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Weathercasters Take On Role of Science Educators; Feel Some Uncertainty On Issue of Climate Change (Science Daily)

ScienceDaily (Mar. 29, 2010) — In a time when only a handful of TV news stations employ a dedicated science reporter, TV weathercasters may seem like the logical people to fill that role, and in many cases they do.

In the largest and most representative survey of television weathercasters to date, George Mason University’s Center for Climate Change Communication shows that two-thirds of weathercasters are interested in reporting on climate change, and many say they are already filling a role as an informal science educator.

“Our surveys of the public have shown that many Americans are looking to their local TV weathercaster for information about global warming,” says Edward Maibach, director of the Center for Climate Change Communication. “The findings of this latest survey show that TV weathercasters play — or can play — an important role as informal climate change educators.”

According to the survey, climate change is already one of the most common science topics TV weathercasters discuss — most commonly at speaking events, but also at the beginning or end of their on-air segments, on blogs and web sites, on the radio and in newspaper columns.

Weathercasters also indicated that they are interested in personalizing the story for their local viewers — reporting on local stories such as potential flooding/drought, extreme heat events, air quality and crops. About one-quarter of respondents said they have already seen evidence of climate change in their local weather patterns.

“Only about 10 percent of TV stations have a dedicated specialist to cover these topics,” says University of Texas journalism professor Kristopher Wilson, a collaborator on the survey. “By default, and in many cases by choice, science stories become the domain of the only scientifically trained person in the newsroom — weathercasters.”

Many of the weathercasters said that having access to resources such as climate scientists to interview and high-quality graphics and animations to use on-air would increase their ability to educate the public about climate change.

However, despite their interest in reporting more on this issue, the majority of weathercasters (61 percent) feel there is a lot of disagreement among scientists about the issue of global warming. Though 54 percent indicated that global warming is happening, 25 percent indicated it isn’t, and 21 percent say they don’t know yet.

“A recent survey showed that more than 96 percent of leading climate scientists are convinced that global warming is real and that human activity is a significant cause of the warming,” says Maibach. “Climate scientists may need to make their case directly to America’s weathercasters, because these two groups appear to have a very different understanding about the scientific consensus on climate change.”

This survey is one part of a National Science Foundation-funded research project on meteorologists. Using this data, Maibach and his research team will next conduct a field test of 30-second, broadcast-quality educational segments that TV weathercasters can use in their daily broadcasts to educate viewers about the link between predicted (or current) extreme weather events in that media market and the changing global climate.

Ultimately, the team hopes to answer key research questions supporting efforts to activate TV meteorologists nationwide as an important source of informal science education about climate change.

Jô Soares entrevista Ricardo Augusto Felício sobre mudanças climáticas + comentário de Alexandre Costa

Programa Jô Soares, dia 02 de maio de 2012

* * *

Comentário de Alexandre A. Costa, um dos mais respeitados meteorologistas do Brasil, sobre a entrevista:

A Negação da Mudança Climática e a Direita Organizada (10 de maio de 2012 – postado no Facebook)

Vocês devem ter assistido ou ouvido falar da entrevista recentemente veiculada no programa do Jô, com o Sr. Ricardo Felício que, mesmo sendo professor da Geografia da USP, atacou a comunidade de cientistas do clima, esboçou uma série de teorias conspiratórias e cometeu absurdos que não fazem sentido científico algum como as afirmações de que “não há elevação do nível do mar”, “o efeito estufa não existe”, “a camada de ozônio não existe”, “a Floresta Amazônica se reconstituiria em 20 anos após ser desmatada” e chegou ao auge ao apresentar uma explicação desprovida de sentido para a alta
temperatura de Vênus, apresentando uma interpretação totalmente absurda da lei dos gases.

Enfim, o que levaria uma pessoa que, a princípio é ligada à comunidade acadêmica, a postura tão absurda? Primeiro, achei tratar-se de alpinismo midiático. Como o currículo da figura não mostra nenhuma produção minimamente relevante, achei apenas que bater no “mainstream” fosse uma maneira de chamar atenção, atrair publicidade, ganhar fama, etc. Ingenuidade minha.

Após uma breve pesquisa, encontrei este trecho de entrevista de Ricardo Felicio disponível em http://www.fakeclimate.com/arquivos/EntrevistasImprensaFake/EntrevistaAqGloFINAL.pdf:

Entrevistador: “Você conhece alguma instituição que apóie o seu pensamento? Como ela funciona? E o que ela faz?” Ridardo Felício: “Recomendo que procurem, aqui no Brasil, a MSIa – Movimento de Solidariedade Ibero-Americana.”

Mas quem é essa MSIa? Um grupo de extrema-direita especialista em teorias conspiratórias e em ataques ao Greenpeace (“um instrumento político das oligarquias internacionais”), ao Movimento de Trabalhadores Sem Terra — MST (“um instrumento de guerra contra o Estado Brasileiro), o Foro de São Paulo (“reúne grupos revolucionários que objetivam desestabilizar as Forças Armadas”), a Pastoral da Terra, etc. Eu mesmo fui no site dessa organização e a última desse pessoal é uma campanha contra a Comissão da Verdade, a favor dos militares (“A quem interessa uma crise militar”)! Para quem quiser conhecer os posicionamentos desse pessoal, basta checar em http://www.msia.org.br/

Eis que um pouco mais de busca e achei o Ricardo Felicio sendo citado (‘”A ONU achou um jeito de implementar seu governo global, e o mundo será gerido por painéis pseudocientíficos””) onde? No site http://www.midiasemmascara.org/ do ultra-direitista Olavo de Carvalho…

Parece ser sintomático que às vésperas do final do prazo para veto do Código ruralista, alguém com esse tipo de vínculo (a MSIa se associa à UDR) venha dizer que se pode desmatar a Amazônia que a mesma se regenera em vinte anos… É interessante que a acusação de uma agenda “ambientalista”, “comunista”, de “governança internacional” ou qualquer que seja o delírio que os negadores da mudança climática colocam ao tentarem politizar-ideologizar a questão apenas mostram de onde vem essa politização-ideologização e com que matiz.

Como costumo dizer, moléculas de CO2 não têm ideologia e absorvem radiação infravermelho, independente da existência não só de posições políticas, mas até dos humanos que as expressam. O aumento de suas concentrações na atmosfera terrestre não poderiam ter outro efeito que não o de aquecimento do sistema climático global. Negar uma verdade científica óbvia então só faz sentido para aqueles que têm interesses atingidos. E fica claro. Esse senhor, que academicamente é um farsante é, na verdade, um militante de direita. Parafraseando aqueles que tanto o admiram, precisa aparecer na mídia sem a máscara de “professor da USP”, “climatologista”, etc., mas sim com sua verdadeira face.

Alexandre A. Costa, Ph.D.
Professor Titular
Mestrado em Ciências Físicas Aplicadas
Universidade Estadual do Ceará

A Negação das Mudanças Climáticas e a Direita Organizada – Parte II: Mais Revelações (13 de maio de 2012 – postado no Facebook)

Não é difícil continuar a ligar os pontos, após a aparição do Sr. Ricardo Felício no programa do Jô Soares. Por que alguém se disporia a se expor ao ridículo daquela forma? Como alguém seria capaz de, na posição de doutor em Geografia, professor da USP e “climatologista”, assassinar não apenas o conhecimento científico recente, mas leis básicas da Física, conhecimentos fundamentais de Química, Ecologia, etc.? O que levaria alguém a insultar de forma tão grosseira a comunidade acadêmica brasileira e internacional, principalmente a nós, Cientistas do Clima?

O que pretendo mostrar é que para chegar a esse ponto, é preciso ter motivações. E estas, meus caros, não são de mera vaidade, desejo pelo estrelato, etc. É uma agenda.

Para os que quiserem continuar comigo a rastrear a motivação por trás dessa tal entrevista, peço que visitem, mesmo que isso dê a eles alguma audiência, o repositório dos vídeos do pop-star tupiniquim da negação das mudanças climáticas em http://www.youtube.com/user/TvFakeClimate. Lá, os links são para o conhecido site http://www.msia.org.br/ do “Movimento de Solidariedade Íbero-Americana”, cujo nome pomposo esconde o neo-fascismo LeRouchista, especializado em teorias conspiratórias e manipulação e inimigo visceral, como se pode ver em seu site, do MST, do movimento feminista, do movimento de direitos humanos, da Comissão da Verdade, etc; para o não menos direitoso http://www.midiaamais.com.br/, cujos artigos não consegui ler até o fim, mas que são de ataques de direita a Obama, de ridicularização do movimento dos moradores do Pinheirinho, em SJC, de combate à decisão do STF em considerar as cotas constitucionais e, claro, negação da mudança climática e ataques ao IPCC, etc,; um site anti-movimento ambientalista de nome http://ecotretas.blogspot.com/, que por sua vez contém links neo-fascistas como “vermelho não” (http://vermelhosnao.blogspot.com.br/search/label/verdismo), que por sinal está fazendo a campanha “Não Veta, Dilma”, ou especializados em teorias conspiratórias como http://paraummundolivre.blogspot.com.br/ e até diretistas exóticos, defensores da restauração da monarquia em Portugal (http://quartarepublica.wordpress.com/) ou neo-salazaristas (http://nacionalismo-de-futuro.blogspot.com.br/).

Como coloquei em diversos momentos, não é a escolha política-ideológica que faz com que alguém tenha ou não razão em torno da questão climática. Tenho colegas em minha comunidade de pesquisa que simpatizam com os mais variados matizes político-ideológicos (o que por si só já dificultaria que nos juntássemos numa “conspiração”… como é mesmo… ah!… para “conquistar uma governança mundial da ONU via painéis de clima”, tipo de histeria típico da direita mais tresloucada dos EUA). A questão do clima é objetiva. Os mecanismos de controle do clima são conhecidos, incluindo o papel dos gases de efeito estufa. As medições, os resultados de modelos (atacados de maneira desonesta pelo entrevistado), os testemunhos paleoclimáticos, todos convergem. E dentre todas as possíveis hipóteses para o fenômeno do aquecimento do sistema climático, a contribuição antrópica via emissão de gases de efeito estufa foi a única a permanecer de pé após todos os testes. Constatar isso independe de ideologia. Basta abrir os olhos. O tipo de política pública a ser aplicada para lidar com os impactos, a adaptação às mudanças e a mitigação das mesmas, aí sim… é um terreno em que as escolhas políticas adquirem grau de liberdade.

O problema é que, para uma determinada franja político-ideológica, no caso a extrema-direita, há realmente incompatibilidade com qualquer agenda ambiental que possa significar controle público sobre o capital privado. Há também uma necessidade de ganhar respaldos afagando desejos escondidos da opinião pública (como o de que nada precisa ser feito a respeito das mudanças climáticas) e fazendo apelos ao nacionalismo (típico dos Mussolinis, dos Hitlers, dos Francos, dos Salazares e de tantas ditaduras de direita na América Latina) – ainda que eventualmente isso signifique adotar um discurso falsamente antiimperialista. Com esses objetivos “maiores”, que incluem sabotar a campanha pelo veto presidencial sobre o monstro que é o Código Florestal aprovado pelos deputados, para que compromisso com a verdade científica? Para que ética e tratamento respeitoso em relação aos demais colegas de mundo acadêmico?

É impressionante como aqueles que nos acusam de “fraude”, “conspiração”, etc., na verdade são exatamente os que as praticam. Como coloquei em outros textos que escrevi sobre o assunto, é preciso desmistificar cientificamente os pseudo-argumentos apresentados pelos negadores (e isso tenho feito em outros textos), mas como bem lembra o colega Michael Mann, eles são como a hidra. Sempre têm mais mentiras na manga para lançarem por aí e não têm preocupação nenhuma em apresentarem um todo coerente em oposição aos pontos de vista da comunidade científica. Interessa a eles semearem confusão, ganharem espaço político, atrasarem ações de proteção da estabilidade climática, darem tempo para os que os financiam na base (ainda que possa haver negadores não ligados diretamente à indústria de petróleo e outras, mas já ficou evidente a ligação desta com a campanha articulada anti-ciência do clima em escala mundial). A pseudo-ciência e a impostura intelectual são as cabeças da hidra. O coração do monstro é a agenda político-ideológica. Mas a espada da verdade é longa o suficiente para ferir-lhe de morte!

Alexandre A. Costa, Ph.D.
Professor Titular
Mestrado em Ciências Físicas Aplicadas
Universidade Estadual do Ceará

Em Defesa da Ciência do Clima (10 de maio de 2012 – postado no Facebook)

Tenho me preocupado muito com os ataques feitos recentemente à Ciência do Clima, dentre outros motivos, porque estes tem se constituído num amálgama estranho que reúne o Tea Party, a indústria petroquímica e pessoas que parecem acreditar numa grande conspiração imperialista para, ao impedir que queimem suas reservas de combustíveis fósseis, a periferia do capitalismo se “desenvolva”, o que, com o perdão da palavra, já é per si uma visão absolutamente tacanha de “desenvolvimento”.

Mas essa não é uma questão ideológica, mesmo porque se o fosse estaria eu distante de Al Gore. É uma questão científica, pois moléculas de CO2 não têm ideologia. O que elas são dotadas, assim como outras moléculas (caso do CH4 e do próprio vapor d’água), é de uma propriedade da qual não gozam os gases majoritários em nossa atmosfera, que é a de um modo de oscilação cuja frequência coincide com a de uma região do espectro eletromagnético conhecida como infravermelho. A retenção do calor é uma consequência da presença desses gases (mesmo tão minoritários) na atmosfera terrestre. Não fosse por eles, a Terra teria temperatura média de -18 graus, em contraste com os moderados 15, para não falar do papel dos mesmos em mantê-la entre limites amenos. A Terra não é Mercúrio que, por não ter atmosfera, devolve livremente a energia absorvida do Sol na porção em que é dia, levando-o a contrastes de temperatura de 430 graus durante o dia e -160 graus à noite. Felizmente, tampouco é Vênus, cuja cobertura de nuvens faz com que chegue à sua superfície menos energia solar do que na Terra, mas cujo efeito estufa, causado por sua atmosfera composta quase que exclusivamente por CO2, eleva sua temperatura a praticamente constantes 480 graus.

Desconhecer essas idéias científicas simples, de que o CO2 é um gás de efeito estufa (conhecido e medido por Tyndall, Arrhenius e outros, desde o século XIX), com mecanismo bem explicado pela Física de sua estrutura molecular; ignorar o conhecido efeito global que o CO2 tem sobre um planeta vizinho, o que é bem estabelecido pela astronomia desde o saudoso Sagan, não faz sentido, especialmente no meio acadêmico, onde encontram-se alguns dos negadores mais falantes. A esses eu gostaria de lembrar de algo básico no método científico. De um lado, a ciência não tem dogma, nem verdades definitivas. Suas verdades são sempre, por construção, parciais e provisórias (que bom, senão viraria algo chato e tedioso como, digamos, uma religião). No entanto, por outro lado, o conhecimento científico é cumulativo e, nesse sentido, não se pode andar para trás! Só quando uma teoria falha, se justifica uma nova e esta não pode ser apenas a negação da anterior, pois precisa ser capaz de reproduzir todos os seus méritos (caso da Mecânica Clássica e da Relatividade, que se reduz à primeira para baixas velocidades).

Não é uma questão de crença. “Monotonia” à parte, é ciência bem estabelecida, bem conhecida. Tanto quanto a Gravitação Universal (que também é “apenas” uma teoria) ou a Evolução das Espécies.

INJUSTIÇA, DESRESPEITO E SUBESTIMAÇÃO

Os Cientistas do Clima tem sofrido ataques, com base em factóides que em nenhum momento se assemelham à realidade de nossa área. Nenhuma Ciência é hoje tão pública e aberta. Quem quiser, pode obter facilmente, na maioria dos casos diretamente pela internet, dados observados do clima, que demonstram claramente o aquecimento global (www.cru.uea.ac.uk/cru/data/ dentre outros), dados de modelagem que estão sendo gerados agora e que certamente subsidiarão o 5o relatório do IPCC (http://cmip-pcmdi.llnl.gov/cmip5/data_portal.html) ou dados de testemunhos paleoclimáticos, que servem para analisar o clima do passado (www.ncdc.noaa.gov). Pode obter os relatórios do IPCC, emwww.ipcc.ch e seguir as referências, revisadas e publicadas em sua esmagadora maioria, principalmente no caso do Grupo de Trabalho que lida com as Bases Físicas do Sistema Climático, em revistas de grande impacto, sejam gerais (Science, Nature), sejam da área. Duvido que, em nossas universidades, cheias de laboratórios com convênios privados, sejam na engenharia de materiais ou na bioquímica, haja um segmento tão aberto, que tenha o desprendimento de sentar à mesa, compartilhar dados, levantar o estado-da-arte em sua ciência e elaborar coletivamente um relatório de síntese. Duvido! Desafio!

Os cientistas que participamos desses painéis não somos “representantes de governos”. Nada é criado ou inventado nesses painéis, além de uma síntese da Ciência que é produzida de maneira independente e publicada na literatura revisada por pares. Os que participam da comunidade acadêmica podem, inclusive, se informar melhor com facilidade, junto a colegas da comunidade científica brasileira que participaram e participam das iniciativas do IPCC e do PBMC sobre o funcionamento desses painéis, antes de emitir opinião, para que não terminem, na prática, difamando o que desconhece. Algumas pessoas, sem a menor conduta crítica em relação aos detratores do IPCC, repete-lhes a verborragia, quando poderiam ser céticos em relação aos “céticos”.

Mas não o são. Em nenhum momento, questionam as reais motivações de dois ou três (felizmente, são tão raros) que assumem a conduta lamentável da negação anti-ciência, ou por serem abertamente corruptos e serviçais da indústria petroquímica ou, simplesmente, por terem uma vaidade que não cabe no papel secundário que cumpririam caso estivessem, como nós, desprendendo, em geral quase anonimamente, enorme energia para colocar tijolo por tijolo no edifício da Ciência do Clima. É preciso saber distinguir entre o ceticismo honesto, genuíno, que é saudável em ciência, consonante com a dúvida sincera e a conduta crítica, da negação religiosa, baseada em fé e na necessidade cega de defender determinado ponto de vista, independente se o mesmo tem base real ou não e, principalmente, da canalhice pura e simples, que é o que é promovido por alguns dos negadores. O possível “sucesso” dessas idéias junto ao público, para mim, são terreno da psicologia social, mas a melhor analogia que tenho é a da popularidade de idéias religiosas, em geral mentiras reconfortantes que são preferidas em detrimento de verdades desagradáveis.

O verdadeiro ceticismo levou até onde os físicos de Berkeley foram (http://www.berkeleyearth.org/index.php). Inicialmente questionando os resultados obtidos por nossa comunidade, se municiaram de um enorme banco de dados de temperatura em escala mundial, mais amplo do que os que o Hadley Centre inglês e a NASA dispunham. Testaram outras metodologias, chegaram até a excluir as estações meteorológicas usadas por nossos centros de pesquisa. A postura inicial de Richard Muller, idealizador dessa iniciativa, era de tamanho questionamento em relação a nossos resultados que ele chegou a alavancar recursos da famigerada Fundação Koch, abertamente anti-Ciência do Clima. Mas o que Muller e seus parceiros encontraram? O mesmo resultado que já nos era conhecido. A Terra está aquecendo e este aquecimento se acelerou bastante nas últimas décadas do século XX. Este aquecimento se aproxima de um grau e portanto está muito acima de todas as flutuações naturais registradas desde que se tem registro instrumental. Aliás, confirmou o que também sabíamos: que os dados da Universidade de East Anglia (aqueles mesmos da farsa montada sob o nome altissonante de “climategate”, aqueles que foram perseguidos e cuja reputação foi ignominiosamente atacada, com repercussões em suas carreiras profissionais e vidas pessoais) contém um erro… para menos! O aquecimento sugerido pelos dados da CRU/UEA é um décimo de grau inferior aos das outras fontes de dados e, claro, entre nós, ninguém os acusa de desonestos por isso.

Outra impostura – e infelizmente, apesar da dureza do termo, acho que é neste caso em que ele se aplica – é a subestimação da inteligência de nossa comunidade, aliada ao desconhecimento dos materiais por ela produzidos. O 4o relatório do IPCC já contém um capítulo exclusivamente sobre Paleoclimatologia, isto é, sobre o clima do passado. Eu pessoalmente tenho dedicado grandes esforços na análise de testemunhos do clima passado e na modelagem das condições climáticas passadas. Existe uma preocupação permanente em discernir o sinal natural e separar, dele, o sinal antrópico, desde o primeiro relatório do IPCC. Para isso, avalia-se o papel das variações de atividade solar, as emissões dos vulcões, etc. Já avaliamos as possíveis influências naturais e as descartamos como possível causa para o aquecimento observado.

