Com chuva, Alckmin adia decisão sobre rodízio de água na Grande SP (Folha de S.Paulo)

FABRÍCIO LOBEL e GUSTAVO URIBE

DE SÃO PAULO

11/02/2015  02h00

O volume de chuvas no início de fevereiro, que já se aproxima da média para o mês, levou o governo Geraldo Alckmin (PSDB) a adiar a decisão sobre a implantação de um rodízio de água na Grande SP.

Nas palavras de um assessor do governo, “a Sabesp não jogou a toalha” e, diante de um cenário com chuvas até o final de março e o avanço simultâneo de algumas obras, será até mesmo possível atravessar o período de seca, de maio a setembro, sem rodízio.

Folha teve acesso a esse “plano antirrodízio”, o mais atualizado da Sabesp, a estatal da água. Ele envolve três pontos-chaves, todos interdependentes, sendo que o primeiro nada mais é do que uma ‘torcida meteorológica’:

1) O ritmo de chuvas de fevereiro, que já superou a metade do esperado para o mês e fez aumentar a entrada de água no sistema Cantareira, tem de ao menos permanecer como está até o fim de março;

2) A ligação da represa Billings com o sistema Alto Tietê precisa ser concluída; a obra prevê 11 km de dutos entre os dois mananciais e, segundo o governo de SP, deverá ficar pronta até maio;

3) A capacidade de interligação entre sistemas terá de ser ampliada. Dessa forma, águas do Guarapiranga e do Alto Tietê, por exemplo, poderão atender moradores hoje abastecidos pelo Cantareira em áreas de Guarulhos, na Vila Maria (zona norte), Mooca (zona leste) e Brás (centro).

Editoria de arte/Folhapress

Com tudo isso, aliado principalmente à política de racionamento por meio da redução da pressão na rede de abastecimento, a Sabesp acredita que poderá manter uma vazão de no mínimo 10 mil litros de água por segundo no Cantareira ao longo de 2015, o suficiente, segundo a estatal, para evitar o início do rodízio –a vazão atual é de 14 mil l/seg.

Qualquer falha em um desses três pontos, porém, provocará a reavaliação desse planejamento. O final de fevereiro, por ora, é o prazo tratado internamente como limite para definir o rodízio.

Questionado ontem (10/02) sobre o tema, Alckmin afirmou que não existe nada definido. “É uma decisão técnica, da Sabesp, que faz o monitoramento diário”.

NOVO ÂNIMO

Até o final de janeiro, quando o volume de chuvas seguia bem abaixo da média histórica e o Cantareira caminhava para um colapso completo, o governo paulista tratava o rodízio apenas como uma questão de tempo.

Foi nesse contexto, por exemplo, que um dirigente da Sabesp falou na possibilidade de um rodízio “pesado”, com cinco dias sem água e apenas dois com na semana.

As chuvas de fevereiro não tiraram o Cantareira de uma situação crítica, mas deram uma leve trégua ao governo.

O sistema operou nesta terça (10) com 6,1% de sua capacidade, após mais uma alta. Esse percentual já inclui duas cotas do volume morto, que são as reservas de água abaixo do nível original de captação.

Para evitar um rodízio em 2015, o governo espera que o sistema chegue ao final de março entre 10% e 12% –com o solo úmido após as recentes chuvas, foram reduzidos os danos do chamado “efeito esponja”, que impede o armazenamento da água da chuva.

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