In Big Data, We Hope and Distrust (Huffington Post)

By Robert Hall

Posted: 04/03/2013 6:57 pm

“In God we trust. All others must bring data.” — W. Edwards Deming, statistician, quality guru

Big data helped reelect a pesident, find Osama bin Laden, and contributed to the meltdown of our financial system. We are in the midst of a data revolution where social media introduces new terms like Arab Spring, Facebook Depression and Twitter anxiety that reflect a new reality: Big data is changing the social and relationship fabric of our culture.

We spend hours installing and learning how to use the latest versions of our ever-expanding technology while enduring a never-ending battle to protect our information. Then we labor while developing practices to rid ourselves of technology — rules for turning devices off during meetings or movies, legislation to outlaw texting while driving, restrictions in classrooms to prevent cheating, and scheduling meals or family time where devices are turned off. Information and technology: We love it, hate it, can’t live with it, can’t live without it, use it voraciously, and distrust it immensely. I am schizophrenic and so am I.

Big data is not only big but growing rapidly. According to IBM, we create 2.5 quintillion bytes a day and that “ninety percent of the data in the world has been created in the last two years.” Vast new computing capacity can analyze Web-browsing trails that track our every click, sensor signals from every conceivable device, GPS tracking and social network traffic. It is now possible to measure and monitor people and machines to an astonishing degree. How exciting, how promising. And how scary.

This is not our first data rodeo. The early stages of the customer relationship management movement were filled with hope and with hype. Large data warehouses were going to provide the kind of information that would make companies masters of customer relationships. There were just two problems. First, getting the data out of the warehouse wasn’t nearly as hard as getting it into the person or device interacting with the customers in a way that added value, trust and expanded relationships. We seem to always underestimate the speed of technology and overestimate the speed at which we can absorb it and socialize around it.

Second, unfortunately the customers didn’t get the memo and mostly decided in their own rich wisdom they did not need or want “masters.” In fact as providers became masters of knowing all the details about our lives, consumers became more concerned. So while many organizations were trying to learn more about customer histories, behaviors and future needs — customers and even their governments were busy trying to protect privacy, security, and access. Anyone attempting to help an adult friend or family member with mental health issues has probably run into well-intentioned HIPAA rules (regulations that ensure privacy of medical records) that unfortunately also restrict the ways you can assist them. Big data gives and the fear of big data takes away.

Big data does not big relationships make. Over the last 20 years as our data keeps getting stronger, our customer relationships keep getting weaker. Eighty-six percent of consumers trust corporations less than they did five years ago. Customer retention across industries has fallen about 30 percent in recent years. Is it actually possible that we have unwittingly contributed in the undermining of our customer relationships? How could that be? For one thing, as companies keep getting better at targeting messages to specific groups and those groups keep getting better at blocking their messages. As usual, the power to resist trumps the power to exert.

No matter how powerful big data becomes, if it is to realize its potential, it must build trust on three levels. First, customers must trust our intentions. Data that can be used for us can also be used against us. There is growing fear institutions will become a part of a “surveillance state.” While organizations have gone to great length to promote protection of our data — the numbers reflect a fair amount of doubt. For example, according to MainStreet, “87 percent of Americans do not feel large banks are transparent and 68 percent do not feel their bank is on their side.:

Second, customers must trust our actions. Even if they trust our intentions, they might still fear that our actions put them at risk. Our private information can be hacked, then misused and disclosed in damaging and embarrassing ways. After the Sandy Hook tragedy a New York newspaper published the names and addresses of over 33,000 licensed gun owners along with an interactive map that showed exactly where they lived. In response names and addresses of the newspaper editor and writers were published on-line along with information about their children. No one, including retired judges, law enforcement officers and FBI agents expected their private information to be published in the midst of a very high decibel controversy.

Third, customers must trust the outcome — that sharing data will benefit them. Even with positive intentions and constructive actions, the results may range from disappointing to damaging. Most of us have provided email addresses or other contact data — around a customer service issue or such — and then started receiving email, phone or online solicitations. I know a retired executive who helps hard-to-hire people. She spent one evening surfing the Internet to research about expunging criminal records for released felons. Years later, Amazon greets her with books targeted to the felon it believes she is. Even with opt-out options, we felt used. Or, we provide specific information, only to repeat it in the next transaction or interaction — not getting the hoped for benefit of saving our time.

It will be challenging to grow the trust at anywhere near the rate we grow the data. Information develops rapidly, competence and trust develop slowly. Investing heavily in big data and scrimping on trust will have the opposite effect desired. To quote Dolly Parton who knows a thing or two about big: “It costs a lot of money to look this cheap.”

O episódio Marco Feliciano, o Congresso e as manifestações populares

Guilherme Karakida, da UFRJ Plural, me entrevistou ontem, poucas horas antes do anúncio, por parte do PSC, de que Marco Feliciano permaneceria na presidência da CDHM. Reproduzo a entrevista abaixo – Renzo Taddei.

Por Guilherme Karakida – 26 de março de 2013

O que significa, do ponto de vista político, a presidência do Marco Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias(CDHM)?

Essa não é uma questão simples. Há vários fatores distintos que marcam o momento político atual brasileiro, e que se cruzam no caso do Marco Feliciano. Vou mencionar alguns que acho mais importantes, do meu ponto de vista. E o meu ponto de vista é o de alguém mais próximo aos movimentos sociais e não de um especialista no funcionamento do legislativo. É importante deixar claro a partir de onde se está falando. Se o Marco Feliciano tem uma virtude que muitos outros congressistas não têm, é o fato de ele não esconder quem ele é.

Em primeiro lugar, há a estratégia de amplas alianças partidárias como forma de chegar ao poder e se manter nele, usada pelo PT desde meados da década de 1990. Isso não é marca exclusiva do PT: em ciência política, se diz que o Brasil tem como sistema político um presidencialismo de coalizão. Isso significa que os partidos necessitam criar coalisões para ter sucesso eleitoral, e os presidentes da república precisam delas para governar, especialmente no que diz respeito às formas como a presidência se relaciona com o Congresso Nacional. O que ocorre é que, no caso da era PT, há partidos na base aliada que são marcadamente conservadores. Ou seja, aquela ideia antiga que diz que o governo do PT é de esquerda e a oposição é de direita não condiz com a realidade. O PT se relaciona melhor com partidos de centro-direita do que com partidos de esquerda, como o PSTU e o PSOL. É nesse contexto que o PSC passa a fazer parte da ampla coligação de partidos em apoio à candidatura de Dilma Roussef em 2010. Marco Feliciano foi cabo eleitoral importante de Dilma dentro do mundo evangélico. Com o consequente loteamento de cargos dentro das várias instâncias do governo, inclusive no legislativo, era de se esperar que Marco Feliciano assumisse alguma posição de liderança.

Em segundo lugar há o avanço da bancada evangélica no universo da política, de forma crescente, nos últimos anos. Há, entre lideranças políticas evangélicas, a agenda declarada de ocupar todos os cargos possíveis, com o intuito de barrar a aprovação de legislação que vá contra os preceitos morais que defendem. O próprio Marco Feliciano diz abertamente que está lá para barrar a aprovação do PL 122, o projeto de lei que criminaliza a homofobia.

E, finalmente, há o descaso do governo Dilma para com as questões dos direitos humanos e das minorias. Apesar de o governo Dilma ter sinalizado,no início de sua gestão, em direção favorável no que diz respeito a esses temas, com a criação da Comissão da Verdade e com a valorização da questão de gênero na composição do governo, e também com a manutenção do movimento pró-cotas que herdou do governo Lula, o que viria depois iria demonstrar que aquelas eram iniciativas de certa forma pontuais, e que não constituiriam uma linha de ação perene. Em virtude de uma série de conflitos com grande parte dos movimentos sociais, por razões que vão do descaso e desrespeito às populações chamadas tradicionais, como os indígenas, ao retrocesso quanto às políticas culturais da gestão anterior, onde havia a compreensão de que o direito à própria cultura é uma forma de direito humano, o governo Dilma enfrenta a oposição massiva das organizações da sociedade civil – pelo menos daquelas que não foram cooptadas pelo governo e passaram a depender de verba federal para existir. De certa forma, o governo Dilma reduz o tema dos direitos humanos, como todos os demais problemas sociais, à questão da renda, pura e simplesmente. O governo Dilma foi criticado pela Anistia Internacional e pelo HumanRightsWatch, apenas para mencionar duas entidades importantes na área. É esse descaso que fez com que a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias não fosse prioridade das lideranças governistas no legislativo, e esta se tornou alvo fácil da bancada evangélica.

Como um parlamentar que deu declarações homofóbicas e racistas pode assumir um órgão que luta justamente pela garantia e manutenção dos direitos humanos desses grupos?

Trata-se de uma estratégia política, fundamentada na agenda específica da bancada evangélica, e não na compreensão que o senso comum tem do que são os direitos humanos e as minorias. Ou seja, é óbvio que Marco Feliciano não está lá para avançar na questão dos direitos humanos e das minorias, da forma como estas pautas se constituem historicamente no Brasil; pelo contrário, ele está lá para evitar que qualquer avanço nessa área se dê de forma conflitante com a agenda moralizante da bancada à qual ele faz parte. No Brasil, os temas dos direitos humanos e das minorias são historicamente parte das agendas políticas da esquerda; a direita sempre defendeu a supressão desses temas dos debates nacionais, como ainda se pode ver dentro dos meios militares, por exemplo. O que ocorre é que é a direita religiosa, e não a direita histórica, formada por militares e ruralistas, por exemplo, e com a qual a esquerda sempre esteve mais acostumada, começou a ocupar cargos importantes. E, o que é mais problemático, o faz de dentro mesmo do governo, como parte da base aliada.

É preciso que se diga, no entanto, que a bancada evangélica é notoriamente fragmentada em questões políticas, convergindo apenas em questões ligadasas decorrência políticas de sua fé, como nos temas do casamento entre pessoas do mesmo sexo e aborto. Nesse contexto, Marco Feliciano é particularmente patético e espalhafatoso, a ponto de uma grande quantidade de pastores evangélicos no país terem aderido à campanha “Marco Feliciano não me representa”. Ou seja, ele se transformou num abacaxi até mesmo para parte importante do universo evangélico.

Um aspecto disso que passa despercebido da maioria dos debates é o fato de que há o risco de que se reforcem os preconceitos de classe associados à população evangélica, tipicamente proveniente de camadas populares. Ou seja, dentro do contexto de ascensão conservadora em lugares como a cidade de São Paulo, tema de debate recente na USP, há o potencial de que o ressentimento da classe média dita “tradicional” para com as populações favorecidas pelos programas sociais das últimas duas décadas se dê na forma de recrudescimento de preconceitos religiosos.

A presidência do CDHM por um sujeito como o parlamentar do PSC reflete o cenário político brasileiro, no qual os absurdos se repetem?

Sem dúvida, e o uso do termo absurdo ilustra outra dimensão do problema: a crise de legitimidade do Estado atinge agora níveis estratosféricos. Particularmente no parlamento, com Renan Calheiros na presidência do Senado, Marco Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias – e esses são apenas os exemplos do momento -, as duas casas são marcadas porum nível de descrédito talvez inédito. Ou seja, a população vive a velha sensação de desconexão com o parlamento de forma inflacionada, em parte porque tanto Renan Calheiros quanto Marco Feliciano e alguns de seus apoiadores, como o Jair Bolsonaro, dão performances públicas profundamente desrespeitosas à população brasileira.

Por outro lado, há um aspecto positivo nisso tudo: tenho a impressão de que essa controvérsia toda, somada a outros conflitos como o de Belo Monte, o dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, o da Aldeia Maracanã e demais remoções desumanas ocorridas no Rio de Janeiro em função dos chamados grandes eventos, esta inserindo um bocado de gente jovem no mundo da política, repolitizando gente não tão jovem assim, e quebrando a ideia de que a população só pode se relacionar com a política através de partidos políticos e das eleições. Frequentemente escuto alguém dizer “mas ele foi eleito,e não há nada que se possa fazer a esse respeito”. Isso é discurso de quem não tem interesse na efetiva participação popular na política desse país. A democracia participativa é mais democrática que a representativa; manifestações populares nas ruas e petições públicas são coisas que fortalecem a democracia. E há iniciativas ligadas à democracia participativa ocorrendo em diversas partes do mundo. O sociólogo espanhol Manuel Castells tem escrito sobre a iniciativa chamada Partido do Futuro naquele país; no Brasil, articula-se o #rede. Em ambos os casos, um dos objetivos centrais é a valorização e o fortalecimento de ações políticas existentes fora das instituições tradicionais de poder.

É de se esperar, naturalmente, que aslideranças ligadas ao status quo tendam a ser conservadoras, e se esforcem para diminuir a importância das manifestações populares: em todos os poderes iremos escutar que não se pode administrar um país em função do clamor que vem das ruas, sob o risco de se deixar levar por sentimentalismos de momento e, assim, fragilizar as instituições e o Estado. Não se pode discutir a redução da maioridade penal ou a pena de morte com base no sensacionalismo da mídia; obviamente existe lógica no argumento. O problema é que ele é frequentemente usado para desarticular movimentos políticos legítimos – Renan Calheiros usou esse argumento para justificar a razão pela qual não deixaria a presidência do Senado. O resultado disso tudo é a sensação de que o custo da estabilidade institucional do parlamento é a sua falência moral. O ponto é justamente esse: para grande parte da população brasileira, as instituições de poder estão moralmente falidas, e as ações de membros da base aliada, como Renan Calheiros e Marco Feliciano, sem que as principais lideranças se manifestem a esse respeito, não fazem mais do que evidenciar isso de forma contundente.

O parlamentar já se defendeu publicamente e pediu um “voto de confiança” da população. Nesse caso, e com a repercussão que o assunto alcançou, isso é possível?

Marco Feliciano não vai mudar sua linha de ação. Talvez modere o seu discurso, mas não vai mudar de agenda. Mesmo após o movimento que exige sua renúncia tomar as proporções que tomou, ele afirmou recentemente à revista Veja que a população LGBT não constitui minoria; na tentativa de dizer que os negros não são amaldiçoados, ele simplesmente repetiu o argumento original e, portanto, a calúnia, e pateticamente adicionou “Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande demais. Não tem só negros. A África do Sul tem brancos”.

Não estou dizendo, com isso, que não há lugar no parlamento para ele. Isso seria profundamente antidemocrático. É natural que exista a bancada evangélica, e ela deve ser respeitada. O que é um contrassenso é ter um líder de comissão cuja agenda é impedir que a comissão funcione, como é claramente o caso de Marco Feliciano.

O que pode vir a ocorrer caso o deputado permaneça no cargo?

Infelizmente nem a Dilma nem o PT, insulados que estão no jogo do poder, tem preocupação com o que pensam a sociedade civil e os movimentos sociais. A cada pesquisa de opinião que mostra os níveis elevados de popularidade da presidenta, menos interesse ela tem em dialogar com os atores ativos da sociedade civil. Daí o mutismo presidencial no que diz respeito a esse imbróglio político. O que ocorre, no entanto, é que nunca no Brasil o movimento LGBT, por exemplo, foi tão organizado e ativo; o mesmo pode se dizer de grupos que atuam em defesa de populações indígenas, muitas das quais veem na atividade missionária evangélica uma ameaça real à sua existência cultural. Não acredito que possa haver qualquer forma de acomodação quanto à presença de Marco Feliciano na presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias. Marco Feliciano provavelmente irá bloquear a discussão de pontos importantes da agenda de alguns movimentos, notadamente o LGBT, o que sem dúvida irá manter a briga acirrada.

As manifestações tanto nas redes sociais como nas ruas podem contribuir de que maneira para sua saída?

Cabe à sociedade civil transformar essa questão em algo que cause desgaste político a Dilma e ao PSC; ou seja, é hora de fazer barulho.Nesse exato momento, o PSC examina o custo político de deixar as coisas como estão, porque sentiu o efeito da mobilização popular. Não há qualquer dúvida de que foram as redes sociais, nesse caso, como na coleta de mais de um milhão e seiscentas mil assinaturas na petição em favor da renúncia de Renan Calheiros, ou no apoio aos Guarani Kaiowá ou à Aldeia Maracanã, que fizeram toda a diferença.

As redes sociais tem papel fundamental na circulação de informações que não figuram na mídia tradicional, ou pela possibilidade de enquadramentos diversos àqueles que caracterizam as grandes corporações de imprensa desse país. Além disso, a própria forma como as informações existem nas redes sociais são um diferencial enorme: boa parte delas circula como dado, como declaração de apoio à causa e como convocação à ação, tudo isso ao mesmo tempo. Quebra-se assim a falsidade ideológica característica do discurso supostamente neutro da imprensa corporativa. Há também o risco de que a mobilização política nas redes ganhe um caráter de linchamento cibernético, como tem reclamado o próprio Marco Feliciano; infelizmente os movimentos sociais não sabem como lidar com esse problema, que é real.

O fato é que vivemos um momento de transformação dos processos políticos, em especial no que diz respeito à relação destes com as tecnologias digitais. Ninguém sabe exatamente como se dá a relação entre redes sociais e a política, porque não temos muita experiência a esse respeito, tudo é muito novo, ainda estamos engatinhando nesse sentido. Mas já pudemos ver o potencial existente nessa articulação. E é exatamente por isso que vivemos um momento excepcional: estou certo de que 2014 será um ano de enormes surpresas. Espero que aí se inicie um processo através do qual muitos dos paleopolíticos que infestam Brasília sejam extintos; mas só esperando pra ver. Só não podemos esperar sentados: para que isso efetivamente ocorra, é preciso acreditar que a política das ruas e dos teclados é tão, senão mais, importante que a das instituições centrais do poder.

A política do futuro já chegou (Revista Fórum)

25/03/2013 9:12 pm

Uma iniciativa popular na Espanha propõe exercer a democracia direta. A ideia se disseminou na internet e evidenciou a crise institucional do país, e também, a necessidade de outro sistema de representação.

Por Manuel Castells*

No dia 8 de janeiro foi anunciada, na internet, a criação do “partido do futuro”, um método experimental para construir uma democracia sem intermediários, que substituiria as atuais instituições deslegitimadas na mente dos cidadãos. A repercussão social e midiática tem sido considerável. Apenas no primeiro dia de lançamento, apesar do colapso do servidor ao receber 600 petições por segundo, foram 13 mil seguidores no twitter, 7 mil no Facebook e 100 mil visitas no Youtube. Mídias estrangeiras e espanholas têm repercutido o futuro que anuncia o triunfo eleitoral de seu programa: democracia e ponto. (http://partidodelfuturo.net).

Movimento 15-M em Madri: nova política (Foto: Wikimedia Commons)

Sinal de que já não se pode ignorar o que surge do 15-M (nascimento do movimento dos indignados). Porque este partido emerge do caldo  criado pelo movimento, embora de forma alguma se equipare ao mesmo. Porque não há “o movimento” com estrutura organizada, nem representantes, e sim pessoas em movimento que compartilham de uma denúncia básica das formas de representação política que tem deixado pessoas indefesas diante dos efeitos de uma crise que não foram culpadas, porém sofrem os resultados a cada dia. O 15-M é uma prática coletiva e individual diversificada e de mudanças, que vive na rede e nas ruas, e cujos componentes tomam iniciativas de todo o tipo, desde a defesa contra o escândalo das hipotecas até a proposta de lei eleitoral que democratize a política.

