Arquivo mensal: junho 2013

Eliane Brum: “Quanto valem 20 centavos?” (Revista Época)

17/06/2013 10h01

O que une os manifestantes de São Paulo é o movimento: o ato literal e simbólico de romper o imobilismo da cidade parada e andar

ELIANE BRUM

Vinte centavos não são vinte centavos. Vinte centavos tornaram-se ao mesmo tempo estopim e símbolo de um movimento tão grávido de possibilidades que foi reprimido a balas de borracha, a bombas de gás lacrimogêneo e também a golpes de caneta. O que começou com o aumento da passagem do ônibus, se alargou, se metamorfoseou e virou um grito coletivo que tomou a Avenida Paulista e ecoou nas ruas do Brasil. O que há de tão ameaçador nestes 20 centavos, a ponto de fazer com que governos da democracia protagonizem cenas da ditadura, é talvez algo que se acreditava morto por aqui: utopia. A notícia perigosa anunciada pelas ruas, a novidade que o Estado tentou esmagar com os cascos dos cavalos da polícia paulista, é que, enfim, estamos vivos.

A multidão que tomou as ruas de São Paulo, ecoando o que já vinha acontecendo em outras cidades do Brasil, está longe de ser homogênea. Há grupos organizados – e alguns deles acreditam que a depredação é um ato legítimo de defesa, diante da violência sistemática praticada pelo Estado e pelo capital –, há partidos políticos de esquerda e há uma massa de pessoas, a maioria jovens, que aderiram movidas por suas próprias aspirações. O que une “os vários movimentos dentro de um” são os 20 centavos. Mas os 20 centavos deixaram de ser 20 centavos para se tornar expressão de um descontentamento difuso, mas nem por isso menos profundo. Uma decepção com a vida que se vive e um anseio por sentido.

As manifestações de rua são talvez a melhor notícia da democracia, a prova maior de sua vitalidade, mas elas expressam o sentimento de que os políticos que aí estão, os partidos que aí estão, a concepção de mundo, de país e de política que eles representam, já não representam um número crescente de pessoas. Especialmente os jovens pós-internet, mas não só. Contra aquilo que não se entende, mas que ameaça o poder estabelecido, joga-se a polícia. O que se viu na quinta-feira (13/6) foram cenas que lembravam a ditadura militar. Mas as semelhanças acabam aí. A demonstração de força era a expressão de uma fragilidade com a marca deste tempo histórico, do hoje.

A prova mais eloquente, talvez, se revela nas frases postadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Twitter. Para qualquer pessoa que seguisse o governador e também pessoas que estavam na manifestação, a narrativa simultânea do momento era extremamente reveladora. Reproduzo aqui a sequência de frases de 140 hectares de Alckmin e frases de diferentes manifestantes ou jornalistas que cobriam a manifestação, postadas ao mesmo tempo que as do governador. Todos estão identificadas com nome e sobrenome no Twitter, mas, depois do que vi na quinta-feira, por precaução, eu prefiro chamá-los aqui apenas de @manifestantes:

“@GeraldoAlckmin O direito à livre manifestação é um princípio basilar da democracia. Assim como o direito de ir e vir e a preservação do patrimônio público/@manifestante: Praça enchendo em paz… bonito/ @GeraldoAlckmin Depredação, violência e obstrução de vias públicas não são aceitáveis. O Governo de São Paulo não vai tolerar vandalismo/@manifestante: Repressão brutal, pessoas desesperadas, moradores com crianças correndo. Se o Haddad compactuar com isso é o fim definitivo do PT!! /@GeraldoAlckmin Participei hoje, em Santos, da comemoração aos 250 anos do nascimento de José Bonifácio Andrada e Silva, o patriarca da independência/@manifestante: Ônibus pegando fogo na Augusta. Milhares correndo, descendo a rua pedindo paz. PM segue com bombas. Motoristas encurralados por gás/@GeraldoAlckmin Ainda em Santos inaugurei nova delegacia de polícia do Porto de Santos, que ano passado recebeu 1.1 milhão de turistas /@manifestante: Tentei sair. Eles atiraram na minha frente. Virei, atiraram atrás. Fiquei cega, entrei num motel. Consegui me recompor/@GeraldoAlckmin No Guarujá inaugurei o novo Hospital Emílio Ribas e anunciei a implantação do Restaurante Bom Prato/@manifestante: Pra dispersar, faz sentido jogar uma bomba no começo, uma no fim? Fiquei presa entre duas bombas de gás. Muita gente machucada/@GeraldoAlckmin Para Cubatão liberamos R$ 21,5 milhões para construir 800 apartamentos e mais 1.448 apartamentos para Santos que receberá mais uma Etec/@manifestante: Eu nunca vi nada parecido. Muita gente ‘refugiada’ no hotel, sangrando/@GeraldoAlckmin Estive também em São Vicente p/ autorizar a recuperação da belíssima Ponte Pênsil, a construção de 1.120 moradias e a implantação da 2ª ETEC/ @manifestante: Augusta em chamas”.

O governador despediu-se no Twitter, na noite que já está assinalada na história de São Paulo, a maior cidade do país, como uma das mais violentas desde a volta da democracia, com a seguinte frase: “@GeraldoAlckmin Parabéns a toda a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade. Boa noite a todos!”.

A frase fala por si. A simultaneidade de realidades também. Se alguém quiser documentar essa noite histórica num livro/e-book, a melhor expressão me parece ser a reprodução das narrativas simultâneas do governador e de alguns narradores que estavam na manifestação. O mesmo vale para quem estiver sem tema para uma tese de doutorado. É um retrato do momento, que abre uma rica paleta de possibilidades de análise e de interpretação.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não se manifestou diretamente nas redes sociais na noite de quinta-feira. Mas sua ausência, em vários sentidos, esteve bem presente. Tão logo ficou claro que a violência policial era condenada até mesmo por aqueles que antes a haviam pedido em letras garrafais, o prefeito passou a se esforçar para se descolar do governador. Assim como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que, se hoje critica a ação da polícia paulista, antes de os ventos mudarem tinha se apressado a oferecer apoio “no que for necessário” ao governo de São Paulo. Desta vez, PSDB e PT estiveram unidos pela incompreensão do momento histórico que vivem, atarantados diante da força das ruas e de uma linguagem que não dominam, nem sequer entendem.

Quando Alckmin só consegue enxergar “vândalos” e “baderneiros”, é o que não enxerga que aparece. Quando Haddad tenta se amparar no discurso de que o aumento do preço do transporte público foi abaixo da inflação, é a sua dificuldade de compreender o discurso novo das ruas que se torna explícita. Não é mesmo fácil ser político neste momento histórico em que as ruas nas quais os movimentos se iniciam não têm mais chão. Desorientados diante da novidade, alguns quadros e militantes do PT têm repetido que é preciso resgatar bandeiras históricas do partido que se forjou nas ruas, mas agora se descobre apartado delas. Se isso já se torna cada vez mais difícil, dada as posições retrógradas do governo de Dilma Rousseff, é preciso perceber que essas bandeiras perdidas são do século XX. Ainda que as reivindicações estruturais, de fundo, permaneçam, algumas delas com suas raízes no Brasil Colônia, elas foram acrescidas de novos desafios e nuances e de uma forma inteiramente diferente de se relacionar com o mundo. O que está em jogo hoje são bandeiras do século XXI, em que até o conceito de bandeira já não é mais o mesmo.

A avassaladora velocidade das mudanças nos deixa a todos perplexos. E também a imprensa, que vive um momento delicadíssimo. A cobertura ao vivo das TVs era acompanhada por quem estava no Twitter, mas já com uma leitura crítica. E com a comparação imediata do que era dito pelos apresentadores com a narrativa polifônica, em primeira pessoa, feita pelos manifestantes que estavam no centro dos acontecimentos. Em seguida, o relato de quem testemunhava o protesto nas ruas era comentado e replicado pelos manifestantes que não estavam nas ruas, mas também se manifestavam. E não só em São Paulo, mas no Brasil e também fora do país.

Quem tanto ironiza os “ativistas de sofá” precisa começar a entender que as fronteiras entre as ruas já não existem – ou pelo menos exigem outro tipo de interpretação. Mesmo jornalistas que estavam cobrindo o protesto para seus veículos, fizeram seu relato em tempo real no Twitter e no Facebook – e alguns escreveram artigos independentes depois. Para compreender melhor esse aspecto da manifestação de quinta-feira, sugiro a leitura da ótima análise de Fabio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador do Laboratório de Estudos em Internet e Cultura (Labic) – aqui.

Os 20 centavos se alargam, sua teia de significados ganha dimensões cada vez maiores, superando qualquer fronteira física ou virtual. A violência da polícia paulista motivou a reação de outras camadas da população e de outras faixas etárias, levando novas adesões ao movimento. O que se vê nas redes agora é a soma daqueles que dizem ser preciso lutar pela democracia e pela liberdade de protestar. Esse sentimento é demonstrado nas quatro frases do Twitter mais republicadas, segundo a análise do professor Fabio Malini: “@LeoRossatto A tarifa virou a menor das questões agora. Os próximos protestos precisam ser, antes de tudo, pela liberdade de protestar/ @choracuica Não é mais sobre a tarifa. F…-se a tarifa. Isso ficou muito maior que a questão da tarifa/@gaiapassarelli Há algo grande acontecendo e é menos sobre aumento de tarifa e mais sobre tomar posição. Todo mundo deveria prestar atenção/ @tavasconcellos Não é mais uma discussão sobre tarifa. Transporte. Baderna. Sobre nada disso. É sobre o direito de se manifestar por qualquer causa”.

Tenho recebido e-mails de amigos e também de desconhecidos. Edson Natale, músico e produtor cultural, mandou o seguinte texto para o seu mailing, do qual também faço parte: “Vou pra rua na segunda (17/6). E vou porque acho que devo cuidar da rua e porque o Brasil não é só a rua por onde ando. Vou pra rua por minhas crenças e pelas crenças dos filhos: dos meus filhos e dos filhos dos outros. Não é muita coisa ir pra rua, mas não quero perder o direito de ir, quando quiser. Não tenho partido, nem religião, mas acredito sobretudo na vida, nas pessoas e no futuro, por exemplo. Tenho 51 anos e poderei (tentar) ajudar a evitar a violência ou a quebradeira, seja lá de quem for. Estarei lá para mostrar que não tenho gostado dos conchavos, das negociatas, das simulações e das dissimulações que têm acontecido tão intensamente nos bairros, cidades e estados; nas florestas, litorais e sertão, independentemente dos partidos responsáveis por elas. Tenho 51 anos e digo – com maturidade – que é preciso ir para a rua e levar as nossas crenças para passear um pouco e encontrar-se com outras crenças, diferenças e verdades. Acho que é assim que se faz um País e eu tinha me esquecido disso. Por isso agradeço aos que ocuparam as ruas antes de mim e por mim. E antes que alguém diga, ressalto que não vou para a rua defender partidos políticos, violência, quebradeira ou ódio… nem para impor a ‘minha’ verdade. E dessa forma encerro aqui o meu convite: vamos?”.

É possível que seja de qualificação do desejo que esse movimento fale. Talvez seja esta a única coesão entre tantos anseios diferentes, organizados ou não. O sentimento de que essa vida é pouca, de que essa política pautada mais pela reprodução das relações de poder do que por ideias de um Brasil melhor já não motiva ninguém. Em São Paulo, mais do qualquer uma das outras capitais que também se levantaram e se levantam, a questão do transporte explicita todo esse desencanto. É muito simbólico que Alckmin e sua polícia tenham frisado tanto que defendiam “o direito de ir e vir” dos cidadãos, como se cidadãos também não fossem aqueles que se manifestavam. Mas o mais irônico dessa justificativa para a repressão é que “ir e vir” é o que não se consegue fazer em São Paulo, imobilizados em ônibus e carros no trânsito parado, uma oposição já cristalizada na linguagem. Talvez o que una os manifestantes tão diferentes de São Paulo seja o movimento – o ato mesmo de literalmente romper o imobilismo e se mover. A maior transgressão é andar – e por isso era também crucial andar na imensamente simbólica Avenida Paulista. Pessoas, não carros, não ônibus 20 centavos mais caros. Não mais como zumbis sustentando uma vida insustentável em passos claudicantes e limitados, mas como pessoas no movimento desejante em busca de uma vida que faça mais sentido.

Vinte centavos talvez sejam o tanto de morte que uma vida humana já não pode suportar. Em São Paulo, mas também em Porto Alegre, no Rio, em Brasília, em várias cidades e capitais. Assim como em outras partes do mundo – antes, agora, possivelmente depois –, em cada uma delas com contextos, peculiaridades e rostos próprios, mas com algo em comum que é possível reconhecer. Algo que revela de um mundo que apodrece, de um modo de vida que já não dá conta da vida.

Talvez quem melhor tenha sintetizado os protestos que hoje tomam conta do Brasil tenha sido um velho, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em outro canto do mundo, quase dois anos atrás. Ao falar aos jovens que tomaram as ruas de cidades da Espanha como Barcelona e Madri, ele disse uma frase que se disseminou pela internet, traduzida para várias línguas: “Este mundo de merda está grávido de outro”.

Tomara que esteja. E que tenhamos a grandeza de sonhar com um mundo em que exista espaço para a vida.

Scott Atran: ” the best predictor (in the sense of a regression analysis) of willingness to commit an act of jihadi violence is if one belongs to an action-oriented social network, such as a neighborhood help group or even a sports team”

Here He Goes Again: Sam Harris’s Falsehoods

Sam Harris

Here He Goes Again: Sam Harris’s Falsehoods (This View of Life)

POST: JUNE 13, 2013 1:05 PM
AUTHOR: SCOTT ATRAN         SOURCE: TVOL EXCLUSIVE

Sam Harris posted a recent blog about my views on Jihadis that is unbecoming of serious intellectual debate, if not ugly. He claims that I told him following a “preening and delusional lecture” that “no one [connected with suicide bombing] believes in paradise.” What I actually said to him (as I have to many others) was exactly what every leader of a jihadi group I interviewed told me, namely, that anyone seeking to become a martyr in order to obtain virgins in paradise would be rejected outright. I also said (and have written several articles and a book laying out the evidence) that although ideology is important, the best predictor (in the sense of a regression analysis) of willingness to commit an act of jihadi violence is if one belongs to an action-oriented social network, such as a neighborhood help group or even a sports team (see Atran, TALKING TO THE ENEMY, Penguin, 2010).

Harris’s views on religion ignore the considerable progress in cognitive studies on the subject over the last two decades, which show that core religious beliefs do not have fixed propositional content (Atran & Norenzayan, “Religion’s Evolutionary Landscape,” BEHAVIORAL AND BRAIN SCIENCES, 2004). Indeed, religious beliefs, in being absurd (whether or not they are recognized as such), cannot even be processed as comprehensible because their semantic content is contradictory (for example, a bodiless but physically powerful and sentient being, a deity that is one in three, etc). It is precisely the ineffable nature of core religious beliefs that accounts, in part, for their social and political adaptability over time in helping to bond and sustain groups (Atran & Ginges, “Religious and Sacred Imperatives in Human Conflict,” SCIENCE, 2012). In fact, it is the ecstasy-provoking rituals that Harris describes as being associated with such beliefs which renders them immune to the logical and empirical scrutiny that ordinarily accompanies belief verification (see Atran & Henrich, “The Evolution of Religion,” BIOLOGICAL THEORY, 2010).

Harris’s generalizations of his own fMRIs on belief change among a few dozen college students as supportive of his views of religion as simply false beliefs are underwhelming. As Pat Churchland surmised: “There is not one single example in [Harris’s work] of what we have learned from neuroscience that should impact our moral judgments regarding a particular issue. There may EXIST examples, but he does not provide any.” (personal communication 2/24/11; see also the fMRI work by our neuroeconomics team lead by Greg Berns in the theme issue on “The Biology of Conflict,” PHILOSOPHICAL TRANSACTIONS OF THE ROYAL SOCIETY, 2012).

Context-free declarations about whether Islam, or any religion, is inherently compatible or incompatible with extreme political violence – or Democracy or any other contemporary political doctrine for that matter — is senseless. People make religious belief – whether Islam, Christianity, Judaism, Buddhism, and so forth – compatible with violence or non-violence according to how they interpret their religious beliefs. And how people interpret religious injunctions (e.g., the Ten Commandments), as well as transcendental aspects of political ideologies, almost invariably changes over time. For example, on the eve of the Second World War, political and Church leaders in Fascist Italy and Spain claimed that Catholicism and Democracy were inherently incompatible, and many Calvinist and Lutheran Protestants believed that God blessed the authoritarian regime. As Martin Luther proclaimed, “if the Emperor calls me, God calls me” – a sentiment that Luther, like many early Christians, believed was sanctified by Jesus’s injunction to “Render to Caesar the things that are Caesar’s, and to God the things that are God’s.” Nevertheless, the principles of modern liberal democracy first took root and grew to full strength in The European Christian and Colonial heartland. As Benjamin Franklin expressed it in his proposal for the motto of the new American Republic: “ Rebellion against Tyranny is Obedience to God.” Or, as the Coordinating Council of Yemeni Revolution for Change put it, an Islam of “basic human rights, equality, justice, freedom of speech, freedom of demonstration, and freedom of dreams!” (National Yemen, “The Facts As They Are,” Youth Revolutionary Council Addresses International Community, April 25, 2011).

That there is a cruel and repugnantly violent contemporary current in Islam, there is no doubt. Factions of the Christian identity movement, the Tamil Tiger interpretation of Hinduism as necessitating suicide attacks against Buddhist enemies, Imperial Japan’s interpretation of Zen Buddhism as a call to a war of extermination against the Chinese, all have produced cruel and barbarous behavior that has adversely affected millions of people. But Harris’s take on such matters is so scientifically uninformed and mendacious as to be a menace to those who seek a practical and reasoned way out of the morass of obscurantism.

As a final note, I should also mention that I am a lead investigator on several multiyear, multidisciplinary field-based science projects sponsored by the Department of Defense, including “Motivation, Ideology, and the Social Process in Radicalization,” aspects of which are taught to military personnel from general officers down. And I am recurrently asked to give briefings on these subjects to the White House, Congress and allied governments. I know of no comparable demands or operational interest among the political, defense or intelligence agencies of the U.S. and its allies for Harris’s musings on religious ecstasy. In Harris’s strange worldview, which is admittedly popular among many who believe that reason’s mission is to end religion to save the species, failure to apply those musings to stop religiously-directed violence across the globe may well be a another sign of the “crazy” ideas that he regularly ascribes to those who refuse his truth.

