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>Clima sob o olhar do Brasil (Fapesp)

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Especiais

1/2/2011

Por Elton Alisson


Agência FAPESP – Nos modelos climáticos globais divulgados no mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), divulgado em 2007, o Pantanal e o Cerrado são retratados como se fossem savanas africanas.

Já fenômenos como as queimadas, que podem intensificar o efeito estufa e mudar as características de chuvas e nuvens de uma determinada região, por exemplo, não são caracterizados por não serem considerados relevantes para os países que elaboraram os modelos numéricos utilizados.

Para dispor de um modelo capaz de gerar cenários de mudanças climáticas com perspectiva brasileira, pesquisadores de diversas instituições, integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC), estão desenvolvendo o Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).

Com conclusão estimada para 2013, o MSBCG deverá permitir aos climatologistas brasileiros realizar estudos sobre mudanças climáticas com base em um modelo que represente processos importantes para o Brasil e que são considerados secundários nos modelos climáticos estrangeiros.

“Boa parte desses modelos internacionais não atende às nossas necessidades. Temos muitos problemas associados ao clima em virtude de ações antropogênicas, como as queimadas e o desmatamento, que não são retratados e que agora serão incluídos no modelo que estamos desenvolvendo no Brasil”, disse Gilvan Sampaio de Oliveira, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos pesquisadores que coordena a construção do MBSCG.

Segundo ele, o modelo brasileiro incorporará processos e interações hidrológicas, biológicas e físico-químicas relevantes do sistema climático regional e global. Dessa forma, possibilitará gerar cenários, com resolução de 10 a 50 quilômetros, de mudanças ambientais regionais e globais que poderão ocorrer nas próximas décadas para prever seus possíveis impactos em setores como agricultura e energia.

“Com esse modelo, teremos capacidade e autonomia para gerar cenários futuros confiáveis, de modo que o país possa se preparar para enfrentar os fenômenos climáticos extremos”, disse Sampaio à Agência FAPESP.

A primeira versão do modelo brasileiro com indicações do que pode ocorrer com o clima no Brasil nos próximos 50 anos deverá ficar pronta até o fim de 2011.

Para isso, os pesquisadores estão instalando e começarão a rodar em fevereiro no supercomputador Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), uma versão preliminar do modelo, com módulos computacionais que analisam os fenômenos climáticos que ocorrem na atmosfera, no oceano e na superfície terrestre.

Os módulos computacionais serão integrados gradualmente a outros componentes do modelo, que avaliarão os impactos da vegetação, do ciclo de carbono terrestre, do gelo marinho e da química atmosférica no clima. Em contrapartida, um outro componente apontará as influências das mudanças climáticas em cultivares agrícolas como a cana-de-açúcar, soja, milho e café.

“No futuro, poderemos tentar estimar a produtividade da cana-de-açúcar e da soja, por exemplo, frente ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera”, disse Sampaio.


Classe IPCC

Segundo o cientista, como a versão final do MSBCG só ficará pronta em 2013, o modelo climático brasileiro não será utilizado no próximo relatório que o IPCC divulgará em 2014, o AR-5. Mas o modelo que será utilizado pelo Painel Intergovernamental para realizar as simulações do AR5, o HadGEM2, contará com participação brasileira.

Por meio de uma cooperação entre o Hadley Center, no Reino Unido, e o Inpe, os pesquisadores brasileiros introduziram no modelo internacional módulos computacionais que avaliarão o impacto das plumas de fumaça produzidas por queimadas e do fogo florestal sobre o clima global, que até então não eram levados em conta nas projeções climáticas.

Com isso, o modelo passou a ser chamado HadGEM2-ES/Inpe. “Faremos simulações considerando esses componentes que introduzimos nesse modelo”, contou Sampaio.

Em 2013, quando será concluída a versão final do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, o sistema ganhará um módulo computacional de uso da terra e outro metereológico, com alta resolução espacial. No mesmo ano, também serão realizadas as primeiras simulações de modelos regionais de alta resolução para a elaboração de um modelo climático para América do Sul com resolução de 1 a 10 km.

“Até hoje, levávamos meses e até anos para gerar cenários regionais. Com o novo sistema de supercomputação os esforços em modelagem climática regional ganharão outra escala”, afirmou Sampaio.

Leia reportagem publicada pela revista Pesquisa FAPESP sobre o modelo climático brasileiro. 

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>Um céu de probabilidades (O Povo)

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O cearense carrega uma memória cultural, muitas vezes inconsciente, sobre a escassez de água que afetou as famílias no passado. Em entrevista ao Vida&Arte Cultura, o professor da UFRJ, Renzo Taddei, traça aspectos sobre a compreensão do clima e como isso reflete no cidadão

05.02.2011| 17:00

Em Quixadá, os profetas da chuva fazem suas previsões todos os anos (DÁRIO GABRIEL, EM 9/1/2010)

Diante dos ciclos da natureza, profetas preveem o futuro. Os cientistas tornam públicas as medições matemáticas e físicas que ditam a probabilidade de nublar ou fazer sol. Mediadas pela imprensa, as previsões meteorológicas afetam o cidadão e sua maneira de perceber o clima e a cidade. Professor-adjunto da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renzo Taddei tem relacionamento íntimo com o semi-árido cearense.

Pesquisador há quase uma década das manifestações populares na previsão do clima, em especial na atuação dos profetas da chuva de Quixadá, Renzo vez por outra vem à Fortaleza ministrar palestras, participar de encontros e pesquisas sobre o tema. Na última quarta, o professor recebeu a reportagem numa das salas da Funceme. Na entrevista que você lê a seguir, o pesquisador chama a atenção para alertas globais, como o aquecimento climático. “Já se percebeu que o tom alarmista de catástrofe iminente raramente produz algum efeito positivo. O que produz é uma sensação de impotência geral, como se não há nada que se possa fazer”. (Elisa Parente)

O POVO – Como é possível entender o clima para além do efeito atmosférico?
Renzo Taddei – A questão do clima no Ceará é muito interessante porque, ano passado, segundo a Seplag (Secretaria do Planejamento e Gestão), a economia cearense cresceu 8%. O que é um número incrível. Em 2010, tivemos o pior ano em chuvas nos últimos 30 anos. Foi a pior seca e um ano de bom crescimento para o Estado. Claramente, a agricultura contribui pouco para a economia no Ceará e, cada vez menos, as pessoas se sentem terrivelmente vulneráveis com relação ao clima. Por vários fatores, inclusive por causa dos programas sociais do governo Lula, pelas melhorias de infra-estrutura dos últimos governos do Ceará. Ou seja, a vida está um pouco mais fácil.

OP – De que maneira isto afeta na organização da cidade?
Renzo – Existiu uma estatística onde mais da metade da população acima de 40, 50 anos tinha nascido fora da Capital. Então a presença do imaginário rural é muito forte. Esse é um dos elementos do peso psicológico da seca. Até quem não tem nada a ver com agricultura, se alegra ao ver chuva. A história do bonito pra chover traz uma continuidade e uma ruptura, principalmente com relação às gerações mais novas que nasceram em Fortaleza. Entrevistei um agrônomo que me disse ter o hábito de desligar a água enquanto se ensaboava no chuveiro. E o filho dele perguntou por que ele desligava a água se o banho não tinha acabado. Ele se deu conta de que a geração mais nova sequer tem memória a respeito da escassez de água do seu Estado. A última grande crise em Fortaleza foi 1993, na construção do Canal do Trabalhador. Fortaleza é a única capital encravada no semi-árido, mesmo assim as pessoas não têm essa consciência. Você anda por Fortaleza e vê que cada lançamento imobiliário precisa ter um parque aquático, não é nem piscina. É o uso arquitetônico e recreativo da água. Só se compara a Las Vegas, que é outro lugar de abundância irresponsável encravado no deserto. Então as pessoas não têm experiência da falta de água, mas têm uma herança cultural de hipervalorização dela. Fortaleza é orgulhosa de sua pujança e gasta como novo rico. É um lance que tem a ver com cultura. Enquanto isso, o Canal da Integração está trazendo um mundo de água e a transposição do Rio São Francisco vai trazer ainda mais para Fortaleza não ter problema pelos próximos 30 anos.

OP – Mas isso também pode ter efeito contrário.
Renzo – Isso é perigoso porque, a longo prazo, não dá para achar que é sustentável você consumir. O grande debate da transposição, da construção do Castanhão e do Canal da Integração é esse. Está sempre aumentando a infra-estrutura que acumula água ao invés de educar a população para consumir menos. Não que dê para fazer os dois ao mesmo tempo, mas o fato é que os últimos governos têm preferido aumentar a oferta de água.

OP – Uma das linhas da sua pesquisa centra foco na antropologia da incerteza e do futuro. De que maneira isto está ligado ao estudo do clima?
Renzo – Isto talvez seja a parte mais desafiadora de entender qual o papel que o clima tem na nossa vida cotidiana. Porque a meteorologia rapidamente se deu conta de que a atmosfera é algo muito complexo. Agora a estação chuvosa no Ceará é algo muito mais complicado. Porque o agricultor quer saber hoje se vai ter chuva em maio. Não tem nenhum radar que mostre isso, mas a meteorologia usa a física e a matemática criando modelos que simulam no computador a maneira como funciona a natureza. Mas isso tem limitações. Por isso se fala em termos de probabilidade, porque às vezes uma coisa pequena pode mudar tudo. Então a meteorologia tem que conviver com essa relação complicada com a sociedade.

OP – Porque é tão difícil lidar com a incerteza?
Renzo – Tem inúmeras pesquisas que mostram que temos dificuldade tremenda de reter isso. A informação probabilística demanda um esforço cognitivo muito grande. É realmente complexo. É como se fôssemos programados mentalmente para não operar com probabilidade e para fingir que tudo é certo ou errado. Temos essa tendência a polarizar as coisas. E isso influencia a relação da sociedade com o clima. Veja, por exemplo, a estratégia dos agricultores. O agricultor familiar está o tempo inteiro prestando atenção em previsões do clima, só que não usa nenhuma. Ele espera o solo ficar úmido numa certa profundidade, para depositar a semente. Só que as primeiras chuvas da estação são fracas, o broto morre e ele precisa começar tudo de novo.

OP – A incerteza é parte da natureza.
Renzo – Acompanho os profetas da chuva desde 2002. É muito recorrente que alguns deles se digam observadores da natureza, e não profetas. Ser profeta tem uma carga simbólica religiosa muito forte e é um peso muito grande pra eles carregarem nas costas. Então eles fazem as previsões e, no final, dizem que quem sabe mesmo é Deus. O interessante é que, em termos de conteúdo, eles dizem exatamente o que a Funceme diz em termos de probabilidade. Existe uma incerteza envolvida. Então as pessoas aceitam, mas não dão à ciência o direito de viver as incertezas.

OP – Como a meteorologia figura nesta história?
Renzo – Uma parte dessa confusão tem a ver com a história da meteorologia no Ceará. Ela começou com muita fanfarronice, voando de avião, fazendo uma pulverização nas nuvens com sal de prata pra fazer chover mais rápido. Só que você percebe que o spray não produz chuva, só apressa. Então essa tecnologia sempre foi muito controvertida. Para uma mentalidade do sertão, isso equivaleria dizer que o homem da cidade se acreditava com o poder de produzir chuva. E tanto é assim que o Patativa do Assaré fez o poema Ao dotô do avião, onde ele coloca vários elementos importantes. O homem se adequa ao ciclo da natureza e não vice-versa. No Ceará, o clima sempre esteve ligado à religião. Então era desrespeitoso e absurdo achar que o cidadão iria produzir chuva.

OP – As pessoas já absorveram a gravidade do aquecimento global?
Renzo – Não sei se, algum dia, entenderemos o aquecimento global. A natureza funciona em ciclos. O dia e a noite, as estações do ano. São ciclos que, por serem curtos, a gente consegue entender bem. Só que existem aqueles que são muito longos. Costuma-se dizer que, aqui no semi-árido, existem ciclos onde duas ou três décadas são mais secas, depois outras mais chuvosas. Pode ser que exista um ciclo bem mais longo que a gente não tem nem ideia. Se o futuro provar que estamos errados, tudo bem, fizemos o que tinha de ser feito.

OP – Então existe uma visão positiva para o futuro?
Renzo – A ciência é feita por incertezas, ela só caminha porque ensina o que não sabe. Mas existe o que chamam de princípio precaucionário. Que diz que você precisa medir o quanto você perde se tiver certo e não fazer nada e o quanto perde se estiver errado e fizer muita coisa. Então imagina que não existe aquecimento global nenhum, só que tomamos as atitudes necessárias. O que a gente perde? Existe uma perda em termos de crescimento econômico. Agora a outra opção é que existe um aquecimento global, ele está acontecendo, tem a ver com produção industrial, mas a gente assume que não está acontecendo e não faz nada. O que perdemos no futuro? Várias pessoas dizem que não fazer nada pode ter um custo muito alto. A chance de estarmos certos é grande e mesmo que estejamos errados, tem como recuperar. Existe ainda um outro lado em que talvez não tenhamos como recuperar. Talvez a gente de fato passe por uma sequência grande de eventos extremos. O lance do aquecimento climático não tem a ver com o mundo ficar mais quente todo dia. O ponto é que eventos extremos, como chuva, furacão, tendam a ser mais frequentes. O nível do mar já está subindo, algumas nações já começam a se transferir. E voltamos à história de Fortaleza ser a Las Vegas do semi-árido. Não dá pra falar em cortar a emissão de carbono sem reduzir atividade industrial. E não podemos falar de aquecimento global sem redução de consumo. E como faz para a população da Aldeota parar de consumir tanto? Nos meus momentos mais pessimistas, eu penso que a humanidade só consegue se re-programar mentalmente em escala continental numa experiência de quase morte. O que significa uma imensa catástrofe. E aí todo mundo para e se repensa. Mas eu sou professor e tenho que acreditar que a educação tem o seu valor.

>Amazônia teve pior seca em cem anos (FSP, JC, Fapesp)

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JC e-mail 4193, de 04 de Fevereiro de 2011

Árvores mortas pela seca de 2010 podem liberar quantidade de CO2 semelhante às emissões dos EUA, diz estudo

A seca de 2010 da Amazônia foi a pior dos últimos cem anos. E a quantidade de CO2 emitido pelas árvores mortas pode ser parecida com as emissões dos EUA.

As constatações são de estudiosos britânicos (da Universidade de Leeds) e brasileiros, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Eles publicaram um artigo na revista “Science”.

O grupo de pesquisadores, liderado pelo britânico Simon Lewis, mostrou que a seca de 2010 foi mais intensa e afetou uma área maior que a estiagem de 2005 -até então considerada recorde em várias décadas.

No ano passado, uma área de 3 milhões km2 foi atingida pela estiagem, contra 1,9 milhão km2 em 2005.

Os cientistas fizeram um cálculo do desvio da média de chuvas comuns nas estações secas da Amazônia (chamado de desvio padrão).

“A intensidade da seca foi maior em 2010 em relação à média”, explica o biólogo Paulo Brando, do Ipam, um dos autores do trabalho.

A segunda parte do estudo, explica ele, verificou quais as consequências dessa seca do ponto de vista dos estoques de carbono. Aí vem a outra má notícia: com as secas, a floresta emitirá mais CO2 do que absorverá.

Os pesquisadores relacionaram os dados de seca de 2010 com o crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005).

A conclusão foi que a seca do ano passado pode emitir 5 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera em 2010 e nos próximos anos. Isso não acontece de uma vez, já que a decomposição das árvores mortas é um processo lento.

Para se ter uma ideia do que isso significa: a emissão da queima de combustíveis fósseis dos EUA é de 5,4 bilhões de toneladas por ano. Em condições “normais”, estima-se que a Amazônia absorva 1,5 bilhão de toneladas de CO2 da atmosfera.

“A seca de 2010 talvez tenha matado as árvores que já estavam vulneráveis por causa de 2005”, explica Brando.

“Pode ser que a floresta se recupere, mas ainda não fomos para campo medir. Ainda temos muito trabalho de campo pela frente”, diz.

Para o climatologista José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), é preciso analisar os dados com cuidado.

“Reduzimos o desmatamento em cinco anos, mas um fenômeno natural deixou nossa absorção de CO2 na estaca zero. Se esses cálculos não forem bem interpretados, poderão ser usados a favor do desmatamento”, diz.

Marengo e sua equipe já mostraram que a seca de 2010 reduziu mais os níveis dos rios amazônicos que a estiagem anterior, de 2005.
(Sabine Righetti)
(Folha de SP, 4/2)

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Divulgação Científica
Amazônia mais seca
4/2/2011

Em artigo na Science, cientistas do Brasil e do exterior destacam que seca de 2010 na Floresta Amazônica foi ainda pior do que a de 2005, que havia sido considerado evento único no século.


Agência FAPESP – Em 2005, a Floresta Amazônica passou por uma seca tão severa que foi classificada como um fenômeno raro, dos que costumam ocorrer uma vez a cada cem anos. Entretanto, apenas cinco anos depois a região teve uma seca ainda mais forte.

Segundo estudo feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido, publicado nesta sexta-feira (4/2) na revista Science, em 2010 a maior floresta tropical do mundo teve ainda menos chuvas do que em 2005. Como secas severas são danosas à vegetação, menos carbono foi capturado no ano passado.