Porém, até agora, muitas destas iniciativas parecem condenadas a um beco sem saída. Por um lado, as pesquisas mostram que uma grande maioria dos cidadãos (cerca de 70%) concorda com a crítica do 15-M e com muitas de suas propostas. Por outro lado, toda esta mobilização não se traduz em medidas concretas que aliviem as pessoas, pois há um bloqueio institucional para a adoção destas propostas. Os dois grandes partidos espanhóis são corresponsáveis pela submissão da política aos poderes financeiros no tratamento da crise, compartilhando, por exemplo, a gestão irresponsável dos diretores do Banco da Espanha, com um governador socialista, no caso de Bankia e do sistema de caixas, que tem conduzido a ruína milhares de famílias. Por isso, o 15-M se expressou no espaço público, em acampamentos, manifestações, assembleias de bairro e em ações pontuais de denúncia. Mas, embora esta intervenção seja essencial para criar consciência, se esgota em si mesma quando se confronta com uma repressão policial cada vez mais violenta.

Felizmente, o 15-M tem freado qualquer impulso de protesto violento, e tem feito um papel de canalizador pacífico da ira popular. O dilema é como superar as barreiras atuais sem deixar de ser um movimento espontâneo, auto-organizado, com múltiplas iniciativas que não são um programa. E por isso, podem unir potencialmente os 99% que sabem o que não querem, e que concordam em buscar um conjunto de novas vias políticas de gestão pela vida.

Para avançar nesse sentido, tem surgido uma iniciativa espontânea de ocupar o único espaço em que o movimento é pouco presente: as instituições. Mas não imediatamente, porque seu projeto não é ser uma minoria parlamentar, e sim de modificar a forma de fazer política, mediante uma democracia direta, instrumentada na internet, propondo referendos sobre temas-chaves, elaborando propostas legislativas mediante consultas e debates no espaço público, urbano e cibernético, implantando medidas concretas de debates entre os cidadãos e utilizando a plataforma com propostas que saiam do povo.

Na realidade, não é um partido, embora esteja inscrito no registro dos partidos, mas sim um experimento político, que vai se reinventando conforme avança. No horizonte vislumbra-se um momento em que o apoio do povo para votar contra todos os políticos de uma vez e em favor de uma plataforma eleitoral que tenha como único ponto no programa, permitir uma ocupação legal do parlamento e o desmantelamento do sistema tradicional de representação por dentro dele mesmo. Não é tão descabido. É muito o que aconteceu na Islândia, referência explicita do partido do futuro.

Mas, como evitar reproduzir o esquema de partido no processo de conquistar a maioria eleitoral? Aqui é onde surge a decisão, criticada pela classe política e alguns meios, das pessoas que têm tomado esta iniciativa de manter-se no anonimato. Porque se não há nomes, não há lideres, nem cargos, nem comitês federais, nem porta-vozes que dizem falar pelos demais, mas que acabam representando a si mesmos. Se não há rostos, o que sobra são ideias, práticas, iniciativas. De fato, é a prática da máscara como forma de criação de um sujeito coletivo composto de milhões de indivíduos mascarados, como fizeram os zapatistas, ou como fazem os Anonymous com a sua famosa máscara reconhecida em todo o mundo, mas com múltiplos portadores. Inclusive o anonimato do protesto se encontra em nossos clássicos: “Fuenteovejuna todos a una”.

Talvez chegue o momento em que as listas eleitorais queiram nomes, mas não necessariamente serão líderes, porque poderão ser sorteados os nomes entre milhares de pessoas que estejam de acordo com uma plataforma de ideias. No fundo se trata de pôr em primeiro plano a política das ideias com a que os políticos enchem a boca, enquanto fazem sua carreira entre cotoveladas. A personalização da política é maior sequela da liderança ao longo da história, baseada na demagogia, na ditadura do chefe e na política do escândalo para destruir pessoas representativas. O X do partido do futuro não é para esconder-se, mas sim para que seu conteúdo preencha as pessoas que projetem neste experimento seus sonhos pessoais em um sonho coletivo: democracia e ponto. A definir.

*Tradução: Carolina Rovai. Artigo publicado originalmente no La Vanguardia

‘Networked Minds’ Require Fundamentally New Kind of Economics (Science Daily)

Mar. 20, 2013 — In their computer simulations of human evolution, scientists at ETH Zurich find the emergence of the “homo socialis” with “other-regarding” preferences. The results explain some intriguing findings in experimental economics and call for a new economic theory of “networked minds”.

In their computer simulations of human evolution, scientists at ETH Zurich find the emergence of the “homo socialis” with “other-regarding” preferences. The results explain some intriguing findings in experimental economics and call for a new economic theory of “networked minds”. (Credit: © violetkaipa / Fotolia)

Economics has a beautiful body of theory. But does it describe real markets? Doubts have come up not only in the wake of the financial crisis, since financial crashes should not occur according to the then established theories. Since ages, economic theory is based on concepts such as efficient markets and the “homo economicus”, i.e. the assumption of competitively optimizing individuals and firms. It was believed that any behavior deviating from this would create disadvantages and, hence, be eliminated by natural selection. But experimental evidence from behavioral economics show that, on average, people behave more fairness-oriented and other-regarding than expected. A new theory by scientists from ETH Zurich now explains why.

“We have simulated interactions of individuals facing social dilemma situations, where it would be favorable for everyone to cooperate, but non-cooperative behavior is tempting,” explains Dr. Thomas Grund, one of the authors of the study. “Hence, cooperation tends to erode, which is bad for everyone.” This may create tragedies of the commons such as over-fishing, environmental pollution, or tax evasion.

Evolution of “friendliness”

Prof. Dirk Helbing of ETH Zurich, who coordinated the study, adds: “Compared to conventional models for the evolution of social cooperation, we have distinguished between the actual behavior – cooperation or not – and an inherited character trait, describing the degree of other-regarding preferences, which we call the friendliness.” The actual behavior considers not only the own advantage (“payoff”), but also gives a weight to the payoff of the interaction partners depending on the individual friendliness. For the “homo economicus”, the weight is zero. The friendliness spreads from one generation to the next according to natural selection. This is merely based on the own payoff, but mutations happen.

For most parameter combinations, the model predicts the evolution of a payoff-maximizing “homo economicus” with selfish preferences, as assumed by a great share of the economic literature. Very surprisingly, however, biological selection may create a “homo socialis” with other-regarding preferences, namely if offsprings tend to stay close to their parents. In such a case, clusters of friendly people, who are “conditionally cooperative”, may evolve over time.

If an unconditionally cooperative individual is born by chance, it may be exploited by everyone and not leave any offspring. However, if born in a favorable, conditionally cooperative environment, it may trigger cascade-like transitions to cooperative behavior, such that other-regarding behavior pays off. Consequently, a “homo socialis” spreads.

Networked minds create a cooperative human species

“This has fundamental implications for the way, economic theories should look like,” underlines Professor Helbing. Most of today’s economic knowledge is for the “homo economicus”, but people wonder whether that theory really applies. A comparable body of work for the “homo socialis” still needs to be written.

While the “homo economicus” optimizes its utility independently, the “homo socialis” puts himself or herself into the shoes of others to consider their interests as well,” explains Grund, and Helbing adds: “This establishes something like “networked minds”. Everyone’s decisions depend on the preferences of others.” This becomes even more important in our networked world.

A participatory kind of economy

How will this change our economy? Today, many customers doubt that they get the best service by people who are driven by their own profits and bonuses. “Our theory predicts that the level of other-regarding preferences is distributed broadly, from selfish to altruistic. Academic education in economics has largely promoted the selfish type. Perhaps, our economic thinking needs to fundamentally change, and our economy should be run by different kinds of people,” suggests Grund. “The true capitalist has other-regarding preferences,” adds Helbing, “as the “homo socialis” earns much more payoff.” This is, because the “homo socialis” manages to overcome the downwards spiral that tends to drive the “homo economicus” towards tragedies of the commons. The breakdown of trust and cooperation in the financial markets back in 2008 might be seen as good example.

“Social media will promote a new kind of participatory economy, in which competition goes hand in hand with cooperation,” believes Helbing. Indeed, the digital economy’s paradigm of the “prosumer” states that the Internet, social platforms, 3D printers and other developments will enable the co-producing consumer. “It will be hard to tell who is consumer and who is producer”, says Christian Waloszek. “You might be both at the same time, and this creates a much more cooperative perspective.”

Journal Reference:

  1. Thomas Grund, Christian Waloszek, Dirk Helbing. How Natural Selection Can Create Both Self- and Other-Regarding Preferences, and Networked Minds.Scientific Reports, 2013; 3 DOI: 10.1038/srep01480

Cracking the Semantic Code: Half a Word’s Meaning Is 3-D Summary of Associated Rewards (Science Daily)

Feb. 13, 2013 — We make choices about pretty much everything, all the time — “Should I go for a walk or grab a coffee?”; “Shall I look at who just came in or continue to watch TV?” — and to do so we need something common as a basis to make the choice.

Half of a word’s meaning is simply a three dimensional summary of the rewards associated with it, according to an analysis of millions of blog entries. (Credit: © vlorzor / Fotolia)

Dr John Fennell and Dr Roland Baddeley of Bristol’s School of Experimental Psychology followed a hunch that the common quantity, often referred to simply as reward, was a representation of what could be gained, together with how risky and uncertain it is. They proposed that these dimensions would be a unique feature of all objects and be part of what those things mean to us.

Over 50 years ago, psychologist Charles Osgood developed an influential method, known as the ‘semantic differential’, that attempts to measure the connotative, emotional meaning of a word or concept. Osgood found that about 50 per cent of the variation in a large number of ratings that people made about words and concepts could be captured using just three summary dimensions: ‘evaluation’ (how nice or good the object is), ‘potency’ (how strong or powerful an object is) and ‘activity’ (whether the object is active, unpredictable or chaotic). So, half of a concept’s meaning is simply a measure of how nice, strong, and active it is. The main problem is that, until now, no one knew why.

Dr Baddeley explained: “Over time, we keep a running tally of all the good and bad things associated with a particular object. Later, when faced with a decision, we can simply choose the option that in the past has been associated with more good things than bad. This dimension of choice sounds very much like the ‘evaluation’ dimension of the semantic differential.”

To test this, the researchers needed to estimate the number of good or bad things happening. At first sight, estimating this across a wide range of contexts and concepts seems impossible; someone would need to be observed throughout his or her lifetime and, for each of a large range of contexts and concepts, the number of times good and bad things happened recorded. Fortunately, a more practical solution is provided by the recent phenomenon of internet blogs, which describe aspects of people’s lives and are also searchable. Sure enough, after analysing millions of blog entries, the researchers found that the evaluation dimension was a very good predictor of whether a particular word was found in blogs describing good situations or bad.

Interestingly, they also found that how frequently a word was used was also a good predictor of how much we like it. This is a well-known effect — the ‘mere exposure effect’ — and a mainstay of the multi-billion dollar advertising industry. When comparing two options we just choose the option we like the most — and we like it because in the past it has been associated with more good things.

Analysing the data showed that ‘potency’ was a very good predictor of the probability of bad situations being associated with a given object: it measured one kind of risk.

Dr Fennell said: “This kind of way of quantifying risk is called ‘value at risk’ in financial circles, and the perils of ignoring it have been plain to see. Russian Roulette may be, on average, associated with positive rewards, but the risks associated with it are not for everyone!”

It is not the only kind of risk, though. In many situations, ‘activity’ — that is, unpredictability, or more importantly uncontrollability — is a highly relevant measure of risk: a knife in the hands of a highly trained sushi chef is probably safe, a knife in the hands of a drunk, erratic stranger is definitely not.

Dr Fennell continued: “Again, this different kind of risk is relevant in financial dealings and is often called volatility. It seems that the mistake that was made in the credit crunch was not ignoring this kind of risk, but to assume that you could perfectly guess it based on how unpredictable it had been in the past.”

Thus, the researchers propose that half of meaning is simply a summary of how rewarding, and importantly, how much of two kinds of risk is associated with an object. Being sensitive not only to rewards, but also to risks, is so important to our survival, that it appears that its representation has become wrapped up in the very nature of the language we use to represent the world.

Journal Reference:

  1. John G. Fennell, Roland J. Baddeley. Reward Is Assessed in Three Dimensions That Correspond to the Semantic DifferentialPLoS ONE, 2013; 8 (2): e55588 DOI:10.1371/journal.pone.0055588

New research discovers the emergence of Twitter ‘tribes’ (University of London)

Public release date: 14-Mar-2013

Tanya Gubbay - University of London 

A project led by scientists from Royal Holloway University in collaboration with Princeton University, has found evidence of how people form into tribe-like communities on social network sites such as Twitter.

In a paper published in EPJ Data Science, they found that these communities have a common character, occupation or interest and have developed their own distinctive languages.

“This means that by looking at the language someone uses, it is possible to predict which community he or she is likely to belong to, with up to 80% accuracy,” said Dr John Bryden from the School of Biological Sciences at Royal Holloway. “We searched for unusual words that are used a lot by one community, but relatively infrequently by the others. For example, one community often mentioned Justin Bieber, while another talked about President Obama.”

Professor Vincent Jansen from Royal Holloway added: “Interestingly, just as people have varying regional accents, we also found that communities would misspell words in different ways. The Justin Bieber fans have a habit of ending words in ‘ee’, as in ‘pleasee’, while school teachers tend to use long words.”

The team produced a map of the communities showing how they have vocations, politics, ethnicities and hobbies in common. In order to do this, they focused on the sending of publically available messages via Twitter, which meant that they could record conversations between two or many participants.

To group these users into communities, they turned to cutting-edge algorithms from physics and network science. The algorithms worked by looking for individuals that tend to send messages to other members of the same community.

Dr Bryden then suggested analysing the language use of these discovered communities.

Dr Sebastian Funk from Princeton University said: “When we started to apply John’s ideas, surprising groups started to emerge that we weren’t expecting. One ‘anipals’ group was interested in hosting parties to raise funds for animal welfare, while another was a fascinating growing community interested in the concept of gratitude.”

David Graeber: Some Remarks on Consensus (Occupy Wall Street)

Posted on Feb. 26, 2013, 3:37 p.m. EST by OccupyWallSt 

the medium is the message

As part of our recent series on Occupy and consensus, we are posting this timely piece by David Graeber, originally published at OccupyWallStreet.net

There has been a flurry of discussion around process in OWS of late. This can only be a good thing. Atrophy and complacency are the death of movements. Any viable experiment in freedom is pretty much going to have to constantly re-examine itself, see what’s working and what isn’t—partly because situations keep changing, partly because we’re trying to invent a culture of democracy in a society where almost no one really has any experience in democratic decision-making, and most have been told for most of their lives that it would be impossible, and partly just because it’s all an experiment, and it’s in the nature of experiments that sometimes they don’t work.

A lot of this debate has centered around the role of consensus. This is healthy too, because there seem to be a lot of misconceptions floating around about what consensus is and is supposed to be about. Some of these misconceptions are so basic, though, I must admit I find them a bit startling.

Just one telling example. Justine Tunney recently wrote a piece called “Occupiers: Stop Using Consensus!” that begins by describing it as “the idea that a group must strictly adhere to a protocol where all decisions are unanimous”—and then goes on to claim that OWS used such a process, with disastrous results. This is bizarre. OWS never used absolute consensus. On the very first meeting on August 2, 2011 we established we’d use a form of modified consensus with a fallback to a two-thirds vote. Anyway, the description is wrong even if we had been using absolute consensus (an approach nowadays rarely used in groups of over 20 or 30 people), since consensus is not a system of unanimous voting, it’s a system where any participant has the right to veto a proposal which they consider either to violate some fundamental principle, or which they object to so fundamentally that proceeding would cause them to quit the group. If we can have people who have been involved with OWS from the very beginning who still don’t know that much, but think consensus is some kind of “strict” unanimous voting system, we’ve got a major problem. How could anyone have worked with OWS that long and still remained apparently completely unaware of the basic principles under which we were supposed to be operating?

Granted, this seems to be an extreme case. But it reflects a more general confusion. And it exists on both sides of the argument: both some of the consensus’ greatest supporters, and its greatest detractors, seem to think “consensus” is a formal set of rules, analogous to Roberts’ Rules of Order, which must be strictly observed, or thrown away. This certainly was not what people who first developed formal process thought that they were doing! They saw consensus as a set of principles, a commitment to making decisions in a spirit of problem-solving, mutual respect, and above all, a refusal of coercion. It was an attempt to create processes that could work in a truly free society. None of them, even the most legalistic, were so presumptuous to claim those were the only procedures that could ever work in a free society. That would have been ridiculous.

Let me return to this point in a moment. First,

1) CONSENSUS IS “A WHITE THING” (OR A MIDDLE CLASS WHITE THING, OR AN ELITIST FORM OF OPPRESSION, ETC)

The first thing to be said about this statement is that this idea is a very American thing. Anyone I mention it to who is not from the United States tends to react to the statement with complete confusion. Even in the US, it is a relatively recent idea, and the product of a very particular set of historical circumstances.

The confusion overseas is due to the fact that almost everywhere except the US, the exact opposite is true. In the Americas, Africa, Asia, Oceania, one finds longstanding traditions of making decisions by consensus, and then, histories of white colonialists coming and imposing Roberts Rules of Order, majority voting, elected representatives, and the whole associated package—by force. South Asian panchayat councils did not operate by majority voting and still don’t unless there has been a direct colonial influence, or by political parties that learned their idea of democracy in colonial schools and government bodies the colonialists set up. The same is true of communal assemblies in Africa. (In China, village assemblies also operated by consensus until the ’50s when the Communist Party imposed majority voting, since Mao felt voting was more “Western” and therefore “modern.”) Almost everywhere in the Americas, indigenous communities use consensus and the white or mestizo descendants of colonialists use majority voting (insofar as they made decisions on an equal basis at all, which mostly they didn’t), and when you find an indigenous community using majority voting, it is again under the explicit influence of European ideas—almost always, along with elected officials, and formal rules of procedure obviously learned in colonial schools or borrowed from colonial regimes. Insofar as anyone is teaching anyone else to use consensus, it’s the other way around: as in the case of the Maya-speaking Zapatista communities who insisted the EZLN adopt consensus over the strong initial objections of Spanish-speaking mestizos like Marcos, or for that matter the white Australian activists I know who told me that student groups in the ’80s and ’90s had to turn to veterans of the Maoist New People’s Army to train them in consensus process—not because Maoists were supposed to believe in consensus, since Mao himself didn’t like the idea, but because NPA guerillas were mostly from rural communities in the Philippines that had always used consensus to make decisions and therefore guerilla units had adopted the same techniques spontaneously.

So where does the idea that consensus is a “white thing” actually come from? Indigenous communities in America all used consensus decision-making instead of voting. Africans brought to the Americas had been kidnapped from communities where consensus was the normal mode of making collective decisions, and violently thrust into a society where “democracy” meant voting (even though they themselves were not allowed to vote.) Meanwhile, the only significant group of white settlers who employed consensus were the Quakers—and even they had developed much of their process under the influence of Native Americans like the Haudenosaunee.