Here is what Harris wrote:

I have long struggled to understand how smart, well-educated liberals can fail to perceive the unique dangers of Islam. In The End of Faith, I argued that such people don’t know what it’s like to really believe in God or Paradise—and hence imagine that no one else actually does. The symptoms of this blindness can be quite shocking. For instance, I once ran into the anthropologist Scott Atran after he had delivered one of his preening and delusional lectures on the origins of jihadist terrorism. According to Atran, people who decapitate journalists, filmmakers, and aid workers to cries of “Alahu akbar!” or blow themselves up in crowds of innocents are led to misbehave this way not because of their deeply held beliefs about jihad and martyrdom but because of their experience of male bonding in soccer clubs and barbershops. (Really.) So I asked Atran directly:

“Are you saying that no Muslim suicide bomber has ever blown himself up with the expectation of getting into Paradise?”

“Yes,” he said, “that’s what I’m saying. No one believes in Paradise.”

At a moment like this, it is impossible to know whether one is in the presence of mental illness or a terminal case of intellectual dishonesty. Atran’s belief—apparently shared by many people—is so at odds with what can be reasonably understood from the statements and actions of jihadists that it admits of no response. The notion that no one believes in Paradise is far crazier than a belief in Paradise.

http://www.samharris.org/blog/item/islam-and-the-misuses-of-ecstasy

Scott Atran is an American and French anthropologist who is a Director of Research in Anthropology at the Centre National de la Recherche Scientifique in Paris, Senior Research Fellow at Oxford University in England, Presidential Scholar at John Jay College of Criminal Justice in New York, and also holds offices at the University of Michigan. He has studied and written about terrorism, violence and religion, and has done fieldwork with terrorists and Islamic fundamentalists, as well as political leaders.

La privatización de los comunes que encendió la Primavera Turca / A Primavera do Direito à Cidade (outraspalavras.net)

10/6/2013

Bernardo Gutierrez | Tradução: Bruna Bernacchio

Taksim é nosso, Istambul é nossa!”. Os gritos não pertencem a algum dos jovens que ocuparam o Parque Taksim Gezi, da capital turca, na virada do mês. Tampouco é um mote que esteja correndo o mundo no Twitter, sob a tag #OccupyGezi. “Taksim é nosso” está sendo pronunciado por um cidadão anônimo no vídeo Tkasim Square (Istambul Commons), durante uma manifestação celebrada no outono passado. “Taksim é nosso” – continua a voz no megafone – “não importa as opções políticas que tenham as pessoas”.

O vídeo foi produzido no âmbito do projeto Mapeando o Comum [Mapping the Commons], idealizado pelo estúdio sevilhano Hacktitetura e desenvolvido pelo ativistaPablo de Soto, em Atenas e Istambul. E contextualiza com perfeição a vertiginosa insurreição que está vivendo Istambul e toda a Turquia. O centro comercial planejado pelo governo de Recep Tayyip Erdogan, que incendiou #OccupyGezi, é apenas a ponta de um iceberg maior: um duro plano neoliberal para privatizar bens comuns (águas, bosques) e espaço público. Até que ponto o ataque ao comu, e concretamente a privatização dos espaços urbanos deflagraram a Primavera Turca?

O projeto Mapeando o Comum — definido por seus próprios autores como uma performance que pode tornar-se reflexão, uma obra de arte ou uma ação social — é um verdadeiro passeio pelas raízes de #OccupyGezi. A cartografia, realizada na plataformaMeipi, organiza o comu de Istambul em quatro categorias: bens naturais, cultura, espaço público e digital. Os vídeos publicados, todos com falas parcialmente em inglês, resumem os ataques que o o espaço público sofre na era Erdogan.

“Communication space”, por exemplo, revela, por meio dos protestos dos estudantes universitários, a luta pelo conhecimento e comunicação livres. Em “Water as a commons”, o assunto central é a privatização da gestão da água na região. “For-rest”denuncia que a terceira ponte sobre o estreito de Bósforo, que o governo de Erdogan planeja, implicaria na desaparecimento do bosque Belgrado, pulmão verde da cidade. A repressão no espaço público de manifestações sócio-culturais como festas nas ruas ou o fim da única praça de pedestres (Galata Square) de Istambul são tema os vídeos Cultural expressions in public space e o Galata Tower Square.

Até que ponto a privatização selvagem dos bens comuns naturais e urbanos de Istambul incendiou a revolta de #OccupyGezi? O ativista Pablo de Soto, em declarações ao jornal espanhol El Diario, sustenta que os fatos estão intrinsecamente relacionados: “O corte das árvores para construir um centro comercial para a elite e os turistas foi o pavio de incêndio, o catalizador final dos protestos por justiça social e econômica”.

A arquiteta turca Pelin Tan, em seu artigo Um relato de Gezi Park reforma a tese: “Para o governo turco, as novas políticas urbanas são a desculpa para atos de segragação, para incentivar estilos de vida neoliberais, o progressivo endividamento dos seus cidadãos, exploração, racismo, corrupção, e a instalação de um estado de exceção que viola os direitos humanos”. Por sua vez, a prestigiosa plataforma Architizer também situa os bens comuns urbanos como claro estopim da revolta.

#OccupyGezi é muito mais que um grito ecologista para salvar os árvores de Taksim. Mas não exclusivamente é apenas uma revolta antagonista contra a arrogância macropolítica do governo turco ou a suposta tentativa de islamização da Turquia que, segundo a imprensa ocidental, Erdogan conduz.

Em A Catedral e o Bazar, o hacker Eric S. Raymond contrapunha dois modelos na elaboração de software. A Catedral representa o modelo de desenvolvimento hermético e vertical do software proprietário. O bazar, com sua dinâmica horizontal e barulhenta, representaria a Linux e outros projetos de software livre, baseados no trabalho comunitário. Nenhum lugar como Istambul, com seu barulhento Gran Bazar, encarna melhor a metáfora urbana da tese de Raymond. De um lado, a catedral de receitas top down e privatizantes, do Governo de Erdogan. Do outro, o grande bazar humano de Istambul, seu espaço público, a tradição comunal das comunidades da cidade. #OccupyGezi e sua convivência humana resumem o choque de trens da história, entre dois modelos incompatíveis.

Derya Calik, estudante e ativista, descreve em uma entrevista a estratégia da catedral neoliberal contra os manifestantes de Taksim. “Na Turquia, não temos uma boa conexão 3G. Quando muito usada, a rede entra em colapso. Além disso, muitas pessoas foram informadas do uso de inibidores de sinal, por parte da polícia. Por isso, começamos a utilizar uma conexão VPN (Rede Virtual Privada). E, além disso, as lojas, restaurantes, hotéis e os residentes da zona cederam Wi-Fi aos manifestantes, abrindo as senhas de suas redes”. O bazar colaborativo de Istambul, no momento, driblou a aprisionadora catedral de Erdogan.

É possível fazer alguma comparação entre #OccupyGezzi e a acampada da Porta do Sol de Madri do 15M ou do Occupy Wall Street em Zuccotti? Pelin Tan, no texto já citado, destaca que “a ocupação de Gezi é um símbolo de estar juntos no comum (a arquiteta emprega a quase intraduzível palavra commoning), apesar de nossas diferenças”. Em #OccupyGezi, continua ela, envolveu-se “gente de diferentes classes, bairros e movimentos culturais — mais que organizações políticas e grupos de oposição”. Uma auto-organização transversal do bazar colaborativo, que a violência policial multiplicou até limites não esperados. Da praça ao mundo. Do hiperlocal à geopolítica.

Já o ativista Orsan Selap, habitual nas listas de correios de TakeTheSquare.net criadas no início do 15M espanhol, ressalta a El Diario a importância das redes na incipiente Primavera Turca: “O pensamento peer-to-peer (P2P) e em favor do comum nos dá uma alternativa clara ao capitalismo. Nesses momentos, nas redes sociais, as ruas e as lutas de Istambul estão convertendo-se em algo com muitos vínculos internacionais”.

(esquerda) Imagem do video Taksin Square, de Mapping the Commons; (direita) projeto do shopping em Taksim

De Taksim ao mundo. Do hiperlocal ao global. Do urbano à geopolítica. Em seu aclamado livro Cidades rebeldes, o sociólogo David Harvey afirma que a “revolução será urbana ou não será”. E adapta ao século XXI “o direito à cidade”, um velho grito dos anos sessenta, título de um mítico livro de Henry Lefebvre. O direito à cidade seria um “espaço social com interações e práticas onde a produção social tem lugar”.

A metrópole moderna tem um papel importante na produção do comum. Curiosamente, os movimentos sociais de Istambul estão remesclando o grito de Lefebvre-Harvey. No texto “O movimento pelo Direito à Cidade e o verão turco”, a jornalista independente Jay Cassano faz um detalhado repasse dos ataques neoliberais que Istambul está sofrendo nos últimos tempos, além do projeto de centro comercial para Gezi Taksim.

Jay cita em seu artigo a conversão do histórico cine Emek em shopping center. Menciona a terceira ponte sobre o Bósforo. E destaca o forte processo de segragação que Istambul está sofrendo, especialmente nos “bairros históricos de Sulukule, Tarlabasi, Tophane e Fener-Balat, onde vivem os imigrantes e a minoria curda”. Precisamente, Mapeando os Comuns dedica um vídeo ao distrito de Fenet-Balat-Ayvansaray, onde os vizinhos resistem ao plano urbanístico do Ajuntamento pela Associação Febayder.

O coletivo Reclaim Istambul, inspirado no coletivo britânico Reclaim the streets, que lutava pelo espaço público, faz uma verdadeira lista dos horrores urbanísticos planejados para a capital turca: “Centenas de edifícios gradeados, torres de escritórios, centros comerciais e projetos multiusos crescendo como flechas em toda a cidade”. Entre a penca de projetos de corte neoliberal, destacam Via Port Venezia (“redesenhamos Veneza e a trouxemos a Istambul”) ou Mall of Istambul (“aproveite de perto de um dos maiores shoppings da Turquia”). Em certo sentido, #OccupyGezi nasceu como grito coletivo para evitar que a milenária Istambul acabe se convertendo em Las Vegas ou Dubai.

O Reclaim Istambul é responsável por um dos documentários mais polêmicos dos últimos tempo, Ekümenópolis. Com um verdadeiro coquetel de imagens, entrevistas, músicas, gráficos e animações, Ekümenópolis desenha o selvagem ataque ao comum urbano e natural que sofre a cidade. A contundência de sua sinopse dá uma ideia da dureza de seu conteúdo: “Há alguns anos, Istambul tinha 3,5 milhões de habitantes. Hoje somos 15 milhões e em 15 anos seremos 23. Foram ultrapassados os limites ecológicos e de população. Perdeu-se a coesão social. Aqui surgiu uma imagem do urbanismo neoliberal: Ekümenópolis”.

“É mais que uma revolução tecnológica: é uma revolução cultural. Os rígidos modelos verticais para intensificar os sistemas de produção de massa do século passado estão sendo substituídos por flexíveis redes peer-to-peer, que nos levam até uma nova estética de códigos”. A frase é do arquiteto Joseph Grima, diretor da última edição da Bienal de Desenho de Istambul, celebrada ao final de 2012. Adhocracy, o título da Bienal, não foi casual. A adocracia, outro termo recentemente ressuscitado, é um novo modelo de organização flexível, intuitiva, transversal. A adocracia é horizontal, rotativa. Por isso, Adhocracy foi muito mais que uma exposição. Foi um laboratório.

Uma de suas comissárias, Ethel Baraona (dPr-Barcelona), respondendo a um questionário sobre #OccupyGezi, destaca o vínculo da Bienal com o comum urbano: “Uma grande parte dos projetos estava relacionada com o ativismo urbano, com a intenção de chamar a atenção do espaço público como espaço de intercâmbio de conhecimentos e de ação”. A Bienal adocrata espalhou por Istambul o dinamismo de coletivos-projetos como Crafting NeigborhoodsRecetas UrbanasOpen Structures,Maker Faire Africa, Arduino ou Zuloark (representando o madrilenho El Campo de Cebada).

Especialmente metafórico foi o projeto Drone Shade, da artista James Bridle. Depois de polvilhar de sombras de “drones” (aviões não tripulados) a Faixa de Gaza ou Londres, James desenhou com linhas brancas, no coração urbano de Istambul, a suposta sombra dos drones que os Estados Unidos utilizam da Turquia. O espaço público como tabuleiro do mundo. Como metáfora geopolítica. A metralhadora top down e neoliberal de Erdogan, representada em uma forma de contornos brancos. A aliança militar estadounidense-turca, que persegue o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte da Turquia e no norte do Irã, como uma verdade ao rés do chão. A cidade como campo de batalha.

Será #OccupyGezi é a primeira revolução incendiada pelo comum urbano? Talvez a primeira, mas não a última. O modelo da catedral neoliberal de Istambul replica-se em todo o mundo. As remoções e a especulação imobiliária no Rio de Janeiro pré-olímpico são um exemplo. O projeto EuroVegas de Madri, como destaca Pablo de Soto, “é um escândalo de privatização e exceção da legalidade com mesmo grau destrutivo do parque Gezi em Taksim”.

Chegou a era das Cidades Rebeldes de David Harvey? Veremos uma sequência de revoluções urbanas em um planeta que esgota seus recursos naturais a um ritmo assustador? Ainda que não haja respostas, existem intuições. O antropólogo e ativista do 15M Adolfo Estalella, em seu provocador texto El procomún no es un commons vaticina uma forte politização dos núcleos urbanos: “O pró-comum é a figura que permite politizar a cidade. Se há dez anos a globalização era o objetivo de ativismo, agora é a cidade. Por isso, o comum é, para o ativismo atual o que a globalização era para este há dez anos”.

http://outraspalavras.net/2013/06/10/a-primavera-do-direito-a-cidade/

fonte original: http://www.eldiario.es/turing/privatizacion-comunes-encendio-Primavera-Turca_0_139986455.html

Centro brasileiro aumenta em quatro vezes a precisão da previsão do tempo (JC/O Globo)

JC e-mail 4746, de 13 de Junho de 2013.

Novo modelo do CPTEC, que usa o supercomputador Tupã, consegue mapear com resolução de cinco quilômetros quadrados. Reportagem de O Globo

Os olhos da previsão do tempo no Brasil passaram a enxergar melhor. Com quatro vezes mais precisão, mais precisamente. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) lançou uma atualização do modelo Brams de previsão, turbinado agora pela alta capacidade de processamento do supercomputador Tupã, instalado em Cachoeira Paulista. Antes, o Brams fazia previsões de até uma semana com nitidez de 20 quilômetros quadrados. Agora, a resolução é de 5 quilômetros quadrados para os mesmos sete dias.

Com a nova versão, o nível de detalhe da previsão, que antes se limitava a uma cidade ou região, desta vez consegue diferenciar um bairro do outro. A consulta ao novo modelo meteorológico é gratuita e está disponível no site do CPTEC.

Para cobrir toda a América do Sul, o Brams dividiu o território como num grande jogo de batalha naval, com 1360 por 1480 células de área. Como é um modelo em três dimensões, há também 55 níveis verticais para cada uma destas células. No total, são 110 milhões de pontos, processados simultaneamente nos 9.600 processadores do Tupã.

Segundo o CPTEC, a versão 5.0 do Brams coloca o Brasil em posição de competitividade com os principais centros operacionais do mundo. O centro de previsão do National Centers for Environmental Prediction (NCEP), por exemplo, gera previsões a partir de um modelo similar – o National Mesoscale Model – de 4 quilômetros, 70 níveis verticais e grade de 1371 x 1100 células, que cobre toda a região continental dos Estados Unidos.

Para desenvolver esta nova versão do modelo BRAMS, também utilizado para a previsão e monitoramento da poluição do ar, são usados dados de estações meteorológicas de todo o país, de satélites, boias oceânicas e imagens de avião.

http://oglobo.globo.com/ciencia/centro-brasileiro-aumenta-em-quatro-vezes-precisao-da-previsao-do-tempo-8667823#ixzz2W6YkxWkF

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Inpe lança modelo de previsão de tempo com altíssima resolução

O novo padrão cobre toda a América do Sul

Uma nova versão do modelo regional Brams de previsão de tempo, que cobre toda a América do Sul, foi lançada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI). O Brams, versão 5.0, já está operacional para até sete dias.

O modelo gera previsões com resolução espacial de 5 quilômetros, enquanto o anterior fornecia previsões com resolução de 20 quilômetros. O avanço só foi possível devido À alta capacidade de processamento do novo supercomputador Cray, do Inpe, o Tupã, instalado no CPTEC, em Cachoeira Paulista (SP).

Os desenvolvimentos para tornar a nova versão do Brams operacional levaram cerca de um ano. Para cobrir toda a extensão da América do Sul, foram necessárias 1.360 x 1.480 células horizontais e 55 níveis verticais. As células de grade, num total de 110 milhões, aproximadamente, são processadas simultaneamente nos 9.600 processadores do Cray, em computação paralela.

Este esforço coordenado pelo Grupo de Modelagem Atmosférica e Interfaces (Gmai) colocou o CPTEC em posição de competitividade em relação aos principais centros operacionais do mundo. O centro de previsão do National Centers for Environmental Prediction (NCEP), por exemplo, gera previsões a partir de um modelo similar – o National Mesoscale Model – de 4 quilômetros, 70 níveis verticais e grade de 1.371 x 1.100 células, que cobre toda a região continental dos Estados Unidos.

Para desenvolver esta nova versão do modelo Brams, também utilizado para a previsão e monitoramento da poluição do ar, utilizou-se um modelo não hidrostático, que representa com maior precisão processos físicos de menor escala, como o desenvolvimento e a dissipação de nuvens e chuvas. Diversos avanços em parametrização (representações matemáticas de processos físicos) foram realizados para nuvens, radiação solar e processos e dinâmicas de superfície.

(Ascom do Inpe)

Fazendeira vira antropóloga e faz laudos contra índios (FSP)

09/06/2013 – 02h26

FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A CAMPO GRANDE

Roseli Ruiz tem diploma de antropóloga e faz perícias em terras em litígio. Sua filha, Luana, dirige a ONG Recovê -“conviver”, em guarani. Mas ambas estão entre os mais ferrenhos defensores dos proprietários rurais de Mato Grosso do Sul na disputa de terras com indígenas.

