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Lawmakers aim to restrict US agency’s social-science programmes (Nature)

11 Mar 2014 | 20:53 GMT | Posted by Lauren Morello

Posted on behalf of Jessica Morrison. 

Conservative politicians in the US House of Representatives are renewing their push to limit the National Science Foundation’s (NSF) support for social-science research. The agency’s social, behavioural, and economic (SBE) sciences directorate would see its recommended funding cut by 42%, under a proposal introduced on 10 March by Representative Lamar Smith (Republican, Texas), the chairman of the House Science, Space, and Technology Committee.

The legislation, which would reauthorize NSF for fiscal years 2014‒15, also seeks major changes to the peer-review process by which the agency awards its grants. Smith’s plan would require the NSF to provide written justification that every grant it awards — in all fields — is in the “national interest”. That is defined broadly as research that satisfies at least one of six goals: economic competitiveness, health and welfare, scientific literacy, partnerships between academia and industry, promotion of scientific progress and national defence.

Details of Smith’s plan first surfaced about a year ago, sparking fierce criticism from social scientists and the broader US research community that seems sure to renew with the release of the new bill. Smith and his supporters argue that in a time of limited budgets, focusing on research areas that produce the clearest benefits is wise. But critics worry that the “national interest” requirement will hobble NSF’s time-tested peer review process.

“We don’t build rockets. We don’t usually have patentable goods,” says Rick Wilson, a political scientist at Rice University in Houston, Texas, and a former NSF programme director. “For a lot of these folks, it may just be that they really don’t believe that what we do has scientific merit.”

The bill recommends a budget of $7.17 billion for NSF in 2014, the current fiscal year — equal to what the agency actually received in the budget deal enacted in January — and $7.29 billion for 2015. In an unusual move, the proposal also lays out a detailed plan for distributing that cash to NSF’s seven research directorates. For example, it seeks to cap SBE funding at $150 million per year in 2014 and 2015, well below the directorate’s actual 2014 budget of $257 million.

“I don’t understand the antagonism toward the social, behavioral, and economic sciences,” says Michael Lubell, director of public affairs for the American Physical Society in Washington DC.

Lubell also finds fault with provisos that would restrict principal investigators to no more than five years of funding for a particular project, and allow researchers to include just five citations in grant proposals.

The full text of the bill can be found here. It will receive a public airing on 13 March, when a House subcommittee plans to discuss and vote on the measure.

O reacionário está na moda (Geledés)

Quinta, 20 Fevereiro 2014

Não há veículo da grande imprensa que não tenha hoje um ou mais comentaristas dispostos a destilar o mais profundo catastrofismo, enquanto estimulam a ira e desprezam a dignidade humana em nome de uma hipotética Constituição de um único artigo: a liberdade de expressão absoluta

Marcelo Semer*

Não foi surpresa que logo após o comentário em que deu status de legítima defesa a justiceiros (relembre aqui), a jornalista Rachel Sheherazade tenha tido a oportunidade de escrever artigo no espaço mais nobre de um grande jornal.

Foi vociferando a altos brados, contra todas as formas de ‘esquerdismo’, sem sutilezas nem decoros, que Reinaldo Azevedo ganhou o status de colunista nesse mesmo diário.

Lobão foi guindado a uma revista semanal depois que minimizou a tortura dos anos de chumbo, desprezando quem se disse vítima por ter tido “umas unhazinhas arrancadas”.

Diogo Mainardi pulou da revista para a TV a cabo, apelidando semanalmente o presidente de anta.

Até humoristas que se orgulham de ser politicamente incorretos, sobretudo com o mais vulnerável, vêm emplacando programas próprios na telinha.

Se alguém ainda tinha dúvidas, elas estão sendo dissipadas: o reacionário está definitivamente na moda.

Não há veículo da grande imprensa que não tenha hoje um ou mais comentaristas dispostos a tirar o espectador da ‘zona de conforto’, e destilar o mais profundo catastrofismo, enquanto estimulam a ira e desprezam a dignidade humana em nome de uma hipotética Constituição de um único artigo: a liberdade de expressão absoluta.

Tamanha reação do conservadorismo extremo, pelos novos ícones da classe média, poderia indicar que, de alguma forma, o país anda no caminho certo.

Nenhuma redução de desigualdade, seja ela econômica, social, racial, de gênero ou orientação sexual, passa incólume à reação. Tradição e privilégios jamais se rendem sem resistência.

Mas há dois componentes neste jogo que complicam a equação e nos aproximam da intolerância.

Primeiro, o fato de que o catastrofismo sem limites, o derrotismo por princípio e o esforço de detonar o Estado de todas as formas e sob todas as forças, produz uma inequívoca sensação de que estamos sempre à beira do abismo. Mesmo quando evoluímos.

A estabilidade política é desprezada, sufocada pela ideia que resume toda política em corrupção –mas que, inexplicavelmente, considera o corruptor apenas uma vítima do sistema que patrocina.

Todo mal reside nos políticos, nos partidos, enfim no Estado –nunca no mercado ou nos mercadores.

A maior autonomia dos órgãos de investigação e a independência dos operadores do direito, somadas ao fim da censura, têm ligação direta com esse mal-estar da liberdade: a democracia não é pior porque produz mais monstros, apenas mais incômoda porque é impossível escondê-los.

O derrotismo desproporcional, que remete toda e qualquer política à vala comum, acaba por conferir a violência foros de alternativa.

A criminalização da política é, assim, uma poderosa vitamina da intolerância. E seus responsáveis são justamente aqueles que mais bradam contra a violência que ao mesmo tempo estimulam.

reacionario

Mas não é só.

A política também tem perdido seu prestígio por estar sendo sepultada pelo fator eleitoral.

O pragmatismo sem freios destroça ideologias, pensamentos e valores e é um consistente obstáculo ao avanço civilizatório. Quando o poder é mais relevante que a política, os fins sempre servem para justificar meios.

A rendição à pauta religiosa, de governos e oposições, é um sintomático reflexo desse excesso de pragmatismo que comprime o espaço republicano.

A submissão rala à pauta punitiva, que ameaça inserir o país na lógica de um Estado policial, é outro indício. Como o instrumento penal é sempre seletivo, mais repressão significará mais desigualdade.

Esvaziar a política nunca é uma tarefa prudente, menos ainda quando o canto da sereia do reacionarismo está cada vez mais afinado.

