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Crise da água amplia debate sobre reúso (Valor Econômico)

Reportagem do Valor Econômico informa que especialistas debaterão entre hoje e amanhã na USP o reúso de efluentes em diferentes aplicações

Seria importante e possível a realização de investimentos em diferentes cidades do país para que o esgoto doméstico vire água potável, segundo o professor Pedro Mancuso, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Ele diz, no entanto, que algumas iniciativas precisam vir antes do reúso, como o cumprimento do Plano de Segurança da Água, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde, para que não haja problemas de doenças com a “reciclagem” da água, além de investimentos em redes seguras de saneamento básico.

(Vanessa Jurgenfeld / Valor Econômico)

http://www.valor.com.br/brasil/3735590/crise-da-agua-amplia-debate-sobre-reuso

Se seca continuar, água acaba em novembro, admite Sabesp (O Estado de São Paulo)

Presidente da Sabesp diz que Justiça Eleitoral barrou propagandas e que não podia falar a palavra ‘seca’ e sobre gravidade da situação

A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, admitiu nesta quarta-feira, 15, que a água vai acabar na capital “em meados de novembro”, caso o regime de chuvas se mantenha baixo. Para evitar o desabastecimento generalizado, ela disse contar com o aumento das precipitações e com a segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, que nem sequer foi autorizado pela Justiça.

A matéria na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,se-seca-continuar-agua-acaba-em-novembro-admite-sabesp,1577196

(Bruno Ribeiro/ O Estado de São Paulo)

O jorro do hidronegócio (OESP)

SÉRGIO AUGUSTO – O ESTADO DE S. PAULO

11 Outubro 2014 | 16h 00

Como as irmãs do petróleo, seis empresas controlam a sua, a minha, a nossa água

DENNY CESARE/CÓDIGO19Cantareira. Água é bem essencial, não uma commodity

Se não começar a chover em abundância a partir da próxima semana, os paulistanos terão de pedir água de presente a Papai Noel. Se a chuva só cair sobre a capital e não na cabeceira dos rios que abastecem o Sistema Cantareira, 6,5 milhões de pessoas poderão ficar sem água em suas torneiras. A fonte está secando, e a culpa é menos de São Pedro que de São Paulo; ou, melhor dito, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), que subestimou os estragos que as mudanças climáticas, a poluição e a extração descontrolada de recursos hídricos vêm causando ao consumo de água, aqui e lá fora.

Revelou-se há dias que a Sabesp sabia do risco de desabastecimento no Sistema Cantareira desde 2012, mas só começou a encarar o problema oito meses atrás, quando criou aquele bônus para quem economizasse água. Em 2012, limitou-se a alertar investidores da Bolsa de Nova York para a estiagem prevista e seu impacto nas finanças da empresa. Ainda segundo o promotor público Rodrigo Sanches Garcia, a Sabesp captou mais água que o autorizado para não prejudicar, acima de tudo, o valor de suas ações. Ou seja, tratou a água como “um negócio”, não como um bem coletivo, acusou o procurador.

O Sistema Cantareira responde por 73% da receita da Sabesp, cujos gestores, aliás, não são os únicos culpados pela crise em curso. Haja vista as ações civis também impetradas contra a ANA (Agência Nacional de Águas) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), coniventes com o descaso.

Enquanto rezam para São Pedro e lamentam que Joe Btfsplk, aquele impronunciável personagem dos quadrinhos de Ferdinando que vive com um permanente cúmulo-nimbo sobre a cabeça, não possa visitar a Bacia do Rio Piracicaba, os paulistanos e seus vizinhos mais próximos podem fazer sua catarse baixando da Amazon a versão kindle de um livro esclarecedor sobre a crise da água: The Price of Thirst (O preço da sede), de Karen Piper (University of Minnesota Press, 296 págs., US$ 14,99), lançado na semana passada. Seu subtítulo (Global Water Inequality and the Coming Chaos) resume em sete palavras o caos que a má distribuição e exploração comercial da água deverão causar em escala mundial caso nada seja feito para sustar a ganância do hidronegócio.

Como o ar que respiramos, a água é um bem essencial, um direito humano, reconhecido como tal pela ONU, não uma mercadoria, uma commodity. O que não impediu que, na semana passada, um juiz tenha secado as torneiras de dezenas de milhares de residentes em Detroit sem grana para pagar a conta de água, que a Sabesp tenha demorado a repassar aos clientes o que seus acionistas já sabiam há dois anos e, pior ainda, que 20% do planeta continue sem acesso a água potável. Assegurar a todos água limpa e saneamento básico gratuitos é uma obrigação, um compromisso com a sobrevivência da humanidade. Se nada mudar, daqui a uns dez anos dois terços da população mundial terão de comprar água limpa daqueles que há tempos sacaram que a água é o petróleo do século 21.

Água é o que não falta. A Terra ainda dispõe da mesma quantidade de H²O do tempo dos dinossauros; o que mudou foi sua localização, alterada por mudanças climáticas e pela exploração do solo. Faltam sim reservatórios, açudes e aquíferos que não estejam quase exclusivamente a serviço da agricultura ou administrados por corporações internacionais, que se comportam como se explorassem minerais, madeira e energia solar.

Seria ótimo se fosse possível desviar água do Solimões para as tubulações da Grande de São Paulo. Ainda que fosse, custaria uma fortuna incalculável. Mais fácil mover as pessoas, inventar um novo urbanismo, construir prédios compactos e ecologicamente inteligentes, observa Karen Piper. Isso, porém, não faz parte da agenda do Banco Mundial e do FMI, que “vendem outros modelos de urbanização” e facilitam a prosperidade do hidronegócio, hoje comandado por corporações sem a visibilidade da Shell, Exxon, BP, Petrobrás, mas, no seu setor, igualmente poderosas e sedentas de lucro: Suez, Veolia, Thames, American Water, Bechtel e Dow Chemicals (sim, aquela mesma que fabricava bombas de napalm e agente laranja usadas na Guerra do Vietnã). Juntas controlam mais de 70% da água “privatizada”.

O New York Times cantou a pedra em 2006. “Sede dá lucro” alardeava o título de uma reportagem (“There’s money in thirst”), com informações inéditas sobre o mercado hídrico, que àquela altura já valia centenas de bilhões de dólares. “Mais promissor que a exploração de petróleo”, concluía a reportagem.

Amparada por quatro bolsas de estudo, Piper passou uma década viajando e recolhendo dados para seu livro. Viu de perto como funcionam o Conselho Mundial de Água (World Water Council) e seu fórum trienal (World Water Forum), com representantes da ONU, especialistas em desenvolvimento, ministros de minas e energia, chefes de Estado e, dominando a cena, os mandachuvas de multinacionais que exploram recursos hídricos nos cinco continentes. Os fóruns são uma espécie de Davos da água. Sempre em países diferentes, e já de algum tempo também hostilizados por um Fórum Alternativo Mundial da Água (Fame, na sigla em francês), que adotou um slogan em inglês: “Water for life, not for profit”, água é vida, não é negócio.

O primeiro fórum foi em Marrakesh, em 1997. O próximo, ano que vem, será na Coreia, e o seguinte, em 2018, em Brasília. Nada mais justo, pois o Brasil, este paraíso hídrico cuja maior cidade está ameaçada de ficar sem água no próximo ano, tem representação expressiva no World Water Council. Pelo relato de Piper, os fóruns não resolvem nada. São um blá-blá-blá pomposo, regado a champanhe e caviar. Com muita água mineral de graça para os abstêmios matarem a sede.

Dowsers in the military (Ohio Buckeye Dowsers website)

Accessed Oct 6, 2014

General Rommel of the German Army- Don Nolan

http://www.tamar-dowsers.co.uk/articles/history.htm

General Patton “(U.S. Army). General Patton had a complete willow tree flown to Morocco so that a dowser could use branches from it to find water to replace the wells the German Army had blown up. The British army used dowsers on the Falkland Island to remove mines.”

– Don Nolan

http://www.tamar-dowsers.co.uk/articles/history.htm

“General Patten had two young men from Tennessee transferred to his unit. It is said that an Army moves on it’s belly, I suggest that it and it’s machines need water as well. Without these water wells we would have lost our butts on that front.”

http://www.oocities.org/dowser.geo/dowse.html

Vernon Cameron, “a dowser, told Navy officials, where all the U.S. and other submarines were located by map dowsing. They would not confirm or deny his findings, but a few years later he wasdenied a passport because he was considered a security risk.”

– Don Nolan

http://www.tamar-dowsers.co.uk/articles/history.htm

Hanna Kroeger – “…for years Cal-Tech was teaching the use of the pendulum to especially bright and interested graduate students. …So let’s join the smart and intelligent crowd and use the pendulum.”

http://www.zhealthinfo.com/pendulum.html  

Louis Matachia – “…in the late 1960’s, a dowser named Louis Matachia did demonstrate dowsing at Quantico, on a mock-up of a Vietnamese village. However, I don’t believe he ever “trained” the Marines in dowsing, or that dowsing was ever officially sanctioned by any service.”

http://forums.randi.org/archive/index.php/t-205.html

“In the USA, Louis J Matacia is a surveyor who has studied dowsing for years.  During the Vietnam War he was commissioned to teach dowsing skills to US Marines so that they could avoid booby traps, navigate safely through jungles and learn the whereabouts of the enemy. Soldiers reported that using the L-rod in this way saved many lives. Louis is particularly interested in the challenge of the search. Using his dowsing together with a range of scientific devices he has located lost pipes, oil, wells, caves and buried treasures.”

http://www.americaninsurancedepot.com/help/dowsing.htm

“The New York Times reported that the U.S. Marine Corps used dowsing in Vietnam (Baldwin, 1967)”

http://www.tricksterbook.com/ArticlesOnline/Dowsing.htm

“By Cosmos. Comment posted 07-Feb-2006 @05:14pm:”I’ve seen it work in Viet Nam to locate enemy tunnels. We would use copper L shaped rods and when we walked over a tunnel the rods would cross. We would dig down and always find them.
I also witnessed a wooden divining rod find water in Viet Nam – in the highlands where it was not always so easy to find. In this case the “diviner” was a “Sea Bee” and he walked around with this stick and when he got to a certain spot the stick twisted so much in his hands the bark split off. I thought he was twisting the stick himself so I asked him if I could try it and sure enough I could feel it twisting also. He put a stake in the ground where he wanted to drilling rig to drill and left the area. When he came back he found the engineers had started drilling about 5 feet from his stake. After drilling over 200 feet down they didn’t hit water. The Sea Bee then ordered them to drill where his stake was and they hit water at 75 feet.”

http://j-walkblog.com/index.php?/weblog/comments/dowsing/

“During the Viet Nam conflict ( War for lack of a better term) We used dowsers to locate enemy tunnel systems and weapons cache’s. Here our military brought in teams of dowsers, not to simply locate these materials, but to teach the skill to others. Then came the job nobody wanted, the “Tunnel Rat”. The poor bastard that armed with a side arm and a satchel charge of c-4; would enter these underground labyrinths to seek and destroy. Not a bad job till you find out that most had to be done by complete darkness in the tunnel in case there was a guard on duty. If that weren’t bad enough, our little buddies sometimes left behind a few small pit vipers. Yes no one except for the few volunteered for this job!”

http://www.geocities.com/dowser.geo/dowse.html

“Armed Forces (dowsing used by the British Army since Colonial times); dowsing appeared in USSR army manuals in 1930 for the finding of water in remote areas; dowsing used by the First and Third US Marine Divisions in Vietnam, 1967, as a simple, low-cost method for locating Vietcong tunnels, which were used for communication, storage depots, supply network, command posts, training centres, hospitals and sally ports for over twenty years (Bossart 1968 in the Project Poorboy Annual Progress Report; Bird 1979, Chapter 11)).”

http://www-sop.inria.fr/agos/sis/dowsing/dowsdean.html

Robert A. Swanson is author of “The Miracle of Dowsing: How This Dowser Found the Ace of Spades Saddam”. [I found this one interesting… whether it is true or not…I’ll leave that up to you! – bfg]

http://www.ebookmall.com/ebook/186849-ebook.htm

Racionamento de água já atinge 2,77 milhões de pessoas em São Paulo (Folha de S.Paulo)

JOÃO ALBERTO PEDRINI

CAMILA TURTELLI
DE RIBEIRÃO PRETO
WILLIAM CARDOSO
DO AGORA

04/10/2014 02h00

Apesar das chuvas que atingiram algumas regiões do Estado nos últimos dias, o racionamento oficial de água já atinge 2,77 milhões de pessoas em 25 municípios.

O número de habitantes afetados é 32% maior do que em agosto, quando levantamento da Folha mostrou que 2,1 milhões viviam sob rodízio em 18 cidades.

O racionamento oficial ocorre em municípios onde os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto são de responsabilidade das prefeituras.

Não há na lista cidades em que o sistema é gerenciado pela Sabesp, embora a empresa venda água para algumas delas.

O problema atinge cidades que captam água de rios, lagoas, represas, córregos, reservatórios e poços subterrâneos. Nenhuma delas tem prazo para o fim do rodízio.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Segundo a Defesa Civil, as chuvas registradas de janeiro a setembro no Estado foram 21,3% menores do que a média histórica. Foram 12.972 mm ante média de 17.174 mm.

Em Valinhos (a 85 km de São Paulo) a prefeitura admite que o racionamento deve seguir por mais um ano. Duas vezes por semana, a cidade fica 18 horas sem água.

Metade da água é do sistema Cantareira, 5% de poços e 45% de represas, que estão com níveis baixos.

A prefeitura diz que investirá na ampliação do tratamento, hoje no limite. Com o investimento, de cerca de R$ 3 milhões, será possível captar mais água do rio Atibaia.

Cravinhos (a 292 km de São Paulo), assim como Uchoa (a 416 km de São Paulo), só capta de poços e vive a mesma situação.

“Todo ano, em períodos secos, percebemos alta no consumo, mas nunca precisamos racionar. É a primeira vez”, disse Claudio Henrique Alves Cairo, superintendente do setor de água e esgoto.

O maior município com racionamento no Estado é Guarulhos (a 16 km de São Paulo). Lá, 13% da água é captada por meio de produção própria e 87% são comprados da Sabesp.

A prefeitura diz que estuda ampliar a captação em novos mananciais.

Em Mauá (a 27 km de São Paulo), que também compra água da Sabesp, o racionamento começou na última quarta. O município, diz que o fornecimento caiu 22% desde julho. Moradores dizem que sofrem com o problema há três meses.

Oficialmente, a cidade foi dividida em cinco partes e cada uma fica sem água durante um dia da semana, de segunda a sexta-feira.

O aposentado Luiz Carlos Lissoni, 56, já chegou a ficar quatro dias seguidos sem água e ontem estava com a torneira seca. Para minimizar os problemas, comprou uma caixa de 1.500 litros por R$ 410 e tinha outra de 1.000 litros.

“Tenho uma mulher doente, que precisa de mais de um banho por dia”, diz.

California water witches see big business as the drought drags on (The Guardian)

Dowsers, sometimes known as ‘water witches,’ are in high demand in drought-stricken California, where four dry years find farmers and vintners taking desperate measures

Mary Catherine O’Connor

Monday 15 September 2014 07.00 BST

VIDEO:

Sharron Hope has been a dowser since 1997. Markedly cheaper than hiring a hydrogeologist – which can cost as much as $50,000 – Hope OFFERS her services for around $500 a consultation. Video: Mary Catherine O’Connor

Outside of a farmhouse on a 1,800-acre organic dairy farm near Oroville, California, Sharron Hope bends over a printout of a Google Earth map, holding a small jade Buddha pendant. The map shows a small section of the farm to the east, and Hope is hunting for water. As the pendant swings, she notes a subtle change in motion that, she says, indicates she has found some.

Is there any significance to the jade? No, she says, I just like it. Plus, she adds, “I figure Buddha’s gotta know.”

Hope is a water dowser, or someone who uses intuition, energy VIBRATIONS and divining rods or pendulums to mark the best spots for wells.

As California rounds the corner towards a four-year historic drought, many farmers and vintners have become completely reliant on groundwater. After divvying surface water allotments to satisfy urban, ecosystem and industrial needs, farmers in many parts of the state received little or no irrigation water from state agencies this year. In a normal year, allotments would cover roughly two-thirds of farmers’ needs.

1Sharron Hope, a water dowser in California, uses a jade pendant to locate underground water on a map. Photograph: Mary Catherine O’Connor

Under these severe drought conditions, the success or failure of a well can mean the success or failure of a farm or vineyard, so before the drill bit hits the dirt, landowners need an educated guess as to where to find the most productive well site on their property. To get that, they can call in a professional hydrogeologist, which can cost tens of thousands of dollars – or they can drop a fraction of the cost on a dowser, such as Hope.

Despite a distinct lack of empirical evidence regarding dowsers’ efficacy, demand is high and dowsers’ phones are ringing off the hook.

“I’ve gotten far more calls this year from farmers looking for a water dowser than in most years,” says Sacramento-based Donna Alhers, who heads the Sierra Dowsers, a chapter of the American Society of Dowsers.

Water dowsers from around the state are also seeing a spike in demand. “I’m getting a lot of calls from people whose wells have run dry,” Hope says.

Where did dowsing come from?

The exact origins of dowsing are murky, but its roots can be traced back as far as the Middle Ages. The practice, sometimes used by miners and fortune seekers, was reportedly condemned in the 16th century as the work of the devil.

Today, dowsers hail from one of two camps. Some have agrarian backgrounds, and learned the practice from ancestors who used it to locate good sites for wells on their own or their neighbors’ farms. The second group hails from the New Age movement and tend to be devotees of a wide range of mystical practices and “energy work”.

Traditionally, dowsing has been used not just to find groundwater, but also minerals and natural gas. Many dowsers claim they can dowse anything, from lost items or pets to criminals on the lam. You name it, they say they can divine it.

Hope began dowsing for water in 1977 after learning about the practice from Walter Woods, a science teacher at Butte College, where she was a STUDENT. Woods had learned dowsing from his father, a farmer, and eventually became a well-known authority on dowsing. He authored a widely read dowsing primer, Letter to Robin, and served as president of the American Society of Dowsers.

