Arquivo da tag: Interação humanos-animais

De ratos e cães (Folha de S. Paulo)

JC e-mail 4845, de 30 de outubro de 2013

Por Hélio Schwartsman

“O coração tem suas razões que a razão desconhece”, escreveu Pascal. O pensamento do filósofo se aplica bem aos paulistanos e seu amor pelos animais.

Segundo o Datafolha, 66% dos entrevistados se opõem ao uso de cães em pesquisas científicas. O índice baixa para 59% quando as cobaias são macacos, 57% caso sejam coelhos e apenas 29% se forem ratos.

Esses resultados, embora não surpreendentes, contrastam com o discurso dos ativistas, para os quais infligir sofrimento a bichos constitui um caso de especismo, delito moral que os militantes mais radicais equiparam ao racismo e ao escravagismo.

Em termos puramente filosóficos, esse é um raciocínio consistente, se aceitarmos as premissas consequencialistas de pensadores como Peter Singer, para o qual todos os seres sencientes são dignos de igual consideração. Se há uma hierarquia entre eles, ela é dada pela capacidade de sentir dor e prazer de cada espécie e indivíduo. Um ser humano vale mais que uma lesma; o problema é que os mamíferos, em geral, estão todos mais ou menos no mesmo plano.

Sob essa chave interpretativa, proteger cães em detrimento dos ratos constituiria especismo. Seria o equivalente de, na escravidão, defender a libertação dos nagôs e jejes, mas não dos hauçás e axantis, para citar alguns dos grupos étnicos entre os quais o Brasil fez mais vítimas.

O que a pesquisa Datafolha mostra, no fim das contas, é que as pessoas definitivamente não pensam por meio de categorias filosóficas.

Ao rejeitar a lógica consequencialista com base em emoções, o paulistano revela a principal dificuldade dessa matriz ética, que é exigir um igualitarismo tão forte que se torna desumano. Um consequencialista consequente, afinal, precisaria atribuir ao próprio filho o mesmo valor que dá ao filho de um desconhecido.

Não importa o que digam Singer e a filosofia, nos corações dos paulistanos um cão vale mais do que um rato.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/136412-de-ratos-e-caes.shtml

Admirável mundo novo animal (Canal Ibase)

29/10/2013

Renzo Taddei

Colunista do Canal Ibase

Se avaliada pela repercussão que obteve na imprensa, a libertação dos 178 beagles do Instituto Royal foi um marco histórico. Nem na época do debate sobre a regulamentação do uso de células-tronco tanta gente graduada veio a público defender suas práticas profissionais. O tema está na capa das principais revistas semanais do país. A análise dos argumentos apresentados na defesa do uso de animais como cobaias de laboratório é, no entanto, desanimadora. E o é porque expõe o quanto nossos cientistas estão despreparados para avaliar, de forma ampla, as implicações éticas e morais do que fazem.

Vejamos: no debate aprendemos que há pesquisas para as quais as alternativas ao uso de animais não são adequadas. Aprendemos que muitas das doenças que são hoje de fácil tratamento não o seriam sem os testes feitos em animais; desta forma, muitas vidas humanas foram salvas. (Exemplificando como a razão pode sucumbir à emoção – até mesmo entre os mais aguerridos racionalistas -, um pesquisador da Fiocruz chegou ao desatino de afirmar que os “animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta”). Adicionalmente, o fato de cientistas importantes do passado, como Albert Sabin, Carlos Chagas ou Louis Pasteur, terem usado animais como cobaias de laboratório em suas pesquisas mostra que os cientistas, por sua contribuição à humanidade, não podem ser tratados como criminosos. Ainda pior que isso tudo, se o Brasil proibir testes com animais, a ciência brasileira perderá autonomia e competitividade, porque dependerá de resultados de pesquisas feitas em outros países para o seu avanço.

Além do mais, há que se levar o animal em consideração: é consenso entre cientistas de que os animais de laboratório não devem sofrer. Providências foram tomadas nesse sentido, como a criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, e da obrigatoriedade das instituições terem cada uma sua Comissão de Ética no Uso de Animais, com assento para representante de sociedades protetoras de animais legalmente constituídas. E, finalmente, os “próprios animais” são beneficiados, em razão de como as experiências de laboratório supostamente contribuem com o desenvolvimento da ciência veterinária.

De forma geral, o que temos aí resumido é o seguinte: os animais são coisas, e devem ser usados como tais; ou os animais não são coisas, mas infelizmente devem ser usados como tais. Há algo maior que se impõe (e sobre a qual falarei mais adiante), de forma determinante, de modo que se os animais são ou não são coisas, isso é um detalhe menor, que os cientistas logo aprendem a desprezar em seu treinamento profissional.

Foto: Ruth Elison/Flickr

A ideia de que os animais são coisas é antiga: Aristóteles, em seu livro Política, escrito há dois mil e trezentos anos, afirmou que os animais não são capazes de uso da linguagem e, por essa razão, não são capazes de uma existência ética. Sendo assim, conclui o filósofo, os animais foram criados para servir os humanos. Ideia semelhante está no Gênesis bíblico: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26). Santo Agostinho e São Tomás de Aquino reafirmam a desconexão entre os animais e Deus. (São Francisco é, na história cristã, claramente um ponto fora da curva). A ideia chegou aos nossos dias praticamente intacta. O Catecismo Católico afirma, em seu parágrafo 2415, que “Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade, passada, presente e futura”. A ciência renascentista, através de Descartes e outros autores, fundou o humanismo que a caracteriza sobre essa distinção entre humanos e animais, exacerbando-a: o animal (supostamente) irracional passa a ser entendido como a antítese do humano (supostamente) racional. O tratamento de animais como coisas pela ciência contemporânea tem, desta forma, raízes históricas antigas.

Ocorre, no entanto, que essa ideia se contrapõe à existência cotidiana da maioria da humanidade, em todas as épocas. Em sociedades e culturas não-ocidentais, é comum que se atribua alguma forma de consciência e personalidade “humana” aos animais. Nas sociedades ocidentais, quem tem animal de estimação sabe que estes têm muito mais do que a simples capacidade de sentir dor: são capazes de fazer planos; de interagir entre si e com humanos em tarefas complexas, tomando decisões autônomas; integram-se na ecologia emocional das famílias humanas de forma significativa, construindo maneiras inteligentes de comunicar suas emoções. (Isso sem mencionar como animais humanizados são onipresentes em nosso imaginário cultural, dos desenhos animados infantis aos símbolos de times de futebol, de personagens do folclore popular a blockbusters hollywoodianos). De fato, o contraste entre essa percepção cotidiana e o que sugerem os pensamentos teológico e teórico mencionados acima faz parecer que há racionalização em excesso em tais argumentos. E onde há racionalização demais, ao invés de uma descrição do mundo, o mais provável é que haja uma tentativa de controle da realidade. Ou seja, trata-se mais de um discurso político, que tenta estabilizar relações desiguais de poder, do que qualquer outra coisa (nada de novo, aqui, para as ciências sociais ou para a filosofia da ciência).

É da própria atividade científica, no entanto, que vêm as evidências mais contundentes de que os animais são muito mais do que seres sencientes. No dia 7 de julho de 2012, um grupo de neurocientistas, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e cientistas da neurocomputação, reunidos na Universidade de Cambridge, produziu o documento intitulado Manifesto de Cambridge sobre a Consciência, onde se afirma o seguinte: “a ausência de neocortex não parece impedir um organismo de experimentar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não-humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos necessários para a geração de estados conscientes, aliados à capacidade de exibir comportamento intencional. Consequentemente, as evidências indicam que os humanos não são únicos em possuir substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, como os polvos, também possuem tais substratos neurológicos” (tradução livre). O manifesto foi assinado em jantar que contou com a presença de Stephen Hawking. Phillip Low, um dos neurocientistas que redigiu o manifesto, disse em entrevista à revista Veja (edição 2278, 18 jul. 2012): “É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos”.

Outro grupo de pesquisas com resultados problemáticos para a manutenção de mamíferos em laboratórios vem das ciências que estudam a vida social dos animais, em seus ambientes selvagens. Animais são seres sociais; alguns, como os estudos em primatologia nos mostram, têm sua vida social pautada por dinâmicas políticas complexas, onde os indivíduos não apenas entendem suas relações de parentesco de forma sofisticada, mas também ocupam postos específicos em hierarquias sociais que podem ter quatro níveis de diferenciação. Estudos da Universidade de Princeton  com babuínos mostraram que fêmeas são capazes de induzir uma ruptura política no bando, o que resulta na formação de um novo grupo social. Há muitos outros animais que vivem em sociedades hierárquicas complexas, como os elefantes, por exemplo. Cães, gatos, coelhos e ratos são também, naturalmente, animais sociais, ainda que a complexidade de seus grupos não seja equiparável ao que se vê entre babuínos e elefantes.

Além disso tudo, está amplamente documentado que muitos primatas são capazes de inventar soluções tecnológicas para seus problemas cotidianos – criando ferramentas para quebrar cascas de sementes, por exemplo – e de transmitir o que foi inventado aos demais membros dos grupos; inclusive aos filhotes. Tecnicamente, isso significa que possuem cultura, isto é, vida simbólica. As baleias mudam o “estilo” de seu canto de um ano para o outro, sem que isso tenha causas estritamente biológicas. Segundo o filósofo e músico Bernd M. Scherer, não há como explicar a razão pela qual o canto de um pássaro seja estruturado pela repetição de uma sequência de sons de 1 ou 2 segundos, enquanto outros pássaros cantam em sequências muito mais longas, usando apenas as ideias de marcação de território e atração de fêmeas. Scherer, através de suas pesquisas (que incluem a interação musical, em estilo jazzístico, com pássaros e baleias), está convencido de que há uma dimensão estética presente no canto dos pássaros. Ele afirma, também, que grande parte dos pássaros precisa aprender a cantar, e não nasce com o canto completamente pré-definido geneticamente.

Não há razão para pensar que isso tudo não se aplique também às vacas, porcos e galinhas. Annie Potts, da Universidade de Canterbury, descreve no livro Animals and Society, de Margo DeMello (2012), sua observação da amizade de duas galinhas, Buffy e Mecki, no santuário de galinhas mantido pela pesquisadora. Em determinado momento, Buffy adoeceu, e sua saúde deteriorou-se a ponto de ela não poder mais sair de debaixo de um arbusto. Sua amiga Mecki manteve-se sentada ao seu lado, a despeito de toda a atividade das demais galinhas do santuário, bicando-a suavemente ao redor da face e em suas costas, enquanto emitia sons suaves. Quando Buffy finalmente morreu, Mecki retirou-se para dentro do galinheiro, e por determinado período recusou-se a comer e a acompanhar as outras galinhas em suas atividades. As galinhas são susceptíveis ao luto, conclui Potts.

Quanto mais se pesquisa a existência dos animais – especialmente aves e mamíferos -, mais se conclui que entre eles e nós há apenas diferenças de grau, e não de qualidade. Ambos temos consciência, inteligência, intencionalidade, inventividade, capacidade de improvisação e habilidade no uso de símbolos para a comunicação; ao que parece, os animais não-humanos fazem uso de tais capacidades de forma menos complexa que os humanos, e essa é toda a diferença. Vivemos o momento da descoberta de um admirável mundo novo animal. Nosso mundo tem muito mais subjetividades do que imaginávamos; talvez devêssemos parar de procurar inteligência em outros planetas e começar a olhar mais cuidadosamente ao nosso redor. O problema é que, quando o fazemos, o que vemos não é agradável. Se os animais têm a capacidade de serem sujeitos de suas próprias vidas, como apontam as evidências, ao impedir que o façam os humanos incorrem em ações, no mínimo, eticamente condenáveis.

Voltemos aos argumentos de defesa do uso de animais em laboratórios, citados no início desse texto. A maior parte das razões listadas se funda em razões utilitárias: “assim é mais eficaz; se fizermos de outra forma, perderemos eficiência”. Não se pode fundamentar uma discussão ética sobre pressupostos utilitaristas. Se assim não o fosse, seria aceitável matar um indivíduo saudável para salvar (através da doação de seus órgãos, por exemplo) outros cinco indivíduos doentes. O que boa parte dos cientistas não consegue enxergar é que se trata de um problema que não se resume à dimensão da técnica; trata-se de uma questão política (no sentido filosófico do termo, ou seja, que diz respeito ao problema existencial de seres vivos que coexistem em conflito de interesses).

Mas há outro elemento a pautar, silenciosamente, a lógica da produção científica: a competitividade mercadológica. Na academia, isso se manifesta através do produtivismo exacerbado, onde qualquer alteração metodológica que implique em redução de eficiência no ritmo de pesquisas e publicações encontra resistência. Em laboratórios privados, além da pressa imposta pela concorrência, há a pressão pela redução dos custos de pesquisa. É preciso avançar, a todo custo. Essa percepção do ritmo das coisas parece “natural”, mas não o é: os argumentos falam da colocação em risco das pesquisas que levarão à cura da AIDS ou da criação da vacina para a dengue, como se essas coisas já pré-existissem em algum lugar, e o seu tempo de “descoberta” fosse definido. Isso é uma ficção: não apenas científica, mas também política. As coisas não pré-existem, e o ritmo das coisas não tem nada de “natural”. O tempo é parte da política: é a sociedade quem deve escolher em qual ritmo deve seguir, e é absolutamente legítimo reduzir o ritmo dos avanços técnico-científicos, se as implicações morais para tais avanços forem inaceitáveis.

De todos os cientistas que se pronunciaram nos últimos dias, foi Sidarta Ribeiro, no Estadão do último domingo, o único que colocou, abertamente, o problema de os animais não serem coisas. Mas, para desânimo do leitor, e decepção dos que o admiram, como eu, suas conclusões caíram na vala comum do simplismo burocrático: o problema se resolveu com a criação do aparato burocrático de regulamentação do uso de animais, já mencionado anteriormente, no início desse texto. Ora, se os animais são seres dotados de intencionalidade, inteligência e afeto, e se a plenitude da sua existência depende de vida social complexa, a simples manutenção do seu organismo vivo e (supostamente) sem dor é suficiente para fazer com que eles “não sofram”? Sidarta coloca, de forma acertada, que é preciso atentar para o fato de que coisas muito piores ocorrem na indústria da carne, e também em muitas áreas da existência humana. Mas erra ao criar a impressão de que uma coisa existe em contraposição à outra (algo como “lutem pela humanização dos humanos desumanizados e deixem a ciência em paz”). Todas elas são parte do mesmo problema: a negação do direito a ser sujeito da própria vida. Uma atitude ética coerente implica a não diferenciação de espécie, considerando todos aqueles que efetivamente podem ser sujeitos da própria vida. O resto é escravidão, de animais humanos e não humanos.

Os protocolos de ética em pesquisa com sujeitos humanos foram desenvolvidos após a constatação dos horrores da experimentação médica nazista em judeus. Parece-me inevitável que, em algumas décadas, venhamos a pensar na experimentação com sujeitos-animais em laboratórios com o mesmo sentimento de indignação e horror.

Renzo Taddei é doutor em antropologia pela Universidade de Columbia. É professor da Universidade Federal de São Paulo.

 

A ciência e os beagles (Fórum)

O episódio envolvendo a invasão do Instituto Royal para o resgate de 178 cães da raça beagle até agora gerou mais ruído e discussão sem sentido que oportunidade de reflexão sobre uma questão de enorme importância

30/10/2013 11:51 am

Por Ulisses Capozzoli, no Observatório da Imprensa

O episódio envolvendo a invasão do Instituto Royal para o resgate de 178 cães da raça beagle, em São Roque, a 66 km de São Paulo, ao que tudo indica até agora gerou mais ruído e discussão sem sentido que oportunidade de reflexão sobre uma questão de enorme importância.

A invasão da unidade da empresa e retirada dos animais que serviam de cobaias para experimentos científicos veiculada de maneira um tanto sensacionalista pela mídia até agora só produziu dois blocos antagônicos: um favorável e outro contrário à operação.

A questão, no entanto, é mais complexa e não tem como ser encaminhada de forma promissora com apego, por exemplo, a certa ortodoxia legal, de um lado, e liberdade de ação ilimitada, de outro. Daí a necessidade de uma reflexão mais equilibrada e promissora sobre o caso.

A invasão do Instituto Royal pelos ambientalistas faz sentido de um ponto de vista, digamos, histórico. Mas a operação em si, independentemente de outras consequências, traz riscos que certa ingenuidade dos ambientalistas não considerou.

Vamos a cada uma delas.

Os ambientalistas já haviam estimulado o Ministério Público a se pronunciar sobre a situação da pesquisa com os beagles, mas esse processo, como se sabe, é indesejavelmente lento (Reprodução)

Direito natural

A brutalidade e desamor com animais, especialmente os domésticos e em particular envolvendo cães, tratados pela mídia nos últimos tempos têm sensibilizado toda e qualquer pessoa com um mínimo de percepção e preocupação quanto aos direitos elementares que se deve ter com tudo o que vive: humanos e animais. Nos dois casos, no entanto, o noticiário da TV em horário nobre, e as páginas de jornais e revistas, têm demonstrado a crise de valores em que vivemos e as consequências amplas e complexas dessa situação em termos de violência, brutalidade e desamor.

