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Archaeologists unearth 5,000-year-old ‘third-gender’ caveman (Mother Nature Network)

Caveman was buried like a woman, leading scientists to question his sexual orientation.

Photo: ZUMA Press

Archaeologists investigating a 5,000-year-old Copper Age grave in the Czech Republic believe they may have unearthed the first known remains of a gay or transvestite caveman, reports the Telegraph.
The man was apparently buried as if he were a woman, an aberrant practice for an ancient culture known for its strict burial procedures.
Since the grave dates to between 2900 and 2500 BC, the man would have been a member of the Corded Ware culture, a late Stone Age and Copper Age people named after the unique kind of pottery they produced. Men in this culture were traditionally buried lying on their right side with their heads pointing west, but this man was instead buried on his left side with his head pointing east, which is how women were typically buried.
“From history and ethnology, we know that people from this period took funeral rites very seriously so it is highly unlikely that this positioning was a mistake,” said lead archaeologist Kamila Remisova Vesinova. “Far more likely is that he was a man with a different sexual orientation, homosexual or transsexual.”
Another clue is that Corded Ware men would typically be buried alongside weapons, hammers and flint knives, as well as food and drink to prepare them for their journey to the other side. But this man’s grave instead contained only a traditional egg-shaped pot, which was what women were typically buried with.
With all the evidence taken together, archaeologists are confident that the best explanation for the strange burial is that the man was effeminate, perhaps a homosexual, and possibly a transvestite.
“We believe this is one of the earliest cases of what could be described as a ‘transsexual’ or ‘third gender grave’ in the Czech Republic,” reiterated cooperating archaeologist Katerina Semradova.
Semradova also noted that archaeologists from a previous dig had uncovered a grave from the Mesolithic period where a female warrior was buried as a man, so mixed gender burials, though rare, were not unprecedented.

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Ou o sal não salga ou… (O Globo)

O GLOBO | OPINIÃO

07/06/2011

SÉRGIO CARRARA

Frente a pânicos morais todo cuidado é pouco. Qualquer movimento para sair deles pode nos empurrar mais ao fundo. Para escapar, é crucial agarrar-se aos fatos e à razão, colocando questões diferentes das que são formuladas pelos interessados em produzi-lo ou pelos que, nele, permanecem presos.

Frente ao pânico moral que cercou o KIT ANTI-HOMOFOBIA do Ministério da Educação, a ação do governo foi errática e confusa. Intempestivamente, Dilma mandou “suspendê-lo”, em vez de dizer simplesmente que confiava no discernimento da equipe do ministério quanto ao seu teor e à sua utilização. Baseada no que viu na tevê, afirmou que o material “fazia propaganda de opções sexuais” e que isso seria inaceitável. Parece que se referia a uma frase em que um adolescente chegava à conclusão de que teria maiores chances de envolver-se com alguém, pois se sentia atraído igualmente por rapazes e moças. Colocando bissexuais em posição privilegiada em relação a homossexuais e a heterossexuais, mais limitados em suas “opções” (para usar a expressão da presidente), a ideia pode até ser considerada infeliz. Mas o que haveria de tão escandaloso nessa quase risível fabulação de um adolescente?

Se “ou o sal não salga ou a terra não se deixa salgar…”, podemos dizer que ou todo esse imbróglio esconde “tenebrosas transações” (como muitos acreditam), ou revela certa concepção sobre os considerados sexualmente diferentes que urge submeter à crítica. O kit que o ministério desenvolveu aborda a homofobia sem vitimizar pessoas LGBT, apresentando sua diferença como algo positivo. Quando afirma que o governo “combate a homofobia, mas não propagandeia opções sexuais”, a presidente parece dizer que, ao não tratar a homossexualidade como um “problema”, o material a incentiva. Não estaríamos frente à tradução laica do mantra esquizofrenizante repetido ad nauseam por pastores e padres, segundo o qual se deve “amar o pecador, mas não o pecado”? Ou “acolher homossexuais, mas não a homossexualidade”?

Caso não seja isso, seria aconselhável Dilma vir a público dizer que os que afirmam ser a homossexualidade pecado e negam os direitos de cidadania a homens e mulheres homossexuais estão “propagandeando” a heterossexualidade e que isso é também inaceitável. Deve esclarecer que seu governo não combate apenas a barbárie homofóbica, mas defende a completa igualdade de direitos, fazendo suas as palavras dos juízes do STF sobre o estatuto das uniões homoafetivas. Sob pena de se misturar aos que consideram a homossexualidade inferior e deram início a toda essa confusão, deve deixar claro que os motivos que a fazem condenar o material produzido pelo ministério não são iguais aos de bolsonaros e garotinhos.

SÉRGIO CARRARA é antropólogo.