Partículas telepáticas (Folha de S.Paulo)

CASSIO LEITE VIEIRA

ilustração JOSÉ PATRÍCIO

28/12/2014 03h08

RESUMO Há 50 anos, o físico norte-irlandês John Bell (1928-90) chegou a um resultado que demonstra a natureza “fantasmagórica” da realidade no mundo atômico e subatômico. Seu teorema é hoje visto como a arma mais eficaz contra a espionagem, algo que garantirá, num futuro talvez próximo, a privacidade absoluta das informações.

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Um país da América do Sul quer manter a privacidade de suas informações estratégicas, mas se vê obrigado a comprar os equipamentos para essa tarefa de um país bem mais avançado tecnologicamente. Esses aparelhos, porém, podem estar “grampeados”.

Surge, então, a dúvida quase óbvia: haverá, no futuro, privacidade 100% garantida? Sim. E isso vale até mesmo para um país que compre a tecnologia antiespionagem do “inimigo”.
O que possibilita a resposta afirmativa acima é o resultado que já foi classificado como o mais profundo da ciência: o teorema de Bell, que trata de uma das perguntas filosóficas mais agudas e penetrantes feitas até hoje e que alicerça o próprio conhecimento: o que é a realidade? O teorema -que neste ano completou seu 50º aniversário- garante que a realidade, em sua dimensão mais íntima, é inimaginavelmente estranha.

José Patricio

A história do teorema, de sua comprovação experimental e de suas aplicações modernas tem vários começos. Talvez, aqui, o mais apropriado seja um artigo publicado em 1935 pelo físico de origem alemã Albert Einstein (1879-1955) e dois colaboradores, o russo Boris Podolsky (1896-1966) e o americano Nathan Rosen (1909-95).

Conhecido como paradoxo EPR (iniciais dos sobrenomes dos autores), o experimento teórico ali descrito resumia uma longa insatisfação de Einstein com os rumos que a mecânica quântica, a teoria dos fenômenos na escala atômica, havia tomado. Inicialmente, causou amargo no paladar do autor da relatividade o fato de essa teoria, desenvolvida na década de 1920, fornecer apenas a probabilidade de um fenômeno ocorrer. Isso contrastava com a “certeza” (determinismo) da física dita clássica, a que rege os fenômenos macroscópicos.

Einstein, na verdade, estranhava sua criatura, pois havia sido um dos pais da teoria quântica. Com alguma relutância inicial, o indeterminismo da mecânica quântica acabou digerido por ele. Algo, porém, nunca lhe passou pela garganta: a não localidade, ou seja, o estranhíssimo fato de algo aqui influenciar instantaneamente algo ali -mesmo que esse “ali” esteja muito distante. Einstein acreditava que coisas distantes tinham realidades independentes.

Einstein chegou a comparar -vale salientar que é só uma analogia- a não localidade a um tipo de telepatia. Mas a definição mais famosa dada por Einstein a essa estranheza foi “fantasmagórica ação a distância”.

EMARANHADO

A essência do argumento do paradoxo EPR é o seguinte: sob condições especiais, duas partículas que interagiram e se separaram acabam em um estado denominado emaranhado, como se fossem “gêmeas telepáticas”. De forma menos pictórica, diz-se que as partículas estão conectadas (ou correlacionadas, como preferem os físicos) e assim seguem, mesmo depois da interação.

A estranheza maior vem agora: se uma das partículas desse par for perturbada -ou seja, sofrer uma medida qualquer, como dizem os físicos-, a outra “sente” essa perturbação instantaneamente. E isso independe da distância entre as duas partículas. Podem estar separadas por anos-luz.

Os autores do paradoxo EPR diziam que era impossível imaginar que a natureza permitisse a conexão instantânea entre os dois objetos. E, por meio de argumentação lógica e complexa, Einstein, Podolsky e Rosen concluíam: a mecânica quântica tem que ser incompleta. Portanto, provisória.

SUPERIOR À LUZ?

Uma leitura apressada (porém, muito comum) do paradoxo EPR é dizer que uma ação instantânea (não local, no vocabulário da física) é impossível, porque violaria a relatividade de Einstein: nada pode viajar com velocidade superior à da luz no vácuo, 300 mil km/s.

No entanto, a não localidade atuaria apenas na dimensão microscópica -não pode ser usada, por exemplo, para mandar ou receber mensagens. No mundo macroscópico, se quisermos fazer isso, teremos que usar sinais que nunca viajam com velocidade maior que a da luz no vácuo. Ou seja, relatividade é preservada.

A não localidade tem a ver com conexões persistentes (e misteriosas) entre dois objetos: interferir com (alterar, mudar etc.) um deles interfere com (altera, muda etc.) o outro. Instantaneamente. O simples ato de observar um deles interfere no estado do outro.

Einstein não gostou da versão final do artigo de 1935, que só viu impressa -a redação ficou a cargo de Podolsky. Ele havia imaginado um texto menos filosófico. Pouco meses depois, viria a resposta do físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) ao EPR -poucos anos antes, Einstein e Bohr haviam protagonizado o que para muitos é um dos debates filosóficos mais importantes da história: o tema era a “alma da natureza”, nas palavras de um filósofo da física.

Em sua resposta ao EPR, Bohr reafirmou tanto a completude da mecânica quântica quanto sua visão antirrealista do universo atômico: não é possível dizer que uma entidade quântica (elétron, próton, fóton etc.) tenha uma propriedade antes que esta seja medida. Ou seja, tal propriedade não seria real, não estaria oculta à espera de um aparelho de medida ou qualquer interferência (até mesmo o olhar) do observador. Quanto a isso, Einstein, mais tarde, ironizaria: “Será que a Lua só existe quando olhamos para ela?”.

AUTORIDADE

Um modo de entender o que seja uma teoria determinista é o seguinte: é aquela na qual se pressupõe que a propriedade a ser medida está presente (ou “escondida”) no objeto e pode ser determinada com certeza. Os físicos denominam esse tipo de teoria com um nome bem apropriado: teoria de variáveis ocultas.

Em uma teoria de variáveis ocultas, a tal propriedade (conhecida ou não) existe, é real. Daí, por vezes, os filósofos classificarem esse cenário como realismo -Einstein gostava do termo “realidade objetiva”: as coisas existem sem a necessidade de serem observadas.

Mas, na década de 1930, um teorema havia provado que seria impossível haver uma versão da mecânica quântica como uma teoria de variáveis ocultas. O feito era de um dos maiores matemáticos de todos os tempos, o húngaro John von Neumann (1903-57). E, fato não raro na história da ciência, valeu o argumento da autoridade em vez da autoridade do argumento.

O teorema de Von Neumann era perfeito do ponto de vista matemático, mas “errado, tolo” e “infantil” (como chegou a ser classificado) no âmbito da física, pois partia de uma premissa equivocada. Sabe-se hoje que Einstein desconfiou dessa premissa: “Temos que aceitar isso como verdade?”, perguntou a dois colegas. Mas não foi além.

O teorema de Von Neumann serviu, porém, para praticamente pisotear a versão determinista (portanto, de variáveis ocultas) da mecânica quântica feita em 1927 pelo nobre francês Louis de Broglie (1892-1987), Nobel de Física de 1929, que acabou desistindo dessa linha de pesquisa.

Por exatas duas décadas, o teorema de Von Neumann e as ideias de Bohr -que formou em torno dele uma influente escola de jovens notáveis- dissuadiram tentativas de buscar uma versão determinista da mecânica quântica.

Mas, em 1952, o físico norte-americano David Bohm (1917-92), inspirado pelas ideias de De Broglie, apresentou uma versão de variáveis ocultas da mecânica quântica -hoje, denominada mecânica quântica bohmiana, homenagem ao pesquisador que trabalhou na década de 1950 na Universidade de São Paulo (USP), quando perseguido nos EUA pelo macarthismo.

A mecânica quântica bohmiana tinha duas características em sua essência: 1) era determinista (ou seja, de variáveis ocultas); 2) era não local (isto é, admitia a ação a distância) -o que fez com que Einstein, localista convicto, perdesse o interesse inicial nela.

PROTAGONISTA

Eis que entra em cena a principal personagem desta história: o físico norte-irlandês John Stewart Bell, que, ao tomar conhecimento da mecânica bohmiana, teve uma certeza: o “impossível havia sido feito”. Mais: Von Neumann estava errado.

A mecânica quântica de Bohm -ignorada logo de início pela comunidade de físicos- acabava de cair em terreno fértil: Bell remoía, desde a universidade, como um “hobby”, os fundamentos filosóficos da mecânica quântica (EPR, Von Neumann, De Broglie etc.). E tinha tomado partido nesses debates: era um einsteiniano assumido e achava Bohr obscuro.

Bell nasceu em 28 de junho de 1928, em Belfast, em uma família anglicana sem posses. Deveria ter parado de estudar aos 14 anos, mas, por insistência da mãe, que percebeu os dotes intelectuais do segundo de quatro filhos, foi enviado a uma escola técnica de ensino médio, onde ele aprendeu coisas práticas (carpintaria, construção civil, biblioteconomia etc.).

Formado, aos 16, tentou empregos em escritórios, mas o destino quis que terminasse como técnico preparador de experimentos no departamento de física da Queen’s University, também em Belfast.

Os professores do curso logo perceberam o interesse do técnico pela física e passaram a incentivá-lo, com indicações de leituras e aulas. Com uma bolsa de estudos, Bell se formou em 1948 em física experimental e, no ano seguinte, em física matemática. Em ambos os casos, com louvor.

De 1949 a 1960, Bell trabalhou no Aere (Estabelecimento para a Pesquisa em Energia Atômica), em Harwell, no Reino Unido. Lá conheceria sua futura mulher, a física Mary Ross, sua interlocutora em vários trabalhos sobre física. “Ao olhar novamente esses artigos, vejo-a em todo lugar”, disse Bell, em homenagem recebida em 1987, três anos antes de morrer, de hemorragia cerebral.

Defendeu doutorado em 1956, após um período na Universidade de Birmingham, sob orientação do físico teuto-britânico Rudolf Peierls (1907-95). A tese inclui uma prova de um teorema muito importante da física (teorema CPT), que havia sido descoberto pouco antes por um contemporâneo seu.

O TEOREMA

Por discordar dos rumos das pesquisas no Aere, o casal decidiu trocar empregos estáveis por posições temporárias no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), em Genebra (Suíça). Ele na divisão de física teórica; ela, na de aceleradores.

Bell passou 1963 e 1964 trabalhando nos EUA. Lá, encontrou tempo para se dedicar a seu “hobby” intelectual e gestar o resultado que marcaria sua carreira e lhe daria, décadas mais tarde, fama.

Ele se fez a seguinte pergunta: será que a não localidade da teoria de variáveis ocultas de Bohm seria uma característica de qualquer teoria realista da mecânica quântica? Em outras palavras, se as coisas existirem sem serem observadas, elas terão que necessariamente estabelecer entre si aquela fantasmagórica ação a distância?

O teorema de Bell, publicado em 1964, é também conhecido como desigualdade de Bell. Sua matemática não é complexa. De forma muito simplificada, podemos pensar nesse teorema como uma inequação: x ≤ 2 (x menor ou igual a dois), sendo que “x” representa, para nossos propósitos aqui, os resultados de um experimento.

As consequências mais interessantes do teorema de Bell ocorreriam se tal experimento violasse a desigualdade, ou seja, mostrasse que x > 2 (x maior que dois). Nesse caso, teríamos de abrir mão de uma das duas suposições: 1) realismo (as coisas existem sem serem observadas); 2) da localidade (o mundo quântico não permite conexões mais velozes que a luz).

O artigo do teorema não teve grande repercussão -Bell havia feito outro antes, fundamental para ele chegar ao resultado, mas, por erro do editor do periódico, acabou publicado só em 1966.

REBELDIA A retomada das ideias de Bell -e, por conseguinte, do EPR e de Bohm- ganhou momento com fatores externos à física. Muitos anos depois do agitado final dos anos 1960, o físico americano John Clauser recordaria o período: ”A Guerra do Vietnã dominava os pensamentos políticos da minha geração. Sendo um jovem físico naquele período revolucionário, eu naturalmente queria chacoalhar o mundo”.

A ciência, como o resto do mundo, acabou marcada pelo espírito da geração paz e amor; pela luta pelos direitos civis; por maio de 1968; pelas filosofias orientais; pelas drogas psicodélicas; pela telepatia -em uma palavra: pela rebeldia. Que, traduzida para a física, significava se dedicar a uma área herética na academia: interpretações (ou fundamentos) da mecânica quântica. Mas fazer isso aumentava consideravelmente as chances de um jovem físico arruinar sua carreira: EPR, Bohm e Bell eram considerados temas filosóficos, e não físicos.

O elemento final para que o campo tabu de estudos ganhasse fôlego foi a crise do petróleo de 1973, que diminuiu a oferta de postos para jovens pesquisadores -incluindo físicos. À rebeldia somou-se a recessão.
Clauser, com mais três colegas, Abner Shimony, Richard Holt e Michael Horne, publicou suas primeiras ideias sobre o assunto em 1969, com o título “Proposta de Experimento para Testar Teorias de Variáveis Ocultas”. O quarteto fez isso em parte por ter notado que a desigualdade de Bell poderia ser testada com fótons, que são mais fáceis de serem gerados. Até então se pensava em arranjos experimentais mais complicados.

Em 1972, a tal proposta virou experimento -feito por Clauser e Stuart Freedman (1944-2012)-, e a desigualdade de Bell foi violada.

O mundo parecia ser não local -ironicamente, Clauser era localista! Mas só parecia: o experimento seguiu, por cerca de uma década, incompreendido e, portanto, desconsiderado pela comunidade de físicos. Mas aqueles resultados serviram a reforçar algo importante: fundamentos da mecânica quântica não eram só filosofia. Eram também física experimental.

MUDANÇA DE CENÁRIO

O aperfeiçoamento de equipamentos de óptica (incluindo lasers) permitiu que, em 1982, um experimento se tornasse um clássico da área.

Pouco antes, o físico francês Alain Aspect havia decidido iniciar um doutorado tardio, mesmo sendo um físico experimental experiente. Escolheu como tema o teorema de Bell. Foi ao encontro do colega norte-irlandês no Cern. Em entrevista ao físico Ivan dos Santos Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, e ao autor deste texto, Aspect contou o seguinte diálogo entre ele e Bell. “Você tem um cargo estável?”, perguntou Bell. “Sim”, disse Aspect. Caso contrário, “você seria muito pressionado a não fazer o experimento”, disse Bell.

O diálogo relatado por Aspect nos permite afirmar que, quase duas décadas depois do artigo seminal de 1964, o tema continuava revestido de preconceito.

Em um experimento feito com pares de fótons emaranhados, a natureza, mais uma vez, mostrou seu caráter não local: a desigualdade de Bell foi violada. Os dados mostraram x > 2. Em 2007, por exemplo, o grupo do físico austríaco Anton Zeilinger verificou a violação da desigualdade usando fótons separados por… 144 km.

Na entrevista no Brasil, Aspect disse que, até então, o teorema era pouquíssimo conhecido pelos físicos, mas ganharia fama depois de sua tese de doutorado, de cuja banca, aliás, Bell participou.

ESTRANHO

Afinal, por que a natureza permite que haja a “telepatia” einsteiniana? É no mínimo estranho pensar que uma partícula perturbada aqui possa, de algum modo, alterar o estado de sua companheira nos confins do universo.

Há várias maneiras de interpretar as consequências do que Bell fez. De partida, algumas (bem) equivocadas: 1) a não localidade não pode existir, porque viola a relatividade; 2) teorias de variáveis ocultas (Bohm, De Broglie etc.) da mecânica quântica estão totalmente descartadas; 3) a mecânica quântica é realmente indeterminista; 4) o irrealismo -ou seja, coisas só existem quando observadas- é a palavra final. A lista é longa.

Quando o teorema foi publicado, uma leitura rasa (e errônea) dizia que ele não tinha importância, pois o teorema de Von Neumann já havia descartado as variáveis ocultas, e a mecânica quântica seria, portanto, de fato indeterminista. Entre os que não aceitam a não localidade, há ainda aqueles que chegam ao ponto de dizer que Einstein, Bohm e Bell não entenderam o que fizeram.

O filósofo da física norte-americano Tim Maudlin, da Universidade de Nova York, em dois excelentes artigos, “What Bell Did” (O que Bell fez, arxiv.org/abs/1408.1826) e “Reply to Werner” (em que responde a comentários sobre o texto anterior, arxiv.org/abs/1408.1828), oferece uma longa lista de equívocos.

