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O poeta é um fingidor. Mentiram-me. Mentiram-me ontem
Finge tão completamente e hoje mentem novamente. Mentem
Que chega a fingir que é dor de corpo e alma, completamente.
A dor que deveras sente. E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Fragmentos dos poema Autopsicografia (em Fernando Pessoa – Obra Poética – Cancioneiro, Rio de Janeiro: Cia. José Aguilar Editora, 1972), e A implosão da mentira, de Affonso Romano de Sant’Anna (em A Poesia Possível, Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1987).
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Estará o fingimento para a poesia como a mentira para a política?