Viveiros de Castro na SBPSP (Blog Ponto de Vista)

Por Amenéris Maroni

31 de agosto de 2012

A Revista Brasileira de Psicanálise[1], volume 44, cujo tema é ¨Alteridade¨, nos contempla com a ida de Viveiros de Castro à Sociedade Brasileira de Psicanálise/São Paulo para uma palestra intitulada  ¨O Anti- Narciso: lugar e função da antropologia no mundo contemporâneo¨. Parodiando G. Deleuze e F.Guattari, Viveiros de Castro abre a conferência brincando que Anti-Narciso é o nome de um livro que ele jamais escreverá –  contrapondo-o ao Anti-Édipo. O Anti- Édipo é uma crítica radical ao Édipo e, então, à psicanálise, o Anti-Narciso: uma crítica e uma grande reviravolta em relação à antropologia clássica. Só essa brincadeira deveria deixar de sobreaviso os psicanalistas: afinal sabe-se o papel que teve o Anti-Édipo na filosofia e na cultura – muito embora tenha sido pouco apreciado na psicanálise! O Anti-Narciso, suponho, teria o mesmo valor na antropologia: para a antropologia contemporânea proposta por Viveiros de Castro, Narciso  já não seria a figura central na relação com o outro-nativo!

Narciso – Caravaggio

Os psicanalistas – nos comentários que se seguiram à palestra de Viveiros de Castro –  não parecem ter compreendido a brincadeira. Será que leram o  Anti-Édipo?

O antropólogo, professor de etnologia do Museu Nacional, levou para a Sociedade Brasileira de Psicanálise temas inquietantes frutos da ¨nova antropologia¨. Nas linhas que seguem, discuto algumas das questões apresentadas pelo antropólogo aos psicanalistas e, desde já, chamo a atenção do leitor para o silêncio e o esvaziamento – no mal sentido – com que essas proposições foram recebidas pelos psicanalistas. Nos comentários à palestra do antropólogo, as evasivas,  a incompreensão frente às questões propostas  chamaram a minha atenção. Sem dúvida as questões postas em discussão pelo antropólogo são difíceis, mas absolutamente centrais frente à crise ecológica e cultural que o ocidente atravessa. Deveriam então, ao meu ver, ter suscitado interesse, desafios de compreensão; muito ao contrário,  os psicanalistas não se deixaram afetar minimamente pelas questões.  Vamos então às inquietantes questões do etnólogo.

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro

A reviravolta proposta pela nova antropologia

 A antropologia classicamente gira em torno da questão  ¨quem somos nós¨ e o que os outros não tem que os tornam ¨diferentes de nós¨. O que distingue o sujeito do discurso antropológico de tudo aquilo que não é ele, isto é, tudo aquilo que não é ¨nós¨: o não ocidental, o não moderno, ou o não humano? Perguntar o que nos faz diferentes dos outros – vários outros – já é uma resposta, porque o que importa não são eles, e, sim, nós. A antropologia clássica se alimentou desses grandes divisores: nós e os outros, os humanos e os animais, os ocidentais e os não ocidentais. Na antropologia clássica o antropólogo já sabe a resposta e quer ver simplesmente  ¨como a resposta dos outros se adéqua à resposta que ele já tem¨[2] Nessa antropologia, por suposto, Narciso reina soberano; é intrinsecamente narcísica porque nós ocidentais é quem, a grosso modo, temos as perguntas – porque sempre entendemos que as nossas perguntas são as perguntas que todo ser humano faz, e por aí vai.

