Arquivo mensal: março 2025

Por que previsões de terremotos falham tanto (BBC/Folha de S.Paulo)

Nas redes sociais, um autoproclamado ‘previsor’ de terremotos diz que consegue prever grandes tremores, mas especialistas afirmam que é pura sorte

Artigo original (Folha de S.Paulo)

26.mar.2025 às 15h22

Ana Faguy, Christal Hayes e Max Matza

BBC News

Brent Dmitruk se autodenomina um “previsor” de terremotos.

Em meados de outubro, ele disse às suas dezenas de milhares de seguidores nas redes sociais que um terremoto atingiria em breve o ponto mais ocidental da Califórnia, ao sul da pequena cidade costeira de Eureka, nos EUA.

Dois meses depois, um tremor de magnitude 7,3 atingiu o local ao norte da Califórnia–colocando milhões de pessoas sob alerta de tsunami, e aumentando o número de seguidores de Dmitruk, que confiaram nele para prever o próximo abalo sísmico.

“Então, para as pessoas que menosprezam o que eu faço: como vocês podem argumentar que é apenas uma coincidência? É preciso ter muita habilidade para descobrir para onde os terremotos vão”, afirmou ele na véspera do Ano Novo.

A imagem mostra uma torre de alto-falantes em primeiro plano, com três alto-falantes brancos montados em um suporte. Ao fundo, é visível a Ponte Golden Gate, com suas torres vermelhas e cabos suspensos, sobre um corpo d'água. O céu está claro e azul, e a paisagem é montanhosa.
Por que previsões de terremotos falham tanto – Getty Images via BBC

Mas há um problema: os terremotos não podem ser previstos, dizem os cientistas que estudam o fenômeno.

É exatamente essa imprevisibilidade que os torna tão perturbadores. Milhões de pessoas que vivem na costa oeste da América do Norte temem que o “Big One” (que significa “O Grande”) possa acontecer a qualquer momento, alterando paisagens e inúmeras vidas.

A imagem mostra uma estrutura de ponte parcialmente destruída, com um pilar quebrado e carros estacionados nas proximidades. O cenário é de destruição, com destroços de concreto espalhados pelo chão e uma paisagem árida ao fundo.
O terremoto de Northridge, em Los Angeles, que matou 57 pessoas e feriu milhares de outras, em 1994, foi o abalo sísmico mais mortal nos EUA na memória recente – Getty Images via BBC

Lucy Jones, sismóloga que trabalhou para o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) por mais de três décadas, e é autora de um livro chamado The Big Ones, concentrou grande parte de sua pesquisa nas probabilidades de terremotos e na melhoria da resiliência para resistir a esses eventos cataclísmicos.

Desde que começou a estudar terremotos, Jones conta que sempre houve pessoas querendo uma resposta para quando o “Big One”–que significa coisas diferentes, em regiões diferentes–vai acontecer, e alegando ter desvendado a questão.

“A necessidade humana de criar um padrão diante do perigo é extremamente forte, é uma resposta humana bastante normal ao medo”, diz ela à BBC. “No entanto, isso não tem nenhum poder de previsão.”

Com cerca de 100 mil terremotos registrados no mundo todo a cada ano, de acordo com o USGS, é compreensível que as pessoas queiram ser avisadas.

A região de Eureka, uma cidade costeira a 434 quilômetros ao norte de San Francisco, onde ocorreu o terremoto de dezembro, registrou mais de 700 terremotos somente no último ano–incluindo mais de 10 apenas na última semana, segundo os dados.

A região, onde Dmitruk adivinhou corretamente que haveria um terremoto, é uma das “áreas sismicamente mais ativas” dos EUA, de acordo com o USGS. Sua volatilidade se deve ao encontro de três placas tectônicas, uma área conhecida como Junção Tripla de Mendocino.

É o movimento das placas em relação umas às outras – seja acima, abaixo ou ao lado – que causa o acúmulo de estresse. Quando a tensão é liberada, pode ocorrer um terremoto.

Adivinhar que um tremor aconteceria aqui é uma aposta fácil, diz Jones, embora um terremoto forte, de magnitude sete, seja bastante raro.

O USGS destaca que houve apenas 11 terremotos deste tipo ou mais fortes desde 1900. Cinco deles, incluindo o que Dmitruk promoveu nas redes sociais, ocorreram na mesma região.

Embora o palpite estivesse correto, Jones afirma à BBC que é improvável que qualquer terremoto– inclusive os maiores, que devastam a sociedade–possa ser previsto com precisão.

Segundo ela, há um conjunto complexo e “dinâmico” de fatores geológicos que levam a um terremoto.

A magnitude de um terremoto é provavelmente formada à medida que o evento está ocorrendo, Jones explica, usando o ato de rasgar um pedaço de papel como analogia: o rasgo vai continuar a menos que haja algo que o interrompa ou retarde–como marcas de água que deixam o papel molhado.