Nesse sentido, não há lugar para sofismas e tergiversações. Sobre os registros paleoclimáticos, que são capazes de recontar o histórico de temperatura e de concentração de gases de efeito estufa de 800 mil anos atrás até o presente, todos sabemos que, no passado, um pequeno aquecimento do planeta precedeu o aumento da concentração dos gases de efeito estufa. Isso se deu antes do encerramento de todas as eras glaciais. Mas é um raciocínio obtuso deduzir daí que o CO2 não exerce nenhum papel ou, nas palavras dos negadores “é consequência e não causa”. Existem diversos processos de retroalimentação no sistema climático e este é um dos melhores exemplos. As sutis variações da insolação e da distribuição desta sobre a superfície da Terra associadas aos ciclos orbitais são – e isto é do conhecimento de todos – muito pequenas para explicar as grandes diferenças de temperatura entre os períodos glaciais (“eras do gelo”) e os interglaciais (períodos quentes, mais breves, que as intercalaram). Mas um aquecimento sutil, após alguns séculos, mostrou-se suficiente para elevar a emissões naturais de CO2 e metano, que causam efeito estufa e amplificam o processo. Essa retroalimentação só era refreada, em condições livres da ação do homem, quando as condições orbitais mudavam novamente, levando a um resfriamento sutil, que induzia a captura de CO2 no sistema terrestre, que por sua vez amplificava o resfriamento e assim por diante.

Mas não é porque pessoas morrem de câncer e infarto que não se possa atribuir responsabilidades a um assassino! Porque pessoas morrem naturalmente de derrame, alguém acha possível dizer que “é impossível que um tiro mate alguém”? Ou que não se deva julgar mais ninguém por assassinato? Antes, era preciso um pequeno aquecimento para deflagrar emissões naturais e aumento de concentração de CO2, para daí o aquecimento se acelerar. Hoje, há uma fonte independente de CO2, estranha aos ciclos naturais e esta é a queima de combustíveis fósseis! Devo, aliás, frisar que até a análise isotópica (a composição é diferente entre combustíveis fósseis e outras fontes) é clara: a origem do CO2 excedente na atmosfera terrestre é sim, em sua maioria, petróleo, carvão, gás natural! Um mínimo de verdadeiro aprofundamento científico deixa claro que, hoje, o aumento das concentrações de CO2 na atmosfera é eminentemente antrópico e que é isso que vem acarretando as mudanças climáticas observadas. Não é possível mais tapar o sol, ou melhor, tapar os gases de efeito estufa com uma peneira! Os registros paleoclimáticos mostram que o aquecimento atual é inédito nos últimos 2500 anos. Mostram que a concentração atual de CO2 está 110 ppm acima do observado antes da era industrial e quase 100 ppm acima do que se viu nos últimos 800 mil anos. Mostram que esse número é maior do que a diferença entre a concentração de CO2 existente nos interglaciais e nas “eras do gelo” e que isso faz, sim, grande diferença sobre o clima.

QUAIS OS VERDADEIROS ERROS

Algumas pessoas se dizem céticas, críticas e desconfiadas em relação à maioria de nossa comunidade de cientistas do clima, mas não percebem o erro fundamental que cometem: a absoluta falta de ceticismo, criticidade e desconfiança em relação aos que nos detratam. A postura dos que combatem a Ciência do Clima sob financiamento da indústria petroquímica, ou em associação com setores partidários e da mídia mais reacionários é auto-explicativa. Interessa o acobertamento da realidade. Mas não só. Há desde essas pessoas que recebem diretamente recursos da indústria do petróleo a falastrões que há muito não têm atuação científica de verdade na área e, sem serem capazes de permanecer em evidência trabalhando seriamente para contribuir com o avançar de nossa ciência, debruçando-se sobre as verdadeiras incertezas, contribuindo para coletar dados, melhorar métodos e modelos, etc., apenas para manterem holofotes sobre si, têm atacado o restante da comunidade. Estranho e espalhafatoso como as penas de pavão. Prosaico como os mecanismos evolutivos que levaram tais penas a surgirem. Daí é preciso também combater o ponto de vista daqueles que dão a esse ataque um falso verniz “de esquerda”, pois lançam mão de teorias de conspiração, uma deturpação patológica do raciocínio crítico. Lutar com o alvo errado, com a arma errada, é pior do que desarmar para a luta.
O IPCC é perfeito? Não, é claro. Cometeu erros. Mas querem saber, de fato, quais são? Uma coisa precisa ficar claro a todos. As avaliações do IPCC tendem a ser conservadoras. As projeções de temperatura realizadas para após o ano 2000 estão essencialmente acertadas, mas sabe o que acontece com as projeções de elevação do nível dos oceanos e de degelo no Ártico? Estão subestimadas. Isso mesmo. O cenário verdadeiro é mais grave do que o 4o relatório do IPCC aponta. Mas de novo não é por uma questão política, mas pela limitação, na época, dos modelos de criosfera, incapazes de levar em conta processos importantes que levam ao degelo. Provavelmente, baseando-se em artigos que vêm sendo publicados nesse meio tempo, o 5o relatório será capaz de corrigir essas limitações e mostrar um quadro mais próximo da real gravidade do problema em 2013-2014 quando de sua publicação.

QUAL A VERDADEIRA QUESTÃO IDEOLÓGICA?

Não faz sentido “acreditar” ou não na gravidade, na evolução ou no efeito estufa. Não se trata de uma “opção ideológica” (apesar de haver, nos EUA, uma forte correlação entre ideologia e ciência junto ao eleitorado republicano mais reacionário, que dá ouvidos aos detratores da ciência do clima e que também querem ver Darwin fora das escolas).

A verdadeira questão ideológica, é que as mudanças climáticas são um processo de extrema desigualdade, da raiz, aos seus impactos. Quem mais se beneficiou das emissões dos gases de efeito estufa foram e continuam sendo as classes dominantes dos países capitalistas centrais. Juntamente com os mega-aglomerados do capital financeiro, a indústria petroquímica, o setor de mineração (que inclui mineração de carvão), o setor energético, etc. concentraram riquezas usando a atmosfera como sua grande lata de lixo. Mais do que a “pegada” de carbono atual (que é ainda extremamente desigual se compararmos americanos, europeus e australianos, de um lado, com africanos do outro), é mais díspar ainda a “pegada histórica” (isto é, o já emitido, o acumulado a partir das emissões de cada país), que faz da Europa e, em seguida, dos EUA, grandes emissores históricos.

Cruelmente, em contrapartida, os impactos das mudanças no clima recairão sobre os países mais pobres, sobre as pequenas nações, principalmente sobre os pobres dos países pobres, sobre os mais vulneráveis. Perda de territórios em países insulares, questões de segurança hídrica e alimentar em regiões semi-áridas (tão vastas no berço de nossa espécie, que é o continente africano), efeitos de eventos severos (que, com base física muito clara, devem se tornar mais frequentes num planeta aquecido), comprometimento de ecossistemas marinhos costeiros e florestas, atingindo pesca e atividades de coleta; inviabilização de culturas agrícolas tradicionais… tudo isso recai onde? Sobre o andar de baixo! O de cima fala em “adaptação” e tem muito mais instrumentos para se adaptar às mudanças. A nós, neste caso, interessa sermos conservadores quanto ao clima e frear esse “experimento” desastrado, desordenado, de alteração da composição química da atmosfera terrestre e do balanço energético planetário! Para a maioria dos 7 bilhões de habitantes dessa esfera, a estabilidade climática é importante!

Alguns dos mais ricos, na verdade, veem o aquecimento global como “oportunidade”… Claro, “oportunidade” de expandir o agronegócio para as futuras terras agricultáveis do norte do Canadá e da Sibéria e para explorar petróleo no oceano que se abrirá com o crescente degelo do Ártico.

Assim, é preciso perceber que há uma verdadeira impostura vagando por aí e a Ciência precisa ser defendida. Uma rocha é uma rocha; uma árvore é uma árvore; uma molécula de CO2 é uma molécula de CO2, independente de ideologia. Mas os de baixo só serão/seremos capazes de se/nos armarem/armarmos para transformar a sociedade se estiverem/estivermos bem informados e aí, é preciso combater os absurdos proferidos pelos detratores da Ciência do Clima.

Alexandre Costa é bacharel em Física e mestre em Física pela Universidade Federal do Ceará, Ph.D. em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University, com pós-doutorado pela Universidade de Yale, com publicações em diversos periódicos científicos, incluindo Science, Journal of the Amospheric Sciences e Atmospheric Research. É bolsista de produtividade do CNPq e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Television Has Less Effect On Education About Climate Change Than Other Forms Of Media (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 16, 2009) — Worried about climate change and want to learn more? You probably aren’t watching television then. A new study by George Mason University Communication Professor Xiaoquan Zhao suggests that watching television has no significant impact on viewers’ knowledge about the issue of climate change. Reading newspapers and using the web, however, seem to contribute to people’s knowledge about this issue.

The study, “Media Use and Global Warming Perceptions: A Snapshot of the Reinforcing Spirals,” looked at the relationship between media use and people’s perceptions of global warming. The study asked participants how often they watch TV, surf the Web, and read newspapers. They were also asked about their concern and knowledge of global warming and specifically its impact on the polar regions.

“Unlike many other social issues with which the public may have first-hand experience, global warming is an issue that many come to learn about through the media,” says Zhao. “The primary source of mediated information about global warming is the news.”

The results showed that people who read newspapers and use the Internet more often are more likely to be concerned about global warming and believe they are better educated about the subject. Watching more television, however, did not seem to help.

He also found that individuals concerned about global warming are more likely to seek out information on this issue from a variety of media and nonmedia sources. Other forms of media, such as the Oscar-winning documentary “The Inconvenient Truth” and the blockbuster thriller “The Day After Tomorrow,” have played important roles in advancing the public’s interest in this domain.

Politics also seemed to have an influence on people’s perceptions about the science of global warming. Republicans are more likely to believe that scientists are still debating the existence and human causes of global warming, whereas Democrats are more likely to believe that a scientific consensus has already been achieved on these matters.

“Some media forms have clear influence on people’s perceived knowledge of global warming, and most of it seems positive,” says Zhao. “Future research should focus on how to harness this powerful educational function.”

Support for Climate Policy Linked to People’s Perceptions About Scientific Agreement Regarding Global Warming (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 21, 2011) — People who believe there is a lot of disagreement among scientists about global warming tend to be less certain that global warming is happening and less supportive of climate policy, researchers at George Mason, San Diego State, and Yale Universities report in a new study published in the journal Nature Climate Change.

A recent survey of climate scientists conducted by researchers at the University of Illinois found near unanimous agreement among climate scientists that human-caused global warming is happening.

This new George Mason University study, however, using results from a national survey of the American public, finds that many Americans believe that most climate scientists actually disagree about the subject.

In the national survey conducted in June 2010, two-thirds of respondents said they either believed there is a lot of disagreement among scientists about whether or not global warming is happening (45 percent), that most scientists think it is not happening (5 percent), or that they did not know enough to say (16 percent.) These respondents were less likely to support climate change policies and to view climate change as a lower priority.

By contrast, survey respondents who correctly understood that there is widespread agreement about global warming among scientists were themselves more certain that it is happening, and were more supportive of climate policies.

“Misunderstanding the extent of scientific agreement about climate change is important because it undermines people’s certainty that climate change is happening, which in turn reduces their conviction that America should find ways to deal with the problem,” says Edward Maibach, director of the Center for Climate Change Communication at George Mason University.

Maibach argues that a campaign should be mounted to correct this misperception. “It is no accident that so many Americans misunderstand the widespread scientific agreement about human-caused climate change. A well-financed disinformation campaign deliberately created a myth about there being lack of agreement. The climate science community should take all reasonable measures to put this myth to rest.”

Large Gaps Found in Public Understanding of Climate Change (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 14, 2010) — Sixty-three percent of Americans believe that global warming is happening, but many do not understand why, according to a national study conducted by researchers at Yale University.

The report titled “Americans’ Knowledge of Climate Change” found that only 57 percent know what the greenhouse effect is, only 45 percent of Americans understand that carbon dioxide traps heat from the Earth’s surface, and just 50 percent understand that global warming is caused mostly by human activities. Large majorities incorrectly think that the hole in the ozone layer and aerosol spray cans cause global warming. Meanwhile, 75 percent of Americans have never heard of the related problems of ocean acidification or coral bleaching.

However, many Americans do understand that emissions from cars and trucks and the burning of fossil fuels contribute to global warming and that a transition to renewable energy sources is an important solution.

Americans also recognize their own limited understanding. Only 1 in 10 say that they are “very well-informed” about climate change, and 75 percent say they would like to know more about the issue. Likewise, 75 percent say that schools should teach children about climate change and 68 percent would welcome a national program to teach Americans more about the issue.

“This study demonstrates that Americans need to learn more about the causes, impacts and potential solutions to global warming,” said study director Anthony Leiserowitz of Yale University. “But it also shows that Americans want to learn more about climate change in order to make up their minds and take action.”

The executive summary and full report are available online:http://environment.yale.edu/climate/publications/knowledge-of-climate-change

The online survey was conducted by Knowledge Networks from June 24 to July 22, 2010, with 2,030 American adults 18 and older. The margin of sampling error is plus- or minus-2 percent, with 95 percent confidence.

Increased Knowledge About Global Warming Leads To Apathy, Study Shows (Science Daily)

ScienceDaily (Mar. 27, 2008) — The more you know the less you care — at least that seems to be the case with global warming. A telephone survey of 1,093 Americans by two Texas A&M University political scientists and a former colleague indicates that trend, as explained in their recent article in the peer-reviewed journal Risk Analysis.

“More informed respondents both feel less personally responsible for global warming, and also show less concern for global warming,” states the article, titled “Personal Efficacy, the Information Environment, and Attitudes toward Global Warming and Climate Change in the USA.”

The study showed high levels of confidence in scientists among Americans led to a decreased sense of responsibility for global warming.

The diminished concern and sense of responsibility flies in the face of awareness campaigns about climate change, such as in the movies An Inconvenient Truth and Ice Age: The Meltdown and in the mainstream media’s escalating emphasis on the trend.

The research was conducted by Paul M. Kellstedt, a political science associate professor at Texas A&M; Arnold Vedlitz, Bob Bullock Chair in Government and Public Policy at Texas A&M’s George Bush School of Government and Public Service; and Sammy Zahran, formerly of Texas A&M and now an assistant professor of sociology at Colorado State University.

Kellstedt says the findings were a bit unexpected. The focus of the study, he says, was not to measure how informed or how uninformed Americans are about global warming, but to understand why some individuals who are more or less informed about it showed more or less concern.

“In that sense, we didn’t really have expectations about how aware or unaware people were of global warming,” he says.

But, he adds, “The findings that the more informed respondents were less concerned about global warming, and that they felt less personally responsible for it, did surprise us. We expected just the opposite.

“The findings, while rather modest in magnitude — there are other variables we measured which had much larger effects on concern for global warming — were statistically quite robust, which is to say that they continued to appear regardless of how we modeled the data.”

Measuring knowledge about global warming is a tricky business, Kellstedt adds.

“That’s true of many other things we would like to measure in surveys, of course, especially things that might embarrass people (like ignorance) or that they might feel social pressure to avoid revealing (like prejudice),” he says.

“There are no industry standards, so to speak, for measuring knowledge about global warming. We opted for this straightforward measure and realize that other measures might produce different results.”

Now, for better or worse, scientists have to deal with the public’s abundant confidence in them. “But it cannot be comforting to the researchers in the scientific community that the more trust people have in them as scientists, the less concerned they are about their findings,” the researchers conclude in their study.

Support for Climate Change Action Drops, Poll Finds (Science Daily)

ScienceDaily (May 8, 2012) — Americans’ support for government action on global warming remains high but has dropped during the past two years, according to a new survey by Stanford researchers in collaboration with Ipsos Public Affairs. Political rhetoric and cooler-than-average weather appear to have influenced the shift, but economics doesn’t appear to have played a role.

The survey directed by Jon Krosnick, a senior fellow at the Stanford Woods Institute for the Environment, shows that support for a range of policies intended to reduce future climate change dropped by an average of 5 percentage points per year between 2010 and 2012.

In a 2010 Stanford survey, more than three-quarters of respondents expressed support for mandating more efficient and less polluting cars, appliances, homes, offices and power plants. Nearly 90 percent of respondents favored federal tax breaks to spur companies to produce more electricity from water, wind and solar energy. On average, 72 percent of respondents supported government action on climate change in 2010. By 2012, that support had dropped to 62 percent.

The drop was concentrated among Americans who distrust climate scientists, even more so among such people who identify themselves as Republicans. Americans who do not trust climate science were especially aware of and influenced by recent shifts in world temperature, and 2011 was tied for the coolest of the last 11 years.

Krosnick pointed out that during the recent campaign, all but one Republican presidential candidate expressed doubt about global warming, and some urged no government action to address the issue. Rick Santorum described belief in climate change as a “pseudo-religion,” while Ron Paul called it a “hoax.” Mitt Romney, the apparent Republican nominee, has said, “I can tell you the right course for America with regard to energy policy is to focus on job creation and not global warming.”

The Stanford-Ipsos study found no evidence that the decline in public support for government action was concentrated among respondents who lived in states struggling the most economically.

The study found that, overall, the majority of Americans continue to support many specific government actions to mitigate global warming’s effect. However, most Americans remain opposed to consumer taxes intended to decrease public use of electricity and gasoline.

Bruno Latour: Love Your Monsters (Breakthrough)

Breakthrough Journal, No. 2, Fall 2011

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In the summer of 1816, a young British woman by the name of Mary Godwin and her boyfriend Percy Shelley went to visit Lord Byron in Lake Geneva, Switzerland. They had planned to spend much of the summer outdoors, but the eruption of Mount Tambora in Indonesia the previous year had changed the climate of Europe. The weather was so bad that they spent most of their time indoors, discussing the latest popular writings on science and the supernatural.

After reading a book of German ghost stories, somebody suggested they each write their own. Byron’s physician, John Polidori, came up with the idea for The Vampyre, published in 1819,1 which was the first of the “vampire-as-seducer” novels. Godwin’s story came to her in a dream, during which she saw “the pale student of unhallowed arts kneeling beside the thing he had put together.”2 Soon after that fateful summer, Godwin and Shelley married, and in 1818, Mary Shelley’s horror story was published under the title, Frankenstein, Or, the Modern Prometheus.3

Frankenstein lives on in the popular imagination as a cautionary tale against technology. We use the monster as an all-purpose modifier to denote technological crimes against nature. When we fear genetically modified foods we call them “frankenfoods” and “frankenfish.” It is telling that even as we warn against such hybrids, we confuse the monster with its creator. We now mostly refer to Dr. Frankenstein’s monster as Frankenstein. And just as we have forgotten that Frankenstein was the man, not the monster, we have also forgotten Frankenstein’s real sin.

Dr. Frankenstein’s crime was not that he invented a creature through some combination of hubris and high technology, but rather that heabandoned the creature to itself. When Dr. Frankenstein meets his creation on a glacier in the Alps, the monster claims that it was notborn a monster, but that it became a criminal only after being left alone by his horrified creator, who fled the laboratory once the horrible thing twitched to life. “Remember, I am thy creature,” the monster protests, “I ought to be thy Adam; but I am rather the fallen angel, whom thou drivest from joy for no misdeed… I was benevolent and good; misery made me a fiend. Make me happy, and I shall again be virtuous.”

Written at the dawn of the great technological revolutions that would define the 19th and 20th centuries, Frankenstein foresees that the gigantic sins that were to be committed would hide a much greater sin. It is not the case that we have failed to care for Creation, but that we have failed to care for our technological creations. We confuse the monster for its creator and blame our sins against Nature upon our creations. But our sin is not that we created technologies but that we failed to love and care for them. It is as if we decided that we were unable to follow through with the education of our children.4

Let Dr. Frankenstein’s sin serve as a parable for political ecology. At a time when science, technology, and demography make clear that we can never separate ourselves from the nonhuman world — that we, our technologies, and nature can no more be disentangled than we can remember the distinction between Dr. Frankenstein and his monster — this is the moment chosen by millions of well-meaning souls to flagellate themselves for their earlier aspiration to dominion, to repent for their past hubris, to look for ways of diminishing the numbers of their fellow humans, and to swear to make their footprints invisible?

The goal of political ecology must not be to stop innovating, inventing, creating, and intervening. The real goal must be to have the same type of patience and commitment to our creations as God the Creator, Himself. And the comparison is not blasphemous: we have taken the whole of Creation on our shoulders and have become coextensive with the Earth.

What, then, should be the work of political ecology? It is, I believe, tomodernize modernization, to borrow an expression proposed by Ulrich Beck.5 
This challenge demands more of us than simply embracing technology and innovation. It requires exchanging the modernist notion of modernity for what I have called a “compositionist” one that sees the process of human development as neither liberation from Nature nor as a fall from it, but rather as a process of becoming ever-more attached to, and intimate with, a panoply of nonhuman natures.

