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Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o Código (Agência Brasil)

31/5/2012 – 10h52

por Danilo Macedo,da Agência Brasil

Capa5 Ruralistas não aceitam vetos e já elaboram 50 emendas à MP que altera o CódigoDeputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elaboraram cerca de 50 emendas à Medida Provisória 571/2012, que trata dos trechos vetados do Código Florestal. Os parlamentares tem até sexta-feira para apresentá-las. O atual presidente da frente, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), disse que vários deputados vão entrar com mandado de segurança contra a MP, por considerarem “uma afronta” e “entendendo que a presidenta exorbitou no seu poder”.

Segundo Mendes, alguns parlamentares entendem que a legislação estabelece que assuntos votados no Congresso Nacional não podem ser objeto de medida provisória antes da aceitação ou derrubada do veto presidencial. Após o veto da presidenta Dilma Rousseff, o Congresso Nacional tem 30 dias para discutir o assunto. “Vamos ouvir o restante da frente para que se tome uma deliberação a esse respeito”.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que ficou surpreso com a MP tratando de matéria derrotada na Câmara dos Deputados e a considerou uma “agressão” ao Congresso. “Ela passa a legislar acima da vontade do Congresso Nacional. Esse que é o ponto sobre o qual queremos entrar com mandado de segurança no sentido de buscar a sustação dos efeitos dessa medida provisória”, disse.

Moreira Mendes disse que o assunto Novo Código Florestal precisa ser liquidado, mas devido ao rito da medida provisória, com prazo de 120 dias, o assunto não será resolvido antes do recesso parlamentar. Em relação às emendas, o presidente da FPA disse que a intenção é buscar um texto de conciliação, nem mantendo o atual e nem resgatando a proposta que saiu das discussões na Câmara dos Deputados.

* Publicado originalmente no site  Brasil de Fato.

Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal (EcoD)

29/5/2012 – 10h34

por Redação EcoD

51 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Os ministros anunciaram vetos em 12 itens e 32 modificações no texto do Código Florestal, feitos pela presidenta Dilma Rousseff, na última semana. Foto: José Cruz/ABr

Impedir a anistia a quem desmatou e proibir a produção agropecuária em áreas de proteção permanente (APPs) foram alguns dos principais objetivos da presidenta Dilma Rousseff ao vetar parte do novo Código Florestal na sexta-feira, 25 de maio. Os vetos de 12 artigos resgatam o teor do acordo firmado entre os líderes partidários e o governo durante a tramitação da proposta no Senado.

Artigo 1º, que foi modificado pelos deputados após aprovação da proposta no Senado, foi vetado. Na medida provisória (MP) publicada hoje (28) no Diário Oficial da União, o Palácio do Planalto devolve ao texto do Código Florestal os princípios que haviam sido incorporados no Senado e suprimidos, posteriormente, na segunda votação na Câmara. A MP foi o instrumento usado pelo governo para evitar lacunas no texto final.

Também foi vetado o Inciso 11 do Artigo 3º da lei, que trata das atividades eventuais ou de baixo impacto. O veto retirou do texto o chamado pousio: prática de interrupção temporária de atividade agrícolas, pecuárias ou silviculturais, para permitir a recuperação do solo.

61 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

Artigo 61 previa a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008 – o governo vetou. Foto: leoffreitas

Recebeu veto ainda o Parágrafo 3º do Artigo 4º que não considerava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. O dispositivo vetado ainda estendia essa regra aos salgados e apicuns – áreas destinadas à criação de mariscos e camarões.

Foram vetados também os parágrafos 7º e 8º. O primeiro estabelecia que, nas áreas urbanas, as faixas marginais de qualquer curso d’água natural que delimitem as áreas das faixas de passagem de inundação (áreas que alagam na ápoca de cheia) teriam sua largura determinada pelos respectivos planos diretores e pela Lei de Uso do Solo, ouvidos os conselhos estaduais e municipais do Meio Ambiente. Já o Parágrafo 8º previa que, no caso de áreas urbanas e regiões metropolitanas, seria observado o dispositivo nos respectivos planos diretores e leis municipais de uso do solo.

O Parágrafo 3º do Artigo 5º também foi vetado. O dispositivo previa que o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial poderia indicar áreas para implantação de parques aquícolas e polos turísticos e de lazer em torno do reservatório, de acordo com o que fosse definido nos termos do licenciamento ambiental, respeitadas as exigências previstas na lei.

73 Conheça todos os 12 vetos ao novo Código Florestal

APP em Minas Gerais. Parágrafo 3º do Artigo 4º desconsiderava área de proteção permanente (APP) a várzea (terreno às margens de rios, inundadas em época de cheia) fora dos limites estabelecidos, exceto quanto houvesse ato do Poder Público. Foto: Paula FJ

Já no Artigo 26, que trata da supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo tanto de domínio público quanto privado, foram vetados o 1º e 2º parágrafos. Os dispositivos detalhavam os órgãos competentes para autorizar a supressão e incluía, entre eles, os municipais do Meio Ambiente.

A presidenta Dilma Rousseff também vetou integralmente o Artigo 43. Pelo dispositivo, as empresasconcessionárias de serviços de abastecimento de água e geração de energia elétrica, públicas ou privadas, deveriam investir na recuperação e na manutenção de vegetação nativa em áreas de proteção permanente existente na bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração.

Um dos pontos que mais provocaram polêmica durante a tramitação do código no Congresso, o Artigo 61, foi vetado. O trecho autorizava, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.

Também foram vetados integramente os artigos 76 e 77. O primeiro estabelecia prazo de três anos para que o Poder Executivo enviasse ao Congresso projeto de lei com a finalidade de estabelecer as especificidades da conservação, da proteção, da regeneração e da utilização dos biomas da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga, do Pantanal e do Pampa. Já o Artigo 77 previa que na instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente seria exigida do empreendedor, público ou privado, a proposta de diretrizes de ocupação do imóvel.

A MP que complementa o projeto, publicada nesta segunda-feira (28), vale por 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias – ela ainda será votada pelo Congresso.

* Publicado originalmente no site da EcoD.

Comunidade internacional comenta veto parcial a novo Código Florestal brasileiro (Carbono Brasil)

01/6/2012 – 11h12

por Jéssica Lipinski, do Instituto Carbono Brasil

Chamada6 Comunidade internacional comenta veto parcial a novo Código Florestal brasileiroOs desdobramentos do projeto de lei do novo Código Florestal brasileiro não foram seguidos apenas nacionalmente, mas também pela comunidade internacional. Com a suspensão da presidente Dilma Rousseff de 12 dos 84 artigos da proposta e modificação de 32 deles, a resposta internacional ao veto parcial não demorou a chegar, e como no Brasil, causou muita polêmica.

Alguns grupos ambientalistas saudaram a decisão da governante brasileira, afirmando que a ação de Dilma impediu que grandes danos às florestas brasileiras fossem autorizados. “Aplaudimos a presidente Rousseff hoje por votar as partes mais perigosas dessa lei e por seu compromisso contínuo em acabar com o desmatamento brasileiro até 2020”, comentou Doug Boucher, diretor de pesquisa e análise climática da União dos Cientistas Preocupados.

“A emenda que concederia anistia para desmatamentos ilegais de antes de 2008 seria um precedente perigoso. Os proprietários de terras teriam ficado livres para continuar a derrubar florestas sob a suposição de que outro período de anistia seria oferecido. Se Rousseff não tivesse vetado essa seção, isso teria minado todo o Código Florestal”, continuou Boucher.

Outras organizações que defendem o meio ambiente celebraram parcialmente a iniciativa da presidente. “A presidente Rousseff aparentemente aderiu à opinião pública brasileira em vetar as seções mais irresponsáveis do Código Florestal ruralista, mas não estamos fora de perigo ainda”, observou Jennifer Haverkamp, diretora do programa climático internacional do Fundo de Defesa Ambiental (EDF), em comunicado à imprensa.

“O que esses vetos realmente significam para o futuro das florestas – e se a lei pode ser efetivamente aplicada – dependerá das especificidades da ordem executiva (medida provisória) que a presidente emite na segunda-feira”, acrescentou Haverkamp.

No entanto, a maioria da comunidade internacional criticou a decisão de Dilma, alegando que muitos dos pontos que passaram só contribuirão para um maior desmatamento no Brasil.

Pedro Abramovay, diretor de campanhas do site de mobilização Avaaz, lembrou que das duas milhões de assinaturas existentes no documento entregue à governante que pedia pelo veto total ao novo código, 1,7 milhões foram recolhidas no exterior, sobretudo na Alemanha e na França, o que segundo ele, demonstra a preocupação mundial do que pode acontecer às florestas brasileiras sob o novo código.

“Pedimos o veto porque essa legislação representa em retrocesso para o Brasil e para o mundo e porque está baseado em um modelo que propõe desmatar para desenvolver”, alertou Abramovay.

Por todo o mundo, grupos ambientalistas, como o Greenpeace e o WWF, se pronunciaram contra o novo projeto de lei, e manifestações ocorreram em várias cidades do planeta, como Madri, na Espanha, e Tel Aviv, em Israel.

“Essa tentativa de excluir elementos de uma parte já complicada da legislação fará com que o Código Florestal revisado seja muito difícil de ser implementado – e as florestas do Brasil podem sofrer muito como resultado”, declarou o WWF.

“Na última década, o Brasil esteve no caminho do progresso econômico e ambiental. Agora, a declaração da presidente Rousseff cria um futuro incerto para as florestas brasileiras”, concluiu Jim Leape, diretor geral do WWF Internacional.

* Publlicado originalmente no site do Carbono Brasil.

Divisão Norte-Sul paira sobre a Rio+20 (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h05

por Thalif Deen, da IPS

Slide2 Divisão Norte Sul paira sobre a Rio+20

Branislav Gosovic. Foto: Cortesia Branislav Gosovic

Nova York, Estados Unidos, 1/6/2012 – A Cúpula da Terra de 1992 no Rio de Janeiro se viu em grande parte desbaratada pela divisão Norte-Sul: uma batalha entre uma coalizão de nações industrializadas ricas e o Grupo dos 77 (G-77), atualmente integrado por 134 países em desenvolvimento.

De certa forma, as atuais divisões são mais profundas do que por ocasião da Conferência sobre Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972, a primeira cúpula ambiental, e do que a Cúpula da Terra, duas décadas depois, disse Branislav Gosovic, ex-integrante da Comissão Brundtland sobre Meio Ambiente e que integrou a delegação do Centro Sul na conferência de 1992.

“A divisão afetará o processo e o resultado da Rio+20”, afirmou Gosovic, referindo-se à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho. Branislav Gosovic é autor de The Quest for World Environmental Cooperation: The Case of the U.N. Global Environment Monitoring System (A busca da cooperação mundial para o meio ambiente: o caso do Sistema Mundial de Monitoramento Ambiental das Nações Unidas).

IPS: Como participante da Cúpula da Terra de 1992, tem alguma confiança ou está cético com relação ao resultado da Rio+20?

Branislav Gosovic: Não sou otimista quanto a êxitos ou grandes avanços. A reunião acontecerá em um momento difícil para a economia global e nacional e após 20 anos de predomínio de uma globalização neoliberal. No primeiro caso, os chefes de Estado estarão preocupados com a resposta à atual crise que não sabem como manejar nem superar. E o segundo prejudicou a agenda sobre desenvolvimento sustentável e paralisou, ou fez retroceder, alguma das políticas e dos avanços conceituais realizados no período anterior com vistas à (e na) cúpula do Rio de Janeiro.

IPS: Qual sua opinião sobre o documento da Rio+20 que é negociado?

BG: Mantém muitas ideias e muitos objetivos vivos. Entretanto, semanas antes do encontro, parágrafos entre parênteses (o que indica desacordos) e palavras ambíguas sobre questões muito importantes mostram a falta de consenso e que a comunidade internacional caminha para um período de seca. Porém, me atrevo a ser otimista quanto ao longo prazo e após um período de globalização neoliberal, dada a maturação de muitos temas e a preocupação e o agravamento dos problemas globais identificados em Estocolmo há 40 anos, que a Rio+20 possa marcar o começo de 20 anos mais promissores para a cooperação internacional rumo a “Estocolmo+60, isto é, Rio+40.

IPS: Qual a melhor forma de conseguir isso?

BG: É preciso muito trabalho, compromisso e liderança de alguns países que estão em posição de oferecê-lo e participação das forças sociais em um movimento global genuíno. E o mais importante, acarretará grandes mudanças estruturais e paradigmas sobre como a sociedade se organiza, em escala nacional e global, uma chave que abrirá a porta para cumprir muitos dos atuais objetivos esquivos ou inalcançáveis. Não há motivo de surpresa no fato de tais mudanças sofrerem resistência e serem combatidas com unhas e dentes e por todos os meios disponíveis pelos que se opõem a elas.

IPS: Acredita em uma repetição da divisão Norte-Sul de 1991 nas atuais negociações do plano de ação da Rio+20, intitulado O futuro que queremos?

