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O MITO DO TORCEDOR VIOLENTO (Fazendo Media/Le Monde Diplomatique Brasil)

Por Irlan Simões, 02.08.2011
Fazendo Media

Em maio de 2010, após intensas discussões entre o poder público, a Polícia Militar e presidentes de clubes, o estado de Sergipe tornou-se pioneiro em um processo que avança sobre o futebol brasileiro: a criminalização das torcidas organizadas (ou T.O.s). Uma mestranda do núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, Klecia Renata de Oliveira Batista, animou-se a avaliar tal fenômeno.

Durante dois anos, a mestranda sergipana acompanhou o funcionamento interno da torcida Trovão Azul, adepta do Confiança, interessada em estudar a violência no meio. Intitulado “Entre torcer e ser banido, vamos nos (re)organizar: um estudo psicanalítico da torcida Trovão Azul”, a tese tornou-se um documento inédito sobre a criminalização das torcidas organizadas a partir da realidade sergipana. “Foi um processo fundamental para o meu trabalho, justamente quando eu estava tentando mapear a pressão que a torcida vinha enfrentando no momento”, afirma Klecia.

Defendido em 27 de maio último, o trabalho de Klecia aponta: a “modernização” do futebol brasileiro visa na verdade adequar o jogo aos interesses do mercado; ela está sendo imposta mesmo que as transformações custem a perda dos valores culturais embutidos no futebol. “O que se vê hoje é a torcida organizada enquadrando-se ao que alguns historiadores chamam de torcidas-empresa, rendendo-se a uma lógica organizada pelo capital”, afirma a pesquisadora.

O Estado como protagonista

Visando explicar o fenômeno, a mestranda recorreu ao referencial psicanalítico de Sigmund Freud. Ela sugere que, na busca de uma adequação dos estádios e do jogo ao que se entende pelo “ideal da ordem, limpeza e beleza da Modernidade”. Justifica assim as medidas punitivas que têm sido tomadas contra as torcidas organizadas.

Segundo a pesquisadora, estes coletivos cumpriam papel de resistência a esse processo. “Hoje, não há mais margem de sobreviver no futebol fora desse padrão de “modernidade”. Dessa realidade, a única coisa que tinha sobrado eram as torcidas, que agora também estão sendo ameaçadas”, afirma. Para ela, a violência no futebol não se restringe às torcidas organizadas. Na realidade, a violência é própria da vida do homem em sociedade e as torcidas constituem, no âmbito futebolístico, um microespaço no qual essa violência se torna presente.

“O novo Estatuto do Torcedor é o carro-chefe desse processo de modernização”, afirma Klecia Renata, questionando o papel que o projeto aplicado pelo ministério dos Esportes vem cumprindo. Para ela, a lei sancionada em 2010 é responsável pelas ameaças de banimento, proibição da entrada nos estádios, venda de materiais padronizados e criminalização dos torcedores organizados. Ainda segundo a pesquisadora, a reorganização das T.Os tem gerado elitização de seu corpo de integrantes, uma vez que a concepção de que o torcedor mais pobre é o causador da violência é o que tem imperado no senso comum.

Panorama nacional

Além da orientação do professor Eduardo Leal Cunha e da presença de Daniel Menezes Coelho, ambos da UFS, a defesa da dissertação teve como convidado o historiador Bernardo Borges Buarque de Hollanda, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Faculdade Getúlio Vargas (CPDOC-FGV). Estudioso do assunto há mais de dez anos, Bernardo reforçou, no seu comentário como integrante da banca da defesa da dissertação, a ligação entre o “ideal da ordem e limpeza da Modernidade” e o processo de elitização do público torcedor do futebol, traçando paralelos com os processos ocorridos em outros países, como a Inglaterra.

O pesquisador, que também estudou o histórico das torcidas organizadas no Brasil, lembra que criminalizar os torcedores uniformizados é parte do mesmo projeto que busca excluir o torcedor mais pobre dos estádios. “Isso é uma forma de elitizar o espectador, e essa vai ser a tendência. O “telespectador” vai ser o lugar das classes populares”, afirma. Bernardo justifica sua hipótese mostrando como os estádios têm diminuído, após sucessivas reformas, a sua capacidade de público e aumentado o valor dos ingressos buscando atingir apenas um público consumidor de classe média-alta.

Um aspecto também ressaltado pelo estudioso é a movimentação das torcidas organizadas buscando frear tal processo. No Rio de Janeiro, foi fundada a Federação das Torcidas Organizadas, a Ftorj, enquanto no âmbito nacional a Confederação das Torcidas Organizadas (Conatorg) dá os primeiros passos. “É sempre muito difícil uma representação das torcidas organizadas porque existem muitos conflitos internos e entre elas. Mas já é um sinal de que há um avanço, uma possibilidade de declamar direitos. Não apenas deveres, como querem os dirigentes”, afirma.

Quando questionado sobre como o senso comum brasileiro tem apoiado tal processo de modernização, Bernardo é enfático: “É muito desigual essa transmissão de mensagens”. Para ele há grande dificuldade em explicar como esse processo vai excluir os próprios torcedores que aprovam tais medidas.

O avanço do processo de criminalização

Em 13 de junho de 2011, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acionou as torcidas organizadas para uma audiência pública. Estavam presentes representantes de 36 torcidas, do ministério do Esporte, da Polícia Militar, da secretaria de Estado de Esporte e Lazer, da superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (Ftorj).

Todos os convidados tiveram de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que operacionaliza o Estatuto do Torcedor. Entre as exigências, estão a proibição de diversos artigos, como bandeiras, faixas, e materiais que possivelmente ocasionariam o ferimento dos presentes no estádio e a penalização da Torcida Organizada em caso de descumprimento de algumas normas por parte de algum dos seus integrantes.

Ao fim da Audiência, Flávio Martins, presidente da Ftorj, lamentou que apenas as torcidas organizadas fossem responsabilizadas pelo esvaziamento dos estádios. “Muito se fala da violência promovida pelas torcidas, mas nunca se questiona a condição do transporte público que tem sido disponibilizado, nem o valor dos ingressos e nem o horário dos jogos”, afirmou.

(*) Matéria publicada originalmente no Outras Palavras, do Le Monde Diplomatique Brasil.

David Graeber on the History of Debt (PBS, Naked Capitalism)

 

FRIDAY, AUGUST 26, 2011 (nakedcapitalism.com)
What is Debt? – An Interview with Economic Anthropologist David Graeber

David Graeber currently holds the position of Reader in Social Anthropology at Goldsmiths University London. Prior to this he was an associate professor of anthropology at Yale University. He is the author of ‘Debt: The First 5,000 Years’ which is available from Amazon.

Interview conducted by Philip Pilkington, a journalist and writer based in Dublin, Ireland.

Philip Pilkington: Let’s begin. Most economists claim that money was invented to replace the barter system. But you’ve found something quite different, am I correct?

David Graeber: Yes there’s a standard story we’re all taught, a ‘once upon a time’ — it’s a fairy tale.

It really deserves no other introduction: according to this theory all transactions were by barter. “Tell you what, I’ll give you twenty chickens for that cow.” Or three arrow-heads for that beaver pelt or what-have-you. This created inconveniences, because maybe your neighbor doesn’t need chickens right now, so you have to invent money.

The story goes back at least to Adam Smith and in its own way it’s the founding myth of economics. Now, I’m an anthropologist and we anthropologists have long known this is a myth simply because if there were places where everyday transactions took the form of: “I’ll give you twenty chickens for that cow,” we’d have found one or two by now. After all people have been looking since 1776, when the Wealth of Nations first came out. But if you think about it for just a second, it’s hardly surprising that we haven’t found anything.

Think about what they’re saying here – basically: that a bunch of Neolithic farmers in a village somewhere, or Native Americans or whatever, will be engaging in transactions only through the spot trade. So, if your neighbor doesn’t have what you want right now, no big deal. Obviously what would really happen, and this is what anthropologists observe when neighbors do engage in something like exchange with each other, if you want your neighbor’s cow, you’d say, “wow, nice cow” and he’d say “you like it? Take it!” – and now you owe him one. Quite often people don’t even engage in exchange at all – if they were real Iroquois or other Native Americans, for example, all such things would probably be allocated by women’s councils.

So the real question is not how does barter generate some sort of medium of exchange, that then becomes money, but rather, how does that broad sense of ‘I owe you one’ turn into a precise system of measurement – that is: money as a unit of account?

By the time the curtain goes up on the historical record in ancient Mesopotamia, around 3200 BC, it’s already happened. There’s an elaborate system of money of account and complex credit systems. (Money as medium of exchange or as a standardized circulating units of gold, silver, bronze or whatever, only comes much later.)

So really, rather than the standard story – first there’s barter, then money, then finally credit comes out of that – if anything its precisely the other way around. Credit and debt comes first, then coinage emerges thousands of years later and then, when you do find “I’ll give you twenty chickens for that cow” type of barter systems, it’s usually when there used to be cash markets, but for some reason – as in Russia, for example, in 1998 – the currency collapses or disappears.

PP: You say that by the time historical records start to be written in the Mesopotamia around 3200 BC a complex financial architecture is already in place. At the same time is society divided into classes of debtors and creditors? If not then when does this occur? And do you see this as the most fundamental class division in human history?

DG: Well historically, there seem to have been two possibilities.

One is what you found in Egypt: a strong centralized state and administration extracting taxes from everyone else. For most of Egyptian history they never developed the habit of lending money at interest. Presumably, they didn’t have to.

Mesopotamia was different because the state emerged unevenly and incompletely. At first there were giant bureaucratic temples, then also palace complexes, but they weren’t exactly governments and they didn’t extract direct taxes – these were considered appropriate only for conquered populations. Rather they were huge industrial complexes with their own land, flocks and factories. This is where money begins as a unit of account; it’s used for allocating resources within these complexes.

Interest-bearing loans, in turn, probably originated in deals between the administrators and merchants who carried, say, the woollen goods produced in temple factories (which in the very earliest period were at least partly charitable enterprises, homes for orphans, refugees or disabled people for instance) and traded them to faraway lands for metal, timber, or lapis lazuli. The first markets form on the fringes of these complexes and appear to operate largely on credit, using the temples’ units of account. But this gave the merchants and temple administrators and other well-off types the opportunity to make consumer loans to farmers, and then, if say the harvest was bad, everybody would start falling into debt-traps.

This was the great social evil of antiquity – families would have to start pawning off their flocks, fields and before long, their wives and children would be taken off into debt peonage. Often people would start abandoning the cities entirely, joining semi-nomadic bands, threatening to come back in force and overturn the existing order entirely. Rulers would regularly conclude the only way to prevent complete social breakdown was to declare a clean slate or ‘washing of the tablets,’ they’d cancel all consumer debt and just start over. In fact, the first recorded word for ‘freedom’ in any human language is the Sumerian amargi, a word for debt-freedom, and by extension freedom more generally, which literally means ‘return to mother,’ since when they declared a clean slate, all the debt peons would get to go home.

PP: You have noted in the book that debt is a moral concept long before it becomes an economic concept. You’ve also noted that it is a very ambivalent moral concept insofar as it can be both positive and negative. Could you please talk about this a little? Which aspect is more prominent?

DG: Well it tends to pivot radically back and forth.

One could tell the history like this: eventually the Egyptian approach (taxes) and Mesopotamian approach (usury) fuse together, people have to borrow to pay their taxes and debt becomes institutionalized.