1.
At the time of the plough we could only scratch the surface of the soil. Three centuries back, we could only dream, like Cyrano de Bergerac, of traveling to the moon. In the past, my Gallic ancestors were afraid of nothing except that the “sky will fall on their heads.”

Today we can fold ourselves into the molecular machinery of soil bacteria through our sciences and technologies. We run robots on Mars. We photograph and dream of further galaxies. And yet we fear that the climate could destroy us.

Everyday in our newspapers we read about more entanglements of all those things that were once imagined to be separable — science, morality, religion, law, technology, finance, and politics. But these things are tangled up together everywhere: in the Intergovernmental Panel on Climate Change, in the space shuttle, and in the Fukushima nuclear power plant.

If you envision a future in which there will be less and less of these entanglements thanks to Science, capital S, you are a modernist. But if you brace yourself for a future in which there will always be more of these imbroglios, mixing many more heterogeneous actors, at a greater and greater scale and at an ever-tinier level of intimacy requiring even more detailed care, then you are… what? A compositionist!

The dominant, peculiar story of modernity is of humankind’semancipation from Nature. Modernity is the thrusting-forward arrow of time — Progress — characterized by its juvenile enthusiasm, risk taking, frontier spirit, optimism, and indifference to the past. The spirit can be summarized in a single sentence: “Tomorrow, we will be able to separate more accurately what the world is really like from the subjective illusions we used to entertain about it.”

The very forward movement of the arrow of time and the frontier spirit associated with it (the modernizing front) is due to a certain conception of knowledge: “Tomorrow, we will be able to differentiate clearly what in the past was still mixed up, namely facts and values, thanks to Science.”

Science is the shibboleth that defines the right direction of the arrow of time because it, and only it, is able to cut into two well-separated parts what had, in the past, remained hopelessly confused: a morass of ideology, emotions, and values on the one hand, and, on the other, stark and naked matters of fact.

The notion of the past as an archaic and dangerous confusion arises directly from giving Science this role. A modernist, in this great narrative, is the one who expects from Science the revelation that Nature will finally be visible through the veils of subjectivity — and subjection — that hid it from our ancestors.

And here has been the great failure of political ecology. Just when all of the human and nonhuman associations are finally coming to the center of our consciousness, when science and nature and technology and politics become so confused and mixed up as to be impossible to untangle, just as these associations are beginning to be shaped in our political arenas and are triggering our most personal and deepest emotions, this is when a new apartheid is declared: leave Nature alone and let the humans retreat — as the English did on the beaches of Dunkirk in the 1940s.

Just at the moment when this fabulous dissonance inherent in the modernist project between what modernists say (emancipation from all attachments!) and what they do (create ever-more attachments!) is becoming apparent to all, along come those alleging to speak for Nature to say the problem lies in the violations and imbroglios — the attachments!

Instead of deciding that the great narrative of modernism (Emancipation) has always resulted in another history altogether (Attachments), the spirit of the age has interpreted the dissonance in quasi-apocalyptic terms: “We were wrong all along, let’s turn our back to progress, limit ourselves, and return to our narrow human confines, leaving the nonhumans alone in as pristine a Nature as possible, mea culpa, mea maxima culpa…

Nature, this great shortcut of due political process, is now used to forbid humans to encroach. Instead of realizing at last that the emancipation narrative is bunk, and that modernism was always about attachments, modernist greens have suddenly shifted gears and have begun to oppose the promises of modernization.

Why do we feel so frightened at the moment that our dreams of modernization finally come true? Why do we suddenly turn pale and wish to fall back on the other side of Hercules’s columns, thinking we are being punished for having transgressed the sign: “Thou shall not transgress?” Was not our slogan until now, as Nordhaus and Shellenberger note in Break Through, “We shall overcome!”?6

In the name of indisputable facts portraying a bleak future for the human race, green politics has succeeded in leaving citizens nothing but a gloomy asceticism, a terror of trespassing Nature, and a diffidence toward industry, innovation, technology, and science. No wonder that, while political ecology claims to embody the political power of the future, it is reduced everywhere to a tiny portion of electoral strap-hangers. Even in countries where political ecology is a little more powerful, it contributes only a supporting force.

Political ecology has remained marginal because it has not grasped either its own politics or its own ecology. It thinks it is speaking of Nature, System, a hierarchical totality, a world without man, an assured Science, but it is precisely these overly ordered pronouncements that marginalize it.

Set in contrast to the modernist narrative, this idea of political ecology could not possibly succeed. There is beauty and strength in the modernist story of emancipation. Its picture of the future is so attractive, especially when put against such a repellent past, that it makes one wish to run forward to break all the shackles of ancient existence.

To succeed, an ecological politics must manage to be at least as powerful as the modernizing story of emancipation without imagining that we are emancipating ourselves from Nature. What the emancipation narrative points to as proof of increasing human mastery over and freedom from Nature — agriculture, fossil energy, technology — can be redescribed as the increasing attachmentsbetween things and people at an ever-expanding scale. If the older narratives imagined humans either fell from Nature or freed themselves from it, the compositionist narrative describes our ever-increasing degree of intimacy with the new natures we are constantly creating. Only “out of Nature” may ecological politics start again and anew.

2.
The paradox of “the environment” is that it emerged in public parlance just when it was starting to disappear. During the heyday of modernism, no one seemed to care about “the environment” because there existed a huge unknown reserve on which to discharge all bad consequences of collective modernizing actions. The environment is what appeared when unwanted consequences came back to haunt the originators of such actions.

But if the originators are true modernists, they will see the return of “the environment” as incomprehensible since they believed they were finally free of it. The return of consequences, like global warming, is taken as a contradiction, or even as a monstrosity, which it is, of course, but only according to the modernist’s narrative of emancipation. In the compositionist’s narrative of attachments, unintended consequences are quite normal — indeed, the most expected things on earth!

Environmentalists, in the American sense of the word, never managed to extract themselves from the contradiction that the environment is precisely not “what lies beyond and should be left alone” — this was the contrary, the view of their worst enemies! The environment is exactly what should be even more managed, taken up, cared for, stewarded, in brief, integrated and internalized in the very fabric of the polity.

France, for its part, has never believed in the notion of a pristine Nature that has so confused the “defense of the environment” in other countries. What we call a “national park” is a rural ecosystem complete with post offices, well-tended roads, highly subsidized cows, and handsome villages.

Those who wish to protect natural ecosystems learn, to their stupefaction, that they have to work harder and harder — that is, to intervene even more, at always greater levels of detail, with ever more subtle care — to keep them “natural enough” for Nature-intoxicated tourists to remain happy.

Like France’s parks, all of Nature needs our constant care, our undivided attention, our costly instruments, our hundreds of thousands of scientists, our huge institutions, our careful funding. But though we have Nature, and we have nurture, we don’t know what it would mean for Nature itself to be nurtured.7

The word “environmentalism” thus designates this turning point in history when the unwanted consequences are suddenly considered to be such a monstrosity that the only logical step appears to be to abstain and repent: “We should not have committed so many crimes; now we should be good and limit ourselves.” Or at least this is what people felt and thought before the breakthrough, at the time when there was still an “environment.”

But what is the breakthrough itself then? If I am right, the breakthrough involves no longer seeing a contradiction between the spirit of emancipation and its catastrophic outcomes, but accepting it as the normal duty of continuing to care for unwanted consequences, even if this means going further and further down into the imbroglios. Environmentalists say: “From now on we should limit ourselves.” Postenvironmentalists exclaim: “From now on, we should stop flagellating ourselves and take up explicitly and seriously what we have been doing all along at an ever-increasing scale, namely, intervening, acting, wanting, caring.” For environmentalists, the return of unexpected consequences appears as a scandal (which it is for the modernist myth of mastery). For postenvironmentalists, the other, unintended consequences are part and parcel of any action.

3.
One way to seize upon the breakthrough from environmentalism to postenvironmentalism is to reshape the very definition of the “precautionary principle.” This strange moral, legal, epistemological monster has appeared in European and especially French politics after many scandals due to the misplaced belief by state authority in the certainties provided by Science.8

When action is supposed to be nothing but the logical consequence of reason and facts (which the French, of all people, still believe), it is quite normal to wait for the certainty of science before administrators and politicians spring to action. The problem begins when experts fail to agree on the reasons and facts that have been taken as the necessary premises of any action. Then the machinery of decision is stuck until experts come to an agreement. It was in such a situation that the great tainted blood catastrophe of the 1980s ensued: before agreement was produced, hundreds of patients were transfused with blood contaminated by the AIDS virus.9

The precautionary principle was introduced to break this odd connection between scientific certainty and political action, stating that even in the absence of certainty, decisions could be made. But of course, as soon as it was introduced, fierce debates began on its meaning. Is it an environmentalist notion that precludes action or a postenvironmentalist notion that finally follows action through to its consequences?

Not surprisingly, the enemies of the precautionary principle — which President Chirac enshrined in the French Constitution as if the French, having indulged so much in rationalism, had to be protected against it by the highest legal pronouncements — took it as proof that no action was possible any more. As good modernists, they claimed that if you had to take so many precautions in advance, to anticipate so many risks, to include the unexpected consequences even before they arrived, and worse, to be responsible for them, then it was a plea for impotence, despondency, and despair. The only way to innovate, they claimed, is to bounce forward, blissfully ignorant of the consequences or at least unconcerned by what lies outside your range of action. Their opponents largely agreed. Modernist environmentalists argued that the principle of precaution dictated no action, no new technology, no intervention unless it could be proven with certainty that no harm would result. Modernists we were, modernists we shall be!

But for its postenvironmental supporters (of which I am one) the principle of precaution, properly understood, is exactly the change ofzeitgeist needed: not a principle of abstention — as many have come to see it — but a change in the way any action is considered, a deep tidal change in the linkage modernism established between science and politics. From now on, thanks to this principle, unexpected consequences are attached to their initiators and have to be followed through all the way.

4.
The link between technology and theology hinges on the notion of mastery. Descartes exclaimed that we should be “maîtres et possesseurs de la nature.”10
But what does it mean to be a master? In the modernist narrative, mastery was supposed to require such total dominance by the master that he was emancipated entirely from any care and worry. This is the myth about mastery that was used to describe the technical, scientific, and economic dominion of Man over Nature.

But if you think about it according to the compositionist narrative, this myth is quite odd: where have we ever seen a master freed from any dependence on his dependents? The Christian God, at least, is not a master who is freed from dependents, but who, on the contrary, gets folded into, involved with, implicated with, and incarnated into His Creation. God is so attached and dependent upon His Creation that he is continually forced (convinced? willing?) to save it. Once again, the sin is not to wish to have dominion over Nature, but to believe that this dominion means emancipation and not attachment.

If God has not abandoned His Creation and has sent His Son to redeem it, why do you, a human, a creature, believe that you can invent, innovate, and proliferate — and then flee away in horror from what you have committed? Oh, you the hypocrite who confesses of one sin to hide a much graver, mortal one! Has God fled in horror after what humans made of His Creation? Then have at least the same forbearance that He has.

The dream of emancipation has not turned into a nightmare. It was simply too limited: it excluded nonhumans. It did not care about unexpected consequences; it was unable to follow through with its responsibilities; it entertained a wholly unrealistic notion of what science and technology had to offer; it relied on a rather impious definition of God, and a totally absurd notion of what creation, innovation, and mastery could provide.

Which God and which Creation should we be for, knowing that, contrary to Dr. Frankenstein, we cannot suddenly stop being involved and “go home?” Incarnated we are, incarnated we will be. In spite of a centuries-old misdirected metaphor, we should, without any blasphemy, reverse the Scripture and exclaim: “What good is it for a man to gain his soul yet forfeit the whole world?” /

1. Polidori, John, et al. 1819. The Vampyre: A Tale. Printed for Sherwood, Neely, and Jones.

2. Shelley, Mary W., 1823. Frankenstein: Or, The Modern Prometheus. Printed for G. and W.B. Whittaker.

3. Ibid.

4. This is also the theme of: Latour, Bruno. 1996. Aramis or the Love of Technology. Translated by Catherine Porter. Cambridge, Mass: Harvard University Press.

5. Beck, Ulrich. 1992. Risk Society: Towards a New Modernity. London: Sage.

6. Nordhaus, Ted, and Michael Shellenberger. 2007. Break Through: From the Death of Environmentalism to the Politics of Possibility. Boston: Houghton Mifflin Harcourt.

7. Descola, Philippe. 2005. Par dela nature et culture. Paris: Gallimard.

8. Sadeleer, Nicolas de, 2006. Implementing the Precautionary Principle: Approaches from Nordic Countries and the EU. Earthscan Publ. Ltd.

9. Hermitte, Marie-Angele. 1996. Le Sang Et Le Droit. Essai Sur La Transfusion Sanguine. Paris: Le Seuil.

10. Descartes, Rene. 1637. Discourse on Method in Discourse on Method and Related Writings. Translated by Desmond M. Clark. 1999. Part 6, 44. New York: Penguin.

Lead Dust Is Linked to Violence, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (Apr. 17, 2012) — Childhood exposure to lead dust has been linked to lasting physical and behavioral effects, and now lead dust from vehicles using leaded gasoline has been linked to instances of aggravated assault two decades after exposure, says Tulane toxicologist Howard W. Mielke.

Vehicles using leaded gasoline that contaminated cities’ air decades ago have increased aggravated assault in urban areas, researchers say.

The new findings are published in the journal Environment International by Mielke, a research professor in the Department of Pharmacology at the Tulane University School of Medicine, and demographer Sammy Zahran at the Center for Disaster and Risk Analysis at Colorado State University.

The researchers compared the amount of lead released in six cities: Atlanta, Chicago, Indianapolis, Minneapolis, New Orleans and San Diego, during the years 1950-1985. This period saw an increase in airborne lead dust exposure due to the use of leaded gasoline. There were correlating spikes in the rates of aggravated assault approximately two decades later, after the exposed children grew up.

After controlling for other possible causes such as community and household income, education, policing effort and incarceration rates, Mielke and Zahran found that for every one percent increase in tonnages of environmental lead released 22 years earlier, the present rate of aggravated assault was raised by 0.46 percent.

“Children are extremely sensitive to lead dust, and lead exposure has latent neuroanatomical effects that severely impact future societal behavior and welfare,” says Mielke. “Up to 90 per cent of the variation in aggravated assault across the cities is explained by the amount of lead dust released 22 years earlier.” Tons of lead dust were released between 1950 and 1985 in urban areas by vehicles using leaded gasoline, and improper handling of lead-based paint also has contributed to contamination.

Violence in Men Caused by Unequal Wealth and Competition, Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (Apr. 17, 2012) — Violence in men can be explained by traditional theories of sexual selection. In a review of the literature, Professor John Archer from the University of Central Lancashire, a Fellow of the British Psychological Society, points to a range of evidence that suggests that high rates of physical aggression and assaults in men are rooted in inter-male competition.

These findings are presented April 18 at the British Psychological Society Annual Conference held at the Grand Connaught Rooms, London (18-20 April).

Professor Archer describes evidence showing that differences between men and women in the use of physical aggression peak when men and women are in their twenties. In their twenties, men are more likely to report themselves as high in physical aggression, and to be arrested for engaging in assaults and the use of weapons, than at any other age. They also engage in these activities at a phenomenally higher rate than women.

Professor Archer highlights that sex differences in aggression are not observed in relation to indirect forms of aggression but become larger with the severity of violence. Indeed, at the extreme end of violence, there are a minimal number of female-female homicides in the face of a high male-male homicide rate. Interestingly, men are also much more likely to engage in risky behaviour in the presence of other men.

Professor Archer says that a range of male features that develop during adolescence arising from hormonal changes in testosterone accentuate aggressive behaviour. Examples include the growth of facial hair, voice pitch and facial changes such as brow ridge and chin size. He implicates height, weight and strength differences between men and women as further evidence of male adaptation to engage in fighting.

How does the environment influence aggression and violence? Professor Archer suggests there are two key principles — unequal wealth and a high ratio of sexually active men to women — that may increase physical aggression and violence in young men.

Professor Archer says: “The research evidence highlights that societal issues such as inequality of wealth and competition between males may contribute to the violence we see in today’s society.”

Relação entre cientistas e jornalistas é debatida em seminário (FAPESP)

Divulgação científica ganha peso no meio acadêmico e relacionamento entre as duas classe profissionais se torna mais próximo,dizem especialistas em encontro realizado pela FAPESP

18/04/2012

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Com as ações de divulgação científica ganhando cada vez mais peso no meio acadêmico, a relação entre jornalistas e pesquisadores parece mudar para melhor. Mas é preciso ter em mente que cientistas eminentes não são autoridades em todos os assuntos.

O alerta foi feito pelo biólogo Thomas Lewinsohn, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante sua participação no seminário Ciência na Mídia, realizado pela FAPESP no dia 16 de abril.

“Antigamente os pesquisadores davam muito peso para publicação em revistas científicas, o que lhes garantia prestígio acadêmico e financiamento, e quase nenhuma atenção à divulgação científica, que servia apenas para aumentar a popularidade. Hoje estamos perto de um equilíbrio entre os dois ramos”, afirmou.

Percebeu-se que além de popularidade, a exposição na mídia afetava também a influência e o poder de decisão no meio acadêmico, aumentando as chances de ter um projeto financiado e, consequentemente, elevando o prestígio acadêmico.

Um exemplo claro do novo paradigma, segundo Lewinsohn, é a mudança no sistema de avaliação dos cursos de pós-graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Hoje se dá um peso maior à visibilidade do trabalho dos cientistas que compõem os quadros”, avaliou.

Outro sinal é a transformação pela qual as mais importantes revistas científicas, entre elas ScienceNature, passaram nos últimos anos, ganhando novas seções com conteúdo noticioso e linguagem mais acessível.

“Está se tornando impossível para o cientista ignorar a mídia. Muitos hoje cortejam os jornalistas e isso dá margem a distorções. Existe uma ideia de que o cientista terá sempre uma opinião racional e bem embasada sobre tudo e isso não é verdade”, afirmou o biólogo.

Por esse motivo, recomendou, os jornalistas devem resistir ao impulso de, na correria das redações, recorrer sempre àquela fonte que tem respostas para todos os temas. “Alguns têm uma agenda pessoal, que nem sempre tem a ver com a ciência.”

Durante sua apresentação, o médico Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, reclamou do fato de que a maioria dos jornalistas que o procura querer falar de temas que não têm relação com sua área de estudo: os efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde.

Outro problema abordado por ele foi o pouco tempo dispensado aos temas e o risco da superficialidade. “Você fala durante meia hora e aparece apenas dez segundos. Esse é o maior pavor dos cientistas”, acrescentou Saldiva.

Para o biólogo Fernando Reinach, que se tornou conhecido após participar do Projeto Genoma , financiado pela FAPESP, e hoje mantém uma coluna de divulgação científica no jornal O Estado de S. Paulo, o grande problema do jornalismo científico é “contar o milagre e não contar o santo”.

“Dá-se muita ênfase à descoberta e não se explora bem os métodos usados. Isso dificulta avaliar se o que está sendo dito é verdade”, opinou.

Reinach contou que após deixar a vida acadêmica manteve o hábito de ler artigos científicos e idealizou a coluna no jornal por considerar que havia muitos temas interessantes escondidos atrás de títulos obscuros. “Tenho o cientista como personagem. Tento dar uma dimensão humana à pesquisa”, revelou.

Já o editor de Ciência do jornal Folha de S. Paulo, Reinaldo José Lopes, falou sobre o encolhimento do espaço nos jornais para as notícias em geral e para ciência em particular. “Como empacotar a notícia, a metodologia e o lado humano em meia página? A gente sente uma impaciência do leitor que é assustadora e isso acaba conduzindo à superficialidade”, disse.

O encontro ainda teve a participação de Roberto Wertman, editor do programa Espaço Aberto Ciência & Tecnologia da Globonews, que comentou as limitações da cobertura científica na TV, extremamente dependente da existência de imagens. E de Sonia López, ex-editora do AlphaGalileu, um dos maiores portais de notícias acadêmicas.

A abertura ficou por conta de Clive Cookson, editor de Ciência do jornal Financial Times, que listou os três principais problemas que, em sua opinião, afetam a qualidade do jornalismo científico.

Em primeiro lugar, Cookson mencionou a tendência de abordar os resultados de pesquisas de forma exagerada e sensacionalista. “O repórter precisa convencer seu editor de que vale a pena publicar aqueles dados e a verdade científica às vezes acaba em segunda plano. E quando o subeditor escreve a manchete a notícia fica ainda mais exagerada”, comentou.

Outro problema é a tendência de abordar os dados de forma negativista, o que pode causar distorções. “A ideia é que notícia ruim vende mais”, disse.

Por último Cookson mencionou a divulgação de notícias não objetivas, permeadas de interesses políticos. “Cientistas devem se ater à ciência. Mas mesmo em situações controversas devem aproveitar para passar sua mensagem. Se deixarem um vazio, fontes com motivações políticas podem se aproveitar.”

