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A seca de SP na mídia (31 de outubro de 2014)

Seca – 2014 – ( Sudeste )* – Cronologia das Secas/Open Brasil

 31 de outubro de 2014

Nascente do Rio São Francisco.

A pior seca da História.

Com a falta de chuva, a principal nascente do Rio São Francisco, em Minas Gerais, secou pela primeira vez na história. Não é qualquer rio, é o São Francisco. A imagem de São Francisco de Assis na Serra da Canastra, em Minas, indica que a nascente do Velho Chico está por perto. Mas, com a paisagem mudada pela seca, fica difícil identificar o berço de um dos maiores rios do Brasil.

Sistema Cantareira

A maior seca em 45 anos.

A irregularidade da chuva no Estado de São Paulo dura desde o verão 2013/2014, estação do ano que, do ponto de vista das médias climáticas, tem os meses mais chuvosos. A presença de bloqueios atmosféricos sucessivos impediu a passagem de sistemas que causassem chuva, ou seja, o verão foi muito seco no Sudeste. Segundo dados do IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica) da USP (Universidade de São Paulo), esta foi a temporada com menos chuvas desde 1969. A seca atingiu uma área muito significativa do Sudeste.

Hidrovia Tietê/Paraná deu lugar a um cenário desolador: rios viraram filetes de água, como em Bariri /SP

O interior do estado de São Paulo enfrenta a pior seca dos últimos 70 anos.

Não é apenas a capital paulista que vive a maior crise no abastecimento de água da sua história. O rico interior do estado de São Paulo enfrenta a pior seca dos últimos 70 anos. O Rio Tietê baixou em até oito metros na região de Araçatuba, a 467 quilômetros de São Paulo, interrompendo há dois meses o tráfego de barcaças na Hidrovia Tietê/Paraná, uma das maiores do país, já que há lugares onde o rio está no nível zero.

A agricultura também sofre e as destilarias de açúcar e álcool, com quebra na safra em até 25%, já dispensaram trabalhadores.

Foto: A/D – Arquivo OpenBrasil.org
Cronologia das Seca – OpenBrasil.org

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Cronologia da seca na revista Veja

31 de Outubro de 2014
29 de Outubro de 2014
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20 de Outubro de 2010
23 de Abril de 2010
 

Fundação diz ter sido procurada após crise hídrica; governo nega (G1)

29/10/2014 22h47 – Atualizado em 30/10/2014 10h15

Palácio dos Bandeirantes diz que fundação tentou conversar com Alckmin.
Porta-voz deixou sede do governo sem ser recebido.

Do G1 São Paulo

O porta-voz da fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC) disse que conversou nesta quarta-feira (29) com assessores do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre a crise hídrica que afeta o estado. O Palácio dos Bandeirantes nega o encontro com o representante do grupo, que foi até a sede do governo, no Morumbi. A fundação diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais.

Segundo a assessoria de imprensa do governo do estado, Osmar Santos pediu para conversar com o governador. Como o assessor que cuida da agenda de Alckmin não estava no local, ele foi orientado a aguardar. Osmar Santos deixou um cartão com a secretária e partiu após cerca de 15 minutos. Ainda de acordo com o Palácio dos Bandeirantes, imagens mostram que ele não chegou a ser recebido.

Segundo Santos, já a partir desta sexta-feira (31), um  “jato de vento de baixos níveis e uma frente fria estarão presentes para se alinharem para formar um corredor de nuvens de chuva mais duradoura sobre o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil”. As mudanças climáticas já estariam ocorrendo depois que os executivos da Prefeitura e do Estado do Rio, junto de um grupo de empresários privados do setor energético, solicitaram a intervenção da fundação.

A única exigência feita pela FCCC é a de que os governos “não avancem nas águas do Rio Paraíba do Sul”, que abastecem o estado fluminense, mas a nascente é em São Paulo. “Evitando assim a guerra pela água iniciada meses atrás por São Paulo e barrado pela ANA (Agência Nacional de Águas)”, explicou Santos.

Santos disse ao G1 que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram no último dia 13 com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

FALTA D’ÁGUA EM SP
Seca afeta abastecimento

cinco questões sobre o tema

entenda o que é volume morto

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ANA diz que Sabesp tirou mais água que o permitido do volume morto

Presidente da Sabesp diz que cota de água acaba em novembro sem chuva

Reservatórios da Grande SP têm 15,8% do volume de água disponível

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[Atualização]

29/10/2014 22h47 – Atualizado em 30/10/2014 13h54

Fundação esotérica oferece ajuda em crise hídrica; governo nega encontro

Palácio diz que porta-voz de fundação tentou conversar com Alckmin.
Porta-voz deixou sede do governo sem ser recebido, diz assessoria.

Do G1 São Paulo

O porta-voz da fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC) disse que procurou nesta quarta-feira (29) o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para oferecer apoio na crise de abastecimento que afeta o estado. A fundação diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais.

Apesar de a Fundação afirmar que foi recebida por assessores e que nova reunião chegou a ser marcada para acertar detalhes da colaboração, o Palácio dos Bandeirantes nega o encontro com o representante do grupo, que esteve na portaria da sede do governo, no Morumbi.

Segundo a assessoria de imprensa do governo do estado, Osmar Santos pediu para conversar com o governador. Como o assessor que cuida da agenda de Alckmin não estava no local, ele foi orientado a aguardar. Osmar Santos deixou um cartão com a secretária e partiu após cerca de 15 minutos, segundo a assessoria do governo. Ainda de acordo com o Palácio dos Bandeirantes, imagen do sistema de segurança mostram que ele não chegou a ser recebido.

O porta-voz da Fundação alega que já a partir desta sexta-feira (31), um  “jato de vento de baixos níveis e uma frente fria estarão presentes para se alinharem para formar um corredor de nuvens de chuva mais duradoura sobre o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil”. As mudanças climáticas já estariam ocorrendo depois que os executivos da Prefeitura e do Estado do Rio, junto de um grupo de empresários privados do setor energético, solicitaram a intervenção da fundação, segundo Santos.

A única exigência feita pela FCCC é a de que os governos “não avancem nas águas do Rio Paraíba do Sul”, que abastecem o estado fluminense, mas a nascente é em São Paulo. “Evitando assim a guerra pela água iniciada meses atrás por São Paulo e barrado pela ANA (Agência Nacional de Águas)”, explicou Santos.

Santos disse que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram no último dia 13 com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

Pela primeira vez, Alckmin apela para Fundação Cacique Cobra Coral (Veja SP)

CLIMA

O governador contatou nesta semana o grupo conhecido por ser capaz de manobrar fenômenos naturais e, inclusive, fazer chover

Osmar Santos, porta-voz da Fundação: convênio à vista (Foto: Mario Rodrigues)

29.out.2014 por Carolina Giovanelli

Em meio a uma preocupante crise hídrica na cidade, o governador reeleito Geraldo Alckmin contatou pela primeira vez a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), que se diz capaz de manobrar fenômenos naturais e alterar o clima do planeta. Osmar Santos, porta-voz do grupo, conversou hoje, quarta (29), durante meia hora com um assessor da secretaria particular do governador. O combinado é que o Palácio dos Bandeirantes volte a ligar na semana que vem para agendar um encontro diretamente com Alckmin.

O trabalho da FCCC se dá através da médium Adelaide Scritori, que afirma contar com a ajuda de uma entidade umbandista conhecida como Cacique Cobra Coral. A “parceria” conseguiria promover mudanças em relação a raios, trovões e tempestades. Há convênios com diversas empresas particulares, governos e prefeituras. “Não pedimos dinheiro, mas contrapartidas como construção de obras de geração de energia para beneficiar a população”, diz Santos.

No fim de agosto, Scritori chegou a mandar uma notificação por e-mail dirigida a Alckmin, alertando que o período chuvoso atrasaria esse ano e que medidas urgentes precisavam ser tomadas. Não obteve resposta.

Se o convênio com o governador for selado e ele cumprir as exigências, Santos garante que a seca é reversível. Se não, a previsão para o ano que vem se mostra das piores, com chuvas irregulares e insuficientes para recuperar os reservatórios.

+NASA publica fotos do Sistema Cantareira antes e depois da seca

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+Seca afeta 6 milhões de pessoas no interior do estado

Um gráfico fiel da situação do Cantareira (Folha de S.Paulo)

ONGs apresentarão ações de curto prazo para ajudar a enfrentar a crise hídrica atual

Nesta quarta-feira (29.out), 29 ONGs apresentarão 196 ações de curto prazo e outras 191 de longo prazo para que o Estado de São Paulo possa enfrentar sua grave crise hídrica atual. A mobilização Aliança pela Água envolve grandes entidades nacionais, como o Instituto Socioambiental e a Fundação SOS Mata Atlântica, assim como organizações de atuação internacional, como Greenpeace, The Nature Conservancy, World Resources Institute e WWF.