“Fui invadida em 1998 e, no ano seguinte, fui fazer direito para entender esse desmando. No decorrer do curso detectei que o que estava fundamentando não era a legislação, e sim um relatório antropológico”, explica Roseli, que fez uma pós-graduação na Universidade Sagrado Coração, em Bauru (SP).

A propriedade fica em Antônio João (a 280 km ao sul de Campo Grande), na fronteira com o Paraguai, e tem 10 mil hectares. Uma parte minoritária está tomada por famílias guaranis-caiovás.

Com o tempo, conta Roseli, ela passou a fazer relatórios antropológicos em vários Estados, como Mato Grosso e Paraná. Seu próximo trabalho será na área da Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A fazendeira Roseli Ruiz durante protesto de produtoresA fazendeira Roseli Ruiz durante protesto de produtores. Marlene Bergamo – 7.jun.2013/Folhapress.

Ela afirma que, em todos os estudos, não encontrou nenhuma terra indígena. Ela admite que algumas áreas indígenas precisam ser ampliadas, mas via indenização justa, “e não confisco”.

“Não é assunto para demarcação quando os índios foram retirados para colonização. Não se pode fundamentar em 1500. Senão, o prédio da Folha tem de ser desapropriado e entregue pra índio”, afirmou.

A antropóloga-fazendeira afirma que tem um bom relacionamento com os índios. “Na minha fazenda, do lado do Paraguai, temos uma aldeia. E, desde que nós mudamos, há 32 anos, quem socorre os índios sou eu. Quando ocorria uma picada de cobra, eles vinham na fazenda solicitar que fossemos buscar.”

Ao seu lado, a advogada Luana disse que a criação da ONG foi a solução encontrada para “nos legitimar e participar das reuniões e descobrir o que está acontecendo”.

A entrevista ocorreu durante uma carreata realizada pelos produtores rurais anteontem. Em certo momento, uma amiga cumprimentou Roseli brincando: “Não vai virar a casaca, hein?”.

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12/06/2013 – 04h00

Presidente de associação contesta reportagem sobre índios

CARMEN RIAL
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA
DE FLORIANÓPOLIS (SC)

Esclarecemos que a mulher [Roseli Ruiz] objeto da reportagem “Fazendeira vira antropóloga e faz laudos contra índios” não é filiada à ABA (Associação Brasileira de Antropologia) e que, conforme seu currículo Lattes, teria feito um curso “lato sensu” em antropologia, o que não equivale a um “diploma de antropóloga”.

Importa esclarecer que relatórios e laudos antropológicos são peças técnicas distintas, elaboradas por profissionais com formação acadêmica reconhecida e conhecimento etnográfico sobre o grupo ou a circunstância enfocados, impossíveis de serem elaborados em tempo exíguo e por profissionais sem a formação necessária. Sua atuação é incompatível com o nosso Código de Ética.

Mice Give New Clues to Origins of Obsessive-Compulsive Disorder (Science Daily)

June 10, 2013 — Columbia Psychiatry researchers have identified what they think may be a mechanism underlying the development of compulsive behaviors. The finding suggests possible approaches to treating or preventing certain characteristics of OCD.

Using a new technology in a mouse model, the researchers found that repeated stimulation of specific circuits linking the brain’s cortex and striatum produces progressive repetitive behavior. (Credit: Image courtesy of Columbia University Medical Center)

OCD consists of obsessions, which are recurrent intrusive thoughts, and compulsions, which are repetitive behaviors that patients perform to reduce the severe anxiety associated with the obsessions. The disorder affects 2-3 percent of people worldwide and is an important cause of illness-related disability, according to the World Health Organization.

Using a new technology in a mouse model, the researchers found that repeated stimulation of specific circuits linking the brain’s cortex and striatum produces progressive repetitive behavior. By targeting this region, it may be possible to stop abnormal circuit changes before they become pathological behaviors in people at risk for obsessive-compulsive disorder (OCD). The study, which was led by Susanne Ahmari, MD, PhD, assistant professor of clinical psychiatry at Columbia Psychiatry and the New York State Psychiatric Institute, was published in the June 7 issue of Science.

While the obsessions and compulsions that are the hallmarks of OCD are thought to be centered in the cortex, which controls thoughts, and the striatum, which controls movements, little is known about how abnormalities in these brain regions lead to compulsive behaviors in patients.

To simulate the increased activity that takes place in the brains of OCD patients, Dr. Ahmari and her colleagues used a new technology called optogenetics, in which light-activated ion channels are expressed in subsets of neurons in mice, and neural circuits are then selectively activated using light delivered through fiberoptic probes.

“What we found was really surprising,” said Dr. Ahmari. “That activation of cortico-striatal circuits did not lead directly to repetitive behaviors in the mice. But if we repeatedly stimulated for multiple days in a row for only five minutes a day, we saw a progressive development of repetitive behaviors — in this case, repetitive grooming behavior — that persisted up to two weeks after the stimulation was stopped.”

She added, “And not only that, when we treated the mice with fluoxetine, one of the most common medications used for OCD, their behavior went back to normal.” The current study, as well as others currently being performed by Dr. Ahmari and her team, may ultimately provide clues for new treatment targets in terms of both novel drug development and direct stimulation techniques, including deep brain stimulation (DBS).

The study was supported by grants from NIMH (K08MH087718; K24 MH091555), the Louis V. Gerstner, Jr. Scholars Program, the Irving Institute for Clinical and Translational Research, the Gray Matters Foundation, the Leon Levy Foundation, and a NARSAD Young Investigator Award.

Journal Reference:

  1. S. E. Ahmari, T. Spellman, N. L. Douglass, M. A. Kheirbek, H. B. Simpson, K. Deisseroth, J. A. Gordon, R. Hen.Repeated Cortico-Striatal Stimulation Generates Persistent OCD-Like BehaviorScience, 2013; 340 (6137): 1234 DOI: 10.1126/science.1234733

When Will My Computer Understand Me? (Science Daily)

June 10, 2013 — It’s not hard to tell the difference between the “charge” of a battery and criminal “charges.” But for computers, distinguishing between the various meanings of a word is difficult.

A “charge” can be a criminal charge, an accusation, a battery charge, or a person in your care. Some of those meanings are closer together, others further apart. (Credit: Image courtesy of University of Texas at Austin, Texas Advanced Computing Center)

For more than 50 years, linguists and computer scientists have tried to get computers to understand human language by programming semantics as software. Driven initially by efforts to translate Russian scientific texts during the Cold War (and more recently by the value of information retrieval and data analysis tools), these efforts have met with mixed success. IBM’s Jeopardy-winningWatson system and Google Translate are high profile, successful applications of language technologies, but the humorous answers and mistranslations they sometimes produce are evidence of the continuing difficulty of the problem.

Our ability to easily distinguish between multiple word meanings is rooted in a lifetime of experience. Using the context in which a word is used, an intrinsic understanding of syntax and logic, and a sense of the speaker’s intention, we intuit what another person is telling us.

“In the past, people have tried to hand-code all of this knowledge,” explained Katrin Erk, a professor of linguistics at The University of Texas at Austin focusing on lexical semantics. “I think it’s fair to say that this hasn’t been successful. There are just too many little things that humans know.”

Other efforts have tried to use dictionary meanings to train computers to better understand language, but these attempts have also faced obstacles. Dictionaries have their own sense distinctions, which are crystal clear to the dictionary-maker but murky to the dictionary reader. Moreover, no two dictionaries provide the same set of meanings — frustrating, right?

Watching annotators struggle to make sense of conflicting definitions led Erk to try a different tactic. Instead of hard-coding human logic or deciphering dictionaries, why not mine a vast body of texts (which are a reflection of human knowledge) and use the implicit connections between the words to create a weighted map of relationships — a dictionary without a dictionary?

“An intuition for me was that you could visualize the different meanings of a word as points in space,” she said. “You could think of them as sometimes far apart, like a battery charge and criminal charges, and sometimes close together, like criminal charges and accusations (“the newspaper published charges…”). The meaning of a word in a particular context is a point in this space. Then we don’t have to say how many senses a word has. Instead we say: ‘This use of the word is close to this usage in another sentence, but far away from the third use.'”

To create a model that can accurately recreate the intuitive ability to distinguish word meaning requires a lot of text and a lot of analytical horsepower.

“The lower end for this kind of a research is a text collection of 100 million words,” she explained. “If you can give me a few billion words, I’d be much happier. But how can we process all of that information? That’s where supercomputers and Hadoop come in.”

Applying Computational Horsepower

Erk initially conducted her research on desktop computers, but around 2009, she began using the parallel computing systems at the Texas Advanced Computing Center (TACC). Access to a special Hadoop-optimized subsystem on TACC’s Longhornsupercomputer allowed Erk and her collaborators to expand the scope of their research. Hadoop is a software architecture well suited to text analysis and the data mining of unstructured data that can also take advantage of large computer clusters. Computational models that take weeks to run on a desktop computer can run in hours on Longhorn. This opened up new possibilities.

“In a simple case we count how often a word occurs in close proximity to other words. If you’re doing this with one billion words, do you have a couple of days to wait to do the computation? It’s no fun,” Erk said. “With Hadoop on Longhorn, we could get the kind of data that we need to do language processing much faster. That enabled us to use larger amounts of data and develop better models.”

Treating words in a relational, non-fixed way corresponds to emerging psychological notions of how the mind deals with language and concepts in general, according to Erk. Instead of rigid definitions, concepts have “fuzzy boundaries” where the meaning, value and limits of the idea can vary considerably according to the context or conditions. Erk takes this idea of language and recreates a model of it from hundreds of thousands of documents.

Say That Another Way

So how can we describe word meanings without a dictionary? One way is to use paraphrases. A good paraphrase is one that is “close to” the word meaning in that high-dimensional space that Erk described.

“We use a gigantic 10,000-dimentional space with all these different points for each word to predict paraphrases,” Erk explained. “If I give you a sentence such as, ‘This is a bright child,’ the model can tell you automatically what are good paraphrases (‘an intelligent child’) and what are bad paraphrases (‘a glaring child’). This is quite useful in language technology.”

Language technology already helps millions of people perform practical and valuable tasks every day via web searches and question-answer systems, but it is poised for even more widespread applications.

Automatic information extraction is an application where Erk’s paraphrasing research may be critical. Say, for instance, you want to extract a list of diseases, their causes, symptoms and cures from millions of pages of medical information on the web.

“Researchers use slightly different formulations when they talk about diseases, so knowing good paraphrases would help,” Erk said.

In a paper to appear in ACM Transactions on Intelligent Systems and Technology, Erk and her collaborators illustrated they could achieve state-of-the-art results with their automatic paraphrasing approach.

Recently, Erk and Ray Mooney, a computer science professor also at The University of Texas at Austin, were awarded a grant from the Defense Advanced Research Projects Agency to combine Erk’s distributional, high dimensional space representation of word meanings with a method of determining the structure of sentences based on Markov logic networks.

“Language is messy,” said Mooney. “There is almost nothing that is true all the time. “When we ask, ‘How similar is this sentence to another sentence?’ our system turns that question into a probabilistic theorem-proving task and that task can be very computationally complex.”

In their paper, “Montague Meets Markov: Deep Semantics with Probabilistic Logical Form,” presented at the Second Joint Conference on Lexical and Computational Semantics (STARSEM2013) in June, Erk, Mooney and colleagues announced their results on a number of challenge problems from the field of artificial intelligence.

In one problem, Longhorn was given a sentence and had to infer whether another sentence was true based on the first. Using an ensemble of different sentence parsers, word meaning models and Markov logic implementations, Mooney and Erk’s system predicted the correct answer with 85% accuracy. This is near the top results in this challenge. They continue to work to improve the system.

There is a common saying in the machine-learning world that goes: “There’s no data like more data.” While more data helps, taking advantage of that data is key.

“We want to get to a point where we don’t have to learn a computer language to communicate with a computer. We’ll just tell it what to do in natural language,” Mooney said. “We’re still a long way from having a computer that can understand language as well as a human being does, but we’ve made definite progress toward that goal.”

Survival condemns Steven Pinker’s ‘Brutal Savage’ myth (Survival International)

12 June 2013

Steven Pinker, like Jared Diamond, bases his assertion that the Yanomami are a violent people solely on the work of controversial anthropologist Napoleon Chagnon.Steven Pinker, like Jared Diamond, bases his assertion that the Yanomami are a violent people solely on the work of controversial anthropologist Napoleon Chagnon. © Fiona Watson/Survival

Survival International has launched a vigorous rebuttal of Harvard ‘evolutionary psychologist’ Steven Pinker’s claim that tribal people are more violent than state societies.

In articles published this week in US journal Truthout, and the UK-based OpenDemocracy, Survival International’s Director Stephen Corry accuses Pinker – once named by Time magazine as one of the world’s 100 most influential people – of ‘claiming scientific support for what is mere opinion by falsely charging contemporary tribal peoples with more or less unremitting villainy.’

Corry writes, ‘Pinker’s baldly stated facts shake and buckle under cross-examination’. He accuses Pinker of: omitting facts which don’t fit his argument; getting many of his facts wrong; citing only those experts who agree with him; and ignoring the many others who don’t.

Starting with the first example in Pinker’s recent book ‘The Better Angels of Our Nature’ – the 5,200-year-old ‘Iceman’ named Ötzi – Corry reveals how Pinker’s suggestion that he was killed in a clash with another tribe is implausible. Corry goes on to expose countless other errors in Pinker’s supposedly ‘scientific’ argument, which has close parallels with the recent book ‘The World Until Yesterday’ by Jared Diamond.

Pinker, like Diamond, accuses Papuans of being violent, but ignores the tens of thousands killed by Indonesia's armed forces.Pinker, like Diamond, accuses Papuans of being violent, but ignores the tens of thousands killed by Indonesia’s armed forces. © Survival

‘The data presented by these authors [Steven Pinker and Jared Diamond] is at least contentious, where it’s not plain wrong. They go out of their way to portray tribes as ‘Brutal Savages’ … [For example], twenty percent of the data Pinker uses to categorize the violence of the entire planet’s tribal peoples (excluding ‘hunter-gatherers’) is derived from a single anthropologist, Napoleon Chagnon – whose data has been severely criticized for decades.’

Of Pinker’s principal declaration – that our ancestors (and today’s tribal peoples) were more violent than ‘civilized’ Western society – Corry concludes, ‘Pinker [believes] we are brutal savages until tamed by a nation state bringing peaceful civilization. As far as contemporary tribal peoples are concerned, it couldn’t be further from the truth: the arrival of the state unleashes a savagery second to none in its brutality.’

Read more about the myth of the ‘Brutal Savage’ and how some writers are pushing the view that tribal people are particularly violent.

People Are Overly Confident in Their Own Knowledge, Despite Errors (Science Daily)

June 10, 2013 — Overprecision — excessive confidence in the accuracy of our beliefs — can have profound consequences, inflating investors’ valuation of their investments, leading physicians to gravitate too quickly to a diagnosis, even making people intolerant of dissenting views. Now, new research confirms that overprecision is a common and robust form of overconfidence driven, at least in part, by excessive certainty in the accuracy of our judgments.

New research confirms that overprecision is a common and robust form of overconfidence driven, at least in part, by excessive certainty in the accuracy of our judgments. (Credit: © pressmaster / Fotolia)

The research, conducted by researchers Albert Mannes of The Wharton School of the University of Pennsylvania and Don Moore of the Haas School of Business at the University of California, Berkeley, revealed that the more confident participants were about their estimates of an uncertain quantity, the less they adjusted their estimates in response to feedback about their accuracy and to the costs of being wrong.

“The findings suggest that people are too confident in what they know and underestimate what they don’t know,” says Mannes.

The new findings are published in Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science.

Research investigating overprecision typically involves asking people to come up with a 90% confidence interval around a numerical estimate — such as the length of the Nile River — but this doesn’t always faithfully reflect the judgments we have to make in everyday life. We know, for example, that arriving 15 minutes late for a business meeting is not the same as arriving 15 minutes early, and that we ought to err on the side of arriving early.

Mannes and Moore designed three studies to account for the asymmetric nature of many everyday judgments. Participants estimated the local high temperature on randomly selected days and their accuracy was rewarded in the form of lottery tickets toward a prize. For some trials, they earned tickets if their estimates were correct or close to the actual temperature (above or below); in other trials, they earned tickets for correct guesses or overestimates; and in some trials they earned tickets for correct guesses or underestimates.

The results showed that participants adjusted their estimates in the direction of the anticipated payoff after receiving feedback about their accuracy, just as Mannes and Moore expected.

But they didn’t adjust their estimates as much as they should have given their actual knowledge of local temperatures, suggesting that they were overly confident in their own powers of estimation.

Only when the researchers provided exaggerated feedback — in which errors were inflated by 2.5 times — were the researchers able to counteract participants’ tendency towards overprecision.

The new findings, which show that overprecision is a common and robust phenomenon, urge caution:

“People frequently cut things too close — arriving late, missing planes, bouncing checks, or falling off one of the many ‘cliffs’ that present themselves in daily life,” observe Mannes and Moore.

“These studies tell us that you shouldn’t be too certain about what’s going to happen, especially when being wrong could be dangerous. You should plan to protect yourself in case you aren’t as right as you think you are.”

Journal Reference:

  1. A. E. Mannes, D. A. Moore. A Behavioral Demonstration of Overconfidence in JudgmentPsychological Science, 2013; DOI: 10.1177/0956797612470700

Bolsa Família enfraquece o coronelismo e rompe cultura da resignação, diz socióloga (FSP)

11/06/2013 – 10h37

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.

A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família” (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36). O livro será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis. No local, haverá um debate mediado por Jézio Gutierre com a participação do cientista político André Singer e da socióloga Amélia Cohn.

Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa.

Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.

Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família “é o início de uma democratização real” do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: “Nossa elite é muito cruel”, afirma.

Socióloga Walquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família, que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila, em SPWalquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família, que será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila, em SP. Karime Xavier-31.mai.13/Folhapress

Folha – Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?

Walquiria Leão Rego – Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?

Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?

Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?

A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?

Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?

As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?

Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?

É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?

Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: ‘Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha’. Perguntei para outra. Ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem’. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?

Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?

Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?

O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?

São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?

Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: ‘A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender’.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?

O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?

Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?

Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?

A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de “Vidas Secas”], a vida não é tão seca mais.

“VOZES DO BOLSA FAMÍLIA”
AUTOR Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani
EDITORA Editora Unesp
QUANTO R$ 36 (248 págs.)
LANÇAMENTO hoje, às 19h, na Livraria da Vila – Shopping Higienópolis (av. Higienópolis, 618; tel. 0/xx/11/3660-0230)

You’re So Vain: Study Links Social Media Use and Narcissism (Science Daily)

June 11, 2013 — Facebook is a mirror and Twitter is a megaphone, according to a new University of Michigan study exploring how social media reflect and amplify the culture’s growing levels of narcissism.

New research shows that narcissistic college students and their adult counterparts use social media in different ways to boost their egos and control others’ perceptions of them. (Credit: © mtkang / Fotolia)

The study, published online inComputers in Human Behavior, was conducted by U-M researchers Elliot Panek, Yioryos Nardis and Sara Konrath.

“Among young adult college students, we found that those who scored higher in certain types of narcissism posted more often on Twitter,” said Panek, who recently received his doctorate in communication studies from U-M and will join Drexel University this fall as a visiting fellow.

“But among middle-aged adults from the general population, narcissists posted more frequent status updates on Facebook.”

According to Panek, Facebook serves narcissistic adults as a mirror.

“It’s about curating your own image, how you are seen, and also checking on how others respond to this image,” he said. “Middle-aged adults usually have already formed their social selves, and they use social media to gain approval from those who are already in their social circles.”

For narcissistic college students, the social media tool of choice is the megaphone of Twitter.

“Young people may overevaluate the importance of their own opinions,” Panek said. “Through Twitter, they’re trying to broaden their social circles and broadcast their views about a wide range of topics and issues.”

The researchers examined whether narcissism was related to the amount of daily Facebook and Twitter posting and to the amount of time spent on each social media site, including reading the posts and comments of others.

For one part of the study, the researchers recruited 486 college undergraduates. Three-quarters were female and the median age was 19. Participants answered questions about the extent of their social media use, and also took a personality assessment measuring different aspects of narcissism, including exhibitionism, exploitativeness, superiority, authority and self-sufficiency.

For the second part of the study, the researchers asked 93 adults, mostly white females, with an average age of 35, to complete an online survey.

According to Panek, the study shows that narcissistic college students and their adult counterparts use social media in different ways to boost their egos and control others’ perceptions of them.

“It’s important to analyze how often social media users actually post updates on sites, along with how much time they spend reading the posts and comments of others,” he said.

The researchers were unable to determine whether narcissism leads to increased use of social media, or whether social media use promotes narcissism, or whether some other factors explain the relationship. But the study is among the first to compare the relationship between narcissism and different kinds of social media in different age groups.

Funding for the study comes in part from The Character Project, sponsored by Wake Forest University via the John Templeton Foundation.

Journal Reference:

  1. Elliot T. Panek, Yioryos Nardis, Sara Konrath. Mirror or Megaphone?: How relationships between narcissism and social networking site use differ on Facebook and TwitterComputers in Human Behavior, 2013; 29 (5): 2004 DOI: 10.1016/j.chb.2013.04.012

Roberto DaMatta: Como não perder no futebol? (OESP)

12 de junho de 2013 | 2h 10

ROBERTO DAMATTA – O Estado de S.Paulo

-Qual é o maior problema do “nosso” futebol?

– Todos! Não ganhamos nada!

– Mas exportamos o futebol do Brasil para todo o mundo. Todos jogam como nós.

– Tudo bem… Mas por que não conseguimos ganhar?

– Precisamente por causa disso. Todo sucesso vira fracasso. Quem ganha perde…

Ouvi isso na barca indo para o Rio, eu que continuo insistindo em morar em Niterói. Ora, morar em Niterói é como não saber que o futebol sofre de um pecado original: o nosso time não pode perder. E, no entanto, se um time fosse eternamente ganhador os estádios ficariam vazios.

Num espaço de tempo que hoje engloba uns 100 anos, contabilizamos muitos jogos e, em consequência, muitas perdas e ganhos. As derrotas, contudo, são mais lembradas porque nossa memória retém – como dizia Freud – mais a ferida e o sofrimento (o trauma) do que o gozo, o encantamento e a beleza de céu estrelado das experiências transitórias (aliás, Freud tem um belíssimo ensaio sobre esse assunto). O belo passa e o feio fica? De modo algum. Mas o bom é amarrado com teias de aranha, ao passo que o ruim deixa cicatrizes. Pensamos a vida como uma escada quando, de fato, ela é uma bola que gira sem parar e corre mais do que nós.

Notei num ensaio presunçoso que, em inglês, existe uma diferença entre jogar e jogar. Entre “to gamble” e “to play”; entre ir a um cassino para apostar ou jogar tênis e tocar um piano. Num caso é necessário algum tipo de habilidade sem a qual não há música ou disputa, mas nos jogos de azar basta ter sorte. Mas além de “gamble” e “play” existe a palavra “match” para designar o encontro equilibrado entre dois adversários.

Veja o leitor. Na roleta não há um “match”, porque as chances são da banca. É um jogo com aficionados, mas sem “atletas”. Ninguém compete com uma roleta, mas contra ela. No mundo do esporte, porém, a disputa se transforma em competição. A igualdade inicial é um ponto central da dualidade constitutiva do esporte. Ora, a dualidade é o eixo sobre o qual gira a reciprocidade contida das fórmulas da caridade, das boas maneiras, da vingança e do dar-para-receber como viu Marcel Mauss. A palavra “partida” designa isso e antigamente era usada para se falar do futebol que retorna com a força das paixões recalcadas.

Para nós, brasileiros, o verbo jogar engloba tanto o jogo de azar (como o famoso e até hoje milagrosamente ilegal “jogo do bicho” e as loterias bancadas pelo governo) quanto o encontro esportivo regrado e igualitário, essa disputa agônica constitutivamente ligada à probabilidade de vencer ou perder.

Mas se uma mesma palavra – jogo – junta o jogo de azar e a disputa esportiva – nem por isso lembramos que o futebol é imprevisível. Nossa leitura canônica do futebol é sempre a de uma luta na qual o time do nosso coração vai ganhar, daí as desilusões das derrotas. Podemos perder, sem dúvida, mas resistimos freudianamente a pensar nessa possibilidade. Temos perdido muito, sem dúvida, mas recusamos perpetrar a única coisa acertada diante da derrota: aceitá-la.

Surge, então, o problema cósmico do futebol no Brasil. Como admitir que perder e ganhar fazem parte da própria estrutura desse jogo, se nós – em princípio – não lemos na palavra jogo a possibilidade de derrota? A agonia e o prazer do futebol estão ligados precisamente a essa possibilidade, mas isso é afastado do nosso consciente. Quando vamos ao jogo, vamos à vitória e há motivos para isso. Um deles eu mencionei na semana passada: o futebol foi o primeiro elemento extraordinariamente positivo de uma autovisão que era permanentemente negativa. Como imaginar que um povo convencido de sua inferioridade natural como atrasado, porque era mestiço, pudesse disputar (e vencer) os brancos “adiantados” e “puros”, que inventaram a civilização e o futebol?

Quando começamos a dominar o futebol dele, fazendo um fato social total: algo com elementos econômicos, religiosos, culturais, morais, políticos, filosóficos e cósmicos – uma grande tela que projetava tudo -, descobrimos que o que vinha de fora podia ser canibalizado e tornar-se nosso. Era possível inverter a lógica colonial. A digestão do outro pela sua incorporação ou englobamento sociopolítico no nosso meio é o pano de fundo do roubo do fogo dos deuses pelos homens.

No entanto, é preciso uma nota cautelar. Roubamos o futebol, mas não a vitória perpétua. Confundir a atividade futebolista com o sucesso permanente é infantil. Na política, isso surge com o vencer a qualquer custo ou, como diz um professor de poder no poder, o Sr. Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar…”. Ou seja: temos que vencer com ou sem jogo o que, lamentavelmente, mas graças a Deus, é bem diferente do futebol. Escrevi essas péssimas linhas antes da vitória de 3 a 0 contra a França! Somos, de agora em diante, somente vencedores? Um lado meu espera que sim…

*   *   *

O futebol como filosofia

05 de junho de 2013

ROBERTO DAMATTA – O Estado de S.Paulo

O jogo é um modelo da vida. Ele exige temporadas, palcos, equipamentos (mesas, baralhos, dados, roletas, bolas, uniformes, redes, tacos) e regras de modo a garantir uma atenção apaixonada. E como tem início, meio e fim o jogo reduz a indiferença da vida. Com isso, faz com que meros passantes possam posar de campeões. O domingo pode não ter mesa farta, mas tem o jogo do Brasil com sua pompa e seus resplendores de esperança. Os jogos são uma das passagens secretas que permitem escapar de nós mesmos.

Dentre os esportes modernos, o futebol praticado no Brasil é certamente o mais denso. Simoni Lahud Guedes, uma estudiosa pioneira do futebol sugere que ele seria uma tela sobre a qual projetamos nossas indagações. Nascido na Inglaterra industrial dos 1860, o futebol ganhou regras fixas e, desde então, tem sido o sujeito predileto de intensas projeções simbólicas em todo o planeta.

No Brasil, ele acordou reações. Embora tivesse a chancela colonial de tudo o que vinha de fora e da poderosa Inglaterra, era uma atividade desconhecida. Um “esporte” (uma disputa governada por normas e pela necessidade imperiosa de saber vencer e perder), algo inusitado num Brasil que conhecia duelos e brigas que sempre acabavam mal.

Ademais, exercícios físicos e banhos frios não faziam parte da prática nacional. Entre nós, a barriguinha sempre foi prova de riqueza e da imobilidade física – expressiva do ideal de imobilidade social. Como receber essa inovação marcada pela disputa física veloz e igualitária, na qual perder e ganhar são – como na democracia – parte de sua estrutura? Onde encontrar um lugar para um jogo livre das restrições aristocráticas do nome de família, da cor da pele, e da “aparência”. Esse marco com o qual convivemos até hoje no Brasil?

O futebol sofreu muitos ataques em nome de um nacionalismo que se pensava frágil como porcelana. E, no entanto, como estamos vendo nessas vésperas de Copas, canibalizamos e digerimos o “foot-ball”, roubando-o dos ingleses. Hoje, há um estilo brasileiro de jogar e produzir esse esporte. De quinta coluna capaz de desvirtuar, ao lado da música e do cinema americanos, o estilo de vida e a língua pátria, o futebol acabou servindo como um instrumento básico de reflexão sobre o Brasil, conforme eu mesmo assinalei no livro Universo do Futebol, no qual, em 1982, agrupei um conjunto de ensaios socioantropológicos de colegas sobre esse esporte. Em 2006, no livro A Bola Corre Mais Que os Homens, reuni trabalhos nos quais apresentava uma saída para o dilema do esporte como alienação ou consciência do mundo insistindo como, no Brasil, o sucesso futebolístico foi o nosso primeiro instrumento de autoestima diante dos países “adiantados” e inatingíveis. O futebol foi o alento de um Brasil que se concebia como doente pela mistura de raças e que, até hoje, tem problemas em conviver consigo mesmo. Ele é a garantia do recomeço honrado na derrota e do gozo sem arrogância e corrupção na vitória.

Como prova do imprevisível destino das coisa sociais, o futebol não veio confirmar a dominação colonial. Pelo contrário, ele nos fez colonizadores e, mais que isso, filósofos por meio de toda uma literatura que a partir de Nelson Rodrigues, Jacinto de Thormes (Maneco Muller), José Lins do Rego e Armando Nogueira, entre outros, nos permitiu articular uma leitura positiva do mundo.

Literatura? Não seria um exagero? Digo que não e vou mais longe para acrescentar: o futebol criou entre nós uma filosofia, uma antropologia e uma teologia. O seu maior papel foi, como eu disse algumas vezes, o de ensinar democracia. Foi o de revelar com todas as letras que não se ganha sempre e que o mundo é instável como uma bola. Perder e vencer, ensina o futebol, fazem parte de uma mesma moeda.

Nelson Rodrigues fala de jogos bíblicos, do mesmo modo que nos abre a uma metafísica quando associa jogos e craques a destinos fechados ou ao afirmar que já no começo do mundo aquele gol seria perdido. Sua condenação da “objetividade burra” é uma crítica aguda de um senso comum hierarquizado e aristocrático que tenta tornar a própria vida algo oficial, possuída pelo Estado. Por outro lado, sua antropologia inaugura uma neoaristocracia nativa insonhável de negros e mestiços que deixam de ser híbridos enfermiços e passam – tal como ocorreu no jazz de uns Estados Unidos segregados – a príncipes, duques, condes e reis, apesar de nossos desejos inconfessáveis de fracasso. A sub-raça envenenada dos que queriam curar o Brasil se tornou a metarraça que, driblando os nossos subsociólogos – esses cartolas acadêmicos -, nos brindou com cinco Copas do Mundo. “A pátria em chuteiras” abria um novo espaço para esse futebol não branco, permitindo a países como o Brasil, uma redefinição inclusive muito mais abrangente e sem preconceitos de suas identidades nacionais.

“La violencia define la vida de los pobres” (Tiempo Argentino)

19.05.2013 | entrevista a javier auyero

Con la maestra María Fernanda Berti, estudiaron en un barrio del Conurbano la otra cara de la inseguridad.

Por: Lucía Álvarez

Cuando el sociólogo Javier Auyero y la maestra María Fernanda Berti comenzaron su investigación en una escuela primaria de Ingeniero Budge, en la ribera del Riachuelo a metros de la Capital Federal, la intención era otra: replicar el trabajo en Villa Inflamable, estudiar el sufrimiento ambiental en otro barrio del Conurbano Bonaerense. Sin embargo, a semanas de haber empezado su trabajo de campo, surgió lo inesperado. Junto a los relatos “tóxicos” sobre los basurales a cielo abierto y el agua con sabor a aceite, los alumnos llevaban historias de asesinatos, violaciones, tiroteos y peleas domésticas. Retrataban una dimensión de la violencia invisible a los ojos de los investigadores; una violencia que permeaba y definía la vida de la gente.

“No estábamos equipados para estudiar este tema. Por eso, al principio decidimos no prestarle atención, pensábamos que nos distraía de nuestro objetivo. Pero la frecuencia en los registros y la insistencia de los relatos nos terminó forzando a indagar en esas violencias”, confiesa Auyero tres años después de ese punto de inflexión, y a una semana de que La violencia en los márgenes, publicado por la editorial Katz, llegue a las librerías.

No es la primera vez que el profesor de sociología de la Universidad de Texas, Austin, invita a reflexionar sobre temas que se creían saldados. Hace quince años, con La política de los pobres, Auyero derribó mitos en torno al clientelismo político y mostró que se trataba de una forma de sobrevivir a la pobreza y la desigualdad. Más tarde, reveló la trama en torno a los saqueos de 2001 con La zona gris y puso de manifiesto el complejo vínculo entre violencia colectiva, política partidaria y vida cotidiana. Ahora, Auyero y Berti se atrevieron a deconstruir el discurso sobre la seguridad para señalar que en la discusión pública no hay lugar para la violencia que sufren los pobres.

“Creo que si tomo como parámetro de comparación mi primer trabajo intensivo, en Villa Jardín, donde la gente hablaba de los pibes de la esquina que fumaban porro, a hoy, veinte años más tarde, el panorama es muy distinto. A diferencia de lo que sucedía un cuarto de siglo atrás, hoy la violencia permea y define la vida de los sectores populares. Tomando datos objetivos, estadísticos, y subjetivos, me quedan muy pocas dudas de que estos barrios son más violentos de lo que eran. Los chicos, adolescentes y adultos hablan casi compulsivamente de esta experiencia. No de un asalto, sino uno seguido de un tiro, de un cuchillazo, y muchas veces seguido de muerte”, reflexiona en diálogo con Tiempo Argentino.

–¿Los sectores populares no estuvieron desde siempre más expuestos a la violencia?

–Estamos hablando de más violencia, y en términos generales, de una nueva naturaleza de esta violencia. Antes, nos referíamos a la violencia del Estado, que hoy no ha desaparecido, pero que ahora vemos interactuando con otras formas que están concatenadas. Tenés violencia doméstica, con un marido que le pega a una mujer; sexual, con un tío que abusa de sus sobrinas; y una violencia que ocurre públicamente en asaltos, tiroteos y homicidios. Primero detectamos la frecuencia, y luego, comenzamos a hacer un trabajo de detectives, para ver cómo se conectaban entre sí. Porque veíamos que el dealer podía ser violento con un cliente, pero cuando iba a la casa, la mamá lo encadenaba y le pegaba para que no consuma. Esto quiere decir que este tipo de violencias que pensamos como fenómenos aislados, en algunos casos, están interconectadas.

–¿Cómo explica que, a pesar de una mayor presencia estatal y una mejor distribución de los ingresos, haya habido este retroceso en la calidad de vida de los sectores populares?

–Si uno toma dos fotos del mismo barrio, en los años setenta y hoy, lo que ve es un enorme proceso de informalización. Los sectores más afectados, los más pobres, experimentaron la desaparición de los modos formales de regulación del conflicto, las instituciones formales dejaron de regular la vida. Yo puedo estar o no de acuerdo en que se han recuperado ciertos derechos, que ha crecido la economía, que el Estado adquirió un rol más importante, pero también hay que remarcar la mayor presencia del Estado punitivo. Hoy hay más gente presa. Y a diferencia de hace 25 años, la cárcel se ha vuelto una institución de la vida cotidiana. Antes nadie hablaba de un familiar preso, o era muy raro. Hoy buena parte de las familias de los sectores populares están afectadas por el brazo punitivo. Si uno quiere entender el porqué puede decir que hay informalización, desproletarización, mayor degradación de las condiciones de vida, mayor presencia  de un Estado contradictorio. Pero es imposible encontrar una causa.

–La etnografía es en Arquitecto Tucci, ¿a qué sector social es extensible esta conclusión?

–No estamos en posición de generalizar. No sé si esto ocurre en Moreno, en José C Paz. Pero sí esta es una invitación a mirar que si hay muchos casos de violencia, es posible que estén concatenados. Y me parece que hay que empezar a decir, aunque esto no va a tranquilizar a los lectores, que las víctimas de la violencia están sobre todo entre los más postergados.

