Arquivo anual: 2010

>Retorcidas: violência no futebol (Folha Mais!)

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A comunidade moral

JOSÉ PAULO FLORENZANO
ESPECIAL PARA A FOLHA

28 fev 2010

Década de 60 marcou a ascensão das torcidas organizadas, que passaram de coadjuvantes a protagonistas do espetáculo ao adotarem a “metáfora da guerra”

Foto: Torcedores são-paulinos durante partida em Barueri (SP). Ricardo Nogueira – 28.jan.10/Folha Imagem.

As torcidas organizadas, no Brasil, assim como os agrupamentos ultras, na Itália, começaram a ocupar as arquibancadas e a modificar o clima e a paisagem dos estádios a partir dos últimos anos da década de 1960. Lá, como cá, abandonaram a condição de simples espectadores da partida de futebol para desempenhar o papel de protagonistas do espetáculo que elas próprias criavam e desenvolviam, inspiradas pela “metáfora da guerra”, como mostra a perspectiva antropológica de Alessandro Dal Lago.

A violência, no entanto, não se restringia aos limites de uma batalha simbólica, mas se deslocava no espaço, driblava as medidas de repressão e adquiria, ao longo do tempo, forma e intensidade, alcance e significados muito diversos. De fato, como mostram os estudos feitos na Itália, os jovens torcedores logo enveredaram pela estrada do antagonismo violento, militarizaram-se, adotaram a “lógica da guerra”.

Isso os levava a planificar com antecedência a escolha do lugar da luta, a calcular o momento certo da ação, a delinear previamente a tática a ser empregada no combate travado cada vez mais fora das praças esportivas.

Ao mesmo tempo, procuraram alcançar um consenso em torno das “regras do jogo” no qual se achavam imersos -isto é, definir as armas, os atores e as circunstâncias do confronto. Uma circular redigida por integrantes do movimento buscava estabelecer os ditames do comportamento ultra: “Não se toca nas mulheres e nos velhos e não se enfrenta quem não tem nada a ver e não tem a possibilidade de se defender”.
Visto por esse prisma, o estereótipo da “horda de bárbaros embriagados” transfigurava-se, segundo o sociólogo Antonio Roversi, em uma “comunidade moral”. Esta era edificada com base em um repertório próprio de regras, dotado de mecanismos simbólicos de integração dos jovens reunidos na cultura da curva, na qual a violência desfrutava de um lugar privilegiado, mas não se revestia de uma forma caótica nem se desenvolvia de modo aleatório.

Ao contrário, ela se desenrolava no quadro das rivalidades e das alianças tecidas entre os diversos agrupamentos e de acordo com o código de comportamento aceito e partilhado pelos torcedores. A via brasileira apresentava pontos em comum com o percurso italiano, mas também se distinguia pela elaboração de características próprias e traços originais.

Nesse sentido, enquanto o caminho dos ultras atravessava o campo minado do extremismo político (alguns grupos se autodenominavam “brigadas”, em alusão ao partido armado identificado pela estrela de cinco pontas), o das organizadas desembocava na República do Futebol, paisagem histórica definida por inúmeras experiências de autonomia -como, por exemplo, o Trem da Alegria, idealizado por Afonsinho, e a Democracia Corintiana, liderada por Sócrates.

Aspectos contraditórios

Essa paisagem histórica, delimitada pelos anos de 1978 a 1984, contemplava ainda a iniciativa do jogador Wladimir de estender às gerais e arquibancadas o processo de mudança deslanchado no Corinthians: “As discussões são abertas aos diretores, aos jogadores, aos sócios e até à torcida”. Mas a participação desta última nos anos revolucionários do futebol brasileiro comportava aspectos contraditórios.

De um lado, ela promovia o salto de qualidade no exercício da violência, refletido tanto no conflito entre as organizadas do Santos e da Portuguesa -em 1979, na Taça São Paulo, com um saldo de 15 pessoas feridas- quanto nas brigas ocorridas antes, durante e após o clássico entre Santos e Corinthians, em 1983, com tiros disparados ao redor do estádio e focos de incêndio dentro do Morumbi.

De outro lado, ela reivindicava o direito de participação e o concretizava por meio de várias iniciativas. Entre elas, pode-se destacar, em 1977, o debate sobre a criação de uma Associação das Torcidas Organizadas; em 1978, a greve promovida pela Torcida Uniformizada do Palmeiras contra o desgoverno implantado no clube; em 1981, a crítica da Torcida Jovem do Santos à fórmula esdrúxula do Paulista; e, em 1984, a presença da Gaviões da Fiel nos comícios das Diretas-Já.

Violência e participação se constituem, portanto, nos fatores decisivos do universo das organizadas. Isso significa que, além do combate imprescindível e sem tréguas à impunidade dos atos brutais, o enfrentamento do problema atual pode incluir a criação de novos canais de participação e espaços de debate. De fato, como diz o sociólogo Antonio Roversi, juízos acusatórios e categoriais morais impedem a compreensão do quadro dinâmico das torcidas.

Eles não permitem, assim, elucidar as linhas de continuidade, identificar os pontos de ruptura, apontar as reviravoltas que ora as colocam no exercício de uma violência desregrada, ora as aproximam da prática democrática elaborada em conjunto por aqueles que desejam reinventar a República do Futebol e manter, tanto quanto possível, a rivalidade dos jovens torcedores nos limites de um duelo simbólico.

JOSÉ PAULO FLORENZANO é professor de antropologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bolsista da Fapesp e autor de “A Democracia Corinthiana” (Educ).

Os sem-política

Transformado em peça na máquina de consumo compulsivo, torcedor é vítima maior da despolitização que atinge a sociedade

LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Assistência” foi um termo muito comum propagado pela imprensa esportiva até os anos 1930, condenando à passividade os torcedores mais populares. Estes se diferenciavam dos sócios, indivíduos notabilizados por laços mais estreitos, inclusive de parentesco, com os integrantes dos clubes.

A inauguração do estádio do Pacaembu, em São Paulo, e a transformação do futebol em evento de massa nos anos 40 redimensionaria os espetáculos futebolísticos e a importância dos torcedores.

Eles passaram a ser motivo de preocupação mais detida de parte dos poderes públicos, da imprensa e daqueles que organizavam os eventos, em virtude da intolerância e das rinhas que, diga-se de passagem, já existiam desde a época do amadorismo anterior aos anos 30. Os jornais não se cansavam de censurar as “desinteligências” frequentes promovidas pelo mau comportamento generalizado.

Faixas e cartazes

Foi nesse momento, então, que surgiram as primeiras organizações uniformizadas, indivíduos que acompanhavam as partidas em bloco, cantando, exibindo faixas e cartazes homenageando jogadores, cronistas esportivos e o próprio poder público.

Reciprocamente, a imprensa esportiva e os dirigentes dos clubes prestigiavam esses uniformizados por acreditarem que formavam um corpo elitizado (entenda-se “civilizado”) no meio da massa.

Essa situação foi alterada com o aparecimento das torcidas organizadas, já no final dos anos 60.

Tratava-se de agrupamentos com nítida inspiração popular que se autonomizaram em relação aos interesses mais imediatos dos dirigentes e estabeleceram outros padrões para o ato de torcer.

Os ciclos de violência intensificados nos anos 90 e a ingerência cada vez maior da TV e dos canais pagos repercutiram na necessidade imposta por uma nova conduta torcedora.

Foi nessa conjuntura de políticas de repressão às organizadas que se inventaram os sócios-torcedores -analogia opaca que alude a uma espécie de acionista minoritário do clube- e o torcedor de poltrona, que paga para ver seu time pelo sistema pay-per-view, serviço oferecido pelos canais fechados (elitistas, não?).

Portanto, formas físicas ou simbólicas de violência não constituem um corpo necessariamente estranho dentro desse universo. Dirigentes que motivam os seus publicamente, ainda que de modo figurado, na lógica da contenda tendem cada vez mais a levar o espetáculo sacrificial para dentro da casa de cada torcedor plugado na web.

Há que saber administrar as formas da belicosidade que, de resto, é constitutiva do futebol. Assim como as organizadas não reproduzem toda a extensão do torcer, elas também não contêm todas as variáveis que explicam a violência tomada como linguagem de todos.

Ambientadas e nutridas nas dinâmicas de poder, as organizadas reproduzem os sucessos e fracassos das organizações sociais que conformam o que visualizamos por sociedade.

Nenhum destes aspectos lhes faltam: burocracia, hierarquias, lógicas de distinção, comprometimentos políticos com projetos coletivos próprios ou negociados com outros atores, discurso da parlamentarização das relações e, obviamente, violência instrumental nutrida por masculinidades hegemônicas, homofóbicas, e intolerâncias já esparramadas por toda a sociedade.

Vingança inconclusa

O problema não são as organizações em si. No geral, o comportamento belicoso e intolerante se manifesta de modo mais desgarrado, individualizante e descompromissado com qualquer projeto coletivo, descentralizando práticas e comportamentos que fogem em muito ao controle das elites torcedoras.

Como uma espécie de vingança inconclusa, as mortes se sucedem há décadas em nome de honras difusas em torno da adesão aos clubes. Elas certamente estão relacionadas ao desmonte da dimensão lúdica do jogo e ao esgarçamento da sociabilidade em uma sociedade armada.

Embora as imagens dos últimos acontecimentos mostrem hordas de torcedores se digladiando, não há guerra ali, não há cadeia mecânica de mando e obediência.

Essa é justamente a linguagem desgastada do poder que tem no fantasma da desordem unida a sua face oculta, mas companheira de todas as horas. Das instâncias policiais e judiciais espera-se apuração e indiciamento daqueles indivíduos que estiveram diretamente envolvidos nos confrontos generalizados.

Mas o que esperar daqueles que administram o futebol: os dirigentes de clubes, os políticos e as elites torcedoras? O cerne da questão parece residir na baixa qualidade das relações políticas travadas entre esses agentes. Não bastam reuniões administrativas para resolver a conduta torcedora neste ou naquele jogo em específico. A despolitização de longo prazo que se impinge aos torcedores só faz minar os investimentos coletivos em nome de outras violências instrumentais parciais, inclusive legais.

O desinvestimento orquestrado que se faz na cultura do torcer -transformada em mera coadjuvante da maquinaria do consumo compulsivo- também não colabora para o processo de cidadania esportiva, sobretudo às portas dos megaeventos que se avizinham por aí.

LUIZ HENRIQUE DE TOLEDO é antropólogo e professor na Universidade Federal de São Carlos (SP). É organizador de “Visão de Jogo – Antropologia das Práticas Esportivas” (Terceiro Nome).

Novo Estatuto irá responsabilizar organizadas

DA REDAÇÃO

Durante encontro com o ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr., na quarta-feira, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, concordou em agilizar a tramitação de um projeto de lei que altera o Estatuto do Torcedor.

O texto define penas de reclusão para torcedores que praticarem atos de violência e responsabiliza civilmente as torcidas organizadas pelos danos causados por seus membros. O projeto, de autoria do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), está em fase de análise por comissões do Senado, que pode ser abreviada mediante acordo das lideranças.

A discussão foi reforçada após confrontos, no último domingo, entre torcedores de São Paulo e Palmeiras, que resultaram em um morto e pelo menos 20 feridos.

Torcidas-empresas

Organizadas se converteram em lugares de negócios, valendo-se do marketing e do merchandising para competir com o material dos clubes

BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Em caravana de apoio ao clube que contagiou o país no final dos anos 1970, o Corinthians Paulista, no seu drama de perseguição por um título depois de quase duas décadas de jejum, os Gaviões da Fiel distribuíam um folheto aos viajantes. O lembrete aos corintianos prescrevia: “Não corra, não mate e não morra”.

O prospecto foi na época guardado pelo sociólogo Sérgio Miceli e consta da abertura de um dos primeiros artigos acadêmicos sobre o fenômeno das torcidas organizadas no Brasil. Em 1978, o texto foi publicado pela “Revista de Administração de Empresas”, da Fundação Getúlio Vargas (RJ). Passadas mais de três décadas de sua publicação, o lembrete ainda ecoa como advertência, mas muito pouco de sua prudente recomendação parece ser hoje aplicável a determinados setores de torcidas organizadas.

Correr, matar e morrer tornaram-se verbos até certo ponto corriqueiros, atrativas palavras de ordem entre alguns adeptos dessas associações, como se pode observar nos incidentes fatais do último fim de semana, envolvendo torcedores de Palmeiras e São Paulo. As rodovias, as ferrovias ou quaisquer outros meios de acesso aos estádios são agora os locais privilegiados para o enfrentamento desses grupos.

Houve, de fato, uma mudança na dinâmica espacial dos confrontos entre torcidas organizadas. Se, até o final dos anos 80, as torcidas se confrontavam com mais frequência dentro dos estádios, a partir do decênio seguinte, a crescente vigilância em seu interior levou à sistematização das brigas para fora das arenas.

Desde então, a cada ano, o raio de ação da polícia nas imediações do estádio tem se alargado, criando uma espécie de segundo território de conflito. Este se afigura muito mais amplo e menos controlável em relação ao primeiro, o que coloca as forças da ordem diante de uma nova série de desafios a enfrentar.

