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Análise: Todos estão a bordo, certo, mas será um milagre se este barco chegar bem a Paris (Folha de S.Paulo)

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

15/12/2014 02h00

Com dois dias de atraso, a Conferência de Lima pariu um rato. Espera-se agora o quase impossível: que o roedor aprenda a rugir em um ano e o faça com tanta força em Paris que consiga afugentar o espectro de uma mudança perigosa do clima.

Especialistas predizem que, para evitar um cenário de eventos extremos “”secas, enchentes, furacões””, o aquecimento global não pode ultrapassar 2°C neste século. Os compromissos nacionais de cortes nas emissões de CO2 (principal gás do efeito estufa) apresentados até aqui não representam mais que a metade do que seria necessário.

Como ocorre desde que se adotou a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima no Rio, em 1992, Lima tropeçou na vala que separa países ricos e pobres. O maior avanço da conferência na capital peruana, contudo, se deu precisamente aí: agora, todas as nações ficam obrigadas a se comprometer com ações para conter o aquecimento.

É verdade que sobreviveu o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, de que sempre se valeram os menos desenvolvidos para escapar de assumir metas. Todos têm de comparecer, daqui em diante, ainda que “à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Traduzindo: China (maior emissor de CO2), Índia (terceiro, depois dos EUA) e Brasil (sexto) também estão obrigados a publicar planos para reduzir carbono. Uma vitória das nações desenvolvidas.

A União Europeia tem as metas mais ambiciosas: cortar 30% das emissões até 2020 e 40% até 2030, ante 1990. Os EUA prometem redução de 26% a 28% até 2025, mas na comparação com 2005.

O Brasil mantém que até 2020 reduzirá 36% a 39% do nível de suas emissões em 1990, graças à queda no desmatamento (nossa maior fonte de carbono). A China só fala em reduzir o ritmo de aumento da poluição, para zerá-lo em 2030. A Índia até aqui se fez de muda.

Há expectativa de que esses e outros países melhorem suas propostas nos próximos seis meses, de modo que se possa calcular, antes do encontro de Paris, a distância até a meta de 2°C. O problema é que, em Lima, não se chegou a um consenso sobre metodologia e anos-base –1990 ou 2005?

Assim fica difícil fazer a conta. Para piorar, se obteve um grau insuficiente de transparência nas comunicações que cada país ficou de fazer.

Por considerar qualquer tipo de monitoramento externo uma ameaça a sua soberania, a China vetou a obrigatoriedade de mecanismos para tornar as informações nacionais claras e verificáveis. Eles aparecem no acordo apenas como facultativos.

Não houve progresso, por fim, na eterna questão do dinheiro. Países pobres, que contribuíram menos historicamente para o aquecimento, mas sofrerão os piores impactos, exigem fundos dos ricos para prevenir catástrofes e adotar tecnologias limpas.

Com meros US$ 10 bilhões anuais comprometidos, nunca se esteve tão longe do objetivo anterior de levantar US$ 100 bilhões ao ano. O máximo que as nações menos desenvolvidas conseguiram foi cravar no texto as noções de fundos para adaptação e para “perdas e danos”.

Essa noção foi comemorada como vitória por países insulares como Tuvalu e Kiribati. Com territórios ameaçados de submergir com a elevação dos oceanos, precisam desesperadamente salvar o que for possível e, se inescapável, relocar sua população.

Na iminência de um naufrágio, Lima contentou-se com pouco, como sempre acontece nas reuniões do clima. Todos agora estão a bordo, mas com uma rota ainda por traçar e sem bons instrumentos para verificar o trajeto. Será um milagre se chegarem a bom porto em Paris.

Carnivorismo (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

MAURÍCIO ANDRÉS RIBEIRO

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Por Maurício Andrés Ribeiro

Cadeias alimentares são as transferências de energia alimentar desde os produtores básicos – as plantas –, para os animais herbívoros – consumidores primários –, até os animais carnívoros que se alimentam dos herbívoros ou de outros carnívoros. A cada degrau que se sobe na cadeia trófica, há perdas de energia. As plantas absorvem e metabolizam cerca de 1% da energia solar que sobre elas incidem. Os animais herbívoros aproveitam cerca de 10% da energia contida nos vegetais. Os animais carnívoros ou os seres humanos que se alimentam de carne de animais aproveitam apenas 10% da energia que eles absorveram dos vegetais.

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O homem está entre as espécies que absorvem energia de vários elos da cadeia alimentar e tem uma diversidade de dietas alimentares, em função do ambiente em que vivem de seus hábitos culturais, de seus valores espirituais ou religiosos. Há seres humanos onívoros, carnívoros, frutívoros, vegetarianos, veganos etc e uma combinação deles. O carnivorismo é o habito sistemático de comer carne e a defesa de tal hábito.O carnivorismo se espalha pelo mundo de modo diferenciado conforme mostra o mapa anexo. Nos países em vermelho se come mais de 30 kg per capita de carne bovina por ano. À medida que aumenta a renda média, tende a aumentar o consumo per capita de carne, o que é ainda estimulado por campanhas de propaganda do carnivorismo nas TVs, nos jornais, em revistas e na internet.

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A dieta alimentar baseada em proteínas animais, quando comparada a dietas baseadas em grãos, hortaliças e proteína vegetal, tem elevado custo energético e sua produtividade energética é baixa. A demanda por alimentos que se encontram no alto da cadeia alimentar – constituídos pelos produtos de origem animal – consome grande quantidade de terra, água, recursos naturais e defensivos agrícolas; motiva os fazendeiros a expandir as áreas destinadas a pastagens, provoca a destruição de florestas e perdas de solo fértil. Os impactos ambientais de uma dieta carnívora são maiores do que os de uma dieta baseada em produtos vegetais.

No Brasil, pressão sobre as florestas e desmatamento decorrem do plantio de soja para alimentar animais na China ou da pecuária para exportar carne ou abastecer o mercado interno.

04Várias sociedades regularam suas dietas como estratégia para não romper a capacidade de suporte do seu território e reduzir os riscos de colapso. A Índia é uma das mais conhecidas, com o vegetarianismo e a sacralização dos animais. Diamond (2005, p. 356) relata o caso da ilha de Tikopia, no Pacífico Sul, com 4,7km2 e densidade de 309 pessoas por quilômetro quadrado, continuamente habitada há quase três mil anos. Uma das estratégias para garantir a capacidade de sustentação do ambiente foi a mudança de hábitos alimentares, eliminando aqueles que implicam competição pelo uso da terra:

Uma decisão significativa tomada conscientemente por volta de 1.600 d.C, e registrada pela tradição oral, mas também atestada arqueologicamente, foi a matança de todos os porcos da ilha, substituídos como fonte de proteína pelo aumento do consumo de peixe, moluscos e tartarugas.

Tikopia e a India são exemplos de sociedades que superaram o carnivorismo ao constatarem os benefícios sociais que essas mudanças de hábitos alimentares trariam. Aquilo que a Índia estruturou há milênios e o que os ilhéus de Tikopia decidiram há algumas centenas de anos, pode ser uma decisão sábia de ser adotada globalmente no contexto das mudanças climáticas e da atual crise da evolução. Uma das vozes que defende esse caminho é Lovelock (Gaia-Alerta final, pg. 80) que observa

“Nossos líderes, se fossem todos excelentes e poderosos poderiam proibir a manutenção de animais de estimação e gado, tornar compulsória a dieta vegetariana e incentivar um grande programa de síntese de alimentos por indústrias químicas e bioquímicas; fazer isso apenas restringirá a perda de vida a animais de estimação e gado. É alentador que o presidente do IPCC, Dr. Pachauri, tenha recomendado uma dieta vegetariana como um caminho a seguir.”

Atualmente cresce a consciência e os alertas sobre esse tema. O biólogo Erlich (1999, p. 10) afirma que “a capacidade de suporte do planeta seria aumentada se todos se tornassem predominantemente vegetarianos”. O professor E. O. Wilson, de Harvard, em seu livro “O Futuro da vida” expressa as vantagens de renunciar ao consumo de carne: “Se todos aceitassem uma dieta vegetariana, o atual 1,4 bilhão de hectares de terras aráveis seria suficiente para produzir alimentos para 10 bilhões de pessoas.” O vegetarianismo poupa espaço, recursos naturais e o meio ambiente, conseguindo, com baixo uso de recursos naturais, um alto rendimento energético alimentar.

A mudança de dieta alimentar é um processo cultural e encontra resistências em hábitos arraigados. O prazer da mesa é um aspecto sensorial que produz apego e constitui um obstáculo à aceitação de argumentos racionais, como os baseados na ecologia energética, nas perdas de energia que ocorrem nas cadeias alimentares, nos impactos ambientais devastadores associados ao consumo de carnes.

No contexto da crise alimentar, climática, ecológica e hídrica, hábitos alimentares de baixo consumo de proteína animal podem facilitar o acesso da população humana a alimentos e ao mesmo tempo não pressionarem excessivamente a capacidade de suporte do planeta. Superar o carnivorismo é um passo em direção à sustentabilidade no planeta. A mega crise da evolução atual, da qual as mudanças climáticas são um dos aspectos, clama por evolução da consciência humana que induza a mudanças de hábitos tão básicos e elementares como o de se alimentar.

Banco Mundial diz que seca no nordeste brasileiro pode piorar (Rádio ONU)

09/12/2014 – 09h39

por Edgard Júnior, da Rádio ONU

seca Banco Mundial diz que seca no nordeste brasileiro pode piorar

Afirmação foi feita pela assessora sênior para a América Latina e o Caribe da instituição financeira; Karin Kemper afirmou também que aumento do nível dos mares pode ter impacto no Rio de Janeiro.

A assessora regional sênior do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Karin Kemper, disse, em entrevista à Rádio ONU, que se a temperatura global continuar aumentando, a seca no nordeste do Brasil pode piorar.

“Sabemos que o nordeste sempre sofreu com as secas, mas poderia ter uma frequência mais intensa ou poderia ter secas mais prolongadas. Sabemos que isso tem efeitos econômicos tanto para a população do interior, mas também podemos imaginar que, por exemplo, as cidades grandes do nordeste podem sofrer mais impactos por insegurança hídrica.”

Investimentos

Citando o relatório lançado pelo Banco Mundial na semana passada, Kemper disse ainda que os impactos do aumento da temperatura serão maiores sobre as populações mais pobres, mais vulneráveis, mulheres, crianças, como também grupos indígenas.

A assessora para a América Latina e o Caribe alertou que investimentos que poderiam ser feitos em outros setores vão acabar sendo destinados para combater os efeitos climáticos.

“Se houver um aumento do nível dos mares, por exemplo, o cálculo que temos no relatório para o Rio de Janeiro varia de uma alta de, no mínimo, 62 cm até 1 metro, no máximo. Isso significa que se precisa fazer investimentos nas cidades costeiras. Esse dinheiro poderia ser utilizado em outras coisas como em hospitais, escolas e outros setores de desenvolvimento.”

O relatório do Banco Mundial disse que um novo padrão climático global pode reduzir em 70% a produção de soja no Brasil e a de trigo em 60%.

O documento mostra dois cenários futuros prevendo as consequências de aumentos médios da temperatura global de 2 e 4 graus centígrados, até 2050. Os especialistas calculam que os danos causados por enchentes costeiras devem chegar a US$ 22 bilhões, o equivalente a mais de R$ 56 bilhões.

* Publicado originalmente no site Rádio ONU.

(Rádio ONU)

O quente e o fervendo (Folha de S.Paulo)

A Terra na época do Antropoceno

MARCELO LEITE, 7 dez 2014

RESUMO Impacto da atividade humana sobre o planeta gera debate acerca do advento de uma nova época geológica, o Antropoceno. Em livro, a jornalista Naomi Klein prega reviravolta no capitalismo para frear o aquecimento global –tema de conferência em Lima, nesta semana, e de encontro decisivo no ano que vem, em Paris.

Prepare-se para o advento do Antropoceno. Em 2016 ele poderá estar entre nós. “Antropoceno” é o nome proposto no ano 2000 pelo Nobel de Química Paul Crutzen para uma nova época geológica, a “Idade do Homem”. Ela viria suceder o Holoceno, no qual vivemos há quase 12 mil anos, desde o fim da última era glacial.

Nesse intervalo, curto para a o tempo geológico (a Terra tem mais de 4 bilhões de anos), a espécie humana tirou proveito do clima estável e ameno. Desenvolveu a agricultura, multiplicou-se e se espalhou ainda mais pelo globo.

A questão agora é saber se ela modificou o planeta e aqueceu a atmosfera o bastante para deixar uma marca inconfundível no registro estratigráfico. Os geólogos do futuro distante conseguirão distinguir uma camada de terreno que não existiria sem que 7 ou 10 bilhões de pessoas vivessem e produzissem na sua superfície?

A Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS, em inglês), a quem compete decidir sobre as divisões oficiais da história da Terra, pode bater o martelo geológico em meados de 2016, quando se realizará o Congresso Internacional de Geologia. Foi esse o prazo que se autoimpôs o Grupo de Trabalho do Antropoceno (GTA) reunido por ela, que tem 37 especialistas e a tarefa de instruir o processo.

Um deles é o próprio Paul Crutzen. Outro, o jornalista norte-americano Andrew Revkin, convidado por ter introduzido, num livro de 1992, “Global Warming” (Aquecimento global), a ideia de um pós-Holoceno produzido pelo homem. Hoje ele lamenta sua “escolha imperfeita de palavra”: “Propus Antroceno’… Idiota”.

Também integra o grupo o climatologista brasileiro Carlos Nobre, secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Acho que será aprovado o estabelecimento de uma nova época, em função do peso de evidências”, avalia. “Mas o marco temporal ainda suscita discussões acaloradas.”

Não há muita dúvida de que cidades como São Paulo, Nova York ou Mumbai deixarão abundantes vestígios fósseis e arqueológicos para os milênios que virão. Os puristas, contudo, exigem que um novo período geológico esteja demarcado, literalmente, nas rochas.

Uma proposta é fixar o limiar do Antropoceno em 1945, quando começaram as detonações atômicas. Elas aspergiram por todos os continentes uma camada sutil, mas detectável, de plutônio, césio e estrôncio, subprodutos da explosiva reação nuclear.

Outra possibilidade, defendida por Crutzen, seria o final do século 19, no marco da Revolução Industrial. O argumento privilegia os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), poluentes produzidos na queima de combustíveis fósseis (carvão e derivados de petróleo, principalmente) que se depositam em todos os ambientes.

O consumo avantajado de combustíveis fósseis sustenta ainda outra hipótese para a delimitação. Nesse caso, sobressaem os efeitos produzidos com o agravamento do efeito estufa decorrente de bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) lançadas no ar.

Assim como a atmosfera, os oceanos também se aquecem no processo. Além disso, tornam-se mais ácidos ao absorver parte do CO2, o que, em algumas profundidades, interrompe o ciclo de deposição de carbonatos que dá origem a rochas claras, como o calcário. O resultado seria uma banda escura no registro estratigráfico.

“O tópico todo é preocupante”, resume Naomi Oreskes, historiadora da ciência da Universidade Harvard que integra o GTA.

Oreskes é autora do livro “Merchants of Doubt” (Mercadores da dúvida, de 2011), que demonstra os propósitos ideológicos dos “céticos” militantes em organizações conservadoras como o American Enterprise Institute e a Heritage Foundation, para os quais é uma farsa a noção de mudança do clima causada pelo homem.

Esse pessoal não quer nem ouvir falar em Antropoceno.

LEGIÃO Em contrapartida, a dupla Antropoceno e aquecimento global faz sucesso com outra turma. Uma legião estimada em 400 mil pessoas tomou as ruas e avenidas de Nova York em 21 de setembro último, na Marcha do Povo pelo Clima. Apesar do nome, lá estavam Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, que convocara uma Cúpula do Clima para dois dias depois, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson e o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

Não faltaram, além deles, vegetarianos, ex-hippies sexagenários e indígenas na passeata convocada pela 350.org. A ONG luta pelo retorno à concentração de 350 partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera terrestre; no fim de novembro, ela estava em 398 ppm, muito acima dos 280 ppm dos tempos pré-industriais.

O CO2 é o principal gás do efeito estufa, por sua capacidade de aprisionar e reter junto à superfície da Terra parte da radiação solar que incide sobre ela, como os vidros de um abrigo para plantas.

Na fracassada Conferência de Copenhague, em 2009, só houve acordo quanto à necessidade de limitar as emissões de CO2 para que o aquecimento global não exceda 2°C. Acima disso, a mudança do clima poderia conduzir a uma série devastadora de eventos extremos como secas, furacões, ondas de calor e enchentes.

No restante, impera o desacordo entre países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos. Pela 20ª vez, duas centenas deles estão reunidos em Lima, até a próxima sexta-feira (12), para tentar traçar as linhas de base de um tratado capaz de reduzir as emissões na proporção e no ritmo necessários. O prazo se extingue dentro de um ano, quando se realizará a Conferência de Paris –a COP 21.

Os pesquisadores do clima estimam que, para não ultrapassar a marca dos 2°C, a humanidade conta com um orçamento total, desde o início da espécie, de 1 trilhão de toneladas de CO2 para gastar. Do século 19 para cá, 600 bilhões já viraram fumaça.

Para sobreviver com a pífia dotação de 400 bilhões, seria desejável que as emissões já estivessem em queda, como pressupunha o malfadado Protocolo de Kyoto (1997). Mas continuam a subir. Só recuam em anos de crise, como 2009. Em 2013, o aumento foi de 2,3%.

Se a tendência presente se mantiver, restam apenas 25 anos de carbono para torrar. Isso exigiria cortar para zero as emissões, de um ano para o outro, em 2040. Como não vai acontecer, as reduções teriam de começar já, na toada de pelo menos 8% ao ano.

Os manifestantes da marcha de Nova York desconfiam de que os governos reunidos em Lima e Paris, sem pressão, não cumprirão a meta de temperatura acordada em Copenhague. Daí a mobilização.

ANTICAPITALISMO Mais radical é a jornalista Naomi Klein, polêmica autora de “Sem Logo”. Em seu mais novo livro, “This Changes Everything “” Capitalism vs. the Climate” [Simon & Schuster, R$ 53,30, 576 págs.; R$ 66,71, e-book] (Isso muda tudo “” capitalismo contra o clima), ela defende que não é possível enfrentar o desafio da mudança do clima sem virar de pernas para o ar o capitalismo contemporâneo, marcado por desregulamentação, cortes de gastos sociais, privatização e liberalização do comércio mundial.

Nas mais de 500 páginas de texto, não faltam dados e exemplos convincentes de que a economia mundial se tornou dependente do carbono, vale dizer, dos combustíveis fósseis. Como um viciado, aceita pagar cada vez mais para explorar reservas não convencionais, como o gás de folhelho (ou xisto) nos EUA, as areias betuminosas no Canadá e o pré-sal no Brasil.

Klein confronta o leitor com uma conta acabrunhante: as reservas já escrituradas de carvão, petróleo e gás natural correspondem ao quíntuplo do orçamento de carbono que resta para gastar. Ou seja, 4/5 delas seriam “inqueimáveis”, do ponto de vista do aquecimento global.

A não ser, é claro, que surjam tecnologias eficientes e baratas para limpar da atmosfera o carbono liberado em décadas após ficar retido nas entranhas da Terra por milhões de anos. O problema é que a indústria fóssil não investe muito nisso, mas sim em aumentar reservas e produção. Para Klein, essa indústria teria de ser obrigada pelos governos a comprometer seus lucros na limpeza do planeta.

Acredite quem quiser. Mas o livro também tem seções para lá de otimistas com os avanços já alcançados em fontes renováveis de energia, como a fotovoltaica (solar) e a eólica (ventos).

Klein se derrama na narrativa sobre comunidades e cidades que retomaram o controle local da geração, contornando a resistência das grandes distribuidoras quanto às fontes alternativas. Ela vê nessa descentralização o germe de um movimento de contestação do capitalismo como o conhecemos e uma oportunidade nunca vista antes pelos movimentos sociais.

Klein não se demora muito na China, cujo capitalismo de Estado produziu a maior máquina poluidora do planeta, tendo já ultrapassado os EUA –embora o país asiático já se torne também o que mais investe em energias alternativas, como solar e eólica.

Uma das passagens mais sublinhadas do livro, como pode constatar quem o lê em versão eletrônica, citada também por Elizabeth Kolbert em resenha na revista “The New York Review of Books”, resume a conversão térmica da autora:

“Comecei a perceber todas as maneiras pelas quais a mudança climática pode se tornar um catalisador para a mudança positiva –como ela pode ser o melhor argumento que os progressistas jamais tiveram para exigir a reconstrução e a revitalização das economias locais; para recuperar nossas democracias da corrosiva influência corporativa; para barrar danosos acordos de livre-comércio e reescrever os anteriores; para investir na depauperada infraestrutura pública de transporte coletivo e habitação social; para retomar a propriedade de serviços essenciais como água e energia; para reconstruir o sistema agrícola doente de modo muito mais saudável; para abrir as fronteiras a migrantes cujo deslocamento está ligado aos impactos do clima; para enfim respeitar os direitos de indígenas à terra –tudo isso ajudaria a acabar com os grotescos níveis de desigualdade em nossas nações e entre elas.”

