Por Daniela, 18 fev 2026, 14h00. Coluna Lu Lacerda.

Na última noite do Grupo Especial, nessa terça (17/02), foram 800 atendimentos médicos nos seis postos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) instalados no Sambódromo. Desses, mais de 300 foram causados pelo calor. E olha que os termômetros marcavam “apenas” 28°C na região da Apoteose – mas imaginem usando uma fantasia de 20 kg, plumas, paetês, luz de refletores e muito calor humano misturado ao álcool?
Entre as principais ocorrências, além da turma derretida, estão a descompensação de doenças crônicas, picos de pressão, mal-estar e fadiga por esforço, dor de cabeça, cortes, entorses, lesões ortopédicas, contusões e intoxicação por consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
No balanço geral de todos os dias de desfile, foram 2.843 atendimentos. Destes, 167 precisaram ser encaminhados para hospitais da rede. Durante a passagem de algumas escolas, foi possível ver o resgate de integrantes na pista e de foliões nas frisas e arquibancadas.
Fevereiro no Rio é mistura de loteria climática com teste de sobrevivência, a cidade já viveu carnaval debaixo d’água e sob calor escaldante. Segundo pesquisas sobre aquecimento global, não há Fundação Cacique Cobra Coral que resolva contrato com o clima em definitivo. Num futuro não muito distante, o carnaval vai precisar mudar o calendário?
O biólogo Mario Moscatelli diz: “A conta climática é imprevisível, e estamos longe de entender perfeitamente como o sistema funciona. O Rio não consegue resolver nem os velhos problemas estruturais, quanto mais se preparar para os novos. Ondas de calor estão cada vez mais frequentes, enchentes seguem devastadoras, e a perda de biodiversidade — apontada por especialistas como a sexta extinção em massa — já é uma realidade”.
Ele lembra ainda que ano de eleição também é ano de escolha: “A forma de mudar esse ecocídio global passa pelos votos de pessoas mais antenadas com a questão ambiental e menos com as páginas policiais relacionadas a superfaturamentos, desvios de verbas, criação de mais facilidades para as castas públicas e por aí vai. Quem não for 300% competente na gestão dessa nova realidade vai pagar um preço muito alto, tanto do ponto de vista de perdas materiais, como humanas e ambientais. Acabou a fase da improvisação”.