I) Ora, o gesto inicial que funda a antropologia contemporânea é a recusa da questão: ¨o que é próprio do homem¨? ¨o que é o homem?¨ De repente parece que a antropologia percebeu a armadilha implícita nessa pergunta. Pois respondê-la é seguir repetindo que ¨o próprio do homem é não ter nada de próprio¨, que o homem se caracteriza justamente por sua indeterminação. Nas palavras de Viveiros de Castro: …¨O homem é aquele ser a quem, por chegar por último na criação, foi dado o poder de ter todos os poderes e, portanto, o homem não tem nada de próprio¨. Ora, é exatamente isto, ¨não ter nada de próprio¨ que parece dar ao homem direito ilimitado sobre as propriedades alheias. Prossegue o antropólogo: … ¨Isto é uma maneira de dizer que estamos numa crise ecológica gravíssima, que é uma crise cultural, e que surge precisamente por termos colocado demais a questão ´O que é próprio do homem?´ ou ´O que nos torna tão especiais?´ […] Essa idéia de que o próprio do homem é não ter nada de próprio é uma resposta que já tem milênios na nossa tradição ocidental, e que justifica o antropocentrismo. As idéias de ausência, da finitude, da falta, seriam como que a distinção que a espécie carrega, esse fardo, em benefício ( diriam os cínicos) do restante da criação, à maneira de uma pesada condecoração¨[3].

Ora, é com essa pergunta e com essa proposição de homem que a psicanálise trabalha, exatamente com esse homem marcado pelo negativo, perguntei-me então porque os psicanalistas convidados a comentar a palestra do professor Viveiros de Castro não discutiram essa proposição, não refutaram e/ou no limite aceitaram tal reviravolta que com certeza situa-se no âmago da própria psicanálise! Silêncio a respeito dessa questão.

Como não poderia deixar de ser a metafísica ocidental – uma metafísica especista – está na base da antropologia e foi a responsável por todos os colonialismo que pudemos inventar. Basta que chamemos a atenção para um fato: o que a metafísica ocidental clássica entende como característica do humano é muito parecido com o que a Antropologia entendia como sendo característica do ocidental por oposição ao não ocidental! De repente fica bem claro em que barco estávamos, pois não? Para Viveiros de Castro a antropologia contemporânea começa justamente quando colocamos essas diferenças em questão, ao invés de nos refugiarmos nelas e então descobrirmos (sic) o que é próprio do homem! Cito Viveiros de Castro: … ¨Contra esses grandes divisores – nós e os outros, os humanos e os animais, os ocidentais e os não ocidentais – temos de fazer o contrário: proliferar as pequenas multiplicidades. Não o narcisismo das pequenas diferenças, aquele célebre que Freud detectou, mas o que a gente poderia chamar de o ´anti-narcisismo das variações infinitesimais´. Não se trata de forma alguma, como lembrou Derrida, de se questionar isso e pregar uma abolição de fronteiras que separam os humanos dos não humanos, as pessoas das coisas, os signos do mundo etc. As fantasias fusionais não estão em questão. Trata-se de certa maneira, de tornar infinitamente complexa essa linha que separa o humano do não humano¨[4]. Vale dizer, está na hora de a Antropologia parar de se preocupar ¨com o que é humano¨ ;  melhor seria que se preocupasse em estudar as diferenças que os humanos são capazes de operar.

Não preciso insistir que os dois psicanalistas convidados a comentar a fala do Prof. Viveiros de Castro não dirão uma única palavra a respeito da ¨metafísica especista¨ e do girar que todas as ciências humanas fazem – e em particular a psicanálise – em torno do homem! A psicanálise –  que estamos agora examinando – parece não ter nada a dizer sobre isso porque, herdeira da metafísica, é um dos dispositivos contemporâneos mais importantes da atualização dessa herança. Grosso modo, o homem é lapidado pela psicanálise para continuar exercendo-se exatamente onde está: o rei da criação, e os ocidentais, os mais humanos dentre os humanos: edipianos, supergóicos, família nuclear burguesa como ápice das proposições civilizatórias!

Seria injusto porém afirmar que também a psicanálise não apresenta ruídos em relação a essas questões. Mesmo nos seus ramos clássicos – pensemos em W.R. Bion – esses ruídos estão presentes. Hoje vertentes da psicanálise  que buscam a companhia de M. Heidegger,  de G. Deleuze, já não podem ser lidas também como insinuei acima.