Woods taught Hope to scan for signs of groundwater by observing the landscape and looking for signs like deer trails. “Deer have magnetite in their pineal gland [an endocrine gland in the brain]. As water moves underground, electrons are stripped out and move to the surface,” Hope says. “Deer can sense it and tend to walk along that vein of underground water toward a spring.” Dowsing is based on the premise that humans can tap into that energy, too, using instruments such as branches and pendulums.

Energy marks the spot

After Hope finishes with the map, she heads out to the spots she has marked, walking the land and searching for very faint energy markings over the landscape, which she’ll use more talismans to locate.

She begins a general scan of the area with a forked pine branch, holding the ends in her hands and sweeping it through the air. Despite scientific evidence, Hope believes that the branch she holds channels the energy emitted by submerged water. Once she homes in on the most promising region (which matches, as it turns out, the area she had marked on the map) she TRADES the branch for what are known in the dowsing world as “L-rods”, two long metal bars with a short handle and long extension, forming an L.

2Sharron Hope works as a dowser in California’s CENTRAL VALLEY. Here she uses a pine branch to lead her to to a potential well site. Photograph: Mary Catherine O’Connor

Hope holds these in front of her, with her elbows at 90 degrees, and walks slowly up – and then laterally along – the rise. As the long ends of the bars begin to fall away from each other, she stops.

The energy moving up from the groundwater, she says, creates a field that L-rods respond to. This, she says, marks the edge of the underground stream. She then traverses the hillside, down slope, and stops again when the bars cross in front of her. This, she explains, marks the spot where two veins of groundwater cross over each other, making it a potentially very productive well site.

“I have goosebumps,” Hope says with a smile. “I feel the energy moving up from the ground.”

Although Hope and other dowsers often refer to underground veins and streams, USGS hydrologist Ralph Health, in a highly cited report on groundwater basics, says the vast majority of groundwater is found in relatively still aquifers. Swiftly moving streams are quite rare.

Water, water everywhere

Out in the field, Hope locates three possible well sites in roughly 30 minutes. She decides that the third is the best option, even though she doesn’t think it has the strongest flow rate, because it is relatively shallow at 200 feet (about 61 meters) below ground and is the most accessible and FLAT option. Daley stakes the spot and the dowsing is done. Daley is now awaiting drilling permits, and once those come through, she’ll call in a local driller.

“I have about 90% accuracy,” Hope claims, meaning that 90% of the sites she recommends produce water.

This actually isn’t that surprising, hydrogeologists say. “Dowsers may seem convincing, but when [their practice is] exposed to scientific review, groundwater is very prevalent, so it’s hard to miss it when you drill a well,” says Ted Johnson, chief hydrogeologist for the Water Replenishment District of Southern California and president of the board of the Groundwater Resources Association of California. “When you use science to site a well, you can test for quality, depth and how long [the flow] will last.”

To site a well, hydrogeologists will review driller well logs from the Department of Water Resources and geologic maps that show areas of alluvial soils, under which groundwater is most likely to accumulate. To really zero in on well sites, they drill a test well, which produces cuttings of the various strata. They then test for each layer’s ability to transport water. It’s a time-consuming and expensive process.

Because a landowner is unlikely to hire both a dowser and a hydrogeologist to see who finds the best-producing well (though that could make for some mildly entertaining reality television), the two groups coexist and generally ignore each other, aside from tossing verbal jabs.

“I’m a scientist and I’ve been trained on scientific principles, and that’s what I use [to locate groundwater],” says Tim Parker, a hydrogeologist and independent consultant based in Sacramento. “There’s no scientific evidence that dowsing is more effective than random chance.”

Of cash and crops

So why are so many farmers turning to dowsers instead of hydrologists? Part of it’s probably the money: dowsers might charge $1,000 (Hope charges most of her clients around $500, and less for a small residential well), while a big consulting firm costs $10,000 to $50,000, Johnson says. “All a farmer cares about is getting the groundwater,” he says.

But Cynthia Daley, who hired Sharron Hope to dowse for a well on her dairy farm, says it’s not about costs. “Dowsing is based on energy and it is something that the scientific community has not embraced, but I’m not arrogant enough to think science knows everything – and I am a scientist; I have a PhD,” she says.

Whether farmers and vintners are using dowsers merely as a result of their relative affordability or out of a strong belief in the practice is hard to, well, divine. What is clear is that the popularity of dowsing is growing, not just in the CENTRAL VALLEY, but throughout the state.

Daley, who has degrees in animal science with a doctorate in endocrinology, is a professor in the College of Agriculture at nearby California State University at Chico, where she runs an organic dairy program. She is developing an organic dairy operation on her property, which is why she’s drilling wells. “Everyone I know who has had wells put in around here has used dowsers.”

Many more wells are springing up. State agencies from counties around California are issuing twice – and sometimes three times as many – well drilling permits this summer than last summer, according to the Associated Press.

Keeping Marc Mondavi busy

Marc Mondavi, grandson of Napa Valley WINE pioneer Cesare Mondavi and a longtime dowser, says that he can’t keep up with the demand: “I’m doing anywhere from two to four projects a week and I’m backlogged, and drillers around here are backlogged for three to five months.”

Mondavi uses dowsing not only as a revenue stream, but also as a means of marketing his own brand, The Divining Rod. He doesn’t shy away from the name “water witch”, a term other dowsers consider pejorative. His daughter Alycia Mondavi even made a short promo VIDEO CALLED “My Dad is a Witch.”

He acknowledges it’s hard not to strike groundwater, but says that using his intuitive dowsing skills allows him to find the best spots, especially as the drought depletes the water table. “No matter where you drill, you might hit [a flow of] four gallons per minute,” he says. “In those areas maybe I can find eight to 10 gallons per minute.”

The dowsing divide might persist for decades to come, but there is plenty of indisputable evidence that groundwater is being overtaxed as the drought drags on. Amplifying the problem of groundwater scarcity, policy experts say, is a lack of regulation. That looks likely to change. Governor Brown is expected to sign one of three separate groundwater regulation bills currently sitting on his desk.

Some agriculture groups, including the Agriculture Council of California and Blue Diamond Growers, have rallied against the bills, saying they will drive up costs for already cash-strapped farmers and deny long-held water rights.

But Daley says groundwater is too important to remain unchecked. “We have to regulate it. It’s a very important resource.”

Until that happens, however, sun-baked farmers will keep digging for rain.

Mary Catherine O’Connor is an independent reporter and co-founder of Climate Confidential.

The Vital Signs platform is funded by Avery Dennison, Domtar and Chiquita. All content is editorially independent except for pieces labelled advertisement feature. Find out more here.

Racionamento de água ‘não é culpa de São Pedro’, diz ONU (OESP)

09/09/2014, 12h41

4.set.2014 – Represa Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, no interior de São Paulo, teve o índice que mede o volume de água armazenado no Sistema Cantareira alcançando a marca de apenas 10,6% da capacidade total. Luis Moura/ Estadão Conteúdo

O racionamento de água em São Paulo não é culpa de São Pedro, mas, sim, das autoridades, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da falta de investimentos. Quem faz o alerta é a relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à água, a portuguesa Catarina Albuquerque, que apresentou nesta terça-feira, 9, diante da entidade, um informe em que acusa o governo brasileiro de não estar cumprindo seu dever de garantir o acesso à água à totalidade da população.

Crise no abastecimento

“O culpado parece ser sempre São Pedro”, ironizou em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo. “Concordo que a seca pode ser importante. Mas o racionamento de água precisa ser previsto e os investimentos necessários precisam ser feitos”, disse. “A responsabilidade é do Estado, que precisa garantir investimentos em momentos de abundância”, insistiu.

Segundo ela, o racionamento de fato pode ser necessário em algumas situações. “Mas apenas como última opção e depois que as demais opções tenham sido esgotadas”, alertou.

Reservatórios de água na Grande SP

 
Arte/UOL

Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo

Raio-x dos sistemas

Para a relatora da ONU, não faz sentido a Sabesp ter suas ações comercializadas na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), enquanto a cidade convive com problemas. “Antes de repartir lucros, a empresa precisa investir para garantir que todos tenham acesso à água”, declarou.

“O número de pessoas vivendo sem acesso à água e saneamento às sombras de uma sociedade que se desenvolve rapidamente ainda é enorme”, declarou a relatora em seu discurso na ONU, nesta tarde em Genebra.

Segundo seu informe, um abastecimento de água regular e de qualidade ainda é uma realidade distante para 77 milhões de brasileiros, uma população equivalente a todos os habitantes da Alemanha.

21.ago.2014 – Escavadeira tenta retirar lixo do rio Tietê. Menos de um mês depois de finalizar uma operação que retirou mais de 18 toneladas de lixo de áreas do leito seco do rio Tietê, o município de Salto (a 101 km da capital paulista) começa a ver as áreas serem novamente tomadas por entulho. A maioria do material é de pedaços de madeira. Segundo o secretário de Meio Ambiente do município, João De Conti Neto, a sujeira está voltando pela correnteza. João De Conti Neto/Acervo Pessoal

A ONU ainda aponta que 60% da população – 114 milhões de pessoas – “não tem uma solução sanitária apropriada”. Os dados ainda revelam que 8 milhões de brasileiros ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre todos os dias.

O Estadão revelou em junho de 2013 que a representante das Nações Unidas teve sua primeira inspeção para realizar o levantamento vetada pelo governo. A visita estava programada para ocorrer em julho do ano passado. “O governo apenas explicou que, por motivos imprevistos, a missão não poderia mais ocorrer”, declarou à época Catarina de Albuquerque.

Internamente, a ONU considerou que o veto tinha uma relação direta com os protestos que, em 2013, marcaram as cidades brasileiras. A viagem só aconteceria em dezembro de 2013, o que impediria que o informe produzido fosse apresentado aos demais governos da ONU e à sociedade civil antes da Copa do Mundo.

Agora, o raio X reflete uma crise que vive o País no que se refere ao acesso a água e saneamento. “Milhões de pessoas continuam vivendo em ambientes insalubres, sem acesso à água e ao saneamento”, indicou o informe, apontando que o maior problema estaria nas favelas e nas zonas rurais.

Resposta

O governo brasileiro indicou que o acesso à água e ao saneamento é “uma prioridade”, que a população mais pobre recebe uma atenção especial e que o governo tem “aumentado de forma significativa os investimentos em saneamento ao transferir recursos para Estados e municípios”.

“Houve um aumento nos orçamentos de fundos especiais para promover investimentos em infraestrutura de água e saneamento”, indicou a embaixadora do Brasil na ONU, Regina Dunlop.

“Temos um compromisso com a eliminação de desigualdades, dando prioridades para os mais vulneráveis”, insistiu a diplomata, indicando que as populações das favelas não são esquecidas.

Entre as medidas, a diplomata aponta investimentos de R$ 21,5 bilhões pelo governo em moradia, acesso à água, serviços de esgoto e revitalização urbana.

O governo também sugere que a relatora fizesse uma viagem mais ampla ao Brasil e alerta para a dimensão do território nacional.

 

Falta de água é culpa do governo de SP, afirma relatora da ONU (Folha de S.Paulo)

LUCAS SAMPAIO

DE CAMPINAS

31/08/2014 02h15

Relatora das Nações Unidas para a questão da água, a portuguesa Catarina de Albuquerque, 44, afirma que a grave crise hídrica em São Paulo é de responsabilidade do governo do Estado. “E não sou a única a achar isso.”

Ela visitou o Brasil em dezembro de 2013, a convite do governo federal.

De volta ao país, ela falou com a Folha na semana passada em Campinas, após participar de um debate sobre a crise da água em São Paulo.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque
Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) nega que faltem investimentos e atribui a crise à falta de chuvas nos últimos meses, que classifica como “excepcional” e “inimaginável”.

A seguir, trechos da entrevista à Folha.

*

Folha – Que lições devemos tirar desta crise?
Catarina de Albuquerque – Temos de nos planejar em tempos de abundância para os tempos de escassez. E olhar para a água como um bem precioso e escasso, indispensável à sobrevivência humana.
Em Singapura, no Japão e na Suíça, a água do esgoto, tratada, é misturada à água comum. É de excelente qualidade. Temos de olhar o esgoto como recurso.

No caso de São Paulo, acha que faltou ao governo do Estado adotar medidas e fazer os investimentos necessários?
Acho que sim, e não sou a única. Já falei com vários especialistas aqui no Brasil que dizem exatamente isso. Admito que uma parte da gravidade poderia não ser previsível, mas a seca, em si, era. Tinha de ter combatido as perdas de água. É inconcebível que estejam quase em 40% [média do país].

A água deveria ser mais cara? Há modelos de cobrança mais adequados do que o atual?
A prioridade tem de ser as pessoas. Quem usa a água para outros fins tem mais poder que os mais pobres, que têm de ter esse direito garantido.

Em muitos países, a água é mais cara para a indústria, a agricultura e o turismo, por exemplo. Deveria haver também um aumento exponencial do preço em relação ao consumo, para garantir que quem consome mais pague muitíssimo mais.

Que exemplos poderiam inspirar os governos?
Os EUA multam quem lava o carro em tempos de seca; a Austrália diz aos agricultores que não há água para todos em situações de emergência; e no Japão há sistemas de canalização paralela para reutilizar a água.

Qual é a importância de grandes obras como a transposição do rio São Francisco ou o sistema Cantareira?
Por várias razões, há uma atração pelas megaobras nos investimentos feitos em água e esgoto, não só no Brasil. Mas elas, muitas vezes, não beneficiam as pessoas que mais precisam de ajuda. Para isso são necessárias intervenções de pequena escala, que são menos “sexy” de anunciar.

Os lucros da Sabesp hoje são distribuídos aos acionistas. Como a senhora avalia isso diante da crise hídrica?
A legislação brasileira determina que uma empresa pública distribua parte do lucro aos acionistas. Mas uma coisa é uma empresa pública que faz parafusos, outra é uma que fornece água, que é um direito humano. As regras deveriam ser diferentes.

O marco normativo dos direitos humanos determina que sejam investidos todos os recursos disponíveis na realização do direito.

No caso de a empresa pública prestar um serviço que equivale a um direito humano, deveria haver maior limitação na distribuição dos lucros aos acionistas.

Em São Paulo, pela perspectiva dos direitos humanos, os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito.

A partir do momento em que parte desses recursos são enviados a acionistas, não estamos cumprindo as normas dos direitos humanos e, potencialmente, estamos face a uma violação desse direito.

Seria o caso de se decretar estado de calamidade pública?
A obrigação é garantir água em quantidade suficiente e de qualidade a todos. Como se chega lá são os governantes que devem saber.

A senhora sobrevoou o sistema Cantareira e disse ter visto muitas piscinas no caminho. O que achou disso?
A situação é grave. Isso foi algo que me saltou à vista.

Quando aterrissei no Egito para uma missão, tendo ciência da falta de água que existe no país, vi nas zonas ricas do Cairo uma série de casas com piscinas e pessoas lavando carros. Quem tem dinheiro e poder não sente falta de água.

O que talvez seja um pouco diferente na situação de São Paulo é que, pela proporção que a crise tomou, ela poderá atingir pessoas que tradicionalmente não sofrem limitação no uso da água -e isso é interessante.

Que efeito isso pode ter?
Pode levar a uma mudança de mentalidade, a uma pressão por parte de formadores de opinião no Estado de São Paulo para que haja melhor planejamento e uma gestão sustentável da água.

Quando os únicos que sofrem com a falta de água são pobres, pessoas que não têm voz na sociedade, as coisas não mudam.

Quando as pessoas que são ameaçadas com a falta de água são as com poder, com dinheiro, com influência, aí as coisas podem mudar, porque eles começam a sentir na pele. Pode ser uma chance para melhorar a situação. As crises são oportunidades.

A crise hídrica em São Paulo (Envolverde)

22/8/2014 – 04h28

por Heitor Scalambrini Costa*

represa cantareira 300x150 vale esta A crise hídrica em São Paulo

Contra fatos não há argumentos. O que acontece atualmente com relação ao desabastecimento de água em São Paulo se enquadra na retórica de que uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.

O governo paulista insiste em negar que se as obras necessárias tivessem sido realizadas poderia ser menos dramática a atual situação. E insiste ainda em responsabilizar São Pedro pelo caos evidente. A culpa não é da seca! A seca é parte do problema, pois desde sempre se soube que ela poderia vir.

Os gestores públicos também negam que existe racionamento, afirmando que o abastecimento de água está garantido até março de 2015, apesar de, na prática, o racionamento existir oficialmente em dezenas de municípios.

Em visita ao interior de São Paulo, no inicio de agosto [2014], pude constatar uma situação que ainda não tinha me dado conta. A gravidade da crise hídrica atinge não apenas a região metropolitana da capital, como a imprensa dá a entender ao enfatizar o colapso do sistema Cantareira, mas atinge todo o Estado mais rico da União.

Dos 645 municípios paulistas, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) é responsável por fornecer água a 364, quem somam um total de 27,7 milhões de pessoas. Nos outros 281 municípios (não abastecidos pela Companhia), o abastecimento de água a 16 milhões de pessoas fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas.

Se, por um lado, a companhia estadual de abastecimento nega haver adotado rodízio de água em qualquer um dos municípios atendidos por ela, inclusive na capital, tal afirmação é logo desmentida pelos usuários que relatam interrupções no abastecimento, principalmente à noite.

Nos municípios não atendidos pela Sabesp, medidas restritivas estão sendo tomadas por centenas de empresas e gestores locais devido à crise. Em Guarulhos, na grande São Paulo, o abastecimento de 1,3 milhões de moradores é atendido por um serviço municipal, o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), e seus moradores passam sem água um em cada dois dias.

Em 18 municípios, cerca de 2,1 milhões de pessoas estão submetidas ao racionamento oficial no estado de São Paulo, correspondendo a 5% da população total, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo (11/Ago). Além do racionamento, medidas de incentivo à economia de água têm sido adotadas, indo desde multas para reprimir o desperdício a campanhas com rifas de carro e TV para quem poupar e reduzir o consumo voluntariamente.

O que chama a atenção de todos, além da dimensão estadual da crise hídrica em São Paulo, é a insistência dos gestores em negar a existência do racionamento na área de atuação da Sabesp – mesmo contestados pelos moradores, que sofrem na prática com o rodízio provocado pela companhia, com cortes crescentes no fornecimento de água.

