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Bom da Rio+20 é a sociedade, dizem especialistas (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4501, de 21 de Maio de 2012.

A um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos em debate ontem (20) em São Paulo disseram que o melhor que se pode esperar da conferência para o desenvolvimento sustentável é que ela sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo (20).

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma. “A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

José Goldemberg: Cotas raciais – quem ganha, quem perde? (OESP)

JC e-mail 4501, de 21 de Maio de 2012.

José Goldemberg é professor emérito da Universidade de São Paulo. Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (21).

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente, por unanimidade, que a introdução de cotas raciais no acesso às universidades públicas federais não viola a Constituição da República, seguindo a linha adotada nos Estados Unidos há algumas décadas de introduzir “ações afirmativas” para corrigir injustiças feitas no passado. A decisão flexibiliza a ideia básica de que todos são iguais perante a lei, um dos grandes objetivos da Revolução Francesa.

Ela se origina na visão de que é preciso aceitar a “responsabilidade histórica” dos malefícios causados pela escravidão e compensar, em parte, as vítimas e seus descendentes. A mesma ideia permeia negociações entre países, entre ex-colônias e as nações industrializadas, na área comercial e até nas negociações sobre o clima.

Sucede que, de modo geral, “compensar” povos ou grupos sociais por violências, discriminações e até crimes cometidos no passado raramente ocorreu ao longo da História. Um bom exemplo é o verdadeiro “holocausto” resultante da destruição dos Impérios Inca e Asteca, na América Latina, ou até da destruição de Cartago pelos romanos, que nunca foram objeto de compensações. Se o fossem, a Espanha deveria estar compensando até hoje o que Hernán Cortez fez ao conquistar o México e destruir o Império Asteca.

É perfeitamente aceitável e desejável que grupos discriminados, excluídos ou perseguidos devam ser objeto de tratamento especial pelos setores mais privilegiados da sociedade e do próprio Estado, por meio de assistência social, educação, saúde e criação de oportunidades. Contudo, simplificar a gravidade dos problemas econômicos e sociais que afligem parte da população brasileira, sobretudo os descendentes de escravos, estabelecendo cotas raciais para acesso às universidades públicas do País, parece-nos injustificado e contraprodutivo, porque revela uma falta de compreensão completa do papel que essas instituições de ensino representam.

Universidades públicas e gratuitas atendem apenas a um terço dos estudantes que fazem curso superior no Brasil, que é uma rota importantíssima para a progressão social e o sucesso profissional. As demais universidades são pagas, o que prejudica a parte mais pobre da população estudantil. Essa é uma distorção evidente do sistema universitário do País. Mas o custo do ensino superior é tão elevado que apenas países ricos como a França, a Suécia ou a Alemanha podem oferecer ensino superior gratuito para todos. Não é o nosso caso. Essa é a razão por que existem vestibulares nas universidades públicas, onde a seleção era feita exclusivamente pelo mérito até recentemente.

A decisão recente do Supremo Tribunal Federal deixa de reconhecer o mérito como único critério para admissão em universidades públicas. E abre caminho para a adoção de outras cotas, além das raciais, talvez, no futuro.

Acontece que o sistema universitário tem sérios problemas de qualidade e desempenho, como bem o demonstra o resultado dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – garantia da qualidade dos profissionais dessa área -, que reprova sistematicamente a maioria dos que se submetem a ele, o mesmo ocorrendo com os exames na área médica.

Órgãos do governo como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, ou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, têm feito esforços para melhorar o desempenho das universidades brasileiras por meio de complexos processos de avaliação, que têm ajudado, mas não se mostraram suficientes.

Esses são mecanismos externos às universidades. Na grande maioria delas, os esforços internos são precários em razão da falta de critérios e de empenho do Ministério da Educação, que escolhe os reitores, alguns dos quais, como os da Universidade de Brasília, iniciaram o processo de criação de cotas raciais como se esse fosse o principal problema das universidades e do ensino superior no Brasil.

O populismo que domina muitas dessas universidades, há décadas, é a principal razão do baixo desempenho das universidades brasileiras na classificação mundial. Somente a Universidade de São Paulo (USP) conseguiu colocar-se entre as melhores 50 nesse ranking.

O problema urgente das universidades brasileiras é, portanto, melhorar de nível, e não resolver problemas de discriminação racial ou corrigir “responsabilidades históricas”, que só poderão ser solucionadas por meio do progresso econômico e educacional básico.

O governo federal parece ter tomado consciência desse problema ao lançar o programa Ciência sem Fronteiras, que se propõe a enviar ao exterior, anualmente, milhares de estudantes universitários, imitando o que o Japão fez no século 19 ou a China no século 20 e foi a base da modernização e do rápido progresso desses países.

Daí o desapontamento com a decisão da Suprema Corte não só por ter sido unânime, mas também por não ter sido objeto de uma tomada de posição de muitos intelectuais formadores de opinião, exceto notáveis exceções, como Eunice R. Durham, Simon Schwartzman, Demétrio Magnoli e poucos outros que se manifestaram sobre a inconveniência da decisão.

O único aspecto positivo na decisão do Supremo Tribunal Federal foi o de que simplesmente aceitou a constitucionalidade das cotas raciais, cabendo aos reitores, em cada universidade, adotá-las e implementá-las.

Há aqui uma oportunidade para que os professores mais esclarecidos assumam a liderança e se esforcem para manter elevado o nível de suas universidades sem descuidar de tornar o acesso pelo mérito mais democrático, e sem a adoção de cotas raciais, como algumas universidades estaduais de São Paulo estão fazendo.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Brasileiros podem debater tema da Rio+20 em site lançado pela ONU (Agência Brasil)

JC e-mail 4497, de 15 de Maio de 2012.

Outra iniciativa lançada é a Agenda Total (AT), uma plataforma de conversação na internet que vai reunir todas as agendas da Rio+20, incluindo os eventos oficiais da ONU e os paralelos, promovidos pela prefeitura e pelo governo do estado, além da programação da Cúpula dos Povos e da sociedade civil.

Os brasileiros que desejem contribuir com as discussões sobre desenvolvimento sustentável, tema da conferência Rio+20, que a Organização das Nações Unidas (ONU) realiza no Rio de Janeiro em junho, pode enviar textos, fotos ou vídeos para o site http://www.ofuturoquenosqueremos.org.br.

A iniciativa, apresentada ontem (14), faz parte de uma campanha de conversa global lançada mundialmente pela ONU, com versões para o árabe, chinês, espanhol, inglês, francês e russo, línguas oficiais das Nações Unidas.

De acordo com o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio) e porta-voz adjunto da Rio+20, Giancarlo Summa, a criação do site pretende mobilizar os brasileiros para que manifestem seu pensamento sobre como seria o futuro num mundo mais sustentável, apresentando problemas e sugestões.

“A discussão sobre desenvolvimento sustentável só será um sucesso se a opinião pública em cada país se envolver e fizer pressão sobre governos e empresas, com contribuições envolvendo o tripé economia, ambiente e social. A nossa proposta aqui no Brasil é envolver a sociedade civil nessa discussão, para que se manifeste sobre o que queremos para daqui a 20 anos”, explicou.

Summa ressaltou que parte do conteúdo postado será apresentada em telões de led no Riocentro, onde chefes de Governo e de Estado se reunirão durante a conferência. “Também estamos pensando em outras formas de fazer chegar diretamente ao governo brasileiro e a outros governos as propostas dessa conversa global, com formas mais inovadoras, com muita internet e pouco papel”, disse.

Ele explicou que o site já está no ar e que vai receber as contribuições até o fim do ano. “O Brasil é um país muito conectado, onde a internet faz parte da vida de milhões de pessoas. Usando a rede, achamos que vamos influenciar as conversas sobre desenvolvimento sustentável”, destacou.

Para convocar a população a contribuir, foi produzida uma campanha multimídia exclusiva para o público brasileiro, intitulada ‘Eu Sou Nós’. Com depoimentos de pessoas famosas e brasileiros comuns, as peças serão veiculadas em televisão, rádio, jornais, revistas e internet. Além disso, uma série de anúncios será exposta em lugares púbicos explicando como participar da mobilização.

Outra iniciativa, também lançada ontem (14) pela ONU é a Agenda Total (AT), uma plataforma de conversação na internet que vai reunir todas as agendas da Rio+20, incluindo os eventos oficiais da ONU e os paralelos, promovidos pela prefeitura e pelo governo do estado, além da programação da Cúpula dos Povos e da sociedade civil.

Segundo Silvana de Matos, coordenadora da AT, o instrumento será a principal forma de interação da ONU com a sociedade brasileira durante a conferência. “São milhares de agendas e precisávamos integrá-las. Ao mesmo tempo, essa ferramenta vai ser o centro de documentação de todo o evento. As pessoas que estão ligadas às instituições [que vão participar da Rio+20] receberão login e senha e poderão publicar data e horário de seus eventos, além de disponibilizar vídeos e imagens em alta resolução”, explicou.

Silvana acrescentou que o projeto vai ajudar aos profissionais da imprensa na organização da cobertura dos eventos e também ao público em geral, que vai ficar sabendo o que vai acontecer na cidade durante a Rio+20. “O público em geral vai ver o que foi publicado, os eventos que acontecerão, os locais e como chegar a eles. Poderá também assistir a palestras e até fazer perguntas por chats”, enfatizou.

O serviço estará disponível no site http://www.agendatotal.org a partir de 8 de junho.

O debate online ‘Rio+20, o Futuro que Queremos’ lançado pela ONU servirá para promover o evento no Brasil e torná-lo mais popular. No Rio de Janeiro, por exemplo, enquanto a cidade se prepara para receber a conferência, nas ruas muitos cariocas ainda desconhecem o que será tratado durante a conferência.

A estudante Tatiana Cerqueira, de 17 anos, sabe apenas que não vai ter aula nos dias do evento. “Não estou sabendo de absolutamente nada. Só sei que não vai ter aula, porque os professores já comentaram, mas o que é o evento, eu não sei”, afirmou. O contador Marciele de Souza, de 49 anos, também disse não ter ideia do que se trata. “Não sei nada de Rio+20. Já ouvi falar, mas não sei o que é nem quando vai acontecer”, contou.

A auxiliar de escritório Cirlane de Jesus Santos, de 32 anos, disse ter “um pouco de conhecimento sobre o assunto”, mas não sabe como se envolver ou como participar. “Eu sei que é um projeto que aconteceu há vinte anos e que vai acontecer de novo esse ano e que vem muita gente de vários lugares. Mas não sei como participar ou o que eles vão discutir”, garantiu.

A Rio+20 acontece de 20 a 22 de junho, no Rio de Janeiro, e deve reunir milhares de pessoas, entre políticos, membros de organizações não governamentais (ONGs), representantes da sociedade civil e empresários, além dos chefes de Estado e de Governo. De acordo com a ONU, dos seus 193 países-membros, 183 já confirmaram presença.

Occupy’s Global May manifesto

May 11, 2012

We are living in a world controlled by forces incapable of giving freedom and dignity to the world’s population (if, indeed, they ever were). A world where we are told ‘there is no alternative’ to the loss of rights achieved through the long, hard struggles of our ancestors.

We find ourselves in a world where success is defined in seeming opposition to the most fundamental values of humanity, such as solidarity and mutual support. Moreover, anything that does not promote competitiveness, selfishness and greed is seen as dysfunctional. This immoral ideology is reinforced by the monopoly of the mainstream media, the instrument that manufactures false consensus around this unfair and unsustainable system.

But we have not remained silent! Our consciousness has awakened, and we have joined the wave of collective consciousness now spreading light and hope to every corner of the world. From Tunisia to Tahrir Square, Madrid to Rejkavik, New York to Brussels, people are rising up. In the Arab Spring, in the dignity of Iceland, in the dignified rage of 15M and Occupy Wall Street. Together we have denounced the status quo. Our effort states clearly ‘enough!’, and has even begun to push changes forward, worldwide.

This is why we, women and men, inhabitants of this planet, are uniting once again to make our voices heard this May 12th. All over the world. We denounce the current condition of our planet, and urge the application of different policies, designed to encourage and promote the common good.

We condemn the current distribution of economic resources whereby only a tiny minority escape poverty and insecurity. Whereby future generations are condemned to a poisoned legacy thanks to the environmental crimes of the rich and powerful. ‘Democratic’ political systems, where they exist, have been emptied of meaning, put to the service of those few interested in increasing the power of corporations and financial institutions, regardless of the fate of the planet and its inhabitants.

We declare the current crisis is not a natural accident. It was caused by the greed of those who would bring the world down, with the help of an economics that has lost its true sense. No longer about management of the common good, but simply an ideology at the service of financial power, seeking to impose measures that stifle billions of people, without asking their opinion. They say there is no alternative. They say we must leave our future in the hands of the same experts who destroy it.

Here and now, we’re back. We have awakened, and not just to complain! Here and now, we aim at the true causes of the crisis: their policies and lies hidden in empty rhetoric. Here and now we propose alternatives, because we want to fix the problem while also moving towards a more democratic world. Simply put, we want a world ruled by the values of liberty, equality, and fraternity – the old dream of our ancestors when they rose against oppression in previous generations, throughout the planet! Simply put we want a world where every woman, man and child is guaranteed the right to the free pursuit of personal and collective happiness.

The statement below does not speak, or claim to speak, on behalf of everyone in the global spring/Occupy/Take the Square movements. This is an attempt by some inside the movements to reconcile statements written and endorsed in the different assemblies around the world. The process of writing the statement was consensus based, open to all, and regularly announced on our international communications platforms, that are also open to all (like the ‘squares’ mailing list, the weekly global roundtables and the ‘international’ facebook group). It was a hard and long process, full of compromises. This statement is offered to people’s assemblies around the world for discussions, revisions and endorsements.

There will be a process of a global dialogue, and this statement is part of it, a work-in-progress. We do not make demands from governments, corporations or parliament members, which some of us see as illegitimate, unaccountable or corrupt. We speak to the people of the world, both inside and outside our movements. We want another world, and such a world is possible:

1. The economy must be put to the service of people’s welfare, and to support and serve the environment, not private profit. We want a system where labour is appreciated by its social utility, not its financial or commercial profit. Therefore, we demand:

  • Free and universal access to health, education from primary school through higher education and housing for all human beings, through appropriate policies to get this. We reject outright the privatization of public services management, and the use of these essential services for private profit.
  • Full respect for children’s rights, including free child care for everyone.
  • Retirement/pension so we may have dignity at all ages. Mandatory universal sick leave and holiday pay.
  • Every human being should have access to an adequate income for their livelihood, so we ask for work or, alternatively, universal basic income guarantee.
  • Corporations should be held accountable to their actions. For example, corporate subsidies and tax cuts should be done away with if said company outsources jobs to decrease salaries, violates the environment or the rights of workers.
  • Apart from bread, we want roses. Everyone has the right to enjoy culture, participate in a creative and enriching leisure at the service of the progress of humankind . Therefore, we demand the progressive reduction of working hours, without reducing income.
  • Food sovereignty through sustainable farming should be promoted as an instrument of food security for the benefit of all. This should include an indefinite moratorium on the production and marketing of GMOs and immediate reduction of agrochemicals use.
  • We demand policies that function under the understanding that our changing patterns of life should be organic/ecologic or should never be. These policies should be based on a simple rule: one should not spoil the balance of ecosystems for simple profit. Violations of this policy should be prosecuted around the world as an environmental crime, with severe sanctions for convicted.
  • Policies to promote the change from fossil fuels to renewable energy, through massive investment which should help to change the production model.
  • We demand the creation of international environmental standards, mandatory for countries, companies, corporations, and individuals. Ecocide (wilful damage to the environment, ecosystems, biodiversity) should be internationally recognised as a crime of the greatest magnitude.

