Arquivo da tag: Caça

Caça de subsistência tem baixo impacto sobre biodiversidade de Unidades de Conservação na Amazônia (Pesquisa Fapesp)

agencia.fapesp.br

FAPESP

04 de outubro de 2023


Pesquisa feita em UCs de uso sustentável aponta que redução do número de indivíduos é maior em até 5 km das populações humanas; porém, é possível minimizar os efeitos negativos com estratégias de manejo

Foram instaladas 720 armadilhas fotográficas em 100 comunidades locais, dentro e fora de nove áreas protegidas de uso sustentável (foto: Ricardo Sampaio)

Luciana Constantino | Agência FAPESP – A existência de comunidades ribeirinhas e tradicionais em reservas extrativistas da Amazônia Legal não configura um risco para espécies de aves e mamíferos consideradas alvos de caça para subsistência, como mostra pesquisa publicada na revista Biological Conservation.

Porém, o estudo sugere que, para diminuir os efeitos negativos da caça de subsistência, seria importante promover estratégias de manejo, entre elas reduzir o consumo local de espécies sensíveis – como anta, queixada e mutum – e coibir o comércio de carne de caça nas áreas urbanas, priorizando principalmente comunidades locais mais próximas das cidades e em regiões de florestas de terra firme, onde a pesca em água doce e outras fontes de proteína aquática são escassas ou inexistentes.

Fruto do doutorado do analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Ricardo Sampaio, o trabalho mostrou que a redução da chamada “abundância” (uma espécie de contagem do número de indivíduos das espécies) ocorre até 5 quilômetros (km) de distância a partir das comunidades humanas.

Para o trabalho, foram usadas 720 armadilhas fotográficas em 100 comunidades locais, dentro e fora de nove áreas protegidas de uso sustentável – sendo cinco reservas extrativistas (Resex), duas reservas de desenvolvimento sustentável (RDS) e duas florestas estaduais – na região centro-oeste da Amazônia brasileira.

Geraram registros de 29 espécies de mamíferos e aves, pesando mais de cinco quilos, entre elas pacas, antas, mutuns e jacus. Em áreas onde a população desenvolve ou tem acesso a manejo sustentável de pescados, como é o caso do pirarucu na região do Médio Purus e do rio Juruá, no Estado do Amazonas, a tendência é de redução da pressão de caça sobre as espécies terrestres.

“O principal resultado do trabalho é que o fator mais relevante para alterar a diversidade, a abundância e a biomassa das espécies é a distância em relação à comunidade. Mesmo assim, detectamos que as comunidades humanas têm um impacto reduzido na biodiversidade, desmistificando algumas discussões que questionam o papel de unidades de conservação de uso sustentável para a proteção da biodiversidade. O manejo de base comunitária da fauna pode ser um caminho para garantir a segurança alimentar dessas pessoas, além de proteger a biodiversidade”, diz Sampaio à Agência FAPESP.

Os resultados foram publicados em meio à retomada do protagonismo da Amazônia nas questões ambientais e do lançamento da Declaração de Belém, que estabelece entre seus pontos o “aumento das reservas de vegetação nativa mediante incentivos financeiros e não financeiros e outros instrumentos para a conservação”. O documento foi assinado em agosto pelos líderes dos países integrantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) durante a Cúpula da Amazônia, realizada no Pará.

“Resultados práticos, como os que obtivemos na pesquisa, ajudam a criar ambientes de discussão e processos institucionais para lidar com um tema que é tabu no Brasil – a caça de subsistência. Agora o desafio é sensibilizar os gestores sobre esses resultados e trazê-los para a prática”, avalia Sampaio.

O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de projeto coordenado pelo pesquisador Ronaldo Gonçalves Morato, ex-coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do ICMBio. Morato e seu grupo já haviam publicado outro artigo mostrando que a distância de centros urbanos e a disponibilidade de proteína de origem aquática são os fatores que mais influenciam na avaliação de como moradores de Unidades de Conservação (UCs) percebem a sustentabilidade da caça nesses locais (leia mais em: agencia.fapesp.br/38547).

Também assinam o artigo publicado na Biological Conservation o professor Adriano Garcia Chiarello, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), e Carlos Augusto Peres, da University of East Anglia (Reino Unido). Peres recebeu o prêmio Frontiers Planet, que elegeu os três melhores artigos científicos do mundo na área ambiental nos últimos três anos. O trabalho premiado foi divulgado na revista PNAS.