Agonia

Conforme muitos estudiosos já assinalaram, a violência -bem como a busca por sua sublimação- é um componente agonístico liminar, constitutivo da sociedade e da atividade esportiva. Como tal, essa tensão, quer latente quer manifesta, está presente em um esporte popular como o futebol. No que diz respeito às torcidas organizadas, a especificidade de seus embates físicos é que ela assiste a ciclos violentos, verdadeiras “espirais” que fazem e desfazem vendetas ao sabor das gerações e das lideranças à frente dos grupos, com o efeito alarmante de difundir aquilo que na Europa se chamou de “pânico moral”.

A cada nova tragédia, a sociedade é instada a se mobilizar e a expiar os seus “bodes”. Quase sempre, a pedra de toque para a solução do problema recai na interdição das torcidas, por meio da simples extinção jurídica ou da proscrição dos “baderneiros”.

Como se isso fosse apenas uma questão de norma -e não, principalmente, de costume-, os decretos vêm redundando em sucessivos fracassos.

Por que a situação é tão difícil de ser solucionada? Em parte, porque a aparente barbárie que evoca o comportamento violento das torcidas constitui apenas sua franja superficial.

Quando se discute o problema, pouco se atenta para o fato de que as torcidas organizadas não estão apenas na contramão dos princípios desportivos ou nos antípodas do futebol mercantilizado moderno. De forma homóloga à lógica dos clubes-empresas, as agremiações de torcedores se tornaram elas próprias torcidas-empresas. Orbitam em torno dos clubes -razão de existirem-, mas são também autônomas, com sedes, símbolos, legendas, cânticos e logotipos que traduzem uma identidade à parte.

Seguindo o etos comercial, as torcidas organizadas converteram-se em lugares de negócios, passando a se valer do marketing, do merchandising e da oferta de uma série de produtos ligados a suas grifes. Elas competem, assim, com o material dos clubes e atendem à demanda de seu público consumidor, adolescentes e jovens seduzidos pelo pertencimento a uma coletividade.

A expansão em âmbito nacional das torcidas acarreta ainda o recrutamento de mais simpatizantes, o que leva ao seu alargamento simbólico-territorial, à semiprofissionalização de seus quadros e à formação de uma complexa rede de relações sociais.

Nos primórdios do futebol, dizia-se que a prática esportiva era uma atividade intrinsecamente amadora, razão pela qual o jogador não podia ganhar dinheiro com o jogo.

No Brasil, foi preciso esperar até os anos 1930 para que tal formulação fosse refeita, com a adoção do profissionalismo no futebol e com a transformação do jogador em atleta profissional, capaz de auferir astronômicos salários. Talvez hoje nós estejamos, em meio à globalização do futebol, onde tudo se comercializa e se rentabiliza, assistindo a um debate moral não muito distinto.

Se o torcedor representa a quintessência da paixão futebolística, último bastião de um idealizado “amadorismo”, até que ponto estaríamos dispostos a aceitar o fato de que o torcedor organizado pode fazer de sua atividade uma profissão legítima e legalizada?

BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA é pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (RJ).

>Exorcista-chefe da Igreja diz que há bispos ligados ao Diabo (BBC Brasil)

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BBC Brasil – 12 de março, 2010

O exorcista-chefe da Igreja Católica disse a um jornal italiano que “o Diabo reside no Vaticano” e que bispos estariam “ligados” a ele.

Em entrevista ao diário La Repubblica, o padre Gabriele Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que o ataque ao papa Bento 16 na noite de Natal e os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que “é possível ver as consequências disso”.

O sacerdote, de 85 anos, disse ainda que há, na Igreja, “cardeais que não acreditam em Jesus e bispos ligados ao Demônio”.

Amorth, que já teria realizado o exorcismo de 70 mil possuídos, publicou um livro no mês passado, chamado Memórias de um Exorcista, em que narra suas batalhas contra o mal.

A série de entrevistas que compõe o livro foi realizada pelo jornalista Marco Tosatti, que conversou com o programa de rádio Newshour da BBC.

Tosatti disse que o Diabo atua de duas formas. Na primeira, a mais comum, “ele te aconselha a se comportar mal, a fazer coisas ruins e até a cometer crimes”.

Na segunda, “que ocorre muito raramente”, ele pode possuir uma pessoa. Tosatti disse que, de acordo com Amorth, Adolf Hitler e os nazistas foram possuídos pelo capeta.

O exorcista católico conta em suas memórias que, durante as sessões de exorcismo, os possuídos precisavam ser controlados por seis ou sete de seus assistentes. Eles também eram capazes de cuspir cacos de vidro, “pedaços de metal do tamanho de um dedo, mas também pétalas de rosas”, segundo o sacerdote.

Guerra contra a Igreja

Amorth defende que a tentativa de assassinato do papa João Paulo 2º em 1981, assim como o ataque ao atual papa no Natal passado e os casos de abuso sexual cometidos por padres são exemplos de que o Diabo está em guerra com a igreja.

Em entrevista ao La Repubblica, o exorcista contou que o Demônio “pode permanecer escondido, ou falar diferentes línguas, ou mesmo se fazer parecer simpático”.

Para Tosatti, não há nada que se possa fazer quando o Diabo está apenas influenciando as pessoas, em vez de estar possuindo-as.

Segundo o exorcista-chefe do Vaticano, o papa Bento 16 apoia o seu trabalho.

“Sua Santidade acredita de todo coração na prática do exorcismo. Ele tem encorajado e louvado o nosso trabalho”.

No jornal italiano, Amorth também comentou sobre como o cinema retrata o exorcismo e a magia.

Segundo ele, o filme O Exorcista, de 1973, em que dois padres lutam para exorcizar uma garota possuída é “substancialmente preciso”, apesar de “um pouco exagerado”.

Já a série do jovem bruxo britânico Harry Potter é descrita como “perigosa” pelo sacerdote, pois traça “uma falsa distinção entre magia negra e magia do bem”.

>Living on Earth: Climate Confusion and the "Climategate"

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Air Date: March 5, 2010
http://www.loe.org

Link to the audio file.

“Climategate” has damaged the credentials of the Intergovernmental Panel on Climate Change, and decades of science on global warming. But as scientists push back against efforts to dismiss the threat of global warming, some media watchers say journalists aren’t balancing their coverage of climate change with the scientifically-sound other side of the story – that the impacts of a warming world could be worse than the IPCC predicts. Host Jeff Young talks with media experts and scientists about the fallout of the hacked email scandal, and how to repair damage. (12:00)

>Climate scientists to fight back at skeptics (The Washington Times)

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By Stephen Dinan
The Washington Times – Friday, March 5, 2010

Undaunted by a rash of scandals over the science underpinning climate change, top climate researchers are plotting to respond with what one scientist involved said needs to be “an outlandishly aggressively partisan approach” to gut the credibility of skeptics.

In private e-mails obtained by The Washington Times, climate scientists at the National Academy of Sciences say they are tired of “being treated like political pawns” and need to fight back in kind. Their strategy includes forming a nonprofit group to organize researchers and use their donations to challenge critics by running a back-page ad in the New York Times.

“Most of our colleagues don’t seem to grasp that we’re not in a gentlepersons’ debate, we’re in a street fight against well-funded, merciless enemies who play by entirely different rules,” Paul R. Ehrlich, a Stanford University researcher, said in one of the e-mails.

Some scientists question the tactic and say they should focus instead on perfecting their science, but the researchers who are organizing the effort say the political battle is eroding confidence in their work.

“This was an outpouring of angry frustration on the part of normally very staid scientists who said, ‘God, can’t we have a civil dialogue here and discuss the truth without spinning everything,'” said Stephen H. Schneider, a Stanford professor and senior fellow at the Woods Institute for the Environment who was part of the e-mail discussion but wants the scientists to take a slightly different approach.

The scientists have been under siege since late last year when e-mails leaked from a British climate research institute seemed to show top researchers talking about skewing data to push predetermined outcomes. Meanwhile, the Intergovernmental Panel on Climate Change, the authoritative body on the matter, has suffered defections of members after it had to retract claims that Himalayan glaciers will melt over the next 25 years.

Last month, President Obama announced that he would create a U.S. agency to arbitrate research on climate change.

Sen. James M. Inhofe, Oklahoma Republican and a chief skeptic of global-warming claims, is considering asking the Justice Department to investigate whether climate scientists who receive taxpayer-funded grants falsified data. He lists 17 people he said have been key players in the controversy.

That news has enraged scientists. Mr. Schneider said Mr. Inhofe is showing “McCarthyesque” behavior in the mold of the Cold War-era senator who was accused of stifling political debate through accusations of communism.

In a phone interview, Mr. Schneider, who is one of the key players Mr. Inhofe cites, said he disagrees with trying to engage in an ad battle. He said the scientists will never be able to compete with energy companies.

“They’re not going to win short-term battles playing the game against big-monied interests because they can’t beat them,” he said.

He said the “social contract” between scientists and policymakers is broken and must be reforged, and he urged colleagues to try to recruit members of Congress to take up their case. He also said the press and nongovernmental organizations must be prodded.

“What I am trying to do is head off something that will be truly ugly,” he said. “I don’t want to see a repeat of McCarthyesque behavior and I’m already personally very dismayed by the horrible state of this topic, in which the political debate has almost no resemblance to the scientific debate.”

Not all climate scientists agree with forcing a political fight.

“Sounds like this group wants to step up the warfare, continue to circle the wagons, continue to appeal to their own authority, etc.,” said Judith A. Curry, a climate scientist at the Georgia Institute of Technology. “Surprising, since these strategies haven’t worked well for them at all so far.”

She said scientists should downplay their catastrophic predictions, which she said are premature, and instead shore up and defend their research. She said scientists and institutions that have been pushing for policy changes “need to push the disconnect button for now,” because it will be difficult to take action until public confidence in the science is restored.

“Hinging all of these policies on global climate change with its substantial element of uncertainty is unnecessary and is bad politics, not to mention having created a toxic environment for climate research,” she said.

Ms. Curry also said that more engagement between scientists and the public would help – something that the NAS researchers also proposed.

Paul G. Falkowski, a professor at Rutgers University who started the effort, said in the e-mails that he is seeking a $1,000 donation from as many as 50 scientists to pay for an ad to run in the New York Times. He said in one e-mail that commitments were already arriving.

The e-mail discussion began late last week and continued into this week.

Mr. Falkowski didn’t respond to an e-mail seeking comment, and an effort to reach Mr. Ehrlich was unsuccessful.

But one of those scientists forwarded The Times’ request to the National Academy of Sciences, whose e-mail system the scientists used as their forum to plan their effort.

An NAS spokesman sought to make clear that the organization itself is not involved in the effort.

“These scientists are elected members of the National Academy of Sciences, but the discussants themselves realized their efforts would require private support since the National Academy of Sciences never considered placing such an ad or creating a nonprofit group concerning these issues,” said William Kearney, chief spokesman for NAS.

The e-mails emerged months after another set of e-mails from a leading British climate research group seemed to show scientists shading data to try to bolster their claims, and are likely to feed the impression among skeptics that researchers are pursuing political goals as much as they are disseminating science.

George Woodwell, founder of the Woods Hole Research Center, said in one e-mail that researchers have been ceding too much ground. He blasted Pennsylvania State University for pursuing an academic investigation against professor Michael E. Mann, who wrote many of the e-mails leaked from the British climate research facility.

An initial investigation cleared Mr. Mann of falsifying data but referred one charge, that he “deviated from accepted practices within the academic community,” to a committee for a more complete review.

In his e-mail, Mr. Woodwell acknowledged that he is advocating taking “an outlandishly aggressively partisan approach” but said scientists have had their “classical reasonableness” turned against them.

“We are dealing with an opposition that is not going to yield to facts or appeals from people who hold themselves in high regard and think their assertions and data are obvious truths,” he wrote.

>Oficina de divulgação científica na UFRJ

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A oficina tem como objetivo incentivar a prática da divulgação científica a partir de discussão sobre o impacto da atividade com experientes divulgadores de ciência.

Sextas-feiras das 12h às 13h no auditório do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ (Ilha do Fundão, ICB, CCS, bloco F). Entrada franca. Organização: Stevens Rehen.

PROGRAMAÇÃO

12/03 – Roberto Lent (ICB-UFRJ): A divulgação científica no Brasil (1980-2010): do Paleolítico ao Neolítico.

26/03 – Claudia Jurberg (Programa de Oncobiologia IBqM-UFRJ): Nos bastidores da notícia, a divulgação científica sob ótica da assessoria de imprensa.

16/04 – Milton Moraes (Fiocruz): Ciência, história em quadrinhos e o jogo do genoma.

30/04 – Suzana Herculano Houzel (ICB-UFRJ): A Neurocientista de plantão.

07/05 – Franklin David Rumjanek (IBqM-UFRJ): Por que divulgar Ciência?

14/05 – Reinaldo Lopes (Folha de São Paulo): Como a ciência vira notícia.

28/05 – Mauro Rebelo (IBCCF-UFRJ): Bioletim e Blogs de ciência.

25/06 – Alysson Muotri (UCSD e colunista do G1): Histórias e estórias da divulgação científica.