2. To achieve these objectives, we believe that the economy should be run democratically at all levels, from local to global. People must get democratic control over financial institutions, transnational corporations and their lobbies. To this end, we demand:

  • Control and regulation of financial speculation by abolishing tax havens, and establishing a Financial Transaction Tax (FTT). As long as they exist, the IMF, World Bank and the Basel Committee on Banking Regulation must be radically democratised. Their duty from now on should be fostering economic development based on democratic decision making. Rich governments cannot have more votes because they are rich. International Institutions must be controlled by the principle that each human is equal to all other humans – African, Argentinian or American; Greek or German.
  • As long as they exist, radical reform and democratisation of the global trading system and the World Trade Organization must take place. Commercialization of life and resources, as well as wage and trade dumping between countries must stop.
  • We want democratic control of the global commons, defined as the natural resources and economic institutions essential for a proper economic management. These commons are: water, energy, air, telecommunications and a fair and stable economic system. In all these cases, decisions must be accountable to citizens and ensure their interests, not the interests of a small minority of financial elite.
  • As long as social inequalities exist, taxation at all levels should maintain the principle of solidarity. Those who have more should contribute to maintain services for the collective welfare. Maximum income should be limited, and minimum income set to reduce the outrageous social divisions in our societies and its social political and economic effects.
  • No more money to rescue banks. As long as debt exists, following the examples of Ecuador and Iceland, we demand a social audit of the debts owed by countries. Illegitimate debt owed to financial institutions should not be paid.
  • Absolute end of fiscal austerity policies that only benefit a minority, and cause great suffering to the majority.
  • As long as banks exist, separation of commercial and financial banks, avoiding banks “too big to fail”.
  • End of the legal personhood of corporations. Companies cannot be elevated to the same level of rights as people. The public’s right to protect workers, citizens and the environment should prevail over the protections of private property or investment.

3. We believe that political systems must be fully democratic. We therefore demand full democratization of international institutions, and the elimination of the veto power of a few governments. We want a political system which really represent the variety and diversity of our societies:

  • All decisions affecting all mankind should be taken in democratic forums like a participatory and direct UN Parliamentary Assembly or a UN people’s assembly, not rich clubs such as G20 or G8.
  • At all levels we ask for the development of a democracy that is as participatory as possible, including non representative direct democracy.
  • As long as they are practiced, electoral systems should be as fair and representative as possible, avoiding biases that distort the principle of proportionality.
  • We call for the democratization of access and management of media (MSM). These should serve to educate the public, as opposed to the creation of an artificial consensus about unjust policies.
  • We ask for democracy in companies and corporations. Workers, despite wage level or gender, should have real decision power in the companies and corporations they work in. We want to promote cooperative companies and corporations, as real democratic economic institutions.
  • Zero tolerance to corruption in economic policy. We must stop the excessive influence of big business in politics, which is today a major threat to true democracy.
  • We demand complete freedom of expression, assembly and demonstration, as well as the cessation of attempts to censor the Internet.
  • We demand respecting privacy rights on and off the internet. Companies and the government should not engaged in data mining.
  • We believe that military spending is politically counterproductive to a society’s advance, so we demand its reduction to a minimum.
  • Ethnic, cultural and sexual minorities should have their civil, cultural, political and economic rights fully recognized.
  • Some of us believe a new Universal Declaration of Human Rights, fit for the 21st century, written in a participatory, direct and democratic way, needs to be written. As long as the current Declaration of Human Rights defines our rights, it must be enforced in relation to all – in both rich and poor countries. Implementing institutions that force compliance and penalize violators need to be established, such as a Global Court to prosecute social, economic and environmental crimes perpetrated by governments, corporations and individuals. At all levels, local, national, regional and global, new constitutions for political institutions need to be considered, like in Iceland or in some Latin American countries. Justice and law must work for all, otherwise justice is not justice, and law is not law.

This is a worldwide Global Spring. We will be there on May 2012; we will fight until we win. We will not stop being people. We are not numbers. We are free women and men.

For a Global Spring!

For global democracy and social justice!

Take to the streets on May 2012!

Cúpula dos Povos rejeita conceito de economia verde da Rio+20 (Agência Brasil)

JC e-mail 4496, de 14 de Maio de 2012.

As principais lideranças responsáveis pela organização da Cúpula dos Povos, reunião de movimentos populares paralela à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), divulgaram ontem (13) um documento condenando o conceito de economia verde, defendido por integrantes de governos que participarão da Rio+20, que ocorrerá em junho no Rio.

O documento critica, em três páginas, o foco das discussões em torno da Rio+20, que não estaria tocando nas questões fundamentais da crise global, que na visão dos participantes da Cúpula dos Povos, “é o capitalismo, com suas formas clássicas e renovadas de dominação, que concentra a riqueza e produz desigualdades sociais”.

Os organizadores elaboraram o documento durante encontro internacional no Rio e divulgaram o conteúdo em coletiva de imprensa. A mexicana Silvia Ribeiro, diretora da organização ETC, dedicada a temas agroalimentares, disse que a economia verde é um nome enganoso.

“Muitos creem que é algo positivo, mas é um disfarce para mais negócios e mais exploração dos ecossistemas. O outro aspecto é que eles querem se apropriar da natureza usando tecnologias perigosas. É uma solução falsa dizer que vai se resolver tudo com tecnologia, em vez de se ir às causas para baixar as emissões do efeito estufa, os padrões de produção e o consumo”, criticou Silvia.

A canadense Nettie Wiebe, produtora de alimentos orgânicos e ligada à Via Campesina, alertou para o perigo de se liberar as sementes de tecnologia terminator, que geram plantas modificadas geneticamente para serem inférteis, forçando agricultores a comprarem novas sementes a cada safra. Segundo ela, apesar de haver embargo internacional contra esse tipo de semente, grupos internacionais do agronegócio estão interessados em patrocinar sua liberação.

A norte-americana Cindy Wiesner, dirigente da organização Grassroots Global Justice Alliance, criticou a provável ausência do presidente Barack Obama na Rio+20. “Historicamente somos o país que mais destrói o planeta e temos uma responsabilidade muito grande de oferecer outras práticas. Mas o que vemos, com a ausência do presidente Obama, é que ele não se importa com isso. É uma pena que não venha, pois seria uma oportunidade para ouvir milhões de pessoas que querem uma alternativa”, disse a americana.

Outro ponto destacado no documento da Cúpula dos Povos é a luta contra a sanção do projeto original do Código Florestal, conforme aprovado pelo Congresso e que agora depende da decisão da presidente Dilma Rousseff em modificar ou não a matéria através de veto. “Conclamamos todos os povos do mundo a apoiarem a luta do povo brasileiro contra a destruição de um dos mais importantes quadros legais de proteção às florestas [Código Florestal], o que abre caminhos para mais desmatamentos em favor dos interesses do agronegócio e da ampliação da monocultura”, assinala trecho do documento.

Mais informações sobre o encontro da Cúpula dos Povos, que vai acontecer de 15 a 23 de junho, podem ser acessadas na página http://www.cupuladospovos.org.br.

Pela primeira vez no Brasil, antropólogo Roy Wagner dialoga com indígenas da Amazônia (A Crítica)

Autor de “A Invenção da Cultura”, Roy Wagner conheceu, pela primeira vez, indígenas da América do Sul e participou de ritual

Manaus, 08 de Agosto de 2011
ELAÍZE FARIAS

Antropólogo Norte Americano dialoga com índios do Amazônia – FOTO: ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA

Antropólogo norte-americano dialoga com índios da Amazônia. FOTO: ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA

Antropólogo norte-americano dialoga com índios da Amazônia. FOTO: ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA

Antropólogo norte-americano dialoga com índios da Amazônia. FOTO: ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA

Antropólogo norte-americano dialoga com índios da Amazônia. FOTO: ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA

“Todo entendimento de uma outra cultura é uma experiência com a sua própria”, diz o norte-americano Roy Wagner, um dos principais nomes da antropologia contemporânea mundial, no livro “A Invenção da Cultura”.

Foi exatamente essa equivalência entre culturas que Roy Wagner vivenciou em sua primeira visita à Amazônia, na semana passada.

Em Manaus, Wagner realizou aula magna de abertura de ano letivo, participou de uma mesa redonda com graduandos e pós-graduandos indígenas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), visitou duas malocas de grupos indígenas que vivem na zona rural da capital amazonense e testemunhou o que ele chamou de “multiperspectivos”.

Autor da teoria sobre “a invenção e a noção da cultura”, que resultou no conceito de “antropologia reversa”, Wagner notabilizou-se pelos estudos que desenvolveu desde os anos 60 na Melanésia e na Nova Guiné (Oceania). Mas, somente agora, aos 73 anos, é que teve oportunidade de conhecer os povos nativos da América do Sul.

No sábado (06), último dia em Manaus, Roy Wagner conheceu e participou de um ritual dos índios tukano, tuyuka e dessana, em uma maloca localizada a quatro horas de Manaus em viagem de barco de recreio.

Na maloca, o indígena tuyuka Higino Tuyuka, que veio de São Gabriel da Cachoeira (a 851 quilômetros de Manaus), cidade onde 90% da população é indígena, apenas para participar das atividades e dialogar nos eventos com Roy Wagner, fez uma demonstração de um ritual de iniciação e apresentou ao antropólogo uma bebida típica chamada kahpí, de efeito alucinógeno e que é destinada apenas aos homens.

Perspectivas

“São muitas perspectivas se encontrando. Não considero um encontro de uma cultura nativa com um antropólogo, mas entre culturas compartilhando os mesmos espaços”, disse Wagner ao portal acrítica.com, ao final da experiência com os indígenas.

Esta foi a primeira vez que Wagner teve contato com os povos nativos da América do Sul, desde que começou seu trabalho como etnográfico e antropólogo.

Nas atividades desenvolvidas em Manaus, ele participou “uma conversa intercambiada sobre as cosmologias” e identificou semelhanças entre os ameríndios e os povos que estudou na Oceania.

A principal delas refere-se à relação entre o humano e os animais. “Na Austrália, os aborígenes têm uma relação, em sua cosmologia, com os corvos. Os animais são incorporados no mundo dos humanos. Aqui, vemos que os indígenas tem uma associação com os peixes. São os peixe-gente”, disse.

No seu diálogo com os indígenas brasileiros, Wagner, contudo, conta que encontrou uma característica específica: a preferência pelas “origens”. “Os povos daqui falam muito sobre o início, sobre a origem, a estrela Dalva, em contraste, por exemplo, com os povos aborígenes, que falam mais do poente, para a morte”, descreveu.

Intelectuais

Roy Wagner veio a Manaus numa articulação do Instituto Brasil Plural, que vincula a Universidade Federal do Amazonas e a Universidade Federal de Santa Catarina.

Sua vinda ao Amazonas não estava prevista inicialmente. Convidado pelos professores do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Ufam, ele aceitou o convite para dialogar com os intelectuais indígenas – professores e estudantes.

A agenda do antropológo inclui palestras em Florianópolis (SC), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

“Os intelectuais indígenas são aqueles que detêm as suas formas específicas do conhecimento. Alguns não são necessariamente pessoas que passaram pela universidade, mas que detém um profundo conhecimento”, descreveu o professor Carlos Dias, do PPGAS.

Carlos Dias disse que Roy Wagner ficou muito impressionado com a experiência vivenciada no Amazonas, sobretudo pela interlocução com os indígenas com os quais teve oportunidade de conversar.

Dias contou que, no domingo (08), o orientando de Wagner entrou em contato com os professores da Ufam e contou que “o grande momento no Brasil do antropólogo foi sua vinda à Amazônia”.

Conforme Carlos, em seu contato com os indígenas, Wagner encontrou uma grande quantidade de paralelos em termos cosmológicos entre os ameríndios e os povos que estudou, no passado.

“O Roy Wagner cria uma nova teoria de noção da cultura quando leva a sério essas novas formas de pensar. Capturar o outro através de seu conhecimento.

João Paulo Barreto, indígena tukano e mestrando em antropologia da Ufam, comentou que Wagner ficou surpreso com a apresentação de perspectivas na visão indígena. Isto ocorreu quando o líder Higino Tuyuka, durante o ritual, relacionou o cocar utilizado por João Paulo com as estruturas da maloca.

Estévão Barreto, também tukano e mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia, destacou que a presença de Roy Wagner indicou a necessidade de promover o diálogo “ciência indígena e o saber científico”.

Igualdade

Roy Wagner tem formação em literatura inglesa, história, astronomia e antropologia.

Seus trabalhos mais conhecidos foram realizados entre os Dabiri, na Nova Guiné, e entre os aborígenes, na Austrália. Sua obra mais conhecida, “A Invenção da Cultura”, foi lançada em 1975 e teve uma revisão em 1981. No Brasil, o livro foi traduzido apenas em 2010.

No Brasil, seu principal interlocutor é o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, autor do conceito de Perspectivismo.

No livro “A Invenção da Cultura”, Wagner diz que “o antropólogo usa sua própria cultura para investigar outras, e para estudar a cultura em geral”. Ou seja, “a idéia de cultura coloca o pesquisador em pé de igualdade com seus objetos de estudo: cada qual ‘pertence a uma cultura’.”.

Para Roy Wagner, “um antropólogo ‘experencia´de um modo ou de outro, seu objeto de estudo; ele o faz através do universo de seus próprios significados, e então se vale dessa experiência carregada de significados para comunicar uma compreensão aos membros de própria cultura”.

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Antropólogo autor de “A Invenção da Cultura” ministra aula magna na Ufam nesta quinta

Roy Wagner é um dos maiores importantes antropólogos da atualidade. o norte-americano vem pela primeira vez ao Brasil

Manaus, 03 de Agosto de 2011

ACRITICA.COM

Um dos mais renomados antropólogos da atualidade, o norte-americano Roy Wagner, ministra aula magna de abertura do semestre do curso de mestrado em Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), nesta quinta-feira (04), às 9h, no auditório Rio Solimões do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL/Ufam).

O professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), Gilton Mendes, disse que Roy Wagner interessou-se pelo convite de vir a Manaus estimulado pela ideia de conversar com “conhecedores sobre a antropologia indígena amazônica”.

