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Repressão policial impulsionou a delinquência urbana, diz socióloga (Carta Capital)

Estudo de Alessandra Teixeira, da USP, mostra que a mistura de omissão e violência proporcionou as condições para a articulação do crime organizado

por Paloma Rodrigues — publicado 24/07/2013 13:54, última modificação 24/07/2013 13:57

Polícia MilitarReintegração de posse de um terreno ocupado no Jardim Iguatemi, zona leste da capital paulista, em março deste ano. Marcelo Camargo/ABr

O processo da construção da criminalidade no Brasil foi diretamente influenciado pela atuação das polícias. A conclusão é da socióloga Alessandra Teixeira, que em sua pesquisa analisou a construção da ilegalidade no Estado de São Paulo da década de 1930 até os dias atuais e verificou que a base do policiamento do Estado se fincou em dois pontos: repressão violenta e uma mistura de omissão e corrupção, características comuns nas polícias civil e militar. O estudo também indica que o aumento da repressão antecede a disseminação do crime organizado e que essa repressão colabora para sua massificação.

A pesquisa de Alessandra é um doutorado realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e analisou depoimentos de ex-presos, biografias e relatos policiais, além de relatos e reportagens jornalísticas de todo o período (a pesquisa em PDF pode ser acessada AQUI).

Segundo Alessandra, o atual modelo do crime em São Paulo se configurou no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. A organização da “economia da droga”, termo usado pela socióloga, se dá em grande parte dentro dos presídios. “Neste período ocorreu a prisão em massa, direcionada aos autores de roubo e da ‘criminalidade patrimonial desarticulada’, proporcionando um ‘recrutamento’ da população para o espaço da prisão”, diz. A partir disso, afirma Alessandra, o Estado brasileiro teria permitido a formação de uma situação particular que influenciaria os moldes do novo mercado do crime: um misto de omissão do controle das forças dentro das prisões ao mesmo tempo em que usava de repressão violenta. “O Estado não se interessava em controlar o monopólio da violência dentro das prisões e permitia que acontecesse uma luta permanente por poder entre os presos”, afirma. Por outro lado, o Estado fortalecia a tortura e a violência dentro das cadeias. “Foi o caldo de onde nasceu o PCC. Ele não só nasce, como se consolida e se expande por meio da prisão”, diz.

A base da omissão das polícias, que Alessandra chama de permissividade, está nas origens das instituições de policiamento. Nos anos 1960, a ilegalidade se concentrava em regiões específicas da cidade, como o quadrilátero da Boca do Lixo, no centro da capital paulista. Nesses locais, funcionava o esquema da “mercadoria política” em torno da prostituição. “A mercadoria política é o ‘acerto’, o preço pela liberdade, o dispositivo que se estabelece com o agente que deveria aplicar a lei, mas que cobra para se omitir de aplicá-la”. Os crimes giravam em torno da exploração da prostituição em si, do jogo e do pequeno tráfico de drogas. “Nos anos 60, as prostitutas tinham que pagar a ‘caixinha’ para os policiais para continuar exercendo a profissão nas ruas.” O perfil dessa mercadoria política muda ao longo dos anos, mas a lógica se mantém.

A “gestão de ilegalismos”, segundo Alessandra, vai para além da esfera dos órgãos policiais. “As secretarias e o judiciário também têm um modus operandi. O judiciário brasileiro é absolutamente tolerante a qualquer violência institucional promovida. As instituições se blindam internamente, é preciso que escândalos aconteçam para que algo mude”.

Histórico. No período do Império até meados do século XX, a repressão era voltada para o controle da vadiagem. “A definição do que era o vadio era subjetiva e feita a partir de critérios discriminatórios”, diz. A socióloga explica que a criminalização daqueles que não trabalhavam e eram considerados improdutivos (os “vagabundos”) pode ser relacionada à libertação dos escravos. “O fim da escravatura colocou um enorme contingente de negros nas ruas, o que fez com que as elites quisessem controlar essa demanda, muitas vezes definindo essa massa como insubmissa ao trabalho”, diz.

Para operar esse controle foi criado um sistema de prisões para averiguação. Essas casas de detenção abrigavam aqueles que a polícia acreditava ter potencial para a ilegalidade, um critério que, segundo Alessandra, era subjetivo e discriminatório, considerando que muitas suspeitas surgiam sem que houvesse provas. “O local passou a ser chamado de ‘mofo’, porque as pessoas eram colocadas lá e ficavam por muito tempo, até que se averiguasse se elas eram culpadas ou não. Era um número excessivo de prisões para um baixo número de investigações e inquéritos.”

O crescimento urbano gerou um boom populacional a partir de meados dos anos 1960, fazendo com que as periferias das cidades passassem a receber contingentes cada vez maiores de pessoas. “É um momento que, apesar da expansão, é de crise. Vão nascer dali as formas mais precárias de habitação”, diz Alessandra. É neste período que surge o fenômeno da marginalização, com o marginal já nascendo como uma figura vista, a priori, como perigosa. “Você tem aqueles farrapos urbanos – que de fato cometem pequenos crimes -, mas você não tem o número de roubos nem a organização que temos hoje”, diz. “Aquilo gerou uma distorção da realidade, incentivada pela ditadura.”

A ditadura, em 1969, faz da Polícia Militar, seu braço armado, o único detentor do policiamento na cidade, enquanto a Polícia Civil se torna uma polícia judiciária e investigativa. Até então, o policiamento se dividia entre a Força Pública, uma instituição que apesar de ser moldada pelos preceitos militares, não tinha ligação direta com o Exército, e a Polícia Civil. “A PM nasce como uma força ambivalente: ao mesmo tempo em que era uma força de repressão do Estado, que reprimia contraventores e questionadores do regime, era a força que combatia o crime urbano”, explica a socióloga. O golpe de 64 e o policiamento por ele empregado estigmatizam a população às margens das grandes cidades e reforçam o sentimento de insegurança da população.

Mesmo depois do fim da ditadura, a postura repressiva da polícia não se perdeu. Na verdade, o que Alessandra aponta é que a evolução caminha na direção contrária: na última década se observa uma política mais intensa de valorização da PM, com a transferência maciça de recursos para a corporação, em detrimento da Polícia Civil e de outros órgãos também ligados a segurança pública. Entre 2005 e 2010, diz a pesquisadora, a PM recebeu 35% a mais dos recursos previstos no orçamento do Estado, enquanto a Polícia Civil recebeu 13% a menos do que o planejado. Em valores, são quase 300 milhões de reais a mais para a PM e 65,6 milhões de reais a menos para a Polícia Civil. “O sucateamento de Polícia Civil continua e isso é grave, porque se perde o poder investigativo e o que passa a ter destaque são as ‘operações’. Tudo passa a ser com uma operação militar de guerra, com invasões de favela e combate ao tráfico”.

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Conteúdo

Veja a pesquisa de Alessandra Teixeira na íntegra

EUA vetam patente sobre gene humano (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4747, de 14 de Junho de 2013.

Suprema Corte decide que empresa não pode ter propriedade sobre genes usados em teste de risco de câncer. Decisão pode levar à redução no preço do exame, o mesmo feito por Angelina Jolie antes de retirada das mamas

A Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que genes humanos não podem ser patenteados, o que pode afetar empresas de biotecnologia e baratear testes que se baseiam na procura de certas mutações no país e até no Brasil.

A decisão dos magistrados reverte três décadas de concessões de patentes pelo governo americano. No Brasil, não é permitido patentear seres vivos ou parte deles, o que inclui os genes.

O caso em discussão na Suprema Corte diz respeito ao registro de propriedade intelectual da empresa MyriadGenetics sobre os genes BRCA 1 e 2, cujas mutações indicam um risco maior de câncer de mama e ovário.

O teste que procura essas mutações ganhou maior notoriedade recentemente, depois que a atriz Angelina Jolie, 37, revelou, em junho, ter se submetido a uma cirurgia de retirada das mamas após descobrir ter as mutações que aumentam o risco de desenvolver um tumor.

O exame é recomendado principalmente para as mulheres que têm câncer antes dos 45 anos. É possível também rastrear a mutação em outros membros da família para decidir sobre medidas preventivas, que incluem o uso de remédios, o acompanhamento com exames de imagem e até retirada preventiva de mamas e ovários.

O preço do exame é uma barreira ao seu acesso. Nos EUA, o custo fica em torno de US$ 3.000; no Brasil, ainda que não haja o impedimento da patente, o preço também é alto, chegando a R$ 8.000.

Com a decisão, espera-se uma queda nesses valores. “O reflexo vai ser imediato aqui. As empresas se guiam pelo preço cobrado no exterior”, afirma Maria Isabel Achatz, diretora de oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Para David Schlesinger, geneticista e fundador do laboratório Mendelics, a identificação de genes únicos, como no teste BRCA 1 e 2, já está ficando obsoleta.

“Em vez de procurar genes específicos, agora se sabe que é mais vantajoso fazer um exoma [sequenciamento da parte do genoma que codifica proteínas] e ter um panorama geral do paciente.”

BRECHA

Segundo a decisão, uma parte do DNA que ocorre naturalmente é um produto da natureza e não pode ser patenteado só por ter sido isolada pela empresa.

No entanto, o tribunal deu à Myriad uma vitória parcial, dizendo que o DNA complementar sintetizado em laboratório pode ser patenteado.

O chamado cDNA não acontece naturalmente. Grosso modo, é uma espécie de DNA que exclui as informações que não codificam proteína usada como parte do processo de desenvolvimento de alguns testes genéticos.

Os grupos que pedem o fim das patentes argumentam que a sequência dos nucleotídeos do cDNA segue a ordem imposta pela natureza e, por isso, não devem ser alvo de registros.

Para Fernando Soares, do Departamento de Patologia do A.C. Camargo Cancer Center, manter a patente do cDNA só deve ter impacto em questões de pesquisa e em análise de larga escala.

Envolvido no projeto do genoma do câncer, em 2002, o médico comemorou a decisão. “O genoma é um patrimônio da humanidade.”

Veja também o assunto no Jornal O Globo: Genes humanos não podem ser patenteados, decide Suprema Corte dos EUA. http://oglobo.globo.com/ciencia/genes-humanos-nao-podem-ser-patenteados-decide-suprema-corte-dos-eua-8676714

Protestos apressam votação da lei de crimes de terrorismo no Brasil (Sul 21)

26/jun/2013, 9h44min

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Rachel Duarte

Incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado poderá ser enquadrado como terrorismo no Brasil. Está prevista para esta quinta-feira (27) a votação do projeto de lei 728/2011 que tipifica o crime de terrorismo, ainda não regulamentado no país. O texto será colocado em pauta em pleno contexto de sucessivos protestos nos estados brasileiro que estão sendo respondidos de forma repressiva pelo braço armado do estado. O motivo da urgência na aprovação, segundo a Comissão Mista que discute o tema no Congresso Nacional é a proximidade da Copa do Mundo de 2014. Especialistas avaliam como temerária a proposta, uma vez que aponta para os problemas da segurança urbana soluções com base na Lei de Segurança Nacional. “Isto é retroceder ao estado de exceção”, critica o professor da Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), Eduardo Pazinato.

A Constituição Federal prevê o crime de terrorismo, mas não estabelece pena nem tipifica as ações. Apenas a Lei de Segurança Nacional, editada na década de 1980, menciona o terrorismo, mas ainda com redação feita durante o regime militar. Porém, a minuta do texto em iminente aprovação no Congresso tem referência no texto da reforma do Código Penal e outros 43 projetos de lei, além de nove tratados, protocolos e convenções internacionais. Os crimes de terrorismo serão imprescritíveis, com pena cumprida em regime fechado, sem benefício de progressão e devem variar de 24 a 30 anos de cadeia.

Será considerado terrorismo ainda as ações que provoquem pânico generalizado praticadas por motivos ideológicos, políticos, religiosos e de preconceito racial, o que abre brecha para classificar como terroristas integrantes de movimentos sociais que cometerem crimes durante protestos públicos, acredita o coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da FADISMA, Eduardo Pazinato. “Este texto acompanha a tendência internacional de lei e ordem que propõem mais leis penais para resolver problemas contemporâneos. Por meio do discurso da pacificação, se aumenta a criminalização das pessoas e os encarceramentos. Utilizar o paradigma da segurança nacional para regular a segurança urbana proporcionará a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que parte de um movimento de massa poderá ser entendida como terrorismo”, explica.

Ou seja, se a nova lei já estivesse em vigor, os manifestantes que invadiram as ruas do país nos últimos dias contra o aumento da passagem e a postura repressiva da polícia militar poderiam ser enquadrados como terroristas em razão de algumas práticas excessivas. “Isto é temerário nesta conjuntura de grandes eventos no país, em que inúmeras reivindicações populares surgem nas ruas. Está se preconizando mais uma vez um novo tipo penal para aumentar penas e reduzir direitos de minorias que serão enquadradas como praticantes de delitos, ao invés de buscar resposta para as cobranças da sociedade que não sejam por meio da criminalização”, avalia Pazinato.

“Repressão é resposta política dos governos contra a mobilização social”, critica ativista gaúcho

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Para o ativista em Software Livre, Marcelo Branco, que esteve nos diversos manifestos realizados em Porto Alegre no último período, “o 1% que faz quebra-quebra nos protestos são pessoas marginalizadas pelo próprio estado e que cansaram de cobrar nas manifestações’. De toda forma, ele reconhece que tais práticas não podem ser toleradas pelas autoridades, porém ressalta que responder com mais autoritarismo é a pior escolha do estado. “A violência policial em relação aos protestos que estão acontecendo em Porto Alegre e em todo o país não se justifica. Mesmo se concordamos ou não com a razão dos protestos, reivindicar pacificamente nas ruas é algo legítimo. A luta popular já deixou de ser em relação ao preço das passagens, é para cobrar a resposta dos governos a esta brutal repressão que se ergueu no país”, fala.

Segundo o ex-coordenador da campanha da presidenta Dilma Rousseff na internet, as redes sociais possibilitaram uma nova organização social das lutas no mundo, que não pode ser controlada pelo estado. E esta, seria a principal razão de uma reação tão extrema por parte das autoridades. “Eles não tem líderes definidos, porque a organização é horizontal na rede, então, agem de forma generalizada com bombas, gás e balas de borracha contra civis desarmados”, qualifica Branco.

Na visão do especialista em segurança pública Eduardo Pazinato, os chamados ‘novíssimos movimentos sociais’, organizados pela internet, não tem a mínima semelhança com práticas terroristas para se justificar uma legislação neste sentido no país. “O terrorismo é uma ação coletiva por um propósito de conjuntura onde se aplica a violência de forma deliberada. Não é o que estes movimentos pretendem. A dinâmica deles é uma luta democrática que não pode ser encarada com endurecimento penal máximo. Isto é uma atitude populista do governo que busca atingir o senso comum demonstrando ‘eficiência do estado’ para enfrentar a questão da violência. Isto é o que está declarado nesta votação em meio aos protestos. O que é equivocado, pois não há direito à segurança sem a garantia da segurança a outros direitos fundamentais”, salienta.

“Intenção nunca foi criminalizar os movimentos sociais”, diz deputado Vaccarezza

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O presidente da comissão de consolidação de leis e de dispositivos constitucionais, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a intenção da proposta não é e nem nunca foi criminalizar movimentos sociais. “Nossa Constituição é genérica neste ponto e precisamos deixá-la clara justamente para evitar que juízes possam interpretar que ações de massa são terrorismo, especialmente agora que teremos grandes eventos, pessoas de vários lugares do mundo. É preciso regulamentar”, defende.

Segundo Vaccarezza, a comissão mista para regulamentação das leis nacionais ainda está debatendo a matéria e aceita sugestões pela internet. “No site do Senado está a minuta do projeto e queremos a contribuição de todos. Estamos falando com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e vamos falar com o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) e com o Supremo Tribunal Federal (STF)”, fala.

No dia 18 de junho, o deputado esteve reunido com o relator do texto no Senado Federal, senador Romero Jucá (PMDB-RR). A intenção da comissão é votar o texto nesta semana. “Se não for possível, aguardaremos e reapresentamos mais tarde”, garante Vacarezza.

Outono Indigena. Entrevista especial com Jorge Eremites de Oliveira (Envolverde)

17/6/2013 – 07h29

por Redação do IHU On-Line

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Foto: racismoambiental.net.br

“O governo federal tem olhado para os povos indígenas com as lentes do agronegócio, recebidas do movimento ruralista. Isso faz parte da lógica do desenvolvimento econômico a qualquer custo e atende a projetos políticos para a disputa de eleições futuras”, diz o historiador.

“A União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição”. Ao citar o que determina o Art. 67 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, o historiador Jorge Eremites de Oliveira lembra que “este prazo expirou em 1993 e de lá para cá muito pouco tem sido feito para a regularização das terras indígenas. Disso resulta a perpetuação de inúmeros conflitos pela posse da terra envolvendo comunidades indígenas e setores contrários a seus interesses”.

Ao comentar os conflitos entre indígenas e ruralistas e as frequentes manifestações em todo o país, ele assegura que “na ausência da presença eficaz e moralizadora do Estado, os Terena, Guarani, Kaiowá e outros povos indígenas estão a fazer cumprir os direitos que lhes são assegurados pela Constituição Federal de 1988 e pela Convenção n. 169 da OIT”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, aponta ainda que a “política indigenista oficial foi orientada pelo paradigma da integração, via aculturação e assimilação, dos índios à sociedade nacional. Exemplo disso é o próprio Estatuto do Índio, a Lei n. 6.001/1973, cuja interpretação atual precisa estar em consonância com leis superiores e mais recentes”. E dispara: “A bem da verdade, o Estado nacional e o direito estatal agem de maneira reducionista para submeter os povos indígenas à ordem vigente. A ideia sempre foi – implícita ou explicitamente – a de tornar a sociedade nacional homogênea em termos socioculturais”.

Jorge Eremites de Oliveira é professor de Antropologia Social e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas – UFPel. É licenciado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, mestre e doutor em História/Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, com estágio de pós-doutoramento em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ. Foi pesquisador colaborador junto ao Instituto Anchietano de Pesquisas/Unisinos e trabalhou como professor universitário em Mato Grosso do Sul.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Nos últimos anos, indígenas de várias regiões do país manifestam sua indignação com a política indigenista e com o modelo desenvolvimentista do governo federal. Trata-se de uma crise específica, conjuntural, ou não? Como descreve tais manifestações?

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Foto: http://www.diarioliberdade.org

Jorge Eremites de Oliveira – O atual modelo desenvolvimentista adotado pelo governo brasileiro é baseado no paradigma do crescimento econômico a qualquer custo e isso, obviamente, tem reflexos negativos na política indigenista oficial. Trata-se de um modelo que sistematicamente viola os direitos elementares dos povos indígenas e comunidades tradicionais, além de classes sociais em situação de vulnerabilidade. O resultado disso é a existência de crises estruturais, com particularidades em cada região do país, dependendo da conjuntura local. Daí compreender a grande insatisfação e indignação dos povos indígenas para com o governo central e seus aliados, seja por conta da construção de hidrelétricas, seja por conta da não regularização de terras de ocupação tradicional ou outro motivo.

Conflitos no MS

O que estamos observando em Mato Grosso do Sul, onde há a segunda maior população indígena no país, assim como em outros estados, é uma espécie de Outono Indígena, em alusão à Primavera Árabe iniciada em fins de 2010. Refiro-me a um levante dos povos originários em defesa de seus direitos, sobretudo do direito às terras de ocupação tradicional. Assim o fazem como último recurso para garantir sua existência física e cultural, haja vista que não abandonaram seus territórios por livre e espontânea vontade, pelo contrário. Foram e têm sido vítimas de violentos processos de esbulho, não raramente com o uso da força e o assassinato de muitas de suas lideranças.

Na ausência da presença eficaz e moralizadora do Estado, os Terena, Guarani, Kaiowá e outros povos indígenas estão a fazer cumprir os direitos que lhes são assegurados pela Constituição Federal de 1988 e pela Convenção n. 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, adotada em Genebra em 1989, da qual o Brasil é signatário e a ratificou internamente.