Taxes are also key to creating the first markets that operate on cash, since coinage seems to be invented or at least widely popularized to pay soldiers – more or less simultaneously in China, India, and the Mediterranean, where governments find the easiest way to provision the troops is to issue them standard-issue bits of gold or silver and then demand everyone else in the kingdom give them one of those coins back again. Thus we find that the language of debt and the language of morality start to merge.

In Sanskrit, Hebrew, Aramaic, ‘debt,’ ‘guilt,’ and ‘sin’ are actually the same word. Much of the language of the great religious movements – reckoning, redemption, karmic accounting and the like – are drawn from the language of ancient finance. But that language is always found wanting and inadequate and twisted around into something completely different. It’s as if the great prophets and religious teachers had no choice but to start with that kind of language because it’s the language that existed at the time, but they only adopted it so as to turn it into its opposite: as a way of saying debts are not sacred, but forgiveness of debt, or the ability to wipe out debt, or to realize that debts aren’t real – these are the acts that are truly sacred.

How did this happen? Well, remember I said that the big question in the origins of money is how a sense of obligation – an ‘I owe you one’ – turns into something that can be precisely quantified? Well, the answer seems to be: when there is a potential for violence. If you give someone a pig and they give you a few chickens back you might think they’re a cheapskate, and mock them, but you’re unlikely to come up with a mathematical formula for exactly how cheap you think they are. If someone pokes out your eye in a fight, or kills your brother, that’s when you start saying, “traditional compensation is exactly twenty-seven heifers of the finest quality and if they’re not of the finest quality, this means war!”

Money, in the sense of exact equivalents, seems to emerge from situations like that, but also, war and plunder, the disposal of loot, slavery. In early Medieval Ireland, for example, slave-girls were the highest denomination of currency. And you could specify the exact value of everything in a typical house even though very few of those items were available for sale anywhere because they were used to pay fines or damages if someone broke them.

But once you understand that taxes and money largely begin with war it becomes easier to see what really happened. After all, every Mafiosi understands this. If you want to take a relation of violent extortion, sheer power, and turn it into something moral, and most of all, make it seem like the victims are to blame, you turn it into a relation of debt. “You owe me, but I’ll cut you a break for now…” Most human beings in history have probably been told this by their debtors. And the crucial thing is: what possible reply can you make but, “wait a minute, who owes what to who here?” And of course for thousands of years, that’s what the victims have said, but the moment you do, you are using the rulers’ language, you’re admitting that debt and morality really are the same thing. That’s the situation the religious thinkers were stuck with, so they started with the language of debt, and then they tried to turn it around and make it into something else.

PP: You’d be forgiven for thinking this was all very Nietzschean. In his ‘On the Genealogy of Morals’ the German philosopher Friedrich Nietzsche famously argued that all morality was founded upon the extraction of debt under the threat of violence. The sense of obligation instilled in the debtor was, for Nietzsche, the origin of civilisation itself. You’ve been studying how morality and debt intertwine in great detail. How does Nietzsche’s argument look after over 100 years? And which do you see as primal: morality or debt?

DG: Well, to be honest, I’ve never been sure if Nietzsche was really serious in that passage or whether the whole argument is a way of annoying his bourgeois audience; a way of pointing out that if you start from existing bourgeois premises about human nature you logically end up in just the place that would make most of that audience most uncomfortable.
In fact, Nietzsche begins his argument from exactly the same place as Adam Smith: human beings are rational. But rational here means calculation, exchange and hence, trucking and bartering; buying and selling is then the first expression of human thought and is prior to any sort of social relations.

But then he reveals exactly why Adam Smith had to pretend that Neolithic villagers would be making transactions through the spot trade. Because if we have no prior moral relations with each other, and morality just emerges from exchange, then ongoing social relations between two people will only exist if the exchange is incomplete – if someone hasn’t paid up.

But in that case, one of the parties is a criminal, a deadbeat and justice would have to begin with the vindictive punishment of such deadbeats. Thus he says all those law codes where it says ‘twenty heifers for a gouged-out eye’ – really, originally, it was the other way around. If you owe someone twenty heifers and don’t pay they gouge out your eye. Morality begins with Shylock’s pound of flesh.
Needless to say there’s zero evidence for any of this – Nietzsche just completely made it up. The question is whether even he believed it. Maybe I’m an optimist, but I prefer to think he didn’t.

Anyway it only makes sense if you assume those premises; that all human interaction is exchange, and therefore, all ongoing relations are debts. This flies in the face of everything we actually know or experience of human life. But once you start thinking that the market is the model for all human behavior, that’s where you end up with.

If however you ditch the whole myth of barter, and start with a community where people do have prior moral relations, and then ask, how do those moral relations come to be framed as ‘debts’ – that is, as something precisely quantified, impersonal, and therefore, transferrable – well, that’s an entirely different question. In that case, yes, you do have to start with the role of violence.

PP: Interesting. Perhaps this is a good place to ask you about how you conceive your work on debt in relation to the great French anthropologist Marcel Mauss’ classic work on gift exchange.

DG: Oh, in my own way I think of myself as working very much in the Maussian tradition. Mauss was one of the first anthropologists to ask: well, all right, if not barter, then what? What do people who don’t use money actually do when things change hands? Anthropologists had documented an endless variety of such economic systems, but hadn’t really worked out common principles. What Mauss noticed was that in almost all of them, everyone pretended as if they were just giving one another gifts and then they fervently denied they expected anything back. But in actual fact everyone understood there were implicit rules and recipients would feel compelled to make some sort of return.

What fascinated Mauss was that this seemed to be universally true, even today. If I take a free-market economist out to dinner he’ll feel like he should return the favor and take me out to dinner later. He might even think that he is something of chump if he doesn’t and this even if his theory tells him he just got something for nothing and should be happy about it. Why is that? What is this force that compels me to want to return a gift?

This is an important argument, and it shows there is always a certain morality underlying what we call economic life. But it strikes me that if you focus too much on just that one aspect of Mauss’ argument you end up reducing everything to exchange again, with the proviso that some people are pretending they aren’t doing that.

Mauss didn’t really think of everything in terms of exchange; this becomes clear if you read his other writings besides ‘The Gift’. Mauss insisted there were lots of different principles at play besides reciprocity in any society – including our own.

For example, take hierarchy. Gifts given to inferiors or superiors don’t have to be repaid at all. If another professor takes our economist out to dinner, sure, he’ll feel that he should reciprocate; but if an eager grad student does, he’ll probably figure just accepting the invitation is favor enough; and if George Soros buys him dinner, then great, he did get something for nothing after all. In explicitly unequal relations, if you give somebody something, far from doing you a favor back, they’re more likely to expect you to do it again.

Or take communistic relations – and I define this, following Mauss actually, as any ones where people interact on the basis of ‘from each according to their abilities to each according to their needs’. In these relations people do not rely on reciprocity, for example, when trying to solve a problem, even inside a capitalist firm. (As I always say, if somebody working for Exxon says, “hand me the screwdriver,” the other guy doesn’t say, “yeah and what do I get for it?”) Communism is in a way the basis of all social relations – in that if the need is great enough (I’m drowning) or the cost small enough (can I have a light?) everyone will be expected to act that way.

Anyway that’s one thing I got from Mauss. There are always going to be lots of different sorts of principles at play simultaneously in any social or economic system – which is why we can never really boil these things down to a science. Economics tries to, but it does it by ignoring everything except exchange.

PP: Let’s move onto economic theory then. Economics has some pretty specific theories about what money is. There’s the mainstream approach that we discussed briefly above; this is the commodity theory of money in which specific commodities come to serve as a medium of exchange to replace crude barter economies. But there’s also alternative theories that are becoming increasingly popular at the moment. One is the Circuitist theory of money in which all money is seen as a debt incurred by some economic agent. The other – which actually integrates the Circuitist approach – is the Chartalist theory of money in which all money is seen as a medium of exchange issued by the Sovereign and backed by the enforcement of tax claims. Maybe you could say something about these theories?

DG: One of my inspirations for ‘Debt: The First 5,000 Years’ was Keith Hart’s essay ‘Two Sides of the Coin’. In that essay Hart points out that not only do different schools of economics have different theories on the nature of money, but there is also reason to believe that both are right. Money has, for most of its history, been a strange hybrid entity that takes on aspects of both commodity (object) and credit (social relation.) What I think I’ve managed to add to that is the historical realization that while money has always been both, it swings back and forth – there are periods where credit is primary, and everyone adopts more or less Chartalist theories of money and others where cash tends to predominate and commodity theories of money instead come to the fore. We tend to forget that in, say, the Middle Ages, from France to China, Chartalism was just common sense: money was just a social convention; in practice, it was whatever the king was willing to accept in taxes.

PP: You say that history swings between periods of commodity money and periods of virtual money. Do you not think that we’ve reached a point in history where due to technological and cultural evolution we may have seen the end of commodity money forever?

DG: Well, the cycles are getting a bit tighter as time goes by. But I think we’ll still have to wait at least 400 years to really find out. It is possible that this era is coming to an end but what I’m more concerned with now is the period of transition.

The last time we saw a broad shift from commodity money to credit money it wasn’t a very pretty sight. To name a few we had the fall of the Roman Empire, the Kali Age in India and the breakdown of the Han dynasty… There was a lot of death, catastrophe and mayhem. The final outcome was in many ways profoundly libratory for the bulk of those who lived through it – chattel slavery, for example, was largely eliminated from the great civilizations. This was a remarkable historical achievement. The decline of cities actually meant most people worked far less. But still, one does rather hope the dislocation won’t be quite so epic in its scale this time around. Especially since the actual means of destruction are so much greater this time around.

PP: Which do you see as playing a more important role in human history: money or debt?

DG: Well, it depends on your definitions. If you define money in the broadest sense, as any unit of account whereby you can say 10 of these are worth 7 of those, then you can’t have debt without money. Debt is just a promise that can be quantified by means of money (and therefore, becomes impersonal, and therefore, transferable.) But if you are asking which has been the more important form of money, credit or coin, then probably I would have to say credit.

PP: Let’s move on to some of the real world problems facing the world today. We know that in many Western countries over the past few years households have been running up enormous debts, from credit card debts to mortgages (the latter of which were one of the root causes of the recent financial crisis). Some economists are saying that economic growth since the Clinton era was essentially run on an unsustainable inflating of household debt. From an historical perspective what do you make of this phenomenon?

DG: From an historical perspective, it’s pretty ominous. One could go further than the Clinton era, actually – a case could be made that we are seeing now is the same crisis we were facing in the 70s; it’s just that we managed to fend it off for 30 or 35 years through all these elaborate credit arrangements (and of course, the super-exploitation of the global South, through the ‘Third World Debt Crisis’.)

As I said Eurasian history, taken in its broadest contours, shifts back and forth between periods dominated by virtual credit money and those dominated by actual coin and bullion. The credit systems of the ancient Near East give way to the great slave-holding empires of the Classical world in Europe, India, and China, which used coinage to pay their troops. In the Middle Ages the empires go and so does the coinage – the gold and silver is mostly locked up in temples and monasteries – and the world reverts to credit. Then after 1492 or so you have the return world empires again; and gold and silver currency together with slavery, for that matter.

What’s been happening since Nixon went off the gold standard in 1971 has just been another turn of the wheel – though of course it never happens the same way twice. However, in one sense, I think we’ve been going about things backwards. In the past, periods dominated by virtual credit money have also been periods where there have been social protections for debtors. Once you recognize that money is just a social construct, a credit, an IOU, then first of all what is to stop people from generating it endlessly? And how do you prevent the poor from falling into debt traps and becoming effectively enslaved to the rich? That’s why you had Mesopotamian clean slates, Biblical Jubilees, Medieval laws against usury in both Christianity and Islam and so on and so forth.

