‘Não existem índios no Brasil’, diz escritor em abertura de congresso (G1)

22/05/2013 14h24 - Atualizado em 22/05/2013 14h40

Para ele, a palavra ‘índio’ surgiu de maneira equivocada e reduz os povos.

Autor de 43 livros, Daniel Munduruku abriu o evento em Poços de Caldas. 

Jéssica BalbinoDo G1 Sul de Minas

Daniel Munduruku é autor de 43 livros e falou durante abertura de Congresso (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Daniel Munduruku é autor de 43 livros e falou durante abertura de Congresso (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Autor de 43 livros, o indígena Daniel Munduruku foi o palestrante convidado para a abertura do 10º Congresso do Meio Ambiente em Poços de Caldas (MG) nesta quarta-feira (22). O índio, que é doutor em educação e cursa pós-doutorado em literatura na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), falou sobre a ‘Mãe Terra e a Questão Indígena’  durante um bate-papo com os congressistas.

Em uma saudação na língua do povo ao qual pertence, abriu a fala e brincando, pediu licença a quem estava no ambiente. “Bom dia a todos os amigos aqui presentes, espero que este encontro seja tão bom para vocês como vai ser para mim”, saudou, em uma referência aos ancestrais. “Nossos avós diziam que quando vamos encontrar alguém, temos que ir com o coração aberto e alegre para que o encontro seja bom, desejando que as pessoas que estão no lugar se sintam da mesma forma”, pontuou, ao lembrar que estar conectado com o meio ambiente é estar conectado com a poesia do universo.

“A luta pelo meio ambiente é a luta de todo povo brasileiro” - Daniel Munduruku, escritor e doutor

“Vou falar de outras tantas coisas que não são meio ambiente, mas também são. Quero olhar nos olhos e conversar. Para começar, vou destacar que não sou índio e que não existem índios no Brasil. O que existem são povos. Eu sou Munduruku e pertencer a um povo é ter participação dentro de uma tradição ancestral brasileira. Quando eu digo que não existem índios, quero dizer que existe uma diversidade muito grande de ancestralidade. São pelo menos 250 povos indígenas e são faladas pelo menos 180 línguas no Brasil”, disse.

Para ele, a palavra ‘índio’ surgiu de maneira equivocada e reduz os povos. “Está ligada a uma série de conceitos e pré-conceitos. Normalmente ela está vinculada a coisas negativas, embora haja muito romantismo na história, a maioria do pensamento quer dizer que o  índio é um ser fora de moda, atrasado no tempo e selvagem. Alguém que está atrapalhando o progresso e continuamos reproduzindo um estereótipo que foi sendo passado ao longo da nossa história”, criticou.”

Público vindo de várias partes do Brasil debateu durante palestra (Foto: Jéssica Balbino/ G1)Público vindo de várias partes do Brasil debateu
durante palestra (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

O bate-papo foi permeado por lembranças do indígena, que contou histórias sobre a própria vida, a fase de transição entre infância e adolescência e a perda do avô, que segundo ele, na tradição Munduruku, é quem transmite os ensinamentos dentro de uma família ou tribo. Com isso, ele chegou à dúvida dos presentes que era: como começou a escrever e se tornou acadêmico. “Quando meu avô morreu, me fez entender o que era ser Munduruku e eu sempre quis lembrar dele assim. Queria ser como ele, um contador de histórias. Demorei para saber como seria meu caminho, se seria na tribo ou na cidade, mas optei pela cidade e pela vida acadêmica e hoje estou aqui,  transmitindo estas histórias que são tão cheias de sabedoria de vida e de meio ambiente”, pontuou.

Em relação ao meio ambiente e aos questionamentos feitos pelo público, o indígena destacou a questão da evolução humana e no Brasil a construção de barragens. “O povo Munduruku está sofrendo com a construção das barragens, seja em Belomonte, seja em Rondônia, enfim, eles estão lutando para viver. A natureza e o ambiente que os índios vivem fazem parte da humanidade deles. Eles lutam para se manterem e lutam por um Brasil inteiro que não tem a consciência de perceber isso. A luta pelo meio ambiente é a luta de todo povo brasileiro”, finalizou.