Há 50 anos, nossa democracia foi estuprada por militares que deram um golpe, civis que o financiaram e reacionários que o justificaram, inclusive e fortemente na imprensa.

Que a efeméride, ao menos, nos mantenha vigilantes.

*Marcelo Semer é juiz de direito, escritor e edita o blog sem juízo

Sobre o caso Mr. Rodoviária

 Aeroporto ou rodoviária? (O Estado de S.Paulo)

10 de fevereiro de 2014 | 2h 05

José Roberto de Toledo

Uma professora-doutora da universidade da elite do Rio de Janeiro fotografa homem de bermuda e camiseta regata que vislumbrou no Santos-Dumont, e estampa-o no Facebook, sob a indagação: “Aeroporto ou rodoviária?”. Nos comentários, compara seus trajes ao de um estivador e arremata: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado. Ufa!”.

Outros integrantes da primeira classe acadêmica carioca se solidarizam nos comentários. “Esse tipo de passageiro fica roçando o braço peludo no seu porque não respeita os limites do assento.” “O glamour de voar definitivamente se foi.” “Isso é só uma amostra do que tenho visto pelo Brasil.” Sem perceber a autoironia, outra escreve: “O bom senso ficou em casa”.

João Santana não poderia sonhar com melhor roteiro de propaganda eleitoral gratuita e espontânea nas redes sociais. A máquina petista sacou a oportunidade e bombou a história através do perfil “Dilma Bolada”, no Twitter. Epidemia instantânea na rede.

Em 24 horas, a longeva carreira acadêmica da professora-doutora especializada em “português como segunda língua” estava relegada à décima página de resultados da busca pelo seu nome no Google. A primeira centena de links leva à história do Mr. Rodoviária – que se identificou e fala em processo. Mínima parte cita o envergonhado pedido de desculpas da professora-doutora.

O episódio é fascinante sob qualquer ângulo que se queira olhar. O mais óbvio é o efeito Big Brother. A sensação que o internauta tem de penetrar um círculo fechado e descobrir o que as pessoas realmente pensam e são capazes de dizer quando se acham dispensadas do politicamente correto e da mínima cortesia.

Soa exagerado de tão cru. Se fosse cena de novela, seria forçada demais e perderia credibilidade. Mas, como os personagens têm nome, cargo e página no Facebook, o exagero vira revelação: “Ah, é isso que eles acham”. Cai-se no estereótipo oposto. Se o emergente parece estivador, é peludo e ultrapassa os limites, a elite é demofóbica, cruel e segregacionista – sem exceções.

Talvez alguns dos personagens tenham escrito o que escreveram por pressão social, por vontade de ser aceito no grupo, de pertencer. Afinal, se o reitor e a doutora estão dizendo, essa só pode ser a norma, “a coisa certa” a fazer. É outro aspecto surreal da história: supostos guardiões da alta cultura disseminam e endossam preconceitos que deveriam combater.

Destila ainda do episódio uma ingênua nostalgia. A crença numa fantasia comercial. “Glamour de voar?”. Um voo de carreira é das experiências mais desagradáveis que há: fila de check-in, fila para despachar bagagem, fila para passar no raio X, fila para embarcar, para pegar a mala. Horas confinado em espaço apertado, respirando ar seco e, quando há, comendo comida requentada.

O tal glamour só existiu nas propagandas e nos filmes destinados a convencer o público de que pagar caro por horas de tormento é um privilégio. Poderia a elite intelectual sentir falta de algo que jamais existiu? Ou a nostalgia é uma metáfora? Será saudade de quando as divisões sociais eram claras, os espaços públicos eram exclusivos e as distâncias entre classes, intransponíveis?

Uma parte importante da sociedade brasileira incomoda-se com a novidade de um mercado de massa que nivelou o jogo via acesso quase universal ao consumo. Os incomodados não são os super-ricos, que continuam inalcançáveis. A aproximação dos que vêm de trás perturba quem já estava no meio e se sente igualado ou até superado por quem chegou agora e já quer sentar na janelinha.

Raras vezes esse conflito apareceu tão explícito quanto no caso da professora-doutora e seu Mr. Rodoviária. Mas a raridade tende a desaparecer mais rápido do que o glamour de voar. Como o mesmo episódio demonstrou, expor contradições e explorar divisões dá voto. Rodoviária e aeroporto viraram cabos eleitorais.

*   *   *

‘O empregado tem carro e anda de avião. Estudei pra quê?’ (Carta Capital)

Se você, a exemplo dos professores que debocharam de passageiro “mal-vestido” no aeroporto, já se fez esta pergunta, parabéns: você não aprendeu nada

por Matheus Pichonelli — publicado 07/02/2014 13:20, última modificação 10/02/2014 11:01

Preconceito

Professora universitária faz galhofa diante do rapaz que foi ao aeroporto sem roupa de gala. É o símbolo do país que vê a educação como fator de distinção, e não de transformação. Reprodução

O condômino é, antes de tudo, um especialista no tempo. Quando se encontra com seus pares, desanda a falar do calor, da seca, da chuva, do ano que passou voando e da semana que parece não ter fim. À primeira vista, é um sujeito civilizado e cordato em sua batalha contra os segundos insuportáveis de uma viagem sem assunto no elevador. Mas tente levantar qualquer questão que não seja a temperatura e você entende o que moveu todas as guerras de todas as sociedades em todos os períodos históricos. Experimente. Reúna dois ou mais condôminos diante de uma mesma questão e faça o teste. Pode ser sobre um vazamento. Uma goteira. Uma reforma inesperada. Uma festa. E sua reunião de condomínio será a prova de que a humanidade não deu certo.

Dia desses, um amigo voltou desolado de uma reunião do gênero e resolveu desabafar no Facebook: “Ontem, na assembleia de condomínio, tinha gente ‘revoltada’ porque a lavadeira comprou um carro. ‘Ganha muito’ e ‘pra quê eu fiz faculdade’ foram alguns dos comentários. Um dos condôminos queria proibir que ela estacionasse o carro dentro do prédio, mesmo informado que a funcionária paga aluguel da vaga a um dos proprietários”.

Mais à frente, ele contava como a moça havia se transformado na peça central de um esforço fiscal. Seu carro-ostentação era a prova de que havia margem para cortar custos pela folha de pagamento, a começar por seu emprego. A ideia era baratear a taxa de condomínio em 20 reais por apartamento.

