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A Negação das Mudanças Climáticas e seu Despropósito versus a Objetividade e Atitude Ponderada da Comunidade Científica

by Alexandre Araújo Costa on Wednesday, June 6, 2012 at 12:56pm (postado no Facebook)

Tenho recebido respostas interessantes a meus posts anteriores em que discuto a negação das mudanças climáticas. Alguns, que concordam ou simpatizam com a visão dos negadores, compartilharam links que, democraticamente, permanecem na minha página, expondo ainda mais os erros crassos e primários da negação. Como mostro, nenhum dos pseudo-argumentos apresentados se sustenta de pé, tendo eu mesmo os refutado ou indicado links que desmistificam tudo. Em alguns casos, indicar outros materiais de sites confiáveis como http://www.realclimate.org ou http://www.skepticalscience.com torna-se mais fácil e prático, pois uma característica da incansável hidra negadora é a da reciclagem de material (pelo menos nisso, ela é ecologicamente correta…). Algo desmentido uma vez pode aparecer noutro momento e/ou noutro país como uma “nova descoberta” para mostrar que “o aquecimento global é uma farsa” e toda a ladainha negadora repetida à exaustão, no esforço de repetir tanto uma mentira até que ela pareça verdade. Infelizmente, como mostrei em http://www.facebook.com/notes/alexandre-ara%C3%BAjo-costa/a-nega%C3%A7%C3%A3o-das-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-o-bode-e-os-gamb%C3%A1s-o-que-%C3%A9-uma-opini%C3%A3o-pondera/393911987317366, algumas dessas mentiras parecem mesmo ter forte tendência a serem perpetuadas, como as acusações grotescas contra Michael Mann e outros cientistas.

Obviamente há também os comentários de amigos que compartilham dos meus pontos de vista (ou pelo menos de boa parte deles) sobre o que está em jogo no que diz respeito à negação das mudanças climáticas. E muitos desses comentários têm servido de mote para dar prosseguimento à discussão. Assim como foi com o bode, inspirado por um desses amigos, assim é com a discussão sobre as noções de “posição ponderada” ou “posição radical” trazida por outro, que levanta a questão de que se “a posição ponderada sobre o aquecimento global é a do IPCC”, (…) “ela estaria entre as hipóteses radicais minimizadoras/negacionistas e supostas hipóteses radicais alarmistas/apocalípticas”.

O “texto do bode” dá dicas no sentido de que uma coisa não leva necessariamente à outra, dando exemplos em que, na realidade, pontos de vista intermediários seriam impossíveis ou, no mínimo, bizarrices frankensteinianas de pensamento. Há nessa suposição uma simplificação, como se pudéssemos marcar os pontos de vista como pontos geométricos em um segmento de reta e que a posição que representa uma melhor aproximação da realidade seria uma espécie de média (aritmética ou “ponderada”) dos extremos. Evidentemente, num debate que prime pela honestidade intelectual e em que os atores sejam movidos por um interesse comum, talvez o esqueminha da figura abaixo tenha alguma validade. Caso contrário, é preciso abandoná-lo como representação pictórica adequada.

É fato que não vi nenhum cientista falando de “efeito estufa desenfreado” (que aconteceu provavelmente em Vênus) como algo que possa ocorrer na Terra em um futuro tangível, ou outra teoria “radical” nesse sentido, mas quando digo que o IPCC tenta exprimir o consenso da comunidade científica, isso quer dizer que ele tenta encontrar estimativas quantitativas de um determinado fenômeno, efeito ou processo (bem como da incerteza em torno dessa estimativa), com base no que há disponível na literatura científica e/ou em bases de dados reconhecidamente validadas.

Para processos, fenômenos e componentes do sistema climático com efeito bem conhecido, geralmente a “barra de erro” (incerteza) é pequena, indicando que os valores estimados por diferentes metodologias e por diferentes grupos de pesquisa relatados em diferentes artigos na literatura são todos muito próximos. Processos sobre os quais não se tem um conhecimento quantitativo tão preciso geralmente exibem uma barra de erro maior, exprimindo exatamente esse menor grau de entendimento na forma de um maior espalhamento entre as estimativas individuais disponíveis na literatura.

Uma das estimativas mais importantes nesse sentido é a da grandeza que conhecemos como “Forçante Radiativa”, isto é, a contribuição de um determinado componente do sistema climático (seja um gás de efeito estufa ou um tipo de aerossol, ou a variabilidade solar, etc.) para alterar o balanço de energia desse sistema ao longo de um dado período. A Forçante Radiativa é a energia ganha ou perdida (respectivamente positiva ou negativa) pelo sistema climático em função das mudanças nesse componente por unidade de área por unidade de tempo (sendo medida em Watts por metro quadrado ou W/m2). Por exemplo, como vários gases de efeito estufa têm tido sua concentração aumentada desde o período pré-industrial, eles exercem uma forçante radiativa positiva desde lá até o presente pois mais energia é retida no sistema climático agora do que antes, ao invés de deixar o planeta na forma de radiação infravermelho. Por outro lado, uma atmosfera com mais aerossóis (partículas líquidas ou sólidas em suspensão) reflete mais luz, portanto, como a concentração destes também aumentou com a industrialização, os aerossóis contribuem com uma forçante radiativa negativa, pois menos energia entra no sistema na forma de luz solar. Um componente cujo comportamento não tenha mudado de maneira significativa nos últimos séculos exerce, portanto, uma forçante radiativa próxima de zero.

Dentre as componentes bem estudadas e com estimativas bem consolidadas, estão o CO2 e demais gases de efeito estufa de vida longa (metano, óxido nitroso e halocarbonetos). Em 2005, a estimativa era de que o aumento antrópico do CO2 na atmosfera (cuja concentração então era de 379 partes por milhão e hoje em dia ultrapassou 390) contribuía com uma forçante de +1,66 W/m2 (com pequena incerteza para mais ou para menos) um valor bastante significativo para o aquecimento do sistema climático terrestre. Os demais gases de efeito estufa entram com algo muito próximo de 1 W/m2 a mais.

Mesmo com incertezas relativamente maiores, o caso do Sol é um excelente exemplo de como o IPCC chega a uma estimativa “de consenso”. Em http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/ch2s2-7-1-2.html, é mostrado um levantamento das estimativas disponíveis na literatura científica de quanto a atividade solar teria variado desde o período conhecido como “mínimo de Maunder”, no século XVII, até os dias de hoje, algo que tanto os negadores gostam de falar. Devo dizer que as estimativas não são de artigos de pesquisadores em clima, mas de estudos por especialistas… em Sol. As estimativas são de que as mudanças na atividade solar desde então têm contribuído com quase zero (isso mesmo!) a, na estimativa maior, +0,68 W/m2, como mostrado neste link. Percebam que, baseando-se nos especialistas que estudam o Sol, o IPCC não poderia fazer outra coisa a não ser atribuir às variações de atividade solar uma forçante radiativa de aquecimento bastante modesta, de poucos décimos de W/m2. Não haveria motivo para concluir que o Sol não variou em nada se apenas dois estudos em dez vão nesse sentido, mas também não teria sentido adotar uma estimativa próxima do outro extremo. Mas é preciso deixar claro! Mesmo se escolhêssemos a dedo esse maior valor, ainda assim chegaríamos à conclusão inevitável de que a contribuição da variabilidade solar para o clima desde o século XVII é várias vezes menor do que a dos gases de efeito estufa! Considerando estimativas a partir do século XVIII (e não XVII), fica mais claro que o papel do Sol é ainda menos significativo (forçante radiativa estimada de apenas +0,12 W/m2).

Algo parecido é feito com os aerossóis de sulfato como em http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/ch2s2-4-4-1.html, mostrando que, como sua concentração na atmosfera também aumentou em função da industrialização, esses aerossóis exercem um efeito de resfriamento, contrabalançando parte do efeito de aquecimento dos gases de efeito estufa, com estimativas de forçante radiativa variando entre -0,12 e -0,96 W/m2.

Há valores discrepantes entre estimativas? Há! Mas, ei… não é um leilão onde um negador pode chegar e chutar qualquer valor numérico, nem muito menos, sem nenhum embasamento, chegar e dizer “o aquecimento é natural”, “o sol é que está causando o aquecimento da Terra”, etc. Mede-se, calcula-se, submete-se à apreciação da revisão por pares. Aí sim, ganha-se voz no debate científico. Os que abandonam a seriedade do método realmente não têm compromisso em se aproximar da verdade científica.

Portanto, a opinião ponderada não está “no meio” entre opiniões cientificamente fundamentadas e desvarios motivados por agenda econômica, político-ideológica ou vaidade! Não pode estar! Está “no meio” daquilo que tem valor científico! As indicações do IPCC são médias entre medidas e estimativas de verdade, documentadas e publicadas às quais se agrega uma barra de incerteza. Representa o bom senso de não considerar como verdade absoluta nenhum valor individualmente medido ou estimado por diferentes pesquisadores usando diferentes métodos (satélite, observação de superfície, modelagem, etc.). Tampouco se agarra em um valor extremo, nem de um lado, nem de outro. Essas estimativas são o ponto de partida para obter tanto a melhor avaliação (a grosso modo, a média) quanto a incerteza, que depende do espalhamento das várias estimativas, chegando a algo como http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/fig/figure2-20-l.png, reproduzida a seguir.

Essa figura não deixa margens para dúvidas e é por isso que o IPCC se pronunciou. Ao se somar os efeitos, o resultado é de uma forçante radiativa positiva, que não pode resultar em outra coisa senão aquecimento. De onde vem a maior parte desse sinal? Do CO2 e dos gases de efeito estufa. O silêncio seria uma postura de irresponsabilidade e covardia extremas, numa situação em que, mesmo tomando a menor estimativa de aquecimento por esses gases e a maior estimativa de resfriamento pelos aerossóis (o principal fator que atua no sentido contrário), ainda assim se obtém um número que indica que o planeta está, sim, aquecendo, e de maneira intrinsecamente ligada às atividades humanas. Esse posicionamento (que para muito além do IPCC enquanto instituição é a de mais de 97% daqueles que são pesquisadores atuantes na área, vide http://www.skepticalscience.com/global-warming-scientific-consensus-intermediate.htm), portanto, é ponderada, séria, realista. Nada tem de radical. Se a ciência alerta para riscos e implica em mudanças em nossa sociedade que podem parecer incômodas, e as pessoas preferem ignorar esse alerta, aí é outra história! Espero que fique claro, assim, porque não se pode conceder um milímetro sequer aos negadores, em seu desserviço à opinião pública, em sua ação deliberada de desinformação, em sua campanha abertamente anti-ciência.

Mas se vocês querem saber, parece haver alguém que tem radicalizado no sentido oposto ao dos negadores, sim! Esse alguém tem mostrado que algumas projeções do IPCC são, ao invés de ponderadas, subestimadas, conservadoras… Já ouviram falar de uma tal de “Natureza”? Pois bem… Mas esse será o assunto de outro artigo…

The New Theism: Shedding Beliefs, Celebrating Knowledge (or Science is Religion 2.0) (Metanexus.net)

michael dowd and connie barlow: soulful science

 May 30, 2012

By Michael Dowd:

Since April 2002, my science-writer wife Connie Barlow and I have traveled North America virtually nonstop. We have addressed more than 1,600 secular and religious groups of all kinds. Our goal is to communicate the inspiring and empowering side of science to as many people as possible.

Whether addressing evangelicals, atheists, UUs, or gurus, our message is always the same: We show how a deeply meaningful and fully evidence-based view of big history, human nature, and death can inspire people of all backgrounds and beliefs to live in integrity and cooperate in service of a just and thriving future for all.

Over the course of the last decade, in addition to talking with folks after our programs, Connie and I have lived with hundreds of people in their homes. We’ve thus been privileged to have intellectually rich and heartful conversations with countless kindred spirits—those, like us, whose passion lies at the intersection of science, inspiration, and sustainability.

The following section reflects the thinking and work of many individuals, but should be considered only a rough first draft. Feedback is welcome. Please email me your questions, comments, criticisms, and especially your suggestions for improvement at Michael@ThankGodforEvolution.com.

A Manifesto for the New Theism

A new breed of theist is emerging in nearly every denomination and religion across the globe, and many of us are grateful to the New Atheists for calling us out of the closet.

New Theists are not believers; we’re evidentialists. We value scientific, historic, and cross-cultural evidence over ancient texts, religious dogma, or ecclesiastical authority. We also maintain that religion must accommodate to science, not vice versa.

New Theists are not supernaturalists; we’re naturalists. We are inspired and motivated more by this world and this life than by promises of a future otherworld or afterlife. This does not, however, mean that we diss uplifting or transcendent experiences. We don’t. But neither do we see the mystical as divorced from the natural.

As secular Jews differ from fundamentalist Jews, New Theists differ from traditional theists. While most of us value traditional religious language and rituals, and we certainly value community, we no longer interpret literally any of the otherworldly or supernatural-sounding language in our scriptures, creeds, and doctrines. Indeed, we interpret all mythic language as one would interpret a dream: metaphorically, symbolically.

New Theists practice what might be called a “woo-free spirituality.” Indeed, spirituality for us mostly means the mindset, heart-space, and tools that assist us in growing in right relationship to reality and supporting others in doing the same.

New Theists are legion; we are diverse. Many of us continue to call ourselves Christian, Jewish, Muslim, or Hindu. We may self-identify as emergentist, freethinker, neo-humanist, agnostic, deist, pantheist, panentheist—and, yes, even atheist.

New Theists don’t believe in God. We know that throughout human history, the word “God” has always and everywhere been a meaning-filled interpretation, a mythic personification of forces and realities incomprehensible in a prescientific age. We also know that interpretations and personifications don’t exist or fail to exist. Rather, they are more or less helpful, more or less meaningful, more or less inspiring.

New Theists view religion and religious language through an empirical, evidential, evolutionary lens, rather than through a theological or philosophical one. Indeed, an ability to distinguish subjective and objective reality—practical truth (that which reliably produces personal wholeness and social coherence) from factual truth (that which is measurably real)—is one of the defining characteristics of New Theists.

New Theists do not have a creed (we’re not that organized). But if we did, it might simply be this:

Reality is our God, evidence is our scripture, and integrity is our religion.

By “reality is our God” we mean that honoring and working with what is real, as evidentially and collectively discerned, and creatively imagining what could be in light of this, is our ultimate concern and commitment.