Origins of human culture linked to rapid climate change (Cardiff University)

21-May-2013

By Ian Hall

Rapid climate change during the Middle Stone Age, between 80,000 and 40,000 years ago, during the Middle Stone Age, sparked surges in cultural innovation in early modern human populations, according to new research.

The research, published this month in Nature Communications, was conducted by a team of scientists from Cardiff University’s School of Earth and Ocean Sciences, the Natural History Museum in London and the University of Barcelona.

The scientists studied a marine sediment core off the coast of South Africa and reconstructed terrestrial climate variability over the last 100,000 years.

Dr Martin Ziegler, Cardiff University School of Earth and Ocean Sciences, said: “We found that South Africa experienced rapid climate transitions toward wetter conditions at times when the Northern Hemisphere experienced extremely cold conditions.”

These large Northern Hemisphere cooling events have previously been linked to a change in the Atlantic Ocean circulation that led to a reduced transport of warm water to the high latitudes in the North. In response to this Northern Hemisphere cooling, large parts of the sub-Saharan Africa experienced very dry conditions.

“Our new data however, contrasts with sub-Saharan Africa and demonstrates that the South African climate responded in the opposite direction, with increasing rainfall, that can be associated with a globally occurring southward shift of the tropical monsoon belt.”

Linking climate change with human evolution

Professor Ian Hall, Cardiff University School of Earth and Ocean Sciences, said: “When the timing of these rapidly occurring wet pulses was compared with the archaeological datasets, we found remarkable coincidences.

“The occurrence of several major Middle Stone Age industries fell tightly together with the onset of periods with increased rainfall.”

“Similarly, the disappearance of the industries appears to coincide with the transition to drier climatic conditions.”

Professor Chris Stringer of London’s Natural History Museum commented “The correspondence between climatic ameliorations and cultural innovations supports the view that population growth fuelled cultural changes, through increased human interactions.”

The South African archaeological record is so important because it shows some of the oldest evidence for modern behavior in early humans. This includes the use of symbols, which has been linked to the development of complex language, and personal adornments made of seashells.

“The quality of the southern African data allowed us to make these correlations between climate and behavioural change, but it will require comparable data from other areas before we can say whether this region was uniquely important in the development of modern human culture” added Professor Stringer.

The new study presents the most convincing evidence so far that abrupt climate change was instrumental in this development.

The research was supported by the UK Natural Environment Research Council and is part of the international Gateways training network, funded by the 7th Framework Programme of the European Union.

Climate slowdown means extreme rates of warming ‘not as likely’ (BBC)

19 May 2013 Last updated at 17:31 GMT

By Matt McGrath – Environment correspondent, BBC News

ice

The impacts of rising temperature are being felt particularly keenly in the polar regions

Scientists say the recent downturn in the rate of global warming will lead to lower temperature rises in the short-term.

Since 1998, there has been an unexplained “standstill” in the heating of the Earth’s atmosphere.

Writing in Nature Geoscience, the researchers say this will reduce predicted warming in the coming decades.

But long-term, the expected temperature rises will not alter significantly.

“The most extreme projections are looking less likely than before” – Dr Alexander Otto, University of Oxford

The slowdown in the expected rate of global warming has been studied for several years now. Earlier this year, the UK Met Office lowered their five-year temperature forecast.

But this new paper gives the clearest picture yet of how any slowdown is likely to affect temperatures in both the short-term and long-term.

An international team of researchers looked at how the last decade would impact long-term, equilibrium climate sensitivity and the shorter term climate response.

Transient nature

Climate sensitivity looks to see what would happen if we doubled concentrations of CO2 in the atmosphere and let the Earth’s oceans and ice sheets respond to it over several thousand years.

Transient climate response is much shorter term calculation again based on a doubling of CO2.

The Intergovernmental Panel on Climate Change reported in 2007 that the short-term temperature rise would most likely be 1-3C (1.8-5.4F).