Sem que se perceba, reuniões como esta dizem mais sobre nossa tragédia humana do que se imagina. A do Brasil é enraizada, incolor e ofuscada por um senso comum segundo o qual tudo o que acontece de ruim no mundo está em Brasília, em seus políticos, em seus acordos e seus arranjos. Sentados neste discurso, de que a fonte do mal é sempre a figura distante, quase desmaterializada, reproduzimos uma indigência humana e moral da qual fazemos parte e nem nos damos conta.

Dias atrás, outro amigo, nascido na Colômbia, me contava um fato que lhe chamava a atenção ao chegar ao Brasil. Aqui, dizia ele, as pessoas fazem festa pelo fato de entrarem em uma faculdade. O que seria o começo da caminhada, em condições normais de pressão e temperatura, é tratado muitas vezes como fim da linha pela cultura local da distinção. O ritual de passagem, da festa dos bixos aos carros presenteados como prêmios aos filhos campeões, há uma mensagem quase cifrada: “você conseguiu: venceu a corrida principal, o funil social chamado vestibular, e não tem mais nada a provar para ninguém. Pode morrer em paz”.

Não importa se, muitas e tantas vezes, o curso é ruim. Se o professor é picareta. Se não há critério pedagógico. Se não é preciso ler duas linhas de texto para passar na prova. Ou se a prova é mera formalidade.

O sujeito tem motivos para comemorar quando entra em uma faculdade no Brasil porque, com um diploma debaixo do braço, passará automaticamente a pertencer a uma casta superior. Uma casta com privilégios inclusive se for preso. Por isso comemora, mesmo que saia do curso com a mesma bagagem que entrou e com a mesma condição que nasceu, a de indigente intelectual, insensível socialmente, sem uma visão minimamente crítica ou sofisticada sobre a sua realidade e seus conflitos. É por isso que existe tanto babeta com ensino superior e especialização. Tanto médico que não sabe operar. Tanto advogado que não sabe escrever. Tanto psicólogo que não conhece Freud. Tanto jornalista que não lê jornal.

Função social? Vocação? Autoconhecimento? Extensão? Responsabilidade sobre o meio? Conta outra. Com raras e honrosas exceções, o ensino superior no Brasil cumpre uma função social invisível: garantir um selo de distinção.

Por isso comemora-se também à saída da faculdade. Já vi, por exemplo, coordenador de curso gritar, em dia de formatura, como líder de torcida em dia de jogo: “vocês, formandos, são privilegiados. Venceram na vida. Fazem parte de uma parcela minoritária e privilegiada da população”; em tempo: a formatura de um curso de odontologia, e ninguém ali sequer levantou a possibilidade de que a batalha só seria vencida quando deixássemos de ser um país em que ter dente é, por si, um privilégio.

Por trás desse discurso está uma lógica perversa de dominação. Uma lógica que permite colocar os trabalhadores braçais em seu devido lugar. Por aqui, não nos satisfazemos em contratar serviços que não queremos fazer, como lavar, passar, enxugar o chão, lavar a privada, pintar as unhas ou trocar a fralda e dar banho em nossos filhos: aproveitamos até a última ponta o gosto de dizer “estou te pagando e enquanto estou pagando eu mando e você obedece”. Para que chamar a atenção do garçom com discrição se eu posso fazer um escarcéu se pedi batata-fria e ele me entregou mandioca? Ao lembrá-lo de que é ele quem serve, me lembro, e lembro a todos, que estudei e trabalhei para sentar em uma mesa de restaurante e, portanto, MEREÇO ser servido. Não é só uma prestação de serviço: é um teatro sobre posições de domínio. Pobre o país cujo diploma serve, na maioria dos casos, para corroborar estas posições.

Por isso o discurso ouvido por meu amigo em seu condomínio é ainda uma praga: a praga da ignorância instruída. Por isso as pessoas se incomodam quando a lavadeira, ou o porteiro, ou o garçom, “invade” espaços antes cativos. Como uma vaga na garagem de prédio. Ou a universidade. Ou os aeroportos.

Neste caldo cultural, nada pode ser mais sintomático da nossa falência do que o episódio da professora que postou fotos de um “popular” no saguão do aeroporto e lançou no Facebook: “Viramos uma rodoviária? Cadê o glamour?”. (Sim, porque voar, no Brasil, também é, ou era, mais do que se deslocar ao ar de um local a outro: é lembrar os que rastejam por rodovias quem pode e quem não pode pagar para andar de avião).

Esses exemplos mostram que, por aqui, pobre pode até ocupar espaços cativos da elite (não sem nossos protestos), mas nosso diploma e nosso senso de distinção nos autorizam a galhofa: “lembre-se, você não é um de nós”. Triste que este discurso tenha sido absorvido por quem deveria ter como missão a detonação, pela base e pela educação, dos resquícios de uma tragédia histórica construída com o caldo da ignorância, do privilégio e da exclusão.
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Professora é afastada da PUC-Rio por ironizar passageiro (Estadão)

Por AE | Estadão Conteúdo – 23 horas atrás

A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio afastou “temporariamente” da Coordenação Central de Cooperação Internacional (CCCI) da instituição nesta segunda-feira, 17, a professora Rosa Marina de Brito Meyer, do Departamento de Letras. O motivo do afastamento foi um comentário feito pela professora em seu perfil no Facebook sobre a aparência de um passageiro no Aeroporto Santos Dumont. Considerada preconceituosa, a postagem gerou milhares de críticas e compartilhamentos.

No dia 5, Rosa publicou na rede social uma foto tirada com seu Iphone de um passageiro na sala de embarque do Santos Dumont, no centro do Rio, acompanhada de um comentário: “Aeroporto ou rodoviária?” Na foto, aparece em destaque um homem sentado de bermuda, tênis e camiseta regata. Amigo de Rosa, o reitor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), Luiz Pedro Jutuca, comenta: “O `glamour’ foi pro espaço.” Rosa responde: “Puxa, mas para glamour falta muuuitooo!!! Isso está mais para estiva.” Em seguida, ela comenta de novo: “O pior é que Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado!” A também professora Daniela Vargas complementa: “hehe. E sabe o pior? Quando esse tipo de passageiro senta exatamente a seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque – claro – não respeita (ou não cabe) nos limites do seu assento.”

