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Abstinence-Only Education Does Not Lead to Abstinent Behavior, Researchers Find (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 29, 2011) — States that prescribe abstinence-only sex education programs in public schools have significantly higher teenage pregnancy and birth rates than states with more comprehensive sex education programs, researchers from the University of Georgia have determined.

The researchers looked at teen pregnancy and birth data from 48 U.S. states to evaluate the effectiveness of those states’ approaches to sex education, as prescribed by local laws and policies.
“Our analysis adds to the overwhelming evidence indicating that abstinence-only education does not reduce teen pregnancy rates,” said Kathrin Stanger-Hall, assistant professor of plant biology and biological sciences in the Franklin College of Arts and Sciences.

Hall is first author on the resulting paper, which has been published online in the journal PLoS ONE.

The study is the first large-scale evidence that the type of sex education provided in public schools has a significant effect on teen pregnancy rates, Hall said.

“This clearly shows that prescribed abstinence-only education in public schools does not lead to abstinent behavior,” said David Hall, second author and assistant professor of genetics in the Franklin College. “It may even contribute to the high teen pregnancy rates in the U.S. compared to other industrialized countries.”

Along with teen pregnancy rates and sex education methods, Hall and Stanger-Hall looked at the influence of socioeconomic status, education level, access to Medicaid waivers and ethnicity of each state’s teen population.

Even when accounting for these factors, which could potentially impact teen pregnancy rates, the significant relationship between sex education methods and teen pregnancy remained: the more strongly abstinence education is emphasized in state laws and policies, the higher the average teenage pregnancy and birth rates.

“Because correlation does not imply causation, our analysis cannot demonstrate that emphasizing abstinence causes increased teen pregnancy. However, if abstinence education reduced teen pregnancy as proponents claim, the correlation would be in the opposite direction,” said Stanger-Hall.

The paper indicates that states with the lowest teen pregnancy rates were those that prescribed comprehensive sex and/or HIV education, covering abstinence alongside proper contraception and condom use. States whose laws stressed the teaching of abstinence until marriage were significantly less successful in preventing teen pregnancies.

These results come at an important time for legislators. A new evidence-based Teen Pregnancy Prevention Initiative was signed into federal law in December 2009 and awarded $114 million for implementation. However, federal abstinence-only funding was renewed for 2010 and beyond by including $250 million of mandatory abstinence-only funding as part of an amendment to the Senate Finance Committee’s health-reform legislation.

With two types of federal funding programs available, legislators of individual states now have the opportunity to decide which type of sex education — and which funding option — to choose for their state and possibly reconsider their state’s sex education policies for public schools, while pursuing the ultimate goal of reducing teen pregnancy rates.

Stanger-Hall and Hall conducted this large-scale analysis to provide scientific evidence to inform this decision.

“Advocates for continued abstinence-only education need to ask themselves: If teens don’t learn about human reproduction, including safe sexual health practices to prevent unintended pregnancies and sexually transmitted diseases, as well as how to plan their reproductive adult life in school, then when should they learn it and from whom?” said Stanger-Hall.

Tratamento à base de tortura (Correio Braziliense)

JC e-mail 4394, de 29 de Novembro de 2011.

Durante vistorias em 68 comunidades terapêuticas espalhadas pelo país, psicólogos encontraram pacientes que são surrados com pedaço de madeira e vítimas de cárcere privado.

Cavar uma cova da dimensão do próprio corpo, escrever reiteradamente o Salmo 119 da Bíblia ou ser surrado com um pedaço de madeira em que está escrita a palavra gratidão são algumas das terapias oferecidas a usuários de drogas em tratamento no país. As violações estão documentadas no relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos, uma pesquisa realizada periodicamente pelos conselhos regionais de psicologia sob a coordenação da entidade federal da categoria e com o apoio de parceiros, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil. Em todos os 68 locais de internação para tratamento de dependentes químicos visitados, especialmente clínicas e comunidades terapêuticas, houve flagrantes de desrespeito. Entre os problemas mais frequentes estão isolamento, proibição de falar ao telefone com parentes, trabalho não remunerado e punições físicas e psicológicas para atos de desobediência.

As denúncias, que serão levadas à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, surgem a uma semana do lançamento oficial de um plano de combate às drogas, quando a presidente Dilma Rousseff anunciará a inclusão das comunidades terapêuticas na rede de tratamento, com financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Não nos deram a oportunidade de participar do debate sobre esse plano, ao contrário de outros segmentos da sociedade. A simples possibilidade de financiar tais instituições já representa um retrocesso em tudo o que a reforma antimanicomial conquistou”, disse Clara Goldmann, vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia. Ao destacar que encaminhará o documento à ministra, o ouvidor Nacional dos Direitos Humanos, Domingos Sávio Dresch da Silveira, destacou as medidas cabíveis. “Vou conhecer o relatório e, havendo indícios de violações, caberá um procedimento coletivo de apuração”, disse.

Casos de locais já investigados pelo Ministério Público, como a Casa de Recuperação Valentes de Gideão, em Simões Filhos, na Bahia, apresentaram problemas graves, como espaços inadequados e até exorcismo para tratar crises de abstinência. “É assustador que o clamor por tratamento silencie até mesmo a voz de autoridades que já foram notificadas, quatro anos atrás, sobre o tratamento desumano. Não estou dizendo que todas as comunidades terapêutica têm esse padrão, mas assusta ver a Valentes de Gideão aberta”, destaca Marcus Vinícius de Oliveira, integrante da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial.

Para o diretor da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract), Maurício Landre, a amostra considerada pelo relatório é tendenciosa e não representa o universo das instituições. Ele também questiona a competência dos conselhos regionais de psicologia para fazerem inspeções. “É lamentável que uma classe tão conceituada, com profissionais que realizam trabalhos extraordinários dentro de comunidades terapêuticas, faça denúncias tão irresponsáveis”, afirma. “Existe comunidade terapêutica, clínica e até hospital que deve ser fechado? Existe. Mas não se trata de todos. Vamos ajudar na capacitação, vamos trabalhar em vez de ficar reclamando”, afirma. Segundo o dirigente, a real intenção com os ataques é financeira. “Tem a ideologia e também o capitalismo. Tratar em comunidade é mais barato do que ficar fazendo redução de dano, que eles defendem.”

Ligações monitoradas – O tema escolhido para a inspeção deste ano foi álcool e drogas. Só não foram feitas visitas em Amapá e Tocantins. No DF, a única instituição que participou foi a Fazendo do Senhor Jesus, em Brazlândia. O monitoramento de ligações dos familiares, bem como de visitas, é um ponto criticado no relatório. A violação das correspondências trocadas pelos pacientes também foi destacada no documento. Além disso, há relato de um homicídio e de uma denúncia por cárcere privado.

Lo que dicen las fotos de Lula con cáncer (BBC Mundo)

Gerardo Lissardy

BBC Mundo, Rio de Janeiro
Viernes, 25 de noviembre de 2011

Lula siendo afeitado por su esposa Leticia

Para ningún político debe ser fácil mostrar públicamente una lucha personal contra el cáncer, pero el modo en que lo ha hecho el ex presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva tiene significados concretos, según sus allegados y expertos.

La noticia del cáncer de laringe que afecta a Lula fue conocida por los brasileños el 29 de octubre, apenas unas horas después que el propio ex presidente fuera diagnosticado con la enfermedad.

Desde entonces, el equipo de comunicación del instituto que encabeza Lula ha enviado regularmente a la prensa mensajes con información del tratamiento de quimioterapia que recibe y hasta de momentos íntimos que vive.

Por ejemplo, hubo fotos de Lula con médicos cuando inició el tratamiento en un hospital de Sao Paulo, fotos en una cama del nosocomio tomado de la mano de su sucesora, la presidenta Dilma Rousseff, y hasta fotos de su esposa Marisa Letícia cortándole a cero su cabello y su barba.

Todas estas imágenes han sido ofrecidas a los medios, libres de reproducción, por el Instituto Lula.

Algunas, en especial las del momento en que perdía su distintiva barba, recorrieron el mundo y se publicaron en las portadas de varios diarios locales y latinoamericanos.

Hay expertos que creen que todo esto responde a una estrategia definida, con valoraciones políticas.

José Chrispiniano, asesor de prensa del Instituto Lula, acepta que el modo de comunicar sobre la enfermedad del ex presidente tiene ciertos objetivos, pero descarta que se trate de vender algo en particular.

“No es de ninguna forma marketing”, dijo en diálogo con BBC Mundo.

“Cuestión muy simbólica”

Lula sin barbaLa oficina del expresidente ha presentado decenas de fotos que documentan la enfermedad de Lula.

Chrispiniano explicó que fue el propio Lula quien tomó la decisión de informar abiertamente sobre su cáncer y tratamiento, desde el momento en que conoció el diagnóstico.

“Aunque no tenga ningún cargo público ahora, es una persona de interés público, entonces el objetivo es divulgar claramente: es una enfermedad tratable y un tratamiento con perspectivas bastante positivas de cura”, señaló.

Además, dijo, se ha buscado evitar una dramatización de la enfermedad (de hecho, en muchas de las fotos divulgadas Lula aparece sonriente) o evitar que parezca “que se están escondiendo cosas”.

La difusión de las fotos de Lula siendo afeitado y mostrando su nuevo aspecto con bigote también fue iniciativa del ex presidente, relató Chrispiniano.

“Era una cuestión muy simbólica de su imagen y quisimos mostrar que pasó ese momento tranquilo, porque (para) muchas personas que tienen esta enfermedad es un momento de mucho estigma”, dijo.

Dos días después del corte de pelo de Lula, su instituto divulgó el viernes 18 fotos del ex presidente recibiendo la visita del director técnico de la selección brasileña de fútbol, Mano Menezes.

“Fuerza, eterno ‘presidente Lula’. Contamos contigo para 2014”, escribió Menezes en la casaca número 10 del combinado nacional que le obsequió a Lula, y que también aparecía en las fotos.

Se trataba de una referencia al Mundial de fútbol que Brasil va a organizar ese año, precisó el comunicado.

