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Suicide Risk Linked to Rates of Gun Ownership, Political Conservatism (Science Daily)

Apr. 4, 2013 — Residents of states with the highest rates of gun ownership and political conservatism are at greater risk of suicide than those in states with less gun ownership and less politically conservative leanings, according to a study by University of California, Riverside sociology professor Augustine J. Kposowa.

UCR study links risk of suicide with rate of gun ownership and political conservatism at the state level. (Credit: Image courtesy of University of California, Riverside)

The study, “Association of suicide rates, gun ownership, conservatism and individual suicide risk,” was published online in the journal Social Psychiatry & Psychiatric Epidemiology in February.

Suicide was the 11th leading cause of death for all ages in the United States in 2007, the most recent year for which complete mortality data was available at the time of the study. It was the seventh leading cause of death for males and the 15th leading cause of death for females. Firearms are the most commonly used method of suicide by males and poisoning the most common among females.

Kposowa, who has studied suicide and its causes for two decades, analyzed mortality data from the U.S. Multiple Cause of Death Files for 2000 through 2004 and combined individual-level data with state-level information. Firearm ownership, conservatism (measured by percentage voting for former President George W. Bush in the 2000 election), suicide rate, church adherence, and the immigration rate were measured at the state level. He analyzed data relating to 131,636 individual suicides, which were then compared to deaths from natural causes (excluding homicides and accidents).

“Many studies show that of all suicide methods, firearms have the highest case fatality, implying that an individual who selects this technique has a very low chance of survival,” Kposowa said. Guns are simply the most efficient method of suicide, he added.

With few exceptions, states with the highest rates of gun ownership — for example, Alaska, Montana, Wyoming, Idaho, Alabama, and West Virginia — also tended to have the highest suicide rates. These states were also carried overwhelmingly by George Bush in the 2000 presidential election.

The study also found that:

  • The odds of committing suicide were 2.9 times higher among men than women
  • Non-Hispanic whites were nearly four times as likely to kill themselves as Non-Hispanic African Americans
  • The odds of suicide among Hispanics were 2.3 times higher than the odds among Non-Hispanic African Americans
  • Divorced and separated individuals were 38 percent more likely to kill themselves than those who were married
  • A higher percentage of church-goers at the state level reduced individual suicide risk.

“Church adherence may promote church attendance, which exposes an individual to religious beliefs, for example, about an afterlife. Suicide is proscribed in the three monotheistic religions: Judaism, Christianity and Islam,” Kposowa noted in explaining the finding that church membership at the state level reduces individual risk of suicide. “In states with a higher percentage of the population that belong to a church, it is plausible that religious views and doctrine about suicide are well-known through sacred texts, theology or sermons, and adherents may be less likely to commit suicide.”

Kposowa is the first to use a nationally representative sample to examine the effect of firearm availability on suicide odds. Previous studies that associated firearm availability to suicide were limited to one or two counties. His study also demonstrates that individual behavior is influenced not only by personal characteristics, but by social structural or contextual attributes. That is, what happens at the state level can influence the personal actions of those living within that state.

The sociologist said that although policies aimed at seriously regulating firearm ownership would reduce individual suicides, such policies are likely to fail not because they do not work, but because many Americans remain opposed to meaningful gun control, arguing that they have a constitutional right to bear arms.

“Even modest efforts to reform gun laws are typically met with vehement opposition. There are also millions of Americans who continue to believe that keeping a gun at home protects them against intruders, even though research shows that when a gun is used in the home, it is often against household members in the commission of homicides or suicides,” Kposowa said.

“Adding to the widespread misinformation about guns is that powerful pro-gun lobby groups, especially the National Rifle Association, seem to have a stranglehold on legislators and U.S. policy, and a politician who calls for gun control may be targeted for removal from office in a future election by a gun lobby,” he added.

Although total suicide rates in the U.S. are not much higher than in other Western countries, without changes in gun-ownership policies “the United States is poised to remain a very armed and potentially dangerous nation for its inhabitants for years to come.”

