Arquivo da tag: Ética

The Cambridge Declaration on Consciousness

On this day of July 7, 2012, a prominent international group of cognitive neuroscientists, neuropharmacologists, neurophysiologists, neuroanatomists and computational neuroscientists gathered at The University of Cambridge to reassess the neurobiological substrates of conscious experience and related behaviors in human and non-human animals. While comparative research on this topic is naturally hampered by the inability of non-human animals, and often humans, to clearly and readily communicate about their internal states, the following observations can be stated unequivocally:

 The field of Consciousness research is rapidly evolving. Abundant new techniques and strategies for human and non-human animal research have been developed. Consequently, more data is becoming readily available, and this calls for a periodic reevaluation of previously held preconceptions in this field. Studies of non-human animals have shown that homologous brain circuits correlated with conscious experience and perception can be selectively facilitated and disrupted to assess whether they are in fact necessary for those experiences. Moreover, in humans, new non-invasive techniques are readily available to survey the correlates of consciousness.

 The neural substrates of emotions do not appear to be confined to cortical structures. In fact, subcortical neural networks aroused during affective states in humans are also critically important for generating emotional behaviors in animals. Artificial arousal of the same brain regions generates corresponding behavior and feeling states in both humans and non-human animals. Wherever in the brain one evokes instinctual emotional behaviors in non-human animals, many of the ensuing behaviors are consistent with experienced feeling states, including those internal states that are rewarding and punishing. Deep brain stimulation of these systems in humans can also generate similar affective states. Systems associated with affect are concentrated in subcortical regions where neural homologies abound. Young human and nonhuman animals without neocortices retain these brain-mind functions. Furthermore, neural circuits supporting behavioral/electrophysiological states of attentiveness, sleep and decision making appear to have arisen in evolution as early as the invertebrate radiation, being evident in insects and cephalopod mollusks (e.g., octopus).

 Birds appear to offer, in their behavior, neurophysiology, and neuroanatomy a striking case of parallel evolution of consciousness. Evidence of near human-like levels of consciousness has been most dramatically observed in African grey parrots. Mammalian and avian emotional networks and cognitive microcircuitries appear to be far more homologous than previously thought. Moreover, certain species of birds have been found to exhibit neural sleep patterns similar to those of mammals, including REM sleep and, as was demonstrated in zebra finches, neurophysiological patterns, previously thought to require a mammalian neocortex. Magpies in particular have been shown to exhibit striking similarities to humans, great apes, dolphins, and elephants in studies of mirror self-recognition.

 In humans, the effect of certain hallucinogens appears to be associated with a disruption in cortical feedforward and feedback processing. Pharmacological interventions in non-human animals with compounds known to affect conscious behavior in humans can lead to similar perturbations in behavior in non-human animals. In humans, there is evidence to suggest that awareness is correlated with cortical activity, which does not exclude possible contributions by subcortical or early cortical processing, as in visual awareness. Evidence that human and nonhuman animal emotional feelings arise from homologous subcortical brain networks provide compelling evidence for evolutionarily shared primal affective qualia.

We declare the following: “The absence of a neocortex does not appear to preclude an organism from experiencing affective states. Convergent evidence indicates that non-human animals have the neuroanatomical, neurochemical, and neurophysiological substrates of conscious states along with the capacity to exhibit intentional behaviors. Consequently, the weight of evidence indicates that humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Nonhuman animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also possess these neurological substrates.”

* The Cambridge Declaration on Consciousness was written by Philip Low and edited by Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van Swinderen, Philip Low and Christof Koch. The Declaration was publicly proclaimed in Cambridge, UK, on July 7, 2012, at the Francis Crick Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, at Churchill College, University of Cambridge, by Low, Edelman and Koch. The Declaration was signed by the conference participants that very evening, in the presence of Stephen Hawking, in the Balfour Room at the Hotel du Vin in Cambridge, UK. The signing ceremony was memorialized by CBS 60 Minutes.

Manifesto de neurocientistas sobre a consciência animal

16/07/2012

Comportamento animal

Quase humanos (Veja)

Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais

Marco Túlio Pires

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia: percepção de sua própria existência e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit/EFE)

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Leia mais: A íntegra, em inglês, do manifesto que afirma a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como polvos

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

O que é consciência?

PARA A FILOSOFIA
Filosoficamente, é o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consciência, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo à sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consciência sobre si mesmo (o que, para a filosofia já basta para incluir alguns animais “não-linguísticos” entre os seres com consciência).Fonte: Enciclopédia de Filosofia de Stanford

PARA A CIÊNCIA
A ciência considera como consciência as percepções sobre o mundo e as sensações corporais, junto com os pensamentos, memórias, ações e emoções. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais automáticos e chega à nossa atenção. O conteúdo da consciência geralmente é estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais estímulos chegam à nossa atenção e quais não. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o cérebro é como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais são inconscientes, portanto acontecem “nos bastidores”, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao “palco”.

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal – Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral – O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

A inteligência dos polvos

O vídeo mostra diversas situações em que o polvo consegue resolver problemas. Desde a captura de presas em diferentes tipos de recipientes até escapar de locais extremamente difíceis. As situações mostram que o animal é capaz de formular soluções para problemas específicos, o que denota, na opinião dos neurocientistas, um estado de consciência inteligente.

*   *   *

“Não é mais possível dizer que não sabíamos”, diz Philip Low (Veja)

Entrevista

Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade

Marco Túlio Pires

Epilepsia: especialistas estimam que 2% da população brasileira tenha a doença

Estruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais, dizem neurocientistas (Thinkstock)

O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois deapresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.

Philip LowPhilip Low: “Todos os mamíferos e pássaros têm consciência”. Divulgação.

Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. “As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência”, diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:

Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito?Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.

Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.

É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.

Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.

Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.

Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.

As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.

O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.

No Vale do Ribeira, Defensoria Pública defende comunidades tradicionais contra corrupção e mercado de carbono (Racismo Ambiental)

Por racismoambiental, 24/06/2012 11:45

Tania Pacheco*

“Posto diante de todos estes homens reunidos, de todas estas mulheres, de todas estas crianças (sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra, assim lhes fora mandado), cujo suor não nascia do trabalho que não tinham, mas da agonia insuportável de não o ter, Deus arrependeu-se dos males que havia feito e permitido, a um ponto tal que, num arrebato de contrição, quis mudar o seu nome para um outro mais humano. Falando à multidão, anunciou: “A partir de hoje chamar-me-eis Justiça”. E a multidão respondeu-lhe: “Justiça, já nós a temos, e não nos atende”. Disse Deus: “Sendo assim, tomarei o nome de Direito”. E a multidão tornou a responder-lhe: “Direito, já nós o temos, e não nos conhece”. E Deus: “Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito”. Disse a multidão: “Não necessitamos de caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direito que nos respeite”. José Saramago (Prefácio à obra Terra, de Sebastião Salgado).

