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Grupo de especialistas divulga previsão do clima para o próximo trimestre (MCTI)

Na primeira reunião de 2015 do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pesquisadores alertam que haverá chuvas abaixo da média no Norte e Nordeste e acima da média no Sul do País

Chuvas abaixo da média na região Semiárida do Nordeste e na região Norte do Brasil, com possibilidade de queimadas e incêndios em Roraima, e continuidade de precipitação acima da média na região Sul. Essas são as tendências climáticas para os próximos três meses (fevereiro, março e abril). Elas foram apresentadas nesta sexta-feira (16) na primeira reunião de 2015 do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Paulo Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), atribuiu os resultados da avaliação do grupo à continuidade do fenômeno El Niño. “Temos uma condição sazonal dessas três regiões onde é possível hoje cientificamente e tecnologicamente fazer essas previsões”, afirmou o especialista que conduziu as atividades do primeiro encontro do GTPCS.

Participam do grupo de trabalho, instituído pelo MCTI em novembro de 2013, as principais lideranças na área de previsão climática no País. A cada mês os especialistas se reúnem para traçar prognósticos para o trimestre seguinte. O objetivo é dar subsídios aos tomadores de decisões sobre o cenário climático que se aproxima.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, alertou que a previsão climática para o próximo trimestre inspira atenção. “O Brasil está vivendo um momento de diferentes extremos climáticos em diferentes partes do país com impactos na economia e na sociedade”, destacou o secretário que também coordena do GTPCS. “As informações geradas pelo grupo de trabalho alimentam imediatamente ministérios e a presidência da República para que sejam tomadas as medidas necessárias.”

Na abertura do encontro, que aconteceu pela primeira vez em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, enfatizou a importância de haver previsão climática de curto prazo. “O trabalho dos pesquisadores do GTPCS já contribuiu no ano passado para reduzir os danos da seca no Nordeste e das enchentes em Rondônia”, exemplificou.

Participam do grupo pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe; do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST); do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI); e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). A cada reunião um dos membros conduzirá as atividades. Nesta sexta, o meteorologista Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, coordenou os trabalhos.

Para outras regiões do país não há previsibilidade climática, a exemplo do Sudeste. “O Nordeste, por exemplo, é a região com maior previsibilidade sazonal porque tem a dependência do Oceano e um tempo de variação bem lento. Na região Sudeste, o que causa chuva são as frentes frias que tem um tempo de previsibilidade de uma semana, no máximo duas”, explica Paulo Nobre, pesquisador do Inpe. No limite do conhecimento científico o que se pode afirmar é que as chuvas continuarão abaixo da média neste período.

Acesse aqui o relatório completo emitido pelo GTPCS.

(MCTI)

http://www.mcti.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/jIPU0I5RgRmq/content/grupo-de-especialistas-divulga-previsao-do-clima-para-o-proximo-trimestre?redirect=/&

Crise hídrica: Alarme! (Rede Nossa São Paulo)

19/1/2015 – 03h10

por Oded Grajew*

suspensao racionamento nh Crise hídrica: Alarme!

Diante da crise da água em São Paulo, o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis faz um apelo às autoridades e aos cidadãos para que assumam as devidas responsabilidades. Confira:

A cidade de São Paulo está diante de uma catástrofe social, econômica e ambiental sem precedentes. O nível do sistema Cantareira está em cerca de 6% e segue baixando por volta de 0,1% ao dia. O que significa que, em aproximadamente 60 dias, o sistema pode secar COMPLETAMENTE!

O presidente da Sabesp declarou que o sistema pode ZERAR em março ou, na melhor das hipóteses, em junho deste ano. E NÃO HÁ UM PLANO B em curto prazo. Isto significa que seis milhões de pessoas ficarão praticamente SEM UMA GOTA DE ÁGUA ou com enorme escassez. Não é que haverá apenas racionamento ou restrição. Poderá haver ZERO de água, NEM UMA GOTA.

Você já se deu conta do que isto significa em termos sociais, econômicos (milhares de estabelecimentos inviabilizados e enorme desemprego) e ambientais? Você já se deu conta de que no primeiro momento a catástrofe atingirá os mais vulneráveis (pobres, crianças e idosos) e depois todos nós?

O que nos espanta é a passividade da sociedade e das autoridades diante da iminência desta monumental catástrofe. Todas as medidas tomadas pelas autoridades e o comportamento da sociedade são absolutamente insuficientes para enfrentar este verdadeiro cataclismo.

Parece que estamos todos anestesiados e impotentes para agir, para reagir, para pressionar, para alertar, para se mobilizar em torno de propostas e, principalmente, em ações e planos de emergência de curto prazo e políticas e comportamentos que levem a uma drástica transformação da nossa relação com o meio ambiente e os recursos hídricos.

Há uma unanimidade de que esta é uma crise de LONGUÍSSIMA DURAÇÃO por termos deixado, permitido, que se chegasse a esta dramática situação. Agora, o que mais parece é que estamos acomodados e tranquilos num Titanic sem nos dar conta do iceberg que está se aproximando.

Nosso intuito, nosso apelo, nosso objetivo com este alarme é conclamar as autoridades, os formadores de opinião, as lideranças e os cidadãos a se conscientizarem urgentemente da gravíssima situação que vive a cidade, da dimensão da catástrofe que se aproxima a passos largos.

Precisamos parar de nos enganar. É fundamental que haja uma grande mobilização de todos para que se tomem ações e medidas à altura da dramática situação que vivemos. Deixar de lado rivalidades e interesses políticos, eleitorais, desavenças ideológicas. Não faltam conhecimentos, não faltam ideias, não faltam propostas (o Conselho da Cidade de São Paulo aprovou um grande conjunto delas). Mas faltam mobilização e liderança para enfrentar este imenso desafio.

Todos precisamos assumir nossa responsabilidade à altura do nosso poder, de nossa competência e de nossa consciência. O tempo está se esgotando a cada dia.

Oded Grajew é empresário, coordenador da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo, presidente emérito do Instituto Ethos e idealizador do Fórum Social Mundial.

** Publicado originalmente no site Rede Nossa São Paulo.

(Rede Nossa São Paulo)

Can Humanity’s ‘Great Acceleration’ Be Managed and, If So, How? (Dot Earth, New York Times)

By January 15, 2015 5:00 pm

Updated below | Through three-plus decades of reporting, I’ve been seeking ways to better mesh humanity’s infinite aspirations with life on a finite planet. (Do this Google search — “infinite aspirations” “finite planet” Revkin – to get the idea. Also read the 2002 special issue of Science Times titled “Managing Planet Earth.”)

So I was naturally drawn to a research effort that surfaced in 2009 defining a “safe operating space for humanity” by estimating a set of nine “planetary boundaries” for vital-sign-style parameters like levels of greenhouse gases, flows of nitrogen and phosphorus and loss of biodiversity.

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A diagram from a 2009 analysis of "planetary boundaries" showed humans were already hitting limits (red denotes danger zones).
A diagram from a 2009 analysis of “planetary boundaries” showed humans were already hitting limits (red denotes danger zones).Credit Stockholm Resilience Center

The same was true for a related “Great Acceleration” dashboard showing humanity’s growth spurt (the graphs below), created by the International Geosphere-Biosphere Program.

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A graphic illustrating how human social and economic trends, resource appetites and environmental impacts have surged since 1950.
A graphic illustrating how human social and economic trends, resource appetites and environmental impacts have surged since 1950.Credit International Geosphere-Biosphere Program

Who would want to drive a car without gauges tracking engine heat, speed and fuel levels? I use that artwork in all my talks.

Now, both the dashboard of human impacts and planetary boundaries have been updated. For more detail on the dashboard, explore the website of the geosphere-biosphere organization.

In a prepared statement, a co-author of the acceleration analysis, Lisa Deutsch, a senior lecturer at the Stockholm Resilience Center, saw little that was encouraging:

Of all the socio-economic trends only construction of new large dams seems to show any sign of the bending of the curves – or a slowing of the Great Acceleration. Only one Earth System trend indicates a curve that may be the result of intentional human intervention – the success story of ozone depletion. The leveling off of marine fisheries capture since the 1980s is unfortunately not due to marine stewardship, but to overfishing.

And all that acceleration (mostly since 1950, as I wrote yesterday) has pushed us out of four safe zones, according to the 18 authors of the updated assessment of environmental boundaries, published online today by the journal Science here: “Planetary Boundaries: Guiding human development on a changing planet.”

The paper is behind a paywall, but the Stockholm Resilience Center, which has led this work, has summarized the results, including the authors’ conclusion that we’re in the danger zone on four of the nine boundaries: climate change, loss of biosphere integrity, land-system change and alteration of biogeochemical cycles (for the nutrients phosphorus and nitrogen).

Their work has been a valuable prod to the community of scientists and policy analysts aiming to smooth the human journey, resulting in strings of additional studies. Some followup work has supported the concept, and even broadened it, as with a 2011 proposal by Kate Raworth of the aid group Oxfam to add social-justice boundaries, as well: “A Safe and Just Space for Humanity – Can We Live Within the Doughnut?

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In 2011, <a href="http://www.oxfam.org/en/research/safe-and-just-space-humanity">Kate Raworth</a> at the aid group Oxfam proposed a framework for safe and just human advancement illustrated as a doughnut-shaped zone.
In 2011, Kate Raworth at the aid group Oxfam proposed a framework for safe and just human advancement illustrated as a doughnut-shaped zone.Credit Oxfam

But others have convincingly challenged many of the boundaries and also questioned their usefulness, given how both impacts of, and decisions about, human activities like fertilizing fields or tapping aquifers are inherently local — not planetary in scale. (You’ll hear from some critics below.)

In 2012, the boundaries work helped produce a compelling alternative framework for navigating the Anthropocene — “Planetary Opportunities: A Social Contract for Global Change Science to Contribute to a Sustainable Future.”

I hope the public (and policy makers) will realize this is not a right-wrong, win-lose science debate. A complex planet dominated by a complicated young species will never be managed neatly. All of us, including environmental scientists, will continue to learn and adjust.

I was encouraged, for instance, to see the new iteration of the boundaries analysis take a much more refined view of danger zones, including more of an emphasis on the deep level of uncertainty in many areas:

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A diagram from a paper defining "planetary boundaries" for human activities shows areas of greatest risk in red.
A diagram from a paper defining “planetary boundaries” for human activities shows areas of greatest risk in red.Credit Science

The authors, led by Will Steffen of Australian National University and Johan Rockström of the Stockholm Resilience Center, have tried to refine how they approach risks related to disrupting ecosystems – not simply pointing to lost biological diversity but instead devising a measure of general “biosphere integrity.”

That measure, and the growing human influence on the climate through the buildup of long-lived greenhouse gases are the main source of concern, they wrote:

Two core boundaries – climate change and biosphere integrity – have been identified, each of which has the potential on its own to drive the Earth System into a new state should they be substantially and persistently transgressed.

But the bottom line has a very retro feel, adding up to the kind of ominous, but generalized warnings that many environmental scientists and other scholars began giving with the “Limits to Growth” analysis in 1972. Here’s a cornerstone passage from the paper, reprising a longstanding view that the environmental conditions of the Holocene – the equable span since the end of the last ice age – is ideal:

The precautionary principle suggests that human societies would be unwise to drive the Earth System substantially away from a Holocene-like condition. A continuing trajectory away from the Holocene could lead, with an uncomfortably high probability, to a very different state of the Earth System, one that is likely to be much less hospitable to the development of human societies.

I sent the Science paper to a batch of environmental researchers who have been constructive critics of the Boundaries work. Four of them wrote a group response, posted below, which includes this total rejection of the idea that the Holocene is somehow special:

[M]ost species evolved before the Holocene and the contemporary ecosystems that sustain humanity are agroecosystems, urban ecosystems and other human-altered ecosystems….

Here’s their full response:

The Limits of Planetary Boundaries
Erle EllisBarry BrookLinus BlomqvistRuth DeFries

Steffen et al (2015) revise the “planetary boundaries framework” initially proposed in 2009 as the “safe limits” for human alteration of Earth processes (Rockstrom et al 2009). Limiting human harm to environments is a major challenge and we applaud all efforts to increase the public utility of global-change science. Yet the planetary boundaries (PB) framework – in its original form and as revised by Steffen et al – obscures rather than clarifies the environmental and sustainability challenges faced by humanity this century.

Steffen et al concede that “not all Earth system processes included in the PB have singular thresholds at the global/continental/ocean basin level.” Such processes include biosphere integrity (see Brook et al 2013), biogeochemical flows, freshwater use, and land-system change. “Nevertheless,” they continue, “it is important that boundaries be established for these processes.” Why? Where a global threshold is unknown or lacking, there is no scientifically robust way of specifying such a boundary – determining a limit along a continuum of environmental change becomes a matter of guesswork or speculation (see e.g. Bass 2009Nordhaus et al 2012). For instance, the land-system boundary for temperate forest is set at 50% of forest cover remaining. There is no robust justification for why this boundary should not be 40%, or 70%, or some other level.

While the stated objective of the PB framework is to “guide human societies” away from a state of the Earth system that is “less hospitable to the development of human societies”, it offers little scientific evidence to support the connection between the global state of specific Earth system processes and human well-being. Instead, the Holocene environment (the most recent 10,000 years) is assumed to be ideal. Yet most species evolved before the Holocene and the contemporary ecosystems that sustain humanity are agroecosystems, urban ecosystems and other human-altered ecosystems that in themselves represent some of the most important global and local environmental changes that characterize the Anthropocene. Contrary to the authors’ claim that the Holocene is the “only state of the planet that we know for certain can support contemporary human societies,” the human-altered ecosystems of the Anthropocene represent the only state of the planet that we know for certain can support contemporary civilization.

Human alteration of environments produces multiple effects, some advantageous to societies, such as enhanced food production, and some detrimental, like environmental pollution with toxic chemicals, excess nutrients and carbon emissions from fossil fuels, and the loss of wildlife and their habitats. The key to better environmental outcomes is not in ending human alteration of environments but in anticipating and mitigating their negative consequences. These decisions and trade-offs should be guided by robust evidence, with global-change science investigating the connections and tradeoffs between the state of the environment and human well-being in the context of the local setting, rather than by framing and reframing environmental challenges in terms of untestable assumptions about the virtues of past environments.

Even without specifying exact global boundaries, global metrics can be highly misleading for policy. For example, with nitrogen, where the majority of human emissions come from synthetic fertilizers, the real-world challenge is to apply just the right amount of nitrogen to optimize crop yields while minimizing nitrogen losses that harm aquatic ecosystems. Reducing fertilizer application in Africa might seem beneficial globally, yet the result in this region would be even poorer crop yields without any notable reduction in nitrogen pollution; Africa’s fertilizer use is already suboptimal for crop yields. What can look like a good or a bad thing globally can prove exactly the opposite when viewed regionally and locally. What use is a global indicator for a local issue? As in real estate, location is everything.

Finally, and most importantly, the planetary boundaries are burdened not only with major uncertainties and weak scientific theory – they are also politically problematic. Real world environmental challenges like nitrogen pollution, freshwater consumption and land-use change are ultimately a matter of politics, in the sense that there are losers and winners, and solutions have to be negotiated among many stakeholders. The idea of a scientific expert group determining top-down global limits on these activities and processes ignores these inevitable trade-offs and seems to preclude democratic resolution of these questions. It has been argued that (Steffen et al 2011):

Ultimately, there will need to be an institution (or institutions) operating, with authority, above the level of individual countries to ensure that the planetary boundaries are respected. In effect, such an institution, acting on behalf of humanity as a whole, would be the ultimate arbiter of the myriad trade-offs that need to be managed as nations and groups of people jockey for economic and social advantage. It would, in essence, become the global referee on the planetary playing field.

Here the planetary boundaries framework reaches its logical conclusion with a political scenario that is as unlikely as it is unpalatable. There is no ultimate global authority to rule over humanity or the environment. Science has a tremendously important role to play in guiding environmental management, not as a decider, but as a resource for deliberative, evidence-based decision making by the public, policy makers, and interest groups on the challenges, trade-offs and possible courses of action in negotiating the environmental challenges of societal development (DeFries et al 2012). Proposing that science itself can define the global environmental limits of human development is simultaneously unrealistic, hubristic, and a strategy doomed to fail.

I’ve posted the response online as a standalone document for easier downloading; there you can view the authors’ references, as well.

Update, 9:40 p.m.| Will Steffen, the lead author of the updated Planetary Boundaries analysis, sent this reply to Ellis and co-authors tonight:

Response to Ellis et al. on planetary boundaries

Of course we welcome constructive debate on and criticism of the planetary boundaries (PB) update paper. However, the comments of Ellis et al. appear to be more of a knee-jerk reaction to the original 2009 paper than a careful analysis of the present paper. In fact, one wonders if they have even read the paper, including the Supplementary Online Material (SOM) where much methodological detail is provided.

One criticism seems to be based on a rather bizarre conflation of a state of the Earth System with (i) the time when individual biological species evolved, and (ii) the nature and distribution of human-altered terrestrial ecosystems. This makes no sense from an Earth System science perspective. The state of the Earth System (a single system at the planetary level) also involves the oceans, the atmosphere, the cryosphere and very important processes like the surface energy balance and the flows and transformation of elements. It is the state of this single complex system, which provides the planetary life support system for humanity, that the PB framework is concerned with, not with fragmentary bits of it in isolation.

In particular, the PB framework is based on the fact – and I emphasise the word “fact” – that the relatively stable Holocene state of the Earth System (the past approximately 11,700 years) is the only state of the System that has allowed the development of agriculture, urban settlements and complex human societies. Some argue that humanity can now survive, and even thrive, in a rapidly destabilizing planetary environment, but that is a belief system based on supreme technological optimism, and is not a reasoned scientifically informed judgment. Also, Ellis et al. seem to conflate human alteration of terrestrial environments with human alteration of the fundamental state of the Earth System as a whole. These are two vastly different things.

The criticisms show further misunderstanding of the nature of complex systems like the Earth System and how they operate. For example, Ellis et al. claim that a process is not important unless it has a threshold. Even a cursory understanding of the carbon cycle, for example, shows that this is nonsense. Neither the terrestrial nor the marine carbon sinks have known large-scale thesholds yet they are exceedingly important for the functioning of the climate system, which does indeed have known large-scale thresholds such as the melting of the Greenland ice sheet. Sure, it is more challenging to define boundaries for processes that are very important for the resilience of the Earth System but don’t have large-scale thresholds, but it is not impossible. The zone of uncertainty tends to be larger for these boundaries, but as scientific understanding improves, this zone will narrow.

An important misrepresentation of our paper is the assertion that we are somehow suggesting that fertilizer application in Africa be reduced. Nothing could be further from the truth. In fact, if Ellis et al had taken the time to read the SOM, the excellent paper by Carpenter and Bennett (2011) on the P boundary, the equally excellent paper by de Vries et al. (2013) on the N boundary, and the paper by Steffen and Stafford Smith (2013) on the distribution and equity issues for many of the PBs, including N and P, they wouldn’t have made such a misrepresentation.

Finally, the Steffen et al. (2011) paper seems to have triggered yet another misrepresentation. The paragraph of the paper quoted by Ellis et al. is based on contributions from two of the authors who are experts in institutions and governance issues, and does not come from the natural science community. Nowhere in the paragraph quoted, nor in the Steffen et al. (2011) paper as a whole, is there the proposal for a “a scientific expert group determining top-down global limits…”. The paragraph reprinted by Ellis et al. doesn’t mention scientists at all. That is a complete misrepresentation of our work.