II) Enfrentarei uma última questão proposta pelo Prof. Viveiros de Castro e a que mais me interessa. O antropólogo contemporâneo tem a chance de virar-se para o lado e perguntar para o índio – ou seja lá quem for o outro que ele estuda – : ¨o que é o humano¨?  e isso na expectativa de que haja respostas diferentes e o que é mais excitante – perguntas diferentes.¨E que, portanto, a questão não é de encontrar as respostas que os índios (ou seja lá quem for) dão às nossas perguntas – porque sempre entendemos que as nossas perguntas são as perguntas que todo ser humano faz – mas colocar sob suspeita este pressuposto e imaginar que talvez as perguntas, elas próprias sejam outras¨[5]

Quarup

Viveiros de Castros faz então dois chamamentos para todas as Ciências Humanas, incluindo aí a Psicologia, a Psicanálise, a Sociologia – e não só para as duas concepções radicalmente antagônicas de antropologia que teceu até agora.

1) Como funcionam de maneira geral as Ciências Humanas – incluindo a Antropologia? Aplicam conceitos que são extrínsecos ao que estamos estudando. Muitos reagirão contra, digo eu, dizendo que não é bem assim, que há uma relação dialética e até mesmo uma disjunção-tensão-conflito entre teoria e prática. Talvez os grandes teóricos consigam o tempo todo operar esses deslocamentos e essa criatividade tensionada entre teoria e prática; a maioria porém  dos ¨cientistas acadêmicos¨ operam da forma como sugere Viveiros de Castro: ¨nós temos o conceito e queremos simplesmente ver como ele é preenchido¨. Na verdade, no caso da antropologia clássica, imaginamos ¨cada sociedade como que preenchendo uma forma universal – conceito – com um conteúdo particular; esquecendo que essa forma universal é o nosso conteúdo particular¨[6]. Ora, a antropologia contemporânea propõe uma mudança – e convida todas as Ciências Humanas para trabalhar na mesma direção: ¨os procedimentos que caracterizam a investigação são conceitualmente da mesma ordem que os procedimentos investigados¨. Cito Viveiros de Castro:  ¨Se os humanos são todos iguais, é preciso que a nossa investigação seja algo da mesma natureza do que estamos investigando. Não podemos afirmar que os homens são todos iguais, por um lado, e retirar isso com a outra mão. Se os humanos são todos iguais, antropólogos estudam antropólogos, psicanalistas estudam psicanalistas, e, portanto, não há onde colocar assimetria nessa investigação¨[7].

2) A antropologia contemporânea parte do princípio fundamental de que o antropólogo  não sabe de antemão quais são os problemas que caracterizam o pensamento do Outro. E enfatize-se: este não saber não é empírico. Viveiros de Castro afirma: ¨É um não saber propriamente transcendental, uma ignorância, uma nesciência constitutiva da disciplina. ¨Eu não sei o que interessa a eles¨, e não simplesmente: Eu não sei como eles respondem ao que interessa a mim¨ […] O que a segunda concepção de Antropologia coloca em relação são problemas diferentes, não um problema único e suas diferentes soluções¨[8].  Imagine – e agora sou eu provocando – se este modo de proceder se alastrasse pelas Ciências Humanas, se no seio delas este ¨não saber propriamente transcendental¨ ganhasse um lugar de honra. Um sociólogo dirigir-se-ia a uma favela sem saber, muito ignorante a respeito de quem são os favelados e o que querem. E um psicanalista também: de fato escutaria os seus pacientes a partir desse não saber transcendental, dessa ignorância constitutiva. A fala do analisando deixaria de ser uma maneira de preencher conceitos postos de antemão. Provavelmente haveria escuta!

Em seguida, o prof. Viveiros de Castro discute o ¨pensamento ameríndio¨ e o perspectivismo. Convido meus leitores a ler a conferência completa na Revista da Sociedade.

Agora quero voltar aos comentários dos psicanalistas a respeito da conferência do Prof. Viveiros de Castro e claro farei isso com uma pergunta provocativa para os meus leitores: o que os  psicanalistas escutam, eles que representam a ¨ciência da escuta¨? Ou será que o emudecimento deles, o esvaziamento de suas falas, a ligeireza de suas proposições não estão exatamente relacionadas com as críticas que Viveiros de Castro faz à Antropologia Clássica e com ela a todas as  Ciências Humanas?

1) Psicanálise e Tempo; Psicanálise e epistemologia, hoje;

É esse o título dado por um dos psicanalistas aos seus comentários a respeito da conferência do Prof. Eduardo Viveiros de Castro.