Pressões

Os pesquisadores destacam que o trabalho representa um dos esforços de maior escala usando armadilhas fotográficas para examinar as respostas da população de vertebrados à caça em regiões da floresta tropical com maior biodiversidade do mundo, a Amazônia.

O grupo aponta que a redução de animais é fruto da maior pressão de caça próximo às comunidades. Contudo os impactos negativos nas florestas ao redor, tais como maior incidência de fogo, extração de madeira e presença de cachorros domésticos utilizados para a caça também podem repelir os animais próximo às comunidades, conforme registrado para 13 espécies avaliadas.

Nesse sentido, o pesquisador conta que o estudo já rendeu resultado prático. Quando o grupo estava fazendo o trabalho de campo em uma comunidade da região do Rio Liberdade (Resex Riozinho da Liberdade), no Acre, os moradores locais discutiam a efetividade de um acordo local para a caça de subsistência, mas divergiam sobre o uso ou não de cachorros para a atividade.

Os cientistas instalaram então as armadilhas em ambas as margens do rio, onde o uso de cães era permitido (margem direita) e a outra (margem esquerda) sem essa técnica. Ao recolher as imagens e apresentar à comunidade, viram que havia mais animais selvagens, chamados pelos próprios moradores locais de “bichos de carne de caça” ou simplesmente “caça”, onde o cachorro não era empregado. “Na reunião havia mulheres, crianças, lideranças locais. Mesmo morando em áreas de floresta, muitos viram pela primeira vez algumas espécies animais por meio das imagens das armadilhas”, lembra Sampaio.

Ele conta que depois de alguns meses recebeu uma minuta de reunião em que as imagens subsidiaram a decisão coletiva de não usar mais os cachorros de caça na comunidade. “Posteriormente essa decisão foi adotada no plano de manejo da unidade de conservação, que tem as regras definidas pela própria comunidade. Esse foi um resultado positivo na tomada de decisão local e na conservação da biodiversidade”, comemora o pesquisador, que defende aliar o conhecimento científico ao tradicional das populações locais, especialmente ribeirinhos e indígenas.

De acordo com a legislação, as reservas extrativistas são espaços territoriais que visam assegurar a proteção dos meios de vida e a cultura de populações tradicionais, como ribeirinhos, indígenas e quilombolas, bem como assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da área.

As populações desses locais podem ter sua fonte de renda baseada no extrativismo e, de modo complementar, na agricultura de subsistência e criação de animais de pequeno porte. As áreas das Resex são do poder público e é proibida a prática da caça amadora ou profissional.

O artigo Vertebrate population changes induced by hunting in Amazonian sustainable-use protected areas pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0006320723003075.

De olho no gato (Fapesp)

Pesquisadores se mobilizam para aumentar em 20% a população de onças-pintadas na mata atlântica em cinco anos

CARLOS FIORAVANTI e RICARDO ZORZETTO | Edição 215 – Janeiro de 2014

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva. © ADRIANO GAMBARINI

O veterinário Ronaldo Morato pretende sair logo atrás de onças-pintadas, se possível já em maio, quando passarem as chuvas do início de ano. Seu plano é colocar um colar especial em cinco onças dessa espécie que vivem nas florestas do sul do estado de São Paulo para acompanhar seus movimentos a distância e conhecer seus espaços favoritos. A definição de áreas prioritárias para a conservação desses animais faz parte de um plano estabelecido em setembro em Campinas para ampliar em 20% a população de onças-pintadas – os maiores felinos das Américas – na mata atlântica, o ambiente florestal em que são mais raras.

O plano propõe a redução da caça, o monitoramento das populações remanescentes, o uso de técnicas como inseminação artificial e a formação de um banco de sêmen de onças-pintadas da mata atlântica. Participantes da reunião – pesquisadores acadêmicos e representantes de empresas e de órgãos do governo – reconheceram que o esforço concentrado em um único ecossistema com metas de curto prazo deve facilitar o trabalho e aumentar a chance de sucesso do plano de ação. Já existe um plano nacional de preservação das onças-pintadas, publicado em dezembro de 2010 no Diário Oficial, com ações previstas até 2020. Em uma avaliação recente, os especialistas verificaram que parte dos objetivos tinha sido atingida e concluíram que trabalhar separadamente nos diferentes ambientes brasileiros poderia ser mais produtivo.

