Arquivo da categoria: violência

>Nono aniversário de 11 de setembro em Nova York (Rede TV!)

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Controvérsia sobre o local da construção da Mesquita Park51/Cordoba House, a duas quadras do Marco Zero, e ameaça de queima de cópias do Alcorão pelo pastor Terry Jones, na Flórida.

http://www.redetv.com.br/player/jw/4.4/player.swf

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>Cidades brasileiras são apontadas como umas das mais desiguais do mundo (Agência Brasil)

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De acordo com o coordenador da pesquisa, Eduardo López Moreno, a desigualdade entre ricos e pobres pode provocar uma série de problemas sociais, como a criminalidade.

Por João Carlos , Agência Brasil
21 de março de 2010, às 09h54min

As cidades de Goiânia, Fortaleza e Belo Horizonte figuram entre aquelas com maior desigualdade de renda do mundo. Segundo dados divulgados sexta (19) pela ONU-Habitat, a Agência das Nações Unidas para Habitação, esses municípios brasileiros só ficam atrás das cidades sul-africanas, e de Lagos, na Nigéria.

Segundo a ONU, as três cidades brasileiras apresentaram um índice de Gini (que mede a desigualdade) igual ou superior a 0,61, em uma escala de zero a 1,00, em que os números mais altos mostram maior desigualdade. As nove cidades sul-africanas pesquisadas apresentaram índices entre de 0,67 e 0,75. Já Lagos tem índice de 0,64.

Os dados constam no estudo “Estado das Cidades do Mundo”, da ONU. De acordo com o coordenador da pesquisa, Eduardo López Moreno, a desigualdade entre ricos e pobres pode provocar uma série de problemas sociais, como a criminalidade.

“Existe um vínculo muito direto entre as cidades mais desiguais do mundo e um certo nível de criminalidade. Ou seja, a cidade mais desigual vai gerar, mais facilmente, certos distúrbios sociais. E o problema é que as autoridades locais, provinciais e federais vão usar recursos que deveriam ser utilizados para investimentos, para conter esses fenômenos sociais”, disse Moreno.

Brasília também é destacada na pesquisa com um alto índice (0,60). Já na comparação entre países, o Brasil é classificado como um país de “desigualdade muito alta”, com um índice Gini médio de 0,58. Dentro de uma pesquisa com países da África, Ásia, América Latina e Leste Europeu, o Brasil só fica atrás de África do Sul (0,76), Zâmbia (0,66), Namíbia (0,63), Zimbábwe (0,60) e Colômbia (0,59).

O estudo também cita as diferenças de oportunidades entre moradores de favelas e aqueles que residem em outras áreas dentro das cidades brasileiras. De acordo com a ONU, a chance de uma pessoa ter desnutrição em uma favela brasileira é 2,5 vezes maior do que no resto da cidade, enquanto que a diferença média no mundo é de duas vezes.

>Trump offers to buy site of controversial center (CNN)

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By the CNN Wire Staff
September 9, 2010 — Updated 2140 GMT (0540 HKT)

Donald Trump said he wants to buy the space “because it will end a … highly divisive situation.”

(CNN) — Real estate mogul Donald Trump has offered to buy the lower Manhattan site where a Muslim group plans to build an Islamic community center for 25 percent more than the current owners paid for it.

Trump made the offer Thursday in a letter to Hisham Elzanaty, an investor in the Islamic center site.

“I am making this offer as a resident of New York and citizen of the United States, not because I think the location is a spectacular one (because it is not), but because it will end a very serious, inflammatory, and highly divisive situation that is destined, in my opinion, to only get worse,” he wrote.

Trump further stipulated, as part of the offer, that if a mosque is to be built, “it would be located at least five blocks further from the World Trade Center site.”

Trump said he would pay cash for the site “with an immediate closing.”

“Hopefully, something good can happen!” he concluded.

There was no immediate response from Elzanaty.

>Governo americano discute intervir contra queima do Alcorão na Flórida (Estado de SP)

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Pastor fala em repensar planos a pedido da Casa Branca, Pentágono ou departamento de Estado

09 de setembro de 2010 | 14h 48

Pastor Jones idealizou o ‘Dia Internacional da Queima do Corão’.

WASHINGTON – O governo americano discute fazer um pedido formal ao pastor Terry Jones para que ele desista de promover queima de exemplares do Alcorão – o livro sagrado do Islã – no aniversário dos atentados de 11 de setembro, no próximo sábado.

“Esta possibilidade está sendo discutida no governo, mas ainda não há uma decisão”, disse o porta-voz do Pentágono Geoffrey Morrell nesta quinta-feira, 9.

Em uma entrevista publicada pelo jornal USA Today, o reverendo disse que se recebesse um pedido da Casa Branca, do Departamento de Estado ou do Pentágono, repensaria seus planos.

“Por enquanto não estamos convencidos que recuar seja o certo a fazer. Se fôssemos contactados pela Casa Branca, pelo Departamento de Estado ou pelo Pentágono isto nos faria repensar. Não acho que um pedido deles seja algo que ignoraríamos”, disse.

Obama intervém

Pela manhã, em uma entrevista à rede de TV ABC, o presidente Barack Obama defendeu que o pastor desista do protesto. Segundo o democrata, a atitude pode colocar em risco tropas americanas no Afeganistão e incentivar radicais islâmicos da Al-Qaeda.

“Se ele estiver escutando, espero que ele entenda que o que ele propõe é completamente contrário ao valores dos americanos. Nosso país foi construído sobre as noções da tolerância e da liberdade religiosa”, disse Obama. “Quero que ele entenda que seu golpe publicitário pode colocar em grave perigo todos aqueles que servem o país fora daqui”.

Obama ainda disse que a queima do Alcorão , vai impulsionar a Al-Qaeda e aumentar os níveis de violência contra os soldados americanos no Afeganistão e no Paquistão. “Espero que ele ouça sua consciência e entenda que seus planos levarão a atos de destruição”, concluiu o presidente.

Viajantes em alerta

Também nesta tarde, o departamento de Estado emitiu um alerta para americanos fora do país sobre o risco de manifestações antiamericanas no sábado, caso o reverendo leve sua proposta adiante.

“O potencial para protestos que podem se tornar violentos continua alta”, diz o alerta.

Com Reuters

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Da Flórida a Meca – A história do extremista cristão que quer queimar 200 cópias do Alcorão

por Gustavo Chacra

09.setembro.2010 05:17:11

Antes de começar o texto, preciso deixar claro que ninguém nos EUA está apoiando a iniciativa de queimar o Alcorão, a não ser os seguidores do pastor da Flórida. Até mesmo oportunistas supostamente conservadores, como o apresentador Glenn Beck, da Fox News, criticaram a iniciativa.

Terry Jones era um pastor completamente desconhecido e irrelevante nos Estados Unidos até dois meses atrás. Apenas 30 pessoas frequentam semanalmente seus sermões em sua igreja em Gainesville, na Flórida. Mesmo na pequena cidade, este líder evangélico é considerado uma figura marginal, sem importância, quase uma piada. Ele era considerado um fracasso nas relações públicas.

A não ser pelo seu longo bigode grisalho, Jones não conseguia chamar a atenção, apesar de tentar com o seu programa “The Braveheart Show”, no YouTube, e com o livro “The Islam is of the Devil”. Porém somente 200 pessoas costumavam assisti-lo. Um número similar comprou o seu livro na internet.

Tudo mudou em 25 de julho deste ano, quando o pastor decidiu, no seu programa do YouTube, lançar uma campanha “internacional” para queimar o Alcorão. “O Islã é do demônio. O 11 de Setembro nunca será esquecido. Foi o dia que Islã nos atacou, o nosso modo de vida, a nossa Constituição. É uma religião demoníaca. Neste 11 de Setembro, teremos um dia internacional para queimar o Alcorão”, afirmou o pastor, que se autodenomina doutor, no vídeo de 1 minuto e 36 segundos.