Veja matéria completa em: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2014/10/28/um-grafico-fiel-da-situacao-do-cantareira/

(Maurício Tuddani / Folha de S.Paulo)

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Volume do Sistema Alto Tietê cai para 7%

Segundo maior manancial que abastece a Grande São Paulo teve queda de 0,2 ponto percentual de terça para quarta; MPE pediu por redução da retirada de água

O volume do sistema Alto Tietê caiu 0,2 ponto percentual entre terça-feira, 28, e esta quarta-feira, 29. A capacidade, que estava em 7,2%, está agora em 7%, de acordo com o mais recente levantamento divulgado pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). O Alto Tietê é o segundo maior manancial que abastece a Grande São Paulo e também caminha para o esgotamento.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,volume-do-sistema-alto-tiete-cai-para-7,1584823

(Marco Antônio Carvalho e Fabio Leite / O Estado de S. Paulo)

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MPE aciona Justiça para Sabesp reduzir captação do Alto Tietê

Em ação, promotores afirmam que autorização dada pelo DAEE para companhia retirar 5 mil litros por segundo a mais do manancial em plena crise “está fundada em dado ideologicamente falso”

O Ministério Público Estadual (MPE) moveu nesta terça-feira, 28, uma ação civil pública ambiental pedindo a redução imediata do volume de água retirado do Sistema Alto Tietê pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Utilizado desde o início do ano pela empresa para socorrer bairros atendidos pelo Sistema Cantareira, o segundo maior manancial da Grande São Paulo está perto do esgotamento, com apenas 7,2% da capacidade.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,mpe-aciona-justica-para-sabesp-reduzir-captacao-do-alto-tiete,1584524

(Fabio Leite /O Estado de S. Paulo)

O longo dia seguinte (El País)

A escassez de água em São Paulo é o rei nu das eleições de 2014. No momento em que a maior cidade do país se transforma num cenário de distopia, o processo eleitoral chegou ao fim sem nenhum debate sério sobre o meio ambiente e o modelo de desenvolvimento para o Brasil

 – 27 OCT 2014 – 12:05 BRST

Chegamos ao dia seguinte sem que o futuro tenha sido de fato disputado. Se a eleição de 2014 foi a mais acirrada das últimas décadas, não só pelos candidatos, mas pelos eleitores, terminou sem debate. Não havia adversários nem nos estúdios de TV, onde os candidatos rolavam ora na lama, ora na retórica mais medíocre, nem nas redes sociais, elas que se tornaram as ruas realmente tomadas pela militância. Havia apenas inimigos a serem destruídos. As fraturas do país dizem respeito bem menos à pequena diferença entre a vencedora e o derrotado – e bem mais a uma fissura entre o país que vivemos e o país inventado. Não como uma fabulação, que é a matéria de qualquer vida. Não como uma utopia, que é onde se sonha chegar. Mas como um deslocamento perverso da realidade, uma cisão. Só essa desconexão pode explicar como a maior cidade do país transformava-se num cenário de distopia durante o primeiro e o segundo turnos eleitorais sem que em nenhum momento o meio ambiente e o modelo de desenvolvimento tenham entrado na pauta com a seriedade necessária. Chegamos ao dia seguinte como parte dos moradores de São Paulo: olhando para o céu à espera de que uma chuva venha nos salvar. E é com essa verdade profunda que temos de lidar.

Se a eleição pareceu interminável, o dia seguinte poderá ser muito mais longo. E seria, qualquer que fosse o vencedor. Com qualquer um deles, o que se disputou foi o poder, não um projeto de país. São Paulo talvez seja a expressão hiper-real desse momento, seja nossa escultura de Ron Mueck, o artista australiano que cria figuras humanas em dimensões superlativas. É como se o futuro tivesse chegado antes na cidade expandida, mais próximo da sombria ficção científica de Philip K. Dick do que da megalópole de comercial de TV onde os novos modelos de carros deslizam céleres por ruas sem trânsito.

Nesse cenário, Geraldo Alckmin, o governador do partido que há 20 anos está no poder foi reeleito no primeiro turno. Confrontados com a crise da água, Aécio Neves (PSDB) disse: “Vivemos a maior estiagem dos últimos 80 anos, e a meu ver o Estado fez algo absolutamente adequado, que foi propor bônus para aqueles que economizassem. Talvez o que tenha faltado foi uma parceria maior do governo federal”. E Dilma Rousseff (PT) rebateu: “Eu disse a ele (Alckmin): governador, pela minha experiência, acho que o senhor deveria fazer obras emergenciais. Porque tudo indica que essa seca se prolongará, e vocês não têm capacidade de abastecimento suficiente”.

Pode existir exibição maior de mediocridade do que essas respostas dadas por aquela que queria continuar presidente e por aquele que desejava se tornar presidente? É de chorar sentado em um dos reservatórios do sistema Cantareira, mas a maioria dos eleitores não pareceu se importar. Um sugere que basta chover ou dar bônus aos consumidores, a outra que obras emergenciais teriam solucionado todo o problema. Nenhum demonstrou nem capacidade nem vontade de fazer relações com o modelo de desenvolvimento, o esgotamento dos recursos, o desmatamento e o modo de vida.

O monstro bafejava na sala, mas os presidenciáveis disputavam quem tinha dado o nó no rabo do gato

Assim, enquanto São Paulo se transformava numa vitrine do cotidiano corroído pela degradação ambiental, o máximo de discussão que se conseguiu foi sobre de quem é a culpa. Isso num momento global em que as mudanças climáticas e suas consequências são consideradas por alguns dos pensadores mais relevantes do planeta, em todas as áreas, o tema de maior importância desse período, talvez de toda história humana. A cisão com a realidade é total. O monstro bafejava na sala, mas os presidenciáveis disputavam quem tinha dado o nó no rabo do gato.

Mesmo Marina Silva muito pouco tocou nesses temas ao disputar o primeiro turno, desassemelhando-se a si mesma. Ela, de quem se esperava que fizesse a diferença fazendo diferente, preferiu falar sobre a autonomia do Banco Central. No máximo escaparam, ela e todos, pela bandeira fácil do “desenvolvimento sustentável”, como se algum candidato fosse dizer que não quer desenvolvimento sustentável e como se este fosse um conceito já dado. Mas tocar nos temas cruciais do presente e do futuro, disputar a escolha do modelo de desenvolvimento em pontos concretos, com a seriedade que o momento histórico exige, não. O meio ambiente ficou fora da pauta dos presidenciáveis por escolha de conveniência, já que esse é o debate difícil, ao implicar mudanças no modo de vida dos eleitores, mas também porque a população têm escasso ou nenhum interesse no tema, apesar de a degradação ambiental roer o cotidiano. Essa é a fratura da negação.

A escassez de água na maior cidade brasileira é o rei nu destas eleições de 2014. E é por isso que vale a pena revisitar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB). A seca acentua a nuvem de poluição que envolve a capital, o nariz sangra, a tosse se instala, o recorde de calor fora de época esgarça os nervos dentro de carros e ônibus que se movem lentamente num gigantesco labirinto de concreto. A crise tem produzido cenas como a de caminhões-pipa com escolta policial, prontos para dominar a população desesperada de um interior pintado como bucólico. A polícia que massacrou os manifestantes, agora se prepara para reprimir os sem-água. A imagem dos reservatórios remete ao repertório de geografias historicamente calcinadas. A vida torna-se pior, bem pior. E torna-se bem pior em ritmo acelerado.

Era de se esperar que a experiência cotidiana concreta tivesse um impacto nas urnas. Mas, neste cenário, o governador reelegeu-se ainda no primeiro turno, repetindo: “Não vai faltar água”. E a água já faltava. Se as pessoas votam de forma pragmática, votam pelo retorno imediato, votam naquele que acreditam que vai melhorar a vida delas, por que a crise da água teve pouco ou nenhum impacto na eleição? Seria porque a educação, a saúde, a segurança estiveram excelentes nesses 20 anos de governo do PSDB em São Paulo, o que compensaria a escassez de água? Não é o que a realidade mostra. A crise da água tampouco atingiu o desempenho de Aécio Neves, que no segundo turno conquistou 64% dos votos válidos no estado de São Paulo. Que cisão, então, ocorreu nesse momento? E o que ela diz? Ou como a escassez de água não colou na eleição, ou de que forma se colou?

A polícia que massacrou os manifestantes de junho de 2013 agora se prepara para reprimir os sem-água de 2014

Não tenho respostas, só hipóteses. Uma hipótese possível seria a mesma pela qual a candidatura de Marina Silva erodiu. Marina cometeu vários erros nessa campanha, alguns deles primários. Mas há um deles, que para muitos soa como erro, mas que não me parece que seja. Seu discurso era menos afirmativo do que os eleitores estão acostumados. Ela propunha a construção de soluções, mais do que propostas acabadas (ainda que tenha sido a única entre os três candidatos com chances no primeiro turno a apresentar um programa de governo). Propunha escuta.

Seu discurso foi classificado como “difuso” e “vago”. Às vezes, ser difuso e ser vago são as únicas verdades possíveis em determinado momento histórico, como mostraram as manifestações de junho de 2013. Mas logo essas características, também nela decodificadas como defeitos, foram transformadas em “fraqueza”. E, na sequência, em identidade. Assim, a mulher que nasceu num seringal do Acre, trabalhou desde criança em condições brutais, passou fome, alfabetizou-se aos 16 anos, foi empregada doméstica, sobreviveu a três hepatites, cinco malárias e uma leishmaniose, além de sofrer contaminação por mercúrio, e ainda assim tornou-se professora com pós-graduação, senadora, ministra, uma das maiores lideranças ambientais do planeta e por fim uma candidata à presidência com chances de vencer, foi considerada “fraca”. Mais uma fratura entre imagem e realidade.

As afirmações peremptórias, com pontos de exclamação, assim como as certezas, são mercadorias valorizadas. Em geral ordinárias, mas valorizadas mesmo assim. Num momento em que a falta de controle parece se expressar em toda a sua assustadora grandiosidade, como na escassez de água em São Paulo, assim como na corrosão das condições de vida pela degradação ambiental, talvez as certezas, mesmo que falsas e irresponsáveis, tornem-se ainda mais valorizadas. Talvez a virtude encontrada em Alckmin por parte dos eleitores seja a da negação da realidade: “Tudo sob controle. Não vai faltar água”.

