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O planeta doente (culturaebarbarie.org)

por Guy Debord

A “poluição” está hoje na moda, exatamente da mesma maneira que a revolução: ela se apodera de toda a vida da sociedade e é representada ilusoriamente no espetáculo. Ela é tagarelice tediosa numa pletora de escritos e de discursos errôneos e mistificadores, e, nos fatos, ela pega todo mundo pelo pescoço. Ela se expõe em todo lugar enquanto ideologia e ganha terreno enquanto processo real. Esses dois movimentos antagônicos, o estágio supremo da produção mercantil e o projeto de sua negação total, igualmente ricos de contradições em simesmos, crescem em conjunto. São os dois lados pelos quais se manifesta um mesmo momento histórico há muito tempo esperado e freqüentemente previsto sob figuras parciais inadequadas: a impossibilidade da continuação do funcionamento do capitalismo.

A época que tem todos os meios técnicos de alterar as condições de vida na Terra é igualmente a época que, pelo mesmo desenvolvimento técnico e científico separado, dispõe de todos os meios de controle e de previsão matematicamente indubitável para medir com exatidão antecipada para onde conduz — e em que data — o crescimento automático das forças produtivas alienadas da sociedade de classes: isto é, para medir a degradação rápida das condições de sobrevida, no sentido o mais geral e o mais trivial do termo.

Enquanto imbecis passadistas ainda dissertam sobre, e contra, uma crítica estética de tudo isso, e crêem mostrar-se lúcidos e modernos por se mostrarem esposados com seu século, proclamando que a auto-estrada ou Sarcelles têm sua beleza que se deveria preferir ao desconforto dos “pitorescos” bairros antigos ou ainda fazendo observar gravemente que o conjunto da população come melhor, a despeito das nostalgias da boa cozinha, já o problema da degradação da totalidade do ambiente natural e humano deixou completamente de se colocar no plano da pretensa qualidade antiga, estética ou outra, para se tornar radicalmente o próprio problema da possibilidade material de existência do mundo que persegue um tal movimento. A impossibilidade está de fato já perfeitamente demonstrada por todo o conhecimento científico separado, que discute somente sua data de vencimento; e os paliativos que, se fossem aplicados firmemente, a poderiam regular superficialmente. Uma tal ciência apenas pode acompanhar em direção à destruição o mundo que a produziu e que a mantém; mas ela é obrigada a fazê-lo com os olhos abertos. Ela mostra assim, num nível caricatural, a inutilidade do conhecimento sem uso.

Mede-se e se extrapola com uma precisão excelente o aumento rápido da poluição química da atmosfera respirável, da água dos rios, dos lagos e até mesmo dos oceanos; e o aumento irreversível da radioatividade acumulada pelo desenvolvimento pacífico da energia nuclear, dos efeitos do barulho, da invasão do espaço por produtos de materiais plásticos que podem exigir uma eternidade de depósito universal, da natalidade louca, da falsificação insensata dos alimentos, da lepra urbanística que se estende sempre mais no lugar do que antes foram a cidade e o campo; assim como as doenças mentais — aí compreendidas as fobias neuróticas e as alucinações que não poderiam deixar de se multiplicar bem cedo sobre o tema da própria poluição, da qual se mostra em todo lugar a imagem alarmante — e do suicídio, cujas taxas de expansão se entrecruzam já exatamente com as de edificação de um tal ambiente (para não falar dos efeitos da guerra atômica ou bacteriológica, cujos meios estão posicionados como a espada de Dâmocles, mas permanecem evidentemente evitáveis).

Logo, se a amplitude e a própria realidade dos “terrores do Ano Mil” são ainda um assunto controverso entre os historiadores, o terror do Ano Dois Mil é tão patente quanto bem fundado; ele é desde o presente uma certeza científica. Contudo, o que se passa não é em si mesmo nada novo: é somente o fim necessário do antigo processo. Uma sociedade cada vez mais doente, mas cada vez mais poderosa, recriou em todo lugar concretamente o mundo como ambiente e décorde sua doença, enquanto planeta doente. Uma sociedade que não se tornou ainda homogênea e que não é mais determinada por si mesma, mas cada vez maispor uma parte dela mesma que lhe é superior, desenvolveu um movimento de dominação da natureza que contudo não se dominou a si mesmo. O capitalismo finalmente trouxe a prova, por seu próprio movimento, de que ele não pode mais desenvolver as forças produtivas; e isso não quantitativamente, como muitos acreditaram compreender, mas qualitativamente.

Contudo, para o pensamento burguês, metodologicamente, somente o quantitativo é o sério, o mensurável, o efetivo; e o qualitativo é somente a incerta decoração subjetiva ou artística do verdadeiro real estimado em seu verdadeiro peso. Ao contrário, para o pensamento dialético, portanto, para a história e para o proletariado, o qualitativo é a dimensão a mais decisiva do desenvolvimento real. Eis aí o que o capitalismo e nós terminamos por demonstrar.

Os senhores da sociedade são obrigados agora a falar da poluição, tanto para combatê-la (pois eles vivem, apesar de tudo, no mesmo planeta que nós; é este o único sentido ao qual se pode admitir que o desenvolvimento do capitalismo realizou efetivamente uma certa fusão das classes) e para a dissimular, pois a simples verdade dos danos e dos riscos presentes basta para constituir um imenso fator de revolta, uma exigência materialista dos explorados, tão inteiramente vital quanto o foi a luta dos proletários do século XIX pela possibilidade de comer. Após o fracasso fundamental de todos os reformismos do passado — que aspiram todos eles à solução definitiva do problema das classes —, um novo reformismo se desenha, que obedece às mesmas necessidades que os precedentes: lubrificar a máquina e abrir novas oportunidades de lucros às empresas de ponta. O setor mais moderno da indústria se lança nos diferentes paliativos da poluição, como em um novo nicho de mercado, tanto mais rentável quanto mais uma boa parte do capital monopolizado pelo Estado nele está a empregar e a manobrar. Mas se este novo reformismo tem de antemão a garantia de seu fracasso, exatamente pelas mesmas razões que os reformismos passados, ele guarda em face deles a radical diferença de que não tem mais tempo diante de si.

O desenvolvimento da produção se verificou inteiramente até aqui enquanto realização daeconomia política: desenvolvimento da miséria, que invadiu e estragou o próprio meio da vida. A sociedade em que os produtores se matam no trabalho, e cujo resultado devem somente contemplar, lhes deixa claramente ver, e respirar, o resultado geral do trabalho alienado enquanto resultado de morte. Na sociedade da economia superdesenvolvida, tudo entrou na esfera dos bens econômicos, mesmo a água das fontes e o ar das cidades, quer dizer que tudo se tornou o mal econômico, “negação acabada do homem” que atinge agora sua perfeita conclusão material. O conflito entre as forças produtivas modernas e as relações de produção, burguesas ou burocráticas, da sociedade capitalista entrou em sua fase última. A produção da não-vida prosseguiu cada vez mais seu processo linear e cumulativo; vindo a atravessar um último limiar em seu progresso, ela produz agora diretamente a morte.

A função última, confessada, essencial, da economia desenvolvida hoje, no mundo inteiro em que reina o trabalho-mercadoria, que assegura todo o poder a seus patrões, é a produção dos empregos. Está-se bem longe das idéias “progressistas” do século anterior [século XIX] sobre a diminuição possível do trabalho humano pela multiplicação científica e técnica da produtividade, que se supunha assegurar sempre mais facilmente a satisfação das necessidades anteriormente reconhecidas por todos reais e sem alteração fundamental da qualidade mesma dos bens que se encontrariam disponíveis. É presentemente para produzir empregos, até nos campos esvaziados de camponeses, ou seja, para utilizar o trabalho humano enquanto trabalho alienado, enquanto assalariado, que se faz todo o resto; e, portanto, que se ameaça estupidamente as bases, atualmente mais frágeis ainda que o pensamento de um Kennedy ou de um Brejnev, da vida da espécie.

O velho oceano é em si mesmo indiferente à poluição; mas a história não o é. Ela somente pode ser salva pela abolição do trabalho-mercadoria. E nunca a consciência histórica teve tanta necessidade de dominar com tanta urgência seu mundo, pois o inimigo que está à sua porta não é mais a ilusão, mas sua morte.

Quando os pobres senhores da sociedade da qual vemos a deplorável conclusão, bem pior do que todas as condenações que puderam fulminar outrora os mais radicais dos utopistas, devem presentemente reconhecer que nosso ambiente se tornou social, que a gestão detudo se tornou um negócio diretamente político, até as ervas dos campos e a possibilidade de beber, até a possibilidade de dormir sem muitos soníferos ou de tomar um banho sem sofrer de alergias, num tal momento se deve ver também que a velha política especializada deve reconhecer que ela está completamente finda.

Ela está finda na forma suprema de seu voluntarismo: o poder burocrático totalitário dos regimes ditos socialistas, porque os burocratas no poder não se mostraram capazes nem mesmo de gerir o estágio anterior da economia capitalista. Se eles poluem muito menos — apenas os Estados Unidos produzem sozinhos 50% da poluição mundial — é porque são muito mais pobres. Eles somente podem, como por exemplo a China, reunindo em bloco uma parte desproporcionada de sua contabilidade de miséria, comprar a parte de poluição de prestígio das potências pobres, algumas descobertas e aperfeiçoamentos nas técnicas da guerra termonuclear, ou mais exatamente, do espetáculo ameaçador. Tanta pobreza, material e mental, sustentada por tanto terrorismo, condena as burocracias no poder. E o que condena o poder burguês mais modernizado é o resultado insuportável de tanta riquezaefetivamente empestada. A gestão dita democrática do capitalismo, em qualquer país que seja, somente oferece suas eleições-demissões que, sempre se viu, nunca mudava nada no conjunto, e mesmo muito pouco no detalhe, numa sociedade de classes que se imaginava poder durar indefinidamente. Elas aí não mudam nada de mais no momento em que a própria gestão enlouquece e finge desejar, para cortar certos problemas secundários embora urgentes, algumas vagas diretrizes do eleitorado alienado e cretinizado (U.S.A., Itália, Inglaterra, França). Todos os observadores especializados sempre salientaram — sem se preocuparem em explicar — o fato de que o eleitor não muda nunca de “opinião”: é justamente porque é eleitor, o que assume, por um breve instante, o papel abstrato que é precisamente destinado a impedir de ser por si mesmo, e de mudar (o mecanismo foi demonstrado centenas de vezes, tanto pela análise política desmistificada quanto pelas explicações da psicanálise revolucionária). O eleitor não muda mais quando o mundo muda sempre mais precipitadamente em torno dele e, enquanto eleitor, ele não mudaria mesmo às vésperas do fim do mundo. Todo sistema representativo é essencialmente conservador, mesmo se as condições de existência da sociedade capitalista não puderam nunca ser conservadas: elas se modificam sem interrupção, e sempre mais rápido, mas a decisão — que afinal é sempre a decisão de liberar o próprio processo da produção capitalista — é deixada inteiramente aos especialistas da publicidade, quer sejam eles únicos na competição ou em concorrência com aqueles que vão fazer a mesma coisa, e aliás o anunciam abertamente. Contudo, o homem que vota “livremente” nos gaullistas ou no P.C.F., tanto quanto o homem que vota, constrangido e forçado, num Gomulka, é capaz de mostrar o que ele verdadeiramente é, na semana seguinte, participando de uma greve selvagem ou de uma insurreição.

A autoproclamada “luta contra a poluição”, por seu aspecto estatal e legalista, vai de início criar novas especializações, serviços ministeriais, cargos, promoção burocrática. E sua eficácia estará completamente na medida de tais meios. Mas ela somente pode se tornar uma vontade real ao transformar o sistema produtivo atual em suas próprias raízes. E somente pode ser aplicada firmemente no instante em que todas suas decisões, tomadas democraticamente em conhecimento pleno de causa, pelos produtores, estiverem a todo instante controladas e executadas pelos próprios produtores (por exemplo, os navios derramarão infalivelmente seu petróleo no mar enquanto não estiverem sob a autoridade de reais soviets de marinheiros). Para decidir e executar tudo isso, é preciso que os produtores se tornem adultos: é preciso que se apoderem todos do poder.

O otimismo científico do século XIX se desmoronou em três pontos essenciais. Primeiro, a pretensão de garantir a revolução como resolução feliz dos conflitos existentes (esta era a ilusão hegelo-esquerdista e marxista; a menos notada naintelligentsia burguesa, mas a mais rica e, afinal, a menos ilusória). Segundo, a visão coerente do universo, e mesmo simplesmente, da matéria. Terceiro, o sentimento eufórico e linear do desenvolvimento das forças produtivas. Se nós dominarmos o primeiro ponto, teremos resolvido o terceiro; e saberemos fazer bem mais tarde do segundo nossa ocupação e nosso jogo. Não é preciso tratar dos sintomas, mas da própria doença. Hoje o medo está em todo lugar, somente sairemos dele confiando-nos em nossas próprias forças, em nossa capacidade de destruir toda alienação existente e toda imagem do poder que nos escapou. Remetendo tudo, com exceção de nós próprios, ao único poder dos Conselhos de Trabalhadores possuindo e reconstruindo a todo instante a totalidade do mundo, ou seja, à racionalidade verdadeira, a uma legitimidade nova.

Em matéria de ambiente “natural” e construído, de natalidade, de biologia, de produção, de “loucura” etc., não haverá que escolher entre a festa e a infelicidade, mas, conscientemente e em cada encruzilhada, entre, de um lado, mil possibilidades felizes ou desastrosas, relativamente corrigíveis, e, de outra parte, o nada. As escolhas terríveis do futuro próximo deixam esta única alternativa: democracia total ou burocracia total. Aqueles que duvidam da democracia total devem esforçar-se para fazer por si mesmos a prova dela, dando-lhe a oportunidade de se provar em marcha; ou somente lhes resta comprar seu túmulo a prestações, pois “a autoridade, se a viu em obra, e suas obras a condenam” (Jacques Déjacque).

“A revolução ou a morte”: esse slogan não é mais a expressão lírica da consciência revoltada, é a última palavra do pensamento científico de nosso século [XX]. Isso se aplica aos perigos da espécie como à impossibilidade de adesão pelos indivíduos. Nesta sociedade em que o suicídio progride como se sabe, os especialistas tiveram que reconhecer, com um certo despeito, que ele caíra a quase nada em maio de 1968. Essa primavera obteve assim, sem precisamente subi-lo em assalto, um bom céu, porque alguns carros queimaram e porque a todos os outros faltou combustível para poluir. Quando chove, quando há nuvens sobre Paris, não esqueçam nunca que isso é responsabilidade do governo. A produção industrial alienada faz chover. A revolução faz o bom tempo.