Inicialmente, poucos prestaram atenção na sua campanha. Nos últimos dias, com a aproximação do 11 de Setembro, as autoridades passaram a levar a sério a campanha deste pastor que lidera uma igreja chamada Dove World Outreach Center.

Aproveitando a sua popularidade, Jones tem dado seguidas entrevistas a redes de TV. Críticos, como o general David Petreaus, comparam o seu radicalismo ao do Taleban. No seu site, ao apresentar os ideais de sua igreja, ele afirma que “os cristãos precisam retornar para a verdade e parar de se esconderem. O Aborto é um assassinato. A homossexualidade é um pecado. Temos que chamar estas coisas pelo que elas realmente são. Jesus é o único caminho, a verdade e a vida. Qualquer religião que vá contra isso é demônio”.


Repúdio internacional

A decisão de queimar cerca de 200 cópias do Alcorão no dia 11 de Setembro provocou repúdio internacional e elevou os temores de reações violentas de muçulmanos ao redor do mundo. Autoridades americanas e lideranças islâmicas moderadas tentam mostrar que esta manifestação é um caso isolado, não representando o pensamento americano.

Até agora, estas condenações a Jones foram insuficientes para conter os protestos que já começaram na Indonésia e no Paquistão e devem se espalhar por outros países. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã advertiu os EUA para não “profanarem objetos islâmicos” e para “não criarem situações sensíveis envolvendo a opinião pública e os muçulmanos”.

O tom também foi duro nas declarações de um ex-ministro de assuntos religiosos da Síria. “Estamos acostumados a ver as administrações arrogantes dos EUA e da Europa ofendendo o islamismo e a figura do profeta Maomé”, disse Abd al Razzaq Munis para uma rede de TV iraniana. No Afeganistão, manifestantes queimaram bandeiras americanas e um boneco que representaria Terry Jones.

Há cinco anos, depois de um cartunista dinamarquês publicar um cartoon satirizando o profeta Maomé, dezenas de milhares de muçulmanos protestaram violentamente ao redor do mundo e mais de cem pessoas morreram. Queimar o Alcorão seria uma blasfêmia ainda maior para os muçulmanos. “Se a igreja da Flórida levar adiante seus planos de queimar o Alcorão no 11 de Setembro, aquela data infame vai ganhar um irmão gêmeo que será o estopim de uma onda de ira que consumirá partes do mundo”, escreveu em editorial o jornal libanês Daily Star, alertando sobre os riscos da atitude do pastor americano.

Ao publicarem as informações sobre o assunto ontem, a imprensa da região foi cautelosa. Até mesmo a rede de TV Al Manar, do Hezbollah, evitou declarações incendiárias ao colocar logo no primeiro parágrafo de seu texto que autoridades americanas condenaram a atitude do pastor. A Al Jazeera também tomou o mesmo cuidado.

Em declarações no Council on Foreign Relations, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que os planos de “uma pequena igreja da Flórida de queimar cópias do Alcorão no 11 de Setembro é revoltante e infeliz, não representando quem somos como americanos”. O comandante das forças americanas no Afeganistão, general David Petraeus, também condenou o pastor, afirmando que a atitude dele pode colocar em risco as tropas americanas.

O Vaticano criticou Jones ao afirmar que todas as religiões “devem ser respeitadas e protegidas”. A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, e o presidente do Líbano, Michel Suleiman, que é cristão, também lamentaram a decisão do pastor da Flórida e alertaram para os riscos de violência em reação à atitude dele. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que a ação do pastor pode colocar em risco “iniciativas das Nações Unidas ao redor do mundo para defender a tolerância religiosa”.

Apesar de todas estas iniciativas, a Justiça americana não pode impedir que o pastor siga adiante com seus planos. A Constituição dos EUA garante o direito à liberdade de expressão, ainda que uma religião seja ofendida.

Islamofobia

Grupos muçulmanos dos Estados Unidos pretendem realizar um protesto pacífico diante da igreja do pastor Terry Jones, no dia 11 de Setembro, quando ele promete queimar cerca de 200 cópias do Alcorão. A data, neste ano, coincide com o último dia do Ramadã, mês sagrado para os islâmicos.

“Nós estaremos lá. A idéia é encará-lo de frente e mostrar que existe uma alternativa. Também tentaremos mostrar ao resto do mundo islâmico que este pastor é uma figura marginal, não representando o pensamento americano”, me disse Corey Saylor, porta-voz do Council on American-Islamic Relations (CAIR), considerado o grupo mais representativo da população muçulmana dos EUA.

Segundo ele, muitas vezes a imprensa ocidental mostra líderes marginais do islamismo atacando o judaísmo e o cristianismo como se fossem autoridades religiosas importantes. “Não podemos fazer o mesmo. Estamos trabalhando para que os muçulmanos ao redor do mundo entendam que este é um caso isolado”, disse Saylor, advertindo, porém, que existe uma “bolha islamofóbica” nos EUA.

Citando o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, episódios como o do pastor Jones e a oposição à construção do centro comunitário islâmico a dois quarteirões do Ground Zero “possuem motivações políticas e devem se reduzir depois das eleições (parlamentares) de novembro”. Ele também elogiou as manifestações de Hillary e Petraeus.

Na avaliação do CAIR, o presidente Barack Obama não deveria intervir. “Isso seria usado politicamente contra ele”, disse Saylor. O líder americano é classificado como muçulmano por mais de um quinto da população dos EUA, apesar de ele publicamente se declarar cristão.

Um grupo de líderes religiosos, incluindo autoridades cristãs, judaicas e islâmicas, divulgaram ontem um comunicado lamentando a atitude do pastor do Texas e advertindo para o risco do crescimento da islamofobia nos EUA. A revista Time, que é a de maior circulação no país, publicou uma capa no mês passado questionando se os americanos são islamofóbicos. O New York Times, em editoriais, também já advertiu para os riscos dos sentimentos anti-islã.

>How the "ground zero mosque" fear mongering began (Salon)

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A viciously anti-Muslim blogger, the New York Post and the right-wing media machine: How it all went down

By Justin Elliott
Monday, Aug 16, 2010 07:01 ET

Blogger Pamela Geller and Imam Feisal Abdul Rauf (AP)

A group of progressive Muslim-Americans plans to build an Islamic community center two and a half blocks from ground zero in lower Manhattan. They have had a mosque in the same neighborhood for many years. There’s another mosque two blocks away from the site. City officials support the project. Muslims have been praying at the Pentagon, the other building hit on Sept. 11, for many years.

In short, there is no good reason that the Cordoba House project should have been a major national news story, let alone controversy. And yet it has become just that, dominating the political conversation for weeks and prompting such a backlash that, according to a new poll, nearly 7 in 10 Americans now say they oppose the project. How did the Cordoba House become so toxic, so fast?

In a story last week, the New York Times, which framed the project in a largely positive, noncontroversial light last December, argued that it was cursed from the start by “public relations missteps.” But this isn’t accurate. To a remarkable extent, a Salon review of the origins of the story found, the controversy was kicked up and driven by Pamela Geller, a right-wing, viciously anti-Muslim, conspiracy-mongering blogger, whose sinister portrayal of the project was embraced by Rupert Murdoch’s New York Post.

Here’s a timeline of how it all happened:

* Dec. 8, 2009: The Times publishes a lengthy front-page look at the Cordoba project. “We want to push back against the extremists,” Imam Feisal Abdul Rauf, the lead organizer, is quoted as saying. Two Jewish leaders and two city officials, including the mayor’s office, say they support the idea, as does the mother of a man killed on 9/11. An FBI spokesman says the imam has worked with the bureau. Besides a few third-tier right-wing blogs, including Pamela Geller’s Atlas Shrugs site, no one much notices the Times story.