Uma garantia expressada sem hesitação ou titubeio, em voz firme, quando a água se esvai das torneiras e a vida converte-se literalmente em cinza, uma garantia falsa, parece ainda soar como uma garantia. E logo é decodificada como força, como a expressão de alguém que sabe liderar e sabe o que fazer e, principalmente, nos libera de ter de fazer algo. Sua vantagem é manter viva a ilusão mais cara, a ilusão do controle. Esta seria uma cisão para encobrir a fratura maior, a de que os responsáveis não têm responsabilidade. E a de que cada um, que também é responsável pela destruição ambiental, tampouco quer ser responsável, porque isso implicaria mudar de posição e alterar radicalmente seu modo de vida.

Talvez a virtude encontrada em Geraldo Alckmin pelos eleitores seja a da negação da realidade

Ao esforço de mudar o modo de vida poucos aderem, porque dá trabalho e provoca perdas, exige mediação e concessão. Para muitos, já parece um sacrifício excessivo diminuir o tempo do banho, imagina alterar radicalmente o cotidiano. Assim, vale mais a pena escolher não a ficção, mas a mentira – e ficção e mentira jamais podem ser confundidas –, porque dessa maneira se torna possível manter o máximo de tempo possível uma rotina que não apenas é insustentável a longo prazo, como já não se sustenta agora. E também a fantasia sobre si mesmo como um bom cidadão.

Soa mais conveniente, portanto, acreditar nessa versão mágica, a de que não vai faltar água, quando já está faltando água, promovendo uma cisão com a realidade. De novo, portanto, é um voto pragmático, voltado ao bem-estar imediato de não ter de se mover. De não precisar fazer nada ou muito pouco a respeito. Voltado a algo talvez mais caro do que água, a certeza de que há sempre uma saída que não exija comprometimento e mudança real. Uma saída em que apenas os outros façam o sacrifício, como sempre foi no caso do racionamento muito mais antigo e persistente na casa dos pobres.

No fim da semana passada, foi divulgada uma gravação em que Dilma Pena, a presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), dizia numa reunião interna: “A Sabesp tem estado muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar mais na mídia, sabe, (…) nas rádios comunitárias, (…) todos falando, com um tema repetido, um monopólio: economia de água. ‘Cidadão, economize água’. Isso que tinha que estar reiteradamente na mídia, mas nós temos de seguir orientação, nós temos superiores, e a orientação não tem sido essa. Mas é um erro”. O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, fez o seguinte comentário na mesma reunião: “Se repetir o que aconteceu esse ano, do final de 2013, de outubro pra cá, se voltar a repetir em 2014, confesso que eu não sei o que fazer. Essa é uma agonia, uma preocupação. Alguém brincou aqui, mas é uma brincadeira séria. Vamos dar férias para oito milhões e oitocentos mil habitantes e falar: ‘saiam de São Paulo’. Porque aqui não tem água, não vai ter água pra banho, pra limpeza da casa, quem puder compra garrafa, água mineral. Quem não puder, vai tomar banho na casa da mãe lá em Santos, lá em Ubatuba, Águas de São Pedro, sei lá, aqui não vai ter”.

É gravíssimo que a presidente da Sabesp tenha sido impedida, por qualquer motivo e mais ainda por motivos eleitoreiros, de alertar a população sobre a enormidade do problema. É criminoso e deve haver apuração e responsabilização de todos os envolvidos. Mas precisamos ter a honestidade de assumir que dificilmente, em 5 de outubro, data da votação do primeiro turno, algum cidadão pudesse alegar desconhecer a situação e a necessidade de economizar água durante a prolongada seca que enfrenta São Paulo.

É bastante sedutor o dogma de que o homem pode controlar a catástrofe ambiental que provocou

Geraldo Alckmin deu a mentira que a população queria ouvir porque conhece bem seus eleitores. Parodiando o título do livro do escritor Ferrez, não há inocentes em São Paulo. A reeleição de Alckmin talvez seja um daqueles fenômenos sustentados pela expectativa de que, se mentirmos todos, talvez vire verdade. Em parte, o governador pode não ter vencido apesar da crise da água, mas também por causa dela.

A crise da água na maior cidade brasileira, em plena eleição, é fascinante pelo que diz daquilo que não é dito. Se é um fato que faltou planejamento ao governo estadual tucano, que aí está há 20 anos e agora por mais quatro, esta é só a ponta explícita, a mais fácil de enxergar (ainda que deliberadamente a maioria dos eleitores a tenha ignorado nas urnas). Mas, ao colocar a parte no lugar do todo, revela-se essa crença arraigada, e por estes dias também desesperada, de acreditar que teria bastado algumas obras para escapar do que se tornou a vida cotidiana em São Paulo, na qual a água é apenas a ausência mais gritante. É o dogma, quase religioso, de que o homem pode controlar a catástrofe ambiental que provocou.

De novo, a ilusão do controle, mesmo quando a realidade aniquila os dias, mesmo quando no fundo cada um sabe que, fora e dentro, algo de fundamental da vida de cada um se esvai. Quanto mais se sente que o controle escapa, no miúdo e no macro do cotidiano, maior é a recusa em enxergar. O desastre já passou da porta de casa, mas ainda se crê que basta chover para tudo voltar a ser como antes, que já era ruim, mas menos. Ou que se o não planejado for feito, ainda que tarde, o problema de São Paulo está resolvido. Cinde-se de novo – e talvez uma parte significativa da população sequer perceba que a escassez de água tem causas ambientais profundas. Como se as questões do meio ambiente, que aqui estão, estivessem lá, no mundo abstrato dos outros.

A política ambiental de Dilma Rousseff, agora reeleita, foi um retrocesso para o Brasil

Dilma Rousseff foi reeleita. Sua política ambiental, se é que pode se chamar assim, foi um retrocesso. A visão sobre a Amazônia do governo se notabilizou pela semelhança com o projeto da ditadura militar para a região. Em sua gestão, obras como a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, foram impostas aos povos da floresta sem consulta prévia, autoritarismo que levou o Brasil à Comissão Interamericana de Diretos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Seu próximo alvo é barrar o belo rio Tapajós, onde encontra a resistência dos Munduruku e de comunidades agroextrativistas,como a de Montanha e Mangabal. Pressionado pelo processo eleitoral, o governo disse que, desta vez, cumprirá a lei e ouvirá os índios, mas não escutará os ribeirinhos.

A presidente também arrancou um naco do Parque Nacional da Amazônia para facilitar o caminho das hidrelétricas planejadas para o Tapajós. Mas só criou unidades de conservação na Amazônia a 12 dias do segundo turno, na tentativa de minimizar a repercussão de seu péssimo desempenho no setor. O desmatamento na Amazônia voltou a crescer: 191% no bimestre de agosto e setembro deste ano, comparado à 2013. Segundo o Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia), porque o governo adiou a divulgação dos dados oficiais para depois das eleições. Dilma foi também a presidente que menos demarcou terras indígenas desde a redemocratização do país.

Pessoas respeitáveis defenderam nestas eleições que o susto de quase perder o poder fará Dilma Rousseff e o PT retomarem algumas lutas históricas, também no horizonte socioambiental. Veremos. Em seu discurso da vitória, neste domingo (26/10), Dilma falou em “diálogo”. E em “pontes”. Num pronunciamento bem pensado, em que a presidente reeleita podia colar tudo, já que o cargo estava garantido por mais quatro anos, vale a pena prestar atenção nas ausências. Dilma Rousseff não mencionou nem “índios” – e nem “meio ambiente”.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

Seca em SP deve continuar em 2015, diz cientista (OESP)

Organização Mundial de Meteorologia prevê influência do El Niño ainda neste ano, que já é considerado o mais quente desde 2004

A seca em São Paulo deve continuar em 2015, desta vez associada também ao desenvolvimento do fenômeno El Niño, afirmou ao Estado o secretário-geral adjunto da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Jeremiah Lengoasa.

O aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, na altura do Peru e do Equador, provocará a formação de nuvens que tendem a ser arrastadas pelos ventos na direção oeste.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,seca-em-sp-deve-continuar-em-2015-diz-cientista,1584016

(Denise Chrispim Marin / O Estado de São Paulo)

Seca em SP deve continuar em 2015, diz cientista

28/10/14 – A seca em São Paulo deve continuar em 2015, desta vez associada também ao desenvolvimento do fenômeno El Niño, afirmou ao Estado o secretário-geral adjunto da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Jeremiah Lengoasa.

O aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, na altura do Peru e do Equador, provocará a formação de nuvens que tendem a ser arrastadas pelos ventos na direção oeste. Mas não para a América do Sul, explicou o cientista sul-africano, que participou ontem da abertura da 40.ª Sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês), em Copenhague (mais informações abaixo).

“É a natureza tentando se modelar para atingir seu normal”, declarou, em entrevista ao Estado. “Se entendermos melhor os padrões de oscilação do fenômeno El Niño, poderemos prever de forma mais precisa e tornar disponível essa informação para os governos e as populações a serem atingidas. Mas a mudança do clima está tornando essa tarefa muito difícil.”

Lengoasa explicou que o fenômeno El Niño foi mais agressivo entre 1997-98, quando provocou o aumento médio de 0,5 grau Celsius na temperatura média mundial e levou a uma mudança severa na distribuição das chuvas. Em 2010, voltou a apresentar-se de maneira intensa, mas não tão forte como antes. “Já há 70% de chances de o El Niño surgir muito cedo, ainda no final deste ano. Se tiver o mesmo efeito de 97-98, isso será caracterizado por uma imensa seca no mundo”, disse. “Mas ainda há possibilidade de ele não se desenvolver de maneira tão forte.”