We reiterate that we very much welcome careful and constructive critiques of the PB update paper, preferably in the peer-reviewed literature. In fact, such critiques of the 2009 PB paper were very helpful in developing the 2015 paper. Knee-jerk reactions in the blogosphere make for interesting reading, but they are far less useful in advancing the science.

Update, Jan. 16, 2:09 p.m. | Johan Rockström and Katherine Richardson, authors of the boundaries analysis, sent these additional reactions to the Ellis et al. critique:

We are honored that Erle Ellis, Barry Brook, Linus Blomqvist and Ruth DeFries (Ellis et al.) show such strong interest in our Planetary Boundaries research. The 2015 science update draws upon the over 60 scientific articles that have been published specifically scrutinizing different aspects of the Planetary Boundaries framework (amongst them the contributions by all these four researchers), and the most recent advancements in Earth System science. This new paper scientifically addresses and clarifies all of the natural science related aspects of Ellis et al.’s critique. It can also be noted that Ellis et al.’s critique simply echoes the standpoints regarding Planetary Boundaries research that the same group (Blomqvist et al., 2012) brought forward in 2012. Now, as then, their criticisms seem largely to be based on misunderstandings and their own viewpoints:

(1) We have never argued that there are planetary scale tipping points for all Planetary Boundary processes. Furthermore, there does not need to be a tipping point for these processes and systems in order for them to function as key regulators of the stability of the Earth system. A good example here is the carbon sink in the biosphere (approximately 4.5 Gt/year) which has doubled over the past 50 years in response to human emissions of CO2 and, thus, provides a good example of Earth resilience at play;

(2) Establishing the Planetary Boundaries, i.e. identifying Earth System scale boundaries for environmental processes that regulate the stability of the planet, does not (of course) contradict or replace the need for local action, transparency and democratic processes. Our society has long accepted the need for local – and to some extent regional- environmental management. Scientific evidence has now accumulated that indicates a further need for management of some environmental challenges at the global level. Many years of multi-lateral climate negotiation indicate a recognized need for global management of the CO2 emissions that occur locally. Our Planetary Boundaries research identifies that there are also other processes critical to the functioning of the Earth System that are so impacted by human activities that they, too, demand management at the global level. Ours is a positive – not a doomsday – message. It will come as no surprise to any reader that there are environmental challenges associated with all of the 9 Earth System functions we examine. Through our research, we offer a framework that can be useful in developing management at a global level.

It is important to emphasize that Ellis et al. associate socio-political attributes to our work that do not exist. The Science paper published today (16th January 2015), is a natural science update and advancement of the planetary boundaries framework. It makes no attempt to enter the (very important) social science realm of equity, institutions or global governance. The implications attributed to the PB framework must, then, reflect Ellis et al.’s own normative values. Furthermore, Ellis et al. argue that the “key to better environmental outcomes is not ending human alteration” but “anticipating and mitigating the negative consequences” of human environmental perturbation. While Planetary Boundaries research does not dictate how societies should use the insights it provides, “anticipating negative consequences” is at the absolute core of our approach!

Regarding Earth system tipping points. As Will Steffen points out in his earlier response, it would have been scientifically more correct for Ellis et al. to refer not only to their own assessment of uncertainties regarding a potential biosphere tipping point but also to the response to their article by Terry Hughes et al. (2014). These researchers presented the current state of empirical evidence concerning changes in interactions and feedbacks and how they can (in several cases do!) trigger tipping points at ecosystem and biome scale, and that such non-linear dynamics at local to regional scale can add up to impacts at the Earth system scale.

A different worldview. The Ellis et al. critique appears not to be a scientific criticism per se but rather is based on their own interpretation of differences in worldview. They do not substantively put in question the stability of the Earth system as a basis for human development– see Will Steffen’s response. Thus, it appears that we and Ellis et al. are in agreement here. Of course species and ecosystems have evolved prior to the Holocene but only in the stable environment of the Holocene have humans been able to exploit the Earth system at scale (e.g., by inventing agriculture as a response to a stable hydro-climate in the Holocene).

Ellis et al. argue that the only constructive avenue is to “investigate the connections and trade-offs between the state of the environment and human well-being in the context of the local setting..:”. This is clearly not aligned with current scientific evidence. In the Anthropocene, there is robust evidence showing that we need to address global environmental change at the global level, as well as at the regional, national and local contexts, and in particular understanding cross-scale interactions between them.

On global governance. It seems hardly surprising, given the Ellis et al.’s misunderstanding of the Planetary Boundaries framework that their interpretation of the implications of operationalizing the framework rests also on misunderstandings. They claim the Planetary Boundaries framework translates to an “ultimate global authority to rule over humanity”. No one would argue that the current multi-lateral climate negotiations are an attempt to establish “ultimate global authority over humanity” and this is certainly never been suggested by the Planetary Boundaries research. In essence, the Planetary Boundary analysis simply identifies Earth System processes that – in the same manner as climate – regulate the stability of the Earth System, and if impacted too far by human activities potentially can disrupt the functioning of the Earth System. The Planetary Boundaries is, then, nothing more than a natural sciences contribution to an important societal discussion and which presents evidence which can support the definition of Planetary Boundaries to safeguard a stable and resilient Earth system. How this then translates to governance is another issue entirely and important social science contributions have addressed these (Galaz et al 2012). As our research shows, there is natural science evidence that global management of some environmental challenges is necessary. From the social science literature (Biermann et al., 2012) as well as from real world policy making, we see that such global scale regulation is possible to construct in a democratic manner and does establish a safe operating space, e.g. the Montreal protocol, a global agreement to address one of the identified planetary boundaries and which, to our knowledge, is never referred to as a “global authority ruling over humanity”. As noted above, the UNFCCC process is also fundamentally concerned with establishing the global “rules of the game” by which society can continue to develop within a climate planetary boundary. The Aichi targets (within the UN Convention on Biological Diversity) of setting aside marine and terrestrial areas for conservation are also good examples of the political translation of a science based concern over global loss of biodiversity. The coming SDG (Sustainable Development Goals) framework includes a proposed set of four goals (oceans, climate, biodiversity and freshwater), which is a de-facto example of applying planetary boundary thinking to create a global framework for safeguarding a stable environment on the planet for societies and communities across the world. We find it interesting – and encouraging – that societies and the world community are already developing management tools within several “planetary boundary domains”. In all cases, this is happening in good democratic order and building upon bottom-up processes and informed by science. This ought to be reassuring for Ellis et al. who portray implementation of Planetary Boundary thinking as a dark force of planetary rule.

*   *   *

[Reaction]

The Limits of Planetary Boundaries 2.0 (Brave New Climate)

Back in 2013, I led some research that critiqued the ‘Planetary Boundaries‘ concept (my refereed paper, Does the terrestrial biosphere have planetary tipping points?, appeared in Trends in Ecology & Evolution). I also blogged about this here: Worrying about global tipping points distracts from real planetary threats.

Today a new paper appeared in the journal Science, called “Planetary boundaries: Guiding human development on a changing planet“, which attempts to refine and clarify the concept. It states that four of nine planetary boundaries have been crossed, re-imagines the biodiversity boundary as one of ‘biodiversity integrity’, and introduces the concept of ‘novel entities’. A popular summary in the Washington Post can be read here. On the invitation of New York Times “Dot Earth” reporter Andy Revkin, my colleagues and I have written a short response, which I reproduce below. The full Dot Earth article can be read here.

The Limits of Planetary Boundaries
Erle EllisBarry BrookLinus BlomqvistRuth DeFries

Steffen et al (2015) revise the “planetary boundaries framework” initially proposed in 2009 as the “safe limits” for human alteration of Earth processes(Rockstrom et al 2009). Limiting human harm to environments is a major challenge and we applaud all efforts to increase the public utility of global-change science. Yet the planetary boundaries (PB) framework – in its original form and as revised by Steffen et al – obscures rather than clarifies the environmental and sustainability challenges faced by humanity this century.

Steffen et al concede that “not all Earth system processes included in the PB have singular thresholds at the global/continental/ocean basin level.” Such processes include biosphere integrity (see Brook et al 2013), biogeochemical flows, freshwater use, and land-system change. “Nevertheless,” they continue, “it is important that boundaries be established for these processes.” Why? Where a global threshold is unknown or lacking, there is no scientifically robust way of specifying such a boundary – determining a limit along a continuum of environmental change becomes a matter of guesswork or speculation (see e.g. Bass 2009;Nordhaus et al 2012). For instance, the land-system boundary for temperate forest is set at 50% of forest cover remaining. There is no robust justification for why this boundary should not be 40%, or 70%, or some other level.

While the stated objective of the PB framework is to “guide human societies” away from a state of the Earth system that is “less hospitable to the development of human societies”, it offers little scientific evidence to support the connection between the global state of specific Earth system processes and human well-being. Instead, the Holocene environment (the most recent 10,000 years) is assumed to be ideal. Yet most species evolved before the Holocene and the contemporary ecosystems that sustain humanity are agroecosystems, urban ecosystems and other human-altered ecosystems that in themselves represent some of the most important global and local environmental changes that characterize the Anthropocene. Contrary to the authors’ claim that the Holocene is the “only state of the planet that we know for certain can support contemporary human societies,” the human-altered ecosystems of the Anthropocene represent the only state of the planet that we know for certain can support contemporary civilization.

Human alteration of environments produces multiple effects, some advantageous to societies, such as enhanced food production, and some detrimental, like environmental pollution with toxic chemicals, excess nutrients and carbon emissions from fossil fuels, and the loss of wildlife and their habitats. The key to better environmental outcomes is not in ending human alteration of environments but in anticipating and mitigating their negative consequences. These decisions and trade-offs should be guided by robust evidence, with global-change science investigating the connections and tradeoffs between the state of the environment and human well-being in the context of the local setting, rather than by framing and reframing environmental challenges in terms of untestable assumptions about the virtues of past environments.

Even without specifying exact global boundaries, global metrics can be highly misleading for policy. For example, with nitrogen, where the majority of human emissions come from synthetic fertilizers, the real-world challenge is to apply just the right amount of nitrogen to optimize crop yields while minimizing nitrogen losses that harm aquatic ecosystems. Reducing fertilizer application in Africa might seem beneficial globally, yet the result in this region would be even poorer crop yields without any notable reduction in nitrogen pollution; Africa’s fertilizer use is already suboptimal for crop yields. What can look like a good or a bad thing globally can prove exactly the opposite when viewed regionally and locally. What use is a global indicator for a local issue? As in real estate, location is everything.

Finally, and most importantly, the planetary boundaries are burdened not only with major uncertainties and weak scientific theory – they are also politically problematic. Real world environmental challenges like nitrogen pollution, freshwater consumption and land-use change are ultimately a matter of politics, in the sense that there are losers and winners, and solutions have to be negotiated among many stakeholders. The idea of a scientific expert group determining top-down global limits on these activities and processes ignores these inevitable trade-offs and seems to preclude democratic resolution of these questions. It has been argued that (Steffen et al 2011):

Ultimately, there will need to be an institution (or institutions) operating, with authority, above the level of individual countries to ensure that the planetary boundaries are respected. In effect, such an institution, acting on behalf of humanity as a whole, would be the ultimate arbiter of the myriad trade-offs that need to be managed as nations and groups of people jockey for economic and social advantage. It would, in essence, become the global referee on the planetary playing field.

Here the planetary boundaries framework reaches its logical conclusion with a political scenario that is as unlikely as it is unpalatable. There is no ultimate global authority to rule over humanity or the environment. Science has a tremendously important role to play in guiding environmental management, not as a decider, but as a resource for deliberative, evidence-based decision making by the public, policy makers, and interest groups on the challenges, trade-offs and possible courses of action in negotiating the environmental challenges of societal development (DeFries et al 2012). Proposing that science itself can define the global environmental limits of human development is simultaneously unrealistic, hubristic, and a strategy doomed to fail.

Siberian Arctic permafrost decay and methane escape (Climatestate)

Added by Chris Machens on January 18, 2015

Siberian Arctic permafrost decay and methane escape

Widespread seafloor gas release from the seabed offshore the West Yamal Peninsula, suggests that permafrost has degraded more significantly than previously thought.  Gas is released in an area of at least 7500 kmin water depths >20 m.(1)

Tromsø, Norway: Centre for Arctic Gas Hydrate (CAGE): It was previously proposed that the permafrost in the Kara Sea, and other Arctic areas, extends to water depths up to 100 meters, creating a seal that gas cannot bypass. Portnov and colleagues have found that the West Yamal shelf is leaking, profoundly, at depths much shallower than that.

Significant amount of gas is leaking at depths between 20 and 50 meters. This suggests that a continuous permafrost seal is much smaller than proposed. Close to the shore the permafrost seal may be few hundred meters thick, but tapers off towards 20 meters water depth. And it is fragile.

Evolution of permafrost

Portnov used mathematical models to map the evolution of the permafrost, and thus calculated its degradation since the end of the last ice age. The evolution of permafrost gives indication to what may happen to it in the future.

Basically the permafrost is thawing from two sides. The interior of the Earth is warming the permafrost from the bottom up, called geothermal heat flux – an ongoing process. Thus, if the bottom ocean temperature is −0,5°C, the maximal possible permafrost thickness would likely take 9000 years to thaw. But if water temperature increases, the process would go much faster, because the thawing would also happen from the top down.

“If the temperature of the oceans increases by two degrees as suggested by some reports, it will accelerate the thawing to the extreme. A warming climate could lead to an explosive gas release from the shallow areas.”(2)

Impact study

Another study based on a coupled climate–carbon cycle model (GCM) assessed a 1000-fold (from <1 to 1000 ppmv) methane increase – within a single pulse, from methane hydrates (based on carbon amount estimates for the PETM, with ~2000 GtC), and concluded it would increase atmospheric temperatures above >6°C within 80 years. Further, carbon stored in the land biosphere would decrease by >25%, suggesting a critical situation for ecosystems and farming, especially in the tropics.(3)

Though, in reality it is reasonable to assume that larger methane spikes will be in the 1-2 digit Gt ball park, which are still considerable amounts. The PETM, 55 mil years ago, is marked by several larger spikes. Even if there aren’t larger spikes, the current deglaciation in the northern hemisphere will considerably contribute – increase the current atmospheric carbon budget. Hence, it is vital to reduce emissions now, to slow or even reverse processes before things get out of control.

Related

An Arctic methane worst-case scenario http://www.realclimate.org/index.php/archives/2012/01/an-arctic-methane-worst-case-scenario/
An online model of methane in the atmosphere http://www.realclimate.org/index.php/archives/2012/01/an-online-model-of-methane-in-the-atmosphere/
Methane gas release from ocean might have led to AirAsia flight crash, expert speculates http://timesofindia.indiatimes.com/india/Methane-gas-release-from-ocean-might-have-led-to-AirAsia-flight-crash-expert-speculates/articleshow/45913234.cms

Teaser image via http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/methane-bubbles-thiessen/

Cientistas tentam responder: cadê as chuvas do Cantareira? (Folha de S.Paulo)

RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

18/01/2015 01h45

As tempestades que têm desabado sobre a cidade de São Paulo desde o fim de dezembro derrubaram árvores e postes, mas não serviram para abastecer as represas do Cantareira, prolongando a crise da água. Cientistas, porém, afirmam que isso é compreensível e era até esperado.

O problema que leva à essa situação paradoxal passa por uma espécie de pane que acontece pelo segundo verão consecutivo no sistema que os meteorologistas chamam de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). Trata-se de uma banda de nuvens que se estende desde o oeste da Amazônia até Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e segue até alto mar.

“O sistema, que favoreceria as chuvas na região central do Brasil como um todo, não está atuando como deveria”, diz Anna Bárbara de Melo, do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Em dezembro, a ZCAS entrou em ação, mas no lugar “errado”. “O sistema ocorreu, só que favorecendo a região sul da Bahia e o Tocantins”, diz a pesquisadora. “Todo o estado de Minas, em dezembro, teve menos precipitação que o normal, com exceção de algumas áreas no norte.”
Segundo o climatologista Tércio Ambrizzi, da USP, o fenômeno pode estar relacionado à mudança climática.

“O fato de a atmosfera estar mais aquecida tem gerado uma variabilidade climática maior, enfatizando os eventos extremos”, diz o climatologista. “Em 2010 e 2011, nós estávamos enfrentando as inundações e mortes ocorridas nos deslizamentos do Rio de Janeiro”, conta Ambrizzi.
“Naquele ano o Cantareira estava com mais de 100% da capacidade, vertendo água e prejudicando algumas cidades. Três anos depois, passamos para um extremo seco com chuvas abaixo da média.”

CAPITAL

Mas, se falta chuva na Cantareira, por que tanta água na capital?

Isso se explica por um outro fenômeno, tipicamente relacionado às chuvas de verão: as ilhas de calor.

Em grandes concentrações urbanas, sem vegetação, o pouco de umidade que existe sobre essas áreas tende a subir em função do calor, até atingir temperaturas mais baixas e se condensar. Isso cria nuvens com uma extensão horizontal relativamente pequena, mas uma extensão vertical grande, com bastante água. A chuva então cai numa região específica, com muita violência, explica Ambrizzi. Em geral, tais tempestades ocorrem no início da noite.

Essas fortes descargas, concentradas em horários limitados, não chegaram nem a trazer um volume médio histórico de água nem mesmo para a capital.

Na primeira metade de janeiro, a estação meteorológica do Mirante de Santana, na zona norte de São Paulo, registrou 71 mm de chuva acumulada, quando a média histórica era de 130 mm. No Cantareira, mais ao norte, a situação é pior, com apenas 60 mm de chuva tendo ocorrido até agora, menos da metade do que se esperava. O nível do reservatório caiu de 7,2% para 6,2%, numa época do ano em que costuma subir.

Algumas das chuvas de verão estimuladas pela mancha urbana de São Paulo poderiam até ter contribuído para elevar o nível de algumas represas do sistema Cantareira, mas aí surge o terceiro problema. Segundo hidrólogos, o solo da maior parte das represas já estava tão seco, castigado pelo sol, que boa parte da água foi simplesmente absorvida pela terra, sem causar nenhuma elevação no nível dos reservatórios.

Esse “efeito esponja”, diz Ambrizzi, pode ter anulado qualquer benefício que chuvas de verão tenham trazido para as represas do Cantareira mais próximas da capital.

Study Reveals Scary New Facts About Sea Level Rise (Climate Progress)

POSTED ON JANUARY 15, 2015 AT 11:05 AM UPDATED: JANUARY 15, 2015 AT 1:50 PM

A Sri Lankan man throws his bait as he fishes in Colombo, Sri Lanka, Monday, July 1, 2013.

A Sri Lankan man throws his bait as he fishes in Colombo, Sri Lanka, Monday, July 1, 2013.

CREDIT: AP PHOTO/ERANGA JAYAWARDENA

A new study from scientists at Harvard and Rutgers Universities has been sweeping theinternet, and for good reason: it shows, quite alarmingly, that the planet’s seas have been rising much faster than we thought.

The research can be confusing on its face. At first glance, it shows that scientists have actually been overstating the rate of sea level rise for the first 90 years of the 20th century. Instead of rising about six inches over that period of time, the Harvard and Rutgers scientists discovered that the sea actually only rose by about five inches. That’s a big overstatement — a two quadrillion gallon overstatement, in fact — enough to fill three billion Olympic-size swimming pools, the New York Times reported.