As far as I can make out the ideas comes out of political arguments that surrounded the rise of Black Nationalism in the 1960s. The very first mass movement in the United States that operated by consensus was the SNCC, or Student Non-Violent Coordinating Committee, a primarily African-American group created in 1960 as a horizontal alternative to Martin Luther King’s (very vertical) SCLC. SNCC operated in a decentralized fashion and used consensus decision-making. It was SNCC for instance that organized the famous “freedom rides” and most of the direct action campaigns of the early ’60s. By 1964, an emerging Black Power faction was looking for an issue with which to isolate and ultimately expel the white members of the group. They seized on consensus as a kind of wedge issue—this made sense, politically, because many of those white allies were Quakers, and it was advantageous, at first, to frame the argument as one of efficiency, rather than being about more fundamental moral and political issues like non-violence. It’s important to emphasize though that the objections to consensus as inefficient and culturally alien that were put forward at the time were not put forward in the name of moving to some other form of direct democracy (i.e., majority voting), but ultimately, part of a rejection of the whole package of horizontality, consensus, and non-violence with the ultimate aim of creating top-down organizational structures that could support much greater militancy. It also corresponded to an overt attack on the place of women in the organization—an organization that had in fact been founded by the famous African-American activist Ella Baker on the principle “strong people don’t need strong leaders.” Stokely Carmichael, the most famous early Black Power advocate in SNCC, notoriously responded to a paper circulated by feminists noting that women seemed to be systematically excluded from positions in the emerging leadership structure by saying as far as he was concerned, “the only position for women in SNCC is prone.”

Within a few years SNCC began to splinter; white allies were expelled in 1965; after a brief merger with the Panthers it split again, and dissolved in the ’70s.

These tensions—challenges to horizontalism and consensus, macho leadership styles, the marginalization of women—were by no means peculiar to SNCC. Similar battles were going on in predominantly white groups: notably SDS, which ultimately ditched consensus too, and ended up splitting between Maoists and Weathermen. This is one reason the feminist movement of the early ’70s, which within the New Left began partly as a reaction to just this kind of macho posturing, embraced consensus as an antidote. (Anarchists only later adopted it from them.) But one point bears emphasizing. It’s important. None of those who challenged consensus did so in the name of a different form of direct democracy. In fact, I’m not aware of any example of an activist group that abandoned consensus and then went on to settle on some different, but equally horizontal approach to decision-making. The end result is invariably abandoning direct democracy entirely Sometimes that’s because, as here, that is explicitly what those challenging consensus want. But even when it’s not, the same thing happens, because moving from consensus sets off a dynamic that inevitably leads in a vertical direction. When consensus is abandoned, some are likely to quit in protest. These are likely to be the most dedicated to horizontal principles. Factions form. Minority factions that consistently lose key votes, and don’t have their concerns incorporated in resulting proposals, will often split off. Since they too are likely to consist of more horizontally oriented participants, the group becomes ever more vertical. Before long, those who never liked direct democracy to begin with start saying it’s what’s really to blame for all these problems, it’s inefficient, things would run far more smoothly with clearly defined leadership roles—and it only takes a vote of 51% of the remaining, much more vertical group, to ditch direct democracy entirely.

Obviously, the widespread perception of consensus process as white isn’t just be a hold-over from events that took place forty years ago. A lot of the problem is that, since the ’70s, consensus process has largely been developed among direct-action oriented groups, and, while there are certainly African-American-based groups operating in what might be called the Ella Baker tradition, most of those groups have been largely white. The reasons are pretty obvious. Those lacking white privilege face much higher levels of state repression, and (unlike, in say, Mexico, or India, where those who face the most repression are generally speaking already organized in semi-autonomous communities that operate at least partly by consensus), in the US, this limits the degree to which it’s possible to engage in creating experimental spaces outside the system. Communities face immediate such practical concerns so pressing many feel working outside the system would be irresponsible. Those who don’t often feel they have no choice but to adopt either strict, rigorous, MLK-style non-violence, or adopt revolutionary militarism like the panthers—both of which tend to lead to top down forms of organization. As a result, the culture of consensus, the style in which it’s conducted, the sensibilities surrounding it, inevitably comes to reflect the white middle-class background of so many of those who have created and shaped it, and the result is that those who do not share these sensibilities feel alienated and excluded. Obviously this is something that urgently needs to be addressed. But the problem here is not with the principles underlying consensus (that all voices have equal weight, that no one be compelled to act against their will), but with the way it’s being done—and the fact that the way it’s being done have the effect of undermining those very principles.

2) RULES VERSUS PRINCIPLES

I think the real problem here is a misunderstanding about what we’re basically arguing about. A lot of people on both sides of the debate seem to think “consensus” is a set of rules. If you follow the rules, you’re doing consensus. If you break the rules, or even do them in the wrong order it’s somehow not. I’ve seen people show up to meetings armed with elaborate diagrams or flow-charts for some kind of formal process downloaded from some web page and insist that only this is the really real thing. So it’s hardly surprising that other people put off by all this, or who see that particular form of process hit some kind of loggerhead, say “well consensus doesn’t work. Let’s try something else.”

As far as I’m concerned both sides completely miss the point.

I’ll say it again. Consensus is not a set of rules. It’s a set of principles. Actually I’d even go so far to say that if you really boil it down, it ultimately comes down to just two principles: everyone should have equal say (call this “equality”), and nobody should be compelled to do anything they really don’t want to do (call this, “freedom.”)

Basically, that’s it. The rules are just a way to try to come to decisions in the spirit of those principles. “Formal consensus process,” in is various manifestations, is just one technique people have made up, over the years, to try to come to group decisions that solve practical problems in a way that ensures no one’s perspective is ignored, and no one is forced to do anything or comply with rules they find truly obnoxious. That’s it. It’s a way to find consensus. It’s not itself “consensus.” Formal process as it exists today has been proved to work pretty well for some kinds of people, under some circumstances. It is obviously completely inappropriate in others. To take an obvious example: most small groups of friends don’t need formal process at all. Other groups might, over time, develop a completely different approach that suits their own dynamics, relations, situation, culture, sensibilities. And there’s absolutely no reason any group can’t improvise an entirely new one if that’s what they want to do. As long as they are trying to create a process that embodies those basic principles, one that gives everyone equal say and doesn’t force anyone to go along with a decision they find fundamentally objectionable, then what they come up with is a form of consensus process—no matter how it operates. After all, it a group of people all decide they want to be bound by a majority decision, well, who exactly is going to stop them? But if they all decide to be bound by a majority decision, then they have reached a consensus (in fact, an absolute consensus) that they want to operate that way. The same would be true if they all decided they wanted to be bound by the decisions of a Ouija Board, or appointed one member of the group Il Duce. Who’s going to stop them? However, for the exact same reason, the moment the majority (or Ouija board, or Il Duce) comes up with a decision to do something that some people think is absolutely outrageous and refuse to do, how exactly is anyone going to force them to go along? Threaten to shoot them? Basically, it could only happen if the majority is somehow in control of some key resource—money, space, connections, a name—and others aren’t. That is, if there is some means of coercion, subtle or otherwise. In the absence of a way to compel people to do things they do not wish to do, you’re ultimately stuck with some kind of consensus whether you like it or not.

The question then is what kind of decision making process is most likely to lead to decisions that no one will object to so fundamentally that they will march off in frustration or simply refuse to cooperate? Sometimes that will be some sort of formal consensus process. In other circumstances that’s the last thing one should try. Still, there’s a reason that 51/49% majority voting is so rarely employed in such circumstances: usually, it is the method least likely to come up with such decisions.

Think of it this way.

Imagine the city is about to destroy some cherished landmark and someone puts up posters calling for people to meet in a nearby square to organize against it. Fifty people show up. Someone says, okay, “I propose we all lay down in front of the bulldozers. Let’s hold a vote.” So 30 people raised their hands yes, and 20 people raise their hands no. Well, what possible reason is there that the 20 people who said no would somehow feel obliged to now go and lay in front of the bulldozers? These were just 50 strangers gathered in a square. Why should the opinions of a majority of a group of strangers oblige the minority to do anything—let alone something which will expose them to personal danger?

The example might seem absurd—who would hold such a vote?—but I experienced something almost exactly like it a few years ago, at an “all-anarchist” meeting called in London before a mass mobilization against the G8. About 200 people showed up at the RampArts Social Center. The facilitator, a syndicalist who disliked consensus, explained that another group had proposed a march, followed by some kind of direct action, and immediately proceeded to hold a vote on whether we, as a group, wanted to join as. Oddly, it did not seem to occur to him that, since we were not in fact a group, but just a bunch of people who had showed up at a meeting, there was no reason to think that those who did not want to join such an action would be swayed by the result. In fact he wasn’t taking a vote at all. He was taking a poll: “how many people are thinking of joining the march?” Now, there’s nothing wrong with polls; arguably, the most helpful thing he could have done under the circumstance was to ask for a show of hands so everyone could see what other people were thinking. The results might even have changed some people’s minds—”well, it looks like a lot of people are going to that march, maybe I will too” (though in this case, in fact, it didn’t.) But the facilitator thought he was actually conducting a vote on what to do, as if they were somehow bound by the decision.

How could he have been so oblivious? Well, he was a syndicalist; unions use majority vote; that’s why he preferred it. But of course, unions are membership-based groups. If you join a union, you are, by the very act of doing so, agreeing to abide by its rules, which includes, accepting majority vote decisions. Those who do not follow the group’s rules can be sanctioned, or even expelled. It simply didn’t occur to him that most unions’ voting system depended on the prior existence of membership rolls, dues, charters, and usually, legal standing—which in effect meant that either everyone who had voluntarily joined the unions was in effect consenting to the rules, or else, if membership was obligatory in a certain shop or industry owing to some prior government-enforced agreement, was ultimately enforced by the power of the state. To act the same way when people had not consented to be bound by such a decision, and then expect them to follow the dictates of the majority anyway, is just going to annoy people and make them less, not more, likely to do so.

So let’s go back to Justine’s first example,

the first time I saw a block used at Occupy was at one of the first general assemblies in August 2011. There were about a hundred people that day and in the middle of the meeting a proposal was made to join Verizon workers on the picket line as a gesture of solidarity in the hope that they might also support us in return. People loved the idea and there was quite a bit of positive energy until one woman in the crowd, busy tweeting on her phone, casually raised her hand and said, “I block that”. The moderator, quite flabbergasted asked why she blocked and she explained that showing solidarity with workers would alienate the phantasm of our right-wing supporters. Discussion then abruptly ended and the meeting went on. The truth was irrelevant, popular opinion didn’t matter, and solidarity—the most important of all leftist values—was thrown to the wind based on the whims of just one individual. Occupy had to find a new way to do outreach.

Now, I was at this meeting, and I remember the event quite vividly because at the time I was one of the participants who was more than a little bit annoyed by the block. But I also know that this is simply not what happened.

First of all, as I remarked, OWS from the beginning did not have a system where just one person could block a proposal; in the event of a block, we had the option to fall back on a 2/3 majority vote. So if everyone had really loved the proposal, the block could have been simply brushed aside. While many felt the woman in question was being ridiculous (most of us suspected the “national movement” she claimed to represent didn’t really exist), the facilitator, when she asked if anyone felt the same way, was surprised to discover a significant contingent–some, but not all, insurrectionist anarchists–did in fact object to holding the next meeting at a picket line, since they didn’t want to immediately identify the movement with the institutional left. Once it became clear it was not just one crazy person, but a significant chunk of the meeting—probably not quite a third, but close (there weren’t really a hundred people there, incidentally; more like sixty)—she asked if anyone felt strongly that we should move to a vote, and no one insisted. Was this a terrible failure of process? I must admit at the time I found it exasperating. But in retrospect I realize that had we forced a vote, the results might well have been catastrophic. Because at that point we, too were just a bunch of people who’d all showed up in a park. We weren’t a “group” at all. Nobody had committed to anything; certainly, no one had committed to going along with a majority decision.

A block is not a “no” vote. It’s a veto. Or maybe a better way to put it is that giving everyone the power to block is like giving the power to take on the role of the Supreme Court, and stop a piece of legislation that they feel to be unconstitutional, to anyone who has the courage to stand up in front of the entire group and use it. When you block you are saying a proposal violates one of the group’s agreed-on common principles. Of course, in this case we didn’t have any agreed-on common principles. In cases like that, the usual rule of thumb is that you should only block if you feel so strongly about an issue that you’d actually leave the group. In this sense I suspect the initial blocker was indeed being irresponsible (she wouldn’t have really left; and many wouldn’t have mourned her if she had.) However, others felt strongly. Had we held a vote and decided to hold our next meeting at a picket line over their objections, many of them would likely not have shown up. The anti-authoritarian contingent would have been weakened. Had that happened, there was a real chance later decisions, much more important ones, might have gone the other way. I am thinking here in particular of the crucial decision, made some weeks later, not to appoint official marshals and police liaisons for September 17. Judging by the experience of other camps, had that happened, everything might have gone differently and the entire occupation failed. In retrospect, the loss of one early opportunity to create ties with striking unionists now seems a small price to pay for heading off on a road that might have led to that. Especially since we had no trouble establishing strong ties with unions later—precisely because we had succeeded in creating a real occupation in the park.

There are a lot of other issues that one could discuss. Above all, we desperately need to have a conversation about decentralization. Another point of confusion about consensus is the idea that it’s crucial to get approval from everyone about everything, which is again stifling and absurd. Consensus only works if working groups or collectives don’t feel they need to seek constant approval from the larger group, if initiative arises from below, and people only check upwards if there’s a genuinely compelling reason not to go ahead with some initiative without clearing it with everyone else. In a weird way, the very unwieldiness of consensus meetings is helpful here, since it can discourage people from taking trivial issues to a larger group, and thus potentially waste hours of everyone’s time.

But all this will no doubt will be hashed out in the discussions that are going on (another good rule of thumb for consensus meetings: you don’t need to say everything you can think to say if you’re pretty sure someone else will make a lot of the same points anyway). Mainly what I want to say is this:

Our power is in our principles. The power of Occupy has always been that it is an experiment in human freedom. That’s what inspired so many to join us. That’s what terrified the banks and politicians, who scrambled to do everything in their power—infiltration, disruption, propaganda, terror, violence—to be able to tell the word we’d failed, that they had proved a genuinely free society is impossible, that it would necessarily collapse into chaos, squalor, antagonism, violence, and dysfunction. We cannot allow them such a victory. The only way to fight back is to renew our absolute commitment to those principles. We will never compromise on equality and freedom. We will always base our relations to each other on those principles. We will not fall back on top-down structures and forms of decision making premised on the power of coercion. But as long as we do that, and if we really believe in those principles, that necessarily means being as open and flexible as we can about pretty much everything else.

Online Records Could Expose Intimate Details and Personality Traits of Millions (Science Daily)

Mar. 11, 2013 — Research shows that intimate personal attributes can be predicted with high levels of accuracy from ‘traces’ left by seemingly innocuous digital behaviour, in this case Facebook Likes. Study raises important questions about personalised marketing and online privacy.

Research shows that intimate personal attributes can be predicted with high levels of accuracy from ‘traces’ left by seemingly innocuous digital behaviour, in this case Facebook Likes. Study raises important questions about personalised marketing and online privacy. (Credit: Graphic from mypersonality app, Cambridge Psychometrics Centre)

New research, published in the journal Proceedings of the National Academy of Sciences, shows that surprisingly accurate estimates of Facebook users’ race, age, IQ, sexuality, personality, substance use and political views can be inferred from automated analysis of only their Facebook Likes — information currently publicly available by default.

In the study, researchers describe Facebook Likes as a “generic class” of digital record — similar to web search queries and browsing histories — and suggest that such techniques could be used to extract sensitive information for almost anyone regularly online.

Researchers at Cambridge’s Psychometrics Centre, in collaboration with Microsoft Research Cambridge, analysed a dataset of over 58,000 US Facebook users, who volunteered their Likes, demographic profiles and psychometric testing results through the myPersonality application. Users opted in to provide data and gave consent to have profile information recorded for analysis.

Facebook Likes were fed into algorithms and corroborated with information from profiles and personality tests. Researchers created statistical models able to predict personal details using Facebook Likes alone.

Models proved 88% accurate for determining male sexuality, 95% accurate distinguishing African-American from Caucasian American and 85% accurate differentiating Republican from Democrat. Christians and Muslims were correctly classified in 82% of cases, and good prediction accuracy was achieved for relationship status and substance abuse — between 65 and 73%.

But few users clicked Likes explicitly revealing these attributes. For example, less that 5% of gay users clicked obvious Likes such as Gay Marriage. Accurate predictions relied on ‘inference’ — aggregating huge amounts of less informative but more popular Likes such as music and TV shows to produce incisive personal profiles.

Even seemingly opaque personal details such as whether users’ parents separated before the user reached the age of 21 were accurate to 60%, enough to make the information “worthwhile for advertisers,” suggest the researchers.

While they highlight the potential for personalised marketing to improve online services using predictive models, the researchers also warn of the threats posed to users’ privacy.

They argue that many online consumers might feel such levels of digital exposure exceed acceptable limits — as corporations, governments, and even individuals could use predictive software to accurately infer highly sensitive information from Facebook Likes and other digital ‘traces’.

The researchers also tested for personality traits including intelligence, emotional stability, openness and extraversion.

While such latent traits are far more difficult to gauge, the accuracy of the analysis was striking. Study of the openness trait — the spectrum of those who dislike change to those who welcome it — revealed that observation of Likes alone is roughly as informative as using an individual’s actual personality test score.

Some Likes had a strong but seemingly incongruous or random link with a personal attribute, such as Curly Fries with high IQ, or That Spider is More Scared Than U Are with non-smokers.

When taken as a whole, researchers believe that the varying estimations of personal attributes and personality traits gleaned from Facebook Like analysis alone can form surprisingly accurate personal portraits of potentially millions of users worldwide.

They say the results suggest a possible revolution in psychological assessment which — based on this research — could be carried out at an unprecedented scale without costly assessment centres and questionnaires.

“We believe that our results, while based on Facebook Likes, apply to a wider range of online behaviours.” said Michal Kosinski, Operations Director at the Psychometric Centre, who conducted the research with his Cambridge colleague David Stillwell and Thore Graepel from Microsoft Research.

“Similar predictions could be made from all manner of digital data, with this kind of secondary ‘inference’ made with remarkable accuracy — statistically predicting sensitive information people might not want revealed. Given the variety of digital traces people leave behind, it’s becoming increasingly difficult for individuals to control.

“I am a great fan and active user of new amazing technologies, including Facebook. I appreciate automated book recommendations, or Facebook selecting the most relevant stories for my newsfeed,” said Kosinski. “However, I can imagine situations in which the same data and technology is used to predict political views or sexual orientation, posing threats to freedom or even life.”

“Just the possibility of this happening could deter people from using digital technologies and diminish trust between individuals and institutions — hampering technological and economic progress. Users need to be provided with transparency and control over their information.”

Thore Graepel from Microsoft Research said he hoped the research would contribute to the on-going discussions about user privacy:

“Consumers rightly expect strong privacy protection to be built into the products and services they use and this research may well serve as a reminder for consumers to take a careful approach to sharing information online, utilising privacy controls and never sharing content with unfamiliar parties.”

