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Could Carbon Labeling Combat Climate Change? (Scientific American)

Experts argue that carbon labeling might promote energy efficiency and other efforts to reduce greenhouse gas emissions
By Joey Peters and ClimateWire | May 9, 2011

Some experts argue that revealing the carbon content of appliances and other items might help combat climate change. Image: Federal Trade Commission.

While large-scale efforts to curb greenhouse gases aren’t likely to happen in the near future, advocates are thinking of smaller ways to reduce emissions in the meantime.

Recently, Vanderbilt University professor Michael Vandenbergh and two others proposed the idea of voluntarily labeling carbon footprints on products in the journal Nature Climate Change.

“We know from other areas of labeling that labels do have some effect on behavior,” said Vandenbergh, an environmental law professor and director of the Climate Change Research Network. “They don’t drive all behavior but are certainly effective.”

He’s quick to point out that private measures like this can’t solve climate change alone but says they still help. Vandenbergh estimates it could take years before any type of international cap-and-trade system fully develops. Any emissions between now and whenever, or if ever, that happens will likely stick around for a long time. “The emissions we don’t reduce now will be in the atmosphere for a long time. This is a measure that would help fill the gap,” Vanderbergh said.

The paper, written with Thomas Dietz at Michigan State University and Paul Stern at the National Research Council, doesn’t precisely identify a label. It does, however, cite one by the London-based Carbon Trust, which certifies items in the United Kingdom like potato chips and hand dryers by adding up their amount of greenhouse gas emissions in kilograms.

But what’s lacking is an internationally recognized certification encompassing a broad range of products.

Developing a label
Vandenbergh envisions a nonprofit or non-governmental organization developing a label of this type, similar to what the Marine Stewardship Council does for fish. MSC has certifications for fish caught wild and fisheries that are sustainable. Although not mandatory, the labels have caught on in grocery stores. Walmart Canada recently pledged to sell only MSC-certified fish by 2013.

Another example he points to is the dolphin-safe label on tuna, explaining that it was very hard to sell without the label once controversies over tuna fisheries harming and sometimes killing dolphins became known. Other labels, like nutrition ones, for example, have had mixed results. Green labels also sometimes leave out things. Recent carbon footprint calculations of Brazilian beef left out the amount of deforestation caused by raising the cattle, according to a study in Environmental Science and Technology.

Vandenberg admits labeling isn’t perfect. “It’s likely there are weaknesses in this system,” he said. “The question is whether it’s viable as an alternative. And if government can’t act and we are getting some sustainability as result of that step, then it’s important.”

Apart from the Carbon Trust label, organizations like Toronto-based CarbonCounted and Bethesda, Md.-based CarbonFund.org have also developed carbon certifications.

In Madison, Wis., one organization is attempting to develop a smartphone application that scans food products to reveal their carbon footprints. The technology is there for it. The information is not.

Not enough information to work with
To develop the app, SnowShoeFood CEO Claus Moberg worked with three University of Wisconsin graduate students to find all the carbon footprint information they could on two brands of locally made ice cream.

“It’s taken us four months and a lot of legwork to assemble our best bet of a carbon footprint for the two types of ice cream,” Moberg said. And he still doesn’t think what they ended up with is enough to be acceptable in an academic evaluation of a food item’s carbon footprint. “It’s almost impossible to do this as an outsider,” he added.

If food companies made all carbon footprint data of their items available, the SnowShoe app would be able to rank them from smallest carbon footprints to largest. But until they come forward, it can’t.

Food manufacturers need to be shown that releasing such information would bring more benefits than costs, Moberg said. He’s optimistic that such a thing will happen, pointing to carbon labeling trends in Europe as a positive sign.

In the meantime, SnowShoe is promoting its “True Local” application, which can scan items to tell if they originated in Wisconsin or not. For now, it works at Fresh Madison Market, but he’s in talks with other groceries around the area.

The “True Local” app is a small start, but it may lead the way for this kind of labeling. With it, manufacturers will be able to tell which items are scanned and which are bought. Such consumer actions are hard to correlate with a simple label on a can.