>Scientists Taking Steps to Defend Work on Climate (N. Y. Times)

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By JOHN M. BRODER
New York Times, March 2, 2010

WASHINGTON — For months, climate scientists have taken a vicious beating in the media and on the Internet, accused of hiding data, covering up errors and suppressing alternate views. Their response until now has been largely to assert the legitimacy of the vast body of climate science and to mock their critics as cranks and know-nothings.

Photo: Brendan Smialowski for The New York Times.
Ralph J. Cicerone of the National Academy of Sciences says scientists must try to be heard.

But the volume of criticism and the depth of doubt have only grown, and many scientists now realize they are facing a crisis of public confidence and have to fight back. Tentatively and grudgingly, they are beginning to engage their critics, admit mistakes, open up their data and reshape the way they conduct their work.

The unauthorized release last fall of hundreds of e-mail messages from a major climate research center in England, and more recent revelations of a handful of errors in a supposedly authoritative United Nations report on climate change, have created what a number of top scientists say is a major breach of faith in their research. They say the uproar threatens to undermine decades of work and has badly damaged public trust in the scientific enterprise.

The e-mail episode, dubbed “climategate” by critics, revealed arrogance and what one top climate researcher called “tribalism” among some scientists. The correspondence appears to show efforts to limit publication of contrary opinion and to evade Freedom of Information Act requests. The content of the messages opened some well-known scientists to charges of concealing temperature data from rival researchers and manipulating results to conform to precooked conclusions.

“I have obviously written some very awful e-mails,” Phil Jones, the British climate scientist at the center of the controversy, confessed to a special committee of Parliament on Monday. But he sharply disputed charges that he had hidden data or faked results.

Some of the most serious allegations against Dr. Jones, director of the climate research unit at the University of East Anglia, and other researchers have been debunked, while several investigations are still under way to determine whether others hold up.

But serious damage has already been done. A survey conducted in late December by Yale University and George Mason University found that the number of Americans who believed that climate change was a hoax or scientific conspiracy had more than doubled since 2008, to 16 percent of the population from 7 percent. An additional 13 percent of Americans said they thought that even if the planet was warming, it was a result solely of natural factors and was not a significant concern.

Climate scientists have been shaken by the criticism and are beginning to look for ways to recover their reputation. They are learning a little humility and trying to make sure they avoid crossing a line into policy advocacy.

“It’s clear that the climate science community was just not prepared for the scale and ferocity of the attacks and they simply have not responded swiftly and appropriately,” said Peter C. Frumhoff, an ecologist and chief scientist at the Union of Concerned Scientists. “We need to acknowledge the errors and help turn attention from what’s happening in the blogosphere to what’s happening in the atmosphere.”

A number of institutions are beginning efforts to improve the quality of their science and to make their work more transparent. The official British climate agency is undertaking a complete review of its temperature data and will make its records and analysis fully public for the first time, allowing outside scrutiny of methods and conclusions. The United Nations panel on climate change will accept external oversight of its research practices, also for the first time.

Two universities are investigating the work of top climate scientists to determine whether they have violated academic standards and undermined faith in science. The National Academy of Sciences is preparing to publish a nontechnical paper outlining what is known — and not known — about changes to the global climate. And a vigorous debate is under way among climate scientists on how to make their work more transparent and regain public confidence.

Some critics think these are merely cosmetic efforts that do not address the real problem, however.

“I’ll let you in on a very dark, ugly secret — I don’t want trust in climate science to be restored,” Willis Eschenbach, an engineer and climate contrarian who posts frequently on climate skeptic blogs, wrote in response to one climate scientist’s proposal to share more research. “I don’t want you learning better ways to propagandize for shoddy science. I don’t want you to figure out how to inspire trust by camouflaging your unethical practices in new and innovative ways.”

“The solution,” he concluded, “is for you to stop trying to pass off garbage as science.”

Ralph J. Cicerone, president of the National Academy of Sciences, the most prestigious scientific body in the United States, said that there was a danger that the distrust of climate science could mushroom into doubts about scientific inquiry more broadly. He said that scientists must do a better job of policing themselves and trying to be heard over the loudest voices on cable news, talk radio and the Internet.

“This is a pursuit that scientists have not had much experience in,” said Dr. Cicerone, a specialist in atmospheric chemistry.

The battle is asymmetric, in the sense that scientists feel compelled to support their findings with careful observation and replicable analysis, while their critics are free to make sweeping statements condemning their work as fraudulent.

“We have to do a better job of explaining that there is always more to learn, always uncertainties to be addressed,” said John P. Holdren, an environmental scientist and the White House science adviser. “But we also need to remind people that the occasions where a large consensus is overturned by a scientific heretic are very, very rare.”

No scientific body is under more hostile scrutiny than the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change, which compiles the climate research of hundreds of scientists around the globe into periodic reports intended to be the definitive statement of the science and a guide for policy makers. Critics, citing several relatively minor errors in its most recent report and charges of conflict of interest against its leader, Rajendra K. Pachauri, are calling for the I.P.C.C. to be disbanded or radically reformed.

On Saturday, after weeks of refusing to engage critics, the I.P.C.C. announced that it was asking for the creation of an independent panel to review its research procedures to try to eliminate bias and errors from future reports. But even while allowing for some external oversight, Dr. Pachauri insisted that panel stood behind its previous work.

“Scientists must continually earn the public’s trust or we risk descending into a new Dark Age where ideology trumps reason,” Dr. Pachauri said in an e-mail message.

But some scientists said that responding to climate change skeptics was a fool’s errand.

“Climate scientists are paid to do climate science,” said Gavin A. Schmidt, a senior climatologist with the National Aeronautics and Space Administration’s Goddard Institute of Space Studies. “Their job is not persuading the public.”

He said that the recent flurry of hostility to climate science had been driven as much by the cold winter as by any real or perceived scientific sins.

“There have always been people accusing us of being fraudulent criminals, of the I.P.C.C. being corrupt,” Dr. Schmidt said. “What is new is this paranoia combined with a spell of cold weather in the United States and the ‘climategate’ release. It’s a perfect storm that has allowed the nutters to control the agenda.”

The answer is simple, he said.

“Good science,” he said, “is the best revenge.”

>Darwin Foes Add Warming to Targets (N. Y. Times)

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By LESLIE KAUFMAN
New York Times, March 3, 2010

Critics of the teaching of evolution in the nation’s classrooms are gaining ground in some states by linking the issue to global warming, arguing that dissenting views on both scientific subjects should be taught in public schools.

Photo: Bud Craft/Legislative Research Commission, via Associated Press. “Our kids are being presented theories as though they are facts,” said State Representative Tim Moore of Kentucky.

In Kentucky, a bill recently introduced in the Legislature would encourage teachers to discuss “the advantages and disadvantages of scientific theories,” including “evolution, the origins of life, global warming and human cloning.”

The bill, which has yet to be voted on, is patterned on even more aggressive efforts in other states to fuse such issues. In Louisiana, a law passed in 2008 says the state board of education may assist teachers in promoting “critical thinking” on all of those subjects.

Last year, the Texas Board of Education adopted language requiring that teachers present all sides of the evidence on evolution and global warming.

Oklahoma introduced a bill with similar goals in 2009, although it was not enacted.

The linkage of evolution and global warming is partly a legal strategy: courts have found that singling out evolution for criticism in public schools is a violation of the separation of church and state. By insisting that global warming also be debated, deniers of evolution can argue that they are simply championing academic freedom in general.

Yet they are also capitalizing on rising public resistance in some quarters to accepting the science of global warming, particularly among political conservatives who oppose efforts to rein in emissions of greenhouse gases.

In South Dakota, a resolution calling for the “balanced teaching of global warming in public schools” passed the Legislature this week.

“Carbon dioxide is not a pollutant,” the resolution said, “but rather a highly beneficial ingredient for all plant life.”

The measure made no mention of evolution, but opponents of efforts to dilute the teaching of evolution noted that the language was similar to that of bills in other states that had included both. The vote split almost entirely along partisan lines in both houses, with Republican voting for it and Democrats voting against.

For mainstream scientists, there is no credible challenge to evolutionary theory. They oppose the teaching of alternative views like intelligent design, the proposition that life is so complex that it must be the design of an intelligent being. And there is wide agreement among scientists that global warming is occurring and that human activities are probably driving it. Yet many conservative evangelical Christians assert that both are examples of scientists’ overstepping their bounds.

John G. West, a senior fellow with the Discovery Institute in Seattle, a group that advocates intelligent design and has led the campaign for teaching critiques of evolution in the schools, said that the institute was not specifically promoting opposition to accepted science on climate change. Still, Mr. West said, he is sympathetic to that cause.

“There is a lot of similar dogmatism on this issue,” he said, “with scientists being persecuted for findings that are not in keeping with the orthodoxy. We think analyzing and evaluating scientific evidence is a good thing, whether that is about global warming or evolution.”

Lawrence M. Krauss, a physicist who directs the Origins Initiative at Arizona State University and has spoken against efforts to water down the teaching of evolution to school boards in Texas and Ohio, described the move toward climate-change skepticism as a predictable offshoot of creationism.

“Wherever there is a battle over evolution now,” he said, “there is a secondary battle to diminish other hot-button issues like Big Bang and, increasingly, climate change. It is all about casting doubt on the veracity of science — to say it is just one view of the world, just another story, no better or more valid than fundamentalism.”

Not all evangelical Christians reject the notion of climate change, of course. There is a budding green evangelical movement in the country driven partly by a belief that because God created the earth, humans are obligated to care for it.

Yet there is little doubt that the skepticism about global warming resonates more strongly among conservatives, and Christian conservatives in particular. A survey published in October by the Pew Research Center for the People and the Press found that white evangelical Protestants were among those least likely to believe that there was “solid evidence” that the Earth was warming because of human activity.

Only 23 percent of those surveyed accepted that idea, compared with 36 percent of the American population as a whole.

The Rev. Jim Ball, senior director for climate programs at the Evangelical Environmental Network, a group with members who accept the science of global warming, said that many of the deniers feel that “it is hubris to think that human beings could disrupt something that God created.”

“This group already feels like scientists are attacking their faith and calling them idiots,” he said, “so they are likely to be skeptical” about global warming.

State Representative Tim Moore, a Republican who introduced the bill in the Kentucky Legislature, said he was motivated not by religion but by what he saw as a distortion of scientific knowledge.

“Our kids are being presented theories as though they are facts,” he said. “And with global warming especially, there has become a politically correct viewpoint among educational elites that is very different from sound science.”

The evolution curriculum has developed far more than instruction on climate change. It is almost universally required in biology classes, while the science of global warming, a newer topic, is taught more sporadically, depending on the interest of teachers and school planners.

But interest in making climate change a standard part of school curriculum is growing. Under President Obama, for example, the Climate Education Interagency Working Group, which represents more than a dozen federal agencies, is making a strong push toward “climate literacy” for teachers and students.

State Representative Don Kopp, a Republican who was the main sponsor of the South Dakota resolution, said he acted in part because “An Inconvenient Truth,” a documentary film on global warming starring Al Gore, was being shown in some public schools without a counterweight.

The legal incentive to pair global warming with evolution in curriculum battles stems in part from a 2005 ruling by a United States District Court judge in Atlanta that the Cobb County Board of Education, which had placed stickers on certain textbooks encouraging students to view evolution as only a theory, had violated First Amendment strictures on the separation of church and state.

Although the sticker was not overtly religious, the judge said, its use was unconstitutional because evolution alone was the target, which indicated that it was a religious issue.

After that, said Joshua Rosenau, a project director for the National Center for Science Education, he began noticing that attacks on climate change science were being packaged with criticism of evolution in curriculum initiatives.

He fears that even a few state-level victories could have an effect on what gets taught across the nation.

James D. Marston, director of the Texas regional office of the Environmental Defense Fund, said he worried that, given Texas’ size and centralized approval process, its decision on textbooks could have an outsize influence on how publishers prepare science content for the national market.

“If a textbook does not give enough deference to critics of climate change — or does not say that there is real scientific debate, when in fact there is little to none — they will have a basis for turning it down,” Mr. Marston said of the Texas board. “And that is scary for what our children will learn everywhere.”

>Climate scepticism ‘on the rise’, BBC poll shows

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The number of British people who are sceptical about climate change is rising, a poll for BBC News suggests.

BBC News, Sunday, 7 February 2010

The Populus poll of 1,001 adults found 25% did not think global warming was happening, an increase of 10% since a similar poll was conducted in November.

The percentage of respondents who said climate change was a reality had fallen from 83% in November to 75% this month.

And only 26% of those asked believed climate change was happening and “now established as largely man-made”.

The findings are based on interviews carried out on 3-4 February.

In November 2009, a similar poll by Populus – commissioned by the Times newspaper – showed that 41% agreed that climate change was happening and it was largely the result of human activities.

“It is very unusual indeed to see such a dramatic shift in opinion in such a short period,” Populus managing director Michael Simmonds told BBC News.

“The British public are sceptical about man’s contribution to climate change – and becoming more so,” he added.

“More people are now doubters than firm believers.”

