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Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Os Guarani Kaiowá e as perversidades do senso comum (dos “brancos”) (Canal Ibase)

Renzo Taddei – 09/11/2012

Canal Ibase

Nas últimas semanas recebi uma quantidade impressionante de solicitações, via redes sociais e e-mail, para manifestar meu apoio à causa dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Não me lembro, em minha experiência com redes sociais, de ter visto mobilização desse porte. Há pouco mais de uma semana, saiu decisão judicial a favor dos indígenas – ou, para colocar em termos mais precisos, revogando a reintegração de posse da área onde estão. Como atentou gente mais próxima ao movimento indígena, isso por si só não garante quase nada, apenas que violências maiores não sejam cometidas no curto prazo. De qualquer forma, não tive muito tempo para me alegrar com o que parecia uma vitória do potencial de mobilização descentralizada da sociedade civil: ao comentar a questão com um amigo, no Rio de Janeiro, recebi como resposta a pergunta, maliciosamente feita de forma a combinar ironia e seriedade em proporções iguais: “mas, afinal, para que servem os índios?” Desconcertado, não consegui articular nada, apenas retruquei: “não sei; mas e você, pra que serve?”

Não pude deixar de pensar no assunto nos dias que se seguiram. Mas, no caso, o assunto deixou de ser exatamente a situação dos Guarani Kaiowá, ou das especificidades de conflitos entre índios e não-índios, e passou a ser a situação de certa configuração de ideias do senso comum da população urbana – ou pelo menos das coletividades nas quais me insiro, no Rio de Janeiro e em São Paulo – sobre os índios, em primeira instância, e sobre aqueles que são irredutivelmente diferentes, em última. Obviamente esse é assunto complexo, e vou me limitar a apenas pontuar alguns temas que, creio, são importantes para iluminar o contexto no qual notícias sobre os conflitos envolvendo indígenas ganham significados, para a grande parcela da população brasileira que inevitavelmente participa disso tudo na posição de meros espectadores.

Sobre a natureza dos índios e não-índios

Certa vez, em uma aula de antropologia, na Escola de Comunicação da UFRJ, usei um exemplo hipotético de jovem índio que vinha à universidade estudar medicina. “Aí ele deixa de ser índio”, alguém disse. Na discussão que se seguiu, a opinião prevalecente era de que as expressões “índio urbano” e “índio médico”, usadas por mim, eram contradições em termos. Eu perguntei, então, se o fato de eu ser descendente de italianos, o que me dá, segundo a legislação italiana, o direito de “virar italiano”, faz com que eu deixe de ser alguma coisa – brasileiro, por exemplo. Confusão nas fisionomias. Por que eu posso virar italiano sem deixar de ser brasileiro, e ninguém vê problema nisso, e o índio não pode “virar” urbano sem deixar de ser índio? Concluímos – com vários autores estudiosos das populações indígenas – que, sem que as pessoas se deem conta, nós, urbanos, ocidentalóides, nos entendemos na maior parte do tempo como seres “culturais”, tendo algum controle sobre nossas identidades, portanto; enquanto isso, percebemos a essência indígena (se é que isso existe) como algo “natural”, sobre a qual eles não têm, nem podem ter, controle algum.

Nada mais natural, então, que pensar que lugar de índio é na floresta, e que índio tem que ser preservado, como se fosse parte da biodiversidade. Ou então índio deixa de ser índio e vira não-índio, arranja emprego, compra casa, toca a vida na cidade – se desnaturaliza. O problema é o índio que quer morar na cidade, ser médico, talvez, sem abandonar suas formas indígenas de entender o mundo e vida. Ou o índio que quer câmeras fotográficas, antibióticos, televisores, antenas parabólicas e escolas, mas não quer abrir mão da sua forma não-ocidental, e portanto não capitalista, de entender sua relação com a terra, por exemplo. Ou não quer abrir mão de sua forma não-ocidental, e portanto não marcada por um reducionismo materialista esvaziado e irresponsável, de relação com câmeras fotográficas, antibióticos, televisores, antenas parabólicas e escolas (é parte do senso comum que o que essas coisas são para mim são também para todos que delas fazem uso, o que não é verdade sequer para gente do mesmo grupo social). A questão se apresenta de forma pervasiva até entre gente politicamente progressista: na Cúpula dos Povos da Rio+20, uma grande amiga, ativista, me confidenciou ter ficado espantada ao ouvir de lideranças indígenas que eles gostariam de ter energia elétrica, saneamento, escolas. Eram afirmações que contrariavam suas expectativas “romanceadas”, nas suas próprias palavras, a respeito dos índios.

Por que é tão difícil aceitar a ideia de que quando o índio diz querer escola, ele não está fazendo nenhuma declaração sobre a sua identidade? Porque, dentre muitas outras coisas, identidade é paranoia de não-índio, mas não (necessariamente) paranoia de índio. Aqui começamos a chegar a algum lugar: é muito incômodo conviver com alguém que não compartilha nossas paranoias.

Uma das decorrências perversas desse estado de coisas é a forma como somos levados a ver os índios como pessoas “incompletas”, como sendo “menos” que os não-índios. Não é à toa que, juridicamente, os índios foram ao longo do século 20, até a Constituição de 1988 pelo menos, tratados como equivalentes a crianças, ou seja, como seres incapazes e que demandavam tratamento jurídico diferenciado, justamente em função dessa incapacidade. O problema estava (e está) nos códigos jurídicos, fechados à possibilidade do direito à diferença, e não nos índios, que não são mais nem menos capazes que os não-índios, mas apenas diferentes em suas capacidades. A mudança constitucional de 1988, como a própria questão dos Guarani Kaiowá demostra, ocorreu infelizmente muito mais de juris do que de fato.

Foto: Rosa Gauditano

Os muitos significados do verbo servir

Mas voltemos à questão sobre a “serventia” dos índios. O tema apareceu novamente em reportagem da revista Veja, edição de 4 de novembro. Replicando argumentos usados em edições anteriores ao tratar do tema, o texto (que de jornalístico não tem quase nada) mescla desinformação e preconceito, ao fazer uso, por exemplo, de argumentos como a suposta “trágica situação [dos índios] de silvícolas em um mundo tecnológico e industrial”, de afirmações como “[a] Funai também apoia o expansionismo selvagem”, e de acusações descabidas, como a de que os antropólogos ligados ao Conselho Indigenista Missionário querem transformar o sul do Mato Grosso do Sul numa “grande nação guarani”, justamente na “zona mais produtiva do agronegócio” do estado. Em 2010, a revista havia afirmado, através de um malabarismo estatístico de quinta categoria (digno de envergonhar até ruralistas medianamente sofisticados), que 90% do território brasileiro é ocupado ou destinado a áreas de preservação ambiental, comunidades indígenas, quilombolas e áreas de reforma agrária; “a agricultura e demais atividades econômicas terão apenas 8% de área para se desenvolver”. Enfim, a estratégia retórica é clara: quem não contribui com o agronegócio e demais formas de produção capitalista em grande escala – no caso, os índios e todos os demais grupos de alguma forma ligados a usos não predatórios da terra – não contribui com a economia nacional. Em uma palavra: só serve para atrapalhar.

Essa é uma questão, me parece, fundamental: é preciso discutir o conceito de serventia. Como a ideia de “servir” participa em nossas vidas, e na forma como aprendemos a entender e viver o mundo? Se a serventia dos que (supostamente) não estão integrados ao projeto da nação é um tema relevante – tanto ao pseudo-jornalismo da Veja como a certo senso comum urbano -, e nós, não-índios, (supostamente) integrados, afinal, servimos pra quê? E como isso afeta nossa compreensão das questões indígenas no Brasil contemporâneo, e mais especialmente o caso dos Guarani Kaiowá? Na minha opinião, isso tudo serve de pano de fundo contra o qual as audiências urbanas, dos grandes canais de mídia, distantes do Mato Grosso do Sul, atribuem sentido às notícias.

O caso dos Guarani Kaiowá traz à luz um elemento da vida cotidiana brasileira que é feito estrategicamente invisível na forma como somos ensinados a entender o mundo. Eles não querem ser “como nós”; tenho a impressão de que para a maioria da população urbana isso não apenas é contra intuitivo, mas figura como um choque, quase como uma afronta. Se eles gostam de fotografia, eletricidade, escolas e antibióticos, qual o problema, então?

Há uma diferença fundamental entre a experiência de mundo dos índios e dos não-índios brasileiros, e isso está ligado ao “lugar” onde se encontram as coisas verdadeiramente importantes. De acordo com trabalhos antropológicos que descrevem as visões de mundo e formas de vida de várias etnias indígenas sul-americanas, uma das características marcantes da vida indígena (para quem não é índio, obviamente), é a proximidade existencial das pessoas com os níveis mais altos da existência política e religiosa das suas sociedades. O poder político, em geral, não é algo que se manifeste em forma de hierarquias verticais, da forma como as entendemos, e provavelmente está ocupado por alguém com quem as pessoas da tribo tem relação pessoal direta, muitas vezes de parentesco. O mesmo se dá no que diz respeito à existência espiritual: está tudo logo ali, divindades, antepassados, espíritos, mediados pelas práticas do xamã, que também é conhecido de todos (ainda que, igualmente, talvez temido por todos). Há a percepção de que as coisas do mundo, alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, são intrinsecamente ligadas à existência das pessoas da comunidade – os antropólogos chamam isso de relação de imanência.

O que é que a “integração” ao Brasil oferece, em contrapartida? Fundamentalmente, o deslocamento do centro de gravidade da existência para algum outro lugar, mais distante, abstrato, de difícil compreensão. Os índios resistem à ideia de que o centro do mundo passe a residir em outro lugar – em Brasília, por exemplo. Ou seja, resistem ao processo que os faz marginais. A marginalização, tomando a expressão de forma conceitual (ou seja, fazendo referência a quem está nas margens, nas bordas ou periferia), pode se dar deslocando-se alguém para a periferia do mundo, ou deslocando o centro de lugar, de modo que quem era central passa a ser periférico, e, portanto, marginal. De certa forma é exatamente isso que o Brasil oferece aos indígenas. Mas quem é que quer ser marginal?

O que a imensa maioria de nós, urbanitas ocidentalóides, não percebemos é que é isso, exatamente, que o Estado faz conosco. Assistimos à política e às outras formas de organização do nosso mundo – justiça, administração pública, economia – na qualidade de espectadores. Irritados, confusos, insatisfeitos, mas quintessencialmente espectadores. Somos mais capazes de interagir com um reality show do que com o mundo da política. Desde pequenos somos ensinados – e as políticas educacionais e conteúdos programáticos são desenhados cuidadosamente para tanto – que as coisas realmente importantes acontecem em algum outro lugar, e que são muito complexas, e que por isso mesmo há alguém mais capacitado cuidando disso tudo, para que possamos viver nossas vidas em paz. Ou seja, para que possamos não pensar em nada que não seja nos mantermos vivos e sermos economicamente ativos – e assim contribuir com o “projeto da nação”. Ou seja, o Estado reduz nossa vida ao mínimo – pão e circo, bolsa família e telenovela – para que as coisas funcionem e efetivamente aconteçam em algum outro lugar. Somos espectros de cidadãos.

Ou seja, a pergunta sobre para que servem as pessoas deve ser recolocada em outros termos: do que é que cada um de nós abre mão para “participar” do Brasil? Nós servimos para servir ao Estado. Somos todos marginais, e não nos damos conta disso.

O escândalo da questão indígena é a resistência que eles têm em aceitar os nossos mitos, ou as nossas ilusões – sobre o Brasil, por exemplo. Acostumados à experiência da autodeterminação, eles talvez tenham uma visão do que é o Brasil, como “projeto de nação”, que em muitos sentidos pode ser mais realista do que a de todos nós.

O Estado brasileiro só vai ser capaz de avançar na questão dos conflitos indígenas quando parar de tratar o tema da autodeterminação como anátema. E só o fará quando deixar de ter na tutela dos seus súditos sua razão de ser – ou seja, quando as elites políticas abandonarem a visão que tem de que o Brasil é fundamentalmente habitado por gente desqualificada, intelectualmente e moralmente inferior, e mal intencionada, e que demanda, portanto, o esforço do Estado para corrigir desvios e induzir a massa ao caminho produtivo. O Estado brasileiro é incapaz de reconhecer valor nas diferenças, justamente porque a homogeneização coletiva é condição de existência do próprio Estado. Frequentemente é evocada a noção de atentado à soberania nacional quando o tema das diferenças é trazido ao centro da arena.

E se um bocado de gente decide – muito arrazoadamente, por sinal – que a economianão deve mais crescer? Isso, dirão muitos, é obviamente um atentado à soberania nacional. Ou não? É, antes que tudo, e talvez apenas, um atentado à soberania do soberano. Pelo menos da tecnocrática soberana da ocasião.

Manifestemo-nos hoje, enfaticamente, em defesa dos Guarani Kaiowá. Como forma de materializar nosso apreço pela liberdade e pelo direito à diferença. Como forma de protesto contra um Estado centralizador e autoritário. Como declaração de que não queremos juiz, médico, político ou professor nos dizendo como devemos viver nossas vidas. Essa função está reservada para os poetas – índios e não-índios, brancos e não-brancos.

Renzo Taddei é professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutor em antropologia pela Universidade de Columbia, em Nova York. Dedica-se aos estudos sociais da ciência e tecnologia.

Racism in European Football: Will New Rules Help? (Global Voices)

Posted 8 November 2012 22:05 GMT

Written by Richard Wanjohi

The last weeks of October 2012 saw racism rear its ugly head again, in the European Leagues, particularly in England, affecting both the Premier League clubs and players, as well as the national one too. Many have wondered whether the major football bodies UEFA and FIFA will act as some have been trying to do like the Football Association (FA) in England.

To give us a perspective into the racism issue, ArsenalNews chronicles various incidences of racism that have taken place in different countries:

Racism is a major issue in our world nowadays, even the beautiful game is filled with it. Players, officials and fans are all targeted, some may be targeted because of them being on the opposing team and some individuals are even targeted by their own fans. Below are some football related racist incidents and acts that happened all around Europe.

In February 2011, Roberto Carlos signed a contract with Russian Premier League club Anzhi Makhachkala. The following month during a game away against Zenit, a banana was held near Carlos by one of the fans as the footballer was taking part in a flag-raising ceremony.

In November 2008, Middlesbrough’s Egyptian forward Mido was subjected to Islamophobic chanting from a small number of Newcastle United fans.

In March 2012, a 29 year old Arsenal fan was arrested after being caught racially abusing Newcastle United player Cheik Tiote by SkySports cameras.

The most talked about incident in the 2011/2012 season was when England captain John Terry was caught on tape allegedly racially abusing Anton Ferdinand. Few days ago Queens Park Rangers faced Chelsea, Ferdinand refused to shake hands with Terry before the start of the match.

While it may have affected the various national leagues, it seems that international games are not immune to these incidents with the most recent one in Serbia when the Under-21 England team played the Serbian Under-21 on October 16.