Escrito em 1971, por Guy Debord, para aparecer no nº 13 da revista Internacional Situacionista, este artigo permaneceu inédito até recentemente, quando foi publicado, junto com dois outros textos do mesmo autor, em La Planète malade (Paris, Gallimard, 2004, pp. 77-94). A tradução de “O planeta doente” aqui publicada apareceu pela primeira vez em http://juralibertaire.over-blog.com/article-13908597.html. Tradução de Emiliano Aquino (http://emilianoaquino.blogspot.com/).

Fonte:  http://culturaebarbarie.org/sopro/arquivo/planetadoente.html

Books Without Borders (N.Y. Times)

EDITORIAL

Published: March 15, 2012

When we reached Tony Diaz, novelist and novice smuggler, by phone this week, he was in West Texas, 500 miles from his home in Houston and about a third of the way through a journey with three dozen comrades and serious contraband. That is, a busload of books.

“The Aztec muse is manifesting right now!” Mr. Diaz said, which was a gleeful way of saying: Watch out, Tucson. Dangerous literature on the way.

Mr. Diaz is the impresario behind an inspiring act of indignation and cultural pride. His bus-and-car caravan is “smuggling” books by Latino authors into Arizona. It’s a response to an educational mugging by right-wing politicians, who enacted a state law in 2010 outlawing curriculums that “advocate ethnic solidarity,” among other imagined evils. That led to the banning of Mexican-American studies in Tucson’s public schools last year.

School officials say the books are not technically banned, just redistributed to the library. But what good is having works from thereading list — like “Los Tucsonenses: The Mexican Community in Tucson, 1854-1941” and “The House on Mango Street,” by Sandra Cisneros — on the shelves if they can’t be taught? Indeed, the point of dismantling the curriculum was to end classroom discussions about these books.

That’s where Mr. Diaz’s “librotraficantes,” or book traffickers, come in. “Arizona tried to erase our history,” he says. “So we’re making more.” They left Houston on Monday. On the way, they’ve held readings with “banned” authors at galleries, bookshops and youth centers. After leaving El Paso on Wednesday, they followed the Rio Grande to Albuquerque, to meet with Rudolfo Anaya, a godfather of Chicano literature. They also planned to wrap some volumes in plastic and carry the “wetbooks” across the river. At the Arizona border, there will be a crossing ceremony. They expect to be in Tucson, singing, dancing and handing out books, by the weekend.

New report reveals how corporations undermine science with fake bloggers and bribes (io9)

BY ANNALEE NEWITZ

MAR 9, 2012 2:22 PM

You’ve probably heard about how the tobacco industry tried to suppress scientific evidence that smoking causes cancer by publishing shady research, bribing politicians, and pressuring researchers. But you may not have realized that tabacco’s dirty tricks are just the tip of the iceberg. In a disturbing new report published by the Union of Concerned Scientists about corporate corruption of the sciences, you’ll learn about how Monsanto hired a public relations team to invent fake people who harassed a scientific journal online, how Coca Cola offers bribes to suppress evidence that soft drinks harm kids’ teeth, and more. Here are some of the most egregious recent examples of corruption from this must-read report.

The report is a meaty assessment of corporate corruption in science that stretches back to incidents with Big Tobacco in the 1960s, up through contemporary examples. Here are just a few of those.

One way that corporations prevent negative information about their products from getting out is by harassing scientists and the journals that publish them. Here’s how Monsanto did it:

Dr. Ingacio Chapela of the University of California–Berkeley and graduate student David Quist published an article in Nature showing that DNA from genetically modified corn was contaminating native Mexican corn. The research spurred immediate backlash.Nature received a number of letters to the editor, including several comments on the Internet from “Mary Murphy” and “Andura Smetacek” accusing the scientists of bias. The backlash prompted Nature to publish an editorial agreeing that the report should not have been published. However, investigators eventually discovered that the comments from Murphy and Smetacek originated with The Bivings Group, a public relations firm that specializes in online communications and had worked for Monstanto. Mary Murphy and Andura Smetacek were found to be fictional names.

Corporations also form front organizations to hide their efforts to undermine science. That’s what happened when producers of unhealthy food got together to cast doubt on the FDA’s recommended health guidelines:

The Center for Consumer Freedom is a nonprofit that targets dietary guidelines recommended by the FDA, other government agencies, medical associations, and consumer advocacy organizations. The center has run ads and owns a website that accuses government agencies of overregulation, and has published articles claiming to refute evidence that high salt intake and other dietary guidelines are based on inadequate science. The center was founded with a $600,000 grant from Philip Morris, but has also received funding from Cargill, National Steak and Poultry, Monsanto, Coca-Cola, and Sutter Home Winery.

Sometimes corporations just go for it and buy off legit organizations, as Coca Cola did when they appear to have paid dentists to stop saying kids shouldn’t drink Coke:

In 2003, the American Academy of Pediatric Dentistry accepted a $1 million donation from Coca-Cola. That year, the group claimed that “scientific evidence is certainly not clear on the exact role that soft drinks play in terms of children’s oral disease.” The statement directly contradicted the group’s previous stance that “consumption of sugars in any beverage can be a significant factor…that contributes to the initiation and progression of dental caries.”

Corporations can also unduly influence federal agencies, as ReGen did when they wanted their device approved for trials by the FDA, despite serious medical problems:

ReGen Biologics attempted to gain FDA approval for clinical trials of Menaflex, a device it developed to replace knee cartilage. After an FDA panel rejected the device, the company enlisted four members of Congress from its home state of New Jersey to influence the evaluation process. In December 2007, Senator Frank Lautenberg, Senator Robert Menendez, and Representative Steve Rothman wrote to FDA Commissioner Andrew von Eschenbach asking him to personally look into Menaflex. Soon thereafter, the commissioner met with ReGen executives and heeded the company’s advice to have Dr. Daniel Shultz, head of the FDA’s medical devices division, oversee a new review. The FDA fast-tracked and approved the product despite serious concerns from the scientific community.

If bribery doesn’t work, you can always censor negative results, the way pharmaceutical company Boots did:

Boots commissioned Dr. Betty Dong, a scientist at the University of California–San Francisco, to test the effects of Synthroid, a replacement for thyroid hormone. Boots hoped to reveal that despite its high price, Synthroid was more effective than similar drugs. The company closely monitored the research, and when Dong found that the drug was no more effective than its competitors, instructed her not to publish the results. When she refused to comply, Boots threatened to sue. The company relented only after several years, during which consumers continued to pay for the costly product.

You can also try “refuting” scientific results with bad evidence, the way the formaldehyde industry did:

To counter a study that found that formaldehyde caused cancer in rats, a formaldehyde company commissioned its own study. That study-which found no association between the chemical and cancer-exposed only one-third the number of rats to formaldehyde for half as long as the original study. A formaldehyde association quickly publicized the results and argued before the Consumer Product Safety Commission (CPSC) that they indicated “no chronic health effects from exposure to the level of formaldehyde normally encountered in the home”

And then, if you’re Pfizer, you can just generate as much favorable research as you like to bolster sales of a drug, despite your discovery that the drug increases risk of suicide:

From 1998 to 2007, Pfizer discreetly facilitated the publication of 15 case studies, six case reports, and nine letters to the editor to boost off-label use of Neurontin, a drug prescribed to treat seizures in people who have epilepsy and nerve pain. The number of patients taking the drug rose from 430,000 to 6 million, making it one of Pfizer’s most profitable products. An investigation found that Pfizer had failed to publish negative results, selectively reported outcomes, and excluded specific patients from analysis. [Most importantly] Pfizer failed to note that the drug increased the risk of suicide.

Read the full report here, which includes sources for these stories, as well as an extensive section devoted to reforming scientific practices. There are ways we can avoid this kind of corruption, and they involve everything from federal reforms to corporate transparency.

[via Union of Concerned Scientists]

Nature journal criticizes Canadian ‘muzzling’ (CBC News)

Time for Canadian government to set its scientists free, magazine says

The Canadian Press

Posted: Mar 2, 2012 7:08 AM ET

Last Updated: Mar 2, 2012 12:54 PM ET

One of the world's leading scientific journals is criticizing the Harper government for 'muzzling' federal scientists

One of the world’s leading scientific journals is accusing the Harper government of limiting its scientists from speaking publicly about their research.

The journal, Nature, says in an editorial in this week’s issue that it’s time for the Canadian government to set its scientists free.

Nature says Canada is headed in the wrong direction in not letting its scientists speak out freely.Nature says Canada is headed in the wrong direction in not letting its scientists speak out freely. (Nature)It notes that Canada and the United States have undergone role reversals in the past six years.

It says the U.S. has adopted more open practices since the end of George W. Bush’s presidency, while Canada has gone in the opposite direction.

Nature says policy directives on government communications released through access to information requests reveal the Harper government has little understanding of the importance of the free flow of scientific knowledge.

Two weeks ago, the Canadian Science Writers’ Association, the World Federation of Science Journalists and several other groups sent an open letter to Harper, calling on him to unmuzzle federal scientists.

The letter cited a couple of high-profile examples, including one last fall when Environment Canada barred Dr. David Tarasick from speaking to journalists about his ozone layer research when it was published in Nature.

Vídeo da Comissão Europeia tem circulação suspensa (Opinião e Notícia)

XENOFOBIA

Peça publicitária mostra Europa atacada por chineses, brasileiros e indianos.

Por Felipe Varne – 8/03/2012

Uma bela mulher (usando o macacão amarelo imortalizado nas telas do cinema por Bruce Lee em O Jogo da Morte, e homenageado por Quentin Tarantino emKill Bill) caminha sozinha por um galpão abandonado. Subitamente ela é ameaçada pela presença de três homens. O primeiro, um ninja com traços orientais. O segundo, um homem de turbante e portando uma ameaçadora espada. O terceiro é um capoeirista acrobático e musculoso. Sem se intimidar, a mulher se concentra, e se multiplica em vários clones que formam um círculo ao redor do trio. As três figuras se tornam menos ameaçadoras, e os clones se sentam em posição de lótus, antes de se transformarem na bandeira da União Europeia.

O final do comercial que promove a expansão da União Europeia termina com a seguinte mensagem: “quanto maiores formos, mais fortes seremos”. A mensagem pode até ser verdadeira, mas o comercial foi retirado do ar às pressas, graças a uma enxurrada de comentários que acusaram a Comunidade Europeia de racismo e xenofobia.

Recebemos muitas mensagens sobre nosso último vídeo, incluindo algumas que se mostraram preocupadas com a mensagem que estava sendo passada.

O vídeo era uma experiência viral, visando atingir por meio de redes sociais e novas mídias, jovens entre 26 e 24 anos, familiarizados com artes marciais e vídeo games. As reações dentro dessa faixa etária foram positivas, assim como as dos grupos de testes nos quais o vídeo foi testado.

O vídeo apresenta personagens típicos do gênero das artes marciais: mestres de kung fu, kalripayattu e capoeira. Tudo começa com uma demonstração de suas habilidades e termina com todos os personagens demonstrando seu respeito mútuo, numa posição de paz e harmonia. O gênero foi escolhido para atrair os jovens e aumentar sua curiosidade a respeito de uma importante política da União Europeia.

O vídeo não tinha intenção alguma de promover o racismo, e nós obviamente lamentamos que ele tenha sido encarado desta maneira. Pedimos desculpas a qualquer um que tenha se ofendido. Por causa da polêmica, decidimos interromper a campanha imediatamente, e retirar o vídeo de circulação.

A mensagem acima é assinada por Stefano Sannino, diretor-geral do programa de expansão da Comissão Europeia. Nos tempos de crise, é natural que a União Europeia queira se fortalecer, e nada mais natural do que vender essa ideia aos jovens. Artes marciais e vídeo games são uma boa forma de atrair essa faixa etária, além de serem uma linguagem universal (algo importante quando o bloco em questão concentra um número gigantesco de idiomas e dialetos).

No entanto, a mensagem de Sannino se não é mentirosa, é, no mínimo, ingênua. Os três mestres, embora sejam muito habilidosos, não estão apenas demonstrando suas habilidades, e sim ameaçando a pobre mulher indefesa. Ou será que há algum outro motivo para que ela se multiplique em dez, formando um círculo ao redor do trio? E não é preciso ser nenhum gênio para ver que os mestres também não são apenas mestres, mas sim um chinês, um indiano e um brasileiro. China, índia e Brasil são integrantes do grupo dos BRICs, os países emergentes da economia mundial, que estão prosperando e crescendo, enquanto a Europa atravessa maus bocados. O quarto país do grupo, a Rússia, não apareceu no vídeo. Para isso existem duas explicações. Ou não foi possível encontrar um mestre de sambo (a mais famosa arte marcial da Rússia) a tempo, ou ironicamente, o país de Putin e Medvedev pode fazer parte dos planos de expansão da União Europeia. Ambas as opções soam absurdas, mas nada é impossível.

A Europa atravessa uma crise criada por ela mesma, e que apenas ela pode resolver. Ao buscar nos países emergentes um bode expiatório, a Comissão Europeia deu o primeiro tiro no pé. E ao apresentar desculpas esfarrapadas e subestimar a inteligência dos espectadores do vídeo, pode ter dado o segundo.

The right’s stupidity spreads, enabled by a too-polite left (Guardian)

Conservativism may be the refuge of the dim. But the room for rightwing ideas is made by those too timid to properly object

by George Monbiot, The Guardian

Self-deprecating, too liberal for their own good, today’s progressives stand back and watch, hands over their mouths, as the social vivisectionists of the right slice up a living society to see if its component parts can survive in isolation. Tied up in knots of reticence and self-doubt, they will not shout stop. Doing so requires an act of interruption, of presumption, for which they no longer possess a vocabulary.

Perhaps it is in the same spirit of liberal constipation that, with the exception of Charlie Brooker, we have been too polite to mention the Canadian study published last month in the journal Psychological Science, which revealed that people with conservative beliefs are likely to be of low intelligence. Paradoxically it was the Daily Mail that brought it to the attention of British readers last week. It feels crude, illiberal to point out that the other side is, on average, more stupid than our own. But this, the study suggests, is not unfounded generalisation but empirical fact.

It is by no means the first such paper. There is plenty of research showing that low general intelligence in childhood predicts greater prejudice towards people of different ethnicity or sexuality in adulthood. Open-mindedness, flexibility, trust in other people: all these require certain cognitive abilities. Understanding and accepting others – particularly “different” others – requires an enhanced capacity for abstract thinking.