–¿Qué tipos de efectos colectivos e individuales generan a mediano y largo plazo “la violencia como aprendizaje”?

–Ese es el tema más complicado para investigar y reflexionar. Porque creo que en la teoría social se tiende a pensar que, a mayor exposición, se está más “dispuesto a”. No se trata de que estos sectores valoran la violencia. No estamos argumentando sobre valores, pero sí estamos señalando que al estar expuestos, aprenden a defenderse, a pegar una trompada, a ser más efectivo, a disciplinar a sus hijos, a manejarse en zonas del barrio. Esos chicos aprenden a lidiar con situaciones para las cuales mis hijos no están equipados. Eso no quiere decir que valoren más la violencia, sino que es otro repertorio de acción, otro habitus. A diferencia de la clase media, cuando un chico de diez años ya vio un cadáver, sabe dónde conseguir una bala, distingue entre calibres, se relaciona con la violencia de otra manera.

–¿En Argentina hay conciencia de este problema?

–A mí no me gusta hablar de una conciencia colectiva. Pero es cierto que el tema de la violencia que sufren estos sectores no es un tema que aparece con frecuencia en la discusión pública. Sí, en cambio, la que estos sectores perpetran sobre otros. El pibe chorro es una figura emblemática de la violencia. Y la discusión ronda en torno a cómo controlar a ese perpetrador, sin dar un debate sobre las condiciones que lo produce. Como apuesta política e intelectual, el libro propone mirar lo que pasa en estos lados, porque se sabe poco, se habla poco y se habla mal.

–¿Es correcto hablar de ghetto?

–La noción de ghetto, en Ciencias Sociales, se usa para características que no están presentes acá, porque hace referencia a cuestiones raciales de la población o de mecanismos de dominación racial. Sí es pertinente hablar de territorios segregados. Porque esta gente está bastante poco integrada con otras zonas de la Capital, toman peor agua, no tienen pavimento, van a peores escuelas. En ese sentido, hablo de margen urbano.

–Mencionaba el peso de la informalización, ¿cuánto colabora con este panorama el mercado ilegal de drogas?

–La economía de las drogas ilícitas es siempre un arma de doble filo. Las drogas pueden mantener a los barrios económicamente, y por el otro lado, los puede destruir. Yo no diría que es un mito que en Argentina ha aumentado el tráfico. Si se ven los mapas de distribución, hoy Argentina aparece en la región como un lugar, no sólo de paso, sino también de consumo: el mercado interno se ha consolidado. Cualquiera que haya estudiado cómo funciona este mercado sabe que en el Conurbano efectivamente ha aumentado el tráfico de drogas ilícitas. Pero la conexión entre drogas y violencia no se da exclusivamente por el efecto psicofarmacológico que produce. La mayor frecuencia de situaciones violentas producidas por las drogas es porque el mercado es ilegal y por ende inherentemente violento. Si a estos elementos –informalización, intervención de la policía, expansión del mercado de las drogas y su transformación interna– le sumás el trabajo en la Salada, el mercado localizado en donde hicimos trabajo de campo, uno entiende por qué es tan violento Arquitecto Tucci. Son miles de personas que salen con cash dos veces por semana. Así se presentan oportunidades para el crimen. El libro no intenta atribuir causalidad, pero es cierto que estos factores explican bastante.

–¿Funcionan esta concatenación de violencias como formas de control social?

–Me cuesta pensar que hay un agente detrás. Un plan, una intención de control. Efectivamente funciona sometiendo, fragmentando, debilitando, destruyendo a la gente que allí vive. No puedo decir que es un ejercicio de control de parte de los sectores dominantes. Ahora, el hecho de que una mujer tenga que acudir a la policía, que la sabe delincuente, para disciplinar su hijo, me parece una forma de lo más paradójica de gobernamentalidad, en el sentido foucaultiano de gobierno sobre las mentes y los cuerpos. Porque es el propio sujeto gobernado quien demanda ser gobernado. Este orden social está creando sufrimiento. Esto no ocurre porque los sectores populares, los pobres, son así. Ocurre porque el propio orden social ha creado esta monstruosidad.

–¿Cómo, cuándo y produciendo qué efectos el Estado interviene en las disputas de los más pobres?

–El Estado aparece de muchas maneras, con la Asignación Universal por Hijo, con la escuela, el hospital, y aparece, con mayor frecuencia y clandestinidad, en la forma de la policía. Me parece que es erróneo hablar de que no está presente. El Estado produce parte de esa violencia: cualquiera sabe en el barrio que la policía pacta con los transas. Y después está el Estado que provee la AUH. No es una realidad monocromática.

–¿Cómo reinterpretar a la luz de esta evidencia la AUH? ¿Alcanza? ¿Es un modelo?

–A veces me resulta extraño cuando leo en los diarios la perspectiva del progresismo hablando de la AUH. No sé si se han tomado el trabajo de ver qué lugar ocupa en el presupuesto de una familia marginada. Es una ayuda, una asistencia. Pero atribuirle efectos mágicos o empoderadores es, para hablar mal y pronto, delirante: en el mejor de los tiempos, cubre una semana de los gastos de una familia tipo. La AUH, para tener los efectos que se le atribuyen desde ciertas posiciones políticas, se debería multiplicar por diez. Debería ser un ingreso que cubra en serio las necesidades de los más pobres. Creo que es tan erróneo decir que los pobres no van a trabajar porque reciben la asignación, como atribuirle el efecto contrario: que es igualador, que empodera a los signatarios, porque eso tampoco se basa en la experiencia de quien la recibe. La gente que la cobra la valora mucho, es cierto. Es un programa que funciona, eso no hay duda. Pero no hay que sobredimensionar la cosa… en el país de los ciegos, el tuerto puede ser rey para la política, pero no para las Ciencias Sociales que investigan de manera cuidadosa.

–¿Cuánto margen de maniobra tiene la escuela?

–Fernanda, la otra autora del libro, que es maestra, apuesta por la función de la escuela como integradora, como posible actor del ascenso social. Me cuesta pensar en cuánto pueden hacer estas escuelas en las que chicos y chicas tienen dos horas y diez minutos promedio por día de horas efectivas de clase.

–En el libro trabajan con tasas de criminalidad y mencionan que no es correcto comparar con las de otros países. ¿Este es un proceso regional o es síntoma de que nuestra “estructura social” está más latinoamericanizada?

–Yo creo que buena parte de América Latina está asistiendo al crecimiento y la diversificación de la violencia. En ese sentido, se puede pensar en países como Venezuela, en donde la violencia comunitaria o familiar, o la vinculada a las drogas ha aumentado. En su naturaleza y en su intensidad. Hay nuevas formas de violencia coexistiendo. Pero no tiene mucho sentido citar las tasas en Centroamérica o Sudáfrica para comparar con Argentina. Te lleva a decirle a la gente que vive esa violencia, que lo viva como un estadística, es pedirle a la gente que viva su temor como lo estudia un demógrafo o un sociólogo. Otra mención sobre el trabajo con las tasas de criminalidad es la dificultad para encontrar datos. El Indec no me pudo proporcionar ni siquiera la cantidad de habitantes del barrio. Yo tuve otra relación con el Indec hace unos años. Si bien me costó mucho producir mis propios datos sobre criminalidad y violencia, tengo la confianza necesaria para decir que es una tendencia que existe en la Argentina.

–¿Qué soluciones hay?

–Yo creo que uno debe destacar el elemento estructural. Hay que volver a señalar que la raíz última es la informalización de la economía, la degradación de las condiciones de vida, la manera de operar del estado patriarcal. Pero sería muy útil pensar qué se puede hacer. Integrar al mercado laboral y al educativo, es una opción, pero además, hay que pensar otros problemas. ¿Cómo le pedimos a una mamá de un chico adicto, a la que el marido le pega, que viaje una hora a la comisaría de la mujer, y otra hora y media para tratar de internar al hijo? ¿Por qué no pensamos en una oficina del Estado que, para confrontar la violencia encadenada, integre su manera de tratar los problemas? En ese sentido es razonable decir que los más marginados están abandonados.

–En el libro hablan de una balcanización de las Ciencias Sociales para abordar la violencia, ¿también se puede hablar de una balcanización de las políticas públicas?

–La violencia está encadenada y la solución tiene que ser integral. Eso es lo que se desprende del libro. No podemos seguir tratando la adicción como un problema y la violencia doméstica como otro. En los efectos, la política pública está balcanizada.  -<dl

AP Interview: Brazil Sports Minister complained to FIFA about high World Cup ticket prices (Washington Post)

(Bebeto Matthews/ Associated Press ) – Aldo Rebelo, Brazil’s minister of sport, speaks during an interview Tuesday, June 4, 2013, in New York. Rebelo complained to FIFA about high prices contemplated for next year’s World Cup, and said soccer’s governing body will give 50,000 free tickets to poor communities and make half-price seats available to the elderly and students.

By Associated Press, Published: June 4

NEW YORK — Brazil’s Minister of Sport complained to FIFA about high prices contemplated for next year’s World Cup, and said soccer’s governing body will give 50,000 free tickets to poor communities and make half-price seats available to the elderly and students.

FIFA said last week it will announce prices on July 1 for the 2014 tournament and ticket sales will start Aug. 20. For the 2010 World Cup, prices were announced in November 2007 and sales started in February 2009.

Non-premium prices for the 2010 tournament in South Africa ranged from $70-$450 for the opener and $20-$160 for other first-round matches, and escalated to $150-$900 for the final.

During an interview Thursday at The Associated Press, Aldo Rebelo said prices for the tournament in Brazil, to be played from June 12-July 14, became an issue.

“I spoke with FIFA representatives, stating that this was unacceptable, that the prices were so high,” he said through a translator. “This is really a celebration of the people of Brazil. Soccer is very important for the whole population in Brazil. So I mentioned to FIFA representatives, how about that part of the population that cannot afford those expensive tickets?”

The U.S. Central Intelligence Agency’s World Factbook estimates Brazil’s per capita income at $12,000 last July 1, ranked 106th among nations. Qatar, the 2022 World Cup host, is first at $102,800 and the United States is 15th at $49,800.

“FIFA has donated 50,000 tickets to these poor communities and Indigenous communities,” Rebelo said. “And also we have 50 percent discount for the elderly population and for students.”

For the Confederations Cup, an eight-nation warm-up tournament this month, FIFA is making available half-price tickets to Brazilian residents who are either students, 60 or older by June 30 or in the Bolsa Família government assistance program.

Brazil is spending an estimated $3.5 billion on stadium construction and renovation for the World Cup, and Rio de Janeiro also is getting ready to host the 2016 Summer Olympics. Among the construction projects are new highways, avenues and mass transit.

“The infrastructure investments are really geared toward all communities. The investments were already planned for before or regardless of the World Cup and the Olympics,” Rebelo said. “The whole population will benefit from these improvements in infrastructure.”

Estadio Olímpico Joao Havelange, built in Rio for the 2007 Pan American Games, will host track and field during the 2016 Olympics. City councilmen introduced legislation last month to change the stadium name to Joao Saldanha, Brazil’s coach during qualifying for the 1970 World Cup, after a FIFA ethics report concluded Havelange accepted bribes in a World Cup kickback scandal in the 1990s. Havelange resigned as an IOC member in 2011 and quit this year as FIFA’s honorary president.

“Havelange was a name that was very important and very well received not only within soccer but within the sports industry as a whole,” Rebelo said. “After investigations, he no longer occupies any positions within FIFA or within the International Olympic Committee. However, the mistakes committed by Joao Havelange do not really delete any of the benefits that he brought either to FIFA or to the International Olympic Committee.”

Rebelo said the stadium construction for the World Cup — six venues will be new and the other six renovated — can’t be compared with the venues erected for World Cups in South Korea in 2002 or in South Africa, many of which are underutilized.

“In the ‘70s, Brazil built a lot of big stadiums and these stadiums were geared only toward soccer, nothing else. But these stadiums nowadays are completely different,” he said, predicting they will be used for “conferences, musical shows, restaurants, also trade shows.”

“This,” he said, “will allow the possibility for these stadiums to have some income, because these spaces will be rented for a high rate.”

Copyright 2013 The Associated Press. All rights reserved. This material may not be published, broadcast, rewritten or redistributed.

Social Networks Could Help Prevent Disease Outbreaks in Endangered Chimpanzees (Science Daily)

June 5, 2013 — Many think of social networks in terms of Facebook friends and Twitter followers, but for recent University of Georgia doctoral graduate Julie Rushmore, social networks are tools in the fight against infectious diseases.

Two adult males in the Kanyawara chimpanzee community rest in Kibale National Park, Uganda. (Credit: Julie Rushmore/UGA)

Rushmore, who completed her doctorate in the Odum School of Ecology in May, analyzed the social networks of wild chimpanzees to determine which individuals were most likely to contract and spread pathogens. Her findings, published in the Journal of Animal Ecology on June 5, could help wildlife managers target their efforts to prevent outbreaks and potentially help public health officials prevent disease in human populations as well.

Effective disease intervention for this species is important for a number of reasons. Wild chimpanzees are highly endangered, and diseases — including some that also infect humans — are among the most serious threats to their survival. And due to habitat loss, chimpanzees increasingly overlap with human populations, so disease outbreaks could spread to people and livestock, and vice versa.

Disease prevention in wildlife is logistically challenging, and resources are scarce, Rushmore explained. Even when vaccines are available, it is impractical to vaccinate every individual in a wildlife population. She and her colleagues decided to use social network analysis to pinpoint individuals most important in disease transmission.

“Modeling studies in humans have shown that targeting central individuals for vaccination is significantly more effective than randomly vaccinating,” Rushmore said. “There have been a few social network studies in wildlife systems — bees, lions, meerkats, lizards and giraffes — but this is the first paper to map out social networks in the context of disease transmission and conservation for wild primates.”

Rushmore observed a community of wild chimpanzees in Kibale National Park in Uganda, recording the interactions of individuals and family groups over a nine-month period to determine which individuals — and which types of individuals — were most central.

“Chimpanzees are ideal for this study because to collect this observational behavioral data, you don’t need to collar them or use any invasive methods. You can essentially just observe chimpanzees in their natural environment and identify them individually based on their facial features,” she said.

Rushmore collected information about the traits of individual chimpanzees including age, sex, rank and family size. Rank for adult males was based on dominance, while for adult females and juveniles it was based on location: Those that lived and foraged in the interior of the community’s territory were considered of higher rank than those that roamed its edges.

From December 2009 to August 2010, Rushmore recorded the interactions of chimpanzees in the community at 15-minute intervals between 6 a.m. and 7:30 p.m., four to six days per week. She mapped her observations onto a diagram showing how often each individual associated with the others.

This analysis revealed that the most central figures in the network turned out to be high-ranking mothers and juveniles with large families. “They form nursing parties — essentially like day care — where several families will hang out together,” she said. “In that way they become quite central because they have contact with a large portion of the community.”

Second in centrality were the high-ranking males.

“There are many studies in humans, and at least one in chimpanzees, showing that from an immunological perspective, juveniles and children are really important for maintaining diseases in populations through play and things like that,” she said.

“In addition, high-ranking male chimpanzees are often immunosuppressed because they have high levels of testosterone and have been shown to have higher rates of parasitism. So it seems that in addition to being central to the network, the juveniles and the high-ranking males in particular could also have lower immunity than other individuals, which might help facilitate them acquiring and transmitting pathogens.”

Rushmore’s findings have implications for disease prevention beyond chimpanzees.

“This work can easily be applied to other systems,” she said. “You could use similar methods to identify which traits are predictive of centrality. The theme that would carry over from our findings is that these central individuals are likely important to target for vaccination or treatment.”

Rushmore and her colleagues are continuing their research into social networks and disease. They currently are using infectious disease models to simulate outbreaks on these networks and to develop targeted pathogen interventions.

“Ultimately, we want to develop vaccination strategies that could both prevent large outbreaks and lower the number of animals requiring vaccination,” Rushmore said.

The study’s co-authors were Damien Caillaud of the Dian Fossey Gorilla Fund International and the University of Texas at Austin, Leopold Matamba of the UGA department of mathematics, Rebecca M. Stumpf of the University of Illinois at Urbana-Champaign, Stephen P. Borgatti of the University of Kentucky and Sonia Altizer of the UGA Odum School of Ecology.

Journal Reference:

  1. Julie Rushmore, Damien Caillaud, Leopold Matamba, Rebecca M. Stumpf, Stephen P. Borgatti, Sonia Altizer.Social network analysis of wild chimpanzees provides insights for predicting infectious disease riskJournal of Animal Ecology, 2013; DOI: 10.1111/1365-2656.12088

Climate Researchers Discover New Rhythm for El Niño (Science Daily)

May 27, 2013 — El Niño wreaks havoc across the globe, shifting weather patterns that spawn droughts in some regions and floods in others. The impacts of this tropical Pacific climate phenomenon are well known and documented.

This is a schematic figure for the suggested generation mechanism of the combination tone: The annual cycle (Tone 1), together with the El Niño sea surface temperature anomalies (Tone 2) produce the combination tone. (Credit: Malte Stuecker)

A mystery, however, has remained despite decades of research: Why does El Niño always peak around Christmas and end quickly by February to April?

Now there is an answer: An unusual wind pattern that straddles the equatorial Pacific during strong El Niño events and swings back and forth with a period of 15 months explains El Niño’s close ties to the annual cycle. This finding is reported in the May 26, 2013, online issue of Nature Geoscience by scientists from the University of Hawai’i at Manoa Meteorology Department and International Pacific Research Center.

“This atmospheric pattern peaks in February and triggers some of the well-known El Niño impacts, such as droughts in the Philippines and across Micronesia and heavy rainfall over French Polynesia,” says lead author Malte Stuecker.

When anomalous trade winds shift south they can terminate an El Niño by generating eastward propagating equatorial Kelvin waves that eventually resume upwelling of cold water in the eastern equatorial Pacific. This wind shift is part of the larger, unusual atmospheric pattern accompanying El Niño events, in which a high-pressure system hovers over the Philippines and the major rain band of the South Pacific rapidly shifts equatorward.

With the help of numerical atmospheric models, the scientists discovered that this unusual pattern originates from an interaction between El Niño and the seasonal evolution of temperatures in the western tropical Pacific warm pool.

“Not all El Niño events are accompanied by this unusual wind pattern” notes Malte Stuecker, “but once El Niño conditions reach a certain threshold amplitude during the right time of the year, it is like a jack-in-the-box whose lid pops open.”

