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Human-Made Stuff Doubles in Mass Every 20 Years. It Just Crossed a Disturbing Line (Science Alert)

sciencealert.com

Mike McRae, 10 December 2020


All of the Amazon’s splendid greenery. Every fish in the Pacific. Every microbe underfoot. Every elephant on the plains, every flower, fungus, and fruit-fly in the fields, no longer outweighs the sheer amount of stuff humans have made.

Estimates on the total mass of human-made material suggest 2020 is the year we overtake the combined dry weight of every living thing on Earth.

Go back to a time before humans first took to ploughing fields and tending livestock, and you’d find our planet was coated in a biosphere that weighed around 2 x 10^12 tonnes.

Thanks in no small part to our habit of farming, mining, and building highways where forests once grew, this figure has now halved.

According to a small team of environmental researchers from the Weizmann Institute of Science in Israel, the mass of items constructed by humans – everything from skyscrapers to buttons – has grown so much, this year could be the point when biomass and mass production match up.

The exact timing of this landmark event depends on how we define the exact point a chunk of rock or drop of crude oil changes from natural resource to manufactured item.

But given we’re currently rearranging roughly 30 gigatonnes of nature into anything from IKEA bookcases to luxury apartments each year (a rate that’s been doubling every 20 years since the early 1900s), such fuzziness will be arbitrary soon enough.

biomass of plants and animals compared with plastic and construction massKey components of dry biomass and anthropogenic mass in the year 2020. (Elhacham et al., Nature, 2020)

The researchers draw our attention to this depressing moment in history as a symbol of our growing dominance over the planet.

“Beyond biomass, as the global effect of humanity accelerates, it is becoming ever more imperative to quantitatively assess and monitor the material flows of our socioeconomic system, also known as the socio-economic metabolism,” the researchers write in their report.

Concern over society’s metaphorical expanding waistline isn’t new. Researchers have been crunching the numbers on humanity’s gluttony for energy and raw materials for years.

When it comes to calculating the mass of resources being gobbled up by our industrial complexes, past studies have generally focussed their estimates on primary productivity.

This isn’t really all that surprising. From mowing down forests for agriculture to plundering the oceans for their fish stocks, we’re increasingly aware that our hunger for T-bone steaks and convenient tins of tuna in spring water comes at a great ecological cost.

While it’s important to keep the greener parts of our environment in mind, this study shows why our insatiable hunger for sand, concrete, and asphalt shouldn’t be ignored, given the contribution infrastructure makes to our overall consumption.

“The anthropogenic mass, whose accumulation is documented in this study, does not arise out of the biomass stock but from the transformation of the orders-of-magnitude higher stock of mostly rocks and minerals,” the team notes.

The numbers can be hard to visualise. If the total mass of all humans exceeds 300 million tonnes, we could say there’s another 3.8 tonnes of cookware, jumbo jets, microwaves and backyard swimming pools on Earth each year for every single one of us.

Yet not all of us have an equal share in the benefits of this growth, nor do we all have the same influence over it.

Given our obsession with economic growth plays a major factor in our increasing rate of consumption, slowing it down will require rethinking the very foundations of how we function as a global society.

The prognosis of a future that’s more concrete than forest is far from novel. But with 2020 serving as a symbolic crossroads into a new epoch of human consumption, there’s no better time to act.

This research was published in Nature.

Total de objetos construídos pela humanidade supera, pela 1ª vez, a massa dos seres vivos na Terra (Folha de S.Paulo)

www1.folha.uol.com.br

Reinaldo José Lopes, 9 de dezembro de 2020


O total dos objetos construídos pela humanidade acaba de superar pela primeira vez a massa somada das formas de vida na Terra, mostra um levantamento liderado por pesquisadores israelenses.

A chamada massa antropogênica, como decidiram designá-la, ultrapassou a marca de 1,1 teratonelada (ou 1,1 trilhão de toneladas) em 2020 e tem dobrado de tamanho a cada 20 anos ao longo do último século, segundo os autores do estudo.

A transformação de matérias-primas naturais em artefatos humanos cresceu de forma tão vertiginosa que, a cada semana, os novos objetos feitos pela nossa espécie superam o peso corporal de cada pessoa viva hoje, afirma a pesquisa, que acaba de ser publicada na revista científica Nature por uma equipe do Instituto Weizmann de Ciência.

“Precisaríamos de décadas para reunir todos esses dados. Para nossa sorte, é algo que já está sendo explorado há anos por cientistas que trabalham na área de análise de fluxo de materiais”, explicou à Folha o coordenador do estudo, Ron Milo, do Departamento de Ciências Botânicas e Ambientais do Weizmann.

“Eles compilaram uma base de dados global, abrangendo todos os países e campos da indústria, e isso nos permitiu ter dados confiáveis sobre o tema”, diz Milo, cuja mãe nasceu no Brasil.

Para chegar à conclusão (que tem margem de erro de seis anos para mais ou para menos), Milo e seus colegas precisaram fazer uma série de delimitações metodológicas. De um lado, eles colocaram a soma de toda a biomassa viva —ou seja, a totalidade do que é produzido pelos seres vivos que ainda não morreram, incluindo árvores e demais vegetais, animais, fungos de tamanho macroscópico e todos os micro-organismos no solo e nas águas. A conta inclui também o peso de todos os seres humanos vivos hoje, e o de seus animais e plantas domesticados.

Do outro lado, a massa antropogênica é composta pela matéria não viva modificada diretamente pela ação do Homo sapiens: metal, concreto, tijolos, asfalto, plástico, vidro etc. (veja infográfico abaixo). Os pesquisadores optaram por usar o peso seco (desprezando a presença de água) de ambos os conjuntos.

No caso da massa antropogênica, eles só levaram em conta objetos que ainda não viraram lixo —se eles fossem incluídos, a produção humana teria “virado o jogo” em relação à biomassa já em 2013 (margem de erro de cinco anos a mais ou a menos), calcula o grupo. Também não colocaram na soma os materiais apenas deslocados pela ação do ser humano, mas ainda não usados diretamente para nada (como a terra removida para a construção de um reservatório, digamos).

Se a taxa atual de crescimento se mantiver, espera-se que a massa antropogênica alcance 3 teratoneladas em 2040, ou seja, o triplo da biomassa terrestre. As comparações caso a caso, porém, já são suficientemente assustadoras. A atual massa de plásticos, por exemplo, já equivale ao dobro da de todos os animais do planeta, enquanto o peso dos prédios e da infraestrutura (estradas etc.) superou o da totalidade das árvores e arbustos. A massa da Torre Eiffel, cartão-postal parisiense, equivale à de todos os 10 mil rinocerontes-brancos ainda existentes no mundo, enquanto a de Nova York empata com a de todos os peixes nos mares e rios da Terra.

A magnitude e a clareza dos dados podem se tornar um argumento em favor da definição oficial do chamado Antropoceno —a ideia de que a ação humana inaugurou uma nova fase geológica da história do planeta. No momento, o conceito está sendo debatido pela Comissão Internacional de Estratigrafia.

“Não somos parte da discussão oficial, mas estamos em contato com as pessoas envolvidas nela. Acho que, de fato, é questão de tempo até que o Antropoceno seja oficializado”, diz o cientista israelense.