Para Maudlin, renomado em sua área, o teorema de Bell e sua violação significam uma só coisa: a natureza é não local (“fantasmagórica”) e, portanto, não há esperança para a localidade, como Einstein gostaria -nesse sentido, pode-se dizer que Bell mostrou que Einstein estava errado. Assim, qualquer teoria determinista (realista) que reproduza os resultados experimentais obtidos até hoje pela mecânica quântica -por sinal, a teoria mais precisa da história da ciência- terá que necessariamente ser não local.

De Aspect até hoje, desenvolvimentos tecnológicos importantes possibilitaram algo impensável há poucas décadas: estudar isoladamente uma entidade quântica (átomo, elétron, fóton etc.). E isso deu início à área de informação quântica, que abrange o estudo da criptografia quântica -aquela que permitirá a segurança absoluta dos dados- e o dos computadores quânticos, máquinas extremamente velozes. De certo modo, trata-se de filosofia transformada em física experimental.

Muitos desses avanços se devem basicamente à rebeldia de uma geração de físicos jovens que queriam contrariar o “sistema”.

Uma história saborosa desse período está em “How the Hippies Saved Physics” (Como os hippies salvaram a física, publicado pela W. W. Norton & Company em 2011), do historiador da física norte-americano David Kaiser. E uma análise histórica detalhada em “Quantum Dissidents: Research on the Foundations of Quantum Theory circa 1970” (Dissidentes do quantum: pesquisa sobre os fundamentos da teoria quântica por volta de 1970, bit.ly/1xyipTJ, só para assinantes), do historiador da física Olival Freire Jr., da Universidade Federal da Bahia.

Para os mais interessados no viés filosófico, há os dois volumes premiados de “Conceitos de Física Quântica” (Editora Livraria da Física, 2003), do físico e filósofo Osvaldo Pessoa Jr., da USP.

PRIVACIDADE

A esta altura, o(a) leitor(a) talvez esteja se perguntando sobre o que o teorema de Bell tem a ver com uma privacidade 100% garantida.

No futuro, é (bem) provável que a informação seja enviada e recebida na forma de fótons emaranhados. Pesquisas recentes em criptografia quântica garantem que bastaria submeter essas partículas de luz ao teste da desigualdade de Bell. Se ela for violada, então não há nenhuma possibilidade de a mensagem ter sido bisbilhotada indevidamente. E o teste independe do equipamento usado para enviar ou receber os fótons. A base teórica para isso está, por exemplo, em “The Ultimate Physical Limits of Privacy” (Limites físicos extremos da privacidade), de Artur Ekert e Renato Renner (bit.ly/1gFjynG, só para assinantes).

Em um futuro não muito distante, talvez, o teorema de Bell se transforme na arma mais poderosa contra a espionagem. Isso é um tremendo alento para um mundo que parece rumar à privacidade zero. É também um imenso desdobramento de uma pergunta filosófica que, segundo o físico norte-americano Henry Stapp, especialista em fundamentos da mecânica quântica, se tornou “o resultado mais profundo da ciência”. Merecidamente. Afinal, por que a natureza optou pela “ação fantasmagórica a distância”?

A resposta é um mistério. Pena que a pergunta não seja nem sequer mencionada nas graduações de física no Brasil.

CÁSSIO LEITE VIEIRA, 54, jornalista do Instituto Ciência Hoje (RJ), é autor de “Einstein – O Reformulador do Universo” (Odysseus).
JOSÉ PATRÍCIO, 54, artista plástico pernambucano, participa da mostra “Asas a Raízes” na Caixa Cultural do Rio, de 17/1 a 15/3.

How to get published in an academic journal: top tips from editors (The Guardian)

Journal editors share their advice on how to structure a paper, write a cover letter – and deal with awkward feedback from reviewer.

hurdles athletes

 How to negotiate the many hurdles that stand between a draft paper and publication. Photograph: Clint Hughes/PA

Writing for academic journals is highly competitive. Even if you overcome the first hurdle and generate a valuable idea or piece of research – how do you then sum it up in a way that will capture the interest of reviewers?

There’s no simple formula for getting published – editors’ expectations can vary both between and within subject areas. But there are some challenges that will confront all academic writers regardless of their discipline. How should you respond to reviewer feedback? Is there a correct way to structure a paper? And should you always bother revising and resubmitting? We asked journal editors from a range of backgrounds for their tips on getting published.

The writing stage

1) Focus on a story that progresses logically, rather than chronologically

Take some time before even writing your paper to think about the logic of the presentation. When writing, focus on a story that progresses logically, rather than the chronological order of the experiments that you did.
Deborah Sweet, editor of Cell Stem Cell and publishing director at Cell Press

2) Don’t try to write and edit at the same time

Open a file on the PC and put in all your headings and sub-headings and then fill in under any of the headings where you have the ideas to do so. If you reach your daily target (mine is 500 words) put any other ideas down as bullet points and stop writing; then use those bullet points to make a start the next day.

If you are writing and can’t think of the right word (eg for elephant) don’t worry – write (big animal long nose) and move on – come back later and get the correct term. Write don’t edit; otherwise you lose flow.
Roger Watson, editor-in-chief, Journal of Advanced Nursing

3) Don’t bury your argument like a needle in a haystack

If someone asked you on the bus to quickly explain your paper, could you do so in clear, everyday language? This clear argument should appear in your abstract and in the very first paragraph (even the first line) of your paper. Don’t make us hunt for your argument as for a needle in a haystack. If it is hidden on page seven that will just make us annoyed. Oh, and make sure your argument runs all the way through the different sections of the paper and ties together the theory and empirical material.
Fiona Macaulay, editorial board, Journal of Latin American Studies

4) Ask a colleague to check your work

One of the problems that journal editors face is badly written papers. It might be that the writer’s first language isn’t English and they haven’t gone the extra mile to get it proofread. It can be very hard to work out what is going on in an article if the language and syntax are poor.
Brian Lucey, editor, International Review of Financial Analysis

5) Get published by writing a review or a response 

Writing reviews is a good way to get published – especially for people who are in the early stages of their career. It’s a chance to practice at writing a piece for publication, and get a free copy of a book that you want. We publish more reviews than papers so we’re constantly looking for reviewers.

Some journals, including ours, publish replies to papers that have been published in the same journal. Editors quite like to publish replies to previous papers because it stimulates discussion.
Yujin Nagasawa, co-editor and review editor of the European Journal for Philosophy of Religion, philosophy of religion editor of Philosophy Compass

6) Don’t forget about international readers

We get people who write from America who assume everyone knows the American system – and the same happens with UK writers. Because we’re an international journal, we need writers to include that international context.
Hugh McLaughlin, editor in chief, Social Work Education – the International Journal

7) Don’t try to cram your PhD into a 6,000 word paper

Sometimes people want to throw everything in at once and hit too many objectives. We get people who try to tell us their whole PhD in 6,000 words and it just doesn’t work. More experienced writers will write two or three papers from one project, using a specific aspect of their research as a hook.
Hugh McLaughlin, editor in chief, Social Work Education – the International Journal

Submitting your work

8) Pick the right journal: it’s a bad sign if you don’t recognise any of the editorial board

Check that your article is within the scope of the journal that you are submitting to. This seems so obvious but it’s surprising how many articles are submitted to journals that are completely inappropriate. It is a bad sign if you do not recognise the names of any members of the editorial board. Ideally look through a number of recent issues to ensure that it is publishing articles on the same topic and that are of similar quality and impact.
Ian Russell, editorial director for science at Oxford University Press

9) Always follow the correct submissions procedures

Often authors don’t spend the 10 minutes it takes to read the instructions to authors which wastes enormous quantities of time for both the author and the editor and stretches the process when it does not need to
Tangali Sudarshan, editor, Surface Engineering

10) Don’t repeat your abstract in the cover letter
We look to the cover letter for an indication from you about what you think is most interesting and significant about the paper, and why you think it is a good fit for the journal. There is no need to repeat the abstract or go through the content of the paper in detail – we will read the paper itself to find out what it says. The cover letter is a place for a bigger picture outline, plus any other information that you would like us to have.
Deborah Sweet, editor of Cell Stem Cell and publishing director at Cell Press

11) A common reason for rejections is lack of context

Make sure that it is clear where your research sits within the wider scholarly landscape, and which gaps in knowledge it’s addressing. A common reason for articles being rejected after peer review is this lack of context or lack of clarity about why the research is important.
Jane Winters, executive editor of the Institute of Historical Research’s journal, Historical Research and associate editor of Frontiers in Digital Humanities: Digital History

12) Don’t over-state your methodology

Ethnography seems to be the trendy method of the moment, so lots of articles submitted claim to be based on it. However, closer inspection reveals quite limited and standard interview data. A couple of interviews in a café do not constitute ethnography. Be clear – early on – about the nature and scope of your data collection. The same goes for the use of theory. If a theoretical insight is useful to your analysis, use it consistently throughout your argument and text.
Fiona Macaulay, editorial board, Journal of Latin American Studies

Dealing with feedback

13) Respond directly (and calmly) to reviewer comments

When resubmitting a paper following revisions, include a detailed document summarising all the changes suggested by the reviewers, and how you have changed your manuscript in light of them. Stick to the facts, and don’t rant. Don’t respond to reviewer feedback as soon as you get it. Read it, think about it for several days, discuss it with others, and then draft a response.
Helen Ball, editorial board, Journal of Human Lactation 

14) Revise and resubmit: don’t give up after getting through all the major hurdles

You’d be surprised how many authors who receive the standard “revise and resubmit” letter never actually do so. But it is worth doing – some authors who get asked to do major revisions persevere and end up getting their work published, yet others, who had far less to do, never resubmit. It seems silly to get through the major hurdles of writing the article, getting it past the editors and back from peer review only to then give up.
Fiona Macaulay, editorial board, Journal of Latin American Studies

15) It is acceptable to challenge reviewers, with good justification

It is acceptable to decline a reviewer’s suggestion to change a component of your article if you have a good justification, or can (politely) argue why the reviewer is wrong. A rational explanation will be accepted by editors, especially if it is clear you have considered all the feedback received and accepted some of it.
Helen Ball, editorial board of Journal of Human Lactation

16) Think about how quickly you want to see your paper published

Some journals rank more highly than others and so your risk of rejection is going to be greater. People need to think about whether or not they need to see their work published quickly – because certain journals will take longer. Some journals, like ours, also do advance access so once the article is accepted it appears on the journal website. This is important if you’re preparing for a job interview and need to show that you are publishable.
Hugh McLaughlin, editor in chief, Social Work Education – the International Journal

17) Remember: when you read published papers you only see the finished article

Publishing in top journals is a challenge for everyone, but it may seem easier for other people. When you read published papers you see the finished article, not the first draft, nor the first revise and resubmit, nor any of the intermediate versions – and you never see the failures.
Philip Powell, managing editor of the Information Systems Journal

Brasil propõe nova diferenciação entre países na COP20 (ClimaCom)

11/12/2014

Efetividade da proposta é posta em discussão por especialistas: “é uma colagem entre o óbvio e o absurdo” 

Por Meghie Rodrigues

contribuição do Brasil para a 20ª Conferência das Partes (COP20), que acontece em Lima, Peru, até o próximo dia 12, propõe repensar o conceito de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A intenção é refinar a divisão dos 190 países-membros da UNFCCC tal como estabelecida pelo Protocolo de Quioto: em vez de apenas os países do Anexo I (membros da OCDE e países pertencentes à ex-União Soviética) terem responsabilidades legalmente vinculantes sobre reduções de emissões de gases provocadores do efeito estufa, os países emergentes (como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os BRICS) também assumiriam responsabilidades legais sobre as medidas. A proposta, que responde às demandas do Anexo I de que os países emergentes devem assumir uma parcela dos custos advindos dos cortes de emissões, implicaria em um agrupamento menos monolítico entre países em desenvolvimento, ou pertencentes ao Anexo II.

A divisão atual foi traçada na década de 1990 em decorrência do Protocolo de Quioto (que previa reduções de emissões de dióxido de carbono na atmosfera em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990), mas coloca grandes emissores como China e Brasil na mesma categoria de países menores e mais vulneráveis como os Estados-ilha do Oceano Pacífico.

A proposição chega em um momento em que a UNFCCC prepara um documento de força legal a ser proposto em Paris em dezembro do ano que vem, durante a COP21. O novo documento passará a vigorar a partir de 2020, quando cessa a validade da extensão ao Protocolo de Quioto, emenda feita em 2012, durante a COP18 em Doha, no Qatar. O objetivo é levar adiante a meta de conter o aumento da temperatura global para até 2ºC em relação ao período pré-industrial. Apesar de os países-membros da UNFCCC ainda não terem chegado a um acordo quanto ao texto que servirá como base do documento a ser apresentado em Paris, a proposta feita pela delegação brasileira – chefiada pelo subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, José Antonio Marcondes de Carvalho –, parece ter sido bem recebida na Conferência na capital peruana.

No documento oficial enviado à UNFCCC, o Brasil propõe o que chama de “diferenciação concêntrica”, que divide os países em três níveis, de acordo com seu nível de desenvolvimento e histórico de emissões de gases de efeito estufa. Isto definiria suas responsabilidades e ações a serem tomadas. No círculo mais interno estariam os países do Anexo I, com o compromisso de cumprir uma limitação absoluta de emissões ou um alvo de reduções em comparação a um determinado ano-base. No círculo intermediário estariam países emergentes e em desenvolvimento, que poderiam assumir os compromissos dos países do Anexo I ou estabelecer metas de redução em relação à sua projeção de emissões, proporcionais ao PIB ou com determinação cortes de emissão per capita. Por fim, no círculo mais exterior estariam os países menos desenvolvidos e mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como os Estados-ilha: estes não precisariam realizar grandes cortes, já que dispõem de poucos recursos e não são grandes emissores de gases de efeito estufa na atmosfera.

“Entre o óbvio e o absurdo”

Para Márcio Santilli, filósofo e coordenador do Instituto Socioambiental (ISA), “ainda não é hora de fazer grandes análises ou categorizações, mas sim o caso de fazer proposições concretas”. Segundo ele, a tripartição proposta pelo Brasil perpetua a diferença de posições políticas entre grandes emissores emergentes e países do Anexo I. “É algo que precisa ter uma tradução mais clara, se com isso se pretende objetivamente reforçar a responsabilidade dos emergentes – que são relevantes no conjunto das emissões globais – ou se, pelo contrário, é uma jogada retórica para que o bloco do meio, os emergentes, não sejam obrigados a assumir metas de redução imediatas”, ressalta.

O que pode estar havendo neste processo, de acordo com o filósofo, é “uma colagem entre o óbvio e o absurdo”: o óbvio no sentido de se reconhecer a diferença das responsabilidades entre países emergentes que são grandes emissores e os “mais de uma centena de países quase irrelevantes no volume global de emissões”. O absurdo seria elaborar uma meta de corte de emissões na ausência da discussão sobre política energética, ou seja, traçar uma meta sem um plano claro sobre como chegar lá.

Países como China e Estados Unidos (que assinaram um acordo em novembro, em que os EUA propõem reduzir 28% das emissões de gases de efeito estufa em até 11 anos, e a China, por sua vez, cortar as emissões até 2030), propuseram projetar, para além de 2020, processos que já estão ocorrendo em seus países. Em decorrência de políticas econômicas e energéticas já em curso, eles conseguem uma margem para negociar o cumprimento dessas metas. O coordenador do ISA observa, entretanto, que essas são metas modestas, já que EUA poderiam propor cortes maiores e a China, prazos mais curtos. “Ou seja, esse acordo entre China e EUA tem uma folga para eles negociarem – para cobrarem compromissos de outros países em troca de darem mais um passo”, observa.

Oficina do grupo multiTÃO (Labjor-Unicamp) realizada com o grupo de bordadeiras “Entrefios Memórias” do Casarão do Barão, em Campinas – SP

Responsabilidades

Assumir responsabilidades é, também, um tema recorrente nestas rodadas de negociação sobre políticas climáticas em âmbito global, onde reafirmam-se noções acerca da soberania e economia dos países participantes Soberania no sentido de que, não abraçar estes compromissos compartilhados, seria não assumir uma postura globalista em relação à governança climática. Já no caso da economia, seria a reafirmação do privilégio de fontes poluentes em detrimento de fontes alternativas de geração de energia. Eduardo Viola, professor da Universidade de Brasília (UnB), em artigo publicado em 2002, lembra que a posição contrária dos Estados Unidos em relação ao corte de emissões de dióxido de carbono na década de 1990 (o que levou o Senado dos EUA a barrar a ratificação do Protocolo de Quioto), se deu porque os EUA queriam que os “países emergentes assumissem compromissos de diminuir sua taxa de crescimento futuro de emissões”, além de demarcar uma posição clara em favor da manutenção do padrão de vida norte-americano.