By “evidence is our scripture” we mean that scientific, historic, and cross-cultural evidence provides a better understanding and a more authoritative map of how things are and which things matter (or what’s real and what’s important) than do ancient mythic writings or handed-down wisdom.

And by “integrity is our religion” we mean that living in right relationship to reality and helping others and our species do the same is our great responsibility and joy.

Why call ourselves “theists” at all if we’re not supernatural, otherworldly believers? Simply this:

All theological “isms” (e.g., theism, deism, pantheism, atheism) came into being long before we had an evolutionary understanding of emergence. Therefore, all such concepts are outdated, misleading, and unnecessarily divisive if they are not redefined and reinterpreted in an evolutionary context. Other terms that have been offered, in addition to “New Theist,” include “evolutionary theist,” “evolutionary humanist,” “post-theist,” and “creatheist” (pronounced variously and humorously, “crea-theist” or “cree-atheist”).

Labels are far less important to us than celebrating the fact that we are naturalists who wish to be counted among the religious of the world—no less than all others who are devoted to something sacred and larger than themselves.

Whatever our differences, we are evidentialists, committed to living upstanding moral lives in service of a just and thriving future for humanity and the larger body of life.

We see this as Religion 2.0.

Originally published on The Advent of Evolutionary Christianity: Conversations at the Leading Edge of Faith.

Michael Sandel: ‘We need to reason about how to value our bodies, human dignity, teaching and learning’ (The Guardian)

The political philosophy professor on his new book, What Money Can’t Buy, and why economics needs to be seen not as a science but a moral philosophy

Decca Aitkenhead
guardian.co.uk, Sunday 27 May 2012 20.01 BST
'What is a good hospital?' … Michael Sandel

‘What is a good hospital?’ … Michael Sandel Photograph: Felix Clay for the Guardian

Something curious happened when I tried to potty train my two-year-old recently. To begin with, he was very keen on the idea. I’d read that the trick was to reward him with a chocolate button every time he used the potty, and for the first day or two it went like a breeze – until he cottoned on that the buttons were basically a bribe, and began to smell a rat. By day three he refused point-blank to go anywhere near the potty, and invoking the chocolate button prize only seemed to make him all the more implacable. Even to a toddler’s mind, the logic of the transaction was evidently clear – if he had to be bribed, then the potty couldn’t be a good idea – and within a week he had grown so suspicious and upset that we had to abandon the whole enterprise.

It’s a pity I hadn’t read What Money Can’t Buybefore embarking, because the folly of the chocolate button policy lies at the heart of Michael Sandel‘s new book. “We live at a time when almost everything can be bought and sold,” the Harvard philosopher writes. “We have drifted from having a market economy, to beinga market society,” in which the solution to all manner of social and civic challenges is not a moral debate but the law of the market, on the assumption that cash incentives are always the appropriate mechanism by which good choices are made. Every application of human activity is priced and commodified, and all value judgments are replaced by the simple question: “How much?”

What Money Can’t Buy: The Moral Limits of Markets, by Michael Sandel

Sandel leads us through a dizzying array of examples, from schools paying children to read – $2 (£1.20) a book in Dallas – to commuters buying the right to drive solo in car pool lanes ($10 in many US cities), to lobbyists in Washington paying line-standers to hold their place in the queue for Congressional hearings; in effect, queue-jumping members of the public. Drug addicts in North Carolina can be paid $300 to be sterilised, immigrants can buy a green card for $500,000, best man’s speeches are for sale on the internet, and even body parts are openly traded in a financial market for kidneys, blood and surrogate wombs. Even the space on your forehead can be up for sale. Air New Zealand has paid people to shave their heads and walk around wearing temporary tattoos advertising the airline.

According to the logic of the market, the matter of whether these transactions are right or wrong is literally meaningless. They simply represent efficient arrangements, incentivising desirable behaviour and “improving social utility by making underpriced goods available to those most willing to pay for them”. To Sandel, however, the two important questions we should be asking in every instance are: Is it fair to buy and sell this activity or product? And does doing so degrade it? Almost invariably, his answers are no, and yes.

Sandel, 59, has been teaching political philosophy at Harvard for more than 30 years, and is often described as a rock star professor, such is the excitement his lectures command. In person there is nothing terribly rock star about him; he grew up in a middle-class Jewish family in Minneapolis, studied for his doctorate at Balliol college in Oxford as a Rhodes Scholar, and has been married for decades to a social scientist with whom he has two adult sons. His career, on the other hand, is stratospheric.

Sandel’s justice course is said to be the single most popular university class on the planet, taken by more than 15,000 students to date and televised for a worldwide audience that runs into millions. His 2009 book Justice, based upon the course, became a global bestseller, sparking a craze for moral philosophy in Japan and earning him the accolade “most influential foreign figure” from China Newsweek. If you heard a series of his lectures broadcast on Radio 4 in the spring you would have glimpsed a flavour of his wonderfully discursive approach to lecturing, which is not unlike an Oxbridge tutorial, only conducted with an auditorium full of students, whom he invites to think aloud.

In keeping with his rock star status, Sandel is currently embarked upon a mammoth world tour to promote his new book, and when we meet in London he has almost lost his voice. His next sleep, he croaks, half smiling, isn’t scheduled for another fortnight, and he looks quite weak with jetlag. Understandably, then, he isn’t quite as commanding as I had expected. But although I found his book fascinating – and in parts both confronting and deeply moving – in truth, until the very last pages I didn’t find it quite as persuasive as I had hoped.

This may, as we’ll come on to, have something to do with the fact that its central argument is harder to make in the US than it would be here. “It is a harder sell in America than in Europe,” he agrees. “It cuts against the grain in America.” This is truer today than ever before, he adds, for since he began teaching Sandel has observed in his students “a gradual shift over time, from the 80s to the present, in the direction of individualistic free-market assumptions”. The book’s rather detached, dispassionate line of inquiry into each instance of marketisation – is it fair, and does it degrade? – was devised as a deliberate strategy to “win over the very pro-market American audience” – and it certainly makes for a coolly elegant read, forgoing rhetoric for forensic examination in order to engage with free market economics in terms the discipline understands. But I’m just not entirely sure it works.

If, like me, you share Sandel’s view that moral values should not be replaced by market prices, the interesting way to read What Money Can’t Buy is through the eyes of a pro-market fundamentalist who regards such a notion as sentimental nonsense. Does he win you over then?

He certainly provides some fascinating examples of the market failing to do a better job than social norms or civic values, when it comes to making us do the right thing. For example, economists carried out a survey of villagers in Switzerland to see if they would accept a nuclear waste site in their community. While the site was obviously unwelcome, the villagers recognised its importance to their country, and voted 51% in favour. The economists then asked how they would vote if the government compensated them for accepting the site with an annual payment. Support promptly dropped to 25%. It was the potty-and-chocolate-buttons syndrome all over again. Likewise, a study comparing the British practice of blood donation with the American system whereby the poor can sell their blood found the voluntary approach worked far more effectively. Once again, civic duty turned out to be more powerful than money.

However, a true believer in the law of the market would surely argue that all this proves is that sometimes a particular marketisation device doesn’t work. For them it remains not a moral debate but simply one of efficacy. Sandel writes about the wrongness of a medical system in which the rich can pay for “concierge doctors” who will prioritise wealthy patients – but to anyone who believes in markets, Sandel’s objection would surely cut little ice. They would say it’s a question of whether or not the system is fulfilling its purpose. If the primary purpose of a particular hospital is to save lives, then if it treats a millionaire’s bruised toe while a poorer patient dies of a heart attack in the waiting room, the marketisation has clearly not worked. But if the function of the hospital is to maximise profits, then treating the millionaire’s sore toe first makes perfect sense, doesn’t it?

“I suspect that you have – we have – a certain idea of what a hospital is for, such that a purely profit-driven one misses the mark; it’s deficient in some way; it falls short of what hospitals are properly for. You would say, wouldn’t you, that that hospital – that market-driven one – is not a proper hospital. They’ve misidentified, really, what a hospital is for. Just as if they were a school that said: ‘Our purpose isn’t, really, primarily, to educate students, but to maximise revenue – and we maximise revenue by offering certain credentials, and so on,’ you’d say: ‘Well, that’s not a proper school; they’re deficient in some way.'”

I would, I agree. But a rabid rightwinger wouldn’t. They would say the profit motive is in itself blameless, and pursuing it by mending people’s bodies or expanding their minds is no different to making motor cars, as long as it works.

“My point is that the debate, or the argument, with someone who held that view of the purpose of the hospital would be a moral argument about how properly to understand the purpose of a hospital or a school. And, yes, there would be disagreement – but that disagreement, about purpose, would be, at the same time, a moral disagreement. I’d say ‘moral disagreement’, because it’s not just an empirical question: How did this hospital define its mission? It’s: What are hospitals properly for? What is a good hospital?”

I don’t think that would convince a hardliner at all. Similarly, I imagine a hardline rightwinger might read Sandel’s chapter about the practice in the US of corporations taking life insurance policies out on their staff, often unbeknown to the employees, and think: what’s the problem? Sandel writes about the “moral tawdriness” of companies having a financial interest in the death of an employee, but as he doesn’t suggest it would tempt them to start killing their staff, these policies would strike many on the right as a rational financial investment.

At this point Sandel begins to peer at me across the table with an expression of mild disgust and disbelief. Is this woman really, I think I can see him wondering, from the Guardian? So I explain hastily that I tried very hard to read his book wearing Thatcherite glasses.

“You tried a bit too hard,” he says wryly. “You shouldn’t have tried so hard. You should have gone with the flow a bit more.” Which feels like a disappointing answer.

The irony is that I think Sandel would have written a more powerful book had he not tried to argue the case on free-market economists’ own dry, dispassionate terms. It is, as he rightly points out, the language in which most modern political debate is conducted: “Between those who favour unfettered markets and those who maintain that market choices are free only when they’re made on a level playing field.” But it feels as if by engaging on their terms, he’s forcing himself to make an argument with one hand tied behind his back. Only in the final chapter does he throw caution to the wind, and make the case in the language of poetry.

“Consider the language employed by the critics of commercialisation,” he writes. “‘Debasement’, ‘defilement’, ‘coarsening’, ‘pollution’, the loss of the ‘sacred’. This is a spiritually charged language that gestures toward higher ways of living and being.” And it works, for the book suddenly makes sense to me. His closing elegy to what is lost by a society that surrenders all decisions to the market almost moved me to tears.

“Does that mean I should have just started and ended with the poetry, and forgotten about the argumentative and analytical part?” he asks. “I want to address people who are coming to this from different ideological directions.” But funnily enough, I think the poetry might well do a better job of persuading those very sceptics he’s trying to convert.

A fascinating question he addresses is why the financial crisis appears to have scarcely put a dent in public faith in market solutions. “One would have thought that this would be an occasion for critical reflection on the role of markets in our lives. I think the persistent hold of markets and market values – even in the face of the financial crisis – suggests that the source of that faith runs very deep; deeper than the conviction that markets deliver the goods. I don’t think that’s the most powerful allure of markets. One of the appeals of markets, as a public philosophy, is they seem to spare us the need to engage in public arguments about the meaning of goods. So markets seem to enable us to be non-judgmental about values. But I think that’s a mistake.”

Putting a price on a flat-screen TV or a toaster is, he says, quite sensible. “But how to value pregnancy, procreation, our bodies, human dignity, the value and meaning of teaching and learning – we do need to reason about the value of goods. The markets give us no framework for having that conversation. And we’re tempted to avoid that conversation, because we know we will disagree about how to value bodies, or pregnancy, or sex, or education, or military service; we know we will disagree. So letting markets decide seems to be a non-judgmental, neutral way. And that’s the deepest part of the allure; that it seems to provide a value-neutral, non-judgmental way of determining the value of all goods. But the folly of that promise is – though it may be true enough for toasters and flat-screen televisions – it’s not true for kidneys.”

Sandel makes the illuminating observation that what he calls the “market triumphalism” in western politics over the past 30 years has coincided with a “moral vacancy” at the heart of public discourse, which has been reduced in the media to meaningless shouting matches on cable TV – what might be called the Foxification of debate – and among elected politicians to disagreements so technocratic and timid that citizens despair of politics ever addressing the questions that matter most.

“There is an internal connection between the two, and the internal connection has to do with this flight from judgment in public discourse, or the aspiration to value neutrality in public discourse. And it’s connected to the way economics has cast itself as a value-neutral science when, in fact, it should probably be seen – as it once was – as a branch of moral and political philosophy.”

Sandel’s popularity would certainly indicate a public appetite for something more robust and enriching. I ask if he thinks academia could do with a few more professors with rock star status and he pauses for a polite while before smiling. “That’s a question I would rather have you answer than me, I would say.” That someone as unflashy and mild-mannered as Sandel can command more attention in the US than even a rightwing poster boy academic such as Niall Ferguson must, I would say, be some grounds for optimism. On a purely personal level, I ask, is there any downside to engaging with the world through the eyes of moral philosophy, rather than simple market logic?

“None but the burden of reflection and moral seriousness.”

Felicidade chega à Rio+20 e vira tema de debate (O Globo)

O Globo – 12/04/2012
Agostinho Vieira

Um antigo ditado garante que os números não mentem jamais. Isso não significa que, de vez em quando, eles não escondam a verdade. É o caso do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo. Se o governo de um país resolver destruir todas as florestas, vender a madeira, instalar fábricas e criar gado, o PIB vai crescer. Imagine uma nação que acabou de sair da guerra. Ela investe na reconstrução de estradas e edifícios. O PIB aumenta. Nos dois casos, os números são verdadeiros, mas escondem enormes prejuízos sociais e ambientais.

Outra máxima, muito usada nas empresas, diz que quem não mede não gerencia. É verdade. Mas o que fazer se o PIB não avalia adequadamente o desenvolvimento dos países? Ou vocês acreditam que o Brasil é mesmo o sexto maior do planeta? O tema já vem sendo debatido há algum tempo. As propostas vão desde o uso mais efetivo do IDH até a criação de um PIB Verde. Na semana passada, em Nova York, cerca de 600 pessoas discutiram por três dias uma das alternativas ao PIB: a Felicidade Interna Bruta (FIB).