A OMM apresentará, nas próximas semanas, um relatório preliminar sobre o comportamento meteorológico de 2014. O ano é considerado o mais quente desde 2004, segundo análise dos dez primeiros meses, mesmo com os efeitos em curso do fenômeno de resfriamento conhecido como La Niña. Durante conferência neste mês, a organização estudará particularmente os dois fenômenos, El Niño e La Niña, com especial atenção para o efeito do primeiro no aquecimento das camadas mais profundas do Oceano Pacífico, abaixo de 2 mil metros. Esses dados serão acrescentados aos modelos atuais de previsão do clima. Em especial, para a melhor detecção de eventos extremos.

Recomendações

Para países que enfrentam eventos climáticos extremos, como o Brasil, Lengoasa faz algumas recomendações. Primeiro, fortalecer os serviços hidrometeorológicos, que oferecem as informações sobre o clima. Segundo, de acordo com ele, os países devem intensificar o diálogo entre diferentes ministérios sobre a mudança climática. O apoio aos esforços mundiais, como o da 21.ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP21), é sua terceira sugestão. A expectativa é de um acordo sobre compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa na COP21, em maio, em Paris.

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Coping with water scarcity: Effectiveness of water policies aimed at reducing consumption evaluated (Science Daily)

Date: October 23, 2014

Source: University of California, Riverside

Summary: Southern California water agencies have turned to new pricing structures, expanded rebate programs and implemented other means to encourage their customers to reduce consumption. Some of those policies have greatly reduced per capita consumption, while others have produced mixed results.


As California enters its fourth year of severe drought, Southern California water agencies have turned to new pricing structures, expanded rebate programs and implemented other means to encourage their customers to reduce consumption.

Some of those policies have greatly reduced per capita consumption, while others have produced mixed results, according to a report published in the UC Riverside School of Public Policy journal Policy Matters. The journal is published quarterly by the School of Public Policy, and provides timely research and guidance on issues that are of concern to policymakers at the local, state, and national levels.

Water policy experts Kurt Schwabe, Ken Baerenklau and Ariel Dinar reviewed some of their recent research that was presented at a UCR workshop on urban water management in June 2014. Schwabe and Baerenklau are associate professors and Dinar is professor of environmental economics and policy. The workshop highlighted efforts by Southern California water agencies to promote water conservation, relevant research findings by UC faculty, and challenges that remain to further reduce water demand.

“California is a water-scarce state and needs to have policy tools to deal with scarcity whether in drought years or otherwise,” Dinar said. Water policy research in the School of Public Policy focuses on strategies that agencies and California can take to help reduce vulnerability to drought.

Water utilities throughout California are working to satisfy a 2010 state mandate to reduce per capita urban water demand 20 percent by 2020. Reducing residential water demand is an appealing response to water scarcity as approaches such as building more storage and conveyance systems have become increasingly expensive, the authors wrote in “Coping with Water Scarcity: The Effectiveness of Allocation-Based Pricing and Conservation Rebate Programs in California’s Urban Sector.”

“Reducing residential water demand is also attractive given it is a local solution to relieving water stress with seemingly much recent success,” they wrote.

Efforts to reduce water demand by changing behavior fall into two categories: price and non-price, the researchers said. Price-based approaches focus on adjusting the price of water while non-price approaches include other demand-management strategies such as the use of water-conserving technologies and conversion of lawns to drought-tolerant landscape, often promoted with rebates, and mandatory restrictions.

“Price-based instruments for water management … have proven to be very effective when compared to non-price instruments,” the researchers found.

One such instrument is the “water budget,” which has been adopted by more than 25 Southern California water agencies in recent years. Water budgets typically are defined as an indoor allocation based on the number of people in the house and an outdoor allocation based on the amount of irrigable land, special needs, and local weather conditions, according to the report. The sum of the indoor and outdoor allocations is a household’s water budget. Staying within that budget is deemed efficient use. Water use that exceeds a household’s budget is considered inefficient, and is priced at a higher rate to encourage conservation.

“Recent empirical evidence within southern California suggests that this sort of pricing structure can be very effective for reducing residential water demand while securing the financial cash-flow of the water utility,” the researchers reported.

Non-price efforts to reduce water consumption have not been as effective, however. For example, the researchers refer to a study of 13 groundwater-dependent California cities in which modest water price increases were more effective and more cost-effective than promoting technology standards to curb water consumption.

Some studies have found that rebate programs, in particular, have shown smaller-than-expected water savings, the researchers said in the report. For example, studies show that low-flow showerheads tend to result in longer showers and frontloading washing machines result in more cycles.

“This does not mean that such measures should be abandoned, but rather suggests that achieving real water savings in a cost-effective manner requires more research and partnerships between agencies and the research community to find an optimal mix between these two approaches,” the researchers said.


Journal Reference:

  1. Kurt Schwabe, Ben Baerenklau, and Ariel Dinar. Coping With Water Scarcity: The Effectiveness of Allocation-Based Pricing and Conservation Rebate Program in California’s Urban Sector.. Policy Matters, Volume 6, Issue 1, 2014 [link]

Suando no apocalipse (Folha de S.Paulo)

24/10/2014 02h00

Michel Laub

Num ensaio sobre “Júlio César”, filme de Joseph Mankiewicz baseado em Shakespeare, Roland Barthes vê na transpiração dos personagens um sinal de moralidade. “Todos suam porque debatem algo consigo mesmos”, escreve o pensador francês. Homens até então virtuosos, como Brutus, demonstram o “enorme trabalho fisiológico” que dá abandonar princípios para cometer um crime.

Se há uma moral no suor derramado em São Paulo, que teve dias de 37 graus em meio a uma crise hídrica sem precedentes, ela também deveria vir de uma espécie de culpa: a lembrança de que o clima excêntrico dos últimos anos nasce de uma responsabilidade coletiva, dos danos que nosso estilo de vida causa à natureza segundo a quase unanimidade dos cientistas.

É sobre a dificuldade de reconhecermos isso, entre outros temas, que trata uma entrevista recente do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e da filósofa Déborah Danowski à jornalista e escritora Eliane Brum. Se um utopista consegue imaginar coisas grandes e abstratas, como o tal do mundo melhor, mas não implementá-las na prática, hoje seríamos o contrário: tecnicamente capazes de fazer drones e bombas, mas não de conceber –ao menos em empatia– a hipótese concreta de seus efeitos.

Daí nasce a leviandade com que seguimos tratando florestas, rios e cidades, apesar dos múltiplos alertas. Na entrevista, publicada no site do “El País”, o cenário em que estamos prestes a entrar –uma megalópole sem água– é descrito como uma versão real da ficção maia do fim do mundo, uma narrativa sem redenção em que “nosso primeiro pé já encontrou o nada”.

A saída para amenizar o estrago seria a superação de um modelo baseado na “acumulação de lixo como principal produto”. Aqui entra o lado político de Viveiros de Castro, que desagrada petistas, tucanos e qualquer um que celebre a entrada de milhões de brasileiros no mercado consumidor. Na campanha que se encerra domingo, os argumentos do antropólogo foram compreensivelmente ignorados.

Segundo ele, a visão do pobre como um “nós de segunda classe”, alguém que deve ser melhorado para se tornar no futuro o que somos hoje –com nossas geladeiras, carros, comida transgênica barata e farta, Netflix sob o ar-condicionado silencioso–, é parte do problema. Não há recursos que deem conta de tanta demanda sem causar desmatamento, poluição, fluxos migratórios forçados e trágicos.

Um otimista à esquerda dirá que o caminho não é o crescimento sem limites, e sim uma distribuição radical da riqueza. Viveiros de Castro usa a expressão “superdesenvolvido” para nações como os Estados Unidos, onde o gasto individual é o equivalente ao de 32 pessoas do Quênia. Já um otimista à direita dirá que o capitalismo sempre criou tecnologias que o salvaram de impasses como o atual.

Tendo como parâmetro a história, na qual também há tragédias suficientes geradas pelo igualitarismo puro e duro (e que não é igualitarismo, vide a ex-URSS), o segundo cenário é mais possível. Difícil imaginar o Primeiro Mundo abrindo mão de sua riqueza voluntariamente e no prazo necessário. Ou países com imensas dívidas sociais –Brasil, Índia, China– desistindo de sua chance de desenvolvimento tardio.

O problema é que “possível” é diferente de “provável”. O otimismo gosta de se alimentar da falta de informação. Ou de uma ingenuidade teimosa em relação à boa fé e visão de longo prazo de quem nos dirige. A usina nuclear de Fukushima foi construída numa área sujeita a tsunamis. No circo negacionista da Sabesp, somos palhaços por motivos eleitorais.

Num outro ensaio de Barthes, igualmente sobre um tema a calhar aqui –o plástico–, o milagre é definido como uma “conversão brusca da natureza”. O mesmo daria para dizer de seu avesso, a catástrofe. Déborah Danowski acredita que a dúvida não é mais sobre se ela vai acontecer, e sim sobre sua dimensão –a diferença entre um aquecimento de dois, quatro ou seis graus na Terra, entre uma vida “difícil” e uma “hostil à espécie humana”.