“Una estrategia”

Lula con el equipo del hospital de Sao Paolo que lo atiendePara muchos el padecimiento de Lula con el cáncer podría aumentar su ya alta popularidad.

Rousiley Maia, una investigadora de la Universidad Federal de Minas Gerais experta en comunicación y política, cree que la decisión de informar de esta forma sobre el cáncer de Lula “fue deliberadamente una estrategia”.

“En vez de poner sombras (o) tratar con medias palabras (la enfermedad), la estrategia es apelar por el lado humano, ordinario y mortal de la figura”, dijo Maia a BBC Mundo.

Sin embargo, sostuvo que esa decisión es coherente con la “construcción de imagen pública de Lula por varios años”, de un hombre de pueblo que se convirtió en un líder nacional reconocido mundialmente.

“Más allá de la empatía, es una forma de sustentar el carisma y respeto que construyó durante estos años”, opinó. “Este momento de enfermedad personal es una forma de volver a la escena pública de forma central”.

Renzo Taddei, un antropólogo profesor de comunicación, ciudadanía y política en la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ), dijo que el manejo público del cáncer de Lula muestra probables aspiraciones políticas a futuro.

“El cáncer es un tema ya clásico de superación y heroísmo en Brasil”, indicó a BBC Mundo.

“Era todo lo que faltaba a Lula: vencer el cáncer. Si lo hace, ya no hay nada más que no pueda hacer (aunque no haya hecho la reforma agraria que Brasil aguarda hace tanto ni las reformas fiscales y políticas)”, agregó.

Cáncer y elecciones

Presidenta Rousseff vista a Lula tras su operaciónLa presidenta Dilma Rousseff también es sobreviviente de un cáncer

Hasta que le fue diagnosticado el cáncer, muchos brasileños se preguntaban si Lula buscaría regresar a la presidencia en las elecciones de 2014, pero él decía que corresponde a Rousseff buscar la reelección.

Cuando Rousseff fue tratada con éxito de un cáncer linfático en 2009, algunos miembros del gobierno de Lula llegaron a especular con que podía salir fortalecida para buscar la presidencia al año siguiente.

Sin embargo, Lula descartó públicamente que ambas cosas pudieran vincularse.

“No puedo imaginar cómo es que alguien sale fortalecido porque tuvo un cáncer”, declaró entonces. “Sólo deseo la recuperación de Dilma”.

Rousseff se recuperó y fue electa presidenta al año siguiente, con el respaldo de Lula.

Aumento da expectativa de vida faz surgir novos problemas nas pessoas com deficiência mental (FAPESP)

Pesquisa FAPESP
Edição 189 – Novembro 2011

Ciência > Envelhecimento
O preço da longevidade

Carlos Fioravanti

As pessoas com deficiência intelectual, que há 40 anos morriam na adolescência, hoje podem viver mais de 60 anos. Como estão vivendo mais, outros problemas orgânicos estão surgindo. Reunidos durante dois dias em agosto na Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo, médicos e pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP), psicólogos, terapeutas, advogados, assistentes sociais e outros profissionais da saúde reconheceram um dos graves problemas emergentes, a possibilidade de envelhecimento precoce.

Em um levantamento preliminar feito em 2009 em seis instituições da cidade de São Paulo, de um grupo de 373 pessoas com deficiência intelectual (ou DI; a expressão deficiência mental não é mais recomendada) e mais de 30 anos de idade, 192 apresentavam pelo menos três sinais de provável envelhecimento precoce, de acordo com um questionário que avaliava eventuais perdas de memória, de autonomia nas tarefas do dia a dia, de interesse por atividades ou de visão e audição. Para dimensionar esse problema, está sendo preparado um levantamento mais abrangente e detalhado, com cerca de 500 pessoas com DI e idade entre 30 e 59 anos da Grande São Paulo.

Os estudos em andamento são essenciais para “vermos o que pode ser feito, em termos de atendimento médico e de políticas públicas”, diz Regina Leondarides, coordenadora do grupo de estudo de envelhecimento precoce das pessoas com deficiência intelectual, que reúne 10 instituições de atendimento. “Temos muitas políticas de saúde voltadas para a criança, mas as políticas para o envelhecimento estão começando a ser construídas”, comenta Esper Cavalheiro, professor da Unifesp e presidente do conselho científico do Instituto Apae de São Paulo. “Estamos atrasados, em vista do envelhecimento acelerado da população brasileira.”

Um estudo da Espanha publicado em 2008 indicou que as pessoas com DI envelhecem prematuramente – as com síndrome de Down, de modo mais intenso. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores acompanharam a saúde de 238 pessoas com DI e mais de 40 anos de idade durante cinco anos. Não se trata, aparentemente, de um fenômeno inevitável. O envelhecimento precoce das pessoas com DI leve e moderada resulta da falta de programas de promoção de saúde e do acesso reduzido a serviços médicos e sociais. As pessoas com DI se mostraram com maior tendência à obesidade (apenas 25% tinham peso considerado normal), à hipertensão arterial (25% do total) e a distúrbios metabólicos, como diabetes e hipotireoidismo (10% do total).

“O envelhecimento precoce, se confirmado, pode ter causas genéticas ou ambientais, independentemente da deficiência intelectual”, comenta Dalci Santos, gerente do Instituto Apae de São Paulo. Matemática de formação, com doutorado em andamento na Unifesp, ela acrescenta: “Não conseguiremos avançar muito até esclarecermos melhor a origem das deficiências intelectuais”. As causas podem ser genéticas, como na síndrome de Down, ou ambientais (causas não genéticas), incluindo infecções, baixa oxigenação do cérebro do feto, alcoolismo, radiação, intoxicação por chumbo durante a gravidez ou prematuridade – muitas vezes, vários fatores em conjunto.

Causas ambientais ou genéticas
Em um artigo no primeiro número da Revista de Deficiência Intelectual DI, publicação do Instituto Apae lançada em outubro, João Monteiro de Pina-Neto, médico geneticista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, apresenta os resultados de um estudo sobre as causas da deficiência intelectual em 200 pessoas atendidas nas Apaes de Altinópolis e Serrana, dois municípios da região de Ribeirão Preto. Esse estudo faz parte de um levantamento maior, com cerca de mil pessoas com DI atendidas em quatro Apaes, que Pina-Neto e sua equipe pretendem concluir em meados de 2012. Os resultados obtidos até agora indicam o predomínio de causas ambientais (42,5% do total), seguidas pelas genéticas (29%) e indeterminadas (20%).

Um estudo similar feito com 10 mil pessoas na Carolina do Sul, Estados Unidos, apresentou o mesmo percentual de causas genéticas, mas apenas 18% de causas ambientais e 56% de causas desconhecidas. Alguns contrastes chamam a atenção. Enquanto a deficiência intelectual causada por falta de oxigenação cerebral responde por 5% do total das causas de DI nos Estados Unidos, em São Paulo é 16,5%; a prematuridade, de 5% nos Estados Unidos, foi de 14,5% no estudo paulista; o efeito das infecções, de 5%, é quase o dobro aqui, 9%.

A conclusão que emerge dessa comparação é que o número de nascimentos de bebês com DI poderia ser reduzido por meio de algumas medidas preventivas. “Melhorar o atendimento pré-natal e a qualidade do parto são uma prioridade”, ressalta Pina-Neto. “Ainda temos casos de deficiência causada por sífilis, rubéola ou toxoplasmose contraída durante a gestação e meningites pós-natais”, lamenta. Segundo ele, outro problema que pode ser controlado é o alcoolismo. “De 20% a 30% das mulheres da região de Ribeirão Preto consomem bebida alcoólica em excesso e, como resultado, de cada 100 gravidezes, nasce uma criança com DI causada por síndrome alcoólica fetal”, diz ele. “Não fazemos ainda a adequada prevenção das causas da deficiência intelectual.”

As causas genéticas podem ser controladas, já que o risco de uma criança nascer com síndrome de Down aumenta muito com a idade dos pais. “As mulheres estão tendo filhos após os 35 anos de idade, portanto mais propen­sas a terem filhos com Down, e os homens estão se casando várias vezes, tendo filhos em cada ca­samento”, diz Pina-Neto. Segundo ele, homens estéreis que procuram as clínicas de reprodução deveriam ser mais informados sobre a possibilidade de terem alterações genéticas que podem ser transmitidas aos filhos caso se tornem férteis.

As pessoas com DI apresentam capacidade de raciocínio bastante abaixo da média e limitações para aprender, se cuidar ou se comunicar com outras, mas atualmente são muito mais integradas socialmente, autônomas e produtivas, com mais oportunidades para expressar a criatividade do que há algumas décadas. Frequentam escolas regulares, com outras crianças e adultos, participam de competições esportivas e conquistam mais postos de mercado de trabalho. Crianças e adultos com DI não vão mais à Apae de São Paulo para aprender todo dia, mas aparecem algumas vezes por semana para atendimento educacional especializado ou para consultas médicas. O serviço de apoio ao envelhecimento atende 132 pessoas com idade entre 30 e 67 anos.

Ainda há muitas dúvidas sobre como lidar com os novos problemas. Crianças e adultos com de­­­­ficiência precisam de hábitos e horários para se sentir calmos e confortáveis. Ao mesmo tempo, hábitos imutáveis podem favorecer o surgimento da doença de Alzheimer, doença neurológi­ca que se agrava com o envelhecimento. Vem daí um impasse: manter a rotina inalterada poderia alimentar a propensão ao Alzheimer, mas quebrar a rotina pode ser perturbador.

Propensão ao alzheimer
O cérebro das pessoas com Down pode exibir um dos sinais típicos do Alzheimer: o acúmulo de placas amiloides, que dificultam o funcionamento adequado dos neurônios. Uma equipe da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, encontrou placas amiloides em quantidade mais elevada no cérebro de pessoas com Down do que em pessoas com Alzheimer já diagnosticado e em pessoas normais.

