| 15/8/2011 – Instituto Humanitas Unisinos | ||
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Infanticídio indígena: traços de uma cultura em transformação. Entrevista especial com Saulo Feitosa | |
| “Se as pessoas querem defender a vida das crianças indígenas, devem aderir a outros projetos de lei”, como o Estatuto dos Povos Indígenas, diz Saulo Feitosa à IHU On-Line, ao criticar oProjeto de Lei 1057/2007, que criminaliza os povos que praticam infanticídio.
Em entrevista concedida por telefone, ele explica que todos os indígenas que vivem no Brasil estão submetidos à legislação brasileira e que, portanto, não há necessidade de sancionar o Projeto de Lei 1057/2007, de autoria do deputado Henrique Afonso (PT/AC). Na avaliação do secretário doCimi, o Projeto tem uma carga preconceituosa, racista e serve “para ampliar o grau de preconceito da sociedade contra os povos indígenas, e para justificar interesses colonialistas que se mantêm nos dias de hoje”. De acordo com Feitosa, o infanticídio era praticado no período colonial e desde o início da década de 1990 não se têm informações de casos de infanticídio em tribos indígenas. “Todos os registros históricos, dos quais tenho conhecimento, acenam que, entre os indígenas, o índice de infanticídio é baixíssimo. Inclusive viajantes como Fernão Cardim, que escreveu um livro sobre os hábitos do Brasil, faziam referência à maneira carinhosa como as mulheres indígenas cuidavam de seus filhos em comparação às mulheres de Lisboa. (…) Causa-nos estranheza que, 500 anos depois, apareçam grupos fundamentalistas acusando indígenas de matanças generalizadas de suas crianças”. Feitosa explica ainda que o infanticídio era regido por uma cosmologia indígena e que fazia parte da cultura de alguns povos. “O fato de existir uma narrativa cosmológica não significa que a cultura se mantém atualizada”, enfatiza. E dispara: “A questão do infanticídio, na prática, é residual porque os povos mudam suas culturas”. Confira a entrevista. IHU On-Line – Como avalia a polêmica acerca da prática do infanticídio e o projeto de lei que criminaliza indígenas e profissionais de órgãos governamentais por tais práticas? ONGs e deputados evangélicos acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças e defendem que o Estado é obrigado por lei a protegê-las. Saulo Feitosa – Por trás desse projeto de lei e desse debate existe uma questão fundamentalista religiosa e uma questão política. Os povos indígenas estão submetidos à mesma legislação brasileira. Portanto, se vierem a cometer qualquer crime, serão julgados e punidos como todos os cidadãos deste país. Hoje, aproximadamente 750 indígenas estão cumprindo pena no sistema penitenciário nacional. Desse modo, não há razão para existir uma lei específica para falar de infanticídio indígena. No entendimento do Cimi, na medida em que se cria uma lei, os índios seriam, duas vezes, julgados e condenados por um mesmo crime. Todos sabemos que os indígenas defendem a vida, a natureza. Portanto, existe uma campanha nacional e internacional negativa contra os povos indígenas e isso gera um descrédito da população em relação a essas comunidades. É nesse contexto ofensivo contra os direitos indígenas que surge a questão do infanticídio indígena. Os propositores do Projeto de Lei 1057/2007 afirmam que há, entre os povos indígenas do Brasil, a prática do sacrifício de crianças e que esta prática não é combatida pelo Estado e pelos órgãos que atuam junto dos povos indígenas. Sendo assim, eles querem obrigar as pessoas que trabalham com a questão indígena a denunciarem os índios caso suspeitassem da possibilidade de alguma mulher, em processo de gestação, abandonar o filho. Se os profissionais não denunciarem os indígenas, serão julgados pelo crime de omissão. Essa medida mostra novamente a carga preconceituosa e racista do projeto. IHU On-Line – Qual é a origem e o sentido do infanticídio para as comunidades indígenas? Ele ainda é praticado no Brasil? Quais são as etnias indígenas que praticam o infanticídio? Saulo Feitosa – Segundo os parlamentares que querem aprovar o Projeto de Lei, o infanticídio seria uma prática regular dos povos indígenas. Temos conhecimento de experiências isoladas, da mesma forma que identificamos casos de abandono infantil na sociedade brasileira. Semanalmente, assisto, no noticiário, informações de crianças abandonadas em grandes cidades: recém-nascidos jogados em lixeiras, abandonados nas ruas, etc. Essa questão do abandono e, mesmo do assassinato de crianças, é uma questão que aflige a toda a humanidade. Todos os registros históricos dos quais tenho conhecimento acenam que, entre os indígenas, o índice de infanticídio é baixíssimo. Inclusive viajantes como Fernão Cardim, que escreveu um livro sobre os hábitos do Brasil, faziam referência à maneira carinhosa como as mulheres indígenas cuidavam de seus filhos em comparação às mulheres de Lisboa. Muitos historiadores afirmam que a prática de infanticídio era comum no período colonial, especialmente em comunidades que viviam no Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Há relatos históricos de uma quantidade enorme de recém-nascidos que eram abandonados nas calçadas, nas ruas, mortos e comidos por porcos e cachorros. Os historiadores que relatam esses fatos sempre os comparam com a questão indígena, e afirmam que, entre os índios, essa prática era muito diminuta. Causa-nos estranheza que, 500 anos depois, apareçam grupos fundamentalistas acusando indígenas de matanças generalizadas de suas crianças. Nós, do Cimi, temos conhecimentos de casos isolados. Alguns missionários já presenciaram atos de abandono de crianças nas florestas. Entretanto, não temos relatos recentes de missionários sobre esses casos. Por isso, não podemos afirmar que há prática de infanticídio nas comunidades indígenas e, tampouco, que acontecem em grandes proporções. Infanticídio Vi, em matéria recente de um jornal de grande circulação, que, de um total de 250 povos, cerca de 20 praticam o infanticídio. Não sei como eles chegaram a esse número, considerando que os últimos registros do Cimi datam de 1990. Sabemos que oito povos ainda praticam o infanticídio, os quais têm pouquíssimo contato com a sociedade nacional. Antigamente alguns povos abandonavam recém-nascidos por não ter informações sobre o que significa, por exemplo, uma criança nascer com retardamento psicomotor. Não tendo condições de sobreviver na floresta, essas crianças eram abandonadas. Há outros relatos de crianças que nascem sem um “pai social”. Para os indígenas, uma criança que nasce sem um pai para poder caçar e garantir a sua sobrevivência não tem condições de sobreviver. Nesses casos, os recém-nascidos eram abandonados por questões práticas, pois, na percepção da comunidade, não teriam condições de sobreviver na selva. Outros relatos referem-se às narrativas cosmológicas do nascimento de gêmeos. Pesquisadores registraram, através da história oral, que não se aceitava, em determinadas culturas, o nascimento de gêmeos. Então, em função da cosmologia e dos mitos de origem do povo, se acreditava que os gêmeos deveriam ser sacrificados. Campanha contra o infanticídio Hoje, essas campanhas contra o chamado infanticídio indígena se fundamentam nesta narrativa cosmológica, o que, para nós, é um absurdo. O fato de existir uma narrativa cosmológica não significa que a cultura se mantém atualizada. A prática dos processos de cultura é dinâmica. Então, deve haver, em povos que têm pouco contato com outras culturas, essa referência cosmológica, que justificaria o abandono de uma criança gêmea, por exemplo. Mas em muitos povos onde essa narrativa estava presente, a prática deixou de existir. É muito fácil compreender isso: muitas práticas do Antigo Testamento são condenáveis na sociedade de hoje. Apesar de elas permanecerem na Bíblia, não são praticadas pelos cristãos do século XXI. Então, não podemos olhar para o nosso universo religioso e olhar para os demais povos de outra forma. Embora subsista, nas narrativas cosmológicas, informações a respeito da gravidez de gêmeos, na prática, as ações têm se alterado. Por isso, costumamos dizer que a questão do infanticídio, na prática, é residual porque os povos mudam suas culturas. O pluralismo histórico acontece em todas as culturas, as quais adquirem, com o tempo, novas formas. Quando o Cimi foi fundado, os povos indígenas não tinham acesso à saúde e, portanto, os missionários eram treinados para suprir essa carência. Hoje, existe a assistência à saúde, ao médico, por mais precária que seja. Isso também contribui para alterar a cultura dos povos. No Mato Grosso tem um povo formado por aproximadamente 100 pessoas. Eles foram combatidos em 1978. Na época, sobreviveram 27 pessoas. Desde então acompanhamos essa comunidade. Daquele número de 27 pessoas, eram poucas as mulheres em idade fértil. Logo após a inserção da nossa equipe na comunidade, nasceu uma criança doente. Para os indígenas, o recém-nascido era vítima de feitiço e, portanto, deveria ser sacrificado. Os missionários que estavam no local explicaram que, na nossa sociedade, havia uma espécie de pajé que conseguia realizar um tratamento e sanar aquela deficiência. A comunidade aceitou e a criança foi levada a um hospital em Goiânia, onde foi submetida a uma cirurgia de reparação. O bebê retornou um tempo depois e foi aceito pela comunidade. Para resolver essa questão, não foi preciso uma lei, mas, sim, diálogo. É lógico que depois daquele acontecimento, a cultura da comunidade sofreu mudanças. Então, nada justifica que agora se insista na aprovação de um projeto de lei para criminalizar um povo. Projetos como esse servem para ampliar o grau de preconceito da sociedade contra os povos indígenas e para justificar interesses colonialistas que se mantêm nos dias de hoje. Esses povos têm muitos valores e nós precisamos aprender com eles. Então, não aceitamos, em hipótese alguma, essa leviandade que está sendo veiculada na mídia, inclusive com a produção de um pseudodocumentário mentiroso que fala do enterramento de crianças junto dos povos Suruwahá. Não se trata de um documentário e, sim, de uma ficção gerada pela mente colonizadora. O povo Suruwahá pratica o suicídio coletivo. Eles são conhecidos como o povo do veneno. A população deles é diminuta, algo em torno de 100 pessoas. Com a morte dos adultos, muitas crianças ficam órfãs. Então, o problema do Suruwahá não é o infanticídio e, sim, o