Demarcação de terras

Eis o que determina o Art. 67 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Lei Maior: “A União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição”. Este prazo expirou em 1993 e de lá para cá muito pouco tem sido feito para a regularização das terras indígenas. Disso resulta a perpetuação de inúmeros conflitos pela posse da terra envolvendo comunidades indígenas e setores contrários a seus interesses. As consequências disso têm sido nefastas para muitos povos originários e afronta os artigos 231 e 232 da Carta Constitucional. Não é por menos que a bancada ruralista e seus aliados no Congresso Nacional querem mudar o texto constitucional com a PEC 215/2000, motivo de recentes protestos feitos naquela casa pelo movimento indígena. Se isso vier a acontecer, será um grande retrocesso.

No caso dos Terena de Buriti, e de tantas outras comunidades indígenas, quero explicar que eles tinham a posse da terra, mas não tinham o título de propriedade. A titulação da terra a favor de terceiros ocorreu em períodos mais recentes de nossa história, nos quais apenas as elites políticas e econômicas tinham seus direitos assegurados pelo Estado. Mas eram exatamente elas, claro, que controlavam a máquina estatal, inclusive, por exemplo, o departamento de terras do governo de Mato Grosso, com sede em Cuiabá. De lá saíram muitos títulos de propriedade sobre terras indígenas não regularizadas, tidas como terras devolutas, localizadas no antigo sul do estado, atual Mato Grosso do Sul.

A expulsão das comunidades indígenas não se deu unicamente pela ação de fazendeiros e seus comandados. Esbulhos também foram perpetrados com a conivência e o apoio de agentes do próprio Estado, inclusive da agência indigenista oficial, conforme comprovado em muitos documentos disponíveis em seus arquivos. Na maioria das vezes, autoridades governamentais tomaram ciência do ocorrido e nada fizeram para intervir nos conflitos. Este é o caso do que ocorreu com os Kaiowá de Panambizinho, no município sul-mato-grossense de Dourados, durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945), quando houve a Marcha para Oeste e a criação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados.

Situação semelhante também aconteceu com os Kaiowá de Ñande Ru Marangatu, no município de Antônio João, no mesmo estado, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Eles também foram expulsos de grande parte de seu território entre fins da década de 1940 e começo da de 1950, sendo que o órgão indigenista oficial recebeu denúncia formal sobre o ocorrido e nada vez para apurar os fatos e reverter a situação.

Por razões dessa natureza é que o Estado brasileiro culmina por ser coautor de muitos crimes cometidos no passado e no presente contra os povos originários. E não me refiro, bem entendido, aos tempos de Cabral ou dos portugueses que o sucederam no período colonial. Definitivamente não é isso. Refiro-me, principalmente, a processos de esbulho ocorridos a partir da primeira metade século XX, mas que ainda hoje são praticados no país. Esta questão precisa ficar cristalina porque o direito não foi feito para atender a demandas de povos abstratos e relegados a temporalidades coloniais ou pré-coloniais. Existe para atender a necessidades das sociedades contemporâneas, de seres humanos reais, de carne e osso, dentre os quais estão aqueles cujos antepassados chegaram a essas terras há pelo menos 12 mil anos.

Terra indígena de Buriti

Esta situação é muitíssimo bem conhecida para Mato Grosso do Sul e outros estados. Foi ali, precisamente no município de Sidrolândia, no dia 30-05- 2013, que o indígena Oziel Gabriel, 35 anos, foi assassinado. Ele portava um pequeno arco e algumas flechas, e isso era mais um sinal diacrítico de sua indianidade e disposição de lutar pela terra do que uma arma. Por outro lado, policiais federais portavam armas de fogo com munição letal e as usaram contra os Terena. Os agentes estavam ali para fazer cumprir um mandado de reintegração de posse, referente a uma propriedade existente dentro da Terra Indígena Buriti, já identificada, delimitada e periciada como tal.

A tragédia ocorreu porque os Terena resolveram fazer o que o próprio Estado não fez desde a década de 1920: regularizar aquela terra e garantir que seja de usufruto exclusivo e permanente da comunidade, segundo seus usos, costumes e tradições. Ocorre que no começo da década de 1930 uma comissão terena foi ao Rio de Janeiro, então a capital federal, denunciar o processo de esbulho que sofriam e solicitar providências para a garantia de seus direitos territoriais. De lá para cá já se passaram quase um século e nada foi feito de efetivo. Não é de se estranhar, portanto, que tenham decidido, como último recurso, retomar parte de suas terras devido à situação de vulnerabilidade dos cerca de 2.500 indígenas que ali vivem confinados em 2.090 hectares.

Até agora foram mais de duas centenas de lideranças indígenas mortas apenas em Mato Grosso do Sul. Muitos crimes não foram devidamente investigados, tampouco houve o julgamento e a condenação dos assassinos e seus mandantes. O que aconteceu em Sidrolândia com Oziel Gabriel foi, portanto, o mesmo que aconteceu no estado com Marçal de Souza, Guarani morto em 1983 na Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, e com Marcos Verón, Kaiowá assassinado em 2003 na Terra Indígena Takuara. Naquela parte do Brasil, e em tantas outras, os índios são vistos e tratados pela maioria da população regional como estrangeiros não humanos e, por extensão, como um estorvo e um obstáculo ao progresso. A lei que ali impera ainda é, como aprendemos a dizer desde criança, a do 44, chamada “Justiça de Mato Grosso” (do Sul e do Norte). Não se trata de lei alguma, senão do calibre da arma de fogo com que se fazia justiça desde muito tempo na região, segundo é conhecido na historiografia regional. A violência é, com efeito, uma marca fortíssima na história de Mato Grosso do Sul.

Desenvolvimentismo

No que se refere ainda ao modelo desenvolvimentista atual, cumpre explicar que ele (re) surgiu após o fim da ditadura militar (1964-1985) e a promulgação da Constituição Federal de 1988. Saíamos de um regime de exceção, também marcado pelo fracasso do “milagre econômico brasileiro”, e testemunhávamos o reordenamento do papel do Estado nacional e as tentativas de retomada do crescimento do país. Isso ocorreu e tem ocorrido dentro de um contexto maior, ligado à mundialização do capital. Nesse cenário ocorrem concomitantemente o deslocamento de investimentos e atividades produtivas e a polarização da riqueza, conforme apontado pelo economista francês François Chesnais.

Por isso a maior parte da riqueza fica para países localizados no hemisfério Norte, onde o consumismo é enorme e precisa ser atendido, ao passo que para países do hemisfério Sul há a transferência dos impactos negativos desses investimentos e atividades produtivas. Nesta parte meridional do planeta, onde vivemos, estão países com jovens democracias, economias em crescimento e uma história marcada por ditaduras e políticas colonialistas, como é o caso do Brasil. É exatamente aqui onde existem classes sociais e minorias étnicas em situação de maior vulnerabilidade as que mais sofrem com tudo isso.

Esta situação é percebida no caso da construção de usinas hidrelétricas como a de Belo Monte, cuja existência é justificada pelo sofisma do desenvolvimento sustentável. Nesse caso específico, o que se viu até agora foi um conjunto de procedimentos irregulares ligados ao licenciamento ambiental de uma grande usina hidrelétrica. Exemplo disso é o fato de as comunidades indígenas afetadas direta e indiretamente pelo empreendimento não terem sido prévia e devidamente consultadas sobre o projeto. Essa é uma exigência legal, conforme determina a Convenção n. 169 da OIT. O paradoxal disso tudo é saber que este projeto foi concebido durante a ditadura militar e tem sido executado de maneira arbitrária e violadora de direitos humanos nos dias atuais.

Existem até projetos para construção de hidrelétricas no Pantanal, onde empreendimentos desse tipo causarão enormes e irreversíveis prejuízos socioambientais, tanto à bio quanto à sociodiversidade da região.

Para finalizar esta não muito curta explicação inicial, diria que para barrar o Outono Indígena será preciso cometer mais violência contra os indígenas. Mas representantes do movimento ruralista têm demonstrado disposição e ousadia para isso, inclusive com a possibilidade de contrabando de armas de fogo do Paraguai, conforme um fazendeiro de Paranhos, Mato Grosso do Sul, disse à imprensa em 2012. E foi no mesmo município que mais recentemente, no dia 12-05-2013, pistoleiros teriam feito emboscada e assassinado Celso Rodrigues, 42 anos, Kaiowá morador da Terra Indígena Paraguaçu, segundo noticiado pela imprensa.

Resolver esta situação conflituosa, assegurando aos povos indígenas seus direitos territoriais e outros garantidos em lei, é um dever do Estado e da sociedade nacional. Isso é necessário para corrigir erros do passado e consolidar um outro projeto de nação, onde também haja o devido respeito às diferenças étnico-raciais, religiosas, de gênero, orientação sexual etc. Ademais, o custo financeiro disso tudo será muitíssimo menor se comparado com a estimativa de 50,8 a 84,5 bilhões de reais correspondentes ao preço anual da corrupção no país. Isso sem falar no alto custo do legislativo brasileiro, um dos mais caros e menos eficientes do mundo.

IHU On-Line – Como a política indigenista foi construída e alterada ao longo da história brasileira?

Jorge Eremites de Oliveira – Em linhas gerais, desde o período imperial até a promulgação da Constituição Federal de 1988, a política indigenista oficial foi orientada pelo paradigma da integração, via aculturação e assimilação, dos índios à sociedade nacional. Exemplo disso é o próprio Estatuto do Índio, a Lei n. 6.001/1973, cuja interpretação atual precisa estar em consonância com leis superiores e mais recentes.

A bem da verdade, o Estado nacional e o direito estatal agem de maneira reducionista para submeter os povos indígenas à ordem vigente. A ideia sempre foi – implícita ou explicitamente – a de tornar a sociedade nacional homogênea em termos socioculturais. Parece não existir qualquer possibilidade de convivência com os Outros, os originários, senão acabando com eles ou deportando-os para algum lugar longínquo, lá no meio da Amazônia, distante da civilização e dos nossos olhares. É o que podemos concluir a partir das palavras de Carlos Frederico Marés de Souza Filho, professor de direito e procurador do estado do Paraná: “O Estado e seu Direito não conseguem aceitar as diferenças sociais e as injustiças que elas engendram e, na maior parte das vezes, as omitem ou mascaram, ajudando sua perpetuação”. [1]

Entretanto, o fato é que a Constituição Federal de 1988 é um divisor de águas no reordenamento do papel do Estado em relação aos povos indígenas e a outros assuntos. Com o Capítulo VII (Dos Índios), Artigos 231 e 232, por exemplo, pôs-se fim ao paradigma integracionista que vigorava até então, embora ainda se faça presente em sentenças proferidas na Justiça Federal. Por esse motivo, julgo ser necessário citar o que diz o texto constitucional:

CAPÍTULO VII – “DOS ÍNDIOS”

Artigo 231 – São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

1. São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
2. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios, dos lagos nelas existentes.
3. O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivadas com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados das lavras, na forma de lei.
4. As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas são imprescritíveis.
5. É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso, garantindo em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.
6. São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção do direito à indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé.
7. Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, 3 e 4.
8. Artigo 232 – Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo. [Destaques meus]

Embora a chamada Constituição Cidadã seja clara no que diz respeito a reconhecer as diferenças socioculturais e as terras das comunidades indígenas, torna-se contraditório qualquer ação unilateral do governo federal em querer integrá-las às economias regionais.

Por razões dessa natureza é que a Fundação Nacional do Índio – Funai é um dos piores e menos eficientes órgãos governamentais, pois sucessivos governos não deram a ela a devida atenção, exceto para ali colocar seus “afilhados” em cargos de confiança, desprestigiando funcionários de carreira. Isso explica o porquê da “questão indígena” nunca ter sido tratada como prioridades dentre as ações do Estado. Basta saber qual é o orçamento anual da Funai e entenderemos melhor o assunto.

IHU On-Line – Os dados acerca do território brasileiro destinado à ocupação indígena são controversos. É possível estimar que percentual das terras brasileiras é ocupado pelos indígenas e que percentual, por sua vez, deveria ser ocupado por eles?

Jorge Eremites de Oliveira – Seria leviano de minha parte querer apresentar um percentual sobre o tamanho das terras indígenas no país, mas o fato é que a maior parte delas está na região amazônica. Conforme recentemente explicou o antropólogo João Pacheco de Oliveira, em entrevista concedida ao Estadão, naquela região há terras da União que não são destinadas apenas aos indígenas, mas também servem como áreas de preservação ambiental, algo que por si só é importante.

No caso de Mato Grosso do Sul, e de muitos outros estados, o que se vê é uma situação exatamente diferente. Ali há milhares de indígenas confinados em pequeníssimas reservas, como se fossem “ilhas” cercadas por fazendas e cidades, conforme avaliou o historiador Antonio Jacó Brand, falecido recentemente. Na Terra Indígena Dourados, por exemplo, onde há duas aldeias, Jaguapiru e Bororó, vivem por volta de 13.500 pessoas em pouco mais de 3.400 hectares.

Situações assim possibilitam entender melhor os conflitos pela posse da terra em certas regiões do país. Além disso, faz-se necessário deixar claro que não se podem ceifar direitos das comunidades indígenas que vivem em Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, sob o pretexto de que “há muita terra para pouco índio” na Amazônia.

IHU On-Line – Há uma crítica recorrente de parte da sociedade de que os indígenas não precisam de tantas terras para viver. Qual a importância da terra para eles?

Jorge Eremites de Oliveira – Mas aonde, afinal de contas, estariam tantas terras assim? Com certeza, faço questão de registrar amiúde que não seria em Mato Grosso do Sul. Diria mais: se não precisam de “tantas terras”, então o que muitos de nós desejariam é vê-los mortos? Aí, sim, talvez tivessem alguma terra, ao menos para serem enterrados. Talvez seja esta dedução a que podemos chegar diante de tanta contrainformação, preconceito e violência cometida contra os povos indígenas.

Portanto, não é de se estranhar que setores da imprensa sejam financiados com dinheiro dos cofres públicos e do agronegócio em certos estados brasileiros, especialmente onde os conflitos pela posse da terra são grandes e envolvem indígenas e ruralistas.

Para os povos indígenas a terra não é uma mera mercadoria e, por isso, não pode ser percebida pela lógica do agronegócio. Mesmo assim, não é verdade que nelas não se produz alimento algum. Na Terra Indígena Buriti, por exemplo, os Terena produzem alimentos em suas roças e quintais, criam diversos animais e fazem manejo agroflorestal, entre outras atividades produtivas.

Uma terra indígena pertence à União, e para os índios ela é de fundamental importância para sua reprodução física e cultural. Para sociedades como a dos Guarani e Kaiowá, a terra possui, ao mesmo tempo, um grande valor econômico e religioso, chegando a ser quase como um parente, conforme tem sido explicado pelo antropólogo kaiowá Tonico Benites. Sem ela não há como viver bem, segundo uma cosmologia particular, e para eles a luta pela terra também é a luta em defesa da família extensa, da qual a terra faz parte.

IHU On-Line – Como avalia a postura do Estado brasileiro em relação aos indígenas? Percebe uma tentativa de diálogo ou o governo cede a interesses econômicos?

Jorge Eremites de Oliveira – Em complementação ao que disse anteriormente, avalio que o governo federal tem olhado para os povos indígenas com as lentes do agronegócio, recebidas do movimento ruralista. Isso faz parte da lógica do “desenvolvimento econômico a qualquer custo” e atende a projetos políticos para a disputa de eleições futuras.

Nesta linha de raciocínio, diria que há poucas e tímidas tentativas de diálogo com o movimento indígena, haja vista que o governo tende a ceder a interesses econômicos pragmáticos e não a um planejamento estratégico de longo prazo, no qual os povos indígenas tenham seus direitos assegurados.

IHU On-Line – Quais foram os resultados da política de demarcações de terras indígenas e quais os desafios ainda presentes?

Jorge Eremites de Oliveira – Em linhas gerais, temos avanços registrados após a promulgação da Constituição Federal de 1988, mas muito ainda precisa ser feito, especialmente em regiões onde o agronegócio é muito forte e o valor das terras, elevado. Este é o caso de Mato Grosso do Sul.

Ali um dos desafios colocados na pauta do dia diz respeito à indenização não apenas da benfeitoria, mas também da terra nua de propriedades que o Estado titulou a favor de terceiros. Isso garantirá a regularização mais rápida das terras indígenas, conforme tem sido apontado por lideranças do movimento ruralista e por indígenas. Como fazer sem mudar o Art. 231 da Lei Maior é que constituiu um desafio a ser enfrentando.

Após a regularização das terras indígenas, será necessário, aí sim, um conjunto de políticas públicas, concebidas para atender às particularidades de cada comunidade indígena visando, com isso, a construção de sua autonomia.

IHU On-Line – Entre as mudanças sugeridas recentemente pelo governo está a proposta, da ministra Gleisi Hoffmann, de que as demarcações das terras indígenas recebam pareceres da Embrapa. Como valia essa medida?

Jorge Eremites de Oliveira – Com o devido respeito, a referida ministra pouco ou nada conhece sobre a situação dos povos indígenas no Brasil. Ela aderiu ao discurso e às propostas do movimento ruralista e isso sugere que tem a ver com suas pretensões de ganhar o governo do Paraná nas próximas eleições. Chega a ser um desserviço ao país e uma violência só conhecida nos tempos da ditadura militar. A Embrapa não tem competência formal para tratar do assunto, tampouco possui recursos humanos especializados para assim o fazer.

Salvo engano, a estratégia do governo federal, via Casa Civil, tem sido a de sistematicamente promover a desqualificação da Funai e dos estudos antropológicos feitos para a identificação e delimitação de terras indígenas, como se não houvesse clareza nesse processo. Neste último aspecto, vale registrar que, de um ponto de vista legal, a identificação e delimitação de terras indígenas tem que ser feito em observação ao Decreto n. 1.775 e à Portaria MJ n. 14, ambos de 1996. O primeiro “dispõe sobre o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas e dá outras providências”, e a segunda estabelece “regras sobre a elaboração do Relatório circunstanciado de identificação e delimitação de terras indígenas”.

Regularização de terras indígenas

Resumidamente, diria que no Brasil a regularização de terras indígenas passa por três processos, segundo alguns colegas já apontaram e escrevi em recente artigo: o político, o administrativo e o judicial.

O processo administrativo diz respeito à ação da Funai em constituir um Grupo Técnico (GT), sob a coordenação de um antropólogo, cujo estudo deve ser realizado em conformidade com o que determinam as leis citadas anteriormente. O resultado do estudo de identificação, quando aprovado técnica e politicamente pelo órgão, tem seu resumo circunstanciado publicado no Diário Oficial da União, o que garante a publicização dos atos.

O processo jurídico, por seu turno, está diretamente relacionado com o princípio do amplo direito de defesa, o qual assegura que as partes envolvidas no litígio (comunidades indígenas, fazendeiros, prefeituras etc.) apresentem, em caso de se sentirem prejudicadas, um contraditório ao estudo produzido pela agência indigenista oficial. Isso primeiramente deveria ser feito em um prazo de 90 dias e diretamente àquele órgão. No entanto, amiúde é feito em juízo e a partir daí é iniciado um processo judicial, no qual comumente os fazendeiros são autores e a União e Funai, rés. O mesmo princípio do contraditório, elementar para a garantia do Estado Democrático de Direito, garante a solicitação de outro estudo, independente do feito para a Funai. Trata-se de uma perícia judicial, solicitada pela Justiça Federal em atendimento às exigências do juízo ou ao pedido das partes. Durante a realização das perícias, as partes podem ter seus próprios experts, chamados de “assistentes técnicos”, os quais comumente atuam na elaboração de estudos (contralaudos) em defesa de quem os contratou.

O início e a conclusão do processo administrativo e, sobretudo, do processo judicial podem levar anos, às vezes décadas, sem que as comunidades consigam manter o usufruto exclusivo e a posse permanente das áreas reivindicadas, de onde normalmente foram expulsas em algum momento da história.

Por último, o processo político, em minha opinião o mais importante de todos, refere-se também às ações e estratégias políticas dos movimentos indígenas e seus eventuais aliados (ONGs indigenistas, Ministério Público Federal, pesquisadores, parlamentares etc.) para a completa regularização das terras de ocupação tradicional, inclusive nas instâncias do Judiciário.

Mas, enfim, o discurso oficial da Casa Civil é idêntico ao feito no regime militar para extinguir o antigo Serviço de Proteção ao Índio – SPI, em 1967, como se todo esse processo fosse algo desconhecido. E como disse o filósofo alemão Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. E é exatamente de uma farsa que estou falando.