REFORMA Como assinala a resenhista Kolbert, é um programa ambicioso –se não irreal, caberia acrescentar. Klein não chega a provar que a solução para o clima exija uma reviravolta anticapitalista. Baseia sua fé nos movimentos sociais redentores só em si própria –ou seja, em pensamento positivo.

Com essa viseira, não consegue enxergar que o capitalismo não é um monólito, mas um sistema flexível e cambiante. Entre outras coisas, capaz de criar nichos de mercado para energias limpas (como a eólica, recentemente, no Brasil) mesmo em meio às ideias fixas na hidreletricidade e petróleo.

Até os mais céticos quanto ao processo internacional de negociações sobre clima, como o cientista político Eduardo Viola, da UnB, se distanciam dessa perspectiva: “O capital tende a estar cada vez mais dividido entre forças inerciais, conservadoras, e forças que apontam para a descarbonização”.

“Mesmo dentro de cada empresa há essa divisão”, afirma Viola. “[O impasse] na política internacional é derivado disso.” Como Klein, o professor da UnB vê num imposto sobre o carbono o meio mais eficiente para promover a transformação necessária –mas numa moldura capitalista: “As forças reformistas estão procurando regras para precificar o carbono”.

Naomi Oreskes tampouco acompanha Klein. “Reconhecer a mudança do clima como uma falha de mercado não obriga ninguém a concluir que a falha não possa ser corrigida”, diz a historiadora de Harvard. Na sua avaliação, a xará acaba por confirmar o preconceito dos céticos de que a defesa do clima não passa de ataque sub-reptício contra a liberdade do capital.

“Klein pode estar certa, mas espero que não esteja, porque reformar o capitalismo parece uma tarefa mais difícil que reformar nossos sistemas de energia e infraestrutura. Ambas as coisas parecem quase impossíveis, mas a segunda eu ao menos consigo imaginar.”

Andrew Revkin segue na linha de Viola e Oreskes. “Podemos evitar a perigosa mudança climática de origem humana (e os impactos do clima) sem desfazer o capitalismo”, afirma o jornalista.

“Existem modelos pós-extrativistas para construir negócios bem-sucedidos. No fim das contas, é um misto de pesquisa básica com operação do setor privado (capitalista) que está reduzindo os cursos da energia alternativa e levando a ganhos de eficiência.”

REGENERAÇÃO A receita reformista favorita aposta na combinação de energia fotovoltaica e eólica, talvez algumas usinas térmicas nucleares, para substituir carvão, óleo e gás natural na geração de eletricidade, que seria distribuída por redes inteligentes (“smart grids”) com desperdício reduzido.

Só a radiação solar tem potencial para fornecer pelo menos seis vezes mais energia que os 15 trilhões de watts hoje obtidos de combustíveis fósseis. Boa parte dessa energia poderia ser usada para massificar a dessalinização de água do mar e, quem sabe, para recapturar carbono da atmosfera.

Em vez da sentimental “regeneração” do planeta defendida por Klein no fim do livro, essa perspectiva implicaria redobrar a aposta prometeica no Antropoceno. Se não há volta nos ponteiros do relógio geológico, resta continuar mudando o mundo –para melhor.

Seria a única saída para evitar uma ração impalatável de 2.000 watts por pessoa que a matriz fóssil atual exigiria para baixar as emissões de carbono ao nível necessário. Um americano consome hoje 12.000 watts e jamais se contentaria com menos; o restante do mundo vê como um direito a chance de chegar a esse patamar.

Nem por isso se pode dar Klein por nocauteada. A janela para conter a mudança do clima está se fechando, e a trajetória que governos, ONGs, ONU, empresas verdes e líderes idem –Al Gore à frente como sacerdote-mor do termoevangelismo– até aqui fracassou.

E fracassou, entre outras razões, como aponta “This Changes Everything”, porque a mudança do clima se tornou um meio de vida para muita gente. O livro é impiedoso ao desvendar a teia de relações e doações que une as ONGs ambientais mais famosas a empresas e empresários convertidos à causa ambiental que, no frigir dos ovos da rentabilidade, seguem investindo no bom e velho carbono.

PORVIR Para uns, como Ricardo Abramovay, professor de economia da USP, esse estado de coisas deixa margem para algum otimismo, ainda que tisnado pela dúvida: “Algum dia essa conta terá de ser paga; resta saber se será com catástrofe ou não”.

Para outros, como a professora de filosofia Déborah Danowski (PUC-Rio) e o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (Museu Nacional), autores do livro “Há Mundo Por Vir? Ensaio sobre os Medos e os Fins” [Instituto Socioambiental, R$ 35, 175 págs.], há sérias razões para inquietar-se.

“Nosso presente é o Antropoceno; este é o nosso tempo”, escrevem. “Mas este tempo presente vai se revelando um presente sem porvir, um presente passivo, portador de um carma geofísico que está inteiramente fora de nosso alcance anular –o que torna tanto mais urgente e imperativa a tarefa de sua mitigação.”

Brasil terá Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (Envolverde)

10/12/2014 – 10h16

por Redação da Envolverde

mudancasclimaticas1 Brasil terá Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas

Sociedade civil participa da elaboração do plano enviando documento com contribuições ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Em meio à 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Convenção do Clima), um acontecimento marcou a agenda climática do Brasil. A sociedade civil entregou um documento de contribuições ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) para que seja levado em consideração na elaboração do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (PNA).

Esse plano, que está em fase de finalização, tem por objetivo reunir as diretrizes para promover medidas de adaptação às mudanças climáticas no Brasil, abordando custos, efetividade e benefícios das medidas sugeridas. A previsão é que ele seja divulgado em 2015 e o prazo para a entrega das sugestões da sociedade civil à chamada pública é 15 de dezembro de 2014.

O estudo para contribuir com o PNA tem como título ”Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE): oportunidades para políticas públicas em mudanças climáticas” e foi encomendado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, com apoio do Observatório do Clima – rede de ONGs que atuam na agenda climática brasileira. Desde a elaboração do Termo de Referência para orientação do estudo, a Fundação Grupo Boticário contou com o apoio do Observatório do Clima, e interagiu com o MMA. O estudo contempla recomendações práticas direcionadas a tomadores de decisão, considerando aspectos ambientais e econômicos, para a inserção de uma estratégia de Adaptação baseada em Ecossistemas no PNA e em outras políticas públicas pertinentes. O gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário, André Ferretti, ressalta a importância dessa abertura do governo. “A participação do terceiro setor na criação de políticas públicas que preconizem a adaptação às mudanças climáticas de forma adequada é muito importante, pois mostra que estamos atentos às necessidades do país”.

Segundo ele, a sociedade civil possui um olhar diferente e complementar ao do governo e essa proximidade entre as duas partes é essencial. “Assim, conseguimos cobrar mais intensamente uma posição arrojada e assertiva no que diz respeito às mudanças do clima”, diz Ferretti. O documento de sugestões abordará principalmente a Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE), que considera a gestão da biodiversidade e dos serviços ambientais como parte de uma estratégia completa para ajudar pessoas a se prepararem para os efeitos adversos das mudanças climáticas, a exemplo das secas e enchentes extremas.

“Acreditamos que um documento orientador nacional terá um papel fundamental no apoio e divulgação a práticas de AbE no Brasil, ampliando a possibilidade de financiamentos dessas iniciativas, incluindo essas práticas nas políticas estaduais e municipais”, afirma Ferretti. Para ele, as soluções naturais baseadas em ecossistemas geram benefícios adicionais para a sociedade, como a captura e armazenamento de carbono, a conservação da biodiversidade, a infiltração da água da chuva e regularização da vazão dos rios, ou a produção de alimentos, sendo muitas vezes mais eficientes em termos de custos do que outras formas de adaptação baseadas em grandes obras de engenharia. O gerente cita como exemplo um caso no Vietnã, em que se constatou que a plantação e a manutenção de manguezais podem agir como quebra-mares e proteger a zona costeira com custos muito mais baixos do que a reparação mecânica da erosão de diques induzida por ondas, segundo dados da publicação “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade”, de 2009.

Para debater as mudanças climáticas e mensurar seus efeitos sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, a Fundação Grupo Boticário apoia, desde 2011, projetos voltados para o estudo dessa temática por meio do edital Bio&Clima Lagamar, cuja área de abrangência engloba o Mosaico de Áreas Protegidas do Lagamar (litoral paranaense e o litoral sul de São Paulo). Além disso, com o objetivo de ampliar a pesquisa sobre o tema nesta região, a Fundação Grupo Boticário firmou uma parceria com a FAPESP, que resultou em uma chamada conjunta para apoio a projetos, com o valor total de R$ 5 milhões.

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.417 projetos de 481 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país.  Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet, no Twitter  e no Facebook.

Sobre o Grupo Boticário: constituído em 2010, o Grupo Boticário é uma referência internacional no varejo de beleza. Controla quatro unidades de negócio: O Boticário; Eudora; quem disse, berenice?; e The Beauty Box, e é mantenedor da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Está presente em sete países e conta com uma força de trabalho composta por sete mil colaboradores diretos que acreditam que beleza não é o que a gente sonha, imagina ou quer. Beleza é o que a gente faz.

(Fundação Grupo Boticário)

Warmer Pacific Ocean could release millions of tons of seafloor methane (Science Daily)

Date: December 9, 2014

Source: University of Washington

Summary: Water off Washington’s coast is warming a third of a mile down, where seafloor methane shifts from a frozen solid to a gas. Calculations suggest ocean warming is already releasing significant methane offshore of Alaska to Northern California.


Sonar image of bubbles rising from the seafloor off the Washington coast. The base of the column is 1/3 of a mile (515 meters) deep and the top of the plume is at 1/10 of a mile (180 meters) depth. Credit: B. Philip / Univ. of Washington

Off the West Coast of the United States, methane gas is trapped in frozen layers below the seafloor. New research from the University of Washington shows that water at intermediate depths is warming enough to cause these carbon deposits to melt, releasing methane into the sediments and surrounding water.

Researchers found that water off the coast of Washington is gradually warming at a depth of 500 meters, about a third of a mile down. That is the same depth where methane transforms from a solid to a gas. The research suggests that ocean warming could be triggering the release of a powerful greenhouse gas.

“We calculate that methane equivalent in volume to the Deepwater Horizon oil spill is released every year off the Washington coast,” said Evan Solomon, a UW assistant professor of oceanography. He is co-author of a paper to appear in Geophysical Research Letters.

While scientists believe that global warming will release methane from gas hydrates worldwide, most of the current focus has been on deposits in the Arctic. This paper estimates that from 1970 to 2013, some 4 million metric tons of methane has been released from hydrate decomposition off Washington. That’s an amount each year equal to the methane from natural gas released in the 2010 Deepwater Horizon blowout off the coast of Louisiana, and 500 times the rate at which methane is naturally released from the seafloor.

“Methane hydrates are a very large and fragile reservoir of carbon that can be released if temperatures change,” Solomon said. “I was skeptical at first, but when we looked at the amounts, it’s significant.”

Methane is the main component of natural gas. At cold temperatures and high ocean pressure, it combines with water into a crystal called methane hydrate. The Pacific Northwest has unusually large deposits of methane hydrates because of its biologically productive waters and strong geologic activity. But coastlines around the world hold deposits that could be similarly vulnerable to warming.

“This is one of the first studies to look at the lower-latitude margin,” Solomon said. “We’re showing that intermediate-depth warming could be enhancing methane release.”

Co-author Una Miller, a UW oceanography undergraduate, first collected thousands of historic temperature measurements in a region off the Washington coast as part of a separate research project in the lab of co-author Paul Johnson, a UW professor of oceanography. The data revealed the unexpected sub-surface ocean warming signal.

“Even though the data was raw and pretty messy, we could see a trend,” Miller said. “It just popped out.”

The four decades of data show deeper water has, perhaps surprisingly, been warming the most due to climate change.

“A lot of the earlier studies focused on the surface because most of the data is there,” said co-author Susan Hautala, a UW associate professor of oceanography. “This depth turns out to be a sweet spot for detecting this trend.” The reason, she added, is that it lies below water nearer the surface that is influenced by long-term atmospheric cycles.

The warming water probably comes from the Sea of Okhotsk, between Russia and Japan, where surface water becomes very dense and then spreads east across the Pacific. The Sea of Okhotsk is known to have warmed over the past 50 years, and other studies have shown that the water takes a decade or two to cross the Pacific and reach the Washington coast.

“We began the collaboration when we realized this is also the most sensitive depth for methane hydrate deposits,” Hautala said. She believes the same ocean currents could be warming intermediate-depth waters from Northern California to Alaska, where frozen methane deposits are also known to exist.

Warming water causes the frozen edge of methane hydrate to move into deeper water. On land, as the air temperature warms on a frozen hillside, the snowline moves uphill. In a warming ocean, the boundary between frozen and gaseous methane would move deeper and farther offshore. Calculations in the paper show that since 1970 the Washington boundary has moved about 1 kilometer — a little more than a half-mile — farther offshore. By 2100, the boundary for solid methane would move another 1 to 3 kilometers out to sea.

Estimates for the future amount of gas released from hydrate dissociation this century are as high as 0.4 million metric tons per year off the Washington coast, or about quadruple the amount of methane from the Deepwater Horizon blowout each year.

Still unknown is where any released methane gas would end up. It could be consumed by bacteria in the seafloor sediment or in the water, where it could cause seawater in that area to become more acidic and oxygen-deprived. Some methane might also rise to the surface, where it would release into the atmosphere as a greenhouse gas, compounding the effects of climate change.

Researchers now hope to verify the calculations with new measurements. For the past few years, curious fishermen have sent UW oceanographers sonar images showing mysterious columns of bubbles. Solomon and Johnson just returned from a cruise to check out some of those sites at depths where Solomon believes they could be caused by warming water.

“Those images the fishermen sent were 100 percent accurate,” Johnson said. “Without them we would have been shooting in the dark.”

Johnson and Solomon are analyzing data from that cruise to pinpoint what’s triggering this seepage, and the fate of any released methane. The recent sightings of methane bubbles rising to the sea surface, the authors note, suggests that at least some of the seafloor gas may reach the surface and vent to the atmosphere.


Journal Reference:

  1. Susan L. Hautala, Evan A. Solomon, H. Paul Johnson, Robert N. Harris, Una K. Miller. Dissociation of Cascadia margin gas hydrates in response to contemporary ocean warmingGeophysical Research Letters, 2014; DOI: 10.1002/2014GL061606

How pace of climate change will challenge ectotherms (Science Daily)

Date: December 9, 2014

Source: University of Sydney

Summary: Scientists have analyzed 40 years of data to outline climate change challenge for ectotherms (animals who rely on external sources of heat to control body temperature). The research showed that many groups of ectotherms, which make up more than 90 percent of all animals, are able to change their physiological function to cope with an altered environment, but the rapid pace and fluctuations of human-induced climate change present serious challenges.

Turtles sunning themselves (stock image). Turtles are ectotherms, one of many that will be threatened by climate change, researchers say. Credit: © xoanon / Fotolia

Animals that regulate their body temperature through the external environment may be resilient to some climate change but not keep pace with rapid change, leading to potentially disastrous outcomes for biodiversity.

A study by the University of Sydney and University of Queensland showed many animals can modify the function of their cells and organs to compensate for changes in the climate and have done so in the past, but the researchers warn that the current rate of climate change will outpace animals’ capacity for compensation (or acclimation).

The research has just been published in Nature Climate Change (Letters), written by Professor Frank Seebacher School of Biological Sciences and Professor Craig Franklin and Associate Professor Craig White from the University of Queensland.

Adapting to climate change will not just require animals to cope with higher temperatures. The predicted increase to fluctuations in temperature as well as to overall temperature would require animals to function across a broader range of conditions. This is particularly important for ectotherms, animals that rely on external sources of heat to control body temperature, and are therefore more influenced by environmental temperatures.

The research showed that many groups of ectotherms, which make up more than 90 percent of all animals, are able to change their physiological function to cope with an altered environment, but the rapid pace and fluctuations of human-induced climate change present serious challenges.

The researchers studied 40 years of published data to assess how biological functions change in response to a sudden fluctuations in environmental temperatures. They found that the physiological rates of ectothermic animals, such as heart rate, metabolism and locomotion, had already increased over the past 20 years with increasing average temperatures.

“It is important that animals maintain the right balance between the large number of physiological functions despite environmental fluctuations. An increase in temperature that leads to changed reaction rates can upset that balance and cause the decline of individuals and species,” said Professor Seebacher. “For example, movement requires energy and oxygen to be delivered to muscles. However, if metabolism or the cardiovascular system can’t cope with increased temperatures, animals can no longer move to forage, migrate or interact with each other.

“The overall trend in the last 20 years has been to increased physiological rates, and we predict that this would continue to increase with increasing temperature. “Even if animals are able to maintain the balance of their physiological functions in a warmer climate, increased metabolism leads to increases in the food resources needed and could upset the balance in ecosystems, particularly if predator and prey populations respond very differently to the environmental temperature change.”


Journal Reference:

  1. Frank Seebacher, Craig R. White, Craig E. Franklin. Physiological plasticity increases resilience of ectothermic animals to climate changeNature Climate Change, 2014; DOI: 10.1038/nclimate2457

New ‘science of climate diversity’ (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: Cornell University

Summary: There is cloud hanging over climate science, but one expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air. He argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.


There is cloud hanging over climate science, but one Cornell University expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air.

In the December issue of Nature Climate Change, Jonathon Schuldt, assistant professor of communication, argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.

“There is an invisible, but very real barrier to climate engagement,” Schuldt said. “We need to engage with all kinds of diverse folks if we’re going to face this challenge. It will be a problem if the perception, and the reality, is that it’s a bunch of white male scientists at the table.”

The commentary, “Facing the diversity crisis on climate science,” was born when Schuldt and co-author Adam Pearson, an assistant professor of psychology at Pomona College, began talking about University of Michigan Professor Dorceta Taylor report, “The State of Diversity in Environmental Organizations.” In the report, Taylor examined non-profits, government agencies and grant-making foundations and found that non-white minorities comprised no more than 16 percent of staff in these institutions, in spite of constituting 29 percent of the U.S. science and engineering workforce and 38 percent of the American population. The report found that this “white Green Insiders club” narrows research and limits public engagement.

Schuldt agrees, but thinks more than just institutional changes are needed.

“What is missing is science-based solutions that focus on the fundamentally social nature of this problem,” the authors state. “Research from social psychology offers insight into factors that can powerfully influence participation.”

Schuldt and Pearson argue that early successes in diversifying other STEM research fields, and expanding the role women play in the environmental movement, point to three immediate and essential steps for climate research and outreach organizations.

First, boosting racial and ethnic diversity in climate research and outreach leadership can have an instant impact — provided this leadership is represented in how institutions present themselves. Put simply, Schuldt said, climate science “needs to present a more diverse face.”

Next, the authors urge all those who communicate around climate science to confront lingering stereotypes about environmentalism and minority engagement. Schuldt said one of the most pernicious fallacies needs to quickly be dismantled: that concern for climate issues is lacking in America’s non-white population. He notes recent work by social science researchers has shown this “underrepresentation by choice” idea to be false, and said climate leaders need to highlight the reality of deep minority community concern.

Lastly, the authors insist organizational messages can help bridge this gap. Among the most destructive ideas that needs to be abandoned, Schuldt said, is that communication around climate science should be “color blind.”

“Color-blind communications are, paradoxically, ineffective,” Schuldt said. “What it implies to minority individuals is that their unique perspectives and experiences don’t matter.”

Instead, Schuldt suggested, messages that highlight diversity while pointing toward a common goal are key: “We are all different, but we’re all in this together.” The long-range goal, Schuldt and Pearson state, needs to be the creation of a new science of climate diversity. Climate scientists must collaborate with psychology and the social sciences, and these research partnerships need to be supported by academic, public and private institutions alike. Once that is done and a “new nexus of research” begins to form around how climate science and the climate change movement can increase racial and ethnic diversity, those fact-based findings can be used to guide public climate advocacy and policy reform efforts. That, Schuldt said, is the only way a problem as complex and far-reaching as climate change can effectively, and equitably, be addressed.

“Diverse teams are better at solving complex problems, and there’s every reason to believe this is the same, if not more important, when facing climate change,” Schuldt said.


Journal Reference:

  1. Adam R. Pearson, Jonathon P. Schuldt. Facing the diversity crisis in climate scienceNature Climate Change, 2014; 4 (12): 1039 DOI: 10.1038/nclimate2415

Early warning signals of abrupt climate change (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: University of Exeter

Summary: A new study has found early warning signals of a reorganization of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.


Drought (stock image). Credit: © carloscastilla / Fotolia

A new study by researchers at the University of Exeter has found early warning signals of a reorganisation of the Atlantic ocean’s circulation which could have a profound impact on the global climate system.

The research, published today in the journal Nature Communications, used a simulation from a highly complex model to analyse the Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), an important component of the Earth’s climate system.

It showed that early warning signals are present up to 250 years before it collapses, suggesting that scientists could monitor the real world overturning circulation for the same signals.

The AMOC is like a conveyor belt in the ocean, driven by the salinity and temperature of the water. The system transports heat energy from the tropics and Southern Hemisphere to the North Atlantic, where it is transferred to the atmosphere.