Autor de “A Invenção da Cultura”, Roy Wagner estudou astronomia, literatura inglesa e história na Universidade de Harvard, e fez sua pós-graduação em antropologia na Universidade de Chicago.

O livro “A Invenção da Cultura” foi lançado em 1975, mas só teve edição no Brasil no ano passado. Era uma das obras mais esperadas pelo meio antropólogo nos últimos anos no país.

No dia 5 de agosto, Roy Wagner participará de uma mesa-redonda intitulada ‘Conversações Melanésias e Amazônia’, com os pesquisadores indígenas. Promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social em conjunto com o Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (Neai).

O evento acontecerá às 15h,  na Rua Coronel Sérgio Pessoa, 147, na Praça dos Remédios, Centro de Manaus. A mesa-redonda contará com a participação especial de Justin Shaffner, da Universidade de Cambridge (EUA).

Indígenas

Roy Wagner iniciou seu trabalho de campo entre os Daribi no monte Karimui, na Nova Guiné, sobre quem escreveu e publicou sua monografia dedicada aos princípios daribi de definição de clã e aliança.

A partir da etnografia daribi, Wagner desenvolveu uma teoria geral sobre a invenção de significado e sobre a noção de cultura, publicada em “A invenção da cultura”, que ganhou nova edição revista e ampliada em 1981.

A obra radicaliza uma reflexão sobre o polêmico conceito de cultura em antropologia: a partir da consideração dos modos de conceitualização nativos, ela reformula a própria disciplina antropológica.

Para Wagner, não se trata de entender o que outros povos produzem como “cultura” a partir de um dado universal (a “natureza”), mas antes, o que é concebido como dado por outras populações. Com isto, a própria noção de “natureza” como dado universal e de “cultura” ficam sob suspeição.

Sua vinda ao Brasil faz parte das iniciativas programadas do Instituto Brasil Plural, uma rede de pesquisadores articulada pelos Programas de Pós-Graduação da Universidade de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), financiada pelo CNPq, a Fapesc e a Fapeam.

Charting Hybridised Realities (Tactical Media Files)

Posted on April 15, 2012 by 

This text was originally written for the Re-Public on-line journal, which focuses on innovative developments in contemporary political theory and practice, and is published from Greece. As the journal has ground to a (hopefully just temporary) halt under severe austerity pressures we decided to post the current first draft of the text on the Tactical Media Files blog. This posting is one of two, the second of which will follow shortly. Both texts build on my recent Network Notebook on the ‘Legacies of Tactical Media‘.

The second text is a collection of preliminary notes that expand on recent discussions following Marco Deseriis and Jodi Dean’s essay “A Movement Without Demands”. It is conceivable that both texts will merge into a more substantive essay in the future, but I haven’t made up my mind about that as yet.

Hope this will be of interest,
Eric

Charting Hybridised Realities

Tactical Cartographies for a densified present

In the midst of an enquiry into the legacies of Tactical Media – the fusion of art, politics, and media which had been recognised in the middle 1990s as a particularly productive mix for cultural, social and political activism [1], the year 2011 unfolded. The enquiry had started as an extension of the work on the Tactical Media Files, an on-line documentation resource for tactical media practices worldwide [2], which grew out of the physical archives of the infamous Next 5 Minutes festival series on tactical media (1993 – 2003) housed at the International Institute of Social History in Amsterdam. After making much of tactical media’s history accessible again on-line, our question, as editors of the resource, had been what the current significance of the term and the thinking and practices around it might be?

Prior to 2011 this was something emphatically under question. The Next 5 Minutes festival series had been ended with the 2003 edition, following a year that had started on September 11, 2002, convening local activists gatherings named as Tactical Media Labs across six continents. [3] Two questions were at the heart of the fourth and last edition of the Next 5 Minutes: How has the field of media activism diversified since it was first named ‘tactical media’ in the middle 1990s? And what could be significance and efficacy of tactical media’s symbolic interventions in the midst of the semiotic corruption of the media landscape after the 9/11 terrorist attacks?

This ‘crash of symbols’ for obvious reasons took centre stage during this fourth and last edition of the festival. Naomi Klein had famously claimed in her speedy response to the horrific events of 9/11 that the activist lever of symbolic intervention had been contaminated and rendered useless in the face of the overpowering symbolic power of the terrorist attacks and their real-time mediation on a global scale. [4] The attacks left behind an “utterly transformed semiotic landscape” (Klein) in which the accustomed tactics of culture jammers had been ‘blown away’ by the symbolic power of the terrorist atrocities. Instead ‘we’ (Klein appealing to an imaginary community of social activists) should move from symbols to substance. What Klein overlooked in this response in ‘shock and awe’, however, was that while the semiotic landscape had indeed been dramatically transformed (and corrupted) in the wake of the 9/11 attacks, it still remained a semiotic landscape – symbols were still the only lever and entry point into the wider real-time mediated public domain.

Therefore, as unlikely as it may have seemed at the time, the question about the diversification of the terrain and the practices of media activism(s) was ultimately of far greater importance. What the 9/11 crash of symbols and the semiotic corruption debate contributed here was ‘merely’ an added layer of complexity. In a society permeated by media flows, social activism necessarily had to become media activism, and thus had to operate in a significantly more complex and contested environment. The diversification of the media and information landscape, however, also implied that a radical diversification of activist strategies was needed to address these increasingly hybridised conditions.

To name but a few of the emerging concerns: Witnessing of human rights abuses around the world, and creating public visibility and debate around them remained a pivotal concern for many tactical media practitioners, as it had been right from the early days of camcorder activism. But now new concerns over privacy in networked media environments, coupled with security and secrecy regimes of information control entered the scene. Critical media arts spread in different directions, claiming new terrains as diverse as life sciences and bio-engineering, as well as ‘contestational robotics’, interventions into the space of computer games, and even on-line role playing environments. Meanwhile the free software movement made its strides into developing more autonomous toolsets and infrastructures for a variety of social and cultural needs – adding a more strategic dimension to what had hitherto been mostly an interventionist practice. In a parallel movement on-line discussion groups, mailing lists, and activity on various social media platforms started to coalesce slowly into what media theorist Geert Lovink has described as ‘organised networks’. [5] Or finally the rapid development of wireless transmission technologies, smart phones and other wireless network clients, which introduced a paradoxical superimposition of mediated and embodied spatial logics, best be captured in the multilayered concept of Hybrid Space. [6]

Our question was therefore entirely justified, to ask how the term ‘tactical media’ could possibly bring together such a diversified, heterogeneous, and hybridised set of practices in a meaningful way? It had become clear that more sophisticated cartographies would be necessary to begin charting this intensely hybridised landscape.

A digital conversion of public space

If the events in 2011 have made one thing clear it is that the ominous claim of Critical Art Ensemble that “the streets are dead capital” [7] has been declared null and void by an astounding resurgence of street protest, whatever their longer term political significance and fallout might be. These protests staged in the streets and squares, ranging from anti-austerity protests in Southern Europe to the various uprisings in Arab countries in North Africa and the Middle East, to the Occupy protests in the US and Northern Europe, have by no means been staged in physical spaces out of a rejection of the semiotic corruption of the media space. Much rather the streets and squares have acted as a platform for the digital and networked multiplication of protest across a plethora of distribution channels, cutting right across the spectrum of alternative and mainstream, broadcast and networked media outlets.

What remained true to the origin of the term ‘tactical media’ was to build on Michel de Certeau’s insight that the ‘tactics of the weak’ operate on the terrain of strategic power through highly agile displacements and temporary interventions [8], creating a continuous nomadic movement, giving voice to the voiceless by means of ‘any media necessary’ (Critical Art Ensemble). However, the radical dispersal of wireless and mobile media technologies meant that mediated and embodied public spaces increasingly started to coincide, creating a new hybridised logic for social contestation. As witnessed in the remarkable series of public square occupations in 2011, through the digital conversion of public space the streets have become networks and the squares the medium for collective expression in a transnationally interconnected but still highly discontinuous media network.

Horizontal networks / lateral connections

One of the remarkable characteristics of the various protests is not simply the adoption of similar tactics (most notably occupations of public city squares), but the conscious interlinking of events as they unfold. Italian activists of the Unicommons movement physically linked up with revolting students in Tunisia, Egyptian bloggers and occupiers of Tahrir Square linked up with the ‘take the square’ activists in Spain, who in turn expressed solidarity and even co-initiated transnational actions with #occupy activists in the United States and elsewhere. It is the first time that the new organisational logic of transnational horizontal networks that has been theorised for instance in the seminal work “Territory, Authority, Rights” by sociologist Saskia Sassen, has become so evidently visible in activists practices across a set of radically dispersed geographic assemblages.

Horizontal networks by-pass traditional vertically integrated hierarchies of the local / national / international to create specific spatio-temporal transnational linkages around common interests, but also around affective ties. By and large these ties and linkages are still extra-institutional, largely informal, and because of their radically dispersed make up and their ‘affective’ constitution highly unstable. Political institutions have not even begun assembling an adequate response to these new emergent political constellations (other than traditional repressive instruments of strategic power, i.e. evictions, arrests, prohibitions). Given the structural inequalities that fuel the different strands of protest the longer term effectiveness of these measures remains highly uncertain. The institutional linkages at the moment seem mostly limited to anti-institutional contestation on the part of protestors and repressive gestures of strategic authority. The truly challenging proposition these new transnational linkages suggest, however, is their movement to bypass the nested hierarchies of vertically integrated power structures in a horizontal configuration of social organisation. They link up a bewildering array of local groups, sites, networks, geographies, and cultural contexts and sensitivities, taking seriously for the first time the networked space as a new ‘frontier zone’ (Sassen) where the new constellations of lateral transnational politics are going to be constructed.

Charting the layered densities of hybrid space

Hybrid Space is discontinuous. It’s density is always variable, from place to place, from moment to moment. Presence of carrier signals can be interrupted or restored at any moment. Coverage is never guaranteed. The economics of the wireless network space is a matter of continuous contestation, and transmitters are always accompanied by their own forms of electromagnetic pollution (electrosmog). Charting and navigating this discontinuous and unstable space, certainly for social and political activists, is therefore always a challenge. Some prominent elements in this cartography are emerging more clearly, however:

– connectivity: presence or absence of the signal carrier wave is becoming an increasingly important factor in staging and mediating protest. Exclusive reliance on state and corporate controlled infrastructures thus becomes increasingly perilous.

– censorship: censorship these days comes in many guises. Besides the continued forms of overt repression (arrests, confiscations, closures) of media outlets, new forms are the excessive application of intellectual property rights regimes to weed out unwarranted voices from the media landscape, but also highly effective forms of  dis-information and information overflow, something that has called the political efficacy of a project like WikiLeaks emphatically into question.

– circumvention: Great Information Fire Walls and information blockages are obvious forms of censorship, widely used during the Arab protests and common practice in China, now also spreading throughout the EU (under the guise of anti-piracy laws). These necessitate an ever more sophisticated understanding and deployment of internet censorship circumvention techniques, an understanding that should become common practice for contemporary activists. [9]

– attention economies: attention is a sought after commodity in the informational society. It is also fleeting. (Media-) Activists need to become masters at seizing and displacing public attention. Agility and mobility are indispensable here.

– public imagination management: Strategic operators try to manage public opinion. Activists cannot rely on this strategy. They do not have the means to keep and maintain public opinion in favour of their temporary goals. Instead activists should focus on ‘public imagination management’ – the continuous remembrance that another world is possible.

Beyond semiotic corruption: A perverse subjectivity

The immersion in extended networks of affect that now permeate both embodied and mediated spaces introduces a new and inescapable corruption of subjectivity. Critical theory already taught us that we cannot trust subjectivity. However, the excessive self-mediation of protestors on the public square has shown that a deep desire for subjective articulation drives the manifestation in public. The dynamic is underscored further by upload statistics of video platforms such as youtube that continue to outpace the possibility for the global population to actually see and witness these materials.

Rather than dismissing subjectivity it should be embraced. This requires a new attitude ‘beyond good and evil’, beyond critique and submission. A new perverse subjectivity is able to straddle the seemingly impossible divide between willing submission to various forms of corporate, state and social coercion, and vital social and political critique and contestation. It’s maxim here: Relish your own commodification, embrace your perverse subjectivity, in order to escape the perversion of subjectivity.

Eric Kluitenberg
Amsterdam, April 15, 2012.

References:

1 – See: David Garcia & Geert Lovink, The ABC of Tactical Media, May 1997, a.o.:
www.tacticalmediafiles.net/article.jsp?objectnumber=37996

2 – www.tacticalmediafiles.net

3 – Documentation of the Tactical Media Labs events can be found at:
www.n5m4.org

4 – Naomi Klein – Signs of the Times, in The Nation, October 5, 2001.
Archived at: www.tacticalmediafiles.net/article.jsp?objectnumber=46632

5 – Geert Lovink and Ned Rossiter, Dawn of the Organised Networks, in; Fibreculture Journal, Issue 5, 2005.
http://five.fibreculturejournal.org/fcj-029-dawn-of-the-organised-networks/

6 – See my article The Network of Waves, and the theme issue Hybrid Space of Open – Journal for Art and the Public Domain, Amsterdam, 2006;
www.tacticalmediafiles.net/article.jsp?objectnumber=48405
(the complete issue is linked as pdf file to the article).

7 – Critical Art Ensemble, Digital Resistance, Autonomedia, New York, 2001.
www.critical-art.net/books/digital/

8 – Michel de Certeau, The Practice of Everyday Life, University of California Press, 1984.

9 – A useful manual can be found here: www.flossmanuals.net/bypassing-censorship/

Community Media: A Good Practice Handbook (UNESCO)

Compiled and edited by Steve Buckley

Published by UNESCO and available free online at:
http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002150/215097E.pdf

Among its activities to mark World Radio Day 2012, UNESCO has
launched a new good practice handbook with case studies of community
media from around the world. The publication draws on a diversity of
experiences to provide inspiration and support for those engaged in
community media practice and advocacy and to raise awareness and
understanding of community media among policy makers and other stakeholders.

13 February has been proclaimed by UNESCO as a date to celebrate
radio broadcast, improve international cooperation among radio
broadcasters and encourage decision-makers to create and provide
access to information through radio. Community Media: A Good Practice
Handbook is a compilation of 30 community radio and other community
media examples demonstrating successful approaches to strengthening
public voice.

“The value of this publication lies in the fact that it highlights
problems while at the same time offering possible solutions. It
presents a useful empirical basis for replicating time-tested
decisions about how community media can become an even more effective
element of a free, independent and pluralistic media system of any
democratic society. This book will be a useful reference to community
media practitioners, policy-makers, researchers, community
organizers, and other media development stakeholders.”

From the Foreword by Wijayananda Jayaweera, former Director,
Communication Development Division/IPDC, UNESCO, Paris

19 Climate Games that Could Change the Future (Climate Interactive Blog)

By 

March 9, 2012 – 10:13 a.m.