A contrapartida do poder é a ação responsável. E o governo paulista tem se mostrado irresponsável com o seu povo, além de incompetente e medíocre para resolver questões básicas para a sua população. É hora de assumir a gravidade da situação e dos erros cometidos, e, naturalmente, fazer as obras urgentes e necessárias para garantir o fornecimento seguro deste bem fundamental à vida.

Chega de hipocrisia, chega de culpar São Pedro que não pode se defender.

* Heitor Scalambrini Costa é professor Associado da Univ. Fed. de Pernambuco. Graduado em Física pela UNICAMP. Doutor em Energética na Univ. de Marselha/Comissariado de Energia Atômica-França.

** Publicado originalmente no site IHU On-Line.

Se falta água, o problema é de planejamento, diz especialista (Projeto 2000 e água)

22/7/2014 – 01h21

por Projeto 2000 e água

represa Se falta água, o problema é de planejamento, diz especialista

 

O planejamento do uso de recursos hídricos é fundamental, como aponta o professor da USP, na entrevista abaixo. Porém, é preciso ter em mente que a água que, apesar de ser comum dizer que a Terra é o planeta água, apenas 2,5% desse recurso na Terra é doce – ou seja, pode ser usado para consumo próprio. A maior parte dela está aprisionada em aquíferos subterrâneos e geleiras. Só 0,26% da água doce da Terra está em lagos, reservatórios e bacias hidrográficas, mais acessíveis ao homem e a atividades econômicas. Isso significa dizer que apenas 0,0065% da água na Terra é água doce disponível. Em resumo: se toda a água da Terra coubesse em um balde de 10 litros, a água doce disponível chegaria a apenas 13 gotas. (Comentário do Akatu)

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, o Brasil tem um conflito violento por dia por causa da água. Muitas destas disputas ocorrem para evitar a apropriação de recursos hídricos por empresas ou para impedir a construção de barragens. Em março deste ano, foi a vez dos governos de Rio e São Paulo entrarem em atrito. Sob pressão da crise de abastecimento, o governo paulista pediu ao governo federal o desvio das águas do rio Paraíba do Sul, que nasce em São Paulo e também corta cidades mineiras e fluminenses.

Diante deste cenário de tensão, veículos de comunicação não pouparam manchetes anunciando uma “guerra por água”. Para o professor de Geografia da USP Luis Antonio Bittar Venturi, no entanto, a mídia é “fatalista” quando coloca a escassez como origem dos conflitos. “A água é o recurso mais abundante do planeta. Se existe falta d’água em alguns lugares, isto é problema de planejamento”, afirma. Confira a seguir os melhores trechos da entrevista, do projeto 2000 e água:

Luis 300x197 Se falta água, o problema é de planejamento, diz especialista

Como você avalia o discurso de veículos de comunicação que anunciam escassez e guerra por água?

A mídia é muito fatalista. Vende-se mais se você anunciar fome, conflito e guerra. Thomas Malthus dizia que o mundo vai passar fome porque a produção de alimentos é mais lenta que o crescimento da população. Essa é uma afirmação que não considera que o planejamento e a técnica podem reverter isso. É a mesma coisa com a água. Falar que ela vai acabar é um tremendo absurdo. A água doce vem do oceano, via evaporação e precipitação. Esse é um sistema que nunca vai acabar, a não ser que a Terra acabe.

Se a água é um recurso abundante, por que estamos passando por uma crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo?

É falta de planejamento a médio e longo prazo. Em São Paulo, o clima é tropical úmido, então a recarga de água vinda do Oceano está assegurada. A recarga é muito maior do que a água que conseguimos usar, só que, por uma questão de mau planejamento, há muita demanda concentrada nas metrópoles. Além disso, falta incorporar no planejamento dados científicos, que existem e estão disponíveis. Mas o poder público prefere culpar a natureza.

A falta d’água em São Paulo gerou a polêmica do desvio do Rio Paraíba do Sul para abastecer o Sistema Cantareira, gerando um conflito entre os governos de Rio e São Paulo. Isso, para você, não seria um conflito por falta de água?

Uma bacia hidrográfica é um sistema integrado e deve ser gerida por inteiro, independentemente de quantos Estados a compartilhem. Internamente aos países existem conflitos, mas eles são usados como bandeira política, porque tem forte apelo emocional: “Ah, São Paulo está roubando a água”, o que é uma besteira. A água é o recurso mais abundante no planeta. Se existe falta d’água em alguns lugares, isto é problema de planejamento.

Que mudanças no planejamento ajudariam a resolver o problema?

Fazer a interligação dos sistemas Cantareira com Alto Cotia e Guarapiranga. Enquanto o Sistema Cantareira estava com 11% da sua capacidade, o Alto Cotia estava com 77%! Não é falta d’água! Outro ponto: o volume de perda na distribuição na SABESP é acima de 30%, devido a ligações clandestinas e vazamentos. Resolver isto seria como produzir 30% a mais de água. Além destas questões, só agora há um sistema para usar o volume morto dos reservatórios, que é meramente uma questão técnica.

No Brasil 34 milhões de pessoas não têm acesso à água potável. Como você avalia esse cenário?

A água, embora seja o recurso mais abundante do mundo, não se distribui de forma equitativa pelo globo. Então, cabe ao homem planejar. Toda vez que há uma população acometida pela escassez hídrica, a culpa é o problema social, e não um problema natural.

Parte do problema de acesso também é reflexo das diferenças sociais?

Há dois tipos de escassez. O chamado estresse hídrico natural é quando um lugar não tem água mesmo, mas você pode resolver isso de alguma forma, como os dessalinizadores usados na Península Arábica. E o estresse socioeconômico, que ocorre em locais de pobreza e sem um planejamento adequado. É uma irracionalidade de planejamento na Amazônia haver problemas de saúde e alta taxa de mortalidade infantil por falta de acesso a água de qualidade. As embarcações que levam mercadorias de Manaus para o interior da Amazônia estão apilhadas de garrafões de água mineral comprados.

Há algo que esteja sendo feito?

Existe um projeto do Governo Federal de construção de cisternas em casas de comunidades rurais da região Nordeste, e que está, de fato, fazendo grande diferença na vida desta população. Então, se isso for suficiente, basta. Agora, para você desenvolver a agricultura, é necessário mais do que isto. Aí é preciso transposição do rio São Francisco, da qual eu sou a favor. É tirar 1% de sua água para tornar perenes as bacias que são intermitentes. Depende do contexto. Não há uma fórmula que sirva para todas as regiões.

Os mais de 70% de água destinada à agricultura não fazem falta para outros setores?

Essa é uma média mundial. A agricultura é o setor que mais consome água. Mas ela nem sempre é potável. No interior do Brasil, a água é bombeada diretamente do Rio. Já na Síria há em todo lugar duas torneiras: uma que você pode beber e outra que você não pode. A que você não pode beber é usada para limpeza e a água de reuso também vai para a agricultura.Quanto ao uso doméstico, é preciso ter um mínimo assegurado. O mínimo mesmo, que em uma situação crítica são 100 m³/ ano por habitante, e que é a situação natural de vários países, principalmente na Península Arábica. Mas eles conseguem, por meio do planejamento e da técnica, ter um abastecimento per capita do mesmo nível de alguns países europeus e de lugares que têm bastante água.

Você é otimista nas perspectivas de que o Brasil vá se atentar mais à questão do planejamento hídrico?

Eu tendo a ser. O problema é que a gente sempre corre atrás do prejuízo. Precisa vir uma crise de abastecimento para a Sabesp e o governo do Estado acordarem. Mas o ideal seria um planejamento mais eficiente e adequado, que evitasse a necessidade de passar por períodos de racionamento de água e energia.

Leia aqui a reportagem hipermídia que retrata crise de água em São Paulo.

* Publicado originalmente no site 200 e água e retirado do site Akatu.

(Akatu)

Vai ter água para todo mundo? (2000 e água)

21/7/2014 – 12h01

por 2000 e água

Em 2014, o Estado de São Paulo entrou na maior crise hídrica de sua história. Com sucessivos recordes negativos desde que foram iniciadas suas medições, o Sistema Cantareira, responsável por 45% do abastecimento de água da maior região metropolitana da federação, atingiu suas maiores baixas justamente no verão, época em que mais deveria chover.

O paradoxo climático serviu de justificativa para as autoridades, que lamentaram a falta de chuvas e buscaram soluções apressadas para evitar o tão impopular racionamento. O imediatismo, no entanto, foi sentido pela população. Alguns bairros da cidade já sofrem com frequentes cortes d’água e, apesar do resgate do chamado volume morto, que elevou o nível do Cantareira em 18,5 pontos percentuais em maio, especialistas consideram questão de tempo até que se consuma a última gota do sistema. Ao contrário do tempo seco – atípico para esta época do ano – a crise de abastecimento de água já estava há anos anunciada.

Quando projetado na década de 1960, o Sistema Cantareira previu o abastecimento de água à Grande São Paulo até os anos 2000. Na outorga de 2004, documento assinado pela Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado) e pelo Consórcio PCJ (Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), foi acordado que a companhia procuraria formas de reduzir sua dependência do sistema. Em outras palavras, o tempo seco apenas antecipou um problema que, cedo ou tarde, chegaria às torneiras e chuveiros dos paulistas.

Feito o retrospecto histórico, é necessário entender o complexo ciclo da água em uma região violentamente urbanizada. Não o ciclo natural, que todos aprendem nas escolas, mas o ciclo social, que envolve desigualdade, poluição, consumo, desperdício, grandes obras e desapropriações. O projeto 2000 e água, nome que faz referência ao colapso hídrico prenunciado para o novo milênio, propõe-se a contar a inquietante história de pessoas que vivem ou viveram a água em diferentes fases deste processo.

Acesse aqui a reportagem hipermídia “2000 e água”, sobre a crise hídrica de 2014 em São Paulo. O especial conta com vídeos, fotos, textos, entrevistas, infográficos e um mini-documentário. Confira!

(2000 e água)

Governo de SP institui cobrança por água de áreas protegidas (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 01 ABRIL 2014

Rio Passareúva, no Parque Estadual da Serra do Mar, em Cubatão, área de proteção de manancial próxima à Baixada Santista
(Foto: Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo/Trilhas de São Paulo)

Um decreto publicado pelo governo de São Paulo na sexta-feira (28.mar) estabeleceu, entre outras medidas, que o uso da água produzida em parques, estações ecológicas e outras unidades de conservação do estado poderá ser cobrado para gerar novos recursos a serem aplicados na gestão dessas áreas.

Assinado ontem pelo governador Geraldo Alckmin, o decreto 60.302 de 2014 prevê também para unidades de conservação (UCs) a destinação de um percentual fixo sobre a arrecadação de pedágios de rodovias que atravessam essas áreas. A Secretaria do Meio Ambiente (SMA), com o apoio de outros órgãos do estado, deverá apresentar no prazo máximo de dois anos um estudo com proposta de percentual a ser adotado e do mecanismo para viabilizar essa transferência de recursos.

Pedágios

A cobrança pelo uso de água é estabelecida na norma publicada hoje em seu artigo 38, para as unidades de conservação estaduais sem discriminar categorias dessas áreas. Desse modo, em princípio, fica aberta a possibilidade de recursos para as 31 reservas particulares de patrimônio natural, as RPPNs.

No entanto, a publicação prevê a receita proveniente de pedágios somente para as UCs classificadas como de proteção integral, que são os parques estaduais, as estações ecológicas, os monumentos naturais e os refúgios de vida silvestre.

Planos e metas

Em suas linhas gerais, o decreto estabelece novas regras de articulação entre os órgãos estaduais envolvidos com áreas protegidas, principalmente a Fundação Florestal e o Instituto Florestal.

A publicação de hoje obriga os gestores de UCs do estado a apresentar, até o dia 30 de outubro de cada ano, plano de metas anual, que deverá especificar ações e despesas previstos para o ano seguinte. Em cada unidade, o plano deverá ser apreciado pelo respectivo conselho — que é formado por representantes da comunidade nomeados pelo governo — para ser em seguida aprovado pelo dirigente do órgão estadual responsável.

Impactos ambientais

Outra novidade do decreto envolve empresas de captação e distribuição de água, de telefonia celular, de transmissão de energia elétrica, de distribuição de derivados de petróleo e outras que possuem instalações e equipamentos dentro de UCs. Essas companhias passam a ter a obrigação de cuidar permanentemente para que seus oleodutos, gasodutos, torres de transmissão, tubulações, vias de acesso ou outras instalações não gerem novos impactos ambientais além daqueles previstos no licenciamento de suas atividades, como estabelece o artigo 31:

Os empreendedores, permissionários e concessionários responsáveis por abertura e/ou manutenção de acessos de uso exclusivo necessários aos seus empreendimentos, no interior das unidades de conservação de proteção integral, deverão manter controle diuturno desses acessos para fins de conservação dos atributos ambientais da unidade de conservação.

Um bom exemplo da necessidade desse dispositivo está nos chamados bairros-cota de Cubatão, que resultaram de invasões em áreas do Parque Estadual da Serra do Mar durante e depois das obras das rodovias Anchieta e Imigrantes, aconteceram debaixo do nariz de todo mundo. E — pior — nesse caso o empreendedor foi o próprio governo do estado.

Abrangência

As unidades de conservação da Secretaria do Meio Ambiente abrangem 47 mil quilômetros quadrados, que correspondem a 18,9% da área total do estado de São Paulo.

Elas estão distribuídas em 31 RPPNs, 30 áreas de proteção ambiental, 37 parques estaduais, 26 estações ecológicas, 15 florestas estaduais, cinco reservas de desenvolvimento sustentável, quatro áreas de relevante interesse ecológico, dois viveiros florestais, dois monumentos naturais e uma reserva extrativista.

Há, portanto, algumas boas novidades em meio aos 51 artigos do decreto baixado hoje. Esses e outros aspectos merecem ser analisados em profundidade. Inclusive porque resta saber se as novas medidas serão eficazes para o objetivo de proteção das UCs.

Vale questionar, por exemplo, se valerá retroativamente para as empresas permissionárias ou concessionárias já licenciadas a obrigação sobre instalações e equipamentos dentro de UCs. Vamos aguardar.

Horizonte árido (OESP)

‘Questão de natureza política, a água deve ter agenda própria com leis, infraestrutura e campanhas para consumo consciente’, diz engenheiro

22 de março de 2014 | 16h 00

Juliana Sayuri

Secou. Desta vez, faltaram as águas de março fechando o verão. O Cantareira, principal reservatório a hidratar a Grande São Paulo, marcou 14,5% de volume armazenado na sexta-feira, cravando novo recorde negativo desde 1974. São Pedro não colaborou desde dezembro, o cidadão abusou, o político tergiversou e, no fim, São Paulo poderá amargar dias mais secos neste outono.

Na véspera do Dia Mundial da Água, 22 de março, indiana caminha numa tempestade de areia - Anupam Nath/AP

Na véspera do Dia Mundial da Água, 22 de março, indiana caminha numa tempestade de areia. Anupam Nath/AP

“Política é a arte de firmar compromissos. Nesse campos ambientais, isso é muito difícil – Kyoto está aí pra não desmentir ninguém”, afirma Benedito Braga, engenheiro civil, Ph.D. por Stanford e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. “No limite, é competência da cidade. Está na Constituição: prover água é prerrogativa constitucional das prefeituras. Seria do governo do Estado se estivéssemos discutindo obras. Mas agora, para resgatar o Cantareira, nem adianta correr atrás de obras, que ficariam prontas em talvez três anos – e até lá já teríamos morrido de sede”, critica. Que fazer? “Racionar. É a única saída. Não me refiro ao rodízio, que fique claro: racionar é consumir menos que o usual.”

Ex-diretor da Agência Nacional de Águas, Braga preside desde 2012 o World Water Council, um think tank que reúne Nações Unidas, scholars, técnicos, políticos, executivos e ativistas. “Precisamos compreender que água é uma questão de ordem política. Para mudar e melhorar essa situação, é preciso discutir alternativas, ideias inovadoras, soluções inteligentes”, diz. Que essa fonte não seque.

A questão da água está sendo muito discutida nos últimos dias, com a situação do Cantareira. Água é uma pauta política?

Fiz uma palestra nessa semana e, num dos últimos slides, mostrei três caracteres chineses. O primeiro simboliza “rio”. O segundo, “dique”. E o terceiro, que seria a soma dos dois? Logo se imagina que seria “reservatório” ou algo assim, mas não. É “ordem política”. Nossos governantes já notaram isso. No Nordeste, todo político considera a questão da água. No Sudeste, até estes tempos, só discutíamos as inundações. Agora, diante desse quadro do Cantareira… Os políticos precisam compreender que a água deve estar na pauta, com orçamento e tudo mais, pois isso pode lhes custar as eleições. Política é a arte de firmar compromissos, formar consensos, resolver problemas. É muito difícil formar consensos nesses campos – Kyoto está aí pra não desmentir ninguém. A água permeia diferentes setores, como agricultura e energia, mas precisa de uma agenda própria – senão, cada setor faz o que bem entende, desperdiça recursos hídricos cá e lá, falta água… E aí? É uma questão de natureza política. O cidadão pode ajudar? Certamente. Elegendo políticos que tenham uma plataforma coerente. E, francamente, o único sinal que políticos realmente entendem é o voto. Se o cidadão compreender que a água é um tema tão importante quanto a saúde e a educação, o político também deverá compreender.

Cantareira é um bom sistema?

Sim. Foi idealizado por Eduardo Yassuda, professor brilhante da Poli. No início da década de 1970, ele disse: “São Paulo não pode resolver o problema da água com soluções pequeninas. Precisa de soluções de gente grande”. Aí começou a procurar mananciais, Guarapiranga, Tietê, Taiaçupeba, Paraitinga, Ponte Nova. E viu que precisaríamos trazer água do outro lado da serra. Construíram esse sistema, que tem 800 milhões de metros cúbicos de armazenamento, uma vazão que, à época, supria toda a água de São Paulo. Foi uma boa ideia. Mas agora a situação é grave. Não interessa a quem culpar – a variabilidade do clima, o político, a Lua e o planeta Saturno. É tudo junto. Há uma falha na oferta – São Pedro não foi generoso neste verão. E uma falha na demanda – as pessoas não notaram a gravidade da situação e continuaram consumindo como sempre. E a infraestrutura não acompanhou o crescimento da demanda. Agora estão considerando usar o tal volume morto. O que é isso? Se você construir uma obstrução para armazenar água, esse volume contém sedimentos em suspensão. Reservamos um espaço no fundo do reservatório para depositar esse sedimento – e o sistema continua funcionando. O que a Sabesp tem? Tomadas de água, em diferentes alturas. Quando o nível do reservatório está alto, as duas tomadas funcionam. Vem a seca, uma das tomadas não funciona mais. No limite do volume morto, não há mais nada. O nível baixa e baixa, até que uma hora só há sedimentos e não dá para tirar mais nada. É uma alternativa viável do ponto de vista técnico. Mas não é a solução. A solução é parar de usar tanta água.