suicídio. Os membros de organizações que criticam o infanticídio dizem que os índios praticam o suicídio porque são obrigados a matar seus filhos e, para não matá-los, elas se suicidam. Isso é uma mentira, uma distorção de informações. Esse povo sofreu, há séculos, um grande ataque e os sobreviventes nunca mais conseguiram formar novos pajés. Então, eles adotaram a prática do suicídio ainda jovem para se encontrarem com os pajés em outra esfera. Este ano estive na Amazônia e a equipe que trabalha lá disse que houve redução de casos de suicídios entre esses índios dessa etnia. IHU On-Line – Então a discriminação contra os indígenas tem um viés religioso? Que religiões manifestam essa posição e por quê? Saulo Feitosa – Quem coordena e estimula essa campanha é a ONG Atini – Voz pela vida, e outros grupos religiosos fundamentalistas. O povo brasileiro tomou conhecimento do infanticídio a partir do ano de 2006, quando foi produzido um documentário chamado Hakani. A história de uma sobrevivente, que mostra o enterro de crianças vivas. Os atores indígenas que desempenharam esses papéis receberam 30 reais. Depois da veiculação do vídeo, o Ministério Público entrou com uma ação contra os produtores do documentário, porque as crianças que apareceram no filme pertenciam ao povo Karitiana, de Rondônia. O documentário foi exibido em um programa de televisão e as pessoas da comunidade assistiram. Pela cultura daquele povo, quem simula o enterramento perde a sua alma. Portanto, as imagens criaram um problema cultural grave para as crianças. Inclusive, no depoimento para o Ministério Público, os pais das crianças indígenas disseram que receberam 30 reais para as crianças serem fotografadas. Eles não sabiam que elas participariam de um documentário. IHU On-Line – Quais são as razões da intolerância indígena hoje? Saulo Feitosa – Uma das razões é a distribuição da terra. A grande função do projeto de Lei é criar, dentro do Congresso Nacional, um clima anti-indígena porque existem diversos projetos de leis a favor dos povos indígenas tramitando no Congresso. Há uma campanha internacional para demonstrar que os povos indígenas são selvagens. Essa imagem certamente irá repercutir em outros projetos de leis referentes à demarcação de terras indígenas, exploração de minérios em terras indígenas, etc., reforçando a imagem negativa que se tem desses povos. Se as pessoas querem defender a vida das crianças indígenas, devem aderir a outros projetos de lei. Existe no Congresso uma proposta, que foi amplamente discutida com todos os povos indígenas do Brasil, sobre a criação do Estatuto dos Povos Indígenas, porque a legislação que está em vigor é de 1973, ou seja, é anterior à Constituição Federal e, portanto, não está adequada para a atual situação dessas comunidades. O novo texto tem, inclusive, um artigo especial de proteção à criança e ao adolescente indígena, o qual enfatiza que, caso uma criança seja rejeitada pelos pais, poderá ser adotada por pessoas do próprio povo ou povos próximos. IHU On-Line – Nesta semana, o povo Kaingang bloqueou sete estradas federais no Rio Grande do Sul, reivindicando melhores condições na área da saúde. Eles argumentam que, embora tenham acesso ao SUS, as condições de atendimento são precárias. Como avalia essa questão? O acesso à saúde entre as comunidades indígenas é mais precário do que para a população em geral? Saulo Feitosa – No final dos anos 1980, o Brasil instalou um sistema correlato de atenção à saúde indígena. Portanto, os índios têm um sistema próprio de saúde que se fundamenta nos distritos especiais indígenas. Esses distritos foram projetados com a perspectiva de serem autônomos do ponto de vista da gestão, assim, eles teriam quadros de funcionários para atender as comunidades. Esse projeto de assistência à saúde foi bem desenhado, mas, na prática, ocorreram privatizações e um esvaziamento da proposta original de se criar distritos para atender as comunidades. Os serviços foram terceirizados e essa terceirização foi agravada pelo alto índice de corrupção dentro daFundação Nacional da Saúde – Funasa: auditorias demonstram os desvios de verbas da saúde pública. Além disso, cargos foram loteados para políticos e os distritos não foram administrados por pessoas competentes. Nesse sentido, a saúde indígena é tão precária quanto à dos demais brasileiros. O governo deveria abrir concurso público para atender à saúde indígena. Enquanto isso não acontecer, continuaremos assistindo essa precariedade e a morte de crianças. IHU On-Line – Como vê a política indigenista hoje? Quais os avanços e os limites? Saulo Feitosa – O governo e a Fundação Nacional do Índio – Funai têm um discurso progressista de reconhecimento aos direitos indígenas, de valorização da cultura, mas, uma prática colonialista. O governo Lula criou a Comissão Nacional de Política Indigenista, a qual pensávamos ser um processo importante, mas percebemos que o governo inicialmente apenas sinalizou para uma discussão. Quando os índios passaram a exercer a sua autonomia, o governo começou a tomar atitudes autoritárias ao ponto de fazer uma reestruturação da Funai sem discutir com os povos indígenas. Esse era um processo para ser feito como uma construção coletiva, e não reproduzindo modelos autoritários do período militar. Ainda este ano, o presidente da Funai, junto com o ministro da Justiça e o delegado geral da União, publicaram uma portaria para redefinir as bases para a demarcação de terras indígenas incluindo a participação dos municípios, que historicamente sempre foram contra à demarcação de terras por causa de interesses econômicos e políticos locais. Essa situação se agravou e, na última reunião daComissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, em junho, os representantes indígenas dessa comissão, em protesto, disseram que não votariam e se retirariam da reunião. Eles só voltariam a se reunir se a presidenta Dilma estivesse presente porque, desde que foi eleita, ela não conversou com as representações indígenas do país. As obras do PAC afetam as terras indígenas e os povos não são consultados, embora o país seja signatário da Organização Internacional do Trabalho – OIT, e embora a Constituição obrigue o Estado a fazer consultas em relação a temas polêmicos como Belo Monte, a transposição do rioSão Francisco, as hidrelétricas do rio Madeira etc. Diria que os documentos do governo não reproduzem mais o ranço da ditadura militar, mas, na prática, agem da mesma maneira. |
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As pedras do sol (Fapesp)
Pesquisa FAPESP – Edição 186 – Agosto 2011
Humanidades
Blocos de granito talhados há mil anos no Amapá estão alinhados com a trajetória do astro
Por Marcos Pivetta
| © MARIANA PETRY CABRAL |
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| Sítio do Rego Grande: astronomia e cemitério |
No final do século XIX, o zoólogo suíço Emílio Goeldi fez uma expedição ao rio Cunani e encontrou grandes blocos de rocha que pareciam apontar para o céu em terras do atual norte do Amapá, uma área então em litígio entre o Brasil e a França. Ao longo das seis primeiras décadas do século passado, alguns pesquisadores de renome, como o alemão Curt Nimuendajú nos anos 1920 e os americanos Betty Meggers e Clifford Evans no final dos anos 1950, também avistaram essas construções humanas com os tais blocos de granito em alguns sítios arqueológicos. Pouca cerâmica associada aos locais dos megálitos, como são chamadas as grandes estruturas de pedra arranjadas ou construídas por mãos humanas, foi resgatada e ganhou corpo a interpretação de que, naquele pedaço quase perdido da Amazônia, apenas uma pequena população de algum povo pré-colombiano deve ter feito sua morada. Os sítios deveriam ter sido usados basicamente para fins cerimoniais. Depois disso, a região caiu num semiesquecimento para a ciência.
Até que, em 2005, um jovem casal de arqueólogos gaúchos, Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, deixou o Sul, se mudou para a capital amapaense e passou a se dedicar ao estudo de alguns 200 sítios pré-históricos do estado, dos quais uns 30 apresentam megálitos. Embora ainda haja muitas lacunas de conhecimento sobre a antiga cultura que talhou e ordenou os blocos de granito, alguns com até 2,5 metros de altura e 4 toneladas, a dupla de pesquisadores produziu uma série de novos dados sobre o contexto em que as estruturas foram erigidas. Pela primeira vez, o importante sítio do Rego Grande, dotado de vistosas pedras na posição vertical e situado em Calçoene, município distante 460 quilômetros ao norte de Macapá, foi alvo de uma datação por carbono 14, um dos métodos mais confiáveis. “Conseguimos realizar três datações de fragmentos de carvão encontrados dentro de poços funerários do Rego Grande”, diz Mariana, que, como Saldanha, trabalha no Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). O local foi habitado há cerca de mil anos, dado que confirma as estimativas iniciais dos cientistas. Outros 10 sítios do Amapá, três deles com megálitos, também foram datados e todos parecem ter sido ocupados entre 700 e mil anos atrás.
É relativamente comum que sítios pré-históricos com megálitos exibam evidências de terem sido usados como lugares para observação de algum fenômeno astronômico. Essa é uma das funções que se atribuem comumente ao famoso círculo de pedras de Stonehenge, erigido há 4,5 mil anos no sul da Inglaterra. Seria o Rego Grande um Stonehenge amazônico? As evidências apoiam essa interpretação. Nos últimos anos os arqueólogos realizaram medições sistemáticas sempre na data de 21 ou 22 de dezembro, que marca o solstício de inverno (Calçoene está acima da linha do equador), e verificaram que um fino monólito parece estar alinhado com a trajetória do sol ao longo desse dia. Ao nascer, o sol está no topo da rocha e, com o passar das horas, vai descendo até morrer na base da rocha. “Nessa época do ano o solstício marca o início da temporada de chuvas na Amazônia”, comenta Saldanha. “Os índios deviam saber disso.” Dois outros blocos de granito, inclusive um com furo feito por mãos humanas, também ocupam posições aparentemente associadas ao movimento do astro nessa data. Como as pedras e blocos inclinados do Rego Grande exibem uma robusta fundação, feita também de pedras, os arqueólogos acreditam que a angulação do megálito foi pensada por seus idealizadores, e não seria fruto do desgaste natural sofrido pelos pedaços de granito do sítio.