The prevalence of games in our culture provides an opportunity to increase the understanding of our global challenges. In 2008 the Pew Research Centerestimated that over half of American adults played video games and 80% of young Americans play video games. The vast majority of these games serve purely to entertain. There are a growing number of games that aim to make a difference, however. These games range from those that show players the complexity of creating adequate aid packages and delivering them to places in need to games thatrequire people to get out and work to improve their communities to do well in the game.

Looking at the climate change challenge there are a number of games and interactive tools to broaden our understanding of the dynamics involved.Climate Interactive, for one, has led the development of the role-playing game World Climate, which simulates the UN climate change negotiations and is being adopted from middle school all the way up to executive management-level classrooms. Many are recognizing the power of games and everyone from government agencies to NGOs to a group of teenagers is trying to launch a game to help address climate change. Below are some of the climate and sustainability-related games we’ve found. Let us know if you’ve found others.

Computer Games:

Climate Challenge

1. Climate Challenge: The player acts as a European leader who must make decisions for their nation to reduce CO2 emissions, but must also keep in mind public and international approval, energy, food, and financial needs.

2. Fate of the World: A PC game that challenges players to solve the crises facing the Earth from natural disasters and climate change to political uprisings and international relations.

3. CEO2: A game that puts players at the head of a company in one of four industries. The player must then make decisions to reduce the CO2 and maintain (and increase) the company’s value.

4. VGas: Users build a house and select the best furnishing and lifestyle choices to have the lowest carbon footprint.

5. CO2FX: A multi-player educational game, designed for students in high school, which explores the relationship of climate change to economic, political, and science policy decisions.

6. “Operation: Climate Control” Game: A multi-player computer game where the player’s role is to decide on local environmental policy for Europe through the 21st century.

My2050

7. My2050: An interactive game to determine a scenario for the UK to lower its CO2 emissions 20% below 1990 levels by 2050. The user can select from adjustments in sectors from energy to transit.

8. Plan it Green: Gamers act as the planners of a city to revitalize it to become a greener town through energy retrofits, clean energy jobs, and green building.

9. Logicity: A game that challenges players to reduce their carbon footprints by making decisions in a virtual city.

10. Electrocity: A game designed for school children in New Zealand to plan a city that balances the needs of energy, development, and the environment.

11. Climate Culture: A virtual social networking game based on players’ actual carbon footprints and lifestyle choices. Players compete to earn badges and awards for their decisions.

12. World Without Oil: An alternate reality game that was played out on blogs and other social media platforms for 32 weeks in 2007 by thousands of players to simulate what might happen if there was an oil crisis and oil became inaccessible. Participants wrote blogs and made videos about their experience as if it was real.

13. SimCity 5 (coming 2013): With over 20 years of experience and millions of players the SimCity series has captured imaginations by putting players in control of developing cities. Recently announced, SimCity 5 will add among other things the need to face sustainability challenges like climate change, limited natural resources, and urban walkability.

Role-playing Games:

14. World Climate Exercise: A role-playing game for groups that simulates the UN climate change negotiations by dividing the group into regional and national negotiating teams to negotiate a treaty to 2 degrees or less. 

15. “Stabilization Wedge” Game: A game to show participants the different ways to cut carbon emissions, through the concept of wedges.

Board Games:

16. Climate Catan: Building on the widely popular board game Settlers of Catan, this version adds oil as resource that spurs development but if too much is used it also instigates a climate related disaster which can ruin development.

17. Climate-Poker: A card game with the aim to have the largest climate conference in order to address climate change.

18. Keep Cool- Gambling with the Climate: Players take on the roles of national political leaders trying to address climate change and must make decisions about the type of growth and balance the desires of lobby groups and challenges of natural disasters.

19. Polar Eclipse Game: A game where players navigate different decisions in order to chart a path to future that avoids the worst temperature rise.

Lessons from Gaming for Climate Wonks and Leaders — Video

By 

Games can help us ensure that climate and energy analysis gets used to make a difference. Last week at the Climate Prediction Applications Science Workshopin Miami, Climate Interactive co-director Drew Jones, gave a keynote presentation to an audience of climate analysts, many who are working to communicate the massive amount of climate data to the public.

In Drew’s speech below, he draws out the key things that we are learning from games, like Angry Birds, Farmville, World of Warcraft, and the existing efforts to integrate climate change into games. Also included in this presentation, but left out of the video, was a condensed version of the World Climate Exercise, a game that Climate Interactive has developed to help people explore the complex dynamics encountered at the international climate change negotiations.

Entrevista con el antropólogo estadunidense James Scott: Los movimientos autónomos causan miedo a los movimientos sociales formales y al Estado (Desinformémonos)

“Los grandes cambios radicales no han sucedido como producto de una legislación o elecciones; han sucedido en las calles, en levantamientos que amenazan con salirse de control”.

ENTREVISTA DE MARINA DEMETRIADOU, ATZÉLBI HERNÁNDEZ E ISABEL SANGINÉS

Ciudad de México. James Scott es profesor de Ciencias Políticas y Antropología en la Universidad de Yale y director de estudios agrarios en la misma institución.

Su trabajo se ha centrado en la manera que la gente de abajo se opone a la dominación. En diversos libros como “Economía moral del campesino: subsistencia y rebelión en Asia suroriental” “Armas del débil: formas diarias de resistencia campesina” y “Los dominados y el arte de la resistencia”, Scott teoriza sobre la manera en que el pueblo resiste a la autoridad y trata de describir las interacciones entre dominados y opresores.

En la siguiente entrevista con Desinformémonos, el investigador y antropólogo habla sobre la forma en que las experiencias autónomas pueden funcionar alejadas del Estado y sobre el impacto que pueden tener a mediano y largo plazo los movimientos sociales que surgen espontáneamente y que no tienen jerarquía.

¿Cómo los movimientos y experiencias autónomas pueden ocupar espacios del Estado- nación?

Históricamente los movimientos sociales han pedido cosas concretas al Estado. Empiezan con la idea de que el Estado es algo dado.

Los movimientos autónomos deben ver cómo hacer para crear espacios autogestionados, como centros sociales de capacitación y de educación, que no sean una imitación del Estado. Y esto incluye también a las ocupaciones.

Un movimiento autónomo debe crear lo más posible, dentro de un espacio que esté fuera del Estado para poder crear algo distinto. Esto no es fácil, pero sólo pedir cosas al Estado, de acuerdo con sus leyes y sus reglas, no es estar creando autonomía.

La mayoría de los movimientos sociales en la historia han creado estructuras que son parecidas al Estado, son jerárquicas. Tienen un nombre, una organización, eligen representantes y copian la estructura del Estado. Son pequeños Estados.

Hablando de mi propio país, los Estados Unidos, creo que cada movimiento progresivo y radical que ha tenido éxito, ha sido producto de irrupciones masivas, no organizadas, que no llegan de los movimientos sociales existentes. Como los movimientos por los derechos civiles y por el voto de las mujeres que surgieron de manera espontánea, fuera de movimientos sociales organizados.

Estos movimientos radicales no tienen jerarquía, así que el Estado no tiene con quién hablar (negociar). No hay liderazgos. Son movimientos populares sin estructura jerárquica, así que no los pueden cooptar.

La paradoja de la democracia es que – supuestamente – debe crear un sistema para hacer posibles cambios sociales a gran escala, sin violencia y sin irrupciones, mediante un proceso legal en el que se eligen personas; pero el hecho es que los grandes cambios radicales no han sucedido como producto de una legislación o elecciones, sino que han sucedido en las calles, en levantamientos que amenazan con salirse de control y en los que las élites estaban asustadas, aterrorizadas y tomaron cartas en el asunto rápidamente para poder apagar la revuelta.

¿Qué experiencias organizativas comunitarias han logrado hacer cambios alternativos y radicales alejados de la estructura de Estado?

El autor uruguayo Raúl Zibechi habla de muchos ejemplos de movimientos autónomos en América Latina que, de acuerdo con él, han logrado organizarse alternativamente; Zibechi habla de comunidades de base que han construido interrelaciones con otras comunidades y que después pueden movilizarse juntas en movimientos sociales más grandes.

Otro ejemplo se ha dado en Estados Unidos. Se trata de Occupy Wall Street, un movimiento espontáneo, que empezó con 200 ó 300 personas, y luego mucha gente de Cleveland, San Francisco y muchas ciudades más comenzaron a imitarlos; ésta es la clase de cosas que nadie podía haber predicho, nadie puede organizar estas revueltas, pero cuando suceden se debe saber tomar ventaja de la situación. Estas cosas nacen de forma espontáneas y nadie de nosotros sabe qué forma tomarán; pero después, el rol de los movimientos sociales deberá ser ayudar a estas ocupaciones espontáneas a logar un calendario.

El hecho es que aunque haya capacidad para la movilización autónoma local y ésta sea el punto central de las resistencias, no importa tanto hasta qué punto estos grupos logren o no sus objetivos inmediatas, pues lo realmente importante es que están creando redes que son un muy valioso recurso para la movilización popular.

Si surgen ocupaciones espontáneas, hay que aprovechar la capacidad de los movimientos autónomos locales de crear redes sociales.

¿Qué impacto pueden tener en el largo plazo los movimientos espontáneos que no tienen organización, ni planeación, y que no se acercan al Estado ni lo golpean directamente?

Los movimientos sociales organizados y jerarquizados, la mayoría de los que conocemos, fueron creados por la base del levantamiento popular, pero estas organizaciones no crearon nada por sí mismas en términos de cambios en el Estado; sin embargo, todos los movimientos sociales formales, que son pequeños Estados, están aterrorizados también por las revueltas de los de abajo, así que si quieres cambiar un movimiento, hay que amenazarlo desde abajo, desde los movimientos espontáneos. Los movimientos autónomos causan mucho miedo a los movimientos sociales formales y al Estado.

Presente de Dilma azeda o Natal no Semiárido (Época)

19/12/2011 10h10 – Atualizado em 19/12/2011 10h18

Às vésperas das festas de fim de ano, o governo federal rompe a parceria com a organização que abalou os alicerces da indústria da seca ao implantar mais de 370 mil cisternas de alvenaria no sertão nordestino. E começa a distribuir cisternas de plástico

ELIANE BRUM

Parte do Brasil conhece o sertão nordestino pela literatura, com clássicos como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Também conheceu o semiárido pela imprensa, nas constantes denúncias de corrupção e desvio de verbas públicas em obras que deveriam combater a seca, mas estagnavam nas mãos privadas de coronéis. Nos últimos anos, porém, a paisagem do sertão estava mudando, graças a um movimento iniciado em 2003. No primeiro ano do governo Lula, a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), uma rede que reúne centenas de organizações não governamentais, procurou o presidente para propor uma parceria para a construção de cisternas de alvenaria no sertão nordestino. Seus interlocutores eram Frei Betto e Oded Grajew, então no governo. Assinalado pela sua origem de retirante, de menino pobre do semiárido que migrou com a mãe e os irmãos de Caetés, em Pernambuco, para São Paulo, Lula acolheu a ideia. Ele conhecia bem a aridez geográfica e a imutabilidade dos desmandos políticos que faziam da sua terra um lugar brutal. O resultado deste esforço entre governo federal e sociedade civil organizada foram 371 mil cisternas de cimento, envolvendo 12 mil pedreiros e pedreiras das comunidades e beneficiando mais de 2 milhões de brasileiros em 1.076 municípios. Algo grande, muito grande, para quem acompanha a história do Nordeste brasileiro. Basta andar pelo semiárido para ver que, quando há vontade política, é possível fazer milagres de gente. A presença da água, com a implantação coletiva de uma simples cisterna, tem mudado não apenas a economia, mas a autoestima do povo que vê florescer a vida e também a possibilidade de reescrever sua história – desta vez como autor, e não mais como personagem.

Tudo ia muito bem até este mês de dezembro, quando a coordenação da ASA foi informada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) que suspenderia o pagamento dos recursos para o “Programa Um Milhão de Cisternas”. O governo anunciou que pretendia mudar os arranjos para o Plano Brasil Sem Miséria e ampliaria os convênios com os estados – sinalizando o afastamento das organizações não governamentais do processo. A ASA foi aconselhada a negociar com os estados e municípios.

O que isso significa? Muito.

A ASA fará uma manifestação em Petrolina (PE) na manhã desta terça-feira, 20/12, para protestar contra a ameaça ao Programa Um Milhão de Cisternas e para denunciar que a sociedade civil organizada está sendo excluída do governo de Dilma Rousseff.

Milhares de sertanejos partirão de diferentes estados nordestinos para se reunir em Petrolina e alertar o país para uma possível volta às velhas práticas do passado, quando a indústria da seca era a única coisa que vicejava no semiárido brasileiro e qualquer arremedo de solução era usado como moeda eleitoral.

O rompimento da parceria com a ASA é anunciado no momento em que a opinião pública está predisposta a considerar qualquer ONG fraudulenta. Como foram denunciados muitos “malfeitos” nos convênios entre algumas organizações não governamentais e ministros demitidos, como Orlando Silva e Carlos Lupi, não há melhor hora para romper com a sociedade civil organizada. E fazer parecer que as ações são um esforço de moralização dos recursos públicos. Esquece-se – talvez por conveniência – que o surgimento das ONGs é resultado direto da redemocratização do país. E também que uma parcela significativa delas não apenas é honesta, como tem operado uma grande transformação nas relações e nos resultados em várias áreas cruciais.

A sociedade civil organizada tem – e para parte dos políticos é aí que mora o incômodo – impedido que as verbas públicas sejam interceptadas e manipuladas por grupos instalados em setores estratégicos. E assim, impedido governos, em todos os níveis, de agradar aliados com a possibilidade de administrar uma parcela polpuda das verbas públicas. É claro que há ONGs corruptas, que se aliaram a políticos corruptos, para lucrar com o dinheiro do povo. Mas demonizar todas elas é uma esperteza de quem está doido para voltar ao modelo antigo – e é também má fé e desrespeito com o avanço conquistado pela sociedade brasileira nas últimas décadas.

Em novembro, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou que o governo separaria “o joio do trigo”. Disse mais: “As organizações sérias não têm nada a temer”. Pesquisei, então, em que lugar se situa a ASA na paisagem da sociedade civil organizada. Descobri que, na opinião do governo federal, a ASA é “trigo” da melhor qualidade.

Pela seriedade e competência da sua atuação, a rede já recebeu uma dezena de prêmios. Entre eles, o Prêmio de Direitos Humanos do governo federal, na categoria “Enfrentamento da Pobreza”, entregue pelo próprio Lula no final de 2010. E também um prêmio da ONU, que a considerou “uma referência de gestão e inclusão social no campo do acesso à água e do direito à segurança alimentar e nutricional das famílias carentes do semiárido”. Em entrevista à TV Brasil, em novembro, Luiz Navarro, secretário-executivo da Controladoria Geral da União (CGU), disse que algumas organizações não governamentais apresentavam mais condições de realizar determinadas ações do que o Estado. Entre os exemplos, afirmou que haviam acabado de avaliar o Programa Um milhão de cisternas, da ASA: “Nossa avaliação é extremamente positiva. Não sei se o Estado teria o mesmo dinamismo para fazer o que essas ONGs têm feito”.