But, drawing on a sample size of several thousand, correcting for both education and socioeconomic status, the new study looks embarrassingly robust. Importantly, it shows that prejudice tends not to arise directly from low intelligence but from the conservative ideologies to which people of low intelligence are drawn. Conservative ideology is the “critical pathway” from low intelligence to racism. Those with low cognitive abilities are attracted to “rightwing ideologies that promote coherence and order” and “emphasise the maintenance of the status quo”. Even for someone not yet renowned for liberal reticence, this feels hard to write.

This is not to suggest that all conservatives are stupid. There are some very clever people in government, advising politicians, running thinktanks and writing for newspapers, who have acquired power and influence by promoting rightwing ideologies.

But what we now see among their parties – however intelligent their guiding spirits may be – is the abandonment of any pretence of high-minded conservatism. On both sides of the Atlantic, conservative strategists have discovered that there is no pool so shallow that several million people won’t drown in it. Whether they are promoting the idea that Barack Obama was not born in the US, that man-made climate change is an eco-fascist-communist-anarchist conspiracy, or that the deficit results from the greed of the poor, they now appeal to the basest, stupidest impulses, and find that it does them no harm in the polls.

Don’t take my word for it. Listen to what two former Republican ideologues, David Frum and Mike Lofgren, have been saying. Frum warns that “conservatives have built a whole alternative knowledge system, with its own facts, its own history, its own laws of economics”. The result is a “shift to ever more extreme, ever more fantasy-based ideology” which has “ominous real-world consequences for American society”.

Lofgren complains that “the crackpot outliers of two decades ago have become the vital centre today”. The Republican party, with its “prevailing anti-intellectualism and hostility to science” is appealing to what he calls the “low-information voter”, or the “misinformation voter”. While most office holders probably don’t believe the “reactionary and paranoid claptrap” they peddle, “they cynically feed the worst instincts of their fearful and angry low-information political base”.

The madness hasn’t gone as far in the UK, but the effects of the Conservative appeal to stupidity are making themselves felt. This week the Guardian reported that recipients of disability benefits, scapegoated by the government as scroungers, blamed for the deficit, now find themselves subject to a new level of hostility and threats from other people.

These are the perfect conditions for a billionaires’ feeding frenzy. Any party elected by misinformed, suggestible voters becomes a vehicle for undisclosed interests. A tax break for the 1% is dressed up as freedom for the 99%. The regulation that prevents big banks and corporations exploiting us becomes an assault on the working man and woman. Those of us who discuss man-made climate change are cast as elitists by people who happily embrace the claims of Lord Monckton, Lord Lawson or thinktanks funded by ExxonMobil or the Koch brothers: now the authentic voices of the working class.

But when I survey this wreckage I wonder who the real idiots are. Confronted with mass discontent, the once-progressive major parties, as Thomas Frank laments in his latest book Pity the Billionaire, triangulate and accommodate, hesitate and prevaricate, muzzled by what he calls “terminal niceness”. They fail to produce a coherent analysis of what has gone wrong and why, or to make an uncluttered case for social justice, redistribution and regulation. The conceptual stupidities of conservatism are matched by the strategic stupidities of liberalism.

Yes, conservatism thrives on low intelligence and poor information. But the liberals in politics on both sides of the Atlantic continue to back off, yielding to the supremacy of the stupid. It’s turkeys all the way down.

Twitter: @georgemonbiot

Climate and the culture war (The Washington Post)

By Michael Gerson, Published: January 16, 2012

The Washington Post

The attempt by Newt Gingrich to cover his tracks on climate change has been one of the shabbier little episodes of the 2012 presidential campaign. His forthcoming sequel to “A Contract with the Earth” was to feature a chapter by Katharine Hayhoe, a young professor of atmospheric sciences at Texas Tech University. Hayhoe is a scientist, an evangelical Christian and a moderate voice warning of climate disruption.

Then conservative media got wind. Rush Limbaugh dismissed Hayhoe as a “climate babe.” An Iowa voter pressed Gingrich on the topic. “That’s not going to be in the book,” he responded. “We told them to kill it.” Hayhoe learned this news just as she was passing under the bus.

A theory about the role of carbon dioxide in climate patterns has joined abortion and gay marriage as a culture war controversy. Climate scientists are attacked as greenshirts and watermelons (green on the outside, red on the inside). Skeptics are derided as flat-earthers. Reputations are assaulted and the e-mails of scientists hacked.

A few years ago, the intensity of this argument would have been difficult to predict. In 2005, then-Gov. Mitt Romney joined a regional agreement to limit carbon emissions. In 2007, Gingrich publicly endorsed a cap-and-trade system for carbon.

What explains the recent, bench-clearing climate brawl? A scientific debate has been sucked into a broader national argument about the role of government. Many political liberals have seized on climate disruption as an excuse for policies they supported long before climate science became compelling — greater federal regulation and mandated lifestyle changes. Conservatives have also tended to equate climate science with liberal policies and therefore reject both.

The result is a contest of questioned motives. In the conservative view, the real liberal goal is to undermine free markets and national sovereignty (through international environmental agreements). In the liberal view, the real conservative goal is to conduct a war on science and defend fossil fuel interests. On the margin of each movement, the critique is accurate, supplying partisans with plenty of ammunition.

No cause has been more effectively sabotaged by its political advocates. Climate scientists, in my experience, are generally careful, well-intentioned and confused to be at the center of a global controversy. Investigations of hacked e-mails have revealed evidence of frustration — and perhaps of fudging but not of fraud. It is their political defenders who often discredit their work through hyperbole and arrogance. As environmental writer Michael Shellenberger points out, “The rise in the number of Americans telling pollsters that news of global warming was being exaggerated began virtually concurrently with the release of Al Gore’s movie, ‘An Inconvenient Truth.’”

The resistance of many conservatives to arguments about climate disruption is magnified by class and religion. Tea Party types are predisposed to question self-important elites. Evangelicals have long been suspicious of secular science, which has traditionally been suspicious of religious influence. Among some groups, skepticism about global warming has become a symbol of social identity — the cultural equivalent of a gun rack or an ichthus.

But however interesting this sociology may be, it has nothing to do with the science at issue. Even if all environmentalists were socialists and secularists and insufferable and partisan to the core, it would not alter the reality of the Earth’s temperature.

Since the 1950s, global temperatures have increased about nine-tenths of a degree Celsius — the recent conclusion of the Berkeley Earth Surface Temperature Project — which coincides with a large increase in greenhouse gasses produced by humans. This explanation is most consistent with the location of warming in the atmosphere. It best accounts for changing crop zones, declining species, thinning sea ice and rising sea levels. Scientists are not certain about the pace of future warming — estimates range from 2 degrees C to 5 degrees C over the next century. But warming is already proceeding faster than many plants and animals can adapt to.

These facts do not dictate a specific political response. With Japan, Canada and Russia withdrawing from the Kyoto process, the construction of a global regulatory regime for carbon emissions seems unlikely and may have never been possible. The broader use of nuclear power, the preservation of carbon-consuming rain forests and the encouragement of new energy technologies are more promising.

But any rational approach requires some distance between science and ideology. The extraction and burning of dead plant matter is not a moral good — or the proper cause for a culture war.

michaelgerson@washpost.com

Entrevista con el antropólogo estadunidense James Scott: Los movimientos autónomos causan miedo a los movimientos sociales formales y al Estado (Desinformémonos)

“Los grandes cambios radicales no han sucedido como producto de una legislación o elecciones; han sucedido en las calles, en levantamientos que amenazan con salirse de control”.

ENTREVISTA DE MARINA DEMETRIADOU, ATZÉLBI HERNÁNDEZ E ISABEL SANGINÉS

Ciudad de México. James Scott es profesor de Ciencias Políticas y Antropología en la Universidad de Yale y director de estudios agrarios en la misma institución.

Su trabajo se ha centrado en la manera que la gente de abajo se opone a la dominación. En diversos libros como “Economía moral del campesino: subsistencia y rebelión en Asia suroriental” “Armas del débil: formas diarias de resistencia campesina” y “Los dominados y el arte de la resistencia”, Scott teoriza sobre la manera en que el pueblo resiste a la autoridad y trata de describir las interacciones entre dominados y opresores.

En la siguiente entrevista con Desinformémonos, el investigador y antropólogo habla sobre la forma en que las experiencias autónomas pueden funcionar alejadas del Estado y sobre el impacto que pueden tener a mediano y largo plazo los movimientos sociales que surgen espontáneamente y que no tienen jerarquía.

¿Cómo los movimientos y experiencias autónomas pueden ocupar espacios del Estado- nación?

Históricamente los movimientos sociales han pedido cosas concretas al Estado. Empiezan con la idea de que el Estado es algo dado.

Los movimientos autónomos deben ver cómo hacer para crear espacios autogestionados, como centros sociales de capacitación y de educación, que no sean una imitación del Estado. Y esto incluye también a las ocupaciones.

Un movimiento autónomo debe crear lo más posible, dentro de un espacio que esté fuera del Estado para poder crear algo distinto. Esto no es fácil, pero sólo pedir cosas al Estado, de acuerdo con sus leyes y sus reglas, no es estar creando autonomía.

La mayoría de los movimientos sociales en la historia han creado estructuras que son parecidas al Estado, son jerárquicas. Tienen un nombre, una organización, eligen representantes y copian la estructura del Estado. Son pequeños Estados.

Hablando de mi propio país, los Estados Unidos, creo que cada movimiento progresivo y radical que ha tenido éxito, ha sido producto de irrupciones masivas, no organizadas, que no llegan de los movimientos sociales existentes. Como los movimientos por los derechos civiles y por el voto de las mujeres que surgieron de manera espontánea, fuera de movimientos sociales organizados.

Estos movimientos radicales no tienen jerarquía, así que el Estado no tiene con quién hablar (negociar). No hay liderazgos. Son movimientos populares sin estructura jerárquica, así que no los pueden cooptar.

La paradoja de la democracia es que – supuestamente – debe crear un sistema para hacer posibles cambios sociales a gran escala, sin violencia y sin irrupciones, mediante un proceso legal en el que se eligen personas; pero el hecho es que los grandes cambios radicales no han sucedido como producto de una legislación o elecciones, sino que han sucedido en las calles, en levantamientos que amenazan con salirse de control y en los que las élites estaban asustadas, aterrorizadas y tomaron cartas en el asunto rápidamente para poder apagar la revuelta.

¿Qué experiencias organizativas comunitarias han logrado hacer cambios alternativos y radicales alejados de la estructura de Estado?

El autor uruguayo Raúl Zibechi habla de muchos ejemplos de movimientos autónomos en América Latina que, de acuerdo con él, han logrado organizarse alternativamente; Zibechi habla de comunidades de base que han construido interrelaciones con otras comunidades y que después pueden movilizarse juntas en movimientos sociales más grandes.

Otro ejemplo se ha dado en Estados Unidos. Se trata de Occupy Wall Street, un movimiento espontáneo, que empezó con 200 ó 300 personas, y luego mucha gente de Cleveland, San Francisco y muchas ciudades más comenzaron a imitarlos; ésta es la clase de cosas que nadie podía haber predicho, nadie puede organizar estas revueltas, pero cuando suceden se debe saber tomar ventaja de la situación. Estas cosas nacen de forma espontáneas y nadie de nosotros sabe qué forma tomarán; pero después, el rol de los movimientos sociales deberá ser ayudar a estas ocupaciones espontáneas a logar un calendario.

El hecho es que aunque haya capacidad para la movilización autónoma local y ésta sea el punto central de las resistencias, no importa tanto hasta qué punto estos grupos logren o no sus objetivos inmediatas, pues lo realmente importante es que están creando redes que son un muy valioso recurso para la movilización popular.

Si surgen ocupaciones espontáneas, hay que aprovechar la capacidad de los movimientos autónomos locales de crear redes sociales.

¿Qué impacto pueden tener en el largo plazo los movimientos espontáneos que no tienen organización, ni planeación, y que no se acercan al Estado ni lo golpean directamente?

Los movimientos sociales organizados y jerarquizados, la mayoría de los que conocemos, fueron creados por la base del levantamiento popular, pero estas organizaciones no crearon nada por sí mismas en términos de cambios en el Estado; sin embargo, todos los movimientos sociales formales, que son pequeños Estados, están aterrorizados también por las revueltas de los de abajo, así que si quieres cambiar un movimiento, hay que amenazarlo desde abajo, desde los movimientos espontáneos. Los movimientos autónomos causan mucho miedo a los movimientos sociales formales y al Estado.

Environment agency becomes crunch issue in Rio talks (Agence France-Presse)

By Richard Ingham (AFP) – 05.Feb.2012

PARIS — The UN Environment Programme (UNEP) is emerging as a hot issue in preparations for June’s Rio conference, styled as a once-in-a-generation chance to restore a sick planet to good health.

The US is fighting a proposal, backed according to France by least 100 countries, for transforming UNEP from a poorly noticed, second-string unit into a planetary super-agency.

Environmentalists have long complained that Nairobi-based UNEP, set up in 1972 as an office of the UN and with a membership of only 58 nations, lacks clout to deal with the globe’s worsening ills.

These range from climate change, water stress and over-fishing to species loss, deforestation and ozone-layer depletion.

But the environmental mess also coincides with the crisis of capitalism, which greens say is blind to the cost for Nature in its relentless quest for growth.

The fateful intertwining of these problems points to a unique chance of a solution at the June 20-22 “Rio+20” conference, they argue.

With possibly scores of leaders in attendance, the 20-year follow-up to the famous Earth Summit has the declared aim of making growth both greener and sustainable.

“The new capitalism which emerges from the crisis has to be environmental, or it won’t be new,” French Ecology Minister Nathalie Kosciusko-Morizet said on Tuesday.

The key vehicle would be UNEP, which according to the vaguely-worded French proposal would be changed into the World Environment Organisation.

It would become the UN’s 16th “specialised” agency alongside the World Health Organisation (WHO), Food and Agricultural Organisation (FAO) and so on.

To the outsider, this may sound at best like a bit of terminological tinkering — at worst, just another bureaucracy-breeding machine.

Experts, though, say status change could be surprisingly far-reaching.

Specialised UN agencies have high degrees of autonomy, enabling them to set agendas, frame international norms, stir up interest in dormant issues and sometimes poke their noses into areas of national sovereignty.

At its most ambitious, a World Environment Organisation would embrace not just the member-states which fund it but also business, green and social groups, becoming a very loud voice indeed.

It could intrude into sensitive areas such as trans-border use of water resources, fishery quotas and habitat use — and even monitor environmental standards for trade in goods and services.

According to Kosciusko-Morizet’s ministry, more than 30 European countries back the French proposal, along with 54 countries in Africa, plus Thailand, Malaysia, Nepal, Chile, Uruguay and others.