But in this new analysis, by only including the temperatures from the last decade, the projected range would be 0.9-2.0C.

IceThe report suggests that warming in the near term will be less than forecast

“The hottest of the models in the medium-term, they are actually looking less likely or inconsistent with the data from the last decade alone,” said Dr Alexander Otto from the University of Oxford.

“The most extreme projections are looking less likely than before.”

The authors calculate that over the coming decades global average temperatures will warm about 20% more slowly than expected.

But when it comes to the longer term picture, the authors say their work is consistent with previous estimates. The IPCC said that climate sensitivity was in the range of 2.0-4.5C.

Ocean storage

This latest research, including the decade of stalled temperature rises, produces a range of 0.9-5.0C.

“It is a bigger range of uncertainty,” said Dr Otto.

“But it still includes the old range. We would all like climate sensitivity to be lower but it isn’t.”

The researchers say the difference between the lower short-term estimate and the more consistent long-term picture can be explained by the fact that the heat from the last decade has been absorbed into and is being stored by the world’s oceans.

Not everyone agrees with this perspective.

Prof Steven Sherwood, from the University of New South Wales, says the conclusion about the oceans needs to be taken with a grain of salt for now.

“There is other research out there pointing out that this storage may be part of a natural cycle that will eventually reverse, either due to El Nino or the so-called Atlantic Multidecadal Oscillation, and therefore may not imply what the authors are suggesting,” he said.

The authors say there are ongoing uncertainties surrounding the role of aerosols in the atmosphere and around the issue of clouds.

“We would expect a single decade to jump around a bit but the overall trend is independent of it, and people should be exactly as concerned as before about what climate change is doing,” said Dr Otto.

Is there any succour in these findings for climate sceptics who say the slowdown over the past 14 years means the global warming is not real?

“None. No comfort whatsoever,” he said.

“Cientistas podem contar uma história sem perder a acurácia” (Fapesp)

Dan Fay, diretor da Microsoft Research Connections, afirma que a tecnologia pode ajudar os pesquisadores a expor artigos e atrair mais leitores, sejam eles seus pares, formuladores de políticas ou agências de fomento (foto:Edu Cesar/FAPESP)

Entrevistas

21/05/2013

Por Frances Jones

Agência FAPESP – Com mais de 20 anos de Microsoft, o engenheiro Dan Fay faz parte de um seleto grupo de profissionais que vasculha o mundo científico em busca de parcerias entre a gigante de informática e autores de projetos relacionados às ciências da Terra, energia e meio ambiente.

São projetos como o software World Wide Telescope, desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, que permite que cientistas de diversas regiões do mundo acessem imagens de objetos celestes coletadas por telescópios espaciais, observatórios e instituições de pesquisa, manipulem e compartilhem esses dados.

“Nosso desafio é encontrar pesquisadores a cuja pesquisa podemos agregar valor e não apenas fornecer mais máquinas”, disse Fay, que, além de ser diretor da divisão de Terra, Energia e Ambiente da Microsoft Research Connections, o braço de pesquisas da Microsoft, integra o conselho consultivo industrial para Computação e Tecnologia da Informação da Purdue University, no estado norte-americano de Indiana.

Fay esteve em São Paulo para participar do Latin American eScience Workshop 2013, promovido pela FAPESP e pela Microsoft Research de 13 a 15 de maio, quando proferiu duas palestras a pesquisadores e estudantes de diversos países sobre avanços em diversas áreas do conhecimento proporcionados pela melhoria na capacidade de análise de grandes volumes de informações. Em uma delas, falou sobre como a ciência pode utilizar a computação em nuvem; na outra, sobre “como divulgar sua pesquisa internacionalmente”. Em seguida, conversou com a Agência FAPESP. Leia abaixo, trechos da entrevista.

