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A controversa aposta da China para ‘fabricar’ chuva – e por que muitos ainda duvidam dos resultados (BBC)

Dois homens com jaquetas amarelas e capacetes vermelhos estão de cada lado de um lançador de foguetes, com um deles carregando um projétil. Montanhas e neblina podem ser vistas ao fundo
A China tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950 por meio de um método conhecido, embora ainda controverso: a semeadura de nuvens

Ally Hirschlag, BBC Future

17 fevereiro 2026

Em março de 2025, uma frota de 30 aviões e drones lançou partículas de iodeto de prata no céu do norte da China. Ao atingirem o ar, o pó amarelo-pálido em seu interior emergiu e logo se transformou em “fios” acinzentados, entrelaçando o céu enquanto as aeronaves as liberavam em padrões cruzados. Muito abaixo delas, mais de 250 geradores terrestres lançavam foguetes com as mesmas partículas.

O objetivo era trazer alívio à seca nas regiões norte e noroeste, conhecidas como o cinturão de grãos do país. A grande operação foi o projeto “chuva de primavera”, conduzido pela Administração Meteorológica da China, e planejada para beneficiar as plantações no início da temporada de plantio.

A enorme operação foi aparentemente um sucesso, tendo supostamente produzido 31 milhões de toneladas adicionais de precipitação em 10 regiões suscetíveis à seca.

A China tenta aumentar artificialmente seus índices de chuva desde a década de 1950 por meio de um método conhecido, embora ainda controverso: a semeadura de nuvens.

Esse método busca estimular as nuvens a produzir mais umidade com o uso de partículas minúsculas, geralmente de iodeto de prata, cuja forma e peso são semelhantes aos de uma partícula de gelo.

A semeadura de nuvens há muito tempo gera preocupações, que vão desde os possíveis riscos ambientais e os impactos dos produtos químicos utilizados até possíveis danos a populações em áreas vizinhas, decorrentes de alterações nos padrões de chuva, além de tensões de segurança que possam surgir como consequência.

E, mesmo enquanto o país mais populoso do mundo intensifica a prática, cientistas e especialistas continuam questionando o quanto ela realmente funciona.

Caminho para a chuva

Nos últimos anos, a China intensificou de forma significativa seus esforços de semeadura de nuvens, em grande parte graças ao avanço das tecnologias de drones e de radar. O país realiza hoje modificações climáticas em mais de 50% de seu território, principalmente para aumentar a precipitação, embora também esteja tentando reduzi-la em determinadas áreas.

A técnica chegou a ser empregada para gerenciar as condições meteorológicas em datas específicas, como nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e nas comemorações do centenário do Partido Comunista Chinês, em 2021.

A modificação do clima se tornou “um projeto vital para o desenvolvimento científico das nuvens atmosféricas e dos recursos hídricos, servindo ao país e beneficiando o povo”, afirmou Li Jiming, diretor do Centro de Modificação do Clima da China, à época da operação “chuva de primavera” de 2025. “É um componente crucial para a construção de uma nação meteorológica forte”, acrescentou, ao destacar a necessidade de impulsionar a China “de grande protagonista na modificação artificial do clima a líder global”.

Funcionários do departamento meteorológico chinês se preparam para disparar projéteis de artilharia para semeadura de nuvens em Yongchuan, em 2009
Funcionários do departamento meteorológico chinês se preparam para disparar projéteis de artilharia para semeadura de nuvens em Yongchuan, em 2009

O crescente interesse da China em controlar a precipitação é óbvia: desde a década de 1950, o país vêm enfrentando secas cada vez mais frequentes e severas, com impactos sobre a agricultura e a economia do país.

Os experimentos chineses com semeadura de nuvens começaram em 1958, quando uma aeronave supostamente teria provocado chuva sobre a província de Jilin, atingida pela seca. A técnica, porém, havia sido descoberta nos Estados Unidos uma década antes e, como tantas ideias inovadoras, totalmente por acaso.

Na década de 1940, Vincent Schaefer era pesquisador da General Electric e trabalhava para evitar que as aeronaves ficassem muito geladas durante o voo. Ele havia desenvolvido um refrigerador especial para demonstrar como o gelo se forma nas nuvens.