David Stillwell from Cambridge University added: “I have used Facebook since 2005, and I will continue to do so. But I might be more careful to use the privacy settings that Facebook provides.”

Journal Reference:

  1. M. Kosinski, D. Stillwell, T. Graepel. Private traits and attributes are predictable from digital records of human behaviorProceedings of the National Academy of Sciences, 2013; DOI: 10.1073/pnas.1218772110

A tinta vermelha: discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Boitempo)

http://www.comunistas.spruz.com/pt/A-tinta-vermelha-discurso-de-Slavoj-Zizek-aos-manifestantes-do-Occupy-Wall-Street/blog.htm

Oct 9, 2011

Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

*   *   *

Slavoj Žižek speaks at Occupy Wall Street: Transcript (Impose)

BY SARAHANA » Don’t fall in love with yourselves

Posted on October 10, 2011

slavoj zizek speaking at occupy wall street

Yesterday at noon, this blog’s trusty mentor, the Slovenian philosopher-scholar Slavoj Žižek, spoke at Zuccotti Park, where Occupy Wall Street protests are being held. Here is a full transcript of his speech. Update: Transcript of the Q&A portion of the talk has been posted as well.

Made some corrections, Oct 25, 6:30PM EST

— TRANSCRIPT —

They are saying we are all losers, but the true losers are down there on Wall Street. They were bailed out by billions of our money. We are called socialists, but here there is always socialism for the rich. They say we don’t respect private property, but in the 2008 financial crash-down more hard-earned private property was destroyed than if all of us here were to be destroying it night and day for weeks. They tell you we are dreamers. The true dreamers are those who think things can go on indefinitely the way they are. We are not dreamers. We are the awakening from a dream that is turning into a nightmare.

We are not destroying anything. We are only witnessing how the system is destroying itself. We all know the classic scene from cartoons. The cat reaches a precipice but it goes on walking, ignoring the fact that there is nothing beneath this ground. Only when it looks down and notices it, it falls down. This is what we are doing here. We are telling the guys there on Wall Street, “Hey, look down!”

In mid-April 2011, the Chinese government prohibited on TV, films, and novels all stories that contain alternate reality or time travel. This is a good sign for China. These people still dream about alternatives, so you have to prohibit this dreaming. Here, we don’t need a prohibition because the ruling system has even oppressed our capacity to dream. Look at the movies that we see all the time. It’s easy to imagine the end of the world. An asteroid destroying all life and so on. But you cannot imagine the end of capitalism.

So what are we doing here? Let me tell you a wonderful, old joke from Communist times. A guy was sent from East Germany to work in Siberia. He knew his mail would be read by censors, so he told his friends: “Let’s establish a code. If a letter you get from me is written in blue ink, it is true what I say. If it is written in red ink, it is false.” After a month, his friends get the first letter. Everything is in blue. It says, this letter: “Everything is wonderful here. Stores are full of good food. Movie theatres show good films from the west. Apartments are large and luxurious. The only thing you cannot buy is red ink.” This is how we live. We have all the freedoms we want. But what we are missing is red ink: the language to articulate our non-freedom. The way we are taught to speak about freedom— war on terror and so on—falsifies freedom. And this is what you are doing here. You are giving all of us red ink.

There is a danger. Don’t fall in love with yourselves. We have a nice time here. But remember, carnivals come cheap. What matters is the day after, when we will have to return to normal lives. Will there be any changes then? I don’t want you to remember these days, you know, like “Oh. we were young and it was beautiful.” Remember that our basic message is “We are allowed to think about alternatives.” If the taboo is broken, we do not live in the best possible world. But there is a long road ahead. There are truly difficult questions that confront us. We know what we do not want. But what do we want? What social organization can replace capitalism? What type of new leaders do we want?

Remember. The problem is not corruption or greed. The problem is the system. It forces you to be corrupt. Beware not only of the enemies, but also of false friends who are already working to dilute this process. In the same way you get coffee without caffeine, beer without alcohol, ice cream without fat, they will try to make this into a harmless, moral protest. A decaffienated protest. But the reason we are here is that we have had enough of a world where, to recycle Coke cans, to give a couple of dollars for charity, or to buy a Starbucks cappuccino where 1% goes to third world starving children is enough to make us feel good. After outsourcing work and torture, after marriage agencies are now outsourcing our love life, we can see that for a long time, we allow our political engagement also to be outsourced. We want it back.

We are not Communists if Communism means a system which collapsed in 1990. Remember that today those Communists are the most efficient, ruthless Capitalists. In China today, we have Capitalism which is even more dynamic than your American Capitalism, but doesn’t need democracy. Which means when you criticize Capitalism, don’t allow yourself to be blackmailed that you are against democracy. The marriage between democracy and Capitalism is over. The change is possible.

What do we perceive today as possible? Just follow the media. On the one hand, in technology and sexuality, everything seems to be possible. You can travel to the moon, you can become immortal by biogenetics, you can have sex with animals or whatever, but look at the field of society and economy. There, almost everything is considered impossible. You want to raise taxes by little bit for the rich. They tell you it’s impossible. We lose competitivity. You want more money for health care, they tell you, “Impossible, this means totalitarian state.” There’s something wrong in the world, where you are promised to be immortal but cannot spend a little bit more for healthcare. Maybe we need to set our priorities straight here. We don’t want higher standard of living. We want a better standard of living. The only sense in which we are Communists is that we care for the commons. The commons of nature. The commons of privatized by intellectual property. The commons of biogenetics. For this, and only for this, we should fight.

Communism failed absolutely, but the problems of the commons are here. They are telling you we are not American here. But the conservatives fundamentalists who claim they really are American have to be reminded of something: What is Christianity? It’s the holy spirit. What is the holy spirit? It’s an egalitarian community of believers who are linked by love for each other, and who only have their own freedom and responsibility to do it. In this sense, the holy spirit is here now. And down there on Wall Street, there are pagans who are worshipping blasphemous idols. So all we need is patience. The only thing I’m afraid of is that we will someday just go home and then we will meet once a year, drinking beer, and nostaligically remembering “What a nice time we had here.” Promise yourselves that this will not be the case. We know that people often desire something but do not really want it. Don’t be afraid to really want what you desire. Thank you very much.

— END OF TRANSCRIPT —

Here’s Astra Taylor, who made the documentaries Zizek! and An Examined Life. (She also happens to be married to Jeff Mangum, who performed earlier in the week for the protestors.)

Free training included how to undo a handcuff:

- See more at: http://www.imposemagazine.com/bytes/slavoj-zizek-at-occupy-wall-street-transcript#sthash.XOa1Suzj.dpuf

Revolução nas universidades (OESP)

JC e-mail 4656, de 30 de Janeiro de 2013.

Artigo de Thomas Friedman* no The New York Times, publicado no O Estado de São Paulo

Avanço do ensino superior online nas melhores escolas tornará o conceito de diploma algo arcaico; e isso é bom
Deus sabe que há muitas más notícias no mundo atual que nos derrubam, mas está ocorrendo alguma coisa formidável que me deixa esperançoso com relação ao futuro. Trata-se da revolução, incipiente, no ensino superior online.

Nada tem mais potencial para tirar as pessoas da pobreza – oferecendo a elas um ensino acessível que vai ajudá-las a conseguir trabalho ou ter melhores condições no seu emprego.
Nada tem mais potencial para libertar um bilhão de cérebros para solucionar os grandes problemas do mundo.

E nada tem mais potencial para recriar o ensino superior do que as MOOC (Massive Open Online Course), plataformas desenvolvidas por especialistas de Stanford, por colegas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e por empresas como Goursera e Udacity.

Em maio, escrevi um artigo sobre a Goursera – fundada por dois cientistas da computação de Stanford, Daphne Koller e Andrew Ng. Há duas semanas, retornei a Paio Alto para saber do seu progresso. Quando visitei a Goursera, em 2012, cerca de 300 mil pessoas participavam de 38 cursos proferidos por professores de Stanford e de outras universidades de elite.

Hoje, são 2,4 milhões de alunos e 214 cursos de 33 universidades, incluindo 8 internacionais. AnantAgarwal, ex-diretor do laboratório de inteligência artificial do MIT, hoje é presidente da edX, uma plataforma sem fins lucrativos criada em conjunto pelo MIT e pela Univer-sidade Harvard. Anant disse que, desde maio, cerca de 155 mil alunos do mundo todo participam do primeiro curso da edX: um curso introdutório sobre circuitos do MIT.

“E um número superior ao total dos alunos do MIT em sua história de 150 anos”, afirmou.
Claro que somente uma pequena porcentagem desses alunos completa o curso, mas estou convencido de que, dentro de cinco anos, essas plataformas alcançarão um público mais amplo. Imagine como isso poderá mudar a ajuda externa dos EUA.

Gastando relativamente pouco, o país poderia arrendar um espaço num vilarejo egípcio, instalar duas dezenas de computadores e dispositivos de acesso à internet de alta velocidade via satélite, contratar um professor local como coordenador e convidar todos os egípcios que desejarem ter aulas online com os melhores professores do mundo e legendas em árabe.

É preciso ouvir as histórias narradas pelos pioneiros dessa iniciativa para compreender seu potencial revolucionário. Uma das favoritas de Daphne Koller é sobre Daniel, um jovem de 17 anos com autismo que se comunica por meio do computador. Ele fez um curso online de poesia moderna oferecido pela Universidade da Pensilvânia.

Segundo Daniel e seus pais, a combinação de um currículo acadêmico rigoroso, que exige que ele se concentre na sua tarefa, e do sistema de aprendizado online, que não força sua capacidade de se relacionar, permite que ele administre melhor o autismo.

Daphne mostrou uma carta de Daniel em que ele escreveu: “Por favor, relateà Goursera e à Universidade da Pensilvânia a minhahistória. Souumjovem saindo do autismo. Ainda não consigo sentar-me numa sala de aula, de modo que esse foi meu primeiro curso de verdade.

Agora, sei que posso me beneficiar de um trabalho que exige muito de mim e ter o prazer de me sintonizar com o mundo.” Um membro da equipe do Goursera, que fez um curso sobre sustentabilida-de, me disse que foi muito mais interessante do que um estudo similar que ele fez na faculdade. Do curso online participaram estudantes do mundo todo e, assim, “as discussões que surgiram foram muito mais valiosas e interessantes do que os debates com pessoas iguais de uma típica faculdade americana. Mitch Duneier, professor de sociologia de Princeton, escreveu um ensaio sobre sua experiência ao dar aula num curso da Coursera.

“Há alguns meses, quando o campus de Princeton ficou quase em silêncio depois das cerimônias de graduação, 40 mil estudantes de 113 países chegaram aqui via internet para um curso grátis de introdução à sociologia. Minha aula de abertura, sobre o clássico de C. Wright Mills, de 1959, The Sociological Imagination, foi concentrada na leitura minuciosa do texto de um capítulo-chave. Pedi aos alunos para seguirem a análise em suas cópias, como faço em sala de aula. Quando dou essa aula em Princeton, normalmente, são feitas algumas perguntas perspicazes. Nesse caso, algumas horas depois de postar a versão online, os fóruns pegaram fogo, com centenas de comentários e perguntas. Alguns dias depois, eram milhares. Num espaço de três semanas, recebi mais feed-back sobre minhas ideias 11a área de sociologia do que em toda a minha carreira de professor, o que influenciou consideravelmente cada uma das minhas aulas e seminários seguintes.”

Anant Agarwal, da edX, fala sobre um estudante no Cairo que teve dificuldades e postou uma mensagem dizendo que pretendia abandonar o curso online. Em resposta, outros alunos no Cairo, da mesma classe, o convidaram para um encontro numa casa de chá, onde se ofereceram para ajudá-lo. Um estudante da Mongólia, de 15 anos, que estava na mesma classe, participando de um curso semipre-sencial, hoje está se candidatando a uma vaga no MIT e na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

À medida que pensamos no futuro do ensino superior, segundo o presidente do MIT, Rafael Reif, algo que hoje chamamos “diploma” será um conceito relacionado com “tijolos e argamassa” – e as tradicionais experiências 110 campus, que influenciarão cada vez mais a tecnologia e a internet para melhorar o trabalho em sala de aula e no laboratório.

Ao lado disso, contudo, muitas universidades oferecerão cursos online para estudantes de qualquer parte do mundo, em que eles conseguirão “credenciais” – ou seja, certificados atestando que realizaram o trabalho e passaram, em todos os exames.

O processo de criação de credenciais fidedignas certificando que o aluno domina adequadamente o assunto – e no qual um empregador pode confiar ainda está sendo aperfeiçoado por todos os MOOCs. No entanto, uma vez resolvida a questão, esse fenômeno realmente se propagará muito.

Posso ver o dia em que você criará o seu diploma universitário participando dos melhores cursos online com os mais capacitados professores do mundo todo – de computação de Stanford, de empreendedorismo da Wharton, de ética da Brandeis, de literatura da Universidade de Edimburgo – pagando apenas uma taxa pelo certificado de conclusão do curso. Isso mudará o ensino, o aprendizado e o caminho para o emprego.

“Um novo mundo está se revelando”, disse Reif. “E todos terão de se adaptar”.

* Thomas Friedman é colunista do The New York Times. (O texto foi traduzido por Terezinha Martinho do O Estado de São Paulo)

Magaly Pazello: “A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores” (viomundo)

Publicado em 14 de janeiro de 2013 às 12:04

Criador do RSS, Reddit e Creative Commons suicida-se aos 26 anos, sob os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos EUA

por Magaly Pazello, especial para o Viomundo

Este foi um final de semana muito triste, perdemos Selarón no Rio de Janeiro e, em Nova York, aos 26 anos, Aaron Swartz se suicidou.

A internet perdeu um de seus mais brilhantes sonhadores, ativista, prodígio da computação, escritor. Essa perda trágica repercute intensamente pela internet, como uma onda de dor, espanto e indignação. Mais e mais sites publicam relatos, declarações, notícias.

Esse rapaz, os quais os sites de notícia não se cansam de sublinhar que sofria de depressão, sofreu os efeitos da máquina de moer do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Acusado de “roubar” milhões de artigos científicos ele enfrentava um processo judicial que poderia resultar em 35 anos de prisão caso fosse considerado culpado. No centro desse processo se instalou uma séria controvérsia que deixa uma marca indelével sobre o direito de todas as pessoas ao acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Aaron Swartz, aos 13 anos foi o ganhador do ArsDigita Prize, uma competição para jovens criadores de websites não-comerciais que fossem úteis, colaborativos e voltados para atividades educacionais. O prêmio incluiu uma visita ao famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), que mais tarde seria protagonista dos eventos que o levaram ao suicídio.

Aos 14 anos, Aaron integrou a equipe de criadores do RSS 1.0, um recurso bacana de leitura de sites através de atualizações em tempo real, os famosos feeds. Eu adoro!

Aos 15 anos, integrou a equipe que desenhou as licenças Creative Commons.

Na sequência, fundou uma start-up, que depois se fundiu à rede social Reddit, onde ele desenvolveu a plataforma que a levaria ao sucesso. E cujo desenho também resultou na base de sites Open Library, ou seja, bibliotecas abertas, e no Archive.org, uma espécie de máquina do tempo da internet. E esta seria sua vida e sua bandeira a partir de então: o acesso ao conhecimento e à informação, sua disponibilização online gratuita através de plataformas abertas, o desenvolvimento técnico dessas plataformas. Especialmente o acesso ao conhecimento e à informação públicas e geradas a partir de recursos públicos. Suas atividades profissionais nunca visaram à obtenção de lucro e promoção pessoal. Sua genialidade está presente em dezenas de projetos semelhantes.

Crítico de filmes e pesquisador, seu blog tinha um enorme público. Entre 2010 e 2011, foi bolsista do Laboratório de Ética Edmond J. Safra na Harvard University, onde pesquisava sobre corrupção institucional. Fundou e era líder do DemandProgress.org, uma plataforma inteligente de ciberativismo.

Aaron foi uma das vozes fortes contra o SOPA-Stop Online Piracy Act, um projeto de lei contra a pirataria online proposto pelo poderoso setor de propriedade intelectual e direitos de autor, a indústria fonográfica e de cinema. Mas o projeto de lei, de fato, iria endurecer as leis a tal ponto que sequer mencionar um texto num blog seria considerado um ato ilegal, estrangulando o direito à liberdade de expressão.

Aaron, junto com Shireen Barday, “baixou” e analisou por volta de 440 mil artigos acadêmicos da área de Direito para determinar o tipo de financiamento que os autores receberam. Os resultados, publicados noStanford Law Review, levaram a trilhar os caminhos dos fundos públicos para pesquisa. Por causa de sua capacidade de processar grandes quantidades de dados era requisitado para colaborar com vários outros pesquisadores. Disto resultou o projeto theinfo.org, que chamou a atenção do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

theinfo.org tornou livre e aberto o acesso a uma imensa base de dados públicos somente disponível gratuitamente através de máquinas instaladas em 17 bibliotecas em todo o país, o que obrigava as pessoas interessadas a se deslocar até os pontos de acesso ou, então, pagar 10 centavos por peça. Foram aproximadamente 20 milhões de páginas da Corte Federal, algo de tirar o fôlego. Ele deixou muita gente brava com essa façanha, a tal ponto que começou a ser investigado pelo FBI, contudo sem consequências.

Mas a história foi bem diferente com o MIT. Ainda no Laboratório de Ética de Harvard, em 2011, Aaron se utilizou do acesso aberto do MIT para coletar por volta de 4,8 milhões de artigos científicos, incluindo arquivos  da base JSTOR muito conhecida no mundo acadêmico. O caso veio a público, creio, quando ele foi preso em julho de 2011.

A controvérsia sobre se seria roubo ou não foi substituída pelo debate sobre se era correto a cobrança por artigos científicos cujas pesquisas são financiadas com dinheiro público. Sobre a mercantilização e privatização do conhecimento científico, direitos de autor e os custos para tornar esses materiais disponíveis. Uma campanha de apoio a Aaron e o manifesto Guerrilla Open Access, escrito por ele em 2008, ganhou outra vez visibilidade (uma tradução pode ser encontrada aqui).

Segundo a ONG Electronic Frontier Foundation, embora os métodos de Aaron fossem provocativos, os seus objetivos eram justos. Ele lutava para libertar a literatura científica de um sistema de publicação que tornava inacessível essa produção para a maior parte das pessoas que realmente pagaram por isso, quer dizer, todas as pessoas que pagam impostos. Essa luta deveria ser apoiada por todos.

As coisas começaram a tomar outros rumos com o declínio do debate. Após a devolução das cópias digitais dos artigos, a JSTOR decidiu não apresentar queixa contra Aaron. Mas a façanha desta vez resultou num processo por crime cibernético por parte do governo dos Estados Unidos munido pelo MIT. Em seu desabafo ao saber do suicídio, Lawrence Lessig escreveu:

Logo no início, para seu grande mérito, JSTOR compreendeu que era “apropriado” desistir: eles declinaram de dar prosseguimento à sua própria ação contra Aaron e pediram ao governo para fazer o mesmo. O MIT, para sua grande vergonha, não foi limpo, e então o promotor teve a desculpa que ele precisava para continuar sua guerra contra o “criminoso” que nós amamos e conhecemos como Aaron.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos interpretou a ação de Aaron como crime de roubo e a demanda foi levada ao grande júri que decidiu que ele deveria ir a julgamento. Então, a máquina de fazer moer do governo começou a funcionar.