Especialista em megálitos, em especial os do Alentejo, o arqueólogo português Manoel Calado, da Universidade de Lisboa, concorda com a hipótese de que as pedras inclinadas do Rego Grande podem ter sido dispostas dessa maneira para marcar a observação, na linha do horizonte, de eventos astronômicos simples, de caráter cíclico, como a trajetória do sol solsticial. “Não tenho nenhuma dúvida (disso)”, diz Calado, que já esteve no Amapá para conhecer as estruturas líticas desse sítio, mas não faz parte do grupo de pesquisa dos brasileiros. “Esse é um dos aspectos que tornam os megálitos amazônicos muito semelhantes aos da Europa.” Para ele, a construção desse tipo de estrutura pode ter sido realizada no Amapá num momento em que as tribos locais passavam por um processo de sedentarização e de eclosão ou desenvolvimento da agricultura. Era preciso estar fixo à terra para alterar a paisagem com estruturas como os megálitos.
Cemitério – Rego Grande e outros sítios com megálitos exibem traços de terem sido usados também como cemitérios, outra característica típica desse tipo de estrutura pré-histórica. Urnas funerárias feitas no estilo cerâmico aristé, marcado por desenhos vermelhos sob um fundo branco ou pontuado por gravuras feitas na argila ainda úmida, foram encontradas nesses locais. Pedaços de vasos decorados, achados junto às urnas, indicam que os mortos podem ter sido enterrados ao lado de oferendas. “Os sítios com grandes megálitos devem ter sido destinados às pessoas mais importantes da tribo”, afirma Saldanha. O problema é que cerâmicas desse estilo foram igualmente encontradas em sítios pré-históricos que não exibem monumentos de pedra. Comum em todo o litoral norte do Amapá e na Guiana Francesa, a elaborada cerâmica aristé deixou de ser produzida depois da chegada do europeu às Américas e, segundo Mariana, sua confecção não pode ser associada a nenhum povo indígena atual da região.
A dupla de pesquisadores, que representa dois terços da arqueologia amapaense (só há mais um especialista nesse tema no estado), escavou ainda duas aldeias antigas, também na região de Calçoene, onde devem ter morado os construtores das grandes estruturas líticas. Descobriram vestígios de apenas meia dúzia de habitações em cada aldeia. No início de seus trabalhos os arqueólogos ainda se amparavam na hipótese de que poderia ter havido uma sociedade complexa e organizada, com uma população numerosa e grandes acampamentos, no norte do Amapá, por volta do ano mil da era cristã, quando surgiram os primeiros megálitos. Agora acreditam que a alteração na paisagem natural do Amapá pode ter sido produzida por tribos com poucos representantes. “Eles parecem ter vivido em pequenas aldeias esparsas, mas tinham uma liderança e organização para ter feito os megálitos”, afirma Saldanha.
Religion: Sacred Electronics (Time Magazine)
Monday, Dec. 31, 1956
The five machines stood, rectangular, silver-green, silent. They were obviously not thinking about anything at all as Archbishop Giovanni Battista Montini of Milan raised his hand to bless them.
“It would seem at first sight,” said the archbishop, “that automation, which transfers to machines operations that were previously reserved to man’s genius and labor, so that machines think and remember and correct and control, would create a vaster difference between man and the contemplation of God. But this isn’t so. It mustn’t be so. By blessing these machines, we are causing a contract to be made and a current to run between the one pole, religion, and the other, technology . . . These machines become a modern means of contact between God and man.”
So last week at the Jesuit philosophical institute known as the Aloysianum (for St. Aloysius Gonzaga) in Gallarate, near Milan, man put his electronic brains to work for the glory of God. The experiment began ten years ago, when a young Jesuit named Roberto Busa at Rome’s Gregorian University chose an extraordinary project for his doctor’s thesis in theology: sorting out the different shades of meaning of every word used by St. Thomas Aquinas. But when he found that Aquinas had written 13 million words, Busa sadly settled for an analysis of only one word—the various meanings assigned by St. Thomas to the preposition “in.” Even this took him four years, and it irked him that the original task remained undone.
With permission from Jesuit General John B. Janssens himself, Father Busa took his problem to the U.S. and to International Business Machines. When he heard what Busa wanted, IBM Founder Thomas J. Watson threw up his hands. “Even if you had time to waste for the rest of your life, you couldn’t do a job like that,” he said. “You seem to be more go-ahead and American than we are!”
But in seven years IBM technicians in the U.S. and in Italy, working with Busa, devised a way to do the job. The complete works of Aquinas will be typed onto punch cards; the machines will then work through the words and produce a systematic index of every word St. Thomas used, together with the number of times it appears, where it appears, and the six words immediately preceding and following each appearance (to give the context). This will take the machines 8,125 hours; the same job would be likely to take one man a lifetime.
Next job for the scriptural brain: the Dead Sea Scrolls. In these and other ancient documents, gaps can often be filled in by examining the words immediately preceding and following the gap and determining what other words are most frequently associated with them in the rest of the text. “I am praying to God,” said Father Busa last week, “for ever faster, ever more accurate machines.”
Read more: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,867529,00.html#ixzz1UkZsIT6S
Noruega ensina que racismo não pode ser visto como folclore (Terra Magazine)
Marcelo Semer
De São Paulo
QUARTA, 27 DE JULHO DE 2011, 08H13
Se existe algo que o massacre na Noruega pode nos ensinar é que racismo, machismo e xenofobia não devem ser tratados como mero folclore.
Entre as palavras e as ações há um longo caminho, mas sempre pode existir alguém disposto a percorrê-lo.
Sarah Palin, candidata republicana a vice-presidente e musa do ultra-conservador Tea Party, dizia que a deputada democrata Gabrielle Giffords era um dos “alvos a serem abatidos” na política norte-americana.
Tratava-se de uma metáfora, mas um atirador em Arizona, a levou ao pé da letra. A tentativa de abater o alvo, uma das vozes contra a política hostil aos imigrantes, resultou em seis mortes em janeiro último, na cidade de Tucson.
Não há hoje quem não tema as possíveis consequências políticas de uma Europa economicamente em frangalhos -a lembrança da mistura depressão-fascismo do século XX ainda é suficientemente viva para suscitar este temor. Mas parece não ser o bastante para afastar a xenofobia, agora focada na repulsa ao Islã e a imigrantes que vem da África e Ásia.
A recente era da globalização só funcionou enquanto serviu como uma segunda colonização.
Os países periféricos foram instados a abrir seus mercados, homogeneizar suas normas, privatizar e internacionalizar suas empresas estratégicas, criando mercados alternativos ao já saturados no hemisfério norte.
Mas o mundo tornou-se global apenas em uma direção, pois as fronteiras voltaram a se fechar de forma ainda mais vigorosa, com a construção de grandes muros e o recrudescimento das leis de imigração – imigração esta que em outros tempos supriu com mão de obra barata, serviços que nacionais se recusavam a cumprir.
Pouco se pode fazer, é verdade, para impedir de todo ações repentinas de vingadores que se sentem representantes de uma nova cruzada, propondo salvar o mundo com toscas visões.
Mas estimular o discurso do ódio certamente não é uma delas.
O alarmismo com a fé diversa, o maltrato com o forasteiro e o diferente, o apego extremado a valores moralistas, são o caldo de cultura próprio para gerar ações excludentes, que tanto podem reverter em atentados quanto desembocar em políticas de Estado. Afinal, o que pode ser mais terrorista que o Holocausto?
Se a história se repete, como profetizava Marx, o receio é que nos abata mais uma vez como tragédia. Parafraseando Martin Luther King, parece ser o caso de nos preocuparmos tanto com o silêncio dos bons, quanto com o grito dos maus, este cada vez mais ensurdecedor.
O Brasil não vive o momento depressivo que se espalha pela Europa e Estados Unidos, fruto dos desvarios neoliberais, que maximizaram os mercados e o lucro e minimizaram as regulações.
Ao revés, vive anos de crescimento que resultaram em inesperada mobilidade social, mas isto também é motivo para cautela.
À incorporação de direitos civis a grupos minoritários, como homossexuais, instaurou-se uma brigada da moral, com forte apelo religioso. À incorporação ao mercado consumidor de uma classe emergente, recém-saída da linha de pobreza, levantou-se reação de quem se sente invadido em espaços até então exclusivos, entre faixas de automóveis e assentos de aviões. Ao pujante crescimento do Nordeste, esboça-se uma xenofobia de cunho separatista.
Aqui, como na Europa, devemos temer, sobretudo, aos que se propõe a nos higienizar ou recuperar valores tradicionais, que apenas remontam a mais exclusão.
O antídoto ao fascismo é o exercício da democracia e a preservação da dignidade humana como vetor de políticas sociais.
Só se abate o preconceito acreditando na igualdade.
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo
Dancing, Climate Change, and Human Perseverence
Posted by Douglas Joseph La Rose at the EANTH list. 23/07/2011 12:20
“This Wednesday, I had one of the most powerful experiences of my life. I went to a small village in the Upper West Region of Ghana named Bakbamba to help conduct research on climate change and social-cultural adaptations to a changing environment. I have been doing this work for a few weeks now, beginning in coastal eastern Ghana and moving north. But what I experienced today was a life-changing experience. I will do my best to convey my feelings here, but no words would ever be ample to describe the emotion, compassion, and appreciation I felt in this community.
The Upper West Region of Ghana is the poorest region in the country. Outside of the regional capital, Wa, there is really nothing else but vast savanna covered with Shea and baobab trees. The people are primarily subsistence farmers and fishers. The farmers plant guinea corn, maize, yams, beans, bambara beans, millet, groundnuts, and some other crops. Fishers set traps and mobilize nets in the black Volta river that separates Ghana from Burkina Faso. Women also gather Shea nuts and sell them to foreign buyers who process them into cosmetics and edibles. Over the past ten years, rainfall has become sporadic, inconsistent, unpredictable, and unreliable. In these Wala, Fulani, and Lobi communities that have been surviving for centuries, people are beginning to give up and move out. They are suffering from observable climate change and often becoming climate change refugees.
In the course of doing interviews with rural farmers, fishers, and gatherers I heard many stories about failed crops, declining catches in fish, and even lack of fruits from Shea trees, which have been a productive alternative economic resource for decades. Their story is a bleak one. Most crops fail and the only foods Wala and Lobi people can depend on are fish and maize, which takes three months to grow and can be opportunistically planted. Though they plant other crops, many of them are failing because rains are becoming increasingly unpredictable and deluges and floods more common. There is no source of potable water, so people in the village drink from stagnant, muddy ponds. Guinea worm is still a widespread problem. There is no other option. Most of the people we were able to interview were only in their 30s and 40s – because that is about as old as they live. In this village of 300 people, 20 have already died this year. One particular woman I interviewed was 30 years old, but she looked like she was 60. Poor nutrition, hard work, and no access to clean water are taking their toll.