A Sharp Rise in Retractions Prompts Calls for Reform (N.Y. Times)

PLEA Dr. Ferric Fang argues that science has changed in worrying ways. Matthew Ryan Williams for The New York Times
By CARL ZIMMER – Published: April 16, 2012

In the fall of 2010, Dr. Ferric C. Fang made an unsettling discovery. Dr. Fang, who is editor in chief of the journal Infection and Immunity, found that one of his authors had doctored several papers.

It was a new experience for him. “Prior to that time,” he said in an interview, “Infection and Immunity had only retracted nine articles over a 40-year period.”

The journal wound up retracting six of the papers from the author, Naoki Mori of the University of the Ryukyus in Japan. And it soon became clear that Infection and Immunity was hardly the only victim of Dr. Mori’s misconduct. Since then, other scientific journals have retracted two dozen of his papers, according to the watchdog blog Retraction Watch.

“Nobody had noticed the whole thing was rotten,” said Dr. Fang, who is a professor at the University of Washington School of Medicine.

Dr. Fang became curious how far the rot extended. To find out, he teamed up with a fellow editor at the journal, Dr. Arturo Casadevall of the Albert Einstein College of Medicine in New York. And before long they reached a troubling conclusion: not only that retractions were rising at an alarming rate, but that retractions were just a manifestation of a much more profound problem — “a symptom of a dysfunctional scientific climate,” as Dr. Fang put it.

Dr. Casadevall, now editor in chief of the journal mBio, said he feared that science had turned into a winner-take-all game with perverse incentives that lead scientists to cut corners and, in some cases, commit acts of misconduct.

“This is a tremendous threat,” he said.

WATCHDOG  Dr. Arturo Casadevall of the Albert Einstein College of Medicine in New York teamed up with Dr. Ferric C. Fang to study a raft of retractions. Ángel Franco/The New York Times

Last month, in a pair of editorials in Infection and Immunity, the two editors issued a pleafor fundamental reforms. They also presented their concerns at the March 27 meeting of the National Academies of Sciences committee on science, technology and the law.

Members of the committee agreed with their assessment. “I think this is really coming to a head,” said Dr. Roberta B. Ness, dean of the University of Texas School of Public Health. And Dr. David Korn of Harvard Medical School agreed that “there are problems all through the system.”

No one claims that science was ever free of misconduct or bad research. Indeed, the scientific method itself is intended to overcome mistakes and misdeeds. When scientists make a new discovery, others review the research skeptically before it is published. And once it is, the scientific community can try to replicate the results to see if they hold up.

Source: Journal of Medical Ethics

But critics like Dr. Fang and Dr. Casadevall argue that science has changed in some worrying ways in recent decades — especially biomedical research, which consumes a larger and larger share of government science spending.

In October 2011, for example, the journal Nature reported that published retractions had increased tenfold over the past decade, while the number of published papers had increased by just 44 percent. In 2010 The Journal of Medical Ethics published a studyfinding the new raft of recent retractions was a mix of misconduct and honest scientific mistakes.

Several factors are at play here, scientists say. One may be that because journals are now online, bad papers are simply reaching a wider audience, making it more likely that errors will be spotted. “You can sit at your laptop and pull a lot of different papers together,” Dr. Fang said.

But other forces are more pernicious. To survive professionally, scientists feel the need to publish as many papers as possible, and to get them into high-profile journals. And sometimes they cut corners or even commit misconduct to get there.

To measure this claim, Dr. Fang and Dr. Casadevall looked at the rate of retractions in 17 journals from 2001 to 2010 and compared it with the journals’ “impact factor,” a score based on how often their papers are cited by scientists. The higher a journal’s impact factor, the two editors found, the higher its retraction rate.

The highest “retraction index” in the study went to one of the world’s leading medical journals, The New England Journal of Medicine. In a statement for this article, it questioned the study’s methodology, noting that it considered only papers with abstracts, which are included in a small fraction of studies published in each issue. “Because our denominator was low, the index was high,” the statement said.

Monica M. Bradford, executive editor of the journal Science, suggested that the extra attention high-impact journals get might be part of the reason for their higher rate of retraction. “Papers making the most dramatic advances will be subject to the most scrutiny,” she said.

Dr. Fang says that may well be true, but adds that it cuts both ways — that the scramble to publish in high-impact journals may be leading to more and more errors. Each year, every laboratory produces a new crop of Ph.D.’s, who must compete for a small number of jobs, and the competition is getting fiercer. In 1973, more than half of biologists had a tenure-track job within six years of getting a Ph.D. By 2006 the figure was down to 15 percent.

Yet labs continue to have an incentive to take on lots of graduate students to produce more research. “I refer to it as a pyramid scheme,” said Paula Stephan, a Georgia State University economist and author of “How Economics Shapes Science,” published in January by Harvard University Press.

In such an environment, a high-profile paper can mean the difference between a career in science or leaving the field. “It’s becoming the price of admission,” Dr. Fang said.

The scramble isn’t over once young scientists get a job. “Everyone feels nervous even when they’re successful,” he continued. “They ask, ‘Will this be the beginning of the decline?’ ”

University laboratories count on a steady stream of grants from the government and other sources. The National Institutes of Health accepts a much lower percentage of grant applications today than in earlier decades. At the same time, many universities expect scientists to draw an increasing part of their salaries from grants, and these pressures have influenced how scientists are promoted.

“What people do is they count papers, and they look at the prestige of the journal in which the research is published, and they see how many grant dollars scientists have, and if they don’t have funding, they don’t get promoted,” Dr. Fang said. “It’s not about the quality of the research.”

Dr. Ness likens scientists today to small-business owners, rather than people trying to satisfy their curiosity about how the world works. “You’re marketing and selling to other scientists,” she said. “To the degree you can market and sell your products better, you’re creating the revenue stream to fund your enterprise.”

Universities want to attract successful scientists, and so they have erected a glut of science buildings, Dr. Stephan said. Some universities have gone into debt, betting that the flow of grant money will eventually pay off the loans. “It’s really going to bite them,” she said.

With all this pressure on scientists, they may lack the extra time to check their own research — to figure out why some of their data doesn’t fit their hypothesis, for example. Instead, they have to be concerned about publishing papers before someone else publishes the same results.

“You can’t afford to fail, to have your hypothesis disproven,” Dr. Fang said. “It’s a small minority of scientists who engage in frank misconduct. It’s a much more insidious thing that you feel compelled to put the best face on everything.”

Adding to the pressure, thousands of new Ph.D. scientists are coming out of countries like China and India. Writing in the April 5 issue of Nature, Dr. Stephan points out that a number of countries — including China, South Korea and Turkey — now offer cash rewards to scientists who get papers into high-profile journals. She has found these incentives set off a flood of extra papers submitted to those journals, with few actually being published in them. “It clearly burdens the system,” she said.

To change the system, Dr. Fang and Dr. Casadevall say, start by giving graduate students a better understanding of science’s ground rules — what Dr. Casadevall calls “the science of how you know what you know.”

They would also move away from the winner-take-all system, in which grants are concentrated among a small fraction of scientists. One way to do that may be to put a cap on the grants any one lab can receive.

Such a shift would require scientists to surrender some of their most cherished practices — the priority rule, for example, which gives all the credit for a scientific discovery to whoever publishes results first. (Three centuries ago, Isaac Newton and Gottfried Leibniz were bickering about who invented calculus.) Dr. Casadevall thinks it leads to rival research teams’ obsessing over secrecy, and rushing out their papers to beat their competitors. “And that can’t be good,” he said.

To ease such cutthroat competition, the two editors would also change the rules for scientific prizes and would have universities take collaboration into account when they decide on promotions.

Ms. Bradford, of Science magazine, agreed. “I would agree that a scientist’s career advancement should not depend solely on the publications listed on his or her C.V.,” she said, “and that there is much room for improvement in how scientific talent in all its diversity can be nurtured.”

Even scientists who are sympathetic to the idea of fundamental change are skeptical that it will happen any time soon. “I don’t think they have much chance of changing what they’re talking about,” said Dr. Korn, of Harvard.

But Dr. Fang worries that the situation could be become much more dire if nothing happens soon. “When our generation goes away, where is the new generation going to be?” he asked. “All the scientists I know are so anxious about their funding that they don’t make inspiring role models. I heard it from my own kids, who went into art and music respectively. They said, ‘You know, we see you, and you don’t look very happy.’ ”

HISTORIAS OLVIDADAS DE BUENOS AIRES: UN HOMBRE DECIA HABER INVENTADO LA MAQUINA DE LA LLUVIA

Sucedió el 2 de enero de 1939, cuando un ingeniero llamado Juan Baigorri le aseguró al director de Meteorología que haría llover sobre la ciudad. Y llovió.

Héctor Gambini. DE LA REDACCION DE CLARIN.

Lunes 17.06.2002

“Como respuesta a la censura a mi procedimiento, regalo —por intermedio de Crítica— una lluvia a Buenos Aires para el 2 de enero de 1939″. La frase salió en el diario a fines del 38 y era un desafío público al director de Meteorología Nacional, para quien el autor de los dichos no era más que un embustero. Un ingeniero provocador que decía haber inventado la máquina de hacer llover.

Cuando llegó el 1° de enero, los porteños tenían el desafío tan presente que chocaban copas de madrugada con los ojos clavados en el cielo limpio. El día fue tan caluroso y húmedo que hasta la tarea de sentarse bajo la parra a mirar las nubes raquíticas que pasaban por Buenos Aires resultaba un entretenimiento cansador. Pero llegó la noche y nada.

En la mañana del 2, la ciudad volvió al trabajo. Y nada. Ni rastros de la lluvia. Pero no había viento ni para mover un pétalo de rosa. Y las nubecitas blancas y enfermizas de la tarde anterior iban echando cuerpo y color. Primero grises plomo. Después virando hacia el negro. Cada vez más. Hasta que una brisa de suspiro apareció de la nada con un aliento de humedad en suspensión. Gotitas sin peso ni para llegar al suelo. Y otras gotitas finas detrás, que ya tocaban el asfalto. Y otras gordas como ñoquis, que ahora hacían dibujos en los charcos incipientes. Enseguida,tormenta eléctrica y chaparrón violento. Una catarata que caía del cielo mientras Crítica paraba las rotativas para salir al mediodía con el título principal de la quinta edición, en tipografía catástrofe: “Como lo pronosticó Baigorri, hoy llovió”, debajo de una volanta que daba información acerca de lo que acababa de ocurrir en Buenos Aires:“Baigorri consiguió que tres millones de personas dirijan sus miradas al cielo”.

El tal Baigorri había nacido en Entre Ríos a fines del siglo anterior. Hijo de un militar amigo del general Roca, llegó a Buenos Aires para hacer la secundaria en el Colegio Nacional. Cuando egresó viajó a Italia para estudiar geofísica y se recibió de ingeniero en la Universidad de Milán.

En esos años —principios de la década del 30— comenzó a viajar por el mundo, contratado por diferentes petroleras. Estuvo en diversos países de Europa, Asia y Africa. Y también en Estados Unidos, desde donde volvió contratado por YPF.

Con su mujer y su hijo se instaló en Caballito. Junto a sus bultos de familia hizo trasladar desde el aeropuerto un aparato con antenas expandibles, que guardó celosamente en un placard. “Más o menos estoy adaptado a Buenos Aires, pero hay mucha humedad”, se quejaba.

Una mañana se decidió. Tomó unos aparatos y los utilizó para ir midiendo la humedad por los barrios porteños. Se paró frente a una casa de Araujo y Falcón, en Villa Luro. Las agujas le indicaban que era la zona más alta de cuanto había recorrido. Compró esa casa, que tenía un altillo perfecto para un laboratorio.

Allí se fue “desarrollando” la función de la extraña máquina, un artefacto que, a los dichos de Baigorri, provocaba que el cielo rompiese en lluvia cada vez que la encendiera. Según él, ocurría por un mecanismo de electromagnetismo que concentraba nubes en el área de influencia del aparato.

Era 1938 y los diarios hablaban de los recientes suicidios de Leopoldo Lugones y Alfonsina Storni. Y de los fraudes en las elecciones parlamentarias que ponían al presidente Roberto Ortiz al borde de la renuncia. River inauguraba el Monumental.

Baigorri buscaba demostrar que podía manejar la lluvia y buscó el patrocinio del Ferrocarril Central Argentino. El gerente inglés oyó la propuesta y sonrió, malicioso. “¿Y usted podría hacerlo en cualquier lugar?”, preguntó, tropezando con las palabras en español. Baigorri contestó que sí, y el inglés desafió, sarcástico: “Bueno, haga llover en Santiago del Estero”.

Hacia allí salió el ingeniero, con su extraña máquina y un perito agrónomo de acompañante, que viajaba para controlarlo. A los pocos días volvieron y el perito certificó que, en una estancia de una localidad llamada Estación Pinto, Baigorri se puso a trabajar y a las ocho horas llovió.

Su fama comenzó a crecer y llegó con él, en tren, a Buenos Aires. Hasta viajaron dos periodistas de The Times, de Londres, para entrevistarlo. En el otro rincón, el ingeniero Calmarini, director de Meteorología, salió a decir que todo era un invento infame o, a lo sumo, obra de la casualidad.

Aprovechando la polémica y con el tema instalado en la calle, Crítica fue a entrevistar a Baigorri. De allí salió el desafío para el 2 de enero. Ante el silencio de Meteorología, el ingeniero subió la apuesta: le mandó al funcionario nacional un paraguas de regalo . Junto al bulto, una tarjeta:“Para que lo use el 2 de enero”. Fue el día en que los porteños se desvelaron para mirar el cielo, esperando la lluvia.

Baigorri comenzó a viajar por el interior y a “hacer llover” con su máquina en diferentes localidades, con suerte dispar.

En 1951 fue asesor ad honórem del Ministerio de Asuntos Técnicos. Al año siguiente desempolvó su viejo invento y viajó a La Pampa. Llegó, encendió la batería y empezó a llover, aunque ya la gente dudaba de sus méritos:“Iba a llover de todos modos”, decían.

Baigorri se recluyó en un largo silencio. Ya viudo, pasaba horas en el altillo de Villa Luro. Leonor, la mujer que hoy vive en esa casa, contó a Clarín:“Cada vez que llovía la gente rodeaba la casa y se ponía a mirar hacia el altillo”. Allí mismo Baigorri se negó a atender a un emisario que decía venir en nombre de un empresario norteamericano para comprarle la fórmula. “Mi invento es argentino y será para exclusivo beneficio de los argentinos”, le contestó.

Anciano y solo, vendió la casa y se mudó a lo de un amigo francés, que le prestó una habitación en un departamento. Murió en el otoño de 1972, hace justo 30 años. Tenía 81 y había llegado al hospital solo, con problemas en los bronquios.

Nadie más supo de la extraña máquina de las antenas. Ni si Baigorri dejó un sucesor secreto para que la activara como homenaje durante su propio sepelio: cuando lo estaban enterrando, en el cementerio de la Chacarita, se largó a llover. 

The Inside Story on Climate Scientists Under Siege (Wired/The Guardian)

By Suzanne Goldenberg, The Guardian
February 17, 2012 |

It is almost possible to dismiss Michael Mann’s account of a vast conspiracy by the fossil fuel industry to harass scientists and befuddle the public. His story of that campaign, and his own journey from naive computer geek to battle-hardened climate ninja, seems overwrought, maybe even paranoid.

But now comes the unauthorized release of documents showing how a libertarian thinktank, the Heartland Institute, which has in the past been supported by Exxon, spent millions on lavish conferences attacking scientists and concocting projects to counter science teaching for kindergarteners.

Mann’s story of what he calls the climate wars, the fight by powerful entrenched interests to undermine and twist the science meant to guide government policy, starts to seem pretty much on the money. He’s telling it in a book out on March 6, The Hockey Stick and the Climate Wars: Dispatches From the Front Lines.

“They see scientists like me who are trying to communicate the potential dangers of continued fossil fuel burning to the public as a threat. That means we are subject to attacks, some of them quite personal, some of them dishonest.” Mann said in an interview conducted in and around State College, home of Pennsylvania State University, where he is a professor.

It’s a brilliantly sunny day, and the light snowfall of the evening before is rapidly melting.

Mann, who seems fairly relaxed, has just spoken to a full-capacity, and uniformly respectful and supportive crowd at the university.

It’s hard to square the surroundings with the description in the book of how an entire academic discipline has been made to feel under siege, but Mann insists that it is a given.

“It is now part of the job description if you are going to be a scientist working in a socially relevant area like human-caused climate change,” he said.

He should know. For most of his professional life has been at the center of those wars, thanks to a paper he published with colleagues in the late 1990s showing a sharp upward movement in global temperatures in the last half of the 20th century. The graph became known as the “hockey stick”.

If the graph was the stick, then its publication made Mann the puck. Though other prominent scientists, such as Nasa’s James Hansen and more recently Texas Tech University’s Katharine Hayhoe, have also been targeted by contrarian bloggers and thinktanks demanding their institutions turn over their email record, it’s Mann who’s been the favorite target.

He has been regularly vilified on Fox news and contrarian blogs, and by Republican members of Congress. The attorney general of Virginia, who has been fighting in the courts to get access to Mann’s email from his earlier work at the University of Virginia. And then there is the high volume of hate mail, the threats to him and his family.

“A day doesn’t go by when I don’t have to fend off some attack, some specious criticism or personal attack,” he said. “Literally a day doesn’t go by where I don’t have to deal with some of the nastiness that comes out of a campaign that tries to discredit me, and thereby in the view of our detractors to discredit the entire science of climate change.”

By now he and other climate scientists have been in the trenches longer than the U.S. army has been in Afghanistan.

And Mann has proved a willing combatant. He has not gone so far as Hansen, who has been arrested at the White House protesting against tar sands oil and in West Virginia protesting against coal mining. But he spends a significant part of his working life now blogging and tweeting in his efforts to engage with the public – and fending off attacks.

On the eve of his talk at Penn State, a coal industry lobby group calling itself the Common Sense Movement/Secure Energy for America put up a Facebook page demanding the university disinvite their own professor from speaking, and denouncing Mann as a “disgraced academic” pursuing a radical environmental agenda. The university refused. Common Sense appeared to have dismantled the Facebook page.

But Mann’s attackers were merely regrouping. A hostile blogger published a link to Mann’s Amazon page, and his opponents swung into action, denouncing the book as a “fairy tale” and climate change as “the greatest scam in human history.”

It was not the life Mann envisaged when he began work on his post-graduate degree at Yale. All Mann knew then was that he wanted to work on big problems, that resonated outside academia. At heart, he said, he was like one of the amiable nerds on the television show Big Bang Theory.

“At that time I wanted nothing more than just to bury my head in my computer and study data and write papers and write programs,” he said. “That is the way I was raised. That is the culture I came from.”

What happened instead was that the “hockey stick” graph, because it so clearly represented what had happened to the climate over the course of hundreds of years, itself became a proxy in the climate wars. (Mann’s reconstruction of temperatures over the last millennium itself used proxy records from tree rings and coral).

“I think because the hockey stick became an icon, it’s been subject to the fiercest of attacks really in the whole science of climate change,” he said.

The U.N.’s Intergovernmental Panel on Climate Change produced a poster-sized graph for the launch of its climate change report in 2001.

Those opposed to climate change began accusing Mann of overlooking important data or even manipulating the records. None of the allegations were ever found to have substance. The hockey stick would eventually be confirmed by more than 10 other studies.

Mann, like other scientists, was just not equipped to deal with the media barrage. “It took the scientific community some time I think to realize that the scientific community is in a street fight with climate change deniers and they are not playing by the rules of engagement of science. The scientific community needed some time to wake up to that.”

By 2005, when Hurricane Katrina drew Americans’ attention to the connection between climate change and coastal flooding, scientists were getting better at making their case to the public. George Bush, whose White House in 2003 deleted Mann’s hockey stick graph from an environmental report, began talking about the need for biofuels. Then Barack Obama was elected on a promise to save a planet in peril.

But as Mann lays out in the book, the campaign to discredit climate change continued to operate, largely below the radar until November 2009 when a huge cache of email from the University of East Anglia’s Climatic Research Unit was released online without authorization.

Right-wing media and bloggers used the emails to discredit an entire body of climate science. They got an extra boost when an embarrassing error about melting of Himalayan glaciers appeared in the U.N.’s IPCC report.

Mann now admits the climate community took far too long to realize the extent of the public relations debacle. Aside from the glacier error, the science remained sound. But Mann said now: “There may have been an overdue amount of complacency among many in the scientific community.”

Mann, who had been at the center of so many debates in America, was at the heart of the East Anglia emails battle too.

Though he has been cleared of any wrongdoing, Mann does not always come off well in those highly selective exchanges of email released by the hackers. In some of the correspondence with fellow scientists, he is abrupt, dismissive of some critics. In our time at State College, he mentions more than once how climate scientists are a “cantankerous” bunch. He has zero patience, for example, for the polite label “climate skeptic” for the network of bloggers and talking heads who try to discredit climate change.