Racionar.

Racionar, mas não como a maioria imagina. Racionar é consumir menos que o usual. Há duas formas para isso. Primeiro, um rodízio, fechando e abrindo registros em diferentes setores das cidades. Segundo, um racionamento com medidas não estruturais, com bônus para quem economizar, multas para quem extrapolar. Isso deve ser feito por uma lei municipal.

Isso não é responsabilidade do governo do Estado?

Não. A competência legal é do município, nas esferas do Executivo e do Legislativo. Está na Constituição: prover água potável e saneamento é uma prerrogativa constitucional das prefeituras. Se estivéssemos discutindo obras, seria o governo do Estado. Neste momento, nem adianta correr atrás de obras. Eles estimam 18 meses, mas na verdade só ficariam prontas em dois, talvez três anos – e até lá já teríamos morrido de sede. O Estado dá concessão à Sabesp. Mas São Carlos, no interior, não usa Sabesp – e sim o Serviço Autônomo de Água e Esgoto São Carlos (SAAE); Limeira, também no interior, não usa Sabesp, mas a Foz do Brasil/Odebrecht. Diante de qualquer problema, a responsabilidade primeiro é da companhia, mas, no fim, é do prefeito. Que poderia passar uma lei municipal dizendo o seguinte: estamos vivendo uma situação muito grave e, por isso, cada domicílio terá um limite de consumo de 20 metros cúbicos por mês, com tarifa de R$ 10. Se ultrapassar, a tarifa passa a R$ 100. É uma forma de regular o uso, pois o cidadão que estava acostumado a pagar R$ 90 e vê a conta saltar para R$ 500 certamente freará o consumo. No mês seguinte, pode apostar que todas as torneiras vão estar fechadas, o cara não vai mais lavar calçada e não vai demorar no banho. Esse é o racionamento que deveria ser feito, obviamente acompanhado por uma campanha de conscientização para dizer: “Meu amigo, você não será pego de surpresa. Preste atenção, economize água”. É melhor que o rodízio.

Por quê?

Imagine uma tubulação, com juntas para outras tubulações. Quando os tubos estão cheios, ainda há perda de água na linha – eram 35%, agora são 25%. Quer dizer que há vazamentos no sistema. Quando o sistema está pressurizado, a água corre. Quando despressuriza, a água para e entra no solo, misturando-se e voltando às tubulações uma água de qualidade desconhecida. Por isso, o rodízio não é bom. Ainda dá tempo de racionar, mas nossos governantes precisam agir. Na seca, acontecerá o racionamento por rodízio, pois não haverá mais tempo hábil para o outro tipo. A Austrália também passou por uma situação grave. Ali foram dez anos de seca, só agora voltou a chover forte. Os australianos fizeram várias usinas de dessalinização e cortaram a água antes usada para irrigação. No nosso caso, o que poderia ser feito? O governo – alçada estadual no caso dos rios Jaguari e Jacareí, com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE); e federal no rio Piracicaba, com a Agência Nacional de Águas – deveria visitar os lugares de irrigação e dizer: “Meu caro, o que você cultiva aí? Tomate? Pago sua safra, mas você não vai tirar nem um litro a mais de água do rio”. Assim, a água deixa de ser destinada a um uso “menos nobre”, e fica disponível para o consumo dos cidadãos.

Há um modelo de gestão hídrica no mundo?

Não há um país nota 10 em todos os quesitos. Em termos de uso de água no ambiente urbano, diria Cingapura, que reaproveita quase a totalidade de seus esgotos para consumo doméstico. Cingapura dependia da Malásia e, num esforço para se tornar mais autônoma, investiu num programa de reúso de água fantástico, mas muito caro, da ordem de bilhões de dólares. A Namíbia também tem um sistema de reúso de água potável há 40 anos. Talvez, no futuro, tenhamos que fazer isso em São Paulo: reaproveitar e beber o que era nosso esgoto. Em termos de gestão no ambiente agrícola, Espanha e Israel se destacam. Em termos de gestão de recursos hídricos, a França é um bom exemplo. É só lembrar o Sena, muito sujo há 50 anos, limpo agora. Muito dinheiro já foi investido para despoluir o Tietê – mas sinceramente, nem eu nem meus netos nem meus bisnetos veremos esse rio 100% limpo.

Do ponto de vista cultural, o que precisaria mudar para valorizar esse recurso?

A situação que vivemos agora é exemplar. Pense: quando o brasileiro começou a se preocupar em economizar energia? Em 2001, no tal apagão elétrico. Na ocasião, usamos um método de racionamento melhor, com multa. Na época, eu morava em Brasília. Gastava 1.200 quilowatts/hora por mês, passei para 400. E continuei vivendo da mesma forma, só com mais precauções: lembrar de apagar a luz, tirar a tomada, tomar banhos mais breves. Foi uma situação extrema, mas hoje aprendi: sei meus gastos de energia todo mês. Quem sabe agora o paulistano aprenderá o consumo consciente de água?

Qual é a maior agressão à água?

Poluição, sem dúvida. As metas do milênio estabelecidas pelas Nações Unidas em 2000, para serem cumpridas até 2015, previam reduzir à metade o número de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento improved, quer dizer, “melhorado”. Essa expressão foi escolhida propositalmente, pois à época não tínhamos elementos para avaliar os custos para oferecer saneamento para todos. Além da coleta e da disposição de resíduos, precisamos discutir o tratamento do esgoto. Aí realmente a água é agredida. Por exemplo, não podemos viver num ambiente urbano, como nesta região paulistana com um dos metros quadrados mais caros do Brasil, onde o sujeito abre a janela e se depara com o cheiro fétido do Pinheiros. É inadmissível.

Um dia a água valerá mais que o petróleo?

Já vale em certos lugares, como na Arábia Saudita. Ali eles dessalinizam a água do mar – e gastam uma nota, queimando petróleo para poder cultivar trigo no meio do deserto. Há substituto para o petróleo (fontes como a energia hidroelétrica e a nuclear), mas absolutamente nada substitui a água. É um valor capital. A água é muito generosa, pois nos ajuda a crescer: é elemento essencial para sermos cidadãos mais igualitários, pois aumenta nosso desenvolvimento, nossa produção de energia e de grãos. É fundamental para as necessidades essenciais humanas, para o desenvolvimento econômico, para a sustentabilidade ambiental e, certamente, para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

O sr. se considera otimista ou pessimista?

Um otimista inveterado. Um dia, haverá água para todos, desde que sejamos suficientemente inteligentes para gerenciá-la. Há água na região metropolitana de São Paulo, mas contaminada e poluída. Logo, precisamos de gestão e tecnologia adequadas. Muitos ambientalistas criticam os engenheiros, vistos como “destruidores” da natureza. É a falsa ideia de que a tecnologia é má. Graças à tecnologia, nossa expectativa de vida saltou de 50 para 70, 80 anos. Quem, como Malthus, previu cataclismos, até agora deu com os burros n’água. Há, sim, diversas questões a resolver. E, para resolvê-las, acredito na tecnologia e, principalmente, no ser humano.

Dá para beber essa água? (Agência Pública)

Ambiente
21/3/2014 – 12h23

por Anne Vigna, para a Agência Pública

Agrotóxicos, metais pesados e substâncias que imitam hormônios podem estar na água que chega à torneira da sua casa ou na mineral, vendida em garrafões, restaurantes e supermercados. Saiba por que nenhuma das duas é totalmente segura

Pesquisar sobre a água não é fácil. Não existem leis ou regras que definam um critério uniforme para a divulgação de dados. Esperei mais de 15 dias, por exemplo, para receber as análises de qualidade para o município de São Paulo, segundo as normas da Portaria 2.914/2011, do Ministério da Saúde. Os mesmos resultados para o Rio de Janeiroestão disponíveis para consulta de qualquer pessoa no site da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), responsável pelo tratamento de água na cidade. Não se sabe por que uma das concessionárias fornece a informação publicamente, enquanto a outra não diz nada sobre o assunto.

Depois de muita espera e de uma dezena de e-mails trocados, recebi quase todas as análises da capital paulista feitas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), encarregada da água e do saneamento na metrópole. No primeiro envio, porém, faltavam vários dos parâmetros considerados pela portaria do Ministério da Saúde. Por quê? Não há como saber. Depois de insistir mais, recebi todos os dados (aquiaquiaqui e aqui).

Como primeiro resultado dessa investigação sobre a qualidade da água, posso dizer que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, dá para beber a água da torneira sem correr o risco de ser vítima de uma contaminação microbiológica. Ninguém vai passar mal, nem ter diarreia. É preciso, no entanto, verificar se a caixa d’água do imóvel está limpa. Tanto em um prédio como em uma casa, ela precisa ser lavada a cada seis meses. Nos condomínios, o síndico é o responsável por cuidar da execução do serviço. Nas residências, o proprietário tem que fazer o trabalho ou contratar uma empresa para isso. Se a limpeza estiver em dia, tudo bem.

A água usada para abastecimento público passa por um processo de tratamento e desinfecção mecânico e químico, que elimina toda a poluição microbiológica (coliformes totais – grupos de bactérias associadas à decomposição da matéria orgânica – e Escherichia coli). “A água da torneira é controlada várias vezes por dia, para se ter certeza de que está sempre dentro dos padrões de qualidade”, afirma Jorge Briard, diretor de produção de água da Cedae, no Rio. Mas o fato de se poder beber a água da torneira não quer dizer que o líquido não esteja poluído – e que não possa causar problemas de saúde no longo prazo.

Regras “adaptadas à realidade brasileira”

Na água do abastecimento público existem vários tipos de poluentes tóxicos. Estudos científicos associam o consumo de muitos deles ao aumento da incidência de câncer na população, enquanto outros têm efeitos ainda pouco conhecidos na saúde. Estão presentes na água que bebemos substâncias químicas como antimônio, arsênio, bário, cádmio, chumbo, cianeto, mercúrio, nitratos, triclorobenzeno, diclorometano; agrotóxicos como atrazina, DDT, trifluralina, endrin e simazina; e desinfetantes como cloro, alumínio ou amônia.

A portaria do Ministério da Saúde controla os níveis de 15 produtos químicos inorgânicos (metais pesados), de 15 produtos químicos orgânicos (solventes), de sete produtos químicos que provêm da desinfecção domiciliar e de 27 tipos de agrotóxicos presentes na água. Na primeira norma de potabilidade da água do Brasil, a Portaria 56/1977, havia apenas 12 tipos de agrotóxicos, 10 produtos químicos inorgânicos (metais pesados) e nenhum produto químico orgânico (solventes), nem produtos químicos secundários da desinfecção domiciliar.

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Tanques usados nas quatro fases do processo de tratamento de água da Estação do Guaraú, em São Paulo: coagulação, floculação, decantação e filtração. Foto: Anne Vigna

A mudança reflete a crescente poluição da indústria, que utiliza metais pesados e solventes; do setor agrícola, que usa agrotóxicos e fertilizantes; e de todos nós, que limpamos a casa com cada vez mais produtos químicos. A assessoria de comunicação do Ministério da Saúde afirma que as substâncias que hoje estão na Portaria 2.914/2011 foram escolhidas a partir “dos avanços do conhecimento técnico-científico, das experiências internacionais e das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2004), adaptadas à realidade brasileira”.

O último trecho da resposta do ministério, “adaptadas à realidade brasileira”, permite entender a diferença entre os agrotóxicos e contaminantes inorgânicos escolhidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e os listados na portaria brasileira. A OMS inclui um número muito maior de produtos químicos . Em um dossiê especial sobre agrotóxicos publicado em 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) questiona essa discrepância: “Por que monitorar menos de 10% dos ingredientes ativos oficialmente registrados no país?” O ingrediente ativo, ou princípio ativo, é uma substância que tem algum tipo de efeito em organismos vivos.

Um exemplo é a bentazona. Considerada pela OMS como um poluente da água, a substância não aparece na portaria do Ministério da Saúde. Na bula de agrotóxicos que a contêm, como o Basagran, a bentazona é descrita como “um agroquímico da classe toxicológica I – extremamente tóxico e nocivo por ingestão”. Como herbicida, é muito usada nas culturas de soja, arroz, feijão, milho e trigo. E o que isso tem a ver com a água? Os próprios fabricantes dão a entender que, se for mal utilizada, a bentazona pode causar efeitos danosos sobre o ambiente aquático. “[O produto] é perigoso para o meio ambiente por ser altamente móvel, apresentando alto potencial de deslocamento no solo e podendo atingir principalmente as águas subterrâneas. Possui ainda a característica de ser altamente persistente no meio ambiente, ou seja, de difícil degradação”, diz o texto.

Outro exemplo: um estudo de 2009 sobre a contaminação de mananciais hídricos, liderado pelo pesquisador Diecson Ruy Orsolin da Silva, da Universidade Federal de Pelotas, monitorou a ocorrência de agrotóxicos em águas superficiais de sete regiões do sul do Brasil, associadas ao cultivo de arroz na safra 2007/2008. De todos os produtos detectados – clomazona, quincloraque, penoxsulam, imazetapir, imazapique, carbofurano, 3-hidróxido-carbofurano, fipronil e tebuconazol – somente o carbofurano é controlado pela portaria. Isso mostra que muitos dos agrotóxicos utilizados, e que estão presentes nos meios aquáticos no país, não são fiscalizados pelas empresas de tratamento de água. Elas não são obrigadas pelo Ministério da Saúde a fazer o controle.

Em São Paulo e no Rio, os níveis dos produtos químicos listados na portaria estão dentro dos limites permitidos. Na verdade, os valores de São Paulo são muitos melhores do que os do Rio. Isso é uma boa notícia? Sim e não. “Os processos de transformação química quebram as moléculas tóxicas, fazendo com que desapareçam. Essa manipulação da água cria outros compostos ou resíduos desconhecidos. Ninguém procura por eles e evidentemente não estão na portaria. Hoje ninguém sabe quais são os efeitos dessas moléculas”, diz Fabrice Nicolino, jornalista francês especializado em meio ambiente. Mesmo concentrações muito baixas de algumas substâncias podem ser perigosas.

A polêmica do alumínio

Como se tiram os poluentes da água? Tudo começa com um processo chamado coagulação. Nessa fase, são adicionados sulfato de alumínio e cloreto férrico, para agregar as partículas de sujeira presentes. O uso do sulfato de alumínio é muito polêmico no mundo todo. Ainda que não tenha sido provada uma relação direta entre esse produto químico e a doença de Alzheimer, vários cientistas europeus defendem que ele é responsável pelo aumento da incidência do problema nas últimas duas décadas.

Um estudo feito durante oito anos pelo Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), em Bordeaux, no sul da França, concluiu que uma forte concentração de alumínio na água, bebida a vida toda, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer. Realizada por um dos centros de maior prestígio da França, a pesquisa causou – e continua a causar – muito barulho, tanto na imprensa quanto no mundo científico.

Também teve forte impacto um artigo científico dos pesquisadores Chris Exley, da Universidade Keele, e Margaret Esiri, da Universidade de Oxford – ambas no Reino Unido – publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry em 2006. Quando foi realizada a autópsia de Carole Cross, que morreu, aos 59 anos, de Alzheimer, observaram-se altas concentrações de alumínio no seu cérebro. Os autores relacionaram o achado a um acidente que atingiu a cidade de Camelford, na Inglaterra, onde Carole vivia em 1988. Na época, 20 toneladas de sulfato de alumínio foram depositadas por engano nas tubulações de água potável. Os pesquisadores não relacionam diretamente a presença do metal com a doença. Sabe-se, contudo, que o alumínio está ligado a alguns tipos de demência, e que Carole não tinha antecedentes familiares com doenças semelhantes.

Princípio da precaução

Faz um bom tempo que as empresas responsáveis pelo tratamento da água conhecem os perigos do alumínio. Em Paris, a substância deixou de ser usada nesse processo há mais de 20 anos. Adota-se o cloreto férrico. A prefeitura da capital francesa resolveu fazer a mudança pelo que é conhecido como princípio da precaução: se existem antecedentes ou experiências que sugiram um risco, não se espera que a ciência comprove isso. É melhor prevenir do que lidar com o problema depois.

Quando perguntei à Sabesp e à Cedae se achavam possível parar de usar o alumínio, a resposta foi clara. “Mas por quê? O produto funciona muito bem”, disse André Luis Gois Rodrigues, responsável pela qualidade da água na Sabesp. As duas empresas admitiram conhecer a polêmica. “Nada foi comprovado. O uso do alumínio é permitido pelo Ministério da Saúde e também pela OMS. Se um dia for demonstrado que há risco, com certeza deixaremos de usar”, explicou Jorge Briard, da Cedae. Além de ser barato, o sulfato de alumínio permite obter uma cor transparente, um pouquinho azul, bem bonitinha, semelhante à de um rio limpo. Por isso, é bem prático. Ninguém vai se queixar da cor da água.

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Adicionam-se sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante à água. Nessa fase, a coagulação, as partículas de sujeira agregam-se. Foto: Anne Vigna

Vale lembrar que a água não é a única fonte de absorção do alumínio no corpo. Atualmente a substância encontra-se em altas concentrações na comida (nos legumes e especialmente nos aditivos alimentares, como conservantes, corantes e estabilizadores), nos cosméticos ou nos utensílios de cozinha. De acordo com a OMS, um adulto ingere cerca de 5 miligramas de alumínio por dia apenas da comida. Para a organização, os aditivos são a principal fonte de alumínio no corpo. Em comparação, a água traz um volume muito menor: em média 0,1 miligrama por litro, o que pode somar 0,3 miligrama se você bebe 3 litros por dia. Segundo a entidade, o alumínio na água representa só 4% do que um adulto absorve.