Diante disso, acrescenta Viveiros de Castro, nos restará pouco além de aprender com aqueles que, sem sonhos produtivos e consumistas, são o oposto dos pobres: os índios. No Brasil, eles experimentam o apocalipse desde 1500. Se há algo que conhecem bem, é como tentar “viver melhor num mundo pior”, num presente/futuro que foi “roubado por nós mesmos de nós”

Os sem água de São Paulo (Adital)

22/10/2014 – 05h27

por Roberto Malvezzi, Gogó*

torneira Os sem água de São PauloA nordestina que assistia televisão começa a chorar quando vê o sofrimento de uma mulher paulistana da periferia, com a pia cheia de pratos, o vaso sanitário cheio de outras coisas, há dois dias sem tomar banho e sem saber como lidar com essa penúria de água.

Essa história ouvi na cidade de Canudos nesse sábado passado, aqui no sertão da Bahia, local simbólico da luta nordestina pela terra e pela água. Quem me contou foi o Pe. Alberto, pároco da cidade, durante a romaria de Canudos que acontece todos os anos.

Não queria estar na pele de Geraldo Alckmin quando essa eleição passar. Quando os “sem água” saírem às ruas, como fizeram em Cochabamba (Bolívia), em Rosário (Argentina) ou em tantas cidades nordestinas em outras épocas, a classe política vai conhecer o que é a fúria popular causada pela sede. Como se diz aqui pelo sertão “a fome e a sede tem cara de herege”.

O sofrimento humano causado pela falta d’água se generaliza em todo o país. Primeiro como resultado de um processo histórico de degradação e maltrato para com nossos mananciais. Segundo pela incapacidade total de nossas autoridades que tem poder de decisão de ver o que acontece e tomar medidas preventivas contra o pior. Terceiro porque a questão eleitoral não permite o debate sério que a cidade de São Paulo e outras regiões do país – como o São Francisco – terão que tomar ao menos para sobreviver, causando até piedade de uma senhora nordestina que sabe o que é passar uma vida labutando por um pouco de água. Hoje, no sertão de Canudos, ela está muito melhor que a paulistana.

O sofrimento humano deveria gerar solidariedade, não preconceitos e raivas. Prefiro a sensibilidade da nordestina de Canudos que todos os discursos feitos nessa eleição contra o Nordeste e seu povo. A voz das redes sociais, então, mesmo vindo de médicos, advogados, políticos, intelectuais, etc., espelha o que há de pior no ser humano. A lágrima da nordestina o que há de melhor no Nordeste e no povo brasileiro.

Mas, Alckmin que se proteja. Basta um palito de fósforo e essa água pega fogo.

* Roberto Malvezzi, Gogó, é da Equipe CPP/CPT do São Francisco. Músico. Filósofo e Teólogo.

** Publicado originalmente no site Adital.

(Adital)

62% do esgoto do País ainda tem como destino a natureza (Carta Capital)

23/10/2014 – 04h40

por Caio Luiz, para a Carta Capital

 62% do esgoto do País ainda tem como destino a natureza

Cerca de 100 milhões de brasileiros ainda não têm tratamento de esgoto devido, o que, para especialistas, mostra que as políticas de saneamento pararam no século de 19.

As cem maiores cidades do Brasil despejam cerca de 3 mil piscinas olímpicas de esgoto por dia e, segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, 70% delas não tem 50% do sistema de saneamento instalado e em operação.

As informações foram divulgadas na palestra O Brasil das Águas – Saneamento, Mananciais e Oceanos durante a última edição do evento Diálogos Capitais – Inovação e Sustentabilidade, promovido por CartaCapital nesta terça, 21.

“O saneamento no Brasil parou no século 19”, disse o presidente após citar que 100 milhões de brasileiro ainda não têm esgoto tratado. “Os últimos indicadores, datados de 2012, apontam que 62% do esgoto ainda não encontra rede adequada para ser encaminhado a estações de tratamento.”

A perspectiva, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico do Governo Federal, é tornar a rede de esgoto universal em 2033. Carlos mencionou que, historicamente, o Brasil utiliza rios e oceanos como diluidores de esgoto e lamentou o estado praticamente inativo dos comitês de bacias hidrográficas.

O presidente criticou o atraso em São Paulo, que tem metade do estado com rede de esgoto apropriada. A Amazônia não chega a 10%. Rondônia e Pará têm menos de 3%.

Na crista dos dados da Trata Brasil, o professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da USP Pedro Jacobi avaliou a gestão de recursos hídricos no Brasil como o resultado de um histórico de degradação ambiental. “Estamos mais focados em trazer água às casas do que em tratá-la como consequência”, argumentou.

Jacobi cobrou transparência dos governos e afirmou que há mal uso do dinheiro público em investimentos para o saneamento. “Os calendários e descontinuidades políticas acabam prejudicando a administração dos recursos hídricos.”

O estudioso afirma que não houve pressão popular suficiente para levar encanamento e tratamento às periferias, uma vez que os loteadores de bairros afastados se preocuparam em vender terrenos, não em trazer serviços. “Nosso histórico político de tutela patrimonialista nos faz ficar solidários e participativos apenas em momentos durante e pós-crise.”

Ricardo Rolim, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e comunicação da Ambev, compareceu ao debate e lembrou que a indústria costuma figurar como vilã quando o tema é esgoto e tratamento de água. Defendeu, porém, que as empresas precisam criar um “círculo virtuoso” em toda a cadeia de produção. “De 2002 para cá, reduzimos em 38% o consumo de água da Ambev”, informou.

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

(Carta Capital)

De onde vem a água que abastece sua casa? (Envolverde)

23/10/2014 – 10h05

por Redação da Envolverde

plataformaISA De onde vem a água que abastece sua casa?

O Instituto Socioambiental criou uma plataforma virtual que mostra qual é o sistema responsável pelo fornecimento de água de cada local de São Paulo.

A cada dia os fatos reafirmam que a crise hídrica em São Paulo é grave. O nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana caem e a população já enfrenta as consequências da falta de água.

A responsabilidade pelo desabastecimento de água recae sobre os órgãos públicos. Por outro lado, inúmeras campanhas incentivam o uso consciente deste recurso por parte da população.

Com o objetivo de levantar o maior número de dados possíveis e pressionar as autoridades, o Instituto Socioambiental (ISA) criou o site “De onde vem a água?”.

A plataforma pretende aproximar as pessoas de suas fontes de água e ampliar o conhecimento sobre a situação de abastecimento dos diferentes municípios da Região Metropolitana de São Paulo, que vivem a pior crise hídrica de sua história.

Por meio da inserção do CEP, é possível visualizar o manancial que abastece determinado local e conhecer um pouco mais sobre a realidade, os principais indicadores e o volume de armazenamento dos diferentes sistemas produtores de água da Região Metropolitana de São Paulo. Permite também conhecer um pouco mais sobre os indicadores de saneamento dos municípios.

A ferramenta foi desenvolvida pelo Instituto Socioambiental no âmbito do projeto Água@SP. A primeira versão do “De onde vem a água que você bebe?” foi desenvolvida pela Campanha de Olho nos Mananciais do ISA em 2008.

Com essa nova versão, espera-se ampliar o conhecimento sobre os mananciais e contribuir para a construção de um futuro seguro e sustentável para água de São Paulo.

Clique aqui e saibade onde vem a água que abastece sua casa. (Envolverde)

(Envolverde)

Crise da água afronta a ciência brasileira (Mundo Sustentável)

23/10/2014 – 03h29

por André Trigueiro*

Sistema Cantareira atinge volume zero em 2014 mes de junho20140515 0002 1024x682 Crise da água afronta a ciência brasileira

Não foi por falta de aviso.

Além do seu incomensurável capital natural, o Brasil construiu ao longo do tempo um robusto estoque de conhecimento científico a respeito de seus biomas, ecossistemas e bacias hidrográficas.

Gente do calibre de José Lutzenberger, Augusto Ruschi e Aziz Ab’Saber (dentre tantos outros que descortinaram novos e importantes horizontes de investigação científica) revelaram que a natureza se comporta como um sofisticado sistema interligado, onde certos gêneros de intervenção, aparentemente inofensivos, podem causar gigantescos estragos.

Não fosse a genialidade e o respeito que impuseram a partir de seus trabalhos científicos, seriam massacrados pelos poderosos da época.

Não foram poucos os políticos inescrupulosos e empresários gananciosos que tentaram a todo custo “desconstruir” (para usar uma palavra da moda) suas reputações.

Deixaram um legado reconhecidamente importante que deveria inspirar uma nova ética no modelo de desenvolvimento, especialmente mais cuidado na forma como certas políticas públicas são concebidas e aplicadas.

Portanto, é curioso imaginar o que Lutz, Ruschi e Ab’Saber diriam hoje sobre essa crise hídrica sem precedentes na história do Brasil?

Em 1980, ao publicar o livro com o sugestivo título “O Fim do Futuro?”, José Lutzenberger denunciava que “a perda da capa vegetal protetora, além de significar o desaparecimento dos habitats essenciais à sobrevivência da fauna e das espécies vegetais mais especializadas e preciosas, causa o desequilíbrio hídrico dos corpos d`água (…) Estamos preparando para o nosso país o mesmo destino que o do cordão subsaariano”.

Um dos primeiros a prever a escassez de água no mundo, Augusto Ruschi denunciava em sucessivos alertas, como nesse texto de 1986, os impactos causados pelo desmatamento sobre a vazão de água dos rios, especialmente na Amazônia:

“Há 35 anos, escrevi que estávamos caminhando para construir na Amazônia o segundo maior deserto do mundo. Hoje, a previsão vai se confirmando. No primeiro ano, depois que desmatam, é uma beleza: o solo continua fértil, produz-se muito. Mas, depois, a matéria orgânica é lixiviada para as profundezas do solo e planta nenhuma vai lá embaixo buscá-la. Forma-se o cerrado, depois a caatinga, e finalmente, o deserto”.

