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Funcionários da Sabesp marcam greve geral (Conta D’Água)

11 de março de 2015

Trabalhadores contestam as demissões que estão ocorrendo na empresa e vão parar as atividades no dia 19 de março. “Os trabalhadores e a população não podem ser penalizados enquanto a Sabesp quer agradar e atender a demanda dos acionistas”, diz presidente do Sintaema

Por SpressoSP

Os funcionários da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) convocaram, na noite de ontem (10), greve geral a partir do dia 19 de março, por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia no Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema).

Foto: Sintame. Em assembléia, centenas de trabalhadores da Sabesp aprovaram greve a partir do dia 19 de março.

O sindicato exige a readmissão dos 400 funcionários pensados pela companhia somente neste ano. “A Sabesp já demitiu 400 e pretende chegar aos 600, não podemos admitir isso. Os trabalhadores são essenciais em todas as situações, e principalmente em um momento como este de crise hídrica”, disse o presidente do Sintaema, Rene Vicente, durante o encontro.

“Somos totalmente contra qualquer demissão. Os trabalhadores e a população não podem ser penalizados enquanto a Sabesp quer agradar e atender a demanda dos acionistas”, concluiu.

Na última semana, a Sabesp iniciou um plano de reestruturação em seu quadro pessoal. De acordo com o Sintaema, 300 dispensas já haviam sido homologadas em todo o estado, sendo 70% na área operacional da empresa.

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De dez candidatos que passam nos concursos para a UFRJ, seis abandonam o emprego (O Globo)

Antigo sonho de carreira dos brasileiros tem um dos piores salários do serviço público federal

ELENILCE BOTTARI

Publicado:26/05/12 – 22h42; Atualizado:26/05/12 – 23h58

RIO – Maior celeiro de cientistas do país — com mais de 120 laboratórios nas mais diversas áreas do conhecimento — e um movimento diário de cerca de cem mil pessoas, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vive hoje um perigoso processo de esvaziamento de seus quadros permanentes: a cada dez candidatos que passam nos concursos que a instituição promove para preencher postos técnico-administrativos, seis desistem do emprego antes ou pouco depois de ser empossados. O que já foi o sonho de carreira de muitos brasileiros é hoje um dos piores salários, se não o pior, do serviço público da federação.

Não bastasse a fuga de seus profissionais, até mesmo o prédio do Centro de Ciências da Saúde (CCS), no campus do Fundão — um dos lugares mais importantes para o desenvolvimento da medicina no país —, vive hoje sob os escombros de décadas de falta de investimentos. Rachaduras, infiltrações, piques de luz e até um início de incêndio, ocorrido no início de dezembro no Centro Acadêmico, deram ao CCS o cruel apelido de “maior favela de cientistas do mundo”.

— A situação é realmente antagônica. Ao mesmo tempo em que a estrutura é muito precária, ali é um celeiro de ideias e de inovações científicas — avalia o reitor da UFRJ, professor Carlos Antônio Levi da Conceição.

Já o Hospital Universitário Clementino Fraga teve parte de sua estrutura interditada por risco de desabamento.

Problema também atinge quadro de docentes

Segundo o reitor, a evasão de servidores atinge todas as instituições federais de ensino superior. No entanto, é mais grave na UFRJ.

— Os problemas aqui são agudos, com diversos níveis de repercussão — diz, acrescentando que as dificuldades são fruto de mais de dez anos sem concursos. — A década de 90 foi trágica para a UFRJ. Estamos pagando a conta de dois processos de degradação: dos recursos humanos e das instalações físicas.

Segundo o pró-reitor de Recursos Humanos da universidade, Roberto Gambine, só no último concurso, de 800 aprovados, 300 desistiram do emprego ainda antes do final do treinamento e outros 180 sequer se apresentaram. A UFRJ também está tendo dificuldades para conseguir docentes para determinados setores, como é o caso da Faculdade de Medicina de Macaé. Na contramão do problema, a instituição está em pleno processo de expansão de sua capacidade de ensino, que saltou de seis mil alunos por ano, em 2007, para dez mil, em 2012.

— Se não forem feitas mudanças urgentes, a situação ainda pode piorar, porque, com a perspectiva de mudanças no sistema de previdência do serviço público, também aumentou a procura pela aposentadoria por tempo de serviço — alertou Gambine.

Em 2011, foram apresentados 80 pedidos de aposentadoria. Este ano, até abril, já foram 60.

Segundo o pró-reitor, salários pouco competitivos e a falta de um plano de carreira são os principais entraves para a regularização da situação. Ele explicou que as cinco categorias de servidores técnico-administrativos das instituições federais de ensino superior têm salários básicos entre R$ 1.820 e R$ 2.980 (para técnicos de nível superior).

— Ao final de 30 anos de carreira e cursos de aperfeiçoamento, eles receberão no máximo R$ 5.650. Os profissionais, principalmente os jovens, só ficam até ser aprovados em outros concursos. Não conseguimos mantê-los — diz Gambine.

Ele conta que, até 2008, a situação era ainda pior, devido à dificuldade de se fazer concursos nas instituições federais de ensino superior. Essas seleções dependiam de autorização do Ministério do Planejamento. Mas a criação de programas de reposição automática de vagas abertas por aposentadoria, demissão ou morte garantiu a essas instituições autonomia para contratar. A necessidade agora é de criar instrumentos para garantir a permanência dos quadros.

— Para se ter uma ideia, no concurso para a contratação de um engenheiro para os projetos que estamos realizando, houve apenas um inscrito. Se ele desistir, teremos que fazer um novo concurso — diz o pró-reitor.

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