Cacique de laptop cobra até US$ 10 mil para espantar chuva (Folha de S.Paulo)

Ilustrada. São Paulo, quarta-feira, 06 de outubro de 2010

DE SÃO PAULO

O índio citado pelo diretor artístico do SWU é uma das figuras mais bizarras do show business nacional. Segundo Roberto Medina, o empresário por trás do Rock in Rio, é o trabalho dele que tem segurado a água que invariavelmente jorra do céu toda vez que um festival de música acontece. Embora o assunto seja tratado com discrição, os eventos costumam reservar uma cifra para contratar os “serviços meteorológicos” da Fundação Cacique Cobra Coral (www.fccc.org.br), uma entidade “científica esotérica especializada em fenômenos climáticos”.

Na prática, trata-se de uma dança da chuva ao contrário. O cacique, com métodos que não revela, garante manter as nuvens carregadas longe do local do show.
Medina conta que, no caso dele, o cacique nunca falhou – desde a primeira vez que foi contratado por sua empresa, a Artplan, na edição de 2001 do Rock in Rio.

Apesar da mítica deixada por Woodstock, onde a lama foi protagonista, Medina queria seu festival seco. Mas faltava uma semana para os shows e chovia torrencialmente. Foi quando uma assessora lhe falou do cacique “que fazia parar de chover”.

“Imaginei que chegaria uma pessoa com cocar, mas entrou um sujeito de terno, com laptop”, diz. “Ele pediu US$ 10 mil e eu negociei: “Te pago dois agora e, se não chover mesmo, te pago os oito no final”.”

O que mais o impressionou foi o fato de só não chover onde acontecia o festival. “Na outra esquina chovia sem parar, mas ali não caiu uma gota.”

Quando faz festivais fora do Brasil -como o Rock in Rio de Lisboa-, Medina carrega junto o cacique.

Procurada pela Folha, a Fundação Cacique Cobra Coral diz que tem como norma não identificar seus clientes e só dá entrevistas por e-mail.

“Nossa agência elabora boletins que sinalizam os melhores dias para os shows”, afirma Osmar Santos, da FCCC. “Tais boletins são elaborados por cientistas-meteorologistas, com base em modelos matemáticos e previsões numéricas.”

“Muita gente contrata [esse serviço]”, diz Pablo Fantoni, do Planeta Terra. “Eu não acredito. Se existe uma pessoa que tem poder sobre o tempo, seria um desperdício ele estar sendo usado em festivais de música e não para resolver a seca no Nordeste.”

(IVAN FINOTTI e MARCUS PRETO)

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