O trecho acima foi retirado de uma peça jurídica. Um mandado de segurança com pedido de liminar impetrado no dia 6 de junho pelos Defensores Thiago de Luna Cury e Andrew Toshio Hayama, respectivamente da 2ª e da 3ª Defensorias Publicas de Registro, São Paulo, contra o Prefeito de Iporanga, região de Lageado, Vale do Ribeira. Seu objetivo: impedir que, seguindo uma prática que vem se tornando constante no estado, a autoridade municipal expulse comunidades tradicionais e desaproprie vastas extensões de terras, transformando-as em Parques Naturais a serem transacionados no mercado de carbono.

Para ganhar dinheiro a qualquer custo, não interessa investigar se nessas terras há comunidades tradicionais, quilombolas e camponeses. Não interessa se o Direito à Consulta Prévia e Informada estipulado pela Convenção 169 da OIT foi respeitado. Não interessa, inclusive, se, caso audiências públicas tivessem sido realizadas, as comunidades teriam condições de entender plenamente o que estava sendo proposto e decidir se seria de seu interesse abandonar seus territórios, suas tradições, suas gentes, uma vez que nesse tipo de unidade de conservação integral não pode haver moradores. Em parcerias com empresas e ONGs fajutas, o esquema é montado; de uma penada decretado; e o lucro é garantido e dividido entre os integrantes das quadrilhas.

Mas não foi bem assim que aconteceu em Iporanga. A Defensoria Pública agiu, e agiu pela Justiça e pelo Direito, de forma indignada, culta, forte, poética e, sempre, muito bem fundamentada nas leis. E coube ao Juiz Raphael Garcia Pinto, de Eldorado, São Paulo, reconhecê-lo em decisão do dia 11 de junho de 2012.

Este Blog defende intransigentemente a “democratização do sistema de Justiça”. E tanto no mandado como na decisão é um exemplo disso que temos presente: da prática da democracia pelos operadores do Direito. Por isso fazemos questão de socializá-los, não só como uma homenagem aos Defensores Thiago de Luna Cury e Andrew Toshio Hayama (e também ao Juiz Raphael Garcia Pinto), mas também como um exemplo a ser seguido Brasil afora, como forma de defender as comunidades e honrar a tod@s nós.

Para ver o mandado de segurança clique AQUI. Para ver a decisão clique AQUI. Boa leitura.

* Com informações enviadas por Luciana Zaffalon.

Doctors Often Don’t Disclose All Possible Risks to Patients Before Treatment (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 7, 2012) — Most informed consent disputes involve disagreements about who said what and when, not stand-offs over whether a particular risk ought to have been disclosed. But doctors may “routinely underestimate the importance of a small set of risks that vex patients” according to international experts writing in this week’s PLoS Medicine.

Increasingly, doctors are expected to advise and empower patients to make rational choices by sharing information that may affect treatment decisions, including risks of adverse outcomes. However, authors from Australia and the US led by David Studdert from the University of Melbourne argue that doctors, especially surgeons, are often unsure which clinical risks they should disclose and discuss with patients before treatment.

To understand more about the clinical circumstances in which disputes arise between doctors and patients in this area, the authors analyzed 481 malpractice claims and patient complaints from Australia involving allegations of deficiencies in the process of obtaining informed consent.

The authors found that 45 (9%) of the cases studied were disputed duty cases — that is, they involved head-to-head disagreements over whether a particular risk ought to have been disclosed before treatment. Two-thirds of these disputed duty cases involved surgical procedures, and the majority (38/45) of them related to five specific outcomes that had quality of life implications for patients, including chronic pain and the need for re-operation.

The authors found that the most common justifications doctors gave for not telling patients about particular risks before treatment were that they considered such risks too rare to warrant discussion or the specific risk was covered by a more general risk that was discussed.

However, nine in ten of the disputes studied centered on factual disagreements — arguments over who said what, and when. The authors say: “Documenting consent discussions in the lead-up to surgical procedures is particularly important, as most informed consent claims and complaints involved factual disagreements over the disclosure of operative risks.”

The authors say: “Our findings suggest that doctors may systematically underestimate the premium patients place on understanding certain risks in advance of treatment.”

They conclude: “Improved understanding of these situations helps to spotlight gaps between what patients want to hear and what doctors perceive patients want — or should want — to hear. It may also be useful information for doctors eager to avoid medico-legal disputes.”

Should Doctors Treat Lack of Exercise as a Medical Condition? Expert Says ‘Yes’ (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 13, 2012) — A sedentary lifestyle is a common cause of obesity, and excessive body weight and fat in turn are considered catalysts for diabetes, high blood pressure, joint damage and other serious health problems. But what if lack of exercise itself were treated as a medical condition? Mayo Clinic physiologist Michael Joyner, M.D., argues that it should be. His commentary is published this month in The Journal of Physiology.

Physical inactivity affects the health not only of many obese patients, but also people of normal weight, such as workers with desk jobs, patients immobilized for long periods after injuries or surgery, and women on extended bed rest during pregnancies, among others, Dr. Joyner says. Prolonged lack of exercise can cause the body to become deconditioned, with wide-ranging structural and metabolic changes: the heart rate may rise excessively during physical activity, bones and muscles atrophy, physical endurance wane, and blood volume decline.

When deconditioned people try to exercise, they may tire quickly and experience dizziness or other discomfort, then give up trying to exercise and find the problem gets worse rather than better.

“I would argue that physical inactivity is the root cause of many of the common problems that we have,” Dr. Joyner says. “If we were to medicalize it, we could then develop a way, just like we’ve done for addiction, cigarettes and other things, to give people treatments, and lifelong treatments, that focus on behavioral modifications and physical activity. And then we can take public health measures, like we did for smoking, drunken driving and other things, to limit physical inactivity and promote physical activity.”

Several chronic medical conditions are associated with poor capacity to exercise, including fibromyalgia, chronic fatigue syndrome and postural orthostatic tachycardia syndrome, better known as POTS, a syndrome marked by an excessive heart rate and flu-like symptoms when standing or a given level of exercise. Too often, medication rather than progressive exercise is prescribed, Dr. Joyner says.

Texas Health Presbyterian Hospital Dallas and University of Texas Southwestern Medical Center researchers found that three months of exercise training can reverse or improve many POTS symptoms, Dr. Joyner notes. That study offers hope for such patients and shows that physicians should consider prescribing carefully monitored exercise before medication, he says.

