Perdoe e se liberte (AEON)

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The First Cloud (1888) by William Quiller Orchardson. Courtesy the Tate Gallery/Wikipedia
As mágoas – as suas ou aquelas que outros lhe causam – mantêm você preso. A terapia do perdão pode ajudá-lo a mudar de perspectiva e seguir adiante com a sua vida

Nathaniel Wade – 14 de agosto de 2020

Quando eu tinha 26 anos, meu mundo desmoronou. Eu tinha acabado de começar a pós-graduação e viajava constante entre Richmond, Virgínia e Washington, DC, porque minha esposa estava terminando sua pós-graduação em uma cidade diferente de onde eu estudava. Em uma dessas viagens, eu estava lavando roupa e encontrei um bilhete amassado no fundo da secadora. Estava endereçado a minha esposa por um de seus colegas de classe: “Devemos sair em horários diferentes. Te encontro em minha casa mais tarde”.

Minha esposa estava tendo um caso, embora não tenha sido confirmado até meses depois. Para mim, foi um golpe de proporções monumentais. Eu me senti traído, enganado e até ridicularizado. A raiva explodiu em mim e, ao longo de dias e semanas, essa raiva se transformou em uma confusão fervilhante de amargura, confusão e descrença. Nós nos separamos sem um plano claro para o futuro.

Embora essa dor me apunhalasse com uma intensidade que eu nunca havia sentido, eu não era o único a passar por isso. Muitas pessoas experimentam dores semelhantes, e muito piores, em suas vidas. Estar em um relacionamento geralmente significa ser maltratado, magoado ou traído. Como pessoas, frequentemente sofremos injustiças e dificuldades de relacionamento. Uma das maneiras que os humanos desenvolveram para lidar com essa dor é por meio do perdão. Mas o que é perdão e como funciona?

Essas eram as questões nas quais eu estava trabalhando ao mesmo tempo em que passava por minha separação. Eu estava fazendo pós-graduação na Virginia Commonwealth University, e o psicólogo Everett Worthington era o meu orientador. Ev é um dos dois pioneiros na psicologia do perdão e, desde o primeiro dia, ele me fez explorar o perdão de uma perspectiva acadêmica (deixei seu escritório depois de nosso primeiro encontro com uma pilha de meio metro de artigos científicos para revisar). Desde então, tornei-me psicólogo e professor de aconselhamento psicológico na Iowa State University, com especialização em perdão como parte do processo de psicoterapia.

Os primeiros trabalhos produzidos por Worthington e por mim, e por outros pesquisadores, identificaram o que o perdão não era. Robert Enright, da Universidade de Wisconsin-Madison, outro pioneiro na psicologia do perdão, foi fundamental neste trabalho. Por exemplo, ele e seus colegas distinguiam entre perdoar e tolerar, desculpar ou ignorar uma ofensa. Para que o verdadeiro perdão ocorra, afirmaram, é necessário que haja uma verdadeira ofensa ou mágoa, com consequências reais. Uma boa ilustração pode ser a dos clientes que Enright e uma de suas alunas, Suzanne Freedman (agora professora da University of Northern Iowa), descreveram em um artigo: mulheres sobreviventes de incesto infantil. Para que o verdadeiro perdão ocorresse neste contexto, argumentavam, as mulheres precisavam primeiro reconhecer que uma mágoa real lhes fora infligida quando crianças. Negar sua própria dor ou ignorar a atrocidade não seria perdão. E, se viesse, o perdão só ocorreria depois de trabalhar a difícil realidade do que aconteceu. Ao longo de muitos meses e através de um trabalho pessoal desafiador, as mulheres do estudo resolveram grande parte do medo, amargura, raiva, confusão e mágoa, e alcançaram um nível notável de paz e resolução em relação aos abusos anteriores.

Outra questão principal que se tornou rapidamente aparente na pesquisa foi se a reconciliação precisava fazer parte do perdão ou não. Para acadêmicos e terapeutas como eu, interessados ​​em ajudar as pessoas a obter o perdão por ofensas muitas vezes graves, como infidelidade conjugal ou violências do passado, o perdão é restrito a um processo interno. Assim, o perdão não inclui necessariamente a reconciliação, mas é o processo interno pelo qual alguém resolve a amargura e a mágoa e se move para algo mais positivo em relação à pessoa que o ofendeu, como empatia ou amor. Em contraste, a reconciliação é um processo pelo qual as pessoas restabelecem um relacionamento de confiança com alguém que as magoou. Essa distinção tornou-se fundamental em minha própria cura.