Primeiramente, Aaron foi acusado de quatro crimes todos relativos à violação de sistema informático. Mas depois o Departamento de Justiça, numa atitude de “exemplaridade”, acrescentou mais nove acusações, todas contidas na Lei de Abuso e Fraude Informática, e atos de conspiração.

Além disto, familiares e amigos, como Lawrence Lessig, relatam situações de intimidação por parte do Departamento de Justiça. Alex Stamos, especialista em crimes cibernéticosalém de inúmeras outras vozes, desmontam item por item o exagero forçado na perseguição a Aaron, a verdade sobre o “crime”.

O efeito cascata dessas acusações resultaram na possibilidade real de Aaron Swartz ser condenadoa 35 anos de prisão e multa de 1 milhão de dólares!!!

Lawrence Lessig diz:

Aqui, é onde nós precisamos de um melhor sentido de justiça e de vergonha. O que é ultrajante nesta história não é apenas [o que aconteceu com] Aaron. É também o absurdo do comportamento do promotor. Bem desde o início, o governo trabalhou tão  duro quanto pode para caracterizar o que Aaron fez da forma mais extrema e absurda. A “propriedade” que Aaron “roubou”,  nós fomos informados, valia “milhão de dólares” — com a dica, e então a sugestão, que o seu objetivo de obter lucro com o seu crime. Mas qualquer um que diga que se pode ganhar dinheiro com um estoque de ARTIGOS ACADÊMICOS é idiota ou mentiroso. Estava claro o que disto não se tratava, mas o nosso governo continuou a pressionar como se tivesse agarrado terroristas do 11/09  com a boca na botija.

Não consigo imaginar o que passou com esse rapaz de personalidade introvertida, apresentando um quadro de depressão, à medida que a data do julgamento se aproximava. Sua solidão, seu medo diante deste quadro kafkiano. Sua morte me pareceu daqui de longe uma forma de exílio. Como o exílio do protagonista das tragédias gregas. A morte é a condenação ao exílio da República que não permite a existência dos poetas.

No sábado, ainda sob o impacto do acontecimento, sua família fez um comunicado público, culpando as autoridades judiciais e o MIT. O documento afirma que essa morte não é apenas uma tragédia pessoal, mas sim um produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações, o qual iria punir uma pessoa por um alegado crime que não fez vítimas.

Essa última parte é a chave de todo o enredo, pois para a aplicabilidade da lei com a qual Aaron seria julgado era necessário uma série de aspectos todos ausentes dos atos cometidos.

Um memorial online está sendo construído em homenagem a Aaron.

O funeral será realizado nessa terça-feira, 15 de janeiro, em Illinois.

Como tributo a comunidade ciberativista criou uma página com o objetivo de ser um grande e espontâneo repositório de produção acadêmica colocada a disposição  de todas as pessoas de forma gratuita e aberta.

Todas as pessoas estão convidadas a disponibilizar seus trabalhos em qualquer idioma. No twitter acompanhe pela hashtag #pdftribute.

JSTOR publicou suas condolências imediatamente e o MIT anunciou que vai investigar sua responsabilidade na morte de Aaron, mas  para mim este anúncio beira o cinismo.

E o que nós aqui no Brasil temos com isso?

Bom, a internet foi concebida como uma plataforma sem fronteiras físicas e territoriais. E quando ocorre um evento, triste ou alegre, seja onde for, que está relacionado ao âmago do funcionamento desse incrível sistema isso nos interessa.

O aperfeiçoamento técnico da internet e seu sistema regulatório é, também, de grande interesse de todos, sobretudo quando este aperfeiçoamento está relacionado com o acesso ao conhecimento e à informação, ao livre exercício dos direitos civis e das liberdades individuais.

Em relação à produção científica vale lembrar que o governo brasileiro tem tido uma participação importante na formação de uma cultura de acesso aberto e gratuito. Embora de maneira, por vezes, contraditória.

Mas deixando as idiossincrasias de lado… a área de saúde é um belo exemplo de acesso compartilhado ao conhecimento com a instalação, no Brasil, da BIREME, em 1967, cujo objetivo é contribuir com o desenvolvimento da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação em ciências da Saúde.  Dela, em 2002, surgiu o projeto Scielo, uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros que se expande pela América Latina.

No início dos anos 2000, em consonância com a o debate global, é lançado o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica com vários setores e órgãos do governo brasileiro entre os apoiadores da inicitiava (leia aqui e aqui).

Contudo, a sucessão de eventos desde a cópia dos milhares de artigos científicos até o processo judicial e o incremento da pena — resultando na absurda possibilidade de Aaron ser condenado a 35 anos de prisão mais multa — serve de alerta para a necessidade de nós mesmos repensarmos e revisarmos estrategicamente as recentes leis aprovadas no nosso Congresso Nacional sobre cibercrime, além da debilidade política e conceitual a que chegou o Marco Civil.

Nós não estamos distantes de absurdos como o caso de Aaron! Em terras tupiniquins outros absurdos já acontecem por causa do uso excessivo das leis de difamação e persistência das leis de desacato.

Magaly Pazello é pesquisadora do Emerge — Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense (UFF), sendo responsável pela área de pesquisa de governança na internet. É ciberativista e feminista.

Partido del futuro (LaVanguardia.com)

Su proyecto es cambiar la forma de hacer política mediante democracia directa instrumentada a través de internet

12/01/2013 – 00:00h

Por Manuel Castells

El 8 de enero se anunció en internet la creación del “partido del futuro”, un método experimental para construir una democracia sin intermediarios que sustituya a las actuales instituciones deslegitimadas en la mente de los ciudadanos. La repercusión ciudadana y mediática ha sido considerable. En tan sólo el primer día del lanzamiento, y a pesar de que se colapsó el servidor tras recibir 600 peticiones por segundo, hubo 13.000 seguidores en Twitter, 7.000 en Facebook y 100.000 visitas en YouTube. Medios extranjeros y españoles, incluyendo este diario, se han hecho eco de una conferencia de prensa desde el futuro que anuncia el triunfo electoral de su programa: democracia y punto (http://partidodelfuturo.net).

Señal de que ya no se puede ignorar lo que surge del 15-M. Porque este partido emerge del caldo de cultivo creado por el movimiento aunque en ningún caso pueda asimilarse al mismo. Porque no hay “el movimiento” con estructura organizativa ni representantes, sino personas en movimiento que comparten una denuncia básica de las formas de representación política que han dejado inermes a la gente ante los efectos de una crisis que no han causado pero que sufren cada día. El 15-M es una práctica colectiva e individual cambiante y diversificada, que vive en la red y en las calles, y cuyos componentes toman iniciativas de todo tipo, desde la defensa contra el escándalo de las hipotecas a la propuesta de ley electoral que democratice la política.

Pero hasta ahora, muchas de estas iniciativas parecen abocadas a un callejón sin salida. Por un lado, las encuestas reflejan que una gran mayoría de ciudadanos (en torno a un 70%) están de acuerdo con las críticas del 15-M y con muchas de sus propuestas. Por otro lado, toda esta movilización no se traduce en medidas concretas que alivien a las personas porque hay un bloqueo institucional a la adopción de dichas propuestas. Los dos grandes partidos españoles son corresponsables de la sumisión de la política a los poderes financieros en el tratamiento de la crisis, compartiendo, por ejemplo, la gestión irresponsable de los directivos del Banco de España, con un gobernador socialista, en el caso de Bankia y del sistema de cajas, que ha conducido a la ruina a miles de familias. De ahí que el 15-M se expresó en el espacio público, en acampadas, en manifestaciones, en asambleas de barrio y en acciones puntuales de denuncia. Pero aunque esta intervención es esencial para crear conciencia, se agota en si misma cuando se confronta a una represión policial cada vez más violenta.

Afortunadamente, el 15-M ha frenado cualquier impulso de protesta violenta, jugando de hecho un papel de canalizador pacífico de la rabia popular. El dilema es cómo superar las barreras actuales sin dejar de ser movimiento espontáneo, autoorganizado, con múltiples iniciativas que no son programa y por eso pueden congregar potencialmente al 99% que saben lo que no quieren, es decir lo que hay, y que se acuerdan en buscar en conjunto nuevas vías políticas de gestión de la vida.

Para avanzar en ese sentido, ha surgido una iniciativa espontánea de ir ocupando el único espacio en el que el movimiento apenas esta presente: las instituciones. Pero no en lo inmediato, porque su proyecto no es el de ser una minoría parlamentaria, sino de cambiar la forma de hacer política, mediante democracia directa instrumentada mediante internet, proponiendo referéndums sobre temas clave, coelaborando propuestas legislativas mediante consultas y debates en el espacio público, urbano y cibernético, planteando medidas concretas a debatir entre la ciudadanía y sirviendo a la vez de plataforma para propuestas que salgan de la gente.

En realidad, no es un partido, aunque esté inscrito en el registro de partidos, sino un experimento político, que se va reinventando conforme avanza. En el horizonte sí se vislumbra un momento en que el apoyo de la ciudadanía a votar contra todos los políticos a la vez y en favor de una plataforma electoral que tenga ese solo punto en el programa permita una ocupación legal del Parlamento y el desmantelamiento del sistema tradicional de representación desde dentro del mismo. No es tan descabellado. Es en gran medida lo sucedido en Islandia, referente explícito del partido que nos habla desde el futuro.

Pero ¿cómo evitar reproducir el esquema de partido en el proceso de conquistar la mayoría electoral? Aquí es donde se plantea la decisión, criticada desde la clase política y algunos medios, de las personas que han tomado esta iniciativa de mantenerse en el anonimato. Porque si no hay nombres, no hay líderes, ni cargos, ni comités federales, ni portavoces que dicen hablar por los demás pero que acaban representándose a si mismos. Si no hay rostros, lo que queda son ideas, son prácticas, son iniciativas. De hecho, es la práctica de la máscara como forma de creación de un sujeto colectivo compuesto de miles de individuos enmascarados, como hicieron los zapatistas en su momento, o como hace Anonymous con su famosa máscara reconocible en todo el mundo pero con múltiples portadores. Incluso el anonimato de la protesta se encuentra en nuestros clásicos: “Fuenteovejuna, todos a una”. Tal vez llegue un momento en que las listas electorales requieran nombres, pero incluso entonces no necesariamente serían líderes, porque se pueden sortear los nombres entre miles de personas que estén de acuerdo con una plataforma de ideas. En el fondo, se trata de poner en primer plano la política de las ideas con la que se llenan la boca los políticos mientras se hacen su carrera a codazos entre ellos. La personalización de la política es la mayor lacra del liderazgo a lo largo de la historia, la base de la demagogia, de la dictadura del jefe y de la política del escándalo basada en destruir a personas representativas. La X del partido del futuro no es para esconderse, sino para que su contenido lo vayan rellenando las personas que proyecten en este experimento su sueño personal de un sueño colectivo: democracia y punto. A codefinir.

Leer más: http://www.lavanguardia.com/opinion/articulos/20130112/54361811362/manuel-castells-partido-del-futuro.html#ixzz2Hmhz1wZo

Somos todos eles: o poema onomatotêmico de André Vallias (Folha de S.Paulo)

06/01/2013 - 03h00

EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO - 

ESPECIAL PARA A FOLHA

Tudo começou quando uma porção de gente de outros lugares do Brasil incluiu “Guarani Kaiowá” em seu identificador pessoal nas redes sociais, afirmando assim sua solidariedade política e espiritual com este povo indígena do Mato Grosso do Sul.

Os Kaiowá são um dos três subgrupos em que se divide a grande nação Guarani, espalhada entre o Paraguai, o Brasil, a Argentina e a Bolívia. A situação dos Kaiowá, que habitam um estado arrasado pela monocultura de exportação, é uma das mais terríveis por que passam as minorias étnicas do planeta, implacavelmente ignoradas, quando não deliberadamente exterminadas, pelos entes soberanos nacionais e pelos interesses econômicos internacionais.

Os Kaiowá ganharam notoriedade com a divulgação de uma carta indignada, dirigida às autoridades pelos membros de um de seus “acampamentos” de beira de estrada ou fundo de pasto (a isto estão reduzidos).

Cansados de serem perseguidos, escorraçados e assassinados por fazendeiros, políticos e outros próceres de nossa brava nação brasileira, pediam que os matassem todos de uma vez antes que aos pouquinhos. Essa carta furou o muro de silêncio hipócrita que costuma impedir que as vozes indígenas sejam ouvidas pelos demais cidadãos do país, e, graças ao circuito informal das redes sociais da internet, acabou tendo que ser divulgada pela mídia convencional.

Quando todos -todos, isto é, todos aqueles que dizemos “todos” como um grito de raiva e de guerra- passaram a se assinar “Fulano Guarani Kaiowá”, era como se o Brasil tivesse descoberto outro Brasil. Um Brasil que sempre esteve lá, que estava e que continua lá. Ou melhor, que está aqui, que é daqui. Os Munduruku são daqui. Os Xavantes são nosso parentes. Os Kaiowá somos nós.

Os índios não são “nossos índios”. Eles não são “nossos”. Eles são nós. Nós somos eles. Todos nós somos todos eles. Somos outros, como todos. Somos deste outro país, esta terra vasta que se vai devastando, onde ainda ecoam centenas, milhares de gentílicos, etnônimos, nomes de povos, palavras estranhas, gramáticas misteriosas, sons inauditos, sílabas pedregosas mas também ditongos doces, palavras que escondem gentes e línguas de que sequer suspeitávamos os nomes.

Nomes que mal sabemos, nomes que nunca ouvimos, mas vamos descobrindo.

Totemismo

O narrador da “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago, observava: “Os homens só conseguem dizer o que são se puderem alegar que são outra coisa”. Definição perfeita do que a antropologia chamava de “totemismo”, forma de organização dos povos ditos primitivos caracterizada pela associação onomástica entre um subgrupo humano e uma espécie natural, frequentemente considerada como o antepassado mítico do grupo.

Os diferentes coletivos de parentesco ou de residência em que se divide a sociedade são assim distinguidos por nomes, emblemas e práticas ligadas a uma ou mais espécies animais ou vegetais, a astros, elementos da paisagem etc. Sem essas “outras coisas”, os homens não conseguiriam dizer “o que são”, isto é, como são diferentes uns dos outros, e por isso se ligam uns aos outros.

No fim das contas, todo nome é sempre isso, uma alegação que pede uma ligação, o apelo a uma outra coisa (do) que se é. Nomear é repetir o ser com uma diferença. Este é o método do totem. Não saia ao mato sem um.

Os índios do noroeste da América do Norte, artistas refinadíssimos, esculpiam mastros monumentais de madeira nobre, onde dispunham verticalmente as figuras de seus animais e espíritos totêmicos. Na linguagem corrente, costuma-se usar a palavra “totem” para designar estes mastros, que eram verdadeiras listas icônicas dos nomes do grupo.

O poema de Andre Vallias é isso -um totem. Um poema que diz o que somos, quem somos, nosso nomes, os nomes de nossos “antepassados” míticos que nos distinguem no desconcerto das nações. Uma lista sempre inacabada, nomes que surgem e nomes que desaparecem, nomes inventados, nomes sonhados, nomes equivocados, nomes dados por outrem, nomes de um na língua de outro, às vezes meros garranchos nos livros-registros do Estado, ganchos onde os brancos penduram sua ignorância e sua arrogância. Meros nomes.

Entretanto, como dizem os Daribi da Nova Guiné (apud Roy Wagner): “Um homem é uma coisa de nada. Mas quando se ouve seu nome, ele se torna algo grande”.

Nomes dos povos, nomes dos índios, nomes de nosso tios. Somos todos como Antônio de Jesus, aliás Tonho Tigreiro, aliás Macuncôzo, aliás Bacuriquepa, o onceiro de “Meu Tio, o Iauaretê”, o conto espantoso de Guimarães Rosa. O mestiço de branco com índia que, depois de passar a vida perseguindo o animal totêmico de seu povo, o Jaguar, volta para os seus, renega o pai branco, desvira branco e vira onça, isto é, revira índio. Assume assim o nome da mãe, o nome do tio materno.

Estamos no matriarcado antropofágico profetizado por Oswald de Andrade; mas aqui sob a forma de tragédia. A lição do conto de Rosa é sombria: mestiço que volta a ser índio, branco mata. E nem lembra o nome.

Todo povo é um nome. Todo nome é um meme. Uma memória sonora que não vai-se embora. Que este totem de Andre Vallias em forma de onomatopoema possa dar um sentido mais puro às palavras da tribo.

Nota do editor
Este texto foi escrito como apresentação do poema “Totem”, de André Vallias, para a exposição realizada no Espaço Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro

06/01/2013 - 03h00

Totem

ANDRÉ VALLIAS

sou guarani kaiowá
munduruku, kadiwéu
arapium, pankará
xokó, tapuio, xeréu

yanomami, asurini
cinta larga, kayapó
waimiri atroari
tariana, pataxó

kalapalo, nambikwara
jenipapo-kanindé
amondawa, potiguara
kalabaça, araweté

migueleno, karajá
tabajara, bakairi
gavião, tupinambá
anacé, kanamari

deni, xavante, zoró
aranã, pankararé
palikur, ingarikó
makurap, apinayé

matsés, uru eu wau wau
pira-tapuya, akuntsu
kisêdjê, kinikinau
ashaninka, matipu

sou wari’, nadöb, terena
puyanawa, paumari,
wassu-cocal, warekena
puroborá, krikati
ka’apor, nahukuá
jiahui, baniwa, tembé
kuikuro, kaxinawá
naruvotu, tremembé

kuntanawa, aikanã
juma, torá, kaxixó
siriano, pipipã
rikbaktsá, karapotó

krepumkateyê, aruá
kaxuyana, arikapu
witoto, pankaiuká
tapeba, karuazu

desana, parakanã
jarawara, kaiabi
fulni-ô, apurinã
charrua, issé, nukini

aweti, nawa, korubo
miranha, kantaruré
karitiana, marubo
yawalapiti, zo’é

parintintin, katukina
wayana, xakriabá
yaminawá, umutina
avá-canoeiro, kwazá

sou enawenê-nawê
chiquitano, apiaká
manchineri, kanoê
pirahã, kamaiurá

jamamadi, guajajara
anambé, tingui-botó,
yudjá, kambeba, arara
aparai, jiripancó

krenak, xerente, ticuna
krahô, tukano, trumai
patamona, karipuna
hixkaryana, waiwai

katuenayana, baré
menky manoki, truká
kapinawá, javaé
karapanã, panará

sakurabiat, kaingang
kotiria, makuxi
maxakali, taurepang
aripuaná, paresi

iranxe, kamba, tuxá
tapirapé, wajuru
mehinako, kambiwá
ariken, pankararu

sou guajá, djeoromitxi
koiupanká, tunayana
ikolen, dow, wajãpi
amawáka, barasana

kubeo, kulina, ikpeng
ofaié, hupda, xipaya
suruí paiter, xokleng
tupiniquim, kuruaya

zuruahã, galibi
tsohom-dyapa, waujá
xukuru, kaxarari
tuyuka, tumbalalá

borari, amanayé
hi-merimã, aikewara
kujubim, arikosé
arapaço, turiwara

kalankó, pitaguary
shanenawa, tapayuna
coripaco, kiriri
kaimbé, kokama, makuna

matis, karo, banawá
chamacoco, tenharim
tupari, krenyê, bará
wapixana, oro win

sateré mawé, guató
xetá, bororo, atikum
ye’kuana, tiriyó
canela, mura, borum

 

Sobre o texto
“Totem” foi concebido pelo poeta André Vallias para ser reproduzido em 13 metros de comprimento, no chão do centro cultural Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (rua Visconde de Pirajá, 54, de sábado, 12, a 31/3, de terça a domingo, das 13h às 21h. Grátis). Vallias criou uma tipologia especial para apresentar o poema na mostra, além de um totem multimídia e uma vitrine com informações sobre as 223 etnias citadas.