* Dec. 21, 2009: Conservative media personality Laura Ingraham interviews Abdul Rauf’s wife, Daisy Khan, while guest-hosting “The O’Reilly Factor” on Fox. In hindsight, the segment is remarkable for its cordiality. “I can’t find many people who really have a problem with it,” Ingraham says of the Cordoba project, adding at the end of the interview, “I like what you’re trying to do.”

* (This segment [above] also includes onscreen the first use that we’ve seen of the misnomer “ground zero mosque.”) After the segment — and despite the front-page Times story — there were no news articles on the mosque for five and a half months, according to a search of the Nexis newspaper archive.

* May 6, 2010: After a unanimous vote by a New York City community board committee to approve the project, the AP runs a story. It quotes relatives of 9/11 victims (called by the reporter), who offer differing opinions. The New York Post, meanwhile, runs a story under the inaccurate headline, “Panel Approves ‘WTC’ Mosque.” Geller is less subtle, titling her post that day, “Monster Mosque Pushes Ahead in Shadow of World Trade Center Islamic Death and Destruction.” She writes on her Atlas Shrugs blog, “This is Islamic domination and expansionism. The location is no accident. Just as Al-Aqsa was built on top of the Temple in Jerusalem.” (To get an idea of where Geller is coming from, she once suggested that Malcolm X was Obama’s real father. Seriously.)

* May 7, 2010: Geller’s group, Stop Islamization of America (SIOA), launches “Campaign Offensive: Stop the 911 Mosque!” (SIOA ‘s associate director is Robert Spencer, who makes his living writing and speaking about the evils of Islam.) Geller posts the names and contact information for the mayor and members of the community board, encouraging people to write. The board chair later reports getting “hundreds and hundreds” of calls and e-mails from around the world.

* May 8, 2010: Geller announces SIOA’s first protest against what she calls the “911 monster mosque” for May 29. She and Spencer and several other members of the professional anti-Islam industry will attend. (She also says that the protest will mark the dark day of “May 29, 1453, [when] the Ottoman forces led by the Sultan Mehmet II broke through the Byzantine defenses against the Muslim siege of Constantinople.” The outrage-peddling New York Post columnist Andrea Peyser argues in a note at the end of her column a couple of days later that “there are better places to put a mosque.”

* May 13, 2010: Peyser follows up with an entire column devoted to “Mosque Madness at Ground Zero.” This is a significant moment in the development of the “ground zero mosque” narrative: It’s the first newspaper article that frames the project as inherently wrong and suspect, in the way that Geller has been framing it for months. Peyser in fact quotes Geller at length and promotes the anti-mosque protest of Stop Islamization of America, which Peyser describes as a “human-rights group.” Peyser also reports — falsely — that Cordoba House’s opening date will be Sept. 11, 2011.

Lots of opinion makers on the right read the Post, so it’s not surprising that, starting that very day, the mosque story spread through the conservative — and then mainstream — media like fire through dry grass. Geller appeared on Sean Hannity’s radio show. The Washington Examiner ran an outraged column about honoring the 9/11 dead. So did Investor’s Business Daily. Smelling blood, the Post assigned news reporters to cover the ins and outs of the Cordoba House development daily. Fox News, the Post’s television sibling, went all out.

Within a month, Rudy Giuliani had called the mosque a “desecration.” Within another month, Sarah Palin had tweeted her famous “peaceful Muslims, pls refudiate” tweet. Peter King and Newt Gingrich and Tim Pawlenty followed suit — with political reporters and television news programs dutifully covering “both sides” of the controversy.

Geller had succeeded beyond her wildest dreams.

Justin Elliott is a Salon reporter. Reach him by email at jelliott@salon.com and follow him on Twitter @ElliottJusti.

>Nova York encontra mais restos mortais de vítimas do 11 de Setembro (G1)

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Fragmentos estavam em área que vinha sendo rastreada desde abril. Trinta e sete deles estavam sob a West Street, próximo às antigas torres

24/06/2010 | 08:22 | G1/Globo.com

Momento do colapso de uma das torres gêmeas. Foto da polícia de Nova Iorque (NYPD).

Autoridades municipais de Nova York afirmaram que uma nova busca nos destroços no local do World Trade Center e nos arredores achou 72 restos mortais humanos, que seriam de vítimas dos atentados do 11 de setembro.

O rastreamento começou em abril, em uma área de 700 metros cúbicos no chamado Marco Zero, e terminou na sexta-feira passada.

Trinta e sete dos fragmentos estavam sob a West Street, que passava ao lado das Torres Gêmeas. Eles só foram achados agora porque uma obra tornou o local acessível.

A cidade começou as novas buscas em 2006, e 1.845 cadáveres foram achados.

As autoridades disseram que muitos corpos estão em bom estado de conservação, o que permitirá que eles sejam submetidos a exames de DNA para que sejam reconhecidos.

Até janeiro de 2010, o instituto médico legal havia recuperado 21.744 restos humanos dos destroços, 12.768 dos quais foram identificados.

No mesmo período, foram identificadas 1.626 vítimas, ou 59% das 2.752 que teriam morrido nos ataques.

>Climate shifts ‘not to blame’ for African civil wars (BBC)

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By Mark Kinver
Science and environment reporter, BBC News
6 September 2010

The Darfur conflict in Sudan was linked to climate shifts. Members of the Sudanese Liberation Army (Getty Images)

Climate change is not responsible for civil wars in Africa, a study suggests.

It challenges previous assumptions that environmental disasters, such as drought and prolonged heat waves, had played a part in triggering unrest.

Instead, it says, traditional factors – such as poverty and social tensions – were often the main factors behind the outbreak of conflicts.

The findings have been published in the Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) in the United States.

“Climate variability in Africa does not seem to have a significant impact on the risk of civil war,” said author Halvard Buhaug, senior researcher at the Peace Research Institute Oslo’s (Prio) Centre for the Study of Civil War.

“If you apply a number of different definitions of conflict and various different ways to measure climate variability, most of these measurements will turn out not to be associated with each other.

He added that it was not too hard to find examples of where politicians were publicly making the link between the projected impact of climate change and the associated security risks.

Margaret Beckett, when she held the post of British Foreign Secretary, tabled a debate on climate change at the UN Security Council in 2007.

Ahead of the gathering, the British delegation circulated a document that warned of “major changes to the world’s physical landmass during this century”, which would trigger border and maritime disputes.

In his paper, Dr Buhaug questioned the findings of research that appeared in PNAS in November last year.

The 2009 paper suggested that climate had been a major driver of armed conflict in Africa, and that future warming was likely to increase the number of deaths from war.

US researchers found that across the continent, conflict was about 50% more likely in unusually warm years.

‘Lack of research’

Dr Buhaug said it was too early to make such assertions.

Politicians and policymakers have often linked the threat of climate change to security. UN Security Council (Image: AP)

“It is not a misunderstanding as such, more a case of the research still being in its infancy – we still don’t know enough yet,” he told BBC News.

“My article points to the fact that there has been too much emphasis on single definitions of conflict and single definitions of climate.

“Even if you found that conflict, defined in a particular way, appeared to be associated with climate, if you applied a number of complementary measures – which you should do in order to determine the robustness of the apparent connection – then you would find, in almost all cases, the two were actually unrelated.”

Dr Buhaug explained that there were a variety of ways to define what constituted a civil war.

One methods requires the conflict to claim 1,000 lives overall. Another method says unrest can only be categorised as a civil war if it results in 1,000 deaths each year.

Other definitions have much lower thresholds, ranging between one casualty and 25 casualties per year.

“I tried quite a few different and complementary definitions of conflict,” said Dr Buhaug.

He found that that there was a strong correlation between civil wars and traditional factors, such as economic disparity, ethnic tensions, and historic political and economic instability.