“When it comes to climate change, true skepticism is two-sided. One-sided skepticism is no skepticism at all,” he said. “I will call people who deny the science deniers … I guess I won’t be deterred by the fact that they don’t like the use of that term and no doubt that just endears me to them further.”

“It’s frustrating of course because a lot of us would like to get past this nonsensical debate and on to the real debate to be had about what to do,” he said.

But he said there are compensations in the support he gets from the public. He moves over to his computer to show off a web page: I ❤ climate scientists. He’s one of three featured scientists. “It only takes one thoughtful email of support to offset a thousand thoughtless attacks,” Mann said.

And although there are bad days, he still seems to believe he is on the winning side.

Across America, this is the third successive year of weird weather. The U.S. department of agriculture has just revised its plant hardiness map, reflecting warming trends. That is going to reinforce scientists’ efforts to cut through the disinformation campaign, Mann said.

“I think increasingly the campaign to deny the reality of climate change is going to come up against that brick wall of the evidence being so plain to people whether they are hunters, fishermen, gardeners,” he said.

And if that doesn’t work then Mann is going to fight to convince them.

“Whether I like it or not I am out there on the battlefield,” he said. But he believes the experiences of the last decade have made him, and other scientists, far better fighters.

“Those of us who have had to go through this are battle-hardened and hopefully the better for it,” he said. “I think you are now going to see the scientific community almost uniformly fighting back against this assault on science. I don’t know what’s going to happen in the future, but I do know that my fellow scientists and I are very ready to engage in this battle.”

Video: James West, The Climate Desk

Original story at The Guardian.

Newly Discovered Space Rock Is Headed Toward Earth, Estimated Time of Arrival 2040 (POPSCI.com)

The UN is figuring out how to ward off a potential collision

By Clay Dillow
Posted 02.27.2012 at 1:34 pm

Earth, and the Near-Earth Objects that Threaten It ESA – P.Carril

All eyes are on the asteroid Apophis, but a new threat–just 460 feet wide–dominated the conversation at a recent meeting of the UN Action Team on near-Earth objects (NEOs). Known as 2011 AG5, the asteroid could well be on a collision course with Earth in 2040, and some are already calling on scientists to figure out how to deflect it.

Discovered early last year, 2011 AG5 is still somewhat of a mystery to astronomers, as they have a pretty good idea how big it is but have only been able to observe it for roughly half an orbit. That makes it difficult to project the object’s path over time–and to verify whether it may be a threat in 2040. Ideally, researchers would like to observe at least two full orbits before making projections about an NEO’s path, but that hasn’t stopped several in the astronomy from fixing odds on an impact in 2040.

Specifically, those odds are currently at 1 in 625 for an impact on Feb. 5, 2040. But like most odds, these are fluid. From 2013 to 2016, the asteroid will be observable from the ground, and that will give NEO watchers a better idea of its orbit and future trajectory. If those observations don’t vastly diminish the odds of an impact, there should still be time to do something about it before its 2023 keyhole pass.Like Apophis, which may or may not impact Earth in 2036, 2011 AG5 has a keyhole–a region is space near Earth through which it would travel if indeed it is going to impact us on its next pass. It will make its keyhole pass on its approach near Earth in February 2023 when it comes within just 0.02 astronomical units of Earth (that’s roughly 1.86 million miles). NASA’s Jet Propulsion Lab estimates 2011 AG5’s keyhole is about 62 miles wide–not big at all by astronomical standards, but bigger than Apophis’s.

If 2011 AG5 does look like it is going to pass through that keyhole after the 2013-2016 observations, scientists will have a few years to figure out how to alter its orbit and push it outside of the keyhole in 2023, thus averting disaster 17 years later. Such a deflection mission could be good practice. Apophis will make a run at its keyhole in 2029.

 

O planeta doente (culturaebarbarie.org)

por Guy Debord

A “poluição” está hoje na moda, exatamente da mesma maneira que a revolução: ela se apodera de toda a vida da sociedade e é representada ilusoriamente no espetáculo. Ela é tagarelice tediosa numa pletora de escritos e de discursos errôneos e mistificadores, e, nos fatos, ela pega todo mundo pelo pescoço. Ela se expõe em todo lugar enquanto ideologia e ganha terreno enquanto processo real. Esses dois movimentos antagônicos, o estágio supremo da produção mercantil e o projeto de sua negação total, igualmente ricos de contradições em simesmos, crescem em conjunto. São os dois lados pelos quais se manifesta um mesmo momento histórico há muito tempo esperado e freqüentemente previsto sob figuras parciais inadequadas: a impossibilidade da continuação do funcionamento do capitalismo.

A época que tem todos os meios técnicos de alterar as condições de vida na Terra é igualmente a época que, pelo mesmo desenvolvimento técnico e científico separado, dispõe de todos os meios de controle e de previsão matematicamente indubitável para medir com exatidão antecipada para onde conduz — e em que data — o crescimento automático das forças produtivas alienadas da sociedade de classes: isto é, para medir a degradação rápida das condições de sobrevida, no sentido o mais geral e o mais trivial do termo.

Enquanto imbecis passadistas ainda dissertam sobre, e contra, uma crítica estética de tudo isso, e crêem mostrar-se lúcidos e modernos por se mostrarem esposados com seu século, proclamando que a auto-estrada ou Sarcelles têm sua beleza que se deveria preferir ao desconforto dos “pitorescos” bairros antigos ou ainda fazendo observar gravemente que o conjunto da população come melhor, a despeito das nostalgias da boa cozinha, já o problema da degradação da totalidade do ambiente natural e humano deixou completamente de se colocar no plano da pretensa qualidade antiga, estética ou outra, para se tornar radicalmente o próprio problema da possibilidade material de existência do mundo que persegue um tal movimento. A impossibilidade está de fato já perfeitamente demonstrada por todo o conhecimento científico separado, que discute somente sua data de vencimento; e os paliativos que, se fossem aplicados firmemente, a poderiam regular superficialmente. Uma tal ciência apenas pode acompanhar em direção à destruição o mundo que a produziu e que a mantém; mas ela é obrigada a fazê-lo com os olhos abertos. Ela mostra assim, num nível caricatural, a inutilidade do conhecimento sem uso.

Mede-se e se extrapola com uma precisão excelente o aumento rápido da poluição química da atmosfera respirável, da água dos rios, dos lagos e até mesmo dos oceanos; e o aumento irreversível da radioatividade acumulada pelo desenvolvimento pacífico da energia nuclear, dos efeitos do barulho, da invasão do espaço por produtos de materiais plásticos que podem exigir uma eternidade de depósito universal, da natalidade louca, da falsificação insensata dos alimentos, da lepra urbanística que se estende sempre mais no lugar do que antes foram a cidade e o campo; assim como as doenças mentais — aí compreendidas as fobias neuróticas e as alucinações que não poderiam deixar de se multiplicar bem cedo sobre o tema da própria poluição, da qual se mostra em todo lugar a imagem alarmante — e do suicídio, cujas taxas de expansão se entrecruzam já exatamente com as de edificação de um tal ambiente (para não falar dos efeitos da guerra atômica ou bacteriológica, cujos meios estão posicionados como a espada de Dâmocles, mas permanecem evidentemente evitáveis).

Logo, se a amplitude e a própria realidade dos “terrores do Ano Mil” são ainda um assunto controverso entre os historiadores, o terror do Ano Dois Mil é tão patente quanto bem fundado; ele é desde o presente uma certeza científica. Contudo, o que se passa não é em si mesmo nada novo: é somente o fim necessário do antigo processo. Uma sociedade cada vez mais doente, mas cada vez mais poderosa, recriou em todo lugar concretamente o mundo como ambiente e décorde sua doença, enquanto planeta doente. Uma sociedade que não se tornou ainda homogênea e que não é mais determinada por si mesma, mas cada vez maispor uma parte dela mesma que lhe é superior, desenvolveu um movimento de dominação da natureza que contudo não se dominou a si mesmo. O capitalismo finalmente trouxe a prova, por seu próprio movimento, de que ele não pode mais desenvolver as forças produtivas; e isso não quantitativamente, como muitos acreditaram compreender, mas qualitativamente.

Contudo, para o pensamento burguês, metodologicamente, somente o quantitativo é o sério, o mensurável, o efetivo; e o qualitativo é somente a incerta decoração subjetiva ou artística do verdadeiro real estimado em seu verdadeiro peso. Ao contrário, para o pensamento dialético, portanto, para a história e para o proletariado, o qualitativo é a dimensão a mais decisiva do desenvolvimento real. Eis aí o que o capitalismo e nós terminamos por demonstrar.

Os senhores da sociedade são obrigados agora a falar da poluição, tanto para combatê-la (pois eles vivem, apesar de tudo, no mesmo planeta que nós; é este o único sentido ao qual se pode admitir que o desenvolvimento do capitalismo realizou efetivamente uma certa fusão das classes) e para a dissimular, pois a simples verdade dos danos e dos riscos presentes basta para constituir um imenso fator de revolta, uma exigência materialista dos explorados, tão inteiramente vital quanto o foi a luta dos proletários do século XIX pela possibilidade de comer. Após o fracasso fundamental de todos os reformismos do passado — que aspiram todos eles à solução definitiva do problema das classes —, um novo reformismo se desenha, que obedece às mesmas necessidades que os precedentes: lubrificar a máquina e abrir novas oportunidades de lucros às empresas de ponta. O setor mais moderno da indústria se lança nos diferentes paliativos da poluição, como em um novo nicho de mercado, tanto mais rentável quanto mais uma boa parte do capital monopolizado pelo Estado nele está a empregar e a manobrar. Mas se este novo reformismo tem de antemão a garantia de seu fracasso, exatamente pelas mesmas razões que os reformismos passados, ele guarda em face deles a radical diferença de que não tem mais tempo diante de si.

O desenvolvimento da produção se verificou inteiramente até aqui enquanto realização daeconomia política: desenvolvimento da miséria, que invadiu e estragou o próprio meio da vida. A sociedade em que os produtores se matam no trabalho, e cujo resultado devem somente contemplar, lhes deixa claramente ver, e respirar, o resultado geral do trabalho alienado enquanto resultado de morte. Na sociedade da economia superdesenvolvida, tudo entrou na esfera dos bens econômicos, mesmo a água das fontes e o ar das cidades, quer dizer que tudo se tornou o mal econômico, “negação acabada do homem” que atinge agora sua perfeita conclusão material. O conflito entre as forças produtivas modernas e as relações de produção, burguesas ou burocráticas, da sociedade capitalista entrou em sua fase última. A produção da não-vida prosseguiu cada vez mais seu processo linear e cumulativo; vindo a atravessar um último limiar em seu progresso, ela produz agora diretamente a morte.

A função última, confessada, essencial, da economia desenvolvida hoje, no mundo inteiro em que reina o trabalho-mercadoria, que assegura todo o poder a seus patrões, é a produção dos empregos. Está-se bem longe das idéias “progressistas” do século anterior [século XIX] sobre a diminuição possível do trabalho humano pela multiplicação científica e técnica da produtividade, que se supunha assegurar sempre mais facilmente a satisfação das necessidades anteriormente reconhecidas por todos reais e sem alteração fundamental da qualidade mesma dos bens que se encontrariam disponíveis. É presentemente para produzir empregos, até nos campos esvaziados de camponeses, ou seja, para utilizar o trabalho humano enquanto trabalho alienado, enquanto assalariado, que se faz todo o resto; e, portanto, que se ameaça estupidamente as bases, atualmente mais frágeis ainda que o pensamento de um Kennedy ou de um Brejnev, da vida da espécie.

O velho oceano é em si mesmo indiferente à poluição; mas a história não o é. Ela somente pode ser salva pela abolição do trabalho-mercadoria. E nunca a consciência histórica teve tanta necessidade de dominar com tanta urgência seu mundo, pois o inimigo que está à sua porta não é mais a ilusão, mas sua morte.

Quando os pobres senhores da sociedade da qual vemos a deplorável conclusão, bem pior do que todas as condenações que puderam fulminar outrora os mais radicais dos utopistas, devem presentemente reconhecer que nosso ambiente se tornou social, que a gestão detudo se tornou um negócio diretamente político, até as ervas dos campos e a possibilidade de beber, até a possibilidade de dormir sem muitos soníferos ou de tomar um banho sem sofrer de alergias, num tal momento se deve ver também que a velha política especializada deve reconhecer que ela está completamente finda.

Ela está finda na forma suprema de seu voluntarismo: o poder burocrático totalitário dos regimes ditos socialistas, porque os burocratas no poder não se mostraram capazes nem mesmo de gerir o estágio anterior da economia capitalista. Se eles poluem muito menos — apenas os Estados Unidos produzem sozinhos 50% da poluição mundial — é porque são muito mais pobres. Eles somente podem, como por exemplo a China, reunindo em bloco uma parte desproporcionada de sua contabilidade de miséria, comprar a parte de poluição de prestígio das potências pobres, algumas descobertas e aperfeiçoamentos nas técnicas da guerra termonuclear, ou mais exatamente, do espetáculo ameaçador. Tanta pobreza, material e mental, sustentada por tanto terrorismo, condena as burocracias no poder. E o que condena o poder burguês mais modernizado é o resultado insuportável de tanta riquezaefetivamente empestada. A gestão dita democrática do capitalismo, em qualquer país que seja, somente oferece suas eleições-demissões que, sempre se viu, nunca mudava nada no conjunto, e mesmo muito pouco no detalhe, numa sociedade de classes que se imaginava poder durar indefinidamente. Elas aí não mudam nada de mais no momento em que a própria gestão enlouquece e finge desejar, para cortar certos problemas secundários embora urgentes, algumas vagas diretrizes do eleitorado alienado e cretinizado (U.S.A., Itália, Inglaterra, França). Todos os observadores especializados sempre salientaram — sem se preocuparem em explicar — o fato de que o eleitor não muda nunca de “opinião”: é justamente porque é eleitor, o que assume, por um breve instante, o papel abstrato que é precisamente destinado a impedir de ser por si mesmo, e de mudar (o mecanismo foi demonstrado centenas de vezes, tanto pela análise política desmistificada quanto pelas explicações da psicanálise revolucionária). O eleitor não muda mais quando o mundo muda sempre mais precipitadamente em torno dele e, enquanto eleitor, ele não mudaria mesmo às vésperas do fim do mundo. Todo sistema representativo é essencialmente conservador, mesmo se as condições de existência da sociedade capitalista não puderam nunca ser conservadas: elas se modificam sem interrupção, e sempre mais rápido, mas a decisão — que afinal é sempre a decisão de liberar o próprio processo da produção capitalista — é deixada inteiramente aos especialistas da publicidade, quer sejam eles únicos na competição ou em concorrência com aqueles que vão fazer a mesma coisa, e aliás o anunciam abertamente. Contudo, o homem que vota “livremente” nos gaullistas ou no P.C.F., tanto quanto o homem que vota, constrangido e forçado, num Gomulka, é capaz de mostrar o que ele verdadeiramente é, na semana seguinte, participando de uma greve selvagem ou de uma insurreição.

A autoproclamada “luta contra a poluição”, por seu aspecto estatal e legalista, vai de início criar novas especializações, serviços ministeriais, cargos, promoção burocrática. E sua eficácia estará completamente na medida de tais meios. Mas ela somente pode se tornar uma vontade real ao transformar o sistema produtivo atual em suas próprias raízes. E somente pode ser aplicada firmemente no instante em que todas suas decisões, tomadas democraticamente em conhecimento pleno de causa, pelos produtores, estiverem a todo instante controladas e executadas pelos próprios produtores (por exemplo, os navios derramarão infalivelmente seu petróleo no mar enquanto não estiverem sob a autoridade de reais soviets de marinheiros). Para decidir e executar tudo isso, é preciso que os produtores se tornem adultos: é preciso que se apoderem todos do poder.

O otimismo científico do século XIX se desmoronou em três pontos essenciais. Primeiro, a pretensão de garantir a revolução como resolução feliz dos conflitos existentes (esta era a ilusão hegelo-esquerdista e marxista; a menos notada naintelligentsia burguesa, mas a mais rica e, afinal, a menos ilusória). Segundo, a visão coerente do universo, e mesmo simplesmente, da matéria. Terceiro, o sentimento eufórico e linear do desenvolvimento das forças produtivas. Se nós dominarmos o primeiro ponto, teremos resolvido o terceiro; e saberemos fazer bem mais tarde do segundo nossa ocupação e nosso jogo. Não é preciso tratar dos sintomas, mas da própria doença. Hoje o medo está em todo lugar, somente sairemos dele confiando-nos em nossas próprias forças, em nossa capacidade de destruir toda alienação existente e toda imagem do poder que nos escapou. Remetendo tudo, com exceção de nós próprios, ao único poder dos Conselhos de Trabalhadores possuindo e reconstruindo a todo instante a totalidade do mundo, ou seja, à racionalidade verdadeira, a uma legitimidade nova.

Em matéria de ambiente “natural” e construído, de natalidade, de biologia, de produção, de “loucura” etc., não haverá que escolher entre a festa e a infelicidade, mas, conscientemente e em cada encruzilhada, entre, de um lado, mil possibilidades felizes ou desastrosas, relativamente corrigíveis, e, de outra parte, o nada. As escolhas terríveis do futuro próximo deixam esta única alternativa: democracia total ou burocracia total. Aqueles que duvidam da democracia total devem esforçar-se para fazer por si mesmos a prova dela, dando-lhe a oportunidade de se provar em marcha; ou somente lhes resta comprar seu túmulo a prestações, pois “a autoridade, se a viu em obra, e suas obras a condenam” (Jacques Déjacque).

“A revolução ou a morte”: esse slogan não é mais a expressão lírica da consciência revoltada, é a última palavra do pensamento científico de nosso século [XX]. Isso se aplica aos perigos da espécie como à impossibilidade de adesão pelos indivíduos. Nesta sociedade em que o suicídio progride como se sabe, os especialistas tiveram que reconhecer, com um certo despeito, que ele caíra a quase nada em maio de 1968. Essa primavera obteve assim, sem precisamente subi-lo em assalto, um bom céu, porque alguns carros queimaram e porque a todos os outros faltou combustível para poluir. Quando chove, quando há nuvens sobre Paris, não esqueçam nunca que isso é responsabilidade do governo. A produção industrial alienada faz chover. A revolução faz o bom tempo.

Escrito em 1971, por Guy Debord, para aparecer no nº 13 da revista Internacional Situacionista, este artigo permaneceu inédito até recentemente, quando foi publicado, junto com dois outros textos do mesmo autor, em La Planète malade (Paris, Gallimard, 2004, pp. 77-94). A tradução de “O planeta doente” aqui publicada apareceu pela primeira vez em http://juralibertaire.over-blog.com/article-13908597.html. Tradução de Emiliano Aquino (http://emilianoaquino.blogspot.com/).

Fonte:  http://culturaebarbarie.org/sopro/arquivo/planetadoente.html

Canibais? Nós? Imagine! (Revista Geo)

Canibais viveram na América do Sul ou na Nova Guiné – mas com certeza não na Europa! Que engano! Ainda no século 19, a antropofagia era praticada em Berlim ou Paris; embora não de forma tão grotesca como na gravura (à esquerda). Na Europa, partes do corpo humano eram consumidas por razões médicas…

Por Andreas Weiser

Edição 31 – 2011

No dia em que fui preso ainda navegávamos a cerca de sete milhas de distância de Bertioga, quando os selvagens tomaram o rumo de uma ilha. Eles puxaram as canoas para a terra e depois me arrastaram para fora. Eu não conseguia ver nada de tão machucado que estava meu rosto. Também não conseguia andar por causa da lesão na minha perna; portanto, fiquei caído na areia. Os selvagens me cercaram e indicaram com gestos ameaçadores que pretendiam me devorar.”

Hans Staden é o nome do infeliz tão gravemente ferido, caído em uma praia no litoral brasileiro naquela ensolarada tarde de dezembro de 1553. Ele é um “lansquenê” (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão). Staden era procedente da região do atual estado de Hesse, na Alemanha, mas estava a serviço dos colonialistas portugueses comandando uma pequena fortificação não muito distante da atual cidade de São Paulo.

Levianamente, ele havia se afastado demais da área protegida pelo forte, caindo nas mãos dos índios tupinambá, que estavam em pé de guerra com os portugueses. Prisioneiros inimigos costumavam ser escravizados pelos índios litorâneos – ou eram devorados. “Quando nos aproximamos da aldeia chamada Ubatuba, vi sete cabanas. Perto da praia na qual eles tinham largado suas canoas havia mulheres trabalhando na roça… Fui forçado a lhes gritar de longe em sua língua Aju ne xe remiurama, que quer dizer: ‘Eu, vossa comida, estou chegando’.”

O lansquenê não estava destinado ao consumo imediato. Os tupinambá o reservariam para ser devorado durante uma festividade. Staden permaneceu em cativeiro durante nove meses.