Esse curioso indicador foi criado há mais de 30 anos no Butão, um pequeno país que fica no alto do Himalaia, perto do Tibet. De acordo com a FIB, para medir a riqueza dos países deveriam ser considerados, além do crescimento econômico, itens como saúde, educação, preservação do meio ambiente, uso do tempo, vitalidade da relação comunitária e até o bem-estar psicológico.

Neste evento da ONU, onde estavam vários economistas que já ganharam o Prêmio Nobel, foi elaborado um documento que recebeu o nome de “Felicidade e Bem-Estar: Definindo um novo paradigma econômico”. Este texto estará entre as propostas que vão ser analisadas na Rio+20, em junho. É muito difícil prever o que acontecerá. É provável até não aconteça nada. Mas o fato de a felicidade entrar na pauta dos debates mundiais já é um excelente começo.

O liberalismo de jabuticaba (Carta Capital)

Artigo
29/5/2012 – 11h21

por Luis Nassif*

c617 O liberalismo de jabuticaba

Luis Nassif. Foto: Divulgação

Há anos, por seu alcance, o sistema Globo tornou-se a principal influência na opinião pública, inclusive em questões econômicas. TV GloboGlobonewsCBN, jornal O Globo, portal G1, constituem-se na mais formidável caixa de irradiação de opiniões no país.

Por isso mesmo, é um bom laboratório para se analisar como se formam consensos, especialmente em temas ligados ao mercado e à economia.

Em geral, o discurso assenta-se em bordões de fácil assimilação  que, pela repetição, vulgarizam-se, podendo ser repetidos desde executivos com pouca formação econômica até papos de boteco. Paradoxalmente, essa banalização de conceitos responde pela extrema superficialidade da análise e, ao mesmo tempo, por sua enorme eficácia.

Até agosto do ano passado, esse discurso mercadista era facilitado pelo sofisma da prioridade única. Todas as análises tinham como mote a inflação. Justificava-se qualquer nível de taxa de juros porque era anti-inflação. Criticava-se qualquer redução da Selic, por mínima que fosse, por acirrar a inflação.

Não havia a menor necessidade de pensar. Baixou a taxa, imediatamente rebimbava o coro anti-inflação. Aumentou em percentuais ínfimos gastos sociais, acordava o coro contra a gastança.

Quando, em fins de agosto passado, o Banco Central reduziu a Selic e a inflação continuou caindo, o discurso desmoronou. Seria preciso refazer o discurso, recriar bordões.  E aí o sistema deu tilt.

Por exemplo, a boa análise econômica sabe que não é possível desenvolvimento sustentável sem dois eixos bem azeitados: consumo e investimento.

Primeiro, trata-se de montar o mercado – o interno, através da ampliação da base de consumo, e o externo, através de instrumentos de apoio à exportação.

Dado o mercado, garantir o investimento, através de ferramentas fiscais, financeiras e cambiais.

Cria-se o mercado interno. Estimula-se o investimento na produção. Amplia-se a capacidade produtiva do país, geram-se empregos mais qualificados e, por conseguinte, mais consumidores, completando o ciclo virtuoso do crescimento.

Sem o investimento, esse crescimento será apropriado pelo produto importado até o limite do estrangulamento externo. Não se completaria o ciclo. Mas não se investe sem dispor de um mercado de consumo em expansão.

No entanto, anos de defesa de juros altos criaram um pensamento anti-crescimento irracional – que é repetido de cabo a cabo por todo aparato midiático das Organizações Globo.

Ontem, as medidas de redução do custo do financiamento foram taxadas de temerárias por induzir o consumidor ao “endividamento irresponsável”.

Ora, o discurso econômico das Organizações é fundamentalmente neoliberal.

É princípio elementar do liberalismo o pleno direito de opção ao consumidor, ao investidor, à empresa. Ao Estado compete apenas criar condições adequadas, sem pretender tutelar os agentes econômicos.

Na hora de criar o bordão, esquece-se o livre arbítrio do consumidor, as ferramentas de análise de crédito dos bancos, o monitoramento da inadimplência pelo Banco Central, o fato do financiamento de automóvel ser garantido pelo próprio veículo, aspectos técnicos e conceituais.

Em Wall Street – onde esse pessoal se espelha -, seria motivo de chacota.

* Luis Nassif é jornalista econômico e editor do site www.advivo.com.br/luisnassif – lnassif2011@bol.com.br.

** Publicado originalmente no site da revista Carta Capital.

Segurança da Rio+20, entre a crítica e o temor (IPS)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 09h32

por Fabíola Ortiz, da IPS

IPS2b Segurança da Rio+20, entre a crítica e o temorRio de Janeiro, Brasil, 31/5/2012 – Fortes críticas da sociedade civil, cujos líderes não querem que “se militarize a Cúpula dos Povos”, foram provocadas pelo anúncio da operação de segurança que o governo brasileiro colocará em ação por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, e dos encontros paralelos. O governo se mostrou preocupado, ao mesmo tempo em que acredita poder garantir a segurança do encontro contra ataques cibernéticos ou terroristas.

O Plano Geral de Segurança da Rio+20 foi divulgado no dia 28 pelos chefes militares e pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, os quais explicaram que haverá um centro para coordenar as operações em toda a área onde se desenvolverem as reuniões da cúpula oficial e também dos encontros paralelos.

Cerca de 15 mil agentes distribuídos em diversos pontos do Rio de Janeiro, onde está prevista a realização de, aproximadamente, 500 encontros e painéis, enquanto as principais avenidas, viadutos e túneis estarão controlados por veículos blindados. Além disso, está previsto o investimento de US$ 10 milhões para rastrear e evitar possíveis ameaças de hackers ao sistema de conexões pela internet.

“Foi preparado um plano muito detalhado com o objetivo de garantir que a Conferência transcorra com tranquilidade. Do total de agentes, as forças armadas fornecerão oito mil soldados”, informou Amorim em entrevista coletiva com jornalistas brasileiros e estrangeiros. A operação Rio+20 acontecerá entre 5 e 29 de junho, quando haverá atividades, seminários, encontros e manifestações ambientalistas, além das reuniões de alto nível, entre as quais o encontro de chefes de Estado e de governo.

O esquema especial de proteção nos locais de hospedagem, traslado e realização das reuniões contará com cerca de cinco mil efetivos de segurança diariamente nas ruas e acompanhando as delegações estrangeiras. As escoltas de autoridades e delegações dos países e dos funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) constarão de 52 equipes especializadas, com apoio de 29 helicópteros e mais de 400 motociclistas. Haverá cuidado especial com os espaços aéreo e marítimo, missão que estará a cargo da Força Aérea e dos fuzileiros navais.

Também estarão na mira dos corpos de segurança as manifestações e conferências paralelas ao encontro oficial, especialmente a mais importante delas, a Cúpula dos Povos sobre a Rio+20 pela Justiça Social e Ambiental, de 15 a 23 de junho. Precisamente, uma das mobilizações com maior número de pessoas deverá ser a marcha prevista pelos líderes da Cúpula dos Povos, na Avenida Rio Branco, no dia 20 de junho, data de abertura da Rio+20.

O general Adriano Pereira Júnior, um dos comandantes da operação, afirmou que os movimentos sociais não serão reprimidos sob nenhuma circunstância, acrescentando que espera-se que se manifestem em um clima de ordem e cordialidade. “Os organizadores da Cúpula dos Povos já nos procuraram solicitando apoio na segurança de seus eventos”, contou o militar.

Porém, Carlos Henrique Painel, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, alertou para a possibilidade de os militares não respeitarem a liberdade das mobilizações. “Não queremos soldados armados do exército fazendo a segurança, não queremos uma Cúpula dos Povos militarizada, pois nosso receio é quanto ao nível de tolerância com relação às manifestações que são espontâneas e não diretamente ligadas à Cúpula”, disse à IPS.

“A Guarda Municipal é capaz de garantir nossa segurança”, opinou Painel, um dos organizadores da Cúpula dos Povos, para a qual se espera a presença de 25 mil a 30 mil pessoas, segundo seus promotores. “De fato pedimos ajuda para nossos acampamentos no Aterro do Flamengo e nos locais de hospedagem previstos em duas escolas públicas e no sambódromo, que abrigarão cerca de 12 mil participantes, explicou Painel.

Embora o Brasil não figure entre os países-alvo de possíveis atentados, um encontro internacional da dimensão da Rio+20 obriga a criar um centro de inteligência e prevenção. O general José Carlos De Nardi, do centro de defesa cibernética, informou que é a primeira vez que se articula no Brasil um site integrado contra ataques cibernéticos. “A Polícia Federal já tem muita experiência neste aspecto devido a tantas invasões a páginas da internet de órgãos e agências reguladoras. Temos condições de chegar ao local exato e ao computador de onde possam partir os ataques”, admitiu o general.

As autoridades também disseram que, no caso de ataques cibernéticos interromperem o fornecimento de energia, os principais locais já estão preparados com geradores para iluminação, bem como as empresas de telecomunicações com redes sem fio. O Brasil não receberá nenhum apoio em seu trabalho de segurança, “somos capazes e temos meio para fazê-lo”, enfatizou o general Pereira Júnior. Porém, admitiu que terão apoio de inteligência dos corpos de segurança dos governantes que chegarem ao Rio de Janeiro.

Envolverde/IPS

Desperdícios do crescimento desordenado do Brasil (IPS)

Economia
29/5/2012 – 10h01

por Mario Osava, da IPS

21 Desperdícios do crescimento desordenado do Brasil

Canal em construção no Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. Foto: Mario Osava/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 29/5/2011 – Sabe-se que na China há cidades vazias, recém-construídas para milhões de habitantes que não aparecem. No Brasil, existem inúmeros grandes projetos com atrasos de anos, incompletos ou ameaçados de ficarem inconclusos. Além das numerosas obras de infraestrutura energética e logística exigidas pela expansão econômica do país, a Copa do Mundo de Futebol, que o Brasil sediará em 2014, impõe a construção ou reforma de estádios e melhorias na mobilidade urbana de 12 cidades.

A gigantesca hidrelétrica de Santo Antônio, no amazônico Rio Madeira, começou a funcionar no final de março, mas sem a linha que levará sua eletricidade ao local de maior demanda, o Estado de São Paulo, que estará concluída no final deste ano. A hidrovia do Rio Tocantins, uma saída natural para o Oceano Atlântico para a produção de grãos e minerais do eixo centro-norte do Brasil, obteve no ano passado eclusas para que grandes navios possam transpor a barreira de Tucuruí, a terceira maior hidrelétrica do mundo. O custo subiu para cerca de US$ 830 milhões.

No entanto, o Tocantins “continua inviável” para transporte de grandes cargas, porque não foi feita uma intervenção muito mais barata: retirar as rochas do Pedral de Lourenço, que se estendem por 43 quilômetros do rio, curso acima de Tucuruí, afirmou Renato Pavan, sócio da Macrologística, empresa especializada em estratégias de transporte. Estima-se que as eclusas, neste caso, teriam custado metade do preço final se tivessem sido feitas durante a construção da hidrelétrica, concluída em 1984. Contudo, teriam ficado ociosas durante 28 anos por falta de demanda de navios de grande porte, e continuarão assim por um longo tempo, por outras razões.

Completar a hidrovia exige “um mínimo de cinco anos”, porque, além de erradicar o Pedral, será preciso construir portos e dragar trechos do rio. Estas obras exigem investimentos que não estão nas prioridades governamentais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lamentou o engenheiro Pavan, que há três décadas trabalha em infraestrutura de transportes.

Nos últimos anos, governo e empresas multiplicaram hidrelétricas, portos, estradas e ferrovias, em construção por todo o país. Algumas destas obras registram atrasos superiores a quatro anos, enquanto os empresários se queixam de que o país vive à beira de um colapso chamado de “apagão logístico”. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que unirá o centro do país à costa atlântica da Bahia, ao longo de 1.500 quilômetros e cruzando terras de grãos e minérios, já tem três anos de atraso, que tendem a se prolongar porque o porto de destino continua indefinido e ameaçado por um veto devido a questões ambientais.

De 155 centrais hidrelétricas e termoelétricas licitadas a partir de 2004 e cujas datas previstas de operação chegavam até o ano passado, 72 registraram atraso médio de um ano, segundo o Instituto Acende Brasil, um observatório do setor. Há usinas que não funcionam porque não contam com fornecimento de gás natural. As geradoras elétricas se tornaram prioritárias após o apagão de 2001, que provocou racionamento, campanhas de economia de consumo e a ressurreição de megaprojetos suspensos desde a década de 1980. É o caso da central de Belo Monte, que será a maior hidrelétrica do mundo e que está sendo construída no Rio Xingu, na Amazônia oriental.

Nas duas “décadas perdidas” de 1980 e 1990, as crises financeiras travaram o crescimento da economia brasileira e, por extensão, paralisaram a demanda energética, deixando de lado os planos de infraestrutura que exigem uma maturação de longo prazo. Agora, tenta-se recuperar essas décadas perdidas enfrentando novas exigências ambientais e conflitos com ambientalistas, indígenas e movimentos sociais, além de outras disputas.

Também há falta de mão de obra qualificada, e inclusive a menos capacitada também escasseia e fica mais cara, diante da oferta de empregos abundantes mesmo em áreas que antes exportavam força de trabalho barata, como o empobrecido Nordeste do país. As greves se repetem e as reclamações incluem mais dias livres para visitas a familiares de operários que chegam de longe, além de melhores salários.

Assim, a capacitação de trabalhadores locais se impôs aos grandes projetos, embora não evite uma intensa rotatividade. Pela construção da hidrelétrica de Santo Antônio “passaram mais de 50 mil operários”, o triplo dos que havia no momento de apogeu da obra, destacou Altair Donizete Oliveira, vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores da Construção Civil do Estado de Rondônia.

No Nordeste, que vive uma onda de industrialização, um engenheiro, que pediu para não ser identificado, afirmou que sua empresa conta com 500 empregados, “mas precisa de 2.500” para construir no ritmo desejado o trecho que lhe corresponde na transposição do Rio São Francisco, imenso projeto para levar mais água a essa região semiárida. Planejada para ser inaugurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), dificilmente estará pronta ao final do mandato de Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2015. Vários dos 15 trechos em que a obra foi dividida estão paralisados.

O projeto para desviar as águas do Rio São Francisco, que consiste em dois canais a céu aberto, com largura média de 25 metros, túneis, represas e aquedutos ao longo de 713 quilômetros de um relevo ondulado, realça os problemas da multiplicação de obras gigantescas. Seu custo total quase duplicou, e hoje é estimado em cerca de US$ 4 bilhões. Os atrasos e as interrupções tendem a torná-lo ainda mais caro.