But Vandenberg contends that buying locally is not enough, and the type of labels he envisions would have a wide range of factors considered. In the case of local vs. imported food, it’s important to look into the energy used to raise or grow it on top of the energy used to import it, he said. Another example he brings up is buying fresh vegetables in season versus buying vegetables raised in a hothouse.

Vandenburg adds that some items might be better for labeling than others. He’s currently developing a shortlist of promising products. Food, cars and household supplies come to mind as potential candidates, Vandenberg said, but he hasn’t listed any just yet.

Reprinted from Climatewire with permission from Environment & Energy Publishing, LLC. http://www.eenews.net, 202-628-6500

Proposta de alteração do Código Florestal provoca corrida ao desmatamento em Mato Grosso (ICV)

03/05/2011 – Laurent Micol, Ricardo Abad e Sérgio Guimarães / ICV
Novos desmatamentos detectados no município de Nova Ubiratã, Mato Grosso, entre agosto/2010 e abril/2011 Fonte: ICV

Nas últimas semanas acumularam-se provas de que está ocorrendo uma forte retomada do desmatamento no estado de Mato Grosso. Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon, já indicavam uma tendência de alta de 22% do desmatamento e de 225% na degradação florestal entre agosto/2010 e março/2011, com relação ao mesmo período do ano anterior. No mês de abril, operações de fiscalização realizadas pelo Ibama e divulgadas na mídia local e nacional revelaram o reaparecimento de casos de megadesmatamentos (desmatamentos acima de 1.000 hectares), que haviam praticamente desaparecido em Mato Grosso nos últimos três anos. O ICV mapeou o desmatamento recente em três municípios do centro-norte do estado, confirmando a tendência.
Nos meses de agosto/2010 a abril/2011, identificamos 66 novos desmatamentos no município de Nova Ubiratã, totalizando cerca de 37 mil hectares (Figura 1).

Clique aqui para ver o mapa em alta resolução.

No mesmo período, no município de Santa Carmem foram 24 novos desmatamentos totalizando 9 mil hectares e, no município de Cláudia, 22 novos desmatamentos totalizando também 9 mil hectares. No período de agosto/2009 a julho/2010, o desmatamento nesses municípios havia sido de 2.300, 1.200 e 700 hectares, respectivamente. O aumento nesses três municípios, somente até o mês de abril, já foi de mais de 1.200%.
Até o momento, a maior parte dos grandes desmatamentos detectados foi na região centro-norte do estado, que é a primeira a ter abertura da cobertura de nuvens. Nessa região predomina o plantio de grãos em grande escala. No entanto, com o final da estação chuvosa, podem aparecer grandes desmatamentos também nas regiões norte e noroeste. Com base nessas informações, alertamos que a taxa de desmatamento no estado de Mato Grosso, que havia caído abaixo de 100 mil hectares em 2010, pode voltar nesse ano aos níveis do período de pico, de 2001 a 2005, quando a média foi de 900 mil hectares por ano (Figura 2).

Clique aqui para ver a tabela do desmatamento.

Segundo informações de campo, o que está acontecendo é uma corrida para desmatar grandes áreas o quanto antes, visando aproveitar-se da anistia do desmatamento ilegal prometida pela proposta de alteração do Código Florestal. Essas ações estão sendo realizadas à revelia da lei em vigor, com a expectativa de impunidade, mesmo sabendo que certamente haverá fiscalização do órgão ambiental. Como demonstrado por várias análises, nas autuações por desmatamento ilegal, apenas um percentual ínfimo das multas são pagas.

Essa retomada dos desmatamentos em Mato Grosso baseada na aposta da alteração do Código Florestal também ecoa a atuação do próprio governador do estado, Silval Barbosa, que, em 20 de abril do corrente ano, sancionou uma lei do zoneamento estadual que prevê a possibilidade de regularização ambiental para áreas desmatadas até a data de sua publicação e, ainda, pretende isentar de reserva legal propriedades abaixo de 400 hectares, em franca contradição com a legislação federal.

