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IPCC: climate denial, fundamental restructuring of global economy and social structures, and vested interests and climate governance

IPCC AR5, WG III, Chapter 4

Sent by Robert J. Brulle

Climate Denial – pages 300 – 301 

Denial mechanisms that overrate the costs of changing lifestyles, blame others, and that cast doubt on the effectiveness of individual action or the soundness of scientific knowledge are well documented (Stoll-Kleemann et  al., 2001; Norgaard, 2011; McCright and Dunlap, 2011), as is the concerted effort by opponents of climate action to seed and amplify those doubts (Jacques et  al., 2008; Kolmes, 2011; Conway and Oreskes, 2011).

Fundamental restructuring of global economy and social structure – page 297

Third, effective response to climate change may require a fundamental restructuring of the global economic and social systems, which in turn would involve overcoming multiple vested interests and the inertia associated with behavioural patterns and crafting new institutions that promote sustainability (Meadows et  al., 2004; Millennium Ecosystem Assessment, 2005)

Vested Interests and Climate Governance – page 298

A defining image of the climate governance landscape is that key actors have vastly disproportionate capacities and resources, including the political, financial, and cognitive resources that are necessary to steer the behaviour of the collective within and across territorial boundaries (Dingwerth and Pattberg, 2009). A central element of governance therefore relates to huge asymmetry in such resources and the ability to exercise power or influence outcomes. Some actors, including governments, make use of negotiation power and/or lobbying activities to influence policy decisions at multiple scales and, by doing so, affect the design and the subsequent allocation and distribution of benefits and costs resulting from such decisions (Markussen and Svendsen, 2005; Benvenisti and Downs, 2007; Schäfer, 2009; Sandler, 2010) — see e.g., Section 15.5.2. The problem, however, also resides in the fact that those that wield the greatest power either consider it  against their interest to facilitate rapid progress towards a global low carbon economy or insist that the accepted solutions must be aligned to increase their power and material gains (Sæverud and Skjærseth, 2007; Giddens, 2009; Hulme, 2009; Lohmann, 2009, 2010; Okereke and McDaniels, 2012; Wittneben et  al., 2012). The most notable effect of this is that despite some exceptions, the prevailing organization of the global economy, which confers significant power on actors associated with fossil fuel interests and with the financial sector, has provided the context for the sorts of governance practices of climate change that have dominated to date (Newell and Paterson, 2010).

“Há tecnologia para redução de emissões”, diz pesquisador Paulo Artaxo (Zero Hora)

Considerado uma das principais autoridades em mudanças climáticas, físico afirma que o Protocolo de Kyoto “já é letra morta”

por Bruno Felin

24/01/2015 | 11h23

"Há tecnologia para redução de emissões", diz pesquisador Paulo Artaxo Anxo Lamela/Anxo Lamela

Camadas de gelo da Groelândia perdem aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao anoFoto: Anxo Lamela / Anxo Lamela

Paulo Artaxo é uma das principais autoridades em mudanças climáticas a representar o Brasil nas conferências da ONU. O físico da Universidade de São Paulo tem mais de 300 trabalhos publicados, parte deles nas grandes revistas científicas do mundo. É uma das pessoas a colocar o país como referência em estudos sobre o clima.

Como o mundo saiu da conferência em Lima, no Peru? Há um rascunho de acordo?
Paulo Artaxo: 
Não há um rascunho. Há, no máximo, uma tentativa de se fazer um acordo para redução de emissões, mas não há nenhum compromisso concreto com uma possivel verificação (de quem cumpre ou não). Isso, infelizmente, ainda não existe. O Protocolo de Kyoto foi uma ferramenta importante, mas já é letra morta, não foi cumprido pela falta de penalidade para quem não cumpre.

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O que emperrou para que esse encontro tivesse mais resultados concretos?
Paulo Artaxo: 
Obviamente, o que emperra são as velhas questões de sempre: quem paga a conta e como é que são divididas as responsabilidades do ponto de vista das reduções de emissões. Alguns países, como os Estados Unidos, não aceitam fazer nenhum tipo de redução se a China, por exemplo, que é o seu grande competidor, também não fizer uma redução. Essa é a questão.

Quanto ao proximo acordo, temos de ficar otimistas ou pessimistas?
Paulo Artaxo: Não é questão de ficar otimista, ou jogo de sim ou não. É fundamental que se façam políticas de redução de emissão de gases do efeito estufa, principalmente no setor de energia. Isso é fundamental, a estabilidade do clima no planeta no futuro depende disso. Agora, isso não é a única coisa relevante no nosso planeta, você tem questões econômicas, tecnológicas e políticas para tratar com isso. Então, não podemos simplesmente imaginar que vamos chegar em Paris, vamos sentar e redigir o novo acordo, e todo mundo vai ficar feliz. Não funciona desse jeito. É um longo processo, que esperamos que tenha sucesso, mas não se espera que saia um acordo para reduzir 80% das emissões. Talvez fique em 20% até 2050.

O que esperar da Cúpula do Clima
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Temos tecnologia para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. O desafio é barateá-la?
Paulo Artaxo: Na verdade não é uma questão tecnológica. Há tecnologia para redução de emissões em todos os setores. Por exemplo, o setor mais óbvio é a indústria automotiva. Existe tecnologia para reduzir as emissões dos automóveis em pelo menos 50%. A questão é ter políticas públicas que ponham essas tecnologias em uso. Tem que obrigar as fábricas a fazer carros mais eficientes no menor prazo possível. Se isso não acontece, as fábricas vão continuar colocando no mercado carros extremamente ineficientes e totalmente inapropriados para a questão climática como a gente tem hoje.

Nos gráficos abaixo, as evidências demonstram a urgência por ações:

Níveis de CO2Os níveis de CO2 sempre variaram durante a história da Terra. Ao respirar, as plantas retiram o CO2 da atmosfera, ficam com o carbono e soltam oxigênio. Os animais puxam o oxigênio e soltam CO2. Um balanço perfeito. Durante centenas de milhares de anos, os seres vivos foram morrendo e esse material indo cada vez mais para o fundo da Terra. Ao ser exposto a calor e pressão, se transformou nos combustíveis fósseis: petróleo, gás e carvão. E aí mora o nosso problema: todo esse carbono que demorou centenas de milhares de anos para se formar está voltando para a atmosfera em apenas algumas centenas de anos.

Veja animação com o aumento do CO2 ao longo dos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/co2.html

Aumento da temperatura

A temperatura oscilou durante toda a história do planeta acompanhando os níveis de CO2 na atmosfera. Cientistas estimam que os gases do efeito estufa emitidos pelo homem demorem 50 anos para começar a alterar os níveis de CO2 medidos. Por isso é perceptível que, após a revolução industrial, a temperatura tenha aumentado tanto.

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179158.jpg


Em animação, veja onde a temperatura aumentou nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/temperature.html

Aumento do nível dos oceanos

O aumento do nível do mar se dá por dois fatores relacionados ao aquecimento global: a água que vem do derretimento do gelo da terra e a expansão natural da água quando esquenta. Em média, o nível do mar está subindo 3.17 milímetros por ano. No último século, foram 17 centímetros.

Em gráfico, acompanhe o aumento do nível do mar:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179157.jpg

Desmatamento

Manter as florestas de pé é fundamental para combater o aquecimento, pois as plantas absorvem o CO2 e liberam oxigênio. O Brasil tem a segunda maior área de florestas do mundo, atrás apenas da Rússia, e já desmatou muito a Amazônia. Porém, os números vêm reduzindo, somos exemplo para outros países.

Em gráfico, veja o desmatamento da Amazônia nos últimos anos:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_arte_infograficos_imagem_estatica/index.html?img=http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/17179343.jpg

Massa de gelo

As camadas de gelo da Antartica reduziram cerca de 147 bilhões de toneladas por ano enquanto as da Groelândia perderam aproximadamente 258 bilhões de toneladas ao ano. No Ártico, a média de declínio da camada de gelo é de 13,3% por década (relativo às médias de 1981 a 2010).

Veja como ficaram alguns pontos do globo antes e depois dos efeitos das mudanças climáticas:

http://www.clicrbs.com.br/sites/swf/zh_grafico_aquecimentoglobal/antesdepois/index.html

COP 20 aprova base para novo acordo climático (Estadão)

Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

AFP – Autoridades e ambientalistas de todas as partes do mundo estão com os olhos voltados para a 20ª Conferência do Clima da ONU, que começou nesta segunda-feira em Lima.

Com atraso de 31 horas, a 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP 20) terminou na madrugada deste domingo (14), com a aprovação do conjunto de decisões essenciais para a negociação do novo acordo climático em novembro de 2015, em Paris. Reformado “cirurgicamente” para se adequar às exigências dos países emergentes e em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, o documento final superou os impasses e obteve consenso imediato dos 195 países à 1h20 (4h20, no horário de Brasília).

“Vamos fazer de Paris um grande sucesso”, afirmou o presidente da COP-20 e ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, ao referir-se a um possível acordo multilateral para dar ao mundo a chance de chegar ao final deste século com o aumento de até 2ºC em sua temperatura média. Sem o acordo, os termômetros subirão bem mais, conforme alertaram os estudos do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC).

“Todos sabemos o que se passou em Copenhague (na fracassada tentativa de chegar ao acordo climático, na COP de 2009). Graças aos seus esforços, o fantasma de Copenhague está mais longe, e o sucesso de Paris, mais perto”, declarou o ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, que presidirá a COP 21.

Na tarde de sábado (13), Pulgar havia chamado para si a responsabilidade de elaborar um novo texto de decisão de Lima mais palatável ao bloco emergente e em desenvolvimento, sem gerar maior atrito com o mundo desenvolvido. Ele havia fracassado, horas antes, em sua tentativa de aprovar uma versão anterior, considerada “desequilibrada” e desprovida dos elementos basilares para uma negociação climática justa em 2015 pelo bloco em desenvolvimento.

Todas as 195 delegações estavam cientes de que o sucesso da COP de Paris dependia do documento de Lima. O acordo climático de Paris, se não cair nas mesmas armadilhas de Copenhague, substituirá o Protocolo de Kioto em 2020. O documento de Lima, ao final, traçou as bases sobre as quais os 195 países apresentarão, ao longo do primeiro semestre, seus compromissos de redução de emissões e de adaptação à mudança climática. Trata-se da espinha dorsal do acordo de Paris, a partir do qual serão decididas as obrigações adicionais de cada signatários.

“Em Lima foi fechado o acordo antes do acordo (definitivo)”, resumiu o especialista britânico Michael Jacobs, conselheiro sênior do New Climate Economy e professor da London School of Economics.

Nas negociações, os emergentes do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e os membros do G77 (grupo dos países em desenvolvimento e dos mais pobres) fizeram valer suas posições em favor a dois princípios caros. O primeiro é a necessidade de os compromissos dos países mais ricos abrangerem também os meios de financiamento, de capacitação e de transferência de tecnologia para os mais pobres cumprirem suas metas. Essa premissa consta da Convenção do Clima, de 1992.

Países como o Brasil, a China, a África do Sul, além dos mais pobres e vulneráveis à mudança climática, se mobilizaram para sublinhar esse tópico no documento e para impedir que a versão anterior, com menção frouxa a esse conceito, fosse aprovada. Europeus e americanos preferiam vê-lo apagado, para concentrarem-se apenas nas reduções de emissões de gases do efeito estufa (mitigação). Mas acabaram acatando, no final.>>O principal negociador brasileiro, embaixador José Antônio Marcondes Carvalho, considerou insuficiente a ênfase a esse princípio e sublinhou seu desapontamento.”Não fomos tão longe na decisão de hoje. Mas aceitamos o compromisso proposto e continuaremos a trabalhar por um acordo robusto e ambicioso com base na Convenção do Clima”, declarou.

O outro princípio registrado com ênfase no documento da COP-20 foi o da “responsabilidade comum, mas diferenciada”. Definido em 2011, na COP de Durban, ele prevê que os países desenvolvidos terão de assumir obrigações adicionais mais ambiciosas de redução de emissões de gases, compatíveis com o fato de os estarem despejando na atmosfera desde meados do século 18. Emergentes – mesmo os campeões de emissão China e Índia – e os países em desenvolvimento e pobres teriam uma carga menor.

O documento de Lima também trouxe de forma mais específica a obrigação de os 195 países apresentarem informações precisas sobre seus compromissos iniciais, a serem registrados ao longo do primeiro semestre de 2015. Entre eles, o ano-base para a comparação de seus compromissos de redução de emissões, essencial para uma noção mais clara de seus efeitos sobre a contenção do aquecimento global.

As economias emergentes e em desenvolvimento também conseguiram registrar de forma mais clara a necessidade de os países tomarem iniciativas entre 2016 e 2019 para acelerar a adoção do acordo de Paris, a partir de 2020.

Com o documento de Lima aprovado, começam agora as movimentações tornar viável o acordo climático de Paris. Novas rodadas de negociações já estão agendadas para Genebra, em fevereiro, e Bonn, em junho. Os países desenvolvidos, em princípio, deverão apresentar seus compromissos climáticos até março. Os demais, até junho. Atrasos poderão comprometer os cálculos do efeito dessas contribuições para impedir o aquecimento do planeta além de 2ºC, que precisam estar prontos até novembro.

Análise: Todos estão a bordo, certo, mas será um milagre se este barco chegar bem a Paris (Folha de S.Paulo)

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

15/12/2014 02h00

Com dois dias de atraso, a Conferência de Lima pariu um rato. Espera-se agora o quase impossível: que o roedor aprenda a rugir em um ano e o faça com tanta força em Paris que consiga afugentar o espectro de uma mudança perigosa do clima.

Especialistas predizem que, para evitar um cenário de eventos extremos “”secas, enchentes, furacões””, o aquecimento global não pode ultrapassar 2°C neste século. Os compromissos nacionais de cortes nas emissões de CO2 (principal gás do efeito estufa) apresentados até aqui não representam mais que a metade do que seria necessário.

Como ocorre desde que se adotou a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima no Rio, em 1992, Lima tropeçou na vala que separa países ricos e pobres. O maior avanço da conferência na capital peruana, contudo, se deu precisamente aí: agora, todas as nações ficam obrigadas a se comprometer com ações para conter o aquecimento.

É verdade que sobreviveu o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, de que sempre se valeram os menos desenvolvidos para escapar de assumir metas. Todos têm de comparecer, daqui em diante, ainda que “à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Traduzindo: China (maior emissor de CO2), Índia (terceiro, depois dos EUA) e Brasil (sexto) também estão obrigados a publicar planos para reduzir carbono. Uma vitória das nações desenvolvidas.

A União Europeia tem as metas mais ambiciosas: cortar 30% das emissões até 2020 e 40% até 2030, ante 1990. Os EUA prometem redução de 26% a 28% até 2025, mas na comparação com 2005.

O Brasil mantém que até 2020 reduzirá 36% a 39% do nível de suas emissões em 1990, graças à queda no desmatamento (nossa maior fonte de carbono). A China só fala em reduzir o ritmo de aumento da poluição, para zerá-lo em 2030. A Índia até aqui se fez de muda.

Há expectativa de que esses e outros países melhorem suas propostas nos próximos seis meses, de modo que se possa calcular, antes do encontro de Paris, a distância até a meta de 2°C. O problema é que, em Lima, não se chegou a um consenso sobre metodologia e anos-base –1990 ou 2005?

Assim fica difícil fazer a conta. Para piorar, se obteve um grau insuficiente de transparência nas comunicações que cada país ficou de fazer.

Por considerar qualquer tipo de monitoramento externo uma ameaça a sua soberania, a China vetou a obrigatoriedade de mecanismos para tornar as informações nacionais claras e verificáveis. Eles aparecem no acordo apenas como facultativos.

Não houve progresso, por fim, na eterna questão do dinheiro. Países pobres, que contribuíram menos historicamente para o aquecimento, mas sofrerão os piores impactos, exigem fundos dos ricos para prevenir catástrofes e adotar tecnologias limpas.

Com meros US$ 10 bilhões anuais comprometidos, nunca se esteve tão longe do objetivo anterior de levantar US$ 100 bilhões ao ano. O máximo que as nações menos desenvolvidas conseguiram foi cravar no texto as noções de fundos para adaptação e para “perdas e danos”.

Essa noção foi comemorada como vitória por países insulares como Tuvalu e Kiribati. Com territórios ameaçados de submergir com a elevação dos oceanos, precisam desesperadamente salvar o que for possível e, se inescapável, relocar sua população.

Na iminência de um naufrágio, Lima contentou-se com pouco, como sempre acontece nas reuniões do clima. Todos agora estão a bordo, mas com uma rota ainda por traçar e sem bons instrumentos para verificar o trajeto. Será um milagre se chegarem a bom porto em Paris.

2014 set to be world’s hottest year ever (The Guardian)

Record average temperatures highlight the urgent need to agree a deal on emissions at the UN climate change talks in Lima

2014 hottest year on record : 134-Foot-High Thermometer in Baker, California
 Vehicles drive by a 134ft-high thermometer in Baker, California. Average land and sea surface temperatures have reached record levels in 2014. Photograph: Ethan Miller/Getty Images

The world is on course for the hottest year ever in 2014, the United Nations weather agency said on Wednesday, heightening the sense of urgency around climate change negotiations underway in Lima.

Preliminary estimates from the World Meteorological Organisation (WMO) found global average land and sea surface temperatures for the first 10 months of 2014 had soared higher than ever recorded.

The findings – broadly in line with those of the US National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) and other scientific agencies – indicate that by year-end 2014 will break all previous high temperature records.

The steady escalation of greenhouse gas emissions, caused by the burning of fossil fuels, have seen a succession of record-breaking years for temperature since the dawning of the 21st century and 2014 promises to be no exception, the WMO said.

“Fourteen of the 15 warmest years on record have all occurred in the 21st century,” said the WMO’s secretary-general Michel Jarraud. “What we saw in 2014 is consistent with what we expect from a changing climate.

“Record-breaking heat combined with torrential rainfall and floods destroyed livelihoods and ruined lives. What is particularly unusual and alarming this year are the high temperatures of vast areas of the ocean surface, including in the northern hemisphere,” he said.

The new evidence provided by the WMO report of the gathering risks of climate change undercut the optimism expressed by negotiators from industrialised countries at the opening of the Lima talks.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the findings drove home the urgency of reaching a deal. Negotiations have been grinding on for more than 20 years.

“Our climate is changing and every year the risks of extreme weather events and impacts on humanity rise,” she said.

Ed Davey, the UK climate secretary, said the UN climate talks were critical to stop temperatures rising to dangerous levels. “More record warm temperatures in the UK and across the world are yet more evidence that we need to act urgently to prevent dangerous climate change,” he said.

Officials from nearly 200 countries will spend the next two weeks in Lima working to agree on a plan to cut global greenhouse gas emissions fast enough and deeply enough to limit warming to 2C above pre-industrial times, the official objective of the UN talks.

But even that goal – which scientists say may not go far enough to prevent low-lying island states from drowning in rising seas – may be moving beyond reach.

“When confronted with numbers like these, the challenge to stablise global warming below dangerous levels can seem daunting indeed,” Michael Mann, the climate scientist, said. “The globe is warming, ice is melting, and our climate is changing, as a result. And the damage is being felt – in the forms of more destructive weather extremes, more devastating wildfires, and unprecedented threats to the survival of endangered animal species.”

He said the Lima climate talks – and a summit scheduled for Paris at the end of next year – were “perhaps our last real opportunity to stave off truly dangerous and irreversible world-wide changes in our climate.”

Bill McKibben, leader of the 350.org campaign group, saw the findings as a call to arms to climate activists. “If you thought 2014 was hot, wait ‘til you see 2015. This means we need to turn up the flame even higher under the fossil fuel companies that are frying our planet,” he said.

A runner passes people sitting on a bench in the sunshine in Green Park on October 31, 2014 in London, England.  Temperatures in London are forecasted to exceed 20 degrees making today the hottest Halloween on record.
 Londoners enjoying record temperatures at Halloween. Photograph: Rob Stothard/Getty Images

The WMO report found the global average air temperature over land and sea surface for January to October was about 0.57C above the average of 14C for the 1961-1990 reference period, and 0.09C above the average for the past 10 years (2004-2013).

The most striking evidence of warming was probably in the oceans, however. Most of the excess heat trapped in the atmosphere by greenhouse gas emissions ends up in the oceans.

The WMO said global sea surface temperatures were 0.45C higher than the average over the last 50 years.

If November and December continue on the same course, then 2014 will edge out 2010, 2005 and 1998 as the hottest years ever known – but only by a few hundredths of a degree. Different data sets also show slightly different rankings, the WMO said.

In any event, the trend line is clear. The world is getting warmer, especially the oceans. Those higher temperatures were already exacting a toll, in terms of heavy rainfall and flooding in some countries, and extreme drought in others, the WMO said.

The agency dismissed outright the notion posed by some climate deniers of a pause in the warming trend.