“Os sinais biológicos de Alzheimer podem surgir antes dos sinais clínicos”, observa Orestes Forlenza, professor da Faculdade de Medicina da USP. “Ter amiloide não significa ter demência futura. Qual a melhor intervenção futura? Não sabemos. Talvez via nutrição ou atividade física seja mais seguro do que por medicamentos.” Ira Lott e sua equipe da Universidade da Califórnia em Irvine fizeram um estudo duplo-cego durante dois anos com 53 pessoas com síndrome de Down para ver se a complementação da dieta com compostos antioxidantes poderia melhorar o funcionamento mental ou estabilizar a perda da capacidade cognitiva. Os resultados, publicados em agosto na American Journal of Medical Genetics, indicaram que não.

Esper Cavalheiro apresentou três perguntas ainda sem resposta. De que modo as alterações próprias do envelhecimento, como as doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, se apresentam nas pessoas com DI? Como alterações frequentes nessas pessoas, a exemplo de demências e osteoporose, se comportam no envelhecimento? Os medicamentos usados para tratar hipertensão, diabetes e outras doenças típicas do envelhecimento funcionam nas pessoas com DI do mesmo modo que em outros indivíduos?

Outra dúvida: as estratégias de controle dos fatores de risco de doenças cardiovasculares recomendadas para pessoas normais, como o estímulo a atividades físicas, têm o mesmo impacto sobre a saúde das pessoas com e sem deficiência intelectual? “Supomos que sim, mas não sabemos ao certo”, diz Ricardo Nitrini, da USP.

Segundo Cavalheiro, as pessoas com DI com 65 anos ou mais correspondiam a 4% da população total no Censo de 2000; hoje respondem por 5,5% da população total. “Não podemos nos contentar apenas com estatísticas e diagnósticos”, alerta. “Temos de enfrentar esse problema com rapidez. Quanto mais gente dialogando e pensando nesses problemas, melhor.”

Doctors Can Learn Empathy Through a Computer-Based Tutorial (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 31, 2011) — Cancer doctors want to offer a sympathetic ear, but sometimes miss the cues from patients. To help physicians better address their patients’ fears and worries, a Duke University researcher has developed a new interactive training tool.

The computer tutorial includes feedback on the doctors’ own audio recorded visits with patients, and provides an alternative to more expensive courses.

In a study appearing Nov. 1, 2011, in the Annals of Internal Medicine, the research team found that the course resulted in more empathic responses from oncologists, and patients reported greater trust in their doctors — a key component of care that enhances quality of life.

“Earlier studies have shown that oncologists respond to patient distress with empathy only about a quarter of the time,” said James A. Tulsky, MD, director of the Duke Center for Palliative Care and lead author of the study.

“Often, when patients bring up their worries, doctors change the subject or focus on the medical treatment, rather than the emotional concern. Unfortunately, this behavior sends the message, ‘This is not what we’re here to talk about.'”

Tulsky said cancer doctors have many reasons for avoiding emotionally fraught conversations. Some worry that the exchanges will cause rather than ease stress, or that they don’t have time to address non-medical concerns.

Neither is true, Tulsky said, noting his research shows that asking the right questions during patient visits can actually save time and enhance patient satisfaction.

“Oncologists are among the most devoted physicians — passionately committed to their patients. Unfortunately, their patients don’t always know this unless the doctors articulate their empathy explicitly,” Tulsky said. “It’s a skill set. It’s not that the doctors are uncaring, it’s just that communication needs to be taught and learned.”

The current gold standard for teaching empathy skills is a multiday course that involves short lectures and role-playing with actors hired to simulate clinical situations. Such courses are time-consuming and expensive, costing upwards of $3,000 per physician.

Tulsky’s team at Duke developed a computer program that models what happens in these courses. The doctors receive feedback on pre-recorded encounters, and are able to complete the intervention in their offices or homes in a little more than an hour, at a cost of about $100.

To test its effectiveness, Tulsky and colleagues enrolled 48 doctors at Duke, the Veterans Affairs Medical Center in Durham, NC, and the University of Pittsburgh Medical Center. The research team audio-recorded four to eight visits between the doctors and their patients with advanced cancer.

All the doctors then attended an hour-long lecture on communication skills. Half were randomly assigned to receive a CD-ROM tutorial, the other half received no other intervention.

The CD taught the doctors basic communication skills, including how to recognize and respond to opportunities in conversations when patients share a negative emotion, and how to share information about prognosis. Doctors also heard examples from their own clinic encounters, with feedback on how they could improve. They were asked to commit to making changes in their practice and then reminded of these prior to their next clinic visits.

Afterward, all the doctors were again recorded during patient visits, and the encounters were assessed by both patients and trained listeners who evaluated the conversations for how well the doctors responded to empathic statements.

Oncologists who had not taken the CD course made no improvement in the way they responded to patients when confronted with concerns or fears. Doctors in the trained group, however, responded empathically twice as often as those who received no training. In addition, they were better at eliciting patient concerns, using tactics to promote conversations rather than shut them down.

“Patient trust in physicians increased significantly,” Tulsky said, adding that patients report feeling better when they believe their doctors are on their side. “This is exciting, because it’s an easy, relatively inexpensive way to train physicians to respond to patients’ most basic needs.”

Although the CD course is not yet widely available, efforts are underway to develop it for broader distribution.

In addition to Tulsky, study authors include: Robert M. Arnold; Stewart C. Alexander; Maren K. Olsen; Amy S. Jeffreys; Keri L. Rodriguez; Celette Sugg Skinner; David Farrell; Amy P. Abernethy; and Kathryn I. Pollak.

Funding for the study came from the National Cancer Institute. Study authors reported no conflicts.

The world’s population will reach 7 billion at the end of October. Don’t panic (The Economist)

Demography

A tale of three islands

Oct 22nd 2011 | from the print edition

 

IN 1950 the whole population of the earth—2.5 billion—could have squeezed, shoulder to shoulder, onto the Isle of Wight, a 381-square-kilometre rock off southern England. By 1968 John Brunner, a British novelist, observed that the earth’s people—by then 3.5 billion—would have required the Isle of Man, 572 square kilometres in the Irish Sea, for its standing room. Brunner forecast that by 2010 the world’s population would have reached 7 billion, and would need a bigger island. Hence the title of his 1968 novel about over-population, “Stand on Zanzibar” (1,554 square kilometres off east Africa).

Brunner’s prediction was only a year out. The United Nations’ population division now says the world will reach 7 billion on October 31st 2011 (America’s Census Bureau delays the date until March 2012). The UN will even identify someone born that day as the world’s 7 billionth living person. The 6 billionth, Adnan Nevic, was born on October 12th 1999 in Sarajevo, in Bosnia. He will be just past his 12th birthday when the next billion clicks over.

That makes the world’s population look as if it is rising as fast as ever. It took 250,000 years to reach 1 billion, around 1800; over a century more to reach 2 billion (in 1927); and 32 years more to reach 3 billion. But to rise from 5 billion (in 1987) to 6 billion took only 12 years; and now, another 12 years later, it is at 7 billion (see chart 1). By 2050, the UN thinks, there will be 9.3 billion people, requiring an island the size of Tenerife or Maui to stand on.

Odd though it seems, however, the growth in the world’s population is actually slowing. The peak of population growth was in the late 1960s, when the total was rising by almost 2% a year. Now the rate is half that. The last time it was so low was in 1950, when the death rate was much higher. The result is that the next billion people, according to the UN, will take 14 years to arrive, the first time that a billion milestone has taken longer to reach than the one before. The billion after that will take 18 years.

Once upon a time, the passing of population milestones might have been cause for celebration. Now it gives rise to jeremiads. As Hillary Clinton’s science adviser, Nina Fedoroff, told the BBC in 2009, “There are probably already too many people on the planet.” But the notion of “too many” is more flexible than it seems. The earth could certainly not support 10 billion hunter-gatherers, who used much more land per head than modern farm-fed people do. But it does not have to. The earth might well not be able to support 10 billion people if they had exactly the same impact per person as 7 billion do today. But that does not necessarily spell Malthusian doom, because the impact humans have on the earth and on each other can change.

For most people, the big questions about population are: can the world feed 9 billion mouths by 2050? Are so many people ruining the environment? And will those billions, living cheek-by-jowl, go to war more often? On all three counts, surprising as it seems, reducing population growth any more quickly than it is falling anyway may not make much difference.

Start with the link between population and violence. It seems plausible that the more young men there are, the more likely they will be to fight. This is especially true when groups are competing for scarce resources. Some argue that the genocidal conflict in Darfur, western Sudan, was caused partly by high population growth, which led to unsustainable farming and conflicts over land and water. Land pressure also influenced the Rwandan genocide of 1994, as migrants in search of a livelihood in one of the world’s most densely populated countries moved into already settled areas, with catastrophic results.

But there is a difference between local conflicts and what is happening on a global scale. Although the number of sovereign states has increased almost as dramatically as the world’s population over the past half-century, the number of wars between states fell fairly continuously during the period. The number of civil wars rose, then fell. The number of deaths in battle fell by roughly three-quarters. These patterns do not seem to be influenced either by the relentless upward pressure of population, or by the slackening of that pressure as growth decelerates. The difference seems to have been caused by fewer post-colonial wars, the ending of cold-war alliances (and proxy wars) and, possibly, the increase in international peacekeepers.

More people, more damage?

Human activity has caused profound changes to the climate, biodiversity, oceanic acidity and greenhouse-gas levels in the atmosphere. But it does not automatically follow that the more people there are, the worse the damage. In 2007 Americans and Australians emitted almost 20 tonnes of carbon dioxide each. In contrast, more than 60 countries—including the vast majority of African ones—emitted less than 1 tonne per person.

This implies that population growth in poorer countries (where it is concentrated) has had a smaller impact on the climate in recent years than the rise in the population of the United States (up by over 50% in 1970-2010). Most of the world’s population growth in the next 20 years will occur in countries that make the smallest contribution to greenhouse gases. Global pollution will be more affected by the pattern of economic growth—and especially whether emerging nations become as energy-intensive as America, Australia and China.