“These factors seemed to matter, not so when it came to climate variability,” he observed.

He says that it will take a while yet, even taking into account his own paper, for academic research to converge on an agreed position.

‘Action still needed’

When it came to politicians and policymakers, many of the adopted positions were “speculative”, he added.

“It is partly a result of a lack of solid evidence in the first place,” the researcher explained.

“If you do not have any solid scientific evidence to base your assumptions, then you are going to have to speculate.”

He also said that the end of the Cold War also seemed to have had a impact on civil unrest in African nations.

“You did see a shift in the focus of quite a few conflicts during the 1990s, when the ending of the supply of arms saw some groups lay down their arms, while others sought alternative forms of funding, such as diamonds.”

However, he concluded, the uncertainty about the link between conflict and climate did not mean that global climate mitigation and adaptation measures did not matter.

“Targeted climate adaptation initiatives, such as those outlined in various UN (strategies), can have significant positive implications for social well-being and human security.

“But these initiatives should not be considered a replacement for traditional peace-building strategies.

“The challenges imposed by future global warming are too daunting to let the debate… be sidetracked by atypical, non-robust scientific findings and actors with vested interests.”

BBC News has approached a number of co-authors on the PNAS November 2009 paper, but we have yet to receive a response.

* * *

Climate ‘is a major cause’ of conflict in Africa

By Richard Black
Environment correspondent, BBC News website

Climate has been cited as a factor behind civil conflict in Darfur

Climate has been a major driver of armed conflict in Africa, research shows – and future warming is likely to increase the number of deaths from war.

US researchers found that across the continent, conflict was about 50% more likely in unusually warm years.

Writing in Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), they suggest strife arises when the food supply is scarce in warm conditions.

Climatic factors have been cited as a reason for several recent conflicts.

One is the fighting in Darfur in Sudan that according to UN figures has killed 200,000 people and forced two million more from their homes.

“We need to do something around climate change, but more fundamentally we need to resolve the conflicts in the first place”. Professor Nana Poku, Bradford University

Previous research has shown an association between lack of rain and conflict, but this is thought to be the first clear evidence of a temperature link.

The researchers used databases of temperatures across sub-Saharan Africa for the period between 1981 and 2002, and looked for correlations between above average warmth and civil conflict in the same country that left at least 1,000 people dead.

Warm years increased the likelihood of conflict by about 50% – and food seems to be the reason why.

“Studies show that crop yields in the region are really sensitive to small shifts in temperature, even of half a degree (Celsius) or so,” research leader Marshall Burke, from the University of California at Berkeley, told BBC News.

“If the sub-Saharan climate continues to warm and little is done to help its countries better adapt to high temperatures, the human costs are likely to be staggering.”

Conflicting outcomes

If temperatures rise across the continent as computer models project, future conflicts are likely to become more common, researchers suggest.

Northwestern Kenya’s drought has brought conflict between pastoralists.

Their study shows an increase of about 50% over the next 20 years.

When projections of social trends such as population increase and economic development were included in their model of a future Africa, temperature rise still emerged as a likely major cause of increasing armed conflict.

“We were very surprised to find that when you put things like economic growth and better governance into the mix, the temperature effect remains strong,” said Dr Burke.

At next month’s UN climate summit in Copenhagen, governments are due to debate how much money to put into helping African countries prepare for and adapt to impacts of climate change.

“Our findings provide strong impetus to ramp up investments in African adaptation to climate change by such steps as developing crop varieties less sensitive to extreme heat and promoting insurance plans to help protect farmers from adverse effects of the hotter climate,” said Dr Burke.

Nana Poku, Professor of African Studies at the UK’s Bradford University, suggested that it also pointed up the need to improve mechanisms for avoiding and resolving conflict in the continent.

“I think it strengthens the argument for ensuring we compensate the developing world for climate change, especially Africa, and to begin looking at how we link environmental issues to governance,” he said.

“If the argument is that the trend towards rising temperatures will increase conflict, then yes we need to do something around climate change, but more fundamentally we need to resolve the conflicts in the first place.”


Richard.Black-INTERNET@bbc.co.uk

>Terrorists Versus Soccer

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Repressive governments and extremist insurgent groups have attempted to tamp down soccer obsession without success.

Adam Serwer | June 17, 2010
The American Prospect

Local children play soccer at the Nangarhar Provincial Reconstruction Team Forward Operating Base in Jalalabad, Afghanistan. (U.S. Air Force/Joshua T. Jasper)

While millions of people all over the planet are tuning into the World Cup this month, Somali soccer fans in the areas controlled by the rival extremist insurgent groups al Shabaab and Hizbul Islam will have to do so in secret. That’s because both groups, locked in a brutal struggle with the internationally recognized Transitional Federal Government, have forbidden anyone from watching the games.

“They isolate and punish people for these types of activities, because in their twisted logic it takes you away from jihad as they see it, which is fighting the Transitional Federal Government,” says Areej Noor, a research assistant at the Brookings Institution’s Doha Center.

The ban on the World Cup has been upheld with lethal force. On Tuesday, Hizbul Islam members killed two people and arrested ten others for watching the games. It’s not just watching soccer either — human rights advocates say that defying the insurgents by playing soccer, or any other game, local residents risk flogging, amputations, or summary executions. Nevertheless, in an extraordinary act of mass defiance, Somalis continue to huddle near radios and satellite televisions just to catch the beautiful game.

It’s not just soccer—the insurgents have sought to control all aspects of Somalis’ daily lives, forcing their hardline religious views on the populace. “What we’re seeing now with the soccer crackdown is happening every day, on multiple levels, in terms of the crackdown on activities, daily, routine mundane activities,” says Letta Tayler, a researcher with Human Rights Watch who authored a 2010 report on human rights abuses in Somalia.

Soccer has been a particular target for violent extremists. It’s not just al-Qaeda connected groups in Somalia that have targeted the sport. Al Qaeda’s affiliate in Algeria has threatened to disrupt the World Cup by launching an attack on the games being held in South Africa. During the 1990s in Afghanistan, the Taliban turned the UN constructed soccer stadium in Kabul into a giant execution chamber.

Other repressive governments have attempted to tamp down soccer obsession without success — as Franklin Foer recounts in his 2006 book, How Soccer Explains the World , the mullahs’ attempts to ban soccer failed, and the regime instead attempted to co-opt Iranian love for the sport by having regime loyalists attempt to lead religious chants in the stadiums. The Mullahs were eventually forced to rescind a ban on women watching soccer on television after they began dressing as men and sneaking into games.

Conservative blogger Ilya Somin recently criticized the sport for promoting “nationalist and ethnic violence,” but it’s actually because of those nationalistic feelings that violent religious extremists find the sport so threatening. International soccer interferes with the extremist vision of a fundamentalist society free of secular influences in a number of ways — most notably by cultivating a secular, national identity separate from the religious one. It showcases peaceful interaction not only between rival, even hostile nations, but between Muslims and non-Muslims, undermining the narrative of an inevitable clash of civilizations between Islam and the West. This isn’t to say that soccer is necessarily a liberalizing force — Mussolini’s Italy did win the last World Cup before World War II. But the world’s love for soccer offers a particularly difficult challenge for the pan-Islamist extremist ideology of groups like al Shabaab and Hizbul Islam.

“It’s a time and place where conflict is suspended,” says Noor. “When people in Afghanistan or Somalia get together and watch a game, how anti-Western are they being? [Soccer] cultivates a kind of affinity with the rest of the world that these people are not interested in Somalis having.”

Al Shabaab and Hizbul Islam’s crackdown on soccer — along with their general callousness and brutality — also represents the kind of cultural overreach that helps delegitimize extremist groups in the eyes of local residents. In May, hundreds of Mogadishu residents took to the streets to protest Al Shabaab’s desecration of the gravesites of Sufi Muslim clerics.