Embora esta distinção seja importante, não significa que a reconciliação não seja uma opção valiosa para aqueles de nós que vêem o perdão desta forma. Em vez disso, a reconciliação se torna um processo separado, independente do perdão, mas importante e valioso por si só. Isso foi um bálsamo considerável para mim nos meses que se seguiram à minha separação. Apesar da dor, raiva e confusão que ainda sentia meses depois, eu sabia que gostaria de buscar o perdão em algum momento no futuro. Eu não queria que minha amargura do passado contagiasse minha felicidade futura em relacionamentos amorosos. Eu não queria carregar esse fardo pelo resto da minha vida. Em vez disso, imaginei um momento em que gostaria de deixar isso de lado e seguir em frente. Meu verdadeiro medo, porém, era que, ao perdoar, eu necessariamente tivesse que me reconciliar com minha esposa ou, alternativamente, que se eu não quisesse me reconciliar, não me livraria da raiva. Ao ver o perdão como um processo separado da reconciliação, novas opções apareceram. Entendi então que poderia perdoar ou não, e poderia me reconciliar ou não.

Um processo semelhante ocorreu para muitos clientes com quem trabalhei. Por exemplo, lembro-me do alívio sensível que senti em um grupo de pessoas que estava tratando quando trouxe à tona a diferença entre perdão e reconciliação. Os membros desse grupo estavam lutando contra violências diversas, de serem financeiramente roubados por um ex a casos de traição e outras experiências negativas. Quando apresentei a possível distinção entre perdão e reconciliação e discutimos como isso poderia acontecer em suas próprias experiências, senti um suspiro coletivo. Houve um peso tirado dos ombros dos participantes simplesmente pelo entendimento de que perdoar não significa necessariamente reconciliar. Os membros do grupo sentiram-se mais livres e isso ajudou em seus processos de perdão de maneiras novas e ricas.

Por exemplo, Jo (nome fictício) estava sofrendo com um noivo que lhe roubou dez mil dólares e desapareceu. Obviamente, não havia maneira de Jo trabalhar na reconciliação, mesmo que ela quisesse, e ainda assim, com essa distinção, ela podia ver como ela ainda poderia seguir em frente com o perdão.

Por outro lado, Maria, que trabalhava para perdoar a filha adulta pelas coisas que a magoara, queria manter o relacionamento; ela estava muito interessada em reconciliação. Compreender a diferença ajudou-a a ver que ela poderia trabalhar tanto no perdão quanto na reconciliação de maneiras diferentes para ajudar a curar seu relacionamento com a filha.

Em suma, uma compreensão adequada parece ajudar as pessoas a aceitar o perdão e abre novas possibilidades de cura e crescimento. Mas como funciona e de que forma as pessoas podem usá-lo para seu próprio benefício?

Passei a maior parte da minha carreira acadêmica tentando responder a essa pergunta. Especificamente, estudei maneiras de ajudar as pessoas a perdoar os outros quando têm dificuldade para fazê-lo. A ciência sobre isso ainda é muito nova, mas parece haver um núcleo comum de intervenções que fornecem ajuda para que as pessoas caminhem em direção à resolução de suas feridas.

A primeira é uma estratégia testada e comprovada em quase todas as formas de psicoterapia: compartilhar a história pessoal em um ambiente seguro e sem julgamento. Quase todas as intervenções de perdão estabelecidas prescrevem um momento para compartilhar a mágoa ou ofensa. Isso é particularmente poderoso em um ambiente de grupo, no qual os participantes compartilham suas experiências diferentes uns com os outros, testemunham suas dores e se apoiam mutuamente. No entanto, contar a própria história de forma individual é também eficaz, em um contexto em que não se tenta dar conselhos, não se diminui a importância de sentimentos negativos e não se estimula a raiva (evitando reações como “sim, ele é a pior pessoa do mundo!”). Frequentemente, em nossos programas de perdão, os participantes nos dizem que uma das partes mais importantes e eficazes é a oportunidade de compartilhar com os outros o que lhes aconteceu. Afirmam que a parte mais útil costuma ser “saber que outros tiveram dificuldades semelhantes” e “ser capaz de desabafar, podendo dizer ali coisas que eu não poderiam ser ditas em outros lugares” e “sentir que foi ouvido, realmente compreendido e que poderia tirar isso do peito”.

Essa reação é compreensível, visto como pode ser difícil falarmos sobre momentos em que fomos magoados ou agredidos. Para alguns, é difícil compartilhar porque vítimas de violência em geral sentem vergonha e humilhação com a sua situação. Poucas pessoas querem compartilhar abertamente os momentos em que foram fracas ou maltratadas, traídas ou rejeitadas. São histórias de vulnerabilidade. Além da vergonha que as pessoas sentem, muitas vezes há o desejo de evitar a dor associada à mágoa: se eu compartilhar, terei que reviver a dor e talvez não seja capaz de lidar com isso. As intervenções que podem ajudar as pessoas a superar esses obstáculos, compartilhar sua dor e receber apoio podem ser de grande ajuda para ajudá-las a se recuperar.

