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‘Mulheres como você precisam ser fortes’, diz psiquiatra à paciente negra (Yahoo! Notícias)

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Alma Preta – seg., 4 de outubro de 2021 1:17 PM


Unidade da Universidade Federal de São Paulo. (Foto: Divulgação)
Unidade da Universidade Federal de São Paulo. (Foto: Divulgação)
  • Universitária buscou atendimento psiquiátrico na Unifesp, instituição de ensino que oferece o serviço médico gratuitamente aos alunos
  • Thayná Alexandrino conta que há tempos percebe alguns sintomas associados à depressão e ansiedade
  • Segundo a jovem de 24 anos, a médica que a atendeu a julgou pela aparência física; universidade não se pronunciou

Texto: Letícia Fialho Edição: Nadine Nascimento

A estudante de geografia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Thayná Alexandrino (24), buscou ajuda psiquiátrica na unidade de atendimento gratuito oferecida pela instituição aos alunos, há cerca de um mês. A jovem relata ter sido julgada pela sua aparência física no atendimento, quando ouviu da profissional que a atendeu: “você não tem cara de paciente psiquiátrica. Mulheres como você precisam ser fortes”.

“Ingressei na universidade e tive a oportunidade de cuidar da minha saúde através dos serviços gratuitos oferecidos por eles. Contudo, ao chegar lá, me deparei com algo totalmente diferente do que esperava. Fui mal tratada pela psiquiatra, que me julgou do começo ao fim”, relata Thayná.

A estudante conta que há tempos percebe alguns sintomas associados à depressão e ansiedade e que, por conta dos estigmas relacionados a doenças mentais, demorou a procurar ajuda. Durante a pandemia, ela perdeu pessoas próximas e se sentiu fragilizada para lidar com o luto.

“Mesmo contando para ela sobre o luto pelo qual estou passando, sobre meu histórico familiar e pré-disposições, escutei a pior justificativa ‘você está muito bem vestida para ter algum problema de ordem mental’ e também que ‘não pode se dar ao luxo de ser fraca’”, relata a vítima que desistiu do atendimento quando a profissional disse: “Mulheres como você sabem lidar muito bem com a dor”.

A estudante conta que sentiu-se impotente e negligenciada no atendimento prestado pela unidade de atendimento da universidade. Segundo ela, a profissional que a atendeu era uma mulher branca, na faixa etária dos 40 anos, com bagagem profissional e acadêmica.

“Parece que a única alternativa sugerida por profissionais brancos é que nós, mulheres negras, precisamos ser fortes o tempo todo. Pessoalmente, na visão dela, eu não poderia sofrer. Lembro que na minha infância uma professora disse que a vida seria dura pra quem fosse fraco. E agora ouvi quase a mesma coisa, vindo de uma profissional de saúde mental”, reflete Thayná.

Insegurança da aluna

Em busca de atendimento adequado, a estudante recorreu a um psicólogo, seguindo orientação médica, em outra unidade de atendimento. E novamente teve uma abordagem pouco acolhedora.

“Quando relatei sobre o episódio em que fui vítima de racismo. Fui surpreendida com a colocação de mais um profissional branco. Ele disse que eu não era negra e, sim, ‘mulata’, em vista de outros pacientes negros que ele atende. Até quando um cara branco pode julgar a negritude de outras pessoas?”, conta.

A estudante diz que, até o momento, não recorreu a nenhum outro profissional por conta dos valores altos e por sentir-se insegura. “Eu adoro a área da saúde e ser atendida por profissionais que não tiveram a sensibilidade de olhar para a minha dor, me toca bastante. Outra coisa é a falta de representatividade. O fato de não ter pessoas negras inseridas nesses espaços, perpetua o racismo estrutural”, reitera a Thayná.

A Alma Preta Jornalismo entrou em contato com a Unifesp para solicitar um posicionamento sobre o caso, mas até o momento não teve retorno. Caso a instituição se posicione, o texto será atualizado.