“When al-Qaeda in Iraq started to come apart was when they first started imposing their cultish interpretation of Islamic law on the Western tribes,” says Malcolm Nance, a former Navy Intelligence Officer who served in Iraq. AQI’s brutality and indiscriminate attacks on civilians damaged their reputation among ordinary Iraqis, and led to their being driven to near-destruction by the U.S. military who were now able to enlist — with generous sums of cash — the aid of the Sunni Tribes. Nance says the ban on soccer also highlights something else — the distance between traditional cultural practices and the relatively novel extremism of these groups, which he says “operate at the level of a cult.” “There is nothing in the Koran about games,” Nance says. “What we see as a simple innocent game, they see as a threat.”

The situation in Somalia is bleak however, and despite the self-defeating brutality of al Shabaab and Hizbul Islam, the two continue to control most of the country. The Transitional Federal Government, which controls the capital, Mogadishu, is losing the war despite having embraced some of the opposition’s most reprehensible practices, such as the recruitment of child soldiers. Victory for the insurgents could have drastic international consequences. Al Shabaab, which now controls more of Somalia than any other faction, emerged from the ashes of the Islamic Courts Union after the ICU was deposed by the Bush administration-supported Ethiopian invasion of Somalia in 2006. The group, originally a splinter faction of ICU hardliners, has recruited more than 20 American citizens to their cause. Al Shabaab has assassinated government ministers, and others have simply resigned in frustration over the lack of progress. It’s unclear whether the TFG can survive.

“The idea of global jihad has found a new bastion in Somalia, and it seems that will continue,” says Areej Noor. “I don’t know if there’s an end in sight for that.” At the moment, it’s hard to imagine a future for Somalia without the brutal, Taliban-style “justice” of the insurgents. Letta Tayler is concerned that once the World Cup is over, the international community will be all too ready to once again turn its eyes away from war-torn Somalia.

“It’s unfortunate that the world is only paying attention to it because it’s soccer and it’s now the World Cup. It’s unfortunate that the world is not paying attention to this when it’s a woman who is not allowed to sell cups of tea in the market because it will bring her into contact with men,” Tayler says. “It’s not just soccer, it’s every little detail of daily life.”

>Embaixadas do torcedor: uma saída para banir a violência do futebol

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Vilma Homero
© FAPERJ – 08/06/2006

Policiamento menos agressivo, estádios mais seguros e projetos sociais junto às torcidas. Segundo o pesquisador Martin Christoph Curi Spörl, do Instituto Virtual do Esporte (IVE), medidas como essas podem ajudar a desencorajar atos de violência nos estádios e as manifestações de racismo, mais freqüentes nos campeonatos europeus, contribuindo para a paz no futebol. Assistente social, ele estará, durante esta Copa do Mundo na Alemanha, seu país natal, participando das embaixadas do torcedor e pronto para receber os brasileiros que viajarem para assistir aos jogos de perto.

Martin trabalha atualmente em dois projetos: Estigmatização dos torcedores de futebol no Rio de Janeiro e Embaixada do torcedor durante a Copa do Mundo, ambos do IVE. Um é conseqüência direta do outro. Neles, o pesquisador propõe uma alternativa oposta ao que imprensa e opinião pública vêm pedindo. “Na atual discussão, a mídia brasileira sugere ações rigorosas de repressão, maior controle e punição dos envolvidos. E a solução, ao menos para uma expressiva parcela da opinião pública, parece ser a exclusão das torcidas, sempre vistas como as únicas culpadas pela violência. Entretanto, isso é apenas um lado do problema, um só olhar sobre uma possível solução”, diz.

Para o pesquisador, há outros caminhos para abordar o assunto. “Se os torcedores são estigmatizados como violentos e tratados como criminosos, isso acaba deflagrando um comportamento violento. O estigma é um preconceito e não a verdade. Num estádio lotado com 50.000 pessoas, pode ser que existam alguns poucos criminosos e torcedores agressivos. Mas em qualquer grupo desse tamanho na sociedade podemos encontrar igual percentual de desordeiros”, explica.

Junto com o estigma, vêm as desvantagens, como o tratamento agressivo reservado pela polícia, as matérias depreciativas nos jornais e as grades nos estádios, que mais lembram jaulas e são um risco para o público, que na possibilidade de um conflito pode ficar imprensado contra elas. Martin vai ainda mais longe ao explicar que “ao solidificar-se o preconceito, muitas vezes pode-se provocar um fenômeno psicológico chamado self-fulfilling prophecy. O que leva pessoas que não seriam necessariamente violentas a partir para a agressão quando são tratadas de forma preconceituosa pela polícia e seguranças de um estádio”.

Estigmatizado, o grupo pode criar sua própria subcultura, com valores diferentes do restante da sociedade. “Esta subcultura dá aos indivíduos auto-estima para seguir suas normas, que podem aceitar o uso de violência. A exclusão é contraprodutiva”, diz. Ele frisa que, principalmente para os jovens de classes sociais mais baixas, o sentimento de identidade com os demais torcedores é, muitas vezes, mais importante do que o próprio jogo.

Para Martin, alternativas de inclusão social podem ser um meio de evitar essa agressividade. “Podem ser o vínculo necessário ao diálogo e à construção de formas de participação social mais conscientes. É preciso criar programas voltados para as torcidas, que resgatem sua cidadania, transmitam aos jovens o conhecimento das regras em vigor, e que essas regras também os protegem em nossa sociedade”, diz.

Segundo o pesquisador, esse é um trabalho de longo prazo, que presume criar ligações com as torcidas organizadas, sempre apoiando o comportamento desejado, como a criatividade, seus bandeirões, músicas e coreografias. A experiência vem dando certo em países como a Alemanha. Antes mesmo dos preparativos para a Copa, o país conseguiu reduzir conflitos entre as torcidas locais e ampliar a média de público, hoje em cerca de 40 mil, mesmo em jogos menos importantes ou em estádios de cidades menores. “Esse número é maior do que a média brasileira, que na maioria das partidas fica em 12, 13 mil pessoas”, garante o pesquisador.

Resultados que Martin atribui a projetos de apoio cultural, assistência social e jurídica aos torcedores, conseguindo-lhes material e espaço para a pintura de bandeiras, ou advogado para assisti-los em casos de pequenas infrações. E também a mudanças mais substanciais, a começar pela segurança dos estádios. “Isso inclui um transporte público eficiente e medidas como um número suficiente de saídas de emergência, eliminação das grades ou, se isso não for possível, que elas tenham portas de fuga que permitam a passagem de torcedores em caso de necessidade”, diz.

Martin também sugere a divisão das arquibancadas em vários setores menores e a volta de áreas de ingresso mais barato, com lugar para se ficar em pé. Ou seja, a velha “geral”, eliminada na reforma do Maracanã. “Sem ela, os ingressos encarecem, o que acaba excluindo os torcedores mais pobres. Além disso, nas torcidas, música e dança fazem parte do espetáculo do futebol. E não se dança sentado”, explica.

No Rio, como no resto do país, o pesquisador acredita que a resistência da opinião pública é ainda muito forte. “A mentalidade é a de reagir a tudo com repressão; o pensamento da sociedade é punitivo. Mudar para a prevenção e projetos que envolvam os torcedores ainda é difícil, principalmente quando há tantos problemas graves no país”, reconhece. Para ele, a comissão Paz no Esporte, do Ministério do Esporte, é uma iniciativa que pode ser um começo para se pensar alternativas. “Um representante do ministério que esteve na Inglaterra e viu de perto esse projeto visivelmente mudou seu discurso”, anima-se.

E se localmente a idéia é a de inclusão, ao se pensar em eventos mais amplos, como uma Copa do Mundo, o raciocínio não é diferente. Mudam apenas as medidas. Nesta Copa, por exemplo, a Alemanha recebe as torcidas estrangeiras com as “embaixadas de torcedores”. “Essas embaixadas ajudam as torcidas, procurando atender suas necessidades, em seu próprio idioma”, explica.