Animais mutilados, arrastados, presos a carros e motocicletas como forma de punição, espancados como via de liberação de rancor, ódio e outras formas de transgressões patológicas certamente criaram, no conjunto da sociedade, um sentimento de impunidade em relação aos infratores. Sem falar dos odiosos rodeios de espetáculos grotestos, como as chamadas “festas de peão boiadeiro”, cópias precárias do que ocorre no Texas, nos Estados Unidos, e disseminadas pelo país como cogumelos que brotam em qualquer lugar.

Da mesma forma, os relatos de cães que aguardam fielmente pelo retorno de seus donos mortos e que jamais retornarão (caso de um mecânico e de um tratador, entre outros) sensibilizam e sugerem que os animais podem ser mais sensíveis e “generosos” que boa parte dos humanos.

Certamente esse tipo de procedimento esteve presente na decisão dos ambientalistas em invadir a sede do Instituto Royal e liberar os 178 beagles utilizados em experimentos científicos exatamente por serem dóceis e gentis no trato.

Os advogados do instituto alegam que a empresa tinha autorização legal para realizar pesquisas com os animais e que, portanto, os ambientalistas são raivosos, inconsequentes e especialmente criminosos, neste último caso por mais de uma razão. A verdade, no entanto, é que o fato de o Instituto Royal dispor de licença para pesquisa com os beagles é, certamente, uma situação necessária mas não suficiente – e exatamente neste ponto pode estar o núcleo fundamental de toda a questão.

Isso significa que o instituto, seguramente informado do inconformismo dos ambientalistas (nada disso ocorre da noite para o dia sem certa fermentação de ânimos), deveria ter tratado a questão mais cientificamente e, o que significa dizer com mais responsabilidade e eficiência.

E isso não aconteceu.

O Instituto Royal deveria ter convidado um grupo de representante dos ambientalistas, com participação do Ministério Público, para conhecer e discutir a situação dos animais.

E isso não aconteceu.

Os ambientalistas já haviam estimulado o Ministério Público a se pronunciar sobre a situação da pesquisa com os beagles, mas esse processo, como se sabe, é indesejavelmente lento, burocrático e, em boa parte dos casos, absolutamente frustrante. Então, se o Instituto Royal não teve procedimento devido (procedimento científico, pode se dizer) para lidar com o entorno social em sua sede de pesquisa com animais, é preciso que isso seja formalmente reconhecido e que o instituto seja responsabilizado por isso.

E, certamente, o mais importante que apenas a responsabilização do Instituto Royal por isso: que o reconhecimento dessa situação seja capaz de criar um ambiente novo e promissor em relação ao uso de animais como cobaias na produção de medicamentos para humanos.

Pode-se, como defendem alguns, dispensar inteiramente o uso de cobaias vivas nesse tipo de investigação científica?

A resposta, aqui, está muito longe de um puro “sim” ou “não”. É mais complexa e desafiadora. E exatamente por isso deve ser analisada num contexto mais amplo e sempre com a preocupação de evitar, de forma crescente, o uso dessas cobaias vivas.

As razões para isso são de diversas ordens e uma delas é o elementar direito natural de os animais poderem viver de forma digna, da mesma forma que os humanos, ainda que ambos, homens e animais, partilhem neste momento de um mundo violento, insensível e aparentemente sem muita perspectiva de mudança no futuro imediato.

História emblemática

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) liberou, semana passada, uma nota para a mídia condenando a invasão do Instituto Royal pelos ambientalistas e isso foi aproveitado pela empresa para se passar por vítima de truculência por parte dos ambientalistas.

Na verdade, a nota da SBPC não foi uma iniciativa muito inteligente, porque foi unilateral, restrita e para ser claro: ortodoxa e formal. Para posicionar-se devidamente num caso como este, a respeitabilíssima SBPC teria a obrigação de fazer uma reflexão mais ampla e colocar a questão na dimensão necessária.

E isso não aconteceu.

Quanto aos ambientalistas, invadindo o laboratório como fizeram, poderiam (ou podem) ter sido vítima de contaminações de que, provavelmente, sequer suspeitaram quando se decidiram pela iniciativa. Essa é uma situação ameaçadora que não pode ser desconsiderada nem em relação ao grupo invasor, nem em termos de saúde pública.

Também o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp (ex-presidente da SBPC) teve uma fala aparentemente mal humorada com jornalistas, quando se referiu a esse acontecimento e condenou de forma unilateral a invasão dos ambientalistas para liberar os 178 beagles cobaia do Instituto Royal. O ministro Raupp, uma pessoa afável, brilhante e com julgamento criterioso e por isso mesmo equilibrado (eu o conheço há tempos e convivi profissionalmente com ele tanto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, quanto na própria SBPC), soou autoritário e excludente em sua fala.

E isso foi uma grande pena.

O ministro disse que o momento de se debater o uso ou não de animais como cobaias em laboratórios já havia ficado para trás e com isso desqualificou sumariamente os ambientalistas.

Os fatos, no entanto, em casos como esse, não são definitivos da mesma forma que, em ciência, as coisas também podem não ser definitivas. Uma teoria científica, por exemplo, só pode ser aceita se for refutável – e isso significa que o destino de uma teoria científica é literalmente o de viver na corda bamba.

Numa noite da semana passada, o âncora de um canal de TV aberta e popular se meteu a comentar o caso da invasão do Instituto Royal, aparentemente encorajado pela sumária nota liberada pela SBPC. O fato, no entanto, é que o pobre homem mal sabia do que falava, em um discurso superficial, obscuro, desinformado e por isso mesmo com todo potencial para aumentar a confusão sem lançar uma única semente com possibilidade de frutificar uma perspectiva mais inteligente, necessária e mais bem fundamentada, envolvendo todos os protagonistas de uma história emblemática como a liberação dos 178 pequenos beagles do Instituto Royal em São Roque.

***Ulisses Capozzoli, jornalista especializado em divulgação científica, é mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo e editor de Scientific American Brasil

Ainda não há opção a macaco, dizem cientistas (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4846, de 31 de outubro de 2013

Reportagem da Folha repercute entrevista com Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP

Até agora, não há alternativa aos uso dos macacos para checar se novos tratamentos contra o HIV são seguros o suficiente para serem testados em humanos, segundo Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP.

Em breve, uma vacina contra o HIV desenvolvida no Brasil começará a ser aplicada em macacos resos no Instituto Butantan.

Michel Nussenzweig, da Universidade Rockefeller, que usa macacos resos em seus estudos, afirma que animais não devem ser usados em pesquisas quando há alternativas.

“Não acho que animais devam ser usados para testar cosméticos. Só quando não houver escolha e quando a pesquisa tem a chance de beneficiar as pessoas.”

O roubo de 178 beagles do Instituto Royal, em São Roque, há quase duas semanas, trouxe o tema da pesquisa em animais à tona. O laboratório usava as cobaias para estudos com medicamentos contra câncer, entre outros.

“Infelizmente, não teria outra forma de fazer esse estudo [sobre HIV] sem os macacos. Levo isso muito a sério. Não podemos abusar dos animais. Tentamos criar as condições mais humanas possíveis durante os testes.”

Segundo Kallás, pesquisador nenhum gosta de sacrificar animais, mas é preciso pesar custo e benefício.

“São 35 milhões de pessoas com HIV no mundo. Até hoje, quantos macacos foram usados em pesquisas? Um número infinitamente menor. Ninguém gosta de testar macaco. Mas quais são as prioridades da saúde pública brasileira e mundial?”

O professor de imunologia da USP, que realiza pesquisas com seres humanos, afirma que a regulamentação brasileira já é bem rigorosa para os testes com animais e com pessoas.

Para ele, a demora na aprovação dos testes clínicos chega a ser excessiva. “O rigor aqui é maior do que lá fora. Acabamos sofrendo com isso, demoro um ano e meio para aprovar um teste clínico.”

Kallás afirma que quem faz pesquisa no Brasil hoje está “esmagado” entre o debate da sociedade sobre o uso de cobaias e a burocracia necessária para aprovar os testes.

“Esses movimentos [contra pesquisa em animais] já aconteceram na Europa e nos EUA há 20 anos. Sempre tem alguém que acha que salvar um coelho é mais importante do que salvar uma pessoa.”

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/136538-ainda-nao-ha-opcao-a-macaco-dizem-cientistas.shtml

Mais sobre a polêmica dos animais de laboratório (25/10/2013)

Testes em animais: questão humanitária (Jornal da Ciência)

25 de outubro de 2013

Comunidade científica defende a experimentação com animais e rechaça invasão do Instituto Royal

Primeiro pesquisador a desenvolver uma vacina antirrábica, Louis Pasteur (1827-1895) contribuiu enormemente na validação de métodos científicos com testes em animais; Carlos Chagas (1878-1934) fez experiências com saguis e insetos em seus estudos sobre a malária e na descoberta da doença de Chagas; a vacina contra a poliomielite só foi possível graças a pesquisas que Albert Sabin (1906-1993) fez em dezenas de macacos. Em comum, esses três cientistas têm, além do renome internacional, o fato de terem entrado para a história pela grande contribuição ao avanço da ciência para o benefício da humanidade.

Ao contrário, o clamor causado pela invasão do Instituto Royal, em São Roque, a 59 quilômetros de São Paulo, na madrugada do dia 18 de outubro, encara pesquisadores da mesma forma que vê torturadores ou traficantes de animais. Experimentação científica não é farra do boi, briga de galo ou tourada para que cientistas sejam tratados pela opinião pública como criminosos.

Durante a invasão, ativistas contrários à utilização de animais em pesquisas científicas levaram do instituto 178 cães da raça beagle e sete coelhos, deixando para trás centenas de ratos. “É um grande equívoco, irresponsabilidade e desconhecimento da realidade ir para a mídia afirmar que os animais não são mais necessários para a descoberta de novas vacinas, medicamentos e terapias”, alertou Renato Cordeiro, professor titular da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Em carta aberta divulgada no último dia 22, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) lembram da importância da experimentação com animais. “Na história da medicina mundial, descobertas fundamentais foram realizadas, milhões de mortes evitadas e expectativas de vida aumentadas, graças à utilização dos animais em pesquisas para a saúde humana e animal”, diz o texto assinado pelos presidentes das entidades, Helena Nader e Jacob Palis, respectivamente.

Renato Cordeiro citou algumas dessas descobertas: o controle de qualidade de vacinas contra a pólio, o sarampo, a difteria, o tétano, a hepatite, a febre amarela e a meningite foram possíveis a partir desse tipo de experimentação. “Testes com animais também foram essenciais para a descoberta de anestésicos, de antibióticos e dos anti-inflamatórios, de fármacos para o controle da hipertensão arterial e diabetes”, relacionou, lembrando ainda de medicamentos para controlar a dor, a asma, para tratamento da ansiedade, dos antidepressivos, dos quimioterápicos, e dos hormônios anticoncepcionais.

Mais do que isso, os próprios animais têm sido beneficiados com os avanços da ciência no campo da terapêutica e cirurgia experimental. O pesquisador destaca as vacinas para a raiva, a cinomose, a febre aftosa, as pesquisas com o vírus da imunodeficiência felina, a tuberculose e várias doenças infecto-parasitárias.

Outra associação de pesquisadores, a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), também divulgou manifesto expressando repúdio à invasão do Instituto Royal. De acordo com o texto, a sociedade quer que a qualidade de vida e a saúde animal evoluam no mesmo ritmo. “A pesquisa científica tem respondido a essa demanda, mas é preciso que o obscurantismo seja erradicado do nosso meio para que a sociedade possa usufruir dos recentes avanços científicos e dos que ainda serão produzidos”, diz o manifesto.

No mesmo sentido, Cordeiro cita trabalhos que estão sendo desenvolvidos em laboratórios brasileiros. “Eles visam à descoberta de vacinas e medicamentos para a malária, a Aids, dengue, tuberculose e outras doenças. Poderíamos dizer que os animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta”, argumenta.

Embora técnicas sofisticadas e equipamentos com alta tecnologia sejam necessários para algumas dessas pesquisas, o uso de animais de laboratório ainda é necessário para sua execução. “Em virtude da complexidade da célula biológica”, explica. Pesquisadores já desenvolvem esforços na busca de métodos alternativos para que algum dia os animais não sejam mais necessários nesse processo. No entanto, somente em alguns poucos casos, a Biologia Celular e Molecular oferece essa possibilidade. “Através de técnicas de cultura de tecidos e simulações computacionais”, esclarece.

Bem-estar animal na ciência

Num ponto, cientistas e ativistas invasores concordam: os animais não devem sofrer. Como ainda não existem métodos capazes de substituir o teste em animais em uma série de pesquisas fundamentais para o futuro da humanidade e para a saúde e sobrevivência do ser humano, o que está sendo feito em vários países é a regulamentação e a fiscalização dessas ações para minimizar o sofrimento dos bichos e avaliar a relevância dos estudos para a humanidade.

No Brasil, o responsável por estabelecer essas normas é o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do qual Cordeiro foi o primeiro coordenador. Hoje, o Concea é coordenado por Marcelo Morales, um dos secretários da SBPC e também da FeSBE.

Um grande marco ocorreu com a aprovação da Lei Arouca (11.794/2008), que regulamentou a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica. Além de ter criado o Concea, a nova lei obrigou as Instituições de Pesquisa a constituírem uma Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua).

Essas comissões são componentes essenciais para aprovação, controle e vigilância das atividades de criação, ensino e pesquisa científica com animais, bem como para garantir o cumprimento das normas de controle da experimentação animal. “As Ceuas representam uma grande mudança de cultura na ciência e são formadas por médicos veterinários e biólogos, docentes e pesquisadores na área específica da pesquisa científica, e um representante de sociedades protetoras de animais legalmente constituídas e estabelecidas no país”, diz o ex-coordenador do Concea.

Esses representantes têm atuação importante nesse processo. “São profissionais muito qualificados, com formação em nível de doutorado, e têm dado excelentes contribuições nas discussões e deliberações do Concea”, avalia Cordeiro. Considerada a bíblia dos laboratórios de pesquisa, a Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais para fins Científicos e Didáticos (DBCA) foi citada pelo pesquisador como um dos recentes exemplos de competência dos membros do colegiado.

(Mario Nicoll / Jornal da Ciência)

*   *   *

Cirurgia em porco acirra debate do uso de cobaias em experimentos (Correio Braziliense)

Ativistas invadem aula de medicina da PUC-Campinas para gravar em vídeo uma cirurgia na qual os alunos treinam técnicas de traqueostomia em um suíno vivo. Ações desse tipo – como o furto de cães em laboratório paulista – preocupam os cientistas

Cinco dias depois que um grupo de ativistas invadiu o Instituto Royal, em São Roque (interior de São Paulo), para pegar 178 cachorros da raça beagle, em protesto contra o uso de animais como cobaias, mais um ato foi registrado no interior de São Paulo. Algumas pessoas interromperam uma aula prática do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, em que seis porcos eram usados para ensinar a técnica da traqueostomia (abertura de um orifício na traqueia para permitir a respiração) aos alunos. Os ativistas filmaram os procedimentos e, depois, deixaram o local. Mais tarde, uma reação do governo à onda recente de manifestações veio em forma de nota, assinada pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Marcelo Morales, coordenador do Concea, afirmou ao Correio que vê com ressalvas o panorama atual dos protestos. “É muito preocupante esse movimento obscurantista que vem ocorrendo no Brasil, cuja origem nós não sabemos, mas que mostra uma irracionalidade, um atraso muito grande”, afirmou o pesquisador, que também integra a diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). De acordo com ele, é o desenvolvimento de remédios e tratamentos para doenças que está ameaçado diante do “radicalismo” dos que se intitulam defensores dos animais.

“Ativistas falam o que leem na internet, não têm base científica. É lorota a afirmação de que podemos usar métodos alternativos para a maior parte dos procedimentos. Eles são pouquíssimos atualmente. Já utilizamos, nas faculdades de medicina, meios de diminuir a quantidade de animais, como filmar as aulas. Mas nem sempre é possível. Em um momento, os alunos precisam do animal”, afirma Morales.

(Renata Mari/Correio Braziliense)

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,12/2013/10/25/interna_brasil,395271/cirurgia-em-porco-acirra-debate-do-uso-de-cobaias-em-experimentos.shtml

Matéria da Folha de S.Paulo sobre o assunto:

Ativistas invadem aula prática com porcos na PUC de Campinas

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135652-ativistas-invadem-aula-pratica-com-porcos-na-puc-de-campinas.shtml

*   *   *

Fiocruz divulga nota pública em defesa do uso de animais em pesquisas científicas (Jornal da Ciência)

Documento ressalta que medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgou nota em que reafirma perante a sociedade seu compromisso ético no uso de animais para finalidades científicas. O texto ressalta que a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação. “Medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais”, diz o texto.

O documento aborda o fato de as pesquisas científicas envolvendo animais serem pautadas por princípios de bem-estar animal, e de que a atividade é regulamentada por dispositivos legais nacionais e internacionais. A Fiocruz lembra ainda que a Lei 11.794/2008, que regulamenta o uso científico de animais, foi amplamente defendida por sua comunidade.