But here’s the thing. If the sea wasn’t rising as steadily as we believed from 1900 to 1990, that means that it has been rising much more quickly than we thought from 1990 to the present day. In other words, we used to think the rate of acceleration of sea level rise in the last 25 years was only a little worse compared to the past — now that we know the rate used to be much slower, we know that it’s much worse.

This chart shows as estimate of global sea level side from four different analyses, shown in red, blue, purple, and black. Shaded regions show uncertainty.

This chart shows as estimate of global sea level side from four different analyses, shown in red, blue, purple, and black. Shaded regions show uncertainty.

CREDIT: NATURE

“What this paper shows is that the sea-level acceleration over the past century has been greater than had been estimated by others,” lead writer Eric Morrow said in a statement. “It’s a larger problem than we initially thought.”

Specifically, previous research had stated the seas rose about two-thirds of an inch per decade between 1900 and 1990. But with the new study, that rate was recalculated to less than half an inch a decade. Both old and new research say that since 1990, the ocean has been rising at about 1.2 inches a decade, meaning the gap is much wider than previously thought.

Most scientists believe that the main driver of sea level rise is the thermal expansion of warming oceans and the melting of the world’s ice sheets and mountain glaciers, two phenomena driven by global warming. Antarctica, for example, is losing land ice at an accelerating rate. In December, scientists discovered that a West Antarctic ice sheet roughly the size of Texas is losing the amount of ice equivalent to Mount Everest every two years, representing a melt rate that has tripled over the last decade.

The common skeptic argument is that while Antarctica is losing land ice, it is actually gaining sea ice. While that’s true, sea ice melt does not affect sea level rise. It’s like an ice cube in a glass — if it melts, nothing happens. Up north in the Arctic, however, the loss of sea ice is just as important to look at, because when it melts, more sunlight is absorbed by the oceans. In Antarctica, sea ice melt is less of a problem for ocean warmth.

In addition, tropical glaciers in the Andes Mountains are melting, threatening freshwater supplies in South America. Some scientists have also predicted that the Greenland Ice Sheet — which covers about 80 percent of the massive country — is approaching a “tipping point” that could also have “huge implications” for global sea levels and ocean carbon dioxide absorption.

“We know the sea level is changing for a variety of reasons,” study co-author Carling Hay said. “There are ongoing effects due to the last ice age, heating and expansion of the ocean due to global warming, changes in ocean circulation, and present-day melting of land-ice, all of which result in unique patterns of sea-level change.”

All that may seem pretty grim, but there is a least one good thing to come out of the research — a new and hopefully more accurate method for measuring sea level rise. Before this study, scientists estimated global sea level by essentially dropping long yard sticks into different points of the ocean, and then averaging out the measurements to see if the ocean rose or fell.

For this study, Morrow and Hay attempted to use the data from how individual ice sheets contribute to global sea-level rise, and how ocean circulation is changing to inform their measurements. If the method proves to be better, it could serve to, as the New York Times put it, “increase scientists’ confidence that they understand precisely why the ocean is rising — and therefore shore up their ability to project future increases.”

NASA, NOAA find 2014 warmest year in modern record (Science Daily)

Date: January 16, 2015

Source: NASA

Summary: The year 2014 ranks as Earth’s warmest since 1880, according to two separate analyses by NASA and National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) scientists. The 10 warmest years in the instrumental record, with the exception of 1998, have now occurred since 2000. This trend continues a long-term warming of the planet, according to an analysis of surface temperature measurements.

This color-coded map displays global temperature anomaly data from 2014. Credit: NASA’s Goddard Space Flight Center

The year 2014 ranks as Earth’s warmest since 1880, according to two separate analyses by NASA and National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) scientists.

The 10 warmest years in the instrumental record, with the exception of 1998, have now occurred since 2000. This trend continues a long-term warming of the planet, according to an analysis of surface temperature measurements by scientists at NASA’s Goddard Institute of Space Studies (GISS) in New York.

In an independent analysis of the raw data, also released Friday, NOAA scientists also found 2014 to be the warmest on record.

“NASA is at the forefront of the scientific investigation of the dynamics of the Earth’s climate on a global scale,” said John Grunsfeld, associate administrator for the Science Mission Directorate at NASA Headquarters in Washington. “The observed long-term warming trend and the ranking of 2014 as the warmest year on record reinforces the importance for NASA to study Earth as a complete system, and particularly to understand the role and impacts of human activity.”

Since 1880, Earth’s average surface temperature has warmed by about 1.4 degrees Fahrenheit (0.8 degrees Celsius), a trend that is largely driven by the increase in carbon dioxide and other human emissions into the planet’s atmosphere. The majority of that warming has occurred in the past three decades.

“This is the latest in a series of warm years, in a series of warm decades. While the ranking of individual years can be affected by chaotic weather patterns, the long-term trends are attributable to drivers of climate change that right now are dominated by human emissions of greenhouse gases,” said GISS Director Gavin Schmidt.

While 2014 temperatures continue the planet’s long-term warming trend, scientists still expect to see year-to-year fluctuations in average global temperature caused by phenomena such as El Niño or La Niña. These phenomena warm or cool the tropical Pacific and are thought to have played a role in the flattening of the long-term warming trend over the past 15 years. However, 2014’s record warmth occurred during an El Niño-neutral year.

“NOAA provides decision makers with timely and trusted science-based information about our changing world,” said Richard Spinrad, NOAA chief scientist. “As we monitor changes in our climate, demand for the environmental intelligence NOAA provides is only growing. It’s critical that we continue to work with our partners, like NASA, to observe these changes and to provide the information communities need to build resiliency.”

Regional differences in temperature are more strongly affected by weather dynamics than the global mean. For example, in the U.S. in 2014, parts of the Midwest and East Coast were unusually cool, while Alaska and three western states — California, Arizona and Nevada — experienced their warmest year on record, according to NOAA.

The GISS analysis incorporates surface temperature measurements from 6,300 weather stations, ship- and buoy-based observations of sea surface temperatures, and temperature measurements from Antarctic research stations. This raw data is analyzed using an algorithm that takes into account the varied spacing of temperature stations around the globe and urban heating effects that could skew the calculation. The result is an estimate of the global average temperature difference from a baseline period of 1951 to 1980.

NOAA scientists used much of the same raw temperature data, but a different baseline period. They also employ their own methods to estimate global temperatures.

GISS is a NASA laboratory managed by the Earth Sciences Division of the agency’s Goddard Space Flight Center, in Greenbelt, Maryland. The laboratory is affiliated with Columbia University’s Earth Institute and School of Engineering and Applied Science in New York.

NASA monitors Earth’s vital signs from land, air and space with a fleet of satellites, as well as airborne and ground-based observation campaigns. NASA develops new ways to observe and study Earth’s interconnected natural systems with long-term data records and computer analysis tools to better see how our planet is changing. The agency shares this unique knowledge with the global community and works with institutions in the United States and around the world that contribute to understanding and protecting our home planet.

The data set of 2014 surface temperature measurements is available at:

http://data.giss.nasa.gov/gistemp/

The methodology used to make the temperature calculation is available at:

http://data.giss.nasa.gov/gistemp/sources_v3/

For more information about NASA’s Earth science activities, visit:

http://www.nasa.gov/earthrightnow

Post-earthquake living conditions in Haiti: Much-needed diagnosis (Science Daily)

Date: January 12, 2015

Source: Institut de Recherche pour le Développement (IRD)

Summary: The earthquake that rocked Haiti on 12 January 2010 was one of the four greatest killers recorded worldwide since 1990. It smacked headlong into the metropolitan area of Port-au-Prince, home to over one in five Haitians, destroying public buildings and housing as it went. Despite the immediate response from the international community, with rescue teams and pledges of  financial assistance and support for reconstruction and development, things are still far from back to normal.


The earthquake that rocked Haiti on 12 January 2010 was one of the four greatest killers recorded worldwide since 1990. It smacked headlong into the metropolitan area of Port-au-Prince, home to over one in five Haitians, destroying public buildings and housing as it went. Despite the immediate response from the international community, with rescue teams and pledges of financial assistance and support for reconstruction and development, things are still far from back to normal.

Haiti is one of the most vulnerable developing countries when it comes to natural disasters and the most exposed country in the region. The earthquake’s repercussions were much more dramatic here than in other countries hit by stronger earthquakes. For example, an earth-quake of the same magnitude hit Christchurch, New Zealand’s second-largest city, that same year with no fatalities. Other recurring factors in addition to the country’s vulnerability to natural shocks have contributed to Haiti’s economic deterioration, with chronic political and institutional instability and a poor education system top of the list.

Following the phase of emergency aid to earth-quake victims more than four years ago, the time has come to review and analyse its impacts on Haitian society. A robust, constructive diagnosis of the post-earthquake situation, especially household living conditions and the labour mar-ket, calls for high-quality representative statistical data that are hard to collect in crisis and post-crisis situations. Yet a diagnosis is needed if improvements are to be made on public em-ployment, housing and sustainable reconstruc-tion policies and to natural disaster management policies, including preventive measures. An as-sessment of this sort also needs to provide in-formation on the impact of aid, especially inter-national aid whose effectiveness has been ques-tioned. Such was the purpose of the Post-Earthquake Living Conditions Survey (ECVMAS) conducted in late 2012. The Haitian Statistics and Data Processing Institute (IHSI) worked with DIAL and the World Bank to sur-vey a sample of 5,000 households representative of the entire population. It was the first national socioeconomic survey to be taken since the earthquake.

2014: Putting The Hottest Year Ever in Perspective (Climate Nexus)

Last updated: January 16, 2015

Climate Change Connections and Why It Matters

Introduction

2014 was 0.69°C (1.24°F) above the 20th century average of 14.1°C, making it the hottest year on record since NOAA’s National Climatic Data Center began taking measurements in 1880. The record surpassed the previous hottest year record, shared by 2005 and 2010, by 0.04°C (0.07°F). As the Earth heats up, new temperature records are increasingly common, but 2014’s record-breaking global temperature—which represents the average of land and ocean surface temperatures—is especially remarkable given that 2014 saw little influence from El Niño warming and was an ENSO-neutral year. Here is some important context on how the 2014 temperature record reaffirms long-term, human-caused global warming trends; how recent warming is tied to extreme weather patterns; and how analysts use global temperature datasets to assess the state of the climate. Top points to note include:

Table of Contents

U.S. 2014 Temperature Trends

ENSO

Record Ocean Heat

U.S. Extreme Weather

Global Extreme Weather

Temperature Datasets

  • In 2014, the U.S. saw unprecedented levels of simultaneous extreme heat in the West and cooler than average temperatures in the East, with both trends linked to global warming.
  • 2014’s heat record is alarming in the absence of a full El Niño-Southern Oscillation (ENSO) and provides yet more evidence that that human-caused warming is now the dominant force driving changes in global temperature trends.
  • Global warming is not only on the rise but is fueling extreme weather and unprecedented patterns of extreme temperature anomalies.
  • Sea surface temperatures in particular are reaching record highs, driving extreme atmospheric patterns that cause heavy rainfall and floods in some countries and droughts in others.
  • Three of the four major groups that track combined ocean and land surface global temperatures—NOAA, NASA, and the JMA— have confirmed that 2014 was the hottest year on record, even with biases that underestimate warming in the ocean and Arctic.

Record Heat Supports Long-Term Warming Trend

Climate change linked to unusual temperature trends in the U.S.

2014 saw five new monthly heat records in the U.S. and was the 18th year in a row where the nationwide annual temperature average was hotter than usual. Though parts of the U.S. experienced cooler than average temperatures (a trend linked to global climate change), Alaska, Arizona, California, and Nevada each had their warmest year on record. Alarmingly, California’s annual average temperature was 2.3°C (4.1°F) above the 20th century average, shattering the old record of 1.3°C (2.3°F) by 1°C.

Average annual temperature in California and the U.S.

Source: NOAA, SFGate

Human-caused warming in 2014 trumped the ENSO signal.

February 1985 was the last month where global temperature fell below the 20th century monthly average, making December 2014 the 358th consecutive month where global land and ocean surface temperature was above average. Each of the last three decades has been much warmer than the decade before. In the 1990s, every year was warmer than the average of the previous decade, and the 2000s were warmer still. Now, according to NOAA, thirteen out of fifteen of the hottest years on record occurred since 2000, and the two exceptions (1997 and 1998) were strong El Niño years. In 2014, six out of 12 months tied or topped previous monthly global temperature records.

The combination of human-caused warming and year-to-year natural variation has generally determined which years set new temperature records. Prior to 2014, 2010 and 2005 tied for the hottest year on record, both of which were El Niño years. This makes sense because, in addition to long-term warming due to an increase in atmospheric greenhouse gases, the ENSO can bump global temperatures up or down for one to several years at a time. During El Niño events, some of the heat that gets stored in the oceans spreads out and gets released back into the atmosphere, causing large-scale atmospheric circulation changes and an increase in global temperature. La Niña periods, on the other hand, are characterized by cooler than average temperatures.

What makes 2014 especially remarkable is that it set a new global temperature record during an ENSO-neutral year. From January-February 2014, sea surface temperatures were mostly below average across the eastern equatorial Pacific. By the fall, temperatures were above average, leading to speculation about the onset of an El Niño event. Scientists in the U.S. have three criteria, each of which must be met to officially declare the start of an El Niño. Conditions in the fall of 2014 met the first two criteria (that monthly sea surface temperature anomalies exceed 0.5°C and last across several seasons), but not the final criterion (observance of an atmospheric response associated with more rain over the central Pacific and less rain over Indonesia).

Global annual average temperature anomalies (relative to the 1961-1990 average) for 1950-2013 based on an average of the three data sets from NASA, NOAA and the UK Met Office. Coloring indicates whether a year was classified as an El Niño year (red), an ENSO neutral year (grey) or a La Niña year (blue).

Source: Climate Central, WMO

This means 2014 was the hottest year on record without the added boost from a full-fledged El Niño event, and it will have been even warmer than recent years with moderate ENSO contributions (2010 and 2005). Moreover, this implies that the amount of warming due to human activity is enough to trump the natural year-to-year variation associated with the ENSO cycle. With NOAA holding there is a 50-60 percent chance of a noteworthy El Niño event developing in early 2015, there’s a good chance 2015 will be even hotter, making for two record-setting years in a row. What’s more, as more heat is pumped into the ocean, climate models project a doubling in the frequency of extreme El Niño events in the future.

Record ocean surface temperatures driving 2014’s heat demonstrate the ocean’s role as an important heat sink and are linked to unusual atmospheric patterns.

Global average sea surface temperature (which is a conservative and incomplete cross-section of the ocean) has shown an alarming trend in 2014. From May through November, each month set a new record for global sea surface temperature anomaly (or departure from average), with June also setting a new record for the highest departure from average for any month. The record was short-lived, however, as June’s temperatures were quickly surpassed first in August and then again in September. A study analyzing the record ocean surface warming in 2014 finds that unusually warm surface temperatures in the North Pacific were largely responsible. While it is still too soon to know for sure, this could indicate the start of a new trend where the massive amount of heat being absorbed by the ocean is making its way to the surface, and getting reflected in surface temperatures.

Oceanic warming is especially worrisome because it has broad and complex impacts on the global climate system. Most immediately, the ocean is connected to the atmosphere—the two systems work together to move heat and freshwater across latitudes to maintain a balanced climate. This is known as ocean-atmospheric coupling. Climate scientists are actively researching how changes in ocean and atmospheric heat content impact circulation patterns, in particular how changes in circulation affect the weather patterns that steer storms. For example, one recent analysis found that ocean warming might cause atmospheric precipitation bands to shift toward the poles, causing an increase in the intensity and frequency of extreme precipitation events at middle and high latitudes as well as a reduction in the same near the equator. Already, we are starting to experience patterns consistent with this kind of analysis.

The amount of heat accumulating in the ocean is vital for diagnosing the Earth’s energy imbalance. Studies estimate that over 90 percent of the heat reaching the Earth is absorbed by the ocean and that over the past several decades, global warming has caused an increase in the heat content of both the upper and deep oceans.

Recent observational data has indicated a slowing in the rate of ocean surface warming relative to other climate variables, which scientists have pinned to cool-surface La Niña episodes in the equatorial Pacific. However, it is important to remember that different regions of the ocean heat up differently, and global observational data often underreports changes in regions that are difficult to measure (such as around the poles or in the deep oceans). The deep oceans in particular are responsible for absorbing much of the excess heat. Deep ocean circulation patterns carry sun-warmed tropical waters into the higher latitudes where they sink and flow back towards the Equator, acting as a kind of buffer to climate change by slowing the rate of surface warming. In addition, research shows that three major ocean basins—the Equatorial Pacific, North Atlantic, and Southern Ocean—are important areas of ocean heat uptake and that observational data often fails to capture the full extent of actual warming in these regions. Despite the limitations associated with measuring changes in ocean heat content, however, we are still seeing record-breaking heat in the oceans.


Warmer World Linked To More Extreme Weather

Unusual jet stream patterns, linked to warming in the Arctic and warmer sea surface temperatures in the Pacific, drove extreme drought in the western U.S. and chills in the East.

Temperatures in the U.S. throughout 2014 were exceptional, marked by simultaneous record heat in the West and cooler than average temperatures in the East. While it may seem strange for global warming to sometimes be accompanied by colder winters, recent studies hold that warming in the Arctic and in the western Pacific Ocean has led to changes in the jet stream, which can result in volatile weather patterns and unusually persistent periods of extreme weather in the mid-northern latitudes. The avenues through which warming influences the jet stream represent a new and still emerging facet of climate science.

Throughout 2013 and 2014, the jet stream frequently dipped from the Arctic to the south, creating a persistent dipole—or two opposed atmospheric pressure systems—with the Western U.S. receiving warm, high-pressure air from the Pacific, and the Eastern U.S. receiving Arctic air carried by the sunken jet stream.

Arguably the most severe outgrowth of this recent trend in the U.S. has been the historic 2012-2014 California drought (which forecasters predict will continue into 2015). The state began 2014 with its lowest Sierra snowpack recording—12 percent—in more than 50 years of record keeping. In August, California set a new U.S. Drought Monitor record with 58.4 percent of the state in the worst drought category, known as “exceptional drought.” The dry conditions along the West Coast also fueled a severe wildfire season. On August 2, California Governor Jerry Brown declared a state of emergency due to the ongoing drought, fires and deteriorating air quality throughout the state. Meanwhile, Oregon and Washington topped the nation in total number of acres burned, with Washington experiencing its largest wildfire ever recorded.

The horizontal line marks the precipitation level of the 2000 – 2004 drought, the worst of the past 800 years up to 2012. Droughts of this intensity are predicted to be the new normal by 2030, and will be considered an outlier of extreme wetness by 2100

Source: Schwalm et al. 2012

By contrast, the Central and Eastern U.S. experienced unusually persistent cold temperatures throughout 2014. The winter of 2013-2014 was among the coldest on record for the Great Lakes, and Minnesota, Wisconsin, Michigan, Illinois, and Indiana each had winter temperatures that ranked among the ten coldest on record. Ice coverage over the Great Lakes peaked at 92.2 percent on March 6, the second highest measurement on record. The summer was also cooler than average for the region, which led into an unseasonably frigid fall.