IHU On-Line – Como avalia a declaração do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, de, no futuro, a partir de uma mudança na legislação brasileira, ser possível a instalação de usinas hidrelétricas em terras indígenas, tendo como sócios do empreendimento os próprios índios, a exemplo do que já ocorre no Canadá?

Jorge Eremites de Oliveira – Esta é mais uma declaração que gera preocupação e insegurança jurídica aos povos indígenas, pois uma mudança na legislação brasileira, seguramente na Constituição Federal, será mais um retrocesso e uma forma de ceifar direitos conquistados recentemente.

IHU On-Line – Qual a melhor maneira de resolver os conflitos entre indígenas e não indígenas?

Jorge Eremites de Oliveira – Inexiste uma fórmula mágica para isso. Penso que tratar a “questão indígena” como uma das prioridades de Estado seria o primeiro passo. Se não for assim, os conflitos continuarão e, seguramente, mais vidas humanas serão ceifadas, em sua esmagadora maioria de indígenas. Quanto a isso não tenho dúvida alguma.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Jorge Eremites de Oliveira – Com a devida licença, registro aqui uma moção de apoio aos Terena e a outros povos indígenas no Brasil, aprovada pelo colegiado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPel, onde trabalho.

MOÇÃO DE APOIO AOS TERENA DE BURITI E A TODOS OS POVOS INDÍGENAS QUE LUTAM POR SEUS DIREITOS TERRITORIAIS NO BRASIL

O colegiado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas, reunido no dia 7 de maio de 2012, considerando:

– que o Estado Brasileiro não cumpriu com o que determina o Art. 67 da Constituição Federal de 1988 [ADCT]: “A União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição”. Esta situação é conhecida para todo o território nacional e também explica o prolongamento e o acirramento de muitos conflitos pela posse da terra envolvendo comunidades indígenas e setores contrários a seus interesses;

– que a política indigenista oficial tem sistematicamente violado os direitos dos povos indígenas, inclusive por meio do descumprimento de leis internacionais das quais o país é signatário. Este é o caso da Convenção nº 169 da OIT, de 1989, sobre os direitos fundamentais dos povos indígenas e tribais, aprovada pelo Congresso Nacional em 2002 e promulgada pela Presidência da República em 2004. Exemplo disso é o que ocorreu durante o licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, quando os povos indígenas afetados pelo empreendimento não foram prévia e devidamente consultados sobre o projeto;

– que o Governo Federal, por meio da Casa Civil, tem sistematicamente promovido a desqualificação da Funai e dos estudos antropológicos feitos para a identificação e delimitação de terras indígenas. Esta postura é típica de regimes de exceção, gera insegurança jurídica aos povos indígenas e denota uma postura colonialista norteada pelos paradigmas da assimilação e do desenvolvimento econômico a qualquer custo, subordinando poderes constituídos na República a interesses do movimento ruralista e seus aliados;

– Que os estudos para a ampliação dos limites da Terra Indígena Buriti, localizada nos municípios de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, em Mato Grosso do Sul, foram devidamente concluídos e publicados em 2001, constituindo-se em um ato administrativo perfeito. Além disso, respeitando o direito ao contraditório, a área foi objeto de perícia judicial que concluiu se tratar de terra de ocupação tradicional indígena, conforme estabelece o Art. 231 da Carta Constitucional;

– e que no dia 30 de maio de 2013 o indígena Oziel Gabriel, 35 anos, foi morto por policiais enviados para a área de conflito para fazer cumprir um mandado de reintegração de posse dentro da própria Terra Indígena Buriti. Naquele mesmo dia outros indígenas também foram feridos por policiais a servido do Estado Brasileiro. Posteriormente, no dia 04 de junho de 2013, o indígena Josiel Gabriel Alves, 34 anos, primo de Oziel Gabriel, foi baleado nas costas por pessoas identificadas pelos Terena como “pistoleiros” a serviço de fazendeiros da região, correndo o risco de ficar com sequelas neurológicas, vem a público manifestar seu apoio e solidariedade aos Terena da Terra Indígena Buriti e a todos os povos indígenas que lutam por seus direitos territoriais no Brasil.

Nosso posicionamento se dá em defesa da vida humana, pela regularização das terras indígenas existentes no território nacional e em repúdio a qualquer tipo de violência cometida contra os povos e comunidades tradicionais no Brasil. Por este motivo, esperamos que a justiça haja com rigor na apuração dos crimes cometidos contra os Terena e defendemos o cumprimento dos Art. 231 e 232 da Constituição Federal de 1988, bem como da Convenção 169 da OIT, sem os quais não é possível existir no país o Estado Democrático de Direito.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

Eliane Brum: “Quanto valem 20 centavos?” (Revista Época)

17/06/2013 10h01

O que une os manifestantes de São Paulo é o movimento: o ato literal e simbólico de romper o imobilismo da cidade parada e andar

ELIANE BRUM

Vinte centavos não são vinte centavos. Vinte centavos tornaram-se ao mesmo tempo estopim e símbolo de um movimento tão grávido de possibilidades que foi reprimido a balas de borracha, a bombas de gás lacrimogêneo e também a golpes de caneta. O que começou com o aumento da passagem do ônibus, se alargou, se metamorfoseou e virou um grito coletivo que tomou a Avenida Paulista e ecoou nas ruas do Brasil. O que há de tão ameaçador nestes 20 centavos, a ponto de fazer com que governos da democracia protagonizem cenas da ditadura, é talvez algo que se acreditava morto por aqui: utopia. A notícia perigosa anunciada pelas ruas, a novidade que o Estado tentou esmagar com os cascos dos cavalos da polícia paulista, é que, enfim, estamos vivos.

A multidão que tomou as ruas de São Paulo, ecoando o que já vinha acontecendo em outras cidades do Brasil, está longe de ser homogênea. Há grupos organizados – e alguns deles acreditam que a depredação é um ato legítimo de defesa, diante da violência sistemática praticada pelo Estado e pelo capital –, há partidos políticos de esquerda e há uma massa de pessoas, a maioria jovens, que aderiram movidas por suas próprias aspirações. O que une “os vários movimentos dentro de um” são os 20 centavos. Mas os 20 centavos deixaram de ser 20 centavos para se tornar expressão de um descontentamento difuso, mas nem por isso menos profundo. Uma decepção com a vida que se vive e um anseio por sentido.

As manifestações de rua são talvez a melhor notícia da democracia, a prova maior de sua vitalidade, mas elas expressam o sentimento de que os políticos que aí estão, os partidos que aí estão, a concepção de mundo, de país e de política que eles representam, já não representam um número crescente de pessoas. Especialmente os jovens pós-internet, mas não só. Contra aquilo que não se entende, mas que ameaça o poder estabelecido, joga-se a polícia. O que se viu na quinta-feira (13/6) foram cenas que lembravam a ditadura militar. Mas as semelhanças acabam aí. A demonstração de força era a expressão de uma fragilidade com a marca deste tempo histórico, do hoje.

A prova mais eloquente, talvez, se revela nas frases postadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Twitter. Para qualquer pessoa que seguisse o governador e também pessoas que estavam na manifestação, a narrativa simultânea do momento era extremamente reveladora. Reproduzo aqui a sequência de frases de 140 hectares de Alckmin e frases de diferentes manifestantes ou jornalistas que cobriam a manifestação, postadas ao mesmo tempo que as do governador. Todos estão identificadas com nome e sobrenome no Twitter, mas, depois do que vi na quinta-feira, por precaução, eu prefiro chamá-los aqui apenas de @manifestantes:

“@GeraldoAlckmin O direito à livre manifestação é um princípio basilar da democracia. Assim como o direito de ir e vir e a preservação do patrimônio público/@manifestante: Praça enchendo em paz… bonito/ @GeraldoAlckmin Depredação, violência e obstrução de vias públicas não são aceitáveis. O Governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo/@manifestante: Repressão brutal, pessoas desesperadas, moradores com crianças correndo. Se o Haddad compactuar com isso é o fim definitivo do PT!! /@GeraldoAlckmin Participei hoje, em Santos, da comemoração aos 250 anos do nascimento de José Bonifácio Andrada e Silva, o patriarca da independência/@manifestante: Ônibus pegando fogo na Augusta. Milhares correndo, descendo a rua pedindo paz. PM segue com bombas. Motoristas encurralados por gás/@GeraldoAlckmin Ainda em Santos inaugurei nova delegacia de polícia do Porto de Santos, que ano passado recebeu 1.1 milhão de turistas /@manifestante: Tentei sair. Eles atiraram na minha frente. Virei, atiraram atrás. Fiquei cega, entrei num motel. Consegui me recompor/@GeraldoAlckmin No Guarujá inaugurei o novo Hospital Emílio Ribas e anunciei a implantação do Restaurante Bom Prato/@manifestante: Pra dispersar, faz sentido jogar uma bomba no começo, uma no fim? Fiquei presa entre duas bombas de gás. Muita gente machucada/@GeraldoAlckmin Para Cubatão liberamos R$ 21,5 milhões para construir 800 apartamentos e mais 1.448 apartamentos para Santos que receberá mais uma Etec/@manifestante: Eu nunca vi nada parecido. Muita gente ‘refugiada’ no hotel, sangrando/@GeraldoAlckmin Estive também em São Vicente p/ autorizar a recuperação da belíssima Ponte Pênsil, a construção de 1.120 moradias e a implantação da 2ª ETEC/ @manifestante: Augusta em chamas”.

O governador despediu-se no Twitter, na noite que já está assinalada na história de São Paulo, a maior cidade do país, como uma das mais violentas desde a volta da democracia, com a seguinte frase: “@GeraldoAlckmin Parabéns a toda a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade. Boa noite a todos!”.

A frase fala por si. A simultaneidade de realidades também. Se alguém quiser documentar essa noite histórica num livro/e-book, a melhor expressão me parece ser a reprodução das narrativas simultâneas do governador e de alguns narradores que estavam na manifestação. O mesmo vale para quem estiver sem tema para uma tese de doutorado. É um retrato do momento, que abre uma rica paleta de possibilidades de análise e de interpretação.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não se manifestou diretamente nas redes sociais na noite de quinta-feira. Mas sua ausência, em vários sentidos, esteve bem presente. Tão logo ficou claro que a violência policial era condenada até mesmo por aqueles que antes a haviam pedido em letras garrafais, o prefeito passou a se esforçar para se descolar do governador. Assim como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que, se hoje critica a ação da polícia paulista, antes de os ventos mudarem tinha se apressado a oferecer apoio “no que for necessário” ao governo de São Paulo. Desta vez, PSDB e PT estiveram unidos pela incompreensão do momento histórico que vivem, atarantados diante da força das ruas e de uma linguagem que não dominam, nem sequer entendem.

Quando Alckmin só consegue enxergar “vândalos” e “baderneiros”, é o que não enxerga que aparece. Quando Haddad tenta se amparar no discurso de que o aumento do preço do transporte público foi abaixo da inflação, é a sua dificuldade de compreender o discurso novo das ruas que se torna explícita. Não é mesmo fácil ser político neste momento histórico em que as ruas nas quais os movimentos se iniciam não têm mais chão. Desorientados diante da novidade, alguns quadros e militantes do PT têm repetido que é preciso resgatar bandeiras históricas do partido que se forjou nas ruas, mas agora se descobre apartado delas. Se isso já se torna cada vez mais difícil, dada as posições retrógradas do governo de Dilma Rousseff, é preciso perceber que essas bandeiras perdidas são do século XX. Ainda que as reivindicações estruturais, de fundo, permaneçam, algumas delas com suas raízes no Brasil Colônia, elas foram acrescidas de novos desafios e nuances e de uma forma inteiramente diferente de se relacionar com o mundo. O que está em jogo hoje são bandeiras do século XXI, em que até o conceito de bandeira já não é mais o mesmo.

A avassaladora velocidade das mudanças nos deixa a todos perplexos. E também a imprensa, que vive um momento delicadíssimo. A cobertura ao vivo das TVs era acompanhada por quem estava no Twitter, mas já com uma leitura crítica. E com a comparação imediata do que era dito pelos apresentadores com a narrativa polifônica, em primeira pessoa, feita pelos manifestantes que estavam no centro dos acontecimentos. Em seguida, o relato de quem testemunhava o protesto nas ruas era comentado e replicado pelos manifestantes que não estavam nas ruas, mas também se manifestavam. E não só em São Paulo, mas no Brasil e também fora do país.

Quem tanto ironiza os “ativistas de sofá” precisa começar a entender que as fronteiras entre as ruas já não existem – ou pelo menos exigem outro tipo de interpretação. Mesmo jornalistas que estavam cobrindo o protesto para seus veículos, fizeram seu relato em tempo real no Twitter e no Facebook – e alguns escreveram artigos independentes depois. Para compreender melhor esse aspecto da manifestação de quinta-feira, sugiro a leitura da ótima análise de Fabio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador do Laboratório de Estudos em Internet e Cultura (Labic) – aqui.

Os 20 centavos se alargam, sua teia de significados ganha dimensões cada vez maiores, superando qualquer fronteira física ou virtual. A violência da polícia paulista motivou a reação de outras camadas da população e de outras faixas etárias, levando novas adesões ao movimento. O que se vê nas redes agora é a soma daqueles que dizem ser preciso lutar pela democracia e pela liberdade de protestar. Esse sentimento é demonstrado nas quatro frases do Twitter mais republicadas, segundo a análise do professor Fabio Malini: “@LeoRossatto A tarifa virou a menor das questões agora. Os próximos protestos precisam ser, antes de tudo, pela liberdade de protestar/ @choracuica Não é mais sobre a tarifa. F…-se a tarifa. Isso ficou muito maior que a questão da tarifa/@gaiapassarelli Há algo grande acontecendo e é menos sobre aumento de tarifa e mais sobre tomar posição. Todo mundo deveria prestar atenção/ @tavasconcellos Não é mais uma discussão sobre tarifa. Transporte. Baderna. Sobre nada disso. É sobre o direito de se manifestar por qualquer causa”.

Tenho recebido e-mails de amigos e também de desconhecidos. Edson Natale, músico e produtor cultural, mandou o seguinte texto para o seu mailing, do qual também faço parte: “Vou pra rua na segunda (17/6). E vou porque acho que devo cuidar da rua e porque o Brasil não é só a rua por onde ando. Vou pra rua por minhas crenças e pelas crenças dos filhos: dos meus filhos e dos filhos dos outros. Não é muita coisa ir pra rua, mas não quero perder o direito de ir, quando quiser. Não tenho partido, nem religião, mas acredito sobretudo na vida, nas pessoas e no futuro, por exemplo. Tenho 51 anos e poderei (tentar) ajudar a evitar a violência ou a quebradeira, seja lá de quem for. Estarei lá para mostrar que não tenho gostado dos conchavos, das negociatas, das simulações e das dissimulações que têm acontecido tão intensamente nos bairros, cidades e estados; nas florestas, litorais e sertão, independentemente dos partidos responsáveis por elas. Tenho 51 anos e digo – com maturidade – que é preciso ir para a rua e levar as nossas crenças para passear um pouco e encontrar-se com outras crenças, diferenças e verdades. Acho que é assim que se faz um País e eu tinha me esquecido disso. Por isso agradeço aos que ocuparam as ruas antes de mim e por mim. E antes que alguém diga, ressalto que não vou para a rua defender partidos políticos, violência, quebradeira ou ódio… nem para impor a ‘minha’ verdade. E dessa forma encerro aqui o meu convite: vamos?”.

É possível que seja de qualificação do desejo que esse movimento fale. Talvez seja esta a única coesão entre tantos anseios diferentes, organizados ou não. O sentimento de que essa vida é pouca, de que essa política pautada mais pela reprodução das relações de poder do que por ideias de um Brasil melhor já não motiva ninguém. Em São Paulo, mais do qualquer uma das outras capitais que também se levantaram e se levantam, a questão do transporte explicita todo esse desencanto. É muito simbólico que Alckmin e sua polícia tenham frisado tanto que defendiam “o direito de ir e vir” dos cidadãos, como se cidadãos também não fossem aqueles que se manifestavam. Mas o mais irônico dessa justificativa para a repressão é que “ir e vir” é o que não se consegue fazer em São Paulo, imobilizados em ônibus e carros no trânsito parado, uma oposição já cristalizada na linguagem. Talvez o que una os manifestantes tão diferentes de São Paulo seja o movimento – o ato mesmo de literalmente romper o imobilismo e se mover. A maior transgressão é andar – e por isso era também crucial andar na imensamente simbólica Avenida Paulista. Pessoas, não carros, não ônibus 20 centavos mais caros. Não mais como zumbis sustentando uma vida insustentável em passos claudicantes e limitados, mas como pessoas no movimento desejante em busca de uma vida que faça mais sentido.

Vinte centavos talvez sejam o tanto de morte que uma vida humana já não pode suportar. Em São Paulo, mas também em Porto Alegre, no Rio, em Brasília, em várias cidades e capitais. Assim como em outras partes do mundo – antes, agora, possivelmente depois –, em cada uma delas com contextos, peculiaridades e rostos próprios, mas com algo em comum que é possível reconhecer. Algo que revela de um mundo que apodrece, de um modo de vida que já não dá conta da vida.

Talvez quem melhor tenha sintetizado os protestos que hoje tomam conta do Brasil tenha sido um velho, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em outro canto do mundo, quase dois anos atrás. Ao falar aos jovens que tomaram as ruas de cidades da Espanha como Barcelona e Madri, ele disse uma frase que se disseminou pela internet, traduzida para várias línguas: “Este mundo de merda está grávido de outro”.

Tomara que esteja. E que tenhamos a grandeza de sonhar com um mundo em que exista espaço para a vida.

La privatización de los comunes que encendió la Primavera Turca / A Primavera do Direito à Cidade (outraspalavras.net)

10/6/2013

Bernardo Gutierrez | Tradução: Bruna Bernacchio

Taksim é nosso, Istambul é nossa!”. Os gritos não pertencem a algum dos jovens que ocuparam o Parque Taksim Gezi, da capital turca, na virada do mês. Tampouco é um mote que esteja correndo o mundo no Twitter, sob a tag #OccupyGezi. “Taksim é nosso” está sendo pronunciado por um cidadão anônimo no vídeo Tkasim Square (Istambul Commons), durante uma manifestação celebrada no outono passado. “Taksim é nosso” – continua a voz no megafone – “não importa as opções políticas que tenham as pessoas”.

O vídeo foi produzido no âmbito do projeto Mapeando o Comum [Mapping the Commons], idealizado pelo estúdio sevilhano Hacktitetura e desenvolvido pelo ativistaPablo de Soto, em Atenas e Istambul. E contextualiza com perfeição a vertiginosa insurreição que está vivendo Istambul e toda a Turquia. O centro comercial planejado pelo governo de Recep Tayyip Erdogan, que incendiou #OccupyGezi, é apenas a ponta de um iceberg maior: um duro plano neoliberal para privatizar bens comuns (águas, bosques) e espaço público. Até que ponto o ataque ao comu, e concretamente a privatização dos espaços urbanos deflagraram a Primavera Turca?

O projeto Mapeando o Comum — definido por seus próprios autores como uma performance que pode tornar-se reflexão, uma obra de arte ou uma ação social — é um verdadeiro passeio pelas raízes de #OccupyGezi. A cartografia, realizada na plataformaMeipi, organiza o comu de Istambul em quatro categorias: bens naturais, cultura, espaço público e digital. Os vídeos publicados, todos com falas parcialmente em inglês, resumem os ataques que o o espaço público sofre na era Erdogan.

“Communication space”, por exemplo, revela, por meio dos protestos dos estudantes universitários, a luta pelo conhecimento e comunicação livres. Em “Water as a commons”, o assunto central é a privatização da gestão da água na região. “For-rest”denuncia que a terceira ponte sobre o estreito de Bósforo, que o governo de Erdogan planeja, implicaria na desaparecimento do bosque Belgrado, pulmão verde da cidade. A repressão no espaço público de manifestações sócio-culturais como festas nas ruas ou o fim da única praça de pedestres (Galata Square) de Istambul são tema os vídeos Cultural expressions in public space e o Galata Tower Square.

Até que ponto a privatização selvagem dos bens comuns naturais e urbanos de Istambul incendiou a revolta de #OccupyGezi? O ativista Pablo de Soto, em declarações ao jornal espanhol El Diario, sustenta que os fatos estão intrinsecamente relacionados: “O corte das árvores para construir um centro comercial para a elite e os turistas foi o pavio de incêndio, o catalizador final dos protestos por justiça social e econômica”.