BG: A divisão Norte-Sul existe há mais de 60 anos, desde os primeiros dias da Organização das Nações Unidas. Afetou e determinou o resultado de Conferência de Estocolmo e a forma como foi conceituada a agenda ambiental, como um plano de desenvolvimento sustentável. Esteve presente no informe e na primeira reunião da Comissão Brundtland, isto é, a Comissão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, e depois na Rio 92 e em Johannesburgo 2002. E tal como mostra o atual rascunho do documento final, terá um papel central na Rio+20. Pode-se argumentar que as questões ambientais usufruíram a agenda internacional para o desenvolvimento e vice-versa. Os problemas ambientais globais não podem ser atendidos nem resolvidos sem a participação do Sul e dos países em desenvolvimento, e sendo sócios iguais na empresa. Não se pode fazer desaparecerem as cúpulas gêmeas sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e a Chamada Cúpula da Terra, como fazem alguns países industrializados tentando encontrar divisões e diferenças no Sul. Continuarão fazendo isso até que o Norte mude sua política e assuma sua posição de solidariedade e tenha uma adesão genuína aos princípios do Rio, de “responsabilidades comuns e diferenciadas”. Por outro lado, observa-se os esforços para transformar a agenda ambiental em uma grande oportunidade empresarial e de criação de emprego, para projetar uma imagem de determinados países em desenvolvimento importantes como principal ameaça para o meio ambiente global. Também para enfrentar nas negociações sobre mudança climática pequenos grupos de Estados em desenvolvimento vulneráveis, em um esforço de nunca acabar tendente a dividir o Grupo dos 77. Definitivamente, o conflito Norte-Sul está vivo e se movendo, dirá presente na Rio+20 e se manterá no futuro imediato.

IPS: Como se compara a Agenda 21 e o documento da Rio+20 com o histórico informe da Comissão Brundtland de 1987? Houve avanços substanciais desde então e desde a Conferência de Estocolmo?

BG: O documento da Rio+20 é resultado de um processo de negociações. Nesse sentido, não se pode comparar com o Informe Brundtland nem com o da Cúpula da Terra, ambos elaborados por equipes dedicadas a essa tarefa durante um longo tempo. Por outro lado, a maioria dos temas presentes no Informe Brundtland e na Agenda 21 podem ser encontrados no documento da Rio+20, embora redigidos de tal forma que revela a falta de consenso e de compromisso para agir. Houve avanços em numerosas áreas, mas, nas questões cruciais e nos conflitos subjacentes, quase não existiu movimento. Isso continuará sendo de interesse e desempenhará um papel importante na Rio+20. Um desses conflitos tem a ver com as divisões Norte-Sul, a agenda internacional para o desenvolvimento, e a questão relacionada da ordem global e política existente, que está sendo questionada. O outro conflito, menos visível, tem a ver com a natureza da ordem socioeconômica dominante, ou o paradigma, que é questionado por não ser sustentável do ponto de vista social nem ambiental. Este conflito estará presente no Norte e no Sul. Houve poucos progressos na prática sobre questões fundamentais desse tipo. Envolverde/IPS

(IPS)

Rio+20 é a conferência de todos (IPS)

Envolverde Rio + 20
01/6/2012 – 10h00

por Sha Zukang*

Slide1 Rio+20 é a conferência de todosNações Unidas, 1/6/2012 – A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, é uma oportunidade única em uma geração. Mais de 135 chefes de Estado e de governo, e mais de 50 mil participantes no total, incluindo executivos de empresas e representantes da sociedade civil, estarão presentes. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, definiu o encontro como “uma das mais importantes conferências da história” da ONU.

Não nos equivoquemos, o mundo está observando. Com a interdependência sem precedentes que vivemos hoje, o desenvolvimento sustentável é a única via para enfrentar os desafios econômicos, sociais e ambientais que afetam milhões de pessoas e ameaçam nosso planeta compartilhado.

Os progressos no desenvolvimento sustentável se traduzem em alimentos na mesa de milhões de pessoas que hoje sofrem fome, bem como em oportunidades de trabalho decente, em acesso a água potável e na capacidade de respirar ar puro e caminhar por uma mata cheia de vida. Além disso, o desenvolvimento sustentável assegura que cada mulher tenha iguais oportunidades e que cada menino e menina tenha a possibilidade de ir à escola, de ter acesso a saneamento básico, crescer em um ambiente socialmente inclusivo e aspirar um futuro promissor.

Talvez, muitos de nós sejamos suficientemente afortunados para darmos como assentadas estas bases do desenvolvimento sustentável. Contudo, devemos fazê-lo?

Nosso sobrecarregado planeta enfrenta um grande número de desafios: as repercussões da recessão econômica global, a insegurança energética, a escassez de água, os altos preços dos alimentos, as vulnerabilidades diante da mudança climática e a frequência e severidade dos desastres naturais, entre outros.

A natureza destes desafios nos recorda uma verdade importante: somos um, e estamos interligados de infinitas maneiras. Estes desafios não afetam apenas um país ou uma região. São de natureza global e têm impacto sobre todos. No mundo de hoje, o que acontece em uma parte do planeta pode facilmente repercutir em outra. Não podemos continuar com a mesma atitude, vivendo do tempo emprestado, e consumindo recursos como se existissem cinco planetas.

A Rio+20 não é “apenas outra conferência da ONU”. Por que o fórum mundial a está convocando? Não se trata de adotar normas e regulações à custa da qualidade de vida, mas de estimular e facilitar mais sábias opções para indivíduos, comunidades locais, negócios e governos.

Combinadas, nossas opções determinam a saúde de nossas economias, de nosso planeta e de nossa sociedade. O Rio de Janeiro é uma importante oportunidade para assegurar que os líderes globais respeitem seus compromissos para um mundo sustentável, tanto econômica quanto social e ambientalmente, e para que escolham políticas a favor do povo e do planeta.

Uma ideia que ganha cada vez mais apoio são as Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS), que complementariam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As MDS, aplicáveis e mensuráveis, dariam uma concreta expressão ao renovado compromisso político pelo desenvolvimento sustentável. No Rio de Janeiro espero ver ações para avançar em direção a uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Na verdade, vários temas reclamam ação urgente: empregos decentes, especialmente para os quase 80 milhões de jovens que entram anualmente no mercado de trabalho; sistemas de proteção social; inclusão social; acesso a energia; eficiência e sustentabilidade. Além disso, segurança alimentar e agricultura sustentável, gestão racional da água, cidades sustentáveis, proteção e administração de oceanos e melhor resistência e preparação diante de desastres naturais.

Os governos também terão que decidir com qual marco institucional se pode avançar melhor na agenda do desenvolvimento sustentável e proporcionar um espaço para que a sociedade civil e o setor privado desempenhem seu papel. Na verdade, todos os setores da sociedade podem desenvolver tecnologias que ajudem a transformar o mundo para melhor, criar empregos verdes e influenciar positivamente a sociedade por meio da responsabilidade social das corporações.

A sociedade civil pode responsabilizar os governos e assegurar que as vozes dos mais vulneráveis estejam representadas. Os cientistas podem desenvolver soluções inovadoras para os desafios da sustentabilidade, e cada um de nós também tem uma parte nas decisões que tomamos a cada dia.

A Rio+20 é a conferência de todos, assim como o planeta também é de todos. Suas metas, suas aspirações e seu resultado pertencerão a todos. Por fim, não esqueçamos que a Rio+20 também é uma conferência para as futuras gerações. Um famoso provérbio indígena norte-americano diz: “Não herdamos a Terra de nossos ancestrais, mas a tomamos emprestada de nossos filhos”.

Juntos, participando de um pensamento criativo, de iniciativas para avançar e de compromisso voluntários, podemos conseguir consenso e procurar um mundo que faça nossos descendentes se orgulharem. Trabalharemos unidos para criar o futuro que queremos. Envolverde/IPS

* Sha Zukang é secretário-geral adjunto da ONU, diretor do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais e secretário-geral da Rio+20.

Rio+20 será um fracasso, avalia Eduardo Viola, especialista em clima e professor da UnB (Agência Câmara de Notícias)

01/06/2012

Eco Debate

A afirmação foi feita durante audiência pública realizada pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas para debater a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e o papel da governança para o desenvolvimento sustentável.

O professor avaliou que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não terá grandes avanços porque as duas das maiores superpotências – Estados Unidos e China – não estão interessadas em negociações ambientais. “Neste momento, temos três superpotências no sistema internacional: Estados Unidos, União Europeia e China. Dessas três só a União Europeia, mesmo que limitadamente, se orienta para uma economia mais verde. Estados Unidos e China são conservadores e não querem ceder soberania nacional”, explicou.

Na opinião de Eduardo Viola, a Rio+20 vem em um “momento errado da História” e não deve passar de “acordos superdifusos que vão apenas repetir coisas já ditas em conferências anteriores”. Para ele, a Rio+20 só teria condições de sucesso se houvesse profundas mudanças políticas nas três superpotências.

Conselho de Desenvolvimento Sustentável
O professor citou outras transformações necessárias no caminho da sustentabilidade. Entre elas, a criação de uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Viola, entretanto, não acredita que essas mudanças acontecerão em um futuro próximo.

O diretor interino do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, Paulino Franco de Carvalho Neto, defendeu a criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). “O conselho teria mais poderes e um status mais elevado do que a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável, que tem um caráter mais de discussão, com pouco alcance de resultados concretos que interferem nas políticas públicas”, observou.

Carvalho Neto disse que o governo brasileiro defende o reforço do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), estabelecendo, por exemplo, que as contribuições dos países para o programa sejam obrigatórias e não voluntárias. O diretor ressaltou ainda que “as questões ambientais não devem ser vistas isoladamente, devem englobar também as questões sociais e econômicas”.

Aspecto social
Já o professor da USP Eliezer Martins Diniz disse que o conceito de economia verde não tem grandes diferenças em relação ao de desenvolvimento econômico sustentável.

O Pnuma, lembrou, define economia verde como “a que resulta em um maior bem-estar humano e igualdade social enquanto reduz significativamente o risco ambiental e a escassez ecológica”.

Diniz, que é economista e especialista em desenvolvimento sustentável, considera o conceito redundante. “A definição de desenvolvimento sustentável já trata desses temas”. Ele explicou que a única diferença em relação aos dois conceitos é que o de desenvolvimento sustentável dá mais ênfase ao aspecto econômico e ambiental enquanto o conceito de economia verde engloba também o aspecto social.

O economista alertou ainda para a grande ênfase ao aspecto social, na frente das prioridades ambientais. “Pode ser uma ‘armadilha perigosa’, pois países em desenvolvimento podem argumentar que não cumpriram metas ambientais estabelecidas porque priorizaram a erradicação da pobreza.”

Na opinião do professor, se os países em desenvolvimento simplesmente disserem que têm como prioridade a erradicação da pobreza e que, por isso, não cumpriram nenhuma meta, não poderão ser cobrados. “É preciso haver cobrança de resultados ambientais muito claros.”

Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Economia verde, o nome não faz a essência (Inter Press Service)

Inter Press Service – Reportagens
31/5/2012 – 09h27

por Giuliano Battiston, da IPS

IPS1c Economia verde, o nome não faz a essênciaFlorença, Itália, 31/5/2012 – A atual crise econômico-financeira que afeta o Norte industrial apresenta uma oportunidade para reformar o sistema econômico, segundo participantes da nona edição do evento Terra Futura, sobre “boas práticas” em sustentabilidade social, econômica e ambiental. “O que, quanto, como e para quem produzir são as perguntas que temos de responder com urgência”, afirmou Guido Viale, economista ambiental e autor de vários livros de ecologia.

“A crise oferece a oportunidade de reconverter ecologicamente a forma como produzimos, usamos os produtos e serviços para preparar o caminho com vistas à redução de nossa dependência dos combustíveis fósseis para respeitar a biodiversidade e criar um sistema econômico seguro e com poucas emissões de carbono”, afirmou Viale durante a mostra, realizada entre 25 e 27 de maio nesta cidade. O primeiro passo para uma economia saudável e um ambiente limpo é “encontrar formas rentáveis de melhorar nossa infraestrutura e ‘descarbonizar’ nosso fornecimento energético”, disse Monica Frassoni, presidente da Aliança Europeia para Economizar Energia.

Esta organização foi criada por ocasião da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro de 2010, e inclui algumas das principais companhias multinacionais da Europa, além de um grupo de políticos de diversos partidos. “Sem compromissos obrigatórios com a eficiência energética até 2020 e sem objetivos de economia verificáveis para os membros da União Europeia (UE), o bloco corre o risco de alimentar sua dependência dos combustíveis fósseis”, destacou Frassoni.

Tão importante quanto ter um marco institucional e objetivos de economia setoriais nas principais áreas da economia europeia é conseguir uma mudança radical no estilo de vida. “As mudanças que vão durar são as que criarem raízes em uma mentalidade renovada”, explicou Karl-Ludwig Schibel, coordenador do braço italiano do Pacto dos Prefeitos. O movimento europeu pretende cumprir e superar o objetivo da UE de reduzir em 20% as emissões de dióxido de carbono (CO²) até 2020. O Pacto dos Prefeitos foi lançado pela Comissão Europeia em 2008, após a adoção do Pacote sobre Clima e Energia. “Realmente, acreditamos na efetividade de um processo de baixo para cima, promovido por cidadãos, autoridades regionais e administradores locais. É ali que ocorrem as revoluções mentais mais profundas”, detalhou Schibel.

Segundo a ambientalista Vandana Shiva, a consciência cultural de nossa escravidão intrínseca e frágil da “terra viva” é a ferramenta mais importante para promover a justiça, a sustentabilidade e uma nova economia. “É hora de abandonar o modelo centralizado, fossilizado e esclerosado, adotado na era industrial, e se construir um novo, descentralizado, democrático, horizontal e no qual todos os ecossistemas sejam respeitados e a diversidade seja um valor”, enfatizou.