Experiments suggest that if the AMOC is ‘switched off’ by extra freshwater entering the North Atlantic, surface air temperature in the North Atlantic region would cool by around 1-3°C, with enhanced cooling of up to 8°C in the worst affected regions.

The collapse would also encourage drought in the Sahel — the area just south of the Sahara desert — and dynamic changes in sea level of up to 80cm along the coasts of Europe and North America.

“We found that natural fluctuations in the circulation were getting longer-lived as the collapse was approached, a phenomenon known as critical slowing down,” said lead author Chris Boulton.

“We don’t know how close we are to a collapse of the circulation, but a real world early warning could help us prevent it, or at least prepare for the consequences” adds co-author Professor Tim Lenton.

The study is the most realistic simulation of the climate system in which this type of early warning signal has been tested.

“The best early warning signals in the model world are in places where major efforts are going into monitoring the circulation in the real world — so these efforts could have unexpected added value’ adds Professor Lenton.


Journal Reference:

  1. Chris A. Boulton, Lesley C. Allison, Timothy M. Lenton. Early warning signals of Atlantic Meridional Overturning Circulation collapse in a fully coupled climate modelNature Communications, 2014; 5: 5752 DOI: 10.1038/ncomms6752

2014 set to be world’s hottest year ever (The Guardian)

Record average temperatures highlight the urgent need to agree a deal on emissions at the UN climate change talks in Lima

2014 hottest year on record : 134-Foot-High Thermometer in Baker, California
 Vehicles drive by a 134ft-high thermometer in Baker, California. Average land and sea surface temperatures have reached record levels in 2014. Photograph: Ethan Miller/Getty Images

The world is on course for the hottest year ever in 2014, the United Nations weather agency said on Wednesday, heightening the sense of urgency around climate change negotiations underway in Lima.

Preliminary estimates from the World Meteorological Organisation (WMO) found global average land and sea surface temperatures for the first 10 months of 2014 had soared higher than ever recorded.

The findings – broadly in line with those of the US National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) and other scientific agencies – indicate that by year-end 2014 will break all previous high temperature records.

The steady escalation of greenhouse gas emissions, caused by the burning of fossil fuels, have seen a succession of record-breaking years for temperature since the dawning of the 21st century and 2014 promises to be no exception, the WMO said.

“Fourteen of the 15 warmest years on record have all occurred in the 21st century,” said the WMO’s secretary-general Michel Jarraud. “What we saw in 2014 is consistent with what we expect from a changing climate.

“Record-breaking heat combined with torrential rainfall and floods destroyed livelihoods and ruined lives. What is particularly unusual and alarming this year are the high temperatures of vast areas of the ocean surface, including in the northern hemisphere,” he said.

The new evidence provided by the WMO report of the gathering risks of climate change undercut the optimism expressed by negotiators from industrialised countries at the opening of the Lima talks.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the findings drove home the urgency of reaching a deal. Negotiations have been grinding on for more than 20 years.

“Our climate is changing and every year the risks of extreme weather events and impacts on humanity rise,” she said.

Ed Davey, the UK climate secretary, said the UN climate talks were critical to stop temperatures rising to dangerous levels. “More record warm temperatures in the UK and across the world are yet more evidence that we need to act urgently to prevent dangerous climate change,” he said.

Officials from nearly 200 countries will spend the next two weeks in Lima working to agree on a plan to cut global greenhouse gas emissions fast enough and deeply enough to limit warming to 2C above pre-industrial times, the official objective of the UN talks.

But even that goal – which scientists say may not go far enough to prevent low-lying island states from drowning in rising seas – may be moving beyond reach.

“When confronted with numbers like these, the challenge to stablise global warming below dangerous levels can seem daunting indeed,” Michael Mann, the climate scientist, said. “The globe is warming, ice is melting, and our climate is changing, as a result. And the damage is being felt – in the forms of more destructive weather extremes, more devastating wildfires, and unprecedented threats to the survival of endangered animal species.”

He said the Lima climate talks – and a summit scheduled for Paris at the end of next year – were “perhaps our last real opportunity to stave off truly dangerous and irreversible world-wide changes in our climate.”

Bill McKibben, leader of the 350.org campaign group, saw the findings as a call to arms to climate activists. “If you thought 2014 was hot, wait ‘til you see 2015. This means we need to turn up the flame even higher under the fossil fuel companies that are frying our planet,” he said.

A runner passes people sitting on a bench in the sunshine in Green Park on October 31, 2014 in London, England.  Temperatures in London are forecasted to exceed 20 degrees making today the hottest Halloween on record.
 Londoners enjoying record temperatures at Halloween. Photograph: Rob Stothard/Getty Images

The WMO report found the global average air temperature over land and sea surface for January to October was about 0.57C above the average of 14C for the 1961-1990 reference period, and 0.09C above the average for the past 10 years (2004-2013).

The most striking evidence of warming was probably in the oceans, however. Most of the excess heat trapped in the atmosphere by greenhouse gas emissions ends up in the oceans.

The WMO said global sea surface temperatures were 0.45C higher than the average over the last 50 years.

If November and December continue on the same course, then 2014 will edge out 2010, 2005 and 1998 as the hottest years ever known – but only by a few hundredths of a degree. Different data sets also show slightly different rankings, the WMO said.

In any event, the trend line is clear. The world is getting warmer, especially the oceans. Those higher temperatures were already exacting a toll, in terms of heavy rainfall and flooding in some countries, and extreme drought in others, the WMO said.

The agency dismissed outright the notion posed by some climate deniers of a pause in the warming trend.

“There is no standstill in global warming,” Jarraud said.

The world’s big three emitters – the US, China, and the EU – have pledged new targets for cutting their use of fossil fuels, injecting optimism into the Lima talks.

But scientists say even those targets are not enough to limit warming to 2C, and other big carbon polluters such as India, Russia, and Australia have yet to come on board.

Meanwhile, there were early signs of tension between the US and EU over the legal structure of the agreement that is due to be adopted in Paris next year.

Campaign groups monitoring the talks called on negotiators to take the new WMO findings to heart.

“The fact that we’re tracking towards the hottest year on record should send chills through anyone who says they care about climate change – especially negotiators at the UN climate talks here in Lima,” said Samantha Smith, who heads WWF’s climate and energy initiative. “This is more scientific evidence of the real impact climate change is having on our world. The changes will be felt the most by the most vulnerable people, whose lives and livelihoods are already being affected.”

This picture taken on July 30, 2014 shows a girl and her father collecting water from an almost dried up resevoir, two kilometers from their home, in Pingdingshan, central China's Henan province. Severe drought and scorching heat has damaged over a million hectares of farmland in China's Henan and Inner Mongolia provinces, with no immediate relief in sight, a state news agency reported.
 An almost dried up reservoir in Pingdingshan, central China’s Henan province, where severe drought damaged vast areas of farmland. Photograph: STR/AFP/Getty Images

The WMO found western North America, Europe, eastern Eurasia, much of Africa, large areas of South America and southern and western Australia were especially warm. South Africa, Australia, and Argentina started the year with blistering heat waves.

However, the US and Canada ushered in 2014 with the chill Arctic winds of the polar vortex. Central Russia also recorded cooler than average conditions for the year.

Europe also experienced extreme weather, with the UK buffetted by storms. A separate temperature data set, the world’s longest continuous record, showed England was on track for the hottest year in over three centuries. Higher temperatures cause more evaporation and more rain, and 2014 began with England’s wettest winter in over 250 years, leading to widespread flooding.

In Serbia, Bosnia-Herzegovina and Croatia, more than two million people were caught up in severe flooding. Parts of Turkey saw five times the normal amount of rain, and France experienced its wettest summer since 1959.

South Asia also experienced heavy rains, with severe flooding in northern Bangladesh, northern Pakistan and India, affecting millions of people in August and September.

For other parts of the world, however, 2014 brought drought. Rainfall in parts of the Yellow River basin in China were less than half of the summer average. A large swathe of the western US continued under drought. New South Wales and southeast Queensland in Australia also went without rain.

COP20 Lima na mídia – primeira semana

Ministros terão pouco a mudar sobre rascunho, diz presidente da COP 20 (G1)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

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Participante da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, observa mapa em telão que mostra a temperatura dos oceanos na Terra. As cores mais alaranjadas representam temperaturas maiores (Foto: UNFCCC)

Proposta do Brasil para acalmar ‘rixa entre ricos e pobres’ foi aceita pela ONU. Conferência das Nações Unidas acontece até o dia 12, em Lima, no Peru.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal, presidente da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, sabe que é grande o desafio que tem nas mãos: coordenar mais de 190 países reunidos em Lima para obter o “rascunho zero” de um acordo para cortar emissões de gases e reduzir os impactos da mudança climática no planeta.

A primeira semana de discussões entre diplomatas e cientistas chegou ao fim no sábado (6) sem que uma prévia desse rascunho estivesse pronta, o que não significa a inexistência de avanços, segundo Vidal.

Em entrevista o ministro limita-se a dizer que “os documentos vão estar oportunamente finalizados e concluídos para serem apreciados pelo setor ministerial”, parte do encontro que reúne os ministros do Meio Ambiente e que terá início na terça (9).

pan style=”font-family: arial, helvetica, sans-serif;”>Segundo Vidal, “sobrarão poucas arestas a serem aparadas por ministros de Estado nos próximos dias”. “Estamos monitorando, esperamos que o rascunho feche de tal maneira que o segmento de Alto Nível tenha poucas resistências políticas finais”, disse.

Decisões na mesa

O novo tratado, que deverá ser obrigatório, mas não punitivo, tem que ser assinado em 2015, na COP 21, em Paris, e entrar em vigor em 2020.

Quanto cada país terá que cortar de emissões? Que governos precisarão receber ajuda por danos sofridos em desastres naturais ou para a prevenção deles? Quanto de dinheiro será doado? De onde virá o investimento? Como será o desenvolvimento ou a transferência de tecnologias voltadas à redução das emissões? Como as nações vão se adaptar a uma possível nova realidade climática?

As respostas para essas perguntas tentam ser definidas desde 2012, quando ficou determinada a criação de um novo protocolo do clima – chamada Plataforma de Durban.

O ministro do Meio Ambiente peruano diz que articula com representantes de outros governos e não cita que resistências políticas seriam essas.

Por se tratar de possíveis impactos econômicos que os cortes de gases provocariam, os governos ficam reticentes em tomar quaisquer decisões referentes ao tema. Por isso a dificuldade em se obter um acordo rapidamente — já são 20 anos negociando o tema.

Mas ele ressalta que “as consequências das mudanças climáticas já estão sendo sentidas e vamos continuar sofrendo o impacto por mais tempo (…) se não tomarmos uma decisão desde essa COP e, obviamente, não chegarmos ao acordo no ano que vem, as cosias vão ficar cada vez mais severas”.

Adaptação

Segundo o presidente da COP 20, ainda é preciso avançar em uma agenda que tenha a capacidade de ser atendida adequadamente pelos países.

Metas Nacionais

02O ministro do Meio Ambiente e presidente da COP 20, Manuel Pulgar Vidal (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Ainda é preciso definir quais serão as metodologias a serem seguidas pelos países quando apresentarem as Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). Nelas estarão englobadas quanto cada país vai cortar de emissões a partir de 2020.

“Os países concordam que as condições contidas nos INDCs são essenciais para que o processo continue sendo bem sucedido até o próximo ano. Se isso não for aprovado agora, não será possível apresentar as contribuições em 2015. Estamos avançando bem nessa questão”, disse. As INDCs têm que ser apresentadas até o fim de março de 2015.

Perdas e danos

Os desdobramentos sobre como vai funcionar esse instrumento ainda são lentos. “Estão conforme o programado”, diz o presidente da COP 20. Criado na COP 19, na Polônia, o mecanismo sobre perdas e danos tem o objetivo de compensar nações que não conseguem se adaptar à mudança climática e já sofrem atualmente com seus efeitos. Isso beneficiaria, principalmente, os Estados-ilha, países insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar.

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Segundo período do Protocolo de Kyoto

Um segundo período para Kyoto foi aprovado em 2012, mas sua negociação ficou enfraquecida depois que grandes nações poluidoras como Japão, Canadá, Austrália e Rússia saíram do bloco chamado Anexo 1.

O nome refere-se ao grupo de nações ricas obrigadas pelo protocolo a cortarem emissões entre 2008 e 2012, menos o principal rico e atual segundo maior poluidor, os Estados Unidos. A China, maior emissor de gases, é considerado ainda como país em desenvolvimento.

“Estamos trabalhando nessa COP para eliminar qualquer dificuldade e, finalmente, alcançar um Segundo Compromisso”, disse o ministro. Isso é essencial para que as emissões sejam controladas nos anos que antecedem a vigência do novo acordo.

Princípio da Convenção

Outro ponto discutido no encontro refere-se ao princípio das “Responsabilidades Comuns, porém diferenciadas”. Grandes potências, que historicamente responsáveis pela maior parte das emissões, querem mudá-lo, alegando nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e África do Sul), grandes emissoras de gases-estufa também têm que seguir regras rígidas para diminuir o lançamento de poluentes à atmosfera.

O embate se dá porque o bloco “mais pobre” não quer frear seu desenvolvimento, o que poderia acontecer ao realizar cortes de gases (ação exigida pelo bloco “mais rico”).

Mas uma proposta apresentada pelo Brasil, que vai estar no “rascunho zero”, pode acalmar os ânimos. Chamada de diferenciação concêntrica, ela divide as nações em três níveis e cria conjuntos de critérios, um tipo de “menu”, que cada país poderá escolher para diminuir suas emissões. A proposta faz com que nações vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreendam grandes ações. Ainda não foram definidos quais são esses critérios.

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10/12/2014 – 03h36

COP-20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima (IHU On-Line)

por Redação do IHU On-Line

shutterstock 130863860 380x253 COP 20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima

“As maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui”, avalia o coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo.

A principal tensão entre os 190 países que participam da COP-20 é chegar a um acordo acerca do ano em que as nações irão se comprometer com as metas de redução de CO², diz Ricardo Baitelo, que representa o Greenpeace na Conferência do Clima, em Lima, à IHU On-Line, por telefone.

“Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025”, pontua. Segundo ele, a tensão para se chegar a um consenso para o cumprimento de metas demonstra que será difícil estabelecer um acordo para o próximo ano, em Paris. “Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então este ponto deve ser negociado”.

Baitelo informa que, entre as notícias que podem ser comemoradas na COP-20, estão a de que a Alemanha já anunciou a data de quando deixará de utilizar usinas nucleares, a de que a União Europeia reduzirá suas emissões em 40% até 2030 e a de que a Índia, apesar de insistir no uso de carvão, vai instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década.

De acordo com ele, ao longo das negociações da primeira semana, o Itamaraty fez uma proposta metodológica de situar as responsabilidades de cada país a partir da ideia de círculos concêntricos, ou seja, cada nação poderá assumir metas mais ambiciosas ao longo do tempo. Contudo, adverte, “o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade”.

Ricardo Baitelo é coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil e doutor em Planejamento Integrado de Recursos pela Poli-USP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como estão as negociações na COP-20 até o momento? Pode nos dar um panorama geral da primeira semana de negociações?

Ricardo Baitelo – Na primeira semana, as negociações foram lentas, sendo que nos primeiros três dias foram basicamente plenárias de apresentação, com todas as delegações falando, discutindo o texto rascunho, que será trabalhado aqui e depois em Paris. Então, diria que ainda é muito cedo para traçar um diagnóstico. Entre alguns pontos que podem ser colocados, um deles é a discussão do Brasil com relação à contabilização de carbono; essa é uma discussão dentro do subgrupo de florestas.

Em um panorama mais geral, posso dizer que as maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui. Esses dois países finalmente se comprometeram com metas para 2030. Da parte do Brasil, o Itamaraty fez uma proposta de metodologia de como outros países devem se situar em termos de responsabilidade no futuro, já que propuseram essa nova divisão de círculos concêntricos, onde, ao longo do tempo, cada país vai se comprometendo com metas mais ambiciosas — obviamente, de acordo com o número de riqueza e de possibilidades.

A única crítica que fazemos é ao fato de que o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade.

IHU On-Line – Quais são as críticas em relação ao rascunho do acordo de Paris feitas pelas delegações?

Ricardo Baitelo – Ainda é cedo para traçarmos um comentário sobre esse assunto. Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025. Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então, este ponto deve ser negociado.

IHU On-Line – O acordo entre China e EUA foi bem visto na COP-20, apesar de os comprometimentos serem também para 2030?

Ricardo Baitelo – Eu ainda não tenho um panorama dos demais países. Posso dizer, informalmente, que, segundo o Brasil, as metas em Copenhague eram mais ambiciosas. A delegação brasileira diz que a meta que se tinha em 2009, de uma redução de 36 a 39%, é mais avançada do que as metas que os Estados Unidos estão propondo. É claro que se tem essa confusão, se cada um coloca uma porcentagem e coloca um ano de referência diferente, fica uma grande salada de frutas. O Brasil argumenta que a proposta dos Estados Unidos, se tomada pela base da brasileira, é menor, porque é só de 19% de redução, e a China, por sua vez, também não disse em que ano vai atingir o pico das emissões. Os chineses mencionam 2030, mas seria, obviamente, mais importante que isso acontecesse antes, considerando que eles são os maiores emissores do mundo.

Outro fator relevante é que a Alemanha anunciou uma data de quando deve deixar de usar energia nuclear internamente. Essa é outra notícia bastante importante. A Alemanha, como uma das maiores potências, deve não só deixar de utilizar usinas nucleares, mas, em relação ao carvão, esperamos que ela dê o exemplo para o resto da Europa também.

IHU On-Line – Além da Alemanha, algum outro país já se manifestou sobre quais propostas domésticas irá adotar para enfrentar as mudanças climáticas?

Ricardo Baitelo – A União Europeia quer reduzir em 40% o número de emissões até 2030. Esse é um número, sem dúvida, mais ousado do que o proposto pela China e pelos Estados Unidos, mas, considerando a responsabilidade histórica, o número poderia ser maior, ou se poderia chegar antes a essa redução de 40%.

De qualquer maneira, é alguma coisa. Dentro das grandes potências, o que é digno de nota é a Índia: parte da proposta deles é muito boa, e outra parte é muito ruim. Os indianos querem instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década — isso é basicamente o tamanho da matriz brasileira inteira. O problema é o outro lado da moeda, relacionado à emissão de carvão, porque eles não querem tocar as fontes de carvão. Nesse sentido, a pressão que estamos colocando para que os países digam quando vão atingir o pico de emissão não está chegando à Índia. A Índia diz que não se deve colocar esse limite imediatamente e que as metas devem ser a partir de 2040 ou 2045, o que é um absurdo.

IHU On-Line – Quais têm sido as atividades da Cúpula dos povos frente à COP-20?

Ricardo Baitelo – Posso responder pelo Greenpeace. Tivemos uma grande atividade antes do começo da COP, em Machu Picchu, pedindo para que as grandes economias ajam em função da energia solar.

O Greenpeace Brasil desenvolveu algumas atividades, entre os dias 6 e 9, com os Munduruku, os quais trouxemos para o evento, e indígenas locais do Peru. Devemos fazer essa ponte entre os indígenas daqui, especialmente com a etnia que conseguiu interromper a construção de uma hidrelétrica no Peru. Então os colocamos em contato com os indígenas que devem ser impactados pelo projeto de Belo Monte.

A nossa meta internacional é pedir que os países tenham 100% de energias renováveis no mundo até 2050. No dia 10 de dezembro deve ocorrer a Marcha dos Povos, porque, por mais que se tenha essa discussão importante dos textos do novo acordo, que é uma discussão muito fechada, difícil de acompanhar, temos essa característica positiva da COP no Peru, que é de ser uma COP muito mais atrelada aos movimentos sociais, uma COP dos indígenas. Considerando que ultimamente, no governo Dilma, os direitos indígenas foram totalmente negligenciados, essa é outra pauta que estamos trazendo para discutir aqui.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

(IHU On-Line)

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08/12/2014 – 12h02

Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima (IPS)

por Diego Arguedas Ortiz, da IPS
CHICA 629x419 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – Encerrados em salões sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 países buscam o caminho que permita ao planeta chegar à neutralidade climática durante a segunda metade deste século, o único mecanismo para evitar mudanças irreversíveis na dinâmica planetária, segundo instituições científicas e especialistas.

A neutralidade climática implica a redução das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa a um ponto em que se possa capturar ou fixar a totalidade desses gases liberados. Para isso é fundamental acelerar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para outra fundamentada em energias renováveis.

Quando a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática chega ao seu equador, aumentam os países do Sul em desenvolvimento que assumem a proposta de fixar a meta até 2050 de neutralidade climática, também conhecida como carbono zero.

“Os dados científicos são cada vez mais alarmantes”, disse à IPS a costarriquenha Giovanna Valverde, presidente pró tempore da Associação Independente da América Latina e do Caribe (Ailac), um grupo de governos regionais de renda média que negociam como bloco na conferência, que começou no dia 1º e  termina no dia 12.

“O coordenador do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) nos mostrou, na sessão plenária, os dados que demonstram a urgência em que nos encontramos. Se colocamos o prazo de 2050 é para que todos possam aderir, mas os números são alarmantes e é bom se antecipar”, ressaltou Valverde.