Paulo Brando e Daniel Nepstead, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas analisaram dados climáticos, pluviométricos e de perda de vegetação para concluir a repetição do “evento único no século”.

Segundo eles, a Floresta Amazônica costuma atuar fortemente no sequestro de carbono atmosférico, mas secas podem revertar essa característica. Em 2005, estima-se que a morte das árvores resultante da seca tenha promovido a liberação, nos anos seguintes, de cerca de 5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Em um ano normal, a floresta sequestra cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2.

Para efeito de comparação, o valor é quase toda a emissão de CO2 a partir de combustíveis fósseis nos Estados Unidos em 2009. Com mais árvores tendo morrido em 2010 do que em 2005, os cientistas destacam que muito mais carbono permaneceu na atmosfera e mais de 5 bilhões de toneladas ainda serão lançados em decorrência da morte de árvores.

Os autores ainda vão estimar o impacto da vegetação perdida em 2010 e apontam que a seca de 2005 pode ter impactado na gravidade da estiagem cinco anos depois.

Os resultados indicam que secas semelhantes e repetidas na região poderão ter impacto importante no ciclo global de carbono e, por consequência, no clima terrestre. Se tais secas intensas se tornarem frequentes, apontam os autores, os dias da Amazônia como equilibrador natural das emissões de carbono promovidas pelo homem podem estar ameaçados.

O artigo The 2010 Amazon Drought (doi:10.1126/science.1200807), de Simon Lewis e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org.

>Estudo europeu aperfeiçoará modelos para predizer o clima (FSP, JC)

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JC e-mail 4187, de 27 de Janeiro de 2011

“É importante registrar que o estudo não abala a constatação de que a Groenlândia está, de qualquer forma, perdendo mais gelo do que acumula”

Marcelo Leite é jornalista. Artigo publicado na “Folha de SP”:

O artigo sobre geleiras da Groenlândia na atual edição da “Nature” constitui um bom exemplo das complexidades envolvidas nas previsões climáticas.

O trabalho científico é um exemplo, também, da dificuldade de apresentar ao público resultados incrementais da pesquisa.

À primeira vista, o estudo tira força da ideia de que o aquecimento global esteja acelerando a contribuição do gelo groenlandês para a elevação do nível dos mares.

O raciocínio era plausível. Com a atmosfera mais quente, ocorre mais derretimento na superfície. O líquido adicional fica disponível para penetrar por fendas até a base da geleira e lubrificar seu escorregamento.

Agora se sabe, graças ao grupo britânico e belga, que o fenômeno comporta um efeito de limiar.

Até um certo ponto de aquecimento, o derretimento superficial provoca aceleração. A partir desse ponto, a água passa a escoar melhor, sem lubrificar a base da geleira. Menos blocos gigantes de desprendem.

Isso não significa que seja nulo o efeito sobre a geleira groenlandesa. Algum aumento de temperatura de fato acelera sua ruptura.

O que foi posto em dúvida pelo estudo -até que novas pesquisas o confirmem ou refutem- é a hipótese de que o aumento contínuo de temperatura vá produzir uma perda linear de massa de gelo, sempre crescente.

Com esse conhecimento, os modelos de computador para predizer o comportamento do clima serão aperfeiçoados. Mas é importante registrar que o estudo não abala a constatação de que a Groenlândia está, de qualquer forma, perdendo mais gelo do que acumula.
(Folha de SP, 27/1)

>Recorde de 2010 confirma aquecimento global e é alerta para desastres climáticos (O Globo, JC)

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Extremo e perigoso

JC e-mail 4183, de 21 de Janeiro de 2011

Marcado por desgraças climáticas de todos os tipos, 2010 foi considerado na quinta-feira pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) uma prova de que o aquecimento global está em curso. Classificado como o ano mais quente desde 1850, quando os registros começaram, 2010 está estatisticamente empatado com 1998 e 2005.

Porém, ele confirma a tendência de aquecimento observada ao longo do século XX e neste começo do XXI. E a década de 2001 a 2010 foi a mais quente da História. Se as emissões de CO2 e outros gases-estufa não forem reduzidas, alertou a OMM, a Terra se tornará cada vez mais quente e instável.

Segundo a OMM, uma agência que integra as Nações Unidas, nenhum fator natural explica a elevação da temperatura do planeta. Os dois principais agentes naturais que influenciam a temperatura planetária foram descartados.

A ação de vulcões, na verdade, contribuiu para reduzir a temperatura e, possivelmente, aliviar o ritmo do aquecimento. Na última década a atividade solar também foi menor do que a normal, o que também teria contribuído para diminuir a temperatura.

As emissões por ação humana dos gases do efeito estufa, todavia, continuam a aumentar.

– 2010 confirma a tendência de aquecimento a longo prazo – declarou na quinta-feira, em Genebra, o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

O ano de 2010 foi excepcionalmente quente em quase toda a África, no sul e no oeste da Ásia, na Groenlândia e no Ártico canadense. A camada de gelo sobre o Ártico no verão nunca esteve tão fina, tornando uma das regiões mais frias da Terra (a mais fria é a Antártica) o canário da mina do clima. A OMM alertou que embora a mais forte La Niña desde 1974 esteja em curso contribuindo para reduzir a temperatura global, a tendência é que 2011 também seja um ano marcadamente quente.

Todo tipo de evento climático extremo foi registrado em 2010. Os especialistas da OMM explicam que aquecimento global não significa necessariamente só mais calor.

Aquecimento global implica em extremos climáticos. E 2010 teve uma abundância de ondas de calor e frio extremos, enchentes, supertufões, desmoronamentos e secas.

Isso acontece porque a elevação da temperatura global lança mais energia no sistema climático da Terra. Essa energia desequilibra a delicada e complexa dinâmica climática. É por isso que nevascas e ondas de frio rigoroso podem ser ligadas ao aquecimento global.

– A tendência de aquecimento, infelizmente, prosseguirá e se fortalecerá ano após ano. Porém, a amplitude do problema será determinada pela quantidade de gases do efeito estufa que o homem liberará – alertou Michel Jarraud.

Um estudo independente apresentado esta semana e baseado em dados da própria ONU estimou que até 2020 a Terra estará 2,4 graus Celsius mais quente, com severas consequências na produção global de alimentos. Uma elevação de 2 graus na temperatura média é suficiente para intensificar e multiplicar chuvas, secas e ondas de frio e calor.

– Temos que agir depressa para limitar as emissões – frisou Bob Ward, do Centro de Pesquisa de Mudanças Climáticas Grantham, da Universidade de Londres.
(O Globo, 21/1)

>Pânico pode alimentar ceticismo da população a respeito do aquecimento global (FSP, JC)

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Clima de alarmismo, artigo de Marcelo Leite

JC e-mail 4180, de 18 de Janeiro de 2011

Marcelo Leite é jornalista. Artigo publicado na “Folha de SP Online”:

A nova hecatombe na região serrana do Rio sugere que as previsões sobre desastres inomináveis no futuro, em decorrência da mudança do clima, podem não ser tão exagerados quanto afirmam os céticos do aquecimento global. Tudo depende de conectar causalmente esse tipo de desastre, e sua frequência, com as predições dos modelos climáticos de que uma atmosfera mais quente trará mais eventos meteorológicos extremos como esses – o que não é coisa trivial de fazer.

Pressupor tal conexão, no entanto, já foi muito criticado por pesquisadores do clima. Não haveria uma tragédia planetária por acontecer de imediato, como fantasiou o filme “O Dia Depois de Amanhã”. Agora, uma pesquisa de psicologia aplicada vem corroborar essa percepção, dizendo que mensagens alarmistas sobre a mudança climática podem ser contraproducentes e alimentar o ceticismo na população a respeito do aquecimento global.

O estudo foi publicado por Matthew Feinberg e Robb Willer em dezembro no periódico Psychological Science. Usaram dois experimentos para “provar” que mensagens alarmistas de fato aumentam o ceticismo por contradizerem a tendência das pessoas a acreditar que o mundo é justo.

Se a mudança do clima vai matar, empobrecer ou prejudicar também pessoas inocentes, como as crianças afogadas em lama no Rio, uma reação natural das pessoas seria duvidar de que o aquecimento global seja uma realidade. Li rapidamente o artigo e os dois experimentos não me convenceram muito, mas fica o convite para o leitor formar sua própria opinião.

A tese, porém, é boa. Com efeito, é de pasmar a capacidade de muita gente de não enxergar – ou não querer ver – como são abundantes os indicativos da ciência de que há, sim, uma mudança climática em curso.

Uma explicação, obviamente, é político-ideológica. Muitos optam por não acreditar em aquecimento global porque acham que é uma conspiração dos socialistas para extinguir a liberdade empresarial (por meio de regulamentação) ou a liberdade individual de dirigir jipões movidos a diesel, mas também há socialistas e comunistas – como no Brasil – convencidos de que a conspiração é de imperialistas americanos para impedir o desenvolvimento de países emergentes como o Brasil.

Quem reage irracional e psicologicamente ao alarmismo ou ideológica e canhestramente a fantasmas conspiradores vai ter razão de sobra para se tornar ainda mais cético diante do sítio de internet Global Warning (um trocadilho intraduzível entre Global Warming – aquecimento global – e Global Warning – alerta global).

Trata-se de um esforço para vincular aquecimento global com ameaças à segurança doméstica dos EUA – de bases militares ameaçadas de inundação à dependência de combustíveis fósseis importados. Ou seja, para sensibilizar o americano médio, conservador e republicano e diminuir seu ceticismo diante do fenômeno.

Se Feinberg e Willer estiverem certos, o tiro vai sair pela culatra. E os socialistas céticos tupiniquins vão babar um pouco mais de raiva dos imperialistas.
(Folha de SP Online, 17/1)

>Clima ajudou queda de Império Romano (FSP, JC)

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JC e-mail 4178, de 14 de Janeiro de 2011

Estudo mostra que, a partir do século 3, esfriou e parou de chover no Império, e a agricultura entrou em colapso

Não é a resposta que quem corrige vestibulares espera, mas um novo estudo diz que, entre os fatores que levaram o Império Romano ao fim, está uma mudança climática.

Pesquisadores da Universidade Harvard e de várias instituições europeias mostraram que, no auge da expansão de Roma, o clima era quente e chuvoso. Isso fortalece a agricultura e, assim, ajuda a alimentar grandes exércitos, além de permitir uma economia pujante, evitando insatisfações internas.

Isso aconteceu por volta do ano 100 d.C., quando o Mediterrâneo virou um “lago romano”, e o Império chegou a colocar os pés até no Norte da atual Inglaterra, onde concluiu, em 126 d.C., a muralha de Adriano, para manter os inimigos afastados.

Uma hora, porém, a prosperidade acabou. A partir do meio do século 3, mudanças climáticas tornaram o Império Romano mais seco e frio.

Segundo o grupo internacional de pesquisadores, que publicou suas conclusões na “Science”, isso certamente afetou a produção de alimentos e pode ter estimulado causas tradicionalmente relacionadas à decadência de Roma, como a inflação.

Certamente políticas monetárias erradas colaboraram para piorar o cenário de crise econômica, dizem, mas não é por isso que se deve, nas palavras de Jan Esper, da Universidade Johannes Gutenberg (Alemanha), “seguir a crença comum de que civilizações estão isoladas de variações ambientais”.

Para saber como era o clima há tanto tempo, os cientistas analisaram 9.000 pedaços grandes de madeira antiga. A maioria veio de restos de construções e artefatos de madeira na Europa.

Cada ano cria um anel único no tronco da árvore. Pacientemente, os cientistas foram retrocedendo, comparando pedaços de madeira cada vez mais antigos.

O desafio era ir criando uma sequência história de troncos: quando não havia mais como retroceder nos anéis de um, ter um novo pedaço de madeira, mais antigo, para seguir.

Conforme a grossura desses anéis, é possível saber quanto choveu e se fez frio ou calor naquele ano.

Os cientistas destacam que a existência de mudanças climáticas em um período pré-Revolução Industrial não significa que o aquecimento global contemporâneo seja natural. “O que está acontecendo agora não tem precedentes, é muito mais rápido”, dizem os cientistas.

A ideia de que fatores ambientais, mais do que políticos, levam sociedades ao colapso ganhou força em 2005, quando o biogeógrafo americano Jared Diamond lançou o livro “Colapso”. Nele, Diamond mostra como coisas como a exploração excessiva da madeira ou da pesca levaram sociedades à crise.

Não existia grande material científico, em 2005, sobre como o ambiente tinha atingido Roma. Os romanos, ao menos, não tiveram culpa pelas mudanças no clima que atingiram seu Império.
(Ricardo Mioto)
(Folha de SP, 14/1)

>Clima não pode justificar falta de ação contra enchentes, diz especialista (JC)

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JC e-mail 4177, de 13 de Janeiro de 2011

Para diretora de centro de pesquisas sobre desastres, governos não podem evitar chuvas, mas devem agir para prevenir consequências

O aumento da incidência de chuvas em consequência das mudanças climáticas globais não pode servir de desculpa para os governos não agirem para evitar enchentes, na avaliação de Debarati Guha-Sapir, diretora do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres (Cred), de Bruxelas, na Bélgica.

“Não é possível fazer nada agora para que não chova mais. Mas temos que buscar os fatores não ligados à chuva para entender e prevenir desastres como esses [das enchentes no Brasil e na Austrália]”, disse ela à BBC Brasil.

“Dizer que o problema é consequência das mudanças climáticas é fugir da responsabilidade, é desculpa dos governos para não fazer nada para resolver o problema”, critica Guha-Sapir, que é também professora de Saúde Pública da Universidade de Louvain.

O Cred vem coletando dados sobre desastres no mundo todo há mais de 30 anos. Guha-Sapir diz que os dados indicam um aumento considerável no número de enchentes na última década, tanto em termos de quantidade de eventos quanto em número de vítimas.

Segundo ela, as consequências das inundações são agravadas pela urbanização caótica, pelas altas concentrações demográficas e pela falta de atuação do poder público.

“Há muitas ações de prevenção, de baixo custo, que podem ser adotadas, sem a necessidade de grandes operações de remoção de moradores de áreas de risco”, diz, citando como exemplo proteções em margens de rios e a criação de áreas para alagamento (piscinões).

Para a especialista, questões como infraestrutura, ocupação urbana, desenvolvimento das instituições públicas e nível de pobreza e de educação ajudam a explicar a disparidade no número de vítimas entre as enchentes na Austrália e no Brasil.

“A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender a toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco”, afirma.

Para ela, outro fator que tem impacto sobre o número de mortes é o nível de educação da população. “Pessoas mais educadas estão mais conscientes dos riscos e têm mais possibilidades de adotar ações apropriadas”, diz.

Apesar disso, ela observa que a responsabilidade sobre as enchentes não deve recair sobre a população. “Isso é um dever das autoridades. Elas não podem fugir à responsabilidade”, afirma.
(BBC Brasil, 13/1)

>El Niño violento dá lugar a uma poderosa La Niña e intriga cientistas (JC)

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JC e-mail 4175, de 11 de Janeiro de 2011.

Clima de extremos

Quando o assunto é clima, o planeta tem sido regido por extremos. Ou El Niño – ocasião em que o Pacífico Equatorial se aquece acima da média – ou La Niña, quando a mesma região fica anormalmente fria. Ambos os fenômenos causam distúrbios de alcance global.

A passagem de um extremo a outro sempre ocorreu. O que preocupa é a velocidade com que ela tem acontecido. Nos últimos 60 anos, houve apenas uma vez em que um desses fenômenos foi imediatamente sucedido pelo outro, em 1972-1973. Agora, a mudança drástica voltou a ocorrer no biênio 2010-2011, intrigando especialistas.

Até o meio do ano passado, o planeta aquecia sob a influência do El Niño. O fenômeno foi o responsável por 2010 ter chegado ao fim como o ano mais quente desde o início dos registros meteorológicos, em 1850. Logo depois, para a surpresa dos pesquisadores, o clima esfriou sob a La Niña, cuja duração deve se estender até abril.

– Não há uma explicação definitiva para uma flutuação tão grande das temperaturas no Pacífico – admite Paulo Cesar Rosman, professor de Engenharia Oceânica e Costeira da Coppe. – Alguns pesquisadores atribuem este fenômeno a problemas geológicos, de vulcanismo, mas nenhuma hipótese foi comprovada até agora.

Transição no ano passado foi anormal

A resposta deverá vir da Organização Meteorológica Mundial (OMM), num relatório com lançamento previsto para as próximas semanas. Pesquisadores da instituição passaram os últimos meses na América do Sul, analisando as mudanças climáticas e eventos extremos do continente. Também foi revisado o histórico de medições de temperatura do Pacífico da última década.

– A transição de um desses fenômenos para outro não é normal; não de uma forma tão rápida – ressalta Ghassem Asrar, codiretor do Departamento de Pesquisas da OMM e diretor do Programa Mundial de Pesquisa Climática. – Normalmente El Niño e La Niña estão separados por períodos significativos de situações neutras, ou seja, anos em que a temperatura da água no Pacífico Equatorial não está muito quente ou muito fria.

De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, não há indícios de que os meninos do clima terão frequência ou extensão aumentadas este século. Suas principais consequências, no entanto, podem dar as caras mais vezes.

– É possível que cresçam os eventos extremos, associados ou não ao El Niño e La Niña – alerta Asrar. – As ondas de calor e as chuvas rigorosas, por exemplo, vão se tornar cada vez mais frequentes.