Pesquisa sobre portuários é questionada pela Câmara de Santos (Diário do Litoral)

Levantamento aponta uso de drogas pela categoria. Intenção dos vereadores era redigir uma moção de apoio aos trabalhadores

Da Reportagem

Atualizado em 22 de setembro de 2015 às 11h45

Dois presidentes de sindicatos ligados ao Porto de Santos protestaram, na sessão de ontem da Câmara, contra a divulgação de uma pesquisa feita pela Universidade Federal Paulista (Unifesp) apontando o consumo de entorpecentes e ingestão de álcool entre os trabalhadores avulsos do cais.

As críticas partiram do presidente do Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport), Claudiomiro Machado, o Miro, e do presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira, o Nei da Estiva. Eles afirmaram que o levantamento feito pela universidade feriu a honra da “família portuária”.

Quase todos os vereadores apoiaram a fala dos sindicalistas e questionaram o método de como a pesquisa foi feita. A pesquisa apontaria que 25% dos trabalhadores avulsos usam crack ou cocaína e 80% fazem ingestão de bebida alcoólica.

Miro questionou, por exemplo, o local onde o levantamento foi feito. “Dentro do Porto o acesso é liberado apenas ao trabalhador. Não foram lá entrevistar trabalhador portuário”.

O presidente do Sintraport relatou o drama vivido por um associado, cujo filho foi questionado na escola sobre a profissão do  pai. “Falaram para o garoto: teu pai é portuário? Então ele usa cocaína, usa crack”.

Já Nei da Estiva se mostrou indignado pelo fato de nenhum sindicato ter sido procurado para comentar os dados da pesquisa.

Intenção dos vereadores era redigir uma moção de apoio aos trabalhadores ( Foto: Matheus Tagé/DL)Intenção dos vereadores era redigir uma moção de apoio aos trabalhadores ( Foto: Matheus Tagé/DL)

O vereador Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB) lembrou que a Unifesp já foi alvo de uma investigação de uma Comissão de Inquérito aberta na casa, que apurou contratos da universidade com a Prefeitura. “Um trabalho científico tem de ser feito com metodologia”, comentou.

Banha também se disse atingido com o resultado da pesquisa. “Meu avô era trabalhador portuário. Ele deve estar rolando no caixão”, comentou, antes de sugerir que a Unifesp seja questionada judicialmente sobre o levantamento.

Para o vereador Benedito Furtado (PSB), o resultado da pesquisa “dá a entender que 80% dos portuários são alcoólatras”. Ele também atacou ferozmente a universidade. “Essa tal de Unifesp não cumpre lei municipal”.

Ressaltando ser filho de estivador, Geonísio Pereira de Aguiar, o Boquinha (PSDB), além de questionar a seriedade da pesquisa, disse que quase todos os alunos da instituição não são de Santos e, por isso,  devem conhecer pouco o cais.

Igor Martins de Melo, o Professor Igor (PSB), foi outro a lembrar que os pesquisadores precisam ter autorização para entrar na área portuária. “Quer dizer, então, que o maior porto da América Latina é tocado por um bando de irresponsáveis? O que é isso?”

Vereador e professor de Matemática, José Lascane (PSDB) disse que é preciso tomar extremo cuidado ao se fazer um levantamento feito pela Unifesp. “A amostra precisa ser bem avaliada, bem como a formulação da pergunta, que precisa ser bem clara”.

Cobrou posição

Marcelo Del Bosco (PPS) deu uma sugestão ao líder do Governo na Câmara, Sadao Nakai (PSDB): o secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, José Eduardo Lopes, deve se manifestar sobre o levantamento.

Roberto Oliveira Teixeira, o Pastor Roberto (PMDB), disse que as esposas dos trabalhadores portuários “se sentiram humilhadas com o resultado dessa pesquisa”.