>Economia de baixo carbono trará riscos, diz economista (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

Sergio Besserman falou a executivos em SP

O aquecimento global, na visão do economista Sergio Besserman, desenha um amplo horizonte de oportunidades de negócios – o problema está no outro lado da moeda. “Estamos falando de altíssimo risco”, disse na segunda-feira (22/11) a uma plateia de executivos de grandes empresas, em São Paulo. “Sofrerão os mais pobres, infelizmente, e os empresários”, prosseguiu. “Empresas vão nascer e morrer aos borbotões. Terão que se reinventar.”

Segundo ele, a transição para uma economia de baixo carbono “virá, é inevitável, só não se sabe quando.” É nesse caminho de incerteza que terão que ser feitas as apostas de negócios, continuou, durante palestra no seminário Mudanças Climáticas – O Papel das Empresas. “Estamos falando de mudar os paradigmas de consumo, da mais acelerada transformação tecnológica de toda a história da Humanidade, de mudar todas as estruturas da civilização calcada em combustíveis fósseis. Não será uma transição suave.” O desafio, disse, é o de reordenar o mundo.

Branca Americano, secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente falou sobre a próxima rodada de negociações do acordo climático, em Cancún, no México, a partir da segunda-feira. “Ficou claro que todo mundo tem medo deste monstro chamado acordo legalmente vinculante”, disse. “Os Estados Unidos não entram nele, a China também não. O jeito, então, será fazer avanços graduais.”

Branca lembrou que a conferência de Copenhague terminou com um “acordo fraco que criou um vácuo nas negociações.” A estratégia para Cancún, a CoP-16, é tentar acordar um pacote de decisões. Fala-se em adaptação, tecnologia, financiamento e Redd+, o mecanismo para redução de emissões de desmatamento e degradação.

Trata-se do primeiro passo para dar valor às florestas. É possível que seja aprovado o primeiro estágio para projetos do gênero. Para isto, países com florestas começariam a realizar inventários florestais, a conhecer suas florestas e seus estoques de carbono, a fazer monitoramento por satélite – um contexto já dominado pelo Brasil. “O carbono das florestas é um bem tangível. Tem que haver um reconhecimento sobre este valor”, diz.

Branca lançou a ideia de um “selo Brasil” para produtos de baixo carbono feitos em uma economia à base de energia renovável e limpa. Os empresários pareceram gostar da sugestão. “A marca Brasil pode ser interessante para todos”, disse Sergio Leão, diretor de sustentabilidade da Odebrecht.

(Daniela Chiaretti, Valor Econômico, 23/11/2010)

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