Um dia, ele chegou ao laboratório e descobriu que o equipamento havia desligado. Quando colocou um pedaço de gelo seco (dióxido de carbono sólido, em temperatura extremamente baixa) dentro dela para resfriar o interior, testemunhou uma reação surpreendente: cristais de gelo surgiram subitamente, flutuando dentro do compartimento. Ele havia produzido precipitação de forma artificial.

Um ano depois, em 1946, Schaefer lançou quilos de gelo seco sobre nuvens super resfriadas acima das montanhas Adirondack, no Estado de Nova York. O experimento aparentemente desencadeou uma queda de neve.

Depois dessa experiência, iniciativas de semeadura de nuvens surgiram ao redor do mundo, embora com resultados variados e inconclusivos, marcados por dificuldades na medição de dados.

Para demonstrar resultados efetivos da semeadura de nuvens, cientistas precisam de um cenário meteorológico de controle quase idêntico àquele em que tentam intervir na natureza. “Não conseguimos fazer a mesma nuvem acontecer duas vezes. Portanto, não podemos realizar um experimento controlado”, afirmou Robert Rauber, professor de ciências atmosféricas na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA).

Semeadura de neve

Na China e em outras partes do mundo, a semeadura de nuvens, tanto para experimentos quanto para o uso prático, é realizada com mais frequência em áreas montanhosas para produzir neve, principalmente porque a neve é mais fácil de enxergar e medir do que a chuva.

Os cientistas usam radares para encontrar nuvens que contenham água líquida super-resfriada (entre -15°C e 0°C). Em seguida, liberam nelas partículas minúsculas de iodeto de prata por meio de aeronaves ou geradores instalados no solo. Essas partículas congelam ao entrar em contato com a água super-resfriada, formando cristais de gelo nas nuvens, que se tornam mais pesados e, por fim, caem no solo como neve ou gelo.

A semeadura de nuvens em clima quente funciona de maneira semelhante, mas utiliza sal para estimular pequenas gotículas de água a se unirem e aumentarem de tamanho até cair no solo. No entanto, é menos comum, porque nuvens mais quentes costumam se deslocar mais rapidamente e contêm menos água super-resfriada, além de a água não se acumular de forma tão visível quanto a neve, o que dificulta o monitoramento.

O químico americano Vincent Schaefer, que demonstrou e testou a ideia da semeadura de nuvens, tenta transformar sua respiração em cristais em 1949
O químico americano Vincent Schaefer, que demonstrou e testou a ideia da semeadura de nuvens, tenta transformar sua respiração em cristais em 1949

A primeira base operacional de semeadura de nuvens da China foi estabelecida em 2013, e hoje o país conta com seis bases que colaboram em pesquisas. Seu programa de modificação do clima é agora o maior do mundo, e as ambições de indução de chuvas cresceram na mesma proporção.

Em particular, a enorme iniciativa Tianhe (“rio do céu”, em tradução livre) do país, que visa criar um corredor de vapor de água do Planalto Tibetano até a região seca do norte da China, por meio de milhares de geradores instalados no solo.

Mas a China também enfrenta críticas diante de preocupações com os impactos mais amplos dessas operações. “Aplicadas em escala suficientemente grande, essas tecnologias de modificação climática podem representar riscos à habitabilidade e à segurança de países vizinhos”, disse Elizabeth Chalecki, pesquisadora em relações internacionais e governança tecnológica na Balsillie School of International Affairs (Canadá).

Um relatório recente argumentou que uma intervenção de tão grande escala no Planalto Tibetano poderia levar ao controle unilateral da China sobre recursos hídricos compartilhados com países vizinhos, como a Índia, levando a tensões geopolíticas. Por outro lado, uma análise ainda não publicada, baseada em 27 mil experimentos de semeadura de nuvens na China, concluiu que o impacto sobre outras nações foi mínimo.

Os potenciais danos da semeadura de nuvens podem ser exagerados, segundo Katja Friedrich, professora de ciências atmosféricas e oceânicas da Universidade do Colorado (EUA). Por exemplo, “não há indicação de que a semeadura de nuvens saia do controle e de repente você tenha essa explosão que gera uma tempestade”, disse ela em referência às inundações em Dubai, em 2024, e no Texas, em 2025, ambas erroneamente atribuídas à semeadura de nuvens.