Cheias devastadoras no verão da Austrália

A mais recente catástrofe do clima está associada à La Niña. Em nota divulgada na semana passada, o governo australiano culpou o fenômeno pelas enchentes do estado de Queensland, que já deixaram cinco mortos e 75 mil pessoas isoladas, devido ao alagamento de estradas, ferrovias e aeroportos. O ano passado, quando começou o atual La Niña, foi o terceiro entre aqueles com mais precipitações da história do país.

– Embora a intensidade de El Niño e La Niña seja o mais importante fator para avaliar riscos climáticos, os eventos extremos podem se desenvolver como consequência de outras interações entre os oceanos e atmosfera – ressalta Rupa Kumar Kolli, pesquisador da OMM e especialista nos dois fenômenos. – Nem tudo depende da temperatura do Pacífico Equatorial.

Por romperem os padrões normais de circulação atmosférica, El Niño e La Niña mudam modelos climáticos típicos de cada região. Sua força é ainda mais visível nas regiões tropicais. O Brasil, país de dimensões continentais, recebe sinais nítidos de ambos os fenômenos.

– O La Niña leva chuva ao Nordeste, o que é bom; em compensação, o Sul fica seco. No El Niño, ocorre o inverso – explica Rosman. – Até a ressaca do mar segue um desses modelos. Durante o El Niño, o Posto 5,
em Copacabana, desaparece. A Marina da Glória é tomada por ondas. Os fenômenos são lentos, progressivos e cumulativos. Acontece que as pessoas só notam os problemas quando eles atingem o seu ápice. Quando cai a mureta da Praia do Arpoador, por exemplo.

No Rio, a La Niña facilitará a entrada de frentes frias neste verão. Ainda assim, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a temperatura pode ficar acima da média histórica. O índice de chuvas está dentro do normal, mas haverá “grande variabilidade espacial e temporal em sua distribuição” – ou seja, as precipitações podem ocorrer mais concentradas (portanto mais rigorosas), e períodos de seca não são descartados.

Mil anos de efeito estufa

Uma pesquisa publicada ontem na revista “Nature Geoscience” revela que o acúmulo de gases-estufa na atmosfera causará efeitos ininterruptos no clima global por, no mínimo, mil anos. A longa duração do evento será suficiente para provocar o colapso da camada de gelo da
Antártica Ocidental até o ano 3000. Com isso, haverá um aumento do nível dos oceanos de, no mínimo, quatro metros.

Esta é a primeira simulação de modelo climático a fazer previsões de um período tão grande. Para trabalhar com um cenário de 1.000 anos a partir de agora, os pesquisadores basearam-se em hipóteses mais otimistas, ou seja, de emissões de gases-estufa zeradas a partir de determinado momento, que variava entre 2010 e 2100.

– Criamos uma série de cenários – explica Shawn Marshall, professor de geografia da Universidade de Calgary, do Canadá, que desenvolveu a pesquisa junto ao Centro Canadense de Modelagem e Análise Climática. – “E se interrompêssemos completamente o uso de combustíveis fósseis e não emitíssemos mais gás carbônico na atmosfera? Quanto tempo demoraríamos para reverter os padrões atuais de mudanças climáticas? Primeiro a situação ficaria pior?”.

Outra pesquisa publicada pela revista indica que as geleiras de montanha podem perder entre 15% e 27% de seu volume até o fim do século, o que afetaria fortemente a disponibilidade de água para os centros urbanos. Entre as regiões mais afetadas estão a Nova Zelândia, que pode perder 72% de suas geleiras, e os Alpes (75%). O degelo provocaria um aumento médio do nível do mar em 12 centímetros.
(Renato Grandelle)
(O Globo, 11/1)

>Superprevisão do tempo? Pergunte ao Tupã (Agência FAPESP)

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Especiais

Por Elton Alisson, de Cachoeira Paulista (SP)
29/12/2010

Um dos maiores supercomputadores do mundo para previsão de tempo e de mudanças climáticas é inaugurado em Cachoeira Paulista. Equipamento permitirá fazer previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade (foto: Eduardo Cesar/Ag.FAPESP)

Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã.

Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas.

Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

Ao custo de R$ 50 milhões, dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos.

O Tupã é capaz de realizar 205 trilhões de operações de cálculos por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados que um computador convencional demoraria mais de uma semana.

Com vida útil de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.

A máquina também possibilitará melhorar as previsões ambientais e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior resolução – de 15 quilômetros – com até seis dias de antecedência, e prever com antecedência de pelo menos dois dias eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.

“Com o novo computador, conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados, que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento das previsões climáticas no país”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, no início de janeiro de 2011 começarão a ser rodados no supercomputador, em nível de teste, os primeiros modelos meteorológicos para previsão de tempo e de mudanças climáticas. E até o fim de 2011 será possível ter os primeiros resultados sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil com dados que não são levados em conta nos modelos internacionais.

Modelo climático brasileiro

De acordo com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador foi o primeiro equipamento comprado pela instituição de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento estrangeiro.

“Todos os outros três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil. O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”, afirmou.

O supercomputador será utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.

Em seu discurso na inauguração, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou a importância do supercomputador para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos, e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).

O modelo incorporará os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação e ciclos biogeoquímicos, entre outros), suas interações e de que modo está sendo perturbado por ações antropogênicas, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo, mudanças na vegetação e urbanização.

A construção do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições. E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento de modelagem climática sem precedentes em países em desenvolvimento.

“Não tínhamos, no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento de um modelo climático brasileiro”, disse Brito Cruz.

Na avaliação dele, o supercomputador representará um avanço na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças climáticas globais, que são duas questões estratégicas para o país.

Impossibilitado de participar do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de inauguração do supercomputador, em que declarou o orgulho da instalação no Brasil do maior supercomputador do hemisfério Sul.

“Com esse supercomputador, o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra no seleto grupo de países capazes de gerar cenários climáticos futuros”, disse.

>Resfriamento global para os próximos 20 anos (Jovem Pan Online)

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09/01/2010 13h36

O jornalista André Guilherme e a meteorologista Aline Ribeiro entrevistam o professor da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion. Segundo o estudioso o clima não está aquecendo, ele afirma que próximos 20 anos serão de resfriamento do planeta. http://www.jovempan.com.br

http://storage.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=954975

Tese do resfriamento global está ganhando força – 28/10/2009 08h45

E se cientistas começassem a defender a tese de que, em vez de esquentar, a terra está ficando mais fria? É isso mesmo. Essa tese, a do resfriamento global, está ganhando força entre estudiosos de todo o mundo. Faltando dois meses para o Congresso Mundial sobre mudanças climáticas, na Dinamarca, a polêmica promete aumentar. (Band News)

http://storage.mais.uol.com.br/embed_v2.swf?mediaId=363369

>COP-16: Só mesmo com ajuda do céu (JC)

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JC e-mail 4147, de 30 de Novembro de 2010.

Clima mata 21 mil em 2010 e ministra pede ajuda aos deuses na Cúpula de Cancun

Desastres climáticos registrados nos primeiros nove meses deste ano foram responsáveis por 21 mil mortes – o dobro do número confirmado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela organização humanitária Oxfam.

O relatório cita as enchentes no Paquistão, as ondas de calor na Rússia e a elevação do nível do mar em Tuvalu, como exemplos das letais conseqüências das mudanças climáticas. E o futuro não é nada promissor: um outro estudo revela que em 50 anos, o mundo estará 4 graus Celsius mais quente, o que vai impor severas alterações climáticas.

Os dados foram divulgados na segunda-feira (29/11), dia de abertura da 16ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-16), em Cancún, no México. A cerimônia de abertura foi marcada por discursos para forçar um novo engajamento dos países em torno de um acordo para conter o aquecimento global.

A secretária-executiva da convenção, Christiana Figueres, chegou a apelar para os deuses, pedindo que a deusa maia da Lua, Ixchel, inspire os negociadores dos 194 países que participam do evento.

– Bem-vindos à terra da deusa maia da Lua, Ixchel, que também era deusa da razão, da criatividade e da liderança – afirmou ela. – Que ela inspire a todos vocês, porque hoje (segunda-feira) vocês estão reunidos aqui em Cancún para chegar a uma sólida resposta às mudanças climáticas, usando razão e criatividade. Estou convencida de que daqui a 20 anos vamos admirar a tapeçaria que nos tecemos juntos e lembrar com carinho de Cancún e da inspiração da deusa Ixchel.

“Bem-vindos à terra da deusa maia da Lua, Ixchel, que também era deusa da razão, da criatividade e da liderança. Que ela inspire a todos vocês, porque hoje vocês estão reunidos aqui em Cancún para chegar a uma sólida resposta às mudanças climáticas, usando razão e criatividade. Estou convencida de que daqui a 20 anos vamos admirar a tapeçaria que nos tecemos juntos e lembrar com carinho de Cancún e da inspiração da deusa Ixchel”

Segundo o documento da Oxfam, as enchentes no Paquistão inundaram um quinto do país, matando 2 mil pessoas e afetando 20 milhões em razão da destruição de casas, escolas, rodovias e cultivos e da disseminação de doenças. Um prejuízo estimado em US$ 9,7 bilhões.

Na Rússia, as temperaturas excederam a média de julho e agosto em 7,8 graus Celsius, o que fez a taxa diária de óbitos em Moscou dobrar, alcançando 700. Pelo menos 26 mil focos de incêndio destruíram um quarto das plantações de trigo, gerando um problema nas exportações.

Os moradores da nação insular Tuvalu, no Pacífico, onde a elevação do nível do mar é de 5 a 6 milímetros ao ano, enfrentam cada vez mais dificuldades para manter cultivos, uma vez que a água salobra está invadindo as plantações.

E o futuro será muito pior, como apontam dados climáticos. As crianças de hoje vão alcançar a velhice num mundo 4 graus Celsius mais quente, onde certezas climáticas que valeram para os últimos dez mil anos não serão mais referência. Secas, enchentes e migrações em massa serão parte da vida diária já a partir de 2060.

Será provavelmente a década a partir da qual, pela primeira vez desde o fim da Idade do Gelo, a Humanidade terá que lidar com um clima global bastante instável e imprevisível. As previsões fazem parte de uma série de estudos científicos publicados na segunda-feira (29/11) sobre o mundo 4 graus Celsius mais quente.

As negociações em Cancún ainda giram em torno de tentar manter a elevação das temperaturas em, no máximo, 2 graus Celsius. Segundo muitos cientistas, no entanto, as atuais tendências revelam que um aumento de 3 a 4 graus é “muito mais provável”.

A maior preocupação é que uma elevação de 4 graus Celsius na temperatura média global – uma diferença tão grande quanto a que separa o clima atual daquele registrado na última Idade do Gelo – geraria transformações dramáticas no mundo, levando a secas, colapso da agricultura em regiões semiáridas e a um catastrófico aumento do nível do mar em áreas costeiras.

O anfitrião da COP-16, o presidente mexicano Felipe Calderon, fez um apelo para que os negociadores cheguem a um acordo para mudar os rumos da crise climática.

Ele disse que as futuras gerações irão cobrar, caso eles falhem em alcançar um resultado.

– Será uma tragédia que nossa incapacidade nos leve a falhar – afirmou, citando que em seu país só este ano 60 pessoas morreram por desastres causados pelo aquecimento da Terra.

(Catarina Alencastro, O Globo, 30/11/2010)

>Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pts. 1 & 2 – Yale Forum on Climate Change & The Media)

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Scientists’ ‘Lessons Learned’

Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pt. 1)

November 18, 2010

By any account, it’s been a challenging 12 months for climate science, for climate scientists, and for the ever-changing face of journalism as its practitioners struggle, or not, to keep their audiences adequately informed and knowledgeable.

From the November 19, 2009, New York Times and Washington Post front-page initial news reports of hacked e-mails from the University of East Anglia (a place up until then unlikely to find itself on American newspaper’s front pages) … to subsequent findings of a silly factual mistake in the IPCC’s Fourth Assessment forecasting disappearing Himalayan glaciers just 25 years from now … to the disappointments of last December’s international negotiations in Copenhagen … to data pointing to growing uncertainty and confusion on the climate change issue in the minds of many Americans and their public officials ….

The list could go on, but why bother? It’s been a tough period, notwithstanding repeated subsequent independent investigations finding, by and large, no damage to the underlying science itself.

A tough year. And, no doubt, not the last one. An increasingly challenging political environment promises more interesting times ahead, both for the science and for the scientists who devote their lives to the subject. What’s more, who’s to say the hacked e-mails brouhaha (the term “climategate” only lends it a status and importance it really does not deserve) is the last controversy, or perhaps even the most serious one, to arise in the field?

So what have “they” learned from it all, those scientists who best know the climate change science disciplines and the reporters whose responsibility it is to share and help evaluate their findings? Will they, scientists and media alike, be better off next time for having had the learning experiences the past year has given them? Are they actually learning the lessons each field could and should learn from those experiences, and putting them to practice?

Those are questions Yale Forum Editor Bud Ward and regular contributor John Wihbey put to leading climate scientists and journalists covering the issue. Their responses are posted separately in a two-part series, dated November 18 and 23, 2010 (see Part 2).

What lessons has the climate science community learned from the experiences of the past year or so?

Anthony J. Broccoli – Professor, Department of Environmental Sciences. Director, Center for Environmental Prediction and Climate and Environmental Change Initiative, Rutgers University

The climate science community was reminded that the policy implications of climate science make it more than just an academic pursuit. As a consequence, higher profile climate scientists may find themselves subjected to a similar level of personal scrutiny as public figures receive. I worry that this will make some scientists more reluctant to interact with policymakers or publicly communicate their science.

Peter H. Gleick – President, Pacific Institute

… there is an improved realization of how impossible it is to keep the climate science questions and debates separate from the political and ideological debates. And I hope we’ve learned the importance of communicating accurately and constantly. Being passive in the face of political repression, ideological misuse of science, and policy ignorance moves us in the wrong direction. I would like to think the community has learned that depending on the “honesty” and “impartiality” of journalism is not enough … that without strong input from climate scientists, the wrong stories get reported, with bad information, and ideological bias.

Michael Oppenheimer – Albert G. Milbank Professor of Geosciences and International Affairs, Princeton University

I imagine that my colleagues’ views on this are rather diverse, and those I hear from are not necessarily representative. But one conclusion that seems common is the realization that climate science and scientists operate in a fishbowl, whether they stick to basic research or venture into policy applications. Like it or not, we are always “on the record.”

A second conclusion, bizarre as it may seem, is that mistakes like the Himalayan glacier episode have the potential to resemble airplane crashes: in some circumstances, almost perfect is not good enough.

Both of these realizations could have the unfortunate consequence of causing scientists, particularly younger ones, to avoid areas of research, like climate change, which are associated with public controversy due to the political process which parallels the science; or to avoid interacting with government, media, or the general public at all, even to explain the significance of their own research. I have not seen compelling evidence of such a trend but the possibility worries me.

Kerry A. Emanuel – Professor of Atmospheric Science, MIT

I do not feel I have my “ear to the wall” enough to provide a meaningful answer to this question. I would guess that at the very least everyone will be much more cautious about what they say in e-mail correspondence with other scientists, and that they will be more reluctant to interact with journalists who have behaved on the whole rather badly.

Malcolm K Hughes – Regents’ Professor, The University of Arizona

A number of climate scientists have learned that simply trying to do a good, responsible, and honest job of climate research according to established standards of professional conduct can lead to their becoming objects of suspicion, derision, disdain, and even hate. Some have already been subject to this for several years.

Many climate scientists are also learning that this surging assault on their integrity and that of their field is not a coincidence, but is the consequence of organized campaigns of disinformation. These have been originated by ideological, political and economic interests, and amplified by the technique of inciting what can only be described as mob behavior on the Internet and over the airwaves.

As a clearly intended consequence of the organized campaigns of disinformation, this “climate science is a hoax” propaganda has spread widely in the political arena. So, more of us than before fall 2009 have learned that we must work in a very different environment than existed when nobody outside the field cared much about climate science.

Benjamin D. Santer – Program for Climate Model Diagnosis and Intercomparison, Lawrence Livermore, National Laboratory

In the past year, we have seen ample evidence of the activities of powerful “forces of unreason.”

These forces of unreason seek to establish the scientific equivalent of what were once called “no-go” areas in Northern Ireland. Their actions send a clear warning to the scientific community:

This is the new reality of climate science in the 21st century.

Donald J. Wuebbles – The Harry E. Preble Professor of Atmospheric Sciences, University of Illinois

1. Be careful with what you write in emails or say over the phone. We all have a tendency to say things that can be misconstrued.

2. We have learned that data access and archival of climate observation and modeling results needs to be better communicated and more transparent. This does not mean the scientists should have to provide every single piece of interim analysis products like the deniers are currently hassling the community for — that is aimed at harassment not science transparency.

3. We acknowledge that occasional mistakes will happen (we are human), but we should aim at eliminating errors from the assessments (not a big issue when one can only find one error of any real significance in almost 3,000 pages of an assessment).