If physical inactivity were treated as a medical condition itself rather than simply a cause or byproduct of other medical conditions, physicians may become more aware of the value of prescribing supported exercise, and more formal rehabilitation programs that include cognitive and behavioral therapy would develop, Dr. Joyner says.

For those who have been sedentary and are trying to get into exercise, Dr. Joyner advises doing it slowly and progressively.

“You just don’t jump right back into it and try to train for a marathon,” he says. “Start off with achievable goals and do it in small bites.”

There’s no need to join a gym or get a personal trainer: build as much activity as possible into daily life. Even walking just 10 minutes three times a day can go a long way toward working up to the 150 minutes a week of moderate physical activity the typical adult needs, Dr. Joyner says.

Deeply Held Religious Beliefs Prompting Sick Kids to Be Given ‘Futile’ Treatment (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 13, 2012) — Parental hopes of a “miraculous intervention,” prompted by deeply held religious beliefs, are leading to very sick children being subjected to futile care and needless suffering, suggests a small study in the Journal of Medical Ethics.

The authors, who comprise children’s intensive care doctors and a hospital chaplain, emphasise that religious beliefs provide vital support to many parents whose children are seriously ill, as well as to the staff who care for them.

But they have become concerned that deeply held beliefs are increasingly leading parents to insist on the continuation of aggressive treatment that ultimately is not in the best interests of the sick child.

It is time to review the current ethics and legality of these cases, they say.

They base their conclusions on a review of 203 cases which involved end of life decisions over a three year period.

In 186 of these cases, agreement was reached between the parents and healthcare professionals about withdrawing aggressive, but ultimately futile, treatment.

But in the remaining 17 cases, extended discussions with the medical team and local support had failed to resolve differences of opinion with the parents over the best way to continue to care for the very sick child in question.

The parents had insisted on continuing full active medical treatment, while doctors had advocated withdrawing or withholding further intensive care on the basis of the overwhelming medical evidence.

The cases in which withdrawal or withholding of intensive care was considered to be in the child’s best interests were consistent with the Royal College of Paediatrics and Child Health guidance.

Eleven of these cases (65%) involved directly expressed religious claims that intensive care should not be stopped because of the expectation of divine intervention and a complete cure, together with the conviction that the opinion of the medical team was overly pessimistic and wrong.

Various different faiths were represented among the parents, including Christian fundamentalism, Islam, Judaism, and Roman Catholicism.

Five of the 11 cases were resolved after meeting with the relevant religious leaders outside the hospital, and intensive care was withdrawn in a further case after a High Court order.

But five cases were not resolved, so intensive care was continued. Four of these children eventually died; one survived with profound neurological disability.

Six of the 17 cases in which religious belief was not a cited factor, were all resolved without further recourse to legal, ethical, or socio-religious support. Intensive care was withdrawn in all these children, five of whom died and one of whom survived, but with profound neurological disability.

The authors emphasise that parental reluctance to allow treatment to be withdrawn is “completely understandable as [they] are defenders of their children’s rights, and indeed life.”

But they argue that when children are too young to be able to actively subscribe to their parents’ religious beliefs, a default position in which parental religion is not the determining factor might be more appropriate.

They cite Article 3 of the Human Rights Act, which aims to ensure that no one is subjected to torture or inhumane or degrading treatment or punishment.

“Spending a lifetime attached to a mechanical ventilator, having every bodily function supervised and sanitised by a carer or relative, leaving no dignity or privacy to the child and then adult, has been argued as inhumane,” they argue.

And they conclude: “We suggest it is time to reconsider current ethical and legal structures and facilitate rapid default access to courts in such situations when the best interests of the child are compromised in expectation of the miraculous.”

In an accompanying commentary, the journal’s editor, Professor Julian Savulescu, advocates: “Treatment limitation decisions are best made, not in the alleged interests of patients, but on distributive justice grounds.”

In a publicly funded system with limited resources, these should be given to those whose lives could be saved rather than to those who are very unlikely to survive, he argues.

“Faced with the choice between providing an intensive care bed to a [severely brain damaged] child and one who has been at school and was hit by a cricket ball and will return to normal life, we should provide the bed to the child hit by the cricket ball,” he writes.

In further commentaries, Dr Steve Clarke of the Institute for Science and Ethics maintains that doctors should engage with devout parents on their own terms.

“Devout parents, who are hoping for a miracle, may be able to be persuaded, by the lights of their own personal…religious beliefs, that waiting indefinite periods of time for a miracle to occur while a child is suffering, and while scarce medical equipment is being denied to other children, is not the right thing to do,” he writes.

Leading ethicist, Dr Mark Sheehan, argues that these ethical dilemmas are not confined to fervent religious belief, and to polarise the issue as medicine versus religion is unproductive, and something of a “red herring.”

Referring to the title of the paper, Charles Foster, of the University of Oxford, suggests that the authors have asked the wrong question. “The legal and ethical orthodoxy is that no beliefs, religious or secular, should be allowed to stonewall the best interests of the child,” he writes.

Sobre as bombas fabricadas no Brasil, e as tentativas de regulação do comércio mundial de armas (FSP)

Folha de S.Paulo – 25/07/2012 – 03h00

Matias Spektor

Armas do Brasil

Negocia-se esta semana na ONU um Tratado de Comércio de Armas. É a primeira tentativa de regulação do lucrativo mercado global de armamentos.

O texto ora negociado afeta em cheio os interesses do Brasil emergente. Trata-se de uma área em que campeões da indústria estão em franca via de internacionalização. Além das gigantescas Embraer e Odebrecht, existe a Taurus, maior fabricante mundial de armas curtas. Exporta para 44 países, detém 20% do mercado de pistolas nos Estados Unidos e espera um lucro bruto para este ano de R$150 milhões de reais. Ainda entram na lista Avibrás (veículos não-tripulados e foguetes), Mectron (mísseis), Helibrás (helicópteros) e Companhia Brasileira de Cartuchos (munições). A Condor vende 100 produtos de “tecnologias não-letais”.

Essas empresas preferem um tratado minimalista. Não querem explicar publicamente suas vendas nem revelar a lista de clientes. Tampouco enfrentar questionamentos caso suas armas sejam utilizadas para desestabilizar uma região, violar direitos humanos, fomentar o crime transnacional e o terrorismo, ou atrapalhar o combate à pobreza. Isso é compreensível – elas querem fazer negócio.

Assim, o governo brasileiro trabalha para deixar o tratado livre de mecanismos intrusivos. Nem precisa fazer força para isso – há muitos países dispostos a fazê-lo em seu lugar. Irã, Síria, Cuba, Venezuela e Paquistão têm a dianteira. A Índia joga no mesmo time; muitas vezes, os Estados Unidos também. Na sexta-feira, estará provavelmente garantido o triunfo total da posição brasileira.