A study of the evolution of the anomalous wind pattern in the model reveals a rhythm of about 15 months accompanying strong El Niño events, which is considerably faster than the three- to five-year timetable for El Niño events, but slower than the annual cycle.

“This type of variability is known in physics as a combination tone,” says Fei-Fei Jin, professor of Meteorology and co-author of the study. Combination tones have been known for more than three centuries. They where discovered by violin builder Tartini, who realized that our ear can create a third tone, even though only two tones are played on a violin.

“The unusual wind pattern straddling the equator during an El Niño is such a combination tone between El Niño events and the seasonal march of the sun across the equator” says co-author Axel Timmermann, climate scientist at the International Pacific Research Center and professor at the Department of Oceanography, University of Hawai’i. He adds, “It turns out that many climate models have difficulties creating the correct combination tone, which is likely to impact their ability to simulate and predict El Niño events and their global impacts.”

The scientists are convinced that a better representation of the 15-month tropical Pacific wind pattern in climate models will improve El Niño forecasts. Moreover, they say the latest climate model projections suggest that El Niño events will be accompanied more often by this combination tone wind pattern, which will also change the characteristics of future El Niño rainfall patterns.

Journal Reference:

  1. Malte F. Stuecker, Axel Timmermann, Fei-Fei Jin, Shayne McGregor, Hong-Li Ren. A combination mode of the annual cycle and the El Niño/Southern Oscillation.Nature Geoscience, 2013; DOI: 10.1038/ngeo1826

Why Animals Compare the Present With the Past (Science Daily)

May 30, 2013 — Humans, like other animals, compare things. We care not only how well off we are, but whether we are better or worse off than others around us, or than we were last year. New research by scientists at the University of Bristol shows that such comparisons can give individuals an evolutionary advantage.

The ‘contrast effect’ has been reported in a number of living things, including bees. (Credit: © Daniel Prudek / Fotolia)

According to standard theory, the best response to current circumstances should be unaffected by what has happened in the past. But the Bristol study, published in the journalScience, shows that in a changing, unpredictable world it is important to be sensitive to past conditions.

The research team, led by Professor John McNamara in Bristol’s School of Mathematics, built a mathematical model to understand how animals should behave when they are uncertain about the pattern of environmental change. They found that when animals are used to rich conditions but then conditions suddenly worsen, they should work less hard than animals exposed to poor conditions all along.

The predictions from the model closely match findings from classic laboratory experiments in the 1940s, in which rats were trained to run along a passage to gain food rewards. The rats ran more slowly for small amounts of food if they were used to getting large amounts of food, compared to control rats that were always rewarded with the smaller amount.

This so-called ‘contrast effect’ has also been reported in bees, starlings and a variety of mammals including newborn children, but until now it lacked a convincing explanation.

Dr Tim Fawcett, a research fellow in Bristol’s School of Biological Sciences and a co-author on the study, said: “The effects in our model are driven by uncertainty. In changing environments, conditions experienced in the past can be a valuable indicator of how things will be in the future.”

This, in turn, affects how animals should respond to their current situation. “An animal that is used to rich conditions thinks that the world is generally a good place,” Dr Fawcett explained. “So when conditions suddenly turn bad, it interprets this as a temporary ‘blip’ and hunkers down, expecting that rich conditions will return soon. In contrast, an animal used to poor conditions expects those conditions to persist, and so cannot afford to rest.”

The model also predicts the reverse effect, in which animals work harder for food when conditions suddenly improve, compared to animals experiencing rich conditions all along. This too has been found in laboratory experiments on a range of animals.

The Bristol study highlights unpredictable environmental fluctuations as an important evolutionary force. “Rapid changes favour individuals that are responsive and able to adjust their behaviour in the light of past experience,” said Dr Fawcett. “The natural world is a dynamic and unpredictable place, but evolutionary models often neglect this. Our work suggests that models of more complex environments are important for understanding behaviour.”

Journal Reference:

  1. J. M. McNamara, T. W. Fawcett, A. I. Houston. An Adaptive Response to Uncertainty Generates Positive and Negative Contrast EffectsScience, 2013; 340 (6136): 1084 DOI: 10.1126/science.1230599

Global Warming Caused by CFCs, Not Carbon Dioxide, Researcher Claims in Controversial Study (Science Daily)

May 30, 2013 — Chlorofluorocarbons (CFCs) are to blame for global warming since the 1970s and not carbon dioxide, according to a researcher from the University of Waterloo in a controversial new study published in the International Journal of Modern Physics B this week.

Annual global temperature over land and ocean. (Credit: Image by Q.-B. Lu)

CFCs are already known to deplete ozone, but in-depth statistical analysis now suggests that CFCs are also the key driver in global climate change, rather than carbon dioxide (CO2) emissions, the researcher argues.

“Conventional thinking says that the emission of human-made non-CFC gases such as carbon dioxide has mainly contributed to global warming. But we have observed data going back to the Industrial Revolution that convincingly shows that conventional understanding is wrong,” said Qing-Bin Lu, a professor of physics and astronomy, biology and chemistry in Waterloo’s Faculty of Science. “In fact, the data shows that CFCs conspiring with cosmic rays caused both the polar ozone hole and global warming.”

“Most conventional theories expect that global temperatures will continue to increase as CO2 levels continue to rise, as they have done since 1850. What’s striking is that since 2002, global temperatures have actually declined — matching a decline in CFCs in the atmosphere,” Professor Lu said. “My calculations of CFC greenhouse effect show that there was global warming by about 0.6 °C from 1950 to 2002, but the earth has actually cooled since 2002. The cooling trend is set to continue for the next 50-70 years as the amount of CFCs in the atmosphere continues to decline.”

The findings are based on in-depth statistical analyses of observed data from 1850 up to the present time, Professor Lu’s cosmic-ray-driven electron-reaction (CRE) theory of ozone depletion and his previous research into Antarctic ozone depletion and global surface temperatures.

“It was generally accepted for more than two decades that the Earth’s ozone layer was depleted by the sun’s ultraviolet light-induced destruction of CFCs in the atmosphere,” he said. “But in contrast, CRE theory says cosmic rays — energy particles originating in space — play the dominant role in breaking down ozone-depleting molecules and then ozone.”

Lu’s theory has been confirmed by ongoing observations of cosmic ray, CFC, ozone and stratospheric temperature data over several 11-year solar cycles. “CRE is the only theory that provides us with an excellent reproduction of 11-year cyclic variations of both polar ozone loss and stratospheric cooling,” said Professor Lu. “After removing the natural cosmic-ray effect, my new paper shows a pronounced recovery by ~20% of the Antarctic ozone hole, consistent with the decline of CFCs in the polar stratosphere.”

By demonstrating the link between CFCs, ozone depletion and temperature changes in the Antarctic, Professor Lu was able to draw almost perfect correlation between rising global surface temperatures and CFCs in the atmosphere.

“The climate in the Antarctic stratosphere has been completely controlled by CFCs and cosmic rays, with no CO2 impact. The change in global surface temperature after the removal of the solar effect has shown zero correlation with CO2 but a nearly perfect linear correlation with CFCs — a correlation coefficient as high as 0.97.”

Data recorded from 1850 to 1970, before any significant CFC emissions, show that CO2 levels increased significantly as a result of the Industrial Revolution, but the global temperature, excluding the solar effect, kept nearly constant. The conventional warming model of CO2, suggests the temperatures should have risen by 0.6°C over the same period, similar to the period of 1970-2002.

The analyses support Lu’s CRE theory and point to the success of the Montreal Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer.

“We’ve known for some time that CFCs have a really damaging effect on our atmosphere and we’ve taken measures to reduce their emissions,” Professor Lu said. “We now know that international efforts such as the Montreal Protocol have also had a profound effect on global warming but they must be placed on firmer scientific ground.”

“This study underlines the importance of understanding the basic science underlying ozone depletion and global climate change,” said Terry McMahon, dean of the faculty of science. “This research is of particular importance not only to the research community, but to policy makers and the public alike as we look to the future of our climate.”

Professor Lu’s paper, “Cosmic-Ray-Driven Reaction and Greenhouse Effect of Halogenated Molecules: Culprits for Atmospheric Ozone Depletion and Global Climate Change,” also predicts that the global sea level will continue to rise for some years as the hole in the ozone recovers increasing ice melting in the polar regions.

“Only when the effect of the global temperature recovery dominates over that of the polar ozone hole recovery, will both temperature and polar ice melting drop concurrently,” says Lu.

The peer-reviewed paper published this week not only provides new fundamental understanding of the ozone hole and global climate change but has superior predictive capabilities, compared with the conventional sunlight-driven ozone-depleting and CO2-warming models, Lu argues.

Journal Reference:

  1. Q.-B. Lu. Cosmic-Ray-Driven Reaction and Greenhouse Effect of Halogenated Molecules: Culprits for Atmospheric Ozone Depletion and Global Climate ChangeInternational Journal of Modern Physics B, 2013; 1350073 DOI: 10.1142/S0217979213500732

Cientistas desenvolvem simulador de mídias sociais (Fapesp)

Criado por pesquisadores da IBM e do Instituto de Matemática e Estatística da USP, sistema possibilitará prever o impacto de ações de comunicação em redes como Twitter e Facebook

04/06/2013

Elton Alisson

Agência FAPESP – O poder de difusão e a velocidade de propagação das informações nas mídias sociais têm despertado o interesse de empresas e organizações em realizar ações de comunicação em plataformas como Twitter e Facebook.

Um dos desafios com os quais se deparam ao tomar essa decisão, no entanto, é prever o impacto que as campanhas terão nessas mídias sociais, uma vez que elas apresentam um efeito altamente “viral” – as informações se propagam nelas muito rapidamente e é difícil estimar a repercussão que terão.

“Se antes uma pessoa divulgava uma informação no boca-a-boca para mais três ou quatro pessoas, agora ela possui uma audiência que pode chegar aos milhares de seguidores por meio da internet. Daí a dificuldade de prever o impacto de uma ação em uma mídia social”, disse Claudio Pinhanez, líder do grupo de pesquisa em sistemas de serviços da IBM Research – Brazil – o laboratório brasileiro de pesquisa da empresa norte-americana de tecnologia da informação – à Agência FAPESP.

Para tentar encontrar uma resposta a esse desafio, o grupo iniciou um projeto em parceria com pesquisadores do Departamento de Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP) a fim de desenvolver um simulador capaz de prever o impacto das ações de comunicação em mídias sociais com base nos padrões de comportamento dos usuários.

Os primeiros resultados do projeto foram apresentados no início de maio durante o 14th International Workshop on Multi-Agent-Based Simulation, realizado na cidade de Saint Paul, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos e, posteriormente, no Latin American eScience Workshop 2013, que ocorreu nos dias 14 e 15 de maio no Espaço Apas, em São Paulo.

Promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research, o segundo evento reuniu pesquisadores e estudantes da Europa, da América do Sul e do Norte, da Ásia e da Oceania para discutir avanços em diversas áreas do conhecimento possibilitados pela melhoria na capacidade de análise de grandes volumes de informações produzidas por projetos de pesquisa.

Segundo Pinhanez, para desenvolver um método inicial para modelar e simular as interações entre os usuários de redes sociais, foram coletadas mensagens publicadas por 25 mil pessoas nas redes no Twitter do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de seu adversário político, Mitt Romney, em outubro de 2012, último mês da recente campanha eleitoral presidencial norte-americana.

Os pesquisadores analisaram o conteúdo das mensagens e o comportamento dos usuários nas redes de Obama e Romney, de modo a identificar padrões de ações, a frequência com que postavam mensagens, se eram mais positivas ou negativas e qual a influência dessas mensagens sobre outros usuários.

Com base nesse conjunto de dados, desenvolveram um modelo de simulação de agentes – um sistema por meio do qual cada usuário avaliado é representado por programas individuais de computador que rodam integrados e ao mesmo tempo – que indica as probabilidades de ação na rede de cada uma dessas pessoas, apontando qual o momento do dia mais provável para publicar uma mensagem positiva ou negativa com base em seu histórico de comportamento.

Uma das constatações nos experimentos com o simulador foi que a retirada dos dez usuários mais engajados nas discussões realizadas no Twitter do presidente teria mais impacto na rede social do que se o próprio Obama fosse excluído.

“Esses resultados são preliminares e ainda não temos como dizer que são válidos, porque o modelo ainda é inicial e muito simples. Servem, contudo, para demonstrar que o modelo é capaz de mostrar situações interessantes e que, quando estiver pronto, será muito útil para testar hipóteses e responder a perguntas do tipo ‘será que a frequência com que o presidente Obama publica uma mensagem afeta sua rede social?’”, disse Pinhanez.

A IBM já possuía um sistema que permite a análise de “sentimento” – como é denominada a classificação do tom de uma mensagem – de grandes volumes de textos em inglês e em fluxo contínuo (em tempo real de informação), que a empresa pretende aprimorar para disponibilizá-la no Brasil.

“Estamos trabalhando para trazer uma série de tecnologias e adaptá-las para a língua portuguesa e à cultura brasileira, uma vez que o Brasil é o segundo país mais engajado em redes sociais no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos”, afirmou Pinhanez.

Desafios

Segundo os pesquisadores, um dos principais desafios para a análise de sentimento de mensagens publicadas nas redes sociais no Brasil é que o português usado nessas novas mídias costuma não seguir as normas cultas da língua portuguesa, e isso não se deve, necessariamente, ao fato de o usuário não dominar o idioma.

“Existem convenções de como se escrever de maneira cool nas redes sociais”, disse Pinhanez. Por causa disso, um dos desafios no Brasil será o de incorporar o novo vocabulário surgido nesses fóruns.

Além disso, os textos são mais curtos e informais do que os publicados em sites de avaliações de filmes, por exemplo, como o do Internet Movie Database, em que os comentários são mais longos, mais bem formatados e rotulados.

“Com base nesse tipo de critério, podemos saber, de antemão, qual o sentimento do texto: se o usuário deu muitas estrelas para o filme é que ele está falando bem. E se deu poucas estrelas é porque sua avaliação foi negativa”, disse Samuel Martins Barbosa Neto, doutorando do IME e participante do projeto.

“A linguagem usada no Twitter é muito mais natural. Há muita expressão e variações de palavras, o que torna muito mais complicada a classificação das mensagens. Às vezes não se tem informação suficiente para assegurar que, de fato, um determinado tweet é positivo ou negativo, uma vez que ele não tem um rótulo que permita compará-lo com outros. Por isso, muitas dessas mensagens precisam ser rotuladas manualmente”, explicou Barbosa Neto.

Outro desafio é extrair dados das redes sociais. No início, o acesso aos dados das mensagens de redes, como o Twitter, era totalmente aberto. Hoje, é limitado. Além disso, o número de informações geradas por redes sociais cresceu exponencialmente, impondo aos pesquisadores o desafio de extrair mostras significativas de grandes volumes de dados para validar suas pesquisas.

“A rede do Obama no Twitter deve ter chegado aos 25 milhões de seguidores. Como podemos apenas extrair uma pequena parte desses dados, o desafio é garantir que eles não sejam enviesados – representando, por exemplo, apenas um nicho de seguidores – para gerar um resultado válido”, explicou Barbosa Neto.

Colaboração de pesquisa

Roberto Marcondes Cesar Junior, professor do IME-USP e orientador do trabalho de doutorado de Barbosa Neto, conta que o projeto de desenvolvimento do simulador de rede social é o primeiro realizado por seu grupo em colaboração com a IBM Research – Brazil.

O grupo do IME trabalha há dez anos no desenvolvimento de projetos de análise de dados usando modelos estatísticos em áreas como Biologia e Medicina, para descobertas de novos genes e de redes gênicas, por exemplo. E, mais recentemente, começou a desenvolver pesquisas para a aplicação de modelos matemáticos em Ciências Sociais.

“Ingressamos nessa área com o intuito de aplicar as mesmas técnicas matemáticas e computacionais em situações em que os dados provêm de alguma atividade humana, especificamente, em vez da ação de um gene ou de uma proteína, por exemplo, e vimos a oportunidade de trabalhar essas técnicas em redes sociais, que, do ponto de vista abstrato, têm muitas semelhanças com uma rede gênica, porque são redes que conectam elementos”, comparou Marcondes Cesar, que é membro da Coordenação Adjunta de Ciências Exatas e Engenharias da FAPESP e coordena o Projeto Temático “Modelos e métodos de e-Science para ciências da vida e agrárias”.

“Enquanto em uma rede gênica os elementos são os genes, que trocam informação bioquímica, em uma rede social os integrantes são os usuários, que trocam mensagens de texto”, disse.

A parceria com a IBM Research – Brazil, segundo Marcondes Cesar, possibilita implementar as ferramentas desenvolvidas na universidade. Para facilitar a realização do projeto, o estudante de doutorado orientado por ele foi contratado como estagiário pela empresa.

“Temos feito muitos projetos em parceria com universidades e instituições de pesquisa. Acreditamos muito em inovação aberta e atuamos bastante dessa forma”, disse Pinhanez.

Segundo Pinhanez, poucos grupos de pesquisa no mundo tentaram desenvolver um simulador de mídias sociais, em grande parte pela dificuldade de se montar uma equipe multidisciplinar de pesquisa.

“Acho que, pela primeira vez, a comunidade científica tem algo parecido com o mapa de quem conhece quem no mundo. É um mapa ainda incompleto, cheio de erros e enviesado, mas o nosso trabalho é uma das primeiras simulações de comportamento de um número tão grande de pessoas”, afirmou. “Antes, quando se fazia isso era, no máximo, com 300 pessoas, e era preciso ficar coletando dados por anos.”

O artigo Large-Scale Multi-Agent-based Modeling and Simulation of Microblogging-based Online Social Network, de Pinhanez e outros, pode ser lido nos anais do 14th International Workshop on Multi-Agent-Based Simulation.

Chimpanzees Have Five Universal Personality Dimensions (Science Daily)

June 3, 2013 — While psychologists have long debated the core personality dimensions that define humanity, primate researchers have been working to uncover the defining personality traits for humankind’s closest living relative, the chimpanzee. New research, published in the June 3 issue ofAmerican Journal of Primatology provides strong support for the universal existence of five personality dimensions in chimpanzees: reactivity/undependability, dominance, openness, extraversion and agreeableness with a possible sixth factor, methodical, needing further investigation.