Organizadas pela FSI – Football Supporters International, rede internacional de Projetos para Torcedores Nacionais, elas contam com equipes fixas (organizadas pelo país que promove o evento) e móveis (organizadas por cada um dos países participantes), preparadas para ajudar os torcedores a se sentirem bem-vindos e a acompanhá-los, dando-lhes suporte num país estranho. A ajuda inclui desde guias informativos a um serviço de apoio telefônico 24h. Além das embaixadas, iniciativas como a instalação de telões gigantes em grandes espaços ao ar livre, para que os que não conseguiram ingresso possam assistir aos jogos, e a programação de atrações em torno desses telões contribuem para criar um clima festivo e desestimulam conflitos.

“Na Eurocopa de 2004, em Portugal, por exemplo, tivemos os melhores resultados. A polícia portuguesa comportou-se exemplarmente, tal como foi sugerido pelo projeto, com uniformes menos agressivos e agindo de forma não acintosa. Em caso de incidente, entrariam os policiais comuns. Mas não houve nenhum conflito ligado ao futebol. Pelo contrário, houve até peladas de rua, em campos infláveis, disputadas amigavelmente por torcidas de diferentes países”, entusiasma-se Martin.

Desde as primeiras embaixadas, em 1990, organizadas na Copa da Itália, como forma de prevenir os episódios violentos que haviam marcado campeonatos anteriores, a experiência foi repetida e ampliada nas Copas seguintes, adotada por países como Holanda, Inglaterra, França e Suíça. Segundo Martin, até mesmo os ingleses, tristemente famosos pela fúria dos hooligans, andam “bem-comportados” nos estádios.

“Muitos usam cabeça raspada, são enormes, bebem quantidades industriais de cerveja e parecem assustadores quando cantam ´there are 10 german bombs in the air´. Mas se os policiais forem preparados para não aceitar provocações e houver cerveja suficiente, eles apenas bebem até cair. Foi assim na última Eurocopa. O problema é acabar a cerveja…” Segundo Martin, os alemães bebem tanto quanto os ingleses, mas também costumam querer conhecer o país onde estão. E a ajuda das embaixadas é sempre útil para isso.

Nesta Copa do Mundo, o Brasil não contará com sua própria embaixada, mas o próprio Martin fará parte das equipes fixas nas cidades onde o Brasil jogará. Em Berlim, na Ku´dammen; em Munique, na Marienplatz; e em Dortmund, na Friedenplatz.

>O poder jovem nas torcidas organizadas de futebol

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Vinicius Zepeda
© FAPERJ – 18/06/2010

Em época de Copa do Mundo, as rivalidades ficam de lado e os torcedores se unem pela vitória da Seleção.Fonte: ayrton.com/360/archives.

Até meados de julho, flamenguistas, tricolores, botafoguenses e vascaínos deixam as diferenças de lado e se unem para torcer pela pátria de chuteiras durante a Copa do Mundo, na África do Sul. Como eles, torcedores de todos os times do País se unem numa só torcida. No resto do planeta, todos os corações vibram e lutam numa batalha em que fuzis e confrontos são substituídos pela bola, a trave, os esquemas táticos 3-5-2, 4-4-2, 4-3-3, 4-5-1, entre outros,além das partidas entre adversários pelo título mundial de futebol. Já o que assistimos fora da Copa do Mundo é um espetáculo de torcidas rivais, que conjuga ao mesmo tempo a beleza das torcidas, entoando hinos e canções de provocação aos rivais, erguendo faixas e fazendo coreografias com a violência e a intolerância com o diferente, que por vezes pode gerar até mesmo mortes. Afinal, as torcidas nada mais são que um microcosmo da sociedade, para o bem e para o mal. Esta é a tese defendida pelo historiador, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Bernardo Borges Buarque de Hollanda, que acaba de publicar, com apoio do programa Auxílio à Editoração (APQ 3) da FAPERJ, o livro O Clube como vontade e representação – O jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol no Rio de Janeiro.

“Flamengo, Flamengo/Tua glória é lutar/Flamengo, Flamengo/Campeão de terra e mar.” O verso, adaptado do hino oficial do clube, foi cantado ininterruptamente por quase cinquenta anos durante a entrada do time em campo pela Charanga – primeira torcida organizada do Flamengo e do Rio de Janeiro – liderada pelo baiano Jaime de Carvalho e que, de uns anos para cá, retomou aos estádios nacionais. “O baiano trouxe para as arquibancadas instrumentos rítmicos e de sopro, os metais, além de confetes e serpentina típicos do carnaval”, explica o pesquisador. O fenômeno foi incentivado pelo jornalista Mário Filho (1916/1976), que criou um concurso de torcidas que tocavam marchinhas. Dono do Jornal dos Sports, ele estimulou, no final dos anos 1930, a criação da identidade do futebol como espetáculo das massas populares. “Até aquela década, os jornais mal falavam sobre esportes e as poucas notícias que apareciam se referiam a corridas de cavalos e regatas”, ensina.

O baiano Jaime de Carvalho no meio da Charanga, a primeira torcida organizada do Rio de Janeiro. Fonte: http://www.flamengoeternamente.blogspot.com.

O livro de Bernardo Buarque é essencialmente o resumo da tese de doutorado em História Social da Cultura, no Departamento de História, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), defendida ano passado. O estudo teve como fonte de pesquisa os arquivos do Jornal dos Sports, mais especificamente as matérias e fotos não publicadas, além de entrevistas com chefes de torcidas. O pesquisador da FGV acrescenta que, quando o jornalista Mário Filho comprou o Jornal dos Sports, começou também a publicar crônicas esportivas, fotos e entrevistas com jogadores de futebol. “Isso ajudou a transformar a imagem do futebol, até então aristocrático, em esporte de massas”, complementa.

Torcidas jovens criam o hedonismo no futebol

Em 1967, como dissidência à Charanga, do Flamengo, surge a primeira torcida jovem do estado do Rio de Janeiro: a Poder Jovem, que dois anos depois se transforma na Torcida Jovem Fla (TJF). No contexto da época, a TJF surge influenciada pela rebeldia da juventude da época e com proposta bem diferente da que vigorava na torcida criada pelo baiano Jaime de Carvalho. “Enquanto o baiano não admitia vaias ou hostilidade aos jogadores, a nova geração de torcedores, capitaneada pela Jovem Fla, queria protestar e criticar a atuação da equipe nos estádios”, explica Bernardo Buarque. Em 1971, surge o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol nos moldes do que temos hoje, em que o Atlético Mineiro sagrou-se campeão. As torcidas jovens que começam a comparecer aos estádios se tornam também torcidas organizadas devido à infraestrutura que criam para assistir aos jogos de seus times. É quando começa a aparecer o chamado hedonismo no futebol, que segundo o historiador caracteriza-se pela perda da identidade individual, diluída no prazer coletivo de viver para e pela torcida. “Isso acontece porque essas torcidas viraram verdadeiros grêmios recreativos, com sede própria independente do clube, taxa de inscrição e sócios, além de excursões para acompanhar os jogos em outros estados”, acrescenta.

Já nos anos 1970, acompanhando o contexto político do País e do mundo, as torcidas passam a protestar também contra a ditadura militar. “Não foi à toa que a primeira faixa a favor da anistia dos presos políticos no Brasil foi aberta num jogo do Corinthians, pela Gaviões da Fiel”, explica Bernardo. A democratização, no fim dos anos 1980, é acompanhada por uma grande decepção com o novo governo, inflação galopante, delinqüência juvenil e escalada da violência com o tráfico de drogas e o surgimento do crime organizado, com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. As torcidas então começam a se tornar violentas, seus seguidores passam a ser tachados de vândalos, numa espécie de reflexo da juventude perdida, a geração Coca Cola cantada na música de Renato Russo (1960/1996).