But in a US presidential election year where green issues — especially foreign ones — are easily trumped by domestic politics, Washington has set down a marker.

“We do not believe that international efforts on the environment and sustainable development would be improved by creating a new specialised agency on the environment,” a State Department official told AFP.

“We prefer to work towards a strengthened role for UNEP, as well as better coordination across the UN system in integrating environment into development, and in working towards sustainable development.”

Canada, like the US, says it prefers a smarter, better-connected UNEP.

Tensions over this are now emerging at preparatory talks on the “zero draft,” a document that will be finessed into June’s all-important summit communique.

“The Americans have come out guns blazing,” said Farooq Ullah, head of policy and advocacy at a London-based NGO called Stakeholder Forum.

“The risk, of course, is not necessarily that they would veto it (a super-UNEP) but that they would pull out their funding for it. A big part of UNEP’s funding comes from the Americans, so it would be a major blow,” he stressed.

Could the dispute rip Rio apart? Or could it doom it to dismal compromise, as many view the outcome of 2009 Copenhagen climate summit?

“The biggest risk with these things that have a lot of interest is that if you push too far too quickly and it becomes too contentious, it will just be negotiated out,” warned Ullah.

Lucien Chabason of a French thinktank, the Institute of Sustainable Development and International Relations (IDDRI), said the outcome did not have to be dramatic.

“One can imagine a mixture of the two ideas, in which Rio adopts a position in principle to beef up UNEP and launch a negotiation process,” he said.

Farmers in Mozambique trying to adapt farming to climate change (PRI.org)

Published 29 January, 2012 11:15:00 Living on Earth

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Rui Alberto Campira hoes the soil. He’s part of a group of farmers who received a grant from Save the Children to grow cash crops. (Photo by Rowan Moore Gerety.)

As the rain and water in Mozambique becomes less predictable and less suited to subsistence farming, aid groups and the local government are trying to help some change the way they farm so they’re not so paralyzed by a flood or a drought. But there’s a lot of work to do.

Over the past two decades, Mozambique has suffered more than its fair share of weather disasters.

The east African nation has seen more devastating cyclones, droughts and floods than any country on the continent. Farmers in Mozambique have been particularly hard hit. This year alone, torrential rains in the mountains sent flood waters onto fields below, submerging tens of thousands of acres of crops.

And now, farmers are in the midst of another rainy season, which started in December.

Officials at Mozambique’s National Institute for Disaster Management have to prepare for rescue operations this time of year. Figueredo de Araujo, the institute’s information manager, said the emergency operations center is equipped with rescue boats as well as warehouses with various goods for humanitarian assistance: maize flour, tents, tarps, boots and rain coats among them.

Caia, where Mozambique’s main highway crosses the Zambezi river, sits in the middle of a vast, flat, floodplain that is home to nearly a million people. In 2000, the area was hit by the worst flooding in memory. The floods killed 700 people, displaced 100,000, and cost Mozambique a 1.5 percent loss in GDP through destruction of crops.

To Belem Monteiro, the emergency center’s director, much of Mozambique’s misfortune is a matter of geography.

“The fact that we have a problem is not news to us: given its location, Mozambique could only be vulnerable to these changes in climate,” Monteiro said.

Nearly 80 percent of Mozambican families are subsistence farmers, relying on rain-fed agriculture to produce their food. After the 2000 floods, farmers near the Zambezi River repeatedly lost their homes and crops.

“In the past, it happened every five years, now we have annual emergencies, which shows that the situation has changed,” Monteiro said.

But that’s presented a major challenge for the disaster management institute, which was conceived to intervene during freak emergencies, but has been forced to evolve to a permanent mission.

Some 30 miles from Caia, a resettlement zone called Tchetcha Um is home to some 5,000 families who were moved to higher ground. The organization Save the Children has partnered with the government in a program promoting livelihood resilience, diversifying their income sources, said Clemente Lourenço, a project officer for the group.

Farmer Rui Alberto Campira received a grant from Save the Children in 2009, which enabled he and 11 other farmers to built a 5-acre farm where they can grow crops for both consumption at home and sale at the local market. Campira says the soil is great for cash crops.

“It’s good. Especially for tomatoes. Tomatoes, onions, cabbage, collard greens. That’s what we usually plant here. There we only plant maize. Maize and sweet potatoes,” Campira said of his former home.

The land he’s farming now will also flood during the rainy season, but the irrigation system the grant enabled him to install allows him to farm during the dry season, when cash crops would typically die.

About 55 associations like Campira’s have formed in Caia district, not just growing cash crops, but trading in fish, beans, and clothing, and using animal traction to plow fields. Save the Children funds about 4500 farmers across three provinces.

Joao Novage is raising seven goats, as part of another association. The grant originally bought 40 goats that have in turn born another 20.

“When I see that I have 12 or 13 goats, I’ll take four and sell them to buy school supplies and clothes for my children. Children are our wealth. They’ll bring a better future for us,” Novage said.

Though the projects have been wildly successful, everyone admits they serve an insignificant portion of the population at this point. It remains to be seen if they can be expanded to make a measurable difference in the unger and poverty around this portion of east Africa.

Presente de Dilma azeda o Natal no Semiárido (Época)

19/12/2011 10h10 – Atualizado em 19/12/2011 10h18

Às vésperas das festas de fim de ano, o governo federal rompe a parceria com a organização que abalou os alicerces da indústria da seca ao implantar mais de 370 mil cisternas de alvenaria no sertão nordestino. E começa a distribuir cisternas de plástico

ELIANE BRUM

Parte do Brasil conhece o sertão nordestino pela literatura, com clássicos como “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Também conheceu o semiárido pela imprensa, nas constantes denúncias de corrupção e desvio de verbas públicas em obras que deveriam combater a seca, mas estagnavam nas mãos privadas de coronéis. Nos últimos anos, porém, a paisagem do sertão estava mudando, graças a um movimento iniciado em 2003. No primeiro ano do governo Lula, a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), uma rede que reúne centenas de organizações não governamentais, procurou o presidente para propor uma parceria para a construção de cisternas de alvenaria no sertão nordestino. Seus interlocutores eram Frei Betto e Oded Grajew, então no governo. Assinalado pela sua origem de retirante, de menino pobre do semiárido que migrou com a mãe e os irmãos de Caetés, em Pernambuco, para São Paulo, Lula acolheu a ideia. Ele conhecia bem a aridez geográfica e a imutabilidade dos desmandos políticos que faziam da sua terra um lugar brutal. O resultado deste esforço entre governo federal e sociedade civil organizada foram 371 mil cisternas de cimento, envolvendo 12 mil pedreiros e pedreiras das comunidades e beneficiando mais de 2 milhões de brasileiros em 1.076 municípios. Algo grande, muito grande, para quem acompanha a história do Nordeste brasileiro. Basta andar pelo semiárido para ver que, quando há vontade política, é possível fazer milagres de gente. A presença da água, com a implantação coletiva de uma simples cisterna, tem mudado não apenas a economia, mas a autoestima do povo que vê florescer a vida e também a possibilidade de reescrever sua história – desta vez como autor, e não mais como personagem.

Tudo ia muito bem até este mês de dezembro, quando a coordenação da ASA foi informada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) que suspenderia o pagamento dos recursos para o “Programa Um Milhão de Cisternas”. O governo anunciou que pretendia mudar os arranjos para o Plano Brasil Sem Miséria e ampliaria os convênios com os estados – sinalizando o afastamento das organizações não governamentais do processo. A ASA foi aconselhada a negociar com os estados e municípios.

O que isso significa? Muito.

A ASA fará uma manifestação em Petrolina (PE) na manhã desta terça-feira, 20/12, para protestar contra a ameaça ao Programa Um Milhão de Cisternas e para denunciar que a sociedade civil organizada está sendo excluída do governo de Dilma Rousseff.

Milhares de sertanejos partirão de diferentes estados nordestinos para se reunir em Petrolina e alertar o país para uma possível volta às velhas práticas do passado, quando a indústria da seca era a única coisa que vicejava no semiárido brasileiro e qualquer arremedo de solução era usado como moeda eleitoral.

O rompimento da parceria com a ASA é anunciado no momento em que a opinião pública está predisposta a considerar qualquer ONG fraudulenta. Como foram denunciados muitos “malfeitos” nos convênios entre algumas organizações não governamentais e ministros demitidos, como Orlando Silva e Carlos Lupi, não há melhor hora para romper com a sociedade civil organizada. E fazer parecer que as ações são um esforço de moralização dos recursos públicos. Esquece-se – talvez por conveniência – que o surgimento das ONGs é resultado direto da redemocratização do país. E também que uma parcela significativa delas não apenas é honesta, como tem operado uma grande transformação nas relações e nos resultados em várias áreas cruciais.

A sociedade civil organizada tem – e para parte dos políticos é aí que mora o incômodo – impedido que as verbas públicas sejam interceptadas e manipuladas por grupos instalados em setores estratégicos. E assim, impedido governos, em todos os níveis, de agradar aliados com a possibilidade de administrar uma parcela polpuda das verbas públicas. É claro que há ONGs corruptas, que se aliaram a políticos corruptos, para lucrar com o dinheiro do povo. Mas demonizar todas elas é uma esperteza de quem está doido para voltar ao modelo antigo – e é também má fé e desrespeito com o avanço conquistado pela sociedade brasileira nas últimas décadas.

Em novembro, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou que o governo separaria “o joio do trigo”. Disse mais: “As organizações sérias não têm nada a temer”. Pesquisei, então, em que lugar se situa a ASA na paisagem da sociedade civil organizada. Descobri que, na opinião do governo federal, a ASA é “trigo” da melhor qualidade.

Pela seriedade e competência da sua atuação, a rede já recebeu uma dezena de prêmios. Entre eles, o Prêmio de Direitos Humanos do governo federal, na categoria “Enfrentamento da Pobreza”, entregue pelo próprio Lula no final de 2010. E também um prêmio da ONU, que a considerou “uma referência de gestão e inclusão social no campo do acesso à água e do direito à segurança alimentar e nutricional das famílias carentes do semiárido”. Em entrevista à TV Brasil, em novembro, Luiz Navarro, secretário-executivo da Controladoria Geral da União (CGU), disse que algumas organizações não governamentais apresentavam mais condições de realizar determinadas ações do que o Estado. Entre os exemplos, afirmou que haviam acabado de avaliar o Programa Um milhão de cisternas, da ASA: “Nossa avaliação é extremamente positiva. Não sei se o Estado teria o mesmo dinamismo para fazer o que essas ONGs têm feito”.

Sendo esta a opinião do próprio governo federal e de seus órgãos de fiscalização, por que o governo decidiu suspender a parceria com a ASA?

“O governo rompeu a parceria com a ASA. Mas os ladrões não estão no nosso meio”, afirma Naidison Baptista, coordenador da rede. “Nós não somos construtores de cisternas apenas, nós somos uma rede de organizações da sociedade civil que influencia na política para o semiárido como parte do processo democrático. Temos orgulho de ter pautado o governo federal para a construção de cisternas e de políticas de convivência. Se você voar hoje sobre o semiárido, vai ver os pontinhos brancos. São as cisternas. As pessoas não entram mais na fila da água em troca de voto. Cortamos a raiz do coronelismo do Nordeste. Então perguntamos: por quê?”.

A ASA atua usando o conhecimento da comunidade e estimulando que as pessoas se apropriem coletivamente do processo de construção de cada cisterna. É a comunidade que decide em conjunto quem vai receber a cisterna primeiro, a partir de critérios como pobreza, número de crianças e de idosos, se a mulher é a chefe de família etc. Cada família participa da construção da cisterna, que dura cerca de cinco ou seis dias, e fornece a água para a vizinha enquanto não chegar a vez dela. Para a construção é usada a mão de obra da cidade ou povoado e o material das lojas dos pequenos comerciantes, movimentando a economia local. É também a agricultura produzida em cada região que fornece a alimentação. Para a ASA, a implantação de uma cisterna é mais do que uma obra: é a construção de um espaço social de onde tem emergido novas lideranças e uma juventude ativa. Mudança socioeconômica e política importante em uma região historicamente dominada por oligarquias em que sempre coube aos sertanejos ou se submeter a algum “painho” – ainda que com pinta de moderno – ou migrar para o centro-sul. “A água estava concentrada na mão de poucos”, resume Baptista. “Com as cisternas, a água foi repartida.”

Na tecnologia social da ASA, a implantação das cisternas não é vista como favor do governo, mas como direito. Não é assistencialismo, mas política pública. As pessoas são estimuladas a exercer a cidadania e a tomar suas próprias decisões, coletivamente – tornando o voto de cabresto cada vez mais difícil. Bem diferente, portanto, de um modelo assistencialista/populista que forma gerações de eleitores agradecidos a um pai ou mãe magnânimos. Seria isso que estaria incomodando o governo federal e seu amplo e heterogêneo espectro de aliados às vésperas das eleições municipais de 2012? Espero – sinceramente – que não.

No mesmo período em que a ASA foi informada de que não receberia os recursos para os próximos meses, o Ministério da Integração Nacional anunciou e comemorou a instalação da primeira de 300 mil cisternas de polietileno, em meio a campanhas de protesto das comunidades do semiárido que rejeitam o equipamento de plástico. O governo alega que as cisternas de polietileno podem ser produzidas em grande escala e assim atingir um número maior de famílias com mais rapidez. Segundo o governo, não se trata de substituição de uma tecnologia por outra, mas de complementação.

A ASA apresenta argumentos convincentes para condenar as cisternas de plástico. “Elas custam mais do que o dobro do valor das cisternas de alvenaria. Enquanto a nossa custa R$ 2.080, a de plástico custa R$ 5.000. Ou seja: se fosse só o dobro, com o mesmo valor as empresas fazem 300 de plástico – e nós construiríamos 600”, diz Baptista. Pelos cálculos da ASA, para cada 10 mil cisternas de alvenaria instaladas, há uma injeção de R$ 20 milhões na economia local. Com as de plástico, a maior parte dos recursos públicos ficará nas mãos dos empresários. Na mesma lógica, a população se tornará para sempre dependente das empresas para a manutenção e a reposição, já que não dominará a técnica. Quando existe qualquer problema com as cisternas de alvenaria, o pedreiro da comunidade resolve de forma simples.

“Em vez de construir, as pessoas vão receber as cisternas de presente. Das mãos de quem? É o que vamos ver. E a gente sabe que, como simples beneficiárias, do meio para o fim do processo as famílias não cuidam mais. Temos vários exemplos de cisternas que foram entregues prontas e que hoje não funcionam mais porque as comunidades não se envolveram em sua construção, não tem o sentido do pertencimento”, diz o coordenador da rede. “É a volta da indústria da seca, com grandes obras nas quais a população fica à margem, e o dinheiro na mão de grupos.”