“There is no standstill in global warming,” Jarraud said.

The world’s big three emitters – the US, China, and the EU – have pledged new targets for cutting their use of fossil fuels, injecting optimism into the Lima talks.

But scientists say even those targets are not enough to limit warming to 2C, and other big carbon polluters such as India, Russia, and Australia have yet to come on board.

Meanwhile, there were early signs of tension between the US and EU over the legal structure of the agreement that is due to be adopted in Paris next year.

Campaign groups monitoring the talks called on negotiators to take the new WMO findings to heart.

“The fact that we’re tracking towards the hottest year on record should send chills through anyone who says they care about climate change – especially negotiators at the UN climate talks here in Lima,” said Samantha Smith, who heads WWF’s climate and energy initiative. “This is more scientific evidence of the real impact climate change is having on our world. The changes will be felt the most by the most vulnerable people, whose lives and livelihoods are already being affected.”

This picture taken on July 30, 2014 shows a girl and her father collecting water from an almost dried up resevoir, two kilometers from their home, in Pingdingshan, central China's Henan province. Severe drought and scorching heat has damaged over a million hectares of farmland in China's Henan and Inner Mongolia provinces, with no immediate relief in sight, a state news agency reported.
 An almost dried up reservoir in Pingdingshan, central China’s Henan province, where severe drought damaged vast areas of farmland. Photograph: STR/AFP/Getty Images

The WMO found western North America, Europe, eastern Eurasia, much of Africa, large areas of South America and southern and western Australia were especially warm. South Africa, Australia, and Argentina started the year with blistering heat waves.

However, the US and Canada ushered in 2014 with the chill Arctic winds of the polar vortex. Central Russia also recorded cooler than average conditions for the year.

Europe also experienced extreme weather, with the UK buffetted by storms. A separate temperature data set, the world’s longest continuous record, showed England was on track for the hottest year in over three centuries. Higher temperatures cause more evaporation and more rain, and 2014 began with England’s wettest winter in over 250 years, leading to widespread flooding.

In Serbia, Bosnia-Herzegovina and Croatia, more than two million people were caught up in severe flooding. Parts of Turkey saw five times the normal amount of rain, and France experienced its wettest summer since 1959.

South Asia also experienced heavy rains, with severe flooding in northern Bangladesh, northern Pakistan and India, affecting millions of people in August and September.

For other parts of the world, however, 2014 brought drought. Rainfall in parts of the Yellow River basin in China were less than half of the summer average. A large swathe of the western US continued under drought. New South Wales and southeast Queensland in Australia also went without rain.

COP20 Lima na mídia – primeira semana

Ministros terão pouco a mudar sobre rascunho, diz presidente da COP 20 (G1)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

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Participante da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, observa mapa em telão que mostra a temperatura dos oceanos na Terra. As cores mais alaranjadas representam temperaturas maiores (Foto: UNFCCC)

Proposta do Brasil para acalmar ‘rixa entre ricos e pobres’ foi aceita pela ONU. Conferência das Nações Unidas acontece até o dia 12, em Lima, no Peru.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal, presidente da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, sabe que é grande o desafio que tem nas mãos: coordenar mais de 190 países reunidos em Lima para obter o “rascunho zero” de um acordo para cortar emissões de gases e reduzir os impactos da mudança climática no planeta.

A primeira semana de discussões entre diplomatas e cientistas chegou ao fim no sábado (6) sem que uma prévia desse rascunho estivesse pronta, o que não significa a inexistência de avanços, segundo Vidal.

Em entrevista o ministro limita-se a dizer que “os documentos vão estar oportunamente finalizados e concluídos para serem apreciados pelo setor ministerial”, parte do encontro que reúne os ministros do Meio Ambiente e que terá início na terça (9).

pan style=”font-family: arial, helvetica, sans-serif;”>Segundo Vidal, “sobrarão poucas arestas a serem aparadas por ministros de Estado nos próximos dias”. “Estamos monitorando, esperamos que o rascunho feche de tal maneira que o segmento de Alto Nível tenha poucas resistências políticas finais”, disse.

Decisões na mesa

O novo tratado, que deverá ser obrigatório, mas não punitivo, tem que ser assinado em 2015, na COP 21, em Paris, e entrar em vigor em 2020.

Quanto cada país terá que cortar de emissões? Que governos precisarão receber ajuda por danos sofridos em desastres naturais ou para a prevenção deles? Quanto de dinheiro será doado? De onde virá o investimento? Como será o desenvolvimento ou a transferência de tecnologias voltadas à redução das emissões? Como as nações vão se adaptar a uma possível nova realidade climática?

As respostas para essas perguntas tentam ser definidas desde 2012, quando ficou determinada a criação de um novo protocolo do clima – chamada Plataforma de Durban.

O ministro do Meio Ambiente peruano diz que articula com representantes de outros governos e não cita que resistências políticas seriam essas.

Por se tratar de possíveis impactos econômicos que os cortes de gases provocariam, os governos ficam reticentes em tomar quaisquer decisões referentes ao tema. Por isso a dificuldade em se obter um acordo rapidamente — já são 20 anos negociando o tema.

Mas ele ressalta que “as consequências das mudanças climáticas já estão sendo sentidas e vamos continuar sofrendo o impacto por mais tempo (…) se não tomarmos uma decisão desde essa COP e, obviamente, não chegarmos ao acordo no ano que vem, as cosias vão ficar cada vez mais severas”.

Adaptação

Segundo o presidente da COP 20, ainda é preciso avançar em uma agenda que tenha a capacidade de ser atendida adequadamente pelos países.

Metas Nacionais

02O ministro do Meio Ambiente e presidente da COP 20, Manuel Pulgar Vidal (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Ainda é preciso definir quais serão as metodologias a serem seguidas pelos países quando apresentarem as Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). Nelas estarão englobadas quanto cada país vai cortar de emissões a partir de 2020.

“Os países concordam que as condições contidas nos INDCs são essenciais para que o processo continue sendo bem sucedido até o próximo ano. Se isso não for aprovado agora, não será possível apresentar as contribuições em 2015. Estamos avançando bem nessa questão”, disse. As INDCs têm que ser apresentadas até o fim de março de 2015.

Perdas e danos

Os desdobramentos sobre como vai funcionar esse instrumento ainda são lentos. “Estão conforme o programado”, diz o presidente da COP 20. Criado na COP 19, na Polônia, o mecanismo sobre perdas e danos tem o objetivo de compensar nações que não conseguem se adaptar à mudança climática e já sofrem atualmente com seus efeitos. Isso beneficiaria, principalmente, os Estados-ilha, países insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar.

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Segundo período do Protocolo de Kyoto

Um segundo período para Kyoto foi aprovado em 2012, mas sua negociação ficou enfraquecida depois que grandes nações poluidoras como Japão, Canadá, Austrália e Rússia saíram do bloco chamado Anexo 1.

O nome refere-se ao grupo de nações ricas obrigadas pelo protocolo a cortarem emissões entre 2008 e 2012, menos o principal rico e atual segundo maior poluidor, os Estados Unidos. A China, maior emissor de gases, é considerado ainda como país em desenvolvimento.

“Estamos trabalhando nessa COP para eliminar qualquer dificuldade e, finalmente, alcançar um Segundo Compromisso”, disse o ministro. Isso é essencial para que as emissões sejam controladas nos anos que antecedem a vigência do novo acordo.

Princípio da Convenção

Outro ponto discutido no encontro refere-se ao princípio das “Responsabilidades Comuns, porém diferenciadas”. Grandes potências, que historicamente responsáveis pela maior parte das emissões, querem mudá-lo, alegando nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e África do Sul), grandes emissoras de gases-estufa também têm que seguir regras rígidas para diminuir o lançamento de poluentes à atmosfera.

O embate se dá porque o bloco “mais pobre” não quer frear seu desenvolvimento, o que poderia acontecer ao realizar cortes de gases (ação exigida pelo bloco “mais rico”).

Mas uma proposta apresentada pelo Brasil, que vai estar no “rascunho zero”, pode acalmar os ânimos. Chamada de diferenciação concêntrica, ela divide as nações em três níveis e cria conjuntos de critérios, um tipo de “menu”, que cada país poderá escolher para diminuir suas emissões. A proposta faz com que nações vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreendam grandes ações. Ainda não foram definidos quais são esses critérios.

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10/12/2014 – 03h36

COP-20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima (IHU On-Line)

por Redação do IHU On-Line

shutterstock 130863860 380x253 COP 20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima

“As maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui”, avalia o coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo.

A principal tensão entre os 190 países que participam da COP-20 é chegar a um acordo acerca do ano em que as nações irão se comprometer com as metas de redução de CO², diz Ricardo Baitelo, que representa o Greenpeace na Conferência do Clima, em Lima, à IHU On-Line, por telefone.

“Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025”, pontua. Segundo ele, a tensão para se chegar a um consenso para o cumprimento de metas demonstra que será difícil estabelecer um acordo para o próximo ano, em Paris. “Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então este ponto deve ser negociado”.

Baitelo informa que, entre as notícias que podem ser comemoradas na COP-20, estão a de que a Alemanha já anunciou a data de quando deixará de utilizar usinas nucleares, a de que a União Europeia reduzirá suas emissões em 40% até 2030 e a de que a Índia, apesar de insistir no uso de carvão, vai instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década.

De acordo com ele, ao longo das negociações da primeira semana, o Itamaraty fez uma proposta metodológica de situar as responsabilidades de cada país a partir da ideia de círculos concêntricos, ou seja, cada nação poderá assumir metas mais ambiciosas ao longo do tempo. Contudo, adverte, “o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade”.

Ricardo Baitelo é coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil e doutor em Planejamento Integrado de Recursos pela Poli-USP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como estão as negociações na COP-20 até o momento? Pode nos dar um panorama geral da primeira semana de negociações?

Ricardo Baitelo – Na primeira semana, as negociações foram lentas, sendo que nos primeiros três dias foram basicamente plenárias de apresentação, com todas as delegações falando, discutindo o texto rascunho, que será trabalhado aqui e depois em Paris. Então, diria que ainda é muito cedo para traçar um diagnóstico. Entre alguns pontos que podem ser colocados, um deles é a discussão do Brasil com relação à contabilização de carbono; essa é uma discussão dentro do subgrupo de florestas.

Em um panorama mais geral, posso dizer que as maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui. Esses dois países finalmente se comprometeram com metas para 2030. Da parte do Brasil, o Itamaraty fez uma proposta de metodologia de como outros países devem se situar em termos de responsabilidade no futuro, já que propuseram essa nova divisão de círculos concêntricos, onde, ao longo do tempo, cada país vai se comprometendo com metas mais ambiciosas — obviamente, de acordo com o número de riqueza e de possibilidades.

A única crítica que fazemos é ao fato de que o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade.

IHU On-Line – Quais são as críticas em relação ao rascunho do acordo de Paris feitas pelas delegações?

Ricardo Baitelo – Ainda é cedo para traçarmos um comentário sobre esse assunto. Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025. Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então, este ponto deve ser negociado.

IHU On-Line – O acordo entre China e EUA foi bem visto na COP-20, apesar de os comprometimentos serem também para 2030?

Ricardo Baitelo – Eu ainda não tenho um panorama dos demais países. Posso dizer, informalmente, que, segundo o Brasil, as metas em Copenhague eram mais ambiciosas. A delegação brasileira diz que a meta que se tinha em 2009, de uma redução de 36 a 39%, é mais avançada do que as metas que os Estados Unidos estão propondo. É claro que se tem essa confusão, se cada um coloca uma porcentagem e coloca um ano de referência diferente, fica uma grande salada de frutas. O Brasil argumenta que a proposta dos Estados Unidos, se tomada pela base da brasileira, é menor, porque é só de 19% de redução, e a China, por sua vez, também não disse em que ano vai atingir o pico das emissões. Os chineses mencionam 2030, mas seria, obviamente, mais importante que isso acontecesse antes, considerando que eles são os maiores emissores do mundo.

Outro fator relevante é que a Alemanha anunciou uma data de quando deve deixar de usar energia nuclear internamente. Essa é outra notícia bastante importante. A Alemanha, como uma das maiores potências, deve não só deixar de utilizar usinas nucleares, mas, em relação ao carvão, esperamos que ela dê o exemplo para o resto da Europa também.

IHU On-Line – Além da Alemanha, algum outro país já se manifestou sobre quais propostas domésticas irá adotar para enfrentar as mudanças climáticas?

Ricardo Baitelo – A União Europeia quer reduzir em 40% o número de emissões até 2030. Esse é um número, sem dúvida, mais ousado do que o proposto pela China e pelos Estados Unidos, mas, considerando a responsabilidade histórica, o número poderia ser maior, ou se poderia chegar antes a essa redução de 40%.

De qualquer maneira, é alguma coisa. Dentro das grandes potências, o que é digno de nota é a Índia: parte da proposta deles é muito boa, e outra parte é muito ruim. Os indianos querem instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década — isso é basicamente o tamanho da matriz brasileira inteira. O problema é o outro lado da moeda, relacionado à emissão de carvão, porque eles não querem tocar as fontes de carvão. Nesse sentido, a pressão que estamos colocando para que os países digam quando vão atingir o pico de emissão não está chegando à Índia. A Índia diz que não se deve colocar esse limite imediatamente e que as metas devem ser a partir de 2040 ou 2045, o que é um absurdo.

IHU On-Line – Quais têm sido as atividades da Cúpula dos povos frente à COP-20?

Ricardo Baitelo – Posso responder pelo Greenpeace. Tivemos uma grande atividade antes do começo da COP, em Machu Picchu, pedindo para que as grandes economias ajam em função da energia solar.

O Greenpeace Brasil desenvolveu algumas atividades, entre os dias 6 e 9, com os Munduruku, os quais trouxemos para o evento, e indígenas locais do Peru. Devemos fazer essa ponte entre os indígenas daqui, especialmente com a etnia que conseguiu interromper a construção de uma hidrelétrica no Peru. Então os colocamos em contato com os indígenas que devem ser impactados pelo projeto de Belo Monte.

A nossa meta internacional é pedir que os países tenham 100% de energias renováveis no mundo até 2050. No dia 10 de dezembro deve ocorrer a Marcha dos Povos, porque, por mais que se tenha essa discussão importante dos textos do novo acordo, que é uma discussão muito fechada, difícil de acompanhar, temos essa característica positiva da COP no Peru, que é de ser uma COP muito mais atrelada aos movimentos sociais, uma COP dos indígenas. Considerando que ultimamente, no governo Dilma, os direitos indígenas foram totalmente negligenciados, essa é outra pauta que estamos trazendo para discutir aqui.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

(IHU On-Line)

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08/12/2014 – 12h02

Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima (IPS)

por Diego Arguedas Ortiz, da IPS
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Lima, Peru, 8/12/2014 – Encerrados em salões sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 países buscam o caminho que permita ao planeta chegar à neutralidade climática durante a segunda metade deste século, o único mecanismo para evitar mudanças irreversíveis na dinâmica planetária, segundo instituições científicas e especialistas.

A neutralidade climática implica a redução das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa a um ponto em que se possa capturar ou fixar a totalidade desses gases liberados. Para isso é fundamental acelerar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para outra fundamentada em energias renováveis.

Quando a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática chega ao seu equador, aumentam os países do Sul em desenvolvimento que assumem a proposta de fixar a meta até 2050 de neutralidade climática, também conhecida como carbono zero.

“Os dados científicos são cada vez mais alarmantes”, disse à IPS a costarriquenha Giovanna Valverde, presidente pró tempore da Associação Independente da América Latina e do Caribe (Ailac), um grupo de governos regionais de renda média que negociam como bloco na conferência, que começou no dia 1º e  termina no dia 12.

“O coordenador do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) nos mostrou, na sessão plenária, os dados que demonstram a urgência em que nos encontramos. Se colocamos o prazo de 2050 é para que todos possam aderir, mas os números são alarmantes e é bom se antecipar”, ressaltou Valverde.

Informes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Agência Internacional da Energia e do IPCC coincidem sobre como alcançar a neutralidade: investir mais em energias limpas, reduzir o consumo de combustíveis fósseis, melhorar as práticas agrícolas, reflorestar e potencializar a eficiência energética.

A iniciativa de avançar nesse caminho mediante a neutralidade climática se converteu em um debate-estrela da primeira semana da conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), mas falta muito para que se cristalize em um compromisso dos países para garantir a transição para uma economia limpa.

Um informe do britânico Overseas Development Institute conclui que as potências industrializadas e emergentes do Grupo dos 20 continuam investindo cerca de US$ 88 bilhões anuais em subsídios aos combustíveis fósseis, em lugar de usar esse capital para impulsionar energias renováveis. Além disso, nos espaços da COP 20, o poder e o lobby da indústria dos hidrocarbonos é palpável e não faltam na agenda encontros organizados por corporações transnacionais do setor, como o da anglo-holandesa Shell, pautada para hoje.

COP20 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Valverde assegurou que a chave é “os países se comprometerem seriamente com a informação nas contribuições para redução de emissões, permitindo aos cientistas terem tempo entre 2015 e 2020 para comparar metodologias de países, fazer a somatória matemática e definir quanto falta reduzir”.

A Associação de Pequenos Estados Insulares (Aosis) divulgou um comunicado exortando os países industrializados a tornarem “mais ambiciosas” essas contribuições, reduzindo a dependência das energias sujas. Também pediu que o planeta alcance o nível de zero emissões em 2100, o que implica uma total eliminação do uso de combustíveis fósseis, tal como recomendou o IPCC em seu último informe, apresentado no dia 2 deste mês.

Países como a Polônia, uma potência na produção de carvão, anunciaram sua rejeição à medida. A oposição polonesa e de outros países dependentes de combustíveis fósseis entorpecem o avanço das energias limpas. A União Europeia (UE), por exemplo, não concorda com uma meta de longo prazo dentro do bloco e tampouco está segura se apoiará a neutralidade climática apresentada pela CMNUCC e impulsionada pelos países em desenvolvimento.

“A meta é parte das mitigações, é parte da discussão”, pontuou à IPS uma das condutoras das negociações pela UE, Elina Bardram, acrescentando que “é importante chegarmos a Paris com uma visão compartilhada”, referindo-se à COP 21, que acontecerá na capital francesa em novembro de 2015. “Isso nos dirá qual será a ambição para um futuro baixo em carbono. Não temos clara ainda a meta de longo prazo, mas naturalmente que levaremos em conta a visão do IPCC e de outros organismos científicos”, assegurou.

Em Paris deverá ser estabelecido um novo tratado climático, global e vinculante, que a partir de 2020 substitua o Protocolo de Kyoto. Mas antes, em Lima, deve ser definida a forma que terá o que muitos consideram o coração do novo acordo: as contribuições nacionais. Nessas contribuições está incluída a quantidade de redução com que cada nação se compromete, e em quanto tempo. A somatória dessas contribuições deve ser suficiente para evitar os efeitos irreversíveis na dinâmica planetária da Terra.

Para conseguir isso, os países em desenvolvimento e a sociedade tanto do Sul quanto do Norte propõem uma mescla de redução dos incentivos às energias fósseis, reflorestamento, melhorias agrícolas e investimento em energias renováveis. Embora essas contribuições devam ser informadas oficialmente entre março e junho de 2015, alguns países já fizeram anúncios a respeito.

No dia 12 de novembro, em um anúncio conjunto em Pequim, os Estados Unidos prometeram reduzir, até 2025, entre 26% e 28% de suas emissões em relação aos níveis de 2005, enquanto a China se comprometeu a colocar um teto às suas emissões em 2030 e depois reduzi-las. Porém, os estudos científicos alertam que são necessários passos mais ambiciosos e mais rápidos.

As ações devem ser tomadas antes de 2020, segundo o Informe Sobre a Disparidade nas Emissões 2014, publicado em 19 de novembro pelo Pnuma, que analisa anualmente a diferença entre as ações atuais dos países e as necessárias para não haver graves consequências nas dinâmicas planetárias. “Esse documento deixa claro que, em certo ponto da segunda metade do século 21, teremos que ter alcançado a neutralidade climática, ou, como alguns chamam, zero total, em termos de emissões globais”, explicou a secretária-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres.

Segundo esse estudo, o pico das emissões mundiais deverá ocorrer nos próximos dez anos, seguido por ações para implementar mais energias limpas e reduzir o uso de combustíveis fósseis. Isso é conhecido como a “agenda de redução prévia a 2020” e a entrada em vigor do novo tratado. Até agora, em Lima, os delegados adiam a revisão dessas reduções pré-2020, envolvidos em lutas de procedimentos.

Agora, os países correm o risco de não acordarem as ações necessárias para reduzir as emissões de forma que a elevação da temperatura não ultrapasse os dois graus centígrados, e inclusive há vozes alertando que o aumento máximo deve ser menor, antes que ocorram efeitos irreversíveis no planeta.