(Jornal da Ciência)

Leia o documento:

Nota pública: a Fiocruz e o uso de animais em pesquisas científicas

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição que desde 1900 atua a serviço da saúde pública e da população brasileira, frente aos acontecimentos recentes observados no país, vem a público cumprir seu papel de esclarecimento e reafirmar perante a sociedade seu compromisso ético no uso de animais para finalidades científicas.

É fundamental ressaltar que, apesar de muitos esforços em todo o mundo, nas condições atuais, a ciência não pode prescindir do uso de animais em experimentação. Importante pontuar ainda que os medicamentos, vacinas e alternativas terapêuticas disponíveis hoje para uso humano dependeram de fases anteriores de experimentação em animais. As atividades de experimentação animal são necessárias, inclusive, no campo da veterinária.

As pesquisas científicas envolvendo animais são pautadas pelos princípios de bem-estar animal, adotando-se, dentre outros, os critérios de redução, utilizando-se o menor número possível de animais a cada experimento, e de substituição do uso de animais por outra estratégia sempre que tecnicamente viável.

A atividade é regulamentada por dispositivos legais nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que vigoram instâncias regulatórias de diversos níveis, ligadas ao Governo Federal (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – Concea), aos Conselhos de Veterinária e também no âmbito interno das instituições científicas (os Comitê de Ética no Uso de Animais – CEUAs).

A Fiocruz aproveita a oportunidade para informar à sociedade que a Lei 11.794/2008, que regulamenta a Constituição Federal sobre o uso científico de animais, foi amplamente defendida por sua comunidade, inclusive tendo sido relatada pelo então deputado federal Sergio Arouca, sanitarista e ex-presidente da Fiocruz. Além disso, a Fundação foi uma das primeiras instituições a estabelecer uma CEUA no país. Esta instância é responsável por aprovar todos os projetos científicos que incluem o uso de animais, verificando a ética nos procedimentos, a quantidade de animais, entre outras questões.

Mais sobre o salvamento dos Beagles do Instituto Royal (24/10/2013)

Animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta, diz ex-coordenador do Concea (Jornal da Ciência)

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Ciência, Renato Cordeiro, pesquisador da Fiocruz, fala da importância da experimentação animal para a ciência 

Pesquisador titular da Fiocruz, Renato Cordeiro foi o primeiro coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), criado pela Lei Arouca (Lei 11.794/ 2008), que regulamenta a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica no país. Nesta entrevista exclusiva para o Jornal da Ciência, ele fala das regras e da importância desse tipo de experimentação para a humanidade.

As declarações de Cordeiro serão utilizadas em matéria a ser publicada na próxima edição do Jornal da Ciência impresso. As reportagens abordarão diversos aspectos da invasão do Instituto Royal, em São Roque, a 59 quilômetros de São Paulo, na madrugada do dia 18 de outubro. Durante a invasão, ativistas de proteção dos animais levaram do instituto 178 cães da raça beagle e sete coelhos, deixando para trás centenas de ratos. O ato tem sido rechaçado pela comunidade científica e visto como prejudicial à ciência.

Jornal da Ciência – Qual a importância da utilização de animais na pesquisa científica?

Cordeiro – Grandes avanços na saúde pública  foram propiciados à humanidade, graças à utilização de animais na pesquisa científica. Podemos citar como exemplos a descoberta e o controle de qualidade de vacinas contra a pólio, o sarampo, a difteria, o tétano, a hepatite, a febre amarela e a meningite. Testes com animais também foram essenciais para a descoberta de anestésicos, de antibióticos e dos anti-inflamatórios, de fármacos para o controle da hipertensão arterial e diabetes , da dor e da asma, para tratamento da ansiedade , dos antidepressivos, dos quimioterápicos, e dos hormônios anticoncepcionais. Atualmente, vários trabalhos estão sendo desenvolvidos em laboratórios brasileiros visando a descoberta de vacinas e medicamentos para a Malária, a Aids , Dengue , Tuberculose e outras doenças. Poderíamos, portanto, dizer que os animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta.

Por que não é possível abrir mão desse tipo de experimentação?

Embora técnicas altamente sofisticadas e equipamentos com alta tecnologia sejam necessários para que algumas pesquisas sejam realizadas, em virtude da complexidade da célula biológica, o uso de animais de laboratório ainda é necessário para sua execução. Vale ressaltar que vários pesquisadores, no Brasil e no exterior, já desenvolvem grandes esforços visando a descoberta de métodos alternativos, para que algum dia os animais não sejam mais necessários ou utilizados em pesquisas experimentais. Atualmente, porém, somente em alguns poucos casos a Biologia Celular e Molecular, através de técnicas de cultura de tecidos, e simulações computacionais oferecem essa possibilidade. Neste sentido, é um grande equívoco, irresponsabilidade e desconhecimento da realidade ir para a mídia afirmar que os animais não são mais necessários para a descoberta de novas vacinas, medicamentos e terapias.

De que forma esses testes são regulados?

No Brasil, um grande marco para a pesquisa cientifica na área da saúde ocorreu com a aprovação da Lei 11.794 de outubro de 2008, conhecida como Lei Arouca, que regulamentou a criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica no país. A nova lei criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), e obrigou as Instituições de Pesquisa a constituírem uma Comissão de Ética no Uso de Animais (Ceua).

A Resolução nº 1 do Concea determinou as competências das Ceuas , que são os componentes essenciais para aprovação, controle e vigilância das atividades de criação, ensino e pesquisa científica com animais, bem como para garantir o cumprimento das normas de controle da experimentação animal editadas pelo Concea.

As Ceuas representam uma grande mudança de cultura na ciência e são formadas por médicos veterinários e biólogos, docentes e pesquisadores na área especifica da pesquisa cientifica , e um representante de sociedades protetoras de animais legalmente constituídas e estabelecidas no país.

Ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o Concea tem apresentado um desempenho excelente. Uma de suas principais competências é expedir e fazer cumprir normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa cientifica; credenciar instituições brasileiras para a criação ou utilização de animais em ensino e pesquisa científica; e monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que substituam a utilização de animais em ensino e pesquisa.

E como é a participação das entidades defensoras dos animais nesse processo?

Os representantes das sociedades protetoras de animais legalmente estabelecidas no país são profissionais muito qualificados, com formação pós-graduada em nível de doutorado, e têm dado excelentes contribuições nas discussões e deliberações do Concea. A Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais para fins Cientificos e Didáticos (DBCA), publicada na Resolução Normativa 12 , de 20 de setembro de 2013 , uma bíblia para os laboratórios de pesquisa no Brasil, é um dos recentes exemplos de competência dos membros do colegiado.

Qual a importância da experimentação animal para os próprios animais?

Os animais domésticos como cães e gatos e os de interesse econômico como bovinos, suínos e aves também têm sido beneficiados com os avanços da ciência no campo da terapêutica e cirurgia experimental. Poderíamos destacar as vacinas para a raiva ,a cinomose , a febre aftosa, as pesquisas com o vírus da imunodeficiência felina, a tuberculose e várias doenças infecto-parasitárias.

(Mario Nicoll / Jornal da Ciência)

Leia também:

ABC e SBPC se manifestam contra a invasão do Instituto Royal – Texto assinado em conjunto pelos presidentes das entidades, Jacob Palis e Helena Nader

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=90153

Especialista da Fiocruz considera equívoco invasão ao Instituto Royal – Para Marco Aurélio Martins, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=90093

*   *   *

Instituto Royal nega que usava animais em testes de cosméticos ou de produtos de limpeza (Agência Brasil)

Médico considera “sensacionalismo” as imagens publicadas por ativistas em redes sociais com cães mutilados

O Instituto Royal negou ontem (23), por meio de um vídeo gravado pela gerente-geral da instituição, Silva Ortiz, que fazia teste de cosméticos ou de produtos de limpeza nos animais. Na madrugada de sexta-feira (18), ativistas invadiram o instituto e retiraram 178 cães da raça beagle, que eram usados em testes científicos. Os ativistas alegaram que os animais foram vítimas de maus-tratos e que eram usados como cobaias em testes de cosméticos e produtos de limpeza.

“Nós não fazemos testes de cosméticos em animais, este tipo de teste é feito apenas pelo método in vitro, ou seja, dentro de equipamentos de laboratórios, sem animais”, disse a gerente. Segundo ela, as pesquisas eram voltadas para medicamentos e fitoterápicos, para tratar doenças como câncer, diabetes, hipertensão e epilepsia, entre outras, bem como para o desenvolvimento de medicamentos antibióticos e analgésicos. “O objetivo é testar a segurança de novos medicamentos de forma que possam ser usados por pessoas como eu e você”.

De acordo com o médico Marcelo Morales, coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os animais retirados pelos ativistas do laboratório estão em perigo.

“Não se pode tirar animais que foram criados em biotérios [instalação com características próprias e adequadas, como um ambiente protegido, onde são criados ou mantidos animais utilizados com cobaias em testes] dessa forma repentina, porque eles podem morrer. Eles estão em risco neste momento. Esses animais são especiais, eles tem que ter atenção de médicos veterinários desde que nasceram. Havia animais idosos, com problemas renais e que eram acompanhados diariamente. Quando ele são retirados do instituto, estão em perigo. Até prontuários foram roubados”, disse.

O médico considera “sensacionalismo” as imagens publicadas por ativistas em redes sociais com cães mutilados. “Animal sem olho é sensacionalismo dos ativistas. O animal que apareceu com a língua ferida se feriu durante uma briga com outro animal e foi tratado. Já estava totalmente sem problemas”, informou.

De acordo com a presidente da Comissão de Ética em Experimentação Animal (Ceea) da Unicamp, Ana Maria Guaraldo, a evolução das pesquisas em células-tronco, da distrofia muscular e da doença de Chagas foi possível por meio da pesquisa com animais. “O marcapasso foi primeiro utilizado para o cão. Hoje quantas pessoas estão com a vida melhor porque arritmia está normal?”, questiona a pesquisadora.

Ana Maria defende que os ativistas se informem mais sobre as pesquisas em laboratório com animais e descarta a substituição total de animais em pesquisas científicas. “Dentro da lei existe uma previsão de que os métodos alternativos serão desenvolvidos e validados para diminuir o tipo de animais que se adota. O processo leva, em média, dez anos até chegar a validação desses novos métodos e quem desenvolve os métodos alternativos são os pesquisadores dentro de laboratórios”, explica.

Nas pesquisas são usados diversos tipos de animais, como camundongos, ratos, cães, ovelhas, peixes, gambás, tatus, pombas, primatas, codornas, equinos, entre outros. Segundo a pesquisadora, as novas moléculas devem ser testadas em dois roedores e um terceiro animal não roedor para que as pesquisas obtenham validação, segundo protocolos internacionais. “Os cães da raça beagle são dóceis e têm tamanho compatível. São animais que têm toda uma padronização internacional e já estão nos laboratórios do mundo todo há muito tempo”, disse Ana Maria.

Do outro lado, a coordenadora do Laboratório de Ética Prática, do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Sônia Felipe, defende a extinção do uso de animais em pesquisas científicas. A professora alega que os métodos que usam animais podem ser cruéis e causar extremo sofrimento aos animais. “Os experimentos mais dolorosos, os de infecções, inflamações, os neurológicos, os lesivos com ácidos, fogo e todo tipo de danos internos ou externos não admitem analgesia, nem anestesia, porque mascara o resultado”, explica.

A pesquisadora também aponta que há alternativas para pesquisa científica sem o uso de animais, mas há desinteresse da indústria farmacêutica em aprofundar os conhecimentos em protocolos alternativos. “Essas formas estão relegadas pela ciência, porque muitas delas não fariam qualquer pessoa dirigir-se às farmácias na esperança de obter alívio ou cura para suas doenças. Se os humanos estão doentes, a maioria deles é por seguir uma dieta agressiva para sua saúde”, acredita Sônia Felipe.

(Heloisa Cristaldo/ Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-23/instituto-royal-nega-que-usava-animais-em-testes-de-cosmeticos-ou-de-produtos-de-limpeza

O Globo

Instituto Royal divulga vídeo negando maus tratos e uso de cosméticos em beagles

http://oglobo.globo.com/pais/instituto-royal-divulga-video-negando-maus-tratos-uso-de-cosmeticos-em-beagles-10517592#ixzz2ieEqfs7G

*   *   *

Ministro diz que invasão de ativistas ao Instituto Royal foi “um crime” (Agência Brasil)

Segundo o ministro, quando se discutiu a legislação, discutiu-se também a necessidade que a comunidade científica de fazer testes com relação a novos medicamentos

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, condenou ontem (23), na Câmara dos Deputados, a invasão do Instituto Royal, em São Paulo, por ativistas de direitos dos animais. Para o ministro, o episódio, ocorrido na sexta-feira (18) passada, foi um “crime”. No incidente, os militantes retiraram do local 178 cachorros da raça beagle que eram usados em pesquisa científica.

“Essa invasão é um crime. Foi feita à revelia da lei. Quando se discutiu a legislação, discutiu-se também a necessidade que a comunidade científica tem – tanto as agências públicas, as universidades como as empresas – de fazer testes com relação a novos medicamentos. Em todo o mundo é assim. Não é só no Brasil não.”

Raupp foi à Câmara dos Deputados para participar de audiência pública conjunta de comissões temáticas da Casa sobre o Projeto de Lei do Código Nacional de Ciência e Tecnologia (PL 2.177/2011) que teve parecer apresentado hoje pelo relator, deputado Sibá Machado (PT-AC). Segundo o ministro, pela sua importância, trata-se de uma “miniconstituinte da Ciência e Tecnologia”, que vai dar um grande impulso ao setor no país.

Ficou decidido que a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados vai pedir ao colégio de líderes, na próxima semana, para colocar em votação no plenário o projeto de lei. A votação na comissão também ficou para a próxima semana, mas antes o relator vai se reunir com representantes de ministérios que participaram da audiência – Educação; Ciência, Tecnologia e Informação; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e Defesa – para discutir alterações no substitutivo que apresentou, acolhendo pontos considerados importantes por esses setores.

(Jorge Wamburg/Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-23/ministro-diz-que-invasao-de-ativistas-ao-instituto-royal-foi-%E2%80%9Cum-crime%E2%80%9D

*   *   *

Anvisa analisa legislação que trata do uso de animais para fins científicos (Agência Brasil)

As regras para o uso de animais em pesquisa são definidas pela Lei Arouca e pelos comitês de ética em pesquisa com animais ligados ao Sistema de Comitês de Ética em Pesquisa

A legislação que trata do uso de animais para fins científicos e didáticos está sob análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A autarquia avalia se há lacunas referentes à fiscalização das pesquisas para produção de medicamentos e cosméticos que podem ter impacto no uso de cobaias.

De acordo com a Anvisa, a legislação atual não especifica o órgão responsável pela fiscalização dos laboratórios de pesquisa em animais. No âmbito da agência reguladora, não há exigência expressa para o uso de animais em testes, mas é necessária a apresentação de dados que comprovem a segurança dos diversos produtos registrados na Anvisa. Métodos alternativos são aceitos desde que sejam capazes de comprovar a segurança do produto.

Na semana passada, a autarquia informou, por meio de nota, ter firmado há dois anos cooperação com o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam), ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para que sejam validados métodos alternativos que dispensem o uso de animais.

As regras para o uso de animais em pesquisa são definidas pela Lei 11.794, batizada de Lei Arouca, e pelos comitês de ética em pesquisa com animais ligados ao Sistema de Comitês de Ética em Pesquisa. Por definição da Lei Arouca, as instituições que executam atividades com animais podem receber cinco tipos de punição, que vão da advertência e suspensão de financiamentos oficiais à interdição definitiva do laboratório. A multa pode variar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil.

Responsável por regular as atividades científicas com animais, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, determina, por meio de diretriz, que atividades científicas ou didáticas devem considerar a substituição do uso dos animais, a redução do número de cobaias usadas, além do refinamento de técnicas que permitam reduzir o impacto negativo sobre o bem-estar deles.

A diretriz também orienta os profissionais a escolher métodos humanitários para condução dos projeto e a avaliar os animais regularmente para observar evidências de dor ou estresse agudo no decorrer do projeto e a usar agentes tranquilizantes, analgésicos e anestésicos adequados para a espécie animal e para os objetivos científicos ou didáticos.

(Heloisa Cristaldo/ Agência Brasil)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-23/anvisa-analisa-legislacao-que-trata-do-uso-de-animais-para-fins-cientificos

*   *   *

ABC e SBPC se manifestam contra a invasão do Instituto Royal

23 de outubro de 2013

Texto assinado em conjunto pelos presidentes das entidades, Jacob Palis e Helena Nader

A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em conjunto com as demais entidades representantes da Comunidade Científica rechaçam os atos violentos praticados contra o Instituto Royal, em São Roque-SP, que realiza estudos de avaliação de risco e segurança de novos medicamentos.

