>Islã: a tolerância denegrida pelo terror

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Após os atentados de 11 de setembro de 2001, a fé de 1,5 bilhão de pessoas vem sendo estigmatizada por conta das atrocidades de uma minoria.

Bruno Franco
Jornal da UFRJ, No. 55, julho-agosto 2010, pág. 26-27

Após os atentados terroristas ao edifício World Trade Center, símbolo do capitalismo, no coração de Nova Iorque, e ao Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o mundo entrou em uma nova era geopolítica – a guerra ao terror – capitaneada pelos norte-americanos, vítimas desses grandes atentados, que tiveram a maior repercussão na história. A agressão foi planejada, financiada e conduzida pela al-Qaeda, organização terrorista até então praticamente desconhecida, liderada pelo milionário saudita Osama bin Laden. Dezenove terroristas, 15 dos quais sauditas, sequestraram quatro aviões. Dois chocaram-se com as torres gêmeas do World Trade Center, um contra o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia antes de atingir seu alvo, possivelmente o Capitólio, em Washington.

A reação dos EUA foi endossada pela ampla maioria da comunidade internacional, que apoiou a invasão do Afeganistão, país no qual o governo extremista Talibã abrigava e praticava treinamentos conjuntos com diversos grupos terroristas como a al-Qaeda e o Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIU), que supostamente representa uma ameaça à estabilidade não apenas da república uzbeque como às demais nações da Ásia Central.

O 11 de setembro e o seu corolário, a guerra ao terror, não tiveram apenas conseqüências militares. Os check-ins dos aeroportos norte-americanos tornaram-se mais rigorosos para viajantes do mundo todo, sobretudo a revista aos passageiros muçulmanos, ou somente de aparência muçulmana. Nos EUA, até mesmo sikhs, confundidos com muçulmanos pelo uso do turbante, foram vítimas de agressões, e na Europa, nos países que contam com significativas minorias islâmicas, a animosidade cresceu.

Os injustificáveis atos de uma minoria extremista têm sido associados a um dos maiores grupos religiosos do planeta, reforçando preconceitos, estereótipos e fomentando discriminação e hostilidade, em uma espiral de irracionalidade na qual mídia e opinião pública nutrem-se mutuamente.

Mas a idéia de que o islamismo está associado à intolerância e à violência é contradita pelo próprio significado do Islã, uma palavra que deriva de salaam, ou seja, paz, no idioma árabe. Como explica Sami Isbelle, diretor pedagógico da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ) e autor dos livros Islam: a sua crença e a sua prática e O Estado islâmico e a sua organização (ambos da editora Azaan), muçulmano é todo aquele que se submete voluntariamente à vontade de Deus e assim está em paz consigo mesmo, com a sociedade ao seu redor e com Deus. “A primeira palavra que o muçulmano diz pela manhã é salaam e a saudação entre muçulmanos é Assalamu Alaikum (Que a paz esteja sobre vós!), com a resposta Alaikum Assalam (E sobre vós a paz!). A paz é o que norteia esta religião, e não a guerra, o terrorismo”, ensina o pedagogo.

Inquisição e Cruzadas: o Ocidente esqueceu?

O estereótipo da intolerância islâmica frente às demais culturas é desmentido pela história, tal como ela é conhecida por qualquer ocidental. Durante oito séculos, parte do atual território espanhol (a Andaluzia) esteve sob domínio muçulmano. A liberdade de culto de judeus e cristãos foi preservada durante todo esse tempo, bem como foram respeitadas igrejas e sinagogas. A ocupação islâmica deixou um significativo legado na Arte, na Arquitetura, na Álgebra, na Geometria e na Química. “Quando os cristãos reconquistaram a região, não procederam da mesma forma, mas perseguiram todos os que professavam outras religiões, os convertiam à força ou os matavam e instauraram a Inquisição”, relembra Isbelle.

O mesmo se deu na Palestina, à época das Cruzadas, onde cristãos e judeus tinham garantida sua liberdade de culto e de construção de templos, embora o governo fosse islâmico. “Quando os cruzados chegaram, os historiadores, mesmos os cristãos, relatam os massacres que impuseram não apenas a muçulmanos e judeus, mas mesmo aos cristãos que não seguiam a fé católica, como os ortodoxos. Quando chegaram a al-Aqsa, o sangue derramado de suas vítimas batia nos joelhos de seus cavalos e não faziam distinção se eram idosos, mulheres ou crianças”, relata o diretor da SBMRJ.

O terrorismo não é justificado, nem aceito pelo clero muçulmano. Em sermão proferido em agosto de 2008, o principal líder religioso saudita, o mufti Abdulaziz bin Abdala al Sheikh, enfatizou que nem o Islã nem Alá apóiam o terrorismo e missões suicidas. “O terrorismo é um problema internacional […]. O dever do muçulmano é se opor a isso”, afirmou o xeque, na mesquita de Namira, local em que, segundo a crença, o profeta Maomé pronunciou seu último sermão.

Mídia como reprodutora de preconceitos

A concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos empresários faz com que as informações das grandes agências de notícias sejam reproduzidas quase literalmente por veículos do mundo todo. Essa é a visão de Isbelle, para quem a mídia passa uma mensagem subliminar. “Bate na mesma tecla e as pessoas desenvolvem aversão ao Islã e nem mesmo querem saber do que se trata. As primeiras coisas que lhes vêm à mente são terrorismo, Bin Laden, mulher oprimida. É isso o que a mídia veicula o tempo inteiro. Parece que há um objetivo de levar as pessoas à aversão completa ao Islã”, protesta o islamita.

O escritor adverte que um ato terrorista, quando realizado por um muçulmano, é sempre noticiado enfatizando-se a religião do criminoso. Mas, se o mesmo ato é feito por um não-muçulmano, a fé dessa pessoa não costuma ser mencionada: “Quando o Exército Republicano Irlandês (IRA) fazia algum atentado na Irlanda do Norte, não se falava em terrorismo católico. Agem como se o terrorismo fosse algo pregado pelo Islã. Hoje, somos mais de 1,5 bilhão de muçulmanos. Caso isso fosse algo pregado pela nossa religião, acho que já não existiria mais pedra sobre pedra. Não é?”.

Para Renzo Taddei, antropólogo e professor da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, tal representação feita pela mídia ocorre em um contexto específico e mesmo durante a primeira guerra do Golfo não era forte “essa balela de choque de civilizações”. Segundo Taddei, essa teoria (proposta pelo cientista político norte-americano Samuel Huntington, pela qual as diferenças culturais seriam a causa maior de conflitos), do ponto de vista antropológico, é completamente equivocada. “Não existem no mundo representações estanques. Impossível pensar isso no contexto atual de integração de comunicações, de finanças, de mercado de trabalho. Tampouco existe uma única coisa chamada islamismo. Existe uma infinidade de variações do islamismo da mesma forma que acontece com o cristianismo. Não há como contrapor mundo ocidental e mundo islâmico, pois não são blocos monolíticos”, explica o professor.
O fundamentalismo, de acordo com Taddei, é um problema comum ao islamismo, ao cristianismo e ao judaísmo. “Um dos maiores problemas do Estado de Israel é com o fundamentalismo judaico, responsável pela morte do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin. Todos os grupos culturais têm problemas com fundamentalistas. A questão é o porquê de a mídia tratar os fundamentalistas como se fossem bons representantes da comunidade muçulmana, coisa que nunca faria com fundamentalistas cristãos”, critica o professor.

Como exemplo desses dois pesos e duas medidas da mídia, Taddei relembra um caso ocorrido quando morava nos EUA: “Um artista africano fez uma exposição no Museu de Arte do Brooklyn e um de seus quadros, uma Ave-Maria, cuja composição tinha excrementos de elefante, causou grande comoção em Nova Iorque. A exposição foi cancelada quase que imediatamente”. Comoção semelhante despertou a publicação de 12 charges, chamadas de “As Faces de Maomé”, pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten. As caricaturas levaram a protestos de ministros árabes e a passeatas pelas ruas de Copenhague. “A história do artista africano é muito parecida, mas afetando a sensibilidade cristã, e ninguém menciona a semelhança”, compara o antropólogo.

“A imprensa sofre cronicamente a ditadura do espaço”, analisa Taddei, para quem “às vezes o jornalista tem de se esforçar para preencher o espaço do jornal, mas é mais comum que ocorra o contrário.” Nesse panorama, o antropólogo considera difícil que a mídia dê conta de questões culturais complexas, buscando assim o lugar-comum. “O estereótipo é uma coisa ruim do ponto de vista ideológico, mas é conveniente do ponto de vista operacional. É um mecanismo de concisão coletiva, por mais distorcido que seja, e todos são. Ele faz com que a comunicação funcione de maneira mais rápida e tomando menos tempo e menos espaço”, analisa o professor.

Isso explica por que a mídia faz uso de estereótipos, e como eles refletem o senso comum; os jornalistas nem sempre percebem que fazem uso deles. “Quando se apresenta uma situação de complexidade cultural, a coisa fica mais difícil. Desmontar o estereótipo requer esforço intelectual, tempo”, conclui Taddei.

Um dos mais frequentes estereótipos associados ao Islã é o da submissão da mulher. Isbelle rebate mais essa caricaturização com argumentos históricos. “O Islã garantiu à mulher o direito a escolher seu marido, a receber herança, a divorciar-se, a ter prazer sexual, a estudar (uma obrigação religiosa, na verdade), a trabalhar e receber o mesmo salário que o homem, no exercício da mesma função, e de dispor de seus bens sem interferência do pai ou marido. A sociedade ocidental somente conferiu alguns desses direitos às mulheres no século passado”, explica o escritor.

Jihad

Um conceito islâmico que é constantemente distorcido e entendido como algo ruim é o jihad. Essa palavra, quase sempre traduzida como guerra santa (harb al makadass), na realidade significa empenho. O Islã distingue o conceito em duas variantes. No livro Jihad (ed. Cosac & Naify), o jornalista Ahmed Rashid ensina que “o grande Jihad, na explicação do profeta Muhammad, é, em primeiro lugar, uma busca interior: implica o esforço de cada muçulmano para se tornar um ser humano melhor, a luta para melhorar a si mesmo”.

O jihad menor, por sua vez, é extremamente amplo. “É desde tirar uma pedra do caminho para outra pessoa não tropeçar, até conceder uma entrevista para esclarecer o que é o Islã”, explica Isbelle. Como reforça Rashid em seu livro, “em parte alguma dos escritos ou da tradição muçulmana o Jihad sanciona a matança de homens, mulheres ou crianças inocentes, muçulmanos ou não, com base em etnia, seita ou crença. É esse desvirtuamento do Jihad – como justificativa para massacrar inocentes – que em parte define o neofundamentalismo radical dos movimentos islâmicos mais extremistas da atualidade”.

O Islã permite ao muçulmano a autodefesa, mas não que inicie um combate, e caso o adversário cesse as hostilidades, o muçulmano deve fazer o mesmo. “O Corão antecipou em mais de 1.400 anos a Convenção de Genebra (que dispõe sobre o direito em conflitos armados) e muitos de seus artigos, na proibição de ataques a mananciais de água, a crianças, mulheres e idosos”, orgulha-se Isbelle.

Is it time to retire the term 'global warming'?

By Leo Hickman – Thursday 5 August 2010 – guardian.co.uk

As its 35th ‘birthday’ approaches, is it now time to drop the politically charged and scientifically limited term ‘global warming’ for something else?

Melting Icebergs, Ililussat, Greenland
Melting water streams from iceberg calved from Ilulissat Kangerlua Glacier in 2006 Photograph: Paul Souders/Corbis

Anniversaries are always a fairly arbitrary (yet media friendly) reason for discussing any subject. But given the fact that some people, such as the folk at RealClimate, are already “celebrating” the 35th anniversary of the coining of the term “global warming”, which is marked this Sunday, it seems as good a time as any to assess whether the term is still fit for purpose.

Names are important (just witness the “sceptic” vs “denier” hoo-ha), so it does seem a valid question to ask. I strongly doubt whether Wally Broecker realised that when his 1975 Science paper was titled “Are we on the brink of a pronounced global warming?” he knew that the term would go on to gain such international traction.

I doubt, therefore, that he gave it much thought whether it would withstand the rigours of intense scrutiny and debate that it would attract over the coming decades. (Some of the comments beneath the RealClimate piece do note that other earlier papers used the term “global warming trend”, such as this one from 1961.)

The term is still near-universally used in the US, whereas “climate change” is more commonly used here in the UK. I’m not too sure why this should be the case (reader thoughts most welcome, but it seems likely that James Hansen’s use of the term “global warming” during his famous 1988 testimony to the Senate influenced the US media, and perhaps Margaret Thatcher’s use of ‘climate change’ in her famous 1989 speech did the same here). But the two terms are largely interchangeable in common discussion, even though climate scientists will rightly argue there are subtle, but important distinctions.

One often-heard criticism is that “climate change” was invented by “warmists” to hide a perceived inconvenient truth that global temperatures aren’t actually warming. In other words, “climate change” is a clever sleight of hand that acts as a catch-all for a bevy of climactic phenomena. This ignores the inconvenient truth that the term “climate change” actually pre-dates “global warming”. After all, the full title of Broecker’s paper is “Climatic Change: Are We on the Brink of a Pronounced Global Warming?”

There’s a nicely turned history of the two terms’ usage here on the Nasa website written by Erik Conway, a historian at the Jet Propulsion Laboratory in Pasadena. It includes a paragraph on how, in the 1970s, the term “inadvertent climate modification” was common parlance. Thankfully, this was abandoned in 1979 when the National Academy of Science published its first decisive study of carbon dioxide’s impact on climate and chose to adopt the terms we still use today:

In place of inadvertent climate modification, Charney [MIT’s Jule Charney, the report’s chairman] adopted Broecker’s usage. When referring to surface temperature change, Charney used “global warming.” When discussing the many other changes that would be induced by increasing carbon dioxide, Charney used “climate change.” Within scientific journals, this is still how the two terms are used.

There have been some subtle tweaks made over the years, though. For example, on the blogosphere in particular, you will often see “AGW” used as shorthand, which adds the all-important clarifying prefix “Anthropogenic” to Global Warming.

There are also some prominent voices in the climate debate who do not particularly like the terms “global warming” or “climate change” because they don’t exude the urgency and reality of the subject they describe. For example, James Lovelock prefers the term “global heating”, whereas George Monbiot has argued that the term “climate breakdown” is a more accurate description.

Equally, on the other side of the fence, there are those who dismissively label the subject – or, rather, what they see as the mainstream reaction to the subject – as the “climate con”, “climate hoax”, “climate alarmism” or “climatism”.

Personally, I’ve never much taken to the term “global warming” (perhaps, it’s my British roots, or that, yes, it seems too narrow in its scope) so I’m happy to stick with “climate change”. I think we’ve reached a point now when we all know what we are talking about, even though the world will always be populated by the predictable pedants who love to crow that “the climate has always changed” when they know full well that what is being discussed is anthropogenic climate change. But, more importantly, to change the name now to something entirely new would only feed those conspiratorial minds that believe “climate change” is being intentionally used in some quarters in order to usurp “global warming”, in the way a corporation might undergo a rebranding to help dissociate itself from a previous mishap.