Par agravar o cenário, o escândalo de corrupção envolvendo vários dirigentes políticos com negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, ameaça paralisar dezenas de projetos prioritários, inclusive um dos trechos da transposição. Isto porque a construtora Delta, estreitamente ligada a Cachoeira, participa em cerca de 200 obras, na maioria licitadas pelo governo, que incluem estradas, estádios de futebol, portos e serviços de coleta de lixo urbana. Substituir a empresa nos projetos pode desatar batalhas judiciais e agravar os atrasos. Envolverde/IPS

Rio+20, somente semear para o futuro (IPS)

Envolverde Rio + 20
29/5/2012 – 09h52

por Stephen Leahy, da IPS

12 Rio+20, somente semear para o futuroUxbridge, Canadá, 29/5/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) servirá apenas de terreno onde se tentará cultivar as ideias e os valores que a humanidade necessita para o Século 21. Contudo, ninguém espera, ou mesmo deseja, um grande tratado internacional sobre desenvolvimento sustentável, lamentou Manish Bapna, presidente interino da organização ambientalista internacional World Resources Institute, com sede em Washington.

“O importante acontecerá de forma paralela às negociações formais”, disse Bapna à IPS. Porém, “pode haver alguns esperançosos compromissos específicos” dos países na Rio+20, acrescentou. Talvez, seu resultado mais importante seja acabar com o errôneo conceito de que proteger o meio ambiente vai contra o crescimento econômico, quando, na realidade, ocorre o contrário, destacou Bapna. Sem um meio ambiente saudável e funcionando a humanidade perde os benefícios de “produtos gratuitos”: ar, água, terras de cultivo e clima estável.

Para Bapna, “um dos principais obstáculos para o futuro é que funcionários de muitos países acreditam que avançar em um caminho mais sustentável implica um custo demasiadamente alto”. Ele espera que a Rio+20 gere um “novo discurso”, com maior compreensão de que uma economia baixa em carbono e eficiente em termos de recursos pode também aliviar a pobreza e gerar empregos.

Espera-se que ao menos 50 mil pessoas participem de centenas de atividades na Rio+20, entre elas mais de 130 líderes mundiais, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e os primeiros-ministros Manmohan Singh, da Índia, e Wen Jiaboa, da China. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não confirmou sua presença no encontro, que acontece 20 anos depois da Cúpula da Terra.

Aquela reunião, também no Rio de Janeiro, deu à luz três importantes tratados sobre meio ambiente, mudança climática, biodiversidade, degradação de terras e desertificação. Porém, em quase todas essas categorias a situação piorou desde 1992. Apenas poucos países, como a Alemanha, entendem a necessidade ambiental e econômica de optar por um caminho mais sustentável, afirmou Bapna. “Esse país realiza o esforço individual mais importante do mundo para combater a mudança climática e reduzir o carbono em sua economia”, ressaltou.

A Alemanha está comprometida em duplicar sua produtividade energética e de recursos até 2020, o que gerará novos empregos e fortalecerá sua competitividade em um mundo com cada vez menos e mais caros recursos. Aproximadamente 22% da energia da Alemanha procede de fontes renováveis, e sua meta é alcançar 35% até 2020, e 80% até 2050. Para isto, realiza grandes esforços na melhoria da eficiência energética

O consumo de água potável, petróleo e cobre caminha para ser triplicado até 2050, segundo informe da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2001. O problema é que não restam recursos suficientes no planeta para sustentar este ritmo. A Rio+20 precisa atrair as pessoas com uma nova “história” sobre o imperativo de viver de forma sustentável, com exemplos de como podem ser criados novos mercados e empregos verdes, apontou Bapna.

Enquanto isso, as negociações oficiais da Rio+20 vão tão mal que foram acrescentadas mais sessões. As delegações negociam o chamado “rascunho zero”, onde se procura estabelecer um mapa do caminho para o crescimento sustentável e no qual esteja previsto o estabelecimento de uma série de metas. Porém, como todos os acordos da ONU, cada palavra necessita de uma aprovação unânime de todas as nações, o que é extremamente difícil.

“Reconhecemos que não podemos continuar queimando e consumindo nossa forma de prosperidade. Entretanto, não adotamos a solução óbvia. A única solução possível, hoje como há 20 anos, é o desenvolvimento sustentável”, disse em uma declaração o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Também admitiu que as negociações seguem “dolorosamente lentas”, e interveio pessoalmente para acrescentar outra semana de conversações, exortando os países a olharem além de seus interesses nacionais. Segundo Ban Ki-moon, o Rio de Janeiro “oferece uma oportunidade geracional para acionar o botão de reinício, para fixar um novo curso rumo ao futuro que equilibre as dimensões econômica, social e ambiental da prosperidade e do bem-estar humanos”.

Faltando menos de 30 dias para o encontro de alto nível, ainda não “há uma definição acordada do que é economia verde”, alertou Craig Hanson, diretor do Programa de População e Ecossistemas do Instituto de Recursos Mundiais. Há um crescente consenso sobre a necessidade de um crescimento e um desenvolvimento verdes, mas a população em geral não sabe exatamente o que isto significa.

A Alemanha oferece um exemplo com seus esforços de energia limpa, que criaram 370 mil empregos, indicou Hanson à IPS. Outro exemplo é o êxito de Níger em reverter a desertificação na zona do Sahel, acrescentou. As negociações sobre como obter economias mais verdes são uma batalha, pois muitos países colocam seus interesses nacionais acima dos interesses do planeta e das futuras gerações, observou.

Reduzir gradualmente os milhões de dólares que os governos investem em subsídios anuais para combustíveis fósseis seria um caminho ideal, mas não está claro se as nações estão dispostas a isso, opinou Bapna. “Repetirão suas antigas promessas ou assumirão firmes compromissos no Rio? Simplesmente não sabemos”, afirmou. O mundo mudou desde 1992. As coisas são muito menos previsíveis. Não há uma visão ecológica única para todos os países. “O que sabemos é que esta é uma década crítica. O mundo necessita de compromissos no curto prazo para atuar”, concluiu.

Envolverde/IPS

II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20 (Revista Fórum)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 11h08

por Por Mikaele Teodoro, da Revista Fórum.

Capa62 II Fórum Mundial de Mídia Livre fará parte da Cúpula dos Povos, durante a Rio +20Evento acontece no Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de junho.

Nos dias 16 e 17 de junho acontece, no Rio de Janeiro, o II Fórum Mundial de Mídia Livre. O evento vai reunir “midialivristas” tais como: representantes de sites, ativistas, rádios e TVs comunitárias, pontos de cultura, coletivos atuantes nas redes sociais e também agências, revistas e emissoras alternativas comprometidas com a luta pelo conhecimento livre. O encontro fará parte da Cúpula dos Povos da Rio+20, evento paralelo à Conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, explica que o momento é ideal para discutir a mídia livre. “O II Fórum Mundial de Mídia Livre acontecerá num momento em que a mídia livre e todas as suas formas de organização e expressão ganham espaço no contexto das mobilizações globais por um mundo mais justo, como ocorreu na Primavera Árabe e também nas ocupações realizadas, no último ano, em diversas partes do globo”, destaca.

No II FML, midialivristas de diversos países discutirão temas como alternativas de produção de informação, maneiras de estruturar politicamente a mídia livre internacional, discutir alternativas de financiamento e de compartilhamento de conteúdo, propagar novas possibilidades de atuação disponibilizadas pelas novas tecnologias, entre outros. “Vai ter gente de varias partes do mundo, um grupo grande de pessoas do norte da África, representantes do Uruguai, França, Alemanha e muitos outros”, afirma Bia. “A intenção dos organizadores é atrair diferentes públicos para as discussões. Não queremos tornar o debate muito técnico, comum apenas para os profissionais da comunicação.”

O encontro contará com atividades autogestionadas, além de painéis, debates livres, oficinas e plenárias, e será na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao lado do Aterro do Flamengo.

Confira abaixo a programação:

Dia 16

9h: Abertura – Auditório Pedro Calmon (campus da UFRJ – Urca)
O II Fórum Mundial de Mídia Livre e a Rio+20: A luta da comunicação e da cultura como bens comuns

11h: Painéis simultâneos

Eixo 1 – Direito à Comunicação – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: acesso à informação; liberdade de expressão; agressões a jornalistas; criminalização da mídia livre; conglomerados mundiais de comunicação e o discurso hegemônico sobre desenvolvimento

Eixo 2 – Apropriação Tecnológica – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: novos modelos organizacionais e econômicos; protocolos livres; liberdade de internet; espectro livre e tecnologia digital (rádio e TV digital); formação para apropriação tecnológica

13h – Almoço

14h – Painel eixo 3: Políticas Públicas – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: comunicação e democracia; marcos regulatórios; padrões internacionais e boas práticas de regulação; sistema público de comunicação; rádios comunitárias; rádios livres; sustentabilidade das mídias livres

16h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Dia 17

9h – Painéis simultâneos

Eixo 4 – Movimentos Sociais – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Temas em debate: Produção de conteúdo e informação pela sociedade civil (incluindo o debate sobre a disputa de valores em torno do desenvolvimento sustentável); as lutas nas redes e nas ruas e o ativismo global; como aumentar o impacto da mídia livre nas lutas sociais; sinergia entre plataformas regionais de informação; troca de experiências e iniciativas; os midialivristas e o processo do Fórum Social Mundial

Mulher, mídia e bens comuns – Auditório Eletrobras (Casa do Estudante – Flamengo)
Temas em debate: invisibilidade e exclusão da história das mulheres; liberdade de expressão e negação da memória; lutas das mulheres nas redes sociais; das Marchas das Vadias às denúncias de discriminação das mulheres na Primavera Árabe; produção de conteúdo pelo direito à igualdade e diversidade de gênero e raça na rede; regulação de mídia e a questão da representação da imagem da mulher; o potencial de impacto desse debate nas redes sociais.

10h30 – Plenária Geral – Auditório Pedro Calmon (UFRJ – Urca)
Organização de estratégias e encaminhamento de propostas para a Plenária de Convergência da Cúpula dos Povos sobre Bens Comuns

13h – Almoço

14h – Atividades autogestionadas – salas de aula ECO (UFRJ – Urca)
Rodas de conversa, desconferências, oficinas, Fórum Extendido

Inscrição de atividades para o II Fórum Mundial de Mídia Livre: http://cupuladospovos.org.br/fmml/

Outras informações:
http://medias-libres.rio20.net
http://forumdemidialivre.org
http://freemediaforum.org

* Publicado originalmente no site da Revista Fórum.

Empresariado promove agenda paralela à Rio+20 (Mercado Ético)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h44

por Sucena Shkrada Resk, do Mercado Ético

Capa4 Empresariado promove agenda paralela à Rio+20A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não mobiliza somente os governos e a sociedade civil organizada, mas também o setor empresarial, que estará presente em eventos paralelos, no mês de junho, no Rio de Janeiro e em outras localidades do Brasil. Os temas centrais do evento – economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, além da governança internacional da sustentabilidade – são o pano de fundo para a realização dos debates e propostas entre as organizações da iniciativa privada.

“Os eventos paralelos à conferência e à pré-conferência Rio+20 são uma forma de envolver a sociedade organizada, empresas e outras partes interessadas no processo de discussão dos rumos do acordo político que está sendo construído para fortalecer a inclusão dos princípios do desenvolvimento sustentável nas diversas instâncias de processos decisórios. Cada encontro lateral busca atingir algum público e algum ponto de vista”, explica Jorge Soto, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, uma das corporações que terá atividades voltadas ao público presente na Rio+20.

Segundo ele, dessa forma, a soma de todos os encontros laterais cobrirá a diversidade, própria ao desenvolvimento sustentável. “Entendo que dessa ampla participação e discussão surgirão propostas que colocarão a energia e o apoio que os negociadores precisam para que o acordo político resultante seja contundente e à altura do desafio que a humanidade está enfrentando”, avalia.

Programação

A exemplo do evento oficial e da Cúpula dos Povos, a agenda ligada às corporações está bem diversificada. No período de 11 a 13 de junho, em São Paulo, será realizada a já tradicional Conferência Ethos 2012, cujo tema será A empresa e a nova economia: o que muda com a Rio + 20 (www.ethos.org.br/ci2012). Na ocasião também será lançada a versão em português da obra O Estado do Mundo 2012: Rumo à Prosperidade Sustentável, do World Watch Institute.

“Durante o evento, discutiremos e produziremos um documento em parceria com representantes de cerca de 40 organizações, com propostas em relação aos 10 temas (veja abaixo) que serão debatidos por representantes da sociedade civil nos Diálogos sobre Desenvolvimento Sustentável, que será organizados pelo governo brasileiro, de 16 a 19 de junho, na programação da Rio+20″, explica Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos.

Os temas são: Desenvolvimento Sustentável para o combate à pobreza; Como resposta às crises econômicas e financeiras; Desemprego, trabalho decente e migrações; A economia do Desenvolvimento Sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo; Florestas; Segurança alimentar e nutricional; Energia Sustentável para todos; Água; Cidades Sustentáveis e Inovação; Oceanos.

O material será entregue aos participantes dos Diálogos e ao comitê organizador da Rio+20, com o objetivo, segundo ele, de se propor alternativas a cenários futuros. “Durante a Conferência Ethos também avançaremos em um debate além da Rio+20, que refletirá sobre a construção de uma economia includente verde e responsável”. Para isso, será tratada a questão dos novos modelos de negócios, com a participação de John Elkington, criador do conceito do triple bottom line, entre outras personalidades.

No Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, ocorrerão mais eventos entre os dias 11 e 22 de junho. Ainda sem programa definido (a ser lançado no próximo dia 25), as atividades ali serão organizadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), em parceria com a Fundação Roberto Marinho e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

O Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) manterá um espaço institucional no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro, de 13 a 23 de junho, e também manterá eventos paralelos, no Rio Centro e no Forte de Copacana, quando será apresentado o lançamento do documentoVisão Brasil 2050, uma iniciativa “tropicalizada” do documento produzido pelo World Business Council for Sustainable Development – WBCSD (Conselho Mundial de Gestão para o Desenvolvimento Sustentável).