“Nossa posição é que o aumento da temperatura não pode ser maior do que 1,5 grau centígrado, porque mais do que isso será extremamente nocivo”, destacou à IPS o nepalês Ram Prasad, coordenador do grupo de Países Mais Vulneráveis (LCD). A ação climática é urgente, pois cada ano que passa complica mais a situação para os países mais vulneráveis, que usualmente são as nações mais pobres do planeta, tornando a mudança climática um problema profundo de desigualdade, enfatizou.

O informe do Pnuma conclui que para adaptar-se ao clima variável o mundo necessitará de aproximadamente três vezes mais do que os entre US$ 70 milhões e US$ 100 bilhões anuais estimados até agora. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 03h03

A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora! (Greenpeace)

por Kumi Naidoo*
tufao A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

 

Enquanto o tufão Hagupit atinge as Filipinas, uma das maiores operações de evacuação em tempos de paz da história foi lançada para prevenir uma repetição das enormes perdas de vidas ocorridas quando o super tufão Haiyan atingiu a mesma área há apenas um ano.

“Uma das maiores evacuações em tempos de paz” é o que tem sido dito sobre esse fato. Mas pergunto: é tempo de paz ou estamos em guerra com a natureza?

Eu estava prestes a ir para Lima, no Peru, quando recebi um telefonema para vir para as Filipinas para apoiar o nosso escritório e seu trabalho em torno do tufão Hagupit (cujo nome significa chicote). Em Lima está em andamento a COP 20, mais uma rodada de reuniões da ONU sobre o clima, com o objetivo de negociar um tratado global para evitar uma mudança climática catastrófica.

Mas essas negociações já acontecem há muito tempo, com urgência insuficiente e nos bastidores. E, não tanto nos bastidores, também ocorre a influência do lobby dos combustíveis fósseis.

Este ano, como no ano passado e no ano anterior, essas negociações ocorrem em um cenário devastador de um chamado “evento climático extremo”, sobre o qual os cientistas do clima há tempos vêm alertando.

Tragicamente, não estamos tomando medidas urgentes. Mas a natureza não negocia, ela responde à nossa intransigência. Para o povo das Filipinas, e em muitas outras partes do mundo, a mudança climática já é uma catástrofe.

Hagupit tmo 2014338 lrg 784x1024 A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

Há apenas um ano, o super tufão Haiyan matou milhares de pessoas nas Filipinas, deixou as comunidades destruídas e causou bilhões de dólares em danos. Agora, muitos sobreviventes que ainda estão deslocados tiveram que novamente evacuar as tendas onde vivem enquanto o tufão Hagupit esculpe um caminho por todo o país.

É muito cedo para avaliar o impacto até agora – estamos todos esperando que ele poupará as Filipinas da mesma dor que foi vivida após Haiyan.

Aqui em Manila, nos preparamos para viajar para as áreas impactadas, na esteira do tufão Hagupit, ou Ruby, como tem sido chamado. Vamos oferecer a assistência que pudermos e vamos prestar solidariedade ao povo filipino. Queremos chamar a atenção daqueles que são responsáveis pelas mudanças climáticas, aqueles que são responsáveis pela devastação e que deveriam estar ajudando a pagar pela limpeza e pela a adaptação a um mundo em que o nosso clima está se tornando uma fonte crescente de destruição em massa.

É com o coração pesado que nos preparamos para esse testemunho. Nós desafiamos aqueles em Lima a voltar sua atenção da letargia do processo das negociações e prestar atenção ao que está acontecendo no mundo real.

Os chamamos para entender que a mudança climática não é uma ameaça futura a ser negociada, mas um perigo claro e presente que requer ação urgente agora!

Todos os anos, o povo das Filipinas aprende da maneira mais difícil o que a inação sobre as emissões quer dizer. Eles podem estar um pouco mais bem preparados e mais resistentes, mas eles também estão mais horrorizados com o fato de que, a cada ano – ao mesmo tempo -, as reuniões sobre o clima parecem continuar no vácuo. Não estão preparados para tomar medidas significativas, não são capazes de responder à urgência do nosso tempo e não responsabilizam os grandes poluidores que estão causando a mudança do clima com ritmo feroz.

Antes de sair para Manila também recebi uma mensagem do Yeb Sano, comissário do clima para as Filipinas: “Eu espero que você possa se juntar a nós quando dermos o testemunho sobre o impacto deste novo super-tufão. Sua ajuda seria muito valiosa para entregar uma mensagem clara e em bom som para Lima.”

Yeb foi o negociador-chefe Filipino por três anos nas negociações climáticas da ONU e recentemente visitou o Ártico em um navio do Greenpeace para testemunhar o degelo do mar. Dois anos atrás, em Doha, quando o tufão Pablo tirou a vida de muitos, ele rompeu o protocolo normalmente reservado e desapaixonado da diplomacia que domina as negociações do tratado do clima da ONU falando:

“Por favor, deixem que 2012 seja lembrado como o ano em que o mundo encontrou a coragem de assumir a responsabilidade para o futuro que queremos. Eu peço a todos nós aqui, se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, então onde? ”

Estou reunindo o Greenpeace Filipinas e Yeb para visitar as áreas mais atingidas, documentar a devastação e enviar uma mensagem clara de mudança climática para Lima e o resto do mundo. Os que são responsáveis pela maioria das emissões serão responsabilizados pelas comunidades que estão sofrendo os impactos de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.

Vamos chamar os chefes das companhias de combustíveis fósseis que são culpados pela tragédia que se desenrola para que realizem um exame de consciência e aceitem a sua responsabilidade histórica. Diz-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e, nesta guerra contra a natureza, a verdade da ciência do clima é inquestionável.

Kumi Naidoo é diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

** Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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Manifesto “No REDD” na COP-20 (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

9842No Brasil, é num ambiente de vitória eleitoral duramente conquistada e a formação de um tipo de ‘coabitação governamental’ inédita em que o governo de esquerda, com vontade reformista e transformadora expressada, nomeia ministros dentre as pessoas mais conservadoras e à direita do país, que vai se abrir a 20ª Conferência das Partes, a COP-20, em Lima-Peru, de 1º a 12 de dezembro. Para muitos especuladores, esta conferência prepara as bases de um novo acordo que deveria ser assinado o próximo ano em Paris.

Por Lucas Matheron, AgoraVox (Bruxelas)

Assim como já comentei em artigos anteriores [1] [2] [3], um dos pontos mais polêmicos dentre as soluções de luta contra o aquecimento global são os mecanismos de compensação das emissões, entre os quais, notadamente, os chamados REDD e REDD+. E nesta questão, o Brasil está especialmente interessado. Com efeito, longe de resolver os problemas, esses mecanismos os reforçam e os amplificam, pois ao lado das questões puramente ambientais, explodem problemas sociais, como do direito à terra e das comunidades indígenas. E isso, legalmente. Em resumo, é mais uma estratégia para sustentar um capitalismo agonizante (?), como o pensa David Harvey, que, desta vez, se ataca “ao que resta” a explorar, a natureza, antes de colocar, provavelmente daqui a pouco, um relógio no sol!

No entanto, observa-se um forte lobby favorável à introdução desses programas no nível dos Estados; seria, de fato, um sinal forte a favor da legitimação desse capitalismo desenfreado, e da espoliação dos bens vitais à humanidade no seu conjunto. Já o vemos com a indústria das sementes que, aos poucos, consegue impor seus OGMs em toda parte do mundo, nos deixando reféns do seu bem-querer.

Dá para se perguntar o que leva organizações internacionais famosas, tal como a UICN [4] ou o WWF [5], a defender a implantação de tais mecanismos, haja vista que seus efeitos perversos já foram demonstrados pelas muitas experiências negativas em diversas regiões do planeta. Certamente, essas organizações se satisfazem da entrega de algumas zonas para proteger, criar parques e preservá-los, no intuito de conservá-los para mostrar às futuras gerações o que de fato existiu… Um novo tipo de museus! Talvez seja também uma forma de se financiar, junto ao capital privado, já que o público está cada vez mais escasso.

Enfim! Embora essas manobras se deem na mais completa indiferença da imprensa “oficial”, alguns grupos se mobilizam para denunciar esse lobby pró-destruição do homem e da natureza. É o caso do World Rainforest Movement que alavancou uma petição mundial [6] para levar a voz “dos 99%” na assembleia da COP-20 e, logo mais, na Conferência de Paris. Aqui se encontra o documento de base [7] dessas reivindicações. Aliás, é importante que os Franceses também se mobilizem sobre essas questões, pois através da Guiana, a França é “um país amazônico”, é bom lembrar.

Aqui está o link para assinar a petição “No REDD” por e-mail:

“Para apoiar o chamado à ação, pedimos que você envie um e-mail para [NoREDDCop20@wrm.org.uy] com o nome de seu grupo, país ou região de trabalho e contato antes de 05 de dezembro.”

E então, é para fazer alguma coisa? Sim, claro. Mas provavelmente uma solução (se não é A solução) é de seguir um caminho mais radical e afastar-se do modelo “político-ecologicamente correto” que visa sempre a favorecer os mesmos, ou seja, aqueles que têm dinheiro, ou seja, o poder. É preciso parar, sim, de apostar no lucro, sempre o lucro, e pensar no ser humano que já não come mais alimentos sadios, não respira mais um ar limpo, possui um ritmo de vida deplorável, e em breve nem terá mais água para satisfazer suas necessidades essenciais. E falo apenas dos “privilegiados”!

Por gentileza, faça com que esta mensagem circule, pois se nem sempre é possível “fazer alguma coisa”, é importante saber o que está acontecendo.

[1] O Brasil da cobiça: Financeirização da natureza [http://port.pravda.ru/busines/31-12-2013/35940-natureza-0/]

[2] Amazônia brasileira: Dossiê Acre [http://port.pravda.ru/news/cplp/14-12-2013/35832-dossie_acre-0/]

[3] Os pontos nos “i” na Amazônia [http://lindomarpadilha.blogspot.com.br/2014/10/lucas-matheron-os-pontos-nos-i-na.html]

[4] http://cmsdata.iucn.org/downloads/uicn_document_de_position_unfccc_cop_20_lima.pdf

[5] http://www.portaldomeioambiente.org.br/comunicacao-ambiental/9671-wwf-brasil-leva-para-australia-experiencia-brasileira-com-os-parques-nacionais

[6] http://wrm.org.uy/actions-and-campaigns/to-reject-redd-and-extractive-industries-to-confront-capitalism-and-defend-life-and-territories/

[7] http://wrm.org.uy/pt/files/2014/11/Chamado-COP-Lima_NoREDD.pdf

<<<<

Fonte: PRAVDA.ru

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‘Temos que agir já’, diz Ban Ki-moon na abertura ministerial da COP 20 (G1)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursa na COP 20, em Lima (Foto: Reprodução/UNFCCC)

Secretário-geral da ONU discursou na Cúpula sobre mudanças climáticas. Objetivo é obter prévia de acordo global para conter temperatura maior.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que os países desenvolvidos e outros mais ricos se apressem para apresentar metas de redução de gases-estufa e outros planos voltados à adaptação à mudança climática no primeiro trimestre de 2015.

O pedido foi feito na abertura do Segmento de Alto Nível da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, que segue até a próxima sexta (12) em Lima, no Peru.

Segundo ele, a “janela de oportunidade está se fechando rapidamente e todos os países têm que fazer parte dessa questão”. “Temos que agir já. Não é um momento de dúvidas, mas de transformação”, complementou.

O fim de março já era previsto como data final para a entrega das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), mas a própria comissária da ONU para o clima, Christiana Figueres, já trabalha em um possível adiamento.

O governo brasileiro deve entregar suas metas nacionais após o prazo previsto. Segundo negociadores do país, ainda estão em andamento consultas à sociedade civil e aos setores da economia sobre os cortes de emissões a serem realizados pós-2020. O ano é quando o novo acordo climático entrará em vigor, obrigando a todos os governos a reduzir suas emissões. O não cumprimento da exigência das Nações Unidas pelo Brasil é criticado por organizações não governamentais.

Ainda na abertura, a secretária-executiva da ONU para o Clima, Christiana Figueres, alertou sobre qual é o legado que a população atual quer deixar. “A história não nos julgará apenas pelas toneladas de gases que lançamos na atmosfera, mas vão nos julgar também se fomos capazes de nos adaptar e criar um futuro melhor para todos. Vocês [delegados] devem criar esse futuro”, disse.

Novo encontro em junho de 2015

Durante a cerimônia foi anunciado que no fim de junho do ano que vem haverá um novo encontro de alto nível em Nova York, sede da ONU, para finalizar os últimos detalhes antes da conferência de Paris, quando será assinado o documento que criará o acordo do clima.

Em Lima, entre os principais temas que serão discutidos pelos ministros de Estado estão a questão da responsabilidade histórica das emissões (quem tem mais culpa por ter lançado os gases-estufa), a formulação de parâmetros para que os países apresentem suas metas de redução de emissões (as chamadas INDCs) e o que será feito entre 2015 e 2020 para frear lançamento de poluentes atmosféricos (Segundo Protocolo de Kyoto).

Os primeiros rascunhos dos elementos que farão parte do acordo do clima foram publicados na manhã desta segunda-feira (8).

A primeira versão não agradou muito, principalmente a parte que trata das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). União Europeia e Estados Unidos querem que para o acordo esteja vinculada apenas a quantificação de gases a ser cortada a partir de 2020 e os planos referentes ao tema a longo prazo. A intenção vai na contramão do pedido de nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Por que tudo isso?

Segundo um painel internacional de cientistas ligado à ONU, o IPCC, é preciso diminuir entre 40% e 70% do total de gases lançados até 2050 e zerar essa taxa até 2100. Somente assim é que será possível conter o aumento da temperatura global em 2ºC até o final deste século.

Gases-estufa como o dióxido de carbono (CO2) são liberados principalmente na queima de combustíveis fósseis, mas também com o desmatamento e outras atividades humanas.

Caso isso não seja reduzido, segundo o IPCC, fenômenos extremos como secas, enchentes, degelo dos polos e aumento do nível dos mares serão mais frequentes. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC com relação à era pré-industrial.

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08/12/2014 – 10h37

Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20 (Observatório do Clima)

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

COP20 0010 1024x682 Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20

Side event oficial da Conferência de Lima reúne organizações do OC para apontar trajetória histórica das emissões brasileiras, a partir das informações do Sistema de Estimativas de Emissões (SEEG). Evento também apresentou projeto para aplicar metodologia do SEEG no Peru.

Uma das principais preocupações dos negociadores presentes na Conferência do Clima de Lima, a COP 20, é garantir as condições para construir um novo regime climático que efetivamente diminua as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em todo o mundo nas próximas décadas. O desafio não é banal: mesmo com os esforços de redução nos últimos anos, continuamos firmes numa trajetória que pode elevar a temperatura média global muito acima dos 2ºC considerados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) como limite para que as alterações climáticas não sejam tão profundas.

Por isso, mais importante do que ter políticas públicas em si é ter informações confiáveis e atualizadas que permitam a esses instrumentos ter a efetividade necessária na redução das emissões. Esse é o propósito do Sistema de Estimativa de Emissões de GEE (SEEG), desenvolvido pelo Observatório do Clima em 2013 para produzir estimativas anuais das emissões brasileiras em cinco setores econômicos estratégicos – mudança de uso do solo, agropecuária, energia, processos industriais, e resíduos – a partir de dados e informações confiáveis. Neste ano, além das estimativas referentes a 2013, o OC também se debruçou em mensurar as emissões desses cinco setores a partir de 1970. (Saiba mais sobre os dados apresentados pelo SEEG neste ano)

Tasso Azevedo apresenta principais dados do SEEG 2014 em side event na COP 20 Da esq. para dir.: André Ferretti, Tasso Azevedo, Loyola Escamilo, Carlos Rittl, Marina Piatto e Amintas Brandão
Para apresentar a experiência do SEEG e apresentar os dados referentes a 2013 e aos anos anteriores, o OC promoveu um side event na programação oficial da COP 20 no dia 06 de dezembro, com a participação de André Ferretti (Fundação Grupo Boticário), coordenador do OC; Carlos Rittl, secretário executivo do OC; Marina Piatto, do Imaflora; Amintas Brandão, do Imazon; Loyola Escamilo, da ONG Pronaturaleza; e Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além de apontar os resultados de 2013 e apontar a trajetória das emissões brasileiras desde 1970, o evento também serviu para lançar uma parceria importante com a Pronaturaleza, que está adaptando a metodologia do SEEG para monitorar as emissões peruanas de GEE a partir desse ano. “Nossa proposta é que outros países também encontrem no SEEG uma ferramenta para acompanhar suas próprias emissões, o que apoiará seus governos no esforço global para redução das emissões de GEE”, explica Tasso.

Os dados do SEEG peruano deverão ser publicado ainda em 2014 no portal http://www.seeg.eco/.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

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08/12/2014 – 12h00

Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra” (IPS)

por Milagros Salazar, da IPS

chica dos 629x353 Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra”

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – O clamor dos povos indígenas pelo reconhecimento de suas terras ancestrais ecoou entre as reuniões dos delegados de 195 países na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. “Quero meu território ali vivo, ali como, ali estão meus santos avós”, gritou cheia de raiva a asháninka Diana Ríos.

A jovem de 21 anos é filha de Jorge Ríos, um líder indígena que foi assassinado em setembro por defender as florestas de sua comunidade Alto Tamaya-Saweto, na região Ucayali da selva peruana. Sua morte e a de outros três dirigentes da região são atribuídas por seus familiares aos cortadores ilegais de árvores. Por isso exigiram, no dia 5, nas instalações da COP 20, a titulação de suas terras.

Como os asháninkas, a demanda indígena global na conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) se centra no reconhecimento de seus territórios, e com isso na proteção das florestas e no respeito aos conhecimentos ancestrais e direitos coletivos dos povos indígenas.

Falta entregar títulos de posse de cerca de cem milhões de hectares nos oito países da Amazônia sul-americana, segundo dados da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica). No Peru, de onde clamam sua dor as viúvas da comunidade Alto Tamaya-Saweto, ainda há 663 comunidades nativas sem títulos de propriedade, de acordo com o não governamental Instituto do Bem Comum.

A demanda pela titulação de terras está relacionada com a implantação dos projetos e programas do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD) para países do Sul em desenvolvimento. Nos acordos adotados na COP 16, realizada no balneário mexicano de Cancún, em 2010, precisamente foram incluídas salvaguardas para evitar danos sociais ou ambientais nos territórios indígenas onde se desenvolve a REDD.

Na COP 20, que acontece em Lima, no Peru, as organizações indígenas exigem que os Estados parte incluam nos informes sobre as salvaguardas, que devem apresentar perante a CMNUCC, indicadores sobre biodiversidade, saúde dos povos, titulação de terras e conhecimentos ancestrais, entre outros aspectos, destacou Grace Balawag, do povo kankanaey, das Filipinas.

Esses e outros indicadores permitirão medir a participação plena dos povos originários na mitigação do aquecimento global, disse à IPS a Balawag, vice-presidente da Aliança Global dos Povos Indígenas sobre a Mudança Climática e o Desenvolvimento Sustentável. Ela pediu, junto a outros companheiros nativos, que os povos indígenas sejam incorporados nos sistemas nacionais de monitoramento florestal, já que demonstraram ser capazes de conservar suas terras graças aos seus conhecimentos ancestrais.

A Aliança participa desde 2009 das conferências internacionais sobre o tema e inclui 17 organizações indígenas de 13 países da África, América Latina e Ásia, que enfrentam diversas ameaças a seus territórios.

Em alguns casos, as comunidades indígenas sofrem o impacto das atividades extrativistas, como mineração ou petróleo, apontou à IPS Tarcila Rivera porta-voz do Enlace Continental de Mulheres Indígenas das Américas e também presidente do Centro de Culturas Indígenas do Peru (Chirapaq). Os povos originários devem enfrentar atividades ilícitas que colocam em risco a vida de suas populações, ressaltou à IPS.

Mais de 93% das atividades de mineração, petróleo, gás, exploração florestal e agricultura estão em territórios habitados por povos indígenas e comunidades locais em oito países com florestas tropicais, de acordo com a pesquisa da consultoria Projeto Muden para a Iniciativa Direitos e Recursos. Os países estudados foram Brasil, Camboja, Colômbia, Filipinas, Indonésia, Libéria, Moçambique e Peru, segundo o estudo publicado em outubro.

Tais ameaças estão relacionadas com o número de assassinatos no mundo de líderes indígenas, que lutaram pela proteção do ambiente e da terra. Entre 2002 e 2013, houve 908 assassinatos de ativistas no mundo, segundo o informe Deadly Environment (Ambiente Mortal). O Brasil é o lugar mais perigoso, com 448 do total, seguido de Honduras com 109 e Filipinas com 67.