Population growth does make a bigger difference to food. All things being equal, it is harder to feed 7 billion people than 6 billion. According to the World Bank, between 2005 and 2055 agricultural productivity will have to increase by two-thirds to keep pace with rising population and changing diets. Moreover, according to the bank, if the population stayed at 2005 levels, farm productivity would have to rise by only a quarter, so more future demand comes from a growing population than from consumption per person.

Increasing farm productivity by a quarter would obviously be easier than boosting it by two-thirds. But even a rise of two-thirds is not as much as it sounds. From 1970-2010 farm productivity rose far more than this, by over three-and-a-half times. The big problem for agriculture is not the number of people, but signs that farm productivity may be levelling out. The growth in agricultural yields seems to be slowing down. There is little new farmland available. Water shortages are chronic and fertilisers are over-used. All these—plus the yield-reductions that may come from climate change, and wastefulness in getting food to markets—mean that the big problems are to do with supply, not demand.

None of this means that population does not matter. But the main impact comes from relative changes—the growth of one part of the population compared with another, for example, or shifts in the average age of the population—rather than the absolute number of people. Of these relative changes, falling fertility is most important. The fertility rate is the number of children a woman can expect to have. At the moment, almost half the world’s population—3.2 billion—lives in countries with a fertility rate of 2.1 or less. That number, the so-called replacement rate, is usually taken to be the level at which the population eventually stops growing.

The world’s decline in fertility has been staggering (see chart 2). In 1970 the total fertility rate was 4.45 and the typical family in the world had four or five children. It is now 2.45 worldwide, and lower in some surprising places. Bangladesh’s rate is 2.16, having halved in 20 years. Iran’s fertility fell from 7 in 1984 to just 1.9 in 2006. Countries with below-replacement fertility include supposedly teeming Brazil, Tunisia and Thailand. Much of Europe and East Asia have fertility rates far below replacement levels.

The fertility fall is releasing wave upon wave of demographic change. It is the main influence behind the decline of population growth and, perhaps even more important, is shifting the balance of age groups within a population.

When gold turns to silver

A fall in fertility sends a sort of generational bulge surging through a society. The generation in question is the one before the fertility fall really begins to bite, which in Europe and America was the baby-boom generation that is just retiring, and in China and East Asia the generation now reaching adulthood. To begin with, the favoured generation is in its childhood; countries have lots of children and fewer surviving grandparents (who were born at a time when life expectancy was lower). That was the situation in Europe in the 1950s and in East Asia in the 1970s.

But as the select generation enters the labour force, a country starts to benefit from a so-called “demographic dividend”. This happens when there are relatively few children (because of the fall in fertility), relatively few older people (because of higher mortality previously), and lots of economically active adults, including, often, many women, who enter the labour force in large numbers for the first time. It is a period of smaller families, rising income, rising life expectancy and big social change, including divorce, postponed marriage and single-person households. This was the situation in Europe between 1945 and 1975 (“les trente glorieuses”) and in much of East Asia in 1980-2010.

But there is a third stage. At some point, the gilded generation turns silver and retires. Now the dividend becomes a liability. There are disproportionately more old people depending upon a smaller generation behind them. Population growth stops or goes into reverse, parts of a country are abandoned by the young and the social concerns of the aged grow in significance. This situation already exists in Japan. It is arriving fast in Europe and America, and soon after that will reach East Asia.

A demographic dividend tends to boost economic growth because a large number of working-age adults increases the labour force, keeps wages relatively low, boosts savings and increases demand for goods and services. Part of China’s phenomenal growth has come from its unprecedentedly low dependency ratio—just 38 (this is the number of dependents, children and people over 65, per 100 working adults; it implies the working-age group is almost twice as large as the rest of the population put together). One study by Australia’s central bank calculated that a third of East Asia’s GDP growth in 1965-90 came from its favourable demography. About a third of America’s GDP growth in 2000-10 also came from its increasing population.

The world as a whole reaped a demographic dividend in the 40 years to 2010. In 1970 there were 75 dependents for every 100 adults of working age. In 2010 the number of dependents dropped to just 52. Huge improvements were registered not only in China but also in South-East Asia and north Africa, where dependency ratios fell by 40 points. Even “ageing” Europe and America ended the period with fewer dependents than at the beginning.

A demographic dividend does not automatically generate growth. It depends on whether the country can put its growing labour force to productive use. In the 1980s Latin America and East Asia had similar demographic patterns. But while East Asia experienced a long boom, Latin America endured its “lost decade”. One of the biggest questions for Arab countries, which are beginning to reap their own demographic dividends, is whether they will follow East Asia or Latin America.

But even if demography guarantees nothing, it can make growth harder or easier. National demographic inheritances therefore matter. And they differ a lot.

Where China loses

Hania Zlotnik, the head of the UN’s Population Division, divides the world into three categories, according to levels of fertility (see map). About a fifth of the world lives in countries with high fertility—3 or more. Most are Africans. Sub-Saharan Africa, for example, is one of the fastest-growing parts of the world. In 1975 it had half the population of Europe. It overtook Europe in 2004, and by 2050 there will be just under 2 billion people there compared with 720m Europeans. About half of the 2.3 billion increase in the world’s population over the next 40 years will be in Africa.

The rest of the world is more or less equally divided between countries with below-replacement fertility (less than 2.1) and those with intermediate fertility (between 2.1 and 3). The first group consists of Europe, China and the rest of East Asia. The second comprises South and South-East Asia, the Middle East and the Americas (including the United States).

The low-fertility countries face the biggest demographic problems. The elderly share of Japan’s population is already the highest in the world. By 2050 the country will have almost as many dependents as working-age adults, and half the population will be over 52. This will make Japan the oldest society the world has ever known. Europe faces similar trends, less acutely. It has roughly half as many dependent children and retired people as working-age adults now. By 2050 it will have three dependents for every four adults, so will shoulder a large burden of ageing, which even sustained increases in fertility would fail to reverse for decades. This will cause disturbing policy implications in the provision of pensions and health care, which rely on continuing healthy tax revenues from the working population.

At least these countries are rich enough to make such provision. Not so China. With its fertility artificially suppressed by the one-child policy, it is ageing at an unprecedented rate. In 1980 China’s median age (the point where half the population is older and half younger) was 22 years, a developing-country figure. China will be older than America as early as 2020 and older than Europe by 2030. This will bring an abrupt end to its cheap-labour manufacturing. Its dependency ratio will rise from 38 to 64 by 2050, the sharpest rise in the world. Add in the country’s sexual imbalances—after a decade of sex-selective abortions, China will have 96.5m men in their 20s in 2025 but only 80.3m young women—and demography may become the gravest problem the Communist Party has to face.

Many countries with intermediate fertility—South-East Asia, Latin America, the United States—are better off. Their dependency ratios are not deteriorating so fast and their societies are ageing more slowly. America’s demographic profile is slowly tugging it away from Europe. Though its fertility rate may have fallen recently, it is still slightly higher than Europe’s. In 2010 the two sides of the Atlantic had similar dependency rates. By 2050 America’s could be nearly ten points lower.

But the biggest potential beneficiaries are the two other areas with intermediate fertility—India and the Middle East—and the high-fertility continent of Africa. These places have long been regarded as demographic time-bombs, with youth bulges, poverty and low levels of education and health. But that is because they are moving only slowly out of the early stage of high fertility into the one in which lower fertility begins to make an impact.

At the moment, Africa has larger families and more dependent children than India or Arab countries and is a few years younger (its median age is 20 compared with their 25). But all three areas will see their dependency ratios fall in the next 40 years, the only parts of the world to do so. And they will keep their median ages low—below 38 in 2050. If they can make their public institutions less corrupt, keep their economic policies outward-looking and invest more in education, as East Asia did, then Africa, the Middle East and India could become the fastest-growing parts of the world economy within a decade or so.

Here’s looking at you

Demography, though, is not only about economics. Most emerging countries have benefited from the sort of dividend that changed Europe and America in the 1960s. They are catching up with the West in terms of income, family size and middle-class formation. Most say they want to keep their cultures unsullied by the social trends—divorce, illegitimacy and so on—that also affected the West. But the growing number of never-married women in urban Asia suggests that this will be hard.

If you look at the overall size of the world’s population, then, the picture is one of falling fertility, decelerating growth and a gradual return to the flat population level of the 18th century. But below the surface societies are being churned up in ways not seen in the much more static pre-industrial world. The earth’s population may never need a larger island than Maui to stand on. But the way it arranges itself will go on shifting for centuries to come.

Questioning Privacy Protections in Research (New York Times)

Dr. John Cutler, center, during the Tuskegee syphilis experiment. Abuses in that study led to ethics rules for researchers. Coto Report

By PATRICIA COHEN
Published: October 23, 2011

Hoping to protect privacy in an age when a fingernail clipping can reveal a person’s identity, federal officials are planning to overhaul the rules that regulate research involving human subjects. But critics outside the biomedical arena warn that the proposed revisions may unintentionally create a more serious problem: sealing off vast collections of publicly available information from inspection, including census data, market research, oral histories and labor statistics.

Organizations that represent tens of thousands of scholars in the humanities and social sciences are scrambling to register their concerns before the Wednesday deadline for public comment on the proposals.

The rules were initially created in the 1970s after shocking revelations that poor African-American men infected with syphilis in Tuskegee, Ala., were left untreated by the United States Public Health Service so that doctors could study the course of the disease. Now every institution that receives money from any one of 18 federal agencies must create an ethics panel, called an institutional review board, or I.R.B.

More than 5,875 boards have to sign off on research involving human participants to ensure that subjects are fully informed, that their physical and emotional health is protected, and that their privacy is respected. Although only projects with federal financing are covered by what is known as the Common Rule, many institutions routinely subject all research with a human factor to review.

The changes in the ethical guidelines — the first comprehensive revisions in more than 30 years — were prompted by a surge of health-related research and technological advances.

Researchers in the humanities and social sciences are pleased that the reforms would address repeated complaints that medically oriented regulations have choked off research in their fields with irrelevant and cumbersome requirements. But they were dismayed to discover that the desire to protect individuals’ privacy in the genomics age resulted in rules that they say could also restrict access to basic data, like public-opinion polls.