Here is a video uploaded by youtube user  of the incident that ensued in Serbia in the match between the Under-21 England and Serbian national teams on 16 October 2012:

Football Philosophy tells us in the blog-post Racism in the Balkans: A Problem That Will Just Not Go Away:

The disturbing scenes in Serbia this week have once again drawn attention to the issue of racism in football, particularly in this part of the world, where an unhealthy political culture of hard-line nationalism and ethnic prejudice in the region over the past decades has bred violence and bigotry on the terraces.

There is little doubt that the problem of racism, accentuated by periods of aggressive ethnic nationalism in the Balkans, remains a significant problem for football. This is a problem that UEFA and the football authorities appear unwilling to address, in the hope that it will fade out of public consciousness. Their actions to this point in dealing with Tuesday’s despicable incidents have only added weight to this claim.

Lester Hollaway in his blog-post What Rio can learn from non-League football reflects on the English footballer’s refusal to wear a Kick It Out t-shirt, a campaign driven by an awareness programme under the same name:

Football has always been a game built on the grassroots and, on a day when a handful of highly-paid Premiership players headed by Manchester United’s Rio Ferdinand postured over racism, it was refreshing to witness non-league Sutton United remind us what is good about the game.

First, they were picking on the wrong target. Any criticism about light punishments for racism – for example in the cases of John Terry or Luis Suarez – must go first and foremost to the football authorities and then to Premiership clubs themselves. Kick It Out are merely a pressure group without power, and one that has consistently been calling for tougher penalties for many a year.

The PFA (Professional Footballers Association) in the UK on 24 October gave a 6-point proposal to curb the issue including the so-called Rooney Rule as highlighted by FootyMatters:

The PFA’s plan calls for:

  • speeding up the process of dealing with reported racist abuse with close monitoring of any incidents,
  • consideration of stiffer penalties for racist abuse and to include an equality awareness programme for culprits and clubs involved,
  • an English form of the ‘Rooney Rule’ – introduced by American football’s National Football League in 2003 – to make sure qualified ethnic minority coaches are on interview lists for job vacancies,
  • the proportion of black coaches and managers to be monitored and any inequality or progress highlighted,
  • racial abuse to be considered gross misconduct in player and coach contracts (and therefore potentially a sackable offence),
  • not losing sight of other equality issues such as gender, sexual orientation, disability, anti-Semitism, Islamophobia, and Asians in football.

Ademir to Zizinho wrote a lenghty post about Why English football doesn’t need a “Rooney Rule”:

The idea of introducing a “Rooney rule” might seem a panacea to cure football of its current ills. Yet in reality it would simply paper over the fundamental flaws which beset the entire process of appointing managers. England does not just lack a reasonable number of black managers within the football league, it lacks a sensible method of unearthing managers of talent, regardless of their ethnicity.

Rather than a requirement to interview members of ethnic minorities, a far more inclusive amendment would be to interview prospective managers of any race who had not previously held a professional position. That would not only open up the field to members of all ethnicities, it would end the “old boys’ network” that sees failing managers bounce around from club to club based on a long past playing career. Sadly in their attempt to take control of the media agenda, the PFA have instead latched on to another half-baked idea that will benefit nobody.

It’s truly about time that the major governing bodies in the game of football took decisive action against this act that smears the beautiful game of football. It has no place in sport in this time and era as the game is truly global as represented by the players playing in most leagues in Europe and other successful leagues.

“Terrorismo” informativo foi usado contra Guarani Kaiowá em MS, diz antropólogo (Viomundo)

Publicado em 6 de novembro de 2012 às 10:47

por Luiz Carlos Azenha

O antropólogo Márcio Meira diz que “terrorismo” informativo foi usado contra os Guarani Kaiowá durante os levantamentos determinados pela Funai para identificar territórios indígenas em Mato Grosso do Sul.

As informações, falsas, davam conta que todo o estado seria identificado como pertencente aos indígenas.

Foi apenas mais um lance na longa disputa por terras entre fazendeiros e os Guarani.

Segundo o ex-presidente da Funai, é uma história antiga, que se agravou quando o então presidente da República, Getúlio Vargas, incentivou a “marcha para o Oeste”. Ao então Serviço de Proteção ao Índio, SPI, antecessor da Funai, coube a tarefa de confinar os indígenas em pequenas áreas.

Era a origem do problema que se estende até os dias de hoje: cerca de 45 mil Guarani Kaiowá ocupam pequenas porções de terra. No total, em áreas já reconhecidas pela União como pertencentes a eles — nem todas ainda ocupadas — são 50 mil hectares.

Em 2007, num termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal e representantes dos indígenas, a Funai formou 6 grupos de trabalho encarregados de fazer relatórios de identificação de terras indígenas. Mas apenas um relatório foi concluído. As equipes foram impedidas de trabalhar por fazendeiros, ameaçadas por pistoleiros ou foram congeladas por ações judiciais.

Como muitos dos fazendeiros em áreas em litígio receberam títulos do estado de Mato Grosso ou da União, Márcio defende que recebam indenização por benfeitorias e também por danos morais ou lucros cessantes. Os que simplesmente invadiram territórios indígenas, segundo ele, não teriam o mesmo direito.

O ex-presidente da Funai acredita ser necessário um pacto entre os indígenas, proprietários titulados, o governo federal, o de Mato Grosso do Sul e a Justiça para por fim às situações de conflito.

Ele também acha necessário que o Supremo Tribunal Federal esclareça sua posição sobre as condicionantes impostas durante o julgamento do caso da reserva Raposa-Serra do Sol, em Roraima, que redundaram em uma portaria da Advocacia Geral da União, a 303, que estenderia as condicionantes a todas as terras indígenas. A portaria foi suspensa pela própria AGU, sob pressão dos indígenas e de entidades da sociedade civil. Ela deu margem, no entanto, a ações judiciais que tornaram ainda mais confusa a disputa em Mato Grosso do Sul.

Para Márcio Meira, o Brasil pode enfrentar “um vexame do Direito internacional” se não atender à Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um tratado internacional do qual o país é signatário e que garante uma série de direitos aos indígenas, hoje violados especialmente no caso dos Guarani Kaiowá.

Clique para ouvir a entrevista.

Nós e os índios (Amálgama)

http://www.amalgama.blog.br/11/2012/nos-e-os-indios/

Brasileiro gosta de mistura, desde que ninguém ameace a nossa cosmovisão e epistemologia ocidentais.

por Alfredo Cesar (05/11/2012)

1.

Em nenhum lugar do Brasil, a invisibilidade do índio talvez seja tão visível quanto na Avenida Paulista, em São Paulo. É ali, em frente ao Parque Trianon, dando de cara com o MASP, no meio de pessoas apressadas falando ao celular, buzinas de carros, barulho de motor e poluições de vários tipos, que fica localizada a estátua de Bartolomeu Bueno Dias, também conhecido como Diabo Velho (Anhanguera). Bartolomeu foi um bandeirante, conhecido matador de índio e saqueador de tribo. No entanto, se formos ao Houaiss e procurarmos o verbete “bandeirante”, nenhum desses significados estará lá – o que diz muito também de nosso silêncio e indiferença em relações aos índios. No dicionário, você descobrirá que “bandeirante” é sinônimo de “paulista”, além de significar “aquele que abre caminho; desbravador; precursor; pioneiro”. Os bandeirantes seriam uma espécie de “vanguarda” da colonização, o que casa bem com um lugar como São Paulo, cujos políticos ainda hoje se utilizam da infeliz metáfora da “locomotiva do Brasil” para definir o estado.

Vanguarda, desbravamento, locomotiva, non ducor duco (que está na bandeira da cidade de São Paulo e quer dizer “não sou conduzido, conduzo”) são signos que fazem parte de um mesmo campo discursivo: o do progresso arrojado. Se houve algum progresso no Brasil, esse foi o progresso da colonização, ou melhor, a progressão bandeirante lenta e contínua para o oeste, escravizando indígenas, apropriando-se dos recursos de sua terra, aniquilando sua cultura. Avançamos na terra e na cultura dos outros. Progresso, progressão, invasão. E continuamos fazendo isso: seja com os Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul; seja com os desalojados das construções da Copa do Mundo; seja com os índios da bacia Xingu que serão desterrados pela Usina de Belo Monte. As elites brasileiras continuam progredindo em cima de terras, pessoas e direitos.

Não nos enganemos. Nosso imaginário desenvolvimentista – essa necessidade e desejo de crescer e expandir em moto-contínuo – está calcado no espírito do bandeirantismo, que nada mais é a lógica do colonizador. Bartolomeu Bueno da Silva nos representa mais do que gostaríamos.

2.

Como aprendemos na escola secundária, os romances Iracema (1865) e O Guarani (1857) de José de Alencar são considerados ficções fundacionais da nação. Embora sejam textos fortemente ideológicos – uma vez que deliberadamente escamoteiam a violência genocida do encontro colonial para narrar tal encontro numa moldura conciliatória –, carregam em si um núcleo de verdade: o desejo do letrado brasileiro – o narrador dessa história dos vencedores – de moer qualquer traço de alteridade cultural no moinho da ocidentalização. Nas palavras certeiras de Alfredo Bosi, o indianismo alencarino não passava de um mito sacrificial dos índios, no qual estes só atingiriam a nobreza quando fossem capazes de se auto-imolar. Os índios Peri, de O Guarani, e Iracema, personagem central do romance homônimo, se tornam heróis na medida em que se anulam e se sacrificam em gesto de servidão aos colonizadores portugueses. Peri se converte ao cristianismo para se unir à portuguesa Cecília e, com ela, formar o povo brasileiro. Iracema trai o seu povo tabajara para ficar com o lusitano Martim. Do fruto desse encontro, nasce Moacir, o primeiro brasileiro. Depois de cumprida sua missão no processo civilizatório brasileiro, Iracema morre. O indianismo alencarino foi assim um elogio à submissão do indígena à sabedoria europeia. Bom índio é aquele que se ocidentaliza. Que muda de lado. Que nega seu povo. Que está disposto a aniquilar a sua cultura, e até a vida, para contribuir com anação.

Um pouco mais de cem anos depois, João Guimarães Rosa, no conto “Meu tio o iauaretê”, se propõe a questionar essa relação colonial, evocando uma outra lógica. Se os mestiços “alencarinos” são cristianizados e ocidentalizados, o que aconteceria se o mestiço escolhesse o outro lado da mistura que o compõe?

“Meu tio o iauaretê” conta a história de Tonho Tigreiro, caçador de onças, contratado por um fazendeiro, Nhô Nhuão Guede, para desonçar um certo território. Em outras palavras, o caçador é chamado para livrar o terreno das onças, permitindo que aquele pedaço de terra possa ganhar uma utilidade econômica. Desonçar a terra faz parte de uma operação bandeirante (sem trocadilhos). No entanto, de tanto viver isolado dos homens, o caçador começa a ter mais simpatia pelas onças do que por gente, e passa a defendê-las. O caçador escolhe claramente um lado: o das onças, da natureza, dos animais, enfim, o lado da terra onde vive. É o mesmo “lado” que os índios defendem no seu esforço de resistência aos (neo)bandeirantes que invadem sua terra. Daí a conclusão da leitura que antropólogo Eduardo Viveiros de Castro faz do conto rosiano:

Não é um texto sobre o devir-animal, é um texto sobre o devir-índio. Ele descreve como é que um mestiço revira índio, e como é que todo mestiço, quando vira índio – isto é, quando se desmestiça– o branco mata. Essa é que é a moral da história. Muito cuidado quando você inverter a marcha inexorável do progresso que vai do índio ao branco passando pelo mestiço. Quando você procura voltar de mestiço para índio como faz o onceiro do conto, você termina morto por uma bala disparada por um revólver de branco.

Tudo que foge da lógica da anexação, da incorporação, da integração, é eliminado. Brasileiro gosta de mistura, desde que ninguém ameace a nossa cosmovisão e epistemologia ocidentais.

3.

Em Tristes trópicos, Claude Levi-Strauss lembra de uma conversa que teve com o embaixador do Brasil na França, Luís de Sousa Dantas, ocorrida em 1934, na qual o diplomata brasileiro havia comunicado a Levi-Strauss que não existia mais índios no Brasil. Haviam sido todos eles dizimados pelos portugueses, lamentava Sousa Dantas. E assim concluía: o Brasil seria interessante para um sociólogo, mas não para um antropólogo, pois Levi-Strauss não encontraria em nosso país um índio sequer. Nós não sabemos se Sousa Dantas nega a existência dos índios por ignorância, ou simplesmente para ocultar um aspecto do país que o diplomata brasileiro certamente considerava “arcaico”, uma vez que a existência de “primitivos” não bendizia os padrões civilizatórios da nação diante de um estudioso europeu.

Mas quem de nós nunca agiu como Sousa Dantas? Qual foi o brasileiro que, no exterior, nunca se indignou com uma pergunta de um gringo mal-informado que sugeria que nós tivéssemos hábitos próximos ao dos índios? Eis o motivo de nossa indignação: como podem nos confundir com tupiniquins (palavra usada pejorativamente por nós brasileiros para nos definirmos como povo atrasado), se nós somos industrializados, urbanizados, temos carros, trânsito infernal, sofremos com poluição e tomamos Prozac para resolver nossos problemas emocionais? Em outras palavras, como podem nos acusar de “primitivos” se desfrutamos de todas estas maravilhas da civilização moderna?

Se por um lado, hoje, os brasileiros sabemos da existência empírica dos índios, por outro lado, negamos sua existência como nossos contemporâneos, e essa é a raíz da indignação diante de uma possível confusão entre nós, brasileiros, e um povo que, na cabeça de tantos, ainda não evoluiu. Ora, de todos os esforços pedagógicos para descolonizar o imaginário brasileiro, talvez esse seja o mais importante: de mostrar como nós precisamos urgentemente do diálogo com os índios. Devemos abandonar a ótica paternalista (do Estado brasileiro) que infantiliza o índio, enxergando-o como artefato do antiquário nacional, que para alguns deve ser incorporado à nação, enquanto para outros deve ser preservado tal como está. Esse é um falso dilema, pois reifica o índio. Devemos, sim, estabelecer com os índios uma relação de interlocução, com a qual temos muito que aprender.

Nossa civilização criou formas de vida que beiram a inviabilidade. Emporcalhamos nossas cidades; poluímos nosso mar, nossos rios, nosso ar; destruímos nossa natureza; criamos necessidades que nunca serão preenchidas a contento, gerando inúmeras frustrações, tamanha é a roda-viva do consumismo que determina nosso estilo de vida. Segundo Celso Furtado (que hoje, graças a Dilma Rousseff, dá nome a um petroleiro), no seu O mito do desenvolvimento econômico, “[o] custo, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana.” Quanto mais universalizamos nosso consumismo predador, mais rápido destruímos nosso ambiente e planeta. O que teríamos a aprender, afinal, com os índios?

