Arquivo da tag: Hidrologia

Satellites show ‘total’ California water storage at near decade low (Science Daily)

Date: February 3, 2014

Source: UC Center for Hydrologic Modeling

Summary: Updates to satellite data show that California’s Sacramento and San Joaquin River basins are at near decade-low water storage levels.

Updates to satellite data show that California’s Sacramento and San Joaquin River basins are at near decade-low water storage levels. These and other findings on the State’s dwindling water resources were documented in an advisory report released today from the UC Center for Hydrologic Modeling (UCCHM) at the University of California, Irvine.

Responding to Governor Jerry Brown’s recent declaration of a drought emergency in California, a team of UCCHM researchers has updated its research on the state’s two largest river basins, and the source of most its water. The region also encompasses the Central Valley, the most productive agriculture region in the country. The Central Valley depends entirely on the surface and groundwater resources within the river basins to meet its irrigation needs and to produce food for the nation.

Using satellite data from NASA’s Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) mission, the researchers, led by UCCHM Director and UC Irvine Professor Jay Famiglietti, found that as of November 2013, total water storage in the river basins — the combination of all of the snow, surface water, soil moisture and groundwater, and an integrated measure of basin-wide water availability — had declined to its lowest point in nearly a decade. GRACE data for the record-dry 2013-2014 winter months were not yet available for analysis.

The data show particularly steep water losses between November 2011 and November 2013, the early phase of the current drought. Famiglietti and fellow UCCHM researchers estimate that the basins have already lost 10 cubic kilometers of fresh water in each of the last two years — equivalent to virtually all of California’s urban and household water use each year. “That’s the steepest decline in total water storage that we’ve seen in California since the GRACE mission was launched in 2002,” Famiglietti said.

The researchers noted that snowpack, surface water and soil moisture storage in the river basins were all at their lowest points in nearly a decade, illustrating a growing threat to groundwater supplies in the Central Valley, and highlighting the urgent need to manage them sustainably. Groundwater is typically viewed as a strategic reserve that supplements sparse surface water supplies in times of drought.

By combining their satellite-based estimates of 10 years (October 2003 — November 2013) of Central Valley groundwater storage changes with long-term estimates of groundwater losses from the U. S. Geological Survey, the researchers noted that steep declines in groundwater storage are typical during droughts, when Central Valley farmers are forced to rely more heavily on groundwater to meet irrigation demands.

The advisory report underscores that the rates of declining groundwater storage during drought almost always outstrip rates of groundwater replenishment during wet periods, and raises fears about the impact of long-term groundwater depletion on sustaining a reliable water supply in the current, record-setting drought. The team’s previous 2011 study estimated that the Central Valley lost 20 cubic kilometers of groundwater during the 2006-2010 drought.

Historically, drought conditions and groundwater depletion in the Central Valley are responsible for widespread land subsidence, reductions in planted acreage, higher food costs and ecological damage.

Famiglietti notes that if the drought continues “Central Valley groundwater levels will fall to all-time lows.” Stephanie Castle, a UCCHM researcher who contributed to the report, believes that groundwater supplies should be more actively managed. Castle states that “the path of groundwater use that we are on threatens the sustainability of future water supplies for all Californians.” She noted that several communities within the state are on track to run out of water within the next few months.

Download the report at http://www.ucchm.org/publications

Anúncios

Hidrelétricas podem afetar sistema hidrológico do Pantanal (Fapesp)

Projeto para construção de mais 87 pequenas centrais hidrelétricas na bacia do Alto Paraguai pode afetar conectividade da área de planalto com a de planície do bioma pantaneiro e dificultar fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas, alertam pesquisadores (Walfrido Tomas)

23/04/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O projeto de construção de mais 87 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na Bacia do Alto Paraguai, em discussão atualmente, pode afetar a conectividade do planalto – onde nasce o Rio Paraguai e seus afluentes – e a planície inundada do Pantanal – por onde as águas desses rios escoam –, dificultando o fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas e semiaquáticas pelo sistema hidrológico.

O alerta foi feito por pesquisadores durante o terceiro evento do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, que teve como tema o Pantanal. O evento foi realizado pelo programa BIOTA-FAPESP no dia 18 de abril, na sede da FAPESP.

De acordo com José Sabino, professor da Universidade Anhanguera-Uniderp, o impacto das PCHs já existentes na região da Bacia do Alto Paraguai não são tão grandes porque, em geral, baseiam-se em uma tecnologia denominada “a fio d’água” – que dispensa a necessidade de manter grandes reservatórios de água.

A somatória das cerca de 30 PCHs existentes com as 87 planejadas, no entanto, pode impactar a hidrologia e a conectividade das águas do planalto e da planície da Bacia do Alto Paraguai e dificultar processos migratórios de espécies de peixes do Pantanal, alertou o especialista.

“A criação dessas PCHs pode causar a quebra de conectividade hidrológica de populações e de processos migratórios reprodutivos, como a piracema, de algumas espécies de peixes”, disse Sabino.

Durante a piracema, o período de procriação que antecede as chuvas do verão, algumas espécies de peixes, como o curimbatá (Prochilodus lineatus) e o dourado (Salminus brasiliensis), sobem os rios até as nascentes para desovar.