Jerry Menikoff, director of the federal Office for Human Research Protections, which oversees the Common Rule, cautions that any alarm is premature, saying that federal officials do not intend to pose tougher restrictions on information that is already public. “If the technical rules end up doing that, we’ll try to come up with a result that’s appropriate,” he said.

Critics welcomed the assurance but remained skeptical. Zachary Schrag, a historian at George Mason University who wrote a book about the review process, said, “For decades, scholars in the social sciences and humanities have suffered because of rules that were well intended but poorly considered and drafted and whose unintended consequences restricted research.”

The American Historical Association, with 15,000 members, and the Oral History Association, with 900 members, warn that under the proposed revisions, for example, new revelations that Public Health Service doctors deliberately infected Guatemalan prisoners, soldiers and mental patients with syphilis in the 1940s might never have come to light. The abuses were uncovered by a historian who by chance came across notes in the archives of the University of Pittsburgh. That kind of undirected research could be forbidden under guidelines designed to prevent “data collected for one purpose” from being “used for a new purpose to which the subjects never consented,” said Linda Shopes, who helped draft the historians’ statement.

The suggested changes, she said, “really threaten access to information in a democratic society.”

Numerous organizations including the Consortium of Social Science Associations, which represents dozens of colleges, universities and research centers, expressed particular concern that the new standards might be modeled on federal privacy rules relating to health insurance and restrict use of the broadest of identifying information, like a person’s ZIP code, county or city.

The 11,000-member American Anthropological Association declared in a statement that any process that is based on the health insurance act’s privacy protections “would be disastrous for social and humanities research.” The 45,000-member American Association of University Professors warned that such restrictions “threaten mayhem” and “render impossible a great deal of social-science research, ranging from ethnographic community studies to demographic analysis that relies on census tracts to traffic models based on ZIP code to political polls that report by precinct.”

Dr. Menikoff said references to the statutes governing health insurance information were meant to serve as a starting point, not a blueprint. “Nothing is ruled out,” he said, though he wondered how the review system could be severed from the issue of privacy protection, as the consortium has discussed, “if the major risk for most of these studies is that you’re going to disclose information inadvertently.” If there is confidential information on a laptop, he said, requiring a password may be a reasonable requirement.

Ms. Shopes, Mr. Schrag and other critics emphasized that despite their worries they were happy with the broader effort to fix some longstanding problems with institutional review boards that held, say, an undergraduate interviewing Grandma for an oral history project to the same guidelines as a doctor doing experimental research on cancer patients.

“The system has been sliding into chaos in recent years,” said Alice Kessler-Harris, president of the 9,000-member Organization of American Historians. “No one can even agree on what is supposed to be covered in the humanities and social sciences.”

Vague rules designed to give the thousands of review boards flexibility when dealing with nonmedical subjects have instead resulted in higgledy-piggledy enforcement and layers of red tape even when no one is at risk, she said.

For example Columbia University, where Ms. Kessler-Harris teaches, exempts oral history projects from review, while boards at the University of Illinois in Urbana-Champaign and the University of California, San Diego, have raised lengthy objections to similar interview projects proposed by undergraduate and master’s students, according to professors there.

Brown University has been sued by an associate professor of education who said the institutional review board overstepped its powers by barring her from using three years’ worth of research on how the parents of Chinese-American children made use of educational testing.

Ms. Shopes said board members at one university had suggested at one point that even using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.

Many nonmedical researchers praised the idea that scholars in fields like history, literature, journalism, languages and classics who use traditional methods of research should not have to submit to board review. They would like the office of human protections to go further and lift restrictions on research that may cause participants embarrassment or emotional distress. “Our job is to hold people accountable,” Ms. Kessler-Harris said.

Dr. Menikoff said, “We want to hear all these comments.” But he maintained that when the final language is published, critics may find themselves saying, “Wow, this is reasonable stuff.”

 

This article has been revised to reflect the following correction:

Correction: October 26, 2011

An article on Monday about federal officials’ plans to overhaul privacy rules that regulate research involving human subjects, and concerns raised by scholars, paraphrased incorrectly from comments by Linda Shopes, who helped draft a statement by historians about possible changes. She said that board members at a university (which she did not name) — not board members at the University of Chicago — suggested at one point that using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.

Radiação vaza em indústria nuclear no Rio (Correio Braziliense)

JC e-mail 4367, de 19 de Outubro de 2011.

Ocorreram três vazamentos dentro da Fábrica de Combustível Nuclear, pertencente ao governo federal, em Resende (RJ). Dois deles, envolvendo substâncias químicas. Outro, urânio enriquecido altamente radioativo. A empresa admite “falhas”, mas descarta danos a funcionários e ao meio ambiente

Produto radioativo vaza em indústria nuclear de Resende (RJ). A empresa, pertencente ao governo federal, confirma o caso, reconhece “falhas” em equipamentos, mas descarta danos aos funcionários e ao meio ambiente

Engenheiros e técnicos de segurança do trabalho detectaram três vazamentos dentro da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ), dois deles envolvendo substâncias químicas e um de urânio enriquecido (UO2), elemento altamente radioativo. A constatação dos vazamentos foi comunicada pelos engenheiros e técnicos a seus superiores por e-mails internos. O Correio teve acesso a cópias desses e-mails.

O pó de urânio vazou de um equipamento chamado homogeneizador e caiu no piso da sala. O episódio foi registrado em 14 de julho de 2009. Em janeiro de 2010, o alarme de atenção da fábrica foi acionado em razão do vazamento de gás liquefeito usado no forno que queima os excessos de gases resultantes da produção de pastilhas de urânio. E, em julho deste ano, um engenheiro suspeitou do vazamento de amônia e comunicou o ocorrido aos gerentes.

Os três casos não representaram riscos aos trabalhadores, ao meio ambiente e ao funcionamento da fábrica, garantem a diretoria da fábrica – pertencente ao governo federal – e a presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão responsável pela fiscalização de atividades radioativas no Brasil. “O urânio ficou numa sala confinada, hermeticamente fechada, não foi para o meio ambiente”, diz o diretor de Produção de Combustível Nuclear da FCN, Samuel Fayad Filho. Ele reconhece “falhas” nos equipamentos e diz que “todos os procedimentos foram tomados” em relação aos problemas detectados. “Não há vazamento de material radioativo em Resende”, assegura.

O Correio consultou especialistas para saber o que significam as informações que circularam internamente na FCN. Para o engenheiro nuclear Aquilino Senra, “é evidente que houve uma falha”. “Não era para o pó de UO2 sair dessa prensa”, diz o engenheiro nuclear, vice-diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “É uma anormalidade clara o vazamento de UO2 da prensa e a presença da substância no solo.”

Em relação ao vazamento de gás liquefeito, Aquilino afirma que “gás vazado não é boa coisa”. “Detectores existem para isso, mas o ponto é por que o gás vazou.” O Correio ouviu também um técnico ligado à Presidência da República, sob a condição de anonimato: “Não me parece um problema grave, pois a Presidência não foi avisada”, diz.

Funções – A FCN é um conjunto de fábricas responsáveis pela montagem do elemento combustível, pela fabricação do pó e da pastilha de urânio e por uma pequena parte do enriquecimento de urânio. O mineral é extraído em Caetité (BA). O processo de enriquecimento é feito quase todo fora do país, mas parte dele já ocorre na FCN. Cabe à fábrica, além dessa pequena fatia do enriquecimento, produzir as pastilhas que serão utilizadas na geração de energia nuclear pelas usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ).

Hoje, a FCN é responsável pelo enriquecimento de 10% do urânio necessário para Angra 1 e de 5% para Angra 2, segundo Samuel Fayad. A FCN faz parte da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), subordinada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT).

O episódio do vazamento de pó de urânio foi relatado por um técnico de segurança do trabalho às coordenações superiores. A Cnen confirmou ao Correio o alerta. “O fato é irrelevante em termos de segurança. O referido pó foi identificado em área controlada, dentro de ambiente com contenção para material radioativo, não afetando trabalhadores da unidade ou o meio ambiente”, sustenta o órgão, por meio da assessoria de imprensa.

Crise – O setor de geração de energia nuclear vive um conflito e uma crise dentro do governo federal. O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Angelo Padilha, assumiu o cargo em 7 de julho, depois de o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, demitir Odair Dias Gonçalves. Odair perdeu o cargo após revelações de que a usina Angra 2 operou por 10 anos sem licença definitiva e de que o Brasil passou a importar urânio em razão de licenças travadas. Até agora, a Agência Reguladora de Energia Nuclear é apenas um projeto, em razão de conflitos dentro do setor. A agência vai retirar da Cnen – principal acionista das Indústrias Nucleares do Brasil – a função de regulação e fiscalização.

Cirurgias plásticas reforçam ideal do corpo como capital social (Fapesp)

Pesquisa FAPESP
Edição 187 – Setembro 2011

Humanidades > Antropologia
A economia das aparências

Carlos Haag

“A cirurgia plástica é um crime contra a religião e os bons costumes. Mudar a cara que Deus nos deu, cortar a pele, coser os peitos e quem sabe o que mais, vade retro.” É assim que Ponciana, personagem do romance Tereza Batista cansada de guerra, de Jorge Amado, reage ao ver a vizinha, dona Beatriz, “renovada”, com “rosto liso, sem rugas nem papo, seios altos aparentando não mais de trinta fogosas primaveras, num total descaramento, a glorificação ambulante da medicina moderna”. Imagine–se como ela reagiria hoje, ao saber da pesquisa recente do Ibope em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP): no Brasil a cada minuto é realizada uma operação plástica, 1.700 por dia, um total anual de 645 mil, que só nos deixa atrás dos Estados Unidos, com 1,5 milhão de cirurgias. Das intervenções nacionais, 65% são só cosméticas e as mulheres são as maiores clientes: 82%. A preferência nacional é pela lipo (30%), seguida pela prótese de silicone (21%). Nos últimos cinco anos aumentou em 30% a procura da plástica estética também pelos homens.