Since antiquity the worst-case scenario that everyone felt would lead to total social breakdown was a major debt crisis; ordinary people would become so indebted to the top one or two percent of the population that they would start selling family members into slavery, or eventually, even themselves.

Well, what happened this time around? Instead of creating some sort of overarching institution to protect debtors, they create these grandiose, world-scale institutions like the IMF or S&P to protect creditors. They essentially declare (in defiance of all traditional economic logic) that no debtor should ever be allowed to default. Needless to say the result is catastrophic. We are experiencing something that to me, at least, looks exactly like what the ancients were most afraid of: a population of debtors skating at the edge of disaster.

And, I might add, if Aristotle were around today, I very much doubt he would think that the distinction between renting yourself or members of your family out to work and selling yourself or members of your family to work was more than a legal nicety. He’d probably conclude that most Americans were, for all intents and purposes, slaves.

PP: You mention that the IMF and S&P are institutions that are mainly geared toward extracting debts for creditors. This seems to have become the case in the European monetary union too. What do you make of the situation in Europe at the moment?

DG: Well, I think this is a prime example of why existing arrangements are clearly untenable. Obviously the ‘whole debt’ cannot be paid. But even when some French banks offered voluntary write-downs for Greece, the others insisted they would treat it as if it were a default anyway. The UK takes the even weirder position that this is true even of debts the government owes to banks that have been nationalized – that is, technically, that they owe to themselves! If that means that disabled pensioners are no longer able to use public transit or youth centers have to be closed down, well that’s simply the ‘reality of the situation,’ as they put it.

These ‘realities’ are being increasingly revealed to simply be ones of power. Clearly any pretence that markets maintain themselves, that debts always have to be honored, went by the boards in 2008. That’s one of the reasons I think you see the beginnings of a reaction in a remarkably similar form to what we saw during the heyday of the ‘Third World debt crisis’ – what got called, rather weirdly, the ‘anti-globalization movement’. This movement called for genuine democracy and actually tried to practice forms of direct, horizontal democracy. In the face of this there was the insidious alliance between financial elites and global bureaucrats (whether the IMF, World Bank, WTO, now EU, or what-have-you).

When thousands of people begin assembling in squares in Greece and Spain calling for real democracy what they are effectively saying is: “Look, in 2008 you let the cat out of the bag. If money really is just a social construct now, a promise, a set of IOUs and even trillions of debts can be made to vanish if sufficiently powerful players demand it then, if democracy is to mean anything, it means that everyone gets to weigh in on the process of how these promises are made and renegotiated.” I find this extraordinarily hopeful.

PP: Broadly speaking how do you see the present debt/financial crisis unravelling? Without asking you to peer into the proverbial crystal-ball – because that’s a silly thing to ask of anyone – how do you see the future unfolding; in the sense of how do you take your bearings right now?

DG: For the long-term future, I’m pretty optimistic. We might have been doing things backwards for the last 40 years, but in terms of 500-year cycles, well, 40 years is nothing. Eventually there will have to be recognition that in a phase of virtual money, safeguards have to be put in place – and not just ones to protect creditors. How many disasters it will take to get there? I can’t say.

But in the meantime there is another question to be asked: once we do these reforms, will the results be something that could even be called ‘capitalism’?

Climate Chaos (Against the Grain)

Tues 6.28.11| Climate Chaos

Christian Parenti speaking at a KPFA benefit on July 14th, on Tropic of Chaos: Climate Change and the New Geography of Violence, Nation Books, 2011

Listen to this Program here.

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Residents of the Global North may be justly wringing their hands about flooding, droughts, and freak weather, but the most worrying effects of climate change are expected to hit the countries of the Global South, especially those in the broad regions on either side of the equator. Christian Parenti has reported from that vast area and discusses the shape that climate-related social dislocation is already taking, as well as the militarized plans of the rich countries to keep poor climate refugees out.

© Against the Grain, a program of KPFA Radio, 94.1fm Berkeley CA and online at KPFA.org.

On Experts and Global Warming (N.Y. Times)

July 12, 2011, 4:01 PM
By GARY GUTTING

Experts have always posed a problem for democracies. Plato scorned democracy, rating it the worst form of government short of tyranny, largely because it gave power to the ignorant many rather than to knowledgeable experts (philosophers, as he saw it). But, if, as we insist, the people must ultimately decide, the question remains: How can we, nonexperts, take account of expert opinion when it is relevant to decisions about public policy?

Once we accept the expert authority of climate science, we have no basis for supporting the minority position.

To answer this question, we need to reflect on the logic of appeals to the authority of experts. First of all, such appeals require a decision about who the experts on a given topic are. Until there is agreement about this, expert opinion can have no persuasive role in our discussions. Another requirement is that there be a consensus among the experts about points relevant to our discussion. Precisely because we are not experts, we are in no position to adjudicate disputes among those who are. Finally, given a consensus on a claim among recognized experts, we nonexperts have no basis for rejecting the truth of the claim.

These requirements may seem trivially obvious, but they have serious consequences. Consider, for example, current discussions about climate change, specifically about whether there is long-term global warming caused primarily by human activities (anthropogenic global warming or A.G.W.). All creditable parties to this debate recognize a group of experts designated as “climate scientists,” whom they cite in either support or opposition to their claims about global warming. In contrast to enterprises such as astrology or homeopathy, there is no serious objection to the very project of climate science. The only questions are about the conclusions this project supports about global warming.

There is, moreover, no denying that there is a strong consensus among climate scientists on the existence of A.G.W. — in their view, human activities are warming the planet. There are climate scientists who doubt or deny this claim, but even they show a clear sense of opposing a view that is dominant in their discipline. Nonexpert opponents of A.G.W. usually base their case on various criticisms that a small minority of climate scientists have raised against the consensus view. But nonexperts are in no position to argue against the consensus of scientific experts. As long as they accept the expert authority of the discipline of climate science, they have no basis for supporting the minority position. Critics within the community of climate scientists may have a cogent case against A.G.W., but, given the overall consensus of that community, we nonexperts have no basis for concluding that this is so. It does no good to say that we find the consensus conclusions poorly supported. Since we are not experts on the subject, our judgment has no standing.

It follows that a nonexpert who wants to reject A.G.W. can do so only by arguing that climate science lacks the scientific status needed be taken seriously in our debates about public policy. There may well be areas of inquiry (e.g., various sub-disciplines of the social sciences) open to this sort of critique. But there does not seem to be a promising case against the scientific authority of climate science. As noted, opponents of the consensus on global warming themselves argue from results of the discipline, and there is no reason to think that they would have had any problem accepting a consensus of climate scientists against global warming, had this emerged.

Some nonexpert opponents of global warming have made much of a number of e-mails written and circulated among a handful of climate scientists that they see as evidence of bias toward global warming. But unless this group is willing to argue from this small (and questionable) sample to the general unreliability of climate science as a discipline, they have no alternative but to accept the consensus view of climate scientists that these e-mails do not undermine the core result of global warming.

I am not arguing the absolute authority of scientific conclusions in democratic debates. It is not a matter of replacing Plato’s philosopher-kings with scientist-kings in our polis. We the people still need to decide (perhaps through our elected representatives) which groups we accept as having cognitive authority in our policy deliberations. Nor am I denying that there may be a logical gap between established scientific results and specific policy decisions. The fact that there is significant global warming due to human activity does not of itself imply any particular response to this fact. There remain pressing questions, for example, about the likely long-term effects of various plans for limiting CO2 emissions, the more immediate economic effects of such plans, and, especially, the proper balance between actual present sacrifices and probable long-term gains. Here we still require the input of experts, but we must also make fundamental value judgments, a task that, pace Plato, we cannot turn over to experts.

The essential point, however, is that once we have accepted the authority of a particular scientific discipline, we cannot consistently reject its conclusions. To adapt Schopenhauer’s famous remark about causality, science is not a taxi-cab that we can get in and out of whenever we like. Once we board the train of climate science, there is no alternative to taking it wherever it may go.

Nordeste perde um quinto dos reservatórios de água em 2010 (FSP)

JC e-mail 4304, de 20 de Julho de 2011.

Relatório aponta bacias da região semiárida como as mais críticas.

A região Nordeste do País perdeu, entre outubro de 2009 e outubro de 2010, 20% dos reservatórios de água que possuía no período anterior, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas). O dado está em um relatório sobre os recursos hídricos do País, publicado ontem e disponível em http://bit.ly/pnZBqo. Segundo a agência, a perda de reservatórios na região se deve à menor quantidade de chuvas.

Na região ficam as bacias do Semiárido, um dos pontos críticos quanto aos recursos hídricos, segundo o relatório. Também são classificadas assim as bacias do rio Meia Ponte, no Centro-Oeste, e a do Tietê, no Sudeste.

A definição leva em conta a disponibilidade e o uso de água, além da presença ou não de vegetação nativa e como é feito o tratamento dos resíduos sólidos no local. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a ideia é, a partir dos dados do relatório, “focar os esforços nas áreas críticas”.

A ampliação dos serviços de saneamento foi apontada como prioridade pela ministra, principalmente nas cidades de até 50 mil habitantes. O pior índice de qualidade da água é o das áreas de grande densidade urbana.
(Folha de São Paulo)

Rios em péssimas condições (O Globo)

JC e-mail 4304, de 20 de Julho de 2011.

Brasil tem só 4% de recursos hídricos com qualidade ótima, segundo relatório.

Com 12% da oferta de água do planeta, o Brasil tem apenas 4% de seus recursos hídricos com qualidade considerada ótima, percentual que caiu seis pontos de 2008 para 2009. Segundo avaliação do “Informe 2011 da Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil”, divulgado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), cem rios estão em situação ruim ou péssima.

Para avaliar o índice de qualidade da água, a agência usa nove parâmetros, que levam em conta principalmente a contaminação dos rios pelo lançamento de esgoto. Essa centena de rios em situação precária não consegue depurar naturalmente a quantidade de resíduos que vêm recebendo. Embora o governo argumente que está fazendo investimentos em políticas públicas de saneamento, mais da metade das cidades do país – 2.926 municípios – não tem tratamento de esgoto. O relatório aponta que em 2009 foram investidos R$21,4 bilhões em saneamento e gestão da água, sendo R$13,2 bilhões em obras de tratamento de esgoto.

A água de pior qualidade se concentra perto das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador e das cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora (MG). Entre os rios cuja água é de péssima ou má qualidade, estão o Tietê, que corta a capital paulista, o Iguaçu, que forma as famosas Cataratas do Iguaçu, e o Guandu-Mirim, no Rio – os dois últimos ficam dentro de unidades de conservação, o Parque Nacional do Iguaçu e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Guandu, respectivamente.

Entre 2008 e 2009, a água de qualidade péssima no país se manteve em 2%; a ruim aumentou de 6% para 7%; a regular passou de 12% para 16% e a boa subiu de 70% para 71%. Nesse período, o número de pontos monitorados caiu de 1.812 para 1.747. O superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da agência, Ney Maranhão, mostrou-se satisfeito com os resultados do estudo.

– Temos 90,6% dos rios num estado satisfatório de qualidade e de disponibilidade (quantidade de água). Apenas 2% não apresentam resultado satisfatório – avaliou Maranhão, que coordenou o trabalho.