4. We need to strengthen the communication of the science.

5. We should make the expression of uncertainties more transparent.

Richard C. J. Somerville – Distinguished Professor Emeritus and Research Professor, Scripps Institution of Oceanography, University of California, San Diego

The climate science community has learned that it is in the cross-hairs of a ruthless disinformation campaign. The campaign is run by economic, political, and ideological interests opposed to many proposed policies that might deal meaningfully with the threat of climate disruption. This disinformation campaign is professional, well-funded, and highly effective. Its purpose is to destroy the credibility of mainstream climate science.

Polling data show that this campaign has already been successful in many ways. The public is confused and distrustful of reputable climate scientists. The public thinks that the science is controversial and does not understand the degree to which the expert community is in agreement on the reality and seriousness of man-made climate change.

John M. Wallace – Professor, Atmospheric Sciences, University of Washington

We’ve witnessed the lengths to which political activists will go in an effort to manipulate public opinion. Yet it seems to me that for all its notoriety, “climategate” has had only a very limited impact on public opinion. It may have served to widen the divide between climate change believers and naysayers, but it doesn’t seem to me that it has caused many believers to switch sides.

What lessons should it learn?

Kerry Emanuel

In my somewhat pessimistic view, there is very little a small community of scientists can do when up against a much larger and far better funded disinformation campaign involving a curious, symbiotic relationship between agenda-driven interests and journalists. It is clear that any mis-step, however innocent, or any less-than-tightly-worded statement can and will be used against the climate science community or to further someone’s political agenda.

There are a few concrete steps that I think scientists can and should take:

1. Campaign vigorously and unceasingly to get governments around the world to treat government-funded environmental data as a public good. This used to be the case and is still the case in some civilized countries like the United States, but other countries with a less well developed sense of public interest, such as England and France, hold environmental data as proprietary. This has caused much grief and has tangibly slowed the progress of science. It also played a role in “climategate” by forcing East Anglia scientists to withhold certain data sets that they had acquired under Europe’s unjustified and labyrinth data distribution policies.

2. Recognize that just as certain European governments view themselves more as money-making enterprises than as entities that serve the public interest, journalists are in business to make money, not to serve the public interest. If scientists would learn to speak with journalists with this in mind, rather than treating them as fellow scientists interested primarily in advancing knowledge, then many evils could be avoided. Remember that controversy sells while consensus makes extremely dull copy. Always treat maverick scientists with respect while making it clear that they are indeed mavericks.

3. Recognize that the IPCC process may be reaching the end of its useful life and may even start being counterproductive. It is not likely that the uncertainty in climate projections will be much reduced by adhering to the current paradigm of running ever more complex global climate models, and the desire to have a consensus may be discouraging new approaches.

Anthony J. Broccoli

The community should recognize that having a public face carries additional responsibilities, including the need to not only act properly, but also avoid the appearance of improper behavior. Good scientists have been defamed by having off-the-cuff remarks publicly disclosed.

To avoid future problems of this kind, perhaps scientists who are involved in international assessments should be provided with staffing to help them perform this civic duty efficiently and judiciously without compromising their effectiveness as scientists.

Peter Gleick

Climate scientists must learn that there is a committed band (both organized and unorganized) of climate deniers, with diverse often unclear motivations, determined to do and say anything to confuse the public and policymakers about science in order to avoid the policy debates. Climate scientists must learn that sticking with science and ignoring policy, when the science says something bad is going to happen, does nothing to move policymakers — there MUST be coordinated, consistent, and ongoing communication from climate scientists to the public and policymakers.

I HOPE that the climate science community has learned that we must ensure that our science is good, transparent, adequately reviewed, open source, and not based on ideology. And, of course, I hope that every climate scientist (we’re supposed to be smart, eh?) has learned that e-mails must always be assumed to be completely public!

Michael Oppenheimer

For me, the key lessons of the episodes of the past year are: Healthy skepticism in the media and the general public toward experts is easily manipulated and blown out of proportion by narrow political interests and died-in-the-wool contrarians. That’s the sea we all swim in, so scientists working on important problems that bear implications for policy can’t avoid it.

The only effective weapon against this is for scientists to increase trust by increasing transparency, not only toward their colleagues but toward the general public. Institutions like IPCC need to continually learn from past experience and remake themselves to improve their degree of openness and their overall performance, even when the latter is already exceptional.

Malcolm K. Hughes

It is always vital to improve how we work and how we communicate data, methods, and results. The artificial scandal based on the theft of material from the University of East Anglia has no bearing on this. It is essential that we not be intimidated, seduced, or diverted from doing good science in a careful and deliberative manner.

To this end we need to learn to do a better job of communicating to the public how we actually work and the “rules of the game” under which we operate. Much has been written about data availability, but misapprehensions abound among academic colleagues as well as media professionals. I have been asked the question “why will you people not release your data?” when the data have been available in the public domain for years.

Finally, true friends of science are needed to develop ways of providing support, including legal and media advice, to colleagues under attack from ideological, political, or economic forces. Just as happened with other science unwelcome to powerful interests, the attacks will continue as long as the issues of society’s response to climate change remain unresolved, and we need to learn how to better the practice of science.

Ben Santer

As climate scientists, we have to decide how to deal with this new reality. We can ignore it, and hope that it eventually goes away. We can try to find some “place of refuge,” where (if we are lucky) we may be able to isolate and insulate ourselves from these forces of unreason, and concentrate on our own research. We can remain silent, and hope that our professional societies and funding agencies will defend us, and will defend our ability to conduct research in the public and national interest. We can hope that the media will recognize the crucial importance of “getting the science right,” and will show the same assiduousness in pursuing true understanding of complex climate science issues as they did in reporting on non-existent conspiracies to fool the global population.

Or we can recognize that we have to adapt to this new reality; we can recognize that:

Our responsibility to funding agencies and society does not end with the publication of X papers in the peer-reviewed literature;

We have a larger, open-ended responsibility to speak truth to power, and to tell the public and policymakers, in plain English, why they should care about the science of climate change, and what this science tells us;

We have a responsibility to debunk myths and misconceptions about climate science. We cannot ignore ignorance;

We have a responsibility to defend friends and colleagues who are unjustly accused of serious professional misbehaviour;

Our ability to do research in the public interest is a precious privilege, not an inalienable right. If we do not fight to retain and protect this privilege, it may be in jeopardy;

We do not have the luxury of remaining silent.

Richard Somerville

The climate science community should learn that it is poorly equipped to confront this disinformation campaign. It should recognize that excellent scientific researchers are often poor science communicators. Scientists should realize that IPCC assessments, National Academy of Science reports, and statements by scientific societies often are difficult for non-scientists to read and understand. Scientists should acknowledge that the research community taken as a whole generally lacks communications skills in dealing with media, with the political world, and with the public at large.

Improving this situation will not be easy or quick. The climate science community must understand that it needs to work closely with professionals in communications, media, public relations, and many other fields. It should understand that this close collaboration must be sustained and will be expensive. It should seek financial and political support for this effort.

John M. Wallace

Surviving “climategate” is not enough. Those of us in the scientific community need to learn how to reach across that wide divide to engage our friends and neighbors who are not now and perhaps never will become deeply concerned about climate change for its own sake and convince them to support progressive policies on energy, resources, fresh water, food security, and environmental protection.

And is it moving effectively to put those lessons-learned into practice?

Anthony J. Broccoli

That remains to be seen. Most of us became scientists out of a desire to understand how the world works — and that’s what we’re good at. We’re not always as good at engaging in public discourse.

John M. Wallace

I fear that as long as we continue to use climate change as the sole (or even the main) justification for policy decisions, we never will be able to reach out across that divide to bring many of our friends and neighbors on board. To move forward effectively, I think we need to have a broader discussion of the scientific issues that will have a bearing on national and international policy over the next few decades.

Don Wuebbles

Data access and archival is the subject of a lot of discussion. I have been working with the American Geological Union to see if there should be a special committee, perhaps jointly with other science societies, on this issue. Various government agencies in the U.S. (e.g., NOAA, Department of Energy) and Europe have also been discussing this.

[In addition,] IPCC is putting even stronger attempts into the AR5 assessment [Fifth Assessment Report] to try to prevent errors.

Communication has not only received a lot of discussion, but there is an ever increasing set of analyses on how to do this (e.g., two recent papers / reports on the psychology of climate science). Also, many new efforts and several new organizations are aimed at better communication, including faster better organized, responses to the “scandals”. Several professional organizations, e.g., the American Meteorological Society, AGU, and the American Association for the Advancement of Science, are also taking this on as a special activity.

[Finally, there are] several recent papers/reports on representing confidence levels and uncertainties. I am in charge of the chapter for IPCC AR5 that will be considering how to respond for the next assessment.

Peter Gleick

I would love to see some serious effort to improve science reporting in the climate area. Even the best aren’t very good, or consistently good. But there is also growing confusion about what “reporting” actually is, and what venues for climate news still exist.

Michael Oppenheimer

Due to the relative ease of creating access to electronic data bases, a long term trend has been under way toward making data more available to colleagues since long before these episodes; and in several respects, IPCC has progressively “opened up” over time. In other ways, the jury is still out.

Malcolm K. Hughes

I’m aware of scattered efforts but I believe we need urgently to do a better job of preparing young scientists for the new conditions we face. This is a situation where powerful interests seek to discredit climate science and scientists, and where there is an internet mob ready to respond to every incitement.

We need more widespread and systematic training of young scientists on legal and ethical aspects of scientific work — intellectual property, privacy, ethics of authorship and of data exchange, and so on. There should also be widely available training in dealing with the media. Climate scientists in general do a very good job of sharing methods and data but get little credit for this. Somebody’s purported difficulties in getting data may be more newsworthy than the fact that huge volumes of data are freely available, including the great majority of those featured in the anti-climate science propaganda. A much better job needs to be done of making this known.

At the institutional level, IPCC continues to evolve to meet these challenges. One important aspect of the changes IPCC is making concerns the need to respond more flexibly and rapidly when issues of public controversy arise.

Kerry Emanuel

I have no idea.

Richard Somerville

While some individual scientists have clearly taken these lessons to heart, I see very little sign that attitudes in the broad climate science community have changed.

*   *   *

A Yale Forum Two-Part Special Feature:

Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pt. 2)

November 23, 2010

Climate science and climate scientists aren’t the only ones who have come under some withering scrutiny over the past 12 months. The controversies — or were they “pseudo-controversies”? — stemming from the hacked e-mails at a British university put the media also under the microscope for their handling of the breaking news and its aftermath. Why, some scientists wondered, were the media focusing on the “what” message of carefully cherry-picked “private” e-mail messages, and seemingly under-playing the “who” and “why” … as in who released the e-mails in the first place and why, if not to purposefully disrupt and derail last December’s Copenhagen climate negotiations?

For reporters, the slow and incremental ooze of the climate science news story overnight had become, with the first headlines of the e-mails release, a breaking news story. Widely criticized for injecting a “faux balance” standard in much of its earlier coverage of climate science, many news reports on climate science in recent years had moved away from that traditional news approach — too far away in the opinion of some. Climate science “skeptics,” by whatever name, had been garnering less and less of the science reporting news hole, as a critical mass of journalists increasingly came to accept basic aspects of climate science — Earth is indeed warming, and human activities play a significant part in that warming — as something approaching “settled” science. Pretty much along the lines that the sun rises in the east, tobacco smoking causes cancer, those sort of things.

For this second part of a Yale Forum special report on “lessons learned,” freelance writer John Wihbey asked respected science writers and journalism experts questions along the lines of those posed in Part I to leading climate science researchers: For the journalism community, what are the key “lessons learned” from the experiences and controversies of the past 12 months? What lessons should the media learn from those experiences? And are there any signs that those lessons learned are actually being put into practice in the newsroom?

What lessons has the climate journalism community learned from the experiences of the past year or so?

Richard Harris, NPR

We’re not really a community, but individually we strive to get to the bottom of the story — to get at the facts and present them to the public. We’ve learned that we have less and less influence on public discourse relating to climate change. The “climategate” story was not a product of journalism, but activism. The storyline was crafted by people with a desired objective; it was not an effort to weigh facts and reach a dispassionate conclusion. Many journalists made a serious effort to examine the facts and report what we found, but our voices were joined by many others who were not attempting to be dispassionate.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

That’s a very difficult question to answer. I’d say that most journalists didn’t learn anything from the “climategate” and IPCC-errors pseudo-scandals. In fact, it was quite the opposite. Rather than providing a teaching moment for the climate journalism community, those events only served to confuse editors and reporters.

In the U.S., journalists didn’t seem to know what to make of the revelations, so they basically took a pass on trying to explain what was going on. When outlets such as The New York Times finally weighed in, their stories tended to confuse climate politics (the debate over what to do about GW) and climate science (that debate over what we know about the Earth and our influence upon it). That trend continued into the winter. When skeptics seized upon heavy snows in the eastern U.S. as a refutation of global warming, the Times attempted to rebut their arguments in a front-page article. Rather than quoting scientists to set the record straight, however, the story devolved into an unresolved argument between non-scientist political partisans. To its credit, the Times covered a string of reviews released in mid-summer that reaffirmed the integrity of the work of the IPCC and the scientists involved in the “climategate” affair, but most reporters ignored them, as they did the InterAcademy Council’s review of the IPCC, which was released a month or so later. The only real high point in climate journalism in the last year was the coverage of the summer’s extreme weather, including heat waves in the U.S., wildfires in Russia, and floods in Pakistan. The press actually produced quite a bit of nuanced coverage, which explained that while it’s impossible to peg any single weather event to climate change, many scientists felt that summer’s extremes would not have been possible without humanity’s influence on the climate system.

The trend seems to have been somewhat different in the U.K. press. It was British reporters that really led the charge vis-à-vis “climategate” and the IPCC-errors controversies. Clearly, reporters on the other side of the Atlantic learned not to put so much trust in scientists, which might be a somewhat valid lesson, if not for the fact that they got carried away with it. While they brought a few legitimate errors in the IPCC’s fourth assessment report to light — such as the overestimate of the melt rate of Himalayan glaciers — they often overplayed the significance of these errors and trumpeted other errors that weren’t errors at all. In July, for example, The Sunday Times was forced to retract an article that accused the IPCC of flubbing a statement about the Amazon rainforest’s sensitivity to climate change.

So, what has the climate journalism community learned from the events of the past year? Not much, unfortunately. I haven’t seen a marked improvement in the coverage. In fact, the amount of climate coverage has been in precipitous decline for the last year or so. One might be tempted to say that the events of the last year spooked editors and reporters, who are not unsure where to go with the climate story or what to make of the latest research. I’m sure that’s true to some extent, but other factors may have played a more important role. The global recession has, more than anything else, called attention away from global warming. In addition, political shortcomings such as the failure to produce an emissions-reduction treaty at COP15 in Copenhagen and the death of climate legislation in the U.S. Congress have both served to take the wind out of climate story’s sails.

Seth Borenstein, Associated Press

For science journalists — and that’s different from political and other journalists — the answer goes back to the old Russian proverb that Ronald Reagan made famous: Trust but verify. Starting with the hacked e-mails. Much of the initial coverage of the purloined e-mails was based on pre-digested e-mails leaked to the media and they looked sensational in and of themselves.

But context is key here. At the AP, we spent a week and five reporters pouring over one-million words to read them in context and found no grand conspiracy, but lots of cranky scientists (and ones who really could use a good editor themselves). On the flip side, we in the media have a tendency to read summaries and skim in a speedy manner through the main text. Some of the handful of errors in the IPCC reports, especially the Himalayan ones, on the face of them should have been noticed by reviewers and eagle-eyed science writers. In addition, reporters should have delved into the millions of details more and asked more questions. I fear the non-science journalists don’t look as much in the science details, don’t have the time or leadership that we have at AP, and thus didn’t learn the lessons that science journalists have.

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

Climate journalists have spent too much time preaching to the choir while there’s a riot going on outside the church. It’s important to report on, and debate, policies for mitigation, adaptation, and clean-energy acceleration, but these conversations occupy a parallel universe to the one in which the 2010 elections [were] unfolding, the elections where 19 of the top 20 Republican candidates for U.S. Senate are either climate skeptics or proud, aggressive deniers. Rep. Bob Inglis of South Carolina blames his loss in the Republican primary on his public assertions that climate change is real. Joe Manchin, a Senate candidate in West Virginia, has a TV spot in which he shoots a rifle bullet through a cap-and-trade bill — and he’s a Democrat. Can climate journalists do anything to counter this profoundly skeptical atmosphere?

We can try — and of course many of us have been trying. I saw some of my colleagues get a wake-up call last December in the big COP 15 media center in Copenhagen. I was talking with some climate journalists after Senator James Inhofe, the famously skeptical Oklahoman, came through the room. Some journalists began joking about Inhofe, so-called “climategate,” and the absurdity of those who claimed that the hacked e-mails were proof that climate scientists had cooked their data. The journalists were right — those claims were absurd — but they were also missing the point. Inhofe had just predicted that a U.S. climate bill was “not going to happen,” and he was right. While climate journalists in Copenhagen were studying the fine points of the latest REDD proposal, “climategate” was going viral on the internet and in the mainstream media. Soon CNN was hosting a debate on the validity of climate science, and I was pulling out my calendar to remind myself what year it was. Surely we couldn’t still be arguing the basic science in 2009 and 2010.