Agência FAPESP – O que o senhor espera para o futuro com relação à eScience, a utilização no fazer ciência de tecnologias e ferramentas de computação?
Fay – O interessante sobre a eScience é combinar dados computacionais e novas técnicas nas mais diversas áreas. O que vemos agora é um uso maior da computação, mas o passo seguinte será o cruzamento dos diferentes domínios e o uso combinado dessas informações, como, por exemplo, da biologia e do meio ambiente juntos, fazendo uma análise transversal. Os dois domínios falam línguas diferentes. A passagem entre as áreas será um dos próximos desafios. Não se pode assumir que um dado significa algo. É preciso ter certeza.

Agência FAPESP – Como os pesquisadores podem utilizar a computação em nuvem para seus estudos?
Fay – A computação em nuvem fornece um novo paradigma para enfrentar os desafios da computação e da análise de dados nas mais diversas áreas do conhecimento científico. Diferentemente dos supercomputadores tradicionais, isolados e centralizados, a nuvem está em todos os lugares e pode oferecer suporte a diferente estilos de computação que são adequados para a análise de dados e para colaboração. Nos últimos três anos temos trabalhado com pesquisadores acadêmicos para explorar o potencial desta nova plataforma. Temos mais de 90 projetos de pesquisa que usam o Windows Azure [plataforma em nuvem da Microsoft] e temos aprendido muito. Como em qualquer tecnologia nova, há sempre pessoas que começam antes e outras depois. Há vários pesquisadores que começaram a usá-la para compreender como isso pode mudar a forma com que fazem pesquisa.

Agência FAPESP – O senhor acha que no futuro haverá uma mudança na forma de se divulgar ciência?
Dan Fay – Comentei com os alunos no workshop que sempre haverá os artigos tradicionais, de revistas científicas, que são revisados pelos pares. Com a quantidade de informações que temos hoje, no entanto, para tornar isso mais visível para outras pessoas e para o público em geral, os dados também podem ser apresentados de outra forma. Um artigo que se aprofunda nos detalhes também pode ser acessível a pessoas de diferentes domínios. Produzir fotos e vídeos, entre outros recursos, também pode ajudar.

Agência FAPESP – Esse é um papel dos cientistas?
Fay – Você pode usar os mesmos dados científicos acurados e contar histórias sobre eles. E permitir que as pessoas escutem diretamente de você essa história de forma visual. Essa interação é muito poderosa. É a mesma coisa que ir ao museu e ver várias obras de arte: as pessoas se conectam a elas. Os cientistas querem que seus colegas e as pessoas em geral se conectem dessa forma com suas informações, dados ou artigos. Acho bom encontrar outros mecanismos que possam explicar os dados. Estamos em uma época fascinante na qual há uma preocupação em divulgar a informação de um jeito interessante. Isso é verdade não apenas quando se quer falar para os seus pares, mas especialmente se você quer que os formuladores de políticas, o governo ou as agências de fomento entendam o que é o seu trabalho. Às vezes ele tem de ser apresentado de forma que possa ser consumido com mais facilidade.

Agência FAPESP – A tecnologia ajuda nesse ponto?
Fay – Sim. Parte disso porque essas formas fazem com que as pessoas leiam com mais profundidade os artigos. Há uma pesquisadora em Harvard, uma astrônoma, que criou um desses tours virtuais que temos sobre as galáxias. Ela calcula que mais pessoas assistiram a seus tours do que leram seus artigos científicos. Esse tipo de entendimento está aumentando. Se posso ajudar alguém a ler um artigo ao ver isso em outro lugar, isso é um avanço.

Agência FAPESP – O senhor acha que os cientistas devem entrar em redes sociais digitais, como o Facebook, para expor seus trabalhos?
Fay – Sim. Eles devem sempre se apoiar no rigor científico, mas ajuda empregar técnicas de design ou de marketing. Mesmo em seus pôsteres. É uma forma de divulgar melhor as informações.

Agência FAPESP – E as novas tecnologias promoverão a abertura dos dados científicos?
Fay – Para além da abertura de dados, há um problema social, no qual as pessoas se sentem donas de suas ideias ou informações. Encontrar formas de compartilhar os dados e dar o devido reconhecimento às pessoas que os coletaram, processaram e os tornaram disponíveis é importante. É aí, acredito, que estão vários desafios. Também há a questão dos dados médicos ou de outros dados que você não quer que fiquem soltos por aí.