Informes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Agência Internacional da Energia e do IPCC coincidem sobre como alcançar a neutralidade: investir mais em energias limpas, reduzir o consumo de combustíveis fósseis, melhorar as práticas agrícolas, reflorestar e potencializar a eficiência energética.

A iniciativa de avançar nesse caminho mediante a neutralidade climática se converteu em um debate-estrela da primeira semana da conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), mas falta muito para que se cristalize em um compromisso dos países para garantir a transição para uma economia limpa.

Um informe do britânico Overseas Development Institute conclui que as potências industrializadas e emergentes do Grupo dos 20 continuam investindo cerca de US$ 88 bilhões anuais em subsídios aos combustíveis fósseis, em lugar de usar esse capital para impulsionar energias renováveis. Além disso, nos espaços da COP 20, o poder e o lobby da indústria dos hidrocarbonos é palpável e não faltam na agenda encontros organizados por corporações transnacionais do setor, como o da anglo-holandesa Shell, pautada para hoje.

COP20 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Valverde assegurou que a chave é “os países se comprometerem seriamente com a informação nas contribuições para redução de emissões, permitindo aos cientistas terem tempo entre 2015 e 2020 para comparar metodologias de países, fazer a somatória matemática e definir quanto falta reduzir”.

A Associação de Pequenos Estados Insulares (Aosis) divulgou um comunicado exortando os países industrializados a tornarem “mais ambiciosas” essas contribuições, reduzindo a dependência das energias sujas. Também pediu que o planeta alcance o nível de zero emissões em 2100, o que implica uma total eliminação do uso de combustíveis fósseis, tal como recomendou o IPCC em seu último informe, apresentado no dia 2 deste mês.

Países como a Polônia, uma potência na produção de carvão, anunciaram sua rejeição à medida. A oposição polonesa e de outros países dependentes de combustíveis fósseis entorpecem o avanço das energias limpas. A União Europeia (UE), por exemplo, não concorda com uma meta de longo prazo dentro do bloco e tampouco está segura se apoiará a neutralidade climática apresentada pela CMNUCC e impulsionada pelos países em desenvolvimento.

“A meta é parte das mitigações, é parte da discussão”, pontuou à IPS uma das condutoras das negociações pela UE, Elina Bardram, acrescentando que “é importante chegarmos a Paris com uma visão compartilhada”, referindo-se à COP 21, que acontecerá na capital francesa em novembro de 2015. “Isso nos dirá qual será a ambição para um futuro baixo em carbono. Não temos clara ainda a meta de longo prazo, mas naturalmente que levaremos em conta a visão do IPCC e de outros organismos científicos”, assegurou.

Em Paris deverá ser estabelecido um novo tratado climático, global e vinculante, que a partir de 2020 substitua o Protocolo de Kyoto. Mas antes, em Lima, deve ser definida a forma que terá o que muitos consideram o coração do novo acordo: as contribuições nacionais. Nessas contribuições está incluída a quantidade de redução com que cada nação se compromete, e em quanto tempo. A somatória dessas contribuições deve ser suficiente para evitar os efeitos irreversíveis na dinâmica planetária da Terra.

Para conseguir isso, os países em desenvolvimento e a sociedade tanto do Sul quanto do Norte propõem uma mescla de redução dos incentivos às energias fósseis, reflorestamento, melhorias agrícolas e investimento em energias renováveis. Embora essas contribuições devam ser informadas oficialmente entre março e junho de 2015, alguns países já fizeram anúncios a respeito.

No dia 12 de novembro, em um anúncio conjunto em Pequim, os Estados Unidos prometeram reduzir, até 2025, entre 26% e 28% de suas emissões em relação aos níveis de 2005, enquanto a China se comprometeu a colocar um teto às suas emissões em 2030 e depois reduzi-las. Porém, os estudos científicos alertam que são necessários passos mais ambiciosos e mais rápidos.

As ações devem ser tomadas antes de 2020, segundo o Informe Sobre a Disparidade nas Emissões 2014, publicado em 19 de novembro pelo Pnuma, que analisa anualmente a diferença entre as ações atuais dos países e as necessárias para não haver graves consequências nas dinâmicas planetárias. “Esse documento deixa claro que, em certo ponto da segunda metade do século 21, teremos que ter alcançado a neutralidade climática, ou, como alguns chamam, zero total, em termos de emissões globais”, explicou a secretária-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres.

Segundo esse estudo, o pico das emissões mundiais deverá ocorrer nos próximos dez anos, seguido por ações para implementar mais energias limpas e reduzir o uso de combustíveis fósseis. Isso é conhecido como a “agenda de redução prévia a 2020” e a entrada em vigor do novo tratado. Até agora, em Lima, os delegados adiam a revisão dessas reduções pré-2020, envolvidos em lutas de procedimentos.

Agora, os países correm o risco de não acordarem as ações necessárias para reduzir as emissões de forma que a elevação da temperatura não ultrapasse os dois graus centígrados, e inclusive há vozes alertando que o aumento máximo deve ser menor, antes que ocorram efeitos irreversíveis no planeta.

“Nossa posição é que o aumento da temperatura não pode ser maior do que 1,5 grau centígrado, porque mais do que isso será extremamente nocivo”, destacou à IPS o nepalês Ram Prasad, coordenador do grupo de Países Mais Vulneráveis (LCD). A ação climática é urgente, pois cada ano que passa complica mais a situação para os países mais vulneráveis, que usualmente são as nações mais pobres do planeta, tornando a mudança climática um problema profundo de desigualdade, enfatizou.

O informe do Pnuma conclui que para adaptar-se ao clima variável o mundo necessitará de aproximadamente três vezes mais do que os entre US$ 70 milhões e US$ 100 bilhões anuais estimados até agora. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 03h03

A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora! (Greenpeace)

por Kumi Naidoo*
tufao A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

 

Enquanto o tufão Hagupit atinge as Filipinas, uma das maiores operações de evacuação em tempos de paz da história foi lançada para prevenir uma repetição das enormes perdas de vidas ocorridas quando o super tufão Haiyan atingiu a mesma área há apenas um ano.

“Uma das maiores evacuações em tempos de paz” é o que tem sido dito sobre esse fato. Mas pergunto: é tempo de paz ou estamos em guerra com a natureza?

Eu estava prestes a ir para Lima, no Peru, quando recebi um telefonema para vir para as Filipinas para apoiar o nosso escritório e seu trabalho em torno do tufão Hagupit (cujo nome significa chicote). Em Lima está em andamento a COP 20, mais uma rodada de reuniões da ONU sobre o clima, com o objetivo de negociar um tratado global para evitar uma mudança climática catastrófica.

Mas essas negociações já acontecem há muito tempo, com urgência insuficiente e nos bastidores. E, não tanto nos bastidores, também ocorre a influência do lobby dos combustíveis fósseis.

Este ano, como no ano passado e no ano anterior, essas negociações ocorrem em um cenário devastador de um chamado “evento climático extremo”, sobre o qual os cientistas do clima há tempos vêm alertando.

Tragicamente, não estamos tomando medidas urgentes. Mas a natureza não negocia, ela responde à nossa intransigência. Para o povo das Filipinas, e em muitas outras partes do mundo, a mudança climática já é uma catástrofe.

Hagupit tmo 2014338 lrg 784x1024 A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

Há apenas um ano, o super tufão Haiyan matou milhares de pessoas nas Filipinas, deixou as comunidades destruídas e causou bilhões de dólares em danos. Agora, muitos sobreviventes que ainda estão deslocados tiveram que novamente evacuar as tendas onde vivem enquanto o tufão Hagupit esculpe um caminho por todo o país.

É muito cedo para avaliar o impacto até agora – estamos todos esperando que ele poupará as Filipinas da mesma dor que foi vivida após Haiyan.

Aqui em Manila, nos preparamos para viajar para as áreas impactadas, na esteira do tufão Hagupit, ou Ruby, como tem sido chamado. Vamos oferecer a assistência que pudermos e vamos prestar solidariedade ao povo filipino. Queremos chamar a atenção daqueles que são responsáveis pelas mudanças climáticas, aqueles que são responsáveis pela devastação e que deveriam estar ajudando a pagar pela limpeza e pela a adaptação a um mundo em que o nosso clima está se tornando uma fonte crescente de destruição em massa.

É com o coração pesado que nos preparamos para esse testemunho. Nós desafiamos aqueles em Lima a voltar sua atenção da letargia do processo das negociações e prestar atenção ao que está acontecendo no mundo real.

Os chamamos para entender que a mudança climática não é uma ameaça futura a ser negociada, mas um perigo claro e presente que requer ação urgente agora!

Todos os anos, o povo das Filipinas aprende da maneira mais difícil o que a inação sobre as emissões quer dizer. Eles podem estar um pouco mais bem preparados e mais resistentes, mas eles também estão mais horrorizados com o fato de que, a cada ano – ao mesmo tempo -, as reuniões sobre o clima parecem continuar no vácuo. Não estão preparados para tomar medidas significativas, não são capazes de responder à urgência do nosso tempo e não responsabilizam os grandes poluidores que estão causando a mudança do clima com ritmo feroz.

Antes de sair para Manila também recebi uma mensagem do Yeb Sano, comissário do clima para as Filipinas: “Eu espero que você possa se juntar a nós quando dermos o testemunho sobre o impacto deste novo super-tufão. Sua ajuda seria muito valiosa para entregar uma mensagem clara e em bom som para Lima.”

Yeb foi o negociador-chefe Filipino por três anos nas negociações climáticas da ONU e recentemente visitou o Ártico em um navio do Greenpeace para testemunhar o degelo do mar. Dois anos atrás, em Doha, quando o tufão Pablo tirou a vida de muitos, ele rompeu o protocolo normalmente reservado e desapaixonado da diplomacia que domina as negociações do tratado do clima da ONU falando:

“Por favor, deixem que 2012 seja lembrado como o ano em que o mundo encontrou a coragem de assumir a responsabilidade para o futuro que queremos. Eu peço a todos nós aqui, se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, então onde? ”

Estou reunindo o Greenpeace Filipinas e Yeb para visitar as áreas mais atingidas, documentar a devastação e enviar uma mensagem clara de mudança climática para Lima e o resto do mundo. Os que são responsáveis pela maioria das emissões serão responsabilizados pelas comunidades que estão sofrendo os impactos de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.

Vamos chamar os chefes das companhias de combustíveis fósseis que são culpados pela tragédia que se desenrola para que realizem um exame de consciência e aceitem a sua responsabilidade histórica. Diz-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e, nesta guerra contra a natureza, a verdade da ciência do clima é inquestionável.

Kumi Naidoo é diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

** Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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Manifesto “No REDD” na COP-20 (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

9842No Brasil, é num ambiente de vitória eleitoral duramente conquistada e a formação de um tipo de ‘coabitação governamental’ inédita em que o governo de esquerda, com vontade reformista e transformadora expressada, nomeia ministros dentre as pessoas mais conservadoras e à direita do país, que vai se abrir a 20ª Conferência das Partes, a COP-20, em Lima-Peru, de 1º a 12 de dezembro. Para muitos especuladores, esta conferência prepara as bases de um novo acordo que deveria ser assinado o próximo ano em Paris.

Por Lucas Matheron, AgoraVox (Bruxelas)

Assim como já comentei em artigos anteriores [1] [2] [3], um dos pontos mais polêmicos dentre as soluções de luta contra o aquecimento global são os mecanismos de compensação das emissões, entre os quais, notadamente, os chamados REDD e REDD+. E nesta questão, o Brasil está especialmente interessado. Com efeito, longe de resolver os problemas, esses mecanismos os reforçam e os amplificam, pois ao lado das questões puramente ambientais, explodem problemas sociais, como do direito à terra e das comunidades indígenas. E isso, legalmente. Em resumo, é mais uma estratégia para sustentar um capitalismo agonizante (?), como o pensa David Harvey, que, desta vez, se ataca “ao que resta” a explorar, a natureza, antes de colocar, provavelmente daqui a pouco, um relógio no sol!

No entanto, observa-se um forte lobby favorável à introdução desses programas no nível dos Estados; seria, de fato, um sinal forte a favor da legitimação desse capitalismo desenfreado, e da espoliação dos bens vitais à humanidade no seu conjunto. Já o vemos com a indústria das sementes que, aos poucos, consegue impor seus OGMs em toda parte do mundo, nos deixando reféns do seu bem-querer.

Dá para se perguntar o que leva organizações internacionais famosas, tal como a UICN [4] ou o WWF [5], a defender a implantação de tais mecanismos, haja vista que seus efeitos perversos já foram demonstrados pelas muitas experiências negativas em diversas regiões do planeta. Certamente, essas organizações se satisfazem da entrega de algumas zonas para proteger, criar parques e preservá-los, no intuito de conservá-los para mostrar às futuras gerações o que de fato existiu… Um novo tipo de museus! Talvez seja também uma forma de se financiar, junto ao capital privado, já que o público está cada vez mais escasso.

Enfim! Embora essas manobras se deem na mais completa indiferença da imprensa “oficial”, alguns grupos se mobilizam para denunciar esse lobby pró-destruição do homem e da natureza. É o caso do World Rainforest Movement que alavancou uma petição mundial [6] para levar a voz “dos 99%” na assembleia da COP-20 e, logo mais, na Conferência de Paris. Aqui se encontra o documento de base [7] dessas reivindicações. Aliás, é importante que os Franceses também se mobilizem sobre essas questões, pois através da Guiana, a França é “um país amazônico”, é bom lembrar.

Aqui está o link para assinar a petição “No REDD” por e-mail:

“Para apoiar o chamado à ação, pedimos que você envie um e-mail para [NoREDDCop20@wrm.org.uy] com o nome de seu grupo, país ou região de trabalho e contato antes de 05 de dezembro.”

E então, é para fazer alguma coisa? Sim, claro. Mas provavelmente uma solução (se não é A solução) é de seguir um caminho mais radical e afastar-se do modelo “político-ecologicamente correto” que visa sempre a favorecer os mesmos, ou seja, aqueles que têm dinheiro, ou seja, o poder. É preciso parar, sim, de apostar no lucro, sempre o lucro, e pensar no ser humano que já não come mais alimentos sadios, não respira mais um ar limpo, possui um ritmo de vida deplorável, e em breve nem terá mais água para satisfazer suas necessidades essenciais. E falo apenas dos “privilegiados”!

Por gentileza, faça com que esta mensagem circule, pois se nem sempre é possível “fazer alguma coisa”, é importante saber o que está acontecendo.

[1] O Brasil da cobiça: Financeirização da natureza [http://port.pravda.ru/busines/31-12-2013/35940-natureza-0/]

[2] Amazônia brasileira: Dossiê Acre [http://port.pravda.ru/news/cplp/14-12-2013/35832-dossie_acre-0/]

[3] Os pontos nos “i” na Amazônia [http://lindomarpadilha.blogspot.com.br/2014/10/lucas-matheron-os-pontos-nos-i-na.html]

[4] http://cmsdata.iucn.org/downloads/uicn_document_de_position_unfccc_cop_20_lima.pdf

[5] http://www.portaldomeioambiente.org.br/comunicacao-ambiental/9671-wwf-brasil-leva-para-australia-experiencia-brasileira-com-os-parques-nacionais

[6] http://wrm.org.uy/actions-and-campaigns/to-reject-redd-and-extractive-industries-to-confront-capitalism-and-defend-life-and-territories/

[7] http://wrm.org.uy/pt/files/2014/11/Chamado-COP-Lima_NoREDD.pdf

<<<<

Fonte: PRAVDA.ru

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‘Temos que agir já’, diz Ban Ki-moon na abertura ministerial da COP 20 (G1)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursa na COP 20, em Lima (Foto: Reprodução/UNFCCC)

Secretário-geral da ONU discursou na Cúpula sobre mudanças climáticas. Objetivo é obter prévia de acordo global para conter temperatura maior.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que os países desenvolvidos e outros mais ricos se apressem para apresentar metas de redução de gases-estufa e outros planos voltados à adaptação à mudança climática no primeiro trimestre de 2015.

O pedido foi feito na abertura do Segmento de Alto Nível da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, que segue até a próxima sexta (12) em Lima, no Peru.

Segundo ele, a “janela de oportunidade está se fechando rapidamente e todos os países têm que fazer parte dessa questão”. “Temos que agir já. Não é um momento de dúvidas, mas de transformação”, complementou.

O fim de março já era previsto como data final para a entrega das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), mas a própria comissária da ONU para o clima, Christiana Figueres, já trabalha em um possível adiamento.

O governo brasileiro deve entregar suas metas nacionais após o prazo previsto. Segundo negociadores do país, ainda estão em andamento consultas à sociedade civil e aos setores da economia sobre os cortes de emissões a serem realizados pós-2020. O ano é quando o novo acordo climático entrará em vigor, obrigando a todos os governos a reduzir suas emissões. O não cumprimento da exigência das Nações Unidas pelo Brasil é criticado por organizações não governamentais.

Ainda na abertura, a secretária-executiva da ONU para o Clima, Christiana Figueres, alertou sobre qual é o legado que a população atual quer deixar. “A história não nos julgará apenas pelas toneladas de gases que lançamos na atmosfera, mas vão nos julgar também se fomos capazes de nos adaptar e criar um futuro melhor para todos. Vocês [delegados] devem criar esse futuro”, disse.

Novo encontro em junho de 2015

Durante a cerimônia foi anunciado que no fim de junho do ano que vem haverá um novo encontro de alto nível em Nova York, sede da ONU, para finalizar os últimos detalhes antes da conferência de Paris, quando será assinado o documento que criará o acordo do clima.

Em Lima, entre os principais temas que serão discutidos pelos ministros de Estado estão a questão da responsabilidade histórica das emissões (quem tem mais culpa por ter lançado os gases-estufa), a formulação de parâmetros para que os países apresentem suas metas de redução de emissões (as chamadas INDCs) e o que será feito entre 2015 e 2020 para frear lançamento de poluentes atmosféricos (Segundo Protocolo de Kyoto).

Os primeiros rascunhos dos elementos que farão parte do acordo do clima foram publicados na manhã desta segunda-feira (8).

A primeira versão não agradou muito, principalmente a parte que trata das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). União Europeia e Estados Unidos querem que para o acordo esteja vinculada apenas a quantificação de gases a ser cortada a partir de 2020 e os planos referentes ao tema a longo prazo. A intenção vai na contramão do pedido de nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Por que tudo isso?

Segundo um painel internacional de cientistas ligado à ONU, o IPCC, é preciso diminuir entre 40% e 70% do total de gases lançados até 2050 e zerar essa taxa até 2100. Somente assim é que será possível conter o aumento da temperatura global em 2ºC até o final deste século.

Gases-estufa como o dióxido de carbono (CO2) são liberados principalmente na queima de combustíveis fósseis, mas também com o desmatamento e outras atividades humanas.

Caso isso não seja reduzido, segundo o IPCC, fenômenos extremos como secas, enchentes, degelo dos polos e aumento do nível dos mares serão mais frequentes. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC com relação à era pré-industrial.

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08/12/2014 – 10h37

Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20 (Observatório do Clima)

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

COP20 0010 1024x682 Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20

Side event oficial da Conferência de Lima reúne organizações do OC para apontar trajetória histórica das emissões brasileiras, a partir das informações do Sistema de Estimativas de Emissões (SEEG). Evento também apresentou projeto para aplicar metodologia do SEEG no Peru.

Uma das principais preocupações dos negociadores presentes na Conferência do Clima de Lima, a COP 20, é garantir as condições para construir um novo regime climático que efetivamente diminua as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em todo o mundo nas próximas décadas. O desafio não é banal: mesmo com os esforços de redução nos últimos anos, continuamos firmes numa trajetória que pode elevar a temperatura média global muito acima dos 2ºC considerados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) como limite para que as alterações climáticas não sejam tão profundas.

Por isso, mais importante do que ter políticas públicas em si é ter informações confiáveis e atualizadas que permitam a esses instrumentos ter a efetividade necessária na redução das emissões. Esse é o propósito do Sistema de Estimativa de Emissões de GEE (SEEG), desenvolvido pelo Observatório do Clima em 2013 para produzir estimativas anuais das emissões brasileiras em cinco setores econômicos estratégicos – mudança de uso do solo, agropecuária, energia, processos industriais, e resíduos – a partir de dados e informações confiáveis. Neste ano, além das estimativas referentes a 2013, o OC também se debruçou em mensurar as emissões desses cinco setores a partir de 1970. (Saiba mais sobre os dados apresentados pelo SEEG neste ano)

Tasso Azevedo apresenta principais dados do SEEG 2014 em side event na COP 20 Da esq. para dir.: André Ferretti, Tasso Azevedo, Loyola Escamilo, Carlos Rittl, Marina Piatto e Amintas Brandão
Para apresentar a experiência do SEEG e apresentar os dados referentes a 2013 e aos anos anteriores, o OC promoveu um side event na programação oficial da COP 20 no dia 06 de dezembro, com a participação de André Ferretti (Fundação Grupo Boticário), coordenador do OC; Carlos Rittl, secretário executivo do OC; Marina Piatto, do Imaflora; Amintas Brandão, do Imazon; Loyola Escamilo, da ONG Pronaturaleza; e Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além de apontar os resultados de 2013 e apontar a trajetória das emissões brasileiras desde 1970, o evento também serviu para lançar uma parceria importante com a Pronaturaleza, que está adaptando a metodologia do SEEG para monitorar as emissões peruanas de GEE a partir desse ano. “Nossa proposta é que outros países também encontrem no SEEG uma ferramenta para acompanhar suas próprias emissões, o que apoiará seus governos no esforço global para redução das emissões de GEE”, explica Tasso.