Ainda assim, especialistas como Chalecki alertam para a ausência de políticas internacionais capazes de prevenir eventuais impactos transfronteiriços à medida que o programa chinês de modificação do clima avança. A China poderia até ser capaz de obter “um benefício de segurança auxiliar ao degradar discretamente o meio ambiente e a habitabilidade de um Estado rival”, sugere ela.

Falta de evidências

Há, no entanto, outro problema com a semeadura de nuvens: segundo cientistas, a China pode simplesmente não estar produzindo a quantidade de chuva que afirma gerar. “Acho que as alegações não são suficientemente sustentadas pelos dados”, afirmou Rauber, da Universidade de Illinois.

Na última década, o governo chinês divulgou repetidas vezes que seu programa de semeadura de nuvens estaria alcançando resultados expressivos. Um comunicado à imprensa afirmou que a iniciativa “chuva de primavera” de 2025 aumentou a precipitação na área-alvo em 20% em comparação com 2024. Já a agência meteorológica chinesa declarou, em dezembro de 2025, que as operações de chuva e neve artificial haviam produzido 168 bilhões de toneladas adicionais de precipitação (volume equivalente a cerca de 67 milhões de piscinas olímpicas) desde 2021.

O experimento Snowie, considerado referência na área, reuniu dados que indicam de forma clara que a semeadura de nuvens levou à produção de neve
O experimento Snowie, considerado referência na área, reuniu dados que indicam de forma clara que a semeadura de nuvens levou à produção de neve

“Há muitas alegações [globalmente], seja por parte de agências governamentais ou de empresas que podem se beneficiar de operações de semeadura de nuvens”, disse Jeffrey French, cientista atmosférico da Universidade do Wyoming (EUA). “Acho que há muitas declarações [vindas da China] que não podem ser validadas cientificamente nem comprovadas.”

Em 2017, French liderou um avanço significativo nas evidências sobre a técnica, quando o projeto “Snowie”, nas montanhas Payette, no Estado de Idaho (EUA), conseguiu coletar dados que demonstraram de forma inequívoca a produção de neve por meio da semeadura de nuvens. Desde então, os resultados repercutiram internacionalmente.

“Conseguimos, em diversos casos, identificar exatamente onde o material de semeadura estava nas nuvens e realizar medições diretamente nessas áreas”, afirmou French, pesquisador principal do projeto. Isso foi possível apesar de haver “tamanha variabilidade natural, tantas variações na natureza das nuvens e da precipitação”, disse.

Os pesquisadores também realizaram medições adicionais em áreas próximas, a 1 a 2 quilômetros de distância, o que permitiu comparar as duas regiões e demonstrar uma diferença clara entre a quantidade de neve produzida naturalmente e a gerada artificialmente pelo mesmo sistema de nuvens.

Foi o mais próximo que um estudo financiado de forma independente já chegou de um experimento controlado bem-sucedido na natureza. O extenso conjunto de dados do Snowie representou um marco: não apenas demonstrou que a semeadura de nuvens pode funcionar, mas também evidenciou o equilíbrio complexo de quando e como a técnica apresenta melhores resultados. Os dados viraram referência para um campo científico que carecia de comprovação empírica.

O estudo de referência foi citado em diversas pesquisas chinesas sobre semeadura de nuvens publicadas em periódicos com revisão por pares, incluindo uma que afirma que o trabalho “demonstra rigorosamente que a semeadura de nuvens realmente criou nuvens precipitantes e aumentou a precipitação na superfície”.

Resultados modestos

Ainda assim, os resultados do Snowie indicaram que o impacto da semeadura de nuvens é, no fim das contas, limitado. “É por isso que as pessoas tinham dificuldade em demonstrar o efeito nesses sistemas de precipitação”, disse Friedrich, da Universidade do Colorado. E, embora a técnica tenha sido comprovada em certa medida em outros contextos, até mesmo os cientistas que observaram os resultados de perto questionam se ela é eficaz o suficiente para justificar o esforço.