É importante esclarecer a sociedade brasileira sobre  o importante trabalho de pesquisa realizado no Instituto Royal voltado para o desenvolvimento do Brasil. O Instituto foi credenciado pelo Conselho Nacional de Controle em Experimentação Animal (CONCEA) e cada um de seus projetos avaliados e aprovados  por um Comitê de Ética para o Uso em Experimentação Animal (CEUA), obedecendo em todos os aspectos ao estabelecido pela Lei Arouca, número 11.794, aprovada pelo Congresso Nacional em 2008. Esta lei regulamenta o uso responsável de criação e utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica, em todo o território nacional, impedindo que a vida animal seja sacrificada em vão.

Saibam os cidadãos brasileiros que o CONCEA conta em seus quadros com representantes das Sociedades Protetoras de Animais legalmente estabelecidas no País, e que na história da medicina mundial, descobertas fundamentais foram realizadas, milhões de mortes evitadas e expectativas de vida aumentadas, graças à utilização dos animais em pesquisas para a saúde humana e animal.

O Instituto Royal é dirigido pelo Prof. João Antonio Pegas Henriques, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e sócio ativo da SBPC, pesquisador 1-A do CNPq, orientador de programas de pós-graduação, sempre criterioso, competente. Este Instituto é de sobremaneira importante para que o Brasil venha se capacitar de forma efetiva na produção de medicamentos e insumos para a saúde humana e animal.

É fundamental que as autoridades, mas principalmente que a sociedade em geral, impeçam atos equivocados que destroem anos de importante atividade científica, e garantam as atividades de pesquisa desenvolvidas nas Universidades e Instituições de Pesquisa brasileiras.

Em 22 de Outubro de 2013

Jacob Palis

Presidente da Academia Brasileira de Ciências

Helena Bociani Nader

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

*   *   *

Comportamento animal (Folha de S.Paulo)

23 de outubro de 2013

Editorial da Folha de S.Paulo sobre experimentos científicos em animais

O uso de animais em experimentos científicos é um tema de debate público que pode ser facilmente enredado numa polarização estéril.

Num extremo se aglutina o radicalismo sentimental dos que reputam defensável violar leis e propriedades para “salvar” animais de alegados maus-tratos. No outro, o pragmatismo míope dos que tomam o avanço da pesquisa como um valor superior a justificar qualquer forma de sofrimento animal.

O acirramento se repetiu em diversos países e, como no Brasil, o debate se desencaminhou – estão aí, para prová-lo, a invasão de um biotério em São Roque (SP) e a legião de apoiadores que encontrou.

Não se chegou aqui, ainda, ao paroxismo alcançado no Reino Unido em 2004, quando a Frente de Libertação Animal impediu, com ameaças e ataques, a construção de centros de testes com animais em Oxford e Cambridge.

Faz muito, entretanto, que a discussão se emancipou do extremismo irracional. Pesquisadores são grandes interessados em diminuir o uso de animais, porque isso custa caro e expõe seus estudos a questionamentos éticos.

Em alguns casos, porém, tal recurso ainda é inevitável, como testes de carcinogenicidade (capacidade de provocar tumores). Banir todas as cobaias implicaria impedir testes de segurança em novos produtos, muitos dos quais criados para aliviar o sofrimento humano.

É inescapável, assim, render-se a uma hierarquia de valores entre as espécies: uma vida humana vale mais que a de um cão, que vale mais que a de um rato. Os próprios invasores do instituto em São Roque, aliás, resgataram 178 cães e deixaram os roedores para trás.

Isso não significa autorizar cientistas a atormentar, mutilar ou sacrificar quantos animais quiserem. A tendência civilizatória tem sido submetê-los ao que ficou conhecido, em inglês, como a regra dos três Rs: “replacement” (substituição), “reduction” (redução) e “refinement” (aperfeiçoamento).

Em primeiro lugar, trata-se de encontrar substitutos. Muito progresso se fez com sistemas “in vitro”, como o cultivo de tecidos vivos para testar substâncias potencialmente tóxicas. Depois, quando os animais são imprescindíveis, cabe reduzir ao mínimo o número de espécimes. O terceiro imperativo é refinar métodos para prevenir sofrimento desnecessário.

São os princípios que governam várias leis nacionais sobre a questão, como a de número 11.794/2008 no Brasil. Numa democracia viva, como a nossa, há caminhos institucionais tanto para cumpri-la quanto para modificá-la, e invasões tresloucadas não se encontram entre os admissíveis.

(Folha de S. Paulo)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135200-comportamento-animal.shtml

Texto complementar publicado na Folha:

O sentimento dos animais

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135252-o-sentimento-dos-animais.shtml

*   *   *

FeSBe divulga manifesto em repúdio à invasão do Instituto Royal

23 de outubro de 2013

Representante de sociedades científicas ligadas à biologia experimental considera que depredações, vandalismo e roubo devem ser punidos com rigor

A Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) divulgou manifesto para expressar seu repúdio à invasão do Instituto Royal, em São Roque, SP. De acordo com o texto, a sociedade quer melhor qualidade de vida, que a expectativa de vida aumente e que a saúde animal evolua no mesmo ritmo. “A pesquisa científica tem respondido a essa demanda, mas é preciso que o obscurantismo seja erradicado do nosso meio para que a sociedade possa usufruir dos recentes avanços científicos e dos que ainda serão produzidos”, diz o manifesto.

Leia o documento na íntegra:

“Manifesto sobre experimentação animal

A Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) vem a público expressar o seu repúdio à invasão, depredação e furto qualificado de animais de experimentação do Instituto Royal, em São Roque. Na segunda década do século XXI, não é mais possível que atitudes como essa, só explicáveis pelo obscurantismo que ainda domina grupos minoritários de nossa sociedade, sejam toleradas, em qualquer nível. O referido Instituto segue normas técnicas e éticas do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (CONCEA), além dos requisitos de outros organismos nacionais e internacionais, conduzindo pesquisas de elevada relevância no desenvolvimento de medicamentos e outros produtos, fundamentais tanto na saúde humana como animal! Assim, destruir um patrimônio desses ou impedir que a instituição continue a fazer essas pesquisas implica inclusive em desrespeito aos próprios animais. A Lei 11794, ou Lei Arouca, rege as pesquisas com animais no Brasil, e deve ser respeitada como as outras leis que regem todas as nossas atitudes diárias como cidadãos. Transgressões eventuais da Lei Arouca devem ser punidas com todo o rigor da Lei; depredações, vandalismo, roubo e bloqueio dos direitos de outros também devem ser punidos com o mesmo rigor, dentro do Estado de Direito em que vivemos. Qualquer postura diferente dessa significa o afastamento do Estado de Direito, com as óbvias consequências que daí podem advir.

A FeSBE, como representante de sociedades científicas ligadas à biologia experimental, apoia e sempre apoiará as pesquisas científicas conduzidas dentro dos princípios científicos e éticos, que são de domínio público, incluindo os que regem a experimentação animal. A sociedade em geral quer uma melhor qualidade de vida, quer que a expectativa de vida aumente e quer que a saúde animal evolua no mesmo ritmo. A pesquisa científica tem respondido a essa demanda, mas é preciso que o obscurantismo seja erradicado do nosso meio para que a sociedade possa usufruir dos recentes avanços científicos e dos que ainda serão produzidos nos próximos tempos.

Diretoria da FeSBE”

Salvamento de Beagles usados como cobaias no Instituto Royal

JC e-mail 4839, de 22 de outubro de 2013

Especialista da Fiocruz considera equívoco invasão ao Instituto Royal (Jornal da Ciência)

Para Marco Aurélio Martins, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população

É preocupante a invasão “equivocada” de grupos defensores de animais ao Instituto Royal, levando 178 cães da raça beagle, além de outras cobaias científicas. A afirmação é do pesquisador chefe do Laboratório de Inflamação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Aurélio Martins. “É preocupante pelo discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem”, diz ele, em entrevista ao Jornal da Ciência. A invasão aconteceu na madrugada da última sexta-feira (18), na instituição instalada em São Roque, a 51 km de São Paulo.

Para ele, o ataque de ativistas aos experimentos científicos é uma tentativa de desinformar “irresponsavelmente” a população em geral, leiga dos conhecimentos científicos. “Passar para população de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride os animais, que só faz mal a eles sem nenhum benefício nem para os seres humanos, nem para os próprios animais, é desinformar”, declara.

Martins reforça que o uso de animais nos experimentos científicos ainda é necessário para estudar várias áreas da saúde pública,desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. “Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais?”, pergunta. “Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento.”

O pesquisador insiste em dizer que todos os testes científicos com animais obedecem às normas nacionais, previstas na Lei Arouca Nº 11.794, em vigor há três anos. De acordo com ele, o uso de animais nos experimentos científicos não é exclusividade do Brasil. Conforme entende o biólogo, todos os países avançados em ciência e tecnologia permanecem usando os animais em experimentação. “Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa e nos Estados Unidos”, diz. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.”

JC – O senhor conhece a política do Instituto Royal aplicada nos experimentos científicos de animais?
Martins – Sou ligado a um instituto nacional de ciência e tecnologia de fármacos, INCT-Inofar, do qual o Royal é um dos colaboradores. Conheço a reputação e a seriedade do Instituto. Mas nunca o visitei e nunca utilizei o centro como prestador de serviços.

Qual a sua avaliação sobre a invasão dos ativistas ao Instituto Royal?
Vejo com muita preocupação. É uma radicalização. Já tivemos iniciativas semelhantes no Brasil no passado, mas nada tão veemente. Na própria Fiocruz, por volta de 2000, houve uma invasão, quando pesquisadores foram processados pelo fato de gambás serem encontrados fora da caixa deles. Mas nunca vi algo tão radical, como agora, de ver o pessoal entrar e liberar os animais. Me preocupa muito este momento, no qual o Brasil vive uma tensão social, de manifestações, como os Black Blocs. Já vimos esse filme em outros países, em que esse ativismo levou a problemas enormes, de agressividade.

Esse cenário preocupa a área científica?
Preocupa pela desinformação irresponsável. Passar para a população em geral, leiga, de que a experimentação animal é algo simplesmente cruel, que agride aos animais, que só faz mal aos animais sem nenhum benefício para os seres humanos e nem para os próprios animais. Isso é desinformar. Não é difícil sensibilizar, sobretudo, as pessoas que não sabem como as pesquisas são realizadas. Ou informar, equivocamente, de que apenas o Brasil é o único país que utiliza os animais em experimentos científicos. Preocupa o discurso equivocado sobre a importância que a pesquisa tem. Os profissionais da ciência do Brasil se deparam hoje com uma responsabilidade muito grande. Temos de ser muito hábeis e contar com a colaboração da imprensa para que as palavras não sejam deturpadas. É preciso ter cuidado de passar para a população em geral, de tranquilizá-la, de que os centros de pesquisas estabelecidos no Brasil são de excelência, não são centros de terror.

Quais os benefícios que o experimento cientifico com animal traz para a população e para os próprios animais?
Todos os medicamentos disponíveis nas prateleiras das farmácias e no mercado veterinário dependeram da experimentação animal, em algum momento. O risco de não fazermos isso, de não fazer os experimentos é enorme para a população na hora de disponibilizar os potenciais medicamentos.

Os experimentos científicos com animais precisam atender à legislação interna…
Claro que a comunidade científica sabe que precisa seguir as regras. Somos obrigados a obter licenças, existem leis que controlam a experimentação animal, tanto no Brasil como no mundo. No Brasil, a legislação é a Lei Arouca, em vigor há três anos. No caso, se houvesse uma denúncia de maus tratos na Fiocruz ou mesmo no Instituto Royal, o Concea [Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal] tem o papel de receber a denúncia, de avaliar e investigar para tomar as atitudes. Os maus-tratos de animais de experimentação são passíveis de criminalização. Se tiver acontecendo irregularidade, isso tem de ser exemplarmente punido. O que não pode é autorizar que as pessoas saiam invadindo o local e liberando animais de experimentação. Isso trará prejuízos não apenas para o andamento das pesquisas científicas, mas para a credibilidade do desenvolvimento de novos fármacos no país, para a população e para os próprios animais. Se é que existem maus tratos aos animais que isso seja levado aos órgãos competentes e que se puna quem tiver agindo de maneira errada.

É o caso do Instituto Royal?
Não acredito que seja. Pelo que conheço sobre a reputação das pessoas responsáveis não tenho razão nenhuma para acreditar que tivesse ocorrendo algum tipo de irregularidade interna. Se tivesse acontecendo, numa hipótese terrível, hoje a nossa sociedade já dispõe de um canal, que é Concea.

As pesquisas ainda são necessárias com os animais?
Claro que são, porque precisamos de mecanismos para avançar nas formas de tratamento (de saúde) que temos hoje, na terapia. Ainda temos problemas enormes em várias áreas da saúde pública, desde as doenças tropicais, como malária e outras mais graves, como câncer, asma e hipertensão. Como podemos abrir mão de estudar esses problemas tão complexos se não tivermos ferramentas experimentais? Como impedir cientistas e especialistas, dentro das condições de boas práticas e de boa conduta ética, de entender as doenças e buscar uma forma de controlá-las? Isso seria interromper a investigação científica. Não se pode passar para a opinião pública a ideia de que não se pode mais usar os animais em experimentos científicos.

Outros países ainda usam animais em experimentos científicos?
Claro que usam. Todos os países considerados avançados em ciência e tecnologia continuam usando os animais em experimentação. Não é verdadeiro dizer que não se faz mais uso de animais na Europa ou nos Estados Unidos. A restrição é maior (apenas) para primatas, como macacos e chimpanzés.

Os protocolos proíbem a crueldade nos animais?
Não pode haver crueldade. Isso é crime. Ao montar um protocolo experimental o pesquisador tem de garantir que o animal esteja dentro das condições de bem estar, para que possa, inclusive, acreditar nos resultados a serem obtidos da experimentação.

(Viviane Monteiro – Jornal da Ciência)

Outras matérias sobre o assunto:

Revista Galileu

‘Um dia reduziremos. Mas acabar com testes em animais agora é impossível’

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344225-17770,00-UM+DIA+REDUZIREMOS+MAS+ACABAR+COM+TESTES+EM+ANIMAIS+AGORA+E+IMPOSSIVEL.html

Folha de S.Paulo

Retirada de cães de instituto afeta pesquisa anticâncer, diz cientista

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135127-retirada-de-caes-de-instituto-afeta-pesquisa-anticancer-diz-cientista.shtml

Experimentação animal

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135050-experimentacao-animal.shtml

Deputado fica com ‘guarda’ e dá nome de filhas a beagles

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/135124-deputado-fica-com-guarda-e-da-nome-de-filhas-a-beagles.shtml

O Globo

Ministério Público de SP espera investigação da polícia para decidir sobre beagles

http://oglobo.globo.com/pais/ministerio-publico-de-sp-espera-investigacao-da-policia-para-decidir-sobre-beagles-10467368#ixzz2iSUmfYZr

O Estado de S.Paulo

Ladrões de cobaias

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ladroes-de-cobaias-,1088290,0.htm

Instituto doará beagles que forem recuperados

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituto-doara-beagles-que-forem-recuperados,1088254,0.htm

Zero Hora

Sentimentalismo e direitos dos animais

http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/10/22/sentimentalismo-e-direitos-dos-animais/?topo=13,1,1,,,13

Agência Câmara Notícias

Comissão investigará denúncias de maus-tratos contra animais no Instituto Royal

http://www2.camara.gov.br/camaranoticias/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/455160-COMISSAO-INVESTIGARA-DENUNCIAS-DE-MAUS-TRATOS-CONTRA-ANIMAIS-NO-INSTITUTO-ROYAL.html

*   *   *

22/10/2013 – 03h00

Retirada de cães de instituto afeta teste anticâncer, diz cientista (Folha de S.Paulo)

JAIRO MARQUES e RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

A retirada de 178 cães da raça beagle de um laboratório em São Roque (a 66 km de São Paulo) comprometeu experimentos avançados de um medicamento para tratamento contra câncer –além de fitoterápicos para usos diversos.

A informação é do médico Marcelo Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo”, disse ele, em referência à invasão do Instituto Royal por ativistas na semana passada.

“O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”, afirmou.

O cientista não revelou o nome do medicamento desenvolvido, que é protegido por contrato, nem para qual tipo de câncer ele seria usado. Mas informou que se tratava de um tipo de remédio produzido fora do país e que teve a patente quebrada.

Sala é encontrada com objetos revirados no Instituto Royal, em São Roque (SP)

O Royal também não detalha os experimentos alegando restrição contratual.

Os fitoterápicos eram baseados em plantas da flora nacional e poderiam ser usados, por exemplo, para combater dor e inflamações.

Ativistas dizem que os cães sofriam maus-tratos. O instituto nega. Ontem ele disse que, quando recuperados, receberão tratamento e podem “ser colocados para doação”.

Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

“Seria possível não nos alimentarmos mais com carne? Com pesquisa é a mesma relação. Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”

Para Morales, as pessoas estão “confundindo” animais domésticos com cães que nasceram dentro de biotérios, sob condições controladas e rígidas para o uso científico.

“O apelo do cão é muito grande, tanto é que levaram todos os beagles, mas deixaram todos os ratos.”