Estresse hídrico e agricultura – Maranhão ressaltou que as políticas públicas têm sido direcionadas para as bacias que estão em situação crítica, seja por apresentarem baixa disponibilidade ou qualidade de água. A maior parte dos rios e bacias com problema de oferta de água se encontra no Nordeste.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que, no futuro, o estresse hídrico (falta de água em algumas regiões do país) vai impactar na agricultura. Ao todo, 69% dos recursos consumidos pela população são usados em irrigação. Izabella aproveitou a ocasião para mandar um recado ao Congresso, onde tramita a reforma do Código Florestal.

– Quando estamos discutindo Código Florestal, não falamos apenas do uso do solo. Estamos falando de recursos hídricos e qualidade de vida. O relatório traz com muita propriedade o estresse hídrico com perda de mata ciliar (vegetação nativa às margens dos rios). Onde se desmata mata ciliar, há comprometimento dos recursos hídricos – afirmou a ministra.

O levantamento da ANA também levou em conta o problema das mudanças climáticas, responsáveis por eventos naturais extremos em datas diferentes no ano passado: a estiagem na Amazônia; as enchentes em Alagoas, Pernambuco e em Minas Gerais; as cheias no Rio, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Um exemplo do agravamento dessa situação: em 2006, foram registradas 135 situações de emergência ou de calamidade pública por conta de fortes chuvas. Em 2010, esse número de ocorrências subiu para 601. No total, quase 10% das cidades brasileiras – 563 municípios – decretaram situação de emergência devido a enchentes, inundações, enxurradas e alagamentos.

No caso das secas, houve uma inversão: 2010 registrou menos casos de emergência (583) do que 2006 (914). Entre 2009 e 2010 houve diminuição de 20,8% no nível dos reservatórios de água construídos no Nordeste para combater estiagens.
(O Globo)

Philippines: Geckos Are A No-Go For AIDS (NPR)

by SCOTT HENSLEY
12:09 pm
July 18, 2011

The trade in dried geckos, such as these from Indonesia, is on the rise amid growing demand for their use as an ingredient in medicinal and skin care products in Asia.

Traditional forms of medicine used in China and elsewhere in Asia make use of some wild ingredients — literally — from rhino horn to pangolin scales.

But geckos? Yep, in some places even those lizards, thrust into many Americans’ consciousness by omnipresent insurance ads, are used as remedies.

The description of a scientific paper published back in 1998 by the journal Zhong Yao Cai, or the Journal of Chinese Medicinal Materials, says the heads and feet of geckos “have obvious pharmacological action without any toxic or side effects….” The article is in Chinese, though, which is beyond Shots.

But health officials in the Philippines are now warning people not to rely on geckos as medical treatments for some serious conditions, including infection with HIV. “The folkloric practice of using geckos (or “tuko”) as cure for AIDS and asthma persists to this day and is of serious concern….” the Philippines Department of Health said in a statement. “There is no basis that this practice cures ailments like AIDS or brings relief from symptoms of asthma. Thus, we do not recommend it as cure for any ailment.”

Folk healers in the country sometimes recommend “pulverized, fried geckos” sprinkled over water as a remedy for asthma sufferers, according to Agence France-Presse.

The Tokay Gecko, also called “tuko” in the Philippines, is the principal target of hunters. Besides telling people not to use the lizards for medicine, the Philippines government is reminding its citizens not to trap and sell them, because it’s against the law.

The demand for geckos as traditional medicine ingredients has reportedly led to “rampant collection and trade,” the government has said. And that’s putting the gecko population under pressure. In recent years, Chinese demand for sea cucumbers harvested in the Philippines has pushed some species toward extinction.

Geckos can be pretty nasty and give quite a bite. A gecko hunter in Indonesia describes his own battles with the geckos in the Al Jazeera video below.

ABC e INMET fecham parceria com Organização Meteorológica Mundial (Ascom do INMET)

Firmado acordo de cooperação internacional para meteorologia

JC e-mail 4300, de 14 de Julho de 2011

O ministro Marco Farani,diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), esteve na sede do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em Brasília, no início do mês, para assinar os termos do Programa Executivo de implementação de um Projeto de Cooperação Técnica com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), no valor aproximado de 11 milhões de dólares. O projeto tem a finalidade de promover a consolidação das atividades do INMET relacionadas à previsão numérica de tempo e ao monitoramento e previsão de eventos severos. Será desenvolvido pela OMM, em conjunto com a ABC, e executado pelo INMET, no período de cinco anos.

Segundo o diretor do INMET, Antonio Divino Moura, o novo projeto toma como base e dá seguimento aos excelentes resultados alcançados por meio de um Projeto de Cooperação Técnica anterior (2002-2007) que possibilitou ao Brasil a implantação de uma moderna rede de estações meteorológicas de superfície, com economia de cerca de R$ 40 milhões ao Brasil.

Marco Farani considera que é obrigação da Agência Brasileira de Cooperação apoiar as instituições brasileiras que querem e precisam da cooperação para poder evoluir, adquirir mais conhecimentos e tecnologia. “Esse projeto que nós assinamos com o INMET e com a OMM vai permitir tudo isso. Por outro lado, nós nos preocupamos em levar um pouco do lado brasileiro para o exterior, compartilhar com outros países nossas boas práticas. Nós queremos estimular uma atuação maior do INMET no exterior, de forma a levar boas práticas e tecnologias do Brasil a países em desenvolvimento e agir de forma solidária com eles. Então, nós temos essas duas vias: a via de apoiar a captação de tecnologia, de conhecimento para o Brasil, pela cooperação; e de apoiar o compartilhamento e a prestação de apoio e de ajuda aos países, a partir do conhecimento acumulado no Brasil”, disse Marco Farani.

Em 7 de junho de 2011, aproveitando sua participação no 16º Congresso Meteorológico Mundial, realizado em Genebra, Suíça, Divino Moura obteve a assinatura do Secretário Executivo da OMM, Michel Jarraud, nos termos do Programa Executivo de implementação do Projeto de Cooperação Técnica com aquela Organização.
(Ascom do INMET)

Travestis e transexuais terão direito a usar nome social no estado (O Globo)

Publicada em 11/07/2011 às 13h24m
Ruben Berta

RIO – O governador Sérgio Cabral publica decreto no Diário Oficial desta segunda-feira determinando que os travestis e transexuais poderão utilizar seu nome social (como são identificados na sua comunidade e em seu meio social) em todos os procedimentos da Administração Direta e Indireta do Estado do Rio.

De acordo com o texto, todos os registros do sistema de informação, cadastros, fichas, requerimentos e formulários deverão conter um campo para a colocação do nome social, sendo a nomenclatura civil utilizada somente para procedimentos internos. A Secretaria da Casa Civil terá 120 dias para promover todas as adaptações.

Em maio deste ano, o prefeito Eduardo Paes já havia publicado um decreto semelhante , garantindo o mesmo direito para servidores e usuários de serviços do município.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/07/11/travestis-transexuais-terao-direito-usar-nome-social-no-estado-924875811.asp#ixzz1RofWEVUp
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Rio state has 60,000 unsolved murders in 10 year (AP)

RIO DE JANEIRO (AP, 10.jul.2011) — Rio de Janeiro’s public defenders’ department says the Brazilian state has accumulated more than 60,000 unsolved murders in the last 10 years.

The department investigated the matter for the federal Ministry of Justice as part of a national plan to improve public safety.

The survey shows that 24,000 of the victims haven’t even been identified.
Creation of a special homicide division in the city of Rio de Janeiro did little to improved the solution rate. It went from 11 percent to 14 percent.

Across Brazil, police solve about 8 percent of murders. In the United States and in European countries the rates are reportedly around 70 percent to 80 percent.

Homens brancos são maioria dos transplantados. Negros e mulheres têm menos acesso a cirurgias, segundo Ipea (Agência Brasil)

Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

08/07/2011 – 14h37
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

De acordo com o estudo, de quatro receptores de coração, três são homens; e 56% dos transplantados tem a cor de pele branca. No transplante de fígado; 63% dos receptores são homens e 37% mulheres. De cada dez transplantes de fígado, oito são para pessoas brancas.

Segundo a análise do Ipea, homens e mulheres são igualmente atendidos nos transplantes de pâncreas; mas 93% dos atendidos são brancos. A maioria absoluta de receptores de pulmão também são homens (65%) e pessoas brancas (77%). O mesmo fenômeno ocorre com o transplante de rim: 61% dos receptores são homens; 69% das pessoas atendidas têm pele clara.

“Verificamos que o conjunto de desigualdades brasileiras acaba chegando no último estágio de medicina”, aponta o economista Alexandre Marinho, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, um dos autores da pesquisa. Ele e outras duas pesquisadoras analisaram dados de 1995 a 2004, fornecidos pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

O economista não estudou as causas do fenômeno, mas disse à Agência Brasil que a preparação para o transplante pode explicar as razões da desigualdade. Para fazer a cirurgia de transplante, o receptor deve estar apto: eventualmente mudar a alimentação, tomar medicamentos e fazer exames clínicos – procedimentos de atenção básica.

Segundo Marinho, quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) – cerca de três quatros da população brasileira – sai em desvantagem, porque tem dificuldade para receber remédios, fazer consultas e exames clínicos. “A situação onera quem tem menos condições de buscar alternativas.”

“O sistema é desigual na ponta [cirurgia de alta complexidade] porque é desigual na entrada”, assinala o economista, ao dizer que quando o SUS tem excelência no atendimento o acesso não é para todos: “Na hora que funciona, quem se apropria são as pessoas mais bem posicionadas socialmente”.

Conforme Marinho, os planos de saúde são resistentes a autorizar procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias de transplantes, por causa dos custos. “Os hospitais privados preferem atender por meio do SUS porque sabe que paga”.

O estudo sobre a desigualdade de transplantes de órgãos está disponível no site do Ipea. Segundo Marinho, o documento foi postado ontem (7) e ainda não é do conhecimento do Ministério da Saúde.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), há 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes em 25 estados brasileiros (548 hospitais).

Edição: João Carlos Rodrigues

Direitos e terras indígenas do Nordeste (Diário de Pernambuco)

Recife, sexta-feira, 8 de julho de 2011
Opinião, p. B5

Marcondes Secundino
Antropólogo e coordenador do NEIN/Fundaj
marcondes.secundino@fundaj.gov.br

Ivson José Ferreira
Antropólogo da Funai/PE

Manoel Uilton dos Santos
Coordenador geral da Apoinme

Após a CF de 1988, que consolidou direitos indígenas e reconheceu sua autonomia jurídica e política, o estado brasileiro definiu novos parâmetros na relação com esses povos. Os direitos foram ratificados por acordos externos, como a Convenção 169 da OIT e a Declaração da ONU sobre direitos indígenas. Com isso, o reconhecimento à autodeterminação ganhou relevância no Nordeste, onde é marcante a exclusão desses direitos, sobretudo quanto à demarcação territorial.

A região referida é o Nordeste Legal, segundo a Sudene, que exclui o Maranhão e inclui o norte de Minas e o Espírito Santo. Do ponto de vista geopolítico, é a região de referência das ações indigenistas do estado e do movimento, que nela estrutura sua atuação e representação, como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do NE, MG e ES (Apoinme).