MEDIDAS LEGAIS – Com a repercussão do caso – no dia 6, o perfil Dilma Bolada divulgou uma reprodução das postagens -, o homem da foto foi identificado: é o advogado Marcelo Santos, de 33 anos, morador de Nova Serrana (MG), que estava de passagem pelo Rio, após ter participado de um cruzeiro. “A primeira reação foi de espanto, por achar inacreditável aquele tratamento ter vindo de pessoas ligadas à educação. Me senti vilipendiado e agredido. A conotação que quiseram dar foi esta. Vou tomar medidas legais contra todos os envolvidos”, afirmou ontem ao Estado o advogado.

No mesmo dia 6, Rosa publicou um pedido de desculpas: “Sabedora do desconforto que posso ter criado com um post meu publicado ontem à noite, peço desculpas à pessoa retratada e a todos os que porventura tenham se sentido atingidos ou ofendidos pelo meu comentário. Absolutamente não foi essa a minha intenção.” Ontem, ela não foi localizada. Daniela pediu desculpas pelo “comentário infeliz” em entrevista ao jornal O Globo, acrescentando que não tinha a intenção de ofender ninguém. O reitor da Unirio alegou que se referia ao estado dos aeroportos de maneira geral, mas também pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.

Santos também disse ter ficado satisfeito com a repercussão positiva do caso e com as mensagens de apoio que recebeu. “Avião é simplesmente um meio de transporte. Aliás, muitas vezes é mais barato do que andar de ônibus.” O reitor da PUC-Rio, Josafá Carlos de Siqueira, que assina a portaria enviada ontem aos funcionários, informou que não daria entrevista por se tratar de uma “atitude pessoal” da professora. A PUC negou que Rosa Marina tenha pedido demissão. O professor Carlos Frederico Borges Palmeira, do departamento de Matemática, foi nomeado coordenador interino da CCCI. A coordenação é responsável pelos convênios que possibilitam, além do intercâmbio de estudantes, permuta de publicações científicas, realização de pesquisas conjuntas e intercâmbio de professores e pesquisadores.

Procurado, o Departamento de Letras não se pronunciou. No site da universidade, Rosa aparece como professora de quatro cursos, entre eles o de Aspectos Culturais do Português como Segunda Língua. Ela já orientou mais de 50 pesquisas, teses de doutorado e dissertações de mestrado. Rosa tem mestrado e doutorado em Letras pela PUC-Rio. Uma página criada no Facebook com o nome da professora para criticá-la tinha até ontem 27 mil “curtidas”.

Conservative Koch Brothers Turning Focus to Newspapers (N.Y.Times)

Tannen Maury/European Pressphoto Agency. Tribune’s newspapers, including The Chicago Tribune, have caught the interest of a number of suitors.

By AMY CHOZICK

Published: April 20, 2013

Three years ago, Charles and David Koch, the billionaire industrialists and supporters of libertarian causes, held a seminar of like-minded, wealthy political donors at the St. Regis Resort in Aspen, Colo. They laid out a three-pronged, 10-year strategy to shift the country toward a smaller government with less regulation and taxes.

Kevork Djansezian/Getty Images. The Los Angeles Times is the fourth-largest paper in the country.

The first two pieces of the strategy — educating grass-roots activists and influencing politics — were not surprising, given the money they have given to policy institutes and political action groups. But the third one was: media.

Other than financing a few fringe libertarian publications, the Kochs have mostly avoided media investments. Now, Koch Industries, the sprawling private company of whichCharles G. Koch serves as chairman and chief executive, is exploring a bid to buy the Tribune Company’s eight regional newspapers, including The Los Angeles Times, The Chicago Tribune, The Baltimore Sun, The Orlando Sentinel and The Hartford Courant.

By early May, the Tribune Company is expected to send financial data to serious suitors in what will be among the largest sales of newspapers by circulation in the country. Koch Industries is among those interested, said several people with direct knowledge of the sale who spoke on the condition they not be named. Tribune emerged from bankruptcy on Dec. 31 and has hired JPMorgan Chase and Evercore Partners to sell its print properties.

The papers, valued at roughly $623 million, would be a financially diminutive deal for Koch Industries, the energy and manufacturing conglomerate based in Wichita, Kan., with annual revenue of about $115 billion.

Politically, however, the papers could serve as a broader platform for the Kochs’ laissez-faire ideas. The Los Angeles Times is the fourth-largest paper in the country, and The Tribune is No. 9, and others are in several battleground states, including two of the largest newspapers in Florida, The Orlando Sentinel and The Sun Sentinel in Fort Lauderdale. A deal could include Hoy, the second-largest Spanish-language daily newspaper, which speaks to the pivotal Hispanic demographic.

One person who attended the Aspen seminar who spoke on the condition of anonymity described the strategy as follows: “It was never ‘How do we destroy the other side?’ ”

“It was ‘How do we make sure our voice is being heard?’ ”

Guests at the Aspen seminar included Philip F. Anschutz, the Republican oil mogul who owns the companies that publish The Washington Examiner, The Oklahoman and The Weekly Standard, and the hedge fund executive Paul E. Singer, who sits on the board of the political magazine Commentary. Attendees were asked not to discuss details about the seminar with the press.

A person who has attended other Koch Industries seminars, which have taken place since 2003, says Charles and David Koch have never said they want to take over newspapers or other large media outlets, but they often say “they see the conservative voice as not being well represented.” The Kochs plan to host another conference at the end of the month, in Palm Springs, Calif.

At this early stage, the thinking inside the Tribune Company, the people close to the deal said, is that Koch Industries could prove the most appealing buyer. Others interested, including a group of wealthy Los Angeles residents led by the billionaire Eli Broad and Ronald W. Burkle, both prominent Democratic donors, and Rupert Murdoch’s News Corporation, would prefer to buy only The Los Angeles Times.

The Tribune Company has signaled it prefers to sell all eight papers and their back-office operations as a bundle. (Tribune, a $7 billion media company that also owns 23 television stations, could also decide to keep the papers if they do not attract a high enough offer.)

Koch Industries is one of the largest sponsors of libertarian causes — including the financing of policy groups like the Cato Institute in Washington and the formation of Americans for Prosperity, the political action group that helped galvanize Tea Party organizations and their causes. The company has said it has no direct link to the Tea Party.