The Department for Environment, Food and Rural Affairs’ (Defra) chief scientific adviser, Professor Bob Watson, called the findings “very disappointing”.

“The fact that there has been a very significant drop in the number of people that believe that we humans are changing the Earth’s climate is serious,” he told BBC News.

“Action is urgently needed,” Professor Watson warned.

“We need the public to understand that climate change is serious so they will change their habits and help us move towards a low carbon economy.”

‘Exaggerated risks’

Of the 75% of respondents who agreed that climate change was happening, one-in-three people felt that the potential consequences of living in a warming world had been exaggerated, up from one-in-five people in November.

The number of people who felt the risks of climate change had been understated dropped from 38% in November to 25% in the latest poll.

During the intervening period between the two polls, there was a series of high profile climate-related stories, some of which made grim reading for climate scientists and policymakers.

In November, the contents of emails stolen from a leading climate science unit led to accusations that a number of researchers had manipulated data.

And in January, the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) admitted that it had made a mistake in asserting that Himalayan glaciers could disappear by 2035.

All of this happened against the backdrop of many parts of the northern hemisphere being gripped by a prolonged period of sub-zero temperatures.

However, 73% of the people who said that they were aware of the “science flaws” stories stated that the media coverage had not changed their views about the risks of climate change.

“People tend to make judgements over time based on a whole range of different sources,” Mr Simmonds explained.

He added that it was very unusual for single events to have a dramatic impact on public opinion.

“Normally, people make their minds up over a longer period and are influenced by all the voices they hear, what they read and what people they know are talking about.”

>Climate change scientists losing ‘PR war’ (BBC)

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A Nobel peace prize-winning Welsh physicist says climate change scientists are losing “a PR war” against sceptics with vested interests.

BBC News, Thursday, 11 February 2010

Sir John Houghton said there were millions of internet references to a comment he never made which appears to to show him “hyping up” global warming.

A poll for BBC news suggests the number of British people who are sceptical about climate change is rising.

Sir John believes recent news stories may have contributed to scepticism.

He told BBC Wales’ Dragon’s Eye programme: “If you Google my name on the web and look for a quote, the quote you will find is one that goes like this.

“It says ‘unless we announce disasters, no-one will listen’.

“I have never said that. The origin of the quote according to some of the people who write about it… [they] say it comes from the first edition of my global warming book, published in 1994.

“It does not appear in that book in any shape or form.”

Sir John, who co-chaired the UN Intergovernmental Panel on Climate Change’s (IPCC) scientific assessment group for 14 years, received the Nobel peace prize in 2007 as part of an IPCC delegation.

He said most scientists were not very good at public relations and just wanted to get on with their work.

Asked if he believed climate change scientists were now in a “PR war” with sceptics, he said: “We are in a way and we’re losing that war because we’re not good at PR.

“Your average scientist is not a good PR person because he wants to get on with his science.

Stolen e-mails

“So we need to look, I suppose, for some good PR people to help us get our messages across in an honest and open and sensible way, without causing the sort of furore, the sort of polarisation that has occurred because of the people who are trying to deny it, and trying to deny it so vehemently that the media is taking so much notice of them.”

The number of British people who are sceptical about climate change is rising, according to a new poll.

The Populus poll of 1,001 adults found 25% did not think global warming was happening, an increase of 10% since a similar poll in November.

Stolen e-mails from the University of East Anglia led to accusations, since denied, that climate change data was being manipulated.

Last month, the IPCC had to admit it had been mistaken in claiming Himalayan glaciers could disappear by 2035.

Sir John said some reporting of these stories had given mistakes undue significance and deliberately misrepresented other information.

‘Vested interests’

He believes some sceptics are influenced by concerns other than scientific truth, comparing them to now discredited lobbyists who argued smoking did not cause cancer.

He said: “A lot of it comes from the United States, from vested interests, coal and oil interests in the United States which are very strong and which employ thousands of lobbyists in Washington to try and influence members of Congress that climate change is not happening.

“So it’s a major problem in the United States and it does spill over to this country too.”

>An unconventional way to combat petty corruption (The Economist)

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Fighting corruption in India
A zero contribution
An unconventional way to combat petty corruption

Jan 28th 2010 | From The Economist print edition
5th Pillar

A ZERO-SUM game is one in which the gains of one player are exactly balanced by the losses of another. In India a local non-governmental organisation has invented a new sort of zero sum which, it hopes, will leave everyone better off: the zero-rupee note.

What on earth is the point of that? The note is not legal tender. It is simply a piece of paper the colour of a 50-rupee note with a picture of Gandhi on it and a value of nothing. Its aim is to shame corrupt officials into not demanding bribes.

The idea was dreamt up by an expatriate Indian physics professor from the University of Maryland who, travelling back home, found himself harassed by endless extortion demands. He gave the notes to the importuning officials as a polite way of saying no. Vijay Anand, president of an NGO called 5th Pillar, thought it might work on a larger scale. He had 25,000 zero-rupee notes printed and publicised to mobilise opposition to corruption. They caught on: his charity has distributed 1m since 2007.

One official in Tamil Nadu was so stunned to receive the note that he handed back all the bribes he had solicited for providing electricity to a village. Another stood up, offered tea to the old lady from whom he was trying to extort money and approved a loan so her granddaughter could go to college.

Mr Anand thinks the notes work because corrupt officials so rarely encounter resistance that they get scared when they do. And ordinary people are more willing to protest, since the notes have an organisation behind them and they do not feel on their own. Simple ideas like this don’t always work. When India’s government put online the names of officials facing trial for corruption, the list became a convenient guide for whom to bribe. But, says Fumiko Nagano of the World Bank, transforming social norms is the key to fighting petty corruption and the notes help that process. They are valueless, but not worthless.

>96% de tudo o que há é invisível!

>Pesquisa FAPESP – Edição 168 – Fevereiro 2010

Universo invisível

Astrônomos e físicos do mundo todo tentam desvendar do que são feitos 96% do Cosmo
Ricardo Zorzetto

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) divulgou no final de janeiro uma imagem mostrando a concentração de galáxias a diferentes distâncias em uma pequena região do Universo. Cada ponto colorido da imagem (veja acima) corresponde a um agrupamento com centenas a milhares de galáxias – cada uma delas formada por centenas de bilhões de estrelas e uma quantidade elevada de gás muito quente. São o que os astrônomos chamam de aglomerados de galáxias, as estruturas em equilíbrio de maior dimensão e massa já identificadas no Cosmo. Calculando o número de corpos celestes que podem existir ali, fica difícil imaginar que eles contribuam para compor apenas 4,6% de tudo o que existe no Universo. O restante, na verdade quase tudo, não pode ser visto. Os outros 95,6% são formados, de acordo com a vasta maioria dos físicos e dos astrônomos, por dois tipos de elementos descobertos apenas nos últimos 80 anos: a matéria escura e a energia escura, sobre as quais quase nada se sabe além do fato de que precisam existir para que o Universo seja como se imagina que é. Alvo de uma série de experimentos internacionais que contam com a participação de brasileiros, alguns já em andamento e outros previstos para iniciar nos próximos anos, essa forma de matéria e de energia não absorve nem emite luz e, portanto, é invisível ao olho humano.

Nenhum equipamento em atividade até o momento foi capaz de detectá-las diretamente. Mas os físicos preveem a existência das duas em seus modelos de evolução do Cosmo, e os astrônomos inferem a presença delas a partir de assinaturas que deixam na estrutura do Universo, identificáveis em imagens como essa produzida pela ESA, resultado do Levantamento sobre a Evolução Cosmológica (Cosmos) – esse projeto usa os maiores telescópios em terra e no espaço para vasculhar uma região do céu do tamanho de oito luas cheias.

Foi apenas no último século que a compreensão do Universo se complicou tanto. Na década de 1920 o astrônomo norte-americano Edwin Hubble percebeu que o Cosmo era formado por grandes agrupamentos de estrelas – as galáxias – e que elas estavam se afastando umas das outras. A constatação de que o Universo estava se expandindo levou físicos e astrônomos a reverem suas ideias, pois até então acreditava-se que ele fosse estático e finito.

Estudando as galáxias, o astrônomo búlgaro Fritz Zwicky, considerado por muitos um mal-humorado, notou em 1933 que elas precisariam de 10 vezes mais massa do que tinham para se unirem em aglomerados apenas pela atração gravitacional, a força proposta por Isaac Newton para explicar a atração de corpos de massa elevada a distâncias muito grandes, como os planetas e as estrelas. A massa que não se conseguiu enxergar foi chamada de matéria escura. A energia escura só seria proposta cerca de 70 anos mais tarde, quando os grupos de Adam Riess e Saul Perlmutter, que investigavam supernovas, estrelas que explodiram passando a emitir um brilho milhões de vezes mais intenso, estavam se afastando de nós cada vez mais rapidamente. O Universo não se encontrava apenas em expansão, mas em expansão acelerada. Algo desconhecido, uma espécie de força contrária à da gravidade – mais tarde chamada de energia escura –, fazia o Cosmo crescer a velocidades cada vez maiores como um lençol de borracha puxado pelas pontas.

Poucos cientistas duvidam hoje da existência da matéria escura e da energia escura, também conhecidas como a componente escura do Universo. O principal desafio – muitos pesquisadores a consideram uma das questões mais importantes a serem resolvidas – é determinar a natureza de ambas, ou seja, o que de fato as compõem.

Sobre esse ponto, físicos e astrônomos nada sabem com segurança. Quando muito, têm bons palpites. E, como os demais habitantes do planeta, devem continuar às escuras até que uma avalanche de dados sobre mais agrupamentos de galáxias e outras estruturas do Universo mais antigas do que as observadas hoje comece a alimentar seus computadores.

“Nunca nossa ignorância foi quantificada com tamanha precisão”, comenta o astrônomo Laer-te Sodré Júnior, da Universidade de São Paulo (USP), referindo-se aos cálculos mais aceitos hoje da quantidade de matéria escura e de energia escura existentes no Cosmo: 22,6% e 72,8%, respectivamente. Há quase 30 anos Sodré estuda os aglomerados de galáxias, que reúnem cerca de 10% das galáxias existentes e podem ser compreendidos como sendo as metrópoles cósmicas: assim como as metrópoles da Terra, são poucas, mas têm dimensões absurdas e são muito populosas.

Com base em informações sobre aglomerados de galáxias e outros astros muito antigos e distantes, os físicos teóricos Élcio Abdalla, Luis Raul Abramo e Sandro Micheletti, todos do Instituto de Física (IF) da USP, em parceria com o físico chinês Bin Wang, decidiram recentemente verificar se os dados dessas observações astronômicas confirmavam uma ideia apresentada anos antes por outro brasileiro, o físico Orfeu Bertolami, pesquisador do Instituto Superior Técnico de Lisboa, em Portugal. Quase uma década atrás, pouco depois de identificadas as primeiras evidências de que a energia escura existe, Bertolami propôs que, se a matéria escura e a energia escura interagissem, como havia sugerido o astrônomo italiano Luca Amendola, essa influência mútua deixaria sinais em estruturas muito grandes do Cosmo, a exemplo dos aglomerados de galáxias.

Partículas – Para quem não está habituado, pode parecer estranho imaginar que algo que não se sabe muito bem o que é afete de alguma forma outra coisa sobre a qual não se tem o menor conhecimento. Mas não é o que os físicos pensam. Seja qual for a natureza da matéria escura e da energia escura, espera-se que o comportamento de ambas na escala do infinitamente pequeno (o mundo das partículas atômicas) influencie o mundo do infinitamente grande. Por isso, conhecer a interação entre elas – e delas com a matéria visível – pode ajudar a compreender como e em quanto tempo o Universo se formou e se tornou o que é, possibilitando inclusive a existência de vida. “Se acreditarmos minimamente no modelo padrão da física de partículas, que explica a composição da matéria bariônica [a matéria comum, composta de prótons, nêutrons e elétrons, e formadora das estrelas, dos planetas e de tudo o mais que se conhece] e, como as partículas que a formam interagem entre si, não há motivo para duvidar que também possa existir interação entre a matéria escura e a energia escura”, afirma Abdalla.

Inicialmente Abdalla, Micheletti e Bin Wang, da Universidade Fudan, em Xangai, elaboraram um modelo rudimentar no qual descreveram a matéria escura e a energia escura com propriedades semelhantes às de líquidos e gases como a água e o ar – os físicos os chamam de fluidos, materias formados por camadas que se movimentam continuamente umas em relação às outras e, nesse deslocamento, podem se deformar reciprocamente. Na construção do modelo, uma série de equações matemáticas que tentam descrever o que aconteceu no passado e predizer o que ocorrerá no futuro levou em consideração informações obtidas durante anos por meio da observação de quasares, núcleos de galáxias muito brilhantes e antigos; supernovas, estrelas que explodiram e passaram a emitir uma luz milhões de vezes mais intensa que o normal; e da radiação cósmica de fundo em micro- -ondas, uma forma de energia eletromagnética produzida nos instantes iniciais após o Big Bang, a explosão inicial que gerou o Universo e o próprio tempo 13,7 bilhões de anos atrás.