Com tal entendimento, o Núcleo de Estudos Indígenas (Nein/Fundaj), junto ao Museu Nacional/UFRJ, Apoinme e Finep/MCT, criou o Sistema de Monitoramento das Terras Indígenas nessas áreas. Os dados dão destaque à região no plano nacional. Hoje, são cerca de 80 povos indígenas, distribuídos nos estados da região, demandando 110 situações territoriais. Isso representa a segunda maior população indígena do Brasil, ou seja, 30% do total em 2010, segundo o IBGE. Só BA e PE detêm a terceira e a quarta população indígena do país.

O Sistema de Monitoramento dá continuidade, amplia e atualiza a iniciativa pioneira que originou o Atlas das Terras Indígenas do Nordeste (1993), organizado pelo antropólogo João Pacheco de Oliveira do Museu Nacional/UFRJ, cuja abrangência se restringia ao submédio São Francisco. Agora, o novo Atlas será editado com o mapeamento total dos povos e terras indígenas, segundo sua localização por municípios e estados, bem como fornecerá informações sobre impactos e sobreposições de ações governamentais e empreendimentos privados em Terras Indígenas (TIs), além do diagnóstico atual do processo de demarcação das TIs.

Ver-se-á, assim, que, em relação ao processo demarcatório, apenas 25% das TIs da região estão regularizadas. Desse percentual, a maioria ainda está ocupada por não-indígenas. Com isso, restringe-se o domínio dos índios e o pleno direito sobre as TIs, o que fere a legislação nacional e internacional. E mais: considerando as TIs que ainda não foram demarcadas, e as que aguardam providências, o CE é o primeiro no ranking regional com 95%, seguido por AL, 90,9%; MG, 73,3%; SE, 66,7%; BA, 65,5%; PE, 64,7%; e PB , 50%. O ES é o único com 100% das TIs regularizadas. Focalizando apenas as reivindicações ‘sem providência’, preocupa a situação de SE, AL, CE, MG, PB, PI e RN.

Nesse aspecto, o mapeamento atual – em breve no site da Fundaj – subsidiará intervenções qualificadas do estado nas áreas indígenas e políticas públicas diferenciadas, além de oferecer diagnóstico do estágio atual da demarcação das TIs e assim assegurar os direitos territoriais constitucionais. E poderá contribuir com iniciativas do Governo Federal, como o Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas, já anunciado pela presidente Dilma Rousseff durante a mobilização indígena em Brasília em abril último.

AP Enterprise: Indian tribes welcome much-maligned FEMA homes that were rejected after Katrina (Washington Post)

By Associated Press, Updated: Wednesday, July 6, 8:07 AM

LITTLE AXE, Okla. — Wanda Tiger and her husband needed a new home after a long-term house-sitting arrangement came to an end. But for members of their American Indian tribe in rural Oklahoma, affordable housing options were few.

Then tribal leaders learned of an impossibly attractive offer: Mobile homes that had never been occupied were available from the government almost for free. They had stood vacant for years after being rejected as temporary housing following Hurricane Katrina.

(Sue Ogrocki / Associated Press) – Charles Tiger is pictured during an interview in his FEMA trailer home in Little Axe, Okla., Thursday, June 16, 2011. Nearly six years after the hurricane, the mobile homes that became a symbol of the government’s failed response are finally being put to good use. FEMA has quietly given many of them away to American Indian tribes that are in desperate need of affordable housing.

To Tiger and members of other tribes, the homes seemed perfect, even luxurious.

“When you ain’t got nothing, you’re happy with whatever you can get,” said Tiger, a member of the Absentee Shawnee tribe who now lives in a three-bedroom home courtesy of the Federal Emergency Management Agency. “They call them temporary homes, but hey, sometimes it’s your permanent home, and we’re satisfied with it.”

Nearly six years after the hurricane, the mobile homes that became a symbol of the government’s failed response are finally being put to good use. FEMA has quietly given many of them away to American Indian tribes that are in desperate need of affordable housing.

In the aftermath of the 2005 hurricane, FEMA bought thousands of temporary homes for $20,000 to $45,000 each — both mobile homes and travel trailers.

The mobile homes proved impractical in areas where power and water service had been destroyed. And some people living in travel trailers started to fall sick because the RVs had high levels of formaldehyde, a cancer-causing chemical common in building materials.

Since then, it seemed doubtful that many of the mobile homes would ever be used. But on American Indian reservations, the offer of free housing has been welcomed, particularly among families who live in conditions so crowded that it’s not uncommon for a single mobile home to be shared by more than a dozen relatives.

Tribes have taken almost 2,000 of the government homes and requested more.

Before and during Katrina, critics complained that the homes would not protect residents from future storms. Some also worried the shelters would turn into permanent housing, potentially creating neighborhoods of dilapidated mobile homes.

Then the formaldehyde concerns arose, leading the government to trash most of the travel trailers or sell them to people who signed papers promising not to live in them.

The mobile homes that remained were parked at FEMA storage centers all over the country, costing the agency millions each year to maintain. At one point, more than 19,000 were parked at the Hope, Ark., airport. The fleet was so large that two of the facility’s three runways were closed for more than five years.

Although the mobile homes were never suspected of making anyone sick, most stayed empty, even after new disasters struck.

In Cordova, Ala., which was among the many places crippled by this spring’s historic tornado season, local leaders refused to let the mobile homes into town, despite pleas from some residents who wanted the shelters.

“I don’t feel guilty,” Mayor Jack Scott said, explaining that he did not want the shelters to become permanent. “I can look anyone in the eye.”

FEMA slowly auctioned off most of the homes and found uses for others, including giving some to the tribes. It has also used a limited number of homes in areas recently struck by twisters, including Joplin, Mo., and other parts of Alabama.

For the last several years, the agency “has been working to reduce the number of units in our inventory, while maintaining the capability to purchase units through pre-positioned contracts,” FEMA said in a statement.

Susan Popkin, a housing expert at the Washington-based Urban Institute, questioned the purchase of the shelters, suggesting that it might have been smarter to give storm victims vouchers to rent apartments than to offer them a trailer.

“It was a big stretch for them to take that on after Katrina,” Popkin said. “Their strength is in dealing with people for the first few weeks after the emergency.”

But tribal leaders were thrilled to take the homes.

After 1,300 mobile homes were distributed to tribes during 2008 and 2009, federal officials asked early this year if they wanted more, said Brian Sullivan, a spokesman for the Department of Housing and Urban Development. Ninety-five tribes responded with requests for 3,000 homes — five times as many as were available.

About 550 homes were distributed this spring. Tribal governments paid only to transport them.

John Ballard, chief of the Ottawa Tribe in far northeastern Oklahoma, said his tribe spent an average of $3,000 to acquire each home. The tribe has received 39 units for the elderly and first-time homebuyers, he said.

“Three thousand dollars is not too much to pay for a house,” Ballard said. “These trailers are a great deal for our tribe … I would take 100 more. I’ve had people send me pictures and thank-you cards and want to give me their first-born over this stuff. This has made a great impression on peoples’ lives.”

Similar stories are told by George Blanchard, governor of the Absentee Shawnee Tribe, and Paula Pechonick, chief of the Delaware Tribe of Oklahoma. Blanchard said his only gripe is that there aren’t enough homes to meet the demand.

Tiger and her husband, who live in Little Axe, a rural community southeast of Oklahoma City, were surprised that the homes had been vacant for so long.

“We saw it on the news, and we thought so many people like ourselves could use them, but they were just sitting there,” Tiger said. “Why did it take someone so long to decide, ‘Hey, these could be used’? There are a lot of homeless people in this country.”

The retired couple had been house-sitting for a relative for years when the family member told them they needed to leave in a few weeks.

After being approved for one of the government homes, tribal workers cleared some trees from a piece of land owned by the Tigers. Their new place even had an air conditioner, a luxury on the reservation.

The paperwork that came with the home in 2009 included a warning about formaldehyde and possible symptoms, but the Tigers have never experienced any problems.

Compared to some homes on reservations, FEMA’s homes are like “castles,” said Cheryl Causley, chairwoman of the National American Indian Housing Council.

“It shows you the vast discrepancy and the uneven treatment among the citizens of the United States,” Causley said. “Our people would go miles to receive those units. If there’s any more of them, we would love them. Our need is that extreme.”

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Merchant reported from Little Rock, Ark.

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Cresce número de negros em universidades particulares (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4288, de 28 de Junho de 2011

Após dez anos de cotas, crescimento de pretos e pardos foi menor nas públicas.

Dez anos após a implantação das primeiras leis de cotas no país – no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul -, ao menos ou 23% das vagas em universidades públicas são reservadas para políticas de ação afirmativa.

O dado é de um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas (da Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Isso representa cerca de 54 mil vagas. Porém, foram as instituições privadas as principais responsáveis pelo aumento da proporção de pretos e pardos no ensino superior.

Dados tabulados pela Folha a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostram que, no ensino superior, a proporção de auto declarados pretos e pardos cresceu de 21% para 35% de 2001 a 2009.

No ensino superior público, o aumento foi de 314 mil para 530 mil, uma variação de 69%. No privado, o crescimento foi de 264%, de 447 mil para 1,6 milhão. No total da população, a proporção desses grupos variou de 46% para 51%.

O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, lembra que o aumento da proporção de pretos e pardos já havia acontecido no ensino médio por causa da expansão das matrículas nesse setor.

“No caso do ensino superior, como foi o setor privado que mais cresceu, foi nele também que ocorreu o maior aumento de pretos e pardos”, afirma.

Públicas – Entre as 98 universidades públicas do País, 70 adotam alguma ação afirmativa, segundo o estudo da Uerj. Uma dessas vagas foi ocupada pela médica recém-formada Mariana Ribeiro, 27, na Uerj. “Na minha turma, não vi grandes disparidades entre os que passaram via cotas e os demais”, afirma ela.

“É um processo que leva tempo. Corrigir tudo pela política de cotas é difícil, mas ela é melhor do que o que tínhamos antes, que era nada”, afirma João Feres, um dos autores do estudo.

Hoje, ao menos 18 universidades públicas já formaram cotistas. Sete delas fizeram avaliações.

Na UnB e nas universidades do estado do Rio de Janeiro, da Bahia e Estadual de Londrina os alunos cotistas tiveram resultados quase iguais aos dos não cotistas.

Na Federal de Juiz de Fora (na área de ciência e tecnologia) e estadual de Montes Claros o desempenho dos não cotistas foi superior. Já na Universidade Federal da Bahia, eles tiveram avanço superior aos demais durante os cursos.

IPCC estuda geoengenharia para minimizar aquecimento (Carbono Brasil)

JC e-mail 4286, de 24 de Junho de 2011

Talvez motivada pela lentidão das negociações climáticas, entidade sugere que cientistas avaliem possibilidades para refletir os raios solares e até o depósito de ferro nos oceanos para estimular o crescimento de algas que absorvam o CO².

O jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) destinados para os cientistas que formam o grupo de trabalho em geoengenharia da entidade e revelou que utilizar essa opção para lidar com as mudanças climáticas está sendo considerada com seriedade.

O grupo de cientistas se reúne na próxima semana em Lima, no Peru, e tem como principal objetivo fornecer sugestões para os governos de quais tecnologias de geoengenharia seriam mais eficientes e seguras.

Entre as propostas que o IPCC pede para serem avaliadas estão: Dispersar aerossóis de enxofre na estratosfera para refletir parte dos raios solares de volta para o espaço; Depositar grandes quantidades de ferro nos oceanos para o crescimento de algas que absorvam o CO²; Realizar a bioengenharia de culturas agrícolas para que tenham uma cor que reflita os raios solares; Suprimir a formação de nuvens do tipo cirrus, que agem acentuando o efeito estufa.