O Brasil já trabalha no plano prático no sentido de assumir e compartilhar responsabilidades, tal como invocado pelos EUA. De acordo com Márcio Santilli, ainda que no ano passado as emissões de CO2 tenham aumentado em 7,8% em relação a 2012, o fato de ter feito reduções expressivas entre 2006 e 2012 mostra que o país tem capacidade de realizar cortes mais ambiciosos. No entanto, ele observa que “se queremos chegar a um acordo até o fim do ano que vem, é indispensável que alguma estratégia exista, e que o Brasil possa formular uma proposta de meta que garanta um sentido correto, que é o de redução de emissões – que assegure esse horizonte concreto, palpável – para que possamos cumprir o compromisso que vamos assumir, seja lá qual for”.

Butterflies, Ants and the Internet of Things (Wired)

[Isn’t it scary that there are bright people who are that innocent? Or perhaps this is just a propaganda piece. – RT]

BY GEOFF WEBB, NETIQ

12.10.14  |  12:41 PM

Autonomous Cars (Autopia)

Buckminster Fuller once wrote, “there is nothing in the caterpillar that tells you it’s going to be a butterfly.”  It’s true that often our capacity to look at things and truly understand their final form is very limited.  Nor can we necessarily predict what happens when many small changes combine – when small pebbles roll down a hillside and turn in a landslide that dams a river and floods a plain.

This is the situation we face now as we try to understand the final form and impact of the Internet of Things (IoT). Countless small, technological pebbles have begun to roll down the hillside from initial implementation to full realization.  In this case, the “pebbles” are the billions of sensors, actuators, and smart technologies that are rapidly forming the Internet of Things. And like the caterpillar in Fuller’s quote, the final shape of the IoT may look very different from our first guesses.

In whatever the world looks like as the IoT begins to bear full fruit, the experience of our lives will be markedly different.  The world around us will not only be aware of our presence, it will know who we are, and it will react to us, often before we are even aware of it.  The day-to-day process of living will change because almost every piece of technology we touch (and many we do not) will begin to tailor their behavior to our specific needs and desires.  Our car will talk to our house.

Walking into a store will be very different, as the displays around us could modify their behavior based on our preferences and buying habits.  The office of the future will be far more adaptive, less rigid, more connected – the building will know who we are and will be ready for us when we arrive.  Everything, from the way products are built and packaged and the way our buildings and cities are managed, to the simple process of travelling around, interacting with each other, will change and change dramatically. And it’s happening now.

We’re already seeing mainstream manufacturers building IoT awareness into their products, such as Whirlpool building Internet-aware washing machines, and specialized IoT consumer tech such as LIFX light bulbs which can be managed from a smartphone and will respond to events in your house. Even toys are becoming more and more connected as our children go online at even younger ages.  And while many of the consumer purchases may already be somehow “IoT” aware, we are still barely scratching the surface of the full potential of a fully connected world. The ultimate impact of the IoT will run far deeper, into the very fabric of our lives and the way we interact with the world around us.

One example is the German port of Hamburg. The Hamburg port Authority is building what they refer to as a smartPort. Literally embedding millions of sensors in everything from container handling systems to street lights – to provide data and management capabilities to move cargo through the port more efficiently, avoid traffic snarl-ups, and even predict environmental impacts through sensors that respond to noise and air pollution.

Securing all those devices and sensors will require a new way of thinking about technology and the interactions of “things,” people, and data. What we must do, then, is to adopt an approach that scales to manage the staggering numbers of these sensors and devices, while still enabling us to identify when they are under attack or being misused.

This is essentially the same problem we already face when dealing with human beings – how do I know when someone is doing something they shouldn’t? Specifically how can I identify a bad person in a crowd of law-abiding citizens?

The best answer is what I like to call, the “Vegas Solution.” Rather than adopting a model that screens every person as they enter a casino, the security folks out in Nevada watch for behavior that indicates someone is up to no good, and then respond accordingly. It’s low impact for everyone else, but works with ruthless efficiency (as anyone who has ever tried counting cards in a casino will tell you.)

This approach focuses on known behaviors and looks for anomalies. It is, at its most basic, the practical application of “identity.” If I understand the identity of the people I am watching, and as a result, their behavior, I can tell when someone is acting badly.

Now scale this up to the vast number of devices and sensors out there in the nascent IoT. If I understand the “identity” of all those washing machines, smart cars, traffic light sensors, industrial robots, and so on, I can determine what they should be doing, see when that behavior changes (even in subtle ways such as how they communicate with each other) and respond quickly when I detect something potentially bad.

The approach is sound, in fact, it’s probably the only approach that will scale to meet the complexity of all those billions upon billions of “things” that make up the IoT. The challenge of this is brought to the forefront by the fact that there must be a concept of identity applied to so many more “things” than we have ever managed before. If there is an “Internet of Everything” there will be an “Identity of Everything” to go with it? And those identities will tell us what each device is, when it was created, how it should behave, what it is capable of, and so on.  There are already proposed standards for this kind of thing, such as the UK’s HyperCatstandard, which lets one device figure out what another device it can talk to actually does and therefore what kind of information it might want to share.

Where things get really interesting, however, is when we start to watch the interactions of all these identities – and especially the interactions of the “thing” identities and our own. How we humans of Internet users compared to the “things”, interact with all the devices around us will provide even more insight into our lives, wants, and behaviors. Watching how I interact with my car, and the car with the road, and so on, will help manage city traffic far more efficiently than broad brush traffic studies. Likewise, as the wearable technology I have on my person (or in my person) interacts with the sensors around me, so my experience of almost everything, from shopping to public services, can be tailored and managed more efficiently. This, ultimately is the promise of the IoT, a world that is responsive, intelligent and tailored for every situation.

As we continue to add more and more sensors and smart devices, the potential power of the IoT grows.  Many small, slightly smart things have a habit of combining to perform amazing feats. Taking another example from nature, leaf-cutter ants (tiny in the extreme) nevertheless combine to form the second most complex social structures on earth (after humans) and can build staggeringly large homes.

When we combine the billions of smart devices into the final IoT, we should expect to be surprised by the final form all those interactions take, and by the complexity of the thing we create.  Those things can and will work together, and how they behave will be defined by the identities we give them today.

Geoff Webb is Director of Solution Strategy at NetIQ.

A Crise de Escassez Hídrica no Brasil e seu Gerenciamento no Estado de São Paulo – Posição da Diretoria da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo (ABES-SP)

Posição da Diretoria da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo (ABES-SP) sobre a crise hídrica, apresentada no seminário “A Crise de Escassez Hídrica no Brasil e seu Gerenciamento no Estado de São Paulo”, realizado no dia 02 de dezembro de 2014, no auditório do CREA-SP:

  1. O país vive crise de escassez hídrica de dimensões inéditas e não antecipadas pelas previsões climáticas. A crise atinge um vasto território do Sudeste e Nordeste brasileiros, com forte incidência em São Paulo, e afeta os diversos usos da água, revelando conflitos que precisam ser tratados de imediato. Embora não haja precisão nas previsões meteorológicas, é provável que seja de grande duração, requerendo estratégia de longo prazo para seu enfrentamento.
  1. A crise vem demandando ações emergenciais para assegurar a continuidade do abastecimento público, que necessitam ser reforçadas e adequadamente explicadas à população, pelas autoridades e pelas entidades técnico-científicas. O abastecimento vem sendo mantido por um sofisticado conjunto de medidas operacionais, que será tão mais eficaz quanto mais bem compreendido for pela sociedade.
  1. Em geral, passadas as restrições legais do período eleitoral, é necessário reforçar a comunicação social sobre o enfrentamento dos problemas, trazendo a sociedade para apoiar ativamente o combate aos desperdícios e o uso racional, e reduzindo o espaço para visões equivocadas e para a exploração oportunista dos efeitos da crise. Além da comunicação, ações mais diretas junto à população são cabíveis, como, por exemplo, a assistência técnica para a adequação das caixas d’água nos imóveis com deficiência de reservação.
  1. Os valores extremamente baixos e inéditos de precipitações e de vazões afluentes aos sistemas indicam uma situação nova, que exige a revisão do planejamento existente, antecipando intervenções e aumentando capacidades. É necessário aumentar a disponibilidade de vazões regularizadas, para fazer frente à nova situação. Particularmente, são importantes a interligação dos reservatórios Jaguari e Atibainha, para dar segurança hídrica à plena recuperação e utilização do Sistema Cantareira no futuro, e a construção das barragens Duas Pontes e Pedreiras e respectivo sistema adutor, para assegurar o abastecimento dos municípios das bacias do PCJ. Outros projetos de abastecimento, estruturantes do desenvolvimento econômico do estado, necessitam ser avaliados, detalhados e implementados no curto prazo.
  1. A antecipação de investimentos e o aumento de capacidade de reserva que as novas condições exigem significam o aumento do custo da água para os diversos usos. Esta nova realidade torna economicamente mais atrativas e socialmente mais necessárias políticas permanentes de redução de perdas, uso racional da água, proteção e recuperação de mananciais e de nascentes e de reuso de água tratada.
  1. O aumento de custos deve ser refletido nas tarifas dos prestadores de serviços. O setor de abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado de São Paulo é sustentado por um sistema tarifário que remunera os investimentos e os custos dos serviços, com um processo regulatório sofisticado, em fase final de implantação. Esta é a forma socialmente mais justa e eficiente de alocar os recursos necessários à prestação dos serviços, que deve ser preservada. Empresas e autarquias economicamente viáveis e sólidas são a melhor garantia da qualidade da prestação, e da manutenção de esforços continuados, como é o caso da redução de perdas de água, por exemplo.
  1. O ajuste tarifário, além preservar a viabilidade econômica das entidades responsáveis pelos serviços, o que pode e deve ser feito protegendo os segmentos socialmente mais vulneráveis, deve ser tratado como um importante, talvez o mais importante, mecanismo de redução de consumo excessivo. A acentuação das diferenças entre blocos tarifários, com penalização mais pesada às faixas de maior consumo, é um forte estímulo econômico à moderação. Esse valor adicional nas faixas de maior consumo poderia ser separado, como um fundo especial para as obras de segurança hídrica, não incidindo no cálculo do resultado econômico das prestadoras de serviço.
  1. A penalização econômica do uso excessivo de água deve se somar a outras ações de combate ao desperdício, por parte das autoridades públicas, especialmente as autoridades municipais, que têm poder de polícia. A fiscalização deve se somar à comunicação ampla e ao convencimento.
  1. As intervenções não diretamente ligadas à prestação dos serviços, como as obras de aumento da segurança hídrica, não poderão ser inteiramente custeadas pelas tarifas, e necessitam de recursos não onerosos dos orçamentos públicos. No caso da Sabesp, a primeira fonte deveria ser os dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos ao Governo Estadual.
  1. Os estudos mais recentes, como o Plano de Abastecimento da Macrometrópole Paulista, demonstram que a densidade do desenvolvimento econômico do estado e o uso intensivo dos recursos hídricos impõem que se passe a planejar e gerir o uso da água na região de modo efetivamente integrado. A crise de escassez vem acentuar essa constatação. As agendas entre municípios e Governo Estadual, entre este e os demais estados vizinhos, e a União, demandam a ampliação e o aprimoramento dos instrumentos técnicos e dos recursos humanos voltados a essas tarefas.
  1. A gestão integrada implica uma intensa agenda entre municípios, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Agência Nacional de Águas, e o Governo Federal, agenda que tem se desenvolvido de modo promissor nas últimas semanas. E contempla também os graves conflitos e restrições entre os diversos usos da água a serem mediados. Quanto a estes, ressalta a importância de rediscutir com o setor elétrico ajustes imprescindíveis nas regras atuais, para fazer prevalecer a primazia do uso para abastecimento público, como assegurado legalmente.
  1. Muitas das medidas de enfrentamento da crise são e terão que ser emergenciais, com o uso de procedimentos expeditos de contratação e execução. É importante que as mesmas se combinem com um processo de revisão de planos, de elaboração de projetos e de reestruturação de cronogramas de implantação de empreendimentos que organize desde já a continuidade dos programas de expansão e melhoria dos serviços, necessários para a universalização do atendimento e a manutenção da qualidade.

Diretoria da ABES-SP.

Robôs inteligentes podem levar ao fim da raça humana, diz Stephen Hawking (Folha de S.Paulo)

SALVADOR NOGUEIRA

COLABORAÇÃO PARA FOLHA

16/12/2014 02h03

O físico britânico Stephen Hawking está causando novamente. Em entrevista à rede BBC, ele alertou para os perigos do desenvolvimento de máquinas superinteligentes.

“As formas primitivas de inteligência artificial que temos agora se mostraram muito úteis. Mas acho que o desenvolvimento de inteligência artificial completa pode significar o fim da raça humana”, disse o cientista.

Ele ecoa um número crescente de especialistas –de filósofos a tecnologistas– que aponta as incertezas trazidas pelo desenvolvimento de máquinas pensantes.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
Robô

Recentemente, outro luminar a se pronunciar foi Elon Musk, sul-africano que fez fortuna ao criar um sistema de pagamentos para internet e agora desenvolve foguetes e naves para o programa espacial americano.

Em outubro, falando a alunos do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), lançou um alerta parecido.

“Acho que temos de ser muito cuidadosos com inteligência artificial. Se eu tivesse que adivinhar qual é a nossa maior ameaça existencial, seria provavelmente essa.”

Para Musk, a coisa é tão grave que ele acredita na necessidade de desenvolver mecanismos de controle, talvez em nível internacional, “só para garantir que não vamos fazer algo bem idiota”.

SUPERINTELIGÊNCIA

A preocupação vem de longe. Em 1965, Gordon Moore, co-fundador da Intel, notou que a capacidade dos computadores dobrava a cada dois anos, aproximadamente.

Como o efeito é exponencial, em pouco tempo conseguimos sair de modestas máquinas de calcular a supercomputadores capazes de simular a evolução do Universo. Não é pouca coisa.

Os computadores ainda não ultrapassaram a capacidade de processamento do cérebro humano. Por pouco.

“O cérebro como um todo executa cerca de 10 mil trilhões de operações por segundo”, diz o físico Paul Davies, da Universidade Estadual do Arizona. “O computador mais rápido atinge 360 trilhões, então a natureza segue na frente. Mas não por muito tempo.”

Alguns tecnologistas comemoram essa ultrapassagem iminente, como o inventor americano Ray Kurzweil, que atualmente tem trabalhado em parceria com o Google para desenvolver o campo da IA (inteligência artificial).

Ele estima que máquinas com capacidade intelectual similar à humana surgirão em 2029. É mais ou menos o de tempo imaginado por Musk para o surgimento da ameaça.

“A inteligência artificial passará a voar por seus próprios meios, se reprojetando a um ritmo cada vez maior”, sugeriu Hawking.

O resultado: não só as máquinas seriam mais inteligentes que nós, como estariam em constante aprimoramento. Caso desenvolvam a consciência, o que farão conosco?

Kurzweil prefere pensar que nos ajudarão a resolver problemas sociais e se integrarão à civilização. Mas até ele admite que não há garantias. “Acho que a melhor defesa é cultivar valores como democracia, tolerância, liberdade”, disse à Folha.

Para ele, máquinas criadas nesse ambiente aprenderiam os mesmos valores. “Não é uma estratégia infalível”, diz Kurzweil. “Mas é o melhor que podemos fazer.”

Enquanto Musk sugere um controle sobre a tecnologia, Kurzweil acredita que já passamos o ponto de não-retorno –estamos a caminho da “singularidade tecnológica”, quando a IA alterará radicalmente a civilização.

COP 20 aprova base para novo acordo climático (Estadão)

Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

AFP – Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

Com atraso de 31 horas, a 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP 20) terminou na madrugada deste domingo (14), com a aprovação do conjunto de decisões essenciais para a negociação do novo acordo climático em novembro de 2015, em Paris. Reformado “cirurgicamente” para se adequar às exigências dos países emergentes e em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, o documento final superou os impasses e obteve consenso imediato dos 195 países à 1h20 (4h20, no horário de Brasília).

“Vamos fazer de Paris um grande sucesso”, afirmou o presidente da COP-20 e ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, ao referir-se a um possível acordo multilateral para dar ao mundo a chance de chegar ao final deste século com o aumento de até 2ºC em sua temperatura média. Sem o acordo, os termômetros subirão bem mais, conforme alertaram os estudos do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC).