Essa situação pode gerar consequências dramáticas não somente em termos ambientais, mas também políticos e possivelmente econômicos para Mato Grosso e para o Brasil. Mato Grosso vinha sendo responsável por mais de 60% da redução do desmatamento na Amazônia desde 2005, fator primordial para o cumprimento das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa contidas na Política Nacional de Mudanças Climáticas. Nesse contexto, a retomada do desmatamento constitui um retrocesso inaceitável e uma demonstração concreta de que a proposta de alteração do código florestal atualmente em tramitação no congresso nacional é extremamente nefasta, assim como foi a sanção da lei do zoneamento de Mato Grosso. É fundamental que o governo federal atue com a máxima urgência, tomando as atitudes necessárias, inclusive junto ao congresso nacional, para reverter essa situação e assim evitar maiores prejuízos à natureza e à sociedade brasileira.

Clique aqui para baixar pdf da análise.

Link original aqui.

Desafios para a democratização da informação ambiental no Brasil (REBIA)

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Informação ambiental para que, e por quê? Estas parecem ser as primeiras questões a serem respondidas por quem tem interesse no assunto da democratização da informação ambiental no Brasil. Numa sociedade que se diz e se espera democrática e sustentável, o acesso à informação ambiental é fundamental para assegurar o fortalecimento da democracia. Para fazer escolhas no rumo da sustentabilidade, a sociedade precisa de informações para a sustentabilidade, diferentes das atuais. Se a população não recebe informações ambientais em quantidade e qualidade adequadas, tenderá a reproduzir as mesmas escolhas que trouxeram a humanidade à beira de um colapso ambiental.

Então, surge uma segunda questão, afinal, existe ou não falta de democratização da informação ambiental no Brasil? A questão é relevante e a resposta fundamental para se definir o tipo de esforço necessário e a direção deste esforço. O problema da resposta é que ela não é única, mas diferente em função do observador.

Existe uma diferença entre a informação que se busca, proativamente, e a informação que se recebe, passivamente. Para quem busca a informação ambiental e dispõe dos meios necessários, encontrá-la pode ser relativamente fácil. Entretanto, mesmo para esta parcela de público, que é incluída digitalmente, lê jornais e revistas, e tem um mínimo de conhecimentos de direitos e deveres ambientais, nem sempre a informação que se encontra é a que se quer. Como qualquer outra informação, a ambiental também não está livre da meia verdade, da mentira, da manipulação tendenciosa, da especulação, do exagero, da falta de base científica, do emocionalismo, etc.

Por exemplo, existem leis que asseguram o acesso da sociedade a informações ambientais legais, entretanto, conseguir tais informações não é nada fácil. Só querer e ter as condições e o acesso à internet não bastam. Se a intenção for obter informações, por exemplo, sobre licenças ambientais, TACs (Termo de Ajuste de Conduta), compensação ambiental, a dificuldade será enorme, e se quiser ir mais além, e obter informações sobre as condicionantes – onde estão listados os projetos e obrigações -, então a informação ambiental pode se tornar quase inacessível, sem algum QI (quem indica) bem posicionado, coisa para poucos iniciados. Existem licenças que chegam a ter mais de 100 condicionantes, e se a imprensa e a sociedade não conseguem acesso a esta informação, muito menos tem como saber o que foi ou não cumprido, e daí não tem como divulgar ou cobrar responsabilidades. Para quem tiver alguma dúvida, faca um teste, escolha uma única empresa e tente obter estas informações ambientais, e então compreenderá o quanto a democratização da informação ambiental no Brasil ainda é uma promessa. E se conseguir, tente descobrir, do que foi comprometido, o que foi efetivamente realizado, e descobrirá que a falta da democratização da informação ambiental não se dá por um acaso.