Journal Reference:

  1. Augustine J. Kposowa. Association of suicide rates, gun ownership, conservatism and individual suicide risk.Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2013; DOI:10.1007/s00127-013-0664-4

O lobo mau (FSP)

04/11/2012 – 03h30

Carlos Heitor Cony

RIO DE JANEIRO – Um dos motivos do nosso orgulho nacional, que o próprio Lula invocou há tempos, é que não temos vulcões nem terremotos. Nossas relações com o planeta Terra são relativamente boas, temos enchentes que não chegam ao nível de furacões. Os nossos temporais produzem vítimas e estragos, mas a culpa não chega a ser da natureza, mas da legislação e da fiscalização nas áreas de risco. As tragédias que sofremos neste setor poderiam ser minimizadas.

Com os Estados Unidos a barra é mais pesada. Na Costa Oeste, os terremotos, e, na Costa Leste, os furacões. No meio, entre os dois litorais, os tornados. O país mais rico e poderoso em tecnologia ainda não encontrou um sistema que controlasse os desvarios da natureza. É tão indefeso diante das catástrofes como as ilhas Papuas, que, aliás, sofrem menos neste departamento.

Vimos as cenas provocadas pelo furacão Sandy, que praticamente reduziu Nova York, por algumas horas, a uma cidade que poderia integrar a Baixada Fluminense.

Felizmente, o povo americano sabe se virar em situações iguais. Em setembro de 1985, enfrentei o furacão Glória, estava em White Plains, as autoridades pediam que se enchessem as banheiras para impedir que elas voassem. É a síndrome do Lobo Mau que destrói a choupana dos Três Porquinhos com seu sopro formidável.

Passei horas grudando fitas gomadas nas janelas, reforçando os vidros que se estraçalhavam. Clima de fim de mundo. Os supermercados foram esvaziados, num deles cheguei a comprar latas de sardinhas feitas em Niterói. Tinha a volta marcada para o dia seguinte, a companhia aérea me localizou e me aconselhou a ir para o JFK enquanto houvesse trânsito regular. Dormi duas noites no aeroporto, em cima das minhas malas. “God bless America”.

A burocracia e as violências invisíveis (Canal Ibase)

Renzo Taddei – Colunista do Canal Ibase

2 de agosto de 2012

matéria de capa da revista Time da semana passada chama a atenção para dados impressionantes sobre o suicídio entre militares norte-americanos. Desde 2004, o número de militares americanos que se suicidaram é maior do que os que foram mortos em combate no Afeganistão. Em média, um soldado americano na ativa se suicida por dia. Dentre os veteranos, um suicídio ocorre a cada 80 minutos. Entre 2004 e 2008, a taxa de suicídio entre militares cresceu 80%; só em 2012, esse crescimento já é de 18%. O suicídio ultrapassou os acidentes automobilísticos como primeira causa de morte de militares fora de situação de combate.

Foto: Matthew C. Moeller (Flickr)

O exército americano naturalmente busca, preocupado, identificar as causas do problema – até o momento sem sucesso. O problema está longe de ser óbvio, no entanto. Um terço dos suicidas nunca foi ao Afeganistão ou ao Iraque. 43% só foram convocados uma vez. Apenas 8,5% dos suicidas foram convocados três vezes ou mais. E, em sua maioria, são casados. Ou seja, nem todos os suicídios estão relacionados com traumas de campos de batalha.

Como é de se esperar, a burocracia militar busca um diagnóstico burocrático, para que a solução seja burocrática – de modo que não seja necessário cavar muito fundo na questão. O exército americano não tem psiquiatras e profissionais de serviço social suficientes. Muitos soldados se suicidam na longa espera por uma consulta psiquiátrica; outros, após terem sido receitados soníferos e oficialmente diagnosticados como “não sendo um perigo para si ou para os demais”. A cultura militar estigmatiza demonstrações de fraqueza, de modo que muitos evitam procurar ajuda a tempo. Viúvas acusam o exército de negligência; oficiais militares dizem que os soldados se suicidam devido a problemas conjugais.

Enquanto eu refletia sobre o assunto, chegou até mim a indicação de um livro chamadoDays of Destruction, Days of Revolt, do jornalista americano Chris Edges. O livro descreve a situação de algumas das cidades mais pobres dos Estados Unidos e chega à conclusão de que a pobreza de tais cidades não tem ligação com a ideia de subdesenvolvimento, mas sim ao que se poderia chamar de contra-desenvolvimento: são cidades que foram destruídas pela exploração capitalista.