“Todos sabemos o que se passou em Copenhague (na fracassada tentativa de chegar ao acordo climático, na COP de 2009). Graças aos seus esforços, o fantasma de Copenhague está mais longe, e o sucesso de Paris, mais perto”, declarou o ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, que presidirá a COP 21.

Na tarde de sábado (13), Pulgar havia chamado para si a responsabilidade de elaborar um novo texto de decisão de Lima mais palatável ao bloco emergente e em desenvolvimento, sem gerar maior atrito com o mundo desenvolvido. Ele havia fracassado, horas antes, em sua tentativa de aprovar uma versão anterior, considerada “desequilibrada” e desprovida dos elementos basilares para uma negociação climática justa em 2015 pelo bloco em desenvolvimento.

Todas as 195 delegações estavam cientes de que o sucesso da COP de Paris dependia do documento de Lima. O acordo climático de Paris, se não cair nas mesmas armadilhas de Copenhague, substituirá o Protocolo de Kioto em 2020. O documento de Lima, ao final, traçou as bases sobre as quais os 195 países apresentarão, ao longo do primeiro semestre, seus compromissos de redução de emissões e de adaptação à mudança climática. Trata-se da espinha dorsal do acordo de Paris, a partir do qual serão decididas as obrigações adicionais de cada signatários.

“Em Lima foi fechado o acordo antes do acordo (definitivo)”, resumiu o especialista britânico Michael Jacobs, conselheiro sênior do New Climate Economy e professor da London School of Economics.

Nas negociações, os emergentes do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e os membros do G77 (grupo dos países em desenvolvimento e dos mais pobres) fizeram valer suas posições em favor a dois princípios caros. O primeiro é a necessidade de os compromissos dos países mais ricos abrangerem também os meios de financiamento, de capacitação e de transferência de tecnologia para os mais pobres cumprirem suas metas. Essa premissa consta da Convenção do Clima, de 1992.

Países como o Brasil, a China, a África do Sul, além dos mais pobres e vulneráveis à mudança climática, se mobilizaram para sublinhar esse tópico no documento e para impedir que a versão anterior, com menção frouxa a esse conceito, fosse aprovada. Europeus e americanos preferiam vê-lo apagado, para concentrarem-se apenas nas reduções de emissões de gases do efeito estufa (mitigação). Mas acabaram acatando, no final.>>O principal negociador brasileiro, embaixador José Antônio Marcondes Carvalho, considerou insuficiente a ênfase a esse princípio e sublinhou seu desapontamento.”Não fomos tão longe na decisão de hoje. Mas aceitamos o compromisso proposto e continuaremos a trabalhar por um acordo robusto e ambicioso com base na Convenção do Clima”, declarou.

O outro princípio registrado com ênfase no documento da COP-20 foi o da “responsabilidade comum, mas diferenciada”. Definido em 2011, na COP de Durban, ele prevê que os países desenvolvidos terão de assumir obrigações adicionais mais ambiciosas de redução de emissões de gases, compatíveis com o fato de os estarem despejando na atmosfera desde meados do século 18. Emergentes – mesmo os campeões de emissão China e Índia – e os países em desenvolvimento e pobres teriam uma carga menor.

O documento de Lima também trouxe de forma mais específica a obrigação de os 195 países apresentarem informações precisas sobre seus compromissos iniciais, a serem registrados ao longo do primeiro semestre de 2015. Entre eles, o ano-base para a comparação de seus compromissos de redução de emissões, essencial para uma noção mais clara de seus efeitos sobre a contenção do aquecimento global.

As economias emergentes e em desenvolvimento também conseguiram registrar de forma mais clara a necessidade de os países tomarem iniciativas entre 2016 e 2019 para acelerar a adoção do acordo de Paris, a partir de 2020.

Com o documento de Lima aprovado, começam agora as movimentações tornar viável o acordo climático de Paris. Novas rodadas de negociações já estão agendadas para Genebra, em fevereiro, e Bonn, em junho. Os países desenvolvidos, em princípio, deverão apresentar seus compromissos climáticos até março. Os demais, até junho. Atrasos poderão comprometer os cálculos do efeito dessas contribuições para impedir o aquecimento do planeta além de 2ºC, que precisam estar prontos até novembro.

Análise: Todos estão a bordo, certo, mas será um milagre se este barco chegar bem a Paris (Folha de S.Paulo)

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

15/12/2014 02h00

Com dois dias de atraso, a Conferência de Lima pariu um rato. Espera-se agora o quase impossível: que o roedor aprenda a rugir em um ano e o faça com tanta força em Paris que consiga afugentar o espectro de uma mudança perigosa do clima.

Especialistas predizem que, para evitar um cenário de eventos extremos “”secas, enchentes, furacões””, o aquecimento global não pode ultrapassar 2°C neste século. Os compromissos nacionais de cortes nas emissões de CO2 (principal gás do efeito estufa) apresentados até aqui não representam mais que a metade do que seria necessário.

Como ocorre desde que se adotou a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima no Rio, em 1992, Lima tropeçou na vala que separa países ricos e pobres. O maior avanço da conferência na capital peruana, contudo, se deu precisamente aí: agora, todas as nações ficam obrigadas a se comprometer com ações para conter o aquecimento.

É verdade que sobreviveu o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, de que sempre se valeram os menos desenvolvidos para escapar de assumir metas. Todos têm de comparecer, daqui em diante, ainda que “à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Traduzindo: China (maior emissor de CO2), Índia (terceiro, depois dos EUA) e Brasil (sexto) também estão obrigados a publicar planos para reduzir carbono. Uma vitória das nações desenvolvidas.

A União Europeia tem as metas mais ambiciosas: cortar 30% das emissões até 2020 e 40% até 2030, ante 1990. Os EUA prometem redução de 26% a 28% até 2025, mas na comparação com 2005.

O Brasil mantém que até 2020 reduzirá 36% a 39% do nível de suas emissões em 1990, graças à queda no desmatamento (nossa maior fonte de carbono). A China só fala em reduzir o ritmo de aumento da poluição, para zerá-lo em 2030. A Índia até aqui se fez de muda.

Há expectativa de que esses e outros países melhorem suas propostas nos próximos seis meses, de modo que se possa calcular, antes do encontro de Paris, a distância até a meta de 2°C. O problema é que, em Lima, não se chegou a um consenso sobre metodologia e anos-base –1990 ou 2005?

Assim fica difícil fazer a conta. Para piorar, se obteve um grau insuficiente de transparência nas comunicações que cada país ficou de fazer.

Por considerar qualquer tipo de monitoramento externo uma ameaça a sua soberania, a China vetou a obrigatoriedade de mecanismos para tornar as informações nacionais claras e verificáveis. Eles aparecem no acordo apenas como facultativos.

Não houve progresso, por fim, na eterna questão do dinheiro. Países pobres, que contribuíram menos historicamente para o aquecimento, mas sofrerão os piores impactos, exigem fundos dos ricos para prevenir catástrofes e adotar tecnologias limpas.

Com meros US$ 10 bilhões anuais comprometidos, nunca se esteve tão longe do objetivo anterior de levantar US$ 100 bilhões ao ano. O máximo que as nações menos desenvolvidas conseguiram foi cravar no texto as noções de fundos para adaptação e para “perdas e danos”.

Essa noção foi comemorada como vitória por países insulares como Tuvalu e Kiribati. Com territórios ameaçados de submergir com a elevação dos oceanos, precisam desesperadamente salvar o que for possível e, se inescapável, relocar sua população.

Na iminência de um naufrágio, Lima contentou-se com pouco, como sempre acontece nas reuniões do clima. Todos agora estão a bordo, mas com uma rota ainda por traçar e sem bons instrumentos para verificar o trajeto. Será um milagre se chegarem a bom porto em Paris.

Carnivorismo (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

MAURÍCIO ANDRÉS RIBEIRO

01

Por Maurício Andrés Ribeiro

Cadeias alimentares são as transferências de energia alimentar desde os produtores básicos – as plantas –, para os animais herbívoros – consumidores primários –, até os animais carnívoros que se alimentam dos herbívoros ou de outros carnívoros. A cada degrau que se sobe na cadeia trófica, há perdas de energia. As plantas absorvem e metabolizam cerca de 1% da energia solar que sobre elas incidem. Os animais herbívoros aproveitam cerca de 10% da energia contida nos vegetais. Os animais carnívoros ou os seres humanos que se alimentam de carne de animais aproveitam apenas 10% da energia que eles absorveram dos vegetais.

02

O homem está entre as espécies que absorvem energia de vários elos da cadeia alimentar e tem uma diversidade de dietas alimentares, em função do ambiente em que vivem de seus hábitos culturais, de seus valores espirituais ou religiosos. Há seres humanos onívoros, carnívoros, frutívoros, vegetarianos, veganos etc e uma combinação deles. O carnivorismo é o habito sistemático de comer carne e a defesa de tal hábito.O carnivorismo se espalha pelo mundo de modo diferenciado conforme mostra o mapa anexo. Nos países em vermelho se come mais de 30 kg per capita de carne bovina por ano. À medida que aumenta a renda média, tende a aumentar o consumo per capita de carne, o que é ainda estimulado por campanhas de propaganda do carnivorismo nas TVs, nos jornais, em revistas e na internet.

03

A dieta alimentar baseada em proteínas animais, quando comparada a dietas baseadas em grãos, hortaliças e proteína vegetal, tem elevado custo energético e sua produtividade energética é baixa. A demanda por alimentos que se encontram no alto da cadeia alimentar – constituídos pelos produtos de origem animal – consome grande quantidade de terra, água, recursos naturais e defensivos agrícolas; motiva os fazendeiros a expandir as áreas destinadas a pastagens, provoca a destruição de florestas e perdas de solo fértil. Os impactos ambientais de uma dieta carnívora são maiores do que os de uma dieta baseada em produtos vegetais.

No Brasil, pressão sobre as florestas e desmatamento decorrem do plantio de soja para alimentar animais na China ou da pecuária para exportar carne ou abastecer o mercado interno.

04Várias sociedades regularam suas dietas como estratégia para não romper a capacidade de suporte do seu território e reduzir os riscos de colapso. A Índia é uma das mais conhecidas, com o vegetarianismo e a sacralização dos animais. Diamond (2005, p. 356) relata o caso da ilha de Tikopia, no Pacífico Sul, com 4,7km2 e densidade de 309 pessoas por quilômetro quadrado, continuamente habitada há quase três mil anos. Uma das estratégias para garantir a capacidade de sustentação do ambiente foi a mudança de hábitos alimentares, eliminando aqueles que implicam competição pelo uso da terra:

Uma decisão significativa tomada conscientemente por volta de 1.600 d.C, e registrada pela tradição oral, mas também atestada arqueologicamente, foi a matança de todos os porcos da ilha, substituídos como fonte de proteína pelo aumento do consumo de peixe, moluscos e tartarugas.

Tikopia e a India são exemplos de sociedades que superaram o carnivorismo ao constatarem os benefícios sociais que essas mudanças de hábitos alimentares trariam. Aquilo que a Índia estruturou há milênios e o que os ilhéus de Tikopia decidiram há algumas centenas de anos, pode ser uma decisão sábia de ser adotada globalmente no contexto das mudanças climáticas e da atual crise da evolução. Uma das vozes que defende esse caminho é Lovelock (Gaia-Alerta final, pg. 80) que observa

“Nossos líderes, se fossem todos excelentes e poderosos poderiam proibir a manutenção de animais de estimação e gado, tornar compulsória a dieta vegetariana e incentivar um grande programa de síntese de alimentos por indústrias químicas e bioquímicas; fazer isso apenas restringirá a perda de vida a animais de estimação e gado. É alentador que o presidente do IPCC, Dr. Pachauri, tenha recomendado uma dieta vegetariana como um caminho a seguir.”

Atualmente cresce a consciência e os alertas sobre esse tema. O biólogo Erlich (1999, p. 10) afirma que “a capacidade de suporte do planeta seria aumentada se todos se tornassem predominantemente vegetarianos”. O professor E. O. Wilson, de Harvard, em seu livro “O Futuro da vida” expressa as vantagens de renunciar ao consumo de carne: “Se todos aceitassem uma dieta vegetariana, o atual 1,4 bilhão de hectares de terras aráveis seria suficiente para produzir alimentos para 10 bilhões de pessoas.” O vegetarianismo poupa espaço, recursos naturais e o meio ambiente, conseguindo, com baixo uso de recursos naturais, um alto rendimento energético alimentar.

A mudança de dieta alimentar é um processo cultural e encontra resistências em hábitos arraigados. O prazer da mesa é um aspecto sensorial que produz apego e constitui um obstáculo à aceitação de argumentos racionais, como os baseados na ecologia energética, nas perdas de energia que ocorrem nas cadeias alimentares, nos impactos ambientais devastadores associados ao consumo de carnes.

No contexto da crise alimentar, climática, ecológica e hídrica, hábitos alimentares de baixo consumo de proteína animal podem facilitar o acesso da população humana a alimentos e ao mesmo tempo não pressionarem excessivamente a capacidade de suporte do planeta. Superar o carnivorismo é um passo em direção à sustentabilidade no planeta. A mega crise da evolução atual, da qual as mudanças climáticas são um dos aspectos, clama por evolução da consciência humana que induza a mudanças de hábitos tão básicos e elementares como o de se alimentar.

Ofensiva ruralista contra direitos indígenas continua em Brasília (Greenpeace Brasil)

10/12/2014 – 09h53

por Redação do Greenpeace Brasil

O Projeto de Lei Complementar que coloca sob ameaça Terras Indígenas já demarcadas e abre caminho para sua exploração deve ser apreciado nesta quarta-feira

bannerPLSjuca 1024x648 Ofensiva ruralista contra direitos indígenas continua em Brasília

O projeto do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que restringe drasticamente os direitos de povos indígenas sobre suas terras, deve estrar em pauta nesta quarta-feira (10), às 14h, em uma comissão mista no Senado.

O Projeto de Lei Complementar sem número/2013, estabelece exceções à posse e uso exclusivo das comunidades indígenas sobre suas terras. Caso aprovada, ela segue direto para os plenários do Senado e da Câmara.

O texto, que regulamenta o Art. 231 da Constituição Federal, é assinado pelo senador Romero Jucá, ex-líder do governo no Senado – que também é relator do controverso parecer sobre a regulamentação da PEC do Trabalho Escravo.

Sob a justificativa de normatizar o conceito de relevância de interesse público no processo de demarcação, o projeto quer, na realidade, legalizar fazendas, estradas, hidrelétricas, minas, linhas de transmissão e outros empreendimentos em Terras Indígenas (TIs).

A proposta classifica propriedades rurais como “área de relevante interesse público da União”. Como consequência, o projeto estabelece que essas áreas poderão ser excluídas da delimitação das terras indígenas se seus títulos de ocupação forem “considerados válidos” ou poderão ser objeto de desapropriação ou de compensação com outra área ofertada pela União. Dessa forma, o projeto transforma interesses privados em “de relevante interesse público da União”.

Enquanto o mundo todo está reunido em Lima, no Peru, em busca de acordos para mitigar as mudanças climáticas, o Congresso e o Senado brasileiro, capitaneados pela Bancada Ruralista, tentam destruir os direitos indígenas, evitando que novas terras indígenas sejam criadas e colocando em risco as áreas atualmente protegidas.

“As TI, são o melhor instrumento de conservação das florestas e devem fazer parte da estratégia brasileira de mitigação de emissão dos gases de efeito estufa, evitando assim o agravamento das mudanças climáticas, maior crise ambiental que os seres humanos podem enfrentar”, afirma Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace.

A Mobilização Nacional Indígena, rede de organizações coordenada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, promove um tuítaço nesta quarta, a partir das 10h30, contra a proposta. Participe utilizando a hashtag #DireitosIndigenas.

* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.

(Greenpeace Brasil)

Serão necessários entre 250 e 500 bilhões de dólares anuais para combater a mudança climática (ONU Brasil)

08/12/2014 – 03h31

por Redação da ONU Brasil

clima Serão necessários entre 250 e 500 bilhões de dólares anuais para combater a mudança climática

Novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirma que os fundos necessários para combater a mudança climática até 2050 devem ser duas ou três vezes superiores àqueles anunciados anteriormente.

Apesar dos esforços de adaptação às mudanças climáticas globais já atingirem 26 bilhões de dólares – no período entre 2012 e 2013 – um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) prevê que o financiamento não será suficiente a partir de 2020, a menos que sejam feitas novas contribuições até lá. As informações fazem parte do documento, intitulado “A lacuna da adaptaçâo“, lançado em Lima (Peru) durante a COP-20.

custo dessas medidas nos países em desenvolvimento deve ser duas ou três vezes maior do que as previsões anteriores que previam a necessidade de 70 a 100 bilhões de dólares por ano até 2050. Estima-se agora que serão necessários de 250 a 500 bilhões de dólares por ano nesse período, mesmo que as emissões de gases estufa sejam reduzidas o suficiente para manter o aumento da temperatura global em menos de 2°C.