A autoridade brasileira responsável por aprovar pesquisas com humanos, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), não avaliza projetos de drogas que não tenham passado por testes de segurança em animais.

Cachorros estão em uma parcela pequena de experimentos científicos –nos quais os camundongos respondem por 74% dos animais. A maioria dos cães é usada para averiguar a toxicidade de medicamentos.

Editoria de arte/Folhapress

 

Pesquisadores criam escalas para avaliação da dor em bovinos, equinos e suínos (Fapesp)

Por meio da análise de alterações comportamentais, estudo da Unesp de Botucatu busca mais precisão para diagnósticos e tratamentos veterinários (Stélio Pacca Loureiro Luna)

Especiais

25/09/2013

Por Noêmia Lopes

Agência FAPESP – Apesar da crescente preocupação nacional e internacional com o bem-estar dos animais, espécies pecuárias ainda são negligenciadas quando o assunto é dor. “A ausência de escalas cientificamente validadas que auxiliem produtores, veterinários e pesquisadores a reconhecer e a mensurar a dor nesses animais contribui para o tratamento inapropriado ou insuficiente da dor”, afirmou Stélio Pacca Loureiro Luna, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (FMVZ/Unesp) de Botucatu (SP), à Agência FAPESP.

Luna coordena um Projeto Temático que, desde 2010, busca propor e validar escalas que indiquem se, para determinado quadro clínico, é recomendável ou não aplicar analgésicos. O foco principal é a dor aguda pós-operatória em bovinos, equinos e suínos.

As escalas são criadas a partir da análise de alterações comportamentais relacionadas a fatores como postura, posição da cabeça, locomoção, interação com o ambiente, ingestão de alimentos, atenção à ferida cirúrgica, entre outras.

Para identificar e analisar as alterações, os pesquisadores gravam vídeos em momentos distintos: antes do procedimento, quando os animais estão sem dor; logo após a cirurgia, quando há um pico de dor; e depois da aplicação de analgésicos, quando se espera que já não haja dor.

“O procedimento que adotamos para as três espécies estudadas foi a castração, por ser relativamente invasivo, atingir tecidos de alta sensibilidade, gerar uma inflamação grande e estar entre as cirurgias mais realizadas nesses animais”, explicou Luna.

A etapa de filmagens, com cerca de 700 horas, já foi concluída. Os vídeos dos suínos, captados a partir de câmeras instaladas nas baias, estão em análise pela FMVZ/Unesp. As imagens dos equinos (também feitas a partir das baias) e dos bovinos (gravadas em pastos, com anteparos separando observador e boi, a fim de que a presença do primeiro não afetasse o comportamento do segundo) já passaram às fases seguintes: validação externa e cálculos estatísticos.

A validação do conteúdo que dará forma às escalas é feita por especialistas e pesquisadores vinculados a instituições parceiras no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Espanha e em outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.

Cada avaliador recebe trechos de vídeos sem ordem cronológica, ou seja, sem saber se o animal em questão foi filmado antes ou logo após a cirurgia ou ainda depois da medicação. Então, assinala em uma tabela se recomendaria a aplicação de analgésicos; classifica a dor de acordo com uma escala descritiva simples (sem dor = 0; dor leve = 1; dor moderada = 2, dor intensa =3); e indica quais alterações comportamentais consegue perceber a partir das imagens.

Por fim, a equipe da FMVZ/Unesp recebe a devolutiva dos materiais, faz comparações com as suas conclusões iniciais e realiza análises estatísticas para compor escalas validadas em três idiomas (português, inglês e espanhol). São tabelas com a descrição das alterações comportamentais mais relevantes, acompanhadas de vídeos e classificadas com notas que, somadas, resultam em um escore total. “A partir de ao redor de um terço da pontuação máxima, por meio de cálculos matemáticos, considera-se que o animal é meritório de receber analgésicos”, afirmou Luna.

“Quando estiverem finalizados, os produtos finais do estudo serão pioneiros para dor aguda em bovinos e suínos, que ainda não contam com escalas validadas nacional ou internacionalmente”, disse o pesquisador. “Entre equinos, até então havia somente uma escala ortopédica, mas nada a respeito de tecidos moles, atingidos, por exemplo, pela castração.”

As novas ferramentas serão disponibilizadas gratuitamente no site Animal Pain, no qual a FMVZ/Unesp já publicou uma escala de dor aguda em gatos, resultado de um projeto de pós-doutorado supervisionado por Luna e apoiado pela FAPESP. Dois dos artigos relacionados a esse estudo podem ser lidos em Journal of Feline Medicine and Surgery e BMC Veterinary Research.

“Ampliar os conhecimentos sobre a dor e, assim, aplicar analgésicos com mais propriedade é importante para o bem-estar dos animais e do ponto de vista prático. Isso porque pode haver ganhos [para o produtor], como menor tempo de recuperação pós-operatória e redução de inflamações”, disse Luna.

Anestesia em suínos

Ainda no âmbito do Projeto Temático, Luna orientou uma iniciação científica sobre os efeitos da castração de leitões com e sem o uso de anestésico local.

A investigação concluiu que o ganho de peso nos animais castrados com anestesia é superior ao dos animais que não recebem anestésicos.

“Em termos financeiros, há um ganho significativo para propriedades com milhares de animais. O procedimento cirúrgico fica um minuto mais lento, mas a relação custo-benefício é promissora. Sem contar que a medida colabora com o bem-estar animal e agrega valor ao produto perante o mercado consumidor”, disse Luna.

A partir de tal comprovação, os pesquisadores esperam inspirar o uso de anestésicos em suínos durante outros procedimentos que em geral são feitos sem anestesia, como o corte da cauda e a extração de dentes.

Dor crônica em cães

Por meio de um projeto de pós-doutorado, a equipe de Luna também busca estabelecer correlações entre o Índice de Dor Crônica de Helsinki (IDCH) – criado pela Universidade de Helsinque, na Finlândia, para avaliar a dor em cães – e experimentos realizados na própria FMVZ/Unesp.

“Esse tipo de escala, referente a problemas crônicos, é feita a partir de relatos dos proprietários de cães, que, por conviverem diretamente com os animais, podem opinar sobre o humor, a disposição para brincar, entre outros fatores. Buscamos incorporar elementos mais objetivos a esse tipo de ferramenta, usando a análise de movimento (cinética) dos animais e plataforma de pressão (baropodometria)”, afirmou Luna.

Para tanto, foram observados animais com displasia coxofemoral (um problema no assentamento da articulação entre o fêmur e a coxa), enquanto caminhavam sobre a plataforma de pressão. Os pesquisadores coletaram dados sobre a movimentação, a angulação das patas, a pressão exercida sobre o dispositivo e a distribuição do peso em cada membro.

“Pretendemos correlacionar as medidas objetivas da locomoção com o IDCH a fim de aprimorar a mensuração da dor e indicar possíveis tratamentos”, disse Luna.

Estímulos nociceptivos em equinos

Dois outros projetos, ambos de doutorado, estão vinculados ao Temático e interligados: uma tese busca padronizar e validar diferentes métodos de nocicepção – estímulos térmicos, mecânicos e elétricos capazes de provocar certo desconforto – em equinos e um segundo projeto visa avaliar o efeito de diferentes vias de administração de analgésicos, também em cavalos.

“O objetivo é conhecer a eficácia e a duração de analgésicos frente aos estímulos que provocamos – primeiramente testados em nós mesmos, como forma de assegurar que não causam lesões, apenas incômodos”, explicou Luna.

Para tanto, animais saudáveis e conscientes recebem analgesia. Em seguida, são estimulados termicamente (com sensores que esquentam via controle remoto), mecanicamente (com um dispositivo semelhante ao que mede a pressão arterial em humanos) ou eletricamente (por meio de pequenos choques).

“Se há desconforto, o animal levanta a pata, quando então interrompemos o estímulo. Assim, conseguimos avaliar se o analgésico faz efeito, se influencia no limiar do incômodo – em vez de o cavalo puxar a pata quando o sensor acusa 45 graus Celsius, ele o faz a 48 graus Celsius, por exemplo – e por quanto tempo a medicação faz efeito”, completou o professor da FMVZ/Unesp.

Brazil’s ‘tiger family’ fights to keep custody of house-trained big cats from gov’t agents (Washington Post)

(Renata Brito/ Associated Press ) – Ary Borges feeds his tiger named Dan at his home in Maringa, Brazil, Thursday, Sept. 26, 2013. Borges is in a legal battle with federal wildlife officials to keep his endangered animals from undergoing vasectomies and being taken away from him. He defends his right to breed the animals and says he gives them a better home than they might find elsewhere in Brazil.

By Associated Press, Updated: Friday, September 27, 11:28 AM

MARINGA, Brazil — Dan slurped desperately on his pink nursing bottle and spilled milk all over the place, while his brother Tom patiently waited to take a swim in the family pool.

It would be a typical family scene if not for the fact that Dan and Tom tip the scales at 700 pounds, have claws that could slice a man in two and were raised along with seven other tigers sleeping in the beds of Ary Borges’ three daughters.

The big cats still amble about his humble home in the middle of an industrial neighborhood in this southern Brazil city, even if experts say the situation is “crazy” and sure to eventually lead to a mauling, though one has yet to occur.

Borges also has two lions, a monkey, and a pet Chihuahua named Little inside his makeshift animal sanctuary, where man and beast live together in his spacious red-dirt compound, separated from the outside world by tall metal fences and high wooden walls.

The Brazilian family is now locked in a legal dispute for the cats, with federal wildlife officials working to take them away. While Borges does have a license to raise the animals, Brazilian wildlife officials say he illegally bred the tigers, creating a public danger.

Borges says it all started in 2005 when he first rescued two abused tigers from a traveling circus. He defends his right to breed the animals and argues he gives them a better home than they might find elsewhere in Brazil.

“Sadly there are so many animals dying in zoos that have no oversight. My animals are treated extremely well … we’re preserving and conserving the species,” he said. “We have a great team of veterinarians. We give them only the best, but we’re being persecuted.”

Ibama, Brazil’s environmental protection agency that also oversees wildlife, declined repeated requests for comment.

The agency is working through courts to force Borges to have the male tigers undergo vasectomies so they can’t reproduce. It also wants his caretaker license confiscated and to obtain the cats. Borges appealed and the matter is pending before a federal court.

Borges has strong support in Maringa for his cause, and earlier this year the city council passed a measure that banned vasectomies on wild animals within city limits.

Next door to the tiger compound, Marli Mendes can see the big cats from her office window. “I have nothing against them, they really don’t bother,” she says.

So far, there have been no incidents with the tigers turning aggressive, which the Borges family attributes to cats being raised in such close proximity with humans.

Ary’s daughter Nayara Borges, 20, who grew up with the tiger cubs sleeping in her bed until they became too big, says she thinks the big cats would be mistreated if taken away, “and our family would go into a severe depression.”

Her sister Uyara, 23, agreed, saying the cats are family after spending so many years with the Borges.

“At first we were scared of them, but as time went on, we saw them every day, fed them, gave them baths and water, and we started to fall in love with them,” Uyara said. “We never thought we could live with such ferocious animals.”

Uyara trusts the cats so much, she even allows her 2-year-old daughter Rayara to sit atop them.

Experts, however, sharply question the Borges family’s efforts.

“It’s crazy,” said Patty Finch, executive director of the Washington-based Global Federation of Animal Sanctuaries. “It’s a very dangerous situation, especially if there are young children around, they easily trigger a tiger’s hunting instinct.”

Finch said that “you will see people sometimes get lucky for a while, but sooner or later an accident is going to happen. You never know what’s going to set these animals off because they’re wild.”

Instead of promoting the animal’s welfare, Finch said the Borges have done the opposite.

“Breeding in captivity doesn’t help conserve the tigers unless they’re bred in their native habitat and there is a plan to release them,” she said. “They can’t get habituated to people. They’re condemning these tigers to a life of captivity.”

Upkeep for the tigers and lions costs about $9,000 per month. Borges pays for it by renting the tigers out for movie and commercial shoots, charging $9,000 a day, and with the money he makes in running a dog kennel within his compound.

Inside a high fenced-in area where the tigers now sleep, Borges roughhoused with the animals, playfully slapping one on the flank and then leapt atop him, holding onto the animal’s fur with both fists and grinning widely as the cat growled.

“My father would die or kill himself if these tigers are taken away,” Uyara said. “They’re everything to us, they’re my brothers. We’ve lived with them day and night for eight years.”

Associated Press writers Stan Lehman in Sao Paulo and Bradley Brooks in Rio de Janeiro contributed to this report

Copyright 2013 The Associated Press. All rights reserved. This material may not be published, broadcast, rewritten or redistributed.

The Emergence of Multispecies Ethnography (Cultural Anthropology)

Abstract

June 14, 2010

A Special Issue of Cultural Anthropology

Edited by Eben Kirksey and Stefan Helmreich

In the November 2010 issue of Cultural Anthropology, Eben Kirksey and Stefan Helmreich explore how creatures previously appearing on the margins of anthropology — as part of the landscape, as food for humans, as symbols — have been pressed into the foreground in recent ethnographies.  Multispecies ethnographers are studying the host of organisms whose lives and deaths are linked to human social worlds. A project allied with Eduardo Kohn’s “anthropology of life”—“an anthropology that is not just confined to the human but is concerned with the effects of our entanglements with other kinds of living selves” (2007:4)—multispecies ethnography centers on how a multitude of organisms’ livelihoods shape and are shaped by political, economic, and cultural forces.

“Becomings”—new kinds of relations emerging from nonhierarchical alliances, symbiotic attachments, and the mingling of creative agents (cf. Deleuze and Guattari 1987:241–242)—abound in this chronicle of the emergence of multispecies ethnography, and in the essays in this collection.“The idea of becoming transforms types into events, objects into actions,” writes contributor Celia Lowe.

The work of Donna Haraway also provides one key starting point for the “species turn” in anthropology: “If we appreciate the foolishness of human exceptionalism,” she writes in When Species Meet, “then we know that becoming is always becoming with—in a contact zone where the outcome, where who is in the world, is at stake” (2008:244).

Anna Tsing’s scholarship also provides a charter for multispecies ethnographers.  In an forthcoming essay, “Unruly Edges: Mushrooms as Companion Species”, she suggests that “human nature is an interspecies relationship” (Tsing n.d.; see Haraway 2008:19).  Displacing studies of animal behavior used by social conservatives and sociobiologists to naturalize autocratic and militaristic ideologies, Tsing began studying mushrooms to imagine a human nature that shifted historically along with varied webs of interspecies dependence. Searching familiar places in the parklands of northern California for mushrooms—looking for the orange folds of chanterelles or the warm muffins of king boletes—she discovered a world of mutually flourishing companions. Aspiring to mimic the “mycorrhizal sociality” of mushrooms, Tsing formed the Matsutake Worlds Research Group—an ethnographic research team centered on matsutake, an aromatic gourmet mushroom in the genus Tricholoma, a “species cluster.” Following the matsutake mushroom through commodity chains in Europe, North America, and East Asia, this group has experimented with new modes of collaborative ethnographic research while studying scale-making and multispecies relations.

Multispecies ethnography has emerged with the activity of a swarm, a network with no center to dictate order, populated by “a multitude of different creative agents” (Hardt and Negri 2005:92). The Multispecies Salon — a series of panels, round tables, and events in art galleries held at the annual meetings of the American Anthropological Association (in 2006 and 2008) — was one place, among many others, where this swarm alighted. In November the Multispecies Salon will travel to New Orleans.  Here, at the 2010 AAA meetings, a lively group of interlocutors—wild artists and para-ethnographers—will come together to discuss the multispecies zeitgeist that is sweeping the social sciences and the humanities.

 

Inline_img_0243
Eben Kirksey, “Untitled.” April 6, 2010.

 

The “Twins,” a chimerical pair of grubs with wings, graces the cover of the November 2010 issue of Cultural Anthropology. This ceramic piece was created by Marnia Johnston, who joined Eben Kirksey in curating the Multispecies Salon.  Only adult insects have wings. Their juvenile forms, larvae, do not. “Humans are acquiring adult characteristics, such as breasts, at an early age,” Johnston told us. “Endocrine disrupting chemicals, like Bovine Growth Hormone,” she continued, “are working on the bodies of humans and multiple other species. I want people to think about how our chemical dependencies change us and the world we live in.”

Questions for Classroom Discussion

1. What were the Science Wars?  What distinguishes emerging conversations about nature and culture in anthropology from this earlier historical moment?

2. What does anthropos mean?  As the facts of life are being remade by the biosciences, what is anthropos becoming?

3. In the Anthropocene, a new epoch in Earth’s history, are there elements of nature that exist outside of culture?

About the Authors

Eben Kirksey is a cultural anthropologist at the CUNY Graduate Center who studies the political dimensions of imagination as well as the interplay of natural and cultural history.  As a graduate student at the University of Oxford, and UC Santa Cruz, he published four articles in peer-reviewed journals and two chapters in edited books on these themes.  His doctoral dissertation and first book, “Freedom in Entangled Worlds”, is about an indigenous political movement in West Papua, the half of New Guinea under Indonesian control (forthcoming 2011).  As a National Science Foundation Postdoctoral Fellow (2008-2010), he conducted an ethnography of place at multiple biological research stations in Latin America.  Following the movement of people and organisms—across national borders and through a fragmented landscape—he studied oblique powers at play in global assemblages.