Embora o reconhecimento dos territórios indígenas seja uma demanda global, existem diversas modalidades e estratégias cobradas por esses povos, pontuou Balawag. Em alguns países se pede a titulação de terras, como no caso peruano, em outros a delimitação das áreas ancestralmente reconhecidas, como nas Filipinas, e também há casos nos quais se exige o cumprimento de acordos assinados com os Estados por disputas territoriais, como acontece em Bangladesh.

“Se a terra não é titulada e se chega a implantar um programa de REDD, como podemos receber os benefícios? Isso está relacionado com os benefícios, mas também com nossa sobrevivência. Inclusive podemos ser desalojados pelos governos e pelas corporações privadas”, afirmou Mrinal Tripura, da organização Maleya Foundation, de Bangladesh. Ele disse à IPS que o governo de seu país não reconhece o sistema tradicional dos indígenas, e que não se sentem representados nas negociações da COP 20.

As reclamações também chegam da África. “Os povos indígenas são a terra, mas o Estado não respeita a forma tradicional como a manejamos. Por isso a titulação é a única estratégia que nos resta para que nossos territórios sejam respeitados”, afirmou à IPS o maasai Stanley Kimaren Riamit, diretor-executivo da organização Indegenous Livelihoods Enhancement Partners, do Quênia.

“Os investidores do carbono estão interessados em que, antes de investirem na REDD, haja clareza sobre a propriedade dos territórios, porque as árvores crescem na terra e a terra pertence a alguém, acrescentou Riamit. É um argumento que parece simples, mas que resulta ser uma verdade incômoda para vários Estados nas negociações da COP 20, que acontece em instalações removíveis levantadas em uma área militar do sul da capital peruana. Envolverde/IPS

(IPS)

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09/12/2014 – 04h23

Incertezas nas discussões climáticas (Greenpeace)

por Redação do Greenpeace

COP20Greenpeace Incertezas nas discussões climáticas

 

Ao final da primeira semana da COP20 é hora de fazer um balanço das negociações e avaliar o que se pode esperar dos próximos dias em que negociadores estarão reunidos.

A primeira semana da COP20 – a 20a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas – que acontece em Lima, no Peru, chegou ao fim. É hora de fazer um balanço das negociações e analisar o que ainda pode vir nos próximos quatro dias que reúnem líderes de mais de 190 países. Os textos publicados que trazem um rascunho sobre os elementos para o acordo final que deve ser assinado em Paris, em 2015, contem incertezas alarmantes em temas fundamentais como a data final para que cada país apresente suas contribuições nacionais.

Além disso, o formato destas contribuições ainda não foi definido, o que significa que não está claro como estas promessas serão feitas, de quanto em quanto tempo serão revisadas e como serão cumpridas. Ou seja, ainda haverá muitas discussões para que seja possível encontrar consenso em um acordo que de fato fará com que o mundo combata as mudanças climáticas e seus impactos.

Um exemplo é a discussão sobre florestas, onde não houve acordo sobre quais garantias países como o Brasil devem apresentar para poder ter acesso a possíveis recursos que poderiam ser usados para combater o desmatamento. A conclusão foi simples: sem acordo não há recurso disponível e, pior, o assunto pode ficar para ser discutido apenas em 2016.

“Debate-se qual o melhor termo ou palavra para entrar nos textos, ou quem tem mais razão e menos culpa, enquanto as florestas vão sendo derrubadas, aumentando a concentração de gases de efeito estufa e levando devastação e morte à biodiversidade e às pessoas que delas dependem para viver”, disse Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

As negociações se arrastam e eventos climáticos como o tufão Hagupit, que atinge as Filipinas e já levou à evacuação de mais de 1 milhão de pessoas, mostram que a natureza não negocia. “Os cientistas são bem claros: temos que agir com urgência, ou pagaremos um preço alto”, continuou Astrini. Os impactos das mudanças climáticas já são uma realidade, trazendo dificuldades para a produção de alimentos, acesso à água e agravamento de doenças, o que afetará principalmente populações mais pobres.

Nesta semana final, são esperados ministros e líderes de Estado para que as negociações avancem em ritmo mais acelerado. “Precisamos que os pontos nos quais ainda existem incertezas sejam clarificados. Uma das prioridades é sobre a meta de redução de emissões de carbono a zero até 2050”, disse Astrini, “é necessário acabar com o desmatamento e ter uma transição justa de energias renováveis, com o fim do uso de combustíveis fósseis. Já temos as informações do que precisamos fazer e as ferramentas necessárias, mas falta a vontade política. Vamos pressionar os países para que eles deem a resposta que o mundo precisa.”

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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09/12/2014 – 05h04

Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima (WWF Brasil)

por Redação do WWF Brasil

abertura cop20 lima Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima

 

Durante a primeira semana da 20ª edição da Conferência das Partes (COP20) das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, pouco se avançou nas discussões para a elaboração do Acordo Climático Global. O evento, que teve início no dia 1º de dezembro, em Lima, reúne os representantes dos mais de 190 governos que integram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) para discutir o papel dos países na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, “o começo desta conferência teve sinais políticos positivos, como as metas anunciadas pelos Estados Unidos, China e União Europeia, que podem ser o primeiro passo de que é possível chegar ao final de 2015 com alvos globais estabelecidos rumo a um futuro de baixo carbono. Apesar deste sinal, a discussão sobre o caminho das ações dos países antes de 2020 ainda possui extrema relevância, pois há uma lacuna de emissões que deve ser eliminada urgentemente”.

O Brasil foi destaque nesta semana por quase ganhar o prêmio “Fóssil do Dia” na última quarta-feira (03). A premiação é realizada diariamente pelas organizações não governamentais aos países com posicionamentos não favoráveis às negociações climáticas. O país foi o segundo colocado devido a uma declaração sobre Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), pela qual ele negou que haja dupla contagem da redução de emissões. O MDL foi criado pelo Protocolo de Kyoto para ajudar financeiramente países em desenvolvimento a cumprir seus compromissos de redução de gases do efeito estufa (GEE), por meio da implementação de projetos sustentáveis, com os quais as emissões evitadas geram créditos.

Apesar disso, Nahur afirma que o Brasil tem avançado na proposta de uma nova metodologia para o próximo acordo climático global, que pretende esfriar os ânimos na discussão que ocorre desde a assinatura do Protocolo. Chamada de Diferenciação Concêntrica, a proposta brasileira foi apresentada na quinta-feira (04) e teve boa aceitação entre as delegações, servindo como um pontapé inicial para um processo mais focado para a negociação do texto. De acordo com o documento, os países seriam divididos em três níveis, com critérios diferentes de redução de emissões. A principal dúvida gira em torno dos indicadores para a escolha da categoria de cada país.

Com a chegada dos ministros para o Segmento de Alto Nível, que ocorrerá a partir de hoje (9), a expectativa é que o ritmo das discussões acelere. Até o final desta semana, deve-se chegar ao desenho inicial de um acordo climático global – a ser finalizado em 2015 e assinado na COP21, em Paris – que obrigue as nações a cortar as emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020. Para Nahur, “é necessário que os países avancem nesta discussão aqui em Lima, para que tenhamos claros avanços na discussão de ações efetivas antes de 2020 e de financiamento de ações de mitigação e adaptação”.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

(WWF Brasil)

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09/12/2014 – 03h52

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima (IPS)

por Wambi Michael, da IPS

COP20 4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima

 

Lima, Peru, 9/12/2014 – O instrumento da Organização das Nações Unidas (ONU) para apoiar projetos de emissões de carbono nos países em desenvolvimento, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está em crise devido à queda dos preços que se paga por créditos de carbono.

O MDL, encarregado das reduções certificadas de emissões (RCE), poderia colapsar porque nos últimos anos caiu a demanda dos principais compradores, países obrigados a reduzir suas emissões contaminantes no contexto do Protocolo de Kyoto, já que os objetivos de redução não aumentaram significativamente e porque houve um crescimento econômico mais lento.

Na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática  (CMNUCC), que acontece até o dia 12 em Lima, a junta executiva do MDL tenta convencer os negociadores a renovarem seus compromissos com o mecanismo, que já tem dez anos. Em entrevista à IPS, Hugh Sealy, presidente do MDL, explica porque o instrumento se complicou e quais desafios há pela frente.

IPS: Pode nos dar um panorama geral da situação do MDL?

HUGH SEALY: A perspectiva geral é que o MDL se encontra em uma encruzilhada. Os mercados colapsaram. O preço das RCE caiu para US$ 0,30, comparado com os mais de US$ 30 há cinco anos.

IPS: O que se conseguiu até o momento?

HG: O mecanismo permitiu o registro de 7.800 projetos e programas em 107 países em desenvolvimento com centenas de milhares de milhões de dólares em investimentos, que significaram 1,5 bilhão de toneladas de gases-estufa a menos liberados na atmosfera.

IPS: Qual foi o problema do MDL?

HG: A origem do problema, e é minha opinião pessoal, foi a decisão da União Europeia (UE) de 2009 (de restringir a possibilidade dos créditos internacionais e de proibi-los totalmente a partir de 2020), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2013. O Japão decidiu criar seu próprio sistema, a Austrália seguiu seu próprio caminho, como o Canadá, e os Estados Unidos nunca se interessaram. Se existe um sistema em que a União Europeia, como nosso maior comprador, vai excluir todas as outras unidades, então o mercado não tomará muitas delas. Foi aí que os preços começaram a cair.

IPS: Acredita que deveria ter existido um mercado regulado para as RCE?

HG: Um mercado como esse, que não é de qualquer mercadoria, teria que ter um piso, como têm outros. Mas agora o Banco Mundial diz que deveríamos criar um fundo de reserva do mercado que possa absorver o excesso de créditos. Dizem que precisariam de “US$ 3 bilhões para absorver todo o excesso, não vejo que o excesso seja um problema, mas falta de demanda. Veja todas as RCE que geramos. Temos 1,5 gigatonelada de emissões reduzidas. A diferença de emissões é de dez gigatoneladas por ano. Para mim continua havendo uma demanda radical e essencial de um sistema de mercado.

IPS: A junta executiva do MDL enfrenta o cancelamento voluntário como opção para criar demanda da RCE. Qual é a ideia por trás disso?

HG: A ideia é que qualquer um, você como meio de comunicação, eu como pessoa, uma companhia ou um governo possam comprar e cancelar RCE de imediato. Mas não sabemos que demanda teremos para o cancelamento voluntário. Mas, como junta diretora, acreditamos que é o correto. Colocar RCE à disposição para quem quiser reduzir sua pegada de carbono.

IPS: Qual seria a solução duradoura?

HG: Necessitamos uma decisão clara em Lima, e em particular em Paris (na COP 21, de 2015) sobre qual papel cabe a um mecanismo internacional sob um novo regime climático. Precisamos que as partes, em especial os países ricos, elevem sua ambição e criem mais demanda de RCE.

IPS: Quais são as consequências desse desenvolvimento para os países menos adiantados e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento?

HG: Se fosse responsável pelo desenvolvimento de um desses países, reservaria minhas RCE. Não buscaria concretizar um acordo para comprar nesse momento. Não a US$ 0,30. Sou otimista e creio que o preço das RCE subirá. Trabalho em uma aritmética fundamental, na qual a diferença de emissões é de aproximadamente dez gigatoneladas ao ano e aumenta cada vez mais. Se os países decidirem que os mercados serão um componente vital do acordo de Paris, não vejo como o preço das RCE poderá continuar a US$ 0,30. É muito frustrante para países, como a Jamaica, que já se registraram em projetos RCE, ou da África.

IPS: Se o MDL acabasse hoje, o que perderíamos?

HG: Perderíamos dez anos de experiência e de aprender fazendo. Levou muito tempo para criar o MDL e levá-lo à etapa em que estamos agora. Não posso lhe dar um número ou um valor em dólares, mas há mais de 4.500 organizações envolvidas com ele.

IPS: O que os países podem fazer a respeito nessas negociações de Lima?

HG: Podem aumentar sua demanda de RCE antes de 2020, reconhecer o valor que o MDL agrega aos sistemas de comércio de emissões emergentes e reconhecer o valor óbvio do mecanismo para a resposta internacional à mudança climática, depois da entrada em vigor do novo acordo em 2020. É um dos instrumentos mais efetivos já criados pelos governos no contexto da CMNUCC. Impulsiona e fomenta a redução de emissões, os fundos climáticos, a transferência de tecnologia, a construção de capacidades, o desenvolvimento sustentável e a adaptação, tudo o que os próprios países pedem do novo acordo de Paris. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 02h54

A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty (Engajamundo)

por Dari Santos, do Engajamundo

 

LimaEngajamuno A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty

Começou na segunda-feira, dia 01/12/2014, em Lima – Peru a 20ª Conferência das Partes (COP20), conferência que reúne todos os países e territórios do mundo membros da ONU para discutir qual será o papel de cada um deles frente aos desafios globais para combater às Mudanças Climáticas.

Esse ano a delegação do Brasil, que é uma das maiores da conferência com mais de 300 delegados, conta com um número expressivo de jovens brasileiros. O Engajamundo possui 12 jovens acreditados para conferência e marca a história da participação da juventude em conferências internacionais de mudanças climáticas. Vale frisar que o governo brasileiro é um pioneiro no quesito inclusão da sociedade civil, já que oferece credenciamento da sociedade como parte da delegação do governo (o que garante acesso completo as salas de negociação).

A maior delegação de jovens brasileiros na história das COPs (United Nations Climate Change Conference) tem uma missão: contar as entrelinhas das negociações que decidem o futuro de todos nós, já que as mudanças climáticas é uma realidade sentida por todos, seja ela em maior ou em menor escala.

Após a primeira reunião convocada pelo Itamaraty com a delegação brasileira na COP20, os engajamunders de “primeira viagem”, ou seja, que participam da sua primeira COP vivenciaram a importância das entrelinhas. Em uma conversa informal com a negociadora brasileira Thelma Krug (a única mulher entre todos os negociadores brasileiros), pudemos perceber qual é a percepção da negociadora em assuntos essenciais no combate a mudanças climáticas.

Logo no começo da conversa questionamos sobre os acordos sobre reflorestamento que estão sendo discutidos dentro do seu âmbito de negociação, e a negociadora deixou claro que considera plantações de eucalipto transgênico como “reflorestamento”. Segunda ela, há uma dificuldade em plantar mata nativa, já que essas não resistem como os “eucaliptos clonados” as mudanças climáticas.

Não precisa ser um cientista para saber que somente plantações de eucalipto nunca assegurariam a biodiversidade que as florestas de mata nativa possuem, e quando questionada sobre isso Thelma se limitou a responder que a biodiversidade possui uma conferência específica e deve ser tratada nela. O questionamento que ficou para todos nós é: realmente temos negociado acordos que visem combater o aquecimento global de forma total e transversal ou somente estamos cumprindo o protocolo diplomático tentando maquiar ações que nada resolvem o problema como se fossem ações positivas?

Esperamos que o lado social seja colocado na mesa, que cada país lembre que muito mais do que uma negociação entre países, trata-se de um acordo que garante um futuro sustentável para todos nós, cidadãos. Que se lembrem que existe sim uma forma de conservar e garantir a existência das matas nativas, garantindo que os povos tradicionais dessa área conservem o que nós por tantos anos destruímos.

Esperamos ansiosamente por uma negociação menos técnica e mais humana.

* Publicado originalmente no site Engajamundo.

(Engajamundo)

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Lima climate change talks best chance for a generation, say upbeat diplomats (The Guardian)

Hopes rise for global warming deal after US-China carbon commitments inject much-needed momentum into Peru talks
Oxfam banner in Lima, Peru
 An Oxfam banner in Lima on Saturday before the climate change talks. Photograph: Sebastian Casta Eda/AFP/Getty Images

UN climate negotiations opening in Lima on Monday have the best chance in a generation of striking a deal on global warming, diplomats say.

After a 20-year standoff, diplomats and longtime observers of the talks say there is rising optimism that negotiators will be able to secure a deal that will commit all countries to take action against climate change.

The two weeks of talks in Peru are intended to deliver a draft text to be adopted in Paris next year that will commit countries to reduce their greenhouse gas emissions without compromising the economic development of poor countries.

Diplomats and observers of the UN climate negotiations said recent actions by the US and China had injected much-needed momentum.

“I have never felt as optimistic as I have now,” said Tony de Brum, the foreign minister of the Marshall Islands, which are sinking as sea levels rise in the Pacific. “There is an upbeat feeling on the part of everyone that first of all there is an opportunity here and that secondly, we cannot miss it.”

Beyond Lima, there is growing evidence of the dangers of climate change, and of countries’ failure to act.

The UN environment programme warned earlier this month that industrialised countries were falling short of the emissions reductions needed to prevent warming of 2C above pre-industrial levels, the goal set by world leaders. Carbon dioxide emissions are expected to reach a record high of 40bn tonnes in 2014. Meanwhile, 2014 is shaping up to be the hottest on record.

Observers, however, said there was fresh optimism surrounding the Lima talks after the US and China declared on 12 November that they would work together to cut carbon pollution.

Under the deal, China committed to cap its output of carbon pollution by 2030 or earlier and to increase its use of zero emission energy to 20% by 2030. The US agreed to reduce its emissions by between 26% and 28% from their 2005 levels by 2025.

The EU, the next biggest polluter after the US and China, earlier pledged to cut emissions by 40% from their 1990 levels by 2030.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the commitments, which have been made well in advance of a March 2015 deadline, had given the talks a boost.

“It is hugely encouraging that well ahead of next year’s first-quarter deadline, countries have already been outlining what they intend to contribute to the Paris agreement. This is also a clear sign that countries are determined to find common ground,” she said in a statement.

Todd Stern, the US state department’s climate change envoy, said the US-China deal could push other big polluters such as India, Japan, Brazil and Russia to come forward with their own post-2020 targets. That in turn boosted prospects for a good outcome in Paris.

“I think it will spur countries to come forward with their own targets,” he said. “Generally if you are holding stock in the Paris negotiations your stock went up.”

Andrew Steer, the president of the World Resources Institute, an environmental thinktank in Washington, said the US-China deal had changed the atmosphere surrounding the talks.

“There is in the air a sense of momentum,” he said. “You’ve already got commitments of about half of all the greenhouse gas emissions that need to be reduced.”

The deal likely to be done in Paris will likely be a hotchpotch of targets such as those announced by the three top carbon polluters, according to an analysis by Bloomberg New Energy Finance.

The test for Lima will be the degree to which negotiators can corral those separate action plans from up to 190 countries into a single agreement.

If the talks are to succeed, they will have to come up with a draft text that outlines the structure of that agreement – how to ensure countries commit to deep enough cuts to limit warming to the 2C goal, and how to verify their actions.

The US is pushing for a deal that would avoid setting emissions reduction targets that are legally binding under international law, because that would set up a clash with congress.

Many developing countries, however, insist on legally binding targets. They also argue that only the industrialised countries should have to cut emissions.

The negotiators will also try to ramp up pledges for the Green Climate Fund, which was set up to help developing countries deal with climate change. So far, the fund has raised $9.7bn (£6.2bn) from 22 countries, just short of its initial $10bn target.

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Dever de casa para o acordo do clima (Valor Econômico)

Artigo de Sergio Margulis e Natalie Unterstell publicado no Valor Econômico

Das trajetórias projetadas até o fim deste século, o mundo já caminha naquelas mais extremas quanto ao aumento de temperatura, o que coloca pessoas, ecossistemas e economias sob séria ameaça.

A Conferência das Partes (CoP) que está sendo realizada em Lima, no Peru, vai oferecer as bases para um novo acordo climático global, a ser adotado em Paris, em 2015. O que os cidadãos comuns querem saber é: como é que esse acordo os protegerá dos impactos da mudança climática?

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/opiniao/3805596/dever-de-casa-para-o-acordo-do-clima#ixzz3L23yI0GP

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Acordo do clima poderá encampar proposta do Brasil (Folha de S.Paulo)

Na divisão de obrigações sugerida pelo país, grandes nações emergentes assumem maior redução de emissões

O esboço de um acordo global de reduções de emissões de gases-estufa que está em negociação na 20ª Conferência do Clima da ONU, a COP 20, no Peru, incluiu um conceito criado por diplomatas brasileiros: dividir os países em desenvolvimento em diferentes graus de responsabilidade pelo aquecimento.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198652-acordo-do-clima-podera-encampar-proposta-do-brasil.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

COP-20 coloca foco em adaptação à mudança climática e nas verbas (Valor Econômico)

A segunda semana da conferência do clima da ONU começa com muitas pontas abertas e ainda vaga sobre o resultado final

O céu amanhece cinza todos os dias em Lima, mas quase nunca chove. Os bairros ricos da capital peruana, como San Isidro e San Borja, são muito verdes, com jardins e parques bem cuidados que se beneficiam da umidade do inverno e da irrigação automática no fim da tarde. Mas algumas estimativas dizem que a cidade pode ficar sem água em 30 anos, por conta da retração dos glaciares andinos. Como todas as partes, o Peru sofre os impactos da mudança do clima e terá que se adaptar – só que a conta está ficando cada vez mais cara.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3807634/cop-20-coloca-foco-em-adaptacao-mudanca-climatica-e-nas-verbas

(Daniela Chiaretti/Valor Econômico)

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JC 5081, 9 de dezembro de 2014

Transformação na política do clima (Valor Econômico)

Artigo de Adilson de Oliveira publicado no Valor Econômico

Após meses de negociações sigilosas, a China e os Estados Unidos anunciaram em Pequim que adotarão metas para a redução das emissões de gases para evitar os riscos de mudanças climáticas. A China comprometeu-se em elevar para 20% a parcela não poluente de sua matriz energética até 2030. Os EUA prometeram reduzir suas emissões entre 26% e 28% até 2025, substituindo fontes fósseis por fontes renováveis e acelerando a substituição do carvão por gás natural na geração de eletricidade.

Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/3809014/transformacao-na-politica-do-clima#ixzz3LPS7h6HR

(Valor Econômico)

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5081, 9 de dezembro de 2014

Economista pede acordo do clima sem sanções (Folha de S.Paulo)

Punição em caso de descumprimento inibe metas ambiciosas, afirma Nicholas Stern

Para o autor do mais importante trabalho já realizado sobre os impactos econômicos do aquecimento global, o próximo acordo para reduzir emissões de gases -estufa não precisa ter força de lei.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/199228-economista-pede-acordo-do-clima-sem-sancoes.shtml

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Avaliação de risco em obras tem de incluir clima, alerta a ONU (Valor Econômico)

Para Christiana Figueres, condições ambientais têm que determinar os investimentos em infraestrutura

A costarriquenha Christiana Figueres, a mais alta autoridade das Nações Unidas nas negociações sobre mudança do clima, acredita que a China é o país que mais está fazendo esforços no combate ao aquecimento global em comparação com EUA e União Europeia.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3810448/avaliacao-de-risco-em-obras-tem-de-incluir-clima-alerta-onu

(Daniela Chiaretti / Valor Econômico)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Brasil está ‘no fundo do poço’ em políticas para o clima (O Globo)

Entre os 58 países avaliados em relatório, país ficou na 49ª posição

Enquanto as discussões da Conferência do Clima em Lima (COP 20) começam a se acalorar, uma ducha de água fria atingiu os delegados reunidos na capital peruana. O banho veio na forma de um novo relatório, divulgado pelas ONGs Germanwatch e Climate Action Network Europe e realizado por 300 especialistas, que concluiu: nenhum país elaborou políticas públicas satisfatórias contra as mudanças climáticas. O Brasil teve um desempenho particularmente vergonhoso. Caiu 14 posições, entre as 58 nações avaliadas, atingindo o “fundo do poço”, segundo o relatório. Em 2007, chegou a figurar entre os dez melhores.

Leia mais sobre esse assunto em: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/brasil-esta-no-fundo-do-poco-em-politicas-para-clima-14786238#ixzz3LUsFq36v

(Renato Grandelle / O Globo)

The fund is woefully behind its goal of mobilising $100bn a year in public and private finance by 2020.

Brasil chega a Lima na contramão dos esforços globais contra mudanças do clima (Observatório do Clima)

Cop20lima
02/12/2014 – 12h35

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

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Com emissões em alta, mesmo com baixo crescimento econômico, Brasil começa a COP20 numa posição mais frágil que em outras conferências do clima.

A capital do Peru será a capital global dos esforços contra as mudança do clima pelas próximas duas semanas. Começou nesta segunda a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em espaço montado no quartel general do Exército peruano em Lima. Pelos próximos 14 dias, negociadores de mais de 190 países se reunirão com a dura missão de desatar os nós que impedem o enfrentamento global efetivo das mudanças climáticas.

O principal objetivo da COP 20, sem dúvidas, será avançar na estrutura do futuro acordo climático internacional que sucederá o Protocolo de Quioto a partir de 2021, mas que precisa ter seu texto finalizado e aprovado pelos governos até a próxima Conferência do Clima, que acontece daqui a 12 meses em Paris.

O cenário em Lima é favorável para esse avanço. Os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta, a China e os Estados Unidos, apresentaram compromissos importantes rumo a uma redução substancial de suas emissões nas próximas décadas. Mesmo que esses anúncios não sejam tão ambiciosos como o necessário, eles são sinais importantes da disposição desses países para enfrentar o desafio climático.

Outro motivo para otimismo é o avanço na capitalização do Fundo Climático Verde (GFC, sigla em inglês), que conseguiu angariar US$ 9,7 bilhões, graças às doações recentes de países como Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. O valor praticamente bate a meta prevista pela UNFCCC para o final de 2014, e esses recursos serão importantes para financiar ações urgentes em adaptação e mitigação das mudanças do clima em países em desenvolvimento.

Por fim, o ímpeto dado pela Cúpula do Clima, realizada em setembro passado em Nova York, criou um movimento importante para a sociedade civil internacional pressionar os governos por ações climáticas mais ambiciosas e efetivas. Mesmo que os resultados concretos da Cúpula tenham sido mais simbólicos que práticos, o encontro de chefes de governo em Nova York ajudou a colocar o tema climático novamente na agenda mainstream da política internacional e incentivou a mobilização de milhões de pessoas pelo mundo.

Se o contexto global é favorável para avanços práticos, o contexto brasileiro não poderia ser tão contrastante. Como o Observatório do Clima apontou, a partir dos dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG), as emissões brasileiras aumentaram 7,8% em 2013, mesmo com o baixo crescimento apresentado pelo país no ano passado (2,6%).

Entre 2012 e 2013, a Amazônia sofreu com o aumento da taxa de desmatamento em 29%, que interrompeu uma sequência de quase uma década de reduções significativas. No ano passado, as emissões associadas ao desmatamento subiram 16%, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. Mesmo com o anúncio recente dos dados do PRODES, que apontam para uma redução de 18% na taxa entre 2013 e 2014, informações do DETER e do Imazon já apontam para uma retomada acelerada do desmatamento nos últimos meses, o que pode colocar em risco a pequena recuperação apontada pelo PRODES.

COP20 0001 Brasil chega a Lima na contramão dos esforços globais contra mudanças do clima

Além disso, quase 70% dos investimentos federais em energia nos próximos anos estão direcionados para fontes fósseis em energia, que vão inevitavelmente sujar nossa matriz energética. Exemplo recente do retrocesso disso foi o leilão de energia realizado na semana passada, que ressuscitou o carvão mineral, incluindo na base da matriz energética.

Esse contexto doméstico fragiliza a posição brasileira nas negociações climáticas, com reflexos imediatos no processo diplomático atual. Por exemplo, o governo brasileiro cogita encaminhar suas contribuições nacionalmente definidas, base para a conclusão dos futuros compromissos do Brasil no novo acordo climático, apenas no final do primeiro semestre de 2015, meses depois do deadline original recomendado por decisão da COP 19, realizada em Varsóvia no ano passado. Ou seja, o Brasil está abrindo mão da sua condição de liderança política em clima, esperando para ver o que outros países farão para depois definir o que podemos fazer.

Enquanto o Brasil retrocede, as mudanças do clima já fazem parte da realidade dos brasileiros, impondo custos altíssimos para o país, devido ao clima extremo – particularmente nos últimos meses, com a estiagem que aflige o Sudeste e a seca que atinge todo o semiárido do Nordeste há alguns anos.

O Observatório do Clima espera que o Brasil assuma uma posição condizente com aquilo que já apresentou em conferências passadas, alinhada com aquilo que se espera do país nesse momento importantíssimo das negociações climáticas. Somos um dos maiores emissores do planeta e temos condição para avançar efetivamente em esforços mais substanciais de redução de nossas emissões – por exemplo, reduzindo o desmatamento amazônico para zero, ampliando os investimentos para agricultura de baixo carbono e revertendo a queda da participação de fontes renováveis em nossa matriz energética, através de investimentos maciços em renováveis modernas. Se colocarmos o avanço em nossos esforços climáticos como estratégico para o Brasil, isso será positivo para a competitividade de nossa indústria e para a geração de novos empregos em setores importantes como energia solar, hoje estratégicos para países como China e Estados Unidos.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

Fundo contra o aquecimento atinge US$ 9,7 bi (Folha de S.Paulo)

Este valor quase bateu a meta de US$ 10 bilhões sugerida pela convenção do clima da ONU

Um fator que também contribuiu para o clima de otimismo com que começa a COP 20 foram as últimas contribuições ao Fundo Verde do Clima, principal mecanismo de financiamento previsto para o acordo a ser firmado.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198000-fundo-contra-o-aquecimento-atinge-us-97-bi.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

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Reunião do clima começa otimista e aflita

China e EUA injetam ânimo na negociação de acordo contra aquecimento, mas promessas ainda são insuficientes

A 20ª conferência do clima da ONU, COP 20, começa hoje em Lima, no Peru, num ambiente que mescla otimismo e aflição. Apesar de um recente acordo entre China e EUA ter dado ao planeta a perspectiva de avançar na redução de emissões de gases do efeito estufa, promessas ainda estão aquém daquilo que a ciência diz ser necessário para evitar um aquecimento “perigoso” do planeta.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/197998-reuniao-do-clima-comeca-otimista-e-aflita.shtm

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

Outra matéria sobre o assunto em:

O Globo

Em Lima, as bases de um acordo climático em jogo a partir desta segunda
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/em-lima-as-bases-de-um-acordo-climatico-em-jogo-partir-desta-segunda-14703871#ixzz3Kecr4CSb

Optimism Faces Grave Realities at Climate Talks (New York Times)

WASHINGTON — After more than two decades of trying but failing to forge a global pact to halt climate change, United Nations negotiators gathering in South America this week are expressing a new optimism that they may finally achieve the elusive deal.

Even with a deal to stop the current rate of greenhouse gas emissions, scientists warn, the world will become increasingly unpleasant. Without a deal, they say, the world could eventually become uninhabitable for humans.

For the next two weeks, thousands of diplomats from around the globe will gather in Lima, Peru, for a United Nations summit meeting to draft an agreement intended to stop the global rise of planet-warming greenhouse gases.

The meeting comes just weeks after a landmark announcement by President Obama and President Xi Jinping of China committing the world’s two largest carbon polluters to cuts in their emissions. United Nations negotiators say they believe that advancement could end a longstanding impasse in the climate talks, spurring other countries to sign similar commitments.

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A child walking near her home with a coal-fired power plant in the background in Beijing, China. CreditKevin Frayer/Getty Images 

But while scientists and climate-policy experts welcome the new momentum ahead of the Lima talks, they warn that it now may be impossible to prevent the temperature of the planet’s atmosphere from rising by 3.6 degrees Fahrenheit. According to a large body of scientific research, that is the tipping point at which the world will be locked into a near-term future of drought, food and water shortages, melting ice sheets, shrinking glaciers, rising sea levels and widespread flooding — events that could harm the world’s population and economy.

Recent reports show that there may be no way to prevent the planet’s temperature from rising, given the current level of greenhouse gases already in the atmosphere and the projected rate of emissions expected to continue before any new deal is carried out.

That fact is driving the urgency of the Lima talks, which are expected to produce a draft document, to be made final over the next year and signed by world leaders in Paris in December 2015.

While a breach of the 3.6 degree threshold appears inevitable, scientists say that United Nations negotiators should not give up on their efforts to cut emissions. At stake now, they say, is the difference between a newly unpleasant world and an uninhabitable one.

“I was encouraged by the U.S.-China agreement,” said Michael Oppenheimer, a professor of geosciences and international affairs at Princeton University and a member of the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change, a global body of scientists that produces regular reports on the state of climate science. But he expressed doubts that the threshold rise in global temperature could be prevented.

“What’s already baked in are substantial changes to ecosystems, large-scale transformations,” Mr. Oppenheimer said. He cited losses of coral reef systems and ice sheets, and lowering crop yields.

Still, absent a deal, “Things could get a lot worse,” Mr. Oppenheimer added. Beyond the 3.6 degree threshold, he said, the aggregate cost “to the global economy — rich countries as well as poor countries — rises rapidly.”

Felipe Calderón, the chairman of the Global Commission on the Economy and Climate and former president of Mexico. CreditRichard Drew/Associated Press 

The objective now, negotiators say, is to stave off atmospheric temperature increases of 4 to 10 degrees by the end of the century; at that point, they say, the planet could become increasingly uninhabitable.

Officials at the National Oceanic and Atmospheric Administration are already reporting that 2014 appears likely to be the warmest year on record.

Since 1992, the United Nations has convened an annual climate change summit meeting aimed at forging a deal to curb greenhouse gases, which are produced chiefly by burning coal for electricity and gasoline for transportation. But previous agreements, such as the 1997 Kyoto Protocol, included no requirements that developing nations, such as India and China, cut their emissions. And until now, the United States has never headed into those summit meetings with a domestic climate change policy in place.

This spring, a report by 13 federal agencies concluded that climate change would harm the American economy by increasing food prices, insurance rates and financial volatility. In China, the central government has sought to quell citizen protests related to coal pollution.

In June, Mr. Obama announced a new Environmental Protection Agency rule forcing major emissions cuts from coal-fired power plants. State Department negotiators took the decision to China, hoping to broker a deal for a similar offer of domestic action. That led to November’s joint announcement in Beijing: The United States will cut its emissions up to 28 percent by 2025, while China will decrease its emissions by or before 2030.

“Our sense is that this will resonate in the broader climate community, give momentum to the negotiations and spur countries to come forward with their own targets,” said Todd Stern, Mr. Obama’s lead climate change negotiator. “The two historic antagonists, the biggest players, announcing they’ll work together.”

Other negotiators agree. “The prospects are so much better than they’ve ever been,” said Felipe Calderón, the former president of Mexico and chairman of the Global Commission on the Economy and Climate, a research organization.

The aim of negotiators in Lima is, for the first time, to produce an agreement in which every nation commits to a domestic plan to reduce greenhouse gas emissions, along the model of the United States-China agreement. Negotiators expect that by next March, governments will make announcements similar to those made by the United States and China.

The idea is for each country to cut emissions at a level that it can realistically achieve, but in keeping with domestic political and economic constraints. World leaders would sign a deal in Paris next year committing all those nations to their cuts, including a provision that the nations regularly reconvene to further reduce their emissions.

The problem is that climate experts say it almost certainly will not happen fast enough. A November report by the United Nations Environment Program concluded that in order to avoid the 3.6 degree increase, global emissions must peak within the next 10 years, going down to half of current levels by midcentury.

But the deal being drafted in Lima will not even be enacted until 2020. And the structure of the emerging deal — allowing each country to commit to what it can realistically achieve, given each nation’s domestic politics — means that the initial cuts by countries will not be as stringent as what scientists say is required.

China’s plan calls for its emissions to peak in 2030. Government officials in India, the world’s third-largest carbon polluter, have said they do not expect to see their emissions decline until at least 2040.

While Mr. Obama has committed to United Nations emissions cuts through 2025, there is no way to know if his successor will continue on that path.

That reality is already setting in among low-lying island nations, like the Marshall Islands, where rising seas are soaking coastal soil, killing crops and contaminating fresh water supplies.

“The groundwater that supports our food crops is becoming inundated with salt,” said Tony A. deBrum, foreign minister of the Marshall Islands. “The green is becoming brown.”

Many island nations are looking into buying farmland in other countries to grow food and, eventually, to relocate their populations.

In Lima, those countries are expected to demand that a final deal include aid to help them adapt to the climate impacts that have already arrived.

Mundo deverá quadruplicar energias renováveis até 2050 para conter mudanças climáticas (O Globo)

PUBLICADO 04 NOVEMBRO 2014.

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Novo relatório do IPCC afirma também que combustíveis fósseis precisarão ser ‘extintos’ até 2100. Combustíveis fósseis deveriam ser ‘extintos’ até 2100, segundo o IPCC

Copenhague – No capítulo final de uma pesquisa iniciada 13 meses atrás, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) desfilou uma saraivada de números que refletem o caótico aquecimento global. Segundo o estudo, divulgado ontem em Copenhague, a temperatura média na superfície da Terra aumentou 0,85 grau Celsius entre 1880 e 2012. A concentração de gases-estufa na atmosfera é a maior dos últimos 800 mil anos. As ondas de calor vão se tornar cada vez mais intensas e comuns, especialmente no Hemisfério Norte.

Se o mundo quiser evitar que as mudanças climáticas se tornem irreversíveis, o uso de combustíveis fósseis — o principal motor da economia mundial — deve ser zerado em 2100. Para isso, os países precisam quadruplicar o uso de energias renováveis até 2050. Ignorar este ultimato provocará danos “graves, generalizados e irreversíveis”.

Atualmente, os governos gastam cerca de US$ 600 bilhões por ano no subsídio ao consumo de carvão. Ao mesmo tempo, menos de US$ 400 bilhões são investidos por ano no mundo em políticas de redução de emissões ou em outra forma de enfrentar as mudanças climáticas. Segundo o “New York Times”, esta quantia é menor do que a receita de apenas uma petrolífera americana.

De acordo com o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, os projetos de mitigação contra as mudanças climáticas custariam cerca de 0,06% do PIB mundial por ano até o fim do século. Estima-se que, no mesmo período, a economia internacional crescerá 300%.

— O custo da inércia será horrivelmente maior — assegura Rachauri. — Temos pouco tempo pela frente antes que passe a janela de oportunidade para o aumento de temperatura permanecer abaixo de 2 graus Celsius. Manter o atual modelo de crescimento não é uma opção para nós.

GOLPE NA ECONOMIA

Copresidente de um dos três grupos de trabalho do IPCC, Youba Sokona ressalta que há, no mínimo, 66% de chances de a temperatura global aumentar mais de 2 graus Celsius até 2100, caso a queima de combustíveis fósseis continue no ritmo atual.

— A transição para uma economia com baixo teor de carbono é tecnicamente viável — destaca. — Mas faltam políticas e instituições apropriadas. Quanto mais esperarmos para agir, maior será o custo para mitigação e adaptação.

A liberação de gases-estufa segue em escalada nas últimas décadas. Cerca de metade das emissões de CO2 da era industrial ocorreu nos últimos 40 anos. Com isso, o cenário mais provável é que a temperatura média global ultrapasse os 4 graus Celsius até 2100. Atingir esta marca significa “dificultar a redução da pobreza (…) e corroer a segurança alimentar”, diz o estudo.

Entre 1901 e 2010, o nível do mar aumentou 0,19 centímetro — um valor maior do que nos 2 mil anos anteriores. Se os termômetros continuarem crescendo, em 2050 o gelo do Oceano Ártico terá praticamente desaparecido nos meses de setembro. Até o fim do século, o nível do mar pode aumentar 82 centímetros. Há previsões de grandes enchentes e desaparecimento de países insulares e cidades costeiras.

A mudança do regime de chuvas, a absorção de gases-estufa pelo oceano e o derretimento de geleiras vão afetar a disponibilidade de alimentos para as espécies marinhas. Sua migração também prejudicará a indústria pesqueira.

O calor também afetará o rendimento de safras de trigo, arroz, milho e soja. Estes recursos são a base da economia de países em desenvolvimento. Suas populações, as mais atingidas por eventos extremos, devem migrar para outras regiões. A chegada dos refugiados climáticos aumentará a desigualdade social e a possibilidade de conflitos violentos.

Esta descrição foi atenuada na redação final do relatório. O documento original, editado durante a semana, afirmava que a migração em massa de populações provocaria conflitos violentos “na forma de guerra civil”.

Segundo o Banco Mundial, a comunidade internacional precisará investir entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão por ano para ajustar sua infraestrutura ao perigo representado pelas mudanças climáticas.

— O impacto das mudanças climáticas será muito diferente em cada país. Por isso é tão difícil estimá-lo — admite a economista Stéphane Hallegatte, coautora do relatório do IPCC. — Eles precisam de dinheiro para desenvolver a tecnologia ecológica, defesa costeira, planos de mitigação e adaptação e gestão de risco de desastres.

Pachauri lembra que as nações mais vulneráveis contribuem pouco para as emissões de gases-estufa. Por isso, atacar o problema torna-se responsabilidade de todos os governos:

— Enfrentar o aquecimento global não será possível se cada agente pensar apenas em seu plano. Precisamos de cooperação entre os países para alcançar nossos objetivos.

FALTA DE ACORDO GLOBAL

O relatório do IPCC, que está em sua quinta edição, deve servir como base para as discussões da Conferência do Clima de Lima, em dezembro deste ano. As esperanças, porém, estão concentradas na edição do ano que vem do encontro, em Paris. Espera-se que este fórum resulte em um acordo global contra as mudanças climáticas. Havia a mesma expectativa em Copenhague, em 2009, quando o debate foi pautado pelo quarto documento do IPCC.