Chimpanzee. New research provides strong support for the universal existence of five personality dimensions in chimpanzees: reactivity/undependability, dominance, openness, extraversion and agreeableness with a possible sixth factor, methodical, needing further investigation. (Credit: © anekoho / Fotolia)

“Understanding chimpanzee personality has important theoretical and practical implications,” explained lead author Hani Freeman, postdoctoral fellow with the Lester E. Fisher Center for the Study and Conservation of Apes at Lincoln Park Zoo. “From an academic standpoint, the findings can inform investigations into the evolution of personality. From a practical standpoint, caretakers of chimpanzees living in zoos or elsewhere can now tailor individualized care based on each animal’s personality thereby improving animal welfare.”

The study of chimpanzee personality is not novel; however, according to the authors, previous instruments designed to measure personality left a number of vital questions unanswered.

“Some personality scales used for chimpanzees were originally designed for another species. These ‘top-down’ approaches are susceptible to including traits that are not relevant for chimps, or fail to include all the relevant aspects of chimpanzee personality,” explained Freeman. “Another tactic, called a ‘bottom-up’ approach, derives traits specifically for chimpanzees without taking into account information from previous scales. This approach also has limitations as it impedes comparisons with findings in other studies and other species, which is essential if you want to use research on chimpanzees to better understand the evolution of human personality traits.”

To address the limitations of each approach and gain a better understanding of chimpanzee personality, the authors developed a new personality rating scale that incorporated the strengths of both types of scales. This new scale consisted of 41 behavioral descriptors including boldness, jealousy, friendliness and stinginess amongst others. Seventeen raters who work closely and directly with chimpanzees used the scale to assess 99 chimpanzees in their care at the Michale E. Keeling Center for Comparative Medicine and Research, UT MD Anderson Cancer Center in Bastrop, Texas.

The chimpanzees rated were aged 8 to 48, a majority had been captive born and mother-raised, and all had lived at the facility for at least two years.

To validate their findings, the researchers used two years worth of behavioral data collected on the chimpanzees. As the authors expected, the findings showed the personality ratings were associated with differences in how the chimpanzees behaved. The researchers also showed the raters tended to agree in their independent judgments of chimpanzees’ personalities, suggesting the raters were not merely projecting traits onto the chimpanzees.

Researchers suggest that one benefit to having the chimpanzees rated on the five core personality dimensions is that this information can now be used to make predictions that will help in their management, such as how individual chimpanzees will behave in various social situations. This type of information will help zoos better anticipate certain behaviors from various individuals, and will assist them in providing individualized care.

Journal Reference:

  1. Hani D. Freeman, Sarah F. Brosnan, Lydia M. Hopper, Susan P. Lambeth, Steven J. Schapiro, Samuel D. Gosling.Developing a Comprehensive and Comparative Questionnaire for Measuring Personality in Chimpanzees Using a Simultaneous Top-Down/Bottom-Up DesignAmerican Journal of Primatology, 2013; DOI: 10.1002/ajp.22168

‘Belief in Science’ Increases in Stressful Situations (Science Daily)

June 5, 2013 — A faith in the explanatory and revealing power of science increases in the face of stress or anxiety, a study by Oxford University psychologists suggests.

The researchers argue that a ‘belief in science’ may help non-religious people deal with adversity by offering comfort and reassurance, as has been reported previously for religious belief.

‘We found that being in a more stressful or anxiety-inducing situation increased participants’ “belief in science”,’ says Dr Miguel Farias, who led the study in the Department of Experimental Psychology at Oxford University. ‘This belief in science we looked at says nothing of the legitimacy of science itself. Rather we were interested in the values individuals hold about science.’

He explains: ‘While most people accept science as a reliable source of knowledge about the world, some may hold science as a superior method for gathering knowledge, the only way to explain the world, or as having some unique and fundamental value in itself. This is a view of science that some atheists endorse.’

As well as stressing that investigating a belief in science carries no judgement on the value of science as a method, the researchers point out that drawing a parallel between the psychological benefits of religious faith and belief in science doesn’t necessarily mean that scientific practice and religion are also similar in their basis.

Instead, the researchers suggest that their findings may highlight a basic human motivation to believe.

‘It’s not just believing in God that is important for gaining these psychological benefits, it is belief in general,’ says Dr Farias. ‘It may be that we as humans are just prone to have belief, and even atheists will hold non-supernatural beliefs that are reassuring and comforting.’

The researchers report their findings in the Journal of Experimental Social Psychology.

There is evidence from previous studies that suggests religious belief helps individuals cope with stress and anxiety. The Oxford University group wondered if this was specific to religious belief, or was a more general function of holding belief.

The researchers developed a scale measuring a ‘belief in science’ in which people are asked how much they agree or disagree with a series of 10 statements, including:

  • ‘Science tells us everything there is to know about what reality consists of.’
  • ‘All the tasks human beings face are soluble by science.’
  • ‘The scientific method is the only reliable path to knowledge.’

This scale was used first with a group of 100 rowers, of whom 52 were about to compete in a rowing regatta and the other 48 were about to do a normal training session. Those about to row in competition would be expected to be at a higher stress level.

Those who were competing in the regatta returned scores showing greater belief in science than those in the training group. The difference was statistically significant.

Both groups of rowers reported a low degree of commitment to religion and as expected, those rowers about to compete did say they were experiencing more stress.

In a second experiment, a different set of 60 people were randomly assigned to two groups. One group was asked to write about the feelings aroused by thinking about their own death, while the other was asked to write about dental pain. A number of studies have used an exercise on thinking about your own death to induce a certain amount of ‘existential anxiety’.

The participants who had been asked to think about their own death scored higher in the belief in science scale.

The researchers say their findings are consistent with the idea that belief in science increases when secular individuals are placed in threatening situations. They go on to suggest that a belief in science may help non-religious people deal with adverse conditions.

Dr Farias acknowledges however that they have only shown this in one direction — that stress or anxiety increases belief in science. They suggest other experiments should be done to examine whether affirming a belief in science might then reduce subsequent experience of stress or anxiety.

Journal Reference:

  1. Miguel Farias, Anna-Kaisa Newheiser, Guy Kahane, Zoe de Toledo. Scientific faith: Belief in science increases in the face of stress and existential anxietyJournal of Experimental Social Psychology, 2013; DOI:10.1016/j.jesp.2013.05.008

Estudo mostra que cotas não são o melhor instrumento para facilitar o acesso ao ensino superior (Jornal da Ciência)

JC e-mail 4741, de 06 de Junho de 2013.

Trabalho demonstra ainda que ações afirmativas podem encorajar a evasão e levar à redução da qualidade dos cursos mais competitivos

As cotas sociais ou raciais nas universidades não são o melhor instrumento para facilitar o acesso ao ensino superior, não garantem que os alunos cotistas tenham o desempenho esperado, além de encorajar a evasão e levar à redução da qualidade dos cursos mais competitivos. As conclusões são do estudo “Ações Afirmativas nas Universidades Brasileiras”, feito sob encomenda pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) e preparado por quatro especialistas na área de educação, os professores José Goldemberg, Eunice Durham, Maria Helena de Castro Guimarães e Simon Schwartzman.

O estudo foi apresentado hoje por José Eduardo Krieger e Regina Pekelmann Markus, presidente e diretora da Aciesp, respectivamente, e José Goldemberg, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Educação, em coletiva de imprensa no Centro Universitário Maria Antônia. Segundo Krieger, o estudo foi pedido porque há diversos aspectos que permeiam a questão do acesso dos alunos nas universidades públicas.

Uma das preocupações que o trabalho levantou é a formação educacional do cidadão até a entrada na universidade, que depende de diversas influências, como o ambiente familiar e a sociedade, além do Ensino Básico e Fundamental. Segundo o estudo, a educação no país requer uma reestruturação competente, que exigirá tempo e investimentos vultosos para que ela seja qualidade. “Este trabalho é importante porque nos traz dados que serão importantes para ampliar as discussões e tomadas de decisão”, afirmou Regina.

Para os autores do estudo, as cotas nas universidades introduzem um novo tipo de discriminação, como exemplo dos quais são a discriminação contra o branco pobre (em relação ao negro pobre) e contra o pobre (branco ou negro), cuja família economizou para mandar o filho à escola privada, para prepará-lo melhor para os vestibulares. “O critério ideal para a implantação de ações afirmativas deveria basear-se na renda per capita”, sugerem.

Eles reconhecem que a discriminação social ou racial no Brasil é real, mas não apenas no acesso às universidades públicas, e deve ser eliminada. “O problema é decidir como fazê-lo, sem prejudicar o desempenho das universidades públicas, cuja excelência é indispensável para o desenvolvimento do país”, escrevem nas suas conclusões. “A melhor solução a nosso ver é por meio de cursos preparatórios gratuitos para ingresso nas universidades, que utilizariam preferencialmente os alunos de pós-graduação como professores, e criando um sistema de bolsas de estudo para apoiar estudantes carentes.”

Para Krieger, enquanto isso não ocorre é preciso encontrar outras soluções para o problema, mesmo que paliativas para sanar as lacunas, sem prejudicar o que já está bom. “Em 30, 40 anos, sucateamos um sistema (de educação) que funcionava”, disse. “A educação de São Paulo já foi boa. Toda a minha formação foi feita em escola pública. E em tão pouco tempo tudo mudou. Hoje, eu não colocaria seu filho para estudar numa delas. A única coisa que não mudou foi a qualidade da USP.”

A professora Regina, salientou que é preciso que o governo faça investimentos, porque a universidade deve ser para todos. “Mas em que condições?”, indagou. “Por isso, é preciso dar condições para que todos tenham o mesmo acesso”. O ponto fundamental é a qualidade das universidades. “As decisões a serem implementadas não devem prejudicar o desempenho das universidades públicas, cuja excelência é indispensável para o desenvolvimento do país”, finalizou Goldemberg.

(Vivian Costa)

Fight Clubs: On Napoleon Chagnon (The Nation)

One anthropologist’s place in his field’s ongoing battle over questions of power, means and ends.

Peter C. Baker

May 15, 2013   |    This article appeared in the June 3, 2013 edition of The Nation.

In December 1919, Franz Boas, the German-born academic widely recognized as the father of American anthropology, published a letter in this magazine accusing four of his American colleagues—whom he did not identify—of having used their research positions as cover for engaging in espionage in Central America during the recently concluded war. Ten days later, the governing council of the American Anthropological Association voted 20 to 10 to censure Boas, claiming that his highly public letter was unjustified and in no way represented the AAA’s position. Boas was a founding member and former president of the association, so the censure was doubly humiliating; it essentially forced him to resign from both the AAA’s governing body and the National Research Council.

Noble Savages
My Life Among Two Dangerous Tribes—The Yanomamö and the Anthropologists.
By Napoleon A. Chagnon.

The Boas incident was the prelude to a century in which anthropology has been haunted by questions of means and ends. What sorts of alliances with power are worth it? What responsibilities (if any) do anthropologists have to the populations they study? Above all, to what extent has Western anthropology been fatally compromised by its associations—direct and indirect, public and covert—with a violent and imperial foreign policy? In several books, the anthropologist David Price has cataloged the substantial sums of money funneled from the military and intelligence community to academic anthropology over the years, as well as the contribution of American anthropologists to every significant war effort in modern US history. Most recently, ethnographers have joined the Army’s Human Terrain System program, designed to aid military operations in Iraq and Afghanistan by decoding the nuances of local culture. Price notes that although the revelation of these collaborations has often sparked heated short-term controversy, the disputes have passed without prompting broad, discipline-wide reform—or even conversation. After all, what anthropologist wants to spend time discrediting anthropology, a discipline that relies on trust, most importantly the trust of foreign governments and the subject populations that are the source of the discipline’s prized product of local knowledge? At what point are the ethical costs of doing anthropology too high, for ethnographers as well as the people they study?

That last question applies equally to anthropologists who may not work directly for the military or do fieldwork in areas explicitly labeled war zones. There is no better example than the career of Napoleon Chagnon, author of the bestselling anthropological text of the twentieth century, a slim volume called Yanomamö. Published in 1968, when Chagnon was 30, the book describes his fieldwork among the eponymous group of about 20,000 people who lived (and still live) in rainforest villages on both sides of the Venezuela-Brazil border. (Chagnon called them the Yanomamö, but most people who study the group call them the Yanomami.) Chagnon claimed—and now claims again in his recently published memoir, Noble Savages—that he arrived at his first Yanomami village in 1964 expecting to meet egalitarian natives living in harmony with nature and each other. This, he says, was what his University of Michigan anthropology professors had prepared him for. Instead, he found a way of life more reminiscent of Thomas Hobbes’s notion of the “state of nature”: an aggressive people mired in a cycle of inter-village combat, revenge begetting revenge and deception begetting deception. Death by murder was strikingly common, as was brutality toward women.

For Chagnon, the shock was immediate. No sooner had he and his guide arrived than they found themselves surrounded by “a dozen burly, naked, filthy, hideous men staring at us down the shafts of their drawn arrows! Immense wads of green tobacco were stuck between their lower teeth and lips making them look even more hideous, and strands of dark-green slime dripped or hung from their noses.” Whatever else might be said about this type of writing, with its blend of the lurid and the exotic, it appealed to American undergrads—or at least their professors assumed it did, and they kept assigning Yanomamö in Anthro 101. Before long, the book was in its second edition, then its third; a sixth came out last year. Chagnon has claimed, not unreasonably, that it has been read by as many as 4 million people, and it has certainly sold over 1 million copies. Unlike most other academic anthropologists, especially those writing in the 1960s, Chagnon brought lucidity and flair to his descriptions of fieldwork’s trials: the impossibility of staying clean and avoiding insects, the Sisyphean ordeal of trying to make a cup of oatmeal, the deep frustration of miscommunication, the loneliness. But it is obvious from reading Yanomamö that he also found the fieldwork to be a thrilling adventure. Trekking through the rainforest, a shotgun in one hand and a machete in the other; shooting tapir to roast over an open fire; building dugout canoes; forging friendships; tagging along for raids—Chagnon made cultural anthropology look more exciting than any textbook or tweedy professor’s lecture on kinship rituals. The book’s popularity has also benefited from the stylish films about the Yanomami that Chagnon made with the renowned visual ethnographer Timothy Asch.

In both the book and the films, there is a lot of fighting: chest-pounding matches, club fights, ax fights, raids, counter-raids, ambushes. Chagnon decided that Yanomami warfare was in large part about women, and specifically the question of who got to have sex with them. Women were regularly abducted from other villages during raids, and success in combat boosted a man’s social status, increasing his odds of securing wives for himself and his relatives. In order to reach this conclusion, Chagnon first constructed elaborate genealogies, tracing family trees across generations and far-flung villages to observe the relationship between blood ties and war patterns. This required not just learning the Yanomami language, but also overcoming his hosts’ frequent reluctance to supply the information he wanted. The most significant obstacle was a system of name taboos, including a prohibition against speaking a person’s name in that person’s presence and another against uttering the names of the dead.

The book was controversial from the start. Chagnon presented the Yanomami as a people living in the “state of nature,” untouched by the influence of modern civilization and nation-states, and so providing something of an undiluted example of humankind’s evolutionary ancestry. The possibility that these “primitive,” “Stone Age” people were killing each other not in competition over strategic resources, but specifically to improve their “reproductive fitness”—their odds of passing on their genes, either by reproducing themselves or by boosting the reproductive prospects of their relatives—was irresistible to proponents of the emerging field of sociobiology, which looks to natural selection to explain human social behaviors like altruism, the emergence of nation-states and war. The discipline’s recognition skyrocketed after the publication of E.O. Wilson’s influentialSociobiology: The New Synthesis in 1975; in subsequent editions of Yanomamö, Chagnon placed more emphasis on the role of biology in explanations of human behavior. For sociobiologists and their descendants, especially so-called evolutionary psychologists, such thinking was nothing short of a scientific revolution; for their detractors, among them cultural anthropologists, it was reductionist mumbo-jumbo at best, and politically dangerous at worst—the squeezing of the Yanomami and similar groups into categories crafted from Western assumptions to serve Western interests. The battles were heated and inseparable from competition over funding. The Yanomami became something of a prize token: for Chagnon’s defenders and critics, the fighting that occurred among this small group of people in the Amazon simply could not be what the other camp claimed it was, nor mean what the other side said it meant. Allegations of bad faith, often tinged with personal hostility, were as thick in the air as insects in the Amazon rainforest.

* * *

Even if the Yanomami are, or were, our “contemporary ancestors,” they live on land that is claimed by modern nation-states and happens to be rich in precious minerals. When the miners arrive, the Yanomami die, mostly from disease or poisonous chemical runoff, but sometimes also from shotgun blasts. During the 1980s and ’90s, anthropologists and indigenous rights groups became concerned about the possible effect that Chagnon’s theories might have outside the academy. This concern escalated after 1988, when Chagnon published an article in Science claiming that, among the Yanomami, men who killed other men also had the most wives and children. In 1989, the Brazilian Anthropological Association wrote to the AAA’s newsletter, arguing that Chagnon’s characterization of the Yanomami as a fundamentally “fierce people” (the subtitle of his book’s first three editions) was exaggerated to the point of falsehood, and less than helpful at a time when the Yanomami were under attack by miners and their allies in the Brazilian government, who were citing this supposedly endemic Yanomami violence as one of the reasons they should be segregated on twenty-one separate micro-reservations. As similar accusations circulated, it became increasingly difficult for Chagnon to obtain the permits required to do his work. In 1999, citing this obstacle, he announced his early retirement from the University of California, Santa Barbara, and returned to his home state of Michigan.

Around a year later, controversy about Chagnon’s Yanomami work reached a new level of scrutiny and public visibility, prompted by the publication of Patrick Tierney’s Darkness in El Dorado: How Scientists and Journalists Devastated the Amazon. Where previous Yanomami debates had rarely strayed beyond specialized academic venues, Tierney’s attack on Chagnon was published by W.W. Norton, a respected trade house, and garnered the attention of reviewers around the world. Tierney was at the time a journalist and indigenous rights activist; in Darkness in El Dorado, he took all the old complaints against Chagnon and wove them into a dramatic narrative of white men and the ruin they’d brought to the rainforest. His rogues’ gallery includes the French anthropologist Jacques Lizot, who for years used his store of foreign goods to pay Yanomami men and boys for sex. There was also the public television documentary crew that paid the Yanomami to dress and act differently (more “primitively”) than they otherwise would have—and then sat by, cameras rolling, while a young woman and her child died, despite having a motorboat that could have taken them to a hospital. There are miners and soldiers and corrupt politicians—and there’s Chagnon himself, whom Tierney portrays as the monomaniacal, violence-obsessed Colonel Kurtz of sociobiology, so entranced by the possibility of making a vital contribution to a beautiful, voguish theory that he lost all sight of Yanomami reality, research ethics and human decency.