Após uma recontagem completa da história, a maioria das intervenções oferece um tempo para as pessoas considerarem o ponto de vista do ofensor. O objetivo geralmente é ajudar as pessoas a desenvolver compreensão ou até empatia pela pessoa que as magoou. Existe um grande poder na empatia, ainda que existam também perigos envolvidos aí.

Três anos depois de encontrar aquele bilhete amassado, pedi o divórcio e segui em frente com um novo espírito de perdão

Quando bem feita, esta parte da intervenção ajuda as pessoas a expandirem sua perspectivas e ganharem nova consciência para as complexidades dos eventos que cercam suas feridas. Isso pode leva-las a uma visão mais ampla dos eventos, fazendo a ofensa parecer-se menos com uma maldade ou com sadismo e mais com uma situação complexa em que alguém tomou decisões prejudiciais ou ruins. Essa mudança de perspectiva e compreensão podem abrir as portas para o perdão. Um excelente exemplo disso é o trabalho de Frederic Luskin, diretor do Stanford Forgiveness Project, e do reverendo Byron Bland, capelão da Universidade de Palo Alto. Em 2000, eles reuniram protestantes e católicos da Irlanda do Norte que haviam perdido parentes devido à violência religiosa naquele país, e criaram um workshop de perdão de uma semana na Universidade de Stanford, na Califórnia. Grande parte dessa experiência foi ajudar cada grupo a ver o outro sob uma luz mais humana, a abandonar a amargura associada ao outro grupo e a alavancar a empatia para avançar em direção ao perdão. Como um participante que perdeu seu pai relatou: “Por anos eu tive ressentimento dos católicos, até vir para Stanford.”

É claro que, se feito de maneira inadequada ou sem precauções, tentar desenvolver empatia pode reduzir-se a culpar a vítima e encorajar aqueles que foram feridos a questionar ou minimizar seus sentimentos, permitindo que outros os magoem no futuro. A parte importante e difícil desse processo é ajudar as pessoas a manter a legitimidade de sua dor enquanto exploram outros pontos de vista. O objetivo é ajudar as pessoas a aceitarem seus sentimentos como compreensíveis e suas reações como justificadas, mesmo enquanto desenvolvem uma apreciação mais nuançada da perspectiva da pessoa ofensora. Isso leva tempo e muitas vezes não deve tentado até que um período considerável tenha decorrido desde a ofensa. A quantidade de tempo depende de muitos fatores, como a gravidade da mágoa e o relacionamento que se tem com a pessoa que o ofendeu.

Em minha própria jornada de perdão, foi de grande valia o compartilhamento da experiência e o desenvolvimento da empatia. Recebi ajuda considerável de vários parentes e amigos e de um terapeuta atencioso que ouviu minha história sem julgar o que eu deveria ou não fazer. Em vez disso, eles todos me ouviram, apoiaram-me em minha dor e permitiram que eu me expressasse livremente. Meu melhor amigo suportou o peso disso tudo. Tínhamos marcado uma viagem à praia no mesmo verão em que encontrei aquele bilhete para minha esposa. Eu a confrontei um pouco antes da viagem, e ela admitiu o caso pela primeira vez pouco antes de meu amigo e eu partirmos em nossa viagem. Passei dois dias na praia na Carolina do Norte vomitando minha raiva e confusão, compartilhando história após história de todos os pequenos enganos e equívocos que só agora eu estava juntando. Como ele tolerou tudo isso, eu não sei. Mas, para mim, foi um descarrego inicial que me ajudou a caminhar em direção ao perdão definitivo.

A parte importante seguinte na minha jornada de perdão foi construir empatia por minha ex-esposa. Isso não aconteceu imediatamente. Na verdade, tardou muitos anos até que eu fosse capaz de desenvolver uma nova perspectiva sobre a questão. Foi necessário esse tipo de distância até que eu me tornasse humilde o suficiente para ver como eu mesmo contribuí para o fim do relacionamento. Eu vi minha parte. Eu vi como ela pode ter se sentido aprisionada por mim, pela família e pelos amigos para entrar em um casamento que parecia invejável para estranhos, mas muito provavelmente nunca foi totalmente confortável para ela. Comecei a ver como essas forças podem tê-la influenciado a fazer as escolhas que fez. Agora posso sentir por ela e quão difícil e confuso tudo isso pode ter sido, e posso ver que ela provavelmente não tinha intenção ou desejo de me machucar. Ela se sentiu aprisionada e reagiu a essa experiência. Longe de tudo isso e distante daquela dor que senti, posso dizer que eu realmente queria o que era melhor para ela. Eu esperava que ela tivesse uma vida plena. Por fim, optei por perdoar minha esposa e optei por não me reconciliar. Três anos depois de encontrar aquele bilhete amassado na secadora, decidi pedir o divórcio e segui em frente com um novo espírito de perdão e paz.