Stefan Helmreich has worked as a Postdoctoral Associate in Science and Technology Studies at Cornell University, an External Faculty Fellow at the Center for the Critical Analysis of Contemporary Culture at Rutgers University, and as Assistant Professor of Science and Society at New York University. The National Science Foundation and the Wenner-Gren Foundation have funded his research. Helmreich’s research examines the works and lives of contemporary biologists puzzling through the conceptual boundaries of “life” as a category of analysis. He has written extensively on Artificial Life, most notably in Silicon Second Nature: Culturing Artificial Life in a Digital World (University of California Press, 1998), which in 2001 won the Diana Forsythe Book Prize from the American Anthropological Association. His latest book, Alien Ocean: Anthropological Voyages in Microbial Seas (University of California Press, 2009), is a study of marine biologists working in realms usually out of sight and reach: the microscopic world, the deep sea, and oceans outside national sovereignty.

The Multispecies Salon 3: SWARM

An Innovent panel at the AAA Meeting in New Orleans

Get Involved: CFP

Call for Papers: from Deborah Bird Rose and Thom van Dooren

Editors’ Footnotes

Cultural Anthropology has published a number of essay that map new directions in anthropology, including George Marcus’s “The End(s) of Ethnography: Social/Cultural Anthropology’s Signature Form of Producing Knowledge in Transition” (2008); Michael M. J. Fischer’s “Four Genealogies for a Recombinant Anthropology of Science and Technology” (2007); Daniel Segal’s “Editor’s Note: On Anthropology and/in/of Science”(2001); and Gary Lee Downey, Joseph Dumit, and Sarah Williams’s “Cyborg Anthropology” (1995).

Cultural Anthropology has also published essays on art and/as cultural analysis. See Kenneth George’s “Ethics, Iconoclasm, and Qur’anic Art in Indonesia” (2009), and Liam Buckley’s “Objects of Love and Decay: Colonial Photographs in a Postcolonial Archive” (2005).

Dolphins gain unprecedented protection in India (Deutsche Welle)

delfin en acrobacia © davidpitu #28124646

BIODIVERSITY
Date 24.05.2013
Author Saroja Coelho

India has officially recognized dolphins as non-human persons, whose rights to life and liberty must be respected. Dolphin parks that were being built across the country will instead be shut down.

India’s Ministry of Environment and Forests has advised state governments to ban dolphinariums and other commercial entertainment that involves the capture and confinement of cetacean species such as orcas and bottlenose dolphins. In a statement, the government said research had clearly established cetaceans are highly intelligent and sensitive, and that dolphins “should be seen as ‘non-human persons’ and as such should have their own specific rights.”

The move comes after weeks of protest against a dolphin park in the state of Kerala and several other marine mammal entertainment facilities which were to be built this year. Animal welfare advocates welcomed the decision.

“This opens up a whole new discourse of ethics in the animal protection movement in India,” said Puja Mitra from the Federation of Indian Animal Protection Organizations (FIAPO). Mitra is a leading voice in the Indian movement to end dolphin captivity.

Kasatka the killer whale performs during SeaWorld's Shamu show, Thursday, Nov. 30, 2006, in San Diego. Trainer Ken Peters remains hospitalized after suffering a broken foot when Kasatka dragged him underwater twice during a show on Wednesday. (ddp images/AP Photo/Chris Park)Indian officials say it is morally unacceptable to exploit cetaceans in commercial entertainment

“The scientific evidence we provided during the campaign talked about cetacean intelligence and introduced the concept of non-human persons,” she said in an interview with DW.

Indiais the fourth country in the world to ban the capture and import of cetaceans for the purpose of commercial entertainment – along with Costa Rica, Hungary, and Chile.

Dolphins are persons, not performers

The movement to recognize whale and dolphins as individuals with self-awareness and a set of rights gained momentum three years ago in Helsinki, Finland when scientists and ethicists drafted a Declaration of Rights for Cetaceans. “We affirm that all cetaceans as persons have the right to life, liberty and well-being,” they wrote.

epa02917339 An undated handout picture provided by Monash University on 15 September 2011 of a new species of dolphins in Victoria's Port Phillip Bay, Australia. The new species, Tursiops Australis, which can also be found at Gippsland Lake, have a small population of 150 and were originally thought to be one of the two existing bottlenose dolphin species. EPA/MONASH UNIVERSITY / HO AUSTRALIA AND NEW ZEALAND OUT HANDOUT EDITORIAL USE ONLY +++(c) dpa - Bildfunk+++Dolphins are naturally playful and curious, which has made them popular with aqurium visitors

The signatories included leading marine scientist Lori Marino who produced evidence that cetaceans have large, complex brains especially in areas involved in communication and cognition. Her work has shown that dolphins have a level of self-awareness similar to that of human beings. Dolphins can recognize their own reflection, use tools and understand abstract concepts. They develop unique signature whistles allowing friends and family members to recognize them, similar to the way human beings use names.

“They share intimate, close bonds with their family groups. They have their own culture, their own hunting practices – even variations in the way they communicate,” said FIAPO’s Puja Mitra.

But it is precisely this ability to learn tricks and charm audiences that have made whales and dolphins a favorite in aquatic entertainment programs around the world.

Seaworld slaughter

Disposable personal income has increased in India and there is a growing market for entertainment. Dolphin park proposals were being considered in Delhi, Kochi and Mumbai.

Lahore, PAKISTAN: Pakistani cinema goers queue for tickets for the Indian classic movie Mughal-e-Azam outside the Gulistan Cinema in Lahore, 23 April 2006. The forbidden love of Pakistanis for Indian movies was allowed into the open on 23 April with the public screening of a 1960 classic beloved on both sides of the border. AFP PHOTO/Arif ALI (Photo credit should read Arif Ali/AFP/Getty Images) India’s growing middle class is hungry for entertainment

“There’s nothing like having a few animals on display, particularly ones that are so sensitive and intelligent as these dolphins,” said Belinda Wright from the Wildlife Protection Society of India in an interview with DW. “It’s a good money making proposition.”

But audiences are usually oblivious to the documented suffering of these marine performers.

“The majority of dolphins and whales in captivity have been sourced through wild captures in Japan, in Taiji, in the Caribbean, in the Solomon Islands and parts of Russia. These captures are very violent,” Mitra explained.

“They drive groups of dolphins into shallow bay areas where young females whose bodies are unmarked and are thought to be suitable for display are removed. The rest are often slaughtered.”

Mitra argued that the experience of captivity is tantamount to torture. She explained that orcas and other dolphins navigate by using sonar signals, but in tanks, the reverberations bounce off the walls, causing them “immense distress”. She described dolphins banging their heads on the walls and orcas wearing away their teeth as they pull at bars and bite walls.

Tanks terminated

In response to the new ban, the Greater Cochin Development Authority (CGDA) told DW that it has withdrawn licenses for a dolphin park in the city of Kochi, where there have been massive animal rights demonstrations in recent months.

epa03452781 A beluga whale passes by young visitors in the Cold Water Quest exhibit at the Georgia Aquarium in Atlanta, Georgia, USA, 30 October 2012. The Georgia Aquarium, which opened in 2005, features more than 10 million gallons of water and over 60 different exhibits. EPA/ERIK S. LESSER<br />

Will the ban on captive dolphin exploitation lead to more protection for other highly intelligent non-humans?

“It is illegal now,” said N. Venugopal, who heads the CGDA. “It is over. We will not allow it anymore.”

He said the government hadn’t lost money on the development but declined to comment on how much the dolphin park was worth.

Boost for Ganges River dolphin

It’s possible that India’s new ban on cetacean captivity will lead to renewed interest in protecting the country’s own Ganges River dolphin.

“I hope this will put some energy into India’s Action Plan for the Gangetic Dolphin, which is supposed to run until 2020,” said Belinda Wright from the Wildlife Protection Society of India. “But there’s been very little action.

She said the ban was a good first stop, but warned against excessive optimism. “I’m very proud that India has done this,” she said. “I’m not trying to be cynical but I have been a conservationist in India for four decades. One gets thrilled with the wording, but I don’t think it’s going to turn to the tables.”

“But dolphins for now are safe from dolphinariums, and that’s a good thing,” she added.

Social Animals Have More Social Smarts (Science Daily)

June 26, 2013 — Lemurs from species that hang out in big tribes are more likely to steal food behind your back instead of in front of your face.

In a series of stills taken from videotaped experiments, Duke undergraduates Joel Bray (left) and Aaron Sandel test a ringtailed lemur’s (Lemur catta) willingness to take food from a watched or unwatched plate. (Credit: Evan MacLean, Duke)

This behavior suggests that primates who live in larger social groups tend to have more “social intelligence,” a new study shows. The results appear June 27 in PLOS ONE.

A Duke University experiment tested whether living in larger social networks directly relates to higher social abilities in animals. Working with six different species of lemurs living at the Duke Lemur Center, a team of undergraduate researchers tested 60 individuals to see if they would be more likely to steal a piece of food if a human wasn’t watching them.

In one test, a pair of human testers sat with two plates of food. One person faced the plate and the lemur entering the room, the other had his or her back turned. In a second, testers sat in profile, facing toward or away from the plate. In a third, they wore a black band either over their eyes or over their mouths and both faced the plates and lemurs.

As the lemurs jumped onto the table where the plates were and decided which bit of food to grab, the ones from large social groups, like the ringtailed lemur (Lemur catta), were evidently more sensitive to social cues that a person might be watching, said Evan MacLean, a research scientist in the Department Of Evolutionary Anthropology who led the research team. Lemurs from small-group species, like the mongoose lemur (Eulemur mongoz), were less sensitive to the humans’ orientation.

Few of the lemurs apparently understood the significance of a blindfold.

The work is the first to test the relationship between group size and social intelligence across multiple species. The findings support the “social intelligence hypothesis,” which suggests that living in large social networks drove the evolution of complex social cognition in primates, including humans, MacLean said.

Behavioral experiments are critical to test the idea because assumptions about intelligence based solely on brain size may not hold up, he said. Indeed, this study found that some lemur species had evolved more social smarts without increasing the size of their brains.

Journal Reference:

  1. Evan L. MacLean, Aaron A. Sandel, Joel Bray, Ricki E. Oldenkamp, Rachna B. Reddy, Brian A. Hare. Group Size Predicts Social but Not Nonsocial Cognition in Lemurs.PLoS ONE, 2013; 8 (6): e66359 DOI:10.1371/journal.pone.0066359

Robo-Pets May Contribute to Quality of Life for Those With Dementia (Science Daily)

June 24, 2013 — Robotic animals can help to improve the quality of life for people with dementia, according to new research.

Professor Glenda Cook with PARO seal Glenda Cook with PARO seal. (Credit: Image courtesy of Northumbria University)

A study has found that interacting with a therapeutic robot companion made people with mid- to late-stage dementia less anxious and also had a positive influence on their quality of life.

The pilot study, a collaboration led by Professor Wendy Moyle from Griffith University, Australia and involving Northumbria University’s Professor Glenda Cook and researchers from institutions in Germany, investigated the effect of interacting with PARO — a robotic harp seal — compared with participation in a reading group. The study built on Professor Cook’s previous ethnographic work carried out in care homes in North East England.

PARO is fitted with artificial intelligence software and tactile sensors that allow it to respond to touch and sound. It can show emotions such as surprise, happiness and anger, can learn its own name and learns to respond to words that its owner uses frequently.

Eighteen participants, living in a residential aged care facility in Queensland, Australia, took part in activities with PARO for five weeks and also participated in a control reading group activity for the same period. Following both trial periods the impact was assessed, using recognised clinical dementia measurements, for how the activities had influenced the participants’ quality of life, tendency to wander, level of apathy, levels of depression and anxiety ratings.

The findings indicated that the robots had a positive, clinically meaningful influence on quality of life, increased levels of pleasure and also reduced displays of anxiety.

Research has already shown that interaction with animals can have a beneficial effect on older adults, increasing their social behaviour and verbal interaction and decreasing feelings of loneliness. However, the presence of animals in residential care home settings can place residents at risk of infection or injury and create additional duties for nursing staff.

This latest study suggests that PARO companions elicit a similar response and could potentially be used in residential settings to help reduce some of the symptoms — such as agitation, aggression, isolation and loneliness — of dementia.

Prof Cook, Professor of Nursing at Northumbria University, said: “Our study provides important preliminary support for the idea that robots may present a supplement to activities currently in use and could enhance the life of older adults as therapeutic companions and, in particular, for those with moderate or severe cognitive impairment.

“There is a need for further research, with a larger sample size, and an argument for investing in interventions such as PARO robots which may reduce dementia-related behaviours that make the provision of care challenging as well as costly due to increased use of staff resources and pharmaceutical treatment.”

The researchers of the pilot study have identified the need to undertake a larger trial in order to increase the data available. Future studies will also compare the effect of the robot companions with live animals.

Journal Reference:

  1. Wendy Moyle, Marie Cooke, Elizabeth Beattie, Cindy Jones, Barbara Klein, Glenda Cook, Chrystal Gray. Exploring the Effect of Companion Robots on Emotional Expression in Older Adults with Dementia: A Pilot Randomized Controlled TrialJournal of Gerontological Nursing, 2013; 39 (5): 46 DOI: 10.3928/00989134-20130313-03

Social Networks Could Help Prevent Disease Outbreaks in Endangered Chimpanzees (Science Daily)

June 5, 2013 — Many think of social networks in terms of Facebook friends and Twitter followers, but for recent University of Georgia doctoral graduate Julie Rushmore, social networks are tools in the fight against infectious diseases.

Two adult males in the Kanyawara chimpanzee community rest in Kibale National Park, Uganda. (Credit: Julie Rushmore/UGA)

Rushmore, who completed her doctorate in the Odum School of Ecology in May, analyzed the social networks of wild chimpanzees to determine which individuals were most likely to contract and spread pathogens. Her findings, published in the Journal of Animal Ecology on June 5, could help wildlife managers target their efforts to prevent outbreaks and potentially help public health officials prevent disease in human populations as well.

Effective disease intervention for this species is important for a number of reasons. Wild chimpanzees are highly endangered, and diseases — including some that also infect humans — are among the most serious threats to their survival. And due to habitat loss, chimpanzees increasingly overlap with human populations, so disease outbreaks could spread to people and livestock, and vice versa.

Disease prevention in wildlife is logistically challenging, and resources are scarce, Rushmore explained. Even when vaccines are available, it is impractical to vaccinate every individual in a wildlife population. She and her colleagues decided to use social network analysis to pinpoint individuals most important in disease transmission.

“Modeling studies in humans have shown that targeting central individuals for vaccination is significantly more effective than randomly vaccinating,” Rushmore said. “There have been a few social network studies in wildlife systems — bees, lions, meerkats, lizards and giraffes — but this is the first paper to map out social networks in the context of disease transmission and conservation for wild primates.”

Rushmore observed a community of wild chimpanzees in Kibale National Park in Uganda, recording the interactions of individuals and family groups over a nine-month period to determine which individuals — and which types of individuals — were most central.

“Chimpanzees are ideal for this study because to collect this observational behavioral data, you don’t need to collar them or use any invasive methods. You can essentially just observe chimpanzees in their natural environment and identify them individually based on their facial features,” she said.

Rushmore collected information about the traits of individual chimpanzees including age, sex, rank and family size. Rank for adult males was based on dominance, while for adult females and juveniles it was based on location: Those that lived and foraged in the interior of the community’s territory were considered of higher rank than those that roamed its edges.

From December 2009 to August 2010, Rushmore recorded the interactions of chimpanzees in the community at 15-minute intervals between 6 a.m. and 7:30 p.m., four to six days per week. She mapped her observations onto a diagram showing how often each individual associated with the others.

This analysis revealed that the most central figures in the network turned out to be high-ranking mothers and juveniles with large families. “They form nursing parties — essentially like day care — where several families will hang out together,” she said. “In that way they become quite central because they have contact with a large portion of the community.”

Second in centrality were the high-ranking males.

“There are many studies in humans, and at least one in chimpanzees, showing that from an immunological perspective, juveniles and children are really important for maintaining diseases in populations through play and things like that,” she said.

“In addition, high-ranking male chimpanzees are often immunosuppressed because they have high levels of testosterone and have been shown to have higher rates of parasitism. So it seems that in addition to being central to the network, the juveniles and the high-ranking males in particular could also have lower immunity than other individuals, which might help facilitate them acquiring and transmitting pathogens.”

Rushmore’s findings have implications for disease prevention beyond chimpanzees.

“This work can easily be applied to other systems,” she said. “You could use similar methods to identify which traits are predictive of centrality. The theme that would carry over from our findings is that these central individuals are likely important to target for vaccination or treatment.”

Rushmore and her colleagues are continuing their research into social networks and disease. They currently are using infectious disease models to simulate outbreaks on these networks and to develop targeted pathogen interventions.