Cientistas americanos conseguem clonar embriões humanos (O Globo)

Trabalho é o primeiro a obter êxito em humanos com a técnica que deu origem à ovelha Dolly

Autores dizem que não se trata de fazer clones humanos, mas sim avançar apenas até a fase de blastocisto para obter as células-tronco

Em 2004, sul-coreano anunciou o mesmo feito mas foi desmentido um ano depois

ROBERTA JANSEN

Publicado:15/05/13 - 16h03; atualizado:15/05/13 - 20h56

Clone de embrião obtido no estudoFoto: DivulgaçãoClone de embrião obtido no estudo Divulgação

OREGON. Dezesseis anos depois da clonagem do primeiro mamífero, a ovelha Dolly, cientistas conseguiram, pela primeira vez, clonar um embrião humano em seus primeiros estágios de desenvolvimento. Os protoembriões foram usados para produzir células-tronco embrionárias — capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo —, num avanço bastante significativo e há muito tempo esperado para o tratamento de lesões e doenças graves como Parkinson, esclerose múltipla e problemas cardíacos. Especialistas envolvidos no processo garantem que o objetivo não é clonar seres humanos, mas, sim criar novas terapias personalizadas.

Tanto é assim que os embriões humanos clonados usados na pesquisa foram destruídos em estágios ainda muito iniciais de desenvolvimento, logo depois da extração das células-tronco, e não levados ao crescimento, como no caso da ovelha Dolly e de tantos outros animais clonados depois dela. A técnica usada, no entanto, foi bastante similar à que criou a ovelha. Células da pele de um indivíduo foram colocadas em um óvulo previamente esvaziado de seu material genético e estimuladas a se desenvolver. Quando atingiram a fase de blastocisto, as células-tronco embrionárias foram extraídas e os embriões destruídos. O estudo foi publicado na revista “Cell”.

Conseguir gerar grande quantidade de células-tronco do próprio paciente era uma espécie de Santo Graal da atual ciência médica, como comparou o jornalista Steve Connor, no “Independent”. Embora o procedimento tenha sido feito com animais, até agora nunca tinha sido obtido com material humano, a despeito de inúmeras tentativas. Aparentemente, a dificuldade viria da maior fragilidade do óvulo humano.

Em 2004, um grupo coordenado por Woo Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seoul, anunciou ter produzido o primeiro embirão humano clonado e, em seguida, obtido células-tronco embionárias a partir dele. Menos de um ano depois, no entanto, o grupo, que já havia clonado um cachorro, foi acusado de fraude e desmentiu os resultados obtidos. Outros grupos tentaram, mas os embriões não passaram do estágio de 6 a 12 células.

A corrida pela obtenção das células-tronco embrionárias faz todo o sentido. Cultivadas em laboratório, essas células podem dar origem a qualquer tecido do corpo humano. Por isso, em tese ao menos, poderiam curar lesões na medula, recompor órgãos, tratar problemas graves de visão, oferecendo tratamentos inéditos para muitas doenças hoje incuráveis. Como os tecidos seriam feitos a partir do material genético do próprio paciente (que, no caso, cedeu as células de sua pele), não haveria risco algum de rejeição. A medicina personalizada alcançaria o seu ápice.

— Nossa descoberta oferece novas maneiras de gerar células-tronco embrionárias para pacientes com problemas em tecidos e órgãos — afirmou o coordenador do estudo, Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, nos EUA, em comunicado oficial sobre o estudo. — Essas células-tronco podem regenerar órgãos ou substituir tecidos danificados, levando à cura de doenças que hoje afetam milhões de pessoas.

O grupo também conseguiu observar a capacidade de diferenciação das células obtidas em tecidos específicos

— Um atento exame das células-tronco obtidas por meio desta técnica demonstrou sua capacidade de se converter, como qualquer célula-tronco embrionária normal, em diferentes tipos de células, entre elas, células nervosas, células do fígado e céluas cardíacas — disse Mitalipov, em entrevista ao “Independent”.