At the end of the day, the women in the town gathered in a circle and began a traditional dance. The women around the circle were clapping poly-rhythmically and singing with beautifully sculpted, angelic voices. I watched as, one by one, the women would enter the circle and do an energetic, stomping dance. At the end of the dance they would throw themselves into the surrounding circle and be caught by the other women. This went on for almost 45 minutes. I asked one of our local research assistants what they were singing and he explained that the dance was about a fighting couple, and they were saying that if the husband no longer loved the wife he should leave her. The women who were catching each other represented the community. “We should support each other,” a woman told me. I sat down and watched the dance, how the women were moving around in passionate whirls, heaving themselves into the boundaries of the circle to be caught by other community members. In this poor village of hunger, desperation, and confusion about a changing environment they were finding the energy to remember and celebrate the perseverance of the human spirit. It was an overwhelming experience to watch frustration and unity translated into cultural performance.
Throughout our interviews and participation in the community, I felt both alarmed and reassured. Alarmed that the situation in this part of upper Ghana is much worse than I expected, and reassured that people are forging ways to adapt.”
Trance and Dance in Bali, documentário de Margaret Mead & Gregory Bateson
As raízes coloniais do entendimento da alma nacional (FAPESP)
HUMANIDADES | MELANCOLIA
A psicologia do púlpito
Carlos Haag
Edição Impressa 185 – Julho 2011
© MELENCOLIA I (GRAVURA DE ALBRECHT DÜRER / WIKIMEDIA COMMONS)
Em seu Sermão da quarta dominga depois da Páscoa, o padre Antônio Vieira (1608-1697) discute a tristeza a partir da passagem bíblica em que Cristo anuncia sua morte aos apóstolos, que se entristecem. Para Vieira, porém, a causa daquela tristeza não era a ausência iminente do mestre, mas o silêncio diante de sua partida. Se tivessem perguntado aonde Cristo iria teriam compreendido que não havia motivos para sofrer. Assim, a causa da tristeza era o silêncio. Num curioso paralelo, em 1895, Freud afirmou: “Sofremos de reminiscências que se curam lembrando”. A base da psicanálise freudiana era a cura pela palavra e pelo autoconhecimento da alma. Algo a que, em 1676, Vieira (leia mais na página 86) já aludia em As cinco pedras da funda de Davi: “O primeiro móbil de todas as nossas ações é o conhecimento de nós mesmos”, acrescentando no Sermão da quarta dominga do advento: “Nenhuma coisa trazemos mais esquecida, mais detrás de nós que a nós mesmos”.
“Nessa primeira modernidade havia uma forma de terapia que usava as palavras para tratar as dores da alma, ainda que identificá-la diretamente com a psicoterapia atual seja uma imprecisão”, explica o psicólogo Paulo José Carvalho da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), autor da pesquisa Ideias sobre as dores da alma no Brasil entre os séculos XVI e XVIII, apoiada pela FAPESP. “Ainda assim, investigar as noções de dores da alma nesse período é um desdobramento original da história das ideias psicológicas, uma área de pesquisa emergente na história da ciência. A psicologia como ciência de práticas terapêuticas só foi sistematizada no final do século XIX, mas desde a Antiguidade muitos pensadores quiseram compreender e tratar a alma e um dos nomes desses saberes era a medicina da alma”, analisa o pesquisador. “Muitos dos conceitos da psicologia moderna têm raízes no passado e olhar para esse passado nos permite reconhecer os elos de continuidade com nosso presente, as origens de teorias e métodos próprios do nosso modo de pensar. Se analisarmos o conjunto da produção luso-brasileira colonial, destacando-se o aporte dos jesuítas, notamos a criação de formas e métodos para a construção de um tipo de conhecimento da subjetividade e do comportamento humanos muito relevantes para a definição dos alicerces que darão origem à psicologia moderna”, afirma a psicóloga Marina Massimi, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de São Paulo e autora, entre outros, de História da psicologia brasileira (E.P.U.) “A preocupação com os fenômenos psicológicos no Brasil não é recente e desde os tempos da colônia eles aparecem em obras de filosofia, moral, teologia, medicina, política etc. cujo estudo mostra uma produção muitas vezes original e mesmo questões até hoje atuais”, concorda a psicóloga Mitsuko Makino Antunes, da PUC-SP, e autora de A psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição.
O psicólogo e professor da USP Isaías Pessotti observa em seu estudo Notas para uma história da psicologia brasileira que “a evolução da psicologia moderna começa no Brasil colonial em que se veiculam ideias de interesse para a área em diversas áreas do saber mesmo sem a presunção de construir uma psicologia”. Segundo o pesquisador, esses textos eram explicitamente sobre outros temas, mas tratavam de questões como método de ensino, controle das emoções, causas da loucura, diferença de comportamentos entre sexos e raças etc. compondo o pensamento da elite cultural da época colonial. “É um período pré-institucional, pois o que se publica são obras desvinculadas de instituições da psicologia. São trabalhos individuais, sem compromisso com a construção ou difusão do saber psicológico, escritos por autores indiferentes ao progresso do saber psicológico per se. Na sua maioria são religiosos ou políticos, homens de projeção e poder, iluminados pela cultura europeia e interessados em usar essa ‘psicologia’ para a organização da sociedade e do Estado brasileiro.”
Os tratamentos para as patologias da alma eram assumidos, no início, pelos religiosos, no caso do Brasil colônia pelos missionários jesuítas, seguidos de outros, embora isso não significasse que a medicina da alma fosse uma empresa estritamente religiosa. Postulava-se, de modo geral, uma continuidade entre a dor do corpo e a da alma, identificada como tristeza, luto ou descontentamento. “Na primeira modernidade, o debate filosófico sobre a definição da natureza das paixões também incluía sua relação com a violência. Muitos sustentavam que a paixão era um perigoso elemento da natureza humana com enorme potencial subversivo. Filósofos das mais variadas tradições afirmavam que as paixões são capazes de corromper governos, arruinar sociedades ou mesmo provocar a morte. A paixão era um problema da ordem da ética, da política, estética, medicina e da teologia”, nota Carvalho da Silva. Para os que viviam no Brasil dos séculos XVI e XVII, experimentar uma paixão era sinônimo de “sentir”, de ter sentimentos, e ser afetado por uma paixão significava emocionar-se, viver uma emoção. “Há uma produção cultural elaborada no Brasil que mostra o interesse predominante dessa dimensão poderosa e frágil da experiência humana. O conhecimento, controle e manipulação das paixões, em sua natureza teórica e prática, eram um instrumento particularmente importante para os objetivos religiosos, sociais e políticos da Companhia de Jesus, como revela o interesse dos jesuítas sobre o tema”, avalia Marina Massimi.
© NARCISO (MICHELANGELO CARAVAGGIO / WIKIMEDIA COMMONS)
O sistema baseava-se nas teorias formuladas por Aristóteles, revisitado no século XIII por Tomás de Aquino (daí a sua denominação de doutrina “aristotélico-tomista”), um caldo reelaborado pelos pensadores da companhia, nos chamados tratados Conimbrences (termo derivado de Conimbrica, nome latino da cidade de Coimbra, onde os estudos foram elaborados), comentários das obras aristotélicas sobre as paixões. Esses estudiosos atribuíam grande importância aos estados da alma definidos como paixões, entendidas como movimentos do apetite sensitivo, provenientes da apreensão do bem ou do mal, acarretando algum tipo de mutação não natural do corpo. “Os filósofos jesuítas reafirmaram, nos moldes de Aristóteles e Aquino, a função positiva das paixões, caso fossem ordenadas pela razão, o que ajudaria na sobrevivência do homem e o ajudariam a alcançar a virtude. Elas se transformariam em doenças ou distúrbios do ânimo apenas enquanto se afastam da regra e moderação da razão. Assim, a ‘psicologia’ dos Conimbrences é expressiva da posição cultural da modernidade nascente”, avalia Marina. Nesse movimento se estabelece uma analogia profunda entre o organismo do homem, considerado como realidade psicossomática, e o organismo político-social. “É nesse encontro que o controle e a terapia das paixões parecem encontrar sua função teórica e prática. Na dinâmica do corpo social, bem como na do corpo individual, o ‘despotismo’ das paixões deve ser submetido a uma ‘monarquia’ onde o governo da razão e da liberdade atribua a cada aspecto da vida psíquica sua função e seu lugar peculiar”, completa a pesquisadora.
“Daí decorre a importância da pregação, vista como fonte de transmissão de conceitos e práticas psicológicas, mas também como expressão da articulação entre retórica, teoria do conhecimento e psicologia filosófica, resultando numa prática de uso da palavra muito significativa e, num certo sentido, precursora da moderna confiança na força da palavra e do discurso que está presente na psicanálise e nas psicoterapias em geral.” A palavra do pregador seria capaz de mudar juízos e atitudes dos ouvintes e um dos alicerces desse poder, nota a autora, seria a possibilidade de a palavra atingir e mobilizar o dinamismo psíquico dos destinatários, nos termos das psicologias formuladas por Aristóteles, Tomás e Agostinho. “A palavra pregada visa ensinar o ato de conhecimento envolvendo todo o psiquismo humano”, afirma Marina. Um caso exemplar disso seriam os Sermões de Vieira, onde se combinariam a preocupação jesuítica com os efeitos morais da tristeza entre a população brasileira, a apreensão pela insatisfação melancólica dos colonos e a longa tradição europeia de meditações médicas, filosóficas e teológicas sobre essa paixão da alma. “Vieira enfatiza a universalidade e a gravidade da tristeza a que estão sujeitos mesmo os reis de todas as terras, os imperadores mais poderosos e os papa. Ela é tão perigosa para a saúde do corpo como para a salvação da alma. Mais ou menos aguda, a tristeza é sempre mortal, é como um verme que come por dentro, secando tudo até que o princípio da vida se apague. Também segundo ele, as tristezas que permanecem ocultas são as mais opressivas, sensíveis e perigosas”, explica Carvalho.