“Se conseguirmos reduzir as pressões atuais, como a caça e a fragmentação da floresta, pode já ser o bastante para aumentarmos a população de onça-pintada na mata atlântica”, diz Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Em sua sala de trabalho, em um prédio de dois pisos com amplas janelas de vidro e vigas de madeira próximo à rodovia Dom Pedro I, em Atibaia, ele acompanha pelo computador o movimento de oito onças-pintadas nas matas do norte do pantanal. Várias vezes ele sentiu medo e fascínio ao se ver em campo diante desses felinos, que podem chegar a 2,70 metros de comprimento e podem atacar quando se sentem acuados. A primeira vez foi em 1992, recém-formado em veterinária, para anestesiar uma onça-preta e acompanhar outros pesquisadores colocando um colar de monitoramento no animal, ainda como estagiário do biólogo Peter Crawshaw, um dos pioneiros na preservação de felinos silvestres no Brasil. “E nunca mais me desprendi das onças”, diz Morato, aos 47 anos.

“Temos de trabalhar juntos e acreditar que o plano vai dar certo”, ele ressalta. Reduzir a caça e a fragmentação, como ele propõe, exigirá uma atenção permanente dos órgãos de fiscalização ambiental nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, por onde a mata atlântica se espalha. Em todo o país, a caça – para a retirada e venda de pele ou como retaliação, quando as onças atacam os rebanhos – ainda é intensa, embora proibida e classificada como crime inafiançável. Em 2013, ele e Elildo Carvalho Jr., outro pesquisador do Cenap, em colaboração com o Instituto Pró-Carnívoros, verificaram que pelo menos 60 onças-pintadas (Panthera onca) e pardas (Puma concolor) foram mortas por caçadores nos últimos dois anos, com base em informações de 100 gestores das unidades de conservação ambiental administradas pelo governo federal. Estima-se que 5.500 representantes dessa espécie se escondam nas florestas brasileiras, principalmente na Amazônia e no pantanal. Mesmo assim, a onça-pintada é considerada vulnerável ao risco de desaparecimento, por causa do declínio populacional.

Na reunião de setembro em Campinas e em uma carta publicada na revista Science em novembro, pesquisadores de várias instituições do país alertaram que a mata atlântica, se nada for feito, pode ser o primeiro ambiente florestal brasileiro a perder essa espécie de felino – ali, a onça-pintada já é classificada como criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que a floresta atlântica abrigue apenas 250 onças-pintadas, total considerado baixo para a manutenção das populações. Além do pequeno número de animais, outro problema é a baixa diversidade genética. Os estudos do grupo de Eduardo Eizirik da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul indicaram que os 250 animais, em consequência de cruzamentos entre eles, correspondem a apenas 50 indivíduos efetivos, geneticamente distintos.

As onças-pintadas ocupam apenas 7% da área total da mata atlântica. Se houvesse mais animais dessa espécie – e também mais oferta de sua dieta favorita, as queixadas, uma espécie de porco selvagem bastante caçada por causa da carne, mas indesejada porque anda em bandos e destrói plantações –, a área ocupada poderia ser três vezes maior, de acordo com as pesquisas do grupo de Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Seus estudos indicaram que a falta de onças-pintadas, os predadores de topo de cadeia alimentar, pode causar vários tipos de desequilíbrios ecológicos, deixando animais herbívoros como a anta – ou mesmo roedores – se multiplicarem livremente ou favorecendo o crescimento de gramíneas e outras plantas baixas no lugar das árvores.

Região de Boqueirão da Onça

Região de Boqueirão da Onça. © CLAUDIA B. CAMPOS

Valéria Conforti, professora da Universidade de Franca (Unifran), disse que saiu otimista da reunião de setembro em Campinas. “Todos estavam chocados com a situação das onças-pintadas na mata atlântica e se mostraram dispostos a correr riscos e testar o que achamos que pode dar certo”, ela observou. Um de seus planos para este ano é testar, em onças-pintadas mantidas em zoológicos paulistas, uma técnica de inseminação artificial que ela aplicou experimentalmente em gatas domésticas e outros felinos no zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos. Essa abordagem consiste em medir a variação hormonal das onças fêmeas por meio da análise de fezes, identificar o momento mais adequado, induzir a ovulação e fazer a inseminação artificial, depositando sêmen por meio de uma laparoscopia na tuba uterina, em vez do útero, como já se faz, para facilitar o acesso do espermatozoide ao óvulo e aumentar a chance de fertilização. A inseminação artificial já foi aplicada a outros felinos, mas ainda não a onças-pintadas. Se os testes derem certo, Valéria pretende aplicar essa técnica em animais de vida livre em 2015, como forma de aumentar a probabilidade de geração de filhotes sadios e evitar o risco de cruzamento entre animais aparentados.