Mesmo sem determinar o modo como a matéria escura e a energia escura interagiam – apenas supuseram que a interação ocorreria –, eles verificaram que, ao resolver essas equações mais as formuladas por Einstein na teoria da relatividade geral, obtinham um Universo semelhante ao que se conhece hoje: em expansão acelerada, com tudo o que existe nele se afastando cada vez mais rapidamente, segundo artigo apresentado em junho de 2009 na Physical Review D. Na interação, de acordo com esse modelo, a energia escura liberaria radiação e se converteria em matéria escura – uma consequência da famosa equação E=m.c2, segundo a qual, em determinadas condições, matéria pode se transformar em energia e energia em matéria.

Interação – Mas não era o suficiente. Com o físico Luis Raul Abramo, Abdalla aprimorou o modelo e, dessa vez, procurou uma assinatura da interação entre energia escura e matéria escura nas informações obtidas de 33 aglomerados de galáxias, 25 deles estudados anos atrás em detalhes por Laerte Sodré e Eduardo Cypriano, pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Em colaboração com Sodré, Abdalla, Abramo e Wang usaram três métodos conhecidos para estimar a quantidade de matéria (massa) dos aglomerados de galáxias. Se não houvesse interação, os resultados teriam de ser iguais ou, no mínimo, muito próximos. Já se a matéria escura se transformasse em energia escura, ou vice-versa, um desses valores, sensível a essa conversão, diferiria dos demais. No trabalho publicado em 2009 na Physics Letters B, eles afirmam que há uma possibilidade real, ainda que pequena, de que a interação de fato ocorra, com a energia escura se convertendo em matéria escura.

Mesmo o próprio grupo vê esse resultado com cautela, porque há uma série de incertezas na medição das massas dos aglomerados de galáxias. Algumas dessas técnicas dependem de que esses agrupamentos estejam em equilíbrio e não interajam com outras galáxias ou aglomerados. Mas isso é pouco provável porque a massa dos aglomerados é muito elevada e atrai tudo o que está por perto. “A incerteza na medição da massa de cada aglomerado é grande”, comenta Abramo. “Esse modelo terá de ser testado por alguns anos. Analisamos 33 aglomerados de galáxias, mas, para ter segurança, teríamos de avaliar de centenas a milhares deles”, afirma Sodré, que atualmente negocia com astrônomos e físicos espanhóis a participação brasileira no projeto Javalambre Physics of the Accelerating Universe Survey (J-PAS), destinado a entender melhor as propriedades da energia escura e a evolução das galáxias medindo com mais precisão a que distância se encontram.

Infográfico: A expansão do Cosmo

Estruturas do Universo – Abdalla, que teve a iniciativa de verificar os sinais dessa interação alguns anos atrás, sabe que muitos discordam de sua proposta. “Uma vez um referee [revisor científico] mal-educado disse que esse trabalho era especulação ao quadrado”, lembra o físico da USP. “Mas, se estivermos certos e essa interação for bem definida, poderá ser verificada em experimentos de física de partículas.”

Há cerca de cinco anos os físicos teóricos brasileiros Gabriela Camargo Campos e Rogério Rosenfeld, ambos do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp), criaram um modelo de interação entre matéria escura e energia escura que também as tratava como fluidos. No trabalho – feito em parceria com Luca Amendola, do Observatório Astronômico de Roma, o autor da ideia de interação entre esses elementos –, a dupla brasileira levou em consideração tanto informações sobre supernovas como sobre a radiação cósmica de fundo. Feitas as contas, concluíram que essa conversão não deve ocorrer, de acordo com artigo de 2007 na Physical Review D.

Com as informações disponíveis hoje sobre as estruturas do Universo, porém, fica difícil saber quem tem razão. “Há poucos dados e eles são fragmentados”, comenta Cypriano, astrônomo do IAG-USP. “Necessitamos de dados homogêneos e em grande quantidade.” Por esse motivo, mais de uma dúzia de projetos internacionais de grande porte já passaram pelo menos do estágio de planejamento.

O estudo da estrutura e da evolução das galáxias leva boa parte dos físicos e astrônomos a darem por certo que a matéria escura de fato existe – e que sua composição será descoberta em breve, talvez em até uma década. “Se for composta por partículas frias de massa muito elevada, vários modelos de física de partículas preveem que poderá ser produzida no Large Hadron Collider [LHC]”, afirma Abramo. Instalado na fronteira da Suíça com a França, o LHC começou a funcionar em fase experimental no final de 2009 e deve lançar, umas contra as outras, partículas atômicas viajando a velocidades próximas à da luz, desfazendo-as nos seus menores componentes. Já a resposta para a natureza da energia escura deve levar bem mais tempo, pois depende de levantamentos extensos das galáxias e estrelas encontradas em diferentes regiões do céu.

Um desses levantamentos, previsto para começar no segundo semestre de 2011, é o Dark Energy Surgey (DES), do qual devem participar cerca de 30 brasileiros (entre pesquisadores, estudantes e técnicos) de instituições no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Esse projeto pretende usar uma supercâmera digital – com capacidade de produzir imagens de altíssima resolução (500 megapixels), 40 vezes maior do que as das câmeras comuns – acoplada ao telescópio Blanco do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, para coletar ao longo de quatro anos informações de aproximadamente 400 milhões de galáxias. “Queremos estudar a distribuição de massa dos aglomerados de galáxias a diferentes distâncias”, conta Luiz Alberto Nicolaci da Costa, astrônomo do Observatório Nacional (ON), no Rio de Janeiro, coor-denador da participação brasileira no DES. Dependendo da massa total do Universo e da existência ou não de interação entre matéria escura e energia escura, pode haver um número maior ou menor desses aglomerados a determinadas distâncias.

Força repulsiva – Mesmo antes de o experimento começar, Nicolaci sabe que ele não trará uma resposta definitiva sobre a natureza da energia escura, a força repulsiva, uma espécie de antigravidade, que faz os objetos se afastarem a velocidades cada vez maiores no Universo. “No início desta década um grupo internacional de pesquisadores se reuniu e tentou delinear os experimentos mais adequados a serem realizados em quatro fases para tentar descobrir o que é a energia escura”, explica o astrônomo do Observatório Nacional. Os mais simples já terminaram e o DES é da fase três. “Com o DES, esperamos restringir os candidatos a energia escura”, conta Nicolaci.

Uma das mais cotadas é a chamada energia do vácuo, que, ao contrário do que se pensa, não é vazio. O vácuo é rico em partículas muito fugazes que surgem e desaparecem antes que possam ser detectadas e poderiam fornecer a força antigravitacional que faz os corpos celestes se afastarem. Para a física de partículas, a força do vácuo é o correspondente à constante cosmológica, termo que Albert Einstein acrescentou às equações da relatividade geral para que sua teoria representasse um Universo estático. “Mas essa seria uma solução feia, porque a densidade de energia do vácuo teria de ser 10120 [o número um seguido de 120 zeros] maior do que a observada pelos astrônomos”, comenta Élcio Abdalla.

Pode ser também que a energia escura seja uma espécie de fluido desconhecido, chamado pelos astrônomos de quintessência, em alusão aos quatro elementos que se acreditava que compunham o Universo (ar, água, fogo e terra). Ou ainda, que ela não exista, e os efeitos atribuídos a ela sejam consequên-cia de o Universo não ser homogêneo como se imagina e a Via Láctea se encontrar em uma região contendo muito pouca matéria. O astrofísico Filipe Abdalla, pesquisador da University College London e filho de Élcio Abdalla, trabalha em dois experimentos mais avançados, que integram a quarta fase da busca da energia escura e só devem começar a funcionar em alguns anos: o do satélite Euclid e o do te-les–cópio de mi-cro-ondas Square Kilometre Array, a ser construído na África do Sul ou na Austrália. “Se for alguma incorreção nas equações de Einstein, que explicam bem a atração gravitacional nas galáxias”, comentou Filipe durante uma visita a São Paulo em agosto de 2009, “esses experimentos nos permitirão saber”.

>Pesquisa revela crescimento de 50% das classes de renda mais elevada no Brasil

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11/02/2010 – 10h02
Pesquisa revela crescimento de 50% das classes de renda mais elevada no Brasil

Por Isabela Vieira, da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Nos últimos seis anos, as classes de renda mais elevada cresceram cerca de 50% no país. Segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), as classes A e B, com renda mensal acima de R$ 4.807, representam hoje 15,63% da população contra 10,66% em 2003.

Coordenado pelo economista Marcelo Neri, o estudo revela, por outro lado, diminuição das classes mais baixas. A classe E, com renda de até R$ 804, passou de 29,95% para 17,42% e a classe D, com renda até R$ 1.115, diminuiu de 16,41% para 13,37%.

A classe C, que concentra grande parte da população (53%) e tem renda entre R$ 1.115 e R$ 4.807, também voltou a crescer, passando de 42,99%, em 2003, para 53,38%, em dezembro passado.

A pesquisa A Pequena Grande Década: Crise Cenários e a Nova Classe Média incorpora as mudanças provocadas pela crise em financeira em 2009, que fez oscilar as composições de todas as classes. No entanto, mostra que, ao longo do ano, elas se recuperaram e retomaram o patamar de 2008.

Neri explicou que as perdas ocorreram em janeiro do ano passado, quando a crise chegou ao país. Nos três meses anteriores, no auge do problema, as classes mais prejudicadas foram a A e a B. No período 2008-2009, 14,38% desses indivíduos caíram da classe. “O Brasil teve resiliência [capacidade de recuperação] à crise. Não de avançar, mas de não retroceder”, disse Neri.

De acordo com o estudo, as periferias, alimentadas pelo mercado interno e menos dependentes das oscilações do mercado financeiro, ajudaram a tirar o Brasil da crise.

>Memória da imprensa

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Especiais

9/2/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Há décadas a historiografia contemporânea tem incorporado a imprensa como fonte fundamental para se compreender momentos históricos e a atuação de protagonistas. Mas a fragilidade e as limitações do papel impresso, especialmente seu acesso, representam dificuldades aos pesquisadores.

Com o objetivo de ampliar o acesso a jornais e revistas do século 19 e início do século 20 no Brasil, o Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de lançar o site Memória da Imprensa, uma seleção de periódicos digitalizados do acervo da instituição.

O serviço reúne por enquanto 14 títulos de jornais e revistas de época, que permitem acompanhar a trajetória da imprensa paulista e brasileira a partir da seleção de exemplares de 1854 a 1981.

De acordo com o Carlos de Almeida Prado Bacellar, coordenador do Arquivo Público, além de ampliar o acesso, outro objetivo importante do novo site é preservar os raros originais das publicações.

“Jornais e revistas antigos têm um suporte muito delicado. O papel amarela com facilidade e a consulta é muito complicada. O acesso direto aos originais ajuda a destruir ainda mais. Quanto mais conseguirmos passar para o formato digital, mais colaboraremos na preservação dos originais”, disse à Agência FAPESP .

Segundo ele, a partir de agora pesquisadores não terão acesso aos originais dos jornais e revistas que já estão em formato digital. “Só poderão consultar em casos muito específicos e que serão analisados. Essa é uma iniciativa importante para preservar o acervo”, disse.

Parte do acervo já digitalizado ajuda a reconstituir momentos importantes dos mais de 200 anos de história da imprensa no Brasil. Pesquisadores já podem acessar desde publicações que marcaram época, como a revista A Cigarra (1914-1975) e o jornal Última Hora (1951-1971), até títulos menos conhecidos, como o jornal sindical Notícias Gráficas (1945-1964) e o anarquista La Barricata (1912-1913).

Segundo Bacellar, a ideia é colocar à disposição do público um conjunto variado de fontes. “Buscamos alguns exemplos de periódicos famosos, mas que ilustrem tendências ou conceitos diferentes. Temos desde a grande imprensa até pequenos jornais e revistas com perfis mais variados, como sindicais, políticos ou culturais”, disse.

A digitalização dos jornais e revistas é uma iniciativa interna do Arquivo do Estado. “Algumas digitalizações em curso estão envolvidas diretamente em projetos de pesquisa relacionados, como, por exemplo, à imigração em São Paulo, e à resistência política durante a Ditadura Militar”, explicou.

Movimento

O Memória da Imprensa já soma mais de 1.670 páginas de jornais, mas, de acordo com seu coordenador, as páginas disponíveis ainda representam uma amostra ínfima, se comparadas com a totalidade disponível no Arquivo do Estado.

“Esperamos que esse material sirva para o uso do professor em sala de aula e dos próprios alunos. Caso o professor queira dar uma aula sobre o período da República Velha no Brasil pode, por exemplo, consultar alguns jornais anarquistas do período”, disse.

Um dos destaques é o periódico alternativo Movimento, que liderou a campanha pela anistia durante a ditadura militar. Lançado em 1975 e fechado em 1981, teve 3.093 artigos e 3.162 ilustrações censurados pela ditadura.

Segundo Bacellar, a alimentação do site será feita ao longo do ano de forma aleatória, com relação aos títulos. “Mas, às vezes, coincide com solicitação externa. Uma entidade pede, por exemplo a digitalização de um determinado jornal. De qualquer forma, pretendemos chegar, até o fim do ano, com mais de 2 milhões de páginas digitalizadas”, disse.