No entanto, o estudo já levanta sérias preocupações éticas, sobretudo em relação à criação de clones humanos. Há o temor de que a técnica seja incorporada às oferecidas por clínicas de fertilização in vitro, como alternativa para casais estéreis, por exemplo. Outros grupos argumentam que é simplesmente antiético manipular embriões humanos.

— A pesquisa tem como único objetivo gerar células-tronco embrionárias para tratar doenças graves; e não aumentar as chances de produzir bebês clonados — garantiu Mitalipov. — Este não é o nosso foco e não acreditamos que nossas descobertas sejam usadas por outros grupos como um avanço na clonagem humana reprodutiva.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/cientistas-americanos-conseguem-clonar-embrioes-humanos-8399684#ixzz2TlwDWsur  © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Convívio entre homens e cães criou semelhanças genéticas (O Globo)

Amigos há 32 mil anos, a milenar relação entre as duas espécies tem estudo apresentado por zoólogos chineses 

ROBERTA JANSEN

Publicado:17/05/13 - 6h00; Atualizado:17/05/13 - 6h00

<br />Amizade milenar . Um homem e seu cachorro: novo estudo revela que relação já dura 32 mil anos e funciona tão bem porque evoluiu de forma compartilhada<br />Foto: John Hart / APAmizade milenar . Um homem e seu cachorro: novo estudo revela que relação já dura 32 mil anos e funciona tão bem porque evoluiu de forma compartilhada John Hart / AP

RIO- Cachorros podem, de fato, ser os melhores amigos do homem porque compartilham uma história evolutiva em comum muito mais longa do que se imaginava. Estudo publicado esta semana na “Nature Communications” revelou que os cães teriam sido domesticados há 32 mil anos — quase o dobro do que se acreditava. Esta duradoura e intensa relação teria, inclusive, um impacto na genética dos animais e dos homens, que foi ficando parecida em alguns aspectos. Na verdade, conclui o estudo, os cães se auto-domesticaram para serem mais aceitos pelos humanos que, por sua vez, também se adaptaram aos animais.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Zoologia da China, coordenados por Ya-Ping Zhang, obteve o genoma completo de quatro lobos cinzentos de diferentes pontos da Ásia e da Europa, três cachorros nativos do sudoeste da China, e três representantes de raças atuais. Geneticistas confirmaram que os cães nativos da China representam o primeiro estágio da domesticação canina — o genoma deles traz informação sobre a transição de lobos para os cachorros ancestrais, tornando-os uma espécie de “elo perdido” da domesticação.

Os lobos se auto-domesticaram

A equipe descobriu também que os lobos apresentam a maior diversidade genética, enquanto que os cachorros modernos ficam com a menor. Analisando a quantidade de mutações, os especialistas conseguiram estabelecer que a separação entre lobos e cães nativos chineses ocorreu na Ásia, há 32 mil anos.

Diferentemente do que se imaginava, dizem os cientistas, os homens não adotaram filhotes de lobos. Teria sido bem o oposto disso.

O processo provavelmente começou com os lobos que rondavam em torno de populações humanas de caçadores-coletores em busca de restos de alimento e carcaças, num processo que os pesquisadores chamam de auto-domesticação.

— A hipótese mais interessante levantada por essa pesquisa é a auto-domesticação — afirmou Zhang em entrevista. — De acordo com essa hipótese, os primeiros lobos teriam sido atraídos para viver e caçar com os humanos. E com sucessivas mudanças adaptativas, esses animais se tornaram progressivamente mais propensos a viver com os homens.

Nesta situação, os lobos mais agressivos teriam se saído muito mal, porque a tendência seria que fossem mortos pelos homens. Os animais mais mansos, no entanto, teriam se adaptado melhor e se multiplicado. Ou seja, os lobos se auto-domesticaram.

A pesquisa conseguiu estabelecer que a domesticação impôs uma determinante força seletiva nos genes envolvidos na digestão e no metabolismo — provavelmente por conta da mudança de uma dieta estritamente carnívora para uma onívora.