“Devemos lutar contra as monoculturas mentais promovidas pela industrialização, e sermos cuidadosos com as velhas armadilhas escondidas em novas palavras, como economia verde”, acrescentou Vandana. Susan George, presidente do diretório do Transnational Institute, uma rede mundial de pesquisadores e ativistas, disse à IPS: “Não me agrada utilizar o termo economia verde, pois pode se converter em um meio pelo qual o capitalismo corporativo global consiga benefícios com um novo rosto mais respeitável”.

Vinte anos depois da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a comunidade internacional se reunirá novamente nessa cidade, de 20 a 22 de junho, para outra Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, onde se discutirá sobre economia verde, cujo adjetivo verde continua sendo motivo de controvérsia.

“Há alguns anos proponho o Novo Tratado Verde, isto é, assumir o controle das finanças e os investimentos na transição verde e social. O primeiro passo é socializar, não nacionalizar, os bancos, para incluir cidadãos e clientes na gestão, e conceder empréstimos para pequenas iniciativas ambientais”, contou Susan. A chamada economia verde é algo totalmente diferente. “Sou pessimista sobre a Rio+20”, declarou. “Será apenas uma desculpa para que as grandes corporações digam: ‘a ONU é lenta e ineficaz, nós somos efetivos e inteligentes, nos deem o dinheiro e investiremos em economia verde’. Porém, apenas buscam novos benefícios. Devemos perguntar: uma economia verde para quem e gerida por quem?”.

Barbara Unmüßig, presidente da Heinrich Boll Stiftung, escreveu em um artigo intitulado “Economia verde: uma nova bala mágica”, que “grandes setores da sociedade civil acreditam que a economia verde seja uma área extremamente benéfica”. Para marcar a diferença, o modelo de economia verde também dever prestar atenção a questões de poder e igualdade, e ao mesmo tempo afastar a ênfase política global do crescimento e livre comércio. Envolverde/IPS

(IPS)

‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki-moon sobre negociações da Rio+20 (EcoAgência)

Envolverde Rio + 20
31/5/2012 – 10h07

por Redação UNIC Brazil

Capa11 ‘O tempo está acabando’, diz Ban Ki moon sobre negociações da Rio+20Rodada de negociações dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou hoje (29) a importância deste momento para o sucesso dos objetivos da Rio+20. Seu discurso foi feito durante o início da terceira e última rodada de negociações informais entre os representantes de governos e os ‘Major Groups’ para definir o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O encontro de líderes globais está ocorrendo em Nova York de terça-feira (29/5) a sábado (2/6). “O tempo está acabando”, disse Ban Ki-moon aos participantes da rodada informal. “Vocês ainda têm muito trabalho a fazer – talvez trabalho demais – mas vocês devem perseverar. Os riscos são muito, muito altos, para o povo e para o planeta, para a paz e a prosperidade.”

Esta rodada de negociações, que foi acrescentada no início do mês, dá aos países uma oportunidade para avançar no diálogo e finalizar o documento final da Conferência, que ocorrerá de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro. O evento reunirá mais de 130 Chefes de Estado e de Governo, juntamente com milhares de parlamentares, prefeitos, funcionários da ONU, diretores executivos e líderes da sociedade civil.
As negociações serão baseadas em um texto que foi encurtado e simplificado pelos copresidentes do processo de deliberação, o Embaixador John Ashe de Antígua e Barbuda e o Embaixador Kim Sook da República da Coreia.

“Quando nos encontrarmos no Rio, os Chefes de Estado e de Governo devem ter diante de si um documento final conciso que atenda às suas expectativas”, disse Ban. Ele encorajou os delegados a serem ousados e trabalharem de forma construtiva com o documento simplificado ao longo dos próximos dias.

A questão-chave nas negociações tem sido o desenvolvimento dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – um conjunto de parâmetros de referência que orientem os países na obtenção de resultados específicos dentro de um período de tempo específico, como no acesso universal a energia sustentável e água limpa para todos, tendo como base os já conhecidos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), após o prazo final de 2015.

“Um processo que defina os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode ser um dos resultados mais importantes da Rio+20”, disse Ban. “Eles podem fornecer marcos concretos no caminho de realização da nossa visão, e podem ajudar a garantir a integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: social, econômica e ambiental.” Após a última rodada de negociações informais do documento final, as conversas serão retomadas durante a Terceira Reunião do Comitê Preparatório, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 13 e 15 de junho.

Confira o discurso de Ban Ki-moon na íntegra: http://www.un.org/sg/statements/index.asp?nid=6087

Acesse o vídeo da participação do Secretário-Geral: http://bit.ly/MWAWVy

 * Publicado originalmente no site da EcoAgência.

Latin America and the Caribbean: Inclusive Green Growth Can Help Sustain Recent Economic and Social Gains (World Bank)

 

Press Release No:2012/492/LAC
  • Ahead of Rio+20, World Bank report underlines region’s innovative successes and urges to transform them into widespread practices.
  • Latin America’s vast natural resources at risk if inclusive green growth policies are not sustained.
  • Challenges include: 80% of region’s population live in cities; LAC has fastest motorization rate.

WASHINGTON, May 31, 2012 – Latin America and the Caribbean’s natural resources, vastly credited with current growth, could be significantly depleted in less than a generation (15 to 20 years) if the region does not fully embrace inclusive green policies that can guarantee sustainable growth, says a new World Bank report released at the Woodrow Wilson Center today, ahead of the Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development.

In many respects, Latin America and the Caribbean (LAC) could turn out to be a victim of its own economic success. The region’s bonanza of recent years (an average of 4 percent growth and more than 70 million people lifted from poverty) has led to explosive urbanization, which makes a green future more difficult. For instance, the region has the most people living in urban areas in the developing world–over 80 percent of its population–and holds the world’s fastest growing motorization rates at 4.5 percent per year, the study argues.

Examples of how LAC is embracing the inclusive green growth agenda

A Compact and Efficient Urban Footprint:  Densification subsidies to attract people to the city center and revitalize stagnant urban economies are now being utilized in many cities  such as Mexico City, Lima, and Rio de Janeiro.

Expansion of Basic Urban Services:  Between 2001 and 2008, an additional 63 million people in LAC were covered by solid waste services, increasing the coverage rate for collection from 81 to 93 percent.

Bus Rapid Transit Systems:  As the region undergoes rapid growth in automobile ownership it has also led the developing world in the implementation of alternative mass transit systems, in key cities such as  Bogota, Lima, and Mexico City.

Expansion of Low Carbon Electricity Generation:  Electricity generation more than doubled between 1990 and 2009, growing at over 4 percent per year.  The share of natural gas in the region increased from 10 percent in 1990 to 21 percent in 2009.  With oil and diesel declining in importance, power generation growth in LAC has thus had a lower carbon footprint than in other regions.

Extending successes with sustainable agriculture:  The most important pillar of a strategy to reduce the environmental footprint of the region’s agriculture has been the preservation of existing forest cover and the encouragement of reforestation with native species where feasible. Latin America has led the way in using direct payments for forest conservation, with national programs in place in several countries and Brazilian states.

 

But the region has also served as a global laboratory for some of the most innovative green practices, the report underlines.   It boasts, for example, the lowest carbon energy matrix of the developing world (6 percent of global GHG emissions in the power sector), and multiple cutting edge instruments such as the first catastrophic risk insurance facility to enhance resilience against natural disasters. It has also adopted payment schemes for preserving the environment, which have, for instance, helped turn Costa Rica into a global environmental icon and a paradise for eco-tourism, after being the worst deforester in the region back in the mid 1990s.

“LAC countries are confronted today with decisions that will define their future for years to come,” said Ede Ijjász-Vásquez, World Bank’s Sustainable Development Director for Latin America and the Caribbean“The region has the opportunity to choose a path that can lead to robust growth without locking it into unsustainable patterns that in the long run can prove to be more expensive, less efficient, and less resilient.”

Some of these choices will define the future of the region for decades to come in key areas such as infrastructure, energy and urban services, which are drivers of economic growth and define the quality of life for most of the people in the region who live in cities. For example, demand for electricity in LAC will almost double in the next two decades. While the region currently has the cleanest energy mix in the world, the electricity sector’s carbon intensity has been rising due to the increasing share of fossil fuels (including natural gas), a trend that is expected to continue. To address this, the region will have to rely more on other cleaner sources of energy—such as hydro and wind.

The sustainability of the region’s growth will also depend on its commitment to use    its unique natural assets in a sustainable way. The very advantages that the region’s natural endowment provides – rich water resources, fertile land, and unparalleled biodiversity—are under threat from the spread of inefficient land use and deforestation.  

The report also points out that the region has a real chance to become a leader in adopting a more efficient and climate-smart agricultural practices that do not come at a cost to the environment and are better prepared for new climate patterns. It will also mean moving towards more efficient and greener forms of transportation of goods, such as railways and waterways, which are currently greatly underused, as well as increasing the number of rural communities that are connected.

Ijjász-Vásquez also pointed out that green growth is not inherently inclusive. “For green policies and investments to endure over time, it will be essential that they benefit all of the region’s people, with a focus on the poor,” he added.

There is no single blue print for inclusive green growth in LAC.  However, many of the answers to the challenge of how to grow in sustainable and inclusive ways lie within the region’s own experiences.  Policies and targeted investments can boost economic growth as well as help realize the aspirations of the growing middle class for a better quality of life, create opportunities for the poorest and most vulnerable segments of society, and protect LAC’s environmental assets.

This Forest Is Our Forest (N.Y.Times)

OP-ED CONTRIBUTOR

By LUIS UBIÑAS – Published: May 31, 2012

Twenty years ago, the world came together in Rio de Janeiro for a historic summit meeting to tackle the environmental issues that threaten the very sustainability and preservation of our planet. Now, as world leaders and thousands of other participants prepare for the Rio+20 Conference, we are facing an even more urgent set of environmental challenges.

Samrang Pring/Reuters. Koh Kong province, in southwestern Cambodia.

The pace of global climate change has worsened, representing a fundamental threat to the planet’s health and environmental well-being. And there is little indication the world’s leaders are ready to meet the challenges of building an environmentally sustainable future.

But there is some good news to report — and it’s coming from the world’s forests, a critical front line in the effort to slow climate change and conserve biodiversity. In a largely unreported global movement, some 30 of the world’s most forested countries have adopted an innovative idea for protecting forests: granting ownership rights to communities that reside in them.

Almost 90 percent of the laws granting such rights have been passed since the first Earth Summit in 1992, demonstrating that a global consensus can produce real change. A new report from the Rights and Resources Initiative — a global coalition of organizations working for forest-use reforms — presents a growing body of evidence that in places where local communities have taken ownership of forests, the results have been overwhelmingly positive. Protected areas, owned by indigenous communities in Asia and Latin America, have lower rates of deforestation, forest fires and, above all, carbon emissions.

Since forests also provide for the livelihoods of tens, even hundreds, of millions of people, clarifying and recognizing ownership rights is helping to spur economic growth and raise living standards.

In Brazil, which is hosting the Rio+20 summit — formally the United Nations Conference on Sustainable Development — deforestation rates have significantly declined, even as incomes in indigenous forest communities have increased. Brazil has moved toward this goal by giving communities the legal protections to keep out ranchers, loggers and others seeking to destroy their forests.

Yet the progress we’ve seen across the globe has been uneven, and the potential to build on it stands at risk. As chronicled in the R.R.I. report, most of the new laws that recognize customary rights circumscribe those rights and are applied at limited scale.

In Africa, nearly eight out of 10 laws that recognize the rights of indigenous peoples and communities do not allow them to exclude outsiders — a critical element of land ownership. Even where legal rights exist, complicated bureaucratic procedures often make it difficult to realize them. In Mozambique, for example, to qualify for “community concessions” local communities must provide six copies of a topographical map identifying all the detailed geographical features of the land. Not surprisingly, in 2009 — a decade after the act was passed — no concessions had been granted.

Worse still, some of the countries with rights on the books now find themselves at the center of a growing and troubling land grab by commercial investors focused on clearing forests for agriculture, with little concern for the local communities that call them home.

Recent efforts by wealthy ranchers to weaken land rights in Brazil illustrate this growing threat. In the face of rising food, mineral and energy prices, this fierce competition for land will only increase, making the need for strongly established community rights more important than ever before.

For all of these reasons, Rio+20 must build on the success of its predecessor and serve as a new impetus to expand and strengthen community rights to the world’s forests.

This means ensuring that billions of hectares of forest are turned over to local communities; it means engaging with the private sector to help clarify groups’ rights to land and forest; and it means creating new public/private partnerships, such as those that have been used to combat other global issues like H.I.V.-AIDS and malaria, to build public support for ownership rights. Above all, it means ensuring that the rights already recognized by governments are fully realized in local communities.

Taking action on these fronts will set us on a powerful course for a more sustainable and equitable future — just as it did 20 years ago. Actions that simultaneously strengthen human rights and achieve sustainable development are an unusual win-win. The fact that they also help stop deforestation and climate change makes them an even more attractive and urgent option.

At a time when the struggle against global warming seems more daunting than ever, our two decade-long experience with community forestry shows that we have within our means the ability to turn the tide.

Luis Ubiñas is president of the Ford Foundation.

Resultado mais forte da Rio+20 virá da sociedade civil, dizem cientistas (OESP)

Especialistas estimam que principal mensagem do evento será passado pela Cúpula dos Povos

21 de maio de 2012 | 3h 05
Giovana Girardi – O Estado de S.Paulo

A exatamente um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em São Paulo em debate sobre a conferência para o desenvolvimento sustentável manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento é que ele sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter - Divulgação
Divulgação
Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo.

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma.

