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Australia’s bush fires got worse after British colonization — this is why (Nature)

Original article

07 October 2026

The suppression of Indigenous burning practices probably spurred the growth of flammable forests.

By James Dinneen

View at dusk showing a bushfire engulfing the forested hillside of Mount Solitary in Australia.
Controlled fires burnt at Mount Solitary in the Blue Mountains range in Australia in 2018.Credit: lovleah/Getty

The suppression of Indigenous burning practices in Australia after British colonization probably transformed swathes of the southeast into dense, flammable forests that contribute to bigger, hotter bush fires today, according to a reconstruction of fires in the region over the past 1,000 years published in Nature1.

The researchers suggest that restoring Indigenous approaches to forest management could lower the risk of devastating fires, particularly as the climate warms. “It gives us another variable when we’re trying to tackle this problem, rather than just focusing on climate change,” says Michael-Shawn Fletcher, a Wiradjuri scholar and palaeoecologist at the University of Melbourne, Australia.

The team set out to understand why southeastern Australia is experiencing larger, more-destructive fires, such as the unprecedented Black Summer fires in 2019–20, which burnt more than 8 million hectares of land of forest in that region.

In 2022, a team that Fletcher was part of used pollen records to show that forests in the region tended to be more open and grassy before British colonization at the end of the eighteenth century2. Soon after the colonization, forests changed, says Fletcher. “You can see right across the landscape there was an increase in woody fuels following the British invasion,” he adds.

A millennium of wildfire

To investigate this pattern in more detail, Fletcher and his colleagues collected a sediment core from a lake at the southeastern tip of Australia in Croajingolong National Park, part of the traditional lands of the Gunaikurnai people. Reconstructions of the landscape as well as historical evidence show that they regularly burnt the land until their violent removal by the British in the mid-nineteenth century.

Like in the 2022 work, the researchers analysed pollen in the extracted sediment to reconstruct the make-up of plant species and the structure of the surrounding forest over the past 1,000 years. This record showed an open woodland, with grasses and few trees for 800 years. Then, around 1840, the researchers found that the coverage of eucalyptus (Eucalyptus spp.) had doubled and woody shrubs had spread across the area.

The team also analysed charcoal in the sediment to estimate the temperature of fires over the study time frame. They identified molecules produced by burning plants at different temperatures in the laboratory, then searched for those molecules in the sediment samples. They found an increasing fraction of high-temperature charcoals from the mid-nineteenth century onwards, suggesting more-intense fires.

The researchers say that the changing vegetation and fire regime are linked: hotter fires spur the growth of more-flammable vegetation, more fuel and a denser canopy, creating what they call a “catastrophic wildfire loop”. Eucalyptus trees rapidly sprout after a blaze clears out other competing plants, says Fletcher.

The authors attribute this change to the end of regular, small fires ignited by Indigenous people to protect certain areas from burning or to promote vegetation growth in other areas for animals to eat.

Wildfire loop

The idea of a feedback loop is “compelling”, says Christy Briles, a palaeoecologist at the University of Colorado Denver. However, she says that more sites need to be studied to understand how common the pattern is across southeastern Australia.

Others recognize this dynamic beyond Australia. “This is very convincing in my opinion,” says Clay Trauernicht, an ecologist at the University of Hawaii at Manoa. He adds that the change in wildfires seen at the lake is similar to that in other regions where Indigenous management was replaced with management oriented towards private property, such as Hawaii and the western United States.

There have been some efforts to restore cultural burning and other Indigenous management practices in southeastern Australia. But Fletcher says they have been too small and infrequent to have much effect.

As temperatures continue to rise and the planet warms, more frequent, low-temperature burns might reduce the chance of later, out-of-control fires, says Fletcher. “We need landscape-scale experiments to test these things before it’s too late,” he says.

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-026-03184-y

References

  1. Fletcher, M.-S. et al. Nature https://doi.org/10.1038/s41586-026-11097-z (2026).
  2. Mariana, M. et al. Front. Ecol. Environ. 20, 292–300 (2022).

Fogo amigo (Ciência Hoje)

Estudos mostram que a prática indígena de queimar grandes áreas de cerrado é benéfica para o bioma. Além de inofensivas, queimadas controladas protegem a vegetação e a fauna locais.

Por: Sofia Moutinho

Publicado em 05/06/2014 | Atualizado em 05/06/2014

Fogo amigo

Na ‘caçada de fogo’, tradição cultural dos xavantes, grupos de indígenas promovem queimadas controladas para acuar animais. (foto: James Welch)

Nos últimos sete anos, os índios xavantes da aldeia Pimentel Barbosa, no Mato Grosso, atearam fogo a cerca de 370 mil hectares de cerrado, o equivalente a 83% da reserva federal em que vivem. A maioria das queimadas é provocada intencionalmente para caçar animais que, acuados com as labaredas, se dispersam e caem nas mãos dos caçadores indígenas.