“O que fez a plástica virar quase obrigação, com uma demanda crescente em todas as regiões e segmentos sociais? O país é o único que oferece plásticas pelo sistema público de saúde (15% do total) e clínicas particulares têm até carnês de prestações”, diz o antropólogo americano Alexander Edmonds, da Universidade de Amsterdã e autor de Pretty modern: beauty, sex and plastic surgery in Brazil, recém-lançado nos EUA pela Duke University Press. “No Brasil não basta ser magra. A mulher tem que ser sarada, definida, sensual. Mais do que boa mãe, profissional competente e esposa cuidadosa, ela tem que enfrentar o ‘quarto turno’ da academia, correndo atrás de um corpo sempre inatingível. O maior algoz da mulher brasileira é ela mesma, que vive procurando aprovação de outras mulheres. Temos que pensar numa mulher que comporte falhas, não criminalize seu corpo por fugir aos padrões e que aproveite momentos como a maternidade sem querer voltar às pressas à forma anterior”, explica Joana de Vilhena Moraes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) e autora de Com que corpo eu vou? Sociabilidade e usos do corpo nas mulheres das camadas altas e populares (Editora Pallas/PUC–Rio), livro que traz os resultados de uma pesquisa financiada pela Faperj sobre os padrões estéticos em diferentes camadas sociais. “Descobrimos que, se a procura do corpo perfeito é democrática, desejo de mulheres ricas ou pobres, há diferentes conceitos de beleza. Entre as ricas, qualquer sacrifício vale a pena para ganhar a magreza das modelos. Entre as mais pobres, o bonito mesmo é o corpo farto e curvilíneo das dançarinas de pagode. O que diverge entre os grupos é o sofrimento: as ricas se escondem sob roupas largas; as pobres exibem a gordura sem pudor em microshorts e tops justos.” Segundo ela, isso não impede que também malhem e fiquem nas filas dos hospitais públicos para fazer plástica estética. “A mídia, com apoio do discurso médico, estimula que as mulheres recorram a esses expedientes que evitam a constatação das mudanças da sua subjetividade, valendo-se, para isso, do estágio atual de evolução das ciências biotecnológicas, nas quais o país é respeitado globalmente.”

Curiosamente, segundo Edmonds, por muito tempo a cirurgia cosmética não foi vista como medicina legítima e para ganhar a aceitação precisou ser transformada em “cura”, aliando-se à psicologia: conceitos como “complexo de inferioridade” deram à operação um fundamento terapêutico. “O cirurgião Ivo Pitanguy foi o responsável por diluir os limites entre as cirurgias estética e reparadora, já que ambas curariam a psique. Para ele, o cirurgião plástico seria um ‘psicólogo com bisturi’ e o objeto terapêutico real da operação não seria o corpo, mas a mente”, nota o americano. Mas há consequências sobre a profissão. “A saúde é, agora, um guarda-chuva simbólico e não se restringe a permanecer na normalidade médica: é cuidar da forma, do peso, da aparência. A ‘saúde’ se estetizou”, analisa Francisco Romão Ferreira, professor do PGEBS (Programa de Pós-Graduação no Ensino de Biociências na Saúde do IOC/Fiocruz) e autor da pesquisa Os sentidos do corpo – Cirurgias estéticas, discurso médico e saúde pública. “Há uma pseudodemocratização da tecnologia que leva as pessoas a pensar que o processo é simples e com poucos riscos, e recém-formados em medicina migram para esse filão do mercado, que faz com que esses profissionais alertem para a banalização das cirurgias. É uma ruptura com a medicina tradicional que tem no corpo seu campo de ação. Essa medicina, ao contrário, se inscreve na superfície do corpo, com critérios subjetivos fora dele. A doença é criada artificialmente no âmbito da cultura, fora do corpo, mas que começa a fazer parte dele.”

“A beleza física ligou-se ao imaginário nacional e global do Brasil e é impossível conceber a identidade brasileira sem um componente estético, uma ‘cidadania cosmética’ que não significa direitos reais, mas forma de reproduzir desigualdades sociais e estruturais”, afirma o antropólogo Alvaro Jarrin, da Duke University, autor da pesquisa Cosmetic citizenship: beauty and social inequality in Brazil. É o que Edmonds chama de “saúde estética”, uma mistura de direito à saúde com consumismo. “Se o povo não realizou sua cidadania, ao menos pode se ‘refazer’ como ‘cidadão cosmético’. Os socialmente excluídos viram ‘sofredores estéticos’. A saúde sempre foi vista como bela; no Brasil, a beleza se transformou em saudável.” Para Jarrin, Pitanguy entendeu essa necessidade dos pobres por uma cidadania da beleza ao criar o primeiro serviço de cirurgia plástica popular num hospital-escola, ganhando apoio do Estado como um serviço filantrópico. “O governo é cúmplice e capitaliza indiretamente o sucesso do desenvolvimento das cirurgias de beleza”, nota. “O direito à cirurgia cosmética nunca foi diretamente autorizado pelo SUS, mas, por redefinições engenhosas do que é saúde, médicos fazem plásticas cosméticas em hospitais públicos, onde podem praticar com poucos riscos de processos por erros, desenvolvendo o ‘estilo brasileiro’, exportado para todo o mundo”, acredita Edmonds.

“Assim, as representações do corpo da mulher brasileira não são mais pela ‘verdadeira natureza perdida’, expressão da mistura das raças, mas produto da associação entre essa noção antiga e as técnicas mais modernas, uma intimidade perigosa entre prótese e carne. Num país cuja imagem é a ‘beleza natural’, a valorização das técnicas cirúrgicas dos médicos brasileiros é um paradoxo”, avalia a historiadora Denise Bernuzzi de Sant’Anna, coordenadora do grupo de pesquisa A Condição Corporal, da PUC-SP, e autora de Corpos de passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea. “Mas a liberdade de construir o próprio corpo não escapa a exigências como ser jovem e a obsessão pela alegria sem escalas e em curtíssimo prazo, em que cada um é responsável pelo sucesso ou fracasso em função do culto ao corpo ou seu descuido”, avalia. “O problema não é o cuidado de si, mas fazer do corpo um território que dispensa o contato com quem é diferente de nós; não gostar de alguém pelo seu corpo.” Uma segregação com objetivos definidos. “Sofrer para ter um corpo ‘em forma’ é recompensado pela gratificação de pertencer a um grupo de ‘valor superior’. O corpo identifica a pessoa a um grupo e o distingue de outros. Este corpo ‘trabalhado’, ‘malhado’, ‘sarado’, é, hoje, um sinal indicativo de certa virtude. Sob a moral da boa forma, ‘trabalhar’ o corpo é um ato de significação como se vestir. Ele, como as roupas, é um símbolo que torna visível as diferenças entre grupos sociais”, observa a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora de O corpo como capital e que analisou o fenômeno na pesquisa Mudanças nos papéis de gênero, sexualidade e conjugalidade, apoiada pelo CNPq.

“No Brasil, o corpo é um capital, um modelo de riqueza, a mais desejada pelos indivíduos das camadas médias e das mais pobres, que percebem o corpo como um importante veículo de ascensão social e como capital no mercado de trabalho, no mercado de casamento e no mercado sexual. A busca do corpo ‘sarado’ é, para os adeptos do culto à beleza, uma luta contra a morte simbólica imposta aos que não se disciplinam e se enquadram aos padrões.” Com direito a sutilezas geográficas. “Em São Paulo há a cultura do light, mas a roupa ainda é o adereço importante. No Rio há um desvelamento do corpo. Quando perguntaram a Adriane Galisteu como ela sabia a hora de fechar a boca ela disse: ‘Se me chamarem de gostosa na rua, sei que estou gorda’. Esse é o pensamento carioca”, diz Joana. Todos, porém, querem ser bem avaliados pelos pares. “Uma mulher gorda na classe média e alta é motivo de escárnio. Na favela, ela não precisa se livrar dos recheios para ser admirada. As mais pobres gastam mais energia em garantir direitos básicos de sobrevivência, coisas que para a mulher mais rica estão resolvidas. Pelo menos nessa relação com o corpo as moradoras de favela são mais felizes”, conta.

Em sua pesquisa, Joana descobriu que as mulheres das classes mais abastadas usam um discurso mais sofisticado, individualista, dizendo que fazem sacrifícios, como plásticas e malhação, para elas mesmas. Prova de uma relação tensa com o espelho: nunca se justifica o “trabalho” do corpo como querer ser um objeto de mais desejo. “Nas favelas, elas dizem claramente que fazem as intervenções para ‘ficar gostosas’, numa sexualidade vivida de maneira mais plena”, observa. O que não significa que as mulheres mais pobres não se percebam mais cheinhas e estejam satisfeitas com seus corpos, pois têm acesso à informação, leem revistas, veem a mesma novela que as mulheres mais ricas. “A diferença é que elas não estão aprisionadas nesse processo. Privação e disciplina são valores máximos das classes altas. Nas classes populares, a privação é associada à pobreza, e a gordura à prosperidade. Uma mulher da favela me disse que não ia ‘viver de alface’ porque iam achar que estava na miséria.”

Mas, para desgosto de Gilberto Freyre, que via a beleza brasileira na mulher de seios pequenos e glúteos grandes, Brasil e EUA, hoje, compartilham ideais corpóreos. Uma obsessão americana, o aumento das mamas está em alta aqui desde os anos 1980, a ponto de a capa da revista Time (julho de 2001) trazer a cantora Carla Perez com seios proeminentes, nos moldes das mulheres americanas, com a pergunta se o novo “busto tropical” não seria um “imperialismo cultural”. Mas há diferenças. Um estudo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês) afirma que as brasileiras querem seios maiores, mas também nádegas grandes com quadris esculpidos, em busca do corpo “brasileiro” curvilíneo. Para Bárbara Machado, chefe da equipe médica da clínica Pitanguy, a redução de seios era mais popular, mas, com o aumento da segurança das próteses e os ícones de beleza com seios maiores, a brasileira optou por mamas maiores, sem, no entanto, abrir mão das curvas.