A arquiteta turca Pelin Tan, em seu artigo Um relato de Gezi Park reforma a tese: “Para o governo turco, as novas políticas urbanas são a desculpa para atos de segragação, para incentivar estilos de vida neoliberais, o progressivo endividamento dos seus cidadãos, exploração, racismo, corrupção, e a instalação de um estado de exceção que viola os direitos humanos”. Por sua vez, a prestigiosa plataforma Architizer também situa os bens comuns urbanos como claro estopim da revolta.

#OccupyGezi é muito mais que um grito ecologista para salvar os árvores de Taksim. Mas não exclusivamente é apenas uma revolta antagonista contra a arrogância macropolítica do governo turco ou a suposta tentativa de islamização da Turquia que, segundo a imprensa ocidental, Erdogan conduz.

Em A Catedral e o Bazar, o hacker Eric S. Raymond contrapunha dois modelos na elaboração de software. A Catedral representa o modelo de desenvolvimento hermético e vertical do software proprietário. O bazar, com sua dinâmica horizontal e barulhenta, representaria a Linux e outros projetos de software livre, baseados no trabalho comunitário. Nenhum lugar como Istambul, com seu barulhento Gran Bazar, encarna melhor a metáfora urbana da tese de Raymond. De um lado, a catedral de receitas top down e privatizantes, do Governo de Erdogan. Do outro, o grande bazar humano de Istambul, seu espaço público, a tradição comunal das comunidades da cidade. #OccupyGezi e sua convivência humana resumem o choque de trens da história, entre dois modelos incompatíveis.

Derya Calik, estudante e ativista, descreve em uma entrevista a estratégia da catedral neoliberal contra os manifestantes de Taksim. “Na Turquia, não temos uma boa conexão 3G. Quando muito usada, a rede entra em colapso. Além disso, muitas pessoas foram informadas do uso de inibidores de sinal, por parte da polícia. Por isso, começamos a utilizar uma conexão VPN (Rede Virtual Privada). E, além disso, as lojas, restaurantes, hotéis e os residentes da zona cederam Wi-Fi aos manifestantes, abrindo as senhas de suas redes”. O bazar colaborativo de Istambul, no momento, driblou a aprisionadora catedral de Erdogan.

É possível fazer alguma comparação entre #OccupyGezzi e a acampada da Porta do Sol de Madri do 15M ou do Occupy Wall Street em Zuccotti? Pelin Tan, no texto já citado, destaca que “a ocupação de Gezi é um símbolo de estar juntos no comum (a arquiteta emprega a quase intraduzível palavra commoning), apesar de nossas diferenças”. Em #OccupyGezi, continua ela, envolveu-se “gente de diferentes classes, bairros e movimentos culturais — mais que organizações políticas e grupos de oposição”. Uma auto-organização transversal do bazar colaborativo, que a violência policial multiplicou até limites não esperados. Da praça ao mundo. Do hiperlocal à geopolítica.

Já o ativista Orsan Selap, habitual nas listas de correios de TakeTheSquare.net criadas no início do 15M espanhol, ressalta a El Diario a importância das redes na incipiente Primavera Turca: “O pensamento peer-to-peer (P2P) e em favor do comum nos dá uma alternativa clara ao capitalismo. Nesses momentos, nas redes sociais, as ruas e as lutas de Istambul estão convertendo-se em algo com muitos vínculos internacionais”.

(esquerda) Imagem do video Taksin Square, de Mapping the Commons; (direita) projeto do shopping em Taksim

De Taksim ao mundo. Do hiperlocal ao global. Do urbano à geopolítica. Em seu aclamado livro Cidades rebeldes, o sociólogo David Harvey afirma que a “revolução será urbana ou não será”. E adapta ao século XXI “o direito à cidade”, um velho grito dos anos sessenta, título de um mítico livro de Henry Lefebvre. O direito à cidade seria um “espaço social com interações e práticas onde a produção social tem lugar”.

A metrópole moderna tem um papel importante na produção do comum. Curiosamente, os movimentos sociais de Istambul estão remesclando o grito de Lefebvre-Harvey. No texto “O movimento pelo Direito à Cidade e o verão turco”, a jornalista independente Jay Cassano faz um detalhado repasse dos ataques neoliberais que Istambul está sofrendo nos últimos tempos, além do projeto de centro comercial para Gezi Taksim.

Jay cita em seu artigo a conversão do histórico cine Emek em shopping center. Menciona a terceira ponte sobre o Bósforo. E destaca o forte processo de segragação que Istambul está sofrendo, especialmente nos “bairros históricos de Sulukule, Tarlabasi, Tophane e Fener-Balat, onde vivem os imigrantes e a minoria curda”. Precisamente, Mapeando os Comuns dedica um vídeo ao distrito de Fenet-Balat-Ayvansaray, onde os vizinhos resistem ao plano urbanístico do Ajuntamento pela Associação Febayder.

O coletivo Reclaim Istambul, inspirado no coletivo britânico Reclaim the streets, que lutava pelo espaço público, faz uma verdadeira lista dos horrores urbanísticos planejados para a capital turca: “Centenas de edifícios gradeados, torres de escritórios, centros comerciais e projetos multiusos crescendo como flechas em toda a cidade”. Entre a penca de projetos de corte neoliberal, destacam Via Port Venezia (“redesenhamos Veneza e a trouxemos a Istambul”) ou Mall of Istambul (“aproveite de perto de um dos maiores shoppings da Turquia”). Em certo sentido, #OccupyGezi nasceu como grito coletivo para evitar que a milenária Istambul acabe se convertendo em Las Vegas ou Dubai.

O Reclaim Istambul é responsável por um dos documentários mais polêmicos dos últimos tempo, Ekümenópolis. Com um verdadeiro coquetel de imagens, entrevistas, músicas, gráficos e animações, Ekümenópolis desenha o selvagem ataque ao comum urbano e natural que sofre a cidade. A contundência de sua sinopse dá uma ideia da dureza de seu conteúdo: “Há alguns anos, Istambul tinha 3,5 milhões de habitantes. Hoje somos 15 milhões e em 15 anos seremos 23. Foram ultrapassados os limites ecológicos e de população. Perdeu-se a coesão social. Aqui surgiu uma imagem do urbanismo neoliberal: Ekümenópolis”.

“É mais que uma revolução tecnológica: é uma revolução cultural. Os rígidos modelos verticais para intensificar os sistemas de produção de massa do século passado estão sendo substituídos por flexíveis redes peer-to-peer, que nos levam até uma nova estética de códigos”. A frase é do arquiteto Joseph Grima, diretor da última edição da Bienal de Desenho de Istambul, celebrada ao final de 2012. Adhocracy, o título da Bienal, não foi casual. A adocracia, outro termo recentemente ressuscitado, é um novo modelo de organização flexível, intuitiva, transversal. A adocracia é horizontal, rotativa. Por isso, Adhocracy foi muito mais que uma exposição. Foi um laboratório.

Uma de suas comissárias, Ethel Baraona (dPr-Barcelona), respondendo a um questionário sobre #OccupyGezi, destaca o vínculo da Bienal com o comum urbano: “Uma grande parte dos projetos estava relacionada com o ativismo urbano, com a intenção de chamar a atenção do espaço público como espaço de intercâmbio de conhecimentos e de ação”. A Bienal adocrata espalhou por Istambul o dinamismo de coletivos-projetos como Crafting NeigborhoodsRecetas UrbanasOpen Structures,Maker Faire Africa, Arduino ou Zuloark (representando o madrilenho El Campo de Cebada).

Especialmente metafórico foi o projeto Drone Shade, da artista James Bridle. Depois de polvilhar de sombras de “drones” (aviões não tripulados) a Faixa de Gaza ou Londres, James desenhou com linhas brancas, no coração urbano de Istambul, a suposta sombra dos drones que os Estados Unidos utilizam da Turquia. O espaço público como tabuleiro do mundo. Como metáfora geopolítica. A metralhadora top down e neoliberal de Erdogan, representada em uma forma de contornos brancos. A aliança militar estadounidense-turca, que persegue o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte da Turquia e no norte do Irã, como uma verdade ao rés do chão. A cidade como campo de batalha.

Será #OccupyGezi é a primeira revolução incendiada pelo comum urbano? Talvez a primeira, mas não a última. O modelo da catedral neoliberal de Istambul replica-se em todo o mundo. As remoções e a especulação imobiliária no Rio de Janeiro pré-olímpico são um exemplo. O projeto EuroVegas de Madri, como destaca Pablo de Soto, “é um escândalo de privatização e exceção da legalidade com mesmo grau destrutivo do parque Gezi em Taksim”.

Chegou a era das Cidades Rebeldes de David Harvey? Veremos uma sequência de revoluções urbanas em um planeta que esgota seus recursos naturais a um ritmo assustador? Ainda que não haja respostas, existem intuições. O antropólogo e ativista do 15M Adolfo Estalella, em seu provocador texto El procomún no es un commons vaticina uma forte politização dos núcleos urbanos: “O pró-comum é a figura que permite politizar a cidade. Se há dez anos a globalização era o objetivo de ativismo, agora é a cidade. Por isso, o comum é, para o ativismo atual o que a globalização era para este há dez anos”.

http://outraspalavras.net/2013/06/10/a-primavera-do-direito-a-cidade/

fonte original: http://www.eldiario.es/turing/privatizacion-comunes-encendio-Primavera-Turca_0_139986455.html

Bolsa Família enfraquece o coronelismo e rompe cultura da resignação, diz socióloga (FSP)

11/06/2013 – 10h37

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.

A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família” (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36). O livro será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis. No local, haverá um debate mediado por Jézio Gutierre com a participação do cientista político André Singer e da socióloga Amélia Cohn.

Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa.

Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.

Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família “é o início de uma democratização real” do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: “Nossa elite é muito cruel”, afirma.

Socióloga Walquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família, que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila, em SPWalquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família, que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila, em SP. Karime Xavier-31.mai.13/Folhapress

Folha – Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?

Walquiria Leão Rego – Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?

Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?

Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?

A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?

Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?

As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?

Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?

É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?

Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: ‘Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha’. Perguntei para outra. Ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem’. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?

Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?

Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?

O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?

São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?

Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: ‘A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender’.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?

O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?

Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?

Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?

A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de “Vidas Secas”], a vida não é tão seca mais.

“VOZES DO BOLSA FAMÍLIA”
AUTOR Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani
EDITORA Editora Unesp
QUANTO R$ 36 (248 págs.)
LANÇAMENTO hoje, às 19h, na Livraria da Vila – Shopping Higienópolis (av. Higienópolis, 618; tel. 0/xx/11/3660-0230)

AP Interview: Brazil Sports Minister complained to FIFA about high World Cup ticket prices (Washington Post)

(Bebeto Matthews/ Associated Press ) – Aldo Rebelo, Brazil’s minister of sport, speaks during an interview Tuesday, June 4, 2013, in New York. Rebelo complained to FIFA about high prices contemplated for next year’s World Cup, and said soccer’s governing body will give 50,000 free tickets to poor communities and make half-price seats available to the elderly and students.

By Associated Press, Published: June 4

NEW YORK — Brazil’s Minister of Sport complained to FIFA about high prices contemplated for next year’s World Cup, and said soccer’s governing body will give 50,000 free tickets to poor communities and make half-price seats available to the elderly and students.

FIFA said last week it will announce prices on July 1 for the 2014 tournament and ticket sales will start Aug. 20. For the 2010 World Cup, prices were announced in November 2007 and sales started in February 2009.

Non-premium prices for the 2010 tournament in South Africa ranged from $70-$450 for the opener and $20-$160 for other first-round matches, and escalated to $150-$900 for the final.

During an interview Thursday at The Associated Press, Aldo Rebelo said prices for the tournament in Brazil, to be played from June 12-July 14, became an issue.

“I spoke with FIFA representatives, stating that this was unacceptable, that the prices were so high,” he said through a translator. “This is really a celebration of the people of Brazil. Soccer is very important for the whole population in Brazil. So I mentioned to FIFA representatives, how about that part of the population that cannot afford those expensive tickets?”

The U.S. Central Intelligence Agency’s World Factbook estimates Brazil’s per capita income at $12,000 last July 1, ranked 106th among nations. Qatar, the 2022 World Cup host, is first at $102,800 and the United States is 15th at $49,800.

“FIFA has donated 50,000 tickets to these poor communities and Indigenous communities,” Rebelo said. “And also we have 50 percent discount for the elderly population and for students.”

For the Confederations Cup, an eight-nation warm-up tournament this month, FIFA is making available half-price tickets to Brazilian residents who are either students, 60 or older by June 30 or in the Bolsa Família government assistance program.

Brazil is spending an estimated $3.5 billion on stadium construction and renovation for the World Cup, and Rio de Janeiro also is getting ready to host the 2016 Summer Olympics. Among the construction projects are new highways, avenues and mass transit.

“The infrastructure investments are really geared toward all communities. The investments were already planned for before or regardless of the World Cup and the Olympics,” Rebelo said. “The whole population will benefit from these improvements in infrastructure.”

Estadio Olímpico Joao Havelange, built in Rio for the 2007 Pan American Games, will host track and field during the 2016 Olympics. City councilmen introduced legislation last month to change the stadium name to Joao Saldanha, Brazil’s coach during qualifying for the 1970 World Cup, after a FIFA ethics report concluded Havelange accepted bribes in a World Cup kickback scandal in the 1990s. Havelange resigned as an IOC member in 2011 and quit this year as FIFA’s honorary president.

“Havelange was a name that was very important and very well received not only within soccer but within the sports industry as a whole,” Rebelo said. “After investigations, he no longer occupies any positions within FIFA or within the International Olympic Committee. However, the mistakes committed by Joao Havelange do not really delete any of the benefits that he brought either to FIFA or to the International Olympic Committee.”

Rebelo said the stadium construction for the World Cup — six venues will be new and the other six renovated — can’t be compared with the venues erected for World Cups in South Korea in 2002 or in South Africa, many of which are underutilized.

“In the ‘70s, Brazil built a lot of big stadiums and these stadiums were geared only toward soccer, nothing else. But these stadiums nowadays are completely different,” he said, predicting they will be used for “conferences, musical shows, restaurants, also trade shows.”

“This,” he said, “will allow the possibility for these stadiums to have some income, because these spaces will be rented for a high rate.”

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Estudo mostra que cotas não são o melhor instrumento para facilitar o acesso ao ensino superior (Jornal da Ciência)

JC e-mail 4741, de 06 de Junho de 2013.

Trabalho demonstra ainda que ações afirmativas podem encorajar a evasão e levar à redução da qualidade dos cursos mais competitivos

As cotas sociais ou raciais nas universidades não são o melhor instrumento para facilitar o acesso ao ensino superior, não garantem que os alunos cotistas tenham o desempenho esperado, além de encorajar a evasão e levar à redução da qualidade dos cursos mais competitivos. As conclusões são do estudo “Ações Afirmativas nas Universidades Brasileiras”, feito sob encomenda pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) e preparado por quatro especialistas na área de educação, os professores José Goldemberg, Eunice Durham, Maria Helena de Castro Guimarães e Simon Schwartzman.

O estudo foi apresentado hoje por José Eduardo Krieger e Regina Pekelmann Markus, presidente e diretora da Aciesp, respectivamente, e José Goldemberg, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Educação, em coletiva de imprensa no Centro Universitário Maria Antônia. Segundo Krieger, o estudo foi pedido porque há diversos aspectos que permeiam a questão do acesso dos alunos nas universidades públicas.

Uma das preocupações que o trabalho levantou é a formação educacional do cidadão até a entrada na universidade, que depende de diversas influências, como o ambiente familiar e a sociedade, além do Ensino Básico e Fundamental. Segundo o estudo, a educação no país requer uma reestruturação competente, que exigirá tempo e investimentos vultosos para que ela seja qualidade. “Este trabalho é importante porque nos traz dados que serão importantes para ampliar as discussões e tomadas de decisão”, afirmou Regina.

Para os autores do estudo, as cotas nas universidades introduzem um novo tipo de discriminação, como exemplo dos quais são a discriminação contra o branco pobre (em relação ao negro pobre) e contra o pobre (branco ou negro), cuja família economizou para mandar o filho à escola privada, para prepará-lo melhor para os vestibulares. “O critério ideal para a implantação de ações afirmativas deveria basear-se na renda per capita”, sugerem.

Eles reconhecem que a discriminação social ou racial no Brasil é real, mas não apenas no acesso às universidades públicas, e deve ser eliminada. “O problema é decidir como fazê-lo, sem prejudicar o desempenho das universidades públicas, cuja excelência é indispensável para o desenvolvimento do país”, escrevem nas suas conclusões. “A melhor solução a nosso ver é por meio de cursos preparatórios gratuitos para ingresso nas universidades, que utilizariam preferencialmente os alunos de pós-graduação como professores, e criando um sistema de bolsas de estudo para apoiar estudantes carentes.”

Para Krieger, enquanto isso não ocorre é preciso encontrar outras soluções para o problema, mesmo que paliativas para sanar as lacunas, sem prejudicar o que já está bom. “Em 30, 40 anos, sucateamos um sistema (de educação) que funcionava”, disse. “A educação de São Paulo já foi boa. Toda a minha formação foi feita em escola pública. E em tão pouco tempo tudo mudou. Hoje, eu não colocaria seu filho para estudar numa delas. A única coisa que não mudou foi a qualidade da USP.”

A professora Regina, salientou que é preciso que o governo faça investimentos, porque a universidade deve ser para todos. “Mas em que condições?”, indagou. “Por isso, é preciso dar condições para que todos tenham o mesmo acesso”. O ponto fundamental é a qualidade das universidades. “As decisões a serem implementadas não devem prejudicar o desempenho das universidades públicas, cuja excelência é indispensável para o desenvolvimento do país”, finalizou Goldemberg.

(Vivian Costa)

Subcommittee Reviews Legislation to Improve Weather Forecasting (Subcommittee on Environmen, House of Representatives, USA)

MAY 23, 2013

Washington, D.C. – The Subcommittee on Environment today held a hearing to examine ways to improve weather forecasting at the National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).  Witnesses provided testimony on draft legislation that would prioritize weather-related research at NOAA, in accordance with its critical mission to protect lives and property through enhanced weather forecasting. The hearing was timely given the recent severe tornadoes in the mid-west and super-storms like Hurricane Sandy.

Environment Subcommittee Chairman Chris Stewart (R-Utah): “We need a world-class system of weather prediction in the United States – one, as the National Academy of Sciences recently put it, that is ‘second to none.’ We can thank the hard-working men and women at  NOAA and their partners throughout the weather enterprise for the great strides that have been made in forecasting in recent decades.  But we can do better. And it’s not enough to blame failures on programming or sequestration or lack of other resources. As the events in Moore, Oklahoma have demonstrated, we have to do better. But the good news is that we can.”

Experts within the weather community have raised concern that the U.S. models for weather prediction have fallen behind Europe and other parts of the world in predicting weather events.The Weather Forecasting Improvement Act, draft legislation discussed at today’s hearing, would build upon the down payment made by Congress following Hurricane Sandy and restore the U.S. as a leader in this field through expanded computing capacity and data assimilation techniques.

Rep. Stewart: “The people of Moore, Oklahoma received a tornado warning 16 minutes before the twister struck their town. Tornado forecasting is difficult but lead times for storms have become gradually better. The draft legislation would prioritize investments in technology being developed at NOAA’s National Severe Storms Laboratory in Oklahoma, which ‘has the potential to provide revolutionary improvements in… tornado… warning lead times and accuracy, reducing false alarms’ and could move us toward the goal of being able to ‘warn on forecast.’”

The following witnesses testified today:

Mr. Barry Myers, Chief Executive Officer, AccuWeather, Inc.

Mr. Jon Kirchner, President, GeoOptics, Inc.

Confira a entrevista do antropólogo Renzo Taddei sobre o processo de licitação do Maracanã (Yahoo! Esporte Interativo)

Autor de estudo sobre torcidas organizadas, Renzo comentou tentativa infundada dos dirigentes do futebol brasileiro em erradicar as torcidas organizadas

Por Amanda Duarte, Gabriel Mansour e Pedro Muxfeldt | Yahoo! Esporte Interativo – ter, 28 de mai de 2013 02:22 BRT

Autor de diversas pesquisas sobre o fenômeno das torcidas organizadas no Brasil e na Argentina, o antropólogo Renzo Taddei falou com exclusividade ao Yahoo! Esporte Interativo sobre a proposta de elitização do público do Maracanã contida no estudo de viabilidade econômica realizado pela IMX Venues.

Professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renzo também falou sobre a proposta de transformação do estádio em centro de entretenimento e, estudioso do assunto, enxergou conexão entre a política de aumento do valor dos ingressos com a tentativa de exclusão das organizadas dos estádios de futebol, algo que, para o acadêmico, não acontecerá da maneira prevista devido às ligações próximas entre as diretorias de clubes e suas torcidas e uma falha na visão que os comandantes do futebol e a mídia têm dos grupos de torcedores organizados. Confira a entrevista na íntegra:

Yahoo! Esporte Interativo: O estudo de viabilidade econômica do complexo do Maracanã prevê, textualmente, a “mudança do perfil do público e consequente aumento do valor médio dos ingressos”. Qual sua visão sobre esse processo de elitização do público dos estádios que já vem ocorrendo?

Renzo Taddei: Não está claro ao que exatamente o estudo se refere: se ao aumento da renda das classes populares, o que significa que o público se mantém o mesmo, ainda que seu “perfil” de consumo mude, ou à substituição das classes populares por classes médias e ricas, via encarecimento dos ingressos. Essas alternativas não são excludentes; em termos financeiros, podem até levar aos mesmos resultados. Em termos sociais e políticos, no entanto, são coisas muito diferentes.

Existe uma distinção importante a ser feita: uma coisa é um investimento privado ser economicamente viável, outra é uma política pública ser democrática e eficaz. Infelizmente o governo do Rio de Janeiro parece confundir as coisas: permitir que a iniciativa privada elabore políticas públicas é mais do que um erro político, é um tiro no próprio pé. No Brasil, como em diversos lugares do mundo, o futebol é muito mais do que um negócio, tem um papel importante na vida de muitas coletividades; o que o governo tem dificuldade de enxergar é que reduzir o futebol a um mero bom negócio pode ter consequências sociais funestas.

O futebol poderia ser um instrumento poderosíssimo na construção de uma sociedade melhor, dada a penetração que tem em diversos públicos e setores da sociedade. Para isso, deveria ser usado em conjunção com políticas públicas sérias e inteligentes. Se os gestores públicos soubessem usar o futebol com inteligência, seria possível até argumentar que ele deveria ser subsidiado. Mas, infelizmente, já há muitas décadas o futebol é controlado por interesses financeiros pouco comprometidos com objetivos e metas sociais maiores; a forma como o dinheiro que vem da transmissão televisiva define os rumos do esporte mostra como este é refém do mercado.

Ao usar critérios mercadológicos para julgar o valor de uma boa ideia, o governo permite que o apartheid social brasileiro se estenda às políticas sociais nas áreas de lazer e cultura.

Y!EI: Em outros pontos do estudo, fala-se na necessidade de transformar o complexo esportivo do Maracanã em “centro de entretenimento”. Que efeitos sociais a transformação de um símbolo cultural do Rio de Janeiro como o Maracanã em abrigo de shoppings e hotéis, como está previsto no estudo, podem causar?

RT: Colocando de forma direta, trata-se da transformação do mais importante espaço de comunhão que temos no Brasil em mais um espaço de segregação. A atratividade financeira do projeto faz com que nossos governantes se façam cegos ao papel simbólico do futebol, através do qual se dá um bocado da vida social das pessoas desse país, em todas as suas regiões e de todas as classes sociais. O futebol une gente que em outras ocasiões encontra-se separada em credos e partidos políticos distintos – credos e partidos que, via de regra, não funcionam com base em regras claras e conhecidas por todos, e num contexto em que os jogos sempre começam do zero a zero e o fair play é valorizado.

Ainda que não intencionalmente – ou, quem sabe, intencionalmente -, shoppings centers e hotéis são espaços de segregação, onde descamisados e gente de chinelo não entra. Aqui estou falando das dimensões simbólicas do futebol; vai da solução arquitetônica mesclar isso tudo e ver até onde o espírito do futebol vai ser descaracterizado.

De qualquer forma, para que um hotel exista num estádio haverá que se instalar barreiras e restrições à mobilidade das massas que hoje não existem. Não vejo como o resultado possa ser bom, em qualquer dimensão que não seja estritamente financeira, e apenas para quem vai investir no projeto. Em minha opinião, essa é apenas mais uma etapa do processo, apoiado pela Fifa, pela CBF e pelas federações estaduais, que transforma o futebol em refém do capital financeiro. Só não vê que parte do comportamento das torcidas é uma reação negativa a isso tudo quem não quer – e há um bocado de gente em postos importantes que efetivamente não tem qualquer interesse em enxergar isso.

Basta seguir os perfis das torcidas em redes sociais e ver a forma como elas se manifestam contra o que chamam de “futebol moderno”, que é nada mais do que o futebol refém do capital financeiro – das verbas de patrocínio que definem regras e formas de funcionamento do esporte, dos contratos que induzem os jogadores a estabelecerem relações muito superficiais com os times em que atuam, dentre muitas outras coisas.

Y!EI: Já nos dias de hoje, jogos às vezes de pouco apelo dos campeonatos estaduais, por exemplo o Carioca, têm ingressos com preços que chegam a R$ 80. Neste cenário, são nas torcidas organizadas onde mais se concentram integrantes das classes mais pobres da sociedade. O processo de “demonização” das organizadas pode ser entendido como um outro passo para a retirada da população pobre – especialmente jovem e negra – dos estádios?

RT: Sem dúvida. Mas isso só se dá porque há uma compreensão muito ruim, por parte do poder público e da mídia, de como funcionam as torcidas organizadas. Elas nunca deixarão de estar nos estádios, porque na maioria das vezes suas lideranças não pagam os ingressos. Há uma relação entre os clubes e as torcidas que não está considerada nessa abordagem econômica, porque esse é uma questão da política interna do futebol.

Os próprios dirigentes facilitam a entrada das organizadas, porque elas são parte fundamental do fenômeno e do espetáculo que é o futebol, e os jogadores e dirigentes reconhecem isso. É mais fácil ver isso quando se joga de visitante: muitas vezes quem vai ao jogo é apenas a torcida organizada, que viajou mil, dois mil quilômetros, em veículos mal conservados e lentos, apenas para assistir o jogo e voltar para casa.

Num estádio hostil, uma torcida atuante, que canta e demonstra apoio ao time pode afetar positivamente o estado psicológico dos jogadores do seu time – não há jogador ou técnico que não reconheça isso.

Por outro lado, é equivocado achar que os torcedores mais pobres estão nas torcidas organizadas. Algumas torcidas têm um faturamento alto, de atividades legais. O que se está confundindo aqui é a forma como as elites pensam o mundo, com seus maniqueísmos e preconceitos, e a forma como o mundo do futebol efetivamente existe; as duas coisas não são equivalentes, obviamente. O futebol não se resume à divisão de classes sociais, exatamente porque em grande parte do tempo funciona como elemento de comunhão social, e não de divisão. Transformar o futebol de acordo com a visão que as elites têm da divisão de classes sociais é assassinar o espírito do esporte, o que pra mim deveria ser crime inafiançável.

Veja também:

– Especial Maracanã PARTE 1: Empresa de Eike prevê mudança no perfil do público
– Especial Maracanã PARTE 2: Sociólogo analisa processo de elitização
– CBF não vai liberar Neymar para jogo de despedida na Vila Belmiro

Climate slowdown means extreme rates of warming ‘not as likely’ (BBC)

19 May 2013 Last updated at 17:31 GMT

By Matt McGrath – Environment correspondent, BBC News

ice

The impacts of rising temperature are being felt particularly keenly in the polar regions

Scientists say the recent downturn in the rate of global warming will lead to lower temperature rises in the short-term.

Since 1998, there has been an unexplained “standstill” in the heating of the Earth’s atmosphere.

Writing in Nature Geoscience, the researchers say this will reduce predicted warming in the coming decades.

But long-term, the expected temperature rises will not alter significantly.

“The most extreme projections are looking less likely than before” – Dr Alexander Otto, University of Oxford

The slowdown in the expected rate of global warming has been studied for several years now. Earlier this year, the UK Met Office lowered their five-year temperature forecast.

But this new paper gives the clearest picture yet of how any slowdown is likely to affect temperatures in both the short-term and long-term.

An international team of researchers looked at how the last decade would impact long-term, equilibrium climate sensitivity and the shorter term climate response.

Transient nature

Climate sensitivity looks to see what would happen if we doubled concentrations of CO2 in the atmosphere and let the Earth’s oceans and ice sheets respond to it over several thousand years.

Transient climate response is much shorter term calculation again based on a doubling of CO2.

The Intergovernmental Panel on Climate Change reported in 2007 that the short-term temperature rise would most likely be 1-3C (1.8-5.4F).

But in this new analysis, by only including the temperatures from the last decade, the projected range would be 0.9-2.0C.

IceThe report suggests that warming in the near term will be less than forecast

“The hottest of the models in the medium-term, they are actually looking less likely or inconsistent with the data from the last decade alone,” said Dr Alexander Otto from the University of Oxford.

“The most extreme projections are looking less likely than before.”

The authors calculate that over the coming decades global average temperatures will warm about 20% more slowly than expected.

But when it comes to the longer term picture, the authors say their work is consistent with previous estimates. The IPCC said that climate sensitivity was in the range of 2.0-4.5C.

Ocean storage

This latest research, including the decade of stalled temperature rises, produces a range of 0.9-5.0C.

“It is a bigger range of uncertainty,” said Dr Otto.

“But it still includes the old range. We would all like climate sensitivity to be lower but it isn’t.”

The researchers say the difference between the lower short-term estimate and the more consistent long-term picture can be explained by the fact that the heat from the last decade has been absorbed into and is being stored by the world’s oceans.

Not everyone agrees with this perspective.

Prof Steven Sherwood, from the University of New South Wales, says the conclusion about the oceans needs to be taken with a grain of salt for now.

“There is other research out there pointing out that this storage may be part of a natural cycle that will eventually reverse, either due to El Nino or the so-called Atlantic Multidecadal Oscillation, and therefore may not imply what the authors are suggesting,” he said.

The authors say there are ongoing uncertainties surrounding the role of aerosols in the atmosphere and around the issue of clouds.

“We would expect a single decade to jump around a bit but the overall trend is independent of it, and people should be exactly as concerned as before about what climate change is doing,” said Dr Otto.

Is there any succour in these findings for climate sceptics who say the slowdown over the past 14 years means the global warming is not real?

“None. No comfort whatsoever,” he said.

World Bank turns to hydropower to square development with climate change (Washington Post)

Michael Reynolds/European Photopress Agency – World Bank President Jim Yong Kim attends the Fragility Forum this month in Washington. The forum discussed ways for fragile nations to improve their economies, their infrastructure and the well-being of their citizens.

By , Published: May 8, 2013

The World Bank is making a major push to develop large-scale hydropower projects around the globe, something it had all but abandoned a decade ago but now sees as crucial to resolving the tension between economic development and the drive to tame carbon use.

Major hydropower projects in Congo, Zambia, Nepal and elsewhere — all of a scale dubbed “transformational” to the regions involved — are a focus of the bank’s fundraising drive among wealthy nations. Bank lending for hydropower has scaled up steadily in recent years, and officials expect the trend to continue amid a worldwide boom in water-fueled electricity.

Such projects were shunned in the 1990s, in part because they can be disruptive to communities and ecosystems. But the World Bank is opening the taps for dams, transmission lines and related infrastructure as its president, Jim Yong Kim, tries to resolve a quandary at the bank’s core: how to eliminate poverty while adding as little as possible to carbon emissions.

“Large hydro is a very big part of the solution for Africa and South Asia and Southeast Asia. . . . I fundamentally believe we have to be involved,” said Rachel Kyte, the bank’s vice president for sustainable development and an influential voice among Kim’s top staff members. The earlier move out of hydro “was the wrong message. . . . That was then. This is now. We are back.”

It is a controversial stand. The bank backed out of large-scale hydropower because of the steep trade-offs involved. Big dams produce lots of cheap, clean electricity, but they often uproot villages in dam-flooded areas and destroy the livelihoods of the people the institution is supposed to help. A 2009 World Bank review of hydro­power noted the “overwhelming environmental and social risks” that had to be addressed but also concluded that Africa and Asia’s vast and largely undeveloped hydropower potential was key to providing dependable electricity to the hundreds of millions of people who remain without it.

“What’s the one issue that’s holding back development in the poorest countries? It’s energy. There’s just no question,” Kim said in an interview.

Advocacy groups remain skeptical, arguing that large projects, such as Congo’s long-debated network of dams around Inga Falls, may be of more benefit to mining companies or industries in neighboring countries than poor communities.

“It is the old idea of a silver bullet that can modernize whole economies,” said Peter Bosshard, policy director of International Rivers, a group that has organized opposition to the bank’s evolving hydro policy and argued for smaller projects designed around communities rather than mega-dams meant to export power throughout a region.

“Turning back to hydro is being anything but a progressive climate bank,” said Justin Guay, a Sierra Club spokesman on climate and energy issues. “There needs to be a clear shift from large, centralized projects.”

The major nations that support the World Bank, however, have been pushing it to identify such projects — complex undertakings that might happen only if an international organization is involved in sorting out the financing, overseeing the performance and navigating the politics.

The move toward big hydro comes amid Kim’s stark warning that global warming will leave the next generation with an “unrecognizable planet.” That dire prediction, however, has left him struggling to determine how best to respond and frustrated by some of the bank’s inherent limitations.

In his speeches, Kim talks passionately about the bank’s ability to “catalyze” and “leverage” the world to action by mobilizing money and ideas, and he says he is hunting for ideas “equal to the challenge” of curbing carbon use. He has criticized the “small bore” thinking that he says has hobbled progress on the issue.

However, the bank remains in the business of financing traditional fossil-fuel plants, including those that use the dirtiest form of coal, as well as cleaner but ­carbon-based natural gas infrastructures.

Among the projects likely to cross Kim’s desk in coming months, for example, is a 600-megawatt power plant in Kosovo that would be fired by lignite coal, the bottom of the barrel when it comes to carbon emissions.

The plant has strong backing from the United States, the World Bank’s major shareholder. It also meshes with one of the bank’s other long-standing imperatives: Give countries what they ask for. The institution has 188 members to keep happy and can go only so far in trying to impose its judgment over that of local officials. Kim, who in his younger days demonstrated against World Bank-enforced “orthodoxy” in economic policy, now may be hard-pressed to enforce an energy orthodoxy of his own.

Kosovo’s domestic supplies of lignite are ample enough to free the country from imported fuel. Kim said there is little question that Kosovo needs more electricity, and the new plant will allow an older, more polluting facility to be shut down.

“I would just love to never sign a coal project,” Kim said. “We understand it is much, much dirtier, but . . . we have 188 members. . . . We have to be fair in balancing the needs of poor countries . . . with this other bigger goal of tackling climate change.”

The bank is working on other ideas. Kim said he is considering how it might get involved in creating a more effective world market for carbon, allowing countries that invest in renewable energy or “climate friendly” agriculture to be paid for their carbon savings by industries that need to use fossil fuels. Existing carbon markets have been plagued with volatile pricing — Europe’s cost of carbon has basically collapsed — or rules that prevent carbon trading with developing countries.

“We’ve got to figure out a way to establish a stable price of carbon,” Kim said. “Everybody knows that.”

He has also staked hope for climate progress on developments in agriculture.

Hydropower projects, however, seem notably inside what Kim says is the bank’s sweet spot — complex, high-impact, green and requiring the sort of joint public and private financing Kim says the bank can attract.

The massive hydropower potential of the Congo River, estimated at about 40,000 megawatts, is such a target. Its development is on a list of top world infrastructure priorities prepared by the World Bank and other development agencies for the Group of 20 major economic powers.

Two smaller dams on the river have been plagued by poor performance and are being rehabilitated with World Bank assistance. A third being planned would represent a quantum jump — a 4,800-megawatt, $12 billion giant that would move an entire region off carbon-based electricity.

The African Development Bank has begun negotiations over the financing, and the World Bank is ready to step in with tens of millions of dollars in technical-planning help.

“In an ideal world, we start building in 2016. By 2020, we switch on the lights,” said Hela Cheikhrouhou, energy and environment director for the African Development Bank.

It is the sort of project that the World Bank had stayed away from for many years — not least because of instability in the country. But as the country tries to move beyond its civil war and the region intensifies its quest for the power to fuel economic growth, the bank seems ready to move. Kim will visit Congo this month for a discussion about development in fragile and war-torn states.

Kyte, the World Bank vice president, said the Inga project will be high on the agenda.

“People have been looking at the Inga dam for as long as I have been in the development business,” she said. “The question is: Did the stars align? Did you have a government in place? Did people want to do it? Are there investors interested? Do you have the ability to do the technical work? The stars are aligned now. Let’s go.”

Câmara de SP aprova projeto que permite enterro de pets com dono (Folha de S.Paulo)

16/05/2013 – 18h00

DE SÃO PAULO

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação nesta quinta-feira (16), o projeto de lei que permite que animais domésticos sejam enterrados no mesmo jazigo de seus donos em cemitérios municipais.

Ontem, a proposta já havia sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da casa. Agora, o projeto ainda precisa passar por outra votação na Câmara antes de ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Segundo o projeto, dos vereadores Roberto Tripoli (PV) e Antonio Goulart (PSD), o enterro destina-se a bichos de estimação de famílias que já têm jazigo nos cemitérios municipais.

De acordo com Goulart, o objetivo do projeto é solucionar a atual falta de local para destinação de animais mortos na cidade.

Segundo o vereador, mui­tas pessoas querem enterrar o bicho de estimação no ja­zigo familiar. “O animal faz parte da família.”

O projeto foi apresentado no plenário da Câmara na semana passada. “O projeto vai passar sem problemas. É um assunto atual”, previu Goulart.

O Serviço Funerário da cidade diz ser preciso um estudo técnico para avaliar a viabilidade da proposta.

Câmara de São Paulo aprova envio de torpedo para alertar chuvas (Folha de S.Paulo)

16/05/2013 – 17h01

GIBA BERGAMIM JR., DE SÃO PAULO

Atualizado às 17h54.

A Câmara de São Paulo aprovou um projeto que obriga a prefeitura a enviar mensagens de texto aos celulares dos paulistanos com alertas sobre a chegada de chuvas e de iminentes alagamentos.

De autoria do vereador Ricardo Young (PPS), o projeto agora precisa ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para começar a valer.

Hoje, a única maneira de se informar sobre isso é acompanhando o noticiário nas rádios e emissoras de TV ou por meio do site do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, que monitora as chuvas na cidade.

O vereador diz que se inspirou em iniciativas do tipo nos Estados Unidos e Europa para dar informações sobre nevascas, por exemplo.

Em 2011, a prefeitura deu início a um projeto semelhante, mas apenas para os moradores da região da favela Pantanal, na zona leste de São Paulo, que sofreu com as enchentes durante quase dois meses inteiros durante o verão.

De acordo com o texto de Young, o município terá que celebrar convênios com empresas de telefonia móvel. As informações terão que ser passadas com antecedência de pelo menos duas horas aos paulistanos.

Segundo o parlamentar, o projeto permitiria que empresas, repartições públicas e escolas pudessem antecipar o fim do expediente para que os paulistanos cheguem em casa antes das chuvas.

PROJETOS

Também foi aprovado projeto dos vereadores Antonio Goulart (PSD) e Roberto Trípoli (PV) que permite que os animais de estimação sejam enterrados no mesmo jazigo de seus donos em cemitérios municipais. O projeto irá a segunda votação.

A um ano da Copa do Mundo, os vereadores também deram o título de cidadão paulistano para o presidente da Fifa, Joseph Blatter

Scientist Superheroes: The US Government’s Crisis Science Team (Quest)

Post on May 13, 2013 by , Guest Contributor for   (science.kqed.org)

Science During Crisis 640 360

If your town were suddenly struck by an earthquake or hurricane, you could count on the arrival of police, firefighters, and medical technicians to aid in the emergency response. As of this past January, the US government has added a new team of responders to this list—scientists.