“Ultimately, we want to develop vaccination strategies that could both prevent large outbreaks and lower the number of animals requiring vaccination,” Rushmore said.

The study’s co-authors were Damien Caillaud of the Dian Fossey Gorilla Fund International and the University of Texas at Austin, Leopold Matamba of the UGA department of mathematics, Rebecca M. Stumpf of the University of Illinois at Urbana-Champaign, Stephen P. Borgatti of the University of Kentucky and Sonia Altizer of the UGA Odum School of Ecology.

Journal Reference:

  1. Julie Rushmore, Damien Caillaud, Leopold Matamba, Rebecca M. Stumpf, Stephen P. Borgatti, Sonia Altizer.Social network analysis of wild chimpanzees provides insights for predicting infectious disease riskJournal of Animal Ecology, 2013; DOI: 10.1111/1365-2656.12088

Chimpanzees Have Five Universal Personality Dimensions (Science Daily)

June 3, 2013 — While psychologists have long debated the core personality dimensions that define humanity, primate researchers have been working to uncover the defining personality traits for humankind’s closest living relative, the chimpanzee. New research, published in the June 3 issue ofAmerican Journal of Primatology provides strong support for the universal existence of five personality dimensions in chimpanzees: reactivity/undependability, dominance, openness, extraversion and agreeableness with a possible sixth factor, methodical, needing further investigation.

Chimpanzee. New research provides strong support for the universal existence of five personality dimensions in chimpanzees: reactivity/undependability, dominance, openness, extraversion and agreeableness with a possible sixth factor, methodical, needing further investigation. (Credit: © anekoho / Fotolia)

“Understanding chimpanzee personality has important theoretical and practical implications,” explained lead author Hani Freeman, postdoctoral fellow with the Lester E. Fisher Center for the Study and Conservation of Apes at Lincoln Park Zoo. “From an academic standpoint, the findings can inform investigations into the evolution of personality. From a practical standpoint, caretakers of chimpanzees living in zoos or elsewhere can now tailor individualized care based on each animal’s personality thereby improving animal welfare.”

The study of chimpanzee personality is not novel; however, according to the authors, previous instruments designed to measure personality left a number of vital questions unanswered.

“Some personality scales used for chimpanzees were originally designed for another species. These ‘top-down’ approaches are susceptible to including traits that are not relevant for chimps, or fail to include all the relevant aspects of chimpanzee personality,” explained Freeman. “Another tactic, called a ‘bottom-up’ approach, derives traits specifically for chimpanzees without taking into account information from previous scales. This approach also has limitations as it impedes comparisons with findings in other studies and other species, which is essential if you want to use research on chimpanzees to better understand the evolution of human personality traits.”

To address the limitations of each approach and gain a better understanding of chimpanzee personality, the authors developed a new personality rating scale that incorporated the strengths of both types of scales. This new scale consisted of 41 behavioral descriptors including boldness, jealousy, friendliness and stinginess amongst others. Seventeen raters who work closely and directly with chimpanzees used the scale to assess 99 chimpanzees in their care at the Michale E. Keeling Center for Comparative Medicine and Research, UT MD Anderson Cancer Center in Bastrop, Texas.

The chimpanzees rated were aged 8 to 48, a majority had been captive born and mother-raised, and all had lived at the facility for at least two years.

To validate their findings, the researchers used two years worth of behavioral data collected on the chimpanzees. As the authors expected, the findings showed the personality ratings were associated with differences in how the chimpanzees behaved. The researchers also showed the raters tended to agree in their independent judgments of chimpanzees’ personalities, suggesting the raters were not merely projecting traits onto the chimpanzees.

Researchers suggest that one benefit to having the chimpanzees rated on the five core personality dimensions is that this information can now be used to make predictions that will help in their management, such as how individual chimpanzees will behave in various social situations. This type of information will help zoos better anticipate certain behaviors from various individuals, and will assist them in providing individualized care.

Journal Reference:

  1. Hani D. Freeman, Sarah F. Brosnan, Lydia M. Hopper, Susan P. Lambeth, Steven J. Schapiro, Samuel D. Gosling.Developing a Comprehensive and Comparative Questionnaire for Measuring Personality in Chimpanzees Using a Simultaneous Top-Down/Bottom-Up DesignAmerican Journal of Primatology, 2013; DOI: 10.1002/ajp.22168

A mulher que encolheu o cérebro humano (O Globo)

Suzana Herculano é a primeira brasileira a falar na prestigiada conferência TED

Ela debaterá o cérebro de 86 bilhões de neurônios (e não 100 bilhões, como se acreditava) e como o homem se diferenciou dos primatas 

Publicado:24/05/13 – 7h00; Atualizado:24/05/13 – 11h41

Suzana Herculano-Houzel, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJFoto: Guito Moreto

Suzana Herculano-Houzel, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ Guito Moreto

Neurocientista da UFRJ, Suzana Herculano-Houzel é a primeira brasileira a participar da TED (Tecnologia, Entretenimento e Design, em português) — prestigiada série de conferências que reúne grandes nomes das mais diversas áreas do conhecimento para debater novas ideias. Suzana falará no dia 12 de junho, sob o tema “Ouça a natureza”, e destacará suas descobertas únicas sobre o cérebro humano.

Sobre o que vai falar na TED?

Vou falar sobre o cérebro humano e mostrar como ele não é um cérebro especial, uma exceção à regra. Nossas pesquisas nos revelaram que se trata apenas de um cérebro de primata grande. O notável é que passamos a ter um cérebro enorme, do tamanho que nenhum outro primata tem, nem os maiores, porque inventamos o cozimento dos alimentos e, com isso, passamos a ter um número enorme de neurônios.

O cozimento foi fundamental para nos tornarmos humanos?

Sim, burlamos a limitação energética imposta pela dieta crua. E a implicação bacana e irônica é que, com isso, conseguimos liberar tempo no cérebro para nos dedicarmos a outras coisas (que não buscar alimentos), como criar a agricultura, as civilizações, a geladeira e a eletricidade. Até o ponto em que conseguir comida cozida e calorias em excesso ficou tão fácil que, agora, temos o problema inverso: estamos comendo demais. Por isso, voltamos à saladinha.

Se alimentarmos orangotangos e gorilas com comida cozida eles serão tão inteligentes quanto nós?

Sim, porque não seriam limitados pelo número reduzido de calorias que conseguem com a comida crua. Claro que nós fizemos uma inovação cultural ao inventar a cozinha. Tem uma diferença entre dar comida cozida para o animal e ele ter o desenvolvimento cultural do cozimento. Mas, ainda assim, se em todas as refeições eles tiverem acesso à comida cozida, daqui a 200 mil ou 300 mil anos eles terão o cérebro maior. Com a alimentação que têm hoje, não é possível terem um cérebro maior dado o corpo grande que têm. É uma coisa ou outra.

Somos especiais?

A gente não é especial coisa alguma. Somos apenas um primata que burlou as regras energéticas e conseguiu botar mais neurônios no cérebro de um jeito que nenhum outro animal conseguiu. Por isso estudamos os outros animais e não o contrário.

Persistem ainda mitos sobre o cérebro? Como o dos 100 bilhões de neurônios, que seus estudos demonstraram que são, na verdade, 86 bilhões?

Sim, eles continuam existindo, mesmo na neurociência. O nosso trabalho já é muito citado como referência. As coisas estão mudando. E o mais legal é que é por conta da ciência tupiniquim, o que eu acho maravilhoso. Mas vemos que é um processo, que ainda tem muita gente que insiste no número antigo.

O novo manual de diagnóstico de doenças mentais dos EUA (que serve de referência para todo o mundo, inclusive para a OMS) foi lançado na semana passada em meio à controvérsia. Especialistas acham que são tantos transtornos que praticamente não resta mais nenhum espaço para a normalidade. Qual a sua opinião?

Acho que essa discussão é muito necessária, justamente para reconhecermos o que são as variações ao redor do normal e quais são os extremos problemáticos e doentios de fato. Então, a discussão é importante, ótima a qualquer momento. Mas acho também que há muita informação errada e sensacionalista circulando, sobretudo sobre o déficit de atenção. As estatísticas variam muito de país para país, às vezes porque varia o número de médicos que reconhece a criança como portadora do distúrbio. E acho que ainda há um problema enorme, um medo enorme do estereótipo da doença mental. Até hoje ainda existe uma resistência louca em ir a um psiquiatra. E acho que, pelo contrário, ganhamos muito reconhecendo que existem transtornos e que eles podem ser tratados.

Ainda há muito estigma?

O maior problema hoje em dia é que é feio ter um distúrbio no cérebro. Perceba que nem estou falando em transtorno mental. Precisar de remédio para o cérebro é terrível. E temos tanto a ganhar reconhecendo os problemas, fazendo os diagnósticos. O cérebro é tão complexo, tem tanta coisa para dar errado, que o espantoso é que não dê problema em todo mundo sempre. Então, acho normal que boa parte da população tenha algum problema, não me espanta nem um pouco. E, uma vez que se reconhece o problema, que se faz o diagnóstico, há a opção de poder tratar. Se dispomos de um tratamento, por que não usar?

O presidente dos EUA, Barack Obama, recentemente anunciou uma inédita iniciativa de reunir pesquisadores dos mais diversos centros para estudar exclusivamente o cérebro. O que podemos esperar de tamanho esforço científico?

Não só o cérebro, mas o cérebro em atividade. Obama quer ir além do que já tinham feito — estudar a função de diferentes áreas — e entender como se conectam, como falam umas com as outras, ter ideia desse funcionamento integrado, dessa interação. Essa é uma das grandes lacunas do conhecimento: entender como as várias partes do cérebro funcionam ao mesmo tempo. Não sabemos como o cérebro funciona como um todo; é uma das fronteiras finais do conhecimento.

Não sabemos como o cérebro funciona?

Como um todo, não. Sabemos o que as partes fazem, mas não sabemos como se dá a conversa entre elas. Não sabemos a origem da consciência, da sensação do “eu estou aqui agora”. Que áreas são fundamentais para isso? É esse tipo de conhecimento que se está buscando, do cérebro funcionando ao vivo e em cores, em tempo real.

O objetivo não é estudar doenças, então?

Não, o grande objetivo é estudar consciência, memória; entender como o cérebro reúne emoção e lógica, coisas que são fruto da ação coordenada de várias partes. Claro que desse conhecimento todo podem surgir implicações para o Alzheimer e outras doenças. Mas, na verdade, falar em doenças é uma roupagem usada pela divulgação do programa para o público assimilar melhor. Existe esse preconceito de que a ciência só vale quando resolve uma doença.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/a-mulher-que-encolheu-cerebro-humano-8482825#ixzz2UFWUvdYn © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Tamed fox shows domestication’s effects on the brain (Science News)

Gene activity changes accompany doglike behavior

By Tina Hesman Saey

Web edition: May 15, 2013

download

Taming silver foxes (shown) alters their behavior. A new study links those behavior changes to changes in brain chemicals. Tom Reichner/Shutterstock

COLD SPRING HARBOR, N.Y. – Taming foxes changes not only the animals’ behavior but also their brain chemistry, a new study shows.

The finding could shed light on how the foxes’ genetic cousins, wolves, morphed into man’s best friend. Lenore Pipes of Cornell University presented the results May 10 at the Biology of Genomes conference.

The foxes she worked with come from a long line started in 1959 when a Russian scientist named Dmitry Belyaev attempted to recreate dog domestication, but using foxes instead of wolves. He bred silver foxes (Vulpes vulpes), which are actually a type of red fox with white-tipped black fur. Belyaev and his colleagues selected the least aggressive animals they could find at local fox farms and bred them. Each generation, the scientists picked the tamest animals to mate, creating ever friendlier foxes. Now, more than 50 years later, the foxes act like dogs, wagging their tails, jumping with excitement and leaping into the arms of caregivers for caresses.

At the same time, the scientists also bred the most aggressive foxes on the farms. The descendents of those foxes crouch, flatten their ears, growl, bare their teeth and lunge at people who approach their cages.

The foxes’ tame and aggressive behaviors are rooted in genetics, but scientists have not found DNA changes that account for the differences. Rather than search for changes in genes themselves, Pipes and her colleagues took an indirect approach, looking for differences in the activity of genes in the foxes’ brains.

The team collected two brain parts, the prefrontal cortex and amygdala, from a dozen aggressive foxes and a dozen tame ones. The prefrontal cortex, an area at the front of the brain, is involved in decision making and in controlling social behavior, among other tasks. The amygdala, a pair of almond-size regions on either side of the brain, helps process emotional information.

Pipes found that the activity of hundreds of genes in the two brain regions differed between the groups of affable and hostile foxes. For example, aggressive animals had increased activity of some genes for sensing dopamine. Pipes speculated that tame animals’ lower levels of dopamine sensors might make them less anxious.

The team had expected to find changes in many genes involved in serotonin signaling, a process targeted by some popular antidepressants such as Prozac. Tame foxes are known to have more serotonin in their brains. But only one gene for sensing serotonin had higher activity in the friendly animals.

In a different sort of analysis, Pipes discovered that all aggressive foxes carry one form of the GRM3 glutamate receptor gene, while a majority of the friendly foxes have a different variant of the gene. In people, genetic variants of GRM3 have been linked to schizophrenia, bipolar disorder and other mood disorders. Other genes involved in transmitting glutamate signals, which help regulate mood, had increased activity in tame foxes, Pipes said.

It is not clear whether similar brain chemical changes accompanied the transformation of wolves into dogs, said Adam Freedman, an evolutionary biologist at Harvard University. Even if dogs and wolves now have differing brain chemical levels, researchers can’t turn back time to watch the process unfold; they can only guess at how domestication happened. “We have to reconstruct an unobservable series of steps,” he said. Pipes’ study is an interesting example of what might have happened to dogs’ brains during domestication, he said.

Convívio entre homens e cães criou semelhanças genéticas (O Globo)

Amigos há 32 mil anos, a milenar relação entre as duas espécies tem estudo apresentado por zoólogos chineses 

ROBERTA JANSEN

Publicado:17/05/13 – 6h00; Atualizado:17/05/13 – 6h00

<br />Amizade milenar . Um homem e seu cachorro: novo estudo revela que relação já dura 32 mil anos e funciona tão bem porque evoluiu de forma compartilhada<br />Foto: John Hart / APAmizade milenar . Um homem e seu cachorro: novo estudo revela que relação já dura 32 mil anos e funciona tão bem porque evoluiu de forma compartilhada John Hart / AP

RIO- Cachorros podem, de fato, ser os melhores amigos do homem porque compartilham uma história evolutiva em comum muito mais longa do que se imaginava. Estudo publicado esta semana na “Nature Communications” revelou que os cães teriam sido domesticados há 32 mil anos — quase o dobro do que se acreditava. Esta duradoura e intensa relação teria, inclusive, um impacto na genética dos animais e dos homens, que foi ficando parecida em alguns aspectos. Na verdade, conclui o estudo, os cães se auto-domesticaram para serem mais aceitos pelos humanos que, por sua vez, também se adaptaram aos animais.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Zoologia da China, coordenados por Ya-Ping Zhang, obteve o genoma completo de quatro lobos cinzentos de diferentes pontos da Ásia e da Europa, três cachorros nativos do sudoeste da China, e três representantes de raças atuais. Geneticistas confirmaram que os cães nativos da China representam o primeiro estágio da domesticação canina — o genoma deles traz informação sobre a transição de lobos para os cachorros ancestrais, tornando-os uma espécie de “elo perdido” da domesticação.

Os lobos se auto-domesticaram

A equipe descobriu também que os lobos apresentam a maior diversidade genética, enquanto que os cachorros modernos ficam com a menor. Analisando a quantidade de mutações, os especialistas conseguiram estabelecer que a separação entre lobos e cães nativos chineses ocorreu na Ásia, há 32 mil anos.

Diferentemente do que se imaginava, dizem os cientistas, os homens não adotaram filhotes de lobos. Teria sido bem o oposto disso.

O processo provavelmente começou com os lobos que rondavam em torno de populações humanas de caçadores-coletores em busca de restos de alimento e carcaças, num processo que os pesquisadores chamam de auto-domesticação.

— A hipótese mais interessante levantada por essa pesquisa é a auto-domesticação — afirmou Zhang em entrevista. — De acordo com essa hipótese, os primeiros lobos teriam sido atraídos para viver e caçar com os humanos. E com sucessivas mudanças adaptativas, esses animais se tornaram progressivamente mais propensos a viver com os homens.

Nesta situação, os lobos mais agressivos teriam se saído muito mal, porque a tendência seria que fossem mortos pelos homens. Os animais mais mansos, no entanto, teriam se adaptado melhor e se multiplicado. Ou seja, os lobos se auto-domesticaram.

A pesquisa conseguiu estabelecer que a domesticação impôs uma determinante força seletiva nos genes envolvidos na digestão e no metabolismo — provavelmente por conta da mudança de uma dieta estritamente carnívora para uma onívora.

Os genes que governam processos neurológicos complexos também sofreram tal pressão, sobretudo devido à necessidade de redução da agressão e do aumento de complexos processos de interação com os seres humanos.