Os cientistas sabem por que ocorre um terremoto – movimentos repentinos ao longo de falhas geológicas–, mas prever este evento é algo que, segundo o USGS, não pode ser feito, e algo que “não esperamos descobrir em um futuro próximo”.

A imagem mostra um cenário de destruição urbana, com edifícios em ruínas e escombros visíveis. No fundo, há prédios parcialmente intactos, enquanto a área em primeiro plano exibe paredes de tijolos danificadas e destroços. A cena é em preto e branco, sugerindo um período histórico anterior.
San Francisco ficou em ruínas após o terremoto de 1906 – Getty Images via BBC

A agência observa que pode calcular a probabilidade de terremotos em uma região específica dentro de um determinado número de anos – mas isso é o mais próximo que eles conseguem chegar.

Os registros geológicos mostram que alguns dos terremotos de maiores proporções, conhecidos como “Big Ones” pelos moradores locais, acontecem com certa regularidade. Sabe-se que a zona de subducção de Cascadia desliza a cada 300 a 500 anos, devastando regularmente a costa noroeste do Pacífico com megatsunamis de 30,5 metros de altura.

A falha de San Andreas, no sul da Califórnia, também é fonte de outro potencial “Big One”, com terremotos devastadores ocorrendo a cada 200 a 300 anos. Especialistas afirmam que o “Big One” pode acontecer a qualquer momento em qualquer uma das regiões.

Jones conta que, ao longo de sua carreira, milhares de pessoas a alertaram com previsões de um grande terremoto–inclusive indivíduos na década de 1990, que enviavam faxes para seu escritório na esperança de fazer um alerta.

“Quando você recebe uma previsão toda semana, alguém vai ter sorte, certo?”, diz ela rindo. “Mas isso geralmente subia à cabeça deles, e eles faziam mais 10 previsões que não estavam certas.”

Esta situação parece ter acontecido com Dmitruk, que não tem formação científica. Há muito tempo ele prevê que um terremoto incrivelmente grande atingiria o sudoeste do Alasca, o Japão ou as ilhas da costa da Nova Zelândia, com uma magnitude tão forte que, segundo ele, poderia interromper o comércio global.

O USGS afirma que uma previsão de terremoto precisa ter três elementos definidos – uma data e hora, o local e a magnitude do tremor – para ser útil.

Mas o cronograma de Dmitruk continua mudando.

Em um determinado momento, ele disse que o terremoto ocorreria imediatamente antes ou depois da posse do presidente dos EUA, Donald Trump.

Depois, ele anunciou que aconteceria, sem dúvida, antes de 2030.

Embora esse terremoto de grandes proporções ainda não tenha ocorrido, Dmitruk afirma que ainda acredita que vai acontecer.

“Não acredito que seja apenas por acaso”, diz Dmitruk à BBC. “Não é aleatório ou sorte.”

Este tipo de pensamento é comum quando se trata de terremotos, de acordo com Jones.

“Distribuições aleatórias podem parecer ter padrões, vemos constelações nas estrelas”, ela observa.

“Muita gente tem muito medo de terremoto, e a maneira de lidar com isso é prever [quando] eles vão acontecer.”

Como você pode se preparar diante da incerteza de um terremoto

No entanto, o fato de não ser possível prever quando vai acontecer um terremoto, não significa que você deva estar despreparado, segundo especialistas.

Todos os anos, na terceira quinta-feira de outubro, milhões de americanos participam da maior simulação de terremoto do planeta: The Great Shake Out, que pode ser traduzida como “a grande sacudida”.

O exercício foi criado por um grupo do Centro de Terremotos do Sul da Califórnia, que incluía Jones.

Durante a simulação, as pessoas praticam a orientação de “se abaixar, se cobrir e aguardar”: elas se ajoelham, se protegem sob um objeto resistente, como uma mesa, e se mantêm assim por um minuto.

O exercício se tornou tão popular desde sua criação que se espalhou pela costa propensa a terremotos para outros Estados e países.

Se estiverem ao ar livre, as pessoas são aconselhadas a ir para um espaço aberto longe de árvores, edifícios ou linhas de transmissão de energia. Perto do oceano, os moradores praticam fugir para terrenos mais altos depois que o tremor cessa, para se preparar para a possibilidade de um tsunami.

“Agora, enquanto o solo não está tremendo, enquanto não é uma situação muito estressante, é realmente o melhor momento para praticar”, afirma Brian Terbush, gerente do Programa de Terremotos e Vulcões da Divisão de Gerenciamento de Emergências do Estado de Washington, nos EUA.

Além das simulações, os moradores dos Estados da Costa Oeste americana usam um sistema de alerta telefônico mantido pelo USGS, chamado ShakeAlert.