“Esse documento é considerado um dos mais importantes já lançados sobre o futuro da sustentabilidade e tem inspirado o planejamento estratégico de inúmeras empresas em todo o mundo. Visão Brasil 2050 é uma agenda para o desenvolvimento sustentável e a transição para a economia verde nos próximos 40 anos”, explica Marina Grossi, presidente executiva do CEBDS.

Outro projeto a ser divulgado é “Rio Cidade Sustentável“. A iniciativa, lançada, neste ano, tem sete eixos: turismo comunitário, desenvolvimento de empreendedores locais, sustentabilidade nas escolas e lares, infraestrutura urbana verde, agricultura urbana orgânica, gestão comunitária de resíduos e melhoria habitacional sustentável.

“Trata de infraestrutura urbana e transformação social com foco em sustentabilidade, que articula poder público, empresas e moradores para melhorar a qualidade de vida das comunidades. Desde janeiro deste ano, duas comunidades pacificadas da Zona Sul carioca, Babilônia e Chapéu Mangueira, acolhem as sete frentes de atuação do programa.”, diz ela.

Por fim, o Rio+20 Corporate Sustainability Forum: Innovation & Collaboration for the Future We Want (Rio+20 Fórum de Sustentabilidade Corporativa: inovação e colaboração para o futuro que queremos) será promovido pelo Pacto Global da ONU, entre 15 e 18 de junho, também no Rio de Janeiro (http://csf.compact4rio.org/events/rio-20-corporate-sustainability-forum/event-summary-251b87a2deaa4e56a3e00ca1d66e5bfd.aspx).

* Publicado originalmente no site Mercado Ético.

Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o Código (Agência Brasil)

31/5/2012 – 10h52

por Danilo Macedo,da Agência Brasil

Capa5 Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o CódigoDeputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elaboraram cerca de 50 emendas à Medida Provisória 571/2012, que trata dos trechos vetados do Código Florestal. Os parlamentares tem até sexta-feira para apresentá-las. O atual presidente da frente, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), disse que vários deputados vão entrar com mandado de segurança contra a MP, por considerarem “uma afronta” e “entendendo que a presidenta exorbitou no seu poder”.

Segundo Mendes, alguns parlamentares entendem que a legislação estabelece que assuntos votados no Congresso Nacional não podem ser objeto de medida provisória antes da aceitação ou derrubada do veto presidencial. Após o veto da presidenta Dilma Rousseff, o Congresso Nacional tem 30 dias para discutir o assunto. “Vamos ouvir o restante da frente para que se tome uma deliberação a esse respeito”.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que ficou surpreso com a MP tratando de matéria derrotada na Câmara dos Deputados e a considerou uma “agressão” ao Congresso. “Ela passa a legislar acima da vontade do Congresso Nacional. Esse que é o ponto sobre o qual queremos entrar com mandado de segurança no sentido de buscar a sustação dos efeitos dessa medida provisória”, disse.

Moreira Mendes disse que o assunto Novo Código Florestal precisa ser liquidado, mas devido ao rito da medida provisória, com prazo de 120 dias, o assunto não será resolvido antes do recesso parlamentar. Em relação às emendas, o presidente da FPA disse que a intenção é buscar um texto de conciliação, nem mantendo o atual e nem resgatando a proposta que saiu das discussões na Câmara dos Deputados.

* Publicado originalmente no site  Brasil de Fato.

Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal (EcoD)

29/5/2012 – 10h34

por Redação EcoD

51 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Os ministros anunciaram vetos em 12 itens e 32 modificações no texto do Código Florestal, feitos pela presidenta Dilma Rousseff, na última semana. Foto: José Cruz/ABr

Impedir a anistia a quem desmatou e proibir a produção agropecuária em áreas de proteção permanente (APPs) foram alguns dos principais objetivos da presidenta Dilma Rousseff ao vetar parte do novo Código Florestal na sexta-feira, 25 de maio. Os vetos de 12 artigos resgatam o teor do acordo firmado entre os líderes partidários e o governo durante a tramitação da proposta no Senado.

Artigo 1º, que foi modificado pelos deputados após aprovação da proposta no Senado, foi vetado. Na medida provisória (MP) publicada hoje (28) no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto devolve ao texto do Código Florestal os princípios que haviam sido incorporados no Senado e suprimidos, posteriormente, na segunda votação na Câmara. A MP foi o instrumento usado pelo governo para evitar lacunas no texto final.

Também foi vetado o Inciso 11 do Artigo 3º da lei, que trata das atividades eventuais ou de baixo impacto. O veto retirou do texto o chamado pousio: prática de interrupção temporária de atividade agrícolas, pecuárias ou silviculturais, para permitir a recuperação do solo.

61 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Artigo 61 previa a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008 – o governo vetou. Foto: leoffreitas

Recebeu veto ainda o Parágrafo 3º do Artigo 4º que não considerava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. O dispositivo vetado ainda estendia essa regra aos salgados e apicuns – áreas destinadas à criação de mariscos e camarões.

Foram vetados também os parágrafos 7º e 8º. O primeiro estabelecia que, nas áreas urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas das faixas de passagem de inundação (áreas que alagam na ápoca de cheia) teriam sua largura determinada pelos respectivos planos diretores e pela Lei de Uso do Solo, ouvidos os conselhos estaduais e municipais do Meio Ambiente. Já o Parágrafo 8º previa que, no caso de áreas urbanas e regiões metropolitanas, seria observado o dispositivo nos respectivos planos diretores e leis municipais de uso do solo.

O Parágrafo 3º do Artigo 5º também foi vetado. O dispositivo previa que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial poderia indicar áreas para implantação de parques aquícolas e polos turísticos e de lazer em torno do reservatório, de acordo com o que fosse definido nos termos do licenciamento ambiental, respeitadas as exigências previstas na lei.

73 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

APP em Minas Gerais. Parágrafo 3º do Artigo 4º desconsiderava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. Foto: Paula FJ

Já no Artigo 26, que trata da supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo tanto de domínio público quanto privado, foram vetados o 1º e 2º parágrafos. Os dispositivos detalhavam os órgãos competentes para autorizar a supressão e incluía, entre eles, os municipais do Meio Ambiente.

A presidenta Dilma Rousseff também vetou integralmente o Artigo 43. Pelo dispositivo, as empresasconcessionárias de serviços de abastecimento de água e geração de energia elétrica, públicas ou privadas, deveriam investir na recuperação e na manutenção de vegetação nativa em áreas de proteção permanente existente na bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração.

Um dos pontos que mais provocaram polêmica durante a tramitação do código no Congresso, o Artigo 61, foi vetado. O trecho autorizava, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.

Também foram vetados integramente os artigos 76 e 77. O primeiro estabelecia prazo de três anos para que o Poder Executivo enviasse ao Congresso projeto de lei com a finalidade de estabelecer as especificidades da conservação, da proteção, da regeneração e da utilização dos biomas da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal e do Pampa. Já o Artigo 77 previa que na instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente seria exigida do empreendedor, público ou privado, a proposta de diretrizes de ocupação do imóvel.

A MP que complementa o projeto, publicada nesta segunda-feira (28), vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias – ela ainda será votada pelo Congresso.

* Publicado originalmente no site da EcoD.

Festival interativo leva visitantes a experimentar situações de desastre ambiental (Agência Brasil)

01/6/2012 – 10h42

por Thais Leitão, da Agência Brasil

Chamada53 Festival interativo leva visitantes a experimentar situações de desastre ambientalRio de Janeiro – Uma floresta que entra em chamas colocando em risco a vida de animais e da vegetação existente; uma geleira intacta que de repente começa a derreter ou uma casa que sofre inundação. Todas essas situações, provocadas pelo desequilíbrio ambiental, podem ser experimentadas pelo público durante o Green Nation Fest, festival interativo e sensorial que começou hoje (31) na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro, e vai até 7 de junho.

De acordo com o diretor da organização não governamental (ONG) Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (Cima), que organiza do evento, Marcos Didonet, o objetivo é levar experiências práticas aos visitantes e estimular o público a agir de forma mais sustentável. A Cima desenvolve há mais de 20 anos ações em parceria com instituições privadas, governamentais e multilaterais.

“O objetivo é alcançar o grande público que não está acostumado a vivenciar a questão ambiental, trazendo o assunto de forma mais interessante, agradável e prática. Para isso, nossos artistas e cientistas bolaram essas instalações capazes de promover sensações que serão ainda mais frequentes se não mudarmos nossos padrões de consumo e comportamentos cotidianos”, afirmou.

No local, também há tendas onde ocorrem oficinas lúdicas e educativas. Em uma delas, montada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), um grupo de 30 alunos da rede municipal do Rio aprendeu, hoje, a produzir carteiras usando caixas de leite e recortes de tecido.

Para a estudante Ana Beatriz Leão, 14 anos, a ideia é criativa e pode servir para presentear amigos. “É legal porque a gente geralmente joga no lixo e agora sabe que dá para fazer outras coisas com a caixa. A que eu fiz, vou dar para uma amiga que tenho certeza que vai gostar”, contou a adolescente.

Na mesma tenda, os visitantes podem conferir outros produtos feitos com material reutilizado, como uma pequena bateria produzida com latinhas de refrigerante, livros infantis com retalhos de tecidos e bonecos com caixa de sapato.

Entre os meninos, uma das atividades preferidas é o Gol de Bicicleta na qual os participantes pedalam e geram energia para seu time. A cada watt gerado, um gol é marcado para o time de preferência. Além disso, uma bateria é abastecida e leva energia para ser utilizada em outra instalação do festival.

Os amigos Gustavo Fonseca e Roberto Damião, ambos de 11 anos, também alunos da rede municipal do Rio, disseram que a experiência é “muito intensa”.

“Foi muito legal porque a gente aprendeu outra maneira de gerar energia e ainda fez gol pro Mengão”, disse Roberto, que torce pelo Flamengo.

O evento, com entrada gratuita, também oferece uma a Mostra Internacional de Cinema, com 12 longas-metragens, e seminários com convidados brasileiros e internacionais sobre economia verde e criativa, que serão abertos para debates. A programação completa pode ser conferida no site www.greennationfest.com.br.

* Publicado originalmente no site da Agência Brasil.

 

Divisão Norte-Sul paira sobre a Rio+20 (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h05

por Thalif Deen, da IPS

Slide2 Divisão Norte Sul paira sobre a Rio+20

Branislav Gosovic. Foto: Cortesia Branislav Gosovic

Nova York, Estados Unidos, 1/6/2012 – A Cúpula da Terra de 1992 no Rio de Janeiro se viu em grande parte desbaratada pela divisão Norte-Sul: uma batalha entre uma coalizão de nações industrializadas ricas e o Grupo dos 77 (G-77), atualmente integrado por 134 países em desenvolvimento.

De certa forma, as atuais divisões são mais profundas do que por ocasião da Conferência sobre Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972, a primeira cúpula ambiental, e do que a Cúpula da Terra, duas décadas depois, disse Branislav Gosovic, ex-integrante da Comissão Brundtland sobre Meio Ambiente e que integrou a delegação do Centro Sul na conferência de 1992.

“A divisão afetará o processo e o resultado da Rio+20”, afirmou Gosovic, referindo-se à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho. Branislav Gosovic é autor de The Quest for World Environmental Cooperation: The Case of the U.N. Global Environment Monitoring System (A busca da cooperação mundial para o meio ambiente: o caso do Sistema Mundial de Monitoramento Ambiental das Nações Unidas).

IPS: Como participante da Cúpula da Terra de 1992, tem alguma confiança ou está cético com relação ao resultado da Rio+20?

Branislav Gosovic: Não sou otimista quanto a êxitos ou grandes avanços. A reunião acontecerá em um momento difícil para a economia global e nacional e após 20 anos de predomínio de uma globalização neoliberal. No primeiro caso, os chefes de Estado estarão preocupados com a resposta à atual crise que não sabem como manejar nem superar. E o segundo prejudicou a agenda sobre desenvolvimento sustentável e paralisou, ou fez retroceder, alguma das políticas e dos avanços conceituais realizados no período anterior com vistas à (e na) cúpula do Rio de Janeiro.

IPS: Qual sua opinião sobre o documento da Rio+20 que é negociado?

BG: Mantém muitas ideias e muitos objetivos vivos. Entretanto, semanas antes do encontro, parágrafos entre parênteses (o que indica desacordos) e palavras ambíguas sobre questões muito importantes mostram a falta de consenso e que a comunidade internacional caminha para um período de seca. Porém, me atrevo a ser otimista quanto ao longo prazo e após um período de globalização neoliberal, dada a maturação de muitos temas e a preocupação e o agravamento dos problemas globais identificados em Estocolmo há 40 anos, que a Rio+20 possa marcar o começo de 20 anos mais promissores para a cooperação internacional rumo a “Estocolmo+60, isto é, Rio+40.

IPS: Qual a melhor forma de conseguir isso?

BG: É preciso muito trabalho, compromisso e liderança de alguns países que estão em posição de oferecê-lo e participação das forças sociais em um movimento global genuíno. E o mais importante, acarretará grandes mudanças estruturais e paradigmas sobre como a sociedade se organiza, em escala nacional e global, uma chave que abrirá a porta para cumprir muitos dos atuais objetivos esquivos ou inalcançáveis. Não há motivo de surpresa no fato de tais mudanças sofrerem resistência e serem combatidas com unhas e dentes e por todos os meios disponíveis pelos que se opõem a elas.

IPS: Acredita em uma repetição da divisão Norte-Sul de 1991 nas atuais negociações do plano de ação da Rio+20, intitulado O futuro que queremos?