Um dos mais respeitados cientistas brasileiros, Aziz Ab’Saber denunciou abertamente o absurdo do novo Código Florestal ter sido aprovado há quase três anos no Congresso Nacional sem o respaldo da ciência. E previu consequências trágicas para os recursos hídricos.

“Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro” (…) Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos minibiomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança do Código Florestal tem que ser conduzido por pessoas competentes bioeticamente sensíveis”.

Como se sabe, não foi assim que aconteceu. Prevaleceram os interesses da bancada ruralista.

Em tempo: o desmatamento na Amazônia entre agosto e setembro aumentou 191%, segundo dados apurados pelo Instituto Imazon.

E os candidatos à Presidência, o que dizem?

Bem, a cada novo dia de campanha eleitoral o Brasil tem menos água e menos floresta. E as prioridades continuam sendo outras.

Mas o legado de Lutz, Ruschi e Ab’Saber segue incomodando. Até que alguém resolva prestar atenção e evitar uma catástrofe ainda maior.

Ouça o comentário sobre este assunto na Rádio CBN.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.

** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.

(Mundo Sustentável)

Sabesp tira 3,2 bilhões de litros da 2ª reserva (O Estado de S. Paulo)

Regras para usar reserva profunda de água estão sendo negociadas; nível do Sistema Cantareira está em 3,5%

Boletim de monitoramento do Sistema Cantareira divulgado nesta segunda-feira, 20, pelos órgãos reguladores do manancial mostra que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já retirou 3,2 bilhões de litros da segunda cota do volume morto na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, um dos reservatórios do sistema. O uso dessa segunda reserva profunda de água, que fica abaixo do nível das comportas, ainda não foi formalmente autorizado. Nesta segunda, o sistema estava com 3,5% da capacidade. Em nota, a Sabesp nega descumprir a regra porque ainda há água do primeiro volume morto na Jaguari-Jacareí.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,sabesp-tira-3-2-bilhoes-de-litros-da-2-cota-do-volume-morto,1579886

(Fabio Leite / O Estado de S. Paulo)

Falta a crise da água na agenda do poder público (O Globo)

Editorial de O Globo. Desabastecimento em São Paulo e aumento do estresse energético são tratados pelo viés político, e não por seus aspectos técnicos. Quem paga o preço é a população

A crise no abastecimento de água em São Paulo, e no Sudeste, está atingindo seu ponto mais crítico desde o início desse ciclo de seca, no verão do ano passado. Os reservatórios da Cantareira, que abastecem a capital paulista, envolvendo diretamente um universo de 9 milhões de pessoas, está operando com seu nível mais baixo, apenas 3,3% da capacidade. Para evitar o colapso, o governador Geraldo Alckmin já admite usar uma terceira reserva técnica, caso não chova o necessário nos próximos dias. Pesquisa do Datafolha estima que 60% dos moradores da capital enfrentaram, com maior ou menor intensidade, algum nível de desabastecimento nos últimos 30 dias.

Veja o conteúdo na íntegra: http://oglobo.globo.com/opiniao/falta-crise-da-agua-na-agenda-do-poder-publico-14316806#ixzz3Gsj9uKXY

(O Globo)

Comissão de Meio Ambiente pode aprovar incentivo fiscal para reúso de água (Agência Senado)

A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada, por exemplo, para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas

A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) se reúne na terça-feira (28), às 10h, e pode votar projeto que concede redução de 75% do Imposto de Renda e isenção da contribuição de PIS/Pasep e Cofins para empresa que produzir ou distribuir água de reúso.

A medida incentiva a reutilização de água não potável, para evitar que água tratada seja usada para irrigação de jardins, lavagem áreas públicas, desobstrução de tubulações e combate a incêndios.

Para esses casos, poderá ser feita a reutilização de água proveniente de esgoto e de demais efluentes líquidos domésticos e industriais, desde que dentro de padrões definidos para as modalidades de uso pretendidas.

O projeto (PLS 12/2014), do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), é voltado a empresas que fazem a adequação a esses padrões e a distribuição dessa água reaproveitada, como forma de reduzir seu custo e ampliar sua utilização nas cidades brasileiras.

Depois de analisada pela CMA, a proposta vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para decisão terminativa.

Licença ambiental de instalação

A pauta da CMA, formada por 26 itens, inclui ainda projeto (PLS 401/2013) que torna obrigatória a inclusão da licença ambiental de instalação entre os documentos que devem constar de edital para licitação de obra pública.

A lei em vigor obriga que, ao lançar um edital para licitação de obras públicas, o governo inclua nos anexos o projeto básico aprovado e as licenças ambientais prévias, entre outros documentos. Já a licença de instalação é exigida da empresa vencedora da licitação, como condição para o início das obras do projeto.

Para Aloysio Nunes, a facilidade de concessão de licenças prévias e a deficiência dos projetos básicos resultam com frequência na paralisação de obras já licitadas, por problemas na obtenção da licença de instalação.

A exigência dessa licença ainda no edital, diz ele, contribuirá para melhorar a qualidade dos projetos e obrigará os órgãos ambientais a analisar esses projetos de forma mais criteriosa.

A matéria também será analisada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

(Iara Guimarães Altafin / Agência Senado)

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/10/23/comissao-de-meio-ambiente-pode-aprovar-incentivo-fiscal-para-reuso-de-agua

Sobre a seca de São Paulo (OESP)

Com seca, cresce procura por poços em SP; aquíferos podem ser afetados

Estima-se que, só na Região Metropolitana, foram feitas em 2014 400 perfurações; uso equivale ao abastecimento de 150 mil pessoas

A seca nos principais mananciais paulistas e os cortes no abastecimento de água têm provocado uma corrida por poços clandestinos na Grande São Paulo, o que coloca em risco a eficiência das reservas subterrâneas e a saúde dos usuários. Levantamento feito pelo Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas (Cepas) da Universidade de São Paulo (USP) com construtores de poços estima que cerca de 400 perfurações foram feitas na Região Metropolitana somente neste ano.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,cresce-procura-por-pocos-em-sp-aquiferos-podem-ser-afetados-imp-,1579430

(Fabio Leite/ Estado de S.Paulo)

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Situação de represas é pior que em 2013

Usinas operam com 22% da capacidade total, abaixo dos 48% do ano passado, e meteorologista fala em risco de faltar água e energia

Seja qual for o resultado das urnas, o próximo presidente da República será obrigado a lidar, a partir de 2015, com um cenário de geração hidrelétrica sensivelmente pior do que o enfrentado este ano. O desenho das complicações que atingem em cheio as usinas movidas à água começa a exibir traços mais nítidos neste fim de ano, antes do início do período chuvoso, em novembro.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,situacao-de-represas-e-pior-que-em-2013-imp-,1578128

(André Borges/O Estado de S.Paulo)

Fundação que afirma prever o tempo diz que fez alertas sobre crise hídrica (G1)

17/10/2014 06h50 – Atualizado em 17/10/2014 06h50

Fundação Cacique Cobra Coral diz que houve um erro de gestão em SP.
Órgão teria pedido interligação dos reservatórios para minimizar o problema.

Do G1 São Paulo

A fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC), que diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais, informou, por meio de seu porta-voz, Osmar Santos, que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

 

FALTA D’ÁGUA EM SP

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram na segunda-feira (13) com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”. Em relação à previsão do clima, a expectativa de chuva seria para depois das eleições, no próximo dia 26.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

Crise da água amplia debate sobre reúso (Valor Econômico)

Reportagem do Valor Econômico informa que especialistas debaterão entre hoje e amanhã na USP o reúso de efluentes em diferentes aplicações

Seria importante e possível a realização de investimentos em diferentes cidades do país para que o esgoto doméstico vire água potável, segundo o professor Pedro Mancuso, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Ele diz, no entanto, que algumas iniciativas precisam vir antes do reúso, como o cumprimento do Plano de Segurança da Água, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde, para que não haja problemas de doenças com a “reciclagem” da água, além de investimentos em redes seguras de saneamento básico.

(Vanessa Jurgenfeld / Valor Econômico)

http://www.valor.com.br/brasil/3735590/crise-da-agua-amplia-debate-sobre-reuso

NASA study finds 1934 had worst North American drought of last thousand years (Science Daily)

Date: October 14, 2014

Source: NASA

Summary: A new study using a reconstruction of North American drought history over the last 1,000 years found that the drought of 1934 was the driest and most widespread of the last millennium. Using a tree-ring-based drought record from the years 1000 to 2005 and modern records, scientists found the 1934 drought was 30 percent more severe than the runner-up drought (in 1580) and extended across 71.6 percent of western North America.

This photo shows a farmer and his two sons during a dust storm in Cimarron County, Oklahoma, 1936. The 1930s Dust Bowl drought had four drought events with no time to recover in between: 1930-31, 1934, 1936 and 1939-40. Credit: Arthur Rothstein, Farm Security Administration

A new study using a reconstruction of North American drought history over the last 1,000 years found that the drought of 1934 was the driest and most widespread of the last millennium.

Using a tree-ring-based drought record from the years 1000 to 2005 and modern records, scientists from NASA and Lamont-Doherty Earth Observatory found the 1934 drought was 30 percent more severe than the runner-up drought (in 1580) and extended across 71.6 percent of western North America. For comparison, the average extent of the 2012 drought was 59.7 percent.