Sendo esta a opinião do próprio governo federal e de seus órgãos de fiscalização, por que o governo decidiu suspender a parceria com a ASA?

“O governo rompeu a parceria com a ASA. Mas os ladrões não estão no nosso meio”, afirma Naidison Baptista, coordenador da rede. “Nós não somos construtores de cisternas apenas, nós somos uma rede de organizações da sociedade civil que influencia na política para o semiárido como parte do processo democrático. Temos orgulho de ter pautado o governo federal para a construção de cisternas e de políticas de convivência. Se você voar hoje sobre o semiárido, vai ver os pontinhos brancos. São as cisternas. As pessoas não entram mais na fila da água em troca de voto. Cortamos a raiz do coronelismo do Nordeste. Então perguntamos: por quê?”.

A ASA atua usando o conhecimento da comunidade e estimulando que as pessoas se apropriem coletivamente do processo de construção de cada cisterna. É a comunidade que decide em conjunto quem vai receber a cisterna primeiro, a partir de critérios como pobreza, número de crianças e de idosos, se a mulher é a chefe de família etc. Cada família participa da construção da cisterna, que dura cerca de cinco ou seis dias, e fornece a água para a vizinha enquanto não chegar a vez dela. Para a construção é usada a mão de obra da cidade ou povoado e o material das lojas dos pequenos comerciantes, movimentando a economia local. É também a agricultura produzida em cada região que fornece a alimentação. Para a ASA, a implantação de uma cisterna é mais do que uma obra: é a construção de um espaço social de onde tem emergido novas lideranças e uma juventude ativa. Mudança socioeconômica e política importante em uma região historicamente dominada por oligarquias em que sempre coube aos sertanejos ou se submeter a algum “painho” – ainda que com pinta de moderno – ou migrar para o centro-sul. “A água estava concentrada na mão de poucos”, resume Baptista. “Com as cisternas, a água foi repartida.”

Na tecnologia social da ASA, a implantação das cisternas não é vista como favor do governo, mas como direito. Não é assistencialismo, mas política pública. As pessoas são estimuladas a exercer a cidadania e a tomar suas próprias decisões, coletivamente – tornando o voto de cabresto cada vez mais difícil. Bem diferente, portanto, de um modelo assistencialista/populista que forma gerações de eleitores agradecidos a um pai ou mãe magnânimos. Seria isso que estaria incomodando o governo federal e seu amplo e heterogêneo espectro de aliados às vésperas das eleições municipais de 2012? Espero – sinceramente – que não.

No mesmo período em que a ASA foi informada de que não receberia os recursos para os próximos meses, o Ministério da Integração Nacional anunciou e comemorou a instalação da primeira de 300 mil cisternas de polietileno, em meio a campanhas de protesto das comunidades do semiárido que rejeitam o equipamento de plástico. O governo alega que as cisternas de polietileno podem ser produzidas em grande escala e assim atingir um número maior de famílias com mais rapidez. Segundo o governo, não se trata de substituição de uma tecnologia por outra, mas de complementação.

A ASA apresenta argumentos convincentes para condenar as cisternas de plástico. “Elas custam mais do que o dobro do valor das cisternas de alvenaria. Enquanto a nossa custa R$ 2.080, a de plástico custa R$ 5.000. Ou seja: se fosse só o dobro, com o mesmo valor as empresas fazem 300 de plástico – e nós construiríamos 600”, diz Baptista. Pelos cálculos da ASA, para cada 10 mil cisternas de alvenaria instaladas, há uma injeção de R$ 20 milhões na economia local. Com as de plástico, a maior parte dos recursos públicos ficará nas mãos dos empresários. Na mesma lógica, a população se tornará para sempre dependente das empresas para a manutenção e a reposição, já que não dominará a técnica. Quando existe qualquer problema com as cisternas de alvenaria, o pedreiro da comunidade resolve de forma simples.

“Em vez de construir, as pessoas vão receber as cisternas de presente. Das mãos de quem? É o que vamos ver. E a gente sabe que, como simples beneficiárias, do meio para o fim do processo as famílias não cuidam mais. Temos vários exemplos de cisternas que foram entregues prontas e que hoje não funcionam mais porque as comunidades não se envolveram em sua construção, não tem o sentido do pertencimento”, diz o coordenador da rede. “É a volta da indústria da seca, com grandes obras nas quais a população fica à margem, e o dinheiro na mão de grupos.”

É possível ter uma ideia de quem vai ganhar com a mudança. Mas, por quê?

Por que um trabalho que funcionava tão bem, a ponto de ser elogiado e premiado pelo governo federal, está sendo descartado pelo governo federal? Se funciona bem, por que mudar? Seria porque funciona bem demais? Espero, sinceramente, que não.

A seguir, reproduzo parte da nota divulgada pela ASA:

“Após oito anos de parceria com o Governo Lula, a decisão do governo federal, expressa pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), de não mais renovar os Termos de Parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), pode levar ao fim uma das ações mais consistentes de garantia de água para as famílias do meio rural semiárido: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Sem dúvida, o maior programa com apoio governamental de distribuição de água e de cidadania, em uma região onde antes só existia fome, miséria e a indústria da seca. (…) A argumentação é de que a partir de agora o governo federal vai priorizar a execução do Programa, que integra o Plano Brasil Sem Miséria, apenas via municípios e estados, excluindo a sociedade civil organizada. A sugestão dada pelo MDS é que a ASA negocie sua ação em cada um dos estados contemplados. Para além da parceria com estados e municípios, o governo também anuncia a compra de milhares de cisternas de plástico/PVC de empresas que começam a se instalar na região. Ou seja, o governo não apenas rompe com a ASA, mas amplia a estratégia de repasse de recursos públicos para as empresas privadas. Consideramos isso um retrocesso, o que pode gerar um retorno claro e nítido a velhas práticas da indústria da seca, onde as famílias são colocadas novamente como reféns de políticos e empresas, tirando-lhes o direito de construírem sua história”.

Reproduzo também a nota divulgada pela Assessoria de Comunicação do MDS diante das primeiras manifestações de surpresa e protesto contra a decisão governamental. O título da nota é: “O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) reafirma que não existe ruptura na parceria estabelecida com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) para a construção de cisternas”. Mas o texto não diz isso. Reproduzo-o na íntegra para que algum leitor possa encontrar o que eu não encontrei. O texto refere-se apenas – e de forma pouco clara – à “reavaliação e ampliação do arranjo institucional” e à “importância de todos os parceiros”. Com relação à ASA, limita-se a reconhecer e elogiar o trabalho já realizado:
“Uma das prioridades do Governo Federal é garantir que os brasileiros das áreas rurais tenham acesso à água para consumo e para a produção de alimentos. No Plano Brasil Sem Miséria, o programa Água Para Todos definiu a ambiciosa meta de atender 750 mil famílias rurais com água para beber no semiárido, até 2013, e de assegurar água para a produção agrícola de outros milhares de famílias. Atingir este objetivo exige a reavaliação e a ampliação do arranjo institucional vigente até então, incluindo a formação de novas parcerias estratégicas entre diversos ministérios, órgãos públicos, estados, municípios e organizações da sociedade civil. O MDS reafirma a importância de todos os parceiros no sucesso desta agenda, visando ao atendimento integral das famílias que hoje não têm acesso à água de qualidade para manutenção de sua condição de vida. O MDS está empenhado na preparação das condições de atuação para o próximo exercício, no menor prazo possível, dentro das novas regras que orientam a atuação de todas as unidades do Governo Federal no próximo exercício. Em relação à AP1MC/ASA, o MDS reconhece e valoriza os resultados alcançados na construção de mais de 300 mil cisternas, numa parceria exitosa ao longo dos últimos nove anos”.

Para terminar, reproduzo também o texto escrito por um integrante da Comissão Pastoral da Terra sobre o presente natalino de Dilma Rousseff aos nordestinos. A ironia do texto, como se verá, não é opcional. Quem fala agora é Roberto Malvezzi, o Gogó:

“O presente da presidente Dilma ao povo do semiárido neste Natal já está decidido: uma cisterna de plástico. A presidente é uma excelente gerente, pessoa íntegra e acima de qualquer suspeita. Quando criou o ‘Água para Todos’ nos encheu de alegria. Afinal, agora iríamos acelerar a construção das cisternas para beber e produzir. Mas a presidente preferiu doar centenas de milhares de cisternas de plástico para os nordestinos. Descartou o trabalho histórico da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e vai trabalhar exclusivamente com os estados e municípios. Claro que essa decisão está acima de qualquer interesse eleitoreiro, ou dos coronéis do sertão, ou dos 10% das empresas fabricantes do reservatório. Dilma é uma mulher honrada. Claro que os empresários enviarão junto com as cisternas pedagogos, exímios conhecedores do semiárido, que farão a educação contextualizada realizada a duras penas por milhares de educadores da ASA. Esses pedagogos evidentemente conhecem o semiárido, o regime das chuvas, a pluviosidade de cada região, como se deve cuidar dos telhados, das calhas. Irão pelo sertão, pelas serras, pelos brejos, gastarão dias de suas vidas em meio às populações para realizar com um cuidado sacerdotal as tarefas que a questão exige. Claro que os políticos farão, antes de entregar as cisternas, uma crítica ao coronelismo nordestino, ao uso da água como moeda eleitoral, afinal, já superamos os períodos mais aberrantes da política nordestina. Quando a cisterna quebrar, os pedreiros capacitados saberão reparar os estragos, sem depender da empresa, e as cisternas de plástico não virarão um amontoado de lixo no sertão. As empresas também enviarão agrônomos para dialogar com as comunidades como se faz uma horta com a água de cisterna para produção, uma mandala, uma barragem subterrânea, uma irrigação simples por gotejamento. Claro, o interesse das empresas e dos políticos é continuar o trabalho pedagógico da ASA tão premiado no Brasil e em outros lugares do mundo. Não temos, portanto, nada a protestar. A presidente e a ministra (Tereza) Campello são exímias conhecedoras do Nordeste, mesmo tendo nascido no Sul e Sudeste. Conhecem cada palmo da região, dessa cultura, cada um de seus costumes. Claro que não nos enviarão mais sapatos furados, roupas rasgadas em tempos de seca, como acontecia antigamente. Até porque o trabalho da ASA eliminou as grandes migrações, a sede, a fome, as frentes de emergência e os saques. Mesmo não sendo nordestinas, nem jamais tendo vivido aqui, conhecem a região melhor que o povo que aqui nasceu ou aqui habita. Portanto, gratos por tanta generosidade. Vamos conversar com os milhões de beneficiados envolvidos na convivência com o semiárido. Eles vão entender as razões da presidente e da ministra e vão retribuir com a generosidade que lhes é peculiar. O povo do semiárido jamais esquecerá que, no Natal de 2011, ganhou como presente da presidente Dilma Roussef uma cisterna de plástico”.

De minha parte, chego ao fim deste ano perplexa. Cresci ouvindo que o Brasil era o país do futuro, mas não podia acreditar porque passei a infância e a adolescência numa ditadura que torturava gente como a então jovem Dilma Rousseff. Participei dos comícios das “Diretas Já” e cobri como jornalista as primeiras eleições da redemocratização. Muito mais tarde, testemunhei e escrevi sobre a eleição de Lula e o comício da vitória, em 2002. Nos últimos anos, já madura, ouço que o futuro chegou. E estava começando a acreditar, pelo menos em alguns aspectos. E não é que agora, às vésperas de 2012, anunciam com eufemismos que podemos estar voltando ao passado também no sertão nordestino? Não há de ser por saudades da literatura de Graciliano Ramos e de João Cabral de Melo Neto, porque esta é a única que com certeza não voltará.

Next Buddha Will Be A Collective (p2pfoundation.net)

Religious and spiritual expression is always embedded in societal structures. If social structures are moving towards the form of distributed networks, what kind of evolution of spiritual expression can we expect? In this essay, we will first describe the general societal changes that we see emerging, and expect to become more prevalent in the future, then examine to what degree these changes will have an impact on individual and collective spiritual expression. The reader has to bear with us in the first general part, which explains the peer to peer dynamic, in order to understand its application to spirituality, which is the subject of the second part of the essay. Finally, in the third and final part, we will discuss a few concrete examples.

Read it here.

O futuro da ciência está na colaboração (Valor Econômico)

JC e-mail 4376, de 01 de Novembro de 2011.

Texto de Michael Nielsen publicado no The Wall Street Journal e divulgado pelo Valor Econômico.

Um matemático da Universidade de Cambridge chamado Tim Gowers decidiu em janeiro de 2009 usar seu blog para realizar um experimento social inusitado. Ele escolheu um problema matemático difícil e tentou resolvê-lo abertamente, usando o blog para apresentar suas ideias e como estava progredindo. Ele convidou todo mundo para contribuir com ideias, na esperança de que várias mentes unidas seriam mais poderosas que uma. Ele chamou o experimento de Projeto Polímata (“Polymath Project”).

Quinze minutos depois de Gowers abrir o blog para discussão, um matemático húngaro-canadense publicou um comentário. Quinze minutos depois, um professor de matemática do ensino médio dos Estados Unidos entrou na conversa. Três minutos depois disso, o matemático Terence Tao, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também comentou. A discussão pegou fogo e em apenas seis semanas o problema foi solucionado.

Embora tenham surgido outros desafios e os colaboradores dessa rede nem sempre tenham encontrado todas as soluções, eles conseguiram criar uma nova abordagem para solucionar problemas. O trabalho deles é um exemplo das experiências com ciência colaborativa que estão sendo feitas para estudar desde de galáxias até dinossauros.

Esses projetos usam a internet como ferramenta cognitiva para amplificar a inteligência coletiva. Essas ferramentas são um meio de conectar as pessoas certas com os problemas certos na hora certa, ativando o que é um conhecimento apenas latente.

A colaboração em rede tem o potencial de acelerar extraordinariamente o número de descobertas da ciência como um todo. É provável que assistiremos a uma mudança mais fundamental na pesquisa científica nas próximas décadas do que a ocorrida nos últimos três séculos.

Mas há obstáculos grandes para alcançar essa meta. Embora pareça natural que os cientistas adotem essas novas ferramentas de descobrimento, na verdade eles têm demonstrado uma inibição surpreendente. Iniciativas como o Projeto Polímata continuam sendo exceção, não regra.

Considere a simples ideia de compartilhar dados científicos on-line. O melhor exemplo disso é o projeto do genoma humano, cujos dados podem ser baixados por qualquer um. Quando se lê no noticiário que um certo gene foi associado a alguma doença, é praticamente certo que é uma descoberta possibilitada pela política do projeto de abrir os dados.

Apesar do valor enorme de divulgar abertamente os dados, a maioria dos laboratórios não faz um esforço sistemático para compartilhar suas informações com outros cientistas. Como me disse um biólogo, ele estava “sentado no genoma” de uma nova espécie inteira há mais de um ano. Uma espécie inteira! Imagine as descobertas cruciais que outros cientistas poderiam ter feito se esse genoma tivesse sido carregado num banco de dados aberto.