— Tivemos uma conversa extensa há cinco anos, mas, olhando para trás, talvez os líderes mundiais não estivessem tão preparados para discutir o clima — admite o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon. — Eles precisam agir. O tempo não está ao nosso lado.

Não é tão simples assim. O combate às mudanças climáticas é marcado por desentendimentos. Países em desenvolvimento se recusam a aceitar metas para reduzir emissões de CO2 — exigência imposta pelas nações desenvolvidas.

Em setembro, Ban ki-Moon organizou uma Cúpula do Clima na ONU, em uma tentativa de antecipar as discussões previstas para os fóruns ambientais. No encontro foi apresentada a Declaração de Nova York, um documento que propunha a redução pela metade do corte de florestas até 2020 e zerá-lo na década seguinte. Com esta medida, entre 4,5 bilhões e 8,8 bilhões de toneladas de CO2 deixariam de ser liberadas para a atmosfera — o equivalente à remoção de um bilhão de carros das ruas até 2030. Brasil, Índia e China, que estão entre os maiores desmatadores do mundo, recusaram-se a assinar o acordo.

A China, maior poluidora do planeta, comprometeu-se apenas a divulgar quando atingirá o pico de suas emissões — o que deve ocorrer antes de 2030. Os EUA limitam-se a cobrar projetos da potência asiática. A União Europeia e o Brasil estabeleceram metas voluntárias — ou seja, sem valor legal. A Índia, que será a nação mais populosa do mundo daqui a menos de 20 anos, luta para ser definida como país em desenvolvimento, um sinal de que não pretende assumir objetivos.

DISCUSSÕES MADRUGADA ADENTRO

Pachauri, porém, acredita que o novo relatório pode virar o jogo. De acordo com ele, o documento apresentado ontem é “o mais forte e robusto” já produzido pelo IPCC. Para especialistas, o maior objetivo foi cumprido: enfatizar como a ação humana interfere na temperatura do planeta, tese muito contestada poucos anos atrás.

Vice-presidente do IPCC, Suzana Kahn avalia que o relatório final foi mais “claro e objetivo” do que os documentos escritos nos últimos meses pelos grupos de trabalho. Suzana, porém, acredita que os números do IPCC não mudarão facilmente o posicionamento dos governos nas negociações internacionais.

— Os países permanecem com suas posições históricas já consolidadas — afirma Suzana, uma das responsáveis por resumir o relatório original, que tinha 175 páginas, no divulgado ontem, com 40 páginas. — Para fazer isso, foi uma dificuldade. Imagine, então, na negociação propriamente dita. Tanto que, em vez de encerrarmos as discussões na sexta-feira, às 18h, elas só foram fechadas no sábado, às 16h, e precisamos debater todas as madrugadas. Ou seja, tudo foi marcado por pouca disposição de cooperação.

Os climatologistas ressaltam que, mesmo se todas as medidas de mitigação e adaptação forem tomadas, os estragos provocados pelo homem no clima serão visíveis no próximo século, já que as alterações feitas em biomas, geleiras e o acúmulo de carbono nos oceanos não serão remediadas imediatamente. O meio ambiente tem seu próprio tempo. E, para assegurá-lo, o ser humano corre contra o relógio.

Fonte: GVces / O Globo.

The IPCC is stern on climate change – but it still underestimates the situation (The Guardian)

UN body’s warning on carbon emissions is hard to ignore, but breaking the power of the fossil fuel industry won’t be easy

The Guardian, Sunday 2 November 2014 10.59 GMT

Bangkok's skyline blanketed in a hazeBangkok’s skyline blanketed in a haze. The IPCC report says climate change has increased the risk of severe heatwaves and other extreme weather. Photograph: Adrees Latif/Reuters

At this point, the scientists who run the Intergovernmental Panel on Climate Change must feel like it’s time to trade their satellites, their carefully calibrated thermometers and spectrometers, their finely tuned computer models – all of them for a thesaurus. Surely, somewhere, there must be words that will prompt the world’s leaders to act.

This week, with the release of their new synthesis report, they are trying the words “severe, widespread, and irreversible” to describe the effects of climate change – which for scientists, conservative by nature, falls just short of announcing that climate change will produce a zombie apocalypse plus random beheadings plus Ebola. It’s hard to imagine how they will up the language in time for the next big global confab in Paris.

But even with all that, this new document – actually a synthesis of three big working group reports released over the last year – almost certainly underestimates the actual severity of the situation. As the Washington Post pointed out this week, past reports have always tried to err on the side of understatement; it’s a particular problem with sea level rise, since the current IPCC document does not even include the finding in May that the great Antarctic ice sheets have begun to melt. (The studies were published after the IPCC’s cutoff date.)

But when you get right down to it, who cares? The scientists have done their job; no sentient person, including Republican Senate candidates, can any longer believe in their heart of hearts that there’s not a problem here. The scientific method has triumphed: over a quarter of a century, researchers have reached astonishing consensus on a basic problem in chemistry and physics.

And the engineers have done just as well. The price of a solar panel has dropped by more than 90% over the last 25 years, and continues to plummet. In the few places they have actually been deployed at scale, the results are astonishing: there were days this summer when Germany generated 75% of its power from the wind and the sun.

That, of course, is not because Germany is so richly endowed with sunlight (it’s a rare person who books a North Sea beach holiday). It’s because the Germans have produced a remarkable quantity of political will, and put it to good use.

As opposed to the rest of the world, where the fossil fuel industry has produced an enormous amount of fear in the political class, and kept things from changing. Their vast piles of money have so far weighed more in the political balance than the vast piles of data accumulated by the scientists. In fact, the IPCC can calculate the size of the gap with great exactness. To get on the right track, they estimate, the world would have to cut fossil fuel investments annually between now and 2029, and use the money instead to push the pace of renewables.

That is a hard task, but not an impossible one. Indeed, the people’s movement symbolised by September’s mammoth climate march in New York, has begun to make an impact in dollars and cents. A new report this week shows that by delaying the Keystone pipeline in North America protesters have prevented at least $17bn (£10.6bn) in new investments in the tar sands of Canada – investments that would have produced carbon equivalent to 735 coal-fired power plants. That’s pretty good work.

Our political leaders could do much more, of course. If they put a serious price on carbon, we would move quickly out of the fossil fuel age and into the renewable future. But that won’t happen until we break the power of the fossil fuel industry. That’s why it’s very good news that divestment campaigners have been winning victories on one continent after another, as universities from Stanford to Sydney to Glasgow start selling their fossil fuel stocks in protest – hey, even the Rockefeller Brothers fund, heir to the greatest oil fortune ever, have joined in the fight.

Breaking the power of the fossil fuel industry won’t be easy, especially since it has to happen fast. It has to happen, in fact, before the carbon we’ve unleashed into the atmosphere breaks the planet. I’m not certain we’ll win this fight – but, thanks to the IPCC, no one will ever be able to say they weren’t warned.

U.N. Panel Issues Its Starkest Warning Yet on Global Warming (New York Times)

Machines digging for brown coal in front of a power plant near Grevenbroich, Germany, in April.CreditMartin Meissner/Associated Press

COPENHAGEN — The gathering risks of climate change are so profound that they could stall or even reverse generations of progress against poverty and hunger if greenhouse emissions continue at a runaway pace, according to a major new United Nations report.

Despite growing efforts in many countries to tackle the problem, the global situation is becoming more acute as developing countries join the West in burning huge amounts of fossil fuels, the Intergovernmental Panel on Climate Change said here on Sunday.

Failure to reduce emissions, the group of scientists and other experts found, could threaten society with food shortages, refugee crises, the flooding of major cities and entire island nations, mass extinction of plants and animals, and a climate so drastically altered it might become dangerous for people to work or play outside during the hottest times of the year.

“Continued emission of greenhouse gases will cause further warming and long-lasting changes in all components of the climate system, increasing the likelihood of severe, pervasive and irreversible impacts for people and ecosystems,” the report found.

In the starkest language it has ever used, the expert panel made clear how far society remains from having any serious policy to limit global warming.

Doing so would require leaving the vast majority of the world’s reserves of fossil fuels in the ground or, alternatively, developing methods to capture and bury the emissions resulting from their use, the group said.

If governments are to meet their own stated goal of limiting the warming of the planet to no more than 3.6 degrees Fahrenheit, or 2 degrees Celsius, above the preindustrial level, they must restrict emissions from additional fossil-fuel burning to about 1 trillion tons of carbon dioxide, the panel said. At current growth rates, that budget is likely to be exhausted in something like 30 years, possibly less.

Yet energy companies have booked coal and petroleum reserves equal to several times that amount, and they are spending some $600 billion a year to find more. Utilities and oil companies continue to build coal-fired power plants and refineries, and governments are spending another $600 billion or so directly subsidizing the consumption of fossil fuels.

By contrast, the report found, less than $400 billion a year is being spent around the world to reduce emissions or otherwise cope with climate change. That is a small fraction of the revenue spent on fossil fuels — it is less, for example, than the revenue of a single American oil company, ExxonMobil.

The new report comes just a month before international delegates convene in Lima, Peru, to devise a new global agreement to limit emissions, and it makes clear the urgency of their task.

Appearing Sunday morning at a news conference in Copenhagen to unveil the report, the United Nations secretary general, Ban Ki-moon, appealed for strong action in Lima.

“Science has spoken. There is no ambiguity in their message,” Mr. Ban said. “Leaders must act. Time is not on our side.”

Yet there has been no sign that national leaders are willing to discuss allocating the trillion-ton emissions budget among countries, an approach that would confront the problem head-on, but also raise deep questions of fairness. To the contrary, they are moving toward a relatively weak agreement that would essentially let each country decide for itself how much effort to put into limiting global warming, and even that document would not take effect until 2020.

“If they choose not to talk about the carbon budget, they’re choosing not to address the problem of climate change,” said Myles R. Allen, a climate scientist at Oxford University in Britain who helped write the new report. “They might as well not bother to turn up for these meetings.”

The Intergovernmental Panel on Climate Change is a scientific body appointed by the world’s governments to advise them on the causes and effects of global warming, and potential solutions. The group, along with Al Gore, was awarded the Nobel Peace Prize in 2007 for its efforts to call attention to the climate crisis.

The new report is a 175-page synopsis of a much longer series of reports that the panel has issued over the past year. It is the final step in a five-year effort by the body to analyze a vast archive of published climate research.

It is the fifth such report from the group since 1990, each finding greater certainty that the climate is warming and that human activities are the primary cause.

“Human influence has been detected in warming of the atmosphere and the ocean, in changes in the global water cycle, in reductions in snow and ice, and in global mean sea-level rise; and it is extremely likely to have been the dominant cause of the observed warming since the mid-20th century,” the report said.

A core finding of the new report is that climate change is no longer a distant threat, but is being felt all over the world. “It’s here and now,” Rajendra K. Pachauri, the chairman of the panel, said in an interview. “It’s not something in the future.”

The group cited mass die-offs of forests, such as those killed by heat-loving beetles in the American West; the melting of land ice virtually everywhere in the world; an accelerating rise of the seas that is leading to increased coastal flooding; and heat waves that have devastated crops and killed tens of thousands of people.

The report contained the group’s most explicit warning yet about the food supply, saying that climate change had already become a small drag on overall global production, and could become a far larger one if emissions continued unchecked.

A related finding is that climate change poses serious risks to basic human progress, in areas such as alleviating poverty. Under the worst-case scenarios, factors like high food prices and intensified weather disasters would most likely leave poor people worse off. In fact, the report said, that has already happened to a degree.

In Washington, the Obama administration welcomed the report, with the president’s science adviser, John P. Holdren, calling it “yet another wake-up call to the global community that we must act together swiftly and aggressively in order to stem climate change and avoid its worst impacts.”

The administration is pushing for new limits on emissions from American power plants, but faces stiff resistance in Congress and some states.

Michael Oppenheimer, a climate scientist at Princeton University and a principal author of the new report, said that a continuation of the political paralysis on emissions would leave society depending largely on luck.

If the level of greenhouse gases were to continue rising at a rapid pace over the coming decades, severe effects would be avoided only if the climate turned out to be far less sensitive to those gases than most scientists think likely, he said.

“We’ve seen many governments delay and delay and delay on implementing comprehensive emissions cuts,” Dr. Oppenheimer said. “So the need for a lot of luck looms larger and larger. Personally, I think it’s a slim reed to lean on for the fate of the planet.”

Amazônia já está entrando em pane, afirma cientista (Folha de S.Paulo)

Seca no Sudeste pode estar ligada ao desmate e à degradação da floresta

Com 20% da floresta desmatada outros 20% degradados, a floresta amazônica já começa a falhar em seu papel de regulação do clima da América do Sul, diz o biogeoquímico Antonio Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Veja a matéria na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/193261-amazonia-ja-esta-entrando-em-pane-afirma-cientista.shtml

(Rafael Garcia / Folha de S.Paulo)

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JC, 5055, 30 de outubro de 2014

Mudanças climáticas provocarão ‘impactos irreversíveis’ nos ecossistemas, dizem cientistas

Grupo que elabora relatório do IPCC destaca que os corais são a maior preocupação ambiental

Vinte e sete ecossistemas podem sofrer impactos “graves, invasivos e irreversíveis”, que atingirão seres humanos e outras espécies, se não forem tomadas providências imediatas contra o aumento de eventos extremos do clima. A maior preocupação são os corais, cuja presença não é muito marcante no Brasil. O tema marcou as discussões de 500 cientistas reunidos nesta quarta-feira em Copenhague, responsáveis por concluir nesta sexta o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Veja a matéria completa em: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/mudancas-climaticas-provocarao-impactos-irreversiveis-nos-ecossistemas-dizem-cientistas-14404015#ixzz3HdHQtJo2

(Renato Grandelle / O Globo)

Para IPCC, evitar aquecimento de 2°C ainda é possível (Folha de S.Paulo)

Desde segunda-feira, representantes de países debatem em Copenhague a redação final do 4º Relatório Síntese do IPCC

O último documento a ser produzido pelo painel do clima da ONU no ano deve adotar um tom menos pessimista com relação à possibilidade de o planeta evitar um acréscimo de temperatura superior a 2°C neste século, limite considerado perigoso.

Veja a matéria completa: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/193066-para-ipcc-evitar-aquecimento-de-2c-ainda-e-possivel.shtml

(Folha de S.Paulo)

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Ano de 2014 pode ser o mais quente da história do planeta

Meses de 2014, à exceção de fevereiro, tiveram as mais altas temperaturas desde 1880, quando começaram os relatórios da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica

Quem enfrentou o calor senegalês de janeiro, o inverno de araque em julho e um outubro com cara de verão sentiu na pele os sintomas de um planeta mais aquecido. Não foi uma simples sensação: de fato, é grande a possibilidade de 2014 desbancar 2010 e se tornar o ano mais quente da história, tanto em terra como nas superfícies dos oceanos.

A estimativa é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência americana de estudos meteorológicos que computa dados climáticos desde 1880. À exceção de fevereiro, todos os meses do ano até agora bateram recordes como os mais quentes de que se tem notícia.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/10/ano-de-2014-pode-ser-o-mais-quente-da-historia-do-planeta-4631023.html

(Zero Hora)

What’s next for climate science beyond the IPCC? (Sci Dev Net)

23/09/14

Audio

In lead to December’s 20th UN Conference of Parties on climate change, scientists and policymakers are reflecting on the future of climate science. Many are questioning whether the existing mechanisms that feed scientific evidence into international politics are working well enough.

In this interview Ilan Kelman argues that, despite its important work, the Intergovernmental Panel on Climate Change, with its consensus-based approach, is no longer suited to the new challenges posed by climate change.

How the IPCC is sharpening its language on climate change (The Carbon Brief)

01 Sep 2014, 17:40

Simon Evans

Barometer | Shutterstock

The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) is sharpening the language of its latest draft synthesis report, seen by Carbon Brief.

Not only is the wording around how the climate is changing more decisive, the evidence the report references is stronger too, when compared to the  previous version published in 2007.

The synthesis report, due to be published on 2 November, will wrap up the IPCC’s fifth assessment (AR5) of climate change. It will summarise and draw together the information in IPCC reports on the science of climate change, its  impacts and the  ways it can be addressed.

We’ve compared a draft of the synthesis report with that published in 2007 to find out how they compare. Here are the key areas of change.

Irreversible impacts are being felt already

The AR5 draft synthesis begins with a decisive statement that human influence on the climate is “clear”, that recent emissions are the highest in history and that “widespread and consequential impacts” are already being felt.

This opening line shows how much has changed in the way the authors present their findings. In contrast, the 2007 report opened with a discussion of scientific progress and an extended paragraph on definitions.

There are also a couple of clear thematic changes in the 2014 draft. The first, repeated frequently throughout, is the idea that climate change impacts are already being felt.

For instance it says that the height of coastal floods has already increased and that climate-change-related risks from weather extremes such as heatwaves and heavy rain are “already moderate”.

These observations are crystallised in a long section on Article 2 of the UN’s climate change convention, which has been signed by every country of the world. Article 2 says that the objective of the convention is to avoid dangerous climate change.

The AR5 draft implies the world may already have failed in this task:

“Depending on value judgements and specific circumstances, currently observed impacts might already be considered dangerous for some communities.”

The second theme is a stronger emphasis on irreversible impacts compared to the 2007 version. The 2014 draft says:

“Continued emission of greenhouse gases will cause further warming and long-lasting changes in all components of the climate system, increasing the likelihood of severe, pervasive and irreversible impacts for people and ecosystems.”

It says that a large fraction of warming will be irreversible for hundreds to thousands of years and that the Greenland ice sheet will be lost when warming reaches between one and four degrees above pre-industrial temperatures. Current warming since pre-industrial times is about 0.8 degrees celsius.

In effect the report has switched tense from future conditional (“could experience”) to present continuous (“are experiencing”).  For instance it says there are signs that some corals and Arctic ecosystems “are already experiencing irreversible regime shifts” because of warming.

Stronger evidence than before

As well as these thematic changes in the use of language, the AR5 synthesis comes to stronger conclusions in many other areas.

This is largely because the scientific evidence has solidified in the intervening seven years, the IPCC says.

We’ve drawn together a collection of side-by-side statements so you can see for yourself how the conclusions have changed. Some of the shifts in language are subtle – but they are significant all the same.

IPCC Table With Logo

Source: IPCC AR4 Synthesis Report, draft AR5 Synthesis Report

Climate alarmism or climate realism?

The authors of the latest synthesis report seem to have made an effort to boost the impact of their words. They’ve used clearer and more direct language along with what appears to be a stronger emphasis on the negative consequences of inaction.

The language around relying on adaptation to climate change has also shifted. It now more clearly emphasises the need for mitigation to cut emissions, if the worst impacts of warming are to be avoided.

Some are bound to read this as an unwelcome excursion into advocacy. But others will insist it is simply a case of better presenting the evidence that was already there, along with advances in scientific knowledge.

Government representatives have the chance to go over the draft AR5 synthesis report with a fine toothcomb when they meet during 27-31 October.

Will certain countries try to tone down the wording, as they have been accused of doing in the past? Or will the new, more incisive language make the final cut?

To find out, tune in on 2 November when the final synthesis report will be published.

Climate change: IPCC must consider alternate policy views, researchers say (Science Daily)

Date: July 7, 2014

Source: Princeton University, Woodrow Wilson School of Public and International Affairs

Summary: The Summary for Policymakers recently produced by the Intergovernmental Panel on Climate Change has triggered a public debate about excessive governmental intrusion in the IPCC process. The IPCC cannot avoid alternative political interpretations of data and must involve policy makers in finding out how to address these implications, according to a team of researchers.

 In addition to providing regular assessments of scientific literature, the Intergovernmental Panel on Climate Change Process (IPCC) also produces a “Summary for Policymakers” intended to highlight relevant policy issues through data.

While the summary presents powerful scientific evidence, it goes through an approval process in which governments can question wording and the selection of findings but not alter scientific facts or introduce statements at odds with the science. In particular, during this process, the most recent summary on mitigation policies was stripped of several important figures and paragraphs that were in the scientists’ draft, leading some IPCC scientists to express concerns about excessive political intrusion.

Delicate issues of political interpretation cannot be avoided, wrote three IPCC authors in the journalScience. In their analysis, the team — which includes Marc Fleurbaey from Princeton University’s Woodrow Wilson School of Public and International Affairs — uses global emissions data to show how multiple political interpretations can be made from the same dataset. They argue that the IPCC should consider a writing process that better connects scientific findings with multiple political outcomes.

“The IPCC should consider opening up more channels for dialogue in which salient political discussions are connected to relevant scientific material,” said the article’s co-author Marc Fleurbaey, the Robert E. Kuenne Professor in Economics, Humanistic Studies and Public Affairs. “Such a collaboration or coproduction is what lends the IPCC its credibility as the voice of scientists — but with more weight for policy.”

While the IPCC undoubtedly produces the most up-to-date, comprehensive scientific reports on climate change, its approval process has become tediously extensive. As the panel embarks upon its sixth assessment, those involved have been working toward streamlining the process.