Alguns também avaliam que o uso da tecnologia avançou mais rápido do que a pesquisa científica, e que ainda não há dados confiáveis em quantidade suficiente para sustentar os resultados divulgados. “O problema desses programas de semeadura de nuvens é que a maioria é conduzida por governos, como na China ou nos Emirados Árabes Unidos”, disse Friedrich. “Mas há pouquíssima análise independente.”

Isso é relevante porque continua extremamente difícil distinguir entre a precipitação gerada pela intervenção e aquela que as nuvens produziriam naturalmente. “Em geral, é muito difícil saber se a semeadura de nuvens funciona em todos os casos”, afirmou Adele L. Igel, professora associada de física de nuvens na Universidade da Califórnia em Davis (EUA). “A teoria e a ciência indicam que deveria funcionar, mas é difícil verificar essas previsões de forma rotineira com observações e medições.”

Um soldado carrega projéteis usados na semeadura de nuvens durante uma operação para combater a seca em Xigu Township, na Província de Shanxi, no norte da China, em fevereiro de 2011
Um soldado carrega projéteis usados na semeadura de nuvens durante uma operação para combater a seca em Xigu Township, na Província de Shanxi, no norte da China, em fevereiro de 2011

Persistem ainda inúmeras limitações para que a técnica funcione de forma previsível. A semeadura de nuvens, por exemplo, não produz efeito se não houver nuvens com potencial de precipitação. Também é muito menos eficaz nos meses mais quentes, quando são raras as nuvens com água super-resfriada.

Isso significa que, em muitos casos, o custo pode superar os resultados, sobretudo quando se utilizam métodos aéreos. As técnicas baseadas em solo — que dependem de geradores que lançam iodeto de prata ou outro agente para as nuvens por meio de correntes de ar — são mais baratas, mas muito menos previsíveis. “A semeadura aérea é bastante eficiente, mas também muito cara, por isso as pessoas recorrem aos métodos terrestres”, disse Friedrich, da Universidade do Colorado.

Também é impossível prever com precisão quais serão os efeitos de modificações climáticas amplas e contínuas, seja na China ou em outros países. “É muito difícil avaliar, quanto mais prever, impactos climáticos regionais e anomalias remotas decorrentes de operações de modificação do tempo”, disse Manon Simon, professora da Universidade da Tasmânia (Austrália), que pesquisou extensivamente as implicações geopolíticas potenciais do programa chinês. Segundo ela, é particularmente complexo determinar se programas de longo prazo podem resultar em secas ou inundações mais frequentes ou intensas. A identificação desses riscos, acrescenta, exige monitoramento permanente e ampla cooperação internacional.

Uma nova fronteira

Nos quase dez anos desde o projeto Snowie, as técnicas de semeadura e as tecnologias de radar evoluíram, o que pode significar maior produção de precipitação. Com o avanço recente dos drones, a China ampliou o uso de equipamentos mais sofisticados e passou a recorrer à inteligência artificial (IA) para aumentar a precisão na liberação de iodeto de prata.

China e Emirados Árabes Unidos também experimentam métodos como o flare seeding (semeadura com sinalizadores, em tradução livre) e o envio de cargas de íons negativos às nuvens para estimular a união de gotículas, processo que leva à precipitação.

Ainda assim, como ocorre com a semeadura tradicional, permanece escassa a pesquisa independente que comprove de forma conclusiva que esses novos métodos produzem mais chuva. Os cientistas temem que o aumento das secas no mundo, impulsionado pelas mudanças climáticas, acelere a adoção da tecnologia sem que haja, na mesma proporção, estudos que indiquem quando e onde ela funciona com bom custo-benefício.

Os especialistas concordam que mais dados independentes ajudariam a identificar em que circunstâncias a semeadura pode surtir efeito e quando é improvável que funcione. As mesmas informações poderiam orientar medidas de proteção para proteger países vizinhos de eventuais impactos adversos.

Tudo isso, porém, demanda tempo, um argumento difícil de sustentar quando a escassez de água já é realidade, e muitos países buscam soluções imediatas.