Andrew Revkin, “DotEarth“

I guess my first response is, what climate journalism community? There’s a variegated array of journalists and commentators who approached the developments of the past year or two with completely different responses and output. A batch of (mainly British) reporters and outlets did epic reportage on “climategate” that appeared to be stimulated in part out of a sense of betrayal, perhaps. Some of the overheated coverage got rolled back with corrections and apologies. American media covered the incident with far less intensity, perhaps better reflecting its marginal significance. Science blogs of all stripes dove deepest, but the incident, in the end, was notable mainly for reminding the public that science is — shocking news to some — an ugly process at times, particularly when its findings relate to very consequential issues facing society.

Media coverage of problems revealed in the workings of the Intergovernmental Panel on Climate Change was similarly variegated, with some overheated accusations not holding up but a decent learning experience for everyone on the fallibility of such vast group exercises. My guess is there’ve been few lessons learned out of coverage of the international climate treaty negotiations and the domestic battle over climate legislation.

David Biello, Scientific American

I’m not sure the climate journalism community has learned any lessons. In my view, we all continually repeat the mistakes of the past, either because of turnover that is bringing many “new” to the beat into the coverage scheme who are trained in the classic he said/she said style. Or because us old-timers are set in our ways and continue to make the same mistakes over and over again. One example, from my own magazine, is a recent profile of Judith Curry.

Elizabeth Kolbert, The New Yorker

I’m not sure there is a climate journalism community, so it’s hard for me to answer this question. There are a bunch of people who write fairly regularly about climate science and climate policy in the mainstream media, but as you point out there are many more writing about it in the blogosphere. I expect that ratio is only going to grow more lopsided as time goes on.

What lessons should it learn?

Andrew Revkin, “DotEarth”

If science media tried to sustain coverage of science (including climate science) as a process, including the ugly parts, the public might be less apt to be surprised by occasional revelations of conflict like those illuminated through the batch of hacked/liberated (pick your adjective depending on your worldview) e-mails and files.

Beware the lure of the front-page thought in gauging developments in complicated science pointing to a rising human influence on climate, lest you end up giving readers whiplash. Try rigorously to include context on the overall state of knowledge when framing stories on science around conflict, given that conflict is a constant in science.

Develop patience. The story of humanity’s entwined climate and energy challenges will outlive you. No single treaty, meeting, e-mail hack, IPCC report, or climate bill is a keystone.

Elizabeth Kolbert, The New Yorker

The obvious lesson of faux scandals like “climategate” is that they tend to be created by groups or individuals with their own agendas, and journalists ought to be very wary about covering them. The notion that there is some huge scientific conspiracy going on, involving dozens of researchers at different institutions, is pretty implausible on its face. This goes for climate science as for all other scientific disciplines. I’m not saying it can’t happen; it’s just hard to imagine how it would work. Conversely, it’s very easy to imagine why an individual or a group with an economic or political interest would want to claim that such a conspiracy existed. The burden of proof ought to be very high. Instead, it seems the bar was placed ridiculously low.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

First and foremost, reporters should have learned that they need to do a better job of delineating the various questions that climate science seeks to answer. There is a tendency to treat climate science as one monolithic question — are humans heating up the world or not — rather than as a series of questions, each with its own level certainty/uncertainty. When that happens, uncertainty related to the timing, scale, and geographic distribution of impacts (advanced science) tends to be reflected as uncertainty about whether or not the world is warming and whether or not human industry is driving that warming (basic science). Or, as we saw with “climategate” and the IPCC errors, minor flaws in the research and/or minor behavioral flaws in individual scientists cast aspersions on every other area of climate science. So, following these events, reporters should have learned that they must be very careful, in each and every story, to specify what which parts of the science they are addressing and which parts they aren’t addressing.

Along these lines, the other lesson is that reporters do, in fact, need to be more aggressive and skeptical. As the various reviews and investigations of “climategate” and the IPCC have shown, the fundamental conclusions of climate science remain untarnished. However, the IPCC did make a couple legitimate errors, and these reports also found that the IPCC and some individual climate scientists need to be more transparent and open to alternative viewpoints. Reporters need to actively ferret out these problems on a weekly basis rather than waiting until climate skeptics and blogs discover them and blow their significance out of proportion. If journalists wrote more stories about where uncertainty exists in the science, and if they were more aggressive about challenging scientists on transparency issues, we wouldn’t have these pseudo-scandals erupt every time a climate scientist missteps.

The corollary to this is that, at the same time, reporters must defend those scientists that need defending because many, such as Ben Santer, have had to endure unreasonable challenges to their credibility in addition to overt threats of violence.

Delineating the various questions of climate science and being more aggressive and skeptical will help with the third lesson: the need to separate climate science from climate politics. The narrative of climate change tends to get boiled down into one of two false generalizations: it is totally certain (we have five years to save the planet!) or totally uncertain (it’s all a hoax!). When that happens, it becomes very easy for political partisans to invoke scientific disagreements in support of their own policy objectives, just as they did in media coverage following the “climategate” and the IPCC-errors controversies. In reality, however, those events had no bearing whatsoever on political debate, and therein lies the lesson for journalists. Science cannot settle all arguments about how the world should respond to global warming, because the answer to that question involves values, varying perceptions of risk, and political ideology, in addition to what we know (and don’t know) about the climate system. So, if a reporter is simply trying to cover what scientists know, or don’t know, about the climate system, politicians should be excluded. Conversely, if a reporter is trying to cover climate politics, he or she must not let sources stake their claims on oversimplified reductions of climate science.

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

Now climate journalists are getting back to basics — connecting climate change to people’s lives and showing how it is already affecting our weather and our economy. Instead of getting hung up on whether a particular extreme weather event was ’caused’ by climate change — an unanswerable question — we’re explaining that extreme weather events are already happening more frequently, and that the scientists say we’ll be suffering through more of these events in a warmer world. We’re connecting the dots in a careful, responsible way. Some local coverage of the Nashville flood did this, for example. The magazine and website where I work, Bloomberg Businessweek, is doing this as well, through regular reporting on how business copes with climate risk (here’s one example). A website sponsored by Environment Canada connects the dots in a different but also effective way. There are many other angles on this story, and I hope news organizations will explore all of them.

Richard Harris, NPR

I think we still need to do our best to dig into the science — as well as into allegations of misconduct. It’s still important for us to present what we find to our audiences, even knowing that there are many competing voices. The “climategate” e-mails, for example, did not undercut the science of climate change, but it did lay bare some less than noble behavior on the part of certain scientists. It’s important to air that out. Likewise it’s important to set the record straight on broadly repeated misconceptions, such as the rate of demise of the Himalayan glaciers.

David Biello, Scientific American

The lesson that should be learned is two-fold: one, we must always retain our skepticism. Don’t trust anyone. Verify everything. In cases where you can’t verify, triangulate (i.e., use multiple sources to get closer to the truth). Two, sometimes smoke doesn’t mean fire. There is a lot of politicking going on in this area, both in the academic sense and in the broader social sense. That makes for a lot of smoke, which would seem to suggest a major conflagration. Such a fire does not exist, unless it’s the one embedded in the hundreds of coal plants around the world.

And is it moving effectively to put those lessons-learned into practice?

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

When the next climate scandalette comes along, some news organizations will surely play to hype and get carried away with their coverage — in effect, becoming a handy transmission belt for the professional deniers. That’s why serious climate journalists need to investigate charges rapidly and communicate their findings widely — explaining what’s real and what’s not, clarifying what the scandal does and doesn’t say about climate science, and fact-checking any false claims that may be in the air. Inevitably, the multiple investigations exonerating the climategate scientists got far less attention than the wild initial allegations against them. If more experienced climate journalists jump into the fray early, they could help tip the balance toward honest reporting and away from hype.

Richard Harris, NPR

Journalism still takes its role very seriously, but of course there are fewer of us out there every day. Those of us with big platforms and credibility with our audience are putting the lessons leaned into practice — that is, we are still reporting the stories carefully and thoroughly as they emerge. But it is naïve to think that crisis management, through even the best journalism, will overwhelm deliberate efforts to color the facts in order to achieve philosophical or economic objectives.

David Biello, Scientific American

… Old-timers seem to make the same mistakes over and over (including me, darnit). Newcomers fall into the same trap of “he said, she said” that they then must laboriously climb out of over years of on-the-job training.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

No, I don’t see journalists putting the lessons learned into practice because I’m not sure if they really learned them in the first place. There are a few reassuring signs, however.

The Sunday Times retracted its fallacious “Amazongate” article. Another positive development was the American Geophysical Union’s decision to award its Excellence in Science Journalism award to Pallava Bagla, an Indian journalist who broke and unraveled the story about how the IPCC overestimated the melt-rate of Himalayan glaciers. So, to some extent, the bad journalism is being condemned and the good journalism is being recognized.

There have also been a couple other good articles recently. Shortly before the midterm election, The New York Times had a great front-page story about climate denial being an “article of faith” for the Tea Party, which made it clear that the group’s climate politics are not synonymous with climate science.

There was also a long feature in Scientific American about Judith Curry, who studies hurricanes at Georgia Tech and has ruffled the feathers of her fellow climate scientists by engaging with skeptics. A lot of climate scientists were really unhappy with the piece, arguing that Curry is wrong and that the media attention should have gone to somebody who is making real progress with their research. Personally, though, I thought it was an excellent attempt to be more aggressive and skeptical with scientists and show that climate science is (as Andrew Revkin once put it) a very “herky-jerky” process. I get the feeling that if more people were exposed to that type of journalism they would begin to understand the scientists and science are not infallible.

For the most part, though, I don’t think climate coverage, on the whole, has gotten any better or any worse in the last year. In fact, I think the “climategate” and IPCC-errors controversies has had far less of an impact on public opinion and on journalism than a lot of people have assumed. What’s really plaguing coverage are the same things that have been plaguing it for years: a declining number of specialized reporters in newsrooms, less time and fewer resources for reporting, and all the “noise” created by blogs and the 24/7 cable news.

Andrew Revkin, “DotEarth”

Too soon to tell.

Seth Borenstein, Associated Press

Any signs that they are moving to put those lessons-learned into practice? This is much like natural disasters. People who have lived through a major hurricane tend to prepare better for the next one and take it more seriously. Those who haven’t, don’t. Science journalists and others who well reported the issue this past year will do a better job, those who didn’t or just skimmed the surface or parroted ideologues won’t. The trouble is — much like in disasters — the people who really need to learn are usually the ones who don’t. And those who work hard to be even better prepared next time were not the problem cases to begin with.

>Pessimismo global atinge a Conferência do Clima (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

COP-16 começa no próximo dia 29, em Cancún, México

Um ano após a grande frustração que foi a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague (COP-15), a nova edição da convenção, em Cancún (COP-16), começa no próximo dia 29 sem expectativas de grandes resultados

Prova disso é que são esperados apenas entre 20 e 30 chefes de estado no México, contra 118 que estiveram presentes em Copenhague. O presidente Lula, uma das grandes estrelas do último encontro, já confirmou sua ida, mas a delegação brasileira encolheu de 900 pessoas, no ano passado, para 250 este ano.

Não se espera o fechamento de um grande acordo vinculante com metas significativas de redução de emissão de CO2 para o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, e é uma obrigação dos países desenvolvidos que assinaram o documento. Tampouco deverá haver resultados importantes na área de financiamento, outro ponto-chave da negociação.

Este é mais um compromisso firmado pelos países desenvolvidos: prover recursos financeiros para que países em desenvolvimento possam prevenir os efeitos das mudanças climáticas (mitigação) e se adaptar àqueles que já podem ser sentidos nos países mais vulneráveis, como pequenas ilhas do pacífico e nações africanas.

– Você chega a Cancún sem aquela comoção com que se chegou em Copenhague e com as mesmas dificuldades. As expectativas agora são mais modestas – avalia o embaixador Luiz Figueiredo, negociador-chefe do Brasil na Convenção do Clima da ONU.

O Brasil tem ganhado um papel protagonista na convenção e vai levar para Cancún dois trunfos na bagagem: a apresentação do último balanço sobre o desmatamento da Amazônia e a explicação dos planos setoriais que vêm sendo elaborados para que o país cumpra as metas voluntárias de redução de emissões.

Sobre a Amazônia, deve ser anunciado um novo recorde histórico, no qual “somente” cerca de 5 mil km2 teriam sido destruídos entre 2009 e 2010. Já sobre as emissões, o governo brasileiro vai mostrar como pretende reduzir de 36% a 39% de suas emissões, com relação ao que o país calculou que vai emitir em 2020. Na prática, significaria emitir 1,7 giga toneladas de CO2 daqui a dez anos, quando o esperado era a emissão de 2,7 giga toneladas de CO2.

– Lula terá um papel muito destacado em Cancún. Com a proposta ambiciosa que apresentou em Copenhague, ele foi o chefe de Estado que mais chamou a atenção – diz o secretário-executivo do Fórum Brasilieiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa.

O principal plano brasileiro é reduzir a derrubada da Amazônia em 80% até 2020 e do Cerrado em 40%. As duas medidas, se alcançadas, evitarão a emissão de 668 milhões de toneladas de CO2. O desmatamento responde por 61% das emissões brasileiras.

A agricultura, dona de 22% das emissões, também sofrerá alterações. Uma das ações previstas é a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, de um total de 60 milhões que o país possui, e a implementação de um programa de agricultura de baixo carbono. Com isso seriam cortadas pelo menos 183 milhões de toneladas de CO2.

No setor energético, que gera 15% de nossas emissões, o governo prepara um pacote para aumentar o uso de biocombustíveis, reduzindo entre 48 e 60 milhões de toneladas de CO2. E na siderurgia, setor ainda bastante dependente de carvão produzido com madeira de desmatamento, a ideia é justamente substituí-lo por carvão vegetal de florestas plantadas. A ação pode gerar o corte de entre 8 e 10 toneladas de CO2. As carvoarias emitem 31% do total registrado no setor energético.

Além desses cinco setores, o governo vai incluir outras sete áreas para as quais também serão criados planos setoriais. A principal delas é o transporte. Listado dentro da seção “energia”, o transporte rodoviário responde por 38% dessas emissões.

– O transporte será uma área decisiva para o Brasil no futuro, pois passará a contribuir cada vez mais para o nível de emissões, principalmente por conta da ineficiência do transporte de carga. O Brasil tem, há 15 anos, o pior desempenho do mundo em transporte de cargas – aponta Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da UnB.

Ele critica também o transporte público brasileiro que receberia incentivos para o aumento no número de carros nas ruas, quando deveria ocorrer justamente o contrário. Ele sugere que o país monte um programa para penalizar o uso de carros (como taxas para quem roda nos centros das grandes cidades), o que geraria pressão para estimular investimentos em transporte público de alta capacidade para passageiros, como trens e metrôs. No caso do transporte de suprimentos, a saída, segundo o professor, é ampliar a rede ferroviária e hidroviária.

O pacote que o Brasil apresentará vai esbarrar com a dura realidade que vigora nas negociações climáticas. Com relação às metas de redução dos países desenvolvidos, até agora apenas 15 nações manifestaram suas intenções, a maioria condicionando números mais ambiciosos a um acordo global, o que ainda não aconteceu.

Por enquanto, o que se tem é uma redução que varia de 16% a 18% com relação às emissões de 1990. Isso seria insuficiente para evitar um aumento da temperatura da Terra de mais de 2 graus Celsius, conforme concordaram os 140 países que assinaram o Acordo de Copenhague – documento fechado na COP-15, mas que não tem validade jurídica. Ou seja: é um texto de intenções.

A questão do financiamento também está em aberto. Na última reunião, os países concordaram com a criação de um Fundo de Início Rápido (Fast Track Fund), que proveria US$ 30 bilhões em três anos para que os países mais necessitados pudessem começar a agir contra o aquecimento global.

A fonte de recursos já foi identificada, mas esbarra em um problema: alguns dizem que o dinheiro de que se fala não é novo e configuraria um desvio de finalidade de recursos já comprometidos em outras áreas da cooperação internacional, como saúde e educação. O resultado é que, até agora, nenhum projeto foi contemplado com tal verba.

Um outro mecanismo acordado, mas que também não saiu do papel é o Fundo Verde Climático, para o qual seriam doados US$ 100 bilhões anuais até 2020. Esse dinheiro poderia ajudar países a criar mecanismos de eficiência energética, instalar aterros sanitários e manter florestas preservadas.

As regras são as mesmas: países ricos pagariam e países em desenvolvimento, como Brasil e África do Sul, implantariam localmente tais iniciativas. Como o aporte de dinheiro é alto, há divergências sobre de onde sairia. Dificilmente essa questão será solucionada em Cancún. Mas a ONG ambientalista WWF acredita que será possível avançar na estruturação do fundo, como o conselho que definirá prioridades a serem seguidas e os fiadores do sistema.

– Seria uma grande forma de reconstruir a confiança e demonstrar que os países industrializados estão tratando a mudança do clima com seriedade – pondera Mark Lutes, coordenador de políticas financeiras da Iniciativa Climática Global da WWF.

Para tentar solucionar o impasse sobre a fonte de recursos que abastecerá o Fundo Verde, o Grupo de Alto Nível em Financiamento de Mudanças Climáticas da ONU (AGF) elaborou um estudo apontando algumas alternativas, como a taxação de viagens internacionais no setor aéreo e de navegação, o que geraria potencialmente US$ 10 bilhões anuais. O setor, embora represente apenas 2% das emissões globais, é o que vem aumentando mais rapidamente sua fatia.