Os dados do SEEG peruano deverão ser publicado ainda em 2014 no portal http://www.seeg.eco/.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

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08/12/2014 – 12h00

Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra” (IPS)

por Milagros Salazar, da IPS

chica dos 629x353 Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra”

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – O clamor dos povos indígenas pelo reconhecimento de suas terras ancestrais ecoou entre as reuniões dos delegados de 195 países na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. “Quero meu território ali vivo, ali como, ali estão meus santos avós”, gritou cheia de raiva a asháninka Diana Ríos.

A jovem de 21 anos é filha de Jorge Ríos, um líder indígena que foi assassinado em setembro por defender as florestas de sua comunidade Alto Tamaya-Saweto, na região Ucayali da selva peruana. Sua morte e a de outros três dirigentes da região são atribuídas por seus familiares aos cortadores ilegais de árvores. Por isso exigiram, no dia 5, nas instalações da COP 20, a titulação de suas terras.

Como os asháninkas, a demanda indígena global na conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) se centra no reconhecimento de seus territórios, e com isso na proteção das florestas e no respeito aos conhecimentos ancestrais e direitos coletivos dos povos indígenas.

Falta entregar títulos de posse de cerca de cem milhões de hectares nos oito países da Amazônia sul-americana, segundo dados da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica). No Peru, de onde clamam sua dor as viúvas da comunidade Alto Tamaya-Saweto, ainda há 663 comunidades nativas sem títulos de propriedade, de acordo com o não governamental Instituto do Bem Comum.

A demanda pela titulação de terras está relacionada com a implantação dos projetos e programas do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD) para países do Sul em desenvolvimento. Nos acordos adotados na COP 16, realizada no balneário mexicano de Cancún, em 2010, precisamente foram incluídas salvaguardas para evitar danos sociais ou ambientais nos territórios indígenas onde se desenvolve a REDD.

Na COP 20, que acontece em Lima, no Peru, as organizações indígenas exigem que os Estados parte incluam nos informes sobre as salvaguardas, que devem apresentar perante a CMNUCC, indicadores sobre biodiversidade, saúde dos povos, titulação de terras e conhecimentos ancestrais, entre outros aspectos, destacou Grace Balawag, do povo kankanaey, das Filipinas.

Esses e outros indicadores permitirão medir a participação plena dos povos originários na mitigação do aquecimento global, disse à IPS a Balawag, vice-presidente da Aliança Global dos Povos Indígenas sobre a Mudança Climática e o Desenvolvimento Sustentável. Ela pediu, junto a outros companheiros nativos, que os povos indígenas sejam incorporados nos sistemas nacionais de monitoramento florestal, já que demonstraram ser capazes de conservar suas terras graças aos seus conhecimentos ancestrais.

A Aliança participa desde 2009 das conferências internacionais sobre o tema e inclui 17 organizações indígenas de 13 países da África, América Latina e Ásia, que enfrentam diversas ameaças a seus territórios.

Em alguns casos, as comunidades indígenas sofrem o impacto das atividades extrativistas, como mineração ou petróleo, apontou à IPS Tarcila Rivera porta-voz do Enlace Continental de Mulheres Indígenas das Américas e também presidente do Centro de Culturas Indígenas do Peru (Chirapaq). Os povos originários devem enfrentar atividades ilícitas que colocam em risco a vida de suas populações, ressaltou à IPS.

Mais de 93% das atividades de mineração, petróleo, gás, exploração florestal e agricultura estão em territórios habitados por povos indígenas e comunidades locais em oito países com florestas tropicais, de acordo com a pesquisa da consultoria Projeto Muden para a Iniciativa Direitos e Recursos. Os países estudados foram Brasil, Camboja, Colômbia, Filipinas, Indonésia, Libéria, Moçambique e Peru, segundo o estudo publicado em outubro.

Tais ameaças estão relacionadas com o número de assassinatos no mundo de líderes indígenas, que lutaram pela proteção do ambiente e da terra. Entre 2002 e 2013, houve 908 assassinatos de ativistas no mundo, segundo o informe Deadly Environment (Ambiente Mortal). O Brasil é o lugar mais perigoso, com 448 do total, seguido de Honduras com 109 e Filipinas com 67.

Embora o reconhecimento dos territórios indígenas seja uma demanda global, existem diversas modalidades e estratégias cobradas por esses povos, pontuou Balawag. Em alguns países se pede a titulação de terras, como no caso peruano, em outros a delimitação das áreas ancestralmente reconhecidas, como nas Filipinas, e também há casos nos quais se exige o cumprimento de acordos assinados com os Estados por disputas territoriais, como acontece em Bangladesh.

“Se a terra não é titulada e se chega a implantar um programa de REDD, como podemos receber os benefícios? Isso está relacionado com os benefícios, mas também com nossa sobrevivência. Inclusive podemos ser desalojados pelos governos e pelas corporações privadas”, afirmou Mrinal Tripura, da organização Maleya Foundation, de Bangladesh. Ele disse à IPS que o governo de seu país não reconhece o sistema tradicional dos indígenas, e que não se sentem representados nas negociações da COP 20.

As reclamações também chegam da África. “Os povos indígenas são a terra, mas o Estado não respeita a forma tradicional como a manejamos. Por isso a titulação é a única estratégia que nos resta para que nossos territórios sejam respeitados”, afirmou à IPS o maasai Stanley Kimaren Riamit, diretor-executivo da organização Indegenous Livelihoods Enhancement Partners, do Quênia.

“Os investidores do carbono estão interessados em que, antes de investirem na REDD, haja clareza sobre a propriedade dos territórios, porque as árvores crescem na terra e a terra pertence a alguém, acrescentou Riamit. É um argumento que parece simples, mas que resulta ser uma verdade incômoda para vários Estados nas negociações da COP 20, que acontece em instalações removíveis levantadas em uma área militar do sul da capital peruana. Envolverde/IPS

(IPS)

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09/12/2014 – 04h23

Incertezas nas discussões climáticas (Greenpeace)

por Redação do Greenpeace

COP20Greenpeace Incertezas nas discussões climáticas

 

Ao final da primeira semana da COP20 é hora de fazer um balanço das negociações e avaliar o que se pode esperar dos próximos dias em que negociadores estarão reunidos.

A primeira semana da COP20 – a 20a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas – que acontece em Lima, no Peru, chegou ao fim. É hora de fazer um balanço das negociações e analisar o que ainda pode vir nos próximos quatro dias que reúnem líderes de mais de 190 países. Os textos publicados que trazem um rascunho sobre os elementos para o acordo final que deve ser assinado em Paris, em 2015, contem incertezas alarmantes em temas fundamentais como a data final para que cada país apresente suas contribuições nacionais.

Além disso, o formato destas contribuições ainda não foi definido, o que significa que não está claro como estas promessas serão feitas, de quanto em quanto tempo serão revisadas e como serão cumpridas. Ou seja, ainda haverá muitas discussões para que seja possível encontrar consenso em um acordo que de fato fará com que o mundo combata as mudanças climáticas e seus impactos.

Um exemplo é a discussão sobre florestas, onde não houve acordo sobre quais garantias países como o Brasil devem apresentar para poder ter acesso a possíveis recursos que poderiam ser usados para combater o desmatamento. A conclusão foi simples: sem acordo não há recurso disponível e, pior, o assunto pode ficar para ser discutido apenas em 2016.

“Debate-se qual o melhor termo ou palavra para entrar nos textos, ou quem tem mais razão e menos culpa, enquanto as florestas vão sendo derrubadas, aumentando a concentração de gases de efeito estufa e levando devastação e morte à biodiversidade e às pessoas que delas dependem para viver”, disse Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

As negociações se arrastam e eventos climáticos como o tufão Hagupit, que atinge as Filipinas e já levou à evacuação de mais de 1 milhão de pessoas, mostram que a natureza não negocia. “Os cientistas são bem claros: temos que agir com urgência, ou pagaremos um preço alto”, continuou Astrini. Os impactos das mudanças climáticas já são uma realidade, trazendo dificuldades para a produção de alimentos, acesso à água e agravamento de doenças, o que afetará principalmente populações mais pobres.

Nesta semana final, são esperados ministros e líderes de Estado para que as negociações avancem em ritmo mais acelerado. “Precisamos que os pontos nos quais ainda existem incertezas sejam clarificados. Uma das prioridades é sobre a meta de redução de emissões de carbono a zero até 2050”, disse Astrini, “é necessário acabar com o desmatamento e ter uma transição justa de energias renováveis, com o fim do uso de combustíveis fósseis. Já temos as informações do que precisamos fazer e as ferramentas necessárias, mas falta a vontade política. Vamos pressionar os países para que eles deem a resposta que o mundo precisa.”

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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09/12/2014 – 05h04

Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima (WWF Brasil)

por Redação do WWF Brasil

abertura cop20 lima Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima

 

Durante a primeira semana da 20ª edição da Conferência das Partes (COP20) das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, pouco se avançou nas discussões para a elaboração do Acordo Climático Global. O evento, que teve início no dia 1º de dezembro, em Lima, reúne os representantes dos mais de 190 governos que integram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) para discutir o papel dos países na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, “o começo desta conferência teve sinais políticos positivos, como as metas anunciadas pelos Estados Unidos, China e União Europeia, que podem ser o primeiro passo de que é possível chegar ao final de 2015 com alvos globais estabelecidos rumo a um futuro de baixo carbono. Apesar deste sinal, a discussão sobre o caminho das ações dos países antes de 2020 ainda possui extrema relevância, pois há uma lacuna de emissões que deve ser eliminada urgentemente”.

O Brasil foi destaque nesta semana por quase ganhar o prêmio “Fóssil do Dia” na última quarta-feira (03). A premiação é realizada diariamente pelas organizações não governamentais aos países com posicionamentos não favoráveis às negociações climáticas. O país foi o segundo colocado devido a uma declaração sobre Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), pela qual ele negou que haja dupla contagem da redução de emissões. O MDL foi criado pelo Protocolo de Kyoto para ajudar financeiramente países em desenvolvimento a cumprir seus compromissos de redução de gases do efeito estufa (GEE), por meio da implementação de projetos sustentáveis, com os quais as emissões evitadas geram créditos.

Apesar disso, Nahur afirma que o Brasil tem avançado na proposta de uma nova metodologia para o próximo acordo climático global, que pretende esfriar os ânimos na discussão que ocorre desde a assinatura do Protocolo. Chamada de Diferenciação Concêntrica, a proposta brasileira foi apresentada na quinta-feira (04) e teve boa aceitação entre as delegações, servindo como um pontapé inicial para um processo mais focado para a negociação do texto. De acordo com o documento, os países seriam divididos em três níveis, com critérios diferentes de redução de emissões. A principal dúvida gira em torno dos indicadores para a escolha da categoria de cada país.

Com a chegada dos ministros para o Segmento de Alto Nível, que ocorrerá a partir de hoje (9), a expectativa é que o ritmo das discussões acelere. Até o final desta semana, deve-se chegar ao desenho inicial de um acordo climático global – a ser finalizado em 2015 e assinado na COP21, em Paris – que obrigue as nações a cortar as emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020. Para Nahur, “é necessário que os países avancem nesta discussão aqui em Lima, para que tenhamos claros avanços na discussão de ações efetivas antes de 2020 e de financiamento de ações de mitigação e adaptação”.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

(WWF Brasil)

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09/12/2014 – 03h52

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima (IPS)

por Wambi Michael, da IPS

COP20 4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima

 

Lima, Peru, 9/12/2014 – O instrumento da Organização das Nações Unidas (ONU) para apoiar projetos de emissões de carbono nos países em desenvolvimento, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está em crise devido à queda dos preços que se paga por créditos de carbono.

O MDL, encarregado das reduções certificadas de emissões (RCE), poderia colapsar porque nos últimos anos caiu a demanda dos principais compradores, países obrigados a reduzir suas emissões contaminantes no contexto do Protocolo de Kyoto, já que os objetivos de redução não aumentaram significativamente e porque houve um crescimento econômico mais lento.

Na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática  (CMNUCC), que acontece até o dia 12 em Lima, a junta executiva do MDL tenta convencer os negociadores a renovarem seus compromissos com o mecanismo, que já tem dez anos. Em entrevista à IPS, Hugh Sealy, presidente do MDL, explica porque o instrumento se complicou e quais desafios há pela frente.

IPS: Pode nos dar um panorama geral da situação do MDL?

HUGH SEALY: A perspectiva geral é que o MDL se encontra em uma encruzilhada. Os mercados colapsaram. O preço das RCE caiu para US$ 0,30, comparado com os mais de US$ 30 há cinco anos.

IPS: O que se conseguiu até o momento?

HG: O mecanismo permitiu o registro de 7.800 projetos e programas em 107 países em desenvolvimento com centenas de milhares de milhões de dólares em investimentos, que significaram 1,5 bilhão de toneladas de gases-estufa a menos liberados na atmosfera.

IPS: Qual foi o problema do MDL?

HG: A origem do problema, e é minha opinião pessoal, foi a decisão da União Europeia (UE) de 2009 (de restringir a possibilidade dos créditos internacionais e de proibi-los totalmente a partir de 2020), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2013. O Japão decidiu criar seu próprio sistema, a Austrália seguiu seu próprio caminho, como o Canadá, e os Estados Unidos nunca se interessaram. Se existe um sistema em que a União Europeia, como nosso maior comprador, vai excluir todas as outras unidades, então o mercado não tomará muitas delas. Foi aí que os preços começaram a cair.

IPS: Acredita que deveria ter existido um mercado regulado para as RCE?

HG: Um mercado como esse, que não é de qualquer mercadoria, teria que ter um piso, como têm outros. Mas agora o Banco Mundial diz que deveríamos criar um fundo de reserva do mercado que possa absorver o excesso de créditos. Dizem que precisariam de “US$ 3 bilhões para absorver todo o excesso, não vejo que o excesso seja um problema, mas falta de demanda. Veja todas as RCE que geramos. Temos 1,5 gigatonelada de emissões reduzidas. A diferença de emissões é de dez gigatoneladas por ano. Para mim continua havendo uma demanda radical e essencial de um sistema de mercado.

IPS: A junta executiva do MDL enfrenta o cancelamento voluntário como opção para criar demanda da RCE. Qual é a ideia por trás disso?

HG: A ideia é que qualquer um, você como meio de comunicação, eu como pessoa, uma companhia ou um governo possam comprar e cancelar RCE de imediato. Mas não sabemos que demanda teremos para o cancelamento voluntário. Mas, como junta diretora, acreditamos que é o correto. Colocar RCE à disposição para quem quiser reduzir sua pegada de carbono.

IPS: Qual seria a solução duradoura?

HG: Necessitamos uma decisão clara em Lima, e em particular em Paris (na COP 21, de 2015) sobre qual papel cabe a um mecanismo internacional sob um novo regime climático. Precisamos que as partes, em especial os países ricos, elevem sua ambição e criem mais demanda de RCE.

IPS: Quais são as consequências desse desenvolvimento para os países menos adiantados e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento?

HG: Se fosse responsável pelo desenvolvimento de um desses países, reservaria minhas RCE. Não buscaria concretizar um acordo para comprar nesse momento. Não a US$ 0,30. Sou otimista e creio que o preço das RCE subirá. Trabalho em uma aritmética fundamental, na qual a diferença de emissões é de aproximadamente dez gigatoneladas ao ano e aumenta cada vez mais. Se os países decidirem que os mercados serão um componente vital do acordo de Paris, não vejo como o preço das RCE poderá continuar a US$ 0,30. É muito frustrante para países, como a Jamaica, que já se registraram em projetos RCE, ou da África.

IPS: Se o MDL acabasse hoje, o que perderíamos?

HG: Perderíamos dez anos de experiência e de aprender fazendo. Levou muito tempo para criar o MDL e levá-lo à etapa em que estamos agora. Não posso lhe dar um número ou um valor em dólares, mas há mais de 4.500 organizações envolvidas com ele.

IPS: O que os países podem fazer a respeito nessas negociações de Lima?

HG: Podem aumentar sua demanda de RCE antes de 2020, reconhecer o valor que o MDL agrega aos sistemas de comércio de emissões emergentes e reconhecer o valor óbvio do mecanismo para a resposta internacional à mudança climática, depois da entrada em vigor do novo acordo em 2020. É um dos instrumentos mais efetivos já criados pelos governos no contexto da CMNUCC. Impulsiona e fomenta a redução de emissões, os fundos climáticos, a transferência de tecnologia, a construção de capacidades, o desenvolvimento sustentável e a adaptação, tudo o que os próprios países pedem do novo acordo de Paris. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 02h54

A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty (Engajamundo)

por Dari Santos, do Engajamundo

 

LimaEngajamuno A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty

Começou na segunda-feira, dia 01/12/2014, em Lima – Peru a 20ª Conferência das Partes (COP20), conferência que reúne todos os países e territórios do mundo membros da ONU para discutir qual será o papel de cada um deles frente aos desafios globais para combater às Mudanças Climáticas.

Esse ano a delegação do Brasil, que é uma das maiores da conferência com mais de 300 delegados, conta com um número expressivo de jovens brasileiros. O Engajamundo possui 12 jovens acreditados para conferência e marca a história da participação da juventude em conferências internacionais de mudanças climáticas. Vale frisar que o governo brasileiro é um pioneiro no quesito inclusão da sociedade civil, já que oferece credenciamento da sociedade como parte da delegação do governo (o que garante acesso completo as salas de negociação).

A maior delegação de jovens brasileiros na história das COPs (United Nations Climate Change Conference) tem uma missão: contar as entrelinhas das negociações que decidem o futuro de todos nós, já que as mudanças climáticas é uma realidade sentida por todos, seja ela em maior ou em menor escala.

Após a primeira reunião convocada pelo Itamaraty com a delegação brasileira na COP20, os engajamunders de “primeira viagem”, ou seja, que participam da sua primeira COP vivenciaram a importância das entrelinhas. Em uma conversa informal com a negociadora brasileira Thelma Krug (a única mulher entre todos os negociadores brasileiros), pudemos perceber qual é a percepção da negociadora em assuntos essenciais no combate a mudanças climáticas.

Logo no começo da conversa questionamos sobre os acordos sobre reflorestamento que estão sendo discutidos dentro do seu âmbito de negociação, e a negociadora deixou claro que considera plantações de eucalipto transgênico como “reflorestamento”. Segunda ela, há uma dificuldade em plantar mata nativa, já que essas não resistem como os “eucaliptos clonados” as mudanças climáticas.

Não precisa ser um cientista para saber que somente plantações de eucalipto nunca assegurariam a biodiversidade que as florestas de mata nativa possuem, e quando questionada sobre isso Thelma se limitou a responder que a biodiversidade possui uma conferência específica e deve ser tratada nela. O questionamento que ficou para todos nós é: realmente temos negociado acordos que visem combater o aquecimento global de forma total e transversal ou somente estamos cumprindo o protocolo diplomático tentando maquiar ações que nada resolvem o problema como se fossem ações positivas?

Esperamos que o lado social seja colocado na mesa, que cada país lembre que muito mais do que uma negociação entre países, trata-se de um acordo que garante um futuro sustentável para todos nós, cidadãos. Que se lembrem que existe sim uma forma de conservar e garantir a existência das matas nativas, garantindo que os povos tradicionais dessa área conservem o que nós por tantos anos destruímos.

Esperamos ansiosamente por uma negociação menos técnica e mais humana.

* Publicado originalmente no site Engajamundo.

(Engajamundo)

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Lima climate change talks best chance for a generation, say upbeat diplomats (The Guardian)

Hopes rise for global warming deal after US-China carbon commitments inject much-needed momentum into Peru talks
Oxfam banner in Lima, Peru
 An Oxfam banner in Lima on Saturday before the climate change talks. Photograph: Sebastian Casta Eda/AFP/Getty Images

UN climate negotiations opening in Lima on Monday have the best chance in a generation of striking a deal on global warming, diplomats say.

After a 20-year standoff, diplomats and longtime observers of the talks say there is rising optimism that negotiators will be able to secure a deal that will commit all countries to take action against climate change.

The two weeks of talks in Peru are intended to deliver a draft text to be adopted in Paris next year that will commit countries to reduce their greenhouse gas emissions without compromising the economic development of poor countries.

Diplomats and observers of the UN climate negotiations said recent actions by the US and China had injected much-needed momentum.

“I have never felt as optimistic as I have now,” said Tony de Brum, the foreign minister of the Marshall Islands, which are sinking as sea levels rise in the Pacific. “There is an upbeat feeling on the part of everyone that first of all there is an opportunity here and that secondly, we cannot miss it.”

Beyond Lima, there is growing evidence of the dangers of climate change, and of countries’ failure to act.