Several U.S. locations experienced their coldest Novembers on record due to a procession of cold fronts tapping air from the Arctic. At the start, the Arctic outbreak was largely the product of the extra-tropical remnant of Typhoon Nuri from the Pacific. The system was the most powerful storm to ever move over the Bering Sea, gaining strength from warmer than average ocean and atmospheric conditions. Due to its strength, the storm caused the jet stream to sink southward bringing Arctic conditions to the United States. As a result, North America snow cover reached a record extent for mid-November—15.35 million square kilometers—crushing the old record from 1985 by over two million square kilometers. On November 16, temperatures were warmer in Alaska (significantly in some cases) than in many Central and Eastern U.S. states. Arctic temperatures ran up to 40 degrees above average (with Fairbanks, Alaska blowing away old temperature records by almost two degrees), while the Central and Eastern U.S. experienced record snowfall and temperatures up to 40 degrees below average.

The weather forecast across the United States from November 16 through November 20

Source: Thinkprogress; National Weather Service

Taken together, 2014 has witnessed a record-setting split in the U.S. between regions of simultaneous hot and cold temperatures. According to Scott Robeson, a climate scientist at Indiana University Bloomington, these hot and cold extremes are important. Robeson recently authored a studyon warm and cold anomalies in the northern hemisphere and found, “Average temperatures don’t tell us everything we need to know about climate change. Arguably, these cold extremes and warm extremes are the most important factors for human society.” Robeson notes that temperatures in the Northern Hemisphere are considerably more volatile than in the South, where there is less land mass to add complexity to weather systems. The extreme weather observed in 2014 in the U.S. has many layers of complexity, with ocean and Arctic temperatures influencing circulation patterns, and a growing body of scientificevidence suggests global warming may be the common denominator.

Internationally, 2014 saw record heat and drought in some countries, but cold spells and flooding in others. As in the U.S., many of these trends are associated with unusual ocean-atmospheric circulation patterns with likely connections to climate change.

Perturbations in the jet stream have wide ranging climate impacts that vary depending on geographical region. One recent analysis finds a connection between a wavy jet stream pattern—with greater dips from north to south—and increases in the probabilities of heat waves in western North America and central Asia; cold outbreaks in eastern North America; droughts in central North America, Europe and central Asia; and wet spells in western Asia.

Just as most of the weather in the western U.S. is below the jet stream and connected to the Pacific, most of the weather in Europe rides in under the jet stream from the Atlantic. While the jet stream has been unusually far north in the Pacific, bringing high temperatures and drought to the western U.S., the jet stream has been unusually far south across the Atlantic. As a result, the UK was hit by an exceptional run of winter storms and an intense polar vortex at the start of 2014, with rainfall amounts, storm intensities, wave heights, and other extreme weather trends at or near record levels. Related damages from December 23, 2013 – March 1, 2014 added up to $1.5 billion. Global warming has doubled the risk of extreme conditions, as warmer temperatures and melting ice in the Arctic cause the jet stream to push cold air southwards.

In January and February, an exceptional dry spell hit Southeast Asia, with the worst impacts—including water shortages, wildfires, crop failure, and increased incidence of infectious disease—felt in Singapore, Malaysia, Indonesia, and Thailand. Singapore suffered its longest dry spell on record between January 13 and February 8, which caused extensive damage to rice crops and fish stocks at several offshore farms. Dengue hotspots in Malaysia experienced a four-fold increase in infections to about 14,000 compared with the same period last year.

Continuous, heavy rainfall in May resulted in some of the worst flooding ever recorded in Southeast Europe, mainly Serbia, Bosnia and Herzegovina (BiH), and Croatia. Three months’ worth of rain fell in only three days, making it the heaviest rainfall in BiH since records began in 1894. On May 15, the Serbian Government declared a state of emergency for its entire territory. The storm caused $4.5 billion in damage.

May also saw the Eastern Pacific’s strongest May hurricane on record, Hurricane Amanda, which peaked as a top-end Category 4 hurricane with 155 mph winds. The impressive hurricane was linked to record sea surface temperatures, which measured 0.59°C above the 20th century average of 16.3°C, the highest temperature anomaly on record for May. In July in the Western Pacific, Typhoon Rammasun became the strongest typhoon to hit China’s Hainan Province in 21 years, surprising forecasters as it gained more strength than anticipated. Like Amanda, wind speeds topped out around 155 mph. The typhoon remained very strong as it made landfall, leading to extreme rainfall and flooding in China that caused $7.2 billion in damage. Global warming is expected to increase the rainfall from tropical cyclones.

In Australia, 2014 was the third hottest year on record (with 2013 being the hottest) and was characterized by frequent periods of abnormally warm weather that contributed to huge bushfires in Victoria and South Australia. According to Dr. Karl Braganza, manager of the Bureau of Meteorology’s climate monitoring section, Australia is seeing “reoccurring heat waves, long durations of heat but very little cold weather.” A report by Australia’s Climate Council finds that the frequency and severity of bushfires is getting worse in the southern state of New South Wales each year due to “record-breaking heat and hotter weather over the long term.”

Following the wettest January to August on record, the UK experienced its driest September since records began in 1910, receiving 19.4mm of rain, or 20 percent of the expected average. Monthly temperatures in the UK were also significantly above average. One recent study finds that human-caused global warming has increased the chances of extremely hot summers in parts of Europe tenfold. The UK Met Office is currently researching how jet stream variations and changes to atmospheric circulation may be increasing the risk of patterns that slow the movement of weather systems, allowing heat waves to develop and intensify.


Understanding the Global Surface Temperature Datasets

Three of the major global temperature datasets that combine both ocean and atmospheric temperatures have declared 2014 the hottest year on record.

The 10 warmest years on record according to the NOAA and NASA datasets.

Source: NOAANASA

The four most highly cited combined SST and land temperature datasets are NOAA’s MLOST, NASA’s GISTEMP, the UK’s HadCRUT, and the JMA’s CLIMAT. While HadCRUT has yet to confirm, NOAA, NASA and the JMA—using independent data and analysis—have decalred 2014 the hottest year on record. The Japanese Meteorological Agency (JMA) was one of the first agencies to report 2014’s heat record in a preliminary analysis and found that 2014’s global temperature was 0.63°C above average. NOAA’s data holds that 2014’s temperature was 0.69°C above average, and NASA that it was 0.68°C above average.

Satellites that measure temperatures in the lower atmosphere, or troposphere, did not rank 2014 as a record year, but the troposphere is only one region where excess heat gets stored.

Because satellite datasets measure the atmosphere, and not the climate system as a whole, it is inaccurate to compare satellite temperature averages with combined land and SST averages. Combined land and SST datasets are based on instrumental readings taken on site in the ocean and atmosphere, while satellite records focus on the troposphere and infer temperatures at various levels using measurements of radiance (the intensity of radiation passing through a point in a given direction). Both types of datasets improve our understanding of the rate at which the Earth is warming and how the climate system as a whole distributes heat. But because the two types of datasets vary in terms of their scope, it is perfectly possible for the atmospheric temperature average, as measured by satellites, not to set a new record, while the global combined land and SST average does.

This was the case in 2014. The two most widely cited satellite records are the University of Alabama in Huntsville (UAH) and the privately owned Remote Sensing Systems (RSS) datasets. According to the RSS data, 2014’s annual average temperature in the lower troposphere was the sixth warmest on record, or 0.26°C above the long-term average. The UAH data has not yet been confirmed, but will likely reaffirm the RSS finding. This is to be expected, however, in a year where record ocean heat was the dominant driver of observed warming.

Temperature analyses provide an important health gauge for the planet.

The instrumental temperature record—based on readings from ships and buoys that measure sea-surface temperature (SST) as well as land-based weather stations—has provided vital information about the Earth’s climate over the last century and beyond. To reconstruct global temperatures, each agency divides the Earth’s surface into latitude-longitude grid boxes that are used to integrate in situ (“on site”) temperature measurements from around the globe.

The three most highly cited combined SST and land temperature datasets are NOAA’s MLOST, NASA’s GISTEMP, and the UK’s HadCRUT. All three datasets report global average temperature as an anomaly, or departure from average, relative to a reference period. This is because absolute temperatures can vary (depending on factors like elevation), whereas anomalies allow for more meaningful comparisons between locations and accurate calculations of temperature trends. HadCRUT uses the most recent reference period to calculate anomalies, 1961-1990, followed by GISTEMP’s 1951-1980 period. MLOST, on the other hand, uses the 20th century, 1901-2000, as its reference period to establish a longer-term average.

Global Land and Ocean Temperature Anomalies, January-December

Source: NOAA

While the concept of these datasets is fairly simple, their construction is challenging due to difficulties in obtaining data; documenting and accounting for changes in instrumentation and observing practices; addressing changes in station location and local land use; understanding random measurement errors; and deciding where and how to fill in missing data in space and time. Each group has approached the above challenges somewhat differently. The final datasets differ in their spatial coverage, spatial resolution, starting year, and degree of interpolation (a method of constructing missing data points based on surrounding, discrete points). For this reason, NOAA, NASA, and UK Met Office global temperature anomalies vary subtly.

Global temperature data often underestimates the amount of warming due to coverage bias.

Analyzing temperature observations at a global scale often comes at the cost of not including important spatial detail. This challenge—known as coverage bias—is something all three of the major global temperature datasets struggle with and attempt to reconcile.

NOAA’s Merged Land-Ocean Surface Temperature Analysis (MLOST) uses land surface air temperatures taken from the Global Historical Climatology Network (GHCN) dataset and ocean temperatures from the Extended Reconstructed Sea Surface Temperature (ERSST) dataset, and combines these into a comprehensive global surface temperature dataset. The comprehensive dataset spans from 1880 to the present at monthly resolution on a 5×5 degree latitude-longitude grid. MLOST uses interpolation, but areas without enough data—mainly at the poles, over Africa, and at the center of the Atlantic and Pacific Oceans—are masked in the data analysis to prevent any overreliance on reconstructions that are based on too little data.

NASA Goddard’s Global Surface Temperature Analysis (GISTEMP) also uses GHCN data from 1880 to the present, but GISTEMP has some important differences from NOAA’s MLOST. While GISTEMP has a more focused spatial resolution, with a 2×2 grid, and better coverage at the poles due to the inclusion of data from Antarctic “READER” stations, it only provides data in terms of temperature anomalies. All three of the major global datasets report global temperatures as anomalies to make comparison and computation easier, but GISTEMP is unique in that it works solely with anomaly data from the outset. NOAA and HadCRUT have absolute temperature data from which they derive regional anomalies. As for HadCRUT, it is unique in that it incorporates many additional sources beyond GHCN and is the only global analysis that does not use interpolation. It also has more spatial coverage gaps than MLOST and GISTEMP and a tendency to significantly underreport warming, primarily due to a lack of temperature data at the Arctic, which is warming much fasterthan other regions.

“The Shining Sun,” DeviantArt user edsousa

Seca em São Paulo – 16 de janeiro de 2015

Chuvas devem continuar abaixo da média em 2015, diz Cemaden (G1)

Ano deve ser influenciado por eventos extremos de 2014, diz especialista

Se o ano passado foi um período de condições climáticas extremas no Brasil, entre elas a seca em diversas regiões, a situação em 2015 pode piorar. Esta é a avaliação feita pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em Cachoeira Paulista (SP), que já prevê chuvas abaixo da média novamente.

De acordo com o meteorologista do Cemaden, Marcelo Seluchi, neste verão choveu pouco mais da metade do normal para o período. O órgão é uma das extensões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para estudos e alertas de desastres naturais. “Comparado com o ano passado, a situação de 2015 pode piorar nas metrópoles em várias regiões do Brasil e no Vale do Paraíba”, afirma.

Leia mais: http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2015/01/chuvas-devem-continuar-abaixo-da-media-em-2015-diz-cemaden.html

(Portal G1)

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Cantareira pode secar em julho, prevê centro de monitoramento (O Globo)

Governador Alckmin diz que foi mal interpretado ao falar sobre racionamento

O Sistema Cantareira, responsável por abastecer 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, pode secar em julho, caso o consumo de água na Região Metropolitana continue o mesmo e a chuva mantenha o ritmo observado nos últimos meses. A projeção foi feita pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Leia mais: http://oglobo.globo.com/brasil/cantareira-pode-secar-em-julho-preve-centro-de-monitoramento-15066400

(O Globo)

Mais informações sobre o assunto: Presidente da Cedae prevê uso inédito do volume morto de Paraibuna ainda este semestre – http://oglobo.globo.com/rio/presidente-da-cedae-preve-uso-inedito-do-volume-morto-de-paraibuna-ainda-este-semestre-15066522

(O Globo)

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Combinação de seca e calor extremo agrava crise do Cantareira (Estadão)

Dados oficiais mostram que nos primeiros 15 dias do ano o sistema recebeu 35% menos água do que a média de janeiro passado, enquanto as temperaturas máximas na capital batem recordes

Apontada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) como a causa da crise hídrica paulista no início de 2014, a combinação de seca severa nos mananciais e calor extremo na capital está ainda mais crítica em 2015. Dados oficiais mostram que nos primeiros 15 dias do ano o Sistema Cantareira recebeu 35% menos água do que a média de janeiro passado, enquanto as temperaturas máximas na cidade estão batendo o recorde registrado no mesmo período do ano anterior.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,combinacao-de-seca-e-calor-extremo-agrava-crise-do-cantareira,1620492

(Fabio Leite/O Estado de S. Paulo)

Mais informações sobre o assunto: Na Folha de S.Paulo – Cantareira tem ainda menos chuva em 2015 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/204210-cantareira-tem-ainda-menos-chuva-em-2015.shtml)

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Nível de oceanos subiu em ritmo 30% maior do que se previa (Folha de S.Paulo)

Novo estudo indica que nível do mar subiu apenas 1,2 mm entre 1900 e 1990; avaliações antigas diziam que elevação foi de 1,8mm

Do início do século 20 até a década passada, o nível dos oceanos subiu em ritmo 30% maior do que se imaginava, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard (Estados Unidos).

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,nivel-de-oceanos-subiu-em-ritmo-30-maior-do-que-se-previa,1620001

(Fábio de Castro – O Estado de S. Paulo)

Mais informações sobre o assunto: 

O Globo – Nível dos mares tem aumentado mais rápido (http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/nivel-dos-mares-tem-aumentado-mais-rapido-15054794)

Pope Francis Says No to Fracking (Eco Watch)

 | January 12, 2015 9:07 am

We’ve been busy lately providing news on all the great ways Pope Francis is working to create a healthy, sustainable planet. In July 2014, Pope Francis called destruction of nature a modern sin. In November 2014, Pope Francis said “unbridled consumerism” is destroying our planetand we are “stewards, not masters” of the Earth. In December 2014, he said he will increase his call this year to address climate change. And, last week we announced that Pope Francis is opening his Vatican farm to the public.

Now, we learn from Nicolás Fedor Sulcic that Pope Francis is supportive of the anti-fracking movement. Watch this interview by Fernando Solanas where he met with Pope Francis soon after finishing a film about fracking in Argentina.

The movie, La Guerra del Fracking or The Fracking War, was banned in cinemas by the Argentinian government, so the filmmakers decided to post it on YouTube. We are awaiting translation of the film and then we’ll feature it on EcoWatch.

“When I was doing research for the film, every time I’d ask someone if they knew what fracking was they had no idea,” said Sulcic. The problem was that “the government didn’t call it fracking, they called it ‘non conventional gas’ so no one was making the link to what was happening in Argentina to what was happening America. I got really mad and knew something had to be done to make people aware of what was going on. I saw the website Artist Against Fracking and felt that was a very good example of what was needed to be done here to take the cause to more people rather than just environmental activists.”

With support by Peace Nobel prize Adolfo Perez Esquivel, Oscar winning Juan Jose Campanella and other very well known Argentinian intellectuals and social leaders, a website was launched to help raise awareness about the dangers of fracking Argentina.

Eliane Brum: Antiautoajuda para 2015 (El Pais)

Em defesa do mal-estar para nos salvar de uma vida morta e de um planeta hostil. Chega de viver no modo avião

 

22 DIC 2014 – 10:54 BRST

Não tenho certeza se esse ano vai acabar. Tenho uma convicção crescente de que os anos não acabam mais. Não há mais aquela zona de transição e a troca de calendário, assim como de agendas, é só mais uma convenção que, se é que um dia teve sentido, reencena-se agora apenas como gesto esvaziado. Menos a celebração de uma vida que se repactua, individual e coletivamente, mais como farsa. E talvez, pelo menos no Brasil, poderíamos já afirmar que 2013 começou em junho e não em janeiro, junto com as manifestações, e continua até hoje. Mas esse é um tema para outra coluna, ainda por ser escrita. O que me interessa aqui é que nossos rituais de fim e começo giram cada vez mais em falso, e não apenas porque há muito foram apropriados pelo mercado. Há algo maior, menos fácil de perceber, mas nem por isso menos dolorosamente presente. Algo que pressentimos, mas temos dificuldade de nomear. Algo que nos assusta, ou pelo menos assusta a muitos. E, por nos assustar, em vez de nos despertar, anestesia. Talvez para uma época de anos que, de tão acelerados, não terminam mais, o mais indicado seja não resoluções de ano-novo nem manuais sobre ser feliz ou bem sucedido, mas antiautoajuda.

Quando as pessoas dizem que se sentem mal, que é cada vez mais difícil levantar da cama pela manhã, que passam o dia com raiva ou com vontade de chorar, que sofrem com ansiedade e que à noite têm dificuldade para dormir, não me parece que essas pessoas estão doentes ou expressam qualquer tipo de anomalia. Ao contrário. Neste mundo, sentir-se mal pode ser um sinal claro de excelente saúde mental. Quem está feliz e saltitante como um carneiro de desenho animado é que talvez tenha sérios problemas. É com estes que deveria soar uma sirene e por estes que os psiquiatras maníacos por medicação deveriam se mobilizar, disparando não pílulas, mas joelhaços como os do Analista de Bagé, do tipo “acorda e se liga”. É preciso se desconectar totalmente da realidade para não ser afetado por esse mundo que ajudamos a criar e que nos violenta. Não acho que os felizes e saltitantes sejam mais reais do que o Papai Noel e todas as suas renas, mas, se existissem, seriam estes os alienados mentais do nosso tempo.

Olho ao redor e não todos, mas quase, usam algum tipo de medicamento psíquico. Para dormir, para acordar, para ficar menos ansioso, para chorar menos, para conseguir trabalhar, para ser “produtivo”. “Para dar conta” é uma expressão usual. Mas será que temos de dar conta do que não é possível dar conta? Será que somos obrigados a nos submeter a uma vida que vaza e a uma lógica que nos coisifica porque nos deixamos coisificar? Será que não dar conta é justamente o que precisa ser escutado, é nossa porção ainda viva gritando que algo está muito errado no nosso cotidiano de zumbi? E que é preciso romper e não se adequar a um tempo cada vez mais acelerado e a uma vida não humana, pela qual nos arrastamos com nossos olhos mortos, consumindo pílulas de regulação do humor e engolindo diagnósticos de patologias cada vez mais mirabolantes? E consumindo e engolindo produtos e imagens, produtos e imagens, produtos e imagens?