Os genes que governam processos neurológicos complexos também sofreram tal pressão, sobretudo devido à necessidade de redução da agressão e do aumento de complexos processos de interação com os seres humanos.

Curiosamente, o grupo descobriu que a contraparte humana de diversos desses genes, particularmente aqueles envolvidos nos processos neurológicos, também sofreram uma forte pressão seletiva ao longo do tempo, refletindo os fatores ambientais similares vivenciados por homens e cachorros ao longo de milhares de anos de uma relação tão próxima.

Mais dóceis e mansos

Alguns dos genes estão associados a doenças similares no homem e no cão. Outros são ativos na região do córtex pré-frontal, onde os mamíferos tomam decisões sobre o comportamento. Alguns genes estão envolvidos no maior número de conexões entre os neurônios. Um gene em particular, o SLC6A4, é responsável pela codificação da proteína que transporta o neurotransmissor serotonina.

— Outros estudos já haviam revelado que o gene é relacionado ao comportamento agressivo e ao transtorno obsessivo-compulsivo não apenas em homens mas também em cachorros — afirmou Zhang.

Mudança semelhante foi também constatada nos homens — indicando que nós também tivemos que nos tornar menos agressivos para tolerar os outros e viver bem em grupos.

Para o cientista, o estudo da base genética de diversas doenças em cães pode ajudar na compreensão de doenças similares em humanos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/convivio-entre-homens-caes-criou-semelhancas-geneticas-8415160#ixzz2TluyW7T9 © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

World Bank turns to hydropower to square development with climate change (Washington Post)

Michael Reynolds/European Photopress Agency - World Bank President Jim Yong Kim attends the Fragility Forum this month in Washington. The forum discussed ways for fragile nations to improve their economies, their infrastructure and the well-being of their citizens.

By , Published: May 8, 2013

The World Bank is making a major push to develop large-scale hydropower projects around the globe, something it had all but abandoned a decade ago but now sees as crucial to resolving the tension between economic development and the drive to tame carbon use.

Major hydropower projects in Congo, Zambia, Nepal and elsewhere — all of a scale dubbed “transformational” to the regions involved — are a focus of the bank’s fundraising drive among wealthy nations. Bank lending for hydropower has scaled up steadily in recent years, and officials expect the trend to continue amid a worldwide boom in water-fueled electricity.

Such projects were shunned in the 1990s, in part because they can be disruptive to communities and ecosystems. But the World Bank is opening the taps for dams, transmission lines and related infrastructure as its president, Jim Yong Kim, tries to resolve a quandary at the bank’s core: how to eliminate poverty while adding as little as possible to carbon emissions.

“Large hydro is a very big part of the solution for Africa and South Asia and Southeast Asia. . . . I fundamentally believe we have to be involved,” said Rachel Kyte, the bank’s vice president for sustainable development and an influential voice among Kim’s top staff members. The earlier move out of hydro “was the wrong message. . . . That was then. This is now. We are back.”

It is a controversial stand. The bank backed out of large-scale hydropower because of the steep trade-offs involved. Big dams produce lots of cheap, clean electricity, but they often uproot villages in dam-flooded areas and destroy the livelihoods of the people the institution is supposed to help. A 2009 World Bank review of hydro­power noted the “overwhelming environmental and social risks” that had to be addressed but also concluded that Africa and Asia’s vast and largely undeveloped hydropower potential was key to providing dependable electricity to the hundreds of millions of people who remain without it.

“What’s the one issue that’s holding back development in the poorest countries? It’s energy. There’s just no question,” Kim said in an interview.

Advocacy groups remain skeptical, arguing that large projects, such as Congo’s long-debated network of dams around Inga Falls, may be of more benefit to mining companies or industries in neighboring countries than poor communities.

“It is the old idea of a silver bullet that can modernize whole economies,” said Peter Bosshard, policy director of International Rivers, a group that has organized opposition to the bank’s evolving hydro policy and argued for smaller projects designed around communities rather than mega-dams meant to export power throughout a region.