The Strategic Sciences Group was formed under Secretary of the Interior Ken Salazar in order to help the department “act quickly, decisively and effectively when hurricanes, droughts, oil spills, wildfires or other crises strike.” The group was initially tested as a pilot program during the Deepwater Horizon oil spill and is now a permanent part of the Department of the Interior.

But don’t expect to see people in lab coats rushing into burning buildings or diving into flooding rivers.

“The Strategic Sciences Group’s mission,” says group co-leader Gary Machlis, “is to very quickly assemble a team of scientists to develop scenarios of what the cascading consequences of a crisis might be.” These scenarios are projections of all the different ways in which the disaster might play out. The projections are then delivered to the President and other national leaders to help inform real-time, emergency-response decisions.

During Deepwater Horizon, for example, calculations regarding oil flow rates helped decision-makers respond to obvious problems such as ecosystem contamination, as well as some subtler consequences: long-term displacement of oyster harvesters, disproportionate economic impacts upon cultural communities, and diminished hurricane resilience due to wetland stress.

Deepwater Horizon in flames, April 21, 2010.

Deepwater Horizon in flames, April 21, 2010.
(AP Photo/U.S. Coast Guard)

With such a breadth of potential consequences to examine, its clear that the Strategic Sciences Group’s task is not simple. What is surprising however, is that many of the group’s difficulties stem from the nature of the scientific process itself.

“Scientists are very accustomed to being deliberate in their work,” says Marcia Mcnutt, who worked with the Strategic Sciences Group during her tenure as director of the United States Geological Survey. “The idea that they might get critical info on a Monday night and need to have their best guess of what that info means by six am Tuesday morning is just not the normal way science operates.”

And, Machlis adds, the rapidly determined results must also be communicated persuasively.

“It isn’t enough to do good science. You might have an extraordinary, complex scenario figured out that’s important for leaders to know, but if you can’t tell that story clearly and effectively, it’s of less value.”

These requirements—the ability to work with urgency, cope with uncertainty, and communicate well with non-scientists—separate crisis science from traditional scientific research.

When creating the Strategic Sciences Group, Machlis responded to these unique demands by borrowing ideas from an unusual agency: The Office of Strategic Services, or OSS, which was established during World War II to coordinate espionage activities behind enemy lines.

Machlis says he has learned four important lessons from the historic military-intelligence organization:

1. Who You Hire Matters

OSS founder Maj. Gen. William J. Donovan with members of the OSS Operational Groups

OSS founder Maj. Gen. William J. Donovan with members of the OSS
Photo Courtesy of the OSS Society

“The ideal candidate for the OSS were PhD’s that could win a bar fight,” says Machlis.

While martial arts training is not an actual requirement, the Strategic Sciences Group does seek scientists with a certain mental and physical tenacity. “They‘ve got to be expert in their own discipline, able to transcend their own discipline and work well with other scientists, and they have to be able to work extremely hard under very intense conditions.”

2. Expertise Not Representation

“Our goal is to get the very best people in the field working on these science teams. It is less about do we need one person from this agency and one person from this agency to make sure it’s representative.”

From government scientists to graduate students, anyone with the necessary skills can be recruited and put onto Machlis’ lists, or “rosters”.

3. Be Flexible

US Department of the Interior Strategic Sciences Working Group, New Orleans, LA, July 2010.

US Department of the Interior Strategic Sciences Working Group, New Orleans, LA, July 2010. Photo Credit: Jason Newman

Machlis ensures that the rosters are highly interdisciplinary. The 30 scientists who have already been called to action include “an anthropologist with expertise in disaster response from Louisiana, a public health medical officer from Washington, DC, a coastal geomorphologist from California, an ecologist working with a major natural history museum, and a Forest Service social scientist with expertise in urban ecology.”

Such diversity allows the Strategic Sciences Group to be highly adaptable.

“Each crisis that might happen, whether it’s an oil spill, whether it’s an earth quake, whether it’s a dam failure, there’s always going to be many elements of it that are unique. We need to be flexible enough to choose a team that has reliable expert scientists appropriate to that crisis.”

4. Avoid Bureaucracy

“We stay focused on the mission rather than developing a lot of complicated, time-consuming bureaucratic processes.”

In order to avoid creating a large government agency, Machlis only activates the rostered scientists when a disaster occurs. At all other times, the Strategic Sciences Group is made up of only three people.

This three person team, when there are no current crises, spends its time evaluating the consequences of potential crises.

By considering situations such as “a forest fire in the sierras during Yosemite’s tourist season, or a pandemic, or an arctic oil spill,” the group hopes to pre-emptively increase response preparedness. Ultimately, Machlis aims to have the capacity to address simultaneous, bi-coastal disasters. For example: an earthquake in California and a hurricane in New York on the same day.

When will the group be ready for such a situation?

“I would hope that we’re prepared for that within the year.”

Mark that down as December 31st, 2013–the date when you can expect not only police and firefighters, but also scientists, to play a role in addressing the next major natural or man-made disaster.

Global Networks Must Be Redesigned, Experts Urge (Science Daily)

May 1, 2013 — Our global networks have generated many benefits and new opportunities. However, they have also established highways for failure propagation, which can ultimately result in human-made disasters. For example, today’s quick spreading of emerging epidemics is largely a result of global air traffic, with serious impacts on global health, social welfare, and economic systems.

Our global networks have generated many benefits and new opportunities. However, they have also established highways for failure propagation, which can ultimately result in human-made disasters. For example, today’s quick spreading of emerging epidemics is largely a result of global air traffic, with serious impacts on global health, social welfare, and economic systems. (Credit: © Angie Lingnau / Fotolia)

Helbing’s publication illustrates how cascade effects and complex dynamics amplify the vulnerability of networked systems. For example, just a few long-distance connections can largely decrease our ability to mitigate the threats posed by global pandemics. Initially beneficial trends, such as globalization, increasing network densities, higher complexity, and an acceleration of institutional decision processes may ultimately push human-made or human-influenced systems towards systemic instability, Helbing finds. Systemic instability refers to a system, which will get out of control sooner or later, even if everybody involved is well skilled, highly motivated and behaving properly. Crowd disasters are shocking examples illustrating that many deaths may occur even when everybody tries hard not to hurt anyone.

Our Intuition of Systemic Risks Is Misleading

Networking system components that are well-behaved in separation may create counter-intuitive emergent system behaviors, which are not well-behaved at all. For example, cooperative behavior might unexpectedly break down as the connectivity of interaction partners grows. “Applying this to the global network of banks, this might actually have caused the financial meltdown in 2008,” believes Helbing.

Globally networked risks are difficult to identify, map and understand, since there are often no evident, unique cause-effect relationships. Failure rates may change depending on the random path taken by the system, with the consequence of increasing risks as cascade failures progress, thereby decreasing the capacity of the system to recover. “In certain cases, cascade effects might reach any size, and the damage might be practically unbounded,” says Helbing. “This is quite disturbing and hard to imagine.” All of these features make strongly coupled, complex systems difficult to predict and control, such that our attempts to manage them go astray.

“Take the financial system,” says Helbing. “The financial crisis hit regulators by surprise.” But back in 2003, the legendary investor Warren Buffet warned of mega-catastrophic risks created by large-scale investments into financial derivatives. It took 5 years until the “investment time bomb” exploded, causing losses of trillions of dollars to our economy. “The financial architecture is not properly designed,” concludes Helbing. “The system lacks breaking points, as we have them in our electrical system.” This allows local problems to spread globally, thereby reaching catastrophic dimensions.

A Global Ticking Time Bomb?

Have we unintentionally created a global time bomb? If so, what kinds of global catastrophic scenarios might humans face in complex societies? A collapse of the world economy or of our information and communication systems? Global pandemics? Unsustainable growth or environmental change? A global food or energy crisis? A cultural clash or global-scale conflict? Or will we face a combination of these contagious phenomena — a scenario that the World Economic Forum calls the “perfect storm”?

“While analyzing such global risks,” says Helbing, “one must bear in mind that the propagation speed of destructive cascade effects might be slow, but nevertheless hard to stop. It is time to recognize that crowd disasters, conflicts, revolutions, wars, and financial crises are the undesired result of operating socio-economic systems in the wrong parameter range, where systems are unstable.” In the past, these social problems seemed to be puzzling, unrelated, and almost “God-given” phenomena one had to live with. Nowadays, thanks to new complexity science models and large-scale data sets (“Big Data”), one can analyze and understand the underlying mechanisms, which let complex systems get out of control.

Disasters should not be considered “bad luck.” They are a result of inappropriate interactions and institutional settings, caused by humans. Even worse, they are often the consequence of a flawed understanding of counter-intuitive system behaviors. “For example, it is surprising that we didn’t have sufficient precautions against a financial crisis and well-elaborated contingency plans,” states Helbing. “Perhaps, this is because there should not be any bubbles and crashes according to the predominant theoretical paradigm of efficient markets.” Conventional thinking can cause fateful decisions and the repetition of previous mistakes. “In other words: While we want to do the right thing, we often do wrong things,” concludes Helbing. This obviously calls for a paradigm shift in our thinking. “For example, we may try to promote innovation, but suffer economic decline, because innovation requires diversity more than homogenization.”

Global Networks Must Be Re-Designed

Helbing’s publication explores why today’s risk analysis falls short. “Predictability and controllability are design issues,” stresses Helbing. “And uncertainty, which means the impossibility to determine the likelihood and expected size of damage, is often man-made.” Many systems could be better managed with real-time data. These would allow one to avoid delayed response and to enhance the transparency, understanding, and adaptive control of systems. However, even all the data in the world cannot compensate for ill-designed systems such as the current financial system. Such systems will sooner or later get out of control, causing catastrophic human-made failure. Therefore, a re-design of such systems is urgently needed.

Helbing’s Nature paper on “Globally Networked Risks” also calls attention to strategies that make systems more resilient, i.e. able to recover from shocks. For example, setting up backup systems (e.g. a parallel financial system), limiting the system size and connectivity, building in breaking points to stop cascade effects, or reducing complexity may be used to improve resilience. In the case of financial systems, there is still much work to be done to fully incorporate these principles.

Contemporary information and communication technologies (ICT) are also far from being failure-proof. They are based on principles that are 30 or more years old and not designed for today’s use. The explosion of cyber risks is a logical consequence. This includes threats to individuals (such as privacy intrusion, identity theft, or manipulation through personalized information), to companies (such as cybercrime), and to societies (such as cyberwar or totalitarian control). To counter this, Helbing recommends an entirely new ICT architecture inspired by principles of decentralized self-organization as observed in immune systems, ecology, and social systems.

Coming Era of Social Innovation

A better understanding of the success principles of societies is urgently needed. “For example, when systems become too complex, they cannot be effectively managed top-down” explains Helbing. “Guided self-organization is a promising alternative to manage complex dynamical systems bottom-up, in a decentralized way.” The underlying idea is to exploit, rather than fight, the inherent tendency of complex systems to self-organize and thereby create a robust, ordered state. For this, it is important to have the right kinds of interactions, adaptive feedback mechanisms, and institutional settings, i.e. to establish proper “rules of the game.” The paper offers the example of an intriguing “self-control” principle, where traffic lights are controlled bottom-up by the vehicle flows rather than top-down by a traffic center.

Creating and Protecting Social Capital

“One man’s disaster is another man’s opportunity. Therefore, many problems can only be successfully addressed with transparency, accountability, awareness, and collective responsibility,” underlines Helbing. Moreover, social capital such as cooperativeness or trust is important for economic value generation, social well-being and societal resilience, but it may be damaged or exploited. “Humans must learn how to quantify and protect social capital. A warning example is the loss of trillions of dollars in the stock markets during the financial crisis.” This crisis was largely caused by a loss of trust. “It is important to stress that risk insurances today do not consider damage to social capital,” Helbing continues. However, it is known that large-scale disasters have a disproportionate public impact, in part because they destroy social capital. As we neglect social capital in risk assessments, we are taking excessive risks.

Journal Reference:

  1. Dirk Helbing. Globally networked risks and how to respondNature, 2013; 497 (7447): 51 DOI:10.1038/nature12047

Conservation without supervision: Peruvian community group creates and patrols its own protected area (Mongabay)

By:Jenny R. Isaacs

April 30, 2013

“Rural dwellers are not passive respondents to external conservation agents but are active proponents and executers of their own conservation initiatives.”—Noga Shanee, Projects Director forNeotropical Primate Conservation (NPC), in an interview with mongabay.com.

When we think of conservation areas, many of us think of iconic National Parks overseen by uniformed government employees or wilderness areas purchased and run from afar by big-donor organizations like The Nature Conservancy, Wildlife Conservation Society, WWF, or Conservation International. But what happens to ecosystems and wildlife in areas where there’s a total lack of government presence and no money coming in for its protection? This is the story of one rural Peruvian community that took conservation matters into their own hands, with a little help from a dedicated pair of primate researchers, in order to protect a high biodiversity cloud forest.

On the 22nd of November, 2012, the Peruvian Andes village of Líbano celebrated the launch of the Hocicón Reserve, formed under an innovative conservation model in accordance with federal law which allows for local administration of lands by community organizations (in this case the Rondas Campesinas). The new reserve protects an area of tropical Andean cloud forest in one of the most diverse biomes on earth, home to many endangered and unique species including the endemic Andean night monkey (Aotus miconax), the Endangered white-bellied spider monkey (Ateles belzebuth), jaguars, tapirs and many more. Hocicón, a 505.9 hectare protected area, is on the border of the Amazonas and San Martin regions—two of the most densely populated rural regions in Peru with some of the highest deforestation rates in the country. The rural population in these regions—Campesinos or ‘peasant farmers’—are predominantly of mixed indigenous and European origin and, like the native wildlife, are also endangered, by land insecurity and degraded natural resources.

Noga and Sam Shanee have helped provide technical assistance to the creation of the Hocicón reserve. Ronda leader, Marcos Díaz Delgado, was instrumental in the reserve's creation. Photo courtesy of NPC.
Noga and Sam Shanee have helped provide technical assistance to the creation of the Hocicón reserve. Ronda leader, Marcos Díaz Delgado, was instrumental in the reserve’s creation. Photo courtesy of NPC.

Noga Shanee and her husband Sam, of the organizationNeotropical Primate Conservation (NPC), work primarily in Peru to support the connection between communities and conservation. They live most of each year not far from the Hocicón reserve they helped to create. “We created NPC as a result of our experience as conservation practitioners and the need we felt to finding efficient solutions to the grave situation in which we found the yellow tailed woolly monkey and its habitat,” Noga told mongabay.com.

The Shanees’ work in primate conservation brought them in close contact with local residents, where it became clear that protection of nature might best be achieved by supporting grassroots community efforts. In the last few years, they have administratively assisted in registering seven conservation areas with the local and national governments before helping to establish the Hocicón reserve under the Ronda Campesina group in Libano. Through NPC they offer Libano residents technical support (GPS equipment, GIS mapping, basic biological assessment and the writing of a basic report), advice on quantifying the ecological importance of the area, and help with legal matters.

Such assistance is necessary because according to governmental demands for conservation projects “local initiators have to execute plans of economic activities and reserve maintenance involving factors which many rural campesinos don’t have the capacity and/or resources to undertake,” writes Noga Shanee in a forthcoming article, which details their fieldwork and the many obstacles that prohibit local community groups from establishing official protected areas. “The main restrictions found to Campesino conservation initiatives was a lack of access to support from governmental and non-governmental institutions and a lack of access to economic resources for the extended bureaucratic processes of registering these protected areas.”

The Andean night monkey (Aotus miconax) is endemic to Peruvian forests which are being protected not by the government or big NGOs, but local communities. Photo by: Andrew Walmsley/NPC.
The Andean night monkey (Aotus miconax) is endemic to Peruvian forests which are being protected not by the government or big NGOs, but local communities. Photo by: Andrew Walmsley/NPC.

Noga Shanee says that the bigger problem is disconnect between the state’s expressed desire for conservation and the overly restrictive process of providing for it.

“The Peruvian state presents itself as an enthusiastic promoter of conservation and public participation in environmental issues, taking pride in legislation that allows private and community conservation,” she notes. “However, our experience shows us that the process of legally registering privately run conservation areas is extremely complicated, expensive and slow, requiring teams of specialists and cost on average $20,000 US dollars, just up to the initial registration of the area. After completing this arduous process, the government does not provide any support for the conservation initiators; on the contrary, they require additional reports and economic investments. Therefore, this process is inaccessible to most of the rural population creating inequality and losing opportunities for local participation and conservation efficiency…most local people are unable to create their own reserves and need the help of NGOs. The creation of these reserves including the elaboration of the proposal and waiting for registration takes from 1.5 to 5 years. During this time the land is not legally protected and other land uses are possible which in some cases has led to conflicts.”

One effect of this long, and expensive process is the exclusion of non-experts, small groups, and those lacking connections to government officials or influential NGOs in the process of establishing reserves.

“Although it is perceived locally that broad inter-institutional cooperation would be the best way towards effective regional conservation, cooperation is rare, mainly due to competitiveness related to economic pressures,” Shanee writes.

Launching community reserves from the ground up has proven to be a great way to overcome these bureaucratic obstacles while combating a myriad of threats to both animals and local people.

Ronderos voting to create Hocicón Reserve. Photo by: Noga Shanee.
Ronderos voting to create Hocicón Reserve. Photo by: Noga Shanee.

“The area suffers from high levels of deforestation fueled by immigration, road construction, extractive industries, hydroelectric dams, cattle ranching and lately a boom of palm oil plantations. The Ronda Campesina [community group, which launched the reserve,] has been protesting for many years against this development model (aggressively promoted by the government) which is so destructive to natural habitats and to rural societies,” Noga Shanee, told mongabay.com.

Such threats are caused by a number of actors, according to Shanee, including the federal government, international corporations, and even the rural campesinos [farmers] themselves.

“Severe economic and social pressures are found to force campesinos into unsustainable practices,” writes Noga Shanee, in a recently submitted paper.

Clown tree frog (Dendropsophus sarayacuensis) in the region. Nestor Allgas Marchena/NPC.
Clown tree frog (Dendropsophus sarayacuensis) in the region. Nestor Allgas Marchena/NPC.

In her PhD Thesis on the subject written for Kent University in the UK, Noga Shanee summarized that “current conservation efforts are far from sufficient to offset the mounting threats they face,” adding “an amalgam of contradicting agendas, power struggles, superficial-spectacular solutions, and prejudices towards rural populations hinder the efficiency of conservation interventions” as “the immense pressures impacting human populations transforms directly into environmentally degrading processes.”

The Hocicón conservation model is not your typical conservation solution to these problems. In contrast to uniformed park officials greeting visitors or teams of well-paid foreign biologists in the field monitoring wildlife populations, these reserves are organic extensions of the community—policed and patrolled by the local residents themselves; such projects bring, according to Shanee, “a sense of pride and inclusion to the rural people who implement them.”

The Rondas enjoy distinctive legal rights within Peruvian society because of long-standing traditional land claims by indigenous peoples in combination with large areas of territory devoid of governmental or NGO supervision.

“The areas we are working and living in (departments of Amazonas and San Martin in Northern Peru) are almost completely abandoned by the government and would be in complete anarchy if it wasn’t for the Rondas…The Ronda Campesina (Peasant Patrol) is a network of autonomous, civil organizations, aimed at self-protection,” Shanee explains. “They practice vigilance and civil justice in the rural Peruvian countryside where state control is insufficient.”

The royal sunangel (Heliangelus regalis) is listed as Endangered by the IUCN Red List. Photo by: Sachar Alterman/NPC.
The royal sunangel (Heliangelus regalis) is listed as Endangered by the IUCN Red List. Photo by: Sachar Alterman/NPC.

Ronda bases can be organized by any population (community, town, or village). Nationally, the Ronda has more than half a million active members, in more than 5,000 bases, mainly, but not only, in Northern Peru and solves about 180,000 civil justice cases per year. Rondas also protest against external environmental hazards, such as polluting mining operations. According to Noga Shanee’s thesis, “by criticism and setting examples, the Rondas pressure both the government and NGOs to act more efficiently and morally towards conservation.”

Sam Shanee, also of NPC, says Ronda self-government is purely for protective purposes. “The ronda is basically a neighborhood watch group in most villages (I myself am a ‘rondero’ in the village where we live). All that this new approach entails in its most basic form is a group of villagers (or the entire village) getting together a deciding to protect an area of forest or other natural habitat near where they live… there has been no use of force for the creation of this first ARCA and the Ronda is not really a militia organization except when necessary, for example in the face of terrorism, drug cartels, illegal mining/logging etc.”