Por que os cientistas não gostam de compartilhar?

Se você é um cientista buscando um emprego ou financiamento de pesquisa, o maior fator para determinar seu sucesso será o número de publicações científicas que já conseguiu. Se o seu histórico for brilhante, você se dará bem. Se não for, terá problemas. Então você dedica seu cotidiano de trabalho à produção de artigos para revistas acadêmicas.

Mesmo que ache pessoalmente que seria muito melhor para a ciência como um todo se você organizasse e compartilhasse seus dados na internet, é um tempo que o afasta do “verdadeiro” trabalho de escrever os artigos. Compartilhar dados não é algo a que seus colegas vão dar crédito, exceto em poucas áreas.

Há outras áreas em que os cientistas ainda estão atrasados no uso das ferramentas on-line. Um exemplo são os “wikis” criadas por pioneiros corajosos em assuntos como computação quântica, teoria das cordas e genética (um wiki permite o compartilhamento e edição colaborativa de um conjunto de informações interligadas, e o site Wikipedia é o mais conhecido deles).

Os wikis especializados podem funcionar como obras de referência atualizadas sobre as pesquisas mais recentes de um campo, como se fossem livros didáticos que evoluem ultrarrápido. Eles podem incluir descrições de problemas científicos importantes que ainda não foram resolvidos e podem servir de ferramenta para encontrar soluções.

Mas a maioria desses wikis não deu certo. Eles têm o mesmo problema que o compartilhamento de dados: mesmo se os cientistas acreditarem no valor da colaboração, sabem que escrever um único artigo medíocre fará muito mais por suas carreiras. O incentivo está completamente errado.

Para a ciência em rede alcançar seu potencial, os cientistas precisam abraçar e recompensar o compartilhamento aberto de todos os conhecimentos científicos, não só o publicado nas revistas acadêmicas tradicionais. A ciência em rede precisa ser aberta.

Michael Nielsen é um dos pioneiros da computação quântica e escreveu o livro “Reinventing Discovery: The New Era of Networked Science” (Reinventando a Descoberta: A Nova Era da Ciência em Rede, sem tradução para o português), de onde esse texto foi adaptado.

Occupy Wall Street turns to pedal power (The Raw Story)

By Muriel Kane
Sunday, October 30, 2011

The Occupy Wall Street protesters who were left without power after their gas-fueled generators were confiscated by New York City authorities on Friday may have found the idea solution in the form of a stationary bicycle hooked up to charge batteries.

Stephan Keegan of the non-profit environmental group Time’s Up showed off one of the bikes to The Daily News, explaining that OWS’s General Assembly has already authorized payment for additional bikes and that “soon we’ll have ten of these set up and we’ll be powering the whole park with batteries.”

Protester Lauren Minis told CBS New York, “We’ve got five bike-powered generator systems that are coming from Boston and we’ve got five more plus other ones that are going to supplement as well so we’re completely, completely off the grid.”

According to CBS, “Insiders at Occupy Wall Street say they expect to have their media center and the food service area fully powered and illuminated by Monday.”

“We need some exercise,” Keegan explained enthusiastically, “and we’ve got a lot of volunteers, so we should be able to power these, no problem. … We did an energy survey of the whole park, found out how much energy we were using. …. Ten will give us twice as much power.”

Keegan also boasted that the system is “very clean” and is environmentally superior not only to fossil fuel but even to solar panels, because it uses almost entirely recycled materials.

[Click que image to watch video, or click here]

Índios invadem obras de Belo Monte e bloqueiam Transamazônica (FSP)

27/10/2011 – 14h21

AGUIRRE TALENTO
DE BELÉM

O canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, localizado no município de Vitória do Xingu (oeste do Pará, a 945 km de Belém), foi invadido na manhã desta quinta-feira (27) em um protesto de indígenas, pescadores e moradores da região.

Eles também bloquearam a rodovia Transamazônica na altura do quilômetro 52, onde fica a entrada do canteiro de obras da usina.

O protesto, que começou às 5h da manhã, foi organizado durante seminário realizado nesta semana, em Altamira (também no oeste, a 900 km de Belém), que discutiu os impactos da instalação de usinas hidrelétricas na região.

Os seguranças permitiram a entrada dos manifestantes sem oferecer resistência, e os funcionários da empresa não apareceram para trabalhar. Com isso, as obras estão paradas.

“Acreditamos que a empresa ficou sabendo de nossa manifestação e não quis entrar em confronto”, afirmou Eden Magalhães, secretário-executivo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), uma das entidades participantes do protesto.

A Polícia Rodoviária Federal confirmou a ocorrência do protesto, mas ainda não sabe estimar a quantidade de pessoas presentes.Segundo ele, há cerca de 600 pessoas no local, entre índios, pescadores, população ribeirinha e até estudantes.

Os manifestantes exigem a presença de algum integrante do governo federal no local e pedem a paralisação das obras.

Ontem, foi adiado mais uma vez o julgamento na Justiça Federal sobre o licenciamento da usina de Belo Monte. O julgamento está empatado com um voto a favor da construção da usina e um voto contra. Falta o voto de desempate, mas ainda não há previsão de quando o processo voltará a ser colocado em pauta.

 

Acre: In defence of life and the integrity of the peoples and their territories against REDD and the commodification of nature

Letter from the State of Acre

In defence of life and the integrity of the peoples and their territories against REDD and the commodification of nature

We gathered in Rio Branco, in the State of Acre, on 3-7 October 2011 for the workshop “Serviços Ambientais, REDD e Fundos Verdes do BNDES: Salvação da Amazônia ou Armadilha do Capitalismo Verde?” (Environmental Services, REDD and BNDES Green Funds: The Amazon’s Salvation or a Green Capitalism Trap?)

The participants included socio-environmental organizations, family agriculture associations, Extractive Reserve (RESEX) and Extractive Settlement organizations, human rights organizations (national and international), social pastoral organizations, professors, students, and members of civil society committed to the struggle of “the underdogs”.

We saw the emergence of a consensus around the belief that, since 1999 and the election of the Popular Front of Acre (FPA) government, initiatives have been adopted to establish a “new model” of development in the state. Since then, this model has been praised as a prime example of harmony between economic development and the preservation of forests, their natural resources and the way of life of their inhabitants. With strong support from the media, trade unions, NGOs that promote green capitalism in the Amazon region, multilateral banks, local oligarchies and international organizations, it is presented as a “successful model” to be emulated by other regions of Brazil and the world.

Over these past few days we have had the opportunity to learn first hand, in the field, about some of the initiatives in Acre that are considered as exemplary. We saw for ourselves the social and environmental impacts of the “sustainable development” underway in the state. We visited the Chico Mendes Agro-Extractive Settlement Project, the NATEX condom factory, and the Fazendas Ranchão I and II Sustainable Forest Management Project in Seringal São Bernardo (the São Bernardo rubber plantation). These field visits presented us with a reality that is rather far removed from the image portrayed nationally and internationally.

In Seringal São Bernardo, we were able to observe the priority placed on the interests of timber companies, to the detriment of the interests of local communities and nature conservation. Even the questionable rules of the forest management plans are not respected, and according to the local inhabitants, these violations are committed in collusion with the responsible state authorities. In the case of the Chico Mendes Agro-Extractive Settlement Project in Xapuri, we saw that the local population remains subjugated to monopoly control: they currently sell their timber to the company Laminados Triunfo at a rate of R$90 per cubic metre, when this same amount of wood can be sold for as much as R$1200 in the city. This is why we support the demands of various communities for the suspension of these famous forest management projects. We call for the investigation of all of the irregularities revealed, and we demand punishment for those guilty of the criminal destruction of natural resources.

During the course of the workshop we also analyzed the issues of environmental services, REDD and the BNDES (Brazilian Development Bank) Green Funds. We gained a greater understanding of the role of banks (World Bank, IMF, IDB and BNDES), of NGOs that promote green capitalism (e.g. WWF, TNC and CI) and other institutions such as the ITTO, FSC and USAID, and also sectors of civil society and the state and federal governments who have allied with international capital for the commodification of the natural heritage of the Amazon region.

It was stressed that, in addition to being anti-constitutional, Law Nº 2.308 of 22 October 2010, which regulates the State System of Incentives for Environmental Services, was created without the due debate with sectors of society directly impacted by the law, that is, the men and women of the countryside and forests. Slavishly repeating the arguments of the powerful countries, local state authorities present it as an effective means of contributing to climate equilibrium, protecting the forests and improving the quality of life of those who live in the forests. It should be noted, however, that this legislation generates “environmental assets” in order to negotiate natural resources on the “environmental services” market, such as the carbon market. It represents a reinforcement of the current phase of capitalism, whose defenders, in order to ensure its widespread expansion, utilize an environmental discourse to commodify life, privatize nature and plunder the inhabitants of the countryside and the cities. Under this law, the beauty of nature, pollination by insects, regulation of rainfall, culture, spiritual values, traditional knowledge, water, plants and even popular imagery are converted into merchandise. The current proposal to reform the Forest Code complements this new strategy of capital accumulation by authorizing the negotiation of forests on the financial market, through the issuing of “green bonds”, or so-called “Environmental Reserve Quota Certificates” (CCRAs). In this way, everything is placed in the sphere of the market, to be administered by banks and private corporations.

Although it is presented as a solution for global warming and climate change, the REDD proposal allows the powerful capitalist countries to maintain their current levels of production, consumption and, therefore, pollution. They will continue to consume energy generated by sources that produce more and more carbon emissions. Historically responsible for the creation of the problem, they now propose a “solution” that primarily serves their own interests. While making it possible to purchase the “right to pollute”, mechanisms like REDD strip “traditional” communities (riverine, indigenous and Afro-Brazilian communities, rubber tappers, women coconut gatherers, etc.) of their autonomy in the management of their territories.

As a result, roles are turned upside down. Capitalism, the most predatory civilization in the history of humankind, would not pose a danger; on the contrary, it would be the “solution”. The “destroyers” would now be those who fight to defend nature. And so those who have historically ensured the preservation of nature are now viewed as predators, and are therefore criminalized. It comes as no surprise then that the state has recently become more open in its repression, persecution and even the expulsion of local populations from their territories – all to ensure the free expansion of the natural resources market.

With undisguised state support, through this and other projects, capital is now promoting and combining two forms of re-territorialization in the Amazon region. On one hand, it is evicting peoples and communities from their territories (as in the case of mega projects like hydroelectric dams), stripping them of their means of survival. On the other hand, it is stripping those who remain on their territories of their relative autonomy, as in the case of environmental conservation areas. These populations may be allowed to remain on their land, but they are no longer able to use it in accordance with their ways of life. Their survival will no longer be guaranteed by subsistence farming – which has been transformed into a “threat” to the earth’s climate stability – but rather by a “bolsa verde” or “green allowance”, which in addition to being insufficient is paid in order to maintain the oil civilization.

Because we are fully aware of the risks posed by projects like these, we oppose the REDD agreement between California, Chiapas and Acre, which has already caused serious problems for indigenous and traditional communities such as those in the Amador Hernández region of Chiapas, Mexico. This is why we share our solidarity with the poor communities of California and Chiapas, who have already suffered from its consequences. We also share our solidarity with the indigenous peoples of the Isiboro Sécure National Park and Indigenous Territory (TIPNIS) in Bolivia, who are facing the threat of the violation of their territory by a highway linking Cochabamba and Beni, financed by the BNDES.

We are in a state which, in the 1970s and 1980s, was the stage for historical struggles against the predatory expansion of capital and in defence of territories inhabited by indigenous peoples and peasant communities of the forests. These struggles inspired many others in Brazil and around the world. In the late 1990s, however, Acre was converted into a laboratory for the IDB’s and World Bank’s experiments in the commodification and privatization of nature, and is now a state “intoxicated” by environmental discourse and victimized by the practice of “green capitalism”. Among the mechanisms used to legitimize this state of affairs, one of the most striking is the manipulation of the figure of Chico Mendes. To judge by what they present us with, we would have to consider him the patron saint of green capitalism. The name of this rubber tapper and environmental activist is used to defend oil exploitation, monoculture sugar cane plantations, large-scale logging activity and the sale of the air we breathe.

In view of this situation, we would have to ask if there is anything that could not be made to fit within this “sustainable development” model. Perhaps at no other time have cattle ranchers and logging companies met with a more favourable scenario. This is why we believe it is necessary and urgent to fight it, because under the guise of something new and virtuous, it merely reproduces the old and perverse strategies of the domination and exploitation of humans and nature.

Finally, we want to express here our support for the following demands: agrarian reform, official demarcation of indigenous lands, investments in agroecology and the solidarity economy, autonomous territorial management, health and education for all, and democratization of the media. In defence of the Amazon, of life, of the integrity of the peoples and their territories, and against REDD and the commodification of nature. Our struggle continues.

Rio Branco, Acre, 7 October 2011

Signed:

Assentamento de Produção Agro-Extrativista Limoeiro-Floresta Pública do Antimary (APAEPL)

Amazonlink

Cáritas – Manaus

Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do Acre (CDDHEP/AC)

Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (CEPEDES)

Comissão Pastoral da Terra – CPT Acre

Conselho Indigenista Missionário – CIMI Regional Amazônia Ocidental

Conselho de Missão entre Índios – COMIN Assessoria Acre e Sul do Amazonas

Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso – CUNPIR

FERN

Fórum da Amazônia Ocidental (FAOC)

Global Justice Ecology Project

Grupo de Estudo sobre Fronteira e Identidade – Universidade Federal do Acre

Instituto Madeira Vivo (IMV-Rondônia)

Instituto Mais Democracia

Movimento Anticapitalista Amazônico – MACA

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC – Roraima)

Nós Existimos – Roraima

Núcleo Amigos da Terra Brasil

Núcleo de Pesquisa Estado, Sociedade e Desenvolvimento na Amazônia Ocidental -Universidade Federal do Acre.

Oposição Sindical do STTR de Brasiléia

Rede Alerta Contra o Deserto Verde

Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bujarí (STTR – Bujarí)

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (STTR- Xapuri)

Terra de Direitos

União de Mulheres Indígenas da Amazonia Brasileira

World Rainforest Movement (WRM)

Carta del Estado de Acre

En defensa de la vida, de la integridad de los pueblos y de sus territorios contra el REDD y la mercantilización de la naturaleza

Estuvimos reunidos en Rio Branco – Estado de Acre, entre los días 3 y 7 de octubre de 2011 en el Taller: “Serviços Ambientais, REDD e Fundos Verdes do BNDES: Salvação da Amazônia ou Armadilha do Capitalismo Verde?” (Servicios Ambientales, REDD y Fondos Verdes del BNDES: ¿Salvación de la Amazonia o Trampa del Capitalismo Verde? )

Estábamos presentes organizaciones socioambientales, de trabajadoras y trabajadores de la agricultura familiar, organizaciones de Resex (Reservas Extractivistas) y Asentamientos Extractivistas, de derechos humanos (nacionales e internacionales), organizaciones indígenas, organizaciones de mujeres, pastorales sociales, profesores, estudiantes y personas de la sociedad civil comprometidas con la lucha “de los de abajo”.