Veja os fatos. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), entre janeiro de 2005 e outubro 2009, o IBAMA deixou de receber 99,4% do valor total das multas aplicadas contra crimes ambientais. Em quase cinco anos, foram R$ 14,6 bilhões não pagos por pessoas e empresas autuadas. Vivemos uma espécie de conto de fadas ambiental. O IBAMA finge que é capaz de exercer o Poder de Polícia, que tem estrutura e competência para isso, e todo mundo acredita. O que o TCU mostra é que, na prática, a verdade é outra. Falta estrutura e competência. Se acontece em relação a dinheiro vivo que o Governo Federal poderia estar recebendo, imagine o que acontece com as centenas de exigências condicionantes de licenças ambientais, ou dos Termos de Ajuste, ou de medidas compensatórias que deveriam se traduzir em projetos ambientais! Se acontece no nível federal, imagine o que acontece nos níveis estaduais e municipais!

Diante de um quadro como este, e preciso ter claro que a falta de falta de recursos ou prioridade para a democratização da informação ambiental não é fruto do acaso ou de alguma incompetência, mas trata-se de uma escolha deliberada pelo ´nada a declarar´ambiental. O desgaste que pode haver para infratores e órgãos ambientais ineptos na não informação é amplamente recompensado pelos benefícios da falta de transparência na informação ambiental, por que se a sociedade não sabe, então também não cobra. Já diz o ditado, o que os olhos não vêem o coração não sente! Manter a imprensa longe é uma maneira de se proteger e ganhar tempo. A falta de informação ambiental é o biombo onde algumas empresas e órgãos de governos se escondem da sociedade para fazer de conta que está tudo bem.

Outro exemplo está nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Mesmo nos melhores casos, não existe empresa cem por cento correta, nem se espera isso de ninguém, pois a perfeição é utopia presente apenas nos sonhos, nos ideais, nas promessas. O problema é que os relatórios tenderão a divulgar o que acontece de bom e mascarar ou ocultar o que ainda não vai bem, e ainda tende a demonstrar como mérito próprio resultados ambientais que na verdade são obrigações em função de licenciamento ou termos de ajuste. A relação entre o que as empresas lucram retirando da natureza e o que devolvem na forma de projetos ambientais é absolutamente desproporcional. Alguém poderá dizer que isso é da natureza humana, e que mostrar o que vai mal é papel dos críticos. Entretanto, abre uma brecha enorme para a ficção literária, para palavras e promessas até bonitinhas, em papel reciclado, mas vazios de conteúdo e credibilidade. Quando uma empresa divulga, por exemplo, que reduziu em 30 por cento sua poluição, desperdício ou embalagens, na verdade confessa que repassa 70 por cento dos seus custos ambientais para a sociedade, enquanto segue capitalizando lucros. Informação depende de credibilidade, e isso se torna um problema para empresas responsáveis que fazem um trabalho sério, pois tenderão a ser niveladas com as demais, tornando seus relatórios no mínimo suspeitos. Não é à toa que as tiragens são limitadas, mais para o público interno e acionistas, e as empresas não convidem a mídia ambiental para seus lançamentos, muito menos a incluam em seus planos de mídia, para não correrem o risco de perguntinhas inoportunas e desagradáveis nessas horas quando tudo o que se espera é brilho e festa.

Quanto ao acesso da grande maioria da população brasileira à informação ambiental, este se limita ao interesse da mídia de massa pelo assunto que, importante que se diga, com o agravamento das mudanças climáticas, tem se dedicado bastante aos temas ambientais. Entretanto, existe uma tendência – sempre com as raras exceções -, de abordar o assunto mais pelo viés do paraíso perdido do qual fomos expulsos, ou da natureza exótica, violenta, e distante de nós, reforçando a idéia de como é bom estarmos separados da natureza, vivendo em cidades, pois assim também não temos de sentir culpa nem nos sentir ameaçados pelo que fizermos a ela. Ou então quando ocorre algum acidente ambiental. A prática demonstra que, assim que o problema deixa de ser visível, também tende a desaparecer das pautas. O mercado trata a comunicação como um negócio que só vale a pena se der lucro, então a informação ambiental estará presente na pauta enquanto der audiência ou vender jornais e revistas.