The UN environment programme warned earlier this month that industrialised countries were falling short of the emissions reductions needed to prevent warming of 2C above pre-industrial levels, the goal set by world leaders. Carbon dioxide emissions are expected to reach a record high of 40bn tonnes in 2014. Meanwhile, 2014 is shaping up to be the hottest on record.

Observers, however, said there was fresh optimism surrounding the Lima talks after the US and China declared on 12 November that they would work together to cut carbon pollution.

Under the deal, China committed to cap its output of carbon pollution by 2030 or earlier and to increase its use of zero emission energy to 20% by 2030. The US agreed to reduce its emissions by between 26% and 28% from their 2005 levels by 2025.

The EU, the next biggest polluter after the US and China, earlier pledged to cut emissions by 40% from their 1990 levels by 2030.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the commitments, which have been made well in advance of a March 2015 deadline, had given the talks a boost.

“It is hugely encouraging that well ahead of next year’s first-quarter deadline, countries have already been outlining what they intend to contribute to the Paris agreement. This is also a clear sign that countries are determined to find common ground,” she said in a statement.

Todd Stern, the US state department’s climate change envoy, said the US-China deal could push other big polluters such as India, Japan, Brazil and Russia to come forward with their own post-2020 targets. That in turn boosted prospects for a good outcome in Paris.

“I think it will spur countries to come forward with their own targets,” he said. “Generally if you are holding stock in the Paris negotiations your stock went up.”

Andrew Steer, the president of the World Resources Institute, an environmental thinktank in Washington, said the US-China deal had changed the atmosphere surrounding the talks.

“There is in the air a sense of momentum,” he said. “You’ve already got commitments of about half of all the greenhouse gas emissions that need to be reduced.”

The deal likely to be done in Paris will likely be a hotchpotch of targets such as those announced by the three top carbon polluters, according to an analysis by Bloomberg New Energy Finance.

The test for Lima will be the degree to which negotiators can corral those separate action plans from up to 190 countries into a single agreement.

If the talks are to succeed, they will have to come up with a draft text that outlines the structure of that agreement – how to ensure countries commit to deep enough cuts to limit warming to the 2C goal, and how to verify their actions.

The US is pushing for a deal that would avoid setting emissions reduction targets that are legally binding under international law, because that would set up a clash with congress.

Many developing countries, however, insist on legally binding targets. They also argue that only the industrialised countries should have to cut emissions.

The negotiators will also try to ramp up pledges for the Green Climate Fund, which was set up to help developing countries deal with climate change. So far, the fund has raised $9.7bn (£6.2bn) from 22 countries, just short of its initial $10bn target.

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Dever de casa para o acordo do clima (Valor Econômico)

Artigo de Sergio Margulis e Natalie Unterstell publicado no Valor Econômico

Das trajetórias projetadas até o fim deste século, o mundo já caminha naquelas mais extremas quanto ao aumento de temperatura, o que coloca pessoas, ecossistemas e economias sob séria ameaça.

A Conferência das Partes (CoP) que está sendo realizada em Lima, no Peru, vai oferecer as bases para um novo acordo climático global, a ser adotado em Paris, em 2015. O que os cidadãos comuns querem saber é: como é que esse acordo os protegerá dos impactos da mudança climática?

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/opiniao/3805596/dever-de-casa-para-o-acordo-do-clima#ixzz3L23yI0GP

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Acordo do clima poderá encampar proposta do Brasil (Folha de S.Paulo)

Na divisão de obrigações sugerida pelo país, grandes nações emergentes assumem maior redução de emissões

O esboço de um acordo global de reduções de emissões de gases-estufa que está em negociação na 20ª Conferência do Clima da ONU, a COP 20, no Peru, incluiu um conceito criado por diplomatas brasileiros: dividir os países em desenvolvimento em diferentes graus de responsabilidade pelo aquecimento.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198652-acordo-do-clima-podera-encampar-proposta-do-brasil.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

COP-20 coloca foco em adaptação à mudança climática e nas verbas (Valor Econômico)

A segunda semana da conferência do clima da ONU começa com muitas pontas abertas e ainda vaga sobre o resultado final

O céu amanhece cinza todos os dias em Lima, mas quase nunca chove. Os bairros ricos da capital peruana, como San Isidro e San Borja, são muito verdes, com jardins e parques bem cuidados que se beneficiam da umidade do inverno e da irrigação automática no fim da tarde. Mas algumas estimativas dizem que a cidade pode ficar sem água em 30 anos, por conta da retração dos glaciares andinos. Como todas as partes, o Peru sofre os impactos da mudança do clima e terá que se adaptar – só que a conta está ficando cada vez mais cara.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3807634/cop-20-coloca-foco-em-adaptacao-mudanca-climatica-e-nas-verbas

(Daniela Chiaretti/Valor Econômico)

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JC 5081, 9 de dezembro de 2014

Transformação na política do clima (Valor Econômico)

Artigo de Adilson de Oliveira publicado no Valor Econômico

Após meses de negociações sigilosas, a China e os Estados Unidos anunciaram em Pequim que adotarão metas para a redução das emissões de gases para evitar os riscos de mudanças climáticas. A China comprometeu-se em elevar para 20% a parcela não poluente de sua matriz energética até 2030. Os EUA prometeram reduzir suas emissões entre 26% e 28% até 2025, substituindo fontes fósseis por fontes renováveis e acelerando a substituição do carvão por gás natural na geração de eletricidade.

Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/3809014/transformacao-na-politica-do-clima#ixzz3LPS7h6HR

(Valor Econômico)

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5081, 9 de dezembro de 2014

Economista pede acordo do clima sem sanções (Folha de S.Paulo)

Punição em caso de descumprimento inibe metas ambiciosas, afirma Nicholas Stern

Para o autor do mais importante trabalho já realizado sobre os impactos econômicos do aquecimento global, o próximo acordo para reduzir emissões de gases -estufa não precisa ter força de lei.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/199228-economista-pede-acordo-do-clima-sem-sancoes.shtml

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Avaliação de risco em obras tem de incluir clima, alerta a ONU (Valor Econômico)

Para Christiana Figueres, condições ambientais têm que determinar os investimentos em infraestrutura

A costarriquenha Christiana Figueres, a mais alta autoridade das Nações Unidas nas negociações sobre mudança do clima, acredita que a China é o país que mais está fazendo esforços no combate ao aquecimento global em comparação com EUA e União Europeia.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3810448/avaliacao-de-risco-em-obras-tem-de-incluir-clima-alerta-onu

(Daniela Chiaretti / Valor Econômico)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Brasil está ‘no fundo do poço’ em políticas para o clima (O Globo)

Entre os 58 países avaliados em relatório, país ficou na 49ª posição

Enquanto as discussões da Conferência do Clima em Lima (COP 20) começam a se acalorar, uma ducha de água fria atingiu os delegados reunidos na capital peruana. O banho veio na forma de um novo relatório, divulgado pelas ONGs Germanwatch e Climate Action Network Europe e realizado por 300 especialistas, que concluiu: nenhum país elaborou políticas públicas satisfatórias contra as mudanças climáticas. O Brasil teve um desempenho particularmente vergonhoso. Caiu 14 posições, entre as 58 nações avaliadas, atingindo o “fundo do poço”, segundo o relatório. Em 2007, chegou a figurar entre os dez melhores.

Leia mais sobre esse assunto em: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/brasil-esta-no-fundo-do-poco-em-politicas-para-clima-14786238#ixzz3LUsFq36v

(Renato Grandelle / O Globo)

The fund is woefully behind its goal of mobilising $100bn a year in public and private finance by 2020.

Climate change in the news (DISCCRS)

DISCCRS News – December 9, 2014 (Nancy Rose)

NEWS

‘Green Revolution’ changes breathing of the biosphere – Science Codex – November 19, 2014 – http://www.sciencecodex.com/green_revolution_changes_breathing_of_the_biosphere-145973

Increasing greenhouse gases linked to rains over Africa thousands of years ago – NSF Press Release 14-165 – December 4, 2014 – http://www.nsf.gov/news/news_summ.jsp?cntn_id=133514&WT.mc_id=USNSF_51&WT.mc_ev=click

Only 60 years of farming left if soil degradation continues – Thomson Reuters Foundation – December 5, 2014 – http://www.trust.org/item/20141205165214-tj9dz/?source=fiOtherNews3

Lima climate talks: EU and US at odds over legally binding emissions targets – Guardian – December 2, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/dec/02/lima-climate-talks-eu-and-us-at-odds-over-legally-binding-emissions-targets

This year may be hottest on record; adds urgency to climate talks-UN – Reuters – December 3, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/12/03/climatechange-lima-temperatures-update-idUSL2N0

Adapting to a warmer climate could cost almost three times as much as thought, says UN report – Guardian – December 5, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/dec/05/adapting-to-a-warmer-climate-could-cost-almost-three-times-as-much-as-thought-says-un-report

China says climate aid inadequate, especially Australia – Reuters – December 4, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/12/04/us-climatechange-lima-china-idUSKCN0JI29A20141204

Better policy, finance needed to balance forests and farming – experts – Thomson Reuters Foundation – December 7, 2014 – http://www.trust.org/item/20141207134326-v1b7a/?source=fiOtherNews3

Climate adaptation costs soaring, funding to fall short – UN – Thomson Reuters Foundation – December 5, 2014 – http://www.trust.org/item/20141205190231-37s41/?source=fiOtherNews3

UN: climate change costs to poor underestimated – Associated Press – December 5, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/49a444ed2b1646509f29a1f632d2e1c0/un-climate-change-costs-poor-underestimated

Rift widens among greens over burying carbon as climate fix – Reuters – December 5, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/12/05/us-climatechange-lima-greens-idUSKCN0JJ21R20141205

Australia named worst-performing industrial country on climate change – Guardian – December 8, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/dec/08/australia-named-worst-performing-industrial-country-on-climate-change

Green Climate Fund plans to turn on money tap in 2015 – director – Thomson Reuters Foundation – December 4, 2014 – http://www.trust.org/item/20141204232229-6wev7/?source=fiOtherNews3

Green groups urge climate fund to exclude fossils – Associated Press – December 3, 2014 ?
http://bigstory.ap.org/article/7eeaa0970a2b4adea736bc31ebed99b0/green-groups-urge-climate-fund-exclude-fossilsTN16T20141203

Liquid Light finds use for polluting CO2 gas – Guardian – December 8, 2014 – http://www.theguardian.com/technology/2014/dec/08/liquid-light-co2-greenhouse-gas-plastics-pet

Not long to wait till released CO2 turns up temperature – Climate News Network – December 7, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/not-long-to-wait-till-released-co2-turns-up-temperature/

Warming reaches maximum 10 years after carbon dioxide emission – Carnegie Institution for Science Press Release (via AAAS EurekAlert) – December 2, 2014 – http://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-12/ci-wrm120114.php

Study finds early warning signals of abrupt climate change – University of Exeter Press Release (via AAAS EurekAlert) – December 8, 2014 – http://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-12/uoe-sfe120514.php

Warmer seas could cause faster melting of Antarctic ice leading to rising sea levels, says study – Guardian – December 5, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/dec/05/warmer-seas-could-cause-faster-melting-polar-ice-rising-sea-levels

How Scientists Unraveled the El Nino Mystery – Climate Central – December 7, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/how-scientists-unraveled-the-el-nino-mystery-18412

The End and Beginning of the Arctic – Climate Central – December 6, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/the-end-and-beginning-of-the-arctic-18407

Warm Water Invasion Is Fueling Striking Antarctic Ice Melt – Climate Central – December 4, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/warm-water-invasion-fueling-striking-antarctic-ice-melt-18401

Antarctica: Heat comes from the deep – Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel Press Release (via AAAS EurekAlert) – December 4, 2014 – http://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-12/hcfo-ahc120114.php

Warm water undermining Antarctica’s ice shelves – New Scientist – December 4, 2014 – http://www.newscientist.com/article/dn26657-warm-water-undermining-antarcticas-ice-shelves.html#.VIY-4iiv1sQ

Hotter, weirder: How climate has changed Earth – Associated Press – December 2, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/0ec806f3702b4b61b65f7d3de3867729/hotter-weirder-how-climate-has-changed-earth

“What is ecological engineering?” (Inhabiting the Anthropocene)

“What is ecological engineering?”
by Ingo Schlupp

CITATION:
Mitsch, W.J. 2012. Ecological Engineering, Vol. 45, pp. 5-12.
ON-LINE AVAILABILITY:
doi:10.1016/j.ecoleng.2012.04.013

ABSTRACT:
Ecological engineering, defined as the design of sustainable ecosystems that integrate human society with its natural environment for the benefit of both, has developed over the last 30 years, and rapidly over the last 10 years. Its goals include the restoration of ecosystems that have been substantially disturbed by human activities and the development of new sustainable ecosystems that have both human and ecological values. It is especially needed as conventional energy sources diminish and amplification of nature’s ecosystem services is needed even more. There are now several universities developing academic pro- grams or departments called ecological engineering, ecological restoration, or similar terms, the number of manuscripts submitted to the journal Ecological Engineering continue to increase at an rapid rate, and the U.S. National Science Foundation now has a specific research focus area called ecological engineer- ing. There are many private firms now developing and even prospering that are now specializing in the restoration of streams, rivers, lakes, forests, grasslands, and wetlands, the rehabilitation of minelands and urban brownfields, and the creation of treatment wetlands and phytoremediation sites. It appears that the perfect synchronization of academy, publishing, research resources, and practice is beginning to develop. Yet the field still does not have a formal accreditation in engineering and receives guarded acceptance in the university system and workplace alike.
William Mitsch is one of the founders of the field of Ecological Engineering, which specializes on managing and restoring ecosystems. There seems to be an obvious connection between the Anthropocene idea and this relatively new field. The Mitsch paper is a good place to start to understand the effort to be more deliberate and thoughtful about ways we intervene in natural systems—something that has run amok in the Anthropocene.

But it is important to me to put Ecological Engineering into a biological context. One of the key concepts that come to the mind of a biologist when we think of the Anthropocence is how almost any organism manipulates its environment. (Zev Trachtenberg has posted on the related idea of “niche construction.”) This is sometimes an apparent byproduct of physiological functions like plants releasing oxygen into the air (thereby making the planet hospitable to most animals) or a very clear, active manipulation like the beaver dam that creates a pond. The pond directly serves the beavers, but many organisms benefit from the existence of the novel pond. Others drown, of course. This kind of large scale and far reaching effect is classified as ecosystem engineering and has become a key concept in ecology. We now recognize that ecosystem engineering has many consequences, including a large increase in species richness. (In the Further Reading section I list a recent meta-analysis by Romero et al. in the highly respected journal Biological Reviews which just made this point.)

So, animals manipulate their environment all the time, how about humans? How are our efforts different? Often we simply mimic nature: we put artificial reefs in place of natural ones. These fake reefs have some of the same functions as natural reefs built by corals, mainly providing hard substrate for other animals to grow upon. Because corals provide more that just a substrate and are living, breathing part of the reef, other functions cannot be mimicked.

Humans have taken ecosystem engineering to a new dimension, partly creating the very Anthropocene we are discussing here. Like almost every other species on the planet our own species has altered the environment from Day 1, but when did we cross the threshold and became the masters of ecosystem engineering? Was it the invention of agriculture? Or any other milestone in the evolution of humanity?

Whenever it was, for our own species ecosystem engineering is obviously now very active and has resulted in planet-wide alterations. This leads me back to Ecological Engineering: it is an applied science, pioneered by Mitsch, who has promoted it since the early 1990’s. What is intriguing about this field is that it is by definition transdisciplinary, but it suffers from a problem that all of transdisciplinary approaches have, namely limited acceptance in the “pure” fields.

It is necessary for us to realize that Ecosystem Engineering, when done by humans has a moral and political dimension to it, but an engineering approach has additional aspects to think about: Engineering might be a misleading term, as it implies that we have control over all the moving parts. The science of Ecology is far from having a complete understanding of the dynamics that govern ecosystems; can we manage something we don’t understand all that well? At the same time we may have already altered all “natural” systems to a point where we are unable to research them as if they were naturals. Maybe this is the biological version of Heisenberg’s uncertainty principle.

FURTHER READING:
Mitsch, W.J., 1993. Ecological engineering—a cooperative role with the planetary life–support systems. Environmental Science and Technology, 27, 438–445. DOI: 10.1021/es00040a600. One of Mitsch’s early papers that helped launch the field.

Romero, G.Q. et al. 2014. Ecosystem engineering effects on species diversity across ecosystems: a meta-analysis. Biological Reviews, DOI: 10.1111/brv.12138. This paper argues that ecosystem engineering increases the number of species, but the effects depend e.g. on latitude (they are stronger in the tropics) and other factors.

Study: California drought is the most severe in at least 1,200 years (Washington Post)

 December 4 at 3:40 PM

The current drought in California is the worst the state has seen in at least 1,200 years, according to a recent study published by the American Geophysical Union.

Scientists at Woods Hole Oceanographic Institute and the University of Minnesota reconstructed California’s temperature and precipitation history back to 800 A.D. using tree ring data. Hidden in this millennium of data they found as many as 66 dry periods of at least three to nine years. In the entire 1,200 year period they studied, there were only three droughts that were similar in nature to the current drought.

Though none have been as severe as what California has seen in the three years since 2012. Not even the historic droughts of the late 1970s, nor the late 1980s. The study also found that 2014 was the worst single drought year in the past 1,200 years, and that approximately 44 percent of California’s 3-year droughts have gone on to last another year, or longer.

Interestingly, California’s current lack of rainfall is not unprecedented in the 1,200-year record. The study concludes that the current drought was a result of both below-average precipitation and record-breaking high temperatures, and that the latter could have intensified the drought by about 36 percent.

This week has been particularly rainy one for California, which is being blasted by a series of storms that are channeling moisture into the state. San Francisco has seen over 3.5 inches of rain since Monday, compared to 2013, when they only received 0.35 inches in the whole month. They’re average rainfall for the entire month of December is 4.03, so the city is well on it’s way to at least making par. Los Angeles has racked up over 1.5 inches of rain so far this month, where the December average is 2.05.

However, much, much more rainfall is needed to put a dent in the drought.

Fifty five percent of California remains in an “exceptional drought” as of Thursday — the most severe classification on the scale used by the U.S. Drought Monitor, and 100 percent of the state remains in at least a moderate drought. Many of the state’s critical reservoirs remain well below their historical average.

While this week’s rain and snow will be a step in the right direction, California still has a long way to go to reach total drought abatement. As of October, the National Climatic Data Center was estimating that most of California’s central valley as well as Northern California would need anywhere from 18 to 21 inches of precipitation over the next six months to end the drought.

This week’s rains will be beneficial, but they won’t be nearly enough.

Geoengineering Gone Wild: Newsweek Touts Turning Humans Into Hobbits To Save Climate (Climate Progress)

POSTED ON DECEMBER 5, 2014 AT 9:37 AM

Matamata, New Zealand - "Hobbiton," site created for filming Hollywood blockbusters The Hobbit and Lord of the Rings.

A Newsweek cover story touts genetically engineering humans to be smaller, with better night vision (like, say, hobbits) to save the Earth. Matamata, New Zealand, or “Hobbiton,” site created for filming Hollywood blockbusters The Hobbit and Lord of the Rings. CREDIT: SHUTTERSTOCK

Newsweek has an entire cover story devoted to raising the question, “Can Geoengineering Save the Earth?” After reading it, though, you may not realize the answer is a resounding “no.” In part that’s because Newsweek manages to avoid quoting even one of the countless general critics of geoengineering in its 2700-word (!) piece.

20141205cover600-x-800Geoengineering is not a well-defined term, but at its broadest, it is the large-scale manipulation of the Earth and its biosphere to counteract the effects of human-caused global warming. Global warming itself is geo-engineering — originally unintentional, but now, after decades of scientific warnings, not so much.

I have likened geoengineering to a dangerous, never tested, course of chemotherapy prescribed to treat a condition curable through diet and exercise — or, in this case, greenhouse gas emissions reduction. If your actual doctor were to prescribe such a treatment, you would get another doctor.

The media likes geoengineering stories because they are clickbait involving all sorts of eye-popping science fiction (non)solutions to climate change that don’t actually require anything of their readers (or humanity) except infinite credulousness. And so Newsweek informs us that adorable ants might solve the problem or maybe phytoplankton can if given Popeye-like superstrength with a diet of iron or, as we’ll see, maybe we humans can, if we allow ourselves to be turned into hobbit-like creatures. The only thing they left out was time-travel.

The author does talk to an unusually sober expert supporter of geoengineering, climatologist Ken Caldeira. Caldeira knows that of all the proposed geoengineering strategies, only one makes even the tiniest bit of sense — and he knows even that one doesn’t make much sense. That would be the idea of spewing vast amounts of tiny particulates (sulfate aerosols) into the atmosphere to block sunlight, mimicking the global temperature drops that follow volcanic eruptions. But they note the caveat: “that said, Caldeira doesn’t believe any method of geoengineering is really a good solution to fighting climate change — we can’t test them on a large scale, and implementing them blindly could be dangerous.”

Actually, it’s worse than that. As Caldeira told me in 2009, “If we keep emitting greenhouse gases with the intent of offsetting the global warming with ever increasing loadings of particles in the stratosphere, we will be heading to a planet with extremely high greenhouse gases and a thick stratospheric haze that we would need to maintain more-or-less indefinitely. This seems to be a dystopic world out of a science fiction story.”