White-bellied spider monkey (Ateles belzebuth). Photo by: Shachar Alterman.
White-bellied spider monkey (Ateles belzebuth). Photo by: Shachar Alterman.

In the absence of top-down support or supervision, the Rondas offer their own path to conservation. The Ronda-run Conservation Areas, known as ARCAs, are quick, extremely low-cost, and are uniquely tailored to the Ronda social structure, allowing for participation of local people in conservation efforts, according to the Shanees.

Marcos Díaz Delgado, a national Ronda leader, told mongabay.com that “The [Ronda-run Conservation Areas (ARCAs)] are an alternative to the state’s legal conservation system which is extremely slow, expensive and fails to reach many remote, rural parts of our country. As a special jurisdiction we don’t only defend our safety and our human rights, but we also defend the natural world inside our territories. We invite the state authorities and all social organizations to join us for the collective defense of our natural resources.”

The ARCAs were designed to streamline the process of establishing protected areas: because of the Rondas special legal status, they only necessitate the minimal process (mapping and basic biological info), and cost almost nothing. Therefore “the Ronda Campesina’s conservation initiatives are an honest and efficient answer to habitat and species loss in Peru as well as to the deficiencies of mainstream, non participative conservation,” Noga Shanee says, adding that while this project is a collaboration between NPC and the Ronda, “we are hoping that they will become more and more self sufficient with time…our help is trying to organize, augment and formalize this initiative”. Orin Starn, Chair and Professor of Cultural Anthropology at Duke University, and author of the book Night Watch, the Politics of Protest in the Andes, told mongabay.com that, “the Rondas are the largest, most influential grassroots movement in Peru’s northern mountains. Environmentalism is a relatively new development to this area, and it’ll be very interesting to see the directions that this new collaboration between an old peasant movement and the new NGO-driven green activism may take.”

Noga Shanee (in pink) with community members. Photo courtesy of NPC.
Noga Shanee (in pink) with community members. Photo courtesy of NPC.

The Shanees’ work in the Amazon continues to illustrate the close biocultural connection between nature and community. Noga sees this connection as a positive force for change when strengthened. In her thesis she writes that destructive pressures on local communities and forests “also create positive consequences by creating new conservation opportunities.” By turning local environmental and social crisis into opportunity, new collaborations and conservation without supervision, born of necessity, can emerge, offering real hope for biocultural diversity.

“All over the world there are small groups of local farmers and indigenous people that organize themselves in order to protect their neighboring forests,” Noga Shanee says. “These initiatives are rarely heard about as these people often lack resources and expertise to promote their successes through academic or popular publications.” But she adds that she hopes the Hocicón model will become increasingly common in Peru and even spread abroad.

“This initiative can inspire other grassroots organizations to organize themselves to administer conservation, which could benefit many different species and habitats around the world. “

She believes that community-run conservation will prosper, saying, “we might be naïve and of course this project can fail, but our work in Peru has shown us that local communities put huge efforts in conserving their forests, usually with no help from mainstream conservationists and sometimes even despite them. We believe that they deserve the chance.”

Cloud forest in Northeastern Peru. Photo by: Andrew Walmsley/NPC.
Cloud forest in Northeastern Peru. Photo by: Andrew Walmsley/NPC.

Noga in front in purple with community leaders. Photo courtesy of NPC.
Noga in front in purple with community leaders. Photo courtesy of NPC.

White-fronted spider monkey (Ateles belzebuth). Photo by: Shachar Alterman.
White-fronted spider monkey (Ateles belzebuth). Photo by: Shachar Alterman.

CITATIONS:

Shanee N (2012) The Dynamics of Threats and Conservation Efforts for the Tropical Andes Hotspot in Amazonas and San Martin, Peru. PhD Thesis (Kent University, Canterbury). Supervised by Prof. Stuart R. Harrop.

Shanee, Noga, Sam Shanee, and Robert H. Horwich (2012 in revision). “Locally run conservation initiatives in northeastern Peru and their effectiveness as conservation methods,” shared by permission of the authors

Starn O (1999) Nightwatch: the politics of protest in the Andes (Duke Univ Pr, Los Angeles) p 329.

Chapin, M. (2004) A Challenge to Conservationists. World Watch, 17, 17-31

Sobrevila, Claudia. (2008) “The Role of Indigenous Peoples in Biodiversity Conservation; The Natural but Often Forgotten Partners” World Bank Report.

Read more athttp://news.mongabay.com/2013/0430-isaacs-rondas.html#LcSylhiLfpBJhPkz.99

European carbon market in trouble (Washington Post)

By Published: May 5

LONDON — As the centerpiece of Europe’s pledge to lead the global battle against climate change, the region’s market for carbon emissions effectively turned pollution into a commodity that could be traded like gold or oil. But the once-thriving pollution trade here has turned into a carbon bust.Under the system, 31 nations slapped emission limits on more than 11,000 companies and issued carbon credits that could be traded by firms to meet their new pollution caps. More efficient ones could sell excess carbon credits, while less efficient ones were compelled to buy more. By August 2008, the price for carbon emission credits had soared above $40 per ton — high enough to become an added incentive for some companies to increase their use of cleaner fuels, upgrade equipment and take other steps to reduce carbon footprints.

Europe's carbon-trading market

Europe’s carbon-trading market

That system, however, is in deep trouble. A drastic drop in industrial activity has sharply reduced the need for companies to buy emission rights, causing a gradual fall in the price of carbon allowances since the region slipped into a multi-year economic crisis in the latter half of 2008. In recent weeks, however, the price has appeared to have entirely collapsed — falling below $4 as bickering European nations failed to agree on measures to shore up the program.The collapsing price of carbon in Europe is darkening the outlook for a greener future in a part of the world that was long the bright spot in the struggle against climate change. It is also presenting new challenges for those who once saw Europe’s program as the natural anchor for what would eventually be a linked network of cap-and-trade systems worldwide.

Carbon “started as the commodity of the future, but it has now deteriorated,” said Matthew Gray, a trader at Jefferies Bache in London and one of a diminishing breed of carbon dealers in Europe. “Its future is uncertain.”

The problems plaguing Europe’s cap-and-trade system underscore the uphill battle for international cooperation in the global-warming fight. After middling progress at various summits, officials from more than 190 countries have been charged with forging a global accord by 2015 aimed at cutting carbon emissions. But critics point to the inability of even the European Union — a largely progressive region bound by open borders and a shared bureaucracy — to come together on a fix for its cap-and-trade system as evidence of how difficult consensus building on climate change has become.

Negotiations to launch a similar system across the United States collapsed in 2010, replaced with a regional approach in which California, for instance, moved forward with its own program. Aided by a boom in cheaper and cleaner shale gas as well as the spread of more renewable energies, including wind and solar, the United States has — like Europe — nevertheless seen a continuing drop in its overall emission levels.

But there are also signs that years of increasing investment in clean energies are ebbing on both sides of the Atlantic. In 2012, overall clean-energy investment in the United States fell 37 percent,to $35.6 billion, compared with a year earlier, according to a new report by the Pew Charitable Trusts. European countries, including green leaders such as Germany, also saw declines, leading analysts to call the problems with the region’s cap-and-trade system that much more troubling.

“Obviously, what’s happening now is very disheartening for people who have been involved in trying to cut carbon emissions,” said Agustin Silvani, managing director of carbon finance at Conservation International in Arlington, Va. “The European system was at the center of the global fight, and the fact that it is collapsing is definitely a blow. Maybe a moral one more than anything else.”Lost incentive

The cap-and-trade program is based on a system of carbon allowances for large emitters such as utilities and manufacturers, with some bought and others awarded for free. Companies are allowed to draw on global mitigation projects — such as planting trees in tropical rain forests — to offset a small portion of their emissions. But for the most part, they must meet targets through carbon credits issued by European authorities.A number of other factors, including mandates and subsidies for renewable energy, have coaxed European companies to reduce their emissions in recent years. But in the early stages of the cap-and-trade program, “higher carbon prices were a big incentive for companies to take action,” said Marcus Ferdinand, senior market analyst for Thomson Reuters Point Carbon. “Now, they’ve lost that incentive.”

At the core of the problem is a massive oversupply of carbon allowances. Demand for carbon began to fade in the late 2000s as a recession set in and factories across Europe dramatically curbed production. But there were also built-in flaws. Unlike newer cap-and-trade programs such as the one in California, Europe’s system never established a price floor that could have prevented a market collapse. In addition, too many free allowances were given to too many companies. Some, in fact, never had to pay for allowances at all, allowing them to hoard them or even sell their carbon credits at a profit.

On April 16, the European Parliament was on the verge of temporarily tightening the supply of allowances to boost the price of carbon and shore up the ailing market. But opposition by countries led by Poland — a nation strongly dependent on heavy-emitting coal power plants — defeated the measure. The rejection sent the price of carbon plummeting to a historic low of roughly $3.60.

Shoring up prices

A bright future for cap-and-trade systems may yet exist. Promising new programs, for instance, are being rolled out in California, Australia, Quebec and a few provinces in China, with officials in some areas setting a minimum price for carbon credits to prevent the kind of market collapse seen in Europe.

But if Europe is unable to shore up the price for carbon credits here, observers say, it could complicate hopes down the line of linking various programs together. The price per ton in California, for instance, is above $10 — about two and half times the price in Europe.

Large emitters such as the steel industry, however, say the system is working just fine. With a price determined by supply and demand, industry groups say, it is only fitting for the price to be low now. Also, given the region’s weaker economic activity, they note that the European Union is still virtually assured of meeting its pledge to cut carbon emissions — a reduction of 20 percent by 2020 compared with 1990 levels — even with the cap-and-trade system faltering.

Yet critics argue that the low price of carbon has removed the incentive for European companies to reduce their carbon footprints. They point to a boom in the use of cheap imported American coal in European power plants. In addition, many fear that the lack of an incentive to make more green upgrades will create a boom in emissions if and when European economies recover.

As the regional plan falters, some countries are going it alone on domestic initiatives. This year, for instance, Britain introduced a carbon tax on emissions that British manufacturers say has put them at a competitive disadvantage with their counterparts on the continent. It suggests the potential pitfalls ahead as countries and even smaller jurisdictions such as states, provinces and cities introduce a disparate patchwork of climate-change measures.

Optimists point to hope that the European Parliament will once again vote on a measure to tighten the supply of carbon credits in the coming months, thus shoring up the price. They also note that the European Commission is studying more ambitious proposals for a bigger overhaul of the region’s cap-and-trade system.

But given the growing resistance in some European countries to anything that might drive energy costs up further, others wonder whether Europe’s leaders still have the political will to take aggressive action.

“We’re risking the credibility of European politicians by not fixing this system,” said Johannes Teyssen, chief executive of German energy giant E.ON. “How can they travel to world climate-change conferences claiming others should do more when our own system is on its deathbed and they do nothing?”

Eliza Mackintosh contributed to this report.

*   *   *

In Europe, Paid Permits for Pollution Are Fizzling (N.Y.Times)

Andrew Testa for The International Herald Tribune. The trading floor at CF Partners in West London. The market for carbon permits is more volatile than its founders envisioned.

By STANLEY REED and MARK SCOTT

Published: April 21, 2013

LONDON — On a showery afternoon last week in West London, a ripple of enthusiasm went through the trading floor of CF Partners, a privately owned financial company. The price of carbon allowances, shown in green lights on a board hanging from the ceiling, was creeping up toward three euros.

*The Emissions Trading System began with a test phase that ended in 2007. Note: Data are for the futures contract expiring in mid-December each year. Phase 2 price was initially for the December 2008 futures contract.

That is pretty small change — $3.90, or only about 10 percent of what the price was in 2008. But to the traders it came as a relief after the market had gone into free fall to record lows two days earlier, after the European Parliament spurned an effort to shore up prices by shrinking the number of allowances.

“The market still stands,” said Thomas Rassmuson, a native of Sweden who founded the company with Jonathan Navon, a Briton, in 2006.

Still, Europe’s carbon market, a pioneering effort to use markets to regulate greenhouse gases, is having a hard time staying upright. This year has been stomach-churning for the people who make their living in the arcane world of trading emissions permits. The most recent volatility comes on top of years of uncertainty during which prices have fluctuated from $40 to nearly zero for the right to emit one ton of carbon dioxide.

More important, though, than lost jobs and diminished payouts for traders and bankers, the penny ante price of carbon credits means the market is not doing its job: pushing polluters to reduce carbon emissions, which most climate scientists believe contribute to global warming.

The market for these credits, officially called European Union Allowances, or E.U.A.’s, has been both unstable and under sharp downward pressure this year because of a huge oversupply and a stream of bad political and economic news. On April 16, for instance, after the European Parliament voted down the proposed reduction in the number of credits, prices dropped about 50 percent, to 2.63 euros from nearly 5, in 10 minutes.

“No one was going to buy” on the way down, said Fred Payne, a trader with CF Partners.

Europe’s troubled experience with carbon trading has also discouraged efforts to establish large-scale carbon trading systems in other countries, including the United States, although California and a group of Northeastern states have set up smaller regional markets.

Traders do not mind big price swings in any market — in fact, they can make a lot of money if they play them right.

But over time, the declining prices for the credits have sapped the European market of value, legitimacy and liquidity — the ease with which the allowances can be traded — making it less attractive for financial professionals.

A few years ago, analysts thought world carbon markets were heading for the $2 trillion mark by the end of this decade.

Today, the reality looks much more modest. Total trading last year was 62 billion euros, down from 96 billion in 2011, according to Thomson Reuters Point Carbon, a market research firm based in Oslo. Close to 90 percent of that activity was in Europe, while North American trading represented less than 1 percent of worldwide market value.

Financial institutions that had rushed to increase staff have shrunk their carbon desks. Companies have also laid off other professionals who helped set up greenhouse gas reduction projects in developing countries like China and India.

When the emissions trading system was started in 2005, the goal was to create a global model for raising the costs of emitting greenhouse gases and for prodding industrial polluters to switch from burning fossil fuels to using clean-energy alternatives like wind and solar.

When carbon prices hit their highs of more than 30 euros in 2008 and companies spent billions to invest in renewables, policy makers hailed the market as a success. But then prices began to fall. And at current levels, they are far too low to change companies’ behaviors, analysts say. Emitting a ton of carbon dioxide costs about the same as a hamburger.

“At the moment, the carbon price does not give any signal for investment,” said Hans Bünting, chief executive of RWE, one of the largest utilities in Germany and Europe.

This cap-and-trade system in Europe places a ceiling on emissions. At the end of each year, companies like electric utilities or steel manufacturers must hand over to the national authorities the permits equivalent to the amount gases emitted.

Until the end of 2012, these credits were given to companies free according to their estimated output of greenhouse gases. Policy makers wanted to jump-start the trading market and avoid higher costs for consumers.

Beginning this year, energy companies must buy an increasing proportion of their credits in national auctions. Industrial companies like steel plants will follow later this decade.

Companies and other financial players like banks and hedge funds can also acquire and trade the allowances on exchanges like the IntercontinentalExchange, based in Atlanta. Over time the number of credits is meant to fall gradually, theoretically raising prices and cutting pollution.

The reality has been far different because of serious flaws in the design of the system. To win over companies and skeptical countries like Poland, which burn a lot of coal, far too many credits have been handed out.

At the same time, Europe’s debilitating economic slowdown has sharply curtailed industrial activity and reduced the Continent’s overall carbon emissions.

Steel making in Europe, for instance, has fallen about 30 percent since 2007, while new car registrations were at their lowest level last year since 1995.

Big investments in renewable energy sources like wind and solar also reduced carbon emissions, which have fallen about 10 percent in Europe since 2007.

As a result, there is a vast surplus of permits — about 800 million tons’ worth, according to Point Carbon. That has caused prices to plunge.

The cost of carbon is far too low to force electric utilities in Europe to switch from burning coal, a major polluter, to much cleaner natural gas. Just the opposite: Britain increased coal burning for electricity more than 30 percent last year, while cutting back gas use a similar amount, and other West European nations increased their coal use as well.

“The European energy scene is not a good one,” said Andrew Brown, head of exploration and production at Royal Dutch Shell. “They haven’t got the right balance in terms of promoting gas.”

Fearing that prices might go to zero because of the huge oversupply, the European authorities proposed a short-term solution known as backloading, which would have delayed the scheduled auctioning of a large portion of the credits that were supposed to be sold over the next three years. But the European Parliament in Strasbourg voted the measure down on April 16.

Lawmakers were worried about tampering with the market as well as doing anything that might increase energy costs in the struggling economy.

“It was the worst possible moment to try to implement something like that,” said Francesco Starace, chief executive of Enel Green Power, one of the largest European green-energy companies, which is based in Rome.

The European authorities, led by Connie Hedegaard, the European commissioner for climate change, have not given up on fixing the system. But analysts like Stig Scholset, at Point Carbon, say that there is not much the authorities can do in the short term and that prices may slump for months, if not years.

That means more tough times for financial institutions. Particularly troubled is the business of investing in greenhouse gas abatement projects like wind farms orhydroelectric dams in developing countries like China. JPMorgan Chase paid more than $200 million for one of the largest investors in these projects, EcoSecurities, in 2009.

Financiers say these projects used to be gold mines, generating credits that industrial companies could use to offset their emissions elsewhere. But so many credits have been produced by these projects — on top of the existing oversupply of credits in Europe — that they are trading at about a third of a euro.

Market participants say they see many rivals pulling back from world carbon markets. Deutsche Bank, the largest bank in Germany, has cut back its carbon trading. Smaller outfits like Mabanaft, based in Rotterdam, have also left the business.

Anthony Hobley, a lawyer in London and president of the Climate Market and Investors Association, an industry group, estimates that among the traders, analysts and bankers who flocked to the carbon markets in the early days, half may now be gone.

But carbon trading is unlikely to fade completely.

For one thing, European utilities and other companies now must buy the credits to comply with the rules. And they can buy credits to save for later use, when their emissions increase and the price of credits rises.

Despite Europe’s sputters, carbon trading is beginning to gain traction in places like China, Australia and New Zealand.

In London, Mr. Rassmuson concedes that the business has turned out to be more up-and-down than he anticipated when he and his partner set up their firm in a tiny two-man office in 2006.

But he said his firm was benefiting from others’ dropping out. He is also branching out into trading electric power and natural gas.

Like many in the carbon markets, he says what he is doing is not just about money.

“Trying to make the world more sustainable is important to us,” he said. “It is a good business opportunity that makes us proud.”

A version of this article appeared in print on April 22, 2013, on page B1 of the New York edition with the headline: In Europe, Paid Permits For Pollution Are Fizzling.

Mutirão para o Bolsa Verde (Ministério do Meio Ambiente)

Segunda, 22 Abril 2013 18:34 Última modificação em Terça, 23 Abril 2013 13:14|

Governo federal montará força-tarefa para o cadastro de novas famílias beneficiárias do programa. Ação ocorrerá em seis regiões do Pará

SOPHIA GEBRIM

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) pretende ampliar o número de beneficiários do Programa de Apoio à Conservação Ambiental Bolsa Verde. Nesta segunda-feira (22), representantes do Ministério, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) participaram de oficina, em Belém (PA), para definir mutirões para cadastramento de novas famílias beneficiárias no Pará.

O Bolsa Verde é um programa do Plano Brasil sem Miséria voltado a famílias em situação de extrema pobreza que exercem atividades de conservação ambiental. O objetivo é incentivar a conservação dos ecossistemas, promover a cidadania e aumentar a renda das populações que vivem em unidades de conservação, assentamentos e povos ribeirinhos. O valor do benefício do Bolsa Verde é de R$ 300 – pagos a cada três meses para famílias inseridas no Cadastro Único (CadÚnico) dos programas sociais do governo federal.

“Com base na análise de dados potenciais para o Bolsa Verde, verificamos que 40% das famílias cadastradas pelo ICMBio e Incra, não encontradas no CadÚnico do Plano Brasil Sem Miséria, estão localizadas no Estado do Pará”, destacou a representante da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Larisa Gaivizzo. Dessa forma, com base na análise de critérios quantitativos e logísticos para a realização de mutirões para alcançar as famílias com potencial de beneficiárias, foram selecionados seis polos para força-tarefa nas seguintes regiões: Santarém, Afuá, Porto de Moz e Gurupá, Marajó, Baixo Tocantins e Salgado Paraense.