De acordo com o The Guardian, outras medidas que podem ser estudadas são a dispersão de partículas de água do mar nas nuvens para que reflitam os raios solares, a pintura de branco das estradas e telhadas em todo o mundo e diferentes maneiras de capturar e armazenar os gases do efeito estufa.

Apesar das ideias parecerem ficção científica, algumas delas já foram inclusive tiradas do papel. No começo de 2009, um navio de pesquisas alemão carregado com 20 toneladas de sulfato de ferro partiu em direção à Antártica com o objetivo de injetar o material no fundo do oceano. A operação acabou sendo suspensa no último momento pelo governo alemão que atendeu aos pedidos da comunidade internacional.

Realizar projetos de geoengenharia sempre levantou muita polêmica, tanto que em 2010 a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) aprovou uma moratória desse tipo de iniciativa. Entretanto, a moratória permite a continuidade de estudos em pequena escala em circunstâncias controladas.

Mesmo a Sociedade Americana de Meteorologia (AMS), entidade que defende o uso da geoengenharia, alerta que ainda são necessários muitos estudos antes que seja feita qualquer alteração de grande porte nos sistemas terrestres.

“O potencial para ajudar a sociedade, assim como os riscos de consequências inesperadas, exigem mais pesquisas, regulamentações e transparência nas iniciativas”, ressalta a instituição.

Contrários até mesmo a continuidade de estudos sobre o assunto, 125 grupos ambientais e de direitos humanos de 40 países, incluindo a Friends of the Earth International e a Via Campesina, entregaram uma carta nesta semana para o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, alertando que a entidade não tem competência para avaliar a opção da geoengenharia.

“Perguntar a um grupo de cientistas que trabalham com geoengenharia se é preciso fazer mais pesquisas sobre o assunto é igual perguntar se um urso quer mel”, afirma a carta. Segundo os ambientalistas, essa não é uma questão apenas cientifica, é política.

A geoengenharia voltou a ganhar força depois que foi registrado que em 2010 as emissões bateram um novo recorde histórico, apesar de todas as promessas dos governos mundiais. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o ano passado registrou a emissão de 30,6 gigatoneladas de dióxido de carbono.

Além disso, o ritmo das negociações internacionais está muito lento, tornando praticamente impossível que seja criado um acordo climático global nos próximos meses.

A própria presidente da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, afirmou que talvez seja preciso adotar tecnologias mais radicais para conter o aquecimento em no máximo 2°C e evitar as piores consequências das mudanças climáticas.

“Estamos nos colocando em uma situação onde precisaremos utilizar métodos mais drásticos para retirar as emissões da atmosfera”, concluiu Figueres.

Scientists Cry Foul Over Report Criticizing National Science Foundation (msnbc.com)

By Stephanie Pappas, LiveScience Senior Writer

http://www.msnbc.msn.com/id/43187678

A report released by the office of Sen. Tom Coburn (R-Okla.) distorts the goals and purposes of National Science Foundation-funded (NSF) research in an effort to paint the agency as wasteful, scientists say.

Coburn released “The National Science Foundation: Under the Microscope” May 26, raising “serious questions regarding the agency’s management and priorities,” according to Coburn’s office. But scientists whose research is targeted in the report say Coburn has oversimplified or otherwise misrepresented their work. [Infographic: Science Spending in the Federal Budget ]

“Good Lord!” Texas A&M psychologist Gerianne Alexander, whose work on hormones and infant development appears in the report, wrote in an email to LiveScience. “The summary of the funded research is very inaccurate.”

This isn’t the first time politicians have taken aim at the NSF in the name of deficit reduction. In December 2010, Rep. Adrian Smith (R-Neb.) called for citizens to review NSF grants and highlighted a few projects he viewed as wasteful, including research meant to evaluate productivity.

NSF’s entire budget of approximately $7 billion represents about one-half of 1 percent of the projected 2011 federal deficit.

Funding and review

The new report acknowledges that NSF has funded research leading to innovations ranging from the Internet to bar codes. NSF also runs a rigorous evaluation process when choosing to fund grants. Each year, the agency receives more than 45,000 competitive proposals, NSF spokesperson Maria Zacharias told LiveScience in December. NSF funds about 11,500 of those, Zacharias said.

However, according to a review by Coburn’s staff, the senator is unconvinced that NSF is making the right decisions.

“It is not the intent of this report to suggest that there is no utility associated with these research efforts,” the report reads. “The overarching question to ask, however, is simple. Are these projects the best possible use of our tax dollars, particularly in our current fiscal crisis?”

Science out of context

Scientists say Coburn’s office fails to put their research into context, often choosing silly-sounding projects to characterize entire research programs.

Alexander’s work, for example, is characterized as a $480,000 experiment meant to discover “if boys like trucks and girls like dolls.” According to the report, scientists could have saved their time by “talking to any new parent.”

In fact, Alexander said, the research project is more complicated.

“The grant supports research asking whether the postnatal surge in testosterone levels in early infancy contributes to the development of human behavior,” she said. “This is not a trivial issue.” [Read: The Truth About Genderless Babies ]

That’s because some preliminary evidence suggests that disruptions in hormones like testosterone can alter behavior, Alexander said, potentially contributing to the development of disorders such as attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) and autism.

Toy choice is a way to measure sex differences in behavior, because babies tend to choose stereotyped boy-girl toys early on, Alexander said. She and her team measure infant hormone levels and look for effects on behavior, activity levels, temperament and verbal development.

Likewise, a much-ballyhooed project that put shrimp on a treadmill was part of research intended to find out how marine animals will cope with increased environmental stress.

Robot laundry?

Coburn focused much of the report on social science research. But the report also questions several robotics projects, including a robot that can fold laundry. The report mocks the research, noting that it takes the robot 25 minutes to fold a single towel.

In fact, the $1.5 million NSF grant went not to teach robots how to do slow-motion laundry, but to learn how to make robots that can interact with complex objects, said lead researcher Pieter Abbeel of UC Berkeley. The towel-folding, which came six months into a four-year project, was an ideal challenge, Abbeel said, because folding a soft, deformable towel is very different from the pick-up-this-bolt, screw-in-this-screw tasks that current robots can perform.

“Towel-folding is just a first, small step toward a new generation of robotic devices that could, for example, significantly increase the independence of elderly and sick people, protect our soldiers in combat, improve the delivery of government services and a host of other applications that would revolutionize our day-to-day lives,” Abbeel wrote in an email to LiveScience.

Overseeing basic science

“It’s legitimate to ask what kind of scientific research is important and what isn’t,” said John Hibbing, a professor of political science whose research on the genetics of political leaningsappeared in Coburn’s report. However, Hibbing expressed doubt that Coburn’s nonscientific review process could meet that goal.

“I sympathize with the desire to identify things that are silly and not useful,” Hibbing told LiveScience. “But I’m not sure he’s identified a really practical strategy to distinguish between the two.”

Código Florestal como foi aprovado na Câmara poderá agravar mudanças climáticas, alertam cientistas do IPCC (Agência Brasil, JC)

JC e-mail 4268, de 30 de Maio de 2011.

De acordo com os pesquisadores, a versão do Código Florestal aprovada pela Câmara compromete as metas internacionais assumidas pelo País para diminuir emissão de gases de efeito estufa.

Quatro dos cientistas brasileiros que fazem parte do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), alertaram para o possível agravamento sobre o clima com a entrada em vigência da atual versão do Código Florestal aprovada pela Câmara. Segundo eles, o aumento da pressão sobre as áreas de florestas comprometerá os compromissos internacionais firmados em 2009 pelo Brasil na Conferência de Copenhague, de diminuir em até 38,9% a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia até 2020.

Os cientistas, que são ligados à Coordenação de Programas de Pós-Gradução de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), falaram sobre o assunto durante um seminário que abordou as conclusões de um relatório do IPCC sobre energias renováveis, realizado na última quinta-feira (26).

Para a cientista Suzana Kanh, as posições internacionais assumidas pelo País serão prejudicadas, se o Senado não mudar o texto do código aprovado pela Câmara ou se a presidenta da República, Dilma Rousseff, não apresentar vetos. “O impacto do código é muito grande, na medida em que o Brasil tem a maior parte do compromisso de redução de emissão ligada à diminuição do desmatamento. Qualquer ação que fragilize esse combate vai dificultar bastante o cumprimento das metas brasileiras”, afirmou.

A cientista alertou que haverá mudanças climáticas imediatas no Brasil e na América do Sul com o aumento da derrubada de florestas para abrir espaço à agricultura e à pecuária, como vem ocorrendo no Cerrado e na Amazônia. “Com o desmatamento, há o aumento da liberação de carbono para a atmosfera, afetando o microclima, influindo sobre o regime de chuvas e provocando a erosão do solo, prejudicando diretamente a população”.

O cientista Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da Coppe, disse que a entrada em vigor do Código Florestal, como aprovado pelos deputados, poderá prejudicar o investimento que o País faz em torno dos biocombustíveis, principalmente a cana, como fontes de energia limpa. “Hoje os biocombustíveis são entendidos como uma das alternativas para lidar como mudanças climáticas. No momento em que o Brasil flexibiliza as regras e perdoa desmatadores, isso gera desconfiança sobre a maneira como o biocombustível é produzido no País e se ele pode reduzir as emissões [de GEE] como a gente sempre falou”, disse.

O geógrafo Marcos Freitas, que também faz parte do IPCC, considerou que o debate em torno do código deveria ser mais focado no melhor aproveitamento do solo, principalmente na revitalização das áreas degradadas. “O Brasil tem 700 mil quilômetros quadrados de terra que já foi desmatada na Amazônia, e pelo menos dois terços é degradada. Se o código se concentrasse nessa terra já seria um ganho, pois evitaria que se desmatasse o restante. A área de floresta em pé é a que preocupa mais. Pois a tendência, na Amazônia, é a expansão da pecuária com baixa rentabilidade”, afirmou.

Para ele, haverá impactos no clima da região e do País, se houver aumento na devastação da floresta decorrente do novo código. “Isso é preocupante, porque a maior emissão [de GEE] histórica do Brasil, em nível global, tem sido o uso do solo da Amazônia, que responde por cerca de 80% de nossas emissões. Nas últimas conferências [climáticas], nós saímos bem na foto, apresentando cenários favoráveis à redução no desmatamento na região. Agora há uma preocupação de que a gente volte a níveis superiores a 10 mil quilômetros quadrados por ano”.

A possibilidade de um retrocesso ambiental, se mantida a decisão da Câmara sobre o código, também foi apontada pelo engenheiro Segen Estefen, especialista em impactos sobre os oceanos. “Foi decepcionante o comportamento do Congresso, uma anistia para quem desmatou. E isso é impunidade. Uma péssima sinalização dos deputados sobre a seriedade na preservação ambiental. Preponderou a visão daqueles que têm interesse no desmatamento. Isso sempre é muito ruim para a imagem do Brasil”, disse.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli, enviou uma carta à presidenta Dilma, sugerindo que ela vete parte do código, se não houver mudanças positivas no Senado. Secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Pinguelli alertou para a dificuldade do país de cumprir as metas internacionais, se não houver um freio à devastação ambiental.