Durante esse tempo ele foi obrigado a assistir como os índios matavam e comiam outros prisioneiros. Em seus diários, o alemão descreve o ritual nos mínimos detalhes – e de uma forma tão distante que é como se o medo de logo chegar a sua vez o tivesse feito sair de si mesmo e se transformado em um observador imparcial.

Uma crônica do século 16 ilustra como o lansquenê (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão que, nos séculos 15 e 16 servia sob o comando de oficiais de sua nacionalidade) Hans Staden cai nas mãos dos “nus comedores de gente”

“Eles fazem borlas de plumas para a clava com o qual matam o prisioneiro”, escreveu o lansquenê. “Quando tudo está preparado, eles determinam o dia em que o infeliz morrerá e convidam índios de outras aldeias para essa celebração.”

Depois disso, o drama na mata Atlântica se aproxima de seu clímax: “Por fim, um dos homens pega a clava, se posiciona diante do prisioneiro e lhe mostra a arma de tal modo que a vítima é obrigada a olhar para ela. Enquanto isso, o índio que matará o prisioneiro sai em companhia de outros 13 ou 14. Eles pintam os corpos com cinzas antes de retornarem à praça onde está o cativo.”

Segue-se uma troca de palavras entre o prisioneiro e o índio que irá matá-lo. Depois disso, o guerreiro “o atinge com a clava por trás na cabeça”.

Imediatamente, as mulheres esfolam o cadáver sobre uma fogueira. Em seguida, Hans Staden descreve como o morto é esquartejado. Um homem “corta suas pernas acima do joelho e separa os braços do torso; então quatro mulheres pegam essas quatro partes e, com grande gritaria de alegria, correm com elas ao redor da cabana. Depois disso, eles separam as costas com o traseiro da parte dianteira do corpo. Eles comem as tripas e também a carne da cabeça. O cérebro, a língua e todo o resto comestível da cabeça são reservados para as crianças. Depois que tudo isso aconteceu, cada um volta para sua oca levando a sua parte”.

ISSO REALMENTE PODE ser verdade? Os relatos de Staden não lembram demais aquelas histórias em quadrinhos de canibais em que o homem branco cozinha no caldeirão de um cacique da selva todo enfeitado com plumas e ossos?

Atualmente, muitos cientistas acreditam que está provado que os tupinambá, bem como outras tribos indígenas, de fato eram canibais. Ao que tudo indica, aquela fração de antropólogos que queria categoricamente absolver “o bom selvagem” da acusação de antropofagia foi refutada: um patologista e bioquímico comprovou a existência de traços de proteínas humanas em restos de excrementos e em panelas centenárias dos índios anasazi norte-americanos – provas irrefutáveis de canibalismo. Na Amazônia, pesquisadores documentaram casos de antropofagia ritualística até o século 20. Os índios wari, por exemplo, não consumiam apenas seus inimigos mortos mas também parentes falecidos. A ideia de enterrar um ente querido na terra úmida e mofada da floresta lhes era repugnante.

Nos anos 90, o indianista Werner Hammer ainda presenciou como os índios yanomami misturavam as cinzas de seus mortos em uma papa de banana e depois a consumiam. Desse modo a comunidade internalizava seus falecidos.

Pergunta-se também o quanto Hans Staden foi verossímil como cronista. Sua obra Viagens e aventuras no Brasil (o título original é: História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com Essa Impressão”) foi publicada pela primeira vez em 1557, em Marburgo, Alemanha. Ela é um dos primeiros documentos detalhados de um mundo que já não existe mais. Muitos consideram o relato de Staden autêntico – e pesquisadores brasileiros também o utilizam como uma fonte valiosa de informação.

A antropofagia: (não) era um tabu na Europa

O canibalismo como expressão extrema de miséria também existiu na Europa: soldados espanhóis comem condenados à morte

Hans Staden descreve sem refletir sobre o que ocorre à sua volta. Ele não compreende que os tupinambá não matam e comem seus prisioneiros pelo puro prazer de matar. Ele é intelectualmente incapaz de conceber que o canibalismo praticado por eles brota de sua crença mágica de se apropriarem da força física e espiritual do inimigo por meio do ritual antropofágico.

De certa forma, a cerimônia era até uma homenagem à força do oponente: na Amazônia daquela época, ter um fim desses era considerado sofrer uma morte honrosa, explica Richard Sugg, da Universidade de Durham, na Inglaterra. Uma de suas áreas de pesquisa é o chamado “canibalismo medicinal”. Mas, para Staden, os indígenas não passavam de selvagens que comiam suas vítimas movidos apenas por um “grande ódio e inveja”.

ESTA ERA UMA OPINIÃO que certamente estava de acordo com o espírito de época vigente na Europa. Na Espanha do século 16, os habitantes nativos do Novo Mundo eram coletivamente demonizados – inclusive como justificativa para sua submissão e escravização. Para os europeus, o canibalismo era um fenômeno fora de seus próprios limites morais e geográficos. Um tabu, um ato de anomalia proibido por uma questão moral. Eram selvagens os que comiam a carne de sua própria espécie – algo impensável em uma sociedade civilizada. Ou pelo menos era nisso que os europeus queriam acreditar. Porém, eles estavam completamente equivocados.

Antropólogos distinguem três tipos básicos de comportamento antropofágico: o canibalismo por fome, o ritualístico e o medicinal. O primeiro é uma estratégia de sobrevivência na luta pela existência nua e crua, que ocorre em todas as sociedades a qualquer momento.

Cenas da vida cotidiana dos índios tupinambá, do ponto de vista de Hans Staden. O guerreiro à esquerda carrega a clava com a qual os presos eram abatidos antes de serem esquartejados

Na época em que Hans Staden aguardava seu próprio sacrifício na América do Sul, a Europa sofria com epidemias, atrocidades da guerra e fome. As cidades foram vitimadas pela peste; mais tarde a guerra dos Trinta Anos (1618-1648) devastou grandes áreas do continente e uma catastrófica mudança climática destruiu uma colheita atrás da outra. A Europa mergulhou em uma terrível fome.

Testemunhas da Alsácia de 1636 relataram, por exemplo, que as pessoas iam aos cemitérios e desenterravam cadáveres para comê-los, ou cortavam os enforcados do cadafalso para consumi-los. No mesmo ano, uma pastora de gado de Ruppertshofen, no sul da Alemanha, teria “arrancado a carne dos ossos de seu marido morto; cortando-a em pedaços, cozinhando e consumindo-a com seus filhos”.

NOS TEMPOS MODERNOS, a mais absoluta necessidade também pode transformar pessoas perfeitamente normais em canibais. Foi o que ocorreu com os membros de uma equipe de rúgbi do Uruguai, cujo avião caiu nos Andes, em 1972. Isolados durante 72 dias na gélida cordilheira, os sobreviventes se alimentaram da carne de seus colegas mortos. Sob o título Sobreviventes dos Andes, o trágico e sinistro episódio foi recriado em um filme de Hollywood.

O mesmo aconteceu no cerco a Leningrado, na União Soviética, entre 1941 e 1944, quando o exército alemão cortou todo e qualquer fornecimento de víveres à cidade. Desesperadas, as pessoas viram-se diante de duas alternativas: morrer de fome (o que aconteceu com centenas de milhares) ou fazer o impensável – o que centenas de fato fizeram.

Já o canibalismo ritualístico, como o praticado pelos índios tupinambá, não é um ato de necessidade ou desespero. Nem o canibalismo medicinal – a variante europeia de práticas antropofágicas.

Carne fresca da forca: particularmente cobiçada

Saque de cadáveres na guerra dos Trinta Anos: os famintos desenterravam até caixões. O canibalismo medicinal era a variante socialmente aceitável dessas ações repugnantes

Essas duas formas de antropofagia tinham suas raízes na idéia de que o corpo humano, mesmo depois de morto, ainda continha forças que podiam ser transferidas aos vivos – um conceito que sobreviveu até os primórdios da modernidade na cultura dos tupinambá, wari ou yanomami; bem como entre os povos das florestas tropicais da Nova Guiné, que ainda viviam na Idade da Pedra, e entre muitos cidadãos de Londres, Paris ou Berlim.

Os canibais europeus também consumiam partes do corpo humano para se beneficiar das forças obscuras do morto; contudo, eles não capturavam pessoas para consumi-las. Na Europa, aproveitavam-se os corpos de vítimas de execuções.

NO SÉCULO 16, quando Hans Staden ainda aguardava a sua morte na América do Sul –, médicos e farmacêuticos europeus acreditavam plenamente na energia mágica que, segundo eles, emanava dos corpos de recém-executados. A ingestão de carne humana não era, de forma alguma, um ritual secreto, realizado à luz bruxuleante de velas. Na Europa, os membros dos mortos ou as substâncias derivadas deles farão parte durante séculos do repertório do tratamento médico. O comércio de múmias e partes de cadáveres se transformou em um ramo altamente lucrativo da economia.

O famoso médico, alquimista, físico e astrólogo suíço Paracelso é considerado o representante mais conhecido do canibalismo medicinal – e ele deixou instruções precisas. No século 17, seu seguidor Johann Schroeder escreveu: “O ideal é você pegar o corpo de um homem ruivo, de cerca de 24 anos, que morreu de morte violenta”.

Cabelos ruivos eram sinal de “sangue mais leve” e de “uma carne melhor”. Era considerado particularmente importante que o cadáver não tivesse “dessangrado” – sangrado até a morte; pois, de acordo com a escola de pensamento dominante, um corpo sem sangue era um corpo sem alma.

Os tupinambá trazem o prisioneiro (a partir da esquerda); duas mulheres dançam ao redor da fogueira. A vítima é desmembrada. Sua cabeça é fervida; Staden está presente e reza

Todavia, o poder inerente ao cadáver era um produto altamente perecível. Era preciso captá-lo sem demora, para que não se esvaísse. De acordo com a imaginação da época, quando alguém morria, o vínculo entre a alma e o corpo se dissolvia em um prazo de 3 ou 4 dias. Portanto, somente quem se alimentasse de um cadáver fresco (ou de produtos derivados dele) podia ingerir também a sua alma e beneficiar- se de seus poderes.

Acreditava-se que era principalmente o sangue que continha aqueles “espíritos vitais” (Lebensgeister, em alemão) que uniriam a alma e o corpo. Dizem que quando o papa Inocêncio VIII estava à beira da morte, em 1492, os médicos teriam sangrado três meninos para ministrar ao seu proeminente paciente o sangue deles. Depois do procedimento, os meninos teriam morrido – e a intervenção aparentemente também não teria ajudado o Santo Padre.

NAQUELA ÉPOCA, os médicos papais também desconheciam o princípio que Paracelso postularia pouco mais tarde: “especialmente eficazes”, escreveu ele em sua Arte Necromantia, “são a carne e o sangue de criminosos executados”.

“Por que justamente os cadáveres de criminosos executados são considerados a melhor substância possível?”, pergunta a pesquisadora sociocultural Anna Bergman em seu livro Der entseelte Patient (“O paciente desalmado” – até onde pude verificar, sem tradução para o português), que descreve em detalhes as práticas do canibalismo medicinal. Uma parte da resposta parece ser puro pragmatismo: “Como, de que forma obter cadáveres jovens e frescos sem se tornar um assassino?” Para Bergman, a recomendação de Paracelso tem motivos mais profundos, que se enraízam nos mundos imaginários mágicos e nos rituais de execução cristãos – que hoje nos parecem tão bizarros quanto a crença tupinambá em espíritos.

De acordo com a convicção reinante na época, a alma do “pobre pecador” era purgada de todos os seus males (pecados) nos porões das câmaras de tortura da Justiça (significando que o pecador confessava sua culpa) – uma analogia à crucificação de Jesus Cristo. Estes corpos que, arrependidos e purificados pela Graça Divina, despedem-se deste mundo no cadafalso, são particularmente cobiçados pelos canibais da Europa.

Sangue dos decapitados: remédio para as massas
 

QUANDO O SANGUE esguicha e jorra das artérias e veias do delinquente decapitado, os espectadores se amontoam na cerca ao redor do cadafalso com recipientes coletores em punho. Os assistentes do carrasco coletam o sangue e devolvem os recipientes aos seus respectivos donos – que bebem avidamente o líquido. São epilépticos convencidos de que seu sofrimento pode ser curado com o sangue fresco de um executado. Eles querem incorporar sua alma – afinal, Hildegard von Bingen já havia explicado a epilepsia como uma “evasão da alma que sai do corpo”.

Essa cena no cadafalso não se passa na Idade Média, mas em Göttingen, na Alemanha, em 1858. Naquele ano, o primeiro cabo submarino entre Europa e América entrou em operação; Karl Marx escreveu sua Contribuição à crítica da Economia Política e Rudolf Virchow apresentou sua teoria, segundo a qual as doenças surgem em consequência de perturbações nas células do corpo – que substituiu o antigo conceito sobre o funcionamento dos fluidos corporais.

Para os adeptos do canibalismo medicinal, a coleta do sangue no cadafalso é apenas o começo do aproveitamento dos mortos. Médicos e anatomistas assediam os carrascos para obterem partes do corpo particularmente cobiçadas. O povo mais simples, por sua vez, tenta se apossar por conta própria das preciosas partes (sem passar pelo caminho da medicina, cara demais para eles) e começa a praticar saques tanto ao cadafalso como nos cemitérios. Frequentemente, os restos mortais dos executados são completamente dilacerados após poucos dias.

Hans Staden escapou com vida; os tupinambá o deixaram viver – talvez por que ele lhes parecesse covarde demais? Seus relatos tornaram-se uma fonte etnográfica

O QUE OCORREU NA EUROPA foi uma diversificação daquela prática que teve seu apogeu no século 17. Muitas receitas circulavam entre a população; transmitidas oralmente na medicina popular ou artisticamente impressas em tratados eruditos. O médico Johann Schröder, por exemplo, autor do manual de medicina mais importante do século 17, recomenda “cortar a carne humana em fatias, ou pedaços pequenos”, temperá-la, curti-la em aguardente de vinho e, por fim, secá-la.

A gordura corporal também é um produto muito desejado. Em 1675, o professor de medicina Tobias Andreae desmembra uma infanticida morta por afogamento, derrete sua carne e obtém 20 quilos da chamada “gordura do pecador pobre” (expressão que definia os criminosos condenados à morte). E, na Grande Enciclopédia Universal de Zedler, de 1739, pode-se ler como transformar essa gordura em um medicamento antropofágico para uso doméstico. Não seriam, portanto, os europeus que deveriam ser chamados de “selvagens ferozes comedores de gente”? Foi precisamente isso o que aconteceu entre os habitantes da África ao sul do Saara até o século 20: mesmo sem conhecimentos detalhados sobre o canibalismo praticado no hemisfério norte, os negros acreditavam que os brancos eram antropofágicos.

OS EUROPEUS JÁ HAVIAM levantado demasiado suspeitas perpetrando crimes colonialistas. Por volta de 1800, o explorador escocês Mungo Park, especializado no continente africano, relata que os escravos acorrentados tinham certeza de que os homens brancos os estavam levando ao abatedouro e não para realizar trabalhos forçados. No Peru, a primeira insurgência contra os espanhóis foi desencadeada pelo boato de que os senhores coloniais estavam matando os povos indígenas para obter gordura corporal.

O comércio de matérias-primas canibalescas na Europa assumiu proporções transcontinentais, envolvendo múmias. Entre 1500 e 1900, os médicos, os farmacêuticos e até os charlatães prescrevem a seus pacientes partes de cadáveres embalsamados, em pó ou forma esférica (comprimido), como remédio contra quase todos os males.

O negócio com a chamada mumia vera aegyptica (a “verdadeira múmia egípcia”) assume tais dimensões que em pouco tempo a demanda por exemplares autênticos do reino dos faraós não pode mais ser atendida. Comerciantes e farmacêuticos apelam para falsificações e corpos embalsamados de mendigos, leprosos e vítimas da peste. Fetos abortados também são secados e vendidos como múmias infantis.

As verdadeiras múmias egípcias são um artigo de luxo. O rei francês Francisco I (1494-1547) sempre carregava consigo uma pequena quantidade da preciosa substância para, no caso de uma queda do cavalo ou outro ferimento se medicar imediatamente. O filósofo inglês Francis Bacon (1561- 1626) apostava tanto no poder de cura das múmias quanto o poeta Léon Tolstoi, no final do século 19. Ainda em 1912, a empresa farmacêutica alemã Merck oferecia em seu catálogo a mumia vera aegyptica – “enquanto os estoques durassem”. O preço era citado por quilo: na época, o equivalente a 17,50 marcos alemães.

As vozes céticas eram escassas. Um dos críticos mais proeminentes foi o humanista francês Michel de Montaigne que em pleno século 16 rotulou a mania das múmias como comportamento canibal e chamaou a atenção para a “crítica hipócrita” dos europeus em relação à antropofagia indígena.

Com toda razão, julga o historiador de medicina britânico Richard Sugg. Segundo ele, o canibalismo do Velho Mundo possuiu uma dimensão muito mais abrangente do que o dos índios. O consumo de múmias não era uma cerimônia mágica, mas uma parte da cultura cotidiana e da vida econômica. Na Europa, médicos e farmacêuticos faziam bons negócios com o canibalismo. No topo dessa rentável cadeia comercial estavam os carrascos e os ladrões de túmulos. “A antropofagia europeia influiu nas mais diversas esferas e países”, resume Sugg. “Não se pode compará-la ao canibalismo limitado praticado, por exemplo, por uma tribo no Brasil.” Segundo o historiador, os verdadeiros canibais viviam na Europa.

DURANTE O SEU CATIVEIRO, Hans Staden observou, incrédulo, como os índios tupinambá tratavam bem aqueles que eles haviam reservado para suas festividades: “Eles lhe dão uma mulher que cuida dele, lhe dá de comer e também se deita com ele. Se ela engravidar, eles criam a criança… Alimentam muito bem o prisioneiro e o mantêm vivo por algum tempo, enquanto fazem todos os preparativos para a celebração. Eles fabricam muitos recipientes para as bebidas e outros mais especiais para as substâncias com as quais o pintam e decoram”.

Antes de ser abatida, a vítima desfruta do maior respeito; os tupinambá até permitem que ela gere descendentes – embora o venerado inimigo seja obrigado a provar que é digno de seu papel. Como?

Os sobreviventes da queda de um avião nos Andes, em 1972, alimentaram-se durante semanas da carne de seus companheiros de viagem mortos. Seu drama de sobrevivência se transformou em um filme de Hollywood

OS ASTECAS, por exemplo, torturavam seus prisioneiros para pôr à prova a sua coragem e assim determinar se eles eram ou não adequados para uma cerimônia antropofágica, explica Richard Sugg. Segundo ele, as vítimas cooperavam com seus torturadores – na certeza de estarem sendo criticamente observadas pelo deus sol.

Hans Staden relatou que os tupinambá também davam grande valor à força física e mental do inimigo. Afinal de contas, estas eram as características mais importantes que pretendiam incorporar ao devorá-lo. O lansquenê de Hesse, no entanto, foi um completo fracasso nesse sentido.

As regras desse jogo sinistro permaneceram incompreensíveis para ele. Em sua terra natal, a Europa do século 16, as pessoas que comerão e a que será comida não estabelecem nenhum tipo de relacionamento antes da morte da vítima. Staden havia perdido toda a sua coragem. Ele implorou, suplicou, chorou e rezou aos brados ao seu deus. E depois descreveu a reação dos tupinambá com as seguintes palavras: “Então eles disseram: ‘Ele é um verdadeiro português. Agora ele grita desse jeito porque está com horror da morte’… Eles zombaram cruelmente de mim; tanto os jovens como os velhos”.

A cientista cultural brasileira Vanete Santana Dezmann presume que o pânico de Hans Staden o tenha tornado indigno aos olhos dos índios. O que fazer com um pedaço de carne impregnado de covardia? Talvez tenha sido por essa razão que os tupinambá o libertaram novamente após nove meses de cativeiro.

O medo devora a alma: Staden teve a sorte do medroso. Ele voltou para Hesse e, juntamente com um médico, escreveu o seu livro sobre os comedores de gente.

Em Marburgo, o lansquenê abandonou o mercenarismo e foi trabalhar em uma jazida de salitre. Ele morreu em 1576.

A história não nos transmitiu o que aconteceu com o seu corpo.

New report reveals how corporations undermine science with fake bloggers and bribes (io9)

BY ANNALEE NEWITZ

MAR 9, 2012 2:22 PM

You’ve probably heard about how the tobacco industry tried to suppress scientific evidence that smoking causes cancer by publishing shady research, bribing politicians, and pressuring researchers. But you may not have realized that tabacco’s dirty tricks are just the tip of the iceberg. In a disturbing new report published by the Union of Concerned Scientists about corporate corruption of the sciences, you’ll learn about how Monsanto hired a public relations team to invent fake people who harassed a scientific journal online, how Coca Cola offers bribes to suppress evidence that soft drinks harm kids’ teeth, and more. Here are some of the most egregious recent examples of corruption from this must-read report.