É preciso compreender a diferença entre a informação que o público quer – e que se dispõe a pagar por ela – da informação que ele precisa, e que nem sempre se dispõe a pagar para ter. A informação ambiental nem sempre é uma informação que o público se dispõe a pagar para ter. Uma rápida visita a qualquer banca mostrará a realidade. Existem publicações diversas sobre todos os assuntos, menos sobre meio ambiente, excetuando-se uma ou outra publicação sobre turismo e paisagismo. E, para o mercado, a solução é muito simples, se a sociedade não se dispõe a pagar pela informação ambiental, então ela não deve existir. Por outro lado, a falta de interesse do publico pela informação ambiental é compreensível, primeiro por que temos um leque de interesses muito mais amplo que só o ambiental, por que a vida é naturalmente complexa. Segundo, por que a informação ambiental nem sempre serve para entreter e mais incomoda que outra coisa, ao mostrar os abusos contra a natureza, denuncia a poluição e a agressão ambiental, questiona valores consumistas e desperdiçadores, e incomoda até mesmo quando mostra alternativas de tecnologias e atitudes, pois os que optaram por tecnologias e atitudes poluidoras e predatórias não poderão mais argumentar desconhecimento.

Para assegurar a existência e o acesso do público à informação ambiental, os governos deveriam assegurar políticas públicas e recursos, como, aliás, já fazem com a mídia de massa, através de mecanismos de repasse de verbas de publicidade. Mas os governos não são neutros e ainda estão muito mais comprometidos com um modelo de desenvolvimento comprometido com o gigantismo das escalas, com a exportação para gerar excedentes que equilibrem as contas, onde tradicionalmente a natureza teve e tem de ceder. A não ser no campo das idéias e das utopias, a sociedade brasileira ainda está longe de um modelo ambientalmente sustentável e socialmente justo de desenvolvimento, e naturalmente a informação ambiental reflete isso. Quanto mais crítica ela for, quanto mais apontar as contradições entre as práticas e as promessas, menos recursos e audiência terá de quem recebem as críticas. Entretanto, este é o seu papel, e por mais que não gostem de críticas, precisam delas para avançar e aumentar a velocidade das mudanças entre um modelo predatório e injusto de desenvolvimento e outro mais justo e sustentável.

Outra fonte de recursos deveria vir das empresas, entretanto, em vez de ajudar a financiar a informação ambiental, quando querem divulgar alguma coisa, preferem investir no envio de releases em massa na esperança de obter mídia ambiental espontânea. Mais ou menos como acreditar em almoço grátis ou em Papai Noel. Divulgação custa caro, é verdade, mais uma razão para não imaginar que uma mídia ambiental empobrecida vá dar de graça o que tem para vender! As empresas preferem editar folhetos ou publicações próprias, em ambiente controlado, onde não correm o risco de ser alvo de alguma crítica. E, para não se verem expostas a perguntinhas inoportunas sobre outros assuntos, contratam serviços de comunicação de terceiros e ocultam seus telefones e e-mails dos releases.

O tendão de Aquiles dos que negam recursos para a informação ambiental são os voluntários que conseguem manter a democratização da informação ambiental mesmo sem recurso algum, por que não se subordinam às regras do mercado, e teimam em oferecer a informação ambiental como uma espécie de apostolado ideológico, até mesmo para quem não quer pagar por ela. Claro que este trabalho voluntário tem limitações, sejam técnicas ou financeiras, mas ainda assim, presta um importante serviço de interesse público, onde o estado e a iniciativa privada estão falhando.

Como diz o ditado popular, sem povo não se cria nada de novo, por isso, o desafio pela democratização da informação ambiental continua mais desafiador do que nunca, tanto no sentido de falarmos uma linguagem que o povo entenda quanto encontrar os meios que assegurem que a informação ambiental possa ir além dos atuais nichos de publico especializado.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br). Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – http://www.escritorvilmarberna.com.br

A RIO+20, o IV CBJA e a democratização da informação ambiental (REBIA)

Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*

Durante a ECO 92, os países se comprometeram a encontrar alternativas para a democratização da informação ambiental sempre que existissem obstáculos como os que existem para a mídia ambiental no Brasil, e até assinaram o capitulo 40.18 da Agenda 21, com este compromisso. Entretanto, vinte anos depois, a promessa ainda esta no papel.