A tendência do primeiro comentador é manter-se aferroado àantropologia clássica: parece que a idéia do ¨nós¨e dos ¨outros¨ lhe é mais acessível. Parece mesmo encantado com a diferença: como se comunicar  por meio de uma diferença e o que nos distingue dos outros. Transcrevo dois pequenos trechos para que os meus leitores tenham acesso ao trauma que a leitura me proporcionou: ¨ ´Nós´ faz referência ao sujeito do discurso, não há dúvida, que, narcisicamente, coloca tudo aquilo que não é ´nós´como sendo diferente. Convenhamos que não é tarefa fácil compreender o diferente, visto que jamais poderíamos saber como o diferente se sente, do contrário seríamos o próprio diferente e a questão permaneceria a mesma, invertida apenas¨. E ainda: ¨O pensamento do prof. Viveiros convida-nos a questionar e, dentro do possível, abrir mão de nossos entraves narcísicos, ou ao menos do que for possível abrir mão nesses entraves, o que é necessário para que a humildade possa surgir e com ela o espaço para sentir e pensar livremente¨[9].  E continua: ¨Haveria algo próprio do ser humano?  O que nos distinguiria do restante da criação? – questiona o professor, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de descartarmos essa questão para podermos seguir adiante, sem desconsiderarmos nossa essência, mas também sem hipocrisias narcisistas. E sem hipocrisias a fronteira se faz delgada, frágil, tênue, seja do ponto de vista dos estudos sobre o genoma, seja a partir da própria observação despreconceitualizada¨[10] e em seguida o psicanalista dá muitos exemplos de chipanzés e de macacos prego – tudo isso, claro, para a minha surpresa!

O  psicanalista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise poderia defender a antropologia clássica contra a antropologia contemporânea trazida para a discussão pelo prof. Viveiros de Castro, com certeza era um direito seu, mas era preciso que ele primeiro compreendesse a discussão, ou melhor era preciso que ele tivesse uma capacidade de escuta sustentada, talvez, na ¨ignorância constitutiva¨ proposta por Viveiros de Castro. Além de traumatizada desenvolvi uma fantasia algo persecutória durante a leitura: e se eu estivesse naquele divã, aí meu Deus do céu, o que aconteceria?!

Vou fechando não sem antes passar por algumas questões levantadas pelo psicanalista que explicitam uma  escuta algo saturada: …¨Esta complexidade relaciona-se ao que o prof. Viveiros chama de homo duplex, ou seja, temos um corpo biológico, fruto da criação e com a qual nos misturamos, mas temos ainda uma alma cultural produzida por este corpo e que se desenvolve e se define por uma certa e razoável falta. Lembrando que a certa e razoável falta precisa ser suportada para que o desenvolvimento se dê também de maneira minimamente razoável e para que as diferenças não sejam extintas¨[…] ¨Mudando a perspectiva, o prof. Viveiros nos traz ainda a visão indígena de  mundo, em um universo encantado, animado, fantasmático, onde tudo é gente, mais próximo do que conhecemos como Princípio do Prazer e menos mutantes do que nós, civilizados, quer dizer, mais criaturas da natureza e menos homo duplexNão sei se isso os torna menos complexos, mas, segundo o palestrante, é um mundo mais perigoso¨…[11]

Como já disse, parece que falta a esse psicanalista aquele ¨não saber propriamente transcedental¨, aquela ¨ignorância constitutiva¨ proposta por Viveiros de Castro! Revelar-se-iam condições para percepções novas, condições para uma escuta não saturada  trazendo à tona novas possibilidades de compreensão e não a sobreposição do muito velho: o ¨preenchimento conceitual¨ a que antes se referia o antropólogo.