Mas a dor era entendida como um fenômeno da condição humana que extravasa os limites concebíveis entre a alma, o corpo e mesmo os limites que separariam um indivíduo de outro. O que revela que existia uma confluência de saberes e campos que ora se apresentavam dissociados, mas que, naquele período, dialogavam de modo mais ou menos fluente. Falar sobre a dor implicava abordar não apenas a saúde e a doença, mas temas como finitude e eternidade, perda e separação, fantasia e realidade, afeto e razão, gozo e sofrimento, vida e morte”, continua o pesquisador. “Que é este mundo senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças e mortes?”, escreveu o Padre Vieira. A consolação passou, então, a fazer parte das atividades pastorais, e ao lado da administração dos sacramentos os padres ofereciam a medicina da alma para aqueles que se encontravam na dor. “Para tanto, a identificação da verdadeira e legítima dor é uma referência fundamental para o consolador cristão e uma condição para a experiência de ir além da dor, necessária para a salvação da alma. Todo consolador, como todo confessor, deve saber nomear a dor de quem sofre”, diz Carvalho. Segundo o pesquisador, os sermões eram o meio mais utilizado para a realização da arte da consolação e da medicina da alma em sua função psicológica e espiritual, o que pressupunha um conhecimento prático sobre a importância da memória na experiência da dor e no seu tratamento, em especial, na sua função na origem e na permanência das dores da alma e, portanto, na sua superação. “Mas é importante lembrar que consolar-se é fruto de uma decisão solitária e pessoal. Na medida em que a noção de indivíduo e de vida interior ganhou mais espaço na mentalidade moderna, a relação entre conhecimento de si e a experiência da consolação foi se estreitando cada vez mais.”
Vieira, em particular, apostava na autonomia da razão humana para dominar suas paixões e apetites quando afirma que “o conhecimento de si mesmo, e o conceito que cada um faz de si, é uma força poderosa sobre as próprias ações”. É preciso voltar os olhos, sempre abertos em coisas exteriores, para o interior. “Frei Chagas, por exemplo, recomendava que era melhor empregar o tempo e a inteligência não tanto no exame da história, da geografia e da cultura, mas no da própria alma. Essa anatomia de si é o equivalente moderno do que se viria a ser a análise da alma, ou seja, a decomposição nas menores partes para poder compreendê-la melhor”, nota o autor. “O saber de si mesmo é visto como funcional para o controle sobre suas próprias ações, fundamentando-se na possibilidade de o sujeito representar sua vivência interior através do discurso. A necessidade da palavra para formular o autoconhecimento faz com que esse não seja possível, por exemplo, em experiências intensas como o choro simplesmente. O autoconhecimento se traduz num discurso cuja finalidade é comunicar para o outro a experiência vivenciada. O outro é um ouvinte. A escuta, que ele oferece ao sujeito, permite a este a melhor articulação de sua comunicação verbal e a catarse. O relacionamento interpessoal e o diálogo assumem uma função terapêutica, princípio, aliás, de toda psicoterapia moderna”, analisa Marina. Assim, o sujeito ocupa um lugar ativo, sendo o conhecimento possível pela transformação em discurso da vivência interior que ele próprio elabora. A consciência dos fenômenos e sua comunicação verbal são as condições para o entendimento deste fenômeno.
© DETALHE DE O SONHO DE CONSTANTINO (PIERO DELLA FRANCESCA / WIKIMEDIA COMMONS)
“As palavras, ao mesmo tempo que objetivam os fenômenos subjetivos, exteriorizando o que era contido na intimidade da pessoa, favorecem a libertação das emoções penosas desses estados.” Falar das dores podia aliviar o coração, bem como silenciá-las fazia com que essas se acumulassem e aumentassem ainda mais. “Era possível curar por meio da palavra. Acreditava-se também que o verdadeiro orador, como um médico de almas, curaria seus auditórios de suas enfermidades, combatendo as paixões que lhes são contrárias: eles apaziguam a cólera, aumentam a coragem e fazem suceder o amor ao ódio, e assim por diante”, fala Carvalho. “Vale lembrar ainda a importância da imagem, que, juntamente com a palavra, é um grande recurso de transmissão cultural em sociedades marcadas pela oralidade”, observa Marina.
A chegada de novos princípios científicos ao Brasil colonial trazem mudanças nessa visão psicológica do homem. “Desenvolvem-se uma psicologia e uma psicopatologia inovadoras em relação à tradição cultural anterior. Sendo a mente redutível ao organismo e sendo este regulado pelas leis da natureza, é possível abordar o seu estudo por meio do método científico, que já se mostrara efetivo na física e na biologia. Os distúrbios psíquicos, assim, que dependem do funcionamento do organismo segundo essa nova visão iluminada, poderiam ser conhecidos causalmente, prevenidos e tratados, modificando as variáveis por remédios físicos e normas higiênicas”, explica a pesquisadora. “A terapêutica das dores da alma, agora, deve ser realizada por remédios farmacêuticos que acabam por subordinar a teologia moral à medicina, considerada a disciplina que ultimamente pode instrumentar os tratamentos da alma, inclusive aqueles tradicionalmente cuidados pelos confessores”, concorda Carvalho.
É o caso, por exemplo, de Francisco de Mello Franco (1757-1822), que em sua Medicina teológica postula que a figura do confessor seja substituída pela do médico que detém o conhecimento exato das causas das enfermidades da alma e proporciona os métodos terapêuticos como remédio, tudo fruto de uma análise objetiva e causal. “O objetivo da psicologia médica do século XVIII, que será consolidada no século XIX, é o de definir uma ‘verdade’ sobre o homem, alternativa à proclamada pelo saber tradicional de matriz cristã. A felicidade é identificada com a boa regulação da máquina corporal, segundo a ordem do sistema da natureza”, diz Marina. “Não é uma cura pela palavra, mas uma medicina propriamente dita. Obras como a de Mello Franco propõem a substituição dos confessores pela nova medicina dos nervos e defende que é necessário conhecer os nervos, sua estrutura, para poder tratar os vícios humanos. Na contramão da medicina da alma, abre-se uma nova via à medicina, fundada nas bases de uma nova concepção de homem, de ciência e de racionalidade”, defende Carvalho.
Afinal, o mundo ideal preconizado em sermões não se sustentava mais. “O sonho de uma sociedade ordenada pela verdade e pela justiça é substituído pela consciência da inevitabilidade do destino imposto pelo regime colonial. Então, a dimensão psicológica interior do homem não é mais concebida como o espelho da harmonia universal, como queria a reforma ordenada aristotélico-tomista, nem como o lugar onde mora no homem aquela faísca divina que garante a sua imortalidade, mas como o refúgio precário e passageiro do indivíduo ante os absolutismos do poder e a desordem exterior da sociedade”, explica a pesquisadora. Aos poucos, nasce a ideologia do caráter nacional brasileiro que manipula traços psicológicos na construção de teorias para definir características coletivas do “brasileiro”. “No século XIX, o processo de organização da sociedade nacional traz a necessidade de nivelar os sujeitos sociais e culturais. A nova pergunta é ‘quem somos nós?’ Creio que foi a ocorrência desse processo um dos motivos que explicam, parcialmente, por que a introdução e a difusão da psicologia moderna no país, em suas vertentes de ciência do comportamento ou da psicologia das diferenças individuais, com suas técnicas de avaliação e de medida do ser humano, foi muito favorecida e apoiada como instrumento oportuno e moderno a ser utilizado nessa perspectiva.” Até o início do século XIX não havia no Brasil uma psicologia propriamente dita como prática reconhecida. Mas era crescente o interesse da elite nacional pela produção e aplicação de saberes psicológicos, em especial nas recém-criadas faculdades de Medicina do Rio e da Bahia, onde se produziram várias teses sobre o tema.
Na Bahia, a preocupação principal era a aplicação da psicologia nos problemas sociais, como na higiene mental e psiquiatria forense. No Rio, o interesse era sobre a relação da psicologia com a neuropsiquiatria e a neurologia, com estudos de psicologia experimental. “Boa parte dessas produções se ligava ao movimento que buscava o saneamento das cidades, o que envolvia a eliminação das ‘imundícies’ físicas e morais dos centros urbanos. Os médicos se envolviam em ações para erradicar esses problemas e criar uma sociedade sadia, organizada, normalizada, livre da desordem e dos desvios da escória social. Chegaram os hospícios, com o argumento de ajudar o louco, os quais seriam asilos higiênicos, com base no tratamento moral, mas serviram apenas para excluir do convívio social os indesejáveis”, nota Mitsuko Antunes. Uma escolha que trouxe graves consequências para a psicologia nacional. “Um psicólogo enraizado em sua cultura e sociedade é um agente de transformação social e não de normalização. Hoje temos uma escolha: atuar na redução do ser humano como peça produtiva da sociedade globalizada ou atuar para afirmá-lo como protagonista da sociedade. Acho que o conhecimento das ideias psicológicas surgidas no âmago da história cultural de nosso país tem a função de iluminar essa escolha”, avalia Marina.
The Birth of Religion (fragment, National Geographic)
By Charles C. Mann
Photograph by Vincent J. Musi
June 2011
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Anthropologists have assumed that organized religion began as a way of salving the tensions that inevitably arose when hunter-gatherers settled down, became farmers, and developed large societies. Compared to a nomadic band, the society of a village had longer term, more complex aims—storing grain and maintaining permanent homes. Villages would be more likely to accomplish those aims if their members were committed to the collective enterprise. Though primitive religious practices—burying the dead, creating cave art and figurines—had emerged tens of thousands of years earlier, organized religion arose, in this view, only when a common vision of a celestial order was needed to bind together these big, new, fragile groups of humankind. It could also have helped justify the social hierarchy that emerged in a more complex society: Those who rose to power were seen as having a special connection with the gods. Communities of the faithful, united in a common view of the world and their place in it, were more cohesive than ordinary clumps of quarreling people.
Göbekli Tepe, to Schmidt’s way of thinking, suggests a reversal of that scenario: The construction of a massive temple by a group of foragers is evidence that organized religion could have come before the rise of agriculture and other aspects of civilization. It suggests that the human impulse to gather for sacred rituals arose as humans shifted from seeing themselves as part of the natural world to seeking mastery over it. When foragers began settling down in villages, they unavoidably created a divide between the human realm—a fixed huddle of homes with hundreds of inhabitants—and the dangerous land beyond the campfire, populated by lethal beasts.