But what are you thoughts – which term do you prefer? Or perhaps you have a brand new moniker you wish to introduce to the world? And does anyone know when the term ‘climate change’ first emerged?

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>Paquistão e as mudanças climáticas: “Se isto não é a ira de Deus, o que é?”

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Inundações reavivam debate sobre mudança climática

Por Zofeen Ebrahim, da IPS

Crianças paquistanesas afetadas pelas inundações. Shabbir Hussain Imam/IPS.

Karachi, Paquistão, 18/8/2010 – “Se isto não é a ira de Deus, o que é?”, perguntou o taxista paquistanês Bakht Zada, de 40 anos, com relação às inundações que acabaram com todos os seus bens. No diálogo com a IPS, da cidade de Madyan, em Khyber Pakhtunkhwa (ex-província da Fronteira Nordeste), Bakht culpou as forças sobrenaturais pelas piores inundações no país em 80 anos, mas os especialistas em meio ambiente debatem se estas estão vinculadas a um fenômeno muito mais terreno, a mudança climática.

As inundações, que começaram no dia 12 de julho com chuvas excepcionalmente fortes, já afetaram cerca de 20 milhões de paquistaneses, segundo o governo, e mataram 1.600, além de causar danos a enormes áreas de terras agrícolas, base da economia. O governo, as agências humanitárias internacionais e organizações beneméritas locais continuam enfrentando o desastre, que primeiro atingiu a região nordeste deste país asiático e agora afeta as províncias de Punjab, no leste, e Sindh, no sul.

A Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou US$ 459 milhões para enfrentar esta situação, mas conseguiu compromissos de apenas 27% dessa quantia. Neste contexto, os especialistas tentam compreender instâncias recentes de eventos climáticos extremos. Na China, as inundações também mataram mais de 1.100 pessoas, enquanto uma onda de calor, com seca e incêndios, açoita a Rússia. Todos estes sinais parecem consistentes com o aquecimento global devido ao acúmulo na atmosfera de enormes quantidades de gases-estufa, como o dióxido de carbono.

“O aquecimento global causa eventos meteorológicos catastróficos. As recentes inundações são, sem dúvida, resultado da mudança climática”, insistiu Simi Kamal, geógrafa e especialista em água. “Temperaturas superiores às normais no Oceano Índico causam aumento das precipitações. No norte do Paquistão, quando correntes de ventos carregados de umidade se chocam com as montanhas e são impulsionados para altitudes mais frias, a umidade é liberada na forma de explosões de nuvens”, acrescentou Khalid Rashid, matemático e físico que estuda as mudanças nos padrões meteorológicos mundiais. “Isto é o que parece estar ocorrendo este ano”, afirmou.

Outros já se mostram cautelosos na hora de tirar conclusões categóricas sobre a ligação com a mudança climática, mas concordam que os padrões meteorológicos se alteraram, tornando-se mais extremos e imprevisíveis. “Os cientistas climáticos não podem estar seguros se as atuais inundações são um evento meteorológico extremo do atual padrão climático ou uma mudança nele”, destacou Ayub Qutub, especialista em manejo hídrico, radicado em Islamabad.

Inclusive Rajendra Kumar Pachauri, presidente do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), disse que é cientificamente incorreto vincular qualquer série particular de eventos com a mudança climática induzida pelos homens. Contudo, concordou que há evidências suficientes que mostram aumento na frequência e intensidade de inundações, secas e precipitações extremas em todo o mundo. “Inundações como as do Paquistão podem se tornar mais comuns e intensas no futuro, nesta e em outras partes do mundo”, disse à IPS.

Danish Mustafa, especialista paquistanês em temas hídricos e professor de geografia no King’s College, em Londres, reconheceu que padrões de monções “bastante incomuns” estão se tornando mais frequentes. Ejaz Ahmad, subdiretor do capítulo paquistanês do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), vinculou as mudanças meteorológicas à “mudança nos padrões de uso da terra, ao forte desmatamento no norte do Paquistão e aos conflitos”, mais do que à mudança climática. De todo modo, concordou que ultimamente houve mais eventos meteorológicos “estranhos”.

“O Paquistão experimentou um período seco em março, praticamente sem chuvas, e a produção de trigo foi seriamente prejudicada. Depois, choveu em áreas que geralmente não são afetadas pelas monções, como Gilgit-Baltistão e Broghil. E a frequência dos ciclones também aumentou”, explicou Ejaz. Em 2007, “o ciclone Yemyin atingiu o país, e este ano tivemos o Phet. No passado, sofríamos ciclones” a cada década, disse.

Simi acrescentou que o aumento das temperaturas ajuda a acelerar o derretimento de geleiras como as do Himalaia, ao norte do Paquistão, que são o terceiro maior depósito mundial de gelo e neve. “Nossa região (Ásia meridional) está entre os principais pontos da mudança climática, e especialistas internacionais prevêem inundações e secas”, destacou.

O Himalaia tem origem na bacia tibetana, e também alimenta a bacia do Rio Indo. Este, que agora transbordou devido às inundações, atravessa o Paquistão antes de desembocar no Mar Arábico. Seu trajeto é de aproximadamente 3.180 quilômetros. “O aquecimento global planetário está muito mais rápido, causando eventos climáticos extremos. Não estou segura de que isto possa ser detido agora. Nem mesmo estou certa de que podemos nos adaptar tão rapidamente”, disse Simi.

O fato de o Paquistão não estar preparado para estes acontecimentos deixou pior as consequências das inundações, acrescentou Simi. A bacia do Indo sempre foi propensa a inundar, então, “porque simplesmente nos pegam de surpresa?”, perguntou. No entanto, Maurizio Giuliano, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários em Islamabad, disse que o governo implementou alguns projetos, e que, do contrário, os efeitos teriam sido muito piores.

De todo modo, há lições a se aprender. “Precisamos que funcione o sistema telemétrico sobre o Rio Indo, que também terá de ser estendido para controlar as inundações em tempo real”, disse Danish. “A capacidade local deve ser fortalecida para estar na primeira linha de defesa na proteção e alívio em caso de inundações. O distante governo central não pode fazê-lo”, acrescentou. Envolverde/IPS

Wildlife conservation projects do more harm than good, says expert

New book claims western-style schemes to protect animals damage the environment and criminalise local people

Amelia Hill
The Guardian
Thursday 29 July 2010

A new book claims that schemes to protect habitats of endangered animals, such as the Sumatran tiger, often end up criminalising local communities. Photograph: Bagus Indahono/EPA

Ecotourism and western-style conservation projects are harming wildlife, damaging the environment, and displacing and criminalising local people, according to a controversial new book.

The pristine beaches and wildlife tours demanded by overseas tourists has led to developments that do not benefit wildlife, such as beaches being built, mangroves stripped out, waterholes drilled and forests cleared, says Rosaleen Duffy, a world expert on the ethical dimensions of wildlife conservation and management.

These picture-perfect images all too often hide a “darker history”, she adds. Her new book, Nature Crime: How We’re Getting Conservation Wrong, which draws on 15 years of research, 300 interviews with conservation professionals, local communities, tour operators and government officials, is published today.

When wildlife reserves are established, Duffy says, local communities can suddenly find that their everyday subsistence activities, such as hunting and collecting wood, have been outlawed.

At the same time, well-intentioned attempts to protect the habitats of animal species on the edge of extinction lead to the creation of wild, “people-free” areas. This approach has led to the displacement of millions of people across the world.

“Conservation does not constitute neat win-win scenarios. Schemes come with rules and regulations that criminalise communities, dressed up in the language of partnership and participation, coupled with promises of new jobs in the tourism industry,” claims Duffy, professor of international politics at Manchester University.

A key failure of the western-style conservation approach is the assumption that people are the enemies of wildlife conservation – that they are the illegal traders, the poachers, the hunters and the habitat destroyers. Equally flawed, she says, is the belief that those engaged in conservation are “wildlife saviours”.

Such images, she argues, are oversimplifications. “The inability to negotiate these conflicts and work with people on the ground is where conservation often sows the seeds of its own doom,” she adds.

“Why do some attempts to conserve wildlife end up pitting local communities against conservationists?” she asks. “It is because they are regarded as unjust impositions, despite their good intentions. This is vital because failing to tackle such injustices damages wildlife conservation in the long run.”

Duffy stresses that her intention is not to persuade people to stop supporting conservation schemes. “Wildlife is under threat and we need to act urgently,” she acknowledges. Instead, she says, she wants to encourage environmentalists to examine what the real costs and benefits of conservation are, so that better practices for people and for animals can be developed.

“The assumption that the ends justify the means results in a situation where the international conservation movement and their supporters around the world assume they are making ethical and environmentally sound decisions to save wildlife,” she says. “In fact, they are supporting practices that have counterproductive, unethical and highly unjust outcomes.”

Duffy focuses on what she says is the fallacious belief that ecotourism is a solution to the problem of delivering economic development in an environmentally sustainable way.

This is, she says, a “bewitchingly simple argument” but the assumption that such tourism necessarily translates into the kinds of development that benefits wildlife is far too simplistic.

“Holiday makers are mostly unaware of how their tourist paradises have been produced,” she says. “They assume that the picture-perfect landscape or the silver Caribbean beach is a natural feature. This is very far from the truth. Tourist playgrounds are manufactured environments, usually cleared of people. Similarly, hotel construction in tropical areas can result in clearing ecologically important mangroves or beach building which harms coral reefs.”

But the World Wildlife Fund for Nature, one of the four biggest environmental NGOs in the world, maintains that the loss of wildlife is one of the most important challenges facing our planet. As such, a powerful focus on conservation is necessary: “Conservation is essential so let’s not throw the baby out with the bathwater,” says a WWF-UK spokesman. “There are examples out there where ecotourism is working and has thrown a lifeline to communities in terms of economics and social benefits, as well as added biodiversity benefits.

“Let’s have more of those projects that are working for everybody and everything,” he adds. “There is no one-size-fits-all when it comes to ecotourism and conservation.”

>"O humor é uma conquista" (Diário do Nordeste)

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ENTREVISTA – MARCIO ACSERALD (1/8/2010)
Coordenador do Laboratório de Estudos do Humor e do Riso (Labgraça) e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor)

Marcio Acselrad: “Tem muita gente que não tem o que comer e nem por isso vai ser mais infeliz, considero perigoso associar bem-estar a bens de consumo.” FOTO: KELLY FREITAS

Com um pé atrás. É dessa forma que o pesquisador Marcio Acselrad recebe a pesquisa que coloca o Brasil como o 12º mais feliz do mundo. Uma das críticas é quanto à associação entre felicidade e consumo. Ainda considera compatível rir e pensar

Podemos começar conversando sobre o resultado da pesquisa divulgada pela revista Forbes na qual o Brasil é considerado o 12º país mais feliz do mundo numa lista de 155 países. A que podemos atribuir esse grau razoável de felicidade ?

É muito comum, praticamente imediato na sociedade na qual se vive, associar felicidade a bem-estar material, conquistas de bens de consumo e serviços. O primeiro passo é quebrar essa linha de continuidade sobretudo entre consumo e felicidade. Acho que é uma característica típica do nosso tempo. Se voltarmos um pouco atrás, podemos perceber que, no passado, felicidade já esteve associada a inúmeras outras conquistas que não fossem bens materiais ou de consumo e produtos com tecnologia, cada vez mais, elaborada.

E como seria?

Houve filósofos na Antiguidade, inclusive, que faziam associação justamente ao contrário, à frugalidade e não necessidade de bens materiais. A pessoa seria mais feliz quanto mais soubesse viver com aquilo que se tem e não com o que não se tem. Nesse sentido, a sociedade de consumo faz exatamente o contrário. Não é uma máquina de produção de felicidade, mas uma máquina de produção de insatisfação, ela precisa muito mais da infelicidade constante para poder se alimentar. Levando tudo isso em consideração, não acho tão contraditório assim um país como o Brasil, apesar de todas as mazelas e de todas as dificuldades no campo material, consiga produzir seres muito felizes, isso é louvável.

Como o Brasil poderia tirar proveito dessa sua característica bastante particular, o otimismo, de acreditar sempre?

Por mais interessante que seja esse tipo de pesquisa, é preciso tomar muito cuidado. Da mesma forma que é muito difícil definir o que é felicidade. Tenho muita dificuldade com esses estereótipos. Quem é o brasileiro? São milhões de pessoas com características muito diferentes entre si. Ou mesmo o cearense que tem a fama de ser um humorista nato, é preciso levar em consideração outros fatores. Nem todo cearense é humorista e nem todo brasileiro é engraçado. Tem muito brasileiro melancólico, deprimido como existe em outras partes do mundo, mas acho que essa ideia de alegria, felicidade é algo a ser sempre conquistado e trabalhado individualmente. Outro perigo bastante ligado à sociedade de consumo, é que a alegria ou a felicidade no nosso mundo contemporâneo, meio enlouquecido, deixa de ser uma espécie de conquista e passa a ser uma espécie de obrigação. A pessoa tem que ser feliz, tem que estar alegre, disposto, e a vida não é assim, na realidade.

Felicidade e humor estão relacionados?

O humor é uma conquista. Tentar estar bem com o mundo, com você, com o trabalho e a função que exerce, sabendo que não adianta se esforçar a ser feliz porque todo mundo é. Na verdade, no fundo, no fundo, essa obrigação de felicidade tem a ver com produtividade e isso não é saudável. Porque a pessoa ser feliz é diferente de estar feliz porque assim produz mais, consome mais e alimenta a máquina, o que é contraditório. Isso não é felicidade propriamente dita. É uma felicidade imposta pelo sistema que, literalmente, não está preocupado com a felicidade das pessoas.

O que torna um povo feliz e como pode ser medido esse índice de felicidade? Ele varia de acordo com o nível sociocultural?

De forma nenhuma. Tem muito rico deprimido e muito pobre rindo à toa. Tem muita gente que não tem o que comer e nem por isso vai ser mais infeliz. Acho essa relação extremamente perigosa, associar bem-estar a bens de consumo, na realidade, é produção de falsa necessidade. Você não precisa exercer a sua felicidade através do cartão de crédito num shopping, a pessoa pode olhar para os produtos e perceber que não precisa de nada disso para ser feliz.

Como o povo brasileiro trabalha essa questão da razão e paixão? Seria essa a diferença ?

O humor tem uma relação, de uma certa maneira, com a racionalidade. No caso de uma piada, se você não entende não consegue achar graça dela. No geral, a maior parte do campo do humor está muito mais ligado a sentimentos, sensações. Costumo colocar o humor dentro de uma categoria estética junto com a arte. Ou seja, está mais ligado à sensibilidade do que à racionalidade. Nesse sentido, o que o meu laboratório propõe fazer é uma espécie de paradoxo, de contradição, que significa, estudar, tentar dar uma racionalidade no sentido de compreender os princípios que regem o humor, o riso, a comédia. Não é algo impossível de fazer, é até meio engraçado, tentar dar racionalidade para algo que é da ordem do emocional. Em princípio, uma racionalidade exagerada seria incompatível com o humor.