“O problema é o aumento do desmatamento em alguns estados, isso é um mau sinal. Com a aprovação do código, poderemos estar favorecendo essa situação. Seria possível negociar, beneficiando os pequenos agricultores. Mas o que passou é muito ruim”, afirmou Pinguelli, que mantém a esperança de que o Senado discuta com mais profundidade a matéria, podendo melhorar o que foi aprovado na Câmara.

(Agência Brasil – 28/5)

Witchy Town’s Worry: Do Too Many Psychics Spoil the Brew? (N.Y. Times)

Lorelei Stathopoulos is concerned Salem will lose its “quaint reputation.” Photo: Gretchen Ertl for The New York Times.
By KATIE ZEZIMA. Published: May 26, 2011
SALEM, Mass. — Like any good psychic, Barbara Szafranski claims she foresaw the problems coming.
Gretchen Ertl for The New York Times

Christian Day, who owns two shops, thinks competition is a good thing.

Gretchen Ertl for The New York Times

Debra Ann Freeman read a customer’s tarot cards in Salem, Mass.

Her prophecy came in 2007, as the City Council was easing its restrictions on the number of psychics allowed to practice in this seaside city, where self-proclaimed witches, angels, clairvoyants and healers still flock 319 years after the notorious Salem witch trials. Some hoped for added revenues from extra licenses and tourists. Others just wanted to bring underground psychics into the light.

Just as Ms. Szafranski predicted, the number of psychic licenses has drastically increased, to 75 today, up from a mere handful in 2007. And now Ms. Szafranski, some fellow psychics and city officials worry the city is on psychic overload.

“It’s like little ants running all over the place, trying to get a buck,” grumbled Ms. Szafranski, 75, who quit her job as an accountant in 1991 to open Angelica of the Angels, a store that sells angel figurines and crystals and provides psychic readings. She says she has lost business since the licensing change.

“Many of them are not trained,” she said of her rivals. “They don’t understand that when you do a reading you hold a person’s life in your hands.”

Christian Day, a warlock who calls himself the “Kathy Griffin of witchcraft,” thinks the competition is good for Salem.

“I want Salem to be the Las Vegas of psychics,” said Mr. Day, who used to work in advertising and helped draft the 2007 regulations. Since they went into effect, he has opened two stores, Hex and Omen.

But not everyone is sure that quantity can ensure quality. Lorelei Stathopoulos, formerly an exotic dancer known as Toppsey Curvey, has been doing psychic readings at her store, Crow Haven Corner, for 15 years. She thinks psychics should have years of experience to practice here.

“I want Salem to keep its wonderful quaint reputation,” said Ms. Stathopoulos, who was wearing a black tank top that read “Sexy witch.” “And with that you have to have wonderful people working.”

Under the 2007 regulations, psychics must have lived in the city for at least a year to obtain an individual license, and businesses must be open for at least a year to hire five psychics. License applicants are also subject to criminal background checks.

Ms. Stathopoulos says a garden-variety reader makes 40 percent of a $35 reading that lasts 15 minutes. She charges $90 and up for a half-hour of her services, and keeps all of that.

Now, talk has started about new regulations that would include a cap on the number of psychic businesses, but the grumbling has in no way reached the level of viciousness that occurred in 2007, when someone left the mutilated body of a raccoon outside Ms. Szafranski’s shop and Mr. Day and Ms. Stathopoulos got into a fight.

Ms. Szafranski says she plans to send the council an official complaint in June.

This time, she has no prediction how it will turn out.

Contra a tirania da norma culta

É mais importante ensinar os alunos a navegar o universo linguístico do Brasil e valorizar as falar regionais, do que impor a norma culta como única manifestação linguística legítima. A norma culta é importante como espécie de língua franca, e nada mais. Os estudantes têm que sabê-la, mas com maior consciência política a respeito do que ela é (como diria Paulo Freire). Palmas para o MEC. Abaixo as estúpidas reformas ortográficas.

MEC não vai recolher livro que aceita erro de português (O Globo)

JC e-mail 4258, de 16 de Maio de 2011

O Ministério da Educação informou que não se envolverá na polêmica sobre o livro com erros gramaticais distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático, do próprio MEC, a 485 mil estudantes jovens e adultos. O livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloísa Ramos, defende uma suposta supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo a troca dos conceitos “certo e errado” por “adequado ou inadequado”. A partir daí, frases com erros de português como “nós pega o peixe” poderiam ser consideradas corretas em certos contextos.

– Não somos o Ministério da Verdade. O ministro não faz análise dos livros didáticos, não interfere no conteúdo. Já pensou se tivéssemos que dizer o que é certo ou errado?
Aí, sim, o ministro seria um tirano – afirmou ontem um auxiliar do ministro Fernando Haddad, pedindo para não ser identificado.

Escritores e educadores criticaram ontem a decisão de distribuir o livro, tomada pelos responsáveis pelo Programa Nacional do Livro Didático. Para Mírian Paura, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uerj, as obras distribuídas pelo MEC deveriam conter a norma culta:

-Não tem que se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular, não erudita, como se fosse um dialeto. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito. Na obra “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, a autora afirma num trecho: “Posso falar ‘os livro?’ Claro que pode, mas, dependendo da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito linguístico.” Em outro, cita como válidas asfrases: “nós pega o peixe” e “os menino pega o peixe”. Autor de dezenas de livros infantis e sobre Machado de Assis, o escritor Luiz Antônio Aguiar também é contra a novidade:

– Está valendo tudo. Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância. Estão jogando a toalha. Isso demonstra falta de competência para ensinar. Segundo ele, o que estabelece as regras é a gramática.

– Imagina um jogo de futebol sem as linhas do campo. Como vão jogar futebol sem saber se a bola vai sair ou não? O que determina as regras é a gramática. Faltam critérios. É um decréscimo da capacidade de comunicação – observou Aguiar , também professor do curso “Formação de leitores e jovens leitores”, da Secretaria municipal de Educação do Rio.

Proposta de alteração do Código Florestal provoca corrida ao desmatamento em Mato Grosso (ICV)

03/05/2011 – Laurent Micol, Ricardo Abad e Sérgio Guimarães / ICV
Novos desmatamentos detectados no município de Nova Ubiratã, Mato Grosso, entre agosto/2010 e abril/2011 Fonte: ICV

Nas últimas semanas acumularam-se provas de que está ocorrendo uma forte retomada do desmatamento no estado de Mato Grosso. Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon, já indicavam uma tendência de alta de 22% do desmatamento e de 225% na degradação florestal entre agosto/2010 e março/2011, com relação ao mesmo período do ano anterior. No mês de abril, operações de fiscalização realizadas pelo Ibama e divulgadas na mídia local e nacional revelaram o reaparecimento de casos de megadesmatamentos (desmatamentos acima de 1.000 hectares), que haviam praticamente desaparecido em Mato Grosso nos últimos três anos. O ICV mapeou o desmatamento recente em três municípios do centro-norte do estado, confirmando a tendência.
Nos meses de agosto/2010 a abril/2011, identificamos 66 novos desmatamentos no município de Nova Ubiratã, totalizando cerca de 37 mil hectares (Figura 1).

Clique aqui para ver o mapa em alta resolução.

No mesmo período, no município de Santa Carmem foram 24 novos desmatamentos totalizando 9 mil hectares e, no município de Cláudia, 22 novos desmatamentos totalizando também 9 mil hectares. No período de agosto/2009 a julho/2010, o desmatamento nesses municípios havia sido de 2.300, 1.200 e 700 hectares, respectivamente. O aumento nesses três municípios, somente até o mês de abril, já foi de mais de 1.200%.
Até o momento, a maior parte dos grandes desmatamentos detectados foi na região centro-norte do estado, que é a primeira a ter abertura da cobertura de nuvens. Nessa região predomina o plantio de grãos em grande escala. No entanto, com o final da estação chuvosa, podem aparecer grandes desmatamentos também nas regiões norte e noroeste. Com base nessas informações, alertamos que a taxa de desmatamento no estado de Mato Grosso, que havia caído abaixo de 100 mil hectares em 2010, pode voltar nesse ano aos níveis do período de pico, de 2001 a 2005, quando a média foi de 900 mil hectares por ano (Figura 2).

Clique aqui para ver a tabela do desmatamento.

Segundo informações de campo, o que está acontecendo é uma corrida para desmatar grandes áreas o quanto antes, visando aproveitar-se da anistia do desmatamento ilegal prometida pela proposta de alteração do Código Florestal. Essas ações estão sendo realizadas à revelia da lei em vigor, com a expectativa de impunidade, mesmo sabendo que certamente haverá fiscalização do órgão ambiental. Como demonstrado por várias análises, nas autuações por desmatamento ilegal, apenas um percentual ínfimo das multas são pagas.

Essa retomada dos desmatamentos em Mato Grosso baseada na aposta da alteração do Código Florestal também ecoa a atuação do próprio governador do estado, Silval Barbosa, que, em 20 de abril do corrente ano, sancionou uma lei do zoneamento estadual que prevê a possibilidade de regularização ambiental para áreas desmatadas até a data de sua publicação e, ainda, pretende isentar de reserva legal propriedades abaixo de 400 hectares, em franca contradição com a legislação federal.

Essa situação pode gerar consequências dramáticas não somente em termos ambientais, mas também políticos e possivelmente econômicos para Mato Grosso e para o Brasil. Mato Grosso vinha sendo responsável por mais de 60% da redução do desmatamento na Amazônia desde 2005, fator primordial para o cumprimento das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa contidas na Política Nacional de Mudanças Climáticas. Nesse contexto, a retomada do desmatamento constitui um retrocesso inaceitável e uma demonstração concreta de que a proposta de alteração do código florestal atualmente em tramitação no congresso nacional é extremamente nefasta, assim como foi a sanção da lei do zoneamento de Mato Grosso. É fundamental que o governo federal atue com a máxima urgência, tomando as atitudes necessárias, inclusive junto ao congresso nacional, para reverter essa situação e assim evitar maiores prejuízos à natureza e à sociedade brasileira.

Clique aqui para baixar pdf da análise.

Link original aqui.

Estatais inovam mais do que as companhias privadas, mostra pesquisa (Agência Brasil)

JC e-mail 4244, de 26 de Abril de 2011.

Entre 2006 e 2008, as empresas estatais federais promoveram mais inovações do que as companhias privadas.

Praticamente sete em cada 10 empresas públicas criaram algum produto ou processo nesse período, segundo a Pesquisa de Inovação nas Empresas Estatais Federais 2008, divulgada quarta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as empresas privadas, de acordo com a última Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) do IBGE, a relação cai para quatro em cada dezena.

O estudo sobre inovação nas estatais foi feito em parceria com os ministérios da Ciência e Tecnologia e do Planejamento e analisou, pela primeira vez, as empresas federais isoladamente. Ao todo, foram investigadas 72 companhias públicas, de um total de 118 acompanhadas pelo Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest).

De acordo com a gerente responsável pela pesquisa, Fernanda Vilhena, esse resultado reflete o padrão de inovação observado nas estatais federais, mais voltado para pesquisa e desenvolvimento (P&D), geralmente em parceria com universidades. “O grande diferencial é que as empresas, sobretudo as industriais, promovem a inovação muito baseada na compra de máquinas e equipamentos. Já nas estatais federais, o padrão de inovação é voltado para pesquisa e desenvolvimento dentro da própria empresa e, também, com arranjos cooperativos com universidades. Isso é muito interessante e acabou determinando o resultado positivo de inovação nessas companhias”, disse ele.