“Vale destacar que o grosso dessas torcidas é de jovens entre 14 e 25 anos, suscetíveis à necessidade de autoafirmação diante do grupo”, afirma. Ele acrescenta que, segundo teoria com origem no século XIX, elaborada por Gustave Le Bon, o jovem, que geralmente se considera fraco sozinho, em bando se acha invencível. “Assim, a torcida passa a ter vida própria e os jovens se tornam apenas peças da engrenagem. O estádio passa a ser o local das transgressões, o futebol funciona como catarse coletiva, em que palavrões e xingamentos nada mais são do que expressão dos preconceitos arraigados da sociedade”, diz Bernardo.

Enquanto o jogo acontece em campo, a provocação entre as torcidas toma conta das arquibancadas. Fonte: Torcida Youg Flu.

O historiador lamenta a escalada da violência nos estádios, que, em 1988, contabilizou a primeira morte de líder de torcida, Cleo, da Mancha Verde, do Palmeiras. Nesse contexto, ele explica que o ciclo de rivalidades perde a noção originária do futebol – sublimar a violência das armas com a leitura tática do jogo ganho com gols e o confronto pacífico de times em busca do gol – e passa a ser um espaço de guerra no sentido literal do termo. Como as torcidas crescem e se multiplicam, elas passam a reproduzir conflitos até entre seus integrantes, copiando a estrutura típica das facções criminosas. Com o aumento do preço dos ingressos nos estádios, muitas vezes os torcedores nem chegam a entrar para assistir aos jogos, ficando do lado de fora para provocar brigas entre seus próprios membros ou com torcedores de outro time. Seus símbolos passam a ser bélicos: canhão (Raça Rubro-Negra), cão buldogue (Fúria Jovem do Botafogo), Eddie – caveira símbolo da banda de heavy metal Iron Maiden (Força Jovem do Vasco), o vilão dos quadrinhos Duende Verde (Torcida Young Flu). Com a escalada de violência nos estádios, de fins dos anos 1980, várias iniciativas vêm sendo tomadas, desde policiamento ostensivo nos arredores dos estádios à escolta das torcidas e campanhas na mídia pela paz no futebol. Os resultados, no entanto, ainda são tímidos e bastante aquém do esperado.

O projeto para a Copa de 2014 no Brasil e o futuro das torcidas

Em sentido horário, símbolos das torcidas jovens de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. Reprodução.

Outro indicativo de como o futebol é um reflexo da sociedade é o poder político que líderes de torcida passaram a ter na eleição de dirigentes dos clubes. “O maior exemplo disso no futebol carioca pode ser personificado pelo ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, que chegava a distribuir até cinco mil ingressos em dia de jogo para os líderes de torcida”, lembra Bernardo. Ainda que caminhando a passos lentos em todo o País, a profissionalização do futebol parece ter ganho força, a partir dos anos 1980, com a transmissão cada vez mais freqüente dos jogos pela televisão, com a perda do de amor à camisa, com os jogadores transformados em mercadoria. “Há mais de vinte anos que os clubes operam deficitariamente, e seu lucro não vem mais da venda de ingressos para o público que comparece aos estádios, mas dos contratos para transmissão dos jogos pela TV e das transações com jogadores”, explica.

O novo modelo de adequação dos estádios às normas da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e que vem sendo adotado pelo Brasil prevê não apenas a redução do número de assentos, como o aumento do preço dos ingressos. “Acredito que o futebol continuará a ser o esporte mais popular do País por conta da televisão, mas o alto preço dos ingressos e a extinção da antiga geral no Maracanã tende a tornar o público cada vez mais elitista. O povão vai se contentar em ver o jogo pela televisão”, explica o historiador.

Nesse contexto, Bernardo Buarque destaca o surgimento, em 2006, da chamada “antitorcida organizada”, assim denominada por suas características, contrárias às tradicionais torcidas jovens. “Formadas em geral por jovens de classe média, elas não cantam palavrões, não têm símbolos próprios e, como as charangas, não vaiam. Ao contrário, apoiam incondicionalmente o time. São elas a Urubuzada (Flamengo), Legião Tricolor (Fluminense), Loucos pelo Botafogo e Guerreiros do Almirante (Vasco)”, conclui.

>Juventude e violência: proximidade perigosa (FAPERJ)

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Por Vilma Homero – 10/06/2010

Atos violentos de jovens de classes populares costumam ter resposta mais dura da sociedade, como mostra o filme Justiça.

A crescente violência entre os jovens é um fenômeno tipicamente contemporâneo. Vivendo uma adolescência prolongada, sem reconhecimento da sociedade organizada em função de sua não inserção no mercado de trabalho, eles se entregam a várias formas de comportamento violento: provocam acidentes ao dirigir em alta velocidade, sem respeitar quem ou o que estiver pela frente, aderem ao tráfico de drogas, tornam-se membros de gangues, provocam brigas em boates. Diante disso, a sociedade brasileira tem encontrado apenas duas formas de lidar: pelo assistencialismo ou pela repressão. Para o pesquisador e psicanalista Joel Birman, é preciso pensar criticamente essa situação.

Para promover essa reflexão, ele coordena a rede de pesquisas Juventude, Subjetivação e Violência/ou EPOS, sediada no Instituto de Medicina Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em que, com apoio do edital Pensa Rio – Apoio ao Estudo de Temas Relevantes e Estratégicos Para o Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, especialistas de diferentes formações analisam a questão. “A violência hoje está intimamente associada à juventude. Um comportamento que até um tempo atrás era cativo das camadas populares, hoje se dissemina igualmente nas classes médias. Mas é preciso sair dessa concepção unicamente assistencialista ou repressiva e encontrar outras alternativas”, diz.

Nesse sentido, a rede, que reúne psicanalistas, psicólogos, sociólogos, criminologistas, juristas e comunicólogos, vem refletindo sobre a questão em diversos trabalhos. Já foram promovidos dois colóquios, em 2008 e 2009, um deles transformado em livro, pela editora Contracapa, com o mesmo nome da rede, Juventude, Subjetivação e Violência. “Também estamos publicando uma revista eletrônica, em que colocamos os artigos dos especialistas da rede. Já publicamos o número zero, que submetemos à avaliação para indexação, e para 2010 temos previsão de mais duas edições”, expõe. Para junho, está sendo organizado um seminário para que os pesquisadores apresentem seus trabalhos. E, no segundo semestre, haverá outro, com conferencistas convidados.

Entre os vários estudos que integram a rede, a socióloga Vera Malaguti analisa exatamente como em vez de pensar formas de inclusão social, a sociedade lida com a questão da violência com políticas que criminalizam a juventude que apresenta comportamento deste tipo. A psicanalista Sílvia Nunes, que focaliza a gravidez adolescente, avalia como, especialmente entre as classes populares, essa gravidez funciona para a jovem mãe como a criação de uma certa respeitabilidade social e ainda como forma de proteção contra a violência, sobretudo sexual, em comunidades de baixa renda.

Para o psicanalista Joel Birman, a sociedade falha em promover a inclusão social do jovem.

“Já o professor de literatura Camilo Pena examina as novas formas de produção cultural e literatura das camadas populares, como blogs, panfletos e produção musical, que traduzem uma tentativa de criação de signos identitários”, exemplifica Joel Birman.

Outra pesquisa, de Wedencley Alves Santana, analisa o atual esvaziamento do potencial de promessa que a educação formal significava décadas atrás. Birman chama ainda a atenção para a participação de juristas que questionam o engessamento de nosso Código Penal, que cristaliza essa tendência criminalizante em seu olhar sobre o comportamento da juventude.