BG: A divisão Norte-Sul existe há mais de 60 anos, desde os primeiros dias da Organização das Nações Unidas. Afetou e determinou o resultado de Conferência de Estocolmo e a forma como foi conceituada a agenda ambiental, como um plano de desenvolvimento sustentável. Esteve presente no informe e na primeira reunião da Comissão Brundtland, isto é, a Comissão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, e depois na Rio 92 e em Johannesburgo 2002. E tal como mostra o atual rascunho do documento final, terá um papel central na Rio+20. Pode-se argumentar que as questões ambientais usufruíram a agenda internacional para o desenvolvimento e vice-versa. Os problemas ambientais globais não podem ser atendidos nem resolvidos sem a participação do Sul e dos países em desenvolvimento, e sendo sócios iguais na empresa. Não se pode fazer desaparecerem as cúpulas gêmeas sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e a Chamada Cúpula da Terra, como fazem alguns países industrializados tentando encontrar divisões e diferenças no Sul. Continuarão fazendo isso até que o Norte mude sua política e assuma sua posição de solidariedade e tenha uma adesão genuína aos princípios do Rio, de “responsabilidades comuns e diferenciadas”. Por outro lado, observa-se os esforços para transformar a agenda ambiental em uma grande oportunidade empresarial e de criação de emprego, para projetar uma imagem de determinados países em desenvolvimento importantes como principal ameaça para o meio ambiente global. Também para enfrentar nas negociações sobre mudança climática pequenos grupos de Estados em desenvolvimento vulneráveis, em um esforço de nunca acabar tendente a dividir o Grupo dos 77. Definitivamente, o conflito Norte-Sul está vivo e se movendo, dirá presente na Rio+20 e se manterá no futuro imediato.

IPS: Como se compara a Agenda 21 e o documento da Rio+20 com o histórico informe da Comissão Brundtland de 1987? Houve avanços substanciais desde então e desde a Conferência de Estocolmo?

BG: O documento da Rio+20 é resultado de um processo de negociações. Nesse sentido, não se pode comparar com o Informe Brundtland nem com o da Cúpula da Terra, ambos elaborados por equipes dedicadas a essa tarefa durante um longo tempo. Por outro lado, a maioria dos temas presentes no Informe Brundtland e na Agenda 21 podem ser encontrados no documento da Rio+20, embora redigidos de tal forma que revela a falta de consenso e de compromisso para agir. Houve avanços em numerosas áreas, mas, nas questões cruciais e nos conflitos subjacentes, quase não existiu movimento. Isso continuará sendo de interesse e desempenhará um papel importante na Rio+20. Um desses conflitos tem a ver com as divisões Norte-Sul, a agenda internacional para o desenvolvimento, e a questão relacionada da ordem global e política existente, que está sendo questionada. O outro conflito, menos visível, tem a ver com a natureza da ordem socioeconômica dominante, ou o paradigma, que é questionado por não ser sustentável do ponto de vista social nem ambiental. Este conflito estará presente no Norte e no Sul. Houve poucos progressos na prática sobre questões fundamentais desse tipo. Envolverde/IPS

(IPS)

Rio+20 é a conferência de todos (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h00

por Sha Zukang*

Slide1 Rio+20 é a conferência de todosNações Unidas, 1/6/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, é uma oportunidade única em uma geração. Mais de 135 chefes de Estado e de governo, e mais de 50 mil participantes no total, incluindo executivos de empresas e representantes da sociedade civil, estarão presentes. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, definiu o encontro como “uma das mais importantes conferências da história” da ONU.

Não nos equivoquemos, o mundo está observando. Com a interdependência sem precedentes que vivemos hoje, o desenvolvimento sustentável é a única via para enfrentar os desafios econômicos, sociais e ambientais que afetam milhões de pessoas e ameaçam nosso planeta compartilhado.

Os progressos no desenvolvimento sustentável se traduzem em alimentos na mesa de milhões de pessoas que hoje sofrem fome, bem como em oportunidades de trabalho decente, em acesso a água potável e na capacidade de respirar ar puro e caminhar por uma mata cheia de vida. Além disso, o desenvolvimento sustentável assegura que cada mulher tenha iguais oportunidades e que cada menino e menina tenha a possibilidade de ir à escola, de ter acesso a saneamento básico, crescer em um ambiente socialmente inclusivo e aspirar um futuro promissor.

Talvez, muitos de nós sejamos suficientemente afortunados para darmos como assentadas estas bases do desenvolvimento sustentável. Contudo, devemos fazê-lo?

Nosso sobrecarregado planeta enfrenta um grande número de desafios: as repercussões da recessão econômica global, a insegurança energética, a escassez de água, os altos preços dos alimentos, as vulnerabilidades diante da mudança climática e a frequência e severidade dos desastres naturais, entre outros.

A natureza destes desafios nos recorda uma verdade importante: somos um, e estamos interligados de infinitas maneiras. Estes desafios não afetam apenas um país ou uma região. São de natureza global e têm impacto sobre todos. No mundo de hoje, o que acontece em uma parte do planeta pode facilmente repercutir em outra. Não podemos continuar com a mesma atitude, vivendo do tempo emprestado, e consumindo recursos como se existissem cinco planetas.

A Rio+20 não é “apenas outra conferência da ONU”. Por que o fórum mundial a está convocando? Não se trata de adotar normas e regulações à custa da qualidade de vida, mas de estimular e facilitar mais sábias opções para indivíduos, comunidades locais, negócios e governos.

Combinadas, nossas opções determinam a saúde de nossas economias, de nosso planeta e de nossa sociedade. O Rio de Janeiro é uma importante oportunidade para assegurar que os líderes globais respeitem seus compromissos para um mundo sustentável, tanto econômica quanto social e ambientalmente, e para que escolham políticas a favor do povo e do planeta.

Uma ideia que ganha cada vez mais apoio são as Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS), que complementariam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As MDS, aplicáveis e mensuráveis, dariam uma concreta expressão ao renovado compromisso político pelo desenvolvimento sustentável. No Rio de Janeiro espero ver ações para avançar em direção a uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Na verdade, vários temas reclamam ação urgente: empregos decentes, especialmente para os quase 80 milhões de jovens que entram anualmente no mercado de trabalho; sistemas de proteção social; inclusão social; acesso a energia; eficiência e sustentabilidade. Além disso, segurança alimentar e agricultura sustentável, gestão racional da água, cidades sustentáveis, proteção e administração de oceanos e melhor resistência e preparação diante de desastres naturais.

Os governos também terão que decidir com qual marco institucional se pode avançar melhor na agenda do desenvolvimento sustentável e proporcionar um espaço para que a sociedade civil e o setor privado desempenhem seu papel. Na verdade, todos os setores da sociedade podem desenvolver tecnologias que ajudem a transformar o mundo para melhor, criar empregos verdes e influenciar positivamente a sociedade por meio da responsabilidade social das corporações.

A sociedade civil pode responsabilizar os governos e assegurar que as vozes dos mais vulneráveis estejam representadas. Os cientistas podem desenvolver soluções inovadoras para os desafios da sustentabilidade, e cada um de nós também tem uma parte nas decisões que tomamos a cada dia.

A Rio+20 é a conferência de todos, assim como o planeta também é de todos. Suas metas, suas aspirações e seu resultado pertencerão a todos. Por fim, não esqueçamos que a Rio+20 também é uma conferência para as futuras gerações. Um famoso provérbio indígena norte-americano diz: “Não herdamos a Terra de nossos ancestrais, mas a tomamos emprestada de nossos filhos”.

Juntos, participando de um pensamento criativo, de iniciativas para avançar e de compromisso voluntários, podemos conseguir consenso e procurar um mundo que faça nossos descendentes se orgulharem. Trabalharemos unidos para criar o futuro que queremos. Envolverde/IPS

* Sha Zukang é secretário-geral adjunto da ONU, diretor do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Rio+20.

Rio+20 será um fracasso, avalia Eduardo Viola, especialista em clima e professor da UnB (Agência Câmara de Notícias)

01/06/2012

Eco Debate

A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas para debater a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e o papel da governança para o desenvolvimento sustentável.

O professor avaliou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não terá grandes avanços porque as duas das maiores superpotências – Estados Unidos e China – não estão interessadas em negociações ambientais. “Neste momento, temos três superpotências no sistema internacional: Estados Unidos, União Europeia e China. Dessas três só a União Europeia, mesmo que limitadamente, se orienta para uma economia mais verde. Estados Unidos e China são conservadores e não querem ceder soberania nacional”, explicou.

Na opinião de Eduardo Viola, a Rio+20 vem em um “momento errado da História” e não deve passar de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”. Para ele, a Rio+20 só teria condições de sucesso se houvesse profundas mudanças políticas nas três superpotências.

Conselho de Desenvolvimento Sustentável
O professor citou outras transformações necessárias no caminho da sustentabilidade. Entre elas, a criação de uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Viola, entretanto, não acredita que essas mudanças acontecerão em um futuro próximo.

O diretor interino do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Paulino Franco de Carvalho Neto, defendeu a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). “O conselho teria mais poderes e um status mais elevado do que a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que tem um caráter mais de discussão, com pouco alcance de resultados concretos que interferem nas políticas públicas”, observou.

Carvalho Neto disse que o governo brasileiro defende o reforço do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), estabelecendo, por exemplo, que as contribuições dos países para o programa sejam obrigatórias e não voluntárias. O diretor ressaltou ainda que “as questões ambientais não devem ser vistas isoladamente, devem englobar também as questões sociais e econômicas”.

Aspecto social
Já o professor da USP Eliezer Martins Diniz disse que o conceito de economia verde não tem grandes diferenças em relação ao de desenvolvimento econômico sustentável.

O Pnuma, lembrou, define economia verde como “a que resulta em um maior bem-estar humano e igualdade social enquanto reduz significativamente o risco ambiental e a escassez ecológica”.

Diniz, que é economista e especialista em desenvolvimento sustentável, considera o conceito redundante. “A definição de desenvolvimento sustentável já trata desses temas”. Ele explicou que a única diferença em relação aos dois conceitos é que o de desenvolvimento sustentável dá mais ênfase ao aspecto econômico e ambiental enquanto o conceito de economia verde engloba também o aspecto social.

O economista alertou ainda para a grande ênfase ao aspecto social, na frente das prioridades ambientais. “Pode ser uma ‘armadilha perigosa’, pois países em desenvolvimento podem argumentar que não cumpriram metas ambientais estabelecidas porque priorizaram a erradicação da pobreza.”

Na opinião do professor, se os países em desenvolvimento simplesmente disserem que têm como prioridade a erradicação da pobreza e que, por isso, não cumpriram nenhuma meta, não poderão ser cobrados. “É preciso haver cobrança de resultados ambientais muito claros.”

Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Economia verde, o nome não faz a essência (Inter Press Service)

Inter Press Service – Reportagens
31/5/2012 – 09h27

por Giuliano Battiston, da IPS

IPS1c Economia verde, o nome não faz a essênciaFlorença, Itália, 31/5/2012 – A atual crise econômico-financeira que afeta o Norte industrial apresenta uma oportunidade para reformar o sistema econômico, segundo participantes da nona edição do evento Terra Futura, sobre “boas práticas” em sustentabilidade social, econômica e ambiental. “O que, quanto, como e para quem produzir são as perguntas que temos de responder com urgência”, afirmou Guido Viale, economista ambiental e autor de vários livros de ecologia.

“A crise oferece a oportunidade de reconverter ecologicamente a forma como produzimos, usamos os produtos e serviços para preparar o caminho com vistas à redução de nossa dependência dos combustíveis fósseis para respeitar a biodiversidade e criar um sistema econômico seguro e com poucas emissões de carbono”, afirmou Viale durante a mostra, realizada entre 25 e 27 de maio nesta cidade. O primeiro passo para uma economia saudável e um ambiente limpo é “encontrar formas rentáveis de melhorar nossa infraestrutura e ‘descarbonizar’ nosso fornecimento energético”, disse Monica Frassoni, presidente da Aliança Europeia para Economizar Energia.

Esta organização foi criada por ocasião da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro de 2010, e inclui algumas das principais companhias multinacionais da Europa, além de um grupo de políticos de diversos partidos. “Sem compromissos obrigatórios com a eficiência energética até 2020 e sem objetivos de economia verificáveis para os membros da União Europeia (UE), o bloco corre o risco de alimentar sua dependência dos combustíveis fósseis”, destacou Frassoni.

Tão importante quanto ter um marco institucional e objetivos de economia setoriais nas principais áreas da economia europeia é conseguir uma mudança radical no estilo de vida. “As mudanças que vão durar são as que criarem raízes em uma mentalidade renovada”, explicou Karl-Ludwig Schibel, coordenador do braço italiano do Pacto dos Prefeitos. O movimento europeu pretende cumprir e superar o objetivo da UE de reduzir em 20% as emissões de dióxido de carbono (CO²) até 2020. O Pacto dos Prefeitos foi lançado pela Comissão Europeia em 2008, após a adoção do Pacote sobre Clima e Energia. “Realmente, acreditamos na efetividade de um processo de baixo para cima, promovido por cidadãos, autoridades regionais e administradores locais. É ali que ocorrem as revoluções mentais mais profundas”, detalhou Schibel.

Segundo a ambientalista Vandana Shiva, a consciência cultural de nossa escravidão intrínseca e frágil da “terra viva” é a ferramenta mais importante para promover a justiça, a sustentabilidade e uma nova economia. “É hora de abandonar o modelo centralizado, fossilizado e esclerosado, adotado na era industrial, e se construir um novo, descentralizado, democrático, horizontal e no qual todos os ecossistemas sejam respeitados e a diversidade seja um valor”, enfatizou.

“Devemos lutar contra as monoculturas mentais promovidas pela industrialização, e sermos cuidadosos com as velhas armadilhas escondidas em novas palavras, como economia verde”, acrescentou Vandana. Susan George, presidente do diretório do Transnational Institute, uma rede mundial de pesquisadores e ativistas, disse à IPS: “Não me agrada utilizar o termo economia verde, pois pode se converter em um meio pelo qual o capitalismo corporativo global consiga benefícios com um novo rosto mais respeitável”.

Vinte anos depois da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a comunidade internacional se reunirá novamente nessa cidade, de 20 a 22 de junho, para outra Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, onde se discutirá sobre economia verde, cujo adjetivo verde continua sendo motivo de controvérsia.

“Há alguns anos proponho o Novo Tratado Verde, isto é, assumir o controle das finanças e os investimentos na transição verde e social. O primeiro passo é socializar, não nacionalizar, os bancos, para incluir cidadãos e clientes na gestão, e conceder empréstimos para pequenas iniciativas ambientais”, contou Susan. A chamada economia verde é algo totalmente diferente. “Sou pessimista sobre a Rio+20”, declarou. “Será apenas uma desculpa para que as grandes corporações digam: ‘a ONU é lenta e ineficaz, nós somos efetivos e inteligentes, nos deem o dinheiro e investiremos em economia verde’. Porém, apenas buscam novos benefícios. Devemos perguntar: uma economia verde para quem e gerida por quem?”.