Para que serve o humor?

Serve para derrubar as pessoas e as instituições dos seus pedestais e mostrar que, no fundo, é todo mundo humano, mortal e que vai acabar na sepultura.

A partir desse contexto, o Brasil poderia produzir um pensamento e parar de apenas reproduzir e adaptar conceitos?

Acho que sim. Inaugurar, não, ele já existe, um pensamento mais leve, bem humorado. Uma boa referência sobre isso, não vem do Brasil, mas de um alemão: Nietzsche, o princípio máximo da racionalidade ocidental. Foi ele quem, no século XIX, disse que o mundo precisava de um pensamento leve, de uma ciência leve, de uma ciência que saiba rir e dançar. A influência ao longo dos séculos XX e XXI é inequívoca. Muita gente percebe a importância desse riso crítico, dessa associação entre o criticismo e o riso.

O senhor acha que a política faz bom uso deste traço ou tira proveito dessa situação?

Acho que são dois pontos diferentes. Um é a apropriação que os políticos ou a política fazem do humor que, no geral, tomando cuidado com generalizações, é inegável que é um uso forçado. O político usa do humor para ganhar votos e angariar popularidade. O outro sentido, este me interessa mais, é o uso do humor como crítica da estrutura política. O papel do humor é tirar os políticos do seu pedestal e mostrar que são humanos, erram e falam besteira como qualquer outra pessoa, trazendo um pouco de humanidade para a política, mas nem sempre isso é bem visto. Alguns políticos, ou devido ao próprio bom humor ou esperteza e prática política, conseguem fazer aliança com esse tipo de humor. É isso o que a gente ver o Lula fazendo a toda hora. E, quando acontece, a piada perde a graça quando há a conivência com o objeto do escárnio.

O fato de ser de terceiro mundo, colonizado, faz com que esse traço alegre ou otimista do brasileiro não seja bem aproveitado, podendo ser visto como algo menor, pejorativo, típico de um povo que não pensa?

Também acho muito difícil fazer essa relação porque existem muitos países que são colonizados e que não têm esse bom humor em relação ao fato de ser colonizado que lutam pela sua independência. O Brasil tem uma história muito particular, nunca precisou lutar pela sua independência que veio de cima para baixo. Mas acho muito curioso, no caso do Brasil, e que é muito propício ao exercício do humor, o fato da miscigenação, fazendo com que não tenha s muito identidade ou uma cara. Então ele é português, índio; mas é também japonês, árabe. Essa mistura é muito propícia porque coloca o Brasil na condição de não-lugar, que é muito bom como terreno para o surgimento do humor, um certo bom humor, mas isso não é garantia, mas costuma funcionar. Já que você não tem identidade, não tem uma cara muito própria e, além disso, é colonizado, pobre, o que a gente faz? Vamos fazer graça disso.

Mas não se corre o risco de rir da própria cara?

Esse é um risco muito salutar o rir de si. É um momento raro que considero como de esclarecimento. Rir de si mesmo já é começar a perceber que as coisas não são tão definitivas assim, tão sérias e que podem mudar. Quando se consegue rir, principalmente, da própria desgraça já começa a relativizar um pouco essa desgraça. Tanto que se diz, um dia a gente ainda vai rir de tudo isso no futuro. Isso significa que, quando a gente tomar distância do que está acontecendo no momento e refletir sobre a realidade, vai poder perceber que tudo não era tão ruim assim e fazer humor, rir. Pego o que é ruim e pelo riso consegue ver que não era tão ruim assim. É um jogo de criança.

Neste sentido, o riso não aliena as pessoas?

O riso serve para pensar. Não se trata de se alienar do mundo, muito pelo contrário, penso o humor como ferramenta de conhecimento do mundo e de autoconhecimento.

Então, humor e pensar são compatíveis?

São totalmente compatíveis, sendo necessária essa articulação. Rir é tão bom e pensar é também algo muito bom. Pensar é também uma coisa boa, não precisa ser chato, impenetrável. Pode ser alegre.

A felicidade é uma utopia ou é compatível com a sociedade contemporânea?

Utopia é sempre algo que não está aqui, mas em outro lugar. A ideia da utopia é de que não tenho agora, mas posso vir a ter no futuro, como por exemplo, a sociedade ideal, pode vir a ser alcançada. Aqui, temos um exemplo oposto, o humor não tem nada a ver com a utopia, pode ser atingido em qualquer momento, se estiver disponível a graça para a graça. É igual à beleza, ninguém sabe onde ela está, pode olhar para uma obra de arte num momento e achar feia, e, noutra, achar bela, por causa da abertura para aquela situação.

Essa “felicidade” do povo brasileiro pode estar associada às melhores condições de vida e políticas públicas?

Acho essas conquistas fundamentais e importantes, como se ter maior poder aquisitivo. Afinal, vivemos numa sociedade de consumo, é isso o que se tem para ser oferecido. Acho perigoso é fazer essa associação direta entre felicidade e consumir. Essa ideia de que a pessoa só é feliz se consumir. É uma associação fascista, não é uma permissão, é como se fosse uma obrigação. Você pode consumir porque tem melhor poder aquisitivo, para mim, isso não é felicidade.

Quem é Márcio Acselrad

Márcio Acselrad é graduado em Psicologia, mestre em Comunicação e doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professor titular da Universidade de Fortaleza (Unifor) e professor horista da Faculdade 7 de Setembro. Suas pesquisas são desenvolvidas na área de Comunicação, com ênfase em Teoria da Comunicação e em Estética. Atua como pesquisador, sendo Coordenador do Labgraça e como curador e mediador do Cineclube Unifor. Márcio também é apresentador e mediador do programa de televisão Cineclube Unifor, exibido pela TV Unifor e pela TV Cultura do Ceará.

IRACEMA SALES
Repórter

>Are you ready for life in world 3? (New Scientist)

>
Jo Marchant, consultant
New Scientist – 2 August 2010

In the 1970s, Karl Popper came up with a philosophical theory of reality that involved three interacting worlds: the physical world, the mental world, and “world 3”, which comprises all products of the human mind – from ideas, pictures and music to every word ever written.

Something very similar to world 3 is now real and increasingly influencing how we live, says George Djorgovski, co-director of the Center for Advanced Computing Research at Caltech. It’s called the internet.

It’s the first morning of Science Foo camp, and I’ve chosen a session called “virtualisation of science and virtualisation of the world”. In fact – fittingly for a meeting being held at Google headquarters – how we deal with life increasingly lived online turns out to be one of the main themes of the day. Djorgovski reckons that before long, being online will soon mean (among other things) not staring at a computer screen but being immersed in 3D virtual reality.

He thinks this will be key to how we’ll make scientific discoveries in the future. Forget graphs – two dimensions are totally inadequate for dealing with the vast amounts of data pouring out of everything from high-throughput genome sequencing to atom smashers like the Large Hadron Collider. We’ll need machine intelligence capable of analysing these huge data sets, he says, as well as ways to visualise and interact with the results in three dimensions.

Such technologies will surely revolutionise education too, with virtual learning replacing the traditional lecture. Djorgovski wants scientists and researchers to get more involved with this process now, pointing out that so far, advances in 3D technology are all coming from the entertainment industry: “We can’t let the video game industry drive the future in what’s the most important technology on the planet. There has to be more to it than spilling blood and slaying dragons.”

Sitting round the table are experts in everything from psychology and bioethics to space science. Pat Kuhl, an expert in early child learning from the University of Washington, wonders what learning everything online will do to young brains. The consensus around the table is that good or bad, the move into virtual reality environments is inevitable. “So let’s try and offer something more than games,” says Djorgovski.

In a subsequent session on children’s minds, Kuhl tells us about the importance of social cues in early learning. For example, it’s well-known that babies differ in their ability to distinguish sounds, depending on the language they are exposed to, by the time they are 10-12 months old. But Kuhl and her colleagues have recently shown that simply hearing the sounds is not enough. After a few sessions with a Mandarin speaker, American babies could distinguish certain sounds as well as Taiwanese babies, but those given the same exposure via audio or video learned nothing.

So if we don’t want kids’ brains to atrophy in an increasingly virtual world, we must work out how to incorporate the relevant social cues. Kuhl has already found that making the TV screen interactive, so babies can turn it on and off by slapping it, increases – a little bit – how much they learn. She’s now experimenting with web cams.

In the afternoon, UK journalist and commentator Andrew Marr tackles the question of what will happen to journalism in an online world, particularly as e-readers like the iPad – which Marr calls a “great engine of destruction” – become ubiquitous.

The media we consume will no longer be just words, or just pictures, but a collision of text, video, audio and animated graphics. And people will be able to choose individual items to consume, rather than buying a whole newspaper or watching just one channel.

Like most commentators, Marr thinks this will be the end of newspapers – and perhaps of traditional journalists too. But he thinks this can only be a good thing, arguing that journalism, with its short-term focus and trivial level of debate, has been failing us anyway. In the future he thinks news will come from niche, specialist groups, for example people interested in access to clean water, coming together online. These might include bloggers, campaigners and lobbyists. Above them, authoratitive news aggregators will pick out the most important stories of the day and feed them to the rest of us.

Marr says this new model will be good for journalism and for democracy, because the people within each community of interest will be experts, and won’t lose interest in a topic in the way that traditional reporters do.

I’m sure Marr’s right that newspapers as we know them are not going to survive. But I don’t feel so optimistic about his vision. I’m not sure that having aggregators pick from a pool of stories written by specialists with an agenda is necessarily going to give us good journalism. Who is going to write articles in a way that non-specialists can understand? Who will make connections between different fields? Who will have the authority to hold politicans to account? Unfortunately the session ends before we have a chance to get into these questions.

For some historical perspective, I end the day in a session run by Tilly Blyth, curator of computing at the Science Museum in London. Whereas Marr spoke to a packed lecture hall, now just five of us sit cosily around a table. Blyth tells us how the Science Museum is using online technologies to try to bring the history of science and technology into our everyday lives.

One project is an iPhone app that displays stories and pictures from history that are relevant to a user’s location. The other involves asking 200 British scientists to tell their life stories, then linking those oral histories to video clips, searchable transcripts, and perhaps the relevant scientific papers.

Blyth wants to create a “global memory” for science, so that we can learn from changes that have gone before. “We tend to think that we’re living through this amazing period of revolution,” she says.

Then she shows us a satirical illustration from 1880, entitled March of the Intellect, which depicts an array of futuristic contraptions including a steam-powered horse, a flying man, and a pneumatic tube linking London with Bengal. We aren’t the first generation to grapple with the implications of radical technological change. Food for thought as I join the queue for dinner.

>Xamãs, artesãos e mestres da cultura popular serão professores da UnB

>
Universidade será a primeira no Brasil a ter uma disciplina baseada nos saberes tradicionais. Aulas devem começar no próximo semestre

Ana Lúcia Moura – Secretaria de Comunicação da UnB
12/07/2010

Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestamento. Maniwa Kamayurá conhece em detalhes as técnicas de construção indígena. Lucely Pio é capaz de identificar com precisão qualquer planta do cerrado. Mas o conhecimento de nenhum deles veio das salas de aula. Eles aprenderam o ofício com os avós e com os pais, e o repassam aos filhos, aos netos. No próximo semestre, porém, vão ensinar o que aprenderam também aos alunos da Universidade de Brasília.

Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki, que é mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu e Lucely, mestre raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, vão passar adiante o conhecimento acumulado durante mais de séculos nas comunidades onde cresceram e vivem até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualísticos. Lucely é mestre quilombola.

Além deles, serão também professores da nova disciplina Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernambucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.

A criação da disciplina, que deve ter carga semanal de seis horas, depende ainda de aprovação do Decanato de Ensino de Graduação. Ela faz parte de um projeto de introdução dos saberes tradicionais na universidade. “Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos”, explica o professor José Jorge de Carvalho, coordenador do projeto e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa. “Os mestres que aqui estarão têm um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir”, completa o professor.

AVANÇO – O professor José Jorge destaca, no entanto, que a introdução dos saberes tradicionais não é uma negação da forma utilizada pelas universidades de produzir e transmitir conhecimento. “Pelo contrário. É uma soma. Sabemos coisas que os mestres tradicionais não sabem, assim como eles conhecem muito do que não conhecemos. A universidade pode ser muito mais rica do que é”, acrescenta. Cada mestre passará duas semanas na UnB e será acompanhado por um professor na sala de aula. “A universidade pode ser mais rica do que é. E, para isso, precisa fazer jus à riqueza de saberes que existem no Brasil”, completa o professor José Jorge.

O chefe do Departamento de Antropologia, Luís Roberto Cardoso de Oliveira, lembra que a criação de disciplinas de módulo livre, que permitem aos alunos contato com um conhecimento totalmente fora de sua área, foi um avanço. “E colocar os mestres frente a frente com os alunos e ao lado dos professores é uma proposta que vai ainda mais além”, comenta.

Para Nina de Paula Laranjeira, diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica do Decanato de Ensino de Graduação, a iniciativa por si só já demostra uma mudança nos modos de pensar. “Precisamos superar o paradigma de que o conhecimento está limitado à comprovação científica”, afirma.

TROCA DE SABERES – As bases pedagógicas e antropológicas da nova disciplina serão discutidas nos dias 15 e 16 de julho, como parte do seminário internacional que vai tratar da introdução de novos saberes nas universidades. “O método de transmissão dos mestres tradicionais é completamente diferente do nosso. O ideal para a raizeira Lucily, por exemplo, é ensinar caminhando pelo cerrado”, explica o professor José Jorge.

Organizado pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e Ministério da Cultura, o Encontro de Saberes vai reunir mestres indígenas e de atividades folclóricas, professores brasileiros e latino americanos, além de representantes do Governo Federal. No encontro, serão apresentadas experiências de universidades de cinco países da América Latina que desenvolvem projetos de inclusão de saberes tradicionais em seus cursos, disciplinas e programas de extensão. O seminário, que acontece no Auditório Dois Candangos, também será uma oportunidade para os novos professores conhecerem melhor a UnB.

Entre os palestrantes estão o reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador; Maria Mercedes Díaz, da Universidade de Catamarca na Argentina; Jaime Arocha, professor de Antropologia da Universidade Nacional da Colômbia; Carlos Callisaya, coordenador das Universidades Indígenas da Bolívia no Ministério da Educação boliviano e Maria Luísa Duarte Medina, que atua em projetos de inclusão dos saberes indígenas nas instituições de ensino superior do Paraguai. “A presença de cada um deles mostra que a inclusão dos saberes tradicionais na academia é um movimento cada vez mais forte”, afirma o professor José Jorge.

>Copa de estatísticas

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Notícias

23/6/2010

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) publicaram na internet um modelo estatístico dinâmico com estimativas das chances dos selecionados de atingir cada etapa da Copa do Mundo da África do Sul.

O modelo matemático foi elaborado no Centro de Estudos do Risco do Departamento de Estatística e utiliza como parâmetros a opinião de especialistas sobre os placares da primeira fase, o ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) divulgado em maio e os resultados ao longo do torneio.