As principais áreas que precisam ser desenvolvidas para fortalecer a adaptação global são o financiamento, a tecnologia e o conhecimento, de acordo com o relatório. Para preencher essas lacunas, é essencial expandir as ações de corte de emissões poluentes na atmosfera, para prevenir que os custos de adaptação e de proteção às comunidades sejam ainda maiores.

“Os impactos das mudanças globais já estão começando a ser contabilizados nos orçamentos das autoridades nacionais e locais”, disse o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner, enfatizando a importância de lidar com as implicações das mudanças climáticas nos países menos desenvolvidos.

* Publicado originalmente no site ONU Brasil.

(ONU Brasil)

Banco Mundial diz que seca no nordeste brasileiro pode piorar (Rádio ONU)

09/12/2014 – 09h39

por Edgard Júnior, da Rádio ONU

seca Banco Mundial diz que seca no nordeste brasileiro pode piorar

Afirmação foi feita pela assessora sênior para a América Latina e o Caribe da instituição financeira; Karin Kemper afirmou também que aumento do nível dos mares pode ter impacto no Rio de Janeiro.

A assessora regional sênior do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Karin Kemper, disse, em entrevista à Rádio ONU, que se a temperatura global continuar aumentando, a seca no nordeste do Brasil pode piorar.

“Sabemos que o nordeste sempre sofreu com as secas, mas poderia ter uma frequência mais intensa ou poderia ter secas mais prolongadas. Sabemos que isso tem efeitos econômicos tanto para a população do interior, mas também podemos imaginar que, por exemplo, as cidades grandes do nordeste podem sofrer mais impactos por insegurança hídrica.”

Investimentos

Citando o relatório lançado pelo Banco Mundial na semana passada, Kemper disse ainda que os impactos do aumento da temperatura serão maiores sobre as populações mais pobres, mais vulneráveis, mulheres, crianças, como também grupos indígenas.

A assessora para a América Latina e o Caribe alertou que investimentos que poderiam ser feitos em outros setores vão acabar sendo destinados para combater os efeitos climáticos.

“Se houver um aumento do nível dos mares, por exemplo, o cálculo que temos no relatório para o Rio de Janeiro varia de uma alta de, no mínimo, 62 cm até 1 metro, no máximo. Isso significa que se precisa fazer investimentos nas cidades costeiras. Esse dinheiro poderia ser utilizado em outras coisas como em hospitais, escolas e outros setores de desenvolvimento.”

O relatório do Banco Mundial disse que um novo padrão climático global pode reduzir em 70% a produção de soja no Brasil e a de trigo em 60%.

O documento mostra dois cenários futuros prevendo as consequências de aumentos médios da temperatura global de 2 e 4 graus centígrados, até 2050. Os especialistas calculam que os danos causados por enchentes costeiras devem chegar a US$ 22 bilhões, o equivalente a mais de R$ 56 bilhões.

* Publicado originalmente no site Rádio ONU.

(Rádio ONU)

O quente e o fervendo (Folha de S.Paulo)

A Terra na época do Antropoceno

MARCELO LEITE, 7 dez 2014

RESUMO Impacto da atividade humana sobre o planeta gera debate acerca do advento de uma nova época geológica, o Antropoceno. Em livro, a jornalista Naomi Klein prega reviravolta no capitalismo para frear o aquecimento global –tema de conferência em Lima, nesta semana, e de encontro decisivo no ano que vem, em Paris.

Prepare-se para o advento do Antropoceno. Em 2016 ele poderá estar entre nós. “Antropoceno” é o nome proposto no ano 2000 pelo Nobel de Química Paul Crutzen para uma nova época geológica, a “Idade do Homem”. Ela viria suceder o Holoceno, no qual vivemos há quase 12 mil anos, desde o fim da última era glacial.

Nesse intervalo, curto para a o tempo geológico (a Terra tem mais de 4 bilhões de anos), a espécie humana tirou proveito do clima estável e ameno. Desenvolveu a agricultura, multiplicou-se e se espalhou ainda mais pelo globo.

A questão agora é saber se ela modificou o planeta e aqueceu a atmosfera o bastante para deixar uma marca inconfundível no registro estratigráfico. Os geólogos do futuro distante conseguirão distinguir uma camada de terreno que não existiria sem que 7 ou 10 bilhões de pessoas vivessem e produzissem na sua superfície?

A Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS, em inglês), a quem compete decidir sobre as divisões oficiais da história da Terra, pode bater o martelo geológico em meados de 2016, quando se realizará o Congresso Internacional de Geologia. Foi esse o prazo que se autoimpôs o Grupo de Trabalho do Antropoceno (GTA) reunido por ela, que tem 37 especialistas e a tarefa de instruir o processo.

Um deles é o próprio Paul Crutzen. Outro, o jornalista norte-americano Andrew Revkin, convidado por ter introduzido, num livro de 1992, “Global Warming” (Aquecimento global), a ideia de um pós-Holoceno produzido pelo homem. Hoje ele lamenta sua “escolha imperfeita de palavra”: “Propus Antroceno’… Idiota”.

Também integra o grupo o climatologista brasileiro Carlos Nobre, secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Acho que será aprovado o estabelecimento de uma nova época, em função do peso de evidências”, avalia. “Mas o marco temporal ainda suscita discussões acaloradas.”

Não há muita dúvida de que cidades como São Paulo, Nova York ou Mumbai deixarão abundantes vestígios fósseis e arqueológicos para os milênios que virão. Os puristas, contudo, exigem que um novo período geológico esteja demarcado, literalmente, nas rochas.

Uma proposta é fixar o limiar do Antropoceno em 1945, quando começaram as detonações atômicas. Elas aspergiram por todos os continentes uma camada sutil, mas detectável, de plutônio, césio e estrôncio, subprodutos da explosiva reação nuclear.

Outra possibilidade, defendida por Crutzen, seria o final do século 19, no marco da Revolução Industrial. O argumento privilegia os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), poluentes produzidos na queima de combustíveis fósseis (carvão e derivados de petróleo, principalmente) que se depositam em todos os ambientes.

O consumo avantajado de combustíveis fósseis sustenta ainda outra hipótese para a delimitação. Nesse caso, sobressaem os efeitos produzidos com o agravamento do efeito estufa decorrente de bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) lançadas no ar.

Assim como a atmosfera, os oceanos também se aquecem no processo. Além disso, tornam-se mais ácidos ao absorver parte do CO2, o que, em algumas profundidades, interrompe o ciclo de deposição de carbonatos que dá origem a rochas claras, como o calcário. O resultado seria uma banda escura no registro estratigráfico.

“O tópico todo é preocupante”, resume Naomi Oreskes, historiadora da ciência da Universidade Harvard que integra o GTA.

Oreskes é autora do livro “Merchants of Doubt” (Mercadores da dúvida, de 2011), que demonstra os propósitos ideológicos dos “céticos” militantes em organizações conservadoras como o American Enterprise Institute e a Heritage Foundation, para os quais é uma farsa a noção de mudança do clima causada pelo homem.

Esse pessoal não quer nem ouvir falar em Antropoceno.

LEGIÃO Em contrapartida, a dupla Antropoceno e aquecimento global faz sucesso com outra turma. Uma legião estimada em 400 mil pessoas tomou as ruas e avenidas de Nova York em 21 de setembro último, na Marcha do Povo pelo Clima. Apesar do nome, lá estavam Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, que convocara uma Cúpula do Clima para dois dias depois, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson e o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

Não faltaram, além deles, vegetarianos, ex-hippies sexagenários e indígenas na passeata convocada pela 350.org. A ONG luta pelo retorno à concentração de 350 partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera terrestre; no fim de novembro, ela estava em 398 ppm, muito acima dos 280 ppm dos tempos pré-industriais.

O CO2 é o principal gás do efeito estufa, por sua capacidade de aprisionar e reter junto à superfície da Terra parte da radiação solar que incide sobre ela, como os vidros de um abrigo para plantas.

Na fracassada Conferência de Copenhague, em 2009, só houve acordo quanto à necessidade de limitar as emissões de CO2 para que o aquecimento global não exceda 2°C. Acima disso, a mudança do clima poderia conduzir a uma série devastadora de eventos extremos como secas, furacões, ondas de calor e enchentes.

No restante, impera o desacordo entre países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos. Pela 20ª vez, duas centenas deles estão reunidos em Lima, até a próxima sexta-feira (12), para tentar traçar as linhas de base de um tratado capaz de reduzir as emissões na proporção e no ritmo necessários. O prazo se extingue dentro de um ano, quando se realizará a Conferência de Paris –a COP 21.

Os pesquisadores do clima estimam que, para não ultrapassar a marca dos 2°C, a humanidade conta com um orçamento total, desde o início da espécie, de 1 trilhão de toneladas de CO2 para gastar. Do século 19 para cá, 600 bilhões já viraram fumaça.

Para sobreviver com a pífia dotação de 400 bilhões, seria desejável que as emissões já estivessem em queda, como pressupunha o malfadado Protocolo de Kyoto (1997). Mas continuam a subir. Só recuam em anos de crise, como 2009. Em 2013, o aumento foi de 2,3%.

Se a tendência presente se mantiver, restam apenas 25 anos de carbono para torrar. Isso exigiria cortar para zero as emissões, de um ano para o outro, em 2040. Como não vai acontecer, as reduções teriam de começar já, na toada de pelo menos 8% ao ano.

Os manifestantes da marcha de Nova York desconfiam de que os governos reunidos em Lima e Paris, sem pressão, não cumprirão a meta de temperatura acordada em Copenhague. Daí a mobilização.

ANTICAPITALISMO Mais radical é a jornalista Naomi Klein, polêmica autora de “Sem Logo”. Em seu mais novo livro, “This Changes Everything “” Capitalism vs. the Climate” [Simon & Schuster, R$ 53,30, 576 págs.; R$ 66,71, e-book] (Isso muda tudo “” capitalismo contra o clima), ela defende que não é possível enfrentar o desafio da mudança do clima sem virar de pernas para o ar o capitalismo contemporâneo, marcado por desregulamentação, cortes de gastos sociais, privatização e liberalização do comércio mundial.

Nas mais de 500 páginas de texto, não faltam dados e exemplos convincentes de que a economia mundial se tornou dependente do carbono, vale dizer, dos combustíveis fósseis. Como um viciado, aceita pagar cada vez mais para explorar reservas não convencionais, como o gás de folhelho (ou xisto) nos EUA, as areias betuminosas no Canadá e o pré-sal no Brasil.

Klein confronta o leitor com uma conta acabrunhante: as reservas já escrituradas de carvão, petróleo e gás natural correspondem ao quíntuplo do orçamento de carbono que resta para gastar. Ou seja, 4/5 delas seriam “inqueimáveis”, do ponto de vista do aquecimento global.

A não ser, é claro, que surjam tecnologias eficientes e baratas para limpar da atmosfera o carbono liberado em décadas após ficar retido nas entranhas da Terra por milhões de anos. O problema é que a indústria fóssil não investe muito nisso, mas sim em aumentar reservas e produção. Para Klein, essa indústria teria de ser obrigada pelos governos a comprometer seus lucros na limpeza do planeta.

Acredite quem quiser. Mas o livro também tem seções para lá de otimistas com os avanços já alcançados em fontes renováveis de energia, como a fotovoltaica (solar) e a eólica (ventos).

Klein se derrama na narrativa sobre comunidades e cidades que retomaram o controle local da geração, contornando a resistência das grandes distribuidoras quanto às fontes alternativas. Ela vê nessa descentralização o germe de um movimento de contestação do capitalismo como o conhecemos e uma oportunidade nunca vista antes pelos movimentos sociais.

Klein não se demora muito na China, cujo capitalismo de Estado produziu a maior máquina poluidora do planeta, tendo já ultrapassado os EUA –embora o país asiático já se torne também o que mais investe em energias alternativas, como solar e eólica.

Uma das passagens mais sublinhadas do livro, como pode constatar quem o lê em versão eletrônica, citada também por Elizabeth Kolbert em resenha na revista “The New York Review of Books”, resume a conversão térmica da autora:

“Comecei a perceber todas as maneiras pelas quais a mudança climática pode se tornar um catalisador para a mudança positiva –como ela pode ser o melhor argumento que os progressistas jamais tiveram para exigir a reconstrução e a revitalização das economias locais; para recuperar nossas democracias da corrosiva influência corporativa; para barrar danosos acordos de livre-comércio e reescrever os anteriores; para investir na depauperada infraestrutura pública de transporte coletivo e habitação social; para retomar a propriedade de serviços essenciais como água e energia; para reconstruir o sistema agrícola doente de modo muito mais saudável; para abrir as fronteiras a migrantes cujo deslocamento está ligado aos impactos do clima; para enfim respeitar os direitos de indígenas à terra –tudo isso ajudaria a acabar com os grotescos níveis de desigualdade em nossas nações e entre elas.”

REFORMA Como assinala a resenhista Kolbert, é um programa ambicioso –se não irreal, caberia acrescentar. Klein não chega a provar que a solução para o clima exija uma reviravolta anticapitalista. Baseia sua fé nos movimentos sociais redentores só em si própria –ou seja, em pensamento positivo.

Com essa viseira, não consegue enxergar que o capitalismo não é um monólito, mas um sistema flexível e cambiante. Entre outras coisas, capaz de criar nichos de mercado para energias limpas (como a eólica, recentemente, no Brasil) mesmo em meio às ideias fixas na hidreletricidade e petróleo.

Até os mais céticos quanto ao processo internacional de negociações sobre clima, como o cientista político Eduardo Viola, da UnB, se distanciam dessa perspectiva: “O capital tende a estar cada vez mais dividido entre forças inerciais, conservadoras, e forças que apontam para a descarbonização”.

“Mesmo dentro de cada empresa há essa divisão”, afirma Viola. “[O impasse] na política internacional é derivado disso.” Como Klein, o professor da UnB vê num imposto sobre o carbono o meio mais eficiente para promover a transformação necessária –mas numa moldura capitalista: “As forças reformistas estão procurando regras para precificar o carbono”.

Naomi Oreskes tampouco acompanha Klein. “Reconhecer a mudança do clima como uma falha de mercado não obriga ninguém a concluir que a falha não possa ser corrigida”, diz a historiadora de Harvard. Na sua avaliação, a xará acaba por confirmar o preconceito dos céticos de que a defesa do clima não passa de ataque sub-reptício contra a liberdade do capital.

“Klein pode estar certa, mas espero que não esteja, porque reformar o capitalismo parece uma tarefa mais difícil que reformar nossos sistemas de energia e infraestrutura. Ambas as coisas parecem quase impossíveis, mas a segunda eu ao menos consigo imaginar.”

Andrew Revkin segue na linha de Viola e Oreskes. “Podemos evitar a perigosa mudança climática de origem humana (e os impactos do clima) sem desfazer o capitalismo”, afirma o jornalista.

“Existem modelos pós-extrativistas para construir negócios bem-sucedidos. No fim das contas, é um misto de pesquisa básica com operação do setor privado (capitalista) que está reduzindo os cursos da energia alternativa e levando a ganhos de eficiência.”

REGENERAÇÃO A receita reformista favorita aposta na combinação de energia fotovoltaica e eólica, talvez algumas usinas térmicas nucleares, para substituir carvão, óleo e gás natural na geração de eletricidade, que seria distribuída por redes inteligentes (“smart grids”) com desperdício reduzido.

Só a radiação solar tem potencial para fornecer pelo menos seis vezes mais energia que os 15 trilhões de watts hoje obtidos de combustíveis fósseis. Boa parte dessa energia poderia ser usada para massificar a dessalinização de água do mar e, quem sabe, para recapturar carbono da atmosfera.

Em vez da sentimental “regeneração” do planeta defendida por Klein no fim do livro, essa perspectiva implicaria redobrar a aposta prometeica no Antropoceno. Se não há volta nos ponteiros do relógio geológico, resta continuar mudando o mundo –para melhor.

Seria a única saída para evitar uma ração impalatável de 2.000 watts por pessoa que a matriz fóssil atual exigiria para baixar as emissões de carbono ao nível necessário. Um americano consome hoje 12.000 watts e jamais se contentaria com menos; o restante do mundo vê como um direito a chance de chegar a esse patamar.