This month a Koch representative contacted Eddy W. Hartenstein, publisher and chief executive of The Los Angeles Times, to discuss a bid, according to a person briefed on the conversation who spoke on the condition of anonymity because the conversation was private. Mr. Hartenstein declined to comment.

Koch Industries recently brought on Angela Redding, a consultant based in Salt Lake City, to analyze the media environment and assess opportunities. Ms. Redding, who previously worked at the Charles G. Koch Charitable Foundation, did not respond to requests for comment.

“As an entrepreneurial company with 60,000 employees around the world, we are constantly exploring profitable opportunities in many industries and sectors. So, it is natural that our name would come up in connection with this rumor,” Melissa Cohlmia, a spokeswoman for Koch Companies Public Sector, said in a statement last month.

“We respect the independence of the journalistic institutions referenced in the news stories,” Ms. Cohlmia continued. “But it is our longstanding policy not to comment on deals or rumors of deals we may or may not be exploring.”

One person who has previously advised Koch Industries said the Tribune Company papers were considered an investment opportunity, and were viewed as entirely separate from Charles and David Kochs’ lifelong mission to shrink the size of government.

At least in politically liberal Los Angeles, a conservative paper could be tricky. David H. Koch, who lives in New York and serves as executive vice president of Koch Industries, has said he supports gay marriage and could align with many residents on some social issues, Reed Galen, a Republican consultant in Orange County, Calif., said.

Koch Industries’ main competitor for The Los Angeles Times is a group of mostly Democratic local residents. In the 2012 political cycle, Mr. Broad gave $477,800, either directly or through his foundation, to Democratic candidates and causes, according to the Center for Responsive Politics. Mr. Burkle has long championed labor unions. President Bill Clinton served as an adviser to Mr. Burkle’s money management firm, Yucaipa Companies, which in 2012 gave $107,500 to Democrats and related causes. The group also includes Austin Beutner, a Democratic candidate for mayor of Los Angeles, and an investment banker who co-founded Evercore Partners.

“This will be a bipartisan group,” Mr. Beutner said. “It’s not about ideology, it’s about a civic interest.” (The Los Angeles consortium is expected to also include Andrew Cherng, founder of the Panda Express Chinese restaurant chain and a Republican.)

“It’s a frightening scenario when a free press is actually a bought and paid-for press and it can happen on both sides,” said Ellen Miller, executive director of the Sunlight Foundation, a nonpartisan watchdog group.

Last month, shortly after L.A. Weekly first reported on Koch Industries’ interest in the Tribune papers, the liberal Web site Daily Kos and Courage Campaign, a Los Angeles-based liberal advocacy group, collected thousands of signatures protesting such a deal. Conservatives, meanwhile, welcomed the idea of a handful of prominent papers spreading the ideas of economic “freedom” from taxes and regulation that the Kochs have championed.

Seton Motley, president of Less Government, an organization devoted to shrinking the role of the government, said the 2012 presidential election reinforced the view that conservatives needed a broader media presence.

“A running joke among conservatives as we watched the G.O.P. establishment spend $500 million on ineffectual TV ads is ‘Why don’t you just buy NBC?’ ” Mr. Motley said. “It’s good the Kochs are talking about fighting fire with a little fire.”

Koch Industries has for years felt the mainstream media unfairly covered the company and its founding family because of its political beliefs. KochFacts.com, a Web site run by the company, disputes perceived press inaccuracies. The site, which asserts liberal bias in the news media, has published private e-mail conversations between company press officers and journalists, including the Politico reporter Kenneth P. Vogel and editors at The New Yorker in response to an article about the Kochs by Jane Mayer.

“So far, they haven’t seemed to be particularly enthusiastic about the role of the free press,” Ms. Mayer said in an e-mail, “but hopefully, if they become newspaper publishers, they’ll embrace it with a bit more enthusiasm.”

A Democratic political operative who spoke on the condition of anonymity, said he admired how over decades the brothers have assembled a complex political infrastructure that supports their agenda. A media company seems like a logical next step.

This person said, “If they get some bad press that Darth Vader is buying Tribune, they don’t care.”

Signs of divine intervention for Republicans? (Washington Post)

By , Published: August 21, 2012

Has God forsaken the Republican Party?

Well, sit in judgment of what’s happened in the past few days:

●A report comes out that a couple dozen House Republicans engaged in an alcohol-induced frolic, in one case nude, in the Sea of Galilee, where Jesus is believed to have walked on water, calmed the storm and, nearby, turned water into wine and performed the miracle of the loaves and fishes.

●Rep. Todd Akin, Missouri’s Republican nominee for Senate, suggests there is such a thing as “legitimate rape” and purports that women’s bodies have mysterious ways to repel the seed of rapists. He spends the next 48 hours rejecting GOP leaders’ demands that he quit the race.

●Weather forecasts show that a storm, likely to grow into Hurricane Isaac, may be chugging toward . . . Tampa, where Republicans will open their quadrennial nominating convention on Monday.

Coincidence? Or part of some Intelligent Design?

By their own logic, Republicans and their conservative allies should be concerned that Isaac is a form of divine retribution. Last year, Rep. Michele Bachmann, then a Republican presidential candidate, said that the East Coast earthquake and Hurricane Irene — another “I” storm, but not an Old Testament one — were attempts by God “to get the attention of the politicians.” In remarks later termed a “joke,” she said: “It’s time for an act of God and we’re getting it.”

The influential conservative broadcaster Glenn Beck said last year that the Japanese earthquake and tsunami were God’s “message being sent” to that country. A year earlier, Christian broadcaster and former GOP presidential candidate Pat Robertson tied the Haitian earthquake to that country’s“pact to the devil.”

Previously, Robertson had argued that Hurricane Katrina was God’s punishment for abortion, while the Rev. John Hagee said the storm was God’s way of punishing homosexuality. The late Jerry Falwellthought that God allowed the Sept. 11 attacks as retribution for feminists and the ACLU.

Even if you don’t believe God uses meteorological phenomena to express His will, it’s difficult for mere mortals to explain what is happening to the GOP just now.

By most earthly measures, President Obama has no business being reelected. No president since World War II has won reelection with the unemployment rate north of 7.4 percent. Of the presidents during that time who were returned to office, GDP growth averaged 4.7 percent during the first nine months of the election year — more than double the current rate.