Em Brasília fomenta-se o êxito dessas indústrias, que geram divisas e empregam milhares de pessoas em áreas de alta tecnologia. Daí a lei de março passado, que outorga crédito fácil e isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI.

Ninguém no governo questionou a Avibrás por vender 18 sistemas de “bombas cluster” para a Malásia, a Mectron por seus 100 mísseis anti-radar para o Paquistão ou a Condor por sua exportação de gás lacrimogêneo para a Síria de Bashar al-Assad. O tema simplesmente não está na agenda, e todos os incentivos de hoje apontam para mais do mesmo.

Entretanto, há uma pequena ameaça no horizonte. Grandes indústrias de armamento europeias e americanas começaram a ajustar sua posição. Como elas enfrentam controles cada vez mais estreitos para suas exportações, buscam meios de moldar o novo ambiente regulatório em benefício próprio.

Segundo elas, um tratado internacional decente seria bom para quem quer ganhar dinheiro. Criaria um controle de qualidade parecido à ISO, padronização de produtos comandada pelo setor privado que facilita a abertura de mercados.

Também estabeleceria códigos de conduta comuns, algo valioso em mercados cheios de clientes de caráter duvidoso, onde uma venda inapropriada pode ferir o interesse de acionistas e macular a reputação das empresas e de países.

Se essas regras pegarem e nossa indústria continuar apostando contra a transparência, todos perdem. Sobretudo o cidadão brasileiro, que é obrigado a custear um negócio sobre o qual ninguém o consultou.

 

Elio Gaspari

De SaddamHussein@org para Dilma@gov

Estimada presidente Dilma Rousseff,

Outro dia jantei com o Che Guevara e o Laurent Kabila, aquele presidente do Congo que foi assassinado em 2001. A senhora deve se recordar que o Che andou pela África e deu-se mal.

No meio da conversa Che perguntou-lhe se era verdade que em 2001 o Robert Mugabe, o soba do Zimbábue, tinha ajudado sua facção na guerra civil congolesa repassando-lhe bombas incendiárias e de fragmentação fabricadas no Brasil. Ele desconversou. O Che ficou perplexo, imaginou Lula vendendo esse tipo de armas para africanos. São bombas que incendiam a mata ou, ao explodir, soltam dezenas de milhares de esferas de aço. Destinam-se a matar indiscriminadamente combatentes e civis. Como um jornalista chamado Rubens Valente achou um pedaço dessa história, resolvi escrever-lhe, pois não quebrarei o sigilo do que se aprende por aqui. Ele contou que o Brasil vendeu 726 bombas ao Mugabe. Faturou US$ 5,8 milhões para matar africanos miseráveis. Eles morreriam nas rebeliões congolesas ou no próprio Zimbábue. Dias depois o Che me procurou, explicando que o negócio não foi feito pelo Lula, mas por Fernando Henrique Cardoso. Estava de alma leve, mas esse Guevara é um sonhador. Ele não sabe das coisas do mundo.

Eu sei, presidente Dilma, e sei que a senhora está abrindo o cofre do BNDES para o que acha que será o reerguimento da indústria bélica brasileira. Sete grandes empreiteiras já se habilitaram num programa de incentivos e, novamente, a Federação das Indústrias de São Paulo alavanca o projeto. No varejo, já se acharam bombas de gás lacrimogênio brasileiras no Bahrein e na Turquia (jogadas contra refugiados sírios).

Isso vai acabar mal. Eu vi como acabou a última iniciativa do gênero, ocorrida entre os anos 70 e 80. Os brasileiros viraram piada. Nós trocaríamos petróleo por armas e compramos blindados leves e algumas baterias de foguetes. A senhora acredita que em 1979 um industrial paulista foi a Bagdá e ofereceu tecnologia nuclear para a minha bomba atômica? Eu disse a um embaixador brasileiro que o moço não devia vender o que não tinha. Quase dois anos depois vocês voltaram a mesma história, mais um míssil capaz de transportar a bomba. Deu em nada, até porque os sionistas bombardearam meu reator e deram um tranco num poderoso general brasileiro. O Muammar Gaddafi me contou que o mesmo paulista vendia-lhe blindados e queria fabricar um tanque, acho que se chamava Osório, financiado pelos sauditas. O “reis dos reis” sabia que, se a casa de Saud financiasse uma arma, seria para matá-lo. Procure saber quanto essa operação custou. Durante minha guerra com o Irã vocês me ofereciam blindados e queriam vender metralhadores para o aiatolá. Pode? A única vítima dessas aventuras foi um jornalista brasileiro. Ele se chamava Alexandre von Baumgarten. Falou demais a respeito de uma pasta de urânio que nós compramos em 1981. No ano seguinte foi passear de barco, encontrou uma lancha com amigos, convidou-os para um copo e foram metralhados. Ele, a mulher e o barqueiro.

O homem da bomba faliu, e vocês tomaram um calote de US$ 200 milhões.

Respeitosamente,

Saddam Hussein.

 

24/07/2012 – 03h00
Janio de Freitas

A transparência opaca

A presidente Dilma Rousseff está sob o risco iminente de perder o direito moral de cobrar transparência, como princípio e exigência do seu governo, a quem quer que seja. O Brasil faz uso, neste momento, de uma falácia primária para opor-se, em reunião da ONU, a um acordo que estabeleça transparência nas exportações de armas.

A política externa proclamada pelo governo, e fiel ao que se entende como índole brasileira, é contrária a confrontos armados entre nações ou como solução de dissensões internas. Logo, não pode favorecer a realidade de que a busca dos altos lucros da exportação sigilosa de armas, além de ser o sustentáculo de ditaduras sanguinárias, está na raiz das matanças de populações civis, condenadas pelo Brasil –na europeia Bósnia, no Oriente Médio, nas infindáveis guerras da África, na Ásia, agora mesmo na Síria.

O argumento do governo brasileiro na reunião da ONU, destinada a tentar um Tratado sobre Comércio de Armas, foi transcrito, no essencial, pelo repórter Rubens Valente (Folha de domingo): a transparência das exportações de armas “poderia expor os recursos e a capacidade dos países […] de sustentar um conflito prolongado”.

Mas a capacidade bélica de um país depende do seu arsenal e da relação entre qualidade e quantidade de suas tropas. Um grande exportador pode ter arsenal insignificante, dando prioridade aos lucros do comércio legal ou não, e descuidar daquela relação.

