>Recorde de 2010 confirma aquecimento global e é alerta para desastres climáticos (O Globo, JC)

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Extremo e perigoso

JC e-mail 4183, de 21 de Janeiro de 2011

Marcado por desgraças climáticas de todos os tipos, 2010 foi considerado na quinta-feira pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) uma prova de que o aquecimento global está em curso. Classificado como o ano mais quente desde 1850, quando os registros começaram, 2010 está estatisticamente empatado com 1998 e 2005.

Porém, ele confirma a tendência de aquecimento observada ao longo do século XX e neste começo do XXI. E a década de 2001 a 2010 foi a mais quente da História. Se as emissões de CO2 e outros gases-estufa não forem reduzidas, alertou a OMM, a Terra se tornará cada vez mais quente e instável.

Segundo a OMM, uma agência que integra as Nações Unidas, nenhum fator natural explica a elevação da temperatura do planeta. Os dois principais agentes naturais que influenciam a temperatura planetária foram descartados.

A ação de vulcões, na verdade, contribuiu para reduzir a temperatura e, possivelmente, aliviar o ritmo do aquecimento. Na última década a atividade solar também foi menor do que a normal, o que também teria contribuído para diminuir a temperatura.

As emissões por ação humana dos gases do efeito estufa, todavia, continuam a aumentar.

– 2010 confirma a tendência de aquecimento a longo prazo – declarou na quinta-feira, em Genebra, o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

O ano de 2010 foi excepcionalmente quente em quase toda a África, no sul e no oeste da Ásia, na Groenlândia e no Ártico canadense. A camada de gelo sobre o Ártico no verão nunca esteve tão fina, tornando uma das regiões mais frias da Terra (a mais fria é a Antártica) o canário da mina do clima. A OMM alertou que embora a mais forte La Niña desde 1974 esteja em curso contribuindo para reduzir a temperatura global, a tendência é que 2011 também seja um ano marcadamente quente.

Todo tipo de evento climático extremo foi registrado em 2010. Os especialistas da OMM explicam que aquecimento global não significa necessariamente só mais calor.

Aquecimento global implica em extremos climáticos. E 2010 teve uma abundância de ondas de calor e frio extremos, enchentes, supertufões, desmoronamentos e secas.

Isso acontece porque a elevação da temperatura global lança mais energia no sistema climático da Terra. Essa energia desequilibra a delicada e complexa dinâmica climática. É por isso que nevascas e ondas de frio rigoroso podem ser ligadas ao aquecimento global.

– A tendência de aquecimento, infelizmente, prosseguirá e se fortalecerá ano após ano. Porém, a amplitude do problema será determinada pela quantidade de gases do efeito estufa que o homem liberará – alertou Michel Jarraud.

Um estudo independente apresentado esta semana e baseado em dados da própria ONU estimou que até 2020 a Terra estará 2,4 graus Celsius mais quente, com severas consequências na produção global de alimentos. Uma elevação de 2 graus na temperatura média é suficiente para intensificar e multiplicar chuvas, secas e ondas de frio e calor.

– Temos que agir depressa para limitar as emissões – frisou Bob Ward, do Centro de Pesquisa de Mudanças Climáticas Grantham, da Universidade de Londres.
(O Globo, 21/1)

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