O que dizer de um povo que vive há milênios em co-adaptação com o ecossistema amazônico, tirando da floresta o sustento da vida, em vez de tirar a floresta de sua vida (uso aqui o jogo de palavras do próprio texto de Viveiros de Castro)? Os índios são radicalmente cosmopolitas. A palavra “cosmopolita” quer dizer “cidadão do mundo”. Cosmos, na filosofia grega significa “universo organizado de maneira regular e integrada”. Se permanecermos fiéis à etimologia da palavra, cosmopolita seria então o cidadão de um universo harmonioso (cosmo é o antônimo de caos). Por anos, filósofos antigos e modernos têm pensado o termo “cosmopolitismo” como uma técnica de convivência entre povos. O cosmopolitismo radical dos índios nada mais é que uma técnica de convivência e co-adaptação com o cosmo – o universo, o ambiente, o planeta. A destruição do planeta hoje parece mais plausível em decorrência da falta do cosmopolitismo radical dos índios do que do cosmopolitismo dos filósofos. O que teríamos a aprender com os índios? Algo muito simples e complexo: aprender a habitar o planeta.

4.

Pensar o índio no Brasil é particularmente difícil, pois as representações que temos do índio o colocam além da alteridade. O “outro” da cultura brasileira – narrada, claro, da posição do letrado urbano euro-brasileiro – é, com o perdão da redundância, outro. Ou melhor, são outros: o sertanejo, o retirante, o negro, o favelado.

Investigando sobre os motivos que levaram a esquerda brasileira a negligenciar o índio, Pádua Fernandes lembra que a esquerda revolucionária dos anos 70 – de onde saiu boa parte do Partido dos Trabalhadores – discutia a relação entre cidade e campo, mas era incapaz de pensar a floresta. Em parte, isso se deve à importação direta das categorias euromarxistas (e, claro, graças ao abismo das Tordesilhas, que separa o Brasil da América Hispânica; a esquerda brasileira nunca deu muita bola para o indo-socialismo do peruano José Carlos Mariátegui). No entanto, mais do que ser um problema de cegueira por parte de segmentos da esquerda, a invisibilidade do índio talvez se remeta à maneira como pensamos o “povo” brasileiro, dentro do paradigma nacional-popular.

De acordo com esse paradigma, que estruturou a imaginação brasileira durante o século 20, o povo é o sertanejo de Os sertões, “rocha da nacionalidade”; o negro de Casa-grande & senzala e da vasta bibliografia sociológica e historiográfica que veio a seguir; os retirantes desesperados Manuel e Rosa de Deus e o diabo na terra do sol; o ingênuo Fabiano de Vidas Secas; a comovente Macabéa de A hora da estrela, além de tantos outros personagens e temas das nossas produções culturais. A consciência social do letrado urbano brasileiro foi construída a partir da ideia de que o povo brasileiro – na sua imensa maioria pobre, desassistido, negromestiço – necessita ser integrado à modernidade, à cidadania plena, a um sistema educacional justo e ao conforto material.

A eleição do presidente Lula em 2002 talvez tenha sido o evento mais importante de nossa democracia exatamente porque mexeu profundamente com nossa imaginação nacional-popular: pela primeira vez, o povo assumia o poder. Fabiano, Macabéa, Manuel e Rosa estavam todos representados na figura carismática de Lula. E não se pode negar que o governo Lula muito melhorou a vida do “povo brasileiro”, garantindo acesso a bens e direitos antes impensáveis. O progresso finalmente havia chegado ao andar de baixo, que agora podia comprar televisão, andar de avião e até passear de cruzeiro. Nunca antes na história desse país, o povo esteve mais integrado aos padrões de consumo do mundo civilizado.

O mesmo governo que tanto fez para tanta gente (e atuou como uma força descolonizadora no tocante às ações afirmativas e na introdução de história africana no ensino médio), é aquele que age como um poder colonizador na Amazônia, e aliado objetivo dos fazendeiros do agronegócio no Mato Grosso do Sul. Desse modo, o Estado e seus sócios ocupam a terra com prerrogativa desenvolvimentista, como se fosse um território vazio, pronto para o usufruto dos agentes econômicos. Nada muito diferente dos bandeirantes. O que antes vinha coberto com retórica de missão civilizatória cristã, agora é celebrado como a chegada do progresso. Nos dois tipos de bandeirantismo, a destruição vem justificada por um discurso de salvação. O índio que habita nessas terras é tratado simplesmente como obstáculo que deve ser removido em nome do progresso da nação (progresso no caso representa: carne de gado no Mato Grosso e energia elétrica para indústrias do alumínio na Amazônia).

O índio apresenta um desafio para o pensamento da esquerda no Brasil. Um desafio que ainda não foi pensado como desafio, pois a esquerda ainda enxerga a “questão indígena” como umproblema que deve ser resolvido. O desafio, ao contrário do problema, não exige uma resolução, mas uma autorreflexão. Os índios nos fazem repensar nosso modo de vida, e até mesmo o conceito de nação. Como salientei, o índio não se insere na matriz nacional-popular que mobiliza tanto a nossa imaginação. E não se insere nela pois, ao contrário do retirante, do favelado, do pobre, do negro, o índio não está buscando integração à modernidade (a grande promessa do lulismo às massas). Os índios parecem querer reconhecimento do seu modo de vida (como se pode ver nessa entrevista de Davi Kopenawa). E, para viver do jeito que sabem viver, é necessário garantir as condições mínimas de possibilidade para sua vida: terra e rios que não sejam dizimados pela usina de Belo Monte, nem pelo garimpo; segurança e tranquilidade para não serem acossados pelos capangas do agronegócio, como no Mato Grosso do Sul. Essas são as grandes lutas hoje.

A luta pelos direitos indígenas vai muito além de uma quitação da nossa dívida histórica. Mais do que um acerto de contas com nosso passado, a garantia dos direitos constitucionais dos índios é imprescindível para o nosso futuro. Precisamos cada dia mais da sabedoria desses cosmopolitas radicais, se quisermos repensar e refundar os pressupostos de nossa existência planetária.

Carta da Aty Guasu Guarani e Kaiowá aos diversos movimentos sociais e atos nacionais em defesa do nosso povo

9 de novembro de 2012

NOTA/CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ PARA TODOS (AS), DIVULGUE EM VÁRIAS LÍNGUAS, CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ AOS DIVERSOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ATOS NACIONAIS EM DEFESA DO NOSSO POVO.

“Saiam às ruas, pintem os rotos, ocupem as praças, ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!”

Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá” previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do País e do Mundo. Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas.

Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um continuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão.

Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República.

Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades:

– A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados.
– Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo.
– Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejados, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas.
– Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instância do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul.
– Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas.
– Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados.
– A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. Não aceitaremos mudança constitucional!

Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o inicio de um continuo engajamento da sociedade não indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo.

Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganancia deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos.

Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!”

Dourados, 7 de novembro de 2012 –
Conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá.

Nota da liderança dos Guarani e Kaiowá contra artigo publicado na revista Veja

Esta nota pretende explicitar a luta histórica do Povo Guarani e Kaiowá pelas terras tradicionais frente à divulgação de situação Guarani e Kaiowá na REVISTA VEJA que na semana passada,divulgou a manchete “Visão medieval de antropólogos deixa índios na penúria” “Na crise dos guaranis-caiovás estão envolvidos interesses da Funai, de antropólogos e de ONGs. Ninguém se preocupa com os próprios índios”. Jornalista Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA.

Em primeiro lugar, é fundamental se destacar que A LUTA/GUERRA GUARANI E KAIOWÁ pela posse da terra tradicional é muito antiga e do Século XVII. Essa luta indígena Guarani e Kaiowá citada começou antes mesmo existir a Ciência Antropológica/Ciências Sociais, ou seja, a luta Guarani em defesa de seus territórios tradicionais iniciou antes de existir o tal de antropólogo e indigenista das ONGs. Por exemplo: no Brasil, a FUNAI existiu desde 1968, quando a FUNAI foi criada já tem se deparado com a luta Guarani e Kaiowá pela terra tradicional. De modo similar, o CIMI surgiu em meado de 1970, esses agentes do CIMI encontraram os Guarani e Kaiowá já em processo de luta pela recuperação de seus territórios antigos. Por isso, jornalista Leonardo Coutinho desconhece ou ignora completamente a história da luta Guarani e Kaiowá. Alertamos a todos (as) cidadãos (ãs) que argumentação de Leonardo Coutinho não procede e nunca será verdade a argumentação da REVISTA VEJA sobre nós Guarani e Kaiowá.

Por fim, destacamos que a luta Guarani e Kaiowá pela recuperação de nossa terra tradicional é antiga já há séculos. Temos certeza que a FUNAI. CIMI e ONGS, etc., podem acabar, mas a nossa luta pela terra não acabará, porque é nosso interesse exclusivo se encontra cristalizada em nossa vida e repassada de geração a para geração Guarani e Kaiowá. Visto que a nossa luta pela terra tradicional já atravessou vários sistema histórico de nosso país Brasil, por exemplo: atravessamos lutando, o sistema de colônia de Império, Ditadura Militar, Democracia da República, assim por diante.
Mais uma vez, jornalista Leonardo Coutinho desconhece ou ignora completamente a história da luta Guarani e Kaiowá. Alertamos a todos (as) cidadãos (ãs) brasileiros (as) que argumentação de Leonardo Coutinho não procede e nunca será verdade a argumentação da REVISTA VEJA sobre nós Guarani e Kaiowá é falsa e enganadora que precisa a ser punida o seus mentores e autores.

Atenciosamente,
Lideranças/Conselho da Aty Guasu, 05 de novembro de 2012.

Visão medieval de antropólogos deixa índios na penúria (Veja)

04/11/2012 – 09:24

Mato Grosso do Sul

Na crise dos guaranis-caiovás estão envolvidos interesses da Funai, de antropólogos e de ONGs. Ninguém se preocupa com os próprios índios

Leonardo Coutinho
A OUTRA MARGEM - Crianças caiovás brincam na área invadida em Iguatemi. Seus pais deixaram a reserva do outro lado do rio em busca de mais terrasA OUTRA MARGEM – Crianças caiovás brincam na área invadida em Iguatemi. Seus pais deixaram a reserva do outro lado do rio em busca de mais terras (Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, tomou uma decisão para abrandar um movimento sem precedentes de homens brancos em nome de um grupo indígena brasileiro. Acatando um pedido da Advocacia-Geral da União, o TRF determinou que os índios guaranis-caiovás podem continuar ocupando as terras da Fazenda Cambará, no município de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul. Em uma carta divulgada na internet no dia 10 do mês passado, membros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) condenaram a ordem de despejo dada pela Justiça Federal de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, comparando-a a uma “morte coletiva”. Logo se espalhou pelas redes sociais a versão de que os índios iriam cometer um ritualístico suicídio coletivo. Das redes, a solidariedade ganhou as ruas de diversas cidades, onde muitas brasileiras não perderam a chance de protestar de peito aberto diante das câmeras.

O governo agiu rápido, pediu a suspensão da ordem de despejo e exigiu que a Fundação Nacional do Índio (Funai) conclua em um mês o laudo antropológico que serviria como o primeiro passo para a demarcação oficial da terra reclamada pelo Cimi em nome dos índios.

Com o episódio, o Cimi conseguiu mais uma vez aproveitar a ignorância das pessoas das grandes cidades sobre a realidade em Mato Grosso do Sul e, principalmente, sobre quais são as reais necessidades dos índios. As terras indígenas já ocupam 13,2% da área total do país. Salvo raras exceções, a demarcação de reservas não melhorou em nada a vida dos índios. Em alguns casos, o resultado foi até pior. A 148 quilômetros da Fazenda Cambará, no município de Coronel Sapucaia, há uma reserva onde os caiovás dispõem de confortos como escolas e postos de saúde, mas não têm emprego, futuro nem esperança. Ficam entregues à dependência total da Funai e do Cimi, sem a menor chance de sobrepujar sua trágica situação de silvícolas em um mundo tecnológico e industrial. São comuns ali casos de depressão, uso de crack e abuso de álcool. A reserva Boqueirão, próximo a Dourados, abriga caiovás submetidos ao mesmo estado desesperador. Levantamento feito por agentes de saúde locais revelou que 70% das famílias indígenas têm um ou mais membros viciados em crack. “Infelizmente, a vida dos 170 caiovás acampados na fazenda em Iguatemi não melhorará com um simples decreto de demarcação”, diz o antropólogo Edward Luz.

Os caiovás formam o segundo grupo indígena mais populoso do Brasil, atrás apenas dos ticunas, do Amazonas. Segundo o IBGE, há 43 400 membros dessa etnia no país. Outros 41 000 residem no Paraguai. Eles transitam livremente entre os dois países, como parte de sua tradição nômade. Os antropólogos os convenceram de que o nascimento ou o sepultamento de um de seus membros em um pedaço de terra que ocupem enquanto vagam pelo Brasil é o suficiente para considerarem toda a área de sua propriedade. Com base nessa visão absurda, todo o sul de Mato Grosso do Sul teria de ser declarado área indígena – e o resto do Brasil que reze para que os antropólogos não tenham planos de levar os caiovás para outros estados, pois em pouco tempo todo o território brasileiro poderia ser reclamado pelos tutores dos índios.

Em sua percepção medieval do mundo, os religiosos do Cimi alimentam a cabeça dos índios da região com a ideia de que o objetivo deles é unir-se contra os brancos em uma grande “nação guarani”. Ocorre que o território dessa “nação” coincide com a zona mais produtiva do agronegócio em Mato Grosso do Sul. O Cimi e algumas ONGs orientam os índios a invadir propriedades. A Funai também apoia o expansionismo selvagem. Os 170 caiovás acampados na Fazenda Cambará moravam em uma reserva situada do outro lado da margem do Rio Hovy. Em novembro do ano passado, membros dos clãs Pyelito Kue e Mbarakay foram levados pelos religiosos e antropólogos a cruzar o rio e se estabelecer em uma área de 2 hectares. O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, visitou os caiovás em Iguatemi um dia antes e deu-lhes a garantia de que o governo federal zelaria pelos seus direitos. Ex-marido da presidente da Funai, Marta Azevedo, Maldos é um conhecido oportunista que não perde a chance de usar a desgraça alheia em favor de suas convicções políticas. “Além de terra, queremos ter condições de plantar e trabalhar, mas isso nem a Funai nem ninguém faz por nós”, diz o cacique caiová Renato de Souza, da aldeia Jaguapiru, em Dourados. Enquanto os índios tiverem a vida manipulada pelos medievalistas do Cimi, pelos ideólogos da Funai e pelas ONGs, seu destino será de sofrimento e penúria.

VEJA

VEJA

Com reportagem de Kalleo Coura

Insensatez (OESP)

JC e-mail 4617, de 05 de Novembro de 2012.

Por Denis Rosenfield

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (5).

Quando tudo parece já ser conhecido, causa surpresa, se não espanto, observar que ministros e titulares de órgãos do Estado agem à revelia de si mesmos e de decisões maiores do Supremo Tribunal Federal (STF). Refiro-me, em particular, à edição e à suspensão da Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU), normatizando as condicionantes do STF relativas ao julgamento do caso da Raposa-Serra do Sol.