Da mesma maneira, baixa ou nenhuma exportação não significa que um país não produza armas e não tenha Forças Armadas bem equipadas e preparadas. E ainda há os que têm “capacidade de sustentar um conflito prolongado” com armamento importado às claras, o que parece ser o caso, na América do Sul, da Venezuela, por exemplo.

O argumento brasileiro é falso. Porque infundado e porque adotado para esconder o fato de que o Brasil exportador de armas está envolvido em monstruosidades que finge condenar. O trabalho excelente de Rubens Valente revela que o governo de Fernando Henrique Cardoso autorizou a produção e venda de bombas de fragmentação ao Zimbábue do ditador Robert Mugabe.

Ou seja, a uma ditadura sanguinária, conduzida por ideias psicopáticas como a da necessidade de exterminar os brancos, remanescentes da antiga Rodésia. E ainda algumas das tribos locais.

As bombas de fragmentação são proibidas por acordo internacional: não têm alvo preciso, desabrocham no ar em milhares de bolas de aço que atingem a população civil em áreas imensas. Israel foi acusado de lançar tais bombas sobre a população palestina de Gaza, e, se o fez, o acusado de produzir e exportar as bombas foi o Brasil. Cujo governo posou de contrário aos ataques à população palestina.

Os mutilados por pisar inadvertidamente em mina camuflada, resto de algum conflito estúpido, compõem uma tragédia africana que tem comovido o mundo. Crianças, em geral, esses mutilados são os que escapam da mortandade feita pelas minas deixadas no chão de vários países. Em grande parte das minas recuperadas, graças sobretudo a entidades de benemerência europeias, está preservada a inscrição: “Made in Brazil”.

Podemos ostentar um orgulho internacional: nós também temos nossos criminosos de guerra. Gente que não escaparia no Tribunal Penal Internacional de Haia, por fomentar a morte de populações civis inocentes, e com isso lucrar fortunas.

É a esse Brasil opaco que a falta de transparência dá proteção. Como sua continuidade permitirá que a Rússia arme Bashar al Assad, e os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, e o Brasil também, façam o mesmo pelo mundo todo.

22/07/2012 – 05h15

Brasil se opõe a “transparência total” em debate de armas na ONU

RUBENS VALENTE

DE BRASÍLIA

Em declaração escrita apresentada à ONU, o Brasil atacou “a transparência absoluta” no tema da exportação de armas. Representantes de 193 países participam de uma negociação na sede da ONU, em Nova York, até o próximo dia 27, para tentar estabelecer um inédito Tratado de Comércio de Armas.

Segundo a declaração brasileira, de 2 de julho e apresentada no encontro pelo representante nas negociações, embaixador Antonio Guerreiro, o acesso livre “poderia expor os recursos e as capacidades dos países […] de sustentar um conflito prolongado”.

“Obrigações relativas a relatórios e transparência deverão ser tratadas com os necessários bom senso e precaução”, diz o texto.

Daniel Mack, coordenador de Políticas de Controle de Armas do Instituto Sou da Paz, de São Paulo, que acompanha as negociações sobre o tratado, classificou a preocupação como “anacrônica”.

“Transparência é o ‘calcanhar de Aquiles’ da posição brasileira, o que não deixa de ser altamente irônico e contraditório, considerando a nova Lei de Acesso à Informação. […] Dos maiores exportadores, o Brasil tem a pior transparência, não só em relação aos países europeus e aos EUA, mas também em comparação com a África do Sul e a Sérvia”, disse Mack.

RASTREABILIDADE

Embora avesso à transparência nas exportações, o Brasil quer dar o exemplo no tema da rastreabilidade das munições e armas, aspecto elogiado por Mack.

O país afirma que a indústria nacional já consegue fazer marcações a laser de armas e munições, à prova de raspagem, de forma a possibilitar a imediata identificação do fabricante e do destinatário final do produto.

A medida poderia coibir desvios de armamentos e ajudar a apurar crimes contra direitos humanos.

Na declaração, o Brasil diz ser preciso um esforço internacional conjunto para prevenir, combater e erradicar o contrabando de armas.

 

Brasil vendeu bombas condenadas a ditador do Zimbábue

RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

Documentos inéditos sobre a exportação de material bélico brasileiro, um dos segredos militares mais bem guardados pelo país, revelam que o Brasil vendeu ao ditador Robert Mugabe, do Zimbábue, um tipo de bomba condenada pela comunidade internacional.

Após negar duas vezes um pedido da Folha com base na Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Defesa voltou atrás e liberou 1.572 páginas de documentos secretos.

São registros de 204 operações de exportação de armas e munição, no total de US$ 315 milhões, de janeiro de 2001 a maio de 2002, os mais recentes disponibilizados. Os papéis, diz a pasta, manterão sigilo de no mínimo dez anos.

É a primeira vez que o órgão libera o acesso a documentos do gênero.

Entre os registros está a revelação de que o Brasil vendeu ao Zimbábue, em agosto de 2001, US$ 5,8 milhões em bombas de fragmentação e incendiárias.

Foram vendidas 340 bombas completas, além de componentes para a montagem de outras 426 bombas de fragmentação e 605 incendiárias.

Na época da aquisição, Mugabe, no poder desde 1980, era acusado de ajudar uma guerra no vizinho Congo e enfrentava distúrbios na zona rural do país, com a morte de fazendeiros brancos.

A venda pelo Brasil das bombas de fragmentação era uma antiga suspeita de ONGs que monitoram o uso dessas munições, conhecidas como “de dispersão”.

A bomba é assim chamada porque, ao ser detonada, espalha de 14 mil a 120 mil esferas de aço, a depender do modelo, que podem atingir indistintamente combatentes e população civil.

As esferas de bombas maiores podem se espalhar por área equivalente a sete campos de futebol.

Em 2008, mais de cem países assinaram convenção que veta a fabricação e venda do tipo de bomba. Brasil, EUA e Rússia, dentre outros, recusaram-se. “A transparência do Brasil na matéria é historicamente muito ruim”, diz Cristian Wittmann, de uma coalizão de ONGs contra esse tipo de munição.

O diretor de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, o general de brigada Aderico Mattioli, disse que muitas vendas “chamam a atenção” por indicarem munição pesada, mas podem estar relacionadas a treinamento de militares. “É uma munição, diga-se de passagem, de um material antigo”, disse.

RANKING

Os dados obtidos pela Folha eram desconhecidos por ONGs que estudam o comércio de armas. No ranking do Sipri (Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre a Paz), uma referência no tema, o Brasil aparece em 2001 no 46º lugar, o último, ao lado de países que não venderam material bélico.

Eles revelam a venda total de US$ 287,4 milhões em 2001, o que projetaria o Brasil para a décima posição no ranking liderado pelos EUA, que venderam US$ 6 bilhões.