O Arquivo Público do Estado de São Paulo é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Sua hemeroteca tem cerca de 1,2 mil títulos e 32 mil exemplares de revistas e mais de 200 títulos de jornais.

Já estão disponíveis no site as revistas O Malho (1902-1954), Panóplia (1901-1935), Anauê! (1935), Vida Moderna (1907-1925) e Escrita (1975-1988), além dos jornais Lanterna (1901-1935), Acção (1936), Germinal (1902-1913) e Correio Paulistano (1854-1963), este último o primeiro diário da província de São Paulo.

Para acessar a página e mais informações: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/memoria

>Império por escrito

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Especiais

10/2/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Qual é o papel da comunicação escrita nos séculos seguintes à invenção da imprensa (ocorrida por volta de 1440)? Essa é a principal questão abordada por O Império por escrito – Formas de transmissão da cultura letrada no mundo ibérico (séculos 16 a 19), organizado pelas historiadoras Leila Mezan Algranti e Ana Paula Megiani, que acaba de ser lançado.

Das leituras da vida na corte às gazetas manuscritas revolucionárias do século 18, do cotidiano na colônia desde o Descobrimento aos registros da Biblioteca Real, o livro mostra como a comunicação escrita foi fundamental para a administração e a manutenção do Império português.

De acordo com Leila, professora de história na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a obra destaca o papel da escrita envolvendo os dois lados do Atlântico, não só nas relações entre Brasil e Portugal, mas também entre Portugal, Espanha e África.

“Nesse circuito de circulação de ideias, a escrita manuscrita teve um papel importante, apesar da presença crescente da imprensa, no período analisado, e dos impressos na cultura letrada. Isso se faz presente nas narrativas de viagens, cartas, nas correspondências régias, receitas e na poesia”, disse à Agência FAPESP.

Os ensaios são resultado do colóquio internacional “Escrita, Memória e Vida Material: formas de transmissão da cultura letrada no Império português”, realizado na Universidade de São Paulo (USP) em outubro de 2006, no âmbito do Projeto Temático “Dimensões do Império Português”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Laura de Mello e Souza, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP).

O Império por escrito, que também teve o apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, é o segundo livro publicado dentro do Temático. O primeiro foi O governo dos povos, que aborda as relações de poder no mundo ibérico, e serão publicados outros dois.

Dividido em quatro partes, o foco do novo livro é a escrita e não a leitura propriamente dita. “Apesar de alguns ensaios abordarem a discussão dos livros e bibliotecas, principalmente na segunda parte da obra, a atenção maior é com a produção e circulação de escritos, manuscritos e impressos”, disse Leila.

A primeira parte do livro, Cultura letrada: vida de corte, instituições e poder, tem como unidade a dinâmica das relações de poder em ambientes letrados.

Segundo Leila, há muitos momentos na administração oficial em que a comunicação se torna extremamente importante. “Em termos de Portugal e Brasil, é evidente que sem a comunicação por escrito seria praticamente inviável administrar o Império. O livro mostra, em vários contextos, a importância da escrita na manutenção do Império”, disse.

“Além dos impressos, registros manuscritos de todo tipo (cartas, regulamentos, crônicas, gramáticas) desempenharam um papel fundamental na transmissão de ideias, valores, normas, costumes e saberes entre as metrópoles e suas colônias, bem como entre as diferentes possessões ultramarinas que integravam tais impérios coloniais”, destacam as organizadoras.

De acordo com a historiadora, ao se expandir, o Império português sentiu a necessidade de trocar informações com mais rapidez. “As ordens que até então eram feitas oralmente começaram a ser feitas por escrito. As normas regulavam não só a administração, mas também outras esferas, no âmbito político e jurídico, envolvendo queixas ou denúncias, por exemplo”, explicou.

É a partir desse momento, segundo Leila, que surgiram os arquivos, como o da Torre do Tombo, em Portugal. “Todo navio que chegava ao Brasil de Portugal, e vice-versa, trazia documentos. A manutenção do Império se deu a partir da troca de informações, grande parte com deliberações para os encarregados locais”, disse.

A segunda parte do livro, Suportes, circulação e colecionismo, reúne trabalhos que abordam conjuntos de escritos, impressos ou manuscritos, além de gravuras e mapas que circularam e foram objetos de coleções.

Um dos artigos, de Maria Aparecida de Menezes Borrego, pesquisadora na USP e no Temático, analisa a presença de livros impressos e manuscritos entre os bens materiais arrolados nos inventários de mercadores paulistas, no decorrer do século 18.

A partir da análise de inventários contidos no Arquivo do Estado de São Paulo, a autora conclui que a propriedade dos livros disseminou-se no período.

“Ainda que os proprietários de livros representassem uma parcela insignificante da população livre, é pouco satisfatório acreditar que somente os comerciantes focalizados nesta pesquisa fossem proprietários de livros, o que nos leva a especular sobre a presença de mais impressos nas casas de outros habitantes da capital”, destacou.

Cultura e salvação

A terceira parte, Traduções culturais e transmissões de saberes, aborda a questão de contatos e intercâmbios entre povos de culturas distintas, a partir da análise de manuscritos e impressos que circularam entre América e África.

No artigo Bebida dos deuses, por exemplo, Leila analisa técnicas de fabricação e utilidades do chocolate no império português. “A bebida feita com cacau pelos índios da América Espanhola não era mais o mesmo chocolate tomado na corte europeia nos séculos 17 e 18, por exemplo. É um saber que foi transformado. E tudo isso passa pela escrita”, disse a historiadora, que pesquisa sobre a história da alimentação.

A quarta e última parte do livro, Usos da escrita e formas de contestação política, enfoca o estudo da circulação de informações e ideias consideradas sediciosas, heréticas ou libertinas no império luso-brasileiro, a partir de vários tipos de manuscritos e impressos.

No capítulo Do destino das almas dos índios, por exemplo, Evergton Sales Souza, professor adjunto na Universidade Federal da Bahia, comenta as mudanças no paradigma da teologia portuguesa entre o século 17 e o 18, a partir de visões antagônicas sobre a salvação dos gentios expostas nas textos do jesuíta Simão de Vasconcellos e do padre Antônio Pereira de Figueiredo.

“Os textos da quarta parte abordam, ainda, a questão da produção, divulgação e recepção de notícias, bem como de proposições políticas contra a administração portuguesa na América”, contam as organizadoras.

Título: O Império por escrito: Formas de transmissão da cultura letrada no mundo ibérico – séculos 16 a 19
Páginas: 608
Preço: R$ 78
Mais informações: http://www.alamedaeditorial.com.br

>Signs of Damage to Public Trust in Climate Findings (N. Y. Times/Dot Earth blog)

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By ANDREW C. REVKIN
February 5, 2010, 4:27 pm

CBS News has run a report summarizing fallout from the illegal distribution of climate scientists’ email messages and files and problems with the 2007 report from the Intergovernmental Panel on Climate Change. The conclusion is that missteps and mistakes are creating broader credibility problems for climate science.

Senator James M. Inhofe was quick to add the report to the YouTube channel of the minority on the Environment and Public Works committee:

Ralph J. Cicerone, the president of the National Academy of Sciences, has an editorial in this week’s edition of the journal Science (subscription only) noting the same issue. Over all, he wrote, “My reading of the vast scientific literature on climate change is that our understanding is undiminished by this incident; but it has raised concern about the standards of science and has damaged public trust in what scientists do.”

Dr. Cicerone, an atmospheric scientist, added that polls and input he has received from various sources indicate that “public opinion has moved toward the view that scientists often try to suppress alternative hypotheses and ideas and that scientists will withhold data and try to manipulate some aspects of peer review to prevent dissent. This view reflects the fragile nature of trust between science and society, demonstrating that the perceived misbehavior of even a few scientists can diminish the credibility of science as a whole.” (A BBC report on its latest survey on climate views supports Dr. Cicerone’s impression.)

What should scientists do? Dr. Cicerone acknowledged both the importance of improving transparency and the challenges in doing so:

“It is essential that the scientific community work urgently to make standards for analyzing, reporting, providing access to, and stewardship of research data operational, while also establishing when requests for data amount to harassment or are otherwise unreasonable. A major challenge is that acceptable and optimal standards will vary among scientific disciplines because of proprietary, privacy, national security and cost limitations. Failure to make research data and related information accessible not only impedes science, it also breeds conflicts.”

As recently as last week, senior members of the intergovernmental climate panel had told me that some colleagues did not see the need for changes in practices and were convinced that the recent flareup over errors in the 2007 report was a fleeting inconvenience. I wonder if they still feel that way.

UPDATE: Here’s some additional reading on the I.P.C.C’s travails and possible next steps for the climate panel:

IPCC Flooded by Criticism, by Quirin Schiermeier in Nature News.

Anatomy of I.P.C.C.’s Mistake on Himalayan Glaciers and Year 2035, by Bidisha Banerjee and George Collins in the Yale Forum on Climate Change and the Media.

* * *

After Emergence of Climate Files, an Uncertain Forecast

By ANDREW C. REVKIN
December 1, 2009, 10:56 am

Roger A. Pielke Jr. is a political scientist at the University of Colorado who has long focused on climate and disasters and the interface of climate science and policy. He has been among those seeking some clarity on temperature data compiled by the Climatic Research Unit of the University of East Anglia, which is now at the center of a storm over thousands of e-mail messages and documents either liberated or stolen from its servers (depending on who is describing the episode). [UPDATED 11:45 a.m. with a couple more useful voices “below the fold.”]

On Monday, I asked him, in essence, if the shape of the 20th-century temperature curve were to shift much as a result of some of the issues that have come up in the disclosed e-mail messages and files, would that erode confidence in the keystone climate question (the high confidence expressed by the Intergovernmental Panel on Climate Change in 2007 that most warming since 1950 is driven by human activities)?

This is Dr. Pielke’s answer. (I added boldface to the take-home points.):

Here is my take, in a logical ordering, from the perspective of an informed observer:

The circumstances:

1. There are many adjustments made to the raw data to account for biases and other factors.
2. Some part of the overall warming trend is as a result of these adjustments.
3. There are legitimately different ways to do the adjusting. Consider that in the e-mails, [Phil] Jones writes that he thinks [James] Hansen’s approach to urban effects is no good. There are also debates over how to handle ocean temperatures from buckets versus intake valves on ships and so on. And some of the procedures for adjusting are currently contested in the scientific literature.
4. Presumably once the data is readily available how these legitimate scientific choices are made about the adjusting would be open to scrutiny and debate.
5. People will then be much more able to cherry pick adjustment procedures to maximize or minimize the historical trends, but also to clearly see how others make decisions about adjustments.
6. Mostly this matters for pre-1979, as the R.S.S. and U.A.H. satellite records provide some degree of independent checking.

Now the implications:

A. If it turns out that the choices made by CRU, GISS, NOAA fall on the “maximize historical trends” end of the scale, that will not help their perceived credibility for obvious reasons. On the other hand, if their choices lead to the middle of the range or even low end, then this will enhance their credibility.
B. The surface temps matter because they are a key basis for estimates of climate sensitivity in the models used to make projections. So people will fight over small differences, even if everyone accepts a significant warming trend. (This is a key point for understanding why people will fight over small differences.)
C. When there are legitimate debates over procedures in science (i.e., competing certainties from different scientists), then this will help the rest of us to understand that there are irreducible uncertainties across climate science.
D. In the end, I would hypothesize that the result of the freeing of data and code will necessarily lead to a more robust understanding of scientific uncertainties, which may have the perverse effect of making the future less clear, i.e., because it will result in larger error bars around observed temperature trends which will carry through into the projections.
E. This would have the greatest implications for those who have staked a position on knowing the climate future with certainty — so on both sides, those arguing doom and those arguing, “Don’t worry be happy.”

So, in the end, Dr. Pielke appears to say, closer scrutiny of the surface-temperature data could undermine definitive statements of all kinds — that human-driven warming is an unfolding catastrophe or something concocted. More uncertainty wouldn’t produce a climate comfort zone, given that poorly understood phenomena can sometimes cause big problems. But it would surely make humanity’s energy and climate choices that much tougher.

[UPDATE, 11:45 a.m.] Andrew Freedman at the Capital Weather Gang blog has interviewed Gerald North, the climate scientist who headed the National Academies panel that examined the tree-ring data and “hockey stick” graphs. Some excerpts:

On whether the emails and files undermine Dr. North’s confidence in human-driven climate change:

This hypothesis (Anthropogenic GW) fits in the climate science paradigm that 1) Data can be collected and assembled in ways that are sensible. 2) These data can be used to test and or recalibrate climate simulation models. 3) These same models can be used to predict future and past climates. It is understood that this is a complicated goal to reach with any precision. The models are not yet perfect, but there is no reason to think the approach is wrong.

On Stephen McIntyre of Climateaudit.org:

I do think he has had an overall positive effect. He has made us re-examine the basis for our assertions. In my opinion this sorts itself out in the due course of the scientific process, but perhaps he has made a community of science not used to scrutiny take a second look from time to time. But I am not sure he has ever uncovered anything that has turned out to be significant.