Neste mundo, sentir-se mal é sinônimo de excelente saúde mental

A resposta não está dada. Se estivesse, não seria uma resposta, mas um dogma. Mas, se a resposta é uma construção de cada um, talvez nesse momento seja também uma construção coletiva, na medida em que parece ser um fenômeno de massa. Ou, para os que medem tudo pela inscrição na saúde, uma das marcas da nossa época, estaríamos diante de uma pandemia de mal-estar. Quero aqui defender o mal-estar. Não como se ele fosse um vírus, um alienígena, um algo que não deveria estar ali, e portanto tornar-se-ia imperativo silenciá-lo. Defendo o mal-estar – o seu, o meu, o nosso – como aquilo que desde as cavernas nos mantém vivos e fez do homo sapiens uma espécie altamente adaptada – ainda que destrutiva e, nos últimos séculos, também autodestrutiva. É o mal-estar que nos diz que algo está errado e é preciso se mover. Não como um gesto fácil, um preceito de autoajuda, mas como uma troca de posição, o que custa, demora e exige os nossos melhores esforços. Exige que, pela manhã, a gente não apenas acorde, mas desperte.

Anos atrás eu escreveria, como escrevi algumas vezes, que o mal-estar desta época, que me parece diferente do mal-estar de outras épocas históricas, se dá por várias razões relacionadas à modernidade e a suas criações concretas e simbólicas. Se dá inclusive por suas ilusões de potência e fantasias de superação de limites. Mas em especial pela nossa redução de pessoas a consumidores, pela subjugação de nossos corpos – e almas – ao mercado e pela danação de viver num tempo acelerado.

Sobre essa particularidade, a psicanalista Maria Rita Kehl escreveu um livro muito interessante, chamado O Tempo e o Cão (Boitempo), em que reflete de forma original sobre o que as depressões expressam sobre o nosso mundo também como sintoma social. Logo no início, ela conta a experiência pessoal de atropelar um cachorro na estrada – e a experiência aqui não é uma escolha aleatória de palavra. Kehl viu o cachorro, mas a velocidade em que estava a impedia de parar ou desviar completamente dele. Conseguiu apenas não matá-lo. Logo, o animal, cambaleando rumo ao acostamento, ficou para trás no espelho retrovisor. É isso o que acontece com as nossas experiências na velocidade ditada por essa época em que o tempo foi rebaixado a dinheiro – uma brutalidade que permitimos, reproduzimos e com a qual compactuamos sem perceber o quanto de morte há nessa conversão.

Defendo o mal-estar como aquilo que nos mantém vivos desde as cavernas

Sobre a aceleração, diz a psicanalista: “Mal nos damos conta dela, a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida psíquica. (…) Seu esquecimento (do cão) se somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas às quais nos limitamos a reagir rapidamente para em seguida, com igual rapidez, esquecê-las. (…) Do mau encontro, que poderia ter acabado com a vida daquele cão, resultou uma ligeira mancha escura no meu para-choque. (…) O acidente da estrada me fez refletir a respeito da relação entre as depressões e a experiência do tempo, que na contemporaneidade praticamente se resume à experiência da velocidade”. O que acontece com as manchas escuras, com o sangue deixado para trás, dentro e fora de nós? Não são elas que nos assombram nas noites em que ofegamos antes de engolir um comprimido? Como viver humanamente num tempo não humano? E como aceitamos ser submetidos à bestialidade de uma vida não viva?

Hoje me parece que algo novo se impõe, intimamente relacionado a tudo isso, mas que empresta uma concretude esmagadora e um sentido de urgência exponencial a todas as questões da existência. E, apenas nesse sentido, algo fascinante. A mudança climática, um fato ainda muito mais explícito na mente de cientistas e ambientalistas do que da sociedade em geral é esse algo. A evidência de que aquele que possivelmente seja o maior desafio de toda a história humana ainda não tenha se tornado a preocupação maior do que se chama de “cidadão comum” é não uma mostra de sua insignificância na vida cotidiana, mas uma prova de sua enormidade na vida cotidiana. É tão grande que nos tornamos cegos e surdos.

Como nos submetemos a viver num tempo acelerado e não humano?

Em uma entrevista recente, aqui publicada como “Diálogos sobre o fim do mundo”, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro evoca o pensador alemão Günther Anders (1902-1992) para explicar essa alienação. Anders afirmava que a arma nuclear era uma prova de que algo tinha acontecido com a humanidade no momento em que se mostrou incapaz de imaginar os efeitos daquilo que se tornou capaz de fazer. Reproduzo aqui esse trecho da entrevista: “É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas, dá uma espécie de paralisia cognitiva”.

O fato de se alienar – ou, como fazem alguns, chamar aqueles que apontam para o óbvio de “ecochatos”, a piada ruim e agora também velha – nem impede a corrosão acelerada do planeta nem a corrosão acelerada da vida cotidiana e interna de cada um. O que quero dizer é que, como todos os nossos gritos existenciais, o fato de negá-los não impede que façam estragos dentro de nós. Acredito que o mal-estar atual – talvez um novo mal-estar da civilização – é hoje visceralmente ligado ao que acontece com o planeta. E que nenhuma investigação da alma humana desse momento histórico, em qualquer campo do conhecimento, possa prescindir de analisar o impacto da mudança climática em curso.

De certo modo, na acepção popular do termo “clima”, referindo-se ao estado de espírito de um grupo ou pessoa, há também uma “mudança climática”. Mesmo que a maioria não consiga nomear o mal-estar, desconfio que a fera sem nome abra seus olhos dentro de nós nas noites escuras, como o restante dos pesadelos que só temos quando acordados. Há esse bicho que ainda nos habita que pressente, mesmo que tenha medo de sentir no nível mais consciente e siga empurrando o que o apavora para dentro, num esforço quase comovente por ignorância e anestesia. E a maior prova, de novo, é a enormidade da negação, inclusive pelo doping por drogas compradas em farmácias e “autorizadas” pelo médico, a grande autoridade desse curioso momento em que o que é doença está invertido.

O novo mal-estar da civilização está hoje ligado à mudança climática

São Paulo é, no Brasil, a vitrine mais impressionante dessa monumental alienação. A maior cidade do país vem se tornando há anos, décadas, um cenário de distopia em que as pessoas evoluem lentamente entre carros e poluição, encurraladas e cada vez mais violentas nos mínimos atos do dia a dia. No último ano, a seca e a crise da água acentuaram e aceleraram a corrosão da vida, mas nem por isso a mudança climática e todas as questões socioambientais relacionadas a ela tiveram qualquer impacto ou a mínima relevância na eleição estadual e principalmente na eleição presidencial. Nada. A maioria, incluindo os governantes, sequer parece perceber que a catástrofe paulista, que atinge a capital e várias cidades do interior, é ligada também à devastação da Amazônia. O tal “mundo como o conhecemos” ruindo e os zumbis evolucionando por ruas incompatíveis com a vida sem qualquer espanto. Nem por isso, ouso acreditar, deixam sequer por um momento de ser roídos por dentro pela exterioridade de sua condição. A vida ainda resiste dentro de nós, mesmo na Zumbilândia. E é o mal-estar que acusa o que resta de humano em nossos corpos.

É de um cientista, Antonio Nobre, um texto fundamental. Ler “O futuro climático da Amazônia” não é uma opção. Faça um favor a si mesmo e reserve uma hora ou duas do seu dia, o tempo de um filme, entre na internet e leia as 40 páginas escritas numa linguagem acessível, que faz pontes com vários campos do conhecimento. Há trechos de grande beleza sobre a maior floresta tropical do planeta, território concreto e simbólico sobre o qual o senso comum, no Brasil alimentado pela propaganda da ditadura civil-militar, construiu uma ideia de exploração e de nacionalismos que só vigora até hoje por total desconhecimento. É também por ignorância nossa que o atual governo, reeleito para mais um mandato, comanda na Amazônia seu projeto megalômano de grandes hidrelétricas com escassa resistência. E causa, agora, neste momento, um desastre ambiental de proporções não mensuradas em vários rios amazônicos e o etnocídio dos povos indígenas da bacia do Xingu.

A Amazônia sobreviveu por 50 milhões de anos a meteoros e glaciações, mas em menos de 50 anos está ameaçada por ação humana

Antonio Nobre mostra como uma floresta com um papel – insubstituível – na regulação do clima do Brasil e do planeta teve, nos últimos 40 anos, 762.979 quilômetros quadrados desmatados: o equivalente a três estados de São Paulo ou duas Alemanhas. Ou o equivalente a mais de 12 mil campos de futebol desmatados por dia, mais de 500 por hora, quase nove por minuto. Somando-se a área de desmatamento corte raso com a área degradada, alcançamos a estimativa aterradora de que, até 2013, 47% da floresta amazônica pode ter sido impactada diretamente por atividade humana desestabilizadora do clima. “A floresta sobreviveu por mais de 50 milhões de anos a vulcanismos, glaciações, meteoros, deriva do continente”, escreve Nobre. “Mas em menos de 50 anos está ameaçada pela ação de humanos.” A Amazônia dá forma ao momento da História em que a humanidade deixa de temer a catástrofe para se tornar a catástrofe.

Como é possível que isso aconteça bem aqui, agora, e tão poucos se importem? Se não despertarmos do nosso torpor assustado, nossos filhos e netos poderão viver e morrer não com a Amazônia transformada em savana, mas sim em deserto, com gigantesco impacto sobre o clima do planeta e a vida de todas as espécies. Para se ter uma ideia da magnitude do que estamos fazendo, por ação ou por omissão, por alienação, anestesia ou automatismo, alguns dados. Uma árvore grande transpira mais de mil litros de água por dia. A cada 24 horas a floresta amazônica lança na atmosfera, pela transpiração, 20 bilhões de toneladas de água – ou 20 trilhões de litros de água. Para se ter uma ideia comparativa, o rio Amazonas lança menos que isso – cerca de 17 bilhões de toneladas de água por dia– no oceano Atlântico. Não é preciso ser um cientista para imaginar o que acontecerá com o planeta sem a floresta.

Nobre defende que já não basta zerar o desmatamento. Alcançamos um nível de destruição em que é preciso regenerar a Amazônia. A floresta não é o “pulmão do mundo”, ela é muito mais do que isso: é o seu coração. Não como uma frase ultrapassada e clichê, mas como um fato científico. É o mundo e não só o Brasil que precisa se engajar nessa luta: o cientista defende que, se não quisermos alcançar o ponto de não retorno, deveríamos empreender – já, agora – um esforço de guerra: começando por uma guerra contra a ignorância. Fazer uma campanha tão forte e eficaz como aquela contra o tabaco. Isso, claro, se quisermos continuar a viver.

Se não quisermos alcançar um ponto de não retorno, é preciso deixar de viver no modo avião

Nessa época de tanta conexão, em que a maioria passa quase todo o tempo de vigília conectado na internet, há essa desconexão mortífera com a realidade do planeta – e de si. Como cidadão, a maioria no máximo recicla o seu lixo, achando que está fazendo um enorme esforço, mas não se informa nem participa dos debates e das decisões sobre as questões do clima, da Amazônia e do meio ambiente. Neste e em vários sentidos, é como existir no “modo avião” do celular. Um estar pela metade, o suficiente apenas para cumprir o mínimo e não se desligar por completo. Um contato sem contato, um toque que não toca nem se deixa tocar. Um viver sem vida.

É preciso sentir o mal-estar. Sentir mesmo – e não silenciá-lo das mais variadas maneiras, inclusive com medicação. Ou, como diz a pensadora americana Donna Haraway: “É preciso viver com terror e alegria”.

Só o mal-estar pode nos salvar.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

Em plena crise hídrica, Cobra Coral pode deixar o Brasil (Terra Brasil)

05 de janeiro de 2015 • 15h46 • atualizado às 17h05

Entidade exotérica que controlaria chuvas por meio de uma médium, que diz incorporar espírito do Cacique Cobra Coral, estuda proposta para trabalho exclusivo na Austrália

André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro
Imagem de divulgação do site da Fundação Cacique Cobra Coral: anos de “consultoria” para suposto controle de chuvas e tempestades Foto: Divulgação

Em tempos de crise hídrica, em que se discute possibilidades de racionamento de água em função da falta de chuvas em reservatórios do sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, a Fundação Cacique Cobra Coral pode deixar o Brasil e ir trabalhar, literalmente, do outro lado do mundo.

Conhecida entidade exotérica que supostamente controla as incertezas meteorológicas mediante a médium Adelaide Scritori, que incorpora o espírito do cacique, a FCCC estuda uma proposta de um grupo do agronegócio da Austrália para um contrato exclusivo de controle de tempestades no país da Oceania.

“Eles querem uma maior atenção por lá”, confirmou o porta-voz da FCCC, Osmar Santos, que diz que a entidade atende 17 países de três continentes – no Brasil, os principais clientes são a prefeitura e governo do Rio de Janeiro, além do ministério das Minas e Energia, cujo contrato, de acordo com Santos, está vencido.

A Cacique Cobra Coral já foi motivo de diversas polêmicas, principalmente na capital fluminense – o ex-prefeito César Maia tinha exposto em sua sala de almoço um quadro do cacique, com quem sempre manteve contratos sem nenhum tipo de pagamento. Quando deixou o cargo, Maia se disse temeroso pelo não prosseguimento da “consultoria espiritual”.

Coincidentemente ou não, após as fortes chuvas que arrasaram o Rio de Janeiro em 2010, o contrato foi retomado e segue até hoje, após uma pequena interrupção em 2012. Temeroso com chuvas fortes que pudessem comprometer as apresentações das bandas, o Rock in Rio também já usufruiu dos trabalhos do cacique.

O porta-voz do FCCC afirma que ainda não é certo que a entidade exotérica dará exclusividade aos australianos. “Vamos viajar para lá na segunda quinzena deste mês e avaliar todos os pontos do contrato”, explica, sem poder revelar valores, ou mesmo detalhes do possível acordo de exclusividade. “Claro que tudo isso só vai ser acertado com o aval do cacique”, esclarece ainda, finalizando que o anúncio oficial sairá apenas após o Carnaval.

Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz cientista (Rolling Stone)

Edição 14 – Novembro de 2007

James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século
por POR JEFF GOODELL

Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. “Gostaria de ser mais esperançoso”, ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo animado. “Será uma época sombria”, reconhece. “Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante.”

Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius – quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. “Nosso futuro”, Lovelock escreveu, “é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane”. E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. “Verde”, ele me diz, só meio de piada, “é a cor do mofo e da corrupção.”

Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia – a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está “vivo”. Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”. Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. “Jim é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado”, diz Branson. E completa: “Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção.”

Lovelock sabe que prever o fim da civilização não é uma ciência exata. “Posso estar errado a respeito de tudo isso”, ele admite. “O problema é que todos os cientistas bem intencionados que argumentam que não estamos sujeitos a nenhum perigo iminente baseiam suas previsões em modelos de computador. Eu me baseio no que realmente está acontecendo.”

Quando você se aproxima da casa de Lovelock em Devon, uma área rural no sudoeste da Inglaterra, a placa no portão de metal diz, claramente: “Estação Experimental de Coombe Mill. Local de um novo hábitat. Por favor, não entre nem incomode”.
Depois de percorrer algumas centenas de metros em uma alameda estreita, ao lado de um moinho antigo, fica uma casinha branca com telhado de ardósia onde Lovelock mora com a segunda mulher, Sandy, uma norte-americana, e seu filho mais novo, John, de 51 anos e que tem incapacidade leve. É um cenário digno de conto de fadas, cercado de 14 hectares de bosques, sem hortas nem jardins com planejamento paisagístico. Parcialmente escondida no bosque fica uma estátua em tamanho natural de Gaia, a deusa grega da Terra, em homenagem à qual James Lovelock batizou sua teoria inovadora.

A maior parte dos cientistas trabalha às margens do conhecimento humano, adicionando, aos poucos, nova informações para a nossa compreensão do mundo. Lovelock é um dos poucos cujas idéias fomentaram, além da revolução científica, também a espiritual. “Os futuros historiadores da ciência considerarão Lovelock como o homem que inspirou uma mudança digna de Copérnico na maneira como nos enxergamos no mundo”, prevê Tim Lenton, pesquisador de clima na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno do Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears.

Na década de 1970, Lovelock virou essa idéia de cabeça para baixo com uma simples pergunta: Por que a Terra é diferente de Marte e de Vênus, onde a atmosfera é tóxica para a vida? Em um arroubo de inspiração, ele compreendeu que nossa atmosfera não foi criada por eventos geológicos aleatórios, mas sim devido à efusão de tudo que já respirou, cresceu e apodreceu. Nosso ar “não é meramente um produto biológico”, James Lovelock escreveu. “É mais provável que seja uma construção biológica: uma extensão de um sistema vivo feito para manter um ambiente específico.” De acordo com a teoria de Gaia, a vida é participante ativa que ajuda a criar exatamente as condições que a sustentam. É uma bela idéia: a vida que sustenta a vida. Também estava bem em sintonia com o tom pós-hippie dos anos 70. Lovelock foi rapidamente adotado como guru espiritual, o homem que matou Deus e colocou o planeta no centro da experiência religiosa da Nova Era. O maior erro de sua carreira, aliás, não foi afirmar que o céu estava caindo, mas deixar de perceber que estava. Em 1973, depois de ser o primeiro a descobrir que os clorofluocarbonetos (CFCs), um produto químico industrial, tinham poluído a atmosfera, Lovelock declarou que a acumulação de CFCs “não apresentava perigo concebível”. De fato, os CFCs não eram tóxicos para a respiração, mas estavam abrindo um buraco na camada de ozônio. Lovelock rapidamente revisou sua opinião, chamando aquilo de “uma das minhas maiores bolas fora”, mas o erro pode ter lhe custado um prêmio Nobel.

No início, ele também não considerou o aquecimento global como uma ameaça urgente ao planeta. “Gaia é uma vagabunda durona”, ele explica com freqüência, tomando emprestada uma frase cunhada por um colega. Mas, há alguns anos, preocupado com o derretimento acelerado do gelo no Ártico e com outras mudanças relacionadas ao clima, ele se convenceu de que o sistema de piloto automático de Gaia está seriamente desregulado, tirado dos trilhos pela poluição e pelo desmatamento. Lovelock acredita que o planeta vai recuperar seu equilíbrio sozinho, mesmo que demore milhões de anos. Mas o que realmente está em risco é a civilização. “É bem possível considerar seriamente as mudanças climáticas como uma resposta do sistema que tem como objetivo se livrar de uma espécie irritante: nós, os seres humanos”, Lovelock me diz no pequeno escritório que montou em sua casa. “Ou pelo menos fazer com que diminua de tamanho.”

Se você digitar “gaia” e “religion” no Google, vai obter 2,36 milhões de páginas – praticantes de wicca, viajantes espirituais, massagistas e curandeiros sexuais, todos inspirados pela visão de Lovelock a respeito do planeta. Mas se você perguntar a ele sobre cultos pagãos, ele responde com uma careta: não tem interesse na espiritualidade desmiolada nem na religião organizada, principalmente quando coloca a existência humana acima de tudo o mais. Em Oxford, certa vez ele se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e “deixasse que Deus tomasse conta da Terra”. Como Lovelock explicou a ela, “se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar”.
Gaia oferece uma visão cheia de esperança a respeito de como o mundo funciona. Afinal de contas, se a Terra é mais do que uma simples pedra que gira ao redor do sol, se é um superorganismo que pode evoluir, isso significa que existe certa quantidade de perdão embutida em nosso mundo – e essa é uma conclusão que vai irritar profundamente estudiosos de biologia e neodarwinistas de absolutamente todas as origens.