Na edição dessa portaria, a AGU nada mais fez do que regulamentar um acórdão do Supremo, seguindo suas determinações. Cumpriu um preceito constitucional. Em nota n.º 24/2012/DENOR/CGU/AGU, ao responder à solicitação da Funai pela revogação dessa Portaria 303, constam, no seu arrazoado, importantes considerações.

O texto da AGU, no inciso 3: “Seu texto segue rigorosamente o que foi determinado pelo STF no julgamento do caso Raposa-Serra do Sol, em 2009, pois é mera reprodução de sua decisão na Petição 3.388/RR”. Trata-se de decisão da mais Alta Corte do País sendo aplicada. É o Estado de Direito em funcionamento.

No inciso 5, frisa que seu principal objetivo, “ao publicar essa Portaria, é a promoção da estabilidade das relações jurídicas”. Observe-se que a segurança jurídica é o objetivo maior. Logo, há um marco a partir do qual os conflitos podem ser equacionados, no estrito cumprimento da lei.

Não obstante essas considerações, a AGU conclui pela suspensão da portaria, considerada tão necessária. A contradição é flagrante. Ela deixa de seguir o que foi fixado pelo STF, não mais se preocupa com a estabilidade jurídica apregoada, dissemina a insegurança jurídica e aumenta os conflitos existentes nessa área. O que era um marco constitucional deixa abruptamente de o ser.

A questão é a seguinte: o que levou a AGU a agir contra si mesma, na verdade, contra o próprio governo? Convém salientar que a suspensão dessa portaria atinge não somente agricultores (familiares, pequenos e médios) e o agronegócio, mas a construção de hidrelétricas, hidrovias e estradas, a mineração e, de modo mais geral, a soberania nacional e a presença das Forças Armadas, em particular o Exército, em todo o território nacional.

Para responder àquela questão é necessário remontar ao Ofício n.º 260/GAB/PRES-FUNAI, assinado por sua presidente, Marta Maria do Amaral Azevedo, e dirigido ao advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams. Em sua consideração n.º 1 consta: “Em atenção às reivindicações apresentadas pelos povos indígenas e organizações da sociedade civil e considerando os compromissos e esforços do Estado brasileiro para a regulamentação e implementação do direito de consulta dos povos indígenas, previsto na Convenção 169 da OIT, solicito a suspensão temporária dos efeitos da Portaria AGU n.º 303/2012, que foi publicada no DOU de 17/07/2012”.

Posteriormente, em declarações publicadas em jornais, é advogada a suspensão definitiva dessa mesma portaria. Observe-se que uma decisão do Supremo, seguida pela AGU, deveria ser submetida à apreciação e aprovação dos povos indígenas e de organizações da sociedade civil. O STF não seria instância máxima do País na interpretação constitucional das leis, mas deveria ser referendada por outras instâncias. O Supremo deixaria de ser supremo!

Note-se o eufemismo “organizações da sociedade civil” para designar, na verdade, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da Igreja Católica, o Instituto Socioambiental e outras ONGs indigenistas, nacionais e internacionais, além dos ditos movimentos sociais. Eles se tornariam, então, a instância máxima para a decisão dessas questões. A insensatez é total.

O ofício ainda recorre à Convenção 169 da OIT, como se ela estivesse acima da Constituição nacional e da decisão do STF. De nova conta, nossa mais alta Corte aparece como instância subordinada. Ocorre aqui uma transferência de soberania.

Em sua consideração n.º 2 consta que “tal medida (de suspensão) se justifica em razão da repercussão negativa que a edição da Portaria causou em âmbito nacional e internacional, fato atestado, inclusive, pela Secretaria-Geral da Presidência da República”. Ora, ora! Uma portaria da AGU normatizando uma decisão do Supremo deveria estar condicionada às suas repercussões em ONGs nacionais e estrangeiras, graças às suas influências em certos jornais, revistas e meios de comunicação no País e em escala global. A mensagem é a seguinte: Brasil, não exerça sua soberania e siga essas ONGs e os movimentos sociais.

Mais estarrecedor ainda é o fato de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumir para si essa posição de um órgão de sua pasta, a Funai. Em seu aviso n.º 1744/2012/MJ, de 14/9/2012, endereçado ao advogado-geral da União, é dito ter ele recebido no ministério a presidente da Funai, o ministro substituto da AGU e vários representantes de etnias indígenas, que “solicitaram a revogação da Portaria n.º 303”. Ou seja, órgãos estatais e representantes de algumas etnias apregoam a revogação da portaria, o que significa dizer que a decisão do STF não deve ser normatizada, logo, seguida.

Que o ministro receba grupos com demandas insensatas, pode perfeitamente fazer parte do seu trabalho. Que ele assuma essa insensatez, é algo totalmente diferente. Assim, escreve após ter ouvido as lideranças: “Declarei de próprio punho” que encaminharia à AGU a proposta de “criação de um Grupo de Trabalho composto pelo Ministério da Justiça, AGU, Funai e representantes dos Povos Indígenas com o objetivo de discutir as condicionantes estabelecidas na Portaria n.º 303/2012 e outras formas de viabilização de processos de demarcação de Terras Indígenas, na conformidade com o estabelecido na Constituição Federal”.

Como assim? Agir em conformidade com o estabelecido na Constituição submetendo à consulta uma decisão do Supremo, como se essa Corte não tivesse seguido a nossa Lei Maior? A instância máxima do País tornou-se mínima?

Anthropocene Continues to Spark Scientific Debate (The Geological Society of America)

GSA Annual Meeting Technical Session: “Geomorphology of the Anthropocene”

Boulder, Colorado, USA – How have humans influenced Earth? Can geoscientists measure when human impacts began overtaking those of Earth’s other inhabitants and that of the natural Earth system? Responding to increasing scientific recognition that humans have become the foremost agent of change at Earth’s surface, organizers of this GSA technical session have brought together speakers and poster presentations from a variety of sources in order to answer these questions and define the “Geomorphology of the Anthropocene.”

“Anthropocene” is a fairly new term (first used ca. 2002 by Paul Crutzen) now being applied to the current global environment and its domination by human activity (see J. Zalasiewicz et al.’s 2008 GSA Today article “Are we now living in the Anthropocene” [v. 18, no. 2, p. 4]). This “era” or “epoch” spans a yet-undetermined but so far brief (in geologic terms) time scale potentially marking the end of the Holocene epoch.

Session organizers Anne Jefferson of Kent State University, Karl Wegmann of North Carolina State University, and Anne Chin of the University of Colorado Denver have gathered presentations addressing human interactions with Earth’s systems. Research studies span a range of temporal and spatial scales and investigate a variety of influences, including the effects of indigenous culture as well as dams and cities.

Chin says that part of the research is spurred by “the difficulty of finding any place (no matter how ‘pristine’) where the landscape hasn’t been affected by human activities.” She cites the U.S. National Research Council’s “Grand Challenge” in Landscapes on the Edge: New Horizons for Research on Earth’s Surface (2010) to determine how Earth’s surface may evolve in the Anthropocene.

Chin also points to the intensification of debate over “Anthropocene” and the time frame it encompasses as scientists, policymakers, the media, and the public become increasingly aware of the term. A goal of this session is to address the debate and add a greater base of scientific understanding to round out the popularity of the idea.

Three Geological Society of American (GSA) specialty divisions cosponsor this session: the GSA Quaternary Geology and Geomorphology Division, the GSA Geology and Society Division, and the GSA Archaeological Geology Division, thus bringing to bear a multidisciplinary perspective to the problem. Talks include “An early Anthropocene analog: Ancient Maya impacts on the Earth’s surface”; “Removing streams from the landscape: Counting the buried streams beneath urban landscapes”; and Anthropogenic influences on rates of coastal change.”

Papers from this session will be compiled into a special issue of Anthropocene, a new journal launching in 2013 by Elsevier, devoted to addressing one of the grand challenges of our time.

Session 8: T24. Geomorphology of the Anthropocene: The Surficial Legacy of Past and Present Human Activities
Talks: https://gsa.confex.com/gsa/2012AM/webprogram/Session30644.html
When: Sunday, 4 Nov., 8 a.m. to noon
Where: Charlotte Convention Center, Room 207A
Poster Session: https://gsa.confex.com/gsa/2012AM/webprogram/Session31925.html
When: Sunday, 4 Nov., 9 a.m. to 6:30 p.m.
Where: Charlotte Convention Center Hall B

Contacts: 
Anne J. Jefferson: ajeffer9@kent.edu, +1-980-213-5933
Karl W. Wegmann: kwwegman@ncsu.edu
Anne Chin: anne.chin@ucdenver.edu, +1-979-492-0074

Find out what else is new and newsworthy by browsing the complete technical program schedule at https://gsa.confex.com/gsa/2012AM/finalprogram/.

To identify presentations in specific areas of interest, search topical sessions by discipline categories or sponsors using the drop-down menus atwww.geosociety.org/meetings/2012/sessions/topical.asp, or use your browser’s “find” feature to search for keywords or convener names.

Risk (Fractal Ontology)

http://fractalontology.wordpress.com/2012/11/01/risk/

Joseph Weissman | Thursday, November 1, 2012

Paul Klee, “Insula Dulcamara” (1938); Oil on newsprint, mounted on burlap

I began writing this before disaster struck very close to home; and so I finish it without finishing it. A disaster never really ends; it strikes and strikes continuously — and so even silence is insufficient. But yet there is also no expression of concern, no response which could address comprehensively the immense and widespread suffering of bodies and minds and spirits. I would want to emphasize my plea below upon the responsibility of thinkers and artists and writers to create new ways of thinking the disaster; if only to mitigate the possibility of their recurrence. (Is it not the case that the disaster increasingly has the characteristics of the accident; that the Earth and global techno-science are increasingly co-extensive Powers?) And yet despite these necessary new ways of thinking and feeling, I fear it will remain the case that nothing can be said about a disaster, if only because nothing can ultimately be thought about the disaster. But it cannot be simply passed over in silence; if nothing can be said, then perhaps everything may be said.

Inherent to the notion of risk is the multiple, or multiplicity. The distance between the many and the multiple is nearly infinite; every problem of the one and the many resolves to the perspective of the one, while multiplicity always singularizes, takes a line of pure variation or difference to its highest power. A multiplicity is already a life, the sea, time: a cosmos or style in terms of powers and forces; a melody or refrain in its fractured infinity.

The multiple is clear in its “being” only transitorily — as the survey of a fleet or swarm or network; the thought which grasps it climbs mountains, ascends vertiginously towards that infinite height which would finally reveal the substrate of the plane, the “truth” of its shadowy depths, the mysterious origins of its nomadic populations.

No telescopic lens could be large enough to approach this distance; and yet it is traversed instantaneously when the tragic arc of a becoming terminates in disaster; when a line of flight turns into a line of death, when one-or-several lines of organization and development reach a point beyond which avoiding self-destruction is impossible.

Chaos, boundless furnace of becoming! Fulminating entropy which compels even the cosmos itself upon a tragic arc of time; are birth and death not one in chaos or superfusion?

Schizophrenia is perhaps this harrowing recognition that there are only machines machining machines, without limit, bottomless.

In chaos, there is no longer disaster; but there are no longer subjects or situations or signifiers. Every subject, signifier and situation approaches its inevitable as the Disaster which would rend their very being from them; hence the nihilism of the sign, the emptiness of the subject, the void of the situation. Existence is farce — if loss is (permitted to become) tragedy, omnipresent, cosmic, deified.

There is an infinite tragedy at the heart of the disaster; a trauma which makes the truth of our fate impossible-to-utter; on the one hand because imbued with infinite meaning, because singular — and on the other, in turn, meaningless, because essentially nullified, without-reason. That the disaster is never simply pure incidental chaos, a purely an-historical interruption, is perhaps the key point: we start and end with a disaster that prevents us from establishing either end or beginning — a disaster which swiftly looms to cosmic and even ontological proportions…

Perhaps there is only a life after the crisis, after a breakthrough or breakdown; after an encounter with the outside. A life as strategy or risk, which is perhaps to say a multiplicity: a life, or the breakthrough of — and, perhaps inevitably, breakdown before — white walls, mediation, determinacy.

A life in any case is always-already a voice, a cosmos, a thought: it is light or free movement whose origin and destination cannot be identified as stable sites or moments, whose comings and goings are curiously intertwined and undetermined.

We cannot know the limits of a life’s power; but we know disaster. We know that multiplicities, surging flocks of actions and passions, are continually at risk.

The world presents itself unto a life as an inescapable gravity, monstrous fate, the contagion of space, time, organization. A life expresses itself as an openness which is lacerated by the Open.

A life is a cosmos within a cosmos — and so a life opens up closed systems; it struggles and learns not in spite of entropy but on account of it, through a kind of critical strategy, even a perversely recursive or fractal strategy; through the micro-cosmogenetic sieve of organic life, entropy perversely becomes a hyper-organizational principle.

A life enters into a perpetual and weightless ballet — in a defiance-which-is-not-a-defiance of stasis; a stasis which yet presents a grave and continuous danger to a life.

What is a life, apart from infinite movement or disaster? Time, a dream, the sea: but a life moves beyond rivers of time, or seas of dreaming, or the outer spaces of radical forgetting (and alien memories…)

A life is a silence which may become wise. A life — or that perverse machine which works only by breaking down — or through…

A life is intimacy through parasitism, already a desiring-machine-factory or a tensor-calculus of the unconscious.

A life lives in taut suspension from one or several lines of becoming, of flight or death — lines whose ultimate trajectories may not be known through any safe or even sure method.

A life is the torsion between dying and rebirth.

Superfusion between all potentialities, a life is infinite-becoming of the subjectless-subject. Superject.

Journeying and returning, without moving, from the infinity and chaos of the outside/inside. A stationary voyage in a non-dimensional cosmos, where everything flows, heats, grinds.

Phenomenology is a geology of the unconscious, a problem of the crystalline apparatus of time. Could there be at long last a technology of time which would abandon strip-mining the subsconscious?

A chrono-technics which ethico-aesthetically creates and transforms virtual and actual worlds, traces possibilities of living, thinking, thinking; diagnoses psychic, social and physical ecosystems simultaneously.

A communications-strategy, but one that could point beyond the vicious binary of coercion and conflation — but so therefore would not-communicate.

There is a a recursive problem surrounding the silence and darkness at the heart of a life; it is perhaps impossible to exhaust (at least clinically) the infinitely-deferred origin of those crystalline temporal dynamisms which in turn structure any-moment-whatsoever.

Is there a silence which would constitute that very singular machinic ‘sheaf’, the venerated crystalline paradise of the moved-unmoving?

Silence, wisdom.

The impossibility of this origin is also the interminability of the analysis; also the infinite movement attending any moment whatsoever. It is the history of disaster, of the devil.

There is only thinking when a thought becomes critically or clinically engaged with a world, a cosmos. This engagement discovers its bottomlessness in a disaster for thought itself. A disaster for life, thought, the world; but also perhaps their infinitely-deferred origins…

What happens in the physical, economic, social and psychic collapse of a world, a thought, a life? Is it only in this collapse, commensurate with the collision, interference of one cosmos with another…?