“A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

Corporações x ciência: um jogo sujo (Ciência Hoje/Terra em Transe)

Em sua coluna de maio, Jean Remy Guimarães comenta as estratégias usadas por certos setores da indústria para enfraquecer evidências científicas que contrariam seus interesses e cita o exemplo de um documento divulgado recentemente que questiona o aquecimento global.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Publicado em 18/05/2012 | Atualizado em 18/05/2012

Corporações x ciência: um jogo sujoCena do filme ‘Obrigado por fumar’ (2005), cujo protagonista, principal porta-voz da indústria do tabaco, passa a manipular informações de forma a transmitir uma imagem benéfica do cigarro em programas de TV. (imagem: reprodução)

Estamos testemunhando uma verdadeira guerra midiática em torno da questão das mudanças climáticas e sua relação com atividades humanas como a emissão de gases de efeito estufa. A chamada ciência do clima está sob fogo cerrado das corporações cuja operação implica a emissão desses gases.

A grande mídia comenta relatórios como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que reúnem observações, conclusões, previsões e recomendações de alguns milhares de climatologistas de todo o mundo. Mas, diante da ignorância generalizada sobre a ciência e seus métodos, basta a opinião ou eventual evidência científica de dois ou três céticos com cargos pomposos para criar a dúvida, mesmo que estes não entendam bulhufas de clima.

Então não há consenso sobre o tema? Mudemos de canal. Poucos se dispõem a ler relatórios de 3 mil páginas. E não dá para levar o coletivo do IPCC para o show do Larry King na CNN (canal de notícias norte-americano).

Bombardear tribunais e agências reguladoras com informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona

Se hoje CO2, metano e óxido nitroso são as bolas da vez, já vimos o mesmo filme no caso do tabaco, do amianto, do chumbo, da talidomida, do benzeno, do cloreto de vinil, do cromo, do formol, do arsênico, da atrazina, do mercúrio, do Vioxx e muitos et ceteras. E veremos de novo, sempre que algum governo cogitar regular alguma substância suspeita de provocar danos à saúde pública, seja ela ocupacional ou ambiental.Sabotar a ciência tornou-se um elemento rotineiro da política, em particular da norte-americana, com reflexos em praticamente todos os demais países. Bombardear tribunais e agências reguladoras comtsunamis de informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona, pelo menos por algum tempo. Contratar mercenários da ciência sob demanda é outra. A missão deles é inflar artificialmente as incertezas associadas às evidências científicas, evitando ou atrasando assim qualquer medida para a proteção da população.Os primeiros arquitetos dessa estratégia foram executivos da indústria do tabaco. Já em 1969, afirmavam em memorandos internos: “Nosso produto é a dúvida, pois é a melhor forma de competir, na mente do público, com as evidências. É também uma forma de criar controvérsia”.

Como fabricar a dúvida

Todas as ciências são vulneráveis a esse tipo de ataque, uma vez que lidar com a incerteza é sua característica intrínseca. Qualquer estudo é sujeito a crítica, legítima ou não. A receita para enfraquecer até as conclusões científicas mais robustas é simples: destaque seletivamente as incertezas, ataque os principais estudos um por um e, o mais importante, ignore sistematicamente o peso de suas evidências.No caso da ‘controvérsia’ atual sobre o clima, as claras evidências sobre o aquecimento global em curso, tais como o derretimento das calotas polares e das geleiras à vista de todos, são escamoteadas por enxurradas de questionamentos sobre os métodos computacionais de previsão do aquecimento futuro.

Recuo das geleiras

A geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, em 1979 (esq.), 1991 (centro) e 2002 (dir.). Apesar das claras evidências de derretimento de geleiras, o aquecimento global é bastante questionado por setores com interesses particulares. (fotos: L. Albrecht/ Pro Natura Zentrum Aletsch/ Wikimedia Commons)

As estratégias corporativas de fabricação da dúvida são dissecadas com precisão de médico-legista por David Michaels ao longo das 359 páginas de seu livro Doubt is their product: how industry’s assault on science threatens your health (A  fabricação da dúvida ou como o ataque da indústria à ciência ameaça sua saúde, em tradução livre), publicado em 2008 pela Oxford University Press. O autor foi membro do departamento de energia norte-americano durante a administração de Bill Clinton e é atualmente professor associado no Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da Universidade George Washington, nos Estados Unidos. O quadro documentado é tão obscurantista que, em resenha da obra, Chris Mooney, também autor de um livro sobre o tema, chega a se perguntar para que serviu termos passado pelo Iluminismo.

As agências reguladoras são os alvos preferenciais do assédio dos fabricantes da dúvida, que as transformaram no equivalente burocrático de artérias entupidas, segundo Chris Mooney. Mas o sistema judicial também é vítima das mesmas táticas.

É preciso recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos.

Decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1993, por exemplo, atribuíram aos juízes locais o poder de decidir o que é boa ciência ou não em casos civis. Mas a ciência em si dificilmente chega ao conhecimento do júri, já que sobram recursos para que ela seja eliminada logo nas etapas iniciais do processo.A diferença em relação à época de Galileu é que hoje se tortura a ciência e não os cientistas. David Michaels propõe várias medidas para mudar esse quadro, entre elas: facilitar o acesso à justiça pelos cidadãos, já que eles pouco podem esperar das agências reguladoras; exigir a divulgação de qualquer conflito de interesse e desconsiderar os estudos assim produzidos; e recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos, em vez de esperar pela incerteza zero que jamais virá.

Wall Street e os 16 que eram três

Se você quer um exemplo concreto e recente de manipulação explícita, não perca a aula magna que é o artigo de opinião publicado pelo Wall Street Journal em 26/01/2012. O texto é sugestivamente intitulado ‘No need to panic about global warming’ (em tradução livre, ‘Não há necessidade de pânico em relação ao aquecimento global’), com o subtítulo também sugestivo ‘Não há argumentos científicos convincentes para a descarbonização drástica da economia mundial’.O artigo é um portfólio resumido de como as corporações atacam para se defender em debates sobre temas que consideram prejudiciais a seu negócio. Começa alinhando alguns ‘fatos científicos’. Por exemplo: ‘não teria havido aquecimento nos últimos 10 anos’ (veja prova do contrário). Isso é reconhecer implicitamente que não há dúvidas sobre o aquecimento de 10 anos para trás. Além disso, não se diz de onde viria essa conclusão, e nem por que as geleiras teimam em seguir derretendo.

Logo depois, a pérola: ‘o CO2 não é um poluente’. Ninguém disse que era. É um gás asfixiante. Mas você só vai desmaiar inalando uma atmosfera com 7% a 10 % de CO2 e, por enquanto, a concentração desse gás no ar é de cerca de 400 ppm (0,04%). A questão não é essa.

Outro absurdo: ‘o aumento do CO2 estimularia a produtividade agrícola’. Um bom entendedor concluirá que a redução das emissões vai provocar fome. E mais adiante se acusa a descarbonização da economia de não ser rentável, causar aumento de impostos e burocracia (regulação?) e – pecado supremo – privar os pobres países pobres dos 50 anos de prosperidade que os esperam caso se deixe tudo como está.

Emissões de carbono

Em artigo divulgado recentemente, alguns cientistas negam o aquecimento global e defendem que não é preciso controlar as emissões de carbono mundiais. (foto: Cheryl Empey/ Sxc.hu)

Esse futuro promissor estaria sendo ameaçado pelo totalitarismo alarmista do ‘establishment internacional do aquecimento’, que só quer descolar mais verbas para pesquisas acadêmicas e burocracia (regulação?) e mais doações para organizações não governamentais salvacionistas.

Não faltaram menções a Trofim Lysenko, o geneticista russo aloprado que caiu nas graças do líder da União Soviética Josef Stalin. Subtexto? Os cientistas do clima também são aloprados e seus governos também são ditatoriais. O texto termina (ufa!) com um recado explícito aos candidatos à presidência dos Estados Unidos para que ouçam o apelo dos 16 ‘cientistas de renome’ que assinam o libelo e ignorem qualquer sugestão de controle das emissões de carbono. Os nomes dos 16 e suas afiliações são então listados.

Dos 16 cientistas que assinam o artigo, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto

De fato, a lista impressiona qualquer leigo, mas não resiste a um crivo mais superficial. O balaio de gatos junta vários físicos estudiosos de fugidias partículas subatômicas, um professor de marketing, um químico especialista em macromoléculas, astronautas (sic), um cardiologista, um ex-executivo da multinacional de petróleo e gás ExxonMobil, um físico especialista em ótica adaptativa (adorei o termo, muito adequado) que achou natural testemunhar no congresso norte-americano sobre temas agronômicos, um geólogo e vários aposentados e ex-isso ou ex-aquilo. Alguns membros do grupo são ativistas assumidos do ceticismo climático.

Mas o fato realmente importante é que dos 16, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto, como possuir PhD, experiência e/ou publicações em revistas com comitê de leitura na área em questão.

Apesar de todos esses argumentos, as corporações manterão seu curso e seus métodos. O link do artigo acima referido já está aqui e ali na Wikipédia, o Wall Street Journal tem mais de 17 leitores e eles não visitam esta coluna.

Tudo bem, cada um sabe as companhias que escolhe. Com duplo sentido, por favor.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

How Bad Is It? (The New Inquiry)

By GEORGE SCIALABBA

Jasper Johns, Green Flag, 1956 (Graphite pencil, crayon and collage on paper)

Pretty bad. Here is a sample of factlets from surveys and studies conducted in the past twenty years. Seventy percent of Americans believe in the existence of angels. Fifty percent believe that the earth has been visited by UFOs; in another poll, 70 percent believed that the U.S. government is covering up the presence of space aliens on earth. Forty percent did not know whom the U.S. fought in World War II. Forty percent could not locate Japan on a world map. Fifteen percent could not locate the United States on a world map. Sixty percent of Americans have not read a book since leaving school. Only 6 percent now read even one book a year. According to a very familiar statistic that nonetheless cannot be repeated too often, the average American’s day includes six minutes playing sports, five minutes reading books, one minute making music, 30 seconds attending a play or concert, 25 seconds making or viewing art, and four hours watching television.

Among high-school seniors surveyed in the late 1990s, 50 percent had not heard of the Cold War. Sixty percent could not say how the United States came into existence. Fifty percent did not know in which century the Civil War occurred. Sixty percent could name each of the Three Stooges but not the three branches of the U.S. government. Sixty percent could not comprehend an editorial in a national or local newspaper.

Intellectual distinction isn’t everything, it’s true. But things are amiss in other areas as well: sociability and trust, for example. “During the last third of the twentieth century,” according to Robert Putnam in Bowling Alone, “all forms of social capital fell off precipitously.” Tens of thousands of community groups – church social and charitable groups, union halls, civic clubs, bridge clubs, and yes, bowling leagues — disappeared; by Putnam’s estimate, one-third of our social infrastructure vanished in these years. Frequency of having friends to dinner dropped by 45 percent; card parties declined 50 percent; Americans’ declared readiness to make new friends declined by 30 percent. Belief that most other people could be trusted dropped from 77 percent to 37 percent. Over a five-year period in the 1990s, reported incidents of aggressive driving rose by 50 percent — admittedly an odd, but probably not an insignificant, indicator of declining social capital.

Still, even if American education is spotty and the social fabric is fraying, the fact that the U.S. is the world’s richest nation must surely make a great difference to our quality of life? Alas, no. As every literate person knows, economic inequality in the United States is off the charts – at third-world levels. The results were recently summarized by James Speth in Orion magazine. Of the 20 advanced democracies in the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), the U.S. has the highest poverty rate, for both adults and children; the lowest rate of social mobility; the lowest score on UN indexes of child welfare and gender inequality; the highest ratio of health care expenditure to GDP, combined with the lowest life expectancy and the highest rates of infant mortality, mental illness, obesity, inability to afford health care, and personal bankruptcy resulting from medical expenses; the highest homicide rate; and the highest incarceration rate. Nor are the baneful effects of America’s social and economic order confined within our borders; among OECD nations the U.S. also has the highest carbon dioxide emissions, the highest per capita water consumption, the next-to-largest ecological footprint, the next-to-lowest score on the Yale Environmental Performance Index, the highest (by a colossal margin) per capita rate of military spending and arms sales, and the next-to-lowest rate of per capita spending on international development and humanitarian assistance.

Contemplating these dreary statistics, one might well conclude that the United States is — to a distressing extent — a nation of violent, intolerant, ignorant, superstitious, passive, shallow, boorish, selfish, unhealthy, unhappy people, addicted to flickering screens, incurious about other societies and cultures, unwilling or unable to assert or even comprehend their nominal political sovereignty. Or, more simply, that America is a failure.

That is indeed what Morris Berman concludes in his three-volume survey of America’s decline: The Twilight of American Culture (2000), Dark Ages America (2006), andWhy America Failed (2011), from which much of the preceding information is taken. Berman is a cultural and intellectual historian, not a social scientist, so his portrait of American civilization, or barbarism, is anecdotal and atmospheric as well as statistical. He is eloquent about harder-to-quantify trends: the transformation of higher (even primary/secondary) education into marketing arenas for predatory corporations; the new form of educational merchandising known as “distance learning”; the colonization of civic and cultural spaces by corporate logos; the centrality of malls and shopping to our social life; the “systematic suppression of silence” and the fact that “there is barely an empty space in our culture not already carrying commercial messages.” Idiot deans, rancid rappers, endlessly chattering sports commentators, an avalanche of half-inch-deep self-help manuals; a plague of gadgets, a deluge of stimuli, an epidemic of rudeness, a desert of mutual indifference: the upshot is our daily immersion in a suffocating stream of kitsch, blather, stress, and sentimental banality. Berman colorfully and convincingly renders the relentless coarsening and dumbing down of everyday life in late (dare we hope?) American capitalism.