Essa relação também é válida para os agrotóxicos. É bem provável que, comendo legumes não-orgânicos, uma pessoa absorva uma quantidade muito maior desses produtos do que ao beber água. Fazer essa comparação é muito complicado, porque o jeito de contabilizar os agrotóxicos é diferente na comida e na água. Sabemos, porém, que os agrotóxicos são diretamente aplicados nas plantações, e as medições mostram que estão em proporção maior nos alimentos do que na água.

Por conta da grande utilização de medicamentos na criação de animais hoje, os cientistas reconhecem que a dose diária de absorção de antibióticos e hormônios de crescimento é mais importante pela comida do que pela água. O professor Wilson Jardim, da Unicamp, explica, no entanto, que isso não muda o fato de que, mesmo em doses pequenas, os contaminantes presentes na água possam ter um efeito negativo na saúde.

A saída é a garrafinha?

Seria então melhor para a saúde beber água engarrafada, que chega a custar 800 vezes mais do que a água da torneira? A resposta, de novo, não é simples. Em tese, a água envasada tem melhor qualidade por ser subterrânea, o que oferece uma proteção natural contra contaminação. Mas encontrar informações sobre a qualidade da água mineral também é muito complicado no Brasil. A Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam), que representa as envasadoras da água, negou os pedidos de entrevista para esta reportagem. A comunicação também não é muito aberta do lado das autoridades.

Na verdade, não há como ter acesso à documentação sobre a qualidade da água engarrafada. Para obter a lavraria e a renovação da concessão, uma empresa de água mineral recebe, a cada três anos, a visita dos funcionários do Laboratório de Análises Minerais (Lamin) da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), um órgão federal. Os resultados das análises são comunicados à empresa e ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), responsável pela água mineral no país, mas não ficam disponíveis para o público. Por quê? Não recebi resposta do DNPM.

Essas análises teriam que ser feitas seguindo a resolução RDC 274/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A norma inclui agrotóxicos e é bem parecida com a portaria que regula a água da torneira. Além de os dados não estarem disponíveis publicamente, outro problema é a forma de fiscalização das fontes. O Lamin do Rio faz análises no país todo, enquanto o de São Paulo concentra-se no estado de São Paulo, onde fica a maior concentração de concessões de água mineral do país. Até o início de 2013, o Lamin do Rio não tinha os equipamentos necessários para fazer as análises dos agrotóxicos, e só no fim de 2014 o Lamin de São Paulo deverá fazer esse trabalho. Ou seja, a resolução levou oito anos para começar a ter todos os seus itens verificados.

Isso não acontece com a água da torneira, que é muito mais controlada. Primeiro, porque ela precisa chegar a toda a população. Segundo, porque a água bruta, a partir da qual se produz a água potável, vem em geral da superfície e está mais sujeita a todo tipo de contaminação. Isso requer atenção constante e análises mais frequentes. A água mineral vem de lençóis subterrâneos, onde fica confinada. É menos poluída do que a que vem dos rios e não recebe nenhum tratamento químico. Depois de um ano fazendo as análises de agrotóxicos, o Lamin do Rio disse que não encontrou esses produtos nas águas minerais de todo o país, com exceção de São Paulo (onde ainda não fazem essa análise e onde está a maior parte das fontes). Mas não tive acesso aos documentos que comprovariam isso.

Ao procurar informações adicionais, descobri que, em São Paulo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) iniciou, em 2011, o monitoramento de lençóis subterrâneos do estado em relação à presença de contaminantes e à atividade estrogênica – ou seja, à capacidade de algumas substâncias agirem no sistema reprodutivo humano, antecipando, por exemplo, a puberdade nas meninas ou produzindo esterilidade nos homens. “Não foi detectada atividade estrogênica na maioria dos 33 pontos de amostragem, selecionados em função de sua maior vulnerabilidade. Apenas três locais apresentaram atividade estrogênica baixa. Isso significa que não há potencial de preocupação para a saúde humana se a água for consumida”, explica Gilson Alves Quinaglia, gerente do setor de análises toxicológicas da Cetesb.

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Tanques com cloro e outros produtos químicos usados para tornar a água potável. Foto: Anne Vigna

Agrotóxicos e medicamentos

As empresas de água mineral usam na publicidade o argumento de que a água subterrânea está confinada e, consequentemente, fica protegida da poluição moderna. Seria bom se fosse assim, mas existem estudos que comprovam que a poluição pode chegar a todos os lugares – até mesmo ao subsolo.

No ano passado, uma pesquisa encomendada a laboratórios independentes pelas ONGs 60 Milhões de Consumidores e Fundação Danielle Mitterrand-France Libertés, na França, encontrou tanto agrotóxicos como medicamentos na água engarrafada. “Foi uma surpresa, porque mostra que até a água mineral está poluída. Achamos um agrotóxico, a atrazina, usado no cultivo do milho, que está proibido no país há mais de dez anos. Essa substância tem a propriedade de ser muito persistente no meio ambiente. O que significa que, em dez anos, chega ao subsolo”, explica Thomas Laurenceau, da 60 Milhões de Consumidores.

Outra grande surpresa foi detectar o tamoxifeno, um hormônio usado no tratamento de câncer de mama, nas amostras analisadas. “Os níveis encontrados são muito baixos, mas a presença mostra até que ponto nosso meio ambiente está poluído”, acrescenta Emmanuel Poilane, presidente da France Libertés.

A contaminação não é causada pelas envasadoras de água, e sim pela deterioração geral do meio ambiente. “As empresas de água mineral sempre estão tentando proteger as fontes. Não depredam o meio ambiente. Não é conveniente para elas”, afirma Doralice Assirati, do DNPM. Na Europa e nos Estados Unidos, algumas delas foram obrigadas a fechar explorações, por conta da poluição detectada.

Uma das contaminações possíveis no Brasil seria pelas fossas sépticas, que, às vezes, são malfeitas. No estado de São Paulo, muitas envasadoras de água ficam em áreas urbanas, porque a proximidade do consumidor ajuda o negócio a ser mais lucrativo. Mas, na verdade, o maior problema das águas envasadas não vem do líquido, mas do contêiner de plástico. Se as garrafas e os garrafões fossem de vidro, poderíamos confiar mais na qualidade. Só que os problemas causados pelo uso do plástico já são bastante conhecidos e estudados.

PET, PP, PE, PVC, PC

O mundo dos plásticos é complicado. Aproximadamente 75% da água envasada no Brasil está em garrafões. “Eles podem ser confeccionados em todo e qualquer plástico – PVC, policarbonato (PC), polipropileno (PP) e polietileno (PE) –, desde que obedeçam aos regulamentos da Anvisa para embalagens em contato com alimentos”, afirma Carla Castilho, assessora técnica do Instituto Nacional do Plástico. Isso na teoria. Na prática, a indústria fabrica 90% dos garrafões em polipropileno e o restante, em politereftalato de etileno (PET) e policarbonato, segundo o Instituto Nacional do Plástico. O polipropileno tem custo baixo para o produtor. Isso é uma boa notícia, porque é o plástico menos propenso a ter Bisfenol A (BPA), uma substância química perigosa usada na produção.

A Anvisa autoriza o uso de BPA em materiais plásticos destinados ao contato com alimentos e estabelece, como limite seguro de migração, 0,6 miligrama por quilo de alimento e 0,6 miligrama por litro de bebida. A agência limita-se a estabelecer a quantidade de BPA que pode migrar de um produto para o alimento, não a quantidade máxima presente no produto.

Vários países europeus, como França e Dinamarca, estão proibindo o BPA nas embalagens de alimentos. Isso não tem relação com o nível de migração, e sim com os materiais onde está presente o BPA, como o policarbonato e as resinas epóxi em todas as latas de alumínio. É alta a probabilidade de que a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) reduza o nível de migração de 0,5 miligrama por quilo por dia para até 0,005 miligrama por quilo por dia.

No Brasil, somente as embalagens da água mineral Indaiá, do Grupo Edson Queiroz, um dos maiores do país, são feitas de policarbonato. Técnicos da empresa enviaram análises para nos convencer de que não há nenhum problema com os recipientes em policarbonato. Os resultados do laboratório, de fato, são ótimos. Só que os problemas causados pelos plásticos não acontecem quando as embalagens são novas, mas com a manutenção, a exposição ao calor e as múltiplas lavagens dos garrafões, que podem ser usados durante três anos. “Não podemos nos responsabilizar pela manutenção. Não depende da gente”, disse Francisco Sales, gerente industrial do grupo Edson Queiroz. Não, mas também ninguém pode dizer que a degradação dos plásticos não traz problemas para o consumidor. A degradação do PET, material das garrafas descartáveis, não é algo com que se preocupar se o recipiente for usado uma vez só.

Estudos científicos mostram ainda que, com o tempo, mesmo a qualidade da água mineral se degrada. Em 2009, uma pesquisa realizada por Martin Wagner e Jörg Oehlman, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, detectou interferentes endócrinos – isto é, substâncias artificiais que agem no nosso corpo por serem parecidas com hormônios – em 12 das 20 amostras de água mineral analisadas. Os dois cientistas também inseriram moluscos em garrafas PET e de vidro e notaram que, nos recipientes plásticos, houve reprodução em uma velocidade maior. Isso também indica a presença desses contaminantes, que podem ter se desprendido do plástico das garrafas. As indústrias do plástico e da água contestaram os resultados.

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Caminhão com garrafões expostos ao sol no Catumbi, Rio: calor pode soltar componentes do plástico na água. Foto: Anne Vigna

Praticamente na mesma época, as pesquisadoras Barbara Pinto e Daniela Reali, da Universidade de Pisa, na Itália, detectaram uma contaminação semelhante, mas em menor nível, em amostras de água mineral italiana. Elas não souberam explicar a origem dos interferentes que apareceram em 10% das garrafas. Isso levou vários cientistas a pedir para a indústria do plástico que revelasse os segredos de fabricação, para entender o que acontece em uma água que fica um certo tempo nesses recipientes. A resposta foi o silêncio.

Devido à pouca colaboração da indústria, os problemas causados pelos ftalatos, outros produtos químicos usados no plástico, ainda são pouco conhecidos e estudados. Tanto os ftalatos quanto o BPA estão presentes em praticamente todo o plástico que há nas nossas casas. Os ftalatos são usados na fabricação de acessórios domésticos (piso, papel de parede), produtos infantis (mamadeiras, brinquedos, colchonetes para troca de fraldas, mordedores), embalagens (filme transparente, garrafas descartáveis) e até em utensílios médicos (cateteres, bolsas de sangue e soro). O BPA está nos equipamentos esportivos, em dispositivos médicos e odontológicos, produtos para obturação dentária e selantes, lentes para os olhos, todos os produtos com PVC, e policarbonatos, CDs e DVDs, eletrodomésticos, embalagens de plástico duras, jarras de água em plástico duro e latas de alumínio.

“Existem na vida janelas de exposição do BPA mais problemáticas do que outras. As crianças são mais expostas do que um adulto. Também ocorre maior migração de produtos químicos para a comida ou a água com o calor”, diz o pesquisador Wilson Jardim, da Unicamp. Ou seja, ainda falta muita informação sobre o perigo dos produtos e a toxicidade dos que já estão no meio ambiente. Hoje, temos consciência do perigo de substâncias que a geração anterior à nossa usava de maneira regular, como o DDT. Mas, como acontece agora, a indústria ou não informava ou negava o problema da contaminação.

Qual água é melhor?

É impossível saber se a água envasada é de melhor qualidade do que a água da torneira, pois há muito pouca informação sobre o uso de recipientes plásticos. A água tratada também tem poluentes em um nível pouco conhecido, mas com certeza menor do que o da comida não orgânica. A grande diferença entre as duas é que a água envasada traz ainda mais problemas para o meio ambiente, pelo fato de gerar lixo, aumentar as emissões de carbono e envolver consumo de energia na sua produção.

Como melhorar a água da torneira? (Veja o infográfico animado aqui.)

Parece que o único caminho para salvar a água potável é o da cidadania. As melhores experiências para se obter uma qualidade de água razoável ocorrem quando os cidadãos participam da gestão da água, fiscalizando as empresas de tratamento e exigindo que as autoridades aumentem o orçamento para o recurso “água”.

Hoje, o monitoramento das concessionárias no Brasil é feito pelas agências de vigilância sanitária de cada estado. Mas até as empresas reconhecem que não há fiscalização. As autoridades não parecem ter vontade de aumentar o orçamento para saneamento, mesmo sabendo, há muitos anos, que isso é mais do que necessário para melhorar tanto a água e o meio ambiente quanto a saúde das pessoas.

Ainda é possível mudar as coisas. As soluções existem, só que custam caro. No mesmo estudo sobre a contaminação das garrafas de água com agrotóxicos e medicamentos, as ONGs foram para regiões mais poluídas da França (nem toda a França é como Paris), onde os agrotóxicos chegam a níveis bem acima do permitido pela legislação, há muitos anos. A poluição obrigou as autoridades a investir em tecnologia de ponta para melhorar a qualidade da água. Conseguiram. Entre essas novas tecnologias estão nanofiltração, ultrafiltração, osmose reversa e tratamento com raios ultravioleta solares. Mas, para que os impostos sirvam a essa causa, a mobilização das pessoas é obrigatória.

No Canadá, na Europa, no México ou na Bolívia, existem numerosos exemplos de como a população retomou o poder sobre a qualidade, o preço e, inclusive, a propriedade da água. Também é necessária a vontade política das autoridades para limitar o uso de produtos químicos no meio ambiente e aumentar o apoio à agricultura orgânica. E da ajuda de todos no momento das compras – um consumo consciente, que prefira produtos menos danosos ao meio ambiente, tanto na fabricação quanto na vida útil. Isso significa não trocar de celular a cada novo modelo ou deixar de beber três pequenas garrafas plásticas de água por dia.

Infografico 1 parte 1 Dá para beber essa água?

Infografico 1 parte 2 1 Dá para beber essa água?

Infografico 1 parte 3 Dá para beber essa água?

Infografico 1 parte 4 Dá para beber essa água?

Infografico 1 parte 5 Dá para beber essa água?

Infografico 1 parte 6 Dá para beber essa água?

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

(Agência Pública)

Transposição do Rio São Francisco: via de mão única (Agência Pública)

07/2/2014 – 12h13

por Marcia Dementshuk, para a Agência Pública

sertanejos Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Sertanejos convivem com a obra há quase sete anos sem soluções para as consequências da seca. Foto: Mano Carvalho

Na primeira matéria do projeto Reportagem Pública, a repórter viaja ao Eixo Leste – e mostra como a população está sendo afetada pelas obras

“Sem dúvida, com a transposição do rio São Francisco será oferecida segurança hídrica para o Nordeste”, garantiu o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, durante nossa entrevista. A aposta do governo federal é alta: o orçamento atual da transposição é de R$ 8.158.024.630,97 (o dobro do previsto inicialmente), financiados pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC I e II). Trata-se do maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil, que mudará para sempre a cara da região.

Menos de 5% das reservas hídricas do país estão no Nordeste do país, que detém entre 12% e 16% das reservas de água doce no planeta. O clima semiárido, seco, quente e com poucas chuvas domina o sertão, território com mais de 22,5 milhões de habitantes (Censo IBGE/2010).

Neste cenário, a notícia de que seria possível transportar a água do Rio São Francisco para regiões mais secas transformou-se em esperança para os nordestinos de todas as épocas. Fala-se nessa obra desde os tempos do Império, quando, em 1877, o intendente do Crato, no Ceará, apresentou para dom Pedro II um projeto que levaria águas do Rio São Francisco até o rio Jaguaribe, no seu estado.

A obra foi iniciada 130 anos depois, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com base no projeto elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois do investimento inicial, de cerca de R$ 4 bilhões, o rendimento dos trabalhos diminuiu em 2010 por problemas de adequação do Projeto-Base à realidade da execução , e novas licitações precisaram ser feitas. Somente no final de 2013, conforme o Ministério da Integração Nacional, responsável pelo projeto, as obras foram 100% retomadas.

Hoje, o empreendimento aponta 51% de avanço, e o orçamento dobrou. A nova previsão para a conclusão é em dezembro de 2015, quando as águas deverão alcançar afinal o leito do rio Paraíba, no Eixo Leste, e o reservatório Engenheiro Ávidos, pelo Eixo Norte, ambos na Paraíba.

Ali do lado, falta água

O projeto prevê que as águas captadas do Rio São Francisco em dois canais de aproximação (no Eixo Norte, em Cabrobó e no Eixo Leste, no reservatório de Itaparica, em Floresta,ambos em Pernambuco) serão conduzidas pelos canais até os reservatórios, de onde abastecerão dezenas de municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, aproveitando a rede de saneamento existente. Projetos referentes a tomadas para uso difuso (pontos de tomada de água captadas ao longo dos canais para abastecer as comunidades instaladas nas proximidades) ainda estão em fase de elaboração. O Ministério da Integração ainda não definiu que pontos serão esses, nem os locais exatos de captação. Da mesma forma, os valores finais do custo desta água para a população ainda estão em estudo por parte do governo federal.

A realidade, porém, é que há mais de dois anos, muitos moradores dos municípios do semiárido nem sequer têm água nas torneiras; usam a água distribuída por caminhões-pipa, de poços particulares ou públicos (a maioria com água salobra) ou da chuva (quando chove).

Manoel Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Em Caiçara, distrito de Custódia, Maria Célia Rodrigues da Silva disse que falta água nas torneiras desde o início das obras do PISF. Foto: Mano Carvalho

Em Caiçara, distrito de Custódia, Pernambuco, próximo ao Lote 10, que corresponde a atual Meta 2L, da construção (veja o mapa), a população toma a água enviada pelo Exército, em caminhões-pipa, uma vez por semana. Toda semana é a mesma cena: a água é despejada em uma cisterna central, e cada morador tem que ir buscar – há carroceiros que cobram em torno de R$ 5,00 ou R$ 7,00 por viagem.