Apesar do clima de pessimismo que cerca o início da COP-16, em algumas áreas há chances reais de se chegar a algum acordo positivo. O anfitrião da convenção, o presidente mexicano Felipe Calderón, deposita todas as suas fichas na criação do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Iniciativas nessa área são consideradas ações de mitigação e, portanto, podem ser contempladas com recursos do Fundo Verde e do Fast Track Fund.

– Provavelmente o avanço mais importante que se fará em Cancún será em REDD, sobre as emissões florestais reguladas. Por isso me sinto otimista sobre este lado da equação – disse Calderón durante sua participação na última reunião do G-20, na Coreia do Sul.

O mecanismo, que inicialmente previa somente ações de combate ao desmatamento, ganhou um sobrenome: plus. Isso significou a inclusão de ações de conservação (como a criação de parques e reservas naturais) e técnicas de manejo florestal (nas quais madeira pode ser explorada de forma seletiva e ao longo de várias décadas para permitir a reposição das árvores cortadas). Segundo a pesquisadora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ, Thelma Krug, as duas primeiras fases do REDD deverão ser implementadas ainda em Cancún.

A primeira fase diz respeito à preparação dos países ricos em floresta – como Brasil, Indonésia, Congo e Papua Nova Guiné – para monitorar o desmatamento. Nesta etapa, serão elaborados planos nacionais para reduzir o desflorestamento e montada uma rede para acompanhar os resultados. A capacitação de pessoal para trabalhar nessas atividades também é fundamental

A segunda fase prevê a implementação de projetos pilotos e o pagamento de serviços florestais. Em ambos os casos o Brasil dificilmente receberia recursos estrangeiros. Isso porque o país já possui um Plano Nacional para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia e monitora por satélite a destruição do bioma há duas décadas.

– Acho que o Brasil não vai ver a cor desse dinheiro. Vai ser difícil convencer doadores a colocar recursos num país que já está conseguindo reduzir significativamente o desmatamento sozinho – pondera Thelma, uma das negociadoras brasileiras na convenção.

Por outro lado, os brasileiros têm muito a contribuir com os países mais atrasados. O governo assinou um acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para transmitir tecnologia. Doadores pagarão para que técnicos de outros países venham aprender com os profissionais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) as ferramentas de monitoramento em tempo real. A primeira turma, de africanos, virá no início do próximo ano.

Além disso, há chances de ser criado um comitê para coordenar as ações de adaptação, aquelas voltadas para minimizar as consequências da mudança do clima. Um Fundo de Adaptação já está em vigor, com recursos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) – pelo qual os países desenvolvidos podem cumprir suas metas de redução de emissões bancando, em nações pobres, projetos que resultem em menos emissões.

Dois temas, entretanto, deverão aquecer os debates da COP-16: o primeiro é o fortalecimento do Protocolo de Kyoto, documento assinado em 1997, e que prevê a fixação, por parte dos países ricos, de cortes mensuráveis de emissões. Caso não sejam definidas metas para um segundo período do protocolo, a partir de 2013, ele pode se tornar ineficaz. Isso vai ser um problema porque a União Europeia, por exemplo, fez leis com base no protocolo.

Assim como em Copenhague, o X da questão continua sendo os Estados Unidos, que são os maiores poluidores do planeta, mas não assinaram Kyoto. Uma lei estipulando o corte de 17% das emissões americanas até 2020 com relação às de 2005 está empacada no Congresso com poucas chances de ser aprovada. A Europa também começou a recuar quanto à adoção de metas significativas de corte de emissões. Segundo negociadores brasileiros, os europeus vêm fazendo o jogo dos americanos para esticar até 2012 o impasse sobre metas.

O segundo problema são as ações de mitigação a serem adotadas pelos países em desenvolvimento, as chamadas Namas (Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas). Embora os emergentes não sejam obrigados a se comprometer com metas, foi estabelecido na convenção que adotarão medidas voluntárias.

O embaraço, nesse caso, se dá no acompanhamento dessas ações. A maioria dos países só aceita o monitoramento internacional das ações financiadas por dinheiro estrangeiro. A China é a principal opositora à possibilidade de outros países interferirem em medidas que estão sendo adotadas em seu território.

(Catarina Alencastro, O Globo, 23/11/2010)

>Economia de baixo carbono trará riscos, diz economista (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

Sergio Besserman falou a executivos em SP

O aquecimento global, na visão do economista Sergio Besserman, desenha um amplo horizonte de oportunidades de negócios – o problema está no outro lado da moeda. “Estamos falando de altíssimo risco”, disse na segunda-feira (22/11) a uma plateia de executivos de grandes empresas, em São Paulo. “Sofrerão os mais pobres, infelizmente, e os empresários”, prosseguiu. “Empresas vão nascer e morrer aos borbotões. Terão que se reinventar.”

Segundo ele, a transição para uma economia de baixo carbono “virá, é inevitável, só não se sabe quando.” É nesse caminho de incerteza que terão que ser feitas as apostas de negócios, continuou, durante palestra no seminário Mudanças Climáticas – O Papel das Empresas. “Estamos falando de mudar os paradigmas de consumo, da mais acelerada transformação tecnológica de toda a história da Humanidade, de mudar todas as estruturas da civilização calcada em combustíveis fósseis. Não será uma transição suave.” O desafio, disse, é o de reordenar o mundo.

Branca Americano, secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente falou sobre a próxima rodada de negociações do acordo climático, em Cancún, no México, a partir da segunda-feira. “Ficou claro que todo mundo tem medo deste monstro chamado acordo legalmente vinculante”, disse. “Os Estados Unidos não entram nele, a China também não. O jeito, então, será fazer avanços graduais.”

Branca lembrou que a conferência de Copenhague terminou com um “acordo fraco que criou um vácuo nas negociações.” A estratégia para Cancún, a CoP-16, é tentar acordar um pacote de decisões. Fala-se em adaptação, tecnologia, financiamento e Redd+, o mecanismo para redução de emissões de desmatamento e degradação.

Trata-se do primeiro passo para dar valor às florestas. É possível que seja aprovado o primeiro estágio para projetos do gênero. Para isto, países com florestas começariam a realizar inventários florestais, a conhecer suas florestas e seus estoques de carbono, a fazer monitoramento por satélite – um contexto já dominado pelo Brasil. “O carbono das florestas é um bem tangível. Tem que haver um reconhecimento sobre este valor”, diz.

Branca lançou a ideia de um “selo Brasil” para produtos de baixo carbono feitos em uma economia à base de energia renovável e limpa. Os empresários pareceram gostar da sugestão. “A marca Brasil pode ser interessante para todos”, disse Sergio Leão, diretor de sustentabilidade da Odebrecht.

(Daniela Chiaretti, Valor Econômico, 23/11/2010)

>Planeta passa longe de meta do clima (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

Mesmo que todos os países cortem muito suas emissões de CO2, a Terra ainda aquecerá mais que 2ºC, diz ONU

Se tudo der certo e todos os países fizerem o máximo para conter emissões de carbono nos próximos anos, o mundo ainda estará longe de cumprir a meta de limitar o aquecimento global a 2ºC.

O quão longe acaba de ser calculado por um grupo internacional de cientistas: 5 bilhões de toneladas de gás carbônico estarão “sobrando” na atmosfera em 2020.

Ou seja, para cumprir o que se comprometeram a fazer na conferência do clima de Copenhague e evitar um possível aquecimento descontrolado da Terra, os países não apenas teriam de endurecer suas metas de corte de emissão como ainda precisariam desligar todo o sistema de transporte do globo.

O recado foi dado hoje pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), num relatório intitulado “The Emissions Gap” (“A Lacuna das Emissões”).

O documento será entregue em Helsinque à chefe da Convenção do Clima da ONU, Cristiana Figueres.

Seus autores passaram seis meses avaliando 223 cenários de emissões de CO2 construídos a partir das metas voluntárias de corte de carbono propostas por vários países no Acordo de Copenhague, o pífio documento que resultou da conferência.

O resumo da ópera é que, se a humanidade quiser ter 66% de chance de manter o aquecimento global abaixo de 2ºC no fim deste século, o nível global de emissões em 2020 terá de ser de 44 bilhões de toneladas de CO2 equivalente- ou seja, a soma de todos os gases-estufa “convertidos” no potencial de aquecimento do CO2.

Se nada for feito, as emissões podem chegar a 56 bilhões de toneladas em 2020. “Isso elimina a chance dos 2ºC, e pode nos colocar no caminho de 5ºC de aquecimento em 2100”, disse à Folha Suzana Kahn Ribeiro, pesquisadora da Coppe-UFRJ, uma das autoras do relatório.

A implementação estrita do acordo também não resolve: as emissões globais cairiam para 52 bilhões de toneladas, ainda uma China de distância da meta de 2ºC.

Por “implementação estrita” os pesquisadores querem dizer duas coisas. Primeiro, as nações estão contando duas vezes emissões cortadas na área florestal. Se um país pobre planta florestas para vender créditos de carbono a um país rico, a dedução deveria estar apenas na conta do país rico. Mas costuma estar na de ambos.

“Na própria lei brasileira do clima está escrito que as reduções de emissão podem ser obtidas por MDL [venda de créditos de carbono para nações ricas]”, diz Ribeiro.
Outro ponto espinhoso é a venda de créditos em excesso por países como a Rússia, cujas emissões já são menores que as metas de Kyoto. O país ficou com créditos sobrando.

Conta só fecha com sequestro de carbono

Para chegar mais perto do almejado teto de 2ºC no aquecimento global, os países terão de adotar o que o relatório chama de “cumprimento estrito de metas condicionais”.

Ou seja, das reduções que alguns países dizem que farão se outros fizerem- a UE, por exemplo, se compromete a passar de 20% para 30% de corte em relação a 1990 se os EUA também avançarem nas suas metas.

O “gap”, neste caso, seria de “apenas” 5 bilhões de toneladas.

Segundo Suzana Kahn Ribeiro, a única forma de fechar o buraco é aumentar não só a ambição, como também as chamadas “emissões negativas”, ou seja, o sequestro maciço de carbono para compensar emissões industriais e também de energia.

Ela vê nisso uma oportunidade para o Brasil, no setor de plásticos verdes (produzidos a partir de biomassa), por exemplo.

Apesar da mensagem desalentadora, a ONU deverá usar o documento para enxergar a metade cheia do copo: afinal, o cumprimento estrito dos compromissos deixaria o planeta com 60% do caminho andado para evitar o aquecimento exagerado.

(Claudio Ângelo, Folha de SP, 23/11/2010)

>How to beat the media in the climate street fight (Nature)

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Published online 3 November 2010 | Nature 468, 7 (2010)

Researchers must take a more aggressive approach to counter shoddy journalism and set the scientific record straight, says Simon L. Lewis.

Simon L. Lewis

When science hits the news, researchers often moan about the quality of the coverage. A sharp reminder of the issue rolls round this month — the anniversary of the global media frenzy over the release of e-mails from climate researchers at the University of East Anglia, UK. So what should scientists do when reporting quality falls off a cliff? Earlier this year, I was seriously misrepresented by a newspaper and thrown into a political storm. Rather than take it lying down, I set the record straight. It has been an odd journey, and I think there are lessons for how we scientists should deal with the media.

In January, the absurd claim from the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) that Himalayan glaciers would melt by 2035 launched a hunt to find other exaggerated risks of climate change. A British blogger, Richard North, found an IPCC statement that part of the Amazon rainforest may be at risk from droughts, referenced to an environment group’s report, not the scientific literature. North dubbed it Amazongate, and told the world that the IPCC view “seems to be a complete fabrication”.

As a tropical-forest expert, I found my telephone ringing for three days. Journalists asked me to comment on the IPCC line that “up to 40% of the Amazonian forests could react drastically to even a slight reduction in precipitation”. My short answer was that in context, the statement was broadly correct; but the wording was not careful, and the IPCC should have cited the primary literature. My comments were broadcast across the BBC, but for most news outlets it was a non-story.

The Sunday Times saw it differently. Its reporter, Jonathan Leake, asked both leading and genuinely inquisitive questions. I sent him scientific papers, and we discussed them. He agreed to read the finished piece to me over the telephone before publication. It stated, correctly, that the future of the Amazon is very uncertain, because the available data are limited. I was quietly pleased that I had ‘spun’ what I saw as a blogger’s anti-IPCC tirade into a story about the science. Yet I was wrong. The newspaper headline was “UN climate panel shamed by bogus rainforest claim”, and worse, I was the expert quoted to support it. The article had been completely rewritten, essentially parroting North’s blog, to include new quotes from me (genuine, but heavily edited and misleadingly taken out of context), and fabricated assertions about my views. An accompanying editorial called for the IPCC chairman to resign.

I was furious. Worse, the two conflicting versions of my views — on the BBC and in The Sunday Times — constituted a serious affront to my professional credibility. But what could I do? I added a comment under the online version of the article that my views were not accurately reported, and sent a letter for publication to The Sunday Times.

Weeks later the misleading article had been reproduced over 20,000 times on the Internet. My letter had been ignored and website comment deleted. Furthermore, my words and standing as an expert were being used by other newspapers to allege widespread corruption by IPCC scientists. As an Editorial on climate disinformation in this journal said at the time: “Scientists must now emphasize the science, while acknowledging that they are in a street fight.” I needed to fight back.

“Closing the newspaper with a sigh is not enough.”

After advice from a friend in public relations and press officers at scientific organizations, I filed an official complaint to the Press Complaints Commission, the UK media watchdog. The commission could order the newspaper to print a correction, but would that happen and was it enough? I needed to make the complaint itself a story.

I contacted The Guardian newspaper, which published an article about my complaint. To reach the US audience, I handed the full complaint as an exclusive to perhaps the world’s most influential political climate-change blog, Joe Romm’s http://climateprogress.org.

For a scientist to take such an active media role was unorthodox, but it felt good. And it worked. It was widely recognized that the story was wrong and I had been badly treated. The New York Times featured me in a front-page article.

The Sunday Times offered to publish a single-line apology. I knew others had extracted greater concessions and kicked harder. It eventually agreed to remove the article from its website, and replace it with a formal correction and apology, also printed prominently in the newspaper. The retraction was reported around the world.

Environmental commentators hailed the apology as vindication for the IPCC (which it wasn’t quite, as its statements were not faultless). Climate sceptics launched a counter-attack by claiming that no apology was due because the IPCC statement was not perfect. But for me the storm had passed.

What lessons are there for scientists in politically charged areas who find themselves in a similar position? Do your research. What is the reporter’s track record? Anticipate that every sentence you say or write may be dissected and interpreted in the least charitable manner possible. And if things go wrong, seek advice from public-relations experts, and where necessary, media lawyers. In my experience, science-media professionals are almost as lost as scientists themselves, when dealing with topics as emotive as climate change.

The media dictate what most people know about contemporary scientific debates. Given the need for informed policy, scientists need to learn to better read and engage with this media landscape. Closing the newspaper with a sigh is not enough.

Simon L. Lewis is a Royal Society research fellow and reader in global change science at the University of Leeds. e-mail:s.l.lewis@leeds.ac.uk

>Time to Take Action on Climate Communication (Science)

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LETTERS

According to broad international agreement, a global warming increase beyond 2°C is unacceptable (1). Because of the physics of the climate system, we must ensure that global emissions of greenhouse gases peak and start to decline rapidly within a decade in order to have a reasonable chance of meeting the 2°C goal (2). Humankind has waffled and delayed for decades; further delay risks serious consequences for people and the ecosystems on which we rely.

Because the potential consequences of climate change are so high, the science community has an obligation to help people, organizations, and governments make informed decisions. Yet existing institutions are not well suited to this task. Therefore, we call for the science community to develop, implement, and sustain an independent initiative with a singular mandate: to actively and effectively share information about climate change risks and potential solutions with the public, particularly decision-makers in the public, private, and nonprofit sectors. Moreover, we call on philanthropic funding institutions to endorse and provide sustained support for the initiative.

The initiative must make concerted efforts to provide people, organizations, and governments with critical information, to address misperceptions, and to counter misinformation and deception. In doing so, it will have to overcome psychological and cultural barriers to learning and engagement (3–5).

The initiative should be judged against two critical outcomes: (i) improved understanding of risks and potential solutions by people, organizations, and governments, and (ii) more informed decision-making—and less avoidance of decision-making—about how to manage those risks. The initiative should be an embodiment of what Fischhoff calls “non-persuasive communication.” It should not advocate specific policy decisions; good decision-making involves weighing the best available information with the values of the decision-makers and those affected by the decisions.

The initiative should recruit a full range of climate scientists, decision scientists, and communication professionals into the effort (6, 7) to ensure both sound scientific information and effective communication. In addition, it should build bridges to other communities of experts—such as clergy, financial managers, business managers, and insurers—who help people, organizations, and governments assess and express their values. Scientists and nonscientists alike inevitably interpret climate science information in the context of other information and values; the initiative should mobilize experts who can facilitate appropriate and useful interpretations.

Despite the politically contentious nature of climate change policy, the initiative must be strictly nonpartisan. In the face of efforts to undermine public confidence in science, it must become a trusted broker of un biased information for people on all sides of the issue.

At this potentially critical moment for human civilization, it is imperative that people, organizations, and governments be given the resources they need to participate in constructive civic, commercial, and personal decision-making about climate change risks and solutions.