Cloud Wars: Mideast Rivalries Rise Along a New Front (New York Times)

nytimes.com

Alissa J. Rubin, Bryan Denton


Artificial lakes like this one in Dubai are helping fuel an insatiable demand for water in the United Arab Emirates.
Artificial lakes like this one in Dubai are helping fuel an insatiable demand for water in the United Arab Emirates.

As climate change makes the region hotter and drier, the U.A.E. is leading the effort to squeeze more rain out of the clouds, and other countries are rushing to keep up.

Aug. 28, 2022

ABU DHABI, United Arab Emirates — Iranian officials have worried for years that other nations have been depriving them of one of their vital water sources. But it was not an upstream dam that they were worrying about, or an aquifer being bled dry.

In 2018, amid a searing drought and rising temperatures, some senior officials concluded that someone was stealing their water from the clouds.

“Both Israel and another country are working to make Iranian clouds not rain,” Brig. Gen. Gholam Reza Jalali, a senior official in the country’s powerful Revolutionary Guards Corps, said in a 2018 speech.

The unnamed country was the United Arab Emirates, which had begun an ambitious cloud-seeding program, injecting chemicals into clouds to try to force precipitation. Iran’s suspicions are not surprising, given its tense relations with most Persian Gulf nations, but the real purpose of these efforts is not to steal water, but simply to make it rain on parched lands.

As the Middle East and North Africa dry up, countries in the region have embarked on a race to develop the chemicals and techniques that they hope will enable them to squeeze rain drops out of clouds that would otherwise float fruitlessly overhead.

With 12 of the 19 regional countries averaging less than 10 inches of rainfall a year, a decline of 20 percent over the past 30 years, their governments are desperate for any increment of fresh water, and cloud seeding is seen by many as a quick way to tackle the problem.

The tawny mountain range that rises above Khor Fakkan in the United Arab Emirates is where summer updrafts often create clouds that make excellent candidates for seeding.

And as wealthy countries like the emirates pump hundreds of millions of dollars into the effort, other nations are joining the race, trying to ensure that they do not miss out on their fair share of rainfall before others drain the heavens dry — despite serious questions about whether the technique generates enough rainfall to be worth the effort and expense.

Morocco and Ethiopia have cloud-seeding programs, as does Iran. Saudi Arabia just started a large-scale program, and a half-dozen other Middle Eastern and North African countries are considering it.

China has the most ambitious program worldwide, with the aim of either stimulating rain or halting hail across half the country. It is trying to force clouds to rain over the Yangtze River, which is running dry in some spots.

While cloud seeding has been around for 75 years, experts say the science has yet to be proven. And they are especially dismissive of worries about one country draining clouds dry at the expense of others downwind.

The life span of a cloud, in particular the type of cumulus clouds most likely to produce rain, is rarely more than a couple of hours, atmospheric scientists say. Occasionally, clouds can last longer, but rarely long enough to reach another country, even in the Persian Gulf, where seven countries are jammed close together.

But several Middle Eastern countries have brushed aside the experts’ doubts and are pushing ahead with plans to wring any moisture they can from otherwise stingy clouds.

Today, the unquestioned regional leader is the United Arab Emirates. As early as the 1990s, the country’s ruling family recognized that maintaining a plentiful supply of water would be as important as the nation’s huge oil and gas reserves in sustaining its status as the financial and business capital of the Persian Gulf.

While there had been enough water to sustain the tiny country’s population in 1960, when there were fewer than 100,000 people, by 2020 the population had ballooned to nearly 10 million. And the demand for water soared, as well. United Arab Emirates residents now use roughly 147 gallons per person a day, compared with the world average of 47 gallons, according to a 2021 research paper funded by the emirates.

Currently, that demand is being met by desalination plants. Each facility, however, costs $1 billion or more to build and requires prodigious amounts of energy to run, especially when compared with cloud seeding, said Abdulla Al Mandous, the director of the National Center of Meteorology and Seismology in the emirates and the leader of its cloud-seeding program.

After 20 years of research and experimentation, the center runs its cloud-seeding program with near military protocols. Nine pilots rotate on standby, ready to bolt into the sky as soon as meteorologists focusing on the country’s mountainous regions spot a promising weather formation — ideally, the types of clouds that can build to heights of as much as 40,000 feet.