2) Antropologia ataca o narcisismo

O segundo comentador se saiu muito melhor. Além de psicanalista, ele  é também antropólogo, e, então, com certeza, a discussão proposta por Viveiros de Castro lhe é mais familiar. Ele é inteligente, o segundo comentador,  e tenta aproximar rapidamente  a antropologia da psicanálise e, todavia, não se aventura a discutir a proposta de Viveiros de Castro, pois este fez uma crítica interna ao modo da antropologia clássica proceder. Ao comentador caberia acompanhar o movimento de desconstrução da própria antropologia e só então aproximar – se fosse o caso – as duas disciplinas – antropologia e psicanálise –  que sabidamente resistem ao diálogo. Cito dois trechos que deixam claro, ao meu ver, como, evitando a discussão central proposta por Viveiros de Castro, ele aproxima a antropologia da psicanálise: ¨Pressuposto básico: adotamos, nós, psicanalistas, e eles, antropólogos, pronomes pessoais de epistemologias diversas. No exercício da Psicanálise, como é notório, o campo de interesse é  o ¨eu¨ individual, o inconsciente dinâmico e as relações vinculares, incluindo, aí, uma ¨ferramenta¨ essencial para a abordagem: outro ser humano que, autorizado, dará diferentes e novas versões sobre nós mesmos. Os antropólogos, por seu lado, tratam do ¨nós¨, seres humanos agrupados em sociedade, em todas as suas múltiplas dimensões. Entretanto, fato comum às técnicas, nas duas disciplinas, é o escrutínio das diferenças como único caminho para a compreensão e desenvolvimento. Trocando em miúdos: para nos compreendermos – seres humanos, individualmente, ou em grupo, – necessitamos de um ¨outro¨ ( outro ser humano ou outro agrupamento humano); além disso – dura realidade! – este ¨outro¨ será sempre um estranho¨[12]

Cito ainda, antes de concluir, um outro trecho do comentador; nele, o autor interpreta o que seria a antropologia contemporânea: ¨Relendo algumas vezes a transcrição da palestra do Eduardo, entendo que a idéia central do texto, que se encaixaria no âmbito da filosofia da etnologia, seja propor um novo viés de observação antropológica, de um ângulo de observação ¨invertido-revertido¨, ou seja, a partir do objeto observado, e pelo avesso. Uma maneira de olhar menos investida de ¨amor próprio¨- se é que podemos assim falar -, visando reduzir as influências do observador autorreferente. Essa inversão-reversão de perspectiva teria uma equivalência metafórica com a álgebra elementar, no mesmo sentido que a expressão { -1/x}. Em psicanálise, o recurso da análise pessoal do analista ( componente do tripé essencial) contribui, sobremaneira, para a diminuição das interferências pessoais do observador sobre o que é observado¨[13].

E, então, o comentador pergunta: ¨E, em relação a nós, psicanalistas, que tipo de interesse a palestra do Eduardo poderia ter? Uma muito boa pergunta, e, todavia, a resposta está bem longe de enfrentar o problema proposto por Viveiros de Castro: …¨Na minha maneira de ver, reafirmar a importância das descobertas freudianas (narcisismo, inconsciente, transferência, etc) adaptados a outros campos de saber, num exercício de Psicanálise Aplicada¨[14].

Com certeza este divã seria, ele também, bem pouco acolhedor para mim. Uma das coisas simples que aprendi ao longo da minha já longa vida é que é um prazer, um deleite enunciar uma pergunta e sentir que o meu interlocutor pode acolhê-la, compreendê-la, às vezes não respondê-la, mas sentir que a comunicação se deu. Se isto não acontece, e não acontece repetidamente, a folie a deux rapidamente se instala.

Sinto-me agora convidada a fazer um casamento mais feliz entre a Psicanálise e o anti-humanismo. Voltarei pois a esta discussão.


[1] Volume 44, número 4, 15-26 – 2010, intitulada ¨Alteridade¨.

[2] Idem, ibidem, p. 17.

[3] Idem, ibidem, p. 16.

[4] Idem, ibidem, p. 17.

[5] Idem, ibidem, p. 18.

[6] Idem, ibidem, p. 18.

[7] Idem, ibidem, p. 18.

[8] Idem, ibidem, p. 18.

[9] Idem, ibidem, p. 27.

[10] Idem, ibidem, p. 28.

[11] Idem, ibidem, p. 29

[12] Idem, ibidem, p. 32.

[13] Idem, ibidem, p. 33.

[14] Idem, ibidem, p. 33.

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