Mera futilidade? Edmonds observa que a beleza é fundamental até no mercado de trabalho. “A aparência, cor e apelo sexual ‘adicionam valor’ ao serviço ou são critérios de seleção. Mulheres e homens atrativos têm maiores salários, pois o trabalhador vira parte do produto oferecido ao consumidor.” A cultura do corpo também é a cultura da produtividade. “A aparência fala sobre seu caráter. Se você souber gerenciar bem seu corpo, a leitura que é feita do seu caráter é que você sabe viver, é bom profissional, não é desleixado e administra sua vida de forma competente”, diz Joana. “As mulheres, porém, precisam pensar num outro modelo de pessoa bem-sucedida, porque o atual está levando as pessoas a um adoecimento extremo, já que há um acúmulo descomunal de tarefas, fruto do feminismo, que deu liberdade para a mulher trabalhar sem levar em conta que ela precisaria, também, ser linda e esbelta.” As conquistas feministas adquirem outro significado na modernidade plástica. “A tirania dos ideais de beleza foi explorado pelas feministas nos anos 1970. Mas agora a luta das mulheres para melhorar a aparência é legitimada como vitória do feminismo e já se aceita o egoísmo sadio do prazer de cuidar de si, um orgulho de exibir em público corpos desejáveis. É preciso evitar o otimismo imprudente. A plástica permite a aquisição de capacidades novas, mas o uso das tecnologias tem um efeito perverso nas mulheres: ocultar os efeitos da velhice é promover a reprodução das desigualdades”, analisa Guita Grin Debert, professora titular do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora da pesquisa Velhice e tecnologias de rejuvenescimento (apoiada pela FAPESP).

Entre os efeitos está o “ataque” à maternidade. “A retórica da indústria é da liberdade do destino biológico, mas permanecem as tensões entre ser mãe e continuar um ser sexual. A cirurgia acirra o conflito, pois permitiria, teoricamente, à mulher ser mãe e continuar a ter apelo sexual, corrigindo os ‘defeitos’ provocados pela maternidade no corpo pós-parto e na anatomia vaginal”, observa Edmonds. Ou, nas palavras de Diana Zuckerman, do Centro Nacional de Pesquisa de Mulheres e Famílias, dos EUA: “O sonho dos homens de marketing é fazer as mulheres acreditarem que seus corpos ficam repugnantes após o nascimento de um filho”. “A medicalização do corpo pelas cirurgias não se legitima pelo discurso biológico do passado cuja beleza ideal do corpo da mulher proveria da maternidade, com o corpo arredondado, volumoso, ancas desenvolvidas e seios generosos. Agora tudo se baseia no discurso ‘psi’, que traz uma submissão à ordem médica ao afirmar o desejo de possuir um ‘corpo perfeito’ em função da autoestima. Nesse discurso, tudo se explica na ênfase da interioridade, o que leva as pessoas a justificar a necessidade de todos se adequarem a modelos estéticos por causa da autoestima”, analisa a antropóloga Liliane Brum Ribeiro, autora da pesquisa A medicalização da diferença. Essa preocupação antecipa-se cada vez mais e atinge os adolescentes, que se “preparam” para o futuro corrigindo “defeitos” de seus corpos jovens e, acima de tudo, aumentando o seu apelo sexual. Daí o crescimento no percentual de jovens operados, na faixa dos 19 anos (25% do total). “A cirurgia coloca as mulheres em competição por mais tempo e mesmo as diferenças geracionais desaparecem com mães e filhas ‘lutando’ entre si por homens, aumentando ainda mais o ‘valor de mercado’ da aparência de juventude”, nota o americano.

Se os adolescentes foram sexualizados, os mais velhos também sofrem com isso. “A cirurgia significa ‘continuar competitivo’ em qualquer idade. No passado, uma mulher de 40 anos se sentia velha e feia, pronta a ser trocada por uma mais jovem ou condenada à solidão. Agora essa mulher está no mercado competindo com a menina de 20 anos graças à plástica”, diz Edmonds. A plástica trouxe, assim, mudanças culturais intensas. “A partir dos anos 1960, a mulher feia era acusada de o ser por não se amar. Ser moderna virou cultivo da aparência bela e do bem-estar corporal. Recusar a beleza é sinal de negligência a ser combatido, um problema psíquico solucionado pela plástica”, observa Liliane. Os impactos são fortes sobre os idosos. “A cirurgia é uma forma de fugir das marcas do tempo, desnaturalizando processos normais e impedindo que a natureza siga seu destino. Transforma-se a velhice numa questão de negligência corporal, negando os constrangimentos dados pelos limites biológicos do corpo”, avalia Guita. “O envelhecimento é o monstro que a medicina tenta combater. Não é para banir cirurgias, mas não se deve restringir a velhice a um ‘desequilíbrio hormonal’, equipará-la a uma doença, uma questão estética, magicamente resolvida com operação, o que só repete a antiga forma de controle sobre a mulher”, analisa Joana.

Afinal, como observou Guita, há uma tendência a transformar a velhice numa questão de negligência corporal e os médicos se empenham em estimular os idosos a adotarem estratégias para combater as marcas do envelhecimento, negando os constrangimentos dados pelos limites biológicos do corpo. “As operações mostram a aversão ao diferente, e a cirurgia é uma tentativa de fugir das marcas do tempo, desnaturalizando processos naturais, e impedir que a natureza siga o seu destino”, avisa a antropóloga. “A aversão ao corpo envelhecido organiza as tecnologias de rejuvenescimento. Os ideais de perfeição corporal encantam a mídia, mas todos sabem que é uma imagem que jamais se pode atingir. É a materialidade do corpo envelhecido que se transforma em norma pela qual o corpo vivido é julgado e suas possibilidades restringidas.” Com o crescimento de pessoas velhas na população, o mercado se esmera em mostrar como devem os jovens de idade avançada se comportar para reparar as marcas do envelhecimento. “Essa projeção do corpo jovem na materialidade do envelhecido e a negação do curso natural impedem a criação de uma estética da velhice”, nota Guita. Mirian Goldenberg, numa pesquisa recente feita na Alemanha sobre a visão do envelhecimento, encontrou diferenças sintomáticas. “Observando a aparência de alemãs e brasileiras, as últimas parecem mais jovens e em melhor forma, mas se sentem subjetivamente mais velhas e desvalorizadas do que as primeiras. Essa avaliação equivocada me fez perceber que, aqui, a velhice é um problema grande, o que explica o enorme sacrifício que muitas fazem para parecer mais jovens”, avalia Mirian. “Elas constroem seus discursos enfatizando as faltas que sentem, não suas conquistas objetivas. A liberdade das brasileiras aparece como conquista tardia após terem cumprido seus papéis de mãe e esposa. Na nossa cultura, em que o corpo é um capital importante, envelhecer é vivenciado como um momento de grandes perdas (de capital), de falta de homem e de invisibilidade social, na contramão do que sentem as mulheres alemãs mais velhas, que valorizam menos a aparência do que as novas experiências, a realização profissional e a qualidade de vida”, conta a antropóloga.

Nem tudo, porém, são espinhos nas cirurgias estéticas. “Há um elemento democratizante nisso tudo. A plástica, ao enfatizar o corpo nu, em detrimento de roupas e ornamentos, naturaliza e ‘biologiza’ o corpo, já que, nesse estado, ele é menos legível como um ‘corpo social’”, analisa Edmonds. “Ela incita uma visão da beleza como igualitária, um capital social que não depende de nascimento, educação ou redes sociais para avançar. Quando o acesso à educação é limitado, o corpo, em relação à mente, se transforma numa base importante para a identidade, uma fonte de poder.” Para o antropólogo, é esse contexto cultural que faz o Brasil único no uso da cirurgia plástica. “É um país lembrado pela graça, pela sensualidade e dificilmente pela disciplina. Talvez, por isso, a cirurgia plástica no país não se ligue a uma alienação do corpo, um ódio das formas, mas a um ethos mais bem adaptado à indústria da beleza: o amor compulsório pelo corpo.”

Gamers crackeiam código que pode gerar novos tratamentos contra AIDS (Gizmodo Brasil)

Por Kwame Opam – 15:56 – 19-09-2011

 

Os cientistas passaram uma década tentando — e não conseguindo — mapear a estrutura de uma enzima que pode ajudar a resolver uma parte crucial do quebra-cabeça do vírus da AIDS. Um grupo de gamers precisou de apenas três semanas.

A enzima em questão é a protease do vírus dos macacos de Mason-Pfizer, e pesquisadores vêm buscando formas de desativá-lo para assim descobrir novas formas de desenvolver drogas anti-HIV. Infelizmente, os esforços convencionais de computadores e cientistas foram pouco durante anos.

Eis que entra no jogo a Foldit. a Foldit foi desenvolvida em 2008 como forma para descobrir estrutura de várias proteínas e aminoácidos — algo que computadores não sabem fazer muito bem — ao transformar o problema em um jogo. Ao adicionar as coordenadas experimentais à enzima do vírus do macaco, os gamers — vários deles sem nenhum tipo de conhecimento passado em biologia molelucar — foram capazes de prever a estrutura da proteína, permitindo que os cientistas marcassem localizações precisas e parassem o crescimento do vírus.

O estudo, publicado na Nature Structure & Molecular Biology, detalha quão incrível um passo desse é para o desenvolvimento de terapias mais efetivas para pacientes com AIDS. Trata-se também de um precedente importante que estabelece uma base para que cientistas e pessoas comuns trabalhem juntas para resolver novos problemas e salvar vidas. O que é algo incrível. [Sydney Morning Herald via The Next Web]

Mental illness rise linked to climate (Sydney Morning Herald)

Erik Jensen Health

August 29, 2011
Climate change“Emotional injury, stress and despair” … the impact of climate change on health. Photo: Reuter

RATES of mental illnesses including depression and post-traumatic stress will increase as a result of climate change, a report to be released today says.