The report is a meaty assessment of corporate corruption in science that stretches back to incidents with Big Tobacco in the 1960s, up through contemporary examples. Here are just a few of those.

One way that corporations prevent negative information about their products from getting out is by harassing scientists and the journals that publish them. Here’s how Monsanto did it:

Dr. Ingacio Chapela of the University of California–Berkeley and graduate student David Quist published an article in Nature showing that DNA from genetically modified corn was contaminating native Mexican corn. The research spurred immediate backlash.Nature received a number of letters to the editor, including several comments on the Internet from “Mary Murphy” and “Andura Smetacek” accusing the scientists of bias. The backlash prompted Nature to publish an editorial agreeing that the report should not have been published. However, investigators eventually discovered that the comments from Murphy and Smetacek originated with The Bivings Group, a public relations firm that specializes in online communications and had worked for Monstanto. Mary Murphy and Andura Smetacek were found to be fictional names.

Corporations also form front organizations to hide their efforts to undermine science. That’s what happened when producers of unhealthy food got together to cast doubt on the FDA’s recommended health guidelines:

The Center for Consumer Freedom is a nonprofit that targets dietary guidelines recommended by the FDA, other government agencies, medical associations, and consumer advocacy organizations. The center has run ads and owns a website that accuses government agencies of overregulation, and has published articles claiming to refute evidence that high salt intake and other dietary guidelines are based on inadequate science. The center was founded with a $600,000 grant from Philip Morris, but has also received funding from Cargill, National Steak and Poultry, Monsanto, Coca-Cola, and Sutter Home Winery.

Sometimes corporations just go for it and buy off legit organizations, as Coca Cola did when they appear to have paid dentists to stop saying kids shouldn’t drink Coke:

In 2003, the American Academy of Pediatric Dentistry accepted a $1 million donation from Coca-Cola. That year, the group claimed that “scientific evidence is certainly not clear on the exact role that soft drinks play in terms of children’s oral disease.” The statement directly contradicted the group’s previous stance that “consumption of sugars in any beverage can be a significant factor…that contributes to the initiation and progression of dental caries.”

Corporations can also unduly influence federal agencies, as ReGen did when they wanted their device approved for trials by the FDA, despite serious medical problems:

ReGen Biologics attempted to gain FDA approval for clinical trials of Menaflex, a device it developed to replace knee cartilage. After an FDA panel rejected the device, the company enlisted four members of Congress from its home state of New Jersey to influence the evaluation process. In December 2007, Senator Frank Lautenberg, Senator Robert Menendez, and Representative Steve Rothman wrote to FDA Commissioner Andrew von Eschenbach asking him to personally look into Menaflex. Soon thereafter, the commissioner met with ReGen executives and heeded the company’s advice to have Dr. Daniel Shultz, head of the FDA’s medical devices division, oversee a new review. The FDA fast-tracked and approved the product despite serious concerns from the scientific community.

If bribery doesn’t work, you can always censor negative results, the way pharmaceutical company Boots did:

Boots commissioned Dr. Betty Dong, a scientist at the University of California–San Francisco, to test the effects of Synthroid, a replacement for thyroid hormone. Boots hoped to reveal that despite its high price, Synthroid was more effective than similar drugs. The company closely monitored the research, and when Dong found that the drug was no more effective than its competitors, instructed her not to publish the results. When she refused to comply, Boots threatened to sue. The company relented only after several years, during which consumers continued to pay for the costly product.

You can also try “refuting” scientific results with bad evidence, the way the formaldehyde industry did:

To counter a study that found that formaldehyde caused cancer in rats, a formaldehyde company commissioned its own study. That study-which found no association between the chemical and cancer-exposed only one-third the number of rats to formaldehyde for half as long as the original study. A formaldehyde association quickly publicized the results and argued before the Consumer Product Safety Commission (CPSC) that they indicated “no chronic health effects from exposure to the level of formaldehyde normally encountered in the home”

And then, if you’re Pfizer, you can just generate as much favorable research as you like to bolster sales of a drug, despite your discovery that the drug increases risk of suicide:

From 1998 to 2007, Pfizer discreetly facilitated the publication of 15 case studies, six case reports, and nine letters to the editor to boost off-label use of Neurontin, a drug prescribed to treat seizures in people who have epilepsy and nerve pain. The number of patients taking the drug rose from 430,000 to 6 million, making it one of Pfizer’s most profitable products. An investigation found that Pfizer had failed to publish negative results, selectively reported outcomes, and excluded specific patients from analysis. [Most importantly] Pfizer failed to note that the drug increased the risk of suicide.

Read the full report here, which includes sources for these stories, as well as an extensive section devoted to reforming scientific practices. There are ways we can avoid this kind of corruption, and they involve everything from federal reforms to corporate transparency.

[via Union of Concerned Scientists]

O que você não quer ser quando crescer (Revista Fapesp)

HUMANIDADES | PERCEPÇÃO DA CIÊNCIA

Pesquisa mostra que menos de 3% dos adolescentes latino-americanos desejam seguir uma carreira científica
Carlos Haag
Edição Impressa 192 – Fevereiro de 2012

Boneco de Albert Einstein na Estação Ciência, em São Paulo. © EDUARDO CESAR

Mesmo vivendo num mundo imerso em tecnologia, o jovem, ao se deparar com a célebre pergunta “o que você quer ser quando crescer?”, dificilmente responderá “cientista”. Segundo a pesquisa Los estudiantes y la ciência, projeto do Observatório Ibero-americano de Ciência, Tecnologia e Sociedade (Ryct/Cyted), organizado pelo argentino Carmelo Polino, apenas 2,7% dos estudantes secundaristas (de 15 a 19 anos) da América Latina e Espanha pensam em seguir uma carreira nas áreas de ciências exatas ou naturais, como biologia, química, física, e matemática (as ciências agrícolas mal aparecem). Realizada entre 2008 e 2010, foram consultadas cerca de 9 mil escolas, privadas e particulares, em sete capitais: Assunção, São Paulo, Buenos Aires, Lima, Montevidéu, Bogotá e Madri. Curiosamente, 56% dos entrevistados se disseram interessados em se profissionalizar em ciências sociais e um quinto deles optou pelas engenharias. A equipe brasileira participante do projeto veio do Laboratório de Jornalismo da Unicamp (Labjor), coordenado pelo linguista Carlos Vogt, responsável pelo capítulo “Hábitos informativos sobre ciência e tecnologia” do livro, lançado em espanhol e disponível apenas para download pelo link www.oei.es/salactsi/libro-estudiantes.pdf.
“São dados preocupantes para sociedades em cujas economias há uma intensa necessidade de cientistas e engenheiros, mas há um baixo interesse dos jovens por essas profissões. E as razões alegadas igualmente são desanimadoras: 78% dos estudantes explicam sua opção por achar que as ciências exatas e as naturais são ‘muito difíceis’, quase metade dos alunos as considera ‘chatas’, enquanto um quarto deles afirma que esses campos oferecem oportunidades limitadas de emprego”, afirma Polino. “O número de alunos de ciências já está num patamar insuficiente para as necessidades da economia e indústria e, acima de tudo, para lidar com os problemas a serem enfrentados pelas sociedades no futuro.” Ainda segundo os entrevistados, o desânimo em face do desafio das ciências está ligado, em boa parte, à forma como elas são ensinadas, e reclamam que os recursos utilizados em sala de aula são limitados. Metade dos adolescentes tampouco acredita que as matérias científicas tenham aumentado sua apreciação pela natureza, nem que sejam fontes de solução para problemas de vida cotidiana.

“Há barreiras culturais, porque os jovens de hoje acham que para ter êxito na vida, ter dinheiro, não é preciso estudar muito. É possível escolher uma carreira de resultados econômicos mais rápidos. A cultura do esforço, que é a cultura da ciência, vem perdendo espaço. Temos a necessidade urgente de uma política pública de educação e comunicação da ciência”, avisa Polino. Em alguns pontos a nova pesquisa reforça algumas tendências observadas no estudo anterior do grupo, Percepção pública da ciência (ver “Imagens da ciência” na edição 95 de Pesquisa FAPESP; Leitores esquivos”, na 188; e “Avanços e desafios”, na 185), de 2004, mas a pesquisa recente, com o foco nos jovens, traz novos e preocupantes dados. “Num país como o nosso, cujo futuro depende dos avanços de ciência e tecnologia, e onde há uma grande carência de profissionais técnicos e engenheiros, esses números demandam atenção das autoridades e da sociedade em geral para despertar nesses jovens o interesse pelas carreiras científicas. Acima de tudo, é um paradoxo, porque vivemos num mundo estruturado pela presença da tecnologia em todos os espaços da vida das pessoas”, analisa Vogt. “Apreciamos as benesses do esforço científico, mas não nos interessamos em continuar esse trabalho. As facilidades são ofertadas, mas são ilusórias, porque se quisermos tomar posse dessas conquistas é preciso capacitação científica, capacidade de abstração, mesmo com todas essas dificuldades que advêm do estudo das ciências exatas e naturais.”

“Já existem obstáculos grandes para os jovens adentrarem o mundo das ciências, visto como hermético, uma coisa de iniciados com linguagem própria que pouco tem a ver com o mundo sensível em que vivemos, exigindo um alto grau de abstração, e nem sempre se pode encontrar com facilidade analogias na vida pessoal dos estudantes”, observa Vogt. “Imagine tudo isso num país como o nosso em que apenas 2% dos formados desejam seguir uma carreira no magistério. A situação de ensino é lamentável e, na maioria dos casos, quem dá aulas de ciências vem de campos alternativos, como engenheiros ou médicos, pouco interessados em facilitar ou renovar a maneira de ensinar.”

São, portanto, sutis as razões que levam um estudante a optar pela carreira científica. Segundo a pesquisa, 4 em cada 10 estudantes seguiriam a profissão por dois motivos: viajar muito e trabalhar com novas tecnologias. Para um terço dos interessados, o salário, que consideram atrativo, é também uma variável a ser levada em conta para essa escolha. Bem atrás, com menos de 18%, estão motivos como: descobrir coisas novas, solucionar problemas da humanidade e avançar o conhecimento. Bem abaixo, com menos de 5%, estão razões como exercer uma profissão socialmente prestigiada ou trabalhar com pessoas qualificadas. No campo dos fatores que desanimam os jovens, o grande “vilão” é a didática das ciências nas aulas, que afasta da cabeça dos estudantes o desejo de uma carreira científica ou um futuro laboratorial. Em seguida, para 6 em cada 10 alunos, a dificuldade em entender as matérias é um filtro negativo. O “tédio” assola metade dos jovens. Daí, outro fator que os desanima é a ideia de que escolher a área científica é seguir estudando “indefinidamente” algo que consideram “chato”. Em quarto lugar, com 24%, está o receio de que existam poucas oportunidades de conseguir um emprego na área.

Isso não impede os jovens de ver aqueles que escolheram a ciência para profissão como figuras socialmente prestigiadas, cujo trabalho está associado a fins altruístas e ao progresso, e a imagem dos cientistas que predomina é a de apaixonados pelo seu trabalho, com mentes abertas e um pensamento lógico, não vigorando mais o estereótipo do cientista “solitário” e “distante da realidade”. Há, porém, um ponto controverso: os jovens estão convencidos, em sua maioria, de que os cientistas são donos de uma inteligência superior, que embora possa ser vista como uma característica positiva e atrativa afugenta os jovens, que não se consideram capazes de alcançar os patamares dessas “figuras excepcionais”, afetando negativamente a escolha pela carreira científica. “É preciso analisar esses dados a partir do seu potencial, pois é possível mudar esse paradigma atual que reverta a situação, trazendo não apenas mais jovens para as carreiras científicas, como também melhorando a experiência de aprendizagem da educação secundária”, observa Polino.

Diante da afirmação “que a ciência traz mais benefícios do que riscos à vida das pessoas”, 7 em cada 10 entrevistados concordaram com a premissa. Mas diante da assertiva “a ciência e a tecnologia estão produzindo um estilo de vida artificial e desumanizado”, as posições são menos definidas e a resposta mais recorrente (21,5%) foi “não concordo, nem discordo”. O contexto social revelou aspectos interessantes: os jovens de escolas públicas são menos entusiastas das comodidades oferecidas pela tecnologia. “Não é de estranhar que os que têm menos acesso a ela percebam menos a sua importância em facilitar a vida das pessoas”, nota Polino. Diante das afirmações “contraditórias” de que a ciência está “tirando postos de trabalho” e que “a ciência trará mais chances de trabalho para as gerações futuras” os resultados revelam que mais jovens (37%) têm medo de perder seu emprego por causa da ciência do que são otimistas com o futuro (32%). Segundo os pesquisadores, as respostas seguem o padrão da juventude latino-americana, para quem a “meritocracia” no trabalho é mais mito do que realidade. Quando o meio ambiente entra em cena, tudo piora.

Em face das assertivas “ciência e tecnologia eliminarão a pobreza e a fome do mundo” e “a ciência e a tecnologia são responsáveis pela maior parte dos problemas ambientais”, 3 em cada 10 estudantes não acreditam no poder de “cura” científico e a cifra se repete na certeza de que a ciência está afetando o meio ambiente negativamente. Aqui também as mulheres mostram sua visão: elas são as mais céticas, com 5 em cada 10 rejeitando a capacidade da tecnologia em pôr fim às mazelas globais. No cômputo total, porém, há certo otimismo juvenil: 52% dos adolescentes estão abertos e favoráveis ao que a ciência e a tecnologia possam realizar em nossas sociedades, mostrando que não vigora mais a fé cega e absoluta diante de seus resultados, sendo bem mais moderados e conscientes dos riscos do que os adultos, o que, dizem os pesquisadores, se bem aproveitado pode servir de base a uma cidadania mais crítica e responsável. “Instalar uma usina em Angra sem consultar a sociedade é, hoje, algo impensável. Os jovens pressupõem que exista um sistema que enfatiza a democratização nos processos científicos, o que não implica votar em quem vai ou não para um laboratório”, observa Vogt. “Eles aceitam uma cultura científica que realize uma ligação entre razão e humanidade, entre ciência e sociedade.”

Isso talvez explique um dado curioso descoberto na pesquisa realizada pelo Labjor. Se o caminho do conhecimento científico principal continua a ser a televisão, seguida pela internet, a ficção científica, em livros, filmes, HQs ou games, ganhou um honroso terceiro lugar como fonte de informação sobre ciências para os jovens. “Ao lado da internet, esses meios diferenciados oferecem um grande potencial de atrair jovens para a ciência de forma lúdica e interessante, uma forma estratégica de atingir essa camada da população para a divulgação de assuntos científicos”, nota Vogt. Até porque em vários lugares pesquisados as instituições oficiais são pouco conhecidas ou mesmo ignoradas, assim como os locais onde se pode informar sobre ciência, como museus ou zoológicos. Assim, curiosamente, uma cidade como São Paulo, onde há uma concentração de centros de pesquisa, universidades, e onde o acesso à informação científica é favorecido pela presença de museus e uma oferta midiática rica, mostrou índices de consumo informativo da população abaixo da média.

Veja infográficos:
Evolução dos universitários formados por área do conhecimentoFrequência com que os jovens se informam sobre ciênciaO que afasta os jovens da ciência

Vídeo da Comissão Europeia tem circulação suspensa (Opinião e Notícia)

XENOFOBIA

Peça publicitária mostra Europa atacada por chineses, brasileiros e indianos.

Por Felipe Varne – 8/03/2012

Uma bela mulher (usando o macacão amarelo imortalizado nas telas do cinema por Bruce Lee em O Jogo da Morte, e homenageado por Quentin Tarantino emKill Bill) caminha sozinha por um galpão abandonado. Subitamente ela é ameaçada pela presença de três homens. O primeiro, um ninja com traços orientais. O segundo, um homem de turbante e portando uma ameaçadora espada. O terceiro é um capoeirista acrobático e musculoso. Sem se intimidar, a mulher se concentra, e se multiplica em vários clones que formam um círculo ao redor do trio. As três figuras se tornam menos ameaçadoras, e os clones se sentam em posição de lótus, antes de se transformarem na bandeira da União Europeia.

O final do comercial que promove a expansão da União Europeia termina com a seguinte mensagem: “quanto maiores formos, mais fortes seremos”. A mensagem pode até ser verdadeira, mas o comercial foi retirado do ar às pressas, graças a uma enxurrada de comentários que acusaram a Comunidade Europeia de racismo e xenofobia.

Recebemos muitas mensagens sobre nosso último vídeo, incluindo algumas que se mostraram preocupadas com a mensagem que estava sendo passada.

O vídeo era uma experiência viral, visando atingir por meio de redes sociais e novas mídias, jovens entre 26 e 24 anos, familiarizados com artes marciais e vídeo games. As reações dentro dessa faixa etária foram positivas, assim como as dos grupos de testes nos quais o vídeo foi testado.

O vídeo apresenta personagens típicos do gênero das artes marciais: mestres de kung fu, kalripayattu e capoeira. Tudo começa com uma demonstração de suas habilidades e termina com todos os personagens demonstrando seu respeito mútuo, numa posição de paz e harmonia. O gênero foi escolhido para atrair os jovens e aumentar sua curiosidade a respeito de uma importante política da União Europeia.

O vídeo não tinha intenção alguma de promover o racismo, e nós obviamente lamentamos que ele tenha sido encarado desta maneira. Pedimos desculpas a qualquer um que tenha se ofendido. Por causa da polêmica, decidimos interromper a campanha imediatamente, e retirar o vídeo de circulação.

A mensagem acima é assinada por Stefano Sannino, diretor-geral do programa de expansão da Comissão Europeia. Nos tempos de crise, é natural que a União Europeia queira se fortalecer, e nada mais natural do que vender essa ideia aos jovens. Artes marciais e vídeo games são uma boa forma de atrair essa faixa etária, além de serem uma linguagem universal (algo importante quando o bloco em questão concentra um número gigantesco de idiomas e dialetos).

No entanto, a mensagem de Sannino se não é mentirosa, é, no mínimo, ingênua. Os três mestres, embora sejam muito habilidosos, não estão apenas demonstrando suas habilidades, e sim ameaçando a pobre mulher indefesa. Ou será que há algum outro motivo para que ela se multiplique em dez, formando um círculo ao redor do trio? E não é preciso ser nenhum gênio para ver que os mestres também não são apenas mestres, mas sim um chinês, um indiano e um brasileiro. China, índia e Brasil são integrantes do grupo dos BRICs, os países emergentes da economia mundial, que estão prosperando e crescendo, enquanto a Europa atravessa maus bocados. O quarto país do grupo, a Rússia, não apareceu no vídeo. Para isso existem duas explicações. Ou não foi possível encontrar um mestre de sambo (a mais famosa arte marcial da Rússia) a tempo, ou ironicamente, o país de Putin e Medvedev pode fazer parte dos planos de expansão da União Europeia. Ambas as opções soam absurdas, mas nada é impossível.

A Europa atravessa uma crise criada por ela mesma, e que apenas ela pode resolver. Ao buscar nos países emergentes um bode expiatório, a Comissão Europeia deu o primeiro tiro no pé. E ao apresentar desculpas esfarrapadas e subestimar a inteligência dos espectadores do vídeo, pode ter dado o segundo.

Science panel: Get ready for extreme weather (AP)

November 18, 2011|Seth Borenstein, AP Science Writer

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Think of the Texas drought, floods in Thailand and Russia’s devastating heat waves as coming attractions in a warming world. That’s the warning from top international climate scientists and disaster experts after meeting in Africa.

The panel said the world needs to get ready for more dangerous and “unprecedented extreme weather’’ caused by global warming. These experts fear that without preparedness, crazy weather extremes may overwhelm some locations, making some places unlivable.

The Nobel Prize-winning Intergovernmental Panel on Climate Change issued a special report on global warming and extreme weather Friday after meeting in Kampala, Uganda. This is the first time the group of scientists has focused on the dangers of extreme weather events such as heat waves, floods, droughts and storms. Those are more dangerous than gradual increases in the world’s average temperature.

For example, the report predicts that heat waves that are now once-in-a-generation events will become hotter and happen once every five years by mid-century and every other year by the end of the century. And in some places, such as most of Latin America, Africa and a good chunk of Asia, they will likely become yearly bakings.

And the very heavy rainstorms that usually happen once every 20 years will happen far more frequently, the report said. In most areas of the U.S. and Canada, they are likely to occur three times as often by the turn of the century, if fossil fuel use continues at current levels. In Southeast Asia, where flooding has been dramatic, it is likely to happen about four times as often as now, the report predicts.

One scientist points to this year’s drought and string of 100 degree days in Texas and Oklahoma, which set an all-time record for hottest month for any U.S. state this summer.

“I think of it as a wake-up call,’’ said one of the study’s authors, David Easterling, head of global climate applications for the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration. “The likelihood of that occurring in the future is going to be much greater.’’

The report said world leaders have to prepare better for weather extremes.