“It was the worst by a large margin, falling pretty far outside the normal range of variability that we see in the record,” said climate scientist Ben Cook at NASA’s Goddard Institute for Space Studies in New York. Cook is lead author of the study, which will publish in the Oct. 17 edition of Geophysical Research Letters.

Two sets of conditions led to the severity and extent of the 1934 drought. First, a high-pressure system in winter sat over the west coast of the United States and turned away wet weather — a pattern similar to that which occurred in the winter of 2013-14. Second, the spring of 1934 saw dust storms, caused by poor land management practices, suppress rainfall.

“In combination then, these two different phenomena managed to bring almost the entire nation into a drought at that time,” said co-author Richard Seager, professor at the Lamont-Doherty Earth Observatory of Columbia University in New York. “The fact that it was the worst of the millennium was probably in part because of the human role.”

According to the recent Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC, climate change is likely to make droughts in North America worse, and the southwest in particular is expected to become significantly drier as are summers in the central plains. Looking back one thousand years in time is one way to get a handle on the natural variability of droughts so that scientists can tease out anthropogenic effects — such as the dust storms of 1934.

“We want to understand droughts of the past to understand to what extent climate change might make it more or less likely that those events occur in the future,” Cook said.

The abnormal high-pressure system is one lesson from the past that informs scientists’ understanding of the current severe drought in California and the western United States.

“What you saw during this last winter and during 1934, because of this high pressure in the atmosphere, is that all the wintertime storms that would normally come into places like California instead got steered much, much farther north,” Cook said. “It’s these wintertime storms that provide most of the moisture in California. So without getting that rainfall it led to a pretty severe drought.”

This type of high-pressure system is part of normal variation in the atmosphere, and whether or not it will appear in a given year is difficult to predict in computer models of the climate. Models are more attuned to droughts caused by La Niña’s colder sea surface temperatures in the Pacific Ocean, which likely triggered the multi-year Dust Bowl drought throughout the 1930s. In a normal La Niña year, the Pacific Northwest receives more rain than usual and the southwestern states typically dry out.

But a comparison of weather data to models looking at La Niña effects showed that the rain-blocking high-pressure system in the winter of 1933-34 overrode the effects of La Niña for the western states. This dried out areas from northern California to the Rockies that otherwise might have been wetter.

As winter ended, the high-pressure system shifted eastward, interfering with spring and summer rains that typically fall on the central plains. The dry conditions were exacerbated and spread even farther east by dust storms.

“We found that a lot of the drying that occurred in the spring time occurred downwind from where the dust storms originated,” Cook said, “suggesting that it’s actually the dust in the atmosphere that’s driving at least some of the drying in the spring and really allowing this drought event to spread upwards into the central plains.”

Dust clouds reflect sunlight and block solar energy from reaching the surface. That prevents evaporation that would otherwise help form rain clouds, meaning that the presence of the dust clouds themselves leads to less rain, Cook said.

“Previous work and this work offers some evidence that you need this dust feedback to explain the real anomalous nature of the Dust Bowl drought in 1934,” Cook said.

Dust storms like the ones in the 1930s aren’t a problem in North America today. The agricultural practices that gave rise to the Dust Bowl were replaced by those that minimize erosion. Still, agricultural producers need to pay attention to the changing climate and adapt accordingly, not forgetting the lessons of the past, said Seager. “The risk of severe mid-continental droughts is expected to go up over time, not down,” he said.


Journal Reference:

  1. Benjamin I Cook, Richard Seager, Jason E Smerdon. The Worst North American Drought Year of the Last Millennium: 1934. Geophysical Research Letters, 2014; DOI: 10.1002/2014GL061661

Se seca continuar, água acaba em novembro, admite Sabesp (O Estado de São Paulo)

Presidente da Sabesp diz que Justiça Eleitoral barrou propagandas e que não podia falar a palavra ‘seca’ e sobre gravidade da situação

A presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, admitiu nesta quarta-feira, 15, que a água vai acabar na capital “em meados de novembro”, caso o regime de chuvas se mantenha baixo. Para evitar o desabastecimento generalizado, ela disse contar com o aumento das precipitações e com a segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, que nem sequer foi autorizado pela Justiça.

A matéria na íntegra está disponível em: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,se-seca-continuar-agua-acaba-em-novembro-admite-sabesp,1577196

(Bruno Ribeiro/ O Estado de São Paulo)

O jorro do hidronegócio (OESP)

SÉRGIO AUGUSTO – O ESTADO DE S. PAULO

11 Outubro 2014 | 16h 00

Como as irmãs do petróleo, seis empresas controlam a sua, a minha, a nossa água

DENNY CESARE/CÓDIGO19Cantareira. Água é bem essencial, não uma commodity

Se não começar a chover em abundância a partir da próxima semana, os paulistanos terão de pedir água de presente a Papai Noel. Se a chuva só cair sobre a capital e não na cabeceira dos rios que abastecem o Sistema Cantareira, 6,5 milhões de pessoas poderão ficar sem água em suas torneiras. A fonte está secando, e a culpa é menos de São Pedro que de São Paulo; ou, melhor dito, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), que subestimou os estragos que as mudanças climáticas, a poluição e a extração descontrolada de recursos hídricos vêm causando ao consumo de água, aqui e lá fora.

Revelou-se há dias que a Sabesp sabia do risco de desabastecimento no Sistema Cantareira desde 2012, mas só começou a encarar o problema oito meses atrás, quando criou aquele bônus para quem economizasse água. Em 2012, limitou-se a alertar investidores da Bolsa de Nova York para a estiagem prevista e seu impacto nas finanças da empresa. Ainda segundo o promotor público Rodrigo Sanches Garcia, a Sabesp captou mais água que o autorizado para não prejudicar, acima de tudo, o valor de suas ações. Ou seja, tratou a água como “um negócio”, não como um bem coletivo, acusou o procurador.

O Sistema Cantareira responde por 73% da receita da Sabesp, cujos gestores, aliás, não são os únicos culpados pela crise em curso. Haja vista as ações civis também impetradas contra a ANA (Agência Nacional de Águas) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), coniventes com o descaso.

Enquanto rezam para São Pedro e lamentam que Joe Btfsplk, aquele impronunciável personagem dos quadrinhos de Ferdinando que vive com um permanente cúmulo-nimbo sobre a cabeça, não possa visitar a Bacia do Rio Piracicaba, os paulistanos e seus vizinhos mais próximos podem fazer sua catarse baixando da Amazon a versão kindle de um livro esclarecedor sobre a crise da água: The Price of Thirst (O preço da sede), de Karen Piper (University of Minnesota Press, 296 págs., US$ 14,99), lançado na semana passada. Seu subtítulo (Global Water Inequality and the Coming Chaos) resume em sete palavras o caos que a má distribuição e exploração comercial da água deverão causar em escala mundial caso nada seja feito para sustar a ganância do hidronegócio.

Como o ar que respiramos, a água é um bem essencial, um direito humano, reconhecido como tal pela ONU, não uma mercadoria, uma commodity. O que não impediu que, na semana passada, um juiz tenha secado as torneiras de dezenas de milhares de residentes em Detroit sem grana para pagar a conta de água, que a Sabesp tenha demorado a repassar aos clientes o que seus acionistas já sabiam há dois anos e, pior ainda, que 20% do planeta continue sem acesso a água potável. Assegurar a todos água limpa e saneamento básico gratuitos é uma obrigação, um compromisso com a sobrevivência da humanidade. Se nada mudar, daqui a uns dez anos dois terços da população mundial terão de comprar água limpa daqueles que há tempos sacaram que a água é o petróleo do século 21.

Água é o que não falta. A Terra ainda dispõe da mesma quantidade de H²O do tempo dos dinossauros; o que mudou foi sua localização, alterada por mudanças climáticas e pela exploração do solo. Faltam sim reservatórios, açudes e aquíferos que não estejam quase exclusivamente a serviço da agricultura ou administrados por corporações internacionais, que se comportam como se explorassem minerais, madeira e energia solar.

Seria ótimo se fosse possível desviar água do Solimões para as tubulações da Grande de São Paulo. Ainda que fosse, custaria uma fortuna incalculável. Mais fácil mover as pessoas, inventar um novo urbanismo, construir prédios compactos e ecologicamente inteligentes, observa Karen Piper. Isso, porém, não faz parte da agenda do Banco Mundial e do FMI, que “vendem outros modelos de urbanização” e facilitam a prosperidade do hidronegócio, hoje comandado por corporações sem a visibilidade da Shell, Exxon, BP, Petrobrás, mas, no seu setor, igualmente poderosas e sedentas de lucro: Suez, Veolia, Thames, American Water, Bechtel e Dow Chemicals (sim, aquela mesma que fabricava bombas de napalm e agente laranja usadas na Guerra do Vietnã). Juntas controlam mais de 70% da água “privatizada”.

O New York Times cantou a pedra em 2006. “Sede dá lucro” alardeava o título de uma reportagem (“There’s money in thirst”), com informações inéditas sobre o mercado hídrico, que àquela altura já valia centenas de bilhões de dólares. “Mais promissor que a exploração de petróleo”, concluía a reportagem.

Amparada por quatro bolsas de estudo, Piper passou uma década viajando e recolhendo dados para seu livro. Viu de perto como funcionam o Conselho Mundial de Água (World Water Council) e seu fórum trienal (World Water Forum), com representantes da ONU, especialistas em desenvolvimento, ministros de minas e energia, chefes de Estado e, dominando a cena, os mandachuvas de multinacionais que exploram recursos hídricos nos cinco continentes. Os fóruns são uma espécie de Davos da água. Sempre em países diferentes, e já de algum tempo também hostilizados por um Fórum Alternativo Mundial da Água (Fame, na sigla em francês), que adotou um slogan em inglês: “Water for life, not for profit”, água é vida, não é negócio.