The paper, prepared for the Climate Institute, says loss of social cohesion in the wake of severe weather events related to climate change could be linked to increased rates of anxiety, depression, post-traumatic stress and substance abuse.

As many as one in five people reported ”emotional injury, stress and despair” in the wake of these events.

The report, A Climate of Suffering: The Real Cost of Living with Inaction on Climate Change, called the past 15 years a ”preview of life under unrestrained global warming”.

”While cyclones, drought, bushfires and floods are all a normal part of Australian life, there is no doubt our climate is changing,” the report says.

”For instance, the intensity and frequency of bushfires is greater. This is a ‘new normal’, for which the past provides little guidance …

”Moreover, recent conditions are entirely consistent with the best scientific predictions: as the world warms so the weather becomes wilder, with big consequences for people’s health and well-being.”

The paper suggests a possible link between Australia’s recent decade-long drought and climate change. It points to a breakdown of social cohesion caused by loss of work and associated stability, adding that the suicide rate in rural communities rose by 8 per cent.

The report also looks at mental health in the aftermath of major weather events possibly linked to climate change.

It shows that one in 10 primary school children reported symptoms of post-traumatic stress disorder in the wake of cyclone Larry in 2006. More than one in 10 reported symptoms more than three months after the cyclone.

”There’s really clear evidence around severe weather events,” the executive director of the Brain and Mind Research Institute, Professor Ian Hickie, said.

”We’re now more sophisticated in understanding the mental health effects and these effects are one of the major factors.

”What we have seriously underestimated is the effects on social cohesion. That is very hard to rebuild and they are critical to the mental health of an individual.”

Professor Hickie, who is launching the report today, said climate change and particularly severe weather events were likely to be a major factor influencing mental health in the future.

”When we talk about the next 50 years and what are going to be the big drivers at the community level of mental health costs, one we need to factor in are severe weather events, catastrophic weather events,” he said.

Read more: http://www.smh.com.au/environment/mental-illness-rise-linked-to-climate-20110828-1jger.html#ixzz1WeAsre00

A saúde em 2021 (Fapesp)

JC e-mail 4315, de 04 de Agosto de 2011.

Um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo setor de saúde no Brasil em 2021 será o crescimento no número de idosos com o consequente aumento que se pode esperar nos quadros gerais de diversas doenças.

A constatação foi feita por especialistas de diversas áreas durante o Fórum Internacional Saúde em 2021, realizado nos dias 2 e 3 de agosto, em São Paulo, pela Associação Paulista pelo Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Dividido em seis módulos, “Brasil no mundo em 2021”, “O sistema de saúde brasileiro em 2021”, “Profissionais da saúde em 2021”, “Informação, comunicação e saúde”, “Ética na saúde” e “Mercado e complexo industrial da saúde em 2021”, o evento teve por objetivo identificar prováveis cenários do setor, assim como debater possíveis estratégias para a próxima década.

“O envelhecimento é inevitável e essa geração de idosos já nasceu”, disse Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em palestra no fórum.

Ricupero citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para destacar o envelhecimento populacional no país. Em 2001, 14,5 milhões de brasileiros (ou 9,1% do total) tinham acima de 60 anos. Em 2009, já eram 21,6 milhões (11,3%). Em 2025, a estimativa é que os idosos serão mais de 30 milhões (ou 15% do total). “Isso promoverá um grande impacto na economia do país”, disse.

De acordo com Maurício Lima Barreto, professor titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), problemas como diabetes e obesidade se tornarão ainda mais crônicos nas próximas décadas e, junto a novas doenças, poderão levar a um “estresse” no sistema de saúde brasileiro. “Temos de resolver os velhos problemas para podermos lidar com os novos no futuro”, ressaltou.

Para isso, o Brasil terá de investir ainda mais em ciência, tecnologia e inovação no setor. Isso tem ocorrido no Estado de São Paulo, por exemplo, em que a área de saúde é a maior destinatária dos recursos destinados pela FAPESP ao apoio à pesquisa.

“Em 2010, a Fapesp investiu R$ 215,3 milhões em pesquisas na área de saúde, o que representa 27,61% do total investido pela Fundação”, destacou Celso Lafer, presidente da Fapesp, no Fórum Internacional Saúde em 2021.

O desembolso da Fapesp com a Linha Regular – que compreende todas as modalidades de Bolsas e de Auxílios Regulares, excluindo as bolsas e os auxílios concedidos no âmbito dos Programas Especiais e dos Programas de Pesquisa para Inovação Tecnológica – totalizou R$ 595,91 milhões em 2010, correspondendo a 76,4% de todo o valor gasto pela Fundação. A área do conhecimento que recebeu maior volume de recursos dentro da Linha Regular foi saúde, com R$ 186,81 milhões (31,35%).

Glaucius Oliva, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenador do Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fapesp, reforçou essa necessidade de investimentos no setor de saúde.

Segundo ele, o País também precisa superar a pequena presença de doutores no setor industrial. “Em 2008, 80% dos doutores atuavam em educação. Isso, dois anos após o doutoramento. O restante estava na administração pública e menos de 1% atuava com pesquisas em empresas”, ressaltou.

Para que a pesquisa avance para além do universo acadêmico, Oliva destacou a necessidade de internacionalizar ainda mais a ciência brasileira, assim como avanços na multi, inter e transdisciplinaridade. “O maior desafio é traduzir o conhecimento científico para a sociedade. E, para isso, precisamos de mais doutores nas empresas”, disse.

Mais informações: http://www.spdm.org.br/site/forum.
(Agência Fapesp)

Philippines: Geckos Are A No-Go For AIDS (NPR)

by SCOTT HENSLEY
12:09 pm
July 18, 2011

The trade in dried geckos, such as these from Indonesia, is on the rise amid growing demand for their use as an ingredient in medicinal and skin care products in Asia.

Traditional forms of medicine used in China and elsewhere in Asia make use of some wild ingredients — literally — from rhino horn to pangolin scales.

But geckos? Yep, in some places even those lizards, thrust into many Americans’ consciousness by omnipresent insurance ads, are used as remedies.

The description of a scientific paper published back in 1998 by the journal Zhong Yao Cai, or the Journal of Chinese Medicinal Materials, says the heads and feet of geckos “have obvious pharmacological action without any toxic or side effects….” The article is in Chinese, though, which is beyond Shots.

But health officials in the Philippines are now warning people not to rely on geckos as medical treatments for some serious conditions, including infection with HIV. “The folkloric practice of using geckos (or “tuko”) as cure for AIDS and asthma persists to this day and is of serious concern….” the Philippines Department of Health said in a statement. “There is no basis that this practice cures ailments like AIDS or brings relief from symptoms of asthma. Thus, we do not recommend it as cure for any ailment.”

Folk healers in the country sometimes recommend “pulverized, fried geckos” sprinkled over water as a remedy for asthma sufferers, according to Agence France-Presse.

The Tokay Gecko, also called “tuko” in the Philippines, is the principal target of hunters. Besides telling people not to use the lizards for medicine, the Philippines government is reminding its citizens not to trap and sell them, because it’s against the law.

The demand for geckos as traditional medicine ingredients has reportedly led to “rampant collection and trade,” the government has said. And that’s putting the gecko population under pressure. In recent years, Chinese demand for sea cucumbers harvested in the Philippines has pushed some species toward extinction.

Geckos can be pretty nasty and give quite a bite. A gecko hunter in Indonesia describes his own battles with the geckos in the Al Jazeera video below.

Homens brancos são maioria dos transplantados. Negros e mulheres têm menos acesso a cirurgias, segundo Ipea (Agência Brasil)

Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

08/07/2011 – 14h37
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os efeitos das desigualdades sociais brasileiras se estendem às cirurgias de transplantes de órgãos como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão. A maioria dos transplantados são homens da cor branca.

De acordo com o estudo, de quatro receptores de coração, três são homens; e 56% dos transplantados tem a cor de pele branca. No transplante de fígado; 63% dos receptores são homens e 37% mulheres. De cada dez transplantes de fígado, oito são para pessoas brancas.

Segundo a análise do Ipea, homens e mulheres são igualmente atendidos nos transplantes de pâncreas; mas 93% dos atendidos são brancos. A maioria absoluta de receptores de pulmão também são homens (65%) e pessoas brancas (77%). O mesmo fenômeno ocorre com o transplante de rim: 61% dos receptores são homens; 69% das pessoas atendidas têm pele clara.

“Verificamos que o conjunto de desigualdades brasileiras acaba chegando no último estágio de medicina”, aponta o economista Alexandre Marinho, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, um dos autores da pesquisa. Ele e outras duas pesquisadoras analisaram dados de 1995 a 2004, fornecidos pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

O economista não estudou as causas do fenômeno, mas disse à Agência Brasil que a preparação para o transplante pode explicar as razões da desigualdade. Para fazer a cirurgia de transplante, o receptor deve estar apto: eventualmente mudar a alimentação, tomar medicamentos e fazer exames clínicos – procedimentos de atenção básica.

Segundo Marinho, quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) – cerca de três quatros da população brasileira – sai em desvantagem, porque tem dificuldade para receber remédios, fazer consultas e exames clínicos. “A situação onera quem tem menos condições de buscar alternativas.”

“O sistema é desigual na ponta [cirurgia de alta complexidade] porque é desigual na entrada”, assinala o economista, ao dizer que quando o SUS tem excelência no atendimento o acesso não é para todos: “Na hora que funciona, quem se apropria são as pessoas mais bem posicionadas socialmente”.

Conforme Marinho, os planos de saúde são resistentes a autorizar procedimentos de alta complexidade, como as cirurgias de transplantes, por causa dos custos. “Os hospitais privados preferem atender por meio do SUS porque sabe que paga”.

O estudo sobre a desigualdade de transplantes de órgãos está disponível no site do Ipea. Segundo Marinho, o documento foi postado ontem (7) e ainda não é do conhecimento do Ministério da Saúde.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), há 1.376 equipes médicas autorizadas a realizar transplantes em 25 estados brasileiros (548 hospitais).

Edição: João Carlos Rodrigues