French archaeologist Jacques Cauvin believed this change in consciousness was a “revolution of symbols,” a conceptual shift that allowed humans to imagine gods—supernatural beings resembling humans—that existed in a universe beyond the physical world. Schmidt sees Göbekli Tepe as evidence for Cauvin’s theory. “The animals were guardians to the spirit world,” he says. “The reliefs on the T-shaped pillars illustrate that other world.”
Schmidt speculates that foragers living within a hundred-mile radius of Göbekli Tepe created the temple as a holy place to gather and meet, perhaps bringing gifts and tributes to its priests and craftspeople. Some kind of social organization would have been necessary not only to build it but also to deal with the crowds it attracted. One imagines chanting and drumming, the animals on the great pillars seeming to move in flickering torchlight. Surely there were feasts; Schmidt has uncovered stone basins that could have been used for beer. The temple was a spiritual locus, but it may also have been the Neolithic version of Disneyland.
Over time, Schmidt believes, the need to acquire sufficient food for those who worked and gathered for ceremonies at Göbekli Tepe may have led to the intensive cultivation of wild cereals and the creation of some of the first domestic strains. Indeed, scientists now believe that one center of agriculture arose in southern Turkey—well within trekking distance of Göbekli Tepe—at exactly the time the temple was at its height. Today the closest known wild ancestors of modern einkorn wheat are found on the slopes of Karaca Dağ, a mountain just 60 miles northeast of Göbekli Tepe. In other words, the turn to agriculture celebrated by V. Gordon Childe may have been the result of a need that runs deep in the human psyche, a hunger that still moves people today to travel the globe in search of awe-inspiring sights.
Some of the first evidence for plant domestication comes from Nevalı Çori (pronounced nuh-vah-LUH CHO-ree), a settlement in the mountains scarcely 20 miles away. Like Göbekli Tepe, Nevalı Çori came into existence right after the mini ice age, a time archaeologists describe with the unlovely term Pre-pottery Neolithic (PPN). Nevalı Çori is now inundated by a recently created lake that provides electricity and irrigation water for the region. But before the waters shut down research, archaeologists found T-shaped pillars and animal images much like those Schmidt would later uncover at Göbekli Tepe. Similar pillars and images occurred in PPN settlements up to a hundred miles from Göbekli Tepe. Much as one can surmise today that homes with images of the Virgin Mary belong to Christians, Schmidt says, the imagery in these PPN sites indicates a shared religion—a community of faith that surrounded Göbekli Tepe and may have been the world’s first truly large religious grouping.
Naturally, some of Schmidt’s colleagues disagree with his ideas. The lack of evidence of houses, for instance, doesn’t prove that nobody lived at Göbekli Tepe. And increasingly, archaeologists studying the origins of civilization in the Fertile Crescent are suspicious of any attempt to find a one-size-fits-all scenario, to single out one primary trigger. It is more as if the occupants of various archaeological sites were all playing with the building blocks of civilization, looking for combinations that worked. In one place agriculture may have been the foundation; in another, art and religion; and over there, population pressures or social organization and hierarchy. Eventually they all ended up in the same place. Perhaps there is no single path to civilization; instead it was arrived at by different means in different places.
[…]
Full text at http://ngm.nationalgeographic.com/2011/06/gobekli-tepe/mann-text/1
Some Catholics seek to counter Galileo (Chicago Tribune)
Splinter group says the Earth, not the sun, is, indeed, at the center of the universe
By Manya A. Brachear, Tribune reporter
July 4, 2011
Some people believe the world literally revolves around them. It’s a belief born not of selfishness but faith.
A small group of conservative Roman Catholics is pointing to a dozen biblical verses and the Church’s original teaching as proof that the Earth is the center of the universe, the view that prompted Galileo Galilei’s clash with the Church four centuries ago.
The relatively obscure movement has gained a following among a few Chicago-area Catholics who find comfort in knowing there are still staunch defenders of original Church doctrine.
“This subject is, as far as I can see, an embarrassment to the modern church because the world more or less looks upon geocentrism or someone who believes it in the same boat as the flat Earth,” said James Phillips, of Cicero.
Phillips attends Our Lady Immaculate Catholic Church in Oak Park, a parish run by the Society of St. Pius X, a group that rejects most of the modernizing reforms the Vatican II council made from 1962 to 1965.
But by challenging modern science, the proponents of a geocentric universe are challenging the very church they seek to serve and protect.
“I have no idea who these people are. Are they sincere, or is this a clever bit of theater?” said Brother Guy Consolmagno, the curator of meteorites and spokesman for the Vatican Observatory.
Indeed, those promoting geocentrism argue that heliocentrism, or the centuries-old consensus among scientists that the Earth revolves around the sun, is nothing more than a conspiracy theory to squelch the church’s influence.
“Heliocentrism becomes ‘dangerous’ if it is being propped up as the true system when, in fact, it is a false system,” said Robert Sungenis, leader of a budding movement to get scientists to reconsider. “False information leads to false ideas, and false ideas lead to illicit and immoral actions — thus the state of the world today. … Prior to Galileo, the church was in full command of the world; and governments and academia were subservient to her.”
Sungenis is no lone Don Quixote, as illustrated by the hundreds of curiosity seekers, skeptics and supporters at a conference last fall titled “Galileo Was Wrong. The Church Was Right” just off the University of Notre Dame campus in South Bend, Ind.
Astrophysicists at Notre Dame didn’t appreciate the group hitching its wagon to the prestige of America’s flagship Catholic university and resurrecting a concept that’s extinct for a reason.
“It’s an idea whose time has come and gone,” astrophysics professor Peter Garnavich said. “There are some people who want to move the world back to the 1950s when it seemed like a better time. These are people who want to move the world back to the 1250s. I don’t really understand it at all.”
Garnavich said the theory of geocentrism violates what he believes should be a strict separation of church and science. One answers why, the other answers how, and never the twain should meet, he said.
But supporters of the theory contend that there is scientific evidence to support geocentrism, just as there is evidence to support the six-day story of creation in Genesis.
There is proof in Scripture that the Earth is the center of the universe, Sungenis said. Among many verses, he cites Joshua 10:12-14 as definitive proof: “And the sun stood still, and the moon stayed, while the nation took vengeance on its foe. … The sun halted in the middle of the sky; not for a whole day did it resume its swift course.”
But Ken Ham, founder of the Creation Museum in Petersburg, Ky., said the Bible is silent on geocentrism.
“There’s a big difference between looking at the origin of the planets, the solar system and the universe and looking at presently how they move and how they are interrelated,” Ham said. “The Bible is neither geocentric or heliocentric. It does not give any specific information about the structure of the solar system.”
Just as Ham challenges the foundation of natural history museums, Sungenis challenges planetariums, most notably the Vatican Observatory.
Consolmagno said the very premise of going after Galileo illustrates the theory’s lack of scientific credibility.
“Of course, we understand the universe in a far more nuanced way than Galileo did 400 years ago,” he said. “And I would hope that the next 400 years would see just as much development.”
But Sungenis said the renewed interest in geocentrism is due, in part, to the efforts of Christians entering the scientific domain previously dominated by secularists. These Christian scientists, he said, showed modern science is without scientific foundation or even good evidence.
The issue has even sparked a debate between Art and Pat Jones, of Lyons. Pat Jones, a conservative Catholic who often attends Mass at Phillips’ parish, said heliocentrism is part of a conspiracy.
“Because of our fallen nature in Christian terms, we take the line of least resistance — go with the flow,” said Pat Jones. “But the means of grace have to be intact.”
Her husband, Art, a self-described skeptical Protestant, says he is still a “doubting Thomas” but wouldn’t put it past the orthodox science community to cook up a conspiracy. He accompanied his wife to the South Bend conference to learn more and “keep peace in the family.”
Meanwhile, the theory has brought others like Phillips closer to God.
“I dropped my practice of faith,” Phillips said. “When I came back, it was a big wake-up call for me. … The world has its own dogmas.”
mbrachear@tribune.com
As artes de Roger Bastide (Fapesp)

Há 60 anos, o sociólogo “francês abrasileirado” (como o chamava Gilberto Freyre) Roger Bastide (1898-1974) realizou um sonho antigo, acalentado desde pouco depois de sua chegada ao país, em 1938, vindo como substituto do antropólogo Claude Lévi- -Strauss à frente da cadeira de sociologia da Universidade de São Paulo (USP). Em dois dias plenos de cerimônia, entre 3 e 4 de agosto de 1951, Bastide foi iniciado no candomblé como filho de Xangô e passou a usar o colar de contas vermelho e branco com grande orgulho. Por um curioso paradoxo, a passagem religiosa foi o ápice de suas pesquisas científicas no Brasil e, ao mesmo tempo, expressão sincera do seu “encantamento” pelas descobertas. “A pesquisa científica exigia de mim a passagem preliminar pelo ritual de iniciação. Até a minha morte serei reconhecido a todas as Mães de Santo que me trataram como um filho branco e compreenderam, com seu dom superior de intuição, minha ânsia por novos alimentos culturais e pressentiram que meu pensamento cartesiano não suportaria as novas substâncias como verdadeiros alimentos”, escreveu em Estudos afro-brasileiros.
