to aim higher than their own rating. On the other hand, he worries that daters will objectify themselves and others so zealously they’ll equate dating and shopping: “They want to quickly comb through the racks and snap their fingers, next . . . next . . . next. . . . You can be too efficient, too focused on your list of desired characteristics, so intent on getting the best deal that you pass over the right one.” Luckily, Grace escapes that trap when she agrees to go out with a tattooed, bald musician who doesn’t fit the criteria on her list, and falls in love.

Hochschild has a gentle, nonjudgmental style, but some of her interviews read like long, sad sighs. Occasionally, they bring to mind novels and movies about the British class system. Like Kazuo Ishiguro in “The Remains of the Day” or Robert Altman in “Gosford Park,” Hochschild can make us feel the gulf between employers, who imagine that relations between themselves and their emotional delegates are mutually beneficial, and the employed, who grasp that the cash they take is meant to make them invisible. “I’ll be in a room bustling about and they won’t be aware I’m there,” says Rose, a “household manager” who functions as a housekeeper, baby sitter and personal assistant for a wealthy family in Westchester County. When she substitutes for Norma, her employer, at Norma’s children’s bake sales, the mothers ignore her: “A lot of those mothers know me but talk to me only to ask about Norma.”

The most haunting of Hochschild’s tales throb with pain, as when she tracks the flow of mother love from the third world to the first, a form of global commerce entered into out of desperation on all sides. She interviews surrogate mothers in India, destitute women who rent out their wombs to bargain-­basement fertility clinics that feel like baby-manufacturing assembly lines. These modern-day handmaidens struggle with the social stigma attached to their work, despite its comparatively high pay, as well as with their own surging love for the fetuses growing inside them. Many do not achieve the requisite detachment. Hochschild contrasts their stories with that of a well-meaning American couple who can’t afford the price of fertility in the United States, and don’t feel they have other options. The wife, though herself of Indian descent, can’t figure out the rules governing her meeting with her Indian surrogate. She knows that Indians don’t touch others as readily as Americans do, but, she explains:

“I didn’t want her to think of me as this big rich American coming in with my money to buy her womb for a while. So I did touch her at some point, I think, her hair or her shoulder. I tried to smile a lot. . . . She didn’t look at ease. It was not the unease of ‘I can’t believe I’m doing this,’ but more the unease of the subordinate meeting her boss.”

Less harrowing, but still a poignant account of a missed opportunity for connection, is the story of Maricel, a Filipino nanny, and her employer, Alice. Deeply loved by both Alice and Clare, Alice’s child, Maricel still feels bereft. Alice, a hard-working Google software designer, thinks Maricel is so good with Clare — “cheerful, relaxed, patient and affectionate” — because she was raised in a warm village culture where “they put family and community first.” Actually, Maricel’s mother, who lost three babies before Maricel was born, never let herself get attached to her daughter and sent her out to a neighbor for care; when the girl happened to be home, the mother disciplined her harshly by pinching her leg. After an early bad marriage, Maricel came to America to make money for her two children. Too busy making ends meet to have paid much attention to her children when she lived with them, she now regrets never having told them she loved them. Contrary to Alice’s fantasy about Maricel’s third-world warmth, Maricel learned the virtues of demonstrating affection from watching “Oprah,” and from her own terrible need for human contact. She lavishes love on Clare because the little girl is her only companion in Alice’s cold, silent house.

“The unforgiving demands of the American workplace impose penalties that reach far beyond the American home,” Hochschild observes. One such penalty falls on children like Maricel’s; they are more likely to fail in school and lurch into a life of crime. But Hochschild thinks that our rush to hand off “emotional labor” hurts us first worlders as well. “My clients outsource patience to me,” a personal assistant tells her. “And once they get in the habit of doing that, they become impatient people.” Could it be, Hochschild asks, “that we are dividing the world into emotional types — order-barking, fast-paced entrepreneurs at the top, and emotionally attuned, human-paced mediators at the bottom?”

If outsourcing the labors of love discomfits or even damages us, why do we do it so much? One reason is that women aren’t home as much as they used to be — not just mothers, but also all the other women who once held communities together: “Today, 70 percent of all American children live in households where all the adults work. So who now would care for the children, the sick, the elderly? And who would provide, as 19th-century ­middle-class homemakers were said to do, ‘the sunshine of the home’? Mothers were trying hard, but they were also out billing customers, stocking shelves, teaching classes and treating patients. And so were the once-available maiden aunts, grandmothers, friends and ‘give-you-a-hand’ neighbors.”

So does Hochschild deplore feminism? No. But she does think it has been “abducted,” as she has put it in an essay published elsewhere, by the logic and demands of the marketplace — what she provocatively calls “the religion of capitalism.” Feminism has coincided with a drastic lengthening of work hours and a steep decline in job security, and in America those stressors have not been alleviated by social supports like paid family leave and universal child care, at least not in comparison with most other Western nations. As a result, too many bonds of family and community are left untied by anxious, overworked couples, too many familial functions have to be subcontracted, and too many children perceive themselves as burdens. (One of Hochschild’s finest essays, also published elsewhere, is called “Children as Eavesdroppers”; it describes how children listen closely to their parents’ haggling over child care, and conclude that they are unwanted.) Feminists once dreamed that the work of mothering would be properly valued, maybe even reimbursed, once some portion of it had been redistributed to fathers. Instead, a lot of it is being handed off to strangers — although, to be fair, American men do more than they used to.

On the other hand, the natural bonds of family and “village,” as Hochschild rather nostalgically calls the vanished world of secure communal ties, aren’t necessarily all she cracks them up to be. I was struck by how many of her interview subjects were abused or neglected as children. Gloria, a 23-year-old hotel executive from a broken family, would rather pay for a therapist to keep her marriage going and, when she has children, for sleep coaches and potty trainers and chauffeurs, than rely on friends or family members: “Most families are places of deep injury. . . . Friends are very entangling.” A man with seven children who works 60-hour weeks yet rarely misses a child’s sports event invests in an expensive and officious parenting-evaluation service called Family360, just to make sure he’s as good a husband and father as he can be: “My own father never came to one school event in my entire boyhood . . . not one. . . . I was an all-American in college. He never saw me at the N.C.A.A. championships.” An elder-care manager gives love in abundance to other people’s parents perhaps in part to quash the memory of being beaten by her father and not protected by her mother.

So maybe it’s not so terrible to have packaged care available when the unpackaged kind just won’t do. What is tragic is feeling forced to buy the packaged kind because work is too demanding and the workplace is too inflexible and the loss of face that goes with being a stay-at-home mom or dad, or nurse to a dying parent, is just too galling. Hochschild’s big contribution here, though, is to tally the subtler costs of outsourcing: the “de­personalization of our bonds with others,” the failure to enjoy the process of finding love or planning a wedding, the missing out on one’s children’s childhoods — all the little nontragedies that add up to a thinner, sadder life.

Judith Shulevitz is the author of “The Sabbath World: Glimpses of a Different Order of Time.”