Os mutirões ocorrerão nos próximos meses, entre maio e junho, e farão o CadÚnico para os programas Bolsa Verde e Bolsa Família, ambas ações do Plano Brasil Sem Miséria do governo federal. Nessas mesmas regiões também serão agregados outros serviços de apoio à população local, que ainda serão negociados e definidos em reunião interministerial nos próximos dias.

Além disso, os mutirões somarão força à outras atividades desenvolvidas nessas regiões pelo ICMBio, como o cadastramento de famílias em Unidades de Conservação (UCs) de uso sustentável.

Hidrelétricas podem afetar sistema hidrológico do Pantanal (Fapesp)

Projeto para construção de mais 87 pequenas centrais hidrelétricas na bacia do Alto Paraguai pode afetar conectividade da área de planalto com a de planície do bioma pantaneiro e dificultar fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas, alertam pesquisadores (Walfrido Tomas)

23/04/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O projeto de construção de mais 87 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na Bacia do Alto Paraguai, em discussão atualmente, pode afetar a conectividade do planalto – onde nasce o Rio Paraguai e seus afluentes – e a planície inundada do Pantanal – por onde as águas desses rios escoam –, dificultando o fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas e semiaquáticas pelo sistema hidrológico.

O alerta foi feito por pesquisadores durante o terceiro evento do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, que teve como tema o Pantanal. O evento foi realizado pelo programa BIOTA-FAPESP no dia 18 de abril, na sede da FAPESP.

De acordo com José Sabino, professor da Universidade Anhanguera-Uniderp, o impacto das PCHs já existentes na região da Bacia do Alto Paraguai não são tão grandes porque, em geral, baseiam-se em uma tecnologia denominada “a fio d’água” – que dispensa a necessidade de manter grandes reservatórios de água.

A somatória das cerca de 30 PCHs existentes com as 87 planejadas, no entanto, pode impactar a hidrologia e a conectividade das águas do planalto e da planície da Bacia do Alto Paraguai e dificultar processos migratórios de espécies de peixes do Pantanal, alertou o especialista.

“A criação dessas PCHs pode causar a quebra de conectividade hidrológica de populações e de processos migratórios reprodutivos, como a piracema, de algumas espécies de peixes”, disse Sabino.

Durante a piracema, o período de procriação que antecede as chuvas do verão, algumas espécies de peixes, como o curimbatá (Prochilodus lineatus) e o dourado (Salminus brasiliensis), sobem os rios até as nascentes para desovar.

Se o acesso às cabeceiras dos rios for interrompido por algum obstáculo, como uma PCH, a piracema pode ser dificultada. “A construção de mais PCHs na região do Pantanal pode ter uma influência sistêmica sobre o canal porque, além de mudar o funcionamento hidrológico, também deve alterar a força da carga de nutrientes carregada pelas águas das nascentes dos rios no planalto que entram na planície pantaneira”, disse Walfrido Moraes Tomas, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (CPAP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Mato Grosso do Sul, palestrante na conferência na FAPESP.

“Isso também poderá ter impactos nos hábitats de espécies aquáticas ou semiaquáticas”, reiterou Tomas. De acordo com o pesquisador, o Pantanal é uma das áreas úmidas mais ricas em espécies do mundo, distribuídas de forma abundante, mas não homogênea, pela planície pantaneira.

Alguns dos últimos levantamentos de espécies apontaram que o bioma possui 269 espécies de peixes, 44 de anfíbios, 127 de répteis, 582 de aves e 152 de mamíferos.

São necessários, no entanto, mais inventários de espécies para preencher lacunas críticas de conhecimento sobre outros grupos, como o dos invertebrados – sobre os quais ainda não há levantamento sobre o número de espécies –, além de crustáceos, moluscos e lepidópteros (ordem de insetos que inclui as borboletas), que ainda são pouco conhecidos.

“Uma iniciativa que vai nos dar uma grande contribuição nesse sentido será o programa Biota Mato Grosso do Sul, que começou ser implementado há três anos”, disse Tomas.

Inspirado no BIOTA-FAPESP, o programa Biota Mato Grosso do Sul pretende consolidar a infraestrutura de coleções e acervos em museus, herbários, jardins botânicos, zoológicos e bancos de germoplasma do Mato Grosso do Sul para preencher lacunas de conhecimento, taxonômicas e geográficas, sobre a diversidade biológica no estado.

Para atingir esse objetivo, pesquisadores pretendem informatizar os acervos e coleções científicas e estabelecer uma rede de informação em biodiversidade entre todas as instituições envolvidas com a pesquisa e conservação de biodiversidade do Mato Grosso do Sul.

“Começamos agora a fazer os primeiros inventários de espécies de regiões- chave do estado e estamos preparando um volume especial da revista Biota Neotropica sobre a biodiversidade de Mato Grosso do Sul, que será um passo fundamental para verificarmos as informações disponíveis sobre a biota do Pantanal e direcionar nossas ações”, disse Tomas à Agência FAPESP.

“Diferentemente do Estado de São Paulo, que tem coleções gigantescas, Mato Grosso do Sul não dispõe de grandes coleções para fazermos mapeamentos de diversidade. Por isso, precisaremos ir a campo para fazer os inventários”, explicou.

Espécies ameaçadas

Segundo Tomas, das espécies de aves ameaçadas, vulneráveis ou em perigo de extinção no Brasil, por exemplo, 188 podem ser encontradas no Pantanal. No entanto, diminuiu muito nos últimos anos a ocorrência de caça de espécies como onça-pintada, onça-parda, ariranha, arara-azul – ave símbolo do Pantanal – e jacaré.

E não há indícios de que a principal atividade econômica da região – a pecuária, que possibilitou a ocupação humana do bioma em um primeiro momento em razão de o ambiente ser uma savana inundada com pastagem renovada todo ano – tenha causado impactos na biota pantaneira.

“Pelo que sabemos até agora, nenhuma espécie da fauna do Pantanal foi levada a risco de extinção por causa da pecuária”, afirmou Tomas. Já a pesca – a segunda atividade econômica mais intensiva no Pantanal – pode ter impactos sobre algumas espécies de peixes.

Isso porque a atividade está focalizada em 20 das 270 espécies de peixes do bioma pantaneiro, em razão do tamanho, sabor da carne e pela própria cultura regional.

Entre elas, estão o dourado, o curimbatá, a piraputanga (Brycon hilarii), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) – um peixe arisco encontrado em rios como Prata e Olho D’água, que pode chegar a medir 1,20 metro e pesar 40 quilos.

“Há indícios de que, pelo fato de a pesca no Pantanal ser direcionada a algumas espécies, a atividade possa reduzir algumas populações de peixes”, disse Sabino.

Além de Sabino e Tomas, o professor Arnildo Pott, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Campo Grande, também proferiu palestra, sobre a origem, evolução e diversidade da vegetação do Bioma Pantanal.

Estratégias de conservação

Os pesquisadores também chamaram a atenção para o fato de que, atualmente, apenas cerca de 5% do Pantanal está protegido por unidades de conservação. E que muitas das espécies de animais da região, como a onça- pintada, a ariranha e a arara-azul, por exemplo, não são protegidas efetivamente, porque ficam fora dessas unidades de conservação.

“A conservação de espécies ameaçadas no Pantanal requer estratégias mais amplas do que apenas a implantação ou gestão das unidades de conservação”, destacou Tomas. “São necessárias políticas de gestão de bacias hidrográficas e de remuneração por serviços ecossistêmicos para assegurar a conservação de espécies ameaçadas.”

Organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. A quarta etapa será no dia 16 de maio, quando o tema será “Bioma Cerrado”. Seguem-se conferências sobre os biomas Caatinga (20 de junho), Mata Atlântica (22 de agosto), Amazônia (19 de setembro), Ambientes Marinhos e Costeiros (24 de outubro) e Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais (21 de novembro).

Carbon bubble will plunge the world into another financial crisis – report (The Guardian)

Trillions of dollars at risk as stock markets inflate value of fossil fuels that may have to remain buried forever, experts warn

Damian Carrington – The Guardian, Friday 19 April 2013

Carbon bubble : carbon dioxide polluting power plant : coal-fired Bruce Mansfield Power Plant

Global stock markets are betting on countries failing to adhere to legally binding carbon emission targets. Photograph: Robert Nickelsberg/Getty Images

The world could be heading for a major economic crisis as stock marketsinflate an investment bubble in fossil fuels to the tune of trillions of dollars, according to leading economists.

“The financial crisis has shown what happens when risks accumulate unnoticed,” said Lord (Nicholas) Stern, a professor at the London School of Economics. He said the risk was “very big indeed” and that almost all investors and regulators were failing to address it.

The so-called “carbon bubble” is the result of an over-valuation of oil,coal and gas reserves held by fossil fuel companies. According to a report published on Friday, at least two-thirds of these reserves will have to remain underground if the world is to meet existing internationally agreed targets to avoid the threshold for “dangerous” climate changeIf the agreements hold, these reserves will be in effect unburnable and so worthless – leading to massive market losses. But the stock markets are betting on countries’ inaction on climate change.

The stark report is by Stern and the thinktank Carbon Tracker. Their warning is supported by organisations including HSBC, Citi, Standard and Poor’s and the International Energy Agency. The Bank of England has also recognised that a collapse in the value of oil, gas and coal assets as nations tackle global warming is a potential systemic risk to the economy, with London being particularly at risk owing to its huge listings of coal.

Stern said that far from reducing efforts to develop fossil fuels, the top 200 companies spent $674bn (£441bn) in 2012 to find and exploit even more new resources, a sum equivalent to 1% of global GDP, which could end up as “stranded” or valueless assets. Stern’s landmark 2006 reporton the economic impact of climate change – commissioned by the then chancellor, Gordon Brown – concluded that spending 1% of GDP would pay for a transition to a clean and sustainable economy.

The world’s governments have agreed to restrict the global temperature rise to 2C, beyond which the impacts become severe and unpredictable. But Stern said the investors clearly did not believe action to curb climate change was going to be taken. “They can’t believe that and also believe that the markets are sensibly valued now.”

“They only believe environmental regulation when they see it,” said James Leaton, from Carbon Tracker and a former PwC consultant. He said short-termism in financial markets was the other major reason for the carbon bubble. “Analysts say you should ride the train until just before it goes off the cliff. Each thinks they are smart enough to get off in time, but not everyone can get out of the door at the same time. That is why you get bubbles and crashes.”

Paul Spedding, an oil and gas analyst at HSBC, said: “The scale of ‘listed’ unburnable carbon revealed in this report is astonishing. This report makes it clear that ‘business as usual’ is not a viable option for the fossil fuel industry in the long term. [The market] is assuming it will get early warning, but my worry is that things often happen suddenly in the oil and gas sector.”

HSBC warned that 40-60% of the market capitalisation of oil and gas companies was at risk from the carbon bubble, with the top 200 fossil fuel companies alone having a current value of $4tn, along with $1.5tn debt.

Lord McFall, who chaired the Commons Treasury select committee for a decade, said: “Despite its devastating scale, the banking crisis was at its heart an avoidable crisis: the threat of significant carbon writedown has the unmistakable characteristics of the same endemic problems.”

The report calculates that the world’s currently indicated fossil fuel reserves equate to 2,860bn tonnes of carbon dioxide, but that just 31% could be burned for an 80% chance of keeping below a 2C temperature rise. For a 50% chance of 2C or less, just 38% could be burned.

Carbon capture and storage technology, which buries emissions underground, can play a role in the future, but even an optimistic scenario which sees 3,800 commercial projects worldwide would allow only an extra 4% of fossil fuel reserves to be burned. There are currently no commercial projects up and running. The normally conservativeInternational Energy Agency has also concluded that a major part of fossil fuel reserves is unburnable.

Citi bank warned investors in Australia’s vast coal industry that little could be done to avoid the future loss of value in the face of action on climate change. “If the unburnable carbon scenario does occur, it is difficult to see how the value of fossil fuel reserves can be maintained, so we see few options for risk mitigation.”

Ratings agencies have expressed concerns, with Standard and Poor’s concluding that the risk could lead to the downgrading of the credit ratings of oil companies within a few years.

Steven Oman, senior vice-president at Moody’s, said: “It behoves us as investors and as a society to know the true cost of something so that intelligent and constructive policy and investment decisions can be made. Too often the true costs are treated as unquantifiable or even ignored.”

Jens Peers, who manages €4bn (£3bn) for Mirova, part of €300bn asset managers Natixis, said: “It is shocking to see the report’s numbers, as they are worse than people realise. The risk is massive, but a lot of asset managers think they have a lot of time. I think they are wrong.” He said a key moment will come in 2015, the date when the world’s governments have pledged to strike a global deal to limit carbon emissions. But he said that fund managers need to move now. If they wait till 2015, “it will be too late for them to take action.”

Pension funds are also concerned. “Every pension fund manager needs to ask themselves have we incorporated climate change and carbon risk into our investment strategy? If the answer is no, they need to start to now,” said Howard Pearce, head of pension fund management at the Environment Agency, which holds £2bn in assets.

Stern and Leaton both point to China as evidence that carbon cuts are likely to be delivered. China’s leaders have said its coal use will peak in the next five years, said Leaton, but this has not been priced in. “I don’t know why the market does not believe China,” he said. “When it says it is going to do something, it usually does.” He said the US and Australia were banking on selling coal to China but that this “doesn’t add up”.

Jeremy Grantham, a billionaire fund manager who oversees $106bn of assets, said his company was on the verge of pulling out of all coal and unconventional fossil fuels, such as oil from tar sands. “The probability of them running into trouble is too high for me to take that risk as an investor.” He said: “If we mean to burn all the coal and any appreciable percentage of the tar sands, or other unconventional oil and gas then we’re cooked. [There are] terrible consequences that we will lay at the door of our grandchildren.”

Índios isolados, trabalhadores em fuga: um encontro amazônico (Yahoo Notícias)

Por Ana Aranha | Reportagem 3 por 4 – 18.abr.2013

Os seis trabalhadores da construção civil estavam perdidos em meio à floresta amazônica, no norte de Rondônia. Algumas horas antes, eles tinham corrido mato a dentro para fugir do caos que tomara o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, onde a Polícia Militar reprimia o movimento grevista, em 2011. Depois de andar cerca de seis quilômetros, o grupo tentava encontrar o caminho de volta à obra, ou a estrada, ou qualquer sinal de urbanidade. Sem sucesso.

Ao invés disso, foram encontrados.

Sem perceber que estavam sendo cercados, os trabalhadores uniformizados se viram rodeados por oito índios nus. Eles tinham o rosto e corpo pintados, flechas em punho e “murmuravam” palavras em uma língua que os trabalhadores não conheciam. Mas logo interpretaram o sentido: estavam rendidos.

Índios isolados no Acre, fotografados pela Funai em 2008

Hoje, excepcionalmente, esse espaço não será dedicado a um retrato, mas a um encontro. Encontro que pode servir de pista para compor o retrato dos povos indígenas que habitam o nosso país e os quais temos tanta dificuldade de entender.

Assustados, os trabalhadores da usina se comportaram como prisioneiros dos índios. Seguiram seus passos e pararam quando eles sinalizaram. O coração disparava a cada vez que os índios se reuniam em círculo. Observaram a construção de uma espécie de churrasqueira com gravetos, onde um porco do mato foi assado. Disfarçando o mal estar, comeram cada pedaço de carne que lhes foi oferecido. À noite, um dos trabalhadores foi repreendido pelos colegas por espiar os seios da índia mais nova, a regra era olhar para o chão.

A madrugada avançou, alguns índios deitaram e adormeceram. Os trabalhadores ficaram alertas. Pela manhã, caminharam até chegar a um local onde se ouvia um barulho familiar. Os índios sinalizaram em direção ao som, disseram algumas frases que ninguém entendeu e foram embora. Os trabalhadores correram na direção indicada até que, exaustos, chegaram à rodovia federal BR 364.

Esse relato foi registrado pela historiadora Ivaneide Bandeira Cardozo, da ONG indigenista Kanindé, que entrevistou um dos trabalhadores na presença de um funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ela acredita que os homens e mulheres descritos sejam parte de um grupo que a entidade e a Funai tentam rastrear há anos. “Pela descrição, parecem ser Kawahiba isolados”.

“Isolados” são os índios que não têm contato com a nossa sociedade, ou porque nunca cruzaram com um não-índio (casos cada vez mais raros) ou porque recusam o contato.

Na região que foi alagada pela usina de Jirau, havia rastros de um grupo isolado e nômade. A empresa repassou dinheiro para que a Funai mapeasse esses rastros. Depois de identificados, eles deveriam ganhar uma área de proteção. Mas o investimento não foi suficiente para encontrar ou proteger os índios.

Ao contrário, foram eles que encontraram e salvaram os funcionários da usina. “É difícil entender o que passou na cabeça dos índios quando viram os trabalhadores perdidos”, reflete Ivaneide. “Por que decidiram ajudar? Nunca vamos saber”.

O encontro ocorrido em 2011 é o reflexo oposto do desencontro que se deu na Câmara dos Deputados essa semana. Na terça dia 16, em uma cena inédita, os deputados federais correram pelo plenário como uma manada assustada. Fugiam de homens seminus, pintados de urucum e que balançavam seus chocalhos para protestar contra a mudança da lei que define como as terras indígenas são demarcadas.

Se o comportamento dos índios isolados e dos deputados deixa alguma pista, é que continuamos longe de entender os povos que habitam a nossa terra.

Quando retornaram à usina, os trabalhadores contaram sobre o encontro, mas o supervisor deu risada, chamando-os de mentirosos. Como se fosse impossível haver índios nas proximidades da obra, cravada no meio da floresta amazônica.

Para Ivaneide, a precisão dos detalhes é a maior evidência da veracidade da história. “Os trabalhadores eram de outros estados, uma pessoa sem convivência com indígenas não poderia saber tanto. Ele descreveu a pintura no peito, os traços no rosto dos homens, diferente das mulheres, a pena do gavião real, como tratavam a ponta das flechas. Até os detalhes de como montaram o moquém, que é onde assam a carne”. Segundo ela, o relato bate com hábitos comuns a etnias que vivem ou viveram na região, algumas consideradas extintas.

Existem 82 pistas de grupos indígenas isolados no Brasil, é a maior concentração de povos isolados do mundo. Em março desse ano, os funcionários da Funai fizeram uma carta aberta com um “pedido de socorro”. Nela, escrevem que não há equipe para proteger esses grupos, cujos territórios estão sendo invadidos pelas grandes obras, madeireiros e traficantes.

Como lidar com índios isolados é um dos temas mais complexos dentro da política indigenista. Talvez a pequena mensagem deixada pelo grupo que resgatou os trabalhadores e pelos que invadiram o congresso seja justamente sobre os nossos limites. Os índios tem um modo diferente de ser, nem sempre seremos capazes de entende-los. Talvez esses encontros sejam os momentos para refletir sobre os impactos das nossas escolhas. E fazer um esforço para, a partir dessa nova realidade, respeitar as escolhas deles.

Brazil accused of not protecting isolated indigenous group (AP)

By Associated Press, Published: April 18

SAO PAULO — Brazil’s government has failed to comply with a court order to protect the Awa indigenous people in the Amazon jungles, a British-based Indian rights group said Thursday.

Survival International said in a statement that authorities have ignored a federal judge’s deadline “to evict all invaders from the heartland of Earth’s most threatened tribe by the end of March.” It said the deadline passed and not a single illegal logger or settler has been evicted.

On March 12, 2012, judge Jirair Aram Meguerian ordered that all the loggers and settlers should be removed within 12 months.

The organization said the Awa tribe “is at extreme risk of extinction.”

It added that Funai, Brazil’s indigenous affairs agency was “still waiting for support from the Justice Ministry, the federal police and central government to evict the invaders.”

Funai’s press office said it had no immediate comment. Calls to the Justice Ministry and federal police went unanswered.

Survival International said that more than 30 percent of Awa territory has been deforested and that loggers are “rapidly closing in on their communities and have already been marking trees for deforestation.

It quotes an Awa Indian called Haikaramoka’a, as saying: “The loggers are ruining our forest. They have built roads. We are scared; they could go after the uncontacted Indians. We are scared because the loggers could kill us, and the uncontacted Indians.”

About 100 of the 450 Awa remain uncontacted and are at particular risk of diseases brought in by the outsiders. Survival International said.

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