Se o acesso às cabeceiras dos rios for interrompido por algum obstáculo, como uma PCH, a piracema pode ser dificultada. “A construção de mais PCHs na região do Pantanal pode ter uma influência sistêmica sobre o canal porque, além de mudar o funcionamento hidrológico, também deve alterar a força da carga de nutrientes carregada pelas águas das nascentes dos rios no planalto que entram na planície pantaneira”, disse Walfrido Moraes Tomas, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (CPAP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Mato Grosso do Sul, palestrante na conferência na FAPESP.

“Isso também poderá ter impactos nos hábitats de espécies aquáticas ou semiaquáticas”, reiterou Tomas. De acordo com o pesquisador, o Pantanal é uma das áreas úmidas mais ricas em espécies do mundo, distribuídas de forma abundante, mas não homogênea, pela planície pantaneira.

Alguns dos últimos levantamentos de espécies apontaram que o bioma possui 269 espécies de peixes, 44 de anfíbios, 127 de répteis, 582 de aves e 152 de mamíferos.

São necessários, no entanto, mais inventários de espécies para preencher lacunas críticas de conhecimento sobre outros grupos, como o dos invertebrados – sobre os quais ainda não há levantamento sobre o número de espécies –, além de crustáceos, moluscos e lepidópteros (ordem de insetos que inclui as borboletas), que ainda são pouco conhecidos.

“Uma iniciativa que vai nos dar uma grande contribuição nesse sentido será o programa Biota Mato Grosso do Sul, que começou ser implementado há três anos”, disse Tomas.

Inspirado no BIOTA-FAPESP, o programa Biota Mato Grosso do Sul pretende consolidar a infraestrutura de coleções e acervos em museus, herbários, jardins botânicos, zoológicos e bancos de germoplasma do Mato Grosso do Sul para preencher lacunas de conhecimento, taxonômicas e geográficas, sobre a diversidade biológica no estado.

Para atingir esse objetivo, pesquisadores pretendem informatizar os acervos e coleções científicas e estabelecer uma rede de informação em biodiversidade entre todas as instituições envolvidas com a pesquisa e conservação de biodiversidade do Mato Grosso do Sul.

“Começamos agora a fazer os primeiros inventários de espécies de regiões- chave do estado e estamos preparando um volume especial da revista Biota Neotropica sobre a biodiversidade de Mato Grosso do Sul, que será um passo fundamental para verificarmos as informações disponíveis sobre a biota do Pantanal e direcionar nossas ações”, disse Tomas à Agência FAPESP.

“Diferentemente do Estado de São Paulo, que tem coleções gigantescas, Mato Grosso do Sul não dispõe de grandes coleções para fazermos mapeamentos de diversidade. Por isso, precisaremos ir a campo para fazer os inventários”, explicou.

Espécies ameaçadas

Segundo Tomas, das espécies de aves ameaçadas, vulneráveis ou em perigo de extinção no Brasil, por exemplo, 188 podem ser encontradas no Pantanal. No entanto, diminuiu muito nos últimos anos a ocorrência de caça de espécies como onça-pintada, onça-parda, ariranha, arara-azul – ave símbolo do Pantanal – e jacaré.

E não há indícios de que a principal atividade econômica da região – a pecuária, que possibilitou a ocupação humana do bioma em um primeiro momento em razão de o ambiente ser uma savana inundada com pastagem renovada todo ano – tenha causado impactos na biota pantaneira.

“Pelo que sabemos até agora, nenhuma espécie da fauna do Pantanal foi levada a risco de extinção por causa da pecuária”, afirmou Tomas. Já a pesca – a segunda atividade econômica mais intensiva no Pantanal – pode ter impactos sobre algumas espécies de peixes.

Isso porque a atividade está focalizada em 20 das 270 espécies de peixes do bioma pantaneiro, em razão do tamanho, sabor da carne e pela própria cultura regional.

Entre elas, estão o dourado, o curimbatá, a piraputanga (Brycon hilarii), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) – um peixe arisco encontrado em rios como Prata e Olho D’água, que pode chegar a medir 1,20 metro e pesar 40 quilos.

“Há indícios de que, pelo fato de a pesca no Pantanal ser direcionada a algumas espécies, a atividade possa reduzir algumas populações de peixes”, disse Sabino.

Além de Sabino e Tomas, o professor Arnildo Pott, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Campo Grande, também proferiu palestra, sobre a origem, evolução e diversidade da vegetação do Bioma Pantanal.

Estratégias de conservação

Os pesquisadores também chamaram a atenção para o fato de que, atualmente, apenas cerca de 5% do Pantanal está protegido por unidades de conservação. E que muitas das espécies de animais da região, como a onça- pintada, a ariranha e a arara-azul, por exemplo, não são protegidas efetivamente, porque ficam fora dessas unidades de conservação.

“A conservação de espécies ameaçadas no Pantanal requer estratégias mais amplas do que apenas a implantação ou gestão das unidades de conservação”, destacou Tomas. “São necessárias políticas de gestão de bacias hidrográficas e de remuneração por serviços ecossistêmicos para assegurar a conservação de espécies ameaçadas.”

Organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. A quarta etapa será no dia 16 de maio, quando o tema será “Bioma Cerrado”. Seguem-se conferências sobre os biomas Caatinga (20 de junho), Mata Atlântica (22 de agosto), Amazônia (19 de setembro), Ambientes Marinhos e Costeiros (24 de outubro) e Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais (21 de novembro).