O primeiro fórum foi em Marrakesh, em 1997. O próximo, ano que vem, será na Coreia, e o seguinte, em 2018, em Brasília. Nada mais justo, pois o Brasil, este paraíso hídrico cuja maior cidade está ameaçada de ficar sem água no próximo ano, tem representação expressiva no World Water Council. Pelo relato de Piper, os fóruns não resolvem nada. São um blá-blá-blá pomposo, regado a champanhe e caviar. Com muita água mineral de graça para os abstêmios matarem a sede.

Falta de chuva reforça necessidade de usinas nucleares, dizem especialistas (Agência Brasil)

Especialistas participaram do 3º Seminário sobre Energia Nuclear, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

A falta de chuva em diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, aponta para a necessidade de se prosseguir com os investimentos em usinas nucleares. A seca, além de afetar o fornecimento de água para a população, também compromete a geração de energia das usinas hidrelétricas, aumentando a importância das nucleares. A avaliação é de especialistas que participaram do 3º Seminário sobre Energia Nuclear, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), iniciado ontem, 7, e que se encerra nesta quarta-feira, 8.

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Aquilino Senra, frisou que a matriz energética brasileira é muito baseada na hidreletricidade, que vem sendo afetada pelas reiteradas e prolongadas secas nos últimos anos.

“No Brasil, a produção hídrica contribui com 92% de toda energia gerada. Os 8% restantes vêm de uma complementação térmica, na qual a nuclear tem um papel de 4%. Essa situação de baixos reservatórios levará a uma tomada de decisão mais rápida sobre a expansão da produção de energia nuclear. É inevitável, nas próximas décadas, um potencial de crescimento nuclear”, disse Senra.

O supervisor da Gerência de Análise de Segurança Nuclear da Eletronuclear, Edson Kuramoto, disse que a menor quantidade de chuva nos últimos anos forçou o governo a utilizar totalmente as usinas térmicas, incluindo as nucleares, para garantir o fornecimento. “Hoje está demonstrado que a matriz energética brasileiras é hidrotérmica.

Desde 2012, com a redução das chuvas, os reservatórios estão baixos e as térmicas foram despachadas justamente para complementar a falta da geração hidráulica. A energia nuclear tem que ser lembrada, porque o Brasil domina o ciclo e nós temos grandes reservas do combustível”, disse Kuramoto.

Segundo Kuramoto, além das usinas Angra 1 e 2, já em funcionamento, e Angra 3, em construção, o país precisará de pelo menos mais quatro usinas nucleares, sendo duas no Nordeste e duas no Sudeste. “O potencial de hidrelétricas que temos ainda é no Norte do país, mas está difícil o licenciamento de novas usinas com reservatórios. No passado, nossas hidrelétricas suportavam um recesso de chuvas de seis ou sete meses, hoje é três meses. Então o país vai ter que investir nas usinas térmicas. Até 2030, finda o nosso potencial hidráulico. A partir daí, o Brasil terá de construir novas térmicas, sejam nucleares, a gás, óleo combustível ou carvão.”

Segundo o presidente da INB, o Brasil tem garantidas reservas de urânio pelos próximos 120 anos pelo menos. Isso garante um custo baixo do combustível, que ainda tem a vantagem de não emitir gases de efeito estufa. Para Senra, a questão da segurança, muito questionada por causa do acidente da Usina de Fukushima, no Japão, já está solucionada com as novas gerações de usinas.

“Os reatores de Fukushima são de segunda geração. Os que estão começando a ser instalados agora são de terceira geração e neles não ocorreriam acidentes como os que já ocorreram, seja em 1979, nos Estados Unidos [em Three Mile Island, Pensilvânia], ou em 1986, em Chernobil [Ucrânia], e em 2011, em Fukishima”, explicou Senra.

(Vladimir Platonow/Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-10/falta-de-chuva-reforca-necessidade-de-usinas-nucleares-dizem-especialistas

Racionamento de água já atinge 2,77 milhões de pessoas em São Paulo (Folha de S.Paulo)

JOÃO ALBERTO PEDRINI

CAMILA TURTELLI
DE RIBEIRÃO PRETO
WILLIAM CARDOSO
DO AGORA

04/10/2014 02h00

Apesar das chuvas que atingiram algumas regiões do Estado nos últimos dias, o racionamento oficial de água já atinge 2,77 milhões de pessoas em 25 municípios.

O número de habitantes afetados é 32% maior do que em agosto, quando levantamento da Folha mostrou que 2,1 milhões viviam sob rodízio em 18 cidades.

O racionamento oficial ocorre em municípios onde os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto são de responsabilidade das prefeituras.

Não há na lista cidades em que o sistema é gerenciado pela Sabesp, embora a empresa venda água para algumas delas.

O problema atinge cidades que captam água de rios, lagoas, represas, córregos, reservatórios e poços subterrâneos. Nenhuma delas tem prazo para o fim do rodízio.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Segundo a Defesa Civil, as chuvas registradas de janeiro a setembro no Estado foram 21,3% menores do que a média histórica. Foram 12.972 mm ante média de 17.174 mm.

Em Valinhos (a 85 km de São Paulo) a prefeitura admite que o racionamento deve seguir por mais um ano. Duas vezes por semana, a cidade fica 18 horas sem água.

Metade da água é do sistema Cantareira, 5% de poços e 45% de represas, que estão com níveis baixos.

A prefeitura diz que investirá na ampliação do tratamento, hoje no limite. Com o investimento, de cerca de R$ 3 milhões, será possível captar mais água do rio Atibaia.

Cravinhos (a 292 km de São Paulo), assim como Uchoa (a 416 km de São Paulo), só capta de poços e vive a mesma situação.

“Todo ano, em períodos secos, percebemos alta no consumo, mas nunca precisamos racionar. É a primeira vez”, disse Claudio Henrique Alves Cairo, superintendente do setor de água e esgoto.

O maior município com racionamento no Estado é Guarulhos (a 16 km de São Paulo). Lá, 13% da água é captada por meio de produção própria e 87% são comprados da Sabesp.

A prefeitura diz que estuda ampliar a captação em novos mananciais.

Em Mauá (a 27 km de São Paulo), que também compra água da Sabesp, o racionamento começou na última quarta. O município, diz que o fornecimento caiu 22% desde julho. Moradores dizem que sofrem com o problema há três meses.

Oficialmente, a cidade foi dividida em cinco partes e cada uma fica sem água durante um dia da semana, de segunda a sexta-feira.

O aposentado Luiz Carlos Lissoni, 56, já chegou a ficar quatro dias seguidos sem água e ontem estava com a torneira seca. Para minimizar os problemas, comprou uma caixa de 1.500 litros por R$ 410 e tinha outra de 1.000 litros.

“Tenho uma mulher doente, que precisa de mais de um banho por dia”, diz.

Fall in monsoon rains driven by rise in air pollution, study shows (Science Daily)

Date: October 1, 2014

Source: University of Edinburgh

Summary: Emissions produced by human activity have caused annual monsoon rainfall to decline over the past 50 years, a study suggests. In the second half of the 20th century, the levels of rain recorded during the Northern Hemisphere’s summer monsoon fell by as much as 10 per cent, researchers say. Changes to global rainfall patterns can have serious consequences for human health and agriculture.


Emissions produced by human activity have caused annual monsoon rainfall to decline over the past 50 years, a study suggests.

In the second half of the 20th century, the levels of rain recorded during the Northern Hemisphere’s summer monsoon fell by as much as 10 per cent, researchers say. Changes to global rainfall patterns can have serious consequences for human health and agriculture.

Scientists found that emissions of tiny air particles from human-made sources — known as anthropogenic aerosols — were the cause. High levels of aerosols in the atmosphere cause heat from the sun to be reflected back into space, lowering temperatures on Earth’s surface and reducing rainfall.

Levels of aerosol emissions have soared since the 1950s, with the most common sources being power stations and cars.

Researchers at the University of Edinburgh say their work provides clear evidence of human-induced rainfall change. Alterations to summer monsoon rainfall affect the lives of billions of people, mostly those living in India, South East Asia and parts of Africa.

The team calculated the average summer monsoon rainfall in the Northern Hemisphere between 1951 and 2005. They used computer-based climate models to quantify the impact of increasing aerosol emissions and greenhouse gases over the same period. They also took account of natural factors such as volcanic eruptions and climate variability to gauge the impact of human activity on the amount of monsoon rainfall.

Researchers say levels of human-made aerosols are expected to decline during the 21st century as countries begin adopting cleaner methods of power generation.

The study is published in the journal Geophysical Research Letters. The work was funded by the Natural Environmental Research Council, European Research Council and National Centre for Atmospheric Science.

Lead author Dr Debbie Polson, of the University of Edinburgh’s School of GeoSciences, said: “This study shows for the first time that the drying of the monsoon over the past 50 years cannot be explained by natural climate variability and that human activity has played a significant role in altering the seasonal monsoon rainfall on which billions of people depend.”

Journal Reference:

  1. D. Polson, M. Bollasina, G. C. Hegerl, L. J. Wilcox. Decreased monsoon precipitation in the Northern Hemisphere due to anthropogenic aerosols.Geophysical Research Letters, 2014; 41 (16): 6023 DOI: 10.1002/2014GL060811