O sistema funciona por meio da detecção de ondas de pressão emitidas por um terremoto. Embora não possa prever quando um terremoto vai ocorrer em um futuro distante, ele fornece um alerta com segundos de antecedência que podem salvar vidas. É a coisa mais próxima de um “previsor” de terremotos que foi inventada até agora.

Este texto foi publicado inicialmente aqui.

Trump corta US$ 400 milhões em verba da Universidade Columbia (Folha de S.Paulo)

www1.folha.uol.com.br

Governo acusa instituição de omissão frente a antissemitismo por ter sido palco de protestos contra a guerra em Gaza e contra o apoio dos EUA a Israel

Victor Lacombe

7 de março de 2025


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (7) o cancelamento de US$ 400 milhões, cerca de R$ 2,3 bilhões, em verbas para a Universidade Columbia, de Nova York, por suposta omissão da instituição frente ao antissemitismo em protestos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza e o apoio de Washington a Israel.

As verbas representam 8% do valor de US$ 5 bilhões que deve ser repassado à instituição pelo governo federal nos próximos anos e dizem respeito principalmente a contratos de prestação de serviço e financiamento a pesquisa.

Em 2024, Columbia teve receita de US$ 6,6 bilhões, a maior parte arrecadada com mensalidades e cobranças médicas de seus hospitais universitários. Já os gastos foram de US$ 6,3 bilhões —além disso, a instituição possui US$ 14,8 bilhões no seu fundo mantenedor, entre bens e valores investidos.

Em nota conjunta, os departamentos de Educação, Justiça e Saúde disseram nesta sexta que o corte é apenas o começo e acusaram Columbia de “omissão frente a perseguição persistente contra estudantes judeus”.

O comunicado não dá exemplos desses casos de perseguição, mas a secretária de Educação de Trump, Linda McMahon, disse que “desde 7 de outubro [de 2023, data do ataque terrorista contra Israel realizado pelo grupo terrorista Hamas], estudantes judeus enfrentam violência, intimidação e perseguição antissemita de maneira implacável em seus campi —e são ignorados por aqueles que deveriam protegê-los”.

A Universidade Columbia ganhou manchetes no mundo todo em 2024 quando se tornou um dos principais palcos de manifestações estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza, a destruição e mortes causadas por Israel contra a população palestina na região e o apoio dos EUA ao aliado histórico no Oriente Médio.

Estudantes de Columbia chegaram a montar barracas no campus para protestar contra a guerra e foram seguidos por alunos de outras instituições americanas e de países como Austrália, França, Reino Unido, Canadá e Brasil.

A administração da universidade nova-iorquina autorizou a polícia a entrar no campus para desmontar os acampamentos e reprimir os protestos, uma decisão que encontrou eco na forma como a instituição lidou com protestos contra a Guerra do Vietnã nos anos 1960.

“Todas as universidades precisam obedecer leis antidiscriminação se quiserem receber verbas federais”, prosseguiu McMahon. “Columbia vem abandonando sua obrigação com estudantes judeus há tempo demais em seu campus. Hoje, demonstramos para esta universidade e outras que não toleraremos mais sua chocante omissão.”

Embora o comunicado do governo Trump não entre em detalhes, membros do Partido Republicano frequentemente representaram os protestos estudantis em Columbia e outras universidades como manifestações que defendiam o extermínio de judeus, em parte pelo seu uso da frase “do rio ao mar, a Palestina será livre”.

A palavra de ordem, que faz referência ao território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, é interpretada por apoiadores de Israel como defendendo a remoção de israelenses da região. Manifestantes pró-Palestina, entretanto, negam essa significação e afirmam que a frase é um pedido de liberdade —destacando que muitos dos estudantes que protestaram contra a guerra são judeus.

Além disso, esses manifestantes denunciam a aparente intenção de republicanos e do governo Trump de, ao classificar todo protesto contra Israel de antissemita, buscar restringir qualquer crítica a Tel Aviv e cercear a liberdade de expressão em universidades.

O corte de verbas anunciado nesta sexta é, até aqui, a medida mais drástica tomada pelo novo governo Trump contra uma instituição de ensino superior e tem o objetivo declarado de pressionar Columbia e outras universidades a agirem contra estudantes que participam desses protestos.

Columbia disse em nota na sexta que está “analisando o anúncio do governo federal e promete trabalhar com as autoridades para reverter a decisão”. “Levamos nossas obrigações legais a sério e entendemos a seriedade desta decisão. Columbia está comprometida com o combate ao antissemitismo e com garantir a segurança dos nossos estudantes, trabalhadores e corpo docente”, prosseguiu a nota.

Nas últimas semanas, Columbia expulsou três estudantes envolvidos em ações como essa: dois por supostamente interferir em uma aula chamada “História de Israel Moderno”, dada no campus por um ex-soldado das Forças Armadas israelenses, e um terceiro por participar da invasão de um prédio em abril de 2024.