Uma dessas cidades, Camden, no estado de Nova Jersey, é velha conhecida: durante meu doutorado nos Estados Unidos, trabalhei como fotógrafo para complementar minha renda, e estive em Camden várias vezes. Sempre me impressionaram os sinais explícitos de decadência do lugar: gente vivendo em prédios em ruínas; equipamentos públicos em decomposição; tráfico de droga à luz do dia. Agora descubro que se trata nada menos da cidade com menor renda per capita do país.

Chris Edges chama tais cidades de zonas de sacrifício do capitalismo. Ou seja, para que a exploração capitalista possa ocorrer sem impedimentos, o capital se move de um lugar para outro assim que os recursos ou as oportunidades se esgotam, deixando para trás cidades fantasmas, desemprego e depressão. A lógica desse padrão de exploração é bem conhecida desde Marx, pelo menos. O que Chris Edges faz é, com a ajuda do artista gráfico e também jornalista Joe Sacco, dar nova visibilidade a um problema que a burocracia oficial e a mídia fazem questão de não enxergar.

Que relação há entre os suicídios militares e a pobreza urbana dos Estados Unidos? Na verdade, me dei conta que há uma analogia fundamental entre os dois casos: em ambos há a conjugação do fato de que para que o sistema funcione – e estamos falando de sistemas diferentes para cada caso – alguém tem que ser sacrificado; e esse sacrifício e suas vítimas sacrificiais devem permanecer invisíveis para a maioria da população. O esforço dos Estados Unidos para manter sua hegemonia militar produz de forma sistemática a morte de uma imensa quantidade de gente, dentre americanos e seus supostos inimigos. E, para que a lucratividade se mantenha alta, florestas, cidades e empregos são destruídos, também de forma sistemática. Uma das expressões usadas nas ciências sociais para descrever esse estado de coisas é violência estrutural.

A invisibilidade dessas coisas é imprescindível – só assim pessoas bem intencionadas e de boa fé podem participar do sistema perverso, sem enxergar sua perversidade. Por isso, por exemplo, o governo Bush (pai) articulou com a imprensa americana um pacto para que não fossem publicadas fotos de caixões de soldados mortos em combate na primeira Guerra do Golfo. O pacto esteve em vigor por quase vinte anos, até que foidesfeito por Obama em 2009.

Mas a forma mais comum, e eficaz, de produzir as formas de violência estrutural que reproduzem desigualdades de forma invisível é a burocracia. E isso se dá, como nos lembra David Graeber, em razão do fato de que é função da burocracia ignorar as minúcias da vida cotidiana e reduzir tudo a fórmulas mecânicas e estatísticas. Isso nos permite focar nossas energias em um número menor de variáveis, e assim realizar coisas grandiosas e incríveis – para o bem e para o mal. O papel que a burocracia tem na produção da invisibilidade que mantém violências estruturais em funcionamento pode ser exemplificado através do uso de estatísticas em políticas públicas, por exemplo. Um dos programas oficiais de apoio à população rural do Nordeste mais importantes da atualidade, o Garantia Safra – em que pequenos agricultores adquirem um seguro e são indenizados em caso de perda de safra -, sistematicamente exclui agricultores em função de miopia burocrática. Para que os agricultores de um município recebam a indenização, as regras do programa exigem que haja 50% de perda da safra de todo o município. No entanto, basta ver a dimensão e os contornos dos municípios brasileiros para rapidamente concluir que não há relação necessária entre os limites municipais e os fenômenos meteorológicos. Há municípios que, de tão extensos, apresentam variações climáticas dramáticas dentro de suas fronteiras. Nesses casos, é comum que muitos agricultores com grandes perdas não recebam qualquer indenização, se outras regiões do município tiverem perdas menores. Por que é que o município tem que ser tomado como unidade de referência nesse caso? Porque há um aparato burocrático municipal para gerir o programa, e não há níveis burocráticos oficiais em escala menor. Ou seja, o sistema é burro mesmo que ninguém o seja, e quem sofre as consequências são os agricultores.