Em 2012, o Brasil estará sediando a RIO+20, de novo na Cidade do Rio de Janeiro, um novo encontro global para avaliar o que avançou das promessas feitas a 20 anos. Pode ser um momento oportuno para a união de forcas dos que estão conscientes sobre a importância estratégica da democratização da informação ambiental para que a sociedade possa fazer escolhas melhores no rumo da sustentabilidade.

Os jornalistas ambientais já saíram na frente e anteciparam seu congresso para outubro desde ano, entre os dias 12 e 15, na Cidade do Rio de Janeiro. O IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental estará sendo realizado em paralelo a outros três eventos, o encontro da RedCalc – Rede Latino-Americana de Periodismo Ambiental, o Iº Encontro Nacional da REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental e o Iº Encontro da ECOMIDIAS – Associação Brasileira de Mídias Ambientais, uma tentativa ao mesmo tempo de economizar esforços e recursos, e também uma estratégia para facilitar a aglutinação de forcas entre movimentos e organizações com objetivos comuns.

A organização do IV CBJA estará, ainda, identificando e convidando parceiros estratégicos como a FBOMS – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, entre outros cuja missão inclua o compromisso com a democratização e a formação e fortalecimento da cidadania, para reforçar esta luta.

Detalhe: os eventos serão carbono negativo, ou seja, a OSCIP PRIMA estará plantando mais árvores que o necessário para a neutralização das emissões de carbono, além de adotar práticas ecoeficientes, pois os congressistas querem ser o exemplo que esperam ver na sociedade.

Entre os desafios a enfrentar, está o de formar uma Coalizão de organizações pela democratização da informação, com representação permanente em Brasília, capaz de ir além das promessas e reclamações, e pressionar de forma efetiva e constante por políticas publicas e financiamento público para a informação ambiental, por que existe uma diferença entre a informação que o público quer – e se dispõe a pagar por ela – e a informação que ele precisa.  O mercado consegue ser uma solução no primeiro caso, pois para ele a comunicação é vista como um negócio qualquer, precisa dar lucros, ou não terá razão para existir. Para o segundo caso, o país requer políticas públicas inclusive para o financiamento da informação ambiental que o público precisa.  No verão, por exemplo, o público dá audiência aos assuntos das catástrofes provocadas pelas chuvas, mas com o passar dos dias, o interesse vai diminuindo junto com as chuvas, até virar desinteresse e então o assunto some da mídia, como se o problema tivesse sido resolvido, para retornar com as catástrofes do verão seguinte. O mesmo acontece diante de algum acidente ambiental. Enquanto o problema permanecer visível ao interesse público estará na pauta da mídia de massa, mas assim que deixar de ser visível, desaparecerá também da mídia. Quem já acompanhou graves acidentes de vazamentos de petróleo ou de produtos químicos em rios e oceanos sabe bem disso. A informação ambiental precisa ir além apenas da dor. O quanto pior, melhor, é pior para todo mundo, ainda que assegure o interesse do público, e, portanto, da mídia em geral, por alguns breves momentos.

Uma rápida olhada nos títulos das revistas expostas nas bancas mostra a falta de oferta de informação ambiental, para este público, que freqüenta as bancas, em torno de 20% da população. Enquanto existem diversos títulos diferentes sobre a vida dos ricos e famosos, ou de mulheres nuas, ou sobre moda e beleza, automóveis, culinária, arquitetura, não existe nenhuma mídia específica sobre meio ambiente, educação e cidadania ambiental, consumo responsável, sustentabilidade, excetuando-se um ou outro título com viés mais para turismo ou paisagismo. O que não significa que a mídia ambiental não exista. Existe, só não consegue chegar ao Grande Publico, permanecendo como uma mídia marginal, mal conseguindo atender direito a uns poucos segmentos de interesse especializado.