And the scientific literature has repeatedly explained that the aerosol-cooling strategy — or indeed any large-scale effort to manipulate sunlight — is very dangerous. Just last month, the UK Guardian reported that the aerosol strategy “risks ‘terrifying’ consequences including droughts and conflicts,” according to recent studies.

“Billions of people would suffer worse floods and droughts if technology was used to block warming sunlight, the research found.”

And remember, this dystopic world where billions suffer is the best geoengineering strategy out there. And it still does nothing to stop the catastrophic acidification of the ocean.

There simply is no rational or moral substitute for aggressive greenhouse gas cuts. But Newsweek quickly dispenses with that supposedly “seismic shift in what has become a global value system” so it can move on to its absurdist “reimagining of what it means to be human”:

In a paper released in 2012, S. Matthew Liao, a philosopher and ethicist at New York University, and some colleagues proposed a series of human-engineering projects that could make our very existence less damaging to the Earth. Among the proposals were a patch you can put on your skin that would make you averse to the flavor of meat (cattle farms are a notorious producer of the greenhouse gas methane), genetic engineering in utero to make humans grow shorter (smaller people means fewer resources used), technological reengineering of our eyeballs to make us better at seeing at night (better night vision means lower energy consumption)….

Yes, let’s turn humans into hobbits (who are “about 3 feet tall” and “their night vision is excellent“). Anyone can see that could easily be done for billions of people in the timeframe needed to matter. Who could imagine any political or practical objection?

Now you may be thinking that Newsweek can’t possibly be serious devoting ink to such nonsense. But if not, how did the last two paragraphs of the article make it to print:

Geoengineering, Liao argues, doesn’t address the root cause. Remaking the planet simply attempts to counteract the damage that’s been done, but it does nothing to stop the burden humans put on the planet. “Human engineering is more of an upstream solution,” says Liao. “You get right to the source. If we’re smaller on average, then we can have a smaller footprint on the planet. You’re looking at the source of the problem.”

It might be uncomfortable for humans to imagine intentionally getting smaller over generations or changing their physiology to become averse to meat, but why should seeding the sky with aerosols be any more acceptable? In the end, these are all actions we would enact only in worst-case scenarios. And when we’re facing the possible devastation of all mankind, perhaps a little humanity-wide night vision won’t seem so dramatic.

Memo to Newsweek: We are already facing the devastation of all mankind. And science has already provided the means of our “rescue,” the means of reducing “the burden humans put on the planet” — the myriad carbon-free energy technologies that reduce greenhouse gas emissions. Perhaps LED lighting would make a slightly more practical strategy than reengineering our eyeballs, though perhaps not one dramatic enough to inspire one of your cover stories.

As Caldeira himself has said elsewhere of geoengineering, “I think that 99% of our effort to avoid climate change should be put on emissions reduction, and 1% of our effort should be looking into these options.” So perhaps Newsweek will consider 99 articles on the real solutions before returning to the magical thinking of Middle Earth.

Brasil chega a Lima na contramão dos esforços globais contra mudanças do clima (Observatório do Clima)

Cop20lima
02/12/2014 – 12h35

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

banner OCnaCOP20 Expectativas01.121 Brasil chega a Lima na contramão dos esforços globais contra mudanças do clima

Com emissões em alta, mesmo com baixo crescimento econômico, Brasil começa a COP20 numa posição mais frágil que em outras conferências do clima.

A capital do Peru será a capital global dos esforços contra as mudança do clima pelas próximas duas semanas. Começou nesta segunda a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em espaço montado no quartel general do Exército peruano em Lima. Pelos próximos 14 dias, negociadores de mais de 190 países se reunirão com a dura missão de desatar os nós que impedem o enfrentamento global efetivo das mudanças climáticas.

O principal objetivo da COP 20, sem dúvidas, será avançar na estrutura do futuro acordo climático internacional que sucederá o Protocolo de Quioto a partir de 2021, mas que precisa ter seu texto finalizado e aprovado pelos governos até a próxima Conferência do Clima, que acontece daqui a 12 meses em Paris.

O cenário em Lima é favorável para esse avanço. Os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta, a China e os Estados Unidos, apresentaram compromissos importantes rumo a uma redução substancial de suas emissões nas próximas décadas. Mesmo que esses anúncios não sejam tão ambiciosos como o necessário, eles são sinais importantes da disposição desses países para enfrentar o desafio climático.

Outro motivo para otimismo é o avanço na capitalização do Fundo Climático Verde (GFC, sigla em inglês), que conseguiu angariar US$ 9,7 bilhões, graças às doações recentes de países como Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. O valor praticamente bate a meta prevista pela UNFCCC para o final de 2014, e esses recursos serão importantes para financiar ações urgentes em adaptação e mitigação das mudanças do clima em países em desenvolvimento.

Por fim, o ímpeto dado pela Cúpula do Clima, realizada em setembro passado em Nova York, criou um movimento importante para a sociedade civil internacional pressionar os governos por ações climáticas mais ambiciosas e efetivas. Mesmo que os resultados concretos da Cúpula tenham sido mais simbólicos que práticos, o encontro de chefes de governo em Nova York ajudou a colocar o tema climático novamente na agenda mainstream da política internacional e incentivou a mobilização de milhões de pessoas pelo mundo.

Se o contexto global é favorável para avanços práticos, o contexto brasileiro não poderia ser tão contrastante. Como o Observatório do Clima apontou, a partir dos dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG), as emissões brasileiras aumentaram 7,8% em 2013, mesmo com o baixo crescimento apresentado pelo país no ano passado (2,6%).

Entre 2012 e 2013, a Amazônia sofreu com o aumento da taxa de desmatamento em 29%, que interrompeu uma sequência de quase uma década de reduções significativas. No ano passado, as emissões associadas ao desmatamento subiram 16%, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. Mesmo com o anúncio recente dos dados do PRODES, que apontam para uma redução de 18% na taxa entre 2013 e 2014, informações do DETER e do Imazon já apontam para uma retomada acelerada do desmatamento nos últimos meses, o que pode colocar em risco a pequena recuperação apontada pelo PRODES.

COP20 0001 Brasil chega a Lima na contramão dos esforços globais contra mudanças do clima

Além disso, quase 70% dos investimentos federais em energia nos próximos anos estão direcionados para fontes fósseis em energia, que vão inevitavelmente sujar nossa matriz energética. Exemplo recente do retrocesso disso foi o leilão de energia realizado na semana passada, que ressuscitou o carvão mineral, incluindo na base da matriz energética.

Esse contexto doméstico fragiliza a posição brasileira nas negociações climáticas, com reflexos imediatos no processo diplomático atual. Por exemplo, o governo brasileiro cogita encaminhar suas contribuições nacionalmente definidas, base para a conclusão dos futuros compromissos do Brasil no novo acordo climático, apenas no final do primeiro semestre de 2015, meses depois do deadline original recomendado por decisão da COP 19, realizada em Varsóvia no ano passado. Ou seja, o Brasil está abrindo mão da sua condição de liderança política em clima, esperando para ver o que outros países farão para depois definir o que podemos fazer.

Enquanto o Brasil retrocede, as mudanças do clima já fazem parte da realidade dos brasileiros, impondo custos altíssimos para o país, devido ao clima extremo – particularmente nos últimos meses, com a estiagem que aflige o Sudeste e a seca que atinge todo o semiárido do Nordeste há alguns anos.

O Observatório do Clima espera que o Brasil assuma uma posição condizente com aquilo que já apresentou em conferências passadas, alinhada com aquilo que se espera do país nesse momento importantíssimo das negociações climáticas. Somos um dos maiores emissores do planeta e temos condição para avançar efetivamente em esforços mais substanciais de redução de nossas emissões – por exemplo, reduzindo o desmatamento amazônico para zero, ampliando os investimentos para agricultura de baixo carbono e revertendo a queda da participação de fontes renováveis em nossa matriz energética, através de investimentos maciços em renováveis modernas. Se colocarmos o avanço em nossos esforços climáticos como estratégico para o Brasil, isso será positivo para a competitividade de nossa indústria e para a geração de novos empregos em setores importantes como energia solar, hoje estratégicos para países como China e Estados Unidos.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

January-October 2014 temperatures highest on record (Science Daily)

Date: November 29, 2014

Source: World Meteorological Organization

Summary: The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration. It said October was the hottest since records began in 1880.

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to NOAA. October was the hottest since records began in 1880. Credit: NOAA

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). It said October was the hottest since records began in 1880.

NOAA said the combined global land and ocean average surface temperature for the January-October period was 0.68°C (1.22°F) above the 20th century average of 14.1°C (57.4°F). For October, it was 0.74°C (1.33°F) above the 20th century average of 14.0°C (57.1°F).

The high October temperature was driven by warmth across the globe over both the land and ocean surfaces and was fairly evenly distributed between the Northern and Southern Hemispheres. The Southern Hemisphere had its hottest October on record and the Northern Hemisphere its third warmest.

October marked the third consecutive month and fifth of the past six with a record high global temperature for its respective month (July was fourth highest).

The Tokyo Climate Center, which is a WMO Regional Climate Centre, also reported that October was the hottest on record. The record was also confirmed by data from NASA’s Goddard Institute for Space Studies.

WMO uses a combination of datasets to compile its annual Statement on the Status of the Global Climate. Additional information is drawn from the ERA-Interim reanalysis-based data set maintained by the European Centre for Medium-Range Weather Forecasts.

Further information: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/10

Education is key to climate adaptation (Science Daily)

Date: November 27, 2014

Source: International Institute for Applied Systems Analysis

Summary: According to new research, education makes people less vulnerable to natural disasters such as floods, landslides, and storms that are expected to intensify with climate change.


Given that some climate change is already unavoidable–as just confirmed by the new IPCC report–investing in empowerment through universal education should be an essential element in climate change adaptation efforts, which so far focus mostly in engineering projects, according to a new study from the International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA) published in the journal Science.

The article draws upon extensive analysis of natural disaster data for 167 countries over the past four decades as well as a number of studies carried out in individual countries and regions, published last year in a special issue of the journal Ecology and Society.

The research shows that in many cases–particularly where the exact consequences of climate change are still unclear–educational expansion could be a better investment in protecting people from the impacts than conventional investments such as building sea walls, dams, irrigation systems, and other infrastructure.

“Education is key in reducing disaster fatalities and enhancing adaptive capacity,” says Wolfgang Lutz, Director of IIASA’s World Population Program and Founding Director of the Wittgenstein Centre for Demography and Global Human Capital, a collaboration of IIASA, the Austrian Academy of Sciences, and the Vienna University of Economics, who wrote the article together with IIASA researchers Raya Muttarak and Erich Striessnig, who have dual affiliations with the Vienna Institute of Demography and the Vienna University of Economics and Business, respectively.

“Our research shows that education is more important than GDP in reducing mortality from natural disasters. We also demonstrated that under rapid development and educational expansion across the globe, disaster fatalities will be reduced substantially,” says Muttarak.

Climate models project that extreme weather events such as hurricanes are likely to increase with climate change. And with rising sea levels, floods will become a greater danger in low-lying coastal areas. So researchers from IIASA’s World Population Program launched a major research project to explore the connections between fatality rates in such disasters, education levels, and other potential factors that could contribute to resilience such as wealth and health.

Previous research had shown that education plays a major role in development, including poverty alleviation and economic growth. In regard to climate change adaption, “Education directly improves knowledge, the ability to understand and process information, and risk perception. It also indirectly enhances socioeconomic status and social capital. These are qualities and skills useful for surviving and coping with disasters,” says Muttarak.

The new study shows that education is the key factor in enhancing adaptive capacity to already unavoidable climate change. This insight is also reflected in the new generation of IPCC-related scenarios, the Shared Socioeconomic Pathways (SSPs) which were developed by IIASA researchers in collaboration with other leading global change research institutes to jointly capture different future socioeconomic challenges for climate change mitigation and adaptation. Using these SSPs, the new study illustrates how alternative future trajectories in education lead to greatly differing numbers of expected deaths due to climate change. Therefore, says Striessnig, “Investment in human capital not only empowers people to achieve desirable socioeconomic outcomes, but it also has a protective function against diverse impacts climate change may have over the coming decades.”

With 100 billion dollars currently pledged per year for climate funding through the Green Climate Fund, the researchers say it is vital to examine where the money would have the greatest impact.

Striessnig says, “We need to think about how to best allocate the funds raised for the adaptation to future climate change. Currently many of these funds are destined to support less flexible engineering projects or agricultural strategies. Such efforts are also vitally important, but in light of the major uncertainties about climate change impacts, it makes sense to invest some of the funds in mechanisms that will empower people to flexibly adapt to whatever changes might occur.”


Journal Reference:

  1. Lutz W, Muttarak R, Striessnig E. Universal education is key to enhanced climate adaptationScience, 28 November 2014 %u2022 Vol. 346 no. 6213 DOI: 10.1126/science.1257975

Fundo contra o aquecimento atinge US$ 9,7 bi (Folha de S.Paulo)

Este valor quase bateu a meta de US$ 10 bilhões sugerida pela convenção do clima da ONU

Um fator que também contribuiu para o clima de otimismo com que começa a COP 20 foram as últimas contribuições ao Fundo Verde do Clima, principal mecanismo de financiamento previsto para o acordo a ser firmado.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198000-fundo-contra-o-aquecimento-atinge-us-97-bi.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

*   *   *

Reunião do clima começa otimista e aflita

China e EUA injetam ânimo na negociação de acordo contra aquecimento, mas promessas ainda são insuficientes

A 20ª conferência do clima da ONU, COP 20, começa hoje em Lima, no Peru, num ambiente que mescla otimismo e aflição. Apesar de um recente acordo entre China e EUA ter dado ao planeta a perspectiva de avançar na redução de emissões de gases do efeito estufa, promessas ainda estão aquém daquilo que a ciência diz ser necessário para evitar um aquecimento “perigoso” do planeta.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/197998-reuniao-do-clima-comeca-otimista-e-aflita.shtm

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

Outra matéria sobre o assunto em:

O Globo

Em Lima, as bases de um acordo climático em jogo a partir desta segunda
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/em-lima-as-bases-de-um-acordo-climatico-em-jogo-partir-desta-segunda-14703871#ixzz3Kecr4CSb

Optimism Faces Grave Realities at Climate Talks (New York Times)

WASHINGTON — After more than two decades of trying but failing to forge a global pact to halt climate change, United Nations negotiators gathering in South America this week are expressing a new optimism that they may finally achieve the elusive deal.

Even with a deal to stop the current rate of greenhouse gas emissions, scientists warn, the world will become increasingly unpleasant. Without a deal, they say, the world could eventually become uninhabitable for humans.

For the next two weeks, thousands of diplomats from around the globe will gather in Lima, Peru, for a United Nations summit meeting to draft an agreement intended to stop the global rise of planet-warming greenhouse gases.

The meeting comes just weeks after a landmark announcement by President Obama and President Xi Jinping of China committing the world’s two largest carbon polluters to cuts in their emissions. United Nations negotiators say they believe that advancement could end a longstanding impasse in the climate talks, spurring other countries to sign similar commitments.

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A child walking near her home with a coal-fired power plant in the background in Beijing, China. CreditKevin Frayer/Getty Images 

But while scientists and climate-policy experts welcome the new momentum ahead of the Lima talks, they warn that it now may be impossible to prevent the temperature of the planet’s atmosphere from rising by 3.6 degrees Fahrenheit. According to a large body of scientific research, that is the tipping point at which the world will be locked into a near-term future of drought, food and water shortages, melting ice sheets, shrinking glaciers, rising sea levels and widespread flooding — events that could harm the world’s population and economy.

Recent reports show that there may be no way to prevent the planet’s temperature from rising, given the current level of greenhouse gases already in the atmosphere and the projected rate of emissions expected to continue before any new deal is carried out.

That fact is driving the urgency of the Lima talks, which are expected to produce a draft document, to be made final over the next year and signed by world leaders in Paris in December 2015.

While a breach of the 3.6 degree threshold appears inevitable, scientists say that United Nations negotiators should not give up on their efforts to cut emissions. At stake now, they say, is the difference between a newly unpleasant world and an uninhabitable one.

“I was encouraged by the U.S.-China agreement,” said Michael Oppenheimer, a professor of geosciences and international affairs at Princeton University and a member of the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change, a global body of scientists that produces regular reports on the state of climate science. But he expressed doubts that the threshold rise in global temperature could be prevented.

“What’s already baked in are substantial changes to ecosystems, large-scale transformations,” Mr. Oppenheimer said. He cited losses of coral reef systems and ice sheets, and lowering crop yields.

Still, absent a deal, “Things could get a lot worse,” Mr. Oppenheimer added. Beyond the 3.6 degree threshold, he said, the aggregate cost “to the global economy — rich countries as well as poor countries — rises rapidly.”

Felipe Calderón, the chairman of the Global Commission on the Economy and Climate and former president of Mexico. CreditRichard Drew/Associated Press 

The objective now, negotiators say, is to stave off atmospheric temperature increases of 4 to 10 degrees by the end of the century; at that point, they say, the planet could become increasingly uninhabitable.

Officials at the National Oceanic and Atmospheric Administration are already reporting that 2014 appears likely to be the warmest year on record.

Since 1992, the United Nations has convened an annual climate change summit meeting aimed at forging a deal to curb greenhouse gases, which are produced chiefly by burning coal for electricity and gasoline for transportation. But previous agreements, such as the 1997 Kyoto Protocol, included no requirements that developing nations, such as India and China, cut their emissions. And until now, the United States has never headed into those summit meetings with a domestic climate change policy in place.

This spring, a report by 13 federal agencies concluded that climate change would harm the American economy by increasing food prices, insurance rates and financial volatility. In China, the central government has sought to quell citizen protests related to coal pollution.

In June, Mr. Obama announced a new Environmental Protection Agency rule forcing major emissions cuts from coal-fired power plants. State Department negotiators took the decision to China, hoping to broker a deal for a similar offer of domestic action. That led to November’s joint announcement in Beijing: The United States will cut its emissions up to 28 percent by 2025, while China will decrease its emissions by or before 2030.

“Our sense is that this will resonate in the broader climate community, give momentum to the negotiations and spur countries to come forward with their own targets,” said Todd Stern, Mr. Obama’s lead climate change negotiator. “The two historic antagonists, the biggest players, announcing they’ll work together.”

Other negotiators agree. “The prospects are so much better than they’ve ever been,” said Felipe Calderón, the former president of Mexico and chairman of the Global Commission on the Economy and Climate, a research organization.

The aim of negotiators in Lima is, for the first time, to produce an agreement in which every nation commits to a domestic plan to reduce greenhouse gas emissions, along the model of the United States-China agreement. Negotiators expect that by next March, governments will make announcements similar to those made by the United States and China.

The idea is for each country to cut emissions at a level that it can realistically achieve, but in keeping with domestic political and economic constraints. World leaders would sign a deal in Paris next year committing all those nations to their cuts, including a provision that the nations regularly reconvene to further reduce their emissions.

The problem is that climate experts say it almost certainly will not happen fast enough. A November report by the United Nations Environment Program concluded that in order to avoid the 3.6 degree increase, global emissions must peak within the next 10 years, going down to half of current levels by midcentury.

But the deal being drafted in Lima will not even be enacted until 2020. And the structure of the emerging deal — allowing each country to commit to what it can realistically achieve, given each nation’s domestic politics — means that the initial cuts by countries will not be as stringent as what scientists say is required.

China’s plan calls for its emissions to peak in 2030. Government officials in India, the world’s third-largest carbon polluter, have said they do not expect to see their emissions decline until at least 2040.

While Mr. Obama has committed to United Nations emissions cuts through 2025, there is no way to know if his successor will continue on that path.

That reality is already setting in among low-lying island nations, like the Marshall Islands, where rising seas are soaking coastal soil, killing crops and contaminating fresh water supplies.

“The groundwater that supports our food crops is becoming inundated with salt,” said Tony A. deBrum, foreign minister of the Marshall Islands. “The green is becoming brown.”

Many island nations are looking into buying farmland in other countries to grow food and, eventually, to relocate their populations.

In Lima, those countries are expected to demand that a final deal include aid to help them adapt to the climate impacts that have already arrived.

Record Drought Reveals Stunning Changes Along Colorado River (National Geographic)

A boat traces the curves of Reflection Canyon, part of Glen Canyon.

A boat wends its way around the curves of Reflection Canyon, part of Lake Powell in Glen Canyon. The “bathtub rings” on the walls show past water levels.

PHOTOGRAPH BY MICHAEL MELFORD, NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE

Jonathan Waterman

for National Geographic

PUBLISHED NOVEMBER 23, 2014

LAKE POWELL, Utah—In early September, at the abandoned Piute Farms marina on a remote edge of southern Utah’s Navajo reservation, we watched a ten-foot (three-meter) waterfall plunging off what used to be the end of the San Juan River.

Until 1990, this point marked the smooth confluence of the river with Lake Powell, one of the largest reservoirs in the U.S. But the lake has shrunk so much due to the recent drought that this waterfall has emerged, with sandy water as thick as a milkshake.