Collapse is never a final state. There is no closed system of causes but a kind of original fracture. The schizophrenic coexistence of many separate worlds in a kind of meta-stable superfusion.

A thought, a cosmos, a world, a life can have no other origin than the radical corruption and novel genesis of a pure substance of thinking, living, “worlding,” “cosmosing.” A becoming refracts within its own infinite history the history of a life, a world, a thought.

Although things doubtless seem discouraging, at any moment whatsoever a philosophy can be made possible. At any time and place, this cyclonic involution of the library of Babel can be reactivated, this golden ball propelled by comet-fire and dancing towards the future can be captured in a moment’s reflection…

The breakdown of the world, of thought, of life — the experience of absolute collapse, of the horror of the vacuum, is already close the infinite zero-point reached immediately and effortlessly by schizophrenia. Even in a joyous mode when it recognizes the properly affirmative component of the revelation of cosmos as production, production as multiplicity, multiplicity as it opens onto the infinite or the future. (Only the infinity of the future can become-equal to a life.)

That spirit which fixes a beginning in space and time, fixes it without fixing itself; it exemplifies the possibility of atemporality and the heresy of the asignifying, even while founding the possibility of piety and dogma.

The disaster presents thought and language with their cosmic doubles; thought encounters a disaster in the way a subject encounters a radical outside, a death.

Only selection answers to chaos, to the infinite horizon of a life — virtually mapping infinite potential planes of organization onto a singular line of development. Only selection, only the possibility of philosophy, points beyond the inevitability of disaster.

The disaster and its aversion is the basic orientation of critical thought; thinking the disaster: this impossible task is the critical cultural aim of art and writing. Speaking the truth of the disaster is perhaps impossible. A life encounters disaster as the annihilating of the code itself; not merely a decoding but the alienation from the essence of matter or speech or language. The means to thinking the disaster lie in poetic imagination, the possibility of the temporal retrojection of narrative elements; the disaster can be thought only through “unthinking” it: in the capacity of critical or poetic imagination to explore the means by which a disaster was retroactively averted. The counterfactual acquires a new and radical dimension: not the theological dimension of salvation, but a clinical dimension — the power to of think the transformation of the conditions of the disaster.

How To Think About Science, Part 1 – 24 (CBC)

Friday, January 2, 2009

If science is neither cookery, nor angelic virtuosity, then what is it?
Modern societies have tended to take science for granted as a way of knowing, ordering and controlling the world. Everything was subject to science, but science itself largely escaped scrutiny. This situation has changed dramatically in recent years. Historians, sociologists, philosophers and sometimes scientists themselves have begun to ask fundamental questions about how the institution of science is structured and how it knows what it knows. David Cayley talks to some of the leading lights of this new field of study.

Episode Guide

Episode 1 – Steven Shapin and Simon Schaffer
Episode 2 – Lorraine Daston

Episode 3 – Margaret Lock
Episode 4 – Ian Hacking and Andrew Pickering
Episode 5 – Ulrich Beck and Bruno Latour
Episode 6 – James Lovelock
Episode 7 – Arthur Zajonc
Episode 8 – Wendell Berry
Episode 9 – Rupert Sheldrake
Episode 10 – Brian Wynne
Episode 11 – Sajay Samuel
Episode 12 – David Abram
Episode 13 – Dean Bavington
Episode 14 – Evelyn Fox Keller
Episode 15 – Barbara Duden
 and Silya Samerski 
Episode 16 – Steven Shapin
Episode 17 – Peter Galison
Episode 18 – Richard Lewontin
Episode 19 – Ruth Hubbard
Episode 20 – Michael Gibbons, Peter Scott, & Janet Atkinson Grosjean
Episode 21 -Christopher Norris and Mary Midgely
Episode 22 – Allan Young
Episode 23 – Lee Smolin
Episode 24 – Nicholas Maxwell

How animals predict earthquakes (BBC)

1 December 2011

By Victoria Gill – Science reporter, BBC Nature

Common toadCan pond-dwelling animals pick up pre-earthquake signals?

Animals may sense chemical changes in groundwater that occur when an earthquake is about to strike.

This, scientists say, could be the cause of bizarre earthquake-associated animal behaviour.

Researchers began to investigate these chemical effects after seeing a colony of toads abandon its pond in L’Aquila, Italy, in 2009 – days before a quake.

They suggest that animal behaviour could be incorporated into earthquake forecasting.

When you think of all of the many things that are happening to these rocks, it would be weird if the animals weren’t affected in some way” – Rachel GrantThe Open University

The team’s findings are published in the International Journal of Environmental Research and Public Health. In this paper, they describe a mechanism whereby stressed rocks in the Earth’s crust release charged particles that react with the groundwater.

Animals that live in or near groundwater are highly sensitive to any changes in its chemistry, so they might sense this days before the rocks finally “slip” and cause a quake.

The team, led by Friedemann Freund from Nasa and Rachel Grant from the UK’s Open University hope their hypothesis will inspire biologists and geologists to work together, to find out exactly how animals might help us recognise some of the elusive signs of an imminent earthquake.

Strange behaviour

The L’Aquila toads are not the first example of strange animal behaviour before a major seismic event. There have been reports throughout history of reptiles, amphibians and fish behaving in unusual ways just before an earthquake struck.

STRANGE OR NOT

  • In July 2009, just hours after a large earthquake in San Diego, local residents discovered dozens of Humboldt squid washed up on beaches. These deep sea squid are usually found at depths of between 200 and 600m
  • At 5.58am on 28 June 1992 the ground began to shake in the Mojave Desert, California, right in the middle of a scientific study on desert harvester ants. Measurements revealed the ants did not change their behaviour at all during the earthquake, the largest to strike the US in four decades.

In 1975, in Haicheng, China, for example, many people spotted snakes emerging from their burrows a month before the city was hit by a large earthquake.

This was particularly odd, because it occurred during the winter. The snakes were in the middle of their annual hibernation, and with temperatures well below freezing, venturing outside was suicide for the cold-blooded reptiles.

But each of these cases – of waking reptiles, fleeing amphibians or deep-sea fish rising to the surface – has been an individual anecdote. And major earthquakes are so rare that the events surrounding them are almost impossible to study in detail.

This is where the case of the L’Aquila toads was different.

Toad exodus

Ms Grant, a biologist from the Open University, was monitoring the toad colony as part of her PhD project.

“It was very dramatic,” she recalled. “It went from 96 toads to almost zero over three days.”

Ms Grant published her observations in the Journal of Zoology.

“After that, I was contacted by Nasa,” she told BBC Nature.

Scientists at the US space agency had been studying the chemical changes that occur when rocks are under extreme stress. They wondered if these changes were linked to the mass exodus of the toads.

Their laboratory-based tests have now revealed, not only that these changes could be connected, but that the Earth’s crust could directly affect the chemistry of the pond that the toads were living and breeding in at the time.

Toads mating (c) Rachel GrantAll of the toads left the breeding colony days before the 2009 earthquake

Nasa geophysicist Friedemann Freund showed that, when rocks were under very high levels of stress – for example by the “gargantuan tectonic forces” just before an earthquake, they release charged particles.

These charged particles can flow out into the surrounding rocks, explained Dr Freund. And when they arrive at the Earth’s surface they react with the air – converting air molecules into charged particles known as ions.

“Positive airborne ions are known in the medical community to cause headaches and nausea in humans and to increase the level of serotonin, a stress hormone, in the blood of animals,” said Dr Freund. They can also react with water, turning it into hydrogen peroxide.

This chemical chain of events could affect the organic material dissolved in the pond water – turning harmless organic material into substances that are toxic to aquatic animals.

It’s a complicated mechanism and the scientists stress that it needs to be tested thoroughly.

But, Dr Grant says this is the first convincing possible mechanism for a “pre-earthquake cue” that aquatic, semi-aquatic and burrowing animals might be able to sense and respond to.

“When you think of all of the many things that are happening to these rocks, it would be weird if the animals weren’t affected in some way,” she said.

Dr Freund said that the behaviour of animals could be one of a number of connected events that might forecast an earthquake.

“Once we understand how all of these signals are connected,” he told BBC Nature, “if we see four of five signals all pointing in [the same] direction, we can say, ‘ok, something is about to happen’.”

*   *   *

Toads can ‘predict earthquakes’ and seismic activity

Wednesday, 31 March 2010

By Matt Walker 
Editor, Earth News

Common toad (Bufo bufo)

Common toads sense danger

Common toads appear to be able to sense an impending earthquake and will flee their colony days before the seismic activity strikes.

The evidence comes from a population of toads which left their breeding colony three days before an earthquake that struck L’Aquila in Italy in 2009.

How toads sensed the quake is unclear, but most breeding pairs and males fled.

They reacted despite the colony being 74km from the quake’s epicentre, say biologists in the Journal of Zoology.

It is hard to objectively and quantifiably study how animals respond to seismic activity, in part because earthquakes are rare and unpredictable.

Some studies have been done on how domestic animals respond, but measuring the response of wild animals is more difficult.

Even those that have been shown to react, such as fish, rodents and snakes tend to do so shortly before an earthquakes strikes, rather than days ahead of the event.

However, biologist Dr Rachel Grant of the Open University, in Milton Keynes, UK, was routinely studying the behaviour of various colonies of common toads on a daily basis in Italy around the time a massive earthquake struck.

Her studies included a 29-day period gathering data before, during and after the earthquake that hit Italy on 6 April 2009.

The quake, a 6.3-magnitude event, struck close to L’Aquila city, about 95km (60 miles) north-east of Rome.

Dr Grant was studying toads 74km away in San Ruffino Lake in central Italy, when she recorded the toads behaving oddly.

Five days before the earthquake, the number of male common toads in the breeding colony fell by 96%.

Common frogs (Rana temporaria) mating

That is highly unusual for male toads: once they have bred, they normally remain active in large numbers at breeding sites until spawning has finished.

Yet spawning had barely begun at the San Ruffino Lake site before the earthquake struck.

Also, no weather event could be linked to the toads’ disappearance.

Three days before the earthquake, the number of breeding pairs also suddenly dropped to zero.

While spawn was found at the site up to six days before the earthquake, and again six days after it, no spawn was laid during the so-called earthquake period – the time from the first main shock to the last aftershock.

“Our study is one of the first to document animal behaviour before, during and after an earthquake,” says Dr Grant.

She believes the toads fled to higher ground, possibly where they would be at less risk from rock falls, landslides and flooding.

Sensing danger

Exactly how the toads sense impending seismic activity is unclear.

The shift in the toads’ behaviour coincided with disruptions in the ionosphere, the uppermost electromagnetic layer of the earth’s atmosphere, which researchers detected around the time of the L’Aquila quake using a technique known as very low frequency (VLF) radio sounding.

Such changes to the atmosphere have in turn been linked by some scientists to the release of radon gas, or gravity waves, prior to an earthquake.

In the case of the L’Aquila quake, Dr Grant could not determine what caused the disruptions in the ionosphere.

However, her findings do suggest that the toads can detect something.

“Our findings suggest that toads are able to detect pre-seismic cues such as the release of gases and charged particles, and use these as a form of earthquake early warning system,” she says.

Ants ignore quakes

One other study has quantified an animal’s response to a major earthquake.

Researchers had the serendipitous opportunity to measure how the behaviour of the desert harvester ant (Messor pergandei) changed as the ground began to tremble in the Mojave Desert, California, on 28 June 1992.

The largest quake to hit the US in four decades struck during the middle of an ongoing study, which measured how many ants walked the trails to and from the colony, the distributions of worker ants and even how much carbon dioxide the ants produced.

However, in response to that 7.4 magnitude quake, the ants did not appear to alter their behaviour at all.

ITALIAN EARTHQUAKE

 

The repo girl is at the door (London Review of Books)

Mike Davis, 3 November 2012

http://www.lrb.co.uk

In the spirit of Donald Rumsfeld we might distinguish between natural inevitabilities and unnatural inevitabilities. Someday, for example, the precarious flank of the massive Cumbre Vieja volcano on La Palma in the Canary Islands will collapse and send a mega-tsunami across the Atlantic. The damage from Boston to New York City will dwarf last year’s disaster in Japan. It’s inevitable, but volcanologists don’t know whether the destabilising eruption will occur tomorrow or in five thousand years. So for now, it’s merely a titillating topic for NOVA or the National Geographic Channel.

Another, much more frequent example of natural inevitability is the pre-global-warming hurricane cycle. Two or three times each century a perfect storm has crashed into the US Atlantic seaboard and wreaked havoc as far as the Great Lakes. But a $20 billion disaster every few decades is why we have an insurance industry. And even the loss, now and then, of an entire city to nature (San Francisco in 1906 or New Orleans in 2005) is an affordable tragedy.

But the construction since 1960 of several trillion dollars’ worth of prime real estate on barrier islands, bay fill, recycled swamps and coastal lowlands has radically transformed the calculus of loss. Subtract every carbon dioxide molecule added to the atmosphere in the last thirty years and ‘ordinary’ storms would still collect ever larger tolls from certifiably insane coastal overdevelopment.

Carbon, however, has never been more prosperous. Global emissions, by the most optimistic estimate, conform to the Intergovernmental Panel on Climate Change’s ‘worst case’ scenario. The World Bank, for its part, now accepts the inevitability of a global temperature increase of at least 2 degrees Celsius – near the famous ‘red line’ of the last decade’s climate Cassandras. The Bank, moreover, is refocusing developmental aid from mitigation to adaptation.

This is the true meaning of Hurricane Sandy: the repo girl is at the door. Climate change adaptation is a synonym for a multi-trillion-dollar reconstruction of urban coastal infrastructure and land-use patterns. Imitate the Dutch or live in Waterworld.

How long will it take for this realisation to percolate through the tumoured brain of American politics? Until 2006, American public opinion was broadly in step with European concerns about global warming. Following Climategate, however, the energy-industry-subsidised right went on the offensive and polls recorded a dramatic decline in public perception of climate change as a scientific fact.

Even more surprisingly, opinion surveys tracking public reactions to extreme climate events, like the recent epic drought in the Great Plains, have failed to detect significant change in opinion. The presidential race, meanwhile, has largely been a contest about which candidate stoops lowest to administer oral sex to fossil fuel producers.

The business press exults in the brilliant future of shale gas and non-traditional oil. The USA, for the first time in 63 years, is a net exporter of oil products. And we are locked into fossil fuel dependence for another generation or two.

Alternatives are dissolving. Creating green jobs, the major industrial strategy of the Obama administration, has been a complete bust thanks to the shale gas revolution and China’s dumping of cheap solar energy cells on the world market. The meltdown of Europe’s carbon trading system, moreover, has hardly bolstered the credibility of ‘cap and trade’ in an American recession.

Hard rains and rising tides on the Jersey shore, alas, do not automatically translate into enthusiasm about renewable energy or an urgency to build dykes. Eventually, however, the change must come and Washington will start to pay the compound interest for failing to mitigate warming or reform land use.