O Governo Federal já dispõe de mecanismos para o repasse de dinheiro público para a iniciativa privada, através das verbas de publicidade, mas não existe uma política pública que priorize a informação que o público precisa, mas não se dispõe a pagar por ela. A maior parte desses recursos é destinada à mídia de massa – inclusive para os veículos de comunicação ligados à base aliada do Governo -, e acaba ajudando a financiar `realyts shows´e outras informações que o público quer. A mídia ambiental costuma ser contemplada com algumas poucas migalhas dessas verbas, mas o suficiente para não deixá-la morrer de inanição, e não o bastante para que chegue a incomodar nem ao próprio governo nem às empresas com suas críticas ao modelo predatório de desenvolvimento.

A mídia ambiental é uma mídia de resistência, e incomoda aos poderosos ao criticar o modelo predatório e injusto que avança sobre os limites e a capacidade de suporte da natureza. E incomoda até quando aponta soluções e caminhos que poderiam ajudar a nos tirar do rumo de um colapso ambiental cada vez mais visível, pois deixa claro que as escolhas pelas tecnologias sujas e predatórias não resultam do acaso ou da falta de opção. E incomoda e desagrada também ao próprio público em geral, ao criticar seus hábitos e atitudes consumistas e ambientalmente irresponsáveis. Então, não é de se estranhar que as pessoas não queiram a informação ambiental, embora precisem dela.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br ) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br ).  Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – www.escritorvilmarberna.com.br.

 

Astonishing Photos of One of Earth's Last Uncontacted Tribes (Fox News)

February 01, 2011 | FoxNews.com

 

Tribe members painted with red and black vegetable dye watch a Brazilian government plane overhead.

Gleison Miranda/FUNAI/Survival International

Tribe members painted with red and black vegetable dye watch a Brazilian government plane overhead.

Stunning new photos taken over a jungle in Brazil reveal new images of one of the last uncontacted tribal groups on the planet.

The photos reveal a thriving, healthy community living in Brazil near the Peruvian border, with baskets full of manioc and papaya fresh from their gardens, said Survival International, a rights organization working to preserve tribal communities and organizations worldwide.

Survival International created a stir in 2008, when it released similar images of the same tribal groups — images that sparked widespread allegations that the pictures were a hoax. Peru’s President Garcia has publicly suggested uncontacted tribes have been ‘invented’ by ‘environmentalists’ opposed to oil exploration in the Amazon, while another spokesperson compared them to the Loch Ness monster, the group explains on its site.

Survival International strongly disputes those allegations, however. A spokeswoman for the group told FoxNews.com that the Brazilian government has an entire division dedicated to helping out uncontacted tribes.

“In fact, there are more than one hundred uncontacted tribes around the world,” the group explains.

Peru has yet to make a statement about the newly released pictures, which were taken by Brazil’s Indian Affairs Department, the group said. Survival International is using them as part of its campaign to protect the tribe’s survival — they are in serious jeopardy, the organization argues, due to an influx of illegal loggers invading the Peru side of the border.

Brazilian authorities believe the influx of loggers is pushing isolated Indians from Peru into Brazil, and the two groups are likely to come into conflict. Marcos Apurina, coordinator of Brazil’s Amazon Indian organization COIAB said in a statement that releasing the images was necessary to prove the logging was going on — and to protect the native groups.

“It is necessary to reaffirm that these peoples exist, so we support the use of images that prove these facts. These peoples have had their most fundamental rights, particularly their right to life, ignored … it is therefore crucial that we protect them,” he said.

“The illegal loggers will destroy this tribe,” agreed Survival International’s director Stephen Corry. “It’s vital that the Peruvian government stop them before time runs out. The people in these photos are self-evidently healthy and thriving. What they need from us is their territory protected, so that they can make their own choices about their future.”