Also, please note below that Michael Schlesinger at the University of Illinois sent in a response to sharp criticisms of his Dot Earth contribution from Roger Pielke, Sr., at the University of Colorado, Boulder. (Apologies for Colorado State affiliation earlier; he’s moved.)

>Internet e depressão

>
Divulgação Científica
Internet e depressão

3/2/2010

Agência FAPESP – Pessoas que passam muito tempo navegando pela internet têm maior risco de apresentar sintomas depressivos, de acordo com uma pesquisa feita no Reino Unido por cientistas da Universidade de Leeds.

O estudo, que será publicado na edição de 10 de fevereiro da revista Psychopathology, procurou analisar o fenômeno de usuários que têm desenvolvido o uso compulsivo da internet, substituindo a interação social no mundo real pelo virtual, em redes sociais, chats ou em outros serviços eletrônicos.

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo apontam que esse tipo de dependência pode ter impactos sérios na saúde mental. “A internet ocupa hoje parte importante na vida moderna, mas seus benefícios são acompanhados por um lado negro”, disse Catriona Morrison, um dos autores do estudo.

“Enquanto a maioria usa a rede mundial para se informar, pagar contas, fazer compras e trocar e-mails, há uma pequena parcela dos usuários que acha difícil controlar o tempo gasto on-line. Isso ao ponto em que tal hábito passa a interferir em suas atividades diárias”, apontou a cientista.

Os “viciados em internet” passam, proporcionalmente em relação à maioria dos usuários, mais tempo em comunidades virtuais e em sites pornográficos e de jogos. Os pesquisadores verificaram que esse grupo tem incidência maior de depressão de moderada a grave.

“Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão?”, questionou Catriona.

A pesquisa examinou 1.319 pessoas com idades entre 16 e 61 anos. Do total, 1,2% foi considerado como “viciado em internet”. Apesar de ser uma pequena parte do total, segundo os pesquisadores o número de internautas nessa categoria tem crescido.

Incidentes como a onda de suicídios entre adolescentes ocorrida na cidade de Bridgend, no País de Gales, em 2008, têm levado a questionamentos a respeito da influência das redes sociais em indivíduos vulneráveis à depressão.

No estudo, os pesquisadores observaram que o grupo dos “viciados em internet” era formado principalmente por usuários mais jovens, com média de idade de 21 anos.

“Está claro que para uma pequena parte dos usuários o uso excessivo da internet é um sinal de perigo para tendências depressivas. Precisamos considerar as diversas implicações dessa relação e estabelecer claramente os efeitos desse uso na saúde mental”, disse a pesquisadora.

O artigo The relationship between excessive internet use and depression: a questionnaire-based study of 1,319 young people and adults, de Catriona Morrison e outros, pode ser lido por assinantes da Psychopathology (2010;43:121-126 – DOI:10.1159/000277001) em http://www.karger.com/psp.

>AP: Bin Laden blasts US for climate change

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By SALAH NASRAWI
The Associated Press
Friday, January 29, 2010; 7:46 AM

CAIRO — Al-Qaida leader Osama bin Laden has called for the world to boycott American goods and the U.S. dollar, blaming the United States and other industrialized countries for global warming, according to a new audiotape released Friday.

In the tape, broadcast in part on Al-Jazeera television, bin Laden warned of the dangers of climate change and says that the way to stop it is to bring “the wheels of the American economy” to a halt.

He blamed Western industrialized nations for hunger, desertification and floods across the globe, and called for “drastic solutions” to global warming, and “not solutions that partially reduce the effect of climate change.”

Bin Laden has mentioned climate change and global warning in past messages, but the latest tape was his first dedicated to the topic. The speech, which included almost no religious rhetoric, could be an attempt by the terror leader to give his message an appeal beyond Islamic militants.

The al-Qaida leader also targeted the U.S. economy in the recording, calling for a boycott of American products and an end to the dollar’s domination as a world currency.

“We should stop dealings with the dollar and get rid of it as soon as possible,” he said. “I know that this has great consequences and grave ramifications, but it is the only means to liberate humanity from slavery and dependence on America.”

He argued that such steps would also hamper Washington’s war efforts in Afghanistan and Iraq.

The new message, whose authenticity could not immediately be confirmed, comes after a bin Laden tape released last week in which he endorsed a failed attempt to blow up an American airliner on Christmas Day.

>Rebecca Solnit: When the Media Is the Disaster – Covering Haiti

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When the Media Is the Disaster
Covering Haiti
By Rebecca Solnit

Soon after almost every disaster the crimes begin: ruthless, selfish, indifferent to human suffering, and generating far more suffering. The perpetrators go unpunished and live to commit further crimes against humanity. They care less for human life than for property. They act without regard for consequences.

I’m talking, of course, about those members of the mass media whose misrepresentation of what goes on in disaster often abets and justifies a second wave of disaster. I’m talking about the treatment of sufferers as criminals, both on the ground and in the news, and the endorsement of a shift of resources from rescue to property patrol. They still have blood on their hands from Hurricane Katrina, and they are staining themselves anew in Haiti.

Within days of the Haitian earthquake, for example, the Los Angeles Times ran a series of photographs with captions that kept deploying the word “looting.” One was of a man lying face down on the ground with this caption: “A Haitian police officer ties up a suspected looter who was carrying a bag of evaporated milk.” The man’s sweaty face looks up at the camera, beseeching, anguished.

Another photo was labeled: “Looting continued in Haiti on the third day after the earthquake, although there were more police in downtown Port-au-Prince.” It showed a somber crowd wandering amid shattered piles of concrete in a landscape where, visibly, there could be little worth taking anyway.

A third image was captioned: “A looter makes off with rolls of fabric from an earthquake-wrecked store.” Yet another: “The body of a police officer lies in a Port-au-Prince street. He was accidentally shot by fellow police who mistook him for a looter.”

People were then still trapped alive in the rubble. A translator for Australian TV dug out a toddler who’d survived 68 hours without food or water, orphaned but claimed by an uncle who had lost his pregnant wife. Others were hideously wounded and awaiting medical attention that wasn’t arriving. Hundreds of thousands, maybe millions, needed, and still need, water, food, shelter, and first aid. The media in disaster bifurcates. Some step out of their usual “objective” roles to respond with kindness and practical aid. Others bring out the arsenal of clichés and pernicious myths and begin to assault the survivors all over again.

The “looter” in the first photo might well have been taking that milk to starving children and babies, but for the news media that wasn’t the most urgent problem. The “looter” stooped under the weight of two big bolts of fabric might well have been bringing it to now homeless people trying to shelter from a fierce tropical sun under improvised tents.

The pictures do convey desperation, but they don’t convey crime. Except perhaps for that shooting of a fellow police officer — his colleagues were so focused on property that they were reckless when it came to human life, and a man died for no good reason in a landscape already saturated with death.

In recent days, there have been scattered accounts of confrontations involving weapons, and these may be a different matter. But the man with the powdered milk? Is he really a criminal? There may be more to know, but with what I’ve seen I’m not convinced.

What Would You Do?

Imagine, reader, that your city is shattered by a disaster. Your home no longer exists, and you spent what cash was in your pockets days ago. Your credit cards are meaningless because there is no longer any power to run credit-card charges. Actually, there are no longer any storekeepers, any banks, any commerce, or much of anything to buy. The economy has ceased to exist.

By day three, you’re pretty hungry and the water you grabbed on your way out of your house is gone. The thirst is far worse than the hunger. You can go for many days without food, but not water. And in the improvised encampment you settle in, there is an old man near you who seems on the edge of death. He no longer responds when you try to reassure him that this ordeal will surely end. Toddlers are now crying constantly, and their mothers infinitely stressed and distressed.

So you go out to see if any relief organization has finally arrived to distribute anything, only to realize that there are a million others like you stranded with nothing, and there isn’t likely to be anywhere near enough aid anytime soon. The guy with the corner store has already given away all his goods to the neighbors. That supply’s long gone by now. No wonder, when you see the chain pharmacy with the shattered windows or the supermarket, you don’t think twice before grabbing a box of PowerBars and a few gallons of water that might keep you alive and help you save a few lives as well.

The old man might not die, the babies might stop their squalling, and the mothers might lose that look on their faces. Other people are calmly wandering in and helping themselves, too. Maybe they’re people like you, and that gallon of milk the fellow near you has taken is going to spoil soon anyway. You haven’t shoplifted since you were 14, and you have plenty of money to your name. But it doesn’t mean anything now.

If you grab that stuff are you a criminal? Should you end up lying in the dirt on your stomach with a cop tying your hands behind your back? Should you end up labeled a looter in the international media? Should you be shot down in the street, since the overreaction in disaster, almost any disaster, often includes the imposition of the death penalty without benefit of trial for suspected minor property crimes?

Or are you a rescuer? Is the survival of disaster victims more important than the preservation of everyday property relations? Is that chain pharmacy more vulnerable, more a victim, more in need of help from the National Guard than you are, or those crying kids, or the thousands still trapped in buildings and soon to die?

It’s pretty obvious what my answers to these questions are, but it isn’t obvious to the mass media. And in disaster after disaster, at least since the San Francisco earthquake of 1906, those in power, those with guns and the force of law behind them, are too often more concerned for property than human life. In an emergency, people can, and do, die from those priorities. Or they get gunned down for minor thefts or imagined thefts. The media not only endorses such outcomes, but regularly, repeatedly, helps prepare the way for, and then eggs on, such a reaction.

If Words Could Kill

We need to banish the word “looting” from the English language. It incites madness and obscures realities.

“Loot,” the noun and the verb, is a word of Hindi origin meaning the spoils of war or other goods seized roughly. As historian Peter Linebaugh points out, “At one time loot was the soldier’s pay.” It entered the English language as a good deal of loot from India entered the English economy, both in soldiers’ pockets and as imperial seizures.

After years of interviewing survivors of disasters, and reading first-hand accounts and sociological studies from such disasters as the London Blitz and the Mexico City earthquake of 1985, I don’t believe in looting. Two things go on in disasters. The great majority of what happens you could call emergency requisitioning. Someone who could be you, someone in the kind of desperate circumstances I outlined above, takes necessary supplies to sustain human life in the absence of any alternative. Not only would I not call that looting, I wouldn’t even call that theft.

Necessity is a defense for breaking the law in the United States and other countries, though it’s usually applied more to, say, confiscating the car keys of a drunk driver than feeding hungry children. Taking things you don’t need is theft under any circumstances. It is, says the disaster sociologist Enrico Quarantelli, who has been studying the subject for more than half a century, vanishingly rare in most disasters.

Personal gain is the last thing most people are thinking about in the aftermath of a disaster. In that phase, the survivors are almost invariably more altruistic and less attached to their own property, less concerned with the long-term questions of acquisition, status, wealth, and security, than just about anyone not in such situations imagines possible. (The best accounts from Haiti of how people with next to nothing have patiently tried to share the little they have and support those in even worse shape than them only emphasize this disaster reality.) Crime often drops in the wake of a disaster.

The media are another matter. They tend to arrive obsessed with property (and the headlines that assaults on property can make). Media outlets often call everything looting and thereby incite hostility toward the sufferers as well as a hysterical overreaction on the part of the armed authorities. Or sometimes the journalists on the ground do a good job and the editors back in their safe offices cook up the crazy photo captions and the wrongheaded interpretations and emphases.

They also deploy the word panic wrongly. Panic among ordinary people in crisis is profoundly uncommon. The media will call a crowd of people running from certain death a panicking mob, even though running is the only sensible thing to do. In Haiti, they continue to report that food is being withheld from distribution for fear of “stampedes.” Do they think Haitians are cattle?

The belief that people in disaster (particularly poor and nonwhite people) are cattle or animals or just crazy and untrustworthy regularly justifies spending far too much energy and far too many resources on control — the American military calls it “security” — rather than relief. A British-accented voiceover on CNN calls people sprinting to where supplies are being dumped from a helicopter a “stampede” and adds that this delivery “risks sparking chaos.” The chaos already exists, and you can’t blame it on these people desperate for food and water. Or you can, and in doing so help convince your audience that they’re unworthy and untrustworthy.

Back to looting: of course you can consider Haiti’s dire poverty and failed institutions a long-term disaster that changes the rules of the game. There might be people who are not only interested in taking the things they need to survive in the next few days, but things they’ve never been entitled to own or things they may need next month. Technically that’s theft, but I’m not particularly surprised or distressed by it; the distressing thing is that even before the terrible quake they led lives of deprivation and desperation.

In ordinary times, minor theft is often considered a misdemeanor. No one is harmed. Unchecked, minor thefts could perhaps lead to an environment in which there were more thefts and so forth, and a good argument can be made that, in such a case, the tide needs to be stemmed. But it’s not particularly significant in a landscape of terrible suffering and mass death.

A number of radio hosts and other media personnel are still upset that people apparently took TVs after Hurricane Katrina hit New Orleans in August 2005. Since I started thinking about, and talking to people about, disaster aftermaths I’ve heard a lot about those damned TVs. Now, which matters more to you, televisions or human life? People were dying on rooftops and in overheated attics and freeway overpasses, they were stranded in all kinds of hideous circumstances on the Gulf Coast in 2005 when the mainstream media began to obsess about looting, and the mayor of New Orleans and the governor of Louisiana made the decision to focus on protecting property, not human life.