Curiosamente, o grupo descobriu que a contraparte humana de diversos desses genes, particularmente aqueles envolvidos nos processos neurológicos, também sofreram uma forte pressão seletiva ao longo do tempo, refletindo os fatores ambientais similares vivenciados por homens e cachorros ao longo de milhares de anos de uma relação tão próxima.

Mais dóceis e mansos

Alguns dos genes estão associados a doenças similares no homem e no cão. Outros são ativos na região do córtex pré-frontal, onde os mamíferos tomam decisões sobre o comportamento. Alguns genes estão envolvidos no maior número de conexões entre os neurônios. Um gene em particular, o SLC6A4, é responsável pela codificação da proteína que transporta o neurotransmissor serotonina.

— Outros estudos já haviam revelado que o gene é relacionado ao comportamento agressivo e ao transtorno obsessivo-compulsivo não apenas em homens mas também em cachorros — afirmou Zhang.

Mudança semelhante foi também constatada nos homens — indicando que nós também tivemos que nos tornar menos agressivos para tolerar os outros e viver bem em grupos.

Para o cientista, o estudo da base genética de diversas doenças em cães pode ajudar na compreensão de doenças similares em humanos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/convivio-entre-homens-caes-criou-semelhancas-geneticas-8415160#ixzz2TluyW7T9 © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Monkey Math: Baboons Show Brain’s Ability to Understand Numbers (Science Daily)

May 3, 2013 — Opposing thumbs, expressive faces, complex social systems: it’s hard to miss the similarities between apes and humans. Now a new study with a troop of zoo baboons and lots of peanuts shows that a less obvious trait — the ability to understand numbers — also is shared by humans and their primate cousins.

Sabina, an olive baboon at the Seneca Park Zoo in Rochester, N.Y., participates in a University of Rochester study led by cognitive scientist Jessica Cantlon. (Credit: J. Adam Fenster, University of Rochester)

“The human capacity for complex symbolic math is clearly unique to our species,” says co-author Jessica Cantlon, assistant professor of brain and cognitive sciences at the University of Rochester. “But where did this numeric prowess come from? In this study we’ve shown that non-human primates also possess basic quantitative abilities. In fact, non-human primates can be as accurate at discriminating between different quantities as a human child.”

“This tells us that non-human primates have in common with humans a fundamental ability to make approximate quantity judgments,” says Cantlon. “Humans build on this talent by learning number words and developing a linguistic system of numbers, but in the absence of language and counting, complex math abilities do still exist.”

Cantlon, her research assistant Allison Barnard, postdoctoral fellow Kelly Hughes, and other colleagues at the University of Rochester and the Seneca Park Zoo in Rochester, N.Y., reported their findings online May 2 in the open-access journal Frontiers in Comparative Psychology. The study tracked eight olive baboons, ages 4 to 14, in 54 separate trials of guess-which-cup-has-the-most-treats. Researchers placed one to eight peanuts into each of two cups, varying the numbers in each container. The baboons received all the peanuts in the cup they chose, whether it was the cup with the most goodies or not. The baboons guessed the larger quantity roughly 75 percent of the time on easy pairs when the relative difference between the quantities was large, for example two versus seven. But when the ratios were more difficult to discriminate, say six versus seven, their accuracy fell to 55 percent.

That pattern, argue the authors, helps to resolve a standing question about how animals understand quantity. Scientists have speculated that animals may use two different systems for evaluating numbers: one based on keeping track of discrete objects — a skill known to be limited to about three items at a time — and a second approach based on comparing the approximate differences between counts.

The baboons’ choices, conclude the authors, clearly relied on this latter “more than” or “less than” cognitive approach, known as the analog system. The baboons were able to consistently discriminate pairs with numbers larger than three as long as the relative difference between the peanuts in each cup was large. Research has shown that children who have not yet learned to count also depend on such comparisons to discriminate between number groups, as do human adults when they are required to quickly estimate quantity. Studies with other animals, including birds, lemurs, chimpanzees, and even fish, have also revealed a similar ability to estimate relative quantity, but scientists have been wary of the findings because much of this research is limited to animals trained extensively in experimental procedures. The concern is that the results could reflect more about the experimenters than about the innate ability of the animals.

“We want to make sure we are not creating a ‘Clever Hans effect,'” cautions Cantlon, referring to the horse whose alleged aptitude for math was shown to rest instead on the ability to read the unintentional body language of his human trainer. To rule out such influence, the study relied on zoo baboons with no prior exposure to experimental procedures. Additionally, a control condition tested for human bias by using two experimenters — each blind to the contents of the other cup — and found that the choice patterns remained unchanged.

A final experiment tested two baboons over 130 more trials. The monkeys showed little improvement in their choice rate, indicating that learning did not play a significant role in understanding quantity.

“What’s surprising is that without any prior training, these animals have the ability to solve numerical problems,” says Cantlon. The results indicate that baboons not only use comparisons to understand numbers, but that these abilities occur naturally and in the wild, the authors conclude.

Finding a functioning baboon troop for cognitive research was serendipitous, explains study co-author Jenna Bovee, the elephant handler at the Seneca Park Zoo who is also the primary keeper for the baboons. The African monkeys are hierarchical, with an alpha male at the top of the social ladder and lots of jockeying for status among the other members of the group. Many zoos have to separate baboons that don’t get along, leaving only a handful of zoos with functioning troops, Bovee explained.

Involvement in this study and ongoing research has been enriching for the 12-member troop, she said, noting that several baboons participate in research tasks about three days a week. “They enjoy it,” she says. “We never have to force them to participate. If they don’t want to do it that day, no big deal.

“It stimulates our animals in a new way that we hadn’t thought of before,” Bovee adds. “It kind of breaks up their routine during the day, gets them thinking. It gives them time by themselves to get the attention focused on them for once. And it reduces fighting among the troop. So it’s good for everybody.”

The zoo has actually adapted some of the research techniques, like a matching game with a touch-screen computer that dispenses treats, and taken it to the orangutans. “They’re using an iPad,” she says.

She also enjoys documenting the intelligence of her charges. “A lot of people don’t realize how smart these animals are. Baboons can show you that five is more than two. That’s as accurate as a typical three year old, so you have to give them that credit.”

Cantlon extends those insights to young children: “In the same way that we underestimate the cognitive abilities of non-human animals, we sometimes underestimate the cognitive abilities of preverbal children. There are quantitative abilities that exist in children prior to formal schooling or even being able to use language.”

Other University of Rochester co-authors on the study include Regina Gerhardt, an undergraduate student in brain and cognitive sciences, and Louis DiVincenti, a veterinarian and senior instructor in comparative medicine. This research was supported by the James S. McDonnell Foundation.

Journal Reference:
  1. Allison M. Barnard, Kelly D. Hughes, Regina R. Gerhardt, Louis DiVincenti, Jenna M. Bovee and Jessica F. Cantlon.Inherently Analog Quantity Representations in Olive Baboons (Papio anubis)Frontiers in Comparative Psychology, 2013 DOI: 10.3389/fpsyg.2013.00253

Young Children Have Grammar and Chimpanzees Don’t (Science Daily)

Apr. 10, 2013 — A new study from the University of Pennsylvania has shown that children as young as 2 understand basic grammar rules when they first learn to speak and are not simply imitating adults.

Nim Chimpsky. (Credit: Image courtesy of Herbert Terrace, who began Project Nim in the early 1970s)

The study also applied the same statistical analysis on data from one of the most famous animal language-acquisition experiments — Project Nim — and showed that Nim Chimpsky, a chimpanzee who was taught sign language over the course of many years, never grasped rules like those in a 2-year-old’s grammar.

The study was conducted by Charles Yang, a professor of linguistics in the School of Arts and Sciences and of computer science in the School of Engineering and Applied Science. It was published in the Proceedings of the National Academy of Sciences.

Linguists have long debated whether young children actually understand the grammar they are using or are simply memorizing and imitating adults. One of the difficulties in resolving this debate is the inherent limitations of the data; 2-year-old children have very small vocabularies and thus don’t provide many different examples of grammar usage.

“While a child may not say very much, that doesn’t mean that they don’t know anything about language,” Yang said, “Despite the superficial lack of diversity of speech patterns, if you study it carefully and formulate what having a grammar would entail within those limitations, even young children seem very much on target.”

Yang’s approach was to look at one area of grammar that young children do regularly display: article usage, or whether to put “a” or “the” before a noun. He found a sufficient number of examples of article usage in the nine data sets of child speech he analyzed, but there was another challenge in determining if these children understood the grammar rules they were using.

“When children use articles, they’re pretty much error free from day one,” Yang said. “But being error free could mean that they’ve learned the grammar of article usage in English, or they have memorized and are imitating adults who wouldn’t make mistakes either.”

To get around this problem, Yang took advantage of the fact that most nouns can be paired with either the definite or indefinite article to produce a grammatically correct phrase, but the resulting phrases have different meanings and usages. This makes the combinations vary in frequency.

For example, “the bathroom” is a more common phrase than “a bathroom,” while “a bath” is more common than “the bath.” This difference has nothing to do with grammar but rather the frequency with which phrases containing those combinations are used. There are simply more opportunities to use phrases like “I need to go to the bathroom” or “the dog needs a bath” than there are phrases like “there’s a bathroom on the second floor” or “the bath was too cold.”

This means that the likelihood of using a particular article with a given noun is not 50/50; it is weighted toward either “the” or “a.” Such lopsided combination tendencies can be characterized by general statistical laws of language, which Yang used to develop a mathematical model for predicting the expected diversity of noun phrases in a sample of speech.

This model was able to differentiate between the expected diversity if children were using grammar, as compared to if they were simply imitating adults. Due to the differences of these frequencies, an adult might only say “the bathroom” — never saying “a bathroom” — to a child, but that child would still be able to say “a bathroom” if he or she understood the underlying grammar.

“When you compare what children should say if they follow grammar against what children do say, you find it to almost indistinguishable,” Yang said. “If you simulate the expected diversity when a child is only repeating what adults say, it produces a diversity much lower than what children actually say.”

As a comparison, Yang applied the same predictive models to the set of Nim Chimpsky’s signed phrases, the only data set of spontaneous animal language usage publicly available. He found further evidence for what many scientists, including Nim’s own trainers, have contended about Nim: that the sequences of signs Nim put together did not follow from rules like those in human language.

Nim’s signs show significantly lower diversity than what is expected under a systematic grammar and were similar to the level expected with memorization.

This suggests that true language learning is — so far — a uniquely human trait, and that it is present very early in development.

“The idea that children are only imitating adults’ language is very intuitive, so it’s seen a revival over the last few years,” Yang said. “But this is strong statistical evidence in favor of the idea that children actually know a lot about abstract grammar from an early age.”

Journal Reference:

  1. C. Yang. Ontogeny and phylogeny of language.Proceedings of the National Academy of Sciences, 2013; DOI: 10.1073/pnas.1216803110

Monkey Study Reveals Why Middle Managers Suffer the Most Stress (Science Daily)

Apr. 2, 2013 — A study by the universities of Manchester and Liverpool observing monkeys has found that those in the middle hierarchy suffer the most social stress. Their work suggests that the source of this stress is social conflict and may help explain studies in humans that have found that middle managers suffer the most stress at work.

Female Barbary macaques at Trentham Monkey Forest. (Credit: Image courtesy of Manchester University)

Katie Edwards from Liverpool’s Institute of Integrative Biology spent nearly 600 hours watching female Barbary macaques at Trentham Monkey Forest in Staffordshire. Her research involved monitoring a single female over one day, recording all incidents of social behaviour. These included agonistic behaviour like threats, chases and slaps, submissive behaviour like displacing, screaming, grimacing and hind-quarter presentation and affiliative behaviour such as teeth chatter, embracing and grooming.

The following day faecal samples from the same female were collected and analysed for levels of stress hormones at Chester Zoo’s wildlife endocrinology laboratory.

Katie explains what she found: “Not unsurprisingly we recorded the highest level of stress hormones on the days following agonistic behaviour. However, we didn’t find a link between lower stress hormone levels and affiliative behaviour such as grooming.”

She continues: “Unlike previous studies that follow a group over a period of time and look at average behaviours and hormone levels, this study allowed us to link the observed behaviour of specific monkeys with their individual hormone samples from the period when they were displaying that behaviour.”

Another key aspect of the research was noting where the observed monkey ranked in the social hierarchy of the group. The researchers found that monkeys from the middle order had the highest recorded levels of stress hormones.

Dr Susanne Shultz, a Royal Society University Research Fellow in the Faculty of Life Sciences at The University of Manchester oversaw the study: “What we found was that monkeys in the middle of the hierarchy are involved with conflict from those below them as well as from above, whereas those in the bottom of the hierarchy distance themselves from conflict. The middle ranking macaques are more likely to challenge, and be challenged by, those higher on the social ladder.”

Katie says the results could also be applied to human behaviour: “It’s possible to apply these findings to other social species too, including human hierarchies. People working in middle management might have higher levels of stress hormones compared to their boss at the top or the workers they manage. These ambitious mid-ranking people may want to access the higher-ranking lifestyle which could mean facing more challenges, whilst also having to maintain their authority over lower-ranking workers.”

The research findings have been published in the journalGeneral and Comparative Endocrinology.

Talking about the research, Susan Wiper the Director of Trentham Monkey Forest, said: “Katie has conducted a thorough study with very interesting results based on the natural groupings and environment that the Barbary macaques live in here. We are always pleased when more data is found on this fascinating endangered species of non-human primate.”

Katie is currently based at Chester Zoo where she is studying hormone levels in relation to behaviour in a bid to encourage Black Rhinos to reproduce more frequently.

Journal Reference:

  1. Katie L. Edwards, Susan L. Walker, Rebecca F. Bodenham, Harald Ritchie, Susanne Shultz. Associations between social behaviour and adrenal activity in female Barbary macaques: Consequences of study designGeneral and Comparative Endocrinology, 2013; 186: 72 DOI: 10.1016/j.ygcen.2013.02.023

Chimps: Ability to ‘Think About Thinking’ Not Limited to Humans (Science Daily)

Apr. 3, 2013 — Humans’ closest animal relatives, chimpanzees, have the ability to “think about thinking” — what is called “metacognition,” according to new research by scientists at Georgia State University and the University at Buffalo.

Humans’ closest animal relatives, chimpanzees, have the ability to “think about thinking.” (Credit: © Ambigreen / Fotolia)

Michael J. Beran and Bonnie M. Perdue of the Georgia State Language Research Center (LRC) and J. David Smith of the University at Buffalo conducted the research, published in the journalPsychological Science of the Association for Psychological Science.

“The demonstration of metacognition in nonhuman primates has important implications regarding the emergence of self-reflective mind during humans’ cognitive evolution,” the research team noted.

Metacognition is the ability to recognize one’s own cognitive states. For example, a game show contestant must make the decision to “phone a friend” or risk it all, dependent on how confident he or she is in knowing the answer.

“There has been an intense debate in the scientific literature in recent years over whether metacognition is unique to humans,” Beran said.

Chimpanzees at Georgia State’s LRC have been trained to use a language-like system of symbols to name things, giving researchers a unique way to query animals about their states of knowing or not knowing.

In the experiment, researchers tested the chimpanzees on a task that required them to use symbols to name what food was hidden in a location. If a piece of banana was hidden, the chimpanzees would report that fact and gain the food by touching the symbol for banana on their symbol keyboards.

But then, the researchers provided chimpanzees either with complete or incomplete information about the identity of the food rewards.

In some cases, the chimpanzees had already seen what item was available in the hidden location and could immediately name it by touching the correct symbol without going to look at the item in the hidden location to see what it was.

In other cases, the chimpanzees could not know what food item was in the hidden location, because either they had not seen any food yet on that trial, or because even if they had seen a food item, it may not have been the one moved to the hidden location.

In those cases, they should have first gone to look in the hidden location before trying to name any food.

In the end, chimpanzees named items immediately and directly when they knew what was there, but they sought out more information before naming when they did not already know.

The research team said, “This pattern of behavior reflects a controlled information-seeking capacity that serves to support intelligent responding, and it strongly suggests that our closest living relative has metacognitive abilities closely related to those of humans.”

The research was supported in part by the National Institutes of Health and the National Science Foundation.

Journal Reference:

  1. M. J. Beran, J. D. Smith, B. M. Perdue. Language-Trained Chimpanzees (Pan troglodytes) Name What They Have Seen but Look First at What They Have Not SeenPsychological Science, 2013; DOI:10.1177/0956797612458936

When Animals Learn to Control Robots, You Know We’re in Trouble (Wired)

BY WIRED SCIENCE

03.21.13 – 6:30 AM

Unless an asteroid or deadly pandemic wipes us out first, the force we are most afraid will rob us of our place as rulers of Earth is robots. The warnings range from sarcastic to nervous to dead serious, but they all describe the same scenario: Robots become sentient, join forces and turn on us en masse.

But with all the paranoia about machines, we’ve ignored another possibility: Animals learn to control robots and decide it’s their turn to rule the planet. This would be even more dangerous than dolphins evolving opposable thumbs. And the first signs of this coming threat are already starting to appear in laboratories around the world where robots are being driven by birds, trained by moths and controlled by the minds of monkeys.