Para Lovelock, essa é uma idéia reconfortante. Considere a pequena propriedade que ele tem em Devon. Quando ele comprou o terreno, há 30 anos, era rodeada por campos aparados por mil anos de ovelhas pastando. E ele se empenhou em devolver a seus 14 hectares um caráter mais próximo do natural. Depois de consultar um engenheiro florestal, plantou 20 mil árvores – amieiros, carvalhos, pinheiros. Infelizmente, plantou muitas delas próximas demais, e em fileiras. Agora, as árvores estão com cerca de 12 metros de altura, mas em vez de ter ar “natural”, partes do terreno dele parecem simplesmente um projeto de reflorestamento mal executado. “Meti os pés pelas mãos”, Lovelock diz com um sorriso enquanto caminhamos no bosque. “Mas, com o passar dos anos, Gaia vai dar um jeito.”

Até pouco tempo atrás, Lovelock achava que o aquecimento global seria como sua floresta meia-boca – algo que o planeta seria capaz de corrigir. Então, em 2004, Richard Betts, amigo de Lovelock e pesquisador no Centro Hadley para as Mudanças Climáticas – o principal instituto climático da Inglaterra -, convidou-o para dar uma passada lá e bater um papo com os cientistas. Lovelock fez reunião atrás de reunião, ouvindo os dados mais recentes a respeito do gelo derretido nos pólos, das florestas tropicais cada vez menores, do ciclo de carbono nos oceanos. “Foi apavorante”, conta.

“Mostraram para nós cinco cenas separadas de respostas positivas em climas regionais – polar, glacial, floresta boreal, floresta tropical e oceanos -, mas parecia que ninguém estava trabalhando nas conseqüências relativas ao planeta como um todo.” Segundo ele, o tom usado pelos cientistas para falar das mudanças que testemunharam foi igualmente de arrepiar: “Parecia que estavam discutindo algum planeta distante ou um universo-modelo, em vez do lugar em que todos nós, a humanidade, vivemos”.

Quando Lovelock estava voltando para casa em seu carro naquela noite, a compreensão lhe veio. A capacidade de adaptação do sistema se perdera. O perdão fora exaurido. “O sistema todo”, concluiu, “está em modo de falha.” Algumas semanas depois, ele começou a trabalhar em seu livro mais pessimista, A Vingança de Gaia, publicado no Brasil em 2006. Na sua visão, as falhas nos modelos climáticos computadorizados são dolorosamente aparentes. Tome como exemplo a incerteza relativa à projeção do nível do mar: o IPCC, o painel da ONU sobre mudanças climáticas, estima que o aquecimento global vá fazer com que a temperatura média da Terra aumente até 6,4 graus Celsius até 2100. Isso fará com que geleiras em terra firme derretam e que o mar se expanda, dando lugar à elevação máxima do nível de mar de apenas pouco menos de 60 centímetros. A Groenlândia, de acordo com os modelos do IPCC, demorará mil anos para derreter.

Mas evidências do mundo real sugerem que as estimativas do IPCC são conservadoras demais. Para começo de conversa, os cientistas sabem, devido aos registros geológicos, que há 3 milhões de anos, quando as temperaturas subiram cinco graus acima dos níveis atuais, os mares subiram não 60 centímetros, mas 24 metros. Além do mais, medidas feitas por satélite recentemente indicam que o Ártico está derretendo com tanta rapidez que a região pode ficar totalmente sem gelo até 2030. “Quem elabora os modelos não tem a menor noção sobre derretimento de placas de gelo”, desdenha o estudioso, sem sorrir.

Mas não é apenas o gelo que invalida os modelos climáticos. Sabe-se que é difícil prever corretamente a física das nuvens, e fatores da biosfera, como o desmatamento e o derretimento da Tundra, raramente são levados em conta. “Os modelos de computador não são bolas de cristal”, argumenta Ken Caldeira, que elabora modelos climáticos na Universidade de Stanford, cuja carreira foi profundamente influenciada pelas idéias de Lovelock. “Ao observar o passado, fazemos estimativas bem informadas em relação ao futuro. Os modelos de computador são apenas uma maneira de codificar esse conhecimento acumulado em apostas automatizadas e bem informadas.”

Aqui, em sua essência supersimplificada, está o cenário pessimista de Lovelock: o aumento da temperatura significa que mais gelo derreterá nos pólos, e isso significa mais água e terra. Isso, por sua vez, faz aumentar o calor (o gelo reflete o sol, a terra e a água o absorvem), fazendo com que mais gelo derreta. O nível do mar sobe. Mais calor faz com que a intensidade das chuvas aumente em alguns lugares e com que as secas se intensifiquem em outros. As florestas tropicais amazônicas e as grandes florestas boreais do norte – o cinturão de pinheiros e píceas que cobre o Alasca, o Canadá e a Sibéria – passarão por um estirão de crescimento, depois murcharão até desaparecer. O solo permanentemente congelado das latitudes do norte derrete, liberando metano, um gás que contribui para o efeito estufa e que é 20 vezes mais potente do que o CO2… e assim por diante. Em um mundo de Gaia funcional, essas respostas positivas seriam moduladas por respostas negativas, sendo que a maior de todas é a capacidade da Terra de irradiar calor para o espaço. Mas, a certa altura, o sistema de regulagem pára de funcionar e o clima dá um salto – como já aconteceu muitas vezes no passado – para uma nova situação, mais quente. Não é o fim do mundo, mas certamente é o fim do mundo como o conhecemos.

O cenário pessimista de Lovelock é desprezado por pesquisadores de clima de renome, sendo que a maior parte deles rejeita a idéia de que haja um único ponto de desequilíbrio para o planeta inteiro. “Ecossistemas individuais podem falhar ou as placas de gelo podem entrar em colapso”, esclarece Caldeira, “mas o sistema mais amplo parece ser surpreendentemente adaptável.” No entanto, vamos partir do princípio, por enquanto, de que Lovelock esteja certo e que de fato estejamos navegando por cima das cataratas do Niagara. Simplesmente vamos acenar antes de cair? Na visão de Lovelock, reduções modestas de emissões de gases que contribuem para o efeito estufa não vão nos ajudar – já é tarde demais para deter o aquecimento global trocando jipões a diesel por carrinhos híbridos. E a idéia de capturar a poluição de dióxido de carbono criada pelas usinas a carvão e bombear para o subsolo? “Não há como enterrar quantidade suficiente para fazer diferença.” Biocombustíveis? “Uma idéia monumentalmente idiota.” Renováveis? “Bacana, mas não vão nem fazer cócegas.” Para Lovelock, a idéia toda do desenvolvimento sustentável é equivocada: “Deveríamos estar pensando em retirada sustentável”.

A retirada, na visão dele, significa que está na hora de começar a discutir a mudança do lugar onde vivemos e de onde tiramos nossos alimentos; a fazer planos para a migração de milhões de pessoas de regiões de baixa altitude, como Bangladesh, para a Europa; a admitir que Nova Orleans já era e mudar as pessoas para cidades mais bem posicionadas para o futuro. E o mais importante de tudo é que absolutamente todo mundo “deve fazer o máximo que pode para sustentar a civilização, de modo que ela não degenere para a Idade das Trevas, com senhores guerreiros mandando em tudo, o que é um perigo real. Assim, podemos vir a perder tudo”.

Até os amigos de Lovelock se retraem quando ele fala assim. “Acho que ele está deixando nossa cota de desespero no negativo”, diz Chris Rapley, chefe do Museu de Ciência de Londres, que se empenhou com afinco para despertar a consciência mundial sobre o aquecimento global. Outros têm a preocupação justificada de que as opiniões de Lovelock sirvam para dispersar o momento de concentração de vontade política para impor restrições pesadas às emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. Broecker, o paleoclimatologista de Columbia, classifica a crença de Lovelock de que reduzir a poluição é inútil como “uma bobagem perigosa”.

“Eu gostaria de poder dizer que turbinas de vento e painéis solares vão nos salvar”, Lovelock responde. “Mas não posso. Não existe nenhum tipo de solução possível. Hoje, há quase 7 bilhões de pessoas no planeta, isso sem falar nos animais. Se pegarmos apenas o CO2 de tudo que respira, já é 25% do total – quatro vezes mais CO2 do que todas as companhias aéreas do mundo. Então, se você quer diminuir suas emissões, é só parar de respirar. É apavorante. Simplesmente ultrapassamos todos os limites razoáveis em números. E, do ponto de vista puramente biológico, qualquer espécie que faz isso tem que entrar em colapso.”

Mas isso não é sugerir, no entanto, que Lovelock acredita que deveríamos ficar tocando harpa enquanto assistimos o mundo queimar. É bem o contrário. “Precisamos tomar ações ousadas”, ele insiste. “Temos uma quantidade enorme de coisas a fazer.” De acordo com a visão dele, temos duas escolhas: podemos retornar a um estilo de vida mais primitivo e viver em equilíbrio com o planeta como caçadores-coletores ou podemos nos isolar em uma civilização muito sofisticada, de altíssima tecnologia. “Não há dúvida sobre que caminho eu preferiria”, diz certa manhã, em sua casa, com um sorriso aberto no rosto enquanto digita em seu computador. “Realmente, é uma questão de como organizamos a sociedade – onde vamos conseguir nossa comida, nossa água. Como vamos gerar energia.”

Em relação à água, a resposta é bem direta: usinas de dessalinização, que são capazes de transformar água do mar em água potável. O suprimento de alimentos é mais difícil: o calor e a seca vão acabar com a maior parte das regiões de plantações de alimentos hoje existentes. Também vão empurrar as pessoas para o norte, onde vão se aglomerar em cidades. Nessas áreas, não haverá lugar para quintais ajardinados. Como resultado, Lovelock acredita, precisaremos sintetizar comida – teremos que criar alimentos em barris com culturas de tecidos de carnes e vegetais. Isso parece muito exagerado e profundamente desagradável, mas, do ponto de vista tecnológico, não será difícil de realizar.
O fornecimento contínuo de eletricidade também será vital, segundo ele. Cinco dias depois de visitar o centro Hadley, Lovelock escreveu um artigo opinativo polêmico, intitulado: “Energia nuclear é a única solução verde”. Lovelock argumentava que “devemos usar o pequeno resultado dos renováveis com sensatez”, mas que “não temos tempo para fazer experimentos com essas fontes de energia visionárias; a civilização está em perigo iminente e precisa usar a energia nuclear – a fonte de energia mais segura disponível – agora ou sofrer a dor que em breve será infligida a nosso planeta tão ressentido”.

Ambientalistas urraram em protesto, mas qualquer pessoa que conhecia o passado de Lovelock não se surpreendeu com sua defesa à energia nuclear. Aos 14 anos, ao ler que a energia do sol vem de uma reação nuclear, ele passou a acreditar que a energia nuclear é uma das forças fundamentais no universo. Por que não aproveitá-la? No que diz respeito aos perigos – lixo radioativo, vulnerabilidade ao terrorismo, desastres como o de Chernobyl – Lovelock diz que este é dos males o menos pior: “Mesmo que eles tenham razão a respeito dos perigos, e não têm, continua não sendo nada na comparação com as mudanças climáticas”.

Como último recurso, para manter o planeta pelo menos marginalmente habitável, Lovelock acredita que os seres humanos podem ser forçados a manipular o clima terrestre com a construção de protetores solares no espaço ou instalando equipamentos para enviar enormes quantidades de CO2 para fora da atmosfera. Mas ele considera a geoengenharia em larga escala como um ato de arrogância – “Imagino que seria mais fácil um bode se transformar em um bom jardineiro do que os seres humanos passarem a ser guardiões da Terra”. Na verdade, foi Lovelock que inspirou seu amigo Richard Branson a oferecer um prêmio de US$ 25 milhões para o “Virgin Earth Challenge” (Desafio Virgin da Terra), que será concedido à primeira pessoa que conseguir criar um método comercialmente viável de remover os gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Lovelock é juiz do concurso, por isso não pode participar dele, mas ficou intrigado com o desafio. Sua mais recente idéia: suspender centenas de milhares de canos verticais de 18 metros de comprimento nos oceanos tropicais, colocar uma válvula na base de cada cano e permitir que a água das profundezas, rica em nutrientes, seja bombeada para a superfície pela ação das ondas. Os nutrientes das águas das profundezas aumentariam a proliferação das algas, que consumiriam o dióxido de carbono e ajudariam a resfriar o planeta. “É uma maneira de contrabalançar o sistema de energia natural da Terra usando ele próprio”, Lovelock especula. “Acho que Gaia aprovaria.”

Oslo é o tipo perfeito de cidade para Lovelock. Fica em latitudes do norte, que ficarão mais temperadas na medida em que o clima for esquentando; tem água aos montes; graças a suas reservas de petróleo e gás, é rica; e lá já há muito pensamento criativo relativo à energia, incluindo, para a satisfação de Lovelock, discussões renovadas a respeito da energia nuclear. “A questão principal a ser discutida aqui é como manejar as hordas de pessoas que chegarão à cidade”, Lovelock avisa. “Nas próximas décadas, metade da população do sul da Europa vai tentar se mudar para cá.”

Nós nos dirigimos para perto da água, passando pelo castelo de Akershus, uma fortaleza imponente do século 13 que funcionou como quartel-general nazista durante a ocupação da cidade na Segunda Guerra Mundial. Para Lovelock, os paralelos entre o que o mundo enfrentou naquela época e o que enfrenta hoje são bem claros. “Em certos aspectos, é como se estivéssemos de novo em 1939”, ele afirma. “A ameaça é óbvia, mas não conseguimos nos dar conta do que está em jogo. Ainda estamos falando de conciliação.”

Naquele tempo, como hoje, o que mais choca Lovelock é a ausência de liderança política. Apesar de respeitar as iniciativas de Al Gore para conscientizar as pessoas, não acredita que nenhum político tenha chegado perto de nos preparar para o que vem por aí. “Em muito pouco tempo, estaremos vivendo em um mundo desesperador, comenta Lovelock. Ele acredita que está mais do que na hora para uma versão “aquecimento global” do famoso discurso que Winston Churchill fez para preparar a Grã-Bretanha para a Segunda Guerra Mundial: “Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor”. “As pessoas estão prontas para isso”, Lovelock dispara quando passamos sob a sombra do castelo. “A população entende o que está acontecendo muito melhor do que a maior parte dos políticos.”

Independentemente do que o futuro trouxer, é provável que Lovelock não esteja por aí para ver. “O meu objetivo é viver uma vida retangular: longa, forte e firme, com uma queda rápida no final”, sentencia. Lovelock não apresenta sinais de estar se aproximando de seu ponto de queda. Apesar de já ter passado por 40 operações, incluindo ponte de safena, continua viajando de um lado para o outro no interior inglês em seu Honda branco, como um piloto de Fórmula 1. Ele e Sandy recentemente passaram um mês de férias na Austrália, onde visitaram a Grande Barreira de Corais. O cientista está prestes a começar a escrever mais um livro sobre Gaia. Richard Branson o convidou para o primeiro vôo do ônibus espacial Virgin Galactic, que acontecerá no fim do ano que vem – “Quero oferecer a ele a visão de Gaia do espaço”, diz Branson. Lovelock está ansioso para fazer o passeio, e planeja fazer um teste em uma centrífuga até o fim deste ano para ver se seu corpo suporta as forças gravitacionais de um vôo espacial. Ele evita falar de seu legado, mas brinca com os filhos dizendo que quer ver gravado na lápide de seu túmulo: “Ele nunca teve a intenção de ser conciliador”.

Em relação aos horrores que nos aguardam, Lovelock pode muito bem estar errado. Não por ter interpretado a ciência erroneamente (apesar de isso certamente ser possível), mas por ter interpretado os seres humanos erroneamente. Poucos cientistas sérios duvidam que estejamos prestes a viver uma catástrofe climática. Mas, apesar de toda a sensibilidade de Lovelock para a dinâmica sutil e para os ciclos de resposta no sistema climático, ele se mostra curiosamente alheio à dinâmica sutil e aos ciclos de resposta no sistema humano. Ele acredita que, apesar dos nossos iPhones e dos nossos ônibus espaciais, continuamos sendo animais tribais, amplamente incapazes de agir pelo bem maior ou de tomar decisões de longo prazo que garantam nosso bem-estar. “Nosso progresso moral”, diz Lovelock, “não acompanhou nosso progresso tecnológico.”

Mas talvez seja exatamente esse o motivo do apocalipse que está por vir. Uma das questões que fascina Lovelock é a seguinte: A vida vem evoluindo na Terra há mais de 3 bilhões de anos – e por que motivo? “Gostemos ou não, somos o cérebro e o sistema nervoso de Gaia”, ele explica. “Agora, assumimos responsabilidade pelo bem-estar do planeta. Como vamos lidar com isso?”
Enquanto abrimos caminho no meio dos turistas que se dirigem para o castelo, é fácil olhar para eles e ficar triste. Mais difícil é olhar para eles e ter esperança. Mas quando digo isso a Lovelock, ele argumenta que a raça humana passou por muitos gargalos antes – e que talvez sejamos melhores por causa disso. Então ele me conta a história de um acidente de avião, anos atrás, no aeroporto de Manchester. “Um tanque de combustível pegou fogo durante a decolagem”, recorda. “Havia tempo de sobra para todo mundo sair, mas alguns passageiros simplesmente ficaram paralisados, sentados nas poltronas, como tinham lhes dito para fazer, e as pessoas que escaparam tiveram que passar por cima deles para sair. Era perfeitamente óbvio o que era necessário fazer para sair, mas eles não se mexiam. Morreram carbonizados ou asfixiados pela fumaça. E muita gente, fico triste em dizer, é assim. E é isso que vai acontecer desta vez, só que em escala muito maior.”

Lovelock olha para mim com olhos azuis muito firmes. “Algumas pessoas vão ficar sentadas na poltrona sem fazer nada, paralisadas de pânico. Outras vão se mexer. Vão ver o que está prestes a acontecer, e vão tomar uma atitude, e vão sobreviver. São elas que vão levar a civilização em frente.”

*   *   *

[Denialist view]

BREAKING: James Lovelock backs down on climate alarm (What’s up with that?)

MSNBC reports that the lack of temperature rise in the last 12 years has convinced environmentalist James Lovelock ( The Gaia Hypothesis) that the climate alarmism wasn’t warranted.

From his Wikipedia entry: Writing in the British newspaper The Independent in January 2006, Lovelock argues that, as a result of global warming, “billions of us will die and the few breeding pairs of people that survive will be in the Arctic where the climate remains tolerable” by the end of the 21st century. 

He has been quoted in The Guardian that 80% of humans will perish by 2100 AD, and this climate change will last 100,000 years. According to James Lovelock, by 2040, the world population of more than six billion will have been culled by floods, drought and famine. Indeed “[t]he people of Southern Europe, as well as South-East Asia, will be fighting their way into countries such as Canada, Australia and Britain”.

What he has said to MSNBC is a major climb down. MSNBC reports in this story:

James Lovelock, the maverick scientist who became a guru to the environmental movement with his “Gaia” theory of the Earth as a single organism, has admitted to being “alarmist” about climate change and says other environmental commentators, such as Al Gore, were too.

Lovelock, 92, is writing a new book in which he will say climate change is still happening, but not as quickly as he once feared.

He previously painted some of the direst visions of the effects of climate change. In 2006, in an article in the U.K.’s Independent newspaper, he wrote that “before this century is over billions of us will die and the few breeding pairs of people that survive will be in the Arctic where the climate remains tolerable.”

However, the professor admitted in a telephone interview with msnbc.com that he now thinks he had been “extrapolating too far”…

“The problem is we don’t know what the climate is doing. We thought we knew 20 years ago. That led to some alarmist books – mine included – because it looked clear-cut, but it hasn’t happened,” Lovelock said.