A gang of white men on the other side of the river from New Orleans got so worked up about property crimes that they decided to take the law into their own hands and began shooting. They seem to have considered all black men criminals and thieves and shot a number of them. Some apparently died; there were bodies bloating in the September sun far from the region of the floods; one good man trying to evacuate the ruined city barely survived; and the media looked away. It took me months of nagging to even get the story covered. This vigilante gang claimed to be protecting property, though its members never demonstrated that their property was threatened. They boasted of killing black men. And they shared values with the mainstream media and the Louisiana powers that be.

Somehow, when the Bush administration subcontracted emergency services — like providing evacuation buses in Hurricane Katrina — to cronies who profited even while providing incompetent, overpriced, and much delayed service at the moment of greatest urgency, we didn’t label that looting.

Or when a lot of wealthy Wall Street brokers decide to tinker with a basic human need like housing…. Well, you catch my drift.

Woody Guthrie once sang that “some will rob you with a six-gun, and some with a fountain pen.” The guys with the six guns (or machetes or sharpened sticks) make for better photographs, and the guys with the fountain pens not only don’t end up in jail, they end up in McMansions with four-car garages and, sometimes, in elected — or appointed — office.

Learning to See in Crises

Last Christmas a priest, Father Tim Jones of York, started a ruckus in Britain when he said in a sermon that shoplifting by the desperate from chain stores might be acceptable behavior. Naturally, there was an uproar. Jones told the Associated Press: “The point I’m making is that when we shut down every socially acceptable avenue for people in need, then the only avenue left is the socially unacceptable one.”

The response focused almost entirely on why shoplifting is wrong, but the claim was also repeatedly made that it doesn’t help. In fact, food helps the hungry, a fact so bald it’s bizarre to even have to state it. The means by which it arrives is a separate matter. The focus remained on shoplifting, rather than on why there might be people so desperate in England’s green and pleasant land that shoplifting might be their only option, and whether unnecessary human suffering is itself a crime of sorts.

Right now, the point is that people in Haiti need food, and for all the publicity, the international delivery system has, so far, been a visible dud. Under such circumstances, breaking into a U.N. food warehouse — food assumedly meant for the poor of Haiti in a catastrophic moment — might not be “violence,” or “looting,” or “law-breaking.” It might be logic. It might be the most effective way of meeting a desperate need.

Why were so many people in Haiti hungry before the earthquake? Why do we have a planet that produces enough food for all and a distribution system that ensures more than a billion of us don’t have a decent share of that bounty? Those are not questions whose answers should be long delayed.

Even more urgently, we need compassion for the sufferers in Haiti and media that tell the truth about them. I’d like to propose alternative captions for those Los Angeles Times photographs as models for all future disasters:

Let’s start with the picture of the policeman hogtying the figure whose face is so anguished: “Ignoring thousands still trapped in rubble, a policeman accosts a sufferer who took evaporated milk. No adequate food distribution exists for Haiti’s starving millions.”

And the guy with the bolt of fabric? “As with every disaster, ordinary people show extraordinary powers of improvisation, and fabrics such as these are being used to make sun shelters around Haiti.”

For the murdered policeman: “Institutional overzealousness about protecting property leads to a gratuitous murder, as often happens in crises. Meanwhile countless people remain trapped beneath crushed buildings.”

And the crowd in the rubble labeled looters? How about: “Resourceful survivors salvage the means of sustaining life from the ruins of their world.”

That one might not be totally accurate, but it’s likely to be more accurate than the existing label. And what is absolutely accurate, in Haiti right now, and on Earth always, is that human life matters more than property, that the survivors of a catastrophe deserve our compassion and our understanding of their plight, and that we live and die by words and ideas, and it matters desperately that we get them right.

Copyright 2010 Rebecca Solnit

>Profetas das chuvas preveem inverno rigoroso

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Os três profetas populares que mais acertam em previsões de chuvas, prenunciam forte quadra invernosa

Diário do Nordeste, Caderno Regional – 08/01/2010

Quixadá. Cientistas populares de todo o Estado se reúnem neste município do Sertão Central, amanhã, para divulgar seus prognósticos sobre a quadra invernosa deste ano. O XIV Encontro dos Profetas da Chuva ocorre neste sábado no antigo Clube dos Agrônomos, no entorno do Açude do Cedro. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa de Violas e Poesia Cultural Popular do Sertão Central, João Soares, são esperados, no mínimo, 30 profetas e dezenas de convidados. Ontem, alguns deles anteciparam, com exclusividade, para o Diário do Nordeste, as suas previsões.

Responsáveis pelo maior número de acertos na última década, Chico Leiteiro, Paulo Costa e Antônio Lima tem praticamente as mesmas previsões para o inverno deste ano. Deve chover muito. No levantamento efetuado pela reportagem, o trio tem percentual de acerto, avaliado o quadro geral no Ceará, superior a 80%. No segundo sábado de janeiro de 2009, Francisco Quintino dos Santos, o Chico Leito, previu diante do público inundações no Estado. Fato que se confirmou em muitos municípios cearense no Interior.

Leiteiro observa as “carregações” do tempo, as plantas, abelhas para fazer seu prognóstico. Diz que, quando os inchuís ou colmeias de marimbondos, também conhecidos como capuxus ou vespas do papel, estão novinhos, no início do ano, é sinal de bom inverno. Associando essas observações ao movimento de outros isentos, do vento, das nuvens e dos astros, tira suas conclusões para o período invernoso a seguir. Ele começou a se familiarizar com esses sinais aos 11 anos de idade e, desde então, foi aumentando sua sensibilidade para os sinais da natureza.

Cantoria dos pássaros

Tendo no cupim seu principal parceiro na hora de prever a próxima estação chuvosa, Antônio Tavares da Silva – o Lima vem dos avós – também encontra na cantoria do sabiá, da cuã e da mãe-de-lua, motivo para animação. Para ele, as árvores também falam ou carregam suas ramagens de esperança para o lavrador. Afirma, categórico: “Se os homens são atingidos por inundações é porque não respeitam a natureza. Os pássaros tem como se proteger, ganharam asas para voar”.

Um pouco mais alto observa Paulo Costa, o único com formação acadêmica no grupo de profetas populares e um dos participantes dos encontros da categoria desde a primeira edição, em 1997. Associando o movimento dos astros a numerologia, complementando seus estudos com um ritual místico herdado do avô, denominado por ele “Arca de Noé”, em matéria de diagnóstico invernoso só perde para Chico Leiteiro. São apenas 3% a menos de percentual de acerto entre um e outro.

Aposentado, poeta popular por amor a arte dos versos, o profeta Erasmo Barreira tem como certa a chegada de inverno observando a árvore do juazeiro carregada e na casa do João-de-barro. Curiosamente, a natureza deu a esse pássaro o dom de construir seu ninho em forma de forno com a porta virada para o poente quando vem chuva, no nascente. No ano passado, ele expôs um ninho de João-de-barro ao público. Dessa vez pretende levar um bagaço de formigueiro, outra prova de chuvarada por vir. Aprendeu tudo com o pai, José Pergentino Barreira, que hoje completa 102 anos. No início, o poeta levava as previsões do pai para o Encontro. Chegou a receber o título de “Profeta de Procuração”. Para ele a cerimônia que reúne os sábios populares é um dos momentos mais importantes já experimentados em sua vida.

Homenagens especiais

Na cerimônia de apresentação dos “mestres da chuva” um deles, João Ferreira de Lima, receberá uma homenagem especial, póstuma. Ele morreu no início do ano. Completaria 81 anos em abril próximo. Nas suas experiências o profeta popular, conhecido por sua seriedade, se baseava principalmente na barra de Natal. João Ferreira nasceu em Choró, quando o município ainda pertencia a Quixadá.

Além dele, o presidente da Assembleia Legislativa, Domingos Filho, o diretor regional do Sebrae, Alci Porto, o secretário de Cultura do Estado, Auto Filho, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixadá, Nascimento Marques, a presidenta da Fundação Cultural Rachel de Queiroz, Sandra Venâncio, o radialista Jonas Sousa e o cantor Raimundo Fagner serão homenageados.

Fagner não poderá comparecer ao Encontro. Ele faz show no Rio. A comenda será entregue a um representante. João Soares e Helder Cortez, idealizadores e organizadores do evento, explicam: Ele tem uma identificação peculiar com a simplicidade sertaneja, procura na natureza os sinais da esperança.

MAIS INFORMAÇÕES
XIV Encontro de Profetas da Chuva
Amanhã, às 9h – Clube do Agrônomo / Aç. do Cedro / Quixadá, V Encanta Quixadá, hoje, às 19h, (88) 9635.0828

O QUE ELES PENSAM

Sinais da natureza orientam prognóstico no CE

Com certeza teremos inverno grosso este ano novamente. Eu não queria prever coisa assim, mas será meio perigoso. Se a quadra da Lua Cheia não me enganar, vai acontecer isso mesmo. Até o mar cresce quando ela aparece. Esses estudiosos falam desse tal de “Ninho”, mas pelo jeito até os pássaros vão ter de procurar lugar mais seguro pra ficar, principalmente se construíram casa dentro de rio. O inverno deve ser grande a partir do fim de março.
Chico Leiteiro
Leiteiro

O nosso povo pode esperar muita chuva este ano. Nas minhas observações, o inverno se configura mesmo a partir de março, com chuvas pesadas. A tendência é ser, inclusive, superior ao do ano passado. Os ciclos se completam de fevereiro para março e de abril para julho, onde a expectativa é de aguaceiro. Os números dos meses provam isso. Os dias das semanas de fevereiro são os mesmos de março e os de abril são iguais aos de julho. As chuvas devem continuar até o mês de outubro.
Paulo Costa
Odontólogo

O inverno começa firme ainda no fim do mês de fevereiro para o início de março e se segura firme até maio. A chuvarada deve ser na mesma proporção do ano passado, mas em áreas isoladas do Interior do Estado. Além dos sinais dos bichos e dos insetos, os ventos do Aracati anunciam isso. Vem muita chuva por ai, com ventos fortes e muita trovoada. Formiga não é satélite, mas tem antena, e as delas tão alvoroçadas, indicando que vem muita água por ai no Estado.
Antônio Lima
Agricultor

V ENCANTA QUIXADÁ

Cantadores de viola abrem encontro

Noitada cultural ao som de violas e repentes marca a abertura, hoje, do encontro dos profetas das chuvas

Quixadá. Quem também rende tributo à tradição nordestina e aos observadores do tempo são os cantadores de viola. Seis duplas se apresentam na véspera do Encontro, na noitada cultural do V Encanta Quixadá, no Centro Cultural Rachel de Queiroz, hoje à noite. Geraldo Amâncio comanda a peleja de repente. Além dos repentistas, está programada a apresentação do espetáculo teatral “Profetas da Chuva”. Chico Mariano e Paroara contam para o público suas experiências. O curioso da encenação são os intérpretes. Os dois profetas de Quixadá são vividos por duas atrizes: Clara Colin e Paula Cavalcanti. Elas já apresentam a peça desde 2007 no Sul do País. Simples e narrativo o prólogo, intercalado com cantos de modas sertanejos, envolve o público à linguagem peculiar e observações dos protagonistas sobre a quadra invernosa no sertão. “Acontece muita prosa enquanto o céu se prepara para ficar bonito de chover”.

As duas atrações, o Encontro dos Profetas da Chuva e o Encanta Quixadá são abertas ao público. A entrada é franca. Parcerias com o Sebrae, Banco do Brasil e Caixa Econômica e mais de uma dezena de patrocinadores garantem o acesso gratuito e a realização dos dois eventos.

Quando o comerciário João Soares de Freitas e o agrônomo Hélder dos Santos Cortez resolveram reunir um grupo de observadores da natureza, a buscarem nela os sinais de probabilidade invernosa no Interior do Ceará, não imaginavam quão importante papel científico e cultural protagonizavam a partir de 1997. No pequeno auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Quixadá, reuniram Antão Mendes, Antônio Lima, Antônio Alexandre dos Santos, Antônio Anastácio da Silva (Paroara), Expedito Epifânio da Silva, Francisco Mariano e Joaquim Ferreira Santiago, o Joaquim Muqueca, Paulo Costa, Raimundo Mota Silva e Ribamar Lima.

João Soares recorda do I Encontro. O inverno daquele ano foi considerado bom. Observado o registro efetuado por ele e o parceiro idealizador, então gerente regional da Cagece, Hélder Cortez, houve divergências entre os prognósticos dos profetas da chuva.

Cinco deles estimaram inverno fraco. Outros cinco avaliaram como regular. Apenas as observações de Antônio Alexandre dos Santos se enquadram nas perspectivas. Ele foi curto e objetivo: bom inverno. Este ano não será diferente. Quem souber melhor interpretar a natureza, acerta mais.

ORIGEM

1997 foi o ano de início da promoção do Encontro de Profetas das Chuvas, evento idealizado pelo comerciário João Soares de Freitas e o engenheiro agrônomo Hélder dos Santos Cortez

ALEX PIMENTEL
Colaborador