Esse caráter dinâmico é responsável pela alteração constante na lista das equipes com maior chance de vencer o mundial. No início do campeonato a Espanha encabeçava esse grupo. Após a primeira rodada, a Alemanha ficou no topo da lista e, em seguida, o Brasil assumiu a primeira posição.

Os placares de cada jogo são comparados às previsões, mostrando que os resultados improváveis foram abundantes nessa Copa. Foi o caso do empate entre Portugal e Costa do Marfim, que tinha 15,9% de chances de ocorrer, de acordo com o modelo da UFSCar, e a vitória da Sérvia sobre a Alemanha, com apenas 9,6% de probabilidade.

A Previsão Estatística Copa 2010 da UFSCar pode ser acessada no endereço: www.copa2010.ufscar.br/index_br.html

>What cap? Dems’ climate word war

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By Darren Samuelsohn
Politico.com, Capitol News Company
July 18, 2010 07:12

Senate Majority Leader Harry Reid played dumb last week when a reporter asked him if the energy and climate bill headed to the floor would come with a “cap” on greenhouse gas emissions.

“I don’t use that,” the Nevada Democrat replied. “Those words are not in my vocabulary. We’re going to work on pollution.”

Moments earlier, Reid had confirmed he was trying to craft legislation targeting the heat-trapping pollution that comes from power plants. But he’s determined to win the war of words when it comes to a carbon cap — and that means losing the lexicon attached to past climate battles.

Gone, in the Democrat’s mind, are the terms “cap” and “cap and trade,” which are synonymous with last June’s House-passed climate bill as well as other existing environmental policies for curbing traditional air pollutants. In their place are new slogans recommended by prominent pollsters (and even a neuroscientist) that Reid and allies hope they can use to overcome the long-shot prospects for passing climate legislation.

But they’ve got a difficult job ahead. Already, Republican-led attacks during the past year have crushed the Democrats in the message war over a very complex piece of legislation. GOP opponents have exploited public angst over record unemployment levels, higher taxes and the creation of a new carbon market that’s potentially worth trillions of dollars, a reminder for voters of the recent Wall Street collapse.

“There’s been a communication battle that’s been very much one-sided up to this point,” said Anthony Leiserowitz, director of the Yale Project on Climate Change and an expert on public opinion surrounding global warming science and policy.

In January, Leiserowitz published a study that found that fewer than a third of Americans had ever heard of the term “cap and trade” — not exactly fertile ground to be passing legislation with such a program at its core.

“That’s an enormous indictment of how little Democrats and environmental advocates, all of the stakeholders, how poorly they’d laid the groundwork among the public to actually get something done,” he said.

“And that left a giant vacuum in which opponents of legislation have been very quick … to call it ‘cap and tax’ and a ‘national energy tax.’”

Enter the rebranding strategy — a controversial overhaul that many Republicans still see as spin. Some Democrats remain dubious, too. Last week, Reid’s office brought in Drew Westen, an Emory University neuroscience professor, to explain the best messaging practices to about 30 Democratic Senate chiefs of staff and communications directors.

A Senate Democratic aide in the room said Westen covered a lot of ground, starting with a call to “get us out of acronym land, get us out of Senate-speak and [get] it down to regular terminology of what’s effective and what’s not.”

That means no longer referring to climate legislation by any one particular author, such as Sen. John Kerry (D-Mass.) or Sen. Joe Lieberman (I-Conn.). It’s also about playing up the patriotism angle, including the prospect of losing out to the Chinese on development of clean energy technologies. And then Westen urged them to go for the political jugular by associating Democrats with new ideas for clean fuels while labeling GOP opponents as “trying to go backward with dirty fuels.”

“Being aspirational but also drawing clear contrasts,” the Senate Democratic staffer said.

In fact, climate bill advocates have been trying to implement ideas from Westen and other well-known wordsmiths over the past year.

Just before President Barack Obama’s State of the Union speech, Environmental Defense Fund President Fred Krupp and GOP pollster Frank Luntz, who had famously done work for climate change opponents during the George W. Bush administration, released a study showing that the best way to sell greenhouse gas legislation was by talking about national security and “energy independence,” while avoiding debate over the science of climate change.

Then there’s Sen. Lindsey Graham (R-S.C.), who worked from October 2009 until April 2010 in closed-door talks with Kerry and Lieberman on a climate bill and became arguably the issue’s best spokesman. Earlier this year, Graham declared “cap and trade economywide is dead,” even as Senate staff worked on a plan that placed the economy’s three biggest polluting sectors (power plants, manufacturers and transportation) into their own regulatory schemes.

Graham also has tried to appeal to climate bill opponents by arguing the measure isn’t about global warming. “There’s nowhere near 60 votes to save the polar bear,” he said last month.

While the South Carolina Republican remains on the sidelines when it comes to brass-tack negotiations before the floor, he told POLITICO last week that he still believes in the message.

“Controlling smokestack emissions as part of an energy independence, job creation plan has some resonance with me,” he said. “Cap and trade is associated with a solution to global warming. Again, carbon pollution is bad for people, bad for the environment. But you’re not going to turn the economy upside down based on that theory.”

Many Republicans said they aren’t buying the rhetorical shift, and they say they will pound away on the bill as a new tax increase if and when the legislation hits the floor.

“It’s cap and trade,” said New Hampshire Sen. Judd Gregg, one of a handful of Republicans Democrats still consider swing votes on the legislation. “If it looks like a duck, walks like a duck, swims like a duck, it’s a duck.”

“That’s just an exercise in spin,” said Robert Dillon, a spokesman for Energy and Natural Resources Committee Chairman Lisa Murkowski (R-Alaska). “The bottom line is, it’s legislation that will raise energy prices for Americans.”

“Why has Sen. Reid engaged in semantics in trying to change the wording, if not because he knows that raising energy prices in a time of economic woe is a nonstarter?” Dillon added.

Climate bill advocates look at the historical record and scratch their heads. They recall that free-market Republicans are the original source of the “cap-and-trade” concept, after they went looking for alternatives to the “command-and-control” system of the 1970s, when direct limits went on tailpipes and smokestacks.

President George H.W. Bush proposed and signed into law the 1990 Clean Air Act Amendments that set up a cap-and-trade system to reduce acid rain. Climate critics of the second President Bush hounded him whenever he talked about the issue without bending in his opposition to mandatory caps. And Sen. John McCain (R-Ariz.) even embraced an economywide climate cap-and-trade bill to distinguish himself from the Bush administration.

“Cap and trade has certainly been demonized,” said Sen. Ben Cardin (D-Md.). “I think that’s unfortunate. … So we’ll just call it something different.”

Mark Mellman, a Washington-based Democratic pollster, said Republicans are misleading the public when they smack a “tax” label on a policy that forces companies, rather than individual citizens, to clean up their pollution.

“They’re stretching the meaning of these words so far that they have no meaning at all,” said Mellman, who has given more than a dozen briefings to House and Senate Democrats and their staffs on the lingo of climate change legislation. “And there’s a definition for that. It’s called the ‘big lie’ technique.”

Yet some advocates for climate legislation still concede that their messaging campaign isn’t working — especially not so late in the game.

“Rebranded strategies rarely work when people say, ‘I’m not going to use those words anymore,’” said an environmental advocate close to the debate. “They usually require a different, more subtle approach.”

“The problem with a rebranding strategy is, the other side has to go along, too. This is a mature, 10-year debate, and I don’t think you can change the paint job the day before the sale.

>Forecasting Uncertainty

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New research from Maxim Ulrich shows that inflation uncertainty impacts bond prices and yields more dramatically than GDP uncertainty.

Columbia Business School – Ideas at work
June 18, 2010

Treasury bonds are typically viewed as among the safest investments, providing lower returns than the stock market but avoiding high degrees of risk and volatility. But no investor can escape uncertainty altogether, and bond investors use GDP and inflation forecasts as rough barometers for term structure, or bond prices and yields.

Dozens of forecasters provide quarterly estimates of how much inflation and GDP are likely to change in the short term, providing bond investors a means to gauge future yields. But when forecasts vary significantly, investors are left to determine which of these conflicting stories represents the best estimate. All forecasts can’t be correct, and few are ever spot-on, so what’s a savvy investor to do?

“Some argue that investors should simply take the average of forecasts to get at the best projection of GDP and inflation,” Professor Maxim Ulrich says. But some forecasts are very close to each other, suggesting low uncertainty, while in other quarters the forecasts diverge widely, suggesting high uncertainty. An average taken in a quarter with a great deal of variance in forecasts is likely to be less reliable than one taken in a quarter with low variance.

Nor do GDP and inflation estimates fluctuate at the same time or rate, so there is no clear means to determine how each measure exerts influence on term structure. Research has typically focused on the impact of GDP uncertainty, rather than inflation uncertainty. Ulrich attributes this focus to the greater variance in GDP forecasts than inflation forecasts. “That variance suggests that there is greater uncertainty about GDP than about inflation,” he says, “and that it should be easier for investors to predict how inflation will move than how GDP will move.”

Ulrich modeled the term structure for U.S. government bonds, taking into account the many estimates for GDP and inflation that investors are confronted with. Using the Survey of Professional Forecasters, published quarterly by the Federal Reserve Bank of Philadelphia, Ulrich observed the variance among all forecasts as a measure of general uncertainty. By comparing this modeled GDP and inflation, Ulrich was able to distinguish GDP uncertainty from inflation uncertainty and show how each affects real and nominal bond prices and rates. He concluded that while GDP forecasts may vary more from quarter to quarter, uncertainty about inflation has a greater long-term impact on term structure.

“The quarterly forecasts for inflation don’t vary a lot, but over the long term, the misspecifications will have a greater effect on yields,” Ulrich explains. He found that investors demand a bigger premium for long-run inflation uncertainty than for long-run GDP uncertainty.

The model also provides a simple method investors can use when consulting the forecasts. “The Survey of Professional Forecasters provides our best empirical proxy for determining the amount of uncertainty bond investors face,” Ulrich says. “Investors can look at all key forecasts of GDP and inflation each quarter and, using a simple calculation, observe the magnitude of uncertainty.”

Maxim Ulrich is assistant professor of finance and economics at Columbia Business School.

>O Nordeste e as mudanças climáticas (FAPESP)

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Especiais

Por Fabio Reynol, de Natal (RN)
27/7/2010

Agência FAPESP – O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos.

No Brasil, a situação não foi diferente. Entre 1980 e 2005, as temperaturas máximas medidas no Estado de Pernambuco, por exemplo, subiram 3ºC. Modelos climáticos apontam que, nesse ritmo, o número de dias ininterruptos de estiagem irá aumentar e envolver uma faixa que vai do norte do Nordeste do país até o Amapá, na região Amazônica.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que começou no domingo (25) e vai até a sexta-feira (30), em Natal, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Além da expansão da seca, o pesquisador frisou que o Nordeste deverá sofrer também com as alterações nos oceanos, cujos níveis vêm subindo devido ao aumento da temperatura do planeta. Isso ocorre não somente pelo derretimento das geleiras, mas também devido à expansão natural da água quando aquecida.

Cidades que possuem relevos mais baixos, como Recife (PE), sentirão mais o aumento do nível dos oceanos. E Nobre alerta que a capital pernambucana já está sofrendo as alterações no clima. “Com o aumento do volume de chuva, Recife tem inundado com mais facilidade, pois não possui uma rede de drenagem pluvial adequada para um volume maior”, disse.

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da região Nordeste seria a constante associação entre seca e pobreza. A pobreza, segundo o pesquisador, vem de atividades não apropriadas ao clima local e que vêm sendo praticadas ao longo dos anos na região. Plantações de milho e feijão e outras culturas praticadas no Nordeste não são bem-sucedidas por não serem adequadas à caatinga, segundo Nobre.

“A agricultura de subsistência é difícil hoje e ficará inviável em breve. Para que o sertanejo prospere, teremos que mudar sua atividade econômica”, disse.

O cientista citou um estudo feito na Universidade Federal de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que o desemprego no Nordeste tenderá a aumentar caso as atividades econômicas praticadas no interior continuem.

Nobre sugere a instalação de usinas de energia solar como alternativa. “A Europa está investindo US$ 495 bilhões em produção de energia captada de raios solares a partir do deserto do Saara, no norte da África. O mercado de energia solar tem o Brasil como um de seus potenciais produtores devido à sua localização geográfica e clima, e o Nordeste é a região mais adequada a receber essas usinas”, indicou.

“Ficar sem chuva durante longos períodos é motivo de comemoração para um produtor de energia solar”, disse Nobre, que ressaltou a importância dessa fonte energética na mitigação do aquecimento, pois, além de não liberar carbono, ainda economiza custos de transmissão por ser produzida localmente.

Mais eventos extremos

O potencial do Nordeste para a geração de energia eólica também foi destacado pelo pesquisador do Inpe. Devido aos ventos alísios que sopram do oceano Atlântico, o Nordeste tem em seu litoral um constante fluxo de vento que poderia alimentar uma vasta rede de turbinas.

Além da economia, Nobre chamou a atenção para as atividades que visam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que seriam importantes também para o Nordeste. “Os efeitos dessas mudanças são locais e cada lugar as sofre de um modo diferente”, disse.

Um dos efeitos dessas alterações é o aumento dos eventos extremos como tempestades, furacões e tsunamis. Em Pernambuco, as chuvas de volume superior a 100 milímetros em um período de 24 horas aumentaram em quantidade nos últimos anos.

“Isso é terrível, pois as culturas agrícolas precisam de uma precipitação regular. Uma chuva intensa e rápida leva os nutrientes da terra, não alimenta os aquíferos e ainda provoca assoreamento dos rios, reduzindo ainda mais a capacidade de armazenamento dos açudes”, disse.

Nobre propõe que os governos dos Estados do Nordeste poderiam empregar ex-agricultores sertanejos em projetos de reflorestamento da caatinga com espécies nativas. A reconstrução dessa vegetação e das matas ciliares ajudaria a proteger o ecossistema das alterações climáticas e ainda contribuiria para mitigá-las.

O cientista defendeu também o acesso à educação de qualidade a toda a população, uma vez que a porção mais afetada é aquela que menos tem acesso a recursos financeiros e educacionais.

A implantação de uma indústria de fruticultura para exportação é outra sugestão de Nobre para preparar o Nordeste para as mudanças no clima e que poderia fortalecer a sua economia.

“A relação seca-pobreza é um ciclo vicioso de escravidão e que precisa ser rompido. Isso se manterá enquanto nossas crianças não souberem ler, não aprenderem inglês ou não conseguirem programar um celular, por exemplo”, disse.

>Germans shell-shocked by oracle octopus (Reuters)

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By Erik Kirschbaum, Reuters
BERLIN, Tue Jul 6, 2010 10:22am EDT

Two year-old octopus Paul, the so-called ”octopus oracle” predicts Spain’s victory in their 2010 World Cup semi-final soccer match against Germany by choosing a mussel, from a glass box decorated with the Spanish national flag instead of a glass box with the German flag, at the Sea Life Aquarium in the western German city of Oberhausen July 6, 2010. Paul has correctly picked the winner of Germany’s five World Cup results so far. REUTERS/Wolfgang Rattay

BERLIN (Reuters) – Germany was in a state of shock on Tuesday after their “oracle octopus” Paul picked Spain to win the World Cup semi-final match against Germany in South Africa on Wednesday.