É possível ter uma ideia de quem vai ganhar com a mudança. Mas, por quê?

Por que um trabalho que funcionava tão bem, a ponto de ser elogiado e premiado pelo governo federal, está sendo descartado pelo governo federal? Se funciona bem, por que mudar? Seria porque funciona bem demais? Espero, sinceramente, que não.

A seguir, reproduzo parte da nota divulgada pela ASA:

“Após oito anos de parceria com o Governo Lula, a decisão do governo federal, expressa pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), de não mais renovar os Termos de Parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), pode levar ao fim uma das ações mais consistentes de garantia de água para as famílias do meio rural semiárido: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Sem dúvida, o maior programa com apoio governamental de distribuição de água e de cidadania, em uma região onde antes só existia fome, miséria e a indústria da seca. (…) A argumentação é de que a partir de agora o governo federal vai priorizar a execução do Programa, que integra o Plano Brasil Sem Miséria, apenas via municípios e estados, excluindo a sociedade civil organizada. A sugestão dada pelo MDS é que a ASA negocie sua ação em cada um dos estados contemplados. Para além da parceria com estados e municípios, o governo também anuncia a compra de milhares de cisternas de plástico/PVC de empresas que começam a se instalar na região. Ou seja, o governo não apenas rompe com a ASA, mas amplia a estratégia de repasse de recursos públicos para as empresas privadas. Consideramos isso um retrocesso, o que pode gerar um retorno claro e nítido a velhas práticas da indústria da seca, onde as famílias são colocadas novamente como reféns de políticos e empresas, tirando-lhes o direito de construírem sua história”.

Reproduzo também a nota divulgada pela Assessoria de Comunicação do MDS diante das primeiras manifestações de surpresa e protesto contra a decisão governamental. O título da nota é: “O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) reafirma que não existe ruptura na parceria estabelecida com a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) para a construção de cisternas”. Mas o texto não diz isso. Reproduzo-o na íntegra para que algum leitor possa encontrar o que eu não encontrei. O texto refere-se apenas – e de forma pouco clara – à “reavaliação e ampliação do arranjo institucional” e à “importância de todos os parceiros”. Com relação à ASA, limita-se a reconhecer e elogiar o trabalho já realizado:
“Uma das prioridades do Governo Federal é garantir que os brasileiros das áreas rurais tenham acesso à água para consumo e para a produção de alimentos. No Plano Brasil Sem Miséria, o programa Água Para Todos definiu a ambiciosa meta de atender 750 mil famílias rurais com água para beber no semiárido, até 2013, e de assegurar água para a produção agrícola de outros milhares de famílias. Atingir este objetivo exige a reavaliação e a ampliação do arranjo institucional vigente até então, incluindo a formação de novas parcerias estratégicas entre diversos ministérios, órgãos públicos, estados, municípios e organizações da sociedade civil. O MDS reafirma a importância de todos os parceiros no sucesso desta agenda, visando ao atendimento integral das famílias que hoje não têm acesso à água de qualidade para manutenção de sua condição de vida. O MDS está empenhado na preparação das condições de atuação para o próximo exercício, no menor prazo possível, dentro das novas regras que orientam a atuação de todas as unidades do Governo Federal no próximo exercício. Em relação à AP1MC/ASA, o MDS reconhece e valoriza os resultados alcançados na construção de mais de 300 mil cisternas, numa parceria exitosa ao longo dos últimos nove anos”.

Para terminar, reproduzo também o texto escrito por um integrante da Comissão Pastoral da Terra sobre o presente natalino de Dilma Rousseff aos nordestinos. A ironia do texto, como se verá, não é opcional. Quem fala agora é Roberto Malvezzi, o Gogó:

“O presente da presidente Dilma ao povo do semiárido neste Natal já está decidido: uma cisterna de plástico. A presidente é uma excelente gerente, pessoa íntegra e acima de qualquer suspeita. Quando criou o ‘Água para Todos’ nos encheu de alegria. Afinal, agora iríamos acelerar a construção das cisternas para beber e produzir. Mas a presidente preferiu doar centenas de milhares de cisternas de plástico para os nordestinos. Descartou o trabalho histórico da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e vai trabalhar exclusivamente com os estados e municípios. Claro que essa decisão está acima de qualquer interesse eleitoreiro, ou dos coronéis do sertão, ou dos 10% das empresas fabricantes do reservatório. Dilma é uma mulher honrada. Claro que os empresários enviarão junto com as cisternas pedagogos, exímios conhecedores do semiárido, que farão a educação contextualizada realizada a duras penas por milhares de educadores da ASA. Esses pedagogos evidentemente conhecem o semiárido, o regime das chuvas, a pluviosidade de cada região, como se deve cuidar dos telhados, das calhas. Irão pelo sertão, pelas serras, pelos brejos, gastarão dias de suas vidas em meio às populações para realizar com um cuidado sacerdotal as tarefas que a questão exige. Claro que os políticos farão, antes de entregar as cisternas, uma crítica ao coronelismo nordestino, ao uso da água como moeda eleitoral, afinal, já superamos os períodos mais aberrantes da política nordestina. Quando a cisterna quebrar, os pedreiros capacitados saberão reparar os estragos, sem depender da empresa, e as cisternas de plástico não virarão um amontoado de lixo no sertão. As empresas também enviarão agrônomos para dialogar com as comunidades como se faz uma horta com a água de cisterna para produção, uma mandala, uma barragem subterrânea, uma irrigação simples por gotejamento. Claro, o interesse das empresas e dos políticos é continuar o trabalho pedagógico da ASA tão premiado no Brasil e em outros lugares do mundo. Não temos, portanto, nada a protestar. A presidente e a ministra (Tereza) Campello são exímias conhecedoras do Nordeste, mesmo tendo nascido no Sul e Sudeste. Conhecem cada palmo da região, dessa cultura, cada um de seus costumes. Claro que não nos enviarão mais sapatos furados, roupas rasgadas em tempos de seca, como acontecia antigamente. Até porque o trabalho da ASA eliminou as grandes migrações, a sede, a fome, as frentes de emergência e os saques. Mesmo não sendo nordestinas, nem jamais tendo vivido aqui, conhecem a região melhor que o povo que aqui nasceu ou aqui habita. Portanto, gratos por tanta generosidade. Vamos conversar com os milhões de beneficiados envolvidos na convivência com o semiárido. Eles vão entender as razões da presidente e da ministra e vão retribuir com a generosidade que lhes é peculiar. O povo do semiárido jamais esquecerá que, no Natal de 2011, ganhou como presente da presidente Dilma Roussef uma cisterna de plástico”.

De minha parte, chego ao fim deste ano perplexa. Cresci ouvindo que o Brasil era o país do futuro, mas não podia acreditar porque passei a infância e a adolescência numa ditadura que torturava gente como a então jovem Dilma Rousseff. Participei dos comícios das “Diretas Já” e cobri como jornalista as primeiras eleições da redemocratização. Muito mais tarde, testemunhei e escrevi sobre a eleição de Lula e o comício da vitória, em 2002. Nos últimos anos, já madura, ouço que o futuro chegou. E estava começando a acreditar, pelo menos em alguns aspectos. E não é que agora, às vésperas de 2012, anunciam com eufemismos que podemos estar voltando ao passado também no sertão nordestino? Não há de ser por saudades da literatura de Graciliano Ramos e de João Cabral de Melo Neto, porque esta é a única que com certeza não voltará.

Politics hindering scientists on climate change (The Seattle Times)

Sunday, December 25, 2011 – Page updated at 08:00 p.m.

By JUSTIN GILLIS
The New York Times

At the end of one of the most bizarre weather years in U.S. history, climate research stands at a crossroads.

Scientists say they could, in theory, do a much better job of answering the question “Did global warming have anything to do with it?” after extreme weather events like the drought in Texas and the floods in New England.

But for many reasons, efforts to put out prompt reports on the causes of extreme weather are essentially languishing. Chief among the difficulties that scientists face: The political environment for new climate-science initiatives has turned hostile, and with the federal budget crisis, money is tight.

And so, as the weather becomes more erratic by the year, the public is left to wonder what is going on.

When 2010 ended, it had seemed as if people had lived through a startling year of weather extremes. But in the United States, if not elsewhere, 2011 has surpassed that.

A typical year in this country features three or four weather disasters whose costs exceed $1 billion each. But this year, the National Oceanic and Atmospheric Administration has tallied a dozen such events, including wildfires in the Southwest, floods in multiple regions of the country and a deadly spring tornado season. And the agency has not finished counting. The final costs are certain to exceed $50 billion.

“I’ve been a meteorologist 30 years and never seen a year that comes close to matching 2011 for the number of astounding, extreme weather events,” Jeffrey Masters, a co-founder of the popular website Weather Underground, said last month. “Looking back in the historical record, which goes back to the late 1800s, I can’t find anything that compares, either.”

Many of the individual events in 2011 do have precedents in the historical record. And the nation’s climate has featured other concentrated periods of extreme weather, including severe cold snaps in the early 20th century and devastating droughts and heat waves in the Dust Bowl era of the 1930s.

But it is unusual, if not unprecedented, for so many extremes to occur in such a short span. The calamities in 2011 included wildfires that scorched millions of acres, extreme flooding in the Upper Midwest and the Mississippi River valley and heat waves that shattered records in many parts of the country. Abroad, huge floods inundated Australia, the Philippines and large parts of Southeast Asia.

A major question nowadays is whether the frequency of particular weather extremes is being affected by human-induced climate change.

Climate science already offers some insight. Researchers have proved the temperature of the Earth’s surface is rising, and they are virtually certain the human release of greenhouse gases, mainly from the burning of fossil fuels, is the major reason. For decades, they have predicted this would lead to changes in the frequency of extreme weather events, and statistics show that has begun to happen.

For instance, scientists have long expected a warming atmosphere would result in fewer extremes of low temperature and more extremes of high temperature. In fact, research shows that about two record highs are being set in the U.S. for every record low, and similar trends can be detected in other parts of the world.

Likewise, a well-understood physical law suggests a warming atmosphere should hold more moisture. Scientists have directly measured the moisture in the air and confirmed it is rising, supplying the fuel for heavier rains, snowfalls and other types of storms.

“We are changing the large-scale properties of the atmosphere — we know that beyond a shadow of a doubt,” said Benjamin D. Santer, a leading climate scientist who works at the Lawrence Livermore National Laboratory in California. “You can’t engage in this vast planetary experiment — warming the surface, warming the atmosphere, moistening the atmosphere — and have no impact on the frequency and duration of extreme events.”

But if the human contribution to heat and precipitation is clear, scientists are on shakier ground analyzing many other events.

Some questions can be answered with focused studies of a specific weather event, but these are often finished years afterward. Lately, scientists have been discussing whether they can do a better job of analyzing events within days or weeks, not years.

“It’s clear we do have the scientific tools and the statistical wherewithal to begin answering these types of questions,” Santer said.

But doing this on a regular basis would probably require new personnel spread across several research teams, along with a strong push by the federal government, which tends to be the major source of financing and direction for climate and weather research. Yet Washington, D.C., is essentially frozen on the subject of climate change.

This year, when the National Oceanic and Atmospheric Administration tried to push through a reorganization that would have provided better climate forecasts to businesses, citizens and local governments, Republicans in the House of Representatives blocked it.

The idea had originated in the Bush administration, was strongly endorsed by an outside review panel and would have cost no extra money. But the House Republicans, many of whom reject the overwhelming scientific consensus about the causes of global warming, labeled the plan an attempt by the Obama administration to start a “propaganda” arm on climate.

In an interview, Jane Lubchenco, the director of NOAA, rejected that claim and said her agency had been deluged with information requests regarding future climate risks. “It’s truly unfortunate that we are not allowed to become more effective and efficient in delivering that information,” she said.

NOAA does finance research to understand the causes of weather extremes, as do the National Science Foundation and the Department of Energy. But with the strains on the federal budget, Lubchenco said, “it’s going to be more and more challenging to devote resources to many of our research programs.”

Copyright © The Seattle Times Company

Ocupe a sala de aula? (Valor Econômico)

JC e-mail 4408, de 19 de Dezembro de 2011.

Artigo de Dani Rodrik publicado no Valor Econômico de hoje (19).

No início de novembro, um grupo de estudantes abandonou um conhecido curso de Harvard de introdução à economia, “Ciências Econômicas 10”, lecionado por meu colega Greg Mankiw. A reclamação: o curso propaga ideologia conservadora disfarçada de ciência econômica e ajuda a perpetuar a desigualdade social.

Os estudantes fazem parte do crescente coro de protestos contra as ciências econômicas modernas da forma como são ensinadas nas principais instituições acadêmicas do mundo. As ciências econômicas sempre tiveram seus críticos, é claro, mas a crise financeira e suas sequelas lhes deram nova munição, que parece validar as antigas acusações contra as suposições pouco realistas da profissão, assim como sua retificação dos mercados e desprezo pelas preocupações sociais.

Mankiw, por sua vez, achou que os estudantes que protestavam estavam “mal informados”. As ciências econômicas não têm ideologia, retorquiu. Citou John Maynard Keynes e destacou que as ciências econômicas são um método que ajuda as pessoas a pensar mais claramente e a alcançar respostas corretas, sem conclusões políticas predeterminadas.

De fato, embora possa entender-se o ceticismo de quem não esteve imerso em anos de estudos avançados de economia, os trabalhos feitos pelos alunos em um curso típico de doutorado em economia produzem uma variedade desconcertante de receitas políticas, dependendo do contexto específico. Algumas das estruturas que os economistas usam para analisar o mundo favorecem o livre mercado, enquanto outras não. Na verdade, boa parte das análises econômicas são voltadas a compreender como a intervenção dos governos pode melhorar o desempenho econômico. E motivações não econômicas e comportamentos socialmente cooperativos são cada vez mais parte dos assuntos estudados por economistas.

Como o grande economista internacional Carlos Diaz-Alejandro, já falecido, disse certa vez, “atualmente, qualquer estudante universitário esperto, se escolher suas suposições […] cuidadosamente, pode produzir um modelo consistente, recomendando praticamente quaisquer medidas políticas às quais ele fosse favorável inicialmente”. E isso foi na década de 70! Um economista aprendiz não precisa mais ser particularmente esperto para produzir conclusões de políticas não ortodoxas.

Ainda assim, os economistas precisam aguentar acusações de que não saem das raias ideológicas, porque eles mesmos são seus piores inimigos no que se refere a aplicar suas teorias no mundo real. Em vez de comunicar todo o arsenal de perspectivas que sua disciplina oferece, eles mostram confiança excessiva em soluções em particular – frequentemente aquelas que melhor se encaixam em suas próprias ideologias.