In addition to rehashing—and, more than once, overcooking—the old accusations about Chagnon’s flawed assumptions, suspect methodology, dubious interpretations and their effects on the Yanomami, Tierney raised a new charge, one that seemed to dwarf the others in terms of its horror. The allegation related to a central aspect of Chagnon’s research program, one that had hardly been mentioned in his writings to date. The funding for Chagnon’s first few trips to South America came from the National Institute of Mental Health; but by 1967, Chagnon was collaborating with James Neel, a titan of modern genetics. Neel worked for the Atomic Energy Commission, the post–World War II agency created to study nuclear technology and its effects (including the infamous experiments in which Americans were exposed to large doses of radiation without their consent). As a geneticist, Neel saw the Yanomami as the closest link to our “evolutionary ancestors” he would ever get a chance to sample, an isolated population unaffected by industrialization or global conflict. Neel and Chagnon were both then based at the University of Michigan, and it was on Neel’s recommendation that Chagnon went to live with the Yanomami in the first place. Chagnon got AEC money; in return, whenever one of Neel’s teams wanted to collect blood and tissue samples, he served as their guide and translator.

* * *

Though Neel had little concern for the specifics of Yanomami life and (according to Chagnon) a disdain for anthropology in general, he sometimes went on the sample-gathering trips. On one, in 1968, a measles outbreak was erupting just as his team arrived. In the account presented in Darkness in El Dorado, Neel and his team—despite delivering a thousand vaccines—made the epidemic worse, causing many more Yanomami to fall ill and die than would have otherwise. This was not, Tierney insinuated in the pre-publication proofs of the book sent to reviewers, a matter of neglect; instead, Neel had knowingly made the epidemic worse because it gave him the perfect chance to observe the immune systems of a virgin-soil population in action. In this account, a founding figure of modern genetics comes across as little different from a Nazi scientist, with America’s bestselling anthropologist as his willing handmaiden.

After Norton sent out the proofs of Tierney’s book, his tale of killer anthropologists started circulating at great speed on academic listservs. It was a “nightmarish story,” wrote two of Chagnon’s longtime critics in August 2000, “a real anthropological heart of darkness beyond the imagining of even a Josef [sic] Conrad (though not, perhaps a Josef Mengele).” Chagnon’s partisans set in motion efforts to discredit Tierney’s book page by page, hoping to stem the inevitable tide of bad press. Allies like Richard Dawkins, Edward Wilson, Steven Pinker, Daniel Dennett and Marc Hauser e-mailed people covering the book, urging them to denounce it. In late 2000, an excerpt appeared in The New Yorker, and the book—though still not released—was nominated for a National Book Award. Meanwhile, Tierney and Norton continued editing it, softening some of its more incendiary claims about the measles epidemic; when released, it still claimed that Neel had made the epidemic worse, but allowed that it had not been intentional.

Sensing the possibility of a public relations disaster for the entire discipline, the AAA’s leadership convened a task force to evaluate Tierney’s charges. This was highly unusual: unlike a state medical or legal board, for example, the AAA is not a licensing body; you need not be a member of the association to practice anthropology. (Chagnon canceled his membership in the late 1980s.) It has little in the way of meaningful investigative authority, and its ethics guidelines are notoriously muddled and difficult to apply. The task force’s preliminary report, released in 2001 soon after the book’s publication, concluded that Tierney’s argument was shot through with flaws: the accusation that Neel had worsened the measles epidemic, as one example, was found to be baseless and not even possible. But many of Tierney’s less sensational, more complex charges against Chagnon were substantiated, and the task force declared that the book was of definite value to the field. This satisfied no one, not least because of an obvious procedural failing: two of the task force’s members admitted to not having read the whole report.

The final report, released a few months later, was considerably more critical of Chagnon. But for his detractors, it was at best an imperfect attempt to grapple with fundamental questions, and at worst a PR move designed to hurry the discipline past an ugly episode. For Chagnon’s supporters, it was a disgraceful hatchet job, one more sign of cultural anthropology’s resentment over the encroachment of “hard” science onto its turf. Three years later, a referendum was put forth to rescind the report, on the grounds that the original task force had been illegitimate, biased and sloppy. Roughly 10 percent of the AAA’s members voted: 846 for, 338 against. The report was removed from the organization’s website, and the question of which, if any, of its conclusions had been true was left for die-hards to debate in academic journals and on their personal websites. There is little agreement even about what the controversy is exactly, and most often the people involved—tenured professors—do little more than talk past each other, bemoan the quality of debate, and then continue talking past each other. Davi Kopenawa, a prominent Yanomami activist, put it well: “I want to know how much they are making each month. How much does an anthropologist earn?… This is a lot of money. They may be fighting but they are happy. They fight and this makes them happy. They make money and fight.”

There were two other referendums on the ballot when the AAA voted to rescind the El Dorado report. One expressed a strong preference for holding the annual meetings at facilities staffed by unions; it passed by a vote of 695 to 624. The other was a repudiation of the 1919 censure of Franz Boas, whose accusations about anthropologist-spies had since been confirmed by researchers—including the fact that some of the men who voted to censure him were the spies he had declined to name out of respect for their safety. The language of the 2005 repudiation implied that the original censure had been a regrettable error from another era, the sort of mistake anthropology didn’t make anymore and hadn’t made for a long time. It passed by an overwhelming margin: 1,245 to 73.

* * *

Chagnon’s retirement was not what he’d hoped for. In 2000, overcome by the stress of working to clear his name, but nonetheless seeing his alleged complicity with genocide become headline news around the world, he collapsed and was hospitalized. In subsequent years, he found it impossible to put the affair behind him:

I did not travel much, did not fish much, did not hunt grouse and pheasants over my German short-haired pointers, did not go to many concerts, did not read much fiction for pleasure, and did not spend more time with members of my family.

Instead, he set to work on a memoir. But he repeatedly scrapped what he’d written “because of the anger that kept creeping into my writing, giving it a very depressive tone.”

In Secrets of the Tribe, a recent documentary about anthropologists and the Yanomami, Chagnon responds to his critics mostly by repeating simplified versions of their charges in a sanctimonious tone. Despite his attempts to expunge the anger from his memoir, much of Noble Savages has a similar quality. As Chagnon sees it, his critics are a coalition of anthropological “ayatollahs” scrambling to protect their own authority from scientific rigor, “Marxist”-style “Thought Police” guarding the “politically correct” conventional wisdom, “postmodernists” unqualified to make claims about his conduct because they can’t even decide if the world exists, Catholic missionaries who wanted the Yanomami for themselves, and “barefoot” “activist” types less interested in studying the people of the world than in leading a witch hunt for the bad guy in the “office down the hall.” (The long history of overlap between American anthropology and the American military-intelligence sector is not mentioned.) These are the sorts of people, we are given to understand, who don’t care about what is true or not—the sort willing to smear a man to keep an ideology alive.

But Chagnon is in a bind: he’s written a memoir to refute the charges against him, but he finds the charges so baseless, and their existence so revolting, that he can barely be bothered to address them, or even to characterize them accurately. (In this sense, Noble Savages mirrors Darkness in El Dorado, which might have been more rigorous if Tierney hadn’t been so furious.) A telling example is Chagnon’s response to criticism from his fellow anthropologist Brian Ferguson. In 1995, Ferguson published Yanomami Warfare: A Political History, a book centrally concerned with countering Chagnon’s analysis of Yanomami life and violence. He disputed Chagnon’s interpretations of his own data (convincingly, I think), but also advanced a more fundamental objection: that the Yanomami had been in contact, direct and otherwise, with the “outside” world at several points long before Chagnon’s arrival, and that these moments of contact had influenced everything from where their villages were established to how they related to each other. Warfare was not the Yanomami historical norm, Ferguson said, and when war did break out, it had at least as much to do with the effects of encroaching nation-states and empires as it did with women and revenge. One crucial result of these moments of contact was the Yanomami’s acquistion of steel. Steel tools are many times more efficient than stone ones; when some villages came to possess more than others, it tilted the scales toward conflict, especially in times of hardship and deprivation, such as those caused by disease outbreaks (which even by Chagnon’s calculations were a more common cause of Yanomami death than violence).

Whatever the soundness and validity of Ferguson’s complex argument, it deserves more of a response than the single sentence that Chagnon has buried in an endnote: “Ferguson also claimed that I caused animosity, jealousy, and conflicts by the way I gave metal tools to the Yanomamö.” You can almost hear Chagnon snorting in disbelief. Because the endnotes lack corresponding numbers in the main text, the path the reader must take to them is unmarked. No reader will learn from Chagnon what Ferguson actually thinks. It is true that, in Yanomamö, Chagnon admitted to intentionally exploiting local animosities and conflicts to gain information, especially in his efforts to work past the Yanomami’s pesky name taboos. It is also true that Ferguson discusses Chagnon and other anthropologists’ habit of handing out steels tools in exchange for information, labor and blood samples. But to make this the centerpiece of his critique is absurd. It is also a measure of Chagnon’s narcissism that he reduces an argument about hundreds of years of history, empires and culture to an argument about himself. (Tierney is guilty of a similar fixation: when he cites Ferguson’s arguments in Darkness in El Dorado, he is also seemingly obsessed with the possibility that Chagnon himself had caused Yanomami warfare.)

The irony is that in Noble Savages, a story of an allegedly Stone Age people, steel and its influence are ubiquitous. One village Chagnon visited exists where it does, a missionary tells him, because its residents wanted to be near the missionaries and the steel tools they brought with them. His hosts lie to him about other villages—how far away they are, the dangers he can expect en route—so that he won’t leave and share his steel gifts with others. When he’s not watching, they break into his supplies and make off with knives and fishhooks. “The very word madohe [trade goods] stirs people,” Chagnon says. If machetes or axes are present, he observes, club fights can escalate to machete fights, increasing the likelihood of their participants being crippled or killed. Even after pointing all this out, Chagnon takes a position worthy of the National Rifle Association: machetes don’t kill Yanomami, Yanomami do.

Elsewhere in his memoir, though, he insists that the introduction of new technology can alter—and has altered—the way people relate to each other, even by encouraging them to kill each other. Missionaries from the Salesians of Don Bosco, a Catholic charity, gave shotguns to the Yanomami, something Chagnon refused to do “as a matter of principle.” The results, he says, were disastrous. “Although the shotguns did not make the Yanomamö warlike, I believe that they probably caused an increase in mortality rates…. Shotguns may have even made the Yanomamö more willing to attack their enemies because the shotguns were more efficient killing weapons than their bows and arrows.” And: “The introduction of shotguns at Salesian missions would most likely change traditional Yanomamö warfare patterns.”

The Salesians might be the only people Chagnon dislikes more than cultural anthropologists. From his perspective, they were determined to make the rainforest into a theocracy, controlling who came and went (including anthropologists) and luring the heathen Yanomami to their settlements so as to render them dependent on the goods they supplied. It was the Salesians, Chagnon theorizes, who pulled strings to get Tierney the permits he needed to do his research in the Amazon for Darkness in El Dorado. In 2010, he even speculated that they paid Tierney to write his book. As with the postmodern barefoot ayatollahs of anthropology, the Salesians are presented to us as ruthless Machiavellians. Chagnon all but accuses them of turning a blind eye to the inevitable result of their largesse: if the guns were being used for raids, or even making the raids more common, so be it—this would make the guns more valuable, and the missionaries with the guns more powerful still. So shotguns, it seems, can influence warfare patterns, but never machetes—and anyway, Chagnon writes, the Yanomami (a supposedly untouched people) had “possessed steel tools many years prior to my first trip.

Now and then, Chagnon will recognize that, yes, war is complicated, a cumulative result of many intertwined factors. He even draws attention to the difference between motive, on the one hand, and human statements about motive, on the other. If a Yanomami was bitten by a snake and died, Chagnon recalls, his fellow villagers might decide that the snake had been sent by a rival village—therefore providing a pretext for revenge, which might involve seizing control of some strategic resources. Such behavior should sound familiar: quite recently, the leader of the most powerful nation on earth organized the invasion of another, oil-rich nation, claiming that he was acting on God’s personal instructions. The leader of the invaders also pointed out that, in addition to possessing terrible new weapons, the oil-rich country’s leader had once tried to kill his father. Oil was never mentioned: the history of war is a history of obfuscation about its motives. But whenever the Yanomami tell Chagnon that they’re fighting over women, he takes it as a direct expression of fact—one that, conveniently enough, supports the theory that for the Yanomami, as for all our ancestors, warfare was essentially about reproduction and its kissing cousin, revenge.

* * *

For all his claims to be working in opposition to the archetype of the noble savage, Chagnon is implicitly committed to the idea that the Yanomami he met were in some sense completely different from us—that they lived, to borrow a phrase from the pop science writer Jared Diamond, in a premodern sliver of the “world until yesterday” preserved in our midst. The Yanomami are, at different points in Chagnon’s book, “wild,” “primitive” and “Stone Age”—never mind all their steel, or the fact that they rely on farming, not hunting or gathering, for 70 percent of their diet. Never mind that none of their primary crops—bananas and plantains—are indigenous to the Amazon or even South America. No, the Yanomami are “pristine,” “pure,” “special,” even noble: “I have chosen to call this book Noble Savages,” Chagnon writes, “in part because the Yanomamö I lived among had a certain kind of nobility that most anthropologists rarely see in acculturated and depopulated tribes that have been defeated by and incorporated into the political states in whose jurisdiction they reside.”

When it comes to describing the definitively unpristine Yanomami—those who, even by his standard, have had extended contact with “civilization”—Chagnon vacillates between pity, disdain and (most often) disinterest. Readers of Noble Savages will learn almost nothing of contemporary Yanomami or their politics. They will certainly not learn about the assemblies at which representatives from different villages discuss the ongoing threats to their existence posed by mining interests, and the future of their relationships with Venezuela and Brazil. Yanomami have even traveled to the United States—not just to speak about the Chagnon controversy, but also to request the return of the blood samples gathered by research teams, including those led by James Neel. The Yanomami argue that they never consented to the indefinite storage of bodily materials in far-away freezers, a practice that violates their burial customs. (In 2010, several research facilities agreed to return the blood.) Chagnon says not one word about any of this; he’s too busy calling Yanomami leaders the puppets of Salesian missionaries, who are using them to advance their anti-Chagnon, anti-science agenda.

Chagnon’s fixation on those Yanomami he judged “pristine,” and his disinterest in any he’d determined to be “acculturated,” took its most explicit turn in 1990, when he was contacted by Cecilia Matos, the mistress of Venezuela’s then-president, Carlos Andrés Pérez. As Chagnon tells it, Pérez’s political career was winding down, and Matos wanted him to beef up his legacy by doing something to benefit people like the Yanomami. Though Chagnon had started a Yanomami Survival Fund in 1988, there is no evidence that he ever delivered any money to the people it was named for. The one time he was asked for advice about safeguarding the Yanomami’s living conditions, Chagnon recommended a rainforest biosphere project that would protect their land—but not all of it, just those parts whose inhabitants Chagnon deemed sufficiently untouched. About four-fifths of Yanomami lands in Venezuela would be unprotected, and so more open to mining concerns.

This aspect of the proposal goes unmentioned in Noble Savages; all Chagnon says, in his three-page account of the incident, is that before the project could be implemented, the usual network of detractors went to work spreading lies, which prompted hysterical protests, and so the project died. He doesn’t say that a similar project that included almost all Yanomami land was launched the following year. More damningly, he doesn’t tell his readers that in 1993 Pérez was impeached, removed from office and jailed after getting caught siphoning millions of dollars’ worth of public funds to private accounts he shared with his mistress. Matos was to be arrested too, but she fled the country; on her arrest order, she was accused of, among other things, misappropriating state resources to get a noble-sounding biosphere project running as a front for more profitable activities. Almost every commentator on the Chagnon saga, even among his army of vociferous allies, has agreed that his participation in this project, however tangential, was at the very least bad judgment. In a recent New York Times Magazine profile, Chagnon swatted away such accusations. In exchange for his help, Pérez had restored his research permit. “I got a year’s worth of data,” he said. “It was worth it for that reason.”

At the end of the Secrets of the Tribe documentary, Patrick Tierney says, “I don’t think that there’s any way [Chagnon’s defenders] can salvage [him] in the long run.” Time will tell, but I’d wager that Tierney is wrong: he is too enamored of the idea that scandal might lead to change, and too optimistic about facts trumping ideology (which is, of course, what Chagnon claims to hope for, too). Chagnon’s basic conclusions about the Yanomami were cited uncritically in Jared Diamond’s bestseller The World Until Yesterday, published in December [see Stephen Wertheim, “Hunter-Blatherer,” April 22]. Early reviews of Noble Savages were almost all positive. In a triumphant blurb, the anthropologist Robin Fox calls it the “final knockout punch in a fight [Chagnon] didn’t pick but has most assuredly won.” Chagnon was recently asked by the University of Michigan, his alma mater, to organize his life’s work into a digital archive for use by academics around the world. And last year, he was voted into the National Academy of Sciences.

In response, his old University of Michigan professor Marshall Sahlins resigned from the academy, citing not only Chagnon’s election but also the recruitment of NAS anthropologists by the US military. “The two are connected,” he told me recently. “Chagnon’s research and the imperial venture are both based on the same assumption, that pursuit of material self-interest is the natural human condition—the obvious, natural, best thing for the individual and the nation.”

Online, Chagnon’s fans have been selling T-shirts that caricature his critics’ positions as: Napoleon Chagnon kicked my dog! Word is the man himself thinks they’re hilarious and has ordered a bunch for friends and family. This semester, at age 74, Chagnon joined the anthropology department at the University of Missouri. “I feel like a battleship,” he told the campus newspaper, “shaking off the mothballs and taking to the high seas again.” Let’s christen it the USS Machete.

In “Library Man” (Feb. 7, 2011), Thomas Meaney reviewed Patrick Wilcken’s biography of Claude Lévi-Strauss, “a poet in the laboratory of anthropology.”

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