Thomas E. Bowman1,*, Edward Maibach2, Michael E. Mann3, Richard C. J. Somerville4, Barry J. Seltser5, Baruch Fischhoff6, Stephen M. Gardiner7, Robert J. Gould8, Anthony Leiserowitz9 and Gary Yohe10

1Climate Solutions Project, Bowman Global Change, Signal Hill, CA 90755, USA.
2Center for Climate Change Communication, Department of Communication, George Mason University, Fairfax, VA 22030, USA.
3Department of Meteorology, Pennsylvania State University, University Park, PA 16802, USA.
4Scripps Institution of Oceanography, University of California, San Diego, La Jolla, CA 92093, USA.
5(Retired) U.S. Government Accountability Office, Washington, DC 20001, USA.
6Department of Social and Decision Sciences, Carnegie Mellon University, Pittsburgh, PA 15213, USA.
7Department of Philosophy and Program on Values in Society, University of Washington, Seattle, WA 98195, USA.
8Partnership for Prevention, Washington, DC 20036, USA.
9Yale Project on Climate Change Communication, School of Forestry and Environmental Studies, Yale University, New Haven, CT 06511, USA.
10Department of Economics and College of the Environment, Wesleyan University, Middletown, CT 06459, USA.
*To whom correspondence should be addressed. E-mail: tom@bowmanglobalchange.com

REFERENCES

(1) Group of 8, “Responsible leadership for a sustainable future” (G8 Summit, L’Aquila, Italy, 2009).
(2) M. Meinshausenet al., Nature 458, 1158 (2009). CrossRefMedlineWeb of Science
(3) National Research Council, Evaluating Progress of the U.S. Climate Change Science Program: Methods and Preliminary Results (National Academies Press, Washington, DC, 2007).
(4) National Research Council, Informing Decisions in a Changing Climate (National Academies Press, Washington, DC, 2009).
(5) National Research Council, Informing an Effective Response to Climate Change (National Academies Press, Washington, DC, 2010).
(6) B. Fischhoff, Environ. Sci. Technol. Online 41, 7207 (2007).
(7) T. E. Bowman, E. Maibach, M. E. Mann, S. C. Moser, R. C. J. Somerville, Science 324, 36-b (2009).

>Scientists Scramble to Bridge the Uncertainty Gap in Climate Science (N.Y. Times)

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By AMANDA PETERKA of Greenwire
November 9, 2010

Skeptics of climate change — a good number of them about to take seats in Congress — often point to uncertainties or holes in the science as reasons for delaying or not taking action.

But uncertainty is the modus operandi of science, as Vaughan Turekian, chief international officer at the American Association for the Advancement of Science, describes it. Scientists report not only what is known but to what degree it is known.

“Science is never an open and closed case,” Turekian said.

Still, there is a fundamental difference between the way the public and policymakers see uncertainty and the way scientists do, which creates a gap that needs constant bridging, scientists say.

“When scientists talk about results they rarely focus on the things they know with great certainty. It seems counterintuitive to people who are not scientists, talking so much about what we don’t know,” said James McCarthy, a professor of oceanography at Harvard University.

“If you were to hear someone say, ‘I know with 100 percent certainty that the Earth’s climate will change or not,’ that would be a statement to walk away from because you would know right away that a scientist hasn’t made that statement.”

There are several coordinated efforts under way to bridge the gap. John Abraham, an associate engineering professor at Minnesota’s St. Thomas University, is creating a “climate rapid response team” of scientists who are open to addressing the politics of global warming. The American Geophysical Union, separately, is establishing a bank of climate scientists to serve as experts on global warming.

It is probably no coincidence that policy debates involving environmental issues have often been long and contentious. A number of environmental debates, including those over acid rain and the depletion of the ozone layer, have centered on scientific uncertainties.

Judith Curry, chairwoman of the School of Earth and Atmospheric Sciences at the Georgia Institute of Technology, blames climate scientists. She said the reason uncertainty has been especially played up in climate science is because “climate scientists were so vehement in their overconfidence, which just didn’t stand up given the complexity of the problem. … Trying to hide uncertainties just ends up compromising the scientists and confusing the policymaking process.”

Uncertainty, she said, should be used as information in the decisionmaking process. But for lawmakers, it is not easy to incorporate uncertainty into policy or to prove to constituents that an action is necessary. Moreover, the public is not well aware of how uncertainty is handled in science, according to Robert Costanza, director of the Institute for Sustainable Solutions at Portland State University In Oregon.

“That’s part of the problem, and that’s why the public opinion can be so easily manipulated because of that lack of basic understanding,” he said.

Government mechanisms

In the 1970s and 1980s, the United States had an Office of Technology Assessment, which analyzed complex scientific concepts, producing studies for Congress on subjects like the nation’s energy future and ecosystem management and giving advice on how to address issues. The office was defunded during the anti-big government wave that followed the release of the 1994 Republican document called “Contract with America” and the Republican takeover of the Senate during the first term of the Clinton administration.

Many other countries in Europe still have similar mechanisms, though, to assess the quality of scientific information. It is something the United States should consider again, said Thomas Dietz, vice chairman of the science panel in America’s Climate Choices, a study done by the National Academy of Sciences.

“We need to have a mechanism to take scientific understanding and make it available both to policymakers and to the public,” said Dietz, assistant vice president for environmental research at Michigan State University. “A lot of issues we don’t seem to have much space for a public discussion that doesn’t become heated and a matter of talking points and pundits.”

Scientists are waiting for integrity standards to come out of the Office of Science and Technology Policy, required by President Obama in a March 2009 executive order and a year-and-a-half overdue. Public Employees for Environmental Responsibility recently filed a lawsuit to obtain documents relating to the overdue standards. Without them, it has been difficult for government agencies to agree on policies for transparency, collaboration and public participation in data gathering and decisionmaking based on that data.

With the lack of government mechanisms, boosting science education in the United States might help the public understand the state of science and how to make decisions in the face of uncertainty, Dietz said. The most recent World Economic Forum report ranked the United States 48th in math and science education.

Strengthening science education, agreed Turekian, would strength critical thinking. And that, he said, is necessary to understand the complexity around climate change because the better you understand how scientific information is gathered, the better you understand the information itself.

“When you think about critical thinking, you don’t take as given either facts or counterfacts that are just imposed on you,” he said. “Rather, you take the time to sort of critically assess which uncertainties are more important and which uncertainties have nothing to do with the broader trends.”

The broader trends, he said, are understood: If atmospheric carbon dioxide is increased, there will be certain increases in temperature. The uncertainties that need more understanding are the feedback effects from increasing temperature, such as what warming would do to the makeup of clouds, and if clouds would lead to even more warming if they change.

That level of detail does not need to be known to put in place measures akin to insurance policies to guard against the range of effects, scientists tend to agree, though they also tend to stay out of the policy debate.

Costanza has tried to combine a precautionary principle with a polluter-pays principle in incorporating uncertainty into policy. The concept can also apply to environmental disasters like oil spills.

In his idea, companies that pollute or emit carbon dioxide must take out bonds that cover worst-case scenarios that would be held until uncertainty is removed. This would create an incentive for emitters to reduce uncertainty by funding independent research or adopting cleaner practices.

“If they don’t see it in financial terms, they’re going to try to avoid it or manage or manipulate the uncertainty rather than reducing it,” he said. “All it takes is a little muddying of the water so there’s not a clear answer to delay action for years and years. It takes a lot less money and effort to muddy the water than it does to clear the water.”

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>New documentary recounts bizarre climate changes seen by Inuit elders (Globe and Mail)

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Movies
By GUY DIXON
Globe and Mail – Tuesday, Oct. 19, 2010

Imagine how this feels: The land and weather are turning erratic and dangerous. Warmer, unpredictable winds are coming from strange directions. Severe floods threaten to wash away towns. And native animals, the food supply, aren’t behaving as they used to, their bodies less capable in the changing climate.

Even stranger is the fact that the sun now appears to set many kilometres off its usual point on the horizon, and the stars are no longer where they should be. Is the Earth shifting on its axis, causing the very look of the sun and stars to change?

These are the drastic conditions Northern Canadians, whose lives depend from childhood on their knowledge of the most minute details of the Arctic land and skies, say they see all around them. These observations by Inuit elders are detailed in a groundbreaking new documentary, Inuit Knowledge and Climate Change, by acclaimed Nunavut filmmaker Zacharias Kunuk (The Fast Runner, The Journals of Knud Rasmussen) and environmental scientist Ian Mauro.

The documentary – screening at Toronto’s imagineNATIVE film and media arts festival this weekend and streaming live at isuma.tv – is the first to ask Inuit elders to describe the severe environmental changes in the Arctic they are seeing and to do so in their own language. The tone of the film is intimate. The elders aren’t trying to cross a language barrier, or even speak to the Southern scientific community. They’re simply imparting their expert knowledge and wisdom – and the result will undoubtedly cause controversy.

“Over the years, nobody has ever listened to these people. Every time [the discussion is] about global warming, about the Arctic warming, it’s scientists that go up there and do their work. And policy makers depend on these findings. Nobody ever really understands the people up there,” Kunuk says.

It quickly becomes clear that the film, which blends scenes of Inuit life with elders sharing their insights, is an invaluable document. The elders describe in precise detail how seal, for instance, a staple in their diet, are behaving troublingly due to the thinning ice, how warmer winds are changing the snow and ice banks, making overland navigation difficult, and how major floods are hitting communities.

Yet the elders talk about all this without anger, only a tinge of sadness. Kunuk says this is an Inuit characteristic, based on the belief that the world is forever changing, whether at the hand of man or through natural cycles. “We know for a fact that way up in the high Arctic, there are mummified tree trunks [showing that the Earth’s climate was once totally different]. Also, when Inuit hunters talk about animals, they always talk about cycles, everything goes in cycles. We just have to adapt to it.”

However, the faintest trace of anger does arise when the elders talk about polar bears. Contrary to what conservationists and scientists say, the elders interviewed in the film believe the polar-bear population is increasing. They say more bears finding their way into communities, and the animals are being traumatized by scientists, who are putting radio collars around the bears’ necks and doing other research that disturbs their natural life, usually spent in almost total isolation and silence.

Most startling for the filmmakers, though, was the Inuits’ belief that along with pollution and environmental changes, caused mainly by Southerners, the Earth has actually changed its tilt. The filmmakers kept hearing this theory in different communities. Perplexed, they contacted the U.S. National Aeronautics and Space Administration for answers, but experts said this was impossible.

When the filmmakers presented some of their findings at the Copenhagen conference on climate change last year, the media picked up on these views of the Inuit subjects, film co-director Ian Mauro says, and alarm bells started to ring in the scientific community. “We had a litany of scientists come back to us, responding after seeing this news, saying, ‘This was great to be speaking to indigenous people about their views, but if you continue to perpetuate this fallacy that the Earth had tilted on its axis, [the Inuit] …. would lose all credibility.’ And so there was really this backlash by the scientific community.”

Still, the Inuit insist they see changes in the sun’s course and the position of the stars in the night sky. “These elders, when they were growing up, they were told to go out every morning, before having anything to eat. They were told to go out at the age of 5 every morning to observe the weather,” Kunuk says. “So when they started talking about the sun and the sunset, I was puzzled too. Everywhere I went, each community, I was getting the same answer: The sun does not settle where it used to. I mean, it [causes] alarm.”

The scientific explanation is that the warming Arctic air is causing temperature inversions, which in turn cause the light of the sunset to refract so that the sun appears to be setting a few kilometres off-kilter. “There is so much garbage in the air, it’s refraction that’s causing our elders to think our world has tilted,” Kunuk says.

But the filmmakers don’t include that scientific explanation in the film, nor any other comments from the scientific community. Instead, the film deals strictly with the elders’ observations and their belief that they have no control over climate change and they simply have to adapt.

“We have to. We have no choice,” Kunuk says, repeating the elders’ quiet words.

Inuit Knowledge and Climate Change plays Toronto’s Al Green Theatre, 750 Spadina Ave., Saturday at 7 p.m., as part of the imagineNATIVE film and media arts festival. The film will be simultaneously streamed on http://www.isuma.tv.

>‘Shrinking’ the Climate Problem (N.Y. Times)

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October 28, 2010, 3:24 pm
‘Shrinking’ the Climate Problem
By ANDREW C. REVKIN

I’ve written here before about the substantial part of the climate challenge that isn’t out in the world of greenhouse gases and coal furnaces, but within the human mind.

Still, I was intrigued earlier this month when I heard from Renee Lertzman, a research fellow in humanities and sustainability at Portland State University, that she was speaking on “the myth of apathy,” the subject of a book she’s writing, at “Engaging With Climate Change: Psychoanalytic Perspectives,” a meeting of psychoanalysts and behavioral researchers in London.

In regarding the polarized, confused, paralyzed discourse around global warming for more than two decades (including my own focus on the field for so long), I’ve sometimes thought that Freud would have had a field day in this realm. Now his successors may be starting to dive in. (The photograph below is from the Freud Museum in London.)

Lertzman sent a link to the “Beyond the Couch” Web site of the Institute for Psychoanalysis, which held a fascinating list of talks at the meeting, including “Unconscious obstacles to caring for the planet,” “Engaging with the natural world and with human nature” and “Climate change denial in a perverse culture.”

I invited Lertzman to send a Dot Earth “post card,” which you can read below, followed by a brief set of followup questions and her replies:

I’ve just returned from speaking at the international headquarters of psychoanalysis, the Institute of Psychoanalysis, established in 1913 in London…. I imagine this was the first time eminent psychoanalysts, environmental professionals, activists and scholars have gathered within these hallowed halls to contemplate our current environmental predicaments. For two full days, almost two hundred people came together to “shrink” the climate change crisis….

Psychoanalysis may be most popularly known as an insular and esoteric relic of the Victorian era. However, it’s come a long way since Freud; this event ably demonstrated that psychoanalysis is an essential voice on these matters. At least it is, if we want to address the messiness of how the human mind can cope with such overwhelming issues.

What are the unconscious dimensions of climate change? Is it possible that anxiety and fear are profoundly impeding our abilities to respond proactively and creatively to our impending crises? How can we explain the inertia and paralysis on the part of both the public and our politicians?

While most psychological research on climate change is fixated on attitudes, behavior and cognition (i.e. barriers to action), psychoanalysis is mainly concerned with the ubiquity of the unconscious in everyday life. The concept of a “barrier” or “apathy” dissolves, as it’s assumed we all have conflict, ambivalence, contradictions — the bread and butter of psychoanalytic theory.

Topics ranged from consumption, identity and our disavowal of the human dependence on nature to issues of loss and mourning as we face a new relationship with oil, and the psychic complexities of inaction.

I was delighted to witness this historic event and the sense that finally, after much time, psychoanalysis was finally able to take stock of its environment and life outside of the consulting room. The psychoanalyst Hanna Segal wrote two decades ago about the insidious silence in the psychoanalytic community on political and social travesties.

Now it appears the silence may be breaking, and we can glean what we can from those whose work is about resistance to change, loss and mourning, anxiety and denial. We need these perspectives. I hope this signals a shift in the right direction.

I followed up with some questions:

Q: So what is the “myth of apathy” in the context of human reactions to the science pointing to a building risk from human-driven climate change?

A: The myth of apathy is the idea that apathy itself is a misleading and damaging concept, and tells us nothing about why people may find it difficult to take in, or respond to, human-driven climate change threats. The label of apathy presumes “what you see is what you get.”

Those working in psychotherapeutic fields know that nothing can be further from the truth. So reframing the myth of apathy presumes care and concern. The mantra in environmental sectors is, “We have to get people to care.” The “myth of apathy” presumes people do care but we need to consider how to support, channel and foster that care. This means investigating what may be complicating our creative and reparative impulses.

This includes recognizing that how we manage anxiety, particularly unconsciously, can lead to numbing, denial, projection (it’s all their problem), victimization (and I am not speaking of actual victims here) and so on. Psychoanalysts called this “splitting” — the ability to split up the world and our internal experiences so we don’t have to feel anxiety, pain or fear. If we leverage tools from the psychotherapeutic and psychoanalytic disciplines — such as how to support people in facing the truth about ourselves and our lives without “splitting” — we begin to see that what we may need to be doing is attending primarily to anxiety and loss first and then figuring out how to change behavior, second.

At the moment, we seem to have it the other way around, and are focused mainly on engineering human behavior, without consideration of unconscious, affective dimensions of these extremely challenging and often frightening problems. We need both: attention to “barriers” to action, and acute sensitivity to what may be happening emotionally that makes this so difficult. A psychoanalytic perspective places these dimensions in the foreground, and assumes that if we get to the root of the matter, behavior change will follow. Psychological work in this area, while important, continues to focus on conscious dimensions and behavioral change.

Q: Were there any powerful take-home points from the session on unconscious obstacles?

A: The most powerful take-home points were John Keene’s comments concerning anxieties when faced with actual limitations that climate change and other serious environmental issues present (i.e. our exploitation of non-renewable resources). Keene joins this up with how humans behave in groups, and how groups function to help manage our anxieties. Keene noted, “Many commentators are surprised at how difficult humans find it to change their behavior on the basis of sensible advice or of learning from experience. Facts are troublesome – stories and ideologies are easier.”