But this isn’t the truly bad news. The grimmest reckoning is the inverse relationship between the costs of climate change adaptation in rich countries and the amount of aid available to poorer countries. The tropical and semi-tropical poor countries that are least responsible for creating a greenhouse planet will bear the greatest burden of coastal inundation, extreme weather, and agricultural water shortages. Not that it was ever likely that the emitters would ride to the rescue of the poor people downstream, but Sandy is the beginning of the race for the lifeboats on the Titanic.

O lobo mau (FSP)

04/11/2012 – 03h30

Carlos Heitor Cony

RIO DE JANEIRO – Um dos motivos do nosso orgulho nacional, que o próprio Lula invocou há tempos, é que não temos vulcões nem terremotos. Nossas relações com o planeta Terra são relativamente boas, temos enchentes que não chegam ao nível de furacões. Os nossos temporais produzem vítimas e estragos, mas a culpa não chega a ser da natureza, mas da legislação e da fiscalização nas áreas de risco. As tragédias que sofremos neste setor poderiam ser minimizadas.

Com os Estados Unidos a barra é mais pesada. Na Costa Oeste, os terremotos, e, na Costa Leste, os furacões. No meio, entre os dois litorais, os tornados. O país mais rico e poderoso em tecnologia ainda não encontrou um sistema que controlasse os desvarios da natureza. É tão indefeso diante das catástrofes como as ilhas Papuas, que, aliás, sofrem menos neste departamento.

Vimos as cenas provocadas pelo furacão Sandy, que praticamente reduziu Nova York, por algumas horas, a uma cidade que poderia integrar a Baixada Fluminense.

Felizmente, o povo americano sabe se virar em situações iguais. Em setembro de 1985, enfrentei o furacão Glória, estava em White Plains, as autoridades pediam que se enchessem as banheiras para impedir que elas voassem. É a síndrome do Lobo Mau que destrói a choupana dos Três Porquinhos com seu sopro formidável.

Passei horas grudando fitas gomadas nas janelas, reforçando os vidros que se estraçalhavam. Clima de fim de mundo. Os supermercados foram esvaziados, num deles cheguei a comprar latas de sardinhas feitas em Niterói. Tinha a volta marcada para o dia seguinte, a companhia aérea me localizou e me aconselhou a ir para o JFK enquanto houvesse trânsito regular. Dormi duas noites no aeroporto, em cima das minhas malas. “God bless America”.

De Sandy a Deus (FSP)

WALTER CENEVIVA

Algo me diz que a aproximação de Brasil, África do Sul e Austrália será boa para os três países

SE HOUVESSE um supremo tribunal interplanetário para julgar a culpa pelos efeitos dramáticos do furacão Sandy, gerados pelos habitantes da Terra contra a natureza, talvez a decisão fosse condenatória. As mortes e a destruição decorrentes do Sandy justificariam uma pergunta hoje de uso comum: como ficaria a dosimetria? Quem foi, e em que grau, responsável pelo mau uso da superfície, do ar e das entranhas do planeta no hemisfério norte?

O limite da pergunta se explica. Nós, do hemisfério sul, começamos a intervir na vida dos continentes há menos de 600 anos. Os do norte assinalaram sua presença há uns 12.000 anos -boa parte do hemisfério sul era desconhecida pelo menos até o século 16.

Esses 600 anos marcaram a ocupação de todo planeta. Mesmo assim, só no século 20 surgiram muitas das duas centenas de nações novas, com independência ao menos formal. Desapareceram colônias de países europeus e asiáticos nos cinco continentes.

O avanço dos conquistadores eurasiáticos nessa área marcou a história da Terra. O remanescente apenas alcançou o nível de vida civilizada, segundo os padrões ocidentais, quando conquistadores europeus se instalaram no México e nos Estados Unidos e igualmente com a verificação da terra que se sabia existir na latitude atingida por Pedro Álvares Cabral.

Percebo a pergunta do leitor: por qual a razão uma coluna jurídica precisa dar tantas referências geográficas? Simples: a Constituição brasileira enuncia princípios que, favorecendo relações internacionais, preservam, no art. 4º, a independência nacional; garantem regras de autodeterminação dos povos e de não intervenção. O mesmo resulta do art. 21, I (relações com outros Estados e organizações internacionais), colocando sob o presidente da República a condução do relacionamento externo.

O aprofundamento do exame impõe o conhecimento das áreas envolvidas. Existem três países de grande extensão territorial ao sul do Equador -Austrália, África do Sul e Brasil- com expressão bem marcada no cenário internacional. Os 50 milhões de sul-africanos ocupam 1,2 milhões de quilômetros quadrados, muito menos que os 7,7 milhões da amplitude australiana, mas de população rarefeita e modesta, na casa dos 21 milhões. Ambos menores que o Brasil nos dois quesitos, pois somos 192 milhões espalhados em 8,3 milhões de quilômetros quadrados, com milhares de cidades.

Dois outros pontos diferenciam os três países: hoje se pode dizer que o território brasileiro está inteiramente ocupado. Não a Austrália, nem tanto por ser o país mais plano do mundo, mas pelos seus quatro grandes desertos. A África do Sul ainda vive consequências da política da separação entre brancos a negros, até a segunda metade do século 20.

Dentre os três, se for o caso de composição uniforme dos interesses multinacionais, nosso país tem presença marcante, o que não obsta a associação dos três para percorrer caminho mais adequado para o futuro comum. A composição dos instrumentos legais para viabilizar a aproximação tem a vantagem de facilitar o acesso marítimo, pelo Oceano Atlântico e pelo Indico, só no hemisfério sul. Algo me diz que, de Sandy a Deus, a aproximação do sul será boa para os três na linha reta do trópico de Capricórnio.

Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais (Carta Capital)

01/11/2012 – 10h19 – por Redação da Deutsche Welle

Barulho, trânsito, lixo, pessoas apressadas e se empurrando por todos os lados – a vida nas grandes cidades é estressante. Mas as perspectivas de um emprego melhor, um salário mais alto e de um estilo de vida urbano atraem cada vez mais pessoas às cidades. Se há 60 anos menos de um terço da população mundial vivia em cidades, hoje mais da metade mora em centros urbanos. Até 2050, a estimativa é que essa cota atinja 70%.

“Com o aumento das populações urbanas, o número de distúrbios psíquicos também tem aumentado em todo o mundo”, alerta Andreas Meyer-Lindenberg, diretor do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim. “Somente a depressão custa aos cidadãos europeus 120 bilhões de euros por ano. O custo de todas as doenças psíquicas juntas, incluindo demência, ansiedade e psicose, ultrapassa o orçamento do fundo de resgate do euro. A frequência e a gravidade dessas doenças costumam ser subestimadas”, afirma.

sa4 Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais

Em 2003, psiquiatras britânicos publicaram um estudo sobre o estado psicológico dos moradores do bairro londrino de Camberwell, uma área que teve um grande crescimento desde meados da década de 1960. Entre 1965 e 1997, o número de pacientes com esquizofrenia quase dobrou – um aumento acima do crescimento da população.

Na Alemanha, o número de dias de licença médica no trabalho relacionada a distúrbios mentais dobrou entre 2000 e 2010. Na América do Norte, recentes estimativas apontam que 40% dos casos de licença estão ligados à depressão.

“Nas cidades pode acontecer de as pessoas não conhecerem seus vizinhos, não conseguirem construir uma rede de apoio social como nas vilas e pequenas cidades. Elas se sentem sozinhas e socialmente excluídas, sem uma espécie de rede social de segurança”, observa Andreas Heinz, diretor da Clínica de Psiquiatria e Psicoterapia no hospital Charité, em Berlim.

Quase não existem estudos consistentes sobre a influência do meio urbano no cérebro humano. Mas pesquisas com animais mostram que o isolamento social altera o sistema neurotransmissor do cérebro. “Acredita-se que a serotonina é um neurotransmissor importante para amortecer situações de risco. Quando animais são isolados socialmente desde cedo, o nível de serotonina diminui drasticamente. Isso significa que as regiões que respondem a estímulos ameaçadores são desinibidas e reagem de maneira mais forte, o que pode contribuir para que o indivíduo desenvolva mais facilmente distúrbios de ansiedade ou depressões”, diz Heinz.

Um dos primeiros estudos feitos com seres humanos parece confirmar essa suposição. Com ajuda de um aparelho de ressonância magnética, a equipe do psiquiatra Andreas Meyer-Lindenberg analisou o cérebro de pessoas que cresceram na cidade e de pessoas que se mudaram para a cidade já adultos.

Enquanto os voluntários resolviam pequenas tarefas de cálculo, os pesquisadores os colocavam sob pressão, por exemplo criticando que eles eram muito lentos, cometiam erros ou que eram piores que seus antecessores.

“Olhamos especificamente para as áreas do cérebro que são ativadas quando se está estressado – e que também têm um desenvolvimento distinto, dependendo da experiência urbana que a pessoa teve. Especialmente as amídalas cerebelosas reagiram ao estresse social, e de maneira mais intensa quando o voluntário vinha de um ambiente urbano. Essa região do cérebro está sempre ativa quando percebemos algo como sendo uma ameaça. Elas podem desencadear reações agressivas que podem gerar transtornos de ansiedade”, explica Meyer-Lindenberg.

Além disso, quem cresceu na cidade grande apresentava, sob estresse, em regiões específicas do cérebro, uma atividade semelhante à apresentada por pessoas com predisposição genética para a esquizofrenia.

Pesquisa melhora planejamento urbano

Em todo o mundo, as cidades estão crescendo muito e se transformando. “Mas não existem ainda dados significativos de como uma cidade ideal deve ser quando se leva em consideração a saúde mental de seus habitantes”, observa Meyer-Lindenberg.

Por isso, o especialista desenvolveu, em colaboração com geólogos da Universidade de Heidelberg e físicos do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, um dispositivo móvel que pode testar voluntários em diversos pontos de uma cidade. Assim, os pesquisadores podem testar o funcionamento do cérebro em lugares e situações diferentes, como num cruzamento ou num parque.

Juntamente com posteriores análises do cérebro dos voluntários, os pesquisadores esperam obter dados mais concretos de como o cérebro processa os diferentes aspectos da vida cotidiana nas cidades.

Os resultados dessa pesquisa poderão ser de grande valor para a arquitetura e o planejamento urbano, afirma Richard Burdett, professor de estudos urbanos da London School of Economics. Para ele, o neuro-urbanismo, uma nova área do conhecimento que estuda a relação entre o estresse e as doenças psíquicas, pode ajudar a evitar a propagação de doenças psíquicas nas cidades.

“Planejadores urbanos precisam ter em mente que devem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de organizar muitas pessoas em pouco espaço e a necessidade de se criar espaços abertos”, acrescenta.

“As pessoas precisam ter acesso a salas de cinema, encontrar-se com amigos e passear nas margens dos rios. Hoje esses aspectos são, muitas vezes, ignorados quando novas cidades são planejadas na China ou na Indonésia. Os arquitetos se preocupam com as proporções e as formas, e os urbanistas, com a eficiência do transporte público. Mas muitas vezes não temos ideia do que isso faz com as pessoas.”

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

We Can’t Put a Price on Nature (Huffington Post)

Wenonah Hauter, Executive Director, Food & Water Watch

Posted: 07/24/2012 6:37 pm

A group of international scientists says that the Earth is dangerously close to its tipping point of irreversible damage. Clearly, we need a way out of the mess we’ve made of the planet.

The so-called “green economy,” which governments, business leaders, and some environmental organizations touted at last month’s United Nations Earth Summit in Rio de Janeiro, is actually a greenwashed economy. Its proponents ask questions such as: how can we put a price on nature so as to better manage it? Or, how can we make it financially undesirable to pollute? Those are the wrong questions, and they don’t lead us to real solutions.

Putting a price on nature — as if it were a widget to be bought and sold on the market — devalues its life-giving properties. It partitions the environment off as a commodity, leaving it for sale to the highest bidder. And pollution trading is like paying a robber not to steal from your home. Neither gets to the root causes of our environmental problems: the failure to take meaningful regulatory actions and the undemocratic means by which our natural resources are managed worldwide.

As our access to the planet’s resources that once seemed endless has become limited, corporations, multinational institutions, industry-funded non-profits, and policymakers are eagerly offering market-based solutions. They typically position private interests to profit from our increased need for shared natural resources.

Calling this dangerous trend “the green economy” just isn’t appropriate. It’s more accurate to say that these special interests are promoting the same old dirty economy under a new banner. And this failure to prevent pollution threatens our ability to pursue sustainable development.

Through clever greenwashing campaigns, huge companies have somehow created the ability to buy and trade credits that they claim will curb pollution. These cap-and-trade programs do little but encourage larger companies with deeper pockets to continue with business as usual. That ultimately leads to the continued disposal of contaminants into our waterways and our atmosphere.

Likewise, thanks to relentless lobbying and a hefty advertising campaign, the oil and gas industry has managed to convince key lawmakers and consumers alike that fracking for natural gas is the key to energy independence. However, that process — formally called hydraulic fracturing or shale-gas drilling — requires large quantities of water and a cocktail of toxic chemicals. Fracking can poison drinking water supplies, air, and farmland, endangering public health.

Meanwhile, some of us are struggling to protect the marine environment from pollution and overfishing of endangered species, while large commercial interests try to privatize access to fishor acquire permits to establish aquaculture enterprises in federal waters. These factory fish farmsthreaten the health of ocean ecosystems. What’s “green” about that?

And while we struggle to maintain that water is a human right, multinational corporations are privatizing public water utilities in communities around the world and profiting in places where safe drinking water is scarce.

Our food system is also rigged to benefit a select few companies who monopolize markets and profit from farmers who have no choice but to sell their goods cheaply. Wal-Mart, for example, says it wants to offer healthier food options at affordable prices, but until it changes its business model — which squeezes farmers and workers and drives food production to become more consolidated and industrialized — highly processed foods will remain more accessible than healthier, better quality food.

We must promote real solutions that involve communities in the decision making, not just companies. We must protect the land and our water and decrease carbon emissions for the benefit of the public — not for the profits of private interests.

This post originally appeared at Otherwords.org.

It’s Global Warming, Stupid (Bloomberg)

By  on November 01, 2012

http://www.businessweek.com/articles/2012-11-01/its-global-warming-stupid

Yes, yes, it’s unsophisticated to blame any given storm on climate change. Men and women in white lab coats tell us—and they’re right—that many factors contribute to each severe weather episode. Climate deniers exploit scientific complexity to avoid any discussion at all.

Clarity, however, is not beyond reach. Hurricane Sandy demands it: At least 40 U.S. deaths. Economic losses expected to climb as high as $50 billion. Eight million homes without power. Hundreds of thousands of people evacuated. More than 15,000 flights grounded. Factories, stores, and hospitals shut. Lower Manhattan dark, silent, and underwater.