“The world has not warmed up very much since the millennium. Twelve years is a reasonable time… it (the temperature) has stayed almost constant, whereas it should have been rising — carbon dioxide is rising, no question about that.”

This won’t sit well with many. McKibben has a whole movement based on alarm for example. Watch the true believers now trash him in the “doddering old man” style we’ve seen before.

hat tip to Steve Milloy at junkscience.com

(Tradução de Ana Ban)

Futuro gestor da Sabesp diz que Estado tem de estar ‘preparado para o pior’ (Folha de S.Paulo)

ARTUR RODRIGUES

DE SÃO PAULO

02/01/2015 02h00

Escolhido pela gestão de Geraldo Alckmin para dirigir a Sabesp, o ex-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas) Jerson Kelman afirma que o Estado tem de estar “preparado para o pior”.

“A situação é preocupante, é grave, e nós temos que torcer pelo melhor, mas estar preparados para o pior”, disse à Folha.

Em novembro, em entrevista ao jornal “Brasil Econômico”, ele havia dito que o governo não atuou da melhor maneira possível e não foi transparente como a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2001, época do racionamento de energia. Kelman foi presidente da ANA entre 2001 e 2004.

“O Alckmin deve ter tido suas razões, porque em 2002 quem ganhou as eleições foi o Lula, não o Serra. Esse deve ter sido o raciocínio dele. Mas do ponto de vista de governo, de interesse público, a atuação não foi a melhor, desperdiçou-se água e os reservatórios estão mais vazios que deveriam”, disse na entrevista.

Após ser reeleito, Alckmin passou a adotar medidas mais duras para diminuir o consumo, como a sobretaxa para quem aumentar o consumo.

O novo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, afirma que vai avaliar o resultado da taxa extra e cogita até adotar medidas adicionais.

Os nomes de Kelman e de Ricardo Borsari, como superintendente do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), foram anunciados nesta quinta (1º) por Braga.

A nova equipe vai enfrentar a maior crise hídrica da história do sistema Cantareira. Nesta quinta, o sistema permaneceu estável, com 7,2% de sua capacidade.

Oficiamente, o nome de Kelman ainda tem de passar por um conselho da Sabesp antes de ele assumir o cargo.

Ele deve ser o substituto de Dilma Pena, que se desgastou com a crise.

Kelman é professor de Recursos Hídricos da COPPE-UFRJ. Também foi presidente do grupo Light e diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A seguir, a conversa dele com a Folha.

Folha – Em uma entrevista anterior, o senhor falou da necessidade de se dar mais transparência à questão da crise hídrica.
Jorge Kelman – O conceito de transparência é um conceito universal, que eu sempre defendo, não vai aí nenhuma crítica. Eu penso que a população do Estado de São Paulo sabe compreender as condições hidrológicas do momento. A melhor política é de absoluta transparência, de compartilhar com a população da forma mais clara possível.

O senhor também disse que talvez pudesse ter sido melhor a condução da crise pelo governo, que a questão eleitoral atrapalhou.
Eu estou aceitando esse cargo olhando para a frente, não quero ficar aqui atirando pedras para o passado. Olhando para a frente, a situação de São Paulo é preocupante, é grave, e temos que torcer pelo melhor, mas estar preparados para o pior.

O senhor chega no período de chuva, mas se preparando para a estiagem. Como vamos chegar a esse período?
Nesse período de chuvas agora, que às vezes tem tempestades muito fortes, é preciso deixar claro para manter sempre esclarecida a população de que essas chuvas intensas e curtas não resolvem o problema.
O abastecimento depende do estoque de água do sistema Cantareira.
O que poderia acontecer de ruim é você ter uma enchente, carros boiarem, essas coisas que acontecem no verão, e ter um efeito colateral indesejável que seria a população imaginar que o problema está resolvido e relaxar na postura que está tendo de uso econômico da água.

A Crise de Escassez Hídrica no Brasil e seu Gerenciamento no Estado de São Paulo – Posição da Diretoria da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo (ABES-SP)

Posição da Diretoria da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo (ABES-SP) sobre a crise hídrica, apresentada no seminário “A Crise de Escassez Hídrica no Brasil e seu Gerenciamento no Estado de São Paulo”, realizado no dia 02 de dezembro de 2014, no auditório do CREA-SP:

  1. O país vive crise de escassez hídrica de dimensões inéditas e não antecipadas pelas previsões climáticas. A crise atinge um vasto território do Sudeste e Nordeste brasileiros, com forte incidência em São Paulo, e afeta os diversos usos da água, revelando conflitos que precisam ser tratados de imediato. Embora não haja precisão nas previsões meteorológicas, é provável que seja de grande duração, requerendo estratégia de longo prazo para seu enfrentamento.
  1. A crise vem demandando ações emergenciais para assegurar a continuidade do abastecimento público, que necessitam ser reforçadas e adequadamente explicadas à população, pelas autoridades e pelas entidades técnico-científicas. O abastecimento vem sendo mantido por um sofisticado conjunto de medidas operacionais, que será tão mais eficaz quanto mais bem compreendido for pela sociedade.
  1. Em geral, passadas as restrições legais do período eleitoral, é necessário reforçar a comunicação social sobre o enfrentamento dos problemas, trazendo a sociedade para apoiar ativamente o combate aos desperdícios e o uso racional, e reduzindo o espaço para visões equivocadas e para a exploração oportunista dos efeitos da crise. Além da comunicação, ações mais diretas junto à população são cabíveis, como, por exemplo, a assistência técnica para a adequação das caixas d’água nos imóveis com deficiência de reservação.
  1. Os valores extremamente baixos e inéditos de precipitações e de vazões afluentes aos sistemas indicam uma situação nova, que exige a revisão do planejamento existente, antecipando intervenções e aumentando capacidades. É necessário aumentar a disponibilidade de vazões regularizadas, para fazer frente à nova situação. Particularmente, são importantes a interligação dos reservatórios Jaguari e Atibainha, para dar segurança hídrica à plena recuperação e utilização do Sistema Cantareira no futuro, e a construção das barragens Duas Pontes e Pedreiras e respectivo sistema adutor, para assegurar o abastecimento dos municípios das bacias do PCJ. Outros projetos de abastecimento, estruturantes do desenvolvimento econômico do estado, necessitam ser avaliados, detalhados e implementados no curto prazo.
  1. A antecipação de investimentos e o aumento de capacidade de reserva que as novas condições exigem significam o aumento do custo da água para os diversos usos. Esta nova realidade torna economicamente mais atrativas e socialmente mais necessárias políticas permanentes de redução de perdas, uso racional da água, proteção e recuperação de mananciais e de nascentes e de reuso de água tratada.
  1. O aumento de custos deve ser refletido nas tarifas dos prestadores de serviços. O setor de abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado de São Paulo é sustentado por um sistema tarifário que remunera os investimentos e os custos dos serviços, com um processo regulatório sofisticado, em fase final de implantação. Esta é a forma socialmente mais justa e eficiente de alocar os recursos necessários à prestação dos serviços, que deve ser preservada. Empresas e autarquias economicamente viáveis e sólidas são a melhor garantia da qualidade da prestação, e da manutenção de esforços continuados, como é o caso da redução de perdas de água, por exemplo.
  1. O ajuste tarifário, além preservar a viabilidade econômica das entidades responsáveis pelos serviços, o que pode e deve ser feito protegendo os segmentos socialmente mais vulneráveis, deve ser tratado como um importante, talvez o mais importante, mecanismo de redução de consumo excessivo. A acentuação das diferenças entre blocos tarifários, com penalização mais pesada às faixas de maior consumo, é um forte estímulo econômico à moderação. Esse valor adicional nas faixas de maior consumo poderia ser separado, como um fundo especial para as obras de segurança hídrica, não incidindo no cálculo do resultado econômico das prestadoras de serviço.
  1. A penalização econômica do uso excessivo de água deve se somar a outras ações de combate ao desperdício, por parte das autoridades públicas, especialmente as autoridades municipais, que têm poder de polícia. A fiscalização deve se somar à comunicação ampla e ao convencimento.
  1. As intervenções não diretamente ligadas à prestação dos serviços, como as obras de aumento da segurança hídrica, não poderão ser inteiramente custeadas pelas tarifas, e necessitam de recursos não onerosos dos orçamentos públicos. No caso da Sabesp, a primeira fonte deveria ser os dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos ao Governo Estadual.
  1. Os estudos mais recentes, como o Plano de Abastecimento da Macrometrópole Paulista, demonstram que a densidade do desenvolvimento econômico do estado e o uso intensivo dos recursos hídricos impõem que se passe a planejar e gerir o uso da água na região de modo efetivamente integrado. A crise de escassez vem acentuar essa constatação. As agendas entre municípios e Governo Estadual, entre este e os demais estados vizinhos, e a União, demandam a ampliação e o aprimoramento dos instrumentos técnicos e dos recursos humanos voltados a essas tarefas.
  1. A gestão integrada implica uma intensa agenda entre municípios, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Agência Nacional de Águas, e o Governo Federal, agenda que tem se desenvolvido de modo promissor nas últimas semanas. E contempla também os graves conflitos e restrições entre os diversos usos da água a serem mediados. Quanto a estes, ressalta a importância de rediscutir com o setor elétrico ajustes imprescindíveis nas regras atuais, para fazer prevalecer a primazia do uso para abastecimento público, como assegurado legalmente.
  1. Muitas das medidas de enfrentamento da crise são e terão que ser emergenciais, com o uso de procedimentos expeditos de contratação e execução. É importante que as mesmas se combinem com um processo de revisão de planos, de elaboração de projetos e de reestruturação de cronogramas de implantação de empreendimentos que organize desde já a continuidade dos programas de expansão e melhoria dos serviços, necessários para a universalização do atendimento e a manutenção da qualidade.

Diretoria da ABES-SP.

COP 20 aprova base para novo acordo climático (Estadão)

Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

AFP – Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

Com atraso de 31 horas, a 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP 20) terminou na madrugada deste domingo (14), com a aprovação do conjunto de decisões essenciais para a negociação do novo acordo climático em novembro de 2015, em Paris. Reformado “cirurgicamente” para se adequar às exigências dos países emergentes e em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, o documento final superou os impasses e obteve consenso imediato dos 195 países à 1h20 (4h20, no horário de Brasília).

“Vamos fazer de Paris um grande sucesso”, afirmou o presidente da COP-20 e ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, ao referir-se a um possível acordo multilateral para dar ao mundo a chance de chegar ao final deste século com o aumento de até 2ºC em sua temperatura média. Sem o acordo, os termômetros subirão bem mais, conforme alertaram os estudos do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC).

“Todos sabemos o que se passou em Copenhague (na fracassada tentativa de chegar ao acordo climático, na COP de 2009). Graças aos seus esforços, o fantasma de Copenhague está mais longe, e o sucesso de Paris, mais perto”, declarou o ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, que presidirá a COP 21.

Na tarde de sábado (13), Pulgar havia chamado para si a responsabilidade de elaborar um novo texto de decisão de Lima mais palatável ao bloco emergente e em desenvolvimento, sem gerar maior atrito com o mundo desenvolvido. Ele havia fracassado, horas antes, em sua tentativa de aprovar uma versão anterior, considerada “desequilibrada” e desprovida dos elementos basilares para uma negociação climática justa em 2015 pelo bloco em desenvolvimento.

Todas as 195 delegações estavam cientes de que o sucesso da COP de Paris dependia do documento de Lima. O acordo climático de Paris, se não cair nas mesmas armadilhas de Copenhague, substituirá o Protocolo de Kioto em 2020. O documento de Lima, ao final, traçou as bases sobre as quais os 195 países apresentarão, ao longo do primeiro semestre, seus compromissos de redução de emissões e de adaptação à mudança climática. Trata-se da espinha dorsal do acordo de Paris, a partir do qual serão decididas as obrigações adicionais de cada signatários.

“Em Lima foi fechado o acordo antes do acordo (definitivo)”, resumiu o especialista britânico Michael Jacobs, conselheiro sênior do New Climate Economy e professor da London School of Economics.

Nas negociações, os emergentes do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e os membros do G77 (grupo dos países em desenvolvimento e dos mais pobres) fizeram valer suas posições em favor a dois princípios caros. O primeiro é a necessidade de os compromissos dos países mais ricos abrangerem também os meios de financiamento, de capacitação e de transferência de tecnologia para os mais pobres cumprirem suas metas. Essa premissa consta da Convenção do Clima, de 1992.

Países como o Brasil, a China, a África do Sul, além dos mais pobres e vulneráveis à mudança climática, se mobilizaram para sublinhar esse tópico no documento e para impedir que a versão anterior, com menção frouxa a esse conceito, fosse aprovada. Europeus e americanos preferiam vê-lo apagado, para concentrarem-se apenas nas reduções de emissões de gases do efeito estufa (mitigação). Mas acabaram acatando, no final.>>O principal negociador brasileiro, embaixador José Antônio Marcondes Carvalho, considerou insuficiente a ênfase a esse princípio e sublinhou seu desapontamento.”Não fomos tão longe na decisão de hoje. Mas aceitamos o compromisso proposto e continuaremos a trabalhar por um acordo robusto e ambicioso com base na Convenção do Clima”, declarou.

O outro princípio registrado com ênfase no documento da COP-20 foi o da “responsabilidade comum, mas diferenciada”. Definido em 2011, na COP de Durban, ele prevê que os países desenvolvidos terão de assumir obrigações adicionais mais ambiciosas de redução de emissões de gases, compatíveis com o fato de os estarem despejando na atmosfera desde meados do século 18. Emergentes – mesmo os campeões de emissão China e Índia – e os países em desenvolvimento e pobres teriam uma carga menor.

O documento de Lima também trouxe de forma mais específica a obrigação de os 195 países apresentarem informações precisas sobre seus compromissos iniciais, a serem registrados ao longo do primeiro semestre de 2015. Entre eles, o ano-base para a comparação de seus compromissos de redução de emissões, essencial para uma noção mais clara de seus efeitos sobre a contenção do aquecimento global.

As economias emergentes e em desenvolvimento também conseguiram registrar de forma mais clara a necessidade de os países tomarem iniciativas entre 2016 e 2019 para acelerar a adoção do acordo de Paris, a partir de 2020.

Com o documento de Lima aprovado, começam agora as movimentações tornar viável o acordo climático de Paris. Novas rodadas de negociações já estão agendadas para Genebra, em fevereiro, e Bonn, em junho. Os países desenvolvidos, em princípio, deverão apresentar seus compromissos climáticos até março. Os demais, até junho. Atrasos poderão comprometer os cálculos do efeito dessas contribuições para impedir o aquecimento do planeta além de 2ºC, que precisam estar prontos até novembro.

Análise: Todos estão a bordo, certo, mas será um milagre se este barco chegar bem a Paris (Folha de S.Paulo)

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

15/12/2014 02h00

Com dois dias de atraso, a Conferência de Lima pariu um rato. Espera-se agora o quase impossível: que o roedor aprenda a rugir em um ano e o faça com tanta força em Paris que consiga afugentar o espectro de uma mudança perigosa do clima.

Especialistas predizem que, para evitar um cenário de eventos extremos “”secas, enchentes, furacões””, o aquecimento global não pode ultrapassar 2°C neste século. Os compromissos nacionais de cortes nas emissões de CO2 (principal gás do efeito estufa) apresentados até aqui não representam mais que a metade do que seria necessário.

Como ocorre desde que se adotou a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima no Rio, em 1992, Lima tropeçou na vala que separa países ricos e pobres. O maior avanço da conferência na capital peruana, contudo, se deu precisamente aí: agora, todas as nações ficam obrigadas a se comprometer com ações para conter o aquecimento.

É verdade que sobreviveu o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, de que sempre se valeram os menos desenvolvidos para escapar de assumir metas. Todos têm de comparecer, daqui em diante, ainda que “à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Traduzindo: China (maior emissor de CO2), Índia (terceiro, depois dos EUA) e Brasil (sexto) também estão obrigados a publicar planos para reduzir carbono. Uma vitória das nações desenvolvidas.

A União Europeia tem as metas mais ambiciosas: cortar 30% das emissões até 2020 e 40% até 2030, ante 1990. Os EUA prometem redução de 26% a 28% até 2025, mas na comparação com 2005.

O Brasil mantém que até 2020 reduzirá 36% a 39% do nível de suas emissões em 1990, graças à queda no desmatamento (nossa maior fonte de carbono). A China só fala em reduzir o ritmo de aumento da poluição, para zerá-lo em 2030. A Índia até aqui se fez de muda.

Há expectativa de que esses e outros países melhorem suas propostas nos próximos seis meses, de modo que se possa calcular, antes do encontro de Paris, a distância até a meta de 2°C. O problema é que, em Lima, não se chegou a um consenso sobre metodologia e anos-base –1990 ou 2005?

Assim fica difícil fazer a conta. Para piorar, se obteve um grau insuficiente de transparência nas comunicações que cada país ficou de fazer.

Por considerar qualquer tipo de monitoramento externo uma ameaça a sua soberania, a China vetou a obrigatoriedade de mecanismos para tornar as informações nacionais claras e verificáveis. Eles aparecem no acordo apenas como facultativos.

Não houve progresso, por fim, na eterna questão do dinheiro. Países pobres, que contribuíram menos historicamente para o aquecimento, mas sofrerão os piores impactos, exigem fundos dos ricos para prevenir catástrofes e adotar tecnologias limpas.

Com meros US$ 10 bilhões anuais comprometidos, nunca se esteve tão longe do objetivo anterior de levantar US$ 100 bilhões ao ano. O máximo que as nações menos desenvolvidas conseguiram foi cravar no texto as noções de fundos para adaptação e para “perdas e danos”.

Essa noção foi comemorada como vitória por países insulares como Tuvalu e Kiribati. Com territórios ameaçados de submergir com a elevação dos oceanos, precisam desesperadamente salvar o que for possível e, se inescapável, relocar sua população.

Na iminência de um naufrágio, Lima contentou-se com pouco, como sempre acontece nas reuniões do clima. Todos agora estão a bordo, mas com uma rota ainda por traçar e sem bons instrumentos para verificar o trajeto. Será um milagre se chegarem a bom porto em Paris.

Early warning signals of abrupt climate change (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: University of Exeter

Summary: A new study has found early warning signals of a reorganization of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.


Drought (stock image). Credit: © carloscastilla / Fotolia

A new study by researchers at the University of Exeter has found early warning signals of a reorganisation of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.

The research, published today in the journal Nature Communications, used a simulation from a highly complex model to analyse the Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), an important component of the Earth’s climate system.

It showed that early warning signals are present up to 250 years before it collapses, suggesting that scientists could monitor the real world overturning circulation for the same signals.

The AMOC is like a conveyor belt in the ocean, driven by the salinity and temperature of the water. The system transports heat energy from the tropics and Southern Hemisphere to the North Atlantic, where it is transferred to the atmosphere.

Experiments suggest that if the AMOC is ‘switched off’ by extra freshwater entering the North Atlantic, surface air temperature in the North Atlantic region would cool by around 1-3°C, with enhanced cooling of up to 8°C in the worst affected regions.

The collapse would also encourage drought in the Sahel — the area just south of the Sahara desert — and dynamic changes in sea level of up to 80cm along the coasts of Europe and North America.

“We found that natural fluctuations in the circulation were getting longer-lived as the collapse was approached, a phenomenon known as critical slowing down,” said lead author Chris Boulton.

“We don’t know how close we are to a collapse of the circulation, but a real world early warning could help us prevent it, or at least prepare for the consequences” adds co-author Professor Tim Lenton.