Nem por isso se pode dar Klein por nocauteada. A janela para conter a mudança do clima está se fechando, e a trajetória que governos, ONGs, ONU, empresas verdes e líderes idem –Al Gore à frente como sacerdote-mor do termoevangelismo– até aqui fracassou.

E fracassou, entre outras razões, como aponta “This Changes Everything”, porque a mudança do clima se tornou um meio de vida para muita gente. O livro é impiedoso ao desvendar a teia de relações e doações que une as ONGs ambientais mais famosas a empresas e empresários convertidos à causa ambiental que, no frigir dos ovos da rentabilidade, seguem investindo no bom e velho carbono.

PORVIR Para uns, como Ricardo Abramovay, professor de economia da USP, esse estado de coisas deixa margem para algum otimismo, ainda que tisnado pela dúvida: “Algum dia essa conta terá de ser paga; resta saber se será com catástrofe ou não”.

Para outros, como a professora de filosofia Déborah Danowski (PUC-Rio) e o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional), autores do livro “Há Mundo Por Vir? Ensaio sobre os Medos e os Fins” [Instituto Socioambiental, R$ 35, 175 págs.], há sérias razões para inquietar-se.

“Nosso presente é o Antropoceno; este é o nosso tempo”, escrevem. “Mas este tempo presente vai se revelando um presente sem porvir, um presente passivo, portador de um carma geofísico que está inteiramente fora de nosso alcance anular –o que torna tanto mais urgente e imperativa a tarefa de sua mitigação.”

Brasil terá Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (Envolverde)

10/12/2014 – 10h16

por Redação da Envolverde

mudancasclimaticas1 Brasil terá Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas

Sociedade civil participa da elaboração do plano enviando documento com contribuições ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Em meio à 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Convenção do Clima), um acontecimento marcou a agenda climática do Brasil. A sociedade civil entregou um documento de contribuições ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) para que seja levado em consideração na elaboração do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (PNA).

Esse plano, que está em fase de finalização, tem por objetivo reunir as diretrizes para promover medidas de adaptação às mudanças climáticas no Brasil, abordando custos, efetividade e benefícios das medidas sugeridas. A previsão é que ele seja divulgado em 2015 e o prazo para a entrega das sugestões da sociedade civil à chamada pública é 15 de dezembro de 2014.

O estudo para contribuir com o PNA tem como título ”Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE): oportunidades para políticas públicas em mudanças climáticas” e foi encomendado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, com apoio do Observatório do Clima – rede de ONGs que atuam na agenda climática brasileira. Desde a elaboração do Termo de Referência para orientação do estudo, a Fundação Grupo Boticário contou com o apoio do Observatório do Clima, e interagiu com o MMA. O estudo contempla recomendações práticas direcionadas a tomadores de decisão, considerando aspectos ambientais e econômicos, para a inserção de uma estratégia de Adaptação baseada em Ecossistemas no PNA e em outras políticas públicas pertinentes. O gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário, André Ferretti, ressalta a importância dessa abertura do governo. “A participação do terceiro setor na criação de políticas públicas que preconizem a adaptação às mudanças climáticas de forma adequada é muito importante, pois mostra que estamos atentos às necessidades do país”.

Segundo ele, a sociedade civil possui um olhar diferente e complementar ao do governo e essa proximidade entre as duas partes é essencial. “Assim, conseguimos cobrar mais intensamente uma posição arrojada e assertiva no que diz respeito às mudanças do clima”, diz Ferretti. O documento de sugestões abordará principalmente a Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE), que considera a gestão da biodiversidade e dos serviços ambientais como parte de uma estratégia completa para ajudar pessoas a se prepararem para os efeitos adversos das mudanças climáticas, a exemplo das secas e enchentes extremas.

“Acreditamos que um documento orientador nacional terá um papel fundamental no apoio e divulgação a práticas de AbE no Brasil, ampliando a possibilidade de financiamentos dessas iniciativas, incluindo essas práticas nas políticas estaduais e municipais”, afirma Ferretti. Para ele, as soluções naturais baseadas em ecossistemas geram benefícios adicionais para a sociedade, como a captura e armazenamento de carbono, a conservação da biodiversidade, a infiltração da água da chuva e regularização da vazão dos rios, ou a produção de alimentos, sendo muitas vezes mais eficientes em termos de custos do que outras formas de adaptação baseadas em grandes obras de engenharia. O gerente cita como exemplo um caso no Vietnã, em que se constatou que a plantação e a manutenção de manguezais podem agir como quebra-mares e proteger a zona costeira com custos muito mais baixos do que a reparação mecânica da erosão de diques induzida por ondas, segundo dados da publicação “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade”, de 2009.

Para debater as mudanças climáticas e mensurar seus efeitos sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, a Fundação Grupo Boticário apoia, desde 2011, projetos voltados para o estudo dessa temática por meio do edital Bio&Clima Lagamar, cuja área de abrangência engloba o Mosaico de Áreas Protegidas do Lagamar (litoral paranaense e o litoral sul de São Paulo). Além disso, com o objetivo de ampliar a pesquisa sobre o tema nesta região, a Fundação Grupo Boticário firmou uma parceria com a FAPESP, que resultou em uma chamada conjunta para apoio a projetos, com o valor total de R$ 5 milhões.

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.417 projetos de 481 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet, no Twitter  e no Facebook.

Sobre o Grupo Boticário: constituído em 2010, o Grupo Boticário é uma referência internacional no varejo de beleza. Controla quatro unidades de negócio: O Boticário; Eudora; quem disse, berenice?; e The Beauty Box, e é mantenedor da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Está presente em sete países e conta com uma força de trabalho composta por sete mil colaboradores diretos que acreditam que beleza não é o que a gente sonha, imagina ou quer. Beleza é o que a gente faz.

(Fundação Grupo Boticário)

USP lança projeto “Chuva Online” (IAG)

Com mini radares meteorológicos, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) testa tecnologia de baixo custo para pequenas e grandes cidades

A apenas alguns dias do início do verão, a USP está lançando o projeto Chuva Online, que conta com dois mini radares meteorológicos instalados em prédios da Universidade de São Paulo. O projeto é encabeçado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, sob a coordenação do professor Carlos Morales.

A cerimônia de lançamento do projeto acontece dia 16 de dezembro, às 10:00, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades  (EACH) da USP, onde um dos mini radares foi instalado na caixa d’água da Escola. O outro equipamento foi instalado no topo da torre do Pelletron, no Instituto de Física (IF), na Cidade Universitária.

Um dos objetivos do projeto é testar uma nova tecnologia de monitoramento meteorológico capaz de monitorar a chuva com alta resolução espacial e temporal, muito útil para cidades de pequeno e médio porte. Os mini radares foram configurados para terem um alcance de 21 quilômetros com uma resolução de 90 metros e varreduras a cada 5 minutos.

“É uma tecnologia simples que poderá ser adotada por várias cidades  e por empresas que precisam saber onde está chovendo e se existe probabilidade de ocorrer alagamentos em ruas e bairros, por exemplo”, explica o professor Carlos Morales (IAG). Cada equipamento tem custo de cerca de 350 mil reais, enquanto um radar meteorológico convencional pode custar até 5 milhões de reais. Outra vantagem é que o equipamento, com peso de 100 kg, é bastante portátil e pode ser alimentado pela rede elétrica comum.

Juntos, os dois mini radares coletarão informações meteorológicas da Região Metropolitana de São Paulo. Os dados estarão disponíveis em tempo real e online, no portal do projeto que será apresentado durante a inauguração. Na EACH, dois monitores de alta definição exibirão as informações obtidas pelo radar, enquanto no IAG esses dados serão mostrados em um videowall.

O Chuva Online é um dos projetos que compõem o Sistema Integrado de Gestão da Infraestrutura Urbana (SIGINURB) da Prefeitura do Campus da Capital da USP (PUSP-C). Coordenado pelo professor Sidnei Martini (Escola Politécnica da USP), o SIGINURB busca aperfeiçoar a operação da infraestrutura urbana. Com o Chuva Online, a Prefeitura do Campus da Capital testará tecnologias que subsidiam o gerenciamento de pequenas cidades.

Ambos os projetos interagem com ações do Centro de Estudos e Pesquisas em Desastres da USP (CEPED/USP).  Com a aprovação do projeto PRÓ-ALERTA do CEPED USP pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento em Pessoal de Nível Superior (CAPES), coordenado pelos professores Carlos Morales e Hugo Yoshizaki, a rede do Chuva Online também será utilizada na capacitação de especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Defesa Civil do Estado de São Paulo. Com esses radares e essa tecnologia, os cursos de graduação e pós-graduação da USP passam a contar com ferramental importante para capacitar alunos na área de meteorologia por radar, além de viabilizar o desenvolvimento de aplicativos e fazer previsão de tempo de curtíssimo prazo.

O mini radar no IF/USP foi instalado por meio de projeto do IAG com a PUSP-C. Na EACH, foi feita uma parceria do IAG com a empresa Climatempo e a Fundespa. Essa rede de mini radares também passará a receber dados de um terceiro radar meteorológico, a ser instalado no Parque da Água Funda, onde o IAG mantém sua Estação Meteorológica. Esse terceiro radar será operado pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), com apoio do governo francês, e está previsto para ser instalado em fevereiro de 2015.

Durante o evento de inauguração será apresentado ao público o portal Chuva Online e suas funcionalidades em mapas geo-referenciados com alta resolução, além de detalhes sobre os projetos Chuva Online, SIGINURB e CEPED da USP e da Climatempo.

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato com o professor Carlos Morales no e-mail: carlos.morales@iag.usp.br e telefone (11) 3091-4713.

(IAG)

Código florestal de SP é atacado por especialistas (Estado de S.Paulo)

Para eles, falta base científica em projeto da Assembleia; compensação de desmate é polêmica

Em meio à pior crise hídrica da história, deputados da base do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na Assembleia Legislativa tentam aprovar um projeto que, para integrantes do próprio governo, “trará prejuízos irreversíveis à proteção e conservação da água, da fauna e da flora” do Estado.

Veja o texto na íntegra em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,codigo-florestal-de-sao-paulo-e-atacado-por-especialistas,1604639

(Fábio Leite/Estado de S.Paulo)

Warmer Pacific Ocean could release millions of tons of seafloor methane (Science Daily)

Date: December 9, 2014

Source: University of Washington

Summary: Water off Washington’s coast is warming a third of a mile down, where seafloor methane shifts from a frozen solid to a gas. Calculations suggest ocean warming is already releasing significant methane offshore of Alaska to Northern California.


Sonar image of bubbles rising from the seafloor off the Washington coast. The base of the column is 1/3 of a mile (515 meters) deep and the top of the plume is at 1/10 of a mile (180 meters) depth. Credit: B. Philip / Univ. of Washington

Off the West Coast of the United States, methane gas is trapped in frozen layers below the seafloor. New research from the University of Washington shows that water at intermediate depths is warming enough to cause these carbon deposits to melt, releasing methane into the sediments and surrounding water.

Researchers found that water off the coast of Washington is gradually warming at a depth of 500 meters, about a third of a mile down. That is the same depth where methane transforms from a solid to a gas. The research suggests that ocean warming could be triggering the release of a powerful greenhouse gas.

“We calculate that methane equivalent in volume to the Deepwater Horizon oil spill is released every year off the Washington coast,” said Evan Solomon, a UW assistant professor of oceanography. He is co-author of a paper to appear in Geophysical Research Letters.

While scientists believe that global warming will release methane from gas hydrates worldwide, most of the current focus has been on deposits in the Arctic. This paper estimates that from 1970 to 2013, some 4 million metric tons of methane has been released from hydrate decomposition off Washington. That’s an amount each year equal to the methane from natural gas released in the 2010 Deepwater Horizon blowout off the coast of Louisiana, and 500 times the rate at which methane is naturally released from the seafloor.

“Methane hydrates are a very large and fragile reservoir of carbon that can be released if temperatures change,” Solomon said. “I was skeptical at first, but when we looked at the amounts, it’s significant.”

Methane is the main component of natural gas. At cold temperatures and high ocean pressure, it combines with water into a crystal called methane hydrate. The Pacific Northwest has unusually large deposits of methane hydrates because of its biologically productive waters and strong geologic activity. But coastlines around the world hold deposits that could be similarly vulnerable to warming.

“This is one of the first studies to look at the lower-latitude margin,” Solomon said. “We’re showing that intermediate-depth warming could be enhancing methane release.”

Co-author Una Miller, a UW oceanography undergraduate, first collected thousands of historic temperature measurements in a region off the Washington coast as part of a separate research project in the lab of co-author Paul Johnson, a UW professor of oceanography. The data revealed the unexpected sub-surface ocean warming signal.

“Even though the data was raw and pretty messy, we could see a trend,” Miller said. “It just popped out.”

The four decades of data show deeper water has, perhaps surprisingly, been warming the most due to climate change.

“A lot of the earlier studies focused on the surface because most of the data is there,” said co-author Susan Hautala, a UW associate professor of oceanography. “This depth turns out to be a sweet spot for detecting this trend.” The reason, she added, is that it lies below water nearer the surface that is influenced by long-term atmospheric cycles.

The warming water probably comes from the Sea of Okhotsk, between Russia and Japan, where surface water becomes very dense and then spreads east across the Pacific. The Sea of Okhotsk is known to have warmed over the past 50 years, and other studies have shown that the water takes a decade or two to cross the Pacific and reach the Washington coast.

“We began the collaboration when we realized this is also the most sensitive depth for methane hydrate deposits,” Hautala said. She believes the same ocean currents could be warming intermediate-depth waters from Northern California to Alaska, where frozen methane deposits are also known to exist.

Warming water causes the frozen edge of methane hydrate to move into deeper water. On land, as the air temperature warms on a frozen hillside, the snowline moves uphill. In a warming ocean, the boundary between frozen and gaseous methane would move deeper and farther offshore. Calculations in the paper show that since 1970 the Washington boundary has moved about 1 kilometer — a little more than a half-mile — farther offshore. By 2100, the boundary for solid methane would move another 1 to 3 kilometers out to sea.

Estimates for the future amount of gas released from hydrate dissociation this century are as high as 0.4 million metric tons per year off the Washington coast, or about quadruple the amount of methane from the Deepwater Horizon blowout each year.

Still unknown is where any released methane gas would end up. It could be consumed by bacteria in the seafloor sediment or in the water, where it could cause seawater in that area to become more acidic and oxygen-deprived. Some methane might also rise to the surface, where it would release into the atmosphere as a greenhouse gas, compounding the effects of climate change.

Researchers now hope to verify the calculations with new measurements. For the past few years, curious fishermen have sent UW oceanographers sonar images showing mysterious columns of bubbles. Solomon and Johnson just returned from a cruise to check out some of those sites at depths where Solomon believes they could be caused by warming water.

“Those images the fishermen sent were 100 percent accurate,” Johnson said. “Without them we would have been shooting in the dark.”

Johnson and Solomon are analyzing data from that cruise to pinpoint what’s triggering this seepage, and the fate of any released methane. The recent sightings of methane bubbles rising to the sea surface, the authors note, suggests that at least some of the seafloor gas may reach the surface and vent to the atmosphere.


Journal Reference:

  1. Susan L. Hautala, Evan A. Solomon, H. Paul Johnson, Robert N. Harris, Una K. Miller. Dissociation of Cascadia margin gas hydrates in response to contemporary ocean warmingGeophysical Research Letters, 2014; DOI: 10.1002/2014GL061606

How pace of climate change will challenge ectotherms (Science Daily)

Date: December 9, 2014

Source: University of Sydney

Summary: Scientists have analyzed 40 years of data to outline climate change challenge for ectotherms (animals who rely on external sources of heat to control body temperature). The research showed that many groups of ectotherms, which make up more than 90 percent of all animals, are able to change their physiological function to cope with an altered environment, but the rapid pace and fluctuations of human-induced climate change present serious challenges.

Turtles sunning themselves (stock image). Turtles are ectotherms, one of many that will be threatened by climate change, researchers say. Credit: © xoanon / Fotolia

Animals that regulate their body temperature through the external environment may be resilient to some climate change but not keep pace with rapid change, leading to potentially disastrous outcomes for biodiversity.

A study by the University of Sydney and University of Queensland showed many animals can modify the function of their cells and organs to compensate for changes in the climate and have done so in the past, but the researchers warn that the current rate of climate change will outpace animals’ capacity for compensation (or acclimation).

The research has just been published in Nature Climate Change (Letters), written by Professor Frank Seebacher School of Biological Sciences and Professor Craig Franklin and Associate Professor Craig White from the University of Queensland.