Vejamos a crise financeira mundial. A macroeconomia e as finanças não carecem das ferramentas necessárias para entender como a crise surgiu e se desenrolou. De fato, a literatura acadêmica está repleta de modelos de bolhas financeiras, informações assimétricas, distorções dos incentivos, crises autorrealizáveis e risco sistêmico. Nos anos que levaram à crise, no entanto, muitos economistas menosprezaram as lições desses modelos em favor dos que tratavam sobre a eficiência e o poder de autocorreção dos mercados, o que, na esfera das políticas, resultou em supervisão inadequada dos mercados financeiros pelos governos.

Em meu livro “O Paradoxo da Globalização”, imagino o seguinte experimento. Consiste em que um jornalista ligue a um professor de economia e pergunte se um acordo de livre comércio com o país X ou Y seria uma boa ideia. Podemos ter quase certeza de que o economista, assim como a ampla maioria das pessoas na profissão, se mostrará empolgado em seu apoio ao livre comércio.

Em outra situação, o repórter não se identifica e diz ser um estudante no seminário universitário avançado do professor sobre teoria do comércio internacional. Ele faz a mesma pergunta: O livre comércio é bom? Duvido que a resposta será tão rápida e sucinta. Na verdade, é provável que o professor se sinta bloqueado com a pergunta. “O que você quer dizer com “bom”?”, ele perguntará. “E “bom” para quem?”

O professor, então, entrará em uma longa e cansativa exegese, que acabará culminando em uma declaração pesadamente evasiva: “Então, se a longa lista de condições que acabei de descrever for cumprida e supondo que podemos tributar os beneficiários para compensar os que saíram perdendo, um comércio mais livre tem o potencial para melhorar o bem-estar de todos.” Se estivesse em dia inspirado, o professor poderia até acrescentar que o impacto do livre comércio no índice de crescimento da economia não seria claro e dependeria de um conjunto inteiramente diferente de requisitos.

A afirmação direta e incondicional sobre os benefícios do livre comércio agora foi transformada em uma declaração adornada com todos os tipos de “se” e “mas”. Estranhamente, o conhecimento que o professor transmite de boa vontade e com grande orgulho a seus estudantes avançados é considerado impróprio (ou perigoso) para o público em geral.

O ensino das ciências econômicas no nível universitário sofre do mesmo problema. Em nosso empenho para mostrar as joias da coroa da profissão de forma imaculada – a eficiência do mercado, a mão invisível, a vantagem comparativa – nós pulamos as complicações e nuances do mundo real, tão conhecidas como são na disciplina. É como se os cursos de introdução à física presumissem um mundo sem gravidade, porque assim tudo ficaria muito mais simples.

Aplicadas apropriadamente, com uma dose saudável de senso comum, as ciências econômicas nos teriam preparado para a crise financeira e nos indicado a direção certa para consertar o que a causou. Mas a ciência econômica que precisamos é a do tipo da “sala de seminário” e não a do tipo “geral”. Precisamos das ciências econômicas que reconheçam suas limitações e saibam que a mensagem apropriada depende do contexto.

Negligenciar a diversidade de orientações intelectuais dentro de sua disciplina não torna os economistas melhores analistas do mundo real. Nem os torna mais populares. (Tradução de Sabino Ahumada)

Dani Rodrik é professor de Economia Política na Harvard University e autor de “The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy” (o paradoxo da globalização: democracia e o futuro da economia mundial, em inglês).

Climate summit was a pathetic exercise in deceit (Globe and Mail)

Thomas Homer-Dixon
Last updated Monday, Dec. 12, 2011 10:01AM EST

It was an “emperor-has-no-clothes” moment. The 17-year-old youth delegate rose before the assembled participants at the Durban climate conference and looked them straight in the eye.

“I speak for more than half the world’s population,” declared Anjali Appadurai of Maine’s College of the Atlantic. “We are the silent majority. You’ve given us a seat in this hall, but our interests are not at the table. What does it take to get a stake in this game? Lobbyists? Corporate influence? Money?”

“You have been negotiating all of my life. In that time, you’ve failed to meet pledges, you’ve missed targets, and you’ve broken promises.”

Ms. Appadurai nailed it. There’s really only one label for the pathetic exercise we’ve just witnessed in South Africa: deceit. The whole climate-change negotiation process and the larger political discourse surrounding this horrible problem is a drawn-out and elaborate exercise in lying – to each other, to ourselves, and especially to our children. And the lies are starting to corrupt our civilization from inside out.

The climate negotiators lie to each other and the world when they claim the world can still limit the planet’s warming to two degrees Celsius above the pre-industrial average, the point at which many experts believe the risks from climate change rise sharply.

It’s a lie because we’ve already experienced 0.8 degrees warming, and we’ve got at least another 0.6 degrees on the way due to carbon already in the atmosphere. Given that global carbon dioxide emissions of about 35 billion tons each year are now growing at an average of 3 per cent a year – which means they’re doubling every 23 years – it’s virtually certain we’re going to use up the remaining 0.6 degrees of leeway. In fact, the emerging consensus among climate experts is that we’ll be lucky to limit warming to 4 degrees.

India, China, and Brazil lie to their own citizens when they claim that by blocking a climate deal they’re protecting the opportunity for their economies to develop. “Am I to write a blank cheque and sign away the livelihoods and sustainability of 1.2-billion Indians?” asked India’s environment minister, Jayanthi Natarajan.

But this choice is patently false, as senior officials of these countries surely know. It’s not a choice between a climate-change deal and economic development; it’s really a choice of both or neither. If we don’t reduce carbon emissions, the impacts of climate change will eventually devastate the economies of poor countries. Repeated failures of monsoons in India and China or the desiccation of the Amazon basin in Brazil will drive a stake through these countries’ economies. Dealing with climate change is a prerequisite for prosperity this century – for all people on this planet.

The Canadian federal government lies to Canadians when it says we can still meet the government’s stated target of a 17 per cent reduction of emissions below the country’s 2005 level by 2020. Given the projected growth in oil sands output and the Conservatives’ neglect of the climate change file, nobody in the know seriously believes such a target can be achieved.

And we lie to ourselves when we tell ourselves that fixing climate change is someone else’s responsibility, or that the science is too uncertain to justify action, or that we’ll find a technology to solve the problem when it gets serious enough, or that it simply costs too much to do anything.

But most of all we lie to our kids. We tell them we’ve got the climate problem under control, while we’ve actually lost control of it completely. Worse, we tell them that we’re protecting their options for the future, while we’re actually closing down those options to protect powerful political and economic vested interests in the present.

It took a 17-year-old to tell the truth. The rest of us, supposedly adults, should be ashamed.

Thomas Homer-Dixon is the director of the Waterloo Institute for Complexity and Innovation and is the CIGI Chair of Global Systems at the Balsillie School of International Affairs in Waterloo, Ont.

Avanço diplomático, atraso climático (O Globo)

JC e-mail 4403, de 12 de Dezembro de 2011.

A adesão de EUA, China e Índia é marco da COP-17. Mas cortes de CO2 ficam na promessa.

Quase dois dias depois do previsto, a reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas de Durban, na África do Sul, terminou na madrugada de ontem (11) sem que nenhum novo acordo com valor de lei fosse firmado. Nas 36 horas de prorrogação da cúpula, representantes de 194 países concordaram em estender o Protocolo de Kioto até 2017 e a dar início a negociações para a elaboração de um novo tratado global que só entraria em vigor em 2020. Para analistas, o resultado é uma vitória da diplomacia – uma vez que, pela primeira vez, EUA, China e Índia aceitaram negociar metas compulsórias -, mas um fracasso do ponto de vista climático. A Plataforma de Durban é um plano de ação para negociações futuras, mas representa um atraso concreto nos cortes de gases do efeito estufa.

Cientistas são praticamente unânimes em afirmar que para que o aumento da temperatura da Terra se mantenha no patamar dos 2° Celsius até o fim do século – acima da qual considera-se que haveria mudanças climáticas perigosas – um novo acordo global com metas obrigatórias de cortes de emissões já teria que entrar em vigor até o fim do ano que vem, quando o Protocolo de Kioto expiraria. Quase dez anos de espera para se ter metas compulsórias – “a década perdida”, como já a apelidaram ambientalistas – pode levar o aumento da temperatura planetária para a casa dos 3° Celsius a 4° Celsius, com consequências climáticas dramáticas.

A prorrogação do Protocolo de Kioto até 2017, por sua vez, é apenas simbólica. Com a saída de Rússia, Japão e Canadá do acordo (que nunca teve a adesão dos EUA, nem obrigações dos países em desenvolvimento), o protocolo, atualmente, cobre apenas 15% das emissões do planeta. Como, na melhor das hipóteses, o novo acordo só será implementado em 2020, tampouco se sabe que tratado estará em vigor entre 2017 e 2020.

Negociações formais começam em 2012 – Ainda assim, os participantes da reunião consideraram o acordo uma grande vitória da diplomacia. De fato, foi a primeira vez que Estados Unidos, China e Índia (os maiores emissores de CO2) concordaram em negociar a elaboração de um documento com metas compulsórias de corte de emissões – as negociações começariam já no ano que vem e se estenderiam até 2015. O Brasil, que está entre os cinco maiores emissores por conta do desmatamento, já havia concordado com o plano de intenções e teve papel crucial nas negociações. Se tudo der certo, será a primeira vez que o mundo terá um acordo global, com valor legal e o envolvimento de todos os países.

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi um desfecho “histórico”. A presidente Dilma Rousseff, informada do resultado pela ministra, se disse satisfeita com o resultado do encontro e elogiou a participação do Brasil.

“O documento é extraordinário. Ele lança um futuro de cooperação internacional, com condições para que se venha a ter no mesmo instrumento jurídico todos os países, abrindo uma nova era na luta contra a mudança do clima”, resumiu o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe da delegação brasileira.

Especialista da Coppe/UFRJ e integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, Suzana Kahn Ribeiro, tem uma visão diferente. “Se o objetivo dos negociadores era ter algum tipo de acordo, não deixar um vácuo, ok, então eu posso considerar que o encontro foi vitorioso. Agora, se a meta era ter uma solução para o aquecimento global, então a conferência foi um fracasso total. Temos um instrumento legal (Kioto) que não tem valor prático nenhum e um plano de intenções para 2020 puramente declaratório”, afirmou.

Assessor da prefeitura para a Rio+20, o economista Sérgio Besserman concorda com a colega. “Esta é uma negociação diplomática, como tantas outras, mas a diferença, neste caso, é que não temos controle sobre a agenda, que é ditada externamente, pelo clima. Quando o debate é sobre comércio, por exemplo, se atrasar, atrasou. Mas com o clima não é assim, ele tem seu próprio ritmo. É claro que é preferível que se tenha um plano de intenções, que a toalha não tenha sido jogada, mas estamos nos atrasando consideravelmente”, declarou.

Para Besserman, “é assustadora a incapacidade da governança mundial de dar uma resposta ao conhecimento científico que já se tem sobre o que vem pela frente”. “Vale lembrar que um aumento de 3° Celsius é 50% acima do que se considera o limite do perigo”, avaliou.

Duas das principais organizações ambientais do mundo, WWF e Greenpeace condenaram o resultado da conferência. “O mundo merece um pacto melhor que o débil compromisso de Durban”, afirmou Regine Günther, do WWF Alemanha, lembrando que o acordo não impedirá que a temperatura suba acima dos 2° Celsius.

Para o Greenpeace, “o compromisso não conduz a um tratado vinculante mundial para a proteção do clima, mas a um acordo vago”, lembrando que não há sequer sanções para quem não cumprir o plano de intenções.

Para o cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, o resultado da conferência é “desastroso” do ponto de vista do clima. “Tudo foi protelado para 2020, uma vez que essa prorrogação de Kioto é irrelevante, é a prorrogação do nada”, resumiu. “O resultado não é histórico, como estão dizendo os que estavam envolvidos nas negociações. Ele lamenta a decisão de adiar as medidas até 2020, uma ideia de que se está fazendo algo pelo clima quando a ciência aponta que as medidas de redução das emissões já deveriam vigorar em 2013.”

Ainda assim, o especialista garante estar otimista. “A Humanidade aprende pela dor”, afirma, lembrando que as mudanças climáticas ainda são uma realidade distante para boa parte da população. “Ela aprende com mais dor do que precisaria e em muito mais tempo do que seria necessário, mas não está condenada ao suicídio.”

Os principais pontos acertados na COP-17
O que aconteceu em Durban? 194 países se reuniram na 17ª rodada de negociações da Convenção do Clima da ONU, cuja meta é deter o aquecimento global ao limitar as emissões de gases do efeito estufa. A conferência durou dois dias além do previsto, na mais longa reunião ambiental realizada.

O que foi obtido? Após duríssimas negociações, se chegou à “Plataforma de Durban”. No documento de duas páginas, pela primeira vez, todos os países prometem cortar emissões. Um plano guiará os países em negociações até 2015 para que cheguem a um acordo legal de cortes. Porém, ele só começará a vigorar em 2020.

Foi um avanço ou um retrocesso? Depende do ângulo que se olhe. Um sucesso em termos de se manter as negociações vivas, salvando o processo da ONU, após este quase ter colapsado em Copenhague e Cancún. A União Europeia chama seu plano de ação (a Plataforma de Durban) de “avanço histórico”. Para a UE, essa é a primeira vez que EUA, China e Índia se comprometem a assinar um tratado de legal para cortar emissões. Porém, é um atraso do ponto de vista de muitos países em desenvolvimento, de grupos ambientalistas e de cientistas. Eles argumentam que a linguagem usada precisa ser mais forte para forçar os países a agir e que deveria haver datas concretas de cortes.

E o Protocolo de Kioto? Ele será estendido até 2017, com metas de redução para a UE e poucos outros países desenvolvidos. Japão e Rússia já tinham anunciado que deixariam Kioto. Um novo acordo deve ser negociado para cobrir o período até 2020. Porém, Índia, China e EUA continuam de fora. Os dois primeiros porque não têm obrigação legal e os EUA por não serem signatários. Nesse período de intervalo países como o Brasil, que têm metas voluntárias, continuarão a fazer cortes de emissões.

O dinheiro prometido em 2010 para ajudar os países pobres? O Fundo Verde criado em Cancún deverá despender US$60 bilhões por ano a partir de 2020. Porém, os detalhes de como isso será feito são muito vagos. Não está definido de onde virá o dinheiro. Uma das possibilidades são taxas sobre a aviação.