De forma correlata, índices nacionais ou estaduais de desemprego, crescimento do PIB e do PIB per capita, são unidades de referência centrais das políticas públicas atuais, ainda que sejam médias que não levem em consideração as situações extremas onde efetivamente existe vulnerabilidade socioeconômica. É como se o ditado que diz que “a corda sempre se parte no lado mais fraco” fosse sistematicamente ignorado. A vulnerabilidade de qualquer sistema – uma máquina, por exemplo – é definida pelo seu componente mais frágil. Qualquer engenheiro sabe disso; na verdade, a ideia é tão óbvia que qualquer um sabe disso. É ai que entra a burocracia: . Nesse contexto, não importa muito o que as pessoas sabem ou não: elas não serão capazes de identificar como a burocracia produz inconsistências e violência estrutural, a menos que sejam diretamente afetadas. Dessa forma, cidades como Camden ficam sistematicamente fora do radar, camufladas por estatísticas de âmbito estadual ou nacional.

Isso tudo está relacionado a outra notícia veiculada nos jornais na semana passada: a posição do Brasil nos debates na ONU sobre a regulação do comércio mundial de armas. Apesar das evidências de que as armas fabricadas no Brasil foram e continuam sendo vendidas a governos com histórico de violação dos direitos humanos, o Brasil se colocou frontalmente contra a regulação e criação de mecanismos que deem transparência a esse mercado. A justificativa, como não poderia deixar de ser, é burocrática: a disseminação de informações sobre capacidade bélica “poderia expor os recursos e a capacidade dos países […] de sustentar um conflito prolongado”. Colocar isso como argumento que tem precedência sobre a necessidade de proteger os direitos humanos é um escândalo. Por trás dessa desculpa esfarrapada, está a intenção de proteger a lucrativa indústria bélica brasileira. O que faz a história toda mais indigesta é o fato da Dilma ter sido vítima de tortura, durante o período em que o Brasil era dirigido pela burocracia militar. Como pode a mesma presidente que criou aComissão da Verdade ser conivente com uma indústria e um mercado manchados de sangue?

Esse episódio mostra que, em termos éticos, há menos diferença entre Estados Unidos e Brasil do que os brasileiros gostam de acreditar. Para proteger o capitalismo – já não mais num campo de luta ideológica, como à época da guerra fria, mas na forma de interesses privados reais e específicos de empresas norte-americanas -, os Estados Unidos passam a ser um perigo não apenas para nações vulneráveis não-alinhadas, mas a si mesmo, como revela a epidemia de suicídios entre militares. Da mesma forma, e pelas mesmas razões – ou seja, na caminhada rumo à sua consolidação como poder imperialista – o Brasil se preocupa com seus mortos políticos, e estrategicamente finge não ver que, para a engorda do seu PIB e para a prosperidade de sua indústria bélica, uma imensa quantidade de vidas – na África, no Oriente Média, no sul do Pará e nos morros cariocas –  é sacrificada.

Renzo Taddei é professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutor em antropologia pela Universidade de Columbia, em Nova York. Dedica-se aos estudos sociais da ciência e tecnologia.

Brasil contrata Exército dos EUA para planejar hidrovia no São Francisco (G1)

23 / 07 / 2012

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão do governo federal subordinado ao Ministério da Integração, contratou o Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos (Usace) para estudar alternativas que tornem navegável o Rio São Francisco, um dos mais importantes cursos d´água do país e da América Latina.

O contrato, de R$ 7,8 milhões (US$ 3,84 milhões), foi assinado em dezembro do ano passado e, em março deste ano, os primeiros engenheiros do Exército norte-americano chegaram ao Brasil com a missão de desenvolver projetos que contenham a erosão nas margens e facilitem a construção de uma hidrovia no São Francisco.

Na semana passada, o comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, brigadeiro Douglas Fraser (que responde diretamente ao secretário de Defesa e ao presidente Barack Obama), esteve em Brasília para saber como anda o trabalho.

“O contrato tem o prazo de três anos, em que os engenheiros do Usace devem nos apresentar 12 projetos de assessoria técnica para a navegação do rio. São estudos sobre dragagem, controle de erosão e estabilização das margens, geotecnia, dentre outros”, disse ao G1 o gerente de concessões e projetos especiais da Codevasf, Roberto Strazer.

Segundo ele, a parceria teve início após troca de e-mails entre funcionários da Codevasf e o Usace para aproveitar o conhecimento da engenharia militar dos EUA no Rio São Francisco.