O riacho Custódia passa próximo da casa de Manoel Rodrigues de Melo, agricultor de 52 anos, mas o fio de água que resta é salobra, e só serve para lavar a casa ou os estábulos. “A água boa vem de Fátima, a uns 40 quilômetros daqui. O que a gente mais precisa aqui é água, que não tem”, suplica o agricultor. Nessas condições, ele e a esposas criaram oito filhos. Todos partiram em busca de melhores condições de vida. “É muito filho, até parece mentira! Mas antigamente os invernos eram melhores, chovia mais”.

Manoel Rodrigues de Melo, que nunca saiu da região onde nasceu, viu seu terreno ser dividido pelo canal do Eixo Leste: ficou com seis quilômetros de um lado do canal e com a mesma medida do outro. Dono de um sotaque sertanejo carregado, com poucos dentes na boca, as mãos calejadas e a pele castigada pelo sol, Manoel conta que agora os bichos têm de usar a ponte sobre o canal para passar. “Senão, eles ficam ou do lado de cá, ou do lado de lá, ou tem que fazer um volta tremenda lá por baixo, onde tem um lugar pra passar. Mas o que mais a gente espera é essa água que ‘tá’ pra vir. Isso vai mudar a nossa vida aqui. Vai ser muito bom”, diz o agricultor, ansioso.

“A gente tinha água pela torneira, era ruim, mas dava pra limpeza. Mas desde que começou essa construção (referindo-se à transposição) ela foi cortada”, lembra-se a vizinha de Manoel, a dona de casa Maria Célia Rodrigues da Silva, que cuida da mãe doente, com 82 anos. “Nem as cisternas não enchem. Estamos com dois anos de seca”, completou. A água encanada provinha de um poço escavado em outro vilarejo próximo de Caiçara, Fiúza, mas ela não sabe dizer se foi cortada em função das obras da transposição, ou se o poço secou. Mesmo com o encanamento de sua casa enferrujado e sem saber se terá água para beber no dia seguinte, a vida de Maria Célia continua. Ela não teve filhos. Cria alguns bodes, cabras e galinhas no quintal da casa e conta com o dinheiro da aposentadoria de sua mãe para o sustento das duas. Trabalhava na roça, mas nada mais resistiu à seca de dois anos.

Tradicional como a seca, o pífano de Zabé

Zabe Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Zabé da Loca. Foto: Mano de Carvalho

A tocadora de pífano Zabé da Loca nos recebeu às vésperas de completar 90 anos. Quando tinha 79 anos, 25 dos quais passados em uma gruta, na Serra do Tungão, próximo a Monteiro (PB), Zabé se tornou conhecida no mercado de música regional. Chegou a dividir o palco com músicos como Hermeto Pascoal e Gabriel Pensador em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Paraíba e Brasília.

Típica sertaneja, que jamais conheceu o conforto de abrir uma torneira de onde corresse água em abundância, Zabé teve 14 irmãos, oito dos quais morreram por doenças originadas pela falta de água e desnutrição. Fumante inveterada, persistiu no hábito mesmo depois do tratamento de combate a um enfisema pulmonar e à pneumonia e não deixou de enrolar um cigarrinho durante a visita, enquanto lembrava: “Nessa serra sempre teve água da chuva que empoçava nas pedras. Mas tinha anos que não encontrávamos água em canto nenhum. A gente tinha que ir até o rio (afluente do rio Paraíba, próximo da nascente) pegar”.

Quando comentamos sobre a transposição do rio São Francisco ela reagiu: “esse negócio existe mesmo?”

Para o ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Luiz Gabriel Azevedo, o custo de operação da água da transposição é elevado e requer investimentos vultosos, quando comparado a outras alternativas. “Parte do pacto, quando se pensou esse projeto, é de que os estados fariam um trabalho forte de racionalizar o uso dentro de seus territórios, de melhorar o sistema de gestão; e os estados estão aquém dessa expectativa”, analisa. Ele alega que os estados deveriam investir mais em obras que garantissem os recursos hídricos, como manutenção e construção de açudes, estudos para perfurações de poços e principalmente em obras de saneamento e rede de distribuição de água.

“Não valerá à pena trazer uma água cara para se desperdiçar do outro lado. Não dá para executar um projeto complexo se os recursos dos açudes não forem bem usados, se não houver um sistema de distribuição, se não se tem um sistema de gestão eficiente nos estados que vão receber para gerir a água”, complementou Luiz Gabriel Azevedo.

Por Lei, o órgão competente que determinará como a água será distribuída é o Conselho Gestor do Projeto de Integração do Rio São Francisco, instituído pelo Decreto 5.995/2006. Esse Conselho é formado por representantes dos estados beneficiados com o empreendimento – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará – e tem por objetivo, entre outros, tratar da alocação das águas e dos rateios dos custos correspondentes.

moradores Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Desalentados pela seca, moradores de cidades do Sertão nordestino aguardam a chegada das águas da transposição. Foto: Mano Carvalho

Para o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA) destaca que o Nordeste ainda carece de um conjunto de soluções hídricas, como aproveitamento máximo da escassa água da chuva, o controle do uso das águas dos reservatórios ou a transposição de águas de outras bacias hidrográficas, já que a escavação de poços do semiárido é considerada inviável. De acordo com o relatório de impacto Ambiental do PISF, (RIMA), “a maioria do território semiárido (70% da região) dispõe de pouca água subterrânea e possui solo impermeável, ou seja, absorve pouca água, limitando sua capacidade de disponibilidade. Além desse aspecto, a água, em geral, é de baixa qualidade”.

Realocação de moradores e uma vila partida ao meio

Cerca de 800 famílias foram deslocadas e receberam indenizações entre cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil para dar passagem às obras da transposição – de acordo com a gerência de Comunicação da CMT Engenharia, empresa responsável pelo acompanhamento das ações de compensação socioambiental do PISF – ao longo dos eixos Norte e Leste, em Pernambuco e no Ceará. De acordo com o supervisor de obras da empresa Ecoplan, Adilson Leal, porém, as terras não entraram na avaliação das propriedades a serem indenizadas por possuírem baixo valor de mercado, segundo a empresa, em função da pouca qualidade da terra para o plantio ou para o pasto, em uma região onde a chuva é escassa. Só as benfeitorias foram ressarcidas.

abastecimento Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Abastecimento de água potável para a população em Rio da Barra (PE), por onde passam os canais da transposição, ocorre duas vezes por semana. Foto: Mano de Carvalho

Em Rio da Barra, distrito de Sertânia, em Pernambuco, comunidade que beira o canal na altura do Lote 11, que corresponde à Meta 2L, (veja o mapa), a população se encontra duas vezes por semana na cisterna pública para se abastecer de água potável proveniente de um poço artesiano cavado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Um funcionário da prefeitura de Sertânia controla o abastecimento gratuito dos galões trazidos pela população na noite anterior. O local acaba se tornando o ponto de encontro do povoado. Mães carregando baldões chegam com as crianças arrastando baldes menores, carroças carregadas de galões estacionam ao lado e todos aguardam com paciência pelo precioso líquido. Maria José Araújo Pinheiro, uma dona de casa tímida, mas de olhos atentos, aguardava sua vez quando comentou que sua mãe, Creusa Davi da Silva, aceitou a oferta do governo para desocupar suas terras no sítio Chique-Chique. “Eles ofereceram pra ela R$ 14.400, ela pegou e foi morar em Sertânia. Como ela ganha aposentadoria, está bem. Mas pagaram só pela casa”, disse Maria José.

Marcia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O marido de Márcia Freire, Adilson Salvador, de Rio da Barra (PE,) é técnico ambiental nas obras da transposição. Foto: Mano de Carvalho

Márcia Maria Freire Araújo vem do outro lado do canal do Eixo Leste da transposição pegar água na cisterna pública de Rio da Barra. Ela chega sempre antes das seis da manhã, na companhia do cunhado que conduz uma carroça puxada a burro onde transportam os galões de água. Andam cerca de dois quilômetros, atravessam o canal por uma ponte provisória e os depositam em uma fila de recipientes que começou a ser formar no dia anterior. Sua família mora em outra propriedade pequena, que teve uma parte indenizada pelo Ministério da Integração Nacional. “Eu não acho que é justo perder um pedaço de terra, mas se é para fazer o bem pra tanta gente, então aceitamos”, conforma-se. Ela vê o lado bom: seu marido, Adilson Salvador, é empregado na construtora SA Paulista como técnico ambiental na transposição. “Ele conseguiu emprego desde o início da obra, primeiro por outra empresa, e agora pela Paulista”, orgulha-se Márcia Maria.

Em outra localidade, na zona rural de Sertânia, os moradores do Sítio Brabo Novo ficaram divididos pelo canal. Pelo menos treze famílias preferiram a remoção para terras acima do reservatório Barro Branco, ainda em fase de retirada da vegetação. Um número bem maior de famílias permaneceu do outro lado do reservatório.

Maria da Conceição Siqueira, viúva, de 51 anos, e seu filho, de 18 anos, deixarão a antiga moradia para trás e irão para Sertânia. “Já recebi R$ 7.500,00 por aquela casinha ali”, diz, apontando para uma casa que ficará submersa pelo reservatório, “e ganhei essa casa aqui. Mas vamos fechá-la e ir embora”. “Fiquei com um pedaço de terra muito pequeno, (cerca de 50m²) não dá pra nada. Meu filho está em tratamento, ele teve um derrame no cérebro e é melhor a gente ficar lá”, diz.

Lucineia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Lucinéia ferreira Florêncio não acredita em distribuição justa das águas da transposição. Foto: Mano de Carvalho

A família das irmãs Lucicléia e Lucinéia Ferreira Florêncio, vizinhas de Maria da Conceição, tomou uma decisão diferente. “Nossa primeira casa era onde agora vai ser o reservatório, e já foi indenizada em 2007. Mas esse reservatório ocupou quase a metade do nosso terreno. Como ainda sobraram terras desse outro lado e esta é uma área liberada, decidimos construir aqui, com o dinheiro da indenização”, contou Lucinéia. Ela não soube informar o tamanho do sítio, mas a nova casa é grande. No terreno persiste uma plantação de palmas (um tipo de cactos que serve para alimentar os animais) e algumas árvores frutíferas. O resto foi perdido: abacaxi, macaxeira, milho, feijão… A irmã, Luciclélia, casou-se e construiu uma casa menor ao lado, onde vive com o marido e uma bebê de nove meses.

Lucinéia, professora, duvida que no futuro haja uma distribuição justa das águas da transposição. “Tem os pontos positivos, mas acho que vão ter os negativos também. Eu penso que com essa água toda vão começar a fazer mais obras por aqui e eu não sei se toda a comunidade vai ter acesso a essa água quando quiser. O pequeno produtor nunca é beneficiado como os grandes proprietários, nunca tem igualdade. E acho que o crescimento vai ser desordenado. A comunidade já tem uma associação de moradores, mas ainda não sabe como abordar esse assunto”, lamentou Lucinéia, dizendo que não há orientação nenhuma dos governos sobre isso.

sitio Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O Sítio Passagem da Pedra, em Sertânia, dividido para a construção do túnel; zeladores recuam cerca que delimita área da propriedade. Foto: Mano de Carvalho

Na área onde será construído o túnel entre Sertânia e Monteiro, no Lote 12, atual Meta 3L (veja mapa), a retomada das obras em dezembro significou a perda de mais 100 metros de terreno pelos agricultores, além dos 100 metros que já tinham recuado. “Fazer o quê? Os donos já receberam a indenização e agora que vieram construir pediram mais esse pedaço de terra”, explicam Lenilton Cordeiro dos Santos e Quitéria Araújo da Silva, zeladores do sítio Passagem da Pedra, cortado tanto pelo canal da transposição quanto pelo túnel.

Ailton Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

“Ninguém sabe”, afirmou o capataz Aílton Ferreira falando sobre a data que deverá chegar as águas da transposição no túnel na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Foto: Mano de Carvalho

No sítio ao lado, Aílton Ferreira de Oliveira cuida do terreno da sogra, que também foi reduzido. “Agora, o gado que sobrou, cinco cabeças, está no curral e come mandacaru, pois não tem mais o que comer por causa da seca, e o terreno ficou pequeno pro pasto”.

“E essa água, quando chega?”, interrompe o capataz do sítio, que prossegue, num monólogo: “Ninguém sabe…”.

Leia também as outras quatro reportagens da série e ainda um relato da repórter Márcia Dementshuk, onde ela conta os bastidores da reportagem.

Uma viagem ao canteiro de obras

Na Contramão da Transposição

O povo contra os areeiros

Leia os bastidores da reportagem

A Transposição, um projeto dos tempos do Império

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

How does radioactive waste interact with soil and sediments? (Science Daily)

Date: February 3, 2014

Source: Sandia National Laboratories

Summary: Scientists are developing computer models that show how radioactive waste interacts with soil and sediments, shedding light on waste disposal and how to keep contamination away from drinking water.

Sandia National Laboratories geoscientist Randall Cygan uses computers to build models showing how contaminants interact with clay minerals. Credit: Lloyd Wilson

Sandia National Laboratories is developing computer models that show how radioactive waste interacts with soil and sediments, shedding light on waste disposal and how to keep contamination away from drinking water.

“Very little is known about the fundamental chemistry and whether contaminants will stay in soil or rock or be pulled off those materials and get into the water that flows to communities,” said Sandia geoscientist Randall Cygan.

Researchers have studied the geochemistry of contaminants such as radioactive materials and toxic heavy metals, including lead, arsenic and cadmium. But laboratory testing of soils is difficult. “The tricky thing about soils is that the constituent minerals are hard to characterize by traditional methods,” Cygan said. “In microscopy there are limits on how much information can be extracted.”

He said soils are often dominated by clay minerals with ultra-fine grains less than 2 microns in diameter. “That’s pretty small,” he said. “We can’t slap these materials on a microscope or conventional spectrometer and see if contaminants are incorporated into them.”

Cygan and his colleagues turned to computers. “On a computer we can build conceptual models,” he said. “Such molecular models provide a valuable way of testing viable mechanisms for how contaminants interact with the mineral surface.”

He describes clay minerals as the original nanomaterial, the final product of the weathering process of deep-seated rocks. “Rocks weather chemically and physically into clay minerals,” he said. “They have a large surface area that can potentially adsorb many different types of contaminants.”

Clay minerals are made up of aluminosilicate layers held together by electrostatic forces. Water and ions can seep between the layers, causing them to swell, pull apart and adsorb contaminants. “That’s an efficient way to sequester radionuclides or heavy metals from ground waters,” Cygan said. “It’s very difficult to analyze what’s going on in the interlayers at the molecular level through traditional experimental methods.”

Molecular modeling describes the characteristics and interaction of the contaminants in and on the clay minerals. Sandia researchers are developing the simulation tools and the critical energy force field needed to make the tools as accurate and predictive as possible. “We’ve developed a foundational understanding of how the clay minerals interact with contaminants and their atomic components,” Cygan said. “That allows us to predict how much of a contaminant can be incorporated into the interlayer and onto external surfaces, and how strongly it binds to the clay.”

The computer models quantify how well a waste repository might perform. “It allows us to develop performance assessment tools the Environmental Protection Agency and Nuclear Regulatory Commission need to technically and officially say, ‘Yes, let’s go ahead and put nuclear waste in these repositories,'” Cygan said.

Molecular modeling methods also are used by industry and government to determine the best types of waste treatment and mitigation. “We’re providing the fundamental science to improve performance assessment models to be as accurate as possible in understanding the surface chemistry of natural materials,” Cygan said. “This work helps provide quantification of how strongly or weakly uranium, for example, may adsorb to a clay surface, and whether one type of clay over another may provide a better barrier to radionuclide transport from a waste repository. Our molecular models provide a direct way of making this assessment to better guide the design and engineering of the waste site. How cool is that?”

Can workshops on household water use impact consumer behavior? (Science Daily)

Date: January 31, 2014

Source: American Society for Horticultural Science

Summary: Researchers studied the effectiveness of workshops designed to focus on residential water conservation using a sample of irrigation water use data for 57 workshop participants and 43 nonparticipants. Results indicated that the 2-hour workshops were effective in reducing attendees’ irrigation water use; however, the effect was short lived. Results also showed that effects of workshop attendance depended on the household sample, and found that water use increased for some low-use workshop participants.

In Florida, where population growth, drought, and saltwater intrusion are affecting finite water sources, researchers are looking for effective ways to educate consumers about household water use habits. Despite an average annual rainfall of 55 inches, Florida was included on the Natural Resources Defense Council’s list of states with the greatest risk of water shortages in the coming years; the daily total state domestic water use in Florida is the fourth highest in the United States. A large proportion of Florida’s water is not used for human consumption, but is used for irrigating residential landscapes. In fact, a recent South Florida Water Management District study reported that outdoor water use in their area constitutes up to 50% of total household water consumption, and that up to 50% of the water applied to lawns is wasted through evaporation or overwatering.

Universities and municipalities are addressing this critical environmental concern through outreach and extension programs designed to educate the public about water conversation. But are these workshops effective in actually helping participants reduce their water use? Tatiana Borisova and Pilar Useche from the University of Florida conducted a study published in HortTechnology to determine the effectiveness of free, 2-hour irrigation management workshops conducted by the Florida Cooperative Extension Service in cooperation with a local water provider in order to find out if there were short- and long-term impacts of workshop participation. “Landscape management outreach programs have been implemented by regional and local agencies, Cooperative Extension Services, and other organizations to encourage more efficient irrigation water use and residential water conservation,” explained lead author Borisova. “However, limited information exists about the effectiveness of such programs.”

The team studied actual water use data for 12 months before and after workshops, and then compared water use data from workshop participants with the water use of households that did not participate in the workshop. They found “statistically significant reduction in water use” only in the month of the workshop. “Although the workshop has an impact on water use, this impact is very short-lived,” noted Borisova. “For workshop participants and nonparticipants, water use returns to the base level immediately in the months following the workshop.” The authors added that reinforcement of the educational message received during the workshop is probably required to sustain water-use reductions over time.

The team also found that the effect of workshop attendance depended on the sample of the households considered. For example, in the subsample of the low water-use households, water use tended to increase following the workshop. “The overall objective of the workshop was to improve the irrigation efficiency by reducing water wastes. However, households with low average water use may already be technically efficient, and workshop attendance cannot reduce their irrigation water use further without negatively affecting the yard aesthetics and plant health,” explained Borisova.