Not an ordinarily superstitious people, Germans have become believers in Paul’s possible psychic powers.

“This is not a good omen,” wrote Bild newspaper’s online edition after the news of Paul’s pick flashed across Germany.

The octopus has turned into an international celebrity after accurately picking the winner of all five German World Cup matches to date — including their 1-0 loss to Serbia.

Two national networks interrupted their programing on Tuesday for live coverage of Paul’s latest forecast, and groans of disappointment rang out across Germany after Paul went for a container with a morsel of food in it bearing the Spanish flag.

“We were all a little bit shocked when Paul picked Spain,” said Tanja Munzig, a spokeswoman for Sea Life in Oberhausen. “To err is not only human — animals can also make mistakes. Let’s hope Paul got this one wrong.”

The octopus, considered by some to be the most intelligent of all invertebrates, was again given the choice of picking food from two different transparent containers lowered into his tank — one with a German flag on it and one with a Spanish.

The container Paul opens first is regarded as his pick for the match. Paul first put his tentacles around the German container before moving to his left to the Spanish box — first opening the lid and then snatching the morsel of food inside.

Germans stunned by Paul’s decision to pick Spain took consolation in the fact that Paul got one of his five picks wrong at the Euro in 2008. Oddly enough it also involved Spain: In the final Paul picked Germany over Spain. But Spain won 1-0.

It was Paul’s only inaccurate pick of that tournament. He has never been wrong since and has an overall record of 9-1.

“Maybe Paul was just trying to give Spain a false sense of security,” said Munzig, who said scores of journalists were at Sea Life to witness Paul’s latest pick. Thousands of people have visited Sea Life to see Germany’s newest celebrity.

“To be honest I’m going to have butterflies in my stomach watching the Spain match,” she added. “I’m not a superstitious person but he’s had an incredible winning streak so far.”

Paul was born in England. He has been five for five at the World Cup. He picked Germany wins over Australia, Ghana, England and Argentina — as well as their Group D loss to Serbia.

Media attention over Paul’s picks in Germany and abroad has grown with each pick and some commentators have even wondered aloud whether his uncanny run might even be having an influence on superstitious players.

Paul’s winning streak may have contributed to a growing superstition among the Germany team.

Germany coach Joachim Loew admitted he will not wash a favorite blue sweater as long as his team keeps winning. Loew said he bowed to pressure from other coaching staff and players to keep wearing the sweater for their matches.

Every time Loew wore the blue V-neck sweater Germany scored four goals. “I am not even allowed to wash it now and I think I will wear it again (against Spain),” Loew said on Monday.

(Additional reporting by Brian Rohan and Reuters Television. Editing by Jon Bramley and Paul Casciato)

A arte do (des)encontro

Parceria entre cientistas e jornalistas em prol da cultura científica ainda está distante

Mariluce Moura, de Madri e Brasília
Pesquisa FAPESP, Edição Impressa 172 – Junho 2010

Ainda que jornalistas sejam na origem generalistas por definição, hoje estão se acumulando as evidências de que os profissionais do jornalismo científico em toda parte – e não apenas nos paí­ses de tradição anglo-saxônica – investem mais e mais na estratégia do aperfeiçoamento contínuo para exercer seu ofício com o necessário rigor, espírito crítico e, claro, um grau de conhecimento indispensável do campo que é objeto de suas narrativas. Nessa busca valem tanto os caminhos tradicionais da pós­-graduação que permitem refletir e investigar com apoio teórico e mais profundamente sua própria prática quanto as oficinas e workshops de caráter mais pragmático que se propõem, por exemplo, a ampliar em curto prazo a competência dos jornalistas no manejo das bases de dados de produção científica, na separação do joio e do trigo – diga-se, ciência e pseudociência – dentro da vastidão da web e nas vias de articulação possíveis e eficazes entre redes sociais e jornalismo, entre outros temas. E é possível que essa tendência se expanda, com novos apoios institucionais, a julgar por uma das principais recomendações do seminário “A cultura e a ciência narradas pelos jornalistas: desafios e oportunidades”, realizado de 20 a 22 de abril passado, em Madri: dar alta prioridade à formação e ao aperfeiçoamento contínuo dos jornalistas voltados para a ciência e a cultura, ampliando-se os mecanismos de bolsas e outras formas de financiamento para tanto nos países ibero-americanos.

Depois de dois dias e meio de debates intensos levados a cabo por quase meia centena de jornalistas, professores, pesquisadores e produtores culturais da Espanha e de vários países da América Latina – o Brasil entre eles –, essa recomendação, assim como a de procurar as conexões entre cultura, ciência e tecnologia no jornalismo, a de se adaptar o trabalho jornalístico aos novos formatos que a internet oferece e a de formar uma ampla rede de cooperação de jornalistas de ciência e de cultura na web, tinha o respaldo das instituições por trás do seminário. Eram elas a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), por quem falou seu secretário-geral, Alvaro Marchesi, e a Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI), representada por seu diretor-geral, Jaime Abello, com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento (Aecid), da Agência Efe e Escola de Jornalismo UAM-El País.

Vale dizer que essas recomendações consensuais foram construídas a despeito de toda a diferença entre as experiências de jornalismo científico e cultural apresentadas e mesmo das divergências conceituais profundas que se explicitaram. Assim, se para alguns jornalistas a internet e a democratização da produção de conteúdos via web representam uma ameaça à própria existência de sua profissão, para outros, como o diretor adjunto do respeitado jornal espanhol El País, Gumersindo Lafuente, constituem um belo desafio à quase reinvenção do jornalista. “Nossa narrativa foi sempre conectada com a realidade e hoje a realidade está nas ruas e está na rede. Como jornalistas, temos que contar o que se passa também na rede”, disse ele. Observou que não estamos mais em tempo de esperar que as pessoas vão em busca dos meios de comunicação, e sim em tempo “de irmos com nossas histórias aos lugares em que se está falando dos temas que tratamos na internet”. Lafuente destacou que mais que nunca é fundamental o papel do jornalista independente, capaz de filtrar o que tem valor e de contrastar a informação no mar fervilhante da internet. E ainda apostou que, como num ambiente darwiniano, “as plataformas da internet que tenham qualidade, sejam blogs ou twitters, se converterão em marcas, enquanto os meios que já são marcas só vão sobreviver se conservarem sua qualidade”.

Divergências também se levantaram em torno da propriedade ou impropriedade de um caráter mais literário nas narrativas do jornalismo científico. Se para María Ángeles Erazo, diretora do Centro de Estudos sobre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Inovação de Otovalo, no Equador, e Liliana Chávez, jornalista da revista mexicana Día Siete, é necessário hoje experimentar novos gêneros para contar de forma atraente e mais literária fatos do campo da ciência, a jornalista Milagros Pérez Oliva, professora da Escola de Jornalismo UAM-El País e ombudsman de El País, vê nessas tentativas “um perigo para o jornalismo e seus profissionais, além de uma contaminação narrativa”, uma vez que “a linguagem jornalística é objetiva”.

A propósito, Milagros, ao participar no dia anterior da mesa-redonda sobre “divulgação do conhecimento científico e as indústrias da ciência” (que incluiu a apresentação sobre a experiência de Pesquisa FAPESP), observara que “a notícia científica tem um grande valor quando bem elaborada, porque gera opinião e conhecimento, mas é a mais arriscada quando malfeita e tendenciosa porque pode provocar danos sociais pelos quais vamos todos pagar”. Em sua visão as portas do jornalismo estão cada dia mais abertas para a pseudociência, o que exige, em especial na informação digital, contenção e comprovação.

No meio das discussões pairava alguma coisa da fala do professor José Manuel Sánchez Ron, catedrático de história da ciência na Universidade Autônoma de Madri, na conferência inaugural do encontro. “Cultura e ciência são parte da vida intelectual, mas entre elas existe uma mútua incompreensão, hostilidade e antipatia.” Os meios de comunicação, além de informar, em sua visão, devem educar ao tratar da ciência – com o que dificilmente algum jornalista concordará em termos estritos. “O jornalista, além de crítico e rigoroso no desempenho de sua função, não deve renunciar à imaginação e à boa escrita, para fazer da ciência precisamente algo interessante e oportuno”, disse ele. E ainda: “É importante escrever bem, com graça e originalidade quando se fala de ciência”.

Silêncio e ruídos – Se no front dos jornalistas e dos cursos de comunicação há visível preocupação com a qualidade do jornalismo científico, há indícios de que dentro do sistema nacional de ciência e tecnologia a ideia de parceria com os meios de comunicação para difundir a cultura científica na sociedade, que parecia vicejar no começo da década, experimenta hoje retrocesso. Assim, na IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada de 26 a 28 de maio em Brasília (ver reportagem na página 26), evento em que se procurou ressaltar ao máximo as parcerias entre a comunidade científica, o Estado, os empresários e os chamados setores sociais, para o desenvolvimento de uma verdadeira sociedade do conhecimento no país, o papel da mídia foi ignorado, mesmo quando se falava em popularização da ciência. Entre todos os debates, reservaram-se apenas 15 minutos à fala de um jornalista, aliás, uma jornalista, a presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC), Cilene Victor, dentro da sessão “Construção da cultura científica”. Vale lembrar que na II Conferência Nacional, em 2001, sob o comando do ministro Ronaldo Sardenberg e organização do professor Cylon Gonçalves, foram várias as mesas que debateram a questão da comunicação pública da ciência com mediação do jornalismo.

Dessa forma, parece voltar à cena, de certa maneira, uma velha visão meramente instrumental do jornalismo ante a ciência, o primeiro submetido à segunda, em vez de uma visão mais contemporânea de parceria para a difusão social do conhecimento.

* A jornalista viajou a convite da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).

>Tensions Grow Between Tornado Scientists and Storm Chasers

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By Jeffrey R. Young
Boulder, Colo.
The Chronicle of Higher Education
June 17, 2010

A long line of storm chasers gets in the way of scientists studying severe weather. Photo: Carlye Calvin

There is a crowd under the funnel cloud.

Researchers wrapping up one of the largest-ever scientific field studies of tornadoes say that amateur storm chasers hindered their research and created dangerous traffic jams. Storm chasers, for their part, say that they have just as much right to observe storms as Ph.D.’s.

Hundreds of camera-toting amateurs in cars ended up chasing the same storms as a fleet of scientific vehicles during the high-profile research project, called Vortex2, which wrapped up data collection this week. At times the line of traffic caused the Midwestern roads to look like the freeways of Los Angeles, said Roger Wakimoto, director of the National Center for Atmospheric Research, during a briefing for reporters this week.

“I worry about this as a safety hazard,” Mr. Wakimoto said. “These people were blocking our escape routes because of the sheer number of cars.”

Researchers refer to their own fleet as an “armada,” and it was made up of about 40 vehicles, several of them carrying radar gear. The research goal is to understand how tornadoes form, to discover why some big storms generate deadly tornadoes and others don’t, and to improve forecasters’ ability to warn people of the severe weather events.

“It’s embarrassing to say, but we still do not understand what triggers tornado genesis,” Mr. Wakimoto said. “It’s got to be one of the most fundamental things we don’t understand today, but maybe we captured the data [during this study] to answer the question.”

At times amateur storm chasers kept the armada of science trucks from even getting to a budding tornado. One example was on May 19 in Oklahoma, when the number of storm chasers reached about 200 to 300 cars, according to Joshua Wurman, president of the Center for Severe Weather Research, in Boulder.

“The chasers basically made a rolling roadblock,” he said in a phone interview Thursday, while preparing to head out for his last day of data collection. He said that many of the amateur chasers were trying to roll along parallel to the storm to shoot video, but the researchers wanted to get ahead of the storm to set up their radar equipment. Mr. Wurman said that most of the chasers refused to move aside to let the research vehicles pass. While people have no legal obligation to yield to radar trucks, he said that he felt the amateurs should have given way as a courtesy.

“Just like you open the door for a guy with crutches—it’s not required by law, it’s just polite,” he said. “Nobody let us by, and I was really disappointed by that. It basically crippled our science mission that day.”

One veteran storm chaser pointed out on his blog, however, that some of the scientists involved in Vortex2 have been on major television programs that have led to an increase in amateur storm chasers. “Dr. Wurman’s research has benefited financially from his previous affiliation with the Discovery Channel program Storm Chasers—this program implicitly is encouraging viewers to engage in storm-chasing by glamorizing it,” wrote Chuck Doswell.”Dr. Wurman is a well-respected researcher, but he’s not Moses. Nor is he a first responder going about his duties—law enforcement officers are authorized to break laws in the performance of their jobs. I know of no researcher/storm chaser who has that particular blank check.”

Citizen Scientists?

Storm chasers argue that they offer a valuable service because some call in reports and observations to the National Weather Service.

“Storm chasers are out there to save lives—we’re out there to give warnings faster than the early warning systems,” said Aaron Estman, who has been chasing storms for a few years and runs a Web site called TexasChaser.com, in an interview.

But Mr. Wurman said that amateur storm chasers rarely offer useful information because, by the time they call in their reports, officials are already aware of the storms, thanks to radar equipment. And even the few storm chasers who equip their cars with scientific instruments do not properly calibrate their equipment to aid scientific literature, he said.

“They haven’t done the boring stuff—the tedious stuff of doing good science,” he said.

Some researchers say there is hope that storm chasers can become valuable citizen scientists, as has happened in other fields, such as astronomy.

“Right now there’s no coordination,” said Brian M. Argrow, a professor of aerospace engineering sciences and associate dean for education at the University of Colorado at Boulder. “That’s an important thing that Vortex2 brings to the table—a coordinated effort.”
The Next Step

This is the final year of the two-year Vortex2 project, which cost about $13-million and is supported by the National Science Foundation and the National Oceanic and Atmospheric Administration, and involves about 20 teams of scientists from universities and federal laboratories. The endeavor is a sequel to the original Vortex project, a similar effort in 1994 and 1995. (It became one of the inspirations for the Hollywood film “Twister,” which, like the television shows cited by bloggers, helped increase interest in storm-chasing.)

The scientists will now analyze the terabytes of data—the equivalent of thousands of filled hard drives from typical laptops—including images of the storms they observed. The first papers from the project are expected to be presented at a severe-weather conference in Boulder in October.

>Terrorists Versus Soccer

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Repressive governments and extremist insurgent groups have attempted to tamp down soccer obsession without success.

Adam Serwer | June 17, 2010
The American Prospect

Local children play soccer at the Nangarhar Provincial Reconstruction Team Forward Operating Base in Jalalabad, Afghanistan. (U.S. Air Force/Joshua T. Jasper)

While millions of people all over the planet are tuning into the World Cup this month, Somali soccer fans in the areas controlled by the rival extremist insurgent groups al Shabaab and Hizbul Islam will have to do so in secret. That’s because both groups, locked in a brutal struggle with the internationally recognized Transitional Federal Government, have forbidden anyone from watching the games.