E o desmatamento? O REDD, o plano para pagar países pobres a não cortar suas árvores, avançou pouco. Mais uma vez, não ficou definido de onde virá o dinheiro. Há temor de que os recursos sejam desviados em corrupção. O REDD deverá continuar na mesa de negociação.

O que o acontecerá agora? Rodadas sobre clima estão previstas para março, em Londres, em Bonn (Alemanha), e finalmente no Qatar, na COP-18, em dezembro de 2012. Embora a Rio+20 não tenha foco no clima, especialistas acreditam que ela será fundamental nesse sentido. Em 2012 começam as negociações para se chegar a um acordo em 2015. Isso incluirá as metas por países, que deverão ser diferenciadas. Espera-se que países sejam pressionados pela sociedade a assumir metas mais ousadas.

World on track for nearly 11-degree temperature rise, energy expert says (Washington Post)

By , Published: November 28

The chief economist for the International Energy Agency said Monday that current global energy consumption levels put the Earth on a trajectory to warm by 6 degrees Celsius (10.8 degrees Fahrenheit) above pre-industrial levels by 2100, an outcome he called “a catastrophe for all of us.”

Fatih Birol spoke as as delegates from nearly 200 countries convened the opening day of annual U.N. climate talks in Durban, South Africa.

This year has been an unprecedented one for natural disasters. By the end of June, economic losses totaled $265 billion, according to German reinsurer Munich Re. That easily exceeds the total figure for 2005, which was previously the costliest year.

International climate negotiators have pledged to keep the global temperature rise to 2 degrees Celsius, or 3.6 degrees Fahrenheit, above pre-industrial levels. The Earth has already warmed 0.8 degrees Celsius, or 1.4 Fahrenheit, so far, according to climate scientists.According to the IEA’s most recent analysis, heat-trapping emissions from the world’s energy infrastructure will lead to a 2-degree Celsius increase in the Earth’s temperature that, as more capacity is added to the system, will climb to 6 degrees Celsius of warming by 2100.Unless there is a shift away from some of the fossil fuel energy now used for electricity generation and transportation, Birol said, “the world is perfectly on track for a six-degree Celsius increase in temperature.“Everybody, even the schoolchildren, knows this is a catastrophe for all of us,” he said at the Carnegie Endowment for International Peace.

Birol spoke in unusually blunt terms about the climate implications of the global energy mix, implications that are disputed by many conservatives in the United States who don’t believe in the connection between human activity and climate change.

David Burwell, who directs the energy and climate program at the Carnegie Endowment, said Birol’s comments have “big implications for capital investment in energy,” though he noted that it will be oil executives and others in the private sector who will drive many of the key decisions.

“We can try to regulate, we can try to incentivize, but ultimately, they’ve got to make the decisions, they’ve got to make the investments,” he said, adding that government officials should engage with the energy industry on this topic. “Now’s the time to have the conversation about investments.”

Burwell added that while the IEA has analyzed energy use and production for years, this is the first year its officials have spoken this publicly about the need to shift gears.

“They’re definitely raising the red flag, because the numbers speak for themselves,” he said. “This is the first year they’ve started stamping their foot and saying, ‘Lookit, listen to us.’ ”

In an interview after his talk, Birol said he believes his agency’s analysis is having an impact in places such as China, which he said would outpace the European Union in per capita carbon emissions by 2015. He added that by 2035, China would outrank the industrialized world as the single biggest overall emitter of greenhouse gases in history.

“They are one of the few countries putting an emphasis on climate change,” Birol said, noting they will experiment next year with putting a price on carbon in some regions.

The U.N. talks, meanwhile, suffered a setback as Canada announced Monday that it would not agree to sign up to a second commitment period under the Kyoto Protocol, the 1997 climate pact that set emissions targets for all major industrialized nations. Canada had pledged to cut its overall greenhouse gas emissions 6 percent by 2012 compared with 1990 levels; as of 2009, its carbon output was 29.8 percent above 1990 levels.

Climate summit opens amid big emitters’ stalling tactics (BBC)

28 November 2011 Last updated at10:40 GMT

By Richard BlackEnvironment correspondent, BBC News

South African minister Maite Nkoana-MashabaneSouth Africa’s Maite Nkoana-Mashabane called for delegates to find a “common solution” for the future
As this year’s UN climate summit opens, some of the developing world’s biggest greenhouse gas emitters are bidding to delay talks on a new global agreement.

To the anger of small islands states, India and Brazil have joined rich nations in wanting to start talks on a legal deal no earlier than 2015.

The EU and climate-vulnerable blocs want to start as soon as possible, and have the deal finalised by 2015.

The UN summit, in Durban, South Africa, may make progress in a few areas.

“We are in Durban with one purpose: to find a common solution that will secure a future to generations to come,” said Maite Nkoana-Mashabane, South Africa’s minister of international relations, who is chairing the summit.

But the process of finding that common solution, in the form of an agreement that can constrain greeenhouse gas emissions enough to keep the global average temperature rise below 2C, will entail some complex and difficult politics.

Developing countries will certainly target rich governments such as Japan, Canada and Russia over their refusal to commit to new emission cuts under the Kyoto Protocol, whose current targets expire at the end of next year.

They see this as a breach of previous commitments and of trust.

But some observers say small island states may begin “naming and shaming” developing countries that are also delaying progress.

They say the impasse should not delay talks on a new deal, arguing that to do so would be, in one delegate’s wording, “the politics of mutually-assured destruction”.

“They’re on the edge of a mess,” another delegate told BBC News, “and they may not be able to resolve this mess”.

“The global response to climate change simply does not have time for advancing self-serving national interests” Mark Roberts, EIA

Seismic shift

The politics of the UN climate process are undergoing something of a fundamental transformation.

Increasingly, countries are dividing into one group that wants a new global treaty as soon as possible – the EU plus lots of developing countries – and another that prefers a delay and perhaps something less rigorous than a full treaty.

The divide was evident earlier this month at the Major Economies Forum (MEF) meeting in Arlington, US – the body that includes 17 of the world’s highest-polluting nations.

There, the UK and others argued that the Durban summit should agree to begin work on a new global agreement immediately, to have it in place by 2015, and operating by 2020 at the very latest.

The US, Russia and Japan were already arguing for a longer timeframe.

But BBC News has learned that at the MEF meeting, Brazil and India took the same position.

DURBAN CLIMATE CONFERENCE

  • Summit will attempt to agree the roadmap for a future global deal on reducing carbon emissions
  • Developing countries are insisting rich nations pledge further emission cuts under the Kyoto Protocol
  • Delegates also aim to finalise some deals struck at last year’s summit
  • These include speeding up the roll-out of clean technology to developing nations…
  • … and a system for managing the Green Climate Fund, scheduled to gather and distribute billions of dollars per year to developing countries
  • Progress may also be made on funding forest protection

Brazil wants the period 2012-15 to be a “reflection phase”, while India suggested it should be a “technical/scientific period”.

China, now the world’s biggest emitter, is said by sources to be more flexible, though its top priority for Durban is the Kyoto Protocol.

“The planet has no other sustainable alternative other than to ensure the continuity of the Kyoto Protocol, through a second commitment period starting in 2013,” said Jorge Arguello, leader of the Argentinian delegation, which this year chairs the powerful G77/China bloc of 131 nations.

“The adoption of a second commitment period for the reduction of greenhouse gases emissions under the Kyoto Protocol is not only a political imperative and a historical responsibility, but a legal obligation that must be faced as such.”

Although the EU does not oppose a second commitment period, other developed nations do.

And as the US left the protocol years ago, nations still signed on account only for about 15% of global emissions – which is why there is so much emphasis on a new instrument, with some legal force, covering all countries.

Cooling wish

The US, Russia, Japan and Canada have all argued for delaying negotiations on this for various domestic political reasons.

EU climate commissioner Connie HedegaardConnie Hedegaard’s EU is increasingly isolated among the industrialised world bloc

But the news that big developing countries are also lobbying for a delay is likely to lead to fireworks in Durban.

Many of the countries most at risk from climate impacts want to cut emissions fast enough to hold the global average temperature rise from pre-industrial times under 1.5C.

Scientific assessments say that for this to happen, global emissions should peak and begin to fall before 2020, adding urgency to these nations’ quest for a new and effective global agreement.

President Nasheed of the Maldives is virtually the only leader who has spoken openly of the need for major developing countries to begin cutting emissions soon.

Equating the need to develop with the right to emit greenhouse gases is, he has said, “rather silly”.

But sources in Durban indicate that delegates from other small developing countries may join him before the fortnight elapses, and demand more of the big developing nations.

China, Brazil and India are also being blamed for blocking moves to phase out the climate-warming industrial HFC gases, which small island states tabled at the Montreal Protocol meeting in Bali last week.

“The global response to climate change simply does not have time for advancing self-serving national interests,” said Mark Roberts, international policy advisor for the Environmental Investigation Agency (EIA).

Funding gap

Sources say, however, that there is real prospect of agreement in Durban on rules and mechanisms for a Green Climate Fund.

This would raise and disburse sums, rising to $100bn per year by 2020, to developing nations.

The industrialised countries (and countries in transition to a market economy) which took on obligations to reduce their greenhouse gas emissions under the Kyoto Protocol. Their combined emissions, averaged out during the 2008-2012 period, should be 5.2% below 1990 levels.

There is no agreement on where the money should come from.

Developing countries say the public coffers of industrialised nations should be the main source, whereas western governments say the bulk must come from private sector sources.

That is unlikely to be resolved until the end of next year.

But finalising the fund’s rules in Durban would be a concrete step forward.

Tim Gore, Oxfam’s chief policy adviser, said UK Climate Minister Chris Huhne must push for “getting the money flowing through the Green Climate Fund that poor people need to fight climate change now.

“A deal to raise resources from international transport could be on the table, and Huhne must convince other ministers to strike it,” he said.

However, there is widespread scepticism about the much smaller funds – $10bn per year – that developed nations are already supposed to be contributing under the Fast Start Finance agreement made in 2009.

Developing countries say only a small fraction of what has been pledged is genuinely “new and additional”, as it is meant to be; and that little has actually materialised.

The summit may also see a row over the EU’s imminent integration of aviation into the Emission Trading Schemen, which India and some other developing nations oppose.

New climate emails leaked ahead of talks (CBS)

November 22, 2011 2:15 PM

The Climatic Research Unit at the University of East Anglia in Norwich, England. (AP)  

LONDON – The British university whose leaked emails caused a global climate science controversy in 2009 says it has discovered a potentially much larger data breach.

University of East Anglia spokesman Simon Dunford said that while academics didn’t have the chance yet to examine the roughly 5,000 emails apparently dumped into the public domain Tuesday, a small sample examined by the university “appears to be genuine.”

The university said in a statement that the emails did not appear to be the result of a new hack or leak. Instead, the statement said that the emails appeared to have been stolen two years ago and held back until now “to cause maximum disruption” to the imminent U.N. climate talks next week in Durban, South Africa.

If that is confirmed, the timing and nature of the leak would follow the pattern set by the so-called “Climategate” emails, which caught prominent scientists stonewalling critics and discussing ways to keep opponents’ research out of peer-reviewed journals.

Those hostile to mainstream climate science claimed the exchanges proved that the threat of global warming was being hyped, and their publication helped destabilize the failed U.N. climate talks in Copenhagen, Denmark, which followed several weeks later.

Although several reviews have since vindicated the researchers’ science, some of their practices – in particular efforts to hide data from critics – have come under strong criticism.

The content of the new batch of emails couldn’t be immediately verified – The Associated Press has not yet been able to secure a copy – but climate skeptic websites carried what they said were excerpts.

Although their context couldn’t be determined, the excerpts appeared to show climate scientists talking in conspiratorial tones about ways to promote their agenda and freeze out those they disagree with. There are several mentions of “the cause” and discussions of ways to shield emails from freedom of information requests.

Penn State University Prof. Michael Mann – a prominent player in the earlier controversy whose name also appears in the latest leak – described the latest leak as “a truly pathetic episode,” blaming agents of the fossil fuel industry for “smear, innuendo, criminal hacking of websites, and leaking out-of-context snippets of personal emails.”

He said the real story in the emails was “an attempt to dig out 2-year-old turkey from Thanksgiving ’09. That’s how desperate climate change deniers have become.”

Bob Ward, with the London School of Economics’ Grantham Research Institute on Climate Change, said in an email that he wasn’t surprised by the leak.

“The selective presentation of old email messages is clearly designed to mislead the public and politicians about the strength of the evidence for man-made climate change,” he said. “But the fact remains that there is very strong evidence that most the indisputable warming of the Earth over the past half century is due to the burning of fossil fuels and other human activities.”

The source of the latest leaked emails was unclear. The perpetrator of the original hack has yet to be unmasked, although British police have said their investigation is still active.

Climate researchers cleared of malpractice
An End to Climategate? Penn State Clears Michael Mann
Why climate change skeptics remain skeptical

From Shore to Forest, Projecting Effects of Climate Change (N.Y. Times)

By 

While the long-term outlook for grape-growers in the Finger Lakes region is favorable, it is less than optimal for skiers and other winter sports enthusiasts in the Adirondacks. Fir and spruce trees are expected to die out in the Catskills, and New York City’s backup drinking water supply may well be contaminated as a result of seawater making its way farther up the Hudson River.

These possibilities — modeled deep into this century — are detailed in a new assessment of the impact that climate change will have in New York State. The 600-page report, published on Wednesday, was commissioned by the New York State Energy Research and Development Authority, a public-benefit corporation, and is a result of three years of work by scientists at state academic institutions, including Columbia and Cornell Universities and the City University of New York.

Its authors say it is the most detailed study that looks at how changes brought about by a warming Earth — from rising temperatures to more precipitation and global sea level rise — will affect the economy, the ecology and even the social fabric of the state.

Cynthia Rosenzweig, a senior research scientist at Columbia’s Earth Institute, said the report was much broader in scope than earlier efforts by New York City that tried to evaluate how best to prepare for climate change.

“New York City’s report focuses on how climate change will affect critical structures” like bridges and sewage systems, she said. “This report also looks at public health, agriculture, transportation and economics.”

The authors drew on results from global climate models and then created projections for variables like rainfall and temperatures for seven regions across the state. Then they tried to assess how those alterations would play out in specific terms. They also developed adaptation recommendations for different economic sectors.

If carbon emissions continue to increase at their current pace, for example, temperatures are expected to rise across the state by 3 degrees Fahrenheit by the 2020s and by as much as 9 degrees by the 2080s. That would have profound effects on agriculture across the state, the report found. For example, none of the varieties of apples currently grown in New York orchards would be viable. Dairy farms would be less productive as cows faced heat stress. And the state’s forests would be transformed; spruce-fir forests and alpine tundra would disappear as invasive species like kudzu, an aggressive weed, gained more ground.