Barbara Unmüßig, presidente da Heinrich Boll Stiftung, escreveu em um artigo intitulado “Economia verde: uma nova bala mágica”, que “grandes setores da sociedade civil acreditam que a economia verde seja uma área extremamente benéfica”. Para marcar a diferença, o modelo de economia verde também dever prestar atenção a questões de poder e igualdade, e ao mesmo tempo afastar a ênfase política global do crescimento e livre comércio. Envolverde/IPS

(IPS)

‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki-moon sobre negociações da Rio+20 (EcoAgência)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h07

por Redação UNIC Brazil

Capa11 ‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki moon sobre negociações da Rio+20Rodada de negociações dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou hoje (29) a importância deste momento para o sucesso dos objetivos da Rio+20. Seu discurso foi feito durante o início da terceira e última rodada de negociações informais entre os representantes de governos e os ‘Major Groups’ para definir o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O encontro de líderes globais está ocorrendo em Nova York de terça-feira (29/5) a sábado (2/6). “O tempo está acabando”, disse Ban Ki-moon aos participantes da rodada informal. “Vocês ainda têm muito trabalho a fazer – talvez trabalho demais – mas vocês devem perseverar. Os riscos são muito, muito altos, para o povo e para o planeta, para a paz e a prosperidade.”

Esta rodada de negociações, que foi acrescentada no início do mês, dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro. O evento reunirá mais de 130 Chefes de Estado e de Governo, juntamente com milhares de parlamentares, prefeitos, funcionários da ONU, diretores executivos e líderes da sociedade civil.
As negociações serão baseadas em um texto que foi encurtado e simplificado pelos copresidentes do processo de deliberação, o Embaixador John Ashe de Antígua e Barbuda e o Embaixador Kim Sook da República da Coreia.

“Quando nos encontrarmos no Rio, os Chefes de Estado e de Governo devem ter diante de si um documento final conciso que atenda às suas expectativas”, disse Ban. Ele encorajou os delegados a serem ousados e trabalharem de forma construtiva com o documento simplificado ao longo dos próximos dias.

A questão-chave nas negociações tem sido o desenvolvimento dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – um conjunto de parâmetros de referência que orientem os países na obtenção de resultados específicos dentro de um período de tempo específico, como no acesso universal a energia sustentável e água limpa para todos, tendo como base os já conhecidos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), após o prazo final de 2015.

“Um processo que defina os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode ser um dos resultados mais importantes da Rio+20”, disse Ban. “Eles podem fornecer marcos concretos no caminho de realização da nossa visão, e podem ajudar a garantir a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: social, econômica e ambiental.” Após a última rodada de negociações informais do documento final, as conversas serão retomadas durante a Terceira Reunião do Comitê Preparatório, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 13 e 15 de junho.

Confira o discurso de Ban Ki-moon na íntegra: http://www.un.org/sg/statements/index.asp?nid=6087

Acesse o vídeo da participação do Secretário-Geral: http://bit.ly/MWAWVy

 * Publicado originalmente no site da EcoAgência.

Latin America and the Caribbean: Inclusive Green Growth Can Help Sustain Recent Economic and Social Gains (World Bank)

 

Press Release No:2012/492/LAC
  • Ahead of Rio+20, World Bank report underlines region’s innovative successes and urges to transform them into widespread practices.
  • Latin America’s vast natural resources at risk if inclusive green growth policies are not sustained.
  • Challenges include: 80% of region’s population live in cities; LAC has fastest motorization rate.

WASHINGTON, May 31, 2012 – Latin America and the Caribbean’s natural resources, vastly credited with current growth, could be significantly depleted in less than a generation (15 to 20 years) if the region does not fully embrace inclusive green policies that can guarantee sustainable growth, says a new World Bank report released at the Woodrow Wilson Center today, ahead of the Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development.

In many respects, Latin America and the Caribbean (LAC) could turn out to be a victim of its own economic success. The region’s bonanza of recent years (an average of 4 percent growth and more than 70 million people lifted from poverty) has led to explosive urbanization, which makes a green future more difficult. For instance, the region has the most people living in urban areas in the developing world–over 80 percent of its population–and holds the world’s fastest growing motorization rates at 4.5 percent per year, the study argues.

Examples of how LAC is embracing the inclusive green growth agenda

A Compact and Efficient Urban Footprint:  Densification subsidies to attract people to the city center and revitalize stagnant urban economies are now being utilized in many cities  such as Mexico City, Lima, and Rio de Janeiro.

Expansion of Basic Urban Services:  Between 2001 and 2008, an additional 63 million people in LAC were covered by solid waste services, increasing the coverage rate for collection from 81 to 93 percent.

Bus Rapid Transit Systems:  As the region undergoes rapid growth in automobile ownership it has also led the developing world in the implementation of alternative mass transit systems, in key cities such as  Bogota, Lima, and Mexico City.

Expansion of Low Carbon Electricity Generation:  Electricity generation more than doubled between 1990 and 2009, growing at over 4 percent per year.  The share of natural gas in the region increased from 10 percent in 1990 to 21 percent in 2009.  With oil and diesel declining in importance, power generation growth in LAC has thus had a lower carbon footprint than in other regions.

Extending successes with sustainable agriculture:  The most important pillar of a strategy to reduce the environmental footprint of the region’s agriculture has been the preservation of existing forest cover and the encouragement of reforestation with native species where feasible. Latin America has led the way in using direct payments for forest conservation, with national programs in place in several countries and Brazilian states.

 

But the region has also served as a global laboratory for some of the most innovative green practices, the report underlines.   It boasts, for example, the lowest carbon energy matrix of the developing world (6 percent of global GHG emissions in the power sector), and multiple cutting edge instruments such as the first catastrophic risk insurance facility to enhance resilience against natural disasters. It has also adopted payment schemes for preserving the environment, which have, for instance, helped turn Costa Rica into a global environmental icon and a paradise for eco-tourism, after being the worst deforester in the region back in the mid 1990s.

“LAC countries are confronted today with decisions that will define their future for years to come,” said Ede Ijjász-Vásquez, World Bank’s Sustainable Development Director for Latin America and the Caribbean“The region has the opportunity to choose a path that can lead to robust growth without locking it into unsustainable patterns that in the long run can prove to be more expensive, less efficient, and less resilient.”

Some of these choices will define the future of the region for decades to come in key areas such as infrastructure, energy and urban services, which are drivers of economic growth and define the quality of life for most of the people in the region who live in cities. For example, demand for electricity in LAC will almost double in the next two decades. While the region currently has the cleanest energy mix in the world, the electricity sector’s carbon intensity has been rising due to the increasing share of fossil fuels (including natural gas), a trend that is expected to continue. To address this, the region will have to rely more on other cleaner sources of energy—such as hydro and wind.

The sustainability of the region’s growth will also depend on its commitment to use    its unique natural assets in a sustainable way. The very advantages that the region’s natural endowment provides – rich water resources, fertile land, and unparalleled biodiversity—are under threat from the spread of inefficient land use and deforestation.  

The report also points out that the region has a real chance to become a leader in adopting a more efficient and climate-smart agricultural practices that do not come at a cost to the environment and are better prepared for new climate patterns. It will also mean moving towards more efficient and greener forms of transportation of goods, such as railways and waterways, which are currently greatly underused, as well as increasing the number of rural communities that are connected.

Ijjász-Vásquez also pointed out that green growth is not inherently inclusive. “For green policies and investments to endure over time, it will be essential that they benefit all of the region’s people, with a focus on the poor,” he added.

There is no single blue print for inclusive green growth in LAC.  However, many of the answers to the challenge of how to grow in sustainable and inclusive ways lie within the region’s own experiences.  Policies and targeted investments can boost economic growth as well as help realize the aspirations of the growing middle class for a better quality of life, create opportunities for the poorest and most vulnerable segments of society, and protect LAC’s environmental assets.

This Forest Is Our Forest (N.Y.Times)

OP-ED CONTRIBUTOR

By LUIS UBIÑAS – Published: May 31, 2012

Twenty years ago, the world came together in Rio de Janeiro for a historic summit meeting to tackle the environmental issues that threaten the very sustainability and preservation of our planet. Now, as world leaders and thousands of other participants prepare for the Rio+20 Conference, we are facing an even more urgent set of environmental challenges.

Samrang Pring/Reuters. Koh Kong province, in southwestern Cambodia.

The pace of global climate change has worsened, representing a fundamental threat to the planet’s health and environmental well-being. And there is little indication the world’s leaders are ready to meet the challenges of building an environmentally sustainable future.

But there is some good news to report — and it’s coming from the world’s forests, a critical front line in the effort to slow climate change and conserve biodiversity. In a largely unreported global movement, some 30 of the world’s most forested countries have adopted an innovative idea for protecting forests: granting ownership rights to communities that reside in them.

Almost 90 percent of the laws granting such rights have been passed since the first Earth Summit in 1992, demonstrating that a global consensus can produce real change. A new report from the Rights and Resources Initiative — a global coalition of organizations working for forest-use reforms — presents a growing body of evidence that in places where local communities have taken ownership of forests, the results have been overwhelmingly positive. Protected areas, owned by indigenous communities in Asia and Latin America, have lower rates of deforestation, forest fires and, above all, carbon emissions.

Since forests also provide for the livelihoods of tens, even hundreds, of millions of people, clarifying and recognizing ownership rights is helping to spur economic growth and raise living standards.

In Brazil, which is hosting the Rio+20 summit — formally the United Nations Conference on Sustainable Development — deforestation rates have significantly declined, even as incomes in indigenous forest communities have increased. Brazil has moved toward this goal by giving communities the legal protections to keep out ranchers, loggers and others seeking to destroy their forests.

Yet the progress we’ve seen across the globe has been uneven, and the potential to build on it stands at risk. As chronicled in the R.R.I. report, most of the new laws that recognize customary rights circumscribe those rights and are applied at limited scale.

In Africa, nearly eight out of 10 laws that recognize the rights of indigenous peoples and communities do not allow them to exclude outsiders — a critical element of land ownership. Even where legal rights exist, complicated bureaucratic procedures often make it difficult to realize them. In Mozambique, for example, to qualify for “community concessions” local communities must provide six copies of a topographical map identifying all the detailed geographical features of the land. Not surprisingly, in 2009 — a decade after the act was passed — no concessions had been granted.

Worse still, some of the countries with rights on the books now find themselves at the center of a growing and troubling land grab by commercial investors focused on clearing forests for agriculture, with little concern for the local communities that call them home.

Recent efforts by wealthy ranchers to weaken land rights in Brazil illustrate this growing threat. In the face of rising food, mineral and energy prices, this fierce competition for land will only increase, making the need for strongly established community rights more important than ever before.

For all of these reasons, Rio+20 must build on the success of its predecessor and serve as a new impetus to expand and strengthen community rights to the world’s forests.

This means ensuring that billions of hectares of forest are turned over to local communities; it means engaging with the private sector to help clarify groups’ rights to land and forest; and it means creating new public/private partnerships, such as those that have been used to combat other global issues like H.I.V.-AIDS and malaria, to build public support for ownership rights. Above all, it means ensuring that the rights already recognized by governments are fully realized in local communities.

Taking action on these fronts will set us on a powerful course for a more sustainable and equitable future — just as it did 20 years ago. Actions that simultaneously strengthen human rights and achieve sustainable development are an unusual win-win. The fact that they also help stop deforestation and climate change makes them an even more attractive and urgent option.

At a time when the struggle against global warming seems more daunting than ever, our two decade-long experience with community forestry shows that we have within our means the ability to turn the tide.

Luis Ubiñas is president of the Ford Foundation.

No campo acadêmico, o futebol é titular (Faperj)

Elena Mandarim

Livro mostra as mudanças por que vêm passando as paixões dos torcedores brasileirosDivulgação / ufv.br

Desde que chegou ao país, o futebol passou por um processo de incorporação cultural até se constituir na chamada “paixão nacional”. Durante o Campeonato Brasileiro de Futebol, que é o principal torneio nacional entre clubes, organizado oficialmente desde 1971 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), milhares de torcedores espalhados comemoram as vitórias e choram as derrotas de seus times. Basta observar a popularidade do Brasileirão, como é conhecido e que este ano começou no dia 19 de maio, para perceber que, atualmente, torcer pelos times locais se tornou mais importante do que torcer pela própria seleção. Esta é uma das reflexões trazidas no livro Futebol, Jornalismo e Ciências Sociais: interações, organizado por Ronaldo Helal, Hugo Lovisolo e Antonio Jorge Golçalves Soares, todos professores da Faculdade de Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e publicado com recursos do programa de Apoio à Editoração (APQ 3), da FAPERJ. Para aqueles que quiserem entender melhor como essa “paixão nacional” interage com questões significativas para a sociedade, o livro conta ainda como se deu o processo de construção da narrativa do “futebol arte”, o estilo único do brasileiro jogar. Outras análises também são abordadas, como a mudança do olhar da imprensa esportiva da Argentina em relação ao Brasil e a maneira de se criar alguns simbolismos e heróis do futebol brasileiro.

O termo “País do futebol” foi uma construção social realizada, a partir dos anos 1930, dentro do projeto nacionalista do Estado Novo – época em que o Brasil buscava consolidar sua identidade nacional. Contudo, Helal explica que, com o processo de globalização e comercialização do futebol, o jogador se internacionaliza e não só veste a camisa de seu país como também pode representar outras nações. “O Kaká, por exemplo, é ídolo não apenas dos brasileiros, mas também de italianos e espanhóis. Por isso, observamos que, atualmente, os torcedores brasileiros se envolvem mais com seus times locais, nos quais encontram seus heróis nacionais, aqueles que vestem a camisa do clube”, acredita o sociólogo.

É evidente que a Copa do Mundo ainda tem uma estrutura que estimula os nacionalismos. Não é por acaso que, de quatro em quatro anos, o significado “Brasil: País do futebol” ganha uma dimensão mais intensa. Mas uma análise jornalística, mostrada no livro, evidencia que o próprio noticiário já não trata o futebol como sinônimo de nação. “Observa-se, por exemplo, que, a derrota na final para o Uruguai, em 1950, e a conquista do tricampeonato, em 1970, foram sentidas como derrota e vitória, respectivamente, de projetos da nação brasileira. Já as vitórias em 1994 e 2002 e a derrota na final para a França, em 1998, foram comemoradas e sofridas como vitórias e derrotas da seleção, não transcenderam o terreno esportivo”, exemplifica Helal.