In Spenglerian fashion, Berman seeks the source of our civilization’s decline in its innermost principle, its animatingGeist. What he finds at the bottom of our culture’s soul is … hustling; or, to use its respectable academic sobriquet, possessive individualism. Expansion, accumulation, economic growth: this is the ground bass of American history, like the hum of a dynamo in the basement beneath the polite twitterings on the upper stories about “liberty” and “a light unto the nations.” Berman scarcely mentions Marx or historical materialism; instead he offers a nonspecialist and accessible but deeply informed and amply documented review of American history, period by period, war by war, arguing persuasively that whatever the ideological superstructure, the driving energy behind policy and popular aspiration has been a ceaseless, soulless acquisitiveness.

The colonial period, the seedbed of American democracy, certainly featured a good deal of God-talk and virtue-talk, but Mammon more than held its own. Berman sides emphatically with Louis Hartz, who famously argued in The Liberal Tradition in America that American society was essentially Lockean from the beginning: individualistic, ambitious, protocapitalist, with a weak and subordinate communitarian ethic. He finds plenty of support elsewhere as well; for example in Perry Miller, the foremost historian of Puritanism, according to whom the American mind has always “positively lusted for the chance to yield itself to the gratification of technology.” Even Tocqueville, who made many similar observations, “could not comprehend,” wrote Miller, “the passion with which [early Americans] flung themselves into the technological torrent, how they … cried to each other as they went headlong down the chute that here was their destiny, here was the tide that would sweep them toward the unending vistas of prosperity.” Even Emerson and Whitman went through a phase of infatuation with industrial progress, though Hawthorne and Thoreau apparently always looked on the juggernaut with clearer (or more jaundiced) eyes.

Berman also sides, for the most part, with Charles Beard, who drew attention to the economic conflicts underlying the American Revolution and the Civil War. Beard may have undervalued the genuine intellectual ferment that accompanied the Revolution, but he was not wrong in perceiving the motivating force of the pervasive commercial ethic of the age. Joyce Appleby, another eminent historian, poses this question to those who idealize America’s founding: “If the Revolution was fought in a frenzy over corruption, out of fear of tyranny, and with hopes for redemption through civic virtue, where and when are scholars to find the sources for the aggressive individualism, the optimistic materialism, and the pragmatic interest-group politics that became so salient so early in the life of the nation?”

By the mid-nineteenth century, the predominance of commercial interests in American politics was unmistakable. Berman’s lengthy discussion of the Civil War as the pivot of American history takes for granted the inadequacy of triumphalist views of the Civil War. It was not a “battle cry of freedom.” Slavery was central, but for economic rather than moral reasons. The North represented economic modernity and the ethos of material progress; the economy and ethos of the South, based on slavery, was premodern and static. The West — and with it the shape of America’s economic future — was up for grabs, and the North grabbed it away from an equally determined South. Except for the abolitionists, no whites, North or South, gave a damn about blacks. How the West (like the North and South before it) was grabbed, in an orgy of greed, violence, and deceit against the original inhabitants, is a familiar story.

Even more than in Beard, Berman finds his inspiration in William Appleman Williams. When McKinley’s secretary of state John Hay advocated “an open door through which America’s preponderant economic strength would enter and dominate all underdeveloped areas of the world” and his successor William Jennings Bryan (the celebrated populist and anti-imperialist!) told a gathering of businessmen in 1915 that “my Department is your department; the ambassadors, the ministers, the consuls are all yours; it is their business to look after your interests and to guard your rights,” they were enunciating the soul of American foreign policy, as was the much-lauded Wise Man George Kennan when he wrote in a post-World War II State Department policy planning document: “We have about 50 percent of the world’s wealth, but only 6.3 percent of its population … In this situation, we cannot fail to be the object of envy and resentment. Our real task in the coming period is to devise a pattern of relationships which will permit us to maintain this position of disparity … To do so, we will have to dispense with all sentimentality and day-dreaming; and our attention will have to be concentrated everywhere on our immediate national objectives … We should cease to talk about vague and … unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are then hampered by idealistic slogans, the better.”

As a former medievalist, Berman finds contemporary parallels to the fall of Rome compelling. By the end of the empire, he points out, economic inequality was drastic and increasing, the legitimacy and efficacy of the state was waning, popular culture was debased, civic virtue among elites was practically nonexistent, and imperial military commitments were hopelessly unsustainable. As these volumes abundantly illustrate, this is 21st century America in a nutshell. The capstone of Berman’s demonstration is a sequence of three long, brilliant chapters in Dark Ages America on the Cold War, the Pax Americana, CIA and military interventions in the Third World, and in particular U.S. policy in the Middle East, where racism and rapacity have combined to produce a stunning debacle. Our hysterical national response to 9/11 — our inability even to make an effort to comprehend the long-festering consequences of our imperial predations — portended, as clearly as anything could, the demise of American global supremacy.

What will become of us? After Rome’s fall, wolves wandered through the cities and Europe largely went to sleep for six centuries. That will not happen again; too many transitions — demographic, ecological, technological, cybernetic — have intervened. The planet’s metabolism has altered. The new Dark Ages will be socially, politically, and spiritually dark, but the economic Moloch — mass production and consumption, destructive growth, instrumental rationality — will not disappear. Few Americans want it to. We are hollow, Berman concludes. It is a devastatingly plausible conclusion.

An interval — long or short, only the gods can say — of oligarchic, intensely surveilled, bread-and-circuses authoritarianism, Blade Runner- or Fahrenheit 451-style, seems the most likely outlook for the 21st and 22nd centuries. Still, if most humans are shallow and conformist, some are not. There is reason to hope that the ever fragile but somehow perennial traditions and virtues of solidarity, curiosity, self-reliance, courtesy, voluntary simplicity, and an instinct for beauty will survive, even if underground for long periods. And cultural rebirths do occur, or at any rate have occurred.

Berman offers little comfort, but he does note a possible role for those who perceive the inevitability of our civilization’s decline. He calls it the “monastic option.” Our eclipse may, after all, not be permanent; and meanwhile individuals and small groups may preserve the best of our culture by living against the grain, within the interstices, by “creating ‘zones of intelligence’ in a private, local way, and then deliberately keeping them out of the public eye.” Even if one’s ideals ultimately perish, this may be the best way to live while they are dying.

There is something immensely refreshing, even cathartic, about Berman’s refusal to hold out any hope of avoiding our civilization’s demise. And our reaction goes some way toward proving his point: We are so sick of hucksters, of authors trying — like everyone else on all sides at all times in this pervasively hustling culture — to sell us something, that it is a relief to encounter someone who isn’t, who has no designs on our money or votes or hopes, who simply has looked into the depths, into our catastrophic future, and is compelled to describe it, as Cassandra was. No doubt his efforts will meet with equal success.

Paying for Labors of Love (N.Y.Times)

‘The Outsourced Self,’ by Arlie Russell Hochschild

By JUDITH SHULEVITZ – Published: May 25, 2012

There’s one mistake I worry readers will make about this book, so let me correct it right away: “The Outsourced Self” is not a work of journalism. Though it isn’t exactly not one, either. I guess you’d call it popular sociology, but I think of it more as an act of mourning. Arlie Russell Hochschild’s look at how we meet some of our most personal needs with the aid of paid strangers doesn’t try to be exhaustive; goes light on figures and statistics; and, when itemizing the most outrageous advances in the market for love and care, never lapses into that magazine journalist’s tone of wry amusement.

Illustration by Thomas Porostocky

THE OUTSOURCED SELF

Intimate Life in Market Times

By Arlie Russell Hochschild

Illustrated. 300 pp. Metropolitan Books/Henry Holt & Company. $27.

By the time her book went to press, her reporting was probably outdated, anyway. Who can keep up? Love coaches, wantolo­gists, therapy apps: these former absurdities are now normal. The next phase will surely include “sparking,” in which dating Web sites match customers according to DNA-based immunological profiles. As the chief psychologist at the eHarmony laboratory tells Hochschild, all he needs to do is figure out how to collect cheek swabs.

In any case, Hochschild isn’t really interested in the extremes of the outsourced life. She wants to know what it feels like to be caught in the middle of it. An ethnographic sociologist rather than a quantifier of social trends, Hochschild elicits thoughtful reflections from ordinary people. Then she uses those reflections to chart the confusing intersections between commerce and private life that we all have to navigate now that the purveyors of personal assistance have built strip malls on nearly every acre of our inner selves. Hochschild’s great subject is “emotional labor,” which we usually think of as the psychic work we do, voluntarily, for ourselves and our intimates, to keep our relationships and communities alive. But emotional labor, for her, is also the psychic work we do for pay, so that both we and our clients can gloss over the nakedly transactional aspect of the services on offer. Or it’s the work we do to tamp down our guilt and shame about contracting out undertakings we think we ought to do ourselves. Yet another form of emotional labor involves toggling between all the different kinds of emotional labor without being fazed by the self-alienation and contradictions involved.

In “The Outsourced Self,” Hochschild talks to love coaches, wedding planners, surrogate mothers, nannies, household consultants and elder-care managers, but also, and with deep empathy, their clients. A majority of these people are middle-aged or near middle age; the main thing is, they’re not young, which means they are not yet used to a virtualized and monetized social existence and can still express doubts about it. Most are women, who have long been the main providers of care, love and charity. Hochschild’s consumers buy hyperpersonal services because they lack the family support or social capital or sheer time to meet potential mates, put on weddings, whip up children’s birthday parties, build children’s school projects, or care for deteriorating parents. Or these folks think they just couldn’t perform such tasks as well as the pros. The providers sell their services because the service economy is where the money is, or because they take pleasure in helping others. Everybody worries about preserving the human element in the commercial encounter. Very few succeed.

Evan Katz is a love coach who teaches would-be online daters “How to Write a Profile That Attracts People You Want to Meet.” One of his clients is Grace (virtually all names have been changed), a divorced 49-year-old engineer who wants to search for love as methodically as she solves an engineering problem. Katz tells her “to show the real you through real stories.” When Grace comes up with a story about learning humility by scrubbing toilets at a Zen monastery, he reels her back in: “That might be a little too out there.” On a mass medium like the Internet, the best “real you” is average, not quirky: “Everyone needs to aim for the middle so they can widen their market,” Katz says. He encourages daters to rate themselves from 1 to 10, and not to aim higher than their own rating. On the other hand, he worries that daters will objectify themselves and others so zealously they’ll equate dating and shopping: “They want to quickly comb through the racks and snap their fingers, next . . . next . . . next. . . . You can be too efficient, too focused on your list of desired characteristics, so intent on getting the best deal that you pass over the right one.” Luckily, Grace escapes that trap when she agrees to go out with a tattooed, bald musician who doesn’t fit the criteria on her list, and falls in love.

Hochschild has a gentle, nonjudgmental style, but some of her interviews read like long, sad sighs. Occasionally, they bring to mind novels and movies about the British class system. Like Kazuo Ishiguro in “The Remains of the Day” or Robert Altman in “Gosford Park,” Hochschild can make us feel the gulf between employers, who imagine that relations between themselves and their emotional delegates are mutually beneficial, and the employed, who grasp that the cash they take is meant to make them invisible. “I’ll be in a room bustling about and they won’t be aware I’m there,” says Rose, a “household manager” who functions as a housekeeper, baby sitter and personal assistant for a wealthy family in Westchester County. When she substitutes for Norma, her employer, at Norma’s children’s bake sales, the mothers ignore her: “A lot of those mothers know me but talk to me only to ask about Norma.”

The most haunting of Hochschild’s tales throb with pain, as when she tracks the flow of mother love from the third world to the first, a form of global commerce entered into out of desperation on all sides. She interviews surrogate mothers in India, destitute women who rent out their wombs to bargain-­basement fertility clinics that feel like baby-manufacturing assembly lines. These modern-day handmaidens struggle with the social stigma attached to their work, despite its comparatively high pay, as well as with their own surging love for the fetuses growing inside them. Many do not achieve the requisite detachment. Hochschild contrasts their stories with that of a well-meaning American couple who can’t afford the price of fertility in the United States, and don’t feel they have other options. The wife, though herself of Indian descent, can’t figure out the rules governing her meeting with her Indian surrogate. She knows that Indians don’t touch others as readily as Americans do, but, she explains:

“I didn’t want her to think of me as this big rich American coming in with my money to buy her womb for a while. So I did touch her at some point, I think, her hair or her shoulder. I tried to smile a lot. . . . She didn’t look at ease. It was not the unease of ‘I can’t believe I’m doing this,’ but more the unease of the subordinate meeting her boss.”

Less harrowing, but still a poignant account of a missed opportunity for connection, is the story of Maricel, a Filipino nanny, and her employer, Alice. Deeply loved by both Alice and Clare, Alice’s child, Maricel still feels bereft. Alice, a hard-working Google software designer, thinks Maricel is so good with Clare — “cheerful, relaxed, patient and affectionate” — because she was raised in a warm village culture where “they put family and community first.” Actually, Maricel’s mother, who lost three babies before Maricel was born, never let herself get attached to her daughter and sent her out to a neighbor for care; when the girl happened to be home, the mother disciplined her harshly by pinching her leg. After an early bad marriage, Maricel came to America to make money for her two children. Too busy making ends meet to have paid much attention to her children when she lived with them, she now regrets never having told them she loved them. Contrary to Alice’s fantasy about Maricel’s third-world warmth, Maricel learned the virtues of demonstrating affection from watching “Oprah,” and from her own terrible need for human contact. She lavishes love on Clare because the little girl is her only companion in Alice’s cold, silent house.