If the Greenland and West Antarctic ice sheets melt, as the report says could happen, the sea level could rise by as much as 55 inches, which means that beach communities would frequently be inundated by flooding.

“In 2020, nearly 96,000 people in the Long Beach area alone may be at risk from sea-level rise,” the report said, referring to just one oceanfront community on the South Shore of Long Island. “By 2080, that number may rise to more than 114,500 people. The value of property at risk in the Long Beach area under this scenario ranges from about $6.4 billion in 2020 to about $7.2 billion in 2080.”

The report found that the effects of climate change would fall disproportionately on the poor and the disabled.

In coastal areas in New York City and along rivers in upstate New York, it said, there is a high amount of low-income housing that would be in the path of flooding.

Art DeGaetano, a professor of earth and atmospheric sciences at Cornell, said that its findings need not be interpreted as totally devastating.

“It would be all bad if you wanted a static New York, with the same species of bird and the same crops,” he said, “but there will be opportunities as well. We expect, for example, that New York State will remain water-rich and we may be able to capitalize when other parts of the country are having severe drought.”

The next step, the authors said, is for them to meet with state agencies and try to work with them to carry out some of the report’s recommendations of ways to cope with climate change

One would be to get the state to routinely incorporate projections of increased sea levels and heavy downpours when building big infrastructure projects. They also suggested protecting and nursing natural barriers to sea-level rise, like coastal wetlands, and changing building codes in certain area for things like roof strength and foundation depth in areas that would be hit hardest by storms.

“If there is one thing we learned from Hurricane Irene,” Dr. Rosenzweig said referring to the tropical storm that pummeled the state this past summer, “we have a lot more we could be doing to prepare.”

Rajendra Pachauri: “A ciência foi deixada de lado na COP” (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4398, de 05 de Dezembro de 2011.

Se ela estivesse no centro do debate sobre mudanças climáticas, ações não poderiam ser adiadas, afirma o cientista indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O cientista indiano Rajendra Pachauri, de 71 anos, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), acompanha com frustração a 17.ª Conferência do Clima da ONU, a COP-17. O pesquisador, que concedeu entrevista ao Estado em uma pequena sala VIP no centro de convenções de Durban, avalia que a ciência e os alertas dados pelos cientistas não estão no centro das negociações climáticas.

Para ele, não é necessariamente fundamental garantir a segunda fase do Protocolo de Kyoto nessa reunião, mas é preciso que haja avanços independentemente do acordo que seja escolhido. “Gostaria que houvesse uma forma de tornar a ciência sobre clima uma parte mais central nas discussões nas negociações. Porque pelo menos assim você poderia dizer que não se pode adiar as ações por muito tempo. E tomar medidas pode ser realmente atraente, e não caro”, afirma. A reunião segue até sexta-feira.

Apesar dos alertas do IPCC e do recente relatório especial sobre eventos extremos que mostram os impactos das mudanças climáticas, o avanço nas negociações é muito lento. Como o senhor avalia essa situação?
Nas negociações que estão acontecendo aqui, nós não podemos perder de vista a ciência das mudanças climáticas. Você mencionou corretamente que recentemente publicamos um relatório especial sobre eventos extremos e desastres e como podemos avançar na adaptação (preparação para esses eventos). Eu gostaria de ver uma discussão muito mais focada nessas questões, e o que a comunidade global pode fazer para lidar com esses impactos.

O senhor acha importante focar mais em adaptação?
Acho que precisamos lidar com os dois, adaptação e mitigação (cortes de emissões de gases-estufa). Porque nós não teremos capacidade de nos adaptar a todos os impactos. Podemos nos adaptar a algumas situações, mas, depois de um certo tempo, fica muito difícil e caro fazer isso. Então, precisamos olhar para a mitigação também. Neste ano apresentamos um relatório sobre energias renováveis que claramente mostra que é possível usar muito mais energias renováveis e, com mais pesquisas em seu desenvolvimento, os custos podem cair. O que estou dizendo é que eu gostaria que houvesse uma forma de tornar a ciência sobre clima uma parte mais central nas discussões nas negociações. Porque pelo menos assim você poderia dizer que não se pode adiar as ações por muito tempo. E que tomar medidas pode ser realmente atraente, e não caro.

A ciência então não está no centro da discussão hoje?
Não parece estar. Não estou envolvido diretamente na negociação, mas a acompanho e não vejo a ciência no centro do debate.

As pessoas costumam dizer que os cientistas do IPCC eram radicais e pessimistas. Mas em dois anos novos estudos podem mostrar que a situação é ainda mais perigosa do que o previsto?
Não sei, ainda estamos trabalhando nesse relatório. No relatório especial sobre eventos extremos e desastres, nós apontamos as áreas em que ainda não temos muitas evidências e também as em que as evidências claramente mostram que ondas de calor aumentarão, assim como os eventos de precipitações extremas e a elevação do nível do mar – e isso é uma ameaça a áreas costeiras. Trouxemos todas as informações com um grande cuidado, de forma robusta. Ninguém pode dizer que alguém dentro do IPCC é radical.

Ao contrário, eu ia perguntar se os cientistas não estavam sendo cautelosos demais no relatório de 2007.
Temos muito mais evidências hoje, muito mais pesquisas publicadas sobre mudanças climáticas. E o IPCC funciona com a avaliação de pesquisas publicadas (o IPCC não faz as próprias pesquisas). E, agora, temos muito mais estudos do que nos anos anteriores ao quarto relatório do IPCC, de 2007. Certamente, estamos num nível muito melhor agora. É claro que em algumas partes do mundo temos grandes lacunas, não temos estudos em todos os locais e isso ocorre principalmente nos países mais vulneráveis.

A discussão em Durban tem focado muito no Protocolo de Kyoto. Em sua opinião, é importante ter um segundo período de compromisso de Kyoto? Ou podemos fazer outro tipo de acordo?
É muito difícil dizer, há uma diversidade enorme de opções que podem ser aceitas. Mas eu gostaria de ver um avanço, qualquer que seja a direção tomada, com Kyoto ou outra coisa. E, de novo, se houvesse um foco na ciência, talvez as pessoas veriam que há urgência em agir e as decisões seriam tomadas mais rapidamente.

O senhor acredita que países emergentes como China, Índia e Brasil devem fazer mais, já que são grandes emissores?
Não poderia dizer isso, mas de vou lembrar que as responsabilidades de acordo com a convenção do clima são comuns, mas diferenciadas (os países industrializados, maiores emissores históricos, têm as maiores responsabilidades). E é por isso que essas negociações acontecem. Se olharmos nos últimos 20 anos desde que a convenção do clima foi criada, o mundo não fez o suficiente. E as emissões ainda estão aumentando. Então, não tenho muita certeza se o que tivemos até agora foi realmente muito efetivo. E talvez o que precisamos agora é de algo mais efetivo, que vá de encontro ao objetivo de evitar interferência antropocêntrica (humana) no sistema climático. Que é o objetivo principal da Convenção do Clima da ONU.

Em 2009, pouco antes da COP-15, tivemos o episódio que ficou conhecido como Climategate, quando e-mails de cientistas foram expostos. O senhor tem medo de hackers ou grampos telefônicos?
Tudo isso é crime, e uma pessoa não pode ficar com medo e deixar de fazer o que se espera dela. Temos de continuar nosso trabalho e é isso que estamos tentando fazer.

Mas o senhor recebe ameaças?
Sim, mas eu prefiro não falar sobre elas.

O que o IPCC aprendeu com o erro do Himalaia?
Em primeiro lugar, deixe-me colocar esse erro em perspectiva. Tínhamos 3 mil páginas de relatório e milhares de dados. E uma única informação em que cometemos o erro, de que as geleiras do Himalaia desapareceriam em 2035, não estava no sumário técnico, no sumário para os tomadores de decisão nem no relatório síntese. Estava apenas no relatório principal, que é essencialmente científico, não é para os tomadores de decisão. Então, de nenhuma maneira estávamos tentando chamar a atenção dos tomadores de decisão para esse dado errado. Francamente, não sabíamos do erro. Agora temos procedimentos mais fortes, mais passos a seguir, um protocolo de correção. Tudo isso vai nos ajudar a lidar com uma situação como essa muito melhor no futuro.

O senhor acha que o trabalho se tornando mais burocrático, com mais revisões e correções, pode afastar os cientistas do IPCC?
Nossa instituição tem uma responsabilidade com a sociedade. Então, se nós não temos um sistema em que um erro possa ser corrigido, então claramente há um déficit. É nossa responsabilidade buscar um sistema em que erros, uma vez que apareçam, possam ser investigados e depois corrigidos. E não tínhamos isso no passado.

E os cientistas continuam querendo se ligar ao IPCC, é importante para suas carreiras?
Absolutamente. Não sei a respeito das carreiras, mas com certeza pelo senso de orgulho profissional. Para o 5.º Relatório do IPCC tivemos um número recorde de nomeações. Cerca de 3 mil nomeações, das quais elegemos 831. O número foi pelo menos 50% maior do que tivemos no 4.º relatório. E isso mostra que a comunidade científica se entusiasma em trabalhar com o IPCC.

Acha que a crise econômica está impactando as negociações e as ações dos governos?
Eu acho que sim. Mas é por isso que eu acho que a primazia da ciência deve ser mantida. Vamos encarar a questão: a crise econômica deve ser resolvida em dois, três, quatro anos, algo assim. Mas o problema das mudanças climáticas está aqui para todo o sempre. Então, não podemos nos cegar por considerações de curto prazo.

O que o senhor espera da Rio+20?
O que vai ser a reunião é difícil de prever. Mas eu espero que marque um ponto de virada em nossa forma de pensar e em nossas atitudes. Já é hora de olhar para as implicações no longo prazo do que estamos fazendo e tomar algumas decisões. Eu espero a Rio+20 marque uma mudança na forma de pensar da raça humana.

Secretária da ONU diz que ações são respostas à ciência – A secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, negou ao Estado que a ciência não ocupe posição central nas negociações. “Se a ciência não dissesse que temos um problema, não estaríamos aqui. A convenção existe precisamente em resposta à ciência e a convenção sempre está atenta aos seus progressos.” Segundo ela, a convenção acompanhará o 5º Relatório do IPCC, a ser publicado em 2013 e 2014.
(O Estado de São Paulo – 4/12)

Brazil Signals It Can’t Commit to Binding Emissions Target in Durban (Bloomberg)

By Alex Morales – Dec 6, 2011 9:36 AM GMT-0200

Brazil signaled it’s not prepared to sign up to a road map leading to a legally-binding carbon emissions target at United Nations talks in South Africa, a key demand the European Union is making at the meeting.

Latin America’s second biggest greenhouse gas emitter after Mexico is open to devising a timeline for a future climate change deal without prejudging what legal form the pact might take, said Brazilian envoy Luiz Alberto Figueiredo.

“We have no problem in looking at a timeline that will take us from here to there engaging in that kind of exercise,” Figueiredo said today in an interview in Durban, South Africa. “The structure of that post-2020 framework will be solved in the negotiations.”

The debate over the EU’s proposal is one of the main sticking points at the talks in Durban that conclude on Dec. 9. Developing nations led by Brazil and China want the current treaty limiting emissions, the Kyoto Protocol, to be extended beyond 2012. The EU says it won’t renew Kyoto unless all nations say when they’d take on mandatory carbon targets.

Asked if Brazil could accept a future agreement that set binding emissions targets for all nations, Figueiredo said, “It’s fine, if that’s the result of the negotiation, fine. I cannot simply say now that we will agree with that if we don’t know now what will be the conditions.”

China’s Plan

Chinese delegation chief Xie Zhenhua yesterday told reporters his country could accept a binding deal after 2020 provided five conditions were met, including a second-commitment period of Kyoto. EU Climate Commissioner Connie Hedegaard said more clarifications are needed from China

Hedegaard in a post on Twitter after her meeting with China wrote, “sometimes messages are more progressive at public press conferences than in negotiation rooms.”

Brazil’s envoy also said that failure to secure a second commitment period of the Kyoto Protocol in Durban would endanger the UN’s Clean Development Mechanism, a carbon offset market that helps companies to meet their emissions targets through investing in carbon-cutting projects in the developing world.

Without emissions targets, “the CDM unfortunately loses its purpose and we’re very concerned about,” Figueiredo said.

Brazil, India, China doing more than rich nations for climate cause: UN (Hindustan Times)

Chetan Chauhan, Hindustan Times
New Delhi, December 06, 2011

First Published: 16:47 IST(6/12/2011)
Last Updated: 17:02 IST(6/12/2011)

Pedestrians cross the second ring road as pollution reaches what the US Embassy monitoring station says are “Hazardous” levels in Beijing.

Voluntary climate mitigation action of the emerging economies such as India will lead to higher reduction in global warming causing carbon emissions as compared to emission cut pledges of the rich nations.

A United Nations Environment Programme (UNEP) report released on Tuesday saying that developing country’s voluntary actions will have more impact on emission reduction in business to usual scenario would help developing nations in opposing emission cuts in new climate treaty.

“Brazil will achieve the most among emerging economies. India and China will also do well,” said Achim Steiner, UNEP’s top official told HT after releasing the report. Brazil in 2009 had announced voluntary emission reduction of 38-42 % by 2020 whereas India has decided to reduce energy intensity (per unit of GDP) by 20-25 % by 2020.

When asked whether the report suggested how — rich or emerging economies — should bear the burden of emission reductions to limit rise of temperature to two degree celsius by end of the century, he said their job was to present scientific data before the climate negotiators to take a call. “It is for the political leaders to decide on action on the scientific data presented by us,” he said.

Sunita Narian, director-general of NGO Centre for Science and Environment said there is ennough data to suggest that the developing world is doing much more than its capacity to fight climate change. “Those responsible for carbon emissions, the rich world, is sheirking from their responsibility (to fight climate change),” she said.

The UNEP report also said that the emission gap to keep temperature at two degree celsius has increased by one gega tonne in a year. As per UNEP estimate, emissions should not be higher than 44 gega tonnes by 2020.

“The analysis indicates that the gap has got larger rather than smaller, standing around six gega tonne by around 2020,” the report said. It means that total global carbon emissions in 2020 would be 50 gega tonne.

Steiner said the world can still bridge the gap if it opts for low carbon growth pathways by adopting cleaner technologies but the time was running out.

“It (opting for low carbon growth) will not be an easy task,” said Maria van der Hoeven Executive Director of International Energy Association. The IEA said that the full potential of low carbon growth could be utilised only by 2035 primarily because of high cost of cleaner technologies including renewable.