My partner DeEdda McLean and I had come to this area west of Mexican Hat, Utah, to kayak acrossLake Powell, a reservoir formed by the confluence of the San Juan and the Colorado Rivers and the holding power of Glen Canyon Dam, which lies just over the border in Arizona. Yet in place of a majestic reservoir, we saw only the thin ribbon of a reemergent river channel, which had been inundated for most of the past three decades by the lake. We called this new channel the San Powell, combining the name of the river and the lake.

Map of the Lake Mead and Lake Powell regions.

VIRGINIA W. MASON, NG STAFF SOURCE: BUREAU OF RECLAMATION, NATIONAL PARK SERVICE

We had also come to see firsthand how drought is changing the landscapes of the desert Southwest. Here, judging by the lack of conservation reform, water has seemed to be largely taken for granted. But our recent float suggests that profound changes may be in store for the region. (See “The American Nile.”)

Sweating in the desert heat, we loaded our 15-foot (5-meter) kayaks with two weeks’ worth of food and ten gallons of water—enough to last us two days. Drinking from the silty river or fecal-contaminated areas of Lake Powell frequented by houseboats was not an option (Glen Canyon Recreation Area, which includes the reservoir, is visited by more than two million people a year). The contours of our journey—where we camped, our hiking destinations, and how far we paddled each day—would be defined by the need to find potable springs.

Like bicyclists shunning the interstate, many kayakers have avoided Lake Powell ever since the builders of Glen Canyon Dam finished flooding 186 miles (300 kilometers) of the Colorado River Valley in 1980. The reservoir was named after John Wesley Powell, the National Geographic Society co-founder who first paddled most of the Colorado River and who later, in public office, tried to limit population growth in the arid Southwest. The dams and the enormous reservoirs that were later built in the desert would have horrified him.

Motorboaters call Powell’s lake the “Jewel of the Colorado” because of its unnatural emerald hue—Glen Canyon Dam now captures the silt that used to make the Colorado, after its confluence with the San Juan, the most colorful river in the West. Paddlers call it “Lake Foul” for the noise and stench of outboard engines.

Photo of Lake Powell in 2011.

In 2011, Lake Powell contained plenty of water.
PHOTOGRAPH BY JON WATERMAN

“Extreme” Drought

According to the U.S. Drought Monitor, 11 of the past 14 years have been drought years in the Southwest, with the drought ranging from “severe” to “extreme” to “exceptional,” depending on the year and the area.

At “full pool,” Lake Powell spans 254 square miles (660 square kilometers)—a quarter the size of Rhode Island. The lightning bolt-shaped canyon shore stretches 1,960 miles (3,150 kilometers), 667 miles (1,073 kilometers) longer than the West Coast of the continental United States.

The reservoir serves multiple purposes. It stores water from the Upper Basin states of Wyoming, Utah, New Mexico, and Colorado so that the Lower Basin states of California, Nevada, and Arizona can receive their allotted half of the Colorado River; it creates electricity through hydro-generators at Glen Canyon Dam; and it helps prevent flooding below Hoover Dam (240 miles or 390 kilometers downstream), the site of North America’s largest reservoir, Lake Mead.

11 of the past 14 years have been drought years in the Southwest.

The irony, as most students of this river’s history now know, is that the U.S. Bureau of Reclamation created these enormous reservoirs during the wettest period of the past millennium. According to modern tree-ring data (unavailable during the dam-building epoch), the previous millennium experienced droughts much more severe than those in the first 14 years of the 21st century. Many climate scientists think the Southwest is again due for a megadrought. The Bureau of Reclamation’s analysis of over a hundred climate projections suggests the Colorado River Basin will be much drier by the end of this century than it was in the past one, with the median projection showing 45 percent less runoff into the river.

Last winter was snowy in the Rockies, and runoff was at 96 percent of the historical average. Because of the previous years of drought, however, Lake Powell had risen to only half full by fall.

But Lake Mead was in even worse shape. This year it plunged to 39 percent of capacity, a low that has not been matched since Hoover Dam began backing up the Colorado River in 1935. In August, the Bureau of Reclamation announced that Lake Powell would release an additional 10 percent of its waters, or 2.5 trillion gallons, to Lake Mead. That release will lower the water in Lake Powell by about three feet (one meter).

Photo of Lake Powell in 2014.

By 2014, Lake Powell was full of plant life and silt.
PHOTOGRAPH BY JON WATERMAN

Rise of Ancient Ruins?

Fifty miles (80 kilometers) up from the Colorado River confluence, on what is commonly known as the San Juan River Arm of Lake Powell, we kept poking our paddles-cum-measuring sticks toward the shallow river bottom, shouting: “Good-bye, reservoir! Hello, San Powell River!” In a four-mile-per-hour, opaque current, always hunting for the deepest river braids, we breezed past fields of still-viscous, former lake-bottom silt deposits. Stepping out of the boat here would have been an invitation to disappear in quicksand.

We paddled downstream, looking for the edge of the reservoir. We passed caterwauling great blue herons, a yipping coyote, and squawking conspiracies of ravens. By late afternoon, dehydrated by the desert sun, we stopped at one of the few quicksand-free tent sites above the newly emerged river: a sandy yet dry creek bed draining the sacred Navajo Mountain.

We slept in the perfume of blooming nightshades; wild burros brayed throughout the night. Here, more than a dozen miles below our put-in at a marina that once served the reservoir, the swirling “San Powell” River continued to sigh 15 feet (5 meters) below our tent.

In October 2011, when the reservoir was at 70 percent of its capacity, I had stood on a rocky shore above where our tent now stood and photographed Lake Powell’s Zahn Bay here in the San Juan River Valley. It’s dry now, and the lake bottom is a cracked series of chocolate-colored hummocks, surrounded by the invasive Russian thistle and tamarisk, native willows and sunflowers, and pockmarked by burro hooves.

For five days, we wouldn’t see a human footprint or hear the ubiquitous whine of Lake Powell boat traffic.

Half full, the amazing vessel that is Lake Powell has lost 4.4 trillion gallons of water in the recent drought.

By day three, desperate to refill our water bottles, we found a newly created marsh where the river thinned before dropping into the deeper reservoir. Unlike anything I’d experienced elsewhere on the sterile Lake Powell, abundant small fish and aquatic life supported American pelicans, mallards, coots, mergansers, green herons, hawks, and kingfishers. The silty river is also sheltering endangered razorback suckers and pikeminnows that are preyed upon by non-native fish in the clearer waters of the lake.

Within a decade or two at the most, if the drought persists, we can expect to see hundreds of inundated ancient Anasazi ruins rising above the drying reservoir. Archaeologists will be delighted, just as kayakers like us delight at the reemergence of a river. But more than 36 million people in and around the Colorado River Basin depend on this vanishing water.

As we finally reached a body of water wide enough to be properly called the reservoir, many miles below where we had expected to find it, we continued paddling in a chocolate pudding of ground-up river debris. Some 94 feet (29 meters) above our craned heads, on the red sandstone walls of the reservoir, we saw the “bathtub rings”—the stains left by river minerals in wetter times.

That night we did a quick calculation: Half full, the amazing vessel that is Lake Powell has lost 4.4 trillion gallons of water in the recent drought; the deeper vessel of Lake Mead at 39 percent capacity has lost 5.6 trillion gallons of water.

Aerial view looking down on Lake Powell and the Glen Canyon dam.

This aerial view of Lake Powell and Glen Canyon Dam was taken in 2009.
PHOTOGRAPH BY PETER MCBRIDE, NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE

Big Impact

As central California (beyond the reach of Colorado River water) has already been hamstrung by an even more exceptional drought, many farms and dairy operations have shut down, rationing has begun, homeowners are being fined for watering their lawns, and the state has begun relying on finite groundwater supplies. And as extensive farm networks are served by the Colorado River, it is likely that nationwide produce prices will soon begin to rise.

What’s next? As Lakes Powell and Mead continue to plummet, officials are now predicting rationing by 2017 for the junior Colorado River water-rights holders of Nevada and Arizona.

In the decades that follow, invasive flora and fauna will colonize dried-out reservoir bottoms. River running and reservoir boating may end. Those will seem like minor issues compared with the survival of cities like Los Angeles, Denver, Phoenix, and Las Vegas, all of which depend on the Colorado River. There is talk of diverting more water to the Colorado Basin users from places such as the Missouri River. A massive desalination plant is being built on the California coast. But such solutions won’t come cheap.

Officials are now predicting rationing by 2017 for the junior Colorado River water-rights holders of Nevada and Arizona.

We can hope for agricultural reform, such as irrigation changes, more aggressive crop rotation and fallowing, reverting to less water-intensive produce, or dismantling of the water-intensive southwestern dairy industry. And the exponential population growth of the region—as Powell warned at the end of the 19th century—will have to be addressed. (See “Arizona Irrigators Share Water With Desert River.”)

By mid-September, we reached the speedboat-accessible region of Lake Powell. Motorboaters often stopped to ask if we needed help. Many of these boaters offered us iced beer or bottled water imported from distant regions of the country.

Each day, for 14 days, except during two violent but brief rainstorms, the temperature climbed into the 90s. Often dizzy, and even exhausted from the heat, we parceled out our water, cup by cup, consuming over four gallons daily. And every other day, we walked or paddled miles out of our way so that we could enact a time-honored practice of desert cultures like the Anasazi’s, which vanished in the 13th-century megadrought.

Every other day, we uncapped our empty bottles while honoring this ritual of aridity: Bowing under shaded cliffs at moss-covered seeps, we pressed our lips onto cold sandstone walls and drank those precious drops until our bellies were full.

Jonathan Waterman is a writer and photographer based in Colorado. In 2010 National Geographic published his book Running Dry: A Journey From Source to Sea Down the Colorado River. He is also the co-author, with Pete McBride, of The Colorado River: Flowing Through Conflict.See his previous work “The American Nile.”

Get involved with the effort to restore the Colorado River throughChange the Course, a partnership of National Geographic and other organizations.

O Brasil secou (Super Interessante)

A falta d’água se alastrou pelo país, sintoma das mudanças climáticas e do desmatamento na Amazônia, cada vez mais debilitada. Nos aproximamos de um futuro desértico — e a culpa é toda nossa

por Camila Almeida

Novembro 2014

Em 2014, não choveu. Pelo menos não quanto deveria. Os índices de chuvas apresentam déficit, os reservatórios minguaram a percentuais críticos, a nascente do Rio São Francisco secou pela primeira vez na história. Esses eventos extremos estavam previstos pelos estudiosos das mudanças climáticas, causadas quase exclusivamente pela atividade humana, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Mas outro fator está agravando esse quadro: o desmatamento. A Amazônia é a responsável por manter úmido todo o continente, e sua depredação influencia diretamente no clima.

A floresta funciona como uma fábrica de chuvas. Por cima das nossas cabeças, há imensos rios seguindo seu curso, levando nuvens carregadas por onde passam. São os rios voadores, que começaram a ser estudados em 2006, numa parceria entre o aviador francês Gérard Moss e o engenheiro agrônomo Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Sobrevoando a Amazônia, eles descobriram todo o seu potencial de bombeamento de água e traçaram o curso que os rios voadores seguem pelo País. Esta capacidade da floresta de exportar umidade é um dos cinco segredos da floresta, poeticamente explicados no relatório O Futuro Climático da Amazônia, publicado recentemente por Nobre.

Nossa água vem da Amazônia
Entenda o processo de transpiração da floresta e a formação das nuvens sobre ela. Ao lado, conheça o percurso dos rios voadores e como eles levam chuvas por todo o continente.

O fluxo dos rios voadores é mais intenso no verão, estação em que chove na maior parte do País. Isso acontece graças à inclinação da Terra nesta época do ano, que favorece a entrada dos ventos marítimos na América do Sul. Mas há mais uma vantagem geográfica que garante esse circuito: a Cordilheira dos Andes, localizada a oeste da floresta. O imenso paredão faz com que os ventos não passem direto e deixem o resto do Brasil sem umidade. De acordo
com o físico Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), é no
começo do ano que os rios voadores reabastecem as fontes de água e reservatórios brasileiros. Ao se chocarem contra a Serra da Mantiqueira e da Canastra, no Sudeste, enchem a nascente de vários rios importantes, como o São Francisco. “Esta região é a caixa d’água do Brasil”, avalia Fearnside. “Se não chover na época em que tem que chover, os reservatórios
não serão recarregados ao longo do ano”, completa. Esse tem sido o drama em 2014.

Desmatamento que vai, volta 

Poder contar com a maior floresta tropical do mundo, inclusive em relação aos recursos hídricos, é um privilégio. Pouquíssimo valorizado. Nos últimos 40 anos, derrubamos 42 bilhões de árvores. Além disso, devido às queimadas, existe mais de 1 milhão de km² de floresta morta, degradada. O que não se imaginava é que uma revanche em forma de seca chegaria tão rápido. “Hoje, estamos vivendo a reciprocidade da inconsequência”, atesta Nobre. Há mais de 20 anos, estudos alertavam para esse perigo. Em 1991, o climatologista Carlos Nobre, irmão de Antonio e também do INPE, comandou uma simulação para avaliar os impactos no clima da mudança do uso da terra. Constataram que, se a floresta fosse substituída por plantações ou pastagens, a temperatura média da superfície aumentaria cerca de 2,5 ºC, a evapotranspiração das plantas diminuiria 30% e as chuvas cairiam 20%. Também se previa uma ampliação das estações secas na área amazônica. Hoje, com quase metade da floresta original danificada, tais efeitos parecem ter vindo à tona.
“O desmatamento zero é para ontem. Chegamos a níveis climáticos críticos. Precisamos começar a replantar o que já perdemos”, aponta Antonio Nobre. Apesar da urgência, as perspectivas não são animadoras. Só na região amazônica, há mais de 40 projetos do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal só no quesito geração de energia. São usinas, barragens e outras medidas que causam inundações e corte de árvores e que afetam diretamente populações indígenas. Os projetos de estradas também são preocupantes. A recuperação da Rodovia Manaus-Porto Velho (BR-319), abandonada desde a década de 1980 por falta de manuntenção, também consta no PAC. De acordo com Philip Fearnside, o projeto é um risco para a Amazônia. “Uma estrada valoriza demais a terra, e especulação gera desmatamento e favorece a grilagem”, explica. O mesmo acontece com a Rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163), com mais de 1.700 km de extensão.

“A estrada vai ser recuperada para facilitar o transporte da soja produzida no Mato Grosso”, aponta Fearnside, sobre uma das áreas amazônicas que mais sofrem com o agronegócio. “A terra valoriza tanto que pecuaristas estão vendendo suas terras para produtores de soja do Sul. Por sua vez, isso tem aumentado muito o desmatamento no Pará, com a liberação de terrenos para a criação de gado desses pecuaristas”, critica o especialista. Ele também destaca o fortalecimento da bancada ruralista no Congresso, após as eleições deste ano.

Desmatamento e degradação:

Clima em crise

Neste verão, os rios voadores não avançaram sobre o Sudeste; tampouco as frentes frias. A ilha de calor instalada sobre a região, característica de uma urbanização extrema, cria bloqueios que afastam as chuvas. Por isso, a água esborrou na borda dessa bolha quente, gerando chuvas acima da média no Sul e países vizinhos. Hoje, há registros de seca em todos os Estados brasileiros. Em alguns deles, a seca é “excepcional”, ainda mais grave do que a “extrema”. O quadro já era grave no ano passado, quando o Nordeste viveu a pior seca dos últimos 50 anos, inserindo o Brasil no mapa de eventos climáticos extremos, da Organização Mundial de Meteorologia.

De acordo com o físico especialista em ciências atmosféricas Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, o agravamento de secas e das cheias está relacionado ao aumento da temperatura na atmosfera. Aquecida, ela se expande, fazendo com que seja necessário reunir mais vapor d’água para formar nuvens. “Esse processo demanda mais tempo, portanto tende a prolongar os períodos de estiagem. Por outro lado, as nuvens se formam a partir de uma quantidade maior de vapor d’água, fazendo com que os eventos de precipitações se tornem mais intensos. Um planeta mais quente é um planeta de extremos”, explica.

Para a filósofa e ecologista Déborah Danowski, que lançou recentemente o livro Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins, com seu marido e antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, entramos num caminho sem volta. “A crise climática não pode mais ser evitada. Se cortássemos agora as emissões de CO₂, a Terra ainda iria se aquecer aproximadamente 1 ºC. Isso porque já jogamos no ar uma quantidade tão grande, que muito dele ainda nem foi absorvido”, aponta. O que não quer dizer que não haja muito o que fazer. Para ela, o primeiro passo é repensar os modelos econômicos de crescimento e consumo. “O que nos cabe é tentar mitigar as causas que levam ao aprofundamento das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, nos adaptar à vida em um mundo mais difícil ecologicamente.”

Estamos todos ilhados
Seja pelo excesso de calor ou pelas enchentes. Mais filosoficamente: não temos saída para o clima. Os eventos extremos parecem estar se tornando uma realidade no Brasil.

Leaked: The Oil Lobby’s Conspiracy to Kill Off California’s Climate Law (Bloomberg Business Week)

November 25, 2014


Looking south over Los Angeles and the 101 Freeway, with the morning haze and smog on Jan. 28

Photograph by David Bro/Zuma Press

Looking south over Los Angeles and the 101 Freeway, with the morning haze and smog on Jan. 28

You remember Fillmore. He’s the resident hippie of Radiator Springs in the Pixar blockbuster Cars. Much to the chagrin of his neighbor, Sarge the Army Jeep, Fillmore greets each new day with Jimi Hendrix’s Woodstock rendition of A Star Spangled Banner—“respect the classics, man”—and is quick with a conspiracy theory about why biofuels never stood a chance at America’s gas pumps. Perfectly voiced by the late, great George Carlin, Fillmore has a slight paranoiac edge, as if his intake of marijuana may exceed what’s medically indicated.

Well, as they say, it’s not paranoia if they really are out to delay, rewrite, or kill off a meaningful effort to reduce the build-up of carbon in the Earth’s atmosphere. A Powerpoint (MSFT) deck now being circulated by climate activists—a copy of which was sent to Bloomberg Businessweek—suggests that there is a conspiracy. Or, if you prefer, a highly coordinated, multistate coalition that does not want California to succeed at moving off fossil fuels because that might set a nasty precedent for everyone else.

Created by the Western States Petroleum Association (WSPA), one of the most powerful oil and gas lobbies in the U.S., the slides and talking points comes from a Nov. 11 presentation to the Washington Research Council. The Powerpoint deck details a plan to throttle AB 32 (also known as the California Global Warming Solutions Act of 2006) and steps to thwart low carbon fuel standards (known as LCFS) in California, Oregon, and Washington State. Northwest Public Radio appears to have been the first to confirm the authenticity of the deck, which Bloomberg Businessweek did as well, with WSPA spokesman Tupper Hull.

Specifically, the deck from a presentation by WSPA President Catherine Reheis-Boyd lays out the construction of what environmentalists contend is an elaborate “astroturf campaign.” Groups with names such as Oregon Climate Change Campaign, Washington Consumers for Sound Fuel Policy, and AB 32 Implementation Group are made to look and sound like grassroots citizen-activists while promoting oil industry priorities and actually working against the implementation of AB 32.

The deck also reveals how WSPA seized on a line from a California Air Resources Board memo that the cap-and-trade program for gas and diesel that goes into effect on Jan. 1, 2015, may affect gas prices in order to launch an ad campaign warning of a “hidden” gas tax that devious Sacramento pols are sneaking through.

“The environmental community is used to sky-is-falling analysis from fossil fuel interests in response to clean energy initiatives, so that part isn’t surprising,” says Tim O’Connor, a senior attorney at the Environmental Defense Fund, to whom I sent the deck for comment. “But it’s eye-opening to see the lengths [the WSPA] has gone to push back rather than move forward. I don’t think anybody knew how cross-jurisdictional, cross-border, and extensive their investment is in creating a false consumer backlash against [climate legislation].”

In California, O’Connor points out, “we have 70 percent voter approval on clean energy alternatives, so it’s offensive and atrocious they’re using these supposed everyday citizens—who are really paid advertisers—to change the public discourse.”

Reheis-Boyd’s Powerpoint deck, entitled “WSPA Priority Issues,” starts by announcing that these are the “the best of times.” Crude oil production in the U.S. is higher than it has been since 1997, with imports subsequently reduced to a 20-year low, according to the American Petroleum Institute. The next six slides describe why these are also “the worst of times” and include images of demonstrators protesting the Keystone XL oil pipeline, demanding government action on climate change, and pictures of professor-cum-activist Bill McKibben and billionaire Tom Steyer, with the latter quoted as saying he wants to “destroy these people”—i.e., people like the members of WSPA.

Then there’s a slide with all the different groups that WSPA has funded to make it seem as if there’s a broad group in three states opposing a series of initiatives to reduce carbon pollution from fossil fuels. The most clever of these is the “Stop the Hidden Gas Tax!” campaign. Who, after all, wants that?

“Let me be clear,” says Hull, the WSPA spokesman. “We did not oppose AB 32 when it passed. We believe it’s good to have the reduction of greenhouse gases as a goal. We support that goal.” In the years since, he says, “hundreds of pages of regulations have been added to what had been a page-and-a-half document, and we do object to many of the additions.” What’s more, Hull says, “we have a legitimate concern over what will happen when the cap-and-trade program goes into effect for gas and diesel.”