“They isolate and punish people for these types of activities, because in their twisted logic it takes you away from jihad as they see it, which is fighting the Transitional Federal Government,” says Areej Noor, a research assistant at the Brookings Institution’s Doha Center.

The ban on the World Cup has been upheld with lethal force. On Tuesday, Hizbul Islam members killed two people and arrested ten others for watching the games. It’s not just watching soccer either — human rights advocates say that defying the insurgents by playing soccer, or any other game, local residents risk flogging, amputations, or summary executions. Nevertheless, in an extraordinary act of mass defiance, Somalis continue to huddle near radios and satellite televisions just to catch the beautiful game.

It’s not just soccer—the insurgents have sought to control all aspects of Somalis’ daily lives, forcing their hardline religious views on the populace. “What we’re seeing now with the soccer crackdown is happening every day, on multiple levels, in terms of the crackdown on activities, daily, routine mundane activities,” says Letta Tayler, a researcher with Human Rights Watch who authored a 2010 report on human rights abuses in Somalia.

Soccer has been a particular target for violent extremists. It’s not just al-Qaeda connected groups in Somalia that have targeted the sport. Al Qaeda’s affiliate in Algeria has threatened to disrupt the World Cup by launching an attack on the games being held in South Africa. During the 1990s in Afghanistan, the Taliban turned the UN constructed soccer stadium in Kabul into a giant execution chamber.

Other repressive governments have attempted to tamp down soccer obsession without success — as Franklin Foer recounts in his 2006 book, How Soccer Explains the World , the mullahs’ attempts to ban soccer failed, and the regime instead attempted to co-opt Iranian love for the sport by having regime loyalists attempt to lead religious chants in the stadiums. The Mullahs were eventually forced to rescind a ban on women watching soccer on television after they began dressing as men and sneaking into games.

Conservative blogger Ilya Somin recently criticized the sport for promoting “nationalist and ethnic violence,” but it’s actually because of those nationalistic feelings that violent religious extremists find the sport so threatening. International soccer interferes with the extremist vision of a fundamentalist society free of secular influences in a number of ways — most notably by cultivating a secular, national identity separate from the religious one. It showcases peaceful interaction not only between rival, even hostile nations, but between Muslims and non-Muslims, undermining the narrative of an inevitable clash of civilizations between Islam and the West. This isn’t to say that soccer is necessarily a liberalizing force — Mussolini’s Italy did win the last World Cup before World War II. But the world’s love for soccer offers a particularly difficult challenge for the pan-Islamist extremist ideology of groups like al Shabaab and Hizbul Islam.

“It’s a time and place where conflict is suspended,” says Noor. “When people in Afghanistan or Somalia get together and watch a game, how anti-Western are they being? [Soccer] cultivates a kind of affinity with the rest of the world that these people are not interested in Somalis having.”

Al Shabaab and Hizbul Islam’s crackdown on soccer — along with their general callousness and brutality — also represents the kind of cultural overreach that helps delegitimize extremist groups in the eyes of local residents. In May, hundreds of Mogadishu residents took to the streets to protest Al Shabaab’s desecration of the gravesites of Sufi Muslim clerics.

“When al-Qaeda in Iraq started to come apart was when they first started imposing their cultish interpretation of Islamic law on the Western tribes,” says Malcolm Nance, a former Navy Intelligence Officer who served in Iraq. AQI’s brutality and indiscriminate attacks on civilians damaged their reputation among ordinary Iraqis, and led to their being driven to near-destruction by the U.S. military who were now able to enlist — with generous sums of cash — the aid of the Sunni Tribes. Nance says the ban on soccer also highlights something else — the distance between traditional cultural practices and the relatively novel extremism of these groups, which he says “operate at the level of a cult.” “There is nothing in the Koran about games,” Nance says. “What we see as a simple innocent game, they see as a threat.”

The situation in Somalia is bleak however, and despite the self-defeating brutality of al Shabaab and Hizbul Islam, the two continue to control most of the country. The Transitional Federal Government, which controls the capital, Mogadishu, is losing the war despite having embraced some of the opposition’s most reprehensible practices, such as the recruitment of child soldiers. Victory for the insurgents could have drastic international consequences. Al Shabaab, which now controls more of Somalia than any other faction, emerged from the ashes of the Islamic Courts Union after the ICU was deposed by the Bush administration-supported Ethiopian invasion of Somalia in 2006. The group, originally a splinter faction of ICU hardliners, has recruited more than 20 American citizens to their cause. Al Shabaab has assassinated government ministers, and others have simply resigned in frustration over the lack of progress. It’s unclear whether the TFG can survive.

“The idea of global jihad has found a new bastion in Somalia, and it seems that will continue,” says Areej Noor. “I don’t know if there’s an end in sight for that.” At the moment, it’s hard to imagine a future for Somalia without the brutal, Taliban-style “justice” of the insurgents. Letta Tayler is concerned that once the World Cup is over, the international community will be all too ready to once again turn its eyes away from war-torn Somalia.

“It’s unfortunate that the world is only paying attention to it because it’s soccer and it’s now the World Cup. It’s unfortunate that the world is not paying attention to this when it’s a woman who is not allowed to sell cups of tea in the market because it will bring her into contact with men,” Tayler says. “It’s not just soccer, it’s every little detail of daily life.”

Guarani é oficializado como segunda língua em município do Mato Grosso do Sul

Culturas Indígenas

Heli Espíndola
Comunicação – Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura

O guarani é a segunda língua oficial do município de Tacuru, no Mato Grosso do Sul. O município é o segundo do país a adotar um idioma indígena como língua oficial, depois da sanção, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de maio, do Projeto de lei que oficializa a língua guarani em Tacuru. Com a nova lei, os serviços públicos básicos na área de saúde e as campanhas de prevenção de doenças neste município devem, a partir de agora, prestar informações em guarani e em português.

O primeiro município do Brasil a adotar idioma indígena como língua oficial, além do português, foi São Gabriel da Cachoeira, localizado no extremo norte do Amazonas. Além do português, São Gabriel tem três línguas indígenas oficiais: o Nheengatu, o Tukano e o Baniwa.

Em Tacuru, pequeno município no cone sul do estado do Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai formado por uma população de 9.554 habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2009, 30% de seus habitantes são guarani residentes na aldeia de Jaguapiré, situada no município. A maioria dos 3.245 indígenas de Tacuru não é bilíngue, ou seja, fala somente o Guarani o que dificulta o acesso aos serviços públicos mais essenciais.

Com a nova lei, a Prefeitura de Tacuru se compromete a apoiar e a incentivar o ensino da língua guarani nas escolas e nos meios de comunicação do município. A lei estabelece também que nenhuma pessoa poderá ser discriminada em razão da língua oficial falada, devendo ser respeitada e valorizada as variedades da língua guarani, como o kaiowá, o ñandeva e o mbya.

O Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-MS) elogiou a aprovação da medida e argumentou que o Brasil é multiétnico e que o português não pode ser considerado a única língua utilizada no país. O MPF lembrou que o Brasil é signatário do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que determina que, nos Estados onde haja minorias étnicas ou linguísticas, pessoas pertencentes a esses grupos não poderão ser privadas de usar sua própria língua.

A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os Povos Indígenas e Tribais determina, dentre outras coisas, que deverão ser adotadas medidas para garantir que os membros das minorias étnicas possam compreender e se fazer compreender em procedimentos legais, facilitando para eles, se for necessário, intérpretes ou outros meios eficazes.

Em Paranhos, também no Mato Grosso do Sul, tramita um projeto de lei semelhante ao aprovado em Tacuru, que propõe a oficialização do idioma guarani como segunda língua do município. Em Paranhos existem 4.250 indígenas guarani. Em todo o estado do Mato Grosso do Sul são 68.824 indígenas, divididos em 75 aldeias.

Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural/MinC, Américo Córdula, a oficialização da língua guarani em mais um município brasileiro vai de encontro à política cultural desenvolvida pelo Ministério da Cultura de proteção e proteção dos saberes tradicionais dos povos indígenas.

No mês de fevereiro (de 2 a 5), a SID/MinC realizou, juntamente com a Itaipu Binacional, o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul – Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa que reuniu cerca de 800 índios da etnia do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina, em Diamante D”Oeste, no Paraná, para discutir formas de fortalecer o intercâmbio cultural entre as comunidades dos quatro países.

“Temos no Brasil uma comunidade de aproximadamente um milhão de indígenas, formada por 270 povos diferentes, falantes de mais de 180 línguas”, informa Córdula. Segundo ele, a população indígena brasileira é detentora de uma grande diversidade cultural, que deve ser protegida por seu caráter formador da nacionalidade brasileira. Com esse objetivo, a SID/MinC já realizou dois prêmios culturais (2006 e 2007) voltados para as comunidades tradicionais indígenas. Foram investidos R$ 3,6 milhões para a premiação de 182 projetos em todo o Brasil.

Este ano, no mês de março, foi criado o primeiro Colegiado de Culturas Indígenas, formado por 15 titulares e 15 suplentes representantes do segmento. No último dia 1º, foi eleito o conselheiro do Colegiado para o Plenário do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC).

Maria das Dores do Prado, da etnia Pankararu, foi escolhida para defender, junto ao CNPC, as políticas públicas voltadas para a valorização da cultura de todas as comunidades indígenas brasileiras. Um das reivindicações defendidas pelo segmento durante a Conferência Nacional de Cultural, realizada em março, quando se deu a eleição do Colegiado, é a manutenção de todas as línguas nativas.

>A Monsanto e os transgênicos: uma história de horror (da Vanity Fair)

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Investigation

Monsanto’s Harvest of Fear

Monsanto already dominates America’s food chain with its genetically modified seeds. Now it has targeted milk production. Just as frightening as the corporation’s tactics–ruthless legal battles against small farmers–is its decades-long history of toxic contamination.

By Donald L. Barlett and James B. Steele
Vanity Fair
May 2008

Go to the article:http://www.vanityfair.com/politics/features/2008/05/monsanto200805

No thanks: An anti-Monsanto crop circle made by farmers and volunteers in the Philippines. By Melvyn Calderon/Greenpeace HO/A.P. Images.

>Embaixadas do torcedor: uma saída para banir a violência do futebol

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Vilma Homero
© FAPERJ – 08/06/2006

Policiamento menos agressivo, estádios mais seguros e projetos sociais junto às torcidas. Segundo o pesquisador Martin Christoph Curi Spörl, do Instituto Virtual do Esporte (IVE), medidas como essas podem ajudar a desencorajar atos de violência nos estádios e as manifestações de racismo, mais freqüentes nos campeonatos europeus, contribuindo para a paz no futebol. Assistente social, ele estará, durante esta Copa do Mundo na Alemanha, seu país natal, participando das embaixadas do torcedor e pronto para receber os brasileiros que viajarem para assistir aos jogos de perto.

Martin trabalha atualmente em dois projetos: Estigmatização dos torcedores de futebol no Rio de Janeiro e Embaixada do torcedor durante a Copa do Mundo, ambos do IVE. Um é conseqüência direta do outro. Neles, o pesquisador propõe uma alternativa oposta ao que imprensa e opinião pública vêm pedindo. “Na atual discussão, a mídia brasileira sugere ações rigorosas de repressão, maior controle e punição dos envolvidos. E a solução, ao menos para uma expressiva parcela da opinião pública, parece ser a exclusão das torcidas, sempre vistas como as únicas culpadas pela violência. Entretanto, isso é apenas um lado do problema, um só olhar sobre uma possível solução”, diz.

Para o pesquisador, há outros caminhos para abordar o assunto. “Se os torcedores são estigmatizados como violentos e tratados como criminosos, isso acaba deflagrando um comportamento violento. O estigma é um preconceito e não a verdade. Num estádio lotado com 50.000 pessoas, pode ser que existam alguns poucos criminosos e torcedores agressivos. Mas em qualquer grupo desse tamanho na sociedade podemos encontrar igual percentual de desordeiros”, explica.

Junto com o estigma, vêm as desvantagens, como o tratamento agressivo reservado pela polícia, as matérias depreciativas nos jornais e as grades nos estádios, que mais lembram jaulas e são um risco para o público, que na possibilidade de um conflito pode ficar imprensado contra elas. Martin vai ainda mais longe ao explicar que “ao solidificar-se o preconceito, muitas vezes pode-se provocar um fenômeno psicológico chamado self-fulfilling prophecy. O que leva pessoas que não seriam necessariamente violentas a partir para a agressão quando são tratadas de forma preconceituosa pela polícia e seguranças de um estádio”.

Estigmatizado, o grupo pode criar sua própria subcultura, com valores diferentes do restante da sociedade. “Esta subcultura dá aos indivíduos auto-estima para seguir suas normas, que podem aceitar o uso de violência. A exclusão é contraprodutiva”, diz. Ele frisa que, principalmente para os jovens de classes sociais mais baixas, o sentimento de identidade com os demais torcedores é, muitas vezes, mais importante do que o próprio jogo.

Para Martin, alternativas de inclusão social podem ser um meio de evitar essa agressividade. “Podem ser o vínculo necessário ao diálogo e à construção de formas de participação social mais conscientes. É preciso criar programas voltados para as torcidas, que resgatem sua cidadania, transmitam aos jovens o conhecimento das regras em vigor, e que essas regras também os protegem em nossa sociedade”, diz.

Segundo o pesquisador, esse é um trabalho de longo prazo, que presume criar ligações com as torcidas organizadas, sempre apoiando o comportamento desejado, como a criatividade, seus bandeirões, músicas e coreografias. A experiência vem dando certo em países como a Alemanha. Antes mesmo dos preparativos para a Copa, o país conseguiu reduzir conflitos entre as torcidas locais e ampliar a média de público, hoje em cerca de 40 mil, mesmo em jogos menos importantes ou em estádios de cidades menores. “Esse número é maior do que a média brasileira, que na maioria das partidas fica em 12, 13 mil pessoas”, garante o pesquisador.

Resultados que Martin atribui a projetos de apoio cultural, assistência social e jurídica aos torcedores, conseguindo-lhes material e espaço para a pintura de bandeiras, ou advogado para assisti-los em casos de pequenas infrações. E também a mudanças mais substanciais, a começar pela segurança dos estádios. “Isso inclui um transporte público eficiente e medidas como um número suficiente de saídas de emergência, eliminação das grades ou, se isso não for possível, que elas tenham portas de fuga que permitam a passagem de torcedores em caso de necessidade”, diz.

Martin também sugere a divisão das arquibancadas em vários setores menores e a volta de áreas de ingresso mais barato, com lugar para se ficar em pé. Ou seja, a velha “geral”, eliminada na reforma do Maracanã. “Sem ela, os ingressos encarecem, o que acaba excluindo os torcedores mais pobres. Além disso, nas torcidas, música e dança fazem parte do espetáculo do futebol. E não se dança sentado”, explica.