A pressão do governo Trump também veio na forma de ameaças contra os estudantes estrangeiros que estudam em universidades americanas. “Aqueles que apoiam organizações terroristas conhecidas, como o Hamas, ameaçam nossa segurança nacional”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. “Os EUA têm tolerância zero para visitantes estrangeiros que apoiam terroristas, e quem quebra a lei, incluindo estudantes internacionais, pode perder o visto e sofrer deportação.”

Mais tarde, a imprensa americana relatou que o Departamento de Estado estuda utilizar inteligência artificial para analisar postagens de estudantes e determinar quais delas são “pró-Hamas” para, assim, deportar alunos estrangeiros.

First global study of the extraordinary role of animals as architects of Earth (Anthropocene Magazine)

First global study of the extraordinary role of animals as architects of Earth

Original article

Researchers calculated that creatures large and small rival the landscape reshaping power of half a million major floods each year.

By Warren Cornwall

February 26, 2025

The little red and brown termite Syntermes dirus might be less than an inch long. But it can literally move mountains.

The Brazilian insect as the chief architect of earthen mounds as much as four meters tall that carpet a section of eastern Brazil the size of Virginia. There, 90 million mounds represent earth moving equal to 900 of Egypt’s Great Pyramid. Their discovery prompted scientists in 2015 to declare it “ the greatest example of insect … ecosystem engineering at a landscape scale.”

The termite is a dramatic illustration of how organisms besides humans can reshape the earth’s surface, much like forces such as wind and water. But it’s not the only one. And their collective capacity to literally move the Earth is greater than previously known.

“The role of animals in shaping Earth’s landscapes is much more significant than previously recognized,” said Gemma Harvey, a scientist at Queen Mary University of London who studies how organisms interact with the Earth’s surface.

Harvey led research that recently unveiled an eye-popping estimate for just how much wild animals are influencing the planet’s soil and rocks. By their calculations, every year it’s at least equivalent to hundreds of thousands of major floods that sweep rocks and sediment downstream. And that, they say, is a conservative number. “These estimates,” the authors write, “are astounding.”

It’s not just termites getting into the act. There are some of the best known and most charismatic examples: beavers that dam entire valleys; salmon that dredge river bottoms for their nests; grizzly bears that excavate hillsides in search of roots.

But that, it turns out, is just a tiny fraction of all the critters busily moving earth to and fro. Harvey and colleagues counted nearly 500 wild species and five domesticated livestock where scientists have documented their ability to influence the shape of the landscape, from the lowly ant to the African elephant. In many cases, they amplify erosion. Hippopotamus trails, for instance, can become the seed for networks of creeks. In others, such as the termites, they can collect soil together to build structures. In many cases, it’s as simple as a creature such as a tortoise digging an underground burrow, which then paves the way for mice and crickets to add their little burrows to the maze. Don’t forget the roughly 20 quadrillion ants, many moving one grain of soil at a time. Add them all up, and it can become a subtle, planet-spanning, never-ending earthquake.

Adding them up is what Harvey and company did. The scientists tracked down studies for all the land and freshwater organisms whose earth-shaping powers had been measured. Then they used estimates of the global biomass of different types of animals, and factors such as the abundance of earth-moving species within those groups, to calculate the total biomass of the earth shapers (my terms, not theirs). They converted this biomass into calories to come up with their total energy content. Then the scientists made what they considered a conservative estimate that 1% of the organisms’ total energy was spent somehow influencing earth movement. They emerged from this mathematical thicket with the following pronouncement: These wild animals expend roughly 76,000 gigajoules per year shaping the Earth, the equivalent of more than half a million major river floods, a much more widely recognized force carving away at the Earth. “From beavers creating wetlands to ants building mounds of soil, these diverse natural processes are crucial, yet we risk losing them as biodiversity declines,” said Harvey.

And that’s just a fraction of the overall picture. By Harvey’s estimates, the effect of livestock – all those cows, goats, sheep and other hoofed creatures – dwarf the wild animals. Their land-moving power is roughly 450 times greater – 34.5 million gigajoules.

Then there are humans. The paper’s authors don’t calculate that. But when you add up our own biomass, plus all the energy we extract from the planet to drive bulldozers and other earth-moving machines, well … how big do you think that number is?

Harvey, et. al. “Global diversity and energy of animals shaping the Earth’s surface.” Proceedings of the National Academy of Sciences. Feb. 18, 2025.

Image: by ayeshafernando/Envato Elements

[For comparison: according to the graphic below, the energy related to human activity in 2023 was 619 exajoules. That means 619.000.000.000 gigajoules. The energy used in human activity is, therefore, around 10 million times higher than what is mentioned in the article. RT]