But instead of being swept into office by the worst economic recovery since the Great Depression, Republicans are in danger of losing an election that is theirs to lose. Mitt Romney, often tone-deaf, has allowed Obama to change the subject to Romney’s tax havens and tax returns. And congressional Republicans are providing all kinds of reasons for Americans to doubt their readiness to assume power.

The Politico report Sunday about drunken skinny-dipping in the Sea of Galilee gave House Republicans an unwanted image of debauchery — a faint echo of the Capitol page scandal that, breaking in September 2006, cemented Republicans’ fate in that November’s elections. The 30 Republican lawmakers on the “fact-finding” mission to Israel last summer earned a rebuke from Majority Leader Eric Cantor and attracted the attention of the FBI. The naked congressman, Rep. Kevin Yoder (R-Kan.), admitted in a statement: “[R]egrettably I jumped into the water without a swimsuit.”

A boozy frolic at a Christian holy site might have been a considerable embarrassment for the party, but it was eclipsed by a bigger one: Akin’s preposterous claim on a St. Louis TV program that pregnancy is rare after a “legitimate rape” because “the female body has ways to try to shut that whole thing down.”

Republican leaders spent the next 48 hours trying to shut Akin’s whole thing down, but after a period of panic (a no-show on Piers Morgan’s show led the CNN host to show his empty chair and call him a “gutless little twerp”), Akin told radio host Mike Huckabee on Tuesday that he would fight the “big party people” and stay in the race.

The big party people had a further complication: In Tampa on Tuesday, those drafting theGOP platform agreed to retain a plank calling for a constitutional amendment banning abortion without specifying exceptions for cases of rape. In other words, the Akin position.

For a party that should be sailing toward victory, there were all the makings of a perfect storm. And, sure enough: Tuesday afternoon, the National Weather Service forecast that “Tropical Depression Nine” would strengthen into a hurricane, taking a northwesterly track over Cuba on Sunday morning — just as Republicans are arriving in Florida.

What happens next? God only knows.

Mário Scheffer: “Vivemos uma crise sem precedentes na resposta à epidemia de HIV/Aids” (viomundo.com.br)

31 de julho de 2012

por Conceição Lemes

Mário Scheffer: “A condução é conservadora, defasada. A criatividade, a ousadia e o diálogo permanente com a sociedade civil  cederam lugar à arrogância”

Terminou nesta sexta-feira, em Washington, Estados Unidos, a 19ª Conferência Internacional sobre Aids. O Programa Nacional de DST/Aids, que até então era festejado e apontado como modelo para o mundo, sofreu críticas de especialistas durante toda a semana.

“A história de sucesso do programa brasileiro de aids entrou em declínio por fatores como a saída de recursos internacionais e o enfraquecimento da relação entre o governo e a sociedade civil”, avalia Eduardo Gomez, pesquisador da Universidade Rutgers de Camden, em Nova Jersey, EUA. “Historicamente, o programa brasileiro de aids tinha uma conexão forte com as ONGs, mas agora elas estão sem recursos e sem motivação. O governo precisa delas para conscientizar as populações difíceis de atingir.”

“O aumento da pressão de grupos religiosos e a redução das campanhas de prevenção junto às populações de maior risco são a maior ameaça ao programa brasileiro anti-aids”, pondera Massimo Ghidinelli, coordenador de Aids/HIV da Organização Panamericana da Saúde (OPAS). “Parece que, nos últimos anos, os grupos religiosos ficaram mais fortes e há uma menor intensidade na maneira pela qual o programa lida com questões de homofobia e sexualidade.”

Ontem, quinta-feira 26, ativistas brasileiros presentes à 19ª Conferência Internacional de Aids, em Washington, protestaram em frente ao estande do Ministério da Saúde contra o que definem como “retrocesso na resposta contra a epidemia”. O objetivo, segundo eles, foi mostrar ao mundo que o País “não é mais o mesmo” e “vive do sucesso do passado” no enfrentamento da doença.

“Até agora, as críticas eram principalmente de ONGs e ativistas brasileiros. Agora, são de especialistas estrangeiros renomados”, observa Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda-SP. “O programa brasileiro de aids parou no tempo e não é mais motivo de orgulho nacional. Tivemos uma sucessão de perdas acumuladas. Vivemos uma crise sem precedentes na resposta à epidemia de HIV/aids.”

Ativista há mais de 20 anos e também professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, Mário acompanha a epidemia de HIV/Aids desde o seu início nos anos 80. Além do olhar afiado e da expertise em saúde pública, ele conhece bem toda a trajetória do Programa Nacional de DST/Aids. Daí esta nossa entrevista:

Viomundo – Começou no domingo (22) e terminou hoje (27) em Washington a 19ª Conferência Internacional sobre Aids. No decorrer da semana, foram feitas várias críticas ao momento atual do programa brasileiro de aids. Você concorda com elas?

Mário Scheffer – Com certeza. Até agora, as críticas eram principalmente de ONGs brasileiras. Agora, são de especialistas estrangeiros renomados. Elas são a prova maior de que o programa brasileiro não é mais a principal referência internacional, perdemos a liderança e o ineditismo, não ousamos mais nas respostas excepcionais que marcaram nossa história de combate à aids.

Viomundo – As ONGs de aids sempre tiveram boa interlocução com o Ministério da Saúde. O que aconteceu?

Mário Scheffer — As ONGs e os ativistas pioneiros que são obviamente mais críticos não são mais ouvidos. O governo atualmente elege os interlocutores que lhes são mais convenientes e deslegitima muitos daqueles que deram contribuições históricas.

Sinal de que as coisas não vão nada bem por aqui é que tanto a crítica ao programa quanto o reconhecimento às ONGs e aos ativistas brasileiros têm que vir de fora.

Aliás, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em seu discurso na abertura da Conferência Internacional de Aids, domingo passado em Washington, fez um vigoroso elogio aos ativistas e citou especificamente as ONGs brasileiras. Disse que se hoje é possível falar em controle da epidemia e vislumbrar o seu fim, isso se deve fundamentalmente às ações desses ativistas.

Viomundo –  ONGs de aids estão fechando as portas no Brasil. Por quê?

Mário Scheffer – Vários motivos. Crise de pessoal, financeira, de sustentabilidade, não têm sede física, não têm dinheiro para pagar aluguel e telefone, têm que compor diretorias com apenas três pessoas  porque não há mais gente disponível. Também não conseguem mais montar  equipes para executar projetos, para chegar até as populações vulneráveis, o que só as ONGs são capazes de fazer.