Do atraso para a peculiaridade

Outro artigo do livro explica como a miscigenação do brasileiro, antes considerada como motivo do atraso do país, passou a ser o ingrediente básico para formação de grandes jogadores de futebol. “Tudo começou com a obra clássica do sociólogo Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, que pela primeira vez mostra o valor positivo da mistura de raças, que traz peculiaridades e força à população brasileira”, conta Helal.

Logo depois de Freyre, Mario Filho, um dos fundadores do jornalismo esportivo no Brasil, lançou O Negro no Futebol Brasileiro, em que a junção do futebol com a nação miscigenada se torna mais evidente, ajudando a consolidar uma identidade nacional. Gilberto Freyre, por sua vez, escreveu em sua coluna no Diário de Pernambuco, do dia 18 de junho de 1938, o artigo “Foot-ball Mulato, que se tornou fundamental para a simbologia do futebol. “Ali, ele louva a miscigenação racial e afirma que ela funda certo estilo de jogo que seria típico do Brasil – uma ‘dança vibrante e gingada’, o que tempos depois se convencionou chamar de ‘futebol arte’”, exemplifica Helal.

Outro aspecto interessante levantado pelo livro é a mudança de postura da imprensa argentina em relação ao futebol brasileiro. Helal explica que, no início do século XIX, o grande adversário do Brasil era o Uruguai, grande potência futebolística na época. “Nessa ocasião, os hermanos argentinos torciam para o Brasil. Quando a Argentina começou a despontar como nossa grande adversária, a imprensa e a publicidade brasileiras começaram a provocar os argentinos. Só recentemente eles passaram a revidar nossas provocações”, relata Helal, que analisou este ponto em seu pós-doutorado, realizado em Buenos Aires.

Os estudos acadêmicos sobre o futebol vêm crescendo e se consolidando nas últimas duas décadas. Na Faculdade de Comunicação Social da Uerj, Ronaldo Helal e Hugo Lovisolo organizaram o grupo de pesquisa “Esporte e Cultura”, cadastrado no CNPq desde 1998. Nas cerca de 200 páginas de Futebol, Jornalismo e Ciências Sociais: interações”, os leitores ainda encontrarão, entre outros assuntos, uma revisão geral da literatura sobre o tema; um estudo sobre a construção de alguns simbolismos e heróis do futebol brasileiro; uma análise jornalística sobre a reconstrução da memória da partida entre Brasil e Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950; uma comparação sobre as figuras públicas de Pelé e Maradona; e uma investigação etnográfica em bares onde são transmitidas partidas de futebol. Por tudo isso, o livro é uma obra interessante tanto para estudiosos do assunto como para amantes do futebol.

Resultado mais forte da Rio+20 virá da sociedade civil, dizem cientistas (OESP)

Especialistas estimam que principal mensagem do evento será passado pela Cúpula dos Povos

21 de maio de 2012 | 3h 05
Giovana Girardi – O Estado de S.Paulo

A exatamente um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em São Paulo em debate sobre a conferência para o desenvolvimento sustentável manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento é que ele sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter - Divulgação
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Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo.

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma.

“A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

How Bad Is It? (The New Inquiry)

By GEORGE SCIALABBA

Jasper Johns, Green Flag, 1956 (Graphite pencil, crayon and collage on paper)

Pretty bad. Here is a sample of factlets from surveys and studies conducted in the past twenty years. Seventy percent of Americans believe in the existence of angels. Fifty percent believe that the earth has been visited by UFOs; in another poll, 70 percent believed that the U.S. government is covering up the presence of space aliens on earth. Forty percent did not know whom the U.S. fought in World War II. Forty percent could not locate Japan on a world map. Fifteen percent could not locate the United States on a world map. Sixty percent of Americans have not read a book since leaving school. Only 6 percent now read even one book a year. According to a very familiar statistic that nonetheless cannot be repeated too often, the average American’s day includes six minutes playing sports, five minutes reading books, one minute making music, 30 seconds attending a play or concert, 25 seconds making or viewing art, and four hours watching television.

Among high-school seniors surveyed in the late 1990s, 50 percent had not heard of the Cold War. Sixty percent could not say how the United States came into existence. Fifty percent did not know in which century the Civil War occurred. Sixty percent could name each of the Three Stooges but not the three branches of the U.S. government. Sixty percent could not comprehend an editorial in a national or local newspaper.

Intellectual distinction isn’t everything, it’s true. But things are amiss in other areas as well: sociability and trust, for example. “During the last third of the twentieth century,” according to Robert Putnam in Bowling Alone, “all forms of social capital fell off precipitously.” Tens of thousands of community groups – church social and charitable groups, union halls, civic clubs, bridge clubs, and yes, bowling leagues — disappeared; by Putnam’s estimate, one-third of our social infrastructure vanished in these years. Frequency of having friends to dinner dropped by 45 percent; card parties declined 50 percent; Americans’ declared readiness to make new friends declined by 30 percent. Belief that most other people could be trusted dropped from 77 percent to 37 percent. Over a five-year period in the 1990s, reported incidents of aggressive driving rose by 50 percent — admittedly an odd, but probably not an insignificant, indicator of declining social capital.

Still, even if American education is spotty and the social fabric is fraying, the fact that the U.S. is the world’s richest nation must surely make a great difference to our quality of life? Alas, no. As every literate person knows, economic inequality in the United States is off the charts – at third-world levels. The results were recently summarized by James Speth in Orion magazine. Of the 20 advanced democracies in the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), the U.S. has the highest poverty rate, for both adults and children; the lowest rate of social mobility; the lowest score on UN indexes of child welfare and gender inequality; the highest ratio of health care expenditure to GDP, combined with the lowest life expectancy and the highest rates of infant mortality, mental illness, obesity, inability to afford health care, and personal bankruptcy resulting from medical expenses; the highest homicide rate; and the highest incarceration rate. Nor are the baneful effects of America’s social and economic order confined within our borders; among OECD nations the U.S. also has the highest carbon dioxide emissions, the highest per capita water consumption, the next-to-largest ecological footprint, the next-to-lowest score on the Yale Environmental Performance Index, the highest (by a colossal margin) per capita rate of military spending and arms sales, and the next-to-lowest rate of per capita spending on international development and humanitarian assistance.

Contemplating these dreary statistics, one might well conclude that the United States is — to a distressing extent — a nation of violent, intolerant, ignorant, superstitious, passive, shallow, boorish, selfish, unhealthy, unhappy people, addicted to flickering screens, incurious about other societies and cultures, unwilling or unable to assert or even comprehend their nominal political sovereignty. Or, more simply, that America is a failure.

That is indeed what Morris Berman concludes in his three-volume survey of America’s decline: The Twilight of American Culture (2000), Dark Ages America (2006), andWhy America Failed (2011), from which much of the preceding information is taken. Berman is a cultural and intellectual historian, not a social scientist, so his portrait of American civilization, or barbarism, is anecdotal and atmospheric as well as statistical. He is eloquent about harder-to-quantify trends: the transformation of higher (even primary/secondary) education into marketing arenas for predatory corporations; the new form of educational merchandising known as “distance learning”; the colonization of civic and cultural spaces by corporate logos; the centrality of malls and shopping to our social life; the “systematic suppression of silence” and the fact that “there is barely an empty space in our culture not already carrying commercial messages.” Idiot deans, rancid rappers, endlessly chattering sports commentators, an avalanche of half-inch-deep self-help manuals; a plague of gadgets, a deluge of stimuli, an epidemic of rudeness, a desert of mutual indifference: the upshot is our daily immersion in a suffocating stream of kitsch, blather, stress, and sentimental banality. Berman colorfully and convincingly renders the relentless coarsening and dumbing down of everyday life in late (dare we hope?) American capitalism.

In Spenglerian fashion, Berman seeks the source of our civilization’s decline in its innermost principle, its animatingGeist. What he finds at the bottom of our culture’s soul is … hustling; or, to use its respectable academic sobriquet, possessive individualism. Expansion, accumulation, economic growth: this is the ground bass of American history, like the hum of a dynamo in the basement beneath the polite twitterings on the upper stories about “liberty” and “a light unto the nations.” Berman scarcely mentions Marx or historical materialism; instead he offers a nonspecialist and accessible but deeply informed and amply documented review of American history, period by period, war by war, arguing persuasively that whatever the ideological superstructure, the driving energy behind policy and popular aspiration has been a ceaseless, soulless acquisitiveness.

The colonial period, the seedbed of American democracy, certainly featured a good deal of God-talk and virtue-talk, but Mammon more than held its own. Berman sides emphatically with Louis Hartz, who famously argued in The Liberal Tradition in America that American society was essentially Lockean from the beginning: individualistic, ambitious, protocapitalist, with a weak and subordinate communitarian ethic. He finds plenty of support elsewhere as well; for example in Perry Miller, the foremost historian of Puritanism, according to whom the American mind has always “positively lusted for the chance to yield itself to the gratification of technology.” Even Tocqueville, who made many similar observations, “could not comprehend,” wrote Miller, “the passion with which [early Americans] flung themselves into the technological torrent, how they … cried to each other as they went headlong down the chute that here was their destiny, here was the tide that would sweep them toward the unending vistas of prosperity.” Even Emerson and Whitman went through a phase of infatuation with industrial progress, though Hawthorne and Thoreau apparently always looked on the juggernaut with clearer (or more jaundiced) eyes.

Berman also sides, for the most part, with Charles Beard, who drew attention to the economic conflicts underlying the American Revolution and the Civil War. Beard may have undervalued the genuine intellectual ferment that accompanied the Revolution, but he was not wrong in perceiving the motivating force of the pervasive commercial ethic of the age. Joyce Appleby, another eminent historian, poses this question to those who idealize America’s founding: “If the Revolution was fought in a frenzy over corruption, out of fear of tyranny, and with hopes for redemption through civic virtue, where and when are scholars to find the sources for the aggressive individualism, the optimistic materialism, and the pragmatic interest-group politics that became so salient so early in the life of the nation?”

By the mid-nineteenth century, the predominance of commercial interests in American politics was unmistakable. Berman’s lengthy discussion of the Civil War as the pivot of American history takes for granted the inadequacy of triumphalist views of the Civil War. It was not a “battle cry of freedom.” Slavery was central, but for economic rather than moral reasons. The North represented economic modernity and the ethos of material progress; the economy and ethos of the South, based on slavery, was premodern and static. The West — and with it the shape of America’s economic future — was up for grabs, and the North grabbed it away from an equally determined South. Except for the abolitionists, no whites, North or South, gave a damn about blacks. How the West (like the North and South before it) was grabbed, in an orgy of greed, violence, and deceit against the original inhabitants, is a familiar story.

Even more than in Beard, Berman finds his inspiration in William Appleman Williams. When McKinley’s secretary of state John Hay advocated “an open door through which America’s preponderant economic strength would enter and dominate all underdeveloped areas of the world” and his successor William Jennings Bryan (the celebrated populist and anti-imperialist!) told a gathering of businessmen in 1915 that “my Department is your department; the ambassadors, the ministers, the consuls are all yours; it is their business to look after your interests and to guard your rights,” they were enunciating the soul of American foreign policy, as was the much-lauded Wise Man George Kennan when he wrote in a post-World War II State Department policy planning document: “We have about 50 percent of the world’s wealth, but only 6.3 percent of its population … In this situation, we cannot fail to be the object of envy and resentment. Our real task in the coming period is to devise a pattern of relationships which will permit us to maintain this position of disparity … To do so, we will have to dispense with all sentimentality and day-dreaming; and our attention will have to be concentrated everywhere on our immediate national objectives … We should cease to talk about vague and … unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are then hampered by idealistic slogans, the better.”

As a former medievalist, Berman finds contemporary parallels to the fall of Rome compelling. By the end of the empire, he points out, economic inequality was drastic and increasing, the legitimacy and efficacy of the state was waning, popular culture was debased, civic virtue among elites was practically nonexistent, and imperial military commitments were hopelessly unsustainable. As these volumes abundantly illustrate, this is 21st century America in a nutshell. The capstone of Berman’s demonstration is a sequence of three long, brilliant chapters in Dark Ages America on the Cold War, the Pax Americana, CIA and military interventions in the Third World, and in particular U.S. policy in the Middle East, where racism and rapacity have combined to produce a stunning debacle. Our hysterical national response to 9/11 — our inability even to make an effort to comprehend the long-festering consequences of our imperial predations — portended, as clearly as anything could, the demise of American global supremacy.

What will become of us? After Rome’s fall, wolves wandered through the cities and Europe largely went to sleep for six centuries. That will not happen again; too many transitions — demographic, ecological, technological, cybernetic — have intervened. The planet’s metabolism has altered. The new Dark Ages will be socially, politically, and spiritually dark, but the economic Moloch — mass production and consumption, destructive growth, instrumental rationality — will not disappear. Few Americans want it to. We are hollow, Berman concludes. It is a devastatingly plausible conclusion.

An interval — long or short, only the gods can say — of oligarchic, intensely surveilled, bread-and-circuses authoritarianism, Blade Runner- or Fahrenheit 451-style, seems the most likely outlook for the 21st and 22nd centuries. Still, if most humans are shallow and conformist, some are not. There is reason to hope that the ever fragile but somehow perennial traditions and virtues of solidarity, curiosity, self-reliance, courtesy, voluntary simplicity, and an instinct for beauty will survive, even if underground for long periods. And cultural rebirths do occur, or at any rate have occurred.

Berman offers little comfort, but he does note a possible role for those who perceive the inevitability of our civilization’s decline. He calls it the “monastic option.” Our eclipse may, after all, not be permanent; and meanwhile individuals and small groups may preserve the best of our culture by living against the grain, within the interstices, by “creating ‘zones of intelligence’ in a private, local way, and then deliberately keeping them out of the public eye.” Even if one’s ideals ultimately perish, this may be the best way to live while they are dying.

There is something immensely refreshing, even cathartic, about Berman’s refusal to hold out any hope of avoiding our civilization’s demise. And our reaction goes some way toward proving his point: We are so sick of hucksters, of authors trying — like everyone else on all sides at all times in this pervasively hustling culture — to sell us something, that it is a relief to encounter someone who isn’t, who has no designs on our money or votes or hopes, who simply has looked into the depths, into our catastrophic future, and is compelled to describe it, as Cassandra was. No doubt his efforts will meet with equal success.