Adapting to climate change will not just require animals to cope with higher temperatures. The predicted increase to fluctuations in temperature as well as to overall temperature would require animals to function across a broader range of conditions. This is particularly important for ectotherms, animals that rely on external sources of heat to control body temperature, and are therefore more influenced by environmental temperatures.

The research showed that many groups of ectotherms, which make up more than 90 percent of all animals, are able to change their physiological function to cope with an altered environment, but the rapid pace and fluctuations of human-induced climate change present serious challenges.

The researchers studied 40 years of published data to assess how biological functions change in response to a sudden fluctuations in environmental temperatures. They found that the physiological rates of ectothermic animals, such as heart rate, metabolism and locomotion, had already increased over the past 20 years with increasing average temperatures.

“It is important that animals maintain the right balance between the large number of physiological functions despite environmental fluctuations. An increase in temperature that leads to changed reaction rates can upset that balance and cause the decline of individuals and species,” said Professor Seebacher. “For example, movement requires energy and oxygen to be delivered to muscles. However, if metabolism or the cardiovascular system can’t cope with increased temperatures, animals can no longer move to forage, migrate or interact with each other.

“The overall trend in the last 20 years has been to increased physiological rates, and we predict that this would continue to increase with increasing temperature. “Even if animals are able to maintain the balance of their physiological functions in a warmer climate, increased metabolism leads to increases in the food resources needed and could upset the balance in ecosystems, particularly if predator and prey populations respond very differently to the environmental temperature change.”


Journal Reference:

  1. Frank Seebacher, Craig R. White, Craig E. Franklin. Physiological plasticity increases resilience of ectothermic animals to climate changeNature Climate Change, 2014; DOI: 10.1038/nclimate2457

New ‘science of climate diversity’ (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: Cornell University

Summary: There is cloud hanging over climate science, but one expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air. He argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.


There is cloud hanging over climate science, but one Cornell University expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air.

In the December issue of Nature Climate Change, Jonathon Schuldt, assistant professor of communication, argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.

“There is an invisible, but very real barrier to climate engagement,” Schuldt said. “We need to engage with all kinds of diverse folks if we’re going to face this challenge. It will be a problem if the perception, and the reality, is that it’s a bunch of white male scientists at the table.”

The commentary, “Facing the diversity crisis on climate science,” was born when Schuldt and co-author Adam Pearson, an assistant professor of psychology at Pomona College, began talking about University of Michigan Professor Dorceta Taylor report, “The State of Diversity in Environmental Organizations.” In the report, Taylor examined non-profits, government agencies and grant-making foundations and found that non-white minorities comprised no more than 16 percent of staff in these institutions, in spite of constituting 29 percent of the U.S. science and engineering workforce and 38 percent of the American population. The report found that this “white Green Insiders club” narrows research and limits public engagement.

Schuldt agrees, but thinks more than just institutional changes are needed.

“What is missing is science-based solutions that focus on the fundamentally social nature of this problem,” the authors state. “Research from social psychology offers insight into factors that can powerfully influence participation.”

Schuldt and Pearson argue that early successes in diversifying other STEM research fields, and expanding the role women play in the environmental movement, point to three immediate and essential steps for climate research and outreach organizations.

First, boosting racial and ethnic diversity in climate research and outreach leadership can have an instant impact — provided this leadership is represented in how institutions present themselves. Put simply, Schuldt said, climate science “needs to present a more diverse face.”

Next, the authors urge all those who communicate around climate science to confront lingering stereotypes about environmentalism and minority engagement. Schuldt said one of the most pernicious fallacies needs to quickly be dismantled: that concern for climate issues is lacking in America’s non-white population. He notes recent work by social science researchers has shown this “underrepresentation by choice” idea to be false, and said climate leaders need to highlight the reality of deep minority community concern.

Lastly, the authors insist organizational messages can help bridge this gap. Among the most destructive ideas that needs to be abandoned, Schuldt said, is that communication around climate science should be “color blind.”

“Color-blind communications are, paradoxically, ineffective,” Schuldt said. “What it implies to minority individuals is that their unique perspectives and experiences don’t matter.”

Instead, Schuldt suggested, messages that highlight diversity while pointing toward a common goal are key: “We are all different, but we’re all in this together.” The long-range goal, Schuldt and Pearson state, needs to be the creation of a new science of climate diversity. Climate scientists must collaborate with psychology and the social sciences, and these research partnerships need to be supported by academic, public and private institutions alike. Once that is done and a “new nexus of research” begins to form around how climate science and the climate change movement can increase racial and ethnic diversity, those fact-based findings can be used to guide public climate advocacy and policy reform efforts. That, Schuldt said, is the only way a problem as complex and far-reaching as climate change can effectively, and equitably, be addressed.

“Diverse teams are better at solving complex problems, and there’s every reason to believe this is the same, if not more important, when facing climate change,” Schuldt said.


Journal Reference:

  1. Adam R. Pearson, Jonathon P. Schuldt. Facing the diversity crisis in climate scienceNature Climate Change, 2014; 4 (12): 1039 DOI: 10.1038/nclimate2415

New insights into predicting future droughts in California: Natural cycles, sea surface temperatures found to be main drivers in ongoing event (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: National Oceanic and Atmospheric Administration

Summary: Natural oceanic and atmospheric patterns are the primary drivers behind California’s ongoing drought. A high pressure ridge off the West Coast (typical of historic droughts) prevailed for three winters, blocking important wet season storms, with ocean surface temperature patterns making such a ridge much more likely.


Folsom Lake. Top photo taken in 2011, bottom taken in 2014. Credit: CA Dept. of Water Resources

According to a new NOAA-sponsored study, natural oceanic and atmospheric patterns are the primary drivers behind California’s ongoing drought. A high pressure ridge off the West Coast (typical of historic droughts) prevailed for three winters, blocking important wet season storms, with ocean surface temperature patterns making such a ridge much more likely. Typically, the winter season in California provides the state with a majority of its annual snow and rainfall that replenish water supplies for communities and ecosystems.

Further studies on these oceanic conditions and their effect on California’s climate may lead to advances in drought early warning that can help water managers and major industries better prepare for lengthy dry spells in the future.

“It’s important to note that California’s drought, while extreme, is not an uncommon occurrence for the state. In fact, multi-year droughts appear regularly in the state’s climate record, and it’s a safe bet that a similar event will happen again. Thus, preparedness is key,” said Richard Seager, report lead author and professor with Columbia University’s Lamont Doherty Earth Observatory.

This report builds on earlier studies, published in September in the Bulletin of the American Meteorological Society, which found no conclusive evidence linking human-caused climate change and the California drought. The current study notes that the atmospheric ridge over the North Pacific, which has resulted in decreased rain and snowfall since 2011, is almost opposite to what models project to result from human-induced climate change. The report illustrates that mid-winter precipitation is actually projected to increase due to human-induced climate change over most of the state, though warming temperatures may sap much of those benefits for water resources overall, while only spring precipitation is projected to decrease.

The report makes clear that to provide improved drought forecasts for California, scientists will need to fully understand the links between sea surface temperature variations and winter precipitation over the state, discover how these ocean variations are generated, and better characterize their predictability.

This report contributes to a growing field of science-climate attribution-where teams of scientists aim to identify the sources of observed climate and weather patterns.

“There is immense value in examining the causes of this drought from multiple scientific viewpoints,” said Marty Hoerling, report co-author and researcher with NOAA’s Earth System Research Laboratory. “It’s paramount that we use our collective ability to provide communities and businesses with the environmental intelligence they need to make decisions concerning water resources, which are becoming increasingly strained.”

To view the report, visit: http://cpo.noaa.gov/MAPP/californiadroughtreport.

Early warning signals of abrupt climate change (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: University of Exeter

Summary: A new study has found early warning signals of a reorganization of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.


Drought (stock image). Credit: © carloscastilla / Fotolia

A new study by researchers at the University of Exeter has found early warning signals of a reorganisation of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.

The research, published today in the journal Nature Communications, used a simulation from a highly complex model to analyse the Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), an important component of the Earth’s climate system.

It showed that early warning signals are present up to 250 years before it collapses, suggesting that scientists could monitor the real world overturning circulation for the same signals.

The AMOC is like a conveyor belt in the ocean, driven by the salinity and temperature of the water. The system transports heat energy from the tropics and Southern Hemisphere to the North Atlantic, where it is transferred to the atmosphere.

Experiments suggest that if the AMOC is ‘switched off’ by extra freshwater entering the North Atlantic, surface air temperature in the North Atlantic region would cool by around 1-3°C, with enhanced cooling of up to 8°C in the worst affected regions.

The collapse would also encourage drought in the Sahel — the area just south of the Sahara desert — and dynamic changes in sea level of up to 80cm along the coasts of Europe and North America.

“We found that natural fluctuations in the circulation were getting longer-lived as the collapse was approached, a phenomenon known as critical slowing down,” said lead author Chris Boulton.

“We don’t know how close we are to a collapse of the circulation, but a real world early warning could help us prevent it, or at least prepare for the consequences” adds co-author Professor Tim Lenton.

The study is the most realistic simulation of the climate system in which this type of early warning signal has been tested.

“The best early warning signals in the model world are in places where major efforts are going into monitoring the circulation in the real world — so these efforts could have unexpected added value’ adds Professor Lenton.


Journal Reference:

  1. Chris A. Boulton, Lesley C. Allison, Timothy M. Lenton. Early warning signals of Atlantic Meridional Overturning Circulation collapse in a fully coupled climate modelNature Communications, 2014; 5: 5752 DOI: 10.1038/ncomms6752

Jovens ‘biohackers’ instalam chips na mão para abrir a porta de casa (Folha de S.Paulo)

LETÍCIA MORI

DE SÃO PAULO

07/12/2014 02h00

Paulo Cesar Saito, 27, não usa mais chave para entrar em seu apartamento, em Pinheiros. Desde o mês passado, a porta “reconhece” quando ele chega. Basta espalmar a mão na frente da fechadura e ela se abre.

A mágica está no chip que ele próprio (com a ajuda de uma amiga que estuda medicina) implantou na mão. Pouco maior que um grão de arroz, o chip tem tecnologia de reconhecimento por radiofrequência. Quando está próximo, uma base na porta desencadeia uma ação pré-programada. No caso, abrir a fechadura.

Instalar modificações tecnológicas no próprio corpo é uma das atividades de um movimento que surgiu em 2008 nos EUA e é chamado mundo afora de biohacking: se envolver com experimentos em biologia fora de grandes laboratórios.

São basicamente os mesmos nerds que desenvolvem geringonças eletrônicas na garagem e se aprofundam no conhecimento de sistemas de informática. Só que agora eles se aventuram no campo da biotecnologia.

Os grupos de DIYBio (do-it-yourself biology, ou “biologia faça-você-mesmo”) importam conceitos do movimento hacker: acesso à informação, divulgação do conhecimento e soluções simples e baratas para melhorar a vida. E são abertos para cientistas amadores —jovens na graduação ou pessoas não necessariamente formadas em biologia.

Saito, por exemplo, começou a cursar física e meteorologia na USP, mas agora se dedica somente à sua start-up na área de tecnologia. O seu envolvimento com o biohacking se resume a modificações corporais –ele também vai instalar um pequeno ímã no dedo. “Como trabalho com equipamentos eletrônicos, tomo muitos choques. O ímã faz você sentir campos magnéticos, evitando o choque”, diz.

Já seu sócio, Erico Perrella, 23, graduando em química ambiental na USP, é um dos principais entusiastas da DIYBio em São Paulo. Ele também tem uma microcicatriz do chip que instalou junto com o amigo. O aparelhinho tem 12 mm de comprimento e uma cobertura biocompatível para que não seja rejeitado pelo corpo. A proteção impede que o chip se mova de lugar e, por não grudar no tecido interno, é de fácil remoção. Perrella também é um dos organizadores de um grupo de DIYBio que se encontra toda segunda-feira.

O movimento está começando na capital paulista, mas mundialmente já chama a atenção —há laboratórios em cerca de 50 cidades, a maioria nos EUA e na Europa. O grupo de Perrella trabalha para montar em São Paulo o primeiro “wetlab” de DIYBio: um espaço estéril, com equipamentos específicos para materiais biológicos.

Eles se reúnem no Garoa Hacker Clube, espaço para entusiastas em tecnologia. O local, no entanto, tem infraestrutura voltada para projetos com hardware, eletrônica etc. “Para um wetlab’ é preciso uma área limpa, que parece mais uma cozinha do que uma oficina”, diz o estudante de química Otto Werner Heringer, 24, integrante do grupo. “O Garoa já tem uma área assim, nossa ideia é levar e deixar mais equipamentos [no local]”

Aproveitar espaços “geeks” é comum no movimento. O Open Wetlab de Amsterdam, por exemplo, começou como parte da Waag Society, um instituto sem fins lucrativos que promove arte, ciência e tecnologia.

Certos experimentos exigem equipamentos complexos, que podem custar milhares de dólares. “A solução é montar algumas coisas e consertar equipamentos velhos que a universidade iria jogar fora”, explica Heringer.

Grande parte dos biohackers se dedica mais à montagem dos equipamentos do que a experimentos. Heringer já fez uma centrífuga usando uma peça impressa em 3D encaixada em uma furadeira. Agora está montando um contador de células. Ajudado por amigos, Perrella criou biorreatores com material reciclado de uma mineradora.

Para esses jovens entusiasmados, são grandes as vantagens de fazer ciência fora da academia ou da indústria.

Longe do controle minucioso da universidade, é possível desenvolver projetos sem a aprovação de diversos comitês e conselhos. “O ambiente [acadêmico] é muito engessado. Você fica desestimulado”, diz Heringer.

O trabalho dos amadores acaba até contribuindo para a ciência “formal”. Heringer está criando com amigos uma pipetadora automática no InovaLab da Escola Politécnica da USP baseada em um projeto de DIYBio e financiada por um fundo de ex-alunos. “A gente nunca conseguiria financiamento pelos meios normais da USP. E, se conseguisse, ia demorar!”, diz ele.

SEGURANÇA

O amplo acesso gera preocupações: laboratórios amadores não poderiam criar organismos nocivos? Defensores dizem que, para quem pratica DIYBio, interessa manter tudo dentro dos padrões de segurança –se algo der errado, o controle vai aumentar e tornar a vida mais difícil.

Não existe no Brasil uma regulação para laboratórios amadores. Nos EUA, o FBI monitora o movimento e há restrições ao uso de alguns materiais, porém não há regulação específica.

O cientista francês Thomas Landrain, que estuda o movimento, argumenta em sua pesquisa que os espaços ainda não têm sofisticação suficiente para gerar problemas.

Mas, apesar da limitação técnica, os laboratórios permitem inúmeras possibilidades. “Quem se dedica tem uma crença profunda no potencial transformador dessas novas tecnologias”, explica Perrella, que tem um projeto de mineração com uso de bactérias. Há grupos que focam a saúde, criando sensores de contaminação em alimentos ou “mapas biológicos” que podem monitorar a evolução de doenças.

É possível trabalhar com DNA Barcode, método que identifica a qual espécie pertence um tecido. “Daria para checar qual é a carne da esfirra do Habib’s”, diz Perrella, citando um experimentocom análise de carne que já está sendo feito no OpenWetlab, em Amsterdam. Dá até para descobrir qual é o vizinho que não recolhe o cocô do cachorro. Foi o que fez o alemão Sascha Karberg, comparando pelo de cães da vizinhança com o “presente” à sua porta. O método usado em projetos como esse pode ser encontrado por outros “biohackers”. O risco é aumentar as brigas entre vizinhos.

Seca de São Paulo na mídia

JC 5078, 4 de dezembro de 2014

Sabesp vai bombear menos água do Cantareira em dezembro (Agência Brasil)

Medida será tomada independentemente do volume de chuva que possa se acumular ao longo do período

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terá de reduzir, ao longo deste mês, a retirada de água do Sistema Cantareira, o principal manancial para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, independentemente do volume de chuva que possa se acumular ao longo do período.

Segundo definição conjunta da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), o volume de retirada baixou de 39 milhões de metros cúbicos (m³) para 30 milhões de m³, o equivalente a 30 bilhões de litros.

A medida faz parte de um acordo fechado no dia 17 de novembro, pelo qual os dois órgãos avaliarão mensalmente o uso da segunda cota do chamado volume morto ou reserva técnica, que é a água bombeada abaixo da captação por gravidade.

O mesmo critério é seguido no caso das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. A determinação encaminhada ao presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, Gabriel dos Santos, informa que a ANA e o Daee concordaram diminuir de quatro para três metros cúbicos por segundo a liberação de água dos reservatórios para os rios da região.