Os Guarani Kaiowá e as perversidades do senso comum (dos “brancos”) (Canal Ibase)

Renzo Taddei - 09/11/2012

Canal Ibase

Nas últimas semanas recebi uma quantidade impressionante de solicitações, via redes sociais e e-mail, para manifestar meu apoio à causa dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Não me lembro, em minha experiência com redes sociais, de ter visto mobilização desse porte. Há pouco mais de uma semana, saiu decisão judicial a favor dos indígenas – ou, para colocar em termos mais precisos, revogando a reintegração de posse da área onde estão. Como atentou gente mais próxima ao movimento indígena, isso por si só não garante quase nada, apenas que violências maiores não sejam cometidas no curto prazo. De qualquer forma, não tive muito tempo para me alegrar com o que parecia uma vitória do potencial de mobilização descentralizada da sociedade civil: ao comentar a questão com um amigo, no Rio de Janeiro, recebi como resposta a pergunta, maliciosamente feita de forma a combinar ironia e seriedade em proporções iguais: “mas, afinal, para que servem os índios?” Desconcertado, não consegui articular nada, apenas retruquei: “não sei; mas e você, pra que serve?”

Não pude deixar de pensar no assunto nos dias que se seguiram. Mas, no caso, o assunto deixou de ser exatamente a situação dos Guarani Kaiowá, ou das especificidades de conflitos entre índios e não-índios, e passou a ser a situação de certa configuração de ideias do senso comum da população urbana – ou pelo menos das coletividades nas quais me insiro, no Rio de Janeiro e em São Paulo – sobre os índios, em primeira instância, e sobre aqueles que são irredutivelmente diferentes, em última. Obviamente esse é assunto complexo, e vou me limitar a apenas pontuar alguns temas que, creio, são importantes para iluminar o contexto no qual notícias sobre os conflitos envolvendo indígenas ganham significados, para a grande parcela da população brasileira que inevitavelmente participa disso tudo na posição de meros espectadores.

Sobre a natureza dos índios e não-índios

Certa vez, em uma aula de antropologia, na Escola de Comunicação da UFRJ, usei um exemplo hipotético de jovem índio que vinha à universidade estudar medicina. “Aí ele deixa de ser índio”, alguém disse. Na discussão que se seguiu, a opinião prevalecente era de que as expressões “índio urbano” e “índio médico”, usadas por mim, eram contradições em termos. Eu perguntei, então, se o fato de eu ser descendente de italianos, o que me dá, segundo a legislação italiana, o direito de “virar italiano”, faz com que eu deixe de ser alguma coisa – brasileiro, por exemplo. Confusão nas fisionomias. Por que eu posso virar italiano sem deixar de ser brasileiro, e ninguém vê problema nisso, e o índio não pode “virar” urbano sem deixar de ser índio? Concluímos – com vários autores estudiosos das populações indígenas – que, sem que as pessoas se deem conta, nós, urbanos, ocidentalóides, nos entendemos na maior parte do tempo como seres “culturais”, tendo algum controle sobre nossas identidades, portanto; enquanto isso, percebemos a essência indígena (se é que isso existe) como algo “natural”, sobre a qual eles não têm, nem podem ter, controle algum.

Nada mais natural, então, que pensar que lugar de índio é na floresta, e que índio tem que ser preservado, como se fosse parte da biodiversidade. Ou então índio deixa de ser índio e vira não-índio, arranja emprego, compra casa, toca a vida na cidade – se desnaturaliza. O problema é o índio que quer morar na cidade, ser médico, talvez, sem abandonar suas formas indígenas de entender o mundo e vida. Ou o índio que quer câmeras fotográficas, antibióticos, televisores, antenas parabólicas e escolas, mas não quer abrir mão da sua forma não-ocidental, e portanto não capitalista, de entender sua relação com a terra, por exemplo. Ou não quer abrir mão de sua forma não-ocidental, e portanto não marcada por um reducionismo materialista esvaziado e irresponsável, de relação com câmeras fotográficas, antibióticos, televisores, antenas parabólicas e escolas (é parte do senso comum que o que essas coisas são para mim são também para todos que delas fazem uso, o que não é verdade sequer para gente do mesmo grupo social). A questão se apresenta de forma pervasiva até entre gente politicamente progressista: na Cúpula dos Povos da Rio+20, uma grande amiga, ativista, me confidenciou ter ficado espantada ao ouvir de lideranças indígenas que eles gostariam de ter energia elétrica, saneamento, escolas. Eram afirmações que contrariavam suas expectativas “romanceadas”, nas suas próprias palavras, a respeito dos índios.

Por que é tão difícil aceitar a ideia de que quando o índio diz querer escola, ele não está fazendo nenhuma declaração sobre a sua identidade? Porque, dentre muitas outras coisas, identidade é paranoia de não-índio, mas não (necessariamente) paranoia de índio. Aqui começamos a chegar a algum lugar: é muito incômodo conviver com alguém que não compartilha nossas paranoias.

Uma das decorrências perversas desse estado de coisas é a forma como somos levados a ver os índios como pessoas “incompletas”, como sendo “menos” que os não-índios. Não é à toa que, juridicamente, os índios foram ao longo do século 20, até a Constituição de 1988 pelo menos, tratados como equivalentes a crianças, ou seja, como seres incapazes e que demandavam tratamento jurídico diferenciado, justamente em função dessa incapacidade. O problema estava (e está) nos códigos jurídicos, fechados à possibilidade do direito à diferença, e não nos índios, que não são mais nem menos capazes que os não-índios, mas apenas diferentes em suas capacidades. A mudança constitucional de 1988, como a própria questão dos Guarani Kaiowá demostra, ocorreu infelizmente muito mais de juris do que de fato.

Foto: Rosa Gauditano

Os muitos significados do verbo servir

Mas voltemos à questão sobre a “serventia” dos índios. O tema apareceu novamente em reportagem da revista Veja, edição de 4 de novembro. Replicando argumentos usados em edições anteriores ao tratar do tema, o texto (que de jornalístico não tem quase nada) mescla desinformação e preconceito, ao fazer uso, por exemplo, de argumentos como a suposta “trágica situação [dos índios] de silvícolas em um mundo tecnológico e industrial”, de afirmações como “[a] Funai também apoia o expansionismo selvagem”, e de acusações descabidas, como a de que os antropólogos ligados ao Conselho Indigenista Missionário querem transformar o sul do Mato Grosso do Sul numa “grande nação guarani”, justamente na “zona mais produtiva do agronegócio” do estado. Em 2010, a revista havia afirmado, através de um malabarismo estatístico de quinta categoria (digno de envergonhar até ruralistas medianamente sofisticados), que 90% do território brasileiro é ocupado ou destinado a áreas de preservação ambiental, comunidades indígenas, quilombolas e áreas de reforma agrária; “a agricultura e demais atividades econômicas terão apenas 8% de área para se desenvolver”. Enfim, a estratégia retórica é clara: quem não contribui com o agronegócio e demais formas de produção capitalista em grande escala – no caso, os índios e todos os demais grupos de alguma forma ligados a usos não predatórios da terra – não contribui com a economia nacional. Em uma palavra: só serve para atrapalhar.

Essa é uma questão, me parece, fundamental: é preciso discutir o conceito de serventia. Como a ideia de “servir” participa em nossas vidas, e na forma como aprendemos a entender e viver o mundo? Se a serventia dos que (supostamente) não estão integrados ao projeto da nação é um tema relevante – tanto ao pseudo-jornalismo da Veja como a certo senso comum urbano -, e nós, não-índios, (supostamente) integrados, afinal, servimos pra quê? E como isso afeta nossa compreensão das questões indígenas no Brasil contemporâneo, e mais especialmente o caso dos Guarani Kaiowá? Na minha opinião, isso tudo serve de pano de fundo contra o qual as audiências urbanas, dos grandes canais de mídia, distantes do Mato Grosso do Sul, atribuem sentido às notícias.

O caso dos Guarani Kaiowá traz à luz um elemento da vida cotidiana brasileira que é feito estrategicamente invisível na forma como somos ensinados a entender o mundo. Eles não querem ser “como nós”; tenho a impressão de que para a maioria da população urbana isso não apenas é contra intuitivo, mas figura como um choque, quase como uma afronta. Se eles gostam de fotografia, eletricidade, escolas e antibióticos, qual o problema, então?

Há uma diferença fundamental entre a experiência de mundo dos índios e dos não-índios brasileiros, e isso está ligado ao “lugar” onde se encontram as coisas verdadeiramente importantes. De acordo com trabalhos antropológicos que descrevem as visões de mundo e formas de vida de várias etnias indígenas sul-americanas, uma das características marcantes da vida indígena (para quem não é índio, obviamente), é a proximidade existencial das pessoas com os níveis mais altos da existência política e religiosa das suas sociedades. O poder político, em geral, não é algo que se manifeste em forma de hierarquias verticais, da forma como as entendemos, e provavelmente está ocupado por alguém com quem as pessoas da tribo tem relação pessoal direta, muitas vezes de parentesco. O mesmo se dá no que diz respeito à existência espiritual: está tudo logo ali, divindades, antepassados, espíritos, mediados pelas práticas do xamã, que também é conhecido de todos (ainda que, igualmente, talvez temido por todos). Há a percepção de que as coisas do mundo, alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, são intrinsecamente ligadas à existência das pessoas da comunidade – os antropólogos chamam isso de relação de imanência.

O que é que a “integração” ao Brasil oferece, em contrapartida? Fundamentalmente, o deslocamento do centro de gravidade da existência para algum outro lugar, mais distante, abstrato, de difícil compreensão. Os índios resistem à ideia de que o centro do mundo passe a residir em outro lugar – em Brasília, por exemplo. Ou seja, resistem ao processo que os faz marginais. A marginalização, tomando a expressão de forma conceitual (ou seja, fazendo referência a quem está nas margens, nas bordas ou periferia), pode se dar deslocando-se alguém para a periferia do mundo, ou deslocando o centro de lugar, de modo que quem era central passa a ser periférico, e, portanto, marginal. De certa forma é exatamente isso que o Brasil oferece aos indígenas. Mas quem é que quer ser marginal?

O que a imensa maioria de nós, urbanitas ocidentalóides, não percebemos é que é isso, exatamente, que o Estado faz conosco. Assistimos à política e às outras formas de organização do nosso mundo – justiça, administração pública, economia – na qualidade de espectadores. Irritados, confusos, insatisfeitos, mas quintessencialmente espectadores. Somos mais capazes de interagir com um reality show do que com o mundo da política. Desde pequenos somos ensinados – e as políticas educacionais e conteúdos programáticos são desenhados cuidadosamente para tanto – que as coisas realmente importantes acontecem em algum outro lugar, e que são muito complexas, e que por isso mesmo há alguém mais capacitado cuidando disso tudo, para que possamos viver nossas vidas em paz. Ou seja, para que possamos não pensar em nada que não seja nos mantermos vivos e sermos economicamente ativos – e assim contribuir com o “projeto da nação”. Ou seja, o Estado reduz nossa vida ao mínimo – pão e circo, bolsa família e telenovela – para que as coisas funcionem e efetivamente aconteçam em algum outro lugar. Somos espectros de cidadãos.

Ou seja, a pergunta sobre para que servem as pessoas deve ser recolocada em outros termos: do que é que cada um de nós abre mão para “participar” do Brasil? Nós servimos para servir ao Estado. Somos todos marginais, e não nos damos conta disso.

O escândalo da questão indígena é a resistência que eles têm em aceitar os nossos mitos, ou as nossas ilusões – sobre o Brasil, por exemplo. Acostumados à experiência da autodeterminação, eles talvez tenham uma visão do que é o Brasil, como “projeto de nação”, que em muitos sentidos pode ser mais realista do que a de todos nós.

O Estado brasileiro só vai ser capaz de avançar na questão dos conflitos indígenas quando parar de tratar o tema da autodeterminação como anátema. E só o fará quando deixar de ter na tutela dos seus súditos sua razão de ser – ou seja, quando as elites políticas abandonarem a visão que tem de que o Brasil é fundamentalmente habitado por gente desqualificada, intelectualmente e moralmente inferior, e mal intencionada, e que demanda, portanto, o esforço do Estado para corrigir desvios e induzir a massa ao caminho produtivo. O Estado brasileiro é incapaz de reconhecer valor nas diferenças, justamente porque a homogeneização coletiva é condição de existência do próprio Estado. Frequentemente é evocada a noção de atentado à soberania nacional quando o tema das diferenças é trazido ao centro da arena.

E se um bocado de gente decide – muito arrazoadamente, por sinal – que a economianão deve mais crescer? Isso, dirão muitos, é obviamente um atentado à soberania nacional. Ou não? É, antes que tudo, e talvez apenas, um atentado à soberania do soberano. Pelo menos da tecnocrática soberana da ocasião.

Manifestemo-nos hoje, enfaticamente, em defesa dos Guarani Kaiowá. Como forma de materializar nosso apreço pela liberdade e pelo direito à diferença. Como forma de protesto contra um Estado centralizador e autoritário. Como declaração de que não queremos juiz, médico, político ou professor nos dizendo como devemos viver nossas vidas. Essa função está reservada para os poetas – índios e não-índios, brancos e não-brancos.

Renzo Taddei é professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutor em antropologia pela Universidade de Columbia, em Nova York. Dedica-se aos estudos sociais da ciência e tecnologia.

Carta da Aty Guasu Guarani e Kaiowá aos diversos movimentos sociais e atos nacionais em defesa do nosso povo

9 de novembro de 2012

NOTA/CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ PARA TODOS (AS), DIVULGUE EM VÁRIAS LÍNGUAS, CARTA DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ AOS DIVERSOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ATOS NACIONAIS EM DEFESA DO NOSSO POVO.

“Saiam às ruas, pintem os rotos, ocupem as praças, ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!”

Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá” previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do País e do Mundo. Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas.

Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um continuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão.

Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República.

Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades:

- A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados.
- Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo.
- Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejados, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas.
- Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instância do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul.
- Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas.
- Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados.
- A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. Não aceitaremos mudança constitucional!

Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o inicio de um continuo engajamento da sociedade não indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo.

Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganancia deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos.

Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!”

Dourados, 7 de novembro de 2012 –
Conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá.

Um país estranho (FSP)

VLADIMIR SAFATLE

São Paulo, terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Islândia é uma ilha com pouco mais de 300 mil habitantes que parece decidida a inventar a democracia do futuro.

Por uma razão não totalmente clara, esse país que fora um dos primeiros a quebrar com a crise financeira de 2008 sumiu em larga medida das páginas da imprensa mundial. Coisas estranhas, no entanto, aconteceram por lá.

Primeiro, o presidente da República submeteu a plebiscito propostas de ajuda estatal a bancos falidos. O ex-primeiro-ministro grego George Papandreou foi posto para fora do governo quando aventou uma ideia semelhante. O povo islandês, todavia, não se fez de rogado e disse claramente que não pagaria nenhuma dívida de bancos.

Mais do que isso, os executivos dos bancos foram presos e o primeiro-ministro que governava o país à época da crise foi julgado e condenado.

Algo muito diferente do resto da Europa, onde os executivos que quebraram a economia mundial foram para casa levando no bolso “stock options” vindos diretamente das ajudas estatais.

Como se não bastasse, a Islândia resolveu escrever uma nova Constituição. Submetida a sufrágio universal, ela foi aprovada no último fim de semana. A Constituição não foi redigida por membros do Parlamento ou por juristas, mas por 25 “pessoas comuns” escolhidas de maneira direta.

Durante sua redação, qualquer um podia utilizar as redes sociais para enviar sugestões de leis e questionar o projeto. Todas as discussões entre os membros do Conselho Constitucional podiam ser acompanhadas do computador de qualquer cidadão.

O resultado é uma Constituição que estatiza todos os recursos naturais, impede o Estado de ter documentos secretos sobre seus cidadãos e cria as bases de uma democracia direta, onde basta o pedido de 10% da população para que uma lei aprovada pelo Parlamento seja objeto de plebiscito.

Seu preâmbulo não poderia ser mais claro a respeito do espírito de todo o documento: “Nós, o povo da Islândia, queremos criar uma sociedade justa que ofereça as mesmas oportunidades a todos. Nossas diferentes origens são uma riqueza comum e, juntos, somos responsáveis pela herança de gerações”.

Em uma época na qual a Europa afunda na xenofobia e esquece o igualitarismo como valor republicano fundamental, a Constituição islandesa soa estranha. Esse estranho país, contudo, já não está mais em crise econômica.

Cresceu 2,1% no ano passado e deve crescer 2,7% neste ano. Eles fizeram tudo o que Portugal, Espanha, Grécia, Itália e outros não fizeram. Ou seja, eles confiaram na força da soberania popular e resolveram guiar seu destino com as próprias mãos. Algo atualmente muito estranho.

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

Kinsey Reporter: Free App Allows Public to Anonymously Report, Share Information On Sexual Behavior (Science Daily)

ScienceDaily (Sep. 5, 2012) — Indiana University has released Kinsey Reporter, a global mobile survey platform for collecting and reporting anonymous data about sexual and other intimate behaviors. The pilot project allows citizen observers around the world to use free applications now available for Apple and Android mobile platforms to not only report on sexual behavior and experiences, but also to share, explore and visualize the accumulated data.

The Kinsey Reporter platform is available free from Apple iOS and Google Play (for Android) online stores. Reports made by anonymous citizen scientists will be used for research and shared with the public at the Kinsey Reporter website. (Credit: Image courtesy of Indiana University)

“People are natural observers. It’s part of being social, and using mobile apps is an excellent way to involve citizen scientists,” said Julia Heiman, director of The Kinsey Institute for Research in Sex, Gender and Reproduction. “We expect to get new insights into sexuality and relationships today. What do people notice, what are they involved in, and what can they relate to us about their lives and their communities?”

The project will collect anonymous data and then aggregate and share it openly. Kinsey Reporter is a joint project between The Kinsey Institute and the Center for Complex Networks and Systems Research, or CNetS, which is part of the IU School of Informatics and Computing and the Pervasive Technology Institute. Both Kinsey and CNetS are based on the IU Bloomington campus.

CNetS director Filippo Menczer called development of the citizen reporting platform an opportunity to gather information on important issues that may have been difficult to examine in the past.

“This new platform will allow us to explore issues that have been challenging to study until now, such as the prevalence of unreported sexual violence in different parts of the world, or the correlation between various sexual practices like condom use, for example, and the cultural, political, religious or health contexts in particular geographical areas. These were some of our initial motivations for the project,” he said.