Chegou ao Brasil sem saber o que encontraria. “Partiremos em algumas horas e as gaivotas traçam sinos cabalísticos no céu”, escreveu a bordo do navio que o trazia aos trópicos, revelando o espírito aberto ao oculto, ao irracional. Aqui, deparou-se com uma questão complexa: gostaria de ser um intérprete do novo país, mas como fazer isso sendo um estrangeiro em busca da compreensão da “identidade brasileira”? Será seu encontro com os modernistas, em especial Mário de Andrade, que o ensinará a procura do “exótico do exótico” do “outro do outro”. Daí a importância de sua iniciação e, também, da sua inserção na discussão sobre as artes plásticas que os modernistas realizavam. “As artes plásticas, o folclore, o barroco ensinam a Bastide que a originalidade da cultura brasileira era seu hibridismo, a solução ímpar que aconteceu aqui com o cruzamento de civilizações distintas”, explica a antropóloga Fernanda Arêas Peixoto, professora da USP e autora deDiálogos brasileiros: uma análise da obra de Roger Bastide. Do Bastide do candomblé muito se fala, mas o crítico de arte que arregaçou as mangas e saiu da universidade para os jornais é bem menos conhecido, apesar da importância de seus escritos para a compreensão de seu pensamento. Essa lacuna está sendo, aos poucos, preenchida, como revela o lançamento de Impressões do Brasil (ver resenha “Impressão do Brasil”), livro recém- -lançado pela Imprensa Oficial, que reúne 11 artigos que retratam o processo de ambientação intelectual do francês no país e seu envolvimento com a cultura nacional. “Essa paixão pelas artes e pelas letras não era um passatempo dominical de Bastide, mas uma disciplina estética que ele soube cultivar. Os textos revelam a inclusão crescente de temas brasileiros em seu repertório intelectual. E de como, com rapidez e profundidade, ele se enganou com a matéria brasileira, antiga e contemporânea”, avalia o professor de literatura da USP, Samuel Titan Jr., que, ao lado da socióloga Fraya Frehse, foi responsável pela organização dos artigos do livro, entre esses: “Machado de Assis, paisagista”; “Igrejas barrocas e cavalinhos de pau”; “Estética de São Paulo”; “Variações sobre a porta barroca”; “Arte e religião: o culto aos gêmeos”; entre outros.
Há ainda outras boas-novas. “Os estudiosos da obra de Bastide são, em geral, das ciências sociais. Apesar da eficiência desse fio de Ariadne para nos movimentarmos nos aspectos gerais da sua produção, a literatura abre ramificações próprias. Ele trouxe uma contribuição importante com o seu olhar estrangeiro e aberto, iluminando de uma forma diferente a nossa própria literatura”, acredita Glória Carneiro do Amaral, professora livre-docente aposentada da USP, atualmente pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, autora de Navette literária França-Brasil: a crítica de Roger Bastide, recém-editado pela Edusp em dois volumes que analisam as críticas literárias bastidianas e as reúnem pela primeira vez, muitas delas quase desconhecidas de pesquisadores de sua obra.
“Bastide pensou e escreveu sobre o Brasil à medida que o foi conhecendo. No exercício rotineiro da crítica jornalística, ele comenta as artes visuais e a literatura nacional, discutindo obras no calor da hora. A arte é lida por ele como forma de compreensão da cultura brasileira mais ampla, ligando-se à análise cultural. Foi a partir da matéria artística que ele pensou os processos de ‘aculturação literária’, a incorporação do negro à literatura e mestiçagem estética. O mesmo se deu em outros campos da arte. Ele praticou a interdisciplinaridade num momento em que isso não era praticado como hoje em dia”, analisa Fernanda Peixoto. “O Brasil que emerge das artes e da cultura popular é um Brasil mestiço do que Bastide se aproxima dos mais diversos ângulos. Ele deve ser visto como um elemento de ligação entre o meio universitário e o cenário intelectual mais amplo, representando, com esses textos, dentro da universidade, a articulação entre a academia e os jornais; entre a sociologia acadêmica, a crítica e o ensaísmo; entre as ciências sociais e o modernismo literário”, completa a pesquisadora. “Bastide se interessou a fundo pela nossa arte e pela nossa literatura, tornando-se crítico militante e um estudioso que pesou de maneira notável na interpretação de fatos, ideias e obras. Sua visão sociológica concorria para a ampliação das interpretações, sendo um dos raros estudiosos a usar com segurança e felicidade essa combinação difícil da sociologia e da crítica da arte”, escreveu o ex-aluno Antonio Candido em Recortes.
Mas não se trata aqui da “arte pela arte”. “Nas análises que fez sobre a produção artística brasileira, eruditas ou populares (folclore, artes plásticas e literatura), Bastide se concentrou na busca das marcas africanas que estariam impressas nessa produção ou, nas palavras dele, ‘buscamos a raça na trama da obra escrita’. O que essa produção revela é a presença de uma África em surdina, oprimida por modelos cultos europeus, exemplificando o drama do africanismo oprimido no país. Daí ele ter se voltado, ao mesmo tempo, para os escritos sobre arte e os estudos sobre as religiões afro-brasileiras que obrigam a redefinir suas análises anteriores”, observa Fernanda. “Se as manifestações artísticas o levam a ver o Brasil a partir de uma trama sincrética (a competição desigual entre a civilização europeia e a africana, que luta para impor seus valores e modelos), a religião trouxe a ele outro ângulo de observação”, continua. Segundo Bastide, nota a pesquisadora, os cultos afro-brasileiros seriam redutos privilegiados da reação, o polo de resistência africana e permitem que se possa “decantar” a África pela sua composição mestiça, uma forma nova de compreender a presença africana no Brasil. “Esse é o campo de observação de Bastide aqui: o triângulo África, Europa e Brasil, este último o lugar da barganha dos dois sistemas simbólicos, africano e europeu”, diz a professora. A religião teria o poder de inverter o sentido da equação sincrética, pois seria o lugar em que a contribuição negra é a base e, assim, oferece ao intérprete o caminho preferencial para entender a África no Brasil.
Mas por que a opção africana? O encontro entre Bastide e a África aconteceu em território brasileiro na sua primeira viagem ao Nordeste, em 1944. “Diante da fonte europeia e africana, que alimenta o misticismo brasileiro, ele vira sua atenção para a matriz africana. Isso não significa uma escolha, mas, pensa, a única opção segura para quem quer entender o caráter particular do misticismo nacional. Pode-se dizer que não é o intérprete que elege o mundo africano como objeto de reflexão, mas é a África que se impõe ao observador”, nota Fernanda. Afinal ela “penetra pelos ouvidos, pelo nariz e pela boca, bate no estômago, impõe seu ritmo ao corpo e ao espírito, obrigando-o a passar do estudo da mística das pedras e da madeira talhada para a religião dos pretos”, como escreveu Bastide emImagens do Nordeste em preto e branco, “reportagem literária” feita pelo francês em 1944 a pedido da revista O Cruzeiro. “A civilização africana, nos termos de Bastide, é recriada no Brasil a partir (e apesar) do encontro entre as três civilizações. Assim, a África brasileira, longe de cópia de um modelo original, é reelaboração, um produto também híbrido. É uma África sincrética, composta de brancos e negros, como mostram seus estudos sobre arte e literatura. Para ele, o negro está ao mesmo tempo unido e separado na sociedade brasileira.”
Assim, se Gilberto Freyre, referência fundamental para Bastide, ao lado dos modernistas e Florestan Fernandes (seu aluno e colega de pesquisas), estudou o sincretismo do ponto de vista da civilização brasileira, Bastide virou-se para as civilizações africanas, com isso, como escreveu, pretendendo “retomar o problema pelo outro lado da luneta”. O sincretismo bastidiano é, acima de tudo, sinônimo de resistência africana. Isso gerou críticas ao sociólogo, visto como passadista, um romântico em busca de purezas perdidas no tempo. “Se ele se esforça em isolar os universos africanos do amálgama mestiço, ao mesmo tempo está preocupado em entender como esses ‘nichos africanos’ se articulam na sociedade. A procura de ilhas africanas é inseparável da análise de relações, de aproximações e afastamentos”, nota Fernanda.
“O Brasil é um caso exemplar de interpenetração de civilizações a ser observado e produtor de teorias que Bastide irá usar, não apenas para entender as especificidades do Brasil, mas também para criar seu instrumental analítico e conceitual”, avisa Fernanda. “Bastide não era um sociólogo de gabinete, mas um intelectual que realizou detalhadas pesquisas etnográficas e históricas e seus textos têm o valor de reabilitar a cultura negra, agora vista como elaborada e plena de valores, recusando a perspectiva preconceituosa de autores brasileiros que o precederam”, observa o sociólogo Lísias Nogueira Negrão, professor titular da USP e autor de Roger Bastide: do candomblé à umbanda.
“Para Bastide, olhar a África no Brasil implica obrigatoriamente o mo-vimento inverso: olhar o Brasil sincrético a partir da África, já que sem o termo africano é impossível pensar o país”, nota Fernanda Peixoto. Entre 1950 e 1951, esse raciocínio avançará em novas direções por causa do convite feito a Bastide pela Unesco para investigar as relações raciais no Brasil, já que então o país parecia, ao menos de longe, sofrer menos do que os outros os efeitos do preconceito racial e seria desejável entender as raízes dessa suposta harmonia. Bastide une-se ao ex-aluno Florestan Fernandes na tarefa e o diálogo entre os dois será fecundo ao pensamento bastidiano em sua fase final, em especial na avaliação dos nexos entre “novo” e “velho” na sociedade brasileira.
“O tom otimista das previsões de Florestan não encontra eco em Bastide, mesmo que ele considere notável a maior aceitação dos negros pelas novas gerações”, observa Fernanda. “Mas, para Bastide, a matriz da análise é dada pela persistência dos elementos da sociedade tradicional no mundo moderno, e não pela mudança. As dificuldades dos negros para se organizarem politicamente se dão nesse contexto em que não há ideologia da revolta. Fruto de uma ambivalência ideológica entre o orgulho de ser negro e a sensação de inferioridade, a adoção do ponto de vista branco.” Nisso, apesar das críticas que sofreu, Bastide não vê uma aversão ao moderno. Pelo contrário, como revela numa palestra feita em 1973 quando remete seu pensamento ao mito de Prometeu, torturado pelos deuses com um abutre ao dar o “fogo divino” do saber aos homens. “A civilização ocidental traz em seu mito de origem o progresso e a decadência, gerados pela mesma fonte. Não é possível, diz Bastide, refletir sobre a civilização e sobre a modernidade (Prometeu) sem incorporar a análise da antimodernidade (o abutre), faces de uma mesma moeda.”