An unscientific survey of the social networking literature on Sandy reveals an illuminating tweet (you read that correctly) from Jonathan Foley, director of the Institute on the Environment at the University of Minnesota. On Oct. 29, Foley thumbed thusly: “Would this kind of storm happen without climate change? Yes. Fueled by many factors. Is storm stronger because of climate change? Yes.” Eric Pooley, senior vice president of the Environmental Defense Fund (and former deputy editor of Bloomberg Businessweek), offers a baseball analogy: “We can’t say that steroids caused any one home run by Barry Bonds, but steroids sure helped him hit more and hit them farther. Now we have weather on steroids.”

In an Oct. 30 blog post, Mark Fischetti of Scientific American took a spin through Ph.D.-land and found more and more credentialed experts willing to shrug off the climate caveats. The broadening consensus: “Climate change amps up other basic factors that contribute to big storms. For example, the oceans have warmed, providing more energy for storms. And the Earth’s atmosphere has warmed, so it retains more moisture, which is drawn into storms and is then dumped on us.” Even those of us who are science-phobic can get the gist of that.

Sandy featured a scary extra twist implicating climate change. An Atlantic hurricane moving up the East Coast crashed into cold air dipping south from Canada. The collision supercharged the storm’s energy level and extended its geographical reach. Pushing that cold air south was an atmospheric pattern, known as a blocking high, above the Arctic Ocean. Climate scientists Charles Greene and Bruce Monger of Cornell University, writing earlier this year in Oceanography, provided evidence that Arctic icemelts linked to global warming contribute to the very atmospheric pattern that sent the frigid burst down across Canada and the eastern U.S.

If all that doesn’t impress, forget the scientists ostensibly devoted to advancing knowledge and saving lives. Listen instead to corporate insurers committed to compiling statistics for profit.

On Oct. 17 the giant German reinsurance company Munich Re issued a prescient report titled Severe Weather in North America. Globally, the rate of extreme weather events is rising, and “nowhere in the world is the rising number of natural catastrophes more evident than in North America.” From 1980 through 2011, weather disasters caused losses totaling $1.06 trillion. Munich Re found “a nearly quintupled number of weather-related loss events in North America for the past three decades.” By contrast, there was “an increase factor of 4 in Asia, 2.5 in Africa, 2 in Europe, and 1.5 in South America.” Human-caused climate change “is believed to contribute to this trend,” the report said, “though it influences various perils in different ways.”

Global warming “particularly affects formation of heat waves, droughts, intense precipitation events, and in the long run most probably also tropical cyclone intensity,” Munich Re said. This July was the hottest month recorded in the U.S. since record-keeping began in 1895, according to the National Oceanic and Atmospheric Administration. The U.S. Drought Monitor reported that two-thirds of the continental U.S. suffered drought conditions this summer.

Granted, Munich Re wants to sell more reinsurance (backup policies purchased by other insurance companies), so maybe it has a selfish reason to stir anxiety. But it has no obvious motive for fingering global warming vs. other causes. “If the first effects of climate change are already perceptible,” said Peter Hoppe, the company’s chief of geo-risks research, “all alerts and measures against it have become even more pressing.”

Which raises the question of what alerts and measures to undertake. In his book The Conundrum, David Owen, a staff writer at theNew Yorker, contends that as long as the West places high and unquestioning value on economic growth and consumer gratification—with China and the rest of the developing world right behind—we will continue to burn the fossil fuels whose emissions trap heat in the atmosphere. Fast trains, hybrid cars, compact fluorescent light bulbs, carbon offsets—they’re just not enough, Owen writes.

Yet even he would surely agree that the only responsible first step is to put climate change back on the table for discussion. The issue was MIA during the presidential debates and, regardless of who wins on Nov. 6, is unlikely to appear on the near-term congressional calendar. After Sandy, that seems insane.

Mitt Romney has gone from being a supporter years ago of clean energy and emission caps to, more recently, a climate agnostic. On Aug. 30, he belittled his opponent’s vow to arrest climate change, made during the 2008 presidential campaign. “President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans and heal the planet,” Romney told the Republican National Convention in storm-tossed Tampa. “My promise is to help you and your family.” Two months later, in the wake of Sandy, submerged families in New Jersey and New York urgently needed some help dealing with that rising-ocean stuff.

Obama and his strategists clearly decided that in a tight race during fragile economic times, he should compete with Romney by promising to mine more coal and drill more oil. On the campaign trail, when Obama refers to the environment, he does so only in the context of spurring “green jobs.” During his time in office, Obama has made modest progress on climate issues. His administration’s fuel-efficiency standards will reduce by half the amount of greenhouse gas emissions from new cars and trucks by 2025. His regulations and proposed rules to curb mercury, carbon, and other emissions from coal-fired power plants are forcing utilities to retire some of the dirtiest old facilities. And the country has doubled the generation of energy from renewable sources such as solar and wind.

Still, renewable energy accounts for less than 15 percent of the country’s electricity. The U.S. cannot shake its fossil fuel addiction by going cold turkey. Offices and factories can’t function in the dark. Shippers and drivers and air travelers will not abandon petroleum overnight. While scientists and entrepreneurs search for breakthrough technologies, the next president should push an energy plan that exploits plentiful domestic natural gas supplies. Burned for power, gas emits about half as much carbon as coal. That’s a trade-off already under way, and it’s worth expanding. Environmentalists taking a hard no-gas line are making a mistake.

Conservatives champion market forces—as do smart liberals—and financial incentives should be part of the climate agenda. In 2009 the House of Representatives passed cap-and-trade legislation that would have rewarded more nimble industrial players that figure out how to use cleaner energy. The bill died in the Senate in 2010, a victim of Tea Party-inspired Republican obstructionism and Obama’s decision to spend his political capital to push health-care reform.

Despite Republican fanaticism about all forms of government intervention in the economy, the idea of pricing carbon must remain a part of the national debate. One politically plausible way to tax carbon emissions is to transfer the revenue to individuals. Alaska, which pays dividends to its citizens from royalties imposed on oil companies, could provide inspiration (just as Romneycare in Massachusetts pointed the way to Obamacare).

Ultimately, the global warming crisis will require global solutions. Washington can become a credible advocate for moving the Chinese and Indian economies away from coal and toward alternatives only if the U.S. takes concerted political action. At the last United Nations conference on climate change in Durban, South Africa, the world’s governments agreed to seek a new legal agreement that binds signatories to reduce their carbon emissions. Negotiators agreed to come up with a new treaty by 2015, to be put in place by 2020. To work, the treaty will need to include a way to penalize countries that don’t meet emission-reduction targets—something the U.S. has until now refused to support.

If Hurricane Sandy does nothing else, it should suggest that we need to commit more to disaster preparation and response. As with climate change, Romney has displayed an alarmingly cavalier attitude on weather emergencies. During one Republican primary debate last year, he was asked point-blank whether the functions of the Federal Emergency Management Agency ought to be turned back to the states. “Absolutely,” he replied. Let the states fend for themselves or, better yet, put the private sector in charge. Pay-as-you-go rooftop rescue service may appeal to plutocrats; when the flood waters are rising, ordinary folks welcome the National Guard.

It’s possible Romney’s kill-FEMA remark was merely a pander to the Right, rather than a serious policy proposal. Still, the reconfirmed need for strong federal disaster capability—FEMA and Obama got glowing reviews from New Jersey Governor Chris Christie, a Romney supporter—makes the Republican presidential candidate’s campaign-trail statement all the more reprehensible.

The U.S. has allowed transportation and other infrastructure to grow obsolete and deteriorate, which poses a threat not just to public safety but also to the nation’s economic health. With once-in-a-century floods now occurring every few years, New York Governor Andrew Cuomo and New York City Mayor Michael Bloomberg said the country’s biggest city will need to consider building surge protectors and somehow waterproofing its enormous subway system. “It’s not prudent to sit here and say it’s not going to happen again,” Cuomo said. “I believe it is going to happen again.”

David Rothkopf, the chief executive and editor-at-large of Foreign Policy, noted in an Oct. 29 blog post that Sandy also brought his hometown, Washington, to a standstill, impeding affairs of state. To lessen future impact, he suggested burying urban and suburban power lines, an expensive but sensible improvement.

Where to get the money? Rothkopf proposed shifting funds from post-Sept. 11 bureaucratic leviathans such as the Department of Homeland Security, which he alleges is shot through with waste. In truth, what’s lacking in America’s approach to climate change is not the resources to act but the political will to do so. A Pew Research Center poll conducted in October found that two-thirds of Americans say there is “solid evidence” the earth is getting warmer. That’s down 10 points since 2006. Among Republicans, more than half say it’s either not a serious problem or not a problem at all.

Such numbers reflect the success of climate deniers in framing action on global warming as inimical to economic growth. This is both shortsighted and dangerous. The U.S. can’t afford regular Sandy-size disruptions in economic activity. To limit the costs of climate-related disasters, both politicians and the public need to accept how much they’re helping to cause them.

Mudança climática é tabu na campanha eleitoral dos Estados Unidos (Envolverde/IPS)

Por Becky Bergdahl, da IPS – 25/10/2012

sa12 300x198 Mudança climática é tabu na campanha eleitoral dos Estados Unidos

Nova York, Estados Unidos, 25/10/2012 – Os Estados Unidos sofreram este ano o verão mais quente de sua história, com secas e incêndios em diversas partes de seu território. E, segundo um informe da firma de resseguros Munich Re, as perdas com pagamentos de seguros devido a eventos climáticos extremos quase quadruplicaram desde 1980. Diante disto, alguns poderiam esperar que o aquecimento global fosse um dos temas mais importantes da campanha no país para as eleições presidenciais de 6 de novembro.

Entretanto, nos três debates eleitorais, transmitidos pela televisão para todo o país e boa parte do mundo, nem o presidente e candidato à reeleição, Barack Obama, do Partido Democrata, nem seu adversário, Mitt Romney, do Partido Republicano, sequer mencionaram o tema. Houve outro debate, entre os candidatos a vice-presidentes, no qual a mudança climática também foi omitida.

“Está se perdendo a oportunidade de se falar sobre um dos principais desafios que enfrentamos”, disse à IPS Bob Deans, assessor do ecologista e não governamental Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais. “Segundo um novo estudo da Universidade do Texas, 73% da população norte-americana acredita que a mudança climática está efetivamente ocorrendo. Já em recente pesquisa da Universidade de Yale, 70% dos entrevistados deram a mesma resposta. As consultas foram feitas em setembro.

Assim, o que vemos é que sete em cada dez norte-americanos têm conhecimento do problema”, pontuou Deans, que também citou um informe da Munich Re, segundo o qual os desastres naturais aumentaram mais na América do Norte do que em qualquer outra parte do mundo desde 1980. As perdas asseguradas por catástrofes climáticas na região totalizaram US$ 510 bilhões entre 1980 e 2011, segundo a firma alemã, a maior multinacional de resseguros do mundo.

Isto mostra que a mudança climática não é apenas uma questão ambiental, mas também é financeira, segundo Deans, integrante de uma das organizações ecologistas mais poderosas dos Estados Unidos. “Conforme o clima vai ficando extremo, as pessoas vão entendendo que também se trata de um assunto econômico sério, não apenas uma questão de abraçar árvores”, afirmou o ativista.

“O aumento do nível do mar pode colocar em risco as casas, e se uma casa está ameaçada não se consegue obter uma hipoteca. Os produtores de milho não conseguem uma boa colheita em anos. Vemos famílias que tiveram fazendas durante anos e agora não podem mais sustentá-las”, destacou Deans. Durante os debates públicos, incluindo um centrado em política externa, no dia 22, tanto Obama quanto Romney mencionaram a necessidade de se reduzir os preços dos combustíveis. Porém, nenhum se manisfestou sobre a questão de se reduzir as emissões de gases-estufa responsáveis pela mudança climática.

“Fica cada vez mais óbvio que Obama e Romney não são diferentes. Ambos se equivocam em pensar que qualquer menção ao clima é uma desvantagem política”, disse à IPS a ativista Kyle Ash, do Greenpeace Estados Unidos. “Apesar de a última pesquisa ter demonstrando que a vasta maioria do público está muito preocupada pela mudança climática, os dois candidatos preferem atender os interesses dos combustíveis fósseis em lugar de investir em soluções para o problema do clima”, apontou.

“A maior diferença entre ambos está na plataforma da campanha republicana, que diretamente nega a mudança climática. Mas, os dois candidatos estão em cargos administrativos que adotaram políticas contra a contaminação”, disse Ash, para quem tanto Obama quanto Romney se arriscam a perder votos se continuarem ignorando este assunto tão importante. “Centenas de milhares de norte-americanos solicitaram a Obama e a Romney que expressem suas opiniões sobre política climática, já que é um tema grave e premente para a economia, e inclusive para nosso estilo de vida básico”, afirmou Ash.

Em uma tentativa de mobilizar a população e pressionar os líderes políticos, a seção norte-americana do grupo internacional de ação climática 350.org lançou uma nova campanha, denominada Do The Math Tour (Gire Faça os Cálculos), que começará em 7 de novembro, dia seguinte às eleições, e incluirá atividades em 20 cidades. Conta com apoio de celebridades, como a jornalista e ativista canadense Naomi Klein e o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz.

“Se vamos enfrentar as campanhas pelos combustíveis fósseis, precisamos de um movimento. Elas têm todo o dinheiro, por isso precisamos testar algo diferente. Este giro está criado para gerar um movimento suficientemente forte para vencer”, disse à IPS o ativista Daniel Kessler, da 350. Org. “É um cálculo simples. Podemos queimar até mais 565 gigatoneladas de carbono e manter o aquecimento global abaixo dos dois graus. Qualquer coisa além disso colocará em risco a vida na Terra”, disse Kessler. “As corporações agora têm 2.795 gigatoneladas em suas reservas, cinco vezes mais do que a quantidade segura. E planejam queimar tudo isso, a menos que atuemos rapidamente para detê-las”, acrescentou.

Kessler também disse que, embora nenhum candidato fale abertamente sobre a mudança climática, há claras diferenças entre Obama e Romney. “Parece que Romney como presidente seria um desastre tanto para o meio ambiente quanto para o clima”, afirmou. “Disse que quer tirar da EPA (Agência de Proteção Ambiental) a autoridade para regular as emissões de carbono, acabar com os créditos fiscais para energia renovável e manter os enormes subsídios às firmas de petróleo e carvão, que já estão entre as mais lucrativas do mundo”, recordou Kessler.

“As políticas de Obama não são suficientemente fortes para enfrentar o problema da mudança climática, mas ele tem que lutar para proteger a EPA e fazer o maior investimento em energias limpas na história mundial”, enfatizou. Os comandos das campanhas dos candidatos não responderam aos pedidos da IPS para que comentassem este assunto. O aquecimento global “é completamente ignorado pelo presidente Obama e por Romney nos debates públicos”, disse Scott McLarty, coordenador de mídia para o Partido Verde. “Mas, nos debates alternativos, a candidata do Partido Verde, Jill Stein, falou sobre a mudança climática várias vezes. E continuará falando”, disse McLarty à IPS.