Além de ajudar as pessoas a perdoar os outros, os pesquisadores também começaram a explorar maneiras de ajudar as pessoas a perdoar a si mesmas. Marilyn Cornish, psicóloga conselheira da Auburn University, no Alabama, e eu desenvolvemos uma dessas intervenções, com base em um modelo amplo de quatro etapas. As etapas incluem: responsabilidade, remorso, restauração e renovação. Concentramos essa intervenção em ajudar as pessoas que carregavam consigo uma grande culpa por ter ferido outras pessoas.

A abordagem geral de nossa intervenção é ajudar as pessoas a assumirem as devidas responsabilidades pela ofensa ou ferida que causaram, identificando as formas pelas quais elas são culpadas pela dor da outra pessoa. Fora dessa responsabilidade, elas são incentivadas a identificar e expressar o remorso que sentem. Acreditamos que é saudável abraçar nossa culpa e colocar esse sentimento em um contexto realista. A partir deste ponto, é possível avançar para a restauração. Nesta etapa, a pessoa é incentivada a fazer reparações, a restaurar os danos causados ​​aos outros e a seus relacionamentos e a se comprometer novamente com valores ou padrões que possam ter violado ao magoar os outros. Finalmente, a pessoa é capaz de passar para a renovação, que entendemos ser uma substituição da culpa e da autocondenação por um renovado autorrespeito e autocompaixão. Essa renovação é apropriada somente após uma verdadeira contabilidade da ofensa. Uma vez que isso tenha sido feito, é benéfico para a pessoa mudar para um senso renovado de autoaceitação e perdão.

O perdão a si mesmo a ajudou a enfrentar os filhos com mais honestidade e a restaurar o relacionamento com eles.

Testamos essa intervenção em um estudo clínico. Para isso, convidamos pessoas que haviam magoado outras pessoas e queriam se perdoar a participarem de um programa de aconselhamento individual de oito semanas. Das 21 pessoas que completaram o estudo, 12 receberam o tratamento imediatamente e nove o receberam após estarem na lista de espera. Aqueles que receberam o tratamento imediatamente relataram autoperdão significativamente maior e significativamente menos autocondenação e sofrimento psicológico do que aqueles na lista de espera. Na verdade, depois de controlar sua autocondenação e autoperdão, a pessoa média que recebeu o tratamento foi mais indulgente do que aproximadamente 90% das pessoas na lista de espera. Além disso, uma vez que aqueles na lista de espera receberam o tratamento, sua mudança na autocondenação, no perdão a si mesmo e na angústia psicológica igualou o grupo de tratamento.

Vários meses após a conclusão do estudo, recebi um e-mail de uma das clientes. Vou chamá-la de Izzie. Ela escreveu para nos agradecer pelo aconselhamento; ela disse que mudou sua vida. Izzie entrou no estudo porque estava lutando com as implicações de ter tido um caso extraconjugal no passado. Além de se sentir sozinha e desconectada da família como resultado do divórcio que se seguiu, Izzie ainda lutava com a vergonha e a culpa de suas ações. Essa vergonha a levou a se afastar dos filhos e, então, a sentir mais culpa e vergonha por sua incapacidade de cuidá-los e ser a mãe que desejava ser. Em seu e-mail, ela detalhou como o processo de autoperdão a ajudou a assumir a responsabilidade pelos eventos de maneira apropriada e superar o remorso para renovar seus relacionamentos. Ela nos contou como conseguiu encarar os filhos com mais honestidade e ter um relacionamento restaurado com eles. Depois de ter investido tanto tempo em sua própria autocondenação, ela agora estava livre para se relacionar com eles de uma nova maneira e ser mais a mãe que ela queria, e eles precisavam que ela fosse.

O perdão, dos outros e de si mesmo, pode ser um processo poderoso de mudança de vida. Pode mudar a trajetória de um relacionamento ou até mesmo a vida de uma pessoa. Não é a única resposta que uma pessoa pode dar ao ser magoado ou magoar os outros, mas é uma forma eficaz de administrar os momentos inevitáveis ​​de conflito, decepção e dor em nossas vidas. O perdão abrange tanto a realidade da ofensa quanto a empatia e compaixão necessárias para seguir em frente. O verdadeiro perdão não foge da responsabilidade, recompensa ou justiça. Por definição, ele reconhece que algo doloroso, até mesmo errado, foi feito. Simultaneamente, o perdão nos ajuda a abraçar algo além da reação imediata de raiva e dor e da amargura latente que pode resultar. O perdão incentiva uma compreensão mais profunda e compassiva de que todos nós temos falhas em nossas diferentes maneiras e que todos nós precisamos ser perdoados às vezes.

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