“Turning back to hydro is being anything but a progressive climate bank,” said Justin Guay, a Sierra Club spokesman on climate and energy issues. “There needs to be a clear shift from large, centralized projects.”

The major nations that support the World Bank, however, have been pushing it to identify such projects — complex undertakings that might happen only if an international organization is involved in sorting out the financing, overseeing the performance and navigating the politics.

The move toward big hydro comes amid Kim’s stark warning that global warming will leave the next generation with an “unrecognizable planet.” That dire prediction, however, has left him struggling to determine how best to respond and frustrated by some of the bank’s inherent limitations.

In his speeches, Kim talks passionately about the bank’s ability to “catalyze” and “leverage” the world to action by mobilizing money and ideas, and he says he is hunting for ideas “equal to the challenge” of curbing carbon use. He has criticized the “small bore” thinking that he says has hobbled progress on the issue.

However, the bank remains in the business of financing traditional fossil-fuel plants, including those that use the dirtiest form of coal, as well as cleaner but ­carbon-based natural gas infrastructures.

Among the projects likely to cross Kim’s desk in coming months, for example, is a 600-megawatt power plant in Kosovo that would be fired by lignite coal, the bottom of the barrel when it comes to carbon emissions.

The plant has strong backing from the United States, the World Bank’s major shareholder. It also meshes with one of the bank’s other long-standing imperatives: Give countries what they ask for. The institution has 188 members to keep happy and can go only so far in trying to impose its judgment over that of local officials. Kim, who in his younger days demonstrated against World Bank-enforced “orthodoxy” in economic policy, now may be hard-pressed to enforce an energy orthodoxy of his own.

Kosovo’s domestic supplies of lignite are ample enough to free the country from imported fuel. Kim said there is little question that Kosovo needs more electricity, and the new plant will allow an older, more polluting facility to be shut down.

“I would just love to never sign a coal project,” Kim said. “We understand it is much, much dirtier, but . . . we have 188 members. . . . We have to be fair in balancing the needs of poor countries . . . with this other bigger goal of tackling climate change.”

The bank is working on other ideas. Kim said he is considering how it might get involved in creating a more effective world market for carbon, allowing countries that invest in renewable energy or “climate friendly” agriculture to be paid for their carbon savings by industries that need to use fossil fuels. Existing carbon markets have been plagued with volatile pricing — Europe’s cost of carbon has basically collapsed — or rules that prevent carbon trading with developing countries.

“We’ve got to figure out a way to establish a stable price of carbon,” Kim said. “Everybody knows that.”

He has also staked hope for climate progress on developments in agriculture.

Hydropower projects, however, seem notably inside what Kim says is the bank’s sweet spot — complex, high-impact, green and requiring the sort of joint public and private financing Kim says the bank can attract.

The massive hydropower potential of the Congo River, estimated at about 40,000 megawatts, is such a target. Its development is on a list of top world infrastructure priorities prepared by the World Bank and other development agencies for the Group of 20 major economic powers.

Two smaller dams on the river have been plagued by poor performance and are being rehabilitated with World Bank assistance. A third being planned would represent a quantum jump — a 4,800-megawatt, $12 billion giant that would move an entire region off carbon-based electricity.

The African Development Bank has begun negotiations over the financing, and the World Bank is ready to step in with tens of millions of dollars in technical-planning help.

“In an ideal world, we start building in 2016. By 2020, we switch on the lights,” said Hela Cheikhrouhou, energy and environment director for the African Development Bank.

It is the sort of project that the World Bank had stayed away from for many years — not least because of instability in the country. But as the country tries to move beyond its civil war and the region intensifies its quest for the power to fuel economic growth, the bank seems ready to move. Kim will visit Congo this month for a discussion about development in fragile and war-torn states.

Kyte, the World Bank vice president, said the Inga project will be high on the agenda.

“People have been looking at the Inga dam for as long as I have been in the development business,” she said. “The question is: Did the stars align? Did you have a government in place? Did people want to do it? Are there investors interested? Do you have the ability to do the technical work? The stars are aligned now. Let’s go.”