They have to be ready on a moment’s notice because promising clouds are not as common in the Middle East as in many other parts of the world.

“We are on 24-hour availability — we live within 30 to 40 minutes of the airport — and from arrival here, it takes us 25 minutes to be airborne,” said Capt. Mark Newman, a South African senior cloud-seeding pilot. In the event of multiple, potentially rain-bearing clouds, the center will send more than one aircraft.

The United Arab Emirates uses two seeding substances: the traditional material made of silver iodide and a newly patented substance developed at Khalifa University in Abu Dhabi that uses nanotechnology that researchers there say is better adapted to the hot, dry conditions in the Persian Gulf. The pilots inject the seeding materials into the base of the cloud, allowing it to be lofted tens of thousands of feet by powerful updrafts.

And then, in theory, the seeding material, made up of hygroscopic (water attracting) molecules, bonds to the water vapor particles that make up a cloud. That combined particle is a little bigger and in turn attracts more water vapor particles until they form droplets, which eventually become heavy enough to fall as rain — with no appreciable environmental impact from the seeding materials, scientists say.

That is in theory. But many in the scientific community doubt the efficacy of cloud seeding altogether. A major stumbling block for many atmospheric scientists is the difficulty, perhaps the impossibility, of documenting net increases in rainfall.

“The problem is that once you seed, you can’t tell if the cloud would have rained anyway,” said Alan Robock, an atmospheric scientist at Rutgers University and an expert in evaluating climate engineering strategies.

Another problem is that the tall cumulus clouds most common in summer in the emirates and nearby areas can be so turbulent that it is difficult to determine if the seeding has any effect, said Roy Rasmussen, a senior scientist and an expert in cloud physics at the National Center for Atmospheric Research in Boulder, Colo.

Israel, a pioneer in cloud seeding, halted its program in 2021 after 50 years because it seemed to yield at best only marginal gains in precipitation. It was “not economically efficient,” said Pinhas Alpert, an emeritus professor at the University of Tel Aviv who did one of the most comprehensive studies of the program.

Cloud seeding got its start in 1947, with General Electric scientists working under a military contract to find a way to de-ice planes in cold weather and create fog to obscure troop movements. Some of the techniques were later used in Vietnam to prolong the monsoon season, in an effort to make it harder for the North Vietnamese to supply their troops.

While the underlying science of cloud seeding seems straightforward, in practice, there are numerous problems. Not all clouds have the potential to produce rain, and even a cloud seemingly suitable for seeding may not have enough moisture. Another challenge in hot climates is that raindrops may evaporate before they reach the ground.

Sometimes the effect of seeding can be larger than expected, producing too much rain or snow. Or the winds can shift, carrying the clouds away from the area where the seeding was done, raising the possibility of “unintended consequences,” notes a statement from the American Meteorological Society.

“You can modify a cloud, but you can’t tell it what to do after you modify it,” said James Fleming, an atmospheric scientist and historian of science at Colby College in Maine.

“It might snow; it might dissipate. It might go downstream; it might cause a storm in Boston,” he said, referring to an early cloud-seeding experiment over Mount Greylock in the Berkshire Mountains of western Massachusetts.

This seems to be what happened in the emirates in the summer of 2019, when cloud seeding apparently generated such heavy rains in Dubai that water had to be pumped out of flooded residential neighborhoods and the upscale Dubai mall.

Despite the difficulties of gathering data on the efficacy of cloud seeding, Mr. Al Mandous said the emirates’ methods were yielding at least a 5 percent increase in rain annually — and almost certainly far more. But he acknowledged the need for data covering many more years to satisfy the scientific community.

Over last New Year’s weekend, said Mr. Al Mandous, cloud seeding coincided with a storm that produced 5.6 inches of rain in three days — more precipitation than the United Arab Emirates often gets in a year.

In the tradition of many scientists who have tried to modify the weather, he is ever optimistic. There is the new cloud-seeding nanosubstance, and if the emirates just had more clouds to seed, he said, maybe they could make more rain for the country.

And where would those extra clouds come from?

“Making clouds is very difficult,” he acknowledged. “But, who knows, maybe God will send us somebody who will have the idea of how to make clouds.”