“We need to be worried,’’ said one of the study’s lead authors, Maarten van Aalst, director of the International Red Cross/Red Crescent Climate Centre in the Netherlands. “And our response needs to anticipate disasters and reduce risk before they happen rather than wait until after they happen and clean up afterward. … Risk has already increased dramatically.’’

Lo que dicen las fotos de Lula con cáncer (BBC Mundo)

Gerardo Lissardy

BBC Mundo, Rio de Janeiro
Viernes, 25 de noviembre de 2011

Lula siendo afeitado por su esposa Leticia

Para ningún político debe ser fácil mostrar públicamente una lucha personal contra el cáncer, pero el modo en que lo ha hecho el ex presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva tiene significados concretos, según sus allegados y expertos.

La noticia del cáncer de laringe que afecta a Lula fue conocida por los brasileños el 29 de octubre, apenas unas horas después que el propio ex presidente fuera diagnosticado con la enfermedad.

Desde entonces, el equipo de comunicación del instituto que encabeza Lula ha enviado regularmente a la prensa mensajes con información del tratamiento de quimioterapia que recibe y hasta de momentos íntimos que vive.

Por ejemplo, hubo fotos de Lula con médicos cuando inició el tratamiento en un hospital de Sao Paulo, fotos en una cama del nosocomio tomado de la mano de su sucesora, la presidenta Dilma Rousseff, y hasta fotos de su esposa Marisa Letícia cortándole a cero su cabello y su barba.

Todas estas imágenes han sido ofrecidas a los medios, libres de reproducción, por el Instituto Lula.

Algunas, en especial las del momento en que perdía su distintiva barba, recorrieron el mundo y se publicaron en las portadas de varios diarios locales y latinoamericanos.

Hay expertos que creen que todo esto responde a una estrategia definida, con valoraciones políticas.

José Chrispiniano, asesor de prensa del Instituto Lula, acepta que el modo de comunicar sobre la enfermedad del ex presidente tiene ciertos objetivos, pero descarta que se trate de vender algo en particular.

“No es de ninguna forma marketing”, dijo en diálogo con BBC Mundo.

“Cuestión muy simbólica”

Lula sin barbaLa oficina del expresidente ha presentado decenas de fotos que documentan la enfermedad de Lula.

Chrispiniano explicó que fue el propio Lula quien tomó la decisión de informar abiertamente sobre su cáncer y tratamiento, desde el momento en que conoció el diagnóstico.

“Aunque no tenga ningún cargo público ahora, es una persona de interés público, entonces el objetivo es divulgar claramente: es una enfermedad tratable y un tratamiento con perspectivas bastante positivas de cura”, señaló.

Además, dijo, se ha buscado evitar una dramatización de la enfermedad (de hecho, en muchas de las fotos divulgadas Lula aparece sonriente) o evitar que parezca “que se están escondiendo cosas”.

La difusión de las fotos de Lula siendo afeitado y mostrando su nuevo aspecto con bigote también fue iniciativa del ex presidente, relató Chrispiniano.

“Era una cuestión muy simbólica de su imagen y quisimos mostrar que pasó ese momento tranquilo, porque (para) muchas personas que tienen esta enfermedad es un momento de mucho estigma”, dijo.

Dos días después del corte de pelo de Lula, su instituto divulgó el viernes 18 fotos del ex presidente recibiendo la visita del director técnico de la selección brasileña de fútbol, Mano Menezes.

“Fuerza, eterno ‘presidente Lula’. Contamos contigo para 2014”, escribió Menezes en la casaca número 10 del combinado nacional que le obsequió a Lula, y que también aparecía en las fotos.

Se trataba de una referencia al Mundial de fútbol que Brasil va a organizar ese año, precisó el comunicado.

“Una estrategia”

Lula con el equipo del hospital de Sao Paolo que lo atiendePara muchos el padecimiento de Lula con el cáncer podría aumentar su ya alta popularidad.

Rousiley Maia, una investigadora de la Universidad Federal de Minas Gerais experta en comunicación y política, cree que la decisión de informar de esta forma sobre el cáncer de Lula “fue deliberadamente una estrategia”.

“En vez de poner sombras (o) tratar con medias palabras (la enfermedad), la estrategia es apelar por el lado humano, ordinario y mortal de la figura”, dijo Maia a BBC Mundo.

Sin embargo, sostuvo que esa decisión es coherente con la “construcción de imagen pública de Lula por varios años”, de un hombre de pueblo que se convirtió en un líder nacional reconocido mundialmente.

“Más allá de la empatía, es una forma de sustentar el carisma y respeto que construyó durante estos años”, opinó. “Este momento de enfermedad personal es una forma de volver a la escena pública de forma central”.

Renzo Taddei, un antropólogo profesor de comunicación, ciudadanía y política en la Universidad Federal de Río de Janeiro (UFRJ), dijo que el manejo público del cáncer de Lula muestra probables aspiraciones políticas a futuro.

“El cáncer es un tema ya clásico de superación y heroísmo en Brasil”, indicó a BBC Mundo.

“Era todo lo que faltaba a Lula: vencer el cáncer. Si lo hace, ya no hay nada más que no pueda hacer (aunque no haya hecho la reforma agraria que Brasil aguarda hace tanto ni las reformas fiscales y políticas)”, agregó.

Cáncer y elecciones

Presidenta Rousseff vista a Lula tras su operaciónLa presidenta Dilma Rousseff también es sobreviviente de un cáncer

Hasta que le fue diagnosticado el cáncer, muchos brasileños se preguntaban si Lula buscaría regresar a la presidencia en las elecciones de 2014, pero él decía que corresponde a Rousseff buscar la reelección.

Cuando Rousseff fue tratada con éxito de un cáncer linfático en 2009, algunos miembros del gobierno de Lula llegaron a especular con que podía salir fortalecida para buscar la presidencia al año siguiente.

Sin embargo, Lula descartó públicamente que ambas cosas pudieran vincularse.

“No puedo imaginar cómo es que alguien sale fortalecido porque tuvo un cáncer”, declaró entonces. “Sólo deseo la recuperación de Dilma”.

Rousseff se recuperó y fue electa presidenta al año siguiente, con el respaldo de Lula.

That’s Gross! Study Uncovers Physiological Nature of Disgust in Politics (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 25, 2011) — Most likely, you would be disgusted if confronted with a picture of a man eating a mouthful of writhing worms. Or a particularly bloody wound. Or a horribly emaciated but still living body. But just how much disgust you feel may lend important insight into your personal political proclivities.

In a new study, political scientists closely measured people’s physiological reactions as they looked at a series of pleasant and unpleasant images. Participants who identified themselves as conservative — and, in particular, those who said they were against gay marriage — had strong physiological reactions when shown the gross pictures.

The study, the latest to examine the connection between political differences and humans’ built-in physiological traits, was co-authored by University of Nebraska-Lincoln political science professors Kevin Smith and John Hibbing and appears this month in the online journal PLoS ONE, published by the Public Library of Science.

“This is one more piece of evidence that we, quite literally, have gut feelings about politics,” Smith said. “Our political attitudes and behaviors are reflected in our biology.”

Researchers worked with 27 women and 23 men who were chosen from a larger pool of participants who also underwent thorough political questioning. The subjects were shown a series of disgusting and also relatively pleasant images while electrodes on their skin measured subtle skin conductance changes, which indicated an emotional response.

As predicted, conservatives responded to the pictures with much more intense disgust than did liberals. Attitudes in opposition to same-sex marriage were highly connected.

The results add to a growing area of research that suggests biology plays a larger role in influencing political orientation than many might think. Recent UNL work has produced findings in this area, including a 2008 study that found people who are highly responsive to threatening images were likely to support defense spending, capital punishment, patriotism and the Iraq War.

“The proper interpretation of the findings (in the current study) is not that biology causes politics or that politics causes biology,” the authors write, “but that certain political orientations at some unspecified point become housed in our biology, with meaningful political consequences.”

Acceptance of the role of involuntary physiological responses is not easy for many, however: “Most are proud of their political orientations, believe them to be rational responses to the world around them, and are reluctant to concede that subconscious predispositions play any role in shaping them,” they wrote. Still, the authors suggest that if recognition of the relevance of politics of involuntary physiology became more widespread, it could diminish frustration from the perceived illogical inflexibility of political opponents and reduce political hostility.

“After all, if political differences are traceable in part to the fact that people vary in the way they physically experience the world, certitude that any particular worldview is ‘correct’ may abate, lessening the hubris that fuels political conflict.”

In addition to UNL’s Smith and Hibbing, the study was co-authored by Douglas Oxley of Texas A&M University; Matthew Hibbing of the University of California, Merced; and John Alford of Rice University.

The world at seven billion (BBC)

27 October 2011 Last updated at 23:08 GMT

File photograph of newborn babies in Lucknow, India, in July 2009

As the world population reaches seven billion people, the BBC’s Mike Gallagher asks whether efforts to control population have been, as some critics claim, a form of authoritarian control over the world’s poorest citizens.

The temperature is some 30C. The humidity stifling, the noise unbearable. In a yard between two enormous tea-drying sheds, a number of dark-skinned women patiently sit, each accompanied by an unwieldy looking cloth sack. They are clad in colourful saris, but look tired and shabby. This is hardly surprising – they have spent most of the day in nearby plantation fields, picking tea that will net them around two cents a kilo – barely enough to feed their large families.

Vivek Baid thinks he knows how to help them. He runs the Mission for Population Control, a project in eastern India which aims to bring down high birth rates by encouraging local women to get sterilised after their second child.

As the world reaches an estimated seven billion people, people like Vivek say efforts to bring down the world’s population must continue if life on Earth is to be sustainable, and if poverty and even mass starvation are to be avoided.

There is no doubting their good intentions. Vivek, for instance, has spent his own money on the project, and is passionate about creating a brighter future for India.

But critics allege that campaigners like Vivek – a successful and wealthy male businessman – have tended to live very different lives from those they seek to help, who are mainly poor women.

These critics argue that rich people have imposed population control on the poor for decades. And, they say, such coercive attempts to control the world’s population often backfired and were sometimes harmful.

Population scare

Most historians of modern population control trace its roots back to the Reverend Thomas Malthus, an English clergyman born in the 18th Century who believed that humans would always reproduce faster than Earth’s capacity to feed them.

Giving succour to the resulting desperate masses would only imperil everyone else, he said. So the brutal reality was that it was better to let them starve.

‘Plenty is changed into scarcity’

Thomas Malthus

From Thomas Malthus’ Essay on Population, 1803 edition:

A man who is born into a world already possessed – if he cannot get subsistence from his parents on whom he has a just demand, and if the society do not want his labour, has no claim of right to the smallest portion of food.

At nature’s mighty feast there is no vacant cover for him. She tells him to be gone, and will quickly execute her own orders, if he does not work upon the compassion of some of her guests. If these guests get up and make room for him, other intruders immediately appear demanding the same favour. The plenty that before reigned is changed into scarcity; and the happiness of the guests is destroyed by the spectacle of misery and dependence in every part of the hall.

Rapid agricultural advances in the 19th Century proved his main premise wrong, because food production generally more than kept pace with the growing population.

But the idea that the rich are threatened by the desperately poor has cast a long shadow into the 20th Century.

From the 1960s, the World Bank, the UN and a host of independent American philanthropic foundations, such as the Ford and Rockefeller foundations, began to focus on what they saw as the problem of burgeoning Third World numbers.

The believed that overpopulation was the primary cause of environmental degradation, economic underdevelopment and political instability.

Massive populations in the Third World were seen as presenting a threat to Western capitalism and access to resources, says Professor Betsy Hartmann of Hampshire College, Massachusetts, in the US.

“The view of the south is very much put in this Malthusian framework. It becomes just this powerful ideology,” she says.

In 1966, President Lyndon Johnson warned that the US might be overwhelmed by desperate masses, and he made US foreign aid dependent on countries adopting family planning programmes.

Other wealthy countries such as Japan, Sweden and the UK also began to devote large amounts of money to reducing Third World birth rates.

‘Unmet need’

What virtually everyone agreed was that there was a massive demand for birth control among the world’s poorest people, and that if they could get their hands on reliable contraceptives, runaway population growth might be stopped.

But with the benefit of hindsight, some argue that this so-called unmet need theory put disproportionate emphasis on birth control and ignored other serious needs.

Graph of world population figures

“It was a top-down solution,” says Mohan Rao, a doctor and public health expert at Delhi’s Jawaharlal Nehru University.

“There was an unmet need for contraceptive services, of course. But there was also an unmet need for health services and all kinds of other services which did not get attention. The focus became contraception.”

Had the demographic experts worked at the grass-roots instead of imposing solutions from above, suggests Adrienne Germain, formerly of the Ford Foundation and then the International Women’s Health Coalition, they might have achieved a better picture of the dilemmas facing women in poor, rural communities.

“Not to have a full set of health services meant women were either unable to use family planning, or unwilling to – because they could still expect half their kids to die by the age of five,” she says.

India’s sterilisation ‘madness’

File photograph of Sanjay and Indira Gandhi in 1980

Indira Gandhi and her son Sanjay (above) presided over a mass sterilisation campaign. From the mid-1970s, Indian officials were set sterilisation quotas, and sought to ingratiate themselves with superiors by exceeding them. Stories abounded of men being accosted in the street and taken away for the operation. The head of the World Bank, Robert McNamara, congratulated the Indian government on “moving effectively” to deal with high birth rates. Funding was increased, and the sterilising went on.

In Delhi, some 700,000 slum dwellers were forcibly evicted, and given replacement housing plots far from the city centre, frequently on condition that they were either sterilised or produced someone else for the operation. In poorer agricultural areas, whole villages were rounded up for sterilisation. When residents of one village protested, an official is said to have threatened air strikes in retaliation.

“There was a certain madness,” recalls Nina Puri of the Family Planning Association of India. “All rationality was lost.”

Us and them

In 1968, the American biologist Paul Ehrlich caused a stir with his bestselling book, The Population Bomb, which suggested that it was already too late to save some countries from the dire effects of overpopulation, which would result in ecological disaster and the deaths of hundreds of millions of people in the 1970s.

Instead, governments should concentrate on drastically reducing population growth. He said financial assistance should be given only to those nations with a realistic chance of bringing birth rates down. Compulsory measures were not to be ruled out.

Western experts and local elites in the developing world soon imposed targets for reductions in family size, and used military analogies to drive home the urgency, says Matthew Connelly, a historian of population control at Columbia University in New York.

“They spoke of a war on population growth, fought with contraceptive weapons,” he says. “The war would entail sacrifices, and collateral damage.”

Such language betrayed a lack of empathy with their subjects, says Ms Germain: “People didn’t talk about people. They talked of acceptors and users of family planning.”

Emergency measures

Critics of population control had their say at the first ever UN population conference in 1974.

Karan Singh, India’s health minister at the time, declared that “development is the best contraceptive”.

But just a year later, Mr Singh’s government presided over one of the most notorious episodes in the history of population control.

In June 1975, the Indian premier, Indira Gandhi, declared a state of emergency after accusations of corruption threatened her government. Her son Sanjay used the measure to introduce radical population control measures targeted at the poor.

The Indian emergency lasted less than two years, but in 1975 alone, some eight million Indians – mainly poor men – were sterilised.

Yet, for all the official programmes and coercion, many poor women kept on having babies.

And where they did not, it arguably had less to do with coercive population control than with development, just as Karan Singh had argued in 1974, says historian Matt Connelly.

For example, in India, a disparity in birth rates could already be observed between the impoverished northern states and more developed southern regions like Kerala, where women were more likely to be literate and educated, and their offspring more likely to be healthy.

Women there realised that they could have fewer births and still expect to see their children survive into adulthood.

China: ‘We will not allow your baby to live’

Steven Mosher was a Stanford University anthropologist working in rural China who witnessed some of the early, disturbing moments of Beijing’s One Child Policy.

“I remember very well the evening of 8 March, 1980. The local Communist Party official in charge of my village came over waving a government document. He said: ‘The Party has decided to impose a cap of 1% on population growth this year.’ He said: ‘We’re going to decide who’s going to be allowed to continue their pregnancy and who’s going to be forced to terminate their pregnancy.’ And that’s exactly what they did.”

“These were women in the late second and third trimester of pregnancy. There were several women just days away from giving birth. And in my hearing, a party official said: ‘Do not think that you can simply wait until you go into labour and give birth, because we will not allow your baby to live. You will go home alone’.”

Total control

By now, this phenomenon could be observed in another country too – one that would nevertheless go on to impose the most draconian population control of all.

The One Child Policy is credited with preventing some 400 million births in China, and remains in place to this day. In 1983 alone, more than 16 million women and four million men were sterilised, and 14 million women received abortions.

Assessed by numbers alone, it is said to be by far the most successful population control initiative. Yet it remains deeply controversial, not only because of the human suffering it has caused.

A few years after its inception, the policy was relaxed slightly to allow rural couples two children if their first was not a boy. Boy children are prized, especially in the countryside where they provide labour and care for parents in old age.

But modern technology allows parents to discover the sex of the foetus, and many choose to abort if they are carrying a girl. In some regions, there is now a serious imbalance between men and women.

Moreover, since Chinese fertility was already in decline at the time the policy was implemented, some argue that it bears less responsibility for China’s falling birth rate than its supporters claim.

“I don’t think they needed to bring it down further,” says Indian demographer AR Nanda. “It would have happened at its own slow pace in another 10 years.”

Backlash

In the early 1980s, objections to the population control movement began to grow, especially in the United States.

In Washington, the new Reagan administration removed financial support for any programmes that involved abortion or sterilisation.

“If you give women the tools they need – education, employment, contraception, safe abortion – then they will make the choices that benefit society”

Adrienne Germain

The broad alliance to stem birth rates was beginning to dissolve and the debate become more polarised along political lines.

While some on the political right had moral objections to population control, some on the left saw it as neo-colonialism.

Faith groups condemned it as a Western attack on religious values, but women’s groups feared changes would mean poor women would be even less well-served.

By the time of a major UN conference on population and development in Cairo in 1994, women’s groups were ready to strike a blow for women’s rights, and they won.

The conference adopted a 20-year plan of action, known as the Cairo consensus, which called on countries to recognise that ordinary women’s needs – rather than demographers’ plans – should be at the heart of population strategies.

After Cairo

Today’s record-breaking global population hides a marked long-term trend towards lower birth rates, as urbanisation, better health care, education and access to family planning all affect women’s choices.

With the exception of sub-Saharan Africa and some of the poorest parts of India, we are now having fewer children than we once did – in some cases, failing even to replace ourselves in the next generation. And although total numbers are set to rise still further, the peak is now in sight.

Chinese poster from the 1960s of mother and baby, captioned: Practicing birth control is beneficial for the protection of the health of mother and childChina promoted birth control before implementing its one-child policy

Assuming that this trend continues, total numbers will one day level off, and even fall. As a result, some believe the sense of urgency that once surrounded population control has subsided.

The term population control itself has fallen out of fashion, as it was deemed to have authoritarian connotations. Post-Cairo, the talk is of women’s rights and reproductive rights, meaning the right to a free choice over whether or not to have children.

According to Adrienne Germain, that is the main lesson we should learn from the past 50 years.

“I have a profound conviction that if you give women the tools they need – education, employment, contraception, safe abortion – then they will make the choices that benefit society,” she says.

“If you don’t, then you’ll just be in an endless cycle of trying to exert control over fertility – to bring it up, to bring it down, to keep it stable. And it never comes out well. Never.”

Nevertheless, there remain to this day schemes to sterilise the less well-off, often in return for financial incentives. In effect, say critics, this amounts to coercion, since the very poor find it hard to reject cash.

“The people proposing this argue ‘Don’t worry, everything’ s fine now we have voluntary programmes on the Cairo model’,” says Betsy Hartmann.

“But what they don’t understand is the profound difference in power between rich and poor. The people who provide many services in poor areas are already prejudiced against the people they serve.”

Work in progress

For Mohan Rao, it is an example of how even the Cairo consensus fails to take account of the developing world.

“Cairo had some good things,” he says. “However Cairo was driven largely by First World feminist agendas. Reproductive rights are all very well, but [there needs to be] a whole lot of other kinds of enabling rights before women can access reproductive rights. You need rights to food, employment, water, justice and fair wages. Without all these you cannot have reproductive rights.”

Perhaps, then, the humanitarian ideals of Cairo are still a work in progress.

Meanwhile, Paul Ehrlich has also amended his view of the issue.

If he were to write his book today, “I wouldn’t focus on the poverty-stricken masses”, he told the BBC.

“I would focus on there being too many rich people. It’s crystal clear that we can’t support seven billion people in the style of the wealthier Americans.”

Mike Gallager is the producer of the radio programme Controlling People on BBC World Service

Where do you fit into 7 billion?

The world’s population is expected to hit seven billion in the next few weeks. After growing very slowly for most of human history, the number of people on Earth has more than doubled in the last 50 years. Where do you fit into this story of human life? Fill in your date of birth here to find out.