Borisova and Useche recommend development of a comprehensive evaluation approach for water use programs that includes evaluation of actual water use reductions in order to more accurately quantify program impact, design more effective educational programs, and better target the programs to consumers.

The complete study and abstract are available on the ASHS HortTechnology electronic journal web site: http://horttech.ashspublications.org/content/23/5/668.abstract

Journal Reference:

  1. Tatiana Borisova and Pilar Useche. Exploring the Effects of Extension Workshops on Household Water-use BehaviorHortTechnology, October 2013

Manejo de água no país é crítico, afirmam pesquisadores (Fapesp)

Avaliação foi feita por participantes de seminário sobre recursos hídricos e agricultura, realizado na FAPESP como parte das atividades do Prêmio Fundação Bunge 2013 (Wikipedia)

09/10/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A gestão de recursos hídricos no Brasil representa um problema crítico, devido à falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrográficas do país. A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do “Seminário sobre Recursos Hídricos e Agricultura”, realizado no dia 2 de outubro, na FAPESP.

O evento integrou as atividades do 58º Prêmio Fundação Bunge e do 34º Prêmio Fundação Bunge Juventude que, neste ano, contemplaram as áreas de Recursos Hídricos e Agricultura e Crítica Literária. Na área de Recursos Hídricos e Agricultura os prêmios foram outorgados, respectivamente, aos professores Klaus Reichardt, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Universidade de São Paulo (USP), e Samuel Beskow, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

“O Brasil tem problemas de gestão de recursos hídricos porque não há mecanismos, instrumentos, tecnologias e, acima de tudo, recursos humanos suficientemente treinados e com bagagem interdisciplinar para enfrentar e solucionar os problemas de manejo da água”, disse José Galizia Tundisi, pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), convidado a participar do evento.

“É preciso gerar métodos, conceitos e mecanismos aplicáveis às condições do país”, avaliou o pesquisador, que atualmente dirige o programa mundial de formação de gestores de recursos hídricos da Rede Global de Academias de Ciências (IAP, na sigla em inglês) – instituição que representa mais de cem academias de ciências no mundo.

De acordo com Tundisi, as bacias hidrográficas foram adotadas como unidades prioritárias de gerenciamento do uso da água pela Política Nacional de Recursos Hídricos, sancionada em 1997. Todas as bacias hidrográficas do país, contudo, carecem de instrumentos que possibilitem uma gestão adequada, apontou o pesquisador.

“É muito difícil encontrar um comitê de bacia hidrográfica [colegiado composto por representantes da sociedade civil e responsável pela gestão de recursos hídricos de uma determinada bacia] que esteja totalmente instrumentalizado em termos de técnicas e de programas para melhorar o desempenho do gerenciamento de uso da água”, afirmou.

Modelagem hidrológica

Segundo Tundisi, alguns dos instrumentos que podem facilitar a gestão e a tomada de decisões em relação ao manejo da água de bacias hidrográficas brasileiras são modelos computacionais de simulação do comportamento de bacias hidrográficas, como o desenvolvido por Beskow, professor do Departamento de Engenharia Hídrica da UFPel, ganhador da atual edição do Prêmio Fundação Bunge Juventude na área de Recursos Hídricos e Agricultura.

Batizado de Lavras Simulation of Hidrology (Lash), o modelo hidrológico foi desenvolvido por Beskow durante seu doutorado, realizado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, com um período na Purdue University, dos Estados Unidos.

“Há vários modelos hidrológicos desenvolvidos em diferentes partes do mundo – especialmente nos Estados Unidos e Europa –, que são ferramentas valiosíssimas para gestão e tomada de decisões relacionadas a bacias hidrográficas”, disse Beskow.

“Esses modelos hidrológicos são úteis tanto para projetar estruturas hidráulicas – pontes ou reservatórios –, como para fazer previsões em tempo real de cheias e enchentes, como para medir os impactos de ações do tipo desmatamento ou mudanças no uso do solo de áreas no entorno de bacias hidrográficas”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a primeira versão do Lash foi concluída em 2009 e aplicada em pesquisas sobre modelagem de chuva e vazão de água para avaliação do potencial de geração de energia elétrica em bacias hidrográficas de porte pequeno, como a do Ribeirão Jaguará, em Minas Gerais, que possui 32 quilômetros quadrados.

Em razão dos resultados animadores obtidos, o pesquisador começou a desenvolver, a partir de 2011, a segunda versão do modelo de simulação hidrológica, que pretende disponibilizar para os gestores de bacias hidrográficas de diferentes dimensões.

“O modelo conta agora com um banco de dados por meio do qual os usuários conseguem importar e armazenar dados de chuva, temperatura e umidade e uso do solo, entre outros parâmetros, gerados em diferentes estações da rede de monitoramento de uma determinada bacia geográfica e, que permitem realizar a gestão de recursos hídricos”, contou.

Uma das principais motivações para o desenvolvimento de modelos e de simulação hidrológica no Brasil, segundo o pesquisador, é a falta de dados fluviométricos (de medição de níveis de água, velocidade e vazão nos rios) das bacias hidrológicas existentes no país.

É baixo o número de estações fluviométricas cadastradas no Sistema de Informações Hidrológicas (HidroWeb), operado pela Agência Nacional de Águas (ANA), e muitas delas estão fora de operação, afirmou Beskow.

“Existem pouco mais de cem estações fluviométricas no Rio Grande do Sul cadastradas nesse sistema, que nos permitem obter dados de séries temporais de até dez anos”, disse o pesquisador. “Esse número de estações é muito baixo para fazer a gestão de recursos hídricos de um estado como o Rio Grande do Sul.”

Uso racional da água

Beskow e Klaus Reichardt – que também é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) – destacaram a necessidade de desenvolver tecnologias para usar a água de maneira cada vez mais racional na agricultura, uma vez que o setor consome a maior parte da água doce prontamente disponível no mundo hoje.

Do total de 70% da água encontrada na Terra, 97,5% é salgada e 2,5% é doce. Desse percentual ínfimo de água doce, no entanto, 69% estão estocados em geleiras e neves eternas, 29,8% em aquíferos e 0,9% em reservatórios. Do 0,3% prontamente disponível, 65% são utilizados pela agricultura, 22% pelas indústrias, 7% para consumo humano e 6% são perdidos, ressaltou Reichardt.

“No Brasil, temos a Amazônia e o aquífero Guarani que poderão ser explorados”, afirmou o pesquisador que teve projetos apoiados pela FAPESP.

Reichardt ganhou o prêmio por sua contribuição em Física de Solos ao estudar e desenvolver formas de calcular o movimento de água em solos arenosos ou argilosos, entre outros, que apresentam variações. “Isso foi aplicado em vários tipos de solo com condutividade hidráulica saturada em função da umidade, por exemplo”, contou.

O pesquisador vem se dedicando nos últimos anos a realizar, em colaboração com colegas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tomografia computadorizada para medida de água no solo. “Por meio dessa técnica conseguimos desvendar fenômenos muito interessantes que ocorrem no solo”, disse Reichardt.

Custo da inanição

O evento contou com a presença de Eduardo Moacyr Krieger e Carlos Henrique de Brito Cruz, respectivamente vice-presidente e diretor científico da FAPESP; Jacques Marcovitch, presidente da Fundação Bunge; Ardaillon Simões, presidente da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e José Antônio Frizzone, professor da Esalq, entre outras autoridades.

Em seu pronunciamento, Krieger apontou que a Fundação Bunge e a FAPESP têm muitas características em comum. “Ao premiar anualmente os melhores pesquisadores em determinadas áreas, a Fundação Bunge revela seu cuidado com o mérito científico e a qualidade das pesquisas”, disse Krieger.

“A FAPESP, de certa forma, também faz isso ao ‘premiar’ os pesquisadores por meio de Bolsas, Auxílios e outras modalidades de apoio, levando em conta a qualidade da pesquisa realizada.”

Brito Cruz ressaltou que o prêmio concedido pela Fundação Bunge ajuda a criar no Brasil a possibilidade de pesquisadores se destacarem na sociedade brasileira por sua capacidade e realizações intelectuais.

“Isso é essencial para se construir um país que seja dono de seu destino, capaz de criar seu futuro e enfrentar novos desafios de qualquer natureza”, disse Brito Cruz. “Um país só consegue avançar tendo pessoas com capacidade intelectual para entender os problemas e criar soluções para resolvê-los.”

Por sua vez, Marcovitch avaliou que o problema da gestão do uso da água no país pode ser enfrentado de duas formas. A primeira parte da premissa de que o país está deitado em berço esplêndido, tem recursos naturais abundantes e, portanto, não precisaria se preocupar com o problema. A segunda alerta para as consequências da inação em relação à necessidade de se fazer gestão adequada dos recursos hídricos do país, como Tundisi vem fazendo, para estimular pesquisadores como Beskow e Reichardt a encontrar respostas.

“[Nós, pesquisadores,] temos a responsabilidade de elevar a consciência da sociedade sobre os riscos e o custo da inação em relação à gestão dos recursos hídricos do país”, disse.

Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais (IHU On-Line)

Sociedade

02/10/2013 – 11h26

por Redação do IHU On-Line

pescadores artesanais alto uruguai 370x230 Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais

Foto: http://bit.ly/1fNDm5V

Com a privatização das águas, “não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal”, adverte a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras artesanais.

Responsável por 70% da produção de pescado no país, a pesca artesanal está ameaçada pelo Projeto do Ministério da Pesca e da Aquicultura, denominado pelo movimento dos pescadores e pescadoras tradicionais de “privatização das águas públicas dos mares”.

Trata-se da Cessão de águas Públicas lançada em editais no mês de junho (Licitações: 11/2013- 12/2013-13/2013-14/2013), que transfere determinada área do mar para grupos que pretendem cultivar uma determinada espécie de peixe. Segundo a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Elionice Sacramento, já serão privatizadas áreas em cinco estados brasileiros, sendo “três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais”.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Elionice enfatiza que “quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal”. Com o passar do tempo, acentua, o órgão passou a adotar políticas “que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil”.

Elionice Sacramento é integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que caracteriza a privatização das águas públicas e qual é o objetivo desta privatização? Em que consiste essa política desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura?

Elionice Sacramento – Queria dizer que quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal. Depois percebemos que ele estava adotando políticas que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil. Então, o governo passou a ver o Ministério como um espeço de promoção política de alguns deputados, tanto que se criou um esquema de corrupção muito grande no Ministério no que diz respeito à documentação de pescadores. Daí para frente começamos a ouvir falar em um projeto de privatização das águas públicas.

Em junho, foi lançado no país um edital para a privatização de áreas de quatro estados brasileiros, ou seja, serão privatizadas três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais. Trata-se de um modelo que passa por cima das comunidades tradicionais que utilizam aquele espaço com uma relação de respeito com o mar e que interessa às forças capitalistas.

IHU On-Line – Como funciona esse processo de privatização das águas?

Elionice Sacramento – Foi lançado um edital, os interessados demonstram seus interesses, concorrem a esses espaços. Após a licitação, o grupo interessado terá direito de fazer uso daquele espaço durante 20 anos e pagar uma quantia mínima aos cofres públicos.

IHU On-Line – O que a privatização das águas públicas significa para as comunidades tradicionais, especialmente, as pesqueiras? Além das comunidades, quem mais será prejudicado com a privatização desses espaços?

Elionice Sacramento – Não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal. Então, os turistas serão prejudicados, e o comércio dessas regiões também, porque esses pescados que são produzidos em cativeiro são pescados para exportação, e não para uso nacional. Por outro lado, haverá um processo de desequilíbrio do meio ambiente, porque espécies estranhas serão cultivada no mar, e o lixo produzido por elas ficará no mar.

Sem contar que os pescadores e pescadoras artesanais desempenham um papel fundamental no Brasil. Nós somos guardiões de uma tradição milenar, somos produtores de alimento, porque 70% de todo pescado produzido no país vem da pesca artesanal. Então, essa tradição só se manteve durante tantos anos porque estabelecemos com a natureza uma relação de completo respeito, uma relação de amor, mas principalmente uma relação de dependência e de respeito.

Respeitamos os períodos de reposição dos peixes, e agimos de acordo com a determinação da natureza. Esses processos industriais não têm respeito com nada. Eles atropelam tudo, desmontam processos de organização que já existem nas comunidades.

IHU On-Line – Já existem editais lançados para a compra de corpos d’águas em alguns estados. Do ponto de vista legal, como o movimento vem contestando os editais e esse processo de privatização?

Elionice Sacramento – Esse edital lançado em junho feriu algumas leis e alguns acordos internacionais. Por exemplo, o princípio de consulta às comunidades tradicionais não foi cumprido.

Então, as comunidades que fazem uso desses espaços não foram consultadas sobre esse processo de privatização das águas públicas. E isso já é motivo de ilegalidade do processo.

Quando o edital foi lançado na Bahia, o ministro em exercício à época não quis ouvir os integrantes do movimento e disse que apenas uma pessoa poderia falar. Quando nós nos negamos a aceitar essa proposta, o ministro levantou e disse que não ficava no encontro. Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade. Por outro lado, nós visitamos a Secretaria de Patrimônio da União, que foi quem regularizou as áreas da água para ceder ao Ministério da Pesca, e questionamos por que os territórios não estão sendo cedidos aos pescadores, e sim para a apicultura. Segundo as pessoas que nos receberam, existia a Secretaria de Patrimônio da União desconhecia o porquê de essas áreas não serem destinadas para a pesca artesanal.

Então, entramos com um recurso contestando a ilegalidade do processo, fomos até a 6ª Câmara Federal, procuramos a Promotora Deborah Duprat, e também outros cinco promotores. Todos receberam esse processo com muita indignação.

IHU On-Line – Os editais determinam que as empresas vencedoras das licitações devem promover um número mínimo de empregos. Como você enxerga esse ponto específico?

Elionice Sacramento – A maioria dos empreendimentos, quando chegam às comunidades, apontam a justificativa de que vão gerar empregos. Por conta disso, esses empreendimentos acabam recebendo a aceitação de políticos e de pessoas que não têm vocação para a pesca. Só que isso é enganação. Temos muita clareza de que o discurso do emprego não é verdadeiro, até porque o processo que querem implementar é muito industrial.

IHU On-Line – Quais apoios são importantes no processo de luta para impedir a privatização das águas públicas?

Elionice Sacramento – Nós estamos em campanha pela própria ação e regularização dos territórios pesqueiros. Nessa campanha foi pensado um projeto de iniciativa popular onde a sociedade brasileira vai dizer, através de assinaturas, se concorda que o território pesqueiro seja protegido. Também temos divulgado o trabalho dos pescadores, porque somos invisível nesse país. Parece que a sociedade não sabe de onde vem o peixe que gostamos de comer.

IHU On-Line – Você gostaria de acrescentar algo?

Elionice Sacramento – Gostaria de sugerir que as pessoas acessem o nosso blog, assinem o abaixo assinado pela Campanha da Regulamentação dos Territórios Pesqueiros, e compreendam a importância da pesca artesanal e dos pescadores e pescadoras.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

El EZLN y el Congreso Nacional Indígena responderán “en consecuencia ante cualquier intento” de reprimir a los yaquis (Desinformemonos)

Posted By ada On julio 7, 2013 @ 12:59 In Geografía,México,Reportajes,Reportajes México | No Comments

México. El Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN) y los pueblos indios que conforman el Congreso Nacional Indígena (CNI), se solidarizaron e hicieron suya la lucha que actualmente libra la tribu yaqui en defensa de su agua. “Responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha”, señalaron en un comunicado conjunto.

La tribu yaqui mantiene desde hace 38 días un campamento de resistencia en la carretera internacional, a la altura de Vícam, Sonora, para impedir el robo de agua planeado a través del Acueducto Independencia, una obra anticonstitucional planeada por el gobierno de Guillermo Padrés para abastecer a Hermosillo.

En un comunicado firmado desde el Caracol de Oventik, a una hora de San Cristóbal de las Casas, Chiapas, la Comandancia General zapatista y los pueblos, tribus, naciones y barrios que integran el CNI, saludaron “la movilización histórica de la tribu yaqui en la defensa de su existencia y de su territorio”.

“Su lucha, compañeros, es nuestra también, pues, al igual que ustedes, mantenemos la certeza de que la tierra es nuestra madre y el agua que corre por sus venas no se vende, pues de ella depende la vida que es un derecho y que no nos ha sido dado por los malos gobierno ni por los empresarios”, indicaron en el comunicado signado a poco más de un mes de que se lleve a cabo la Cátedra Tata Juan Chávez Alonso, reunión convocada por los zapatistas para fortalecer la red de pueblos indios de México.

Ante la represión que enfrentan los yaquis por defender el agua del río que el gobierno del estado pretende desviar a la capital de Sonora, el EZLN y el CNI exigen “la cancelación inmediata de las órdenes de aprehensión y de la fabricación de delitos en contra de integrantes de la tribu yaqui”, y condenan “la criminalización de su lucha, diciendo a los malos gobiernos emanados de los partidos políticos que el río Yaqui ha sido históricamente el portador de la continuidad ancestral de la cultura y territorio”.

El CNI se conformó en octubre de 1996, luego de la visita de la comandanta Ramona a la ciudad de México. A partir de ese momento establecieron un trabajo en red que los coloca como la organización indígena nacional más consolidada de México. Con altas y bajas en estos 17 años de organización, los próximos 17 y 18 de agosto volverán a reunirse en San Cristóbal de las Casas, al lado del EZLN, organización convocante.

En el comunicado dado a conocer la noche del 7 de julio, insisten en que “si nos tocan a unos nos tocan a todos, por lo que responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha”.

Finalmente, los zapatistas y el resto de los pueblos indios que conforman el CNI, llamaron “a la comunidad internacional y a los hermanos y hermanas de la Sexta Internacional a permanecer  atentos a los acontecimientos que se presenten en lo futuro en el territorio de la tribu Yaqui, sumándose a la solidaridad con la Tribu y a sus exigencias”.

A continuación el comunicado íntegro:

A la Tribu Yaqui,

Al Pueblo de México,

A la Sexta nacional e Internacional

A los gobiernos de México y del Mundo.  