A Sipri cita que o Brasil vendeu US$ 26 milhões em 2002, menos que as vendas de apenas quatro meses daquele ano: US$ 27,6 milhões.

What was he thinking? Study turns to ape intellect (AP)

By SETH BORENSTEIN-Associated Press Sunday, June 24, 2012

WASHINGTON (AP) – The more we study animals, the less special we seem.

Baboons can distinguish between written words and gibberish. Monkeys seem to be able to do multiplication. Apes can delay instant gratification longer than a human child can. They plan ahead. They make war and peace. They show empathy. They share.

“It’s not a question of whether they think _ it’s how they think,” says Duke University scientist Brian Hare. Now scientists wonder if apes are capable of thinking about what other apes are thinking.

The evidence that animals are more intelligent and more social than we thought seems to grow each year, especially when it comes to primates. It’s an increasingly hot scientific field with the number of ape and monkey cognition studies doubling in recent years, often with better technology and neuroscience paving the way to unusual discoveries.

This month scientists mapping the DNA of the bonobo ape found that, like the chimp, bonobos are only 1.3 percent different from humans.

Says Josep Call, director of the primate research center at the Max Planck Institute in Germany: “Every year we discover things that we thought they could not do.”

Call says one of his recent more surprising studies showed that apes can set goals and follow through with them.

Orangutans and bonobos in a zoo were offered eight possible tools _ two of which would help them get at some food. At times when they chose the proper tool, researchers moved the apes to a different area before they could get the food, and then kept them waiting as much as 14 hours. In nearly every case, when the apes realized they were being moved, they took their tool with them so they could use it to get food the next day, remembering that even after sleeping. The goal and series of tasks didn’t leave the apes’ minds.

Call says this is similar to a person packing luggage a day before a trip: “For humans it’s such a central ability, it’s so important.”

For a few years, scientists have watched chimpanzees in zoos collect and store rocks as weapons for later use. In May, a study found they even add deception to the mix. They created haystacks to conceal their stash of stones from opponents, just like nations do with bombs.

Hare points to studies where competing chimpanzees enter an arena where one bit of food is hidden from view for only one chimp. The chimp that can see the hidden food, quickly learns that his foe can’t see it and uses that to his advantage, displaying the ability to perceive another ape’s situation. That’s a trait humans develop as toddlers, but something we thought other animals never got, Hare said.

And then there is the amazing monkey memory.

At the National Zoo in Washington, humans who try to match their recall skills with an orangutan’s are humbled. Zoo associate director Don Moore says: “I’ve got a Ph.D., for God’s sake, you would think I could out-think an orang and I can’t.”

In French research, at least two baboons kept memorizing so many pictures _ several thousand _ that after three years researchers ran out of time before the baboons reached their limit. Researcher Joel Fagot at the French National Center for Scientific Research figured they could memorize at least 10,000 and probably more.

And a chimp in Japan named Ayumu who sees strings of numbers flash on a screen for a split-second regularly beats humans at accurately duplicating the lineup. He’s a YouTube sensation, along with orangutans in a Miami zoo that use iPads.

Ética para uma civilização ecológica (IPS)

Envolverde Rio + 20
13/6/2012 – 10h11

por Suvendrini Kakuchi, da IPS

Slide31 Ética para uma civilização ecológicaTóquio, Japão, 13/6/2012 – Ecologistas japoneses promovem o conceito de ética como forma de exercer pressão na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontecerá na próxima semana no Rio de Janeiro. O enfoque tem o objetivo de promover a responsabilidade ambiental. “A ética ambiental se baseia no conceito de que as pessoas assumam sua responsabilidade na preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. Ao destacar este aspecto, procuramos combater o lugar prioritário do crescimento econômico, que conspirou contra cúpulas anteriores”, afirmou Ryoichi Yamamoto, especialista em desenvolvimento e professor da Universidade de Tóquio.

Na Rio+20 será negociada a transição para uma economia verde como forma de preservar o ar, a terra e a biodiversidade do planeta. Os ativistas temem que o debate sobre o futuro do planeta volte a ter uma forte ênfase no uso de tecnologias para combater a contaminação e a exploração dos recursos naturais, e assim favorecer o crescimento econômico, como ocorreu desde que o desenvolvimento sustentável passou a ser um tema global, em 1992.

Esse enfoque não garantiu uma adequada proteção dos recursos naturais nem dos ecossistemas delicados, segundo ativistas. Por exemplo, mais de cem países entraram em acordo sobre o objetivo ambicioso de manter o aquecimento global abaixo de dois graus, colocando limites às emissões contaminantes de cem bilhões de toneladas de dióxido de carbono até 2050. Contudo, ao que parece, é impossível cumprir a meta.

Numerosos estudos indicam que já foi emitido um terço da cota permitida nos últimos nove anos no planeta, especialmente desde que grandes economias, como China e Índia, passaram a ser grandes contaminadoras. Além disso, apesar do crescimento econômico superior a 8% em países como estes dois, a brecha entre ricos e pobres aumenta. O Índice de Desenvolvimento Humano, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), diz que a expectativa de vida, o analfabetismo e a mortalidade infantil são quase sete vezes maiores nos pequenos povoados da China do que nas grandes cidades.

Para fazer frente a essa tendência alarmante, Yamamoto lidera uma campanha para criar o Grupo de Ética para uma Civilização Ecológica, como agência especial da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa busca fortalecer o contexto institucional do desenvolvimento sustentável mediante a colaboração entre ciência, cultura e religião. Excelentes pesquisas científicas, que avaliam desde a vulnerabilidade dos ecossistemas até o crescimento econômico, oferecem amplo conhecimento para incidir nas decisões políticas, destacou Yamamoto à IPS.

“Entretanto, o que falta é um desenvolvimento sustentável baseado na perspectiva de uma civilização ecológica, que possa existir em harmonia com os sistemas naturais”, acrescentou Yamamoto. A proposta de um enfoque ético para encontrar soluções na Rio+20 ganhou força no Japão depois da catástrofe nuclear de 2011. “O desastre levou à revisão do êxito econômico desse país. Apesar do grande crescimento do pós-guerra, o ocorrido foi uma dura lição sobre a vulnerabilidade dos materiais enriquecidos e convenceu a população de que a proteção do meio ambiente não pode ficar em segundo lugar”, ressaltou.

O apoio público à energia nuclear diminuiu drasticamente, e quase 70% da população se opõem a recuperar os reatores, apesar de até o desastre do ano passado ser considerada o eixo do desenvolvimento neste país de poucos recursos. As pesquisas de opinião indicam que nem mesmo a ameaça de escassez de energia durante o verão fez com que a população deixasse de ser contra a energia nuclear.