Percibimos la formación de un consenso en torno a la idea de que, desde 1999, con la elección del gobierno del Frente Popular de Acre (FPA), se tomaron iniciativas para la implantación de un “nuevo modelo” de desarrollo. Desde entonces, dicho modelo es celebrado como primor de armonía entre desarrollo económico y conservación del bosque, de sus bienes naturales y del modo de vida de sus habitantes. Con fuerte apoyo de los medios de comunicación, de sindicatos, de ONGs promotoras del capitalismo verde en la región amazónica, de bancos multilaterales, de oligarquías locales, de organizaciones internacionales, éste es presentado como “modelo exitoso” a ser seguido por otras regiones del Brasil y del mundo.

En estos días tuvimos la oportunidad de conocer, en el campo, algunas iniciativas consideradas como referencia en Acre. Vimos de cerca los impactos sociales y ambientales del “desarrollo sustentable” en curso en el estado. Visitamos el “Projeto de Assentamento Agroextrativista Chico Mendes”, “Fábrica de Preservativos NATEX” y el “Seringal São Bernardo” (“Projeto de Manejo Florestal Sustentável das Fazendas Ranchão I e II”). Las visitas nos colocaron frente a un escenario bastante distinto a aquello que es publicitado a nivel nacional e internacional.

En “Seringal São Bernardo” pudimos constatar que la atención de los intereses de las madereras se hace en detrimento de los intereses de las poblaciones locales y de la conservación de la naturaleza. Incluso las cuestionables reglas de los planes de manejo no son respetadas y, según dicen los pobladores, con connivencia de gestores estatales. En el caso del “Projeto de Assentamento Agroextrativista Chico Mendes Cachoeira” (en Xapuri), constatamos que los pobladores continúan subyugados al dominio monopolista, actualmente venden la madera a la empresa “Laminados Triunfo” a R$90,00 el m3, cuando la misma cantidad de madera llega a valer hasta R$1200 en la ciudad. Por ello, apoyamos la reivindicación de diversas comunidades por la suspensión de los célebres proyectos de manejo. Solicitamos la determinación de todas las irregularidades y exigimos la penalización de los culpables por la destrucción delictiva de los bienes naturales.

Los días en que estuvimos reunidos fueron dedicados asimismo al estudio sobre Servicios Ambientales, REDD y Fondos Verdes del BNDES. Comprendimos el papel de los Bancos (Banco Mundial, FMI, BID y BNDES), ONGs comprometidas con el capitalismo verde, tales como WWF, TNC y CI; así como el papel de otras instituciones como ITTO, FSC y USAID, sectores de la sociedad civil y Gobiernos de los Estados y Federal que se han aliado al capital internacional con la intención de mercantilizar el patrimonio natural de la Amazonia.

Destacamos que, además de desprovista de amparo constitucional, la Ley Nº 2.308 de fecha 22 de octubre de 2010, que reglamenta el Sistema del Estado de Incentivo a Servicios Ambientales, se creó sin el debido debate con los sectores de la sociedad directamente impactados por ella, esto es, los hombres y mujeres del campos y del bosque. Reproduciendo servilmente los argumentos de los países centrales, los gestores estatales locales la presentan como una forma eficaz de contribuir con el equilibrio del clima, proteger el bosque y mejorar la calidad de vida de aquellos que habitan en él. Debe decirse, sin embargo, que la referida ley genera “activos ambientales” para negociar los bienes naturales en el mercado de “servicios ambientales” como el mercado de carbono. Se trata de un desdoblamiento de la actual fase del capitalismo cuyos defensores, con el fin de asegurar su reproducción ampliada, recurren al discurso ambiental para mercantilizar la vida, privatizar la naturaleza y despojar a los pobladores del campo y de la ciudad. Por la ley, la belleza natural, la polinización de insectos, la regulación de lluvias, la cultura, los valores espirituales, los saberes tradicionales, el agua, las plantas y hasta el propio imaginario popular, todo pasa a ser mercadería. La actual propuesta de modificación del Código Forestal complementa esta nueva estrategia de acumulación del capital, al autorizar la negociación de los bosques en el mercado financiero, con la emisión de “papeles verdes”, el llamado “Certificado de Cuotas de Reserva Ambiental” (CCRA). De este modo, todo se coloca en el ámbito del mercado para ser administrado por bancos y empresas privadas.

Aunque sea presentada como solución para el calentamiento global y para los cambios climáticos, la propuesta REDD permite a los países centrales del capitalismo mantener sus estándares de producción, consumo y, por lo tanto, también de contaminación. Continuarán consumiendo energía de fuentes que producen más y más emisiones de carbono. Históricamente responsables de la creación del problema, ahora proponen una “solución” que atiende más a sus intereses. Posibilitando la compra del “derecho de contaminar”, mecanismos como REDD fuerzan a las “poblaciones tradicionales” (ribereños, indígenas, afrobrasileños, trabajadoras del coco, caucheros, etc.) a renunciar a la autonomía en la gestión de sus territorios.

Con esto, se confunden los papeles. El capitalismo, la civilización más predadora de la historia de la humanidad, no representaría ningún problema. Por lo contrario, sería la solución. Los destructores serían ahora los grandes defensores de la naturaleza. Y aquellos que históricamente garantizaron la conservación natural son, ahora, encarados como predadores y por eso mismo son criminalizados. No sorprende, por lo tanto, que recientemente el Estado haya vuelto más ostensiva la represión, la persecución y hasta la expulsión de las poblaciones locales de sus territorios. Todo para asegurar la libre expansión del mercado de los bienes naturales.

Con el indisfrazable apoyo estatal, por ese y otros proyectos, el capital hoy promueve y conjuga dos formas de reterritorialización en la región amazónica. Por una parte, expulsa pueblos y comunidades del territorio (como es el caso de los grandes proyectos como las hidroeléctricas), privándolos de las condiciones de supervivencia. Por otra parte, quita la relativa autonomía de aquellos que permanecen en sus territorios, como es el caso de las áreas de conservación ambiental. Tales poblaciones pueden incluso permanecer en la tierra, pero ya no pueden utilizarla según su modo de vida. Su supervivencia ya no sería más garantizada por el cultivo de subsistencia –convertido en amenaza al buen funcionamiento del clima del planeta-, sino por “bolsas verdes”, que, además de insuficientes, son pagadas para el mantenimiento de la civilización del petróleo.

Conscientes de los riesgos que dichos proyectos traen, rechazamos el acuerdo de REDD entre California, Chiapas, y Acre que ya ha causado serios problemas a comunidades indígenas y tradicionales, como en la región de Amador Hernández, en Chiapas, México. Por ello nos solidarizamos con las poblaciones pobres de California y Chiapas, que ya han sufrido con las consecuencias. También nos solidarizamos con los pueblos indígenas del TIPNIS, en Bolivia, bajo amenaza de que su territorio sea violado por la carretera que liga Cochabamba a Beni, financiada por el BNDES.

Estamos en un estado que, en los años 1970-80, fue escenario de luchas históricas contra la expansión predatoria del capital y por la defensa de los territorios ocupados por pueblos indígenas y poblaciones campesinas del bosque. Luchas que inspiraron muchas otras en el Brasil y en el mundo. Convertido, sin embargo, a partir de fines de los años 90 en laboratorio del BID y del Banco Mundial para experimentos de mercantilización y privatización de la naturaleza, Acre es hoy un estado “intoxicado” por el discurso verde y victimizado por la práctica del “capitalismo verde”. Entre los mecanismos utilizados con el fin de legitimar ese orden de cosas, adquiere relevancia la manipulación de la figura de Chico Mendes. A juzgar por lo que nos presentan, deberíamos considerarlo el patrono del capitalismo verde. En nombre del cauchero se defiende la explotación de petróleo, el monocultivo de la caña de azúcar, la explotación maderera en gran escala y la venta del aire que se respira.

Ante tal cuadro, cabe preguntar qué es lo que no cabría en este modelo de “desarrollo sustentable”. Tal vez en ningún otro momento los ganaderos y madereros hayan encontrado un escenario más favorable. Es por esa razón que creemos necesario y urgente combatirlo, puesto que, bajo la apariencia de algo nuevo y virtuoso, reproduce las viejas y perversas estrategias de dominación y explotación del hombre y de la naturaleza.

Finalmente dejamos aquí nuestra reivindicación por la atención de las siguientes demandas: reforma agraria, homologación de tierras indígenas, inversiones en agroecología y economía solidaria, autonomía de gestión de los territorios, salud y educación para todos, democratización de los medios de comunicación. En defensa de la Amazonia, de la vida, de la integridad de los pueblos y de sus territorios y contra el REDD y la mercantilización de la naturaleza. Estamos en lucha.

Rio Branco, Acre, 07 de octubre de 2011.

Firman esta carta:

Assentamento de Produção Agro-Extrativista Limoeiro-Floresta

Pública do Antimary (APAEPL)

Amazonlink

Cáritas – Manaus

Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do Acre (CDDHEP/AC)

Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (CEPEDES)

Comissão Pastoral da Terra – CPT Acre

Conselho Indigenista Missionário – CIMI Regional Amazônia Ocidental

Conselho de Missão entre Índios – COMIN Assessoria Acre e Sul do Amazonas

Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, Sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso – CUNPIR

FERN

Fórum da Amazônia Ocidental (FAOC)

Global Justice Ecology Project

Grupo de Estudo sobre Fronteira e Identidade – Universidade Federal do Acre

Instituto Madeira Vivo (IMV-Rondônia)

Instituto Mais Democracia

Movimento Anticapitalista Amazônico – MACA

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC – Roraima)

Nós Existimos – Roraima

Núcleo Amigos da Terra Brasil

Núcleo de Pesquisa Estado, Sociedade e Desenvolvimento na Amazônia Ocidental -Universidade Federal do Acre.

Oposição Sindical do STTR de Brasiléia

Rede Alerta Contra o Deserto Verde

Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bujarí (STTR – Bujarí)

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (STTR- Xapuri)

Terra de Direitos

União de Mulheres Indígenas da Amazonia Brasileira

World Rainforest Movement (WRM)

Comitês de Bacias vão apresentar moção contra reforma do Código Florestal (Ascom da ANA)

JC e-mail 4372, de 26 de Outubro de 2011.

Reunidos em São Luis (MA) no 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, representantes de comitês de todo o Brasil vão apresentar na sexta-feira (28) manifestação contra a redução das Áreas de Proteção Ambiental.

Representantes de Comitês de Bacias Hidrográficas de várias regiões do País preparam moção contra a redução das áreas de proteção ambiental às margens dos rios, em protesto contra o texto da reforma do Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em maio, que permite o uso das áreas de preservação permanente (APPs). O texto tramita agora no Senado e deve ir a plenário até o final do ano.

A moção será apresentada na sexta-feira (28), último dia do 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob), que começa hoje em São Luis (MA).

Atualmente, o Brasil possui cerca de 180 Comitês, sendo dez em rios federias, com representações de diferentes segmentos da sociedade, espalhados por várias bacias. Ao todo, são mais de 50 mil pessoas engajadas na defesa dos recursos hídricos. Esses comitês funcionam como parlamentos da água, pois são formados por usuários locais dos recursos hídricos; organizações não governamentais; sociedade civil e representes do poder público nos três níveis (municipal, estadual e federal), que se reúnem em sessões plenárias.

A Agência Nacional de Águas (ANA) dá apoio técnico aos comitês federias e os órgãos gestores locais, aos estaduais, conforme determina a Lei 9.433 de 1997, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Todos os anos, representantes de comitês de bacia se reúnem para fazer um balanço da gestão dos recursos hídricos, da atuação desses arranjos locais e debater os desafios da implementação da PNRH. Este ano, porém, a reforma do Código Florestal dominou a cerimônia de abertura do 13º Encob, na noite de ontem (25), em São Luís.

“O Encob é o maior encontro nacional de água do planeta, portanto, reúne a visão de vários segmentos da sociedade, de usuários a pesquisadores, gestores e sociedade civil”, disse o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu. “É fundamental que haja uma forte sinalização ao Congresso. O tempo é curto e precisamos fazer chegar aos senadores uma posição muito firme”, completou. Em abril, a ANA divulgou uma Nota Técnica que explica as razões pelas quais a Agência defende a manutenção da cobertura florestal em torno dos rios na proporção atual estabelecida pelo Código Florestal, ou seja, no mínimo 30 metros. O projeto de lei propõe reduzir as áreas de proteção mínima para 15 metros. As matas ciliares são fundamentais para proteger os rios e garantir a qualidade das águas.

O deputado federal Sarney Filho (PV-MA) prometeu levar as análises do Encob à Subcomissão da Rio+20 da Câmara dos Deputados. “Todos sabemos que nossos rios estão ameaçados pelo lançamento de esgotos, pelo desmatamento das matas ciliares e agora pela reforma do Código Florestal”, disse.

Para o presidente da Rede de Organismos de Bacia (Rebob) e coordenador geral do Fórum Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas, Lupércio Ziroldo Antônio, “aos olhos do mundo o Brasil é considerado uma potência hídrica por possui 13% da água do planeta e alguns dos maiores aqüíferos do mundo, por isso, precisa dar exemplo, principalmente nos próximos meses, quando haverá dois encontros internacionais importantes sobre meio ambiente e recursos hídricos: o Fórum Mundial da Água, em março de 2012,em Marselha, na França; e a Rio+20, em junho de 2012”.

Vários dos temas que estão sendo debatidos no Encob esta semana poderão ser abordados na Rio+20. Entre as proposições da ANA para o encontro no Rio estão a criação de um fundo para pagamentos por serviços ambientais para a proteção de nascentes, no moldes do Programa Produtor de Água da ANA; a criação de um programa global de pagamento para o tratamento de esgoto, baseado no Prodes (Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas) da ANA; e a criação de um órgão de governança global da água, no âmbito das Nações Unidas.

A programação do Encob inclui cursos de gestão de recursos hídricos para membros dos comitês de bacia e órgãos gestores locais de recursos hídricos, reuniões de comitês interestaduais, reunião da seção Brasil do Conselho Mundial da Água, oficina de adaptação às Mudanças Climáticas na Gestão dos Recursos Hídricos, além de mesas de debates sobre nascentes de centros urbanos, o papel dos comitês na universalização do saneamento, entre outras discussões.

Number of Facebook Friends Linked to Size of Brain Regions, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 20, 2011) — Scientists funded by the Wellcome Trust have found a direct link between the number of ‘Facebook friends’ a person has and the size of particular brain regions. Researchers at University College London (UCL) also showed that the more Facebook friends a person has, the more ‘real-world’ friends they are likely to have.

The researchers are keen to stress that they have found a correlation and not a cause, however: in other words, it is not possible from the data to say whether having more Facebook friends makes the regions of the brain larger or whether some people are ‘hardwired’ to have more friends.

The social networking site Facebook has more than 800 million active users worldwide. Nearly 30 million of these are believed to be in the UK.