We often turn to others in social settings for stories and ideologies to help manage anxieties and seek comforting answers. Keene contends, “While thinking is hard enough for an individual in quiet contemplation, thinking clearly and acting in a group setting generates anxiety roughly in proportion to the size of the group. Here the individual is exposed to the risks of shame and criticism, isolation, fears of loss of one’s identity or at worst losing one’s mind. Our moral functions (super–ego functions), which push us to act in accordance with our ideals, and guard us from self-harm, operate largely out of awareness but become conscious as the voice of conscience or a sense of anxiety or alarm.”

Keene continues, “As I have suggested there is a universal tendency in group life for individuals groups and cultures to find people, structures and ideologies into which they can project their responsibilities in order to return to a childlike state. The cultural expectations that we grow in are the medium in which our individual super-egos swim and develop. As the world economy and its dominant business models drive the present surge towards growth with increasing pressure on the earth’s resources, this is probably the place to start to look at hope for the recovery of the world patient.”

All of this speaks to the fact that guilt, blame and moralizing don’t get us very far; that groups can actually hinder constructive environmental action; and that anxiety may be the largest unconscious obstacle to action (which is the theme of my work as well).

Q: What was your reaction to the session on climate denial in a perverse culture? what was the nature of the “perversion”?

A: “Perversion” here means something entirely different from what we commonly think of as perverse (i.e. “perverted”) — and is apt for thinking about how our culture is responding to human-driven climate change material. Paul Hoggett discussed how perversity (as a psychoanalytic concept) is a form of cultural behavior that functions in preventing coming to terms with loss — where outright rejection of reality becomes tenable. It is related to denial, but more insidious as a mode of conduct that is pervasive in corporate culture and particularly the financial institutions.

Hoggett drew on Susan Long’s work, The Perverse Organization and Its Seven Deadly Sins, as it applies to how we are dealing with climate change. The “sins” include prioritizing individual pleasures, instrumental relationships, and the collusion of others in the denial of reality. This is considered “perverse” behavior and has become normalized in our culture. At its essence it is an avoidance of reality on a massive scale, and an indulgence in omnipotent fantasies in order to avoid any sense of loss or sacrifice. Less clear is the antidote to a perverse culture — but we can imagine it relates in part to the support of intrinsic values, constructive group discussions and a recognition of the problem.

Q: My sense is that real action to change course on trends that matter (energy choices, balancing engineered and ecological systems) will only come if humans move away from “woe is me” and “shame on you” in considering environmental challenges and look inward for the source of problems — and solutions. Does your work, and the discussion at this meeting, reinforce or challenge that view?

A: These perspectives certainly reinforce the notion that we must look “inward” for the source of the problems: how we got into this situation in the first place, what sorts of mental, emotional, social and cultural forces shape our relations with nature, and what may be impeding our capacities for creative, reparative responses. A psychoanalytic view accepts that taking a moralizing or punitive tone supports the super-ego — our internalized task master — which leads usually to outright rebellion, and doesn’t get us very far. The same goes for using scare and alarm tactics.

My work, and the views reflected at this meeting, advocate both acknowledging the frightening or difficult aspects of these issues, and finding techniques to help people tap into our huge creative capacities. It’s a solutions approach but recognizes the emotional aspects of how we get to solutions. Our technological innovations require “engagement” — and “engagement” is about our emotional and affective investments in the world. The British psychoanalyst Donald Winnicott wrote about our capacity for concern as the basis of an ethics; that we have these capacities but they are fostered through creativity (and what he calls “play”).

So yes, it’s about looking inward with as much compassion as we can muster. Think of the therapist and the patient; does the therapist admonish the patient? Or provide support for facing the difficult truth? And then setting about finding creative avenues for action and collective responses.

>Navajos Hope to Shift From Coal to Wind and Sun (N.Y. Times)

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October 25, 2010
By MIREYA NAVARRO

BLUE GAP, Ariz. — For decades, coal has been an economic lifeline for the Navajos, even as mining and power plant emissions dulled the blue skies and sullied the waters of their sprawling reservation.

But today there are stirrings of rebellion. Seeking to reverse years of environmental degradation and return to their traditional values, many Navajos are calling for a future built instead on solar farms, ecotourism and microbusinesses.

“At some point we have to wean ourselves,” Earl Tulley, a Navajo housing official, said of coal as he sat on the dirt floor of his family’s hogan, a traditional circular dwelling.

Mr. Tulley, who is running for vice president of the Navajo Nation in the Nov. 2 election, represents a growing movement among Navajos that embraces environmental healing and greater reliance on the sun and wind, abundant resources on a 17 million-acre reservation spanning Arizona, New Mexico and Utah.

“We need to look at the bigger picture of sustainable development,” said Mr. Tulley, the first environmentalist to run on a Navajo presidential ticket.

With nearly 300,000 members, the Navajo Nation is the country’s largest tribe, according to Census Bureau estimates, and it has the biggest reservation. Coal mines and coal-fired power plants on the reservation and on lands shared with the Hopi provide about 1,500 jobs and more than a third of the tribe’s annual operating budget, the largest source of revenue after government grants and taxes.

At the grass-roots level, the internal movement advocating a retreat from coal is both a reaction to the environmental damage and the health consequences of mining — water loss and contamination, smog and soot pollution — and a reconsideration of centuries-old tenets.

In Navajo culture, some spiritual guides say, digging up the earth to retrieve resources like coal and uranium (which the reservation also produced until health issues led to a ban in 2005) is tantamount to cutting skin and represents a betrayal of a duty to protect the land.

“As medicine people, we don’t extract resources,” said Anthony Lee Sr., president of the Diné Hataalii Association, a group of about 100 healers known as medicine men and women.

But the shift is also prompted by economic realities. Tribal leaders say the Navajo Nation’s income from coal has dwindled 15 percent to 20 percent in recent years as federal and state pollution regulations have imposed costly restrictions and lessened the demand for mining.

Two coal mines on the reservation have shut down in the last five years. One of them, the Black Mesa mine, ceased operations because the owners of the power plant it fed in Laughlin, Nev., chose to close the plant in 2005 rather than spend $1.2 billion on retrofitting it to meet pollution controls required by the Environmental Protection Agency.

Early this month, the E.P.A. signaled that it would require an Arizona utility to install $717 million in emission controls at another site on the reservation, the Four Corners Power Plant in New Mexico, describing it as the highest emitter of nitrous oxide of any power plant in the nation. It is also weighing costly new rules for the Navajo Generating Station in Arizona.

And states that rely on Navajo coal, like California, are increasingly imposing greenhouse gas emissions standards and requiring renewable energy purchases, banning or restricting the use of coal for electricity.

So even as they seek higher royalties and new markets for their vast coal reserves, tribal officials say they are working to draft the tribe’s first comprehensive energy policy and are gradually turning to casinos, renewable energy projects and other sources for income.

This year the tribal government approved a wind farm to be built west of Flagstaff, Ariz., to power up to 20,000 homes in the region. Last year, the tribal legislative council also created a Navajo Green Economy Commission to promote environmentally friendly jobs and businesses.

“We need to create our own businesses and control our destiny,” said Ben Shelly, the Navajo Nation vice president, who is now running for president against Lynda Lovejoy, a state senator in New Mexico and Mr. Tulley’s running mate.

That message is gaining traction among Navajos who have reaped few benefits from coal or who feel that their health has suffered because of it.

Curtis Yazzie, 43, for example, lives in northeastern Arizona without running water or electricity in a log cabin just a stone’s throw from the Kayenta mine.

Tribal officials, who say some families live so remotely that it would cost too much to run power lines to their homes, have begun bringing hybrid solar and wind power to some of the estimated 18,000 homes on the reservation without electricity. But Mr. Yazzie says that air and water pollution, not electricity, are his first concerns.

“Quite a few of my relatives have made a good living working for the coal mine, but a lot of them are beginning to have health problems,” he said. “I don’t know how it’s going to affect me.”

One of those relatives is Daniel Benally, 73, who says he lives with shortness of breath after working for the Black Mesa mine in the same area for 35 years as a heavy equipment operator. Coal provided for his family, including 15 children from two marriages, but he said he now believed that the job was not worth the health and environmental problems.

“There’s no equity between benefit and damage,” he said in Navajo through a translator.

About 600 mine, pipeline and power plant jobs were affected when the Mohave Generating Station in Nevada and Peabody’s Black Mesa mine shut down.

But that also meant that Peabody stopped drawing water from the local aquifer for the coal slurry carried by an underground pipeline to the power plant — a victory for Navajo and national environmental groups active in the area, like the Sierra Club.

Studies have shown serious declines in the water levels of the Navajo aquifer after decades of massive pumping for coal slurry operations. And the E.P.A. has singled out the Four Corners Power Plant and the Navajo Generating Station as two of the largest air polluters in the country, affecting visibility in 27 of the area’s “most pristine and precious natural areas,” including the Grand Canyon.

The regional E.P.A. director, Jared Blumenfeld, said the plants were the nation’s No. 1 and No. 4 emitters of nitrogen oxides, which form fine particulates resulting in cases of asthma attacks, bronchitis, heart attacks and premature deaths.

Environmentalists are now advocating for a more diversified Navajo economy and trying to push power plants to invest in wind and solar projects.

“It’s a new day for the Navajo people,” said Lori Goodman, an official with Diné Citizens Against Ruining Our Environment, a group founded 22 years ago by Mr. Tulley. “We can’t be trashing the land anymore.”

Both presidential candidates in the Navajo election have made the pursuit of cleaner energy a campaign theme, but significant hurdles remain, including that Indian tribes, as sovereign entities, are not eligible for tax credits that help finance renewable energy projects elsewhere.

And replacing coal revenue would not be easy. The mining jobs that remain, which pay union wages, are still precious on a reservation where unemployment is estimated at 50 percent to 60 percent.

“Mining on Black Mesa,” Peabody officials said in a statement, “has generated $12 billion in direct and implied economic benefits over the past 40 years, created thousands of jobs, sent thousands of students to college and restored lands to a condition that is as much as 20 times more productive than native range.”

They added, “Renewables won’t come close to matching the scale of these benefits.”

But many Navajos see the waning of coal as inevitable and are already looking ahead. Some residents and communities are joining together or pairing with outside companies to pursue small-scale renewable energy projects on their own.

Wahleah Johns, a member of the new Navajo Green Economy Commission, is studying the feasibility of a small solar project on reclaimed mining lands with two associates. In the meantime, she uses solar panels as a consciousness-raising tool.

“How can we utilize reclamation lands?” she said to Mr. Yazzie during a recent visit as they held their young daughters in his living room. “Maybe we can use them for solar panels to generate electricity for Los Angeles, to transform something that’s been devastating for our land and water into something that can generate revenue for your family, for your kids.”
Mr. Yazzie, who lives with his wife, three children and two brothers, said he liked the idea. “Once Peabody takes all the coal out, it’ll be gone,” he said. “Solar would be long-term. Solar and wind, we don’t have a problem with. It’s pretty windy out here.”

>A New Kind of Crime Against Humanity?: The Fossil Fuel Industry’s Disinformation Campaign On Climate Change

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By DONALD A BROWN on October 24, 2010 11:43 PM
Climate Ethics

I Introduction.

This post examines the question of whether some US companies are guilty of a new kind of vicious crime against humanity that the world has yet to classify. This post is not meant to be a polemic but a call for serious engaged reflection about deeply irresponsible corporate-sponsored programs that have potentially profound harsh effects upon tens of millions of people living around the world, countless millions of future generations, and the ecological systems on which life depends.

II. Corporate Disinformation Campaign

Although there is an important role for skepticism in science, for almost thirty years some corporations have supported a disinformation campaign about climate change science that has been spreading untruths and distortions about climate science. Several recent books document how this disinformation campaign began in the1980s including a book by Orkeses and Conway, Merchants of Doubt.(Orkeskes and Conway, 2010)

Although it may be reasonable to be somewhat skeptical about climate change models, some corporate sponsored participants in the climate change disinformation campaign have been spreading deeply misleading distortions about the science of climate change. These untruths are not based upon reasonable skepticism but outright falsification and distortions of climate change science. These claims have included assertions that that the science of climate change that is the foundation for calls to action to reduce greenhouse gas emissions have been completely “debunked” and that there is no evidence of human causation of recent observed warming. Reasonable skepticism cannot make these claims or others frequently being made by the well-financed climate change disinformation campaign.

Given that there are thousands of peer-reviewed scientific studies that support the consensus view on the dangers of continuing to emit increasing levels of greenhouse gases, that Academy of Sciences around the world have issued statements in support of the consensus view articulated by the Intergovernmental Panel on Climate Change , there are virtually no peer-reviewed scientific articles that prove beyond reasonable doubt that observed warming is naturally caused, that there are a huge number of attribution, fingerprinting, and analyses of isotopes of greenhouse gases that are appearing in the atmosphere that point to human causation, that the basic physics of exactly what happens when greenhouse gases are added to the atmosphere in terms of absorbing and reradiating heat has been understood for over 150 years, claims that the science of climate change have been completely “debunked” and that there is no evidence of human causation are patently false. These claims do not represent reasonable skepticism but utter distortion about a body of evidence that the world needs to understand to protect itself from huge potential harms.

On October 21, 2010, the John Broder of the New York Times, http://community.nytimes.com/comments/www.nytimes.com/2010/10/21/us/politics/21climate.html?sort=newest&offset=2, reported, that “the fossil fuel industries have for decades waged a concerted campaign to raise doubts about the science of global warming and to undermine policies devised to address it. According the New York Times article, the fossil fuel industry has ” created and lavishly financed institutes to produce anti-global-warming studies, paid for rallies and Web sites to question the science, and generated scores of economic analyses that purport to show that policies to reduce emissions of climate-altering gases will have a devastating effect on jobs and the overall economy.”

Without doubt those telling others that there is no danger heading their way have a special moral responsibility to be extraordinarily careful about such claims. For instance, if someone tells a child laying on a railroad tracks that they can lie there all day because there is no train coming and has never checked to see if a train is actually coming would be obviously guilty of reprehensible behavior.

Disinformation about the state of climate change science is extraordinarily if not criminally irresponsible because the consensus scientific view of climate change is based upon strong evidence that climate change harms:

(1) are already being experienced by tens of thousands in the world;

(2) will be experienced in the future by millions of people from greenhouse gas emissions that have already been emitted but not yet felt due to lags in the climate system; and,

(3) will increase dramatically in the future unless GHG emissions are dramatically reduced from existing global emissions levels.

These harms include deaths and harms from droughts, floods, heat, storm related damages, rising oceans, heat impacts on agriculture, loss of animals that are dependent upon for substance purposes, social disputes caused by diminishing resources, sickness from a variety of diseases, the inability to rely upon traditional sources of food, the inability to use property that people depend upon to conduct their life including houses or sleds in cold places, the destruction of water supplies, and the inability to live where has lived to sustain life. In fact, the very existence of some small island nations is threatened by climate change

As long as there is any chance that climate change could create this type of destruction, even assuming, for the sake of argument, that these harms are not yet fully proven, disinformation about the state of climate change science is extraordinarily morally reprehensible if it leads to non-action in reducing climate change’s threat when action is indispensable to preventing harm. In fact how to deal with uncertainty in climate change science is an ethical issue, not only a scientific matter, because in the case of climate change:

• If you wait until all the uncertainties are resolved it is likely to be too late to prevent catastrophic climate change.
• The longer one waits to take action, the more difficult it is to stabilize atmospheric concentrations of climate change at safe levels.
• Those most vulnerable to climate change include some of the poorest people in the world and they have not consented to be put at risk in the face of uncertainty.

The October 21 New York Times article mentioned above concludes that some US corporate sponsored activities are helping elect politicians that have been influenced by the most irresponsible climate change scientific skeptical arguments. These corporations are clearly doing this because they see climate change greenhouse gas emissions reduction strategies as adversely affecting their financial interests. This fact leads to even greater moral culpability for American corporations because their behavior is as offensive as if the person who tells the child train that no train is coming when they don’t actually know whether a train is on its way makes money by misinforming the child.

The October 21rst New York Times article concludes that the oil, coal and utility industries have collectively spent $500 million just since the beginning of 2009 to lobby against legislation to address climate change and to defeat candidates who support actions to reduce the threat of climate change. It would be one thing for an American corporation to act irresponsibly in a way that leads to harm to Americans, but because of climate change’s global scope, American corporation’s have been involved in behavior that likely will harm tens of millions of people around the world. Clearly this is a new type of crime against humanity. Skepticism in science is not bad, but skeptics must play by the rules of science including publishing their conclusions in peer-reviewed scientific journals and not make claims that are not substantiated by the peer-reviewed literature. The need for responsible skepticism is particularly urgent if misinformation from skeptics could lead to great harm. For this reason, this disinformation campaign being funded by some American corporations is some kind of new crime against humanity.

III. Conclusion

The international community does not have a word for this type of crime yet, but the international community should find a way of classifying extraordinarily irresponsible scientific claims that could lead to mass suffering as some type of crime against humanity.

By :

Donald A. Brown,
Associate Professor,
Environmental Ethics, Science, and Law
Penn State University
dab57@psu.edu

References:

Broder, John, (2010) “Climate Change Doubt Is Tea Party Article of Faith” New York Times, October 21, 2009, http://community.nytimes.com/comments/www.nytimes.com/2010/10/21/us/politics/21climate.html?sort=newest&offset=2,
Oreskes, Naiomi, and Erik. Conway, 2010, Merchants of Doubt, How a Handful of Scientists Obscured the Truth On Issues From Tobacco Smoke to Global Warming Bloosmbury Press, New York