(Marli Moreira / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/sabesp-vai-bombear-menos-agua-do-cantareira-em-dezembro

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Mesmo com chuva, Cantareira continua em queda e registra 8,2% (Agência Brasil)

Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

As chuvas sobre São Paulo não interromperam a sequência de quedas do Sistema Cantareira. Hoje (5), o nível dos reservatórios registrou 8,2%, uma redução de 0,1 ponto percentual em relação a ontem (4), segundo medição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Ontem, uma leve precipitação de 1,9 milímetro atingiu as cabeceiras do sistema. A pluviometria esperada para o mês é alta, 220,9 milímetros. No mês passado, a média histórica indicava precipitações acumuladas no patamar de 161,2 milímetros, mas as chuvas acumularam 135 milímetros.

Outros sistemas de abastecimento de São Paulo também sofreram perdas. O Alto Tietê baixou de 5,2% ontem para 5,1% hoje, mesmo diante da precipitação de 9,1 milímetros que atingiu o reservatório.

Guarapiranga, localizado na zona sul da capital, apresentou leve melhora. O sistema passou de 32,2% ontem para 33,3% hoje. A chuva que ajudou a elevar o sistema e atingiu a cidade de São Paulo acumulou 10,8 milímetros.

Hoje, o tempo nublado e chuvas isolados predominam na capital paulista. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a nebulosidade ocorre pela passagem de um sistema frontal, que se afasta rapidamente para o oceano. Chuvas mais consistentes estão previstas para o norte paulista e o sul de Minas Gerais, na área do Sistema Cantareira.

No fim de semana, o tempo abre, as temperaturas sobem e a probabilidade de chuva diminui. O sábado (6) terá sol entre nuvens e temperatura média de 18ºC. A umidade relativa do ar fica entre 45% e 85%.

(Fernanda Cruz / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/mesmo-com-chuva-cantareira-segue-em-queda-e-registra-82

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

São Paulo receberá R$ 2,6 bilhões para novo sistema de abastecimento de água (Agência Brasil)

A água do novo sistema, que virá do Rio São Lourenço, será captada a 83 quilômetros da capital e armazenada na Represa do França

A presidenta Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinaram hoje (4) contrato para construção de um novo sistema de abastecimento de água para a região metropolitana da capital paulista.

O Sistema Produtor São Lourenço está orçado em R$ 2,6 bilhões e será financiado por meio de uma parceria público-privada, com parte dos recursos oriunda do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço, gerido pela Caixa Econômica Federal. A obra vai beneficiar 1,5 milhão de pessoas em sete municípios da parte oeste da região metropolitana de São Paulo e deve reduzir a dependência dos outros sistemas, entre eles o Cantareira, que está em colapso devido à  falta de chuva. A obra está em andamento e deverá ser concluída em meados de 2017.

A água do novo sistema, que virá do Rio São Lourenço, será captada a 83 quilômetros da capital e armazenada na Represa do França.

Alckmin, do PSDB, agradeceu a parceria com a União para a construção do novo sistema de abastecimento de água e disse que a relação entre o governo federal e o estado “é um exemplo de cooperação federativa”.

Dilma também destacou a união entre os governos federal e estadual para enfrentar a crise hídrica na maior cidade do país. “Vou dar sequência à forma de relacionamento que construímos ao longo de quatro anos do meu governo e do governador Alckmin em São Paulo”, ponderou.

“Não é possível o Brasil ter uma situação ameaçando a capital do maior estado do país e a maior cidade da América Latina. Por isso estamos aqui fazendo esta parceria, em beneficio não só da população da cidade, do estado de São Paulo, mas de toda a população brasileira, uma vez que temos um processo no Brasil em que cada estado depende do crescimento dos outros para ter mercado interno, uma política industrial, um desenvolvimento agrícola compatível com a prosperidade do país”, disse  Dilma.

A presidenta explicou que as diferenças partidárias entre o governo federal e administração de São Paulo, comandados pelo PT e o PSDB respectivamente, ficaram para trás com o fim da eleição. “Durante a campanha, é natural divergir, criticar e disputar e mesmo, em alguns momentos, é compreensível que as temperaturas se elevem. Mas temos que respeitar as escolhas legitimas da população brasileira, estamos em um país que preza a democracia”.

Segundo Dilma, os dois governos já estão discutindo um novo conjunto de investimentos na área de segurança hídrica em São Paulo, que serão anunciados no começo do próximo ano.

Dilma e Alckmin também assinaram um contrato de R$ 630 milhões para a ampliação da Linha 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O trecho compreende 4,4 quilômetros e duas novas estações entre Grajaú e Varginha, na zona sul de São Paulo. Serão R$ 500 milhões do Orçamento Geral da União e R$133 milhões de contrapartida do governo estadual. A obra será entregue até o primeiro trimestre de 2016.

(Luana Lourenço / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-12/sao-paulo-recebera-r-26-bilhoes-para-novo-sistema-de-abastecimento-de-agua

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Escassez de água pode afetar 55% dos municípios em 2015, diz ANA (Agência Câmara Notícias)

Representantes de organizações e do governo apontaram para a necessidade de um plano de segurança hídrica

Apesar de o problema da crise hídrica ser mais evidente em São Paulo, dados da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que 55% dos municípios brasileiros podem sofrer deficit de abastecimento até 2015. O alerta foi feito nesta quinta-feira (4), em audiência sobre a crise da água no Brasil, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Os participantes chamaram atenção para outras bacias do País, como a do São Francisco.

De acordo com a ANA, o Brasil já está trabalhando em um plano nacional de segurança hídrica. O documento está sendo elaborado pela Agência de Águas e pelo Ministério da Integração Nacional a partir de conversas com os estados e deverá ficar pronto entre 2015 e 2016.

A expectativa do superintendente da ANA Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho é que as ações comecem ser implementadas ainda no decorrer do processo, à medida que os problemas forem sendo identificados.

O deputado Sarney Filho (PV-MA), que solicitou o debate, anunciou que vai trabalhar pela criação, na Câmara dos Deputados, de um comitê de crise hídrica. Ele pretende retomar o assunto no início da próxima legislatura, em fevereiro. “É preciso que se tomem medidas urgentes, porque sem água não tem como viver”, afirmou o deputado.

São Paulo
No caso dos problemas de abastecimento de água em São Paulo, situação mais comentada no debate, a percepção dos especialistas é que a crise pode ficar ainda pior se não chover nos próximos meses. E o problema será agravado se o estado não contar com um plano de contingência dos recursos hídricos.

“Se o período chuvoso deste ano se configurar como o do ano passado, essa água não será suficiente para o ano que vem. Independentemente de chover mais ou menos, nós estamos em uma situação bastante crítica”, observou a especialista em gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Instituto Socioambiental (ISA), Marussia Whately.

Segundo ela, os sistemas que produzem água para a região metropolitana de São Paulo, como o Cantareira, encontram-se com níveis de armazenamento muito baixos. “O Cantareira está hoje em torno de 8%, isso já considerando duas cotas do volume morto. Ou seja, ele está em um volume negativo, algo em torno de 20% negativo”, complementou a especialista.

A coordenadora do Programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Maria Luísa Ribeiro, relatou que, em Itu, as pessoas ficaram de fevereiro até agora com racionamento de 100%, “sem nenhuma água na torneira, vivendo uma realidade de caminhões-pipa com água sabe-se lá de onde”.

Sarney Filho lamentou a ausência de representantes do governo de São Paulo na reunião.

Oferta e demanda
Especialistas apontaram a política de gestão dos recursos hídricos como um dis principais problemas no processo. Como observou Marussia Whately, a gestão hoje se baseia na oferta de água, sem o devido cuidado com mananciais. Além disso, é preciso lidar com a falta de chuvas e de transparência no sistema. “Enquanto isso, o Brasil vem aumentando o consumo e isso é uma tendência que deve ser levada em consideração”, observou Marussia.

À demanda crescente os governos respondem de uma forma: com a tentativa de aumentar a oferta. “Tenta-se resolver o problema com o aumento da oferta, sempre procurando novas fontes, mas isso tem limitações. Hoje a questão que se coloca é que, antes de procurar novas fontes, você atue na gestão da demanda, no controle de perdas, nessas ações mais fáceis e mais baratas”, defendeu Joaquim Gondim Filho.

Maria Luísa Ribeiro pediu aos parlamentares que coloquem a água em uma agenda estratégica. Ela defendeu ações integradas entre os estados e mais voz para os comitês de bacias hidrográficas e chamou a atenção para a necessidade de combater o desmatamento, que tem forte influência nas secas.

(Noéli Nobre / Agência Câmara Notícias)

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/MEIO-AMBIENTE/478860-ANA-ALERTA-PARA-AGRAVAMENTO-DA-FALTA-DE-AGUA.html

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

Sem chuva, cai nível dos reservatórios em São Paulo (Agência Brasil)

O nível do Sistema Cantareira, que atende a 6,5 milhões de pessoas, passou de 8,1% para 8%

Sem chuva, o nível de todas as represas que abastecem a região metropolitana de São Paulo caiu hoje (7), informou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Segundo a companhia, o nível do Sistema Cantareira, que atende a 6,5 milhões de pessoas, registrava ontem 8,1% e hoje passou a 8%.

O Alto Tietê, segundo maior sistema de São Paulo, também apresentou queda, passando de 5% para 4,8%. O Guarapiranga, que atende a 4,9 milhões de pessoas, está operando com 32% de sua capacidade. Os sistemas Alto Cotia e Rio Claro operavam com 29,7% e 29,4% de suas capacidades, respectivamente. O Sistema Rio Grande opera com 62,5% da capacidade.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), não há previsão de chuvas para a capital paulista hoje. Amanhã (8), entre o final da tarde e início da noite, a chegada de uma brisa marítima aumentará a nebulosidade e pode favorecer a ocorrência de chuva na forma de pancadas isoladas.

(Elaine Patricia Cruz / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/sem-chuva-cai-o-nivel-dos-reservatorios-de-sp

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2014 set to be world’s hottest year ever (The Guardian)

Record average temperatures highlight the urgent need to agree a deal on emissions at the UN climate change talks in Lima

2014 hottest year on record : 134-Foot-High Thermometer in Baker, California
 Vehicles drive by a 134ft-high thermometer in Baker, California. Average land and sea surface temperatures have reached record levels in 2014. Photograph: Ethan Miller/Getty Images

The world is on course for the hottest year ever in 2014, the United Nations weather agency said on Wednesday, heightening the sense of urgency around climate change negotiations underway in Lima.

Preliminary estimates from the World Meteorological Organisation (WMO) found global average land and sea surface temperatures for the first 10 months of 2014 had soared higher than ever recorded.

The findings – broadly in line with those of the US National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) and other scientific agencies – indicate that by year-end 2014 will break all previous high temperature records.

The steady escalation of greenhouse gas emissions, caused by the burning of fossil fuels, have seen a succession of record-breaking years for temperature since the dawning of the 21st century and 2014 promises to be no exception, the WMO said.

“Fourteen of the 15 warmest years on record have all occurred in the 21st century,” said the WMO’s secretary-general Michel Jarraud. “What we saw in 2014 is consistent with what we expect from a changing climate.

“Record-breaking heat combined with torrential rainfall and floods destroyed livelihoods and ruined lives. What is particularly unusual and alarming this year are the high temperatures of vast areas of the ocean surface, including in the northern hemisphere,” he said.

The new evidence provided by the WMO report of the gathering risks of climate change undercut the optimism expressed by negotiators from industrialised countries at the opening of the Lima talks.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the findings drove home the urgency of reaching a deal. Negotiations have been grinding on for more than 20 years.

“Our climate is changing and every year the risks of extreme weather events and impacts on humanity rise,” she said.

Ed Davey, the UK climate secretary, said the UN climate talks were critical to stop temperatures rising to dangerous levels. “More record warm temperatures in the UK and across the world are yet more evidence that we need to act urgently to prevent dangerous climate change,” he said.

Officials from nearly 200 countries will spend the next two weeks in Lima working to agree on a plan to cut global greenhouse gas emissions fast enough and deeply enough to limit warming to 2C above pre-industrial times, the official objective of the UN talks.

But even that goal – which scientists say may not go far enough to prevent low-lying island states from drowning in rising seas – may be moving beyond reach.

“When confronted with numbers like these, the challenge to stablise global warming below dangerous levels can seem daunting indeed,” Michael Mann, the climate scientist, said. “The globe is warming, ice is melting, and our climate is changing, as a result. And the damage is being felt – in the forms of more destructive weather extremes, more devastating wildfires, and unprecedented threats to the survival of endangered animal species.”

He said the Lima climate talks – and a summit scheduled for Paris at the end of next year – were “perhaps our last real opportunity to stave off truly dangerous and irreversible world-wide changes in our climate.”

Bill McKibben, leader of the 350.org campaign group, saw the findings as a call to arms to climate activists. “If you thought 2014 was hot, wait ‘til you see 2015. This means we need to turn up the flame even higher under the fossil fuel companies that are frying our planet,” he said.

A runner passes people sitting on a bench in the sunshine in Green Park on October 31, 2014 in London, England.  Temperatures in London are forecasted to exceed 20 degrees making today the hottest Halloween on record.
 Londoners enjoying record temperatures at Halloween. Photograph: Rob Stothard/Getty Images

The WMO report found the global average air temperature over land and sea surface for January to October was about 0.57C above the average of 14C for the 1961-1990 reference period, and 0.09C above the average for the past 10 years (2004-2013).

The most striking evidence of warming was probably in the oceans, however. Most of the excess heat trapped in the atmosphere by greenhouse gas emissions ends up in the oceans.

The WMO said global sea surface temperatures were 0.45C higher than the average over the last 50 years.

If November and December continue on the same course, then 2014 will edge out 2010, 2005 and 1998 as the hottest years ever known – but only by a few hundredths of a degree. Different data sets also show slightly different rankings, the WMO said.

In any event, the trend line is clear. The world is getting warmer, especially the oceans. Those higher temperatures were already exacting a toll, in terms of heavy rainfall and flooding in some countries, and extreme drought in others, the WMO said.

The agency dismissed outright the notion posed by some climate deniers of a pause in the warming trend.

“There is no standstill in global warming,” Jarraud said.

The world’s big three emitters – the US, China, and the EU – have pledged new targets for cutting their use of fossil fuels, injecting optimism into the Lima talks.

But scientists say even those targets are not enough to limit warming to 2C, and other big carbon polluters such as India, Russia, and Australia have yet to come on board.

Meanwhile, there were early signs of tension between the US and EU over the legal structure of the agreement that is due to be adopted in Paris next year.

Campaign groups monitoring the talks called on negotiators to take the new WMO findings to heart.

“The fact that we’re tracking towards the hottest year on record should send chills through anyone who says they care about climate change – especially negotiators at the UN climate talks here in Lima,” said Samantha Smith, who heads WWF’s climate and energy initiative. “This is more scientific evidence of the real impact climate change is having on our world. The changes will be felt the most by the most vulnerable people, whose lives and livelihoods are already being affected.”

This picture taken on July 30, 2014 shows a girl and her father collecting water from an almost dried up resevoir, two kilometers from their home, in Pingdingshan, central China's Henan province. Severe drought and scorching heat has damaged over a million hectares of farmland in China's Henan and Inner Mongolia provinces, with no immediate relief in sight, a state news agency reported.
 An almost dried up reservoir in Pingdingshan, central China’s Henan province, where severe drought damaged vast areas of farmland. Photograph: STR/AFP/Getty Images

The WMO found western North America, Europe, eastern Eurasia, much of Africa, large areas of South America and southern and western Australia were especially warm. South Africa, Australia, and Argentina started the year with blistering heat waves.

However, the US and Canada ushered in 2014 with the chill Arctic winds of the polar vortex. Central Russia also recorded cooler than average conditions for the year.

Europe also experienced extreme weather, with the UK buffetted by storms. A separate temperature data set, the world’s longest continuous record, showed England was on track for the hottest year in over three centuries. Higher temperatures cause more evaporation and more rain, and 2014 began with England’s wettest winter in over 250 years, leading to widespread flooding.

In Serbia, Bosnia-Herzegovina and Croatia, more than two million people were caught up in severe flooding. Parts of Turkey saw five times the normal amount of rain, and France experienced its wettest summer since 1959.

South Asia also experienced heavy rains, with severe flooding in northern Bangladesh, northern Pakistan and India, affecting millions of people in August and September.

For other parts of the world, however, 2014 brought drought. Rainfall in parts of the Yellow River basin in China were less than half of the summer average. A large swathe of the western US continued under drought. New South Wales and southeast Queensland in Australia also went without rain.