A informação sem contexto pode parecer chocante e antiecológica, mas pesquisadores garantem que a prática de queimar grandes áreas de cerrado – adotada por nativos há séculos – é benéfica para o bioma e seus moradores.

Os xavantes, bem como os caiapós, os crahôs e os canelas, usam o fogo para tratar a terra de plantio, para rituais e para promover a ‘caçada de fogo’. Nesse evento, realizado pelo menos uma vez por ano, indígenas liderados pelos mais velhos da tribo ateiam fogo a grandes áreas de forma controlada e estratégica. Formam um grande círculo de fogo, que pode se estender por centenas de hectares, e aguardam os animais em fuga. A caça é apresentada em cerimônias como casamentos e ritos de passagem para a vida adulta.

Veja como são feitas as caçadas de fogo

De acordo com estudos recentes, essa tradição cultural não só é inofensiva, como também promove a proteção da vegetação e, por consequência, da fauna. Análises conduzidas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre imagens de satélite da aldeia Pimentel Barbosa registradas nas últimas quatro décadas mostram que, apesar das queimadas constantes, a terra indígena mantém-se coberta de vegetação e mais bem conservada que a região ao redor, ocupada por fazendeiros. Enquanto a área desmatada na aldeia se manteve estável em 0,6% entre 1973 e 2010, o desmatamento em seu entorno aumentou de 1,5% para 26% durante igual período.

Coimbra Jr.: “A  estratégia xavante de manejar o ambiente para a própria sobrevivência é muito mais compatível com uma preservação de longa duração que as estratégias de tomada de áreas de cerrado por fazendeiros”

As imagens de satélite também revelam que, a partir de 2000, o desmatamento na terra indígena caiu 68%. O número se explica pelas incorporações de latifúndios devastados que passaram a ser dos índios a partir da década de 1980 e foram recuperados.

“Ao analisar os dados, observamos que dentro da terra indígena não existe devastação ambiental”, afirma um dos envolvidos no estudo, o biólogo e antropólogo Carlos Coimbra Jr. “As evidências apontam muito fortemente que a estratégia xavante de manejar o ambiente para a própria sobrevivência é muito mais compatível com uma preservação de longa duração que as estratégias de tomada de áreas de cerrado por fazendeiros. Fica claro que a caçada de fogo promove a preservação.”

Pesquisas dos últimos 20 anos demonstram que, de fato, o fogo pode ter um papel protetor da vegetação em paisagens campestres e de savana, como a maior parte do cerrado brasileiro. A bióloga Vânia Pivello, da Universidade de São Paulo (USP), que estuda a ação do fogo sobre a vegetação, explica que as plantas do cerrado convivem com as chamas, provocadas por raios e por humanos, há milênios.

Assim, o bioma se adaptou às queimadas. As árvores têm troncos grossos resistentes ao calor e muitos frutos têm invólucros que protegem as sementes de altas temperaturas.

Benéfico e necessário

“Em certas paisagens como as florestas tropicais – por exemplo, a Amazônia –, o fogo é extremamente prejudicial. Mas há vegetações, como a do cerrado, que precisam do fogo para cumprir seu ciclo biológico (promovendo a floração, a produção de frutos e a liberação das sementes) e, por consequência, manter os animais que se alimentam dessas plantas”, aponta. “O fogo não é só benéfico, como necessário para o cerrado.”

Por ficar muito seca na época da estiagem, a vegetação do cerrado queima com facilidade – não é à toa que a região é campeã de ocorrências de incêndios florestais do país, geralmente iniciados por raios ou queimadas ilegais que saem de controle. Por mais estranho que pareça, para evitar que esses incêndios se alastrem, o melhor aliado é o próprio fogo.

Experiências conduzidas por Pivello e colegas mostram que queimadas controladas previnem o avanço de incêndios ao consumir o excesso de matéria orgânica seca acumulada, um combustível poderoso que só espera por uma centelha para deflagrar calamidades. “O fogo pode ser um importante instrumento de manejo da vegetação”, diz a pesquisadora. “Áreas intencionalmente queimadas em padrão de mosaico funcionam como barreiras que impedem a expansão de incêndios.”

Você leu apenas o início da reportagem publicada na CH 314. Clique aqui para acessar uma edição resumida da revista e ler o texto completo.

Sofia Moutinho 
Ciência Hoje/ RJ