A transferência de animais de uma mata para outra é uma possibilidade cogitada para repovoar as matas com onças-pintadas. Trata-se, porém, de uma alternativa de custo alto e muitas dificuldades, que exige o apoio de comunidades rurais e fazendeiros que aceitem ter uma onça perto de suas casas ou pastagens. Vários estudos, como os do biólogo Sílvio Marchini, pesquisador da Escola da Amazônia e da Universidade de São Paulo (USP), mostraram que o apoio dos moradores de áreas rurais próximas a matas ocupadas por onças é fundamental para os planos de ação funcionarem. No pantanal, com resultado de um experimento-piloto do Cenap com uma pousada, ganha adesões o argumento de que o lucro com o turismo de observação de onças pode ser maior que a perda de um ou outro boi.

Há relatos de êxito de transferência de felinos nos Estados Unidos e na Espanha, mas no Brasil as poucas tentativas feitas até agora, em florestas a serem cobertas por reservatórios de hidrelétricas, não deram certo. Os animais transferidos não se adaptaram, começaram a comer bois e foram mortos por caçadores ou voltaram a seus locais de origem, a dezenas de quilômetros de distância. Em um dos debates no encontro de setembro em Campinas, os pesquisadores observaram que, nos próximos cinco anos, talvez a criação de conexões – ou corredores – entre os fragmentos de floresta seja uma alternativa mais viável que a inseminação artificial ou a transferência de animais para ampliar as populações de onças-pintadas na mata atlântica. Todos concordaram que se trata de um problema urgente. “Não podemos esperar muito”, disse Valéria Conforti. A onça-pintada já é considerada extinta no Uruguai e nos pampas do Sul do Brasil.

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça (acima), Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira (ao fundo) e Claudia Campos: diálogo constante

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça, Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira e Claudia Campos: diálogo constante. © ALEXANDRE ANÉZIO

Um poço para salvar as onças

Mais apreensiva do que quando olhou para os examinadores 
de sua banca de doutorado, 
a bióloga Claudia Campos observou os 50 sertanejos à sua frente na igreja do povoado de Queixo Dantas, norte da Bahia, na tarde de um domingo de julho de 2012. Nervosa, mas com 
voz firme, ao lado dos amigos Claudia Martins, Carolina Esteves e Alexandre Anézio, 
ela sugeriu aos homens que fizessem cercados para manter suas cabras e ovelhas, em vez 
de deixar os animais soltos na caatinga na época de seca, sob 
o risco de serem atacados por onças. Os criadores reagiram: como poderiam deixar os animais presos sem água nem comida, se não chovia há três anos? Se eles aceitassem, ela disse, poderiam construir um poço para tirar água e cultivar plantas para alimentar os animais. Oito deles aderiram ao plano.

A perfuração do poço artesiano estava prevista para o final do mês passado, as plantas que serviriam de alimento para os caprinos seriam semeadas logo depois e os novos cercados, construídos a partir de fevereiro. Se tudo der certo, os animais terão alimento ao longo de todo o ano, como
já se faz em outras partes do sertão do nordeste, e não precisarão mais pastar nas áreas de mata nativa durante 
a seca, reduzindo as chances 
de encontro com as onças; 
os moradores as matam para evitar que ataquem seus animais de criação.

Claudia chegou a Petrolina, Pernambuco, em outubro de 2006, como pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas 
e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, um dos braços antigos do Ibama, 
para detalhar a distribuição geográfica e os hábitos da 
onça-pintada em uma região
 de 900 mil hectares conhecida como Boqueirão da Onça. 
Ao verem a forasteira chegando em um carro com o logotipo 
do Ibama, os moradores logo diziam que não caçavam bicho nenhum. Conversando muito, ela venceu a desconfiança. “Todos estão cansados de ouvir do governo coisas que poderiam ajudar a vida deles e nunca aconteceram”, ela observou. 
“Já visitei 140 dos quase 
150 povoados da região.”