In their review, Fleurbaey and his co-authors — Navroz Dubash from the Centre for Policy Research in India and Sivan Kartha from the Stockholm Environment Institute — write that this approval process sets the IPCC apart from other technical reports. Instead of changing the approval process, they suggest an alternate vision for articulating science and policy at the IPCC.

To illustrate their vision, the researchers analyzed global emissions by reviewing income growth across countries, a key driver of emissions growth. When looking at income, countries are sometimes grouped into such categories as lower-income, lower-middle income, upper-middle income and high-income. The trouble, however, is that some countries are rapidly changing in terms of income, which elides relevant information. Likewise, a few big countries can dominate the statistics, and the time reference used for grouping them also can lead to large differences.

When global emissions are analyzed according to groupings based on current income figures, upper-middle income countries account for 75 percent of the rise in global emissions from 2000 to 2010. This presentation of data was deleted from the recent summary report. A political interpretation of this, Fleurbaey and his collaborators write, may be that country groupings should reflect the increasing role of upper-middle income countries and perhaps impose commensurate emission limits.

However, when grouping countries according to their income in the middle of the decade (2005), global emissions rose three quarters in lower-middle income countries, a change due in part to the fact that China joined the upper-middle income group in 2010 only. This presentation highlighting lower-middle income countries may suggest supporting these countries financially and technologically in developing lower carbon economies.

“As you can see, both representations would be equally faithful to the underlying data, but they are also equally synthetic and incomplete, and they differ markedly in their political extrapolations,” said Fleurbaey. “It’s hard to accurately group these countries without imposing political perceptions, and analysis by country groups is highly sensitive in the current context of the renegotiation of the groups defined in the Kyoto protocol.”

As an illustration that more positive outcomes can be obtained from governmental dealings, the authors report that some sections benefited from the approval process, as they were eventually expanded and clarified by additional explanations. For example, the framing section of the summary, which was taken up for discussion early in the approval process, achieved a smooth convergence between the authors and country delegates.

On the flip side, the international cooperation section was much shortened, simplified and seemingly stripped of controversy. This section had much less time allowed for discussion and was examined in a contentious atmosphere after the removal of several figures involving country groupings.

Fellow IPCC author Michael Oppenheimer, the Albert G. Milbank Professor of Geosciences and International Affairs in the Woodrow Wilson School and Department of Geosciences, who was not an author of the Science article, fully supported its position.

“IPCC, and attempts to solve the climate problem, would benefit immensely from a strengthening of the science-policy interface,” Oppenheimer said. “Proposals to completely separate the science and policy functions are simply wrong-headed and self-defeating. This collaboration is what makes IPCC unique and uniquely effective”

“Seemingly technical choices can crystallize into value-laden political conclusions, particularly given tight word and time limits,” said Fleurbaey. “It is more productive for authors to be aware of the varying political implications and factor these into their representations of data.”

Journal Reference:
  1. N. K. Dubash, M. Fleurbaey, S. Kartha. Political implications of data presentationScience, 2014; 345 (6192): 36 DOI: 10.1126/science.1255734

Relatório do IPCC sugere adaptação baseada em ecossistemas (Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4923, de 31 de março de 2014

Modelo adotado no Brasil e região foi indicado como alternativa a infraestutura cara

Além das recomendações usuais para que os países invistam mais em infraestrutura para aumentar sua resiliência às mudanças climáticas, no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado neste domingo, 30, ganhou espaço uma alternativa mais barata que pode, em alguns locais, conseguir efeitos parecidos: a adaptação baseada em ecossistemas.

O tema aparece em maior ou menor profundidade em cerca de metade dos capítulos e teve destaque especial no capítulo regional de América Central e do Sul, onde técnicas como criação de áreas protegidas, acordos para conservação e manejos comunitários de áreas naturais estão sendo testadas.

Mas o que isso tem a ver com adaptação? De acordo com o ecólogo Fabio Scarano, da Conservação Internacional, e um dos autores do capítulo, a ideia é fortalecer serviços ecossistêmicos que são fundamentais. Um ambiente bem preservado tem a capacidade de prover um clima estável, o fornecimento de água, a presença de polinizadores. “Como se fosse uma infraestrutura da própria natureza”, diz.

Como premissa, está a conservação da natureza aliada ao incentivo do seu uso sustentável – a fim também de evitar a pobreza, que é um dos principais motores da vulnerabilidade de populações.

“Normalmente quando se fala em adaptação se pensa na construção de grandes estruturas, como um dique, por exemplo, para evitar uma inundação. O que em geral é muito caro, mas em uma adaptação baseada em ecossistemas, conservar a natureza e usá-la bem é uma forma de diminuir a vulnerabilidade das pessoas às mudanças climáticas”, afirma.

Ele cita como exemplo uma região costeira em que o mangue tenha sido degradado. “Esse ecossistema funciona como uma barreira. Em um cenário de ressacas mais fortes, elevação do nível do mar, a costa vai ficar mais vulnerável, será necessário construir diques. Mas se mantém o mangue em pé e se oferece um auxílio para que as pessoas possam ter uma economia básica desse mangue, com técnicas mais sustentáveis, e elas recebam para mantê-lo assim, vai ser mais barato do que depois ter de fazer um dique.”

Segundo o pesquisador, para ser mais resiliente é importante acabar com a pobreza e preservar a natureza. “Se for possível ter os dois, a gente consegue o tão falado desenvolvimento sustentável”, opina.

(Giovana Girardi / Estado de S.Paulo)
http://www.estadao.com.br/noticias/vida,relatorio-do-ipcc-sugere-adaptacao-baseada-em-ecossistemas,1147134,0.htm

Outras matérias sobre o assunto:

O Globo
Painel da ONU apresenta medidas contra aquecimento global
http://oglobo.globo.com/ciencia/painel-da-onu-apresenta-medidas-contra-aquecimento-global-12038245#ixzz2xXy60bbZ

Valor Econômico
Mudança do clima afeta a todos e está acontecendo agora, alerta IPCC
http://www.valor.com.br/internacional/3500174/mudanca-do-clima-afeta-todos-e-esta-acontecendo-agora-alerta-ipcc#ixzz2xYAtWVsg

Influência humana é clara no aquecimento “inequívoco” do planeta, diz IPCC (Portal Terra)

JC e-mail 4885, de 31 de janeiro de 2014

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulga primeira parte de estudo sobre aumento da temperatura no globo e afirma que últimas três décadas foram sucessivamente mais quentes que qualquer outra desde 1850.

O aquecimento do planeta é “inequívoco”, a influência humana no aumento da temperatura global é “clara”, e limitar os efeitos das mudanças climáticas vai requerer reduções “substanciais e sustentadas” das emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou nesta quinta-feira (30/01), em Genebra, a primeira parte do quinto relatório sobre o tema.

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes. “A continuidade das emissões vai continuar causando mudanças e aquecimento em todos os componentes do sistema climático”, afirmou Thomas Stocker, coordenador e principal autor da Parte 1 do quinto Relatório sobre Mudanças Climáticas, cuja versão preliminar já foi apresentada em setembro de 2013.

O documento serviu de base durante a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre o Clima em Varsóvia, na Polônia, no final do ano passado. Em 1500 páginas, cientistas de todo o mundo se debruçaram sobre as bases físicas das mudanças climáticas, apoiados em mais de 9 mil publicações científicas.

“O relatório apresenta informações sobre o que muda no clima, os motivos para as mudanças e como ele vai mudar no futuro”, disse Stocker.

Correções
A versão final divulgada nesta quinta é um texto revisado e editado e não tem muitas mudanças em relação ao documento apresentado em setembro do ano passado, que elevou o alerta pelo aquecimento global e destacou a influência da ação humana no processo.

“A influência humana no clima é clara”, afirma o texto. “Ela foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, nas mudanças nos ciclos globais de precipitação, e nas mudanças de alguns extremos no clima.”

Segundo o IPCC, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas no clima não tiveram precedentes nas décadas de milênios anteriores. “A atmosfera e os oceanos estão mais quentes, o volume de neve e de gelo diminuíram, os níveis dos oceanos subiram e a concentração de gases poluentes aumentou”, diz um resumo do documento.

“Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre que qualquer década desde 1850. No hemisfério norte, o período entre 1983 e 2012 provavelmente foi o intervalo de 30 anos mais quente dos últimos 800 anos”, prossegue.

Aquecimento dos oceanos
O grupo de cientistas também lembra que o aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia acumulada no sistema climático, e que os mares são responsáveis por mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010.

“É praticamente certo que o oceano superior (até 700m de profundidade) aqueceu neste período, enquanto é apenas provável que tenha acontecido o mesmo entre 1870 e 1970”, diz o relatório.

O nível dos mares também aumentou mais desde meados do século 20 que durante os dois milênios anteriores, segundo estima o IPCC. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos teria aumentado cerca de 20 centímetros, diz o documento.

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e protóxido de nitrogênio (conhecido como gás hilariante) aumentaram, principalmente por causa da ação humana. Tais aumentos se devem especialmente às emissões oriundas de combustíveis fósseis. Os oceanos, por exemplo, sofrem acidificação por absorver uma parte do CO2 emitido.

Futuro sombrio
A temperatura global deverá ultrapassar 1,5ºC até o final deste século em comparação com níveis estimados entre 1850 e 1900. O aquecimento global também deverá continuar além de 2100, mas não será uniforme, dizem os cientistas do clima. As mudanças nos ciclos da água no mundo também não serão homogêneos neste século, e o contraste entre regiões secas e úmidas e regiões de seca e de chuvas deverá aumentar.

O resumo do texto ainda constata que a acumulação de emissões de CO2 deverá ser determinante para o aquecimento global no final do século 21 e adiante. “A maioria dos efeitos das mudanças climáticas deverão perdurar por vários séculos, mesmo com o fim das emissões.”

Até outubro, o IPCC ainda vai publicar mais duas partes do relatório e também um documento final. A segunda parte será divulgada em março, no Japão, e detalhará os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade a mudanças climáticas. Em abril, Berlim será palco das conclusões do IPCC sobre mitigação.

(Portal Terra)

IPCC: próximos 15 anos serão vitais para frear aquecimento global (CarbonoBrasil)

20/1/2014 – 12h54

por Jéssica Lipinski , do CarbonoBrasil

secawiki 300x204 IPCC: próximos 15 anos serão vitais para frear aquecimento global

Foto: Wikimedia commons

Rascunho do novo relatório da entidade afirma que evitar as piores consequências das mudanças climáticas custará até 4% da produção econômica mundial, valor que aumentará se demorarmos para agir.

Diversos veículos da imprensa internacional divulgaram nos últimos dias dados do próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que será publicado oficialmente apenas em abril.

De acordo com essas informações, o que o IPCC destaca é que a menos que o mundo aja agora para frear as emissões de gases do efeito estufa (GEEs), os efeitos negativos do aquecimento global representarão enormes desafios para a humanidade ainda neste século, tornando-se cada vez mais caros e difíceis de serem resolvidos.

Segundo o documento, manter o aquecimento global dentro de limites considerados toleráveis, algo perto de dois graus Celsius, vai exigir investimentos bilionários, grandes reduções nas emissões de GEEs e soluções tecnológicas caras e complexas para retirar tais gases da atmosfera.

Tudo isso deve ser feito nos próximos 15 anos, caso contrário será ainda mais difícil lidar com a questão. “Adiar a mitigação até 2030 aumentará os desafios… e reduzirá as opções”, alerta o sumário do relatório.

O estudo aponta que uma das principais razões para o aumento das emissões é o crescimento econômico baseado na queima de fontes de energia fóssil, como o carvão e o petróleo, atividade que estima-se que deve crescer nas próximas décadas.

Por isso, a pesquisa indica que as emissões de dióxido de carbono devem ser reduzidas de 40% a 70% até 2050 para que a meta de dois graus Celsius de aquecimento estipulada pela ONU seja atendida.

Isso significa que os governos terão que apoiar e utilizar uma série de tecnologias para retirar o CO2 da atmosfera, como a captura e armazenamento de carbono (CCS) e o plantio de mais florestas.

O relatório também sugere que, para limitar o aquecimento global de forma significativa, serão necessários investimentos da ordem de US$ 147 bilhões por ano até 2029 em fontes de energia alternativa, como eólica, solar e nuclear.

Ao mesmo tempo, investimentos em energias fósseis teriam que cair em US$ 30 bilhões por ano, enquanto bilhões de dólares anuais teriam que ser gastos na melhoria da eficiência energética em setores importantes como transporte, construção e indústria.

O documento, contudo, afirma que o caminho para mitigar as mudanças climáticas não será nada fácil, visto que vai em direção contrária do que está acontecendo atualmente. De acordo com o estudo, as emissões globais subiram, em média, 2,2% ao ano entre 2000 e 2010, quase o dobro em relação ao ritmo do período de 1970 a 2000, que era de 1,3% ao ano.

“A crise econômica global em 2007-2008 reduziu as emissões temporariamente, mas não mudou a tendência”, diz o relatório.

Além disso, o combate ao aquecimento global custaria 4% da produção econômica mundial, e exigiria uma diminuição gradativa no consumo de bens e serviços: entre 1% e 4% até 2030, entre 2% e 6% até 2050 e entre 2% e 12% até 2100.

“Sem esforços explícitos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, os fatores fundamentais do crescimento das emissões devem persistir”, afirma o estudo.

Outro problema que a pesquisa aponta é que as emissões de países desenvolvidos estão sendo transferidas para nações emergentes, ou seja, a suposta redução de emissões de alguns países ricos é na verdade menor do que se imagina.

Desde 2000, as emissões de carbono para China e outras economias emergentes mais do que dobrou para quase 14 gigatoneladas por ano, mas destas, cerca de duas gigatoneladas foram da produção de bens para a exportação.

“Uma parcela crescente das emissões de CO2 da queima de combustíveis fósseis em países em desenvolvimento é liberada da produção de bens e serviços exportados, principalmente de países de renda média-alta para países de renda alta”, colocou o documento.

Esse estudo é o terceiro documento da quinta avaliação do IPCC sobre o que se sabe sobre as causas, efeitos e futuro das mudanças climáticas.

Em setembro de 2013, o painel divulgou a primeira parte da avaliação, que confirma com 95% de certeza a influência humana sobre o aquecimento global.

O segundo relatório, sobre os impactos das mudanças climáticas, será concluído e divulgado em março, no Japão. Este terceiro será finalizado e divulgado em abril, na Alemanha. Um documento final, sintetizando as três partes, deve ser lançado em outubro deste ano.

Os cientistas do painel concordaram em comentar o estudo assim que ele estiver finalizado. “É um trabalho em progresso, e estamos ansiosos para discuti-lo quando ele for finalizado, em abril”, observou Jonathan Lynn, porta-voz do IPCC, em uma entrevista por telefone à Bloomberg.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Um balanço da primeira semana da COP19 (Vitae Civilis)

Ambiente
18/11/2013 – 09h10

por Délcio Rodrigues e Silvia Dias*

cop19 ecod 300x183 Um balanço da primeira semana da COP19

Ao fim da primeira semana da CoP19, a sensação de dejá vú é inevitável. Mais uma vez, o negociador filipino foi o responsável pelo discurso mais emocionante. Mais uma vez, o Germanwatch divulga que os países pobres são os mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos. Mais uma vez, aliás, temos um evento climático vitimando milhares de pessoas enquanto acontece a conferência. Mais uma vez, temos a divulgação de que estamos vivendo os anos mais quentes da história recente do planeta, de que a quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera já está em níveis alarmantes, de que o certo seria deixar as reservas de combustíveis fósseis intocadas…

Mesmo o novo relatório do IPCC chega com um certo gosto de notícia velha. Pois apesar da maior gama de detalhes e da maior certeza científica, basicamente o AR5 confirma que estamos seguindo em uma trajetória que esgotará já em 2030 todo o carbono que poderemos queimar neste século sem alterar perigosamente o clima do planeta. Da mesma forma, a Agência Internacional de Energia (IEA) confirma o exposto por uma forte campanha feita na CoP18 contra os subsídios aos combustíveis fósseis. Segundo a IEA, os governos gastaram US$ 523 bilhões em subsídios aos combustíveis fósseis em 2011 – uma completa inversão de prioridades, do ponto de vista da mudança climática: para cada US$ 1 em apoio às energias renováveis​​, outros US$ 6 estão promovendo combustíveis intensivos em carbono. Parte dos subsídios aos combustíveis fósseis estão acontecendo em países emergentes e em desenvolvimento, haja vista os subsídios à gasolina impostos pelo governo brasileiro à Petrobrás. Mas talvez sejam mais importantes nos países ricos. Pesquisa do Overseas Development Institute, do Reino Unido, mostrou que os subsídios ao consumo de combustíveis fósseis em 11 países da OCDE alcançam o total de US$ 72 bilhões dólares, ou cerca de US$ 112 por habitante adulto destes países.

Essa perversidade econômica estrangula, no nascimento, as inovações tecnológicas que podem contribuir para evitarmos a colisão iminente entre a economia global (e o seu sistema energético) e os limites ecológicos do nosso planeta. Os recentes desenvolvimentos em energia eólica, solar, bio-combustíveis , geotermia, marés, células de combustível e eficiência energética estão aumentando as possibilidades de construção de um cenário energético de baixo carbono. Além de poderem afastar a crise climática, estas tecnologias poderiam abrir novas oportunidades de investimento, fornecer energia a preços acessíveis e sustentar o crescimento. Mas este potencial somente será realizado se os governos perseguirem ativamente políticas industriais sustentáveis. É necessário alinhar o objetivo de mitigação da crise climática com desincentivos para as fontes de energia intensivas em carbono por meio de impostos e apoio a alternativas sustentáveis.

O fim dos subsídios aos combustíveis fósseis precisa ser acompanhado por políticas que favoreçam a transferência de tecnologias limpas. Não podemos deixar de lado o exemplo da China, da Índia e também do Brasil, para onde multinacionais historicamente enviam plataformas de produção sujas e energo-intensivas. Infelizmente, as negociações sobre tecnologia estão entre as mais emperradas – tanto no formato anterior, estabelecido pelo Caminho de Bali, como agora, na chamada Plataforma Durban. Simultaneamente, tomamos conhecimento, pelo WikiLeaks, da Parceria Trans-Pacífica (TPP) referente a patentes e proteção intelectual – acordo que vem sendo negociado secretamente entre líderes de 12 países que concentram 40% do PIB e um terço do comércio global e que visa impor medidas mais agressivas para coibir a quebra de propriedade intelectual.

A discrepância entre o que a ciência recomenda e o que os governos estão promovendo permanece, independente do formato das negociações climáticas. Saímos dos dois trilhos estabelecidos em Bali para a Plataforma Durban, mas os compromissos financeiros ou metas mais agressivas de mitigação não vieram. Na primeira semana da CoP19, os discursos dos negociadores reviveram posicionamentos arcaicos e obstrutivos ao processo. Sim, é certo que já sabíamos que esta não seria uma conferência de grandes resultados. Mas o fato é que os bad guys resolveram ser realmente bad sob a condução complacente de uma presidência que não se constrange em explicitar sua conduta em prol do carvão e demais combustíveis fósseis. Tanto que a Rússia abriu mão de atravancar o processo, guardando suas queixas sobre o processo da UNFCCC para outra ocasião.

Esta outra ocasião pode ser a CoP20, no Peru, para onde as esperanças de negociações mais produtivas se voltam. Antes, porém, haverá a cúpula de Ban Ki Moon, para a qual as lideranças dos países estão convidadas. O objetivo é gerar a sensibilidade política que faltou em Copenhague e tentar definir metas antes da reta derradeira do acordo, em Paris. Esse encontro deve ser precedido e seguido de várias reuniões interseccionais para que os delegados avancem na costura do acordo e para que os itens críticos, como metas de mitigação e financiamento, comecem a adquirir contornos mais concretos.

Em outras palavras, uma agenda consistente de reuniões e o compromisso para apresentar metas no ano que vem são o melhor resultado que podemos esperar de uma conferência que corre o risco de entrar para a História como a CoP do carvão.

Délcio Rodrigues é especialista em Mudanças Climáticas do Vitae Civilis. Silvia Dias, membro do Conselho Deliberativo do Vitae Civilis, acompanha as negociações climáticas desde 2009.

Eight examples of where the IPCC has missed the mark on its predictions and projections (The Daily Climate)

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A “king tide” leaves parts of Sausalito, Calif., flooded in 2010. Disagreement over the impact of ice-sheet melting on sea-level rise has led the Intergovernmental Panel on Climate Change to omit their influence – and thus underestimate sea-level rise – in recent reports, a pattern the panel repeats with other key findings. Photo by Yanna B./flickr.