No Rio, como no resto do país, o pesquisador acredita que a resistência da opinião pública é ainda muito forte. “A mentalidade é a de reagir a tudo com repressão; o pensamento da sociedade é punitivo. Mudar para a prevenção e projetos que envolvam os torcedores ainda é difícil, principalmente quando há tantos problemas graves no país”, reconhece. Para ele, a comissão Paz no Esporte, do Ministério do Esporte, é uma iniciativa que pode ser um começo para se pensar alternativas. “Um representante do ministério que esteve na Inglaterra e viu de perto esse projeto visivelmente mudou seu discurso”, anima-se.

E se localmente a idéia é a de inclusão, ao se pensar em eventos mais amplos, como uma Copa do Mundo, o raciocínio não é diferente. Mudam apenas as medidas. Nesta Copa, por exemplo, a Alemanha recebe as torcidas estrangeiras com as “embaixadas de torcedores”. “Essas embaixadas ajudam as torcidas, procurando atender suas necessidades, em seu próprio idioma”, explica.

Organizadas pela FSI – Football Supporters International, rede internacional de Projetos para Torcedores Nacionais, elas contam com equipes fixas (organizadas pelo país que promove o evento) e móveis (organizadas por cada um dos países participantes), preparadas para ajudar os torcedores a se sentirem bem-vindos e a acompanhá-los, dando-lhes suporte num país estranho. A ajuda inclui desde guias informativos a um serviço de apoio telefônico 24h. Além das embaixadas, iniciativas como a instalação de telões gigantes em grandes espaços ao ar livre, para que os que não conseguiram ingresso possam assistir aos jogos, e a programação de atrações em torno desses telões contribuem para criar um clima festivo e desestimulam conflitos.

“Na Eurocopa de 2004, em Portugal, por exemplo, tivemos os melhores resultados. A polícia portuguesa comportou-se exemplarmente, tal como foi sugerido pelo projeto, com uniformes menos agressivos e agindo de forma não acintosa. Em caso de incidente, entrariam os policiais comuns. Mas não houve nenhum conflito ligado ao futebol. Pelo contrário, houve até peladas de rua, em campos infláveis, disputadas amigavelmente por torcidas de diferentes países”, entusiasma-se Martin.

Desde as primeiras embaixadas, em 1990, organizadas na Copa da Itália, como forma de prevenir os episódios violentos que haviam marcado campeonatos anteriores, a experiência foi repetida e ampliada nas Copas seguintes, adotada por países como Holanda, Inglaterra, França e Suíça. Segundo Martin, até mesmo os ingleses, tristemente famosos pela fúria dos hooligans, andam “bem-comportados” nos estádios.

“Muitos usam cabeça raspada, são enormes, bebem quantidades industriais de cerveja e parecem assustadores quando cantam ´there are 10 german bombs in the air´. Mas se os policiais forem preparados para não aceitar provocações e houver cerveja suficiente, eles apenas bebem até cair. Foi assim na última Eurocopa. O problema é acabar a cerveja…” Segundo Martin, os alemães bebem tanto quanto os ingleses, mas também costumam querer conhecer o país onde estão. E a ajuda das embaixadas é sempre útil para isso.

Nesta Copa do Mundo, o Brasil não contará com sua própria embaixada, mas o próprio Martin fará parte das equipes fixas nas cidades onde o Brasil jogará. Em Berlim, na Ku´dammen; em Munique, na Marienplatz; e em Dortmund, na Friedenplatz.

>O poder jovem nas torcidas organizadas de futebol

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Vinicius Zepeda
© FAPERJ – 18/06/2010

Em época de Copa do Mundo, as rivalidades ficam de lado e os torcedores se unem pela vitória da Seleção.Fonte: ayrton.com/360/archives.

Até meados de julho, flamenguistas, tricolores, botafoguenses e vascaínos deixam as diferenças de lado e se unem para torcer pela pátria de chuteiras durante a Copa do Mundo, na África do Sul. Como eles, torcedores de todos os times do País se unem numa só torcida. No resto do planeta, todos os corações vibram e lutam numa batalha em que fuzis e confrontos são substituídos pela bola, a trave, os esquemas táticos 3-5-2, 4-4-2, 4-3-3, 4-5-1, entre outros,além das partidas entre adversários pelo título mundial de futebol. Já o que assistimos fora da Copa do Mundo é um espetáculo de torcidas rivais, que conjuga ao mesmo tempo a beleza das torcidas, entoando hinos e canções de provocação aos rivais, erguendo faixas e fazendo coreografias com a violência e a intolerância com o diferente, que por vezes pode gerar até mesmo mortes. Afinal, as torcidas nada mais são que um microcosmo da sociedade, para o bem e para o mal. Esta é a tese defendida pelo historiador, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Bernardo Borges Buarque de Hollanda, que acaba de publicar, com apoio do programa Auxílio à Editoração (APQ 3) da FAPERJ, o livro O Clube como vontade e representação – O jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol no Rio de Janeiro.

“Flamengo, Flamengo/Tua glória é lutar/Flamengo, Flamengo/Campeão de terra e mar.” O verso, adaptado do hino oficial do clube, foi cantado ininterruptamente por quase cinquenta anos durante a entrada do time em campo pela Charanga – primeira torcida organizada do Flamengo e do Rio de Janeiro – liderada pelo baiano Jaime de Carvalho e que, de uns anos para cá, retomou aos estádios nacionais. “O baiano trouxe para as arquibancadas instrumentos rítmicos e de sopro, os metais, além de confetes e serpentina típicos do carnaval”, explica o pesquisador. O fenômeno foi incentivado pelo jornalista Mário Filho (1916/1976), que criou um concurso de torcidas que tocavam marchinhas. Dono do Jornal dos Sports, ele estimulou, no final dos anos 1930, a criação da identidade do futebol como espetáculo das massas populares. “Até aquela década, os jornais mal falavam sobre esportes e as poucas notícias que apareciam se referiam a corridas de cavalos e regatas”, ensina.

O baiano Jaime de Carvalho no meio da Charanga, a primeira torcida organizada do Rio de Janeiro. Fonte: http://www.flamengoeternamente.blogspot.com.

O livro de Bernardo Buarque é essencialmente o resumo da tese de doutorado em História Social da Cultura, no Departamento de História, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), defendida ano passado. O estudo teve como fonte de pesquisa os arquivos do Jornal dos Sports, mais especificamente as matérias e fotos não publicadas, além de entrevistas com chefes de torcidas. O pesquisador da FGV acrescenta que, quando o jornalista Mário Filho comprou o Jornal dos Sports, começou também a publicar crônicas esportivas, fotos e entrevistas com jogadores de futebol. “Isso ajudou a transformar a imagem do futebol, até então aristocrático, em esporte de massas”, complementa.

Torcidas jovens criam o hedonismo no futebol

Em 1967, como dissidência à Charanga, do Flamengo, surge a primeira torcida jovem do estado do Rio de Janeiro: a Poder Jovem, que dois anos depois se transforma na Torcida Jovem Fla (TJF). No contexto da época, a TJF surge influenciada pela rebeldia da juventude da época e com proposta bem diferente da que vigorava na torcida criada pelo baiano Jaime de Carvalho. “Enquanto o baiano não admitia vaias ou hostilidade aos jogadores, a nova geração de torcedores, capitaneada pela Jovem Fla, queria protestar e criticar a atuação da equipe nos estádios”, explica Bernardo Buarque. Em 1971, surge o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol nos moldes do que temos hoje, em que o Atlético Mineiro sagrou-se campeão. As torcidas jovens que começam a comparecer aos estádios se tornam também torcidas organizadas devido à infraestrutura que criam para assistir aos jogos de seus times. É quando começa a aparecer o chamado hedonismo no futebol, que segundo o historiador caracteriza-se pela perda da identidade individual, diluída no prazer coletivo de viver para e pela torcida. “Isso acontece porque essas torcidas viraram verdadeiros grêmios recreativos, com sede própria independente do clube, taxa de inscrição e sócios, além de excursões para acompanhar os jogos em outros estados”, acrescenta.

Já nos anos 1970, acompanhando o contexto político do País e do mundo, as torcidas passam a protestar também contra a ditadura militar. “Não foi à toa que a primeira faixa a favor da anistia dos presos políticos no Brasil foi aberta num jogo do Corinthians, pela Gaviões da Fiel”, explica Bernardo. A democratização, no fim dos anos 1980, é acompanhada por uma grande decepção com o novo governo, inflação galopante, delinqüência juvenil e escalada da violência com o tráfico de drogas e o surgimento do crime organizado, com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. As torcidas então começam a se tornar violentas, seus seguidores passam a ser tachados de vândalos, numa espécie de reflexo da juventude perdida, a geração Coca Cola cantada na música de Renato Russo (1960/1996).

“Vale destacar que o grosso dessas torcidas é de jovens entre 14 e 25 anos, suscetíveis à necessidade de autoafirmação diante do grupo”, afirma. Ele acrescenta que, segundo teoria com origem no século XIX, elaborada por Gustave Le Bon, o jovem, que geralmente se considera fraco sozinho, em bando se acha invencível. “Assim, a torcida passa a ter vida própria e os jovens se tornam apenas peças da engrenagem. O estádio passa a ser o local das transgressões, o futebol funciona como catarse coletiva, em que palavrões e xingamentos nada mais são do que expressão dos preconceitos arraigados da sociedade”, diz Bernardo.

Enquanto o jogo acontece em campo, a provocação entre as torcidas toma conta das arquibancadas. Fonte: Torcida Youg Flu.

O historiador lamenta a escalada da violência nos estádios, que, em 1988, contabilizou a primeira morte de líder de torcida, Cleo, da Mancha Verde, do Palmeiras. Nesse contexto, ele explica que o ciclo de rivalidades perde a noção originária do futebol – sublimar a violência das armas com a leitura tática do jogo ganho com gols e o confronto pacífico de times em busca do gol – e passa a ser um espaço de guerra no sentido literal do termo. Como as torcidas crescem e se multiplicam, elas passam a reproduzir conflitos até entre seus integrantes, copiando a estrutura típica das facções criminosas. Com o aumento do preço dos ingressos nos estádios, muitas vezes os torcedores nem chegam a entrar para assistir aos jogos, ficando do lado de fora para provocar brigas entre seus próprios membros ou com torcedores de outro time. Seus símbolos passam a ser bélicos: canhão (Raça Rubro-Negra), cão buldogue (Fúria Jovem do Botafogo), Eddie – caveira símbolo da banda de heavy metal Iron Maiden (Força Jovem do Vasco), o vilão dos quadrinhos Duende Verde (Torcida Young Flu). Com a escalada de violência nos estádios, de fins dos anos 1980, várias iniciativas vêm sendo tomadas, desde policiamento ostensivo nos arredores dos estádios à escolta das torcidas e campanhas na mídia pela paz no futebol. Os resultados, no entanto, ainda são tímidos e bastante aquém do esperado.

O projeto para a Copa de 2014 no Brasil e o futuro das torcidas

Em sentido horário, símbolos das torcidas jovens de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. Reprodução.

Outro indicativo de como o futebol é um reflexo da sociedade é o poder político que líderes de torcida passaram a ter na eleição de dirigentes dos clubes. “O maior exemplo disso no futebol carioca pode ser personificado pelo ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, que chegava a distribuir até cinco mil ingressos em dia de jogo para os líderes de torcida”, lembra Bernardo. Ainda que caminhando a passos lentos em todo o País, a profissionalização do futebol parece ter ganho força, a partir dos anos 1980, com a transmissão cada vez mais freqüente dos jogos pela televisão, com a perda do de amor à camisa, com os jogadores transformados em mercadoria. “Há mais de vinte anos que os clubes operam deficitariamente, e seu lucro não vem mais da venda de ingressos para o público que comparece aos estádios, mas dos contratos para transmissão dos jogos pela TV e das transações com jogadores”, explica.

O novo modelo de adequação dos estádios às normas da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e que vem sendo adotado pelo Brasil prevê não apenas a redução do número de assentos, como o aumento do preço dos ingressos. “Acredito que o futebol continuará a ser o esporte mais popular do País por conta da televisão, mas o alto preço dos ingressos e a extinção da antiga geral no Maracanã tende a tornar o público cada vez mais elitista. O povão vai se contentar em ver o jogo pela televisão”, explica o historiador.

Nesse contexto, Bernardo Buarque destaca o surgimento, em 2006, da chamada “antitorcida organizada”, assim denominada por suas características, contrárias às tradicionais torcidas jovens. “Formadas em geral por jovens de classe média, elas não cantam palavrões, não têm símbolos próprios e, como as charangas, não vaiam. Ao contrário, apoiam incondicionalmente o time. São elas a Urubuzada (Flamengo), Legião Tricolor (Fluminense), Loucos pelo Botafogo e Guerreiros do Almirante (Vasco)”, conclui.

>A controvérsia ao redor da construção de uma mesquita nas proximidades do Marco Zero, em Nova York

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A obra da discórdia

Por Daniel Barros
Olhar Virtual – Coordenadoria de Comunicação Social da UFRJ
Coluna Ponto de Vista

Ilustração: Caio Monteiro

A construção de um centro comunitário islâmico de 15 andares a duas quadras do Marco Zero, monumento construído no local dos atentados de 11 de setembro de 2001, divide opiniões na mais cosmopolita cidade do Ocidente. O antropólogo da UFRJ, Renzo Taddei, que morava em Nova Iorque quando ocorreram os atentados, explica que a obra — aprovada pelo Conselho Municipal da cidade no dia 25 de maio — pode sinalizar uma importante transformação na sociedade americana se a cidade conseguir trabalhar bem a questão da construção desse enorme templo mulçumano. Mas uma manifestação contrária, no dia 6 de junho, que contou com cerca de 5 mil participantes mostra que esse trabalho não será fácil.

Apesar das demonstrações de insatisfação de alguns novaiorquinos, o projeto conta com o apoio do prefeito da cidade, Michael Bloomberg e foi aprovado por 29 votos a um (10 abstenções) no conselho. Taddei explica que o respaldo governamental é inevitável, devido ao apreço que a sociedade americana tem pelas idéias de liberdade religiosa e de que não deve haver interferência pública no espaço privado – e, nesse caso, os interessados em erguer a mesquita são os proprietários legais do edifício onde ela deve ser instalada. Já o fato de os parentes e amigos das vítimasse sentirem ofendidos com a construção da mesquita tem, de acordo com o antropólogo, uma explicação bem mais complexa.

Renzo Taddei, que lecionava em 2001 no Borough of Manhattan Community College, também a duas quadras do World Trade Center, explica que a resistência ao projeto da mesquita, para alguns americanos, passa por duas questões fundamentais: como os eventos de 11 de setembro afetaram a forma como a população da cidade se relaciona com aquele espaço urbano? E como os americanos, na era Bush, passam a se relacionar com o islamismo?

Transformação do espaço em Nova Iorque

Para explicar a transformação no espaço, Taddei recorre ao antropólogo brasileiro Roberto DaMatta. Em seu livro “A Casa e a Rua”, DaMatta diz que a “casa” é o lugar onde estão concentradas as relações de afeto familiares – família e casa aqui usadas em sentido amplo -, e “rua” é o ambiente dos trânsitos, fluxos e, de certo modo, da impessoalidade. E ele ainda menciona a existência do “outro mundo”, que remete à morte e à religiosidade. Na “rua” as pessoas seriam mais liberais. Já a afetividade relacionada a “casa” gera posições mais conservadoras. De certa forma, a idéia de que Nova York é uma cidade cosmopolita, centro econômico mundial, gera a percepção de que Nova Iorque seria apenas “rua”. É como se não existissem razões para as pessoas manifestarem sentimentos conservadores típicos do espaço doméstico. Mas as sociedades têm sempre os dois lados, e o debate em torno da mesquita evidencia isso.