The study is the most realistic simulation of the climate system in which this type of early warning signal has been tested.

“The best early warning signals in the model world are in places where major efforts are going into monitoring the circulation in the real world — so these efforts could have unexpected added value’ adds Professor Lenton.


Journal Reference:

  1. Chris A. Boulton, Lesley C. Allison, Timothy M. Lenton. Early warning signals of Atlantic Meridional Overturning Circulation collapse in a fully coupled climate modelNature Communications, 2014; 5: 5752 DOI: 10.1038/ncomms6752

Seca de São Paulo na mídia

JC 5078, 4 de dezembro de 2014

Sabesp vai bombear menos água do Cantareira em dezembro (Agência Brasil)

Medida será tomada independentemente do volume de chuva que possa se acumular ao longo do período

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) terá de reduzir, ao longo deste mês, a retirada de água do Sistema Cantareira, o principal manancial para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, independentemente do volume de chuva que possa se acumular ao longo do período.

Segundo definição conjunta da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), o volume de retirada baixou de 39 milhões de metros cúbicos (m³) para 30 milhões de m³, o equivalente a 30 bilhões de litros.

A medida faz parte de um acordo fechado no dia 17 de novembro, pelo qual os dois órgãos avaliarão mensalmente o uso da segunda cota do chamado volume morto ou reserva técnica, que é a água bombeada abaixo da captação por gravidade.

O mesmo critério é seguido no caso das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. A determinação encaminhada ao presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, Gabriel dos Santos, informa que a ANA e o Daee concordaram diminuir de quatro para três metros cúbicos por segundo a liberação de água dos reservatórios para os rios da região.

(Marli Moreira / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/sabesp-vai-bombear-menos-agua-do-cantareira-em-dezembro

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Mesmo com chuva, Cantareira continua em queda e registra 8,2% (Agência Brasil)

Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo

As chuvas sobre São Paulo não interromperam a sequência de quedas do Sistema Cantareira. Hoje (5), o nível dos reservatórios registrou 8,2%, uma redução de 0,1 ponto percentual em relação a ontem (4), segundo medição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Ontem, uma leve precipitação de 1,9 milímetro atingiu as cabeceiras do sistema. A pluviometria esperada para o mês é alta, 220,9 milímetros. No mês passado, a média histórica indicava precipitações acumuladas no patamar de 161,2 milímetros, mas as chuvas acumularam 135 milímetros.

Outros sistemas de abastecimento de São Paulo também sofreram perdas. O Alto Tietê baixou de 5,2% ontem para 5,1% hoje, mesmo diante da precipitação de 9,1 milímetros que atingiu o reservatório.

Guarapiranga, localizado na zona sul da capital, apresentou leve melhora. O sistema passou de 32,2% ontem para 33,3% hoje. A chuva que ajudou a elevar o sistema e atingiu a cidade de São Paulo acumulou 10,8 milímetros.

Hoje, o tempo nublado e chuvas isolados predominam na capital paulista. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a nebulosidade ocorre pela passagem de um sistema frontal, que se afasta rapidamente para o oceano. Chuvas mais consistentes estão previstas para o norte paulista e o sul de Minas Gerais, na área do Sistema Cantareira.

No fim de semana, o tempo abre, as temperaturas sobem e a probabilidade de chuva diminui. O sábado (6) terá sol entre nuvens e temperatura média de 18ºC. A umidade relativa do ar fica entre 45% e 85%.

(Fernanda Cruz / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/mesmo-com-chuva-cantareira-segue-em-queda-e-registra-82

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

São Paulo receberá R$ 2,6 bilhões para novo sistema de abastecimento de água (Agência Brasil)

A água do novo sistema, que virá do Rio São Lourenço, será captada a 83 quilômetros da capital e armazenada na Represa do França

A presidenta Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinaram hoje (4) contrato para construção de um novo sistema de abastecimento de água para a região metropolitana da capital paulista.

O Sistema Produtor São Lourenço está orçado em R$ 2,6 bilhões e será financiado por meio de uma parceria público-privada, com parte dos recursos oriunda do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço, gerido pela Caixa Econômica Federal. A obra vai beneficiar 1,5 milhão de pessoas em sete municípios da parte oeste da região metropolitana de São Paulo e deve reduzir a dependência dos outros sistemas, entre eles o Cantareira, que está em colapso devido à  falta de chuva. A obra está em andamento e deverá ser concluída em meados de 2017.

A água do novo sistema, que virá do Rio São Lourenço, será captada a 83 quilômetros da capital e armazenada na Represa do França.

Alckmin, do PSDB, agradeceu a parceria com a União para a construção do novo sistema de abastecimento de água e disse que a relação entre o governo federal e o estado “é um exemplo de cooperação federativa”.

Dilma também destacou a união entre os governos federal e estadual para enfrentar a crise hídrica na maior cidade do país. “Vou dar sequência à forma de relacionamento que construímos ao longo de quatro anos do meu governo e do governador Alckmin em São Paulo”, ponderou.

“Não é possível o Brasil ter uma situação ameaçando a capital do maior estado do país e a maior cidade da América Latina. Por isso estamos aqui fazendo esta parceria, em beneficio não só da população da cidade, do estado de São Paulo, mas de toda a população brasileira, uma vez que temos um processo no Brasil em que cada estado depende do crescimento dos outros para ter mercado interno, uma política industrial, um desenvolvimento agrícola compatível com a prosperidade do país”, disse  Dilma.

A presidenta explicou que as diferenças partidárias entre o governo federal e administração de São Paulo, comandados pelo PT e o PSDB respectivamente, ficaram para trás com o fim da eleição. “Durante a campanha, é natural divergir, criticar e disputar e mesmo, em alguns momentos, é compreensível que as temperaturas se elevem. Mas temos que respeitar as escolhas legitimas da população brasileira, estamos em um país que preza a democracia”.

Segundo Dilma, os dois governos já estão discutindo um novo conjunto de investimentos na área de segurança hídrica em São Paulo, que serão anunciados no começo do próximo ano.

Dilma e Alckmin também assinaram um contrato de R$ 630 milhões para a ampliação da Linha 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O trecho compreende 4,4 quilômetros e duas novas estações entre Grajaú e Varginha, na zona sul de São Paulo. Serão R$ 500 milhões do Orçamento Geral da União e R$133 milhões de contrapartida do governo estadual. A obra será entregue até o primeiro trimestre de 2016.

(Luana Lourenço / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-12/sao-paulo-recebera-r-26-bilhoes-para-novo-sistema-de-abastecimento-de-agua

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Escassez de água pode afetar 55% dos municípios em 2015, diz ANA (Agência Câmara Notícias)

Representantes de organizações e do governo apontaram para a necessidade de um plano de segurança hídrica

Apesar de o problema da crise hídrica ser mais evidente em São Paulo, dados da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que 55% dos municípios brasileiros podem sofrer deficit de abastecimento até 2015. O alerta foi feito nesta quinta-feira (4), em audiência sobre a crise da água no Brasil, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Os participantes chamaram atenção para outras bacias do País, como a do São Francisco.

De acordo com a ANA, o Brasil já está trabalhando em um plano nacional de segurança hídrica. O documento está sendo elaborado pela Agência de Águas e pelo Ministério da Integração Nacional a partir de conversas com os estados e deverá ficar pronto entre 2015 e 2016.

A expectativa do superintendente da ANA Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho é que as ações comecem ser implementadas ainda no decorrer do processo, à medida que os problemas forem sendo identificados.

O deputado Sarney Filho (PV-MA), que solicitou o debate, anunciou que vai trabalhar pela criação, na Câmara dos Deputados, de um comitê de crise hídrica. Ele pretende retomar o assunto no início da próxima legislatura, em fevereiro. “É preciso que se tomem medidas urgentes, porque sem água não tem como viver”, afirmou o deputado.

São Paulo
No caso dos problemas de abastecimento de água em São Paulo, situação mais comentada no debate, a percepção dos especialistas é que a crise pode ficar ainda pior se não chover nos próximos meses. E o problema será agravado se o estado não contar com um plano de contingência dos recursos hídricos.

“Se o período chuvoso deste ano se configurar como o do ano passado, essa água não será suficiente para o ano que vem. Independentemente de chover mais ou menos, nós estamos em uma situação bastante crítica”, observou a especialista em gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Instituto Socioambiental (ISA), Marussia Whately.

Segundo ela, os sistemas que produzem água para a região metropolitana de São Paulo, como o Cantareira, encontram-se com níveis de armazenamento muito baixos. “O Cantareira está hoje em torno de 8%, isso já considerando duas cotas do volume morto. Ou seja, ele está em um volume negativo, algo em torno de 20% negativo”, complementou a especialista.

A coordenadora do Programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Maria Luísa Ribeiro, relatou que, em Itu, as pessoas ficaram de fevereiro até agora com racionamento de 100%, “sem nenhuma água na torneira, vivendo uma realidade de caminhões-pipa com água sabe-se lá de onde”.

Sarney Filho lamentou a ausência de representantes do governo de São Paulo na reunião.

Oferta e demanda
Especialistas apontaram a política de gestão dos recursos hídricos como um dis principais problemas no processo. Como observou Marussia Whately, a gestão hoje se baseia na oferta de água, sem o devido cuidado com mananciais. Além disso, é preciso lidar com a falta de chuvas e de transparência no sistema. “Enquanto isso, o Brasil vem aumentando o consumo e isso é uma tendência que deve ser levada em consideração”, observou Marussia.

À demanda crescente os governos respondem de uma forma: com a tentativa de aumentar a oferta. “Tenta-se resolver o problema com o aumento da oferta, sempre procurando novas fontes, mas isso tem limitações. Hoje a questão que se coloca é que, antes de procurar novas fontes, você atue na gestão da demanda, no controle de perdas, nessas ações mais fáceis e mais baratas”, defendeu Joaquim Gondim Filho.

Maria Luísa Ribeiro pediu aos parlamentares que coloquem a água em uma agenda estratégica. Ela defendeu ações integradas entre os estados e mais voz para os comitês de bacias hidrográficas e chamou a atenção para a necessidade de combater o desmatamento, que tem forte influência nas secas.

(Noéli Nobre / Agência Câmara Notícias)

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/MEIO-AMBIENTE/478860-ANA-ALERTA-PARA-AGRAVAMENTO-DA-FALTA-DE-AGUA.html

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

Sem chuva, cai nível dos reservatórios em São Paulo (Agência Brasil)

O nível do Sistema Cantareira, que atende a 6,5 milhões de pessoas, passou de 8,1% para 8%

Sem chuva, o nível de todas as represas que abastecem a região metropolitana de São Paulo caiu hoje (7), informou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Segundo a companhia, o nível do Sistema Cantareira, que atende a 6,5 milhões de pessoas, registrava ontem 8,1% e hoje passou a 8%.

O Alto Tietê, segundo maior sistema de São Paulo, também apresentou queda, passando de 5% para 4,8%. O Guarapiranga, que atende a 4,9 milhões de pessoas, está operando com 32% de sua capacidade. Os sistemas Alto Cotia e Rio Claro operavam com 29,7% e 29,4% de suas capacidades, respectivamente. O Sistema Rio Grande opera com 62,5% da capacidade.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), não há previsão de chuvas para a capital paulista hoje. Amanhã (8), entre o final da tarde e início da noite, a chegada de uma brisa marítima aumentará a nebulosidade e pode favorecer a ocorrência de chuva na forma de pancadas isoladas.

(Elaine Patricia Cruz / Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-12/sem-chuva-cai-o-nivel-dos-reservatorios-de-sp

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2014 set to be world’s hottest year ever (The Guardian)

Record average temperatures highlight the urgent need to agree a deal on emissions at the UN climate change talks in Lima

2014 hottest year on record : 134-Foot-High Thermometer in Baker, California
 Vehicles drive by a 134ft-high thermometer in Baker, California. Average land and sea surface temperatures have reached record levels in 2014. Photograph: Ethan Miller/Getty Images

The world is on course for the hottest year ever in 2014, the United Nations weather agency said on Wednesday, heightening the sense of urgency around climate change negotiations underway in Lima.

Preliminary estimates from the World Meteorological Organisation (WMO) found global average land and sea surface temperatures for the first 10 months of 2014 had soared higher than ever recorded.

The findings – broadly in line with those of the US National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) and other scientific agencies – indicate that by year-end 2014 will break all previous high temperature records.

The steady escalation of greenhouse gas emissions, caused by the burning of fossil fuels, have seen a succession of record-breaking years for temperature since the dawning of the 21st century and 2014 promises to be no exception, the WMO said.

“Fourteen of the 15 warmest years on record have all occurred in the 21st century,” said the WMO’s secretary-general Michel Jarraud. “What we saw in 2014 is consistent with what we expect from a changing climate.

“Record-breaking heat combined with torrential rainfall and floods destroyed livelihoods and ruined lives. What is particularly unusual and alarming this year are the high temperatures of vast areas of the ocean surface, including in the northern hemisphere,” he said.

The new evidence provided by the WMO report of the gathering risks of climate change undercut the optimism expressed by negotiators from industrialised countries at the opening of the Lima talks.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the findings drove home the urgency of reaching a deal. Negotiations have been grinding on for more than 20 years.

“Our climate is changing and every year the risks of extreme weather events and impacts on humanity rise,” she said.

Ed Davey, the UK climate secretary, said the UN climate talks were critical to stop temperatures rising to dangerous levels. “More record warm temperatures in the UK and across the world are yet more evidence that we need to act urgently to prevent dangerous climate change,” he said.

Officials from nearly 200 countries will spend the next two weeks in Lima working to agree on a plan to cut global greenhouse gas emissions fast enough and deeply enough to limit warming to 2C above pre-industrial times, the official objective of the UN talks.

But even that goal – which scientists say may not go far enough to prevent low-lying island states from drowning in rising seas – may be moving beyond reach.

“When confronted with numbers like these, the challenge to stablise global warming below dangerous levels can seem daunting indeed,” Michael Mann, the climate scientist, said. “The globe is warming, ice is melting, and our climate is changing, as a result. And the damage is being felt – in the forms of more destructive weather extremes, more devastating wildfires, and unprecedented threats to the survival of endangered animal species.”

He said the Lima climate talks – and a summit scheduled for Paris at the end of next year – were “perhaps our last real opportunity to stave off truly dangerous and irreversible world-wide changes in our climate.”

Bill McKibben, leader of the 350.org campaign group, saw the findings as a call to arms to climate activists. “If you thought 2014 was hot, wait ‘til you see 2015. This means we need to turn up the flame even higher under the fossil fuel companies that are frying our planet,” he said.

A runner passes people sitting on a bench in the sunshine in Green Park on October 31, 2014 in London, England.  Temperatures in London are forecasted to exceed 20 degrees making today the hottest Halloween on record.
 Londoners enjoying record temperatures at Halloween. Photograph: Rob Stothard/Getty Images

The WMO report found the global average air temperature over land and sea surface for January to October was about 0.57C above the average of 14C for the 1961-1990 reference period, and 0.09C above the average for the past 10 years (2004-2013).

The most striking evidence of warming was probably in the oceans, however. Most of the excess heat trapped in the atmosphere by greenhouse gas emissions ends up in the oceans.

The WMO said global sea surface temperatures were 0.45C higher than the average over the last 50 years.

If November and December continue on the same course, then 2014 will edge out 2010, 2005 and 1998 as the hottest years ever known – but only by a few hundredths of a degree. Different data sets also show slightly different rankings, the WMO said.

In any event, the trend line is clear. The world is getting warmer, especially the oceans. Those higher temperatures were already exacting a toll, in terms of heavy rainfall and flooding in some countries, and extreme drought in others, the WMO said.

The agency dismissed outright the notion posed by some climate deniers of a pause in the warming trend.

“There is no standstill in global warming,” Jarraud said.

The world’s big three emitters – the US, China, and the EU – have pledged new targets for cutting their use of fossil fuels, injecting optimism into the Lima talks.

But scientists say even those targets are not enough to limit warming to 2C, and other big carbon polluters such as India, Russia, and Australia have yet to come on board.

Meanwhile, there were early signs of tension between the US and EU over the legal structure of the agreement that is due to be adopted in Paris next year.

Campaign groups monitoring the talks called on negotiators to take the new WMO findings to heart.

“The fact that we’re tracking towards the hottest year on record should send chills through anyone who says they care about climate change – especially negotiators at the UN climate talks here in Lima,” said Samantha Smith, who heads WWF’s climate and energy initiative. “This is more scientific evidence of the real impact climate change is having on our world. The changes will be felt the most by the most vulnerable people, whose lives and livelihoods are already being affected.”

This picture taken on July 30, 2014 shows a girl and her father collecting water from an almost dried up resevoir, two kilometers from their home, in Pingdingshan, central China's Henan province. Severe drought and scorching heat has damaged over a million hectares of farmland in China's Henan and Inner Mongolia provinces, with no immediate relief in sight, a state news agency reported.
 An almost dried up reservoir in Pingdingshan, central China’s Henan province, where severe drought damaged vast areas of farmland. Photograph: STR/AFP/Getty Images

The WMO found western North America, Europe, eastern Eurasia, much of Africa, large areas of South America and southern and western Australia were especially warm. South Africa, Australia, and Argentina started the year with blistering heat waves.

However, the US and Canada ushered in 2014 with the chill Arctic winds of the polar vortex. Central Russia also recorded cooler than average conditions for the year.

Europe also experienced extreme weather, with the UK buffetted by storms. A separate temperature data set, the world’s longest continuous record, showed England was on track for the hottest year in over three centuries. Higher temperatures cause more evaporation and more rain, and 2014 began with England’s wettest winter in over 250 years, leading to widespread flooding.

In Serbia, Bosnia-Herzegovina and Croatia, more than two million people were caught up in severe flooding. Parts of Turkey saw five times the normal amount of rain, and France experienced its wettest summer since 1959.

South Asia also experienced heavy rains, with severe flooding in northern Bangladesh, northern Pakistan and India, affecting millions of people in August and September.

For other parts of the world, however, 2014 brought drought. Rainfall in parts of the Yellow River basin in China were less than half of the summer average. A large swathe of the western US continued under drought. New South Wales and southeast Queensland in Australia also went without rain.

January-October 2014 temperatures highest on record (Science Daily)

Date: November 29, 2014

Source: World Meteorological Organization

Summary: The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration. It said October was the hottest since records began in 1880.

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to NOAA. October was the hottest since records began in 1880. Credit: NOAA

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). It said October was the hottest since records began in 1880.

NOAA said the combined global land and ocean average surface temperature for the January-October period was 0.68°C (1.22°F) above the 20th century average of 14.1°C (57.4°F). For October, it was 0.74°C (1.33°F) above the 20th century average of 14.0°C (57.1°F).

The high October temperature was driven by warmth across the globe over both the land and ocean surfaces and was fairly evenly distributed between the Northern and Southern Hemispheres. The Southern Hemisphere had its hottest October on record and the Northern Hemisphere its third warmest.

October marked the third consecutive month and fifth of the past six with a record high global temperature for its respective month (July was fourth highest).

The Tokyo Climate Center, which is a WMO Regional Climate Centre, also reported that October was the hottest on record. The record was also confirmed by data from NASA’s Goddard Institute for Space Studies.

WMO uses a combination of datasets to compile its annual Statement on the Status of the Global Climate. Additional information is drawn from the ERA-Interim reanalysis-based data set maintained by the European Centre for Medium-Range Weather Forecasts.

Further information: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/10