Assim, segundo o francês, a exportação de valores para países do Terceiro Mundo (a generalização da modernidade) que levaria a uma homogenização do modelo ocidental não aconteceu. Bastide, então, questiona se haveria mesmo só um único modelo para alcançar a modernidade e se coloca em defesa das “modernidades diferenciadas”, fruto do que viu e observou no Brasil com a cultura africana. Foi um entusiasta dos movimentos jovens dos anos 1960, exemplos da contramodernidade produtiva: a contestação jovem à sociedade ocidental era feita tendo como modelo as formas arcaicas de sociabilidade reeditadas porhippies e outros. O que provaria a vitalidade dos modelos arcaicos, que logram sobreviver às revoluções mais violentas, refugiando-se em nichos. “Na produção de Bastide, mesmo depois de seu retorno à França, persiste o interesse pelas ‘Áfricas’ do mundo todo”, analisa Fernanda. Um pensamento forjado em terras baianas, como recorda Jorge Amado ao lembrar-se do amigo francês, que falava um português enviesado, em visita a um terreiro. “Como se entenderam o sociólogo francês e a mãe- -pequena baiana, não sei até hoje; é para mim um mistério tão grande quanto o da Santíssima Trindade.”
Noviça pintada pelo orixá © JOSÉ MEDEIROS / ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES
Scientist says listen to pope on climate change (U.S. Catholic)
Thursday, May 12, 2011
By Online Editor
Guest blog post by Dan DiLeo
Religion and science comes together in urging action on climate change.
The Pontifical Academy of Sciences sees climate change as an urgent matter, member Veerabhadran (Ram) Ramanathan, Ph.D., told Dan Misleh, Executive Director of the Catholic Coalition on Climate Change, in an interview on the academy’s report coming out of its meeting at the Vatican April 2-4, 2011.
While written, public reports are not the norm following such meetings, the working group was motivated by a sense of the urgency of the issue and the adverse social, political, economic and ecological impacts of climate change, said Ramanathan, who is the co-chair of the working group that produced the report and has been a member of the Pontifical Academy of Sciences since 2004. He is also Distinguished Professor of Atmospheric and Climate Sciences and Director of the National Science Foundation funded Center for Clouds, Chemistry, and Climate at Scripps Institution of Oceanography.
The Vatican’s recent report focuses on the impacts to humans due to global glacier retreat—one of the most obvious indicators of anthropogenic climate change. Ramanathan noted that climate change is already being experienced by many, especially in developing countries, and is likely to continue unless significant global actions to curtail human produced greenhouse gases are not begun soon.
Ramanathan said the working group focused glaciers and not other climate change impacts for three reasons: These impacts have not been sufficiently studied and discussed; shrinking glaciers offer the most visible example of how climate change is adversely affecting the planet; and the disappearance of mountain glaciers—which act as huge freshwater reservoirs for billions of people especially in Central Asia—could have catastrophic impacts.
Throughout his remarks, Ramanathan echoed the church’s call to exercise prudence in confronting climate change, confirming that the grave—and potentially irreversible—nature of climate change impacts obligate action based on what we already know now. He also emphasized the crucial role which the church must continue to play in the face of climate change: while the science community can present the facts, it is the church which has the moral authority necessary to inspire individuals and institutions to change environmentally—and socially—destructive patterns of behaviors.
Ramanathan also shared his personal inspiration for working on the issue of climate change, and in particular the contribution of black carbon. Growing up in a village in India, he saw how the burning of biomass not only created tremendous air pollution but also severely impacted the health of his family. The experience helped him see the interconnectedness of health, poverty, and environment, and reaffirmed that individual choices can have widespread affects—both positive and negative.
Ramanathan closed by noting that if the world’s more than 1 billion Catholics chose to heed the Holy Father and address climate change as a matter of faith, their individual actions and choices would go a long way in caring for God’s good gift of Creation and the poor who are most impacted by environmental degradation.
Dan DiLeo is Project Manager for the Catholic Coalition on Climate Change.
Religion may become extinct in nine nations, study says (BBC)
2 March 2011 Last updated at 07:31 GMT
By Jason PalmerScience and technology reporter, BBC News, Dallas
A study using census data from nine countries shows that religion there is set for extinction, say researchers.
The study found a steady rise in those claiming no religious affiliation.
The team’s mathematical model attempts to account for the interplay between the number of religious respondents and the social motives behind being one.
The result, reported at the American Physical Society meeting in Dallas, US, indicates that religion will all but die out altogether in those countries.
The team took census data stretching back as far as a century from countries in which the census queried religious affiliation: Australia, Austria, Canada, the Czech Republic, Finland, Ireland, the Netherlands, New Zealand and Switzerland.
Their means of analysing the data invokes what is known as nonlinear dynamics – a mathematical approach that has been used to explain a wide range of physical phenomena in which a number of factors play a part.
One of the team, Daniel Abrams of Northwestern University, put forth a similar model in 2003 to put a numerical basis behind the decline of lesser-spoken world languages.
At its heart is the competition between speakers of different languages, and the “utility” of speaking one instead of another.
“The idea is pretty simple,” said Richard Wiener of the Research Corporation for Science Advancement, and the University of Arizona.
“It posits that social groups that have more members are going to be more attractive to join, and it posits that social groups have a social status or utility.
“For example in languages, there can be greater utility or status in speaking Spanish instead of [the dying language] Quechuan in Peru, and similarly there’s some kind of status or utility in being a member of a religion or not.”
The team then applied their nonlinear dynamics model, adjusting parameters for the relative social and utilitarian merits of membership of the “non-religious” category.
They found, in a study published online, that those parameters were similar across all the countries studied, suggesting that similar behaviour drives the mathematics in all of them.
And in all the countries, the indications were that religion was headed toward extinction.
However, Dr Wiener told the conference that the team was working to update the model with a “network structure” more representative of the one at work in the world.
“Obviously we don’t really believe this is the network structure of a modern society, where each person is influenced equally by all the other people in society,” he said.
However, he told BBC News that he thought it was “a suggestive result”.
“It’s interesting that a fairly simple model captures the data, and if those simple ideas are correct, it suggests where this might be going.
“Obviously much more complicated things are going on with any one individual, but maybe a lot of that averages out.”
21 March 2011 Last updated at 03:59 GMT
Two-thirds of Britons not religious, suggests survey
By John McManusBBC News
Nearly two-thirds of people do not regard themselves as “religious”, a new survey carried out to coincide with the 2011 Census suggests.
The British Humanist Association (BHA), which commissioned the poll, said people often identified themselves as religious for cultural reasons.
The online poll asked 1,900 adults in England and Wales a question which is on this month’s census form.
The Office for National Statistics has defended the wording of the census.
While 61% of the poll’s respondents said they did belong to a religion, 65% of those surveyed answered “no” to the further question: “Are you religious?”
Two surveys were commissioned, one covering England and Wales, and the other for Scotland. The Scottish survey was commissioned by the Humanist Society of Scotland.
South of the border, 61% of respondents said they did have a religion.
But only 29% also said they were religious, while 65% said they were not.
This poll is further evidence… that the data produced by the census, used by local and national government as if it indicates religious belief and belonging, is in fact highly misleading”
Andrew CopsonBritish Humanist Association
Among respondents who identified themselves as Christian, fewer than half said they believed Jesus Christ was a real person who died, came back to life and was the son of God.
Another 27% said they did not believe that at all, while 25% were unsure.
In Scotland, 42% of respondents said they did not belong to a religion, yet in a further question “Are you religious?” 56% answered “no”.
The BHA has complained the wording of the optional census question about religion encourages people to wrongly identify themselves as believers.
In the last census in 2001, 72% of people were classed as Christians – a figure which is much higher than other surveys.
The BHA believes people might tick “yes” to the census question on religion for reasons of cultural identity.
The chief executive of the BHA, Andrew Copson, is running a national campaign encouraging non-religious people to state their unbelief clearly on their census forms.
He said: “This poll is further evidence for a key message of the Census Campaign – that the data produced by the census, used by local and national government as if it indicates religious belief and belonging, is in fact highly misleading.
Religious affiliation
The humanists say data which might indicate a greater amount of religious belief than actually exists, is being used to justify faith schools, and the continuing presence of Anglican bishops in the House of Lords.
The Office for National Statistics has defended the wording of the religion question.
A spokesman told the BBC: “The religion question measures the number of people who self-identify an affiliation with a religion, irrespective of the extent of their religious belief or practice.”
The think tank Theos, which undertakes research into religious matters, says attempting to measure cultural affiliation to religion – rather than actual, regular practice – is a good idea, as it shows the broad values society shares.
It also disputes the BHA’s assertion that the collected data is used for political purposes.
Aplicativo de iPhone para confissão não substitui padre, diz Vaticano (BBC)
RELIGIÃO
BBC Online – 9 de fevereiro, 2011 – 13:26 (Brasília) 15:26 GMT
Representantes da Igreja aprovaram o novo aplicativo
O Vaticano alertou que um novo aplicativo para o iPhone, que ajuda fiéis a confessarem nunca poderá substituir o diálogo pessoal com um padre.
O programa, chamado Confissão, foi colocado à venda semana passada pela loja virtual da Apple, iTunes, por US$ 1,99 (aproximadamente R$ 3,32).
O aplicativo foi aprovado por representantes da Igreja Católica nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.
Mas, em entrevista à BBC, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o programa Confissão não serve como substituto para a confissão dos pecados a um sacerdote, como há séculos é feito.
Segundo ele, no passado, era comum que os católicos se preparassem para a confissão escrevendo sobre seus pecados e seus pensamentos, e é natural que na era digital eles substituam a escrita em papel por recursos de informática, como o aplicativo.
O comentário de Lombardi vem em um momento em que a prática da confissão entre os católicos está em queda.
Exame de consciência
O aplicativo guia os usuários no sacramento da confissão e permite que o fiel mantenha um registro de seus pecados.
Ele também facilita que os usuários façam um exame de consciência com base em fatores como idade, sexo e estado civil – mas afirma que não tem como objetivo substituir a confissão inteiramente.
De acordo com o fabricante do programa, a Little iApps, em vez de substituir a confissão inteiramente, o aplicativo procura incentivar os usuários a compreender suas ações e então buscar um padre para obter absolvição.
“Nosso desejo é convidar católicos a se envolverem com sua fé por meio da tecnologia digital”, disse Patrick Leinen, criador do Confissão.
O lançamento foi feito logo após o papa Bento 16 ter exortado católicos a usarem a comunicação digital e mostrarem-se presentes online.
Os criadores do aplicativo disseram ter levado em conta as palavras do papa enquanto preparavam a ferramenta para consumo público.




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