“Acreditamos que há uma lógica social maior nessas situações do que simplesmente a criminal. O grande eixo de nossa leitura é de questionar qual o lugar atual do jovem em nossa sociedade, levando-se em conta como a sociedade organizada falha em promover a inclusão social.”

Segundo o psicanalista, hoje, a ideia sobre o que é ser adolescente é diferente do que há décadas passadas. “A organização linear das idades foi quebrada nos anos 1970. A infância dura menos tempo, e, em compensação, a adolescência começa mais cedo e se estende indefiinidamente. Agora, ficou difícil distinguir o que é adolescente ou um adulto jovem”, explica. Outros fatores contribuem. “Diante na nova formação da família contemporânea, marcada pela volutibilidade do casamento, as crianças não vivem mais necessariamente com seus pais biológicos, e ainda passam por uma adolescência prolongada e sem autonomia, já que os jovens, particularmente os de classe média, mantêm-se durante mais tempo apenas dedicados aos estudos, antes de entrar para o mercado de trabalho”, explica Birman.

Para o psicanalista, “sem o reconhecimento simbólico de seu lugar na sociedade, numa infantilização que se estende, eles passam a cultivar uma cultura corporal, explorando não só a estética, como a cultura da força e das várias formas de violência, buscando distinguir-se entre seus pares”. E exemplifica: “Se entre os jovens de classe média, há as brigas em boates, ou a direção irresponsável em alta velocidade, para os jovens das camadas populares, há a adesão ao tráfico.”

A resposta da sociedade ao problema, no entanto, tem duas vertentes. “Costuma ser extremamente dura e repressiva para o jovem de origem humilde, que seguidamente são enviados a instituições penais, onde são transformados em criminosos propriamente ditos, e bem mais condescendente para os jovens de classe média, que em geral são encarados como problemáticos e alvo de medidas terapêuticas”, diz. Segundo o psicanalista, isso acontece porque a visão dos órgãos policiais e judiciais é fazer uma leitura a partir de um “potencial de periculosidade”, que encara sempre o jovem mais pobre como potencialmente mais perigoso.

No filme Meu nome não é Johnny, o protagonista da história, um jovem de classe média, é preso com grande quantidade de cocaína. Levado a julgamento, sua figura comove a juíza, que em vez de condená-lo como traficante, o envia para tratamento no manicômio judiciário. A história, real, ilustra bem a dualidade do olhar da sociedade brasileira, que certamente seria bem menos condescendente com réus das classes populares na mesma situação.

“Hoje, há uma tendência internacional de questionar essa visão criminalizante, de ver mais criticamente essas políticas de aprisionamento. No Instituto Carioca de Criminologia, coordenado pelo jurista Nilo Batista, já temos uma abordagem que dialoga com essa perspectiva”, diz Birman. Unindo todos esses estudos, fica a perspectiva de uma maior reflexão que traga outras alternativas de solução.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

>Militares pedem ao STF a punição dos torturadores

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15/04/2010 – 10h04

Por Redação Agência Carta Maior

Grupo de militares que não apoiaram o golpe de 1964, e por isso foram punidos, consideram que “os crimes comuns e de tortura praticados pelos agentes do Estado e da Repressão durante o regime militar brasileiro são atos absolutamente nulos e impassíveis também de anistia”. Os postulantes usam argumentos com base na legislação nacional e internacional para afirmar que a Lei da Anistia não a não pode provocar um esquecimento artificial dos fatos ocorridos. STF adia julgamento sobre o caso que estava marcado para esta quarta-feira.

O Major Brigadeiro Rui Moreira Lima – um dos três heróis de guerra remanescentes da Força Expedicionária Brasileira combatente do nazi-fascismo, durante a II Guerra Mundial – protocolou segunda-feira (12), no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a lei de Anistia não abarque os crimes de tortura. O documento, assinado pelo Brigadeiro como presidente da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (ADNAM), afirma:

“Pede-se a este Pretório Excelso uma interpretação da Lei 6.683/79 conforme a Constituição de tal modo que a anistia concedida pela referida lei aos crimes políticos e conexos não abarque os crimes comuns praticados pelos agentes repressores da oposição ao regime militar à época vigente (1964/1985), devendo, assim, a presente ADPF ser julgada integralmente procedente.”

A petição, protocolada pelos militares, requer ingresso, como amicus curiae na ação de Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil. A ação da OAB questiona quais tipos de violação podem ser classificadas como crimes comuns e quais continuam a ser entendidos como ações políticas, – o que as enquadra dentro da Lei de Anistia. A lei concede perdão a todos os envolvidos com crimes políticos entre 1961 e 1979. Com quase dois anos de atraso, foi marcado, de forma repentina, para quarta-feira (14), o julgamento da referida ação pelo STF. Esse julgamento foi adiado nesta terça-feira (ver abaixo).

Segundo a petição assinada por Moreira Lima, “anistia não pode significar que atos de terror cometidos pelo Estado através de seus agentes e que ensejaram verdadeiros crimes contra a humanidade não possam ser revistos”. A Associação Democrática e Nacionalista de Militares congrega militares das três forças armadas, policiais militares e corpos de bombeiros que se comprometem com a manutenção da democracia no país e lutam pela preservação do patrimônio nacional. A ADNAM visa também a promoção e a defesa dos direitos dos seus associados nas esferas executiva, legislativa e judiciária e dos militares punidos com fundamento nos Atos Institucionais e complementares ou outros diplomas legais emitidos durante o período de 1964-1985, sob o qual o país foi governado por sucessivos governos militares.

Na peça jurídica de 26 páginas os militares que não apoiaram o golpe de 1964, e por isso foram punidos, consideram que “os crimes comuns e de tortura praticados pelos agentes do Estado e da Repressão durante o regime militar brasileiro são atos absolutamente nulos e impassíveis também de anistia”. Os postulantes usam argumentos com base na legislação nacional e internacional para afirmar que:

“Anistia não é esquecimento. (…) A Lei de Anistia não pode provocar um esquecimento artificial dos fatos ocorridos. (…) Anistia não é perdão. (…) A questão que se coloca, é se a Lei da Anistia significa o auto-perdão, ou seja, o Estado na condição de perpetrador da violência deve ser por ele mesmo perdoado? Se anistia não se confunde com perdão, muito menos pode significar auto-perdão”.

Sobre a alegação de que a anistia foi um pacto político, escrevem os militares:

“Não se pode justificar o Estado Democrático de Direito atual sob o esquecimento e negação da violação de direitos perpetrada pelo regime militar. Não há acordo, pacificação, reconciliação, perdão e/ou reconstrução se a uma das partes é vedada o conhecimento do que efetivamente se passou e quem foram os responsáveis”.

Julgamento adiado
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153, que contesta a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/79), não entrará na pauta da sessão ordinária desta quarta-feira (14) como estava previsto. Embora haja o quórum mínimo exigido para análise de matéria constitucional (oito ministros), a Presidência do STF decidiu adiar o julgamento alegando que “a importância e complexidade da questão recomendam a análise do processo com quórum completo”. Ainda não há previsão acerca da nova data para julgamento do processo.

A norma, que completou 30 anos em agosto de 2009, é questionada na Suprema Corte pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O relator da ADPF é o ministro Eros Grau. A OAB contesta o artigo 1º da Lei da Anistia, defendendo uma interpretação mais clara quanto ao que foi considerado como perdão aos crimes conexos “de qualquer natureza” quando relacionados aos crimes políticos ou praticados por motivação política.

Segundo a OAB, a lei “estende a anistia a classes absolutamente indefinidas de crime” e, nesse contexto, a anistia não deveria alcançar os autores de crimes comuns praticados por agentes públicos acusados de homicídio, abuso de autoridade, lesões corporais, desaparecimento forçado, estupro e atentado violento ao pudor, contra opositores ao regime político da época.

Com informações do STF e da Comissão de Anistia.