>Um novo furacão no Brasil (JC, O Globo)

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Inmet, Marinha e Inpe divergem sobre tempestade Arani, que atinge litoral.

JC e-mail 4218, de 16 de Março de 2011.

Um fenômeno climático que tem provocado chuva intensa do Norte Fluminense ao sul da Bahia divide os principais órgãos meteorológicos do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) chama o Arani, como foi batizado, de furacão. Em um alerta especial, ressaltou a ocorrência de ventos de até 120 km/h sobre o Oceano Atlântico.

O diagnóstico, porém, não é compartilhado pela Marinha do Brasil, que define o mesmo fenômeno como tempestade subtropical – uma escala de gravidade abaixo -, nem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que afirma tratar-se de uma depressão tropical – outro degrau abaixo no nível de periculosidade.

Fenômeno se afasta da costa brasileira

O Arani (“tempo furioso”, em tupi) se formou pela conjunção de água e ar quentes em uma área de forte instabilidade próxima à costa do Espírito Santo. Esse sistema provocou uma circulação ciclônica de ventos, além de grandes volumes de chuva naquele estado. O perigo não foi maior porque a formação está sobre alto-mar e, nos próximos dois dias, deve se dirigir para sudeste, afastando-se ainda mais do litoral brasileiro.

De acordo com o Inmet, o Arani ganhou mais força quando se afastou do litoral, adquirindo as características de um furacão híbrido. Trata-se de uma formação diferente das que costumam devastar o Caribe e o Atlântico Norte, pois, em vez de um sistema independente, que se alimenta do aquecimento das águas do mar, está associado a um ciclone, originado de uma frente fria.

O furacão está a 110 quilômetros da costa brasileira e só representa ameaça a embarcações e aviões que sobrevoem a região do Cabo de São Tomé, litoral do Rio, que está em sua rota para o oceano. Nos próximos dias, o Arani deve atingir águas internacionais, e o monitoramento caberá à África do Sul.

O Inmet classificou o fenômeno com a ajuda de órgãos americanos de monitoramento de furacões. De acordo com a meteorologista Morgana Almeida, da equipe do instituto, não há risco de o movimento atual do fenômeno se inverter, trazendo prejuízos ao continente. O instituto alertou autoridades da Marinha, que tomaram providências para evitar o tráfego na área atingida pelos fortes ventos.

Mas o próprio Serviço Meteorológico da Marinha classifica o Arani de outra forma. O órgão identificou rajadas de, no máximo, 80 km/h. Há grande precipitação em alto-mar, mas as ondas provocadas por elas, de 3 a 4 metros, têm o mesmo tamanho daquelas formadas por uma frente fria.

– Formações como essa não são comuns, mas podem ocorrer no verão – ressalta a meteorologista Caroline Vidal Ferreira da Guia, do Inpe. – O Arani tem força para provocar transtornos à população, mas, segundo nossas medições, não chega a ser um furacão.
(O Globo)

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