The site allows people to keep in touch online with a network of friends. The sizes of individual networks vary considerably, and some users have only a handful of online friends while others have over a thousand; however, whether this variability is reflected in the size of real-world social networks has not been clear.

Professor Geraint Rees, a Wellcome Trust Senior Clinical Research Fellow at UCL, said: “Online social networks are massively influential, yet we understand very little about the impact they have on our brains. This has led to a lot of unsupported speculation that the internet is somehow bad for us.

“Our study will help us begin to understand how our interactions with the world are mediated through social networks. This should allow us to start asking intelligent questions about the relationship between the internet and the brain — scientific questions, not political ones.”

Professor Rees and colleagues at the UCL Institute of Cognitive Neuroscience and the Wellcome Trust Centre for Neuroimaging studied brain scans of 125 university students — all active Facebook users — and compared them against the size of the students’ network of friends, both online and in the real world. Their findings, which they replicated in a further group of 40 students, are published October 20 in the journal Proceedings of the Royal Society B.

Professor Rees and colleagues found a strong connection between the number of Facebook friends an individual had and the amount of grey matter (the brain tissue where the processing is done) in several regions of the brain. One of these regions was the amygdala, a region associated with processing memory and emotional responses. A study published recently showed that the volume of grey matter in this area is larger in people with a larger network of real-world friends — the new study shows that the same is true for people with a larger network of online friends.
The size of three other regions — the right superior temporal sulcus, the left middle temporal gyrus and the right entorhinal cortex — also correlated with online social networks but did not appear to correlate with real-world networks.

The superior temporal sulcus has a role in our ability to perceive a moving object as biological, and structural defects in this region have been identified in some children with autism. The entorhinal cortex, meanwhile, has been linked to memory and navigation — including navigating through online social networks. Finally, the middle temporal gyrus has been shown to activate in response to the gaze of others and so is implicated in perception of social cues.

Dr Ryota Kanai, first author of the study, added: “We have found some interesting brain regions that seem to link to the number of friends we have — both ‘real’ and ‘virtual’. The exciting question now is whether these structures change over time — this will help us answer the question of whether the internet is changing our brains.”
As well as examining brain structure, the researchers also examined whether there was a link between the size of a person’s online network of friends and their real-world network. Previous studies have looked at this, but only in relatively small sample sizes.

The UCL researchers asked their volunteers questions such as ‘How many people would send a text message to you marking a celebratory event (e.g. birthday, new job, etc.)?’, ‘What is the total number of friends in your phonebook?’ and ‘How many friends have you kept from school and university that you could have a friendly conversation with now?’ The responses suggest that the size of their online networks also related to the size of their real world networks.

“Our findings support the idea that most Facebook users use the site to support their existing social relationships, maintaining or reinforcing these friendships, rather than just creating networks of entirely new, virtual friends,” adds Professor Rees.

Commenting on the study, Dr John Williams, Head of Neuroscience and Mental Health at the Wellcome Trust, said: “We cannot escape the ubiquity of the internet and its impact on our lives, yet we understand little of its impact on the brain, which we know is plastic and can change over time. This new study illustrates how well-designed investigations can help us begin to understand whether or not our brains are evolving as they adapt to the challenges posed by social media.”

Occupy Wall Street’s ‘Political Disobedience’ (N.Y. Times)

October 13, 2011, 4:15 PM

By BERNARD E. HARCOURT

Our language has not yet caught up with the political phenomenon that is emerging in Zuccotti Park and spreading across the nation, though it is clear that a political paradigm shift is taking place before our very eyes. It’s time to begin to name and in naming, to better understand this moment. So let me propose some words: “political disobedience.”

Occupy Wall Street is best understood, I would suggest, as a new form of what could be called “political disobedience,” as opposed to civil disobedience, that fundamentally rejects the political and ideological landscape that we inherited from the Cold War.

Civil disobedience accepted the legitimacy of political institutions, but resisted the moral authority of resulting laws. Political disobedience, by contrast, resists the very way in which we are governed: it resists the structure of partisan politics, the demand for policy reforms, the call for party identification, and the very ideologies that dominated the post-War period.

Occupy Wall Street, which identifies itself as a “leaderless resistance movement with people of many … political persuasions,” is politically disobedient precisely in refusing to articulate policy demands or to embrace old ideologies. Those who incessantly want to impose demands on the movement may show good will and generosity, but fail to understand that the resistance movement is precisely about disobeying that kind of political maneuver. Similarly, those who want to push an ideology onto these new forms of political disobedience, like Slavoj Zizek or Raymond Lotta, are missing the point of the resistance.

When Zizek complained last August, writing about the European protesters in the London Review of Books, that we’ve entered a “post-ideological era” where “opposition to the system can no longer articulate itself in the form of a realistic alternative, or even as a utopian project, but can only take the shape of a meaningless outburst,” he failed to understand that these movements are precisely about resisting the old ideologies. It’s not that they couldn’t articulate them; it’s that they are actively resisting them — they are being politically disobedient.

And when Zizek now declares at Zuccotti Park “that our basic message is ‘We are allowed to think about alternatives’ . . . What social organization can replace capitalism?” ― again, he is missing a central axis of this new form of political resistance.

One way to understand the emerging disobedience is to see it as a refusal to engage these sorts of  worn-out ideologies rooted in the Cold War. The key point here is that the Cold War’s ideological divide — with the Chicago Boys at one end and the Maoists at the other — merely served as a weapon in this country for the financial and political elite: the ploy, in the United States, was to demonize the chimera of a controlled economy (that of the former Soviet Union or China, for example) in order to prop up the illusion of a free market and to legitimize the fantasy of less regulation — of what was euphemistically called “deregulation.” By reinvigorating the myth of free markets, the financial and political architects of our economy over the past three plus decades — both Republicans and Democrats — were able to disguise massive redistribution toward the richest by claiming they were simply “deregulating” when all along they were actually reregulating to the benefit of their largest campaign donors.

This ideological fog blinded the American people to the pervasive regulatory mechanisms that are necessary to organize a colossal late-modern economy and that necessarily distribute wealth throughout society — and in this country, that quietly redistributed massive amounts of wealth to the richest 1 percent. Many of the voices at Occupy Wall Street accuse political ideology on both sides, on the side of free markets but also on the side of big government, for serving the few at the expense of the other 99 percent — for paving the way to an entrenched permissive regulatory system that “privatizes gains and socializes losses.”

A protest march through the financial district of New York on October 12.Lucas Jackson/ReutersA protest march through the financial district of New York on October 12.

The central point, of course, is that it takes both a big government and the illusion of free markets to achieve such massive redistribution. If you take a look at the tattered posters at Zuccotti Park, you’ll see that many are intensely anti-government and just as many stridently oppose big government.

Occupy Wall Street is surely right in holding the old ideologies to account. The truth is, as I’ve argued in a book, “The Illusion of Free Markets,” and recently in Harper’s magazine, there never have been and never will be free markets. All markets are man-made, constructed, regulated and administered by often-complex mechanisms that necessarily distribute wealth — that inevitablydistribute wealth — in large and small ways. Tax incentives for domestic oil production and lower capital gains rates are obvious illustrations. But there are all kinds of more minute rules and regulations surrounding our wheat pits, stock markets and economic exchanges that have significant wealth effects: limits on retail buyers flipping shares after an I.P.O., rulings allowing exchanges to cut communication to non-member dealers, fixed prices in extended after-hour trading, even the advent of options markets. The mere existence of a privately chartered organization like the Chicago Board of Trade, which required the state of Illinois to criminalize and forcibly shut down competing bucket shops, has huge redistributional wealth effects on farmers and consumers — and, of course, bankers, brokers and dealers.

The semantic games — the talk of deregulation rather than reregulation — would have been entertaining had it not been for their devastating effects. As the sociologist Douglas Massey minutely documents in “Categorically Unequal,” after decades of improvement, the income gap between the richest and poorest in this country has dramatically widened since the 1970s, resulting in what social scientists now refer to as U-curve of increasing inequality. Recent reports from the Census Bureau confirm this, with new evidence last month that “the number of Americans living below the official poverty line, 46.2 million people, was the highest number in the 52 years the bureau has been publishing figures on it.” Today, 27 percent of African-Americans and 26 percent of Hispanics in this country — more than 1 in 4 — live in poverty; and 1 in 9 African-American men between the ages of 20 and 34 are incarcerated.

It’s these outcomes that have pushed so many in New York City and across the nation to this new form of political disobedience. It’s a new type of resistance to politics tout court — to making policy demands, to playing the political games, to partisan politics, to old-fashioned ideology. It bears a similarity to what Michel Foucault referred to as “critique:” resistance to being governed “in this manner,” or what he dubbed “voluntary insubordination” or, better yet, as a word play on the famous expression of Etienne de la Boétie, “voluntary unservitude.”

If this concept of “political disobedience” is accurate and resonates, then Occupy Wall Street will continue to resist making a handful of policy demands because it would have little effect on the constant regulations that redistribute wealth to the top. The movement will also continue to resist Cold War ideologies from Friedrich Hayek to Maoism — as well as their pale imitations and sequels, from the Chicago School 2.0 to Alain Badiou and Zizek’s attempt to shoehorn all political resistance into a “communist hypothesis.”

On this account, the fundamental choice is no longer the ideological one we were indoctrinated to believe — between free markets and controlled economies — but rather a continuous choice between kinds of regulation and how they distribute wealth in society. There is, in the end, no “realistic alternative,” nor any “utopian project” that can avoid the pervasive regulatory mechanisms that are necessary to organize a complex late-modern economy — and that’s the point. The vast and distributive regulatory framework will neither disappear with deregulation, nor with the withering of a socialist state. What is required is constant vigilance of all the micro and macro rules that permeate our markets, our contracts, our tax codes, our banking regulations, our property laws — in sum, all the ordinary, often mundane, but frequently invisible forms of laws and regulations that are required to organize and maintain a colossal economy in the 21st-century and that constantly distribute wealth and resources.

In the end, if the concept of “political disobedience” accurately captures this new political paradigm, then the resistance movement needs to occupy Zuccotti Park because levels of social inequality and the number of children in poverty are intolerable. Or, to put it another way, the movement needs to resist partisan politics and worn-out ideologies because the outcomes have become simply unacceptable. The Volcker rule, debt relief for working Americans, a tax on the wealthy — those might help, but they represent no more than a few drops in the bucket of regulations that distribute and redistribute wealth and resources in this country every minute of every day. Ultimately, what matters to the politically disobedient is the kind of society we live in, not a handful of policy demands.

Saber tradicional e lógica científica beneficiam a pesca (Agência USP)

Por Sandra O. Monteiro
Publicado em 13/outubro/2011

Cotidiano e tradições são relevantes para pesca e políticas regionais

Na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, um desacordo entre a forma de exploração de uma comunidade de pescadores e a maneira de pensar a exploração de alguns pesquisadores das ciências naturais impede que políticas públicas para a região sejam efetivas. Isso estimula movimentos socias de desobediência civil contrários a normas estatais firmadas apenas em conceitos “científicos”.

A comunidade em questão está localizada na Ilha dos Marinheiros, segundo distrito da cidade de Rio Grande (RS), na Lagoa dos Patos. O local foi base de um estudo etnográfico desenvolvido pelo oceanógrafo Gustavo Moura, desenvolvido durante seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (Procam) da USP. Segundo o pesquisador, as comunidades locais denominam “nosso mar” o pedaço da Lagoa dos Patos em que cada grupo vive e desenvolve sua pesca. “Tal desentendimento impede que políticas públicas para a região sejam efetivas e atuem realmente na conservação dos recursos naturais ou na expansão das liberdades de quem vive da pesca na região”, observa Moura.

A pesquisa foi realizada por meio da vivência (observação de fenômenos naturais e sociais) e de entrevistas com os moradores locais. Para o pesquisador, a ciência por meio de suas metodologias e cálculos não consegue respostas para todos os fatos ou para dar a efetiva precisão a dados sobre fenômenos naturais. E as respostas que a ciência oferece é apenas uma das formas culturais de ver o mundo. A oceanografia clássica, por exemplo, preocupa-se em preservar o ambiente dentro de uma perspectiva exclusiva de análise técnica de um suposto comportamento matemático da natureza. Esquece, no entanto, que nem tudo é exato e exclui, da sua busca por respostas, o diálogo com as ciências humanas e as culturas tradicionais por considerá-las imprecisas. À respeito disto, Moura diz que a ciência oceanográfica não deve ser desconsiderada, mas experiências e valores humanos também são relevantes no estudo de fenômenos naturais e na formulação de políticas públicas.

Oceanografia Humana e Políticas Públicas

A etnoocenagrafia, uma das linhas de pesquisa da Oceanografia Humana, considera as tradições e observações sobre a natureza, que passam de pai para filho, que levam em conta o tempo cíclico da natureza (o vento, a lua e as chuvas, por exemplo). Além disso também observam a forma como cada comunidade interage com o “seu próprio mar” a partir de situações de comércio e em datas religiosas como a Páscoa “em que muitos pescadores não trabalham”, relata o pesquisador.

Oceanografia e antropologia favorecem conservação de recursos pesqueiros

Uma das questões polêmicas relaciona-se à melhor época para se pescar uma determinada espécie. Tem a ver com o tamanho do camarão-rosa, por exemplo. Nem sempre a melhor época para se pescar é de 01 de fevereiro a 31 de maio, como determina a lei de defesa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). “Pois a natureza vista pelos pescadores tem uma lógica diferente da lógica científica. Uma espécie atinge o tamanho considerado bom pelos pescadores, frequentemente, numa data diversa da prevista em lei em quase todos os anos, antes ou depois de primeiro de fevereiro”, reflete o Moura.

A troca de informações diárias entre os próprios pescadores é outra situação que alguns pesquisadores e agentes de fiscalização locais não entendem e discriminam pela fato de ocorrerem em festas e bares. Estas trocas de informação tem relação, por exemplo, com a construção das decisões de quando, como e onde pescar dentro do território tradicional de pesca e com um conjunto de relações sociais instituídas pela posse informal de “pedaços de mar”.

Segundo Moura, quando regras tradicionais de uso dos recursos naturais são incorporadas nas políticas públicas, elas podem trazer menores prejuízos ambientais do que se baseadas em pura lógica científica. “Além disso, pode trazer mais liberdade para os pescadores trabalharem, em vez da castração de liberdades como ocorre com a política atual.”

A dissertação Águas da Coréia: pescadores, espaço e tempo na construção de um território de pesca na Lagoa dos Patos (RS) numa perspectiva etnooceanográfica foi orientada pelo professor Antonio Carlos Sant’Ana Diegues. O estudo será publicado na forma de livro pela editora NUPEEA, em 2012. “Águas da Coréia…” será o primeiro livro de etnooceanografia já publicado dentro e fora do Brasil, e uma das poucas publicações disponíveis na área de Oceanografia Humana.

Com informações da Agência Universitária de Notícias (AUN)
Fotos cedidas pelo pesquisador