Read more: http://www.foxnews.com/scitech/2011/02/01/astonishing-photos-reveal-earths-uncontacted-tribes/#ixzz1DKZgWVgW

 

Wildlife conservation projects do more harm than good, says expert

New book claims western-style schemes to protect animals damage the environment and criminalise local people

Amelia Hill
The Guardian
Thursday 29 July 2010

A new book claims that schemes to protect habitats of endangered animals, such as the Sumatran tiger, often end up criminalising local communities. Photograph: Bagus Indahono/EPA

Ecotourism and western-style conservation projects are harming wildlife, damaging the environment, and displacing and criminalising local people, according to a controversial new book.

The pristine beaches and wildlife tours demanded by overseas tourists has led to developments that do not benefit wildlife, such as beaches being built, mangroves stripped out, waterholes drilled and forests cleared, says Rosaleen Duffy, a world expert on the ethical dimensions of wildlife conservation and management.

These picture-perfect images all too often hide a “darker history”, she adds. Her new book, Nature Crime: How We’re Getting Conservation Wrong, which draws on 15 years of research, 300 interviews with conservation professionals, local communities, tour operators and government officials, is published today.

When wildlife reserves are established, Duffy says, local communities can suddenly find that their everyday subsistence activities, such as hunting and collecting wood, have been outlawed.

At the same time, well-intentioned attempts to protect the habitats of animal species on the edge of extinction lead to the creation of wild, “people-free” areas. This approach has led to the displacement of millions of people across the world.

“Conservation does not constitute neat win-win scenarios. Schemes come with rules and regulations that criminalise communities, dressed up in the language of partnership and participation, coupled with promises of new jobs in the tourism industry,” claims Duffy, professor of international politics at Manchester University.

A key failure of the western-style conservation approach is the assumption that people are the enemies of wildlife conservation – that they are the illegal traders, the poachers, the hunters and the habitat destroyers. Equally flawed, she says, is the belief that those engaged in conservation are “wildlife saviours”.

Such images, she argues, are oversimplifications. “The inability to negotiate these conflicts and work with people on the ground is where conservation often sows the seeds of its own doom,” she adds.

“Why do some attempts to conserve wildlife end up pitting local communities against conservationists?” she asks. “It is because they are regarded as unjust impositions, despite their good intentions. This is vital because failing to tackle such injustices damages wildlife conservation in the long run.”

Duffy stresses that her intention is not to persuade people to stop supporting conservation schemes. “Wildlife is under threat and we need to act urgently,” she acknowledges. Instead, she says, she wants to encourage environmentalists to examine what the real costs and benefits of conservation are, so that better practices for people and for animals can be developed.

“The assumption that the ends justify the means results in a situation where the international conservation movement and their supporters around the world assume they are making ethical and environmentally sound decisions to save wildlife,” she says. “In fact, they are supporting practices that have counterproductive, unethical and highly unjust outcomes.”

Duffy focuses on what she says is the fallacious belief that ecotourism is a solution to the problem of delivering economic development in an environmentally sustainable way.

This is, she says, a “bewitchingly simple argument” but the assumption that such tourism necessarily translates into the kinds of development that benefits wildlife is far too simplistic.

“Holiday makers are mostly unaware of how their tourist paradises have been produced,” she says. “They assume that the picture-perfect landscape or the silver Caribbean beach is a natural feature. This is very far from the truth. Tourist playgrounds are manufactured environments, usually cleared of people. Similarly, hotel construction in tropical areas can result in clearing ecologically important mangroves or beach building which harms coral reefs.”

But the World Wildlife Fund for Nature, one of the four biggest environmental NGOs in the world, maintains that the loss of wildlife is one of the most important challenges facing our planet. As such, a powerful focus on conservation is necessary: “Conservation is essential so let’s not throw the baby out with the bathwater,” says a WWF-UK spokesman. “There are examples out there where ecotourism is working and has thrown a lifeline to communities in terms of economics and social benefits, as well as added biodiversity benefits.

“Let’s have more of those projects that are working for everybody and everything,” he adds. “There is no one-size-fits-all when it comes to ecotourism and conservation.”