“Eles possuem em um conhecimento incrível em navegação que queríamos usar. São técnicos e temos muito a ganhar com a parceria. A navegação do São Francisco é extremamente precária e subutilizada, principalmente na época de estiagem”, acrescentou Strazer.

O corpo de engenheiros militar dos EUA foi criado em 1882 para atuação em desastres, como enchentes, terremotos e furacões, e reconstrução, apoiando as ações militares no Iraque e Afeganistão. O Usace é responsável pela navegação dos rios Mississipi e Ohio e também por parte do controle do transporte marítimo interno nos EUA. Todos os chefes do órgão são militares, com a patente de general, do Exército americano.

“É preciso que se explore mais a navegação do São Francisco. Além de ter o menor custo por tonelada, o transporte através dos rios tem menor impacto no meio ambiente”, afirmou Strazer.

A Codevasf aponta que há grande potencial de navegabilidade em uma faixa de de 1.371 km, entre Pirapora (MG) até Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), que é ainda inexplorado.

Estabilização de margens – Dois engenheiros civis do Usace ficam permanentemente no Brasil fazendo os estudos e avaliações nas margens dos rios e trabalhando, de forma coordenada, com um grupo de militares e civis do Exército norte-americano em Washington.

“Um dos projetos que eles desenvolvem é validar conhecimentos de navegação e estabilização de margens em um campo de provas que temos em Barras, na Bahia”, disse Strazer. A ideia é tornar todo o rio navegável a partir de pequenos trechos ao longo do seu curso.

Em Brasília, no último dia 10, o presidente da Codevasf, Elmo Vaz, apresentou ao comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA – responsável por todas as ações militares norte-americanas na América Latina – o andamento dos trabalhos. Só para cumprir a meta de tornar os primeiros 657 km do Velho Chico navegáveis, servindo de via de escoamento da produção, serão investidos até o final de 2012 mais de R$ 73 milhões.

O Rio São Francisco atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e serve de divisa natural entre Sergipe e Alagoas até desaguar no Oceano Atlântico.

Um projeto do Ministério da Integração busca transpor parte das águas do rio para aproveitá-lo também para irrigação no Ceará e Rio Grande do Norte, servindo de eixo de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste do país.

Segurança nacional – O gerente de projetos da Codevasf disse não ver riscos à segurança nacional em trabalhar com o Exército norte-americano. “Essa preocupação foi levantada na fase inicial do contrato. Eu já o recebi fechado, no início deste ano. Não vejo riscos, pois as informações que eles estão tendo acesso no local não são nada que se possa ocultar por imagens de satélite”, afirmou Roberto Strazer.

Ele acrescentou ainda que o Exército brasileiro também está trabalhando no rio com projetos de navegabilidade e está em contato com os miltiares americanos. “Há engenheiros do Exército brasileiro em um projeto de estabilização das margens de Ilha da Tapera, na Bahia, que estão em contato com os americanos também. Há interesses nacionais envolvidos, mas buscamos intercâmbio técnico.”

O Exército informou, por meio da assessoria de imprensa, que visitou a sede do Usace, nos EUA, e que engenheiros militares brasileiros estão próximos à área onde os americanos estão trabalhando no São Francisco. O Exército também disse que não vê riscos na parceria em relação ao vazamento de dados relativos à segurança nacional.

O chefe da missão do Usace no Brasil, Calvin Creech, confirmou que atualmente trabalham no país dois engenheiros civis do órgão, especializados em hidráulica e geotecnologia. “O Usace está apoiando a Codevasf. Esse trabalho é importante para os Estados Unidos porque melhorar a navegação do Rio São Francisco trará benefícios sociais para a região, reduzindo os custos associados com o transporte de produtos agrícolas”, disse Creech ao G1. (Fonte: Tahiane Stochero/ G1)

O mundo está levemente mais pacífico, apesar dos Estados Unidos (IPS)

Inter Press Service – Reportagens
20/6/2012 – 09h47

por Carey L. Biron, da IPS

IPS42 O mundo está levemente mais pacífico, apesar dos Estados UnidosWashington, Estados Unidos, 20/6/2012 – Revertendo uma tendência que durava dois anos, o mundo ficou levemente mais pacífico em 2011, segundo o último Índice de Paz Global. Entretanto, os Estados Unidos caíram sete posições, ficando em 88º lugar entre os 158 países estudados, “uma colocação bem baixa, que em grande parte reflete os níveis mais altos de militarização e de participação em conflitos externos”, afirma o documento, conhecido como GPI. Embora o gasto militar de Washington “tenha caído drasticamente” entre 1991 e 2000, “agora voltou aos níveis da Guerra Fria”, afirma o estudo.