Há cinco anos, Teruyuki Matsushita inaugurou o Clube Donguri, uma pequena organização dedicada a conscientizar sobre o papel da floresta no município de Mihama, onde também há três reatores nucleares. “Meu trabalho contra a energia atômica traz um grande desafio, e para conseguir apoio público tive que demonstrar que a selva pode oferecer emprego que fomenta um desenvolvimento sustentável. Por isto, comecei o Clube Donguri, educamos as pessoas e ganhamos a vida com o corte e a venda de produtos como flores”, explicou Matsushita à IPS.

Como mais da metade da população mundial trabalha na agricultura, Takumo Yamada, da Oxfam Tóquio, destacou que a Rio+20 é uma plataforma crucial para discutir alternativas para um sistema no qual as corporações multinacionais fixam a agenda que afeta milhões de agricultores nos países em desenvolvimento. “O discurso no Rio de Janeiro não deverá estar dominado por empresas ricas que mostram produtos de alta tecnologia como solução para os governos que querem erradicar a pobreza e lidar com os problemas de energia”, afirmou à IPS. “Deve haver uma mudança de modelo na forma de pensar na Rio+20. Devemos trabalhar no âmbito global para conseguir justiça ambiental e objetivos de igualdade e sustentabilidade”, concluiu.

Envolverde/IPS

Anthropologists Consider a New Code of Ethics (The Chronicle of Higher Education)

November 20, 2011

By Dan Berrett

Today’s anthropologists are apt to work far away from the unspoiled villages that brought fame to the discipline’s early practitioners.

Instead, they might be in a hospital room observing patients, at a construction site gauging its archaeological significance, or in a corporate office examining organizational behavior, among other scenarios.

Those diverse contexts may explain why it has proved to be no easy job for anthropologists to create a new set of ethical guidelines. After three years spent seeking opinion and working on new guidelines, the American Anthropological Association is moving toward changes that some in the discipline fear will water down anthropologists’ obligations to the people they study.

“Dealing with ethics codes is complicated,” said David H. Price, a member of the committee charged with revising the guidelines. The word was echoed last week by fellow committee members at a panel on ethics at the association’s annual meeting here. Basic ethical principles might seem clear at the outset, but then point to different courses of action depending on the context, said Mr. Price, a professor at Saint Martin’s University, in Washington. “You can start with something simple, like ‘Do no harm,'” he said, and then find yourself hamstrung if those guidelines are written too specifically ­— or lost at sea if they are too vague.

One of the most notable changes in the proposed new code was to remove what many anthropologists call the “prime directive.”

The previous code, which dates to 1998 (though incremental changes have been made since then), told anthropologists that they “have primary ethical obligations to the people, species, and materials they study and to the people with whom they work.”

By many accounts, that directive has meant that an anthropologist’s obligation to his or her research subject can eclipse the goal of acquiring new knowledge. In other words, if research goes against the interests of subjects, then that research ought to be stopped.

The newer version, which the association’s executive board accepted for review at this year’s meeting but did not formally adopt, is more nuanced. It explains that the primary ethical obligation is “to avoid doing harm to the lives, communities, or environments” that anthropologists study.

The shift struck some as important. At other sessions during the annual meeting, several speakers and audience members said they held themselves to a different standard. It was not enough to keep from hurting their subjects. They should advocate for them.

The new code may do little to change that sense of obligation. It persists, in part, because of the assumption that an anthropologist is still that lone researcher closely observing a vulnerable tribe in a remote area, some on the committee said.

“That pure anthropology maybe never existed,” said Dena K. Plemmons, chair of the committee and a research ethicist at the University of California at San Diego. “Our subjects are tremendously diverse and we have diverse responsibilities.”

For example, Simon J. Craddock Lee, an assistant professor of medical anthropology at the University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas, said his subjects are “well-paid cancer surgeons who give care to disenfranchised people.”

He has obligations to both groups, he said. “If my subjects are doctors, how do I balance my obligations to the people who are truly vulnerable?”

One audience member suggested that his chief loyalty should be to the person or group who is most at risk of harm among those being studied.

While that might seem straightforward, Mr. Lee replied, everyone—including the poor and vulnerable—has an agenda.

“We can’t assume there’s a David-and-Goliath relationship,” he said. “It’s not clean enough to say you can sort the good sheep from the goats.”

Ethics, or Politics?

The question of clandestine research offered another case in which a seemingly simple principle can become complicated when applied to field work. To some, discouraging clandestine research meant that an anthropologist should never deceive subjects and should always share his or her work publicly.

But Laura A. McNamara, an anthropologist who works for the U.S. Department of Energy’s Sandia National Laboratories, disagreed, saying that some anthropologists study classified information; they cannot make their findings public.

Even deceit can have its place, she added. Nancy Scheper-Hughes, a professor of medical anthropology at the University of California at Berkeley, for example, did research that exposed the organ-trafficking trade. Her work never would have been made public if she had believed that her primary obligation was to her subjects, who were, after all, organ traffickers.

The real problem, Ms. McNamara and her fellow committee members agreed, is not when research is clandestine, but when it is “compartmentalized,” which means a researcher may not know who is using or financing the research, or what the implications will be.

“There is no way you can communicate an informed perspective,” she said.

How anthropologists wield ethical guidelines also came up for scrutiny. Anthropologists push most fervently to revise their ethics when they disagree with the politics underlying controversial research, several speakers noted.

“We go to high Sturm und Drang” about ethics, Ms. McNamara said, when political objections arise about who is doing anthropological research for whom—especially when it’s for the government, corporations, or the rich and powerful. “Ethics becomes conflated with politics in ways that I find profoundly distressing,” she said.

Some anthropologists pushed to revise the ethics code in 2007, said Ms. Plemmons, when acontroversy erupted over the Human Terrain System, a program that embedded anthropologists with United States military units. The association’s executive board disapproved of anthropologists’ involvement in the act of making war, calling it “an unacceptable application of anthropological expertise” which should, instead, serve “the humane causes of global peace and social justice.”

Education and Punishment

Committee members said they also heard from anthropologists who wanted an ethics code that could be enforced. That way, anthropologists who act badly could be punished or cast out of the discipline.

The association once held the power to adjudicate claims of ethical breaches, Mr. Price said. But when he reviewed records of the association’s work from that period, he saw that most claims involved what he called “sleaziness,” or cases in which professors harassed students or took credit for their research. While unethical, those breaches were not specific to anthropology and needed no separate code beyond those that already exist, he said.