Users simply download the free app and begin contributing observed information on topics such as sexual activity, public displays of affection, flirting, unwanted experiences and birth control use. Even though no information identifying users submitting reports is collected or stored, the time and general location of the report is collected and input into the database. Users also have the option of selecting their own geographic preference for the report by choosing city/town, state/region or country.

Surveys will change over time, and users can view aggregated reports by geographic region via interactive maps, timelines or charts. All of these reporting venues can be manipulated with filters that remove or add data based on specific survey topics and questions selected by the user.

Both Heiman and Menczer said The Kinsey Institute’s longstanding seminal studies of sexual behaviors created a perfect synergy with research going on at CNetS related to mining big data crowd-sourced from mobile social media. The sensitive domain — sexual relations — added an intriguing challenge in finding a way to share useful data with the community while protecting the privacy and anonymity of the reporting volunteers, they added.

Reports are transmitted to Kinsey Reporter using a secure, encrypted protocol, and the only data collected are a timestamp, the approximate geo-location selected by the user, and the tags the user chooses in response to various survey questions. The protections and anonymity provided to those responding to surveys allowed IU’s Institutional Review Board to classify the research as “exempt from review,” which allows the data to be used for research and shared without requiring informed consent from users of the apps.

The Kinsey Reporter platform is now in public beta release. Apps are available for free download at both the Apple iOS and Android app stores. Accompanying the app release are a Kinsey Reporter website, a Twitter feed and a Facebook page. The four resources also provide links to information about sexuality, such as blogs and podcasts from the Kinsey Confidential website. YouTube videos on “What Is the Kinsey Reporter App” and “Making the Kinsey Reporter App” are also available for viewing.

The Kinsey Institute receives support from the Office of the Vice Provost for Research at IU Bloomington, which is dedicated to supporting ongoing faculty research and creative activity and developing new multidisciplinary initiatives to enhance opportunities for federal, state and private research funding.

Twitter Data Crunching: The New Crystal Ball (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 29, 2012) — Fabio Ciulla from Northeastern University, Boston, USA, and his colleagues demonstrated that the elimination of contestants in TV talent shows based on public voting, such as American Idol, can be anticipated. They unveiled the predictive power of microblogging Twitter signals–used as a proxy for the general preference of an audience–in a study recently published in EPJ Data Science.

The authors considered the voting system of these shows as a basic test to assess the predictive power of Twitter signals. They relied on the overlap between Twitter users and show audience to collect extremely detailed data on social behaviour on a massive scale. This approach provided a unique and unprecedented opportunity to apply network science to social media. Social phenomena can thus be studied in a completely unobtrusive way. Previously, Twitter has already been used to forecast epidemics spreading, stock market behaviour and election outcomes with varying degrees of success.

In this study, the authors demonstrated that the Twitter activity during the time span limited to the TV show airing and the voting period following it correlated with the contestants’ ranking. As a result, it helped predict the outcome of the votes. This approach offers a simplified version helping to analyse complex societal phenomena such as political elections. Unlike previous voting systems, Twitter offers a quantitative indicator that can act as proxy for what is occurring around the world in real time, thereby anticipating the outcome of future events based on opinions.

Ciulla and colleagues also showed that the fraction of tweets that included geolocalisation information enabled to internationally map the fan base of each contestant. They identified a strong influence by the geographical origin of the votes, suggesting a different outcome to the show, if voting had not been limited to US voters.

Journal Reference:

  1. Fabio Ciulla, Delia Mocanu, Andrea Baronchelli, Bruno Goncalves, Nicola Perra, Alessandro Vespignani. Beating the news using Social Media: the case study of American IdolEPJ Data Science, 2012; 1 (1): 8 DOI:10.1140/epjds8

Sweden recognises new file-sharing religion Kopimism (BBC)

5 January 2012 Last updated at 13:49 GMT

Fingers nearly touchingFile-sharing is a religious ceremony according to the church leader

A “church” whose central tenet is the right to file-share has been formally recognised by the Swedish government.

The Church of Kopimism claims that “kopyacting” – sharing information through copying – is akin to a religious service.

The “spiritual leader” of the church said recognition was a “large step”.

But others were less enthusiastic and said the church would do little to halt the global crackdown on piracy.

Holy information

It doesn’t mean illegal file-sharing will become legal, any more than if ‘Jedi’ was recognised as a religion everyone would be walking around with light sabres” - Mark Mulligan, Music analyst

The Swedish government agency Kammarkollegiet finally registered the Church of Kopimism as a religious organisation shortly before Christmas, the group said.

“We had to apply three times,” said Gustav Nipe, chairman of the organisation.

The church, which holds CTRL+C and CTRL+V (shortcuts for copy and paste) as sacred symbols, does not directly promote illegal file sharing, focusing instead on the open distribution of knowledge to all.

It was founded by 19-year-old philosophy student and leader Isak Gerson. He hopes that file-sharing will now be given religious protection.

“For the Church of Kopimism, information is holy and copying is a sacrament. Information holds a value, in itself and in what it contains and the value multiplies through copying. Therefore copying is central for the organisation and its members,” he said in a statement.

“Being recognised by the state of Sweden is a large step for all of Kopimi. Hopefully this is one step towards the day when we can live out our faith without fear of persecution,” he added.

The church’s website has been unavailable since it broke the news of its religious status. A message urged those interested in joining to “come back in a couple of days when the storm has settled”.

Despite the new-found interest in the organisation, experts said religious status for file-sharing would have little effect on the global crackdown on piracy.

“It is quite divorced from reality and is reflective of Swedish social norms rather than the Swedish legislative system,” said music analyst Mark Mulligan.

“It doesn’t mean that illegal file-sharing will become legal, any more than if ‘Jedi’ was recognised as a religion everyone would be walking around with light sabres.

“In some ways these guys are looking outdated. File-sharing as a means to pirate content is becoming yesterday’s technology,” he added.

Piracy crackdown

The establishment of the church comes amid a backdrop of governmental zero-tolerance towards piracy.

The crackdown on piracy has moved focus away from individual pirates and more towards the ecosystem that supports piracy.

In the US, the Stop Online Piracy Act (Sopa) aims to stop online ad networks and payment processors from doing business with foreign websites accused of enabling or facilitating copyright infringement.

It could also stop search engines from linking to the allegedly infringing sites. Domain name registrars could be forced to take down the websites, and internet service providers forced to block access to the sites accused of infringing.

The government is pushing ahead with the controversial legislation despite continued opposition.

 

*   *   *

Kopimism: the world’s newest religion explained (New Scientist)

14:35 06 January 2012 by Alison George

Download this in memory of me <i>(Image: Lars Johansson)</i>Isak Gerson is spiritual leader of the world’s newest religion, Kopimism, devoted to file-sharing. On 5 January the Church of Kopimism was formallyrecognised as a religion by the Swedish government.

Tell me about this new file-sharing religion, Kopimism.
We were founded about 15 months ago and we believe that information is holy and that the act of copying is holy.

Why make a religion out of file-sharing? Why not just be an ordinary club without defining yourselves as being a religious community?
Because we see ourselves as a religious group, a church seems like a good way of organising ourselves.

Was it hard to become an official religion?
We have had this faith for several years and one day we thought, why not try and get it registered? It was quite difficult. The authorities were quite dogmatic with their formalities. It took us three tries and more than a year to get recognised.

What criteria do you have to meet to become an official religion?
The law states that to be a religion you have to be an organisation that practises moments of prayer or meditation in your rituals.

What are the Kopimist prayers and meditations?
We have a part of our religious practices where we worship the value of information by copying it.

You call this “kopyacting”. Do you actually meet up in a building, like a church, to undertake these rituals?
We do meet up, but it doesn’t have to be a physical room. It could be a server or a web page too.

I understand that certain symbols have special significance in Kopimism.
Yes. There is the “kopimi” logo, which is a K written inside a pyramid a symbol used online to show you want to be copied. But there are also symbols that represent and encourage copying, for example, “CTRL+V” and “CTRL+C”.

Why is information, and sharing it, so important to you?
Information is the building block of everything around me and everything I believe in. Copying it is a way of multiplying the value of information.

What’s your stance on illegal file-sharing?
I think that the copyright laws are very problematic, and at least need to be rewritten, but I would suggest getting rid of most of them.

So all file-sharing should be legal?
Absolutely.

Are you just trying to make a point, or is this religion for real?
We’ve had this faith for several years.

What has the reaction been from established churches?
I haven’t spoken to many of them, but those I have spoken to have been curious, and seen it as an interesting discussion.

Can you get excommunicated from the Church of Kopimism?
We have never thought about it. But if you don’t believe in our values then I guess there is no point in being a member, and if you do believe in our values you can’t really be excommunicated.

How many church members are there?
Around 3000.

How do you become a Kopimist?
Our site is down for moment, because there has been too much traffic, but when it is up, you just have to read about our values and agree with them, then you can register on the web page.

Is there a deity associated with Kopimism?
No, there isn’t.

Is Julian Assange a high priest of Kopimism?
No. We have had no communication with him.

Does Kopimism have anything to say about the afterlife?
Not really. As a religion we are not so focussed on humans.

It could be a digital afterlife.
Information doesn’t really have a life, but I guess it can be forgotten, but as long as it is copied it won’t be.

Profile

Isak Gerson is a 20-year-old philosophy student at Uppsala University, Sweden. Together with Gustav Nipe – a member of Sweden’s Pirate party – and others, he has founded the Church of Kopimism.

 

*    *    *

Kopimism, Sweden’s Pirate Religion, Begins to Plunder America (U.S.News)

‘Kopimism’ gives internet piracy a place to worship

April 20, 2012

The symbol of Kopimism, a religion dedicated to information sharing.The symbol of Kopimism, a religion dedicated to information sharing.

A Swedish religion whose dogma centers on the belief that people should be free to copy and distribute all information—regardless of any copyright or trademarks—has made its way to the United States.

Followers of so-called “Kopimism” believe copying, sharing, and improving on knowledge, music, and other types of information is only human—the Romans remixed Greek mythology, after all, they say. In January, Kopimism—a play on the words “copy me”—was formally recognized by a Swedish government agency, raising its profile worldwide.

“Culture is something that makes people feel much better and makes people appreciate their world in a different way. Knowledge is also something we should copy regardless of the law,” says Isak Gerson, the 20-year-old founder of Kopimism. “It makes us better when we share knowledge and culture with each other.”

More than 3,500 people “like” Kopimism on Facebook, and thousands more practice its sacred ritual of file sharing. According to its manifesto, private, closed-source software code and anti-piracy software are “comparable to slavery.” Kopimist “Ops,” or spiritual leaders, are encouraged to give counsel to people who want to pirate files, are banned from recording and should encrypt all virtual religious service meetings “because of society’s vicious legislative and litigious persecution of Kopimists.”

Official in-person meetings must happen in places free of anti-Kopimist monitoring and in spaces with the Kopimist symbol—a pyramid with the letter K inside. To be initiated new parishioners must share the Kopimist symbol and say the sacred words “copied and seeded.”

The gospel of the church has begun to spread, with Kopimist branches in 18 countries.

An American branch of the religion was recently registered with Illinois and is in the process of gaining federal recognition, according to Christopher Carmean, a 25-year-old student at the University of Chicago and head of the U.S. branch.

“Data is what we are made of, data is what defines our life, and data is how we express ourselves,” says Carmean. “Forms of copying, remixing, and sharing enhance the quality of life for all who have access to them. Attempts to hinder sharing are antithetical to our data-driven existence.”

About 450 people have registered with his church, and about 30 of them are actively practicing the religion, whose symbols include Ctrl+C and Ctrl+V—the keyboard shortcuts for copy and paste.

It’s no surprise the religion was born in Sweden—it has some of the laxest copyright laws in the world. The Swedish Pirate Party has two seats in the European Parliament, and The Pirate Bay, a Swedish website that’s one of the world’s largest portals to illegal files, has avoided being shut down for years.

Gerson is happy to allow people who want to open their own branches of Kopimism to copy its symbols and religious documents.

“There’s been a couple people that asked me [to start congregations], but I tell them they shouldn’t ask. You don’t need permission,” he says. “It’s a project, and I want projects to be copied, so I’m happy when people copy without asking.”

Most Kopimists say they realized they were practicing the religion before they found it.

“There are many people who are like me, who always held the Kopimist ideals, but hadn’t yet heard of the official church,” says Lauren Pespisa, a web developer in Cambridge, Mass., who gave a speech about the religion in March to a group of anti-copyright activists called the Massachusetts Pirate Party. “I think some people are like me and have embraced it officially and publicly, but some people believe in it and don’t really want to mix religion and politics.”

That’s a big criticism of the religion—lawsuits brought upon Kopimists is a form of religious persecution, according to Gerson. But Pespisa says that crying persecution in court probably “wouldn’t hold up in reality.”

In a blog post in late March, Carmean wrote that people should not “bring a legal argument to a religion fight.”

“Expecting any religion to provide a logic-based mandate for every single action that one might take is absurd and offensive,” he wrote. “It insults the basic moral fiber of Kopimists and all of humanity to outright demand a total moral code of conduct from anyone purporting to have a new perspective on issues of our time.”

Although many Kopimists are practicing a “sacred” ritual whenever they download or share a movie, CD, or book, they also regularly meet in online chat rooms to discuss the religion. Many of them are also internet activists, working to make file sharing legal, regardless of copyright. Even if they’re unsuccessful, Gerson is happy to help the information flow in any way he can.

“I think we need to change the laws, but I don’t think we need to focus only on them. I think laws can, in many cases, be ignored,” he says. “We want to encourage people to share regardless of what the laws say.”

Scientific particles collide with social media to benefit of all (Irish Times)

The Irish Times - Thursday, July 12, 2012

xxx Large Hadron Collider at Cern: the research body now has 590,000 followers on Twitter

xxx Large Hadron Collider at Cern: the research body now has 590,000 followers on Twitter

MARIE BORAN

IN 2008 CERN switched on the Large Hadron Collider (LHC) in Geneva – around the same time it sent out its first tweet. Although the first outing of the LHC didn’t go according to plan, the Twitter account gained 10,000 followers within the first day, according to James Gillies, head of communications at Cern.

Speaking at the Euroscience Open Forum in Dublin this week, Gillies explained the role social media plays in engaging the public with the particle physics research its laboratory does. The Twitter account now has 590,000 followers and Cern broke important news via it in March 2010 by joyously declaring: “Experiment have seen collisions.”

“Why do we communicate at Cern? If you talk to the scientists who work there they will tell you it’s a good thing to do and they all want to do it,” Gillies said, adding that Cern is publicly funded so engaging with the people who pay the bills is important.

When the existence of the Higgs particle was announced last week, it wasn’t an exclusive press event. Live video was streamed across the web, questions were taken not only from journalists but also from Twitter followers, and Cern used this as a chance to announce jobs via Facebook.

While Cern appears to be the social media darling of the science world, other research institutes and scientists are still weighing up the pros and cons of platforms like Facebook, Twitter or YouTube.

There is a certain stigma attached to social networking sites, not just because much of the content is perceived as banal, but also because too much tweeting could be damaging to your image as a scientist.

Bora Zivkovic is blogs editor at Scientific American, organiser of the fast-growing science conference ScienceOnline and speaker at the social media panel this Saturday at the Euroscience Open Forum. He says the adoption of social media by scientists is slow but growing.

“Academics are quite risk-averse and are shy about trying new things that have a perceived potential to remove the edge they may have in the academic hierarchy, either through lost time or lost reputation.”

Zivkovic talks about fear of the “Sagan effect”, named after the late Carl Sagan. A talented astronomer and astrophysicist, he was loved by the public but snubbed by the science community.

“Many still see social media as self-promotion, which is still in some scientific circles viewed as a negative thing to do. The situation is reminiscent of the very slow adoption of email by researchers back in the early 1990s.

“Once the scientists figure out how to include social media in their daily workflow, realise it does not take away from their time but actually makes them more effective in reaching their academic goals, and realise that the ‘Sagan effect’ on reputation is a thing of the past, they will readily incorporate social media into their normal work.”

Many researchers still rely heavily on specialist mailing lists. The broadcast capability on social media is far greater and bespoke, claims Dr Matthew Rowe, research associate at the Knowledge Media Institute with the Open University.

“If I was to email people about some recent work I would presume that it would be marked as spam. However, if I was to announce the release of some work through social media, then a debate and conversation could evolve surrounding the topic; I have seen this happen many times on Facebook.”

Conversations on social media sites are often seen as trivial – for scientists, the end goal is “publish or perish”. Results must be published in a reputable academic journal and preferably cited by those in their area.

Twitter, it seems, can help. A 2011 paper from researcher Gunther Eysenbach found a correlation between Twitter activity and highly cited articles. The microblogging site may help citation rate or serve as a measure of how “citable” your paper may be.

In addition, a 2010 survey on Twitter found one-third of academics said they use it for sharing information with peers, communicating with students or as a real-time news source.

For some the argument for social media is the potential for connecting with volunteers and providing valuable data from the citizen scientist. Yolanda Melero Cavero’s MinkApp has connected locals with an effort to control the mink population in Scotland.

“The most interesting thing about MinkApp, for me, was the fact that the scientist was able to get 600 volunteers for her ecological study. Social media has the grassroots potential to engage with willing volunteers,” says Nancy Salmon, researcher at the department of occupational therapy at the University of Limerick.

Rowe gives some sage social media advice for academics about keeping on topic and your language jargon-free.

But there’s always room for humour as demonstrated by the Higgs boson jokes on Twitter and Facebook last week. As astronomer Phil Platt tweeted: “I’ve got 99.9999% problems, but a Higgs ain’t one.”

Declaração final da Cúpula dos Povos na Rio+20

Sexta-feira, 22 junho, 2012

http://cupuladospovos.org.br

O documento final da Cúpula dos povos sintetiza os principais eixos discutidos durante as plenárias e assembléias, assim como expressam as intensas mobilizações ocorridas durante esse período – de 15 a 22 de junho – que apontam as convergências em torno das causas estruturais e das falsas soluções, das soluções dos povos frente às crises, assim como os principais eixos de luta para o próximo período.

As sínteses aprovadas nas plenárias integram e complementam este documento político para que os povos, movimentos e organizações possam continuar a convergir e aprofundar suas lutas e construção de alternativas em seus territórios, regiões e países em todos os cantos do mundo.
Você também pode ler a carta aqui (em pdf).

Declaração final
Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental
Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofobico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistematica violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.
Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessarios à sobrevivencia.
A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.
A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

  • Contra a militarização dos Estados e territórios;
  • Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;
  • Contra a violência contra as mulheres;
  • Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;
  • Contra as grandes corporações;
  • Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;
  • Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;
  • Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;
  • Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;
  • Pela garantia e conquista de direitos;
  • Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;
  • Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;
  • Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;
  • Pela democratização dos meios de comunicação;
  • Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;
  • Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra os sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida.

The Secret Lives of Dangerous Hackers (N.Y.Times)

‘We Are Anonymous’ by Parmy Olson

By , Published: May 31, 2012

In December 2010 the heat-seeking Internet pranksters known as Anonymous attacked PayPal, the online bill-paying business. PayPal had been a conduit for donations to WikiLeaks, the rogue whistle-blower site, until WikiLeaks released a huge cache of State Department internal messages. PayPal cut off donations to the WikiLeaks Web site. Then PayPal’s own site was shut down, as Anonymous did what it did best: exaggerate the weight of its own influence.