A pesquisa também revelou que, entre as estatais inovadoras, 27,8% lançaram algum produto novo no mercado nacional e 29,2% implementaram processo inédito, também direcionado ao mercado interno. Nas empresas privadas, esses percentuais são 4,4% e 2,4%, respectivamente.

Vilhena ressaltou que essa diferença pode ser explicada, além do volume maior de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, pelo monopólio que algumas estatais exercem em determinados setores, como o de energia. “Essas empresas são muito intensivas em pesquisa e desenvolvimento, o que gera muito processo inovador. No caso dos produtos, as estatais, muitas vezes, são as únicas ofertantes de um produto.
Então, ao lançar um produto novo, ele é automaticamente novo para o mercado”.

A pesquisa também destacou que o apoio do governo, por meio de bolsas de fundações de amparo à pesquisa e dos incentivos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), impulsionou as inovações nas empresas estatais. Já em relação aos entraves para implementar processos inovadores, o estudo revela que as dificuldades são mais evidentes nas companhias públicas. Mais da metade (57,1%) enfrentaram pelo menos um obstáculo de importância alta ou média para inovar, especialmente relacionado à burocracia da administração pública. A dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações e a rigidez organizacional foram citados por 64,2% delas. Já para o conjunto de empresas privadas ouvidas pela Pintec, os maiores obstáculos foram os elevados custos da inovação (57,1%), os riscos econômicos excessivos (65,6%) e a escassez de financiamento (51,4%).
(Agência Brasil)

Que democracia racial é essa? (Carta Capital)

Por Rodrigo Martins

20 de abril de 2011

Apesar da redução das disparidades propiciadas por programas de segurança alimentar, como o Bolsa Família, o abismo que separa brancos e negros no Brasil continua gigantesco. Essa é uma das conclusões do 2º Relatório Anual de Desigualdades Raciais, divulgado na terça-feira 19, pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os indicadores foram compilados a partir de diferentes bases de dados do IBGE, dos ministérios da Saúde e Educação, entre outras instituições públicas. O estudo revela que os afrodescendentes têm menor acesso ao sistema de saúde (uma taxa de não cobertura de 27%, frente aos 14% verificados entre a população branca), a exames ginecológicos preventivos, ao pré-natal e sofrem com uma taxa maior de mortalidade materna.

Por dia, morrem cerca de 2,6 mulheres pretas ou pardas por complicações na gestação, enquanto este mesmo problema acomete 1,5 mulheres brancas. Entre 1986 e 2008, a taxa de fecundidade das afrodescendentes caiu de forma mais acelerada (48,8%) que a das brancas (36,7%). No entanto, as mulheres pretas ou pardas se sujeitam com mais intensidade a procedimentos radicais de contracepção, como as laqueaduras. Quase 30% dessa população em idade fértil estavam esterilizada em 2006, frente a uma taxa de 21,7% das mulheres brancas.

“Ninguém é contra o planejamento familiar. A queda na taxa de natalidade representa uma melhora na qualidade de vida das pessoas. Mas as afrodescendentes poderiam ter acesso a formas menos agressivas de intervenção”, avalia o economista Marcelo Paixão, coordenador do relatório. “A esterilização é uma solução radical demais. É como arrancar um dente para não tratar uma cárie. Por isso, causa preocupação o fato de parte dessa redução da fecundidade estar associada às laqueaduras.”

Nos últimos 20 anos, a média do tempo de estudos dos afrodescendentes acima de 15 anos passou de 3,6 anos para 6,5. Mesmo assim, está muito aquém da população branca, hoje com uma média de 8,3 anos de estudo. Além disso, 45,4% das crianças pretas ou pardas entre 6 e 10 anos estudava na série inadequada em 2008, frente ao percentual do 40,4% dos brancos. Entre as crianças de 11 e 14 anos, o problema é ainda mais grave, pois 62,3% dos afrodescendentes não estudavam na série correta. Entre os jovens brancos, a inadequação atingia 45,7%.

Por outro lado, as famílias pretas ou pardas beneficiadas pelo Bolsa Família conseguiram aumentar a quantidade de alimentos consumidos em proporção superior (75,7%) a das famílias brancas (70,1%). A elevação no consumo de arroz entre os afrodescendentes foi de 68,5%. Brancos: 31,5%. No caso do feijão, o consumo dos pretos e pardos cresceu 68%. Brancos: 32%.

“Apesar de melhorar a segurança alimentar dos afrodescendentes, o que é importantíssimo, em todos os outros setores percebe que a discrepância entre brancos e negros prevalece”, comenta Paixão. “Devido às elevadas taxas de desemprego, rotatividade no mercado de trabalho e informalidade, os pretos e partos tem um acesso bem menor à cobertura da Previdência Social. A diferença chega a dez pontos percentuais na população masculina e 20% entre as mulheres”, completa.

Outro dado que chama a atenção é o baixo índice de condenação por crimes de racismo no Brasil. Entre 2007 e 2008, 66,9% dos casos julgados nos Tribunais de Justiça de todo o País foram vencidas pelos réus e apenas 29,7% das supostas vítimas saíram vitoriosas. Na primeira instância, as vítimas tiveram sua demanda judicial contemplada em 40,5% dos acórdãos.

“Talvez os magistrados ainda acreditem no mito da democracia racial brasileira e, por isso, sejam mais brandos nas condenações e na aplicação das penas”, especula o professor da UFRJ. “Pela lei, o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, mas não tenho notícia de um único racista condenado à prisão no Brasil. Vejo apenas punições pecuniárias, sobretudo indenizações, e pedidos de desculpas formais.”

FDA Wants Cigarette Packs to Include Images of Corpses, Diseased Lungs (ABC News)

Graphic Warnings on U.S. Cigarette Packs May Curb Smoking, Advocates Say

By LARA SALAHI, ABC News Medical Unit

Nov. 10, 2010

The modest one-liners of the dangers of smoking, now featured on cigarette packs, may soon turn into gory images and messages that will cover nearly half the pack.

The U.S. Food and Drug Administration unveiled 36 jarring labels Wednesday aimed at escalating efforts to warn smokers of the fatal consequences of cigarette smoking. These labels represent the agency’s exercise of its new authority over tobacco products and the most significant change in cigarette warnings since companies were forced to add the mandatory Surgeon General’s warning in 1965.

Some of the proposed images include a man smoking from a tracheotomy hole, a cadaver labeled to show it died from lung disease, and a pained infant exposed to smoke.

For decades federal regulators and health experts have warned that cigarettes are deadly. But Matthew L. Myers, president of the Campaign for Tobacco-Free Kids, called the ramped-up measures “a timely and much-needed shot in the arm.”

“The current warnings are more than 25 years old, go unnoticed on the side of cigarette packs and fail to effectively communicate the serious health risks of smoking,” said Myers.

Although smoking rates have declined overall since the 1960s, health officials noted that rates have leveled off in the last decade. About 21 percent of U.S. adults, and nearly 20 percent of high school students smoke cigarettes, according to the Centers for Disease Control and Prevention.

The agency’s goal is to reduce the 443,000 deaths associated with tobacco use each year.

Previous studies suggest that graphic health warnings displayed in other countries worked better than text warnings to motivate smokers to quit, and nonsmokers not to start.

Images used on cigarette packs in countries like Canada are so disturbing that some smokers buy covers for their cigarette packs to block out the images.

“Having a coordinated policy, having these warnings, making them so visible, making them real is, in my opinion and in the opinion of the American Cancer Society, going to be a very positive step forward,” said Dr. Len Lichtenfeld, deputy chief medical officer for the American Cancer Society.

Experts Say Fear Messages May Not Work for Long

But some experts wonder how long the proposed fear messages will work.

“The point of putting these pictures is the shock value, and research tells us shock value on its own rarely works,” said Timothy Edgar, associate professor and graduate program director of health communication at Emerson College in Boston, Mass.

Most Americans already know that smoking is dangerous — the message that the FDA is trying to convey, said Edgar. And while the campaign may dissuade some smokers at the start of the campaign, the communication tactic may not spur many to kick the habit for good, if at all.

“I think people are still going to have a hard time saying, yes that’s me on that label,” said Edgar. “There’s a physical addiction involved in this as well. It’s not an absolute choice for many who smoke.”

According to Joy Schmitz, professor of psychiatry and behavioral sciences at the University of Texas medical school in Houston, the intended message will more likely reach younger adults, or those who may have just picked up the habit.

“It might give them pause for concern or contemplation as to their choice of smoking when they see the pretty dramatic scene on the packages,” said Schmitz.

But evidence suggests effective messages not only communicate the danger but also offer ways to help change behavior, said Edgar.

“There’s none of that here,” said Edgar, who suggested the campaign should also offer direct actions for people to take to quit smoking.

“Simply showing someone that there is a severe outcome or they’re personally responsible is not enough. They need to know there’s something they can do about it,” he said.

Schmitz agreed.

“It needs to be combined with the anti-smoking policies, restricting smoking in the environment, as well as promoting effective evidence-based smoking cessation treatments that are available,” she said.

The FDA will accept public comment on the proposed labels through January 2011, and will select nine to use by June 2011. The agency will then require all manufacturers to use the labels on all U.S. sold cigarettes by October 22, 2012.



Manifesto em defesa do Conselho de Comunicação Social e da democracia no Ceará

As entidades abaixo assinadas manifestam publicamente seu total apoio à criação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará e repudia, de forma veemente, as tentativas de setores conservadores da sociedade de desqualificar a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de propor ao governador Cid Gomes (PSB) a criação de um órgão que possibilitará a efetiva participação da sociedade cearense na criação de políticas públicas em comunicação do Estado.

Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução destas políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.

Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a grande mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B. E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz “Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei”, com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.

Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.

A desfaçatez com que o baronato da mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.

É chegada à hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, se unindo aos trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.

Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento, criação, e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Sindicato dos Jornalistas Proissionais no Estado do Ceará – Sindjorce

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC

Instituto de Juventude Contemporânea – IJC

Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço-CE

Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará – Cedeca-CE

UNIÃO DA JUVENTUDE SOCIALISTA- UJS

MOVIMENTO PRÓ-PARQUE RAQUEL DE QUEIROZ

ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DO BAIRRO ELLERY

Associação Comunitária do Bairro Monte Castelo

UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES- UBM

Agência de Informação Frei Tito para América Latina – Adital

ONG CATAVENTO COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO

Fábrica de Imagens – ações educativas em cidadania e gênero (Fortaleza CE)

Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores e Comunicadoras do Brasil

Sindicato dos Operadores de Turismo do Ceará

Rede de Jovens do Nordeste

Cia. de Teatro Arte Amiga

Cia Tesouro Nordestino

Pastoral da Juventude do Canindezinho – PJ

Grupo Vida e Arte

Centro Cultural de Arte Capoeira na veia

Associação Zumbi Capoeira

Grupo Pensar Lutar e Cia. de Teatro arte amiga

Tesouro Nordestino

Pastoral da juventude (canindezinho)

Coral Vida e Arte

Futsal Caça e Pesca

Centro Cultural de Arte Capoeira na veia

Associação Zumbi Capoeira (Pirambu)

Grupo Pensar Lutar e Vencer (Pastoral da Juventude Maraponga)

Grupo Tapa (Temos amor pela arte)

Espaço Solidário (ESSO)

Juventude Negra Kalunga

Terreiro Capoeira

Grêmio estudantil Juventude Ativa

Vidas e Vozes da Juventude

Juventude Atitude (CDI)

Cine Rua

Centro de Apoio a Vida

Grupo Aprendizes de Papel

Grupo Budega Chic