Aos poucos ela concluiu 
que teria de cuidar dos conflitos entre os moradores e os 
animais silvestres. Em 2009, aos 76 anos, o zoólogo George Schaller, pioneiro mundial na conservação de grandes carnívoros e vice-presidente 
da Panthera, organização que apoia o trabalho na Bahia, percorreu a região e reforçou sua hipótese ao dizer que seria impossível preservar animais silvestres sem a participação dos moradores locais. Claudia estima que por ali vivam 
50 onças-pintadas – ainda não 
viu nenhuma, apenas vê as pegadas durante o dia e 
sente que os animais passam 
por perto quando ela tem 
de dormir no meio da caatinga.

Projetos
1. Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por onça-pintada (Panthera onca) na mata atlântica e caatinga: uma análise comparativa (2013/10029-6); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Ronaldo Gonçalves Morato – Cenap; Investimento R$ 110.627,80 (FAPESP). 2. O uso de método não invasivo para monitoramento da função ovariana em onças-pintadas (Panthera onca) via ensaio imunoenzimático e caracterização dos metabólitos de esteroides fecais por meio de cromatografia líquida de alta eficiência (13/12757-9); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Valeria Amorim Conforti – Unifran; Investimento R$ 35.780,00 (FAPESP).

Artigos científicos
CARVALHO Jr., E.A.R. de e MORATO, R.G. Factors affecting big cat hunting in Brazilian protected areasTropical Conservation Science. v. 6, n. 2, p. 303-10. 2013.
CONFORTI, V. A. et al. Laparoscopic oviductal artificial insemination improves pregnancy success in exogenous gonadotropin-treated domestic cats as a model for endangered felidsBiology of Reproduction. v. 88, p. 112.105353. 2013.

Aboriginal Hunting Practice Increases Animal Populations (Science Daily)

Oct. 24, 2013 — In Australia’s Western Desert, Aboriginal hunters use a unique method that actually increases populations of the animals they hunt, according to a study co-authored by Stanford Woods Institute-affiliated researchers Rebecca and Doug Bird. Rebecca Bird is an associate professor of anthropology, and Doug Bird is a senior research scientist.

Aboriginal hunters looking for monitor lizards as fires burn nearby. (Credit: Rebecca Bird)

The study, published today inProceedings of the Royal Society B, offers new insights into maintaining animal communities through ecosystem engineering and co-evolution of animals and humans. It finds that populations of monitor lizards nearly double in areas where they are heavily hunted. The hunting method — using fire to clear patches of land to improve the search for game — also creates a mosaic of regrowth that enhances habitat. Where there are no hunters, lightning fires spread over vast distances, landscapes are more homogenous and monitor lizards are more rare.

“Our results show that humans can have positive impacts on other species without the need for policies of conservation and resource management,” Rebecca Bird said. “In the case of indigenous communities, the everyday practice of subsistence might be just as effective at maintaining biodiversity as the activities of other organisms.”

Martu, the aboriginal community the Birds and their colleagues have worked with for many years, refer to their relationship with the ecosystem around them as part of “jukurr” or dreaming. This ritual, practical philosophy and body of knowledge instructs the way Martu interact with the desert environment, from hunting practices to cosmological and social organization. At its core is the concept that land must be used if life is to continue. Therefore, Martu believe the absence of hunting, not its presence, causes species to decline.

While jukurr has often been interpreted as belonging to the realm of the sacred and irrational, it appears to actually be consistent with scientific understanding, according to the study. The findings suggest that the decline in aboriginal hunting and burning in the mid-20th century, due to the persecution of aboriginal people and the loss of traditional economies, may have contributed to the extinction of many desert species that had come to depend on such practices.

The findings add to a growing appreciation of the complex role that humans play in the function of ecosystems worldwide. In environments where people have been embedded in ecosystems for millennia, including areas of the U.S., tribal burning was extensive in many types of habitat. Many Native Americans in California, for instance, believe that policies of fire suppression and the exclusion of their traditional burning practices have contributed to the current crisis in biodiversity and native species decline, particularly in the health of oak woodland communities. Incorporating indigenous knowledge and practices into contemporary land management could become important in efforts to conserve and restore healthy ecosystems and landscapes.

The study was funded by the National Science Foundation.

Journal Reference:

  1. R. B. Bird, N. Tayor, B. F. Codding, D. W. Bird. Niche construction and Dreaming logic: aboriginal patch mosaic burning and varanid lizards (Varanus gouldii) in AustraliaProceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2013; 280 (1772): 20132297 DOI:10.1098/rspb.2013.2297