Em outras palavras: algumas ONGs estão fechando as portas, como você disse. Mas está havendo também retração das atividades de todas elas.

Viomundo – Mas as críticas não se devem apenas à crise financeira e de pessoal das ONGs de aids?

Mário Scheffer – Essa é apenas uma das pontas da crise sem precedentes da resposta brasileira à epidemia, que também perdeu tecnicamente. Além disso, não há sensibilidade nem determinação do governo para perceber e para contribuir com a superação da crise das ONGs. Pelo contrário. Atualmente há uma crise política de relacionamento e mesmo de desprezo pela história das ONGs. O governo federal tem feito a opção — e isso não é só na área de aids — pela relação paroquial com a sociedade civil, uma política de cooptação e quebra-galho. Não ha mais crítica nem debate qualificado de ideias. Tivemos uma sucessão de perdas acumuladas.

Viomundo – Quais?

Mário Scheffer – Primeiro, perdemos a força do trabalho voluntário por meio do qual as pessoas participavam de nossas ONGs, exprimiam sua solidariedade, doavam tempo, trabalho e talento para a luta contra a aids. Não é mais uma causa mobilizadora e isso tem a ver com a imagem trabalhada pelo governo de que temos o melhor programa do mundo e que por aqui está tudo resolvido.

Segundo, com a ascensão das ONGs picaretas e bandidas, criadas para alimentar a corrupção em vários ministérios, cresceu o preconceito e foram impostas mais barreiras para as organizações sérias, que já tinham dificuldade em acessar recursos públicos.

Desde que realizado com critério, transparência, concorrência pública e rigorosa prestação de contas, as ONGs deveriam ter o direito de acessar fundos públicos para exercer o controle, a fiscalização e a participação nas políticas públicas, como acontece em várias democracias.

Terceiro, diante da imagem de que o Brasil hoje é um país rico e resolveu o problema da aids (o que não é verdade), acabou o apoio internacional às ONGs brasileiras de aids.

Resultado: sem ajuda de comunidades e empresas e com uma causa que não toca mais o coração de doadores e voluntários, passamos a viver a dificuldade crescente de assegurar recursos institucionais para a manutenção das ONGs. Com isso, arrefeceu o nosso ativismo e controle sobre as políticas públicas.

Viomundo – E os financiamentos governamentais vinculados a projetos?

Mário Scheffer – Eles fazem parte de um modelo esgotado em que as ONGs de aids foram reduzidas a mão de obra barata para prestação de serviços que o Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais de saúde não conseguem realizar. Não bastasse isso, muitas vezes estados e municípios não repassam esse recursos às ONGs e quando o fazem, não há continuidade nem avaliação da eficácia das ações financiadas.

Viomundo – Um pouco atrás você falou que o programa brasileiro de aids perdeu tecnicamente. Em que medida? 

Mário Scheffer — Não houve renovação nem atualização dos quadros técnicos. Os desafios hoje são outros, mas a condução é conservadora, defasada. A criatividade, a ousadia e o diálogo permanente com a sociedade civil  cederam lugar à arrogância. Sem a força e a autonomia de outrora, os programas de aids —  o nacional e vários estaduais e municipais — estão isolados e enfraquecidos politicamente dentro dos governos.

Em São Paulo, por exemplo, muitos serviços municipais de aids estão sem médicos,   os estaduais, superlotados, sendo privatizados, fechando leitos, e os programas de aids sem nenhuma governabilidade sobre isso.

Já o programa nacional nem sequer dá mais as fichas sobre a produção nacional de antirretrovirais genéricos. Hoje é um processo sem transparência. O Ministério da Saúde não dá um passo sem o amém da Casa Civil e dos fundamentalistas religiosos que integram a base governista, o que emperra programas de prevenção de aids.

Viomundo – O que ONGs e ativistas da área de aids querem?

Mário Scheffer — Queremos ser respeitados e ouvidos mas em novos patamares de relacionamento. Ninguém desistiu da luta. Nossas ONGs querem continuar atuando nas diversas frentes, na prevenção, na assistência das casas de apoio, nas assessorias jurídicas, na defesa dos direitos das pessoas que vivem com HIV. Queremos continuar fazendo o mesmo ativismo que nos levou a conquistar o acesso universal aos medicamentos, derrubar patentes, lutar contra a exclusão de coberturas pelos planos de saúde privados, acessar os vulneráveis e alçá-los à condição de cidadãos.

O mesmo ativismo que nos leva a apontar que, diferentemente do que dizem, o acesso aos antirretrovirais no Brasil não é universal, pois o diagnóstico tardio é altíssimo e ainda existem desabastecimentos ocasionais. Que nos leva a dizer que não existe política de prevenção adequada a um perfil de epidemia concentrada em certas populações, como os homossexuais, atualmente os maiores negligenciados de prevenção em aids no Brasil.

Hoje estão ameaçados princípios essenciais que forjaram o combate à aids no Brasil, que um dia chegou a quebrar barreiras e tabus. Essa ousadia necessária deu lugar a um programa sem vida, covarde, que promove autocensura, se alinha com forças retrógradas, como no caso recente da campanha dirigida aos gays.

Um programa que se debruça sobre glórias do passado e exibe uma real incapacidade , lentidão e perda da capacidade técnica e política . Não tem conseguido dar respostas à altura das novas dinâmicas e desafios da epidemia e a comunidade internacional passou a perceber isso.

Neste momento de grandes mudanças, com esperança concreta da cura e controle da aids, novas armas para prevenção, necessidade de ampliarmos a oferta de testagem e tratamento a todos os infectados, o Brasil está paralisado, com seus indicadores de mortalidade e de novas infecções pelo HIV estacionados. O programa brasileiro de aids parou no tempo e não é mais motivo de orgulho nacional.

That’s Gross! Study Uncovers Physiological Nature of Disgust in Politics (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 25, 2011) — Most likely, you would be disgusted if confronted with a picture of a man eating a mouthful of writhing worms. Or a particularly bloody wound. Or a horribly emaciated but still living body. But just how much disgust you feel may lend important insight into your personal political proclivities.