Uma das conclusões mais preocupantes do estudo, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, com sede em Washington, em colaboração com a Unidade de Inteligência Econômica, é que o maior gasto militar (calculado como porcentagem do produto interno bruto) tem correlação com menores níveis de paz. O GPI, que estuda 23 indicadores em 158 países, encontrou “melhorias nas pontuações gerais em todas as regiões”, menos no Oriente Médio e no norte da África. Devido ao impacto da Primavera Árabe, pela primeira vez a África subsaariana não foi a região menos pacífica do mundo.

Na verdade, os cinco países que experimentaram as maiores reduções na lista foram afetados pela Primavera Árabe. A Síria foi o que sofreu maior deterioração de seu nível de paz, caindo 31 posições para ficar no 147º posto. A Somália foi novamente o país menos pacífico, enquanto a Islândia outra vez se destacou como o mais pacífico, em uma tendência que já dura dois anos.

O informe ajuda a definir exatamente o que é a paz, disse durante a apresentação do documento, em Washington, Anne-Marie Slaughter, ex-funcionária do Departamento de Estado norte-americano. “O índice vai além de calcular a ausência de conflito, além da ausência de instabilidade. Por outro lado, a definição usada aqui é a ausência de medo e de violência”, afirmou.

Pela primeira vez, este ano o GPI incluiu um novo ranking, o Índice de Paz Positiva. Com base nos primeiros seis anos de experiência do informe, o novo índice se concentra em fatores que contribuem para a capacidade dos países de manterem uma sociedade pacífica. “Isto inclui o trabalho positivo para melhorar a qualidade de vida, não apenas de evitar o ruim”, destacou Slaughter.

Os oito fatores que compõem o Índice de Paz Positiva – entre eles a educação, a baixa corrupção, o bom funcionamento do governo e a distribuição equitativa dos recursos – são considerados um verdadeiro mapa pelo diretor de políticas do Instituto para Economia e Paz, Michael Shank.

Segundo os pesquisadores do informe, “a necessidade de aprofundar o entendimento de como construímos a paz foi realçada pelas últimas experiências de desenvolvimento institucional no Iraque e no Afeganistão”. O principal ator nas duas experiências, os Estados Unidos, demonstraram incapacidade para se envolver adequadamente e criar sociedades pacíficas, afirmam.

Depois de quase uma década de esforços liderados por Washington, Afeganistão e Iraque “ainda estão paralisados no fundo do GPI”. Segundo a jornalista Emily Cadei, que cobre o Congresso norte-americano e falou na apresentação do documento, a participação dos Estados Unidos no exterior foi pobre nos últimos dois anos. Nos últimos seis anos, os pesquisadores do GPI registraram uma queda nos conflitos externos e entre Estados, e um aumento da violência interna. Além disso, o GPI indica uma crescente militarização correlacionada com menores níveis de paz.

“O fato de os conflitos internos crescerem é uma má notícia, porque os Estados Unidos não estão preparados para enfrentar essas formas de violência. O governo de Barack Obama ainda não tem um consenso sobre como fazer isso”, indicou Cadei. A jornalista acrescentou que, “além disso, o fato de a militarização estar negativamente correlacionada com a paz ainda não foi assumido nos Estados Unidos. A visão predominante no governo é que a paz vem por meio da força. No Congresso, a assistência internacional sempre está atada à segurança”, acrescentou.

Por sua vez, Lawrence Wilkerson, ex-coronel do exército norte-americano e professor de políticas públicas e governo, disse que essa mentalidade datava da Guerra Fria e que não havia conseguido se transformar desde o fim da União Soviética, em 1991. “O novo índice mostra que os Estados Unidos precisam ser mais cautelosos no que tenta fazer em outros países. Durante 50 anos demonstramos sermos muito maus na construção da paz”, ressaltou. Envolverde/IPS