“The unforgiving demands of the American workplace impose penalties that reach far beyond the American home,” Hochschild observes. One such penalty falls on children like Maricel’s; they are more likely to fail in school and lurch into a life of crime. But Hochschild thinks that our rush to hand off “emotional labor” hurts us first worlders as well. “My clients outsource patience to me,” a personal assistant tells her. “And once they get in the habit of doing that, they become impatient people.” Could it be, Hochschild asks, “that we are dividing the world into emotional types — order-barking, fast-paced entrepreneurs at the top, and emotionally attuned, human-paced mediators at the bottom?”

If outsourcing the labors of love discomfits or even damages us, why do we do it so much? One reason is that women aren’t home as much as they used to be — not just mothers, but also all the other women who once held communities together: “Today, 70 percent of all American children live in households where all the adults work. So who now would care for the children, the sick, the elderly? And who would provide, as 19th-century ­middle-class homemakers were said to do, ‘the sunshine of the home’? Mothers were trying hard, but they were also out billing customers, stocking shelves, teaching classes and treating patients. And so were the once-available maiden aunts, grandmothers, friends and ‘give-you-a-hand’ neighbors.”

So does Hochschild deplore feminism? No. But she does think it has been “abducted,” as she has put it in an essay published elsewhere, by the logic and demands of the marketplace — what she provocatively calls “the religion of capitalism.” Feminism has coincided with a drastic lengthening of work hours and a steep decline in job security, and in America those stressors have not been alleviated by social supports like paid family leave and universal child care, at least not in comparison with most other Western nations. As a result, too many bonds of family and community are left untied by anxious, overworked couples, too many familial functions have to be subcontracted, and too many children perceive themselves as burdens. (One of Hochschild’s finest essays, also published elsewhere, is called “Children as Eavesdroppers”; it describes how children listen closely to their parents’ haggling over child care, and conclude that they are unwanted.) Feminists once dreamed that the work of mothering would be properly valued, maybe even reimbursed, once some portion of it had been redistributed to fathers. Instead, a lot of it is being handed off to strangers — although, to be fair, American men do more than they used to.

On the other hand, the natural bonds of family and “village,” as Hochschild rather nostalgically calls the vanished world of secure communal ties, aren’t necessarily all she cracks them up to be. I was struck by how many of her interview subjects were abused or neglected as children. Gloria, a 23-year-old hotel executive from a broken family, would rather pay for a therapist to keep her marriage going and, when she has children, for sleep coaches and potty trainers and chauffeurs, than rely on friends or family members: “Most families are places of deep injury. . . . Friends are very entangling.” A man with seven children who works 60-hour weeks yet rarely misses a child’s sports event invests in an expensive and officious parenting-evaluation service called Family360, just to make sure he’s as good a husband and father as he can be: “My own father never came to one school event in my entire boyhood . . . not one. . . . I was an all-American in college. He never saw me at the N.C.A.A. championships.” An elder-care manager gives love in abundance to other people’s parents perhaps in part to quash the memory of being beaten by her father and not protected by her mother.

So maybe it’s not so terrible to have packaged care available when the unpackaged kind just won’t do. What is tragic is feeling forced to buy the packaged kind because work is too demanding and the workplace is too inflexible and the loss of face that goes with being a stay-at-home mom or dad, or nurse to a dying parent, is just too galling. Hochschild’s big contribution here, though, is to tally the subtler costs of outsourcing: the “de­personalization of our bonds with others,” the failure to enjoy the process of finding love or planning a wedding, the missing out on one’s children’s childhoods — all the little nontragedies that add up to a thinner, sadder life.

Judith Shulevitz is the author of “The Sabbath World: Glimpses of a Different Order of Time.”

Sobrevivência com créditos de carbono (Terramérica)

Carbono
28/5/2012 – 09h57

por Fabíola Ortiz*

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O cacique Almir Suruí (E) em sua aldeia. Foto: Divulgação Povo Paiter-Suruí.

Os paiter-suruí,  do Estado brasileiro de Rondônia, na Amazônia, preveem arrecadar pelo menos US$ 40 milhões nos próximos 30 anos com o serviço ambiental de restaurar e fazer uso sustentável da selva.

Rio de Janeiro, Brasil, 28 de maio de 2012 (Terramérica).- O povo nativo paiter-suruí, no coração da Amazônia brasileira, não tinha contato com o mundo ocidental até 45 anos atrás. Hoje, aposta nos complexos mercados de carbono para garantir sua sobrevivência. Habitantes do território Sete de Setembro, quase 250 mil hectares localizados entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso, perto da fronteira com a Bolívia, os paiter-suruí viveram uma história vertiginosa nas últimas décadas.

Apenas três anos depois de seu primeiro contato com o “homem branco”, em 1969, quase chegaram à extinção: a população de cinco mil pessoas caiu para apenas 300 devido à mortandade causada pelas doenças trazidas pelos invasores. Hoje são cerca de 1.350 e estão determinados a perdurar. Suruí é o nome que os antropólogos lhes deram. Porém, entre si, eles se chamam paiter, “o povo verdadeiro, nós mesmos” na língua tupi-mondé que falam.

O negócio que pretendem é parte do Projeto de Carbono da Floresta Suruí, aprovado em abril, que prevê mecanismos para neutralizar as emissões de dióxido de carbono, como evitar o desmatamento, mantendo esse elemento na massa florestal, e absorvendo-o da atmosfera, mediante o reflorestamento. Estas ações estão previstas no regime de Redução de Emissões provocadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas (REDD+), impulsionado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como instrumento para mitigar a mudança climática.

A compra e venda de direitos de emissão de carbono, ou certificados de carbono, está prevista nos sistemas de controle da mudança climática para que empresas ou países grandes emissores de gases-estufa paguem a outros que possuem mecanismos para reduzi-las. Após décadas resistindo ao embate dos madeireiros, caçadores e colonos, desde 2005 os paiter-suruí plantaram 14 mil exemplares de 17 espécies, entre elas cacau e café, árvores de madeira nobre como mogno, cerejeira e ipê, e frutíferas como açaí, pupunha e babaçu.

“Queremos beneficiar nosso povo e nos desenvolvermos de acordo com nossa necessidade da região, valorizando produtos florestais. Uma política econômica verde é justamente um planejamento de uso sustentável”, disse ao Terramérica o líder deste povo, Almir Suruí, que também integra a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. O cacique Almir, de 38 anos, sempre está com seu corpo pintado e usa colares de sementes nativas feitos pelas mulheres de seu povo. E também veste roupa ocidental quando tem compromissos fora de sua aldeia, mas que não escondem totalmente a pintura corporal.

Antes de ficar conhecido no Brasil, obteve reconhecimento internacional por denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a exploração ilegal de madeira nas terras de seu povo e por defender os direitos e a integridade dos grupos em isolamento voluntário, além de lutar contra a construção de represas hidrelétricas nos rios de Rondônia. Para conseguir seus objetivos de sustentabilidade, os paiter-suruí trabalham associados com várias organizações não governamentais e instituições estatais, como o governamental Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que facilita a criação de mecanismos financeiros e ferramentas que garantam renda para os paiter-suruí.

O projeto Carbono Suruí tem duração de três décadas para a conservação de uma área com mais de 12 mil hectares, segundo Angelo dos Santos, um dos coordenadores da Funbio. “Todos os anos os paiter-suruí asseguram um volume de carbono não emitido que será oferecido ao mercado”, explicou Angelo ao Terramérica. “Nos próximos 30 anos, a quantidade que o povo paiter-suruí acumulará pelo desmatamento evitado será de oito milhões de toneladas de dióxido de carbono. E assim se pagará aos indígenas por não desmatarem”, acrescentou. As estimativas indicam que podem arrecadar US$ 40 milhões pela cotação atual do mercado, que está em US$ 5 para cada tonelada de carbono.

Segundo Angelo, há várias formas de comercializar os certificados de carbono. Uma delas é que sejam comprados por empresas interessadas em neutralizar ou compensar suas próprias emissões desse gás-estufa. “Isto é uma grande inovação”, ressaltou. Os recursos obtidos pela venda de certificados serão destinados ao Fundo de Gestão Paiter-Suruí, oficializado no começo de maio para incentivar um plano de desenvolvimento e tornar viáveis formas de gerar renda sem destruir a selva.

Já são produzidas mais de quatro mil toneladas por ano de café orgânico e cerca de dez mil toneladas de castanha amazônica, contou o cacique. As duas produções já contam com planos de negócios. Enquanto isso, “o Fundo Paiter-Suruí vai arrecadar recursos próprios com doações de bancos multilaterais e empresas, e pela venda de certificados de carbono”, detalhou Angelo. A meta é captar US$ 6 milhões nos próximos três anos. E em seis anos o Fundo será completamente administrado pelos paiter-suruí, que já estão se capacitando para isso.

É, sob todos os aspectos, um caso excepcional. Trata-se do primeiro mecanismo financeiro criado para um povo indígena que quer garantir sua sobrevivência e a de sua cultura. Estas iniciativas valeram ao cacique Almir o 53º lugar entre as cem pessoas mais criativas para negócios em 2011, um ranking preparado pela revista norte-americana Fast Company. Não por acaso, Almir foi convidado este mês para falar sobre inovação para dirigentes empresariais e pesquisadores, em um encontro organizado pela revista britânica The Economist.

* A autora é correspondente da IPS.

A corrupção acadêmica e a crise financeira (Guardian)

CHARLES FERGUSON

DO “GUARDIAN”

Muitas pessoas que viram meu documentário “Trabalho Interno” (2010) acharam que a parte mais perturbadora é a revelação sobre amplos conflitos de interesses em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos. Espectadores que assistiram às minhas entrevistas com eminentes professores universitários ficaram estarrecidos com o que saiu da boca deles.

Mas não deveríamos ter ficado surpresos. Nas duas últimas décadas, médicos já comprovaram de modo substancial a influência que o dinheiro pode exercer num campo supostamente objetivo e científico. De modo geral, as escolas de medicina e os periódicos médicos vêm reagindo bem, aderindo às exigências de transparência.

Os cursos de pós-graduação em economia, as faculdades de administração, as de direito e as de ciência política vêm reagindo de modo muito diferente. Nos últimos 30 anos, parcelas importantes do mundo acadêmico americano foram deterioradas, convertendo-se em atividades do tipo “pay to play” (pague para participar).Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate. Na maior parte das vezes esses professores não revelam esses conflitos de interesse. Além disso, na maior parte do tempo suas universidades se fazem de desentendidas.

Meia dúzia de firmas de consultoria, vários birôs de palestrantes e diversos grupos de lobby de setores diferentes mantêm grandes redes de acadêmicos de aluguel, com o objetivo de defender os interesses desses grupos em discussões sobre políticas e regulamentação.

Os principais setores envolvidos são energia, telecomunicações, saúde, agronegócio e, sem dúvida, o setor de serviços financeiros.

Alguns exemplos: o economista Glenn Hubbard virou reitor da Columbia Business School em 2004, pouco depois de deixar o governo George W. Bush (2001-09), no qual trabalhou no Departamento do Tesouro e foi o primeiro presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, entre 2001 e 2003.

Boa parte de seu trabalho acadêmico é dedicado à política fiscal. Num resumo justo de suas posições intelectuais, pode-se dizer que ele jamais viu um imposto que tenha gostado de ver aprovado e em vigor. Em novembro de 2004, ele escreveu um artigo espantoso em coautoria com William C. Dudley, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.

O artigo em questão, “Como os Mercados de Capitais Elevam a Performance Econômica e Facilitam a Geração de Empregos”, merece ser citado. Vale lembrar que estamos em novembro de 2004, com a bolha já bem encaminhada:

“Os mercados de capital têm ajudado a tornar o mercado imobiliário menos volátil. ‘Arrochos de crédito’ do tipo que, periodicamente, fecharam a oferta de recursos aos compradores da casa própria […] são coisas do passado.”

Hubbard se negou a dizer se foi pago ou não para escrever o artigo. E se negou a me fornecer sua declaração mais recente de conflitos de interesse financeiros com o governo, documento que não pudemos obter de outra forma porque a Casa Branca o destruiu.

Hubbard recebeu US$ 100 mil para depor na defesa criminal dos dois gerentes do fundo hedge (de alto risco) Bear Stearns, processados por envolvimento com a bolha; eles foram absolvidos. No ano passado, Hubbard se tornou assessor econômico sênior da campanha presidencial de Mitt Romney, o pré-candidato republicano à Presidência dos EUA.

RABO PRESO

Outro economista, Larry Summers, já ocupou quase todos os cargos governamentais importantes na área econômica. Secretário do Tesouro sob o presidente Bill Clinton (1993-2001), em 2009 ele se tornou diretor do Conselho Econômico Nacional na administração Barack Obama.

Embora seja sensato em relação a muitas questões, Summers cometeu uma sucessão bem documentada de erros e concessões. E seus pontos de vista sobre o setor financeiro dificilmente seriam distinguidos dos de, digamos, Lloyd Blankfein (chefe do Goldman Sachs) ou Jamie Dimon (presidente do banco JPMorgan).A maior parte de nossas informações sobre Summers vem de sua declaração obrigatória de conflitos de interesse, exigida pelo governo. De acordo com a declaração dada em 2009 por Summers, sua fortuna líquida estava calculada entre US$ 17 milhões e US$ 39 milhões. Seus recebimentos totais no ano antes de ingressar no governo chegaram a quase US$ 8 milhões. O Goldman Sachs pagou a Summers US$ 135 mil por um discurso.