Nesse contexto surge o Ground Zero, como chamam os americanos o espaço onde ocorreram os atentados em 11 de setembro, em Nova Iorque. Taddei afirma que esse é o lugar de um massacre onde muitos corpos jamais foram encontrados, o que, simbolicamente, o transforma em um cemitério a céu aberto, especialmente para as famílias dos mortos. Ele lembra que o governo dos Estados Unidos investiu dinheiro e tempo buscando minuciosamente corpos, ou mesmo pedaços minúsculos de corpos, nessa região.

Para o antropólogo e professor da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, as sociedades ocidentais têm dificuldade em lidar com o fim da existência. A morte evidencia os limites do pensamento racional. Os rituais de passagem, como velórios e missas de sétimo dia para as comunidades católicas, por exemplo, são fundamentais para organizar o pensamento e as emoções dos que continuam vivos. Mas como muitas famílias não conseguiram achar os corpos dos seus mortos, o Marco Zero adquiriu um enorme valor sentimental. A separação entre “casa” e “rua”, que segundo DaMatta organiza nossa percepção do espaço, e portanto nossa vida social, deixa de existir para muitas das famílias envolvidas. “A proposta de construção da mesquita ocorre, desta forma, num contexto de enorme confusão simbólica, o que naturalmente gera muita ansiedade”, explica Taddei.

Relação dos americanos com o islamismo

O outro aspecto relevante na questão da resistência à construção do centro comunitário muçulmano, que se chamará Córdoba House, é o significado que o islamismo assume ao longo do governo George W. Bush. “Bush quis dividir o mundo em categorias estanques, como, por exemplo, quando usa a expressão ‘eixo do mal’”, diz o antropólogo. Taddei menciona que houve um silencio estratégico, por parte da Casa Branca, a respeito dos negócios da família Bush na Arábia Saudita, inclusive com a família Bin Laden. Tal engajamento comercial no mundo islâmico denota a compreensão de Bush de que “muçulmano não é tudo igual”. No entanto, explica Taddei, o esforço de preparar o país para a guerra (invasão do Afeganistão e posteriormente do Iraque) passou pela demonização e desumanização do inimigo, e isso pode ter gerado percepções coletivas do mundo islâmico muito negativas junto à população americana. O fato de Bush se declarar renascido na fé (encontrou a fé protestante depois de adulto) e dizer que se comunicava com Deus nos corredores da Casa Branca só reforçou as polarizações radicais na percepção das relações entre religião e política.

Além disso, mais do que uma questão meramente diplomática, o então presidente dos Estados Unidos conclamou o país à guerra e adotou um discurso que ressaltava a necessidade dos americanos serem fortes e patriotas, o que os levou a negligenciarem emoções traumáticas, advindas da experiência dos ataques de 11 de setembro. Renzo Taddei conta que a mídia americana embarcou nesse esquema, aceitando, por exemplo, o pedido do Pentágono para que não fossem mostrados caixões de soldados americanos vindos do Afeganistão e do Iraque. E, além disso, os principais veículos de comunicação não deram o espaço devido para que os vários líderes muçulmanos americanos pudessem participar de forma efetiva dos debates públicos, oferecendo discursos de contraposição às polarizações simplistas e à associação direta dos ataques às torres ao islamismo.

Se no contexto do Bush as pessoas não puderam manifestas suas fraquezas e sentimentos, estes acabam ressurgindo em outro momento. “Uma das características do ritual da morte [é] a necessidade de se viver o processo do luto”, esclarece Taddei. Ele explica que Bush interrompe esse processo para muita gente e, hoje, com a proposta de construção da mesquita a duas quadras do Marco Zero, algumas pessoas estão botando para fora essas emoções.

Conquista islâmica

Na opinião do antropólogo, o que se configurará na região é um conflito necessário. Nas audiências do Conselho Municipal, vários manifestantes chegaram a dizer que os muçulmanos podem enxergar a construção da mesquita de 15 andares perto do Marco Zero como uma vitória do islã, algo como “atacamos e conquistamos”. “É claro que isso é uma visão muito conservadora e tendenciosa, e mostra que, em termos simbólicos, o desafio é enorme”, diz Taddei.

Ele destaca, no entanto, que não se pode desconsiderar de forma arrogante o sentimento das pessoas que se posicionam contra a construção. Para o professor, é preciso ouvir os dois lados, sem correções políticas nem moralismos, e efetivamente pluralizar o debate. “A construção da mesquita é de fato uma boa idéia, no sentido de desenterrar esses sentimentos. Ela pode marcar uma nova fase na história americana, da desmontagem desses estereótipos, uma das heranças perversas da era Bush, e da reconstrução de uma esfera pública efetivamente aberta e plural. Mas esses sentimentos precisam ser devidamente trabalhados, para que essa situação não se transforme em mais um barril de pólvora”, prevê o antropólogo.

>Guarani é oficializado como segunda língua em município do Mato Grosso do Sul

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Culturas Indígenas

Heli Espíndola
Comunicação – Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura

O guarani é a segunda língua oficial do município de Tacuru, no Mato Grosso do Sul. O município é o segundo do país a adotar um idioma indígena como língua oficial, depois da sanção, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de maio, do Projeto de lei que oficializa a língua guarani em Tacuru. Com a nova lei, os serviços públicos básicos na área de saúde e as campanhas de prevenção de doenças neste município devem, a partir de agora, prestar informações em guarani e em português.

O primeiro município do Brasil a adotar idioma indígena como língua oficial, além do português, foi São Gabriel da Cachoeira, localizado no extremo norte do Amazonas. Além do português, São Gabriel tem três línguas indígenas oficiais: o Nheengatu, o Tukano e o Baniwa.

Em Tacuru, pequeno município no cone sul do estado do Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai formado por uma população de 9.554 habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2009, 30% de seus habitantes são guarani residentes na aldeia de Jaguapiré, situada no município. A maioria dos 3.245 indígenas de Tacuru não é bilíngue, ou seja, fala somente o Guarani o que dificulta o acesso aos serviços públicos mais essenciais.

Com a nova lei, a Prefeitura de Tacuru se compromete a apoiar e a incentivar o ensino da língua guarani nas escolas e nos meios de comunicação do município. A lei estabelece também que nenhuma pessoa poderá ser discriminada em razão da língua oficial falada, devendo ser respeitada e valorizada as variedades da língua guarani, como o kaiowá, o ñandeva e o mbya.

O Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-MS) elogiou a aprovação da medida e argumentou que o Brasil é multiétnico e que o português não pode ser considerado a única língua utilizada no país. O MPF lembrou que o Brasil é signatário do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que determina que, nos Estados onde haja minorias étnicas ou linguísticas, pessoas pertencentes a esses grupos não poderão ser privadas de usar sua própria língua.

A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os Povos Indígenas e Tribais determina, dentre outras coisas, que deverão ser adotadas medidas para garantir que os membros das minorias étnicas possam compreender e se fazer compreender em procedimentos legais, facilitando para eles, se for necessário, intérpretes ou outros meios eficazes.

Em Paranhos, também no Mato Grosso do Sul, tramita um projeto de lei semelhante ao aprovado em Tacuru, que propõe a oficialização do idioma guarani como segunda língua do município. Em Paranhos existem 4.250 indígenas guarani. Em todo o estado do Mato Grosso do Sul são 68.824 indígenas, divididos em 75 aldeias.

Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural/MinC, Américo Córdula, a oficialização da língua guarani em mais um município brasileiro vai de encontro à política cultural desenvolvida pelo Ministério da Cultura de proteção e proteção dos saberes tradicionais dos povos indígenas.

No mês de fevereiro (de 2 a 5), a SID/MinC realizou, juntamente com a Itaipu Binacional, o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul – Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa que reuniu cerca de 800 índios da etnia do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina, em Diamante D”Oeste, no Paraná, para discutir formas de fortalecer o intercâmbio cultural entre as comunidades dos quatro países.

“Temos no Brasil uma comunidade de aproximadamente um milhão de indígenas, formada por 270 povos diferentes, falantes de mais de 180 línguas”, informa Córdula. Segundo ele, a população indígena brasileira é detentora de uma grande diversidade cultural, que deve ser protegida por seu caráter formador da nacionalidade brasileira. Com esse objetivo, a SID/MinC já realizou dois prêmios culturais (2006 e 2007) voltados para as comunidades tradicionais indígenas. Foram investidos R$ 3,6 milhões para a premiação de 182 projetos em todo o Brasil.

Este ano, no mês de março, foi criado o primeiro Colegiado de Culturas Indígenas, formado por 15 titulares e 15 suplentes representantes do segmento. No último dia 1º, foi eleito o conselheiro do Colegiado para o Plenário do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC).

Maria das Dores do Prado, da etnia Pankararu, foi escolhida para defender, junto ao CNPC, as políticas públicas voltadas para a valorização da cultura de todas as comunidades indígenas brasileiras. Um das reivindicações defendidas pelo segmento durante a Conferência Nacional de Cultural, realizada em março, quando se deu a eleição do Colegiado, é a manutenção de todas as línguas nativas.

>Toxoplasmosis and psychology (The Economist)

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A game of cat and mouse
There is tantalising evidence that a common parasite may affect human behaviour

The Economist Newspaper | Science and Technology
Jun 3rd 2010

IF AN alien bug invaded the brains of half the population, hijacked their neurochemistry, altered the way they acted and drove some of them crazy, then you might expect a few excitable headlines to appear in the press. Yet something disturbingly like this may actually be happening without the world noticing.

Toxoplasma gondii is not an alien; it is a relative of that down-to-earth pathogen Plasmodium, the beast that causes malaria. It is common: in some parts of the world as much as 60% of the population is infected with it. And it can harm fetuses and people with AIDS, because in each case their immune systems cannot cope with it. For other people, though, the symptoms are usually no worse than a mild dose of flu. Not much for them to worry about, then. Except that there is a growing body of evidence that some of those people have their behaviour permanently changed.

One reason to suspect this is that a country’s level of Toxoplasma infection seems to be related to the level of neuroticism displayed by its population. Another is that those infected seem to have poor reaction times and are more likely to be involved in road accidents. A third is that they have short attention spans and little interest in seeking out novelty. A fourth, possibly the most worrying, is that those who suffer from schizophrenia are more likely than those who do not to have been exposed to Toxoplasma.

Nor is any of this truly surprising. For, besides humans, Toxoplasma has two normal hosts: rodents and cats. And what it does to rodents is very odd indeed.

Fatal feline attraction

Joanne Webster of Imperial College, London, has been studying Toxoplasma for years. Like Plasmodium, which cycles between mosquitoes and man, Toxoplasma cycles between its rodent and feline hosts, living out different phases of its existence in each. In cats, it resides in the wall of the small intestine and passes out of the host in its faeces. These are then picked up by rats and mice (and also by other mammal species, including humans), where they form cysts in brain, liver and muscle tissue. Eventually, if the parasites are lucky, their rodent host is eaten by a cat and the whole cycle starts again.

Unlike Plasmodium, however, which can rely on the natural behaviour of mosquitoes to spread it around, Toxoplasma’s rodent hosts have a strong aversion to helping it into its next home. Which is where, in Dr Webster’s elegant phrase, fatal feline attraction comes in. Rats and mice infected with Toxoplasma start wandering around and drawing attention to themselves—in other words, behaving in ways that will bring them to the attention of cats. They are even, Dr Webster’s work suggests, attracted to the smell of cats.

How these behavioural changes come about was, until recently, obscure. But in 2009 Glenn McConkey of the University of Leeds, in England, analysed Toxoplasma’s DNA. When he compared the results with those of other species, he discovered that two of the bug’s genes encode enzymes involved in the production of a molecule called dopamine. This molecule acts, in animals that have nervous systems, as a chemical messenger between nerve cells. It does not, however, have any known function in single-celled critters. Moreover, dopamine is particularly implicated in schizophrenia. Haloperidol, an antipsychotic drug, works by blocking dopamine receptors.

Intriguingly, Dr Webster has found that haloperidol serves to reverse fatal feline attraction in rats. This suggests the parasite is indeed interfering with the brain’s dopamine system—and thus that it might be doing the same thing in people. Dr McConkey is now making a version of Toxoplasma with the dopamine genes excised, to see if rats infected with this modified bug are protected from the fatal attraction.

Culture club

The evidence that human toxoplasmosis does more than appears at first sight is, it must be said, quite scattered. But it is intriguing and probably worth following up.

The connection with schizophrenia was originally suggested in the 1950s, but only really took off in 2003, when it was revived by Fuller Torrey of the Stanley Medical Research Institute, near Washington, DC. In collaboration with Bob Yolken of Johns Hopkins University, Dr Fuller discovered that people who suffer from schizophrenia are almost three times more likely than the general population to have antibodies to Toxoplasma.

That does not, of course, prove Toxoplasma causes schizophrenia. As every science student is taught from the beginning, correlation is not causation. It could be that schizophrenics are more susceptible to the infection, or some third, as yet unidentified variable may be involved.

Another interesting correlation has, though, been discovered by Jaroslav Flegr of Charles University in Prague. Dr Flegr has studied several aspects of the Toxoplasma question. In one case he looked at the infection rate of people involved in road accidents. Both drivers and pedestrians who had been in accidents were almost three times more likely to be infected than comparable individuals who had not been. Similar results have been found in Turkey, by Kor Yereli of Celal Bayar University, in Manisa. And Dr Flegr has found other abnormalities in infected people. These included reduced reaction times and shorter attention spans—both of which might help to explain the accident statistics—and a reduction in “novelty-seeking”.

This latter is curious. The sort of behaviour shown by rodents is, if anything, an increase in novelty-seeking. But the point is that novelty-seeking is controlled by nerve cells that respond to dopamine. Humans are dead-end hosts as far as Toxoplasma is concerned, so the exact effect will not have been honed by natural selection and may therefore be different from the one in animals that are actually useful to the parasite.

All of these suggested effects are obviously bad for the individuals involved, but some researchers go further and propose that entire societies are being altered by Toxoplasma. In 2006 Kevin Lafferty of the University of California, Santa Barbara, published a paper noting a correlation between levels of neuroticism established by national surveys in various countries and the level of Toxoplasma infection recorded in pregnant women (a group who are tested routinely). The places he looked at ranged from phlegmatic Britain, with a neuroticism score of -0.8 and a Toxoplasma infection rate of 6.6%, to hot-blooded France, which scored 1.8 and had an infection rate of 45%. Cross-Channel prejudices, then, may have an unexpected origin.

To repeat, correlation is not causation, and a lot more work would need to be done to prove the point. But it is just possible that a parasite’s desire to get eaten by a cat is shaping the cultures of the world.