Desde las montañas del sureste mexicano en territorio rebelde zapatista emitimos nuestra palabra conjunta como Pueblos, Naciones y Tribus Indígenas que conformamos el Congreso Nacional Indígena, a través de la cual enviamos un saludo fraterno de fuerza y solidaridad a los miembros de la Tribu Yaqui, a su Gobierno y Guardia Tradicional, esperando que se encuentren todos con bien.

Saludamos la movilización histórica de la Tribu Yaqui en la defensa de su existencia y de su territorio, misma que en los últimos 38 días se ha manifestado en el establecimiento de un campamento en resistencia en torno a la Carretera Internacional en Vicam, Primera Cabecera de la Tribu Yaqui, ante el robo del agua que el mal gobierno pretende concretar a través del Acueducto Independencia, a pesar de haber recorrido los caminos legales necesarios, en los que han obtenido triunfos que el propio gobierno no ha respetado. Su lucha, compañeros es nuestra también, pues, al igual que ustedes, mantenemos la certeza de que la tierra es nuestra madre y el agua que corre por sus venas no se vende, pues de ella depende la vida que es un derecho y que no nos ha sido dado por los malos gobierno ni por los empresarios.

Exigimos la cancelación inmediata de las órdenes de aprehensión y de la fabricación de delitos en contra de integrantes de la Tribu Yaqui y condenamos la criminalización de su lucha, diciendo a los malos gobiernos emanados de los partidos políticos que el río Yaqui ha sido históricamente el portador de la continuidad ancestral de la cultura y territorio de la Tribu Yaqui y los que conformamos el Congreso Nacional Indígena, reiteramos que si nos tocan a unos nos tocan a todos, por lo que responderemos en consecuencia ante cualquier intento de reprimir esta digna lucha o cualquier otra lucha.

Finalmente, hacemos un llamado a la comunidad internacional y a los hermanos y hermanas de la Sexta Internacional a permanecer  atentos a los acontecimientos que se presenten en lo futuro en el territorio de la tribu Yaqui, sumándose a la solidaridad con la Tribu y a sus exigencias.

 

Atentamente

A 7 de julio de 2013

Desde el Caracol Zapatista número II- Resistencia y Rebeldía por la Humanidad, de Oventic, Chiapas

Nunca más un México sin nosotros

Comité Clandestino Revolucionario Indígena- Comandancia General del EZLN

Congreso Nacional Indígena

Publicado el 08 de julio de 2013

Pescador que atirou em boto diz que quase foi encantado e fica perturbado (Voz do Norte)

homem boto

Depois de atirar num boto que estava perturbando sua pescaria Valdecir da Costa Souza, 20, passou a apresentar perturbações psicológicas e afirma que os animais estão o atraindo. Além de ouvir vozes ele vê um homem sentado numa pedra no rio tentando levá-lo para a água e o problema está preocupando os familiares.

Tudo começou quando Valdecir participava de uma pescaria junto com o primo Natanael dos Santos, em uma comunidade do interior do Amazonas e alguns botos rasgavam as redes e comiam o peixe, momento que o pescador resolveu dar um tiro num dos animais.

Segundo conta o primo, imediatamente após o tiro, surgiram vários botos ao redor do barco que tentaram alagar a embarcação e eles não conseguiram continuar a pescaria. Mesmo depois do barco ter sido ancorado nas margens do rio os animais não foram embora, momento em que Valdecir começou a passar mal.

“Comecei a passar mal e apareceu um homem em cima de uma pedra branca no meio do rio que tentava levá-lo para a água. Ele me chamava e dizia que ai me levar”, contou o pescador ainda abatido, que no momento pedia socorro ao primo que afirmou que eram muitos botos e quando eles apareciam Valdecir começava a passar mal.

“Quando eu ficava perto do meu primo, que estava comigo na pescaria, eles se afastavam e o homem desaparecia”, conta ainda assustado em sua residência. Depois que chegou em casa o pescador deu muito trabalho a família que tinha que segurá-lo a força pois ele queria entrar no rio.

Segundo a tia do pescador, Lúcia dos Santos, todas as vezes que Valdecir sentia a presença dos botos ficava com a voz diferente e com muita força. “Não sei o que acontecia, ele começava a desmaiar depois queria entrar no rio. Eram nove homens e três mulheres para poder segurá-lo”, afirmou.

O pai pescador, José Alberto de Souza, 62, conta que também já foi vitima de um boto, quando estava com amigos madeireiros nas margens de um igarapé na fronteira com o Peru. Eles jogavam baralho quando sentiu algo estranho no corpo e via um homem sobre uma pedra no igarapé que tentava levá-lo para a água.

José Alberto afirma que tudo começou depois que seu pai desapareceu nas águas do Rio Juruá, encantado por um boto. “Meu estava numa canoa que naufragou e vários botos começaram a boiar no local, ele nunca foi encontrado. Depois ele apareceu para minha esposa dizendo que estava em um boto e que eu precisava desencantá-lo. Ela me disse antes mesmo dele aparecer três vezes, depois disso nunca mais voltou”, ressaltou.

[Acessado em 23 de maio de 2013]

Hidrelétricas podem afetar sistema hidrológico do Pantanal (Fapesp)

Projeto para construção de mais 87 pequenas centrais hidrelétricas na bacia do Alto Paraguai pode afetar conectividade da área de planalto com a de planície do bioma pantaneiro e dificultar fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas, alertam pesquisadores (Walfrido Tomas)

23/04/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O projeto de construção de mais 87 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na Bacia do Alto Paraguai, em discussão atualmente, pode afetar a conectividade do planalto – onde nasce o Rio Paraguai e seus afluentes – e a planície inundada do Pantanal – por onde as águas desses rios escoam –, dificultando o fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas e semiaquáticas pelo sistema hidrológico.

O alerta foi feito por pesquisadores durante o terceiro evento do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, que teve como tema o Pantanal. O evento foi realizado pelo programa BIOTA-FAPESP no dia 18 de abril, na sede da FAPESP.

De acordo com José Sabino, professor da Universidade Anhanguera-Uniderp, o impacto das PCHs já existentes na região da Bacia do Alto Paraguai não são tão grandes porque, em geral, baseiam-se em uma tecnologia denominada “a fio d’água” – que dispensa a necessidade de manter grandes reservatórios de água.

A somatória das cerca de 30 PCHs existentes com as 87 planejadas, no entanto, pode impactar a hidrologia e a conectividade das águas do planalto e da planície da Bacia do Alto Paraguai e dificultar processos migratórios de espécies de peixes do Pantanal, alertou o especialista.

“A criação dessas PCHs pode causar a quebra de conectividade hidrológica de populações e de processos migratórios reprodutivos, como a piracema, de algumas espécies de peixes”, disse Sabino.

Durante a piracema, o período de procriação que antecede as chuvas do verão, algumas espécies de peixes, como o curimbatá (Prochilodus lineatus) e o dourado (Salminus brasiliensis), sobem os rios até as nascentes para desovar.

Se o acesso às cabeceiras dos rios for interrompido por algum obstáculo, como uma PCH, a piracema pode ser dificultada. “A construção de mais PCHs na região do Pantanal pode ter uma influência sistêmica sobre o canal porque, além de mudar o funcionamento hidrológico, também deve alterar a força da carga de nutrientes carregada pelas águas das nascentes dos rios no planalto que entram na planície pantaneira”, disse Walfrido Moraes Tomas, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (CPAP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Mato Grosso do Sul, palestrante na conferência na FAPESP.

“Isso também poderá ter impactos nos hábitats de espécies aquáticas ou semiaquáticas”, reiterou Tomas. De acordo com o pesquisador, o Pantanal é uma das áreas úmidas mais ricas em espécies do mundo, distribuídas de forma abundante, mas não homogênea, pela planície pantaneira.

Alguns dos últimos levantamentos de espécies apontaram que o bioma possui 269 espécies de peixes, 44 de anfíbios, 127 de répteis, 582 de aves e 152 de mamíferos.

São necessários, no entanto, mais inventários de espécies para preencher lacunas críticas de conhecimento sobre outros grupos, como o dos invertebrados – sobre os quais ainda não há levantamento sobre o número de espécies –, além de crustáceos, moluscos e lepidópteros (ordem de insetos que inclui as borboletas), que ainda são pouco conhecidos.

“Uma iniciativa que vai nos dar uma grande contribuição nesse sentido será o programa Biota Mato Grosso do Sul, que começou ser implementado há três anos”, disse Tomas.

Inspirado no BIOTA-FAPESP, o programa Biota Mato Grosso do Sul pretende consolidar a infraestrutura de coleções e acervos em museus, herbários, jardins botânicos, zoológicos e bancos de germoplasma do Mato Grosso do Sul para preencher lacunas de conhecimento, taxonômicas e geográficas, sobre a diversidade biológica no estado.

Para atingir esse objetivo, pesquisadores pretendem informatizar os acervos e coleções científicas e estabelecer uma rede de informação em biodiversidade entre todas as instituições envolvidas com a pesquisa e conservação de biodiversidade do Mato Grosso do Sul.

“Começamos agora a fazer os primeiros inventários de espécies de regiões- chave do estado e estamos preparando um volume especial da revista Biota Neotropica sobre a biodiversidade de Mato Grosso do Sul, que será um passo fundamental para verificarmos as informações disponíveis sobre a biota do Pantanal e direcionar nossas ações”, disse Tomas à Agência FAPESP.

“Diferentemente do Estado de São Paulo, que tem coleções gigantescas, Mato Grosso do Sul não dispõe de grandes coleções para fazermos mapeamentos de diversidade. Por isso, precisaremos ir a campo para fazer os inventários”, explicou.

Espécies ameaçadas

Segundo Tomas, das espécies de aves ameaçadas, vulneráveis ou em perigo de extinção no Brasil, por exemplo, 188 podem ser encontradas no Pantanal. No entanto, diminuiu muito nos últimos anos a ocorrência de caça de espécies como onça-pintada, onça-parda, ariranha, arara-azul – ave símbolo do Pantanal – e jacaré.

E não há indícios de que a principal atividade econômica da região – a pecuária, que possibilitou a ocupação humana do bioma em um primeiro momento em razão de o ambiente ser uma savana inundada com pastagem renovada todo ano – tenha causado impactos na biota pantaneira.

“Pelo que sabemos até agora, nenhuma espécie da fauna do Pantanal foi levada a risco de extinção por causa da pecuária”, afirmou Tomas. Já a pesca – a segunda atividade econômica mais intensiva no Pantanal – pode ter impactos sobre algumas espécies de peixes.

Isso porque a atividade está focalizada em 20 das 270 espécies de peixes do bioma pantaneiro, em razão do tamanho, sabor da carne e pela própria cultura regional.

Entre elas, estão o dourado, o curimbatá, a piraputanga (Brycon hilarii), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) – um peixe arisco encontrado em rios como Prata e Olho D’água, que pode chegar a medir 1,20 metro e pesar 40 quilos.

“Há indícios de que, pelo fato de a pesca no Pantanal ser direcionada a algumas espécies, a atividade possa reduzir algumas populações de peixes”, disse Sabino.

Além de Sabino e Tomas, o professor Arnildo Pott, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Campo Grande, também proferiu palestra, sobre a origem, evolução e diversidade da vegetação do Bioma Pantanal.

Estratégias de conservação

Os pesquisadores também chamaram a atenção para o fato de que, atualmente, apenas cerca de 5% do Pantanal está protegido por unidades de conservação. E que muitas das espécies de animais da região, como a onça- pintada, a ariranha e a arara-azul, por exemplo, não são protegidas efetivamente, porque ficam fora dessas unidades de conservação.

“A conservação de espécies ameaçadas no Pantanal requer estratégias mais amplas do que apenas a implantação ou gestão das unidades de conservação”, destacou Tomas. “São necessárias políticas de gestão de bacias hidrográficas e de remuneração por serviços ecossistêmicos para assegurar a conservação de espécies ameaçadas.”

Organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. A quarta etapa será no dia 16 de maio, quando o tema será “Bioma Cerrado”. Seguem-se conferências sobre os biomas Caatinga (20 de junho), Mata Atlântica (22 de agosto), Amazônia (19 de setembro), Ambientes Marinhos e Costeiros (24 de outubro) e Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais (21 de novembro).

Research Holds Revelations About an Ancient Society’s Water Conservation, Purification (Science Daily)

Apr. 9, 2013 — University of Cincinnati research at the ancient Maya site of Medicinal Trail in northwestern Belize is revealing how populations in more remote areas — the hinterland societies — built reservoirs to conserve water and turned to nature to purify their water supply. Jeffrey Brewer, a doctoral student in the University of Cincinnati’s Department of Geography, will present his findings on April 11, at the Association of American Geographers’ annual meeting in Los Angeles.

Jeffrey Brewer, screening soil from the depression for lithic, ceramic or faunal (bone) material. (Credit: Provided by Jeffrey Brewer and Jason Whitaker)

Brewer’s research, titled “Hinterland Hydrology: Mapping the Medicinal Trail Community, Northwest Belize,” continues a UC exploration of the ancient Maya civilization that has spanned decades. The site for Brewer’s research, which was primarily occupied during the Classic Period (AD 250-900), functioned as a rural architectural community on the periphery of the major ancient Maya site of La Milpa.

Brewer says this smaller, remote settlement lacks the monumental architecture and population density typically associated with the major Maya sites, but shows similar, smaller-scale slopes, artificial terraces and water reservoirs that would have been utilized for farming and water management.

Brewer ‘s discovery of artificial reservoirs — topographical depressions that were lined with clay to make a water-tight basin — addressed how the Maya conserved water from the heavy rainfall from December to spring, which got them through the region’s extreme dry spells that stretched from summer to winter. “They also controlled the vegetation directly around these reservoirs at this hinterland settlement,” says Brewer. “The types of lily pads and water-borne plants found within these basins helped naturally purify the water. They knew this, and they managed the vegetation by these water sources that were used for six months when there was virtually no rainfall.”

Without that system, Brewer says the smaller, more remote settlement would have been more dependent on the larger Maya sites that ran a larger water conservation system.

Brewer has conducted research at the site since 2006, including spending two years of intensive surveying and mapping of the region. Future research on the project will involve the completion of computerized mapping of up to 2,000 points of topography — distances and elevations of the region in relation to water sources, population and structures. Brewer says he also wants to continue exploring the construction and management of these hinterland water systems and, if possible, gain a better understanding of what knowledge about them might have passed back and forth between settlements.

Funding for the research project was supported by the Charles Phelps Taft Research Center in the McMicken College of Arts and Sciences and UC International.

David M. Hyde, professor of anthropology at Western State Colorado University, was secondary researcher on the project.

The Association of American Geographers (AAG) is a nonprofit scientific and educational society that is dedicated to the advancement of geography. The annual meeting features more than 6,000 presentations, posters, workshops and field trips by leading scholars, experts and researchers in the fields of geography, environmental science and sustainability.

Brewer is presenting at a conference session that focuses on geospatial and geotechnical tools and methods that can be used to address questions of archaeological significance.

U.S. Water Supply Not as Threatened as Believed, Study Finds (Science Daily)

Jan. 30, 2013 — Although reports of drought conditions, water wars and restrictions have often painted a bleak picture of the nation’s water availability, a new University of Florida survey finds that conditions aren’t quite so bad as believed.

Jim Jawitz, a UF soil and water science professor, and Julie Padowski, who earned her doctoral degree from UF and is now a postdoctoral researcher at Stanford University, knew that previous assessments of urban water supplies typically used what is known as a “runoff-based approach,” which takes into account factors such as river flows and rainfall amounts.

Jawitz and Padowski knew that those assessments did not consider the infrastructure used to maintain urban water supplies, such as water stored in aquifers, lakes, reservoirs or water that’s pumped in to an area and stored. So for 225 U.S. metropolitan areas with populations of more than 100,000, that’s what they did, and their findings have been published online by the journal Water Resources Research.

When assessing cities using the runoff-based approach, the UF study found that 47 percent of the total U.S. population is vulnerable to water scarcity issues, however, when infrastructure was accounted for, the number dropped to just 17 percent of the population. Residents in the top 225 metropolitan areas make up the bulk of the U.S. population.

Jawitz, a faculty member with UF’s Institute of Food and Agricultural Sciences, said they expected to find fewer areas vulnerable to water shortages than past studies had because of the different methodology, but some of their findings surprised them.

“We have people who live in the desert and they have water and it’s because of their infrastructure. If you live in a city that has a large of reservoir of water stored and there’s a drought, it doesn’t have the same effect on you as if you live in a city where there’s a drought and you don’t have a large reservoir,” he said.

They didn’t expect Atlanta — where legal battles over water rights with neighboring states initially prompted the researchers to tackle the survey — to fall near the middle among the 225 cities they studied for water access and vulnerability.

Another unusual finding: Miami, with its lush, tropical landscape, landing in the top 10 most vulnerable cities. Jawitz, a South Florida native, said although the Miami area generally enjoys an abundance of rain, it’s not stored anywhere. That means during periods of drought, the area becomes vulnerable.

A website that ranks the 225 largest U.S. urban areas based on water availability and vulnerability can be found at soils.ifas.ufl.edu/hydrology/cities. The list is a combination of results of where each city falls on a 0-to-100 water-accessibility scale as well as a water-vulnerability rating of low, medium or high.

The researchers also had a modern twist to their study. Padowski created a media-text analysis to search online news archives for reports for each city, looking for stories about water restrictions or drought conditions.

They found that the media reports backed up their method of analysis but did not correlate significantly with estimates made using the runoff-based approach.

Padowski said despite the good news about water, she fully expects water conservation should and will be a front-and-center topic for many years to come.

“As population growth increases, we don’t have more resources to tap — we can’t just find another lake or another river to dam,” she said. “It’s going to come down to sharing, conservation and efficiency.”

Rob McDonald, senior scientist for sustainable land use with The Nature Conservancy, said the study adds to what scientists know about urban water use in the U.S. and raises intriguing questions about whether large cities’ infrastructure will be ready for conditions brought on by climate change.

“To me, it shows that infrastructure matters,” he said. “Do cities go out even further for water? If a city is dependent on snow melts from the mountains for its water, what happens if it gets warm enough that there isn’t a snowpack?”

The study was funded by the Florida Agricultural Experiment Station and the Adaptive Management of Water, Wetlands, and Watersheds IGERT program.