What’s wrong with putting a price on nature? (The Guardian)

Pricing the financial value of services nature provides for free – such as clean water – may be the best way to save species

Richard Conniff for Yale Environment 360, part of the Guardian Environment Network

guardian.co.uk, Thursday 18 October 2012 16.44 BST

Give a Price on Nature : A bird of prey glides through the sky

A bird of prey glides through the sky at sunrise in Bilbao, northern Spain, 14 October 2012, while the rain threatens from the distance. Photograph: Alfredo Aldai/EPA

Ecosystem services is not exactly a phrase to stir the human imagination. But over the past few years, it has managed to dazzle both diehard conservationists and bottom-line business types as the best answer to global environmental decline.

For proponents, the logic is straightforward: Old-style protection of nature for its own sake has badly failed to stop the destruction of habitats and the dwindling of species. It has failed largely because philosophical and scientific arguments rarely trump profits and the promise of jobs. And conservationists can’t usually put enough money on the table to meet commercial interests on their own terms. Pointing out the marketplace value of ecosystem services was initially just a way to remind people what was being lost in the process — benefits like flood control, water filtration, carbon sequestration, and species habitat. Then it dawned on someone that, by making it possible for people to buy and sell these services, we could save the world and turn a profit at the same time.

But the rising tide of enthusiasm for PES (or payment for ecosystem services) is now also eliciting alarm and criticism. The rhetoric is at times heated, particularly in Britain, where a government plan to sell off national forests had to be abandoned in the face of fierce public opposition. (The government’s own expert panel also found that it had “greatly undervalued” what it was proposing to sell.) Writing recently inThe Guardian, columnist and land rights activist George Monbiot denounced PES schemes as “another transfer of power to corporations and the very rich.” Also writing in The Guardian, Tony Juniper, a conservationist and corporate consultant, replied in effect that Monbiot and other critics should shut up, on the grounds that campaigning against payment for ecosystem services “could inadvertently strengthen the hand of those who believe nature has little or no value, moral, economic or otherwise.”

Not all critics reject the PES idea outright. Some say they’re merely making constructive criticisms of what they see as blind faith in new financial markets, and in global initiatives like the United Nations’ REDD mechanism (for Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation in Developing Countries).

The first mistake, says Kent H. Redford, an environmental consultant, is to assume that old-style conservation methods have failed. “They’ve worked in certain circumstances, in certain ways, for certain things.” They’re the reason, for instance, that state-sponsored protected areas now cover 25 percent of the land in Costa Rica, 27 percent in the United States (at the federal level alone), 30 percent in Tanzania and Guatemala, and 50 percent in Belize.

Writing in Conservation Biology, Redford and co-author William M. Adams catalogued some of the ways PES transactions can go wrong, beginning with the whole question of price. Traditional conservationists sought to protect forests and other landscapes primarily for their intrinsic value, says Redford. But those values are likely to carry less weight when even conservationists think first in economic terms. Many ecosystem services are also likely to be hard to price — for instance, the arguably beneficial effects on climate and agriculture (minus the deleterious impacts on health) when atmospheric dust from the African Sahel drifts across the Atlantic. And even if you can put a price on an ecosystem service, Redford and Adams argue, figuring out who has a legitimate right to sell it means picking winners and losers. In developing countries, indigenous communities may lack the documentation or the political clout to assert their ownership.

Payment schemes also risk creating perverse incentives, Redford and Adams warn. If the system pays landowners to bank carbon, they may plant non-native species, or genetically “improved” trees, to bank carbon faster. Or they may discourage natural phenomena that happen to be good for biodiversity, but bad for people, including such ecosystemdisservices as fire, drought, disease, or flood. Finally, Redford and Adams point out, the effects of climate change, “always the joker in the pack,” could toss carefully constructed economic schemes — and natural habitats — into disarray.

Stuart H. M. Butchart, a researcher at BirdLife International, replies that embracing the ecosystem services idea doesn’t necessarily mean abandoning the argument that species and habitats have intrinsic value. But making the economic case often “has more resonance” for decision-makers.

A study published last week in Science, co-authored by Butchart, also suggests why the PES idea now seems so urgent. To determine what it would cost to meet current targets set for the year 2020 under the international Convention on Biological Diversity, the study looked at the cost of protecting and down-listing threatened bird species. Then it extrapolated that preventing further loss of species across all plant and animal groups would cost $78 billion a year. That’s an order of magnitude above current conservation spending — but the study noted that it was only between 1 and 4 percent of the value of the ecosystem services being lost through habitat destruction every year.

PES proponents can also point to early success stories: Vittel-Nestlé Waters recognized a few years ago that its aquifer in northern France was being polluted by nitrate fertilizers and pesticides from nearby farms. It devised a scheme to pay farmers to change their methods and deliver the ecosystem service of unpolluted water. Beijing undertook a similar scheme in the catchment around one of its reservoirs, ahead of the 2008 Olympics. (It had previously tried anti-growth regulations and resettlements.)

But there isn’t always a wealthy corporation or a big city nearby willing to pick up the tab (for Vittel, $31.4 million over the first seven years), and other transactions are more complex. Norway, for instance, pledged $1 billion each to Brazil and Indonesia for forest preservation efforts under the REDD mechanism, partly to compensate for failing to meet its own greenhouse gas emissions targets. But the Norwegian government recently felt compelled to issue a public warning to both countries against backsliding on their forest preservation commitments.

Monbiot adds that making nature fungible, so one asset can be substituted for another, guarantees that they will be: “If a quarry company wants to destroy a rare meadow, for example, it can buy absolution by paying someone to create another somewhere else.” When governments and PES proponents talk about employing marketplace solutions instead of traditional regulatory approaches, he says, “what they are really talking about is shrinking democracy, shrinking public involvement in decision making, shrinking transparency and accountability. By handing it over to the market you are in effect handing it over to corporations and the very rich,” and to “a very plutocratic” decision-making process.

Pavan Sukhdev, a former international banker who has pioneered efforts to highlight the economic importance of biodiversity, says none of these criticisms is especially new. He has raised many of them himself and says the marketplace is working to address them. “It’s useful to hear criticisms, but the critics must remember one basic fact. It wasn’t Christopher Columbus who discovered America, it was the Native Indians who lived there. So critics should not think that they have invented knowledge. They should be a little more humble in their attitude. And understand that the people on the ground are professionals who have been working on this and thinking about this for quite some time.”

But no amount of financial tweaking or social engineering is likely to allay the deeper discomfort voiced by many PES critics with the whole idea of nature, in the words of one recent paper, “as a service provider fit to be incorporated into the global capital markets.” Or the notion, expressed by Jean-Christophe Vié, of the International Union for Conservation of Nature, that nature is “the largest company on Earth.” When you view nature in economic terms, as a provider in a sort of “master-servant” relationship, they suggest, you make a fundamental change not just in the world around us, but in ourselves.

Sian Sullivan, a University of London anthropologist, warns that past revolutions in capital investment, like the enclosure of common lands in eighteenth-century Britain, and the industrial revolution of the nineteenth century, resulted in “the shattering of peoples’ relationships with landscapes” and the conversion of rural folk into factory workers and service-providers for capital. In the ecosystem services movement, Sullivan warns, we are seeing “a major new wave of capture and enclosure of Nature by capital.” And it will come, she says, at the cost of profound cultural and psychological upheaval.

It may be, as some argue, that we have no better way to save the world. But the danger in the process is that we may lose our souls.

Far from random, evolution follows a predictable genetic pattern, Princeton researchers find (Princeton)

Posted October 25, 2012; 12:00 p.m.

by Morgan Kelly, Office of Communications

Evolution, often perceived as a series of random changes, might in fact be driven by a simple and repeated genetic solution to an environmental pressure that a broad range of species happen to share, according to new research.

Princeton University research published in the journal Science suggests that knowledge of a species’ genes — and how certain external conditions affect the proteins encoded by those genes — could be used to determine a predictable evolutionary pattern driven by outside factors. Scientists could then pinpoint how the diversity of adaptations seen in the natural world developed even in distantly related animals.

Andolfatto bug

The Princeton researchers sequenced the expression of a poison-resistant protein in insect species that feed on plants such as milkweed and dogbane that produce a class of steroid-like cardiotoxins called cardenolides as a natural defense. The insects surveyed spanned three orders: butterflies and moths (Lepidoptera); beetles and weevils (Coleoptera); and aphids, bed bugs, milkweed bugs and other sucking insects (Hemiptera). Above: Dogbane beetle(Photo courtesy of Peter Andolfatto)

“Is evolution predictable? To a surprising extent the answer is yes,” said senior researcher Peter Andolfatto, an assistant professor in Princeton’s Department of Ecology and Evolutionary Biology and the Lewis-Sigler Institute for Integrative Genomics. He worked with lead author and postdoctoral research associate Ying Zhen, and graduate students Matthew Aardema and Molly Schumer, all from Princeton’s ecology and evolutionary biology department, as well as Edgar Medina, a biological sciences graduate student at the University of the Andes in Colombia.

The researchers carried out a survey of DNA sequences from 29 distantly related insect species, the largest sample of organisms yet examined for a single evolutionary trait. Fourteen of these species have evolved a nearly identical characteristic due to one external influence — they feed on plants that produce cardenolides, a class of steroid-like cardiotoxins that are a natural defense for plants such as milkweed and dogbane.

Though separated by 300 million years of evolution, these diverse insects — which include beetles, butterflies and aphids — experienced changes to a key protein called sodium-potassium adenosine triphosphatase, or the sodium-potassium pump, which regulates a cell’s crucial sodium-to-potassium ratio. The protein in these insects eventually evolved a resistance to cardenolides, which usually cripple the protein’s ability to “pump” potassium into cells and excess sodium out.

Andolfatto lab

Lead author Ying Zhen (foreground), Andolfatto (far left), fourth author and graduate student Molly Schumer (near left), and their co-authors sequenced and assembled all the expressed genes in 29 distantly related insect species, the largest sample of organisms yet examined for a single evolutionary trait. They used these sequences to predict how a certain protein would be encoded in the genes of 14 distantly related species that evolved a similar resistance to toxic plants. Similar techniques could be used to trace protein changes in a species’ DNA to understand how many diverse organisms evolved as a result of environmental factors. At right is research assistant Ilona Ruhl, who was not involved in the research. (Photo by Denise Applewhite)

Andolfatto and his co-authors first sequenced and assembled all the expressed genes in the studied species. They used these sequences to predict how the sodium-potassium pump would be encoded in each of the species’ genes based on cardenolide exposure.

Scientists using similar techniques could trace protein changes in a species’ DNA to understand how many diverse organisms evolved as a result of environmental factors, Andolfatto said. “To apply this approach more generally a scientist would have to know something about the genetic underpinnings of a trait and investigate how that trait evolves in large groups of species facing a common evolutionary problem,” Andolfatto said.

“For instance, the sodium-potassium pump also is a candidate gene location related to salinity tolerance,” he said. “Looking at changes to this protein in the right organisms could reveal how organisms have or may respond to the increasing salinization of oceans and freshwater habitats.”

Andolfatto bug

Milkweed tussock moth (Photo courtesy of Peter Andolfatto)

Jianzhi Zhang, a University of Michigan professor of ecology and evolutionary biology, said that the Princeton-based study shows that certain traits have a limited number of molecular mechanisms, and that numerous, distinct species can share the few mechanisms there are. As a result, it is likely that a cross-section of certain organisms can provide insight into the development of other creatures, he said.

“The finding of parallel evolution in not two, but numerous herbivorous insects increases the significance of the study because such frequent parallelism is extremely unlikely to have happened simply by chance,” said Zhang, who is familiar with the study but had no role in it.

“It shows that a common molecular mechanism is used by many different insects to defend themselves against the toxins in their food, suggesting that perhaps the number of potential mechanisms for achieving this goal is very limited,” he said. “That many different insects independently evolved the same molecular tricks to defend themselves against the same toxin suggests that studying a small number of well-chosen model organisms can teach us a lot about other species. Yes, evolution is predictable to a certain degree.”

Andolfatto and his co-authors examined the sodium-potassium pump protein because of its well-known sensitivity to cardenolides. In order to function properly in a wide variety of physiological contexts, cells must be able to control levels of potassium and sodium. Situated on the cell membrane, the protein generates a desired potassium to sodium ratio by “pumping” three sodium atoms out of the cell for every two potassium atoms it brings in.

Cardenolides disrupt the exchange of potassium and sodium, essentially shutting down the protein, Andolfatto said. The human genome contains four copies of the pump protein, and it is a candidate gene for a number of human genetic disorders, including salt-sensitive hypertension and migraines. In addition, humans have long used low doses of cardenolides medicinally for purposes such as controlling heart arrhythmia and congestive heart failure.

Andolfatto bug

Large milkweed bugs (Photo courtesy of Peter Andolfatto)

The Princeton researchers used the DNA microarray facility in the University’s Lewis-Sigler Institute for Integrative Genomics to sequence the expression of the sodium-potassium pump protein in insect species spanning three orders: butterflies and moths (Lepidoptera); beetles and weevils (Coleoptera); and aphids, bed bugs, milkweed bugs and other sucking insects (Hemiptera).

The researchers found that the genes of cardenolide-resistant insects incorporated various mutations that allowed it to resist the toxin. During the evolutionary timeframe examined, the sodium-potassium pump of insects feeding on dogbane and milkweed underwent 33 mutations at sites known to affect sensitivity to cardenolides. These mutations often involved similar or identical amino-acid changes that reduced susceptibility to the toxin. On the other hand, the sodium-potassium pump mutated just once in insects that do not feed on these plants.

Significantly, the researchers found that multiple gene duplications occurred in the ancestors of several of the resistant species. These insects essentially wound up with one conventional sodium-potassium pump protein and one “experimental” version, Andolfatto said. In these insects, the newer, hardier versions of the sodium-potassium pump are mostly expressed in gut tissue where they are likely needed most.

“These gene duplications are an elegant solution to the problem of adapting to environmental changes,” Andolfatto said. “In species with these duplicates, the organism is free to experiment with one copy while keeping the other constant, avoiding the risk that the new version of the protein will not perform its primary job as well.”

The researchers’ findings unify the generally separate ideas of what predominately drives genetic evolution: protein evolution, the evolution of the elements that control protein expression or gene duplication. This study shows that all three mechanisms can be used to solve the same evolutionary problem, Andolfatto said.

Central to the work is the breadth of species the researchers were able to examine using modern gene sequencing equipment, Andolfatto said.

“Historically, studying genetic evolution at this level has been conducted on just a handful of ‘model’ organisms such as fruit flies,” Andolfatto said. “Modern sequencing methods allowed us to approach evolutionary questions in a different way and come up with more comprehensive answers than had we examined one trait in any one organism.

“The power of what we’ve done is to survey diverse organisms facing a similar problem and find striking evidence for a limited number of possible solutions,” he said. “The fact that many of these solutions are used over and over again by completely unrelated species suggests that the evolutionary path is repeatable and predictable.”

The paper, “Parallel Molecular Evolution in an Herbivore Community,” was published Sept. 28 by Science. The research was supported by grants from the Centre for Genetic Engineering and Biotechnology, the National Science Foundation and the National Institutes of Health.