In a new study, political scientists closely measured people’s physiological reactions as they looked at a series of pleasant and unpleasant images. Participants who identified themselves as conservative — and, in particular, those who said they were against gay marriage — had strong physiological reactions when shown the gross pictures.

The study, the latest to examine the connection between political differences and humans’ built-in physiological traits, was co-authored by University of Nebraska-Lincoln political science professors Kevin Smith and John Hibbing and appears this month in the online journal PLoS ONE, published by the Public Library of Science.

“This is one more piece of evidence that we, quite literally, have gut feelings about politics,” Smith said. “Our political attitudes and behaviors are reflected in our biology.”

Researchers worked with 27 women and 23 men who were chosen from a larger pool of participants who also underwent thorough political questioning. The subjects were shown a series of disgusting and also relatively pleasant images while electrodes on their skin measured subtle skin conductance changes, which indicated an emotional response.

As predicted, conservatives responded to the pictures with much more intense disgust than did liberals. Attitudes in opposition to same-sex marriage were highly connected.

The results add to a growing area of research that suggests biology plays a larger role in influencing political orientation than many might think. Recent UNL work has produced findings in this area, including a 2008 study that found people who are highly responsive to threatening images were likely to support defense spending, capital punishment, patriotism and the Iraq War.

“The proper interpretation of the findings (in the current study) is not that biology causes politics or that politics causes biology,” the authors write, “but that certain political orientations at some unspecified point become housed in our biology, with meaningful political consequences.”

Acceptance of the role of involuntary physiological responses is not easy for many, however: “Most are proud of their political orientations, believe them to be rational responses to the world around them, and are reluctant to concede that subconscious predispositions play any role in shaping them,” they wrote. Still, the authors suggest that if recognition of the relevance of politics of involuntary physiology became more widespread, it could diminish frustration from the perceived illogical inflexibility of political opponents and reduce political hostility.

“After all, if political differences are traceable in part to the fact that people vary in the way they physically experience the world, certitude that any particular worldview is ‘correct’ may abate, lessening the hubris that fuels political conflict.”

In addition to UNL’s Smith and Hibbing, the study was co-authored by Douglas Oxley of Texas A&M University; Matthew Hibbing of the University of California, Merced; and John Alford of Rice University.

Rick Perry officials spark revolt after doctoring environment report (The Guardian)

Scientists ask for names to be removed after mentions of climate change and sea-level rise taken out by Texas officials

Suzanne Goldenberg, US environment correspondent
guardian.co.uk, Friday 14 October 2011 13.05 BST

Republican presidential hopeful Texas Gov. Rick Perry

Rick Perry’s administration deleted references to climate change and sea-level rise from the report. Photograph: Evan Vucci/AP

Officials in Rick Perry’s home state of Texas have set off a scientists’ revolt after purging mentions of climate change and sea-level rise from what was supposed to be a landmark environmental report. The scientists said they were disowning the report on the state of Galveston Bay because of political interference and censorship from Perry appointees at the state’s environmental agency.

By academic standards, the protest amounts to the beginnings of a rebellion: every single scientist associated with the 200-page report has demanded their names be struck from the document. “None of us can be party to scientific censorship so we would all have our names removed,” said Jim Lester, a co-author of the report and vice-president of the Houston Advanced Research Centre.

“To me it is simply a question of maintaining scientific credibility. This is simply antithetical to what a scientist does,” Lester said. “We can’t be censored.” Scientists see Texas as at high risk because of climate change, from the increased exposure to hurricanes and extreme weather on its long coastline to this summer’s season of wildfires and drought.

However, Perry, in his run for the Republican nomination, has elevated denial of science, from climate change to evolution, to an art form. He opposes any regulation of industry, and has repeatedly challenged the authority of the Environmental Protection Agency.

Texas is the only state to refuse to sign on to the federal government’s new regulations on greenhouse gas emissions. “I like to tell people we live in a state of denial in the state of Texas,” said John Anderson, an oceanography at Rice University, and author of the chapter targeted by the government censors.

That state of denial percolated down to the leadership of the Texas Commission on Environmental Quality. The agency chief, who was appointed by Perry, is known to doubt the science of climate change. “The current chair of the commission, Bryan Shaw, commonly talks about how human-induced climate change is a hoax,” said Anderson.

But scientists said they still hoped to avoid a clash by simply avoiding direct reference to human causes of climate change and by sticking to materials from peer-reviewed journals. However, that plan began to unravel when officials from the agency made numerous unauthorised changes to Anderson’s chapter, deleting references to climate change, sea-level rise and wetlands destruction.

“It is basically saying that the state of Texas doesn’t accept science results published in Science magazine,” Anderson said. “That’s going pretty far.”

Officials even deleted a reference to the sea level at Galveston Bay rising five times faster than the long-term average – 3mm a year compared to .5mm a year – which Anderson noted was a scientific fact. “They just simply went through and summarily struck out any reference to climate change, any reference to sea level rise, any reference to human influence – it was edited or eliminated,” said Anderson. “That’s not scientific review that’s just straight forward censorship.”

Mother Jones has tracked the changes. The agency has defended its actions. “It would be irresponsible to take whatever is sent to us and publish it,” Andrea Morrow, a spokeswoman said in an emailed statement. “Information was included in a report that we disagree with.”

She said Anderson’s report had been “inconsistent with current agency policy”, and that he had refused to change it. She refused to answer any questions. Campaigners said the censorship by the Texas state authorities was a throwback to the George Bush era when White House officials also interfered with scientific reports on climate change.

In the last few years, however, such politicisation of science has spread to the states. In the most notorious case, Virginia’s attorney general Ken Cuccinelli, who is a professed doubter of climate science, has spent a year investigating grants made to a prominent climate scientist Michael Mann, when he was at a state university in Virginia.

Several courts have rejected Cuccinelli’s demands for a subpoena for the emails. In Utah, meanwhile, Mike Noel, a Republican member of the Utah state legislature called on the state university to sack a physicist who had criticised climate science doubters.

The university rejected Noel’s demand, but the physicist, Robert Davies said such actions had had a chilling effect on the state of climate science. “We do have very accomplished scientists in this state who are quite fearful of retribution from lawmakers, and who consequently refuse to speak up on this very important topic. And the loser is the public,” Davies said in an email.

“By employing these intimidation tactics, these policymakers are, in fact, successful in censoring the message coming from the very institutions whose expertise we need.”