Larry Summers é um homem com o rabo preso, que deve a maior parte de sua fortuna e boa parte de seu sucesso político à indústria de serviços financeiros e que esteve envolvido em algumas das decisões de política econômica mais desastrosas da última metade de século. Na administração Obama, Summers se opôs à adoção de medidas fortes para punir banqueiros ou limitar a receita deles.

A universidade de Harvard ainda não exige que Larry Summers divulgue seus envolvimentos com o setor financeiro. Tanto Harvard quanto Summers negaram meus pedidos de informação.

O problema da corrupção acadêmica hoje está tão profundamente entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas, e qualquer pessoa que pensasse em se opor à tendência ficaria racionalmente muito assustada.

COMEDIMENTO

Considere a seguinte situação: você é estudante de doutorado ou um membro júnior do corpo docente que estuda a possibilidade de fazer pesquisas sobre, digamos, as estruturas de pagamento aos profissionais que assumem riscos nos serviços financeiros, ou sobre o impacto potencial das exigências de divulgação pública de informações sobre o mercado de “credit default swaps” –instrumentos financeiros que funciona como um seguro contra calotes. O reitor de sua universidade é… Larry Summers. O chefe de seu departamento é… Glenn Hubbard.

Ou você está no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e quer estudar o declínio dos pagamentos de impostos de pessoas jurídicas. A reitora do MIT é Susan Hockfield, que faz parte do conselho de direção da General Electric, uma empresa que vem conseguindo evitar o pagamento de quase todos os impostos corporativos há vários anos.

Até que ponto essas forças de fato afetam as pesquisas acadêmicas e as políticas das universidades? As evidências das quais dispomos sugerem que o efeito é grande.
Os comentários sobre a crise financeira proferidos por economistas na academia têm sido bastante comedidos. É verdade que existem algumas exceções notáveis. Na maior parte do tempo, porém, o silêncio tem sido ensurdecedor.

Como é possível que um setor inteiro seja estruturado de modo que funcionários sejam encorajados a saquear e destruir suas próprias firmas? Por que a desregulamentação e a teoria econômica fracassaram tão espetacularmente?

O lançamento do documentário “Trabalho Interno” claramente mexeu com sensibilidades que foram tocadas por essas questões. Fui contatado por estudantes e docentes em grande número, e houve debates em grande número.

Algumas escolas, incluindo a Columbia Business School, adotaram exigências de divulgação de informações pela primeira vez.

Mas a maioria das universidades ainda não faz essas exigências, e poucas ou nenhuma impõem qualquer limitação à existência de conflitos de interesse. O mesmo se aplica à maioria das publicações acadêmicas.

Repórteres de jornais são proibidos terminantemente de aceitar dinheiro de qualquer setor econômico ou organização sobre o qual escrevam matérias. O mesmo não acontece no mundo acadêmico.

Houve um avanço positivo importante. No início deste ano, a Associação Americana de Economia passou a exigir uma declaração de conflitos de interesse para os sete periódicos que edita.

Mas a maioria das instituições ainda se opõe à divulgação de mais informações, e, quando eu estava fazendo meu filme, se negou até mesmo a tratar do assunto.

Tradução de Clara Alain

Rio+20: ruptura ou ajuste? (Mundo Sustentável)

Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

Diante do risco de a mais importante conferência do ano se transformar em uma “terapia de grupo”, onde o falatório e a papelada possam resultar em um novo acordo político genérico, convém prestar atenção desde já no posicionamento dos diferentes segmentos que marcarão presença na Rio +20.

Reunidos na PUC-RJ durante a conferência, aproximadamente 500 cientistas deverão compartilhar novas avaliações sobre o estado de fragilidade e degradação dos ecossistemas que  fornecem água, matéria-prima e energia à humanidade. De lá deverá surgir mais um grito de alerta em favor da vida sem nenhuma conotação política ou religiosa. Quem usa a ciência para medir os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento é basicamente um cético: se orienta apenas e tão somente pelas evidências que a metodologia científica lhe revela.

Os povos indígenas causarão enormes constrangimentos aos organizadores da Rio+20. Representantes das etnias que sobreviveram a sucessivos massacres no Brasil e no exterior denunciarão o absurdo do uso insustentável da terra.

Os empresários engajados exibirão os resultados contábeis da ecoeficiência e assumirão novos compromissos em defesa da inovação tecnológica e da redução do desperdício. Haverá entre eles os que fazem maquiagem verde (falam de “sustentabilidade”, mas não praticam), os neo-convertidos, que ajustaram procedimentos mais por conveniência (do que por convicção) e os que, de fato, estão convencidos da necessidade de mudanças e conseguem enxergar mais além do lucro imediato.

A constelação das ONGs deverá confirmar o tamanho e a diversidade das múltiplas correntes de pensamento que não cabem na moldura da ONU, mas que emprestam densidade e legitimidade a uma das pautas mais importantes da Rio+20: governança. Os tomadores de decisão já reconhecem a força do terceiro setor num mundo onde as articulações em rede robustecem a democracia, oxigenam as instituições e promovem a transparência e a justiça.

Caberá às organizações civis e às mídias (todas as mídias, de todos os tamanhos) aquecer a panela de pressão onde os chefes de estado vão cozinhar o texto final da Conferência. Sem isso, será mais do mesmo. Obnubilados pelos afazeres e interesses mais imediatos, de curtíssimo prazo, os chefes de estado não conseguirão justificar mudanças estruturais de longo prazo sem que haja uma boa razão para isso. Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

André Trigueiro

14.mar.2012

Artigo publicado na edição de março 2012 da Revista GQ

Wearing Two Different Hats: Moral Decisions May Depend On the Situation (Science Daily)

ScienceDaily (May 23, 2012) — An individual’s sense of right or wrong may change depending on their activities at the time — and they may not be aware of their own shifting moral integrity — according to a new study looking at why people make ethical or unethical decisions.

Focusing on dual-occupation professionals, the researchers found that engineers had one perspective on ethical issues, yet when those same individuals were in management roles, their moral compass shifted. Likewise, medic/soldiers in the U.S. Army had different views of civilian casualties depending on whether they most recently had been acting as soldiers or medics.

In the study, to be published in a future issue of The Academy of Management Journal, lead author Keith Leavitt of Oregon State University found that workers who tend to have dual roles in their jobs would change their moral judgments based on what they thought was expected of them at the moment.

“When people switch hats, they often switch moral compasses,” Leavitt said. “People like to think they are inherently moral creatures — you either have character or you don’t. But our studies show that the same person may make a completely different decision based on what hat they may be wearing at the time, often without even realizing it.”

Leavitt, an assistant professor of management in the College of Business at OSU, is an expert on non-conscious decision making and business ethics. He studies how people make decisions and moral judgments, often based on non-conscious cues.

He said recent high-profile business scandals, from the collapse of Enron to the Ponzi scheme of Bernie Madoff, have called into question the ethics of professionals. Leavitt said professional organizations, employers and academic institutions may want to train and prepare their members for practical moral tensions they may face when asked to serve in multiple roles.

“What we consider to be moral sometimes depends on what constituency we are answering to at that moment,” Leavitt said. “For a physician, a human life is priceless. But if that same physician is a managed-care administrator, some degree of moral flexibility becomes necessary to meet their obligations to stockholders.”

Leavitt said subtle cues — such as signage and motivation materials around the office — should be considered, along with more direct training that helps employees who juggle multiple roles that could conflict with one another.

“Organizations and businesses need to recognize that even very subtle images and icons can give employees non-conscious clues as to what the firm values,” he said. “Whether they know it or not, people are often taking in messages about what their role is and what is expected of them, and this may conflict with what they know to be the moral or correct decision.”

The researchers conducted three different studies with employees who had dual roles. In one case, 128 U.S. Army medics were asked to complete a series of problem-solving tests, which included subliminal cues that hinted they might be acting as either a medic or a soldier. No participant said the cues had any bearing on their behavior — but apparently they did. A much larger percentage of those in the medic category than in the soldier category were unwilling to put a price on human life.

In another test, a group of engineer-managers were asked to write about a time they either behaved as a typical manager, engineer, or both. Then they were asked whether U.S. firms should engage in “gifting” to gain a foothold in a new market. Despite the fact such a practice would violate federal laws, more than 50 percent of those who fell into the “manager” category said such a practice might be acceptable, compared to 13 percent of those in the engineer category.

“We find that people tend to make decisions that may conflict with their morals when they are overwhelmed, or when they are just doing routine tasks without thinking of the consequences,” Leavitt said. “We tend to play out a script as if our role has already been written. So the bottom line is, slow down and think about the consequences when making an ethical decision.”

Mudando para que nada mude (Cineclube Ciência em Foco)

SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2012

 “A exaustão dos recursos naturais não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. […] A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas […] são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas”.

 

Renzo Taddei – Doutor em Antropologia pela Univ. de Columbia, pesquisador da Coordenação do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos da ECO-UFRJ e palestrante do Ciência em Foco de 2 de junho.

1) O personagem central do filme Árido Movie é um profissional que apresenta diariamente a previsão do tempo para o Brasil em uma rede de TV em São Paulo. Ao voltar para sua terra natal no sertão nordestino, ele se vê deslocado na fissura entre estes dois “nordestes”: o da previsão do tempo, distante e virtual, e o concreto. Diante dos vários contrastes com os quais se defronta, como podemos pensar seu deslocamento?

Essa fissura não se limita à questão do “nordeste”, mas é ainda mais importante, ainda que menos saliente, na própria questão do clima. Somos levados a crer todo o tempo que o clima que importa está em algum outro lugar, e que só é acessível através da mediação de especialistas e equipamentos. Obviamente isso ocorre de fato, mas há efeitos deletérios nessa alienação entre os indivíduos e o meio ambiente: a questão passa a ser entendida como problema distante, vivido apenas de forma abstrata. Isso gera a atitude caracterizada pela ideia de que “eu não tenho nada com isso” – o que é exatamente o que o personagem do filme diz à avó quando percebe que esta espera que ele vingue a morte do pai. De certa forma, ele vivia a sua própria relação familiar de forma alienada, como algo abstrato, virtual, e as contingências da vida o obrigam a enfrentar a incontornável materialidade dos contextos locais. A crise ambiental atual nos confronta com esta materialidade incontornável. Se o personagem vivesse as suas relações familiares de forma mais integral, talvez o destino de todos ali fosse outro. Há responsabilidades que nos implicam, mas que não escolhemos – algo difícil de aceitar no contexto liberal em que vivemos. Mas a analogia acaba por aqui: felizmente não há morte alguma a ser vingada na questão climática (ou haverá?).

2) O fenômeno climático da seca é recorrente na filmografia brasileira. Pode-se dizer que o cinema traz representações do meio ambiente que muitas vezes nos forçam a pensar seus elementos a partir de sua relação com a sociedade e a cultura. Sem entregar muito de sua fala, poderia comentar algo em torno desta relação? Qual a importância destas perspectivas e seu papel no cenário das discussões oficiais?

Mais do que a seca propriamente dita, o elemento que povoou a imaginação de escritores e artistas foi o “sertão”. Hoje, especialmente para as audiências do sudeste urbano, sertão é quase sinônimo de nordeste rural, mas no passado a situação era diferente. Há debates acadêmicos sobre de onde vem a palavra sertão: uma das hipóteses é que tem origem na palavra desertão, sugerindo a ideia de área remota e desolada; outra, sugere que a palavra vem de sertus, termo do latim que significa entrelaçado, enredado. Na história do Brasil, o sertão sempre foi o espaço refratário à penetração do poder oficial, das instituições de controle do Estado. Um dos lugares onde isso é mais claro é na obraGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A obra se ambienta toda em Minas Gerais, em uma região que não é semiárida como o sertão nordestino, e numa época onde sequer existia o “Nordeste”, mas tudo o que ficava acima da Bahia era considerado “Norte”. No início, o Brasil todo era sertão; com a expansão do Estado ao longo do século XX, houve uma redução considerável do território que pode ser considerado sertão, nos sentidos mencionados acima: praticamente toda a região sudeste, por exemplo, se “dessertaniza” à medida que o espaço passa a ser ocupado por cidades e atividade agrícola em larga escala.

Desta forma, na imaginação artística o sertão funcionou, ao longo dos últimos dois séculos, como o “outro mundo” onde há liberdade em contraposição aos controles que marcam as sociedades urbanas, e onde há mais autenticidade, o que pode ser encarado por um viés romântico (como vemos em José de Alencar, por exemplo) ou onde coisas impensáveis podem ocorrer, numa espécie de mirada conradiana [referente a elementos da obra do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924), autor de Coração das trevas]. Mesmo com o Cinema Novo, onde há uma sociologização mais intensa do sertão, esse não deixa de ser espaço de liberdade e experimentação, como vemos em Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Mas é preciso que se diga que isso tudo marca uma perspectiva de quem olha de fora. O sertão não é uma coisa, são muitas.

O que a seca faz, em certo sentido, é ressertanizarmomentaneamente um território dessertanizado, porque ela tem o potencial de desorganizar processos políticos e sociais locais, inclusive no que diz respeito às instituições oficiais de poder. Em lugares onde as variações climáticas (como as secas) são recorrentes, como no nordeste brasileiro, em geral as relações de poder locais existem de forma associada às epidemias de sofrimento trazidas pela seca. A infame indústria da seca é um exemplo disso. Mas há limites em quanto as sociedades e instituições locais conseguem se ajustar à variação do clima: secas muito intensas podem efetivamente colocar toda uma sociedade em situação de crise, como se vê atualmente nos sertões de Pernambuco e da Bahia.