Assuming responsibility for adjudicating ethical disputes presented another set of problems, said several speakers. It would mean a new mission and structure for the association, which would have to hire investigators to police wrongdoing and claim the power to credential who gets to call him- or herself an anthropologist. Many times, such complaints can be handled through an institutional review board or a university.

The association has seen first-hand how difficult such investigations can be. In 2001 and 2002, it probed claims of wrongdoing and ethical malpractice against anthropologists and geneticists in the Amazon in the 1960s. The association later published a report finding fault with some of the scholars’ conduct in what became known as the Darkness in El Dorado controversy (after a journalist’s account by that name), only to rescind its own report in 2005.

Besides, the ethics committee surveyed members and learned that most anthropologists are not all that interested in using ethical guidelines as a means to punish each other. What most anthropologists wanted, they said, was some form of general guidance, an educational tool to train future anthropologists.

Questioning Privacy Protections in Research (New York Times)

Dr. John Cutler, center, during the Tuskegee syphilis experiment. Abuses in that study led to ethics rules for researchers. Coto Report

By PATRICIA COHEN
Published: October 23, 2011

Hoping to protect privacy in an age when a fingernail clipping can reveal a person’s identity, federal officials are planning to overhaul the rules that regulate research involving human subjects. But critics outside the biomedical arena warn that the proposed revisions may unintentionally create a more serious problem: sealing off vast collections of publicly available information from inspection, including census data, market research, oral histories and labor statistics.

Organizations that represent tens of thousands of scholars in the humanities and social sciences are scrambling to register their concerns before the Wednesday deadline for public comment on the proposals.

The rules were initially created in the 1970s after shocking revelations that poor African-American men infected with syphilis in Tuskegee, Ala., were left untreated by the United States Public Health Service so that doctors could study the course of the disease. Now every institution that receives money from any one of 18 federal agencies must create an ethics panel, called an institutional review board, or I.R.B.

More than 5,875 boards have to sign off on research involving human participants to ensure that subjects are fully informed, that their physical and emotional health is protected, and that their privacy is respected. Although only projects with federal financing are covered by what is known as the Common Rule, many institutions routinely subject all research with a human factor to review.

The changes in the ethical guidelines — the first comprehensive revisions in more than 30 years — were prompted by a surge of health-related research and technological advances.

Researchers in the humanities and social sciences are pleased that the reforms would address repeated complaints that medically oriented regulations have choked off research in their fields with irrelevant and cumbersome requirements. But they were dismayed to discover that the desire to protect individuals’ privacy in the genomics age resulted in rules that they say could also restrict access to basic data, like public-opinion polls.

Jerry Menikoff, director of the federal Office for Human Research Protections, which oversees the Common Rule, cautions that any alarm is premature, saying that federal officials do not intend to pose tougher restrictions on information that is already public. “If the technical rules end up doing that, we’ll try to come up with a result that’s appropriate,” he said.

Critics welcomed the assurance but remained skeptical. Zachary Schrag, a historian at George Mason University who wrote a book about the review process, said, “For decades, scholars in the social sciences and humanities have suffered because of rules that were well intended but poorly considered and drafted and whose unintended consequences restricted research.”

The American Historical Association, with 15,000 members, and the Oral History Association, with 900 members, warn that under the proposed revisions, for example, new revelations that Public Health Service doctors deliberately infected Guatemalan prisoners, soldiers and mental patients with syphilis in the 1940s might never have come to light. The abuses were uncovered by a historian who by chance came across notes in the archives of the University of Pittsburgh. That kind of undirected research could be forbidden under guidelines designed to prevent “data collected for one purpose” from being “used for a new purpose to which the subjects never consented,” said Linda Shopes, who helped draft the historians’ statement.

The suggested changes, she said, “really threaten access to information in a democratic society.”

Numerous organizations including the Consortium of Social Science Associations, which represents dozens of colleges, universities and research centers, expressed particular concern that the new standards might be modeled on federal privacy rules relating to health insurance and restrict use of the broadest of identifying information, like a person’s ZIP code, county or city.

The 11,000-member American Anthropological Association declared in a statement that any process that is based on the health insurance act’s privacy protections “would be disastrous for social and humanities research.” The 45,000-member American Association of University Professors warned that such restrictions “threaten mayhem” and “render impossible a great deal of social-science research, ranging from ethnographic community studies to demographic analysis that relies on census tracts to traffic models based on ZIP code to political polls that report by precinct.”

Dr. Menikoff said references to the statutes governing health insurance information were meant to serve as a starting point, not a blueprint. “Nothing is ruled out,” he said, though he wondered how the review system could be severed from the issue of privacy protection, as the consortium has discussed, “if the major risk for most of these studies is that you’re going to disclose information inadvertently.” If there is confidential information on a laptop, he said, requiring a password may be a reasonable requirement.

Ms. Shopes, Mr. Schrag and other critics emphasized that despite their worries they were happy with the broader effort to fix some longstanding problems with institutional review boards that held, say, an undergraduate interviewing Grandma for an oral history project to the same guidelines as a doctor doing experimental research on cancer patients.

“The system has been sliding into chaos in recent years,” said Alice Kessler-Harris, president of the 9,000-member Organization of American Historians. “No one can even agree on what is supposed to be covered in the humanities and social sciences.”

Vague rules designed to give the thousands of review boards flexibility when dealing with nonmedical subjects have instead resulted in higgledy-piggledy enforcement and layers of red tape even when no one is at risk, she said.

For example Columbia University, where Ms. Kessler-Harris teaches, exempts oral history projects from review, while boards at the University of Illinois in Urbana-Champaign and the University of California, San Diego, have raised lengthy objections to similar interview projects proposed by undergraduate and master’s students, according to professors there.

Brown University has been sued by an associate professor of education who said the institutional review board overstepped its powers by barring her from using three years’ worth of research on how the parents of Chinese-American children made use of educational testing.

Ms. Shopes said board members at one university had suggested at one point that even using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.

Many nonmedical researchers praised the idea that scholars in fields like history, literature, journalism, languages and classics who use traditional methods of research should not have to submit to board review. They would like the office of human protections to go further and lift restrictions on research that may cause participants embarrassment or emotional distress. “Our job is to hold people accountable,” Ms. Kessler-Harris said.

Dr. Menikoff said, “We want to hear all these comments.” But he maintained that when the final language is published, critics may find themselves saying, “Wow, this is reasonable stuff.”

 

This article has been revised to reflect the following correction:

Correction: October 26, 2011

An article on Monday about federal officials’ plans to overhaul privacy rules that regulate research involving human subjects, and concerns raised by scholars, paraphrased incorrectly from comments by Linda Shopes, who helped draft a statement by historians about possible changes. She said that board members at a university (which she did not name) — not board members at the University of Chicago — suggested at one point that using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.