>Sabesp diz que abertura de comportas de represa em Franco da Rocha era "inevitável" (R7)

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Vice-prefeito atribuiu alagamento em Franco da Rocha à ação da empresa
João Varella, do R7

Entorno do Hospital Estadual do Juqueri, na região central de Franco da Rocha, ficou completamente alagado na manhã desta quarta-feira (12). Luis Cleber/AE.

A direção da Sabesp, empresa responsável pelo saneamento básico em São Paulo, negou que a abertura das comportas da represa Paiva Castro tenha alagado a cidade de Franco da Rocha, na região metropolitana. A empresa atribuiu a enchente – no início da noite desta quarta-feira (12) partes do município permaneciam alagadas – a chuvas fora do comum e informou que a abertura da represa era “inevitável”. Caso contrário, a barragem se romperia e o alagamento seria ainda pior, disseram dirigentes da empresa.

Em entrevista na tarde desta quarta-feira, o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, afirmou que “as represas estão atenuando a ação das chuvas” em Franco da Rocha. Segundo o vice-prefeito, José Antônio Pariz Júnior, o alagamento foi provocado pela abertura da represa Paiva Castro, que, na manhã de terça-feira (11), atingiu o nível máximo.

Paulo Masato, diretor da Sabesp na região metropolitana, confirma que a abertura das comportas é responsável pela permanência da enchente em Franco da Rocha, mas ressalva que a ação era inevitável, uma vez que a represa estava muito cheia por causa das chuvas que atingiram a região. Segundo a Sabesp, a água será escoada gradualmente. Partes da cidade permanecem alagadas, porque o rio Juqueri tem agora capacidade menor de escoamento do que a represa demanda.

– Já tínhamos avisado a Defesa Civil e tivemos que tomar essa decisão de abrir mais as comportas. A Defesa Civil estava junto com a Sabesp. O que tem que fazer é melhorar a canalização do rio Juqueri.

No período das cheias, as represas retêm boa parte da vazão de água que chega ao rio, liberando esse volume aos poucos, de forma controlada, evitando ou reduzindo o impacto das inundações. Segundo Oliveira, a Sabesp segue todas as regras da ANA (Agência Nacional das Águas).
Se não chover, a previsão é de, na noite desta quarta-feira, a abertura comportas seja reduzida, diminuindo assim a área alagada. Masato diz que, a partir de agora, o volume de água no rio Juqueri deve começar a baixar. Segundo ele, no final da manhã desta quarta-feira, a represa Paiva Castro liberava 37,92 m³/s de água. Entre a 0h e a 7h, a barragem chegou a liberar 80 m³/s.

– A represa passou de um nível de 45% de água para, em menos de 18 horas, ir para 97%. Estamos descarregando agora 50 m³/s. A partir das 19h, vamos liberar só 10 m³/s. Isso, se não voltar a chover.

A vazão média da represa é de 1 m³/s – cada metro cúbico de água equivale a 1.000 litros (volume de uma caixa d’água residencial).

O recorde histórico de vazão se deu em janeiro de 1987, quando a represa passou a expelir média de 85 m³/s de água por quatro dias.

Cloro

O presidente da empresa anunciou que haverá distribuição de cloro para a população de Franco da Rocha. O produto deverá ser usado na higienização de casas que foram alagadas. Tendas da Sabesp estão sendo montadas na cidade para orientar os moradores.

– Faremos tudo que é necessário para mitigar os efeitos da chuva e colaborar com qualquer ação que as prefeituras venham a precisar.

Segundo a Sabesp, a prefeitura decidirá quando inicia a distribuição, que começará na estação de trem de Franco da Rocha.

Trovão

Masato teve sua explicação sobre o funcionamento da represa de Paiva Castro interrompiada pelo som de um relâmpago que anunciava chuva que cairia na capital paulista neste quarta-feira (12). A cidade foi colocada em estado de atenção às 17h50.

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