Um segundo ponto da questão menciona a forma como o cinema nos faz pensar o meio ambiente em sua relação com sociedade e cultura. Há duas formas de relacionar natureza e sociedade que parecem ser recorrentes na experiência humana. Por um lado, usamos elementos da natureza para pensar relações sociais, coisa que na antropologia chamamos de totemismo. A forma como usamos figuras de animais para pensar torcidas de futebol (urubu, gaviões, porco etc), ou como destacamentos militares usam símbolos animais (a onça em quartéis na Amazônia), ou ainda quando nos referimos a qualidades pessoais através de imagens animais (ao dizer que alguém “é” uma cobra, um rato, ou uma anta), são exemplos disso. Por outro, projetamos na natureza elementos humanos, culturais e sociais, o que, por sua vez, é conhecido na antropologia como animismo. Desta forma, uma tempestade é “traiçoeira”, ou uma estação chuvosa, como ouvi várias vezes em pesquisa de campo no sertão do Ceará, pode ser “velhaca” (isto é, promete e não cumpre). O cinema naturalmente se utiliza disso tudo como recurso narrativo.

Além disso, nossa percepção do ambiente é visceralmente marcada por nossas perspectivas contextuais. Uma pesquisa que coordenei a respeito das respostas sociais e culturais às secas do ano de 2005 – um ano em que houve secas na Amazônia, no Nordeste e no sul do Brasil – mostrou que as populações locais não pensam o meio ambiente como algo desconectado das demais dimensões da vida; como tais dimensões são variáveis, a percepção do ambiente o é também. Os resultados da pesquisa foram publicados no livroDepois que a chuva não veio, disponível em texto integral na Internet. O problema é que os governos centrais, como o federal, no Brasil, têm a tendência a homogeneizar tudo com o qual se relacionam, ignorando os contextos locais; e a ciência climática tende a pregar que o contexto local e o clima não têm relação causal direta (especialmente quando estão contestando a capacidade do conhecimento tradicional de produzir previsões climáticas válidas). No que diz respeito às relações entre sociedade e clima, vivemos uma situação verdadeiramente neurótica. O meio ambiente pode inclusive ser uma forma de eufemizar uma discussão demasiadamente sensível em termos políticos e sociais. Um manual de infoativismo editado na Inglaterra, por exemplo, sugere que personagens em forma de animais sejam usados em campanhas públicas em que questões politicas sensíveis dificultem a comunicação através de exemplos humanos.

As discussões oficiais são, infelizmente, demasiadamente economicistas e unilineares, presas a um utilitarismo frustrante, para levar qualquer dessas questões a sério.

3) No mês de junho, o Rio de Janeiro sediará a Rio+20, a conferência das Nações Unidas em torno do desenvolvimento sustentável, que articulará líderes mundiais em discussões que convidam à cooperação mundial para a melhoria de problemas sociais. Tendo em vista o cenário de mudanças climáticas, como abordar a participação social nestas discussões, face às diferenças culturais que estão em jogo?

As diferenças culturais não devem ser entendidas como obstáculo às ações relacionadas à crise ambiental. Pelo contrário, são recursos importantes. É interessante observar como a biodiversidade é hipervalorizada, ao ponto de ser fetichizada, e ao mesmo tempo a diversidade de formas humanas de ser e estar no mundo é desvalorizada – por exemplo, quando se acredita, com as melhores intenções, que é preciso “educar” as pessoas que praticam queimadas para plantio, por exemplo, para que “entendam” os efeitos deletérios de algumas de suas práticas cotidianas. Projetamos o problema sobre os outros, sem perceber que esse nosso foco em informação e no pensamento, ou seja, ao diagnosticar tudo como “falta de informação” ou diferentes “formas de pensar”, é parte fundamental do problema. Tudo ficou cibernético demais, de forma que as questões morais e éticas nos escapam muito facilmente.

A ideia de que diferenças culturais dificultam a construção de um entendimento mundial sobre as questões ambientais em geral, e sobre a questão climática, em particular, me assusta. A própria ideia de “entendimento mundial” em torno do meio ambiente evoca perigosamente um centralismo pouco democrático. Nunca na história da humanidade houve uma tentativa tão articulada para a criação de um discurso único sobre o meio ambiente. A polarização política que se vê nos Estados Unidos, em torno da questão climática, é uma farsa: o comportamento do partido republicano mostra com clareza que se trata de uma disputa pelo poder, onde os envolvidos se comportam estrategicamente e defendem qualquer posição que maximize suas chances de vitória. E, acima de tudo, apresentam o problema climático como se houvesse apenas duas alternativas – aceitar ou negar o efeito das ações humanas nas mudanças climáticas –, mas as duas são validadas dentro do mesmo paradigma ocidental, exacerbadamente materialista e utilitarista. E as outras formas de pensamento e de vida, outras epistemologias e ontologias? Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, é preciso aprender a pensar “com” os outros. Segundo o pensamento ameríndio, por exemplo, ao invés de tomar os humanos como excepcionais em sua humanidade, há a ideia de que a humanidade é a essência comum de todos os seres vivos. Que tipo de ética e moralidade decorre dai, na relação entre humanos e não humanos? Não se trata de romantizar as formas indígenas de vida, mas apenas de mostrar como outros pensamentos são extremamente interessantes na abordagem dos problemas ambientais.

No meu entender, o que sobressai nesta questão da participação social e da multiplicidade cultural é o fato de que é preciso que os ocidentais, e nós, ocidentalóides, entendamos que há dimensões do problema que transcendem a materialidade e o utilitarismo. A exaustão dos recursos naturais, por exemplo, não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. Não adianta criar esquemas institucionais para evitar a “tragédia dos comuns”, por exemplo, sem lidar com os temas da satisfação e da responsabilidade. A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas (ao pagar os governos municipais para “sumir” com o nosso lixo, sem que nenhuma pergunta seja feita, de modo que não precisemos pensar mais nele, por exemplo), são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas.

4) Contraplanos – expresse em poucas palavras (ou apenas uma) sua sensação com relação aos sentidos e problemáticas evocadas pelas seguintes palavras:

– tempo e clima: clima é um ponto de vista[1]; tempo é a vista (a partir) de um ponto[2] (notas: [1] Clima é “ponto de vista” no sentido de que trata-se de uma construção abstrata, resultante de cálculos estatísticos sobre medições de indicadores atmosféricos em intervalos amplos de tempo, e onde as técnicas estatísticas, o termômetro e outros mediadores técnicos têm tanta importância quanto a vibração das partículas que o termômetro busca medir; [2] tempo, no sentido dado ao conceito pela meteorologia, é o fenômeno atmosférico que existe num prazo de tempo mais curto, e portanto tende a fazer referência ao fenômeno em si, enquanto singularidade experiencial, ou seja, coisas que vivemos e lembramos, porque nos afetam num tempo e espaço específicos, e desta forma são a experiência a partir de um ponto).

 – sustentabilidade: o que exatamente se está tentando sustentar? Precisamos pensar a “mutabilidade” tanto quanto sustentabilidade. É muito difícil mudar o (insustentável) sistema econômico em que nos encontramos, e é preciso atentar para o fato de que, sob a fachada de “sustentabilidade”, há um esforço imenso de mudar apenas o que é necessário para que nada mude no final. O mercado de carbono é o exemplo paradigmático disso. Ou seja, em geral os debates sobre sustentabilidade (e sobre adaptação, resiliência etc.) são conservadores e insuficientes.

– construção social: já não há mais muita clareza a respeito do que significa tal associação de termos (o que é bom). Se tudo é construção social, a ideia deixa de ser relevante, porque não explica muita coisa. Tudo está em fluxo; se é “construção”, e se é “social”, depende de qual jogo semântico se está jogando. A expressão diz mais a respeito de quem usa a expressão do que sobre o fenômeno em questão. Tenho a impressão que dizer que o clima, por exemplo, é uma “construção social” constitui uma forma de evitar levar o clima a sério – e aqui estou repetindo ideias de autores como Bruno Latour ou Roy Wagner, por exemplo.

– ciência e cultura: há muito menos clareza a respeito do que significam tais termos (o que é melhor ainda). Num sentido mais propriamente filosófico, são duas ideias que morreram no século XX. Ou seja, tanto a Ciência como a Cultura, assim com “c” maiúsculo, que constituíam o santo graal do pensamento acadêmico Europeu dos séculos XIX e grande parte do XX se mostraram quimeras, principalmente em função dos trabalhos de gente como Heidegger, Merleau-Ponty, Wittgenstein, Gadamer, dentre muitos outros. Sobraram “ciências” e “culturas” com “c” minúsculo, ou seja, tais conceitos se transformaram em problemas empíricos. Puxando a sardinha pro meu lado (risos), se tornaram problemas antropológicos.

5) Roteiros alternativos – espaço dedicado à sugestão de links, textos, vídeos, referências diversas de outros autores/pesquisadores que possam contribuir com a discussão. Para encerrar essa sessão, transcreva, se quiser, uma fala de um pensador que o inspire e/ou seu trabalho.

No meu blog Uma (In)certa Antropologia (http://umaincertaantropologia.org) mantenho um arquivo de notícias e materiais acadêmicos sobre as relações entre cultura, sociedade e o clima. Há lá uma gravação em áudio de uma apresentação do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro que toca no tema das mudanças climáticas como crise do Ocidente, e como outros povos e outras culturas se relacionam com isso, que vale a pena ser ouvida. Ela está no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/ViveirosdeCastro_IFCS_20111123.wav.

O livro Depois que a chuva não veio, mencionado acima, está disponível no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/DQACNV.htm.

O documentário “10 tacticts for turning information into action”, também mencionado acima, está no site http://informationactivism.org/original_10_tactics_project#viewonline, com subtítulos em português – o exemplo de uso de animais como personagens está na tática número 3.

Há um vídeo provocativo do Slavok Žižek, cujo título éEcology as Religion, que evoca discussões importantes sobre como o meio ambiente existe no senso comum e nas discussões políticas. O video está reproduzido em https://umaincertaantropologia.org/2012/04/12/slavoj-zizek-on-ecology-as-religion-youtube/

6) Como conhecer mais de suas produções?

Há uma lista de artigos acadêmicos e também escritos para jornais e revistas em meu website, no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/Textos.htm

Heart Rules the Head When We Make Financial Decisions (Science Daily)

ScienceDaily (May 21, 2012) — Our ‘gut feelings’ influence our decisions, overriding ‘rational’ thought, when we are faced with financial offers that we deem to be unfair, according to a new study. Even when we are set to benefit, our physical response can make us more likely to reject a financial proposition we consider to be unjust.

Conducted by a team from the University of Exeter, Medical Research Council Cognition and Brain Sciences Unit and University of Cambridge, the research is published in the journal Cognitive, Affective, & Behavioural Neuroscience.

The research adds to growing evidence that our bodies can sometimes govern how we think and feel, rather than the other way round. It also reveals that those people who are more in tune with their bodies are more likely to be led by their ‘gut feelings’.

The study was based on a well-known psychological test, the Ultimatum Game. 51 participants were presented with a series of financial offers, based on different ways of dividing £10. Players frequently reject unfair offers in this game even though it leads to personal financial loss — an ‘irrational’ decision from an economic perspective.

The researchers measured participants’ physical responses to each offer by recording how much they sweated through the fingertips and how much their heart rate changed. How accurately participants could ‘listen’ to their bodies was measured on a different task by asking them to count their heartbeats and comparing their accuracy to their actual heart rate recording. Those people who showed a bigger physical response to unfair offers were more likely to reject them, but this was only the case if individuals were also able to accurately ‘listen’ to what their bodies were telling them.

The findings show that individuals who have a strong ‘gut-reaction’ and are in tune with their own physical responses are more likely to reject unfair financial offers, even if this decision results in personal losses.

Lead researcher Dr Barney Dunn of Psychology at the University of Exeter said: “This research supports the idea that what happens in our bodies can sometimes shape how we think and feel in our minds. Everyday phrases like ‘following your heart’ and ‘trusting your gut’ can often, it seems, be accurate.”

“Humans are highly attuned to unfairness and we are sometimes required to weigh up the demands of maintaining justice with preserving our own economic self-interest. At a time when ideas of fairness in the financial sector — from bankers’ bonuses to changes to pension schemes — are being widely debated, it is important to recognise why some individuals rebel against perceived unfairness, whereas other people are prepared to accept the status quo.”

Inpe e Rede Clima lançam cartilha educativa para a RIO+20 (Fapesp)

Publicação apresenta os temas que serão discutidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e os cenários de mudanças climáticas projetados para o Brasil (reprodução)

23/05/2012

Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) produziram uma cartilha educativa, intitulada O futuro que queremos – economia verde, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.

Voltada ao público em geral, a publicação apresenta os conceitos de economia verde e sustentabilidade e a importância da erradicação da pobreza, que são temas que serão discutidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 13 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

A cartilha também traz um histórico das conferências anteriores relacionadas ao meio ambiente e o conceito de “pegada ecológica” (metodologia usada para medir os rastros deixados pelos humanos no planeta a partir de seus hábitos).

A publicação apresenta ao leitor os cenários de mudanças climáticas projetadas para o Brasil para o século 21, as atividades do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e outros projetos e programas nessas áreas, apoiados pelo Inpe.

A cartilha está disponível para download em versão para internet em www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/RIO+20-web.pdf.

O arquivo digital com resolução para impressão pode ser solicitado pelo e-mail maira.morais@inpe.br.