Dec. 6, 2012

Correction appended

By Glenn Scherer
The Daily Climate

Scientists will tell you: There are no perfect computer models. All are incomplete representations of nature, with uncertainty built into them. But one thing is certain: Several fundamental projections found in Intergovernmental Panel on Climate Change reports have consistently underestimated real-world observations, potentially leaving world governments at doubt as to how to guide climate policy.

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Emissions

At the heart of all IPCC projections are “emission scenarios:” low-, mid-, and high-range estimates for future carbon emissions. From these “what if” estimates flow projections for temperature, sea-rise, and more.

Projection: In 2001, the IPCC offered a range of fossil fuel and industrial emissions trends, from a best-case scenario of 7.7 billion tons of carbon released each year by 2010 to a worst-case scenario of 9.7 billion tons.

Reality: In 2010, global emissions from fossil fuels alone totaled 9.1 billion tons of carbon, according to federal government’s Earth Systems Research Laboratory.

Why the miss? While technically within the range, scientists never expected emissions to rise so high so quickly, said IPCC scientist Christopher Fields. The IPCC, for instance, failed to anticipate China’s economic growth, or resistance by the United States and other nations to curbing greenhouse gases.

“We really haven’t explored a world in which the emissions growth rate is as rapid as we have actually seen happen,” Fields said.

Temperature

IPCC models use the emission scenarios discussed above to estimate average global temperature increases by the year 2100.

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Projection: The IPCC 2007 assessment projected a worst-case temperature rise of 4.3° to 11.5° Fahrenheit, with a high probability of 7.2°F.

Reality: We are currently on track for a rise of between 6.3° and 13.3°F, with a high probability of an increase of 9.4°F by 2100, according to the Massachusetts Institute of Technology. Other modelers are getting similar results, including a study published earlier this month by the Global Carbon Project consortium confirming the likelihood of a 9ºF rise.

Why the miss? IPCC emission scenarios underestimated global CO2 emission rates, which means temperature rates were underestimated too. And it could get worse: IPCC projections haven’t included likely feedbacks such as large-scale melting of Arctic permafrost and subsequent release of large quantities of CO2 and methane, a greenhouse gas 20 times more potent, albeit shorter lived, in the atmosphere than carbon dioxide.

Arctic Meltdown

Five years ago, the summer retreat of Arctic ice wildly outdistanced all 18 IPCC computer models, amazing IPCC scientists. It did so again in 2012.

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Projection: The IPCC has always confidently projected that the Arctic ice pack was safe at least until 2050 or well beyond 2100.

Reality: Summer ice is thinning faster than every climate projection, and today scientists predict an ice-free Arctic in years, not decades. Last summer, Arctic sea ice extent plummeted to 1.32 million square miles, the lowest level ever recorded – 50 percent below the long-term 1979 to 2000 average.

Why the miss? For scientists, it is increasingly clear that the models are under-predicting the rate of sea ice retreat because they are missing key real-world interactions.

“Sea ice modelers have speculated that the 2007 minimum was an aberration… a matter of random variability, noise in the system, that sea ice would recover.… That no longer looks tenable,” says IPCC scientist Michael Mann. “It is a stunning reminder that uncertainty doesn’t always act in our favor.”

Ice Sheets

Greenland and Antarctica are melting, even though IPCC said in 1995 that they wouldn’t be.

Projection: In 1995, IPCC projected “little change in the extent of the Greenland and Antarctic ice sheets… over the next 50-100 years.” In 2007 IPCC embraced a drastic revision: “New data… show[s] that losses from the ice sheets of Greenland and Antarctica have very likely contributed to sea level rise over 1993 to 2003.”

Today, ice loss in Greenland and Antarctica is trending at least 100 years ahead of projections compared to IPCC’s first three reports.

Reality: Today, ice loss in Greenland and Antarctica is trending at least 100 years ahead of projections compared to IPCC’s first three reports.

Why the miss? “After 2001, we began to realize there were complex dynamics at work – ice cracks, lubrication and sliding of ice sheets,” that were melting ice sheets quicker, said IPCC scientist Kevin Trenberth. New feedbacks unknown to past IPCC authors have also been found. A 2012 study, for example, showed that the reflectivity of Greenland’s ice sheet is decreasing, causing ice to absorb more heat, likely escalating melting.

Sea-Level Rise

The fate of the world’s coastlines has become a classic example of how the IPCC, when confronted with conflicting science, tends to go silent.

Projection: In the 2001 report, the IPCC projected a sea rise of 2 millimeters per year. The worst-case scenario in the 2007 report, which looked mostly at thermal expansion of the oceans as temperatures warmed, called for up to 1.9 feet of sea-level-rise by century’s end.

Today: Observed sea-level-rise has averaged 3.3 millimeters per year since 1990. By 2009, various studies that included ice-melt offered drastically higher projections of between 2.4 and 6.2 feet sea level rise by 2100.

Why the miss? IPCC scientists couldn’t agree on a value for the contribution melting Greenland and Antarctic ice sheets would add to sea-level rise. So they simply left out the data to reach consensus. Science historian Naomi Oreskes calls this – one of IPCC’s biggest underestimates – “consensus by omission.”

Ocean Acidification

To its credit, the IPCC admits to vast climate change unknowns. Ocean acidification is one such impact.

Projection: Unmentioned as a threat in the 1990, 1995 and 2001 IPCC reports. First recognized in 2007, when IPCC projected acidification of between 0.14 and 0.35 pH units by 2100. “While the effects of observed ocean acidification on the marine biosphere are as yet undocumented,” said the report, “the progressive acidification of oceans is expected to have negative impacts on marine shell-forming organisms (e.g. corals) and their dependent species.”

Reality: The world’s oceans absorb about a quarter of the carbon dioxide humans release annually into the atmosphere. Since the start of the Industrial Revolution, the pH of surface ocean waters has fallen by 0.1 pH units. Since the pH scale is logarithmic, this change represents a stunning 30 percent increase in acidity.

Why the miss? Scientists didn’t have the data. They began studying acidification by the late 1990s, but there weren’t many papers on the topic until mid-2000, missing the submission deadline for IPCC’s 2001 report. Especially alarming are new findings that ocean temperatures and currents are causing parts of the seas to become acidic far faster than expected, threatening oysters and other shellfish.

National Oceanic and Atmospheric Administration chief Jane Lubchenco has called acidification the “equally evil twin” to global warming.

Thawing Tundra

Some carbon-cycle feedbacks that could vastly amplify climate change – especially a massive release of carbon and methane from thawing permafrost – are extremely hard to model.

Projection: In 2007, IPCC reported with “high confidence” that “methane emissions from tundra… and permafrost have accelerated in the past two decades, and are likely to accelerate further.” However, the IPCC offered no projections regarding permafrost melt.

Reality: Scientists estimate that the world’s permafrost holds 1.5 trillion tons of frozen carbon. That worries scientists: The Arctic is warming faster than anywhere else on earth, and researchers are seeing soil temperatures climb rapidly, too. Some permafrost degradation is already occurring.

Large-scale tundra wildfires in 2012 added to the concern.

Why the miss? This is controversial science, with some researchers saying the Arctic tundra is stable, others saying it will defrost only over long periods of time, and still more convinced we are on the verge of a tipping point, where the tundra thaws rapidly and catastrophically. A major 2005 study, for instance, warned that the entire top 11 feet of global permafrost could disappear by century’s end, with potentially cataclysmic climate impacts.

The U.N. Environmental Programme revealed this week that IPCC’s fifth assessment, due for release starting in September, 2013, will again “not include the potential effects of the permafrost carbon feedback on global climate.”

Tipping points

The IPCC has been silent on tipping points – non-linear “light switch” moments when the climate system abruptly shifts from one paradigm to another.

The trouble with tipping points is they’re hard to spot until you’ve passed one.

Projection: IPCC has made no projections regarding tipping-point thresholds.

Reality: The scientific jury is still out as to whether we have reached any climate thresholds – a point of no return for, say, an ice-free Arctic, a Greenland meltdown, the slowing of the North Atlantic Ocean circulation, or permanent changes in large-scale weather patterns like the jet stream, El Niño or monsoons. The trouble with tipping points is they’re hard to spot until you’ve passed one.

Why the miss? Blame the computers: These non-linear events are notoriously hard to model. But with scientists recognizing the sizeable threat tipping points represent, they will be including some projections in the 2013-14 assessment.

Correction (Dec. 6, 2012): Earlier editions incorrectly compared global carbon dioxide emissions against carbon emissions scenarios. Carbon dioxide is heavier, incorrectly skewing the comparison. Global use of fossil fuels in 2010 produced about 30 billion tons of carbon dioxide but only 9.1 tons of carbon, putting emissions within the extreme end of IPCC scenarios. The story has been changed to reflect that.

© Glenn Scherer, 2012. All rights reserved.

Graphic of emissions scenario courtesy U.S. Global Change Research Program. Photo of activist warning of 6ºC warming © Adela Nistora. Graphic showing Arctic summer ice projections vs. observations by the Vancouver Observer.

Glenn Scherer is senior editor of Blue Ridge Press, a news service that has been providing environmental commentary and news to U.S. newspapers since 2007.

DailyClimate.org is a foundation-funded news service covering climate change. Contact editor Douglas Fischer at dfischer [at] dailyclimate.org

Climate summit was a pathetic exercise in deceit (Globe and Mail)

Thomas Homer-Dixon
Last updated Monday, Dec. 12, 2011 10:01AM EST

It was an “emperor-has-no-clothes” moment. The 17-year-old youth delegate rose before the assembled participants at the Durban climate conference and looked them straight in the eye.

“I speak for more than half the world’s population,” declared Anjali Appadurai of Maine’s College of the Atlantic. “We are the silent majority. You’ve given us a seat in this hall, but our interests are not at the table. What does it take to get a stake in this game? Lobbyists? Corporate influence? Money?”

“You have been negotiating all of my life. In that time, you’ve failed to meet pledges, you’ve missed targets, and you’ve broken promises.”

Ms. Appadurai nailed it. There’s really only one label for the pathetic exercise we’ve just witnessed in South Africa: deceit. The whole climate-change negotiation process and the larger political discourse surrounding this horrible problem is a drawn-out and elaborate exercise in lying – to each other, to ourselves, and especially to our children. And the lies are starting to corrupt our civilization from inside out.

The climate negotiators lie to each other and the world when they claim the world can still limit the planet’s warming to two degrees Celsius above the pre-industrial average, the point at which many experts believe the risks from climate change rise sharply.

It’s a lie because we’ve already experienced 0.8 degrees warming, and we’ve got at least another 0.6 degrees on the way due to carbon already in the atmosphere. Given that global carbon dioxide emissions of about 35 billion tons each year are now growing at an average of 3 per cent a year – which means they’re doubling every 23 years – it’s virtually certain we’re going to use up the remaining 0.6 degrees of leeway. In fact, the emerging consensus among climate experts is that we’ll be lucky to limit warming to 4 degrees.

India, China, and Brazil lie to their own citizens when they claim that by blocking a climate deal they’re protecting the opportunity for their economies to develop. “Am I to write a blank cheque and sign away the livelihoods and sustainability of 1.2-billion Indians?” asked India’s environment minister, Jayanthi Natarajan.

But this choice is patently false, as senior officials of these countries surely know. It’s not a choice between a climate-change deal and economic development; it’s really a choice of both or neither. If we don’t reduce carbon emissions, the impacts of climate change will eventually devastate the economies of poor countries. Repeated failures of monsoons in India and China or the desiccation of the Amazon basin in Brazil will drive a stake through these countries’ economies. Dealing with climate change is a prerequisite for prosperity this century – for all people on this planet.

The Canadian federal government lies to Canadians when it says we can still meet the government’s stated target of a 17 per cent reduction of emissions below the country’s 2005 level by 2020. Given the projected growth in oil sands output and the Conservatives’ neglect of the climate change file, nobody in the know seriously believes such a target can be achieved.

And we lie to ourselves when we tell ourselves that fixing climate change is someone else’s responsibility, or that the science is too uncertain to justify action, or that we’ll find a technology to solve the problem when it gets serious enough, or that it simply costs too much to do anything.

But most of all we lie to our kids. We tell them we’ve got the climate problem under control, while we’ve actually lost control of it completely. Worse, we tell them that we’re protecting their options for the future, while we’re actually closing down those options to protect powerful political and economic vested interests in the present.

It took a 17-year-old to tell the truth. The rest of us, supposedly adults, should be ashamed.

Thomas Homer-Dixon is the director of the Waterloo Institute for Complexity and Innovation and is the CIGI Chair of Global Systems at the Balsillie School of International Affairs in Waterloo, Ont.

Avanço diplomático, atraso climático (O Globo)

JC e-mail 4403, de 12 de Dezembro de 2011.

A adesão de EUA, China e Índia é marco da COP-17. Mas cortes de CO2 ficam na promessa.

Quase dois dias depois do previsto, a reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas de Durban, na África do Sul, terminou na madrugada de ontem (11) sem que nenhum novo acordo com valor de lei fosse firmado. Nas 36 horas de prorrogação da cúpula, representantes de 194 países concordaram em estender o Protocolo de Kioto até 2017 e a dar início a negociações para a elaboração de um novo tratado global que só entraria em vigor em 2020. Para analistas, o resultado é uma vitória da diplomacia – uma vez que, pela primeira vez, EUA, China e Índia aceitaram negociar metas compulsórias -, mas um fracasso do ponto de vista climático. A Plataforma de Durban é um plano de ação para negociações futuras, mas representa um atraso concreto nos cortes de gases do efeito estufa.

Cientistas são praticamente unânimes em afirmar que para que o aumento da temperatura da Terra se mantenha no patamar dos 2° Celsius até o fim do século – acima da qual considera-se que haveria mudanças climáticas perigosas – um novo acordo global com metas obrigatórias de cortes de emissões já teria que entrar em vigor até o fim do ano que vem, quando o Protocolo de Kioto expiraria. Quase dez anos de espera para se ter metas compulsórias – “a década perdida”, como já a apelidaram ambientalistas – pode levar o aumento da temperatura planetária para a casa dos 3° Celsius a 4° Celsius, com consequências climáticas dramáticas.

A prorrogação do Protocolo de Kioto até 2017, por sua vez, é apenas simbólica. Com a saída de Rússia, Japão e Canadá do acordo (que nunca teve a adesão dos EUA, nem obrigações dos países em desenvolvimento), o protocolo, atualmente, cobre apenas 15% das emissões do planeta. Como, na melhor das hipóteses, o novo acordo só será implementado em 2020, tampouco se sabe que tratado estará em vigor entre 2017 e 2020.

Negociações formais começam em 2012 – Ainda assim, os participantes da reunião consideraram o acordo uma grande vitória da diplomacia. De fato, foi a primeira vez que Estados Unidos, China e Índia (os maiores emissores de CO2) concordaram em negociar a elaboração de um documento com metas compulsórias de corte de emissões – as negociações começariam já no ano que vem e se estenderiam até 2015. O Brasil, que está entre os cinco maiores emissores por conta do desmatamento, já havia concordado com o plano de intenções e teve papel crucial nas negociações. Se tudo der certo, será a primeira vez que o mundo terá um acordo global, com valor legal e o envolvimento de todos os países.

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi um desfecho “histórico”. A presidente Dilma Rousseff, informada do resultado pela ministra, se disse satisfeita com o resultado do encontro e elogiou a participação do Brasil.

“O documento é extraordinário. Ele lança um futuro de cooperação internacional, com condições para que se venha a ter no mesmo instrumento jurídico todos os países, abrindo uma nova era na luta contra a mudança do clima”, resumiu o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe da delegação brasileira.

Especialista da Coppe/UFRJ e integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, Suzana Kahn Ribeiro, tem uma visão diferente. “Se o objetivo dos negociadores era ter algum tipo de acordo, não deixar um vácuo, ok, então eu posso considerar que o encontro foi vitorioso. Agora, se a meta era ter uma solução para o aquecimento global, então a conferência foi um fracasso total. Temos um instrumento legal (Kioto) que não tem valor prático nenhum e um plano de intenções para 2020 puramente declaratório”, afirmou.

Assessor da prefeitura para a Rio+20, o economista Sérgio Besserman concorda com a colega. “Esta é uma negociação diplomática, como tantas outras, mas a diferença, neste caso, é que não temos controle sobre a agenda, que é ditada externamente, pelo clima. Quando o debate é sobre comércio, por exemplo, se atrasar, atrasou. Mas com o clima não é assim, ele tem seu próprio ritmo. É claro que é preferível que se tenha um plano de intenções, que a toalha não tenha sido jogada, mas estamos nos atrasando consideravelmente”, declarou.

Para Besserman, “é assustadora a incapacidade da governança mundial de dar uma resposta ao conhecimento científico que já se tem sobre o que vem pela frente”. “Vale lembrar que um aumento de 3° Celsius é 50% acima do que se considera o limite do perigo”, avaliou.

Duas das principais organizações ambientais do mundo, WWF e Greenpeace condenaram o resultado da conferência. “O mundo merece um pacto melhor que o débil compromisso de Durban”, afirmou Regine Günther, do WWF Alemanha, lembrando que o acordo não impedirá que a temperatura suba acima dos 2° Celsius.

Para o Greenpeace, “o compromisso não conduz a um tratado vinculante mundial para a proteção do clima, mas a um acordo vago”, lembrando que não há sequer sanções para quem não cumprir o plano de intenções.

Para o cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, o resultado da conferência é “desastroso” do ponto de vista do clima. “Tudo foi protelado para 2020, uma vez que essa prorrogação de Kioto é irrelevante, é a prorrogação do nada”, resumiu. “O resultado não é histórico, como estão dizendo os que estavam envolvidos nas negociações. Ele lamenta a decisão de adiar as medidas até 2020, uma ideia de que se está fazendo algo pelo clima quando a ciência aponta que as medidas de redução das emissões já deveriam vigorar em 2013.”

Ainda assim, o especialista garante estar otimista. “A Humanidade aprende pela dor”, afirma, lembrando que as mudanças climáticas ainda são uma realidade distante para boa parte da população. “Ela aprende com mais dor do que precisaria e em muito mais tempo do que seria necessário, mas não está condenada ao suicídio.”

Os principais pontos acertados na COP-17
O que aconteceu em Durban? 194 países se reuniram na 17ª rodada de negociações da Convenção do Clima da ONU, cuja meta é deter o aquecimento global ao limitar as emissões de gases do efeito estufa. A conferência durou dois dias além do previsto, na mais longa reunião ambiental realizada.

O que foi obtido? Após duríssimas negociações, se chegou à “Plataforma de Durban”. No documento de duas páginas, pela primeira vez, todos os países prometem cortar emissões. Um plano guiará os países em negociações até 2015 para que cheguem a um acordo legal de cortes. Porém, ele só começará a vigorar em 2020.

Foi um avanço ou um retrocesso? Depende do ângulo que se olhe. Um sucesso em termos de se manter as negociações vivas, salvando o processo da ONU, após este quase ter colapsado em Copenhague e Cancún. A União Europeia chama seu plano de ação (a Plataforma de Durban) de “avanço histórico”. Para a UE, essa é a primeira vez que EUA, China e Índia se comprometem a assinar um tratado de legal para cortar emissões. Porém, é um atraso do ponto de vista de muitos países em desenvolvimento, de grupos ambientalistas e de cientistas. Eles argumentam que a linguagem usada precisa ser mais forte para forçar os países a agir e que deveria haver datas concretas de cortes.

E o Protocolo de Kioto? Ele será estendido até 2017, com metas de redução para a UE e poucos outros países desenvolvidos. Japão e Rússia já tinham anunciado que deixariam Kioto. Um novo acordo deve ser negociado para cobrir o período até 2020. Porém, Índia, China e EUA continuam de fora. Os dois primeiros porque não têm obrigação legal e os EUA por não serem signatários. Nesse período de intervalo países como o Brasil, que têm metas voluntárias, continuarão a fazer cortes de emissões.

O dinheiro prometido em 2010 para ajudar os países pobres? O Fundo Verde criado em Cancún deverá despender US$60 bilhões por ano a partir de 2020. Porém, os detalhes de como isso será feito são muito vagos. Não está definido de onde virá o dinheiro. Uma das possibilidades são taxas sobre a aviação.

E o desmatamento? O REDD, o plano para pagar países pobres a não cortar suas árvores, avançou pouco. Mais uma vez, não ficou definido de onde virá o dinheiro. Há temor de que os recursos sejam desviados em corrupção. O REDD deverá continuar na mesa de negociação.

O que o acontecerá agora? Rodadas sobre clima estão previstas para março, em Londres, em Bonn (Alemanha), e finalmente no Qatar, na COP-18, em dezembro de 2012. Embora a Rio+20 não tenha foco no clima, especialistas acreditam que ela será fundamental nesse sentido. Em 2012 começam as negociações para se chegar a um acordo em 2015. Isso incluirá as metas por países, que deverão ser diferenciadas. Espera-se que países sejam pressionados pela sociedade a assumir metas mais ousadas.