Cid faz usina termelétrica no Ceará só para aquário (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4870, de 06 de dezembro de 2013

Governo do Ceará já orçou R$ 261 milhões para erguer aquele que seria quarto maior reservatório do mundo

O aquário que o governo Cid Gomes (Pros) constrói em Fortaleza terá um gasto adicional de R$ 16 milhões para a construção de uma usina termelétrica exclusiva.

O valor se soma aos US$ 110 milhões (R$ 261 milhões, pelo câmbio de ontem) já orçados para erguer o aquário de 21,5 mil m² e 38 tanques, que pretende ser o quarto maior do mundo, com 15 milhões de em litros de água (ou quatro piscinas olímpicas).

A usina a gás servirá, entre outras funções, para controlar a temperatura da água dos 35 mil animais que deverão habitar o espaço a partir de janeiro de 2015, prazo previsto para conclusão da obra.

O governo do Ceará diz que a usina estava prevista no projeto e não trará problemas ambientais. “Pela sua dimensão, o equipamento precisa de um plano B de energia, em caso de problemas operacionais”, diz o secretário do Turismo, Bismarck Maia.

O governo não soube informar o custo de manutenção da usina, que não é especificado na licitação da obra.

A termelétrica soma mais um elemento às críticas ao aquário. Para o deputado de oposição Heitor Férrer (PDT), o equipamento visa “dar luxo a uma casa de peixe”. “É uma obra grandiosa para um Estado pobre”, diz ele.

O governo Cid Gomes tem sido marcado por polêmicas no uso do dinheiro público. Em 2008, o irmão de Ciro Gomes teve que pedir desculpas por levar a sogra a Europa, em visita oficial, em jato fretado pelo governo por R$ 540 mil (valores atualizados).

Neste ano, Cid pagou cachê de R$ 650 mil para Ivete Sangalo para inaugurar um hospital em Sobral, berço político dos irmãos Gomes.

Outro alvo de críticas em 2013 foi a contratação de um bufê por R$ 3,4 milhões que incluía itens como caviar, escargot e lagosta.

INGRESSO
Já o Acquário Ceará é criticado desde o anúncio da obra, em 2009. Em julho deste ano, manifestantes acamparam no bairro da obra em protesto contra o avanço do empreendimento.

O preço dos ingressos ainda não está definido, mas deve ficar entre R$ 45 e R$ 50.

“Ainda é uma estimativa, pelo que observamos em outros aquários. Em Lisboa, por exemplo, a taxa varia entre 15 a 20 euros [R$ 48 a R$ 64]”, diz o secretário do Turismo.

O governo estima que o aquário possa receber até 1,2 milhão de turistas por ano –número próximo ao 1,5 milhão de turistas que se registraram em hotéis em Fortaleza durante o ano de 2011.

(André Uzêda/Folha de São Paulo)

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