WE ARE ANONYMOUS - Inside the Hacker World of LulzSec, Anonymous, and the Global Cyber Insurgency, By Parmy Olson. 498 pages. Little, Brown & Company. $26.99.

But, according to “We Are Anonymous,” by Parmy Olson, the London bureau chief for Forbes magazine, it had taken a single hacker and his botnet to close PayPal. “He then signed off and went to have his breakfast,” she writes.

(The accuracy of this account is in dispute. PayPal says that its site was never fully down. But as Ms. Olson says, in “a note about lying to the press,” this is how she weighed information as a reporter: “Did supporters of Anonymous lie to me in some interviews?  Yes, though admittedly not always to start with. Over time, if I was not sure about a key point, I would seek to corroborate it with others.  Such is the case with statements presented as fact in this book.  My approach to Anons who were lying to me was simply to go along with their stories, acting as if I were impressed with what they were saying in the hope of teasing out more information that I could later confirm.  I have signposted certain anecdotes with the word “claimed” — e.g., a person “claimed” that story is true.  Not everyone in Anonymous and LulzSec lied all the time, however, and there were certain key sources who were most trustworthy than others and whose testimony I tended to more closely, chief among them being Jake Davis.”  Mr. Davis, known as Topiary, appears to be a principal source in describing how the PayPal attack unfolded.)

Valgas Moore. Parmy Olson

Even so, Anonymous made it seem like the work of its shadowy horde. “We lied a bit to the press to give it that sense of abundance,” says the figure named Topiary, one of the best sources in “We Are Anonymous,” a lively, startling book by Ms. Olson that reads as “The Social Network” for group hackers.

As in that Facebook film the technological innovations created by a few people snowball wildly beyond expectation, until they have mass effect. But the human element — the mix of glee, malevolence, randomness, megalomania and just plain mischief that helped spawn these changes — is what Ms. Olson explores best.

“Here was a network of people borne out of a culture of messing with others,” she writes, “a paranoid world whose inhabitants never asked each other personal questions and habitually lied about their real lives to protect themselves.”

The story of Anonymous and its offshoots is worth telling because of the fast and unpredictable ways they have grown. Anonymous began attracting attention after it attacked the Church of Scientology in 2008; subsequent targets have included Sony’s PlayStation network, Fox television and ultimately the C.I.A.  The Homeland Security Department expressed its own worries last year.

Ms. Olson provides a clear timeline through Anonymous’s complicated, winding history. She concentrates particularly on how it spun off the smaller, jokier group LulzSec. “If Anonymous had been the 6 o’clock news, LulzSec was ‘The Daily Show,’ ” she writes.

The breeding ground for much of this was 4chan, the “Deep Web” destination “still mostly unknown to the mainstream but beloved by millions of regular users.” The realm of 4chan called /b/ is where some of this book’s most destructive characters spent their early Internet years, soaking up so much pornography, violence and in-joke humor that they became bored enough to move on. Ms. Olson, whose evenhanded appraisals steer far clear of sensationalism, describes 4chan as “a teeming pit of depraved images and nasty jokes, yet at the same time a source of extraordinary, unhindered creativity.” It thrived on sex and gore. But it popularized the idea of matching funny captions with cute cat photos too.

“We Are Anonymous” also captures the broad spectrum of reasons that Anonymous and LulzSec attracted followers. Some, like Topiary — who turned out to be Jake Davis, an outwardly polite 19-year-old from a sheep-farming community on the remote Shetland Island called Yell, who was arrested in 2011 — were in it for random pranks and taunting laughs. This book does not shy away from the raw language its principals used, as when Topiary told one victim: “Die in a fire. You’re done.” Other participants had political motivations. The New Yorker calling himself Sabu began as a self-styled revolutionary and was instrumental in getting Anonymous to invade the Web sites of top government officials in Tunisia.

A pivotal part of this book concerns the arrest of Sabu, the unveiling of his real identity as Hector Monsegur, and the F.B.I.’s subsequent use of him as an informant. Sabu’s dealings with Julian Assange of WikiLeaks are also described. Ms. Olson notes how Sabu “suddenly seemed very keen to talk to the WikiLeaks founder once his F.B.I. handlers were watching.”

Ms. Olson regards it as inevitable that neither Anonymous nor LulzSec could reconcile the divergent goals of its participants. Bullying jokesters and politically oriented hacktivists may share sophisticated knowledge of how to manipulate the Web and social media, but each faction became an embarrassment to the other. Topiary told Ms. Olson about his own long-distance contact with Mr. Assange, whom he describes as both intrigued by the saboteurs’ potential and critical of their silly side. (After sifting through 75,000 e-mails from a digital security firm, Topiary bashfully admits, one of the things that most interested him was an e-mail from the chief executive’s wife saying, “I love when you wear your fuzzy socks with your jammies.” )

The most startling conversation in “We Are Anonymous” was arranged by the author: an in-the-flesh meeting between Topiary and a person she calls William, since he remains unidentified.

William personifies the dehumanizing effects of cybercrime, and he knows it. One of his specialties is extorting pornographic pictures and then putting them to damaging use. “We split up several boyfriends and girlfriends and appalled many people’s mothers,” he recalls, about the Facebook tricks the book describes in detail. “I’d be lying if I said there was any great reason,” he adds. “I don’t feel guilty, it makes me laugh, and it wastes a night.”

Together they confirm the worst suspicions about the power of sophisticated but untethered Internet manipulation. “You could inspire some 15-year-old, or someone with a 15-year-old’s mind-set, to hate whoever you want them to hate,” William says.

Postscript: May 31, 2012

After this article was published, PayPal contacted The Times to take issue with the statements in the book that say the hackers shut down its Web site. Jennifer Hakes, a senior manager in corporate communications, said that as a result of the attacks in December 2010, “PayPal was never down.”

TATU OR NOT TATU Manifesto Uninômade +10

TATU OR NOT TATU
Manifesto Uninômade +10
15 de Junho de 2012
 
A palavra revolução voltou a circular. Nas ruas, nas praças, na internet, e até mesmo nas páginas de jornal, que a olha com olhos temerosos. Mas, principalmente, em nossos espíritos e corpos. Da mesma maneira, a palavra capitalismo saiu de sua invisibilidade: já não nos domina como dominava. Assistimos ao final de um ciclo – o ciclo neoliberal implementado a partir dos anos 80, mas cujo ápice se deu com a queda do muro de Berlim e o consenso global em torno da expansão planetária do mercado. Muitos dentre nós (principalmente os jovens) experimentam seu primeiro deslocamento massivo das placas tectônicas da história. 

Mas nossa era não é apenas crepuscular. Ao fim de um ciclo abrem-se amplas oportunidades, e cabe a nós transformar a crise da representação e do capitalismo cognitivo em novas formas de democracia absoluta. Para além das esferas formais, dos Estados e nacionalidades. Para além do capitalismo financeiro e flexível. Lá onde brilha nossa singularidade comum: a mulher, o negro, o índio, o amarelo, o pobre, o explorado, o precário, o haitiano, o boliviano, o imigrante, o favelado, o trabalhador intelectual e manual. Não se trata de um recitar de excluídos, mas de uma nova inclusão híbrida. A terra, enfim, nossa. Nós que somos produzidos por esta chuva, esta precipitação de encontros de singularidades em que nos fazemos divinos nesta terra.

É pelo que clama a multidão na Grécia, na Espanha e os occupy espalhados pelos Estados Unidos; é pelo que clamam as radicalidades presentes na primavera árabe, esta multidão situada para além da racionalidade ocidental. É o mesmo arco que une a primavera árabe, as lutas dos estudantes no Chile e as lutas pela radicalização da democracia no Brasil. Nossas diferenças é o que nos torna fortes.

A luta pela mestiçagem racial, simbólica, cultural e financeira passa pela materialidade do cotidiano, pela afirmação de uma longa marcha que junte nossa potência de êxodo e nossa potência constituinte. Acontecimento é o nome que nos anima para o êxodo perpétuo das formas de exploração. Êxodo para dentro da terra. Fidelidade à terra. Tatu or not tatu.

É preciso ouvir em nós aquele desejo que vai para além da vida e da sua conservação: para além do grande terror de uma vida de merda que nos impõe o estado de precariedade e desfiliação extrema. É preciso re-insuflar o grito que nos foi roubado à noite, resistir aos clichês que somos, e que querem fazer de nós: para além de nossas linhas de subjetivação suspensas entre o luxo excedente do 1% ou do lixo supérfluo dos 99%. 

É preciso não precisar de mais nada, a não ser nossa coragem, nosso intelecto e nossos corpos, que hoje se espraiam nas redes de conhecimentos comuns apontando para nossa autonomia. Somos maiores do que pensamos e desejamos tudo.  Não estamos sozinhos! É preciso resistir na alegria, algo que o poder dominador da melancolia é incapaz de roubar. Quando o sujeito deixa de ser um mero consumidor-passivo para produzir ecologias. Um corpo de vozes fala através de nós porque a crise não é apenas do capital, mas sim do viver. Uma profunda crise antropológica. Manifesta-se no esvaziamento de corpos constrangidos, envergonhados, refletidos na tela da TV, sem se expandir para ganhar as ruas. Nossos corpos paralisam, sentem medo, paranóia: o outro vira o grande inimigo. Não criam novos modos de vida. Permanecem em um estado de vidaMenosvida: trabalho, casa, trem, ônibus, trabalho, casa. A vida individual é uma abstração. Uma vida sem compartilhamento afetivo, onde a geração do comum se torna impossível. É preciso criar desvios para uma vidaMaisvida: sobrevida, supervida, overvida. Pausa para sentir parte do acontecimento, que é a vida.  Somos singularidades cooperativas. Pertencemos a uma esfera que nos atravessa e nos constrói a todo o momento.

O capitalismo cognitivo e financeiro instaura um perpétuo estado de exceção que busca continuamente reintegrar e modular a normalidade e a diferença: lei e desordem coincidem dentro de uma mesma conservação das desigualdades que produz e reproduz as identidades do poder: o “Precário” sem direitos, o Imigrante “ilegal”, o “Velho” abandonado, o “Operário” obediente, a “Mulher” subjugada, a “Esposa” dócil, o “Negro” criminalizado e, enfim, o “Depressivo” a ser medicalizado. As vidas dos pobres e dos excluídos passam a ser mobilizadas enquanto tais. Ao mesmo tempo em que precisam gerar valor econômico, mantêm-se politicamente impotentes.

O pobre e o louco. O pobre – figura agora híbrida e modulada de inclusão e exclusão da cadeia do capital -  persiste no cru da vida, até usando seu  próprio corpo como moeda. E o louco, essa figura que vive fora da história, “escolhe” a exclusão. Esse sujeito que se recusa a produzir, vive sem lugar. Onde a questão de exclusão e inclusão é diluída no delírio. Ninguém delira sozinho, delira-se o mundo. Esses dois personagens vivem e sobrevivem à margem, mas a margem transbordou e virou centro. O capital passa a procurar valor na subjetividade e nas formas de vida das margens e a potência dos sem-dar-lucro passa a compor o sintoma do capital: a crise da lei do valor, o capitalismo cognitivo como crise do capitalismo.

A crise dos contratos subprimes em 2007, alastrando-se para a crise da dívida soberana europeia, já não deixa dúvidas: a forma atual de governabilidade é a crise perpétua, repassada como sacrifício para os elos fragilizados do arco social. Austeridade, cortes, desmonte do welfare, xenofobia, racismo. Por detrás dos ternos cinza dos tecnocratas pós-ideológicos ressurgem as velhas bandeiras do biopoder: o dinheiro volta a ter rosto, cor, e não lhe faltam ideias sobre como governar: “que o Mercado seja louvado”, “In God we trust”. O discurso neutro da racionalidade econômica é obrigado a mostrar-se em praça pública, convocando o mundo a dobrar-se ao novo consenso, sem mais respeitar sequer a formalidade da democracia parlamentar. Eis o homo œconomicus: sacrifício, nação, trabalho, capital! É contra este estado de sítio que as redes e a ruas se insurgem. Nas mobilizações auto-convocadas em redes, nas praças das acampadas, a exceção aparece como criatividade do comum, o comum das singularidades que cooperam entre si.

No Brasil são muitos os que ainda se sentem protegidos diante da crise global. O consenso (neo) desenvolvimentista produzido em torno do crescimento econômico e da construção de uma nova classe média consumidora cria barreiras artificiais que distorcem nossa visão da topologia da crise: a crise do capitalismo mundial é, imediatamente, crise do capitalismo brasileiro. Não nos interessa que o Brasil ensine ao mundo, junto à China, uma nova velha forma de capitalismo autoritário baseado no acordo entre Estados e grandes corporações! 

O governo Lula, a partir das cotas, do Prouni, da política cultural (cultura viva, pontos de cultura) e da distribuição de renda (programas sociais, bolsa família, valorização do salário mínimo) pôde apontar, em sua polivalência característica, para algo que muitos no mundo, hoje, reivindicam: uma nova esquerda, para além dos partidos e Estados (sem excluí-los). Uma esquerda que se inflame dos movimentos constituintes que nascem do solo das lutas, e reverta o Estado e o mercado em nomes  do comum. Uma esquerda que só pode acontecer “nessa de todos nós latino-amarga américa”. Mais do que simples medidas governamentais, nestas políticas intersticiais, algo de um acontecimento histórico teve um mínimo de vazão: aqueles que viveram e morreram por transformações, os espectros das revoluções passadas e futuras, convergiram na construção incipiente de nossa emancipação educacional, racial, cultural e econômica. Uma nova memória e um novo futuro constituíram-se num presente que resistira ao assassinato simbólico da história perpetrado pelo neoliberalismo. A popularidade dos governos Lula tinha como lastro esses interstícios onde a política se tornava uma poética. Já hoje, nas taxas de aprovação do governo Dilma, podemos facilmente reconhecer também as cores deslavadas de um consenso prosaico. O “país rico” agora pacifica-se no mantra desenvolvimentista, retrocedendo em muitas das políticas que tinham vazado. Voltam as velhas injunções progressistas: crescimento econômico para redistribuir! Estado forte! As nuvens ideológicas trazem as águas carregadas do gerencialismo e do funcionalismo tecnocrático: menos política, mais eficiência! Desta maneira, removem-se e expropriam-se os pobres: seja em nome de um Brasil Maior e se seu interesse “público” (Belo Monte, Jirau, Vila Autódromo), seja em nome de um Mercado cada vez Maior e de seu interesse “privado” (Pinheirinho, TKCSA, Porto do Açu). Juntando-se entusiasticamente às equações do mercado, os tratores do progresso varrem a sujeira na construção de um novo “País Rico (e) sem pobreza”. Os pobres e as florestas, as formas de vida que resistem e persistem, se tornam sujeira. A catástrofe ambiental (das florestas e das metrópoles) e cultural (dos índios e dos pobres) é assim pacificada sob o nome do progresso. Dominação do homem e da natureza conjugam-se num pacto fáustico presidido por nenhum Mefistófeles, por nenhuma crise de consciência: já somos o país do futuro!
 
Na política de crescer exponencialmente, só se pensa em eletricidade e esqueceu-se a democracia (os Soviets : Conselhos). Assim, governa-se segundo a férrea lógica – única e autoritária – da racionalidade capitalista. Ataca-se enfim a renda vergonhosa dos “banquiplenos”, mas a baixa dos juros vai para engordar os produtores de carros, essas máquinas sagradas de produção de individualismo, em nome da moral do trabalho. Dessa maneira, progredir significa, na realidade, regredir: regressão política como acontece na gestão autoritária das revoltas dos operários das barragens; regressão econômica e biológica, como acontece com uma expansão das fronteiras agrícolas que serra a duração das relações entre cultura e natureza; regressão da vida urbana, com a remoção de milhares de pobres para abrir o caminho dos megaeventos; regressão da política da cultura viva, em favorecimento das velhas oligarquias e das novas indústrias culturais. O progresso que nos interessa não contém nenhuma hierarquia de valor, ele é concreta transformação qualitativa, “culturmorfologia”.

Este é o imaginário moderno em que a dicotomia prevalece: corpo e alma, natureza e cultura, nós e os outros; cada macaco no seu galho! Estes conceitos resultam em uma visão do mundo que distancia o homem da ecologia e de si mesmo. O que está em questão é a maneira de viver no planeta daqui em diante. É preciso encontrar caminhos para reconciliar estes mundos. Perceber outras configurações relacionais mais móveis, ativar sensibilidades. Fazer dessa revolução um grande caldeirão de desejos que crie formas de cooperação e modos de intercâmbio, recombine e componha novas práticas e perspectivas: mundos. Uma mestiçagem generalizada: nossa cultura é nossa economia e nosso ambiente é nossa cultura: três ecologias!

As lutas da primavera Árabe, do 15M Espanhol, do Occupy Wall Street e do #ocupabrasil gritam por transformação, aonde a base comum que somos nos lança para além do estado de exceção econômico: uma dívida infinita que busca manipular nossos corações e manter-nos acorrentados aos medos. Uma dívida infinita que instaura a perpétua transferência de renda dos 99% dos devedores ao 1% dos credores. Não deixemos que tomem por nós a decisão sobre o que queremos! 

A rede Universidade Nômade se formou há mais de dez anos, entre as mobilizações de Seattle e Gênova, os Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre e a insurreição Argentina de 2001 contra o neoliberalismo. Foram dois momentos constituintes: o manifesto inicial que chamava pela nomadização das relações de poder/saber, com base nas lutas dos pré-vestibulares comunitários para negros e pobres (em prol da política de cotas raciais e da democratização do acesso ao ensino superior); e o manifesto de 2005 pela radicalização democrática. Hoje, a Universidade Nômade acontece novamente: seu Kairòs (o aqui e agora) é aquele do capitalismo global como crise. Na época da mobilização de toda a vida dentro da acumulação capitalista, o capitalismo se apresenta como crise e a crise como expropriação do comum, destruição do comum da terra. Governa-se a vida: a catástrofe financeira e ambiental é o fato de um controle que precisa separar a vida de si mesma e opõe a barragem aos índios e ribeirinhos de Belo Monte,  as obras aos operários, os megaeventos aos favelados e aos pobres em geral, a dívida aos direitos, a cultura à natureza. Não há nenhum determinismo, nenhuma crise terminal. O capital não tem limites, a não ser aqueles que as lutas sabem e podem construir. A rede Universidade Nômade é um espaço de pesquisa e militância, para pensar as brechas e os interstícios onde se articulam as lutas que determinam esses limites do capital e se abrem ao possível: pelo reconhecimento das dimensões produtivas da vida através da renda universal, pela radicalização democrática através da produção de novas instituições do comum, para além da dialética entre público e privado, pelo ressurgimento da natureza como produção da diferença, como luta e biopolítica de fabricação de corpos pós-econômicos. Corpos atravessados pela antropofagia dos modernistas, pelas cosmologias ameríndias, pelos êxodos quilombolas, pelas lutas dos sem teto, sem terra, precários, índios, negros, mulheres e hackers: por aqueles que esboçam outras formas de viver, mais potentes, mais vivas.